editorial ao leitor
Dez anos de
Domingo
N
o final do mês de agosto, precisamente no dia 28, o Jornal De Fato comemorou 12 anos de jornalismo de verdade. Dois anos depois de sua fundação, surgiu a Revista Domingo. O suplemento começou como uma ideia inovadora para Mossoró e se mantém assim. A primeira a editar o caderno foi a jornalista Daiany Dantas. Hoje ela faz doutorado e é professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), contudo, tirou um tempo para nos escrever sobre sua experiência com esse projeto. Segue.
Entrevista
N
a verdade, o editor era o William Robson, eu era repórter. Foi uma experiência muito legal. Eu gostava muito da equipe com quem lidava diretamente – William, que sempre acolhia e colaborava com minhas sugestões de pauta, e o fotógrafo Marcos Garcia, que tinha muita sensibilidade e paciência para encontrar os ângulos mais bacanas e conhecer as personagens. Eu tinha total liberdade criativa e as pautas eram bem ousadas – o editor me mandou uma vez escrever sobre a questão da preocupação masculina com o tamanho do pênis! Essa matéria deu o que falar. A gente experimentou bastante no começo, fazíamos pautas sobre costumes, história do estado, variedades, comportamento, saúde, com certeza foi das coisas mais prazerosas de minha carreira de repórter, eu adorava. Quanto à evolução do jornal, com certeza, ele está bem melhor estruturado, conta com equipe maior, vejo que os meus alunos sempre o colocam como referência dentre as publicações locais. Com certeza conta ponto a favor o jornal ter insistido em manter publicações voltadas à reportagem e com um viés cultural.
p4 Com o jornalista e professor de Comunicação Fabiano Morais
A memória de Domingo, por Daiany Dantas.
p 12 p14
p6
Criatividade Presentes mais que especiais
Capa
Jogadores potiguares falam como é viver em áreas de conflito pelo mundo
p8 Coluna
Rafael Demetrius continua te ajudando a se sair bem nas entrevistas
Adoro comer Davi Moura preparou uma coluna supersaborosa.
• Edição – C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral – William Robson • Diagramação – Rick Waekmann • Projeto Gráfico – Augusto Paiva • Impressão – Gráfica De Fato • Revisão – Gilcileno Amorim e Stella Sâmia • Fotos – Carlos Costa, Marcos Garcia, Cezar Alves e Marcelo Bento • Infográficos – Neto Silva
Redação, publicidade e correspondência Av. Rio Branco, 2203 – Mossoró (RN) Fones: (0xx84) 3323-8900/8909 Site: www.defato.com/domingo E-mail: redacao@defato.com Domingo é uma publicação semanal do Jornal de Fato. Não pode ser vendida separadamente.
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Jornal de Fato | DOMINGO, 9 de setembro de 2012
conto
joSÉ NIcodemoS*
O VALENTÃO GELOU
D
ebruçado no balcão o negro bebia um guaraná pelo gargalo. Era desse tipo calado e cheio de respeito quase cerimonioso diante das pessoas. Característico da raça. Tinha poucos dias na cidade, aonde chegara do sertão pra trabalhar em salina. Era o tempo de eleição no sindicato da categoria, e o negro Bió, apelido que trouxe da sua terra natal, e assim ficou sendo chamado, não podia votar porque ainda não era sindicalizado. Carecia da certidão de nascimento, que ficara de ir buscar quando pegasse dinheiro. Fazendo quina com o sindicato, era ali no bar que se juntavam dia de sábado salineiros tanto da situação quanto da oposição, e era aquela confusão, embriagados. Uma vez ou outra, briga de faca. O negro Bió não bebia, entrara ali no bar, num sábado de manhã, ao sair do sindicato, depois de receber a “semana”, pra tomar um guaraná, sua bebida predileta. Quando ia saindo, Majó, como era chamado, e por sinal autor de dois crimes de morte, fez questão que Bió ficasse ali com sua turma, até mais tarde. Cedeu, com seus modos humildes. Ofereceu-lhe bebida, o que quisesse
O negro Bió não bebia, entrara ali no bar, num sábado de manhã, ao sair do sindicato, depois de receber a “semana”, pra tomar um guaraná, sua bebida predileta.
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tomar, Bió recusou-se, com muito jeito, não bebia álcool, fosse desculpando. Mas de quando em vez Majó voltava a insistir, não dava nada por homem que não bebe, e Bió só fazia rir o seu riso manso de dentes brancos. Sol quase no meio do céu, ali pelas onze, Bió levantou, decidido a ir pra casa, era hora do almoço com a patroa, e foi contido por Majó – Nem vai e agora vai beber por bem ou por mal – arrastando a faca de dez polegadas, que chamava de “mamãe traga a vela”. – Não vou ser desfeitado, já mandei dois pra cidade de pés juntos, e você pode ser o terceiro. Como é, bebe ou não bebe? Bió nem mudou de cor, sereno como
Envie sugestões e críticas para o e-mail: aristida603@hotmail.com
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se estivesse tirando uma soneca em sua rede armada debaixo do tamarindo no fundo do quintal de casa, depois do almoço. Arrastou também sua faca, com toda a naturalidade, nenhum sinal de alteração de ânimo, como quem não visse de quê, e foi chamando Majó pro meio da rua, “vamos respeitar o dono da casa”. Para surpresa de todo mundo ali no bar, Majó gelou, enfiando a faca na bainha, sem dizer palavra. Paraibano, Bió era neto do famoso cangaceiro Chico Pereira, depois sucedido Lampião, e fora jagunço do Coronel Zacarias da serra Teixeira. Nos seus olhos mansos, não se adivinhava o número de mortes pesando-lhe no espinhaço.
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entrevista
FaBIaNo MoRaIS
“É preciso ter zelo com a memória”
Por Izaíra Thalita izathalita@gmail.com | Twitter: @izairathalita
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ma grande contribuição à memória dos que atuaram com cobertura esportiva no rádio nacional. Esta é uma das afirmativas em relação ao livro “Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro”, recém-lançado no maior evento de comunicação social do país, o Intercom, realizado em Fortaleza (CE) na última semana (de 3 a 7 de setembro). Um dos autores que contribuíram para a realização da pesquisa no Rio Grande do Norte é o jornalista Fabiano Morais. Com graduação em Comunicação Social pela Universidade Estadual da Paraíba (1995) e mestrado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 2010, Fabiano é, atualmente, repórter da TV Ponta Negra, afiliada do SBT no Rio Grande do Norte, e professor assistente nível IV da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Radiodifusão, atuando principalmente nos seguintes temas: telejornalismo, documentário, TV e radiojornalismo. Ele fala sobre a importância dessa enciclopédia e sobre sua paixão pelo jornalismo esportivo. DOMINGO – Como se deu a sua participação e contribuições para o livro “Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro”? (Pode detalhar também o processo de pesquisa de toda a obra e número de autores) FABIANO MORAIS – Tive a informação do projeto e logo passei a colher 4
informações para poder dar minha contribuição, já que se trata de uma área que tenho muita afinidade, até pela minha origem na comunicação que foi na reportagem esportiva de rádio. Por sinal meus seis primeiros anos na comunicação foram no radiojornalismo esportivo. Então mantive contato com
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uma das pesquisadoras que estava na organização, a professora Nair Prata, de Minas Gerais. Tive de imediato a aceitação para compor a equipe de pesquisadores, mais de 120, de norte a sul. Um honra, já que se trata de um trabalho inédito no país por retratar profissionais não só do eixo Rio-São Paulo.
entrevista COMO foi a realização da pesquisa aqui no RN? COMO não tenho profundo conhecimento sobre a história dos profissionais de todos os tempos em terras potiguares por ser pernambucano e morar aqui há apenas oito anos, comecei a contactar cronistas experientes em busca de mapear quais nomes deveriam constar na lista. Listei uns 12 nomes, mas eu tinha a recomendação editorial de fazer de cinco a dez biografias. Foi então que pensei em falar com o jornalista Everaldo Lopes, uma verdadeira “enciclopédia” do rádio esportivo do RN. Com ele o trabalho avançou, apesar das inúmeras dificuldades que tivemos em coletar dados e, principalmente, fotos dos profissionais escolhidos. Levamos cerca de dois meses entre idas e vindas de e-mails. No final, acabou faltando algo, que talvez fique para uma próxima edição, mas mesmo assim dentro do que esperávamos. QUE contribuições esta obra traz para a memória do rádio esportivo nacional? SÃO muitas contribuições. Atualmente é muito difícil fazer uma pesquisa em que se necessite de informações dos cronistas das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Nessas regiões também existem grandes profissionais e a partir desse trabalho todos poderão saber o que marcou e ainda marca a crônica dessas localidades. Será uma inestimável fonte de consulta para admiradores, desportistas e pesquisadores da área. Só lamento não termos publicado fotos dos biografados aqui no Estado. Tinha de ter uma resolução mínima para qualidade de impressão e, apesar de inúmeros contatos com os próprios profissionais ou familiares dos que já morreram, não tivemos sucesso. Mas fica o grande registro escrito desses cronistas, pois quem comprar o livro terá a oportunidade de ver.
VOCÊ está chefe de departamento no curso de Comunicação Social. Há disciplinas para os que gostam ou pensam em atuar na cobertura esportiva? SIM. Temos a disciplina de Jornalismo Esportivo, ofertada como optativa para os cursos de Jornalismo e Radialismo. Inclusive, tenho o imenso prazer de poder ministrar essa disciplina, com certeza a que mais, junto com telejornalismo, tenho satisfação em trabalhar. Além disso, temos um projeto de extensão, com cerca de 10 alunos envolvidos, que envolve a produção esportiva no rádio. Esteve parado por causa da greve recente, mas estará de volta na nova roupagem da FM Universitária, que estreia agora em setembro, na web. A ideia é orientarmos esses alunos para o exigente mercado do mundo esportivo e revelar novos talentos para o mercado regional futuramente.
VIMOS que há uma carência de trabalhos dessa grandeza quando se refere a nomes de pessoas, personagens marcantes na comunicação brasileira. Por que, na sua opinião, há poucos trabalhos com propostas similares a estas? PORQUE, de um modo geral, temos pouco zelo com a memória. Com a comunicação não é diferente. Vivemos uma fase cruel, de muito imediatismo. O legado de muitos acaba se perdendo no tempo. É importante que trabalhos desse porte possam surgir para servir de orientação e estímulo aos mais jovens da comunicação.
EM termos de mercado, qual o espaço para a atuação de cobertura esportiva? EM TERMOS nacionais, muito vasto. A cada dia os veículos estão segmentando, dentro das redações, a cobertura esportiva. Isso no jornal, inclusive, já que na TV e no Rádio é bem mais evidente há alguns anos. Na nossa cidade ainda é visto com ressalvas, infelizmente. É como se fosse menos jornalismo do que outros setores como polícia, política ou temas gerais. Essa tem sido, ainda, uma visão distorcida de alguns gestores de veículos de comunicação.
O SEU interesse por essa área se dá além do âmbito profissional? CLARO que tem o lado pessoal. Fui criado praticamente dentro do futebol. Meu pai, Floriano, lá de Pernambuco, me levava a quase todos os jogos do Náutico no Nordeste. Fui até mascote por uns oito anos. Depois veio a vontade natural de ser jogador. Atuei nas categorias de base do próprio Náutico, Santa Cruz e Paulistano, todos de Pernambuco. Depois ainda joguei no juniores do Treze, na Paraíba. Como não me profissionalizei, o desejo de estar no meio esportivo foi evidente. Comecei então a atuar como repórter esportivo de rádio na Caturité, de Campina Grande. Depois fui para a Rádio Olinda, Clube de Recife e Continental, na qual cheguei a ser diretor e comandar uma grande esportiva, com conhecidos nomes do radioesportivo pernambucano. Por último, no caminho já da televisão, tive a oportunidade de ser repórter do SporTV por cinco anos. Uma experiência formidável e prazerosa. Amo esportes e o jornalismo esportivo. PARA finalizar, como é possível obter o livro “Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro”? Haverá lançamento no RN? ELE ficará disponível no site da Editora Insular para compra. O lançamento será feito apenas em Fortaleza, na próxima quarta, 5, por ocasião do 35º Congresso Brasileiro de Comunicação, o Intercom. Em cada Estado faremos a divulgação na mídia e nas universidades.
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criatividade
)) A vitrola foi montada em uma mala artesanal com caixa de som e entrada USB para presentear um amigo
Presentes
de grande valor O valor está na criatividade, na exclusividade e personalização, que deixam o presenteado ainda mais feliz
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em sempre é fácil agradar alguém e, por isso, às vezes é mais fácil e conveniente presentear quem se gosta com mais mesmo do que está disponível no mercado: rou-
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pas, cosméticos, perfumaria, acessórios... O difícil é conseguir ser criativo com estas opções mais fáceis de serem encontradas. Há quem goste de personalizar tanto
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o presente que demora dias, semanas e até meses para preparar um presente assim, tornando-o mais que especial. É claro que isso não é válido para todos os amigos, mas aqueles dos quais se conhece gostos, preferências e que saibam valorizar esse tipo de esforço. Foi o que fez, por exemplo, o servidor público Flávio Eleotério. Ao se aproximar a data de aniversário de um grande amigo, ele pensou em algo que fosse diferente, criativo e especial e saiu para transformar essa ideia em presente. “Tenho um amigo publicitário que gosta de coisas antigas e pensei num presente criativo para dar em seu aniversário. Levou cerca de dez dias para que ficasse pronto”, lembra Flávio. Flávio comprou uma mala feita por um artesão de Apodi, que já está nacionalmente conhecida. Somente a mala já seria a peça que o amigo gostaria de ganhar, mas o servidor procurou e comprou uma vitrola que ainda toca discos de vinil em bom estado e mandou que se fizesse uma caixa para que contasse com caixa de som, rádio e entrada USB para pendrive. Tudo isso foi montado dentro da mala. “Quando meu amigo viu a mala ficou feliz, mas ele não fazia ideia do que tinha dentro. Ao abrir, veio a surpresa, que ele depois me disse que aquele presente por diversas razões era o mais especial que já havia recebido”, ressalta. PLANEJAMENTO Neste caso específico, o presente saiu a um preço tão especial quanto a própria ideia, em média R$ 300,00. Mas, é possível, com planejamento, utilizar a criatividade para produzir presentes personalizados com preços menores. A maior dica está mesmo em anotar a ideia e preparar o presente com dias, semanas de antecedência. Assim, há tempo para se conferir todos os itens necessários para a criação e ainda é possível se pesquisar com calma, seja no comércio, seja na Internet. Não precisa ser caro, mas que tenha seu “dedo” na criação e/ou confecção. O maior valor ainda é o sentimental. Outra dica importante é conhecer bem o presenteado(a). “É preciso conhecer bem para que se possa acertar no presente e a pessoa saiba valorizar o esforço”, afirma Flávio.
alimentação
Chia : modos de usar A
semente de chia é uma ótima pedida para quem quer emagrecer de forma saudável, sem sofrer com carência de nutrientes, pois oferecem um coquetel de nutrientes, como ômega 3, fósforo, magnésio, potássio, ferro, zinco, cobre e manganês, e podem ser consumidas de muitas formas. Dá para sentir o sabor da chia, misturá-la a outros alimentos ou até preparar receitas; só depende da disposição em incluir mais essa novidade na dieta. O que é interessante colocar é que há diversas formas de uso da semente da chia. Uma delas é a de semente em forma de gel. Quando se mistura a semente de chia com água, ela começa a formar uma espécie de gel, reação característica das fibras solúveis. Conforme informações nutricionais, comer essa gelatina provoca um atraso no esvaziamento gástrico, aumentando a sensação de saciedade. Além disso, o gel formado aumenta o volume do bolo fecal, melhorando o funcionamento do intestino e prevenindo a prisão de ventre. Para consumir a chia em forma de gel, deixe uma colher de sopa da semente de molho em 60ml de água durante aproximadamente 30 minutos. O ideal é consumir o gel assim que ele estiver formado, não sendo recomen-
Conhecida por ter mais cálcio que um copo de leite e um elevado teor de proteínas, elas são aliadas das dietas para emagrecimento com saúde
dado guardar a mistura para comer depois. FARINHA DE CHIA Feita por meio da trituração da semente, a farinha de chia contém todos os nutrientes que o grão inteiro oferece. Ela pode ser usada no preparo de diversas receitas, como massa de bolos, tortas, pães e brownies. Ao trocar a farinha de trigo pela de chia, você está acrescentando ao prato diversos nutrientes que não aparecem (ou aparecem pouco) na farinha de trigo, como proteínas, cálcio, ferro e ômega 3. NO IOGURTE Quando em contato com líquidos, a semente de chia forma um gel que torna a digestão mais lenta, aumentando sua saciedade após a refeição. Ao colocar chia no iogurte, você também está acrescentando fibras ao prato e enriquecendo ainda mais a bebida com cálcio e proteínas. Isso contribui para a prevenção de doenças como osteoporose e ainda ajuda na reconstrução muscular. Uma sugestão é comer a porção no lanche entre as refeições, pois um pote de iogurte desnatado (160ml) mais uma colher de sopa de chia contêm apenas 70 calorias. VITAMINAS E SUCOS Ao acrescentar a chia em sucos ou vitaminas, você não só aproveita todos
os nutrientes que as frutas oferecem como também está ingerindo boas doses de cálcio, proteínas, ferro e zinco. Além disso, a chia potencializa o efeito antioxidante das frutas, ajudando no combate ao envelhecimento e prevenindo doenças como o câncer. APÓS EXERCÍCIOS Consumir uma salada de frutas acompanhada da chia pode ser uma ótima opção de lanche após os exercícios, uma vez que as frutas são fontes de carboidratos e a chia possui elevado teor de proteínas e potássio. Para quem pratica atividade física, é indispensável o consumo dessa combinação após o treino, já que os carboidratos vão repor a energia perdida, as proteínas vão ajudar na recuperação dos músculos e o potássio vai prevenir cãimbras. SUBSTITUI O OVO O gel formado pela chia pode ser um ótimo substituto do ovo em receitas. Misturando uma colher de sopa da farinha de chia com 60ml de água, você obtém uma quantidade de gel suficiente para substituir um ovo em qualquer receita. Ao fazer isso, há diminuição no consumo do colesterol (presente no ovo) e adição de mais nutrientes ao preparo. Qualquer porção de ovos de uma receita pode ser substituída pelo gel da farinha de chia sem problema.
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capa
Choque de culturas no
mundo da bola Jogadores encontram dinheiro e estabilidade quando vão atuar no exterior, mas sofrem com adaptações culturais e o temor de guerra
A
profissão de jogador de futebol no Rio Grande do Norte é bastante instável. A maioria dos clubes locais só atua durante três ou quatro meses, que é o período referente ao Campeonato Estadual. Por isso, os atletas vão à busca de qualquer clube para o restante do ano e, aqueles que não conseguem, se veem obrigados a se transferir para outras profissões ou se aventurar em campeonatos amadores. O sonho de consumo desses jogadores passa a ser atuar no exterior, nem que seja em países distantes e desconhecidos. Esse desejo de atuar fora do Brasil se dá justamente porque as competições nesses países acontecem durante o ano todo e os salários são pelo menos cinco vezes maiores do que no Rio Grande do Norte, bem como são pagos rigorosamente em dia. Bahrain, Emirados Árabes, Hong Kong e Irã são alguns dos países que já receberam ou recebem atletas do Rio Grande do Norte. Mas nem tudo são flores nesses locais. A adaptação cultural nem sempre é um desafio que dá para tirar de letra. Esse choque é muitas vezes o pior adversário dos atletas, sobretudo em países que são ameaçados por guerra ou que possuem uma cultura religiosa muito rígida. Márcio Cardoso, de Mossoró, começou uma aventura no Oriente Médio em 2006. Apesar de considerar o local tranquilo, ele já passou por grandes dificuldades no exterior. A maior delas aconteceu no Bahrain, onde atuou até o mês de julho deste ano. Na guerra civil do Bahrain, entre o final de 2010 e início de 2011, quando os xiitas foram às ruas tentar derrubar o poder sunita do país, ele teve medo de ser assassinado em uma das barricadas que aconteciam nas ruas a cada 200 metros. Parado no trânsito em uma delas, ao lado do também mossoroense Max e a exesposa desse segundo, Márcio Cardoso não entendeu a gesticulação dos guardas e foi identificado como fugitivo. O exército inclusive já tinha a ordem de atirar no carro, mas, por muito pouco, houve tempo para explicação. O guarda que estava na rua fez o gesto para que o carro em que Márcio vinha conduzindo fosse parado imediatamente no 8
meio da rua. Porém, ele não entendeu bem e foi para o acostamento, fazendo parecer que ele estava fugindo. Pediram, em árabe, que ele se explicasse, já com as armas apontadas. E o fato de não saber a língua local foi um fator que salvou a vida deles. Depois de muita gesticulação, Cardoso se aproximou de um guarda que sabia falar inglês e eles conseguiram se explicar, falando que eram estrangeiros e estavam alheios a guerra vigente. O guarda avisou para eles terem mais cuidado, pois a ordem já era de atirar neles. “Eles queriam que eu parasse de imediato, ainda na rua, mas não entendemos e paramos no acostamento para não atrapalhar o trânsito. Daí veio a ordem de atirar, por entender que era uma tentativa de fuga. Foi difícil, me comuniquei em inglês com um militar, para explicar que somos estrangeiros. Tive muito medo”, confessa. Durante a guerra cívica, Márcio ainda teve temor, mas, depois disso, afirma que tudo ficou tranquilo no Bahrain, onde o jogador atuou por quatro temporadas. Ele diz que o país é tranquilo e aberto aos costumes ocidentais. “Em linhas gerais, o Bahrain é um país muito bom. Não temos muitos problemas. A guerra foi um problema isolado e que já passou. Posso dizer que o Bahrain é o melhor país do Oriente Médio para se adaptar. Eles têm os períodos de oração, mas respeitam os costumes ocidentais, sem grandes choques”, salientou Márcio. A primeira experiência de Cardoso no exterior foi nos Emirados Árabes, em 2006. Neste país, ele afirma que teve bem mais problemas de adaptação cultural do que no Bahrain. O maior deles foi a questão religiosa. Como possui formação evangélica, Márcio Cardoso queria continuar praticando a sua religião no exterior. Ele conheceu outros evangélicos e passou a participar de grupos cristãos que se reuniam nos Emirados. Esses encontros, porém, são estritamente proibidos no país, que possui formação mulçumana. As punições podem ser a deportação ou até mesmo a pena de morte. Para não serem identificados, o grupo revezava os locais de reunião. “Era uma hora na casa de um, depois na casa de outro. Sempre
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)) Paulo
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)) Marcio C
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)) Joao
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o Junior mirados
Cardoso deserto
Batista m dubai
capa em locais que os vizinhos não pudessem escutar”, conta, revelando que eles pararam de fazer esses encontros ao perceberem que os vizinhos já estavam desconfiando dos encontros. “A experiência religiosa passou a ser individual, sem partilhar com ninguém, deixamos os encontros para não acontecer o pior”, conta Márcio. O jogador conta ainda que nos Emirados Árabes não é permitido o consumo de bebidas alcoólicas, nem existem tantas opções de lazer, a não ser em hotéis cinco estrelas, que são frequentes somente nas cidades de Dubai e Abu Dhabi, que estão investindo no turismo. O atacante mossoroense João Batista já é rodado no futebol do exterior. A primeira atuação fora do Brasil aconteceu em 2005, quando ele se transferiu para o AlHilal da Arábia Saudita. Desde então, já rodou por cerca de dez países entre avaliações e contratos. João conta que existe o temor quando se vai para alguns países, sobretudo do Oriente Médio, onde se fala muito em terrorismo, mas ele conta que essa questão envolve mais os xiitas e sunistas, deixando os estrangeiros isolados dessa disputa. Ele atualmente joga no Al-Jazeera Club, da divisão de acesso dos Emirados Árabes e está em sua terceira passagem pelo país. Segundo ele, os Emirados é um local bom para se morar, apesar de ter que se adaptar a um local onde vários costumes ocidentais são recriminados e a religião islâmica deve ser seguida com rigorosidade. Batista é companheiro de clube do jovem Renan, natural de Serra do Mel, que atuava pelo Potiguar de Mossoró. Aos 22 anos, Renan está em sua primeira experiência no exterior. O jogador desembarcou no país há cerca de um mês e diz que a adaptação não é tão tranquila como imaginava anteriormente. “Viajei como quem vai para um clube qualquer. Quando cheguei aqui e vi que não sabia falar com ninguém, foi que comecei a me tocar. As mulheres aqui também são muito estranhas, com as roupas que tampam tudo, mas tem o João Batista aqui para me ajudar”, comentou Renan. E, segundo João Batista, o Oriente Médio é um lugar que não se enfrenta tanta dificuldade em comparação ao Irã, onde ele passou apenas alguns meses e afirma que houve o maior choque de sua vida. No Irã, o clima de guerra era intenso quando ele chegou ao país e isso era nítido desde os companheiros no clube, até o nervosismo das pessoas na rua. “Era tudo muito estranho e o pior é que eu não sabia ao certo o que estava acontecendo. Tinham umas pessoas que estavam se cortando voluntariamente com lâminas de barbear e iam para as ruas. A língua era muito estranha e o povo muito fechado. Não entendi nada, era tudo estranho e dava certo medo”, conta João Batista, reve-
lando também que os homens não podem sair de camiseta nas ruas e as mulheres se vestem todas cobertas. O atacante afirma que em cada país existem suas peculiaridades que dificultam na adaptação, mas aos poucos o jogador vai se acostumando. Na Áustria, onde atuou por duas temporadas e sofreu várias contusões, o problema é mais no futebol, onde os treinadores não aceitam que o atleta se canse. “Eles sempre estão exigindo mais e mais. Fica difícil aguentar”, conta. João conta ainda que enfrentou o preconceito em Portugal. “Eles falam mal dos brasileiros, tentam mostrar superioridade, mas ao mesmo tempo querem ter um futebol como o nosso”, revela o jogador, que atuou pelo Estrela Amadora em 20072008, clube que na época atuava na 1ª Divisão de Portugal. Um jogador que já conta com bastante experiência no exterior é o atacante Paulo Júnior, natural de Natal e radicado em Mossoró. Ele atua desde 2005 no exterior e grande parte da sua experiência fora do Brasil aconteceu nos Emirados Árabes, onde ele atuou entre 2007 e julho deste ano. PJ afirma que a adaptação no país não é um desafio tão complexo se o jogador tiver focado e com a mente formada. É preciso, segundo ele, aceitar as roupas locais, não tentar pregar o cristianismo em locais onde a religião é mais rígida e adaptar-se aos costumes culturais do país, como os horários de oração e o mês do ramadã, no qual os muçulmanos jejuam durante o dia e, por isso, os treinos só acontecem no período da noite. “Não tem nenhum bicho de sete cabeças. É respeitar os costumes deles, para ser respeitado. Passei cinco anos nos Emirados Árabes e não tive problema algum. Tem algumas questões que causam impacto, mas, em linhas gerais, é tudo muito tranquilo”, disse Paulo Júnior, brincando sobre um cumprimento local masculino que é feito de nariz com nariz. O jogador diz ainda que o país está investindo no futebol e, por isso, existe um respeito com os brasileiros, que são bem valorizados nesse processo de crescimento do futebol local. “Tem a crença deles, baseada no alcorão, que é bem diferente da nossa, mas eles entendem que somos ocidentais e acabam nos respeitando, principalmente nós jogadores que chegamos aqui para ajudar no desenvolvimento do futebol deles”, comentou PJ. Paulo se transferiu para a Coréia do Sul há cerca de dois meses. Ele conta que existe um temor de guerra constante entre Coréia do Sul (capitalista) e Coréia do Norte (socialista). “Eles até hoje não finalizaram a guerra,
só estão em trégua, pois a Coréia do Norte atacou a Coréia do Sul e quase dominava, eles entraram justamente por aqui, em Incheon. Aí, os Estados Unidos interviram na guerra. Eles reconquistaram e foram atacando a Coréia do Norte. Aí eles pediram trégua, bandeira branca. E assim ficou, mas ainda se preparam para qualquer momento. Aqui todos passam anos no exército”, salientou o jogador. “Não sei bem o tempo que isso aconteceu, eles sempre comentam isso e a pessoa nota algum receio deles, creio que se preocupam sempre”. Outro temor na Coréia do Sul é quanto aos tufões, ventos fortes que causam vários danos ao país. “Teve aqui semana passada. Ventos com mais de 120 quilômetros por hora. Teve algumas pessoas que morreram no país, não muito, mas aqui onde moramos foi mais o vento forte, não foi muito atingido”, contou Paulo Júnior.
)) Joao Batista na Austria
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música
Blues no DoSol O gaitista e cantor com uma carreira de mais de duas décadas Flávio Guimarães será a atração principal e Gustavo Cocentino fará show de acompanhamento 10
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em só de rock é feito o Centro Cultural DoSol em Mossoró. Confirmando a proposta de ser um espaço para os gêneros musicais alternativos (o alternativo para nossa região é basicamente tudo o que está distante do forró), o Centro Cultural DoSol Mossoró realiza no final deste mês um show de blues em grande estilo. O show será no dia 21 de setembro em Mossoró e dia 22 em Natal com o músico Flávio Guimarães da banda Blues Etílicos (RJ) – uma das mais populares bandas de blues do Brasil, pela primeira vez em Mossoró. A banda de blues/rock natalense Gustavo Cocentino & Blue Mountain fará o show de abertura e acompanhará o artista. GRANDE MÚSICO Flávio Guimarães é dono da mais ex-
música tensa biografia de um músico de blues no Brasil. Tem 18 CDs gravados entre carreira solo e a banda Blues Etílicos, sendo oito álbuns solo e mais dez como integrante e fundador da mais popular banda de blues brasileira, a Blues Etílicos. Gaitista, cantor e pioneiro do blues no Brasil, possui uma carreira de mais de duas décadas. O músico já gravou com Alceu Valença, Cássia Eller, Ed Motta, Fernanda Abreu, Luiz Melodia, Paulo Moura, Renato Russo, Rita Lee, Titãs, Zeca Baleiro e Zélia Duncan, entre outros. Realizou shows de abertura para B. B. King e Robert Cray, além de compartilhar o palco com algumas lendas vivas do blues, como Buddy Guy, Charlie Musselwhite, Sugar Blue e Taj Mahal. Na gaita diatônica, pelo conjunto de sua obra e por seu pioneirismo, Flávio se tornou a principal referência desse instrumento no país. GUSTAVO COCENTINO Natural do Rio de Janeiro, o guitarrista Gustavo Cocentino começou a tocar em bares e festas no ano de 1996 na banda carioca Gang do Whisky. De volta a Natal em 2003, participou de vários outros projetos musicais e em 2008, junto com o baixista Leo Javali de Minas Gerais, criou a banda potiguar de blues “The Blue Mountain”. Através do Clube do Blues, projeto de sua autoria, acompanhou e dividiu o palco com nomes do blues nacional e internacional como Flávio Guimarães do Blues Etílicos (em mais de cinco ocasiões), Nuno Mindelis (três vezes), André Christovam (SP), Larry McCray (EUA), George Israel (Kid Abelha), Willie Big Eyes Smith (Muddy Waters band), Danny Vincent (Arg), Jefferson Gonçalves (RJ), Robson Fernandes (SP), Maurício Sahady (RJ), Mitch Kashmar (EUA), Big Gilson (RJ), Felipe Kazaux (CE), Adrian Flores (Arg) ,Celso Blues Boy (RJ) e Carlos Johnson (Chicago, EUA). Suas principais influências musicais são Jimi Hendrix, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan, o blues e suas vertentes em geral, country, bluegrass, Raul Seixas e classic rock anos 60 & 70. Em 2011, o nome da banda muda para Gustavo Cocentino & Blue Mountain e, após cinco anos produzindo e atuando ao lado de grandes nomes do gênero, lança o primeiro CD no início de outubro. O CD intitulado Gustavo Cocentino & Blue Mountain reúne releitura de clássicos do blues e conta com a participação de dois grandes nomes do blues. O guitarrista Nuno Mindelis e o gaitista Flávio Guima-
rães da banda carioca Blues Etílicos. Além dessas grandes estrelas, o álbum conta também com a participação dos músicos locais CBI, vocalista da banda Mad Dogs, o multi-instrumentista Antônio de Pádua no trompete e de Toni Gregório, integrante da banda Rosa de Pedra. Neste ano de 2012, foi indicado pelo “Prêmio Hangar”, na categoria melhor instrumentista de 2011. Participou da
mostra II blues do Nordeste realizado pelo BNB em Fortaleza (CE). Esteve presente ainda nas edições dos anos de 2009 e 2010 do Natal Blues Festival. Pelo Oi Blues by Night, acompanhou o lendário John Primer (Chicago, EUA). Participou das edições do Fest Bossa & Jazz acompanhando o americano Larry McCray no ano de 2010 e a dupla de Bluesmen Dave Riley & Bob Corritore em 2011.
)) Flávio Guimarães já gravou com grandes nomes da MPB
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crônica
ÂNGela ClaUdIa RezeNde*
Malcomportados carneirinhos
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epois de um dia cansativo, em que predominou o movimento, as atividades “sorventes” que rodeiam nosso cotidiano completo de “coisas” o que o corpo quer é o merecido descanso. Mas pessoas notívagas como eu não lidam bem com esse momento e sofrem quando chega o fim do dia porque têm que dormir. O que fazer então quando não temos sono, mas somos obrigados a deitar porque teremos de acordar cedo para “dar conta” dos afazeres? O caso é que isso me aflige muito. As pessoas normais deitam contam seus carneiros enfileirados pulando a cerca pacientemente um a um. Bem comportados carneirinhos os dos outros. E desejaria profundamente ter carneirinhos comportados em meus pensamentos e não ter problema algum para dormir, mas veja o que me acontece. Durante todo o período de ensino médio, passava as noites estudando para as provas, trabalhos, lendo os romances ou escrevendo meus textos, o que passou a ser comum. Acordada à noite como uma “lobiswomen”, se é que possível isso, e dormia um pouco pela manhã, pois à tarde eu teria as tardes mais animadas da minha vida. Isso se repetiu durante a faculdade, os anos em que não se têm hora para dormir, dorme-se quando pode, quando acabam-se os trabalhos, leituras, relatórios, fichamentos, textos. Dorme-se quando exime-se de todas as responsabilidades e mais 4 anos seriam suficientes para tornar hábito a troca do dia pela noite. Mais dois anos de mestrado viriam acostumar-me então a viver uma vida de zumbi. Mas a vida da sociedade funciona de dia e a gente que trabalha tem de se acostumar, o que de fato não acontece comigo. Chega a noite e a minha insônia me obriga a procurar alternativas para cochi-
lar. Nada deu certo nunca, a não ser passar horas e horas olhando para o escuro e quando se esgotam as possibilidades do pensamento chega o sono. De todas as tentativas que fiz para dormir a mais divertida é “contar carneirinhos”. E lá estava eu com um amontoado de carneiros brancos em frente a uma cerca de madeira, perto de um monte de capim esperando (como numa corrida para cavalos) que eu desse o sinal para que eles pulassem. Iam um a um pulando, o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto era totalmente impaciente e não esperava a sua vez de forma que os outros carneirinhos ficaram com raiva e queriam passar na frente e estava feita a confusão. Os meus carneirinhos impacientes saíam empurrando uns aos outros, acabavam quebrando a cerca e eu nada de dormir com toda essa confusão. Que droga de carneirinhos. Tão malcomportados e eu começava a rir porque não conseguia fazê-los se-
guir uma ordem. Mas que mente desgovernada essa minha! Fiquei imaginando que eu não poderia ser normal, várias pessoas conseguem contar carneiros normalmente e por que eu não consigo? Eu tinha certeza de que eu era anormal. Compartilhei esse fato com meu esposo e ele me disse que também não conseguia. (Puxa! Que bom, mais alguém tem o mesmo “problema” que eu.) Aí eu perguntei por que ele não conseguia contar os carneiros e ele me contou que não sabe o porquê, mas que na hora dos carneiros pularem a cerca quando iam tinha um chiclete pregado na pata do bicho. Não aguentei. Comecei a rir. E fiquei imaginando que pior do que um grupo de carneiros impacientes é um carneiro no meio de um curral com chiclete pregado na pata impedindo a sua “pulada”. (Existem mentes mais interessantes que a minha). Virei para o lado e fui dormir.
* Ângela Claudia Rezende do Nascimento Rebouças, é professora na Faculdade Mater Christi. Jornal de Fato | DOMINGO, 9 de setembro de 2012
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sua carreira
Rafael DemeTRIUS
EVITE EMERGÊNCIAS
Como se sair bem em uma entrevista de emprego
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questão da postura é fundamental para causar uma boa impressão durante a entrevista. É preciso sentir-se seguro, mas sem parecer arrogante. A linguagem corporal, ou nãoverbal, é a maior responsável por uma conexão imediata entre duas pessoas. Por isso, o entrevistador analisa a aparência, a voz e a maneira de se comunicar do profissional. Na sala de espera não há nada mais desastroso do que um candidato sentado de maneira desleixada. Há ainda os que demonstram claramente seu nervosismo, seja balançando a perna, murmurando palavras desconexas (como se estivesse ensaiando uma fala), ou deixando os ombros caídos sem uma atitude visivelmente ansiosa. Portanto, mesmo enquanto aguarda o momento da entrevista, o profissional deve ficar atento à sua postura. A primeira impressão precisa ser positiva. Quando o entrevistador se aproxima, o candidato deve sorrir e cumprimentá-lo olhando diretamente para ele, apertar sua mão de maneira firme, porém cordial. Se apresentar problemas de sudorese nas mãos é importante usar um gel antitranspirante e manter um lenço de papel estrategicamente guardado no bolso do paletó ou dentro da agenda de mão. A questão da postura é fundamental para causar uma boa impressão durante a entrevista. O candidato deve manter o corpo ereto, mas sem denotar rigidez ou falta de flexibilidade. É interessante que se movimente em direção a seu interlocutor para demonstrar motivação pelo assunto, sem, contudo, ultrapassar os limites do bom senso. As roupas e acessórios que utilizar devem ser conservadores e neutros. Na dúvida, é melhor apostar no terno e gravata para homens e num conjunto de calça e blazer para as mulheres. Essas e mais outras dicas vocês encontrarão agora nesta coluna. INFORME-SE
Mesmo que o anúncio da vaga responda a tudo que você gostaria de saber, pesquise mais sobre a organização que está contratando, sobre o mercado dela, oportunidades e concorrentes. Nada vai impressionar mais o seu entrevistador ou banca do que perceber que você tem conhecimento de assuntos correntes sobre o tema. Não se limite ao site da empresa, pesquise notícias e, se possível, recorra a algum contato que conheça a organização.
Na véspera, durma bem e se alimente de forma segura, evite chegar com o rosto marcado pelo sono, ressaca, ou atrasado porque dormiu demais. CHEGUE A TEMPO
Mesmo em casos de entrevistadores benevolentes, que permitirão que você seja entrevistado mesmo chegando atrasado, a impontualidade conta muitos pontos negativos. Planeje antes sua rota para chegar a tempo. Dependendo da natureza da entrevista, você pode estar entrevistado por chefes das áreas em que há vagas, e não tenha dúvida de que o tempo deles é valioso. Planeje chegar 15 minutos mais cedo e use o tempo extra para relembrar ou revisar suas anotações, ou mesmo para trocar ideias com outros candidatos ou com alguém da organização que esteja na sala de espera, mesmo que casualmente. Eu sempre procuro passar na sala de espera antes das entrevistas, me identifico claramente (sem pegadinhas) e espero para ver quem tem iniciativa de conversar e fazer perguntas inteligentes. POLIDEZ
Seja educado e civilizado tanto na sala de espera quanto na entrevista. Não masque chiclete, não fique olhando para o relógio, desligue o telefone celular. Evite fumar, e não abuse do cafezinho. FAIR PLAY
Nunca fale mal de sua antiga empresa, empregadores, fornecedores ou clientes – nem mesmo na sala de espera, e principalmente na entrevista. Este conselho serve também para a sua vida pessoal. TRAJE
Use o bom senso na hora de escolher a roupa, e separe-a e revise-a já na véspera. Mostre que você se dedicou para escolher uma roupa adequada a um ambiente profissional e à imagem da organização. Mas não exagere! PRATIQUE E TREINE
Obtenha ou prepare uma lista de perguntas típicas de entrevistas de emprego e convide alguém de sua confiança para praticar a lista várias vezes. Se possível, grave e depois ouça. O ideal é chegar ao ponto em que você responde a qualquer uma das perguntas básicas sem parar para pensar mais do que alguns segundos nem dizer os típicos “Ééééé”, “Ahhhhh”, “Bom...”. Mas cuidado para não se precipitar – você deve refletir, para responder exatamente o que foi perguntado – sem ser monossilábico. Interaja, mostre que você tem conteúdo. Mas nunca exagere! ANTECIPE O MAIS DIFÍCIL
CURRÍCULO
Revise e reveja seu currículo, tenha uma cópia dele consigo no momento da entrevista, e se alguma das suas respostas for divergir do que constava no currículo que você enviou à empresa, explique a razão, pois seus entrevistadores irão perceber, ainda que não falem nada a você na hora.
Planeje boas respostas (mas sempre totalmente sinceras) para perguntas potencialmente difíceis, como a lista de seus pontos fortes e fracos, ou a razão pela qual você deixou seu último emprego. Uma boa resposta para a questão dos pontos fracos começa com “Eu percebi que não estou tão bem quanto gostaria no aspecto X, e por isto ultimamente tenho tentado corrigir isto fazendo Y”. Mas só é boa se for verdade mesmo
Curso de legislação trabalhista e previdenciária Começa na segunda-feira na Meta, das 19h às 22h, o curso que vai tirar todas as suas dúvidas sobre Departamento Pessoal. Para participar, basta ligar para a Meta, no 84 3314-1024, ou mandar um e-mail para comercial@tenhametas.com.br e fazer sua inscrição. As vagas são limitadas.
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Jornal de Fato | DOMINGO, 9 de setembro de 2012
adoro comer
DavI moURa
Etiqueta à mesa Temos hábitos que trazemos de infância. Algumas regrinhas que nossas mães e avós nos passaram de etiqueta à mesa, ainda que senso comum. Hoje trago uma pequena lista com algumas dicas que vão ajudar com certeza a vida de todo mundo. Confira: 1) O guardanapo deve ser aberto no seu colo, isso quando o mesmo for de pano. Quando terminar de comer, ele volta à mesa, do lado esquerdo do prato. E, ao levar à boca, basta tocar levemente onde está sujo; 2) Os talheres devem ser usados da seguinte forma: o garfo na mão direita e a faca apoiada na parte superior do prato, voltada pra dentro; 3) Assim que terminar de comer, o garfo e a faca ficam voltados à direita em cima do prato, delicadamente inclinados para baixo; 4) Evite os palitos de dente. É feio, seboso e deselegante. Vá ao banheiro e passe o fio dental. Se não tiver, leve o palito ao banheiro; 5) Os copos, em jantares formais, ficam alinhados do lado direito do prato. O primeiro é pro vinho branco, o segundo pro tinto, o terceiro e maior para a água e, às vezes, uma taça alta para champanhe; 6) Já na parte comidas, pode dobrar as folhas da salada. Não corte, nem coloque-as abertas na boca; 7) O frango pode sim ser segurando com o guardanapo.
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A dica de local de hoje é o restaurante Todas as Caras, mais conhecido por seu dono, Lucena. É um local que há anos meus pais gostam de frequentar, assim como vários amigos sempre vão por lá. É reservado, a comida é gostosa e barata. Um dos melhores petiscos são os bolinhos pequenos de queijo, bem fritinhos e bons para acompanhar uma cerveja gelada. O espetinho é bem generoso e recheado com bacon, acompanhado por batatas fritas e farofa. O destaque maior é a feijoada, servida com arroz e farofa e bons pedaços de carne dentro. Saborosa e bem temperada, vem em uma vasilha de barro, que a mantém quentinha por mais tempo. Uma porção mais que generosa pra 1 pessoa – dá até pra duas. Visite: R. Inácio Vale, 1122, no Planalto 13 Maio. Fica na rua da Maçonaria, atrás do Rebouças novo. Abre de quarta a sexta a partir das 18h e sábado e domingo a partir das 12h. Contato: (84) 3314-6141.
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Tipos de sushi Conversando com alguns leitores do #AdoroComer, percebi que o pessoal adora, mas não sabe diferenciar os nomes. Hoje vou ensinar os nomes dos mais populares – e nem precisa ser perito em japonês: CALIFÓRNIA: A principal característica do califórnia é a inserção de frutas e vegetais no seu recheio. É bem comum encontrá-lo com manga e pepino, sempre acompanhados com kani e cream cheese; HOSSOMAKI: É o sushi mais popular, com a alga enrolada por fora e fatias de peixe por dentro. O sushi “brasileiro” apresenta a opção com cream cheese; FUTOMAKI: O futomaki é maior que o hossomaki e leva mais ingredientes no seu recheio. A base é a mesma, com a alga enrolada por fora; URAMAKI: É o contrario do hossomaki. Aqui, a alga é enrolada pra dentro. É o meu favorito, especialmente com o recheio skin, de pele de salmão grelhada com cream cheese; GUNKANMAKI: O lance desse aqui é, na hora de enrolar, um pedaço de alga é deixado mais alto, assim se forma uma “caminha” de arroz que permite que o sushiman acrescente mais ingredientes por cima, como um topping. Fica em formato de barquinho, mais alongado; NIGUIRI: Este aqui é feito na mão, em formato de bolinho, com uma tira de peixe por cima. Pode vir com outros toppings, embora salmão, atum, robalo e linguado sejam os mais usuais. TEMAKI: O temaki é considerado fast food no Japão e todo dia 8 de cada mês, é comemorado o dia do temaki. É um cone de sushi e deve ser comido como sorvete. Há quem não goste da alga que o envolve.
Restaurante Todas as Caras
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Living Las Vegas Já há algum tempo que o novo Maison Gastronomia foi inaugurado aqui em Mossoró e já deu pra perceber que a proposta é de um ambiente diferenciado, elegante e com a culinária bem mais elaborada. A nova proposta para movimentar são noites especiais com culinárias específicas de algumas partes do mundo. A dessa vez é uma típica refeição americana, com direito a costelinha com molho barbecue, hambúrguer, steak e até torta de maçã. É uma oportunidade bem interessante de provar as delícias do mundo, fora todo o conceito cultural que é trabalhado. Será no dia 14 de Setembro, às 21h. Reservas: (84) 8709 7897 | (84) 9183 2654.
Croquete de Calabresa do Rancho Vô Joaquim Um dos concursos mais legais de gastronomia do Brasil é o Comida di Buteco. Convenhamos que petiscos são deliciosos – muitas vezes melhor que o prato principal. Acontece em algumas das capitais e outras cidades que tem um cenário gastronômico mais elaborado: um dia chega à nossa terrinha quente. Você pode conferir por aqui mais receitas: http://www.comidadibuteco.com.br/. O campeão do ano passado foi o “Croquete de Calabresa” em Campinas, do Rancho Vô Joaquim, no bairro Guanabara. Os requisitos de avaliação são vários, que incluem até a limpeza do local e atendimento. Claro, o sabor é o principal. Os botecos foram avaliados com jurados secretos, tudo bem na surdina. Achei massa! As receitas são até bem fáceis de fazer em casa. Peguei a receita do croquete – lá no G1 – pra ver quem consegue fazer em casa. Acompanhe:
Aproveite e acesse o http://blogadorocomer.blogspot.com para conferir esta e outras delícias! 14
Jornal de Fato | DOMINGO, 9 de setembro de 2012
adoro comer
Croquete de Calabresa INGRedIeNTeS • 500 gramas de calabresa moída • 2 cebolas picadas • 2 dentes de alho • 50 gramas de manteiga • 1 lata de creme de leite • 1 sachê de molho de tomate • 1 xícara de farinha de trigo • Óleo suficiente para fritar
MODO DE FAZER • Cozinhar todos os ingredientes até soltar do fundo da panela. Deixe esfriar. A seguir, enrole, empane e frite em óleo bem quente.
Jornal de Fato | DOMINGO, 9 de setembro de 2012
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