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Caderno Especial
Cachoeiro de Itapemirim
14 de Outubro de 2017
EDUCACAO Presidente Kennedy se destaca no ensino Cidade sai da lanterna no ranking do Ideb no ES para as primeiras posições Pág. 4 e 5
EaD: o futuro é agora
O estudante já pode ter a sala de aula na palma da mão, literalmente Pág. 7
Professores que formam professores
Centro Universitário São Camilo – Espírito Santo há mais de 25 anos forma escritores, oradores e professores de língua portuguesa por meio do Curso de Letras Pág. 8
Escola Viva supera resistência O programa foi implantado em 2017 e atualmente é elogiado pelos alunos e seus pais Pág. 3
As reflexões de uma professora Jovem, porém experiente: Simone Pacheco Lacerda, professora, escritora e “leitora”, leciona há 19 anos Pág. 6
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Sábado, 14 de Outubro de 2017 | Cachoeiro de Itapemirim
Caderno Especial Educação
Função indispensável ao desenvolvimento humano Marcos Leão
Neste domingo (15) comemora-se mais um Dia do Professor, profissional que tem papel crucial à frente de um dos maiores desafios do país, alinhar o desenvolvimento econômico ao social. Em palavras mais simples: igualar as oportunidades e distribuir renda. “A atuação do docente é fundamental para que haja progressos na sociedade, para que acreditemos na esperança de um dia melhor com pessoas melhores, muito mais competentes e humanas”, reforça a professora cachoeirense Simone Pacheco Lacerda. A fórmula do sucesso é conhecida, mas - infelizmente - pouco seguida: nações desenvolvidas apostaram em salário inicial atraente e carreira
promissora nas salas de aula. O objetivo deste conteúdo especial preparado pelo jornal ES de FATO é exaltar a importância da área de educação e a nobreza da profissão, apesar de marcada pelos baixos salários e precárias condições de trabalho. Cenário observado em países subdesenvolvidos, com altos níveis de corrupção política, como o Brasil, onde os professores deveriam viver situação oposta se o interesse dos governantes fosse realmente o desenvolvimento humano, com o consequente aumento da renda per capta. Embora o estigma prevaleça em grande parte do país, há exemplos de superação, com o direcionamento real de recursos para a educação, que bem geridos - resultaram em progressos significa-
tivos. É o caso da cidade vizinha Presidente Kennedy, onde valorização do professor e sua área de atuação permitiram que o município, que vivia a triste situação de contar com quase metade de sua população analfabeta há poucas décadas, ocupe atualmente a terceira posição no Espírito Santo no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), considerado o principal indicador do segmento no país. “Acredito, assim como Nelson Mandela sempre colocou, que toda mudança só se faz através da educação. Para sermos mais saudáveis, sabermos cuidar melhor de CADERNO ESPECIAL EDUCAÇÃO 2017
nossas moradias... tudo gira em função da educação, que é realmente o motor que pode mudar o mundo”, reconhece a secretária municipal kennedense Dilzerly Miranda Machado. Com o Ideb, defendem especialistas, ampliam-se as possibilidades de mobilização da sociedade em favor da educação, uma vez que o índice é comparável nacionalmente e expressa em valores os resultados mais importantes da área: aprendizagem e fluxo. O índice, segundo educadores, também é importante por ser condutor de política pública em prol da qualidade do ensino, que passa pela valorização Diretor: Wagner Santos wagnersantos25@hotmail.com Textos: Marcos Leão e assessorias de imprensa Departamento Comercial - Lília Argeu Editorador - Wellington Rody
do professor, necessariamente. Segundo a Constituição, o acesso à educação básica é um direito de todo o cidadão. O desenvolvimento humano a tem como base, reforçando a própria palavra que lhe designa. No entanto, especialistas ressalvam que não basta o aluno estar na escola, é preciso garantir que ele aprenda. Nobel de Economia, o americano James Heckman ensinou em recente entrevista: “investir na educação de crianças é mais eficaz que distribuir renda”. É necessário dizer mais algo? PAIXÃO Poucos profissionais de-
Impressão e pré-impressão: Espírito Santo de FATO. CNPJ: 06.056.026/0001-38 Contatos: (028) 3511-7481
monstram tanta paixão pelo seu ofício quanto professores plenamente realizados com sua vocação. Isto, independente das condições de trabalho – o que é o mais difícil. A jovem, porém experiente, Simone Lacerda está entre os muitos que se enquadram nesta circunstância. “É uma carreira que perpassa o coração porque o material de trabalho é o humano. Somos responsáveis pela formação deste sujeito que atuará nos mais diferentes setores sociais e contribuirá, decisivamente, para que o mundo contemporâneo torne-se melhor, menos egoísta e mais justo”, conclui.
Versão digital disponível em www.jornalfato.com.br Este suplemento especial integra a edição 3874 do jornal Espírito Santo de FATO, de 14 de Outubro de 2017
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Escola Viva – protesto e comemoração Assim como ocorreu em outras duas escolas em que foi implantado o programa Escola Viva, alguns pais de alunos e alunos do colégio Washington Pinheiro Meirelles, em Itapemirim, protestam contra a implantação do projeto naquela unidade. Já foram pelo menos duas manifestações. A última ocorreu no dia 28 de setembro, quando os manifestantes interditaram a avenida que liga a Barra à Vila de Itapemirim ateando fogo em pneus. As outras duas escolas onde ocorreram protestos no Sul do estado contra a Escola Viva foram a Francisco Coelho Ávila Júnior (antigo Polivalente do Coronel Borges), no bairro Coronel Borges, em Cachoeiro e o colégio Henrique Coutinho, em Iúna. Em Cachoeiro, a mobilização ocorreu em de-
zembro de 2015. Manifestantes atearam fogo em pneus e galhos de árvore impedindo a passagem de veículos em dois pontos. Atualmente, o colégio já vai para o segundo ano no programa “Escola Viva” e, ao contrário do clima de revolta, a comunidade abraçou o projeto e há fila de espera de pessoas querendo estudar na unidade. “Naquela ocasião as pessoas se assustaram, talvez por falta de conhecimento, pelo fato de ser um projeto novo, com educação em tempo integral. Mas quando a nova metodologia de ensino foi implantada, com o projeto de vida do aluno como o centro da escola, as pessoas mudaram de visão”, destacou a diretora Fernanda Ferreira Vilella. Situação parecida ocorreu em Iúna, na Região do Caparaó. Eu outubro do ano passado, mora-
dores saíram pelas ruas com faixas contrárias à implantação da Escola Viva no colégio Henrique Coutinho. Mas, pouco tempo depois, outro grupo de pessoas fez novo protesto, porém pedindo a implantação da Escola Viva. O programa foi implantado em 2017 e atualmente é elogiado pelos alunos e seus pais. No caso da escola em Itapemirim, os manifestantes afirmam que a comunidade não está sendo ouvida. Também ressaltam que alguns alunos, que fazem estágio, precisarão deixar a escola por ser em tempo integral. A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) afirmou que a equipe de implantação do programa Escola Viva está em constante diálogo com a comunidade escolar do colégio em Itapemirim.
Foto: Arquivo FATO
Inicialmente revoltada, a comunidade abraçou o projeto instalado na escola Francisco Coelho Ávila Júnior
Mais cinco escolas vivas no Sul do estado Foto: Divulgação/SEDU
Em julho, recepcionado por alunos e autoridades, o governador Paulo Hartung inaugurou unidade da Escola Viva em Cachoeiro
A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) informou ontem que já foram definidos os colégios que receberão o programa Escola Viva em 2018. Ao todo, são 15 unidades cujo pro-
jeto será implantado no próximo ano. Do total, cinco estão situadas no Sul do estado. Ainda, segundo a Sedu, atualmente existem 17 unidades do programa Escola Viva
em funcionamento. Com as 15 novas escolas, o Estado passará a ter 32 unidades em tempo integral. “A Escola Viva veio para revolucionar a educação do Espírito
Santo. Uma escola inovadora, desafiadora, que faz com que o aluno passe nove horas e meia e tenha vontade de voltar no outro dia. A Escola Viva não é um simples
modelo de escola em tempo integral, é um modelo arrojado e inovador. Para 2018 e 2019 vamos ter mais unidades para que possamos atender ainda mais crianças e jovens em todo o Estado”, destacou, em julho, o secretário de Estado da Educação, Haroldo Rocha. Em Alegre, receberá o programa Escola Viva o colégio Aristeu Aguiar, para 655 alunos do 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Em Anchieta, o programa será implantado no Sesi-Senai para 480 estudantes do Ensino Médio. Em Itapemirim, a Escola Washington Pinheiro Meirelles, ponto de discórdia de alguns pais e alunos, tem previsão de
receber o programa que irá atender 640 estudantes do Ensino Médio. Em Mimoso do Sul, 655 alunos serão atendidos na escola Antônio Acha, que irá ofertar educação integral para estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Por fim, Cachoeiro de Itapemirim será contemplado com a segunda Escola Viva, que será implantada no colégio Liceu Muniz Freire. A unidade terá capacidade para atender 700 alunos do Ensino Médio. Quanto ao colégio Francisco Coelho Ávila Júnior, no bairro Coronel Borges, a unidade passará a atender somente alunos do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano.
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Sábado, 14 de Outubro de 2017 | Cachoeiro de Itapemirim
Caderno Especial Educação
Educação: Kennedy vai da lanterna para o pódio Pense em um município que reverte grande parte de seus recursos para a educação. Onde os alunos, da pré-escola ao ensino superior, contam com todo o suporte necessário... Não estamos falando de um lugar de algum país desenvolvido, mas sim de uma cidade local, bem aqui perto: Presidente Kennedy. Em 15 anos, o município vizinho saiu da lanterna no ranking do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) no Estado para as primeiras posições. Era um dos últimos colocados e hoje ocupa o 3º lugar entre as 78 cidades do Espírito Santo.
“O dinheiro dos royalties do petróleo está sendo muito bem aplicado”, garante a secretária municipal de Educação, Dilzerly Miranda Machado. O último Plano Plurianual (PPA) elaborado pela Prefeitura de Presidente Kennedy, que estabelece o que será investido em quatro anos no município, prevê a aplicação de R$ 165 milhões na área. É, em todo o Estado, a cidade que mais investe na educação, segundo a secretária. O volume de recursos apenas em 2017 deve chegar a cerca de R$ 46 milhões. Embora Dilzerly, do alto dos seus 35 anos de experiência no magistério
PROFESSOR primeiro mandato, valo“Quando não tínha- rizou muito o professor. mos dinheiro, um pro- Equilibrou o salário... fessor dava aula para o estamos acima da mépré, primeiro, segundo, dia nacional. Ela deu terceiro, quarto e quinto mais de 57% de auano. Sabe o que é uma mento. Hoje Presidente professora dar aula Kennedy tem um dos para mais de cinco tur- melhores salários do mas? E ainda fazer me- Brasil. Qual é a nossa renda... é igual a uma preocupação hoje? Não dona de casa: lavar, é com o professor. Se passar, cozinhar, fazer compararmos o profesfaxina, tosor ao leimar conta te, nós tede crianmos a nata ça, tomar do leite. Se comparar- O melhor conta de idoso... mos o professor do leite a isso era gente tem. ao leite, nós temuito preTe m o s judicial mos a nata do lei- professopara a res gradute. Temos profeseducação ados, com no musores graduados, mestrado, nicípio. muito cacom mestrado, Hoje, por pacitados. muito capacita- O municíexemplo, em uma investe dos. O município pio turma de muito em investe muito em c a p a c i creche há dois protação de capacitação fessores professoe dois aures”. xiliares, a atenção é FAMÍLIA excelente para a crian“Hoje, a maior preoça, um avanço mui- cupação da Secretaria to, muito grande, com de Educação é com a resultados expressi- família. Lugar de aluno vos no aprendizado. é na escola, lugar de A prefeita (Amanda jovem é fazendo esQuinta Rangel), já no porte, e temos tentado
local, ateste que dinheiro ajuda, e muito, ela ressalva que não há êxito sem o comprometimento das famílias dos alunos e administração correta dos recursos. A Prefeitura tem focado na conscientização dos pais sobre a importância do estudo, de os filhos frequentarem a escola, cobrando envolvimento, para que não faltem aula. “E, para isso temos grande apoio do Ministério Público”, diz a secretária. Dilzerly, que na época de estudante universitária em Cachoeiro de Itapemirim, na década de 1980, se constrangia com o elevado índice de analfabetismo de Presi-
dente Kennedy, hoje tem orgulho da situação da sua cidade. “Estamos fazendo essa parceria família/escola para que Presidente Kennedy tenha esse futuro que a gente tanto espera e tanto investe. O saber não ocupa espaço, não acaba, e transforma a sociedade”. Na seguinte entrevista, a secretária de Educação explica o progresso que o município obteve, fazendo um balanço sobre os projetos em andamento na área, a estrutura vigente, o método de trabalho e, como não poderia deixar de ser, a situação dos professores kennedenses.
proporcionar ao aluno esse gosto pela escola. O que está precisando? Está precisando que a família ajude para que seu filho fique na escola, porque sabemos que as portas são muito mais abertas para as drogas, para o que não é lícito, do que para uma escola. Então, o preceito que a prefeita nos pede para seguir: torne a escola atrativa, traga as crianças para a escola... para isso, a gente está trazendo a família também. Estamos fazendo essa parceria, família e escola, para que Presidente Kennedy tenha esse futuro que a gente tanto espera e tanto investe. Quem investe em educação tem consciência que o saber não ocupa espaço e não acaba, transforma a sociedade”.
grafias com troféus e da festa são expostas na escola, posteriormente. O objetivo é estimular o aluno, medir o seu nível de conhecimento e também o desempenho do professor”.
AVALIAÇÃO “Para avaliar o desempenho de alunos do ensino fundamental é aplicado um simulado mensalmente. Os que obtêm as melhores notas são premiados em um coquetel, com participação das famílias e dos professores. Foto-
ATRATIVOS “A escola tem que ter um atrativo, não ser igual a antigamente, quando os pais obrigavam os filhos a ir. Hoje, o grande diferencial está em se a família consegue colocar a criança na escola. Professor, a escola consegue manter aquela criança? Temos oferecido aos alunos atrativos para que ele permaneça na escola?” SUPORTE “Temos projetos ótimos: no Kennedy Educa +, os alunos têm aula de música (abrange flauta, violão, violino, teclado). Há também atividades envolvendo teatro, cinema, literatura (biblioteca móvel). O aluno participa de jogos, de diversas atividades. Há o Núcleo Interativo: para que a criança tenha acompanhamento desde os seis meses de idade,
Foto: Luciana Máximo
com fonoaudiólogo, psicólogo, assistente social e fisioterapeuta, quando necessário. Há brinquedos educativos e piscina para aulas de hidroginástica. Fabiana Batista é a coordenadora. Quando o aluno está no ensino fundamental, além da equipe pedagógica da escola, ele tem o suporte do projeto Equipe Multidisciplinar. Coordenado por Sabrina Rosa de Oliveira, é formado por psicólogo, fonoaudiólogo, assistente social e pedagogo. Faz a ligação escola/família/ comunidade, para que a educação dê certo”. INVESTIMENTO E ESTRUTURA “O PPA prevê R$ 165 milhões para a Educação. Serão em torno de R$ 46 milhões este ano. Temos centros de educação infantil em tempo integral, três escolas polo (ensino fundamental completo
– uma no Centro, uma em São Salvador e uma em Jaqueira) e três creches. Licitando, tem a escola de Marobá. E pedimos a licitação dos três prédios das outras escolas (reforma de ampliação). Em presidente Kennedy, por falta de oferta, não há adolescente ou criança fora da escola. Escola com infraestrutura boa, com ginásio poliesportivo, com mobiliário de primeira qualidade”. ZONA RURAL “Grande parte dos moradores de Presidente Kennedy reside no interior. O município tem vasta extensão territorial, mais de 580 km². No Estado, Presidente Kennedy é o município que mais investe em educação. Pode visitar nossos escolas e verá que não temos materiais sucateados, a estrutura é de primeira. O investimento em estrutura física foi iniciado
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pelas escolas menores. Dando atenção principalmente às escolas da zona rural, elas são muito valorizadas. A prefeita entende que a escola numa comunidade rural é referência, assim como a igreja. Fazemos grandes investimentos para não fechar as escolinhas do campo, 70% das unidades funcionam no interior”.
cípio vai abraçar estes alunos para que a escola seja exclusiva de ensino médio. E provê-la da estrutura que o ensino médio precisa para o desenvolvimento do projeto Escola Viva. A capacidade será para dois mil alunos. A prefeita Amanda não faz diferença se o aluno é estadual ou municipal. Se o aluno é do município, tem que ser bem atendido”.
TEMPO INTEGRAL CRIANÇAS “O objetivo da prefei“Temos três creches ta, junto com Haroldo Corrêa Rocha (secre- em tempo integral. Estário de Estado de Edu- tamos para inaugurar cação), é iniciar em outra agora, em Santa 2018 o projeto Escola Lúcia. E já demos orViva em Presidente dem de serviço para Kennedy, para oferecer uma nova creche em ensino médio em tempo Jaqueira, com capaciintegral. Vai ser na es- dade para 400 crianças. Até o cola polo início de no centro 2018 serão (Escola cinco creEstadual Em Presidente c h e s e m de Ensin o M é - Kennedy, por fal- f u n c i o n a mento. Há dio Pres i d e n t e ta de oferta, não em torno de K e n n e - há adolescente 700 crianças sendo dy), que t e r á a ou criança fora a t e n d i d a s atualmente. estrutura da escola Elas receadequabem tudo, da. Será desde xama escola referência em ensino pu, pomada a alimentamédio, com parceria ção... mamadeira, leite do governo do Estado específico... chegam à e Prefeitura. Hoje a escola, têm o desjejum. escola também atende Quando volta pra casa, alunos do ensino fun- já jantou, tomou badamental, mas o muni- nho... a criança já volta
Foto: Luciana Máximo
no outro dia de amanhã para tomar a primeira mamadeira na escola”. MERENDA “A merenda escolar é toda balanceada, acompanhada por nutricionistas. Se a criança tem alergia a leite, por exemplo, tem o produto sem lactose... Tem desde o desjejum, ou seja, o café da manhã, com todo tipo de fruta, iogurte, queijo, tudo do bom e do melhor, a almoço. A melhor merenda que tem é a merenda de Presidente Kennedy, um aluno não almoça sem ter um suco ou uma fruta ao lado”. ENSINO FUNDAMENTAL “Além da pré-escola, temos as escolas de ensino fundamental, com o total de 2,8 mil alunos. Houve um acréscimo de alunos, o município tem atraído muitas pessoas. Vamos construir uma escola em Marobá, ampliar e construir mais um prédio em Jaqueira, em São Salvador e no Centro. Atualmente, há 22 escolas de ensino fundamental em funcionamento. A previsão é de inaugurar mais quatro escolas polo, tudo com recursos dos royalties, até o início do próximo ano. Já está Foto: Luciana Máximo
O aluno participa de jogos, de diversas atividades
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Há também atividades envolvendo teatro, dança, cinema, literatura (biblioteca móvel)
em processo licitatório. A Prefeitura também complementa mais de 80% do custo de transporte do ensino fundamental, pois o repasse federal é ínfimo”. ENSINO SUPERIOR “São mais de 900 alunos kennendenses cursando o ensino superior (graduação e pós-graduação), incluindo Medicina. Atualmente, há 22 estudantes fazendo Medicina com bolsa integral. E todos os alunos que estudam nos municípios adjacentes - Campos, Cachoeiro e Castelo, por exemplo têm transporte escolar custeado. O gasto com educação superior gira em torno de R$ 24 milhões, trata-se do maior investimento por aluno. Só para as faculdades são 23 ônibus. O que é o futuro de Presidente Kennedy? São os jovens de Presidente Kennedy... teremos engenheiros, médicos, agrônomos, dentistas, professores, profissionais de todas as áreas”. VOCAÇÃO “No ensino médio, nós temos o Prodes (Programa de Desenvolvimento do Ensino Superior e Técnico), formado por uma comissão que avalia a questão da bolsa para faculdade e ensino técnico. No Pro-
des, temos o Serviço de Orientação Profissional, para que o aluno tenha certeza da escolha da universidade que está pleiteando, para depois não desistir, e o recurso público ser bem utilizado”.
profissão. Em 1987, quando fazia faculdade em Cachoeiro, não falava que era de Presidente Kennedy, porque cerca de 40% da população era analfabeta. Gostava de ficar junto com a turma de Marataízes, porque me conEVOLUÇÃO (IDEB) fundiam com as pes“O avanço na educa- soas de lá e paravam ção tem acontecido nos de destacar na sala últimos 15 de aula anos. Preque Kensidente nedy era Kennedy um muniProfessores cípio com era um dos últimos de Presidente t a n t o s no Ideb Kennedy têm analfabeno Espíritos, com to Santo. um dos melho- índice tão Depois, grande res salários do ganhamos de analfaBrasil algumas betismo. posições Eu quero e ficamos agradecer em 65º, a todos os dos 78 municípios ca- colegas professores pixabas. Com os inves- que estão nessa luta timentos na educação junto com a nossa pre- os resultados não feita, junto com a poaparecem de um dia pulação kennedense, para o outro -, hoje nós para que o município estamos em 3º lugar no tenha um futuro meIdeb. Os investimentos lhor. Acredito, assim aumentaram com os como Nelson Mandela recursos dos royalties sempre colocou, que do petróleo e o dinheiro toda mudança só se está sendo muito bem faz através da eduaplicado”. cação. Para sermos mais saudáveis, saTRAJETÓRIA bermos cuidar melhor “Sou professora no de nossas moradias... município há 35 anos. tudo gira em função Estou secretária de da educação. Então, a Educação, cargo de educação é realmente passagem, mas eu sou o motor que pode muprofessora, amo minha dar o mundo”.
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Da mestra, com carinho “Ser professor é mudar sempre a alma de casa, habitando naqueles seres que desejam também ver, além das cortinas, das fotografias, dos quintais. É tornar os discursos e as ciências mais vivos, mais significativos. Ser professor é oportunizar a aprendizagem pelo afeto, é ser a felicidade do conhecimento”, assim define Simone Pacheco Lacerda a nobre profissão que escolheu, com a sua verve poética de escritora, ofício que exerce nas horas vagas. Ela leciona há quase duas décadas, apesar de ter 36 anos de idade. Debutou na área de educação precocemente, em turmas dos primeiros anos do ensino fundamental. Graduada em Letras (Português e Literatura), atua há treze anos com a disciplina Língua Portuguesa no ensino médio e nos últimos anos do ensino fundamental. “Nós, professores, vive-
mos um período difícil, embora seja a profissão indispensável ao desenvolvimento e à manutenção da sociedade. Por um lado, temos um Estado que desvaloriza o profissional, seja financeiramente, na falta de estrutura de trabalho, por outro, temos hoje um aluno que, muitas vezes, não cria perspectivas de vida e de trabalho na educação. São muitas diversidades que coabitam o mesmo espaço e que, sozinho, o profissional não dá conta de organizar todas as problemáticas presentes neste cenário diverso”, avalia. Simone observa que são várias as melhorias que precisam acontecer no setor, mas destaca o investimento no profissional. “Visto que é ele que se coloca como diálogo entre a sociedade, o sujeito e a escola. A atuação do docente é fundamental para que haja progressos na so-
ciedade, para que acreditemos na esperança de um dia melhor com pessoas melhores, muito mais competentes e humanas”, justifica. Sobre a situação, conclui que: “quando, realmente, o professor for visto de verdade, não superficialmente, como vemos nos discursos rasos veiculados, aí sim daremos um salto gigantesco nos quesitos desenvolvimento social, humano e educacional”. Para ela, o maior problema da educação é a falta de um investimento maciço. “São feitas ações paliativas, tentando-se mostrar que a educação melhorou. Mas, na prática, vemos alunos chegando ao Ensino Médio sem os conhecimentos prévios a este nível, vemos alunos sem grandes expectativas quanto às possibilidades do que o ensino é capaz de fazer na sua história. Assim, vemos professores de-
Foto: Leverson de Freitas
Jovem, porém experiente: Simone Pacheco Lacerda, professora, escritora e “leitora”, leciona há 19 anos
sestimulados e cansados, além de muitos estarem doentes, dado o alto nível de estresse sofrido”, fundamenta. Embora crítica quando aos percalços da carreira, a professora se orgulha da trajetória percorrida: “em nenhum momento me arrependi de ter escolhido a educação, pois acredito que a única
forma de transformar o espaço social é através dela, bem como os sujeitos que atuam neste cenário. É uma carreira que perpassa o coração porque o material de trabalho é o humano. Somos responsáveis pela formação deste sujeito que atuará nos mais diferentes setores sociais e contribuirá, decisiva-
mente, para que o mundo contemporâneo torne-se melhor, menos egoísta e mais justo”. Simone conclui: “ser professor é ser um profissional diferenciado, aliando os conhecimentos técnicos a uma formação humana dotada de ética, reflexões e amor, é dotar o pensamento científico também de poesia”.
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Educação a Distância: o futuro é agora Modalidade que mais cresce no país no ensino superior, a educação a distância (EaD) ganha impulso com o avanço dos recursos tecnológicos propiciado pela popularização da internet de banda larga no Brasil. Especialistas observam que, entre outros pontos positivos, ela vem acelerando as mudanças na sala de aula tradicional, podendo contribuir para a valorização do professor, incentivando o aproveitamento de momentos com a turma em atividades mais amplas, como conferências e debates. TECNOLOGIA O estudante já pode ter a sala de aula na palma da mão, literalmente. “Com um telefone celular de qualidade é possível o aluno fazer o curso todo”, enfatiza Leonídio Gomes de Arruda, diretor do Polo Cachoeiro de Itapemirim da Unip (Universidade
Paulista), referência em EaD no país. Isto é possível porque a instituição utiliza ambiente virtual multiplataforma para todas as atividades. Um dos maiores atrativos do ensino a distância é a sua flexibilidade (pode-se estudar em qualquer horário/ lugar) e o preço da mensalidade (metade da do curso presencial). ESTRUTURA O estudante conta com todo o suporte de professores qualificados (mestres/doutores) e tutores - pessoalmente, por telefone, chat, ou email. “O aluno não está sozinho, temos uma estrutura com mais de 20 mil professores e cinco mil tutores”, informa Arruda. INCREMENTO A Unip, nos dois últimos anos, registra um incremento no Sul do Espírito Santo de quase 60% na procura, segundo o
Foto: Divulgação
coordenador Roger Fassarella. Dos 35 cursos de graduação que a instituição oferece, os mais procurados são Educação Física, Pedagogia, Ciências Contábeis, Gastronomia e Serviço Social. Há também a possibilidade de ingresso em programas de mestrado e doutorado em diversas áreas. DISCIPLINA Como contrapartida à liberdade que a educação a distância oferece, é necessário muito foco e comprometimento do aluno para conseguir gerir sozinho o seu tempo de estudo da forma mais proveitosa possível. “A necessidade de criar uma rotina de disciplina pode refletir positivamente quando ele ingressar no mercado de trabalho para exercer a profissão”, avalia Roger
O diretor do Polo Cachoeiro da UNIP, Leonídio Gomes de Arruda, e o coodenador, Roger Fassarella
Fassarella. DEMOCRATIZAÇÃO O coordenador do polo local da Unip sustenta que a EaD também possibilita a democratização do ensino. “O aluno pode morar no interior, em locais afastados, mas tem acesso à mesma qualidade dos grandes centros, aos professores de São Paulo, por exemplo”, fundamenta.
O diretor Arruda, por sua vez, conclui que a educação a distância valoriza a comunidade onde o aluno está inserido, pois facilita sua permanência na cidade de origem. DIA DO PROFESSOR Em relação à data comemorativa, Arruda faz o seguinte registro: “parabenizo todos os professores da região. Mas quero cumprimentar
de uma maneira muito especial os do ensino a distância, porque eles aceitaram e enfrentaram grandes desafios na última década. Hoje, a modalidade pode colher os frutos do desafio com toda a modernidade que é apresentada, e com os resultados positivos que têm surgido dos estudantes que se graduam e estão inseridos no mercado”.
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A linguagem como viés da liberdade Você é livre? Essa é uma pergunta difícil de responder diante da diversidade de amarras sociais que o ser humano criou para si próprio. Mas, de verdade, o que é liberdade? Ao responder essa pergunta muitos se enganam quando pensam que ser livre é fazer tudo que se quer. Liberdade está vinculada ao alcance da cidadania, das escolhas e do exercício dos direitos o que, para se estabelecer de forma plena, necessita de vieses bem estruturados. Um dos vieses da liberdade é a língua. Nunca seremos livres se não dominarmos nossa própria linguagem, cultura, arte e literatura. Mais que uma necessidade, comunicar-se com clareza por meio da escrita e da oralidade é uma necessidade. É uma urgência. Essa afirmativa está vinculada a uma diversidade de estudos atuais que apontam “a interpretação” escrita e oral como uma das maiores causas geradoras de conflitos no Brasil. Bem
como, também se comprova por meio de estudos que a ausência de leitura e escrita nos carregará, a curto prazo, para as profundezas do inculto. Isso tudo lhe parece distante? Banal? A realidade brasileira, tratando-se da população potencialmente ativa, é formada por 75% (setenta e cinco por cento) de analfabetos funcionais e por 8% (oito por cento) de analfabetos plenos. Nosso país de tantas nuances está perto de um colapso linguístico. Diante disso, o Centro Universitário São Camilo – Espírito Santo está há mais de 25 anos formando escritores, oradores e professores de língua portuguesa por meio do Curso de Letras. Essa foi a atitude adotada por esta Instituição de Ensino para contribuir e prestigiar a língua brasileira e a cidade de Cachoeiro de Itapemirim. Seja pleno, seja livre, estude Letras – Língua Portuguesa no Centro Universitário São Camilo ES.
Divulgação/PMCI