mAceió-AL l Dezembro De 2021
Ano 1 l número 003
Gol aço AL
r$ 2,00
IMPARÁVEL | A vitoriosa e inspiradora carreira de Eduardo, que luta contra lesão rara
golacoal@gmail.com Foto: Ailton Cruz
MAESTRO Memórias, histórias e causos da trajetória do narrador esportivo Arivaldo Maia, que renasceu após 40 dias intubado, acometido pela Covid-19 . Páginas 6 e 7
SEJA UM SÓCIO TORCEDOR DO CSA
SEJA UM SÓCIO TORCEDOR DO CRB
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Maceió-aL l DezeMbro 2021 l golacoal@gmail.com
EDITORIAL Ailton Cruz
Muito obrigado G
ratidão. Esse é o sentimento desta terceira edição do jornal GOLAÇO. Gratidão por você, leitor(a). Obrigado por nos receber, nos pegar pelas mãos e nos reservar um tempo de sua vida corrida para “ouvir”, quer dizer: ler histórias de pessoas iguais a você. Sim, igualmente a você, leitor(a). Pessoas de carne e osso – e alma -, que no decorrer da vida, sonharam, estabeleceram metas e conseguiram - com muito esforço e suor – concretizar objetivos. Tornando-se, assim: exemplo, ícone, reflexo de que para se vencer na vida é preciso esforço, dedicação, disciplina, foco e fé. Fé para não perder a esperança e seguir em frente diante dos obstáculos. E quantos obstáculos, surgem, não é leitor (a)?! A vontade que dá é de desistir. Leitor(a), se você está com esse sentimento, pare, respire e
Ailton Cruz Editor-Geral
ANÚNCIOS E SUGESTÕES: (82) 99972-7274 CNPJ 41.073.148/0001-33
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reflita, porque deve estar bem próximo da sua realização. Por isso: não desista agora. Tente outra vez. Enquanto há vida, há esperança. Veja as histórias do narrador esportivo Arivaldo Maia e do lateral Eduardo, que esta edição traz para você. Leia. Reflita. Depois: siga em frente nos seus sonhos. E novamente: gratidão, leitor(a). Você é o sentido da vida do GOLAÇO. Se não tivesse você, leitor (a) ... Mas você existe: “O leitor(a) de jornal de papel”, isto é, do impresso. Quem diria que você ainda existiria nesses tempos. Fala-se aos quatro cantos do mundo que você havia desaparecido. Se o jornal GOLAÇO tivesse acreditado, não estaria aqui com você - depois de seis anos para se tornar real -, no seu colo, entre suas mãos carinhosas ao nos folhear.
Benedito Lima Diagramação
OS ARTIGOS SÃO DE RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, NÃO REPRESENTANDO, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO DESTE JORNAL.
Colaboradores: Marcelo Alves | Repórter l Maurício Manoel | Repórter l Dayvidson Soares | Repórter l Luciano Milano | Repórter l
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Um carrasco chamado Renato
Fot os: Ailt on Cru z
COM ACESSOS E GOLS DECISIVOS | O meia-atacante do Avaí se tornou uma ‘pedra no sapato’ para CSA e CRB na Série B DAYVIDSON SOARES Repórter
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alegria dele foi tristeza para CSA e CRB”, é como podemos resumir momentos marcantes da história recente carreira do meia-atacante Renato, do Avaí. O jogador alagoano se transformou em um verdadeiro ‘carrasco’ do Azulão e do Galo na Série B do Campeonato Brasileiro. Neste ano, Renato foi responsável pelo gol da virada do Avaí sobre o Sampaio Corrêa por 2 a 1, que deu ao clube catarinense o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. “Fiquei muito feliz em marcar o gol, já tinha tido dois acessos pelo clube, mas ainda não tinha feito um gol tão simbólico como aquele. Foi muito importante para mim e para o clube. Neste ano eu já tinha dado o passe para o gol do título do Campeonato Catarinense e agora entrei para a história com o gol do acesso”, destacou Renato, que é natural de Maceió, em entrevista exclusiva para o Jornal Golaço. Mas, ao mesmo tempo que deu alegria para a torcida do Avaí, Renato trouxe tristeza para
o estádio Rei Pelé, onde o CSA venceu o Brasil de Pelotas por 4 a 0, e, até então, antes do gol do meia-atacante, estava conquistando o acesso para a Série A. “Infelizmente envolveu dois clubes aqui da minha cidade, mas como eu sou profissional, eu estava no Avaí e tinha que fazer o meu papel, para mim primeiramente era lá. Eu sabia que a gente ganhado tiraria a possibilidade dos dois clubes daqui conquistarem o acesso. Graças a Deus eu fui feliz em fazer o gol que colocou meu time mais uma vez na Série A, mas fiquei triste por não ter subido nenhum dos dois daqui”, falou o meia-atacante, que deixou claro que torce para os clubes alagoano. “Vou continuar torcendo para CSA e CRB subirem para a Série A, pois sou alagoano e sei o quanto é importante ter um clube daqui na elite do futebol brasileiro”, frisou o camisa 7. CSA e CRB chegaram com chances claras de acesso na última rodada da Série B. Para subir, o Galo precisaria vencer o Operário-PR e o Avaí não ganhar, enquanto o Azulão precisava de um triunfo e de tropeços dos outros dois clubes. Tudo estava
dando certo para o time azul e branco, até que Renato brilhou ao marcar o gol histórico para o clube catarinense. Renato se encontrou com a reportagem do Jornal Golaço no Estádio Rei Pelé, onde também mostrou com gols o motivo de ser chamado de ‘carrasco’ de CRB e CSA. Jogando no Trapichão, o meia-atacante fez um gol de falta contra o CRB, em 2016, balançou as redes do Galo novamente em 2018, e no início deste ano, na reta final da Série B de 2020, marcou o gol do empate do Avaí diante do CSA. Este, que também atrapalhou o Azulão na briga pelo acesso à Série A. “Graças a Deus, sempre que venho jogar aqui tenho conseguido fazer gol. Para mim, é gratificante jogar no meu estado, na minha cidade, com minha família torcendo por mim, e não tenho palavras para descreve isso”, explicou.
>> Parceria com ronaldinho O alagoano foi jogador do Fluminense entre 2014 e 2017 (tendo sido emprestado ao Avaí em 2016) e no Tricolor das Laranjeiras atuou ao lado do craque Ronaldinho Gaúcho. “Não tem descrição para isso (jogar com Ronaldinho), o cara é diferenciado. Até hoje eu me arrependo de não ter pego uma camisa autografada, por vergonha minha mesmo, não por ele, porque o Ronaldinho é um cara que dá moral para todo mundo, seja um menino que está subindo da base ou um cara mais experiente. Ele é muito fera”, destacou. Renato já estava no Fluminense quando Ronaldinho foi contratado e expressou a felicidade de ter jogado com o craque multicampeão no Barcelona, eleito duas vezes o melhor do mundo e campeão da
Copa do Mundo de 2002. “Foi muito gratificante poder jogar ao lado de um cara como o Ronaldinho. É um ídolo para muitos. Só agradeço a Deus pela oportunidade que tive. Ele é um jogador fora do normal, uma excelente pessoa. Quando o Ronaldinho acertou com o Fluminense, recebi muitas mensagens de amigos e familiares perguntando como ele era”, contou Renato que fo revelado no Corinthians Alagoano e na sequência da careira também passou por clubes como ABC, Ceará e Chapecoense.
>> na história do avaí Renato conquistou nesta temporada seu quarto acesso na Série B do Campeonato Brasileiro, o terceiro com a camisa do Avaí. O primeiro acesso da carreira do meia-atacante para a Série A foi em 2011, quando disputou a Série B com a camisa do Sport. Renato, que na época era lateral-direito, disputou 16 partidas na competição, tendo marcado um gol e distribuído uma assistência. “Foi um acesso muito importante. Se não me engano, naquele ano a gente precisava vencer também e dependíamos de outros resultados. Tanto que no intervalo estava 0 a 0 e o treinador Mazola Junior deu uma bronca porque todos resultados estavam ajudando e só a gente não estava fazendo o que precisávamos. Foi aí que por volta dos 20 minutos, o Bruno Mineiro fez o gol de cabeça e no final do jogo comemoramos o acesso”, lembrou. LATERAL-DIREITO Renato iniciou a carreira sendo lateral-direito e, em 2016, quando chegou no Avaí e conquistou seu segundo acesso, passou a jogar também como terceiro volante; dois anos depois, se transformou em um meia-atacante. “Quando eu voltei para o Avaí em 2018 eu só joguei de meia-atacante. Eu consegui ser o artilheiro do clube, com 12 gols, e não voltei mais para a lateral”, contou o jogador, que naquela temporada também contribuiu dsndo oito assistências para gols e foi um dos protagonistas em mais um acesso do Avaí. Com quatro acessos na Série B, o meia-atacante agora busca obter conquistas disputando o Campeonato Brasileiro da Série A “Eu conheço o campeonato muito bem, sou um jogador que disputou muitas Séries B. Mas, agora quero disputar uma Série A e vou buscar evolui o máximo que eu puder”, concluiu o camisa 7.
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CAMPEONATO ALAGOANO 2021
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Mozart Santos avalia ano do CSA
>> InícIo de temporAdA
>> retorno Ao csA
>> ArrAncAdA e o quAse Acesso
>> cAmpeão AlAgoAno 2021
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Essência da narração es ARIVALDO MAIA | Timbre, tom, ritmo, harmonia, voz que desperta emoções nos torcedores e inspira gerações MARCELO ALVES Repórter e fino trato. Boêmio. Vaqueiro. Apreciador de vinho. Torcedor e conselheiro do CSE. Possuidor de um timbre de voz grave. Inconfundível. Dono de uma vida inspiradora. Contagiante. Quando achou que aos 74 anos havia conquistado e superado tudo no campo profissional (ao narrar, desde que iniciou no rádio, todos os Clássicos das Multidões, quatro Copas do Mundo e seis Copas América), e pessoalmente (com três filhos, sete netos e sete bisnetos), o narrador esportivo Arivaldo Maia é surpreendido pelo destino. Encara uma batalha pela vida. Supera a Covid-19. 40 dias intubado. Renasce. Um milagre. O sobrevivente recebeu o GOLAÇO no apartamento dele, na Jatiúca, e falou sobre música, amor, rádio, família e causos.
D ton Cruz Fotos: Ail
>> AlegriA contAgiosA uinta-feira. Dia 9. 11h. A reportagem está em frente ao prédio onde ele mora. Pelo celular, é anunciada a chegada. Ele está à espera. Ao se aproximar do apartamento, o locutor já se encontra na porta. Vestido elegantemente. Revestido de alegria. Sorri. Cumprimenta. Pede que a equipe entre e fique à vontade. E acompanha a passos compassados e firmes. Falava-se que estaria debilitado. Pelo contrário. Disposição. Felicidade. Brilho. Uma corrente de energia positiva sai de Arivaldo Maia. De repente, fica intensa. Carga romântica no ar. Surge de um dos quartos, a esposa dele: Edna Ferreira, 76 anos. Tímida e ao mesmo tempo comunicativa e carismática. Essa harmonia se completa com o toque especial da música clássica tocada, ao fundo, junto a expressão de fé, representada nas imagens de santos católicos sobre uma mesa e com os quadros de fotografias de momentos da família.
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>> contos e cAusos MAESTRO - “Na Copa da França, a equipe da rádio Gazeta estava em um hotel. No salão, havia um piano. Toquei a primeira música. Aproximaram-se franceses e turistas. Segunda. Mais gente e aplausos. Fiquei assustado. Chamei Jorge Moraes para dispersar o pessoal, já que arranhava francês, pois eu só sabia tocar mais uma música. Daí, toquei e antes dos aplausos, me levantei, me curvei em reverência de agradecimento e saí de mansinho (risos)”. SIM, SENHOR - “Estava numa rádio em Aracaju e morava perto do estádio Batistão. Numa noite, houve um show no estádio, com Jair Rodrigues, Ronnie Von
e Wanderléa. Eu estava deitado no sofá de casa, de bermuda. De repente, batem na porta. Abri. Era um comandante do exército me convocando para transmitir o show. Falei que estava de folga. Ele disse que era uma ordem. Eu respondi: sim, senhor. Ordem é ordem. Ligeirinho, troquei de roupa e apresentei o show (risos)”. FALHA NA TRASMISSÃO - “Estava no Maracanã. Narrei o clássico Vasco e Flamengo. Um show de transmissão. No final, perguntei como fui. O técnico da rádio me falou que fui bem, mas ninguém ouviu porque sabotaram a transmissão. Outro caso ocorreu numa Copa do Mundo. Narrei Rússia e Polônia. Troquei as escalações”.
VINHO GENEROSO - “O gosto pelo vinho se deu nas viagens de avião. Todas às vezes que me ofereciam vinho, eu pedia que fossem mais generosos na dosagem e enchessem mais o copo. Aí toda vez eu pedia: coloca um generoso pra mim”. PELÉ E APARECIDA - “Já narrei jogo ao lado do Rei Pelé. Bem do meu ladinho. Pense numa pessoa simples. E por falar em Pelé, ele me elogiou e classificou a minha pergunta como a melhor quando o questionei se esperava encontrar o estádio Rei Pelé com toda a estrutura física. Isso eu agradeço a Deus e minha Nossa Senhora Aparecida, que sempre está comigo nos momentos de meu trabalho”.
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sportiva
>> Saga de um vaqueiro “Vou pedir licença pra contar a minha história. Como um vaqueiro tem suas perdas e suas glórias. Mesmo sendo forte, o coração é um menino. Que ama e chora por dentro, e segue o seu destino. Desde cedo assumi minha paixão. De ser vaqueiro, de ser um campeão”. Essa é parte da letra da música “Saga de um Vaqueiro”, que ilustra um dos talentos do locutor. “Corri vaquejada por todo o País. Parei aos cinquenta e cinco anos”, disse. Edna Ferreira lembrou que Arivaldo Maia quebrou uma perna ao cair de um cavalo, e foi arrastado por um boi por mais de 10m. “Estava igualado ao boi. Abaixei-me e peguei no rabo dele. Mas perdi o controle e fui derrubado”, lembrou o narrador, que já adestrou e vendeu cavalos. “Só não vendi o Zumbi, que morreu de velho. Ele aparecia sempre na janela da cozinha querendo carinho”.
EDNA FERREIRA E ARIVALDO MAIA, sintonizados a 55 anos
>> impedido de trabalhar na rádio globo
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aior decepção: impedido de ir para a Rádio Globo-RJ. “Pela Rádio Gazeta, narrei CSA e Vasco, em São Januário. No final do jogo, Waldir Amaral e Osmar Santos, ambos da Rádio Globo, queriam me contratar. Mas não fui liberado. Desconfiei quando Osmar Santos parou de entrar em contato comigo. E ele havia sugerido bairro e apartamento para eu ficar no Rio de Janeiro”, disse Arivaldo Maia, que tempos depois atuou nas rádios Sociedade (BA), Liberdade (SE),
JORGE MORAES viu de perto Arivaldo Maia dar um show na França como pianista e em seguida sumir como Mister M
>> deSpedida miSterioSa e faSe experimental Quanto à profissão, Arivaldo Maia disse que a mão dele, Marinete Gaia, era contrária. “Na época, a profissão de radialista era marginalizado”, disse. Ele contou que foi repreendido por Marinete Gaia devido à desatenção. “Na Rádio Sampaio, de Palmeira dos Índios, eu tinha que repetir durante os intervalos: ‘a rádio está em fase experimental’. Como falava rápido, engolia o i e saía ‘expermental’. Mamãe ouviu e me chamou: Arivaldo, você sabe o que esperma? Daí, ela
Aos 16 anos, a caminho do trabalho na Rádio Cacique, em Palmeira dos Índios, ele disse ter se encantado por Edna Ferreira, sentada na porta da casa dela. Amor à primeira vista. “Ele passava todos os dias para me ver (risos)”, disse Edna Ferreira. Sobre quem tomou a iniciativa e como foi, Edna Ferreira respondeu primeiro: “Foi ele. Ele escreveu um bilhete para mim, pedindo para falar comigo. Eu não quis. Mas ele insistiu tanto que aceitei. Tudo isso aconteceu nesta época de Natal. Namoramos três anos e depois de três anos, nos casamos”, disse Edna Ferreira. E Arivaldo Maia sorria com as lembranças da esposa. O narrador disse que fez até serenata para conquistá-la. “Eu fazia serenata com banda musical. Um dia, um delegado quebrou o violão, porque não podia na época”. Quanto ao tempo de casados, ele respondeu convicto: 54 anos. Mas foi logo corrigido pela esposa: 55.
explicou e exigiu atenção para não trocar experimental por ‘expermental’ (risos)”. E certo dia, o narrador disse que recebeu a visita misteriosa da mãe dele. “Eu ia para a Europa com Edna e um dia antes da viagem, minha mãe aparece no meu apartamento. Fiquei assustado porque ela estava com Alzheimer e havia se submetido a uma cirurgia. Perguntei o porquê da visita, e ela só respondeu que queria me dar um abraço. Um dia depois, ela faleceu, e eu já estava na Europa”.
>> milagre e a eScola arivaldo maia “Vê essa foto. Estou de olhos abertos, mas não vejo e nem sinto nada”, disse ao mostrar o celular com uma foto dele intubado. “Foram quarenta dias intubado. Nesse período, fui intubado duas vezes. Quem acreditaria que sobreviveria?”. Após superar à Covid-19, ele conseguiu outro feito inesperado: voltou a narrar futebol. “A Covid me deixou sequelas, tanto na fala quanto nos movimentos do corpo. Mas estou
>> Serenata e carta para edna
entre outras. Quanto ao início da carreira, Arivaldo Maia diz ser grato ao radialista Edécio Lopes. “Iniciei em Palmeira dos Índios, num jogo: CSE e CSA, no fundo de gol. Ele ouviu e me chamou para a Gazeta. Fui no outro dia. O diretor da rádio, Jurandir Costa, com o cigarro no canto da boca nem me olhou. Perguntou se era de Palmeira e quanto ganhava. Afirmei e disse o valor. Achou alto. Só que Edécio apareceu na hora e me contratou”.
tendo apoio de fisioterapeutas e fonoaudiólogos. ESCOLA - Nesse retorno, Arivaldo Maia recebeu carinho de fãs que enviaram mensagens de áudio pelo WhatsApp com imitações da narração dele. “Isso é emocionante. Em qualquer parte do Brasil tem alguém que imita minha voz em narrações. Essa é a escola que eu construí ao longo da carreira profissional”.
Inspiração
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MARCELO ALVES Repórter
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reto. De origem pobre. Nascido em berço de pais separados. Criado pelo seio materno. Crescido na periferia, em meio à violência e ao tráfico de drogas, no Conjunto Colibri, do bairro Rosane Collor. Pelo cenário: perspectiva de futuro trágico. Para driblar esse destino, a dona de casa Ana Maria matricula o filho Eduardo, no Colégio Zumbi dos Palmares, da rede pública de ensino, da região. Sabia da importância da educação, mas queria mudar a realidade da família e da comunidade de outra forma. Então, dribla o propósito da mãe. Gazeia aulas para jogar futebol no campo de várzea, vizinho à escola. “Gazeava, mas estudava para passar de ano e não ser repreendido pela minha mãe.”, disse o agora lateral-direito Eduardo, que realizou o sonho dele e construiu uma carreira vitoriosa. Nesse enredo, um capítulo dramático: o jogador que tem contrato com o América-MG é diagnosticado com uma lesão rara que, de acordo com literatura médica, o faria parar de jogar. A partir daqui o GOLAÇO conta a dura jornada de reabilitação física e emocional do atleta para voltar aos campos em um curto tempo de recuperação, e trará histórias de vitória, preconceito racial e de lição de vida.
LATERAL EDUARDO | O tumor ósseo é apenas mais uma das dificuldades que o jogador terá que superar
Divulgação
EDUARDO no campo de várzea do Rosane, onde tudo começou
>> MeMória da dor
EDUARDO e o fisioterapeuta Thiago Taroco
19 de julho. América/MG x Sport/PE. Estádio Independência. 12ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A. 28min41s do primeiro tempo. Eduardo dá um carrinho numa dividida. Fica com a bola e cruza. Após o lance, sente uma forte dor na perna esquerda. Segue no jogo. O técnico Vagner Mancini percebe e o substitui no intervalo. Ele fica no banco de reservas. A dor aumenta. Suspeita ser o tumor retirado há anos. Chama o médico do América-MG, Cimar Marques. Conta a situação. Diagnóstico: possível fratura por estresse. Após o jogo, é submetido a exames. Confirma-se: tumor ósseo benigno na perna esquerda. Vem a incerteza do futuro. Para não ficar dúvidas, uma biópsia óssea aos cuidados do oncologista e ortopedista Rodrigo Granda, um dos melhores do Brasil. Cerca de dois meses para identificar. Mais insegurança. Após a espera, o resultado: inconcluso, isto é, tipo de tumor não identificado.
EDUARDO e o personal trainer Jodenilson
“Cogitou-se usar uma agulha para introduzir no osso e tirar o tumor. Seria um procedimento arriscado. O tumor poderia estourar e se espalhar. Aí, o doutor Rodrigo Granda me chamou e sugeriu retirar o tumor com margem de segurança, por enxerto e placa”.
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21 l golacoal@gmail.com Fotos: Ailton Cruz
>> sentiDo para a viDa
EDUARDO junto à parte das conquistas e dos filhos Carlos, 7 anos, e Mayza, 12
Ações sociais e reação política
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urante a entrevista, Eduardo convida para conhecer o campo, onde gazeava aulas. No local, sustentado pelas muletas, ele olha em volta e comenta: “Aqui tem muita história. Está vendo aquele terreno baldio? Coloquei quatro postes com iluminação para dar opção de lazer. Isso gerou confusão.
Um rapaz que trabalha para um político conhecido na região teria denunciado sob alegação de estarem atrapalhando. Veio um serviço da Prefeitura para retirar. Fui avisado e pedi para meu pai resolver. Retiraram, mas não levaram. O político é até gente boa, mas esse cara... Outra coisa: o vestiário nem
sempre é aberto. Daí fiz essa proteção aqui para os atletas amadores terem um local para trocar de roupa”, disse. No local, Eduardo fundou o Projeto Craques do Futuro, escolinha de futebol voltada para crianças e jovens carentes da região, de 6 as 16 anos. Além disso, ele promove há anos a distribuição de
cestas básicas para famílias da localidade. “Na escolinha e na doação das cestas, eu conto com ajuda de pessoas da região. E outra coisa, eu elaboro a cesta, porque sei que muitos produtos da cesta comprada pronta não são de boa qualidade. Daí coloco o que também como em casa”.
Setembro. Cirurgia feita. Período de recuperação: seis meses. “Pensei logo: Quero mais não voltar a jogar futebol. Tem condições não. Não consegui mais dormir bem. Ficava dias sem comer. Me sugeriram até psicólogo. Mas voltando a andar por onde passei minha infância, comecei a olhar a vida das pessoas e comparei com a minha. Vi que tinha gente que todos os dias enfrentava dificuldades, mas trazia no rosto e a alegria de lutar, de persistir. Porque iria desistir”, disse Eduardo. Dos seis meses, Eduardo estabeleceu a meta de voltar aos campos em quatro. “Contratei dois profissionais: o fisioterapeuta Thiago Taroco e o personal traine Jodenilson. Os dois garantiram que poderia encurtar o tempo de retorno”, disse. Obstinado, ele montou uma academia de musculação e de fisioterapia dentro da própria casa. Há ainda uma piscina usada para intensificar a recuperação.
>> DificulDaDes, causos e preconceito 1º SALÁRIO - “Chegava a treinar na base sem comer. Cheguei ao profissional e fiquei três meses sem receber no CRB. Ia arrumar outro emprego. Antes, falei para um dirigente sobre a situação financeira da minha família. Aí, que me pagaram”. BICHO ERA MAIOR- “Quando peguei o meu salário, nem acreditei. Era menor do que o dinheiro do bicho pago como premiação nos jogos do CRB. Essa história é real e rendeu até reportagem em um jornal local”.
Div ulg açã o
CHANCE DE OURO - “Recebia e não jogava. Mais dúvida sobre meu potencial. Um dia, o técnico Roberto Cavalo me escala. Arrebento. Faço cruzamento
NOME: Carlos Eduardo Santos Oliveira NASCIMENTO: 20/11/1986 NATURALIDADE: Maceió ALTURA: 1,73m CLUBES: 2021 2020 e 2021 2018 a 2020 2016 a 2017 2015 a 2016 2014 2010 a 2013
AMÉRICA-MG CEARÁ CHAPECOENSE BAHIA ATHLÉTICO-PR CRICIÚMA-SC JOINVILLE-SC
2010 2009 2009 2009 2008 2007 2006
CONFIANÇA RIVER-PI CONFIANÇA GUARATINGUETÁ DUQUE DE CAXIAS VASCO CRB
do gol do Val Baiano, que evitou o rebaixamento. Em outro, faço gol e sou o melhor da partida”. VASCO E EURICO - “Do CRB fui para o Vasco. Quando entro na sala do Eurico Miranda, ele pede para eu sair. Meus empresários me explicam o motivo. Volto e Eurico diz, agora sim, no Vasco só um jogador usa brinco: é o Romário”. PRECONCEITO - “Sofri preconceito dentro e fora de campo. Certa vez, fui com meus filhos no campo do Rosane no meu carro. Uma guarnição da Polícia Militar me abordou. Parei o carro e fui surpreendido com armas apontadas e gritos para descer. Falei que havia crianças no carro. Mas não pararam. Disse que só sairia se deixassem de gritar e
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baixassem as armas. Pararam, saí do carro, me revistaram e averiguaram o carro. Acredito que por ser preto, ter tatuagem e um carro como o meu, fui visto como suspeito. E ainda falaram: só podia ser jogador para ter um carro desse. Falei que desse jeito, as crianças iriam temer a polícia. Eles disseram para meus filhos: temam bandidos. Em uma semana, aqui em Maceió, fui revistado duas vezes”. MELHOR LATERAL-ESQUERDO - “Teve um fato interessante na minha carreira. Fui eleito o segundo melhor lateral-esquerdo do Catarinense, em dois mil e dez. Já fui também o melhor lateral-direito no Baiano, revelação na Copa Santa Catarina e várias vezes o craque do jogo no Catarinense”.
TÍTULOS DE CAMPEÃO POR EQUIPES: CEARÁ - Copa do Nordeste BAHIA - Copa do Nordeste ATHLÉTICO/PR - Camp. Paranaense JOINVILLE - Copa Santa Catarina JOINVILLE - Copa Santa Catarina JOINVILLE - Camp. Brasileiro da Série C JOINVILLE - Copa SC TÍTULOS INDIVIDUAIS: - Melhor jogaor e Seleção do Baiano - Melhor jogador e Seleção Nordestão - Revelação da Copa Santa Catarina Craque do jogo em várias oportunidades 2º melhor lateral-esquerdo do Catarinense
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Várzea da Jaqueira deixa “terra natal” ÊXODO VARZEANO BUSCA PAZ | Futebol amador deixa as raízes para trás e vai para campo de grama sintética, o chamado society MARCELO ALVES Repórter
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futebol de várzea do bairro da Chã da Jaqueira passa por um fenômeno esportivo. Trata-se de uma emigração. Êxodo da bola. Isso acontece depois de o esporte amador ter sofrido uma trágica derrota em campo. Jogando em casa. Dentro dos próprios domínios. Foi um revés que acabou com pretensões de disputa de competições e títulos. Pelo que se ouve no local, a bola não vai mais rolar
na principal praça esportiva da região, conhecida como Campo do Vasco, ou do Jaqueirense, que fica junto ao Campo do Nacional. Na verdade, o esporte varzeano do local não quer entrar em campo com medo da violência. A “pelada” não conseguiu driblá-la. Até tentou vencê-la, mas sem sucesso. A região ficou arrasada. Virou deserto. E diante dessa situação os atletas amadores estão abandonando a terra natal da bola rumo a este novo território: o futebol de 7, na Arena Zé do Gol.
Fim do celeiro de craques om o fim dos campeonatos no principal campo de futebol de várzea do bairro da Chã da Jaqueira, deve-se também encerrar a produção de talentos para o mundo da bola. Para se ter ideia, neste bairro já foram descobertos diversos craques que brilharam e se destacam nos gramados do planeta. Entre os que nasceram, criaram-se e despontaram dos terrões da região, estão o ex-jogador e atleta Zé Carlos, que atuou no CRB, Cruzeiro-MG, Joinville-SC, Criciúma-SC, Santa Cruz-PE, Fortaleza-CE, Paraná-PR, Portuguesa-SP, Corinthians-AL, no Porto-POR e no futebol chinês; e o meio-campista Pedrinho, que jogou no Corinthians, no Benfica-POR e, atualmente, está no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Pedrinho não chegou a jogar
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em algum time de várzea do local, mas acompanhou o pai dele, o Pedro, junto aos tios, quando iam jogar no Campo do Nacional. Além dos dois, a Jaqueira produziu o ex-jogador e lateral-direito Luciano, conhecido como Lú Lacraia. Ele se destacou no cenário nacional ao jogar na Portuguesa Santista-SP em 2003, que ficou conhecida como o time dos platinados. Os jogadores, que na ocasião fizeram uma excelente campanha no Campeonato Paulista daquele ano, pintaram os cabelos de dourado. Neste time, também estava o ex-jogador e meia Souza, que se fez sucesso no São Paulo. Outra cria do Campo do Vasco é o também ex-jogador Aderaldo. Ele atuou pelo CRB, CSA, Londrina, Joinville, São Caetano, Paraná-PR, Audax-SP.
>> Lazer e empreendedorismo prejudicados De acordo com o ex-presidente da Liga de Futebol Amadora da Chã da Jaqueira, Luis Ricardo da Silva, o campeonato amador de futebol de várzea da região era o principal lazer dos finais de semana dos moradores. Ele contou que durante as partidas, principalmente, aos domingos pela manhã, o campo costumava contar com a presença de cerca de 500 torcedores que se reuniam para torcer e assistir aos confrontos como forma de entretenimento. Além disso, os jogos refletiam na economia da região. Luis Ricardo contou que os moradores vizinhos ao campo, tiveram a iniciativa de abrir empreendimento para atender os torcedores. “Aqui no campo, os moradores chegaram a abrir bares, caldo de cana. E até a padaria passou a abrir aos domingos para vender lanches, refrigerantes e sucos”, disse Luis Ricardo. Ele disse ainda que havia um contrato com uma liga de arbitragem e também com gandulas. “Nós tínhamos firmado
uma parceria com uma liga de arbitragem. Pagávamos os árbitros por jogo. Nas partidas decisivas, estava acertado com os clubes que seria pago o trio de arbitragem. Também nós tínhamos a presença de g an d u l as re mune ra d o s” , disse. “Já havia aqui neste campo uma interação entre os moradores e os jogos dos campeonatos. A gente tinha dinheiro em caixa para recuperar telhados ou alguma avaria na residência que fosse provocada pela bola”, disse. O campeonato de várzea da Chã da Jaqueira também possuía narração. “Nós tínhamos dois narradores, sendo quem um narrava a partida e o outro comentava. A transmissão era feita por carro de som para que os moradores tivessem a oportunidade de ouvir”, comentou. “Infelizmente, tudo isso não iremos ter mais. A Liga da Jaqueira não pretende mais promover campeonatos por conta da falta de segurança. Era o único lazer daqui”, disse.
LUIS RICARDO lembra dos craques que surgiram na várzea da Jaqueira e aponta em direção a Arena Zé do Gol, a nova ‘terra” do futebol
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Fotos: Ailton Cruz
21 l golacoal@gmail.com
>> Êxodo varzeano
ARENA ZÉ DO GOL é a mais nova opção do futebol de 7
>> arena zé do GoL recebe joGadores da várzea Com a “aposentadoria” do Campo do Vasco, o principal palco do futebol de várzea da Chã da Jaqueira, os jogadores amadores estão migrando para o futebol de 7. E o atrativo na região tem sido a Arena Zé do Gol, de propriedade do ex-jogador Zé Carlos. O local destinado ao society tem sido bastante procurado e já entrou no calendário de competições da modalidade esportiva. Até mesmo os eventos comemorativos de datas de aniversários dos tradicionais clubes de várzea da Chã da Jaqueira estão sendo celebrados da também conhecida Arena do Zé Carlos. As competições de futebol society que estão
sendo promovidas na Arena Zé do Gol têm atraído clubes de destaque da modalidade esportiva nacional, como o CSA Fut7. Para se ter uma ideia, com poucos meses de inaugurado, o local foi palco da Supercopa Arena Zé do Gol, que contou 16 times. A competição foi organizada pela Super Liga Fut7. O campeão foi a equipe do Shakhtar de Bebedouro. “Eu amo a várzea, mas não estava sendo seguro promover competições aqui devido à violência. Na Arena Zé do Gol fica mais seguro. É um local privado onde há segurança privada”, disse Luis Ricardo.
Durante a Segunda Edição do Jogo da Alegria, realizada no estádio Rei Pelé, no mês passado, a reportagem do jornal GOLAÇO conversou sobre o atual momento do futebol de campo de terra com o Ney Silva, o chamado Rei da Várzea. “O futebol de várzea é o início de tudo. Tudo começa com a várzea. Mas o futebol de sete, o futebol de grama sintética já se tornou a cereja do bolo”, disse Ney Silva. Ney Silva, que começou a se destacar nas redes sociais com narrações no futebol de várzea, já migrou para o society. Atualmente, ele é o idealizador do desafio 1 x 1. Este duelo se configura numa partida entre dois jogadores, que se enfrentam. Cada atleta tem direito a contar com um goleiro durante o confronto. A ida de um dos maiores nomes do futebol de várzea do Brasil para o futebol society reflete o atual cenário de emigração de muitos jogadores amadores do campo de terra para o de grama sintética.
NEY SILVA, o Rei da Várzea fala com exclusividade para o jornal GOLAÇO obre a várzea
19/01 ou 22/01
1ª RODADA
ALIANÇA X CSA
CRUZEIRO X CSE
CRB X CRUZEIRO
02/02 ou 05/02
3ª RODADA
CSE X ALIANÇA
CSA X CRB
CSE X JACIOBÁ
ASA X CSA
JACIOBÁ X CRB
CSA X CRUZEIRO
26/02
6ª RODADA
CSE X ASA
ALIANÇA X MURICI
CSA X CSE
MURICI X CSA
ASA X CRUZEIRO
CRB X MURICI
JACIOBÁ X ASA
ASA X MURICI
CSA X JACIOBÁ
MURICI X CRUZEIRO
ALIANÇA X ASA
MURICI X CSE
CRUZEIRO X ALIANÇA
CRB X ALIANÇA
JACIOBÁ X MURICI
CRB X ASA
CRUZEIRO X JACIOBÁ
CSE X CRB
ALIANÇA X JACIOBÁ