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CACHOEIRO 150 ANOS CADERNO ESPECIAL - sábado, 25 de março de 2017
Da pré-história aos dias atuais, um pouco de história, curiosidades, pontos turísticos e personagens que fizeram do pequeno Cachoeiro polo econômico e cultural do sul do Espírito Santo
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CACHOEIRO 150 ANOS Arquivo FATO
De vila a centro econômico
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Mesmo temendo possíveis combates com os então destemidos índios Puris e Botocudos, desbravadores do início do século 19 venceram as águas do rio Itapemirim para abrir, no lugar onde hoje se encontra a cidade de Cachoeiro, um ponto de parada de tropeiros, viajantes e mineradores à procura de ouro e pedras preciosas. Era o começo da história de uma cidade que agora é conhecida como capital mundial do mármore e do granito e centro econômico do sul do estado. Nos anos seguintes, a região passou por transformações decorrentes dos avanços proporcionados pelos barcos a vapor e ferrovias.
Fazendas foram instaladas na região, casas e mercados eram abertos, até que em 1867 foi instalada a Câmara Municipal. A freguesia, então ligada a Itapemirim, passou a ser reconhecida como município de Cachoeiro de Itapemirim. Passados 150 anos muitas coisas aconteceram. Indústrias se instalaram na região, casarões passaram a dar lugar a edifícios e o mármore que no início do século 20 era motivo de depreciação das terras se transformou numa espécie de ouro branco e serviu de alavanca para uma indústria de beneficiamento de granito, que hoje é base da economia cachoeirense.
Arquivo público ajuda a contar os 150 anos Parte significativa da história de Cachoeiro de Itapemirim, que completa 150 anos de emancipação política neste sábado (25), está acessível à população no arquivo público municipal de cultura. Inaugurada há um ano, no Palácio Bernardino Monteiro, a Sala Evandro Moreira abriga mais de 10 mil fotos de Cachoeiro, algumas das quais, raríssimas, datam do fim do século 19. Destas, cerca de duas mil já estão digitalizadas. Há, ainda, em torno de 500 itens ligados à trajetória cultural da cidade. São documentos oficiais (como a cópia da ata de reunião realizada em 1887, entre autoridades locais, sobre a construção da primeira biblioteca do município), livros, esculturas, quadros e outras obras de artistas locais, além de antigos jornais, alguns da década de 1980, doados por Evandro à
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População pode conhecer itens ligados à trajetória cultural da cidade
ocasião da entrega do espaço. “O acervo vem se destacando como referência de pesquisa tanto para escolas públicas e particulares de ensino médio, por exemplo, quanto para cursos superiores e, até
mesmo, para teses de mestrado”, frisa a secretária municipal de Cultura, Fernanda Martins. A sala fica aberta à visitação de segunda a sexta-feira, das 12h00 às 18h00. A entrada é franca.
CADERNO ESPECIAL - CACHOEIRO 150 ANOS EXPEDIENTE Edição: Wagner Santos Reportagens: Alessandro de Paula Editoração eletrônica: Wellington Rody Circulação: 5 mil exemplares Este suplemento é parte da edição 3737 do jornal Espírito Santo de FATO, de 25 de março de 2017.
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Considerada berço cultural do estado, Cachoeiro é cidade natal de importantes figuras do meio artístico nacional, entre elas, Roberto Carlos, que completa 76 anos de idade no dia 19 de abril. Nascido em 1941, o rei iniciou sua carreira cantando nas rádios locais aos 9 anos. Apresentou um programa aos 15, na TV Tupi e estourou na música durante o movimento da Jovem Guarda, na década de 60 Na escrita, entre tantos outros, surgiram o cronista Rubem Braga e seu irmão, o poeta Newton Braga. Este último foi o idealizador do Dia de Cachoeiro, escreveu para importantes jornais e lançou livros de poesias. Seguindo os passos do irmão mais velho, Rubem iniciou a carreira como jornalista, mas foram suas
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Berço da cultura capixaba
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Rubem Braga
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CACHOEIRO 150 ANOS Divulgação
Vicente Thiengo / FATO
Sérgio Sampaio
crônicas, admiradas por todo o país, que o deixaram famoso. Também nasceram na cidade o pintor Levino Fanzeres, que expôs suas obras de arte em salões de
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Roberto Carlos
todo o país e na Europa no início do século 20, e Dedé Caiano, artista plástico que, no passado, chegou a fazer parceria com o amigo e cantor Raul Seixas. Outro cachoeirense par-
ceiro do famoso roqueiro, foi Sérgio Sampaio. Sua vida foi uma montanha russa, passando por momentos de fama e esquecimento. Morreu em 1994 e sua história imortalizada
em livro. Mais um nome importante no meio musical é Raul Cocco Sampaio. Autor da música “Meu Pequeno Cachoeiro”, que divulgou o nome da ci-
dade na voz de Roberto Carlos, fez sucesso no Rio de Janeiro, onde recebeu título de cidadão do Estado da Guanabara. O saudoso Carlos Imperial, compositor, apresen-
tador e produtor musical, nasceu em 1935. Ainda adolescente seguiu para o Rio. Criou o Clube do Rock em 58, participou e produziu filmes musicais da Atlântida.
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Parabéns pelos seus 150 anos.
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O Sicoob Credirochas se orgulha em fazer parte desta história.
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Ícone do nudismo nascia há 100 anos Há cem anos, em 23 de janeiro, nascia em Cachoeiro de Itapemirim uma capixaba que se tornaria a mulher mais consagrada entre os naturistas por ter lançado a moda do nudismo no Brasil. Dora Vivácqua, a Luz del Fuego, escandalizou sua cidade natal dançando seminua em palcos do país e do exterior. Pouco conhecida da nova geração, a mulher polêmica estourou na década de 30 com sua ousadia. Chegou a dançar seminua com cobras enroladas no corpo. Foi assassinada em 1967 e sua vida virou filme. “Ela é considerada a madrinha do naturismo brasileiro. Além de ativista, foi uma grande teórica do nudismo”, afirmou há alguns anos o então presidente da
Federação Brasileira de Naturismo (FBRN), José Antônio Ribeiro Tannús. Para ele, a capixaba é muito respeitada no Brasil e no exterior pela forma como divulgou o naturismo. “Perseguida e martirizada, ela tornou-se um grande exemplo não só para o movimento naturista, mas para o feminismo”, defendeu. Outro naturista, que admira a cachoeirense é o criador da Congregação Naturista do Espírito Santo (Nates), Márcio Ramalho Braga. “Ela é uma referência no Brasil pela sua ousadia ao defender uma prática hoje natural, mas que na época enfrentava grande resistência”, disse. A Nates administra a única área de nudismo no Espírito
Santo, situada num trecho de 200 metros da praia de Barra Seca, em Linhares, que tem 15 quilômetros de extensão. Dora viveu parte de sua infância em Cachoeiro, mas foi no Rio de Janeiro que decolou na carreira artística, primeiro com o nome de Luz Divina e depois como Luz del Fuego, que era a marca de um batom. Fez espetáculos que atraiam grande público no Brasil e no exterior. Escreveu dois livros, deu início aos ideais naturalistas, montou uma área de nudismo numa ilha, foi atração nos carnavais cariocas, capa da revista Life nos Estados Unidos, porém na cidade em que nabsceu pouca gente a conhece.
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Mostra resgata momentos de Luz Divulgação/PMCI
Para torná-la um pouco mais conhecida – e reconhecida -, a exposição “Cem anos luz - 100 anos de Luz del Fuego” está em cartaz em Cachoeiro e segue até o dia 31 de março. São 18 fotos, que estão na sala Levino Fanzeres, no edifício Bernardino Monteiro, sede da prefeitura, na praça Jerônimo Monteiro. A visitação, gratuita, ocorre de segunda a sexta, de meio-dia às 18h00. As imagens são de fotógrafos diversos, além de pensamentos extraídos de jornais, revistas e livros publicados entre os anos 40 e 50, época em que o trabalho da cachoeirense teve maior destaque entre o público e a mídia brasileiros. Também integra a mostra uma pintura feita por Maria Elisa, sua sobrinha-neta. Falecida há 50 anos, Luz del Fuego é considerada uma das artistas de visão mais inovadora e transgressora, “muito à frente de seu tempo”. Ela faria 100 anos no último dia 23 de janeiro, aniversário que motivou a equipe da Secretaria Municipal de Cultura a promover a mostra. “É importante frisar que Luz del Fuego, não bastasse sua postura de vanguarda no movimento naturista, de certa maneira antecipou as questões acerca do empoderamento feminino, tema tão debatido nos dias atuais”, considera a secretária municipal de Cultura, Fernanda Martins.
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Turismo: é só escolher Vales, montanhas, rios, cachoeiras, matas e casarios históricos. As opções de turismo são variadas na terra do Rei Roberto Carlos. Basta escolher uma ou mais alternativas e sair para se divertir. A casa de cultura Roberto Carlos é sem dúvida um dos pontos mais visitados da cidade. Berço do rei da música brasileira, a residência, inaugurada em novembro de 2000, recebe 5 mil visitantes anualmente, muitos vindos de países como Estados Unidos, Espanha, Portugal e Itália. Localizada na rua João de Deus Madureira, nº 13, no centro da cidade, Patrimônio cultural do Espírito Santo, a casa foi o lar do cantor até seus 13 anos de idade. Abriga fotos, discos, quadros e instrumentos musicais que ajudam a recontar a história do artista mundialmente conhecido.
Ailton Weller / FATO
CASA DOS BRAGA – O sobrado na Rua 25 de Março, foi a residência dos irmãos Rubem Braga (o cronista) e Newton Braga, o poeta, filhos do Cel. Francisco de Carvalho Braga, primeiro prefeito de Cachoeiro. De estilo português, o casarão, todo pintado em verde, possui 16 cômodos, distribuídos em 145 m². foi tombada para o patrimônio
Histórico Municipal, em 1985. Abrigou até 2014 a Biblioteca Pública Municipal “Major Walter dos Santos Paiva” (hoje na Casa de Memória), com acervo de mais de 12 mil livros, além de obras e manuscritos dos irmãos Braga. Atualmente está fechada para restauro realizado pelo governo do Estado. Mais informações: (28) 3155-5272.
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Divulgação
CACHOEIRO 150 ANOS TEATRO MUNICIPAL RUBEM BRAGA – Ponto de referência na dramaturgia sul capixaba, o teatro foi inaugurado em 28 de abril de 2000. O espaço, que comporta até 292 pessoas sentadas em confortáveis poltronas e ambiente climatizado, tem atraído shows musicais e teatrais realizados por artistas da terra e até de renome nacional.
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Vitral da Catedral de São Pedro
Alessandro de Paula
FÁBRICA DE PIOS DE AVES MAURÍLIO COELHO – Inaugurada em 1903, a centenária fábrica começou a funcionar para atender pedidos de caçadores. Hoje, seus pios atendem a músicos, fotógrafos de natureza, colecionadores e observadores de pássaros. É a única da América Latina. Divulgação
ESTAÇÃO FERROVIÁRIA – Marco de uma época de grande riqueza na região, a estação ferroviária abriga o Museu Ferroviário Domingos Lage e também recebe exposições culturais.
IGREJAS – Prédios consagrados à devoção a Deus, as igrejas de Cachoeiro chamam a atenção pela riqueza dos detalhes. A mais antiga, a Igreja Nosso Senhor
dos Passos, ou Matriz Velha, (no bairro Independência, próxima ao cemitério) como é mais conhecida, foi construída em 1882. O altar, de estilo barroco, foi entalhado
em madeira. Já no centro da cidade, as torres da Catedral de São Pedro, igreja inaugurada em 20 de junho de 1949, se destacam mesmo em meio aos prédios
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Flona
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Natureza chama
Passeios ecológicos são os mais variados. Para os amantes de aventura mais radical, uma boa opção é o Frade e a Freira, que fica na divisa entre quatro municípios, uma pedra geminada que se destaca por representar a figura de um casal de religiosos esculpido em puro granito. Do alto do Frade, com seis 683 metros, é possível ver todo o litoral até o monte Aghá, em Piúma, a Pedra Azul em Domingos Martins e a cadeia de montanhas do Caparaó. A subida exige conhecimento do terreno, materiais de segurança adequados e noções de alpinismo. E quem quiser curtir a água que cai de uma altura de quase 100 metros, pode conferir de perto a Cachoeira Alta, formada pela água do Rio Fruteiras. Aos pés
da queda d’água, que forma uma suave neblina que ocupa todo o vale, um lago permite um banho refrescante. O local também oferece opções de caminhada por meio da mata nativa. Outro passeio – que todos os anos atrai cerca de 3 mil pessoas - em meio ao verde, a Floresta Nacional de Pacotuba é oportunidade única para visitantes chegarem o mais perto possível dos engraçados e agitados
macacos pregos e dos barulhentos barbados, existentes na área de 388 hectares de Mata Atlântica. Basta um pouco de fruta e paciência, para que os macacos desçam. Nas trilhas são cobrados apenas pelos serviços (condutor, lanches, transporte, almoço). É um projeto de uso sustentável, em parceria com a Flona que ajuda na divulgação da Unidade e conservação da floresta. Os agendamentos para
Opções urbanas
O município oferece opções noturnas das mais variadas. É possível assistir a um bom filme numa das cinco salas de cinemas disponíveis ou saborear das mais diferentes delícias oferecidas, como por-
ções, pizza, churrasco, moqueca, entre outros pratos. Os points maiores estão na avenida Beira Rio, onde 15 estabelecimentos agitam a noite cachoeirense, e nos Centros comerciais da cidade.
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visitas à floresta são feitos diretamente com o Grupo Bicho do Mato, pelo telefone (28)999170842, com o líder do grupo, Leonardo Ventura. Há ainda a enigmática Pedra da Ema, nome autoexplicativo em virtude da figura de uma ave formada pela sombra do sol numa fenda de 80 metros de altura por cerca de dez de largura. A montanha está localizada no distrito de Burarama, que oferece opções de banho de cachoeiras, riachos e vegetação bem cuidada. Bem próximo, o Parque do Itabira também é garantia de aventura e lazer. O maior símbolo da cidade, oferece opções de trecking, escalada à Pedra do Meio, vizinha ao Itabira, e oportunidade de assistir e ouvir
Pedra da Ema
Cachoeira Alta
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Paraíso abandonado Próximo ao centro da cidade, uma área de 9,6 hectares parece flutuar em meio ao Rio Itapemirim. Trata-se da Ilha do Meirelles, localizada no bairro Valão, a quatro quilômetros do centro, e ligada a outra parte do rio por uma ponte pênsil de 100 metros de extensão e 10 de altura. O local, no entanto, está abandonado e fechado aos visitantes desde 2013, quando um centro universitário que cuidava da preservação do local o devolveu à Prefeitura. A ponte, que dá acesso ao local, precisa de manutenção.
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os sons de macacos, tucanos, papagaios e até iguanas. A caminhada exige o acompanhamento de um guia. Uma das caminhadas mais completas, a subida à Serra do Caramba exige resistência física do aventureiro, que precisa passar por meio de matas, quilômetros de caminhada em trilhas e escalada. E as opções de aventuras não param por aí. Cachoeiro tem quatro rampas para o vôo livre, no bairro IBC, no São Geraldo e duas – que são as mais conhecidas e oferecem as melhores vistas – no alto da serra do distrito de Vargem Grande de Soturno, próximo à Vargem Alta – logo após o posto fiscal.
Ilha do Meirelles
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Os 70 anos de conquista do Itabira Fotos: Paulo Thiengo
Há 70 anos acontecia em Cachoeiro de Itapemirim um feito até então considerado impossível. Seis alpinistas cariocas e o cachoeirense Amâncio Silva conseguiram alcançar pela primeira vez o topo do Itabira, principal cartão postal do município, após 19 dias de escalada. O historiador e montanhista Márcio Nascimento frisou sobre a dificuldade daquele feito. “Se até hoje o Itabira é
uma montanha difícil de ser vencida, quanto mais naquela ocasião, quando não havia grampos na pedra. Eles que instalaram. Mesmo assim, por 40 anos foi considerada a montanha mais difícil de escalar do Brasil”, ressaltou. Márcio ressalta que aqueles alpinistas instalaram na montanha os grampos “pés de galinha”, que atualmente estão ultrapassados. O percurso escolhido por
eles ficou conhecido por Via da Conquista, mas há outras vias, como a Chaminé Cachoeiro, a mais famosa. Márcio lembra que o grupo de cariocas chegou a Cachoeiro de trem, descendo na estação do bairro Guandu, no dia 4 de junho. Em seguida, os alpinistas foram se apresentar ao prefeito Antenor Moreira Fraga, que ofereceu apoio logístico. Em 2007, quando
eram comemorados os 60 anos da conquista, a reportagem conversou com o ex-alpinista Reinaldo Behnken. Ele, que na ocasião da escalada tinha 21 anos, contou que para alcançar o topo da montanha o grupo dormia preso a cordas. Do alto do topo, os alpinistas soltaram fogos de artifício para comemorar a conquista. De volta ao centro, foram recebidos como heróis. “Os cariocas nem sa-
biam, mas haviam acabado de lançar a prática do alpinismo no Estado e ajudaram a transformar Cachoeiro na Meca dos alpinistas”, ressaltou o historiador. Para comemorar aquele feito histórico, a ONG Caminhadas e Trilhas realiza no dia 1º de Abril uma caminhada até o Pico do Itabira. Por meio de trilhas, os participantes vão poder chegar à base da montanha.
Durante a caminhada, de nível médio para puxado, os participantes vão poder conhecer mais sobre a conquista de 1947 e sobre a imponente montanha, que já foi venerada pelos índios. O passeio vai custar R$ 30, dando direito a café da manhã, guias e ao seguro aventura. Informações sobre a caminhada com o organizador do evento, João Luiz Madureira, no telefone 28 99915-6889.
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Exemplos de dedicação a Deus
Fotos: Alessandro de Paula
Pela fé, elas deixaram o conforto de suas casas e até seus sonhos pessoais para viver uma vida humilde e dedicada a Deus no Carmelo São José, localizado no distrito de Vargem Grande de Soturno, em Cachoeiro de Itapemirim. Também conhecidas como carmelitas descalças, as monjas do Carmelo São José vivem em constante
oração, recebendo pessoas que vão ao mosteiro em busca de paz ou de uma palavra de conforto. O mosteiro está a 10 km do centro de Cachoeiro, numa estrada a 300 metros da rodovia ES-164, que liga Cachoeiro a Vargem Alta. No local, há um santuário com missas diárias, sempre conduzidas por um padre da Diocese de Cachoeiro.
Além das orações e leituras bíblicas, as freiras do Carmelo São José também desenvolvem alguns trabalhos para ajudar nas despesas do mosteiro. Em 2010, elas lançaram o CD “Gotas de Contemplação”, com 10 músicas religiosas. Elas também confeccionam e vendem velas. Toda produção é feita no local. A parafina é derretida, coloca-
da em formas e, depois, as irmãs fazem o acabamento e arte final. As irmãs produzem ainda peças decorativas usadas normalmente no período natalino e restauram imagens sacras. A oração é a marca das religiosas que vivem no Carmelo São José. São pelo menos 10 pausas diárias para oração, algu-
mas vezes rezando juntas e outras de forma individual. E o silêncio é quebrado pelo som do sino, que avisa sobre o horário da oração e de outras atividades. As freiras acordam de madrugada e vão à capela para a primeira oração. Depois saem e cada uma faz sua oração individual
e em silêncio, antes da missa, que começa às 7 horas, com presença de fiéis da comunidade. Após a missa são mais dois momentos de oração antes do café da manhã. A partir daí, cada uma faz sua atividade, como cozinhar, fazer a limpeza, confeccionar velas, enfeites, restaurar imagens e atender às pessoas.
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25 de Março de 2017 | Cachoeiro de Itapemirim
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Gigantes habitavam Cachoeiro
Em um passado distante, Cachoeiro de Itapemirim era habitado por preguiças gigantes que chegavam a seis metros de comprimento, além dos temíveis tigres dente de sabre e do mastodonte, um parente do elefante. Essas são conclusões de pesquisadores, baseadas em fósseis encontrados na região. Um deles foi localizado em 1982 na localidade de Alto Moledo, em Itaoca Pedra, por trabalhadores da empresa Marsal. O achado histórico chamou a atenção da advogada e escritora Izabel Lacerda Salviano da Costa, que até pouco tempo antes de sua morte, ocorrida em maio do ano passado, guardava peças do fóssil em uma caixa feita de vidro. Os achados fósseis foram analisados por três pesquisadores: o paleontólogo Fausto Luiz de Souza Cunha, do Museu Nacional, e os professores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Sonia Zannoti Xavier e Rosa Maria Senna Melo. O sonho de Izabel, mulher do empresário Marinho Salviano da Costa, um dos fundadores do Hospital Evangélico, também falecido, era que os fósseis pudessem ficar expostos em um museu do mármore, porém seu desejo nunca foi realizado. Ela relata o achado histórico em seu livro “Cachoeiro Suas Pedras Sua História”. Além destes, na década de 60, trabalhadores encontraram fósseis de megatérios – preguiças gigantes – e de um mastodonte que, após estudados pela paleontóloga Paula Couto, foram expostos no Museu Nacio-
Fotos: Divulgação
nal do Rio de Janeiro. Especialistas acreditam que antes do surgimento da mata atlântica, a região Sul era uma savana, assim como no Continente Africano, com presença de animais de grande porte (megafauna) dividindo os espaços. Na avaliação do arqueólogo Celso Perota, a alteração do meio ambiente pode ter sido fator principal à extinção de espécies, como a preguiça gigante. “Com a chegada da floresta, alguns animais diminuíram de tamanho para sobreviver”, disse. Para o arqueólogo, os primeiros indígenas chegaram à região por Minas Gerais, provavelmente, atrás desses animais. “O Itapemirim não é um rio piscoso, então tudo leva a crer que eles viviam da caça”, destacou. A tese do pesquisador também é reforçada com achados arqueológicos como pontas de flecha encontradas em Cachoeiro, Jerônimo Monteiro e sítios arqueológicos em Ibitirama, Muqui e Mimoso do Sul.
Conheça os animais pré-históricos TIGRE DENTE-DE-SABRE - O Smilodon populator é a maior espécie de felino sul-americano. De hábito alimentar carnívoro, seus representantes possuíam dentes caninos superiores bem arqueados e de bordas afiadas, podendo chegar a 30 centímetros. Podia chegar a 2,10 metros de comprimento e mais de 400 quilos, bem maiores e mais robustos do que o leão e o tigre atual.
PREGUIÇA GIGANTE - O megatério (Eremotherium rusconii), cujo nome significa “Besta Gigante” é uma das grandes preguiças que apareceram há 35 milhões de anos e foram extintas no final do Pleistoceno, há aproximadamente 11 mil anos. Possuía
entre cinco a seis metros de comprimento e chegava a pesar até quatro toneladas.
O MASTODONTE, assim como o mamute, é uma espécie de ancestral do elefante, apresentando semelhanças inclusive no tamanho, podendo variar entre três a quatro metros na idade adulta e pesando
cinco toneladas. Eram herbívoros e se alimentavam de brotos, folhas e capim.
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Mostra terá ata de emancipação Fotos: Divulgação
Neste dia 25 de Março, em que Cachoeiro de Itapemirim completa 150 anos de emancipação política e administrativa, será aberta exposição fotográfica, no primeiro pavimento do prédio da Câmara Municipal, para celebrar a data, a partir das 11h00. Além de fotos que registram alguns dos principais momentos da história do município, os visitantes terão acesso a reproduções da Ata de Emancipação Política e da primeira ata da Câmara Municipal.
A EMANCIPAÇÃO A Lei Provincial nº 11, de 23 de Novembro de 1864, elevou a Freguesia ou distrito Paroquial de São Pedro do Cachoeiro de Itapemirim à categoria de Vila, cujos limites estendiam-se até os Estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. No entanto, a nova Vila só veio a separar-se definitivamente de Itapemirim a 25 de Março de 1867, data da instalação de sua primeira Câmara Municipal. O cargo de presidente da Câmara era exercido por um dos vereadores, eleito pelos seus pares. O presidente, chamado também de Intendente, acumulava as funções executivas, isto é, ele era também o “prefeito” da cidade. Isso aconteceu até 1914, quando foram criadas as Prefeituras do interior do Espírito Santo.
QUANDO A CÂMARA ADMINISTRAVA O MUNICÍPIO No início, a Câmara era autorizada a arrecadar as mais diversas rendas (impostos, taxas, dízimos, juros, etc) e a utilizá-las para realizar as obras e serviços públicos, além de dispender o pagamento dos funcionários municipais. Em 1877, a Câmara Municipal e a cadeia funcionavam numa casa particular alugada para tal fim. Procedia também da Câmara a licença para vender quitanda, ter casa de negócio de qualquer espécie, ou mascatear - incluía alfaiates, oficinas de qualquer espécie ou indústrias. E a ela competia conceder licença para espetáculos públicos, cosmoramas, realejos e construção de circos - também para se construir gamboas, cercas, currais para apanhar peixe. Em 26 de novembro de 1891 a Câmara Municipal fez a primeira classificação dos Distritos de Cachoeiro.
ASSINATURAS
Na sessão de instalação da Câmara Municipal de Cachoeiro, sete membros estavam presentes: Cel. Francisco Xavier Monteiro da Gama (Presidente) Dr. Joaquim Antônio de Oliveira Seabra Dr. Antônio Olinto Pinto Coelho Capitão Francisco de Souza Monteiro Capitão Pedro Dias de Prado Capitão José Vieira Machado Major Misael Ferreira de Paiva
Documento histórico estará em exibição a partir deste sábado (25) na Câmara Municipal
A NORMATIZAÇÃO DA CÂMARA O primeiro Regimento próprio da Câmara foi aprovado na sessão de 24 de maio de 1893. Em 23 de janeiro de 1924, o texto foi revisto, e promulgou-se novo Regimento.
A primeira Lei Orgânica de Cachoeiro foi aprovada em 05 de abril de 1990. Anteriormente o município obedecia à Lei Orgânica Estadual. FUNCIONALISMO O primeiro Concurso Público da Câmara Municipal foi realizado em 18 de junho de 1967. Três servidores foram aprovados. Somente após 20 anos realizou-se outro concurso, em 28 de novembro de 1987. CÂMARA FECHADA Desde que foi criada, a Câmara Municipal de Cachoeiro somente deixou de funcionar durante dois períodos: de 1929 a 1935 e de 1937 a 1947. Nessas épocas, governos arbitrários fecharam o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e as Câmaras de Vereadores de todo o Brasil. A ata da Sessão de reabertura do Poder Legislativo Municipal de Cachoeiro de Itapemirim, em 18 de dezembro de 1947, registra o fim do período de repressão política. (Fonte: Voltando ao Cachoeiro Antigo, de Manoel Gonçalves Maciel)
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Imagens do Cachoeiro antigo ILHA DA LUZ - Foto tirada em 1937. Apenas uma ponte de madeira ligava a praça Anísio Ramos (do lado de cá) à Ilha da Luz. E não havia ligação da ilha com o Novo Parque e Aquidaban, do outro lado. O radialista Ruy Guedes Barbosa, que morreu em maio do ano passado, aos 73 anos, contou em entrevista concedida em 2011 que conheceu o local 20 anos depois e
que nele havia apenas um moinho de fubá, a fábrica de pios e a estação de energia elétrica, por isso o nome Ilha da Luz. “As famílias iam para lá fazer piquenique”, contou. Do lado de cá, uma pequena casa se destacava. Hoje, essa residência ainda existe e a ponte de madeira, se tornou numa grande estrutura de concreto ligando os dois lados do rio.
Fotos: Arquivo
PRAÇA JERÔNIMO MONTEIRO - Nas fotos tiradas na década de 50, um clima bucólico de cidade do interior dominava o centro da cidade. No meio da avenida, se destacava um canteiro central com uma fileira de pés de fícus. Uma praga de insetos, que o povo apelidou de “Lacerdia”, infestou os pés de fícus. Caíam no olho e causavam ardência. Esse foi um dos motivos do fim das árvores. Hoje, palmeiras imperiais e o asfalto dominam o visual. Mas várias edificações antigas foram mantidas. RUA 25 DE MARÇO - É a mais antiga rua de Cachoeiro. O nome é uma referência à data da emancipação política da cidade, 25 de março de 1867. Na foto, tirada no início do século 20, à esquerda, depois da Casa da Barateza, é a entrada da Ponte Municipal. A rua ainda não tinha calçamento. É possível ver capim brotando do chão à esquerda e provavelmente fezes de cavalos, principal meio de transporte do povo daquela época, no cetro da via. A Rua 25 de Março sempre foi considerada o centro cultural. Nesse endereço, no final da rua, moraram os irmãos Braga (atual biblioteca municipal) e outras famílias tradicionais. Hoje, asfaltada, tem shopping e grande tráfego de veículos.
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25 de Março de 2017 | Cachoeiro de Itapemirim
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Referência em saneamento básico Cachoeiro de Itapemirim completa 150 anos e tem muitos avanços a comemorar na área de saneamento básico. A começar pelo comportamento do cachoeirense em se tratando do uso da água. O consumo médio por habitante, desde o início da concessão dos serviços de água e esgoto à iniciativa privada, em 1998, vem reduzindo gradativamente. De 173 litros por habitante/dia para 133 litros por habitante/ dia em 2016. “A mudança no consumo mostra que a população possui um comportamento de uso consciente da água. Ao longo dos anos, a Odebrecht Ambiental vem reforçando a importância de manter hábitos ambientalmente responsáveis por meio de campanhas educativas”, afirma Rosa Malena Gomes Carvalho, responsável pela área de Comunicação e Responsabilidade Social da concessionária. As ações educativas foram ainda mais intensificadas em 2015 e 2016 em função da crise hídrica. O município tem um histórico de soluções de deficiências de saneamento básico que pode ser considerado modelo para o Brasil. Em 1998, quando foi iniciativa privada assumiu a gestão dos serviços, 80% da população era atendida com abastecimento de água de qualidade e somente 3% tinha esgoto tratado. Atualmente, 99,6% da população de toda a área urbana da sede e dos distritos de Cachoeiro recebe água tratada de qualidade, e 98,45% dos serviços de esgotamento sanitário estão disponíveis na sede da área urbana, inclusive nos distritos, evitando a poluição do Rio Itapemirim e dos córregos. Nessas quase duas décadas de concessão, os investimentos foram contínuos. O mais recente ciclo de investimentos, de 2012 a 2016, totalizou R$ 65 milhões na modernização e ampliação dos serviços, com a implantação do Plano Municipal
Fotos: Divulgação
de Água e Esgoto (PMAE) para atender à área de expansão urbana e localidades mais distantes. Desse ciclo de investimentos da Odebrecht Ambiental, R$ 30 milhões foram empregados na modernização e ampliação do sistema de água. Quando o assunto é crise hídrica, Cachoeiro de Itapemirim fez o dever de casa, evitando que a população fosse atingida com o racionamento de água vivido por vários municípios capixabas. Mas uma vez, foram o planejamento e a realização de investimentos de forma contínua os responsáveis por manter a segurança do abastecimento de água. Em 2014, a concessionária concluiu a construção de mais um reservatório de água, que, somando-se aos demais, proporcionou um aumento de 40% na reservação existente. Hoje, ao todo, Cachoeiro tem 33 reservatórios em pleno funcionamento, monitorados pelo Centro de Controle Operacional, em tempo real. Só nos últimos quatro
anos, foram construídos 12 novos reservatórios. De acordo com Rosa Malena Gomes Carvalho, os investimentos feitos lá atrás, desde 1998, e a construção dos novos reservatórios, possibilitaram que Cachoeiro de Itapemirim esteja atravessando a crise hídrica sem ameaça de racionamento. “Temos também que reconhecer e agradecer a parceria da população, que
sempre que identifica pequenos vazamentos na rede de água, aciona a concessionária. A empresa, assim, mobiliza uma equipe para fazer o reparo, evitando perdas de água. A parceria da população somada ao moderno sistema de monitoramento de vazamentos que a Odebrecht Ambiental possui, funcionando 24 horas por dia, faz com que Cachoeiro de
Itapemirim tenha um índice de perdas (vazamentos) baixo, que é considerado referência. Em Cachoeiro, o índice é de 13%, enquanto a média nacional é 36,9%. Na área de esgoto, o volume de investimentos somou, de 2012 a 2016, o montante de R$ 35 milhões. Entre as obras de destaques, estão a construção de dez Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e 63,07 qui-
lômetros de redes coletoras. As obras beneficiaram 23 regiões. Dentre os distritos e áreas de expansão urbana beneficiados, estão: Aeroporto, IBC, Monte Cristo, Alto Vila Rica, Gironda, Campo Leopoldina, Alto União, Village da Luz, São Luiz Gonzaga, Alto Independência, Soturno, Conduru, Coutinho, São Vicente, Coramara e Monte Cristo.
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22/03/17 13:59 25 de2 Março de 2017 | Cachoeiro de Itapemirim
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CACHOEIRO 150 ANOS
Caderno especial
Vivo só pensando em ti C
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Um dia desbravadores descobriram uma terra boa, onde um rio corria formando cachos encaracolados.Uma terra para se viver, crescer, morar e progredir. Crescemos ouvindo boas histórias. Histórias de um lugar diferente de qualquer outro, onde as pessoas são nosso maior patrimônio. Preferimos pontes do que muros porque pontes nos aproximam, nos conectam... Gostamos tanto daqui que ser bairrista é um elogio para nós. Cachoeiro de Itapemirim: berço de artistas que levaram ao Brasil em prosa, verso, crônica e canção o jeito único de ser daqui. Viva Cachoeiro.