Skip to main content

Revista de Domingo nº 697

Page 1

editorial

Ritual da boa mesa

O

Entrevista

p4

Boa leitura, Nara Andrade

Doutoranda em ecologia fala sobre estudo científico com registros de novas ocorrências no nordeste de espécie de lontra

s alimentos saudáveis, como integrais, funcionais, diet e light, geralmente sofrem com o estigma de que são sem gosto, ou pior ainda, são ruins. E boa parte das pessoas ainda torcem o nariz para refeições preparadas com o uso de ingredientes dessas categorias. No entanto, hoje, fazer dieta deixou de ser sinônimo de uma rotina alimentar sem graça e sem sabor. DOMINGO conversou com a nutricionista Egna Nobre que passou dicas valiosas de como manter uma alimentação de qualidade, fazendo simples substituições que deixam nosso prato mais saudáveis, e o melhor, muitas vezes mais saboroso. E a especialista ainda orienta, o equilíbrio é fundamental nos rituais da boa mesa. Nessa semana DOMINGO traz uma matéria sobre o Desert Blues Clube, confraria criada por mossoroenses apreciadores do blues, com o intuito de movimentar a cena musical do gênero na cidade, divulgar artistas e bandas da região, transmitir notícias do universo do blues no Brasil e no mundo, e ainda promover eventos. Ainda nessa edição uma entrevista com a pesquisadora, aluna do doutorado em ecologia pela UFRN, Patrícia Farias, que fala sobre os estudos científicos dos novos registros de ocorrência da espécie de lontra em regiões do nordeste.

p 13

p15

p7

Ritual da boa mesa Saiba como aliar saúde e sabor nas refeições. nutricionista dá dicas de substituições simples que enriquecem o prato

Clube do Blues Apreciadores de gênero musical criam página da internet para divulgar novidades da cena musical e realizar eventos de blues

p10

Cultura popular Poeta Genildo Costa busca continuidade do projeto cultural que já conta com oito edições realizadas.

Receita

Kafta (carne moída no espeto)

• Edição – C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral – Wil­liam Rob­son • Editora – Nara Andrade • Dia­gra­ma­ção – Rick Waekmann • Projeto Gráfico – Augusto Paiva • Im­pres­são – Grá­fi­ca De Fa­to • Re­vi­são – Gilcileno Amorim e Stella Sâmia • Fotos – Carlos Costa, Marcos Garcia, Cezar Alves e Gildo Bento Re­da­ção, pu­bli­ci­da­de e cor­res­pon­dên­cia Av. Rio Bran­co, 2203 – Mos­so­ró (RN) Fo­nes: (0xx84) 3323-8900/8909 Si­te: www.de­fa­to.com/do­min­go E-mail: re­da­cao@de­fa­to.com Do­min­go é uma pu­bli­ca­ção se­ma­nal do Jor­nal de Fa­to. Não po­de ser ven­di­da se­pa­ra­da­men­te.

2

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015


conto

joSÉ NIcoDemoS*

A confissão de Nicolau

O

(

Envie sugestões e críticas para o e-mail: aristida603@hotmail.com

)

rancho tinha os lados abertos, como todo rancho de salina antigamente. Dentro dele, estirado numa rede, Nicolau agonizava de uma ferida braba na boca do estômago. Um oco vermelho.feito brasa Não tinha família, e como não havia hospital na cidade, o jeito era morrer ali mesmo no rancho. Entre os seus de profissão. Devia ter seus quarenta e poucos anos e havia mais de vinte anos, vindo da seca no sertão dele, trabalhava ali na salina João da Rocha. Nunca falava de suas origens, desses tipos calados, mas suspeitava-se, pelas entrelinhas de suas raras e lacônicas conversas, que o motivo de sua mudança do sertão estava na fuga da polícia pela vingança da morte do pai. Só se sabia dele, Nicolau, pela própria boca, que tinha dez irmãos homens, todos eles agricultores lá no seu sertão, sendo ele o mais moço. Nada além dessa revelação explícita. Já cuidava da aposentadoria, com a intenção de voltar para a terra natal, quando lhe apareceu essa ferida no estômago, que foi crescendo, crescendo, do dia para noite, até tornar-se aquele buraco de carne viva. Horrível. Devia

Só se sabia dele, Nicolau, pela própria boca, que tinha dez irmãos homens, todos eles agricultores lá no seu sertão, sendo ele o mais moço. Nada além dessa revelação explícita.

sentir grandemente dores, mas não se rendia a um só gemido. Gênio forte de sertanejo bruto. No caso, nada além de uma cara feia. Levaram-no para Mossoró, e o médico diagnosticou um câncer em estado terminal. Não havia mais jeito. Nicolau não aceitou a internação no Hospital de Caridade local, preferia morrer no rancho onde vivera a maior parte da vida. Aplicações de morfina pelo enfermeiro do instituto de

previdência social, trazido pelo feitor da salina. Efeito de pouco tempo. Sentindo a morte chegar, arregalou os olhos em covas fundas, já distantemente cinzentos, e num fio de voz, quase inaudível, pediu que lhe chamassem o feitor, sem demora, queria fazer-lhe uma confissão. E um pedido. Não deu tempo. Fechou os olhos para sempre, numa última careta deformando-lhe as faces de caveira antecipada.

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015

3


Entrevista

Patrícia Farias

“Minha pesquisa está identificando novos registros da espécie no nordeste”

Por Nara Andrade Da Redação / naraandrade@gmail.com

N

atural do estado de Pernambuco, a bióloga Patrícia Farias Rosas Ribeiro, de 33 anos, é formada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente, ela faz parte da turma de doutorado em ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e desenvolve pesquisa com o objetivo de estudar registros da espécie de lontra (Lontra longicaudis) no Nordeste brasileiro, onde ela ainda é muito pouco conhecida, e tem registrado novos locais de ocorrência da espécie na região. Segundo a pesquisadora, a pesquisa é motivada pela necessidade de mais informações sobre a ecologia da lontra no NE. Em entrevista a DOMINGO, a pesquisadora fala sobre as características da espécie estudada, as dificuldades e desafios para realização da pesquisa e sobre as informações levantadas até o momento e os métodos utilizados para o desenvolvimento do estudo. DOMINGO – Recentemente foi identificada em alguns estados do Nordeste brasileiro uma espécie de lontra ainda pouco conhecida. Como essa espécie foi encontrada? Patrícia Farias – A lontra sempre existiu no Nordeste, mas é pouco conhecida e estudada na região. Estudos recentes já comprovaram a ocorrência da espécie em algumas localidades do 4

Nordeste e foram estes estudos que direcionaram minha pesquisa. A pesquisa tem registrado novas localidades de ocorrência de lontras durante campanhas de campo que estão sendo realizadas na região nordeste ao norte do Rio São Francisco, entre os estados do Piauí e Alagoas. QUAIS as regiões em que a espé-

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015

cie foi encontrada? ATÉ o momento, a ocorrência da espécie foi registrada nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí, em áreas de Floresta Atlântica e Caatinga. QUAL a importância dessa descoberta? A ESPÉCIE já foi registrada por


Entrevista estudos anteriores no Nordeste, portanto não seria exatamente uma descoberta da espécie, mas sim de novas localidades de ocorrência na região. Saber a área de distribuição de uma espécie é uma informação essencial para guiar estratégias de conservação. É preciso saber onde a espécie vive para poder conservá-la. Dentre os registros de presença de lontra até agora obtidos durante a pesquisa, destaca-se a importância dos registros localizados na Caatinga. No bioma Caatinga, embora existissem relatos de ocorrência da espécie, ainda não havia uma confirmação oficial da sua ocorrência. Registramos que a espécie pode ocorrer em rios intermitentes desse bioma, em sistemas de poças, o que é importante porque esses ambientes também devem ser levados em consideração para a conservação da espécie. QUAL o objetivo da pesquisa? A PESQUISA tem o objetivo de entender como a lontra está distribuída na região Nordeste do Brasil, para assim gerar informações que possam guiar estratégias de conservação para a espécie. Para se conservar uma espécie, é preciso entender primeiramente onde ela ocorre e também porque ela ocorre nestes locais. Então a pesquisa não se limita apenas a identificar áreas de ocorrência de lontras no Nordeste, mas também procura entender por que as lontras ocorrem em alguns rios e outros não, quais características desses rios são importantes para a sua ocorrência, por que em alguns rios elas existiam, mas atualmente estão extintas e quais as principais ameaças para a espécie. Dessa forma, pretende-se aumentar o conhecimento sobre as lontras em uma região altamente impactada, fornecendo informações para avaliar o seu risco de extinção e planejar futuras estratégias de conservação. A ESPÉCIE foi identificada através de sua pesquisa de doutorado? Você já vinha estudando esse tema nas demais pós-graduações? NO BRASIL existem duas espécies da sub-família das lontras, que são: a ariranha (Pteronura brasiliensis) e a lontra (Lontra longicaudis). A ariranha atualmente só ocorre na Amazônia e Pantanal e a lontra ocorre em todo o Brasil e é a espécie que eu estudo. Então não se trata de uma espécie nova e não houve uma descoberta da espécie no Nordeste por parte da minha pes-

quisa. O meu projeto tem o objetivo de estudar esta espécie no NE, onde ela ainda é muito pouco conhecida, e tem registrado novos locais de ocorrência da espécie na região. Um dos motivos que me levaram a realizar a pesquisa foi a necessidade de mais informações sobre a ecologia da lontra no NE. No mapa de distribuição da lontra, onde aparece todos os locais onde a espécie ocorre no mundo, constava como se a lontra ocorresse desde o México até o Norte da Argentina, incluindo todas as regiões do Brasil, menos o Nordeste. No entanto, a lontra sempre ocorreu na região. Essa lacuna que existia no mapa era resultado da falta de estudos e falta de informações sobre a espécie na região. Estudos recentes foram publicados comprovando a ocorrência da lontra em vários locais do Nordeste e este mapa está em processo de atualização. O meu projeto tem o objetivo de complementar esses estudos já realizados, não só descobrindo novos locais onde a espécie ocorre, mas procurando entender porque ela ocorre nesses locais. A espécie não foi identificada através da minha pesquisa de doutorado. A minha pesquisa está identificando novos registros da espécie no Nordeste e aumentando o conhecimento sobre as lontras na região. Eu comecei a estudar os Lutrínieos (sub-família das lontras) em 2007, durante o mestrado. A minha pesquisa de mestrado, no entanto, não foi com as lontras, mas com as ariranhas, mais especificamente sobre o conflito entre pescadores e ariranhas

na Amazônia. Desde então, venho trabalhando com estas duas espécies. POR QUE estudar sobre as lontras? NO MUNDO existem 13 espécies de lontras e a Lontra longicaudis, que é a que ocorre no Nordeste, é uma das menos estudadas. Devido ao seu comportamento discreto, a espécie é difícil de ser visualizada no seu ambiente natural e por isso muitos aspectos da sua biologia e ecologia são desconhecidos. Essa falta de conhecimento é agravada na região Nordeste do Brasil, onde existia uma lacuna nos mapas de distribuição da espécie. Estudos recentes foram publicados comprovando a ocorrência da lontra em várias localidades do Nordeste, o que comprova que esta lacuna era resultado da falta de estudos com a espécie na região, e não da sua ausência. Foi essa necessidade de informação que motivou a realização da pesquisa. QUAIS as informações que já foram coletadas? Até o momento, estão sendo realizadas campanhas de campo para a coleta de informações sobre a ocorrência da espécie. A ocorrência da lontra já foi registrada nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí, em áreas de Floresta Atlântica e Caatinga. QUAIS as principais dificuldades e desafios de pesquisar sobre essa es-

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015

5


Entrevista pécie pouco conhecida? A PESQUISA tem uma abrangência geográfica grande, o que implica em muito tempo e esforço de campo. Por ser uma espécie muito difícil de visualizar, a sua presença é confirmada na maioria das vezes por vestígios, como tocas, pegadas e fezes, que são procurados ao longo dos cursos d’água. Esta busca por vestígios, quando possível, é feita percorrendo os rios com um caiaque ou barco com motor de popa. No entanto, devido à baixa vazão de muitos rios da região, nos cursos médio e alto dos rios esta busca por vestígios é feita na maioria das vezes a pé, ao longo das margens ou por dentro do próprio rio. Além disso, a maior probabilidade de encontrar indícios de presença da espécie é em trechos de rios bem preservados, que normalmente se localizam longe de cidades, em locais mais isolados, muitas vezes de difícil acesso. QUAL a metodologia utilizada na busca e obtenção de dados? A PESQUISA tem como foco a região do nordeste ao norte do Rio São Francisco, onde foram selecionadas 15 bacias hidrográficas. Em cada uma dessas bacias, a busca por indícios de presença da lontra é realizada de forma padronizada, ao longo de três trechos, sendo um no baixo curso do rio, um no médio e um no alto. Cada um desses trechos é percorrido por 4 dias. Além da busca por vestígios, são realizadas entrevistas com moradores das regiões estudadas, de preferência pescadores ou pessoas que realizem atividades ligadas aos rios, para levantar informações sobre o conhecimento e ocorrência da lontra. A PESQUISA realizada através do curso de doutorado em ecologia da UFRN conta com o apoio de outras entidades? SIM. A pesquisa tem uma grande abrangência geográfica e o seu desenvolvimento só está sendo possível por causa de parcerias firmadas e apoios recebidos. O projeto tem como instituição parceira o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN) e conta com os apoios da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, do Mohamed Bin ZayedSpeciesConservationFund e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível 6

Superior (CAPES). QUAIS as características da espécie? Que tipo de habitat elas vivem? AS LONTRAS são animais de médio porte, que podem atingir o comprimento total de 1,4m e geralmente pesam menos que 15kg, sendo as fêmeas cerca de 1/3 menores que os machos. São mamíferos semiaquáticos, que dependem tanto do ambiente aquático, onde conseguem o seu alimento principal (peixes e crustáceos), quanto do ambiente terrestre, onde constroem suas tocas, dormem e cuidam dos filhotes. Por causa disso, a espécie possuí algumas adaptações para facilitar a locomoção na água, como o corpo alongado, a cauda levemente achatada, que auxilia na natação, e suas patas possuem membranas entre os dedos, como os patos. As lontras podem ser encontradas em uma grande variedade de habitats, como rios, lagos, lagoas, pequenos riachos e manguezais. São animais solitários, podendo ser observados casais no período reprodutivo ou fêmeas com filhote, possuem vocalização discreta e são animais elusivos, de difícil visualização em ambiente natural. ESSA espécie corre o risco de ser

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015

extinta? E quais os problemas que sua extinção acarretaria? A LONTRA é atualmente classificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), uma organização que avalia o risco de extinção das espécies, na categoria Dados Deficientes. Esta categoria é dada a espécies pouco conhecidas, das quais não se possui dados suficientes sobre o tamanho da população e áreas de ocorrência. Esta categoria é perigosa para a espécie, pois não significa que a lontra não está ameaçada de extinção, mas sim que não se sabe o suficiente sobre ela. Apesar desta classificação, a tendência populacional da espécie é de decréscimo, principalmente por causa da destruição e alteração de seus habitats. No Brasil, em uma recente avaliação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a espécie foi avaliada como quase ameaçada de extinção. A lontra é um predador de topo da cadeia alimentar dos ecossistemas aquáticos e por isso tem um papel importante na manutenção da biodiversidade nesses ambientes. A sua extinção pode alterar não só a comunidade de suas presas principais, que são os peixes e crustáceos, mas também os níveis tróficos que estão abaixo desses e o ecossistema como um todo, em um efeito cascata. GOSTARIA de expor mais alguma informação que não foi contemplada nas questões anteriores? ESTA pesquisa tem o foco principal a conservação das lontras, mas pode ter uma grande contribuição para a conservação do meio ambiente, já que, como a lontra é um animal semiaquático, a sua conservação exige inevitavelmente a conservação dos cursos d’água e suas matas ciliares. Isto pode ter uma importância especial no contexto do Nordeste, onde a lontra ocorre em dois biomas altamente impactados (Floresta Atlântica Nordestina e Caatinga) e onde a conservação dos recursos hídricos é necessária e urgente. Por ser um animal carismático, a lontra pode ser utilizada como espécie bandeira para sensibilizar e chamar a atenção para a conservação desses ambientes.


Sabor e saúde

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015

7


Sabor e saúde

S

e por um lado é comum vermos pessoas que vivem de dieta, adeptas da boa alimentação e que está sempre em busca de novidades nesse mercado que não para de crescer de produtos saudáveis, do outro estão aquelas pessoas que torcem a cara para tudo que diz respeito a esse universo, e diz que não gosta de nada integral, natural ou funcional, antes mesmo de provar, fazendo questão de ter à mesa produtos com muito sódio, gordura trans, ou muito açúcar, como refrigerantes, doces, e alimentos industrializados. No entanto, nem precisamos falar da importância de aderir boas práticas alimentares, e para nos ajudar a entender um pouco mais sobre como podemos aliar saúde e sabor no mesmo prato, conversamos com a nutricionista do Hapvida Saúde Egna Nobre, que passou ótimas dicas. Primeiro, a especialista afirma que bons hábitos alimentares proporcionam ao corpo melhores condições de vida, uma vez que alimentação é o combustível para a realização de nossas tarefas diárias, para tanto se não nos alimentarmos bem, além de comprometer nossa rotina, podemos causar sérios danos ao desempenho das funções vitais do nosso organismo, podendo levar a sérias complicações orgânicas, prejudicando a saúde do indivíduo em médio e longo prazo. “Por isso é bom estar atento ao que estamos ingerindo. Tente substituir alimentos mais gordurosos por versões mais leves sempre que possível, troque o presunto por peito de peru, compre o atum em água no lugar do atum em óleo, troque os queijos gordurosos por versões mais leves como o queijo cottage e a ricota, substitua o queijo parmesão ralado por ricota defumada e ralada”, orienta a nutricionista. Para Egna Nobre, o segredo de uma boa alimentação é o equilíbrio, sendo assim, para fazer uma dieta segura e saudável é fundamental que estejam presentes no prato todos os grupos alimentares, e comer com moderação. E a regra vale inclusive para alimentos naturais e saudáveis, como as frutas. Segundo a nutricionista, devemos consumir de três a cinco porções diárias de frutas, pois além de ser excelente fonte de vitaminas e sais minerais, fibras, também ajudam a controlar a glicemia, no bom funcionamento do nosso intestino e o peso corporal, e são saborosos lanches. A busca por um corpo sarado e por uma vida mais saudável está na moda, e 8

)) Egna Nobre, nutricionista do Hapvida Saúde a gente vê muito o pessoal da academia difundindo a cultura do frango com batata doce. Mesmo considerando essa combinação interessante, pois favorece o desempenho e a saúde, a especialista frisa que não dá para cair na monotonia e enfatiza que variar o cardápio é imprescindível, para ter acesso a outros nutrientes importantes ao organismo. Egna também dá uma dica de como potencializar os treinos e a conquista dos resultados tão desejados. Para ela, isso também passa pela escolha adequada dos alimentos ingeridos antes e depois da prática de exercícios. “Ao iniciar qualquer exercício físico deve-se consumir uma fonte de carboidrato pelo menos com uma hora de antecedência, assim você terá mais energia e disposição, a dica é apostar em barras de cereais, biscoitos sem recheio, pães integrais e frutas. Já no pós-treino consumir carboidratos e proteína, ambos proporcionaram respectivamente energia e reconstrução muscular. Sempre fazer essa refeição logo após o treino ou até no máximo 1 hora depois. Se o treino for à noite, por exemplo, você pode fazer um jantar

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015

completo com saladas, arroz e carne”, explica. Sobre aquelas dietas bastante restritivas que condenam o consumo de alimentos com glúten e lactose, a especialista afirma que não há evidências científicas que comprovem que a retirada do glúten ou da lactose promova perda de peso. Egna explica que emagrecer é uma equação entre o que ingerimos e o que gastamos. É preciso deixar claro que o glúten, isoladamente, não é responsável pelo aumento de peso, e sim o consumo excessivo de alimentos que o contenham, como é o caso de pães, bolos, biscoitos e pizzas. “Quem emagrece retirando o glúten da alimentação não está emagrecendo pela exclusão dessa proteína, mas sim porque o consumo de calorias está reduzido. Sem falar que com a retirada do glúten a digestão é facilitada, por isso que as pessoas têm a sensação de menos inchaço. E quanto à lactose, com a restrição do leite e derivados pode prejudicar a saúde, tendo em vista que diminui a concentração de cálcio no organismo. Lembrem-se de que estas são mais


Sabor e saúde

exemplos de dietas restritivas, no qual um grupo de alimentos é excluído. Você não aprende a se alimentar com qualidade e equilíbrio e ainda corre o risco de promover um desequilíbrio corporal pela não ingestão de nutrientes muito importantes para o bom funcionamento do organismo. Então, sempre consulte a opinião de um nutricionista para obter o máximo de benefícios que a alimentação tem para lhe oferecer”, ressalta. A nutricionista também falou sobre o uso diário de alguns ingredientes quase indispensáveis para dar sabor às refeições, como sal, açúcar, manteiga ou margarina, óleo e temperos industrializados. Para tornar os pratos mais saudáveis, é possível fazer algumas substituições. No entanto, segundo a especialista, nem sempre é necessário substituir todos esses ingredientes, muitas vezes basta reduzir o quantitativo utilizado. “Um exemplo disso o sal que é necessário a saúde, mas podemos substituir o açúcar refinado pelo mascavo, o óleo, a manteiga ou a margarina por azeite de oliva extravirgem, e quanto aos tempe-

ros industrializados, substituir pelos naturais como cebola, alho, pimenta e especiarias (orégano, louro, manjericão, cuminho)”, comenta. Na tentativa de opções para substituir esses ingredientes nos deparamos com produtos nas prateleiras de supermercados ou em lojas especializadas em produtos saudáveis, como o óleo de coco, a manteiga clarificada, adoçante culinário, e sais com menor teor de sódio, como os sais de ervas. E de acordo com Egna, por serem considerados mais saudáveis, geralmente, as pessoas tendem a consumir esses produtos indiscriminadamente. Mas, mesmo esses produtos devem ser consumidos com orientação individual, ou seja, depois de consultar um nutricionista. “Há casos específicos e para isso é preciso saber se você deve ou não consumir”, orienta. Ainda em relação à busca pelo produto mais indicado, é comum nos confundirmos com a grande quantidade de opções de adoçantes, por exemplo. Encontramos no mercado vários tipos e marcas, uns com aspartame, outros de

Bolo de laranja saudável Ingredientes

sucralose e ainda os de stévia pura. A nutricionista explica um pouco sobre cada tipo de adoçante para nos ajudar a escolher o que melhor se encaixa com nossos interesses. “Os adoçantes são destinados à pessoa com doenças onde o consumo de açúcar (sacarose) deve ser excluído da dieta. Se você usa adoçantes com a finalidade de perda de peso, fique atento à quantidade ingerida no seu dia-a-dia, pois seu uso não é livre. Seguem algumas diferenças, entres eles, o adoçante de Aspartame é composto de ácido aspártico, fenilalanina, dois aminoácidos naturalmente encontrado nos alimentos e agrada por ter o sabor bem semelhante ao açúcar, já a sucralose derivado da cana de açúcar também tem o sabor bem parecido com o açúcar, não há alteração em altas temperaturas e podem ser utilizados por diabéticos e gestantes, e o stévia é um adoçante natural extraído das folhas de Stevia rebaudiana, que também pode ser utilizado por gestantes e principalmente diabéticos, é o mais indicado por ser natural”, afirma.

Minipizza de pão de forma integral Ingredientes

4 ovos 2 laranjas médias 40g de granola 30g de aveia 1/2 copo de açúcar mascavo 2 copos de farinha de trigo integral 2 colheres (sopa) de óleo 1 colher (sopa) de fermento para bolo

Pão de forma integral - 1 pacote- 350g Espinafre - 2 maços - 500g Óleo de canola - 1 colher -15 ml Tomate maduro - 2 xícaras de chá (picado)- 360g Cebola crua - 1 xícara de chá - 120g Azeitona preta picada - 15 unidades - 75g Sal - 1 colher de sopa rasa - 10g Orégano - 2 colheres de chá cheias - 1g Tofu - 4 unidades - 1.040g

Modo de preparo

Como fazer

1. Preaqueça o forno em temperatura média (180ºC). Unte a forma (com furo no meio).

Refogar em uma colher de óleo de canola o espinafre e as cebolas. Amassar o tofu com garfo e juntar ao espinafre refogado. Distribuir a pasta sobre as fatias de pão integral, salpicar orégano, enfeitar com rodelas de tomate e azeitona preta. Levar ao forno por 10 minutos.

2. No liquidificador, coloque os ovos e os gomos da laranja sem a casca e sem as sementes (evite também a parte branca, pois pode azedar o bolo no calor do forno). Aos poucos, acrescente a granola, a aveia e o açúcar mascavo. 3. Passe o conteúdo do liquidificador para uma vasilha e vá acrescentando a farinha com a ajuda de uma peneira. Acrescente o óleo e, por último, o fermento, mexendo sempre. 4. Coloque na forma e leve ao forno preaquecido por volta de 25 minutos.

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015

9


Confraria

Clube do

Blues

Mossoroenses criam grupo para reunir amantes do blues em Mossoró e região. Grupo possui uma página no facebook, na qual divulga notícias da cena nacional e internacional do segmento musical e promoverá eventos culturais

10

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015


Confraria

C

riado em novembro de 2014, o Desert Blues Clube surgiu da carência de apreciadores do Blues em relação a atividades na nossa região que contemplassem esse gênero musical. O analista de logística David Costa, que já havia realizado alguns eventos de blues em Mossoró, teve a ideia, junto com outro amante do gênero, de criar a página e trazer informações sobre artistas da região e sobre o que vem acontecendo no universo do blues mundo afora, além de difundir esse estilo musical na cidade, conquistando novos admiradores. A confraria denominada “Desert Blues Clube”, termo que nomina também a página no facebook, também pode ser acessada através do seu perfil no instagram (@desertbluesclube). Os criadores afirmam que desde que foi criada, a página vem ganhando seguidores, que além de curtir as publicações, mandam sugestões de bandas, artistas, álbuns, notícias, para serem compartilhadas com o grupo. “Em menos de um mês, já tínhamos cerca de 300 seguidores”, afirma David Costa. “Toda semana, fazemos um post especial com um artista no intuito de trazer para os seguidores seu trabalho. Artistas que temos por perto, em nossa região, como Fortaleza/CE e Natal/RN. Já que infelizmente em Mossoró não

temos bandas especializadas em Blues”, comentam os idealizadores. Apesar de ter sido criado recentemente, o Desert Blues Clube já participou de eventos como o Canoa Blues, edição 2014, e ainda de um bate papo, durante o Festival de Blues de Guaramiranga, promovido pela Casa do Blues de Fortaleza. Para reunir o público e divulgar as ações do Desert Blues Clube, Jean Carlo conta que a confraria está promovendo o lançamento oficial da página e da logomarca do clube. “Será a 1ª Feijoada do Blues. Pretendemos reunir os amigos e amantes da música de qualidade. Estamos esperando cerca de 50 pessoas, apesar de que no evento criado no facebook tivemos mais de 100 confirmações de presença”, lembra. A feijoada acontecerá no dia 7 de março, às 16h, e terá como sede um dos principais pontos de encontro do grupo, o Valhalla Rock Bar, que fica próximo à UPA do Alto de São Manoel. Segundo os integrantes do grupo, o Valhalla Rock Bar é um dos únicos espaços em Mossoró que tocam blues. Os organizadores do evento explicam que será cobrado um valor simbólico para consumir a feijoada e o público ainda terá as opções disponíveis no cardápio de comidas e bebidas do próprio bar onde o evento

será realizado. “Durante a feijoada, teremos sucessos do blues tocados em vinil, exposição de livros de artistas do blues e sorteios de CDs e camisetas do Desert Blues Clube”, completa David. Mas, não para por aí. O Clube do Blues de Mossoró também está organizando um evento maior, previsto para o dia 11 de abril, que contará com um show de um músico conceituado na cena do blues no Ceará, Allysson dos Anjos. O evento terá como palco o espaço cultural Mamba Negro, que fica no bairro Doze Anos, por trás da antiga boate Number One, próximo à Agência dos Correios. Além da apresentação de Allysson dos Anjos e trio, o show conta ainda com a apresentação da banda mossoroense “Comumraio” e ainda uma Jam Session, espaço aberto para a participação livre de músicos da cidade. “O show deve começar por volta das 22h, mas a casa abre a partir das 21h. Os ingressos serão vendidos no local. E os participantes serão contemplados com música de boa qualidade até altas horas”, frisa Jean Carlos. Allysson dos Anjos Guitarrista e compositor cearense, Allysson Dos Anjos tem influências de blues rural, jazz, country, folk e clássicos

)) David Costa e Jean Carlos, criadores do Desert Blues Clube Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015

11


Confraria do rock and roll setentista, artistas como Jimi Hendrix, Robert Johnson, Johnny Winter, Bob Dylan, Howllin Wolf, Rolling Stones, Freddy King, O Peso, Elmore James, Elvis Presley, Johnny Cash, Chuck Barry, Blues Etílicos, The Doors, Gram Parsons, Lead Belly, Nuno Mindelis, John Lee Hooker, entre outros. Em 2007, foi apontado como uma das revelações do Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga (jornal Diário do Nordeste), participou de festivais como Rock Cordel, Festival Blues do Nordeste 2011 e 2012, Casa do Blues, Mostra de Música Instrumental do Centro Cultural Banco do Nordeste, foi uma das atrações do Festival Literário Rota das Especiarias em 2011 e 2012, Festival Canoa Blues 2012, Festival Manifesta das Arte 2013, Festival Jazz e Blues de Guaramiranga 2014 entre outros, "sempre com ótima repercussão de público e crítica" (jornal O Estado). Em 2011, concorreu do Festival de Música da Rádio Universitária FM, promovido pela Universidade Federal do Ceará, com sua composição "Blues de Dois", música instrumental que mistura Blues e Baião com guitarras e elementos nordestinos, ficou em 2° lugar na classificação final e fez parte de um CD coletânea. Em 2014, divulgou seu EP intitulado "Violent Climax", lançado no “Festival Jazz e Blues” CE, o trabalho trás cinco faixas autorais, sendo quatro gravadas em estúdio e uma faixa bônus gravada ao vivo no Festival de Guaramiranga.

)) Allysson dos Anjos participará de evento em Mossoró

)) Camisetas do Desert Blues Clube 12

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015


Cultura popular

Esquina do Saber Poeta Genildo Costa busca continuidade do projeto cultural que já conta com oito edições realizadas. Equipe organizadora se reunirá nesta segunda-feira, 2, com a secretária de Cultura municipal, Isolda Dantas, para definir rumos do projeto

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015

13


Cultura popular

C

om o objetivo de levar à população elementos da cultura popular, como recital de poesias, cantorias, músicas nordestinas e demais manifestações artísticas, o poeta Genildo Costa, idealizador do projeto Esquina do Saber - a periferia em movimento, diz que está confiante com a continuidade das atividades culturais pelos próximos meses. O projeto lançado em 2011, com a realização de três edições, teve que ser interrompido por falta de recursos para cobrir os custos e voltou a ser executado no último ano, com incentivos da Lei de Cultura Vingt Rosado e com o apoio da Secretaria de Cultura do Município. Genildo Costa explica que o projeto acontece, mensalmente, e cada edição contempla um bairro diferente. No último sábado, 28, foi realizada a 5ª edição desta segunda temporada, no bairro Nova Vida. Esta temporada também contou com apresentações do Esquina do Saber nos bairros Abolição IV, Alto de São Manoel, quando foi feita uma homenagem a João de Mocinho, no Nova Betânia, na casa do artista plástico Marcelo Morais, e na Lagoa do Mato, na residência do poeta Antônio Francisco. Além de apresentações de recitais e cantorias, o projeto conta com a participação do Sensacional Circo, grupo formado por três garotos, com números de mágica, malabares e ainda palhaçada. “O nosso grande interesse é difundir e divulgar para o povo o que é dele e ele ainda não conhece, aquilo que é produzido a partir de sua essência, totalmente fora da cultura de massa”, ressalta o poeta Genildo Costa.

)) Genildo Costa, idealizador do projeto A programação do Esquina do Saber começa sempre às 19h e segue até às 21h. Nas últimas edições, vem contando com a parceria da UERN TV na cobertura de cada evento. O idealizador do projeto afirma que a perspectiva de toda equipe de organização do projeto Esquina do Saber - a periferia em movimento é de continuidade. “Na próxima segunda-feira, 2, nos reuniremos com a secretária de Cultura Municipal, Isolda Dantas, e acreditamos que definiremos nesse encontro os rumos do projeto”, comenta. Genildo diz ainda que a segunda temporada do Esquina do Saber só foi possível devido os recursos do Imposto Sobre Serviços (ISS) recolhido pelo município da empresa Halliburton. Ele também afirma que a equipe vai fazer um relatório de tudo foi produzido para ser apresentado à empresa. “A gente tinha um recurso de R$ 21

)) Uma das edições do Esquina do Saber 14

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015

mil parado, desde as gestões municipais anteriores, e só conseguimos a liberação desse recurso com a mudança de gestão e abertura de diálogo com os novos representantes da pasta de cultura de Mossoró, que viabilizaram a realização desse projeto. Cada edição tem um custo aproximado de R$ 4 mil”, conclui.


adoro comer adoro Receita comer

Kafta (carne moída no espeto)

INGreDIeNTeS • 1 kg de carne moída duas vezes (coxão mole ou duro) • 3 colheres de sopa bem cheias de cebola picada • 1 colher de chá rasa de sal ou a gosto • 1 pitada de pimenta do reino em pó (opcional) • 3 colheres de sopa de cheiro verde picado • Farinha de trigo, se for necessário, para dar liga • Palitos para churrasco • óleo para untar a carne, enquanto assa

MODO DE fAZer • Misture a carne com os demais ingredientes e forme uma massa. • Se houver necessidade, isto é, se a massa ficar muito molhada, adicione um pouco de farinha de trigo. • Divida a carne em 12 ou 15 porções. • Pegue cada porção e espalhe - a pelo espeto, comprimindo para aderir bem. • Deve parecer uma salsicha espetada no sentido do comprimento. • Asse sobre uma grelha, virando de vez em quando, para assar por igual e ficar dourada por fora. • Passe um pouco de óleo na carne, enquanto assa.

Jornal de Fato | DOMINGO, 1º de março de 2015

15


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Revista de Domingo nº 697 by Jornal de Fato - Issuu