editorial ao leitor
Vítima da seca
A
Entrevista
Boa leitura, Nara Andrade
p4 Delegado do CRM, em Mossoró, Manoel Nobre, fala da paralisação do atendimento dos planos de saúde
maior estiagem dos últimos 100 anos está castigando o homem do campo e, segundo dados da meteorologia, a previsão para os próximos meses não é nada animadora. Diante de mais uma temporada crítica de seca, os produtores rurais cobram soluções definitivas, como programas de convivência com o semiárido e não apenas medidas emergenciais, adotadas pelos governos, geralmente, de forma tardia, quando os efeitos devastadores da estiagem atingem seus níveis mais críticos. A revista DOMINGO conversou com o agricultor Luiz Clementino, que é apenas um dos 540 mil potiguares que estão sofrendo com a ausência de chuvas. Esta edição também traz uma conversa esclarecedora com a psicopedagoga Bernadete Holanda, sobre a dislexia. O médico Manoel de Freitas Nobre, delegado do Conselho Regional de Medicina (CRM), é o entrevistado da semana e fala sobre o Dia Nacional de Alerta aos Planos de Saúde, que promoverá na próxima quinta-feira, 25, a paralisação dos atendimentos.
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Vítima da seca Estiagem que assola o homem do campo é a maior dos últimos 100 anos.
Dislexia
Psicopedagoga Bernadete Holanda fala sobre esse distúrbio de aprendizagem
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Coluna
Rafael Demetrius: Como evitar a inveja no ambiente de trabalho
Adoro comer Colunista Davi Moura: Carpaccio de berinjela
• Edição – C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral – William Robson • Editor – Higo Lima • Diagramação – Ramon Ribeiro • Projeto Gráfico – Augusto Paiva • Impressão – Gráfica De Fato • Revisão – Gilcileno Amorim e Stella Sâmia • Fotos – Carlos Costa, Marcos Garcia, Cezar Alves e Gildo Bento • Infográficos – Neto Silva Redação, publicidade e correspondência Av. Rio Branco, 2203 – Mossoró (RN) Fones: (0xx84) 3323-8900/8909 Site: www.defato.com/domingo E-mail: redacao@defato.com Domingo é uma publicação semanal do Jornal de Fato. Não pode ser vendida separadamente.
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Jornal de Fato | DOMINGO, 21 de abril de 2013
conto
joSÉ NIcodemoS*
A banda
(
Envie sugestões e críticas para o e-mail: aristida603@hotmail.com
)
F
oi uma festa de arromba na cidadezinha monótona. A inauguração da banda de música municipal. Armou-se um palanque na frente da Prefeitura, e houve muitos discursos. Todo sorrisos, o senhor prefeito não cabia em si de tanta satisfação. Prometera durante a campanha eleitoral, e aí estava a banda pra animar as tardes monótonas da cidadezinha. Vivas ao senhor prefeito, em todas as bocas. Nas ruas e janelas. E a pracinha, antes desguarnecida, salvo nas noites de festa dedicadas à padroeira, tornou-se divertida com “a banda de música do prefeito”, como ficou sendo chamada. Moças e rapazes, velhos e meninos. A pracinha era na frente da Prefeitura, e o senhor prefeito, terminado o expediente, vinha sempre misturar-se com o povo ouvindo a banda tocar pelo entardecer, e saía cumprimentando a todos, um a um. E não chegava pra quem queria. O povo feliz. Fazendo canto com a pracinha, era o sobrado de duas irmãs solteironas que, uma ao lado da outra, bem juntinhas, ficavam olhando a banda tocar debruçadas à varanda da janela central do andar de cima. Uma era bonita; a outra, nem tanto. A bonita, como que imaginando coisas, sorria pra banda, às vezes
Prometera durante a campanha eleitoral, e aí estava a banda pra animar as tardes monótonas da cidadezinha.
mandando na mão burguesa beijos impessoais. Um velhote que, em moço, lhe devotara um grande amor, nunca correspondido, notou-lhe o sorriso, e achava que era pra ele. Passou a ser o primeiro a chegar à pracinha, plantando-se na face que dava pro sobrado. Recolhia-o com os beijos, na certeza de que estava sendo cortejado pelo amor antigo. Sorria-se, feliz. Acabou caindo na galhofa geral da
pracinha. Era muito feio e corcunda. Havia, porém, uma doce ilusão de parte a parte. A da solteirona ainda bonita, nada tinha a ver com o velhote. Certamente ela nunca o notara ali entre os paletós na pracinha, os olhos perdidos no seu mundo interior. Nas divagações dos seus sentimentos dos anos casadoiros. Achando que a banda tocava pra ela.
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Entrevista
MaNoeL de FReITaS NobRe
Planos de saúde achataram tabelas de atendimentos médicos Por Nara Andrade Para a Revista Domingo
N
ascido no município potiguar de Portalegre, na região serrana do Rio Grande do Norte, o médio Manoel de Freitas Nobre diz que a escolha da profissão se deu de forma natural, porque desde criança admirava os médicos e queria ser como eles, apesar de não ter nenhum em sua família em que ele pudesse se espelhar. Já a escolha pela ginecologia e obstetrícia foi feita já no período de formação, na Faculdade Federal do RN (UFRN), por ser uma especialidade que não lida diretamente com o lado triste da Medicina e sim com a vida. Para ele, cada parto representa uma festa, porque dali está surgindo uma nova vida. Delegado do Conselho Regional de Medicina (CRM), em Mossoró, o médico fala do dia de paralisação nacional dos atendimentos aos planos de saúde, da defasagem das tabelas de pagamento de procedimentos médicos e demais desafios da profissão.
DOMINGO – No próximo dia 25, será realizado o Dia Nacional de Alerta aos Planos de Saúde, quando os médicos suspenderão o atendimento a pacientes em todo o país. Qual o objetivo da mobilização? MANOEL NOBRE – A paralisação dos atendimentos e toda a programação prevista para o próximo dia 25 têm como objetivo tentar sensibilizar as operadoras de planos de saúde, porque elas achataram muito as tabelas de atendimento médico. Para se ter uma ideia, quem paga planos de saúde, todo ano, tem uma quantidade de aumento muito grande e esses aumentos nunca são repassados para os honorários médicos. Tem planos de saúde ainda que pagam cerca de R$ 20,00 por algumas consultas médicas, apesar de existir uma tabela hierarquizada pela Associação Mé4
dica Brasileira, denominada Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), que por lei deve ser cumprida, mas os planos de saúde não querem cumprir. Então temos sempre uma briga de gato e rato, tentando negociar para ter uma tabela mais digna. Hoje, tem especialidades na Medicina, que não têm condições de ter consultórios médicos. A pediatria é um exemplo, porque com o que os planos pagam pelos procedimentos é muito baixo e não compensa manter um consultório. Por isso, as classes médicas se unem para dar uma espécie de ultimato, uma advertência para ver se as empresas se sensibilizam e negociam. A MOBILIZAÇÃO acontece pelo terceiro ano consecutivo e é realizada com
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o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Federação Nacional dos Médicos (FENM). Quais as entidades que representam a categoria aqui no estado? Essas entidades potiguares participarão do protesto? AS ENTIDADES que representam nossa classe são: o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (CREMERN) e suas delegacias, em Mossoró, Caicó e Pau dos Ferros, o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (SINMED/RN) e a Associação Médica do Rio Grande do Norte (AMRN), e sua representação aqui em Mossoró. Elas com certeza estão apoiando a mobilização. A CATEGORIA reclama de abusos
Entrevista praticados pelas operadoras na relação com médicos e pacientes. Quais são esses abusos? ALÉM da tabela de pagamentos defasada, não tenha dúvidas que os abusos são inúmeros. Aqui acontece muito, glosa de contas, negação de procedimentos. Às vezes você está com uma paciente e precisa fazer um procedimento, uma cesariana, por exemplo, e tem que esperar a autorização do plano de saúde. Algumas empresas, que não são aqui da cidade, protelam essas autorizações. Às vezes a paciente fica na porta do hospital esperando que a central de fortaleza do Plano de Saúde mande uma autorização para que aquela pessoa possa se internar. Outro caso é a negação da realização de um procedimento previsto no contrato, isso acontece muito, a demanda judicial é muito alta de casos como esses. Os planos de saúde estão entre os campeões de reclamações nos órgãos de proteção ao consumidor e na própria Justiça. Eu digo porque pedem muito parecer médico para esse tipo de questão.
grande problema dos planos de saúde é que eles começam a vender muitos planos por preços mais baixos, para concorrer com outras operadoras e às vezes o valor pago pelo usuário não cobre as despesas dos procedimentos previstos no contrato e nem o usuário, nem o profissional médico podem ser penalizados por isso. O usuário comprou o plano porque a empresa ofereceu, então ela tem que cumprir o que está previsto no contrato. Outra questão é referente ao escalonamento nos procedimentos tabelados, por exemplo, os planos pagam a mesma coisa por uma cirurgia de apendicite simples, que é pago por uma cirurgia de apendicite com complicações. Tem uma série de coisas nesses planos de saúde que precisam ser revistas. As pessoas reclamam que os médicos não querem mais atender pelos planos. Mas, como a gente vai atender se o plano não oferece as mínimas condições? Para se ter uma ideia, teve operadora que pagava a mesma coisa ou menos do que o SUS pelos procedimentos.
ENTRE os pontos presentes na pauta de reivindicação está o apoio ao Projeto de Lei 6.964/10, que trata da contratualização e da periodicidade de reajuste dos honorários pagos aos médicos. Qual a importância de aprovação desse projeto? Hoje em dia como acontecem esses reajustes? DURANTE os últimos dez anos, se a gente for acompanhar a quantidade de reajuste que teve para o usuário e esses não foram repassados para a classe operadora, que são os médicos, é absurda a defasagem. Os reajustes conquistados nesse período foram conseguidos por meio de pressão, com a realização de mobilizações, com a paralisação de determinado procedimento, até ser chamado para conversar e negociar. A grande maioria é dessa forma. Apesar de existir a tabela de hierarquização da Associação Médica, para atendimento de planos de saúde, que não é cumprida. Para se ter uma ideia, o valor da consulta estipulado na tabela é de R$ 58,00, mas os planos pagam de R$ 20,00 a R$ 30,00. Se você for fazer um lanche, você não gasta só isso.
O SENHOR disse que os valores pagos pelo Sistema de Saúde Público (SUS) e o pelos planos de saúde estão muito defasados. A criação de cooperativas tem sido adotada como alternativa? TEM muitos profissionais de algumas especialidades que estão fazendo cooperativas ou empresas para fazer uma negociação em conjunto. Entre as que mais fazem, estão as especialidades que têm um número mais reduzido de profissionais, como a neurologia, a neurocirurgia, a anestesiologia, que temos aqui no estado. Porque como são poucos profissionais, eles conseguem fazer uma maior mobilização e conseguem até mesmo fazer contratos diretos, inclusive, com órgãos públicos. Por exemplo, a escala de neurocirurgiões do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) é feita por meio de contrato com uma cooperativa para a prestação do serviço e nenhum dos médicos é funcionário do estado. É uma solução, mas é atravessada, primeiro porque a Promotoria da Saúde não aceita muito essa prática por entender que se trata de uma espécie de cartelizarão da Medicina. Por outro lado, os médicos se sentem seguros ao negociar com os planos de saúde, porque para eles serem contratados, as operadoras têm que chegar com uma proposta para negociação e sem a cooperativa isso não acontece. E acho errado, acho que o correto era que a Agência Nacional de Saúde (ANS) tomasse uma atitude, tabelasse os procedimentos de forma que ficasse interessante para os médicos e para as operadoras dos planos.
QUAIS as demais reivindicações da categoria? AS REIVINDICAÇÕES em sua maioria são sempre em cima de melhores condições de trabalho. Acontece em algumas especialidades, que precisam de próteses, órteses, stents, por exemplo, os planos negam, quando são requisitados pela ortopedia, traumatologia, cirurgia vascular, cirurgias cardíacas. É uma confusão para ter a liberação de itens desse tipo. Muitas vezes, o paciente tem que pagar pelo procedimento e depois recorrer, até judicialmente, para ter o retorno do pagamento e sempre consegue porque são procedimentos previstos no contrato. O
O HOSPITAL da Mulher – Parteira Maira Correia está passando pela segunda intervenção, com mais um contrato de gestão rescindido e existe a possibilidade do hospital ser administrado pela Faculdade de Medicina da Uern. Qual o
posicionamento do CRM em relação à situação desse Hospital? O HOSPITAL da Mulher começou de forma errada, porque tudo que é feito às pressas começa a dar problemas. O custo daquela maternidade é muito alto para o governo, que gasta lá cerca de R$ 2 milhões por mês para se fazer em média 120 procedimentos por mês. Se for realmente para a Faculdade de Medicina, não tem coisa melhor, porque qualquer hospital, qualquer unidade médica de atendimento à população, que é ligada ao ensino, funciona muito bem, tem que ser um atendimento de excelência, porque o estudante está aprendendo, porque o professor tem que estar atualizado e o serviço tem que dar uma assistência boa à população. Eu acho que a melhor saída para o Hospital da Mulher é ser gerido pela Faculdade de Medicina. O governo tem que assumir de vez e convocar o pessoal concursado que está esperando convocação. MUITAS pessoas chamam os médicos de mercenários, o que o senhor diz sobre isso? EU TENHO 22 anos de profissão, inclusive dando plantões, e tudo é programado. A pior coisa do mundo para um médico que se programa para dar um plantão de 19h da noite de um dia até às 7h do outro, é chegar ao fim do seu plantão e não ter ninguém para lhe substituir no plantão seguinte. Dobrar um plantão é terrível para um profissional, que fica mal humorado, chateado, cansado, se sujeitando a dar um diagnóstico errado, atender mal uma pessoa, porque o médico é humano igual a qualquer outra pessoa. Na obstetrícia, por exemplo, o médico passa a noite inteira acordado e no outro dia ele tem outros compromissos, outros empregos. O pessoal tem mania de dizer que o médico não cumpre o juramento, mas nem o juramento, nem o Conselho de Medicina obrigam ninguém a trabalhar de graça. Nos hospitais públicos, quando a tabela não é fechada, o diretor chega para o médico e diz que tem dois plantões abertos e pede para ele cobrir como plantões eventuais, que o governo pagará, inclusive com 20% de acréscimo, mas quando chega o final do mês, aquele plantão não é pago e o profissional no próximo mês se recusa a dar esses plantões extras porque não vai receber por eles. Eu digo isso porque eu já fui diretor médio do HRTM, há dez anos, e sei como é que funciona. O médico não pode deixar uma pessoa precisando de atendimento e não atender, não pode sair e deixar a pessoa morrendo. Se o médico fizer isso ele está errado e vai responder por isso. Agora existem médicos que cometem esse erro, do mesmo modo que em outras profissões tem os bons e os maus profissionais. E, infelizmente, não dá para substituir esses maus profissionais, porque não temos um exército de reserva como em outras profissões.
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Juliano Pessoa
Relato
Vítima da
seca Agricultor Luiz Clementino fala dos efeitos da maior seca dos últimos 100 anos
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uiz Clementino, 57 anos, natural do município de Pedro Avelino, fundador do assentamento Favela (zona rural de Mossoró), onde reside com sua família há 23 anos. Esta é a identidade de apenas um dos 540 mil potiguares afetados pela maior seca dos últimos 100 anos no Rio Grande do Norte. O produtor rural sobrevive da produção de castanha de caju e derivados e também cultiva milho e feijão para con-
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sumo próprio. No entanto, devido à seca, a situação está bastante difícil no último ano, devido à falta de chuva. Luiz Clementino tem uma plantação de cajueiros em dois lotes do assentamento e diz que neste ano ainda não conseguiu colher nada. “Ainda estou vivendo com a produção de 2011, quando colhi 15 toneladas de castanha. Já, no ano passado, só colhi 1.200kg. Já tinha sofrido uma seca grande, mas essa é a maior. Está
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)) Luiz Clementino fala, desolado, dos efeitos da seca que atinge o campo
muito difícil”, relata. Sua experiência de vida lhe ensinou a adotar medidas para se precaver de situações críticas em períodos de seca, como o que está sendo vivenciado no Estado nesses quase dois anos de estiagem. Luiz Clementino diz que só se desfaz da safra do ano anterior quando começa a chover no ano seguinte. Por isso, ele estocou 10 das 15 toneladas de castanha colhidas em 2011. Eles estão beneficiando a castanha para vender no programa Compra Direta do Governo do Estado. Além da falta de chuva, o agricultor já viu parte de sua plantação de cajueiro morrer, devido à praga da mosca-branca. “Eu estou evitando vir aqui no lote, porque dói no coração ver o fruto do trabalho de uma vida se acabando desse jeito. Foi daqui que tirei o sustento de minha família. Dá vontade de chorar”, desabafa o homem do campo, com o olhar triste, ao ver a situação da sua plantação. Hoje, além da castanha que tem estocada da safra de 2011, Seu Luiz e sua esposa, Eliete Evaristo da Costa, estão sobrevivendo com uma verba de R$ 136,00 que recebem do Garantia Safra, e R$ 70,00 provenientes de outro pro-
Relato grama do Governo Federal. O Garantia Safra é uma ação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) voltada para os(as) agricultores(as) familiares que sofrem perda de safra por motivo de seca ou excesso de chuva. REBANHO COM FOME Outra coisa que entristece Luiz Clementino é ver seu pequeno rebanho, com oito cabeças de gado, com fome e não ter condições de alimentá-las. Ele diz que cria algumas vacas para tirar o leite e para produzir alguns bezerros destinados ao corte ou para a venda, mas que elas estão muito magras. “Teve um dos assentados aqui que vendeu oito cabeças por R$ 1.800,00, o preço que a gente pega por apenas uma vaca boa em tempos melhores. Várias cabeças do rebanho aqui do assentamento já morreram. Está tudo se acabando, aos poucos”, lamenta. A esperança é a compra do milho para os animais, vendido pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) por um preço abaixo do praticado no mercado. No entanto, o milho começou a chegar agora, com quatro meses de atraso, e cada produtor está recebendo apenas 50% da demanda. Seu Luiz, por exemplo, recebeu apenas quatro sacas. POSSIBILIDADE DE RACIONAMENTO DE ÁGUA A água no assentamento também é escassa, o volume destinado para a localidade, através da adutora Jerônimo Rosado, que traz água de Assú para Mossoró, foi reduzido para apenas 43%. O gerente regional da Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN), Nehilton Barreto, explica que os moradores estão sentindo a diferença no abastecimento porque está havendo um maior controle da demanda. “Estamos enviando a quantidade de água suficiente para a o consumo humano na comunidade. A água da adutora não pode ser usada para plantação nem para o consumo animal”, frisa. Nehilton Barreto afirma que, apesar de não ter chegado nenhum comunicado oficial sobre a necessidade de racionar água, há uma certa preocupação em relação ao reservatório que abastece a adutora Jerônimo Rosado, que está baixando de nível muito rápido, e existe a possibilidade de realizar racionamento. O assentamento tem um poço, que está fechado há quase dez anos porque os moradores não tinham condições de pagar a conta de energia gasta com o
funcionamento da bomba para puxar a água. Seu Luiz conta que já pensou em ir embora para outro lugar onde possa trabalhar, porque não gosta de ficar parado, mas sua esposa não quer deixar para trás a vida que os dois construíram naquele local. Outros assentados já saíram do local, para tentar a vida em Mossoró. Perguntado se ainda tem esperança, seu Luiz diz que espera poder ver até junho deste ano a mata toda verde novamente. “A esperança não pode morrer. Se ela
morrer, em que nós vamos nos apegar?”, diz. CONVIVÊNCIA COM A SECA Em entrevista à revista DOMINGO, do JORNAL DE FATO, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Lavoura de Mossoró, Francisco Gomes de Melo, afirma que todas as 133 localidades rurais da cidade estão passando por uma situação muito difícil. O presidente do sindicato diz que, para resolver a situação de forma definitiva, a saída é realizar projetos de con-
)) Agricultor está vivendo da safra de castanha de 2011
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Relato vivência com a seca. “Projetos emergenciais ajudam, mas não adiantam muito. O homem do campo está passando por dificuldade, mas queremos uma solução definitiva, não precisamos de migalhas. Sempre vamos passar por situações climáticas críticas, então precisamos aprender a enfrentar esses períodos sem deixar de produzir”, comenta. Francisco Gomes reclama da questão da grande burocracia para o acesso dos produtores rurais nos programas sociais. PREVISÕES NADA ANIMADORAS O meteorologista José Espínola So-
brinho, do Departamento de Climatologia da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), explica que, para este ano, as previsões não são animadoras para o homem do campo. “Chuva aqui na nossa região é de fevereiro a maio, com maior intensidade nos meses de março e abril. Se não choveu até agora, não devemos ter mais chuvas no restante do ano. Isso não quer dizer que não vai mais haver nenhuma precipitação, mas não teremos um período chuvoso regular”, comenta. Espínola diz que este é um ano atípico, e como não há formação de nuvens para impedir que a radiação che-
Números da seca
92 famílias no assentamento Favela 6.500 famílias no Sindicato da Lavoura 540 mil potiguares afetados pela seca (1 em cada 6 potiguares) 50 por cento do rebanho do RN desapareceu entre 2012 e 2013 144 municípios do RN, dos 167, em estado de emergência 6 carros-pipa abastecendo reservatórios na zona rural (2 da Prefeitura de Mossoró e 4 da Defesa Civil) 30 por cento dos moradores de localidades rurais recebem aposentadoria rural Temperaturas mais altas registradas (Mossoró) 38,5ºC – 3 de março de 2013 39,7ºC – Em 2009
Programas sociais de apoio ao homem do campo Bolsa Estiagem – R$ 80,00 Garantia Safra – R$ 135,00
gue à terra, a sensação é de que está mais quente que o normal. O professor diz que neste ano a maior temperatura registrada foi em março, quando a estação meteorológica da Ufersa marcou 38,5ºC, e a temperatura mais alta registrada em Mossoró foi de 39,7ºC. “Não dá para dizer que teremos uma década de seca, mas que teremos uma década complicada. No entanto, a expectativa é que a situação comece a melhorar, e no próximo ano tenhamos mais chuvas do que neste ano, talvez não para sangrar os reservatórios, mas chover um pouco mais, já que 2013, até o momento, está sendo o ano mais seco dos últimos 100 anos”, explica.
Classificação do ano em relação à quantidade de precipitação Muito seco Seco Normal Chuvoso Muito chuvoso Obs.: Dos 167 municípios monitorados do Rio Grande do Norte, 142 estão classificados como muito secos Média de precipitações dos últimos 110 anos (Mossoró) Janeiro – 56mm Fevereiro – 103mm Março – 166mm Abril – 160mm Maio – 98mm
Milho para animais – R$ 22,00 saca de 60kg Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC)
Anos com precipitação abaixo de 200mm (Mossoró)
3.500 cisternas já construídas em Mossoró
1900 – 146mm
704 cisternas asseguradas para este ano
1903 – 180mm
1.800 previstas até dezembro de 2014, concluindo o projeto em Mossoró
1919 – 199,7mm 1953 – 181,5mm
Plano Municipal de Enfrentamento à Seca 5 milhões de reais em investimentos Aquisição de 30 dessalinizadores Manutenção nas sete adutoras que abastecem a zona rural Perfuração de poços
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1958 – 177,2mm 1993 – 181,9mm 2012 – 199,4mm 2013 – 60mm (aproximadamente) – até a última quinta-feira, 18
Esclarecimento
Dislexia não é demência A psicopedagoga Bernadete Holanda ajuda a desconstruir o conceito de incapacidade do portador desse distúrbio de aprendizagem
A
pesar de atingir 5% da população mundial, muitas pessoas ainda se confundem sobre o que é o distúrbio de aprendizagem conhecido como dislexia. Sobre esse assunto, a Revista DOMINGO conversou com a psicopedagoga Bernadete Holanda, que esclarece agora algumas das dúvidas mais comuns envolvendo esse distúrbio, mais comum entre os meninos, e geralmente acompanhado de outros distúrbios, como disgrafia, ou disortografia. Em primeiro lugar, a profissional fez questão de enfatizar que um indivíduo disléxico não é obrigatoriamente um deficiente mental, como algumas pessoas podem achar. “A dislexia não é demência. O disléxico é inteligente, o próprio Albert Einstein era dislexo. O distúrbio não interfere na inteligência do indivíduo, no Coeficiente de Inteligência (QI), mas cria certos obstáculos relacionados à visão, à audição, ou ao processamento da informação enquanto signo e significado da palavra”, explica. A psicopedagoga afirma que, geralmente, quando a gente pensa em dislexia, não consegue parar de pensar que o indivíduo nem ler, nem escreve direito, mas existem vários tipos de dislexia, que são sempre motivados por algum tipo de inadequação cerebral, que o indivíduo
)) Objetos lúdicos podem ser utilizados para estimular crianças disléxicas
basicamente nasce com ela, ou adquire por alguma perda de massa encefálica. Comumente, a dislexia só é percebida quando o indivíduo chega à idade de sete anos, porque é nessa fase que existe a expectativa da criança começar a ler e escrever. Segundo a especialista, o tipo de dislexia mais comum é a dislexia fonética, em que o indivíduo não consegue traduzir o som em grafismo. Um exemplo é quando você diz casa e o indivíduo vai escrever qualquer outra coisa menos casa. Mas existem outros tipos de dislexia, como dislexia profunda, a que atinge só o léxico do indivíduo, existe dislexias onde o indivíduo consegue ler palavras
soltas, mas não dá conta de ler no contexto. Outro tipo de dislexia é aquela que o indivíduo conhece todas as letras, mas não consegue ler uma palavra. É preciso antes de tudo um processo de investigação para que se possa encontrar o estímulo adequado às necessidades do indivíduo para que ele possa se desenvolver. “Cada tipo de dislexia está relacionado à região do cérebro, onde ela se origina. E não tem um exame radiológico ou tomografia, por exemplo, que possa nos dizer totalmente onde está essa deficiência, apesar de nos direcionar para a região”, frisa. Tanto o neuropediatra, como o psicopedagogo podem reconhecer o tipo de
) Números
3milhões
é o número aproximado de crianças disléxicas no Brasil
5%
da população mundial tem esse distúrbio
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Esclarecimento dislexia para poder orientar a escola, para um processo de inclusão, e os pais, que são fundamentais para ajudar esses indivíduos se tornarem dominante do nosso código linguístico. Quanto mais cedo o distúrbio é identificado e o indivíduo começa a ser estimulado, melhores são as condições de desenvolvimento. Por isso é fundamental a presença de um profissional da psicopedagogia nas escolas. “Hoje eu não consigo perceber uma boa escola sem esse profissional, não para atender clinicamente as crianças, mas para orientar a professora a lidar com o processo diferenciado de aprendizagem”, comenta. Bernadete Holanda diz que devido à plasticidade do cérebro, as crianças disléxicas podem superar muitas barreiras impostas por esse distúrbio, quando são expostas aos estímulos adequados. Isso vai proporcionar ao indivíduo muito mais autonomia para aprender. Uma forma dos pais e das escolas estimularem a aprendizagem desses indivíduos é colocar a leitura como um momento especial, um momento de prazer. O adulto deverá ler deixando seu filho ou aluno acompanhar com o dedinho a sua fala no momento de leitura. “As pessoas perguntam se esses indivíduos conseguem se desenvolver 100%. Mas, o indivíduo é quem vai ditar o ritmo. Ninguém aprende da mesma forma, cada pessoa tem o seu jeito de aprender”, conclui. Além da possibilidade de estímulos que ajudam a desenvolver sua capacidade de aprendizagem, o indivíduo disléxico tem a tecnologia ao seu. Ele é alfabetizado dentro das suas possibilidades, se ele quiser ler um livro, ele tem um audiobook, se quiser escrever ele tem o word no computador com corretor ortográfico, ou seja, conta com várias possibilidades de se inserir na sociedade.
“
O ambiente lúdico é o ambiente seguro para o indivíduo aprender o que ele quiser, ele só não é obrigado a aprender no ritmo que eu desejo”
Bernadete Holanda Psicopedagoga
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)) Psicopedagoga Bernadete Holanda fala do distúrbio de aprendizagem
#Rápidas
Dislexias Centrais
))
>Dislexia de Superfície – falha da leitura de palavras irregulares, em um comprometimento da via lexical. >Dislexia Fonológica – incapacidade para a leitura de “não palavras” e habilidade para leitura de palavras reais, sugerindo danos ou lesões na via de conversão de grafema para fonema. >Dislexia Profunda – assemelha-se a dislexia fonológica, com igual bloqueio para leitura de não palavras, mas a diferença é que nesta dislexia, há presença de paralexias semânticas e maior facilidade em leitura de palavras concretas e freqüentes.
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Dislexias Periféricas
>Dislexia Atencional – o indivíduo lê palavras isoladas, mas encontra dificuldade ou barreiras para ler várias palavras simultaneamente. >Dislexia por Negligência – é atribuída à lesão na região da artéria cerebral média do hemisfério direito e caracteriza-se por ausência ou dificuldade de leitura no campo visual contralateral à lesão cerebral >Dislexia Literal ou Pura –o indivíduo consegue ler letras individuais, mas apresenta dificuldade em ler palavras
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Como estimular o aprendizado dos portadores de dislexia:
Ler junto com a criança disléxica e fazer da leitura um momento de prazer; Tentar mostrar para crianças textos e palavras contextualizadas com conhecimento prévio; Parabenizando as crianças por cada pequena conquista; Dizer que a criança é capaz, passando confiança e motivação; Utilizar objetos lúdicos. Joguinhos, como dominó de palavras, caça palavras, alfabeto móvel;
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Diagnóstico e acompanhamento
Fonoaudiólogo Psicopedagogo
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Neuropediatra Professores
Pais
Dica de leitura:
O Dom da Dislexia – Ronald D. Davis com Eldon Braun
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Distúrbios de aprendizagem e de comportamento – Lou de Olivier
artigo
Parte 4
ENTeNda a mÍdIa – WILLIam RobSoN *
A Escola de Chicago e o funcionalismo
E
ste capítulo abre discussão sobre as perspectivas dos processos midiáticos envolvendo o pensamento das escolas comunicacionais ao longo do século passado. O texto não pretende fazer um apanhado histórico dessas escolas, mas expor o pensamento dos teóricos. Alguns leitores pediram também as referências das leituras abordadas, as quais publico no final do texto. Para começar, uma reflexão acerca do pensamento da Escola de Chicago e do interacionismo simbólico, a partir do pensamento do brasileiro Francisco Rüdiger, direciona a um viés semiótico no processo da comunicação. Que, por meio de símbolos, a comunicação é efetivada e estruturada. Essa estruturação mantém a sociedade em consenso na identificação de objetos simbólicos, dando sentido à realidade da vida cotidiana. Esse interacionismo simbólico apontado pela Escola de Chicago remete às visões semióticas do semioticista Charles Peirce e de Max Bense quanto na identificação sígnica que garante a relação com o mundo. Bense afirma que a intermediação da consciência com o mundo é possível apenas pelo signo. O signo impõe linguagens das mais diversas que são captadas pelo homem de várias formas. Esse parece ser o ponto de partida do interacionismo simbólico da Escola de Chicago. A leitura do mundo, proporcionada pela interpretação dos signos, é um processo mediado pela comunicação, que garante a formação e consolidação da sociedade. A comunicação é vetor dessa circulação de conteúdo simbólico, possibilitando a relação entre as pessoas. A interação dos indivíduos concretiza-se a partir dos elementos sígnicos e simbólicos que são consensualmente compreendidos através dos processos comunicacionais. Os elementos podem ser sons, cheiros, olhares, cores, texturas, percepções, o imaginável e o palpável. “A comunicação constitui, assim, um processo estruturado por símbolos: é o manejo mais ou
menos racional dos símbolos”. Importante considerar que as tecnologias de informação não são meros instrumentos de harmonização social, desempenhando tão somente um papel de agente da sociedade, como defendiam os funcionalistas. Para Harry Pross, não são meros canais de mensagens, mas “mediações tecnológicas de estrutura simbólica vigente na sociedade”. A capacidade da comunicação de estabelecer redimensionamentos sociais, a partir dos meios, imbrica com o ponto de vista de Edward Hall acerca de um pensamento socioantropológico da relação do indivíduo com a tecnologia. O conteúdo simbólico é difundido a partir das tecnologias de comunicação, observando também as matrizes culturais. Como deixa claro no trecho em que aponta que “é um erro dos maiores agir como se o homem fosse uma coisa, e sua casa ou suas cidades, sua tecnologia ou seu idioma fosse outra coisa”. Ou seja, partindo para os atores sociais, pode-se admitir que deixam-se os espaços restritos da mídia para entrar no campo vasto das mediações e a entender todo o processo de recepção ante a diferentes receptores e que tais receptores comportam-se de forma diferente ante a informação veiculada, ante o discurso, ante a produção simbólica da comunicação. Examinar a comunicação em seu papel social e como produtora de conteúdo e os efeitos nos mais diversos nichos culturais demonstra a complexidade de seu conceito. Conceito este que, há séculos, passou de uma relação de comunhão, de “pôr em comum”, para significar a atividade dos ônibus, dos telégrafos... Seja no seu sentido latino (communicare), francês ou inglês (sentido de transmitir, transporte), entre os séculos XIV e XVIII, o termo ganhou amplitude até designar os meios de comunicação, como imprensa, TV, rádio e cinema. Passou pela Teoria Matemática da Informação, que influenciou nomes das ciências huma-
nas e mesmo contestada, ainda é usada até hoje, até um dos questionamentos das pesquisas de linguagem do chamado “colégio invisível”: “Dentre os milhares de comportamentos corporalmente possíveis, quais são aqueles retidos pela cultura para constituir conjuntos significativos?”, questiona Yves Winkin. São visões múltiplas de comunicação e os níveis de complexidade que, no entanto, formam um todo, como numa orquestra. Na analogia de Winkin, as partes de uma orquestra apresentam particularidades, estruturas próprias, identidades e expressões peculiares. Percebi uma relação com as matrizes culturais inseridas no campo da comunicação: cada uma com sua propriedade, mas inserida no todo. É necessário observar o “modelo orquestral da comunicação”, identificar as partes e adentrar na complexidade da comunicação como um fenômeno social. A ESCOLA FUNCIONALISTA Os efeitos dos meios de comunicação de massa têm mostrado-se como uma preocupação da escola funcionalista. Tal preocupação serviu para questionamentos de pesquisadores quanto à relação dos meios com a sociedade, seu poder de influência, sua ação junto à audiência e repercussão. Os funcionalistas buscavam a dimensão desses efeitos, na intenção de responder a questionamentos se a violência pregada pela mídia influenciava a sociedade a ser mais violenta, se determinava o gosto do público ou suas preferências políticas, como enuncia Klapper. Na leitura dos textos de Merton, Lazarsfeld, Klapper e Noelle-Neumann, percebe-se visões que parecem destoantes, mas se assemelham quanto à evolução das pesquisas em comunicação, sobretudo sobre os efeitos dos meios. Hipóteses acerca de sua influência foram válidas durante tempos, como por exemplo a de que os meios de comunicação atuam tão somente como mero reforço da opinião pública,
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artigo ou a chamada Teoria dos Efeitos Limitados, que começou a ser contestada a partir dos anos 60. A Tese dos Efeitos Mínimos foi bastante questionada, como assinalada por Neumann: “A maioria dos investigadores considera que os meios de comunicação têm um efeito decisivo na concepção que as pessoas formam da realidade”. O texto de Neumann aponta para uma peculiaridade acerca das pesquisas sobre os efeitos, que percebia como “repleta de problemas”. Que os efeitos dos meios de comunicação necessitariam de uma apuração mais rigorosa, técnicas de análises que possam aferir a precisão destes efeitos junto à audiência. Uma tarefa considerada complexa, quando “tantos acreditam que nunca será possível estudar os efeitos dos meios de comunicação de massa”. Neumann observou que, das vertentes dos estudos sobre os efeitos, um consenso foi estabelecido baseado na hipótese de que a influência dos meios não é direta e pessoal, mas observa-se o contexto do receptor e seu ambiente social, o que faz uma associação pertinente com os Estudos Culturais. Inclusive, grupos expõem reação de resistência a essa produção simbólica, não compactuando com sua essência. Outros aceitam em parte, descartando aquilo que não convém; outros, simplesmente aceitam o discurso em sua totalidade, reproduzindo-o em seguida. Nesse caso, os Estudos Culturais surgem como desdobramento da pesquisa dos efeitos dos meios. Os estudos funcionalistas também sofreram influência dos meios, o que levou Lazarsfeld a abandonar os estudos da comunicação no Office of Radio Research (final dos anos 60) e gerou controvérsias com o setor empresarial que aderia a hipóteses científicas que lhe conviessem, a fim de não sofrer pressão política. O conflito ciênciajornalismo está diretamente atrelado, como sinaliza Neumann, ao problema da “legitimação”. Enquanto a pressão dos meios empresariais seguia a linha dos efeitos limitados (na intenção de mostrar que o poder da mídia não era tão grande assim), as pesquisas mais recentes dão conta de seu caráter de longo prazo, ou “longitudinal”, e uma ação potencialmente acintosa junto a públicos extensos (como citado por Lazarsfeld e Merton), contrariando o efeito hipodérmico das massas.
A influência dos meios na sociedade, para Lazarsfeld, tem relação com a evolução social, movimentos reformistas, que possibilitaram aos indivíduos garantir mais tempo ao lazer e às questões pessoais. Porém, os indivíduos não recorreram às produções culturais de qualidade ofertada na época; recorreram ao que estava à mão, nos meios de comunicação, como a TV e o rádio. Em novas pesquisas sobre os efeitos, Lazarsfeld afirma: “A mera presença desses meios não afeta a sociedade de modo tão profundo como em geral se supõe”. Mesmo com os estudos acerca da mídia, legitimação, controle, propriedade desses meios, o autor destaca as mais variadas formas de representações sociais que recebem o conteúdo dos meios e “que poderiam tornar-se o objeto de uma pesquisa sistemática”. A corrida pela compreensão da ação dos meios de comunicação nos estudos funcionalistas fez-me observar sobre os cuidados com a investigação, influ-
ências externas que possam pressionar a pesquisa e um estudo mais aprofundado sobre os efeitos midiáticos ante a diversidade das matrizes culturais. O percurso empírico dos funcionalistas, que ora pareceu-me confuso, mostrouse articulado, sobretudo a exemplo do texto de Klapper sobre os resultados definitivos da pesquisa. Ao notar as “generalizações”, deparou-se com “uma pletora de descobertas relevantes, mas não concludentes e, às vezes, aparentemente contraditórias”. A exemplo da pesquisa funcionalista, é preciso admitir que as pesquisas não são definitivas nem totalmente prontas, que é preciso observar aspectos de investigações anteriores e levantar questões para novos levantamentos. As generalizações no caminho funcionalista deram conta de inúmeras descobertas, e como sugere Klapper, “é tempo de refletir sobre a área que temos tratado (...) e averiguar sua utilidade e também observar seus pontos fracos”.
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QUER SABER MAIS
BENSE, Max. Pequena estética. 2a.ed. São Paulo: Perspectiva, 1975.
HALL, Edward T. A proxêmica e o futuro do homem. In: ___. A dimensão oculta. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 224-234. RÜDIGER, Francisco. A Escola de Chicago e o interacionismo simbólico. In:____. Introdução à teoria da comunicação: problemas, correntes e autores. 2a.ed.. São Paulo: Edicon, 2003, p. 37-53. WINKIN, Yves. O telégrafo e a orquestra. In: ___. A nova comunicação. Campinas: Papirus, 1998, p. 21-34. LAZARSFELD, P. F.; MERTON, R. K. Comunicação de massa, gosto popular e ação social organizada. IN: COHN, Gabriel. Comunicação de massa e indústria cultural. 5a.ed.. São Paulo: T.A. Queiroz, 1987, p.230-253. KLAPPER, J. T. Os efeitos da comunicação de massa. IN: COHN, Gabriel. Comunicação de massa e indústria cultural. 5a.ed.. São Paulo: T.A. Queiroz, 1987, p. 162-173. NOELLE-NEUMANN, Elisabeth. Os efeitos dos meios de comunicação na pesquisa sobre seus efeitos. IN: ESTEVES, Pissarra João. Comunicação e Sociedade. Lisboa: Livros Horizonte, 2002, p. 151-159.
* A série ENTENDA A MÍDIA se propõe a oferecer aspectos reflexivos para estudantes e admiradores dos estudos da comunicação, com aplicações acadêmicas e exemplos do cotidiano. 12
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sua carreira
RafaeL DemeTRIUS Como agem os invejosos
Como evitar a inveja no ambiente de trabalho
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ema polêmico, mas presente em todas as empresas, a inveja corrói relacionamentos, destrói amizades e causa percas significativas de produtividade. Em seu significado literal, inveja significa ódio pela prosperidade ou alegria de outra pessoa, além de também ser definida como o desejo de possuir alguma coisa que o outro tem. Mas há uma ainda mais incisiva, que compara o ciúme, a cobiça e a inveja: Ciúme é querer manter o que se tem, cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha. A inveja é um sentimento delicado, pouco assumido, e que convive cotidianamente no ambiente de trabalho, apesar de poucos confessarem que a sentem. Nas empresas, a cada oportunidade de crescimento, promoção ou bom desempenho, a concorrência se acirra, e coloca-se à prova a capacidade de cada um de rejeitar ou abrigar a inveja. Mas e você? Como lida com esse sentimento? Como lida com esse assunto tão delicado que ninguém assume e faz questão de rejeitá-lo? Saiba na coluna de hoje como evitar a inveja no ambiente de trabalho e melhorar o clima de sua empresa. Inveja no Trabalho
No cristianismo, esse sentimento está entre os sete pecados capitais, pois o invejoso seria a pessoa que ignora suas próprias bênçãos cobiçando o que é do próximo. Na história, inclusive, muitas conspirações e mortes foram motivadas pela inveja. José do Egito, por exemplo, foi vendido pelos irmãos por ser o filho preferido de Jacó. Personagens invejosos também estão presentes no cinema e nas telenovelas. Ficção ou realidade, o fato é que a inveja está em todos ambientes, inclusive no dia a dia do mundo corporativo. No mercado de trabalho, o colega invejoso pode contaminar o ambiente, desmotivar as pessoas e dificultar a convivência em equipe.
Não é tarefa tão simples saber quem são as pessoas invejosas dentro da empresa. Inicialmente elas agem de forma muito sutil. Na frente parecem bons amigos, mas ao dar as costas falam mal dos colegas. Os invejosos não perdem oportunidade para diminuir o trabalho do colega. Eles não elogiam e nem parabenizam o outro por alguma conquista, mas quando elogiam não são sinceros. Além disso, não poupam esforços para alfinetar o colega. Se ele ainda não chegou, ele, sutilmente, pergunta ao chefe onde a pessoa está e por qual razão está fora do local de trabalho querendo passar a impressão de que o colega é atrasado, enquanto ele é pontual e assíduo. Proteja-se
Nenhum ambiente de trabalho está imune aos profissionais que, motivados pela inveja, sabotam seus colegas de trabalho. Para se proteger dessas pessoas, o primeiro passo é procurar não alimentar o sentimento dessas pessoas. Quem dá muita atenção às fofocas e às atitudes do invejoso está de certa forma contribuindo para que o problema cresça. Além disso, é recomendado evitar a superexposição. Compartilhar projetos pessoais e profissionais, falar demais sobre a vida íntima e não guardar segredos são alguns fatores que podem ajudar o invejoso a criar obstáculos contra a pessoa dentro da empresa. O papel do líder
Uma dose de competitividade no ambiente de trabalho é até saudável. Mas, para que ela tenha efeito positivo na empresa, o líder ou o chefe precisa gerenciar os conflitos entre seus colaboradores. Percebendo que há invejosos que estão prejudicando o clima dentro do grupo, ele precisa intervir e buscar uma mudança de postura dentro da equipe. Já vi casos em que o chefe faz vista grossa para esse tipo de situação, o que considero errado. O verdadeiro líder é atento a sua equipe e buscar intermediar conflitos, buscando o bem-estar de todos. Evite
Evite participar de “rodinhas” de fofocas, caso alguém venha falar de outro colega a você, sutilmente retire-se do local arranjando uma desculpa qualquer, como com muito trabalho e ter de terminar em tempo hábil. Caso alguém peça sua opinião sobre algum colega de trabalho, diga que não se sente em condições para avaliar e mude logo de assunto. Admire
Tipos de Invejosos
Pessoas com esse perfil podem se comportar de diferentes formas. Há invejosos que são mais contidos. São aqueles que invejam a prosperidade alheia, mas não fazem nada que possa atrapalhar terceiros. Contudo, o tipo mais comum e altamente prejudicial para a empresa é o invejoso que faz de tudo para prejudicar o colega invejado. É aquele que faz fofoca, intrigas e cria um clima ruim com a intenção de ‘puxar o tapete’ do outro.
Admire colegas isso é normal! Quando admiramos alguém é comum ficarmos felizes com o sucesso desta pessoa, com suas conquistas e realizações. O fato de não ter ainda aqueles resultados extraordinários daquela pessoa que admira não quer dizer que nunca terá. Assim começamos a enxergar as qualidades e competências que fizeram do admirado uma pessoa de sucesso e podemos tomá-lo como modelo para realizarmos nossas próprias conquistas. Essa é grande a diferença e a chave para curar maus pensamentos e a inveja alheia.
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adoro comer
DavI moURa
Novo cardápio da Temakeria San A famosa casa especializada em temakis de Mossoró amplia seu cardápio e apresenta novos pratos em seu time seleto de sushis, para deixar o paladar da clientela assídua ainda melhor. Além de reorganizar as opções de “Entradas”, o cardápio da Temakeria San deu destaque às opções de “Empanados” e “Makimonos”, como também o acréscimo de novos sushis e mais três pratos para os itens “Quentes”. A novidade também ganhou destaque para as sobremesas da casa, com iguarias japonesas doces e inclusão de carta de vinhos aos que desejam apreciar os pratos orientais acompanhados da bebida milenar. Visite: Av. Rio Branco, 1970 – Centro, em frente à Praça de Convivência. Fone: (84) 3316-6436
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Buteco do Gegê
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Inauguração do novo espaço de Fátima Carlos Requinte, novamente, arrasando nas produções. Semana passada, acompanhando as gravações do programa Presença, fui de metido à inauguração do novo espaço de Fátima Carlos. O buffet da festinha foi organizado por Socorro Paiva e, como sempre, deram um show de qualidade e variedade. Uma característica interessante de todo o buffet volante era a ausência de frituras. Por se tratar de um ambiente fechado, o cheirinho característicos das famosas coxinhas, por exemplo, não seria um bom argumento de venda para as roupas. Dessa forma, todo o cardápio foi pensando em comidinhas frias e muito leves, além de não exalar nenhum odor. Tivemos carpaccio de berinjela, madeleine salgada, mini sanduíches de pão sírio, mini quiches de tomate seco, abacaxi com gorgonzola e lorraine, além de uma deliciosa torta salgada de legumes. show!
Biscuits da Meire Costa Sabe aqueles amigos que você tem desde infância e que tem certeza que vai durar a vida toda? Pois é desse jeito com Luiz Paulo. Vamos entrar para os 15 anos de amizade sem nunca ter tido uma briga ou discussão sequer. Mas essa rasgação de seda é mais para falar da sua mãe, a Meire. Foi ela que fez esse bonequinho lindo e nos presentou como forma de homenagem ao Adoro Comer. O trabalho dela com biscuit já vem há algum tempo e, como dá pra perceber, é bem detalhista e meticuloso. Suas criações abrangem as mais variadas áreas, desde lembrancinhas para aniversários, casamentos, batizados ou até um presente legal para um amigo. Dou super força a essa minha mãezona e, claro, não poderia deixar de colocar aqui na coluna. Ligue e faça sua encomenda também: (84) 3321 6011.
Quem não foi perdeu! O cardápio do Buteco do Gegê surpreendeu com as delícias preparadas pela chef Socorro Paiva, do Requinte Buffet, e sua equipe de talentos. Seguindo o estilo despojado da festa e os gostos dos tradicionais botequins foram servidas diversas entradinhas. O destaque foram os deliciosos Dadinhos de tapioca e queijo, almofadinhas de carne e azeitonas, linguiça na chapa com polenta, tabuleiro de cuscuzinhos de camarão, moela à Sebastião Mota e muitos outros. Que venha o próximo!
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Feijoada no Thermas Uma dica especial para quem aprecia uma saborosa feijoada. O Thermas Hotel e Resort oferece todos os sábados, das 12 às 15h no restaurante do planeta água, uma tradicional e deliciosa feijoada. A iguaria bem brasileira tem a assinatura da grife gastronômica “Pinga Fogo” que agora administra o setor de A e B do resort. Para acompanhar a feijoada e compor o clima bem brasileiro, tem forró pé-de-serra ao vivo na trilha sonora. É mais uma inovação que resulta da parceria entre o Hotel Thermas e o restaurante Pinga Fogo. Sócios com cartão passaporte, hóspedes e passantes estão convidados.
Aproveite e acesse o http://blogadorocomer.blogspot.com para conferir esta e outras delícias! 14
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adoro comer
Carpaccio de berinjela INGRedIeNTeS • 2 berinjelas • 2 tomates • 1/2 xícara (chá) de folhas de manjericão fresco • Azeite , o quanto baste • 2 colheres (sopa) de alcaparras • Suco de 1 limão • Sal e pimenta-do-reino a gosto
MODO DE PREPARO • Comece pelando os tomates. Para tirar a pele deles, corte um X na base de cada um, coloque numa panela com água fervendo, até a pele começar a enrugar; retire e mergulhe numa tigela com gelo para dar um choque térmico e cessar o cozimento; a partir do X, retire a pele, como se fossem quatro folhas; • Corte os tomates na metade, horizontalmente, e retire as sementes (não enxague o tomate, a água pode tirar as últimas sementes, mas leva junto parte do sabor). Apoie as metades numa tabua, aperte com a palma da mão, e corte as metades planas em cubinhos. (Lendo, o método pode parecer trabalhoso, mas é bem simples de ser feito); • Corte as berinjelas em rodelas muito finas (se quiser utilize um cortador de frios). Lave as folhas de manjericão e deixe escorrer para que fiquem sequinhas. Reserve; • Leve uma frigideira antiaderente ao fogo baixo. Quando estiver quente, espalhe um pouquinho de azeite com um pincel e coloque fatias de berinjela, uma ao lado da outra, até completar o fundo da frigideira. Tempere com sal e pimenta-do-reino. Deixe dourar por 2 minutos. Vire e deixe dourar o outro lado. Transfira para um prato. Repita o procedimento com todas as outras rodelas; • Distribua as rodelas de berinjela em dois pratos, formando uma escama. Por cima, coloque o tomate picado, as alcaparras e as folhas de manjericão. Regue com o azeite de oliva, com o suco de limão e sirva a seguir, em temperatura ambiente.
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