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Edicao 97

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ANO VIII Nº 97 - MAIO 2011 / RESENDE COSTA - MG

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O herói inconfidente José de Resende Costa, o pai, foi sepultado em Ouro Preto

No dia 21 de abril, feriado de Tiradentes, os restos mortais do inconfidente, José de Resende Costa, o pai, foram sepultados solenemente em Ouro Preto (MG), numa cerimônia na qual estiveram presentes a presidente Dilma Rousseff e o governador de Minas Antônio Anastasia. Página 06

Resende-costenses celebram a Semana Santa: Piedade e tradição se encontram nas ruas da cidade Entre os dias 17 e 25 de abril, boa parte da rotina da população resende-costense resumiu-se em visitar a igreja, acompanhar as procissões e participar das missas. Página 03

Cresce a exportação de turistas na região histórica das Vertentes

Sob os olhares da presidente Dilma e do governador Anastasia, os restos mortais dos inconfidentes foram sepultados no Panteão, em Ouro Preto

Cerca de 200 passageiros de São João del-Rei e outros municípios das Vertentes são embarcados por mês para diferentes destinos do Brasil e do exterior. Página 05


2 Jornal das Lajes Editorial José de Resende Costa e a Fazenda das Éguas

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Nesta edição o JL destaca duas reportagens, que revelam situações contraditórias sobre a história de Resende Costa. Uma apresenta todos os detalhes do sepultamento do inconfidente José de Resende Costa, o pai, em Ouro Preto, no dia 21 de abril. Um marco para a recuperação da história do movimento libertário denominado Inconfidência Mineira e, mais ainda, para Resende Costa, que enfim pôde conhecer o rosto do seu filho ilustre. Em contrapartida, uma matéria especial denuncia o ocaso da última fazenda remanescente do século 18 em Resende Costa. Ao mesmo tempo em que parabenizamos o trabalho feito pela equipe da Unicamp, coordenada pelo doutor Eduardo Daruge, que fez a reconstituição do rosto do inconfidente, lamentamos o descaso da sociedade resende-costense para com a histórica Fazenda das Éguas. Os restos mortais dos inconfidentes José de Resende Costa, o pai, Domingos Vidal Barbosa Lage e João Dias da Motta estavam no laboratório da Faculdade de Odontologia da Unicamp desde 1993 para exames detalhados que pudessem comprovar a identificação de cada ossada. Após longo período de minucioso estudo, no dia 21 de abril os três corpos puderam ser sepultados solenemente e devidamente reconhecidos no Panteão dos Inconfidentes. Sem dúvida alguma, um importante trabalho cujo legado é a preservação da história de Minas e do Brasil. Já a Fazenda das Éguas, infelizmente corre sério risco de desaparecer. Os problemas que afetam a construção, datada de 1747, se agravaram nos últimos meses, sobretudo o telhado. A reforma paliativa realizada pela Prefeitura Municipal, em 2009, não eliminou os riscos de desabamento, uma vez que o principal problema, o telhado, não foi reparado. Antes de se realizar o tombamento do Conjunto Paisagístico Fazenda das Éguas, em 2007, a justificativa do Poder Público de não investir no imóvel, que é particular, era o fato de o mesmo não ser tombado. Pois bem, uma das primeiras iniciativas do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural foi fazer o tombamento da fazenda para protegê-la de qualquer intervenção que pudesse descaracterizá-la, bem como possibilitar ao poder público investir na sua reforma. O tombamento municipal significa, entre outras coisas, que o poder público classificou a Fazenda das Éguas como bem material importante para a história do município, portanto, deve ser preservado. A comunidade resende-costense espera, então que o poder público abrace esta causa, envolvendo inclusive a própria comunidade. Lamentavelmente, nossa comunidade acostumou-se a depender sempre desse poder para a solução de todos os problemas, inclusive individuais. Além disso, é possível obter recursos para esta empreitada cultural, através de programas e projetos dos governos estadual e federal. Neste momento, tem-se a sensação de que as autoridades já estão resignadas com a situação, amparadas no argumento de que é muito difícil e dispendioso realizar uma ampla reforma na fazenda. Isso pode ser um fato. Entretanto, a urgência da situação exige, pelo menos, uma intervenção imediata para evitar o pior, ou seja, o desabamento da casa. Caso contrário, perderemos um dos últimos resquícios de nossa riqueza históricocultural, como já aconteceu com a Fazenda dos Campos Gerais, do nosso inconfidente. No dia 21 de abril de 2011, escrevemos um capítulo importante da história de Resende Costa, conhecendo o rosto do nosso conterrâneo ilustre. Neste mesmo ano, se nada for feito, poderemos perder uma página dessa mesma história, com as ruínas da Fazenda das Éguas. Queiram os anjos protetores da história e o bom senso das autoridades que isso não aconteça.

Jornal das Lajes Ltda

CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editor de Esporte: Geraldo Aires Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio

ANO VIII Nº 97 - MAIO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Voz do Cidadão

Esclarecimento para Voz do Cidadão “Trabalho na Secretaria Municipal de Transportes como auxiliar administrativo há quase cinco anos e todos me conhecem como Valdir. A respeito da mensagem enviada pela senhora. Marly Sirlene Pio, quero informar a todos que o relato feito por ela é improcedente. O que aconteceu foi o que relato abaixo. A Conselheira Tutelar senhora Jânia esteve na prefeitura solicitando um carro para buscar a senhora Marly e sua filha recém-nascida em São João del-Rei. No momento de sua solicitação, prontifiquei-me a fazer contato com um motorista que estava com uma Kombi em São João del-Rei naquela exata hora e que, portanto, poderia passar no hospital para pegá-la prontamente. A senhora Jânia prontamente me respondeu que para a senhora Marly não resolvia se fosse Kombi, pois teria de ser carro exclusivo para paciente. Eu não sabia da situação especial em que tinha se realizado o parto da senhora Marly. Então, respondi que para esses casos, a ambulância de-

veria ser acionada pelo hospital ou por ordem do encarregado de veículos no pátio e disse a ela para procurar esse encarregado, que estava no corredor ou no pátio da prefeitura. Depois disso, fiz o seguinte comentário com os motoristas que se encontravam no local no momento: “Antigamente as mulheres andavam de jipe e até a cavalo quando iam ganhar crianças, e agora uma Kombi não serve”. Depois disso, a senhora Jânia não procurou o chefe de transportes para solicitar a ambulância e a paciente Marly acabou vindo na kombi da Prefeitura. Expressei minha opinião sobre um fato histórico e verdadeiro, inegável, afinal estamos numa livre democracia, na qual temos liberdade de expressão, mas meu comentário foi distorcido de tal modo que a senhora Jânia deu à senhora Marly o recado de que era para ela vir no lombo de uma égua. Eu nunca falei isso, tampouco mandei recado. Em nenhum momento falei isso. Estou fazendo uso desse espaço para ex-

plicar exatamente o que aconteceu, e para também dizer que todos sabem do meu trabalho e de minha idoneidade. Sempre recebo bem qualquer pessoa que precisar de meus serviços. Mas daí a responsabilizar o viceprefeito e o prefeito por isso não acho certo. Nunca houve nenhuma conversa com o prefeito sobre esse assunto: o senhor prefeito nem tinha conhecimento disso. E o senhor vice-prefeito nem estava na sala quando aconteceu o fato. Houve somente o comentário supracitado, que foi apenas uma expressão de opinião. Em nenhum momento mandei recado para a paciente ou para seus familiares. Sempre atendi bem a todos que procuram a Secretaria de Transportes e sempre vou atender bem a quem precisar, para resolver quaisquer assuntos relacionados ao meu trabalho”. Valdir Evangelista Coelho Resende Costa (MG)

Atendimento na saúde municipal de Resende Costa “Estive na marcação de consultas, hoje, pela manhã, dia 20 de abril. O tempo estava fresco e fazia um pouco de frio. Fila! A moça atendente chegou às 08h09. Na Prefeitura é assim; no comércio, há pontualidade. Ouvi reclamações de que o ‘serviço’ está pior

do que o de antes. Imaginem só: o médico atende apenas dois dias por semana. Há dias determinados para marcar consultas. Os moradores da roça podem marcar por telefone: os da cidade têm que ir lá, pessoalmente. Não se justifica, pois, os pacientes antigos

devem ter um cadastro no sistema. Os de primeira vez, tudo bem. Está claro que o problema é de organização e gerenciamento”. Antonio Carlos M. Gonçalves Resende Costa (MG) Por e-mail

Informação “Por meio deste ofício, venho informar, através da coluna Voz do Cidadão, que a acusação feita pela senhora Marly Sirlene Pio não procede, tendo em vista que nunca houve nenhuma conversa da mesma com a minha pessoa sobre esse assunto. Nunca tomei conhecimento sobre tal assunto e nunca me envolvi

no mesmo. A senhora Marly, assim como qualquer cidadão resende-costense que precisar dos serviços públicos, foi e sempre será bem atendida na Prefeitura Municipal, para quaisquer assuntos que queira tratar. Agradecemos a atenção dispensada e nos dispomos para quaisquer esclareci-

mentos”. Atenciosamente, Adilson Avelino de Resende (Prefeito Municipal)

Para se corresponder com a redação do Jornal das Lajes: Os textos para a seção Voz do Cidadão deverão trazer a assinatura, o endereço, o número da cédula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Editor-Chefe, Jornal das Lajes. Endereço: Rua Assis Resende, 95, Centro – Resende Costa, MG. Tel. (32) 3354-1253. E-mail: contato@jornaldaslajes.com.br. Por motivos de espaço e clareza, o jornal se reserva no direito de editar as cartas, quando necessário. O conteúdo dos textos não é de responsabilidade editorial do Jornal das Lajes.

Errata Correção – Na reportagem “O time celestial do resende-costense Irami Coelho, na Paisagem do Lar” (edição de março/2011), o nome correto do pai de Irami é Aristóteles de Assis Coelho, e não Aristides como foi publicado. A propósito, Aristóteles foi homenageado recentemente com nome de rua em São João del-Rei, por iniciativa do vereador João da Marcação. Nascido em Resende Costa, Aristóteles teve doze filhos (entre eles Geraldo, Mozart e Naná), sendo um de criação. Correção – Na entrevista para o “Jogo Aberto” dada pelo gerente da Viação Presidente, Mauro Duarte (edição de abril/2011), onde se diz que as reuniões da Câmara Municipal de São João del-Rei ocorrem às sextas-feiras, a informação correta é: “As nossas reuniões são às terças-feiras das 16 às 19 horas”.


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 97 - MAIO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Um olhar sobre Resende Costa

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Cenas de uma Semana Santa mineira

Caminhadas penitenciais às sextas-feiras, vias-sacras internas na igreja Matriz e Visitação dos Passos, no terceiro domingo da quaresma. Foi seguindo essa programação que os fieis começaram a se preparar para as celebrações da Semana Santa em Resende Costa. Entre os dias 17 e 25 de abril, boa parte da rotina da população resende-costense resumiu-se em visitar a igreja, acompanhar as procissões e participar das missas. As celebrações da Semana Santa nas cidades históricas de Minas Gerais constituem um inigualável espetáculo de fé e cultura. Deve-se a isso a preservação das tradições litúrgicas e, sobretudo, paralitúrgicas (procissões), trazidas pelos portugueses e espanhóis. Em São João del-Rei, quase nada foi modificado ao longo dos séculos. E a sensação que se tem ao acompanhar as procissões nos becos históricos é a de que entramos no túnel do tempo. Voltamos aos séculos de domínio e poder das irmandades, da beleza dos motetos em latim e das imagens barrocas, da eloquência e grandiosidade dos sermões. Mas a Semana Santa vai além disto que hoje chamamos de tradição. Ela traz consigo algo genuíno, de mineiridade. Acompanhar a imagem do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores, ouvindo marchas fúnebres, alimenta a alma, desperta lembranças e aguça a espiritualidade. O ato de rememorar e meditar o sofrimento de Cristo no alto da cruz leva milhares de fieis à praça da cidade. Porém as pessoas não vão até lá com um senti-

Cena da cerimônia do descendimento da cruz, no adro da Matriz de Resende Costa

mento tétrico e sádico de ver uma cena brutal de tortura. Não. Olham para a cena do calvário estampando no rosto um semblante misto de piedade, culpa, perdão e espanto. A cada ano, os ritos desempenham uma função religiosa e pedagógica, ou seja, conclamam os fieis a refletirem sobre os dogmas de fé, da moral católica e, mais ainda, a reviverem os passos de Jesus rumo ao supremo sacrifício do calvário, em Jerusalém. A modernidade não oculta as tradições seculares. Para quem vive intensamente a mística religiosa, não existe tempo. Durante a Semana Santa, o tempo não passa. As ruas, onde diariamente transitam carros - palco de um contexto mundano e às vezes perverso - na Semana Santa se tornam santas. O buzinaço frenético e o ronco ensurdecedor dos motores dão lugar ao som das marchas fúnebres e das matracas e à voz dos sinos. As fofocas maliciosas nas esquinas perdem espaço para

Procissão do Encontro, na praça Mendes de Resende

o silêncio contemplativo. O caminhar alienado, descompromissado e descompassado do dia a dia se torna tranquilo, meditativo e compassado nas procissões. A cidade se transforma. Nas janelas e soleiras veem-se pessoas piedosas. Luzes opacas revelam a sombra de um oratório antigo lá no cantinho do quarto. A senhora piedosa desliza os dedos nas contas do terço e vê contritamente o Senhor dos Passos passar, paciente e resignado com sua missão redentora e misericordiosa. Na janela da casa debruça uma senhora ostentando um véu preto sobre a cabeça; as varandas acesas; a calçada caiada de branco; lampiões sombreando os becos por onde passam os andores; o perfume litúrgico do manjericão; braços estendidos suplicantes; vozes sussurrando preces antigas; confidências sinceras na penumbra do confessionário; o balanço do turíbulo levando aos céus névoas de incenso glorioso. É assim que o mineiro celebra a Semana Santa e revive o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Felizmente, nada muda, o tempo não passa. A criança que vive esse mistério, ainda no colo materno, amanhã talvez carregue aquele andor, pregue o tocante sermão do encontro de Jesus e Maria, ou toque o violino na bicentenária orquestra. Magia e realidade, cultura e espiritualidade, simplicidade e riqueza. É assim a Semana Santa mineira. Quem a conhece não a esquece, jamais. (Veja mais fotos em www.jornaldaslajes. com.br).

Voz do Cidadão

Esclarecimento

“Foi publicada no Jornal das Lajes, ano VII, Edição 95 - março de 2011, na seção Voz do Cidadão, uma carta intitulada “Mãe de gestante reclama de atitude de irmã do Hospital”, assinada pela senhora Maria Socorro de Paula, de Resende Costa (MG). Sobre o fato mencionado pela senhora Maria Socorro, esclareço o seguinte: O Hospital Nossa Senhora do Rosário não possui serviço de remoção, resgate ou transporte de pacientes. A responsabilidade de remoção de pacientes para outras unidades é do convênio do(a) paciente, quando pos-

sui, ou então da Secretaria Municipal de Saúde do seu município. E a Secretaria Municipal de Saúde de Resende Costa está se empenhando no máximo para fazer essa remoção sem maiores problemas. Hoje, com a implantação do SUS FACIL, os pacientes são transferidos de uma unidade para outra, dependendo de vagas disponíveis do SUS e especialidades. Diariamente é grande o número de pacientes transferidos em nosso município, principalmente do Hospital Nossa Senhora do Rosário para outros Hospitais, não é raro acontecer de três

a quatro transferências por dia. Como ficaria o atendimento dos pacientes se a cada vez o Hospital tivesse que dispor de um profissional da enfermagem, um médico ou outro profissional para acompanhar quem é transferido? Como ficaria o paciente internado? Sem assistência? E aí? A responsabilidade seria de quem?” Irmã Amélia Herold Diretora do Hospital Nossa Senhora do Rosário Resende Costa - MG

Contemplando as Palavras

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REGINA COELHO

A mentira Segundo a Wikipédia, há muitas explicações para o 1º de abril ter se transformado no “dia das mentiras” ou “dia dos bobos”. Uma delas diz que a brincadeira em que se transformou essa data surgiu na França. Desde o começo do século 16, o Ano Novo era festejado no dia 25 de março, data que marcava a chegada da primavera na Europa. As festas duravam uma semana e terminavam em 1º de abril. Em 1564, porém, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX determinou que o Ano Novo seria comemorado em 1º de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos para os resistentes ou convidá-los para festas que não existiam. No Brasil, o 1º de abril começou a ser difundido com a circulação do periódico “A Mentira”, que teve vida efêmera e foi lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. O jornal saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia... 1º de abril de 1850, dando como referência um local inexistente. Assim, de brincadeira em brincadeira, a tradição de pregar peças ou, nos termos de hoje, preparar pegadinhas aos mais distraídos, a data do dia da mentira se mantém ao longo dos anos. Entre tantas famosas, merece destaque uma em especial. O canal de televisão BBC apresentou em 1957 em seu programa “Panorama” uma reportagem falsa sobre árvores de espaguete. Acreditem ou não, mas consta que muitas pessoas interessaram-se em plantar esse tipo de árvore em suas propriedades. E tome história mentirosa, quando o assunto envolve aqueles conhecidíssimos casos de pescadores. Dizem, por exemplo, que jamais se deve perguntar o tamanho e o peso de um peixe a quem o pescou, pois corre-se o risco de ouvir um relato mentiroso e muito divertido. Essas pessoas, viajantes por natureza, são famosas por produzir histórias incríveis, isso porque as pescarias geram fatos inesperados e inusitados que costumam alimentar a imaginação do narrador. Na ficção literária, a questão da mentira é personificada através de Pinóquio, personagem criada pelo italiano Carlo Collodi em 1883 no romance “As aventuras de Pinóquio” e mais tarde levada às telas do cinema por Walt Disney. A história do boneco de madeira é exemplar. À medida que amadurece, ele vê o próprio nariz crescer com as mentiras e as orelhas tomarem o formato das de um burro depois que bebe e fuma, agora já chegando à adoles-

cência. Mais didático que isso, impossível. Na política, a mentira é uma prática comum. Há quem diga que os políticos mentem porque não conseguiriam ser eleitos dizendo somente a verdade, mostrando-se como são realmente. Alçados ao poder, quebram promessas, desculpam-se com novas mentiras e são até reeleitos. Há exceções, é claro, mas poucas. Em se tratando de tema tão vasto como o tratado na presente coluna, inúmeras considerações não caberiam aqui agora. Apenas com o propósito de espairecer o espírito, fui buscar uma relação de frases tidas como mentirosas, e em algum momento, na ponta da língua de muita gente. Confiram: Pode deixar que eu te ligo. Quinta-feira sem falta o seu carro vai estar pronto. Pague a minha parte, que depois eu acerto com você. Eu só bebo socialmente. Estou te vendendo isso a preço de custo. Você está cada vez mais jovem. Estou sem troco, leve um chiclete. Não vou contar pra ninguém. E há ainda aquelas frases bem típicas relacionadas a: advogado: esse processo é rápido. ambulante: qualquer coisa, volta aqui que a gente troca. anfitrião: já vai? Ainda é cedo! aniversariante: presente? Sua presença é o mais importante. bêbado: sei perfeitamente o que estou dizendo. corretor de imóveis: em seis meses, colocarão água, luz e telefone. dentista: não vai doer nada. desiludida: não quero mais saber de homem. devedor: amanhã, sem falta! encanador: é muita pressão que vem da rua. gerente de banco: trabalhamos com as taxas mais baixas do mercado. inimigo do morto: era um bom sujeito. mecânico: é o carburador (ou a correia dentada). muambeiro: tem garantia de fábrica. orador: apenas duas palavras. otimista: os últimos serão os primeiros. peixeiro: pode levar freguesa, está fresquinho. político: eu sempre trabalhei pelos pobres. vagabundo: há três anos que procuro trabalho, mas não acho nada. vendedor de sapato: depois alarga no pé. Finalizando, é preciso dizer o que os especialistas do comportamento humano afirmariam ser uma verdade: é difícil admitir, mas todo mundo mente, alguns compulsivamente, outros eventualmente, por necessidades variadas, muitos por puro descaramento. Estou mentindo?


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Jogo Aberto

POR: JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE / ANDRÉ EUSTÁQUIO

Assistência social ainda restrita ao Bolsa Família e projetos ligados ao programa

tem situações que a gente não tem como provar o contrário. E muitas vezes a gente acaba tendo que conceder esses benefícios... Agora, toda vez que conseguimos identificar algum tipo de irregularidade, interrompemos o benefício. Ou seja, lá atrás entraram pessoas que não faziam parte de regra alguma, de critério algum. Hoje, a gente trabalha muito para que só receba quem está dentro do critério. Existe uma regra dizendo quem pode e quem não pode receber. Muitas vezes eu posso até discordar dessa regra, eu posso achar que ela é apertada demais, eu posso considerar que existe família que está passando muitas dificuldades, mas não tem jeito, ela está fora da regra.

A assistente social Alessandra Guse trabalha há três anos na Prefeitura Municipal de Resende Costa. Formada pela PUC do Rio de Janeiro, em 2005, onde fez graduação em serviço social, Alessandra, 34 anos, natural de Niterói (RJ), recentemente fez pós-graduação em gestão de políticas públicas e assistência social. Nesta entrevista, ela faz um balanço do programa Bolsa Família e dos projetos desenvolvidos pela assistência social de Resende Costa, além de falar de novo programa a ser implantado.

Quais os programas e projetos desenvolvidos em Resende Costa na área social? O único programa implantado que temos é o Bolsa Família. O programa veio como uma forma de determinação, ou seja, quase todos os municípios do Brasil precisam executar o Bolsa Família porque ele é co-financiado pelos governos federal e estadual. Então, os municípios não têm escolha. Nós temos hoje em andamento no município o Programa de Atenção Integral à Família (PAIF). Ele tem o objetivo de atender à família de forma mais ampliada, de forma integral. Ou seja, se você me procura para pedir a cesta básica, o que aconteceu na sua história que fez com que você precisasse de uma cesta básica? Para isso, ele precisa trabalhar de forma ampliada e articulada com as outras políticas sociais, para que realmente uma família tenha a atenção integral. Isso precisa acontecer dentro de um equipamento. Não tem como isso acontecer sem uma equipe de trabalho, sem um lugar pra isso existir. Como está essa estrutura no município? A gente tem esse equipamento, o espaço físico construído. Ele se chama CRAS - Centro de Referência de Assistência Social - que tem o financiamento do governo federal. Esse financiamento já vem caindo na nossa conta há alguns meses, mas infelizmente ele não foi implantado porque ainda falta a equipe para a execução do programa. O meu trabalho tem a ver com o que a gente chama de Plantão Social, ou seja, dentro de uma prefeitura você garante que as emergências vão ser assistidas, mas você precisa ter o lugar onde a promoção dessas emergências vai ser sanada. Em algum momento, a emergência já foi atendida... E agora o que mais eu preciso? Aí é aonde o CRAS entra. O meu serviço na prefeitura, que é o Plantão Social, precisa acontecer juntinho com o que acontece lá dentro do CRAS, que é o PAIF... No município, já existe a lei que o criou e, no dia 19 de abril, nós tivemos a aprovação para a criação da equipe de atendimento para o funcionamento desse equipamento.

Como será composta a equipe do CRAS? Essa equipe no município vai ter dois assistentes sociais e um coordenador. O governo federal indica que a composição mínima de um CRAS seja composta por dois profissionais de nível superior, um coordenador e mais uma auxiliar administrativa. Infelizmente nesse momento a gente não vai poder ter uma auxiliar administrativa. Esses dois profissionais de nível superior podem ser o assistente social e o psicólogo. Por questões específicas do município, nós fizemos a escolha de termos dois assistentes sociais e um coordenador para a execução. Como está a contratação desse pessoal? Vai haver um processo seletivo, que ainda está em andamento. Qual é o prazo? Até o dia 30 de maio a gente precisa ter a execução concreta do CRAS; ou seja, o CRAS precisa provar que está atendendo às famílias do município, senão todo financiamento que veio do governo federal terá que ser devolvido, porque nós temos um acúmulo (de recursos) de novembro até aqui que pode ser usado dentro das ações do PAIF e do CRAS. Você pode acumular e executar isso nas ações que a população demandar, mas, se até 30 de maio não houver uma ação concreta, tudo que tem aqui vai ter que ser devolvido. Existem projetos que estão sendo desenvolvidos no município? Nós temos hoje projetos vinculados ao Bolsa Família, porque o PAIF ainda não existe. Nós temos o projeto Arte por toda parte, em parceria com a Companhia Teatral Manicômicos. Através do teatro, o instrutor especificamente trabalha habilidades com o menino em situação de vulnerabilidade social. Ele não só trabalha

a questão da técnica teatral, mas as formas de comunicação, comportamento, ou seja, habilidades de forma a ampliar. Ele está sendo desenvolvido também na zona rural? Também na zona rural, na comunidade do Curralinho dos Paula, onde um indivíduo, especificamente o Preto, nos procurou e contribuiu para que montássemos o projeto lá. Atualmente, a equipe da assistência social se resume a duas pessoas: a assistente social e a coordenadora. Ou seja, não existe mão de obra suficiente para ampliar esse projeto, embora seja necessário. Então, a gente precisa articular parcerias... Quais são os outros projetos? Temos hoje dentro da Assistência Social a parceria com a escolinha de futebol Galaxy. Através da concessão do espaço do ginásio (Poliesportivo Monsenhor Nelson), dez por cento das matrículas foram concedidas para a Assistência Social. Aí nós nos articulamos com a Escola Conjurados e selecionamos aqueles meninos não só os que não podem pagar, mas os meninos que precisam estar ali, seja pela questão de aprender regras do que pode e do que não pode, seja pelas situações de risco mesmo... A escolinha de futebol não tem financiamento do Bolsa Família, mas a gente dá alguma prioridade a esse público. Hoje, nós temos mais dois projetos financiados com o apoio do IGD (Índice de Gestão Descentralizada), um recurso mensal repassado pelo governo federal para as ações complementares do programa Bolsa Família. Quais são? Um deles é a coleta seletiva. Na hora de convidar a família a vir fazer parte do programa, sem

dúvida a gente dá prioridade quase que exclusiva aos que recebem os benefícios do programa, porque o projeto é uma forma de gerar trabalho e renda. Se a Assistência Social tem a ver com concessão, mas também com promoção, isto é, como sair dessa situação, a coleta seletiva é um projeto que muito concretamente visa à saída dessa população dos critérios de recebimento do programa. Se o projeto continuar crescendo, se a renda continuar melhorando, vai chegar o dia em que eles não vão mais receber nem Bolsa Família nem cesta básica e nem mais irão ficar dependente do poder público. Eles vão poder se tornar autônomos... E o outro projeto? No ano passado, a gente desenvolveu tanto no bairro Nova Resende quanto no Nova Brasília umas oficinas de artesanato. Não o artesanato vinculado a tear, mas artesanatos que na região são valorizados. A ideia é aproveitar o turista que vem ao município para comprar o nosso artesanato, para ele ter novas possibilidades, novas ofertas de produtos. No dia 3 de maio, iniciamos no bairro Nova Resende a oferta da oficina de pintura em madeira, também com financiamento e articulado com o programa Bolsa Família. Qual é o balanço do Bolsa Família em Resende Costa? Em julho, eu completo três anos na prefeitura de Resende Costa. E entre as minhas primeiras entrevistas e as entrevistas que eu faço atualmente existem populações que mudaram. Existe um público que hoje claramente está fora do critério, que está fora do perfil, e não mais recebe o benefício. Só que infelizmente ainda temos uma população que omite dados ou mente para ser beneficiada. Infelizmente, exis-

Quantas famílias existem hoje no cadastro? Eu não saberia dizer esse número especificamente, mas a gente tem um número de famílias cadastradas e existe um número de famílias beneficiadas. Nem todas que estão cadastradas estão recebendo, uma vez que o município pode ter essa margem. Só que eu considero que temos um número ainda muito maior de famílias recebendo do que famílias realmente dentro do critério para recebimento. Existem ainda famílias que omitiram ou mentiram sobre algum dado, alguma situação para serem beneficiadas. Como é feita a fiscalização? Hoje, toda família que vai solicitar o benefício passa pelo meu estudo sócio-econômico, pela minha avaliação. E aí eu emito um parecer negativo ou favorável. É lógico que meu parecer negativo não é porque eu acho que essa pessoa tem uma casa muito bonita, tem móveis muito legais. Não é a partir disso que eu dou um parecer negativo. Existe uma portaria do governo federal dizendo que uma família que tem determinado bem, se ela tem recurso para possuir o bem, ela não precisa receber Bolsa Família... Por exemplo, uma família que pode ter um eletrodoméstico muito caro, por que ela não investiu este recurso no seu alimento, na melhoria de coisas básicas ao invés de investir no eletrodoméstico? Então, é uma coisa que não combina. O Bolsa Família em Resende Costa está sendo bem articulado? Não. Ele ainda é singelo e precisa evoluir. Ainda temos um quantitativo de famílias muito grande fora do perfil recebendo o benefício do programa. Ou seja, precisa haver maior dedicação ao programa (a íntegra da entrevista está no site www.jornaldaslajes.com.br).


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Regional

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Pesquisa vai comparar cidade italiana e a mineira São João del-Rei A organização do espaço urbano, na ação direcionada ao combate dos medos urbanos, é o tema de pesquisa que está sendo desenvolvida pelo sociólogo italiano Daniele Veratti, em colaboração com o Programa de Pós-Gradução em Geografia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUCMinas). Uma das partes da pesquisa busca comparar a situação (relação espaço urbano/ medo e segurança real e percebida) entre duas cidades médias: Novara (Itália) e São João del-Rei (Brasil). Veratti é mestre em Criminologia Aplicada pela Universidade de Bolonha, com especialização em Criminologia e Psiquiatria Forense pela Universidade da República de

San Marino. Atualmente, é doutorando em Planejamento Territorial e Políticas Públicas do Território pelo Instituto Universitário de Arquitetura de Veneza (IUAV), da Itália, onde trabalha com políticas de segurança urbana. A ideia do sociólogo italiano é fazer a comparação entre duas cidades médias com características urbanas (e sociais) semelhantes (pelo menos em parte), que não tenham problemas de criminalidade e de degradação particularmente elevados. Daí a escolha da cidade mineira São João del-Rei e da italiana Novara, cujas características são semelhantes. Entre os fatores

considerados, estão a dimensão da cidade, características da população, nível de riqueza, posição geográfica, atividades principais (comércio, indústria e turismo) e taxas de criminalidade não-elevadas. Veratti fez, recentemente, uma visita a São João del-Rei, que durou pouco tempo, o que ele considerou “uma pena”. “Eu estava com muito pouco tempo porque viajei ao Brasil para um congresso em Belo Horizonte e estava desenvolvendo outros trabalhos por lá”. A expectativa do sociólogo italiano é terminar a parte principal do trabalho no inicio do próximo ano.

Passageiros protestam contra troca de ônibus da UTIL no feriadão O terminal rodoviário do Tietê, na capital paulista, estava um caos na noite de 20 de abril, véspera do feriadão. Uma multidão aglomerada nas plataformas aguardava pacientemente em pé, durante horas, pelo embarque. Não bastasse o cansaço da espera, o risco do inesperado. Por volta de 23h30, encostou na plataforma 49 um ônibus da empresa Renalita, sem qualquer anúncio sobre horário e destino. Até que a informação começou a circular. Era o ônibus contratado pela UTIL para fazer o trajeto São Paulo-Barbacena, passando por São João del-Rei, no horário das

22h45. A partir desse momento, começou o inferno dos passageiros da UTIL, entre eles este repórter. Os protestos foram ganhando corpo porque, a cada 15 minutos (que duravam uma eternidade por causa dos atrasos), encostava um ônibus da Renalita para cumprir o mesmo roteiro da UTIL. A irritação dos passageiros, principalmente de São João del-Rei, Resende Costa e outros municípios da região, não se limitava simplesmente à troca dos carros. Ocorre que a UTIL vendeu passagens mais caras (R$ 96,06 para São João del-Rei)

para os horários extras sob a denominação de “ônibus executivo”. No momento do embarque, porém, foram oferecidos aos passageiros ônibus de qualidade bem inferior, inclusive aos próprios veículos das linhas regulares da UTIL. Os passageiros da UTIL, que viajaram de São Paulo para a região das Vertentes, protestaram porque compraram um serviço e receberam outro. Foram ludibriados duas vezes: pela venda de passagens executivas para ônibus comuns como também pela omissão de informação sobre a troca dos carros. Um verdadeiro desrespeito ao consumidor.

Ônibus auxiliar oferecido aos passageiros da Útil, no feriado de 21 de abril

Cresce na região das Vertentes procura por pacotes turísticos no país e no exterior Cerca de 200 passageiros de São João del-Rei e de outros municípios das Vertentes embarcam, por mês, para diferentes destinos do Brasil e do exterior pela agência Tiradentes Viagens e Turismo, que atua há 11 anos na região. “Só no mês de janeiro nós embarcamos em média entre 300 e 400 passageiros”, conta o consultor em turismo Jocelino Benedito Marques. A maior parte dos clientes é de São João del-Rei, mas as cidades em volta estão procurando cada vez mais. “Nós tivemos um grande crescimento de Resende Costa, Prados, Conceição da Barra, Barroso etc”. A maioria dessas pessoas optam por pacotes turísticos, mas há aqueles que viajam a negócio, diz Marques. “Entram na agência e compram a sua passagem aérea.” O nordeste é o destino mais procurado pelos mineiros. “O mineiro sempre procura praia. Quando chega dezembro, que é temporada de verão, os passageiros procuram de Porto Seguro (BA) a Fortaleza (CE), o nosso público se divide nesses destinos”. Mas a agência oferece também pacotes em julho, que é alta temporada, para o sul do Brasil. “As serras gaúchas são o destino que a gente vende nesse período”. Também tem aumentado a procura para o exterior, revela o consultor. “A Europa ficou muito próxima em termos de valores. Um resort (hotel com ótima oferta de lazer e infra-estrutura para temporadas), hoje no Brasil, já se equipara a um pacote para a Europa. As passagens aéreas também. O câmbio está ajudando muito”. São pacotes de cerca de 15 dias, principalmente os passageiros que vão pela primeira vez, o que dá para conhecer pelo menos cinco a seis países, mais ou menos em torno de 15 a 20 cidades. “Isso já dá uma visão muito boa da Europa. Normalmente, esses circuitos começam em Lisboa e vão terminar em Londres, passando por cinco a seis países. E, óbvio, a principal cidade do roteiro é Paris, é a procura de todo mundo”. Além da Europa, os Estados Unidos são bastante procurados, principalmente Nova York e, no período de julho e dezembro, a Disney tem vendido bastante para um público mais jovem, conta Marques. A procura pela América do Sul também é constante. “A venda da América do Sul praticamente quase acompanha a venda do nacional. Hoje Buenos Aires e Chile são dois destinos mais procurados durante o ano todo.” Perfil - Todo dia a agência Tiradentes recebe cliente novo. E há aqueles clientes que todo ano procuram novos destinos, revela o consutor. “Nós temos na agência hoje cerca de 40% do nosso público que está viajando pela primeira vez, incluindo o pessoal de São João del-Rei e da região”. Os demais são turistas que querem descobrir o nordeste todo, explica Marques. “Então, a cada ano, ele se programa para um destino novo, sempre no nordeste. E temos os clientes que bus-

cam as viagens internacionais. É aquele que já conheceu Buenos Aires, que já conheceu o Chile e agora quer fazer um voo mais longo. Ou aquele que quer ir à Europa, quer ir aos Estados Unidos”. Vários clientes da agência também se programam para todo ano buscar um destino novo, porque é muito cansativo fazer toda a Europa de uma vez só, diz Marques. “Nesses 11 anos, nós criamos uma clientela bastante fiel, e ela tem buscado cada ano um destino novo para a Europa. Então, hoje, ele faz uma parte da Europa; o leste europeu, por exemplo, é um dos destinos que a pessoa separa para fazer em outra oportunidade”. Outros fazem Europa, mas deixam Portugal para uma viagem exclusiva, conta Marques, “porque é um país no qual vale a pena você ficar dez ou doze dias, mais pela proximidade consanguínea. Acho que a pessoa não quer só conhecer, ela quer ter uma convivência a mais com o pessoal de Portugal”. Existem também os turistas que aproveitam os feriados prolongados para viagens mais curtas, como Buenos Aires, na Argentina. “Temos clientes que programam duas, três viagens por ano, justamente pelas facilidades. Hoje, ir a Buenos Aires está mais barato, às vezes, do que comprar uma passagem aérea para o nordeste. Você faz hoje Buenos Aires por R$ 1.200, com cinco noites. E isso é constante, são destinos que você pode fazer num feriado prolongado. Realmente, os feriados prolongados facilitam muito esses destinos mais próximos, como Buenos Aires e Santiago”. Outra modalidade são as viagens de negócios, em geral solicitadas pelas próprias empresas. “São empresas que às vezes têm negócios em São Paulo e Rio. Isso traz um volume muito grande de passagens. Às vezes também alguns eventos que há nas grandes capitais – todo mês há uma feira, um show. Então, as empresas procuram passagens aéreas para participar desses eventos.” O crescimento “extraordinário” na procura por viagens deve-se principalmente às compras antecipadas e à facilidade do pagamento, diz Marques. “As pessoas que viajaram na alta temporada – dezembro, janeiro, fevereiro e até o carnaval – são pessoas que fizeram bons negócios, com compras feitas a partir de agosto e setembro, no máximo outubro, do ano passado”. Ele conta que já vendeu, a partir de janeiro, os cruzeiros para 2012. Um cruzeiro para Buenos Aires, comprado com antecedência, sai na faixa de R$ 1.700 a cabine para um casal. Mas, se o cliente deixar para comprar na alta temporada, vai encontrar apenas as categorias mais altas que chegam a custar R$ 4.000. “É uma diferença muito grande”. Também a partir de janeiro a agência Tiradentes já fez vários negócios para a Europa, com saídas até julho (mais informações no site www. jornaldaslajes.com.br).


6 Jornal das Lajes

História

ANO VIII Nº 97 - MAIO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO

Resende Costa homenageia seu herói inconfidente José de Resende Costa, o pai

O 21 de abril deste ano foi “um feriado de Tiradentes” muito especial para o povo resende-costense. Foi o dia em que, finalmente, pudemos ter em Minas Gerais e na histórica Ouro Preto os restos mortais do nosso inconfidente capitão José de Resende Costa (1730?1798). Juntamente com os restos mortais do Resende Costa, vieram também os restos de mais dois inconfidentes: o do doutor Domingos Vidal de Barbosa Lage (1761-1793) e o do fazendeiro João Dias da Mota (1743-1793). As três urnas foram colocadas sob uma mesma lápide de pedra no Museu da Inconfidência. Na verdade, depois do trabalho de identificação dos restos mortais do nosso inconfidente, nosso desejo maior seria trazê-los para Resende Costa. Entretanto, dada a importância da antiga Vila Rica e de seu papel no movimento da conjuração, era natural que todos os restos mortais fossem lá alocados. Além disso, os restos mortais de outros 13 já descansavam lá há muitos anos. O evento do traslado dos restos mortais dos três inconfidentes foi uma marca especial do 21 de abril de 2011, dando um brilho adicional e maior às

tradicionais comemorações anuais em Ouro Preto. Efetivamente, coube à Presidente da República, Dilma Roussef, ao Governador de Minas, Antônio Anastasia e ao Prefeito de Ouro Preto, Ângelo Osvaldo de Araújo Santos, a honra de depositarem as três urnas no Panteão da Inconfidência. Entretanto, deve-se ressaltar que a presença de Resende Costa foi marcante no evento. O nosso prefeito, Adilson Avelino de Resende, teve o descortino de articular as providências necessárias para participação nas cerimônias, comparecendo em Ouro Preto à frente de um significativo número de resendecostenses: Maria Judite Resende, sua esposa, João de Paiva Filho, o Bita, vice-prefeito, os membros de sua equipe administrativa, Adriano Aparecido Magalhães, João Batista de Andrade Reis, Arlindo Resende, Ronildo da Paixão Magalhães; os cinco representantes da Câmara Municipal, Luiz Cláudio dos Reis (presidente) e Cleiton Afonso dos Santos (vice) e os vereadores Juvenal Tiago da Silva, Fábio Roberto Ferreira e José Roberto de Sousa; além desses, estiveram presentes os membros da Associação dos Amigos da Cultura de

Parte do grupo de resende-costenses que participaram do evento em Ouro Preto

Resende Costa (AMIRCO) Hamilton Ezequiel de Resende, José Alair de Resende, Elaine Amélia Martins, Francisco Eduardo Pinto e Rosalvo Gonçalves Pinto e o líder comunitário da região da Floresta, José Campos de Resende. A comitiva de Resende Costa foi bem prestigiada em Ouro Preto, sendo o prefeito Adilson um dos poucos a terem assento no palanque no qual estavam os que seriam agraciados com a Medalha da Inconfidência, bem ao lado da mesa principal, presidida pela presidente Dilma. Além disso, os resende-costenses foram simpaticamente acolhidos pelo diretor do Museu da Inconfidência, o doutor Rui Mourão e por sua eficiente assessora, Cláudia Regina Clock. A tal ponto que, excepcionalmente, após as cerimônias, o doutor Rui abriu o museu e o acesso ao Panteão da Inconfidência, em sua companhia e na companhia do Presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), do Ministério da Cultura, José Nascimento Júnior, exclusivamente para um grupo mais reduzido de resende-costenses. Informou-nos ainda o doutor Rui que, entre os eventuais descendentes ou interessados em homenagear os três inconfidentes, apenas os de Resende Costa se fizerem presentes, tanto nos contactos anteriores à preparação do evento como no dia de sua realização. Afinal, graças à sorte e à técnica, nosso inconfidente é hoje o único rosto visível ao Brasil entre os demais inconfidentes. Parabéns a Resende Costa! E agora, o prefeito Adilson está de olho em uma grande homenagem a ser prestada ao Resende Costa no próximo ano, por ocasião do centenário da cidade. E para isso, já temos um rosto! Ao mesmo tempo, começamos uma nova batalha: a de tentar localizar os restos mortais do José de Resende Costa, o Filho (Arraial da Lage, 1765 – Rio de Janeiro, 1841).

O verso e o controverso

JOÃO MAGALHÃES

Reforma eleitoral: a utopia (I) Na votação do novo salário mínimo, no Senado, a oposição marcou presença, como devia, propondo melhorias, mesmo sabendo de sua ineficácia, pois, a proposta do governo, com possibilidade de alguma concessão, já estava homologada pela maioria que a presidente Dilma tem no Congresso. Neste dia, ouvi na TV um comentário que nunca se viu - nos períodos democráticos da nação - um presidente da república com um poder tal como o da presidente Dilma, garantido por esta maioria. É o momento preciso de se fazer a reforma eleitoral, tão falada, sonhada, almejada, acho, até pelos eleitores “tiririca”. Tudo depende da presidente. Se quiser e se empenhar, virá. Mas... sempre o mas!... É propósito desta coluna, na medida do possível, opinar sobre as traves mestras de propostas e projetos que já começam a borbulhar, esperando que nossos leitores façam o mesmo. Publico aqui minha opinião, melhor dizendo, minha utopia, sonho que nunca será tópico, nunca será realidade, para que o leitor, também, imagine a sua. Reforma eleitoral, creio, só se faz, ou por ato ditatorial - e não conheço, com este processo, uma que fosse democrática - ou por pressão da nação. Nesse segundo caso, o problema é romper o círculo vicioso. Explico a utopia. Uma reforma eleitoral, decente, democrática, moralizadora, teria chance de acontecer, se houvesse a convocação de uma assembléia constituinte, só para debatê-la e votá-la, como se fez na Constituição de 1988. Condições: o constituinte, eleito por voto livre, aprovada a reforma, voltaria para casa e não poderia ser candidato a cargos eletivos públicos, tais como presidente da república, governador, prefeito, se-

nador, deputado e vereador, no mínimo por duas legislaturas, ou por 10 anos, por aí. Não poderia assumir também, por esse período, nenhum cargo público de livre escolha, ou de confiança, como queira. Os estados da federação teriam direito a um número de constituintes para a reforma, proporcional ao número de eleitores. Fixado o número de representantes, haveria duas eleições. A primeira, para os candidatos a candidato. Qualquer cidadão com direitos políticos poderia se candidatar. Os cidadãos que obtivessem o número de votos, fixados por regulamento, formariam o plantel, ou a lista dos candidatos para a segunda eleição. Nesta, sim, os eleitores escolheriam, em cada estado, seus constituintes para a reforma eleitoral. Esta segunda eleição seria com financiamento público, com democratização de campanha, com garantia de iguais oportunidades etc. E nada de partidos. Falei acima de utopia e círculo vicioso. Por quê? Porque uma proposta como esta ou algo semelhante, para se criar em lei, precisa transitar pelo Congresso. Você acha que quem está devorando as frutas e hortaliças promoverá uma reforma que poderá fechar para ele as entradas do quintal? Ouvi uma opinião do ex-presidente Lula que uma boa reforma eleitoral só se daria mediante uma constituinte, eleita a propósito. Nada fez para isto, talvez descrendo, como eu, que o congresso aprovasse qualquer coisa desse teor. Agora, com o poder que tem, tomara que a presidente Dilma force alguma coisa mais consistente, mais estrutural, porque, pelos projetos que estão nascendo, tudo “ficará como antes no quartel do Abrantes”, se não ficar pior. É o que penso. E você?

José de Resende Costa (o pai) é o primeiro inconfidente a ter a face revelada A identificação das ossadas de três inconfidentes exigiu anos de estudos e uma parceria entre história e ciência. Com o trabalho de especialistas da Unicamp, o Museu da Inconfidência – que desde 1980 realizava pesquisas históricas sobre o caso – pode revelar, no dia 15 de abril, o primeiro rosto de um inconfidente: o rosto José de Resende Costa. Em 24 de junho de 1792, Domingos Vidal Barbosa (1761-1793), João Dias da Mota (1744-1793) e José de Resende Costa (1728-1798) foram exilados para Portugal depois da execução de Tiradentes. De Lisboa, Resende Costa foi enviado para Cabo Verde e depois para Guiné Portuguesa, onde morrera e fora sepultado em uma cova rasa na Vila do Cachéu junto dos dois outros inconfidentes. Os três fo-

ram exumados em 2 de novembro de 1932 e só puderam ser encontrados porque uma índia chamada Micaela, 80, havia herdado de família as coordenadas geográficas da cova. Mesmo com a criação do Panteão da Inconfidência em 1942, onde foram sepultados 13 inconfidentes repatriados por ordem de Getúlio Vargas, as ossadas dos degredados exumados em Cachéu permaneceram no arquivo do Itamaraty, o que aumentou as dúvidas dos historiadores sobre a identidade dos mortos. Em Ouro Preto, o material ficou guardado em uma igreja até que, em junho de 1993, o diretor do Museu da Inconfidência, Rui Mourão, para não eternizar a dúvida, procurou os pesquisadores da Unicamp. Depois de quase 20 anos, o professor Eduardo Daruge, que chefiou

ELAINE A. MARTINS

a equipe da Unicamp, apresentou o resultados da pesquisa. No início da pesquisa, amostras de sangue de descendentes de Resende Costa coletadas, mas, dada a idade dos ossos, não foi possível a identificação por meio do DNA. As peças foram, então, submetidas a exames de densitometria óssea, método que mede a densidade dos ossos para indicar a idade. O resultado coincidiu com a faixa etária de cada inconfidente. Ao morrer, Resende Costa tinha cerca de 70 anos, enquanto Mota, 50 e Barbosa, 31. Apenas uma das ossadas tinha pedaços de um crânio e era a do mais velho. Os 140 fragmentos foram reunidos e completados com cera branca para remontagem. A tomografia computadorizada 3D foi enviada ao University College, de Londres, onde foi feita a

Reconstituição da face de José de Resende Costa, aos 45 anos de idade

reconstrução facial de José de Resende Costa com idade entre 45 anos e 50 anos. A imagem foi comparada à face de um trineto dele, e percebeuse a coincidência de vários caracteres

fisionômicos, como tipo facial, forma e disposição da porção nasal, forma e disposição das regiões orbiculares, forma e disposição da região inferior da face e outras características.


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 97 - MAIO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO

Sábado de Aleluia ‘sertanejo’ na Churrascaria Ramona

Na Churrascaria Ramona, a noite do Sábado de Aleluia foi marcada pelas apresentações sertanejas do grupo “Uai Garotos” e da dupla “Wallace e Weydner”. O estabelecimento, considerado um dos maiores da Região do Campo das Vertentes, também contou com grande público e a animação se estendeu até altas horas.

FOTOS: LUARA RAMONA

Banda Uai Garotos

Família curte o Sábado de Aleluia

Juliana e Bráulio

Dupla sertaneja Wallace e Weydner

Danceteria Kaessy lota no Sábado de Aleluia O Sábado de Aleluia passado ferveu na danceteria Kaessy, em Resende Costa. A grande quantidade de pessoas, tanto no ambiente interno quanto no externo, foi o que mais chamou a atenção. A festa foi agitada por oito DJs durante toda a noite. Além disso, os baladeiros puderam curtir dois shows de qualidade com as Bandas “Namoradêra” e “Ousadia”.

Amanda e Jéssica

Cláudio, Fernando e Nelson

Luara e Diego

Tati e Tiago

Flávio, Átila, Gilson e Paulo

Jonathan, Juninho e Flávio

Elisângela e Thiago

Visitantes curtiram a festa na Kaessy

Tati e Taís

Paula e Jonas

Juninho e Raquel

Outro destaque resendecostense em 2011

No início de fevereiro de 2011, o engenheiro mecânico Leandro José da Silva foi aprovado no processo seletivo de doutorado do programa de pós-graduação em engenharia de produção da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), área de produção e logística. Leandro se especializará em processos avançados de manufatura. Leandro iniciou seus estudos na Universidade Federal de São João delRei (UFSJ), onde concluiu a graduação em engenharia industrial mecânica em 2008. No início de 2009 ingressou no mestrado em engenharia mecânica do programa de pós-graduação em engenharia mecânica da

UFSJ, na área de concentração em materiais e processos de fabricação. Atuando na linha de pesquisa “Simulação de propriedades dos materiais”, Leandro defendeu, no último dia 25 de março, sua dissertação de mestrado intitulada “Estudo experimental e numérico das propriedades mecânicas de compósitos poliméricos laminados com fibras vegetais”. Concomitantemente com o doutoramento na UFMG, o engenheiro é atualmente tutor de educação à distância no projeto TIC’s (fomento ao uso das tecnologias de comunicação e informação nos cursos de graduação) do Núcleo de Ensino à Distância (NEAD), da UFSJ.


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Tiros que viriam na manhã da escola sem manhã Essa noite custou a amanhecer. Noite funda, abismo lodoso e sem eco. Meu sono foi atormentado várias vezes por espasmos estranhos que contraíam as minhas veias. Ao longo do meu corpo, uma quentura sem febre... um suor sem sal... uma nudez sem pele. Madrugada alta. Comecei a ouvir sons que se sobrepunham numa confusão trágica. Eram gritos confusos e gemidos de dor que tentavam inventar uma lua negra no meu quarto minguante e só. Mais um silêncio. E me afoguei nele. De novo, aqueles sons. Gritos vindos de não sei onde... prantos confusos e desesperados... Minha cama me vomitava. O ar estava escasso. Corri para a varanda. E essa manhã que não chega. Olhei para o céu e as estrelas eram pontos vermelhos na íris preta dos olhos da insanidade. As estrelas eram respingos de sangue. O que foi isso? Juro que ouvi umas explosões secas e rápidas. Tiros? Silêncio curto. E vieram prantos terríveis chegando de uma sala de aula onde somente cadáveres respondiam à chamada. Uma dor me cortou a palavra. Meus espasmos foram se transformando em convulsões. Aos poucos, meus olhos deixaram fluir, lágrima por lágrima, um luto de mar que perde a praia, de onda que perde

o mar. Noite que custa a amanhecer. Gritos desesperados de quem corre sem direção... meu Deus, pais abraçados a filhos que gotejam sangue... a vida revirada pela reviravolta do absurdo... a morte fazendo festa alucinada, dona do baile macabro, rodopiando e dançando sozinha a feia canção do inferno. Olhei para o lamento da noite. Numa cegueira de Édipo às avessas, ainda pude enxergar algumas luzes que subiam para céu. Vi uma menina vestida de bailarina... um menino com roupa de futebol... outra menina, vestida de princesa... mais outra menina, essa toda de branco... Eram muitos, eram doze. E a noite não amanhece. Não amanhece para que amanhã não tenha mais alarido de criança alegre. Para que amanhã não tenha mais correria de filho que encanta os pais. Para que amanhã seja um pesadelo que jamais se transforma em ontem. Meu pranto parou e fui para o infinito. Invadi a escrita e costurei uma crônica. Fiz dela um aviãozinho de papel e mandei para o céu, em busca dos doze anjos que subiam... nenhum deles com a asa quebrada. Minha crônica não voltou. Não sei se um deles a apanhou. Não sei se ela caiu no chão ensanguentado de uma escola vazia. Não sei se ela caiu na frente dos olhos marejados de alguém que perdeu para sempre.

__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

ANO VIII Nº 97 - MAIO

DE

2011 / RESENDE COSTA - MG

Patrimônio

ANDRÉ EUSTÁQUIO

A bicentenária Fazenda das Éguas corre sério risco de desabar A última fazenda remanescente do século 18 em Resende Costa, mais do que nunca, corre risco iminente de desabar. A Fazenda das Éguas, erguida por Bento Gonçalves em 1747 onde hoje está localizado o povoado do Ribeirão de Santo Antônio, há 23 quilômetros da cidade, está condenada a desaparecer, ficando somente na memória dos seus proprietários e registrada nas diversas páginas que o JL lhe dedicou, ao longo de oitos anos de publicação. O Jornal das Lajes sempre defendeu a reforma da Fazenda das Éguas, dada a importância da propriedade para a preservação da memória do município de Resende Costa. Além do aspecto histórico e das características arquitetônicas que envolvem o casarão bicentenário, em suas reportagens o jornal chamou a atenção para a caótica situação em que se encontra o imóvel. Atualmente, o estado de conservação do telhado é, no entanto, o que mais preocupa os engenheiros que avaliaram o imóvel (ver entrevista com o engenheiro civil da Prefeitura Municipal de Resende Costa, Leandro Kloser). Em dezembro de 2009, a Prefeitura Municipal realizou uma reforma em alguns cômodos da casa, especialmente nos quartos onde as rachaduras praticamente separavam as paredes e serviam até mesmo como passagem para os gatos, que circulavam livremente entre um cômodo e outro, conforme demonstrado no JL em outras reportagens. Além da operação tapa buracos, alguns cômodos também

receberam pintura nova. “Tamparam as rachaduras, rebocaram e pintaram alguns quartos, mas o principal não fizeram, que era arrumar o telhado, que está caindo”, reclama Maria Margarida Maia, esposa do proprietário da fazenda, Romeu Maia. No dia 12 de abril último, o JL visitou novamente a Fazenda das Éguas e lá encontrou uma situação ainda mais preocupante. Diversos caibros do telhado estão quebrados e o forro da casa já está exposto. Muitas telhas caíram e a cumeeira (peça principal do telhado) também se encontra parcialmente exposta ao tempo. Além dos problemas no telhado, os fundos da casa, onde ainda se se podem ver paredes, assoalho e janelas originais, aos poucos vão sucumbindo às ações do tempo. “Olha só essa parede aqui, as trincas já estão grandes e com certeza vão atingir o quarto que foi reformado”, mostra, preocupada, Margarida. Pouca coisa sobrou do grandioso conjunto que compunha a sede da Fazenda das Éguas, construída numa área de aproximadamente 1.000 alqueires de terra. Hoje essa área está muito reduzida, restringindo-se a praticamente o entorno da sede. Da antiga cozinha, toda edificada em pedra, sobraram apenas as ruínas. O cômodo usado para prender e castigar escravos, com janela reforçada por balaustres de madeira de lei, está caindo. Em vários pontos da casa percebem-se sinais de goteira, que, segundo Margarida, continua sendo o problema mais grave. “O Romeu tenta fazer o que está ao

nosso alcance para conter as goteiras. Até sabugo para segurar as telhas ele coloca”, disse Margarida, que frisa a situação preocupante: “Com as chuvas do início do ano, as goteiras aumentaram no quarto e no corredor, o que me preocupa muito, pois há 15 dias, percebi que várias telhas estão quebradas e os caibros também”. Tombamento – O Conjunto Paisagístico Fazenda das Éguas foi tombado no dia 30 de outubro de 2007 através do decreto municipal nº 82, e lavrado no livro de tombo no dia cinco de novembro do mesmo ano. Os proprietários, Romeu e Margarida, conscientes da importância histórica da fazenda e da situação caótica em que a propriedade se encontra, não se opuseram ao tombamento, pelo contrário, apoiaram todas as ações desenvolvidas pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural e Prefeitura Municipal. Porém, após várias promessas de reformas, Margarida se diz cansada de cobrar do Poder Público ações que vão pelo menos garantir que a Fazenda das Éguas não desapareça, como outrora aconteceu com a Fazenda dos Campos Gerais (propriedade de José de Resende Costa, o pai) e a Fazenda da Lage, ambas erguidas no século 18. “A prefeitura disse que ia voltar para continuar a reforma, mas já se passou um ano e eles não voltaram. Peço que eles tomem providência, pois é a última vez que falo em Fazenda das Éguas. Se não tomarem providência, a fazenda vai cair”, desabafou Margarida.

“A Fazenda das Éguas encontra-se em estado crítico, sendo possível o seu desabamento” O engenheiro civil da Prefeitura Municipal de Resende Costa, Leandro Kloser, avaliou a sede da Fazenda das Éguas e constatou o “estado crítico”, em que se encontra o casarão construído em 1747. Enquanto engenheiro da prefeitura, você avaliou a sede da Fazenda das Éguas. O que pode dizer sobre essa avaliação? Trata-se de uma avaliação apoiada nos meus conhecimentos de engenharia. Para uma avaliação completa, seria necessário o diagnóstico de um engenheiro e de um arquiteto.

Buraco formado no lado esquerdo do telhado

De acordo com sua avaliação, quais são os problemas mais graves? Eles colocam a casa em risco de desabamento? A Fazenda das Éguas encontra-se em estado crítico, sendo possível o seu desabamento. A sua estrutura encontra-se seriamente comprometida e algumas peças do telhado em estado de ruína. O que, no momento, poderia ser feito para minimizar esses problemas? Ao alcance do poder público, nada. Podese sugerir que a família que ali habita mude de moradia. Qual é a intervenção ideal para recuperar a sede da fazenda? Seria uma obra muito cara e difícil, do ponto de vista da

Engenheiro Leandro Kloser

engenharia? O problema surge exatamente aí: não existe estrutura (vigas e pilares) na casa. Ela está sustentada por uma vigota em madeira que se encontra acima das paredes, onde começa o telhado. Para qualquer reforma na Fazenda das Éguas, seja na alvenaria, ou no telhado, seria necessário um sistema de escoramento em estrutura metálica (a atual estrutura não aguentaria um escoramento em madeira e o escoramento em alvenaria descaracterizaria a construção). Do ponto de vista da engenharia, seria uma obra difícil e, acima de tudo, com um preço muito elevado, sendo necessária a contratação de uma empresa especializada para efetuar tal reforma. Você percebeu se ao longo dos anos a casa foi descaracterizada? Isso está influenciando para a situação em que se encontra, ou seja, dificultaria o trabalho de restauração? Possivelmente, com o passar dos anos, a casa foi sendo descaracterizada. Intempéries contribuem para isso e consequentemente dificultam o trabalho de restauração. Tecnicamente, quais os riscos de se fazer uma intervenção lá? Vale a pena? Todo e qualquer bem tombado

pelo patrimônio cultural deverá ser preservado. Significa para nós uma identidade, que será passada para futuras gerações. Em 2009, a prefeitura realizou uma reforma na casa. O que foi feito interferiu na estrutura da casa? Em 2009 a Prefeitura Municipal de Resende Costa realizou uma reforma no valor aproximado de R$30.000,00, justamente para amenizar o efeito de descaracterização do bem tombado. Foi realizada a recuperação do assoalho, escorado por vigas dentro do porão; restauração de esquadrias (portas e janelas) e o tratamento de trincas e rachaduras, com acabamento em adobe e pintura das áreas afetadas. Tratam-se, portanto, de medidas paliativas, mas medidas possíveis de serem executadas. Para que possamos fazer mais do que isso, precisa-se de um investimento muito alto. Vale ressaltar que, naquela oportunidade, a maioria das empresas que visitaram o local para concorrer a licitação, ficou assustada com o estado da construção e algumas desistiram de participar do processo licitatório. (A.E.)


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 97 - MAIO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

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AMIRCO

Com o lançamento da Coleção Lageana e seus dois primeiros livros, Amirco inicia as comemorações dos 99 anos de Resende Costa Resgatar a memória histórica e cultural do antigo Arraial da Lage e região, promover a recuperação e preservação de acervos e instigar pesquisas são alguns dos objetivos da Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO), materializados na sua “Coleção Legeana” a ser lançada nos próximos dias. Com fomento do Fundo Estadual de Cultura (FEC 2009), a coleção editorial nasce com seus dois primeiros livros no próximo 28 de maio, marcando o início das comemorações do 2 de junho, quando a cidade completa 99 anos. O primeiro volume da coleção é a reedição fac-similar da primeira obra histórica e de referência sobre o município de Resende Costa,

o Livro de Pallidas Reminiscencias da Antiga Lage - hoje - Villa de Rezende Costa, publicada em 1920 por José Augusto Rezende, à época diretor do recém-criado Grupo Escolar Assis Rezende e impressa na Typographia Commercial, em São João del-Rei. O exemplar original do livro pertence ao acervo da Biblioteca Pública Municipal e já havia sido restaurado pela AMIRCO que também decidiu divulgá-lo. O segundo livro é a coletânea Um olhar sobre Resende Costa, que reúne parte do acervo do JL, criado em 2003 por um grupo de estudantes. Trata-se da publicação de um considerável número de matérias, reportagens, artigos, ensaios, crônicas e poemas que recuperam a história, a memó-

ria e as tradições culturais do município, compreendendo textos de 40 colaboradores os mais variados, em termos de formação e idade. A AMIRCO já se empenhou em outras atividades da área de recuperação de acervos, a exemplo da idealização, elaboração e consultoria do projeto “Restauração de Obras Raras da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto”, apresentado ao FEC 2007 pela Prefeitura Municipal. A Coleção Lageana, no entanto, é um projeto que, coordenado pelos professores Elaine Martins e Rosalvo Pinto, busca preencher uma grande lacuna sobre o registro da produção historiográfica e cultural do município. Ela será, também, uma contribuição da entidade para

o setor turístico, já que vários visitantes poderão encontrar nos livros informações sobre a história, as tradições e os costumes da cidade que integra os circuitos Trilha dos Inconfidentes e Estrada Real. A coleção, que terá continuidade com a publicação de outras obras, tem um Conselho Editorial formado por 12 membros, dentre professores e pesquisadores vinculados a instituições municipais e federais de ensino e pesquisa, como a Escola Municipal Paula Assis, UFSJ, UFOP, UFMG, UFF e CEFET-MG. Os coordenadores esperam que a Lageana se constitua em um incentivo a produções literárias e pesquisas, além de instrumento de preservação e registro da memória histórica e cultural e

Economia & Negócios

de educação patrimonial. O lançamento da Coleção Lageana e de seus dois primeiros livros acontecerá em 28 de maio, sábado, às 20 horas, na Biblioteca Pública Municipal Antônio Gonçalves Pinto, situada no Mirante das Lajes, em Resende Costa. Os dois livros serão vendidos juntos a um preço módico e os recursos obtidos serão utilizados para custear parte do projeto, fruto do trabalho voluntário dos seus coordenadores. Elaine Amélia Martins Diretora de Comunicação Social Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa AMIRCO EMANUELLE RIBEIRO

Expectativas indicam aumento no preço da gasolina

As bombas de combustível acusam o aumento nos preços da gasolina comum e do etanol. Em Resende Costa, o litro da gasolina custava em janeiro de 2011 R$ 2,68, já no início de maio, atingiu a média de R$ 3,09. Até o fechamento desta edição, o empresário resende-costense Murton Júnior não tinha nenhuma informação sobre os preços da gasolina, pois, segundo ele, a escassez de combustível e principalmente de álcool anidro (presente em 25% da gasolina) na empresa fornecedora, não permitiu uma análise. No Posto Vianini, em São Tiago, o frentista frisa a instabilidade dos valores e informa o preço do litro da gasolina: média de R$ 3,28 entre os dias 27 de abril e dois de maio. Em São João del-Rei, no Posto Atlas, localizado no bairro Tejuco, o funcionário Carlos Silva afirma que a tendência é de que agora o preço caia. No estabelecimento a gasolina custava no início de maio, em média, R$ 3,08. Segundo alguns taxistas, esses aumentos em curtos espaços de tempo dificultam a vida de todos, uma vez que os reajustes são cobrados dos clientes. “Nós taxistas, que rodamos acima da média, nos sentimos ainda mais prejudicados, porque não queremos aumentar os preços das viagens, mas infelizmente isso é consequência, não encontramos outra saída”, afirma Antônio Ribeiro. Nos dois últimos meses o etanol estava mais caro do que a gasolina em praticamente todo o país: em nenhum posto brasileiro, o preço do etanol estava competitivo com o da gasolina comum, o

que explica o fato de os proprietários de carro flex mostrarem preferência pela gasolina neste período. Nesse tempo, mesmo estando mais caro, os preços do etanol se mantiveram estáveis: cerca de R$ 2,60 em Resende Costa e de R$ 2,59 em São João del-Rei. Isso significa que a preferência pela gasolina será maior. “O etanol tem rendimento inferior ao da gasolina, então para ser vantajoso usálo em carros flex, ele deve custar no máximo 70% do valor cobrado pela gasolina comum”, comenta o taxista Ribeiro. Os altos preços do etanol (combustível menos poluente) decorreram de uma conjunção de fatores, como entressafra da canade-açúcar prolongada e alta dos preços do açúcar no mercado internacional, além da falta de estoque regulador. Quer dizer, o intervalo entre as colheitas da cana, agravado por quebra de safra, reduz a oferta da matéria-prima, levando à menor produção de etanol, com aumento nos preços. Além disso, os elevados preços internacionais do açúcar estimulam as usinas a converterem mais cana nessa commodity. De exportador de etanol, o Brasil tornou-se importador dos Estados Unidos: em março passado os Estados Unidos chegaram a exportar cerca de 150 milhões de litros de etanol para o Brasil. Essas importações devem continuar até que se normalize a oferta do produto, o que só deve ocorrer ao longo de maio: “A questão da entressafra da cana-de-açúcar e a necessidade das importações são os fatores responsáveis pelo aumento do etanol,

mas a expectativa é que o preço caia quando as usinas começarem a moer a safra 2011 e com a chegada dos combustíveis dessa temporada”, afirma Murton Júnior. O economista José Venâncio de Resende explica que mesmo com a antecipação da colheita da cana por pressão do governo, visando a reduzir os preços do etanol nas bombas de combustível, não se deve ter expectativa de queda acentuada no preço se a demanda continuar aquecida. Segundo ele, com a redução do preço na bomba, o motorista do carro flex tende a voltar para o etanol, aumentando a pressão sobre os preços deste produto: “O fato é que o Brasil consome cada vez mais álcool, enquanto a oferta continua limitada, exigindo mais investimentos na capacidade de produção”, conclui. Por sua vez, o preço da gasolina continua “congelado” na Petrobrás, apesar do aumento nas distribuidoras e nos postos, pela maior demanda e pelo impacto dos preços do álcool anidro. O Brasil produz um tipo de petróleo (“pesado”) que é exportado, pois o país não tem refinaria adequada para processá-lo e importa outro tipo de petróleo (“leve”), que é processado aqui para produzir diesel, gasolina e outros derivados. Com a necessidade de importar também gasolina, os dólares das exportações não cobrem os custos das importações, acentuando o rombo da balança comercial do setor petrolífero. “Do ponto de vista econômico, é melhor usar os preços internacionais como parâmetro para os preços internos, porque elimina o artificialismo. Até porque, para

combater a inflação, existem outros mecanismos”, acrescenta Venâncio. Nos países mais desenvolvidos, os preços flutuam: sobem ou caem de acordo com o mercado internacional. É lógico que estamos longe disso, mas é preciso manter preços reais no mercado até para não inibir o uso do álcool, um produto menos poluidor, e ao mesmo tempo garantir lucratividade à Petrobrás para investir na produção. Com a economia brasileira crescendo em ritmo acima do seu potencial, a demanda por combustíveis permanecerá aquecida e o Brasil deve continuar importando gasolina, já que a capacidade de produção das refinarias está no limite. A Venezuela é um dos principais fornecedores: no último mês, importamos cerca de dois milhões de barris de gasolina de nossos vizinhos. A Petrobrás ainda afirma que existem fortes possibilidades de ocorrerem novas importações. Murton Júnior explica que as

informações repassadas a ele indicam que a Petrobrás não está conseguindo suprir a demanda pela gasolina em todo o país: “Eu não compro diretamente da Petrobrás. O que acontece agora é que a Petrobrás diminuiu cerca de 40% as vendas para as distribuidoras, afetando o país inteiro, pois ela tem que segurar também o combustível para os postos credenciados BR, assim a oferta diminui”. Com essa dificuldade e a necessidade de mais importações, parece que o preço da gasolina comum se manterá alto: “O preço da gasolina deve continuar alto por algum tempo devido à importação do combustível pela Petrobrás, ainda mais que os preços do barril no exterior estão instáveis, mas acredito que o preço do álcool volte a cair em maio, sendo mais viável sua utilização em carros flex”, completa o empresário. (Veja em www.jornaldaslajes.com.br a tabela de preços da gasolina nos postos de combustível).

No Posto São José, o preço do etanol se manteve estável em Abril. Já o preço da gasolina, como na maioria dos postos, sofreu alterações


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Causos & Cousas

ROSALVO PINTO

Contrastes de uma noite de abril O dia da mentira já ficara pra trás, naquele sábado, dois de abril. Parecia uma noite de verdades, com o frio já começando a subir lajes acima. Ao volante do meu bravo fusquinha, dei uma volta pelas ruas. Sentia um frêmito diferente, algo inusitado, com carros subindo e descendo pela espinha dorsal da cidade. Inexplicavelmente, a avenida estava vazia: um ou outro transeunte procurando algum lugar. Também achei meu esconderijo: minha casa, sozinho com meu computador. Pelas onze, deu-me vontade de procurar alguma coisa para comer. Lá por cima, tudo fechado. Desci. O bar da Maura lotado, com um show qualquer. Sem parar, carros desciam ou viravam à direita. O bar do Toru, ali na esquina do Zé Padeiro, me pareceu estar cheio. Cheguei, curioso, até o Espaço C&M: aquele mar de carros. Tentei um sanduíche no “Point” ou uma omelete na Gracinha: tudo fechado. Espichei até a churrascaria Ramona: rua entulhada de carros, gente borbulhando, entrando e saindo, fila para comprar ingresso. Alguém me informou que era o show do “Uai Garotos”. Resignado, voltei com minha fome. Alguns metros adiante, uma luz acesa e, na porta aberta, braços cruzados e apreciando o vai-e-vem dos carros, o Wanderlei do “Metade é do dono”. Pensei comigo mesmo: se uma metade é dele, a outra pode ser minha. E entrei. Olhando para todos os lados do pequeno bar, nada vi de comível. Decepcionado, pedi uma pinga e ousei perguntar, sem esperança, por um tira-gosto. “Tenho carne de porco na gordura, de boi, de frango e linguiça”. Cresci o estômago e a curiosidade de saber o que poderia ser aquilo. Resolu-

to, “sai uma carne de porco. Ah, uma malzbier também”. E começou um bom bate-papo. Inicialmente, sobre os bares de Resende Costa. O Wanderlei garantia que havia uns 50, incluindo os da zona rural. Contamos e recontamos e chegamos à conclusão de que era mais ou menos aquilo. E continuamos fazendo uma conta curiosa. Ele vende, em média, 12 engradados de cerveja por semana (288 garrafas), ou seja, 1.152 por mês, o que, multiplicado por R$ 3,50, dá um total de R$ 4.032,00. Isso significa que, nos 50 bares, os resende-costenses estariam bebendo mensalmente R$ 201.600,00. Acreditem se quiserem! Quase meia noite. Carros, rapazes e mocinhas (de sainhas curtinhas e decotes generosos) descendo sem parar. Entraram dois caras, tomaram duas gelosas e saíram. Enquanto crescia a expectativa pela “carne de porco na gordura”, entrou no bar o Hélio [Augusto Campos]. O Wanderlei proseava, ajeitava o som, telefonava, entrava e saía da cozinha. Entrou no papo o Hélio, 61 anos, 25 anos morando em Resende Costa, nascido em Barroso. Nunca tinha tido a oportunidade de prosear com ele. Casado com dona Augusta Maria Campos, duas filhas, Eliane e Franciane e um menino, o Felipe da Cesarea (assim, sem acento). De repente, volta o Wanderlei da cozinha com um prato feito, caprichado, cheirando de longe: arroz, fubá “suado”, almeirão e a carne de porco cozida e frita. Agora foi meu olho que cresceu. E baixei nele. Acompanhavam o prato a pinga, a cerveja e uma garapa gelada. Foi quando o Wanderlei voltou novamente à cozinha, agora trazendo um violão, que passou ao Hélio. Como todo artista, ele regateia um pouco, afina e começa cantando “Meus tempos de criança” (ou “sau-

dades da professorinha”), do Ataulfo Alves. Depois veio “Cidadão”, de Zé Ramalho, que me fez lembrar do Adoniran Barbosa. Jantar musical, que beleza! Só faltavam as velas. De vez em quando eu largava o garfo e cantava também. Não sabia o que era melhor: se a carne de porco na gordura, a “marvada” ou a música do Hélio. Para culminar, veio a “Noite de estrelas”, aquela do Dilermando Reis. Prato, bebida e músicas. De repente, ali naquele recanto, eu me sentia um privilegiado. Soube depois que o show do “Uai Garotos” foi sensacional, que a festa no C&M foi muito animada, idem no Bar da Maura. Mas, naquela noite, eu não trocaria o “Metade é do dono” por nada. Nada de dificuldade de estacionamento, filas, ingressos, barulho, conversa alta, espera por garçon, divisão de contas etc. Nada. Era pura curtição! Já era de madrugada quando acabaram o prato e o show do Hélio, que o fechou com “Cruz pesada”, do Trio Parada Dura. Verdade: parecia que toda Resende Costa estava na Maura, no Toru, no C&M e na churrascaria. Contrastando, eu, o Hélio e o Wanderlei da Costa Resende no “Metade é do dono”. Ah, ia me esquecendo, a minha metade custou apenas 10 reais. Falamos da liberdade e da beleza de estar ali, casualmente, naquela hora, naquela noite de 2 de abril, com aquela carninha de porco, tudo isso ao som daquela “música sentimental”, como definiu o violonista. E o Wanderley pôs o ponto final: “O que Deus dá pra gente, a gente não consegue captar”. Valeu Wanderlei, e até o próximo “carne de porco de gordura com fubá suado”. E que volte o Hélio com seu violão.

Crônicas do Cotidiano

Meu compadre Barreto, Tentei e tentei. Procurei por metáforas, metonímias, perífrases, sinestesias, elipses, pleonasmos, polissíndetos, anacolutos, silepses, onomatopéias, antíteses, apóstrofes, eufemismos, gradações, hipérboles, paradoxos, ironias, personificações, neologismos, sinônimos, antônimos, parônimos, homônimos... Qualquer “figura” através ou atrás da qual eu pudesse esconder meu ignóbil escrito, ou que lhe desse algum significado especial. Nada! Apelei. Apelei! Em transe acerbo gritei “Oh! Os Ambulacros das holo-

Cultura

IRIS lança documentário produzido em Resende Costa O projeto Cine Mirante exibiu no domingo, 17 de abril, na Biblioteca Municipal, o documentário Zezinho Fidel – O Palhaço do Circo Cabeção. O Filme foi produzido em Resende Costa durante o Carnaval 2011, por iniciativa da ONG ambiental e cultural Instituto Rio Santo Antônio (IRIS). O Cine Clube Mirante é financiado pelo projeto Cine Mais Cultura, do governo federal, e pretende democratizar o acesso ao audiovisual no interior do país. A filmagem e a exibição de Zezinho Fidel contemplam um dos objetivos do Cine Mais Cultura: fomentar a produção local e não comercial de conteúdos cinematográficos. O documentário traz registros do Bloco Cabeção 2011, intercalados por causos, reminiscências e relatos de José Ramos (o Zezinho do Célio), carnavalesco homenageado pelo Bloco. A figura do palhaço Zezinho representada no filme é capaz de provocar risos e divertimento. Mas José Ramos, o catador de resíduos e produtor de húmus, proporciona também reflexões relevantes de cunho ambiental, social e cultural. O sósia de Fidel Castro, a exemplo do comandante cubano, demonstra desenvoltura com as palavras e transmite suas mensagens com toda naturalidade durante as entrevistas do filme. Segundo Mariana Fernandes, documentarista são-tiaguense responsável pela produção do filme, a linguagem cinematográfica pode ser um meio de resgate, preser-

vação e valorização da cultura e do folclore local. Ela conta que o documentário foi filmado em um curto espaço de tempo, durante a concentração do Bloco Cabeção, mas que a desenvoltura de Zezinho contribuiu muito para a elaboração de um material de qualidade. “O Zezinho é uma figura única. Por um lado, exemplo de desprendimento, de autenticidade. Por outro, exemplo de comprometimento com a questão ambiental. Espero que os resende-costenses gostem do nosso trabalho. Será ótimo se tivermos a oportunidade de participar de outros projetos do IRIS”, afirmou Mariana. Emerson Gonzaga, Diretor de Comunicação do IRIS, espera que o filme seja a primeira de muitas produções organizadas pela ONG. Ele conta que, além de documentar o Bloco Cabeção 2011 e contemplar a figura folclórica de Zezinho, o filme funciona como um projeto experimental. “O documentário sobre o Zezinho é como o primeiro passo de um projeto mais ambicioso. Nosso movimento pretende utilizar a linguagem do audiovisual para semear a consciência ecológica e valorizar a cultura local. O IRIS já está planejando, por exemplo, a filmagem de um documentário sobre o Rio Santo Antônio, em seus vários aspectos: físico, cultural, folclórico”, explicou Emerson. O documentário Zezinho Fidel – O palhaço do Circo Cabeção deverá ser reexibido em data e local a serem divulgados pelo IRIS.

RAFAEL CHAVES

No beleléu

túrias”, venham a mim!”. Mas espírito de escritor vivo (graças a Deus!) mal tem tempo de cuidar do corpo onde encarna. “Oh! Camões, Guimarães, Vinícius, Andrade, Pessoa, venham a mim!” Os dos mortos? Nem se deram ao trabalho; tinham mais o que fazer e melhores em quem investir. Nada! Resignei-me. Melhor continuar a escrever chorrilhos de bobagens (pax-vobis) no Jornal das Lajes, sem compromisso, sem estresse, cada mês. Que mais posso almejar que falar com cavalos e ser amigo do Guiminha, lá no Beleléu? É tudo que posso (graças a ti) e já é demais! Mas a cavalo dado não se olha os dentes, num é? Então toma! Toma este

aqui, este redigido de agradecimento. Toma este reconhecimento, embora debilitado de aguamento, faltando dentes de revelho, prógnata dos que sobraram, orelhas acabanadas e bambas, bussolando uma a norte outra a sul, vezes uma a leste e outra a oeste, belfo, cego de um olho, cabeça de martelo, pescoço cangado, dorso selado, garupa com lordose, ancas caídas, acampado de diante, joelhos e jarretes cambaios... Contudo (ou sem tudo) é dado de coração! Bom, “cumpadi”, é isso aí: obrigado!. Abraços,

Cerca de 35 pessoas prestigiaram o lançamento do filme

Carta a Antônio Barreto Antônio Barreto é escritor de vocação e competência, meu compadre, autor de NO BELELÉU, que merece ser lido e discutido, e no qual fez especial referência a mim.


Jornal das Lajes

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Saúde

EMANUELLE RIBEIRO

Dois casos de dengue são confirmados em Resende Costa

A dengue voltou a incomodar a população resende-costense em 2011: dois casos da doença foram confirmados na cidade. O número de focos ainda representa um fator de risco para a comunidade, que precisa tomar maiores cuidados. Além disso, de acordo com o chefe da divisão de epidemiologia, Ronildo Magalhães, este ano Resende Costa passou a ser considerada uma área infestada devido à quantidade significativa de focos do mosquito aedes aegypti. Conforme informação do Departamento de Epidemiologia, em 2010 outro caso havia sido notificado em Resende Costa (a doença foi adquirida em Belo Horizonte – caso importado), mas esses são os primeiros casos autóctones (transmitidos na própria cidade). Eles foram confirmados através de investigação e após os exames sorológicos apresentarem resultado positivo. O Hospital Nossa Senhora do Rosário não tem nenhuma informação sobre o fato (provavelmente, os pacientes foram tratados em São João del-Rei). Segundo Magalhães, assim que recebeu notificação, o Departamento iniciou os trabalhos no local de contaminação: bairros Nossa Senhora da Penha e Centro. Ronildo conta que os trabalhos foram realizados no período do dia 11 a 15 de abril nos quarteirões dos dois bairros. Participaram das atividades os supervisores de endemias da Gerência Regional de Saúde

(GRS) de São João del-Rei, agentes epidemiológicos e agentes comunitários de saúde do PSF de Resende Costa. O trabalho acima mencionado é chamado de bloqueio de transmissão de dengue e só é desenvolvido como última medida. Nesse caso, são aplicados inseticidas (usados apenas para combater o mosquito adulto) nos imóveis do quarteirão onde ocorreu o caso e na imediação. “É importante lembrar que a aplicação do inseticida acontece de forma responsável e não traz nenhum perigo ao ambiente, pessoas e animais”, informa Ronildo. Ele explica ainda que no momento só existem meios para combater as larvas e os adultos do aedes aegypti, assim cabe à população contribuir para o controle do vetor: “Não existe tratamento para o ovo e nem para a pupa do aedes. A comunidade deve ficar atenta a uma coisa: se houver ovos em um recipiente com água e a pessoa jogar essa água fora e limpar o recipiente, os ovos podem sobreviver até 450 dias no local seco e depois que esse recipiente receber água novamente, os ovos voltam à atividade”. Para se ter uma ideia, somente em 2010 foram encontrados 26 focos em Resende Costa, dez deles no bairro Nossa Senhora da Penha e três no Centro. Em 2011, até o mês de abril foram encontrados quatro focos, sendo um deles em ponto estratégico (local vulnerável à introdu-

Foto e situação do mês Duas fotos registram a presença incômoda do reservatório da COPASA no principal ponto turístico de Resende Costa, o Mirante das Lajes de Cima. No dia 30 de abril, sábado, no fim do luau organizado pelo Movimento Arena Cultural (MAC), uma manifestação foi feita em prol da retirada da caixa d’água da CO-

PASA. A manifestação foi feita pelos integrantes do MAC. Um pano preto foi afixado no reservatório, num ato simbólico de protesto. O pano passou todo o domingo envolvendo a caixa d’água, mas foi retirado na manhã de segunda-feira, 2 de abril. A outra foto registra uma situa-

ção do vetor), no caso uma oficina mecânica. “Terminamos o primeiro levantamento de índice amostral em 10% dos imóveis no mês passado e este mês já iniciamos o segundo levantamento. No momento, o departamento conta com o trabalho de quatro agentes”, explica o chefe da divisão. Os pontos estratégicos são visitados pelos agentes a cada 15 dias e, quando necessário, tratados mensalmente. “No ano passado, nós trabalhávamos com armadilhas e fazíamos vistorias frequentemente, mas esse ano, em que a cidade foi classificada como área infestada, mantemos apenas os pontos estratégicos, que são seis no momento”, acrescenta Magalhães. O primeiro sintoma da dengue é a febre alta, que pode ser seguida de dor de cabeça e dor nos olhos, fraqueza, vômito e manchas vermelhas na pele. Se alguém apresentar dois ou mais desses sintomas deve procurar uma Unidade de Saúde. É melhor prevenir do que remediar: mantenha lugares que podem armazenar água sempre limpos e tampados, guarde recipientes sempre com a boca virada para baixo, elimine água acumulada em plantas, livre-se de pneus velhos entregando-os aos agentes de limpeza pública, tome cuidados necessários com o lixo e fique atento a esses fatores na vizinhança, entre outras medidas.

FOTOS: FERNANDO CHAVES ção problemática, ou seja, o despejo de água tratada nas lajes que, além de ser um desperdício e um mau exemplo constantes, ainda mancha a pedra com uma cor ferrugem desagradável e forma um lodo que põe em risco quem transita por lá. Até quando o reservatório vai permanecer no Mirante das Lajes?

Música

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RENATO RUAS PINTO

Uma noite inesquecível Creio que é um tanto difícil para uma pessoa, em um determinado momento, ter a exata dimensão do contexto histórico no qual está inserida. Certas passagens só têm a sua grandeza compreendida quando olhadas com o devido distanciamento de que a história precisa. Os cineastas Renato Terra e Ricardo Calil buscaram com seu filme “Uma noite em 67” justamente compreender a importância do que aconteceu na noite da final do III Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record em 1967 e o que aquela noite significaria para a MPB e para o rock brasileiro. Alguns aspectos chamam a atenção para aquele evento. Primeiro, a tensão do momento, pois o Brasil já se encontrava há três anos sob uma ditadura e essa tensão se manifestaria no comportamento da platéia. O público, aparentemente mais engajado política e ideologicamente, tomava partido a favor ou contra os intérpretes de forma radical e alternava aplausos vigorosos e vaias homéricas. É nítida a apreensão dos intérpretes antes de suas performances e, quando sentiam que haviam ganhado o público, logo se via o alívio nos rostos, como aconteceu com de Edu Lobo e Marília Medalha em “Ponteio”, a grande vencedora da noite. Roberto Carlos não se abalou com as vaias e ficou com o 5º lugar com “Maria, Carnaval e Cinzas”. Sérgio Ricardo anunciou ironicamente que estava rebatizando sua música de “Beto Bom de Bola” para “Beto Bom de Vaia”, tal era o clima. Logo depois, porém, ele sucumbiu: interrompeu a sua apresentação, quebrou o seu violão e o atirou na platéia, que o vaiava sem dó nem piedade. O segundo destaque é a quantidade de talentos reunidos: Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano, Edu Lobo, Elis Regina, Jair Rodrigues, Roberto Carlos e incontáveis músicos de calibre nos grupos de apoio como Os Mutantes, o MPB-4 e o Quarteto Novo integrado por Heraldo do Monte, Hermeto Pascoal, Theo de Barros e Airto Moreira. Mesmo com um nível tão alto, surpreende saber que uma canção antológica como “Roda Viva” de Chico Buarque ficou em terceiro lugar, mas, de fato, as duas primeiras realmente mereceram os dois primeiros lugares: a campeã “Ponteio” e

“Domingo no Parque”, do Gil. Era um momento raro de pura genialidade em efervescência, comparável a festivais como o de Woodstock ou o de Isle of Wight, que conseguiram reunir em um só local vários ícones de um determinado estilo. O terceiro aspecto, talvez o mais importante, teria sido a transformação que estava acontecendo com a MPB naquele momento. Ela começava a incorporar elementos vindos de fora, em especial o rock. A “invasão estrangeira” sofreu oposição por parte dos músicos, culminando com uma inusitada passeata contra a guitarra elétrica, símbolo do “invasor”. Curiosamente, Gilberto Gil participou da passeata, mas se rendeu ao novo e contou como banda de apoio Os Mutantes, psicodelicamente paramentados e eletricamente equipados. Acabou faturando o segundo lugar. Igualmente eletrificado estava Caetano Veloso – esse, sim, havia se recusado a participar da passeata – com sua “Alegria, Alegria” que ficou em quarto lugar. Nesse momento se lançava a tropicália e a música brasileira se abria para o mundo. Como definiu depois Gil, “era a fusão de Beatles com Luiz Gonzaga e de Jefferson Airplane com a Banda de Pífanos de Caruaru”. De acordo com os próprios artistas, essa fusão dividiu e rotulou – talvez injustamente – vários músicos e seus trabalhos como “novo” ou “antiquado”. O fato é que um capítulo importante da música brasileira estava começando. A influência estrangeira se manifestaria em outros momentos, como nos trabalhos da turma do Clube da Esquina, ou de grupos como o Secos & Molhados de Ney Matogrosso e João Ricardo. Era um caminho sem volta, talvez a prova de que a música é realmente universal. Afinal, o que é bom e inovador desconhece fronteiras, tempo e fórmulas e sabe navegar entre vários estilos. Para saber mais: Filme: “Uma Noite em 67” de Renato Terra e Ricardo Calil Livro: “A Era dos Festivais – Uma Parábola” de Zuza Homem de Mello Algumas cenas também estão disponíveis no Youtube. Procure por “Festival de Música Popular Brasileira” e é possível ver várias performances.


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Giro Esportivo

Com o objetivo de oportunizar momentos de integração entre os adeptos do atletismo, através de competições, a Corrida Rústica da Sociedade São Vicente de Paulo, que acontece anualmente em Resende Costa, motiva os participantes para a prática de uma atividade física saudável, integrando cidades da região e seus atletas. O evento, que tem como público alvo crianças, adolescentes, jovens e adultos praticantes do esporte, com idade mínima de 14 anos, está se tornando uma tradição e a cada ano atrai mais competidores. Neste ano, a manhã do domingo, 1º de maio, dia do trabalho, foi marcada pelo grande esforço dos atletas. Isso porque, mais de cinquenta corredores, somando-se os participantes de todas as categorias, participaram da 5ª edição da Corrida Rústica da SSVP. O evento teve início às 9 horas com a largada da garotada, que percorreu um pequeno trajeto pelas ruas da cidade. Às dez da manhã, o prefeito Adilson Avelino de Resende deu a largada para as demais categorias que tinham de enfrentar, além dos quase 15 quilômetros de prova, o forte sol que apa-

GERALDO AIRES

5ª Corrida Rústica da SSVP

receu já nas primeiras horas do dia. O atleta e um dos organizadores, Samuel Eduardo, em nome de todos os colaboradores, reforçou a importância da corrida para a SSVP e também para o município. “Cada ano, vemos a participação expressiva de corredores do município e região. Isso mostra a força e a importância que a corrida tem. Além da homenagem a São Vicente de Paulo, os participantes aproveitam e treinam para outras corridas, além de praticarem uma atividade física. Por isso essa corrida todo ano é um sucesso”, conta Samuel, um dos principais incentivadores do esporte no município. Neste ano, participaram da competição várias equipes e atletas das cidades mineiras de Barroso, São João del-Rei, Guarani, Mercês, Iperaúba, Nazareno, Dores de Campos e Santana do Garambel. Estiveram presentes também ao evento o prefeito Adilson, o secretário de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Adriano Magalhães, o secretário de Obras, José Assis Sobrinho e o vereador secretário da Câmara Municipal, Fran-

cisco Abel de Assis, que destacaram a importância do esporte na cidade e reafirmaram o compromisso dos poderes legislativo e executivo, para com a modalidade esportiva, que vem crescendo muito no município.

Trajeto - Num percurso diferenciado, com cerca de 15 quilômetros, os participantes passaram pelas principais ruas da cidade. Além de enfrentar os morros da altaneira Resende Costa, os atletas tiveram que encarar alguns poucos quilômetros de estrada de terra, quando passaram pela Fazenda da Lage e contornaram parte do bairro do Tijuco, transpirando muita determinação, força de vontade, garra e suor, num imenso esforço em busca da vitória.

Municipal 1º Reginaldo Resende – Povoado do Curralinho dos Paulas 2º Samuel Eduardo – Resende Costa 3º Mauro Fernando – Resende Costa Infantil masculino:

1º Antônio Mateus – Resende Costa 2º Eduardo Geraldo – Resende Costa 3º Pablo Alexandre – Guarani Infantil feminino: 1º Amanda Priscila – Mercês 2º Lucina Nogueira – Mercês 3º Teresa Coimbra – Mercês

Foto: Fermamda

Confira o resultado final por categoria: Masculino: 1º Fernando Santos – Guarani 2º Alan Lima – Dores de Campos 3º Moises Livramento – Dores de Campos

Vencedores da categoria municipal

Expedicionários

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Revitalização do campo do Expedicionários: a união faz a força O Expedicionários Sport Club e a APAE/RC realizaram, no dia 23 de abril, o sorteio da “Ação entre Amigos, que marcou a parceria entre as duas instituições”. O funcionário público Ricardo foi sorteado e ganhou a moto Suzuki, zero km. Segundo informou o presidente do Expedicionários, Flávio Henrique Coelho, a Ação entre Amigos arrecadou o total de R$ 9.667,80. Desse total, a APAE ficou com R$ 4.048,00, a Escola Municipal Conjurados Resende Costa com R$ 294,00 e o Expedicionários com R$ 5.325,00. A atual diretoria do Expedicionários tem trabalhado incansavelmente para atingir o seu maior objetivo, que é transformar o tradicional e popular “estádio dos eucaliptos” numa bela e estruturada

praça de esportes. Para isso, várias campanhas têm sido realizadas na cidade e, segundo Flávio, a população tem colaborado e até sugerido algumas ações. “Muita gente que frequenta o campo para fazer caminhada tem me procurado e dado algumas sugestões interessantes. Uma delas seria a ‘carteirinha de amigos do campo’”, conta Flávio. Todo o dinheiro arrecadado é aplicado nas obras no estádio. A pista de caminhada já foi inaugurada e os esforços agora estão concentrados no término do vestiário. “Para a construção do vestiário, foi realizado um mutirão liderado pelos pedreiros Antônio Olímpio, o Chá Preto, e o Vagner de Melo Tadeu. Quero aproveitar para agradecer à Câmara Municipal, especialmente aos vereadores

O presidente do Expedicionários (esq.) ao lado do ganhador da moto, Ricardo, funcionário público

Paulinho Daher e Bacarini, por ter possibilitado o repasse de verbas para a adequação do vestiário”, disse Flávio. Outras benfeitorias estão planejadas. Mas, para que elas se tornem possíveis, Flávio convoca a comunidade a continuar ajudando, como têm feito alguns empresários de Resende Costa. “Para instalar o parquinho, obtivemos o apoio do Depósito Nossa Senhora do Rosário, da Contemp Service, da AMC Informática e do Depósito Eduarte & Filhos. Ambos fizeram a doação de um brinquedo para o parquinho”. Um dos objetivos da diretoria é instalar aparelhos de ginástica numa área ao redor do campo. De acordo com Flávio serão aparelhos “rústicos”, semelhantes aos que são disponíveis em parques públicos e praias. “A nossa ideia é oferecer esse espaço à população. Portanto, peço a quem puder que doe algum desses aparelhos”, solicita Flávio Henrique, que almeja também desenvolver um projeto de paisagismo em torno da pista de caminhada. Agradecimentos – O presidente do Expedicionários destaca a importância do apoio que a diretoria tem recebido da comunidade e, especialmente, da Prefeitura Municipal. “Agradeço ao prefeito Adilson Resende o apoio para a construção da pista de caminhada e para as demais benfeitorias que estamos realizando no campo”. Para o sucesso da Ação entre Amigos, Flávio destacou a participação voluntária de muitas pessoas da comuni-

dade: “Quero agradecer ao Adenorzinho, ao Binho e ao Reinaldo pelo trabalho que fizeram na sonorização do evento. Também ao vice-prefeito Bita, que disponibilizou o caminhão da prefeitura para que pudéssemos fazer o sorteio e ao secretário Mazé. No mais, agradeço à APAE, a escola Conjurados e a todos que, de uma forma ou de outra, têm se envolvido e assumido a causa de transformar o campo do Expedicionários numa praça esportiva. Não poderia deixar de agradecer a minha esposa Viviane pelo apoio incondicional em todas as ações que estamos desenvolvendo”. As obras realizadas no campo já estão transformando o espaço, onde antes o abandono incomodava a quem visitava o local ou o utilizava para a prática esportiva. A diretoria eleita no ano passado assumiu a tarefa da revitalização do espaço e para isso sempre destaca a importância da parceria com o poder público. “Contamos sempre com o importante apoio da Prefeitura Municipal, nesse momento, para a instalação dos portões (o campo está ficando aberto e, infelizmente, exposto a atos irresponsáveis e irracionais de vandalismo) e nomeação de um zelador”, solicita Flávio Henrique. A diretoria do Expedicionários Sport Club aceita doações de qualquer pessoa que queira colaborar com as obras no campo. Para isso, informa o número da conta no Banco do Brasil: Ag. 2522-4, conta corrente 12480-X, Expedicionários Sport Club.

Prestação de Contas Expedicionários Sport Club Prestação de contas de uma rifa que sorteou uma TV de 21 polegadas (02/01/2011) Total apurado bilhete: R$ 3912,00 Valor do prêmio: R$ 353,00 Despesas com gráfica: R$ 40,00 Valor líquido apurado: 3519,00 O valor líquido apurado foi aplicado na compra de materiais para as obras do vestiário do campo. A construção do telhado e a instalação dos portões do vestiário, que serão realizadas neste mês, serão possíveis devido à doação dos representantes das empresas Orthocrin, Lopas e Itatiaia. A campanha do cimento para construção do vestiário foi um sucesso.

Diretoria do Expedicionários Sport Club


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