Veículo laboratorial produzido pelos alunos do 4º período de Jornalismo da Faculdade Canção Nova - Ano I Edição 01 - 2013
Patrimônio esquecido De cartão postal a prédio abandonado, a segunda maior estação ferroviária do Brasil é usada para consumo e tráfico de drogas. Apesar de tentativa de manter a limpeza ao redor da estação, o que se vê ainda são histórias em ruínas. Págs. 4 e 5
SAÚDE
COTIDIANO
População sofre por falta de UTI
Festa de Santo Antônio une religiosidade e cultura Pág. 7
Pág. 3
ECONOMIA
Turismo religioso estimula crescimento econômico Pág. 6
Nossa Página
Editorial O jornal laboratório dos cursos de Jornalismo tem como atribuição desenvolver práticas trabalhando competências e habilidades dentro das características da realidade de uma redação. O esforço converge para simular situações experimentais de um jornal. Neste sentido, deve possibilitar o desenvolvimento de atividades diversas como redação, reportagem, edição, fotografia, editoração e diagramação desenvolvendo aptidões e contribuindo para formação plena do futuro jornalista. No Curso de Jornalismo da Faculdade Canção Nova, este processo, iniciado agora com os discentes do 4º período, vai além. A experiência que culmina com a publicação do primeiro exemplar de Estação da Notícia: O Nosso Jornal esteve ancorada dentro da dinâmica desenvolvida com a Pedagogia de Projetos. Esta iniciativa coube a disciplina de Projeto de Jornalismo Impresso, coordenada pelo Prof. João Rangel Marcelo, com apoio das demais discplinas. Ademais, a iniciativa enfatiza o contexto local da Faculdade Canção Nova dentro da inserção desta Instituição em âmbito comunitário, estabelecendo vinculações com situações-problema presentes no município de Cachoeira Paulista. O enfoque da Estação Ferroviária como matéria âncora, por exemplo, trabalha o que se estabeleceu no Brasil a partir da segunda metade do Século XX: o desmantelamento do modal ferroviário e a aniquilação paulatina do patrimônio histórico. Longe de se estabelecer na aparência de um confortável denuncismo, Estação da Notícia: O Nosso Jornal é um veículo que aponta caminhos como alternativas concretas, por meio das iniciativas executadas pela Rede de Desenvolvimento Social Canção Nova. Parabéns aos discentes por este lampejo de luz que busca assentar a liberdade de expressão como fundamento estruturante na construção de uma democracia no Brasil. Seja bem vindo Estação da Notícia: O Nosso Jornal! Prof. Dr. Henrique Alckmin Prudente
Estação da Notícia - 02
Manual de instrução fora da gaveta
Profª. Ioná Piva
“O conhecimento não aplicado em ação é uma pálida vaidade acadêmica”, já dizia o filósofo inglês Francis Bacon que desprezava o saber que não conduzia a obra. Ter um emprego garantido na sua área de atuação ao concluir um curso de graduação nem sempre é fácil. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que pessoas com nível superior têm mais medo do desemprego do que as pessoas de escolaridade menor. O medo de ficar desempregado entre os diplomados atinge os 81,9 pontos (em uma escala de 0 a 100), bem acima da média brasileira, que é de 74,5 pontos. Colocar em prática o conhecimento adquirido no mundo acadêmico é como retirar da gaveta o manual de instruções que se encontrava guardado. Todo ensino transmitido na graduação
academia nos remete a local de pensamentos e discussões. Porém, os alunos não podem ser repetidores de teorias, precisam ser estimulados a criar, quebrar e lançar novos conceitos. Os currículos das disciplinas devem proporcionar um equilíbrio que condiz com a realidade do mercado, a ponto de não destoar das exigências que os graduandos terão que cumprir ao encarar uma rotina de produção de conteúdos para as mídias. Faz-se necessária um sistema de parceria entre escolas de jornalismo e empresas de comunicação para que existam possibilidades de empregos, vagas de estágio que já habituem os alunos a técnica profissional. Assim, os manuais de instruções deixarão de ocupar lugares obscuros e esquecidos.
Esporte: a bola da vez
Lucas Mendes/ Fernanda Soares
Crianças e jovens de Cachoeira Paulista, enfrentam a falta de espaços públicos para práticas esportivas e atividades de lazer. O prefeito da cidade João Luiz Nascimento explica que há locais destinados à lazer, porém estão em estado de degradação. “As quadras ao longo desses anos não foram recuperadas. Os espaços estão espalhados em diversos bairros, mas deteriorados.” Ele afirma ter um projeto de recuperação das quadras que visa a estrutura fisíca e social. Haverá um investimento em profissionais qualificados como assistentes sociais e educadores físicos dando, assim, base para que as crianças utilizem de uma melhor maneira os espaços oferecidos. A prefeitura admite a falta de um projeto social bem estabelecido, e diz que na cidade “só existem algumas entidades sócio assistenciais”. Uma
EXPEDIENTE ALUNOS 4º PERÍODO DE JORNALISMO Aline Casassola, Camila Leite, Cristiano Ribeiro, Denise Claro, Edcleide Campos, Eliana Maria, Elzirene Pereira, Fernanda Soares, Gabrielle Sanchotene, Graça Schelck, José Eduardo Santos, Kelen Galvan, Liliane Borges,Lucas Mendes, Magda Ishikawa, Rafael Capucho, Rodrigo Luiz, Stefano Miranda, Wallace Moreira .
possui um destinatário final e, certamente, este não se limita as salas de aulas. O conhecimento teórico, em especial na esfera jornalística, deve resultar num bem social cada vez mais abrangente. Transformar realidades, contribuir para melhorias essenciais na vida das pessoas, incentivá-las a lutar por seus direitos básicos por meio de ações éticas são tarefas que o trabalho diário do jornalista promove. É claro, não se pode desprezar o conhecimento teórico, pois esse é requisito de um exercício jornalístico aprofundado e eficaz. Contudo, não se faz crer que o conhecimento prático se sobrepõe sobremaneira em detrimento do teórico, pois este é a raiz de uma prática coesa e segura. O ambiente acadêmico é um lugar de explosão de ideias, o próprio nome
DIRETORA GERAL Profa. Esp. Shirleya Nunes de Santana VICE-DIRETOR GERAL Prof. Ms. Denis Duarte
delas é O CAC, Centro de Atendimento Comunitário, mantida pela Fundação João Paulo II que atende crianças desfavorecidas da região através de atividades voltadas aos vários aspectos da pessoa e considerando seus interesses e habilidades. Um novo projeto foi elaborado pelo vereador, Breno Anaya, sugerindo a implantação das Olimpíadas Escolares. “Indiquei ao prefeito que sinalizou favorável, todas as escolas estarão reunidas na quadra coberta para disputar as modalidades”, disse Anaya. Em meio aos problemas vividos pelos jovens da cidade existem pessoas que lutam para encontrar uma solução. É o caso de Antônio Vicente da Silva, conhecido como “Turita“ que há 49 anos trabalha com crianças e jovens por meio do esporte, principalmente o futebol. Ex-jogador profissional do Cachoeira
Futebol Clube, teve de encerrar sua carreira aos 16 anos, por conta de um problema que sofreu na perna mas continuou sua carreira atuando como técnico. Homem dedicado e apaixonado pelo esporte em alguns momentos tira de seu próprio bolso dinheiro para a compra de material esportivo adequado. Nascido e criado em Cachoeira Paulista, fica indignado quando o assunto é a desvalorização de jovens atletas da região. “Falta dar valor para o pessoal aqui do Vale, com isso esses garotos têm que buscar espaço em capitais, em clubes de maior expressão e dessa forma fica mais difícil”, desabafa Turita. Ele considera o esporte uma das melhores maneiras de afastar crianças e jovens das drogas e da violência, evitando assim que futuras promessas se percam no mundo da criminalidade.
DIRETOR ACADÊMICO E COORDENADOR DO CURSO DE JORNALISMO Prof. Dr. Henrique Alckmin Prudente
SECRETÁRIO ACADÊMICO Douglas José Anselmo
DIRETOR ADMINISTRATIVO Prof. Esp. Bruno Nascimento Vieira da Cunha SECRETÁRIO GERAL Esp. Paulo Honorato
COORDENADOR DO PROJETO Prof. João Rangel Marcelo PROFESSORES Prof.ª Ioná Piva, Prof. Darwin Mota, Prof. Bruno Bustamante
Cotidiano
03 - Estação da Notícia
Política Nacional para a população de rua se mostra ineficaz Rafael Capucho/Magda Ishikawa
registrando um aumento de 450% nos últimos 15 anos. Em Cachoeira Paulista, não existe nenhum órgão ou instituição pública que trabalhe com moradores de rua. Os serviços assistenciais oferecidos a essa parcela da população estão ligados a segmentos religiosos. São eles: o Asilo da União Espírita, a Comunidade Católica Emaús e a Casa Bom Samaritano, ligada à Fundação João Paulo II. A coordenadora da Comunidade ‘Emaús’, Mônica Schubert, aponta o alcoolismo e a dependência química como principais complicadores na recuperação. “Das pessoas que nós atendemos, 90% são usuárias de álcool e drogas. Os poucos que conseguem se recuperar fazem isso com auxílio da fé, uma vez que ao passarem por uma experiência religiosa mudam sua
Foto: Rafael Capucho
rua, objetivando oferecer meios para que essas pessoas saíssem dessa condição precária. É difícil encontrar números confiáveis a respeito dos moradores de rua no Brasil. De acordo com pesquisas independentes realizadas pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), em São Paulo, e Morador de rua na Praça Prado Filho - Centro de Cachoeira Paulista pela Fundação de Ação Social da Prefeitura de O dia 23 de dezembro de 2009 deveria Curitiba-PR (FAS), a situação mudou, ser um marco para a população de rua em mas para pior. Na cidade de São Paulo, o nosso país. Nesse dia, o então presidente número de pessoas em situação de rua Luís Inácio Lula da Silva, por meio do passou de 10.478 em 2009 para quase 15 decreto n° 7.053 implantou a Política mil em 2011. Em Curitiba saltou de 600 Nacional para a População em situação de em 1998 para 2700 no ano de 2013,
Instituto Canção Nova se destaca no ENEM
Dialogar para a unidade
Camila Leite
José Eduardo/Kelen Galvan
do fundador da Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib, a Escola oferece educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Atualmente, há 1046 alunos matriculados. Segundo a vice-diretora, Fernanda Ferreira, a lista de espera gira em torno de 300 alunos, mas não é possível atender a todos. Há quem persista e consiga uma vaga. É o caso da produtora Blog Instituto Canção Nova
Há cinco anos consecutivos, o Instituto Canção Nova se destaca com as melhores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Com média de desempenho 76,47% superando as demais escolas de Cachoeira Paulista. “O Instituto tem uma educação de qualidade e durante o ensino médio prepara os alunos para o vestibular e ENEM”, afirma a aluna Maria Isabel Santos,18. Depois de estudar no colégio durante 11 anos, teve nota 656,2 no ENEM 2012, em uma escala que vai até 1000. Isso possibilitou à jovem uma bolsa com 50% de desconto no curso de fisioterapia da FAPI na cidade de Pindamonhangaba-SP. A Canção Nova começou suas atividades educativas no dia 6 de fevereiro de 2001. O objetivo da entidade mantida pela Fundação João Paulo II é oferecer ensino de qualidade às crianças com poucas perspectivas de acesso à boa educação. “A escola tem um método de ensino próprio e oferece aos alunos aula de reforço e psicopedagogia. Além da formação pedagógica, valoriza a pessoa, fornece alimento aos alunos necessitados e soma com uma base religiosa na educação”, destaca a pedagoga Shirleya Nunes, que dirigiu o colégio por dez anos. Inspirada pelo ideal de evangelização
Professora Eugênia e seus alunos
de TV, Mylena Oliveira que ficou um ano e meio à espera até conseguir matricular a filha caçula Alyne Oliveira, de seis anos. A mãe testemunha que, além de receber o melhor ensino da cidade, os professores da Canção Nova transmitem aos alunos valores cristãos, fazendo a diferença na educação das crianças.
maneira de encarar a vida”, diz Mônica. Para o coordenador da Casa Bom Samaritano, Otacílio Martins, não existe divulgação das informações básicas para a sociedade ajudar os moradores de rua. “Quando alguém bate no portão da nossa casa pedindo ajuda, procuramos resol ver o problema oferecendo um prato de comida, mas isso não basta. Precisamos auxiliá-los a procurar lugares onde eles possam receber assistência social”. A solução pode estar na união de políticas públicas nos âmbitos municipal, estadual e federal, e práticas eficazes no combate ao uso de álcool e drogas. É necessário também orientar a sociedade a não praticar o assistencialismo. Esses são os primeiros passos a serem dados na busca de uma solução definitiva para esse problema.
A busca pela unidade tem se tornado mais real devido a busca dos cristãos pelo diálogo ecumênico. Ecumenismo é a busca da unidade entre as diferentes vertentes do Cristianismo. Unidade no diálogo, no respeito mútuo e nas semelhanças entre as crenças. De acordo com o teólogo e assessor da comissão do Vaticano para temas sobre ecumenismo, padre Marcial Maçaneiro, scj, o diálogo ecumênico já alcançou vários pontos de comunhão. “No campo espiritual, dos carismas, da ação da graça, das virtudes teologais. Também no campo batismal, profético de ação social, de bem aventuranças, de promoção da vida, de testemunho e em colaboração missionária”, destaca. Padre Marcial reforça que os cristãos precisam entender que a unidade é um pedido do Senhor. “Nós precisamos ter consciência de que muita gente no mundo não acredita na Igreja, nem no Evangelho, porque nos vê divididos. Não interessa falar sozinhos, temos que falar juntos”. Ideal que tem se tornado realidade na Fundação João Paulo II. Apesar de ser uma obra ligada à Igreja Católica, conta com a ajuda de funcionários de outras religiões para realizar sua missão. Atualmente, 25 colaboradores são de outras crenças.
Gerson Arino de Souza e Bento José Mota Rodrigues são evangélicos e trabalham na Fundação, respectivamente há 14 e 10 anos. “É bom trabalhar aqui, as pessoas respeitam a nossa fé e nós também respeitamos a delas”, afirma Souza. E Rodrigues complementa: “Independente da religião, o importante é o respeito. Esta porta que se abriu na Fundação é um motivo de alegria para mim”.
“A unidade se dá primeiro na graça, só depois nós podemos conversar sobre tematizações” (Pe. Marcial)
Ele cita ainda que conhece irmãos evangélicos que moram na roça e gostam de escutar as mensagens de alguns padres. Algo que não é estranho para Rodrigues. “Quando a Palavra de Deus vem, ela atinge várias pessoas, independente da crença, porque o conteúdo da Palavra é muito profundo”. Para padre Marcial, muita gente não entende o caminho de unidade, porque a experiência que tem é de divisão. “Ele precisa ser um católico santo, ser um metodista santo. A unidade se dá primeiro na graça, só depois nós podemos conversar sobre tematizações”, conclui o sacerdote.
Especial
Estação da Notícia - 04
Foto: Rafael Capucho
Estação de Cachoeira:
Construída no séc. XIX, a Estação de Cachoeira Paulista representa um marco na história das ferrovias brasileiras e, inclusive, já abrigou a Câmara de Vereadores de Cachoeira Paulista
Em meio aos desafios do poder municipal a restauração dos patrimônios históricos permanece em pauta. Um deles é a Estação Ferroviária, que tem um inegável valor histórico, cultural e simbólico para a população de Cachoeira Paulista e região. “Nós estamos perdendo um referencial histórico maravilhoso. Além de arquitetônico, pode-se dizer que existem muitas vidas atreladas, fundidas com a história do trem de passageiros. Quantas despedidas, idas, vindas, encontros...”, lamenta, o ex-chefe de estação, Márcio Apolinário. Ele foi agente
da rede ferroviária de 1978 até 1983. Depois tornou-se chefe. O crescimento urbano se deu em torno da Estação. Moradores antigos relatam que era o ponto mais movimentado da cidade, onde se encontrava amigos e se conheciam pessoas novas. Abrigando hotéis, restaurantes, bares, também era o local para lazer e onde residiam as pessoas ilustres da cidade. Portanto, a história da Estação se mescla à dos cachoeirenses. Daí, o sentimento de tristeza da população diante da ruína do prédio por falta de manutenção.
O engenheiro idealizador da estação, doutor Benaton, teria se apaixonado por uma cachoeirense. Por não conseguir conquistá-la, aumentou o tamanho da obra para permanecer mais tempo e conquistar a amada. Conta-se que se casaram e, após a morte, foram enterrados no cemitério da cidade. “Cachoeira Paulista foi uma das estações mais grandiosas e belas do Brasil”, disse o ex-funcionário da Estação e morador da cidade, Márcio Apolinário.
“No tempo do meu pai ainda era Guto Capucho destacou que é eclética, a Maria Fumaça, ele trabalhava nesta não segue uma linha padrão. O projeto é máquina a vapor, chegava cansado e ainda inglês, as telhas vieram da França, e partes ia limpá-la. Ele lutou muito, foram anos da madeira são de pinho de riga irlandesa. de sacrifícios, tinha que deixar o amarelo “Praticamente todo o material foi da máquina como ouro. Doou a vida nesta buscado no exterior”. estação, hoje vejo tudo “Tudo isso é cultura ruindo”, conta dona “Era lá que passeávamos, não valorizada, identidade Aracy Nascimento. de um povo que começou Em entrevista, a conhecíamos pessoas e a se desenvolver a partir nos divertíamos” Secretária de Cultura, da chegada de trens de Ana Bittencourt Júlia Regina, informou passageiros”, relatou o exque o departamento funcionário da Estação, recebeu da Prefeitura o encargo de Márcio Apolinário. Aqueles que tiveram formalizar um projeto que viabilize a a oportunidade de viver esse cotidiano da preser-vação deste patrimônio. “No era ferroviária em Cachoeira Paulista se momento estamos estudando o caso, emocionam ao passar perto da estação, a avaliando documentações e o que foi qual conheceram em tempos de glória. pensado pela gestão anterior”. Segundo “Era lá que nós passeávamos, ela, existem especulações a respeito dessa conhecíamos pessoas e nos divertíamos”, questão, porém, os cidadãos precisam contou a filha e esposa de maquinista se posicionar sobre o que vai ser feito na Ana Bittencourt, com lágrimas nos antiga ferrovia. Por tratar-se de patrimônio olhos. público, deve ter também objetivo de De Cartão Postal a prédio utilidade pública. “Ela é símbolo para a destruído, essa é a realidade daquela cidade. Sem dizer, a relação afetiva, afinal que um dia foi a suntuosa Estação a maior parte da população trabalhou ou Ferroviária. teve parentes envolvidos com a ferrovia”. O que antes era motivo de orgulho Sobre a arquitetura, o historiador dos cachoeirenses tornou-se um
05 - Estação da Notícia
: história em ruínas motivo de preocupação devido ao consumo de drogas. Local abriga usuários de drogas
árvores, troca de iluminação, capina e conserto de calçamento.
Participaram desta reportagem Wallace Moreira / Eliana Maria da Silva Aline Casassola / Camila Leite
Foto: Rafael Capucho
O consumo de drogas na segunda maior estação ferroviária do país, localizada em Cachoeira Paulista, mostra a realidade de abandono e descaso por parte do poder público. O que deveria ser um símbolo de orgulho e prosperidade está sendo usado para consumo e tráfico de drogas, como o crack. Muitos dos usuários chegam a passar dias no local sob o efeito da droga, alguns se direcionam para o centro da cidade apenas para pedir dinheiro ou praticar pequenos furtos, tentando dessa forma sustentar o vício. Enquanto isso, a prefeitura por meio do Programa de recuperação de alcoólicos e drogaditos (PRAD), busca tomar algumas medidas, que de acordo com alguns moradores próximos ao local, são ineficazes. O PRAD atende em média 70 usuários por semana, porém o problema está longe de acabar. Em apenas dois anos, o número de prontuários passou de 108 para mais de 700. Com apoio da Secretaria de Assistência Social, o programa trabalha o acompanhamento familiar, pois para eles não adianta a frequência apenas do usuário. Segundo a coordenadora do PRAD, Luciana Nascimento, no mês de fevereiro desse ano foi feita uma visita à estação, com a equipe do programa e da segurança municipal junto com a assistência social. Ela explica que a abordagem desses usuários é muito complexa, porque o grupo não tem força de justiça para obrigar os dependentes químicos a fazerem um tratamento. “A nossa função foi fazer a abordagem para oferecer um tratamento, porém o que eles buscavam em nós era moradia, alimentação e trabalho, mas nós só conseguimos oferecer tratamento”, ressaltou. A migração dos usuários e a falta de interesse dos mesmos em se fixar num tratamento são outras dificuldades que atrapalham o trabalho, explica a coordenadora. Para a Secretária de Assistência Social, Eliane Salomão, a função dessa secretaria é fazer um estudo social da família, portanto cabe à ela desenvolver
um trabalho com os familiares e não com a segurança do local. “O usuário é uma pessoa doente e com isso a família acaba ficando doente também”, salientou. Abordada sobre como esse trabalho acontece, Elaine declarou que normalmente eles chamam a família e oferecem estrutura para que o acompanhamento seja feito por meio do PRAD. Sobre o histórico dessa situação na gestão anterior, ela ressaltou que não encontraram nenhum documento relacionado à estação.
Especial
Parceiros na solução Na cidade de Cachoeira Paulista, iniciativas como o Projeto Geração Nova (PROGEN) investem em ações preventivas. O trabalho é voltado para educação, profissionalização e sociabilização de crianças, jovens e adultos, muitos deles em situação de vulnerabilidade ou risco social. Além de frequentarem os cursos e oficinas oferecidos pela unidade, os alunos recebem acompanhamento familiar, psicológico e espiritual. O objetivo principal do PROGEN é oferecer uma nova visão de mundo, ocupando o tempo e tirando-os das ruas. Uma outra saída para quem deseja se recuperar das drogas é a Fazenda da Esperança, localizada em Guaratinguetá/ SP. Segundo o responsável pela entidade, Afonso Boueres, os recuperandos ocupam o tempo com várias atividades que inclui reciclagem, padaria, marcenaria, artesanatos, produção de água sanitária e serviços de casa. Além do trabalho, o tratamento baseia-se na espiritualidade e na convivência. No Brasil, a Fazenda Esperança conta com 65 casas masculinas e femininas. Já no exterior, chega à 22 casas presentes em nove países diferentes.
Sinais de esperança Na finalização deste jornal, a Prefeitura publicou na rede social informação de que, na primeira semana de junho, o local passou por limpeza. Por meio de parceria entre a Fundação João Paulo II, e a Prefeitura, trabalhadores limparam guias e bocas-de-lobo, houve retirada de entulhos e lixo, poda de
Casas próximas à Estação Ferroviária de Cachoeira Paulista
Fazenda da Esperança: Comunidade Guaratinguetá/SP PRAD: Bethânia: Santa Edwiges Cachoeira Paulista/ Lorena/SP SP Estrada Santa Lucrecia, s/n Caixa Postal: 194 Rua: Prefeito Antonio Caixa Postal: 82 CEP:12500-970 Mendes, 231 CEP: 12600-970 Telefone:(12) 3132-7373 CEP:12630-000 Telefone: (12) 3157-8317 guara.m@fazenda.org.br
recantolorena@hotmail.com
Economia
Estação da Notícia - 06
Turismo religioso estimula crescimento
José Eduardo/Denise Claro/Gabrielle Sanchotene
Foto: Rafael Capucho
Vista aérea de Cachoeira Paulista
Cachoeira Paulista é uma cidade em expansão. Recebe anualmente, segundo o site da Secretaria de Turismo do Estado, cerca de dois milhões de pessoas em busca dos eventos da Comunidade Canção Nova e da festa de Santa Cabeça. Segundo o secretário municipal de Turismo, José de Campos, está sendo preparada uma estratégia de endomarketing. “Estamos lançando na secretaria um projeto de conscientização do povo de Cachoeira: Eu amo Cachoeira? Cuido de Cachoeira? O que é o turista para mim? Vou explorá-lo ou cativá-lo?” Uma das etapas consiste em definir quantas pousadas estão realmente de acordo com as regras do Ministério do Turismo. “O turista vem para dormir bem, ser bem acolhido. Às vezes viajou horas, veio de cidades distantes e precisa descansar”, lembra o secretário. Além disso, Campos aponta que é preciso que os cachoeirenses que transformaram suas casas em pousadas saiam do anonimato e conscientizem-se de que o turismo é o grande meio de sustento para a cidade. “O Turismo é o Pré-Sal de Cachoeira Paulista. Se não acordarmos, seremos como os índios e trocaremos nosso tesouro por espelhinhos. O povo de fora virá e explorará”, diz Campos ao se referir à vinda crescente de empresários de todo o país que chegam para investir na cidade. Cachoeira tem hoje mais de 170 pousadas cadastradas na Obra de Maria, comunidade que agencia a vinda de peregrinos para a Canção Nova. De acordo com Ricardo Dias, membro da Obra de Maria, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), mais de cinco mil jovens já estão inscritos e com reservas feitas em pousadas da cidade, somente para os dias que antecedem o evento. As pousadas de Cachoeira Paulista estão divididas em três grupos, segundo o site do Grupo de Apoio às Pousadas (GAP): Cama e Café, Pousada Hotel e Casa e Hospedagem. A maioria era residência e se tornou pousada, com suas beliches e cafés bem servidos pelas próprias donas de casa. Mas já surgem outras opções para os visitantes mais exigentes. O Videiras Palace Hotel, antigo Viggiano, que fica
próximo a Rodoviária Velha, conta com apartamentos com ar condicionado, cama box, frigobar e outros atrativos, que, apesar do preço mais alto, têm conquistado muitos que passam por Cachoeira. Seu maior diferencial é contar com um elevador e com rampas de acessibilidade necessários para aqueles que têm mais idade ou que possuem alguma deficiência. “Com a Canção Nova, a cidade teve uma explosão e há hoje muita demanda. Há uma clientela que é mais exigente. Hoje estamos buscando junto ao Corpo de Bombeiros e à Prefeitura a regularização de toda a infraestrutura do Hotel, explica o proprietário, Izael Marcelo de Godoy. Muitos setores da cidade já buscam se adaptar ao crescimento e lucrar com isso. Um bom exemplo é o grupo de 22 taxistas que se organizaram em uma cooperativa. Josemir de Carvalho, mais conhecido como Bola, é diretor da Coopernova Táxi, e diz que a ideia surgiu a partir da percepção de que muitos visitantes que vêm de outras cidades, na sua maioria dos grandes centros, preferem contratar um táxi que seja de cooperativa, pois é mais seguro. “Além disso, a cooperativa garante praticidade e rapidez, já que há uma central única para a qual o cliente liga, sendo imediatamente atendido por um dos carros”.
Urbano, a falta de Código de Postura, a desatualização do código tributário são problemas que impedem o crescimento. “Estamos procurando meios de capacitação para tornarmos Cachoeira Paulista uma cidade adequada para investimentos de novas empresas na área de serviços e pequenas indústrias. Pretendemos, após implantação de políticas voltadas às empresas e seus funcionários, que a cidade possa alcançar um nível de PIB mais elevado”.
Uma parceria em favor dos menos favorecidos
Foto: Rafael Capucho
Cachoeira Paulista viu crescer o número de habitantes devido ao aumento da quantidade de pessoas que migraram para estar mais perto da Comunidade Canção Nova. Diferente da cidade vizinha, Aparecida, onde peregrinos apenas visitam o Santuário, em Cachoeira Paulista muitas pessoas migram para morar na cidade. Segundo dados obtidos no site do IBGE, do censo de 2000 para 2010, houve um crescimento de aproximamente 12% no número de habitantes. Esse período coincide com o auge do crescimento da Canção Nova. O comerciante Jorge dos Santos, que administra a padaria Bom Jesus, criada pela família em 1937, está otimista. Depois de ver o seu estabelecimento ser invadido por visitantes da Canção Nova, num dos primeiros acampamentos, e ver as prateleiras e o estoque, serem esvaziados -“dei graças a Deus. Na segunda-feira, paguei todas as contas no banco”-, Jorginho, como é mais conhecido, investiu 500 mil reais na reforma de sua padaria, uma soma alta para a cidade de Cachoeira Paulista, mas justificada pelo aumento da densidade demográfica. Outro fator que tem estimulado pessoas a deixarem sua terra natal foi a inauguração da primeira faculdade da cidade, mais uma iniciativa da Canção Nova. Luana Barbosa Martins, aluna do quarto período de Rádio e TV, veio de Iúna, Espírito Santo, para morar em Cachoeira Paulista por causa da Faculdade Canção Nova. Ela frequentava a Comunidade e, mesmo sem ter um contato com a cidade, fez a opção de mudar-se. Para Jorge, é inegável que a cidade de Cachoeira Paulista é outra após a chegada da Canção Nova. Segundo o comerciante, 80% do crescimento da cidade deve-se à Canção Nova, o que a tirou da lista das ‘cidades mortas’ do Vale do Paraíba.
Turista em Cachoeira: acolhido ou explorado?
Centro comercial - Cachoeira Paulista
Resposta da Prefeitura A Secretária de Desenvolvimento, Kátia Pontes, afirma que a Prefeitura já conhece os problemas e que existem possibilidades de crescimento que podem ser exploradas. Entre os fatores que promovem o desenvolvimento econômico estão a Canção Nova e a localização geográfica do município, que se encontra no entroncamento entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Porém, a inexistência de Lei de Zoneamento e Planejamento
A Fundação João Paulo II, desenvolve por meio de quatro Unidades de atendimento na área de Assistência Social, oficinas socioeducativas, de iniciação profissional, cursos profissionalizantes, formação humana e atividades com o intuito de fortalecer vínculos para pessoas de todas as idades e pessoas em situação de rua, visando auxiliar na construção da cidadania e de uma nova sociedade. Na parceria da FJPII e SESI, a educadora, Luciana Auxiliadora Mendes Pereira, que ministra o curso de corte e costura, há mais de 2 anos na unidade Bom Samaritano, diz ser uma alegria ensinar e acrescenta que “É um absurdo saber alguma coisa e não passar para o próximo. Não só eu ganho mas todos ganham. O sol nasce para todos e cada um tem o direito de se esquentar”. A educadora analisa que “a pessoa vem aprender mas termina ajudando na geração de renda. Aquilo que faz para si mesmo já gerou renda pois poupou seu dinheiro. Foi um produto finalizado para si ou para seus familiares, isso já valeu a pena”. A educanda Vania Mirian Gonçalves observa que as habilidades vão surgindo com o tempo, e percebe ter mais familiaridade com as mãos do que com as máquinas. Já Benedita Fátima, há mais tempo no curso, faz a experiência de vender suas confecções para pessoas próximas e diz que “já ajuda em casa”. Joana Lucila de Siqueira após terminar seu curso decidiu se voluntariar. Com alegria conclui, “Amo costurar, aprender”. As vagas são limitadas mas está aberta a lista de espera.
Saúde
07 - Estação da Notícia
Falta de UTI prejudica atendimento à população
Inverno: previna-se
Aline Casassola/Stefano Miranda
organização. Inclusive, uma bomba usada para controlar a dosagem do medicamento foi emprestada pelo Posto Médico Padre Pio, pois o hospital não possuía o aparelho. O uso do mesmo foi providencial para amenizar o sofrimento do paciente. Em conversa com o secretário de saúde da cidade, Marcos Roberto, ele explica as dificuldades que existem para a implantação de uma UTI, de acordo com ele, não existe estrutura física no município para uma unidade de terapia intensiva. “Existe a vontade de se implantar uma UTI na Santa Casa de Cachoeira, porém é preciso estabelecer prioridades, como a melhoria do atendimento básico, as condições físicas e técnicas da Santa Casa e do pronto atendimento”, reforçou o secretário. Guedes conta que sofreu para conseguir uma vaga, mesmo em UTI particular. “A nossa sorte foi que surgiu uma vaga na Santa Casa de Lorena, que por sinal é excelente e conta com uma estrutura invejável, e com isso meu
Fotos: Rafael Capucho
Como em todo território nacional, as condições precárias da saúde também são realidade no Vale Histórico, onde é cada vez menor o número de leitos de emergências e unidades de terapia intensiva. Cidades do interior, muitas vezes, enfrentam esse tipo de problema, diante do insuficiente repasse de verbas por parte do estado. Cachoeira Paulista é um exemplo dessas cidades que sofrem com a falta de UTI para o atendimento dos moradores, os casos mais graves são encaminhados para hospitais dos municípios vizinhos. A família de Marco Guedes, 36, foi uma das vítimas da falta de condições da saúde na cidade, seu pai foi diagnosticado com princípio de infarto e encaminhado para a Santa Casa de Cachoeira Paulista. De acordo com ele, o que chamou a atenção foi a péssima condição na qual o ProntoSocorro se encontra. Segundo Guedes, não houve negligência por parte do atendimento do hospital, o que pesou foi a pobre estrutura, além da falta de
Secretaria de Saúde de Cachoeira Paulista
pai teve o atendimento necessário”. De acordo com o secretário de saúde de Cachoeira Paulista, a transferência para uma outra cidade fica à critério de conduta médica, que vai de acordo com a necessidade de cada paciente. Marco diz que para se conseguir uma transferência de maneira rápida, muitas vezes é preciso buscar outros caminhos. Infelizmente, o pai de Marco não resistiu ao infarto e veio a falecer.
Método Billings: diálogo e nova estrutura familiar
Ziza Pereira
Com a chegada do inverno, aumenta a presença de crianças e idosos nos consultórios. O frio somado à baixa umidade do ar e a uma concentração maior dos poluentes são fatores decisivos para as doenças dessa época. Segundo a Associação Brasileira de Imunopatologia (ASBAI), 30% dos brasileiros possuem algum tipo de reação alérgica. Rinite, bronquite e asma são as predominantes no inverno. Elisângela Brene sofre com a rinite. “Procuro me agasalhar melhor, principalmente as extremidades, como os pés. E assim que começa a crise já procuro um médico para que ela não se agrave tanto”, afirma. Uma opção de atendimento gratuito para a população é o Posto Pe. Pio. “O movimento dobra nessa estação”, afirma a responsável pelo local, Márcia Mayumi. A médica ressalta que parte destas doenças estão relacionadas a ambientes fechados, com pouca circulação do ar, aumentando, assim, a concentração dos agentes que levam a infecções (vírus como o da meningite e bactérias). Portanto, é fundamental manter sempre abertos os locais públicos, janelas de ônibus e salas de aula, favorecendo a ventilação.
de Planejamento Natural da Família (CENPAFLAN). A conferederação é formada por centros espalhados por todo país. Um deles é o Posto Médico Padre
plo de que o método Billings é um projeto de vida, “um método de amor”. Ele considera necessário que o homem tenha uma mudança de mentalidade quanto ao ato sexual. Pois, quando este não é apenas uma necessidade fisiológica, acaba ganhando mais qualidade. O casal abrese para o diálogo, fazendo com que prevaleça o respeito e o fortalecimento da união. A harmonia do casal é um dos pontos importantes para que o método atinja seu objetivo. Nessa nova vivência, o homem pode ajudar a mulher a conhecer melhor seu corpo e a planejar conscientemente a família. Ao ser perguntando se ele indicaria o método a outros casais, ele é direto. “Sim, independente de religião, eu o indico, pois é um método científico e natural, sem uso de qualquer medicamento, dependendo apenas da dedicação do casal”. Fotos: Arquivo pessoal
O Método de Ovulação Billings (MOB) é um método científico de regulação natural da fertilidade, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde. Ele estuda os ritmos de fertilidade e infertilidade da mulher, em qualquer momento da sua vida reprodutiva. Sua principal função é alcançar ou espaçar uma gravidez e o autoconhecimento baseado no monitoramento da saúde reprodutiva. Para a coordenadora do Centro de Formação Famílias Novas e instrutora do Método Billings, Fabiana Azambuja, o método exige do médico muito mais do que um simples atendimento. Como é baseado nas anotações feitas pela usuária, necessita de acompanhamento constante. No Brasil o órgão que representa o MOB é a Confederação Nacional
Fabiana Azambuja e sua família
Pio, localizado em Cachoeira Paulista e administrado pela Fundação João Paulo II. E o homem nisso tudo ? Casado há 13 anos e pai de quatro filhos, Marcos Jolbert é um grande exem-
Foto: Canção Nova
Magda Ishikawa/Lucas Mendes
Dra. Roseli - Médica do Posto Pe. Pio
Garanta uma boa saúde: • Beba bastante líquido; • Pratique atividades físicas; • Coma alimentos ricos em vitamina C; • Mantenha limpas as roupas de cama; • Evite lugares pouco arejados e fechados; • Não fume; • Lave as mãos com frequência; • Vacine-se contra a gripe; • Para bebês, a amamentação é indispensável
Cultura
Estação da Notícia - 08
Festa religiosa renova tradições em Cachoeira
Eliana Maria da Silva/ Edcleide Campos
Foto: Rafael Capucho
Santo Antônio é o Padroeiro de Cachoeira Paulista
As festas juninas de Santo Antônio, São João e São Pedro, são tradição em toda a região Valeparaibana. Nas cidades, nas escolas, capelas rurais, nos sítios e fazendas sempre há uma festa com muita comida, alegria e preces. Cachoeira Paulista não foge a esta tradição, até porque Santo Antônio é o padroeiro da cidade. Existe um grande número de devotos espalhado pelo município. Celebrações em louvor ao Santo são carregadas de religiosidade e cultura. Segundo o professor Henrique Alckmin, as festas religiosas, em geral,
demonstram a relação do povo com o sagrado. Um momento no qual os ritos religiosos unem-se ao evento social representado por danças, comidas típicas, bebidas, brincadeiras, confraternização e reencontro. “A festa na igreja é familiar e simples, busca manter a tradição do que acontece na paróquia desde sua fundação, que aliás, foi a primeira igreja construída em Cachoeira”, afirma padre Lilson Rodrigues, há dois anos na paróquia Santo Antônio. A justificativa para esta participação, conforme analisa o professor e jornalista João Rangel, pode estar na formação do nosso povo. “O Vale tem uma cultura miscigenada, recebeu influência do europeu, do negro e do índio. Essa mistura revela a diversidade de simbologias nas festas juninas da região”, enfatiza. A devota Anna Maria lembra que em sua juventude a paróquia de Santo Antônio era única. Procissão, vários andores, sendo o de santo Antônio, o mais especial! Por volta de 1950, quando ela participava já havia, além
da trezena, a quermesse que era o ponto alto do festejo. “Quando fiquei grávida do filho que se chamaria Antonio, meu útero estava cheio de miomas, não havia espaço para o bebê crescer. Tinha tido hemorragias e, segundo o médico, o útero estava condenado. Pedi a Santo Antônio para meu filho nascer sem sequelas e ele me atendeu”, conta emocionada Anna Ferraz. Casamenteiro ou pregador Santo Antônio é chamado de casamenteiro, protetor dos pobres, padroeiro dos objetos perdidos e grande pregador do Evangelho. Um sinal da eficácia de seus sermões é que a língua de Santo Antônio não se decompôs. Está exposta na Igreja onde foi sepultado, em Pádua. O nome de batismo é Fernando de Bulhões. Nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 13 de setembro de 1191, e morreu com 36 anos, em 13 de junho de 1231, na Itália. Por isso, é chamado Santo Antônio de Lisboa e Santo Antônio de Pádua.
Tradições do Casamento Chuva de Arroz Jogar arroz nos noivos é uma tradição da China. O costume acontece há mais de dois mil anos e representa fartura e fertilidade. Vestido de noiva A cor branca simboliza castidade e pureza. Na Grécia e em Roma, existem relatos de que as pessoas usavam roupas brancas em celebrações importantes, como nascimento e casamento. Aliança Do hebraico Bérith, aliança possui o sentido de compromisso. Colocar um anel do dedo de outra pessoa, significa aceitar o dom do cônjuge como um tesouro exclusivo. Noiva do lado esquerdo do noivo Tradição remonta à Idade Média: se algum homem tentasse “roubar” a futura esposa, o noivo a defenderia com a espada usando o braço direito para o combate. É sinal de proximidade ao coração do esposo.
Padre Roger: de jornaleiro a jornalista Fernanda Soares Foto: Fernanda Soares
Nascido em 1974, em Dianópolis, Tocantins. Caçula de 9 filhos. Retirante em Brasília. Filho de pais separados. Esse é o início da história do menino Roger Araújo. Uma história que deu errado? Não. É uma história semelhante a milhares de crianças mas com um diferencial, a decisão de realizar um sonho de menino. Começou cedo sua vida profissional, aos seis anos já era jornaleiro. “Vender jornal para mim era muito apaixonante, porque eu vendia o jornal e falava as manchetes. Extra, extra a gasolina vai aumentar”, conta Roger. Na escola quando lhe perguntavam o que ele gostaria de ser, respondia “quero ser jornalista”. O sonho estava plantado em seu coração, e os desafios da vida não conseguiriam desanimá-lo. Com 12 anos tornou-se coroinha, ficando muito amigo do padre da paróquia. Sua mãe, muito religiosa, o ensinou a amar a Deus e a Igreja. Com 13 anos, o chamado ao sacerdócio
Padre Roger Araújo nos estúdios da Canção Nova
brotou em seu coração por perceber que ele poderia ser útil para Deus, útil ao próximo e para a sociedade, como sacerdote. Foi então que, aos 15 anos,
ingressou no seminário. Quando terminou a faculdade de Filosofia, ingressou na Comunidade Católica Canção Nova, em Cachoeira Paulista, que tem como missão, evangelizar através dos meios de comunicação. Não demorou muito e o jovem Roger estava iniciando seu trabalho no departamento de jornalismo, sem teoria nenhuma, apenas com o sonho de menino de ser um jornalista. “O departamento de Jornalismo foi um lugar em que eu me encontrei”. Mesmo sem saber como fazer, o jovem se abriu aos ensinamentos de dois jornalistas, Osvaldo Luiz e Carlos que o ensinaram com muita paciência e carinho. O tempo passou e, em 2002, com 27 anos o jovem Roger se tornou 'Padre Roger Araújo'. Logo depois de ordenado Padre Roger deu inicio ao tão sonhado curso de jornalismo. O fundador da Comunidade Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib, pediu que ele fizesse
um estágio de jornalismo na Rádio Vaticano, em Roma. Para sua surpresa, ele presenciou a última audiência do Papa João Paulo II. “Foi uma aventura maravilhosa, uma oportunidade de Deus estar no veículo de comunicação tão grande e importante como a Rádio Vaticano”. No ano de 2005, o sonho de menino se tornou realidade. Padre Roger recebeu o diploma de Jornalista e se recordou de seu lema sacerdotal: “O que poderei retribuir ao Senhor por todo o bem que ele me fez?” O jornalista padre Roger Araújo cobriu mais de dez Assembleias da CNBB, a visita do papa Bento XVI ao Brasil, em 2007, fez a cobertura dos dois últimos conclaves da Igreja, e foi o apresentador das transmissões sobre a renúncia do papa Bento XVI. Toda história de vida pode dar certo, mas é preciso sonhar e lutar pela realização dos sonhos.