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Edicao 98

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ANO VIII Nº 98 - JUNHO 2011 / RESENDE COSTA - MG

DISTRIBUÇÃO GRATUITA

Resende Costa celebra 99 anos de emancipação política

As festividades aconteceram na Praça Cel. Souza Maia (Praça do Rosário), onde foi montado um palco, que recebeu autoridades municipais locais e regionais, além dos cidadãos homenageados com a medalha José de Resende Costa. O evento também contou com a presença da banda de música do 11º BI do Exército e de um pelotão que desfilou, abrindo as solenidades. Página 08

Cresce a demanda por tatuagens na região do Campo das Vertentes O que antes era visto como comportamento estranho está se tornando cada vez mais comum e se distanciando dos preconceitos. Atualmente, ter o corpo tatuado é um desejo de muita gente que procura os estúdios, que estão se especializando para atender a grande demanda. Página 05

Fundação Palmares reconhece o Curralinho dos Paulas como Comunidade Remanescente de Quilombola Estudantes criaram um mosaico relatando o tema Coleta Seletiva

O histórico reconhecimento abrirá portas para importantes investimentos na comunidade. Página 03


2 Jornal das Lajes Editorial

Preparando-se para o centenário

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Uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes destaca as comemorações dos 99 anos de emancipação política de Resende Costa, que neste ano foram marcantes, pois já abriram o ano jubilar de 2012, no qual, no dia 2 de junho, estaremos celebrando o centenário de Resende Costa. Certamente muitos eventos serão programados para aquela data especial, para a qual a cidade será dignamente preparada. Na cerimônia oficial das comemorações do aniversário da cidade, o prefeito Adilson Resende destacou os investimentos que foram feitos até então e os que poderão ainda vir, entre eles a expansão das obras de pavimentação de ruas. Desde o início das obras de implantação da rede esgoto, o JL vem acompanhando as reivindicações e reclamações dos moradores, que sofrem com as ruas esburacadas, com a poeira ou barro. Há ruas na cidade, sobretudo no bairro Nova Resende, que ficaram praticamente intransitáveis após a intervenção da empreiteira responsável pelas obras. Tais problemas, no entanto, já eram esperados, pois uma obra de tamanha envergadura certamente iria trazer inevitáveis transtornos à cidade. A dúvida dos moradores é se a caótica situação, em muitas ruas, irá permanecer. Destruir o calçamento para instalar a tubulação é necessário, mas é obrigação da empreiteira deixá-lo nas mesmas condições de antes, cabendo à prefeitura uma severa fiscalização da obra. Duas outras ações foram também destacadas pelo prefeito Adilson: o projeto de construção de uma creche e o reconhecimento do Curralinho dos Paulas como “Comunidade Remanescente de Quilombola”. Trata-se de um importante reconhecimento histórico, fruto do empenho da administração municipal, que convenceu a Fundação Palmares de que o Curralinho dos Paulas surgiu de comunidades de negros fugitivos, os chamados quilombos. Essa ação propiciará ao poder público a captação de recursos a serem investidos na comunidade, nas áreas social, cultural e de infraestrutura, como prevê o “Programa Brasil Quilombola”, criado no governo Lula. O JL comemora com toda a população resende-costense os 99 anos da cidade das Lajes. É motivo ainda de muita comemoração o lançamento dos dois primeiros volumes da “Coleção Lageana”, evento também destacado em reportagem especial desta edição. Esse evento, fruto de um projeto conjunto da Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO) e do próprio JL, teve o apoio da prefeitura municipal, que o incluiu na programação da comemoração dos 99 anos da cidade. A reedição do Livro de Pallidas Reminiscências da antiga Lage – hoje – Villa de Rezende Costa, do professor José Augusto de Rezende, e a publicação do livro Um olhar sobre Resende Costa, coletânea de artigos e matérias publicados no Jornal das Lajes, têm o objetivo de revelar aos leitores a Resende Costa de ontem e de hoje, os personagens que escreveram e ainda escrevem sua história e a trajetória política, social, religiosa, econômica e cultural de nossa cidade. Duas obras que se entrelaçam nas teias do tempo. O JL pretende continuar a sua missão de informar e formar seus leitores, através de uma visão crítica de nossa realidade. Estaremos assim colaborando para a construção de um futuro cada vez mais próspero, digno de uma população laboriosa, acolhedora e que ama a sua terra.

Jornal das Lajes Ltda

CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editor de Esporte: Geraldo Aires Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio

ANO VIII Nº 98 - JUNHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Voz do Cidadão

Autodefensores - APAE de Resende Costa

“Todos já devem ter percebido diversas rampas pintadas de amarelo em vários lugares da cidade. Talvez algumas pessoas nem saibam para que sirvam. Outras pessoas já sabem que a principal função da rampa é permitir acesso às calçadas (passeios) a pessoas que usam cadeiras de rodas ou a mães com carrinhos de bebês, por exemplo. Mas aí nos perguntamos: se as rampas são o acesso às calçadas (passeios), o que fazer quando não há calçadas (passeios)? E quando elas existem, mas estão cheias de degraus e entulhos? E ainda,

quando as rampas não são bem projetadas e construídas, dificultando a subida por elas? Sabemos que todos têm o direito de ir e vir. Para que esse direito seja realmente garantido a todos, temos que nos conscientizar sobre as diversas maneiras de promover a acessibilidade de todos a todos os lugares. As calçadas (passeios) devem estar sempre livres e bem conservadas e as rampas devem ser bem projetadas e construídas e serem mantidas sempre desimpedidas. Autodefensores: programa nacional das APAEs que tem como finalidade con-

tribuir para o desenvolvimento da autonomia da pessoa com deficiência intelectual e múltipla frente à realidade, dando-lhe estímulo para tornar-se autodefensora. Autodefensor é o indivíduo consciente dos seus direitos e deveres como cidadão, atuando com responsabilidade junto à família, escola e comunidade”. Autodefensores da APAE de Resende Costa Por e-mail

Por uma Resende Costa melhor

“Tenho ido com frequência a Resende Costa para visitar amigos que encontram-se hospitalizados. Nesta última semana, para ser mais preciso, no último dia 28 de abril, fiquei incomodado com a altura da campainha da Escola Estadual Assis Resende, que anuncia os intervalos e término das aulas no período noturno. Há algumas outras formas de anunciar esses horários que, com certeza, incomodariam menos e trariam mais conforto aos internados no Hospital Nossa Senhora do Rosário, vizinhos da escola (nas salas de aula e corredores, poderiam ser instaladas lâmpadas de cores diferentes,

que acesas, informariam a todos o início, os intervalos e término das aulas. Exemplo: lâmpada verde, início das aulas; lâmpada amarela, intervalos; lâmpada vermelha, término das aulas. Outra boa solução seria colocar músicas orquestradas, em tom médio, para anunciar esses mesmos horários. Colocar relógios nos corredores e salas de aula também é imprescindível. Com certeza, todos seriam beneficiados, tendo ainda como lucro, menos poluição sonora. Outra situação que incomoda a todos na cidade é o livre trânsito de veículos nas ruas com som muito alto. Alguns morado-

res deveriam dar o bom exemplo de cidadania e as autoridades municipais deveriam tomar as providências cabíveis, respeitando o direito de todos os moradores, pois mesmo diante das placas de sinalização nas proximidades do hospital, isso acontece frequentemente. Para uma Resende Costa melhor, faz-se necessária a participação e a colaboração de todos, moradores e turistas”. Antônio Sebastião de Resende Lara Belo Horizonte (MG) Por e-mail

Caminhada interrompida

“Já há algum tempo, desde que o Campo do Expedicionários foi revitalizado, adquirimos o costume de fazer ali caminhadas ao final da tarde. Percebemos que grupos cada vez maiores se tornaram frequentadores assíduos da “pista de caminhada”. Os motivos são os mais diversos: lazer, bem-estar, recomendação médica etc. O fato é que, em nosso caso, essas caminhadas servem também como uma horinha de distrair a cabeça e pôr a conversa em dia. Costumamos caminhar logo após as 17h00. Ocorre que nesta época do ano depois de 17h30 a noite chega repentinamente e, quando percebemos, está escuro; mas insistimos um pouco para que seja alcançada nossa meta de voltas ao redor do

campo. Ressaltamos aqui que, apesar de sempre comentarmos que a iluminação ali faz grande falta, continuávamos nossa caminhada na penumbra sem o menor receio de sermos importunadas. Surpreendentemente, há alguns dias atrás, fomos incomodadas por um sujeito muito esquisito que, de dentro da grade que separa o campo da pista, disse inúmeras besteiras de nível baixíssimo. Sentindo medo, tratamos de ir embora imediatamente sem concluir nossa caminhada. Parece absurdo passar por essa situação aqui em Resende Costa. Resolvemos utilizar esse espaço para relatar este fato e solicitar que luzes, sejam dos postes de iluminação pública próximos, sejam dos refletores já instalados no cam-

po, fiquem acesas em alguns dias da semana. Basta que um par deles seja ligado e já teremos iluminação suficiente para inibir atitudes como essa. Sabemos que esta solicitação não é isolada. Dias atrás, na rádio local, este assunto foi abordado e havia sido pauta de uma reunião de vereadores. Estamos engrossando este coro, pois, o campo ficou um lugar muito apropriado também para caminhadas, mas nem todos têm como ir durante o dia”. Flávia e Anna Paula Vivas Reis Resende Costa (MG) Por e-mail

Para se corresponder com a redação do Jornal das Lajes: Os textos para a seção Voz do Cidadão deverão trazer a assinatura, o endereço, o número da cédula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Editor-Chefe, Jornal das Lajes. Endereço: Rua Assis Resende, 95, Centro – Resende Costa, MG. Tel. (32) 3354-1253. E-mail: contato@jornaldaslajes.com.br. Por motivos de espaço e clareza, o jornal se reserva no direito de editar as cartas, quando necessário. O conteúdo dos textos não é de responsabilidade editorial do Jornal das Lajes.

Errata

O JL retifica um erro na matéria “Resende Costa homenageia seu herói inconfidente José de Resende Costa, o pai”, à p. 6. Na relação dos nomes dos vereadores que compareceram ao evento em Ouro Preto, no dia 21 de abril passado, foi omitido o nome do vereador Francisco Abel de Assis.

Simpatia para emagrecer

Simpatia para emagrecer

Quarta-feira pela manhã coloque meio copo de água, dentro dele o número de grãos de arroz correspondentes aos quilos que você deseja perder. Não coloque grãos a mais do que você deseja, pois os quilos perdidos não são recuperados. À noite beba a água deixando os grãos de arroz, completando novamente com meio copo de água. Quinta-feira pela manhã, em jejum, beba a água deixando os grãos de arroz, completando novamente com meio copo de água. Sexta-feira pela manhã em jejum beba a água com os grãos de arroz junto. Obervações: 1 – Conserve o mesmo copo durante o processo; 2 – Não faça regime, pois a simpatia é infalível; 3 – Tire o número de cópias correspondentes aos quilos que deseja perder; 4 – Comece na quarta-feira após distribuir as cópias e 5 – Publique na mesma semana. J.C.S. Boa Sorte.

Quarta-feira pela manhã coloque meio copo de água, dentro dele o número de grãos de arroz correspondentes aos quilos que você deseja perder. Não coloque grãos a mais do que você deseja, pois os quilos perdidos não são recuperados. À noite beba a água deixando os grãos de arroz, completando novamente com meio copo de água. Quinta-feira pela manhã, em jejum, beba a água deixando os grãos de arroz, completando novamente com meio copo de água. Sexta-feira pela manhã em jejum beba a água com os grãos de arroz junto. Obervações: 1 – Conserve o mesmo copo durante o processo; 2 – Não faça regime, pois a simpatia é infalível; 3 – Tire o número de cópias correspondentes aos quilos que deseja perder; 4 – Comece na quarta-feira após distribuir as cópias e 5 – Publique na mesma semana. T.A.S Boa Sorte.

Chico Chavier

Chico Chavier


Jornal das Lajes

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Um olhar sobre Resende Costa

ANDRÉ EUSTÁQUIO

O Currralinho dos Paulas foi reconhecido como Comunidade Remanescente de Quilombola

Típica comunidade rural do interior, onde, ao longo dos tempos, as casas foram se aglomerando ao redor de uma capela, o Curralinho dos Paulas, situado a aproximadamente 20 km da sede do município de Resende Costa, foi reconhecido oficialmente como “Comunidade Remanescente de Quilombola”. A portaria de reconhecimento, pela Fundação Cultural Palmares, instituição ligada ao Ministério da Cultura, se deu no último dia 9 de maio e foi publicada no Diário Oficial da União no dia 11 do mesmo mês. O processo iniciou-se em 2009, quando a própria comunidade se autoreconheceu remanescente de quilombola. Naquele ano foi realizada uma reunião com a presença do prefeito municipal de Resende Costa, Adilson Avelino de Resende, e uma ata foi aprovada e registrada em cartório. “Em 2009, a comunidade se auto-reconheceu remanescente de quilombola mudando, inclusive, o seu estatuto”, disse o prefeito Adilson, que também informou tratar-se de um processo que vinha sendo trabalhado já há alguns anos. “É um trabalho que já vinha sendo realizado desde quando fui vereador. Primeiro tentamos junto ao Governo Estadual, mas deu errado. Agora, junto ao Governo Federal, conseguimos o reconhecimento”. Flávia de Barros Silva, assessora do prefeito Adilson, destacou a importância dos argumentos apresentados à Fundação Palmares. Segundo ela, um dos principais foi o Projeto Arte por Toda Parte, desenvolvido na comunidade pela Cia. Teatral ManiCômicos: “Durante as aulas de teatro, os alunos apresentaram ao professor Jean informações históricas importantes sobre a comunidade, o que facilitou muito a elaboração dos argumentos”. A necessidade de investimento em obras de infraestrutura e ações sociais foi também um argumento forte apresentado à Fundação Palmares. “Fizemos um levantamento histórico e mostramos a necessidade de se investir em ações sociais e infraestrura”, informou Flá-

Cruzeiro do povoado do Curralinho dos Paulas conserva a escadaria e o adro de pedra

via. Para o prefeito Adilson, “o reconhecimento é um primeiro passo de várias ações a serem desenvolvidas em longo prazo. A partir desse reconhecimento, com certeza, conseguiremos captar mais recursos para a comunidade do Curralinho dos Paulas”. Ações Em Minas Gerais, são pouco mais de 135 comunidades reconhecidas como Remanescentes de Quilombolas. O Curralinho dos Paulas é uma das 30 comunidades escolhidas em todo o Brasil, no dia 9 de maio, pelo “Programa Brasil Quilombola”, iniciado no governo do presidente Lula e que, além do reconhecimento histórico, pretende investir em ações sociais nas comunidades reconhecidas. Os principais objetivos do programa são: garantia do acesso à terra; ações de saúde e educação; construção

de moradias; eletrificação; recuperação ambiental; incentivo ao desenvolvimento local; pleno atendimento das famílias quilombolas pelos programas sociais, como o Bolsa Família e medidas de preservação e promoção das manifestações culturais quilombolas. A garantia de cidadania e promoção social são um dos objetivos de maior destaque no programa. Através do fomento da arte, do esporte e da educação, o combate às situações de risco social tornar-se-á mais eficaz. “O objetivo é expandir o Programa Bolsa Família e inserir o ‘Agente Jovem’ na comunidade, no intuito de se promover a cidadania”, disse Flávia Barros. O prefeito Adilson também está otimista quanto aos investimentos: “A partir de agora, as ações vão ser diferenciadas na comunidade. O poder público poderá investir mais, captar mais verbas. Mas o objetivo final é buscar a sustentabilidade”. De acordo com o prefeito, os argumentos elaborados pela prefeitura municipal foram muito elogiados pela Fundação Palmares: “Eles nos disseram que são raras as comunidades que possuem a infraestrutura presente no Curralinho dos Paulas, principalmente a existência de um Conselho Comunitário organizado e atuante. De fato, trata-se de uma comunidade bastante unida e isso facilitou muito”. O que é um quilombo?

Capela de Nossa Senhora da Conceição, no povoado do Curralinho dos Paulas

Na época da escravidão no Brasil, era o lugar onde os negros que fugiam das senzalas se escondiam. Os quilombos situavam-se geralmente no meio do mato, em áreas de difícil acesso e

Contemplando as Palavras

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REGINA COELHO

Havia Resende Costa no caminho Meu querido e saudoso pai gostava de dizer que lugar bom de viver é onde a gente ganha dinheiro. Falava isso entre nós, por convicção própria e como forma de encorajamento, sempre que alguém da família se mudava de Resende Costa por motivo de trabalho. Pela mesma ótica, mas seguindo sentido contrário, aqueles que aqui chegavam para morar e trabalhar estavam vindo para um bom lugar. Gostar da terra natal é quase uma consequência natural, principalmente quando a gente também vive nela por um tempo ou o tempo todo. Diferente disso é adotar uma outra terra. E se os nascidos em Resende Costa se orgulham, na maioria das vezes, dessa sua condição, o que dizer dos que adotaram nossa cidade? E quem são eles? Certamente alguns de nossos vizinhos ou colegas de trabalho ou mesmo pais de amigos nossos. Ou simplesmente conhecidos ou não. De qualquer forma, são pessoas na vida de quem havia Resende Costa no caminho, para muitos, ao que parece, havia mesmo o destino definitivo. Falo de gente como a dona Edite do Beú e o Toninho da Cemig, entre tantos outros filhos adotivos da cidade. Edite Morais Resende, 77 anos, é natural de Itaguara (MG) e chegou a Resende Costa em 1955, mudando-se para cá por haver se casado com um resende-costense (o Zé Beú do Nico Resende). Ao conhecer a cidade, foi logo gostando do lugar, pois revela ter sido bem recebida aqui. “A cidade era pequena, mas o povo era hospitaleiro e me senti em casa”, afirma a dona de casa, que também lecionou no então Grupo Escolar Assis Resende, atual Escola Estadual Assis Resende. Diferentemente de dona Edite, o funcionário Antônio do Nascimento Ferreira já conhecia Resende Costa porque já tinha vindo aqui a trabalho pela CEMIG, ajudando o colega Malta. O 1º de março de 1966 ficou marcado como o dia em que ele aqui se estabeleceu, tendo vindo sozinho, de ônibus e transferido de Nova Era. “Já gostava de Resende Costa, uma cidade muito tranquila”, comenta o hoje aposentado eletricista, 71 anos. Indagados sobre o que a cidade tem de melhor, dona Edite afirma longe dos olhos do capitão-do-mato que, a mando do senhor de escravos, saía à captura dos escravos fugidos. O maior e mais famoso deles foi o Quilombo dos Palmares, situado na divisa entre Pernambuco e Alagoas, onde se destacou o líder Zumbi dos Palmares, símbolo maior da luta dos negros pela liberdade. Segundo o colunista do jornal Estado de Minas, Márcio Cotrim, “a palavra quilombo tem seu berço em ochilombo no dialeto banto, até hoje

ser o trabalho de artesanato porque dá emprego a várias pessoas. Antônio acha que Resende Costa continua sendo tranquila e também fica perto de São João del-Rei, sua terra de origem e onde reside sua família. Para ela o que há de pior aqui é a falta de lazer para crianças, jovens e adultos. Ele não vê nada de que não goste na cidade. Também não tem vontade de se mudar daqui um dia, pois já se considera um resende-costense e os filhos moram aqui. Dona Edite, da mesma forma, não se mudaria de Resende Costa, onde já se acostumou a viver e tem muitas amizades. E o que a cidade representa para eles hoje? Um lugar especial, como se eu tivesse nascido aqui, pois foi onde eduquei os meus filhos. E os que moram fora gostam de estar aqui sempre que podem. (Edite) Quando aqui cheguei, Resende Costa era uma cidade bem pequena. Trabalhava sozinho, não tinha carro de trabalho, era tudo mais difícil. Aqui me casei, tive seis filhos e hoje tenho aqui meu lar. Adotei Resende Costa e fui adotado pela população daqui. Quem não conhece o Toninho da Cemig? Não passa pela minha cabeça sair daqui jamais, nem mesmo quando morrer. Passei a maior parte da minha vida aqui e hoje me considero resendecostense de coração. (Antônio) Dos inconfidentes José de Resende Costa (pai e filho) às novíssimas gerações, Resende Costa é terra querida de todos que fazem dela um lugar sempre melhor de viver. Nascidos aqui ou chegados, somos resende-costenses de fato e de direito quando assumimos como nossa a quase centenária cidade das lajes e dos teares. Registro aqui com alegria a homenagem da coluna a Resende Costa ao ensejo de seus 99 anos de emancipação política. Em tempo- Ter escolhido dona Edite e o Toninho da Cemig como representantes dos resende-costenses adotivos significa dizer que, além do mérito pessoal, eles possuem, cada um a seu modo, uma longa e definitiva história de amor com Resende.

falado por certos povos em Angola, de onde veio a maioria dos seis milhões de negros que desembarcaram no Brasil como escravos (EM, Cultura, 23 de maio de 2011 – O Berço da Palavra)”. Ainda de acordo com Cotrim, atualmente “mais de 2.000 comunidades quilombolas mantêm-se vivas e atuantes no território brasileiro, lutando pelo direito de propriedade de suas terras consagrado pela Constituição Federal de 1988”.


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Jogo Aberto

POR: JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Jorge Hannas: necessidade de investimento de R$ 65 a R$ 70 milhões em água e esgoto Na infância, Jorge Hannas Salim passou férias muitas vezes em Resende Costa. “Até hoje, a minha frequência na cidade é quase diária”. Jorge é filho de Ione Hannas, neto de Alfredo Hannas e sobrinho de Maria José, Carmen e João. “O Abrahão é irmão do meu avô e foi o meu padrinho de crisma. A gente tem um carinho muito especial por Resende Costa. Os meus avós falavam para os filhos, primos e tios que foi aquela cidade que os acolheu quando eles vieram do Líbano e ali constituíram as suas famílias, os seus comércios, os seus negócios. E os filhos foram crescendo e tiveram que sair, cada um tomou o seu rumo”. Jorge é engenheiro civil, formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Também fez pós-graduação em diversas áreas da engenharia, inclusive engenharia mecânica de materiais, disciplina que ensina, desde 1979, nos cursos de elétrica e mecânica da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Atualmente, Jorge é vice-prefeito de São João del-Rei e diretor do Departamento Autônomo Municipal de Água e Esgoto (DAMAE). Nesta entrevista, ele fala da situação de abastecimento de água em São João del-Rei – onde impera o desperdício e não há hidrômetro -, saneamento básico precário e da necessidade de investimento, estimada em R$ 65 a R$ 70 milhões. Por que falar em DAMAE gera tanta polêmica? O DAMAE vive de sua arrecadação. É uma autarquia municipal que tem a sua própria receita e a sua própria despesa. Funciona em função do contribuinte. Quando nós assumimos em 2009, pegamos o DAMAE com uma receita de R$ 450 a R$ 470 mil por mês para tocar esse mundo de cidade. Nós elevamos essa receita para R$ 850 a R$ 870 mil. Parece uma receita muito grande, mas tem um custo de energia elétrica de R$ 240 a R$ 250 mil por mês; uma folha de pagamento, com os encargos sociais etc., de R$ 330 mil por mês; produtos químicos, manutenção e uma série de coisas. Então, vende almoço para comprar janta. Graças a Deus, nós estamos conseguindo manter em dia a folha de pagamento, com os encargos, serviços e fornecedores. Então, não sobram recursos para investimentos? Praticamente, não. Parece que fazemos milagre. Nós fechamos 2009 - 2010 com mais de 15 quilômetros de rede de esgoto, uma medida muito grande de rede de água, reformulamos várias estações de tratamento – hoje, estamos reorganizando esses pontos fornecedores de água -, montamos o nosso laboratório de análise. Para falar

por cento dos rios de Minas Gerais já são poluídos. Com esse consumo sem uma regra, esse gasto desenfreado, a falta de consciência das pessoas, uma hora a situação vai ficar extremamente complicada ou já está ficando em diversas partes do nosso país. O pior dos mundos... Com certeza. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, uma pessoa com um padrão alto de poder aquisitivo gasta de 170 a 200 litros de água/dia. São João del-Rei consome por habitante perto de 440 litros/dia. O consumo é excessivo. Então, as pessoas não tem consciência. Termina de chover – eu não estou generalizando – a gente vê a pessoa lavando a rua, o muro, a calçada, o carro, quer dizer, é um desperdício muito grande. A hora que hidrometrar a cidade, a pessoa vai pagar pelo que consumir.

que tem dinheiro para investir - como hidrometrar a cidade -, não. Qual é a necessidade de investimento hoje em água e esgoto? Na faixa de R$ 65 a R$ 70 milhões. Seriam de R$ 22 a R$ 25 milhões para hidrometrar e remodelar o sistema de captação e distribuição de água e o restante para a parte de esgoto – coleta, estações elevatórias e finalização de uma estação de tratamento de esgoto. Como está a polêmica DAMAE x COPASA? Uns defendem a COPASA. A maioria é contra. Cada um tem o seu ponto de vista. É uma empresa estatal, extremamente bem organizada, com capacidade técnica, cobra pelo serviço. E a polêmica maior é isso: nós vamos entregar os nossos mananciais, uma água pura, de qualidade, para que seja tirada do Rio das Mortes, tratada e distribuída? A situação complica. Mas não cabe ao diretor do DAMAE escolher. A minha função aqui, além de administrar, é esclarecer as pessoas, esclarecer o prefeito, levar informações à Câmara dos Vereadores. Quem encaminha o projeto é o prefeito municipal, quem aprova, ou não, é a Câmara dos Vereadores. Então, o projeto está na Câmara? Tem um projeto na Câmara, desde o ano passado, a respeito da privatização do DAMAE para a concessionária do Estado. Esse projeto não foi lido, eu não sei se vai ser lido. Tem outro projeto de um procurador do município falando também das parcerias públicoprivadas (PPPs) e também da concessão para a iniciativa privada. A decisão política a respeito do saneamento - os caminhos que o saneamento na nossa

cidade deva tomar - passa por um conselho formado por diversos segmentos de São João del-Rei, representando a universidade, associações de bairro, associação comercial, sindicato rural e assim sucessivamente. Então, são coisas ainda em pauta de discussão, mas não cabe a mim definir o que vai ser. Eu apenas esclareço, dentro das minhas informações, para quem não tem o conhecimento assim tão grande nessa área. E o que o sr. está fazendo para obter recursos para investimento? Entramos no ano passado no PAC 2 (do governo federal) com um projeto de água – remodelar o sistema de coleta e distribuição e hidrometrar toda a cidade. No Ministério das Cidades, o nosso projeto foi aprovado sem ressalvas. Esses projetos agora serão encaminhados para o Ministério do Planejamento – antes era o Ministério da Casa Civil. Estamos em constante contato com o nosso padrinho – o deputado Reginaldo Lopes - que tem feito muito pela nossa cidade, pela nossa região e por Minas Gerais. Ele falou que está atento e que em junho ou julho nós teremos uma entrevista no Ministério das Cidades. Dentro disso, encaminhamos o termo de referência exigido pelo Ministério das Cidades para que seja liberada uma verba de R$ 1, 070 milhão para a execução do projeto do esgoto de São João del-Rei. Tão logo isso seja liberado, nós iremos preparar esse projeto, com as planilhas, as especificações, para que possamos dar entrada no Ministério das Cidades. Aí nós teremos mais ou menos, grosso modo, uma verba de R$ 50 a 55 milhões para o esgoto. Quer dizer, nós não estamos parados.

Qual é a sua expectativa? Saindo a verba, nós vamos colocar as obras em licitação, no nível nacional e até estrangeiro, e a empresa que ganhar vai executar. O DAMAE vai continuar sendo autarquia do município. Pelo que eu conheço - rodei, busquei informações -, se formos brindados com essa verba do Ministério das Cidades, tanto para água quanto para esgoto, consequentemente nós teremos um saneamento do mais alto padrão dentro de São João del-Rei. Com esse valor já requerido, certamente resolveríamos definitivamente o problema. Caso contrário, eu sou muito a favor da parceria público privada na qual o município detém o mando na sua riqueza. Você busca a empresa privada para se tornar parceira do município. Quer dizer que São João del-Rei não tem medição? Em São João delRei não existe hidrômetro. A água é produzida e solta através dos seus reservatórios. Se você vai a determinado bairro, por exemplo, e entra numa casa, vai ver duas pessoas com 4.500 litros de reserva, e a água ainda é insuficiente. É um uso indiscriminado da água. Ou seja, primeiro falta consciência. Não adianta hidrometrar porque vai gastar do mesmo jeito, o custo vai ser alto independente disso. Então, tem hora que a gente fica atordoado quando começa a fazer a conta. O que nós produzimos de água tratada por dia dá para abastecer uma cidade de 240 mil habitantes, só que nós temos 85 mil. Olhe que diferença! A gente vem fazendo um trabalho de consciência através de programa de rádio e televisão e informações nos jornais – a pessoa tem que ter uma consciência do desperdício da água. A água está ficando difícil, está ficando totalmente poluída. Mais de 80

“

Vejo muita demagogia de alguns políticos que dizem que a população não pode pagar a conta do saneamento; o que se gasta com saúde é uma barbaridade... Você tem toda razão. Se não me falha a memória, para cada um real que se deixa de gastar com saneamento, gastam-se cinco, seis ou sete vezes na saúde. É uma disparidade muito grande. Se houver um saneamento adequado, que atenda aos anseios do contribuinte, vai se pagar com tranquilidade, mas vai se receber isso através da saúde, da educação, vai se economizar na compra de remédios, uma série de coisas. Se houver um saneamento bacana, vai ter educação, vai ter saúde. Pra mim, o cume da pirâmide é o saneamento. E quanto a cobrar água e esgoto inclusive dos mais pobres, pelo menos para valorizarem a água e a coleta do esgoto? Eu sempre defendi. Sou contra a isenção e sou a favor da isenção. Eu sou a favor quando se faz um levantamento sócio-econômico daquela família, vê a situação real financeira dela. Aí, sim, se delimita a faixa de padrão daquela família até ela se organizar. Mas o pagamento de pelo menos um valor simbólico dá à pessoa o direito de cidadão. Todo mundo pode pagar, a não ser aquela família abaixo do limite de pobreza. Que é minoria... É uma minoria da nossa cidade. Fora disso, não. Que pague pouco ou pague muito, mas que pague pelo serviço prestado.

A íntegra desta entrevista está disponível no site www.jornaldaslajes.com.br

As

pessoas

não

têm

consciência. Termina de chover – eu não estou generalizando – a gente vê a pessoa lavando a rua, o muro, a calçada, o carro, quer dizer, é um desperdício muito grande

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Jornal das Lajes

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Comportamento

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE / EMANUELLE RIBEIRO

Tatuagem ganha espaço em São João del-Rei e nas Vertentes

Juh recebe prêmio de melhor oriental no Rio de Janeiro

Da mesma forma que ocorre Brasil afora, a procura pela tatuagem cresceu visivelmente, nos últimos anos, em São João del-Rei e nos municípios das Vertentes. “Todo estúdio tatua o dia inteiro todo dia. Já tatuei gente de Belo Horizonte, de Resende Costa, das cidades vizinhas”, conta João Paulo de Andrade Fonseca, mais conhecido por Quester, do “Skin Flower Tattoo & Piercing”. “A mídia hoje em dia está ajudando muito”, diz Cleiton Soares de Oliveira, o Juh do Empório Tattoo, que ganhou cinco prêmios nas últimas convenções de tatuagem de Juiz de Fora (dezembro passado) e do Rio de Janeiro (abril de 2011). “E tem as bandas novas que estão surgindo, mais puxadas para o pop, que sempre têm tattoo, alargador”. Esta repercussão contribuiu para a conquista de clientes não apenas em São João delRei, mas também em Resende Costa, Dores de Campos, Barbacena e outras cidades. Juh foi primeiro lugar em melhor abstrato e melhor oriental, no Rio de Janeiro, e melhor colorida em Juiz de Fora, além de segundo lugar em melhor “cover up” e melhor colorida (RJ). Kadu, do “Genium Art Studio”, atribui a boa fase da tatuagem também ao fato de que “muita gente está deixando de ter preconceito. Hoje,

estão vendo como arte mesmo; não é um marginal que tem tatuagem, o pessoal já vê a gente com outra cara”. Kadu também recebe clientes até de cidades como Belo Horizonte e Juiz de Fora. “O pessoal vem atrás e vê a qualidade do trabalho”. Quester trabalha com tatuagem há quatro anos. Como todo bom profissional do ramo, começou pelo desenho. “Eu comprava revistas e ia copiando os desenhos. Depois, eu comecei a fazer tatuagem, comecei em mim mesmo, por curiosidade”. A primeira tatuagem de Quester foi em 2002, logo depois de deixar o exército. Então, veio a fase dos cursos técnicos na Aloha Tattoo, em São Paulo e de desenho em Contagem (MG). “Algum tempo depois, fiz mais um curso na Aloha Tattoo, de especialização em sombras e realismo.” Juh começou há sete anos pelo desenho e a pintura. “Eu desenhava e pintava desde novo. Até então, eu não tinha interesse em ser tatuador. Até que fui enfermeiro e comecei a fazer piercing. O piercing puxou a tatuagem e então, eu comecei a tatuar”. No início, ele tornou-se sócio de outro tatuador e, há quase cinco anos, atua sozinho. “Eu já estava com estúdio aberto quando fiz curso de tatuagem no Ira Piercing, em Perdões”. Kadu foi incentivado por amigos

João Paulo e Jonathas, de Resende Costa

que tatuavam, mas já desenhava desde criança. “Eu comecei a desenhar com dez anos de idade. E já tenho cinco anos de tattoo”. Ele está em São João del-Rei vão fazer seis anos, vindo de João Monlevade. Nesse intervalo, passou algum tempo em Belo Horizonte, onde fez curso na área. Quando alguém chega a um estúdio, pela primeira vez, e pede para tatuar o nome do namorado ou da namorada, do marido ou da mulher, vai encontrar uma postura profissional. “Eu tento conversar porque este também é o papel do tatuador, mas nem todos os clientes escutam. Se a pessoa quiser mesmo, eu tenho um livro com o termo de compromisso de cada tatuagem, a pessoa se responsabiliza”, diz Quester. “A gente dá conselho, alerta”, concorda Juh, “mas se a pessoa insistir, a gente tem que fazer”. Kadu conta que já recusou trabalho porque a pessoa poderia arrepender-se, futuramente, do desenho escolhido. “A gente aconselha a pessoa a não fazer isso porque não se sabe o dia de amanhã, e a tatuagem é uma coisa definitiva”. Quem vai tatuar pela primeira vez deve informar-se antes de escolher um estúdio, e a internet é um instrumento eficiente para esta consulta inicial. “A pessoa que decidir fazer uma tatuagem deve olhar site, facebook, as referências; pesquisar sobre o profissional e os seus trabalhos; procurar um estúdio que tem todos os requisitos de segurança, ver como o profissional trabalha, o material usado, os cuidados com a saúde e a higiene”, aconselha Juh. Os tatuados Nos últimos anos, a tatuagem vem se tornando extremamente popular. Em 10 pessoas que conhecemos hoje, digamos que pelo menos metade delas tem desenhos pelo corpo. E para muitos, esses desenhos se originam da vaidade, são vistos como meras formas de enfeitar o corpo. Mas, por trás deles há muita história pra contar: são símbolos, frases ou palavras com fortes convicções, provas de amor a alguém ou a alguma coisa etc. Em Resende Costa, além do fato de se ter conquistado uma tolerância e liberdade maiores no atual século, a propagação da tatuagem se deve também à facilidade de se encontrar bons profissionais na região, principalmente em São João del-Rei. Dalton Chagas, conhecido como Daltinho, fez sua primeira tatuagem no Genium Art Studio em São João del-Rei, com o tatuador David, em dezembro de 2010. O jovem optou por fazer uma homenagem aos pais e então tatuou no braço direito as palavras: Pai e Mãe Eternos. Tal gesto

Daltinho mostra a tatuagem em seu braço

significa muito para Dalton: “É uma homenagem às pessoas mais importantes e mais queridas da minha vida, porque sem eles eu sei que não sou nada. As pessoas que viram acharam legal, mas o que importa mesmo é o sentido da tattoo e meus pais terem gostado”. Daltinho foi alertado sobre a possibilidade de sua tatuagem lhe atrapalhar de alguma forma no futuro, mas para ele o que importa é o presente: “Eu não gosto de pensar no futuro, quando tenho vontade de fazer alguma coisa eu apenas faço”. “Sempre fui doido por tatuagens e fiz uma do Galo, porque é a única certeza que tenho de uma paixão que nunca vai mudar e nem acabar”, declara o resende-costense Ryan Maia. Sua única tattoo é recente, ele a fez em abril passado com o Juh do Empório Tattoo e é uma homenagem, como afirmou, ao seu time do coração: ele tatuou no braço direito o escudo do Atlético Mineiro, como se esse fosse sua segunda pele. Segundo Ryan, a maioria das pessoas que veem o desenho fala que ele é doido (risos), outras dizem que é uma forma de provar o quanto ele torce pelo Galo. Para ele, a tattoo não atrapalhará em nada, pois o preconceito contra tatuagens está acabando e já passou a época em que as pessoas relacionavam os tatuados com a marginalidade ou irresponsabilidade. “Essa tatuagem significa meu amor por esse clube que vou levar até depois que eu morrer. Eu pensei bem antes e por isso escolhi esse desenho, pois sei que não vou me arrepender: o Atlético é tudo pra mim”, conclui Ryan. A estudante de Farmácia da UFSJ, Tatiane Ramos, fez sua primeira tatuagem em Janeiro de 2009, também no Genium Art Studio, mas com o tatuador Kadu. E sua primeira e única tattoo carrega uma ideia forte:

ela tatuou no lado esquerdo das costas as cinco estrelas referentes ao seu time do coração, uma prova de amor ao Cruzeiro: “As pessoas custam pra acreditar que eu fiz essa tatuagem por um time. Todos falam que eu tenho muita coragem, mas ela demonstra um pouco do amor que eu sinto pelo Cruzeiro”. Segundo a estudante, a ideia de fazer essa tatuagem surgiu a partir de fotos que ela tinha visto na internet e ela não acha que isso possa causar algum problema, pelo fato de ser bem discreta e pela área profissional que pretende atuar. A estudante de jornalismo da UFSJ, Laís Gottardo, possui duas tatuagens, mas pretende fazer outras. Ela fez as duas tattoos juntas em fevereiro deste ano em Jundiaí (SP). Todas as duas são escritas: a primeira, no braço esquerdo, são duas palavras pelas quais a estudante se guia, Destino e Sorte, e estão desenhadas em tailandês. Já a segunda tem um significado mais forte para a estudante: é um mantra indiano (Jai guru Deva) que ela tatuou na costela esquerda. “Eu sou fã dos Beatles e em uma música deles tem esse mantra, então eu pesquisei o significado e vi que era um agradecimento a Deus. Ai eu juntei os dois, fiz a tatuagem, por ser uma homenagem aos Beatles e a Deus, pois eu vivia um período em que tinha muito a agradecer”, conta Gottardo. Laís também pensou bastante antes de fazer as tatuagens pela preocupação com seu futuro profissional, mas segundo ela, mesmo que elas possam atrapalhar, ela se preocupou com a beleza e fez uma coisa que carregará com orgulho para o resto da vida.

(a íntegra deste texto está disponível em www.jornaldaslajes.com.br)


6 Jornal das Lajes

Comportamento

ANO VIII Nº 98 - JUNHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG ANDRÉ EUSTÁQUIO

Center Fitness Academia faz investimentos para atender a grande demanda Na busca por uma vida saudável e também por um corpo esteticamente “perfeito”, atualmente a frequência nas academias de ginástica tem aumentado muito. É o que diz o empresário João Viana do Carmo Filho, proprietário da “Center Fitness Academia”, em Resende Costa (MG): “Existe uma estatística apontando que 25% da população mundial pratica academia. Na nossa academia a maioria das pessoas está acima de 24 anos, ou seja, jovens e adultos (80%); adolescentes (15%) e idosos (5%)”. Os investimentos precisam ser proporcionais a essa demanda. Hoje não se veem somente aqueles aparelhos de musculação; as academias têm oferecido outras opções, como artes marciais, exercícios aeróbicos diversificados, danças, até mesmo lanchonete. “Além de outros investimentos, a nossa ideia é, em breve, instalar uma lanchonete. Acho que Resende Costa ainda está carente de uma lanchonete que sirva uma diversidade de produtos naturais, sucos, café expresso e variedades de salgados. Essa é a nossa ideia, ou seja, abrir um espaço, dentro da própria academia, que atenderá tanto aos alunos quanto a outras pessoas. O pessoal de fora vai perguntar: ‘onde vou fazer um lanche hoje? Vou lá na academia’”, disse João Viana. Abrir uma academia em Resende Costa foi uma ideia que surgiu após João Viana desistir do empreendimento em Conselheiro Lafaiete (MG): “inicialmente o meu projeto era abrir uma grande academia em Conselheiro Lafaiete, junto com um sócio. Mas não deu certo e eu já havia encomendado todos esses aparelhos. Então, conversei muito com a minha namorada, Juliana, e decidi abrir aqui”. A academia Center Fitness foi inaugurada em novembro do ano passado num espaço localizado nas Lajes de Cima: “Pois é, começamos nas Lajes de Cima e foi bom. Mas o espa-

A Academia oferece musculação, ginástica e exercícios aeróbicos com acompanhamento de personal trainner

ço não era adequado para uma academia. O meu objetivo, desde o início, era montar uma academia muito boa em Resende Costa e eu mesmo não estava satisfeito com o espaço. Foi então que conversei com o senhor Celso (Celso Reis, proprietário do atual espaço) e adequamos esse espaço especialmente para a academia”, esclareceu João. O novo espaço da Center Fitness é amplo e arejado, adequado para receber bem os alunos, conforme informou João Viana: “Pensamos no espaço e no conforto dos alunos. Por isso, fizemos uma sala especialmente para avaliação, de modo que o aluno possa ter mais privacidade e conforto”. João diz que o investimento está valendo à pena e já pensa em ampliar a academia: “No início, eu não sabia o que ia encontrar na cidade. As pessoas até me achavam um aventureiro (risos)... Mas graças a Deus está dando muito certo. Acho que Resende Costa já precisava de outra academia, por isso visitei várias em São João del-Rei e posso dizer que a nossa está tão bem estruturada quanto as que visitei”. João pretende dobrar para oito o número de esteiras e comprar mais aparelhos de musculação: “Dobrando o número de esteiras para oito, vou

conseguir atender até 500 pessoas. A estrutura já está muito boa, mas vou comprar mais algumas máquinas de musculação, oferecer aulas de Steep Jump para as mulheres e Jiu Jitsu e Mhui Tay para homens e mulheres”. Perfil De acordo com o João Viana, o perfil dos alunos que se matriculam em uma academia varia de acordo com a idade e com os objetivos: “As pessoas idosas nos procuram geralmente com orientação médica, para melhorar a saúde. Aí desenvolvemos um programa de alongamento e fortalecimento muscular; tudo acompanhado de perto pelos nossos personal trainners (Bruno, João Vitor e Renan)”. Os jovens têm outros objetivos, segundo João: “Os jovens geralmente objetivam a estética. Mas quero dizer que a academia não é só musculação. Ela abrange o geral. No mundo moderno, diante de tantos apelos que estão longe de uma vida saudável, como alimentação ruim, drogas e alcoolismo, aqui na academia mostramos o lado saudável da vida. A gente vai ajudar a pessoa a adquirir um bom condicionamento físico, a se acertar com a balança e, através da musculação, a ter a estética desejada. O nosso compromisso é com a saúde”.

O verso e o controverso

Reforma eleitoral (II) Voto na lista fechada? Ou na pessoa?

A pergunta do titulo se justifica, pois o JL e esta coluna continuam com seu propósito de discutir com os leitores um assunto fundamental para o país, que é a reforma eleitoral. A comissão do Senado para a reforma política aprovou, por sete a quatro, o modelo de voto proporcional com lista fechada para eleger senadores, deputados, vereadores, que será submetido à avaliação pelos plenários do Senado e da Câmara Federal. Esquematicamente, os baldrames do projeto. Os partidos, em convenção, fariam a lista de seus candidatos por voto secreto de seus filiados. Cada convencional teria direito a cinco votos e não se poderia dar mais que um voto para cada postulante a candidato. Portanto, só pode escolher cinco nomes. A lista se formaria em ordem decrescente pelo número de votos O primeiro lugar para o mais votado, o segundo lugar para o segundo mais votado e assim por diante. Os partidos ou coligações poderão indicar, na lista, um número equivalente a 150% do número de vagas em disputa. Por exemplo, para uma câmara de dez cadeiras de vereadores, só poderão apresentar uma lista com 15 candidatos. Deve ser reservada na lista, uma porcentagem de vagas para cada sexo (de 30 a 70%). O eleitor pode até votar no candidato de sua preferência, mas seu voto só terá validade se colocar o número do partido, pois ele pertence à lista e não ao candidato. Os candidatos não terão mais números individuais, como atualmente. Terminada a votação, é hora de o partido conferir se atingiu o coeficiente eleitoral, ou seja, quantas cadeiras conseguiu. E segue-se a ordem de classificação da lista. Por exemplo, se conseguiu uma vaga, assume o primeiro colocado da lista e o segundo colocado será o suplente e assim prossegue. O financiamento da campanha eleitoral será público, votado em orçamento para o ano em que houver eleição, proibidas as doações de pessoas físicas e/ou jurídicas. Reitero, tudo isso deverá ser

dissecado e analisado minuciosamente pelo Congresso Nacional, assim o esperamos e assim deve ser. A proposta tem chance de aprovação, uma vez que conta com o apoio do atual governo, mas não será fácil porque os interesses individuais são enormes e a cultura eleitoral do brasileiro é a do voto pessoal. Para a maioria, partido não importa. Uma recente pesquisa mostra isso. Há muita polêmica e divergência. Há jurista arguindo sua inconstitucionalidade, considerando cláusula pétrea o artigo 14 da Constituição: “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos”. O propósito do voto em lista, que, em síntese, é o fortalecimento dos partidos, o barateamento e moralização das campanhas eleitorais, a diminuição do poder do dinheiro e o enfraquecimento do poder corruptor, teoricamente, é muito positivo e acho-o melhor que o sistema atual, embora seja partidário do voto distrital. Na prática, porém, vai piorar, se não for bem debatido, sistematizado por normas claras e inequívocas, como, por exemplo, fidelidade partidária, proibição de aluguel de legenda, formação de coligações, cobrança de planos de governo etc. seguidas, é claro, por punições efetivas, aplicadas e mantidas por um poder judiciário rigoroso. Há vários outros argumentos mas, por carência de espaço, concluo com o que acho mais importante. Ideologia, programas, propostas de partidos políticos são, entre nós, são só de fachada. A maioria dos partidos tem donos e, claro, esses farão de tudo para filiar novos asseclas e “comprar” de qualquer modo os já filiados, visando a emplacar na lista seus nomes e os de seus protegidos. Vai aumentar o assédio aos “tiriricas”, aos “Enéias”, às “Cicciolinas” (Cicciolina, nome artístico de Illona Staler, atriz pornô húngara e famosa ativista e política na Itália). Se não se cuidar disso, o poder do dinheiro fortificar-se-á muito mais; sempre haverá um bom grupo de convencionais que vão pôr seus votos a leilão. É o que penso. E você?

Mais investimentos

O empresário João Viana, da Fitness Center Academia

Para o verão, João pretende apresentar mais novidades na Center Fitness: “Para a temporada do verão apresentaremos ainda mais novidades, mas já posso adiantar que a partir de julho teremos um profissional dando dicas de nutrição aos alunos que necessitarem e quiserem saber se estão se alimentando corretamente. Hoje, a mídia e os médicos estão ao lado das academias, mostrando às pessoas a necessidade de se fazer atividade física”.

JOÃO MAGALHÃES

Amplo espaço e modernos aparelhos


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 98 - JUNHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Aconteceu

7

EMANUELLE RIBEIRO / ANDRÉ EUSTÁQUIO

Shows de viola e II Circuito do Som movimentam o 99º aniversário de Resende Costa Resende Costa completou 99 anos no dia 2 de junho, mas a festa de comemoração durou três noites. Na quinta-feira, os shows de Gustavo Guimarães, Wilson Dias e Chico Lobo foram os mais esperados pelo público. Após as apresentações dos violeiros, teve início o II Circuito do Som, evento promovido pelo MAC (Movimento Arena Cultural). Com apresentação de Ângela Maia, os grupos locais agitaram as noites no Largo do Rosário. Uma comemoração pra ninguém por defeito, afinal Resende Costa merece!

Francielle e Sara

O violeiro Wilson Dias

MAC realiza II Circuito do Som no aniversário de 99 anos de Resende Costa

Gersiane e Bruno

Daniel e Lêda com a filha Alícia

Noite de lançamento da Coleção Lageana O lançamento da Coleção Lageana e de seus dois primeiros livros, “Livro de Pallidas Reminiscencias da antiga Lage – hoje – Villa de Rezende Costa” e “Um Olhar Sobre Resende Costa”, reuniu mais de 200 pessoas no Espaço C&M, no dia 28 de maio último. Autores, jornalistas, professores, autoridades municipais e várias personalidades

Fundadores do Jornal das Lajes - Rosalvo, João Magalhães, Elaine, Denilson, André e Janette

Eduardo Lara e sua esposa Virgínia Daher

da sociedade resende-costense e de outras localidades prestigiaram o evento. Após a solenidade de lançamento, foi servido um coquetel organizado pelo Buffet C&M. Enquanto os autores se confraternizavam com os convidados, muitos comentavam sobre a necessidade de outros eventos como esse - organizado pela

Janette, Flávia e o escritor e colunista do JL Evaldo Balbino

Neném e Naná

Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO), em parceria com a Prefeitura Municipal – acontecerem na cidade. A organização da Coleção Lageana é dos professores Elaine Amélia Martins e Rosalvo Gonçalves Pinto.

Festas rurais agitam os fins de semana de maio

O mês de maio é tradicional pelas festas nos povoados: Jacarandira, Cajuru, Barracão, Curralinho dos Paulas e Ribeirão. Desfiles de carros de boi, eleição da rainha e princesa das festas, acampamentos e aquela cachacinha pra esquentar nunca podem faltar nas festas rurais. O frio, a poeira e a

distância não desanimam os festeiros, que como nos anos anteriores, compareceram em peso aos povoados em 2011. É sempre bom lembrar que ainda não acabou, vem mais animação por ai, porque nos próximos dias 17, 18 e 19 acontecerá a festa no povoado dos Pintos.

Meninas curtiram a Festa do Barracão

O prefeito Adilson Resende, o assessor jurídico Ernani Moreira e sua esposa Adriana

Max e Priscila

Artur e Mariana

Juliana, Joana, Débora, Carolina e Laísa na Festa da Colheita do Cajuru


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Frio é psicológico Era assim que eu costumava me referir aos meus alunos quando os via agasalhados naquelas noites geladas de maio e junho. Em Resende Costa, esses dois meses pintam o céu com um azul diferente e esfriam as horas com um vento que só quem nasce por aqui conhece. Nunca fui de usar muita roupa. Muitas peças me tiram o movimento e a agilidade. Gesticulo muito ao falar e, quando estou com muito pano, parece que estou amarrado. Noites cortantes, até os ossos ficavam molhados de sereno. E eu lá, o único no Assis Resende usando manga de camisa. – Você não está sentindo frio? Virou homem de aço? Eu dava um sorriso torto, meio cínico, meio sádico: – Frio é psicológico. Isso irritava o agasalhado que me ouvia. Mas, por outro lado, me fazia sentir um certo prazer de superioridade. O homem que não sente frio. Uma noite, estávamos tocando violão e cantando nas lajes da Matriz. Olhei ao redor e formávamos uma orquestra encapotada. Menos eu. – O que é isso, gente? Frio é psicológico. Frio é psicológico... Só mesmo um doido de gelo pra pensar assim. E essa minha loucura glacial me levou a pagar um mico quente. Numa festa junina em São João del-Rei, tomei não sei quantos copos de quentão. Bebi tanto quen-

tão que já estava dizendo que frio é psicológico em cinco línguas, todas travadas. Não deu outra: inflamação forte na garganta. Não deu outra também: cama e antibiótico. Fiquei sem ir a Resende Costa uma semana. Quando voltei, apareci na escola com uma jaqueta grossa e uma blusa cacharrel de lã. Lembro-me de que eu estava entrando na sala onde quase todo mundo tinha se estrepado com a minha prova de literatura. As relações estavam ao mesmo tempo tensas e frias... e essas relações frias não eram psicológicas. A turma foi entrando aos poucos e todos me olhavam ora com estranhamento, ora com um olhar de deboche. Eu agasalhado? O psicológico falhou. Ficaram sabendo que estive adoentado e teria que usar aquela fantasia de urso até o inverno ir embora. O frio deixou de ser psicológico. Uma das alunas, Ana Cristina, passou por mim com cara fechada e entrou na sala dizendo para uma amiga, com um risinho desafiador: – Frio é psicológico. Tentei responder, mas falar o quê? Meus argumentos estavam congelados. Ao longo da aula, de vez em quando eu tentava lançar um olhar bravo para a turma, pois o pessoal se esforçava para não rir do Professor Freezer. Naquela época, estava na moda o RPM. Lembrei-me da música Olhar 43. Então lancei para todos o meu olhar 43. ... 43 graus de febre!

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*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

ANO VIII Nº 98 - JUNHO

Aniversário de Resende Costa

2011 / RESENDE COSTA - MG EMANUELLE RIBEIRO

Coleta seletiva foi tema do aniversário de 99 anos de Resende Costa

No dia 02 de junho, a população resende-costense comemorou os 99 anos de emancipação política do município. Este ano, o tema da comemoração foi o programa Coleta Seletiva e os alunos das escolas do município puseram a mão na massa e trabalharam materiais reutilizáveis. O resultado final desse trabalho foi exposto durante o dia no largo do Rosário. A comemoração teve continuidade no Rosário com a entrega da medalha José de Resende Costa, homenageando os cidadãos que contribuíram para o desenvolvimento do município. Após o pronunciamento das autoridades, a Banda do Exército apresentou o Hino Nacional Brasileiro e também outras peças populares, clássicas etc., sob regência do maestro titular, tenente Noé, conhecido pelos seus conterrâneos resende-costenses como Tilú. O Exército ainda prestigiou o evento com o desfile do pelotão. A Banda Santa Cecília executou o Hino de Resende Costa, sob regência do maestro João Tomás. Houve também apresentações musicais e teatrais durante a cerimônia. A medalha de Honra ao Mérito José de Resende Costa foi criada em 2009 com o intuito de homenagear personalidades do município, sendo elas indicadas pela Câmara ou pela Prefeitura Municipal. Essas personalidades recebem a medalha de cor prata. São homenageados, ainda, funcionários e operários municipais que completaram 25 anos de serviço, estes com a medalha de bronze. A medalha de forma oval, acompanhada por uma fita, possui no verso o brasão do município e no anteverso os dizeres “Honra ao Mérito” – Município de Resende Costa. Em 2011, três cidadãos foram indicados a receber a medalha pela Câmara Municipal e cinco pela Prefeitura Municipal, e outros três por completarem 25 anos como funcionários municipais. Os indicados pela Câmara foram: Nízio Alves de Paula; Maria Helena Pinto, a Lelena do Sr. Geraldo, e Gustavo Melo Silva. A Prefeitura Municipal agraciou: Guilherme Moreira Novais; José Nicodemus Resende Pinto; Luís Carlos de Resende Miranda, o Preto do Curralinho dos Paulas; Rosalvo Gonçalves Pinto e Sílvio Coelho. Pedro Paula Pinto, Luciano Pinto e Francisco Martins de Resende foram os funcionários homenageados. Coleta Seletiva

Autoridades e personalidades homenageadas no aniversário de Resende Costa

DE

Para o Secretário da Educação, Adriano Magalhães, o evento comemorativo de 2011 tem muito a acrescentar à população resende-

costense. Segundo ele, a conscientização sobre a reciclagem deve continuar dentro das escolas e o programa vem surtindo efeitos, já que a maioria das pessoas já aderiu à Coleta Seletiva: “A Coleta Seletiva é o passo mais importante para se reduzir o lixo e esse trabalho no aniversário da cidade pode dar certo: as crianças ainda não têm os vícios que os adultos têm e a preparação para temas relevantes como esse dentro das escolas é uma estratégia para atingir a maior parte da comunidade possível”, conclui Magalhães. A Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Resende Costa utilizou filtros de papel na confecção de seus objetos recicláveis. Para a presidente da instituição, Inácia Moreira, essa tarefa demonstra a verdadeira escola: “A escola de blábláblá já era, os alunos precisam aprender criando; é aquela história de aprender a fazer fazendo. Além disso, isso serviu como terapia, uma forma de valorizar nossos alunos”. Os alunos da Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) organizaram seus materiais a partir de caixas de pizza, objetos muito bem reutilizados pelos pequenos. A pedagoga Silvanda Resende disse que o principal objetivo foi trabalhar a consciência da criança na reciclagem: “É mais fácil trabalhar com crianças, pois elas captam a mensagem com mais rapidez”. A também pedagoga, Ivana Barbosa, disse que tanto os alunos do Emei quanto os do Conjurados participam da Coleta Seletiva semanalmente, separando em casa e levando para a Escola materiais que podem ser reaproveitados. “Mais do que reciclagem, nosso trabalho representa a força da equipe, uma maneira de envolver todo o alunado, valorizando a história de Minas e de Resende Costa. Procuramos uma forma original de tratar a reciclagem”, afirma a professora de História da Escola Estadual Assis Resende, Cássia Elma de Resende. Os estudantes do colégio montaram maquetes retratando personagens importantes da história como o mártir da Inconfidência Mineira, Tiradentes, e o inconfidente que deu nome à cidade, José de Resende Costa (pai). De acordo com o Secretário de Meio Ambiente, João Bilaya, o objetivo do programa Coleta Seletiva agora é atingir toda a cidade, já que os bairros Pôr do Sol e Tijuco ainda estão fora do projeto, e zona rural. Segundo ele, a prefeitura pretende fazer um acordo com os conselhos de cada povoado para recolher o material reciclável às sextas-feiras.

Bilaya conta que o sucesso desse projeto se deve à aliança com a Associação Pescadores da Fé em Cristo (Apefec) e ao apoio do programa de ressocialização de detentos. Os detentos auxiliam na separação e prensagem do lixo reciclável. Outro plano da Secretaria de Meio Ambiente é a aquisição de uma Unidade de Triagem e Compostagem (UTC), visando à reciclagem do material orgânico. Ainda conforme Bilaya, um dos principais problemas ambientais que atormentam Resende Costa é a extração de quartzo em alguns povoados da zona rural, como Micaela e Cajuru, pois as empresas responsáveis pela extração retiram a mata nativa e abandonam o local sem reflorestamento, além de danificarem estradas e pontes. Com o intuito de resolver o problema, a Secretaria de Meio Ambiente já fez contato com a Polícia Florestal de Meio Ambiente e com o Instituto Estadual de Florestas (IEF). “Outro problema, que não deixa de ser ambiental, é a quantidade de fossas na cidade, mas este já está sendo solucionado com a instalação da rede de esgoto”, completa Bilaya. Shows A programação de comemoração do aniversário da cidade continuou nas noites de quinta e sexta-feira e também no sábado, com shows musicais. A grande atração desse ano foi a presença dos violeiros mineiros Gustavo Guimarães, Wilson Dias e Chico Lobo. As bandas locais também se apresentaram durante os três dias no II Circuito do Som, uma realização do Movimento Arena Cultural (Mac). “O que pudemos perceber nesta segunda edição foi a sensível melhora nas apresentações das bandas. Tudo isso devido aos eventos que temos promovido, nos quais se dá oportunidade a todos: havendo onde tocar, naturalmente os músicos se sentem ainda mais motivados a melhorar o repertório, a formatação do show, enfim, o aspecto da banda de modo geral”, afirma Ângelo Márcio, um dos principais responsáveis pelo Mac. O próximo evento a ser realizado pelo Movimento será o V Encontro de Bandas de Música de Resende Costa, em parceria com a Associação Musical de Resende Costa (Amarc) e a Banda Santa Cecília, previsto para acontecer no dia 26 de Junho. (Confira a íntegra da reportagem e a cobertura completa de fotos no site do JL: WWW.jornaldaslajes.com.br).

Pelotão do Exército desfilou durante as solenidades do aniversário de Resende Costa


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 98 - JUNHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

AMIRCO

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Concorrido o evento de lançamento dos primeiros livros da Coleção Lageana

Mais de 200 pessoas participaram, na noite de 28 de maio no Espaço C&M, ao lado do “Cruzeiro do Canela”, do evento de lançamento dos dois primeiros livros da Coleção Lageana, um projeto que é fruto da parceria entre a Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO) e o Fundo Estadual de Cultura (FEC) 2010, com o apoio cultural do Jornal das Lajes. O evento, que foi incluído nas comemorações do aniversário de 99 anos da cidade (dia 2 de junho), também recebeu o apoio da Prefeitura Municipal de Resende Costa. O volume 1 (64 páginas) é constituído pela reedição fac-similar do livro “Pallidas reminiscências da antiga Lage – hoje – Villa de Rezende Costa”, de autoria do professor José Augusto de Rezende, cuja primeira edição é de 1920. Já o volume 2 (610 páginas) é uma coletânea de textos do Jornal das Lajes, denominada “Um olhar sobre Resende Costa”. “Estamos acrescentando algumas pedrinhas na construção da história de Resende Costa”, disse Rosalvo Gonçalves Pinto, um dos organizadores da Coleção, na abertura do evento. É mais uma colaboração para que a história de Resende Costa continue sendo pesquisada e estudada, prosseguiu.

Elaine Amélia Martins, também organizadora da Coleção, contou que tudo começou em 2006, quando – ainda estagiária do setor de publicações da Faculdade de Letras da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) – mostrou para Rosalvo cópia do edital FEC 2006 e sugeriu que os dois apresentassem projeto de reedição do livro do professor José Augusto. Não houve tempo hábil para apresentar os documentos exigidos, mas a iniciativa abriu o caminho para a inscrição, por intermédio da AMIRCO, de novo projeto no edital FEC 2009, quando foi acrescentada a coletânea. “Ao redigir esse projeto, me ocorreu a ideia de criar um programa editorial para a AMIRCO com o nome de ´Coleção Lageana´.” André Eustáquio Melo de Oliveira, atual editor-chefe do Jornal das Lajes, disse que o jornal vai continuar a sua trajetória, novas pesquisas ocorrerão e outras publicações surgirão. “Cada título publicado reflete um trabalho incansável, esforço e idealismo de seu autor.” As duas obras se entrelaçam, prosseguiu, pois o livro do professor José Augusto foi fonte para se escrever vários artigos. Já Denilson da Mata Daher, um dos fundadores do JL, revelou que

Autores da antologia Um olhar sobre Resende Costa

Eduardo Lara, Denilson Daher, André Eustáquio, Elaine Martins e Rosalvo Pinto discursaram na cerimônia de lançamento da Coleção Lageana

nunca passou pela sua cabeça que o resultado fosse essa obra, ao se referir à coletânea. “O jornal começou com um aluno rebelde, cheio de ideias revolucionárias, com muita disposição e motivação e que identificou a falta de um meio de comunicação em Resende Costa. Muito do que eu tenho de pessoal eu aprendi com o jornal, inclusive perder a timidez. Espero que o jornal, em muitos e muitos anos, continue contribuindo com Resende Costa”. Ana Paula Mendonça de Resende, em nome do conselho editorial, afirmou que a coleção já nasceu de uma história de sucesso. Ou seja, o motivo deste sucesso é o jornal, com a qualidade dos seus textos, que adquiriu o respeito da sociedade local. Também elogiou o trabalho dos organizadores da coleção. Já o presidente da AMIRCO, Eduardo Lara Coelho, lembrou a parceria da administração municipal e do JL. “A AMIRCO tem a função de não deixar a peteca da cultura cair em todas as suas áreas.” Por isso, ele fez apelo para que todos colaborem com a Associação. Por sua vez, o prefeito Adilson Avelino de Resende disse estar satisfeito pelo fato de que a cultura de Resende Costa esteja “em mãos de pessoas tão brilhantes”. E defendeu o fortalecimento da parceria em favor da cultura, envolvendo a Prefeitura, a

Cultura

AMIRCO e as demais forças da sociedade resende-costense. Participaram ainda do evento o presidente da Câmara Municipal Luis Cláudio; o secretário municipal de Educação e Cultura, Adriano Magalhães; o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, Arthur Cláudio da Costa Moreira; o ex-deputado federal, ex-secretário de Estado de Minas Gerais e ex-senador Ronan Tito; os professores da Faculdade de Letras da UFMG, José Olimpio Magalhães e César Reis; o professor José Antônio de Oliveira Resende, da UFSJ; o ex-consultor legislativo do Senado Federal, Francisco Braga; membros do conselho editorial da Coleção Lageana e os ex-prefeitos Gilberto Pinto e Luiz Antonio Pinto. Onde adquirir os livros Os dois volumes da Coleção Lageana poderão ser adquiridos nos seguintes locais, pelo preço de R$ 25,00. • Água na Boca Artesanato, • Banca de Revistas, • Banco Credivertentes, • Churrascaria Ramona, • Contemp Service Contabilidade, • D’Corações Artesanato, • Associação Comercial e Industrial de Resende Costa.

ROSALVO PINTO

Lagoa Dourada comemora seus 300 anos com publicação de obra histórica

Os 300 anos de nossa vizinha Lagoa Dourada vão ficar definitivamente marcados com a publicação de uma bela e alentada obra sobre sua história: “Lagoa Dourada – 300 anos – Síntese Histórica”, do lagoense Dauro Buzatti. O lançamento da obra aconteceu na noite de sábado, 4 de junho, num festivo clima de dedicatórias, músicas e coquetel, com a presença de conterrâneos, parentes e amigos do autor. A obra foi prefaciada pelo seu amigo Antônio Egg Resende e traz, na sua introdução, uma inédita curiosidade, assim descrita pelo autor: “Neste livro pro-

curei realizar um velho sonho: escrever a história de Lagoa Dourada, procurando criar uma sucessão ordenada dos fatos mais marcantes da sua história. E o ano para isto é muito propício: 2011. Afinal, foi aos 31/05/1711, há 300 anos, que foi feita a primeira referência em relação a Lagoa Dourada. Nessa referência se registra o pagamento, feito pelo capitão João Antunes Maciel, de trinta oitavas de ouro que devia à Fazenda Real, de ‘uma data de terra mineral’ que arrematou na ‘a Lagoa Dourada’”. Estavam presentes no evento o prefeito municipal, o vice-prefeito, o

presidente da Câmara Municipal e o secretário da Cultura de Lagoa Dourada, respectivamente, os senhores Antônio Carlos Chaves de Resende, João Costa, Luiz Carlos de Melo e Josias Cardoso. Após os discursos de praxe, uma dupla de violão e voz apresentou a peça “Saudades de Lagoa Dourada”, letra e música do autor do livro, senhor Dauro Buzatti. Estiveram prestigiando o evento os resende-costenses Francisco Eduardo Pinto (o Chiquinho do Góes), sua esposa Elaine Amélia Martins e Rosalvo Pinto. O Chiquinho fez uso da palavra para se congratular com o autor e com a cidade

pela obra, salientando os laços de amizade existentes entre Resende Costa e Lagoa Dourada. Vale ressaltar também que outro resende-costense, que reside há muitos anos em Belo Horizonte, esteve presente, acompanhado de sua esposa: trata-se do Percy Gonçalves Maia e de dona Vera Lúcia da Silva Maia. Foi uma agradável surpresa o meu reencontro com o Percy, que não via desde nosso tempo de escola no Assis Resende, no início dos anos 50. Ele é filho de Ademar Resende Maia e Abigail Andrade, tendo nascido e morado por algum tempo na Fazenda das Éguas.

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Coleção Lageana nasce para preencher lacuna sobre história local e regional Os organizadores preocuparam-se em dar à Coleção Lageana um aspecto formal que respaldasse as publicações, diz Elaine Amélia Martins. Tanto que se elegeu um Conselho Editorial com 12 pessoas. “Além disso, listamos, já no projeto inicial, um conjunto de livros – dentre resultados de pesquisas realizadas, ou não, e monografias, teses e dissertações já prontas.” Ainda houve a preocupação de credenciar a AMIRCO como editora junto à Biblioteca Nacional, além de registrar o ISBN de cada livro. A logomarca – que representa uma silhueta das “Lages” e, ao mesmo tempo, um livro entreaberto – apresenta uma relação entre as Lages e os livros. O primeiro volume – “Livro de Pallidas Reminiscencias da antiga Lage – hoje – Villa de Rezende Costa”, de autoria do professor José Augusto de Rezende - é uma pequena obra, descoberta em 2007em péssimo estado de conservação, quando uma proposta da AMIRCO em parceria com a Prefeitura Municipal, através do FEC, permitiu a restauração de parte do acervo de obras raras da Biblioteca Pública Municipal Antonio Gonçalves Pinto. Após a restauração, a AMIRCO decidiu reeditar o livro, primeira e única obra histórica e de referência sobre o município. “As 38 páginas do opúsculo apresentam informações sobre as origens, o atraso em seu desenvolvimento e posterior evolução do Arraial da Lage, bem como sobre a instalação do município em dois de junho de 1912 e os fatos e feitos de seus habitantes”, diz a apresentação do livro. O segundo volume – “Um olhar sobre Resende Costa: coletânea de textos do Jornal das Lajes” – reúne o acervo de matérias de oito anos do jornal, que tem como enfoque a cidade sob os mais variados ângulos. A idéia foi “consolidar em um livro essa riqueza de pesquisas e informações, a fim de que pudessem ser disponibilizadas às gerações presente e futura de resende-costenses, bem como a pessoas interessadas em conhecer nossa história e, por extensão, a história da região do Campo das Vertentes”, dizem os organizadores da Coleção. Os textos, seguindo uma distribuição de blocos e colunas temáticos, foram distribuídos em 11 seções. A seção “Prosa & Poesia”, por exemplo, reúne textos produzidos por alunos do ensino fundamental, vencedores do 1º Concurso AMIRCO Prosa & Poesia, realizado em 2004. A proposta da Coleção Lageana é preencher a grande lacuna existente sobre o registro da história de Resende Costa e região do Campo das Vertentes, revela Elaine Amélia Martins, organizadora da publicação juntamente com Rosalvo Gonçalves Pinto. Ela cita como exemplo o livro de memória (volume 1) do professor Lara Resende, escrito na década de 1970 (e custeado pelo próprio autor) que foi inclusive citado pelo crítico literário Antonio Cândido num dos seus ensaios. “Eu e o Rosalvo já estamos fazendo contatos para a reedição do volume 1.” Lara Resende também publicou o volume II, editado pela Record, conta Elaine. “Existem também algumas crônicas do escritor Gentil Ursulino Vale e um livro sobre uma pesquisa quantitativa elaborada por Gustavo Melo. E tem ainda o livro do Rosalvo sobre os inconfidentes, que pretendemos reeditar no ano do centenário da cidade de Resende Costa (J.V.R).”


10 Jornal das Lajes Causos & Cousas

ANO VIII Nº 98 - JUNHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO

O debate em torno do “nós pega os peixe” e “os livro ilustrado”

Desde 15 de maio passado, estabeleceu-se no país um acalorado debate entre imprensa, Ministério da Educação (MEC) e estudiosos da linguagem. Debate motivado por alguns periódicos que, à busca de sensacionalismos e descartando a ciência e a verdade, passaram a criticar um dos livros didáticos recomendados pelo MEC. O fato que gerou essa celeuma toda, a partir do dia 11 de maio passado, foi a descoberta, no livro “Por uma Vida Melhor”, de um trecho que trata do tema “variação linguística”. Esse livro, destinado ao ensino do português, foi um dos recomendados pelo MEC para o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). É bom frisar, de entrada, que a coleção à qual pertence o livro é destinada não a crianças do ensino fundamental, mas a jovens e adultos. O nosso “grande jornal dos mineiros”, por exemplo, entrou nessa . E volta à carga, agora, na recente edição do dia seis deste mês, trazendo uma página inteira (p. 8) com o título garrafal de “Insegurança na sala de aula”, acompanhado do lide (resumo da notícia) “Polêmica sobre livro de português que considera corretas frases em desacordo com as normas cultas gera desconfiança de alunos quanto à qualidade do material didático”. Esse resumo já incorre, de cara, em um erro grotesco e tendencioso, ao afirmar que um livro de português considera corretas frases em desacordo com as normas cultas. É de se suspeitar que o repórter que assina a matéria nem sequer tenha ido ao livro para averiguar de que se trata. Se tivesse ido, talvez ele não escrevesse o que escreveu. O capítulo do livro onde está o problema, sob o título de “Escrever é diferente de falar” tem 17 páginas e, provavelmente, nenhum dos críticos o terá lido. A maior parte do capítulo se ocupa de mostrar que não se pode escrever um texto formal usando a linguagem falada do dia-a-dia. Nessa parte, ensina que é preciso respeitar a concordância e ou-

tras regras da variedade culta. O próprio trecho onde estão as frases alardeadas, que ocupa meia página, afirma que se pode falar “os livro” e “nós pega os peixe” em situações específicas, alertando que, se o aluno usar essas formas em contextos formais, sofrerá preconceito linguístico. O escândalo é que a imprensa descontextualizou a frase e condenou, por ela, o livro e o MEC. Nesse debate nacional evidenciaram-se duas instituições: a Rede Globo e a Editora Abril. Evidenciaram-se pelo festival de besteiras. Claro, para ambas a jogada é meramente financeira, puramente comercial. Lobos travestidos de cordeiros. O ataque da revista VEJA (edição 2219, 1º. de junho), começou na edição 2218, de 25 de maio, avassalador: na “Carta ao leitor” (o editorial, porta-voz da Editora Abril), seguindose o artigo da Lya Luft (p.26), outra que deve ter ouvido o galo cantar, mas não sabe onde e, por fim, a desastrada reportagem de Renata Betti e Roberta de Abreu Lima, essa chegando a ser desrespeitosa, para não dizer “escrachada”. Não satisfeita, a VEJA voltou, na edição seguinte (2219), com uma entrevista com o professor Evanildo Bechara, 83, um dos imortais da Academia Brasileira de Letras (Páginas Amarelas). Dá pena ler o que o “renomado” professor falou na entrevista. Nem vale a pena comentar. É bom que o leitor saiba que a Editora Abril é, hoje, dona de uma das maiores editoras de livros didáticos no Brasil, a Editora Ática. Não é preciso dizer mais nada. Instituições e estudiosos da linguagem de renome vieram de pronto contestar a veracidade das afirmações da imprensa de que o livro está ensinando “a língua errada” e deixando de ensinar a “língua correta”, entre muitos, a Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN). Apenas um grande argumento põe por terra as afirmações incorretas veiculadas pela imprensa: não existe, em nenhum recanto do planeta, “língua certa” e “língua errada”. Todas as línguas nele existentes prestam-se, com

Crônicas do Cotidiano

perfeição, para a expressão das necessidades de seus falantes. O que existe nas sociedades humanas são variações, normalmente criadas em função de diferenças de classes sociais e, em algumas dessas sociedades, consideradas mais desenvolvidas, uma variação especial, normalmente imposta pelas classes dominantes, chamada, entre outros nomes, de “norma culta”. A esse argumento acrescenta-se outro, igualmente fundamental: todas as línguas humanas evoluem com o tempo e estão em constante mutação. Muitos dos fatos hoje impropriamente chamados de “erros” em quaisquer línguas, poderão, posteriormente, ser considerados como formas da norma culta dessas línguas. Assim, do ponto de vista simplesmente científico, não tem sentido algum dizer que um fulano, ou um grupo ou um povo de determinada região falam (ou escrevem) errado. É sabido que toda criança, ao entrar na escola, já sabe falar o português. Entretanto, em nossa sociedade cruel e injustamente dividida em classes, para que essa criança possa progredir na vida, conseguir empregos, enfim, tornar-se uma cidadã, é necessário que ela aprenda também uma outra variante da língua, a tal da “língua culta”. Se assim não o fizer, ela corre o risco de ser preterida ao procurar um emprego, de não poder ter acesso a muitos bens culturais e mesmo de ser discriminada em muitas situações de sua vida. “Não vejo problema em discutirmos todas as formas de falar nas escolas, por meio dos livros. Com erros de português, sotaque ou qualquer tipo de diferença acho importante termos acesso aos tipos diferentes. São as maneiras que usamos no dia a dia e não há por que ficarmos presos aos detalhes da norma culta”. Assim se expressou o senhor José Geraldo de Paula, 48, na entrevista ao repórter do Estado de Minas. Ainda bem. Uma peninha que ele talvez ainda esteja influenciado pela expressão “erros de português”, de tão arraigada que ela está entre nós. Mas, ao fim e ao cabo, ele acertou na mosca. Parabéns!

RAFAEL CHAVES

O sonho que se sonha junto

Seu sonho é morar numa roça, não muito grande nem muito pequena! Entre as montanhas, mas não longe do mar. Entre os bichos, mas não longe da civilização. Entre as árvores, mas onde o sol aqueça. Poderia ser no sul da Bahia, sem axé, ou daí até o Maranhão, sem Sarney. Talvez na zona da mata nordestina. Um lugar onde pudesse comer frango caipira de canela amarela, cozido no fogão a lenha em alguns dias, noutros montar num lombo de um cavalo e comer um peixe fresco frito pela barraqueira da praia, junto com poucos amigos. Um lugar onde, finalmente, pudesse se encontrar consigo mesmo, meio só, esperando a morte, que viria no dia em que não pudesse mais fazer as coisas de que gostasse, qualquer que fosse o dia. Esse sonho lhe veio mais intensa-

mente naquela tarde de quinta-feira, 26 de maio de 2011, vendo a primeira página de um jornal. A manchete do jornal dizia que um determinado ex-prefeito, condenado por improbidade administrativa, estava trabalhando na assessoria direta de um governador. E que esse cidadão era um entre cinco, até agora, que ocupavam cargos no governo e que não se enquadravam na Lei da Ficha Limpa Estadual. Essa chamada agredia sua inteligência. Primeiro por não entender a necessidade de uma lei para dizer que um sujeito condenado por desonestidade com o dinheiro público não poderia ser nomeado servidor público. Segundo porque, ainda que com a lei, esta estava sendo desrespeitada. Outra notícia dava conta da suspensão, pela presidente do País, da produção e distribuição do kit antihomofobia pelo Ministério da Educação.

Em que pese que ele não fosse nem um pouco homofóbico, sua inteligência também não conseguiu captar, em meio ao festival de mazelas que assolam o país, inclusive na educação, como pudesse o Ministério da Educação despender e priorizar dinheiro para explicar a estudantes que não é pecado ser homossexual. Mais adiante soube que um desembargador arranjou um jeito inusitado de pagar pensão à ex-esposa: nomeou-a, em acordo de separação, para um cargo de assessora, com salário de R$ 9,2 mil. Ou seja, o desembargador se utilizava do dinheiro público para saldar uma dívida que, em tese, poderia ser sua, pois enquanto sua mulher fosse trabalhadora, não haveria justificativa para ele pagar pensão alimentícia a ela. Chegou a ter esperanças, lá pelo meio do jornal, quando soube que,

Homenagem

Tentei, relutei, mas não teve jeito... Embora seja contra homenagens póstumas, pois acredito que abraços, beijos e pedidos de desculpas devem ser feitos em vida, resolvi rascunhar algumas linhas para aquele que foi sempre um amigo de verdade. Quem conheceu de perto o Zé da Pia, “Zé Chaves”, dizia ele ao atender o telefone, ou o nosso Zé do Zezeca, sabe muito bem de quem e do que eu quero falar. Há muitos anos, eu, meus pais e irmãos frequentamos a casa dele e de seus filhos. Eu, particularmente já o vinha perturbando há muito tempo! Talvez pelo fato de já ter perdido meu pai, (33 anos de falecimento em primeiro de maio) nossa amizade e respeito tenha sido mais fortalecida ao longo desses anos. Zé do Zezeca, cruzeirense sem fanatismo, raridade hoje em dia, pois para muitos o futebol está acima de muita coisa, sempre me dizia que o bom era torcer por Minas e pelo Brasil. Leitor assíduo, sempre tinha em mãos algo para se distrair, e fosse artigo político ou esportivo, estava sempre por dentro dos últimos acontecimentos! Muitas vezes, ao conversar com ele, quando me perguntava alguma coisa, com a simplicidade de sempre, me dizia ser analfabeto. E por mais que eu ouvisse suas perguntas, lhe respondia: “Mas Seu Zé, quem é analfabeto? O senhor sempre está a par de tudo! Por que insistir na palavra analfabeto?” O Zé do Zezeca nada tinha de analfabeto, insisto! Ao longo da sua jornada, formou-se na escola finalmente, Pimenta Neves, aquele mesmo que matou com um tiro pelas costas a namorada em 2.000, fora preso. Mas segundo o promotor do caso, apesar de condenado à pena de 19 anos em 2.006, e depois, em recurso, reduzida a 15 anos, na prática, pelos benefícios da lei, apesar de ter ficado apenas 7 meses na prisão, teria ainda que cumprir somente mais um ano e 11 meses para ter direito ao regime semiaberto. Além do que poderia, alegando problemas de saúde, conseguir o benefício da prisão domiciliar. Ou seja, Pimenta ficaria praticamente impune. Sua faculdade de percepção, sua maneira de entender as coisas, seus valores pareciam não ser suficientes para crer em todas aquelas notícias. Não sei o porquê de ele me telefonar no final da tarde daquele dia para reclamar, além desse seu raciocínio lógi-

da vida! Foram 91 anos de muito trabalho, dedicação à família e aos amigos, esses, incontáveis. Infelizmente, no ano passado, faleceram sua filha Socorro e sua esposa, ficando o nosso amigo fragilizado, o que era de se esperar. O Zé do Zezeca ficou, salvo engano, quase 65 anos casado com um único amor, a sua Pia. Exemplo de serenidade em pessoa, voz calma e sempre risonha ao nos receber! Neste mundo louco em que vivemos, sem querer menosprezar ninguém, difícil será encontrar casais dessa linha. Por mais que estejamos tristes, cabisbaixos e sem entender o porquê de mais essa perda, irreparável, devemos nos lembrar sempre da fé inabalável dos dois. Aos filhos e filhas, genros, noras, netos e bisnetos, ao legado de amigos, enfim, a todos que estiveram presentes nas suas vidas, sigam os exemplos de bondade e lealdade que eles sempre demonstraram. Eu fui feliz nessa convivência, pois tive a honra de estar ao seu lado em vários momentos. A boa lembrança que tenho deles é de muita fé, simplicidade, trabalho, honestidade e cumplicidade. Afinal, o caráter desta família já é, há muito tempo, marca registrada. Então, ao meu amigo, Zé do Zezeca, eu não diria adeus, diria somente um até breve. Antônio Sebastião de Resende Lara Belo Horizonte, 06 de Maio de 2011 co. Não era comum ele fazer isso. Talvez fosse o sentimento ressuscitado de revolta que tomou conta dele durante sua juventude, quando lutava contra a ditadura militar. Ou ainda pode ter sido uma necessidade de desabafo: “Isso tudo num dia só!”, gritou do outro lado do telefone. Foi depois desse livramento que ele, após um suspiro profundo que pareceu querer aspirar o telefone, sereno e manso, começou a falar do seu sonho. E disse de como seria sua vida, lá no cafundó, longe dos problemas da vida. “Já dei minha cota de trabalho para a humanidade, trabalho desde os 12 anos”, sentenciou. Então eu lhe disse, depois de ser todo ouvidos: - Se você me chamar, vou junto! E rimos, rimos muito!


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 98 - JUNHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Cinema SEMPRE AO SEU LADO (Hachiko: A Dog’s Story, EUA) Gênero: Drama Direção: Lasse Hallstrom Duração: 93 min. Ano: 2009 Um filme singelo e, ao mesmo tempo, impressionante. Baseado numa história real japonesa, Sempre Ao Seu Lado conta a saga de Hachiko, um cachorro da raça Akita que,

CARINA BORTOLINI Desde que ganhara o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2007, ensaio assistir a este longa alemão. Li críticas entusiasmadas, e não é para menos. Que filme excelente! Passado na repressora Alemanha Oriental da Guerra Fria, tem como protagonista Gerd Wiesler (o magistral Ulrich Mühe), espião da Stasi – a terrível polícia secreta alemã. Com uma existência vazia unicamente voltada para o trabalho, Wiesler se

tas do mesmo em relação ao regime. Porém, à medida que se envolve com a rotina do casal através das escutas, Wiesler fascina-se com elementos para ele desconhecidos: paixão, alegria, arte, encantamento. Esta intimidade unilateral mudará os rumos da investigação, do destino do casal e da própria vida do espião. Com enredo envolvente e fantástico elenco, este filme está entre o que há de melhor no atual cinema europeu. Classificação: 14 anos. AS MELHORES COISAS DO MUNDO (Brasil) Gênero: Drama Direção: Laís Bodasnky Duração: 107 min. Ano: 2010

encontrado ainda filhote por Parker (Richard Gere), é adotado pelo mesmo e sua família. Absolutamente leal ao seu dono, Hachiko o acompanhava até a estação onde ele embarcava para trabalhar todos os dias, voltando para casa quando o trem partia. À tardinha, quando Parker saltava do trem, lá estava Hachiko, pontual e alegremente o esperando para retornarem juntos para casa. Essa rotina se repetirá por anos, até que uma fatalidade provará por que o cão é conhecido como o melhor amigo do homem. Belíssimo e muito emocionante. Preparem os lenços! Classificação: Livre. A VIDA DOS OUTROS (Das Leben Der Anderen, Alemanha) Gênero: Drama Direção: Florian Henckel von Donnersmarck Duração: 137 min. Ano: 2006

vê interessado na vida e no romance entre a bela atriz Christa-Maria (Martina Gedeck) e o famoso escritor Georg Dreyman (Sebastian

Koch). Responsável por instalar microfones clandestinos por todo o apartamento do escritor, começa a investigar possíveis atitudes suspei-

Quando vemos filmes dedicados à adolescência, geralmente são aqueles americanos passados nas High Schools em que há a separação por tribos (ricaços, atletas, nerds etc) e historinhas tolas. Então é uma ótima surpresa vermos uma produção nacional conseguir retratar tão fielmente a adolescência da classe média nos dias de hoje, com seus

eternos dilemas e moderníssimos instrumentos de comunicação. Mano (Francisco Miguez), aos 15 anos, tem aulas de violão com Marcelo (Paulo Vilhena) e está de joelhos pela bonitona da escola. Seus pais, Camila (Denise Fraga) e Horácio (Zé Carlos Machado) estão se separando por um motivo que o deixará atordoado, assim como a seu irmão mais velho, o sensível Pedro (Fiuk). Sua melhor amiga é Carol (Gabriela Rocha), que, por sua vez, está apaixonada pelo jovem professor Artur (Caio Blat). Laís Bodansky cruza esses fatos com tamanha naturalidade e realismo que não há como não haver imediata identificação. Ótimo trabalho. Classificação: 14 anos.

Retalhos Literários

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EVALDO BALBINO

Catar feijão Quando minha mãe dizia “tem que botar feijão na panela pra cozinhar”, eu ia lamentando até a lata grande de banha, que me esperava para abri-la e retirar o feijão plantado e colhido por meus irmãos e meu pai. Aquele feijão entre pedras. E eram muitas, as de duro trato! Nas roças debaixo de um sol de matar, ouviam-se do lado de fora dos ranchos as varas vergando em mãos cheias de calo e suor. Tentei algumas vezes ajudar os meus, pegava também uma vara e tentava bater feijão como um adulto fazia. Meu esforço era muito, e o resultado era pouco. Eu achava bonito como as palhas de feijão voavam, algumas faziam curva no espaço e iam parar macaqueadas em árvores do entorno. Como eu tinha inveja de ver meus irmãos dando vergadas nos montes de palha ressequida! Nem se viam as varas como relâmpagos no ar! Mas eram audíveis os sons que faziam desde lá de cima até as batidas sobre o feijão açoitado. Não vendo frutos do meu esforço, o que eu gostava mesmo era de agachar nas laterais do terreiro e catar os grãos tresmalhados, os semvergonha que ainda queriam ficar por ali, no meio da terra, para brotar mais vida no meio do mato. Os terreiros eram batidos. Mesmo assim soltavam pedrinhas intratáveis. E eu ficava matutando por que meu pai não cimentava aqueles eirados, por que não evitava que as pedrinhas viessem incomodar a nós, pobres humanos sem propensão para degustar pedras. Somente depois é que pude entender muita coisa. Como um agricultor poderia gastar o dinheiro que não tinha? Como um meeiro poderia cimentar um pedaço de terra que não era seu? Para nossa subsistência, o feijão tinha que ser cultivado. E só metade dele é que meu pai levava para nossa despensa. O jeito era mesmo bater feijão no terreiro de terra batida! E lá ficava eu diante da lata de banha. Uma guerra se travando. Tinha vontade de resmungar. Como enfrentar aquelas pedras medonhas, que de tão pequenas eram insuportáveis? Espertas, aproveitavam a pequenez para fugir entre feijões, até mesmo confundiam-se com eles. Mas no prato nosso de cada dia, ali quando comíamos com boca e vontade, essas pedrinhas aumentavam de tamanho a ponto de sufocar qualquer apetite. Aí vinham os xingamentos, o coro de vozes da

família martelando no meu ouvido que eu era porco, que não fazia nada direito. E ninguém se condoía com minha expressão de tristeza, de fome roubada num relance. Lembro-me de uma vez ter visto alguém numa novela catando feijão. A nossa TV era em preto e branco, e me deu uma agonia ver aqueles grãos acinzentados, numa parecença com possíveis pedrinhas no meio deles. Como se não bastasse o poder de mimetização que essas pedrinhas têm, a confusão entre pedras e grãos era aumentada demasiadamente. Resolvi nem ficar olhando muito aquelas mãos na faina perigosa, no risco de ouvirem depois que eram porcas, que não trabalhavam direito. Tempos depois, já não morando no Ribeirão e sim em Resende Costa, passei a achar chique minha mãe levando fubá e arroz na “limpadeira do Vantuir”. As máquinas ficavam abaixo do nível da rua. Na entrada já se sentia um cheirinho gostoso de fubá que não acabava mais! Descíamos um corredor cimentado, antigo. O dono das máquinas pegava os sacos e despejava o conteúdo dentro delas. Era um barulho de dar medo. E eu achava tudo maravilhoso. Não me lembro de minha mãe levando vagens secas de feijão para limpar. Não havia máquinas para isso ali. E eu tinha que continuar em casa, separando o trigo do joio. Hoje em dia catar feijão é mais fácil. Os pacotes chegam bonitos, trazendo grãos brilhosos, meio seda. Dá gosto vê-los com pedra quase nenhuma. Deslizo-os entre meus dedos; e se uma ou outra pedrinha tenta me enganar, pego-a de surpresa, e lhe digo a que vim, qual a minha função diante da nobre tarefa de limpar o que será comido. Jogo-a fora como quem se livra de um estorvo, de um possível incômodo. A propósito do que estou falando, lembro aqui o poema “Catar feijão” de João Cabral de Melo Neto. O poeta, um exímio catador de palavras, buscava a pedra que “dá à frase seu grão mais vivo: / obstrui a leitura fluviante, flutual, / açula a atenção, isca-a com o risco”. Eu, particularmente, não gosto de tais pedras. Quero leituras fluviais e flutuantes, palavras boiando para todo lado. Quanto aos feijões, Deus me livre de pedras no meio deles! Essas eu também queria flutuando. Pegaria todas e as jogaria fora. Se tudo fosse assim desde sempre, acho que eu teria sofrido menos, não as ruminando na minha infância entre mãos e boca.


12 Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 98 - JUNHO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

GERALDO AIRES

Cruzeiro Esporte Clube firma parceria com escolinha de futsal do Campo das Vertentes A escolinha de futsal Galaxy, de Resende Costa, assinou com o Cruzeiro Esporte Clube um contrato de parceria pelo prazo inicial de um ano. O projeto, que tem por finalidade maior efetivar a transferência de conhecimento na área de futebol de base, visando à descoberta, formação e desenvolvimento de novos atletas com potencial de jogar no time profissional da Toca da Raposa, é um sonho dos diretores da escolinha que foi fundada em 2006. Para comemorar esse importante passo da Galaxy, no último sábado de maio (28) a cidade recebeu alguns dos diretores das categorias de base do clube, além da presença do mascote do clube azul, o Raposão, com a finalidade de inaugurar

oficialmente a sociedade entre as marcas. A manhã festiva iniciou com uma carreata pela cidade, na qual a atração principal era o Raposão, que acenou e atendeu gentilmente a todos que acompanharam a comitiva pelas ruas da cidade. O ponto de encontro com a torcida foi no Ginásio Polesportivo Monsenhor Nelson, momento em que o ex-jogador cruzeirense da década de 60, Marco Antonio, atualmente diretor de escolinhas de base do Cruzeiro, fez uma breve palestra, destacando a importância do convênio firmado entre as duas escolas de futebol. Após as palavras de incentivo do ex-atleta, um amistoso da categoria sub-15 foi disputado para a estréia

Paintball

do novo uniforme da Escolinha Galaxy, agora em tom azul. Na quadra a disputa foi entre a equipe do Galaxy e o atual campeão do torneio de inverno, o time do Liverpool. Em entrevista ao Jornal das Lajes, o diretor da escolinha de Futsal Galaxy, João Vítor, frisou a importância da parceria entre os times: “O Galaxy tem uma recente trajetória de muita garra, lutas e vitórias. Este momento é um marco na história do clube. E além da importância histórica, esse convênio é uma forma de incentivar os futuros atletas que, destacando seu potencial, serão pré-selecionados e encaminhados às categorias da base do Cruzeiro para testes, e quem sabe a assinatura de contrato com o clube. E todos nós

EMANUELLE RIBEIRO

Paintball conquista espaço no Campo das Vertentes Um mês e meio após a inauguração do campo de paintball no município de Ritápolis, cerca de 270 pessoas já passaram por lá, perfazendo uma média de 70 jogadores por fim de semana. Esta é a declaração de Sandro Imbroisi, empresário do setor. O paintball é um jogo de equipes, em que cada componente possui uma arma que atira bolas de tinta. Existem objetivos diferentes em cada jogo, mas os mais comuns são o mata-mata, resgate de reféns a caça às bandeiras. Segundo informações da empresa “Info Escola”, o jogo teve início na década de 80 nos Estados Unidos, utilizando armas desenvolvidas por engenheiros florestais para marcar árvores e trilhas. O país de origem explica o nome do esporte, paintball, que no português significa “bola de tinta”. No fim do século passado, o esporte chegou ao Brasil. O paintball ainda é mais comum nas capitais, mas há alguns anos vem conquistando a popularidade em vários cantos do país. O campo foi inaugurado em abril passado e abre espaço para um esporte pouco praticado no Campo das Vertentes. Ele se localiza a 500m da entrada do trevo de Ritápolis e funciona somente aos fins de semana, de 8h as 18h. Segundo Imbroisi, a arena possui uma estrutura pequena de lanchonete e conta com dois funcionários. O telefone para contato é: 8477 6622. O cliente paga R$35,00 e tem direito a 100 bolas de tinta e equipamento completo em um período de três horas. Em Ritápolis, no Farm Xtreme Paintball, os jogadores brincam em um espaço de 3.000 m² que lembra uma fa-

zenda abandonada: árvores, quatro carros velhos, uma casa descuidada, trincheiras e pneus usados como obstáculos compõem o cenário. O esporte exige alguns cuidados, então todos os atiradores usam equipamentos de segurança como capacetes, óculos, pescoceiras e coletes para se protegerem dos adversários. O resende-costense Jonathan Resende visitou pela primeira vez uma arena de paintball: “Eu já havia visto o paintball em muitos filmes americanos e achava legal, mas nunca tive a oportunidade de jogar. Agora, que tem um campo na região, acho que o esporte vai ganhar visibilidade aqui. Já fui ao Farm Xtreme Paintball duas vezes e pretendo praticar mais, é um esporte que exige atenção e estratégia”. Além dos equipamentos, o empresário aconselha o uso de calça jeans e moletom às pessoas que se sentem intimidadas pela força dos tiros e também devido ao local, que é cercado por mato e pode provocar coceiras e arranhões. “O esporte ainda é muito pouco conhecido no Brasil, mas está crescendo a cada dia e o futuro é muito prometedor. Meus planos são sempre de crescimento, espero em breve colocar iluminação para jogos noturnos e futuramente um novo cenário no Farm Xtreme Paintball”, acrescenta Sandro Imbroisi. Ele mantém vínculos com o paintball há três anos e a ideia de montar uma arena na região era um sonho antigo. De acordo com o empresário, o campo mais próximo está localizado em Lavras. Imbroisi é dono de outro campo em Belo Horizonte, o Air Arena, considerado o único cenário inspirado em uma

favela de BH, com barracões e carros sucateados. Para se ter uma ideia do crescimento do esporte, Sandro conta que realiza em média 110 jogos por mês: “O campo Air Arena já tem uma estrutura mais organizada com espaço de eventos e festas e hoje é difícil arrumar horários para os fins de semana, sendo necessário um agendamento prévio devido ao grande movimento”. O campeonato mais importante de paintball acontece na Flórida, Estados Unidos. A PSP World Cup (Copa do Mundo de Paintball) reúne esportistas de todo o mundo e também expositores de produtos de paintball para uma feira que ocorre no local. No Brasil, um dos principais campeonatos é o Circuito Brasileiro de Paintball.

Jogador se esconde atrás de uma casa abandonada no Farm Xtreme Paintball

sabemos que na qualidade de clube profissional, o Cruzeiro irá estar atento, através dos seus observadores, no sentido de captar os jovens talentos”, disse o diretor, que também estuda educação física e muito se preocupa com a condição física dos seus alunos. Além do cotidiano trabalho realizado pela escolinha, que atualmente realiza seus treinamentos e jogos no ginásio Monsenhor Senhor Nelson, outro foco, a partir de agora, será a realização de eventos que atraiam jogadores profissionais do atual elenco do Cruzeiro para visitas à cidade e ao clube, motivando ainda mais a participação dos jovens atletas.

Polícia

Foto - Galaxy

A presença do Mascote Raposão agitou o evento que selou a parceria entre Galaxy e Cruzeiro

ANDRÉ EUSTÁQUIO

PM conta com mais três novos soldados em Resende Costa

O pelotão da Polícia Militar de Resende Costa recebeu, no dia 25 de maio último, três novos soldados, que integrarão o quadro agora composto por 19 militares. Os soldados Robson Michael de Lima, Vicente José Inácio da Silva Júnior e Michel Willian dos Santos foram apresentados à comunidade numa cerimônia pública realizada na Praça Coronel Souza Maia, no centro da cidade. A banda de música Santa Cecília, regida pelo maestro João Tomás, abriu as solenidades, executando o Hino de Resende Costa. Participaram do evento o tenente- coronel Alan Elias da Silva, comandante do 38º Batalhão de PM, o tenente Jackson Roberto Tóffoli, comandante do Pelotão da PM de Resende Costa, autoridades municipais, entre elas o prefeito municipal Adilson Avelino de Resende, alunos da Escola Municipal Conjurados Resende Costa, professores, além de diversos populares que foram até a praça recepcionar os soldados. Após a execução do Hino Nacional Brasileiro, o prefeito Adilson discursou dando boas-vindas aos soldados e destacou a presença da Polícia Militar em Resende Costa: “É importante termos

em nossa cidade um comando organizado da Polícia Militar, que está sempre dialogando com a comunidade e zelando pela ordem”. Os novos militares prestaram juramento diante do pelotão e em seguida foram cumprimentados pelas autoridades e pelos alunos presentes na praça. O tenente Tóffoli comentou a importância de receber novos militares no pelotão que está sob seu comando: “O nosso efetivo não é grande, mas com a chegada desses novos policiais a tendência é estarmos prestando melhor serviço e reforçando o efetivo das nossas viaturas”. Tóffoli informou que o objetivo a partir de agora é trabalhar com três policiais em cada viatura. “A gente vai ter um respaldo cada vez maior e quando tivermos que atuar, o faremos com mais força e rigor”. O comandante da PM de Resende Costa falou também sobre os planos de realizar operações policiais preventivas: “Com o maior número de policiais, faremos mais operações preventivas. Com isso, a gente pretende melhorar a segurança na cidade, tanto objetiva quanto subjetiva, diminuindo a quantidade de crimes e, consequentemente, melhorando a sensação de segurança da população”.

Os novos militares prestaram juramento e foram apresentados à comunidade na Praça Cel. Souza Maia


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