Skip to main content

Revista de Domingo nº 691

Page 1

editorial

Corrida às livrarias

U

Boa leitura, Nara Andrade

Entrevista

p4 Economista Elviro Rebouças diz que 2015 deve ser um ano economicamente difícil e orienta sobre cuidados com o orçamento.

m costume mantido por grande parte das pessoas é deixar seus afazeres e obrigações para a última hora. Isso acontece nas datas comemorativas, como dia das mães, das crianças e Natal, quando é comum ver pessoas correndo para conseguir comprar todos os presentes. E a realidade não é diferente na hora de comprar o material escolar dos filhos, mesmo tendo boa parte do mês de dezembro, quando geralmente são efetuadas as matrículas, e ainda as primeiras semanas de janeiro, quando parte das lojas fica praticamente vazia, já que boa parte das pessoas ainda está nas praias ou aproveitando para descansar. Geralmente, com a chegada da segunda quinzena de janeiro, o movimento nas livrarias tende a se intensificar. E a situação em Mossoró é até pior, já que dispõe de apenas duas lojas especializadas na venda de livros didáticos. Então, quem deixou para comprar o material escolar de última hora, vai precisar de uma dose extra de paciência, pois deve enfrentar lojas lotadas, longas filas, calor escaldante de Mossoró e ainda pode se deparar com a falta de alguns itens da lista. Na edição desta semana, DOMINGO traz um material sobre a situação dos equipamentos de cultura de Mossoró. A única casa de espetáculos da cidade, o Teatro Dix-huit Rosado, que já foi considerado um dos melhores e mais bonitos do País e se destacava no corredor cultural desde a sua inauguração, pela beleza e arquitetura imponente, hoje chama atenção pelos danos em sua estrutura física, pois se encontra sem boa parte das peças do revestimento externo. E os danos não se restringem ao exterior do prédio. Outro espaço cultural que conta uma importante parte da história de Mossoró, o Memorial da Resistência também sofre com a ação do tempo, de vândalos e ainda com a falta de manutenção e segurança. Nesta época do ano, quando a maioria dos mossoroenses deixa a cidade, principalmente, nos finais de semana rumo às praias da região, os bares e restaurantes registram queda no movimento. DOMINGO conversou com gerentes de estabelecimentos do segmento que vivem realidades diferentes. Um deles, localizado na Praça de Convivência, fala que o maior movimento, atualmente, se deve às promoções realizadas durante a semana, mas que vem sentindo a ausência dos clientes nos finais de semana, dias que costumavam registrar maior movimento. O outro comemora o crescimento de 30% do movimento, já que funciona dentro das dependências de um hotel que fica, praticamente, lotado nesta época de férias. Na entrevista da semana, o economista e empresário Elviro Rebouças afirma que 2015 deverá ser um ano economicamente difícil e orienta cautela na hora de gastar dinheiro.

p 11 p15

p6

Corrida às livrarias Movimento nas lojas especializadas na venda de material escolar se intensifica, com a chegada da segunda quinzena de janeiro.

Abandono Sem manutenção, Teatro Dix-huit Rosado, antes belo e imponente, hoje chama atenção por danos na estrutura física.

p8

Baixa estação

Bares e restaurantes mossoroenses registram queda do movimento com esvaziamento da cidade nos finais de semana durante o veraneio.

Receita

Sorvete de creme com cobertura de chocolate

• Edição – C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral – Wil­liam Rob­son • Editora – Nara Andrade • Dia­gra­ma­ção – Rick Waekmann • Projeto Gráfico – Augusto Paiva • Im­pres­são – Grá­fi­ca De Fa­to • Re­vi­são – Gilcileno Amorim e Stella Sâmia • Fotos – Carlos Costa, Marcos Garcia, Cezar Alves e Gildo Bento Re­da­ção, pu­bli­ci­da­de e cor­res­pon­dên­cia Av. Rio Bran­co, 2203 – Mos­so­ró (RN) Fo­nes: (0xx84) 3323-8900/8909 Si­te: www.de­fa­to.com/do­min­go E-mail: re­da­cao@de­fa­to.com Do­min­go é uma pu­bli­ca­ção se­ma­nal do Jor­nal de Fa­to. Não po­de ser ven­di­da se­pa­ra­da­men­te.

2

Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015


conto

joSÉ NIcoDemoS*

A montanha e a planície

A

(

Envie sugestões e críticas para o e-mail: aristida603@hotmail.com

)

nalfabeto, a vida inteira trabalhador de salina, era no entanto um homem de grande percepção das coisas. Anacleto de nascimento, era conhecido por Queto. Em casa e na comunidade. No trabalho era um bicho – dizia o patrão, reconhecido. Que, por isso, não queria outro salineiro para chefe de batalhão. Queto era-lhe o preferido. Junte-se a isso a confiança total. Homem de não querer nada além do seu. Ainda relativamente moço, ali pelos 50 e tantos, Queto foi invalidado pela cegueira, aposentando-se por invalidez. O ordenado da aposentadoria, dava muito mal pra comer. A princípio, o patrão mandava levar-lhe uma pequena ajuda financeira, uma, duas vezes por mês. Depois, o esqueceu por completo. Nada. Não era de ir bater-lhe à porta, tampouco mandar ninguém de casa, e sofria suas privações com dignidade orgulhosa. Matara-se de trabalhar na salina do Dr. Cordeiro, desde menino, “um bicho no trabalho”, e agora, cego de guia, o

Ainda relativamente moço, ali pelos 50 e tantos, Queto foi invalidado pela cegueira, aposentando-se por invalidez. O ordenado da aposentadoria, dava muito mal pra comer.

pago que lhe dava o antigo patrão era virar-lhe as costas. Fora usado, isso. Não lhe tinha mais serventia nenhuma – pensava, descrente dos homens, principalmente os homens ricos. Capitalistas. . A bem dizer nunca fora de acreditar na humanidade, mais precisamente, nos homens de dinheiro, mas, de grande disposição física para o trabalho, e do seu natural correto, devia trabalhar feito um bicho fazendo a riqueza do patrão. Sem, apesar disso, ou por isso mesmo, esperar do patrão outra paga que não fosse o pequeno salário que lhe pagava. “Rico não gosta de pobre” – nunca tivera outra compreensão. O filho mais velho de Queto, Chiqui-

nho, desde cedo seguiu a profissão do pai: trabalhador de salina. Saíra a ele, e matava-se de trabalhar na mesma salina do Dr. Cordeiro, agradando-se, orgulhoso, e para bem dizer, apenas dos elogios do patrão. “Puxou ao pai.” Queto ralhava com o filho – fosse direito, trabalhador, mas não “besta” – que “nenhum patrão pensa no empregado”. Se olhasse no exemplo do pai. Sabia disso, é verdade, mas de besta deixara-se levar pela vontade bruta de trabalhar feito um bicho. Não tinha hora. – “A montanha, meu filho, nunca se nivela à planície.” Referindo-se as relações entre patrão e empregado. “Fazer o seu lado e ser honesto é quanto basto, Sebastião.”

Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015

3


Entrevista

Elviro Rebouças

“Pelo aperto monetário que o governo federal dará este ano, nós passaremos um ano de muita dificuldade”

Por Nara Andrade Da Redação / naraandrade@gmail.com

T

odo final de ano, especialistas dão dicas de como melhor utilizar o décimo terceiro salário, inclusive guardando uma parte para o pagamento das despesas comuns do início do próximo ano. Mas, anualmente, muitas pessoas acabam cometendo os mesmos erros e chegam no final do ano mais uma vez endividadas. Para entender porque isso acontece, quais os principais erros cometidos na hora de administrar o próprio dinheiro e dá orientações para ajudar as pessoas a controlarem melhor suas despesas, DOMINGO entrevistou o economista mossoroense, formado na UERN no ano de 1968, Elviro do Carmo Rebouças Neto. Empresário do ramo de factoring e indústria salineira, ele faz parte da Associação Comercial e Industrial de Mossoró (ACIM) e Câmara de Dirigentes Lojistas de Mossoró (CDL), mas ressalta que a entrevista a seguir expressa uma opinião pessoal, não falando em nome das entidades. Como se planejar ao longo do ano para não entrar no vermelho, e se possível, juntar algum dinheiro? Com o padrão salarial que nós temos na nossa região é difícil não entrar no 4

vermelho, porque os salários são baixos, guiados basicamente de governos, empregos nos governos federal e estadual, ou nas prefeituras municipais. Então com o nível salarial de média e

Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015

baixa rendas fica difícil não entrar no vermelho. Entretanto, a palavra-chave para quem ganha mais ou para quem ganha menos é planejamento, tem que ter um planejamento orçamentário


Entrevista e gastar basicamente aquilo que for necessário. Drenar os recursos para as necessidades de primeira ordem, tipo alimentação, habitação, vestuário, saúde e educação. Os assalariados deverão priorizar os seus salários nessa ordem, dificilmente a pessoa vai cobrir esses itens que eu falei e não ficar no vermelho, porque a inflação está voltando, está subindo, e os salários estão comprimidos. A dificuldade já começa no início do ano, quando chegam as taxas de IPTU, IPVA, matrículas escolares, livros, fardamentos, todas essas despesas iniciais. Entretanto, tem que haver um planejamento orçamentário para poder alimentar, digamos assim, esse balanço de receitas e despesas. Além dessas dificuldades envolvendo o valor do salário, qual o principal erro cometido pelas pessoas na hora de administrar seu próprio dinheiro? Geralmente, a pessoa se deixa levar pelos olhos. Chega numa vitrine, se embeleza por uma joia ou por uma roupa, ou por um utensílio doméstico de primeira necessidade, e a facilidade de comprar no cartão de crédito, ou no cheque pré-datado, ou assinando uma duplicata, o comprador não faz uma análise de que mais dias, menos dias, aquele compromisso vai ter que ser assumido e quer seja no cheque especial, no cartão de crédito, duplicata, cheque pré-datado, ele terá que ter no dia exato o valor para cobrir a despesa. Caso não tenha, isso gera uma bola de neve e desorganiza a vida de qualquer assalariado. Ou seja, a aptidão, a apetência pela compra, faz com que o orçamento se desequilibre. Qualquer pessoa pode e deve fazer uma poupança, mesmo ganhando pouco? Mesmo ganhando pouco é necessário que tenha uma poupança, por menor que seja. Até porque para os requisitos de urgência na saúde, urgência na alimentação em casa, você tem que ter alguma coisa guardada para uma necessidade de primeira ordem. Então ganhando mais ou ganhando menos é necessário que no salário do mês a mês, de janeiro a dezembro, você quantifique 5%, 10%, 3% do seu salário e coloque numa caderneta de poupança, numa aplicação que lhe renda muito pouco, mas que seja um fundo que dê a você uma certa proteção numa emergência. O senhor citou alguns percentuais

do salário que devem ser poupados. Existe algum método que ajude a pessoa a fazer uma poupança, como um percentual fixo, ou isso varia de acordo com a situação de cada pessoa? O método varia de pessoa para pessoa, obviamente quem ganha mais pode poupar mais, e quem ganha menos tem que fazer um sacrifício, tem que deixar de comprar alguma coisa que seja do seu agrado para poder fazer essa corrente positiva no sentido de dá a ele conforto numa hora de necessidade. No início do ano, como já foi citado, temos impostos como IPTU, IPVA, e demais dívidas, como pagamento de matrículas e material escolar, seguro do carro, entre outras. Qual a melhor forma de pagar essas dívidas, pagamento à vista ou parcelado? Obviamente que à vista, porque tem descontos, inclusive. Agora não são todas as pessoas que têm condições de fazê-lo, o importante é não deixar de cumprir os compromissos. Se puder, à vista, se não puder, parcelar e cumprir. Mas não deve perder de vista que o compromisso merece ser resgatado na data do vencimento. Uma dúvida bastante comum entre as donas de casa diz respeito às despesas de supermercado. É melhor fazer uma feira grande uma vez por mês ou fazer compras semanais? É melhor fazer a feira de uma só vez e se necessário repondo os produtos mais perecíveis, como verduras, frutas, semanalmente ou quinzenalmente. Mas quem faz uma feira maior para um tempo maior, sai lucrando. Evita também gastar tempo, gasolina, você vai de uma só vez e muito provavelmente, pela quantidade que você comprar, você ganha alguma coisa. Muitas pessoas ainda caem na tentação e parcelam o pagamento das compras do supermercado. Isso é um erro e pode comprometer o orçamento doméstico nos meses seguintes? Com toda certeza, porque na hora que você parcela o pagamento do supermercado, você parcela ou no cartão de crédito, ou no cheque pré-datado, e embute juros que estão altos, e estão subindo e que haverão de onerar o orçamento doméstico. A dica é sempre comprar e pagar em um só prazo. Hoje muitas lojas ofertam cartões de crédito para os clientes com muitas promessas de vantagens. Parte das

pessoas ainda não aprendeu a utilizar o cartão da forma correta? Qual o risco de manter vários cartões e usá-los ao mesmo tempo? Você deve ter três ou quatro cartões diferentes, se puder mantê-los, em datas que lhe dêem um prazo maior para o pagamento. Se você tiver cartões com vencimentos para os dias 5, 10, 15, 20, 25 e 30 de cada mês, você poderá usar até quarenta dias para pagar de uma só vez o que você comprou. E esse misto de calendário lhe dará oportunidade de um prazo maior. Entretanto, pelos juros que são cobrados pelos cartões de crédito, você tem que liquidar a fatura por ocasião do seu vencimento. E não parcelar. Porque se houver o parcelamento, aí serão embutidos juros inteiramente contrários à lei da poupança e que vão com certeza ferir o orçamento doméstico. Um erro comum ao usar o cartão de crédito é essa prática de pagar menos que o valor total da fatura. Quais as consequências negativas dessa decisão? Tem que pagar total. Você tem que usar para pagar em 35 ou 40 dias, o que é possível fazê-lo, mas pagar de uma só vez. Se você financiar essa compra, ou seja, pagar 15 ou 20% da fatura e financiar o restante, você estará pagando juros de 10 a 12% ao mês, e nós temos no Brasil uma inflação de 6% ao ano. Então você estará pagando em um mês juros que são superiores a inflação do ano todo. Antes de concluir o senhor gostaria de passar mais alguma orientação? A orientação que eu posso dar é no sentido de que as pessoas têm que se aprecatar, têm que se acautelar, com relação às compras. É muito bom você possuir aquilo que você necessita, que deseja, que você está, digamos assim, com apetência, Mas só comprar estritamente o necessário. Comprar o que pode comprar para pagar à vista ou de uma só vez e comprimir o orçamento doméstico. Tivemos um ano de 2014 difícil, juros altos, crescimento da economia zero, inflação em alta, e muito provavelmente, pelo aperto monetário que o governo federal dará este ano, e com a inflação novamente alta e juros altos, nós passaremos um ano de muita dificuldade. Então é importante que o assalariado, que o trabalhador, que aquele que aufere renda de qualquer tipo de atividade, tenha absoluta certeza de que vai gastar menos do que está ganhando.

Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015

5


Volta Ă s aulas

Corrida Ă s

livrarias Pais que deixam para comprar o material escolar na Ăşltima hora devem enfrentar lojas lotadas, longas filas e, ainda, se deparar com a falta de alguns itens da lista

6

Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015


Volta às aulas

C

om a chegada da segunda quinzena do mês de janeiro, intensifica-se o movimento nas livrarias. Muitos pais acabam deixando a compra do material escolar dos filhos para a última hora e, como consequência disso, enfrentam lojas lotadas, longas filas e ainda se deparam com a falta de alguns itens da lista. Em visita a uma tradicional livraria da cidade, DOMINGO conversou com alguns pais que já iniciaram a compra do material escolar e com um dos gerentes da loja, que falou sobre a variação dos preços de alguns produtos e a estimativa de crescimento das vendas em relação ao mesmo período do ano passado. Para o gerente Francisco Fernandes, de uma livraria, a empresa trabalha com a estimativa de crescimento de 10% nas vendas em relação ao ano anterior. Ele também afirma que há alguns produtos,

como os livros e artigos importados, por exemplo, bolsas e estojos. Perguntado se muitos pais chegavam até a loja com a dúvida sobre os itens que os colégios são proibidos de pedir, mas que sempre constam na lista de material escolar, como copos descartáveis, papel toalha e higiênico, o gerente comenta que os pais devem esclarecer essas dúvidas com as próprias escolas, mas que muitos acabam comprando todos os itens presentes na relação. A dona de casa Luzia Félix era uma das mães que estavam na livraria na busca pelo material escolar para a sua filha de cinco anos. Ela afirma que, pela pesquisa que fez antes de realizar a compra, já deu para perceber que está tudo mais caro do que no ano passado. Luzia Félix ressalta que neste ano deve gastar mais de R$ 500,00 na compra do material. Sobre os produtos que

não deveriam ser pedidos pelas escolas, a relação recebida na hora da matrícula tem alguns desses itens. “As escolas são proibidas de exigir alguns produtos, mas eles estão sempre presentes”, frisa. A servidora pública Conceição Filgueira também estava na loja comprando o material escolar da sua filha de 12 anos. Para ela, os preços não tiveram tanta mudança em comparação ao ano passado. Caso tivesse que comprar todos os itens da lista, a servidora pública gastaria mais de R$ 1.500,00. No entanto, ela adotou uma estratégia na tentativa de economizar. Conceição Filgueira decidiu reaproveitar alguns itens comprados no ano anterior, como a mochila e dois dicionários. “Aproveitei algumas coisas pedidas no ano anterior, mas ainda devo gastar cerca de R$ 1.200,00”, enfatiza.

)) Livrarias registram aumento do movimento na segunda quinzena de janeiro Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015

7


Abandono

Patrimônio ameaçado Equipamentos culturais sofrem com a ação do tempo, de vândalos, a falta de manutenção e segurança

O

Teatro Municipal Dix-huit Rosado, que desde a sua inauguração se destacou no corredor cultural pela sua beleza e arquitetura imponente, hoje chama a atenção de quem passa pela Avenida Rio Branco, devido aos danos em sua estrutura provocados pela ação do tempo e pela falta de manutenção. 8

E os problemas encontrados no Teatro não se restringem à grande parte das peças de cerâmica que faltam no revestimento externo do prédio. Segundo informações recebidas pela reportagem de DOMINGO, os banheiros estariam com problema, o ar condicionado também viria apresentando constantes problemas comprometendo a climatização do

Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015

ambiente, além de algumas cadeiras quebradas. A reportagem conversou com algumas pessoas sobre a situação do Teatro, para confirmar se esses problemas realmente estão acontecendo. Um dos entrevistados foi o professor de educação física, ator e bailarino Hykaro Mendonça, que no último mês de de-


Abandono Culturais, Emanuel Castro, que fica à frente sobre a manutenção. Segundo afirmou Emanuel Castro, os problemas nos banheiros e nas cadeiras do teatro já foram resolvidos. “Quanto à questão da climatização, o Teatro realmente não está operando com 100% de refrigeração, existe o problema. O sistema de climatização do Teatro é o mesmo desde a inauguração. Tem a manutenção mensal, porém, nunca foi feita uma revisão e reparo geral”, explica. O gerente de Equipamentos Culturais disse ainda que recentemente foi feito um orçamento e a previsão é de que se gaste cerca de R$ 75 mil nesse trabalho completo. “A Secretaria está avaliando a melhor forma de resolver a dificuldade e garantir a realização do serviço. Ressaltando que esse problema de climatização é no foyer”, concluiu.

zembro participou de um espetáculo de dança no local. Hykaro Mendonça afirma que ao chegar ao teatro para a organização do espetáculo a equipe se deparou com a necessidade de alguns ajustes. “Não foi nada que impedisse a realização do nosso evento, até porque quando vimos o quadro, pedimos à direção do teatro que tomasse providências a respeito do problema no ar condicionado, no som, entre outros. Mas ainda há vários ajustes que precisam ser feitos, já que o local possui algumas cadeiras quebradas, e quanto à parte de luz, projeção e som, precisa ser mudada. Mas acredito que a direção esteja por dentro dessas necessidades e irá tomar as devidas providências para modificar esse quadro”, ressalta. Perguntado sobre como ele, enquanto artista, se sentia ao ver a situação do Teatro Dix-huit Rosado, que é a maior e única casa de espetáculos da cidade, já que os outros teatros estão fechados há

anos por falta de manutenção, Hykaro Mendonça afirmou que acredita que toda repartição pública precisa de reparos constantes. “Se isso não ocorre, é inevitável o prejuízo. Como artista, queremos que nossa casa seja a mais impecável possível, para que possamos continuar ouvindo que o ‘Teatro de Mossoró é um dos mais belos do Nordeste’, como sempre ouvimos de quem por aqui passou. Mas como disse, assim como eu, acho que toda classe artística espera que a direção tome as devidas providências para contornar essa situação”, enfatiza. DOMINGO também tentou contato com a secretária de cultura do município, Isolda Dantas, para saber o que a pasta tem feito em relação à conservação do Teatro Municipal, no entanto, na ocasião, a secretária encontrava-se em um evento na capital do estado. Por meio da assessoria da Secretaria de Cultura, a reportagem recebeu informações do gerente de Equipamentos

)) Revestimento esterno do Teatro Dixhuit Rosado está bastante danificado

Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015

9


Abandono

)) Memorial da

resistência depredado

Outro equipamento cultural que sofre com a falta de manutenção e ainda com a ação de vândalos é o Memorial da Resistência. O espaço da Avenida Rio Branco conta um importante capítulo da história da cidade. DOMINGO foi até o local e encontrou vários painéis quebrados, espaços com mau cheiro de fezes e urina, os refletores para iluminação dos painéis quebrados, a estrutura toda pichada, e nenhum guarda municipal no espaço. No início de janeiro, a lojinha que funciona nas dependências do Memorial da Resistência foi arrombada e teve um gelágua e uma cadeira roubados. Procuradas para falar sobre a situ-

ação em que se encontra o Memorial, as responsáveis preferiram não falar. Elas apenas afirmaram que a secretária de Cultura havia se comprometido a enviar um guarda para vigiar o espaço à noite, mas como a loja não funciona à noite, elas não poderiam afirmar se o segurança havia comparecido. Em entrevista à mídia local o Comandante da Guarda Civil, Júlio César Fernandes, falou da possibilidade de instalar uma base fixa da Guarda Civil no Memorial, além da instalação de câmeras de segurança vigiadas pela própria guarda e não pelo Centro Integrado Operação e Segurança Pública (Ciosp), responsável por câmeras instaladas em diferentes pontos da cidade.

)) Painéis do Memorial da Resistência quebrados, e espaço tem mau cheiro de fezes e urina

10

Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015


Economia

Baixa estação Bares e restaurantes de Mossoró registram queda no movimento, devido esvaziamento da cidade em janeiro na temporada de veraneio Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015

11


Economia

C

om o início do período de veraneio, grande parte dos mossoroenses migra para a cidade praia de Tibau, município que fica a 42km de Mossoró. Com isso, principalmente, nos finais de semana, a cidade se esvazia. Com isso os estabelecimentos comerciais, em especial, os bares e restaurantes sentem com a considerável redução do movimento. DOMINGO conversou com alguns representantes do setor para saber se adotaram alguma estratégia para driblar a queda do movimento, e como está o funcionamento desses estabelecimentos. O gerente do Real Botequim, Bruno José, explicou que desde o início do mês o restaurante percebeu a queda no movimento, principalmente, durante os finais de semana. No entanto, Aristeu afirma que como o estabelecimento mantém o Festival em Dobro, promoções diárias de domingo à quarta-feira, quando os clientes recebem os pedidos em dobro. “Devido nossas promoções temos uma clientela bastante fiel, e como o festival acontece entre domingo e quartafeira, o movimento não caiu muito porque a maioria das pessoas só viaja nos finais de semana”, explica. De acordo com o gerente do Real Botequim, a promoção é diária. No domingo e na segunda-feira, os clientes recebem tanto petiscos, como o chopp em dobro. Nas terças-feiras é dia de festival em dobro de caipirinha. E nas quartas-

)) Real Botequim teve movimento reduzido nos finais de semana

)) Gerente do Real Botequim, Bruno José 12

feiras, último dia da semana com promoção no restaurante, os clientes pagam um chopp e recebem dois. DOMINGO também conversou com Aristeu Valias, gerente do restaurante Pinga Fogo, no Hotel Thermas. Segundo o gerente, diferente dos demais estabelecimentos da cidade, que realmente registram uma redução da movimentação de clientes, o Pinga Fogo faz o caminho inverso. Já que enquanto os mossoroenses esvaziam a cidade, muitos turistas se hospedam no Hotel Thermas e consequentemente frequentam o restaurante. “Nessa temporada, desde o mês de dezembro registramos um crescimento

Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015

de 30% do movimento de clientes aqui no restaurante. E grande parte do público é formada pelos próprios hóspedes do hotel”, comenta. Aristeu Valias diz ainda que o restaurante tem uma vantagem em relação aos demais estabelecimentos, já que quando termina a temporada de férias, apesar dos turistas partirem, os mossoroenses voltam para sua rotina normal, inclusive retomando a frequência ao restaurante que não sofre com nenhuma temporada de baixa durante o ano. O Pinga fogo funciona diariamente das 11h30 às 15h30, e das 18h30 às 23h, funcionando até as 00h nas sextas-feiras, sábados e domingos.


Ano novo

Planejamento e compromisso Psicóloga Najara Cordeiro dá dicas de como definir metas e objetivos para o ano que se inicia

J

á entramos na segunda quinzena de janeiro, e muita gente ainda está em clima de festa, férias e não começou a se programar para 2015. Pensando nisso, DOMINGO traz, a seguir, dicas de uma especialista sobre a importância de se estabelecer metas e objetivos para o ano que se inicia. Segundo a

psicóloga Najara Mirella Cordeiro do Nascimento, do Hapvida Saúde, o planejamento é fundamental para a boa execução das atividades. No entanto, a especialista explica que planejar é algo muito subjetivo e é preciso saber de que tipo de planejamento estamos falando. “Quando tratamos de

uma mudança de ano, nem todos estabelecem metas claras; muitas vezes, realizam pedidos mais amplos, sentimentais (quero paz, amor)”, afirma. Para a psicóloga, é importante estabelecer metas à medida que há a possibilidade de realização, para que não seja apenas um desejo vago, mas o propó-

Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015

13


Ano novo sito que o sujeito irá buscar objetivamente. Querer algo e se planejar, de fato, são caminhos que podem acabar sendo distantes um do outro, se não houver um certo cuidado. “Precisamos planejar a construção dessas conquistas e mudanças, afastando-se do plano de apenas desejar. Muitas coisas dependem de nós mesmos. Portanto, não podemos esperar que outrem assumam essas mudanças por nós”, ressalta. Najara Cordeiro lembra que muitas pessoas têm dificuldade na hora de fazer planos, principalmente, no que diz respeito às prioridades. Ela diz que, muitas vezes, o problema não está na organização, mas no esforço do indivíduo em realizar tal atividade ou plano em tempo hábil. E fala ainda que é preciso, acima de tudo, se comprometer com as metas que quer alcançar. “De nada adianta ter uma agenda e anotar tudo o que você tem de fazer, se você não o realiza. Claro que, para os que têm mais dificuldade em fazer isso, é importante estabelecer datas-limite. No mês das férias, por exemplo, as pessoas tendem a fazer uma lista de tudo que têm para fazer durante o mês e terminam deixando tudo para a última semana. É importante planejar semanalmente ou mesmo diariamente, mas a palavra de ouro é compromisso”, comenta. De acordo com a profissional, todo final de ano, é possível parar para avaliar como foi o ano que se passou e traçar metas com seriedade para o ano que se inicia. É viável colocá-las no papel e refletir sobre como conquistá-las. Para ela, esse tipo de planejamento pode ajudar essas pessoas a sair da paralisação e a tomar uma atitude para alcançar seus objetivos. Pode-se, ainda, construir uma tabela que seja possível visualizar o tempo de investimento a cada fração da sua vida, e se gostaria que fosse diferente. Outra dica importante é tentar, ao máximo, ter responsabilidade e maturi-

“

É importante planejar semanalmente ou mesmo diariamente, mas a palavra de ouro é compromisso”

14

dade diante das metas, pois sendo feitas de maneira errônea, há grande possibilidade de frustrações. Se você não se organiza diante das suas metas ou prazos a cumprir, pode atrasar ou acumular atividades que podem comprometer o resultado final. Muitas pessoas tendem a fazer planos em curto, médio e longo prazo. Entretanto, para Najara Cordeiro, é perigoso fazer planos em longo prazo, principalmente diante de uma sociedade tão efêmera quanto a nossa. “Acho saudável a realização de planejamento em curto prazo. Mas, claro, o olhar em longo prazo é inevitável, mas não pode tirar o foco do sujeito do presente, do que ele precisa realizar hoje para alcançar seus objetivos mais adiante. Saber se os planos são em curto, médio ou longo prazo vai depender justamente das prioridades que foram estabelecidas, sejam familiares, profissionais ou pessoais. O planejamento pode ser feito para o ano que se inicia, bem como para os próximos 2, 7 ou 10 anos. Sua percepção em longo prazo e suas aspirações implicarão diretamente nes-

se aspecto”, explica. Uma possibilidade na hora de se planejar é dividir os planos entre os diferentes setores da vida (pessoal, profissional, financeiro, familiar), mas a psicóloga afirma que isso vai depender de cada sujeito. Ela conta que os dois pontos mais importantes para se planejar são o profissional e o financeiro. “Hoje, as pessoas estão tão preocupadas em planejar a vida que se esquecem da naturalidade das coisas. Planejam a hora certa para casar, ter filhos, sair, tirar uma foto perfeita. Enfim, um grande problema das pessoas, atualmente, é a obsessão diante de tudo, e isso é evidenciado pela necessidade de controle”, enfatiza. Najara Cordeiro ainda ressalta que falar sobre a divisão dos planos em diferentes setores da vida não quer dizer que seja uma obrigação fazê-la, e sim, uma opção para melhor organizá-los. Mais uma vez, isso está voltado para a questão das prioridades. Se você tem maior necessidade de cumprir metas ou objetivos no campo profissional ou pessoal, você poderá traçar um planejamento, assim como também ocorre no campo familiar.

)) Najara Cordeiro, psicóloga do Hapvida Saúde

Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015


adoro comer adoro Receita comer

Sorvete de creme com cobertura de chocolate

INGreDIeNTeS • 1 lata de leite condensado • 2 medidas (do leite condensado) de leite comum • 3 gemas • 2 colheres de sopa de amido de milho • 1 lata de creme de leite com soro • 3 claras batidas em neve • 3 colheres de sopa de açúcar Cobertura: • 10 colheres de sopa de açúcar • 5 colheres de sopa de achocolatado • 200 ml de água

MODO DE faZer • Levar ao fogo o açúcar na própria forma até virar uma calda e reservar • Levar ao fogo a água com o achocolatado até ferver e despejar sobre a calda de açúcar • Levar ao congelador até endurecer levemente • Levar ao fogo o leite condensado, o leite comum, as gemas e o amido de milho até formar um creme • Misturar nas claras batidas o açúcar e o creme de leite • Misturar no creme já frio • Colocar na forma e levar ao freezer de um dia para o outro • Na hora de desenformar levar rapidamente à chama do fogão

Jornal de Fato | DOMINGO, 18 de janeiro de 2015

15


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Revista de Domingo nº 691 by Jornal de Fato - Issuu