Skip to main content

Jornal de Fato

Page 1

Pedro Sobrinho

18 anos

@defato_rn /jornaldefatorn @jornaldefato

MUSEUS MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 9 DE SETEMBRO DE 2018 | EDIÇÃO 5.263 – ANO XIX | R$ 2,50

À espera de investimento

>> A situação dos museus do Rio Grande do Norte é complicada. A maioria precisa de investimento e reforma. Saiba como está o cenário dos principais museus. ESTADO 1 e Revista Domingo Marcos Garcia

Coluna Style focaliza em moda praia de Mossoró

18

A coluna Style deste domingo mostra o potencial de moda praia produzida em Mossoró. Sua Vida 4

Rivelino Câmara defende pacto federativo O prefeito de Patu, Rivelino Câmara, afirma que somente com o pacto federativo haverá cidades melhores. Política 3

Museu Municipal Lauro da Escóssia, em Mossoró, precisa de adequações e sistema de combate a incêndios

Cultura do alho em revitalização

Pesquisadores da Ufersa trabalham na revitalização da cultura do alho. DOMINGO 11 CIANO MAGNTA AMARELO PRETO

Saiba identificar sinais de que a pessoa está precisando de ajuda contra a depressão. Mossoró 3 Nova série de julgamentos resultou em oito condenações no Fórum de Mossoró. Mossoró 6

Palestra de Anita Prestes atenderá Casa do Estudante A Casa do Estudante de Mossoró será atendida com alimento que virá de palestra a ser ministrada por Anita Prestes. Mossoró 1

NESTA EDIÇÃO [36 páginas]

OPINIÃO...............................................p2 POLÍTICA............................................p3 CÉSAR SANTOS...............................p5 gerais/opinião.............................p6 braSIL/MUNDO...............................p8 CADERNOS

MOSSORÓ....................................p1 a 8 ESTADO ........................................ p1 a 4 DOMINGO ........................................ p1 a 1 2

anos


2 OPINIÃO

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

ESPAÇO JORNALISTA MARTINS DE VASCONCELOS

Organização: clauder arcanjo

O artesanato da memória Aécio Cândido

professor da UERN, aposentado. Autor da obra Tempos do verbo aeciocandidocuite@gmail.com

FRANCISCO RODRIGUES DA C COSTA nasceu aos 26 de abril de 1933, em A Areia Branca, no Rio Grande do Norte, lho d de Manoel Rodrigues Pereira (Neco Carteiro) e Raimunda Rodrigues da Costa. É sócio efetivo do Instituto Cultural d do Oeste Potiguar (ICOP) e da União Brasilleira le e de Escritores (UBE-RN). P Publicou os seguintes livros: • Saudades, SSarau das Letras, 2005; • Folhas de Outono, SSarau das Letras, 2008; • Caminhos de Recordações, Sarau das Letras, 2010; • Becos, Ruas e Esquinas, Sarau das Letras, 2012; • Perdão, Sarau das Letras, 2014.

FRANCISCO RODRIGUES DA COSTA

A DOR E A PAZ DO AMOR ETERNO Lembro um olhar / lembro um lugar / teu vulto amado / lembro um sorriso / e um paraíso / que tive ao seu lado... Era assim que Chico de Neco Carteiro encantava Zezinha nas enluaradas noites da Fazenda Guanabara. E com a mesma e comovente entonação do seu cantar, ele revela-nos, em narrativa precisa, toda a dor que a perda da pessoa amada provoca. Revela-nos também que a dor é grande, mas não supera em intensidade a felicidade que viveram e a que persiste na forma da prole que criaram. É a paz que emerge do amor eterno que faz Chico suportar a dor. Nos trechos mais tocantes deste livro, acompanho meu amigo como se estivesse caminhando na relva plantada pela sua dor e embalado pelo lamento de amor de Beethoven na sua obra dedicada ao luar, o mesmo luar em que inúmeras vezes Zezinha se viu enamorada pelo cantar de seu amado. No aconchego da fazenda Guanabara, até um inocente beijo era acompanhado pelos pungentes versos de Catulo da Paixão Cearense: Ontem ao luar nós dois em plena solidão / ... /A dor da paixão não tem explicação / ... / É mister sofrer para se saber. Nos trechos mais serenos, ao largo dos atropelos da vida, Chico me faz lembrar A. J. Cronin em seu magnífico Pelos Caminhos da Vida. E com a precisão e poder de síntese do médico e escritor escocês, o filho de Neco Carteiro nos leva pelas ruas de Areia Branca, sua tão amada terra natal, que jamais esquece e que lhe faz lembrar o pa-

Guanabara

raibano José Américo de Almeida, quando diz que tudo se desfaz, menos os elos nativos que prendem o homem à terra. E não é apenas a terra em que nasceu que ele descreve com emoção. Este sentimento transborda nas páginas do livro quando, por exemplo, narra cenas cariocas. Me surpreendi emocionado quando ele relata a primeira vez em que ficou no pátio da Igreja da Glória apreciando a movimentação dos carros no aterro da Glória. Chico me fez caminhar um pouco mais e chegar ao aterro do Flamengo, onde ficava minha primeira morada na Cidade Maravilhosa, em 1970, quando lá fiz meu bacharelado em física. E com sua precisão também me sinto caminhando em ruas históricas que jamais visitei na cidade do Recife: apanhamos um ônibus e descemos na Av. Guararapes. Depois de passarmos em frente ao Savoy, paramos um pouco na esquina do Cine Trianon, confrontando com o prédio dos Correios e Telégrafos; logo adiante a ponte Duarte Coelho, que separa a Av. Guararapes da Av. Conde da Boa Vista. E com a sensibilidade saindo pelos poros, Chico não poderia deixar de terminar o livro por onde comecei esta breve apresentação: lembro a saudade / que hoje invade / os dias meus / para o meu mal / lembro afinal / um triste adeus / sou agora / no mar desta vida / um barco a vagar / onde está seu olhar / onde está seu sorriso / e aquele lugar / eu devia, sorrir eu devia / para o meu padecer ocultar / mas diante de tantas lembranças / me ponho a chorar.

FRANCISCO RODRIGUES DA COSTA

C

hico Rodrigues, ou Chico de Neco Carteiro, é um homem de percurso incomum. Decidiu ser escritor depois dos 70 anos, quando muitos dos seus contemporâneos achavam, certamente, que a vida, estando já cumprida, restava apenas, a essa altura, apreciá-la de longe. A vida vista da varanda, a distância. Vida comprida, vida cumprida, se me permitem a tentação do trocadilho desajeitado. Aos 72 anos, Chico tirou a poeira do ditado que diz que “recordar é viver”. Daí, multiplicou sua vida, para si e para os leitores, recontando-a. A memória é uma roupa que nos veste. Sem ela estamos nus - de história, de realidade, de identidade. A realidade é filha da memória. É ela quem ajeita o cenário, dispõe os personagens e lhes dá ação e fala – é assim que se constrói a realidade na qual cada um de nós se moverá. E a memória se tece e se cultiva. O cérebro ajuda pondo os alicerces, mas o trabalho árduo, de rememoração, de seleção e organização das peças é quem levanta o edifício. Já se referiram à memória como um palácio e como um chalé. Tony Judt, um historiador inglês que fez vida acadêmica nos Estados Unidos, escreveu um livro, pequeno e magnífico, com o título de O chalé da memória. Esse homem, um historiador brilhante, um dos melhores de sua geração, morreu aos 62 anos, dois anos depois de ter manifestado uma doença neurológica degenerativa. Chico é um tecelão da memória. Vou à estante ver os livros que tenho dele. Encontro cinco: Caminhos de recordação (2010), Becos, ruas e esquinas (2012), Perdão (2014, com 2ª edição em 2017), Guanabara (2015) e Porto Franco (2017). Há mais: há poucas semanas folheei Folhas de outono, o segundo de sua lavra

ISBN – 978-85-5518-013-2

Carlos Alberto dos Santos

Guanabara_capa.indd 1

10/09/2015 16:08:50

fértil, mas não sei agora onde se meteu, e há Saudades, o livro de estreia (2005). Uma estreia que contou com o estímulo de Clauder Arcanjo e David Leite, plateia fundamental a incentivar o voo. Em 13 anos de produção literária, sete livros lançados. David Leite, no prefácio de Porto Franco, o livro caçula, faz um balanço bem interessante da obra de Chico de Neco Carteiro. O apelido Chico de Neco Carteiro era como ele era conhecido quando criança. Gosta de ser chamado assim. É uma forma de manter viva dentro de si a criança que se foi. Esse resgate da criança, se seguirmos seu exemplo, é também uma forma de se manter os pés no chão, de não se deixar embebedar por alguma importância que os mais generosos nos dão. Gabriel García Márquez também era filho de carteiro. Do carteiro de Aracataca, cidadezinha colombiana perto do litoral caribenho. Quando ele viu sua fama de escritor começar a se impor e a direcionar-lhe a vida, fez a si mesmo uma promessa: “Aconteça o que acontecer, eu nunca deixarei de ser Gabo, o filho

do carteiro de Aracataca”. Talvez Chico não conheça esta história, mas, em certa medida, ele a repete. Ao adotar o apelido, que incorpora uma genealogia direta, tão comum nas nossas cidades do interior, onde o sobrenome deixa de lado a família e assume a referência aos pais, ao cônjuge ou ao lugar, Chico junta ao seu o nome do pai, que já se fizera conhecido incorporando a profissão que exercia. É também uma forma de honrar a memória dele, o pai, e de mantê-lo preso às lembranças de Areia Branca. Na crônica A Universidade de Coimbra, do livro Caminhos de recordações (p. 117), Chico ilustra esse costume nosso. Estão lá, trazidas à memória, seus colegas do Grupo Escolar: Ary de Tião Duarte, Dorinha de Quinca de Semião, Vilany de Assunção Barbeiro, Marlene de Zé Monte, Lurdinha de Dona Alice de Lalá. Em um dos nomes, duas gerações incorporadas: Dorinha filha de Quinca filho de Semião. A linguagem da infância, expressão de uma percepção sentimental, é definitiva: ela nos impõe, para o resto da vida, seu

di­re­ção ge­ral: Cé­sar San­tos diretor de redação: Edilson Damasceno Ge­ren­te AD­MI­NIS­TRA­TI­VA: Ân­ge­la Ka­ri­na

metro. Os olhos da infância viram filtro. Dr. Milton Marques, no prefácio ao livro Caminhos de Recordações, chama a atenção para esse “sestro”, digamos: entrando na Universidade de Salamanca, em suas salas e corredores sete vezes centenários, admirando a arquitetura majestosa das construções, para compreender tudo isso, Chico recorre à lembrança do Grupo Escolar Conselheiro Brito Guerra, em cujos bancos ele se alfabetizou. E é assim que ele assimila as novidades, traduzindo-as para o já vivido, um “já vivido” marcado fortemente por um tempo e uma geografia pessoais. Manuel Onofre diz que Chico, de certo modo, faz na literatura o que pintores naïfs fazem na sua arte: eles tratam a pintura como uma expressão bidimensional, desprezando a profundidade da perspectiva e a densidade do volume. Mas os primitivistas têm uma característica que compensa essa “ingenuidade” no trato com a figura: são coloridos, líricos, alegres. A escrita de Chico tem alegria, leveza e, nos últimos livros, Perdão e Guanabara, de maior

Um produto da Santos Editora de Jornais Ltda. Fun­d a­d o em 28 de agos­to de 2000, por Cé­s ar San­tos

www.de­fa­to.com E-mail:re­da­cao@de­fa­to.com TWITTER: @jornaldefato_rn | REDAÇÃO E OFICINAS: SEDE: Avenida Rio Branco, 2203, Centro, Mossoró-RN – CEP: 59.063-160 TELEFONES: (84) 3323-8900 (Mossoró) | COMERCIAL/ASSINATURAS: (84) 3323-8913 / 3323-8918

AS CO­LU­NAS E MA­TÉ­RIAS AS­SI­NA­DAS SÃO DE RES­PON­SA­BI­LI­DA­DE DE SEUS AU­TO­RES

fôlego, adquiriu uma densidade que não estava explícita nas crônicas. De todo modo, podemos sempre dizer que quem olha por ele são os olhos do menino que ele ressuscita em cada crônica. E o menino se extasia, deslumbrase facilmente. Porque o mundo é mesmo deslumbrante para quem não se cansou dele. E Chico não se cansou, continua interessado pelas novidades, traduzindo-as na língua do menino de Areia Branca. De onde nos vem a sabedoria? Esta é uma pergunta importante. O grande ensaísta americano Harold Bloom dedicou um livro erudito e agradável a esta questão. O livro se chama Onde encontrar a sabedoria? Se para muitos povos e em outros tempos isso vinha de textos sacros e de textos literários, na cultura brasileira muito da sabedoria que incorporamos nos chega pelo cancioneiro popular. As canções nos educam os sentimentos e a percepção. O que aprendemos nas crônicas de Chico muitas vezes é sublinhado por referências a canções populares. Elas nos educam pela beleza, pela ternura, pela emoção. E se incorporam, de alguma forma, também ao nosso patrimônio. São muitos os exemplos, quase incontáveis. Cito duas, particularmente belas: Ontem ao luar, de Catulo da Paixão Cearense (Guanabara, p. 20) e O dono das calçadas, de Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito (Becos, ruas e esquinas, p. 131. Chico deixou de lado, na citação, o parceiro, importantíssimo, de Nélson Cavaquinho, neste e numa penca de outros sambas de primeira). E muitas, muitas referências a marchinhas carnavalescas, que foram no Brasil, durante algumas décadas, o comentário bem humorado das mazelas nacionais. A lista será imensa se se fizer a garimpagem, em seus sete livros, das alusões e referências a pérolas do nosso cancioneiro. Chico é um melômano. Areia Branca, para Chico, não é um retrato fixo na parede, como era para Drummond a sua Itabira mutilada pelas crateras da mineração de ferro. Areia Branca, intacta, é uma torrente de histórias, de impressões, de imagens, de personagens. Areia Branca dos anos 1930, 1940, 1950: carnavais, folguedos, ruas, cheiros, movimentos, personagens, lugares, acontecimentos, o rio onipresente (a maré), os barcos, as mercadorias, o porto, as brincadeiras infantis, as crenças, os rituais religiosos, as instituições - mais que um retrato, a cidade é um grande painel em movimento nas crônicas de Chico.

FI­LIA­DO À


entrevista 3

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

cafezinho com césar santos

cesar@defato.com

Rivelino Câmara:

‘Com pacto federativo sério, teremos cidades melhores’ >> Pacto federativo. Essa a palavra-chave para a solução da crise nos Municípios brasileiros. Quem defende é o presidente da Associação dos Municípios do Médio e Alto Oeste do Rio Grande do Norte, Rivelino Câmara. Ele faz o diagnóstico no Cafezinho com César Santos: “Ao longo dos últimos anos, a União tem transferido toda a responsabilidade no atendimento à população aos Municípios, mas não tem enviado os recursos”, sugerindo que essa distorção só será superada com o pacto

federativo. Administrando Patu, município oestano, Rivelino Câmara acredita que os gestores municipais têm força para mudar o quadro, a partir de uma luta uniforme com apoio das bancadas federais de cada cada estado. Rivelino Câmara fala sobre a tradicional Feira da Cultura de Patu, que chega a 35ª edição neste mês de setembro.

POR: César santos - FOTO: marcos garcia

SEGUNDO levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio (FIRJAN), um em cada três municípios brasileiros não consegue gerar receita suficiente sequer para pagar o salário de prefeitos, vereadores e secretários. No RN, são 63 municípios nessa situação, o que corresponde a 37% dos 167 municípios potiguares. Como é possível sair desse grave desequilíbrio? EU ACREDITO que tudo passa pelo pacto federativo. Ao longo dos últimos anos, a União tem transferido toda a responsabilidade no atendimento à população aos Municípios, mas não tem enviado os recursos. O cidadão vive no município, lá está toda sua vida e nós precisamos entender isso e fazer a divisão dos recursos de forma justa e igualitária. De toda a arrecadação do país, a União fica com 58%, os Estados, 24%, e os Municípios, onde tudo acontece, apenas com 18%. Então, fica impossível dar certo esse modelo de país, as pessoas estão cada vez mais sem ter os serviços essenciais, porque não temos capacidade financeira de atender, e numa irresponsabilidade sem limites o Congresso cria Municípios, o que só aumenta o problema, porque cada vez mais aumenta a divisão e, dessa forma, diminui os recursos. Com um pacto federativo sério, com governos comprometidos com a população, teremos, sim, Municípios melhores e, por consequência, o cidadão melhor assistido. POR QUE as Prefeituras não planejam para aumentar a arrecadação, para ter autonomia financeira? É possível? ESSE é um ponto fundamental que todos precisam entender, tanto os gestores como a população, pois não se presta um bom serviço

sem recursos. Agora temos uma questão cultural a ser enfrentada, nos pequenos municípios principalmente, a população está acostumada a não pagar os encargos municipais, e muitos prefeitos têm medo da impopularidade e não querem enfrentar um desgaste, mas tenho defendido que é preciso todos estar juntos neste momento. Acredito que talvez a grande maioria dos municípios potiguares, tomando essas medidas, não consiga a autonomia financeira, mas conseguirá aumentar sua arrecadação e, com isso, fazendo um planejamento

sério, melhorar sua capacidade de investimentos. ESSA falta de autonomia financeira, porém, não inibe o movimento – político – de criação de novos municípios. O senhor, como líder de uma entidade que representa a região Oeste, como vê esse processo de surgimento de novas Prefeituras sem o devido respaldo financeiro? EU ACHO uma irresponsabilidade grande você criar um município sem que nós tenhamos condição de manter os que já existem.

Por isso, volto a dizer: só um pacto federativo vai corrigir essas distorções, porque vejamos: os recursos para os Municípios brasileiros são definidos através de coeficiente que começa no 0,6 e vai até o 4,0, de acordo com o número de habitantes. Então, na hora que você cria um novo município, você divide os recursos, que já são poucos, e vai montar toda uma estrutura administrativa para gerenciar esses novos municípios. Veja que tamanha falta de bom senso essa. Na verdade, o que falta neste país é uma grande discus-

são nacional sobre o tamanho do Estado, que eu até imaginei que fosse acontecer agora na campanha eleitoral. Porque você veja o tamanho da distorção: um município que tenha dois, três mil habitantes, ele recebe o mesmo que o município que tem dez mil. O que tem dez mil, recebe o mesmo de quem tem 13 mil e aí sucessivamente; isso é uma coisa sem lógica. O MESMO estudo da Firjan aponta que o desenvolvimento das cidades brasileiras retrocedeu três anos, em razão

da forte crise econômica que teve início em 2014 e causou forte recessão no país. Qual a saída para as gestões municipais, além, claro, do socorro da União? PLANEJAMENTO e gestão. Precisamos dessa mudança que estamos vivendo. Os órgãos de controle estão mais exigentes, a população cobra e fiscaliza mais e os recursos estão cada vez mais escassos. A tecnologia poderá ser uma grande aliada na melhoria dos serviços e na sua economicidade, uma gestão que priorize o cidadão, o bem comum e não se atenha a simplesmente fazer assistencialismo, atendendo uns em detrimento de todos. Assim acredito que conseguiremos dar uma guinada positiva. Agora, é necessário um esforço de todos os entes. A União não pode simplesmente mandar uma ajuda e achar que está resolvido, os Estados não podem deixar de fazer sua parte, prestando os serviços que são de sua competência, como acontece hoje. Os três entes trabalhando integrados, teremos, sim, os resultados que buscamos, é o que tenho defendido sempre. O MUNICÍPIO de Patu, que o senhor administra, está entre os que conseguiram sobreviver, manter os serviços públicos funcionando e fazer investimentos em áreas vitais. Qual é a receita? NÃO existe uma receita pronta. O que temos conseguido em Patu é fazer um ajuste grande em nossas despesas, controlando cada centavo, planejando bem nossas ações e buscando parcerias. Temos conseguido, através dos nossos parlamentares, recursos para obras, equipamentos, investimento em infraestrutura e, com isso, nossa receita própria tem sido utilizada para a manutenção da máquina municipal. Hoje, temos seis equipes de Saúde da Família, seis equipes de Saúde Bucal, CAPs, NASF, um hospital municipal com atendimento de urgência e emergência além de cirurgias eletivas, estamos entregando no final do mês uma policlínica com médicos especialistas e um centro de especialidades odontológicas, isso falando em saúde. Na educação, estamos fazendo um investimento forte e já começamos a colher os resultados, tivemos um aumento de sessenta por cento no nosso Ideb, conseguindo, inclusive, superar a meta estabelecida pelo MEC. Acredito que estamos avançando, apesar de todas as dificuldades, e prova disso foram os números da mais recente pesquisa que fizemos para avaliar nossa administração, quando obtivemos 75,2% de aprovação. CONTINUA NA PÁG. 4


4 gerais

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Continuação da entrevista

‘Espero que o eleitor não fique distante do processo eleitoral’ Marcos Garcia

ESTÁ começando mais uma edição da Feira da Cultura em Patu, uma das maiores do interior do RN. Qual a expectativa de resultado prático do evento? TEMOS uma expectativa muito boa. A Feira da Cultura de Patu, que neste ano teremos a trigésima quinta edição, é o evento que a cidade e a região esperam o ano todo para participar e fomenta de forma grandiosa a nossa economia. Todos os setores da cidade, direta ou indiretamente, são beneficiados com a realização da feira. É um incremento importante e gera emprego e renda, pois alavanca também o nosso turismo, que tem sido um setor que temos dedicado total atenção, apesar de todas as dificuldades. O INVESTIMENTO em eventos como a Feira da Cultura, que também explora o aspecto turístico como ferramenta de desenvolvimento socioeconômico, pode ser uma das saídas para melhorar a vida nos municípios? PODE, sim. Se houver uma política de governo

para alavancar o turismo, teremos uma outra realidade no interior, principalmente. Temos um grande potencial, mas os Municípios sozinhos não conse-

guem dotar de infraestrutura adequada para o seu desenvolvimento e, assim, atrair investimentos privados. No nosso município mesmo, temos em um só

lugar vários atrativos turísticos que não são explorados economicamente por falta dessa infraestrutura. Na serra de Patu, temos um dos maiores santuários do

país, temos a segunda melhor rampa de voo livre, a casa de pedra que morou Jesuíno Brilhante, personagem conhecido nacionalmente que já virou fil-

me, novela, as trilhas, escaladas, piscinas naturais, tudo isso em um só lugar, tudo à disposição para que a gente transforme em emprego e renda para a nossa população. Além do turismo de eventos, que pode ser fomentado ligando uma coisa à outra e assim desenvolver toda uma região. OS BRASILEIROS vão eleger neste ano os futuros governantes dos estados e do país, num momento em que o povo se mostra frio e distante das eleições. O que esperar das eleições deste ano? ESPERO que o eleitor possa fazer uma reflexão, e não fique apenas distante do processo eleitoral, porque assim não vai contribuir para melhorar a situação que aí está. Não adianta ficar indiferente, pois nós teremos eleitos. É preciso participar e decidir pelo melhor, que tem a melhor proposta, que pode mudar esse estado de coisas que se instalou no país e no nosso estado. O momento é muito delicado, mas só teremos mudanças com a participação popular através do voto, e não um voto qualquer, um voto de responsabilidade, pois não adianta mudar só porque está chateado e vai votar em qualquer um; já tivemos exemplos que não deram certo.


defatocom

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

opinião 5

césar santos cesar@defato.com

FACA DE DOIS GUMES

S

e a corrida presidencial estava chata, e estava, acabou de receber uma cutilada capaz de atrair o grande público para a arena eleitoral. A um mês da eleição, nenhum presidenciável havia conseguido mobilizar e/ou empolgar o eleitor para o processo sucessório. Nem mesmo o maior líder de massa deste país, Lula, com a sua estratégia de engabelar a boa vontade do cidadão, direto da carceragem da Polícia Federal de Curitiba, teve a competência de alterar o clima, exceto o “FlaFlu” chato das redes sociais. Coube a um maluco/criminoso, mais criminoso do que maluco, jogar os holofotes sobre a disputa presidencial com a ponta de sua faca. Ao furar a barriga de Jair Bolsonaro (PSL), o odiado/

''

amado e controverso candidato líder das pesquisas, o agressor fez a campanha começar, de forma efetiva. Não há como afirmar o que vai acontecer com Bolsonaro nem com os seus concorrentes mais próximos. Nem os coordenadores têm ideia como agir. Estão todos desnorteados, mas certos que precisam agir rápido porque a campanha começou. Um dia antes do atentado, Bolsonaro apareceu como líder da pesquisa Ibope, com 22% de intenção de votos, 10 pontos à frente do segundo colocado. A performance do polêmico candidato reforçou a estratégia dos adversários de direcionar todas as armas (de campanha) contra ele. A liderança, porém, não fazia Bolsonaro favorito absoluto e sequer havia certeza que ele passaria para o segundo turno. Deve ser observado, também, que a mesma pesquisa Ibope apontou que num eventual segundo turno, Bolsonaro perderia para Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin e só venceria o petista Fernando Haddad. A facada que jogou Bolsonaro num leito de hospital criou nova

O discurso de ódio do candidato causou a atitude extremada do nosso cliente."

perspectiva, com a possibilidade de fortalecimento político do candidato do PSL. É claro que o capitão vai concentrar todas as atenções, mesmo fora das ruas enquanto se recupera do ataque criminoso. Haverá, como já está havendo, uma superexposição nos telejornais, nas redes sociais ou em qualquer quina de rua. O assunto é um só: Bolsonaro. Daí, o desafio dos comitês de campanha dos adversários. O que eles farão? O bombardeio contra o candidato verde-oliva será mantido ou a artilharia será suspensa temporariamente para não potencializar ainda mais a condição de vítima do capitão? Não custa lembrar que o cidadão-eleitor muda de humor quando surge uma vítima. O povo adora vítima, já dizia uma velha raposa política. Nas eleições de 2014, quando Eduardo Campos morreu, o então candidato do PSB, ele pontuava na pesquisa entre 5% e 7%. Foi substituído na cabeça da chapa por Marina Silva. Na pesquisa seguinte, Marina apareceu na segunda colocação com 21%, contra 20% de Aécio Neves e 36% de Dilma Rousseff.

PEDALADA

finecap

A tradicional prova ciclística Governador Dix-sept Rosado está de volta ao calendário de competições oficiais da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC). Com o ranqueamento, a prova passa a contar pontos para o Campeonato Brasileiro. A edição 2018 será realizada nos dias 22 e 23, dentro da Festa da Liberdade, com premiação de R$ 36.800,00 distribuídos entre as 12 categorias.

A cidade de Pau dos Ferros deve receber hoje público recorde no encerramento da Feira Intermunicipal de Negócios, Educação e Cultura do Alto Oeste (FINECAP). O show de Xand Aviões, na Praça de Eventos, está movimentando toda a região. Hotéis, pousadas, bares, restaurantes e comércio em geral estão faturando alto na temporada, oxigenando a economia local e regional.

voto em trânsito A Justiça Eleitoral em Mossoró recebeu 341 pedidos de eleitores para votar em trânsito. São 132 na 33ª Zona Eleitoral (Colégio Supletivo) e 209 na 34ª Zona (Colégio das Irmãs). Desse universo, são 126 eleitores potiguares e 216 oriundos de outros estados.

sabatina Começa nesta segundafeira, 10, a série de sabatinas com os candidatos a governador sobre a Uern. Breno Queiroga (Solidariedade) será o primeiro a ser sabatinado pela Frente Parlamentar e Popular em Defesa da Uern. No plenário da Câmara Municipal, às 19h.

'DOIDO'

É NOTÍCIA 1

Mossoró receberá o grande encontro de Elba Ramalho com Geraldo Azevedo. Os dois juntos no mesmo palco. Agende: dia 3 de outubro, na arena do Partage Shopping.

2

Nesta segunda-feira, 10, faz nove anos da morte do radialista e político Edmilson Lucena. Na Rádio Difusora (1.170 kHz), consolidou o horário das 11h com o Cidade Aflita. Na Câmara Municipal de Mossoró, colocou seu nome na galeria dos presidentes.

3

Nesta segunda-feira, 10, completará 200 anos do lançamento do primeiro jornal impresso do Brasil. A Gazeta do Rio de Janeiro chegava às mãos do leitor já sob censura.

4

O alagoano Carlinhos Maia, que faz sucesso nas redes sociais, se apresentará em Mossoró no sábado que vem, 15, no Teatro Dixhuit Rosado. Ingressos para suas sessões já se esgotaram.

5

O padre Charles Lamartine é aniversariante deste domingo, 9. A data será celebrada em duas missas que ele presidirá: às 7h na capela de São Vicente; e às 9h, na Catedral de Santa Luzia.

ZANONE MANOEL JÚNIOR

Advogado do agressor Adélio Bispo, culpando Bolsonaro pela facada que sofreu.

Dias depois, em outra pesquisa, Marina chegou a empatar com Dilma na faixa dos 34%. Marina não sustentou a boa caminhada e sequer passou para o segundo turno, por incapacidade mesmo. Trazendo o exemplo para hoje, deve ser visto que Bolsonaro não é “barata morta”, nem seus adversários têm potencial de Dilma e Aécio em 2014. Bolsonaro transformou o seu martírio em palanque eleitoral, com transmissão ao vivo de tudo que acontece ao seu redor, mexendo com o sentimento dos menos esclarecidos. Ele sabe fazer isso, reconheça-se. A campanha presidencial, que já era a mais estranha, cheia de ineditismo, agora se tornou esdrúxula. Seus principais personagens, que desde os últimos meses vêm induzindo o clima de intolerância e extremismo, passaram agora a estrelar no leito de um hospital, Bolsonaro, e na carceragem da PF, Lula. E ninguém, absolutamente ninguém, tem se mostrado capaz de devolver a política e o Brasil aos trilhos da democracia saudável. Infelizmente.

Os três advogados que defendem Adélio Bispo, autor confesso da facada em Jair Bolsonaro (PSL), vão pedir exame de sanidade mental do cliente. Acham que estão defendendo um "doido" e que não tem ninguém por trás do crime.

BOTA FORA A Assembleia Legislativa demitiu mais de 350 detentores de cargos comissionados, quase todos com familiares na Casa. Alguns tinham salários acima de R$ 20 mil. A exoneração em massa atende determinação do Tribunal de Contas do Estado.

Agressor de Bolsonaro ficará isolado em presídio de Campo Grande

S

egundo o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), a cela onde Adélio Bispo de Oliveira, 40 anos será instalado é individual, tem aproximadamente 7 metros quadrados, com cama, banco, escrivaninha, prateleiras, vaso, pia e chuveiro. Ele ficará isolado, em uma ala destinada a réus colaboradores e presos protegidos pela justiça, ou com risco a

integridade física. Ainda de acordo com o Depen, Adélio terá direito a 6 refeições diárias. O cardápio varia entre arroz ou massa (macarrão, lasanha, nhoque), salada, feijão, farofa e carne (de frango, peixe, bovina ou suína), refeição acompanhada de refresco. Ele receberá enxoval completo: camiseta manga curta e longa, calça, agasalho, tênis, sapato, lençol, to-

alha, travesseiro. Receberá também material de asseio como sabonete, desodorante, escova e pasta de dentes, papel higiênico e produtos de limpeza para higiene interna da cela, que tem o uso obrigatório. Todo o material que os internos utilizam é fornecido pela unidade. O presídio federal de Campo Grande tem capacidade para 220 presos. Hoje, tem aproximadamente 120

detentos instalados, monitorados 24 horas por 200 câmeras, muitas delas instaladas em locais que os presos desconhecem. Nesse momento, Adélio não terá direito a visitas. Após 20 dias da triagem, poderá receber familiares até terceiro grau ou esposa, no pátio, onde será monitorado. Para as visitas, é necessário um cadastro, com a apresentação de documentos como

Reprodução

Adélio Bispo de Oliveira será instalado em cela individual certidões da justiça criminal estadual e federal, de onde o visitante viveu nos últimos

cinco anos, além de comprovantes de residência e identidade.


6 OPINIÃO/GERAIS

DOMINGO, 9 de setembrO de 2018

Comemoração

Festa de emancipação política de Upanema começa hoje >> As comemorações seguem até o dia 16, data em que se festeja o aniversário da cidade, e contará com esporte, cultura, ação social, entrega de obras e shows em praça pública Assessoria

A

programação da festa de 65 anos de emancipação política do município de Upanema começa neste domingo (9) com a realização de uma alvorada pelas ruas da cidade, hasteamento das bandeiras e um passeio ciclístico saindo de Mossoró. As comemorações seguem até o dia 16 de setembro, quando Upanema comemora o seu aniversário, e contará com esporte, cultura, ação social, entrega de obras e shows em praça pública. Entre os grandes eventos da programação estão o Intercolegial, o espetáculo Tributo a Upanema, a final do Campeonato Municipal de Futebol e os shows do humorista Zé Lezin, do cantor Marcelo Freitas e das bandas Magníficos e Saia Rodada.

A cidade também será presenteada com a entrega de obras e equipamentos que melhorarão os serviços públicos e a vida de todos, incluindo 152 novas unidades habitacionais, já com iluminação pública, aplicação de pavimentação asfáltica e a paralelepípedo de diversas ruas, iluminação pública na zona rural, urbanização e paisagismo de canteiros, além de veículos, incluindo mais uma ambulância, e equipamentos, como cinco gabinetes odontológicos. “Mais uma vez, estamos realizando uma festa que procura atender a todos os filhos de Upanema, seja por meio de obras que beneficiam aqueles que vivem em nossa cidade ou através dos shows que trazem de volta os filhos ausentes”, destaca o prefeito Luiz Jairo.

!

Upanema inicia festividades pelos seus 65 anos de emancipação

Confira a programação completa: Dia 09/09 – Hoje 5h – Alvorada 8h - Hasteamento das bandeiras 9h30 – Chegada do passeio ciclístico Mossoró-Upanema 19h – Missa em ação de graças Dia 10/09 – Segunda-feira 8h – Ação 16h – Inauguração dos serviços de reforma e ampliação da Escola Municipal Rita Dantas Veras e entrega de gabinete odontológico no PA São Manoel II 19h – Sebrae realiza oficina CEI 20h – Show de humor com Zé Lezin Dia 11/09 – Terça-feira 9h – Visita à delegacia de policia do município 18h30 – Show de abertura do Intercolegial 2018 19h – Sebrae realiza oficina CEI Dia 12/09 – Quarta-feira 7h30 – Jogos e atividades do Intercolegial 2018 19h – Culto de Gratidão 19h – Sebrae realiza oficina CEI Dia 13/09 – Quinta-feira 7h30 – Jogos e atividades do Intercolegial 2018 19h – Sebrae realiza oficina CEI 21h – Espetáculo Tributo a Upanema Dia 14/09 – Sexta-feira 9h – Inauguração do prédio do Arquivo Público, implantação de sistema para acesso virtual do cidadão a serviços do Setor de Tributação, entrega de três novos veículos e uma nova ambulância 17h – Inauguração de iluminação pública e entrega de gabinete odontológico no PA Nova Vida 18h – Sessão solene da Câmara Municipal: entrega de títulos de Cidadão Upanemense 19h – Sebrae realiza oficina CEI 21h – Espetáculo Tributo a Upanema Dia 15 – Sábado 8h30 – Circuito de voleibol 4x4 10h – Inauguração da urbanização dos canteiros das avenidas 16 de Setembro e Manoel Gonçalves 16h – Inauguração dos conjuntos Venceslau Mendonça e Maria Gorete Costa; inauguração de iluminação pública desses conjuntos; inauguração da sinalização e pavimentação asfáltica das Ruas José Lopes e Manoel Mário Freire 17h30 – Inauguração de iluminação pública do PA Esperança 18h – Final do Campeonato Municipal de Futebol com cinco mil reais em prêmios 22h – Shows com Marcelo Freitas e Banda Magníficos e Saia Rodada Dia 16/09 – Domingo 16h – Desfile Cívico 19h – Divulgação do resultado final do Intercolegial / corte do bolo dos 65 anos e distribuição com a população.

A cidade também será presenteada com a entrega de obras e equipamentos


gerais /opinião 7

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Estudo

ICe-UFRN e pesquisadores suecos descobrem ‘célula da coragem’ >> A parceria que resultou na pesquisa comprova que a ansiedade e o comportamento de risco podem ser controlados pela manipulação de células OLM, presentes no hipocampo

P

or que algumas pessoas conseguem atravessar as torres gêmeas usando um fio de aço no topo dos prédios ou descer as Cataratas do Niágara em um barril de madeira enquanto outras congelam quando precisam subir uma simples escada rolante em um shopping center? Até os irmãos podem mostrar diferenças dramáticas no comportamento de risco. Os mecanismos neurais que conduzem esse comportamento são, em grande parte, desconhecidos. No entanto, cientistas do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICeUFRN) e do Departamento de Neurociências da Universidade de Uppsala (Suécia) descobriram que algumas células no hipocampo desempenham um papel fundamental no comportamento de risco e ansiedade. Em artigo publicado na revista Nature Communications, os autores mostram que os neurônios conhecidos como células OLM (oriens lacunosummoleculare), quando estimulados, produzem um ritmo cerebral que está presente quando os animais se sentem seguros em um ambiente ameaçador.

Ilustrativa

Transtorno de ansiedade e comportamento de risco podem ser controlados segundo estudo do ICe-UFRN e pesquisadores suecos

Por exemplo, quando estão se escondendo de um predador, mas estão cientes de sua proximidade. O trabalho produzido pelos neurocientistas Sanja Mikulovic, Ernesto Restrepo, Klas Kullander, Richardson Leao, entre outros, mostrara que a ansiedade e o comportamento de risco podem ser controlados pela

manipulação de células OLM. Para os pesquisadores, encontrar um caminho que possa modular de maneira rápida e robusta o comportamento de assumir riscos é muito importante para o tratamento da ansiedade patológica já que o comportamento de risco reduzindo é uma característica comum em pessoas

com alto nível de ansiedade. A ansiedade adaptativa (ou normal) é essencial para a vida diária, pois pode nos proteger de danos. No entanto, em um grande número de pessoas, ela pode ser disfuncional e interferir gravemente em sua rotina. Nesses casos, os médicos geralmente dependem de antide-

pressivos para levantar pacientes desse estado. O problema é que essas drogas atuam no cérebro como um todo e podem ter efeitos colaterais graves. Porém, outro achado interessante do novo estudo é que as células OLM também podem ser controladas por agentes farmacológicos.

Pesquisadores destacam importância da descoberta Para pesquisadores, a possibilidade de atuar em uma única região do cérebro, manipulando um grupo muito específico de células para controlar a ansiedade, pode ser um grande avanço no tratamento da ansiedade e de distúrbios associados, como a depressão. A descoberta do papel desses neurônios na ansiedade e no risco e a capacidade de controlá-los farmacologicamente podem abrir caminho para o desenvolvimento de ansiolíticos e antidepressivos altamente eficientes para uso humano, sem os efeitos colaterais usuais. No passado, o mesmo grupo de cientistas descobriu que as células OLM eram as “guardiãs” das memórias no hipocampo e que essas células eram muito sensíveis à nicotina. “Essa descoberta pode explicar por que as pessoas fumam quando estão ansiosas”, diz Richardson Leao. A participação do hipocampo nas emoções é muito menos conhecida do que seu papel na memória e na cognição. A memória espacial é especialmente investigada. Em 2014, por exemplo, o prêmio Nobel foi concedido pela descoberta das “células de lugar” que representam um GPS biológico e fundamentam as memórias de onde estamos no espaço. Na última década, os cientistas começaram a reafirmar a importância do papel do hipocampo na regulação das emoções. “É fascinante como diferentes regiões da mesma estrutura cerebral controlam comportamentos distintos e como eles interagem uns com os outros."


8 GERAIS

DOMINGO, 2 de setembro de 2018

Elder Heronildes Um defensor estrênue da cultura mossoroense

Uma homenagem da academia de ciências jurídicas e sociais de mossoró (acjus) milton marques de medeiros Na Coluna Déjà Vu

E

lder Heronildes da Silva, defensor estrênuo da cultura mossoroense, é na linguagem comum um homem multioperante. Suas atuações se esparramam através de gestos marcantes nas mais variadas plataformas e em múltiplas fases evolutivas da vida, deixando suas pegadas, que permanecem nítidas, porque seus passos são dados com a calma duradoura dos que têm bons propósitos e a pacífica serenidade dos que possuem boas intenções. Elder é um desses homens preparados para cada ocasião. Quando o meio em que ele vivencia exige simplicidade, ele se porta como um beneditino, humilde e sábio. Quando o ambiente exige eloquência, ele se torna, de imediato, um douto e fino erudito.

FILIAÇÃO

Mossoró conhece bem o Elder, desde seu nascimento. Filho da terra de Santa Luzia, aqui passou sua infância, guiada por seus pais, brincando nas ruas amplas do bairro 12 anos. Menino inteligente, foi encaminhado para o estudo. Após o primário, fez o curso Ginasial, no Grupo Escolar 30 de Setembro, principal educandário público da cidade, reservado apenas a alguns que passavam no Exame de Admissão, espécie de vestibular. De lá, Elder seguiu para o que havia

CIANO MAGNTA AMARELO PRETO

Cedida

de mais elevado na época, em termos de estudo em Mossoró: Escola Técnica de Comércio União Caixeiral, titulando-se na entidade.

LÍDER ESTUDANTIL

Elder não se ateve em ser apenas um bom estudante; tornouse, ao mesmo tempo, líder estudantil. Após ocupar várias funções no Centro Estudantal Mossoroense, foi eleito presidente. O CEM era uma entidade formada por estudantes secundaristas, muito forte, brava, representava todos os estudantes da cidade. Estamos falando sobre os anos de 1946 a 1958. Os primeiros cursos superiores em Mossoró, verdadeiramente, nasceram depois de 1960. Com eles, foi criada a União Universitária Mossoroense, da qual Elder também foi presidente em 1966. Nesse período de seus primeiros passos como jornalista, tendo trabalhado na Rádio Tapuyo, mas também no jornal O Mossoroense, depois na Gazeta do Oeste e Diário de Mossoró, do qual foi um dos fundadores.

DIREITO

Conquistou o título de bacharel em Direito, inclusive sendo o orador da turma, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, ano de 1968. Passou a ser advogado em sua própria Mossoró. Continua até hoje, com inscrição na OAB-RN, sob o n° 720, quando, no final de 2012, mais de 13.000 tinham se inscrito na OAB-RN.

associado referência, excelência, exemplo. Com quase 50 anos de presença na Associação Melvin Jones, o doutor Elder Heronildes da Silva nela ocupou todas as funções que qualquer leão gostaria de alcançar em sua história de sucesso. Foi fundador de clubes, presidente de conselhos regionais, governador de distrito, por exemplo, L25, e muitas outras atividades de cunho internacional.

MESTRE INSTALADO

EDUCADOR

Ao lado da advocacia, Elder também foi um notável educador. Acolheu o magistério superior, de início para colaborar, mas como autêntico e desprendido mestre, foi tocado pelo desafio de soerguer e elevar a instituição à qual servia. Doou-se, por inteiro, à Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte, nela ocupando vários cargos e funções, entre os quais, professor, membro de diversos conselhos da instituição, vice-reitor e a seguir reitor por quatro anos, servindo-a com devoção e desvelo.

SERVIDOR PÚBLICO

Antes, Elder já havia ocupado outros cargos e funções públicas na sua cidade, entre outros: servidor de carreira na Recebedoria de Renda do Estado, chefe de

Gabinete da Câmara Municipal de Mossoró, assessor jurídico da Comensa, uma das companhias elétricas de Mossoró que antecederam a atual Cosern.

VIRTUDES

Uma das grandes virtudes de Elder é ser voluntarioso. Tem dado à cidade muitos testemunhos de sua dedicação e total desprendimento. Quer seja junto ao Lions Club Mossoró Centro, entidade à qual se dedicou desde muito jovem com todo empenho, tendo sido seu presidente por mais de duas vezes, quer seja servindo igualmente a outras entidades filantrópicas, religiosas, culturais e maçônicas.

LEÃO EXEMPLAR

Junto ao Lions Club Internacional, Elder foi o que pode ser chamado de leão máster, ou seja,

Outra grande participação de Elder tem sido junto à Maçonaria. Maçom, grau 33, o mais alto título do Rito Escocês Antigo e Aceito, tem prestado um extraordinário serviço à soberana e sublime ordem na cidade de Mossoró, no estado e no país. Obreiro dedicado, foi eleito venerável da Loja Maçônica Jerônimo Rosado de 1997 a 1999. Ocupou várias funções no Goern, entre elas, grande inspetor geral da Maçonaria, juiz do Tribunal de Justiça Maçônica do Rio Grande do Norte e grão-mestre-adjunto do Grande Oriente do Estado do Rio Grande do Norte.

HOMENAGENS

Comenda Medalha da Abolição, prêmio dos mais elevados, concedido pela Uern e PMM. Da Prefeitura Municipal de Mossoró, recebeu a Medalha do Centenário, específica da data. Vários títulos de Honra ao Mérito, entre outros, Mérito Judiciário do Trabalho, conferido pelo Tribunal Superior do Trabalho, e vários outros tutelados pelo Lions, Ma-

çonaria, ONGs e outras instituições sociais. PUBLICAÇÕES Autor de várias e valiosas publicações, dentre elas O Casamento (1975), Gente do Oeste Potiguar (1991) e Rua de Jaime (2001), o imortal Elder foi membro fundador do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP), do qual também foi presidente. É membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Desde 2005, ocupa a cadeira 37 da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

ATUAÇÃO NA AMOL

Como atual presidente da Amol, Academia Mossoroense de Letras, o Elder tem dado muito estímulo e impulso à Instituição. Com apoio de seus pares, sobretudo da diretoria, o nobre presidente vem impondo uma dinâmica cada vez mais crescente à vida cultural da Instituição. Tem aberto seleção para concorrência e ocupação de cadeiras vagas, dando dessa forma, oportunidade a novos escritores, poetas ou pessoas que prestaram ou prestam relevantes serviços à educação do nosso meio.

OUTRAS AÇÕES

Tem aberto concursos literários de Contos e Poesias, oferecendo premiação aos melhores trabalhos. Fez nascer a Biblioteca da Academia, grande pro ovocação, porém maior ainda, quando no instante de seu batismo rendeu tributo justíssimo, denominando-a de Biblioteca João Batista Cascudo Rodrigues. Fomenta a publicação de trabalhos dos seu confrades, tem reeditado o Jornal da Academia, promovido palestras, encontros e seminários.

HONRA LOCAL

Por tudo isso e muito mais,o doutor Elder Heronildes da Silva pode e deve ser chamado e ''Defensor Estrênuo da Cultura Mossoroense". Parabéns, pelos seus 85 anos de vida, ilustre Elder.


mossoró /jornaldefatorn

@defato_rn

/photos/jornaldefatorn

Mossoró (RN), domingo, 9 de setembro de 2018

Solidariedade

Aduern destinará alimentos arrecadados em palestra para a CEM >> O evento que Aduern está organizando ocorre nos dias 14 e 15 de setembro. A doação dos alimentos representa a inscrição da palestra da historiadora Anita Prestes, que ocorre na abertura do evento Arquivo

sível realizar uma ação social. “Nós tivemos uma excelente receptividade dessa palestra. O evento começou a crescer bastante por conta disso e vendo a amplitude e a dimensão que o evento ganhou, nós pensamos em unir esse evento, que é político, que é científico, com uma ação de caráter social”, explicou. A docente falou ainda

sobre o papel social que a Casa do Estudante desempenha em Mossoró e sobre a necessidade de valorizar a educação. “A gente considera muito importante ter espaços e políticas que garantam à população mais pobre ter acesso à educação e a Casa do Estudante tem cumprido durante muitos anos esse papel de abrigar pessoas, estudan-

tes que vêm de outros municípios, às vezes de outros estados, para terem a oportunidade de estudar em Mossoró. Rivânia Moura comentou ainda sobre a falta de ajuda por parte dos poderes públicos e sofre os desafios que os estudantes que moram na Casa precisam passar diariamente para poder estudar. “Esse

patrimônio que é a Casa do Estudante tem sido desprezado pelo poder público, já que não recebe nenhum repasse de verbas públicas para a sua manutenção, ela tem sobrevivido apenas com doações. Nós acreditamos que esse evento poderá trazer bons resultados para a Casa do Estudante. Sabemos que é uma ação pontual, que a casa precisa de investimento, de responsabilidade pública para garantir a permanência dos estudantes na universidade, no ensino médio, no ensino técnico. Mas acreditamos que essa ação pode trazer um bom resultado, no sentido de uma boa arrecadação e no sentido de esperança para esses estudantes, que se sentem abandonados, que vão embora porque não têm como se manter em Mossoró”, informou a docente. Ela citou também que o ato pode parecer algo pontual, mas que ajudará muito os moradores da Casa, além de lembrar à sociedade sobre a importância do local para a construção de uma educação de qualidade. “Foi pensando em toda essa importância que a Casa do Estudante tem que a Aduern resolveu fazer essa ação, onde um pouquinho de cada um que vai participar do evento vai ajudar dezenas de alunos”, finalizou Rivânia Moura.

clusivamente de doações. Ele comentou ainda sobre a contribuição que a Uern tem para a sociedade e para a educação de vários estudantes, incluindo alguns que estão na CEM. “Investir na educação é acreditar que contribuiremos para a sociedade. Os estudantes que estão morando na Casa hoje podem ser os futuros servidores da Uern. Nós vamos dar esse retorno para a sociedade. Agradecemos ainda a toda sociedade mossoroense que nos ajuda e sempre doa mantimentos para que pos-

samos continuar executando o nosso trabalho”, disse o diretor externo. A situação atual da Casa do Estudante não é das melhores, já que as dívidas do local chegam a R$ 30 mil, que inclui IPTU atrasado, dívidas com a Prefeitura de Mossoró, dívidas com a cozinheira do local, entre outras. Janaildo Josemar comentou ainda sobre as maiores necessidades que a Casa têm hoje, mesmo recebendo muitas doações de entidades, órgãos, igrejas e de pessoas físicas.

“Por não termos investimentos do poder público, dependemos da solidariedade das pessoas. O que mais recebemos na casa é a parte de cereais, mas precisamos muito de carnes, produtos de limpeza e de higiene pessoal. Mesmo assim, somos gratos a todos que realizam campanhas para nos ajudar, em especial à Uern, que apesar de vir sofrendo com os governos recentes, é uma instituição importante quem vem formando cidadãos em todo o estado”, comentou.

A situação atual da Casa do Estudante não é das melhores, já que as dívidas do local chegam a R$ 30 mil

Amina Costa

Da Redação

N

ão é de hoje que muitos estudantes de várias cidades do Rio Grande do Norte e de outros estados do país vêm para Mossoró com a finalidade de realizar o sonho do ensino superior. Muitos desses estudantes, principalmente aqueles que não têm condições de se manter em apartamentos ou casas alugadas, recorrem à Casa do Estudante de Mossoró (CEM), que há mais de 60 anos realiza um trabalho de acolhimento de estudantes. O local, que não conta com ajuda de nenhum poder público, abriga atualmente 70 estudantes, que saem de suas cidades de origem em busca de melhores condições de estudo e de cursar o nível superior nas universidades de Mossoró. Por não ter ajuda pública, a Casa do Estudante depende, exclusivamente, da boa ação da sociedade mossoroense, que, corriqueiramente, realiza ações com a finalidade de arrecadar mantimentos para o local. Tendo a consciência dessa função social que a Casa do Estudante desenvolve na cidade, a Associação dos Docentes da Uern (ADUERN) vai doar para o local todos os alimentos que serão arrecadados du-

A Casa do Estudante de Mossoró atua há mais de 60 anos acolhendo estudantes de outras cidades que vêm estudar na cidade

rante o X Congresso da Aduern, que acontece nos dias 14 e 15 de setembro, e será palestrado por Anita Leocádia Prestes. A presidenta da Aduern, Rivânia Moura, explicou que a motivação para doar os alimentos arrecadados no congresso para a CEM surgiu após a percepção de que o evento ganhou grandes proporções e que é pos-

Moradores da CEM destacam importância da Uern para a sociedade Os jovens que moram na Casa do Estudante de Mossoró (CEM) destacam a relevância da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) para a sociedade potiguar e demonstram agradecimento à ação que a Associação dos Docentes da Uern (ADUERN) está fazendo em prol do local.

CIANO MAGNTA AMARELO PRETO

Atualmente, a CEM abriga 70 estudantes de outras cidades que estão na cidade para cursar o ensino médio, técnico e superior. O diretor externo da Casa, Janaildo Josemar, falou que a ação desenvolvida pela Aduern é uma ajuda muito importante para o local, principalmente por ele sobreviver ex-


2 MOSSORÓ

DOMINGO, 9 DE setembro de 2018

Evento

Evento da Aduern terá palestra da historiadora Anita Prestes Anita Prestes fará palestra sobre o aniversário de 30 anos da Constituição de 1988, que é um marco da democracia do país

A

cada dois anos, a Associação dos Docentes da Uern (ADUERN) realiza um congresso voltado para os professores. Na sua décima edição, o Congresso da Aduern realiza, mais uma vez, momento de diálogo da de grandes debates, de discussão sobre a universidade, sobre as condições de trabalho dos professores, sobre política de educação e todos os temas que são encaminhados pelos professores. O evento acontece nos dias 14 e 15 de setembro, no Hotel VillaOeste. De acordo com a presidenta da Aduern, Rivânia Moura, neste ano, a diretoria da Associação decidiu fazer na abertura do congresso um avento diferente, com uma palestra que contasse com alguém de renome nacional,

Divulgação

Anita Prestes, filha de Carlos Prestes e Olga Benário, falará sobre os 30 anos da Constituição de 1988

para fazer um grande evento aberto à população. “Nós conseguimos trazer a historiadora Anita Prestes, filha de Carlos Prestes e de Olga Benário, que tem a história na vida e na profissão. A palestra será sobre os 30 anos da Constituição de 1988, que significou um marco do processo de democratização e de ampliação dos diretos sociais dos trabalhadores e trabalhadoras”, disse Rivânia Moura. A palestra “Luiz Carlos Prestes, a Constituinte e a Constituição de 1988” é aberta ao público e terá início às 19h no auditório do Hotel VillaOeste. A discussão vai rememorar o aniversário de trinta anos do documento cidadão, em meio a uma conjuntura de retirada de direitos e ataques à classe trabalhadora. Para a historiadora, mesmo após 30 anos da promulgação da Constituição de 1988, os brasileiros ainda vivem reféns da tutela militar, com artigos que ora ou outra voltam a ser utilizados para frear manifestações populares, criminalizar os movimentos e atacar a organização dos trabalhadores e trabalhadoras e essa será uma das tônicas da discussão na abertura do congresso da Aduern.

outras palavras José Nicodemos

aristida603@hotmail.com

ETERNIDADE NUM MOMENTO

E

u sabia que era uma moça adolescente, ou pouco mais do que isso, pelo timbre ensolarado da voz e, por que não dizer? pela frivolidade dos assuntos. A companheira de viagem, na cadeira por trás da minha. Viajávamos no lotação para Casa Amarela, no Recife, começo da noite. Mistura danada de assuntos, um entrando no outro, antes de terminar, e tudo descosturado, aqui e ali me dava vontade de olhar para trás, fingindo qualquer coisa. Mas seria da minha parte uma indelicadeza, e de resto eu não tinha nada a ver com aquilo. E assim me comportei até o fim da viagem, apesar da inquietação interior. Digamos, curiosidade. A voz companheira de viagem em tudo me dava a impressão de sair de uma boca bonita, num rosto meigo não menos encantador. Rosto de menina no despertar da vida, docemente iluminado por sedutoras ilusões. Aquilo me inquietava, e eu tinha de fazer um grande esforço: não olhar para trás. Inventava situações, como um gesto involuntário do cansaço da viagem, fazia um calor abafado, mas logo me dava conta de que, de qualquer modo, não deixaria de ser indelicado com a dona da voz. Ela poderia sentir-se censu-

rada pela voz algo alta, talvez menos pela frivolidade dos assuntos desencontrados. E, assim, eu não queria ferir-lhe a sensibilidade, o que, certo, me custaria grande remorso. Demais, devo confessar, a voz, que possuía toda a pureza do universo, soava-me como um canto das mil e uma noites. Confortava-me a alma, e era como se eu flutuasse num estado de pureza, além do mundo e de mim. De sorte que, nesse encantamento, da alma e dos sentidos, a minha vontade era que a viagem não acabasse mais: eu me sentia leve de corpo e espírito, como nunca me sentira. Ou, pelo menos, era a impressão do momento, e pouco me importava que fosse apenas isso, ou de que modo fosse. Era, afinal, um momento eterno. Quando vi, o lotação já ia chegando a Casa Amarela, se muito, duzentos metros antes do local da parada, que era defronte de um sobrado antigo, que eu via sempre fechado. E comecei a sentir saudade da voz companheira de viagem, que me proporcionara um dos meus melhores momentos da vida. Porque eu sonhava, docemente. Desci do lotação, e fiquei ali, com ar displicente, à espera da voz em pessoa. Logo desceram duas meninas, igualmente bonitas, farda de colégio, sobraçando livros, e eu não pude saber qual delas era a dona da voz que deixaMais de 200 bilhões ra assim, siderado, à eternidade num momento.

GOZAÇÃO

VELHACARIA

Novidade nenhuma na propaganda eleitoral na televisão, e fora dela. A mesma coisa que os nossos ouvidos estão cansados de ouvir, e que, por força de tão repetida, já soa a gozação.

Os novatos endinheirados apostam na força do dinheiro para ganhar eleição, quanto mais confiados, quanto que veem no desgaste dos velhos uma boa oportunidade. Velhacaria, e só.

Gaste Os desafios de bem o seu lidar com diabetes 18 anos décimo na infância de compromisso

vão oxigenar a economia no fim de ano. Saiba como POLÍTICO SAFADO MOSSORÓ 3 gastar certo.o político Quer conhecer melhor sa-

fado? Toda a questão é observar que este se restringe ao discurso das agres@defato_rn sões pessoais, fazendo cara e gestos. Sem dúvida, são os mais ridículos.

o jornalismo A dona com de casa Suzy Kelly deixou de trabalhar para cuidar, integralmente, de verdade do filho César de seis anos. Ela fala sobre medicamentos, alimentos e da descoberta da doença. MOSSORÓ 1

/photos/jornaldefatorn

/jornaldefatorn

linguagem Para muitos, o estilo consiste, e apenas, na linguagem gramatical, que, por sua vez, consiste em escolhas léxicas e sintáticas. Até certo, isto é válido. Mas não é só isso o que marca o estilo de um escritor. Há mais. O caracteriza o estilo literário, segundo o conceituado e erudito crítico português Fidelino de Figueiredo, é, acima de tudo, sua visão do mundo, que perpassa a criação literária. Sua paisagem interior, que vai encontrar na linguagem sua expressão adequada. No caso, se a linguagem não exprime a subjetividade do ficcionista, fica o estilo prejudicado. São duas entidades que se encontram na beleza do estilo.

17os an

@defato_rn

/jornaldefatorn

@jornaldefato

MOSSORÓ �RN�, DOMINGO, 19 DE NOVEMBRO DE 2017 | EDIÇÃO 5.020 � ANO XVIII |


MOSSORÓ 3

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Setembro Amarelo

Município dispõe de serviços gratuitos para a saúde mental >> A Prefeitura de Mossoró dispõe de várias Unidades de Serviços de Saúde capacitadas para ajudar pessoas em situações de depressão, ansiedadee outros distúrbios mentais

A

cada 40 segundos, uma pessoa morre de suicídio no mundo, já no Brasil esse número é a cada 45 minutos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). A depressão, considerada a doença do século, vem em primeiro lugar como a causa que mais vitima pessoas ao redor do mundo, de todas as faixas etárias de idade. Especialistas apontam que essa realidade pode ser diferente e que 90% dos casos de suicídio podem ser evitados se a doença for identificada precocemente e tratada com profissionais médicos. O Município de Mossoró dispõe de várias Unidades de Serviços de Saúde capacitadas para ajudar os mossoroenses que estão enfrentando situações de depressão, ansiedade, esquizofrenia e distúrbios mentais. São quatro Centros de Atenção Psicossocial, sendo dois CAPS AD do tipo II, um CAPS AD III

Ilustrativa

Saber identificar sinais de depressão é essencial para evitar problemas maiores

funcionando 24 horas, um CAPS Infantil, que ofertam gratuitamente os serviços de psicologia, terapia ocupacional, assistência social, psiquiatria, enfermagem, oficinas, rodas de conversas, atividades recreativas e educador físi-

co. No PAM do Bom Jardim, são ofertados serviços de psiquiatria e psicologia para adultos, no Ambulatório Materno-Infantil (AMI) tem atendimentos psiquiátricos, psicológicos e outras terapias disponíveis para

Como identificar os sinais da depressão De acordo com o psiquiatra e diretor do Hospital São Camillo da Prefeitura de Mossoró, Joel Borba, a família tem um papel importante na identificação da depressão, porque está em constante contato com os familiares e precisa manter um olhar atento nas atitudes de cada parente. “O indivíduo tem uma vida considerada normal e de repente começa a ter um comportamento diferente. A pessoa começa a ficar mais isolada, ter mais dificuldade de relacionamento interpessoal. Começa a perder o gosto, o prazer pelas coisas que anteriormente fazia e agora não tem mais interesse. Perde sono, perde peso, se irrita com facilidade. Esses são fatores que podem ser sinais da depressão”, explica Joel. Outro fator que precisa ser observado e que pode ser sinal da depressão é quando o indivíduo começa a se desfazer das coisas de que gostava muito. Passa a falar frases dos tipos “Eu vou deixar todo mundo sossegado”, “Eu não vou dar

mais trabalho a ninguém”, “A vida não tem mais sentido”. Ainda segundo Joel Borba, a depressão é uma doença que mexe com tudo de uma pessoa e, ainda, pode piorar outras doenças que um indivíduo já a tenha, da mesma forma que pode melhorar caso a depressão seja combatida. A enfermeira Helena Rebouças lembra que qualquer pessoa pode vir a sofrer de doenças mentais. “Segundos estudos, 20% da população vai desenvolver algum tipo de transtorno durante a vida, indo do transtorno mais leve ao mais grave. Desse percentual, 5% vão ter transtornos mais graves”, afirma Rebouças. Ela ainda destaca que quando alguém tenta suicídio, está, na verdade, pedindo socorro e não querendo acabar com a sua vida. Borba lembra que é preciso levar em consideração todos esses sinais e nunca tratar com indiferença, já que 90% dos casos de suicídio podem ser evitados. “Escutei muitos depoimen-

tos ao longo da minha vida assim: ‘Esse daí está dizendo que quer se matar, mas é frescura, é besteira’. Não é assim. Se alguém diz que vai se matar, você precisa analisar o caso. As pessoas que fazem isso, na maioria dos casos, não é para chamar atenção”, reforça Borba, orientando sempre que o mais correto a se fazer nesses casos é procurar ajuda médica. “Quando você tem um infarto, ninguém diz: ‘Se levante, vá correr que isso é bobagem.’ Mas, quando tem depressão, as pessoas costumam dizer que é besteira, que é falta de saídas, de relacionamentos. O conceito de doença que a gente tem é uma pessoa numa cama, toda costurada ou com as pernas engessadas. As pessoas não costumam ver o sofrimento interno das outras e, às vezes, não têm a menor noção do que a depressão pode causar na vida de um indivíduo”, provoca a reflexão Joel Borba, que atua há mais de 40 anos na saúde mental.

crianças, além do Hospital Municipal São Camilo de Lellis, que a Prefeitura vem trabalhando para torná-lo referência no país novamente. A porta de entrada para os serviços de saúde do município são as Unidades

Básicas de Saúde. O primeiro atendimento deve sempre ocorrer na UBS mais próxima da casa do usuário, porque é lá que a família e o paciente vão relatar suas queixas e receber as primeiras orientações. O médico da UBS faz

o atendimento e logo em seguida identifica qual a necessidade do acompanhamento. Os transtornos mentais, como ansiedade e depressão leves, em sua maioria, podem ser tratados na própria UBS, mas é preciso que a família tenha a iniciativa de levar o familiar para receber os cuidados da Unidade de Saúde. De acordo com a coordenadora municipal de saúde mental, Helena Rebouças, as UBSs contam, além da própria equipe, com profissionais capacitados da Estratégia de Saúde da Família e Núcleo de Apoio à Saúde da Família. Nos casos onde o tratamento é mais específico, as Unidades Básicas agendam atendimentos nos CAPS, AMI ou PAM, garantindo assistência de todos os usuários que venham a precisar. A Unidade de Pronto Atendimento do Santo Antônio é a unidade de referência para atendimentos preliminares de urgência de saúde mental de pacientes em Mossoró. “A UPA faz a notificação dos casos para entrar nas estatísticas do Ministério da Saúde e agiliza o encaminhamento da assistência para as Unidades Especializadas na área da saúde mental e também comunica à UBS sobre o usuário que recebeu o atendimento para que os profissionais passem depois na casa dessa pessoa para fazer um acolhimento e acompanhar regular”, continuou Helena Rebouças.

Troca de experiências entre unidades de saúde para ampliar atendimento Segundo o Ministério da Saúde, matriciamento é um novo modelo de produzir saúde, na qual duas equipes ou mais, em um trabalho coletivo, desenvolvem estratégias para melhorar ainda mais as ações de saúde pública. A Saúde Mental de Mossoró está realizando o matriciamento junto às UBSs para fortalecer as ações de saúde mental, garantindo equidade no atendimento do

paciente de saúde mental na atenção básica. Ou seja, os profissionais dos CAPS e das UBSs vão caminhar juntos, um conhecendo a realidade do outro, na busca pela fluidez no atendimento de saúde. As atividades já começaram e devem acontecer até toda a rede estar capacitada. “Nós psiquiatras estamos capacitando os profissionais de UBSs para fazer que eles estejam ainda

mais aptos a lidar com esses tipos de situações, até porque 90% dos problemas podem ser resolvidos na base, sem ter a necessidade de um aprofundamento na rede. Nessa capacitação, vamos abordar questões sobre as doenças mentais, as mais comuns, como a depressão e ansiedade, dentre outras coisas”, explica Joel Borba como está funcionando o treinamento.

Abertura do Setembro Amarelo em Mossoró reúne multidão O Setembro Amarelo teve início no Brasil no ano de 2015, pelo Centro de Valorização da Vida, Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria, com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a prevenção do suicídio e alertar para questões da saúde mental. Durante todo este mês, várias ações estão sendo realizadas na cidade para abordar o assunto. A abertura da campanha aconteceu durante o Viva a Rio Branco no último domingo (2), com o tema “Luz para a Vida”, reunindo inúmeros mossoroenses, que puderam aproveitar uma tarde de conscientização e de serviços de saúde. A programação segue durante todo o mês de setembro, tanto aos domingos, no Viva a Rio Branco, quanto em atividades que serão realizadas pelas Secretarias de Saúde, Educação, Desenvolvimento Social e Esporte.


4 MOSSORÓ

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Uern pela Vida

Campanha trata da necessidade da discussão sobre o suicídio >> Ao longo do mês, serão realizadas atividades voltadas para a prevenção do suicídio e ao alerta para os sinais que indicam depressão Divulgação

E

m consonância com o Movimento Mundial do Setembro Amarelo, que é voltado à prevenção do suicídio e ao alerta para os sinais que indicam depressão, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) inicia nesta segunda-feira, 10, a campanha “Uern pela Vida”. As primeiras ações ocorrerão no campus central. A campanha “Uern pela Vida” trata sobre a necessidade de discutir o suicídio, que durante décadas foi tratado como um tabu social. “É impreterível neste momento atual da sociedade, que falemos sobre esse tema, que ele deixe de ser discutido apenas entre quatro paredes”, diz Séphora Nogueira, pró-reitora adjunta de Assuntos Estudantis. A necessidade de discutir sobre os diversos fatores que corroboram com este adoecimento, assim como o uso de drogas e álcool, bullying, depressão, violência doméstica e tantos outros são pontos cruciais da campanha. Ao identificar alguns desses fatores de risco, pode-se propor ambientes e momentos de discussão que ajudem a comu-

Primeiras ações ocorrerão nesta segunda-feira no Campus Central

nidade acadêmica a combater e prevenir o suicídio. E foi nesse contexto que a campanha “Uern pela Vida” se concretizou no ano de 2017. Neste ano, serão realizadas diversas atividades ao longo do mês. A primeira delas será a “Blitz Pela Vida”, que será realizada na segunda-feira, 10, das 6h30 às 8h30 e das 19h às 20h, no campus central. No mesmo dia, será realizada a palestra “Ciclos de Vida e Assistência Estudantil”, a partir das 20h. Já no dia 18 de setembro, será realizada uma exposição sobre o tema na sala temática da Faculdade de Ciências da Saúde (FACS), das 8h às 17h. À noite, a partir das 18h, terá início o “Abraço Pela Vida”, com panfletagem e distribuição de lacinhos na Avenida Rio Branco. No dia 27 de setembro serão feitas duas mesas-redondas na Faculdade de Educação. A primeira, que terá como tema o suicídio, acontecerá das 10h30 às 12h. A segunda atividade será realizada das 19h30 às 21h, tendo como tema “Estudante universitário e a saúde mental: vivências, experiências e enfrentamentos”. DADOS SUICÍDIO O suicídio é considerado um problema de saúde pública e mata 1 brasileiro a cada 45 minutos e 1 pessoa a cada 45 segundos em todo o mundo. Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Pelo menos o triplo de pessoas tentou tirar a própria vida e outras chegaram a pensar em suicídio.

Campanhas reforçam compromisso social da Uern Criar ações que mobilizem pessoas, movimentem instituições, servidores e o público em geral faz parte da composição de uma campanha institucional. Em geral, as ações têm como objetivo divulgar a filosofia de uma instituição, empresa ou figura pública. Elas não estão ligadas necessariamente à venda de um produto ou serviço, mas, sim, são criadas para valorizar e fortalecer ideias, propagar informações e transformar conhecimento em ação, seja ela individual ou coletiva. Esse tipo de iniciativa é uma das ferramentas utilizadas pela Uern para alcançar diversos fins, voltados tanto para a comunidade acadêmica quanto para o público externo. Os exemplos variam desde ações como arrecadar brinquedos para crianças em situação de vulnerabilidade social ao en-

frentamento ao assédio moral e sexual. Além da ação do “Uern pela Vida”, a Universidade, através da Ouvidoria e da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP), lançou, neste ano, a Campanha de Prevenção ao Assédio Moral e Sexual, que busca orientar alunos, técnicos e professores sobre as ações que caracterizam esse tipo de prática e informar sobre os canais de que a comunidade acadêmica dispõe para tirar dúvidas e fazer denúncias. Conforme o professor Mademerson da Costa, ouvidor da Uern, a campanha educativa se estende a toda a comunidade acadêmica e prevê visitas aos campi da universidade, onde serão reforçados o papel da Ouvidoria e os objetivos da ação. “Um dos benefícios deste conjunto de esforços é

Wilson Moreno

fomentar as discussões sobre assédio em diferentes espaços no âmbito acadêmico, dialogar e encontrar soluções de qualidade”, diz o professor. As dúvidas, reclamações e denúncias podem ser feitas pessoalmente na Ouvidoria da Uern, localizada no prédio da Reitoria, ou pela Internet, através da página da Ouvidoria. “MEU MELHOR NATAL” Uma das campanhas mais antigas e representativas da Uern é a “Meu Melhor Natal”. Ação voluntária foi iniciada em 1998 pela instituição com o objetivo de arrecadar brinquedos para distribuir entre crianças que estão matriculadas e frequentando Unidades de Educação Infantil (UEIs) públicas, estendendo-se a entidades sociais e de saúde, que atendem crianças carentes.

Campanha “Meu Melhor Natal” é uma das mais antigas da Uern


segurança 5

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Marcos Garcia

>> Entre o último dia 27 e esta quarta-feira (5), nove acusados de homicídios e tentativas em Mossoró e região sentaram no banco dos réus

Culpado ou inocente? C

ulpado ou inocente? Essa foi a pergunta que um corpo de jurados teve que responder nesses últimos dias, durante uma série de julgamentos em Mossoró de acusados de homicídios e tentativas. Entre o último dia 27 e esta quarta-feira (5), nove réus foram levados ao Tribunal do Júri Popular (TJP) por crimes contra a vida. A mais recente sequência de sessões do TJP da comarca de Mossoró resultou em oito condenações e

apenas uma absolvição. O primeiro dos nove julgamentos realizados aconteceu na segunda-feira da semana passada. Odailton Ferreira de Lima sentou no banco dos réus por uma tentativa de homicídio ocorrida em dezembro de 2011, no bairro Aeroporto. A denúncia é de que o servente de 29 anos de idade, junto com outros dois comparsas, teria tentado matar um homem a tiros. Ele pegou três anos de prisão pelo crime na sessão

que abriu a segunda reunião ordinária do TJP deste ano em Mossoró. No dia seguinte, José Rony Cavalcante foi a julgamento sob a acusação de ter matado a tiros um adolescente de 17 anos de idade. O crime aconteceu em julho de 2016, no bairro Santo Antônio. O réu foi inocentado ao final do júri popular no último dia 28. O terceiro julgamento desta série aconteceu no dia seguinte. Abdiel da Silva Domiciano, de 24 anos de ida-

de, sentou no banco dos réus por tentar assassinar a tiros um gari de 23 anos e acabar matando outro de 18. O crime foi registrado em agosto de 2016, no bairro Santo Antônio. Abdiel é apontado ainda por envolvimento em um ataque a tiros que deixou cinco mortos em um baile funk, no bairro Boa Vista, em março do ano passado. Ele pegou 18 anos e 8 meses de prisão em regime fechado pelo homicídio do jovem gari e pelo atentado

Acusado de envolvimento na morte de vereador de Assú pega mais de 30 anos A série de julgamentos continuou no último dia 31 e levou ao banco dos réus um acusado de matar um prestador de serviço a uma agência bancária de Mossoró. O crime aconteceu em janeiro do ano de 2016, no bairro Bom Jardim. Leonan Marques da Silva foi sentenciado a 12 anos de prisão. Após este final de semana, a sequência de jú-

ri foi retomada nesta segunda-feira (3). Maikon Douglas Pereira de Araújo pegou 14 anos de prisão por um homicídio ocorrido em fevereiro de 2016, no bairro Barrocas. O crime vitimou um homem de 22 anos de idade. No dia seguinte, Daniel de Moura Faustino, de 21 anos, sentou no banco dos réus por ter matado a tiros um jovem

de 18 anos, em junho de 2016, na Alameda dos Cajueiros. Outro acusado pelo crime identificado como Alisson da Costa Martins, 24 anos, já tinha sido condenado a 14 anos de prisão pelo ocorrido. Nesta quarta-feira (5), Itamar Veríssimo de Melo foi a julgamento pela morte do então vereador de Assú Manoel

Ferreira Targino, "Manoel Botinha". O crime aconteceu em abril de 2015 e deixou ferido ainda Francisco Adriano Bezerra Guilherme, "Biano”. O júri decidiu pela condenação de Itamar. Ele pegou 30 anos e oito meses de prisão em regime fechado. O Conselho de Sentença reconheceu que o homicídio contra Manoel se deu

contra o outro. Já no último dia 30, Francisco de Assis Diego da Silva e Diego de Souza Pontes foram a julgamento sob a acusação de terem matado um homem de 37 anos. O crime aconteceu em janeiro de 2016, no bairro Paredões. Os dois acusados foram condenados a 36 anos de prisão, sendo 16 para o primeiro e 20 para o outro. Dentre esses quatro primeiros julgamentos, três resultaram em condenações e um em absolvição.

por vingança e envolveu pagamento de recompensa. Outras seis pessoas são acusadas de envolvimento no crime. Três já foram condenadas, como a comerciante Joelma de Morais Ferreira e o filho dela Douglas Daniel Morais de Melo. Apontados como mandantes do crime, juntos eles pegaram 54 anos de prisão. Jalisson Veríssimo de Melo, Valdete Veríssimo de Melo e José Roberto Nascimento da Silva estão presos e também devem ir a julgamento

Nova série de julgamentos de crimes contra a vida resultou em oito condenações e uma absolvição

pelo crime. No site do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) consta que Valdete deve sentar no banco dos réus nesta quarta-feira (12) e Jalisson no dia seguinte. Já José Roberto seria julgado nesta quinta (6), mas o júri teve de ser adiado, por motivo de doença do promotor de justiça que atuaria na acusação. Uma nova data ainda deve ser definida. Todas as sessões foram presididas pelo juiz Vagnos Kelly de Figueiredo.


6 segurança

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Cont. pág. anterior

Professor de Direito diz que júri legitima exercício da democracia

José Albenes Bezerra Júnior explica como funciona o Tribunal do Júri Popular

>> Coordenador do curso de Direito da Ufersa avalia que o dispositivo jurídico assegura a participação da sociedade na atuação estatal

P

ara o professor José Albenes Bezerra Júnior, coordenador do curso de Direito da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), o “júri acaba, de certa forma, legitimando o exercício da democracia, uma vez que assegura a participação da sociedade na atuação estatal e, consequentemente, no julgamento”. Ele explica que no Brasil, o júri é o tribunal onde cidadãos, alistados e convocados, passam a julgar, sob juramento, os crimes dolosos contra a vida. Albenes esclarece que a nossa Constituição Federal prevê, em seu artigo 5, XXXVIII, 'd', as competências para julgamento pelo júri.

Cedida

José Albenes: ‘Júri é o tribunal onde cidadãos passam a julgar crimes dolosos contra a vida’

“Os crimes que são de competência do júri são os seguintes: homicídio

doloso, infanticídio, participação em suicídio, aborto, neste o tentado e

consumado”, detalha José Albenes, que também é doutorando em Direito

pela Universidade de Brasília (UnB). Entre o começo de mar-

ço e final de maio deste ano, 36 acusados de crimes contra a vida deverão sentar no banco dos réus do Fórum Municipal Dr. Silveira Martins, em Mossoró. Nesse período, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) realizou a Primeira Reunião Ordinária do Tribunal do Júri Popular (TJP) deste ano da comarca da segunda maior cidade do estado. A pauta foi composta por 31 processos a cargo do juiz e presidente dos trabalhos Vagnos Kelly, da 1ª Vara Criminal de Mossoró. Na época, a previsão era de que até o final deste ano acontecessem outras três séries de julgamentos.


esporte 7

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Gre-Nal tem clima mais quente que o normal

Brasileirão

Rivais fazem

clássico por alívio

>> Botafogo e Fluminense se enfrentam na busca por três pontos e fôlego no campeonato

F

luminense e Botafogo jogam neste domingo, 9, às 16h, por três pontos e um pouco de fôlego no Campeonato Brasileiro. Os rivais cariocas chegam ao clássico no Maracanã envoltos por realidades duramente parecidas. A começar por problemas extracampo, ambos têm convivido com atrasos de salários. Funcionários e atletas do Flu estão com um mês a receber e jogadores ainda têm direitos de imagem de dois meses em aberto. Já o Bota só conseguiu quitar salários de julho nesta quinta (6) e deverá atrasar pagamentos referentes a agosto. Dentro das quatro linhas, as duas equipes mostram campanhas irregulares e brigam na parte de baixo da tabela. A equipe das Laranjeiras não vence há três rodadas — com uma derrota e dois empates —, enquanto o clube de General Osório vem de revés para o Grêmio por 4 a 0 e empate com o Cruzeiro em casa. O Flu soma 28 pontos, dois a mais que o Bota, e encerrou a rodada anterior na 12ª posição, três acima do rival alvinegro.

Divulgação

FICHA TÉCNICA

Ou tenha ficado nervoso com situação de jogo”.” O treinador colorado ainda tem dúvidas para escalar o time titular. A maior delas é na vaga do lateralesquerdo Iago, suspenso. Uendel é o substituto imediato, mas o treinador ainda pode deslocar Zeca para a posição e escalar Fabiano na lateral-direita. O Grêmio não terá Everton nem Kannemann, convocados respectivamente para as seleções brasileira e argentina. Dois jogadores merecem atenção por conta de lesões: o capitão Maicon, que treinou normalmente na sexta, e Jael, o caso mais preocupante, já que o atacante não realizou nenhuma atividade desde a partida contra o Botafogo, no sábado passado. Caso não reúna condições, será substituído por André. Renato Gaúcho afirma não ter pressa para definir a equipe titular e que está tranquilo, independentemente de quem possa entrar em campo no clássico.

FLUMINENSE

Matheus Fernandes retorna ao Botafogo no posto de Jean, suspenso "Ninguém gosta de estar próximo da zona do rebaixamento, mas eu tenho certeza que a nossa sequência trará estabilidade e equilíbrio para aumentar o nosso rendimento", projetou o técnico botafoguense, Zé Ricardo. Para o duelo, o Fluminense não deve ter novida-

des, já que segue sem Pedro e Gilberto, vetados pelo departamento médico, além de Sornoza, convocado pela seleção equatoriana. O Botafogo, por sua vez, precisará mudar, uma vez que não contará com o zagueiro Joel Carli e o volante Jean, ambos suspensos.

Júlio César; Léo, Gum, Digão e Ayrton Lucas; Richard e Dodi; Luciano, Matheus Alessandro, Everaldo e Kayke; técnico Marcelo Oliveira

BOTAFOGO Saulo; Marcinho, Yago, Ígor Rabello e Moisés; Matheus Fernandes, Rodrigo Lindoso, Gustavo Bochecha e Luiz Fernando; Erik e Kieza; técnico Zé Ricardo Local – Maracanã Horário – 16h Juiz – Leandro Pedro Vuaden (RS)

FICHA TÉCNICA

Vitória e Vasco fazem duelo direto contra o ZR Derrotado nos últimos três jogos, o Vasco tenta recuperação diante do Vitória a partir das 19h deste domingo (9). A partida no Barradão é determinante para as duas equipes, que brigam contra o rebaixamento no Brasileiro. O time cruzmaltino encerrou a 23ª rodada uma posição acima do Z-4, com 24 pontos. Os baianos, com 26, também rondam a zona da degola.

O Internacional é o líder e quer manter a posição. O Grêmio é o quinto colocado e almeja não só tirar o maior rival do topo da tabela, mas também encostar na primeira colocação. Esse é o cenário do Gre-Nal 417, que acontece no Beira-Rio, neste domingo, às 16h, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. A boa colocação da dupla na tabela eleva a temperatura do clássico, que já é naturalmente alta, independentemente de classificação. Isso ficou claro na entrevista coletiva do técnico do Internacional, Odair Hellmann. Recordado sobre a declaração do colega Renato Gaúcho após o 0 a 0 do primeiro turno -na ocasião, o treinador gremista afirmou que o Internacional jogou como “time pequeno e de segunda divisão”, Hellmann foi enfático. “O Internacional não é time de segunda divisão, e ele sabe disso. Espero que tenha usado força de expressão.

O técnico vascaíno, Alberto Valentim, no entanto, quer evitar alarde sobre queda para a Série B. “Faltam muitos jogos ainda. O Vasco é muito grande. Não podemos carregar o peso de anos anteriores em que o Vasco caiu. Nós vamos melhorar na classificação. O torcedor pode ter certeza disso”, disse. A sequência negativa vascaína - derrotas para América-MG, Santos e Atlético/PR - coincide justamen-

te com a chegada de Valentim ao clube. A última vitória, contra a Chapecoense, por 3 a 1, ocorreu sob o comando do então interino Valdir Bigode. Já o Vitória, apesar da posição na tabela, tem demonstrado poder de reação. Os rubro-negros vêm de vitórias contra Atlético-MG e América MG, além do recente empate com o Fluminense fora de casa. O importante retorno de Neilton, que cumpriu suspensão na rodada anterior, reforça o otimismo da equipe baiana para seguir em ascensão.

VITÓRIA Ronaldo; Jeferson, Ramon, Lucas Ribeiro e Bruno Bispo; Yago, Rodrigo Andrade e Léo Gomes; Neilton, Erick e Léo Ceará; técnico Paulo César Carpegiani

VASCO Martín Silva; Lenon, Luiz Gustavo, Bruno Silva e Henrique; Desabato, Raul, Wagner, Thiago Galhardo e Yago Pikachu; Maxi López; técnico Alberto Valentim Local – Barradão, em Salvador Horário – 19h Juiz – Paulo Roberto Alves Júnior (PR)

América/MG e Ceará se enfrentam pela fuga do ZR América-MG e Ceará se enfrentam neste domingo (9), às 16h, em Belo Horizonte, com um objetivo comum: manter o viés de alta e continuar fugindo da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. O time mineiro está mais folgado na tabela. Com 29 pontos, está mais próximo da marca dos 45 – tida como a linha de corte para fugir da degola. O Ceará tem 23, e começa a rodada no Z-4, mas vem de duas vitórias importantes, que encheram a equipe de moral, sobre Flamengo e Corinthians. Para o volante Leandro Donizete, o América tem apresentado bom desempenho e acredita não só na permanência na divisão de elite em 2019 mas também em voos mais altos para o time. “Está tudo emparelhado. Dá para brigar lá em cima. Os times estão nivelados. É só a gente concentrar bastante que as vitórias vão sair”, afirmou. A campanha deste ano já superou a de 2016. Na ocasião, em 38 rodadas, o time mineiro conquistou 28 pontos. Neste ano, já são 29

em 23 rodadas. Com Adilson Batista no comando, em novas partidas, a equipe somou quatro vitórias, três empates e duas derrotas. Sobre a formação titular,, o treinador não conta com o zagueiro Lima, o meia Ruy e o atacante Aylon, ainda no departamento médico. Já o Ceará tem dois desfalques certos: o goleiro Everson, herói da vitória contra o Corinthians, e o atacante Leandro Carvalho. Ambos estão suspensos pelo terceiro cartão amarelo. A vaga do ataque deve ficar com Felipe Azevedo. No gol, o técnico Lisca vai se decidir entre Fernando Henrique e Diogo Silva. Tentando controlar o clima de euforia que tomou conta do clube e da torcida após as vitórias nas últimas duas rodadas, Lisca faz as contas que, para ele, farão o time permanecer na Série A. “Precisamos de seis vitórias e dois ou três empates, ou sete vitórias. Está diminuindo nossa necessidade, mas a competição também vem afunilando”, afirmou.


8 OPINIÃO/esporte

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

fábio oliveira fabiowillard@hotmail.com

fabio willard de oliveira

O Mossoró terá de encontrar equilíbrio, se quiser ir à final do sub 19

O

Mossoró tem seu maior desafio até aqui no Estadual Sub 19. Hoje, às 15 horas, contra o Visão Celeste, no Nogueirão. O jogo vale vaga na final da competição e o Carcará precisa reverter um placar de 2x0, sofrido no jogo de ida. Passando, além de disputar o título, garante vaga direta na Copa São Paulo de 2019. Para chegar a esse objetivo, o time de Edinho Cardoso terá de exorcizar os demônios que o cercam nesta reta final de campeonato. O time cai de rendimento nos últimos jogos e, apesar de bom volume de jogo, tem visto seu ataque despencar de produção. De setor mais positivo entre

todos os participantes, inclusive com o artilheiro da competição, João Victor, com 12 gols, a um ataque inoperante quando mais se precisa dele. Terá gasto todo seu arsenal nas fases anteriores? Em tempo, expulso de forma tola no jogo de ida, João Victor deixa o time órfão de uma referência no ataque, apesar de também vir em queda livre. O jogo de hoje deve ser de intensidade e prudência, ao mesmo tempo. Vai ser interessante ver o MEC testar seu poder de reação ante um adversário limitado e que não deve propor jogo, mas que ganhou o primeiro tempo dessa decisão porque soube aproveitar as oportunidades.

''

Tem como me passar o “adoxicante”?" Santos, goleiro do Potiguar, em 2016, ao garçom.

Copa Rosa Dia 3 de outubro, será realizada a Copa TCM Outubro Rosa, de futsal e handebol, femininos. A disputa acontece na quadra do Ginásio Carecão, do Colégio Diocesano. Inscrição será aberta em breve.

Padre Sátiro

iMAGEM QUE MARCA

Cedida

Nesta segunda-feira (10), começa a primeira edição dos Jogos Escolares Padre Sátiro. A competição, que acontece no Colégio Diocesano, reunirá 16 escolas particulares e públicas do município.

Craque na telinha Exibida ontem pela TCM, será reprisada hoje entrevista com o ex-jogador do Flamengo Andrade, campeão mundial interclubes em 1981. O Esportes TCM vai ao ar às 15 horas no Canal 10.

Chance extra Time do Pleno, 1968 - Josué Pedrosa, Diassis, Dedé, Gidalto, Alderi, Gilson Queiroz, Raimundinho, Zé Nilson Fernandes, Luluta e Gilberto Santos.

A semana na história No próximo sábado (15), o Grêmio FootBall Portalegrense comemora 115 anos de fundação.

Figura banalizada Sabe aquela sensação de que não avançamos em nada, apesar das lições da Copa da Rússia? É isso que passa Tite ao dar a braçadeira de capitão a Neymar. Não será a faixa de capitão que fará Neymar crescer. Na verdade, Neymar é quem fará a faixa diminuir de tamanho e importância por tudo que ele já provou de negativo como “líder”.

Torcedor

Futebol Clube

Caso não avance para a final do estadual sub 19, o Mossoró ainda terá outra chance de ir à Copa São Paulo. Disputará com o eliminado da outra semifinal, vez que serão três vagas para o RN na copinha.

Complicou Até então bem cotado, complicou para o jovem João Victor, artilheiro do time sub 19, cavar espaço no time que jogará a Segundona. Sua instabilidade o distancia na corrida contra Pittibul, Romário, Sávio e Pablo.

Calendário O calendário do futebol potiguar no cenário nacional em 2019 já está definido e não teremos nenhum representante mossoroense: na Copa do Brasil, ABC, América e Santa Cruz de Natal; Copa do Nordeste, ABC; Série C, ABC e Globo; Série D, América e Santa Cruz.

Pedro Gurgel Bairro Abolição III Torcedor do Flamengo

CLAUDER ARCANJO

Escritor e editor da Sarau das Letras

O esporte éa nossa paixão notícias GOLS e COMENTÁRIOS www.f9.net.br


estado /jornaldefatorn

@defato_rn

/photos/jornaldefatorn

Mossoró (RN), DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Abandono

Museus precários ou fechados para reforma Responsável pela administração dos equipamentos públicos, a FJA investirá mais de R$ 15 milhões na recuperação e preservação da história potiguar Gov. RN

FABIANO SOUZA fabianosouz@hotmail.com

Segundo Amaury Júnior, a situação dos museus é a seguinte: implantação do Museu da Rampa e do Memorial do Aviador (Natal); requalificação das praças do Centro Histórico (Natal); Memorial Câmara Cascudo (Natal); revitalização do Forte dos Reis Magos (Natal); reforma do Teatro Alberto Maranhão (Natal); reforma da Escola de Dança do Teatro Maranhão (EDTAM/Natal); reforma da Pinacoteca do Estado (Natal); reforma do Teatro Lauro Monte (Mossoró); reforma do Teatro Adjuto Dias (Caicó); reforma do Museu Café Filho;

reforma da Biblioteca Câmara Cascudo. “Todas essas são as obras estão em andamento. Com exceção do Memorial Câmara Cascudo e Museu Café Filho, já foram entregues. Todos os museus mantidos pelo Estado foram restaurados no atual governo através do programa Governo Cidadão e todos seguem um rigoroso protocolo de segurança, conforme normas dos órgãos de controle. E estamos incluindo no Orçamento as manutenções desses itens para que possamos preservar a nossa história”, disse Amaury Júnior.

E

nquanto na maioria dos países os museus são vistos como espaços que despertam curiosidade e ampliam o conhecimento de seus visitantes e recebem toda a atenção das autoridades e classe política e verdadeiras escolas e centros de pesquisas científicas, já que são locais dedicados à propagação do saber por meio de suas peças, obras e elementos que integram seus acervos, por aqui a história dos museus se perde em meio a outros interesses e ao longo dos anos. O que deveria ser o nosso maior tesouro, acaba se transformando em pó, em cinzas, em nada. A recente tragédia ocorrida pelo incêndio no último domingo (2) com o Museu Nacional no Rio de Janeiro que transformou em poucas horas 200 anos de história em um amontoado de entulhos e cinzas reflete bem o descaso do

Viver Natal

Museu da Rampa e do Memorial do Aviador (Natal): obras se arrastam desde 2011

Brasil com a preservação de sua história. A reportagem do JORNAL DE FATO fez um levantamento sobre a atual realidade dos museus existentes no Rio Grande do Norte, e embora não exista nenhum registro oficial sobre o número exato, os cerca de 15 que conseguimos contactar, sendo 11 deles administrados pelo Governo do Estado, através da Fundação José Augusto, e os demais por Prefeituras ou particulares, mostram

Diretor da FJA diz que é preciso mais investimento para preservar a cultura potiguar O diretor da Fundação José Augusto, Amaury Júnior, lamentou o que ocorreu no Museu Nacional do Rio de Janeiro, instituição fundada por dom João VI em 1818 e que possuía o quinto maior acervo do mundo, com mais de 20 milhões de peças. “Lamento profundamente o incêndio ocorrido no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Não somente deixou em ruínas um conjunto arquitetônico declarado patrimônio nacional, mas também destruiu 200 anos de história, milhões de peças e documentos históricos pertencentes ao seu acervo, que estavam entre os mais representativos da história brasileira, de relevância mundial e de valor inestimável. Trata-se, portanto, de uma perda irreparável, que

está sendo lamentada por todos que se preocupam com a cultura e a memória brasileira”, disse o diretor da Fundação José Augusto. Segundo ele, esse episódio alerta para problemas decorrentes da escassez de recursos que aflige vários equipamentos culturais pelo país. A educação e a cultura têm ficado em segundo plano e precisa-se repensar isso com urgência. “No RN, a FJA atualmente está com várias obras em andamento e essa preocupação tem sido constante de todos nós que estamos no Governo. Nenhuma obra está sendo entregue sem um rigoroso plano de segurança e combate a incêndio como determinam as normas e os órgãos de controle. Precisamos preservar nossa cultura e nossa história”, alerta.

que por aqui a situação não foge da regra do que ocorre no restante do país. A maioria se encontra em reforma, ou fechado por falta de investimentos. Os que se encontram aberto foram recentemente reformados ou funcionam em condições precárias. De acordo com os dados da Fundação José Augusto, que tem como diretor Amaury Júnior, 11 museus são de responsabilidade da fundação. Desses, apenas dois estão com as obras

concluídas. Alguns estão fechados ou as obras foram iniciadas há mais de cinco anos. O Memorial Câmara Cascudo, fechado em 2012, passou seis anos fechado por risco de incêndio ou desabamentos. Para garantir o funcionamento adequado desses equipamentos culturais do Estado, estão sendo investidos mais de R$ 15 milhões em obras. A previsão para a entrega desses espaços é o primeiro semestre de 2019.

Memorial Câmara Cascudo passou seis anos fechado por risco de incêndio e desabamentos


2 ESTADO

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Cont. pág. anterior

Museus de Martins guardam importante acervo histórico >> Município serrano tem três museus que guardam exemplares exclusivos de Os Lusíadas, Orlando Furioso e o Inferno de Dante, entre outras peças importantes

S

e na capital do Rio Grande do Norte a situação dos museus é complicada, imagine no interior do estado. Os principais museus localizados no interior do RN estão nas cidades de Mossoró, com o Museu Lauro Monte (veja texto na revista DOMINGO), Martins, Acari e Caicó. O Museu Cultural Coronel Demétrio Lemos destaca-se de modo especial pelo seu rico acervo doado pelo seu patrono, adquirido com recursos próprios no Rio de Janeiro e doado ao Grupo Escolar Dr. Almino Afonso, que criou sala especial com a denominação de "Museu Cultural Demétrio Lemos" pelo rico acervo cultural formado por estátuas em “art nouveau”, móveis artisticamente decorados, biblioteca com mais de mil volumes, dos quais se destacam: a versão

Hostinger

Museu Histórico de Martins funciona em prédio construído em 1871 e passa por sua primeira reforma

Museu Histórico de Acarí preserva cultura nordestina Divulgação

Museu Histórico de Acarí, ou Museu do Sertanejo, preserva cultura potiguar

O Museu Histórico de Acari, também conhecido como Museu do Sertanejo, é localizado no centro da cidade e recebe visitantes, pesquisadores e estudantes de Acari e de outras localidades. O museu foi construído em 1887 para abrigar a força pública, a cadeia, e a intendência de Acari. O antigo paço e cadeia foi tombado pelo Iphan em 16 de junho de 1964 e restaurado em 1980 e transformou-se

em um museu em 1990. Desde então, divulgam a história das duas mais antigas principais fontes econômicas do município: a criação de gado e o cultivo do algodão. Agora, totalmente reformado, os bens que compõem o acervo do museu foram doados em 1990, pela comunidade urbana e rural. Em seu acervo se destacam o artesanato, a moradia rural, utensílios domésticos, de trabalho,

armas, instrumentos musicais entre outros, que representam os costumes do homem sertanejo e sua história. O museu do sertanejo é um dos mais expressivos celeiros culturais do Nordeste brasileiro e pode ser considerado o maior patrimônio histórico de Acari, pois é memorável, ele oferece ao povo com seus bens um legado que no caso seria a carga cultural da cidade contada pelo museu.

Quando o visitante entra no museu, ele logo percebe o que os organizadores do acervo querem passar, ou seja, a preservação das crenças e costumes peculiares do homem seridoense. Além de ser classificado também como patrimônio cultural, conta a história através de seus costumes, suas comidas típicas e crenças. A arte pode se manifestar na casa de taipa dentro do museu que representa a vida dos sertanejos no passado. Na região do Seridó, outro importante local de preservação histórica e cultural é o Museu do Seridó, fechado desde 2011, para reforma na estrutura do prédio, e a recuperação do acervo. O museu funciona no prédio do antigo Senado da Câmara e Cadeia Pública da Vila do Príncipe, foi construído em arquitetura colonial e é tombado pelo patrimônio público. O acervo contempla as coleções de arte sacra (imagens e objetos de culto cristão); tecnologia tradicional (engenhos de rapadura, farinha, tecelagem e bordados) e arqueológica (machados de pedra); movelaria (móveis domésticos); utensílios domésticos (louça e cerâmica); instrumentos de trabalho no pastoreio (roupa de vaqueiro, ferros de marcar gado, selas); e armas (brancas e de fogo).

original de "O Inferno" de Dante Alighiére, "Orlando Furioso" de Ariosto e "Os Lusíadas" de Luiz Vaz de Camões, preciosidade pelo seu valor histórico, vez que o volume foi dedicado de próprio punho pelo editor português Emílio Biel a D. Pedro II, imperador do Brasil. Mesmo com rico acervo, o museu funciona em condições precárias, numa escola pública que já foi arrombada por vândalos que danificaram algumas obras. A cidade ainda possui o Museu Histórico de Martins, criado a 20 de dezembro de 1955 pelo Instituto Histórico e Cultural de Martins, como parte de suas metas. Funciona no Edifício "Pax" desde a sua criação e ocupa 4 salas: uma com exposição de objetos de arte sacra, duas com móveis e louças do século atrasado e uma com biblioteca jurídica e galeria fotográfica, onde se expõem fotos de filhos ilustres de Martins e do estado. A beleza arquitetônica do prédio secular que abriga o museu e que data do ano de 1871 e está passando por sua primeira reforma desde a construção. Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura de Martins, toda a madeira do teto, telhas e madeira do assoalho estão sendo trocadas. Não existe previsão para a reabertura do museu.

Museu particular Júnior Marcelo se mantém sem apoio de recursos públicos Outro importante equipamento do gênero na cidade é o museu particular Júnior Marcelino, que pertence ao historiador/colecionador, que com muito afinco e dedicação desenvolve um importantíssimo trabalho de resgatar a história através de fotos, objetos antigos, fósseis de animais pré-históricos, entre outros objetos. Júnior Marcelo lamenta a falta de interesse da classe política em apoiar a preservação cultural. “Temos um importante acervo histórico e cultural em nossa cidade, mas falta apoio político para que todo esse material não fique perdido ou destruído, como ocorreu no Museu Nacional do

Rio de Janeiros. Políticos só pensam no que pode representar votos, e não veem o investimento em cultura como meio para obter votos”, disse. Segundo ele, seu museu é preservado por ele e uma sobrinha que fazem todo o trabalho, sem qualquer apoio da iniciativa pública. “Estamos planejando uma reforma para melhorar as condições de preservação do nosso acervo. Mas tudo com recursos próprios. Não recebemos apoio político porque não podemos assegurar retorno de votos. Então, temos que seguir até quando for possível dentro das nossas forças”, disse Júnior Marcelino. Cedida

Júnior Marcelino mantém museu com recursos próprios


ESTADO 3

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Proarquipélago

UFRN completa 20 anos de pesquisa em São Pedro e São Paulo >> Estudos no conglomerado de ilhas têm se revelado, graças a estudos científicos, um rico laboratório natural que vira tema de publicação

U

m conglomerado de rochas, com vegetação quase ausente, habitado apenas por aves marinhas, situado a 1.100 quilômetros do ponto mais próximo da costa brasileira. O que a princípio pode parecer apenas uma região pouco convidativa, tem se revelado, graças a estudos científicos, um rico laboratório natural. Conhecida como arquipélago São Pedro e São Paulo, a região recebeu há 20 anos pela primeira vez a instalação de uma estação científica, devido ao interesse da Marinha do Brasil e de pesquisadores de instituições acadêmicas como a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A estação científica tem uma estrutura simples formada por sala de estar, laboratório, cozinha, banheiro, varanda, área para armazenamento de água potável e uma edificação de apoio para o gerador de emergência. O espaço comporta no

UFRN

Estação científica está situada a 1.100 quilômetros da costa brasileira

máximo quatro pessoas e, por sofrer a todo momento as intempéries do mar, a estrutura dura aproximadamente 10 anos. Atualmente, está em atividade a segunda estação e a terceira está sendo construída. A instalação da estação científica foi uma maneira de obedecer às normas da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do

Mar, que determina que, se o país deseja reivindicar a zona econômica exclusiva de uma região, precisa mantê-la permanentemente ocupada por cientistas. Para poder reivindicar a zona econômica, o Governo Federal implementou o Programa Proarquipélago. O programa tem o apoio da Comissão Interministerial para Recursos do Mar da

Programa já recebeu cientistas de 25 universidades Por meio do edital Ilhas Oceânicas, o arquipélago é ocupado por cientistas que a cada 15 dias têm a sua permanência renovada. Aproximadamente 25 universidades já participaram

do programa e 1.300 pesquisadores realizaram estudos no arquipélago. “Ao longo desses 20 anos, a nossa universidade sempre foi ativa na contribuição com o programa.

Todos os reitores que já tivemos apoiaram de modo incondicional os pesquisadores envolvidos, reconhecendo a importância que tem esse projeto, tanto que é um programa que está UFRN

Pesquisa da UFRN realizada no arquipélago de São Pedro São Paulo

Marinha do Brasil, que é a coordenadora geral do programa, e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que fomenta a pesquisa por meio de editais. “Quando surgiu essa oportunidade do interesse estratégico do Brasil, nós entramos com a nossa competência que é ocupar para fazer pesquisa científica. O

comemorando 20 anos com muito êxito”, comemora Jorge Oliveira. O arquipélago São Pedro e São Paulo é um dos menores arquipélagos oceânicos tropicais já identificados. Por ser uma região isolada, distante 1.100 quilômetros da costa brasileira, possui algumas peculiaridades, como a existência de espécies endêmicas de animais, e uma formação geológica única no planeta. O Brasil está localizado no interior da placa tectônica que abriga a América do Sul e o arquipélago que se encontra exatamente na divisão de duas placas: a sul-americana e a africana. A formação geológica do arquipélago é resultante do soerguimento do manto do assoalho submarino. “É uma área sísmica bastante ativa e que o entendimento dela nos fornece uma melhor compreensão de como se deu, e está se dando, o afastamento de Brasil e África. Esse tipo de pesquisa é importante para que se tenha um retrato mais aproximado dessa evolução tectônica”, explica Aderson Farias do Nascimento, professor do Departamento de Geofísica da UFRN.

arquipélago está próximo à linha do Equador na latitude norte, é lá que acontecem todas as mudanças climáticas, então é uma área extremamente importante e singular para a ciência”, explica Jorge Eduardo Lins Oliveira, professor do Departamento de Oceanografia e Limnologia (DOL) da UFRN e coordenador do Proarquipélago.

Resultado do trabalho de pesquisa é transformado em livro Os conhecimentos que os pesquisadores têm obtido sobre a evolução e formação da terra se deve por causa de toda essa estrutura geológica peculiar. É o único lugar do mundo onde a composição do manto é estudada na superfície. O trabalho na região resultou no livro Arquipélago de São Pedro e São Paulo, 20 Anos de Pesquisa, lançado no dia 10 de agosto de 2018. São 18 capítulos, nos quais grupos de pesquisa de diversas áreas do conhecimento apresentam os resultados dos seus estudos. “O que tem nesse livro é um registro para a sociedade do que se faz lá de uma forma sintética; são os resultados dos estudos realizados nas mais diversas áreas da ciência, como a Geologia Marinha, Biologia Marinha, Botânica, Climatologia e a Sísmica”, explica o professor Jorge Lins, responsável pela organização da publicação.

‘Domingo da Arena’ encerra o feriado prolongado da Independência O “Domingo da Arena” encerra o feriado prolongado da Independência com muito som, diversão e o retorno dos gamers. No palco principal, a animação fica por conta do jovem Moab Alex, que se apresenta com voz e violão, às 18h; Os Chicos embalam o público a partir das 18h30. FitDance (CarboFIT) e Banda Brincantus, da trupe Brinquedos e Brincadeiras, também vão entrar em cena no palco principal, às 16h e às 17h, respectivamente. A entrada é gratuita e o espaço disponibilizado pela arena multiúso funciona ao lado sul da praça externa (às margens da BR-101). E neste domingo (9), a Digicom está de volta com a Liga de mesmo nome para alegria dos gamers de plantão. No ritmo do feriado da Independência do Brasil, os grupos 52° Grupo Escoteiro Henrique Castriciano e 64° Grupo Escoteiro do Mar Artífices Náuticos/ IFRN promoverão o ‘movimento escoteiro’, com atividades, jogos e canções. E a Sanar Terapias vai oferecer massoterapia e terapias orientais, a partir das 15h. Parceiro do ‘Domingo na Arena’, ao lado do projeto ‘Cultura na Praça’, o Sistema Fiern vai estar presente com o Núcleo de Educação e Robótica e com o Minitorneios de Beach Tennis, ambos do Sesi/ RN. O público infantil terá o tradicional Espaço Kids, com muita diversão, brinquedos infláveis e pulapula, tudo de forma gratuita. Larissa Fontes, do projeto ‘Bora Brincar’, estará presente com as suas maquiagens artísticas. O projeto Cultura na Praça nasceu com o objetivo de trazer uma programação cultural especial para os potiguares e turistas que visitam a cidade curtirem o domingo com a família, sempre com uma atração infantil e uma atração musical. As apresentações acontecem dentro da programação do Domingo na Arena, que ocorre todos os domingos, na praça externa da Arena das Dunas, a partir das 15h, com acesso gratuito. O projeto Cultura na Praça tem a realização da Cultura de Valor e patrocínio da Prefeitura do Natal, Programa Djalma Maranhão e Arena das Dunas. PALCO PRINCIPAL 16h – FitDance (CarboFIT) 17h – Banda Brincantus (Brinquedos e Brincadeiras) 18h – Moab Alex (voz e violão) 18h30 – Os Chicos.


4 ESTADO

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Iniciativa

Emater anuncia barragens subterrâneas para fruticultura >> A proposta visa atender 90 mil agricultores familiares que reclamam a falta de água e precisam de novas tecnologias para ampliar a produção

A

tender a uma demanda composta por 90 mil agricultores familiares divididos em 154 escritórios do Instituto de Assistência Técnica de Extensão Rural (EMATER) tem sido a maior missão de Kátia Lopes. Diretora-geral do órgão, que é vital para a agricultura na região do semiárido, Kátia Lopes disse – em entrevista à rádio 94 FM – que a maior missão é garantir a água na região, tendo como consequência uma boa produção. Oriunda do Sebrae, Kátia Lopes disse que o trabalho da Emater não é muito conhecido em Natal e parte da região metropolitana por não haver zona rural no local. “A Emater é uma rede de expedicionários que ajuda o homem do campo, com o auxílio de apresentar políticas de crédito, assistência técnica e busca por melhores soluções tecnológicas. No semiárido, tendo água, tudo dará”, destacou

Kátia Lopes. Uma das atividades que mantêm o foco dos técnicos da Emater em alerta é na construção de barragens

subterrâneas para garantir um reservatório no período de seca mais crítica. De acordo com Kátia Lopes, a maior reclamação do agri-

ro está diminuindo. Hoje, a maior parte dos agricultores familiares vende seus produtos para os governos, prefeituras e en-

Programa Agricultura Consciente

Barragens subterrâneas para fruticultura devem ser alternativa para o semiárido

BNB amplia para dezembro prazo para produtores regularizar dívidas Produtores rurais interessados em regularizar suas dívidas com o Banco do Nordeste têm até dezembro para garantir descontos que podem chegar a 95% sobre o saldo devedor. O benefício vale para liquidação de dívidas contratadas até 2011, com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). O prazo para pagamento pode estender-se a 2030, com parcelas a partir de 2021. Mais de 1 milhão de pessoas dos estados nordestinos e norte de Minas Gerais e do Espírito Santo foram beneficiados com ação de regularização de dívidas do BNB. O total renegociado atingiu R$ 9,8 bilhões em agosto, abrangendo 271,6 mil operações de crédito antes em inadimplência. Metade dos acordos de renegociação, ou seja, 135,8 mil, foi realizada com a opção de liquidação de toda a dívida. Ao todo, 92% das renegociações foram realiza-

cultor ainda é a falta de chuva, mas com o uso de tecnologias de absorção de água – com linhas de crédito específicas – este núme-

tidades assistenciais. Segundo Kátia Lopes, plantase de tudo, e, na parte das frutas, daqui a um tempo vai se falar mais em graviola, maracujá e limão, sem contar em um bom número de hortaliças e da criação de ovinos e caprinos. O Rio Grande do Norte já é destaque na produção de melão, melancia, caju, manga e banana. “Quando se instala uma barragem, que custa em média R$ 10 mil, cria-se um oásis para o agricultor. Vamos trabalhar nesta transformação que contribui para todos, porque há grandes oportunidades”, detalhou Kátia Lopes.

Obras de pavimentação estão prestes a começar na Ponta da Serra e Terra Boa Contee

Produtores rurais podem regularizar dívidas até dezembro

das com miniprodutores rurais, incluindo beneficiários do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF). Os juros variam de 0,5% ao ano, para esse grupo, a 3,5% ao ano, para grandes produtores. O BNB possui 292 agências distribuídas em todo o Nordeste, além do norte de Minas Gerais e norte do Espírito Santo. A institui-

ção possui mais de 4 milhões de clientes. Em 2018, somente com recursos do FNE, já aplicou volume superior a R$ 19 bilhões na economia regional. Quem deseja mais informações sobre as condições de renegociação ou liquidação de dívidas pode procurar uma unidade da rede de agências ou entrar em contato pelo número 0800 728 3030.

O direcionamento de ações na área de infraestrutura tem a finalidade de dotar a cidade de condições que ofereçam qualidade de vida aos habitantes. Por isso, o Governo de Encanto, na gestão do prefeito Atevaldo Nazário, executará nas próximas semanas a edificação de calçamento de sete vias do município. O chefe do Executivo assinou a ordem de serviço da grandiosa obra quarta-feira, 5. O documento autoriza o início do trabalho pela Freitas Serviços Domiciliares Construções Ltda., de Pau dos Ferros. O valor a ser pago à empresa pelos 3.720,18 m² de paralelepípedo é de R$ 219.689,09, consequentes de investimento estadual mais contrapartida da Prefeitura. Só na comunidade Ponta da Serra serão drenadas e calçadas as ruas: Antônio Juvenal de Souza, Antônia Izabela R. Oliveira, Projetada 1 e

Asscom PME

Prefeito de Encanto, Atevaldo Nazário, assina ordem de serviço

Projetada 2. Na Terra Boa, três trechos serão contemplados (1, 2 e 3), significando alegria e dignidade aos moradores. “Vai ser satisfatório ver essas pavimentações. As

necessidades do povo são nossas prioridades, logo, corremos atrás de recursos para as áreas de maior anseio”, destacou Atevaldo, comprometido com o avanço local.


/jornaldefatorn

@defato_rn

/photos/jornaldefatorn

DOMINGO, 9 DE setembro de 2018

mulher

HPV: chegou a hora de ser aplicada a segunda dose da vacina >> Imunização previne vários tipos de

câncer contribuindo com a redução da incidência da doença entre mulheres e homens. No mundo, dos 2,2 milhões de tumores provocados por vírus e outros agentes infecciosos, 640 mil são causados pelo HPV

CIANO MAGNTA AMARELO PRETO

O

Ministério da Saúde lançou na última terça-feira, 4, uma campanha de mobilização com o objetivo de levar adolescentes a buscar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e receber a vacina contra o vírus HPV. A expectativa é vacinar 9,7 milhões de meninas de 9 a 14 anos e 10,8 milhões de meninos de 11 a 14 anos. De acordo com o coordenador municipal do Programa Nacional de Imunizações, Etevaldo de Lima, em nível municipal e estadual ainda não há informações mais detalhadas sobre a campanha, já que o Governo Federal não enviou nota técnica sobre o tema. “A mobilização da primeira dose aconteceu em março, agora então é a segunda dose da vacina”, comentou. A vacina HPV, que faz parte do calendário de rotina disponível nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), é eficaz e protege contra vários tipos de câncer em mulheres e homens. Segundo estudo realizado pelo projeto POP-Brasil em 2017, a prevalência estimada do HPV no Brasil é de 54,3 %. O estudo entrevistou 7.586 pessoas nas capitais do país. Os dados da pesquisa mostram que 37,6 % dos participantes apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer. O levantamento indica ainda que 16,1% dos jovens têm uma infecção sexualmente transmissível (IST) prévia ou apresentaram resultado positivo no teste rápido para HIV ou sífilis. Os dados finais desse projeto serão disponibilizados no relatório a ser apresentado ao Ministério da Saúde até o final do ano. Estudos internacionais também apontam o impacto da vacinação na redução do

HPV. Nos EUA, dados mostram uma diminuição de 88% nas taxas de infecção oral por HPV. Na Austrália, redução da prevalência de HPV de 22.7% (2005) para 1.5% (2015) entre mulheres de 18–24 anos. Outro estudo internacional mostra que nos EUA, México e Brasil entre homens de 18 a 70 anos: brasileiros (72%) têm mais infecção por HPV que os mexicanos (62%) e norte-americanos (61%). CÂNCER A vacina HPV previne vários tipos de câncer contribuindo com a redução da incidência de câncer nas mulheres e homens. No mundo, dos 2,2 milhões de tumores provocados por vírus e outros agentes infecciosos, 640 mil são causados pelo HPV. A vacina utilizada no país previne 70% cânceres do colo útero, 90% câncer anal, 63% do câncer de pênis, 70% dos cânceres de vagina, 72% dos cânceres de orofaringe e 90% das verrugas genitais. Além disso, as vacinas HPV protegem contra o pré-câncer cervical em mulheres de 15 a 26 anos, associadas ao HPV16 /18. A vacina é segura e não aumenta o risco de eventos adversos graves, aborto ou interrupção da gravidez. VACINAÇÃO NAS ESCOLAS O Ministério da Saúde enviou ao Ministério da Educação material informativo sobre as doenças. A ideia é estimular os professores a conversar com os alunos e familiares sobre o tema. O Brasil é o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a vacina HPV para meninos em programas nacionais de imunizações.


2 OPINIÃO

DOMINGO, 9 DE setembro de 2018

contexto www.sergiochaves.com | sergiodefato@gmail.com

“ Na vida tudo se resume em três coisas: interesse, disposição e tempo. Se você não possui disposição para encontrar tempo, é porque nunca existiu real interesse.”

Sérgio Chaves

(Ricardo Prado)

FESTA Hoje é dia de festa para o imortal Élder Heronildes da Silva, a empresária Seyssa Praxedes, o Pe Charles Lamartine, José de Anchieta Fernandes, Bruno Alves e a enfermeira Virgínia Rose Carneiro Azevedo. Amanhã (10), é dia de comemorar a querida Maria Augusta Xavier Gurgel e Bernardo Cavalcante. Para vocês paz, saúde, amor e alegrias. Parabéns!

Yes! Carlos Augusto Araújo e Vivi anunciam novidades na Yes! Idiomas. Por lá foi lançado o Road Map Express, curso expresso de seis meses onde você só paga cinco parcelas e recebe o material inteiramente grátis, com turmas já iniciando agora em outubro. Esta esperando o quê? Informações pelo 33141648.

Bem Casar

Sessão Solene para Élder Heronildes A Academia de Ciências Jurídicas e Sociais – ACJUS, convida para a Sessão Solene em tributo ao seu presidente de honra e titular da cadeira 12, o presidente da AMOL, o acadêmico Élder Heronildes da Silva em comemoração ao seu 85º aniversário. Será amanhã(09), no auditório da OAB Mossoró a partir das 19h30. Após a solenidade será Casal Élder Heronildes/Zélia Macedo. servido um coquetel com a grife Ele com idade nova nesse domingo (09). Felicidades! Requinte Buffet!

A Master Produções do casal Eronildo Pereira e Liane Dantas convidando para a edição 2018 da Bem Casar, feira que mostra o que de melhor há na cidade quando o assunto é casamento. O evento acontece no Partage Shopping Mossoró e terá a participação de Roberta Santos, Pe. Charles Lamartine e Wallace Albuquerque, cerimonialista dos mais conceituados do país. De 14 a 16 de setembro. Vamos sim!

A Inauguração do il’ Giardino Della Pizza O casal Giulio Anzelotti e Érica Lopes entregaram à Mossoró na segunda(03), o il’ Giardino Della Pizza, localizado no Corredor Cultural da avenida Rio Branco, vizinho ao La Goccia Blu. O novo espaço tem como carro chefe as famosas pizzas romanas(em metro ou talho), além de bar e petiscaria. Noite com a presença de muita gente querida e show com Dayanne Nunes e Day Jazz Trio. As fotos são de Cláudio Roberto.

Giulio e Érica com a prefeita Rosalba Ciarlini e o Pe. Charles Lamartine, aniversariante desse domingo (09).

Manoel Nobre e Sandra.

Érica Lopes com Wanderlânia Lima e Tereza Cristina Fernandes, folhinha do sábado (15). Parabéns!

Delvani e Delvaí Valdes de Murilo.

Inessa Linhares e Adauto Vasconcelos.

Nelson Chaves e Iara.

Fest Bossa & Jazz Mossoró Próximo final de semana Mossoró se transforma na Capital Potiguar do Jazz, com a realização de mais uma edição do Fest Bossa & Jazz. O evento começa na quinta (13) com oficinas e workshops na Escola de Artes. Na sexta(15), além dos workshops no DEART/UERN, acontece o Cortejo Bossa & Jazz Street Band no Partage Shopping (13h), o Cine SESC no auditório da Estação (19h), e o início dos shows na Estação das Artes. O Cortejo Bossa & Jazz Street Band saí às 20h30 da Praça de Convivência para a Estação. Alan Jones homenageando os 60 anos da Bossa Nova (21h), Taryn Donath Trio (22h30) e SESI Big Band convida Roberta Sá (00h00) são as atrações do palco principal. Após Jam Session no il’ Giardino Della Pizza com o Fest Bossa Trio e artistas. No sábado (15), continuam os workshops no DEART/UERN, seguindo a programação: Cortejo Bossa & Jazz Street Band no Partage(13h), Cine SESC no

auditório da Estação (19h), Cortejo Bossa & Jazz Street Band da Praça de Convivência para a Estação (20h30) e as atrações Monxoró Brass (21h), Sérgio Groove e Lu D’Sosa (22h30) e Igor Prado & JustGroove (00h00). Após Jam Session no Meu Quintal Bistrô(ao lado do Teatro Dix-Huit Rosado), com o Fest Bossa Trio e artistas, sob o comando da Birra Nordestina. Entrada gratuita. Vamos!

Baú Próximo sábado (15), na área de eventos do Partage Shopping Mossoró, acontece a festa Baú do Forró, com shows com Cavalo de Pau, Lagosta Bronzeada, Mastruz com Leite e Limão com Mel. As vendas antecipadas acontecem na DiÓtica, Tchê Hall e na Herrero Moda Masculina. Promete!

Micheline Fontes festeja o maridão Isoares Oliveira, aniversariante da quarta (13). Vivas!

Roberta Sá: atração do Fest Bossa & Jazz na sexta(14).

R. Antônio Vieira de Sá, 440 Tel.: 3317-4545 / 3316.0409

Fátima, Conceição e Maria do Carmo festejam a mana Marise Pinto folhinha da terça(12). Parabéns!

Socorro Estrela em vivas ao marido Francisco Xavier Filho, folhinha da sexta (14). Tim tim!

Jozeílma faz festa para celebrar a nova idade do marido Valcides Sales, com idade nova na sexta (14). Felicidades!

Dias Filho e Alice festejam a querida Cláudia Vieira, comemorando idade nova no sábado(15). Vivas!


opinião 3

DOMINGO, 9 DE setembro de 2018

conexão saúde conexaosaude.defato@outlook.com

Ney Robson Vieira Alencar

SAÚDE PÚBLICA: GESTÃO E SERVIÇOS

A Gestão em saúde Pública em 4 pontos. Um Perigo!

Levantamentos trazem informações relevantes sobre acesso, investimento, superlotação e ressarcimento, que servem de apoio aos gestores na tomada de decisões estratégicas O Sistema Único de Saúde (SUS), com 30 anos completos em 2018, é o maior sistema universal, público e gratuito do mundo. Suas 308.683 unidades, espalhadas por todo o território nacional, têm como meta atender os mais de 209 milhões de brasileiros, segundo, respectivamente, o DataSUS e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com números dessa magnitude, os desafios da gestão da Saúde Pública no Brasil também são enormes: faltam profissionais, há distribuição desigual de equipes e recursos pelos Estados, subfinanciamento e baixo acesso à tecnologia - apenas para citar alguns exemplos. Informação é um dos primeiros passos para vencer esses e outros desafios. Conheça 4 dados que a gestão da Saúde Pública brasileira deve precisa ficar de olho:

1 - Acesso universal

Quando foi criado pela Constituição de 1988, o SUS tinha como base os princípios da universalidade, integralidade e equidade. Por meio deles,

garantiria a todos os brasileiros acesso ao sistema de Saúde, abrangendo a promoção da saúde, a prevenção e o tratamento de doenças do nascimento à velhice. Apesar da teoria, 30 anos depois da criação do SUS, a cobertura da estratégia de Saúde da Família ainda é deficiente. Segundo o Departamento de Atenção Básica (DAB), do Ministério da Saúde, há 264.521 agentes comunitários de Saúde atuando no País (dados de janeiro de 2018). O próprio ministério afirma que o ideal seria que um profissional atendesse em torno de 3 mil pessoas, com visitas mensais. No entanto, há hoje um agente para cada 790 mil pessoas - número distante do ideal. Ainda conforme o DAB, há quase 100 municípios brasileiros que não contam com equipes de Saúde da Família.

2- Baixo investimento

Em 2017 o governo federal anunciou bloqueio de R$ 42 bilhões em gastos públicos. Parte desse montante seria destinado ao SUS. Além disso, os recursos investidos pela União no setor vêm caindo ano a ano. Em 2017, o gasto efetivo na Saúde foi de R$ 107,2 bilhões, quando o piso estabelecido era de R$ 109 bilhões. Embora antiga, pesquisa do Conselho Federal de Medicina evidencia o baixo investimento: os governos federal, estaduais e municipais aplicaram, em 2014, por dia, R$ 3,89 per capita para cobrir as despesas públicas de saúde dos mais de 204 milhões de brasileiros. Ao todo, o gasto por pessoa naquele ano foi de R$ 1.419,84, o equivalente a US$ 523 - enquanto o restante das Américas investiu média de US$ 1.816, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

3 - Superlotação

Segundo a última pesquisa do Instituto Datafolha em

parceria com o Conselho Federal de Medicina, realizada em 2016, 44% dos entrevistados esperavam há mais de um ano para agendar uma cirurgia e 19% aguardavam há dois meses ou mais por consulta ou atendimento médico. Além disso, três em cada dez participantes disseram não confiar nos profissionais que atendem na rede pública. O último levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), referente a 2014, indicava que 64% dos hospitais estavam sempre com superlotação, sendo que apenas 6% nunca estão cheios.

4 - Ressarcimento ao SUS

Apesar de, segundo o IBGE, quase 30% da população brasileira contar com plano de Saúde privado, muitos utilizam ambos os sistemas simultaneamente. A regra do ressarcimento ao SUS quando beneficiários de operadoras utilizam os serviços públicos está prevista na lei que regulamenta a Saúde Suplementar, mas só se tornou obrigatória a partir de fevereiro de 2018, com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, como o atendimento em serviços de alta complexidade é caro (como o tratamento de câncer, HIV, hepatites e transplantes, por exemplo) não é coberto pelos planos, recai completamente sobre o sistema público. Mesmo diante desses desafios, o avanço da tecnologia dá ao SUS a oportunidade de se transformar, assim como ocorre com a rede privada de Saúde. Um dos primeiros passos para alcançar essa meta é melhorar a gestão, com metodologias e ferramentas que entreguem a esperada qualidade na assistência ao cidadão exatamente com os recursos necessários para isso. Parece que os gestores não “conseguem enxergar” todas estas alternativas tecnológicas em prol do melhoramento dos serviços públicos de saúde. Uma Pena!

neY robSon VIeIrA AlencAr é graduado em Odontologia pela UFPB, Pós-graduado em Prótese Dental pela USP e Especialista em Implantodontia


4 MULHER / moda

DOMINGO, 9 DE setembro de 2018

STYLE

Fotos: Pedro Sobrinho Produção: Equipe Tráfego Models Assistente de Produção: Ana Paula Moreira Beleza: Fernando Fernandes e Allan Paiva (Salão Fernando Fernandes). Modelos: Beatriz Lima e Lucas Baracho (Tráfego Models) Looks: MMorena Beachwear. Locação: Parque Municipal de Mossoró.

Georgiano Azevedo

georgianoazevedo@gmail.com

Tropical Summer ...As coleções para o Verão 2019 já domina as vitrines da cidade!!! São estampas belíssimas no meio de cores frias e quentes. Destaque para a fauna e flora do nossa Brasil que aparece harmonicamente e dar um clima tropical as peças dessa estação. ...A marca MMorena Beachwear, com DNA totalmente mossoroense, representa muito bem isso em sua nova coleção. Aqui, com recheio da Miss Teen Rio Grande do Norte 2018, Beatriz Lima, e do Mister Teen Rio Grande do Norte 2018, Lucas Baracho.

A estampa de Arara do Papo Amarelo aparece no maiô frente-única e na sunga. Tudo MMorena Beachwear.

A MMorena Beachwear aposta na estampa com Araras e Frutas. A cara do nosso verão!!! Ela, usa top siganinha + hot pants + lenço no pesço. Ele, bermuda e óculos Goose.

CIANO MAGNTA AMARELO PRETO

A canga pode se transformar em diferentes pareós. Aqui, na forma tradicional usada com body. Óculos Boss. Ele, bermuda com a mesma estampa da canga.

Mix de poá com estampa tropical. Pode sim!!! Bia, usa bomber, cropped top e hot pants. Ele, sunga no tom Ultra Violet, em perfeita harmonia. Nova coleção MMorena Beachwear.

O body de babadinhos é um charme. E usada com turbante, fica um luxo!!! Ele e Ela, sempre em sintonia com a nova coleção MMorena Beachwear.


o. MOSSORÓ 3

@defato_rn

descoberta da doença. MOSSORÓ 1 /photos/jornaldefatorn

O milagre da folhadomingo da moringa

/jornaldefatorn

Agrônomo revela os poderes milagrosos da "árvore da vida", a moringa oleífera, que ele cultiva. ESTADO 1

7s o

MOSSORÓ �RN�, DOMINGO, 19 DE NOVEMBRO DE 2017 | EDIÇÃO 5.020 � ANO XVIII | R$ 2,50

O TORTO ossoró ANDAR DO OUTRO ve ter 17os Jornalismo n de Verdade pelade staque não importa m 2018 a plataforma

Mossoró (RN), Cedida domingo, 9 de setembro de 2018

do maior colégio eleitoral dade deve assumir posição ues com nomes à disputa a do próximo ano. PRINCIPAL 3 @defato_rn

CMYK

o de s para o CMYK

Governo vai suspender novos cursos

/photos/jornaldefatorn

/jornaldefatorn

Passado Presente

Incêndio no Museu Nacional acendeu o alerta: nossas memórias estão sendo devidamente preservadas?


editorial [ índice

Memória Viva

A

s cinzas que restaram do incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, serviram para acender o alerta: em que condições estão os equipamentos que preservam a memória de um povo, de uma cidade, de um país? A revista DOMINGO visitou o Museu Histórico Lauro da Escóssia para identificar, in loco, a situação atual do prédio e do acervo que lá se encontra. Confira nas páginas 7, 8 e 9. Mossoró sediará, no próximo dia 29, o Festival da Cachaça 2018, evento que colocará em evidência oito dos principais rótulos de cachaças especiais dos estados do Rio Grande do Norte e Paraíba. Mais detalhes o leitor encontra nas páginas 10 e 11. A DOMINGO também apresenta, nesta edição, reportagem sobre a retomada da cultura do alho no RN, mais especificamente na região Serrana, município de Portalegre. Pesquisa comandada pela professora dra. Zuleide Negreiros, da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), mostra que é possível o estado resgatar o cultivo da hortaliça, estagnado desde o final da década de 1990. Na entrevista da semana, o presidente da Comissão de Direito do Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ígor Oliveira Campos, fala sobre as formas de combate à violência no ambiente de trabalho. Boa leitura.

adoro comer

Entrevista Uma série de mudanças foi realizada no conjunto das leis que regem o trabalho formal no Brasil neste ano de 2018. E as mudanças podem acentuar um comportamento de violência no ambiente de trabalho, o que tem preocupado os especialistas da área jurídica. Para falar sobre o assunto, a revista DOMINGO ouviu o advogado Ígor Oliveira Campos. Página 4

Passado presente O Museu Histórico Lauro da Escóssia, que em 2018 completou70anosdeexistência,éoprincipalequipamento responsável por preservar itens que colocam em evidência, no presente, o passado de Mossoró. De acordo com o diretor do museu, Asclepius Saraiva, a estrutura do equipamento, maneira geral, está em bom estado de conservação, mas precisa de adequações, por exemplo, no projeto de combate a incêndio. . Página 7

Colunas

José Nicodemos

Aprenda a fazer lasanha de carne de panela Ingredientes 800 g de paleta bovina sem osso em cubos 1 ½ cebola cortada em cubos 4 dentes de alho picados 1 folha de louro Sal a gosto Pimenta do reino a gosto ¾ xícara de vinho tinto seco 3 colheres de sopa de extrato de tomate 2 ½ xícara de caldo de carne ¼ maço de salsinha picada 5 colheres de sopa de manteiga 5 colheres de sopa de farinha de trigo 800 ml de leite integral quente Noz-moscada a gosto 3 xícaras de queijo mussarela ralado ½ xícara de queijo parmesão ralado Massa para lasanha

Modo de preparo - Aquecer uma panela, regar com azeite e fritar a carne. - Juntar a cebola, o alho e refogar bem. - Temperar com sal e pimenta do reino, adicionar o louro, o vinho tinto e deixar cozinhar até o álcool evaporar. - Adicionar o extrato de tomate e o caldo de carne. Tampar e deixar cozinhar por, aproximadamente, 1 hora ou até que a carne fique bem macia, apertar a carne com a colher para ela se desmanchar. - Desligar o fogo, adicionar a salsinha picada e reservar. - Em uma panela, derreter a manteiga e juntar a farinha de trigo. - Mexer até a farinha se misturar a manteiga e começar a espumar. - Juntar, aos poucos, o leite quente sem parar de mexer até o molho ficar homogêneo.

- Quando o molho engrossar, desligar o fogo, temperar com sal, pimenta-do-reino e noz-moscada. - Cobrir o fundo de uma forma refratária, com uma pequena porção de molho branco, dispor a massa de lasanha por cima e adicionar uma camada da carne de panela. - Dispor uma camada de queijo mussarela e mais uma camada de massa. - Cobrir com o molho branco e com uma camada de queijo. Repetir o processo nessa ordem finalizando com molho branco, queijo mussarela e queijo parmesão. - Levar ao forno a 180 graus por 12 minutos. - Retirar do forno e deixar esfriar um pouquinho antes de cortar e servir. Fonte: www.tastemade.com.br

Página 3

José de Paiva Rebouças Página 14

Maricelio Almeida Editor interino • Edição – C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral – Edilson Damasceno • Editor Interino– Maricelio Almeida • Dia­gra­ma­ção – Rick Waekmann • Projeto gráfico – Augusto Paiva • Im­pres­são – Grá­fi­ca De Fa­to • Re­vi­são – Gilcileno Amorim • Foto – Marcos Garcia Re­da­ção, pu­bli­ci­da­de e cor­res­pon­dên­cia Av. Rio Bran­co, 2203 – Mos­so­ró (RN) Fo­nes: (0xx84) 3323-8900/8909 Si­te: www.de­fa­to.com/do­min­go E-mail: re­da­cao@de­fa­to.com Do­min­go é uma pu­bli­ca­ção se­ma­nal do Jor­nal de Fa­to. Não po­de ser ven­di­da se­pa­ra­da­men­te.

2

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

15


OPINIÃO [ ARTIGO

OPINIÃO [ CRÔNICA

A luz amarela José de Paiva Rebouças josedepaivareboucas@gmail.com

Há muita luz em meus olhos e quero fechá-los. Meus braços são como correntes pesando em meu corpo. Amarram-me as mãos e meus os tornozelos. Grito alto como quem rasga as cordas vocais para me libertar. Assim mesmo, sigo imóvel, como meu semblante que também não muda. Em mim só veem tristeza, mas aqui dentro tento escapar das amarras de meus próprios braços, de minhas próprias pernas que se fincam no chão e brotam raízes sobre a cama. As raízes descem e quebram o piso do quarto, sobem as paredes e invadem o teto. Uma bolha de raízes circunda meu corpo deformado pela própria transformação surreal. Uma luz amarela escapa entre as frestas e me obriga a fechar os olhos e me manter imóvel de um ponto que não possa mais gritar. As pessoas não veem os troncos cercando minha cabeça. Entram com pena, com pressa, com raiva. Eu os conheço e desconfio de suas palavras. Nem eles acreditam na metáfora utilizada para tentar me arrancar do leito. Fracos e arrogantes. Cada um tem sua maneira de sofrer no mundo, mesmo assim insistem em me ensinar a andar, a viver, a sorrir. Não quero caridade, não quero amor interessado, só quero paz de mim mesmo que, às vezes, encontro no outro por motivos que não sei dizer. Não precisam falar o que quero ouvir. Quero ter razão e a tenho quando digo que não faz sentido me levantar desta cama. As coisas lá fora não dizem tanto para mim quanto dizem para outros. Não me empolgo com qualquer jantar, bem adquirido, festa repleta de desconhecidos. Há momentos que um simples gesto significa bem mais. Nenhum bem material substitui a beleza da razão nos olhos da inocência, no brilho da verdade sem pretensão. O amor sem preço é o único amor que pode me curar.

14

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Sofro de exigência. Cobro de mim mais do que mereço, mais do que a vida poderia me dar; muito mais do que as pessoas simples poderiam compreender. O mundo torto me joga para baixo. Cada qual com seu desejo e nenhuma reparação. Todos doídos e cheios de fome e anseio inalcançável. Vedados pela linha que conduz a um destino pré-determinado. Eu não. Consigo ver o meu caminho, mas tenho o poder de desviar dele. Ando no tempo, vou para frente e para traz a todo instante e, por isso, talvez, consiga ver um tanto além e ficar assim, no chão, com os pés enraizados e os braços como correntes limitando-me as vontades e os passos. Eu vejo além, por isso sofro. Posso lhe ajudar a pensar melhor, a lhe direcionar os caminhos, mas minhas palavras são feitas de canivetes

e o outro odeia se ferir. Então me calo. Então me afasto. Então me tranco, mesmo sabendo que o outro vai se reerguer após o sofrimento que vivenciará agora. Eu sei disso e não compreendo, então escureço. Abrigo-me em minhas raízes, lembranças do passado e imagens nítidas de um futuro próximo. Não quero favores, amores falseados, mãos apressadas que me levantam e correm. Não quero oração, bendição, nem alegria alheia que me atordoe. Eu quero muita coisa, mas também não quero nada. Não pensar, por um único dia não pensar, é um desejo intocável, mas um dos únicos desejos que me são reais. Falar também me agrada, mas são poucos os dispostos a sangrar por minhas palavras, embora este sangue possa se tornar uma das únicas razões capazes de me tirar de dentro desta luz amarela. DOMINGO, 9 de setembro de 2018

3


ENTREVISTA

Ígor Oliveira Campos

‘A violência no trabalho é uma usurpação dos direitos sociais’

POR Maricelio Almeida

Uma série de mudanças foi realizada no conjunto das leis que regem o trabalho formal no Brasil neste ano de 2018. E as mudanças podem acentuar um comportamento de violência no ambiente de trabalho, o que tem preocupado os especialistas da área jurídica. Assim, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção de Mossoró, através da Comissão do Direito do Trabalho, realizou recentemente o lançamento da campanha Trabalho Seguro, projeto gerido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN). Com o tema “Violência no Trabalho: enfrentamento e superação”, a campanha conta com o apoio incondicional da OAB e gestores regionais do programa Trabalho Seguro do Tribunal Regional do Rio Grande do Norte. Para falar a respeito da campanha e do projeto, o entrevistado da semana de DOMINGO é o advogado Ígor Oliveira Campos, especialista em Direito e Processo do Trabalho e atual presidente da Comissão de Direito do Trabalho da OAB subseção de Mossoró. Acompanhe:

4

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

festival adoro comer de cachaças especiais

P

roduto genuinamente brasileiro, a cachaça brasileira tem se aperfeiçoado desde os últimos anos e conquistado os paladares mais exigentes mundo afora. No Nordeste, o Rio Grande do Norte e a Paraíba têm se destacado na fabricação de cachaças com nível de excelência, muitas premiadas e exportadas para vários países. No próximo dia 29, a Pátria Amada - Cachaça Nobre de Mossoró (e seus proprietários fazem questão de utilizar esse complemento) realizará, no Espaço Nobre, o Festival da Cachaça de Mossoró 2018, trazendo para a cidade oito dos principais rótulos desses dois estados. “Mossoró deu um grande passo nesse nicho de mercado com a criação da Pátria Amada, atualmente reconhecida até mundialmente. O objetivo desse festival é também fomentar outros empresários a investir na área”, afirmou à revista DOMINGO Caio César Muniz, um dos organizadores do evento. Já confirmaram presença no festival as marcas potiguares Murim Mirim, considerada a cachaça mais antiga do Brasil; a Samanaú, rótulo caicoense que tem se destacado pelo zelo com a qualidade e a diversificação do produto, emprestando recentemente a marca também para uma vodca; Gabi, de Nova Parnamirim, bebida leve à base de cachaça de alambique, limão, mel de abelhas, chá de ervas e especiarias; Extrema, de Pureza destaque em vários sites especializados no país não só pela qualidade, mas também pela responsabilidade social e ambiental e a anfitriã Pátria Amada – Cachaça Nobre de Mossoró, premiada recentemente com a medalha de ouro em um concurso mundial em Bruxelas e na Expocachaça, em Minas Gerais. Do estado da Paraíba, estarão presentes duas cachaças da cidade de Areia, região serrana no Brejo paraibano e que tem conquistado o público apreciador das cachaças de qualidade: a Matuta, que trará as suas versões cristal e envelhecida; e a Triunfo, com 24 anos de atuação no mercado. Também será apresentada a cachaça “Cobiçada da Paraíba”, da cidade de Serraria, que tem versões cristal (branca) e envelhecida em barris de umburana. Sua grade de produtos tam-

Mossoró sediará festival de cachaças especiais no final deste mês

bém tem conquistado consumidores exigentes Brasil afora. “Nossa intenção é disseminar o gosto pelas cachaças especiais, fabricadas com qualidade e zelo. Também propiciar esse intercâmbio entre os produtores e mostrar a nossa produção ao público mossoroense”, comenta o advogado Francisco Queiroz, proprietário da Pátria Amada. Segundo Caio César Muniz, esse não será o primeiro festival de cachaça de Mossoró. “Em 2001 e 2003, fizemos os primeiros festivais na cidade. Naquela época, pouco se conhecia sobre cachaças especiais, artesanais. Esses festivais tiveram grande importância, pelo que vemos hoje nos supermercados e lojas especializadas no ramo”, acrescentou. SOBRE A CACHAÇA Segundo a regulamentação brasi-

leira, cachaça é a bebida produzida exclusivamente da cana-de-açúcar com teor alcoólico variando entre 38% e 48% e que obtenha a destilação do seu mosto fermentado sem adição de açúcares e extrato de sabores. “O que chamamos de especial é justamente a cachaça 100% pura, sem adição de qualquer produto adicional. No caso das amarelas, por exemplo, apenas com o envelhecimento em barris de diversas madeiras”, pontuou Caio César Muniz. As senhas para o Festival da Cachaça de Mossoró 2018 são limitadas e já estão disponíveis para a venda. No dia do evento, a senha será trocada por uma caneca que dará direito à consumação livre de todas as cachaças, além da degustação de caldos e frutas. O evento é proibido para menores de 18 anos.

SERVIÇO O QUÊ: Festival de Cachaça de Mossoró 2018 QUANDO: 29 de setembro, das 12h às 20h ONDE: No Espaço Nobre, Avenida Jorge Coelho de Andrade SENHAS LIMITADAS E COM PREÇO PROMOCIONAL: Barbearia de Seu Pedro/Estúdio Glam, Avenida João da Escóssia, 23. Telefone: (84) 99656-2929 MAIS INFORMAÇÕES: (84) 99907-8558.

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

13


festival de cachaças especiais

ENTREVISTA DOMINGO – A OAB subseção de Mossoró sediou no último dia 24 de agosto o lançamento da campanha de conscientização sobre violência no trabalho, promovido pelo TRTRN da 21ª Região, para o próximo biênio (2018-2020). Em que consiste efetivamente a violência no trabalho, foco do projeto apresentado? ÍGOR CAMPOS – A violência relacionada ao trabalho pode ser considerada como a usurpação ou transgressão dos direitos sociais do trabalhador, ainda representada pelo descuido do empregador ou empregada em relação às condições de trabalho, bem como a omissão de cuidados, socorro e solidariedade diante de alguma adversidade, que eventualmente resulte na morte, lesões temporárias ou permanentes e abalo psicológico. No caso, a legislação determina que o empregador adote medidas de fiscalização e controle para evitar acidentes, assédio moral e sexual, por exemplo. Assim, se o empregador voluntariamente descuida de tal obrigação, vindo o trabalhador a ser vitimado. Podemos entender que ocorreu uma violência relacionada ao trabalho.

Cachaças especiais:

festival reúne principais rótulos da Paraíba e do RN em Mossoró

O QUE podemos entender então por acidente de trabalho? CONFORME dispõe o artigo 19 da lei 8.213/91, "acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do artigo 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho". Ao lado da conceituação acima, de acidente de trabalho típico, por expressa determinação legal, as doenças profissionais e/ou ocupacionais equiparam-se a acidentes de trabalho, como aquelas produzidas ou desencadeadas pelo exercício da atividade laborativa ou aquelas adquiridas ou desencadeadas em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, consoante entendimento do Tribunal Superior do Trabalho. HÁ NÚMEROS que possam re-

12 DOMINGO, 9 de setembro de 2018

fletir os prejuízos ao trabalhador, empregador e ao governo ocasionados por indenizações e benefícios concedidos? INFELIZMENTE, os números são alarmantes. Estima-se que nos últimos seis anos, foram gastos R$ 26,2 bilhões com benefícios, entre eles auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e pensão por morte. Os dados são do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, Smartlab de Trabalho desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ainda segundo os dados, o Brasil é hoje o país onde a cada 48 segundos acontece um acidente de trabalho e a cada 3h38min um trabalhador perde a vida pela falta de uma cultura de prevenção à saúde e à segurança do trabalho, o que torna então o Brasil o 4° país com maior índice de acidentes de trabalho no mundo. O campeão é a China, seguida da Índia e Indonésia, de acordo com a OIT. No caso do empregador, além da perda da força de trabalho de forma temporária ou permanente, a Justiça está condenando as empresas a devolver ao INSS os valores eventualmente gastos com benefícios em casos de reconhecido acidente de trabalho. E QUANTO ao assédio moral, o que significa? O ASSÉDIO moral, segundo a construção doutrinária e jurisprudencial, consistente na exposição prolongada e recorrente do trabalhador a circunstâncias vexatórias, constrangedoras e humilhantes, praticadas com o objetivo de rebaixar, afrontar, ridicularizar, inferiorizar ou desestabilizar emocionalmente o empregado, implicando em risco a sua saúde física e psicológica, além de afetar o desempenho e o próprio ambiente de trabalho. De regra, essa conduta é praticada por aquele que está hierarquicamente superior na cadeia estrutural da empresa. TODA e qualquer conduta partindo do superior hierárquico pode ser considerada como assédio moral? NÃO. A atuação de superior hierárquico objetivando a cobrança de de-

sempenho por parte de sua equipe de subordinados, desde que dentro da razoabilidade, não irá representar assédio ou lesão à higidez psicológica do meio ambiente de trabalho. Contudo, podem configurar assédio certas condutas praticadas (de forma recorrente), como excluir o assediado dos benefícios concedidos aos demais trabalhadores no sentido de desestabilizá-lo (não conceder férias, prêmios, comissões etc.), exigir o cumprimento de metas impossíveis e exclusivas ao assediado, agressões físicas e verbais, ameaças reiteradas de demissão como forma a amedrontar o assediado, determinar castigos e prendas que importem no reconhecimento de circunstâncias vexatórias, constrangedoras e humilhantes, dentre outras. O QUE significa assédio sexual e o que pode caracterizar tal conduta? O CÓDIGO Penal em seu artigo 216-A conceitua tal conduta como o ato de “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.” Ou seja, é importante que não haja reciprocidade da vítima e que a abordagem do assediador tenha por objetivo obter vantagem ou favorecimento sexual. Em outras ocasiões, o assediador utiliza-se de tal ferramenta com o objetivo de humilhar o assediado, criando uma situação hostil no ambiente de trabalho. SOMENTE a mulher pode sofrer o assédio sexual? NÃO. Em que pese às mulheres representarem o expressivo número de vítimas, a legislação não estabelece gênero. Portanto, tal conduta estaria configurada como ilegal e igualmente imprópria, independentemente se partisse de homem para homem, mulher para mulher, mulher para homem, e outras demais configurações. QUAIS condutas podem configurar então assédio sexual? É necessário existir o ato sexual para sua caracterização? DOMINGO, 9 de setembro de 2018

5


ENTREVISTA

Pesquisa

NEGATIVO. Inúmeros comportamentos podem caracterizar assédio, mesmo que ausente o contato físico. Essa prática pode ser explícita ou sutil, com contato físico ou verbal, como expressões faladas ou escritas, ou meios como gestos, imagens enviadas por e-mails ou aplicativos de mensagens, comentários em redes sociais, vídeos, presentes, entre outros, desde que tais condutas visem constranger o assediado com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual. CONDUTAS realizadas fora do ambiente de trabalho podem ser caracterizadas como assédio (moral ou sexual), por exemplo, em festas etc.? NÃO é imprescindível que seja o ato praticado necessariamente no ambiente de trabalho, mas que o assédio ocorra por conta dele, ainda que fora do estabelecimento. Podemos citar, por exemplo, festas na empresa, viagens a trabalho, grupos da empresa em aplicativos de mensagens, dentro do veículo da empresa que transporta o trabalhador ao local de trabalho etc.. É DEVER da empresa fiscalizar tais condutas e coibi-las? Seja ela quanto ao acidente de trabalho, assédio moral ou sexual? CABE ao empregador assegurar condições seguras de trabalho. Incidência do disposto no artigo 7°, caput e XXII, Constituição Federal, que asseguram como direito do trabalho a higiene e segurança do trabalho e a preeminência das normas mais favoráveis ou direitos que visem à melhoria das condições sociais do trabalhador. Por tal motivo, as empresas estão adotando medidas de fiscalização e controle, com a estipulação de regras de tratamento entre os funcionários (política de relacionamento), punições rígidas e imediatas aos envolvidos, bem como a realização recorrente de treinamentos, seminários, palestras e DDS (Diálogo Diário de Segurança) acerca do tema. É VERDADE também que muitas vezes as brincadeiras no ambiente de trabalho podem ser confundidas com assédio. Como evitá-

6

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

las e quais medidas deve adotar o empregado que esteja atualmente passando por tal conduta? COMO anteriormente relatado, o empregador deve adotar medidas de conservação do local de trabalho, permitindo aos funcionários um canal de comunicação livre e seguro, para que possam efetivar denúncias em casos de descumprimento das normas trabalhistas e condutas assediadoras. Noutro ponto, o Ministério Público do Trabalho possui diversos mecanismos efetivos para formulação de denúncias anônimas. Da mesma forma, ante a dificuldade da comprovação do acidente de trabalho e do assédio, deve o trabalhador preservar todas as provas que obtiver como e-mails, mensagens, registros fotográficos e de vídeo, dentre outros. COMO advogado que atua na área trabalhista, o senhor percebeu se com as mudanças na legislação CLT há mais margens para excessos (violências) no ambiente de trabalho?

INICIALMENTE não houve alteração em relação às normas protetivas específicas. Contudo, a consequência do reconhecimento de eventual acidente do trabalho (típico ou não), assédio moral e sexual seria, além de eventual responsabilização administrativa e criminal, a condenação em danos morais quando configurada a ofensa. Contudo, a reforma trabalhista limitou os valores para fins de indenização na forma do artigo 223-A e seguintes da CLT. Significa dizer que o referido dispositivo de lei atribuiu limites de reparação, criando faixas de quantificação de acordo com a gradação da lesão, classificando-a em leve, média, grave e gravíssima, sempre baseado no último salário contratual do ofendido, impedindo assim o julgador de mensurar livremente a quantia efetivamente devida. Portanto, evidente a ofensa ao princípio da igualdade na medida em que vai permitir que funcionários com salários diferentes venham a receber valores diversos a título de danos morais, mesmo que tenham sofrido a mesma lesão. Importante destacar que referida norma é objeto de ação direta de inconstitucionalidade (ADIN 5870) no Supremo Tribunal Federal. DE QUE maneira a OAB em Mossoró, através da Comissão de Direito Trabalhista da instituição, vem atuando para combater ou informar sobre essas violências no trabalho? É FATO que a Ordem dos Advogados do Brasil desempenha além do seu mister institucional, relevante papel na construção da cidadania do povo, sendo protagonista ou apoiando causas de interesse da sociedade. Por tal motivo, em que pese não possuir institucionalmente a possibilidade de adoção de medidas de prevenção diretamente nas empresas, promoveu o debate em suas instalações com a presença de magistrados, advogados e estudantes, bem como esteve em diversas rádios locais e programas televisivos apresentando as condutas que importam em violência nas relações de trabalho e as medidas necessárias para coibi-las.

P

esquisa desenvolvida pela Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) aponta o potencial de revitalização da cultura do alho no Rio Grande do Norte, mais especificamente na região serrana do estado. Conduzido pela professora dra. Maria Zuleide Negreiros, do Centro de Ciências Agrárias, o estudo constatou que é possível alavancar a produção da hortaliça, principalmente nos municípios de Portalegre e Martins. Em conversa com a revista DOMINGO, Zuleide Negreiros destacou os resultados alcançados pela pesquisa até o momento, explicando que cinco produtores já plantaram a hortaliça e todo o processo vem sendo acompanhado com atenção. “Nós começamos esse trabalho em 2012, através de projeto de pesquisa, e vimos que a região serrana tem potencial para o cultivo de alho nobre, de melhor valor comercial, por meio da técnica de vernalização (processo de armazenamento dos bulbos-semente em câmara fria com temperatura de 3° a 5° C, por um período de 50 a 55 dias, com umidade entre 70 a 80%), e também do alho seminobre, o comum, que não precisa ser vernalizado”, pontuou a docente. Ainda conforme a professora, a plantação do alho depende de condições climáticas favoráveis, como baixas temperaturas, o que pode ser encontrado nas regiões de altitude. “Provamos por meio da pesquisa que é possível revitalizar essa cultura. O Rio Grande do Norte já produziu alho até a década de 1990, mas essa produção começou a decair. Hoje, o RN depende totalmente de outros estados, como Minas e Bahia, e da importação até mesmo de outros países, como China e Argentina”, afirmou Zuleide Negreiros. E o que levou o RN a não mais produzir alho? Vários fatores, como explica a pesquisadora: “A plantação acontecia no leito do rio Mossoró, no município de Governador Dix-sept Rosado, e os produtores usavam uma técnica rudimentar, dependiam que as águas do rio baixassem, e quando começavam a plantar já era em uma época desfavorável, com temperaturas mais elevadas. Veio então a importação, a

Eduardo Mendonça/Assecom Ufersa

Pesquisa aponta potencial de revitalização da cultura do alho no RN

entrada de outros alhos de melhor qualidade, as áreas de cultivo foram diminuindo, perdendo-se a capacidade de produção e de competição com alhos de melhor qualidade.” Além do cultivo na região serrana, hoje a Ufersa, por meio de sua Fazenda Experimental, também testa a capacidade de Mossoró produzir a hortaliça. “Podemos produzir o alho precoce, que é menos exigente em relação às temperaturas. Estamos fazendo os testes em condições de temperaturas mais elevadas, com vários materiais”, revelou. Atualmente, a professora Zuleide Negreiros coordena o projeto “Desenvolvimento da cultura do alho e produção de alho-semente livre de vírus na região serrana do Rio Grande do Norte”, executado por meio de cooperação técnica entre o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas do RN (SEBRAE/RN), Prefeitura de Portalegre, Ufersa e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). Segundo a docente, o projeto tem por objetivo a conjugação de esforços

no sentido de fomentar a cadeia de valor do alho em regiões serranas ou áreas com aptidão para cultura no Rio Grande do Norte, por meio de capacitação de técnicos e agricultores multiplicadores, da validação e introdução de cultivares de alto rendimento, alhosemente livre de vírus e tecnologias associadas à cadeia produtiva, visando o desenvolvimento da cultura e a diversificação e aumento de renda dos agricultores. SEMINÁRIO No próximo dia 11, a Ufersa promove, em parceria com a Embrapa, Sebrae/RN, Prefeitura de Portalegre e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o I Seminário sobre o cultivo do alho na região serrana de Portalegre. O evento contará com visitas técnicas ao Sítio Tibau e ao Sítio Jenipapeiro, localizados na zona rural do município de Portalegre. A programação inclui ainda palestras sobre sistemas e custo de produção; banco de sementes e momento atual e futuro do cultivo de alho na região serrana de Portalegre. DOMINGO, 9 de setembro de 2018

11


Pesquisa

Museu Eduardo Mendonça/Assecom Ufersa

Memória Cultura do alho passa por revitalização no RN >> Pesquisadores da Ufersa apostam no potencial de cultivo da hortaliça na região serrana

10 DOMINGO, 9 de setembro de 2018

O

viva

incêndio que transformou em cinzas o acervo do Museu Nacional acendeu em todo o Brasil o alerta: em que condições estão os prédios que abrigam hoje grande parte da memória de suas cidades? A revista DOMINGO foi à procura de respostas no Museu Histórico Lauro da Escóssia, que em 2018 completou 70 anos de existência e é o principal equipamento responsável por preservar

itens que colocam em evidência, no presente, o passado de Mossoró. A reportagem da DOMINGO foi recebida no museu, instalado no Centro da cidade, onde já funcionou a Cadeia Pública e a Câmara Municipal de Mossoró, pelo diretor do equipamento, Asclepius Saraiva, que detalhou a situação atual do prédio, destacando que, de maneira geral, a estrutura do Lauro da Escóssia está em bom estado

de conservação, mas que precisa de adequações, por exemplo, no projeto de combate a incêndio. “O museu está em um bom estado de conservação, até porque foi concluída uma reforma em 2012. Estamos com uma condição boa de atendimento ao público, mas precisamos fazer algumas adequações. Não está tudo 100%. É necessário atualizar os extintores, vermos a questão da fiação, que inclusive a equipe da Secretaria de Infraestrutura já trocou algumas fiações do quadro geral de energia, algumas lâmpadas”, pontuou Asclepius. Segundo o diretor, esse trabalho preventivo já vem ocorrendo há algumas semanas, mas deve ser intensificado a partir de agora, em virtude do que ocorreu no Rio de Janeiro. “Mantivemos contato com o secretário de Cultura e debatemos alguns pontos. Não estamos totalmente isentos de problemas. Eles podem existir, mas estamos trabalhando para não acontecer, por exemplo, o que ocorreu no Rio de Janeiro, uma perda irreparável e de resgate impossível”, acrescentou. Como está instalado em um prédio com quase 140 anos de história, o Museu Lauro da Escóssia enfrenta ainda problemas relativos à acessibilidade, que impedem a abertura do primeiro andar para visitação do público. A expectativa é que esse empecilho deva ser resolvido até 2019. “Temos um Salão Nobre aqui no museu, no nosso primeiro andar, com madeira ainda da fundação do prédio, em 1880, e não utilizamos esse espaço pela ausência do elevador, mas é algo que será resolvido pela Secretaria de Infraestrutura e Secretaria de Cultura”, enfatizou. A falta de acessibilidade é lamentada por historiadores como Geraldo Maia. “A Prefeitura cedeu espaço para montar o memorial de Vingt-un Rosado, com toda a biblioteca particular dele, todos os troféus, comendas, mas está muito mais como aguardado do que liberado para acesso, em razão desse problema de acessibilidade. O Salão Nobre, belíssimo, poderia estar sendo utilizado para palestras, por exemplo, mas está inacessível”, afirmou Geraldo. DOMINGO, 9 de setembro de 2018

7


Museu ACERVO PRECIOSO O Museu Lauro da Escóssia possui hoje mais de 35 mil itens, abrigando o mais rico acervo da região nos campos da mineralogia, paleontologia, história e arqueologia indígena, além de variada coleção de peças avulsas que fizeram a história da cidade desde a sua fundação. São preciosidades da cultura regional que incluem, por exemplo, registros em objetos e documentos do Movimento Abolicionista, Primeiro Voto Feminino na América Latina e Movimento de Resistência a Lampião. “O museu, para quem conhece a cultura de uma cidade, ele não tem peças antigas; tem peças preciosas, valiosíssimas, que nem preço tem, tanto que o sentimento de dor para o que se passou no Rio de Janeiro é como se fosse um parente nosso que tivesse partido. Aqui nós temos armamentos da época da resistência a Lampião, artefatos que percorreram famílias e famílias”, comentou o diretor do Lauro da Escóssia. Asclepius Saraiva destaca ainda que o Museu Lauro da Escóssia possui o maior acervo arqueológico do Rio Grande do Norte. “Temos a honra de dizer isso, preservamos aqui a maior quantidade de rochas usadas pelos índios que aqui habitaram. Temos muita riqueza aqui, não há nem como mensurarmos isso. É cultura, é arte, ciência”, complementa o diretor. O historiador Geraldo Maia também reforça a importância do acervo do Lauro da Escóssia. “Quando se fala do primeiro voto feminino, como é que a gente prova que foi em Mossoró que isso aconteceu? Provamos isso através de um documento, um despacho de um juiz local dando a Celina Guimarães essa condição de primeira eleitora. É um documento extremamente importante para a nossa história, que está lá conservado. O museu também abriga a coleção de todos os jornais que circularam na cidade, a primeira edição do jornal O Mossoroense. É o único local onde encontramos esse material. Quem for contar a história de Mossoró hoje, consultar o que aconteceu na cidade, tem que ser através do museu.” No Lauro da Escóssia, há também

8 DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Museu

Museu recebe em média 1,4 mil pessoas por mês

o Panteão dos Abolicionistas, uma homenagem aos heróis abolicionistas de Mossoró, preservando os restos mortais dos 28 pioneiros da abolição da escravatura na cidade, fato ocorrido

“O próprio prédio é o maior tesouro do museu”, diz Geraldo Maia O prédio onde hoje funciona o Museu Histórico Lauro da Escóssia começou a ser construído em 1878, pelo juiz municipal Manuel Hemetério Raposo de Melo, então presidente da Comissão de Socorros Públicos. Foi inaugurado em 8 de abril de 1880. De acordo com Geraldo Maia, o equipamento foi erguido por uma frente de trabalho constituída por retirantes da seca que encontraram na obra uma forma de sobreviver e sustentar suas famílias. “É um prédio de uma importância muito grande para a cidade, sendo ele próprio o maior tesouro do museu, e cenário de fatos interessantes. A sessão que declarou Mossoró livre da mancha

em 1883, cinco anos antes de ser assinada a Lei Áurea. Também é destaque no local o acervo do fotógrafo Manuelito, composto por mais de 30 mil fotografias.

negra da escravidão, por exemplo, aconteceu lá, assim como a prisão do cangaceiro Jararaca, em 1927, e o voto de Celina Guimarães, em abril de 1928”, contou o historiador. O prédio foi construído em dois andares: no térreo havia porões, celas e alojamentos para o Corpo de Guarda da Cadeia Pública; no andar superior, foi instalada a Câmara Municipal, que inaugurou suas instalações em 14 de abril de 1880, data de realização da sua primeira sessão. “Foi a única sede própria da Câmara até hoje”, pontua Geraldo Maia. A estrutura do museu foi reformada em 2012, após 12 anos parcialmente fechada para visitações. Após os reparos, o equipamento foi reaberto ao público, com salas temáticas, que incluem núcleos expositivos como geografia, o movimento abolicionista, a imprensa mossoroense, o cangaço em Mossoró e a cultura material.

Hoje, o Museu Lauro da Escóssia tem recebido uma média de 1,4 mil pessoas por mês. Em agosto, visitantes de 68 municípios do Brasil estiveram no equipamento. “Temos um contingente de 14 funcionários. Abrimos de terça a sábado. De terça a sexta das 7h30 às 13h e aos sábados das 7h às 11h. Abrimos também em horários extraordinários. Jamais dizemos não para ninguém, porque se vier alguém de fora para se alimentar da nossa cultura, temos a obrigação de abrir as portas para serem atendidos, e de Mossoró também”, revelou Asclepius Saraiva. Segundo o diretor, o desafio agora é ampliar esse número de visitantes, com medidas como abrir o museu aos domingos e aos sábados à tarde. “Eu percebo de que quem vem de fora um brilho nos olhos. Eu queria que o mosso-

roense tivesse esse mesmo brilho. Eu quero abrir aos domingos, aos sábados à tarde. Somos divertimento, entretenimento, história, cultura. E eu quero que o nosso museu seja ainda mais visitado”, reforçou. Por fim, Asclepius Saraiva revela os critérios para o Lauro da Escóssia receber e expor itens à população. “Há muitas pessoas que querem deixar os objetos aqui para se desfazer. Mas o que queremos é resgatar a história, saber se a peça faz parte realmente do passado de Mossoró, temos que pesquisar isso. Se agregar valor à história de Mossoró, com certeza vamos receber esse item e colocar no local adequado para tornar viva essa memória, afinal, sem passado, não temos presente. Sem presente, jamais teremos futuro”, concluiu.

Museu do Petróleo e Museu do Sertão Além do Museu Lauro da Escóssia, Mossoró também possuiu outros importantes equipamentos de preservação da história, como o Museu do Petróleo, localizado na Estação das Artes Elizeu Ventania, e o Museu do Sertão, instalado na Fazenda Rancho Verde, estrada de Alagoinha, a 4 km da zona urbana. O Museu do Sertão preserva e exibe objetos, utensílios domésticos, implementos agrícolas, apetrechos de trabalho, equipamentos e máquinas do setor produtivo dos habitantes

do sertão do semiárido nordestino. Foi inaugurado em 31 de agosto de 2003 e tem à frente o professor Benedito Vasconcelos Mendes. Já o Museu do Petróleo apresenta uma exposição permanente e autoexplicativa, contando a história do petróleo no Brasil e em especial das bacias petrolíferas no Rio Grande do Norte e região de Mossoró. Segundo o chefe de departamento da Estação das Artes, Evandro Medeiros, o equipamento está aberto ao público de terça a sexta, das 8h às 12h e das 13h

Diretor do Museu, Asclepius Saraiva, quer ampliar número de visitantes

às 17h. Nos sábados e domingos, a abertura se dá mediante agendamento. “O museu é autoexplicativo, porém temos estagiários para explanar os assuntos, como também alguns agentes de turismo que são contratados por escolas que se disponibilizam a ir ao local”, esclarece Evandro Medeiros, complementando que o museu precisa de reparos nas centrais de ar, responsabilidade essa que é, conforme o chefe do departamento, da Petrobras. SAIBA MAIS: O caderno Estado do JORNAL DE FATO deste domingo traz um material especial sobre a situação dos principais museus do Rio Grande do Norte. Confira.

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

9


Museu ACERVO PRECIOSO O Museu Lauro da Escóssia possui hoje mais de 35 mil itens, abrigando o mais rico acervo da região nos campos da mineralogia, paleontologia, história e arqueologia indígena, além de variada coleção de peças avulsas que fizeram a história da cidade desde a sua fundação. São preciosidades da cultura regional que incluem, por exemplo, registros em objetos e documentos do Movimento Abolicionista, Primeiro Voto Feminino na América Latina e Movimento de Resistência a Lampião. “O museu, para quem conhece a cultura de uma cidade, ele não tem peças antigas; tem peças preciosas, valiosíssimas, que nem preço tem, tanto que o sentimento de dor para o que se passou no Rio de Janeiro é como se fosse um parente nosso que tivesse partido. Aqui nós temos armamentos da época da resistência a Lampião, artefatos que percorreram famílias e famílias”, comentou o diretor do Lauro da Escóssia. Asclepius Saraiva destaca ainda que o Museu Lauro da Escóssia possui o maior acervo arqueológico do Rio Grande do Norte. “Temos a honra de dizer isso, preservamos aqui a maior quantidade de rochas usadas pelos índios que aqui habitaram. Temos muita riqueza aqui, não há nem como mensurarmos isso. É cultura, é arte, ciência”, complementa o diretor. O historiador Geraldo Maia também reforça a importância do acervo do Lauro da Escóssia. “Quando se fala do primeiro voto feminino, como é que a gente prova que foi em Mossoró que isso aconteceu? Provamos isso através de um documento, um despacho de um juiz local dando a Celina Guimarães essa condição de primeira eleitora. É um documento extremamente importante para a nossa história, que está lá conservado. O museu também abriga a coleção de todos os jornais que circularam na cidade, a primeira edição do jornal O Mossoroense. É o único local onde encontramos esse material. Quem for contar a história de Mossoró hoje, consultar o que aconteceu na cidade, tem que ser através do museu.” No Lauro da Escóssia, há também

8 DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Museu

Museu recebe em média 1,4 mil pessoas por mês

o Panteão dos Abolicionistas, uma homenagem aos heróis abolicionistas de Mossoró, preservando os restos mortais dos 28 pioneiros da abolição da escravatura na cidade, fato ocorrido

“O próprio prédio é o maior tesouro do museu”, diz Geraldo Maia O prédio onde hoje funciona o Museu Histórico Lauro da Escóssia começou a ser construído em 1878, pelo juiz municipal Manuel Hemetério Raposo de Melo, então presidente da Comissão de Socorros Públicos. Foi inaugurado em 8 de abril de 1880. De acordo com Geraldo Maia, o equipamento foi erguido por uma frente de trabalho constituída por retirantes da seca que encontraram na obra uma forma de sobreviver e sustentar suas famílias. “É um prédio de uma importância muito grande para a cidade, sendo ele próprio o maior tesouro do museu, e cenário de fatos interessantes. A sessão que declarou Mossoró livre da mancha

em 1883, cinco anos antes de ser assinada a Lei Áurea. Também é destaque no local o acervo do fotógrafo Manuelito, composto por mais de 30 mil fotografias.

negra da escravidão, por exemplo, aconteceu lá, assim como a prisão do cangaceiro Jararaca, em 1927, e o voto de Celina Guimarães, em abril de 1928”, contou o historiador. O prédio foi construído em dois andares: no térreo havia porões, celas e alojamentos para o Corpo de Guarda da Cadeia Pública; no andar superior, foi instalada a Câmara Municipal, que inaugurou suas instalações em 14 de abril de 1880, data de realização da sua primeira sessão. “Foi a única sede própria da Câmara até hoje”, pontua Geraldo Maia. A estrutura do museu foi reformada em 2012, após 12 anos parcialmente fechada para visitações. Após os reparos, o equipamento foi reaberto ao público, com salas temáticas, que incluem núcleos expositivos como geografia, o movimento abolicionista, a imprensa mossoroense, o cangaço em Mossoró e a cultura material.

Hoje, o Museu Lauro da Escóssia tem recebido uma média de 1,4 mil pessoas por mês. Em agosto, visitantes de 68 municípios do Brasil estiveram no equipamento. “Temos um contingente de 14 funcionários. Abrimos de terça a sábado. De terça a sexta das 7h30 às 13h e aos sábados das 7h às 11h. Abrimos também em horários extraordinários. Jamais dizemos não para ninguém, porque se vier alguém de fora para se alimentar da nossa cultura, temos a obrigação de abrir as portas para serem atendidos, e de Mossoró também”, revelou Asclepius Saraiva. Segundo o diretor, o desafio agora é ampliar esse número de visitantes, com medidas como abrir o museu aos domingos e aos sábados à tarde. “Eu percebo de que quem vem de fora um brilho nos olhos. Eu queria que o mosso-

roense tivesse esse mesmo brilho. Eu quero abrir aos domingos, aos sábados à tarde. Somos divertimento, entretenimento, história, cultura. E eu quero que o nosso museu seja ainda mais visitado”, reforçou. Por fim, Asclepius Saraiva revela os critérios para o Lauro da Escóssia receber e expor itens à população. “Há muitas pessoas que querem deixar os objetos aqui para se desfazer. Mas o que queremos é resgatar a história, saber se a peça faz parte realmente do passado de Mossoró, temos que pesquisar isso. Se agregar valor à história de Mossoró, com certeza vamos receber esse item e colocar no local adequado para tornar viva essa memória, afinal, sem passado, não temos presente. Sem presente, jamais teremos futuro”, concluiu.

Museu do Petróleo e Museu do Sertão Além do Museu Lauro da Escóssia, Mossoró também possuiu outros importantes equipamentos de preservação da história, como o Museu do Petróleo, localizado na Estação das Artes Elizeu Ventania, e o Museu do Sertão, instalado na Fazenda Rancho Verde, estrada de Alagoinha, a 4 km da zona urbana. O Museu do Sertão preserva e exibe objetos, utensílios domésticos, implementos agrícolas, apetrechos de trabalho, equipamentos e máquinas do setor produtivo dos habitantes

do sertão do semiárido nordestino. Foi inaugurado em 31 de agosto de 2003 e tem à frente o professor Benedito Vasconcelos Mendes. Já o Museu do Petróleo apresenta uma exposição permanente e autoexplicativa, contando a história do petróleo no Brasil e em especial das bacias petrolíferas no Rio Grande do Norte e região de Mossoró. Segundo o chefe de departamento da Estação das Artes, Evandro Medeiros, o equipamento está aberto ao público de terça a sexta, das 8h às 12h e das 13h

Diretor do Museu, Asclepius Saraiva, quer ampliar número de visitantes

às 17h. Nos sábados e domingos, a abertura se dá mediante agendamento. “O museu é autoexplicativo, porém temos estagiários para explanar os assuntos, como também alguns agentes de turismo que são contratados por escolas que se disponibilizam a ir ao local”, esclarece Evandro Medeiros, complementando que o museu precisa de reparos nas centrais de ar, responsabilidade essa que é, conforme o chefe do departamento, da Petrobras. SAIBA MAIS: O caderno Estado do JORNAL DE FATO deste domingo traz um material especial sobre a situação dos principais museus do Rio Grande do Norte. Confira.

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

9


Pesquisa

Museu Eduardo Mendonça/Assecom Ufersa

Memória Cultura do alho passa por revitalização no RN >> Pesquisadores da Ufersa apostam no potencial de cultivo da hortaliça na região serrana

10 DOMINGO, 9 de setembro de 2018

O

viva

incêndio que transformou em cinzas o acervo do Museu Nacional acendeu em todo o Brasil o alerta: em que condições estão os prédios que abrigam hoje grande parte da memória de suas cidades? A revista DOMINGO foi à procura de respostas no Museu Histórico Lauro da Escóssia, que em 2018 completou 70 anos de existência e é o principal equipamento responsável por preservar

itens que colocam em evidência, no presente, o passado de Mossoró. A reportagem da DOMINGO foi recebida no museu, instalado no Centro da cidade, onde já funcionou a Cadeia Pública e a Câmara Municipal de Mossoró, pelo diretor do equipamento, Asclepius Saraiva, que detalhou a situação atual do prédio, destacando que, de maneira geral, a estrutura do Lauro da Escóssia está em bom estado

de conservação, mas que precisa de adequações, por exemplo, no projeto de combate a incêndio. “O museu está em um bom estado de conservação, até porque foi concluída uma reforma em 2012. Estamos com uma condição boa de atendimento ao público, mas precisamos fazer algumas adequações. Não está tudo 100%. É necessário atualizar os extintores, vermos a questão da fiação, que inclusive a equipe da Secretaria de Infraestrutura já trocou algumas fiações do quadro geral de energia, algumas lâmpadas”, pontuou Asclepius. Segundo o diretor, esse trabalho preventivo já vem ocorrendo há algumas semanas, mas deve ser intensificado a partir de agora, em virtude do que ocorreu no Rio de Janeiro. “Mantivemos contato com o secretário de Cultura e debatemos alguns pontos. Não estamos totalmente isentos de problemas. Eles podem existir, mas estamos trabalhando para não acontecer, por exemplo, o que ocorreu no Rio de Janeiro, uma perda irreparável e de resgate impossível”, acrescentou. Como está instalado em um prédio com quase 140 anos de história, o Museu Lauro da Escóssia enfrenta ainda problemas relativos à acessibilidade, que impedem a abertura do primeiro andar para visitação do público. A expectativa é que esse empecilho deva ser resolvido até 2019. “Temos um Salão Nobre aqui no museu, no nosso primeiro andar, com madeira ainda da fundação do prédio, em 1880, e não utilizamos esse espaço pela ausência do elevador, mas é algo que será resolvido pela Secretaria de Infraestrutura e Secretaria de Cultura”, enfatizou. A falta de acessibilidade é lamentada por historiadores como Geraldo Maia. “A Prefeitura cedeu espaço para montar o memorial de Vingt-un Rosado, com toda a biblioteca particular dele, todos os troféus, comendas, mas está muito mais como aguardado do que liberado para acesso, em razão desse problema de acessibilidade. O Salão Nobre, belíssimo, poderia estar sendo utilizado para palestras, por exemplo, mas está inacessível”, afirmou Geraldo. DOMINGO, 9 de setembro de 2018

7


ENTREVISTA

Pesquisa

NEGATIVO. Inúmeros comportamentos podem caracterizar assédio, mesmo que ausente o contato físico. Essa prática pode ser explícita ou sutil, com contato físico ou verbal, como expressões faladas ou escritas, ou meios como gestos, imagens enviadas por e-mails ou aplicativos de mensagens, comentários em redes sociais, vídeos, presentes, entre outros, desde que tais condutas visem constranger o assediado com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual. CONDUTAS realizadas fora do ambiente de trabalho podem ser caracterizadas como assédio (moral ou sexual), por exemplo, em festas etc.? NÃO é imprescindível que seja o ato praticado necessariamente no ambiente de trabalho, mas que o assédio ocorra por conta dele, ainda que fora do estabelecimento. Podemos citar, por exemplo, festas na empresa, viagens a trabalho, grupos da empresa em aplicativos de mensagens, dentro do veículo da empresa que transporta o trabalhador ao local de trabalho etc.. É DEVER da empresa fiscalizar tais condutas e coibi-las? Seja ela quanto ao acidente de trabalho, assédio moral ou sexual? CABE ao empregador assegurar condições seguras de trabalho. Incidência do disposto no artigo 7°, caput e XXII, Constituição Federal, que asseguram como direito do trabalho a higiene e segurança do trabalho e a preeminência das normas mais favoráveis ou direitos que visem à melhoria das condições sociais do trabalhador. Por tal motivo, as empresas estão adotando medidas de fiscalização e controle, com a estipulação de regras de tratamento entre os funcionários (política de relacionamento), punições rígidas e imediatas aos envolvidos, bem como a realização recorrente de treinamentos, seminários, palestras e DDS (Diálogo Diário de Segurança) acerca do tema. É VERDADE também que muitas vezes as brincadeiras no ambiente de trabalho podem ser confundidas com assédio. Como evitá-

6

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

las e quais medidas deve adotar o empregado que esteja atualmente passando por tal conduta? COMO anteriormente relatado, o empregador deve adotar medidas de conservação do local de trabalho, permitindo aos funcionários um canal de comunicação livre e seguro, para que possam efetivar denúncias em casos de descumprimento das normas trabalhistas e condutas assediadoras. Noutro ponto, o Ministério Público do Trabalho possui diversos mecanismos efetivos para formulação de denúncias anônimas. Da mesma forma, ante a dificuldade da comprovação do acidente de trabalho e do assédio, deve o trabalhador preservar todas as provas que obtiver como e-mails, mensagens, registros fotográficos e de vídeo, dentre outros. COMO advogado que atua na área trabalhista, o senhor percebeu se com as mudanças na legislação CLT há mais margens para excessos (violências) no ambiente de trabalho?

INICIALMENTE não houve alteração em relação às normas protetivas específicas. Contudo, a consequência do reconhecimento de eventual acidente do trabalho (típico ou não), assédio moral e sexual seria, além de eventual responsabilização administrativa e criminal, a condenação em danos morais quando configurada a ofensa. Contudo, a reforma trabalhista limitou os valores para fins de indenização na forma do artigo 223-A e seguintes da CLT. Significa dizer que o referido dispositivo de lei atribuiu limites de reparação, criando faixas de quantificação de acordo com a gradação da lesão, classificando-a em leve, média, grave e gravíssima, sempre baseado no último salário contratual do ofendido, impedindo assim o julgador de mensurar livremente a quantia efetivamente devida. Portanto, evidente a ofensa ao princípio da igualdade na medida em que vai permitir que funcionários com salários diferentes venham a receber valores diversos a título de danos morais, mesmo que tenham sofrido a mesma lesão. Importante destacar que referida norma é objeto de ação direta de inconstitucionalidade (ADIN 5870) no Supremo Tribunal Federal. DE QUE maneira a OAB em Mossoró, através da Comissão de Direito Trabalhista da instituição, vem atuando para combater ou informar sobre essas violências no trabalho? É FATO que a Ordem dos Advogados do Brasil desempenha além do seu mister institucional, relevante papel na construção da cidadania do povo, sendo protagonista ou apoiando causas de interesse da sociedade. Por tal motivo, em que pese não possuir institucionalmente a possibilidade de adoção de medidas de prevenção diretamente nas empresas, promoveu o debate em suas instalações com a presença de magistrados, advogados e estudantes, bem como esteve em diversas rádios locais e programas televisivos apresentando as condutas que importam em violência nas relações de trabalho e as medidas necessárias para coibi-las.

P

esquisa desenvolvida pela Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) aponta o potencial de revitalização da cultura do alho no Rio Grande do Norte, mais especificamente na região serrana do estado. Conduzido pela professora dra. Maria Zuleide Negreiros, do Centro de Ciências Agrárias, o estudo constatou que é possível alavancar a produção da hortaliça, principalmente nos municípios de Portalegre e Martins. Em conversa com a revista DOMINGO, Zuleide Negreiros destacou os resultados alcançados pela pesquisa até o momento, explicando que cinco produtores já plantaram a hortaliça e todo o processo vem sendo acompanhado com atenção. “Nós começamos esse trabalho em 2012, através de projeto de pesquisa, e vimos que a região serrana tem potencial para o cultivo de alho nobre, de melhor valor comercial, por meio da técnica de vernalização (processo de armazenamento dos bulbos-semente em câmara fria com temperatura de 3° a 5° C, por um período de 50 a 55 dias, com umidade entre 70 a 80%), e também do alho seminobre, o comum, que não precisa ser vernalizado”, pontuou a docente. Ainda conforme a professora, a plantação do alho depende de condições climáticas favoráveis, como baixas temperaturas, o que pode ser encontrado nas regiões de altitude. “Provamos por meio da pesquisa que é possível revitalizar essa cultura. O Rio Grande do Norte já produziu alho até a década de 1990, mas essa produção começou a decair. Hoje, o RN depende totalmente de outros estados, como Minas e Bahia, e da importação até mesmo de outros países, como China e Argentina”, afirmou Zuleide Negreiros. E o que levou o RN a não mais produzir alho? Vários fatores, como explica a pesquisadora: “A plantação acontecia no leito do rio Mossoró, no município de Governador Dix-sept Rosado, e os produtores usavam uma técnica rudimentar, dependiam que as águas do rio baixassem, e quando começavam a plantar já era em uma época desfavorável, com temperaturas mais elevadas. Veio então a importação, a

Eduardo Mendonça/Assecom Ufersa

Pesquisa aponta potencial de revitalização da cultura do alho no RN

entrada de outros alhos de melhor qualidade, as áreas de cultivo foram diminuindo, perdendo-se a capacidade de produção e de competição com alhos de melhor qualidade.” Além do cultivo na região serrana, hoje a Ufersa, por meio de sua Fazenda Experimental, também testa a capacidade de Mossoró produzir a hortaliça. “Podemos produzir o alho precoce, que é menos exigente em relação às temperaturas. Estamos fazendo os testes em condições de temperaturas mais elevadas, com vários materiais”, revelou. Atualmente, a professora Zuleide Negreiros coordena o projeto “Desenvolvimento da cultura do alho e produção de alho-semente livre de vírus na região serrana do Rio Grande do Norte”, executado por meio de cooperação técnica entre o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas do RN (SEBRAE/RN), Prefeitura de Portalegre, Ufersa e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). Segundo a docente, o projeto tem por objetivo a conjugação de esforços

no sentido de fomentar a cadeia de valor do alho em regiões serranas ou áreas com aptidão para cultura no Rio Grande do Norte, por meio de capacitação de técnicos e agricultores multiplicadores, da validação e introdução de cultivares de alto rendimento, alhosemente livre de vírus e tecnologias associadas à cadeia produtiva, visando o desenvolvimento da cultura e a diversificação e aumento de renda dos agricultores. SEMINÁRIO No próximo dia 11, a Ufersa promove, em parceria com a Embrapa, Sebrae/RN, Prefeitura de Portalegre e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o I Seminário sobre o cultivo do alho na região serrana de Portalegre. O evento contará com visitas técnicas ao Sítio Tibau e ao Sítio Jenipapeiro, localizados na zona rural do município de Portalegre. A programação inclui ainda palestras sobre sistemas e custo de produção; banco de sementes e momento atual e futuro do cultivo de alho na região serrana de Portalegre. DOMINGO, 9 de setembro de 2018

11


festival de cachaças especiais

ENTREVISTA DOMINGO – A OAB subseção de Mossoró sediou no último dia 24 de agosto o lançamento da campanha de conscientização sobre violência no trabalho, promovido pelo TRTRN da 21ª Região, para o próximo biênio (2018-2020). Em que consiste efetivamente a violência no trabalho, foco do projeto apresentado? ÍGOR CAMPOS – A violência relacionada ao trabalho pode ser considerada como a usurpação ou transgressão dos direitos sociais do trabalhador, ainda representada pelo descuido do empregador ou empregada em relação às condições de trabalho, bem como a omissão de cuidados, socorro e solidariedade diante de alguma adversidade, que eventualmente resulte na morte, lesões temporárias ou permanentes e abalo psicológico. No caso, a legislação determina que o empregador adote medidas de fiscalização e controle para evitar acidentes, assédio moral e sexual, por exemplo. Assim, se o empregador voluntariamente descuida de tal obrigação, vindo o trabalhador a ser vitimado. Podemos entender que ocorreu uma violência relacionada ao trabalho.

Cachaças especiais:

festival reúne principais rótulos da Paraíba e do RN em Mossoró

O QUE podemos entender então por acidente de trabalho? CONFORME dispõe o artigo 19 da lei 8.213/91, "acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do artigo 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho". Ao lado da conceituação acima, de acidente de trabalho típico, por expressa determinação legal, as doenças profissionais e/ou ocupacionais equiparam-se a acidentes de trabalho, como aquelas produzidas ou desencadeadas pelo exercício da atividade laborativa ou aquelas adquiridas ou desencadeadas em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, consoante entendimento do Tribunal Superior do Trabalho. HÁ NÚMEROS que possam re-

12 DOMINGO, 9 de setembro de 2018

fletir os prejuízos ao trabalhador, empregador e ao governo ocasionados por indenizações e benefícios concedidos? INFELIZMENTE, os números são alarmantes. Estima-se que nos últimos seis anos, foram gastos R$ 26,2 bilhões com benefícios, entre eles auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e pensão por morte. Os dados são do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, Smartlab de Trabalho desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ainda segundo os dados, o Brasil é hoje o país onde a cada 48 segundos acontece um acidente de trabalho e a cada 3h38min um trabalhador perde a vida pela falta de uma cultura de prevenção à saúde e à segurança do trabalho, o que torna então o Brasil o 4° país com maior índice de acidentes de trabalho no mundo. O campeão é a China, seguida da Índia e Indonésia, de acordo com a OIT. No caso do empregador, além da perda da força de trabalho de forma temporária ou permanente, a Justiça está condenando as empresas a devolver ao INSS os valores eventualmente gastos com benefícios em casos de reconhecido acidente de trabalho. E QUANTO ao assédio moral, o que significa? O ASSÉDIO moral, segundo a construção doutrinária e jurisprudencial, consistente na exposição prolongada e recorrente do trabalhador a circunstâncias vexatórias, constrangedoras e humilhantes, praticadas com o objetivo de rebaixar, afrontar, ridicularizar, inferiorizar ou desestabilizar emocionalmente o empregado, implicando em risco a sua saúde física e psicológica, além de afetar o desempenho e o próprio ambiente de trabalho. De regra, essa conduta é praticada por aquele que está hierarquicamente superior na cadeia estrutural da empresa. TODA e qualquer conduta partindo do superior hierárquico pode ser considerada como assédio moral? NÃO. A atuação de superior hierárquico objetivando a cobrança de de-

sempenho por parte de sua equipe de subordinados, desde que dentro da razoabilidade, não irá representar assédio ou lesão à higidez psicológica do meio ambiente de trabalho. Contudo, podem configurar assédio certas condutas praticadas (de forma recorrente), como excluir o assediado dos benefícios concedidos aos demais trabalhadores no sentido de desestabilizá-lo (não conceder férias, prêmios, comissões etc.), exigir o cumprimento de metas impossíveis e exclusivas ao assediado, agressões físicas e verbais, ameaças reiteradas de demissão como forma a amedrontar o assediado, determinar castigos e prendas que importem no reconhecimento de circunstâncias vexatórias, constrangedoras e humilhantes, dentre outras. O QUE significa assédio sexual e o que pode caracterizar tal conduta? O CÓDIGO Penal em seu artigo 216-A conceitua tal conduta como o ato de “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.” Ou seja, é importante que não haja reciprocidade da vítima e que a abordagem do assediador tenha por objetivo obter vantagem ou favorecimento sexual. Em outras ocasiões, o assediador utiliza-se de tal ferramenta com o objetivo de humilhar o assediado, criando uma situação hostil no ambiente de trabalho. SOMENTE a mulher pode sofrer o assédio sexual? NÃO. Em que pese às mulheres representarem o expressivo número de vítimas, a legislação não estabelece gênero. Portanto, tal conduta estaria configurada como ilegal e igualmente imprópria, independentemente se partisse de homem para homem, mulher para mulher, mulher para homem, e outras demais configurações. QUAIS condutas podem configurar então assédio sexual? É necessário existir o ato sexual para sua caracterização? DOMINGO, 9 de setembro de 2018

5


ENTREVISTA

Ígor Oliveira Campos

‘A violência no trabalho é uma usurpação dos direitos sociais’

POR Maricelio Almeida

Uma série de mudanças foi realizada no conjunto das leis que regem o trabalho formal no Brasil neste ano de 2018. E as mudanças podem acentuar um comportamento de violência no ambiente de trabalho, o que tem preocupado os especialistas da área jurídica. Assim, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção de Mossoró, através da Comissão do Direito do Trabalho, realizou recentemente o lançamento da campanha Trabalho Seguro, projeto gerido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN). Com o tema “Violência no Trabalho: enfrentamento e superação”, a campanha conta com o apoio incondicional da OAB e gestores regionais do programa Trabalho Seguro do Tribunal Regional do Rio Grande do Norte. Para falar a respeito da campanha e do projeto, o entrevistado da semana de DOMINGO é o advogado Ígor Oliveira Campos, especialista em Direito e Processo do Trabalho e atual presidente da Comissão de Direito do Trabalho da OAB subseção de Mossoró. Acompanhe:

4

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

festival adoro comer de cachaças especiais

P

roduto genuinamente brasileiro, a cachaça brasileira tem se aperfeiçoado desde os últimos anos e conquistado os paladares mais exigentes mundo afora. No Nordeste, o Rio Grande do Norte e a Paraíba têm se destacado na fabricação de cachaças com nível de excelência, muitas premiadas e exportadas para vários países. No próximo dia 29, a Pátria Amada - Cachaça Nobre de Mossoró (e seus proprietários fazem questão de utilizar esse complemento) realizará, no Espaço Nobre, o Festival da Cachaça de Mossoró 2018, trazendo para a cidade oito dos principais rótulos desses dois estados. “Mossoró deu um grande passo nesse nicho de mercado com a criação da Pátria Amada, atualmente reconhecida até mundialmente. O objetivo desse festival é também fomentar outros empresários a investir na área”, afirmou à revista DOMINGO Caio César Muniz, um dos organizadores do evento. Já confirmaram presença no festival as marcas potiguares Murim Mirim, considerada a cachaça mais antiga do Brasil; a Samanaú, rótulo caicoense que tem se destacado pelo zelo com a qualidade e a diversificação do produto, emprestando recentemente a marca também para uma vodca; Gabi, de Nova Parnamirim, bebida leve à base de cachaça de alambique, limão, mel de abelhas, chá de ervas e especiarias; Extrema, de Pureza destaque em vários sites especializados no país não só pela qualidade, mas também pela responsabilidade social e ambiental e a anfitriã Pátria Amada – Cachaça Nobre de Mossoró, premiada recentemente com a medalha de ouro em um concurso mundial em Bruxelas e na Expocachaça, em Minas Gerais. Do estado da Paraíba, estarão presentes duas cachaças da cidade de Areia, região serrana no Brejo paraibano e que tem conquistado o público apreciador das cachaças de qualidade: a Matuta, que trará as suas versões cristal e envelhecida; e a Triunfo, com 24 anos de atuação no mercado. Também será apresentada a cachaça “Cobiçada da Paraíba”, da cidade de Serraria, que tem versões cristal (branca) e envelhecida em barris de umburana. Sua grade de produtos tam-

Mossoró sediará festival de cachaças especiais no final deste mês

bém tem conquistado consumidores exigentes Brasil afora. “Nossa intenção é disseminar o gosto pelas cachaças especiais, fabricadas com qualidade e zelo. Também propiciar esse intercâmbio entre os produtores e mostrar a nossa produção ao público mossoroense”, comenta o advogado Francisco Queiroz, proprietário da Pátria Amada. Segundo Caio César Muniz, esse não será o primeiro festival de cachaça de Mossoró. “Em 2001 e 2003, fizemos os primeiros festivais na cidade. Naquela época, pouco se conhecia sobre cachaças especiais, artesanais. Esses festivais tiveram grande importância, pelo que vemos hoje nos supermercados e lojas especializadas no ramo”, acrescentou. SOBRE A CACHAÇA Segundo a regulamentação brasi-

leira, cachaça é a bebida produzida exclusivamente da cana-de-açúcar com teor alcoólico variando entre 38% e 48% e que obtenha a destilação do seu mosto fermentado sem adição de açúcares e extrato de sabores. “O que chamamos de especial é justamente a cachaça 100% pura, sem adição de qualquer produto adicional. No caso das amarelas, por exemplo, apenas com o envelhecimento em barris de diversas madeiras”, pontuou Caio César Muniz. As senhas para o Festival da Cachaça de Mossoró 2018 são limitadas e já estão disponíveis para a venda. No dia do evento, a senha será trocada por uma caneca que dará direito à consumação livre de todas as cachaças, além da degustação de caldos e frutas. O evento é proibido para menores de 18 anos.

SERVIÇO O QUÊ: Festival de Cachaça de Mossoró 2018 QUANDO: 29 de setembro, das 12h às 20h ONDE: No Espaço Nobre, Avenida Jorge Coelho de Andrade SENHAS LIMITADAS E COM PREÇO PROMOCIONAL: Barbearia de Seu Pedro/Estúdio Glam, Avenida João da Escóssia, 23. Telefone: (84) 99656-2929 MAIS INFORMAÇÕES: (84) 99907-8558.

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

13


OPINIÃO [ ARTIGO

OPINIÃO [ CRÔNICA

A luz amarela José de Paiva Rebouças josedepaivareboucas@gmail.com

Há muita luz em meus olhos e quero fechá-los. Meus braços são como correntes pesando em meu corpo. Amarram-me as mãos e meus os tornozelos. Grito alto como quem rasga as cordas vocais para me libertar. Assim mesmo, sigo imóvel, como meu semblante que também não muda. Em mim só veem tristeza, mas aqui dentro tento escapar das amarras de meus próprios braços, de minhas próprias pernas que se fincam no chão e brotam raízes sobre a cama. As raízes descem e quebram o piso do quarto, sobem as paredes e invadem o teto. Uma bolha de raízes circunda meu corpo deformado pela própria transformação surreal. Uma luz amarela escapa entre as frestas e me obriga a fechar os olhos e me manter imóvel de um ponto que não possa mais gritar. As pessoas não veem os troncos cercando minha cabeça. Entram com pena, com pressa, com raiva. Eu os conheço e desconfio de suas palavras. Nem eles acreditam na metáfora utilizada para tentar me arrancar do leito. Fracos e arrogantes. Cada um tem sua maneira de sofrer no mundo, mesmo assim insistem em me ensinar a andar, a viver, a sorrir. Não quero caridade, não quero amor interessado, só quero paz de mim mesmo que, às vezes, encontro no outro por motivos que não sei dizer. Não precisam falar o que quero ouvir. Quero ter razão e a tenho quando digo que não faz sentido me levantar desta cama. As coisas lá fora não dizem tanto para mim quanto dizem para outros. Não me empolgo com qualquer jantar, bem adquirido, festa repleta de desconhecidos. Há momentos que um simples gesto significa bem mais. Nenhum bem material substitui a beleza da razão nos olhos da inocência, no brilho da verdade sem pretensão. O amor sem preço é o único amor que pode me curar.

14

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

Sofro de exigência. Cobro de mim mais do que mereço, mais do que a vida poderia me dar; muito mais do que as pessoas simples poderiam compreender. O mundo torto me joga para baixo. Cada qual com seu desejo e nenhuma reparação. Todos doídos e cheios de fome e anseio inalcançável. Vedados pela linha que conduz a um destino pré-determinado. Eu não. Consigo ver o meu caminho, mas tenho o poder de desviar dele. Ando no tempo, vou para frente e para traz a todo instante e, por isso, talvez, consiga ver um tanto além e ficar assim, no chão, com os pés enraizados e os braços como correntes limitando-me as vontades e os passos. Eu vejo além, por isso sofro. Posso lhe ajudar a pensar melhor, a lhe direcionar os caminhos, mas minhas palavras são feitas de canivetes

e o outro odeia se ferir. Então me calo. Então me afasto. Então me tranco, mesmo sabendo que o outro vai se reerguer após o sofrimento que vivenciará agora. Eu sei disso e não compreendo, então escureço. Abrigo-me em minhas raízes, lembranças do passado e imagens nítidas de um futuro próximo. Não quero favores, amores falseados, mãos apressadas que me levantam e correm. Não quero oração, bendição, nem alegria alheia que me atordoe. Eu quero muita coisa, mas também não quero nada. Não pensar, por um único dia não pensar, é um desejo intocável, mas um dos únicos desejos que me são reais. Falar também me agrada, mas são poucos os dispostos a sangrar por minhas palavras, embora este sangue possa se tornar uma das únicas razões capazes de me tirar de dentro desta luz amarela. DOMINGO, 9 de setembro de 2018

3


editorial [ índice

Memória Viva

A

s cinzas que restaram do incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, serviram para acender o alerta: em que condições estão os equipamentos que preservam a memória de um povo, de uma cidade, de um país? A revista DOMINGO visitou o Museu Histórico Lauro da Escóssia para identificar, in loco, a situação atual do prédio e do acervo que lá se encontra. Confira nas páginas 7, 8 e 9. Mossoró sediará, no próximo dia 29, o Festival da Cachaça 2018, evento que colocará em evidência oito dos principais rótulos de cachaças especiais dos estados do Rio Grande do Norte e Paraíba. Mais detalhes o leitor encontra nas páginas 10 e 11. A DOMINGO também apresenta, nesta edição, reportagem sobre a retomada da cultura do alho no RN, mais especificamente na região Serrana, município de Portalegre. Pesquisa comandada pela professora dra. Zuleide Negreiros, da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), mostra que é possível o estado resgatar o cultivo da hortaliça, estagnado desde o final da década de 1990. Na entrevista da semana, o presidente da Comissão de Direito do Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ígor Oliveira Campos, fala sobre as formas de combate à violência no ambiente de trabalho. Boa leitura.

adoro comer

Entrevista Uma série de mudanças foi realizada no conjunto das leis que regem o trabalho formal no Brasil neste ano de 2018. E as mudanças podem acentuar um comportamento de violência no ambiente de trabalho, o que tem preocupado os especialistas da área jurídica. Para falar sobre o assunto, a revista DOMINGO ouviu o advogado Ígor Oliveira Campos. Página 4

Passado presente O Museu Histórico Lauro da Escóssia, que em 2018 completou70anosdeexistência,éoprincipalequipamento responsável por preservar itens que colocam em evidência, no presente, o passado de Mossoró. De acordo com o diretor do museu, Asclepius Saraiva, a estrutura do equipamento, maneira geral, está em bom estado de conservação, mas precisa de adequações, por exemplo, no projeto de combate a incêndio. . Página 7

Colunas

José Nicodemos

Aprenda a fazer lasanha de carne de panela Ingredientes 800 g de paleta bovina sem osso em cubos 1 ½ cebola cortada em cubos 4 dentes de alho picados 1 folha de louro Sal a gosto Pimenta do reino a gosto ¾ xícara de vinho tinto seco 3 colheres de sopa de extrato de tomate 2 ½ xícara de caldo de carne ¼ maço de salsinha picada 5 colheres de sopa de manteiga 5 colheres de sopa de farinha de trigo 800 ml de leite integral quente Noz-moscada a gosto 3 xícaras de queijo mussarela ralado ½ xícara de queijo parmesão ralado Massa para lasanha

Modo de preparo - Aquecer uma panela, regar com azeite e fritar a carne. - Juntar a cebola, o alho e refogar bem. - Temperar com sal e pimenta do reino, adicionar o louro, o vinho tinto e deixar cozinhar até o álcool evaporar. - Adicionar o extrato de tomate e o caldo de carne. Tampar e deixar cozinhar por, aproximadamente, 1 hora ou até que a carne fique bem macia, apertar a carne com a colher para ela se desmanchar. - Desligar o fogo, adicionar a salsinha picada e reservar. - Em uma panela, derreter a manteiga e juntar a farinha de trigo. - Mexer até a farinha se misturar a manteiga e começar a espumar. - Juntar, aos poucos, o leite quente sem parar de mexer até o molho ficar homogêneo.

- Quando o molho engrossar, desligar o fogo, temperar com sal, pimenta-do-reino e noz-moscada. - Cobrir o fundo de uma forma refratária, com uma pequena porção de molho branco, dispor a massa de lasanha por cima e adicionar uma camada da carne de panela. - Dispor uma camada de queijo mussarela e mais uma camada de massa. - Cobrir com o molho branco e com uma camada de queijo. Repetir o processo nessa ordem finalizando com molho branco, queijo mussarela e queijo parmesão. - Levar ao forno a 180 graus por 12 minutos. - Retirar do forno e deixar esfriar um pouquinho antes de cortar e servir. Fonte: www.tastemade.com.br

Página 3

José de Paiva Rebouças Página 14

Maricelio Almeida Editor interino • Edição – C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral – Edilson Damasceno • Editor Interino– Maricelio Almeida • Dia­gra­ma­ção – Rick Waekmann • Projeto gráfico – Augusto Paiva • Im­pres­são – Grá­fi­ca De Fa­to • Re­vi­são – Gilcileno Amorim • Foto – Marcos Garcia Re­da­ção, pu­bli­ci­da­de e cor­res­pon­dên­cia Av. Rio Bran­co, 2203 – Mos­so­ró (RN) Fo­nes: (0xx84) 3323-8900/8909 Si­te: www.de­fa­to.com/do­min­go E-mail: re­da­cao@de­fa­to.com Do­min­go é uma pu­bli­ca­ção se­ma­nal do Jor­nal de Fa­to. Não po­de ser ven­di­da se­pa­ra­da­men­te.

2

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

DOMINGO, 9 de setembro de 2018

15


o. MOSSORÓ 3

@defato_rn

descoberta da doença. MOSSORÓ 1 /photos/jornaldefatorn

O milagre da folhadomingo da moringa

/jornaldefatorn

Agrônomo revela os poderes milagrosos da "árvore da vida", a moringa oleífera, que ele cultiva. ESTADO 1

7s o

MOSSORÓ �RN�, DOMINGO, 19 DE NOVEMBRO DE 2017 | EDIÇÃO 5.020 � ANO XVIII | R$ 2,50

O TORTO ossoró ANDAR DO OUTRO ve ter 17os Jornalismo n de Verdade pelade staque não importa m 2018 a plataforma

Mossoró (RN), Cedida domingo, 9 de setembro de 2018

do maior colégio eleitoral dade deve assumir posição ues com nomes à disputa a do próximo ano. PRINCIPAL 3 @defato_rn

CMYK

o de s para o CMYK

Governo vai suspender novos cursos

/photos/jornaldefatorn

/jornaldefatorn

Passado Presente

Incêndio no Museu Nacional acendeu o alerta: nossas memórias estão sendo devidamente preservadas?


tv

>> bastidores

Com história fraca e elenco estelar, “Três Irmãs” completa uma década de exibição

/jornaldefatorn

@defato_rn

defato com

>> principal

José de Abreu se diverte com o tom popular do divertido Dodô de “Segundo Sol” página 3

Na

massa

>> inside

Aguinaldo Silva volta ao gênero do realismo fantástico em suas novelas

/photos/jornaldefatorn

Mossoró (RN), domingo, 9 de setembro de 2018


2 televisão

Seriais

Domingo, 9 de setembro de 2018

>> por Geraldo Bessa

Destaques das séries e conteúdo “on demand”

Nota dez (Viva Play, dom, dia 9) Os alunos mais engraçados do pais estão de volta ao Viva. A quarta temporada do “remake” de “Escolinha do Professor Raimundo”, com direção geral e artística de Cininha de Paula e redação final de Chico Soares e Marcio Wilson, é fruto de uma parceria entre a Globo e o canal pago. Os episódios desta temporada contarão com novos alunos, entre eles Patropi, interpretado agora por Marco Luque. Além dos novatos, a sala ainda terá Rolando Lero, Dona Bela, Cacilda e Seu Boneco, entre outros, personagens revividos por Marcelo Adnet, Betty Gofman, Fabiana Karla e Marcius Melhem. Na tevê desde 1957, o formato do programa criado por Chico Anysio já integrou uma série de humorístico e ganhou sua versão mais famosa no início dos anos 1990. Em 2015, o Canal Viva idealizou o “remake” como um especial de 7 episódios. A equipe incluiu três familiares de Chico, todos com experiência na série original: direção de sua sobrinha Cininha de Paula, redação do filho Nizo Neto e o professor Raimundo interpretado por Bruno Mazzeo. A ideia deu tão certo que o programa ganhou espaço garantido na grade da Globo e do Viva, que também disponibiliza os episódios no Viva Play.

Loura e poderosa

(Lifetime Play, seg, dia 10) O mundo inteiro sabia seu nome, mas ninguém conhecia seus segredos. A atriz Kelli Garner revive o mais famoso “sex symbol” do mundo, a estrela Marilyn Monroe, na espetacular minissérie "A Vida Secreta de Marilyn Monroe", que chega ao Brasil pelo canal Lifetime e na plataforma Lifetime Play. Ao longo de quatro horas, a produção revela vários segredos muito bem guardados que a loira ocultava do público, sendo o maior deles sua mãe Gladys, interpretada por Susan Sarandon, que esteve muito tempo internada em um hospício. Os premiados Emily Watson e Jeffrey Dean Morgan também encabeçam o elenco. Baseada no livro de J. Randy Taraborrelli, “A Vida Secreta de Marilyn Monroe” começa com o retrato da jovem Norma Jeane Mortenson, que enfrenta uma existência solitária e sem amor com uma mãe ausente. A minissérie é centrada na valente, divertida, inteligente e ambiciosa mulher que se reinventou para se tornar o símbolo da América. Apesar das adversidades, Norma Jeane consegue alcançar o estrelato. No entanto, sempre foi uma artista frágil, desesperada pela aceitação e proteção dos homens. O mundo exterior nunca viu realmente ou compreendeu a verdadeira Marilyn Monroe, uma mulher muito diferente da sua imagem pública.

Bastidores do esporte

(Amazon Prime Video, ter, dia 11) Assim como a Netflix, a Amazon Prime Video tem investido alto em produções de caráter mais regional. Fruto do investimento do braço espanhol da Plataforma, chega ao serviço nesta semana “Six Dreams”, série documental esportiva que acompanha seis personagens da temporada de 2017/2018 da LaLiga, a primeira divisão do campeonato de futebol do país. Realizada em regime de colaboração entre a produtora Mediapro e a própria LaLiga, “Six Dreams”

apresenta aos assinantes da plataforma uma visão exclusiva e sem precedentes dos bastidores da famosa liga espanhola, acompanhando três jogadores, dois treinadores e um presidente de clube enquanto enfrentam a temporada 2017/18. Cada participante vem de uma equipe diferente e traz uma visão única sobre os desafios diários e lutas do futebol profissional em seu nível mais alto. Feita na medida para os amantes do esporte, a série entra no ar em todos os países que contam com o Amazon Prime Video. A empresa tem um acordo com o Manchester City, também em parceria com a Mediapro, e já está produzindo uma série sobre o dia a dia do clube inglês. As duas séries fazem parte de um projeto muito maior da empresa, que pretende produzir outros 70 produtos voltados para o mercado do futebol.

Quem fala

(Netflix, qua, dia 12) A Netflix estreia nesta semana a terceira temporada de “As Telefonistas”. Primeira série da empresa em território hispânico, a produção começa em Madrid, em 1928. A companhia telefônica nacional abre sua sede no centro da cidade e centenas de garotas fazem fila para conseguir um emprego como telefonista no único lugar que representa o progresso e a modernidade para as mulheres da época. Quatro meninas, de origens muito diferentes, começam a trabalhar como operadoras. A partir desse dia, o ciúme, a inveja e a traição passam a se confundir com o desejo de sucesso, amor e amizade. Originalmente chamada “Las Chicas del Cable”, a série terá uma mudança de estética geral nos novos episódios, tanto no ambiente e espaços, quanto no visual das protagonistas. Juntas, elas agora enfrentarão o início de uma nova década de 30.


televisão 3

Domingo, 9 de setembro de 2018

Na massa

família, mas que tem lá suas contradições também. Cheguei na locação meio perdido. Todos já estavam por lá trabalhando há dois meses.

>> principal

P - Foi difícil se integrar ao restante do elenco? R - Sim. Principalmente, para todo mundo soar como uma família. Fui fazendo a minha parte aos poucos. Passei alguns dias andando pelas ruas do bairro de Santo Antônio, que foi uma das referências que o João e o Dennis (Carvalho, diretor) me deram sobre o personagem. Esse período de preparação, embora corrido, foi muito gostoso.

José de Abreu se diverte com o tom popular do divertido Dodô de “Segundo Sol”

J

osé de Abreu é uma espécie de operário da tevê. Só que do tipo muito bemremunerado. Sempre disposto a cumprir seu contrato com a Globo, poucas vezes recusou papéis e, por sorte ou sintonia com autores e diretores, acabou construindo uma carreira diversa e cheia de tipos de destaque. Atualmente, o esquema se repete com o emotivo Dodô de “Segundo Sol”, sua terceira novela sob o texto de João Emanuel Carneiro. “Acho que eu já posso pedir música no 'Fantástico', não é?”, brinca, referindo-se ao quadro musical que homenageia os artilheiros dominicais. Para o ator, Dodô representa seu encontro com a massa, depois de dois personagens mais sisudos em tramas como “Joia Rara” e “A Regra do Jogo”. “Minha inspiração para esse personagem é a rua. Andei por Salvador, conheci pessoas maravilhosas e o papel foi tomando forma”, conta. Natural da pequena Santa Rita do Passa Quatro, no interior de São Paulo, Abreu cresceu sem se dar conta de que a profissão de ator existia. Ao chegar na capital do estado, se envolveu com o teatro alternativo e de esquerda, mas teve a carreira brevemente interrompida após se envolver com a luta contra a ditadura e ter de se exilar na Europa. Nos anos 1980, assinou com a Globo, onde estreou em “As Três Ma-

rias”. Com uma breve passagem pela extinta Manchete, foi na Globo que ele desenvolveu sua carreira, com personagens populares como o Delegado Motinha de “A Indomada”, o Josivaldo de “Senhora do Destino” e, especialmente, o Nilo de “Avenida Brasil”. “Para um cara que nem sabia que existia a figura do ator na infância, acho que venho conquistando coisas muito legais na vida”, emociona-se. P - Você foi dispensado do elenco de “Segundo Sol” pouco antes da novela começar a ser gravada. Ficou chateado? R - Um pouco. Segundo a direção, meu papel seria para um ator mais velho. Adoro o texto do João (Emanuel Carneiro, autor). Sou fã mesmo. E queria ter a oportunidade de trabalhar em uma obra dele

pela terceira vez seguida. Livre de compromissos, confirmei presença em alguns festivais, marquei outros trabalhos e aí me escalaram para a próxima novela do Aguinaldo Silva. Fiquei feliz também, Aguinaldo é um dos autores mais importantes e frequentes da minha carreira. P - Como foi sua volta ao elenco da atual novela das nove? R - Uns três dias antes de embarcar para a França, me ligaram falando que tudo tinha mudado. Isso é muito comum na tevê. De repente, o autor adapta algo no texto e é possível reescalar alguns nomes. Fui direto para a Bahia, terra que eu já visitei algumas vezes. Achei importante voltar lá para adquirir a baianidade necessária ao Dodô, um sujeito simples,

P - Como assim? R - Santo Antônio é um bairro muito particular de Salvador. É pequeno, uma rua que vai e outra que vem, sem saída, com uns casarões enormes construídos entre os Séculos XIX e XX. Lá, encontrei pessoas e sotaques maravilhosos, aprendi a cozinhar caranguejo, conheci a arte de rua da região. É um bairro que passa por um momento de efervescência, muita gente do mundo das artes está indo para lá. Foi meu encontro com a essência da cidade e, consequentemente, com meu personagem. Três semanas que valeram muito a pena. P - O fato de trabalhar pela terceira vez com o mesmo autor em menos de seis anos não o deixa com a sensação de estar se repetindo? R - Pelo contrário. O João é tão inventivo que ele me deu três dos papéis mais diversos da minha carreira. O Nilo, de “Avenida Brasil” era um vilão circunstancial, um sobrevivente. O Gibson de “A Regra do Jogo” representava a aristocracia podre e falida do Brasil. Agora, sou um pai de família comum, que está pegando por alguns erros do passado e se adaptando a uma outra configuração de relacionamento conjugal. Acredito que o João valoriza meu “passe” como ator.


4 televisão

>> close Em “Pacto de Sangue”, Mel Lisboa destaca a experiência de viver uma líder espiritual controversa

Domingo, 9 de setembro de 2018

Pés no chão

A

os 36 anos, Mel Lisboa ainda exibe o ar jovial e a beleza de quando se revelou aos olhos do público na televisão. Depois de quase duas décadas de protagonizar a minissérie “Presença de Anita”, de 2001, no entanto, a atriz amadureceu seu olhar para a vida e, principalmente, para a profissão. Desde que estreou, ela experimentou de tudo um pouco. Obteve sucesso e reconhecimento em alguns trabalhos – como na produção de estreia, escrita por Manoel Carlos, e na minissérie bíblica “Sansão e Dalila”, da Record -, enquanto em outros, foi escalada apenas para papéis secundários, como foi o caso de “Desejos de Mulher”, exibida em 2002 pela Globo. Mas, diante dos altos e baixos da carreira, Mel aprendeu a encarar qualquer situação com tranquilidade. “A gente tem de ter maturidade o suficiente para entender isso. Não se deixar levar nem por quando estamos em um momento excelente e nem quando estamos em uma maré baixa”, pondera ela, que, de uns tempos para cá, vem se dedicando a projetos mais curtos na tevê. Atualmente, a atriz interpreta a Gringa, da série “Pacto de Sangue”, do canal a cabo Space. “É uma personagem intrigante, diferente de tudo o que eu já havia feito. Uma mulher poderosa no seu ambiente, que lidera experiências extremamente violentas”, aponta. Na história de oito episódios, com direção do brasileiro

Tomás Portella e do uruguaio Adrián Caetano, Gringa é uma líder espiritual e dona de um “resort” na Amazônia. No local, a personagem recebe turistas do mundo todo, principalmente da Europa, interessados no que ela chama de “turismo espiritual”. Na verdade, Gringa lidera uma seita que gira em torno de drogas e sacrifício humano e ainda é parceira de Trucco, papel interpretado por Jonathan Haagensen, no tráfico de mulheres e de narcóticos. “Só que

ela acaba tendo de fugir de tudo para tentar salvar a própria vida”, salienta. Apesar de se tratar de uma personagem totalmente fictícia, Mel pesquisou sobre alguns rituais que poderiam ser parecidos com os que Gringa promove na série. “Mas o trabalho foi feito bastante também no ‘set’, em parceria com os outros atores e o diretor”, explica. Assim que recebeu o convite para integrar o elenco de “Pacto de Sangue”, Mel se ani-

mou para ler a sinopse da história e o perfil de Gringa. Na mesma hora, teve vontade de participar do projeto e, por sorte, estava com a agenda livre nas datas de gravações. Mas antes de aceitar qualquer trabalho, a atriz costuma pesar algumas questões. “Gosto de saber sobre a obra como um todo. Se eu acho interessante, vou avaliar a personagem em si. Gosto de desafios. A Gringa foi um deles”, destaca. Durante dois meses, Mel se viu envolvida por uma rotina intensa de trabalho dentro do “set” da série. Apesar de alguns percalços, ela conseguiu dar conta de tudo. “Na época, estava começando a ensaiar uma peça em São Paulo e tive de me virar. E ainda gravei a maior parte das cenas em Belém”, pontua. O teatro, aliás, tem ocupado boa parte do tempo de Mel. Mas, na televisão, ela observa com atenção o atual momento de produção de séries brasileiras. E acredita que tanto os atores quanto os telespectadores saem ganhando com essa movimentação no mercado de teledramaturgia. “Muitas pessoas têm preferido assistir a séries que a novelas. O número de produções nacionais aumentou muito, o que proporciona mais trabalho para todos os profissionais do audiovisual. Acho excelente!”, celebra. Mas é dos palcos que ela guarda na memória uma das melhores experiências que teve como atriz: quando interpretou a cantora Rita Lee no musical “Rita Lee Mora ao Lado”. “Eu recebia muito carinho daqueles que assistiam e criamos uma espécie de família. No entanto, acredito que o espetáculo não voltará. Teatro é assim e isso é lindo: um dia acaba, se esvai, como a vida”, filosofa.


televisão 5

Domingo, 9 de setembro de 2018

>> ponto de vista

Gilberto Gil estreia à frente do “Amigos, Sons e Palavras”, exibido pelo Canal Brasil

Papo de

qualidade

O

Canal Brasil está na contramão dos programas que enchem o telespectador de informação, luz, cor, convidados, em um clima festivo e de pouco conteúdo. Sempre priorizando produções de qualidade, o “braço” da Globosat pensou em uma série de maneiras de comemorar seu vigésimo aniversário, que acontece este mês. Por isso, trouxe Gilberto Gil para apresentar pela primeira vez. No “Amigos, Sons e Palavras”, o cantor sai do papel de convidado para assumir a cadeira do anfitrião. E o faz com maestria, como se estivesse acostumado àquela função. A cada um dos 11 episódios, músicas consagradas ou inéditas do cantor oferecem as boas-vindas ao convidado da vez e já dão início ao papo - sempre relacionado com a música

de abertura. O programa, além de brindar o aniversário do Canal Brasil, também ajuda a divulgar o novo disco de Gil, que foi lançado no mês passado, junto com o “Amigos, Sons e Palavras”. “OK, OK, OK” é o mais recente trabalho do baiano, que mescla sucessos e novas composições. Com direção de Letícia Muhana e Patrícia Guimarães, o programa já começou com um quê familiar. Flora Gil e Bem Gil, mulher e filho de Gil, assinam a direção de produção e a direção musical. Talvez por isso ele esteja tão confortável na posição. A seleção de convidados também foi feita para beneficiar a troca direta entre a dupla frente às câmeras. Para o episódio de estreia, Caetano Veloso foi o escolhido. Amigo de longa data de Gil, ele jogou no mesmo time que seu

anfitrião. Juntos, relembraram histórias do passado, falaram sobre a criação dos filhos e, claro, sobre música. Fernanda Torres foi a segunda da lista. Em uma conversa inteligentíssima sobre o feminismo e o papel da mulher na sociedade atual, o “Amigos, Sons e Palavras” é um brinde ao telespectador que procura conteúdo na forma de entretenimento. Além deles, o médico Dráuzio Varella, os atores e autores Lázaro Ramos e Maria Ribeiro e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso são alguns dos convidados. O esquema é simples. O cenário, mais ainda. O fundo preto atrás de um cenário bem pequeno dá o tom do clima intimista que o “Amigos, Sons e Palavras” espera ter. Duas poltronas, um pedestal com microfone e uma partitura são os

únicos acessórios em cena. E não precisava mais. Não é o que está em pauta, o objetivo é que Gil, seu convidado, a música e o bate-papo sejam os protagonistas. Sem roteiro, uma ideia do Canal Brasil rapidamente comprada por Gil, o programa transcorre de forma leve, de um jeito que o telespectador quase não percebe seus minutos passando. Assim, a conversa segue o tema da música de abertura, mas vai por caminhos imprevisíveis, como um bate-papo entre amigos. Sem medo de falar sobre política em ano eleitoral, os rumos do país têm espaço em todas as conversas. Gil não faz de seu primeiro programa um palanque eleitoreiro. Muito mais importante que isso, ele procura entender os diferentes pontos de vista e achar alguma ressonância com eles.


6 televisão

Domingo, 9 de setembro de 2018

Terça (11/09) - Dandara e Hugo se candidatam a líderes do grêmio estudantil e fazem seus discursos. Álvaro confessa a Verena que descobriu sobre sua armação para encontrá-lo. Fabiana decide se candidatar ao grêmio, e Talíssia se sente ofendida pelo discurso da menina. Talíssia orienta Dandara a ter mais calma para poder ser ouvida pelas pessoas. Hugo anuncia o lançamento de sua candidatura no Le Kebek.

Quarta (12/09) - Fabiana acusa Dandara tê-la atacado e os alunos se surpreendem. Atr palhado com suas tarefas, Getúlio esquece um garrafa de desinfetante na geladeira do Le Kebe Leandro e Bárbara se reaproximam. Hugo pr voca Dandara, que se desestabiliza. Érico e Talí sia apoiam a amiga, e Marcelo, Leonor, Brigitte Gabriela se preocupam com os rumos da eleiç para o grêmio.

>>O Tempo Não >>Orgulho e Para Globo – 19h15 Paixão Globo – 18h15

Segunda (10/09) - Darcy, Elisabeta e Baltazar se surpreendem com o estado de Lady Margareth. Ema teme ter magoado Ernesto. Luccino incentiva Ernesto a se reaproximar de sua esposa. Delegado Baltazar decide prender Lady Margareth para testar seu estado de aparente confusão mental e Darcy se preocupa com a tia. Nicoletta afirma a Gaetano que ele precisa trazer seus filhos de volta para casa. Ludmila percebe a tristeza de Januário, que deseja casar-se e ter filhos.

Terça (11/09) - Gaetano não resiste ao ferimento, e Luccino e Ernesto se desesperam. Virgílio foge. Susana e Petúlia concluem que Lady Margareth está realmente fora de si. Estilingue pede que Tenória dê uma chance para o Barão. Baltazar chega à fazenda de Xavier para apurar o crime contra Gaetano. Darcy decide retomar o trabalho na ferrovia. O Barão se entende com Januário. Baltazar comunica a Darcy que a avaliação médica atesta que Lady Margareth perdeu a sanidade mental.

Quarta (12/09) - Darcy, Elisabeta e os médic procuram por Lady Margareth. Nicoletta afirm que Gaetano amava os filhos a seu modo. Jor aconselha Tenória a aceitar o convite para mor na casa de Julieta. Camilo e Jane decidem muda se para a casa de Julieta. Elisabeta encontra La Margareth e afirma à vilã que não acredita em s suposta loucura. O Barão e Ernesto têm uma ide para divulgar o café nobre de Camilo. Todos preocupam com o julgamento de Brandão.

Segunda (10/09) - Marocas fica incomodada com a boate. Samuca tenta tranquilizar Marocas, quando Betina se aproxima do casal. Betina tenta convencer Samuca e Marocas a irem para a área VIP. Agustina acorda assustada e Dom Sabino tenta acalmar a esposa. Betina sabota a bebida de Marocas, sem que ninguém perceba. Betina se diverte ao ver Marocas passar mal. Igor tenta ajudar Samuca com a noiva. Zelda repreende Betina.

Terça (11/09) - Marocas acusa Betina de ter tentado envenená-la. Eliseu diz a Paulina que Dom Sabino não perdoará Samuca. Carmen avisa a Betina que ela está sendo destituída da Samvita e que Emílio não poderá representá-la na empresa. Natália informa a Marocas que ela terá uma equipe para ajudá-la na formulação dos produtos. Dom Sabino sente orgulho de Miss Celine. Dom Sabino fica indignado ao saber que Samuca empregou Marocas.

Quarta (12/09) - Marocas mantém a decis de trabalhar diante do pai. Elmo flagra Carmen Dom Sabino se beijando. Elmo repreende Ve Lúcia. Carmen se sente culpada por ter beija Dom Sabino. Elmo alerta Dom Sabino sobre Ca men, e exige que o homem não a faça sofrer. B lém se propõe a ajudar Emílio a ser representa te de Betina na Samvita. Mariacarla conseg informações sobre Dom Sabino com Miss Celin Lalá se interessa por Betina.

>>Segundo Sol

Segunda (10/09) - Beto questiona Luzia sobre a morte de Remy. Desnorteada, Luzia foge de Beto, e Laureta comemora. Karola sofre com o assassinato de Remy. Ionan acredita que Luzia é culpada pela morte de Remy, e Beto se desespera. Dodô e Naná exigem que Ionan prenda Luzia. Karola se preocupa com o dinheiro roubado por Remy. Valentim conclui que Karola sempre esteve certa sobre Luzia. Groa e Cacau tentam proteger Ícaro e Manu.

Terça (11/09) - Luzia afirma a Groa que tem certeza de que sofreu um novo golpe de Karola e Laureta. Dodô se incomoda com a presença de Nestor no velório de Remy. Beto sofre com seu amor por Luzia e acredita ter se apaixonado por uma bandida. Roberval garante a Zefa que Luzia é vítima de uma nova armação. Naná revela que Nestor é pai biológico de Remy, e Dodô se desespera. Rosa confronta Laureta pela morte de Remy.

Quarta (12/09) - Naná se explica para Dod que afirma que não perdoará a esposa. Naná d cide se mudar para a casa de Nestor. Beto, Ion e Clóvis choram a perda de Remy e a situação sua família. Dodô incentiva Beto a se reergu Laureta exige que Galdino descubra o parade de Luzia. Cacau vai ao encontro de Luzia, e Ga dino a segue, sem perceber que também es sendo vigiado. Karola faz um jantar para Beto Valentim.

Segunda (10/09) - Sr. Pendleton vai na mansão de Poliana de surpresa e conversa com Luísa no escritório. Poliana fica curiosa para saber sobre o que eles conversam. Mirela e Raquel vão à comunidade atrás de Guilherme e Vini para tentar encontrar Jeferson. Luísa tenta mentir sobre Poliana, mas Sr. Pendleton afirma que já sabe que ela é filha de Alice. Sr. Pendleton diz que a família de Luísa tem uma dívida com ele e que ela não pode impedir que Poliana converse com ele, pois não fará mal para a menina.

Terça (11/09) - Sr. Pendleton vê Roger maltratando Claudia na empresa e diz que ele deve tratar todos os funcionários iguais, com respeito. Poliana chama João e o mascote Feijão para acompanhar ela, Lorena, Yasmin e Luigi na casa de Marcelo. Mirela diz para Dona Branca que não sabe mais o que fazer para conquistar Guilherme. Waldisney diz que Roger deveria tomar cuidado com Claudia. Nadine segue Sérgio. Luísa conta para Durval sobre a visita de Sr. Pendleton. Poliana derruba a bolsa de Débora.

Quarta (12/09) - Nanci se sente culpada p comer doces. Luísa é grossa com Poliana pe menina querer que a família seja toda unid João janta na padaria e conta para Durval sob seus pais. Guilherme vai até a casa de Mire para jantar com ela e Dona Branca. Loren Mário, Gael e Benício vão até a casa de Sr. Pe dleton usando como desculpa a chuva. El acham que a marionete de Poliana é a menin Vini diz para Jeferson que teme que o pai, Li domar, seja o Rato e chefe do crime. Débo mente para Marcelo.

Globo. – 21h

Globo – 17h35

>>malhação

Segunda (10/09) - Marcelo pede que Michael troque sua roupa até que ele reveja o regulamento da escola e Dandara enfrenta o pai. Pérola planeja ajudar Maria Alice e Alex a terem uma primeira noite especial. Dandara, Talíssia e Leandro fazem uma intervenção contra Marcelo no Sapiência. Marcelo decide tirar Dandara do colégio e Gabriela sugere outra solução. Leandro e Bárbara discutem por suas diferenças.

>>As Aventuras de Poliana SBT - 21h

Resumo das novelas

ACESSE


televisão 7

Domingo, 9 de setembro de 2018

de rama ek. rolísee ção

Quinta (13/09) - Dandara acusa Hugo de assédio e Fabiana se envolve na discussão dos dois. Alex e Maria Alice têm sua primeira noite de amor. Márcio prepara uma surpresa para Pérola. Maria Alice perdoa Rei, e Alex se emociona com a namorada. Maria Alice, Flora e Pérola explicam a Alex, Tito e Márcio o posicionamento de Dandara. Michael ameaça se afastar de Jade, caso a menina vote por Fabiana.

Sexta (14/09) - Gabriela se decepciona com as manifestações agressivas dos alunos. Dandara perdoa Hugo e os dois trocam elogios. Os fiscais reportam a Getúlio que encontraram diversas irregularidades no restaurante, e Paulo e Marli se surpreendem. Paulo confronta Getúlio. Os alunos começam a receber mensagens com antigos posts machistas de Hugo em redes sociais. Fabiana acusa Dandara.

cos ma rge rar arady sua eia se

Quinta (13/09) - Cecília pensa em descobrir os responsáveis pelo bebê, e Rômulo acredita que foi um presente do destino para o casal. Jorge e Brandão se preparam para o julgamento, e o coronel se emociona ao receber o apoio de seus soldados. Jane e Camilo se instalam na casa de Julieta. Ludmila revela que as coleções desenhadas por Ema são um sucesso e lhe oferece mais trabalhos. Durante o julgamento de Brandão, Elisabeta acusa Xavier e Virgílio pelo atentado.

Sexta (14/09) - Todos acusam Xavier, e o Juiz ordena a prisão do homem. Xavier ameaça a todos com uma arma dentro do tribunal. Ernesto consegue capturar Xavier, que é preso por Baltazar. Brandão é inocentado e todos comemoram. Elisabeta afirma a Cecília que ela já é mãe do bebê abandonado a sua porta. Julieta oferece seu apoio a Mariana, e as duas trocam confissões. Brandão confronta Xavier na delegacia. Elisabeta comemora o talento reconhecido de Ema.

Sábado (15/09) - Vicente conta a Darcy e Charlotte como Lady Margareth fez de Williamson seu prisioneiro. Julieta nega abrigo a Petúlia e Susana, que jura vingança contra a rainha do café. Lídia planeja uma surpresa para Randolfo, e é apoiada por Felisberto. Charlotte e Darcy confrontam Lady Margareth, mas Elisabeta sente-se mal. Cecília e Rômulo investigam o paradeiro da mãe e do pai biológicos do bebê. Josephine descobre sobre o bebê deixado à porta de Rômulo e Cecília.

são ne era ado arBeangue ne.

Quinta (13/09) - Marocas avisa a Bento que é comprometida e Samuca oferece abrigo em sua casa. Bento fica admirado com a beleza de Carmen e, sem querer, acaba tirando uma das fotos do álbum de Samuca. Samuca leva Bento para conhecer a Samvita. Monalisa sugere a Marino que pegue a metade das joias de Cesária e divida com ela. Vanda demite Paulina. Bento tenta se desculpar com Samuca ao ser descoberto com a foto de Carmen no bolso.

Sexta (14/09) - Dom Sabino diz que foi traído por Samuca. Betina conta a Emílio que tem planos de preparar Lalá para seduzir Marocas. Emílio pede a Belém que investigue Lalá. Eliseu deduz que Cecílio precisa de um psiquiatra. Bento aceita o emprego que Samuca lhe oferece na Samvita. Carmen fica surpresa ao ver Betina com Lalá. Agustina acusa Samuca de ter raptado Marocas. Na casa de Carmen, Dom Sabino e Agustina retiram a permissão para o casamento da filha.

Sábado (15/09) - Carmen avisa a Dom Sabino que não cabe a ele nem a Agustina decidir sobre o casamento de Samuca e Marocas. Marino tenta acalmar Carmen. Mariacarla comunica a Dom Sabino que já fez a requisição formal à seguradora do navio Albatroz. Carmen diz a Elmo que Marocas jamais perdoará Samuca. Helen se preocupa com Cecílio. Barão oferece trabalho a Menelau. Kiki e Nico pedem ajuda a Cecílio para resgatar Cairu.

dô, denan de uer. eiro alstá oe

Quinta (13/09) - Cacau desconfia das intenções de Roberval ao ajudar Luzia. Laureta convence Ícaro a permanecer em sua casa. Rosa e Ícaro trocam provocações. Karola e Laureta desconfiam de que Luzia esteja recebendo ajuda. Zefa repreende Severo. Rochelle estranha uma ligação misteriosa de Roberval. Dominick ameaça Roberval. Selma prepara uma surpresa para Maura, que se sente culpada. Valentim conforta Beto e o incentiva a visitar Karola.

Sexta (14/09) - Luzia oferece tratamento médico a Galdino, em troca dos segredos que o capataz sabe sobre Laureta. Rosa fica estarrecida com o descaso de Laureta por Galdino. A mãe de Galdino morre, e ele decide procurar Luzia para se vingar de Laureta. Luzia e Roberval descobrem que Laureta está envolvida com o tráfico de drogas. Naná discute com Nestor e vai até a casa de Dodô cuidar da família. Ionan não resiste e beija Maura novamente.

Sábado (15/09) - Luzia afirma a Manu que é inocente, e pede que a filha afaste Ícaro de Laureta. Ícaro propõe deixar a casa de Laureta com Rosa. Laureta confronta Karola, e Galdino conta a Luzia. Luzia pensa em intrigar Laureta contra Karola. Groa entrega a Beto uma carta de Luzia, que afirma sua inocência. A família de Beto repreende o cantor por acreditar em Luzia. Luzia e Galdino roubam o colar de Karola para incriminar Laureta. Rosa sofre ao lembrar de seu passado.

por ela da. bre ela na, enlas na. inora

Quinta (13/09) - Dona Branca faz várias perguntas para Guilherme durante o jantar. Raquel conversa com a mãe, Fernanda, pela internet. Ela conta que está ficando com Guilherme. Mirela recebe uma mensagem misteriosa dizendo que Raquel não está lhe contando toda a verdade. Dona Branca diz para a neta aceitar a realidade, pois Guilherme gosta dela só como amiga. Jeferson acha uma bolsa de Ciro cheia de dinheiro e fica desconfiado. Sr. Pendleton diz para SARA que as semelhanças entre Poliana e Stela são muitas.

Sexta (14/09) - Guilherme diz para Mirela que gosta dela apenas como amiga e que não vão poder ficar juntos. Mirela fica irritada. Filipa recupera sua popularidade na escola com o novo grupo, mas diz que para tudo ficar como ela quer precisam fazer algumas brincadeiras com pessoas que ela não gosta. O Comitê do Laço Azul realiza uma palestra com uma psicóloga para falar sobre os perigos da mentira e como os pais devem lidar com as mentiras das crianças e os limites perigosos dessa atitude. Afonso entra na escola para cantar e se declarar para Luísa.

ACESSE


8 televisão

>> cinco

perguntas Repórter do “Fantástico”, Sônia Bridi relembra carreira como correspondente internacional

Domingo, 9 de setembro de 2018

Mundo afora

S

ônia Bridi, repórter do “Fantástico”, é o que se pode chamar de cidadã do mundo. Durante sua carreira no jornalismo, ela não se deixou limitar por fronteiras geográficas ou linguísticas. Ao lado do marido, o cinegrafista Paulo Zero, atuou como correspondente internacional em Londres, Nova Iorque, Paris e Pequim. Mesmo residindo no Brasil nos últimos anos, Sônia não deixou de produzir grandes reportagens internacionais. Recentemente, voltou à China para gravar a quarta temporada da série “Jornada da Vida”, exibida na produção comandada por Tadeu Schmidt e Poliana Abritta. “Acho que estou no melhor dos mundos. Faço meus projetos, mas, no geral, estou perto da minha mãe, dos meus irmãos e agora dos meus netos. Como correspondente, sentimos falta de participar dos debates e das coberturas relevantes para o Brasil. Estando aqui tenho isso”, explica ela, que não descarta por completo a possibilidade de voltar a morar e trabalhar fora do país. “Hoje não tenho o desejo de voltar a ser correspondente, mas também não deixaria de pensar nisso. Estou feliz onde estou”, completa. Natural de Caçador, interior de Santa Catarina, Sônia foi contratada pela RBS, afiliada da Globo, em 1984. Durante sua jornada na emissora, colaborou para o “Jornal Nacional”, “Jornal da Globo”, “Bom Dia Brasil” e “Fantástico”. Porém, foi a cobertura da Rio 92, convenção de

clima que aconteceu no Rio de Janeiro, que definiu os rumos do jornalismo que iria praticar. Apesar de realizar matérias para todos os tipos de editorias, as reportagens sobre o meio ambiente sempre tiveram um espaço especial na trajetória da jornalista. “Sempre gostei de ciência e sempre li sobre o assunto. Na Rio 92, encontrei fontes que cultivo até hoje. As mudanças climáticas afetam todos os setores: a economia, a agricultura, as cidades, os serviços, a segurança e a saúde. O assunto já era importante, nós é que não dávamos a importância que ele merece”, defende. P – Entre os anos de 2005 e 2006, você e o repórter cinegrafista Paulo Zero foram correspondentes em Pequim, na China. Durante as gravações da temporada da série “Jornada da Vida”, o que mais chamou a sua atenção ao retornar ao país? R – As mudanças da China. Não só o crescimento vertiginoso das cidades, mas a modernização da relação com dinheiro e com os pagamentos (agora é tudo por celular), a maneira como se vestem e o jeito como se

comportam. Esperávamos muitas dificuldades no interior, mas isso não aconteceu. Tudo foi muito profissional. P – Como funciona a logística e a pré-produção do quadro? R – Geralmente, fazemos uma temporada por ano. Depois de definidos os temas, começamos a pesquisa. Leio muito, vejo documentários, filmes de ficção com locação nos lugares onde vou, leio livros sobre a região, ficção de autores locais, enfim, tudo o que encontrar. Então começamos a desenhar um roteiro de ambições, com tudo o que queremos fazer. Só então os produtores começam a viabilizar tudo isso. É uma logística grande: precisamos da estação do ano ideal para gravar, de dezenas de autorizações para gravar em parques, cidades, locações, além do acerto de deslocamentos – voos, trens, carro ou de aviões fretados para lugares muito remotos. P – A China é um país complexo e bastante fechado. Ao longo das gravações, quais foram as maiores dificuldades que vocês enfrentaram?

R – A dificuldade é sempre o que você não pode controlar: o clima. Não há como prever o tempo com muita antecedência. Um dia de chuva pode fazer desmoronar a fila de dominós que vem em seguida. Temos um roteiro bem amarradinho, com pouco respiro. Então não desperdiçamos nem um minuto de tempo bom, para ter espaço de espera se o tempo virar. Passamos 27 dias na China. P – Além de Pequim, você também atuou como correspondente em Londres, Nova Iorque e Paris. Qual passagem foi mais marcante? R – A China. Tive de reaprender signos, valores, tudo. E tudo sem conseguir ler uma placa de rua. Foi duro, mas não trocaria por nada. Paulo (Zero) e eu enfrentamos dificuldades com burocracia, diferenças culturais e censura. Mas foi sensacional. A China era cheia de pautas inéditas, novas descobertas. Para um repórter, isso é presente de Natal todo dia. Fomos com o nosso filho, que tinha 3 anos na época. P – À primeira vista, o trabalho de correspondente transparece glamour, mas, na verdade, é bastante exaustivo. Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou durante os períodos em que trabalhou fora do país? R – Em alguns países há a barreira da língua, tem de trabalhar com tradutores, que é um intermediário entre você e o entrevistado. Para o correspondente, usar três ou quatro idiomas no mesmo dia é rotina, principalmente se estamos na Europa. Correspondente é generalista, cobre todo tipo de assunto para todos os telejornais. Então tem de estar bem informado sobre tudo o tempo todo. Em cada lugar tem de descobrir como vai mandar a matéria, se a internet é boa. É desafiador e intenso.


Domingo, 9 de setembro de 2018

>> raio x Em “Malhação – Vidas Brasileiras”, Gabriel Fuentes lembra dificuldades do início da carreira

Idas e vindas

J

uliano Laham manteve a mente aberta para os rumos de seu personagem em “Orgulho & Paixão”. Sem uma trama específica no início da novela de Marcos Bernstein, o ator deixou espaço em sua preparação para acrescentar novos detalhes ao longo do caminho. Tanto foi que, nas últimas semanas, o intérprete do doce Luccino viu seu papel ganhar outros contornos ao revelar que é gay. Nos capítulos mais recentes, o mecânico decide assumir seu romance com Otávio, de Pedro Henrique Müller, confessando seus sentimentos pelo capitão italiano. “O meu processo de criação é continuo. Como na vida, vamos nos transformando, o meu personagem também. A cada cena que chega, eu estudo e enxergo para qual caminho o autor está levando e nisso vou moldando, buscando sempre trazer a verdade para aquele momento em que eu vivencio o Luccino”, explica Juliano, que não tinha certeza de como seria a reviravolta de seu personagem. “Nunca descartei essa possibilidade porque novela é uma obra aberta. Quando esse momento chegou, quis construir essa história de uma forma bonita e sutil. Busquei vivenciar a dificuldade de falar sobre sua sexualidade, pois a cena é retratada em 1910, existia outra cultura e outras formas de lidar com determinadas coisas”, completa. A trama de “Orgulho & Paixão” é a segunda novela de Juliano. Antes, ele integrou a temporada 2016 de “Malha-

ção”, em que viveu o lutador Rômulo. Porém, seu primeiro contato com a tevê não aconteceu através dos folhetins, mas sim de um “reality show”. Filho de libaneses, o ator foi convidado para interpretar um libanês durante uma prova da 16ª temporada do “Big Brother Brasil”. “Fui convidado a fazer uma atuação no ‘BBB’ como ator. E foi muito importante participar, até hoje eu agradeço à produção por me darem a oportunidade de mostrar o meu trabalho”, valoriza. Paulista de São José do Rio Preto, Juliano

mudou-se para o Rio de Janeiro em 2014, onde frequentou diversos cursos na área de tevê, cinema e teatro. Além do Brasil, o ator também morou no Líbano, Londres e no Qatar. “Sempre tive a vontade de fazer algo que eu pudesse preencher o próximo de uma certa forma. Quando entrei para o teatro, percebi que, naquele momento único em cena, eu poderia captar a atenção de quem estivesse me prestigiando e fazê-lo ter sensações que o despertassem e levassem para casa com uma nova mensagem”, filosofa.

televisão 9

Nome: Juliano Hadi Laham. Nascimento: Em 9 de dezembro de 1992, em São José do Rio Preto, São Paulo. O primeiro trabalho na tevê: “Malhação - Pro dia Nascer Feliz”, de 2016, da Globo. Atuação inesquecível: “Recentemente, em ‘Orgulho & Paixão’, o momento em que meu personagem resolve contar que é homossexual”. Momento marcante na carreira: “Em ‘Malhação’, gravar nos parques de Orlando”. O que falta na televisão: “Novos conteúdos. Semelhante aos que a internet e as plataformas de streaming oferecem”. O que sobra na televisão: “Uma nova geração de talentos”. Com quem gostaria de contracenar: Wagner Moura. Se não fosse ator, o que seria: “Não sei, talvez chefe de cozinha,nãodeixadeserumaarte,amo cozinhar é meu maior hobby”. Ator: Wagner Moura. Atriz: Meryl Streep. Novela preferida: “Caras & Bocas”, de 2009, da Globo. Vilão marcante: Félix, papel de Mateus Solano em “Amor à Vida”, de 2013, da Globo. Personagem mais difícil de compor: “O atual”. Papel que mais teve retorno do público: “O lutador Rômulo, que interpretei em ‘Malhação’”. Que novela gostaria que fosse reprisada: “Amor à Vida”. Que papel gostaria de representar: “Um vilão”. Filme: “Diário de Uma Paixão”, de Nick Cassavetes. Autor: Nicholas Sparks. Diretor: Woody Allen. Vexame: “Errar o nome de alguém em público”. Uma mania: “Baixar o som ou desligar o ar-condicionado do carro toda vez que eu vou falar alguma coisa. As pessoas ficam irritadas comigo”.


10 televisão

>> inside

Aguinaldo Silva volta ao gênero do realismo fantástico em suas novelas

Domingo, 9 de setembro de 2018

Asas à imaginação

A

realidade já não é mais tão inspiradora para Aguinaldo Silva. À frente do texto de “O Sétimo Guardião”, próxima novela das nove, o autor resolveu retornar às origens do realismo fantástico em seu novo projeto. O gênero, que apareceu em obras como “Roque Santeiro”, “Pedra Sobre Pedra” e “Fera Ferida”, é caracterizado pela invasão de elementos mágicos e impressionantes na realidade cotidiana. Após uma sequência de novelas realistas, Aguinaldo percebeu que era a hora de deixar a imaginação falar mais alto do que os fatos concretos do dia a dia. “Acho que o realismo das novelas está perdendo para a realidade. A realidade está muito mais interessante no mau sentido, claro. Não dá mais para competir. É hora de disparar a imaginação. Nas minhas novelas, tudo pode acontecer”, afirma. Com estreia prevista para novembro, a história de “O Sétimo Guardião” é ambientada em Serro Azul, pequena cidade já mencionada em outras novelas do autor. O local, inclusive, é vizinho de municípios famosos na dramaturgia de Aguinaldo, como Greenville e Tubiancanga, que apareceram em “A Indomada” e “Fera Ferida”. “Ao longo de minha carreira, consegui construir um território ficcional. Serro Azul sempre era citada nas minhas novelas, mas nunca apareceria”, afirma. Pacata e típica cidade do interior, Serro Azul não tem acesso à internet ou telefonia celular. Porém, o local esconde uma grande riqueza: uma fonte d’água com propriedades cura-

tivas e rejuvenescedoras. Essa fonte é protegida por sete guardiões que têm como missão garantir que essa riqueza não chegue a mãos erradas. “Como todas as minhas novelas, tem uma igreja, um padre e bordel. Mas são elementos fora do convencional. Esse projeto tem um lado lúdico muito forte”, defende. Os sete guardiões, responsáveis por proteger a fonte, são pessoas que, aparentemente, levam uma vida comum: o prefeito Eurico (Dan Stulbach), o delegado Machado (Milhem Cortaz), o médico Aranha (Paulo Rocha), o mendigo Feliciano (Leopoldo Pacheco), a cafetina Ondina (Ana Beatriz Nogueira), a esotérica Milu (Zezé Polessa) e Egídio (Antônio Calloni), o

guardião-mor. Sempre por perto dos guardiães está Léon, o gato de Egídio. O animal tem poderes especiais e, mais à frente da novela, ganhará a forma humana e será interpretado por Eduardo Moscovis. “Leon cometeu uma infração e foi castigado. Ele depende de um acontecimento da novela para deixar de ser um gato. Gosto muito de gato e me inspirei nessa ideia de que os gatos são animais mágicos. Quero quebrar essa ideia de que gato preto dá azar”, aponta o autor. Em São Paulo, está a vilã Valentina Marsalla, de Lilia Cabral. Dona de uma empresa de cosméticos, ela pretende utilizar as águas da fonte na criação de produtos estéticos. Ela é mãe de Gabriel, interpretado por

Bruno Gagliasso. O jovem se tornaria genro do poderoso Olavo de Aragão Duarte, vivido por Tony Ramos. Porém, subitamente e sem dar explicações, o rapaz desiste de subir ao altar com Laura, de Yanna Lavigne, e vai embora. O que Valentina não desconfia é que o filho está destinado a substituir Egídio e assumir o posto de guardiãomor. Por consequência e tradição, ele é impedido de se casar. A proibição se tornará um entrave para Gabriel quando se apaixonar por Luz, vivida por Marina Ruy Barbosa. “Gabriel, para assumir seu posto de guardião-mor da fonte, terá de fazer uma escolha”, ressalta. As gravações da novela começaram no final de julho, no Rio de Janeiro, e já passaram por São Paulo, onde foram feitas cenas no bairro do Morumbi e na Avenida Paulista. Depois, a equipe seguiu para Minas Gerais e gravou na região da Serra da Canastra. Agora, as gravações seguem em externas pelo Rio de Janeiro. “Buscamos locais que batessem com o que o Aguinaldo escrevia. Para ambientar Serro Azul, precisávamos de lugares com cachoeiras e muita água. Em Minas, gravamos muitos ‘stock shots’. Mas isso não quer dizer que Serro Azul seja uma cidade mineira”, diz Rogério Gomes, responsável pela direção artística do folhetim. Serro Azul também será criada nos Estúdios Globo, localizados na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A cidade cenográfica contará com 18 mil metros quadrados. O espaço terá 38 edificações, 27 delas com interiores utilizados pelos personagens. A fonte também está sendo construída. São seis metros de queda d’água dentro de uma gruta cenográfica de mais de mil metros quadrados.


televisão 11

Domingo, 9 de setembro de 2018

>> BASTIDORES Com história fraca e elenco estelar, “Três Irmãs” completa uma década de exibição

Sol sem graça

A

ntônio Calmon é um autor de assinatura forte. Roteirista e diretor de filmes de alto apelo juvenil nos anos 1980, caso dos clássicos “Menino do Rio” e “Garota Dourada”, a transição de Calmon para a televisão manteve suas referências intactas. Logo na estreia como novelista, em “Top Model”, escrita em parceria com Walther Negrão, em 1989, mostrou a fórmula que o acompanharia por diversas produções: em um clima aventureiro, mistérios e amores se desenvolvem em uma bela e litorânea cidade fictícia, com direito a muitas cenas de surfe e uma trilha recheada de clássicos do pop-rock. O êxito da primeira novela se seguiu em empreitadas seguintes em sucessos como “Vamp”, “Cara & Coroa” e “Corpo Dourado”. Ao longo dos anos 2000, após folhetins insossos e sem grande repercussão, o autor resolveu voltar ao estilo que o revelou na solar “Três Irmãs”, trama que completa uma década de exibição neste mês. “Nunca surfei, mas adoro o frescor que vem desse esporte. Queria fazer uma novela atual para me divertir e entreter o público. Além disso, a trama principal surgiu da necessidade de abordar a união feminina com a história de uma família formada apenas por mulheres”, resume o autor. Na fictícia Caramirim, litoral do Rio de Janeiro, a farmacêutica Virgínia, de Ana Rosa, criou sozinha suas três filhas, Dora, Alma e Susana, personagens de Cláudia Abreu, Giovanna Antonelli e Carolina Dieckmann, res-

pectivamente. Depois de deixarem a pequena cidade para trás e tomarem rumos de vida bem diferentes, as três precisam voltar ao local para cuidar da mãe doente. O reencontro deixa todas à flor da pele. Além do estado de saúde da matriarca, as protagonistas precisam resolver suas próprias dores e amores. Viúva, Dora tenta reconstruir a vida ao lado do ortopedista Bento, de Marcos Palmeira. A caçula Susana vive uma relação sem amor com o surfista Xande, de Dudu Azevedo. Ele a salvou de um grave acidente no passado e acabou ficando com algumas sequelas de movimento. Tudo fica ainda mais complicado quando a loura se apaixona perdidamente pelo tranquilo Eros, de Paulo Vilhena. Por fim, Alma é a atrapalhada do trio. Ginecologista competente, a personagem tem sete noivados desfeitos nas costas e parece não ter sorte no amor. A volta ao lugar onde nasceu, entretanto, vai despertar duas paixões antigas ao formar um triângulo amoroso com o vilão Hércules, de Bruno Garcia, e o sedutor Gregg, de Rodrigo Hilbert. “Foi uma das novelas mais leves da minha carreira e onde comecei a treinar

mais minha comicidade. Alma não era aquela heroína intocável, era errante, esquecida e atrapalhada. A família formava um belo mosaico de mulheres contemporâneas”, destaca Antonelli. A ecologia também teve espaço na trama de “Três Irmãs” e foi o que colocou o trio protagonista no alvo da poderosa Violeta, de Vera Holtz. A empresária tinha planos de construir um complexo hoteleiro na região. O empreendimento, entretanto, destruiria a floresta nativa e o centro histórico da cidade. Os planos da megera entram em colapso com a chegada de Waldete, de Regina Duarte. Mulher enigmática e que conquista a todos com seus sábios conselhos, ela foi trabalhar na casa da empresária para tentar se vingar, uma vez que conhece todos os mais sórdidos segredos do passado de Violeta, se tornando a única capaz de barrar suas maldades. “Estava escalada para fazer a antagonista, mas me encantei pela empregada. Fui pessoalmente pedir ao Calmon para que pudesse interpretar a Waldete e ele aceitou meus argumentos. A personagem tinha uma coisa meio lúdica. Mary Poppins

foi uma das minhas fontes de inspiração”, relembra Regina. O fato de ter Dennis Carvalho como diretor de núcleo acabou fazendo com que “Três Irmãs” tivesse um elenco digno das tramas das nove. As gravações começaram em maio de 2008, em Bali, na Indonésia. Uma pequena equipe comandada por José Luiz Villamarim captou as primeiras aventuras dos surfistas Eros e Gregg. “A cultura local e as paisagens eram fascinantes. Mas a falta de estrutura para filmagens de grande porte dificultaram o trabalho”, conta Villamarim. Em seguida, na busca por novidades tecnológicas, Dennis viajou para Los Angeles, nos Estados Unidos, onde adquiriu câmeras para captar imagens subaquáticas em alta velocidade e um “software” capaz de trocar a face dos dublês pelos dos atores nas cenas de surfe. “A gente queria que a novela representasse um avanço em termos de produções praianas. O resultado me fez muito feliz”, valoriza Dennis. Apesar do esmero da equipe, a novela “afundou” na audiência, que ficou em 28 pontos de média, e sofreu com críticas à obviedade e ingenuidade de suas histórias.


12 televisão

Domingo, 9 de setembro de 2018

Zapping

>> por Caroline Borges

Novos hábitos Para viver o gladiador Shabaka em “Jesus”, Luka Ribeiro enfrentou uma intensa preparação. Antes de gravar suas primeiras cenas, ele mudou seus hábitos alimentares e teve aulas de luta de espada e montaria. “A preparação foi intensa e de muito trabalho. Além das aulas, assisti a filmes da época como ‘Ben Hur’, ‘Gladiador’ e ‘Paixão de Cristo’. Fora os workshops disponibilizados pela própria Record. Também voltei a treinar e malhar para ter mais disposição e perder alguns quilos”, afirma. Na história de Paula Richard, Shabaka é um treinador de gladiadores romanos que adota a jovem Susana, vivida por Bárbara Reis. Diferentemente de outros papéis, desta vez, Luka aparecerá com os cabelos totalmente grisalhos. “Já estava com 70% do cabelo branco, mas descolorimos mais o cabelo para deixar o personagem bem grisalho”, explica o ator, que comemora os 23 anos de carreira com um personagem mais maduro. “Por se tratar de um personagem adulto que é pai e totalmente fora da minha zona de conforto, considero um dos meus maiores desafios”, completa.

Procura-se locações

Alexandre Avancini está no Marrocos em busca de locações para a gravação de “Gêneses”, próxima novela bíblica da Record. O folhetim terá a assinatura de Gustavo Reiz. Recentemente, ele esteve à frente do texto de “Belaventura”. Quando voltar de viagem, o diretor dará início ao processo de escalação.

Soltando a voz

A Record irá produzir uma versão especial do “reality show” “Canta Comigo”. A produção contará com artistas da casa como participantes. Rodrigo Faro, Marcos Mion, Ana Hickmann, Ticiane Pinheiro e César Filho são alguns nomes confirmados.

ta segue na emissora até 2020. Ele comanda os programas “Os Donos da Bola” e “Baita Amigos”, no BandSports.

Novela e série

Novo trabalho

Titina Medeiros estará no elenco de “Verão 90 Graus”, próxima novela das sete. A produção tem estreia prevista para janeiro do ano que vem. Antes, porém, a atriz grava o seriado “Família Nordestina”, do Multishow. A produção é protagonizada por Whindersson Nunes.

Vestindo a camisa

A série “Pacto de Sangue”, do Space, ganhará uma nova temporada. A produção conta com Guilherme Fontes, Fulvio Stefanini, Gracindo Jr. e Paulo Miklos no elenco. A nova leva de episódios ainda não tem data de estreia prevista.

Ricardo Linhares já tem novo trabalho à vista na Globo. O autor adaptará a novela “O Grito” para o formato de minissérie. A trama foi originalmente exibida entre os anos de 1975 e 1976. Recentemente, Linhares escreveu a série “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, baseada no livro homônimo de Edney Silvestre.

O ex-jogador Neto renovou seu contrato com a Band. O comentaris-

Em outro local

Nova leva

Quando está no ar em uma novela, Roberta Rodrigues sente que está em outro universo. Durante os longos meses do folhetim, a atriz gosta de estar 100% envolvida com sua personagem. “Sou muito admiradora da televisão. A gente sempre dá o máximo pelos projetos. Para mim, é como se, durante esse tempo, eu vivesse em outro lugar. Tudo tem um cuidado enorme”, explica ela, que interpretada a esquentada Doralice em “Segundo Sol”. Na televisão desde 2003, quando participou de “Mulheres Apaixonadas”, Roberta teve seu primeiro contato com as artes a partir do grupo “Nós do Morro”, projeto da comunidade do Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook