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O Berro Edição 2023.2

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O BERRO

04 O que é mesmo uma inteligência artificial? Por Conceição Tomaz

06 O impacto silencioso da inteligência artificial no cérebro humano Por Adriana Lima

08 (IA)BC: a introdução da inteligência artificial na educação básica Por Bianca Escobar

10 Já imaginou como será o seu corpo no futuro? Por Cadu Silva

12 Fatores positivos da inteligência artificial no cotidiano de pessoas com deficiência Por Israel Teixeira

14 “Me sinto insuficiente e acredito que não tenho escolha sobre isso” Por Amanda Remígio

16 Aplicativos de controle financeiro transformam hábitos e empoderam usuários Por Wanderson Ferreira

18 Combatendo a desinformação e a manipulação eleitoral Por Rodrigo Serafim

28 O retrato da inclusão digital no Brasil: quem está à margem da IA? Por Mariana Gonçalves

32 Tecnologia e conexão virtual: a realidade aumentada de nossas vidas Por Otávio Konrad

38 Futuro da moda pode ser sustentável Por Euzeni Gomes


Carta dos editores

20 “The dark side of the tech”: dados pessoais e sistemas inteligentes podem se misturar? Por Alice Lins

22 “Nós te conhecemos melhor” Por Assíria Florêncio

35 Iniciativa combate racismo algorítmico das IAs e promove democratização das tecnologias

Saudações, caros/as leitores/as. Sejam bem-vindos à edição de 2023.2 da Revista O Berro, periódico do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Neste semestre, como já diz muito a capa, o ponto de interseção de todas as matérias aqui compiladas é a inteligência artificial. Ou simplesmente IA. E não poderíamos escolher outro tema senão este. É dezembro, mas desde o início do ano temos sido bombardeados com notícias a respeito dessa tecnologia cada vez mais presente (será?) no dia a dia da humanidade. Desde imagens fakes do ex-presidente Donald Trump sendo preso até o Papa Francisco vestindo um casaco branco peculiar, 2023 foi o ano mais popular da IA desde seu início nos anos de 1940 e seu protagonista, além dos sites geradores de imagem, foi, sem sombra de dúvidas, o ChatGPT. No último dia 30 de novembro, o chatbot completou um ano de lançamento e desde então o mundo foi moldado e transformado pelo advento das inteligências artificiais generativas. Nesta publicação, exploraremos as dores e as delícias da inteligência artificial tão acessível como nunca antes esteve. Boa leitura.

Por Suellen Barbosa

35 O futuro do sexo ou o sexo do futuro? Por Paulo Pinheiro

Confira conteúdos exclusivos feitos para o site da Revista O Berro apontando a câmera do seu celular para o QR CODE:


O que é mesmo uma inteligência artificial? Fora das telas do cinema e cada vez mais presentes no dia a dia (pelo menos de alguns), essa tecnologia não é mais “tão Black Mirror” assim. Por Conceição Tomaz

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uantas vezes você ouviu ou leu, ou até soube por um amigo, ou parente, sobre inteligência artificial, nos últimos meses?

Sem exageros, podemos afirmar que o assunto tomou conta de boa parte de nossas conversas e dos nossos feeds nas redes sociais. O que predominou, sem dúvida, foi o nome ChatGPT. Mas antes da gente conhecer a história do chatbot mais famoso atualmente, você tem ideia de qual é a origem da IA? Pode ser que você responda início dos anos 2000 ou até mesmo nos anos 1980, não é? Mas o que pouca gente imagina é que a IA, não como a conhecemos hoje, mas a ideia de uma máquina que imitasse nossa ideia humana de pensar e agir, foi concebida

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na década de 1940 pelo neurofisiologista Warren McCulloch e o matemático Walter Pitts. Uma matéria no portal da Revista Exame, publicada em 27 de junho de 2023, aponta que a primeira vez que a expressão “inteligência artificial” foi usada aconteceu durante uma conferência da Universidade de Dartmouth, localizada em Hanover, New Hampshire, Estados Unidos, realizada em 1956. O professor da Universidade de Stanford, John McCarthy, que organizava a conferência com outros pesquisadores, usou o termo pela primeira vez, descrevendo assim, o objetivo de criar máquinas que pudessem exibir inteligência semelhante à humana. Demais, né? A Inteligência artificial está aí com seus mais de 80 anos de existência!

De volta ao ChatGPT, a própria plataforma de mensagens responde ao ser perguntada que “é um modelo de linguagem desenvolvido pela OpenAI, baseado na arquitetura GPT (Generative Pre-trained Transformer)”. Numa abordagem mais linguagem simples, GPT é uma família de modelos de linguagem computacional, utilizando uma abordagem de aprendizado (dessa IA), para entender e gerar texto. A geração de texto é que foi o problema em muitas escolas e universidades assim que a plataforma foi lançada mundialmente no dia 30 de novembro de 2022. A quantidade alunos e alunas que geraram atividades a partir de prompts (comandos para geração de respostas do aplicativo), foi muito


Input para a criação das imagens desta matéria: “Criação + início + inteligência artificial”. Imagem: DALL-E/Canva.

maior e gerou muita desconfiança dos professores e das professoras. A capacidade do ChatGPT em lidar com interações em forma de conversas ou bate-papo faz com que o programa seja capaz de gerar respostas contextuais com base em entradas fornecidas e faz com que seja útil em uma variedade de aplicações. O cientista de dados e estudante de Matemática pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Paulo Nascimento utiliza IA de forma mais sofisticada pela natureza do seu trabalho e de estudos.

inteligência artificial criado para entender e gerar texto. São treinados em grandes volumes de dados da internet, aprendendo padrões sobre como as palavras e frases são comumente usadas juntas. Embora os LLMs já existam há algum tempo, ganharam a mídia através do ChatGPT, interface de chat para modelos LLM GPT-3 e GPT-4.

Tem jeito de conversar com a IA para conseguir respostas úteis?

“90% dos meus prompts relacionados a trabalho e estudo de matemática ou programação são em inglês. Os LLMs são muito bons em traduzir texto para vários idiomas, mas como o meu assunto de interesse tem muito mais fontes em inglês, eu observo que as respostas que eu obtenho são mais assertivas nesse idioma”, afirma Paulo.

Por incrível que pareça, a resposta é sim. Paulo afirma que consegue respostas mais completas quando usa linguagem cordial, por exemplo. “Eu defino instruções claras nas minhas perguntas, identificando os elementos que eu quero saber e definindo o formato da resposta que eu quero. Os LLMs sempre vão retornar um resumo geral e o mais amplo possível para a pergunta em questão, então definindo estritamente o que se deseja, é mais produtivo para obter uma resposta”, disse.

Os Modelos de Linguagem de Grande Escala (Large Language Models ou LLMs) são um tipo de modelo de

“Um exemplo, é que eu costumo iniciar uma nova conversa e definir que ele aja como um recrutador que

me faça perguntas técnicas ou como um professor de matemática de uma área específica que me explique um assunto sem me dar as respostas diretas para um problema”, completou o cientista de dados.

E fora da bolha de um cientista de dados, é possível todas e todos usarem as inteligências artificiais generativas? Tem inclusão nessa história? Estamos em um país no qual, dos 149 milhões de usuários de internet, apenas 92 milhões, cerca de 62%, acessam a internet apenas pelo celular, de acordo com matéria da CNN Brasil de maio de 2023. Os dados são da pesquisa TIC Domicílios 2022, lançada também em maio pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Ainda de acordo com a pesquisa da TIC, as mulheres são as maiores usuárias, com 64% do total. Quer saber mais sobre? Acesse a matéria completa em oberro.unicap.br/edicoes/2023_2/. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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Utilização de IAs generativas, como o ChatGPT, é cada vez mais comum entre estudantes secundaristas e de graduação. Imagem: Adriana Lima.

O impacto silencioso da inteligência artificial no cérebro humano

Como a IA está configurando nossa cognição e comportamento? Por Adriana Lima

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ma das mudanças mais notáveis é a forma como a inteligência impacta nossa cognição e o processo de tomada de decisões. Com assistentes virtuais, algoritmos de recomendação e análise de dados em grande escala, nosso cérebro está sendo constantemente desafiado a processar informações de maneiras novas e complexas. Por um lado, isso pode aprimorar nossas habilidades de resolução de problemas e pensamento crítico. No entanto, também pode levar a uma dependência excessiva da tecnologia, diminuindo nossa capacidade de memorização e raciocínio autônomo. Mas afinal, quais os reais impactos da inteligência artificial no nosso cérebro? Segundo a psicoterapeuta Hosana Michella, “a inteligência artificial pode causar um atraso no desenvolvimento cognitivo, partindo da perspectiva de o sujeito optar por buscar respostas de forma mais fácil e rápida, [mas] cabe salientar, que a tecnologia veio para agregar ao sujeito e não substituir a capacidade intelectual do indivíduo”. Ainda de acordo com a profissional, “todo estímulo é levado para o cérebro através das sinapses, entretanto o estímulo tem uma tendência a ser absorvido, porém cabe ao indivíduo compreender se esse estímulo é positivo ou negativo para seu desenvolvimento”. Em outras palavras, os usuários têm o poder de escolher o que vão ou não absolver. Se vai utilizar as informações fornecidas pelo sistema ou se vai aderir e estimular um pouco mais o cérebro até chegar ao ponto de conseguir as suas próprias conclusões sobre alguma temática, por exemplo.

A IA também e está redefinindo o aprendizado. Plataformas de ensino e treinamento baseadas na inteligência personalizam o conteúdo para atender às necessidades individuais, tornando a educação mais acessível e eficaz. No entanto, isso

e até mesmo a prática de exercícios físicos, que pode ter benefícios para a saúde mental. O cérebro é altamente maleável e pode ser fortalecido e desenvolvido por meio de uma variedade de atividades e estímulos mentais’’, reforça Hosana. Ainda segundo Hosana, “a tecnologia veio para somar ao sujeito. Quando se faz o uso de forma saudável, ela vem para agregar. Entretanto as mudanças sempre estão presentes, mas não são determinantes.

Input de criação: “Pessoa dependente da inteligência artificial”. Imagem: DALL-E.

levanta preocupações sobre a padronização do conhecimento e a redução da diversidade de perspectivas no processo educacional e estímulos do cérebro, principalmente para o público infantil. Em sua segunda edição, o Estudo OPEE 2023, realizado com educadores de escolas públicas e privadas, contou com 97,02% dos votos para o uso excessivo das telas entre crianças e adolescentes sem o acompanhamento familiar. “A tecnologia vem para agregar positivamente, entretanto o abuso do uso pode possibilitar o atraso no desenvolvimento. Muitas pessoas estão utilizando esse recurso como único método para algum conteúdo específico, ou seja, o uso de forma negativa, pode acarretar possíveis traumas e frustrações”, explica a psicoterapeuta Hosana. E como fica esse sujeito caso não tenha acesso à ferramenta? É possível desenvolver mais o cérebro se não usar inteligência artificial? De acordo com Hosana, a resposta é sim. “Existem várias maneiras de promover o desenvolvimento cognitivo, como a leitura regular, a prática de jogos que exercitam o raciocínio, a aprendizagem de novas habilidades, a resolução de problemas, o estudo de idiomas

Portanto, cada sujeito possui habilidades que foram apreendidas ou construídas durante seu processo existencial. Os algoritmos oferecem o que foi compreendido como preferência da pessoa. É normal que o conteúdo seja seguido, seja algo que faça sentido para o sujeito. Então moldar ou não moldar depende muito de como você se relaciona com a ferramenta. A estudante em técnico de computação gráfica Maria Luiza diz que é uma usuária constante da IA e ChatGPT. Ela afirma que sempre usa a inteligência para realização de trabalhos, criação e correção de textos. “Muitas das minhas atividades precisam de criatividade e se você pedir até uma história sobre dois personagens fictícios e a IA faz. A vontade de utilizá-la em trabalhos simples como rever um texto e corrigir é enorme”, comenta. Em resumo, a IA está desafiando nosso cérebro de maneiras profundas e complexas. A tecnologia nos força a equilibrar os benefícios da tecnologia com as preocupações sobre sua influência em nossas vidas e sociedade. À medida que continuamos a avançar na era da IA, é fundamental adotar uma abordagem ética e responsável, assegurando que a tecnologia esteja a serviço do bem-estar humano.

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(IA)BC: a introdução da inteligência artificial na educação básica Como a chegada da geração de máquina nas escolas primárias pode ou não auxiliar o processo de aprendizagem e como superar essa barreira.

Os quatro filhos de Ana Cláudia já cresceram na era dos dispositivos eletrônicos atrelados ao ensino básico.

Por Bianca Escobar

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entre as muitas coisas que procurou em uma escola na hora de matricular seus filhos, Ana Cláudia Lobo nunca imaginou que precisaria se preocupar com inteligência artificial. Mãe de quatro crianças, na época em que a mais velha entrava no colégio, há seis anos, o assunto ainda nem era tema de discussão. Agora, porém, com o rápido avanço da tecnologia, as coisas mudaram de cenário. “A inteligência artificial está sendo utilizada em vários setores e a educação está incluída. Nossa preocupação é no seu uso irracional, sabemos que é uma trajetória que não tem volta”, comenta Ana Cláudia.

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O uso da inteligência artificial nas escolas ainda é um assunto do qual se fala no futuro. O mundo está caminhando para que daqui a alguns anos isso se torne uma realidade, mas por enquanto, são apenas previsões. De acordo com o doutor em biotecnologia e professor do curso de jogos digitais da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Anthony Lins, “hoje existem, de fato, abordagens tecnológicas que utilizam a IA dentro do seu núcleo de processamento e que podem facilitar o desenvolvimento de materiais didáticos e direcionar o esforço do docente para que ele possa atuar com os alunos numa esfera mais crítica.” Anthony completa explicando que tal previsão é muito no futuro. “Ainda não existem estudos

que possam determinar de fato como essa inteligência artificial deve e pode ser aplicada nas escolas”, completa Anthony. Sobre os benefícios do uso dessa tecnologia na educação, Anthony explica que “a dinâmica de produção de conteúdo pode ser otimizada e experimentada com várias nuances, a depender do tipo de grau de aprendizado de cada aluno”. Já na gestão escolar, pode causar a proposição de novos cursos, a adequação de grades curriculares e a criação de modelos que possam observar o desempenho do aluno. Não podemos deixar de fora o medo que esse assunto traz. Por ser um campo ainda desconhecido para a so-


ciedade de modo geral, a inteligência artificial ainda causa muito receio. “Precisamos mostrar e ensinar aos nossos filhos que essa tecnologia não pode substituir os estudos, a leitura e a escrita, para que eles consigam ser agentes de transformação, protagonistas de suas histórias e não apenas repetidores de um Ctrl+C e Ctrl+V”, diz Ana Cláudia. Segundo o professor Anthony, esse medo não é de todo injustificado. “Acredito que isso seja algo muito natural no contexto de evolução tecnológica e educacional em que estamos. Não vamos ter como ficar à margem da adoção da IA nas escolas. Em diferentes realidades de condições econômicas, poderemos encontrar a adoção de tecnologias baseadas em inteligência artificial de uma maneira mais intensa que outras. O risco existe, mas cabe à avaliação de cada escola observar a eficácia desse tipo de abordagem para o contexto em questão”, comenta o professor. Ele cita como exemplo, ainda, o uso do ChatGPT pelos estudantes ao invés de realizar eles mesmos um trabalho. “Cabe ao docente não limitar o uso, mas sim criar mecanismos para que o aluno saiba utilizar essa inteligência da forma correta. É uma ferramenta, não é algo tão diferente, guardadas as devidas proporções, do que houve com o surgimento da internet, ferramentas de busca como o Google, o uso da calculadora e smartphones em sala de aula. Tudo isso são coisas que auxiliam os processos de aprendizagem”, reforça Anthony Ele completa dizendo que o que se pode fazer é uma análise crítica do texto produzido e uma dupla checagem para evitar fraudes. Alguns métodos de segurança com inteligência artificial já são utilizados em escolas e universidades pelo Brasil, a exemplo das catracas com a identificação dos alunos e funcionários através de um QR Code único.

Anthony Lins é doutor em biotecnologia e professor do curso de Jogos Digitais da Unicap.

Em Recife, algumas escolas de ensino fundamental e médio já têm utilizado a inteligência artificial. O Colégio GGE, em Boa Viagem, zona sul da cidade, por exemplo, utiliza reconhecimento facial para a entrada e saída dos alunos. A tecnologia identifica as turmas e turno, e realizam um game com o uso da tecnologia, ainda que de forma não dinâmica, mas sim estática, que consiste em perguntas e respostas baseadas no conteúdo abordado em sala de aula. Do outro lado da cidade, o Colégio Vera Cruz, que fica no bairro das Graças, zona norte do Recife, não utiliza nenhum tipo de inteligência artificial em sua estrutura. “[A inteligência artificial] é uma coisa que ainda vai se prolongar, ainda vai se pensar com muito cuidado sobre introduzir algo do tipo”, explica Lidiana Barros, pedagoga da instituição. O professor Anthony está positivo sobre o crescimento não só da IA de modo geral, mas também desse avan-

ço na educação. “Acho que isso vai ser um atrativo para estudantes e pais, demonstrar que a escola é inovadora. Eu diria que a partir do próximo ano (2024) poderemos ver esse crescimento já se tornando realidade”. Ana Cláudia concorda. “Nós temos que tirar o melhor desse avanço. A escola dos meus filhos busca sempre estar à frente em termos de tecnologia, não apenas na gestão escolar, mas no apoio que os professores poderão dar aos alunos, então acho que teremos mais pontos positivos do que negativos sobre isso”. O fato é que este é um novo mundo que está chegando a uma velocidade impressionante e dominando tudo ao seu redor. Os pais e educadores têm a difícil tarefa de ensinar as crianças a lidar com todas essas novidades tecnológicas ao mesmo tempo que nós mesmos estamos aprendendo. A inteligência artificial pode ser boa ou ruim, tudo depende de como a utilizamos. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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Já imaginou como será o seu corpo no futuro? O questionamento sobre as consequências do presente vem dividindo opiniões e ganhando força à medida em que os avanços tecnológicos vão se aprimorando. Por Cadu Silva

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om o crescimento exponencial da IA, os corpos humanos ganharam um novo “aliado” para a manutenção das suas capacidades.

Essa objetividade dos corpos humanos acerca da introdução e adição de partes biônicas já é uma realidade, tendo um grande apreço na área da saúde, principalmente em procedimentos ortopédicos, com a implantação de membros biônicos — diferentes de um membro mecânico — para suprir a necessidade de uma parte do corpo original. Convencionalmente denominadas “próteses biônicas”, esses aparelhos, além de apresentar uma funcionalidade “neurossensitiva”, apesar do nome, conseguem imprimir a façanha de entregar a mobilidade idêntica à dos membros naturais. Diferentemente das próteses convencionais (mecânicas), que exercem uma mobilidade tendenciosamente limitada, como, por exemplo, o membro da mão, que consegue exercer a movimentação de uma pinça, as próteses biônicas dão um novo ar de vida a seus usuários em questão do grau de mobilidade. Um exemplo de exímios usuários desses equipamentos neurossensitivos são os atletas paraolímpicos, em sua maioria. O gestor ambiental Labone Vitor é atleta desde muito novo, mas por causa de problemas e após 32 procedimentos cirúrgicos em uma das pernas, resolveu amputá-la. Apesar da perda de um dos membros, ele prosseguiu atuando e há 6 anos segue como atleta paraolímpico. Trata-se do mesmo período no qual usa uma prótese biônica.

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“Melhorou minha autoestime e me deu mais segurança para poder desenvolver minha rotina diária”, afirma Labone a respeito das mudanças visíveis na vida pessoal e profissional com a utilização da prótese. O atleta ainda acrescentou mudanças no dia a dia. “No trabalho, no treino e na academia, usar prótese só me trouxe coisas boas e a possibilidade de andar igual a pessoas que não são pessoas com deficiência”, detalha. Biohacking é o termo utilizado para definir a utilização de tecnologia para aprimorar o corpo. Segundo o pesquisador sênior do Istituto di Ricovero e Cura a Carattere Scientifico (IRCCS) Burlo Garofolo Ronald Moura, “Biohacking é o termo utilizado hoje em dia para se referir a utilização de tecnologias para realizar modificações no corpo visando melhorar sua performance ou incorporar novas funcionalidades”. O pesquisador ainda ressalta a existência do uso de dispositivos capazes de ampliar as funções cerebrais, como é o caso dos Microchips, todavia esses métodos ainda são utilizados de forma limitada. Um outro ponto que ele toca é sobre o futuro do corpo humano e a possibilidade dos indivíduos começarem a utilizar partes biônicas acopladas a seus corpos originais. “Assim como no caso das fábricas de bebês, uma realidade em que utilizaremos biohacking de modo exacerbado e indiscriminado, me parece ser restrita apenas à ficção”, pontua o pesquisador. Quer saber como será seu corpo biônico no futuro? Acesse oberro.unicap.br/edicoes/2023_2/


Inputs: “Gere uma imagem onde a pessoa é um corpo biônico com IA”. Imagem: DALL-E.


Fatores positivos da inteligência artificial no cotidiano de pessoas com deficiência

De acordo com estudiosos, a geração de máquina tem a capacidade de oferecer soluções personalizadas e adaptadas às necessidades individuais desse público. Por Israel Teixeira

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Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD); Pessoas com Deficiência 2022, lançada no dia 7 de setembro de 2023, por um Termo de Execução Descentralizada entre a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (SNDPD/MDHC) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que a população com deficiência no Brasil foi estimada em 18,6 milhões de pessoas de 2 anos ou mais, correspondendo a 8,9% da população dessa faixa etária. Os dados são referentes ao terceiro trimestre de 2022 e apresentam uma análise detalhada sobre as características gerais desses cidadãos, além de temas como a inserção no mercado de trabalho. A jornalista, cofundadora e diretora executiva do Eficientes, iniciativa que trabalha com o jornalismo independente que luta pela participa-

Larissa Pontes em oficina sobre acessibilidade no Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Imagem: Divulgação/Larissa Pontes. 12

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ção social para pessoas com deficiência, Larissa Pontes, detalha como esse campo do jornalismo pode agir como um dos principais fatores na facilitação do dia a dia dessas pessoas. “A inteligência artificial desempenha um papel cada vez mais importante na promoção da inclusão e acessibilidade para pessoas com deficiência. Ela possibilita a criação de dispositivos e aplicativos que ajudam na comunicação, mobilidade e realização de tarefas diárias, proporcionando maior independência para as pessoas com deficiência”, afirma Larissa. Ainda de acordo com a jornalista, a IA tem a capacidade de oferecer soluções personalizadas e adaptadas às necessidades individuais, o que melhora a experiência do usuário.

ferramentas que utiliza nesses espaços e fala sobre sua perspectiva para o uso futuro em outros ambientes para além do profissional. “Extensões de navegador para resumir textos, elencar informações e melhorar prompts também estão presentes no dia a dia de trabalho. Eu utilizo a Alexa e o Google Assistant.

Ainda, de acordo com os especialistas, a acessibilidade pode ser aprimorada de várias maneiras com o uso da inteligência artificial. Na assistência à deficiência visual, por exemplo, existem aplicativos de IA, como o “Seeing AI” da Microsoft, que descrevem o ambiente ao redor para pessoas cegas ou com baixa visão.

Através do reconhecimento de voz e da automação, consigo controlar dispositivos eletrônicos e interagir com o mundo digital de maneira mais eficaz. Fora dele, em ambiente online, gosto de testar ferramentas. Já na rotina diária, fora do trabalho, como pessoa tetraplégica eu não uso nenhuma, por enquanto”, complementa Ferraz.

Eles ajudam a identificar obstáculos, ler textos e até reconhecer rostos. Já a “Mochila Inteligente” usa IA da Intel para guiar pessoas com deficiências visuais nas ruas. - Acesse o material extra em oberro.unicap.br/edicoes/2023_2/.

Rafael Ferraz e companheira. Imagem: arquivo pessoal.

A tecnologia tem se revelado como uma aliada importante na busca por resultados inovadores e inclusivos para essa população. Uma das áreas poderosas onde a IA tem cumprido um papel fundamental é na superação de obstáculos enfrentados por pessoas com deficiência, proporcionando uma forte contribuição e promovendo autonomia em diversos contextos da vida. Rafael Ferraz Carpi, de São Paulo, comunicador social PCD e um dos colaboradores do projeto Jornalismo Inclusivo - iniciativa independente de jornalismo, focada no protagonismo e na representatividade da pessoa com deficiência - que trabalha com consultoria em acessibilidade, inclusão e jornalismo digital, fala sobre as principais ferramentas de inteligência artificial utilizadas por ele no ambiente de trabalho e como elas auxiliam nesses espaços. “Comecei a estudar e usar ferramentas de inteligência artificial desde a liberação do ChatGPT, da OpenAI, para o público, até os aprimoramentos mais recentes do GPT-3.5 e GPT-4, Chat do Bing e Google Bard, além do Perplexity AI e extensões de navegador. No entanto, uso cada ferramenta em diferentes situações”, disse Rafael. Ele ainda complementa quais as outras INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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“Me sinto insuficiente e acredito que não tenho escolha sobre isso” Sou padrão e carregada de vazios pela inexistência de um livre arbítrio do belo

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experiência humana de ser uma mulher da era tecnológica, com a influência crescente da inteligência artificial no padrão de beleza feminino, é o cerne desta insuficiência. Sinto-me assim, não por escolha, mas pelo lembrete diário de que nada do que fui ou serei poderá um dia se enquadrar neste ideal de perfeição. Esta, inalcançável, é esculpida pelo que não existe (algoritmos). É confuso ter a consciência de que meu conceito de belo não me pertence. Apesar da lucidez que me permite tecer críticas a este mesmo padrão, me vejo presa numa coreografia vertiginosa de superficialidade. Onde está meu livre arbítrio? “Não possuímos nem o corpo, nem uma verdade – nem sequer uma ilusão. Somos fantasmas de mentiras, sombras de ilusões”- Fernando Pessoa. O poeta nunca esteve tão certo, vivemos um corpo de ilusões. No mundo onde os algoritmos ditam o que é bonito, as mulheres vivem à sombra de sua própria autoimagem, ou no caso, a sombra da imagem que nunca terão. Pelo menos, fora das telas. Somos fantasmas de mentiras, assassinadas pela perfeição.

Acessibilidade tecnológica O Photoshop nem é mais necessário. Para além dos aplicativos cada vez mais modernos, os filtros com mudanças faciais e corporais já estão disponíveis nas próprias redes sociais. Vemos diante de nossos olhos a aces14

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sibilidade tecnológica e a inteligência artificial sendo usada na construção do inacessível. Entramos numa espiral de sofrimento, onde por não conseguir alcançar um padrão, nos rendemos às facilidades tecnológicas para sustentar a ideia, pelo menos no virtual, que este padrão não é tão inacessível assim (mesmo que de fato seja). O corpo real está morto. Essa foi a constatação do filósofo alemão, Dietmar Kamper (2011). Ele pontua que a cultura midiática de autorreferencialidade excessiva, a qual vivemos, demonstra esse desejo pelo imaginário. Assim, o corpo que está vivo é o corpo das imagens, e cultuando uma imagem

Por Amanda Remígio perfeita, refutamos o nosso próprio corpo. O doutor em comunicação e psicologia Rodrigo Sanches, explica o conceito de Corpus Alienum, que se relaciona com a ideia de Kamper. “Se eu preciso me retocar para ser visto em um outro universo que não é o da realidade, é porque eu não estou gostando do que eu vejo. É assim que a inteligência artificial cria o que chamamos de corpus alienum, o corpo alienado. A imagem do corpo belo, feminino, está alcançando o status, isso vai ser aprimorado com a inteligência artificial, o status de um ET, mas que é vendido para nós como belo.”

Amanda Remígio. Foto sem edição. Imagem: acervo pessoal.


de boneca e querem bocão de Angelina Jolie. Você sabe que aquilo não vai ficar esteticamente bem, que não combina, mas como o bocão é uma coisa que é vista na internet como belo, então às vezes a paciente quer, sabe? Isso é uma das coisas que eu mais nego”, finaliza. Vamos fazer uma comparação com o que foi revelado pela dermatologista. Usei a inteligência artificial através do site midjourney.ai.ai para criar uma imagem do que é considerado uma mulher bonita. A pesquisa se limita a estas palavras. Por questões éticas não detalhei mais informações e deixei que o algoritmo confirmasse minhas suspeitas. É notório que temos traços finos, e claro, o bocão. Amanda Remígio. Foto editada com IA.Imagem: Facetune Editor IA.

É uma doutrina a ser seguida. Rodrigo explica que o conceito de belo e inacessível que compreendemos na atualidade não surgiu por acaso. Fomos ensinadas a nos massacrar pela comparação com a imagem distorcida. “A publicidade, ela sempre alterou o corpo feminino. Nas propagandas, o belo era a mulher de corpo magro, pele clara e na maioria das vezes cabelo liso, etc. Há relatórios da ONU sobre a publicidade brasileira que apontam esses mesmos aspectos em relação ao corpo feminino.” Ele aponta que o primeiro estereótipo é o do uso do Photoshop. Em 2019, o Instagram anunciou uma medida para remover filtros que simulavam cirurgias plásticas e adicionou uma ferramenta de denúncia aos que violavam as políticas da rede. Quatro anos se passaram e não houve mudança significativa.

A tortura estética De acordo com a pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética

Também não perdi a oportunidade de tentar entender o que a IA classificaria como uma mulher feia. (ISAPS), o número de procedimentos cosméticos, como preenchimentos e cirurgias plásticas, aumentou significativamente nos últimos anos, em parte devido à influência das mídias sociais. Além disso, o Brasil é o que mais realiza essas intervenções em todo o mundo. É possível ver essa mudança na prática. Essa é a vivência da dermatologista Virgínia Paiva, especialista em procedimentos estéticos. “A gente percebe uma procura muito maior. A maioria são mulheres após os 30 anos e já chegam com essa visão de que existe o rosto perfeito, né? E aí a pessoa quer fazer procedimentos que façam com que ela tenha um rosto parecido com aquele que é considerado ideal. Tem sido muito comum eu negar fazer procedimentos”. Ao ser questionada sobre qual seria o padrão almejado pelas mulheres em seu consultório, a médica respondeu que é comum ver mulheres que já estão dentro de um ideal de beleza buscarem por mais modificações. “Muitas já chegam com aquele rosto

Tudo o que posso dizer diante destes resultados é que somos a rasura mal traçada de nossos próprios preconceitos.

Um relato de hipocrisia Apesar da hipocrisia de almejar pertencer ao ideal de beleza tanto quanto qualquer outra mulher, me dou ao direito da ignorância por compreender que tudo isso é maior que uma escolha, é uma violência diária. O fim dessa história não é feliz. Não esperem um discurso de “temos que nos libertar dos padrões de beleza e nos aceitar”. Eu não o fiz. Não há vergonha de admitir, sou padrão e carregada de vazios pela inexistência de um livre arbítrio do conceito de belo.

Ficou querendo saber mais sobre esse tema? Confira acessando oberro.unicap.br/edicoes/2023_2/. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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Aplicativos de controle financeiro transformam hábitos e empoderam usuários De acordo com estudiosos, a geração de máquina tem a capacidade de oferecer soluções personalizadas e adaptadas às necessidades individuais desse público. Por Wanderson Ferreira

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iante do avanço tecnológico no qual estamos inseridos, os aplicativos de controle financeiro estão desempenhando um papel fundamental na vida das pessoas, provocando mudanças consideráveis nos hábitos financeiros e permitindo maior autonomia. Muitas ferramentas que são de fácil acesso e estão disponíveis em smartphones oferecem serviços que vão além do simples registro de despesas, pois permitem também a criação de orçamentos personalizados, alertas de gastos e visões detalhadas sobre receitas e despesas. O Brasil é o terceiro país que mais instala aplicativos de finanças no mundo. É o que aponta um estudo inédito da AppsFlyer: a pesquisa mostra que, de 2017 a 2019, brasileiros baixaram 4,5 vezes mais apps deste segmento do que todos os outros países pesquisados. O setor financeiro é uma das áreas que mais tem absorvido o uso de IA e os principais segmentos onde a aplicação dessa tecnologia se faz presente são:

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investimentos, crédito, relacionamento com o cliente, conformidade regulatória e cibersegurança. Na área de investimentos, tecnologias de IA podem auxiliar em negociações e em alocação de portfólio. Com modelos de machine learning, existe a possibilidade de fazer uma melhor análise dos dados, ao identificar tendências e captar sinais que muitas vezes passam despercebidos. Dessa forma, os fluxos são otimizados, assim como o gerenciamento de risco. Entre os principais benefícios do uso da aprendizagem de máquina dentro da área de investimentos, é possível cotar a otimização das análises; a agilidade e dinâmica nas decisões; uma maior eficiência na alocação de portfólio; automação de operações; e, um melhor gerenciamento de liquidez. Já no quesito crédito, a IA apresenta diversas possibilidades, pois modelos de machine learning aplicados ao mercado de crédito podem reduzir os custos do crédito, facilitando assim o acesso de clientes que não tenham um histórico financeiro longo para apresentar,

gerando assim inclusão financeira. Isso porque a IA tem a capacidade de melhorar os modelos de avaliação de crédito, como também os modelos de gerenciamento de portfólio de empréstimos, o que leva as instituições financeiras a tomarem decisões mais convenientes na direção de seu balanço patrimonial. O uso de IA na área de crédito pode aprimorar modelos de avaliação de crédito, o que desencadeia uma melhora nos modelos de gerenciamento de empréstimos e também aprimora o modelo de gerenciamento de seguros. No que se refere ao relacionamento com o cliente, a aplicação de soluções de inteligência artificial prometem melhorar a experiência do usuário ao identificar o perfil de prioridades para oferta de produtos e serviços. Eduardo Amuri é educador financeiro e busca entender como a inteligência financeira pode ser utilizada para melhorar a vida das pessoas. Através de sua página no Instagram, ele disponibiliza diversos materiais explicando sobre o tema. “Os aplicativos de controle financeiro te dão uma abordagem prática de como monitorar e gerenciar suas finanças, possibilitam o acompanhamento de despesas, análise de padrões de gastos e a criação de orçamentos”, detalha o especialista. Amauri, que tem dois livros escritos sobre educação financeira — Dinheiro sem medo e Finanças para autônomos — teve suas dicas seguidas pela publicitária Vanessa Miranda, 32. Ela começou a utilizar aplicativos de controle financeiro e a estudar mais sobre o uso da inteligência no controle financeiro. “Esses aplicativos têm transformado minha vida, eu consigo ter uma visão mais clara e organizada sobre minhas finanças, eu consigo acompanhar meus gastos, estabelecer metas e manter meu orçamento de forma


organizada e foi essa praticidade que me trouxe uma sensação de controle e segurança. Isso me permite tomar decisões mais informadas em relação ao meu dinheiro”, detalhou Vanessa. Uma pesquisa realizada pelo SPC Brasil revela que 46% dos brasileiros não controlam seus orçamentos. De acordo com o estudo, que foi realizado em todas as capitais do país com o apoio da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 45,8% dos entrevistados não realizam controle de seus orçamentos, sendo que 29,3% fazem isso apenas de cabeça, quer dizer, recorrem a um método pouco confiável. É diante deste cenário que os aplicativos ganham espaço na vida das pessoas, pois eles oferecem não somente conveniência, mas desempenham um papel educativo ao conscientizar as pessoas sobre a importância do planejamento financeiro. Por isso, esses aplicativos têm se mostrado aliados valiosos na promoção de uma relação mais saudável e consciente com o dinheiro, capacitando os usuários a atingirem seus objetivos financeiros e construírem um futuro mais sólido.


Combatendo a desinformação e a manipulação eleitoral Entendendo o uso da inteligência artificial na política para além das fake news e deep fakes. Por Rodrigo Serafim

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os últimos anos, a desinformação online e a manipulação eleitoral se tornaram desafios significativos para a integridade dos processos democráticos em todo o mundo. No entanto, à medida que a tecnologia avança, a manipulação acerca do uso dela também aumenta. Consequentemente, a inteligência artificial emerge como uma poderosa aliada na detecção e combate a essas ameaças. Como este mecanismo está sendo usado para combater a desinformação e a manipulação eleitoral, examinando a regulamentação de anúncios políticos nas redes sociais e a crescente utilização da verificação automatizada de fatos?

O crescimento da desinformação política no Brasil Dados recentes do Panorama Político 2023, uma pesquisa do Senado Federal que investiga as opiniões sobre democracia, sociedade e prioridades do cidadão em um contexto pós-eleitoral, revelam a crescente prevalência da desinformação política no Brasil. Em 2022, 76% dos brasileiros tiveram contato com fake news políticas. Essas notícias falsas têm o potencial de influenciar as eleições, uma vez que 85% dos brasileiros acreditam que as fakes news podem afetar o resultado das eleições, segundo dados da pes18

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quisa Ipec encomendada pela Globo, em 2022. Um outro ponto a ser abordado é a utilização de deep fakes nas propagandas eleitorais que são usadas geralmente para difamar ou distorcer informações de candidatos/as. Em seu significado mais amplo, é uma tecnologia que se utiliza de inteligência artificial para produzir vídeos de conteúdo enganoso, prejudicando assim a pessoa, seja ela uma pessoa pública ou não. Desde o boom das fake news e deepfakes nas eleições de 2018, o Brasil vem sendo um dos principais países adeptos à prática. Segundo levantamento feito pelo Impressions App, um dos aplicativos feitos especificamente com o uso da inteligência artificial para substituir rostos de famosos, o Brasil é o segundo país na plataforma, com 20% do total de usuários. Devido a esse aumento, a Unidade Especial de Proteção de Dados e Inteligência artificial, que é vinculada ao Ministério Público, iniciou um Inquérito Civil Público com o objetivo de examinar a técnica das deep fakes e seus potenciais impactos nas eleições municipais de outubro de 2020. Este inquérito tem o foco em compreender e estabelecer estratégias para combater o uso destas. Neste mesmo ano a Lei Federal nº 7347/85 que fala sobre a ação ci-

vil pública de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, regeu o inquérito, que é instaurado quando há indícios de lesão a direitos coletivos, sociais ou individuais, ou quando essa possibilidade é identificada. A finalidade da ação civil pública é reunir evidências para apresentação perante a justiça. No contexto específico das eleições municipais, o foco é compreender e estabelecer estratégias para combater o uso dessa técnica.

A inteligência artificial na detecção de fake news Para combater essa ameaça à democracia, a inteligência artificial (IA) tem desempenhado um papel fundamental. Plataformas de redes sociais, como o Facebook e o X (antigo Twitter), estão investindo em algoritmos de IA para identificar e sinalizar conteúdo falso. Esses algoritmos analisam padrões de disseminação, linguagem e fontes para identificar notícias falsas, tornando mais difícil a propagação desse tipo de conteúdo. Um dos casos de fake news aconteceu no auge do período eleitoral nas elei-


que o prefeito retirasse e colocasse em um museu ou em outro lugar que ele achasse necessário”. Em postagens nas redes sociais da deputada estadual pelo PSOL acerca do assunto, foi possível ver inúmeras mensagens de ódio e ameaças à própria: ‘Não tem nenhum homem aí, nessa Câmara de vereadores, para colocar essa mulherzinha no lugar dela?’. Outro post diz: ‘Só cartucho 762 pode resolver isso’.

Input: “Produza uma ilustração sobre a influência da inteligência artificial na política”. Imagem: Luzia.

ções de 2022, com a então vereadora Dani Portela.

Dani Portela, atualmente deputada estadual pelo Partido Socialismo e Liberdade, ainda afirmou que “a gente está num momento de ataque às instituições democráticas, que já estão frágeis. Como isso vem de setores conservadores, na sua maioria de fundamentalistas religiosos, em grande parte ligados à onda bolsonarista, a gente não pode se calar”.

Regulamentação de anúncios políticos nas redes sociais A regulamentação de anúncios políticos nas redes sociais tem se tornado mais rígida. Plataformas como o Google e o Facebook têm implementado políticas de transparência e verificação de anúncios políticos. Isso ajuda a garantir que os eleitores tenham acesso a informações políticas confiáveis e evita o uso indevido dessas plataformas para influenciar o resultado das eleições.

- Confira um vídeo explicando como os deeps fakes são criados oberro.unicap.br/edicoes/2023_2/.

Na época, Dani foi uma das pessoas que assinou o requerimento de nº 3582/2022, que solicitava à Prefeitura a retirada do busto do marechal Humberto de Alencar Castello Branco, comandante do primeiro período da Ditadura Militar instalada em 1964, do canteiro central da ponte que leva o seu nome, localizada no bairro da Caxangá. A parlamentar foi alvo de ataques nas redes sociais. Manchetes de páginas na internet traziam frases como: “Em um absurdo indescritível, o PSOL tenta retirar o busto de Castello Branco e colocar o de Fidel Castro no lugar”, sendo que a própria Dani falou, à época que não havia um pedido para colocar o busto de Fidel Castro, mas sim apenas para a retirar do monumento de Castello Branco. Ao subir na Tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Portela foi categórica: “O que eu quero destacar aqui é que, em nenhum momento, se falou em retirar o busto e colocar outro. Foi apenas uma indicação para

Dani Portela é Deputada Estadual em Pernambuco. A parlamentar é filiada ao PSOL. Imagem: Reprodução/Alepe.

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Cuidado com “the dark side of the tech“ Dados pessoais e sistemas inteligentes podem se misturar? Por Alice Lins

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om o avanço da era tecnológica, a inteligência artificial tem se tornado um assunto muito discutido pela população. Não é à toa que muitas pautas em diversos locais de trabalho têm sido focadas em inovação e tecnologia. Em dados disponibilizados pela Agência FAPESP, em 2018, a inteligência artificial estaria sofrendo um crescimento exponencial. E as pesquisas estavam certas: hoje, IA é um dos assuntos mais comentados desde a popularização de inteligências como o famoso ChatGPT. Mas, aos que não entendem ou não possuem tanto acesso à informação, o que seria a tal da “inteligência artificial”? Esse mecanismo pode ser definido como “uso de modelos computacionais para a resolução de problemas por meio de aprendizado de máquina. Podem-se citar: comunicação em linguagem natural, reconhecer e manipular objetos, automatizar raciocínio”, afirma Robson Lins, doutor em ciência da computação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em linguagem simplificada, a IA seria como um auxílio na resolução de problemas de diversas áreas do conhecimento. Inclusive, se pedir para o ChatGPT dar a mesma definição, se tem o seguinte: “A inteligência artificial refere-se à simulação de processos de inteligência humana por meio de sistemas de computador. Ela envolve a capacidade de máquinas aprenderem, raciocinarem, tomar decisões e realizar

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tarefas que, de outra forma, exigiriam inteligência humana, como reconhecimento de padrões, processamento de linguagem natural e resolução de problemas complexos. A IA tem aplicações em uma ampla variedade de campos, incluindo robótica, assistentes virtuais, diagnóstico médico, veículos autônomos e muito mais”. O que a população não tem conhecimento — nem as empresas dessas IAs fazem questão de divulgar — é que as inteligências artificiais possuem um banco de dados. “Geralmente esses dados são armazenados para serem utilizados por inteligência artificial. Eles são armazenados em diversos formatos e locais. E também nós temos o sistema de armazenamento na nuvem, no qual você tem acesso a dados que estão hospedados em computadores remotos, que você consegue manipular e acessar. Então esses sistemas de IA podem acessar esses dados tanto localmente como remotamente”, explica Iago Rodrigues, doutorando em ciência da computação pela UFPE. Iago também detalha o porquê disso vir a ser uma dificuldade futuramente. “Tem um grande problema que é a questão da privacidade, da segurança e também da ética. Se os dados não forem protegidos, podem ocorrer violações e também ataques cibernéticos, podendo comprometer a integridade dos dados e também a segurança. Podem ocorrer vazamento de informações, hackeamento e exploração de dados pessoais”.

Qual é o limite da ética? Em 2023, foram registradas mais de um milhão de vítimas de vazamento de dados em todo o país, de acordo com reportagem especial do Fantástico, da TV Globo, transmitida em 7 de maio de 2023. O que se pode pontuar, também, é que o Brasil está entre os países que mais sofrem com ataques cibernéticos no mundo, roubo de dados pessoais, além de ransomwares (os sequestros de dados, em tradução livre). Algumas empresas estão, inclusive, proibindo o uso de IAs para a reescrita ou otimização de relatórios empresariais, visto que esses ficam armazenados no banco de dados das inteligências. Apesar dos benefícios, nem tudo é um ponto positivo quando se trata de inteligência artificial. O avanço da era tecnológica, como já citado, e a digitalização de serviços, tornaram as pessoas serem mais suscetíveis aos ataques cibernéticos.


a finalidade de entregar meus dados? Empresas como a Apple e Samsung já estão se prevenindo quanto ao uso de inteligências artificiais. O uso do ChatGPT para a reescrita de formulários ou questões que expunham os dados da empresa foi proibido, justamente por terem conhecimento do banco de dados desses sites.

Input: “Gere uma imagem de como a inteligência artificial pode roubar dados pessoais dos usuários dessa tecnologia”. Imagem: Reprodução/DALL-E/Canva.

“A ideia da digitalização é uma coisa maravilhosa, mas conforme a comunidade de usuários vai crescendo, também vão surgindo problemas que outrora eram desconhecidos. Então, na medida que os usuários estão adentrando ao mundo digital, os golpistas também. Tudo depende do computador, do celular, né? Para receber um auxílio, você precisa ser cadastrado no programa, como exemplo. Enfim, tudo isso? Então golpistas também estão se informatizando”, detalha o professor Iago. Os golpes cibernéticos, em sua maioria, acontecem sem aviso prévio. Mas, como assim “sem aviso prévio”? Existem alguns golpes que chegam por SMS, mensagem no WhatsApp, ou até mesmo e-mail. São aqueles que as pessoas conseguem desconfiar um pouco do que seria o golpe. Porém, alguns já chegam com ameaças, citando todos os dados pessoais de uma pessoa, como foi o caso de Lawanne Arruda, de 22 anos.

“Eu recebi e-mails aleatórios o tempo todo, só que teve um específico que eu recebi que foi um e-mail, tipo ameaçando expor fotos minhas pessoais na internet. Em troca, cobrava R$ 5 mil. Eu nunca fui de acreditar nesses golpes, mas isso me deixou um pouco nervosa, porque ele tinha meu e-mail, ele tinha meu nome completo, ele tinha meu CPF. Só que são dados que são disponibilizados abertamente na internet, em qualquer site,” expõe Lawanne. Ela ainda conta que, após relatar o ocorrido para alguns amigos, um deles contou que sofreu o mesmo golpe e que, dias depois, foi relatado que uma plataforma, na qual ambos eram cadastrados, teria sofrido vazamento de dados pessoais dos clientes. Algumas plataformas abusam da coleta de dados pessoais. Quando isso acontece, uma questão importante a se levantar é: qual a linha tênue entre a ética e o antiético? Até que ponto é preciso entregar dados pessoais? Qual

O abuso de coleta desses dados não fica apenas on-line, ou seja, não existe apenas dentro da internet. No país, existem lojas — a exemplo, farmácias e mercados — que sugerem cadastros para ter acesso aos descontos exclusivos. Assim, os dados pessoais dos clientes, no entanto, são a “moeda de troca” para a aquisição desses benefícios. Um sistema criado para reduzir a coleta de dados em excesso é a Lei n° 13.709/2018, correspondente à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que protege os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e a livre formação da personalidade de cada indivíduo. De forma simplificada, alguns dos princípios da lei são os seguintes: a empresa deve justificar por que esses dados estão sendo coletados, qual é o dado que estão coletando e qual a finalidade. Mas, como ficam aqueles que estão comprando o mesmo produto e se recusam a entregar os mesmos dados? O que difere que uma pessoa merece ganhar mais descontos que a outra? Esta prática ficou tão recorrente que foi-se criado um Projeto de Lei (nº 2894/2022) para esses casos, alegando que muitas empresas estariam agindo de “ma fé” ao fornecer descontos exclusivos em troca de dados pessoais.

Assista vídeo explicando como proteger os seus dados oberro.unicap.br/edicoes/2023_2. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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Propaganda do Spotify em 2020. Imagem: Reprodução/Spotify.

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“Nós te conhecemos melhor”

Com possibilidades cada vez mais diversas e acessíveis da inteligência artificial, a utilização constante da aprendizagem de máquina pode alterar o senso humano do prazer pelas pequenas conquistas? Por Assíria Florêncio

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e tão cansada de procurar, Alice desiste e se entrega à facilidade inevitável e tão atraente que estava à sua frente o tempo todo: ao invés de quebrar a cabeça depois de um longo dia com mais de 20 crianças de 5 anos de idade levando sua sanidade ao limite, a pedagoga aceita um dos filmes recomendados da própria Netflix. Apesar de achar aquilo demasiadamente conformista, também considera particularmente interessante, afinal, “como eles conseguem me conhecer tão bem?” Em grande parte do dia, a jovem professora de 25 anos atende pela alcunha de “Tia Alice”, mas além do tempo que passa dentro da sala de aula numa atividade que, mesmo nobre e cheia de amor, é demasiadamente desgastante, ela tem outras obrigações: planejamento de aulas, pós-graduação, afazeres domésticos e — não menos importante — relaxar, porque ninguém é de ferro! Também não é mais de ferro (ao menos não estruturalmente) e há muito tempo, onde estão comportadas as inteligências artificiais. Diferente do que muita gente pensa, esses mecanismos não estão somente presentes

em “robôs” dentro de grandes empresas ou centros de pesquisa. Estão, na verdade, mais perto do que a gente imagina — mais perto e bem mais presentes! Sistemas de recomendação de filmes de plataforma de streaming que eu, você e Alice utilizamos são um exemplo bem simples disso. Cada clique, cada termo pesquisado, cada série abandonada, quaisquer interações feitas na Netflix são dados e esse amontoado é analisado por algoritmos que conseguem extrair material capaz de mapear o comportamento do usuário, preferência e padrões dentro do que já foi assistido. É a partir dessas análises feitas que a inteligência artificial consegue prever quais séries ou filmes um usuário pode gostar; e sem pensar duas vezes, esse conteúdo é recomendado para você. Mas seria essa utilidade realmente benéfica e inofensiva? Um estudo feito com 285 estudantes universitários chineses e paquistaneses, publicado pela Revista Nature, um dos periódicos científicos mais importantes do mundo, em junho de 2023, revelou

que “a inteligência artificial impacta significativamente a perda da tomada de decisão humana e torna os humanos preguiçosos”. Segundo a pesquisa, a IA é a grande responsável atualmente por 68,9% da preguiça em humanos; a culpada, em 68,6% das vezes, em questões relacionadas à privacidade pessoal e segurança; e em 27,7% dos casos, a grande vilã causadora da perda da capacidade de tomada de decisão. A humanidade vive o boom da inteligência artificial generativa. A todo momento surgem novas ferramentas que conseguem desenvolver textos, ou como o Midjourney, que geram imagens a partir de um input descritivo. Antes, a IA era mais conhecida por sua capacidade classificativa: tal coisa é um gato ou um cachorro, um pássaro, um avião… É literalmente um boom. São mudanças tecnológicas que acontecem num ritmo tão frenético que a humanidade não consegue se preparar; elas ocorrem em tempo real e bem na nossa frente. Aproveitamos as benesses do momento sem nos preocuparmos com as consequências a longo prazo que essa substituição inofensiva pode trazer.

“Feito para [insira seu nome aqui]” Em junho de 2020, pleno auge da pandemia da COVID-19, o Spotify, plataforma de streaming de música, podcast e vídeo, lançou campanha com o slogan “We know you better” ou, em tradução literal, “nós te conhecemos melhor” — frase que intitula esta matéria. O objetivo da campanha, obviamente, seria o de angariar mais usuários para o serviço, mas a propaganda do jeito que a IA seria utilizada é a grande sacada do plano. Foi essa capacidade de personalização INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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Helena Strecker é psicóloga e mestranda em Comunicação e Cultura no PPGCOM da UFRJ. Imagem: acervo pessoal.

que levou a Psicóloga e Mestranda em Comunicação e Cultura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Helena Strecker a desenvolver uma análise para entender de que maneira “a plataforma de música Spotify concebe e anuncia suas ferramentas de personalização algorítmica”. Todas as suas descobertas foram apresentadas durante o 46º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), ocorrido na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), em Belo Horizonte, de 5 a 8 de setembro deste ano. Intitulado “Imaginários Algorítmicos no Spotify: Sistemas de Recomendação e a Promessa de Nos Conhecer Melhor do que Nós Mesmos”, o artigo de Helena discute as “ambiguidades que envolvem a promessa de ultra personalização”. Estariam elas relacionadas em como a utilização constante da aprendizagem de máquina pode alterar o senso humano do prazer pelas pequenas conquistas? Para isso precisamos, primeiro, entender o que é auto realização e por que ela é tão importante para a experiência humana. De acordo com a autora, é a vertente da psicologia humanista que considera a auto realização como “uma necessidade existencial humana, um postulado básico do desenvolvimento psicológico [...] tão importantes para o ser humano quanto necessidades fisiológicas, como se alimentar, respirar e dormir, ainda que essas últimas sejam prioritárias”. Ao longo da vida, no dia a dia, temos dificuldades — o que é completamente normal. Precisamos aprender a como amarrar o cadarço sozinhos, cortar um papel, aprender a cozinhar, dobrar as próprias roupas, escrever um artigo… e é “na superação de desafios ou dificuldades que está a oportunidade de crescimento pessoal, o que também pode nos levar a uma reflexão mais profunda sobre 24

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nossas próprias habilidades, nossas limitações, e como desenvolvemos estratégias próprias para superar as dificuldades”, afirma Helena. “A dificuldade, portanto, é vista não como um obstáculo, mas como uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e auto realização”, complementa a psicóloga. Por mais coach que a frase seguinte possa parecer, são as dificuldades que nos fazem crescer como seres humanos. Nós nos conhecemos a partir do processo de superação. E é aí que começa o problema. Helena explica que “a personalização ou recomendação algorítmica opera a partir da premissa de que os algoritmos seriam capazes de ‘conhecer’ ou ‘entender’ os usuários a partir de dados coletados nas nossas ações digitais, como cliques, curtidas, conteúdos consumidos etc”. “Através dessa análise dos nossos dados de interação com as plataformas, os algoritmos seriam capazes de revelar qual música queremos escutar, no caso do Spotify, qual filme queremos ver, no caso da Netflix, ou qual livro queremos comprar, no

caso da Amazon. Mais do que isso, as plataformas reivindicam que conseguem descobrir essas informações de forma mais autêntica, verdadeira e rápida do que nós mesmos”, continua. Strecker chama isso de “processo de datificação dos sujeitos”. Esse fenômeno nos resume a dados — dados que são submetidos a análises digitais. Ela comenta que trata-se de “uma lógica nova de produção de conhecimento sobre indivíduos e populações, uma vez que não somos vistos por aquilo que pensamos ser ou dizemos sobre nós mesmos, mas por tudo aquilo que pode ser medido ou calculado computacionalmente sobre nós. Em outras palavras, pelas “identidades algorítmicas” que nos são atribuídas”. Mas essa datificação não fica restrita somente às redes, ela molda e afeta nosso comportamento. Deixamos de estar acostumados com as adversidades e não sabemos não saber. No final das contas, eles nos conhecem melhor. - Quer saber mais sobre esse assunto? Acesse oberro.unicap.br/edicoes/2023_2.


A IA é um novo deus?

Estamos diante de uma nova ordem espiritual ou desafio existencial?

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ma presença que está em todo lugar. Superior. Que tem resposta para tudo. Que sempre vai estar por perto. Que segue você em todos os lugares e te conhece melhor do que ninguém. Nunca vai estar cansada e pode te ajudar em momentos difíceis.

de casa e vivem a vida através da tecnologia. A religião está passando por profundas transformações, mas a tecnologia não é uma opção para a religião, é um lugar a ser habitado”, explica Gilbraz, se referindo a pessoas que acompanham missas e cultos pelas telas da televisão.

Essa é a inteligência artificial. Ou você pensou em outra coisa ao ler o parágrafo acima? Talvez em uma força religiosa? A relação entre IA e religião é complexa e multifacetada e a principal pergunta que é possível fazer neste momento de descoberta e adoração da IA é apenas uma: estamos diante de um novo deus?

Ele ainda enfatiza a existência de projetos em andamento que buscam criar avatares capazes de imitar emoções e interagir com humanos. Um destes projetos é a Star Labs, uma subsidiária da Samsung que começou a desenvolver, no ano de 2020, avatares gerados por computação gráfica e inteligência artificial conhecidos como “humanos artificiais”. Seria este um caminho? Hoje temos mais perguntas do que respostas.

O doutor em Teologia e professor da Universidade Católica de Pernambuco Gilbraz Aragão detalha que a IA pode até mesmo superar a inteligência humana e se tornar uma divindade, uma fonte de sabedoria e ser cultuada. “Deus é a fonte da vida e aquele que trás as respostas e dá sentido à vida. Entretanto, hoje as pessoas perguntam mais coisas ao Google do que a qualquer um. O homem tecnológico está construindo a sua própria fonte de respostas e sentido”.

Por outro lado, a IA pode ser vista como uma aliada ou uma ferramen-

ta das religiões, pois pode ajudar a disseminar, preservar, interpretar e atualizar seus ensinamentos, textos e tradições. A IA também pode facilitar o acesso e a inclusão dos fiéis, especialmente em tempos de pandemia, isolamento e perseguição. Alguns especialistas acreditam que a IA pode ter benefícios positivos na religião, como tornar os cultos mais disponíveis e inclusivos. Para o pastor batista e mestre em Teologia André Guímel, os teólogos e religiosos deveriam primeiro definir o que é culto para saber se é possível cultuar dentro do ciberespaço e que o uso da tecnologia para capacitação, aprendizado, reuniões, organização é extremamente válido, mas não para cultuar. “A IA pode ajudar os fiéis e religiosos a encontrar cultos online, transmissões ao vivo, podcasts evangélicos, ou outros recursos relacio-

Aqui já é possível fazer o questionamento da importância da religião na sociedade atual. Pesquisa publicada em 2020 pela Universidade de Michigan aponta que um número crescente de pessoas não encontra mais na religião uma resposta para as dúvidas existenciais da vida. Estas dúvidas poderão ser respondidas pela IA? Além disso, talvez frequentar espaços religiosos também possa ser algo que ficou no passado. “A pandemia fez crescer o número de pessoas que não frequentam mais os templos religiosos, apenas assistem

Transmissão ao vivo de cultos tem se tornado uma realidade nas igrejas. Imagem: Patrick Florêncio.


nados à sua religião ou denominação, até mesmo auxiliar na gestão de membros, projetos e finanças”, explica André. Dentro desta leitura, o pastor completa que a inteligência artificial também pode melhorar a comunicação e a interação com os fiéis, usando ferramentas de gestão de redes sociais com IA, que podem ajudar e solucionar tarefas, melhorando e monitorando a eficácia das campanhas de mídia social. “É possível criar e publicar conteúdos relevantes para o público, além de gerenciar a reputação e o engajamento da igreja nas redes sociais”, defende André. O pastor também ressalta que para um convívio pacífico entre a religião

e a inteligência artificial é preciso estabelecer algumas regras. “Devemos entender que a tecnologia não é neutra, ela foi criada por alguém que tinha uma intenção para formar um comportamento ou influenciar perspectivas. Assim, antes de usar a tecnologia devemos avaliar os impactos. O culto é algo encarnado, assim como Jesus Cristo encarnou, os cristãos devem encarnar para cultuar”, finaliza André. O que diria aos envolvidos neste embate? Procuramos o ChatGPT da plataforma Microsoft Bing e perguntamos se a IA pode ser considerada maior que Deus? A resposta que nos foi dada é que essa é uma pergunta muito difícil de responder, pois envolve conceitos que podem variar

Input: “Faça uma imagem da conexão do homem com a tecnologia numa releitura de ‘O dedo de Deus’”. Imagem: Reprodução/DALL-E/Canva.

de acordo com a perspectiva de cada pessoa. “A inteligência artificial é uma criação humana, que busca imitar ou superar as capacidades cognitivas dos seres humanos, como aprender, raciocinar, comunicar e tomar decisões. Deus, por outro lado, é uma realidade transcendente, que é adorado e reverenciado por muitas religiões, como a fonte, o sustentador e o Senhor de tudo que existe. Comparar a IA com Deus pode ser visto como uma forma de questionar ou desafiar a existência, a autoridade, a bondade ou a singularidade de Deus”. Este seria um caminho sem volta ou uma relação de aprendizado entre as duas forças?


Dez filmes que falam sobre IA Conheça dez longas onde a inteligência artificial é uma das protagonistas da obra. 1. 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) Disponível em: Amazon Prime Video, Apple TV, HBO Max. 2. O Exterminador do Futuro (1984) Disponível em: Amazon Prime Video.

EXPEDIENTE REITOR Pe. Pedro Rubens VICE-REITOR Pe. Lúcio Flávio DIRETORA DA ESCOLA DE COMUNICAÇÃO Profa. Dra. Carolina Monteiro COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO Profa. Dra. Andrea Trigueiro

3. Ghost in the Shell (1995) Disponível em: Amazon Prime Video. 4. O Homem Bicentenário (1999) Disponível em: Amazon Prime Video, Apple TV. Her (2013). Warner Bros. Pictures.

CONSELHO EDITORIAL Amanda Remígio Assíria Florêncio Bianca Escobar Caio César Conceição Tomaz Paulo Pinheiro SUPERVISÃO EDITORIAL Prof. Dr. Filipe Falcão DIAGRAMAÇÃO Assíria Florêncio Jota Bosco O BERRO 2023.2 DEZEMBRO

5. Matrix (1999) Disponível em: Amazon Prime Video, HBO Max. 6. A.I. - Inteligência artificial (2001) Disponível em: Amazon Prime Video. 7. Eu, Robô (2004) Disponível em: Star. 8. Her (2013) Disponível em: Netflix. 9. Ex Machina (2014) Disponível em: Amazon Prime Video, Apple TV. 10. Blade Runner 2049 (2017) Disponível em: Netflix.

Redação Multimídia Universidade Católica de Pernambuco Rua do Príncipe, 526, Bloco A - Boa Vista, Recife - PE - 50050-900 Fone: (81) 2119-4059

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Input: “Produza uma imagem de uma pessoa excluída digitalmente”. Imagem: Reprodução/ DALL-E/Canva.

O retrato da inclusão digital no Brasil: quem está à margem da inteligêncial artificial? Integrantes do coletivo Sargento Perifa, na Zona Norte do Recife, contam sobre a inserção da comunidade neste aspecto. Por Mariana Gonçalves

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m um planeta cada vez mais conectado, a inclusão digital emerge como uma questão urgente, revelando disparidades significativas no acesso à tecnologia e seus benefícios. A inteligência artificial, promissora em muitos aspectos, também ressalta desafios consideráveis quando se trata de equidade, demonstrando de maneira ainda mais arrebatadora a escassez de aproximação da população mais pobre a “novidades” do mundo digital. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação, a Pnad TIC, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 28,2 milhões de brasileiros de 10 anos ou mais de idade não usavam a internet; desse total, 3,6 milhões são estudantes. Esses números são do ano de 2021, mas, dois anos depois, o cenário não teve evolução tão significativa.

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Uma prova viva disso é Martihene Oliveira, co-fundadora do Coletivo Sargento Perifa, localizado na comunidade da Linha do Tiro, Zona Norte do Recife. Jornalista por formação, Martihene decidiu dar início ao projeto em maio de 2020, com a intenção de apresentar ao mundo a cara da comunidade de uma maneira diferente do que a mídia tradicional mostra constantemente e, além disso, elaborar iniciativas que acrescentassem algo de positivo aos moradores do Córrego do Sargento. Dentre as iniciativas, está o Perifa Cast — o podcast do Sargento Perifa. Produzido pelas próprias crianças e adolescentes que compõem o coletivo, o podcast é um dos instrumentos que servem para aproximá-los do universo digital. No entanto, no dia a dia, muitas das pessoas envolvidas no coletivo não têm acesso a esses meios.

“A gente ainda tem muitos moradores que não têm acesso a este universo, que não têm nem um celular”, afirma Martihene, mencionando, ainda, que o uso que essas pessoas fazem da internet é, na maioria das vezes, recreativo, com as redes sociais. “De todo jeito, eles não enxergam esse processo de inclusão digital. Se você falar, as pessoas talvez nem saibam o que é isso”, completa. A falta de acesso à internet e dispositivos eletrônicos é uma barreira que perpetua a exclusão digital, marginalizando comunidades inteiras. Esse fosso digital não apenas limita o acesso à informação, mas também restringe oportunidades educacionais e profissionais. Essa é a exata realidade vivenciada por muitas famílias daquela área. David Nascimento, cientista de dados do Sargento Perifa, relembrou que na época da pandemia da COVID-19


muitas crianças não conseguiam assistir às aulas on-line, por terem apenas um celular em casa.

Segundo ele, tais limitações e a falta de conhecimento da tecnologia são dados alarmantes.

“Tinha criança que estava estudando e a aula à distância era só pelo celular da mãe, mas a mãe tinha que trabalhar, também tinha que se comunicar com o patrão. Então como é que ficava o estudo dessa criança?”, contou David, que foi um dos realizadores do Censo do Perifa, em 2022, promovido pelo coletivo na localidade ao redor.

E de fato são! A necessidade de ações coordenadas entre governos, setor privado e organizações sem fins lucrativos é evidente. Iniciativas para expandir a infraestrutura digital, fornecer treinamento em tecnologia e promover políticas inclusivas são fundamentais para combater a exclusão digital. Além disso, a conscientização sobre os desafios éticos relacionados à IA é crucial para moldar um futuro tecnológico mais justo.

David relatou, ainda, que muitas famílias sequer sabiam o que era e-mail, por exemplo. “Durante a pandemia, a Prefeitura do Recife criou o aplicativo Conecta Recife, onde as pessoas se registravam para começarem a se vacinar, e o aplicativo exige que você tenha um e-mail pra poder fazer o cadastro. Muitas famílias não tinham e-mail, outras faziam cadastro com e-mail fictício, e algumas até tinham, mas não sabiam o que era”, rememorou.

Infelizmente, esta ainda é uma realidade distante dentro do universo da periferia, tendo em vista que, por parte do governo, não são vistos muitos projetos voltados para a inclusão digital do povo periférico. Martihene destacou que no Recife, um dos grandes polos tecnológicos do Brasil, a comunidade permanece esquecida.

“Aqui em Recife temos o Porto Digital que investe horrores até para levar brasileiros para fora do país, para trabalhar com tecnologia, com inclusão digital, como eles dizem, mas falta essa inclusão dentro da periferia. É a Prefeitura do Recife com Conecta Recife, com essa parceria com o Porto Digital, com isso, com aquilo, mas ainda não olha para a periferia com esse olhar”, pontuou. A busca pela inclusão digital e pela utilização ética da inteligência artificial não é apenas uma questão técnica, mas uma imperativa social. A sociedade global precisa avançar coletivamente para garantir que os benefícios da revolução digital e da IA sejam acessíveis a todos, independentemente de sua localização geográfica ou condição socioeconômica. - Assista vídeo sobre o tema oberro.unicap.br/edicoes/2023_2. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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Input: “Crie imagens de jovens negros na periferia utilizando tecnologia de inteligência artificial“. Imagem: DALL-E/Canva.

Iniciativa combate racismo algorítmico das IAs e promove democratização das tecnologias Equipe LABCoco, em Olinda (PE), quer que a inteligência artificial e os algoritmos trabalhem para os seres humanos — e não o contrário. Por Suellen Barbosa

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o Recife e Região Metropolitana, várias iniciativas são desenvolvidas coletivamente para resgatar valores ancestrais, democratizar o acesso às tecnologias e promover a diversidade no meio tecnológico, sobretudo em um ambiente em que a inteligência artificial está cada vez

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mais presente. É o caso do trabalho realizado pelo Laboratório de Tecnologia para Promoção da Identidade Negra, Indígena e de Periferia, o LABCoco, em Olinda. O projeto é idealizado pela ialorixá, musicista, mestra coquista, comunicadora popular e Patrimônio Vivo de Pernambuco, Mãe Beth de Oxum.

Desde 2015, o LABCoco qualifica jovens para atuar profissionalmente em diversas áreas do conhecimento tecnológico, como roteiro, game design, design gráfico, sound design e programação. Para Nin La Croix, que atua na criação, pesquisa e inovação do projeto, a atuação visa, primeiramente, o resgate das tecnologias ancestrais, combatendo uma estratégia de apagamento. “Nós atuamos desenvolvendo ações, metodologias, formações, articulações políticas para fortalecer o pertencimento e identidade de um lugar, da população negra, indígena, de matriz africana, periférica, de diferentes gêneros e sexualidades dentro da tecnologia, com pensamento crítico, protagonizando valores que não são encontrados dentro da estrutura hegemônica”, explica. O jovem indígena Kaburé Kaete, morador do bairro de Santo Amaro, periferia na zona norte do Recife, começou no LABCoco como professor do módulo de empreendedorismo e logo passou a integrar a equipe de tecno-


logia, desenvolvendo jogos e criando através da inteligência artificial. Ele se interessa por tecnologia desde criança. “Não sei exatamente quando, mas sei como: através da leitura de histórias de ficção científica”, afirma Kaburé. Para ele, tecnologia é tudo aquilo que auxilia no desenvolvimento de um povo. “Aprendi muito sobre isso com a minha família e no terreiro”. Na adolescência, Kaburé estagiou desenvolvendo tecnologia associada ao marketing. Hoje, aos 28 anos, é artista, empreendedor, programador, copywriter e game design. No LABCoco integra a equipe que vem estudando o uso crítico e responsável das inteligências artificiais, inclusive para utilização no novo projeto chamado Tecnologia de Quebrada, lançado no início de novembro, em parceria com o Consulado Britânico.

Invisibilidade na mídia tradicional Diariamente a mídia nos alimenta com notícias sobre casos de racismo, inclusive aqueles promovidos através das tecnologias. Isso mesmo,

as máquinas também cometem esses “erros, equívocos e mal entendidos”. Na realidade, crimes. Mas, por que esse tipo de episódio acontece em um ambiente dito “neutro”? Racismo algorítmico é um conceito desenvolvido pelo pesquisador Tarcízio Silva. No estudo, ele trata com profundidade a estrutura do sistema, reconhecendo que o problema não está necessariamente ligado aos algoritmos em si, mas, na formação colonialista de quem os criou. Para Nin La Croix, tecnologista nas áreas de criação, pesquisa e inovação, a inteligência artificial é uma ferramenta que reflete os valores de quem as cria. “São recursos utilizados para apoiar e potencializar os interesses de quem está no poder de desenvolve-las, e isso pode trazer benefícios para um grupo e malefícios para outros, principalmente quando esse monopólio está nas mãos de pessoas com os mesmos valores, brancos, patriarcais, cis, heteronormativos de alto poder aquisitivo e que defende uma logica de exploação do outro”, afirma Nin.

Em 2019, o assunto foi pautado após denúncias de racismo algoritmo envolvendo resultados de pesquisas feitas no buscador Google. Na época, ao digitar o termo “tranças feias” o usuário era direcionado à imagens de tranças em cabelos crespos e cacheados, já ao buscar por “tranças bonitas”, o buscador mostrava tranças em cabelos lisos de pessoas brancas. Outro caso mais recente foi denunciado pela Deputada Federal Renata Souza ao participar da trend que transforma fotografias em ilustrações estilo Disney. Em suas redes sociais a deputada informou que ao dar comandos como, “uma mulher negra, de cabelos afro, com roupas de estampa africana num cenário de favela”, o aplicativo gerou a imagem de uma mulher negra, em uma favela com uma arma na mão. Quer conhecer outros exemplos? Acesse a matéria completa e conteúdo extra em oberro.unicap.br/edicoes/2023_2/.

Equipe do LABCoco, em Olinda, quer que a inteligência artificial e os algoritmos trabalhem para os seres humanos, e não o contrário. Imagem: Divulgação.

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Tecnologia e conexão virtual: a realidade aumentada de nossas vidas O futuro das interações humanas com a cada vez mais presente IA. Por Otávio Konrad

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elas acesas, notificações chegando a cada passo do tempo. Informações circulando em uma velocidade frenética, registros através de fotos e vídeos de onde se está e o que está comendo. Foto do look, do filme, do cachorro, da família. O sorriso largo quando aponta a câmera para si e, quando sai de cena, os dentes se escondem e a postura fica reclusa a uma tela de smartphone. Essas são algumas cenas do nosso dia a dia moderno para uma parte das pessoas que têm acesso à internet. É estranho pensar que na palma das nossas mãos, temos um mundo, mas não o real de fato. Esse detalhe, de que vivemos também no mundo virtual, faz toda a diferença, já que é um ambiente ainda mais manipulável em que enredos são construídos para montar uma percepção limitada dessa realidade aumentada, por assim dizer. Fato é que a cada dia que passa, as tecnologias vêm tomando um espaço maior em nossas vidas. Não precisamos ligar para falar com um atendente se queremos um lanche, por exemplo. O sistema eletrônico cria as informações de cardápio, te oferece, você seleciona e o pedido chega nas mãos dos chefs para o preparo. Inclusive, já existe uma McDonalds, localizada no Texas, nos Estados Unidos, que possui o atendimento inteiramente robotizado.

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O cliente faz o pedido na tela automatizada, disponibilizada pela loja, e aguarda ficar pronto, tendo a opção de drive-thru também, feita através de um robô que entrega o produto ao consumidor que se encontra no automóvel. A nossa capacidade de nos comunicarmos tem gerado dificuldade de compreensão ao nos relacionarmos com outras pessoas. Se fazer entender através da fala parece que ficou antiquado. É comum ler nos status de WhatsApp a frase ´´não atendo ligações´´ ou ´´só ligue se for urgente’’ e até ‘’não mandem áudio’’, Nem um áudio? Inquieto, entrevistei a psicóloga clínica Maria Eduarda Salsa para saber um pouco mais sobre como a relação com as mais diversas inteligências artificiais agem com o nosso cérebro, com a saúde mental e formas de relações interpessoais. ‘’Redes sociais e tecnologias são temas que sempre surgem como demandas nas relações interpessoais da contemporaneidade. Existe uma grande demanda de comparações, juntamente com uma necessidade de aprovação e validação do ‘’Eu’’ que as pessoas esperam receber através da edição e de recortes de uma vida, que é alimentada nas redes sociais. Em excesso, essas comparações prejudicam e distorcem a realidade”, explica a Maria Eduarda.


O que não tem remédio, remediado está? Há estudos que comprovam que o uso de ferramentas digitais pode causar danos à nossa saúde. Segundo dados do Instituto Nacional de Ciências Médicas Gerais, dos Estados Unidos, o uso de um dispositivo móvel no turno da noite, refletindo a claridade da luz no rosto, pode desencadear doenças como a depressão, pois o relógio biológico humano recebe informações erradas de qual horário se está no momento, gerando uma confusão nas informações emitidas para o cérebro. Um artigo publicado em 2022 no Journal of Interactive Neuroscience

chamado ‘’Demência digital na geração da Internet: o tempo excessivo de tela durante o desenvolvimento do cérebro aumentará o risco de doença de Alzheimer e demências relacionadas na vida adulta” alega que a exposição excessiva nas telas pode ocasionar distúrbios cognitivos, afetar a concentração, o funcionamento social e a memória pode ficar comprometida. O professor Júnior Rodrigues, que tem licenciatura em artes visuais com ênfase em digitais, leciona para a faixa etária entre 5 e 12 anos de idade, observou que falta o incentivo adequado para usar a inteligência artificial. “Os alunos não entenderam ainda o potencial da IA. Quando usam, é para

fazer um texto que fica visível que não foi o aluno que escreveu’’, pontuou o educador. “O grande desafio é fazer com que o estudante use de maneira correta. Está no início essa realidade de IA e acho que é difícil julgar ainda se há uma distância ou aproximação na relação do aluno com o professor e entre eles mesmos. É uma continuação do que já é feito em sala de aula, a utilização da IA. Acho que as pessoas ainda estão caminhando’’, completou. - Acesse oberro.unicap.br/edicoes/2023_2/ para assistir vídeo sobre as interações humanas.

Input: “Produza uma ilustração que represente as relações humanas sendo consumidas pela tecnologia“. Imagem: DALL-E/Canva

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O futuro do sexo ou o sexo do futuro?

Sucesso e risco da pornografia feita por IA. Por Paulo Pinheiro

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xistem várias formas de sentir prazer, se relacionar, e as novas tecnologias já começaram a participar das intimidades dos seres humanos. Segundo a Arman Chaudhry, uma ferramenta de IA generativa, a inteligência artificial já é um recurso utilizado para o consumo de conteúdo pornográfico colocando 2023 entre os anos de maior audiência desse tipo de conteúdo. Mas a pergunta de um milhão de reais é a seguinte: como são produzidos esses conteúdos adultos, ou melhor dizendo, artificiais?

Pornografia IA gerada por usuários do Twitter/X.

Vamos começar entendendo como funciona o treinamento dos algoritmos das plataformas responsáveis por desenvolver esse tipo de conteúdo. Segundo o StartSe, portal de notícias de tecnologia, existem variedades de IAs que geram imagens circulando na internet. Esses sistemas as desenvolvem a partir de uma inovação chamada Generative Adversarial Network (GAN), que funciona da seguinte forma: os geradores formulam as imagens com base nos comandos emitidos pelos usuários, que serão enviados aos discriminadores para diferenciar as imagens IA das produzidas por mãos humanas. Mas o que fazem os discriminadores? Essa ferramenta melhora ao máximo o conteúdo que foi produzido, deixando perfeito. Beleza, mas como o rosto do cara que interpreta o Superman acabou de passar na sua timeline do Twitter em um corpo completamente nu? Aqui a coisa começa a ficar sinistra. Segundo matéria do TechTudo, a inteligência artificial se apropria de imagens pu-

blicadas na internet sem a autorização das pessoas, por meio de crawlers (bots rastreadores), utilizando essas imagens para as suas produções. Pesado, não é? Ficou com medo de ter seu rosto em uma foto comprometedora que você nunca tirou? Existem formas de prevenir que isso aconteça. É meio tosco o que vem a seguir, mas ajuda a manter seu belíssimo eu longe das produções IA — inclusive (e principalmente) das pornográficas. Uma das soluções implicadas é a adesão de

marcas d’água, o que dribla a coleta dos algoritmos.

Como a psicologia avalia o consumo de conteúdo +18 feito por IA? Apesar de ser uma nova modalidade das atividades pornográficas, o consumo de conteúdos sexuais desenvolvidos por tecnologia já pode ser avaliado como algo a ser observado, como enfatiza o sexólogo Diogo Santos.


“A partir do momento em que você condiciona esse tipo de conteúdo, pode acabar se desassociando da realidade. A inteligência artificial possibilita criar pornografia inimaginável através de sons e anatomias totalmente fora da realidade”, enfatizou. Mas o que atrai as pessoas que consomem conteúdos pornográficos? Bom, para Sadrac*, de 26 anos, consumir pornografia é algo sazonal, o que não chega a ser um vício, mas que está presente em suas atividades. “Eu recorro à pornografia porque é o que desejo fazer. Às vezes, depois de uma semana cansativa e não tenho ninguém para ficar, daí vejo um vídeo ou outro. Confesso que já assisti pornô IA, mas não é o que procuro quando estou com vontade de ver um vídeo +18”, enfatizou.

para fins pornográficos. Recentemente, Recife e Rio de Janeiro registraram casos da utilização indevida de imagens de adolescentes para a produção de imagens pornográficas, mas a legislação brasileira já qualifica “o uso de inteligência artificial para criar imagens e vídeos de pessoas nuas ou em atos sexuais pode ser caracterizado como crime de difamação, injúria e até mesmo estupro virtual”, afirma Pedro Silveira, advogado que publicou o livro “A LGPD Comentada”. O que fazer ao perceber que a sua imagem está sendo utilizada para produção de conteúdo adulto? Silveira esclarece que “por se tratar de crime, a vítima deve buscar as autoridades policiais para que tomem as providências necessárias e também pode, na esfera civil, buscar uma compensação pelos danos morais que

Mas, quando se trata de IA, o sentimento é o mesmo? “Eu prefiro os conteúdos adultos feitos por pessoas. Não me vejo em um boneco transando”, declarou Sadrac. Há quem goste! E o consumo dos registros feitos por humanos já é comprovado como danoso, em alguns casos, então o que esperar das consequências da produção a partir da IA? “O excesso de pornografia pode condicionar o indivíduo aquele formato de sexo, levando as pessoas a acreditarem que aquilo é o sexo ideal. No entanto, sabemos que na indústria pornográfica, tudo é encenado e ensaiado. Muitas vezes, as pessoas ficam tentando reproduzir aquela performance sexual em seus relacionamentos, o que pode gerar ansiedade de desempenho e, consequentemente, disfunções eréteis”, conclui Diogo.

O que a legislação brasileira prevê sobre os riscos da IA? Segundo matéria publicada pelo portal G1 em 31 de julho de 2023, o Brasil já começou a ter problemas com a inteligência artificial utilizada

Pornografia IA gerada por usuários do Twitter/X.

possa ter sofrido. Nessa situação, deve ser aplicado o Código Penal”, conclui.

Lei, psicologia ou bom senso Será que dá para convivermos com a IA sem nos tornarmos máquinas sem sentimentos, capazes de usufruir dos limites do outro sem medir as consequências? Talvez seja só um lugar onde a humanidade aflora, a empatia. O que você sentiria se fosse vítima de uma deep fake igual ao cara do Superman? “Surtaria. Trabalho, sou funcionário público e estudante de direito. Isso acabaria com minha carreira, que nem começou, e seria afastado do cargo para não manchar a imagem da instituição que presto serviço”, Sadrac. * nome fictício dado ao personagem.


Afrofuturismo: a negritude no protagonismo do futuro

Com a expansão ainda maior da inteligência artificial se abre questionamentos e reflexões sobre porvir, futurações e novos horizontes para as pessoas negras

Por Caio César

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á almejou viver em outra realidade? Em um lugar diferente, com outros povos, ambientado na mitologia negra, ambientado em cenários utópicos de ficção científica? Essas são algumas das visões do afrofuturismo: tomar as rédeas de suas histórias e serem colocados em primeira pessoa,

como protagonistas de suas vidas e do novo mundo que está sendo criado. Por meio da ficção, o movimento busca especular diferentes perspectivas do mundo que divergem do real e de importantes maneiras. As histórias, na verdade, ajudam a reconstruir a ancestralidade e o afrocentrismo unin-

do elementos do tempo: o passado, o presente e o futuro. Com a expansão ainda maior da inteligência artificial se abre questionamentos e reflexões sobre porvir, futurações e novos horizontes para as pessoas negras. A expressão afrofuturismo foí cunhada no início da década de 1990, por Mark Dery (1994), nos Estados Unidos, para caracterizar as criações artísticas que exploram futuros possíveis para as populações negras por meio da ficção especulativa - gênero da ficção que busca especular mundos que diferem do real de várias e importantes maneiras. Historicamente, as pessoas negras foram colocadas como coadjuvantes e figurantes e isso foge da etimologia do significado literal e alcança outras nuances. Seja na política, na tecnologia, em posições de poder e até nas artes, a raça sempre foi um fator determinante para a distribuição de sucesso, poder e notoriedade. No cinema, ao longo dos anos, as referências do que temos enquanto papéis distribuídos colocam pessoas negras ainda em posição de melhores

Mojubá. Imagem: Artemísia.

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explica que o afrofuturismo está ligado a identidade e ancestralidade negra e sua conceituação vai além do que se é entendido no senso-comum. “É um resgate da identidade forjada pelo retorno ao passado, à ancestralidade, para pensar futuros em que os corpos negros não estejam ligados à subserviência, à solidão, desfazendo o palco da dor para tecer novos territórios. Então, o afrofuturismo seria uma ode à existência plena, repleta de potencialidades e espaços de construção”, disse.

Quem está por trás das novas ferramentas tecnológicas?

Lia de Itamaracá. Imagem: Artemísia.

amigos leais e que ajudam os protagonistas brancos. Um sucesso do cinema norte-americano exemplifica isso: A carismática Dionne Davenport (Stacey Dash) viveu a melhor amiga de Cher Horowitz (Alicia Silverstone) em As Patricinhas de Beverly Hills (1995). Durante todo o longa-metragem, é impossível não notar que Alicia Silverstone rouba a cenas diversas vezes enquanto Stacey mal tem sua história contada ou desenvolvida. Por outro lado, a figura da pessoa negra também é atrelada a estereótipos e arquétipos sociais diretamente ligados à criminalidade, morte e tráfico de drogas. Conforme pesquisa realizada pela Paramount Global, 23% dos negros brasileiros se sentem representados como criminosos em filmes e séries. Ainda de acordo com o estudo, 52% dos indivíduos que toparam participar do estudo se sentiram mal representados, afirmando que falta precisão em como o grupo a que pertencem é retratado no audiovisual. Além das ficções e obras cinematográficas, a representação de pessoas negras de forma geral é

uma problemática atual que extrapola limites geográficos e de linguagem em diversos países na atualidade. Na inteligência artificial, já se existe um conhecimento de que as plataformas de criação de imagens (OpenAI, Stability AI e Midjourney), tem avatares com cunho racistas e que muitos artistas estão se deparando com esta lamentável realidade. Esses casos abrem discussões a respeito de retrocesso e avanços, de como o negro vai ser colocado no mundo e de quem controla o maquinário e a própria IA. Indo de contra a maré com a realidade posta, está o afrofuturismo, movimento formalizado há mais de 30 anos que busca retomar a pena, pincel, a caneta, o lápis e reescrever suas narrativas tomadas de forma violenta por anos. Carine Vieira, artista visual, arte educadora, graduanda em letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), criadora da Artemísia, onde desenvolve seu trabalho para criar narrativas de protagonismo negro,

No Brasil, embora os negros sejam maioria entre a população, pessoas não brancas continuam sendo associadas e consideradas minoria política e social. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 56,1% dos brasileiros se declaram negros. A informação, divulgada pelo órgão em 2020, mostra que mais da metade da população se declara negra, preta ou parda. Porém, no campo da tecnologia, ainda há um caminho de tartaruga no que se diz respeito a representatividade de negros no cenário cibernético. Essa informação abre margem para reflexão sobre quem fomenta a inteligência artificial e para quem. O levantamento promovido pela Rede Negra em Tecnologias e Sociedade, com apoio da Fundação Mozilla, demonstra a presença da manutenção do racismo estrutural e por consequência falta de pessoa negras em locais especializados em tecnologias digitais que utilizam processos inovadores como automatização, algorítmicos e IA.

Quer saber mais sobre afrofuturismo? Acesse oberro.unicap.br/edicoes/2023_2/ INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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Futuro da moda pode ser sustentável

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indústria da moda, como é sabido, tem grande impacto na devastação do meio ambiente e, ao longo dos anos, os grandes empresários têm encontrado muitos desafios na busca pela sustentabilidade, muito a partir da pressão da sociedade cada vez mais exigente e consciente de que os recursos naturais são finitos.

Como os avanços da aprendizagem de máquina podem auxiliar no consumo consciente da moda. De acordo com o relatório MeasuPor Euzeni Gomes

ring Fashion: Environmental Impact of the Global Apparel and Footwear Industries Study, feito pela consultoria Quantis, em 2018, o setor da moda é responsável por 8% das emissões de gás carbônico (CO2) na atmosfera. De acordo com o relatório Fashion on Climate, da organização Global Fashion Agenda com a consultoria McKinsey and Company, a indústria da moda emitiu, em 2018, cerca de 2,1 bilhões de toneladas de gases causadores de efeito estufa em todo o mundo. No geral, os relatórios sobre o impacto do setor no meio ambiente levam em consideração a fase da produção da matéria-prima, ou seja, produção das fibras, preparação e acabamento do tecido, que estão ligados ao uso de

Input: “Gere imagens de super modelos”. Imagem: DALL-E/Canva.

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agrotóxicos no plantio de fibras, desperdício de água e o uso de substâncias químicas. Nas últimas décadas, empresas, marcas e organizações vêm demonstrando uma maior preocupação no que diz respeito à responsabilidade socioambiental. Logo, os consumidores têm buscado cada vez mais produtos que usem menos recursos naturais e com o setor da moda não é diferente.

IA: algoritmos avançados e capacidade de aprendizagem A inteligência artificial vem se apresentando como uma grande aliada e transformando o setor da moda. Com algoritmos avançados e alta capacidade de aprendizagem, a IA gera otimização dos processos de criação e produção. Essas soluções ajudam a minimizar a pegada ambiental do setor. Para a designer, professora e pesquisadora de Design e Moda, docente embaixadora do movimento Fashion Revolution, Isabella Morais, a inteligência artificial pode contribuir para o setor, desde que usada de forma ética e responsável. “Ela está posta como uma ferramenta para agilizar processos, inovar, aproximar realidades distintas, criando pontes e recriando cenários e isso é positivo do ponto de vista da inclusão, da solução de problemas”, explicou a pesquisadora.

está surgindo. “Claro que o contexto foi propício para que pessoas comprassem um tênis virtual, um objeto digital com selo de autenticidade que só poderia ser usado assim, no digital, mas isso abre um precedente para que marcas e empresas de moda invistam nessa tecnologia”, finalizou.

É bom, mas e os cuidados? A designer, professora de costura e consultora em economia circular e sustentabilidade Natália Borges destaca a complexidade do assunto, pois ainda não há estudos suficientes para mensurar esses impactos. “Por um lado, têm pontos positivos no sentido de que a gente pode acelerar processos, pode estudar dados, conseguir direcionar melhor a produção, a confecção de uma roupa para um cliente específico. Então, eu poupo tempo nesse processo e isso ajuda na sustentabilidade porque eu vou produzir menos peças pilotos, vou ter menos risco de erro, mas ao mesmo tempo quando a gente fala desses métodos que são utilizados a partir de computadores, de projetos que são feitos a partir de tecnologia, sabemos

que utiliza-se muita energia”, disse. A inteligência artificial tem transformado diversas áreas, incluindo a indústria da moda, com processos inovadores, e que impactam diretamente na sustentabilidade do planeta. No entanto, outros questionamentos como a falta de diversidade de corpos, observado que as imagens criadas pela IA generativa, termo para explicar a IA que pode criar vídeos, textos, imagens e áudios, reforçam padrões de beleza irreais. Um outro questionamento é se a IA surgiu para agregar ou substituir profissionais de diversos setores. Isabela Morais acredita que essas ferramentas beneficiarão os profissionais que estiverem dispostos a inovarem. Em um contexto profissional, um designer ou estilista que domine ferramentas de IA tem muito mais chances de se adaptar a esse mercado de moda remodelado. Então, os criadores podem sim aprimorar os seus processos com o uso da IA. Se serão substituídos ou não, vai depender da forma como usarem: com menos ou mais conhecimento e eficiência é a grande questão”, concluiu.

Input: “Gere imagens de super modelos“. Imagem: DALL-E/Canva.

Iniciativas como provadores virtuais que otimizam os processos de vendas, visto que os consumidores não necessitam estar presentes fisicamente, os NFTs, “tokens não fungíveis”, que são produtos totalmente digitais, isto é, só existem no metaverso, surgiram na pandemia e foram impulsionados por grandes marcas como Balmain, Burberry, Dolce e Gabbana, entre outras. A moda virtual, vista como moda sustentável, já que não passa pelos processos de produção de uma peça física, surgiu como proposta para cessar o distanciamento entre marcas e seus consumidores. Isabella ainda comenta sobre este novo mercado que INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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