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ANO VIII Nº 99 - JULHO 2011 / RESENDE COSTA - MG
DISTRIBUÇÃO GRATUITA
Projeto de Educação Patrimonial sustenta o ICMS Cultural de Resende Costa Foto Emanuelle Ribeiro
Encontro de bandas movimentou Resende Costa
Há 13 anos não acontecia em Resende Costa o encontro de bandas de música. Uma iniciativa do Movimento Arena Cultural (MAC) e banda Santa Cecília trouxe de volta à cidade essa tradição musical, que encanta os amantes da música e mantém viva uma das identidades culturais do interior de Minas. Página 09
Grupo de alunos da UFSJ discute problemas relacionados ao lixo em São João del-Rei e aponta soluções
sa continua sendo uma pedra no sapato quando o assunto é valorização do patrimônio do Mirante das Lajes.
Estagiários de diversos cursos da Universidade Federal de São João del-Rei debatem com os catadores de lixo situações que poderão favorecer a categoria. O objetivo é dar um salto qualitativo ao trabalho a partir da nova lei de resíduos sólidos.
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Mirante das Lajes e o reservatório da Copasa
Sem maiores investimentos no setor em 2010, a base de cálculo do ICMS Patrimônio Cultural para o exercício 2012 caiu de 13,2 para 11,9, mas projeto desenvolvido na
rede municipal de educação garantiu, após recurso, um acréscimo de 1,2. A pontuação definitiva será divulgada dia 20 e depois revertida em recursos ao Município, que
pretende criar o Fundo Municipal de Patrimônio e Cultura e recuperar o Teatro Municipal. Enquanto isso, o empurra-empurra acerca da remoção do reservatório da Copa-
2 Jornal das Lajes Editorial Tragédias anunciadas
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Na fria manhã do dia 22 de junho, quarta-feira, a cidade de Entre Rios de Minas despertou com uma trágica notícia. Sob um forte nevoeiro, um ônibus que fazia o transporte escolar municipal se chocou com uma locomotiva da MRS Logística, num cruzamento com a ferrovia. O acidente matou três pessoas e feriu trinta. Não fossem as precárias condições em que se encontrava o ônibus – pneus carecas, falta de cinto de segurança, superlotação, entre outros problemas - o acidente poderia entrar no rol daquelas fatalidades que se explicam tardiamente ou que nunca chegam a uma conclusão satisfatória. Seria displicência do motorista? O maquinista da composição estava desatento e não apitou, alertando o motorista? Os faróis da locomotiva estavam apagados numa manhã de espessa névoa? Ou foi a neblina a principal causa do acidente? Pode ser a junção de todos esses fatores o motivo do acidente, que no momento se encontra sob investigação. No entanto, o que mais chamou a atenção, sobretudo da imprensa, foi o péssimo estado de conservação do ônibus, que deveria ser usado exclusivamente para o transporte de crianças, mas frequentemente dava carona a outras pessoas, o que é proibido. Esse acidente nos desperta para uma reflexão acerca das condições dos ônibus que fazem o transporte escolar nos municípios, especialmente os que circulam na zona rural. Sabe-se que a situação é precária em vários municípios do Brasil, como frequentemente revela a imprensa. Lamentavelmente, muitas prefeituras - quando não dispõem de frota própria, ou dispõem, mas preferem terceirizar o serviço do transporte escolar - analisam somente o menor preço no ato da licitação. A estrutura da empresa, a qualificação dos motoristas, o estado de conservação da frota, entre outros itens de segurança não são relevantes no momento da escolha. Quando perguntados, administradores e empresários sempre dizem que a frota está em dia e que não há motivos para preocupação, até que uma tragédia, como o acidente ocorrido, os desminta. Os problemas são praticamente os mesmos em diversos municípios: Além do estado caótico dos ônibus, há também muitas irregularidades, como excesso de passageiros, falta de pontualidade, excesso de velocidade e direção perigosa. Soma-se a isso o péssimo estado de conservação das estradas rurais, que certamente contribui para uma viagem perigosa, logo, para a iminência de um acidente grave. Infelizmente, nesse acidente em que vidas foram ceifadas precocemente, é daquele tipo de tragédia anunciada, ou seja, devido a uma série de irregularidades, pode acontecer a qualquer momento. Não há como voltar atrás e corrigir essas irregularidades que certamente contribuíram para a gravidade do acidente. Também não há como mitigar a dor das famílias que perderam seus entes. Há que se tirar lições. Espera-se que os gestores públicos levem mais a sério o transporte escolar, a começar pelo cuidado com a própria frota das prefeituras. Quando se utilizar de mão de obra terceirizada, que a preocupação seja antes com a segurança do que com a menor oferta. Que se priorizem, durante o processo licitatório, a segurança, o estado de conservação dos ônibus, a estrutura da empresa e a qualificação dos motoristas. A responsabilidade para se evitar tragédias anunciadas começa por aí.
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CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editor de Esporte: Geraldo Aires Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio
ANO VIII Nº 99 - JULHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
O verso e o controverso
JOÃO MAGALHÃES
Reforma eleitoral (III)
Voto distrital? Ou distrital misto? O voto distrital, esquematicamente, funciona assim. O território (país, estado, município) é dividido em circunscrições menores, ou distritos. Cada distrito elege seu(s) representante(s). Cada partido político apresenta seu(s) candidato(s) no distrito. Será eleito o mais votado, ou os mais votados, individualmente, independentemente dos partidos, conforme o número previsto de representantes para o distrito. Pode haver segundo turno, ou não. Muitas nações, com características próprias, adotam esse sistema, tais como, Alemanha, Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália. Já o sistema de voto distrital misto prevê dois tipos de voto. Um para o candidato distrital. Ganha o mais votado, portanto, voto majoritário. Outro, para o candidato não distrital, ou seja, um candidato que pode receber voto, como acontece agora, em todo o território municipal ou estadual. Neste caso, o voto é proporcional, pois, o voto numa pessoa, na realidade não vai para ela, vai para o partido, que conquistará a cadeira se atingir o coeficiente eleitoral. Por exemplo, se para uma cadeira de deputado forem precisos 200 mil votos, só terá direito a uma ou mais, o partido que conseguir esta
Voz do Cidadão Amigo, irmão, escolhido por nós... Nós da família do Zé da Pia, Zé Chaves, Zé do Zezeca, gostaríamos de agradecer ao Antonio pela homenagem prestada aos nossos queridos vovô Zezé, vovó Pia e Socorro (minha mãe!). Temos certeza de que suas palavras foram sinceras, pois, todos nós sabemos do apreço que você tinha por eles e isso era recíproco. Você sabe que era! Antonio, você nos fez chorar, mas foi um “choro de felicidade”, se é que posso usar esse termo, depois de tudo
quantia ou mais de votos. Entre voto em lista fechada e voto distrital, acho melhor o voto distrital. Entre voto distrital e voto distrital misto, prefiro o segundo. Com o voto distrital, o eleitor escolheria com maior clareza, pois, em cada distrito, haveria um só candidato por partido; o voto iria garantidamente para o escolhido e não como agora: você vota no Paulo, mas seu voto pode ir para o Pedro! Mais importante, o eleitor conhece seu preferido e o acesso ao eleito é muito mais fácil, possibilitando diálogo, sugestões, cobranças, fiscalizações etc. O custo da campanha também cairia bastante. A existência de representantes eleitos por todo o território (caso do voto distrital misto), além dos eleitos pelos distritos, minoraria, por outro lado, a exacerbação de bairrismos, de tráfico de influências, de sardinhas para seu braseiro etc. Facilitaria também as políticas nacionais e/ou as das macrorregionais. As objeções dos contrários ao sistema do voto distrital, resumo-as no seguinte: o deputado vai se transformar em vereador de elite, preocupado apenas com seu distrito; os grupos minoritários perderão força de represen-
Agradecimento que passamos no decorrer de nove meses perdendo os “nossos amados”. Como você escreveu, os três foram exemplos de fé, bondade, lealdade, simplicidade, trabalho, honestidade... Quer legado mais precioso que esse? Eles sempre foram pontos de referência para toda a família, toda. Como ficamos felizes, Antônio, ao saber que você fez essa homenagem (no Jornal das Lajes de junho de 2011), porque nós já sabíamos do seu amor e amizade para com eles. Saiba que, se já te admirávamos
tação; os “caciques” locais se perpetuarão no poder; os partidos perdem força; os formuladores de idéias, ou seja, os candidatos ideológicos, enfraquecerão. Respeito, mas acho que essas preocupações apresentam fraca consistência. Na faina para eleger-se, haverá sempre candidatos com uma boa visão política nacional e regional e é mais fácil para ele levar sua mensagem para uma área geográfica mais reduzida e convencer o eleitor de que micropolítica não é eficaz, sem a sustentação de uma macropolítica decente. Para se eleger, o candidato buscará com certeza o apoio das minorias no distrito. O poder econômico continuará forte, mas é mais fácil eternizar-se na política “comprando” votos num largo território do que num distrito, onde a fiscalização e o controle são mais fáceis e mais diretos. Os partidos ficarão mais fracos do que são atualmente? Acho o contrário, porque cessa a disputa de votos entre si de candidatos do mesmo partido e o partido centralizará energias para eleger seu candidato em todos os distritos. É o que penso. E você?
e considerávamos como membro da nossa família, depois dessa homenagem fica ainda mais forte o nosso sentimento de agradecimento, de amizade e consideração por você. Acho que posso dizer em nome dos três que se foram e todos os membros da nossa família: “Deus lhe abençoe hoje e sempre”. Obrigada, Antonio, pela sua amizade. Andréia Lara Ribeiro Resende Costa-MG, 28/06/2011 Por e-mail
Para se corresponder com a redação do Jornal das Lajes: Os textos para a seção Voz do Cidadão deverão trazer a assinatura, o endereço, o número da cédula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Editor-Chefe, Jornal das Lajes. Endereço: Rua Assis Resende, 95, Centro – Resende Costa, MG. Tel. (32) 3354-1253. E-mail: contato@jornaldaslajes.com.br. Por motivos de espaço e clareza, o jornal se reserva no direito de editar as cartas, quando necessário. O conteúdo dos textos não é de responsabilidade editorial do Jornal das Lajes.
MAC informa O Movimento Arena Cultural (MAC) informa a programação agendada para este mês. No encerramento da Exposição Agropecuária de Resende Costa, 17 de julho, domingo, as bandas que integram o movimento participarão do projeto “Nosso Som”, a partir das 14h30 no Parque do Campo. De acordo com o MAC, o objetivo do projeto é “inserir os artistas da cidade na programação oficial da exposição agropecuária”. Outro evento programado para esse mês é a participação dos músicos resende-costenses nas oficinas de música do 32º Festival de Música de Prados. As oficinas estão previstas para acontecer na semana do dia 18 próximo, em Prados. As inscrições podem ser feitas através do blog: http://movimentoarenacultural.blogspot.com.
Jornal das Lajes
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Um olhar sobre Resende Costa
ELAINE A. MARTINS
Educação Patrimonial garante pontuação do ICMS Cultural de Resende Costa na casa dos 13 pontos Projeto desenvolvido na rede municipal de educação assegura pontuação do Município que pretende criar o Fundo Municipal de Cultura e recuperar o Teatro Municipal O Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural de Minas Gerais (Iepha-MG) divulgou em junho a pontuação provisória do ICMS Patrimônio Cultural referente às ações de 2010 para o exercício 2012. Resende Costa obteve 11,9 pontos, contra 13,2 do ano anterior, quando o potencial era 15,6. O Departamento Municipal de Cultura, porém, entrou com recurso presencial e a pontuação subiu para 13,1. Isso porque o instituto não havia pontuado as ações do projeto “Resende Costa, a arte da trama e do tear” aprovado pelo próprio Iepha-MG e desenvolvido na rede municipal de educação em 2010. No âmbito da Escola Municipal Paula Assis, o projeto envolveu pedagogas, professores e alunos do 5º ao 9º ano, com atividades interdisciplinares dentro e fora da sala de aula. A professora Sação Silva acompanhou os alunos às casas de duas artesãs do povoado do Ribeirão de Santo Antônio, para mostrar como a atividade doméstica de tecidos faz parte do patrimônio imaterial do município. Já a professora Ana Paula Resende, depois dos trabalhos da professora Gilma Silva, abordou a relação entre a história da cidade e o ofício dos teares e conduziu os alunos ao Museu de Arte Sacra da paróquia, focalizando o papel do antigo Arraial da Lage na história de Minas Gerais. Programas de educação patrimonial, tombamentos, restaurações e revitalizações de bens culturais, elaboração de inventário de proteção e política de patrimônio cultural são alguns dos itens que servem de base para pontuação e repasse de recursos do ICMS. A pontuação atingida em determinado ano é utilizada para o cálculo do repasse do exercício seguinte. De acordo com a chefe do Departamento Municipal de Cultura, Solange Silva Daher, não houve nenhum tombamento em 2010 e os recursos advindos do ICMS
Cultural continuam a ser diluídos em investimentos nas atividades culturais tradicionais. Mas “está em andamento um projeto do vereador Paulinho Daher (PT) que prevê a alteração na lei de proteção do patrimônio cultural que é de 2002. Também faremos uma alteração no nome do Conselho Municipal do Patrimônio, que passará a ser Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, e criaremos o Fundo com o mesmo nome,” disse a servidora. O projeto do vereador prevê a adequação e atualização da política municipal de patrimônio cultural. “Acho importantíssimo a aprovação desse projeto, pois ele dará mais autonomia ao conselho, que poderá direcionar os recursos financeiros para políticas voltadas para a conservação de bens tombados como, por exemplo, a melancólica Fazenda das Éguas. Também não acho interessante o conselho ter um presidente ligado diretamente ao chefe do Executivo, pois isso cria dependência e desvirtua a verdadeira função do órgão”, disse Paulinho. Solange lembrou ainda que o recente reconhecimento da Comunidade do Curralinho dos Paulas como remanescente quilombola gerará outras ações positivas em 2011. Além disso, o departamento elaborou um projeto de recuperação do Teatro Municipal e o apresentou ao Fundo Estadual de Cultura para a captação de recursos. O projeto de restauração não contemplou a passagem lateral direita, original do imóvel, pois “é um assunto importante e polêmico que deverá ser pauta de uma reunião do Conselho de Patrimônio juntamente com o executivo”, disse.
Indecisão e polêmica Outra polêmica envolvendo um bem cultural público está em andamento desde 2007, quando o
Foto: Emanuelle Ribeiro
O reservatório é personagem principal de uma novela que envolve Prefeitura, Conselho do Patrimônio, Câmara Municipal e Copasa.
ex-prefeito Gilberto Pinto (PSDB) negociou com o então presidente da Copasa a retirada do reservatório da área do Mirante das Lajes e o Conselho do Patrimônio autorizou a cessão de uma área próxima para a construção de um novo reservatório, mas a obra não aconteceu. O assunto voltou a ser discutido em 2009 pelos vereadores, ao prorrogarem a validade da lei 3.065/2007, através da aprovação da lei 3302/2009. Ainda em 2009, o Conselho do Patrimônio, com apenas um voto contrário, reprovou um projeto apresentado pela Copasa, posicionando-se firmemente pela mudança do reservatório e a revitalização do Mirante. As ações passaram a depender do envolvimento político do prefeito Adilson Resende (PT), autoridade que, desde 2009, dialoga com a empresa também responsável pelas obras da rede de esgoto na cidade. Em 2010, o atual Conselho do Patrimônio enviou ofícios ao prefeito acerca do assunto. Em abril deste ano, “como nenhuma ação concreta foi realizada,” o Conselho enviou um ofício à Câmara pedindo uma “intervenção”. O vereador Paulinho Daher, que já foi conselheiro, entende que a morosidade na execução da lei proporciona um desgaste ao executivo. “O Conselho, dentro de suas atribuições, tem apresentado algumas políticas. Entretanto, a solução para a questão tem de ser mais forte, contínua e atuante. Temos de criar um envolvimento maior entre os segmentos interessados para pressionarmos a direção da Copasa, antes de recorrermos ao Ministério Público para o cumprimento da lei”, completa. Autor de emenda para o orçamento de 2012 acerca de convênios com a Copasa, o vereador Bacarini (PT) se diz confiante. “A Câmara, o Conselho do Patrimônio, o Conselho do Turismo, a Igreja e várias entidades civis organizadas já se manifestaram a favor da revitalização do Mirante das Lajes com a retirada do reservatório. A questão só não foi resolvida por falta de empenho e diplomacia do prefeito. Uma administração que gasta R$ 170 mil em uma festa agropecuária poderia e pode muito bem investir este e outros recursos em contrapartidas de obras definitivas, como a do novo reservatório ou a da esperada reforma do Teatro Municipal”, afirma.
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
O português em pauta
Tive vários excelentes alunos ao longo de minha carreira no magistério. Entre eles lembro agora, em especial, uma determinada menina cuja facilidade de aprendizagem era espantosa. Até aqui não há nada a estranhar, mas a partir de um episódio observado em sala de aula, passei a refletir mais profundamente sobre meu papel de professora de português. Eis o ocorrido. Depois de inúmeras aulas sobre concordância verbal e também a nominal, durante as quais cada caso foi detalhadamente explicado e exemplificado, apliquei uma prova caprichada (sem maldade, é claro!) à turma daquela aluna mencionada no início do texto. O resultado? Da parte dela, nota máxima com louvor. Mas... e daí? Desconsidera-se, nessa situação, o fato de que por não ser uma ciência exata o estudo de uma língua envolve certos detalhes, o que dificulta um pouco “fechar a prova”. Não se considera ainda a alegação de que “a Regina sempre acha alguma coisa para descontar algum décimo da gente”, diziam isso de mim muitas vezes. No caso em questão, ficou evidente para mim a grande dificuldade de ver a teoria se transformar em prática. Em outras palavras, a aluna que havia demonstrado na prova ter aprendido com brilhantismo as regras de concordância, inclusive as mais complexas, simplesmente não conseguia aplicar a mais elementar delas. Assim, estando o sujeito no plural, por exemplo, mesmo na ordem direta, era impossível para ela levar o verbo para o plural. Isso no convívio quase diário da sala de aula comigo e os colegas. Devo dizer a vocês que esse caso me marcou. Mesmo levando em conta a força desfavorável do ambiente doméstico da menina ao uso do padrão linguístico, percebi que, como professora, precisava fazer alguma coisa para tornar a norma culta do português mais acessível a ela e a todos os outros alunos. Isso tudo sem desrespeitar o universo de cada um. Essa história toda me veio à lembrança agora, quando se discute no país inteiro o livro Por uma vida melhor, ou o capítulo dele que supostamente defende o que se convencionou chamar de erros de português. O assunto já foi tratado com muita propriedade pelo Rosalvo aqui mesmo no JL da edição passada, no entanto, em atendimento a uma sugestão da direção do jornal, entro no mérito
dessa questão. Começo dizendo que não conheço o citado livro, mas conheço de sobra essa discussão, que nem é nova. Já há um bom tempo os conceitos de adequação e inadequação da linguagem substituíram o simplismo do certo e do errado nas aulas de português. Sabe-se que toda língua é um conjunto de variedades. Sendo assim, tomando por base os trechos da obra destacados pela mídia, vejo coerência no posicionamento da autora. Quando afirma que o falante tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião, ela tem toda razão. Quem é que informalmente não deixa de falar às vezes os livro, por exemplo? Não se trata aqui de defender esse material didático. Percebo é um certo exagero na maneira como o assunto vem sendo tratado. Assassinato, massacre da língua portuguesa e inimigos de um bom português são apenas algumas das expressões que pincei de revistas e jornais como ilustração disso. Em razão de tantos questionamentos sobre o ensino do português, como o que ocorre atualmente no Brasil, é preciso considerar que um bom profissional da área pode fazer toda a diferença. Constatar isso é afirmar que alunos bem orientados e preparados linguisticamente conseguem transitar com desenvoltura entre as mais diversas formas de comunicação verbal. Sem negar a legitimidade das variantes que contrariam o que preconiza a norma culta, é necessário admitir a relevância do estudo formal da língua pátria, normalmente ministrado pelas instituições de ensino. Se grande parte delas falha nesse propósito, isso já comporta outras análises. Voltando à discussão específica que deu origem à presente matéria, faço minhas as palavras de Cristovão Tezza, escritor e vencedor do prêmio Jabuti em 2008. Segundo Tezza,”não é função da escola controlar o que o aluno fala e sim dar a ele o domínio da língua escrita. À medida que ele vai consolidando a maneira como escreve, também vai mudando a estrutura da fala”. E para terminar, é oportuno lembrar que existem questões muito mais sérias para atacar. Ou alguém julga aceitável, por exemplo, o analfabetismo funcional de tantos alunos em plena adolescência ou mesmo na fase adulta?
Dona Luzia, 82, mostrou aos alunos o ofício que se empenha desde os 10 anos
4 Jornal das Lajes
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Jogo Aberto
POR: EMANUELLE RIBEIRO
Jornalismo e literatura: as duas faces do professor Jairo Faria
Jairo Faria Mendes, 43, natural de Curitiba e mineiro de coração, formou-se em jornalismo pela UFMG em 1991. É mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ e doutor em Comunicação Social pela Universidade metodista de São Paulo. Atuou na imprensa mineira nos jornais Tribuna de Minas, de Juíz de Fora e no Jornal da Cidade, de Barbacena, que pertence ao político Hélio Costa, com quem trabalhou por um bom tempo. Além disso, atuou em sindicatos, federações de trabalhadores e prefeituras como assessor de comunicação e como free lancer em alguns jornais. Jairo é professor na UFSJ desde a criação do curso de jornalismo, em 2009. Em 2011 foi eleito coordenador do curso. É também coordenador da área de literatura do Inverno Cultural da UFSJ. O professor ainda cultiva um lado literário e lançou no último dia 14 de junho, em Belo Horizonte, seu primeiro livro: O ovo do mineirim. Jairo tem outro livro lançado, sobre jornalismo: O ombudsman e o leitor, de 2003. Nesta entrevista o professor fala do curso de jornalismo na UFSJ e de seu livro recém lançado. Qual a sua expectativa com relação à primeira turma de formandos do curso de jornalismo da UFSJ? A expectativa é muita boa, pois trata-se de uma turma de alunos muito bem informados, criativos, críticos. Acredito que eles têm boas possibilidades de conseguir sucesso no mercado de trabalho e serem jornalistas de qualidade. Os alunos, em geral, até pelo fato do curso de jornalismo da UFSJ ser um dos mais concorridos, têm boa formação e boa parte deles é esforçada. Uma característica muito importante é a curiosidade, a vontade de conhecer o mundo, essa sede de conhecimento. Aproximadamente, qual o percentual de alunos do curso de jornalismo da UFSJ advém da região do Campo das Vertentes? No momento existe campo de trabalho para eles na região, ou terão de buscar outros mercados? Principalmente na primeira turma, e até um pouco na segunda, praticamente todos os alunos eram da região do Campo das Vertentes. Agora, nessa terceira turma, a gente já vê uma presença significativa de alunos, por exemplo, de Ouro Preto, Divinópolis e outras cidades. Vejo que existe uma tendência de virem mais pessoas de fora, porque o curso vai ficando mais conhecido, vai ganhando mais respeito. O mercado de trabalho de jornalismo em geral sempre foi difícil, nunca foi uma das profissões que oferecessem melhores salários e grande oferta de emprego. Mas não é um quadro desesperador; com o tempo, praticamente todos os alunos acabam sendo absorvidos pelo
ção acontece também nas grandes cidades, ela só não é tão explícita, mas sempre existiu e existe, não importa o tamanho da cidade. Não só relações políticas, mas o que pode ser até pior, relações econômicas, que envolvem grandes anunciantes, que vão direcionar as coberturas.
Foto: Adilson Siqueira
mercado de trabalho. Muitas empresas e prefeituras que não têm assessoria de imprensa criam assessorias, muita gente empreende em veículos de comunicação, são criados jornais, revistas, sites, assim acaba que o mercado expande naturalmente e muitos alunos também vão empreender e contribuir com esse processo de ampliação. É claro que muita gente vai para fora, Belo Horizonte, Rio, São Paulo, para outras cidades do interior um pouco maiores. Acredito que essa não seja uma realidade assim tão negativa e difícil, mas uma realidade da maioria das profissões. O que o sr. considera importante ao profissional de jornalismo para atender às necessidades atuais do mercado? O curso da UFSJ preenche esses requisitos? Para o profissional de jornalismo uma coisa muito importante é a formação cultural, ser uma pessoa que conhece de história, política, consome produtos culturais, artísticos, além de ter um bom texto e ética, pois cada vez mais o mercado se preocupa com isso. Saber se relacionar também é uma característica da profissão. Geralmente as pessoas costumam ser indicadas para as funções pela sua competência profissional, mas também pelas relações pessoais que têm. O curso de jornalismo aqui da UFSJ oferece uma boa formação, considero os professores muito bem qualificados, a grade de disciplinas é bastante ampla e os alunos têm a oportunidade de vivenciar a parte teórica do jornalismo, além de discutir a questão ética e matérias relacionadas a diferentes mídias, uma vez que o curso também está antenado às novas tecnologias. A universidade forma profissionais
que no mercado de trabalho vão crescer e sairão com boas condições. Qual a sua opinião acerca da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão? Sempre fui defensor da obrigatoriedade do diploma. A lei que criou a obrigatoriedade contribuiu muito com o jornalismo, porque antes os jornais tinham um comportamento pouco ético, existia nepotismo, exploração do trabalho, eles colocavam poucos jornalistas qualificados e muita gente trabalhava praticamente de graça. O jornalismo era visto não como uma profissão, mas como um bico. A partir da obrigatoriedade do diploma se criou uma categoria profissional. Isso ainda fortaleceu muito as universidades. Quando a gente vai ver a história dos cursos de jornalismo, percebemos que a formação universitária está muito ligada à busca da ética na profissão. Quando cai essa obrigatoriedade do diploma, entra em jogo não só a qualidade do jornalismo, mas os compromissos da imprensa com a sociedade. E a preocupação de quem assumiu o jornalismo como uma escolha de vida é bem diferente de quem faz isso simplesmente como segundo emprego ou prático. A volta da exigência é uma das principais lutas dos jornalistas, uma luta que começou no dia seguinte à decisão do Supremo (Supremo Tribunal Federal) de considerar inconstitucional a lei que obrigava o diploma. Existe no Congresso uma proposta de emenda constitucional prevendo essa obrigatoriedade, porque, como o Supremo considerou inconstitucional uma lei, não vai poder considerar inconstitu-
cional uma emenda constitucional, porque já vai estar na constituição. O andamento desse projeto logicamente é pouco noticiado pela imprensa, pois não é do interesse dos donos de meios de comunicação, mas através dos jornais sindicais a gente vê que tem andado com boa recepção pelo Congresso Nacional e talvez em pouco tempo a gente já tenha de volta a exigência do diploma. Os donos da mídia vão ser beneficiados, porque vai contribuir com a qualificação dos jornalistas e com a credibilidade da imprensa. Como o sr. avalia a imprensa são-joanense e regional? A imprensa regional tem uma estrutura compatível com as condições econômicas da região, com o tamanho das cidades e cumpre o seu papel. Uma coisa interessante aqui na região é que, mesmo antes do curso de jornalismo, eles já contratavam profissionais formados e alguns até experientes. Se formos comparar com as regiões com condições econômicas e populacionais semelhantes, acho que a região está bem servida; temos rádios interessantes, uma TV que tem uma presença de jornalismo grande. Mas a região merece novos investimentos em termos de imprensa escrita. São João já merece um jornal diário, pois várias cidades do mesmo porte como Formiga e Caratinga já têm diários. Como na região existe uma presença de políticos tradicionais muito fortes, essa relação da mídia com o jogo partidário é muito explícita e isso pode ser bom, porque traz alguns investimentos pelo interesse desses grupos políticos de terem mídias, mas por outro lado tira um pouco da credibilidade desses meios. A relação partidária nos meios de comunica-
O sr. lançou seu primeiro livro de poesia. Fale um pouco sobre o seu estilo literário. Eu lancei o meu primeiro livro de literatura recentemente, no dia 14 de junho, em Belo Horizonte, no projeto “Terças Poéticas”. Meu estilo é irreverente, brinco muito com as palavras e com o próprio fazer artístico, desmitificando um pouco aquela espiritualidade da arte. Tenho várias influências da poesia meio marginal, de que sempre gostei e também do áudio-visual, que trabalha muito com a poesia concreta e com a visualidade. Nesse primeiro livro, que se chama O ovo do mineirim, há várias influências dos artistas e poetas de rua, como o Zé Limeira do Nordeste, que era cordelista e o próprio Drummond. É um livro que brinca muito com a mineiridade e com a poesia marginal. Eu trabalho com um heterônimo, que chama Xexéu Beleléu, esse sobrenome foi escolhido porque tem um personagem, um bandido do músico Itamar Assumpção, que se chama Beleléu. Xexéu Beleléu vai se apresentando como um poeta marginal. Tento trazer um olhar delirante das ruas visto por um poeta andarilho e como todo bom artista tem um guru, esse poeta vai ter um guru, que tem o apelido de Maluco Man. Eu procuro ser mais direto ainda do que os poetas concretos. É uma poesia que é lida quase que instantaneamente, que tem esse tipo de característica e que remete a muitas coisas. Tem um lado irônico, mas também um lado muito crítico de discutir, por exemplo, a questão da identidade dos excluídos, de como as pessoas da rua veem o mundo. Procuro desconstruir aquela questão da poesia acadêmica e a ideia de que a literatura é uma coisa chata. (A íntegra da entrevista está disponível no site www.jornaldaslajes. com.br)
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A relação partidária
nos meios de comunicação acontece
também
nas
grandes cidades, ela só não é tão explícita, mas sempre existiu e existe, não importa o tamanho da cidade.
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Artigo
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MAXIMILIANO VALE DE RESENDE LARA*
Entendendo o saneamento básico
Quem nunca ouviu aquele ditado popular: “quem planta colhe”? Pois é. Com saneamento básico é assim também. É o tipo de obra pública que muitos políticos não gostam de executar por vários motivos. Primeiro porque é caro, depende de recursos estaduais e federais e não aparece, porque a maioria das obras de infraestrutura em saneamento básico fica coberta pelas calçadas. Em segundo lugar, há político que corre de obras assim porque elas causam muitos transtornos para a população, pois dependem de desmanchar o que está feito para que sejam executadas. É claro que uma rua com buracos, um passeio quebrado e terra espalhada na calçada atrapalha e incomoda, mas
os ganhos em saúde, meio ambiente, economia são bem maiores que esses transtornos momentâneos. O saneamento básico envolve o tratamento e a distribuição da água para população e também o tratamento de esgoto doméstico e industrial normalmente lançado em rios e córregos. Segundo relatório das Nações Unidas, de cada dez leitos ocupados em hospitais e centros de atendimento médico no mundo inteiro, sete estão ocupados por problemas decorrentes da falta de água tratada e esgotamento sanitário. Ou seja, investir em obras de saneamento básico significa reduzir filas em hospitais e emergências, reduzir gastos com medicamentos e tratamentos de saúde,
além de contribuir com mais qualidade de vida para a população. Além das questões de saúde pública há também o fator ambiental. Ao diminuir e tratar o lançamento de resíduos orgânicos e industriais nos rios, há a garantia de mais sustentabilidade para os ecossistemas e melhor aproveitamento da água nas áreas rurais, contribuindo para uma produção de alimentos mais pura. O tratamento do esgoto também diminui a possibilidade de contaminação das águas subterrâneas, garantindo água limpa e potável para a população que utiliza poços e cisternas. Isso diminui o risco de epidemias, como a da cólera, que é uma doença que tem sua disseminação através da água
contaminada. Hoje, Resende Costa passa pelo transtorno causado pelas obras de instalação da infraestrutura da rede de esgoto, mas devemos ter a sensibilidade de compreender os ganhos futuros que tal obra deixará para a população. Devemos planejar e pensar que nossa cidade cresce, tanto em área urbana como economicamente. Por isso é imprescindível que a infraestrutura da cidade consiga acompanhar o desenvolvimento econômico demonstrado através do nosso potencial turístico e comercial. Além disso, temos a nossa responsabilidade ambiental. Ela ganha força quando temos coragem de largar na frente de outras cidades enca-
Meio Ambiente
Foto: Ministério do Meio Ambiente
*Maximiliano Vale de Resende Lara é bacharel e licenciado em Geografia e Análise Ambiental, especialista em Gestão Ambiental, professor das redes municipal e particular de ensino de São João del-Rei.
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Problemas ambientais são desafios na Bacia Hidrográfica Vertentes do Rio Grande Aguarda-se para qualquer momento a eleição do novo presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) Vertentes do Rio Grande, que terá de enfrentar sérios problemas ambientais como desmatamentos e poluição dos rios. O mandato do presidente venceu em 24 de abril de 2010, mas Sérgio Gustavo Coutinho Grossi responde pelo cargo até que a nova composição do Comitê tome posse para eleger o novo presidente, informa Lilian Márcia Domingues, da gerência de apoio aos Comitês de Bacias Hidrográficas do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM). A diretoria é escolhida por 24 conselheiros (representantes dos poderes públicos estadual e municipal e da sociedade civil organizada) que compõem o comitê. O CBH Vertentes do Rio Grande, cuja sede funciona junto ao Laboratório de Estratégia e Meio Ambiente (LEMA) da Universidade Federal
rando o tratamento da água, o tratamento do esgoto, a coleta seletiva, a reciclagem, a manutenção de nascentes e áreas verdes, entendendo que esse patrimônio é nosso e cabe a nós a responsabilidade de lidar com ele de forma sustentável. Assim, vamos garantir àqueles que ainda não nasceram que também possam viver num mundo sustentável onde o homem e a natureza não disputam espaço, mas convivem em harmonia.
de São João Del Rei (UFSJ/Campus Dom Bosco), abrange área total de 10.011,68 km2 (o que corresponde a 6,68% da área total da bacia do Rio Grande) e reúne 35 municípios com população estimada de 556,4 mil habitantes (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE). Além do próprio Rio Grande, os principais cursos d’água são constituídos pelo Rio das Mortes, Rio dos Peixes, Rio Jacaré e Rio Cervo. As principais atividades econômicas desenvolvidas na bacia são agronegócio (produção de grãos e de hortigranjeiros, avicultura, pecuária extensiva, principalmente de gado leiteiro, laticínio, abatedouro e indústria têxtil); extração mineral (minério de ferro, calcário); indústrias de concreto asfáltico, química, cal e cimento e de turismo. Na outra face da mesma moeda, a bacia hidrográfica convive com problemas como desmatamentos; poucas
áreas de reservas naturais; destruição ou ausência de mata ciliar; caça e pesca predatória; mortandade de peixes (falta de oxigenação por excesso de efluentes e metais pesados); irrigação desordenada (mananciais contaminados por agrotóxicos); erosões dos solos; assoreamento do leito dos rios; lançamento de efluentes líquidos domésticos, hospitalares e industriais nos rios; ocupação desordenada do solo; falta de consciência ambiental e ausência de políticas de proteção ambiental. Para ajudar na solução desses problemas, a bacia conta com o apoio três grandes centros de ensino superior: Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Universidade Presidente Antonio Carlos (UNIPAC/Barbacena), além dos institutos federais de ensino (antigos CEFET´s) de Barbacena e São João del-Rei.
Sobre o CBH Vertentes do Rio Grande O Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) Vertentes do Rio Grande é o órgão deliberativo, normativo e consultivo na sua área territorial de atuação. Tem reuniões bimestrais, abertas ao público que acontecem sempre na segunda quinta-feira do bimestre. No momento, o comitê discute assuntos como a elaboração do plano diretor da bacia por empresa contratada pelo IGAM. O comitê tem como atribuições promover o debate das questões relacionadas com recursos hídricos e articular a atuação de órgãos e entidades; arbitrar, em primeira instância administrativa, os conflitos relacionados com os recursos hídricos; aprovar o Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia e seu respectivo orçamento, para integrar o Plano Estadual de Recursos Hídricos; aprovar planos de aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos, inclusive financiamentos de investimentos a fundo perdido e aprovar a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos para empreendimentos de grande porte e com potencial poluidor. Também tem o papel de estabelecer critérios e normas e aprovar os valores propostos para cobrança pelo uso de recursos hídricos; definir o rateio de custos das obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo,
relacionados com recursos hídricos; aprovar o Plano Emergencial de Controle de Quantidade e Qualidade de Recursos Hídricos, proposto por agência de bacia hidrográfica; deliberar sobre proposta para o enquadramento dos corpos de água em classes de usos preponderantes, com o apoio de audiências públicas, assegurando o uso prioritário para o abastecimento público; e aprovar a formação de consórcios intermunicipais e de associações regionais, locais e multissetoriais de usuários na área de sua atuação, bem como estimular ações e atividades de instituições de ensino e pesquisa e de organizações não-governamentais, entre outras atribuições. Pertencem à bacia hidrográfica os municípios de Alfredo Vasconcelos, Antônio Carlos, Barbacena, Barroso, Bom Sucesso, Carandaí, Carmo da Cachoeira, Casa Grande, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Dores de Campos, Ibertioga, Ibituruna, Ijaci, Ingaí, Lagoa Dourada, Lavras, Nazareno, Nepomuceno, Oliveira, Prados, Resende Costa, Ressaquinha, Ribeirão Vermelho, Ritápolis, Santa Cruz de Minas, Santa Rita do Ibitipoca, Santana do Jacaré, Santo Antônio do Amparo, São Bento Abade, São Francisco de Paula, São João del-Rei, São Tiago, Tiradentes e Três Pontas. (J.V.R.)
6 Jornal das Lajes
ANO VIII Nº 99 - JULHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Educação
ANDRÉ EUSTÁQUIO
O meio ambiente em frases e poesias Alunos das redes municipal e estadual de Resende Costa
participaram do concurso Semana do Meio Ambiente 2011 O dia do meio ambiente, 5 de junho, não passou despercebido em Resende Costa. A Emater MG e a Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente organizaram o “Concurso Semana do Meio Ambiente 2011”, que contou com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Cultura; Prefeitura e Câmara Municipal e Instituto Estadual de Florestas (IEF). O concurso envolveu todas as escolas do município - estaduais e municipais - e a APAE. O tema deste ano foi “Conservação do Solo e da Água”. De acordo com o regulamento, os participantes seriam avaliados a partir da fidelidade ao tema, originalidade e criatividade. Os trabalhos foram divididos em quatro categorias: Desenho (Educação Infantil, 1ª série e APAE), Frases I (2º ao 4º ano) e II (5º ao 7º ano), Poesia (8º e 9º anos) e Redação (Ensino Médio). Foram premiados os primeiros colocados de cada categoria. Os vencedores das categorias desenho e frases I e II ganharam uma câmera di-
gital. Já os vencedores das categorias poesia e redação levaram para casa um telefone celular Nokia. Mas para conseguirem essa premiação, os alunos tiveram seus trabalhos criteriosamente avaliados em duas etapas, sendo a primeira realizada nas próprias escolas. Professores e pedagogos escolheram os dois melhores trabalhos de cada categoria, que posteriormente foram apreciados por uma comissão formada por três pessoas que não pertencem à comunidade escolar. A discussão ambiental, especialmente a conservação do solo e da água, tema do concurso, foi destacada pelo secretário de Agropecuária e meio Ambiente, João Bilaya: “Essa discussão foi muito importante e ao mesmo tempo abrangente, pois mobilizou alunos desde o infantil até o ensino médio, ou seja, toda a comunidade escolar, inclusive professores do município. Uma vez que a discussão acerca da preservação do meio ambiente tem sido importante na atualidade, nada melhor do que estimular os alunos a se despertarem
Aluno
para ela. E isso se deu através da pesquisa, quando discutiram e descobriram o que é meio ambiente e sua preservação. Com isso, já começaram a observar e criar uma consciência de preservação”. Para o extensionista de agropecuária da Emater MG, Marcos Túlio Resende Maia, o concurso teve também uma importância cultural, uma vez que “estimulou os alunos a escrever e produzir textos, o que é fantástico. Eles, inclusive, coletaram materiais e informações que poderão ser utilizados em futuras edições do concurso Semana do Meio Ambiente”. Túlio também destacou a eficácia da pesquisa para a formação do aluno: “Através da pesquisa, os alunos já começam a entender o que é conservação do solo. Acredito que se o concurso continuar, o interesse dos alunos será cada vez maior”. O resultado do concurso saiu no dia 10 de junho último e a premiação aconteceu nos dias 20 e 21 do mesmo mês, nas escolas vencedoras.
Escola
Categoria
Rafael de Resende Chaves Loureiro 1º série do Ensino Fundamental da Escola Municipal “Conjurados Resende Costa”
Desenho
João Paulo Bento Andrade
4º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual “Marcos Oliveira Braga” – Distrito de Jacarandira
Frase I
Thiffany Isadora Teixeira
7º ano 1 do Ensino Fundamental da Escola Municipal “Paula Assis” – Povoado do Ribeirão de Santo Antônio
Frase II
Víctor Maia Detomi
9º ano 4 do Ensino Fundamental da Escola Estadual “Assis Resende”
Poesia
Márcia Gouveia de Oliveira
2º ano do Ensino Médio da Escola Redação Municipal “Paula Assis” – Povoado do Ribeirão de Santo Antônio
Meio Ambiente
DA REDAÇÃO
IRIS promove palestras e caminhada ecológica na Semana do Meio Ambiente A ONG ambiental Instituto Rio Santo Antônio (IRIS) realizou, nos dias 9 e 10 de junho, atividades voltadas para a educação ambiental junto à Escola Estadual Assis Resende. A iniciativa contou com o apoio da prefeitura municipal e integrou o cronograma de eventos da semana do Meio Ambiente de Resende Costa. As atividades ministradas pela ONG incluíram palestras para os estudantes no dia 9, além de uma caminhada ecológica, realizada na Floresta Nacional de Ritápolis no dia 10. As palestras foram realizadas no Centro de Pastoral Paroquial (CPP) e voltadas para os alunos do ensino médio. Já a caminhada contemplou 40 desses alunos, sendo 20 escolhidos por mérito, através da análise dos boletins, e os demais escolhidos por sorteio, dentre os interessados. As atividades trouxeram como tema principal a água, debatendo seus usos e características, sua escassez e poluição, bem como as alternativas para a preservação e para o uso sustentável deste recurso. O primeiro palestrante, Ramon Chaves, aluno do curso de Geografia da UFSJ e membro do IRIS, propôs aos alunos uma reflexão sobre a água em nível global. Ramon apresentou dados acerca da disponibilidade da água no planeta e no Brasil, trabalhou conceitos como desmatamento, lençol freático, desperdício, poluição e reaproveitamento da água. Também apresentou projeções da ONU sobre o consumo mundial e nacional da água, alertando para a possibilidade de cenários desoladores num futuro
relativamente próximo. A segunda palestra, ministrada por Fernando Chaves, estudante de jornalismo da UFSJ e diretor geral do IRIS, trouxe a discussão sobre a água para o âmbito local. Foi apresentado um mapa didático com o percurso do Rio Santo Antônio e seus principais afluentes. Posteriormente, foram discutidos conceitos como bacia hidrográfica, mata ciliar e assoreamento. Por fim, o palestrante apresentou slides com fotografias de áreas degradadas do Rio Santo Antônio, apontando para a incidência de diversos pontos de erosão e de assoreamento no curso d’água, e para a diminuição do nível da água, fato relatado, segundo Fernando, por antigos moradores e frequentadores de regiões banhadas pelo rio. A terceira e última palestra provocou uma discussão acerca dos resíduos sólidos. O problema da destinação correta do lixo foi abordado pelo professor de geografia e diretor técnico do IRIS, Kesller Sulivan, que apresentou aos alunos um vídeo sobre questões relativas ao lixo, como o consumismo e o desperdício. O professor deu prosseguimento à palestra apresentando conceitos como “Lixão”, “Aterro Sanitário”, “Coleta Seletiva” e “Reciclagem”. Também dedicou parte de sua fala à questão específica das sacolas plásticas, que representam um desafio para a sociedade atual, visto que são utilizadas de modo indiscriminado e afetam fortemente a natureza.
Foto: Fernando Chaves
Confira os textos e o desenho vencedores no site www.jornaldaslajes.com.br.
Alunos assistem video sobre consumo consciente
Caminhada ecológica na Fazenda do Pombal: contato direto com o Rio Santo Antônio
O aluno Victor, da escola Assis Resende, na companhia dos secretários municipais Adriano Magalhães, João Bilaya e da diretora Andreia Moreira
Premiação do aluno João Paulo, na escola do distrito de Jacarandira
Rafael e a professora Cristina, na escola Conjurados
As alunas Márcia e Tyffani entre os organizadores do concurso João Bilaya, Túlio e prefeito Adilson e o secretário de Educação Adriano Magalhães
Quarenta alunos do ensino médio foram contemplados pelo IRIS e pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente com uma visita à foz do Rio Santo Antônio e à Floresta Nacional de Ritápolis, na Fazenda do Pombal. Os alunos, que foram acompanhados por guias do Instituto Chico Mendes, puderam caminhar pela floresta, visitar e entender o funcionamento do viveiro de mudas da Fazenda, e assistir a uma palestra sobre a importância e as características da Floresta Nacional de Ritápolis, ministrada pelo Sr. Fábio, analista ambiental da reserva. Fernando Chaves, coordenador das atividades, conta que esta é a primeira ação do IRIS junto à Escola Assis Resende e que pretende
levar atividades semelhantes para a Escola Conjurados e, principalmente, para a escola Paula Assis, já que no povoado do Ribeirão a relação com o Rio Santo Antônio é muito forte. “Essa é a nossa primeira ação de educação ambiental junto aos estudantes. Ao longo de sua existência, o IRIS vem reunindo e produzindo informações e material didático sobre o Rio Santo Antônio. A intenção é, a cada dia, estar em melhores condições para responder sobre a realidade do rio. Levaremos debates, seminários e palestras para as outras escolas e também para o turno da noite do Assis Resende, que não pôde ser contemplado nessa primeira iniciativa”, afirmou Fernando.
Jornal das Lajes
ANO VIII Nº 99 - JULHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Aconteceu
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EMANUELLE RIBEIRO
Kaessy realiza a 1ª cervejada de 2011
No último 25 de junho, a danceteria Kaessy, em Resende Costa, recebeu muitos baladeiros na primeira cervejada de 2011. O preço da cerveja (R$1,00) foi a principal atração da noite: os dois ambientes da casa de eventos lotaram e muita gente ficou do lado de fora do espaço de dança. Pessoas de vários lugares marcaram presença: Lagoa Dourada, São João delRei, Prados, Coronel Xavier Chaves, além de outras cidades vizinhas. Neste fim de semana, acontece em Resende Costa a tão esperada Exposição Agropecuária: a dupla sertaneja Teodoro e Sampaio e a banda de rock Biquíni Cavadão serão os shows principais.
Lígia, Guta e Tati
A cervejada se estendeu até a madrugada com dois ambientes, que animou a galera de toda a região
Laís e Jaime
Larissa e Eduardo
Festa atraiu pessoas de vários lugares
Cerveja a R$1,00 foi a grande atração da noite
Kely e Graciana
Eleonora e Maicon, de São João del-Rei
Tenente Luís Eduardo assume pelotão em Três Corações
Thiago e suas amigas de Lagoa Dourada, na Kaessy
Júlia e Taís
Renato e Caio
Flávia e Amanda
Amanda e Vítor
Casal curtiu a cervejada na Kaessy
Dia 27 de agosto de 2011, a partir das 23:30 na danceteria Kaessy. 2 ambientes com DJs e shows. Pagode, sertanejo e axé. Uma novidade neste ano será o abadá de porte obrigatório durante a festa. Venda de ingressos em 3 lotes, sendo o primeiro a iniciar no final de julho. Troque 1kg de alimento não perecível pelo caneco da festa, ou compre-o na portaria por R$2,00. Parte do valor arrecadado será revertida a uma instituição filantrópica. Cerveja e demais bebidas de dose a R$0,50. Refrigerante e suco gummy liberados. Apoio: Jornal das Lajes e Guia das Vertentes.
O tenente da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, Luís Eduardo Resende Ferreira, 25, assumiu o comando de um pelotão em Três Corações, cidade situada no sul de Minas. O município possui cerca de 72 mil habitantes
e está distante 287 km de Belo Horizonte. O resende-costense Luís Eduardo graduou-se, no período de 2008 a 2010, no Curso de Formação de Oficiais da PM (CFO).
8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Entrevista com a miss – Como você se sente sendo miss? – Feliz... é o que eu sempre quis... como se diz... ah, é super legal ser miss. – Você pretende entrar no mundo da moda? – Legal, né? Uma curtição. – Como é esse meio pra você? – Que meio? O da curtição? – Não, o meio da moda, dos desfiles... – Eu me sinto super realizada, é um mundo de realizações. Eu me sinto especial, é como se eu fosse única. Entre milhares de garotas que sonham com isso, eu sou uma dessas milhares. – Qual é o seu sonho? – Participar de uma novela. Sei lá, nem precisa ser papel principal, mas eu gostaria de ser a prontagonisa... Como é que se fala? – Protagonista. – Isso. Prontagonista pra mim já estava super legal. – Você está estudando? – Sim. Mas quase não sobra tempo pros estudos. Você sabe, né? Academia, salão, festinha, desfile, lojas... Eu procuro estar sempre atualizada. – Como? – A galera sempre me conta tudo no twitter, no orkut, no msn... Eu já te falei que eu tenho um blog? – Não. Conta pra gente.
Como é o seu blog? – Além de desfilar, você faz outra coisa? – Adoro cantar. – O que mais você faz? – Eu canto. Tá vendo como eu sou versátil? – E o seu prato preferido? – Lasanha. – E a música? – I’ll kiss your lips forever, daquela banda teen. – Se você estivesse no poder, o que você faria? – Eu abriria tudo só pra todo mundo realizar os sonhos com prazer. – Qual a mensagem que você deixa para as garotas que querem um dia estar nas passarelas? – Não desistam dos seus sonhos. Um dia, a vida vai oferecer uma oportunidade para a gente realizar os nossos sonhos. – O que mais irrita você? – Falsidade e artificialismo. – Você está namorando? – Não. Nada sério. Mas eu quero encontrar um cara super legal e sincero. Quero um casamento super legal e passar a lua de mel em Paris. – Obrigado pela entrevista. É muito bom a gente conversar com gente inteligente. – Quem? – Nada, esquece. Um beijo. – Pra ti também. Foi super legal. Super.
ANO VIII Nº 99 - JULHO
Sustentabilidade
2011 / RESENDE COSTA - MG JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Estagiários da UFSJ assessoram catadores de lixo na busca pela autonomia
Um grupo de alunos de diferentes áreas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) reúne-se semanalmente para fazer reflexões e discutir os problemas e as oportunidades dos catadores de lixo – ou agentes ambientais, como eles preferem ser chamados - que formam a Associação de Catadores de Material Reciclável de São João del-Rei (ASCAS), criada em outubro de 2005. Os estagiários da UFSJ, coordenados pela professora Valéria Kemp, do departamento de Psicologia, assessoram a associação desde o início, inclusive participando de reuniões quinzenais. Num desses encontros de reflexão, na tarde de sexta-feira numa das salas de aula da universidade, a reportagem do Jornal das Lajes conversou com Isabela Bassi e Cecilia Ribeiro da Silva (Piscologia), Patricia Braz Locatelli e Bianca Vale (Arquitetura) e Matheus Teixeira Correa (Ciências Contábeis). Não estava presente a aluna Marina Gleice dos Santos (Administração) e neste semestre o grupo ficou desfalcado de um estagiário de biologia. Com o apoio deste grupo, a ASCAS conseguiu - através de editais do Banco do Brasil, Banco Real, CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e Proext MEC (apoio a projetos de extensão das universidades) - financiar maquinário, prensas, elevadores, carrinhos e equipamentos de segurança, bem como adquirir uniformes e luvas. Além disso, foi publicado em 2009 o livro “Catadores na cena urbana” e está previsto novo livro para este ano. Por meio de edital da Funasa, será viabilizada construção de novo galpão, em terreno adquirido na Colônia. O grupo auxiliou ainda os catadores a realizar convênios com órgãos federais (UFSJ, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia e Procuradoria) para receber doação de material reciclável. Além da coordenação geral da professora Valéria, o grupo tem o acom-
panhamento de um professor específico de cada área. Professores e alunos miram a busca da autonomia dos catadores. As atividades são discutidas e planejadas em comum, mas há uma divisão técnica no trabalho. Assim, a área fiscal e financeira tem o apoio dos estudantes de administração e contabilidade; os conflitos no grupo e questões pessoais são tratados pelos alunos de psicologia; educação ambiental e caminhos do lixo urbano (percursos dos diversos tipos de lixo) recebem a atenção dos alunos de biologia e de arquitetura; e o projeto arquitetônico e a construção do galpão estão a cargo da estudante de arquitetura. Lei do lixo
O grupo de alunos da UFSJ já se prepara para ajudar a ASCAS a adotar a nova política de resíduos sólidos (instituída pela lei federal 12.305, de 2 de agosto de 2010). Nesse sentido, os estudantes defendem o fortalecimento da rede de associações de catadores da região (São João del-Rei, Resende Costa, Barroso, entre outras), de maneira a gerar escala suficiente para a venda direta à indústria de reciclagem, uma vez que atualmente a entrega é feita a intermediários. No espírito da nova lei, uma cooperativa regional de catadores permitiria melhorar a logística de transporte, reciclar parte do material (latinhas, por exemplo) e, assim, obter maior valor agregado na geração de renda. O grupo quer estreitar as relações com a prefeitura são-joanense a fim de aplicar a nova lei de resíduos sólidos, bem como ampliar as parcerias com órgãos públicos, empresas e entidades da sociedade civil para aumentar as doações de material reciclável. Os estudantes contaram que a Secretaria do Meio Ambiente de São João del-Rei já procurou a ASCAS para incluí-la numa cartilha de conscientização sobre o lixo. No campo empresarial, José Ro-
__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
DE
Estagiários da UFSJ envolvidos no projeto
berto Vitral, diretor da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei), diz que a nova política nacional de resíduos sólidos “traz novos conceitos e regulamentações e, portanto, precisa ser entendida e discutida pela comunidade. Seus objetivos são ideais, mas carecem de esclarecimentos quanto ao uso dos recursos financeiros e critérios técnicos ainda não definidos”. Ele defende que os diversos setores da economia se posicionem e se engajem, “para que não recaia sobre os comerciantes o ônus dos Planos Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, exigidos na forma desta Lei”. Para Vitral, um consórcio intermunicipal para a gestão de resíduos sólidos nas Vertentes deverá discutir e ratificar as seguintes questões no âmbito dos municípios: atendimento aos quesitos da nova lei; facilitação da adequação à gestão dos resíduos; economicidade aos investimentos da cidade; desenvolvimento, de forma igualitária, de toda a região; obtenção de recursos e financiamentos corporativos; e criação de políticas públicas de maior abrangência visando a soluções e ações nesta área. Vitral defende a ideia de que a comunidade participe desta discussão “que é de suma importância para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida da população local”. A nova lei prevê a corresponsabilidade entre poder público, empresas e cidadãos geradores de resíduos sólidos no desenvolvimento de ações relacionadas à gestão integrada e ao gerenciamento desse tipo de material. Assim, abrange responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos (poder público, fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes) e obrigatoriedade de se fazer coleta seletiva de resíduos sólidos.
Jornal das Lajes
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Religião
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ANDRÉ EUSTÁQUIO
Paróquia de Nossa Senhora da Penha receberá novo pároco
A paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, de Resende Costa, se prepara para receber seu novo pároco. Padre Éder Sebastião Santos, 44, tomará posse no próximo dia 28, quintafeira, às 19h00, sucedendo ao padre Geraldo Antônio Soares, que assumirá, no dia 25, a paróquia do Sagrado Coração de Jesus, de Minduri, no sul de Minas, de onde vem o padre Éder. Natural de Coronel Xavier Chaves e tendo suas raízes paternas em Resende Costa, padre Éder já possui uma relação com a paróquia de Nossa Senhora da Penha, onde trabalhou como seminarista, diácono e vigário
paroquial. Ordenou-se padre em 22 de julho de 2006, em sua cidade natal. A paróquia de Nossa Senhora da Penha foi marcada pelos 44 anos de paroquiato do monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira. Anos esses balizados por profunda liderança religiosa, que se revelou também na vida social, política e na educação no município. Monsenhor Nelson foi, entre 1944 e 1988, o que chamaríamos de o verdadeiro líder: atuante, respeitado, contestado por alguns, porém amado pela grande maioria. Após o falecimento do monsenhor Nelson, em março de 1988, cinco pa-
Fotos: Arquivo Paróquia Nossa Senhora da Penha
Padre Éder durante celebração da primeira eucaristia em Resende Costa
dres já passaram por Resende Costa, numa média de 4,6 anos por religioso. O padre João Rodrigues de Paula, natural de Barroso, assumiu a paróquia, seguindo praticamente a mesma dinâmica deixada pelo seu antecessor. Por aqui ficou durante dez anos, durante os quais se dedicou ao trabalho pastoral e ao zelo para com o patrimônio da paróquia. Padre João deixou a paróquia em 1998 e de lá para cá, quatro padres se revezaram numa pequena média de tempo de aproximadamente dois anos, com exceção do padre Geraldo Soares (seis anos e sete meses). Os demais padres foram: José Roberto Vale Silva (nove meses); Nélio José dos Santos (dois anos e oito meses); Claudir Possa Trindade (dois anos e nove meses). O padre Geraldo Soares completaria, em dezembro próximo, sete anos de paroquiato.. Independentemente do tempo, cada padre que passou pela paróquia de Nossa Senhora da Penha deixou sua marca, colhendo os frutos plantados pelo monsenhor Nelson e por seus antecessores. E foram muitos frutos, afinal trata-se de uma paróquia criada em 1840, e que traz em seus fiéis um povo genuinamente católico, como bem expressou, em 1920, o professor José Augusto de Rezende, no seu Livro de Pallidas Reminiscencias da antiga Lage – hoje – Villa de Rezende Costa: “o povo (de Resende Costa) é genuinamente católico, frequentando sempre todos os atos religiosos. Faz todos os anos os principais festejos, merecendo especial atenção os de Nosso Senhor
dos Passos, de Nossa Senhora das Dores e Semana Santa. Guarda com devido respeito e acatamento os dias santificados pela Igreja”. O perfil descrito pelo professor José Augusto em 1920 ainda se conserva como característica do católico resende-costense, que participa ativamente das celebrações e guarda com zelo os ensinamentos da Igreja, deixados pelos familiares e cultivados pelos padres, aqui sempre bem acolhidos, respeitados e estimados. É esse o perfil do novo rebanho do padre Éder. Desafios são muitos, mas esperança e otimismo são maiores. Padre Éder chega a Resende Costa deixando aqui sua primeira mensagem aos seus novos paroquianos: “Aos paroquianos da Senhora da Penha, povo conhecido, a Paz de Cristo! Recebo a notícia do nosso bispo diocesano, dom Célio, para que eu possa estar à frente desta paróquia, agora como pároco. Expectativas são muitas. Espero chegar contando com a colaboração de todo o povo de Deus. A paróquia tem que continuar sua caminhada, uma vez que o povo resendecostense sempre demonstrou muita fé. Estamos todos na mesma barca de Pedro. E a barca que menciono é toda a paróquia de Nossa Senhora da Penha de França. Juntos, porventura, vamos encontrar um mar tenebroso, com altas ondas, que possam balançar a barca e colocar medo em nós. Mas o que é mais fascinante, e nos deixa felizes, é saber que o nosso Deus jamais nos
Cultura
Padre João Rodrigues de Paula foi pároco de Resende Costa durante 10 anos. Foi o religioso que ficou mais tempo, após o falecimento do mons. Nelson
abandona. Ele vem e tranquiliza os nossos corações. Saber disso é muito bom. Rogo e peço ao Santíssimo Redentor, por interseção da Virgem da Penha, que derrame copiosas bênçãos sobre todas as famílias dessa paróquia. Na oportunidade, contando, desde já, com a colaboração das pastorais, movimentos, grupos e demais pessoas engajadas, para que possamos caminhar de mãos dadas, rumo à construção de um Reino para todos. Dia 28 de julho, com a graça de Deus, chegaremos! Um abraço agradecido! Que Deus e Maria nos protejam!”
TEXTO E FOTOS: FERNANDO CHAVES
Após 13 anos, Resende Costa volta a promover Encontro de Bandas A Banda Santa Cecília, em parceria com a Associação Musical Amadora de Resende Costa (AMARC) e com o Movimento Arena Cultural (MAC) realizou, no dia 26 de junho, domingo, a 5ª edição do Encontro de Bandas de Resende Costa. Desde 1997, a cidade não recebia o evento, que contou, também, com o apoio da Prefeitura Municipal e da Câmara dos Vereadores. As movimentações começaram cedo.
A partir das oito da manhã, as bandas desembarcavam na praça Professora Rosa Soares Penido. Recepcionados pela Banda Santa Cecília e por membros do MAC e da AMARC, os diversos grupos musicais seguiram para a Escola Municipal Conjurados, onde foi servido um café aos visitantes. As apresentações tiveram início logo em seguida, com o desfile individual das bandas, puxado pela Banda Santa Cecí-
Lira de São José, de Alto Rio Doce
lia, a anfitriã. O cortejo partiu da Avenida Gonçalves Pinto, terminando no Largo do Rosário, onde as bandas foram acolhidas por um público ansioso. Além da banda anfitriã e dos membros do MAC e da AMARC, estiveram presentes para receber publicamente as 13 Bandas participantes o Prefeito Adilson Resende, o secretário Municipal da Educação Adriano Magalhães, e o Presidente da Câmara Municipal Luís Cláudio. O público espectador compareceu desde cedo e não parou de aumentar ao longo das apresentações que se seguiram. Após a chegada de todos os músicos à Praça do Rosário, deu-se início à formação do “bandão”, composto por todas as bandas presentes. O “bandão” executou o hino nacional na cerimônia de hasteamento das bandeiras e seguiu em marcha pelo centro da cidade, passando pela Igreja Matriz, pela Escola Assis Resende e seguindo para a Escola Municipal Conjurados, onde foi servido um almoço aos participantes. Tarde adentro, as atividades prosseguiam no largo do Rosário. Após a performance do Grupo de Capoeira Estilo, da cidade de São João del-Rei, as 13 bandas
se apresentariam uma a uma, executando 3 músicas cada. Belas melodias preencheram a tarde de quem acompanhava o encontro. Além da Banda Santa Cecília e da Lira São Sebastião, de Jacarandira, se apresentaram mais 11 Grupos, vindos de 10 cidades diferentes: São Braz do Suaçuí, Campo Belo, Alto Rio Doce, Coronel Xavier Chaves, Bom Sucesso, Ibertioga, Nazareno, Lagoa Dourada, São João del-Rei e Santa Cruz de Minas. O encerramento do evento ficou por conta da Companhia de Dança Ritmos, de Resende Costa, que apresentou performances variadas com a participação de 15 dançarinas, coordenadas pela professora e coreógrafa Soraia. Segundo o maestro resende-costense João Tomás, um dos organizadores do evento, o encontro é importante porque dá visibilidade para a cidade na região e porque possibilita que músicos de diversas cidades possam se conhecer e trocar experiências. João participou ativamente da organização de todos os cinco encontros sediados em Resende Costa e ficou entusiasmado com os resultados da 5ª edição. O maestro Alencar Espinha, à frente da Lira Santo Antônio, de Ibertioga, destacou a importância do encontro para a
juventude. “É preciso renovar as gerações de músicos e o encontro proporciona isso. A meninada fica empolgada”, afirmou. A banda de Ibertioga participou do encontro com 30 músicos, dos quais cerca de 20 eram crianças ou adolescentes. Maestro há 16 anos, Espinha elogiou os organizadores do evento. “Não é fácil reunir 13 Bandas. A organização está de parabéns”, disse o maestro. Para José Robson, membro do MAC, a música traz vida à cidade, estimulando as pessoas a saírem de suas casas e ampliando o convívio entre os moradores. “Os domingos de Resende Costa precisam ver mais esse tipo de evento. Esse é um dos objetivos do MAC: apoiar iniciativas que deem mais vida cultural aos fins de semana da cidade”, avaliou Robson.
Bandão executando o hino nacional
10 Jornal das Lajes Causos & Cousas Hoje estou voando longe de Resende Costa. Um outro voo me obriga a fazer isso. Abrindo o site do Centro de Estudos Aeronáuticos (CEA), do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), fiquei ciente do falecimento do professor Cláudio Barros. Vou lendo os títulos das muitas mensagens de professores, alunos e amigos referentes ao evento: “Cláudio, mais que um engenheiro, um conselheiro”; “O amigo do CEA”; “Derradeiro voo do nosso querido Cláudio Pinto Barros”; “Cláudio, simplesmente Cláudio”; “Adeus ao nosso querido Cláudio Barros”; “Adeus a um pequeno grande homem: Cláudio Barros”; “Cláudio Barros: um homem a ser lembrado para sempre” e seguem-se outros comentários. Na verdade, devo confessar que o título do meu texto foi, de certa forma, plagiado de alguma das mensagens. Não importa: não haveria um título mais emblemático do que esse. As mensagens estão entremeadas com fotos dos “filhos” e “netos” do Cláudio: o CEA-205 CB-9 Curumim, um dos caçulas (o CB é de “Cláudio Barros”), o CEA-308, quatro vezes recordista internacional de velocidade em sua categoria, o CB-10 ACS100 Sora; o CEA 309 Mehari, entre tantos outros aviões nascidos na prancheta do engenheiro Cláudio Barros e de seus alunos. Na sexta, dia primeiro, assim de repente, o professor Cláudio Pinto Barros, aos 73 anos, fez seu último voo. Decolou silencioso de BH com destino à eternidade. Bateu seu último recorde, o de altitude. Levou consigo inúmeros projetos, importantes prêmios. Quase 50 anos de dedicação à aeronáutica, à criação e direção do CEA e, sobretudo, aos seus centenas de alunos, hoje espalhados pelo Brasil, dedicando-se à arte e à técnica da
ANO VIII Nº 99 - JULHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO
O último voo
aeronáutica. O CEA, árdua e corajosamente fundado pelo Cláudio 48 anos atrás, foi o primeiro no Brasil a oferecer o curso de engenharia aeronáutica, afora o curso do CTA/ITA, em São José dos Campos. Para criar o curso teve que lutar tenazmente contra a oposição dos militares da Aeronáutica, que não admitiam a existência de outro curso além do ITA. Se hoje temos no Brasil o terceiro maior fabricante mundial de jatos comerciais, a Embraer, é também porque ali estão o espírito e a contribuição do Cláudio Barros. Muitos de seus alunos estão na empresa de São José dos Campos, inclusive em postos relevantes. Tempos atrás esses seus alunos se reuniram na empresa para prestar uma homenagem ao seu ilustre mestre. Sempre fui um apaixonado pela aeronáutica. O sonho que não pude realizar, realizou-o o meu filho Renato, engenheiro aeronáutico, atualmente há 13 anos na Embraer. Foi aluno e admirador do Cláudio. Posso dizer, com uma pontinha de orgulho, que também eu o fui. Quando cursava a disciplina “Projeto de aeronaves”, o Renato pediu ao Cláudio autorização para eu participar das aulas como ouvinte. Muito antes disso eu já havia conhecido e admirado o “Curumim” em uma exposição da UFMG e me intrigava saber que aqui em BH se podia construir um avião como aquele. Nas “Bienais Brasileiras de Design/ categoria aeronaves” de 87 e 92, o CEA arrebatou os primeiros lugares, com os aviões CB-7 Vésper e CB-9 Curumim, respectivamente, desbancando, inclusive, outros projetos apresentados pela concorrente Embraer. Como disse o Renato em sua mensagem no site, “perdeu também o Brasil um homem de visão e espírito empreendedor e que teve a coragem de fazer o que era preciso e a sabedoria pra fazê-lo. Seus feitos, comparáveis aos de outros como
Crônicas do Cotidiano
Casimiro Montenegro [fundador do CTA/ ITA], são a garantia de que seu legado sobreviverá por muitas e gerações”. Nosso Jornal das Lajes nunca acolheu em suas páginas uma matéria específica sobre aeronáutica. Talvez, as peripécias do nosso conterrâneo, o Renato Morethson, outro apaixonado pelos aviões na década de 40, com seu “Paulistinha” e seus voos rasantes sobre Resende Costa, jogando propagandas e jornais. Por isso, seja este texto também uma derradeira homenagem ao grande professor, ousado, visionário e benemérito. Neste país das contradições e da inversão de valores gastam-se somas fabulosas, horas de televisão, páginas inteiras de jornais e salários astronômicos para a badalação e a babação com jogadores de futebol ou com duplas de cantores de música pseudo-sertaneja. Cientistas, pesquisadores e gênios da envergadura de um Cláudio Barros são mal remunerados, despercebidos e ficam esquecidos. Um dos principais diários de BH dedicou uma página inteira, colorida, a uma cantora de música popular e não dedicou sequer uma linha à memória do ilustre professor Cláudio. O engenheiro Paulo Iscold, seu aluno, que o sucedeu na direção do CEA, assim dele se despede em sua mensagem do site do CEA: “Cláudio, vá com Deus, suba com asas como águia, porque você sempre esperou no Senhor! O CEA hoje chora a sua ida, mas vamos continuar tocando isto aqui e honrando seu nome! Voaremos cada vez mais alto, cada vez mais longe e cada vez mais veloz. Eu farei o possível para manter a chama e a alegria do, como você sempre dizia, melhor lugar do mundo!” (Para os leitores que se interessarem em conhecer o CEA e seus projetos, bem como os textos sobre o professor Barros, basta acessar o site http://www.demec. ufmg.br/Cea/principal.html)
JOÃO FERNANDO RESENDE CHAVES
Histórias do Joãozinho
Neste mês deixo a crônica por conta do Joãozinho, homônimo, homócrono, homogêneo, homólogo, homômero, homomorfo, quase homozigoto daquele das piadas que todos ouvimos. Suas histórias merecem ser divididas. É uma seleção e são cópias fiéis de suas produções de texto na escola. Aproveitem! Aguardem outras! 1 – Quem sou eu? Olá pessoal, meu nome é João Fernando, tenho 9 anos mas vou fazer 10 daqui a três meses. Moro em Coronel Xavier Chaves, Avenida Cônego Cardoso, nº 73. Tenho um irmão, às vezes legal, às vezes chato. Eu adoro minha família, apesar das partes ruins. Eu gosto de sair com meus colegas e nós brincamos várias coisas. Eu acho que para ser alguém na vida tem de estudar muito. Fico triste quando dá alguma coisa errada, acontece algo ruim na minha vida. E graças a Deus tenho essa vida mara-
vilhosa que Deus me deu!!!
lo!!!
2 – Como foi o descobrimento do Brasil? Dia 21 de abril de 1.500, chegaram barcos, grandes naus, desceu gente branca de roupa, todos elegantes. Quem será que são? “Aliens”? Bichos estranhos? Não senhor, são portugueses. Todos os índios estranharam, os portugueses também estranharam aquele tanto de gente nua, mas os portugueses fizeram festas, missa. Pouco tempo depois ficaram mais conhecidos e fizeram o escambo. Os índios davam pau-brasil e os portugueses davam ferramentas de metal, espelhos etc. Minha tia é historiadora e já descobriu várias coisas sobre os indígenas. Estou pensando em seguir a carreira dela, mas ainda não sei! Voltando no assunto, os portugueses voltaram a Portugal e houve um conflito entre Portugal e Espanha. E então aconteceu o Tratado de Tordesilhas e passaram anos e anos. E hoje estamos aqui estudando aqui-
3. Eu sou o que quero Se eu pudesse fazer tudo que quero ia ser muito bom, pena que não é assim, a vida tem partes boas e partes ruins. Mas se eu pudesse ser tudo de uma vez só (exemplo: dormir mais tarde, ficar com meus colegas, ah, sei lá, tem tantas coisas!). Mas se eu pudesse, seus olhos não iam aguentar ler tanta coisa, pode ter certeza disso. Bom, vou fazer uma coisa que quero agora, parar de escrever senão seus olhos não vão aguentar!!! 4. O que é família? Minha família tem 4 pessoas: eu, João Fernando, meu irmão Francisco José, meu pai Luiz Fernando e minha mãe Maria Zélia. Aqui em casa nós todos nos amamos, ficamos felizes, tristes, porque tem hora prá tudo nessa vida. Em minha casa, no final de semana, arrumo minha cama, cuido dos passarinhos, às vezes lavo o carro etc. Todo domingo à noite minha família
Informe do Sindicato dos Trabalhadores Rurais
O Sindicato dos Trabalhadores Rurais convida todos os associados (as) a comparecerem no próximo dia 07 de agosto com a finalidade de votar e eleger a nova diretoria. As eleições ocorrerão de 08h00min às 15h00min horas nos seguintes locais: Sede do Sindicato, nos Povoados do Curralinho dos Paulas, Ribeirão de Santo Antônio, Jacarandira, Pintos e Restinga de Cima. Concorrer chapa única, sendo ela formada por: DIRETORIA: Nome
Cargo
José Gouvea Filho
Presidente
Camilo de Lelis de Urquisa
Tesoureiro
Vania de Fatima Coelho
Política Agrária e Agricultura Familiar
José de Assis Sobrinho
Diretor para questões de Educação, Política e Formação Sindical dos Jovens e das Mulheres Trabalhadoras Rurais
Adenir da Silva Reis Resende
Diretora para questões de Política Salarial, Políticas Sociais e Previdência Social
SUPLENTES DA DIRETORIA: Edison do Nascimento da Silva Valdiney Ribeiro João Dias Helena das Dores Silva Resende CONSELHOS FISCAL: Efetivos
Suplentes
Gilmar José Pereira
Maria das Graças Resende
Marciel de Assis Mendonça
João Evangelista da Silva
José Eloi Martiniano
Maria Aparecida Silva
DELEGADOS REPRESENTANTES: Efetivos
Suplentes
José Gouvea Filho
Adenir da Silva Reis Resende
Camilo de Lelis de Urquisa
Vania de Fatima Coelho
por parte de mãe faz um encontro na casa da minha vó Vanda, que adora meus abraços. Às vezes eu, meu pai, meu irmão e minha mãe deitamos juntos na cama para ver TV ou um filme. Também têm discussões, brigas, desentendimentos. Uma família sem isso não é família. Às vezes lá em casa eu brigo com meu irmão ou desentendo com ele, minha mãe discute com meu pai... Mas apesar de tudo eu amo todos porque todos somos filhos de Deus!!! 5. Que será isto? O que aconteceu, o que aconteceu? Causou suspense e todos descem juntos para ver o que era. Olharam, olharam, mas não viram nada. Estavam voltando despreocupadamente quando o barulho vindo de onde eles estavam antes. Foi só ouvir o barulho se aproximar que cada um por si, Deus por todos, cada um foi se esconder em um lugar diferente até que viram a sombra do bicho. Ele tinha chifres, boca grande, nariz pequeno, uma pistola a laser na mão. Ele transformou a casa em uma nave
espacial. A família criou coragem e foi encontrar o bicho. E se vocês já ouviram falar que a união faz a força, então derrotaram o bicho! De repente acordei e pensei no sonho o dia inteiro!!! 6. Se eu fosse professor Se eu fosse professor acho que seria o melhor do mundo, ia ser muito legal. Nossa, ia ser muito radical! Ia deixar as crianças saírem da aula quando quiserem, ir beber água ou ir ao banheiro. Poderiam ficar em qualquer lugar da escola, recrear aula inteira, educação física também. Seria bom, não seria? Eu ia fazer várias excursões, vários programas diferentes. Bom, com certeza seria bom, mas o único problema era que ia ser demitido no primeiro dia. Yahool!!! Era só os funcionários da escola não verem. Falava com as crianças para fazer tipo a “missão impossível”! Eu já estou sonhando para ter um professor assim, e você?
Jornal das Lajes
ANO VIII Nº 99 - JULHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Sardinhas enlatadas e pirataria em alto trânsito Com vocês um produto refinado. Trata-se da mais alta tecnologia desenvolvida nas grandes cidades brasileiras. Não sei falar de muitas metrópoles, mas sobre Belo Horizonte, por experiência cotidiana, posso discorrer. Posso dizer de belezas e maldades, concretos e verduras, amizades e assaltos, paz e sequestros. Posso falar de ruas, becos ou até mesmo de algumas quebradas, para utilizar aqui a gíria dos malandros, dos boys e de muitos marginais. Posso discursar sobre as serras no entorno da cidade, as chamuscadas por barracões verticais, casebres de concreto sem acabamento ou de madeira gasta, sem pintura. Também sobre as verdes serras, como a do Curral, as exceções que me acalmam. Mas voltemos às ruas da cidade, que a natureza merece discurso próprio. É nessas ruas que medram fábricas da intolerância. Até nossas sombras guerreiam entre si por um naco de espaço. Parafraseando Sartre, pode-se dizer que sempre se esquecem de que a liberdade tem limites. Não pensando que a liberdade de um termina onde começa a do outro, atropelamo-nos nas ruas nossas de cada dia. Querem um exemplo mais específico de tanta intolerância plantada e colhida com um esmero muito estorvado? Volto a apresentar-lhes a alta tecnologia de que lhes falava. Quem já teve a graça de empoleirar-se nos lotações de Belo Horizonte? Aos atropelos entramos neles, os lotações nossos de cada dia, e que não são nossos! São motores roncando e lataria sacolejando, a estragarem uma noite já mal dormida e a anteciparem outra
noite de um sono também atropelado. Galinhas entre telas e telhados usufruem de melhores condições nos galinheiros. Elas são equilibristas. E sempre me espantaram essas bípedes apoiadas num só pé quando dormem! Quanto a nós, pobrezinhos bípedes desengonçados, não temos tal poder. Entre braços levantados tentando imitar macacos, axilas nem sempre agradáveis, apertos que podem até excitar alguns e que sinceramente não excitam este que lhes fala, seguimos todos aflitos com a chegada a um destino sem fim. E aquelas pessoas que adoram falar aos celulares? E gritam, pois certamente do outro lado o interlocutor seja surdo. Ou, na melhor das hipóteses, são elas que se equivocam e gritam, gritam, porque no meio de tanto barulho também acham que o seu ouvinte não esteja escutando nada. Já me perguntei muitas vezes se essa falação alta com boca grudada em tais aparelhos não seja também um modo de extravasar uma raiva por tudo, pela carga que somos em carros tão cheios. Como não nasci para gritos, escrevo esta crônica, este modo meu de gritar. Bancos apertados, lixeirinhas exíguas que mal abarcam um papel de bala ou chiclete mascado por dentes nervosos. Sem falar nos educados cidadãos que ainda insistem em jogar lixo pelas janelas. Uma vez ouvi um cara dizendo que joga mesmo tudo lá fora, pois isso é um modo de empregar garis. Com as ruas sujas, não faltará emprego. Santa ignorância! Santa e irresponsável! Ultimamente, o que mais me tem irritado é o comportamento que vejo em alguns motoristas e trocadores.
Fui perceber isto por agora, eu com esta mania de não ver podridão em frutos bonitos postos em bancas limpas. Faz dois meses mais ou menos que um trocador me disse com a cara mais lavada do mundo: “Fica aí na frente, não precisa passar pela roleta não. Me dá só R$2,00; o chegado aí vai te deixar descer na frente”. Fiquei estarrecido! Não que eu seja um santo, mas também com que cara eu desceria pela frente? Todos me olhando e se perguntando por que eu estaria fazendo aquilo. Não, eu não queria levantar suspeitas sobre minha pessoa. Deus me livre! Respondi que não, que passaria pela roleta e pronto. Paguei R$2,45. O trocador levantou os ombros e me deixou passar como se eu fosse ninguém. Vi os olhos do motorista no retrovisor, seu olhar me fulminando. Depois disso passei a observar mais as pessoas passando ou não pelas roletas. E pude constatar que tal prática (a de pessoas que não pagam ou que pagam menos para descerem pela porta da frente) não é pouco comum. Nos pequenos pontos da vida, sempre há algo que foge a certa engrenagem. Por que não buscar outros modos de contestação ao abuso no valor das passagens? É, parece que cada um sobrevive como pode. Certa feita brinquei com um amigo: “ainda vou comprar um ônibus só pra mim. Somente eu terei o direito de passar pela roleta, pagar e andar sozinho no meu lotação”. Mas depois dessa experiência, acho melhor não. E se o trocador me subornar outra vez?
Informe
Aviso: A Justiça Eleitoral informa aos eleitores, advogados, partidos políticos e demais interessados que o Cartório Eleitoral de Resende Costa está funcionando em novo endereço: Rua Dr. Abeilard, no 106 Centro – Tel.: (32)3354-1692. Horário de funcionamento: segundas, terças, quintas e sextas-feiras, de 12h às 18h e nas quartas-feiras, de 10 às 16h.
Foto: Eustáquio Peluzi Chaves
Cartório Elleitoral da 232a. ZE
Saúde
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MARCILENE MENEGHIN HALLAK*
Obesidade infantil preocupa profissionais são-joanenses Os casos de obesidade infantil, entre quatro e oito anos, aumentaram significativamente em São João del-Rei, de acordo com a médica Maria José Botelho, pediatra do Núcleo Materno Infantil da cidade. Para ela, os defeitos na alimentação, como excesso de açúcares, massas, sanduíches e frituras são fatores determinantes para desencadear um alto grau de obesidade na criança. O ideal é que os pais se conscientizem da importância da ingestão de verduras, legumes e alimentos mais saudáveis para que a saúde de seus filhos não fique comprometida. No Brasil, a obesidade infantil preocupa especialistas da saúde e a sociedade em geral, uma vez que a doença avançou ao longo dos anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 30 anos, o número de crianças e adolescentes acima do peso subiu de 4% para 18% nos meninos e de 7,5% para 15,5% nas meninas. O tratamento da obesidade infantil apresenta uma realidade complicada, porque as famílias têm dificuldades para encontrar ajuda no serviço público, uma vez que nem sempre há especiliastas na área. Em São João del-Rei não é diferente; a cidade ainda não dispõe de profissional especializado. Segundo a Secretaria de Saúde, há no município o endocrinologista e o nutricionista para fazer o atendimento geral, mas não há profissionais especializados no atendimento de crianças. Na cidade, já se prevê o impacto que esse crescimento gerará na saúde pública daqui a alguns anos e da iminente necessidade de profissionais especializados para um tratamento diferenciado, conforme afirma Amanda de Almeida Silva, nutricionista do Centro Viva Vida (CVV): “Já está claro o crescimento da obesidade infantil e o impacto que irá gerar na saúde pública daqui a alguns anos, então se torna necessária a presença de equipes interdisciplinares para que se tenha sucesso”.
Para ela é de extrema importância o atendimento imediato feito pelo especialista, isto é, dar a devida atenção ao problema no momento em que ele está acontecendo. A nutricionista acredita que com o crescimento deste problema, alguns planos de saúde deverão iniciar algum projeto na área, mas neste caso ficará restrito aos usuários dos planos. A nutricionista clínica especializada em esporte, Amanda Mayrink, diz que a obesidade deve ser encarada como uma doença que como outra qualquer requer tratamento e cuidados especiais. É uma doença que envolve toda a família do paciente, porque a reeducação alimentar e as mudanças nos hábitos repercutem para todos da família. Para Amanda, se os pais não tiverem essa consciência, o tratamento tende a ficar comprometido, porque a criança não vai querer se alimentar diferente dos seus pais e irmãos. A nutricionista do Sistema Unico de Saúde (SUS) de São João del-Rei, Geralda Mapa, afirma que os principais riscos da doença são: maior propensão para hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares (80% dos adolescentes obesos permanecem obesos na vida adulta). Além disso, há também as doenças metabólicas, que podem demorar de médio a longo prazo para acontecerem (as crianças estão com colesterol alto cada vez mais jovens), e terão que lidar com problemas como: puberdade precoce, cansaço, consequências psicológicas (baixa auto-estima, discriminação, recolhimento). Na China, casos de obesidade infantil também causam preocupação como o caso do bebê Lu Hao, de três anos, que foi destaque em muitos jornais do Brasil. Seus 60 kg, em um corpo que normalmente comportaria cinco vezes menos, impressionaram o mundo inteiro. *Aluna do 3º período de Comunicação Social/Jornalismo da UFSJ.
12 Jornal das Lajes Festa de São João
ANO VIII Nº 99 - JULHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG EMANUELLE RIBEIRO
Inclusão social
EMANUELLE RIBEIRO
Trilha e cavalgada na Festa de São João Arnova realiza projetos de
Aconteceu nos últimos dias 17, 18 e 19 de Junho, a 12ª edição da Festa de São João no povoado dos Pintos. Neste ano, a grande novidade foi a realização da 1ª trilha de São João, organizada por Júlio Assis, no dia 19. De acordo com José Fernando Moraes (JF), o intuito não foi fazer uma competição, por isso não houve vencedores e, sim, organizar um encontro entre os motoqueiros de Resende Costa e região. 24 motoqueiros participaram da trilha, cuja largada aconteceu por volta de 12h. Os pilotos saíram dos Pintos e seguiram até o povoado do Cajuru. Aproximadamente três horas mais tarde, os participantes retornaram ao povoado. Segundo Fernando, próximo ao Cajuru, os motoqueiros precisaram passar por uma subida forte, obstáculo conhecido como
morro Carretão, mas muitos deles não conseguiram terminar essa parte do circuito. A 1ª Trilha de São João foi uma forma de os organizadores da festa promover uma atividade diferente no domingo para atrair mais pessoas ao povoado, além de agradar as crianças, que admiram o esporte. Além da trilha, outro esporte bastante praticado pelos resendecostenses fez parte mais uma vez da programação da Festa de São João: a cavalgada, conduzida por José Raimundo, Valdinei Ribeiro, José Ivan de Assis e Iremar Basílio. Em 2011, cerca de 280 cavaleiros participaram. Eles saíram de Resende Costa rumo aos Pintos no sábado pela manhã. A cavalgada já é uma tradição na comunidade e os cavaleiros se divertem na companhia um dos outros, ao som
dos berrantes e tomando aquela cachaça, que é de praxe. Não só a cavalgada é tradicional nas comunidades rurais, mas o desfile de carros de bois também é um dos principais acontecimentos. Neste ano 36 produtores rurais desfilaram pelo povoado dos Pintos exibindo os carros cheios de milho. A Festa de São João é um acontecimento que contribui para o desenvolvimento econômico e cultural da comunidade e de acordo com Adélio Mariano, presidente do Conselho Comunitário São Geraldo, atividades como a cavalgada e a trilha servem para abrilhantar a festa. “O conselho agradece aos motoqueiros, carreiros, cavaleiros e todos aqueles que participaram e contribuíram para a realização da festa”, conclui Adélio.
24 pilotos participaram da 1ª Trilha de São João
Pilotos enfrentaram obstáculos e trilhas fechadas
Chegada da cavalgada no povoado dos Pintos
Assistência social
Fotos José Fernando Moraes (JF)
ANDRÉ EUSTÁQUIO
5ª Conferência de Assistência Social avalia metas de 2009 e propõe novos objetivos
Avaliar e propor diretrizes para o aprimoramento da política pública de assistência social foi um dos objetivos da 5ª Conferência Municipal de Assistência Social, que aconteceu no dia 2 de julho último, na casa de eventos C&M. A conferência foi organizada pela Prefeitura Municipal de Resende Costa, através do Setor Municipal de Assistência Social. O tema escolhido para nortear as discussões foi: “Avançando na consolidação do sistema único da assistência social (SUAS) com a valorização dos trabalhadores e a qualificação da gestão, dos serviços, programas, projetos e benefícios”. As Conferências Municipais de Assistência Social ocorrem a cada dois anos e têm como outro objetivo a eleição de delegados que irão representar o município na Conferência Regional de Assistência Social, levando as metas estabelecidas na Conferência Municipal. Quatro representantes de Resende Costa participarão da conferência regional: Alessandra Guse dos Santos e Priscila de Sousa Resende (representantes do poder público) e Ivone Ferreira Maia e José Gouveia Filho (representantes da sociedade civil). A Conferência Municipal de Resende Costa contou com a presença da assistente social Solange Nascimento Silva, que proferiu a palestra de abertu-
ra, abordando a importância do profissional de assistência social na execução dos programas socioassistenciais. Outro destaque da palestra introdutória foram os direitos socioassistenciais estabelecidos em lei. A assistente social de Resende Costa, Alessandra Guse dos Santos, coordenou a avaliação das metas propostas na Conferência de 2009. Foram também discutidos os avanços e os impasses da implantação e execução da política de assistência social no município. Dentre as metas estabelecidas na conferência de 2009, destaca-se a criação e implantação do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e a criação da Secretaria Municipal de Assistência Social. Antes da plenária final, os participantes se dividiram em grupos para propor novas metas. Para os próximos dois anos foram aprovadas as seguintes: mais recursos para o Fundo Municipal de Assistência Social; funcionamento do CRAS; conscientização da população; cumprir as metas propostas na 4ª Conferência e que ainda não foram cumpridas; comprometimento entre as instituições e os beneficiados; maior apoio do poder público às instituições; elaboração de projetos que beneficiem as famílias em situação de risco; acompanhamento e fiscalização da política pública; organizar reuniões nas comunidades; quali-
Representantes de diversas instituições da sociedade civil participaram da conferência
ficação profissional na zona rural com o objetivo de gerar trabalho e renda; firmar parceria entre o poder público e as entidades para a erradicação da extrema pobreza no município. No fim da plenária concluiu-se que as metas traçadas nessa conferência são muito próximas das metas da conferência de 2009. Sendo assim, o Conselho Municipal de Assistência Social fiscalizará o cumprimento das metas propostas e a implantação do Sistema Único de Assistência Social – SUAS - em Resende Costa. Participaram da conferência membros de diversas entidades da sociedade civil e representantes do poder público municipal. O prefeito municipal Adilson Avelino de Resende foi representado pelo secretário municipal de Educação e Cultura, Adriano Magalhães. De acordo com a coordenadora do Setor Municipal de Assistência Social, Priscila de Sousa Resende, “a Conferência Municipal de Assistência Social de 2011 foi muito produtiva. Contamos com a presença de muitos representantes da sociedade civil e também de usuários. A Conferência é o momento para reivindicações e cobranças ao Poder Público. São nesses espaços que a população consegue solicitar e transformar suas solicitações em metas”.
inclusão sociocultural
Desde 2010, a Associação de Moradores do bairro Nova Resende (Arnova), em Resende Costa, vem realizando trabalhos de cunho sóciocultural na comunidade, visando à inclusão social dos envolvidos. “Queremos tirar as crianças e adolescentes das ruas e também dar oportunidade aos pais dos alunos de participarem dos projetos”, declara a presidente da associação, Ítala Carolina da Silva. Segundo ela, um dos primeiros objetivos é aproximar os alunos das atividades culturais. Até o momento, aproximadamente 110 pessoas participam das atividades. Os principais serviços oferecidos são pastoral (terceira quinta-feira de cada mês, às 17h00), catequese (todas as quartas-feiras, às 17h00), Escola de Jovens e Adultos (EJA – de segunda à sexta-feira de 19 às 21h00), projeto musical “Criança em busca de um sonho” (todas as sextas-feiras às 18h00) e “Ação complementar” (todas as segundas-feiras às 15h00), em que são realizadas oficinas de geração de trabalho e renda, com a assistente social Alessandra Guse. De acordo com Guse, o projeto está diretamente ligado ao Programa Bolsa Família, que em suas diretrizes prevê que os municípios criem ações que possibilitem portas de saída para sua população usuária. O trabalho da assistente social está relacionado ao artesanato, principal fonte de renda e emprego de Resende Costa e, além de auxiliar os envolvidos na confecção de produtos tradicionais, ainda influencia a criação de novas artes, como é o caso da pintura em madeira, um produto pouco ofertado em nosso artesanato local, mas, em contrapartida, com excelente potencial de venda, conforme Guse. “Os benefícios futuros serão de todos, pois uma família que sabe como vai pagar as suas contas no final do mês adoece menos, cuida melhor de suas crianças, se alimenta melhor e gera muito menos questões sociais para a sociedade”, afirma Guse. Para ela, esses trabalhos incentivam a criatividade dos envolvidos de forma muito concreta: “Nos encontros ouço
algumas pensando em novas técnicas, em novas possibilidades, em novos sonhos. A relevância desses trabalhos afeta positivamente toda uma cultura, que está disposta a aprender o novo e principalmente a mostrar como ele pode ser bom e belo”, conclui. Um dos trabalhos mais interessantes é a escolinha de música, uma atividade cultural que pode mudar o futuro das crianças: “A música é importante para qualquer pessoa, pelas oportunidades que oferece e também pela alegria. Eu tenho prazer de tocar”, diz o estudante Marcos Vinícius Vieira Sousa, de 12 anos. A escola oferece aulas de flauta, violão, teclado e percussão. Marcos Vinícius faz aulas de teclado na Arnova há quatro meses, mas já toca outro instrumento há algum tempo, o clarinete, e é membro da Banda Santa Cecília. Ele herdou o gosto pela música dos pais, ambos membros da banda. O estudante ainda está incerto sobre seu futuro profissional, mas tem a música como uma opção. Segundo o jovem, a escolinha está em processo de desenvolvimento e ainda encontra dificuldades, mas com o apoio da comunidade o projeto trará resultados. O professor de Flauta doce e também de aulas teóricas, Elvis Washington Reis, declara: “O projeto de música é uma forma para que os alunos descubram um talento, algo que às vezes estava escondido por falta de oportunidade”. Uma das maiores dificuldades encontradas, segundo ele, é cativar e influenciar os alunos a estudar e praticar mais. “O projeto pode e dará certo. Com o apoio da comunidade e a persistência dos alunos, este projeto crescerá e poderá atender não só à Nova Resende, mas toda a cidade”, afirma Reis. O que acontece no bairro Nova Resende é um exemplo a ser seguido, uma forma de dar oportunidades e melhorar a qualidade de vida de uma comunidade. Para Elvis Washington Reis, essa é uma maneira de mostrar que o “Nova Resende é um bairro que tem muito a mostrar de bom”.
Projetos dão oportunidades de estudo e emprego aos moradores