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Marcos Vinícius Caetano de Sousa
Na cola da leishmaniose Entenda mais sobre a doença que atinge animais domésticos e de rua e pode ser transmitida a seres humanos. E saiba o que cientistas da Universidade Federal de Uberlândia estão fazendo para conseguir um diagnóstico mais rápido e preciso.
você sabia
Mosquito palha: conheça este vilão
A leishmaniose atinge os seres humanos a partir do mosquito palha, agente transmissor. Quando o inseto pica um animal contaminado e, depois, uma pessoa, ela pode desenvolver a doença. Entenda as particularidades desse mosquito. Fotos Divulgação Projeto Famev-UFU
As picadas dos Mosquito palha nos cães ocorrem principalmente na cabeça, como nas orelhas e nariz
Expediente
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- O mosquito palha tem esse nome por ter coloração clara. - O entardecer é o período do dia em que o inseto mais age. - Normalmente, o mosquito palha é encontrado no exterior das residências. Porém, pode ir para o interior dessas quando atraído pelo cheiro de pessoas e animais. - Apenas a fêmea do mosquito palha transmite a doença. Isso é devido a esse inseto ser hematófago (se alimenta de sangue de mamíferos), o que é necessário para a maturação dos ovos, que são colocados no solo ou em lugares com matéria orgânica úmida. - Durante o ciclo de vida, a fêmea pica os animais e/ou seres humanos somente três ou quatro vezes, podendo ser infectada pelo protozoário já na primeira vez. - No cão, as picadas se dão, principalmente, na cabeça (orelhas e nariz). - A manifestação da doença varia, em média, entre três a 18 meses desde a picada do inseto no cão. - Alguns cães são resistentes ao protozoário. Por isso, devido à genética ou desde que não sofram situações de estresse e sejam bem alimentados, eles não apresentarão os sintomas da doença. - Se o cão não apresenta sintomas da leishmaniose visceral, mas é portador do protozoário, pode transmitir a doença desde que o mosquito palha o pique. Dessa maneira, o Mistério da Saúde, no Brasil, proíbe o tratamento dos animais contaminados, recomendando a eutanásia deles. - A denominação “calazar” (pele escura) surgiu porque, nos países africanos e na Índia, um dos sintomas da leishmaniose visceral é o escurecimento da pele. No entanto, esse sintoma é raro no Brasil.
Esta publicação é parte integrante do projeto de popularização da ciência – Universidade Federal de Uberlândia (UFU) / Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) Reportagens: Ana Beatriz Tuma e André Víctor Moura Edição: Ana Spannenberg (MTb 9453) Fotos: As fotos de divulgação foram cedidas pelo projeto “Caracterização das alternações clínicas, laboratoriais e anatomopatológicas na leishmaniose visceral canina no município de Uberlândia” e são de autoria de Tais Meziara Wilson e Larissa Fernandes Magalhães. Ilustração: Brunner Macedo Arte e Diagramação: Danielle Buiatti Tiragem: 2.000 exemplares (Distribuição gratuita) Informações: popciencia@ufu.br
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Leishmaniose visceral afeta cães de Uberlândia
Para se proteger da doença o melhor modo é identificar o quanto antes os animais infectados. Por isso, um grupo de pesquisadores da UFU estuda formas de tornar o teste mais eficaz, com maior rapidez e custos mais baixos.
“Normalmente é assim: se tem um grande número de casos nesses animais também terá um aumento de casos em humanos”.
Marcos Vinícius Caetano de Sousa
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pode ocorrer com animais e seres humanos, afetando nestes, principalmente, as vísceras, como o baço e o fígado. Nas cidades, o principal reservatório desse protozoário são os cães, tanto os domésticos quanto os de rua. O ciclo de disseminação da LV também acontece quando a fêmea do mosquito-palha pica o animal infectado, podendo infectar outro animal ou ser humano. Em Uberlândia, os primeiros casos de leishmaniose visceral em pessoas que vivem no Município começaram em 2008. “A partir da detecção em humanos, começou-se a fazer o estudo nos cães. Normalmente é assim: se tem um grande número de casos nesses animais também terá um aumento de casos em humanos”, afirma Alessandra Aparecida Medeiros, que é doutora em Medicina Veterinária e também coordena o curso de Graduação desta área na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O Centro de Controle de Zoonoses é o responsável pelo diagnóstico dos animais doentes e identificação do mosquito-palha, pois é difícil para a população diferenciá-lo dos demais mosquitos. Para que a transmissão da leishmaniose diminua ou deixe de existir, é necessário diagnosticar o mais rápido possível e sem muitos custos financeiros os cães, no caso das cidades. Na UFU, o projeto “Caracterização das alternações clínicas, laboratoriais e anatomopatológicas na leishmaniose visceral canina no município de Uberlândia”, coordenado pela professora Alessandra, busca alcançar esse objetivo nos exames da doença. Paralelo a esse estudo, cientistas da UFU também estão pesquisando uma caracterização clínica, hematológica e bioquímica dos cães contaminados com a leishmaniose visceO diagnóstico precoce é o melhor modo de evitar a transmissão da doença ral na cidade. A leishmaniose recebe várias denominações, de acordo com a região do Brasil, podendo ser chamada de calazar, febre dundun, esplenomegalia tropical, entre outros nomes. Existem dois tipos de leishmaniose, ambas são zoonoses (doenças de animais que podem afetar os seres humanos): a tegumentar americana (LTA) e a visceral (LV), situação mais grave. No primeiro caso, refere-se a uma doença do tipo infecciosa, que afeta, no homem, mucosas e/ou a pele, não é contagiosa e é originada por um protozoário do gênero Leishmania. A transmissão da LTA começa quando um animal silvestre ou doméstico, que está contaminado (reservatório da doença), é picado pela fêmea do mosquito chamado de palha, birigui, etc. dependendo da localização geográfica do País. Esse mosquito pode picar um novo animal ou homem, contaminando-os também. O outro tipo de leishmaniose, a visceral, é igualmente ocasionada por um protozoário do gênero Leishmania. Essa doença
la). A professora lembra que, normalmente, é feita uma triagem dos animais por meio do teste ELISA. “O ELISA é o teste que tem sensibilidade e especificidade baixa. Naqueles (animais) que dão positivo no ELISA, é feito o teste de imunofluorescência. Ambos os testes têm sensibilidade alta, mas a especificidade não é muito alLesões cutâneas e crescimento irregular das unhas são sintomas da doença ta”, explica. A professora Alessandra explica que a A equipe doença se manifesta de diversas formas, no de Alessandra trabalha com outro exame, o animal. “O cão pode não ter sinal clínico e ter parasitológico, o qual é realizado quando o o parasita (assintomático), servindo de fonte Centro de Controle de Zoonoses diagnostica o de infecção; pode ter poucos sintomas (oligos- cão doente. “Esse teste é cem por cento espesintomático), o que dificulta o diagnóstico, ou cífico, ou seja, se eu pegar um animal, colher pode ter muitos sinais clínicos (sintomático)”, uma amostra e ver a leishmania, ele é positiafirma. No cão, os sintomas são variados, po- vo”. No entanto, esse exame pode demorar dendo o animal ter: linfadenomegalia (gângli- até 48 horas (mais que os outros dois testes, os linfáticos aumentam de tamanho), lesões que levam, em média, 6 horas), porque é uma cutâneas, anemia, leucopenia (redução das cé- questão de ler, no microscópio, os vários tecilulas de defesa do organismo), insuficiência re- dos do cão, segundo a coordenadora. nal (os rins tornam-se incapazes de eliminar, Além disso, essa equipe faz, no animal, o corretamente, as toxinas do corpo), crescimen- exame clínico, que consiste na medição da to anormal e disforme das unhas e hepatome- temperatura, auscultação (escutar as palpitagalia (aumento do fígado por parasitismo). ções dos órgãos do tórax), diagnóstico das leO projeto de Alessandra é financiado sões cutâneas, entre outros, e colhe amostras pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Mi- para traçar o perfil hematológico e bioquíminas Gerais (Fapemig), com apoio da UFU e par- co dos animais doentes. “O cão, na Região, ceria do Centro de Controle de Zoonoses de vai ter determinadas alterações clínicas, heUberlândia. Assim, esse Centro diagnostica a matológicas e bioquímicas. Vamos ver se ‘badoença no cão pelo teste sorológico (líquido te’ com o que a literatura traz”, ressalta que é separado do sangue quando este coagu- Alessandra. Marcos Vinícius Caetano de Sousa
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Como Identificar?
Fotos Divulgação Projeto Famev-UFU O diagnóstico precoce é o melhor modo de evitar a transmissão da doença
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O que fazer? Divulgação Projeto Famev-UFU
Hoje, o sacrifício dos animais doentes é a única alternativa permitida por lei
Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral: Neste livro do Ministério da Saúde são explicadas as principais características da doença nos animais e nos seres humanos, os tratamentos e as formas de prevenção. Leia:http://portal.saude.gov.br/po rtal/arquivos/pdf/manual_leish_vi sceral2006.pdf Diagnóstico da leishmaniose visceral canina: Este artigo explica o que é a Leishmaniose, como funciona seu ciclo de contaminação e quais os principais testes para diagnosticá-la. Leia:http://www.portaleducacao.co m.br/veterinaria/artigos/9948 Para quem é vestibulando, um bom texto formulado pela equipe do Vestibular 1, com tudo o que você precisa saber da Leishmaniose para o vestibular. Leia:http://pt.scribd.com/doc/813 6230/leishmaniose Gosta mais de slides? Aqui tem uma aula completa sobre a Leishmaniose, passando desde sua descoberta, seu ciclo, países predominantes, gráficos e muito mais. Leia:http://pt.scribd.com/doc/677 5221/Leishmaniose Leishamaniose X Plantas Medicinais - Sabia que já há estudos com plantas medicinais, na busca por compostos menos tóxicos e que reverta a resistência do parasita às drogas? Um resumo de algumas espécies você encontra no link abaixo: Leia:http://pt.scribd.com/doc/469 29483/Leishmaniose-X-Plantas-is
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No Brasil, não há permissão para o tratamento dos cães doentes. O ministério da Saúde e o da Agricultura, Pecuária e Abastecimento restringiram o tratamento da leishmaniose visceral canina com produtos de uso humano ou não registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) pela portaria interministerial nº 1.426, de 11 de julho de 2008. Porém, há um estudo científico que tem sido feito para mudar essa determinação, demonstrando aos dois ministérios que o sacrifício e o tratamento de animais não mudou o quadro da doença em outros países, conforme aponta um informativo do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Goiás. A partir de 21 de março de 2011, em Uberlândia, o Código Municipal de Saúde determina que a eutanásia só será permitida em caso de animais portadores de doenças infectocontagiosas incuráveis. Desse modo, o sacrifício dos animais precisa ser justificado por um laudo do controle de zoonoses ou outros estabelecimentos do gênero, mediante exame laboratorial anterior. Com relação à eutanásia, a professora Alessandra propõe uma reflexão sobre a vida afetiva de uma pessoa que tem um cão e tem de sacrificá-lo. Para ela, apesar dos prejuízos emocionais, como a falta do animal, a saúde pública ganha, evitando-se a proliferação da doença. “A questão afetiva e de preservação da vida é normal. O aspecto técnico e o perigo que esse animal traz para a saúde pública são grandes”. Com isso, o sentimento individual ou familiar pela perda do cão, pode ser aliviado pela certeza de trazer segurança para a população e os outros animais em relação à doença. O trabalho realizado pela equipe da médica veterinária Alessandra já coletou amostras e fez avaliação clínica dos animais no Centro de Controle de Zoonoses, de Uberlândia. Agora, essa equipe está se dedicando à padronização do exame mais rápido, específico, sem muitos custos e que seja eficaz para o diagnóstico da leishmaniose visceral canina. O projeto vai até final de 2012.
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O cão que morreu por nossa saúde* O veterinário José também explicou que o cão precisava ser eutanasiado, pois, no Brasil, não é permitido o tratamento dos animais doentes. A família Silva ficou desolada com a notícia e não queria, de maneira alguma, deixar que Bidú fosse morto. No entanto, a eutanásia era necessária para evitar que o mosquitopalha se contaminasse e, depois, infectasse eles, os vizinhos e outros animais da região. Além disso, José afirmou ser interessante montar armadilhas para capturar o mosquito na casa. A família Silva concordou com tudo o que José disse e Bidú morreu, naquele dia, em nome da saúde de todos. A morte do cãozinho causou um sentimento profundo de saudade naquelas pessoas, principalmente em João, mas ele lembrava-se dos momentos bons que tinham passado. Para ele, o que importava, agora, é que tudo ficaria bem.
diga aí!
O bairro Santa Mônica, em Uberlândia, é um dos afetados com a leishmaniose visceral canina. João Silva, de quinze anos tem como melhor amigo Bidú, um cãozinho da raça vira-lata. Bidú sempre foi ativo e nunca teve problemas de saúde, mas de repente começou a apresentar algumas lesões na pele, ficou abatido e com as unhas crescendo de maneira rápida e irregular. Os pais de João levaram Bidú ao médico veterinário. O veterinário José verificou que o cão estava com sintomas da leishmaniose visceral canina. Sendo assim, aconselhou a família Silva a fazer alguns exames no animal, para verificar a existência da doença. Com os resultados em mãos, o veterinário conversou com a família Silva sobre o diagnóstico positivo do cão. Ele explicou que a doença é transmitida pela picada do mosquito-palha no cachorro doente e pode, depois, contaminar outro animal ou ser humano, sendo uma questão de saúde pública. Já o contato com o cãozinho não oferecia riscos à família, desde que Bidú não fosse picado pelo mosquito.
*Essa é uma história de ficção, mas que acontece frequentemente com personagens reais. Previna-se e proteja seus animais de estimação para que ela não se repita com você!
Este jornal é parte do projeto POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA / UFU Realização: