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erta vez, o padre Américo Vespúcio Simonetti disse que a Festa de Santa Luzia não deve ser feita para o povo, mas, sim, com o povo. O religioso, que comandou a maior festa religiosa do Rio Grande do Norte por longos anos, não se preocupava em profissionalizar o evento, mas de realizar com o povo fiel à padroeira dos mossoroenses. A emoção do padre Américo, falecido em 2009, era traduzida em meio à multidão na procissão de Santa Luzia, quando ele soltava a voz: “Mossoró com alegria saúda Santa Luzia!” O cortejo religioso sempre foi o ápice da Festa da Santa padroeira. Neste domingo, 13 de dezembro, Dia de Santa Luzia, pela primeira vez na história não acontecerá a tradicional procissão. Decisão difícil tomada pela Diocese de Mossoró, em razão da pandemia do novo coronavírus. Ficará para o próximo ano. No entanto, a coordenação da festa decidiu inovar. Se não tem a procissão, a imagem de Santa Luzia vai peregrinar durante todo o dia pelos bairros de Mossoró. Com uma novidade: a imagem sobrevoará a cidade em avião durante a 1ª Revoada de Santa Luzia. A peregrinação terá início às 6h, com a “Pedalada da Luz”, em que os fiéis sairão de bicicleta da Igreja de São José (zona norte), seguindo até a Igreja de São Francisco, no Abolição III (zona oeste). A chegada está prevista para as 9h. Na sequência, a imagem será conduzida pela 14ª Cavalgada da Luz, saindo do Abolição III para o bairro Aeroporto (zona oeste). Ao meio-dia, terá início a 1ª Revoada da Luz, com a imagem de Santa Luzia sobrevoando a cidade até as 14h. De volta ao aeroporto, às 16h, a peregrinação segue com a 4ª edição “Caminhoneiros da Luz”, com a imagem sendo conduzida por caminhões até o campus da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), zona leste de Mossoró. Na chegada à Uern, a imagem de Santa Luzia será colocada em carro aberto para a 1ª Carreata da Luz, que passará por vários bairros até a Catedral, onde será recebida pelo bispo dom Mariano para o encerramento oficial da Festa 2020.

POEMA

A!

CÉSAR SANTOS

Da Redação

MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2020

M AL O S SA EG SO NT RIA RÓ A SA CO LU Ú M D ZI A

CULTURA, DIVERSÃO E ARTE

Devoção começou no século 18

ELIETE GURGEL DE MEDEIROS é mossoroense, filha de José Minan de Medeiros e Jandyra Gurgel de Medeiros. Estudou no Grupo Escola 30 de Setembro e desde 1972 reside em Natal/RN

Na festa de Santa Luzia No tempo de criança Só se cantava o Hino Oficial Sobrando tanta esperança

Passando a ponte e o rio Vinham fiéis a pé Rogarem a Santa Luzia Com terços e muita fé

Aperta a saudade, mas lembro Desde os chinelos, cabeças com véus Das vozes rouquenhas e fracas Dos quantos já estão nos céus

Fora da igreja, barracas Pé de moleque, café broas Fogos naquelas alturas Cancioneiros e loas

Lá dentro da Catedral O padre a recomendar A Santa Luzia seus filhos Melhor futuro alcançar

Observando os compridos olhares Das crianças que nos mistos subiam Deixando os rói-róis, pipocas e jujús Sob o sol que pelo ralo toldo os protegia...

O historiador Geraldo Maia, em suas pesquisas e escritos, registra que a devoção à Santa Luzia começou no século 18, quando freis carmelitas de Recife (PE) construíram uma residência e uma pequena Capela do Carmo, numa área a 30 quilômetros de Mossoró. Nessa época, historiadores revelaram que havia um sítio ou fazenda “Santa Luzia”. Ao lado dela edificou-se um pequeno prédio, entre os Paredões e Barrocas (hoje bairros da zona norte da cidade), onde realizavam atos religiosos. Em 1739, Mossoró era apenas uma fazenda que pertencia ao capitão Teodorico Rocha. Depois, a propriedade passou para o poder do português Antônio de Souza Machado. Foi nessa época que se iniciou a ocupação da terra, impulsionada pela criação de gado, oficina de carne e extração de sal. Foi exatamente nessa propriedade de Antônio Machado que, em 1872, a capela de Santa Luzia foi erguida, com ajuda do padre José dos Santos da Costa. A capela da padroeira é o marco inicial para o surgimento da cidade. Por quase 70 anos, a capela pertenceu ao município de Apodi. Somente em 1842 houve a desvinculação e a capela ganhou posição de matriz. O proprietário da “Fazenda Santa Luzia”, sargento-mor Antônio de Souza Machado, português residente em Russas (CE), requereu ao visitador diocesano de Olinda (PE), padre Inácio de Araújo Gondim, de passagem por Aracati (CE), autorização para erguer uma capela em homenagem à Virgem de Siracusa. Fazia cumprir uma promessa de sua esposa, dona Rosa Fernandes, no qual foi atendido, em sua petição com data de 5 de agosto de 1772. Existia, porém, uma condição: que o templo fosse construído em pedra e cal e houvesse um patrimônio em terra doado à Santa. Exigências aceitas e providências tomadas, em janeiro de 1773 a capela estava pronta, construída com os cruzados de Souza Machado e o auxílio dos devotos circunvizinhos, no local onde hoje se encontra a Catedral de Santa Luzia, mas sem a imagem da Santa. Até que em 1779, dona Rosa Fernandes trouxe de Portugal uma imagem de Santa Luzia, de madeira, adquirida pelo valor de 15$600. É a que até hoje é conduzida nas procissões e peregrinações.


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CULTURA, DIVERSÃO E ARTE Carlos Costa

IGREJA DE SANTA LUZIA DE MOSSORÓ SURGIU EM 1858 GERALDO MAIA

Historiador

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LUZIA VEIO DE FAMÍLIA NOBRE Santa Luzia (ou Santa Lúcia), cujo nome deriva do latim, é muito amada e invocada como a protetora dos olhos, janela da alma, canal de luz. Conta-se que pertencia a uma família italiana e rica, que lhe deu ótima formação cristã, ao ponto de Luzia ter feito um voto de viver a virgindade perpétua. Com a morte do pai, Luzia soube que sua mãe queria vê-la casada com um jovem de distinta família, porém pagão. Ao pedir um tempo para o discernimento, foi para uma romaria ao túmulo da mártir Santa Ágeda, de onde voltou com a certeza da vontade de Deus quanto à virgindade e quanto ao sofrimento por que passaria, como Santa Ágeda. Vendeu tudo, deu aos pobres e logo foi acusada pelo jovem que a queria como esposa. Santa Luzia, não querendo oferecer sacrifício ao deuses e nem quebrar o seu santo voto, teve que enfrentar as autoridadesperseguidoraseatéadecapitação em 303, para assim testemunhar com a vida, ou morte o que disse: “Adoro a um só Deus verdadeiro, e a ele prometi amor e fidelidade”. Somente em 1894, o martírio da jovem Luzia, também chamada Lúcia, foi devidamente confirmado, quando se descobriu uma inscrição escrita em grego antigo sobre o seu sepulcro, em Siracusa, Ilha da Sicília. A inscrição trazia o nome da mártir e confirmava a tradição oral cristã sobre sua morte no início do século IV. Mas a devoção à Santa, cujo próprio nome está ligado à visão (“Luzia” deriva de “luz”), já era exaltada desde o século V. Além disso, o papa Gregório Magno, passado mais um século, a incluiu com todo respeito para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira. Diz a antiga tradição oral que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura. Foi enaltecida pelo magnífico escritor Dante Alighieri, na obra “A Divina Comédia”, que atribuiu a santa Luzia a função da graça iluminadora. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje.

reca Arte Carlos Ca

m 24 de março de 1858 dava-se o início da reconstrução da igreja de Santa Luzia de Mossoró. Fazia-se necessária a reconstrução, pois a capela existente era pequena e estava quase em ruínas, tendo sua última reforma acontecido há quase trinta anos. Foi uma longa reforma que se arrastou por anos a fio. Vamos conhecer um pouco da história da nossa Catedral de Santa Luzia. Registra a história que a 5 de agosto de 1772, a Provisão das Dignidades do Cabido de Olinda concede a Antônio de Souza Machado, sargento-mor da ribeira do Mossoró e sua mulher Rosa Fernandes, autorização para construir uma capela na fazenda Santa Luzia, de sua propriedade, em cumprimento de promessa feita por sua intercessão. E a capela foi construída com os cruzados do sargento-mor e o auxílio dos devotos circunvizinhos, sendo o primeiro ato litúrgico celebrado em 25 de janeiro de 1773, quando foi batizada uma criança do sexo feminino, cerimônia essa oficiada pelo padre José dos Santos da Costa. A criança, que havia nascido no dia 15 do mesmo mês, recebeu na pia batismal o nome de Maria, e era filha de Miguel soares de Lucena e de Páscoa Maria da Encarnação. Em 9 de maio de 1773, foi feito o primeiro sepultamento na Capela de Santa Luzia. Era de uma menina de 9 anos de idade, filha de Manuel Bezerra de Jesus e Maria Madalena Teixeira. Dessa data em diante, os mortos de Mossoró passaram a ser sepultados no interior da capela, visto que anteriormente as pessoas que morriam no povoado eram sepultadas na Capela de Mata Fresca, comunidade distante 72,0 Km de Mossoró, pois não havia campo santo na cidade. Em 6 de outubro de 1778, é realizado o primeiro casamento na Capela de Santa Luzia, sendo os nubentes Gregório da Rocha Marques Filho e Francisca Nunes de Jesus, tendo como testemunhas o português coronel regente Francisco Ferreira Souto e Antônio Afonso da Silva, o primeiro sendo morador de Mossoró e o outro do Panamá. A solenidade foi realizada pelo carmelita Frei Antônio da Conceição. Em 13 de julho de 1801, dona Rosa Fernandes, viúva do sargento-mor Antônio de Souza Machado, faz doação do patrimônio da Capela de Santa Luzia. Em 30 de dezembro de 1830, é inaugurada a primeira reforma da capela, reforma essa para a qual se mandou buscar no Assú o mestre pedreiro Manuel Fernandes que veio com um escravo e um mestre de obras. A imagem de Santa Luzia de Mossoró, pequena e de madeira, foi mandada buscar em Portugal. Em 27 de outubro de 1842, pela resolução número 87, a capela de Santa Luzia era elevada à categoria de matriz, desdobrada assim da freguesia do Apodi a que esteve ligada durante setenta anos. Mas a primitiva capela já não era suficiente para atender as necessidades da população e é assim que em 24 de março de 1858 foi iniciada a reconstrução da igreja, no mesmo local da anterior, tendo o vigário Antônio Joaquim Rodrigues aproveitado algumas paredes de pedra e cal da primeira construção. Foi uma longa reforma que durou dez anos, sendo utilizados auxílios dos paroquianos e verbas da província. Mesmo assim, as torres não foram concluídas nessa reforma. Em 1910, era vigário da catedral o padre Pedro Paulino Duarte da Silva. Esse padre promoveu na época uma meritória campanha em prol da conclusão das torres da igreja. Para isso, concitou os fiéis às romarias durante as tardes de domingo, quando seriam transportados tijolos, pedras, areia e cal para o adro da matriz, de forma a não pararem os serviços por deficiência de material. O povo atendeu ao chamado do Vigário e as torres foram concluídas. Em 28 de julho de 1934, foi criada a Diocese de Mossoró, com solene missa celebrada na matriz de Santa Luzia pelo padre Luís da Mota, vigário da paróquia, quando o mesmo dá conhecimento aos fiéis, através da Bula PRO ECCLESIARUM OMMIUN, do Santo Padre Pio XI, criando a Diocese e elevando a matriz de Mossoró à categoria de Catedral Diocesana.

Luzia pertencia a uma rica família de Siracusa. Sua mãe, Eutíquia, ao ficar viúva, prometeu dar a filha como esposa a um jovem da Corte local. Mas a moça havia feito voto de virgindade eterna e pediu que o matrimônio fosse adiado. Isso aconteceu porque uma terrível doença acometeu sua mãe. Luzia, então, conseguiu convencer Eutíquia a segui-la em peregrinação até o túmulo de santa Águeda ou Ágata. A mulher voltou curada da viagem e permitiu que a filha mantivesse sua castidade. Além disso, também consentiu que dividisse seu dote milionário com os pobres, como era seu desejo. Entretanto, quem não se conformou foi o ex-noivo. Cancelado o casamento, foi denunciar Luzia como cristã ao governador romano. Era o período da perseguição religiosa imposta pelo cruel imperador Diocleciano; assim, a jovem foi levada a julgamento. Como dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Conta a tradição que, embora Luzia não movesse um dedo, nem dez homens juntos conseguiram levantá-la do chão. Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. Era o ano 304. Para proteger as relíquias de santa Luzia dos invasores árabes muçulmanos, em 1039, um general bizantino as enviou para Constantinopla, atual território da Turquia. Elas voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária. Santa Luzia é celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa, que a venera no mês de maio também. CANÇÃO NOVA

ORAÇÃO A SANTA LUZIA Ó santa Luzia, que não perdestes a fé e a confiança em Deus, mesmo passando pelo grande sofrimento de lhe vazarem e arrancarem os olhos, ajudai-me a não duvidar da proteção divina, defendei-me da cegueira não somente física, mas principalmente da cegueira espiritual. Atendei a este meu pedido. (fazer o pedido). Conservai a luz dos meus olhos para que eu tenha a coragem de tê-los sempre abertos para a verdade e a justiça, possa contemplar as maravilhas da criação, o brilho do sol e o sorriso das crianças. Ó minha querida Santa Luzia, eu vos agradeço por terdes ouvido a minha súplica. Por Jesus Cristo, nosso amigo e irmão, na unidade do Espírito Santo. Amém. Santa Luzia, rogai por nós.


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CULTURA, DIVERSÃO E ARTE

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anhamos mais um espaço para divulgar o melhor da nossa cultura, diversão e gastronomia. O TOTAL, que estreia hoje, abriu esse cantinho de página para divulgar os artistas, cantores, pintores, profissionais da cultura e os estabelecimentos que promovem diversão e arte. Aqui, o leitor encontrará informações sobre eventos, cinema e a arte de todos os artistas. Então, vamos lá!!! PINTURA

O cearense Ferreira será o instrutor do curso de restauração em pintura de cavalete em Mossoró. São 30 horas entre os dias 27 e 29 de dezembro. O conteúdo vai preparar o aluno para o estudo e a obtenção de habilidades técnicas, bem como conhecimentos teóricos para realização de trabalho em pintura sobre cavalete.

CANTABILE

A Companhia Lyricus é puro talento da terra, que atua de forma independente.Criada pelas professoras Cláudia Max e Tatyana Xavier, a companhia oferece aulas de canto lírico, de forma voluntária, para pessoas interessadas. O grupo é formado por pessoas que têm em comum o amor pela arte. E tem a missão de despertar o interesse pelo canto lírico, a música de qualidade, o teatro musical, a ópera e toda forma de expressão artística. Se destaca com o espetáculo CANTABILE, um recital com o melhor do pop e do lírico.

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LEGADO PARA A CULTURA DE MOSSORÓ

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Lei Aldir Blanc deixa um legado importante para Mossoró, com assinatura da professora Isaura Amélia, secretária de Cultura do município. Ela organizou a distribuição de R$ 2 milhões, liberados pelo Governo Federal, por meio do Ministério do Turismo, contemplando todos os segmentos e artistas da terra. Os projetos contemplados estão baseados no decreto que regulamentou, no âmbito do Município de Mossoró, as disposições da Lei Federal n. 14.017, de 29 de junho de 2020, referentes às ações emergenciais destinadas ao setor cultural. O trabalho da Secretaria de Cultura viabilizou mais de 200 prêmios em todas as áreas. Houve um entendimento que a o segmento cultural deveria ser atendido emergencialmente em razão da pandemia da Covid-19, que afetou fortemente o setor, mas que os projetos fossem voltados para deixar na cidade um legado, com ações que se perpetuem e se multiplique. As propostas aprovadas, depois de passar por avaliação criteriosa, reúnem trabalhos na música, artes cênicas, artes visuais, literatura e tecnologia digital, cultura popular, patrimônio cultural, audiovisual e suportes tecnológicos. “Por exemplo, os grupos de teatro e de dança, eles vão fazer formação, vão ajudar as escolas de Mossoró, e a Prefeitura

está disponibilizando 150 mil reais para isso. Os artistas plásticos vão propor e executar monumentos para as praças e ruas da cidade. Tem também como fazer filmes, documentários. Os músicos podem declarar seu amor pela cidade através das letras e canções, entre várias outras oportunidades”, destaca Isaura Amélia. Outro ponto importante, mas que acabou sofrendo alteração em razão da pandemia do coronavírus, foi a elaboração de uma agenda cultural que seria apresentada por artistas e grupos contemplados pela Lei Aldir Blanc. A programação seria aberta nesta segunda-feira, 14, e se estenderia até o dia 30 deste mês, distribuídas em sete pontos ao longo do Corredor Cultural de Mossoró e de pontos estratégicos como as praças Rodolfo Fernandes (Praça do Pax) e a Vigário Antônio Joaquim (Praça da Catedral). Estavam inseridos na Agenda Cultural a Companhia Lyricus, com um canto refinado; Studio de Dança Hykaroo Mendonça, com o espetáculo “Amor que nos move”; Companhia Gesto de Dança, com os espetáculos: “Saco Sem Fundo” e “Meu Gesto, Seu Gesto, Nosso Gesto”; Companhia Máscara e o espetáculo “Fé e Rito”; Companhia Bagana de Teatro, com “Coisa Humana”; literatura de cordel com o poeta popular Antônio Francisco e a artista Ana Carla de Azevedo; dentre muitos outros.

MOSSORÓ TERRA DE LUZ

AGENDA AÍ

Apesar das incertezas provocadas pela pandemia da Covid-19, um dos eventos do verão de Tibau merece ficar na sua agenda: Verão das Antigas, com o baiano Netinho, no Clube Álibi, dia 8 de janeiro. Com assinatura de Marcílio Maia e Nil Costa.

BARRACO DO BETINHO

Um cantinho mais especial da Frei Miguelinho, depois do luto da perda de Betinho, seu criador, reabriu com nova estrutura, mas sem perder o sabor. Agora é “Barraco Betinho do Frango”, com o melhor espetinho e frango assado de Mossoró. Tem também o espaço do Flamengo. Confira.

BELCHIOR NO FORRÓ

Os grupos Sertão Raiz e Pé de Serra se uniram em tributo para Belchior. Eles cantam sucessos consagrados do cearense na versão nordestina puxada para o forró. No palco, a cantora Caroline Melo e o sanfoneiro Severo comandam o projeto. Apresentação no dia 27, na Gauchinha.

POR QUE ELE/ELA DANÇA?

“O amor que nos move” é o espetáculo do Studio de Dança Hykaroo Mendonça, que merece ser visto. O espetáculo trata sobre a reflexão: onde há movimento, há vida. A constatação direciona ao caminho do encantamento e amor que sai dos corpos de quem dança. Por que ele/ela dança? O que o/a motiva? O que ele/ela sente? “Nossas emoções estão concentradas no nosso mover, assim sendo, ao nosso dançar”, destaca a companhia. Dessa forma, o Studio de Dança busca se conectar com o público, “para que o amor que sentimos por essa arte tão mágica, seja um agente de transformação e de alegria.”

TODOS OS SEGMENTOS CONTEMPLADOS

DECISÃO EM NOME DA SAÚDE DA POPULAÇÃO

A secretária Isaura Amélia pontua o legado que ficará para a cidade, com projetos que contemplam diversos segmentos da cultura. Na formação, tem o curso de restauração em pintura de cavalete, com o instrutor cearense Ferreira. São 30 horas de curso entre os dias 27 a 29 de dezembro. Também tem os cursos da projeção mapeada, com Wilberto Amaral (30 horas de duração); e Boi Garantido de Parentes, com oficina de 30 horas de adereços. Na área de monumentos públicos, foram contemplados os artistas Marcelo Amarelo, Guaraci Gabriel e Nora Aires. A Lei Aldir Blanc contempla a imprensa cultural, com abertura de blogs especializados assinados por Túlio Ratto e Katarina Gurgel. Vai bancar 12 edições de uma revista, sendo que cada edição será coordenada por um jornalista diferente. Ainda tem a publicação de 10 edições do jornal cultural TOTAL. Outro projeto importante é o Festival da Canção – Declare Seu Amor por Mossoró, que recebeu 25 inscrições, com distribuição de R$ 6 mil em prêmios, além de gravação do áudio da composição vencedora em Stúdio + vídeo clipe musical).

O anúncio da suspensão da Agenda Cultural, dentro do projeto “Mossoró Cidade de Luz”, foi feito na quinta-feira, 10, em razão do aumento de casos da Covid-19 e alta taxa de ocupação de leitos críticos e de UTI por pacientes da doença. “Se faz necessária a suspensão das atividades culturais. Este cancelamento é uma medida preventiva, mas nada disso vai tirar o brilho do nosso Natal, que as famílias tenham um sentimento de fraternidade, de nascimento do menino Jesus”, disse a prefeita. Apesar do cancelamento das atividades culturais, a cidade permanecerá com a decoração no Polo Papai Noel e no Túnel de Luz, para que as famílias possam visitar, tomando todos os cuidados necessários. “Como todos sabem, nós temos que neste momento tomar mais cuidado para evitar a contaminação. Todos podem visitar a decoração, que foi preparada com muito carinho para a população de Mossoró, só não podem esquecer de usar a máscara, manter o distanciamento”, continuou Rosalba Ciarlini.


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CULTURA, DIVERSÃO E ARTE

DAVID DE MEDEIROS LEITE Professor, escritor e membro da Academia Mossoroense de Letras (AMOL)

MANOEL ONOFRE JR.

HILDEBERTO BARBOSA FILHO

Manoel Onofre Jr. é um dos nomes mais respeitados da seara literária potiguar. Juiz de carreira, aposentou-se como desembargador e, desde então, se dedica totalmente ao mister literário. Escritor prolífero, publicou, entre outros, Chão dos Simples (contos); Ficcionistas Potiguares (ensaios); O Caçador de Jandaíras (crônicas); Simplesmente Humanos (memórias); Portão de Embarque 2: Portugal (notas de viagem). Porém, o que desejo destacar é que, neste 2020, Onofre publicou (e nem foi possível fazer lançamento por conta da pandemia) Antonio de Souza (Polycarpo Feitosa) – Uma Biografia. Trata-se de um trabalho biográfico de vulto, a retirar do ostracismo a figura do importante homem público (foi governador do Rio Grande do Norte) e notável ficcionista que foi Antonio de Souza, autor, dentre outros, do romance Gizinha, cuja primeira edição foi publicada em 1930.

Acompanho com interesse a produção de Hildeberto Barbosa Filho (1954, Aroeiras/PB). Poeta, crítico literário, professor, jornalista, mestre e doutor em Literatura Brasileira. Destaco, em poesia, alguns de seus livros: A comarca das pedras (Manufatura, 1997); Nem morrer é remédio (Ideia, 2012); Dançar com facas (Mondrongo, 2016); As palavras me escrevem (Mondrongo, 2019). Todos ótimos. E, agora, Hildeberto nos brinda com O solene saber das coisas inúteis (Ideia, 2020). Já emiti comentário anterior, onde destaquei a concisão de Hildeberto como algo didático, afinal de contas ele é professor. Mas, além da concisão, a palavra e o ofício poético sempre merecem destaques em sua temática, que é vastíssima, diga-se de passagem. Resta-nos, então, prestar mais atenção à obra desse vizinho vate paraibano.

ALBERTO BRESCIANI Saindo do Nordeste velho de guerra e indo para o eixo Rio de Janeiro/Brasília (Alberto Bresciani é carioca de nascimento, porém vive em Brasília), desejo chamar atenção para a trajetória poética de Bresciani. Sua estreia deu-se com Incompleto movimento (José Olympio, 2011); seguindo-se Sem passagem para Barcelona (José Olympio, 2015); Fundamentos de ventilação e apneia (Patuá, 2019); e, agora, o singular Hidroavião (Patuá, 2020). Adriane Garcia, no excelente prefácio, assevera-nos: “Pousado na terra, o poeta não escapa do seu tempo e das injustiças sociais. Neste Hidroavião, Alberto Bresciani traz um olhar para os despossuídos, os refugiados, os famintos, as crianças abandonadas, armadas, mortas; as guerras, os tsunamis, os terremotos, as deflagrações suicidas”.

FRANÇOIS SILVESTRE Certa vez, François Silvestre escreveu que inveja era como colesterol, tem a boa e a ruim. Recorro ao pensamento desse estimado amigo, para dizer que fiquei com inveja (no melhor dos sentidos) do prefácio que Marcelo Navarro Ribeiro Dantas escreveu para o mais recente livro de seu xará Marcelo Alves Dias de Souza, cujo título é Sobre Livrarias & Bibliotecas (Coedição Livros de Papel e Sebo Vermelho, 2020). Às folhas tantas, Marcelo Navarro confidencia-nos: “E ao leitor eu lembro que um dos maiores autores de todos os tempos, Miguel de Cervantes Saavedra, o criador de Dom Quixote, disse: ‘Quem lê muito e anda muito, vai longe e sabe muito’. Parece que ele escreveu essa frase a respeito de

Marcelo Alves Dias de Souza. Marcelo lê muito, anda muito, sabe muito e vai longe. Mais longe do que já foi. Menos do que ainda, com toda certeza, irá.” Pelo fragmento de Navarro, podemos deduzir quão interessante é esse novo livro de Marcelo Alves. Além de um belíssimo projeto gráfico, também suscitador da referida “boa inveja”.

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CULTURA, DIVERSÃO E ARTE

EXPEDIENTE Edição: De Fato Comunicação Editor: César Santos Textos: César Santos, David de Medeiros Leite, Geraldo Maia Revisão: Ângela Karina Diagramação: Ramon Ribeiro Redação e correspondência: Av. Rio Branco, 2203 – Mossoró (RN) Fone: (84) 99836-5320 E-mail: redacao@defato.com Site: defato.com


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