CAPA
Editorial Por Suelen Cristina
Mais
de 320 mil pessoas optaram pelo empreendedorismo nessa quarentena. Essa atividade, que abrange inúmeras áreas e se mostrou uma das melhores oportunidades de se garantir uma renda extra, é a que mais cresceu no Brasil. Criatividade e força de vontade são duas coisas muito presentes nos jovens brasileiros. A oportunidade de se conseguir uma fonte de sustento através do aproveitamento de suas habilidades foi muito bem empregada por essa faixa da população. Por Virginia Amélia
A necessidade de se reinventar fez com que muitos jovens se tornassem empreendedores, ou optassem por uma das profissões que se tornaram essenciais durante o período de isolamento social. Um exemplo interessante são os motoboys, que fazendo entregas para comércios, farmácias, entre outros serviços que fazem entregas, se mostraram incrivelmente importantes para manter as pessoas em casa e garantir uma segurança na hora da recepção dos produtos. Um dos setores que a quarentena mais afetou negativamente foi o ramo do turismo. Empresas de viagens se viram sem a possibilidade de atender seus clientes.
A solução foi pedir que os fregueses adiassem as viagens, essa opção causaria um prejuízo menor do que o cancelamento. Entre as profissões do home office o artesanato garante seu espaço. A visibilidade entre os artesãos, seja em madeira, pintura, costura, entre outros materiais, aumentou muito agora que as pessoas passam mais tempo em casa, mais tempo notando um armário que poderia ter um enfeitinho, uma mesa que poderia ter uma toalhinha, uma parede onde cabe um belo quadro. Uma profissão que cresceu e também já mostra seu valor e garante o seu lugar é a de freelancer. Um “freela” que trabalha como designer gráfico vê seu lucro aumentar com o surgimento de microempresas, lojas online e outros empreendimentos. Não há meio melhor de gastar o tempo ocioso do que usando a criatividade. Aliada a necessidade de uma renda extra surgem as oportunidades, que são logo agarradas pelos mais espertos.
Você sabia? “As vendas por delivery cresceram quase 100% entre janeiro e maio deste ano na comparação com igual intervalo do ano passado”, de acordo com a pesquisa da Mobills.“Entre junho de 2018 e junho deste ano, a abertura de lojas virtuais cresceu quase 40%”, considerando a pesquisa da PayPal Brasil.
Equipe: Ana Luiza – Entrevistas e Fotos Suelen Cristina – Diagramação e Textos Virginia Amélia – Artes e Entrevista
Equipe FCNews
Os jovens e as oportunidades de renda no isolamento social Motoboy, artesanato, arte digital, o que essas profissões tem em comum? Além do cunho autônomo, a característica de terem tido um alto crescimento devido ao isolamento, e consequente aumento do tempo que as pessoas passavam em casa. Em contrapartida houve profissionais que tiveram forte prejuízo em todo esse período. Para João Vitor, de Piquete, sua empresa de Turismo “foi um sonho”, que por ele já atuar nesse mercado foi simples de se realizar. Já possuía clientes e resolveu abrir uma firma, com nome e registro no CNPJ, e continuar a atendê-los. Uma empresa recente que foi prejudicada pelo isolamento social, “infelizmente esse ano de 2020, por causa da pandemia quase não aparece viagem”, afirma João, a primeira viagem que apareceu para sua empresa foi em setembro. Lamenta: “para quem trabalha com Turismo posso dizer que foi o pior ano”. Mesmo com o prejuízo o jovem empreendedor acredita que aprendeu com essa situação: a ter uma reserva para manter a empresa em crises como essa.
Ele
afirma que com o isolamento “aumentou bastante a quantidade das entregas” , e consequentemente ele teve mais oportunidades para trabalhar. A vantagem que essa situação trouxe para ele foi ter aumentado o número de entregas por as “pessoas não saírem na rua”. A desvantagem segundo ele foi que ter que tomar todos os cuidados lhe “atrapalhava um pouco” no trabalho. Por Ana Luiza
David fazendo entregas para uma esfirraria
No
campo do home office a empreendedora Lívia Oliveira, que é de Itajubá, trabalha com artesanatos e afirma que não se sentiu afetada pela pandemia em suas vendas. Para ela a vantagem desta situação é uma maior “visibilidade aos pequenos negócios”. E a desvantagem é que estando “o tempo todo em casa” e produzindo, acaba tendo encomendas demais. Lívia possui hoje uma loja, de onde tira seu sustento.
João em uma van de sua empresa
David
é um motoboy que trabalha em Cruzeiro, e aproveitou uma oportunidade de ganhar dinheiro, através do whatsapp, começou a entregar lanches. Quadro de Nossa Senhora de Fátima produzido por Lívia
Ser empreendedor durante a quarentena é possível? Em
oito meses de pandemia e consequente isolamento social usar a quarentena como desculpa para deixar o ano se perder não foi raridade. “Se reinventar nessa quarentena foi um processo que eu não esperava particularmente”, afirma Pedro Vidal de 22 anos, que trabalha como freelancer. O empreendedor, que possui uma empresa digital, alega que não houve alterações no seu custo de produção. Segundo ele, houve um aumento na demanda entre os meses de agosto e outubro. Pedro, que trabalha em home-office e possui horários flexíveis não se sentiu afetado por mudanças no horário de funcionamento. A respeito da crise econômica o entrevistado traz uma visão importante: “não deixei a crise me paralisar e fui correr atrás de novos clientes”, esse depoimento do jovem mostra como é possível ser um empreendedor. A quarentena refletiu de modo positivo no negócio, trazendo a vantagem de um crescimento no número de clientes.
Abandonar um emprego que não te satisfaz, foi o que fez Felipe Rogério dos Santos, de 23 anos, que trocou seu antigo emprego por uma esfirraria. “A vontade de [...] sonhar alto me fez arriscar”, afirma Felipe que começou seu negócio por um orçamento e equipamento para delivery, pensando na pandemia atual, se “encaixou perfeitamente”. Com marketing de redes sociais a recente esfirraria espera montar um ponto fixo depois da pandemia.
Esfirra pronta para ser entregue “Mais de 327 mil pessoas se formalizaram como MEI no Brasil desde o início da pandemia do novo coronavírus”, de acordo com SESCAP-PR.
Fonte: SESCAP-PR
Pedro se preparando para tirar uma foto e usar para produzir uma arte