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Edicao 96

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ANO VIII Nº 96 - ABRIL 2011 / RESENDE COSTA - MG

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Restos mortais do inconfidente José de Resende Costa , o pai, serão transladados para Ouro Preto

No próximo dia 21, serão recebidos no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, os restos mortais do nosso inconfidente, José de Resende Costa, provenientes da UNICAMP (Campinas), onde, durante 17 anos foram submetidos a exames e estudos técnicos.

Foto: Museu da Inconfidência

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Templos da internet tentam se adaptar às novas curtições da juventude para permanecerem no mercado Museu da Inconfidência, em Ouro Preto

Nova diretoria inaugura pista de caminhada no campo do Expedicionários Transformar o campo do Expedicionários Sport Clube numa ampla e estruturada praça de esportes é um dos objetivos da diretoria que recentemente assumiu a direção do clube. Com o apoio da Prefeitura Municipal e da comunidade, a tão sonhada pista de caminhada foi inaugurada no dia 2 de abril. As obras continuam e em breve, os novos vestiários serão inaugurados. Página 12

Jovens jogando numa lan house, em Resende Costa

Pista de caminhada inaugurada no campo do Expedicionários

Na chamada “era eletrônica”, a cada dia surgem novidades ousadas e fascinantes, que atraem os jovens que curtem jogos eletrônicos. Dos antigos vídeo games, os adolescentes agora escolheram as lan houses para jogarem com os amigos e se consolidaram como principais clientes. Página 05


2 Jornal das Lajes Editorial Preservação da vida: uma nova moralidade

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propôs a “Vida no Planeta” como tema da Campanha da Fraternidade deste ano. Refletir sobre as agressões que o planeta tem sofrido nas mãos do homem é muito oportuno, especialmente neste momento, em que a humanidade inteira se vê chocada com as catástrofes naturais, que assolaram o Japão deixando consequências indeléveis ao país. Atualmente, algumas catástrofes naturais oportunamente nos têm levado a refletir sobre como estamos cuidando do nosso planeta, se é que estamos. Em verdade, nunca levamos a sério as informações científicas acerca do aquecimento global, suas causas e consequências futuras. Nossas ações e costumes diários corroboram para isso e a nossa atitude é, frequentemente, de consumidores vorazes, que extraem todas as reservas naturais do planeta e não se preocupam com as fontes esgotáveis, com a fauna e a flora e com todos os elementos, que juntos fazem acontecer a explosão da vida no seio da terra. Mas, falar sobre preservação ambiental acaba sendo enfadonho aos ouvidos de muitas pessoas, que ainda não atingiram a consciência necessária. Para essas pessoas, os discursos serão cada vez mais vagos, os livros inúteis e as informações ineficazes. Para mudar esse quadro, cabe ao homem começar a se conscientizar sobre a importância da vida e da sua preservação. O lema da Campanha da Fraternidade 2011 - “A criação geme em dores de parto” (Rom 8,22) – traduz sabiamente a agonia do nosso planeta, que não mais consegue suportar as agressões do homem. O ser humano, em sua ânsia desenfreada por produzir cada vez mais riquezas, aos poucos vai se tornando predador de si mesmo, ignorando o que há de mais precioso, raro e ao mesmo tempo frágil: a vida. É momento de nos preocuparmos com a vida no planeta, com a sua preservação e a do ambiente que a faz possível. Ao contrário disso, vez ou outra surgem pessoas preocupadas em descobrir se há vida em outros planetas e se é possível nos comunicarmos com prováveis ET’s. Chega até a ser cômico. O físico teórico brasileiro, Marcelo Gleizer, no seu magnífico livro “Criação Imperfeita”, chama a atenção para a preciosidade e raridade da vida que surgiu na Terra - complexa, multicelular e inteligente: “Na prática estamos sós na vastidão cósmica. Entender isso, e o que nos diz sobre quem somos e qual a nossa missão, deveria ser suficiente para mudar o rumo da nossa história, redefinindo o nosso futuro e o do nosso planeta”. Entender isso significa também uma nova postura diante da vida e do planeta, que Gleizer chama de “uma nova moralidade, dirigida à preservação da vida”. A natureza, seguindo sua própria dinâmica, tem nos dado seu recado. Muitas vezes não a compreendemos e até nos indignamos, com certa razão, quando vemos rios transbordarem e inundarem cidades inteiras; quando o calor vem escaldante ou o frio severo. No entanto, nos esquecemos de perguntar: qual a causa disso? Que as reflexões propostas pela CNBB, através da Campanha da Fraternidade, não percam o ânimo após a quaresma. O ideal é que as escolas dialoguem com os alunos ao longo do ano, os grupos religiosos e pastorais promovam atividades e debates, e a sociedade, enfim, se mobilize para um grande e profícuo movimento em favor da vida e da preservação do planeta. Quem sabe assim, surja de fato uma geração com responsabilidade ambiental e que os homens públicos do futuro se empenhem verdadeiramente para um novo modelo de gestão ambiental, menos populista e mais eficaz.

Jornal das Lajes Ltda

CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editor de Esporte: Geraldo Aires Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio

ANO VIII Nº 96 - ABRIL DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

História

ROSALVO PINTO

Restos mortais do inconfidente José de Resende Costa, o pai, serão transladados para Ouro Preto Notícia alvissareira para nós resente-costenses, divulgada em primeira mão pelo jornal O Estado de Minas (3 de abril, “Gerais”, p.27). No próximo dia 21, tradicional feriado de Tiradentes, serão recebidos no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, os restos mortais do nosso inconfidente, José de Resende Costa, o pai. Em 1930, durante o governo Getúlio Vargas, Brasil e Portugal entraram em acordo para a exumação e remoção dos restos mortais dos inconfidentes da África para o Brasil. Foi designado para coordenar esse trabalho, em 1936, o historiador mineiro Antônio Augusto de Lima Júnior, filho do jurista e político Augusto de Lima. Os restos mortais dos demais inconfidentes foram colocados no Panteão localizado no museu de Ouro Preto, exceto os do nosso inconfidente e os de dois outros, Domingos Vidal de Barbosa Lage e João Dias da Mota, que ficaram aguardando sua identificação. Em 1994 foram levados para a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em Piracicaba, onde, durante 17 anos, foram submetidos a exames de identificação através de modernos recursos técnicos, sob a orientação do médico e professor Eduardo Daruge. Por esses estudos terá sido possível fazer a reconstituição facial e a determinação do tempo em que morreram. Ainda na década de 90, a Rede Globo fez uma reportagem sobre esse trabalho, quando já podíamos ver, por exemplo, o esboço da face do

nosso inconfidente. Bem, os restos mortais do pai já estarão brevemente repousando para sempre na “Vila Rica” que ele frequentava e onde foi preso e inquirido, quando da instauração da “Devassa de Minas Gerais”, para a apuração de sua “inconfidência”, ou seja, de sua traição à Coroa Portuguesa (na segunda devassa, a do Rio de Janeiro, ele foi inquirido em Lagoa Dourada e, posteriormente, no Rio). Mas nós, resendecostenses, ainda temos uma tarefa importante e urgente a cumprir. Seu filho, o também José de Resende Costa, o mais jovem dos 11 inconfidentes condenados em 1792 (um à morte, o Tiradentes, e dez ao degredo de 10 anos), cumprida sua pena, voltou ao Brasil em 1809, onde morreu em 1841, no Rio de Janeiro. Foi sepultado, primeiramente, na igreja de

São Francisco de Paula, da Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula, e, em 1850, seus restos mortais foram trasladados para o cemitério do Catumbi, da mesma ordem. Além dessa informação, nada mais sabemos. Cabe-nos agora, portanto, investigar e pesquisar, procurando e pressionando a quem de direito, para que seus restos mortais sejam localizados, identificados e venham também descansar junto aos do seu pai. Seria o cúmulo do absurdo conseguir ter os restos do pai, que morreu em Ribeira Grande, Ilha de São Tiago em Cabo Verde, na África, em 1798, e não conseguir localizar os restos de seu filho, que morreu aqui no Brasil, bem perto de nós, 43 anos depois, no Rio de Janeiro. Parodiando o Barack Obama, “Sim, nós vamos!”.

Foto - Museu da Inconfidência

Panteão dos Inconfidentes, onde serão sepultados os restos mortais de José de Resende Costa

Voz do Cidadão De São João del-Rei a Resende Costa no lombo de uma égua “Que a saúde pública há muito tempo deixa a desejar já sabemos, mas dizer que uma égua seria usada para buscar uma mãe e sua filha recémnascida na cidade de São João, isso já é demais. É um absurdo! Mas aconteceu em 22 de setembro de 2010 na cidade de Resende Costa- MG. Parece até piada, e foi assim que se justificou o Sr. Prefeito ao ser procurado: disse pra mãe relevar, pois foi apenas uma brincadeira de seu então secretário de transporte. O que é isso Sr. Prefeito? Brincadeira tem hora! Brincar com saúde e principalmente quando se trata de um recém-nascido, não é algo que se espera de um administrador público

e de seus secretários. Será que Resende Costa voltará a adotar o método dos tropeiros? Será que a secretaria de transportes usará mulas e cavalos no transporte dos pacientes? Será que a população merece esse tratamento? Vejam a resposta dada pelo secretário na época “As mulheres de hoje são muito frescas. Porque ela não vem numa égua, como faziam as mulheres antigamente?” Chego a imaginar a cena. A prefeitura deverá incorporar ao pré-natal, curso de montaria e a secretaria de transportes disponibilizará mulas de plantão na porta do hospital. Mas só para mulheres pobres. Estas seriam

privilegiadas pelo tratamento exemplar. Eu quis resolver esse assunto numa conversa particular, mas os representantes da atual administração parecem não ter levado a sério minha indignação, por isso, a conversa chegou até aqui. Mas espero que a administração também não leve a sério esta minha manifestação. Encare tudo como uma brincadeira e então, estaremos acertados”. Marly Sirlene Pio Resende Costa (MG) Por -email

Concurso de Marchinhas “Senhores dirigentes da cultura de Resende Costa: venho através do nosso Jornal das Lajes lhes agradecer pelo prêmio que conquistei no concurso de marchinhas carnavalescas, ocorrido

no Bar da Maura, na véspera do último carnaval. Agradeço aos jurados, que apoiaram a marchinha “Filhotinho do Urubu”. Fiquei muito feliz com o prêmio, um DVD. Obrigado, e até 2012,

se Deus quiser”. Didico Vieira Resende Costa (MG)

Para se corresponder com a redação do Jornal das Lajes: Os textos para a seção Voz do Cidadão deverão trazer a assinatura, o endereço, o número da cédula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Editor-Chefe, Jornal das Lajes. Endereço: Rua Assis Resende, 95, Centro – Resende Costa, MG. Tel. (32) 3354-1253. E-mail: contato@jornaldaslajes.com.br. Por motivos de espaço e clareza, o jornal se reserva no direito de editar as cartas, quando necessário. O conteúdo dos textos não é de responsabilidade editorial do Jornal das Lajes.


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ANO VIII Nº 96 - ABRIL DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Gente que fez e faz a história

ELAINE A. MARTINS

O verso e o controverso

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JOÃO MAGALHÃES

Resende-costenses se destacam O STF ofuscou a no início de 2011 Lei da Ficha Limpa

Antônio Pinto

No Meio Ambiente O engenheiro agrônomo Antônio Pinto de Góes e Lara Neto, Toninho Pinto, foi aprovado no concorrido processo seletivo do Programa de Pós-graduação em Geotecnia da Universidade Federal de Ouro Preto, onde acaba de iniciar o curso de mestrado. O engenheiro iniciou os estudos na Escola Agrotécnica Federal de Barbacena, onde se formou como técnico em agropecuária, e graduou-se em Engenharia Agronômica na renomada Universidade Federal de Viçosa. Habilitado para emissão de “Certificado Fitossanitário de Origem” (CFO) e “Certificado Fitossanitário de Origem Consolidado” (CFOC) e para regularização de reservas legais, Toninho Pinto também atua nas áreas de elaboração de planos do agronegócio com visão ampla no meio-ambiente, gestão de bacias hidrográficas e recuperação de áreas degradadas, avaliação de imóveis rurais e produções agrícolas. Concomitantemente ao início do mestrado em Geotecnia, o engenheiro conclui o curso de Pós-graduação em Tecnologia Ambiental na Universida-

Evaldo Balbino

de Federal de Minas Gerais. Ele é o primeiro resende-costense a ingressar no Núcleo de Geotecnia da Escola de Minas, considerado o maior programa de pós-graduação da área no Estado e um dos maiores do País.

e já coleciona vários prêmios. É autor do livro de poemas Moinho (Scriptum, 2006), assina a coluna “Retalhos Literários” do JL, possui artigos de crítica literária publicados em revistas nacionais, bem como poemas e contos editados em antologias de circulação nacional e terá algumas de suas crônicas publicadas no livro Um olhar sobre Resende Costa (AMIRCO, 2011, no prelo). Seu livro de poemas Filhos da pedra, contemplado com o prêmio Eugênio Coimbra de poesia em Recife (PE), está no prelo para publicação. Evaldo também é membro do Conselho Editorial da Coleção Lageana, programa editorial da AMIRCO, e já prepara a antologia de crônicas Móbiles de areia, inscrita pela AMIRCO no projeto do Fundo Estadual de Cultura (FEC 2010) da Secretaria de Cultura de Minas Gerais. Na Música Poucos meses depois de sua for-

Anderson Daher

Nas Letras Evaldo Balbino foi aprovado em concurso público e acaba de integrar o corpo docente do Núcleo de Letras da Escola de Educação Básica e Profissional – Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais. O professor de português teve a sua formação acadêmica (graduação, mestrado e doutorado) na mesma universidade, constituindo-se em um dos especialistas sobre a obra da escritora Adélia Prado. Desde 1997 atua em instituições de ensino de Belo Horizonte. Além da carreira acadêmica, Evaldo Balbino percorre caminhos literários

matura, o pianista Anderson Daher também foi aprovado num rigoroso concurso público da Universidade Federal de Ouro Preto, onde integrará o corpo técnico do Departamento de Música. O jovem pianista iniciou seus estudos musicais no Conservatório José Maria Xavier, em São João del-Rei, e, orientado pelos renomados professores Celina Szrvinsk e Miguel Rosselini, graduou-se em piano na Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais. Anderson Daher já tem um currículo invejável para a sua idade. Venceu o VI Concurso Nacional Jovem Destaque, no Rio de Janeiro (RJ), o Prêmio Jovem Músico BDMG, em Belo Horizonte (MG), o Concurso Nacional de Piano Heitor Villa-Lobos, em Vitória (ES), dentre outros. Também participou de festivais de música importantes, como Jaraguá do Sul (SC), Ouro Branco (MG), São João del-Rei (MG) e Campos do Jordão (SP), além de ter apresentado vários recitais. Daher foi ainda um dos fundadores do JL, tendo exercido a função de um “repórter fotográfico” nos primeiros anos do periódico.

O voto do recém-empossado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, ofuscou (perdão pelo trocadilho) a Lei da Ficha Limpa, adiando sua vigência para 2012. O STF, por seis a cinco, desautorizou o Superior Tribunal Eleitoral (STE), que havia anulado os votos obtidos pelos candidatos que entraram com recurso. Logo, os que tiveram votos suficientes para se eleger, assumirão. E a corrupção, a politicagem, o mercado escancarado ou clandestino de votos, os dólares em cuecas, a sorrateira distribuição de Reais adentrarão, festejando, os umbrais das câmaras legislativas do país. Como desabafou um inconformado eleitor: “A corruptocracia brasileira está em festa com a revoada de fichas-sujas que voltam ao lar!!”. O bem conhecido Jader Barbalho até tripudiou sobre nós, assinantes da iniciativa popular, afirmando que seus 1,8 milhão de votos superaram “com folga” as assinaturas a favor do projeto que virou lei. Não se discute aqui sabedoria e competência dos ministros. A nação acredita que todos as possuem, quem mais, quem menos. Tecnicamente mostraram cuidadoso desempenho. Foi uma questão de sensibilidade e prioridade. Nesse sentido, o grupo vitorioso dos seis ministros (César Peluso, atual presidente do STF, Gilmar Mendes, relator, Marco Aurélio, Celso de Mello, Dias Toffoli e Luiz Fux, o voto de desempate) frustrou a nação, acho eu. E tomara que não tenham frustrado também a lei. O grupo enfatizou e priorizou o artigo 16 da Constituição: “A lei que alterar o processo eleitoral só entrará em vigor um ano após sua promulgação”. O grupo vencido dos cinco (Ayres Brito, Ellen Gracie, Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski) fechou posição em torno do artigo 14. Ouso afirmar que, sobretudo no § 9: “Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cassação, a fim de proteger a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta” e no § 10: “O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude”. Resumindo, o Supremo decidiu que a lei, paradoxalmente, fere e não fere a Constituição. É constitucional, baseada no artigo 14; é inconstitucional na sua aplicação, por causa do artigo 16. Lamento o voto do novel ministro Luiz Fux. Um empate de 5 a 5 pode significar que os dois times jogaram bem. Portanto, como foi

um julgamento muito empenhado e muito argumentado, é de se supor que há base jurídica consistente para qualquer uma das posições. A nomeação de ministro é um ato de escolha do presidente da república. No fundo, um ato político homologado, infelizmente - na prática tem sido assim - pelo Senado, que protocolarmente faz a burocrática sabatina. Espera-se, obviamente, que o escolhido e nomeado se projete por uma grande experiência e saber jurídicos. O voto do ministro Fux prejudicou a nação, pois tinha pela frente: a consistência argumental dos cinco ministros favoráveis; os anseios do país para passar um rodo na lama que escoa para os gabinetes e plenários; a luta dos que promoveram e assinaram a proposta de lei por iniciativa popular; a decisão do TSE, cujo presidente, Lewandowski, também ministro do Supremo; o risco provável de a lei ter efeito zero, pois até 2012 a corruptocracia tem tempo para se organizar e reduzi-la a pó, como fala o próprio ministro Lewandowski: “a Ficha Limpa vai ser fatiada como salame” e, também, “a constitucionalidade da lei referente aos seus vários artigos poderá vir a ser questionada futuramente antes das eleições de 2012”. Essas são suas próprias convicções, pois, declarou, na sabatina do Senado, “que a justiça não pode ficar de costas para a intencionalidade da lei”. Além disso, essas foram as suas palavras, no início da declaração de seu voto: “a lei da Ficha Limpa, no meu modo de ver, é um dos mais belos espetáculos democráticos, posto que é uma lei de iniciativa com escopo de purificação do mundo político” (O Estado de São Paulo, 24 de março de 2011, p. 4) . Quando estudei Ética, no curso de graduação em Filosofia, adotei o conceito escolástico de lei (salvo engano de Tomás de Aquino) “Ordenação de meios para um fim, promulgada para o bem de uma comunidade”. Acho que o ministro, frente a este painel, devia pender para o bem-estar e higienização moral da comunidade brasileira (como declarou); priorizar a intencionalidade da lei (como também declarou); preferir, em vez da letra, o “espírito que vivifica”; como no diálogo de Jesus com os fariseus, escolher “o Homem, não o sábado”. Não seria nenhum desdouro à sua ciência e vivência jurídicas. Além do mais, meios jurídicos já dizem que o STF resolveu os problemas eleitorais do passado recente - 2010, mas deverá enfrentar os mesmos e outros mais complexos no futuro próximo. O ministro optou pelo adiamento. Pôs em risco a eficiência da lei. Devolveu aos fichas-sujas as chaves dos gabinetes que o TSE lhes tinha tomado. Foi pena. É o que penso. E você?


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ANO VIII Nº 96 - ABRIL DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Jogo Aberto

POR: JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Mauro Duarte, o novo “chefe” do transporte de Resende Costa a São João del-Rei

Mauro Duarte vive o desafio diário de administrar a dupla função de gerente da Viação Presidente e de vereador e presidente da Câmara Municipal. Funcionário há 20 anos da Viação Presidente, ele trabalhou metade do tempo em Belo Horizonte, passando por diversos setores administrativos até ser convidado para gerenciar a primeira empresa urbana adquirida em São João del-Rei. Nesses 10 anos em São João, formou-se em Direito pelo IPTAN e, em 2008, foi eleito vereador pelo PSDB, tendo assumido a presidência da Câmara Municipal em 2011. Nesta entrevista, fala da compra da ENSP, do transporte urbano são-joanense e de sua militância política.

Por que a Viação Presidente decidiu comprar a ENSP? Nesses 10 anos em São João del-Rei, a Viação Presidente já adquiriu a Transamanda, que fazia dois distritos no município – o Rio das Mortes e São Sebastião da Vitória – e o município de Conceição da Barra de Minas, há 50 km daqui. E agora surgiu a oportunidade de adquirir a ENSP, que fazia Coronel Xavier Chaves e Resende Costa. Já temos em São João uma estrutura física e administrativa - uma garagem grande, funcionários etc. E o nosso intuito é crescer neste ramo. Então, quando surgiu essa oportunidade, a Viação Presidente vislumbrou aí agregar valor à empresa. Em São João, a Viação Presidente atua nas áreas urbanas e rural... A Viação Presidente faz todo o transporte urbano de São João delRei e atende aos distritos do Rio das Mortes, São Sebastião da Vitória, Januário, Canela e Goiabeiras. Também faz a ligação entre São João del-Rei e as cidades de Tiradentes (via BR 265), Conceição da Barra de Minas, César de Pina e agora Resende Costa e Coronel Xavier Chaves. Algum plano para ampliar essa área de atuação? Eu acredito que sim. A Viação Presidente é uma empresa que mexe exclusivamente com transporte de passageiros. E eu creio que, se aparecerem novas licitações ou novas possibilidades de compra de concessões, a Viação Presidente estará aí no mercado para competir. Existe alguma possibilidade de algum trajeto alternativo, como São João del-Rei – Resende Costa – Lagoa Dourada ou São Tiago via Resende Costa? No momento, não. Isso já é um processo mais demorado, que envolve licitação do próprio órgão concedente que é o DER (Departamento de Estradas de

Mauro Duarte, gerente da Presidente

Rodagem). Por que o sr. decidiu entrar na política? A questão política era até uma vontade pessoal minha. Eu sempre gostei muito de política, sempre li sobre política, sempre acompanhei os noticiários políticos. E em São João del-Rei, como em outras cidades menores, a política é mais aflorada do que na capital, o cidadão consegue participar mais. E eu, aqui numa empresa de transporte público, comecei a ter muito contato com a parte política da cidade, com as pessoas da cidade. Então, em 2006, recebi o convite para que tentasse uma eleição. E isso mexeu comigo, com a minha vontade pessoal, que já estava no subconsciente, vamos dizer assim. Aí eu resolvi aceitar o desafio, me filiei ao PSDB e disputei a eleição de 2008. Graças a Deus, me elegi vereador. Agora, em 2011, eu assumi a presidência da Câmara Municipal, numa eleição interna entre os vereadores. Para mim, foi uma grande satisfação, porque demonstra que a gente está fazendo um bom trabalho. Para mim, que sempre fui ligado a empresa privada, mais que um desafio é uma oportunidade de administrar a coisa pública. Como é o seu cotidiano, como o sr. divide o tempo entre a empresa e a Câmara? Eu tenho bons assessores na Viação Presidente. Eu me preparei pra isso quando resolvi disputar a eleição. Inclusive, na época da eleição, cheguei a me desligar da empresa para poder ter tempo de me dedicar à campanha. E cheguei até a conversar com a diretoria da empresa no sentido, de repente, eu me afastar por um período. Mas a empresa optou por colocar mais assessores, mais pessoas para me ajudar no trabalho. Então, até do lado administrativo está sendo muito bom,

porque eu delego mais, mas continuo acompanhando a Viação Presidente. E há tempo suficiente para conciliar as atividades da Câmara Municipal com a Viação Presidente. Quantas vezes por semana o sr. tem de ir à Câmara? Praticamente todos os dias eu dou uma passada pela Câmara Municipal. As nossas reuniões são às sextas-feiras das 16 às 19 horas, mas eu sempre passo lá um pouco na parte da manhã, fico na sexta-feira ou geralmente na segunda, que é um dia antes da reunião, para organizar as coisas. E na Câmara também tenho um apoio muito grande do secretário geral, do meu chefe de gabinete e do meu assessor que é advogado. Então, dá para conciliar o trabalho. Mas o sr. não vê conflito de interesses entre o gerente da Viação Presidente e o vereador? Na minha campanha, inclusive, eu até falava muito sobre isso. A incompatibilidade legal não existe. Quanto à incompatibidade no sentido moral, eu entendo que, muito pelo contrário, estou lá para tentar defender inclusive os interesses do cidadão quanto ao transporte coletivo, quanto ao transporte público. Uma coisa muito engraçada é que geralmente muitas pessoas que entram na política hoje estão lá justamente para usar a empresa de ônibus como moeda política, para fazer campanha política em cima disso e aparecer de alguma maneira. E comigo na realidade foi o contrário: foi para demonstrar o que realmente significa o transporte público e tentar trazer contribuições de melhorias tanto para o transporte quanto para o trânsito da cidade. Vamos supor que algum morador vá à Câmara Municipal reclamar, por exemplo, de horário de ônibus em determinado bairro.

Como o sr. se comportaria como vereador frente a uma situação desta? Isso acontece. Muitas pessoas querem dar sugestão, querem fazer reclamações, querem solicitar algum tipo de serviço ou coisa assim. Eu tento demonstrar que na Câmara Municipal tenho um projeto pessoal de me apresentar para trabalhar para a população em assuntos gerais e em todas as áreas. Lá eu tento ser o vereador Mauro Duarte. Eu peço às pessoas que me procurem na Viação Presidente em determinado dia, em determinado horário, porque assim eu tenho condições de dar um atendimento mais personalizado na própria empresa, de chamar, por exemplo, o meu encarregado de transporte ou alguém do departamento pessoal etc. Lá na Câmara Municipal, eu não tenho condição de dar esse atendimento porque tenho que separar essas duas funções que eu ocupo. Em relação às leis específicas do transporte público, o que passa pela Câmara Municipal? Quanto à empresa concessionária, nada passa pela Câmara Municipal porque são prerrogativas do poder executivo. Por exemplo, aumento de passagens, horário de viagens etc., tudo passa pelo poder executivo através da Secretaria de Trânsito. E inclusive o nosso regimento interno até fala que, no caso de votação de algum projeto em questão de favorecimento pessoal, o vereador está impedido de participar daquela votação. E eu até acredito que tenha trazido uma contribuição muito grande para São João del-Rei, quando eu falava na minha campanha que queria ser a voz da população na Câmara Municipal em relação ao transporte público. O sr. pode citar um exemplo? Eu falava na questão de passagens

mais baratas e na criação de novas linhas. “Eu não vou chegar lá e ter uma varinha mágica para diminuir o preço da passagem. Mas a gente tem condições de apresentar projetos para que essa passagem consiga ficar mais baixa. Algumas cidades, por exemplo, têm o ISS (Imposto sobre Serviços) de 0,01%, porque o serviço de transporte é considerado um serviço essencial. Então, quanto mais você reduzir a carga tributária ou o custo da empresa, mais barata a passagem fica. Então, em São João del-Rei, o último aumento foi em 2008. Eu ganhei a eleição em 2008 e comecei a trabalhar em 1º de janeiro de 2009. No final de 2009 e início de 2010, a Viação Presidente apresentou planilha de custo ao poder executivo para que houvesse reajuste da tarifa. O prefeito me procurou e disse: “Mauro, na sua campanha você falava em relação à desoneração tarifária em relação aos tributos”. Então, eu expliquei a ele que, no comércio de São João del-Rei, a prestação de serviços pagava 2% de ISS, menos empresa de ônibus, bancos e aeroporto. E mostrei que, se ele reduzisse o ISS, a gente faria as contas em cima da planilha e, de repente, isso não acarretaria em aumento de passagem. Então, foi firmado um acordo e o prefeito mandou (a proposta) para a Câmara Municipal e foi aprovada para 2010 a redução do ISS de 5% para 2%. E até hoje não houve aumento da passagem. Congonhas, por exemplo, que na época tinha passagem de R$ 1,70, hoje já é R$ 2,10. Lafaiete, que era R$ 1,75, hoje já está em R$ 2,00. E São João del-Rei continua no mesmo patamar de R$ 1,80 desde 2008. Então, eu acredito que, de alguma maneira, eu consegui dar uma contribuição. Que decisão depende hoje da Câmara em relação a transporte urbano? A legislação de trânsito é federal, a legislação do transporte é toda do poder executivo. O trânsito é o município que organiza, pelo próprio artigo 5º da Constituição Federal. Na verdade, o poder da Câmara Municipal é muito restrito. Ela não pode legislar sobre matéria financeira. Então, não pode ocasionar nenhum tipo de gasto ao executivo. Na questão de transporte, nada passa pela Câmara Municipal. Acho que é um dos motivos pelos quais as câmaras municipais são tão criticadas porque realmente o poder delas é muito reduzido. A integra da entrevista está disponível no site www.jornaldaslajes. com.br/entrevistas


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 96 - ABRIL DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Regional

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE / EMANUELLE RIBEIRO

Lan houses adaptam-se aos novos tempos As populares “lan houses” consolidam-se como atividade acoplada ao fornecimento de outros tipos de serviços ou como estabelecimentos cujo carro-chefe do negócio é o oferecimento de espaço para games (jogos). É o que se pode concluir de opiniões colhidas entre microempresários do ramo que atuam em São João del-Rei. As lan-houses vão continuar não mais como um único negócio, diz Romeu, proprietário da RM 10, no centro da cidade. “Só como lan house não vai sobreviver. Você tem que ter outra coisa como eu tenho. No preço que está, não tem mais condição.” Ele conta que criou o City 10 em 2001, quando ainda não era comum a existência de cybers em Minas Gerais. É o caso também da Cliqui@ qui, que funciona agregada ao guarda volumes do terminal rodoviário, conta Vagner Cosme Lima. A partir de 2004, o guarda volumes expandiu-se para a prestação de outros serviços como internet, digitação, xerox, scanner, manutenção de computadores e sistema de propaganda audiovisual. Romeu e Vagner não oferecem games. O dono da RM 10 não esconde que não gosta de jogos por causa do barulho e da bagunça. “Aqui é um lugar mais reservado para uso de internet. Até o perfil do meu cliente é diferente porque onde tem jovens jogando tem barulho”. Vagner prefere não fornecer jogos pela perculiaridade do serviço que ele presta na rodoviária e pela necessidade de manter o ambiente mais tranquilo. Já a Windsongames, no Matosinhos, oferece jogos e serviços de internet como bate-papo (msn, facebook, orkut etc.) e consultas, conta o proprietário Mansenclever Windson Sousa. A lan house começou como videogames em 1998 e foi se adaptando às condições do mercado. Perfil do público Os clientes da RM 10 são profissionais liberais como médico, advogado e vendedor, mas também

turistas, revela Romeu. “Eu tenho cliente que vem todo dia, que fica aqui meia hora, uma hora, resolve o que tem que fazer e vai embora. É um advogado que precisa digitar uma petição; é um turista, um vendedor, um viajante. Eu tenho todos os programas; só não tenho jogo instalado, mas quem quiser usar o jogo de internet, vai usar”. Romeu não está completamente livre da presença de alunos, inclusive uniformizados, que matam aula para jogar. “É uma responsabilidade que querem transferir pra gente. Mas isso aqui é um lugar público”. Na Cliqui@qui, o público predominante é de estudantes, que vão fazer consultas, pesquisas, digitação de trabalhos e bate-papos, conta Vagner. Mas aparecem também representantes comerciais que contatam suas empresas e clientes e turistas que vão comprar passagens, fazer reservas de hotel e conferir roteiros. Já na Windsongames o público frequentador varia de 10 a 40 anos de idade. Muitos clientes são do tipo que não têm computador, ou mesmo impressora, em casa. Mas existem aqueles que, mesmo possuindo computador, preferem frequentar a lan house para jogar em rede. Concorrência Romeu reclama da concorrência desleal. “Todo mundo que tem um comércio se acha no direito de botar um computador e alugar, sem contrato social, sem alvará, sem habilitação para aquele tipo de serviço”. Quem não tem empresa estabelecida, não tem ponto de funcionamento e não paga impostos pode cobrar R$ 1,00 ou R$ 1,50 a hora, prejudicando os outros, lamenta. Ele cobra R$ 2,00 por uma hora e R$ 1,50 por meia hora, não cobra por minuto. “Eu estou aqui porque eu presto um bom serviço, mas se eu fosse um aventureiro já tinha quebrado”. Romeu lembra que no centro da cidade já chegou a existir mais de uma dúzia de lan houses, hoje reduzidas a duas ou três.

Lan house Cliqui@qui, na rodoviária de São João del-Rei

Vagner também é um dos poucos que sobraram no mercado de lan houses em São João del-Rei. A Cliqui@qui funciona entre 6h30 da manhã até 23h30, seguindo o mesmo horário do terminal rodoviário. Ele cobra R$ 2,00 pela hora ou R$ 0,50 para frações de 15 minutos e já planeja instalar mais máquinas. A Windsongames cobra R$ 2,50 a hora inteira ou o cliente pode optar pelo tempo aberto, ou seja, pelo pagamento calculado com base no tempo de uso. Resende Costa Em Resende Costa, os games são uma das principais atrações das lan houses, e os jovens, o público alvo. Em 2009, o vereador José Roberto Sousa criou a lei 3.257, regulamentando o funcionamento dos estabelecimentos comerciais que oferecem serviço de locação de computadores para acesso à internet e prática de jogos eletrônicos. “O objetivo do projeto não é de forma alguma prejudicar as lan houses, pelo contrário, eu reconheço o papel desse comércio em questão de entretenimento e fornecimento de equipamentos que talvez o cliente não tenha em casa, a internet hoje é muito importante. A minha intenção é proteger o jovem, estabelecendo uma forma correta de utilização”, afirma o vereador Betinho. Entre as restrições, são impostas pela lei a proibição de venda e consumo de cigarro e bebidas alcoólicas nos estabelecimentos, além de exigência de cadastro para os menores de 18 anos e limite de tempo para os jovens usarem os computadores, que deve ser no máximo de três horas ininterruptas, sendo obrigatório intervalo de trinta minutos entre os períodos de uso. Esse limite de horas deve ser fixado em local visível dentro do estabelecimento. O proprietário da “Cyber Presépio”, Kristofferson Gervásio, desconhecia a existência da lei, em quase um ano de funcionamento do seu comércio. Segundo ele, o serviço de acesso à internet não é tão requisitado para games: “Em sua maioria são crianças e adolescentes que vêm aqui para jogar, tanto no computador quanto no vídeo-game, mas não digo que os jogos são o ponto forte da Cyber, mesmo assim reconheço sua importância para o meu comércio”. Porém, Kristofferson aplica regras rígidas em sua lan house, não permitindo a frequência de jovens em horário de aula, viabiliza uma lista contendo os serviços prestados e ainda não vende cigarro nem bebida alcoólica. Além do serviço de acesso à internet e jogos, Kristofferson vende guloseimas, livros, DVDs

Lan House RM 10, no centro de São João del-Rei

e outros. “Eu deixo claro pra garotada que em horário de aula eu não vendo pra eles”, afirma. Há sete meses trabalhando na Macacos.com, a funcionária Lidiane Mariano afirmou também não ter conhecimento da lei. O estabelecimento, localizado na Avenida Gonçalves Pinto, conta com dez computadores, quatro televisões ligadas a aparelhos de vídeo-game, além de uma TV usada para transmissão de jogos de futebol. De acordo com Lidiane, os games são muito requisitados pelos usuários e contribuem para a manutenção do estabelecimento, o que não tira o peso de outros serviços oferecidos pela Macacos. A Macacos.com também segue regras para o bom funcionamento do comércio, não permitindo a frequência de jovens em horário de aula e mantém cadastro para menores de 18 anos, direcionando os serviços adequados à idade. “Quanto à venda de bebidas alcoólicas, ela acontece somente nos dias de transmissão de jogos, mesmo assim só para maiores de 18 anos”, explica Lidiane. O usuário B. A. S., 16 anos, usa a lan house frequentemente, jogando frente ao computador cerca de duas horas. Segundo o jovem, ele nunca foi questionado no tempo em que esteve no estabelecimento e que também nunca houve nenhum tipo de problema envolvendo pais, devi-

do à eficiência e profissionalismo do serviço prestado. Ele conta que hoje usa os serviços da lan house com freqüência menor do que tempos atrás, porque possui internet em casa, mas acrescenta: “Jogar aqui é melhor, porque tem outros jogadores perto e fica fácil combinar estratégia”. No momento da entrevista, um menor com uniforme escolar jogava em um dos computadores. Lidiane Mariano explicou que ele só estava ali porque naquele dia sua aula começaria mais tarde. O vereador Betinho afirma: “Eu não vejo a necessidade de fiscalização, mas é preciso que os comerciantes, jovens e pais tenham conhecimento da lei para que possam cumprir as normas e não serem prejudicados posteriormente. Eu criei esse projeto devido às reclamações de alguns pais que me procuraram, porque muitas vezes nós não temos conhecimento do uso que os jovens fazem dessa ferramenta”. Em nenhum dos estabelecimentos havia aviso fixado, informando sobre o limite de horas permitido e o tempo de intervalo entre os períodos de uso, como exige a lei. Falta justificada pelo desconhecimento da lei e inexistência de notificação pelas autoridades. Entretanto, regras importantes adotadas pelos proprietários, como manter crianças em horário de aula longe dos estabelecimentos, são cumpridas com fidelidade.

Lidiane Mariano, funcionária da lah house Macacos.com


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Cinema

CARINA BORTOLINI

Como eu já havia comentado, não pude assistir aos filmes concorrentes ao Oscar 2011. Pude, então, assistir a alguns lançamentos em DVD, como os que se seguem. O longa Minhas Mães e Meu Pai teve quatro indicações, incluindo Melhor Filme. As críticas que li e os comentários que ouvi de quem assistiu a todos os indicados e à cerimônia (nem a ela eu consegui assistir toda!) não foram muito animadores: parece-me que foi tudo muito previsível e que os apresentadores eram muito fracos. Confesso ter ficado aliviada por não ter perdido um ano excelente! Vamos então aos filmes: MINHAS MÃES E MEU PAI (The Kids Are All Right, EUA) Gênero: Comédia Dramática Direção: Lisa Cholodenko Duração: 106 min. Ano: 2010

(Julianne Moore e Annette Bening, esta última indicada a Melhor Atriz) tem um casal de filhos, de forma que cada uma delas gerou um filho de um mesmo doador de esperma, escolhido propositadamente para que os rebentos fossem irmãos biológicos. Quando Joni (Mia Wasikowaska) e Laser (Josh Hutcherson) se aproximam da idade adulta, têm a natural curiosidade de conhecer o pai. Procurando o banco de esperma, descobrem quem é o doador e decidem conhecê-lo; para a feliz surpresa de ambos, ele supera as expectativas. Paul (Mark Ruffalo, indicado a Melhor Ator Coadjuvante) é um homem bacana, moderno, de bons hábitos e encarou incrivelmente bem o aparecimento de dois filhos adolescentes. Mas a interferência desse novo elemento em uma família tão

pouco convencional - mas muito bem consolidada - irá abalar suas estruturas. Merecidamente indicado a Melhor Roteiro Original, soube ser audacioso e transgressor sem deixar de ter lá um certo tradicionalismo. Classificação: 16 anos. SALT (Salt, EUA) Gênero: Ação Direção: Phillip Noyce Duração: 100 min. Ano: 2010

TUDO PODE DAR CERTO (Whatever Works, EUA/França) Gênero: Comédia Direção: Woody Allen Duração: 92 min. Ano: 2009

Eis aqui um autêntico – e excelente – thriller de ação. Muito elogiado, Salt faz jus à bilheteria e ao porte de sua estrela: Angelina Jolie. É maldade dizerem que ela pode se aventurar no drama, mas quem encarna bem mesmo

Tendo ganhado o Globo de Ouro de Melhor Filme - Comédia/Musical, este filme parte de uma premissa ao mesmo tempo imprevisível e possível no mundo hodierno: um casal de lésbicas

é sua Lara Croft de Tomb Raider e similares. Não, Angelina atua direitinho e contabiliza alguns bons dramas, mas tem-se que reconhecer: é na ação que ela se encontra. Ela vive Evelyn Salt, agente da CIA que depois se descobre ser espiã russa que depois... Bem, melhor assistir ao filme. O elenco traz também o ótimo Liev Schreiber (de XMen Origens: Wolverine) como colega da espiã. É de ficar sem fôlego até, literalmente, o último minuto. Classificação: 14 anos.

preensão, há de se ter certa bagagem intelectual, nada é mastigado para o espectador. O fabuloso comediante Larry David (criador da aclamada série Seinfeld) dá vida a Boris Yellnikoff, um brilhante acadêmico aposentado cuja vida se resume a melancolia, elucubrações, sarcasmo e hipocondria. Num lance do destino (e como Allen adora brincar com o destino!), uma jovem tola e irresistível (Evan Rachel Wood) invadirá sua casa e sua vida, mudando por completo suas expectativas e convicções. Com certeza, um dos melhores trabalhos do diretor. Classificação: 12 anos.

Há muito não me divertia tanto numa comédia. Mas não aquela diversão gratuita, causada por piadas fáceis. Afinal, estamos falando de Woody Allen, o mestre da comédia de costumes e dos diálogos ininterruptos. Seu humor é de altíssimo nível, inteligente, instigante, provocativo. Para sua completa com-

Cultura

FERNANDO CHAVES

Arena Cultural quer levantar poeira O Movimento Arena Cultural (MAC) visa à inclusão social através da arte. Em nove meses de existência, o movimento agregou inúmeros músicos, artistas, poetas e atores da cidade em apresentações diversas, voltadas sempre para a promoção do artista local. Criado em meados de 2010, a partir de uma reunião entre músicos da cidade, o movimento visava, inicialmente, à realização de um festival anual da canção em Resende Costa. DJ Afonso, um dos fundadores do movimento, conta que foi decisivo, neste momento, o incentivo da prefeitura municipal e o apoio do voluntário José Márcio Resende. “É difícil ganhar a confiança das pessoas, muitos não botavam fé na ideia, mas com a prefeitura envolvida isso ficou bem mais fácil”, esclareceu

o DJ. De lá pra cá, o MAC não parou de ¬crescer. Diversos eventos foram promovidos, e inúmeras bandas e duplas da cidade puderam se apresentar através do projeto, como é o caso de Heitor & Quinzinho, Lourenço & Leonel, Irmãos Ferreira, Aurélio & Cristiano, Letárgica, Insignes, Transtornados, Handevoo, Mitts, Inxs’s, UAI Garotos, Mistura do pagode, dentre outras. Em pouco tempo, a arena ficou mais abrangente e o MAC passou a contemplar outras formas de expressão artística, além da música. Ângelo Márcio, um dos coordenadores do MAC, conta que acabou não sendo possível a realização do primeiro festival da canção em 2010, por tratar-se de um evento que demanda recursos expressivos e organização

A juventude aderiu fortemente ao movimento

prévia. Em substituição ao festival, o MAC realizou, em outubro do ano passado, o primeiro Circuito do Som, que possibilitou, em três dias, a apresentação de diversas bandas de Resende Costa na Avenida Gonçalves Pinto. “O festival da canção acabou ficando para 2011, pois demanda uma organização maior. É uma das maiores metas do movimento para este ano”, explica Ângelo. Outro evento de sucesso foi promovido pelo MAC em dezembro de 2010. Realizado em dois dias, o Circuito das Artes demonstrou que a Arena cultural deve extravasar as fronteiras da música e dialogar com outras formas de manifestação artística. No primeiro dia de programação, o circuito promoveu um recital no bar da esquina, onde foram declamados poemas de Evaldo Balbino, Adriano Valério, Pedro Frâncis, Ângela Maia e Alphonsus de La Rose. Além do sarau, o evento expôs obras plásticas, pinturas e esculturas de Dona Celina, Ricardo Lemos, Expedito e Gustavo. Já no segundo dia, o Circuito das artes promoveu, no CPP, apresentações teatrais envolvendo membros do projeto Arte por toda parte, da companhia teatral Manicômicos e do grupo teatral Embaixadores da Arte. Uma serenata de natal encerrou as atividades do circuito. No início de 2011, uma parceria entre MAC e IRIS (Instituto Rio Santo Antônio) lançou o projeto Luau nas

lajes, que pretende resgatar a tradição dos antigos festivais de inverno e realizar apresentações musicais e culturais no espaço das lajes de cima. O projeto se une às reivindicações recorrentes na cidade pela retirada do reservatório da COPASA. Segundo os organizadores, trata-se de um dos espaços públicos mais belos e aconchegantes da cidade, um dos lugares mais propícios à contemplação artística. O projeto deve se estender por todo o ano, com apresentação de diversos músicos no largo Nossa Senhora de Fátima, objetivando chamar a atenção das pessoas para a necessidade de preservação e valorização do patrimônio natural, histórico e artístico. O MAC disponibiliza informações diversas sobre o movimento em um Blog, que pode ser acessado através do endereço http://movimentoarenacultural.blogspot.com/. Nesta página, é possível conferir datas, fotos e matérias sobre eventos realizados e sobre projetos em andamento. Conheça os principais Objetivos do MAC: - desenvolver a cultura musical e artística local, propiciando o acesso, principalmente de crianças e adolescentes, ao mundo artístico; - promover a sociabilidade através da educação musical e artística; - possibilitar a descoberta de novos talentos, bem como incentivar os amantes da arte a se profissionaliza-

rem; - incentivar o culto à arte como forma de promover o desenvolvimento de toda a sociedade e - inserir o município de Resende Costa no roteiro de programação cultural do Campo das Vertentes. Conheça as metas do Movimento Arena Cultural para o ano de 2011: - continuidade ao projeto Luau nas lajes, com apresentações musicais ao longo do ano no largo Nossa Senhora de Fátima e nas lajes. O projeto pretende trabalhar, sempre, a consciência ambiental e patrimonial; - realização do I Festival da Canção de Resende Costa. Segundo Dj Afonso, esse evento depende decisivamente do apoio da administração municipal e da Câmara dos Vereadores. Ele explica que o festival é um evento complexo, que pretende contemplar toda a região, demandando, assim, a contratação de um bom equipamento de som para apresentação dos músicos; - promoção do encontro de bandas de música, em parceria com a Banda Santa Cecília. O evento está previsto para meados de 2011; - organização da 2ª edição do Circuito do Som, em outubro e realização da 2ª edição do Circuito das Artes, em Dezembro.


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Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO / ANDRÉ EUSTÁQUIO

Banda Uai Garotos comemora um ano com show na Churrascaria Ramona

No dia 2 de abril, sábado, a Banda Uai Garotos, de Resende Costa, comemorou um ano, com uma bela apresentação na Churrascaria Ramona. Os garotos agitaram o grande público que prestigiou esse momento importante e ao mesmo tempo marcante na carreira desse talentoso grupo. No repertório, além das já consagradas músicas sertanejas, passando pelos clássicos e pelo sertanejo universitário, a banda apresentou duas músicas inéditas, compostas pelos Garotos. A animação da platéia foi a resposta perfeita ao carisma e talento de Douglas, Diego, Luís Paulo, Anderson, Allison, Nathan, Ale-

xandre, Carlos Vinícios e Vicente. No intervalo da apresentação, um vídeo mostrou ao público a trajetória de cada um, revelando, especialmente, musicalidade. Um ano de estrada já marca o comprometimento de um grupo que, embora seja composto por garotos, tem muito claro o que deseja: fazer música com qualidade. Aplausos também para os produtores da Banda Uai Garotos e para a organização do evento, sobretudo para o empresário e proprietário da Churrascaria Ramona, Marcos Teodoro (Marquinhos), que tem apoiado os jovens artistas de Resende Costa. Vida longa à Banda Uai Garotos!

Feliz aniversário, dona Nina!

Dona Nina comemorou 90 anos

Cidade

No dia 28 de março, Maria José Reis, dona Nina, como é conhecida, comemorou 90 anos de idade. Mãe de 4 filhos, 6 netos e 2 bisnetos, dona Nina esbanja bom-humor e muita disposição, sobretudo para o trabalho. Ela ainda faz crochê e faz questão de dizer que “só usa os óculos para essa atividade”. Em outros tempos, dona Nina também realizou o ofício de parteira, em Resende Costa. À dona Nina, os votos de muitas felicidades de toda a equipe do JL.

Tetê e Adriane curtiram o show da Banda Uai Garotos na Churrascaria Ramona

Banda Uai Garotos comemoru 1 ano de sucesso

15 de anos de Gabriela Santos Magalhães Gabriela Santos Magalhães, filha de Rildo Magalhães e Cláudia Santos, comemorou os seus 15 anos, no dia 2 de abril, numa inesquecível festa, no Sítio Beija-flor, propriedade da família. Os convidados curtiram a festa e brindaram com Gabriela, desejando-lhe felicidades nesta data muito mais do que especial. Parabéns, Gabriela!

Gabriela, entre seus pais Rildo e Cláudia

A aniversariante Gabriela, com suas amigas.

EMANUELLE RIBEIRO

Problemas nas antenas repetidoras estão sendo solucionados pela Prefeitura

Nos últimos meses, as antenas repetidoras, que transmitem os sinais dos canais de TV Globo, SBT e Bandeirantes, vêm passando por problemas técnicos. O fato tem causado insatisfação na maioria da população, principalmente àqueles que não possuem antena parabólica. Por isso o JL conversou com o responsável pelo serviço para esclarecer aos leitores o porquê das falhas. Segundo o técnico da Prefeitura Municipal, Márcio Resende (Chiano), os erros na transmissão referentes à Rede Globo são resultados da queima do cabo de entrada do aparelho,

devido ao período de chuvas. “As fortes chuvas acompanhadas pelos trovões são um grande problema e o fato de as lajes não possuírem aterramento facilita os problemas. Foi o que aconteceu com um dos cabos, que queimou. Além disso, nós não podemos mexer nesses aparelhos, que são de responsabilidade da Globo, mas os equipamentos já estão na empresa para manutenção”, esclareceu o técnico. Ainda de acordo com Márcio, os aparelhos devem ser trocados a cada dez anos de uso, como previsto nos termos de durabilidade. Os aparelhos que

o Município dispõe no momento já ultrapassam esse limite, questão que está sendo solucionada pela Prefeitura. Quanto aos problemas de transmissão com a Rede SBT, Chiano explica que “são ocasionados devido às falhas da própria empresa, mas já estão sendo resolvidos e agora com a chegada dos novos equipamentos, tudo deve voltar ao normal”. As falhas relativas à transmissão do canal Band também serão corrigidas. Há um bom tempo, a programação da Band Minas não está sendo transmitida, devido à interferência da

programação de outro estado. “O problema da Band é que houve uma mudança no satélite e agora é necessário comprarmos outra antena exclusiva pra ela, o que também está sendo acertado pela Prefeitura”, afirmou Márcio Resende. Portanto, a população deve aguardar pacientemente. Segundo o técnico responsável pelas antenas repetidoras, a Prefeitura Municipal já está resolvendo todos os problemas, e em breve, toda a transmissão voltará a funcionar normalmente.

As antenas repetidoras foram instaladas numa torre, que fica atrás do histórico sobrado da Câmara Municipal


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Tá ficando chato Não sei se é coisa de personalidade ou se estou ficando velho. O negócio é que dei pra achar umas coisas chatas que não acaba mais. Coisas nas quais eu nem prestava atenção agora se tornaram insuportáveis pra mim. Meu amigo Leovaldo, como você já sabe, é cheio de cismas. Tem mais grilo do que noite no mato. Ele me confessou que também passou por isso. Tudo pra ele era chato, inclusive o espelho. Penteava-se atrás da porta, olhando-se pela greta. Não aguentava se ver no seu próprio reflexo. Até que sua irmã falou que o chato era ele e não o espelho. E, se continuasse assim, terminaria num hospício, cheio de espelhos. O Leovaldo me falou que tudo não passa de uma crise, que um dia essa minha chateação com as coisas vai passar. Sei lá. Acho que isso veio pra ficar. Coisa chata custa pra ir embora. Às vezes, nem vai. Por exemplo: tomei raiva de samba-enredo. É aquela mesma coisa de sempre. Um exagero de elogios, de refrões repetidos, rimas forçadas, expressões sem sentido. E a ala dos compositores? Tem mais gente ali do que na bateria da escola. E mesmo assim, tanta cabeça junta não consegue fazer algo que preste. É, meu irmão, na verdade todo mundo está é a fim de meter no bolso um naco do direito autoral. Também ando implicado com o tal do Papai Noel. Sujeito chato. Trajes ridículos, risadinha irritante, penetra de festa que não é dele, mentiroso porque não traz presente pra ninguém. Além disso, o velhinho gordo é mau exemplo: ensina a entrar na casa dos outros durante a noite enquanto todos dormem. Isso tem um nome... E o berimbau? Um porre. Quer coisa mais chata do que esse instru-

mento sem graça? Não sai daquilo. O monocórdio da Bahia é a apoteose da monotonia. Não sei como o cara que toca berimbau não dorme. E por falar em cara que toca o berimbau, que nome se dá ao cara que toca berimbau? Pescaria... Ficar o dia inteiro parado, olhando pra nada, falando nada, ouvindo nada, pegando nada. O ritual é todo chato. Montar a vara, esticar a linha, sujar a mão pra colocar a isca, sentar no barro, levar picada de mosquito. Depois, levantar-se do barro, recolher a vara, desmontar tudo e ir embora sem levar nada, sem contar nada, sem mostrar nada. Isso tudo é muito chato. O politicamente correto também é diplomado em chatice. Mudaram até a letra do “Atirei o pau no gato”! Dizem os politicamente chatos que essa mudança é ecológica. Ora, que me desculpem, mas a vida inteira eu ouvi cantando que atiraram o pau no gato e nunca vi ninguém jogar pedaço de pau, sarrafo, tora, palito ou qualquer outro tipo de madeira no gato. Desfile de Sete de Setembro é outra coisa chata. Todo ano é a mesma coisa. Mesmo assim, está lá o povo tomando sol nas costas, de pé, olhando sempre pras mesmas pessoas, ouvindo sempre o mesmo ritmo, vendo sempre a mesma marcha. Vem um colégio e o povo grita: Êêêêê!!! Vem outro colégio e o povo grita outra vez: Êêêêê!!! Aí vem mais outro colégio e o povo ali, fiel na torcida: Êêêêê!!! Pra encerrar, aquela turma toda de verde, capacete e baioneta, são soldados indo pra uma guerra que não sei onde nem contra quem. E o povo fazendo coro: Êêêêê!!! Cenas de chatura explícita... Coisa chata é assim mesmo: insiste tanto que a gente continua discordando.

__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

ANO VIII Nº 96 - ABRIL

Retalhos Literários

DE

2011 / RESENDE COSTA - MG EVALDO BALBINO

Piteiras e emplastros

As piteiras são grandes, leques abertos para o céu. Como é possível essa atenção para as nuvens, lá onde o vento as carrega, lá onde elas são arejadas e sopradas? As nuvens são mulheres espaventadas em dia de verão. Faz calor entre os terrões jogados na pirambeira do pasto do Chicão, entulhos do desaterramento em uma construção mais acima do pasto, e as nuvens lá, folgadas, leves e esvoaçantes. Ele gosta delas, atribuindolhes formas, modelando-as como se deseja modelar a vida. Mas o problema são os leques abertos, as piteiras que se abrem para o céu, jogando suas folhas largas para o espaço. Lançam-se, não como a espada de São Jorge contra o dragão, mas como lanças verdes e espinhentas contra não se sabe o quê. Quando ele corta algumas dessas folhas, faz isso sem maldade nenhuma. Todavia não deixa de pensar, com ares de maldade bem ingênua, que o que faz é uma pequena vingança. As piteiras olham para as nuvens e o desdenham, e ele faz dessas piteiras seu joguete, um jogo de camicase. Transformando cada folha de borda espinhenta em prancha, ele pode brincar com a morte. E aí se sente importante, um pequeno vilão, talvez até mais formidável do que os vilões que desfilam nas telenovelas. Como não tem mar em Minas, as ondas de terra, mato e lixo avançam barranco abaixo até morrerem como águas tranquilas lá no fundo do pasto, entre ossadas de animais domésticos, plantinhas sem-

vergonha do campo e cupinzeiros rijos. Surfar hoje promete ser uma atividade feliz. Ele é o mais rápido. Desce pela ribanceira, entre poeira e adrenalina, como um esquiador profissional. Sentado na folha convexa e oblonga, é o marujo dos mares de Minas. O aguilhão na ponta da folha segue uma direção misteriosa. Não se pode saber o que vem pela frente. Os perigos são fartos, no entanto sua coragem de marujo indomável é descomunal. Os cupinzeiros são recifes de coral erguendo-se das águas. Com mãos fortes e ágeis, ele guina a ponta da piteira ora para a direita ora para a esquerda. Assim, desvia a embarcação de todos os obstáculos. As pequenas ossadas são perigosos monstros marinhos, dos quais o garoto se desvencilha astuciosamente. E se um polvo enorme o abraçar com tentáculos mortais, como viu certa vez na capa de Vinte mil léguas submarinas? Se aqueles marinheiros criam no monstro, por que ele não pode também acreditar? Se for atacado, não terá problemas! Os espinhos da piteira serão seu livramento. O grande molusco perderá seu tempo, pois, no contato com os espinhos, haverá de afastar-se amedrontado e com dor. O trajeto pelo qual desce o menino não é tão longo. Porém na infância tudo é imenso. Um mata-burro que se atravessa é uma ponte desmedida, ligando até mesmo mundos distantes e distintos, galáxias diferentes. Enquanto singra os mares de um Júlio Verne, eis que a folha de piteira se choca com uma pedra, e o garoto é arremessado nas águas, ou melhor, na terra. Vai rolando entre poeira e medo, folhas secas, papéis descartados, terra

São João del-Rei

dura e pedras intratáveis. Quando definitivamente para, seu pé direito bate-se contra uma pedra. E a dor é maior do que o medo. É terrível, contudo ainda é a garantia de que está vivo. Chora o menino, e só consegue voltar para casa amparado nos braços dos amigos. A mãe pensa em gritar, puxar-lhe a orelha. Mas a compaixão aplaina o furor. Os cuidados requerem a primazia. Se não há remédio para as capetices de uma criança saudável, há que se buscar a cura para o pé torcido, inchado e vermelho. A vizinha Trindade chega bisbilhoteiramente no quarto em que depositaram o acidentado. Ela vem com bafo de pito de palha, afora dois outros pitos atrás de suas grandes orelhas, um em cada uma. Chega calma, como se na vida tudo acontecesse em câmara lenta. Olha com seus olhos grandes para o menino e receita para a mãe: emplastro de minhoca frita com alho roxo. À revelia dos enjoos e das caretas do filho, a mãe segue o conselho, amarrando-lhe no tornozelo o pano cheio da gosma fedorenta. Nem sobra no pensamento do menino espaço para ter pena das minhocas, tamanha a náusea que o aflige. Choramingando, o audaz navegante vai adormecendo. Vai caindo no sono à medida que a dor some. E sonha. Imagina coisas que não sabe e que ainda lerá um dia: Brás Cubas quis ficar afamado com a invenção de um emplastro miraculoso e nunca produzido. Já a mãe do menino e Dona Trindade fazem bizarros emplastros, vivem sem nunca pensar na fama e nem por isso deixam de ser famosas. Famosas pelas mãos que agora as escrevem.

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

João Afonso assume Associação Comercial são-joanense para próximo biênio Tomou posse no dia 30 de março a nova diretoria executiva da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei), presidida pelo empresário João Afonso Farias. Como não foi apresentada outra chapa, a diretoria foi eleita por aclamação para o biênio 2011-2012. Os vice-presidentes da nova diretoria são os empresários Luiz Gonzaga Cardoso (Ipanema Sport Line) e Artur Coelho dos Santos Monteiro (Pousada Recanto da Alegria). João Afonso, da Greenville Móveis, já foi presidente da ACI del-Rei por duas gestões (2005-2006 e 2007-2008). Em seu discurso de posse, ele disse que vai priorizar a integração da classe empresarial sãojoanense e o papel da categoria na sociedade, no contexto do atual cenário mundial. João Afonso pretende dar sequência ao trabalho de acompanhamento da demanda de serviços solicitados pelos associados da entidade. “Para isso, avaliamos mês a mês o quantitativo e o qualitativo desses serviços e, dentro dessa perspectiva, capacitamos nosso pessoal e equipamentos, além de criar e inovar buscando exemplos implantados nas Associações Comerciais e Industriais dos grandes centros”. Mas o maior desafio, admite, é “alavancar a economia e integrar os beneficios socialmente”. Para isso, João Afonso quer

fazer um calendário anual de cursos voltados para capacitação da mão de obra demandada na região, bem como “estimular o empreendedorismo para que vários empresários aproveitem o momento atual de crescimento e montem seus negócios ou aos que já estão instalados os ampliem”. Ele lembra que a ACI del-Rei já cumpre um papel social importante na cidade e na região, tendo cadeira nos conselhos municipais de todas as áreas, “além da preocupação maior com o desenvolvimento econômico da região”. Por fim, João Afonso enfatiza a importância do associativismo no mundo

globalizado. “Considero importante instrumento para conquistas de uma classe ou categoria no contexto social. O papel da ACI del-Rei hoje não se restringe apenas às demandas de seus associados; traz o compromisso do que esses podem fazer pela sociedade”. Até por conta disso, ele pretende dobrar nos próximos dois anos o atual quadro de associados (700 empresários), por meio da divulgação dos serviços e convênios da entidade. No último biênio, a ACI del-Rei foi presidida por Luiz Carlos Lobato Costa, sob cuja diretoria a associação aumentou em 300 o número de associados.

Na foto, o presidente da ACI del-Rei, João Afonso (dir.) ao lado do vice, Arhur Coelho (centro)


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Religião

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ANDRÉ EUSTÁQUIO

Igreja e fiéis se preparam para as celebrações da Semana Santa Ponto alto da espiritualidade cristã, a Semana Santa é esperada por uma multidão de fiéis que celebram anualmente a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo

No próximo domingo, 17, a Igreja Católica inicia as celebrações da Semana Santa, com a tradicional cerimônia do Domingo de Ramos, momento tocante em que os fiéis rememoram a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. A Semana Santa é um rico acontecimento que reúne fé, tradição e cultura. Em Resende Costa, as celebrações acontecem durante toda a semana, diferentemente de outras cidades da região, como Tiradentes e São João del-Rei, onde a Festa de Passos se dá 15 dias antes da Semana Santa. Padre Geraldo Soares, pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, destaca a importância da Semana Santa para a espiritualidade

dos fiéis: “A Semana Santa abriga o coração do ano litúrgico. Coração é um centro vital que alimenta e dá vida a todo o organismo. O coração do ano litúrgico é a paixão, morte e ressurreição de Cristo. Através desse acontecimento, que é o núcleo do cristianismo, Deus realiza de modo pleno sua intervenção libertadora na história dos homens”. De acordo com padre Geraldo, “a Semana Santa é ocasião favorável para cada um de nós meditar e reviver mais profundamente o que celebramos todos os dias na eucaristia: o mistério central da nossa fé”. O pároco convida os fiéis a participarem com intensidade das celebrações: “importa-nos acolher esse dom e participar ativamente da riqueza que as celebrações nos oferecem nesses dias. É condição para crescermos no amor a Deus e aos irmãos, e assim renovarmos o jeito de viver da humanidade”. Em Resende Costa, a Semana Santa é esperada durante todo o ano e a expectativa dos fieis é grande, sobretudo em relação aos sermões. As missas solenes e as procissões também são bastante concorridas, confirmando a intensa participação do povo, que tem

o privilégio de ainda poder contar com a beleza dos tradicionais cantos litúrgicos, com os motetos e marchas-fúnebres. Nas cerimônias da Semana Santa de Resende Costa, a arte, através da música, das esculturas e das ornamentações, se interage perfeitamente com o sagrado, proporcionando aos fieis a mística essencial para o aprofundamento da espiritualidade. A expectativa também é grande por parte da Igreja. “A minha expectativa é que os paroquianos participem ativamente dos atos internos e externos com muita fé, piedade e devoção. É um momento forte para a comunidade voltar-se para o Senhor e refletir acerca da sua paixão, morte e ressurreição. Espero que todos nós possamos subir ao Monte Calvário com Cristo e fazermos a experiência da oblação nas mãos do Pai, e juntos celebrarmos a vitória da vida sobre a morte”, disse o padre Geraldo Soares. Para maior aproveitamento espiritual da Semana Santa, padre Geraldo orienta aos fiéis a se preparem bem: “Procure se preparar bem para celebrar o mistério pascal de Cristo. É tempo oportuno da Graça de Deus, por

isso faça uma boa confissão, de preferência individual; procure ser pontual nos ritos internos e externos; durante as procissões, conserve o silêncio, pois assim estará ajudando os outros a viverem melhor a Semana Santa. Em síntese: confesse, celebre e viva a semana santificada do Senhor. E que o Senhor ressuscitado abençoe, proteja e guarde todos vocês”. Quaresma e Campanha da Fraternidade - Durante as cinco semanas da quaresma, tempo em que a Igreja propõe a reconciliação e a reflexão sobre a vida, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), através da Campanha da Fraternidade, apresentou o tema “Fraternidade e vida no Planeta”, como reflexão sobre os problemas ecológicos, particularmente quanto ao aquecimento global. A Campanha da Fraternidade deste ano teve como objetivo maior mostrar a gravidade e a urgência dos problemas ambientais provocados pelo aquecimento global. “Devemos nos conscientizar da seguinte forma: mobilizar pessoas, comunidades, Igreja, para assumirmos o protagonismo na

Turismo

construção de alternativas para a superação dos problemas socioambientais decorrentes do aquecimento global”, destacou padre Geraldo. Para ele, ainda é necessário “propor atitudes, comportamentos e práticas fundamentais que tenham a vida como referência no relacionamento com o meio ambiente, além de denunciar situações e apontar responsabilidades no que diz respeito aos problemas ambientais decorrentes do aquecimento global”.

ELAINE A. MARTINS

Mais independente, Conselho Municipal de Turismo de Resende Costa inicia trabalhos e estreita laços com o Instituto Estrada Real Instituído há dois meses, o novo Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), composto por representantes dos setores público e privado, já realizou cinco reuniões e, sob o lema da interação, articula ações para criar uma cadeia de atividades turísticas, pensando também na Copa do Mundo. Em fevereiro, o prefeito Adílson Resende empossou os 24 membros do novo Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), que já realizou cinco reuniões. Nas duas primeiras foram tratados assuntos de ordem burocrática para o funcionamento do órgão e nas seguintes, a elaboração de um calendário oficial de eventos do município, a sinalização da cidade, o estreitamento dos laços com o Instituto Estrada Real

Luís Cláudio (COMTUR), Baques Sana (IER) e Cícero Chaves (Asseturc) articularam ações para o desenvolvimento do setor turístico do município.

(IER), um posto de informação turística, entre outros. Segundo o presidente escolhido, Luís Cláudio dos Reis, o conselho terá como lema a interação. “Não adianta criar ideias mirabolantes ou achar que o turismo deve ser diretamente ligado ao artesanato. O artesanato deve e será parte dos produtos que teremos que avaliar e formatar para transformá-los em produtos turísticos a serem comercializados. A cultura, patrimônio, artesanato e serviços não podem andar separados na cadeia turística” completou. O conselho já está formatando placas de sinalização turística para o município e o IER está contribuindo com esse trabalho. Uma aproximação maior com o instituto aconteceu no dia 19 de março, quando o seu diretor-geral, Baques Vladimir Sanna, a convite do COMTUR, através de Érica Martins, membro do conselho, esteve em Resende Costa. Ele foi recebido pelo presidente e pelos conselheiros Cícero

Chaves e Érica Martins, que também representaram, respectivamente, a Asseturc (Associação Comercial e de Turismo de Resende Costa) e o prefeito Adílson Resende. O encontro abordou questões pontuais para o desenvolvimento do setor, como a implementação de programas e projetos de estruturação e de qualificação profissional e a valorização de pontos turísticos. Para Baques, a cidade e seu entorno têm um potencial turístico ainda não aproveitado, que pode ser trabalhado para se tornar mais atraente e conhecido. “Colocamos o IER à disposição da governança local, a nossa equipe de turismólogos está pronta para, em conjunto com as lideranças e a comunidade, trabalhar e movimentar todos os setores econômicos do município,” afirmou. O fortalecimento da cidade, vista ainda como um simples polo de comércio de artesanato, foi tratado de forma a desenvolver outras atrações: naturais, culturais e gastronômicas.

“Outras ações também devem envolver a sensibilização da população para receber bem os turistas. Entre elas, está a capacitação do pessoal, que terá contato direto com os visitantes, visando aos grandes eventos esportivos que acontecerão no Brasil nos próximos seis anos e colocando Resende Costa e região como local de hospedagem,” pontuou Sanna. Mais independente O COMTUR é formado por 12 conselheiros titulares e outros 12 suplentes, representado o executivo (2), legislativo (2), setor de artes e artesanato (2), setor de hospedagem e alimentos (2), Codema (Conselho de Desenvolvimento Rural e Sustentável) (2), Asseturc (1) e Circuito Trilha dos Inconfidentes (1). Sua primeira gestão está a cargo de Luís Cláudio, presidente e representante do legislativo, Ricardo Lemos, vice-presidente, e Luiz Carlos Martinez Mâncio, secretário-

executivo, ambos do setor de artes e artesanato. O projeto inicial elaborado pelo executivo previa a formação do conselho com 12 membros, mas a Câmara apresentou emenda aumentado esse número, além de atribuir o caráter deliberativo ao órgão. Para Luís Cláudio, que também é presidente da Câmara e membro dos conselhos municipais do Patrimônio Cultural e de Segurança Pública, essa autonomia é essencial. “Se isso não acontecer, o conselho vira um grupo de fantoches. Tudo que é feito com transparência é salutar. Um assessor pode ser o presidente, mas cabe aos conselheiros não deixá-lo achar que é o dono da verdade. A funcionalidade dos conselhos, contudo, depende muito dos seus membros e, no caso COMTUR, a ação da iniciativa privada é de fundamental importância já que, dentre os setores envolvidos, este será o maior beneficiado”, disse.


10 Jornal das Lajes Causos & Cousas

Não se trata aqui hoje de “causo”, mas de uma “cousa”, aliás, triste, também para nossa cidade. Como, infelizmente, “mal de muitos, consolo é”, não é só para Resende Costa, é para o mundo todo. Na Resende Costa de antigamente, a bem dizer, não havia essa profissão ou essa abominável raça de ladrão. Havia algum ladrãozinho de galinha, ou de frutas, mais para farra do que para maldade. Acho que há pelo mundo muitos estudos sobre o tema “ladrão”. Que pode ser estudado sob ângulos os mais diversos: histórico, religioso, ético, econômico, sociopsicológico e até político. Faço uns comentários que tangenciam, de leve e superficialmente, alguns desses tópicos. Começando pela história. Há quem diga que a mais antiga das profissões é a prostituição. Discordo: acho que é a “ladroagem”. Recorrendo à Bíblia, lá no Gênesis já se dá notícia de Caim roubando de Abel. O próprio Jesus Cristo andou envolvido com

ANO VIII Nº 96 - ABRIL DE 2011 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO

Profissão: ladrão

a figura do ladrão. Chegou a compará-lo com a pior desgraça que pode acontecer ao ser humano, a morte, quando disse um dia que ela chega “tamquam fur” (como se fosse um ladrão). E até no Calvário, já agonizando na cruz, estava enrolado com dois ladrões. E um deles era o mau. Acho que o combustível que sustenta a grande maioria dos homens não é a religião, a fé, a ética, as virtudes, nem o amor: é o dinheiro. Confirmem isso lá com o Marx e o Engels. Fé, ética, amor etc. sustentam o homem racional. O dinheiro, o homem animal, ganancioso, irracional, o ladrão. Mas isso é, em princípio, intrínseco à espécie humana, pois diz respeito à sobrevivência das espécies. Mas fé, ética, amor, respeito etc. são valores que podem garantir uma vida em sociedades organizadas, com harmonia entre os homens. Possivelmente sem ladrões. O ladrão escolhe seu alvo em função das circunstâncias: o que for mais fácil, mais rendoso e menos arriscado. Assim, ele ataca e prejudica o rico, o pobre, o

velho, o doente, a criança. Não tem nenhum sentimento de respeito, pena ou remorso ao atacar qualquer pessoa. E o pior de tudo: se precisar, ou mesmo sem precisar, por puro hábito e com frieza, ele mata a sua vítima. Como se mata uma barata pelo chão. O animal mata seu semelhante seguindo as leis da natureza, para a sua sobrevivência e a de sua espécie. O ladrão, não, ele mata por maldade, por ganância. O pior é que a ladroagem é como uma planta daninha ou um cancro, que se propagam rapidamente destruindo o tecido social e difícil de ser extirpada. A sociedade reage com a lei, luta para prender o ladrão. Mas, assim que a própria lei o liberta, ele volta à sua profissão. Uma vez ladrão, sempre ladrão. Todos os dias, os noticiários de rádios, televisões e jornais estão noticiando roubos, assaltos, latrocínios, quadrilhas, bandos, arrastões, sequestros, cativeiros e sei lá quantas coisas mais (haja palavras!). Agora mesmo, enquanto escrevo este texto, ouço pelo rádio que dois ladrões entra-

ram, em pleno dia, numa sala da UFMG (ICEX, setor de Física) onde estudavam quatro doutorandos, um rapaz e três moças. Armados, puseram todos deitados no chão e limparam tudo que eles tinham: dinheiro, celular, notebooks, cartões. Ai deles se algum tentasse reagir. Casas e prédios de nossas cidades (até Resende Costa!) estão virando verdadeiras fortalezas, prisões: cercas elétricas ou do “tipo campo de concentração”, cadeados, câmeras, muros altos, trancas, alarmes eletrônicos, cacos de vidro, vigias e sei lá quantas tralhas mais. O problema é que a tecnologia do ladrão acompanha e supera a tecnologia de casas, prédios, bancos e indústrias. Encerro este parágrafo por aqui. Se continuar, vou acabar escrevendo o “dicionário do roubo” ou “do ladrão”. Jeová, no Antigo Testamento, para proteger o povo hebreu, castigou os dominadores egípcios com as famosas dez pragas. Hoje ele se modernizou e, para castigar os povos que destroem o planeta, vivem guerreando e

Crônicas do Cotidiano

Esse carnaval, feriadão, meus planos foram, literalmente, por água abaixo. Vá chover assim lá na... na monção indiana, lá no Havaí (para não dizer outro nome, um nome muito feio!). Sexta-feira ainda deu prá sair nas domésticas. Mas de doméstica ninguém liga prá nada! Estávamos lá, na casa do Chimbica, ele próprio, eu, o André do Pimpa, o João do Góes, o Duda, o Bieca e o Dr. Luiz, todos femininos como manda a tradição, e o Zezé Espinho, este sem honrar a tradição, no aquecimento: whisky (enquanto durou), cerveja, pinga e tira-gosto. Daí que não precisa explicar o que estava por acontecer. Que água de chuva seria capaz de nos acordar de nosso sonho feminino, de ser mulher um dia no ano? Que água de chuva

se matando entre si, criou uma décima primeira praga, a pior de todas, o ladrão. Como resolver o problema cada vez mais agravante do ladrão, principalmente num país como o nosso? Arrisco a dizer que não há solução, pelo menos nas próximas décadas. Tudo começa com as grandes diferenças de classes sociais, que induzem as pessoas a roubar. Mas nos acostumamos com um estereótipo de ladrão ligado às classes sociais mais pobres, esquecendonos de que há também, e muitos, os ladrões de colarinho e gravata. Eu diria que a única solução passa pela justiça social e pela educação. Educação no sentido amplo: a formação do caráter, pela família e pelas comunidades e a educação formal, pela escola. Mas, infelizmente, estamos muito, muito longe disso. Há quase quatro anos atrás, na noite de 2 de junho de 2007, nossa cidade chorou, consternada e alarmada. A pobreza, a maldade, a ganância, a falta de educação e de respeito pelo ser humano, com apenas um tiro, levaram o nosso Geraldinho, o Geraldinho do Presépio.

RAFAEL CHAVES

Goiabas e carnaval

seria capaz de diluir essas bebidas todas, até virar água fraca? Nenhuma! Pois que chovesse, pois que chova toda sexta-feira de carnaval! Amém! E falando em Zezé Espinho tenho de fazer um parêntesis. O Zezé, aquele mesmo, que há alguns anos nos surpreendia a cada carnaval, a cada domésticas, travestido e incorporado das mais lindas, maravilhosas e características mulheres, não sai mais. Deu-se o título de hors concours, aposentou-se, para nossa decepção. Tem gente que faz falta, O Zezé faz falta! Mas felizmente ele já confidenciou que em 2012 sai do armário. (do arMário embutido!). Aguardemos, aguardemos ansiosamente. Depois das domésticas vem a dor de cabeça, a ressaca. E a ressaca moral, de se ver ali, em frente ao vaso sanitário ten-

tando descobrir a braguilha do vestido, e em frente ao espelho esfregando a cara ainda de batom, sombra e blush - cadê a peruca? Quem sou eu? Que estou fazendo aqui? A mim, o que restava era resgatar os meus planos e minha masculinidade: roça! Lá na roça eu poderia me restabelecer! Chovia, chovia, chovia. Esperei pelo sábado, domingo, segunda-feira, terça-feira, cada manhã, cada tarde, na esperança de a chuva dar uma trégua, de o céu mostrar-se azul, como foi criado, mas nada. A chuva implacável, intermitente, insistiu em cair. Porque ao contrário das domésticas, chuva não combina nem um pouco com roça. Que fazer na roça, se nem o rio Santo Antônio os cavalos conseguiriam atravessar para eu ir lá no Zé Mário da Restinga comer um frango caipira? O

jeito foi ficar na cidade, esperando o que não veio, o tempo bom, ainda que sujeito a chuvas e trovoadas no decorrer do período, mas só no decorrer do período e não o dia todo, como de fato aconteceu. Acabei arrumando um programa de que jamais havia participado. Eu, um são-joanense nato, jamais havia visto desfile de escolas de samba na avenida, em São João del-Rei. Então lá fui eu, no derradeiro dia de carnaval, na terça-feira - que as escolas de samba tiveram, por causa das chuvas, de adiar seus desfiles do domingo - sentado na arquibancada, chuva caindo, vendo as escolas passarem. Valeu a pena! Valeu a pena ver aquela passista cheia de penas e pernas, rebolando na avenida, jogando beijos a esmo. Mas um me acertou: Olha que coisa mais linda

Mais cheia de graça É ela, é ela mais que menina De sexy gingado Sambando na praça... Ah se ela soubesse... Em 2014 o carnaval será novamente em março, junto com a enchente das goiabas, junto com as águas de março fechando o verão. Se viver até lá vou sair nas domésticas na sextafeira, como sempre. Mas tenho um plano “B” para os outros dias. Vou comprar sombrinhas e guarda-chuvas no Paraguai e vender na avenida. Vai chover dinheiro em mim!!! De sorte, quem sabe, ainda tenho a chance e o prazer de ver aquela mesma passista desfilando?! Viva o carnaval e as goiabas! E o monumento aos excombatentes da II Guerra Mundial?


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 96 - ABRIL DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Teatro

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Cia. Teatral ManiCômicos desenvolve em Resende Costa o projeto Arte por Toda Parte

Em junho de 2009 começou a ser desenvolvido em Resende Costa o projeto “Arte por Toda Parte”, pela Companhia Teatral ManiCômicos. O projeto teve início em 2005, em São João del-Rei, e se estendeu a outras cidades da região: Perdões, São Tiago, Lagoa Dourada, Tiradentes e Dores de Campos. “Em Resende Costa, o Arte por Toda Parte chegou através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, oferecendo oficinas e espetáculos teatrais a 25 crianças e jovens atendidos pelo Programa Bolsa Família”, informou o professor Jean Fábio, da Companhia ManiCômicos. Desde a sua criação, o projeto tem garantido a centenas de crianças e jovens o exercício e usufruto da arte através de cinco ações combinadas: oficinas teatrais, espetáculos, formação de educadores, revista cultural e espaço cultural. “Com esse projeto a arte se faz mais presente no cotidiano da cidade, principalmente nas áreas economicamente menos favorecidas. Só em 2008, mais de mil alunos, que haviam tido pouco ou nenhum contato com atividades artísticas, tiveram no contato com a arte uma oportunidade de desenvolverem habilidades, tais como: expressão, criatividade, comunicação, autonomia e auto-conhecimento, além de desenvolverem o fabular, a ludicidade e serem estimulados a resgatar e valorizar a cultura de suas comunidades, produzindo uma elevação da auto-estima de todos”, disse Jean. Jean informou ainda que o Arte por Toda Parte vem crescendo em Resende Costa. No ano passado, além dos alunos residentes na cida-

Apresentação no Teatro Municipal de Resende Costa

de, 20 crianças da comunidade do Curralinho dos Paulas receberam aulas semanais de teatro. “As duas turmas apresentaram as peças criadas ao longo do ano para os alunos da Escola Municipal Conjurados e na Mostra Arte por Toda Parte, no Teatro Municipal de São João del-Rei. As peças “A Vida de Conceição” e “As Três Chuvas” são inspiradas respectivamente na trajetória da parteira Conceição, avó de uma aluna do projeto e nas três fortes chuvas que, revirando o solo do Curralinho dos Paulas, indicam a presença de minério para a exploração – atividade econômica que impulsiona a formação da comunidade”, esclareceu Jean. Para este ano, o projeto conta com a parceria da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Turis-

Aula ministrada na comunidade do Curralinho dos Paulas

mo, além do patrocínio da CEMIG, através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Segundo Jean Fábio, o objetivo é dar continuidade ao trabalho desenvolvido no ano passado. “A gente pretende que mais pessoas possam ter acesso à arte e através dela exercitar a auto-expressão e o olhar para sua própria história”. Cinco turmas receberão oficinas regulares, sendo duas no Curralinho dos Paulas, duas para alunos da Escola Conjurados e uma turma aberta para pessoas acima de 15 anos, que possuem interesse em fazer teatro. De acordo com Jean, “Resende Costa assistirá a oito espetáculos teatrais profissionais. Quatro foram apresentados aos alunos das escolas públicas como boas-vindas ao ano letivo e outros serão apresentados até o fim de 2011. Serão distribuídas gratuitamente duas edições da Revista Cultural ‘Com a Palavra’. O Arte por Toda Parte também contribuirá para a revitalização do Teatro Municipal, promovendo atividades, como aulas e espetáculos”, informou Jean, entusiasmado com as ações propostas para 2011”. Companhia Teatral ManiCômicos – A ManiCômicos surgiu em 1998, a partir de uma ação “despretensiosa” de seis amigos, que queriam apenas fazer teatro. Para tal intento, inventaram um nome e criaram o espetáculo “A Farsa do Cangaço, ôxx!”. Inicialmente se apresentaram na zona sul da cidade de São Paulo, onde residiam. “Com a falta de espaços adequados, a ausência de atividades desse tipo na região, foi uma surpresa encontrar

Dicas de Saúde - Pública

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DR. LUIZ A. PINTO

“As 7 pragas do Egito”: saúde pública Comecemos pela seguinte situação: um casal, ao chegar à luade-mel, trava o seguinte dialogo: “meu bem, agora que vamos viver juntos por muitos anos, preciso te confessar uma coisa”. “Já sei”, disse ele, “você engoliu minha meia...” Ela tinha mau hálito e ele tinha chulé... Bem, conhecidas popularmente como as “7 pragas do Egito”, a caspa, o CC, a sarna, o chulé, a frieira, a unha encravada e o mau hálito ainda coexistem conosco no mundo moderno. Na verdade, são nomes populares para as diversas doenças, simples ou não, que atrapalham a vida de muitos de nós. Algumas têm nomes importantes - a sarna é a “escabiose”, o mau hálito é a “halitose”, as frieiras são “micoses” etc. Trata-se, isto sim, de problemas de saúde pública que frequentemente chegam aos consultórios e cada um deles tem uma abordagem própria. Algumas dependem apenas de cuidados higiênicos adequados, porém outras são doenças que demandam, além desses cuidados, tratamentos medicamentosos específicos. A caspa é doença descamativa e pruriginosa (que coça) do couro cabeludo e tem como causa, fungos, stress, ansiedade. Pode ser tratada com higienização adequada dos cabelos e uso de xampus próprios. O CC, odor forte e desagradável das axilas, pode ser tratado com cuidados higiênicos adequados, além de desodorantes e produtos próprios para isso. A sarna, doença causada por um “bichinho microscópico” de nome Sarcoptes Scabiei, parasita a pele, causando ferimentos e muito prurido (coceira). Essa, principalmente, necessita de uma boa higie-

uma platéia ávida e entusiasmada pelas ruas, praças, parques, centros comunitários e escolas onde a Companhia se apresentou. Foi no encontro com essa nova platéia que a ManiCômicos foi crescendo e desenvolvendo uma maneira própria de fazer teatro”, informou Jean. Após doze anos de estrada, com onze montagens, a Companhia Teatral ManiCômicos está sediada desde 2005 em São João del-Rei e é o primeiro grupo profissional da cidade. Um dos compromissos artísticos e ao mesmo tempo social da Companhia consiste em ajudar a fomentar a prática teatral na região, a partir do encontro com novas platéias e da

ne nas roupas, lençóis e no corpo (banhos). Também deve ser tratada com produtos médicos específicos, mas sua prevenção deve ser feita sempre com bons cuidados higiênicos. O chulé, outra entidade-odor forte emanada dos pés, pode muito bem ser cuidado com boa lavação dos pés, secamento adequado entre os dedos e uso de calçados leves, finos, ventilados e em boas condições. Frieiras são micoses – fungos – entre os dedos das mãos e dos pés. Devem ser prevenidas com higienização e tratadas com produtos médicos específicos (fungicidas). Unha encravada – doença causada pelo corte inadequado das unhas dos pés, além de sapatos apertados e desconfortáveis. Como se vê, tem prevenção. A halitose, conhecida como mau hálito, pode vir de problemas digestivos, mas vem principalmente de cuidados não adequados de escovação e higienização da cavidade oral (boca). Sinusites deverão ser tratadas também. Como se vê, as tais “pragas do Egito” (parece que tal história tem origem na Bíblia, na saída dos hebreus do cativeiro do Egito, sob o comando de Moisés – me desculpem os egípcios pela brincadeira), todas têm prevenção e tratamento. Basta procurar o caminho certo, em serviços de saúde apropriados. Há também piolhos, chatos, outros odores do corpo, outras micoses de pele, enfim, muitas doenças segregadoras de pessoas e que são preveníveis facilmente. Ah, não nos esqueçamos da “dengue”, esta sim, uma doença grave e que depende principalmente de nós, para evitar suas consequências.

busca pelo aprimoramento de suas técnicas. Jean Fábio, responsável pelas aulas e pelo desenvolvimento do projeto em Resende Costa, convida os interessados a se inscreverem na turma aberta. As aulas são ministradas todas as terças-feiras das 15h30 às 17h00 no Teatro Municipal. Para participar, basta comparecer ao local no horário da aula e efetivar sua inscrição com o professor Jean. Mais informações na Secretaria Municipal de Educação, através do telefone (32) 3354-1366, ramal 6, por e-mail: manicomicos.sjdelrei@mgconecta. com.br ou pelo site: www.manicomicos.com.br.


12 Jornal das Lajes

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Giro Esportivo

GERALDO AIRES

Torneio para atletas da categoria de base inaugura a nova fase do Expedicionários

Os primeiros jogos realizados em Resende Costa pelo 2º Torneio Regional de futebol para atletas de até 15 anos de idade aconteceram na manhã de sábado, 2 de abril. Com bom público espalhado pelas arquibancadas do “Estádio dos Eucaliptos” os pequenos atletas do Expedicionários Sport Clube entraram em campo para a disputa nas três categorias da competição: Dentinho, Pré-Mirim e Mirim. O adversário era o bom time da cidade de Conceição da Barra de Minas, treinado pelo ex-jogador do América Mineiro da década de 70, Maneca. Em campo o resultado das partidas demonstrou que as equipes de Resende Costa estão no caminho certo na busca pelos títulos. Pela categoria Dentinho o placar ficou em 5 a 0 para a equipe anfitriã. Na segunda rodada, válida pelo campeonato da categoria Pré-mirim, 2 a 1 para a equipe de Resende Costa. E fechando as disputas na manhã ensolarada, 3 a 2 para o Expedicionários, na competição disputada pelos atletas com idade até 15 anos. Para a efetiva participação do Expedicionários nesta competição regional, que tem previsão para seu término em dezembro, segundo informou o presidente do clube, Flávio Henrique, o apoio incondicional da administração municipal, através do Prefeito Adilson, foi fundamental. “Sem a participação do poder público, com a ajuda do transporte e lanche para o atletas, não seria possível o clube participar desta importante competição regional que reúne, acredito, mais de 2000 crianças”, disse empolgado com a primeira atividade realizada pelo clube neste ano. Nova estrutura - O início da competição envolvendo a garotada da cidade já foi motivo de muito orgulho para os membros da nova diretoria do Expedicionários, que muito vem se empenhando para promover atividades nas dependências do campo administrado pela associação esportiva, como destacaram o presidente e também o vice, Lourenço Andrade. “É um início de um trabalho que está sendo

muito bem planejado. Estamos focados na recuperação da imagem do clube e principalmente na reconstrução de toda a estrutura física, para que possamos retomar as atividades. E não é só para o futebol. Pretendemos transformar toda a área do campo em uma praça esportiva, com a pista de caminhada, que já está pronta, construção de um parquinho e a revitalização de toda área para uso da comunidade”, disseram confiantes. O projeto para o futebol, segundo os principais membros da diretoria, é promover, durante todo o ano de 2011, jogos pelas categorias de base e veteranos e ainda formar uma equipe amadora para a disputa dos torneios regionais. “Temos ambição e todos somos amantes do futebol. Por isso manter as equipes de base em uma atividade constante, promover partidas para a equipe de veteranos e, principalmente, montar uma nova equipe principal para a disputa de torneios é o projeto para esse ano. Isso sem falar na possibilidade de realizarmos um campeonato regional aqui em Resende Costa”, afirmou Flávio, que por muitos anos jogou pela equipe principal do Expedicionários. Investimentos e parcerias - Para a promoção de eventos na área esportiva, como pretende realizar a nova diretoria do Expedicionários, será necessário um grande investimento na recuperação da estrutura de toda área administrada pelo clube. Isto porque, com o passar dos anos e a falta de conservação, toda a estrutura ficou praticamente condenada. Mas como bem destaca o presidente, tudo já está bem encaminhado. “Com a campanha do cimento que realizamos junto com a Paróquia e uma ação entre amigos, na qual sorteamos vários prêmios, já concluímos a pista de caminhada e terminamos a primeira fase dos vestiários, como também uma pequena recuperação dos alambrados que estavam bem destruídos. Por isso acredito que esteja tudo bem encaminhado para concluirmos uma primeira fase de reestruturação de toda parte física”, afirmou Flávio, satisfeito com os primei-

Construção do novo vestiário

ros resultados. A continuidade dos projetos tem agora seu foco principal na concretização de parcerias. A primeira delas é a realização de um bingo beneficente em parceira com a APAE/RC e a Escola Municipal Conjurados. Nesse acordo, como bem destacou o presidente do clube, todas as entidades serão beneficiadas, isto porque, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais apenas terá que vender cartelas e ficará com 40% do valor arrecadado sem nenhum custo para a instituição. Já para a escola municipal o resultado será apurado em 20% da venda das cartelas. “É uma forma de o Expedicionários ajudar e também ser ajudado, pois sem a participação destas importantes instituições não conseguiríamos vender o número necessário para arrecadarmos algum valor considerável. É preciso lembrar que toda estrutura que estamos montando aqui é para uso da comunidade. O parquinho, um dos projetos, será usado pelos alunos do Conjurados em suas atividades externas. É uma parceria em que todos sairão ganhando”, afirmou.

Preocupação de um craque - Apesar de todo empenho da atual diretoria em recuperar a estrutura do clube uma velha situação continua assombrando os atletas que utilizam o campo. O gramado do Expedicionários encontra-se cada vez pior. A situação é tão crítica que a realização da partida entre os atletas da categoria Dentinho pela competição regional, quase foi comprometida, isto porque o técnico da equipe visitante, o Maneca, ex-atleta profissional, não queria deixar sua equipe jogar naquelas condições. “Olha, já trabalhei em várias cidades da região como Barroso, São João delRei, Lagoa Dourada e agora em Cassiterita e nunca vi uma situação como essa. É uma boa estrutura com um campo grande, mas o estado do gramado é lastimável. A minha preocupação é com a saúde dessa garotada que entra em campo pra jogar. È necessário que o Poder Público participe fornecendo recursos para a recuperação do gramado, pois daqui a pouco vai ser impossível a prática do futebol nesse local”, afirmou o ex-jogador que tem muita experiência na área, uma vez que trabalha no futebol de base desde 1984, quando encerrou sua carreira profissional no Fabril de Lavras. E a partida entre os atletas da categoria Dentinho só aconteceu depois da realização de algumas intervenções da diretoria no campo, como a poda de algumas partes do gramado e uma pequena operação tapa buraco no meio do campo. “A situação do gramado é do conhecimento de todos. O JL já publicou várias vezes, mas no momento a diretoria sozinha não tem como fazer. Sei que já recebemos a ajuda da prefeitura nesta fase de

A situação do gramado é péssima, prejudicando a prática do futebol

reestruturação, mas uma grande reforma neste gramado é imprescindível. Por isso deixo aqui o meu recado para o prefeito Adilson, para que pense com carinho num projeto de troca desse gramado, pois sei que será de bom proveito para toda comunidade”, destacou. Banheiro público - Outra reivindicação que chegou até a diretoria do clube é a construção de banheiros públicos no local. Segundo informou Flávio, as pessoas que já utilizam a pista de caminhada pediram que a diretoria intercedesse junto a Prefeitura para que fosse providenciada a construção. “É uma solicitação das pessoas que já estão utilizando a pista de caminhada. E na verdade é uma condição extremamente necessária. Mas a diretoria sozinha não tem como construir. Por isso, já levei a conhecimento de toda a diretoria e vamos, juntos, conversar com a administração e viabilizar mais essa melhoria que muito irá atender a todos os usuários e visitantes”, concluiu. Agradecimentos - “Eu não poderia deixar essa oportunidade passar sem deixar aqui os meus sinceros agradecimentos a toda diretoria do clube, que tem se

empenhado para a conclusão dos projetos. Aos diretores e treinadores das equipes de base Chá-Preto, Xodó, Camilo da Prefeitura e Paulo dos Pintos. À Câmara Municipal, especialmente aos vereadores Paulinho Daher e Bacarini, por todo o apoio recebido no projeto de transferência de recursos para o Expedicionários. Ao prefeito Adilson pelo apoio neste início, que é muito difícil. Ao vereador Fábio, que como voluntário, tem acompanhado os atletas mirins nos jogos realizados na região. Ao padre Geraldo, que muito divulga os trabalhos da diretoria, o que é fundamental para um resultado positivo. A Daniela de Sousa Leite e ao meu pai, Walmir, que muito se empenharam na vendas das rifas e bingos realizados pelo clube. Ao Chá-Preto e ao Vagner de Melo Tadeu que gratuitamente têm trabalhado na construção dos vestiários e ao Tibirrinha, que muito se empenhou na poda do gramado para a realização da partida contra a equipe de Cassiterita. Além de toda população que vem contribuindo para que os trabalhos continuem e a nossos primeiros patrocinadores, os representantes das empresas Itatiaia, Lopas e Ortocrin ”, declarou o presidente do Expedicionários.

Jogadores da categoria Dentinho, do Expedicionários

Quem sou eu? Teste seu conhecimento e descubra Quem sou eu? A caricatura publicada na edição passada é do nosso amigo Egnaldo, o Pato. As caricaturas são assinadas pelo desenhista Márcio.


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