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Caderno de emancipação kennedy 2017

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PRESIDENTE KENNEDY 53 ANOS CADERNO ESPECIAL - Terça-feira, 4 de Abril de 2017

Presidente Kennedy tem pouco mais de 50 anos de emancipação, mas muitas histórias para contar. Desde que o padre José de Anchieta decidiu se instalar em Muribeca, em 1581, até os dias atuais, muita coisa aconteceu. A cidade, de atrativos turísticos e culturais pujantes e cujo nome homenageia ex-presidente norte-americano está no limiar de revolução econômica que enche de esperança toda a região sul do Espírito Santo.


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PRESIDENTE KENNEDY 53 ANOS

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Município novo, mas de muita história

O padre José de Anchieta – canonizado em 2014 pela Igreja Católica – chegou à região, em 1581

Embora tenha seja município autônomo há apenas 53 anos, a origem de Presidente Kennedy remonta ao período de colonização do Brasil pelos portugueses, há quase 500 anos. Seu território foi desmembrado de Itapemirim com a emancipação em 30 de dezembro de 1963. A lei estadual de criação da cidade, no en-

tanto, só entrou em vigor no dia 4 de abril de 1964. O município se chamaria Batalha, mas o assassinato, nos Estados Unidos, do presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy, que comoveu o mundo, fez isso mudar. O crime ocorreu em meio ao processo de desmembramento – no dia 22 de novembro de

1963. A alteração do nome, em homenagem ao político, foi proposta pelo deputado estadual Adalberto Simão Nader, então presidente da Assembleia Legislativa. Hoje, Kennedy tem 588 Km² e estimativa de 11.396 habitantes, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Origem O município de Presidente Kennedy, tem sua origem na localidade de Muribeca, onde começou verdadeiramente com a chegada dos Padres Jesuítas. Ali, foram encontrados índios das tribos Puris, Goitacazes e Botocudos. Quando o padre José de Anchieta – canonizado em 2014 pela Igreja Católica – chegou à região, em 1581, vindo do Rio de Janeiro, construiu, com mão de obra de escravos e índios, uma igreja de madeira na Planície de Muribeca, às margens do rio Itabapoana. Era o pontapé inicial para o desbravamento da região, onde o religioso instalou ainda residência, oficinas, enfermaria, horto, pomar, criadouro

de peixe, casa de farinha e usina de açúcar. Mais de um século depois, outro jesuíta, padre André de Almeida, instituiu nas imediações da igreja a Fazenda Muribeca, legalizada em 1702. A propriedade foi uma das maiores fazendas pecuárias do Brasil, abrangendo sul do Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro, até a região de Campos. Igreja das Neves foi construída em meados do século XVII onde havia a igreja de madeira construída por Anchieta. Por volta de 1694, com ajuda de índios catequizados e escravos, o novo templo foi erguido. A imagem de Nossa Senhora das Neves veio de Portugal em 1750. John Kennedy dá nome ao município


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Santa de quase 300 anos em tricentenário Bem de valor histórico, cultural e arquitetônico para a população de Presidente Kennedy, a imagem de Nossa Senhora das Neves, do Santuário das Neves, está passando por um processo de restauro. A iniciativa do trabalho é da Prefeitura Municipal do município e da diocese de Cachoeiro de Itapemirim. A imagem que veio de Portugal em 1750, foi restaurada uma única vez, em 1995. Desde então, só passou por um processo preventivo de descupinização em julho do ano passado. Agora, será inteiramente restaurada. Além da imagem, o oratório onde fica a padroeira do município também passará pelo mesmo processo. Quem está realizando o trabalho é o Núcleo de Restauro e Conservação da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). O procedimento durará cerca de cinco meses. No final de Julho, a imagem volta para o Santuário para celebrar mais um ano de festa, na primeira semana de agosto. Segundo a arquiteta da comissão diocesana de bens culturais da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, Cora Augusta Duarte Aguieira, o processo de restauração de bens culturais móveis, é de suma importância para a história da cidade e da igreja. “Esta é uma importante ação de salvaguarda de bens culturais sacros da diocese de

Cachoeiro de Itapemirim e da prefeitura”, disse. Para o Padre Rogério Guimarães de Almeida Cunha, sacerdote da Igreja católica de Presidente Kennedy, a imagem é um bem que vai além da arte, por isso a importância do restauro. “A obra de arte em questão, está presente em nosso município há séculos, é uma expressão de fé, não só dos kennedenses, como de todos os fieis romeiros que todos os anos vêm dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e das cidades do nosso Estado do Espírito Santo”. O padre ainda ressaltou a importância histórica do patrimônio. “Várias escolas e alunos de graduação e pós-graduação em História e Artes já passaram pelo Santuário para conhecer a imagem e a sua história. Tanto o Santuário como a Imagem de Nossa Senhora das Neves estão nas raízes da história do nosso município de Presidente Kennedy. Ela é o cartão postal de nossa cidade, e a expressão de fé de milhares de pessoas que encontram no Santuário o aconchego da Mãe e a Misericórdia de Deus. Na verdade, não tem como falar de Presidente Kennedy sem falar do Santuário e da Imagem de Nossa Senhora das Neves”, acrescentou. Resistência O Santuário das Neves por pouco não foi destruída e um incêndio no dia 5

agosto de 1964,provocado pelas velas acesas que os fiéis daquela época colocavam próximo às paredes feitas de pedra, pó de ostra e óleo de peixe. O calor foi tão intenso que derreteu o óleo e as labaredas chegaram ao teto. O fogo destruiu o telhado da igreja, o assoalho afundou e o altar foi danificado, mas a imagem de madeira de 1,60 metro de Nossa Senhora das Neves ficou intacta, pois devotos entraram na igreja em chamas e a resgataram. A pequena igreja perdida no meio da restinga enfrentou a ganância de caçadores de tesouro que fizeram várias escavações por baixo dela, em busca de suposto ouro deixado pelos jesuítas, quando foram expulsos do Brasil, em 1759. Sem tesouro, ficou apenas a depredação de um patrimônio artístico e histórico, que felizmente foi restaurado. O santuário está localizado na Praia das Neves, a 28 km do centro de Presidente Kennedy. Sua arquitetura em estilo colonial é bem humilde, mas o valor para os fiéis é inestimável. Todo dia 5 de cada mês é realizada novena em homenagem à santa, com centenas de católicos. Porém, no dia 5 de agosto, o pequeno santuário é tomado por fiéis que chegam em caravanas para orar e festejar o Dia de Nossa Senhora das Neves.

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Economia vai da agricultura ao petróleo Divulgação

Programa da prefeitura incentiva a agricultura familiar e beneficia mais de 500 famílias

A economia em Presidente Kennedy tem em sua base a agropecuária e a exploração de petróleo. No município há significativa produção de mandioca, maracujá, cana-de-açúcar e mamão. É o maior produtor de leite do estado do Espírito Santo. Possui também o maior mangue do Brasil, onde catadores de caranguejos tiram seu sustento. O começo da exploração do petróleo em águas kennedenses impulsionou a economia, se revertendo em forte arrecadação para a Prefeitura. Em 2014, Presidente Kennedy se manteve como o município com maior PIB per capita do país, com R$ 815,1 mil. A informação foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em dezembro de 2016. Mesmo com a posição de destaque, a cidade apresenta problemas, como a pobreza

extrema, que atinge 9% da população. O PIB per capita é o produto interno bruto dividido pela quantidade de habitantes de um lugar. Em 2013, Presidente Kennedy também apareceu em primeiro lugar. A cidade tinha um PIB per capita de R$ 715.193,70. De acordo com a análise do IBGE, a cidade teve ganhos de participação, principalmente, na indústria extrativa (petróleo e gás). Os recursos, nos últimos anos, têm sido utilizados pra reduzir a desigualdade social, através da dotação de infraestrutura básica para a população, como saneamento, pavimentação de vias, construção de casas populares, além de projetos sociais. Agricultura Os agricultores recebem apoio para a produção rural, com fornecimento de ração,

por exemplo. A agricultura familiar também recebe incentivo. Mais de 500 famílias em risco social recebem semanalmente tíquete-feira, que pode chegar a R$ 100,00 por mês. O dinheiro é gasto, obrigatoriamente, na aquisição de hortifrutigranjeiros produzidos no município, durante a Feira Livre Municipal da Agricultura Familiar e da Atividade Artesanal, realizada todas as quintas-feiras, das 15h00 às 20h00, na praça central. O programa também beneficia os feirantes credenciados que fazem parte do Programa Agro Ecológico Integrado e Sustentável (PAIS) e o Programa da Agricultura Familiar. Os tíquetes são trocados na Secretaria de Fazenda por dinheiro no final do mês. O valor mensal arrecadado pelos produtores da Feira Livre, só com os tickets, pode chegar a R$ 50 mil.


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De portas abertas para o mundo A localização privilegiada de Presidente Kennedy – central no sudeste e próximo aos grandes centros de produção e consumo do país - atraiu para o município do litoral sul do Espírito Santo investidores holandeses que vão instalar na cidade capixaba o Porto Central. A forte vocação para o comércio exterior também poderá ser explorada a partir do empreendimento. O objetivo é suprir lacuna importante na infraestrutura capixaba, dominada por portos privativos e exclusivos, já com sua capacidade esgotada. Além desses pontos, o Porto Central também pretende receber novos empreendimentos, oferecendo saída para o mar, algo que nos portos já instalados já não é mais possível, por falta de área. Trata-se de uma joint-venture que une a empresa capixaba TPK Logística e o Porto de Roterdã, o maior da Europa. O empreendimento foi projetado no conceito porto-indústria e terá grande impacto na região. Hoje a economia kennedense é apoiada basicamente na pecuária, na agricultura e nos royalties do petróleo. Sua posição geográfica fica bem no centro da costa leste Brasileira, próximo aos maiores produtores de ferro, produtos siderúrgicos, produção agrícola, granito e mármore para exportação, além dos principais campos de óleo e gás do país. “Abrigar o porto é estar de portas abertas para o mundo. Gera desenvolvimento e será muito bemvindo a Presidente Kennedy. A Prefeitura faz sua parte e prioriza a Educação. Ampliamos os investimentos em todas as áreas e nos preparamos para as oportunidades que serão criadas”, diz a prefeita Amanda Quinta, em vídeo. O programa de capacitação do município promove

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O Porto Central deve gerar 4,7 mil empregos em sua fase de instalação, a partir de 2018

a qualificação do pessoal local para a educação profissional e o desenvolvimento de gestores. Jonathan Rosa, morador de Presidente Kennedy, fez curso profissionalizante básico de elétrica. “Vindo esse porto, eu já posso saber que tenho meu emprego garantido”, diz. Carolina Reis Cruz, que fez curso de padaria e confeitaria, pelo Senac. “O importante é qualificar quem mora dentro do município”, diz. Obras As expectativas são boas para que as obras do Porto Central comecem em Presidente Kennedy no início de 2018. No final de março a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) autorizou o início da construção e operação do complexo industrial portuário. Resta agora apenas a Licença de Instalação, que deve ser emitida pelo Ibama ainda neste mês. Depois disso, serão necessários, ainda, cerca de dez meses para que a obra

tenha início, de acordo com o secretário de Estado de Logística, Transporte e Comércio Exterior, Neucimar Fraga. Ferrovia O governo federal anunciou em março a renovação do contrato da concessionária que comanda a Estrada de Ferro Vitória-Minas. Com isso, será antecipada concessão o controle da ferrovia, pela Vale, por mais 30 anos – o acordo atual expiraria em 2026. Em contrapartida, a mineradora terá que construir novo ramal ferroviário, que vai ligar o Complexo de Tubarão, na Capital, ao futuro Porto Central, em Presidente Kennedy, num investimento que deve superar R$ 1 bilhão e gerar cinco mil empregos. A obra, com 160 quilômetros de extensão, que cortará dez municípios capixabas, deverá ser a primeira fase de uma estrada de ferro ainda mais ampla – com mais 410 quilômetros -, que ligará Kennedy ao Rio de Janeiro.


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Natureza põe turismo em evidência Divulgação

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As praias de Presidente Kennedy são um misto de beleza e tranquilidade à beira mar

Presidente Kennedy possui belas praias em sua orla de 16 km de extensão, sendo as mais conhecidas Praia das Neves a 28 quilômetros do centro e Praia de Marobá, a 20 quilômetros e que recebe cerca de mil pessoas por final de semana no verão. Praia das Neves. Mar

calmo e areias claras, próprio para crianças. Possui quiosques de sapê que dão charme especial ao local. Em sua orla, há oito quilômetros de praias inexploradas. Os quiosques com coberturas de palha espalhados na areia garantem a sombra, coco gelado e água fresca.

O trecho tem infraestrutura, com camping e restaurantes. Ambiente ideal para o lazer em família. Na divisa com o estado do Rio de Janeiro encontra-se grande área de mangue por extensão. São 300 hectares cercados de Mata Atlântica e restinga. Destaque para

as capivaras, macacos, jacarés. Uma ótima opção de ecoturismo. Praia de Marobá. É a praia mais popular do Município, cheia de falésias. Em sua orla existem diversas castanheiras. Concentra as atrações esportivas e culturais no verão. Além

da praia, existe uma lagoa natural de água doce corrente em frente ao mar. O trecho tem infraestrutura, com quiosques, restaurantes. Ambiente ideal para o lazer em família e excursões de turistas. Em nove quilômetros entre as praias de Marobá e das Neves densa vege-

tação de restinga abriga cactos e árvores de até cinco metros de altura. A fauna marinha inclui tartarugas que desovam nas praias locais, andorinhas do mar, golfinhos e até baleias jubartes que passam pela região com destino a Abrolhos, na Bahia.


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OUTROS LOCAIS PARA VISITAR Igreja das Neves: construída pelos padres jesuítas no século XVII com ajuda dos escravos e índios catequizados. Um marco do nascimento da cidade. Mangue: uma das maiores áreas do país, são aproximadamente 300 hectares cercados de Mata Atlântica e restinga. Destaque para as capivaras, macacos, jacarés. Trilhas para cavalgadas: o cavalo faz parte da rotina da cidade, uma paixão local. No trajeto, tanto pelo interior como o litoral encontram-se belos cenários: rios, lagoas, praias, Mangue e fazendas. Morro da Serrinha: possibilita a pratica de trekking no local. São 40 minutos de caminhada para alcançar o cume, de onde se avista o Oceano Atlântico, a Pedra do Itabira, o Frade e a Freira, o Monte Aghá e até a Pedra Azul. Farinheiras: a tradição artesanal de fazer farinha caseira continua em algumas comunidades do município. Tudo começou com os índios e a ajuda do beato Anchieta, que construiu na região a primeira Casa de Farinha.

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CADERNO ESPECIAL KENNEDY 53 ANOS EXPEDIENTE Edição: Wagner Santos wagnersantos25@hotmail. com Reportagens: Alessandro de Paula Design: Wellington Rody Vendas: Lília Argeu comercialfato@gmail.com Impressão e pré-impressão: Espírito Santo de FATO. CNPJ: 06.056.026/0001-38 Contatos: (028) 3511-7481 Versão digital disponível em www.jornalfato.com.br Este suplemento especial integra a edição 3743 do jornal Espírito Santo de FATO, de 4 de abril de 2017


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