Page 1

Braganรงa Paulista

Sexta

24 Maio 2013

Nยบ 693 - ano XI jornal@jornaldomeio.com.br

jornal do meio

11 4032-3919


2

para pensar

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

O mistério da santíssima trindade por Mons. Giovanni Baresse

Permito-me retomar escri-

crianças, a afirmação dizia pou-

dentro do buraquinho. Agostinho

a Bíblia faz daquilo que a nossa

to de algum tempo atrás.

co no sentido da compreensão.

fala que isso era impossível. E o

vida apresenta. Não é desejo nem

Expediente Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919 E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli Jornalista Responsável: Carlos Henrique Picarelli (MTB: 61.321/SP)

Mesmo porque me parece

A catequista ensinava. A gente

menino lhe responde dizendo que

determinação divina. Nosso Deus,

que não saberia o que acrescentar.

aceitava. Mesmo porque em casa e

ele estava fazendo a mesma coisa:

revelado a nós por Jesus Cristo, é

E creio que traz o essencial sobre

na catequese havia coerência nas

queria colocar o mistério de Deus

uma comunidade de amor que nos

o tema e sobre a finalidade desta

respostas. Tanto os pais como as

dentro de sua cabeça. Quando

chama a participar de sua vida. Um

página do nosso Jornal do Meio.

catequistas mostravam por suas

vamos à praia nós entramos no

Deus que nos quer introduzir na

Como que fechando o ciclo pascal

atitudes que acreditavam naquilo

mar e ele nos envolve e nos dá o

alegria de sermos seus filhos e

(embora “oficialmente” ele termine

que ensinavam. Quando, depois,

prazer de vivenciá-lo com multi-

filhas. Ao descobrir essa alegria

em Pentecostes), a Igreja celebra

se dizia que Deus era uno e trino

formes sensações. Ao tentar falar

isso nos leva a comunicá-la aos

a festa da Santíssima Trindade.

(Pai, Filho e Espírito Santo) éra-

de Deus nós podemos construir

outros. Deus nos ama tanto que

Festa que entrou no calendário

mos colocados diante da palavra

imagens que são reflexo daquilo

no seu Filho se tornou um de nós

litúrgico por volta da metade do

mistério. O mistério da Santíssima

que somos. Por isso surgem ima-

e nunca mais se separou de nós.

daquele que nos criou à sua imagem

século XIV. Entrada tardia porque

Trindade. E lá se desdobravam as

gens de um Deus que castiga,

Deus não tem medo de misturar-se

e semelhança e nos predestinou a

havia - e continua havendo - a

catequistas a nos explicar como

que vigia, que persegue, que se

conosco. Ama-nos sempre. Com

ser filhos no Filho (Efésios 1,3ss.).

convicção que todo domingo é

um eram três e três eram um. A

vinga. Quando Jesus Cristo nos

um amor incansável.

É sempre tempo de encontrá-lo!

dia da Trindade. Porém, já que

tentativa de explicação é a tendên-

revelou que podíamos falar com

O Deus que cremos - Pai, Filho

Encerro esta reflexão, tomando, de

a festa existe, vale a pena fazer

cia de todos nós. Na história de

Deus chamando-o de Abbá - Pai,

e Espírito Santo - se revela a

novo, a palavra de Santo Agostinho

uma parada e rever a imagem

Santo Agostinho nos é oferecida

abre-se a oportunidade de desco-

nós como Amor (1ª João 4,8). E

como uma oração que deve estar

de Deus que nós temos e em que

a chave para crer no mistério tri-

brir a face verdadeira de Deus. Um

nisto nos revela que só na sua

sempre em nossos lábios e em

Deus nós acreditamos. Faço par-

nitário: o mistério não é para ser

Deus que no Antigo Testamento

convivência nos realizaremos

nosso coração: “Tarde te amei, ó

te dos cristãos que receberam a

enfiado em nossas cabeças. Nós é

se apresentara a Moisés como

plenamente. Recordo, novamente,

beleza tão antiga e tão nova, tarde

primeira catequese no modo de

que devemos mergulhar nele. Isso

clemente e cheio de compaixão,

com palavras livres a constata-

te amei! Eis que estavas dentro e

memorização. Uma das primeiras

nos é mostrado na experiência

paciente, misericordioso e fiel,

ção de Santo Agostinho: “Nosso

eu, fora. E aí te procurava e lançava-

perguntas do catecismo era: “Quem

singela - construção simbólica

que conserva a misericórdia até

coração vive inquieto enquanto

-me nada belo ante a beleza que

é Deus?” E toda a criançada (eu

trazida até nós - do encontro de

a milésima geração, que perdoa

não repousar em ti”. Só o Deus

tu criaste. Estavas comigo e eu

com seis anos) respondia: “Deus

Jesus menino com Agostinho numa

culpas, delitos e pecados (Êxodo

revelado por e em Jesus Cristo

não contigo... Agora anelo por ti.

é um espírito eterno, não criado,

praia. Ao ver o menino pegando

34,6). O v.7, que fala do castigo

é o Deus libertador. As outras

Provei-te, e tenho fome e sede.

perfeitíssimo, criador do céu e da

água do mar para colocar num

que filhos sofrem por erros dos

imagens de Deus aprisionam e

Tocaste-me e ardi por tua paz”!

terra!”. Deve haver mais algum

buraquinho Agostinho pergunta o

pais, é a afirmação das conse-

amedrontam. A missão, nestes

(Do Livro das Confissões de Santo

adjetivo que, agora, não estou

que o menino queria fazer. O garoto

qüências que acontecem a pessoas

tempos que nos levam a buscar os

Agostinho)

lembrando. Claro que para nós,

responde que queria colocar o mar

inocentes. É a constatação que

deuses do momento, é o anúncio

Mons. Giovanni Barrese

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Bragança Jornal Diário.


comportamento

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

3

Sob o domínio do inconsciente O modo “piloto automático’ rege nosso comportamento e quase todas as áreas da vida, reforça novo livro sobre os últimos estudos da neurociência

Por LILIANE ORAGGIO /FOLHAPRESS

Subliminar é o termo para qualificar ações, informações e sentimentos que ocorrem abaixo do limite da consciência e é também o título do novo livro do físico americano Leonard Mlodinow. Nesse novo best-seller, o autor de “O Andar do Bêbado” reúne pesquisas para atestar que até as escolhas e decisões que nos parecem mais objetivas são forjadas no inconsciente. Mais que isso, ele incita o leitor a dar mais crédito aos pressentimentos que surgem do “lado escuro da mente”. “Ex” lado escuro, melhor dizer. Na visão do físico, as tecnologias que permitem o mapeamento do cérebro vivo e em funcionamento estão mudando a compreensão sobre a atividade que ocorre abaixo da consciência. A existência de uma vida inconsciente paralela e poderosa não é novidade há mais de um século. A novidade é que agora ela pode ser medida “com algum grau de precisão”, como diz Mlodinow, que vê aí uma nova “ciência do inconsciente”. Para a maioria dos mortais, é difícil admitir que o inconsciente está no comando. “Somos tão frágeis que precisamos inventar justificativas lógicas para as escolhas”, afirma o analista junguiano Roberto Gambini, de São Paulo. “O melhor é aceitar que o consciente é permeado pelo inconsciente. E haverá sempre uma parte que vai permanecer misteriosa. Nem toda a tecnologia é capaz de mudar isso. Mas é possível diluir essas fronteiras e colocar essa capacidade de perceber o subliminar a nosso favor, quando prestamos atenção aos sonhos ou dedicamos um tempo para meditar.”

PALPITES

Cientistas que dirigem as pesquisas de ponta consideram que o “novo inconsciente” é totalmente enraizado em funções orgânicas e essa seria a chave para compreender as emoções humanas. Não há consenso sobre isso, naturalmente: “É absurdo pensar que entender as funções cerebrais é suficiente para lidar com os sentimentos”, diz Lídia Aratangy, psicanalista formada em biologia médica. Em um ponto os “psis” e o físico concordam: “O inconsciente é otimista”, diz Mlodinow. “Ele nos torna mais completos e aptos para seguir na evolução da consciência”, acredita Gambini. Aratangy completa: “Reconhecer os palpites do inconsciente pode nos ajudar a fazer escolhas melhores”. “Todos os nossos julgamentos são afetados por motivações subliminares’ Doutor em física e matemática, o americano Leonard Mlodinow se interessa pela mente humana e pelo acaso. Além de ensinar teoria da aleatoriedade no Instituto de Tecnologia da Califórnia, ele já escreveu roteiros para séries de TV como “MacGyver” e “Jornada nas Estrelas” e livros de divulgação científica que viraram best-sellers. Foi assim nos casos de “O Andar do Bêbado” e “Uma Nova História do Tempo” esse em parceria com Stephen Hawking. Em “Subliminar” (Ed. Zahar), lançado neste mês no Brasil, Mlodinow, 59, reúne dezenas de experimentos para dizer que somos comandados por dois cérebros: o consciente, que responde por 5% da capacidade cognitiva, e o inconsciente, que dá conta dos outros 95%. Os dois cérebros atuam juntos para garantir desde a mais básica sobrevivência até a escolha de um bom vinho. Nesta entrevista por e-mail, o autor tenta explicar como aquilo que não percebemos afeta as nossas escolhas. Jornal do Meio - Como o inconsciente comanda nossa vida? Leonard Mlodinow - O inconsciente governa o nosso coração, os movimentos, a visão e a audição e nos permite andar, falar e reagir sem parar para pensar a cada palavra ou movimento. Só os humanos têm essa capacidade bem desenvolvida, e os cientistas não sabem por que é assim. Todos os julgamentos são afetados por sentimentos que não percebemos. JM - O senhor diz no livro que processos como percepção ou julgamento são comandados por estruturas cerebrais separadas da consciência. Como sabemos isso? Por meio dos recentes avanços da neurociência nós sabemos que essas estruturas são inerentes à mente inconsciente e inacessíveis à mente consciente. Estão conectadas e todo o trabalho é feito em conjunto para criar uma experiência da realidade em termos físicos e em termos das relações sociais. JM - Pode dar um exemplo de como a razão sai de campo na hora das decisões? Em um estudo feito em um supermercado da Inglaterra, dispuseram nas prateleiras vinhos franceses e vinhos alemães. Música francesa e alemã eram alternadas no alto-falante. Nos dias com trilha sonora francesa, 77% dos vinhos escolhidos eram franceses; nos dias de hits germânicos, 73% das garrafas vendidas eram da Alemanha. Mas só um em cada sete consumidores declarou ter sido influenciado pelo som.

JM - E na hora de escolher parceiro, o inconsciente comanda? Isso é um pouco mais complicado. Existem elementos sutis. Por exemplo, o rosto ou a voz da pessoa nos parecem familiares. Pode ser um sorriso ou músculos bem torneados. Experimentos mostram que o nome de uma pessoa pode influenciar o coração, caso ele combine com o nosso. Em questões financeiras também acontece: em Wall Street, ações com nomes fáceis de pronunciar são mais procuradas por investidores. JM - Assumir que somos guiados pelo subliminar nos torna mais ou menos lúcidos? Quanto mais compreendermos as motivações subliminares, melhor nossa mente consciente poderá fazer julgamentos acertados. JM - De que maneira a compreensão da fisiologia do cérebro ajuda a lidar com medo, raiva? Quando encontro algo perigoso no ambiente um animal feroz, uma pessoa agressiva imediatamente isso é registrado pelo inconsciente e o corpo responde com mudanças no nível de adrenalina ou na pulsação. Essa resposta acontece em grande parte na região do cérebro chamada amígdala. A mente consciente percebe a resposta corporal um ou dois segundos depois e leva isso em conta para interpretar o que está acontecendo. Depois disso percebemos que estamos sentindo é medo. Com a raiva é semelhante. Outras emoções menos primárias como angústia ou embaraço funcionam de um modo um pouco mais complicado mas, basicamente, é o mesmo mecanismo. Essa maneira de sentir é útil para tomar a atitude necessária rapidamente, deixando para pensar sobre o ocorrido depois. JM - O senhor diz que não choramos porque nos sentimos tristes, mas, ao contrário: tomamos ciência de que estamos tristes porque choramos. Fingir um sorriso pode, de fato, despertar um estado feliz? Há muito tempo os professores de ioga dizem: “Acalme seu corpo, acalme sua mente”. A neurociência social, agora, dá evidências disso. De fato, estudos sugerem que assumir o estado físico de alguém feliz pode fazer você se sentir mais feliz. JM - Nessa era do ‘novo inconsciente’, o divã nada pode? Tanta gente faz anos de psicanálise e não chega a lugar algum. Claro, Freud teve o mérito de ter descoberto o inconsciente usando métodos imprecisos, o que produziu um conhecimento difuso, mas, mesmo assim, a origem das emoções permaneceu obscura. Hoje, o intercâmbio entre neurociência e psicologia experimental e os avanços da tecnologia nos permitem, pela primeira vez, construir uma ciência do inconsciente. Subliminar - Como o Inconsciente Influencia Nossas Vidas Leonard Mlodinow Editora Zahar Quanto R$ 39,90 (304 págs.)

Trechos

Se você quer entender o mundo social, se quer mesmo entender a si e aos outros e deseja ser capaz de superar muitos obstáculos que o impedem de viver uma vida plena e mais rica, precisa entender a influência do mundo subliminar que se esconde em cada um de nós. A noção de que não estamos cientes da causa de parte do nosso comportamento é difícil de aceitar. Embora Freud e seguidores acreditassem nisso, entre os cientistas, até há pouco, a ideia de que o inconsciente é importante para o comportamento era descartada como psicologia popular.

Opinião: Escreveu, não leu...

Todas as grandes figuras do pensamento geram uma mitologia em torno do que escreveram e são citadas de maneira im-

pressionista por aqueles que não as leram. Freud parece ter um lugar de destaque nessa galeria. Desperta ódio entre feministas e preconceitos variados.Mas há conceitos seus que são alvos especiais do “achismo” baseado no ouvir falar, entre eles o do inconsciente. Enquanto a coisa se dá como palpite de botequim, a liberdade de expressão a protege. Mas, quando a distorção sai escrita por “sábios”, aí é preciso dizer umas coisas em nome do velho professor. Eu sei como termina a frase do título, mas ouvi um final mais engraçado para ela: “Escreveu, não leu... é analfabeto funcional”. Tal condição poderia se aplicar a quem escreve que o inconsciente descrito por Freud é lúgubre e doentio. Ou a quem escreve, como se fosse novidade, que 90% do q ue fazemos não se origina na consciência. Ora, Freud nos descreveu como alguém montado a cavalo (o cavalo seria o inconsciente). O cavaleiro pode ter a impressão de que está no comando, mas é frequente que o cavalo tenha ideias próprias e a direção mude. Ele descreveu três instâncias para além do que percebemos de forma consciente: 1. O grande oceano inconsciente do “id” (a boa tradução do alemão “das es” seria “algo em nós”, como na frase “algo em mim me diz que...”), onde mora o motor de nossos atos chamado “desejo”, emaranhado de memórias com instintos animais primitivos cuja maior ordem é procriar (daí dizerem que Freud só pensava “naquilo”). 2. O inconsciente reprimido pelo superego (programa que nos critica e censura, além de estabelecer ideais inalcançáveis se alimentado por nossa criação nesse sentido), onde moram impulsos considerados proibidos. Exemplo: o desejo exibicionista, que faz parte do sexual, pode ser visto como errado e virar timidez. Esse inconsciente, sim, é causador de doenças, pois a timidez pode se tornar fobia social. 3. O pré-consciente. Esse guarda memórias e percepções que não estão na tela consciente no momento, mas podem entrar nela. Exemplo: o que você comeu no jantar? Agora que perguntei, a memória saiu do pré-consciente e se tornou consciente. Mulheres costumam levá-lo a sério, são capazes de dizer “ele está me traindo” porque perceberam que o marido saiu com um nó duplo na gravata e voltou com um nó simples (“em algum momento ele tirou a roupa”). É o mesmo que nos diz para não comprar carro usado de certos ministros de Minas e Energia, só de olhar para a cara deles. Portanto, se vai publicar algo sério sobre alguém, é melhor ler antes. Francisco Daudt é psicanalista e médico

Trechos

O inconsciente divisado por Freud, nas palavras de um grupo de neurocientistas, era “quente e úmido: fervilhava de ira e luxúria; era alucinatório, primitivo e irracional”, enquanto o novo inconsciente é “mais delicado e gentil que isso e está mais ligado à realidade”. Nessa nova visão, os processos mentais são considerados inconscientes porque há parcelas da mente inacessíveis ao consciente por causa da arquitetura do cérebro, não por estarem sujeitas a formas motivacionais, como a repressão. A inacessibilidade do novo inconsciente não é vista como um mecanismo de defesa ou como algo não saudável. É considerada normal. A mosca-das-frutas e a tartaruga estão no nível mais baixo na escala de potência cerebral, mas o papel do processamento automático não se limita a essas criaturas primitivas. Os seres humanos também desempenham inúmeros comportamentos automáticos, mas tendem a não perceber isso porque a interação entre nossa mente inconsciente e a consciente é muito complexa.

Os três cérebros


4

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

colaboração SHEL ALMEIDA

Sempre que um crime de grande repercussão envolve adolescentes, vem à tona a questão da maioridade penal. Recentemente aconteceram dois casos que reacenderam o debate: o do jovem estagiário de jornalismo que foi morto em um assalto em frente ao condomínio onde morava e o da dentista que foi queimada pelos bandidos durante um roubo. No calor do momento a população fica indignada e clama por justiça, pedindo por soluções rápidas, principalmente em casos mais sérios como esses, que terminaram em assassinatos. Hoje, numa parte ainda pequena dos crimes há o envolvimento de adolescentes. Sabendo como a lei funciona no caso de menores infratores, aparentemente gerando impunidade, é comum que os adultos criminosos busquem conquistar os mais jovens, oferecendo-lhe uma “oportunidade” que muitos não encontram de outra forma. E é justamente essa falta de oportunidades a grande questão em torno da discussão. Quem é a contra a redução da maioridade penal diz que, se todos os jovens recebessem iguais oportunidades de emprego e educação, muitos, jamais entrariam para o crime. Por outro lado, quem é a favor da redução diz que vários jovens não têm oportunidades e nem por isso se tornaram criminosos. O fato é que, em muitos casos, o crime não só é a única oportunidade, como também se torna uma necessidade. Todos nós sabemos que o Brasil é um país socialmente desigual e que a má distribuição de renda favorece o aumento da criminalidade. Ou seja, a solução não é tão simples quanto parece. Se a maioridade penal vier a ser reduzida no país, ainda assim será necessário que outras medidas sejam tomadas para que se consiga restringir o avanço da criminalidade. Mas, para se enfrente a criminalidade, a violência em todas as suas formas, não é apenas mudança legislativa que se deve buscar. São necessárias mudanças de comportamentos, de convicções sociais. O problema é conjuntural e não é o mundo do direito que poderá, sozinho, solucionar a questão. Além disso, é preciso, também, que o Estado seja capaz de oferecer moradia, educação e saúde de qualidade para toda a população. É comprovado que, em outros países onde há estatísticas sobre número de homicídios, quanto maior a taxa de desigualdade social, maior também a violência. Se quisermos que a criminalidade diminua no país, precisamos lutar contra a desigualdade.

Diferenças sociais Para o Desembargador Miguel Brandi, o primeiro problema sobre a redução da maioridade penal é que o assunto sempre entra em debate por um pe-

ríodo, quando algum crime mais sério Adolescentes em Conflito com a Lei’, acontece, mas logo depois é esquecido. traçado pelo Conselho Nacional de “Não se pode tratar disso no calor do Justiça, o roubo e o tráfico de drogas momento. Precisamos prestar atenção representam 60% das infrações que para não agirmos com insensibilidade e levam os jovens ao cumprimento de nem usarmos do populismo penal para medidas socioeducativas. E de acordo encontrarmos soluções rápidas. A so- com o último censo realizado na Funlução não virá só de uma lei repressora. dação Casa, existem mais adolescentes Precisamos discutir com sinceridades de classe média cumprindo medidas as estruturas sociais. Os protestos socioeducativas, principalmente por acontecem no calor da emoção, mas tráfico. Além disso, 78% dos menores nem todos estão comprometidos com infratores internados na capital paua questão pública, falta interesse para lista são de famílias que possuem casa se levar o debate própria, o que adiante”, analisa. demonstra “A solução não virá só de uma lei De acordo com o a existência repressora. Precisamos discutir Desembargador, de certa escom sinceridades as estruturas ... as diferenças trutura sosociais. Os protestos acontecem sociais voltam a cial nessas aparecer de acordo familias. No no calor da emoção, mas nem com quem tenha entanto, aintodos estão comprometidos com cometido o crime. da de acordo a questão pública, falta interesse “Quandoumjovem com o perfil para se levar o debate adiante”. de classe média traçado pelo está envolvido CNJ, entre os Dr. Miguel Brandi em um crime, ele jovens reiné problemático cidentes, a ou cometeu um erro. Quando esse prática de homicídio foi três vezes jovem é de classe social mais baixa, superior à verificada entre aqueles ele é visto como criminoso ou menor que cumpriam a primeira internação, infrator”, diz. Essa é mais uma amostra aumentando de 3% para 10%. E de da dimensão do problema. As raízes acordo com a Secretaria de Segurandesse grave problema social não estão ça Pública, o número de adolescente na Constituição ou no estatuto da apreendidos pela polícia no Estado Criança. A alteração desses textos de São Paulo mais que dobrou nos legais não será, portanto, a “solução últimos dez anos, registrando um mágica” do problema. aumento de 138% entre 2002 e 2012. Além disso, Dr. Miguel explica que, Esse percentual é ainda três vezes para a maioridade penal ser mudada de fato é preciso que antes se percorra algumas instâncias. “A mudança depende de alteração constitucional. É mais complicado do que mudar uma lei; será necessária a aprovação de uma PEC”, fala. Para alguns analistas, a maioridade penal é protegida como “clausula pétrea” da Constituição, tornando-se, assim, impossível de ser alterada por emenda constitucional. As chamadas “cláusulas pétreas” são as questões imutáveis na Constituição.

maior do que o registrado entre os maiores de idade presos no mesmo período, que é de 48%. Como maneira de driblar a proibição constitucional de reduzir a maioridade penal, o Governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmim propôs expandir de 3 para 8 anos o tempo máximo de internação do menor que cometer crime hediondo como homicídio qualificado ou estupro. De acordo com o projeto, apresentado formalmente na Câmara pela Deputada Andreia Zito, do Rio de Janeiro, o infrator poderá ficar internado até os seus 26 anos. O texto mantém em três anos o período máximo de reclusão para crimes como furto ou roubo. Ainda de acordo com texto, ao completar 18 anos, os jovens sairiam dos centros socioeducativos de internação e iriam para um regime especial de atendimento, que precisa ser instituído. O regime especial seria um meio termo entre os atuais centros de internação para menores infratores e os presídios para maiores de 18 anos. Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente determina a liberação compulsória aos 21 anos de idade, independente do crime cometido. O projeto prevê também mudanças no Código Penal, para que a participação de menores de 18 anos em crimes seja incluída como agravantes de pena aos maiores participes. Atualmente, o Código Penal prevê 11 agravantes como crime contra pais, filhos, irmãos ou cônjuges ou por motivo fútil.

Mudanças De acordo com Dr. Miguel, não são poucas as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente que visam coibir e punir os crimes (atos infracionais, como são chamados) cometidos por menores. “Não é verdade que existe impunidade generalizada. A internação tem sido usada em grande escala. Além disso, houve uma mudança recente na lei de combate à corrupção de menores, uma forma de tentar coibir que adultos criminosos tentem influenciar adolescentes a participar de crimes. Mesmo com esse crescimento da delinquência juvenil, e dos homicídios envolvendo menores terem grande repercussão, uma maioria ainda está internada por envolvimento com drogas”, fala. Segundo o ‘Perfil dos

De acordo com Conselho Nacional de Justiça, a prática de homicídio foi três vezes superior à verificada entre o menores que cumpriam a primeira internação, aumentando de 3% para 10%


Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

5


6

Seu sorriso COM saúde

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

Implantes osseointegráveis

informe publicitário

Uma ótima opção

Os implantes osseointegráveis são, sem dúvida, atualmente o melhor meio de se substituir um elemento dentário. Totalmente aceitos pela comunidade odontológica, esses dispositivos, tornaram-se com o passar dos anos acessíveis a grande parte da população. São indicados a pacientes portadores de ausências dentárias ou que precisem substituir um dente com problemas irrecuperáveis. Sendo um pequeno parafuso produzido industrialmente em uma liga na qual o componente titânio (ti) predomina quase que totalmente, têm a capacidade de integrar-se aos tecidos ósseos dos arcos dentários de forma definitiva, ou seja, depois de cicatrizado, sua remoção torna-se muito difícil e portanto, suporta as pesadas cargas mastigatórias, participando da mastigação como um dente natural, sendo esta a sua principal vantagem. Com o passar dos anos os implantes têm sofrido remodelações nas suas superfícies de contato com o osso, bem como nos encaixes com os elementos dentários protéticos. Tais mudanças têm permitido melhoras na osseointegração (integração dos implantes com o osso alveolar) e também melhoras na estética gengival ao redor desses implantes. Os profissionais habilitados em instalar esses dispositivos devem estar também preparados para trabalhar com tecidos que irão participar de sua fixação e proteção, ou seja, a

extensão de seus conhecimentos deve abranger tecidos ósseos e gengivais, pois um implante mal posicionado poderá acarretar danos não apenas estéticos como também funcionais. O sucesso dos implantes dentários não depende somente de boas marcas fabricantes dos parafusos, depende também de bastante perícia profissional e de trabalhos protéticos realizados com materiais nobres. A cirurgia para a instalação de um implante é um procedimento bastante suave ao paciente e o pós-operatório geralmente á acompanhado de medicações, o que o torna praticamente imperceptível e sem desconfortos. Em determinados casos os dentes podem ser instalados imediatamente após a instalação óssea dos implantes, mas essas situações devem ser muito bem avaliadas previamente, pois existem riscos maiores de perdas desses implantes. A situação mais confortável e com maiores chances de sucesso, são aquelas em que o paciente após colocar seu implante espera por um período de dias para a instalação da prótese (dente). Se você é uma pessoa que necessita do tratamento dentário com implantes, não se esqueça de buscar por um Implantodontista que se dedique a esta especialidade e tire suas dúvidas. Dra. Mariana Martins Ramos Leme CRO/SP: 82.984 Especialista em Periodontia.

COM - Centro Odontológico Martins Dra. Luciana Leme Martins Kabbabe CRO/SP 80.173 Dra. Mariana Martins Ramos Leme CRO/SP 82.984 Dra. Maria de Fátima Martins Claro CRO/SP 18.374 Dr. Luis Fernando Ferrari Bellasalma CRO/SP 37.320 Dr. André Henrique Possebom CRO/SP 94.138

Dra. Juliana Marcondes Reis CRO/SP 70.526 Dra. Helen Cristina R. Ribeiro CRO/SP 83.113 DR. Luis Alexandre Thomaz CRO/SP 42.905 Praça Raul Leme, 200 – salas 45/46/49 Edifício Centro Liberal. Telefones: 11 4034 – 4430 ou 11 4034 – 1984

teen

Gata contra zumbi “Resident Evil”, melhor série de filmes baseados em games, sai completa em box

por THALES DE MENEZES /FOLHAPRESS

Paul W.S. Anderson põe sua mulher para enfrentar monstros apavorantes. “Atirar minha mulher aos zumbis deve ter algum efeito psicológico bom na nossa relação”, brinca o diretor inglês em entrevista ao jornal, por telefone. “Eu me vingo de coisas que ela faz e que me irritam.” “Ela” é Milla Jovovich, atriz e modelo ucraniana que desde 2002 dá vida à bela Alice, heroína que saiu dos games “Resident Evil” para a franquia de cinema homônima. Chegou nas lojas uma caixa de Blu-ray com com os cinco filmes da série. É a mais bem-sucedida adaptação de um game para o cinema. Os cinco longas arrecadaram nas bilheterias do mundo todo US$ 880 milhões (cerca de R$ 1,75 bilhão). Detalhe: cada filme fez mais dinheiro do que o anterior. “Está ficando melhor, sem dúvida. Como os zumbis. A cada filme eles ficaram mais espertos. Nos primeiros, eram como aqueles do George Romero [diretor das antigas especializado em filmes de mortos-vivos], andavam devagar, eram lentos. Em Resident Evil: Retribuição’, o quinto filme, eles pilotam carros e usam armas”, conta. Essa “evolução” dos zumbis é explicada por Anderson. “A cada edição do game ou do filme, é um novo tipo de vírus que ataca a humanidade e cria os zumbis. E os cientistas que desenvolvem a coisa se aprimoram sempre.” O diretor, que fez outra boa adaptação de game, “Mortal Kombat”, diz que acertou nesse gênero em que outros

falharam (“Tomb Raider”, “Doom”) porque adora os games. “Tenho liberdade para inovar, mas mantenho as características básicas do jogo, porque sou viciado nele.” Ele diz que “Retribuição” é o início do fim. “Vamos acabar a brincadeira no sexto.”

Foto: Divulgação/Folhapress

Resident evil - a coleção Rodrigo salem - enviado especial a cancún

produção Paul w.s. anderson distribuidora Fox-Sony Pictures quanto R$ 200 (box de Blu-ray) “Decidi me livrar do aspecto de mãe”, diz a atriz Milla Jovovich Nestes dez anos em que protagoniza a série “Resident Evil”, Milla Jovovich, 37, casou, engravidou e teve uma filha, Ever, 5. Pouco antes de filmar “Retribuição”, sua quinta aparição como Alice, a sensual matadora de zumbis, Milla tomou uma decisão. “Decidi me livrar do aspecto de mãe”, conta a atriz. A ex-modelo dedicou-se ao tae-kwon-do e entrou em um regime. “Fiz dieta, corri para a academia e cortei o cabelo.” Em “Retribuição”, o esforço é visível. Milla veste uma roupa de couro apertada, tem cenas de ação de fazer inveja a muito marmanjo e mata zumbis de maneiras diferentes e sangrentas. “Eu estava mais focada e sei como devo agir nestes filmes. Mesmo não sabendo nem ligar um PlayStation 3, sonho com zumbis há dez anos”, brinca. Rodrigo Salem viajou a convite da Sony Pictures.

A atriz MIlla Jovovich em cena de “Residente Evil: Retribuição”


Reflexão e Práxis

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

7

Burocracia

Por pedro marcelo galasso

Isto é expresso em favores e concessões que os burocratas podem oferecer a determinados setores sociais. O que parecia ser pernicioso para o próprio desenvolvimento da burocracia torna-se mais um componente que a incrementa, na medida em que a burocracia penetra em toda estrutura social ainda que seja somente mais um de seus componentes. O que é normalmente esquecido, ou melhor, ocultado, é que a própria esfera burocrática é parte constitutiva desta esfera de interesses possuindo algumas das características humanas que movem o sistema sendo estas a objetividade, ou efetividade, e a subjetividade daqueles que defendem interesses particulares e sustentam as relações sociais de produção a que estamos submissos. O caráter desumanizador que move a sociedade atual não significa a total supressão

O caráter impessoal e despersonificado que sustenta a burocracia permite que o poder político ou econômico mova-se para aqueles indivíduos que constituem seu quadro hierarquizado de pessoal. Portanto, é legítimo perguntar até que ponto a burocracia tira a subjetividade das pessoas ou se, ao contrário, permite que a subjetividade seja mantida ao transferir ao indivíduo uma pequena parcela de poder que permita à estrutura burocrática funcionar nas esferas pública e privada. Os problemas surgem quando os interesses de grupos particulares formam um círculo vicioso que passa a constituir a estrutura burocrática dando-lhes uma agilidade que vai além da própria estrutura burocrática, permitindo o seu controle e manipulação em determinados pontos tidos como inflexíveis dentro desta mesma estrutura.

dos seres humanos, que são desprezados em sua essência humana, mas não de suas características objetivas e subjetivas, porque senão o sistema não poderia se constituir sem os que o sustentam. A falta de responsabilidade e de interesse pela nossa vida social é reforçada pela impotência enquanto sujeitos históricos, nos privando de referências a nós mesmos porque nos tornamos o meio mais eficiente de desenvolvimento dos meios sociais do capital, que atendem e encerram-se em si mesmos em sua constante reprodução de interesses particulares. Reproduzimos, portanto, constante e incessantemente os nossos próprios meios de repressão e aqui tentamos afirmam nossa individualidade e liberdade. Assim como o espaço e o tempo, o próprio ser humano se torna algo pensado a partir de convenções sendo tratado a

partir destas últimas. Aqui só é possível haver diversidade porque somos tratados formalmente como seres humanos; a alteridade deixa de ser possível porque aspectos culturais, sociais, econômicos e políticos são considerados somente para serem homogeneizados. Hoje, o processo burocrático-ideológico é um processo de homogeneização das esferas sócio políticas sob o domínio dos interesses econômicos. Exemplo claro desta ideia será visto nas próximas eleições presidenciais e no massacre econômico e de propagandas eleitorais que inundarão nosso imaginário eleitoral, promovidos pelo PT e PSDB. E que vença o melhor! Para quem? Pedro Marcelo Galasso - cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com

saúde

Mais potássio na dieta

reduz risco de derrame Resultado é de revisão de estudos commais de 130 mil pessoas; frutas e legumes frescos são as principais fontes

Por DÉBORA MISMETTI /FOLHAPRESS

Um incremento no consumo de frutas e legumes frescos e uma redução na ingestão de alimentos industrializados pode aumentar a presença do potássio na dieta e levar a uma redução de 24% no risco de derrames cerebrais na população. Hoje, a doença é a principal causa de morte e incapacidade no Brasil. A indicação vem de uma grande revisão de estudos liderada por pesquisadores da OMS (Organização Mundial da Saúde) e publicada no “British Medical Journal”. O trabalho envolve dados de quase 130 mil pessoas saudáveis e mostra que, entre as que consumiam mais potássio (de 3,5 g a 4,7 g por dia), o risco de derrame era 24% menor do que no grupo

que ingeria menos desse nutriente. O potássio é essencial para o funcionamento celular e serve como contraponto à ação do sódio, componente do sal fortemente ligado à hipertensão, que é fator de risco para derrames e outras doenças cardiovasculares. O trabalho sobre potássio, assinado por Nancy Aburto, do Departamento de Nutrição para a Saúde e o Desenvolvimento da OMS, é acompanhado por outras duas revisões de estudos a respeito do efeito de reduções do consumo de sódio na pressão. Que cortar o sal da dieta ajuda a controlar a pressão é mais do que sabido. O que ainda se discute são as metas ideais de consumo diário e como implementá-las. Hoje, a OMS recomenda até 5 g de sal

por dia v o equivalente a 2 g de sódio. De acordo com o trabalho liderado pelo pesquisador Feng He, da Universidade de Londres, levar o consumo de sal dos atuais 9 g a 12 g observados em média na população para 5 g já teria um grande impacto, mas um corte mais radical, para 3 g, seria ainda melhor para o controle da pressão arterial. “Essa é uma ótima meta, mas muito difícil de cumprir”, afirma o nutrólogo e cardiologista Daniel Magnoni, diretor de nutrição do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. “Os alimentos industrializados não estão prontos para isso nem as pessoas.” O governo brasileiro estabeleceu metas de redução de sódio para os alimentos industrializados, mas o acordo foi visto

como tímido por alguns especialistas.

Dia da saúde

O controle da pressão arterial foi o tema escolhido pela OMS para o Dia Mundial da Saúde, no próximo domingo. Hoje, no Rio, a Federação Mundial do Coração vai discutir o cumprimento dos objetivos da OMS de redução de 25% da mortalidade por doenças crônicas até 2025. “Queremos a adesão do Brasil a esses objetivos”, afirma Johanna Ralston, diretora-presidente da federação. Também será lançado um aplicativo de celular (Pontuação Digital da Saúde) que avalia o risco de desenvolver doenças crônicas.


8

Nossas Escolhas

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

Doentes de alma

Sabe aquele dia que acordamos e parece que tudo está girando contra, parece que estamos tomados por algum monstro? por Felipe Gonçalves Qualquer um de nós, vez ou outra na vida, somos tomados por um lado sombrio que torna tudo cinza ao nosso redor, quando isso acontece, é como se tivéssemos doentes de alma, enxergando sempre o pior de cada situação, nesse panorama sombrio, nos sentimos aprisionados, encurralados, como se na vida não houvesse saída. Ficamos paralisados naquele lugarzinho apertado dentro de seu próprio sistema de crenças, todos nós temos abomináveis monstros dentro de nós, muitas vezes ficam lá, bem quietos, de forma a nunca suspeitarmos da sua existência, no entanto, basta um olhar mais atento e seremos capazes de encontrar o terrível monstro que congela nossos sentimentos, endurece nossa pele e rouba nossos corações. Alguma vez você já se sentiu meio morto por dentro? Amortecido ? Como se já não fosse capaz de sentir nada ? Como se nada na vida pudesse tocar você ? Nem a música mais linda?... Nem as pessoas que você acreditava amar? Eu não acredito que esses abomináveis monstros da neve nasçam conosco... Não ! Eles vão se formando aos poucos, na medida em que vamos lhes fornecendo o gelo de que é feito seu corpo, cada vez que nos sentimos vítimas da vida, cada vez que deixamos de acreditar em nós mesmos, cada vez que deixamos de acreditar nas pessoas.....a cada decepção...a cada frustração....... vamos pouco a pouco dando forma ao monstro sem nem mesmo nos dar conta de que somos seus criadores. Uma pessoa mente para nós e já não acreditamos que a verdade exista... Uma pessoa nos fere, e mergulhamos em nosso gélido poço de lamentação pessoal, congelando uma parte de nosso coração... Uma pessoa vai embora e passamos a ter a fria certeza de que seremos sempre abandonados. Assim, pouco a pouco, vamos nos tornando céticos, frios, distantes, vamos tolhendo os movimentos espontâneos da criança cheia de vida que pulsa em nosso íntimo, mandamos que ela se aquiete, muitas vezes ficamos raivosos com ela e a aprisionamos em um cantinho qualquer lá dentro de nós. Aos poucos as cores vão indo embora... nada de azuis, amarelos ou laranjas... Nada de canções, músicas, brincadeiras, nada de sorrisos, nada de fogueiras quentinhas. Vamos nos tornando amargos, desconfiados... e assim, pouco a pouco, vamos moldando nossos abomináveis monstros. Muitas vezes quem nos olha de fora nada percebe, a não ser um certo distanciamento. Não fazem idéia do que está se passando dentro de nós, outras vezes nem mesmo nós percebemos o que fazemos, tal a inconsciência na qual vivemos e aos poucos nos afastamos das pessoas,

nos isolamos, nos escondemos. Congelamos por dentro. E sabe o que acontece quando congelamos por dentro? Paramos de sentir dor, paramos de ter sentimentos.... E se nada sentimos, facilmente ferimos a nós mesmos, ou aos outros. Não que sejamos “maus”... é apenas uma incapacidade de perceber as consequências de nossas ações. Olhando de fora vemos que existem sim saídas, e percebemos que as coisas não são tão cinzas como parece. Mas, por mais que tentemos aliviar o peso da situação ou sugerir caminhos para uma melhora, a pessoa parece não ser capaz de enxergá-los, responde sempre com um “mas”, seguido de uma justificativa que inviabiliza a solução. É como se, de alguma forma, ela quisesse permanecer lá, naquele lugar horrendo de dor e frustração. E nós, que tentamos exaustivamente ajudar, acabamos por nos sentir frustrados e muitas vezes acabamos por desistir de ajudar como se a pessoa fosse um saco sem fundo. Sabemos que para sair desse buraco é necessário que se mantenha o equilíbrio, que se tenha paz para raciocinar com clareza, que se tenha atenção para pescar uma solução criativa nesse rico mar que é nosso inconsciente, cheio de belezas e tesouros. É preciso compreender que de nada adianta sobrecarregar a própria vida com esse peso mortal que destrói a leveza das ideias, que afasta de nós toda a alegria e o encantamento. Quando tornamos tudo sério e grave dentro de nós, acabamos por projetar essa carga ao nosso redor, e logo nos percebemos rodeados por uma sensação densa e ruim, oprimidos e esmagados por uma realidade que nós mesmos criamos. Logo estamos nos sentindo completamente desesperançosos, impacientes com tudo e com todos, nos tornando parecidos com máquinas ambulantes produtoras de reclamações e mau humor. O brilho de nossos olhos se apaga e ganhamos uma espécie de peso, como se estivéssemos atados a enormes bolas de ferro que nos prendem cada vez mais ao chão, nos afastando do suave mundo onde pulsam infinitas soluções criativas, nos afastando daquela camada sutil cheia de novas ideias que flutua leve, bem acima de nossas cabeças e que poderia nos tirar desse estado incômodo e assustador. Se ao menos fôssemos capazes de olhar para cima, se parássemos de, obsessivamente, catalogar as pedras e obstáculos ao nosso redor, enxergaríamos saídas, seríamos ajudados a flutuar e, como leves pássaros, seríamos soprados em direção a outras realidades, mais amenas, mais gentis, mais livres. Se você quer mudar sua vida, precisa concordar em abandonar essa atitude que tem mantido você atado a uma vida que não lhe traz felicidade, não importa o que você tenha criado em

sua vida, a solução reside em uma palavra: desapego. Você não pode mudar o passado, mas pode se desapegar dele, deixá-lo para trás, não perca tempo tentando entender, catalogando tudo, ou recriminando a si mesmo pelas escolhas errôneas que fez em sua vida. Isso de nada ajuda! Foque-se completamente no presente, seja amoroso e compassivo para

com seu próprio. Perdoe as atitudes que tenha tomado e que lhe tenham feito mal. Olhe para o novo e permita-se construir uma nova realidade onde se sinta mais leve. O mundo terá a gravidade que você decidir lhe dar. Você não precisa mudar o mundo. Mude a si mesmo, e o mundo se transformará antes que você consiga compreender como isso

pode ter acontecido. Tenha uma boa vida ! Felipe Gonçalves Graduado em Química, MBA em Supply Chain, Especialização em Desenvolvimento de Líderes, Mestrando em Engenharia Química, Profissional Corporativo e Professor Universitário. E-mail: felipe.goncalves@usf.edu.br


Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

SPASSU da Elegância

O Colorido das Noivas Por Ana Carolina Serafim e Nazaré Brajão

A moda noiva está ficando mais aberta: agora a onda é usar sapatos de noiva coloridos. Seja ele de cor bem forte, para causar aquele impacto, como o rosa ou vermelho, ou uma cor mais tímida, como pêssego, rosa bebê ou dourado, o sapato de noiva colorido deixa o visual alegre e muito mais despojado. Dá um toque de modernidade ao vestido de noiva! Tem que ter coragem e um estilo que combine com essa escolha. Se você se enquadra neste perfil, veja nossas idéias de sapatos coloridos para a noiva. E se gostar, use sem medo! Cores fortes: rosa choque, azul turquesa, azul anil, verde folha, roxo, berinjela e amarelo. Cores discretas: rosa bebê, azul bebê, dourado, nude, rosa antigo, champagne. Para usar o vestido de noiva com sapato colorido o ideal é que o vestido de noiva seja levemente mais curto, para que o sapato apareça não só quando a noiva estiver sentada. O sapato colorido deve combinar com o buquê, caso seu buquê de noiva seja de uma cor que chame a atenção. Rosa com rosa (não precisa ser a mesma tonalidade, variedades de tons caem bem no visual), vermelho

com vermelho e assim por diante. Mas o sapato colorido combina também com um buquê de noiva branco. O sapato de noiva colorido já chama bastante atenção; não exagere nos outros detalhes como jóias e adereços. Além do toque de personalidade, a cor diferenciada do sapato pode entusiasmar ainda mais a noiva. Recomendamos às noivas investir em um sapato que além de superconfortável, é lindo e que ela poderá usar em outras ocasiões depois do casamento. Será uma ótima lembrança! Mande suas sugestões para nosso e-mail, spassuplazanoivas@yahoo. com.br Podemos auxiliá-los em suas dúvidas! Acesse nosso Facebook: Spassu Plaza. Ou se preferir, venha conhecer nossa loja, estaremos prontas para atendê-los.

9


10

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013


Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

Foi com enorme prazer que fotografei o casamento desse lindo casal Luana e Thiago. Duas pessoas apaixonadas com uma linda história de amor que resultou, neste dia maravilhoso, a realização de um grande sonho. Luana é um doce de pessoa que conheço há algum tempo. Tive o prazer de fotografala nos seus 15 anos e agora, com muita alegria mais um momento especial na sua vida. Thiago, um verdadeiro “gentleman”, sempre cercando Luana com muito carinho. Aliás, lembro me de que quando conversamos sobre o casamento há mais de um ano atrás o quanto eles estavam se dedicando para que esse dia fosse inesquecível. A cerimônia aconteceu no sofisticado Espaço Bartô lindamente decorado e preparado para o Grande Dia. Luana estava acompanhada pela mãe Eleonora que carinhosamente cuidava para que tudo saísse de acordo com o sonho da filha. Num dado momento chegaram as madrinhas da noiva e aproveitamos para fazermos um brinde ao Grande Dia. A cerimônia foi maravilhosa tudo com muito amor e carinho, seus amigos e familiares se emocionaram com eles. Após prometerem amor pra toda a vida o casal trocou as alianças num clima muito carinhoso e feliz. Na saída os dois passaram pelo corredor sob os aplausos dos convidados. Foi lindo! Na sequência seguimos para o belíssimo salão principal onde o casal ofereceu uma recepção maravilhosa com muita música e diversão para os convidados. Tudo preparado com muito bom gosto e sofisticação. A festa entrou madrugada a dentro e todos se divertiram na pista de danças com o casal. Mais um dia que guardo com muito carinho.

11


12

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013


veículos

veículos

Caderno

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

13


14

veículos

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

De visual renovado, Renault Clio usa a matemática para seduzir público jovem por Michael Figueredo/Auto Press

O Clio resiste ao tempo. Mas para isso, o modelo da Renault tem se revinventado de tempos em tempos. A função inicial, em 1999, foi atacar o miolo do mercado, no segmento de compactos. E conforme os anos foram passando, o carro foi sendo deslocado para uma nova missão. A mais recente, com o face-lift promovido no final do ano passado, é a de atrair o público jovem. O novo visual aproxima o Clio II da atual versão europeia, de quarta geração. Além de ostentar a nova identidade da marca na Europa, passou a oferecer adereços de personalização. Mas o apelo ao público mais novo – época em que se costuma ter a carteira menos recheada – extrapola o adorno de faixas e desenhos. Há também o preço, a partir de R$ 24.290 no modelo duas portas, o baixo consumo de combustível, constatado pelo InMetro, e ainda o motor mais potente entre os modelos de entrada no mercado. O face-lift no Clio é estratégico para a pretensão da Renault de ser tornar a quarta maior do mercado nacional. O compacto tem o objetivo de encorpar o volume de vendas, ao lado do utilitário Duster e do hatch Sandero. Tanto que, na época do lançamento, o plano da marca era alcançar 7,5% de participação no mercado nacional – um ponto percentual acima do que possuía. A média de vendas do Clio até aumentou. No ano passado foi em torno de 1.400 unidades mensais e, no acumulado de 2013, o número fica perto de 1.800 emplacamentos por mês – alta de 28,5%. Ainda assim, o compacto, fabricado em Santa Isabel, na Argentina, fica bem abaixo de dois dos principais rivais – o Fiat Uno Mille e o Ford Ka, com médias de 6.200 e 3.500 unidades, respectivamente. A Renault tem na economia de combustível um forte argumento de vendas do Clio. A marca atualizou o motor do compacto e para marca a mudança rebatizou o propulsor Hi-Flex 1.0 16V para Hi-Power 1.0 16V. A taxa de compressão foi elevada e a potência passsou de 77 cv para 80 cv, com torque de 10,5 kgfm a 4.250 rpm quando abastecido com etanol. Com gasolina no tanque, a potência fica nos anteriores 77 cv, com torque de 10,1 kgfm. No programa brasileiro de etiquetagem de veículos, do Instituto Nacional de Metrologia, o consumo ficou em 9,2 km/l com etanol e 13,6 km/l com gasolina em ciclo misto, números que garantiram classificação “A” no geral e no segmento. O design evoluiu bastante em relação ao modelo anterior, graças à mais recente filosofia de estilo da Renault, que o compacto inaugura no Brasil. Inspirada no Clio IV da Europa, o modelo brasileiro tem na frente as mudanças de maior destaque. Os novos faróis aparecem agora unidos por uma redesenhada grade frontal. Pintada de preto, a peça ostenta o losango da marca em destaque. Atrás, o grupo ótico também foi renovado. O perfil do Clio também ficou diferente, com a traseira mais “levantada”. Outros detalhes opcionais, como kits de adesivos, permitem a personalização do hatch com aspecto mais jovial. O Clio é um carro para gerar volume. Talvez por isso a Renault tenha economizado no recheio. Nem mesmo a versão Expression, topo da linha, oferece uma boa lista de equipamentos. De fábrica, vêm também alarme sonoro de luzes acesas, computador de bordo, travas nas portas traseiras, pré-disposição para rádio, ar-quente, acabamento cromado no interior, vidro traseiro com desembaçador e limpador. Essa configuração custa R$ 26.270. Os opcionais ar-condicionado e direção hidráulica – R$ 3.850 – e o adesivo de personalização – R$ 345 – elevam o preço da versão testada para R$ 30.465. Já itens fundamentais de segurança – e que serão obrigatórios em oito meses – não aparecem nem como opcionais. Casos de ABS e airbags. O curioso é que, quando foi lançado naquele longínquo 1999, a Renault instalou airbag em todas as versões do Clio e fez apologia da preocupação que tinha com a segurança do consumidor. O tempo, definitivamente, passa para todo mundo.

Ponto a ponto

Desempenho – O Clio ganhou 3 cv a mais em relação à versão anterior. O atual propulsor gera 80 cv. Na teoria ou na prática,

a diferença não é muito expressiva. Como qualquer multiválvulas, é preciso encher um pouco o motor para conseguir arrancadas mais fortes. Mas é a partir de 3.500 rpm que o Clio acorda de fato. A partir daí o comportamento é bom. Em situações cotidianas, como ao enfrentar o tráfego pesado das metrópoles, a falta de disposição em baixa aparece mais, mas ainda assim é rápido nas retomadas. Nota 8. Estabilidade – A suspensão do Renault Clio tem bom desempenho. Não há instabilidade, mesmo em velocidades mais altas. Em entradas mais agressivas em curvas, o hatch ameaça torcer, mas nada assustador. Em uma tocada mais “civilizada” a suspensão é bem resolvida e faz bom trabalho ao manter a sensação de segurança. Nota 8. Consumo – O programa brasileiro de etiquetagem classificou o hatch com conceito “A” na categoria e no geral. O consumo em ciclo combinado do Clio, segundo dados do InMetro, é de 9,2 km/l com etanol e 13,6 km/l com gasolina. É uma espécie de contra-partida pelo modesto desempenho do carro. Nota 9. Conforto – A densidade dos estofados é boa e a suspensão filtra os impactos do solo. No entanto, espaço não é o que o Clio tem de melhor. Não há muito lugar para a cabeça nem para os ombros. As pernas se acomodam bem, mas dependendo da regulagem de distância do assento, quem viaja atrás pode sofrer. De qualquer forma, dois adultos no banco traseiro conseguem se acomodar sem maiores problemas. Nota 7. Acabamento – Não houve evolução nos materias de revestimento do compacto, mas as pequenas alterações fazem diferença. Os detalhes que simulam cromados no volante agradam. O painel continua com plástico rígido, usado também nos forros das portas. Os encaixes, porém, são precisos. Nota 7. Design – O Clio absorveu bem os elementos frontais inspirados no modelo europeu, de quarta geração. A “corcundinha” traseira também ficou disfarçada pelo vidro mais plano e o aerofólio no teto. A Renault até oferece alguns apliques como opcionais, que deixam o aspecto mais jovem. No final as mudanças disfarçam um pouco a idade do modelo e deixaram o Clio mais simpático. Nota 7. Custo/benefício – A versão de entrada do Clio, a Authentique, sai por R$ 24.290 sem itens de conforto fundamentais, como por exemplo, ar-condicionado e direção hidráulica. Já a topo Expression parte de R$ 26.270, mas chega aos R$ 30.465 do modelo testado, com a soma dos opcionais ar-condicionado e direção hidráulica, além do kit de personalização. Não é o modelo mais barato nem o melhor equipado, mas não “sai da curva” do segmento. Nota 7. Total – O novo Renault Clio somou 72 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Por mais que o Renault Clio tenha mantido a essência, o compacto aparenta agora estar mais alinhado com o tempo. A reestilização conseguiu dar uma personalidade renovada ao modelo. Tal sensação se repete ao entrar no hatch. O novo painel de instrumentos ganhou computador de bordo e o conta-giros apresenta marcadores coloridos que buscam auxiliar o motorista na economia de combustível. Dada a partida, o Clio mostra que ganhou pouco mais que um “tapa no visual”. As alterações feitas no motor visaram mais a economia de combustível – e nesse ponto deu resultado. Porém, o comportamento dinâmico mudou pouco com os 3 cv a mais. O torque só é entregue em giros altos e é preciso encher o motor para ter arrancadas mais convincentes. Isso tira um pouco da agiidade do modelo no trânsito. Em giros mais altos o hatch se comporta muito bem e ganha velocidade sem incomodar os ocupantes com o barulho do motor. Alguns detalhes presentes na versão de topo, como os elementos “cromados” no volante, melhoram a sensação dentro do carro. Os antigos bancos, muito duros, ganharam nova densidade e transmitem mais conforto. A suspensão, além de deixar o hatch bastante estável na maioria das situações, absorve com competência as imperfeições do asfalto.

Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias


veículos

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

15

Endiabrado por Augusto Paladino/autopress Foto: Divulgação

A Renault resolveu usufruir da experiência na Fórmula 1 para criar um conceito inusitado: o Twizy Renault Sport F1. Basicamente, é o mesmo carrinho elétrico que circula pelas cidades europeias, só que com a adição do sistema Kers, de recuperação de energia cinética. Em frenagens, o equipamento amarzena energia e a transforma em um adicional de impressionantes 80 cv aos parcos 17 cv já existentes. O volante do Twizy foi trocado por um semelhante ao usado pelos bólidos da F1 com um botão especial para o “boost”.

Twizy Renault Sport F1


16

veículos

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

Com a moderna PCX, Honda quer ampliar o mercado de scoorters no Brasil por Eduardo Rocha/Auto Press

A Honda quer refazer suas próprias pegadas. A maior fabricante de duas rodas do planeta planeja adotar a mesmíssima estratégia de quando iniciou a produzir no Brasil há quase 40 anos. Na época, lançou uma sequência de modelos de baixa cilindrada – a pragmática CG 125, a luxuosa ML 125 e a esportiva Turuna 125 – para criar uma base de sustentação para o crescimento do mercado de motocicletas. Agora a tática será aplicada às scooters. A primeira, de 2009, foi a Lead 110, um modelo simples e prático que já responde por metade das vendas de scooters no Brasil, com 1.200 unidades mensais. A segunda etapa será com o lançamento da PCX, maior, mais luxuosa e recheada de tecnologia. A nova scooter tem um motor de 150 cm³ de 13,6 cv – contra 9,2 cv da Lead –, freios dianteiro e traseiro de ação combinada e até um sistema start/stop. A projeção da Honda é emplacar 10 mil unidades ainda este ano, volume semelhante ao esperado para a Lead. Caso esta expectativa se concretize, a participação da marca no segmento ultrapassaria os 70%. Para confirmar esta hipótese, o mercado também deverá apresentar um crescimento substancial. E a lógica indica que é isso mesmo que deve acontecer. Enquanto no Brasil as 32 mil scooters em 2012 representaram apenas 2,2% do mercado total de duas rodas até 150 cc, na Europa e nos países asiáticos esta proporção é a inversa. E a explicação é simples: as scooters são mais confortáveis, dispõem de um escudo frontal que protege os ocupantes tanto da chuva quanto em pequenas colisões e ainda tem porta-trecos onde cabe até capacete. No caso da PCX, o espaço sob o banco tem bons 25 litros de capacidade. Mas o que mais chama a atenção na PCX é mesmo o sistema start/ stop, rebatizado aqui de Idling Stop System, algo como sistema de parada em marcha lenta. A partir do momento que atinge a temperatura ideal de trabalho, o motor da PCX se desliga sempre três segundos após se nivelar em marcha lenta. E volta a funcionar com o simples acionamento do acelerador. Para tornar o sistema mais ágil, um gerador ligado diretamente ao virabrequim funciona também como motor de arranque. Segundo a Honda, Idling Stop System proporciona uma economia de combustível entre 5 e 7%. Outro recurso que também ajuda no consumo é o Enhanced Power Smart, um sistema de gerenciamento inteligente da força do motor. Quando a PCX se mantém na mesma velocidade por alguns segundos, o câmbio continuamente variável assume a relação mais longa possível para baixar a rotação do motor. A nova scooter, produzida em Manaus, começa a ser disbribuída neste início de maio e até a terceira semana do mês deve chegar a todos os 1.200 pontos de venda da marca no país. As duas cores que a Honda definiu para comercializa-

ção, branco perolizado e vermelho metálico, reforçam a ideia de posicionar a PCX como sccoter luxuosa. Proposta corroborada não só pelas linhas refinadas e pelo acabamento esmerado, mas principalmente pelo preço de R$ 7.990, 30% maior que o da Lead.

Primeiras impressões

A PCX é uma espécie de scooter urbano-chique. O aspecto luxuoso é dado pelos brilhosíssimos cromados no guidão e na dianteira e pelo conjunto ótico que ocupa uma grande área do escudo frontal. E as pedaleiras do carona em alumínio, as lanternas com sobrelente cristal, a boa cobertura da carenagem, o assento em duas alturas e os plásticos com texturas agradáveis reforçam a impressão. Já o lado urbano vem do grande conforto e da boa dose de tecnologia embarcada. Principalmente pelo sistema start/stop, que não deixa esquecer que a racionalidade é valorizada. O assento, com apenas 76 cm de altura para o solo, facilita as manobras e o apoio quando a PCX está imóvel. As rodas de aro 14 também se mostram mais aptas a enfrentar as más condições da pavimentaçào nas cidades brasileiras. O banco, de ótima ergonomia, e a suspensão com amortecedores duplos ampliam ainda mais o conforto. Quando a PCX é posta em movimento, no entanto, ela mostra uma disposição que extrapola as limitações esperáveis em uma scooter com apenas 150 cm³. Com 13,6 cv e torque de 1,41 kgfm, a nova scooter da Honda arranca com vontade e acelera sem esmorecer até 100 km/h. Não chega a ser capaz de enfrentar um estrada por um tempo longo, mas encara sem maiores dramas uma via expressa de uma grande cidade sem expor demais o piloto.

Ficha técnica

Honda PCX 150 Motor: A gasolina, quatro tempos, 153 cm³, monocilíndrico, duas válvulas, comando simples no cabeçote e refrigeração líquida. Injeção eletrônica multiponto sequencial. Sistema start/stop. Câmbio: Automático do tipo CVT – transmissão continuamente variável – através de correia. Potência máxima: 13,6 cv a 8.500 rpm. Torque máximo: 1,41 kgfm a 5.250 rpm. Diâmetro e curso: 58,0 mm X 57,9 mm.Taxa de compressão: 10,6:1. Suspensão: Dianteira com garfo telescópico com 100 mm de curso. Traseira dupla amortecida com 85 mm de curso. Pneus: 90/90 R14 na frente e 100/90 R14 atrás. Freios: Com disco de 220 mm na dianteira e com tambor de 130 mm na traseira. Dimensões: 1,92 metro de comprimento total, 0,74 m de largura, 1,32 m de distância entre-eixos, 76 cm de altura do assento e 14 cm de altura para o solo. Peso: 124 kg. Tanque do combustível: 5,9 litros. Produção: Manaus, Amazônia. Preço: R$ 7.990.

Fotos: Caio Mattos/Divulgação


Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

17


18

veículos

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

Notícias

Automotivas por Augusto Paladino/autopress Fotos: Divulgação

Para marcar – A BMW Motorrad começa a trazer ao Brasil uma edição especial da sport touring K 1300 S. Trata-se de uma série limitada que comemora os 30 anos do primeiro motor de moto da marca com quatro cilindros em linha e arrefecimento líquido. Os itens exclusivos da versão são a pintura em preto, branco e vermelho, o para-brisa escurecido e a ponteira de escapamento da marca Akrapovic. Este “kit”comemorativo adiciona R$ 2 mil ao preço da K 1300 S de topo, que sai a R$ 80.900. O mais leve – A Audi criou mais um conceito em cima do TT. A versão única do esportivo vai ser apresentada em uma feira na Áustria durante o mês de maio. O grande destaque é a dieta que o TT enfrentou. Alterações na carroceria, motor, sistema de escape, interior, bancos, retrovisores e até bateria reduziram em cerca de 300 kg o peso final do modelo, que passa a ter 1.111 kg. O motor é um 2.0 TFSI configurado para 310 cv e 40,8 kgfm. A alta potência e o baixo peso levam o TT Ultra Quattro Concept a 100 km/h em 4,2 segundos e a 280 km/h de máxima.

BMW K 1300

Sintonia fina – A preparadora de carros TechArt, conhecida por modificar modelos da Porsche, apresentou a sua leitura para a nova geração do Cayman. Entre as principais mudanças, o cupê ganhou novo defletor dianteiro, além de uma asa fixa e difusor traseiros e rodas de liga leve de 21 polegadas. O motor de seis cilindros opostos não foi modificado pela TechArt e mantém os 325 cv da versão S. Luxo variado – Aos poucos, a Rolls-Royce percebe que pode ter amplos benefícios com a diversificação da linha. Atualmente, a gama da empresa inglesa tem dois modelos básicos, mas com várias variações de carroceria. E a tendência é manter esta lógica. O CEO da marca confirmou que o Wraith, cupê apresentado recentemente no Salão de Genebra, vai ter uma versão conversível. O executivo, no entanto, tratou de negar os boatos de que a Rolls-Royce estuda criar um SUV nos próximos anos. Chamada geral – O Grupo CAOA, importador dos veículos Hyundai no Brasil, começou uma campanha de recall para os modelos Santa Fe, feitos entre 2010 e 2011, VeraCruz, de fe vereiro a novembro de 2011, e Tucson, de março a agosto de 2008. A chamada é para reparar um problema no interruptor na luz de freio, que pode não não fazer contato em uma frenagem, o que pode acarretar em uma colisão traseira. O Grupo CAOA ainda alerta sobre possíveis problemas no piloto automático e no controle de estabilidade. Todos os pontos serão verificados nas concessionárias do Grupo. Investimento do oriente – A marca chinesa de caminhões Metro Shacman confirmou um investimento de R$ 400 milhões para a construção de uma fábrica no interior de São Paulo. A indústria será em Tatuí, terá capacidade para produzir 10 mil caminhões por ano e tem previsão de começar os trabalhos já em 2014. O foco será em modelos pesados e extra-pesados. Menos é mais – Durante simpósio na Áustria, o presidente do Grupo Volkswagen, Martin Winterkorn, antecipou algumas das principais tecnologias em desenvolvimento para as diversas marcas do conglomerado. A grande maioria delas foca na redução das emissões de poluentes na atmosfera. Entre os itens descritos pelo executivo está uma transmissão de dez marchas e um motor a diesel de alto desempenho. O Grupo Volkswagen também trabalha para criar versões totalmente elétricas de modelos como o Audi A3 e Volkswagen Passat e híbridos plug-in de outros como os Porsche Panamera e Cayenne.

Audi TT Ultra Quattro Concept

TechArt Porsche Cayman


veículos

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

19

Ganhos e perdas por Augusto Paladino/autopress

Na hora de entrar na linha 2014, o Ford Ka “decidiu” abandonar o título de carro mais barato do país. O subcompactoganhou novos equipamentos de série e ficou mais caro. A versão de entrada, já equipada com ar-condicionado, conta-giros e para-choques na cor da carroceria, custa R$ 24.200 – antes o mais barato saía por R$ 21.700. A configuração intermediária, que inclui direção hidráulica, vidros elétricos e outros mimos, sai por R$ 26.700. Já a top custa R$ 28.600 e ainda traz rodas de liga leve e airbag duplo. Agora, o carro com preço mais baixo do país é o Fiat Mille Economy, por R$ 22.230.

Foto: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

Ford Ka


20

Jornal do Meio 693 Sexta 24 • Maio • 2013

693  

Edição 24.05.2013

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you