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Na festa de Momo, São Pedro é protagonista
ANO VII Nº 95 - MARÇO 2011 / RESENDE COSTA - MG
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Mesmo debaixo de muita chuva, os foliões foram para a avenida e curtiram os doze dias de carnaval em Resende Costa. Muitos reclamaram, enquanto outros encararam com bom-humor, fazendo até piadinhas do tipo: “esse ano é o carnachuva”. No fim, valeu a superação dos organizadores e, sobretudo, a animação dos foliões. Páginas 06 e 09
As namoradeiras fizeram sucesso no Bloco das Domésticas
Viação Presidente compra ENSP A Empresa Nossa Senhora do Pilar (ENSP), que completaria 50 anos em 28 de abril, foi vendida para a Viação Presidente no dia 20 de fevereiro último. A empresa, que explora as linhas São João del-Rei - Resende Costa (via asfalto) e São João del-Rei - Resende Costa (via Coronel Xavier Chaves), pertencia ao empresário Nizio Alves de Paula desde 1961. Página 03
Foto - Fotopage
SICOOB Credivertentes promove jantar empresarial em Resende Costa A Cooperativa de Crédito Credivertentes reuniu diversos empresários resendecostenses, especialmente os do ramo do artesanato, para um jantar empresarial, que teve como objetivo principal ouvir os empresários sobre suas reivindicações e expectativas. O evento aconteceu no Espaço C&M e contou também com a presença de diretores da cooperativa.
Ônibus da ENSP que faz a linha Resende Costa - São João del-Rei
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2 Jornal das Lajes Editorial
Obra abençoada Nesta edição, o JL publica uma matéria especial sobre a vinda das Irmãs Camilianas para Resende Costa. O colunista João Magalhães debruçou-se sobre o Livro do Tombo da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, escrito pelo monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira entre 1944 e 1987, e nele descobriu toda a trajetória das Filhas de São Camilo, que em 1954 iniciaram uma grande obra, materializada hoje no Hospital Nossa Senhora do Rosário e no Lar São Camilo de Léllis. Transportemo-nos para o passado, para os idos da década de 1950, quando a então Santa Casa pertencia à paróquia, especificamente à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário. Resende Costa ainda era uma cidade na qual tudo era muito difícil. Faltava escola, água tratada, energia elétrica, estrada asfaltada, enfim, esperava-se que o progresso um dia pudesse subir as lajes. Pois não é que ele subiu? E veio também sob os ombros de um padre, que desde que aqui chegou, em 1944, assumiu Resende Costa como sua própria terra. Monsenhor Nelson, a quem o JL já dedicou vários artigos, foi muito além da sua missão religiosa. Ele se comprometeu com a cidade, elegendo como missão zelar pelo bem-estar dos resende-costenses, fazendo-o trabalhando, sobretudo, em prol da educação. Mas também é preciso ressaltar seu compromisso com as obras sociais e com a política local, sempre acompanhado por homens públicos comprometidos com o desenvolvimento do município. É, no entanto, objetivo deste editorial destacar o empenho do zeloso pároco com a vinda das Irmãs Camilianas, a fim de que assumissem a Santa Casa. A história, registrada no Livro do Tombo, revela que este empenho tinha uma razão de ser e que era algo promissor. Parece até que monsenhor Nelson previra o futuro. Após muitas negociações, em 1986, enfim, comemorou, na confidencialidade do seu precioso Livro do Tombo, a passagem definitiva da Santa Casa para as mãos das Irmãs Camilianas. Talvez tenha sido uma das últimas páginas escritas por ele, já idoso e enfermo, vindo a falecer em março de 1988. Como coroamento do seu longo e profícuo pastoreio em Resende Costa, monsenhor Nelson consolidou uma obra que atualmente é um dos maiores patrimônios do município, o hospital. Mas, infelizmente, nosso inesquecível pároco não viveu suficientemente para assistir, da janela da casa paroquial, tantas pessoas entrarem e saírem do hospital, onde encontram atendimento digno e usufruem de excelente infraestrutura. Monsenhor Nelson, se orgulharia e certamente dividiria com seus “conterrâneos” amados, a alegria de saber que o Hospital Nossa Senhora do Rosário, tão bem administrado pelas Filhas de São Camilo, é hoje referência regional. O povo de Resende Costa deve, em cada consulta e atendimento realizados no Hospital Nossa Senhora do Rosário, agradecer ao monsenhor Nelson por mais essa dádiva concedida a nossa terra. Quanto às Irmãs Camilianas, são verdadeiras jóias em nosso meio. São anjos da guarda que aqui chegaram para zelar pelo bem-estar e pela saúde do nosso povo. Todos os agradecimentos a elas ainda são insignificantes, diante de tanta dedicação, amor a uma causa e, acima de tudo, amor a Resende Costa. Voltando ao monsenhor Nelson: assim como muitas cidades homenageiam seus mais diletos filhos e líderes, seria oportuno que para as comemorações do centenário de Resende Costa, em 2012, fosse erguido um belo monumento, um busto, em sua homenagem, na praça Cônego Cardoso. Tratar-se-ia de um eterno e justo reconhecimento por tudo que ele fez pela cidade e por sua gente.
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Jornal das Lajes Ltda Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000
Diretor de redação: Rosalvo Pinto Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Editoração: Rafael Alves Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte Tiragem: 3000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
ANO VII Nº 95 - MARÇO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Religião
PADRE DIRCEU DE OLIVEIRA MEDEIROS*
Campanha da Fraternidade 2011 Consumo responsável, evitar queimadas, não poluir nascentes, não desmatar: eis algumas das atitudes que, certamente, poderão contribuir para a salvação da nossa casa comum, o planeta terra. Neste ano de 2011, com a Igreja, refletiremos sobre a vida no planeta que está ameaçada. Não só a vida humana, mas toda a biodiversidade, os seres vivos de modo geral. O ser humano, através de sua ação agressiva, conseguiu interferir no equilíbrio do planeta provocando as chamadas mudanças climáticas, que são fruto do aquecimento global. A temperatura da terra está aumentando e isto é perceptível! O Planeta está agonizando, como nos adverte o lema da campanha:”a criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22). Porém, resta um fio de esperança incutido nesse versículo bíblico. Se nos conscientizarmos e assumirmos posturas novas, poderemos salvar a terra. Assim, a sua dor não será de agonia da morte, mas de renovação da vida. Só depende de nós e para isto é preciso conversão! Quanto ao objetivo da campanha, não é outro senão, “contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participarem dos debates e ações que visam a enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta”. Esse é um tema bastante atual e que toca a vida de cada um de nós e de toda a sociedade. Aproveitemos nossos espaços de reflexão, reuniões, vias sacras, escolas para aprofundarmos nossa temática. Na verdade, do ponto de vista espiritual, precisamos recuperar a dimensão da sacralidade da criação. A criação ou a natureza não podem ser vistas unicamente como fonte de recursos, que julgamos inesgotáveis e que exploramos com sede voraz. A natureza é sagrada, é manifestação de Deus. Dela devemos nos aproximar com reverência e respeito, afinal ela nos revela Deus. Diz o salmista: “os céus narram a glória de Deus
e o firmamento o esplendor de suas mãos” (Sl 19, 1). Também uma correta exegese (interpretação) do texto bíblico da criação poderá nos auxiliar. Os verbos “dominai e subjugai”, que aparecem no capítulo primeiro do livro do Gênesis, necessitam de uma adequada compreensão. O verbo dominar, por exemplo, provém de dominus, substantivo latino que quer dizer senhor. Dominar a terra ou a criação não significa, em perspectiva bíblica, destruir ou explorar, antes cuidar. O senhor de uma propriedade não a destrói, ao contrário cuida da mesma. Desse modo, o ser humano figura como guardião da obra da criação, que o Senhor Deus entregou aos nossos cuidados. Os efeitos nefastos da nossa ação destruidora já podem ser sentidos. Fenômenos naturais extremos e severos, chuva intensas, seca de mais! Em comunidade ou indi-
vidualmente, aproveitemos o tempo da quaresma para nossa reflexão, sobretudo a respeito da nossa parcela de responsabilidade nesse processo de destruição. Consideremos aquelas mudanças comportamentais que estão ao nosso alcance realizar. Vislumbremos as mudanças sistêmicas pelas quais devemos lutar. Destaco aqui a opção por fontes de energia limpa, como o aquecimento solar, a implantação da coleta seletiva do lixo, dentre outras. Por fim, se tivermos uma conduta coerente, evitaremos o pecado ecológico e o nosso testemunho poderá influenciar os homens e mulheres de boa vontade. Sejamos fermento a levedar a massa da sociedade. Que assim seja! *Padre Dirceu é pároco de Nossa Senhora da Conceição, em Prados (MG). É vigário geral da Diocese de São João del-Rei (MG).
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ANO VII Nº 95 - MARÇO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Economia & Negócios
ANDRÉ EUSTÁQUIO / FOTOS: EUSTÁQUIO PELUZI
Cooperar para desenvolver Na cooperativa de crédito, o associado é o patrão
Um jantar empresarial, promovido pelo SICOOB Credivertentes, reuniu, no dia 17 de fevereiro último, diversos empresários resende-costenses, principalmente do ramo do artesanato. O evento aconteceu no Espaço C&M e contou também com a presença de lideranças da comunidade e diretores da Credivertentes, entre eles o diretorpresidente, João Pinto de Oliveira. Antes de o jantar ser servido, os empresários participaram de uma palestra sobre cooperativismo. “A nossa intenção aqui é ouvir os empresários e saber deles o que desejam, suas reivindicações e, mais ainda, em que podemos atendê-los”, esclareceu Elisa Cibele Coelho, supervisora de comunicação e marketing do SICOOB Credivertentes. O gerente da agência da Credivertentes em Resende Costa, Alessandro Caldeira, destacou a importância do artesanato para a economia local. Segundo ele, “é o artesanato que move a economia local”. Além de apresentar as características e os benefícios do cooperativismo, os palestrantes destacaram a missão do SICOOB na comunidade, especialmente em Resende Costa, cuja agência foi criada em 1995. “A agência de Resende Costa é prestigiada e apoiada pela comunidade. Quero destacar a importância do cooperativismo para o fortalecimento dos valores culturais, da história e da memória da cidade. Chamo a isso de progresso”, disse o diretor-presidente, João Pinto. De acordo com ele, o SICOOB visa a prestigiar a cultura, as tradições e os valores dos municípios onde se faz presente. “Valorizando as tradições e a cultura, como o artesanato em Resende Costa, estaremos estimulando o progresso e o desenvolvimento do município”.
Através da palestra, os empresários puderam se inteirar dos serviços do SICOOB e das características de uma cooperativa de crédito e suas diferenças em relação a um banco. “A diferença é que o nosso atendimento é personalizado e somos de fato parceiros no dia a dia dos negócios dos nossos associados”, disse Herbert Richard, palestrante e gerente de negócios da Credivertentes. O diretor-presidente, João Pinto, também chamou a atenção para a missão do SICOOB no que tange ao desenvolvimento do município e ao atendimento personalizado. “O nosso atendimento é personalizado e estamos presentes no dia a dia da comunidade, gerando empregos e fomentando o desenvolvimento local”. O produtor rural, Afonso Magalhães, é associado ao SICOOB Credivertentes desde 2001 e foi membro, durante dois mandatos, do Conselho de Administração. De acordo com ele, a maior e mais importante diferença do cooperativismo e do associativismo é que “as pessoas são valorizadas, em primeiro lugar, não o capital, o dinheiro”. Afonso pontuou a movimentação dos recursos captados pela cooperativa: “Os recursos captados pela cooperativa de crédito giram na região. E o mais importante: tudo é muito democrático e transparente, todo ano tem assembléia, na qual os associados decidem tudo, inclusive se o dinheiro que sobrou será investido na cooperativa”. Na hierarquia de uma cooperativa de crédito, o associado é o patrão, ou seja, é ele quem define os rumos, diferente de um banco, no qual o banqueiro possuidor do maior número de ações é quem toma todas as decisões. Mas, na avaliação de Afonso, a filosofia do associativismo ainda não foi de-
vidamente absorvida em nossa região: “Eu acredito muito no cooperativismo. Porém, na nossa região ainda é uma ideia inovadora, pois não temos consolidada a tradição do cooperativismo, diferentemente da região sul do Brasil. Precisamos trabalhar muito para desenvolver a cultura do associativismo na nossa região”. Para o futuro da Credivertentes nos 15 municípios da região do Campo das Vertentes, onde se faz presente há mais de duas décadas, o presidente João Pinto garante mais “ações ousadas, além de facilidades e rapidez para empréstimos e financiamentos”. Fazendo um balanço de duas décadas, Afonso Magalhães aprova a atuação da Credivertentes e garante a qualidade dos serviços prestados aos associados e à comunidade: “Quanto a minha experiência de, inclusive, ter participado do Conselho de Administração, posso garantir que a nossa cooperativa de crédito, Credivertentes, é sólida, bem dirigida por profissionais sérios e competentes e por uma diretoria que realmente entende do assunto”. Números - O SICOOB é considerado o maior sistema cooperativo do país e conta com aproximadamente dois milhões de cooperados. São 14 cooperativas centrais e 608 singulares. O seu compromisso é com o desenvolvimento sustentável e responsável. E a sua filosofia estimula a união das pessoas em torno de uma marca, de uma ideia. A Credivertentes - que integra o Sistema SICOOB Crediminas - possui 6.953 associados ativos, um patrimônio líquido de 8,6 milhões de reais e 37,1 milhões de depósitos.
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Viação Presidente compra ENSP, que explora linhas de ônibus para São João del-Rei
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A Empresa Nossa Senhora do Pilar (ENSP), que completaria 50 anos em 28 de abril, foi vendida para a Viação Presidente no dia 20 de fevereiro último. A empresa, que explora as linhas São João del-Rei - Resende Costa (via asfalto) e São João del-Rei - Resende Costa (via Coronel Xavier Chaves), pertencia ao empresário Nizio Alves de Paula desde 1961. Quando Nizio adquiriu a empresa, circulavam na linha as antigas jardineiras a gasolina (na verdade, chassis de caminhão adaptados para o transporte de passageiros). Pouco tempo depois, ele substituiu as jardineiras por ônibus a diesel, no início também adaptados. A Viação Presidente já opera desde o dia 22 de fevereiro as duas linhas de São João del-Rei a Resende Costa. A empresa, com sede em Belo Horizonte, atua na região das Vertentes na área urbana de São João del-Rei; nos distritos de São Sebastião da Vitória e Rio das Mortes; e nas linhas intermunicipais de Tiradentes, Conceição da Barra, César de Pina e agora Resende Costa e Coronel Xavier Chaves. Nizio continua explorando as linhas que circulam na zona rural de Resende Costa. E os filhos Luiz Fernando e Nizio Júnior continuam com a empresa Alforria Transportes
e Turismo Ltda., que presta serviços de fretamento para empresas e faz viagens intermunicipais e interestaduais. Sobre a Presidente A Viação Presidente foi criada em 1976 a partir da junção da Transportes Jacomin e de algumas linhas da Transcolin. Em 2001, adquiriu a Viação Urbana de São João del-Rei e, em 2005, foi incorporada ao grupo Viação Profeta Ltda, de Congonhas. Em 2008, adquiriu a Viação São Miguel, empresa urbana de Conselheiro Lafaiete. A frota da empresa conta com 171 ônibus (média de 6 anos) dos quais 20 novos de última geração comprados em 2008 (mais informações no site www.viaçãopresidente.com.br). Até o fechamento desta edição, o JL não conseguiu falar com a direção da Viação Presidente. Entre os principais problemas que a reportagem do jornal gostaria de abordar com a nova proprietária das linhas, estão a substituição da envelhecida frota de ônibus da ENSP e a falta de horários de ônibus, principalmente nos fins de semana, para atender passageiros que moram em outras cidades e embarcam na rodoviária de São João del-Rei.
Primeiro ônibus a diesel que circulou na linha Resende Costa - São João del-Rei
O gerente da Credivertentes em Resende Costa, Alessandro Caldeira, destacou o artesanato como principal motor da economia local
O gerente de negócios, Herbert Richard, falou aos empresários sobre cooperativismo
4 Jornal das Lajes
ANO VII Nº 95 - MARÇO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Cultura
FERNANDO CHAVES
Oficinas e apresentações musicais prepararam terreno para o Bloco do Cabeção
Em 2011, o Bloco do Cabeção começou a agitar as ruas de Resende Costa bem antes dos dias oficiais de carnaval. Durante o mês de fevereiro, uma parceria entre o IRIS (Instituto Rio Santo Antônio) e o MAC (Movimento Arena Cultural) promoveu oficinas infantis de percussão e de perna de pau nos entornos da igreja Matriz, além de um luau de aquecimento para o bloco, realizado na sexta-feira, 18 de fevereiro, na Praça Nossa Senhora de Fátima, nas lajes. As oficinas de percussão, coordenadas por músicos do Grupo Malumgos, de Prados, tiveram como público alvo crianças e adolescentes de 8 a 15 anos e contaram com a participação de mais de 30 alunos das escolas Assis Resende e Conjurados. A idéia é
montar, ao longo de 2011, uma bateria mirim com instrumentos feitos de material reciclado. Já a oficina coordenada por Abel Júnior, estudante de teatro da UFSJ, ensaiou nas pernas de pau os voluntários André, Bruno e Lucas, a fim de que desfilassem no Bloco do Cabeção. As atividades foram encerradas no dia 18 de fevereiro, com um luau que levou o som de vários músicos da cidade para as lajes de cima. A noite de sexta-feira começou com o batuque das oficinas de percussão e com a movimentação das pernas de pau entre 19h e 21h. A criançada marcou presença e se divertiu com pinturas faciais, pernas de pau infantis e fotografias. O público adulto também compareceu e a Banda Insignes, de Ângelo, Marce-
A Banda Insignes se apresentou no luau, com repertório dos anos 80 e 90
lo, Luís Flávio, Lucas e Fabinho, deu seguimento ao evento com uma bela apresentação de Rock nacional anos 80 e 90. Entre 22 e 23h, o som ficou por conta da Banda Mitts e da Banda Transtornados, com a participação de Guerra, Sandro, Arlen e Allan. Por fim, o palco esteve livre para a apresentação e o improviso de vários músicos. Robson, João Paulo, Flávio Assis, Douglas e companhia animaram o fim da noite com uma hora de diversidade musical e de improvisação. Para Ângelo Márcio, coordenador do MAC, as oficinas de percussão superaram as expectativas, havendo comparecimento e envolvimento expressivo das crianças. “As oficinas revelaram uma carência no que se refere a atividades de lazer e cultura voltadas para crianças. Já o luau de encerramento mostrou a qualidade de nossos músicos e o potencial das lajes para receber eventos culturais, além de sinalizar para uma nova parceria entre IRIS e MAC”, observa Ângelo. Segundo Robson Assis, do IRIS, o movimento arena cultural tem despertado nos músicos jovens da cidade a idéia de que é benéfica e necessária a associação entre eles e de que é possível defender os interesses da classe musical em conjunto, independente das diferenças de cada grupo musical, seja de estilo ou de público. Para ele, o luau de encerramento das oficinas não
só mostrou mais uma vez o potencial dos músicos do MAC, mas anunciou, também, uma nova parceria: IRIS e MAC. “São dois movimentos autenticamente jovens, comprometidos com
Público presente no luau
Alunos que participaram de oficina de perna de pau
Perfil Algo não recomendável, mas comecei a escrever esta matéria pelo título, o que me deu um trabalho enorme, devido às várias ocupações e contribuições de José Ramos a Resende Costa. Pensei em “J. Ramos, pura sustentabilidade” ou “J. Ramos, a força da herança paterna”. Esse último até que cairia bem, devido às características semelhantes entre pai e filho, mas depois de muito pensar, eu decidi explorar seu lado palhaço, já que vivemos há poucos dias o carnaval, e foi super-divertido. Pelo visto, eu não fui a única que resolveu abordar o Zezinho palhaço, a organização do Cabeção pensou da
J. Ramos, o eterno Palhaço
o incentivo à cultura e que trazem, através do IRIS, a bandeira do meio ambiente. É uma parceria que tem tudo pra dar certo”, afirmou Robson.
EMANUELLE RIBEIRO
J. Ramos, eterno palhaço
mesma forma e ele recebeu uma bela homenagem na edição 2011 do Bloco. Para mim, nenhuma surpresa, afinal, são mais de 50 anos promovendo a alegria de muitos no carnaval, função que herdou do pai, Célio Ramos. O Cabeção levou pra Avenida o circo, repleto de artistas da cidade e região, todos guiados pelo brilho do palhaço Zezinho, com a tradicional lâmpada no nariz, batendo seu tambor e carregando seus bonecos. E depois de tanto tempo à frente do bloco dos palhacinhos, J. Ramos comunica: “Eu vou passar a bola pra frente, ano que vem eu não estarei mais a frente dos palhacinhos, algumas crianças irão guiá-lo. Minha época já passou, são 51 anos no carnaval e agora eu quero ver outra pessoa levando isso adiante, mas é claro que eu vou estar atrás dos panos”. Zezinho fala orgulhoso de suas palhaçadas e se emociona ao se lembrar de seu pai e de seu grande amigo, outro palhaço, Antônio Resende. Ao mesmo tempo, seus olhos transmitem a alegria de alguém que sempre será lembrado pelos carnavalescos resende-costenses. Pessoa simples, de origem humilde, Zezinho carrega o mundo em seus braços e quer conhecê-lo melhor. Uma
das maiores vontades do comunista Zezinho é conhecer Cuba, país de Fidel Castro, o qual é seu grande ídolo. E segundo ele, essa viagem está próxima de ser realizada. Zezinho conta que se todos os documentos estiverem prontos até o fim de 2011, em janeiro do próximo ano ele segue pra Cuba de moto. Um dos grandes precursores do carnaval resende-costense, José Ramos também é catador de materiais recicláveis e é um grande responsável pela manutenção da limpeza em Resende Costa e ainda, o que é superimportante, contribui ativamente com a preservação ambiental. Todos os dias, Zezinho percorre praticamente toda a cidade em busca de papelão, plástico e outros materiais recicláveis. Não é exagero ligar o termo “sustentabilidade” ao nosso amigo palhaço, pois além de recolher o lixo reciclável ele é produtor de húmus, matéria orgânica eficiente para a adubação e recuperação de solos. O “Fidel Castro mineiro” convidou o JL a conhecer sua produção e mostrou com dedicação cada processo da fabricação, desde a matéria orgânica utilizada na produção à separação do húmus. Processo interessante e o mais impor-
tante, totalmente natural. O mais legal foi observar a delicadeza com a qual ele cuidava da produção e, principalmente, das minhocas, animal usado no processo. Quando chegamos à última etapa da produção, Zezinho, sem se preocupar convocou: “Vem cá você, põe a mão aqui e sente a leveza da terra, totalmente diferente do que a gente viu na primeira parte, sem medo, pode afundar a mão”. Com cautela comecei a tocar a terra e percebi de qual leveza ele estava falando... Além de tudo o que eu citei, J. Ramos ainda encontra tempo para escrever e seu computador é ocupado por uma quantidade significante de frases, textos e anedotas. O comunista possui também muitos cadernos preenchidos com suas criações, além de livros, nos quais busca inspiração. Ainda tem mais, Zezinho foi por muito tempo narrador de campeonatos de futebol e ele afirma ter narrado também campeonatos de sinuca: “Sério mesmo, eu narrei campeonato de sinuca no bar lá da Avenida, eu sou maluco, doido de tudo!” (risos). Durante trinta anos, Zezinho enfrentou problemas com o alcoolismo, chegando a ingerir três litros de cachaça diariamente. De acordo com ele, foi
Deus quem o livrou desse mal: “Eu sou medium, vocês sabiam? Alcoólatra por trinta anos, certo dia cheguei em casa à noite e ele (Deus) apareceu pra mim por duas vezes e disse: ‘Zezinho, amanhã você não bebe mais, não bebe!’. No dia seguinte eu larguei a bebida”. Catador de reciclável, produtor de húmus, escritor e narrador, o comunista palhaço nunca será esquecido. J. Ramos, mesmo se afastando do Bloco dos Palhacinhos como disse, será nosso eterno palhaço!
Camarada Zezinho em sua farda de comandante Fidel
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Regional
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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Estudo aponta “chacina social” no bairro são-joanense Alto das Mercês No bairro Alto das Mercês, em São João del-Rei, “as garantias constitucionais mínimas não estão sendo respeitadas e, diante de tanta arbitrariedade, esquecem da necessidade que os seres em condição de pessoas em desenvolvimento precisam para se tornarem pessoas de bem. Muitos estão à mercê da sorte”. É o que constata o trabalho “Criminalidade e chacina social no Bairro Alto das Mercês – SJDR (Uma visão sistêmico-jurídica do menor infrator)”, apresentado em 2008 por Taiana Toussaint de Paula ao curso de Direito do Instituto de Ensino Superior “Pres. Tancredo Neves” (IPTAN) para a obtenção do bacharelado. Esses menores estão “abandonados pelo sistema e pelos anseios aos quais almejam”, tendendo a “tornarem futuros criminosos, pois vêem (no) desvio de comportamento a solução para se igualarem aos demais cidadãos”. O trabalho procurou identificar a origem da criminalidade no bairro, que envolve em sua maioria desvios comportamentais de menores infratores. A monografia de Taiana foi desenvolvida sob a orientação do professor Márcio Eurélio Rios Carvalho. Uma pesquisa com a população do bairro, apresentada no trabalho, mostra que, no contexto de criminalidade urbana, essas pessoas são despossuídas de recursos sociais e econômicos e convivem cotidianamente com a violência em suas diversas manifestações. Os dados da pesquisa permitem concluir que “nem todos os cidadãos da comunidade estudada recebem as garantias constitucionais que lhes são de direito. Analfabetismo, água sem tratamento, lixo e
esgoto a céu aberto, pessoas sem iluminação, doenças e desordenada condição de gestantes, principalmente na fase adolescente, mostram um bairro carente, com pessoas de baixa renda e que sofrem com a chacina social”. Segundo avaliação do 38º Batalhão da Polícia Militar, citada no estudo, o bairro Alto das Mercês é considerado área de risco. O cruzamento de dados da PM permite mostrar o impacto da violência no bairro e na cidade. Estes crimes envolvem, em sua maioria, menores nas tentativas de homicídio, furtos, roubos e tráfico de entorpecentes, entre outros. “É dentro deste contexto que se encontram muitos pontos que contribuem para os altos índices da chamada chacina social. Um bairro dividido por pobres e miseráveis, com poucas ruas asfaltadas e até mesmo sem calçamento, falta poder público, transporte, lazer, creches, escolas, praças e até mesmo o saneamento básico adequado.” “A realidade é feita de carências em todos os sentidos. Diante de signos de pobreza e exclusão social, tudo contribui para a disseminação da criminalidade, sejam as condições precárias de moradia, com os becos, betas, enfim, o cotidiano de crianças e adolescentes nas mãos de uma comunidade com muito pouco a oferecer-lhes.”
ligada às práticas da chacina social existente. Aponta o impacto da organização desestruturada da comunidade, no que concerne às relações cotidianas, e ressalta algumas conseqüências dessa situação social desigual. Também avalia o impacto das omissões do Estado na vida das pessoas, principalmente daquelas consideradas em fase de desenvolvimento. E conclui que existem soluções plausíveis, desde que os cidadãos deixem de ser passivos e exijam do Estado as garantias constitucionais que lhe são devidas. O trabalho demonstra a importância do ambiente em que o menor está envolvido, bem como a estrutura que o compõe, para que fatores negativos no âmbito da escola, da família, da sociedade e do Estado não sejam responsáveis pela sua marginalização. Por chacina social, entende-se, assim, “todas as omissões e ações cometidas pelo governo contra os
Sobre o bairro Alto das Mercês
Pessoas transitam em becos sem calçamento e iluminação
direitos sociais e constitucionais do cidadão”. Esses “crimes sociais” abrangem a falta de acesso à educação, saúde, moradia, lazer e trabalho. O trabalho propõe “apoiar políticas sérias e desenvolver ações para assegurar os direitos da infância e juventude, sem detrimento à sua subsistência, e exigir do Estado condições reais de reestruturação na órbita da sociedade (de maneira a) extinguir a chacina social e demonstrar que as infrações não são apenas questões de opção, mas falta de apoio”.
Alta incidência de criminalidade A monografia de Taiana mostra que a alta incidência de criminalidade no bairro, sobretudo decorrente de atos infracionais, está diretamente
Residências no Alto das Mercês
O “time celestial” do resende-costense Irami Coelho, na Paisagem do Lar
A Paisagem do Lar, que existe há mais de 50 anos na rua Sebastião Sette no centro de São João del-Rei, fez a pedido da reportagem do JL o time das imagens mais vendidas pela loja: São Geraldo, Santo Expedito, São Miguel, São Judas, São Sebastião, Santa Edwiges, Santo Antônio, São Jorge, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Nossa Senhora do Carmo. A loja pertence ao resende-costense Irami Coelho, que mudou para São João del-Rei com um ano de idade. Filho de Aristides Assis Coelho e Sílvia de Lourdes Coelho, ele começou a trabalhar como empregado aos 15 anos de idade na antiga “Loja
Assis Filho”, que a partir de 1966 passou ao seu comando com o nome de Paisagem do Lar. A tradicional loja, denominada “Centro artístico da Cidade dos Sinos”, comercializa imagens, crucifixos, terços, orações, medalhas, escapulário e bíblias. Entre os serviços oferecidos, estão molduras de alumínio ou madeira para retratos, espelhos, telas a óleo e paisagens; porta-retratos; oratórios e reformas em geral. Há 44 anos à frente do negócio, Irami teve Mozart como sócio, parceria que durou 40 anos. Nos últimos 10 anos, o neto de Zequinha de Lourdes e de Tunico Chalé têm na esposa Arlete seu braço direito na loja. Sem
falar dos filhos Adilson e Tânia (professora), que começaram ainda crianças a ajudar o pai, e do filho Luis Car-
los, que por lá ficou até ingressar na faculdade de medicina.
Irami e o Time Celestial da Paisagem do Lar
O bairro Alto das Mercês, localizado na parte alta da cidade, encontra-se nas encostas do núcleo mais antigo e tradicional da cidade, relata a autora da monografia. É habitado por famílias de baixa renda, desde as atividades de exploração do ciclo do ouro e invasões típicas da urbanização de favelas. “É uma periferia de pouco acesso, plenamente em conflito por território, por sobrevivência em diversas atividades, conformando um estilo de vida que pode ser traduzido, de modo geral, por resistência à exclusão e isso inclui a transgressão e o crime.” Segundo informações dos moradores, há dificuldades de acesso a ambulâncias e viaturas por ser uma área ladeirosa onde as subidas e descidas marcam frequentemente o fim de uma comunidade e o início de outra. Também nota-se que a arquitetura auxilia a vigilância dos chamados “líderes do tráfico” e até mesmo as fugas por ter lugares desconhecidos pelas autoridades e que somente os moradores conhecem. A característica mais marcante do Alto das Mercês decorre da sua história, ou seja, a de “ter surgido em meio às locas de pedras, denominadas “betas”, onde até hoje é possível encontrar ouro. De fato, esse tipo de relevo propicia também a disseminação da criminalidade, pois o que servia de local para extração de minério hoje, segundo os próprios moradores, serve para esconder foragidos, drogas, armas e até mesmo para ocasionar tentativas de homicídios”. A questão da menoridade tornou-se relativa a partir da quebra de costumes e da idéia de vínculo da problemática com a responsabilidade da sociedade. O abandono é visto pelos juristas como o primeiro estágio trilhado por centenas de crianças, cujos genitores não lhes ofereciam o mínimo de subsistência. E, após a convivência com influências negativas do espaço urbano, crianças e adolescentes se enveredaram para o mundo do crime. Pesquisas realizadas no bairro mostram que “a população não é constituída por marginais portadores de desvios ou deficiências individuais adquiridas. Percebe-se o fenômeno da marginalidade como resultado da incapacidade das pessoas viverem dentro dos padrões sociais ditos como ‘normais’ tornando-se insubmissas aos valores tradicionais”.
6 Jornal das Lajes Carnaval 2011 O pré-carnaval de Resende Costa já é sucesso absoluto e tem atraído cada vez mais foliões que usam e abusam da criatividade. O objetivo é caprichar
ANO VII Nº 95 - MARÇO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG POR EMANUELLE RIBEIRO E ANDRÉ EUSTÁQUIO
Carnaval em imagens
no visual, a fim de garantir a melhor fantasia, a mais ousada e irreverente. Neste carnaval, o JL saiu às ruas e flagrou cenas antológicas. Destaque,
como sempre, para o tradicional Bloco das Domésticas. Além da criatividade e animação, os blocos têm revelado a tendência do carnaval de Resende
Costa, ou seja, a valorização das suas raízes e tradições. Confira algumas imagens que marcaram o carnaval 2011 em Resende Costa. No site www.
jornaldaslajes.com.br, veja a galeria de fotos.
A rã, a rã, a rã...
Sorte de quem ficou com o +4
Olhem as margaridas!
O Carnaval não tem idade, vale a criatividade!
No fim da festa, quem salvou quem?
Kid vinil
Jogando e confundindo
Fantasias criativas e animação - essa dupla te dá asas!
E agora, quem poderá me defender?
Beba com moderação!
A saideira
Sem comentários...
Em dia de chuva, até Batman improvisou uma nova capa
Adocica, meu amor, adocica...
Presidente em férias
Olhando e avaliando
Pura safadeza!
Pirateando o Carnaval 2011
O que Deus uniu o carnaval não separa
E na discoteca do Chacrinha...Renatinha
Jornal das Lajes
ANO VII Nº 95 - MARÇO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Aconteceu
Quem enfrentou as noites chuvosas para curtir o carnaval não se decepcionou. Nem mes-
Juninho e João
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EMANUELLE RIBEIRO / ANDRÉ EUSTÁQUIO
Dançando na chuva
mo a chuva intensa segurou em casa a galera que esperou o ano todo pela mais badalada
festa popular do país. Neste ano, para entrar na folia, valeu até mesmo a improvisação. Em
A capa de chuva tornou-se adereço no carnaval 2011
Resende Costa, na avenida se viu foliões improvisando capas e literalmente dançando na
Sheila e Gustavo
chuva, com o guarda-chuva nas mãos.
Amigos curtiram o carnaval de Resende Costa
Carnaval de Prados atrai foliões de todos os lugares O carnaval de Prados é considerado um dos melhores da região: muita gente bonita, som
até altas horas da madrugada, desfile das tradicionais escolas de samba “UCA” e “Gato pre-
to” atraem milhares de visitantes todos os anos. Além disso, devido à chuva que atingiu o
Nathany comemora 15 anos No dia quatro de fevereiro último, Nathany Resende Campos comemorou seus 15 anos numa festa inesquecível. Durante a Missa em ação de graças na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, a debutante agradeceu a Deus por todas as graças recebidas e pela dádiva da vida. Após a celebração da Missa, Nathany recebeu, emocionada, os convidados no Espaço C & M, onde brindou o momento especial. Os pais de Nathany, José Almir e Cleide, e seu irmão Matheus, compartilharam com ela todo o encanto e magia desta data e lhe desejaram muitas felicidades: “Que esta data seja o ponto de partida para as realizações de sua vida e que esta seja sempre marcada pela sinceridade da infância e pelo dinamismo da juventude”, com o carinho de seus pais e se seu irmão. O JL faz coro aos familiares de Nathany e deseja-lhe muitas felicidades!
Carnaval 2011, tendas foram distribuídas pela cidade, iniciativa que deu certo e agradou
aos carnavalescos.
Sirlene e Fábio se casaram em cerimônia marcante Fábio e Sirlene
No dia 5 de Fevereiro último, Maria Sirlene e Fábio se uniram em matrimônio numa tocante e bela cele-
bração na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha. Os noivos receberam os convidados no Espaço C & M.
Maria José completa 90 anos Nathany comemorou seus 15 anos, recebendo os amigos e familiares numa festa inesquecível
Nathany, com seus pais, José Almir e Cleide e com seu irmão, Matheus
No dia 6 de março, Maria José Coelho, a Nhanhá do Capoeira, comemorou em grande estilo seus 90 anos de vida. A data foi marcada pela celebração da Santa Missa na igreja do Rosário e uma recepção no C&M. Familiares e amigos próximos estavam presentes comemorando com a aniversariante. À Dona Nhanhá nossos parabéns e votos de outros muitos anos de vida repletos de realizações!
Dona Nhanhá celebra seus 90 anos
8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Brancas nuvens Mais uma edição do BBB. Onze anos no ar. Tenho o orgulho de dizer que nunca, jamais em minha vida vi um só minuto desse programa. Nunca vi a cara de uma dessas figuras. Sou ocupado convicto e não tenho tempo para prestar atenção a desocupados convictos. Pelo que sei, ganha quem fica mais tempo entregue à vagabundagem e à intriga. Isso não é novidade em nosso país, até mesmo nos altos escalões. O que me preocupa é a lição de casa que o povo aprende: vale a pena ser vagabundo. Comida paga, piscina liberada, academia de ginástica, fama, dinheiro, luxo... E tudo isso sem precisar trabalhar. É só ficar seminu e batendo papo, jogando uns contra os outros. Reality show... Pra mim, deveria ser reality shower, ou seja, dar uma chuveirada nessa lambança de realidade. Dizem também que o BBB é a vitrine da Playboy. E aí fica aquele negócio: uma parte é vagabunda e a outra é bunda vaga. Fico pensando nessa garotada de cabeça fácil que acompanha esse lixo pela TV. Essa mesma garotada se diz cabeça aberta. Concordo: a cabeça é tão aberta que entra qualquer porcaria. E o que entra fecha a cabeça por dentro. Com isso, os olhos não veem o subliminar, os ouvidos não escutam o subentendido e a inteligência boceja até dormir com pijama de burro. E todos dormem tranquilos na inteligência rasa da aldeia global. Voltando ao pessoal do pro-
grama: pessoal que fica confinado ao conforto e ao nada que fazer. Pois é, viram celebridades. Ainda bem que são celebridades rápidas, tão fugazes que no ano seguinte ninguém se lembra mais delas. Pelo menos, há algo positivo nisso: as celebridades são celeridades. Viva o à toa! Viva a ociosidade! Viva o vazio cultural! Viva o programa que fez voto de pobreza: pobreza de princípios. Faço parte de uma pequena parcela que pode pagar por uma televisão de alguma qualidade. Sou privilegiado por não ser obrigado a me entorpecer com tanta droga midiática. Há tempos que não sei o que é canal aberto. Não é novidade: aquilo que é de graça para o povo só pode ser de baixa qualidade. Não quero nem vou engolir goela abaixo o sabor amargo do BBB: Boçalidade, Baboseira e Baixaria. Não sei a quantas anda o tal programa, se está no meio ou no fim. É mais um que vai passar em brancas nuvens. Você pode me perguntar se são brancas nuvens mesmo. Se não tomo conhecimento desse programinha, então por que estou falando dele? Simples: é que ontem alguém me falou que o BBB desse ano está sendo o pior em termos de audiência. Então resolvi colocar o que está virando nada nas minhas nuvens brancas. E o tal do BBB continua sendo um nada navegando em outro nada.
__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
ANO VII Nº 95 - MARÇO
Retalhos Literários
DE
2011 / RESENDE COSTA - MG EVALDO BALBINO
Crônica de um educador
Assisti outro dia a um evento na Universidade Federal de Minas Gerais. Tratou-se da entrega de diplomas e medalhas a alunos vencedores da Olimpíada Mineira de Química de 2010: a OMQ, sigla entre outras siglas, esta mania de batizar, num relâmpago, muito do que existe. O que pude presenciar desde o início da cerimônia foi um triste índice. Triste e óbvio para as mentes antenadas de hoje. Não me lembro aqui de números, mas digo do que presenciei. Falou-se da quase ausência de escolas do lado norte de Minas Gerais nas Olimpíadas. Para cima de Belo Horizonte, praticamente nenhuma instituição de ensino marcou comparecimento no processo. Tudo bem que se discutiu sobre futuros projetos nos quais buscarão a entrada de tais estabelecimentos na OMQ. Sobre outro fato, no entanto, ninguém nada comentou. O de que praticamente 100% das escolas premiadas são da rede privada de ensino e, espantosamente, situadas em Belo Horizonte. Centramentos políticos e outros centramentos andam de fato juntos. Nomes conhecidos de escolas desfilaram perante os olhos e os ouvidos da plateia, composta em sua maioria por alunos e seus familiares. Não cito nomes, pois talvez isso não seja politicamente correto. Além disso, propagandas como as que presenciamos são insuperáveis. Basta dizer que são escolas da nata econômica da capital mineira. A exceção ficou por conta de algumas poucas escolas estaduais e uma municipal.
Diplomas de honra ao mérito, medalhas de bronze, prata e ouro foram distribuídos. Não faltaram, em alguns momentos, cumprimentos característicos entre alunos de colégios militares e um professor também militar. Confesso que, diante de tais saudações, eu teria me emocionado se tudo tivesse acontecido sob os auspícios parnasianos do Hino Nacional. Nada contra o Hino, que é belíssimo a despeito de suas ideologias equivocadas. Mas miro sempre de soslaio essas pantomimas engraçadas que andaram inventando no passado e que ainda hoje muitos papagaios repetem. É sinal de respeito, defendem. E fico me perguntando o que entendem pelo verdadeiro respeito. As exceções são sempre atraentes. E eis que um desses alunos militares quebrou o protocolo, passando pelo professor militar e cumprimentando-o educadamente como fazem os mortais: deu-lhe apenas um aperto de mão. Falando ainda das exceções, cheguemos agora à escola municipal, a bendita fruta entre as “maiores”. Ao final do evento, uma professora, que doravante é a coordenadora da OMQ, fez uma homenagem às escolas cujo maior número de alunos obteve diplomas e medalhas. Citou a Escola Municipal Paula Assis, cravada no povoado onde nasci há 34 anos, o Ribeirão de Santo Antônio. E falou das condições da zona rural, da ausência de telefone e de outras modernidades, fatos esses que não impediram o mérito de um aluno ali ter obtido uma medalha de bronze. O nome da escola, diferentemente dos demais nomes, foi projetado todo ele em letras maiúsculas numa tela diante dos nossos olhos. Quando a diretora Vir-
Cultura
gínia foi pegar o troféu dado à escola, a plateia bateu palmas mais fortes e mais duradouras. Confesso que neste momento, o das palmas destacadas, me emocionei muito. E não se trata aqui de bajular o meu sobrinho Rodrigo, o ganhador da medalha de bronze, a Eunice, sua professora de Química também homenageada, nem a Escola Paula Assis, que recebeu um bonito troféu. Eles não precisam disso, e tampouco eu preciso me sujeitar a tal atitude. O que busco é parabenizá-los como se faz a uma equipe que trabalha. E o mesmo faço em relação a todas as escolas públicas do país. Essas escolas, computando aqui as minhas eternas Escola Estadual Assis Resende e Escola Estadual Conjurados Resende Costa, contam com professores e alunos que realmente querem chegar a algum lugar e que estudam para isso. Esta crônica não vem apenas das mãos de um parente do aluno premiado ou de um conterrâneo da escola galardoada. Do mesmo modo ela não vem de um binarista, que sai por aí acusando escolas particulares de Lobo Mal e defendendo as escolas públicas como se fossem pobres cordeiros. Toda escola é bem-vinda e não sou de um marxismo reducionista. Esta crônica vem é das mãos de um educador. De alguém que acredita em sonhos possíveis. De alguém com a consciência de que para sonhar não se paga, bastando apenas (o que já é muito) arregaçar as mangas e correr atrás dos sonhos. E tudo isso, apesar de tudo. Um tudo que se resume nos descasos que vêm sofrendo nossas escolas públicas há tempos.
ROSALVO PINTO
Academia de Letras de São João del-Rei: posse de nova diretoria
No dia 27 de fevereiro, domingo, os associados da Academia de Letras de São João del-Rei se reuniram, em sua sede, no andar superior da Biblioteca Pública Municipal, para a cerimônia de posse de sua nova diretoria. A cerimônia foi coordenada pelo acadêmico senhor Abgar Campos Tirado, o qual deu as boas vindas a todos, nomeando os sócios e os convidados presentes, entre os quais o representante do Jornal das Lajes de Resende Costa. O presidente nos dois últimos mandatos, doutor Wainer de Carvalho Ávila, abriu a sessão com um brilhante discurso, agradecendo a presença de todos e fazendo breve relato das atividades da academia nos últimos anos. Ato contínuo, após a leitura da ata da reunião anterior, deu-se posse à nova diretoria para o próximo biênio, tomando assento à mesa o novo presidente, senhor José Cláudio Henriques e os demais componentes da mesa diretora. Lida a ata da posse, o novo presidente discursou, agradecendo a escolha de seu nome para o honroso cargo e colocando-se à disposição de todos para trabalhar pelo engrandecimento da entidade. Tendo sido franqueada a palavra, foi inicialmente convidado a falar o exdeputado federal, ex-secretário de Esta-
do e ex-senador da República, um dos convidados presentes, o senhor Ronan Tito de Almeida. Agradecendo o convite para participar do evento, o senhor Ronan Tito, disse do seu prazer em estar na emblemática cidade de São João delRei, terra de seu grande amigo doutor Tancredo de Almeida Neves. Tomando como tema de sua fala traços do perfil do grande - talvez o maior - político da história política do Brasil, o orador brindou os presentes com variados relatos de sua convivência com o doutor Tancredo, lembrando o homem que, de promotor e vereador até presidente da república, ocupou todos os cargos nas três esferas de poder do país. Como é de praxe nas sessões solenes das academias de letras, sempre se dá a palavra ao orador oficial da entidade. Assim, coube ao acadêmico e médico Euclides Garcia de Lima Filho encerrar o evento com o tradicional brilhantismo de sua eloquência. A Academia de Letras de São João del-Rei é uma associação civil de direito privado e sem fins lucrativos, dedicada ao desenvolvimento de atividades culturais, em especial ao cultivo das letras e das artes. Foi criada em oito de dezembro de 1970, inicialmente com 30 acadêmicos, tendo atualmente 40. Conforme reza o seu estatuto,
Posse do Sr. José Cláudio Henriques (direita) como presidente da Academia de Letras de São João del-Rei.
a academia são-joanense se dedica ao ramo das letras e das artes e “seus membros se salientam na publicação de livros, obras literárias, revistas e participação nos jornais da cidade e do Estado”. Foi reconhecida instituição de utilidade pública municipal em junho de 1979 e estadual em dezembro de 1979. Está conveniada com o Centro Regional de Documentação das Vertentes, trabalhando na busca, conservação e preservação de documentos históricos da cidade e da Região da Vertentes. Uma peculiaridade dessa academia é o fato de ter como patronos de suas cadeiras, ao invés de personalidades marcantes da literatura brasileira em geral, nomes de ilustres personalidades das letras, das artes e da história de São João- del-Rei. Memorial da Liberdade Alferes Joaquim da Silva Xavier Ao ensejo de seu discurso na cerimônia de posse da nova diretoria da entidade, o doutor Wainer Ávila aproveitou para informar os presentes sobre o andamento do projeto de criação do “Memorial da Liberdade Alferes Joaquim José da Silva Xavier”. Esse memorial, projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, tem como objetivo, além da recuperação do local no qual presumivelmente teria nascido o Tiradentes, constituir-se em uma grande homenagem ao herói maior da Inconfidência Mineira. Estão envolvidas no projeto as prefeituras de Ritápolis, São João del-Rei e Tiradentes, as três cidades que historicamente adjudicaram a si a honra de ter sido a terra natal do herói. Oficial e conjuntamente, as três cidades instituíram o dia “12 de novembro” – dia do batizado do inconfidente, em 1746 – como o “Dia da Liberdade”.
Jornal das Lajes
ANO VII Nº 95 - MARÇO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Carnaval 2011
Não há como negar. São Pedro frustrou as expectativas de centenas de foliões que esperaram o ano inteiro pelo carnaval de Resende Costa. Após um mês de estiagem, a chuva retornou implacável, justamente durante os dias de folia. Mas apesar dela, os foliões não desanimaram, organizaram suas fantasias e caíram no samba. Seguindo a tradição de alguns anos, o carnaval de Resende Costa iniciou 12 dias antes, com o desfile dos blocos caricatos, que tem sido um dos pontos de maior sucesso na programação. O pré-carnaval a cada ano atrai um número recorde de foliões, inclusive de cidades vizinhas de Resende Costa. Como aquecimento para o carnaval, a Churrascaria Ramona promoveu um sensacional Grito de Carnaval, com a presença da Banda de Música, da Bateria do Rifugo e do grupo Mistura do Pagode. Na Pizzaria e Buteco da Maura aconteceu a segunda edição do concurso de marchinhas, promovido pela Associação dos Amigos da
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ANDRÉ EUSTÁQUIO / FOTOS: EMANUELLE RIBEIRO
Um olhar sobre o carnaval
Cultura de Resende Costa (AMIRCO), em parceria com a Prefeitura Municipal. O que vale destacar no pré-carnaval, como motivo de sucesso, é simplesmente a espontaneidade dos seus verdadeiros protagonistas: os foliões. Sem muita organização e direcionamento, ao longo do tempo os foliões foram criando os blocos, com seus temas e percurso. A criatividade tomou conta da avenida, inspirou fantasias e personagens e assim a irreverência aos poucos foi caracterizando o verdadeiro e genuíno espírito popular do carnaval de Resende Costa. O carnaval tem também seu apelo ideológico. Muitas fantasias fazem ressoar gritos de protesto; desejos e manifestos, antes escondidos, se revelam na cadência do samba e as máscaras se tornam autênticas faces, pelo menos por um dia. É essa a magia do carnaval; longe de ser explicada, ela é vivenciada, no meio da multidão, porém individualmente. Sim, cada folião vive o seu carnaval, o seu momento. É
por isso que jamais se pode dizer que o “carnaval daquele ano” foi mais ou menos animado. A animação do carnaval surge a partir da disposição de cada um, ela não está ligada diretamente a uma organização oficial e a grandes investimentos. Pelo contrário, um simples, porém irreverente bloco é totalmente capaz de puxar uma multidão pela avenida. Em Resende Costa, mire-se no exemplo do Bloco do Cabeção. Fundado em 1997 por um grupo que realmente curte carnaval, o bloco se caracteriza pela espontaneidade, pela acolhida de todos e, claro, pela irreverência. O Cabeção, na sua 14ª edição, homenageou um dos mais tradicionais foliões de Resende Costa, o Zezinho do Célio, e apresentou como tema, o circo. Na concentração do bloco, o samba-raiz ditou o ritmo e garantiu a animação. Tradição Carnaval também é tradição. Di-
zem que o melhor de uma festa é esperar por ela. E não há coisa melhor do que esperar pelo carnaval, ouvir os primeiros toques da bateria, ver aos poucos a avenida ser preparada, o som ser montado e a primeira música ouvida. A expectativa por si só já garante boa parte da animação e do sucesso da festa. O nosso carnaval já tem suas tradicionais características consagradas, assim como seus personagens e adereços, e entre eles está a Escola de Samba Acadêmicos da Vila Nova. Todos já esperam pelo seu desfile na noite de domingo. Neste ano, a escola se superou debaixo de chuva e encantou o povo, com enredo sugestivo e extraordinária performance da bateria. É preciso destacar com louvor o empenho da Prefeitura Municipal de Resende Costa, através da comissão organizadora do carnaval, para que fosse criada uma infraestrutura na avenida Gonçalves Pinto, que pudesse proporcionar conforto e segurança
aos foliões. Neste ano, foram feitos investimentos importantes para o sucesso do carnaval, entre eles podemos enumerar: segurança; banheiros públicos; ornamentação; apoio aos blocos, à banda de música e baterias, divulgação, iluminação e sonorização. Embora surjam críticas, algumas construtivas, outras desprovidas de argumentos sensatos e edificantes, o carnaval de Resende Costa tem correspondido às expectativas, sobretudo de quem deseja nada mais do que divertir, confraternizar, enfim vivenciar a magia do samba. Para essas pessoas, o carnaval sempre será bom e sempre deixará uma pétala de saudade. A chuva nublou as nostálgicas e belas manhãs de carnaval, mas a alegria permaneceu e no coração de cada folião já se ouve a voz de Luiz Bonfá entoando: “Depois deste dia feliz, Não sei se outro dia haverá. É nossa manhã tão bela afinal, Manhã de carnaval”.
É lá uai!!! Circo sem palhaço, carnaval sem Cabeção!
Ramo Chaves - Fotógrafo do Cabeção 2011
O compositor Wander Moraes puxando a Marchinha do Cabeção 2011 O Circo do Cabeção
Mário trouxe de volta um grande personagem do programa A Praça é Nossa - A divertida Velha Surda
Gosto muito de você, leãozinho...
10 Jornal das Lajes Causos & Cousas
O poeta paraibano de Campina Grande, Jessier Quirino, plagiando o título e o tema do poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, do Manuel Bandeira, compôs um outro, longo, criativo e engraçado. Que me perdoe o Quirino, mas tomei a liberdade de apropriar-me do título plagiado do seu poema. Não tem jeito: quanto mais a gente vai percebendo que a caminhada está chegando ao fim, mais a gente tenta se agarrar ao passado. Talvez seja um mecanismo psicológico que nos dá a sensação de que estamos rejuvenecendo. Somos taxados de saudosistas. E os saudosistas reclamam que os jovens de hoje não dão valor e não se interessam pelo passado. Então tento me lembrar do que passava em minha cabeça quando criança e jovem. E me lembro vagamente de que a gente pensava apenas no presente e no futuro. Ainda não havia um passado para nós. O vilão de toda essa história chama-se “tempo”. É o “ser” mais justo do mundo, ele é igual para todos, sem exceção. Já di-
ANO VII Nº 95 - MARÇO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO
Vou-me embora pro passado
ziam os romanos: “fugit inexorabile tempus”. Nem é preciso traduzir. Tudo isso é para justificar o trabalho que dei para a diretora Luzia, ao procurá-la no Assis Resende em busca de coisas do meu passado. Com seu expediente já encerrado, ela, atenciosa, insistiu em me atender, revirando livros e registros antigos. Deu de cara com o livro de matrícula dos alunos do “primeiro ano primário” de 1949. Exatamente o que eu procurava. Tinha vontade de voltar aos meus tempos de “grupo escolar” e rever, ainda que no papel ou nas vagas e enfumaçadas lembranças, meus coleguinhas e minhas coleguinhas. Queria ter o gostinho de rever aqueles dias, ainda que apenas nos nomes. O livro, manuscrito com caneta de pena molhada no tinteiro, continha os nomes dos alunos matriculados, a idade, o nome do pai e sua profissão, a data do nascimento A maioria absoluta tinha sete anos, alguns poucos 8, 9,10 e um 12 anos. Reconhecer os nomes dos pais é uma tarefa difícil, pois a
maioria era conhecida por apelidos. Quem saberia, por exemplo, que Francisco Valeriano dos Santos seria o “Cadico”, que o Hercílio Valeriano Santos seria o “Djôjô” (e seu filho, o Zezito do Djôjô, já falecido), que o Antônio Valeriano dos Santos seria o “Colório” (e seu filho, também Antônio Valeriano dos Santos, o “Niquinho”) ou que o Antônio Rodrigues Reis seria o Antônio do Marisco (pai da Antônia do Sacramento)? Outra curiosidade são as profissões dos pais. Dos 61 nomes das duas páginas iniciais, são as seguintes as profissões anotadas: lavrador - 24, comerciante - 7, fazendeiro e pedreiro - 5, alfaiate, serrador – 3, carpinteiro, tabelião, funcionário municipal – 2 , barbeiro, sapateiro, “chaufeur” (!), oficial de justiça, “mantegueiro”, folheiro, “copeiro”, soldado e carcereiro – 1. Esfolando a memória e com alguma ajuda, consegui me lembrar dos colegas seguintes: Meninas: Antônia do Sacramento (do Antônio do Marisco) – Geralda Coelho Resende (do Alípio, a Dica do Zito Coelho) –
Maria da Penha da Silva (do Zé Pio Silva) – Maria de Lourdes Peluzi (mãe do Taquinho) – Maria da Conceição Pinto (a Lilia do Tio Alfredo) – Maria José de Assis (do Ademar Coelho) – Maria da Penha de Assis Pinto (filha do Sebastião Pinto, a nossa querida professora e música) – Maria de Lourdes Reis e Silva (a Lourdinha do Nico Barbeiro) – Maria de Lourdes Resende (senhor Alcino e dona Vera Resende) – Marlene Resende (do Odilon Resende) – Maria do Carmo de Almeida (A Carminha do seu Álvaro Mendes, inteligente, estudiosa, sempre com um laço colorido no cabelo, de saudosa memória) – Sudária Alves de Andrade (nome que eu achava bonito, filha do Valter Andrade) – Vera Lúcia de Souza Melo (nossa vizinha e amiga, filha do seu Jesus de Melo). Meninos: Antônio de Assis Santos (Totonho do Cadico) – Francisco de Assis Resende (da Sá Cristina, ex-sacerdote camiliano) – Gonçalo de Resende Lara (irmão da dona Teresinha) – Inácio Sacramento Silva (do senhor Sílvio da Adelaide, irmão
Crônicas do Cotidiano
do Zé do Rosário) – José do Rosário Santos (Zezito do Djôjô, já falecido) – Luiz Ferreira de Andrade (Luizinho, filho do Zé Pio da Silva) – Mário Jesus de Resende (Mário do Sérgio Procópio, tragicamente falecido) – Murilo Fonseca Chaves (filho da professora dona Marta Fonseca) – José Célio Alves de Andrade (do Valdemar Alves) – Antônio Valeriano dos Santos (o Niquinho do Colório: toda vez que vem a Resende Costa me procura e se lembra de que éramos colegas no “Grupo”) – Antônio Justino (do Zé Duque) – um tal de Odali, que nuca mais vi! – o Mozart Resende (isso mesmo, Mozart?) Parodiando o Adoniran Barbosa (“onde andará o Joca e o Mato Grosso”?): onde andarão as outras meninas e os outros meninos? “Que saudade da professorinha – Que me ensinou o bê-a-bá”: saudades da dona Tenga (quem de vocês aí acima se lembra do nome dela?), da dona Judite e da dona Teresinha! RAFAEL CHAVES
Diversidade Se há uma coisa que impressiona na humanidade é a diversidade. Afora algum acontecimento, natural ou artificial, congênito ou adquirido, todos os seres humanos têm cabelos, dois olhos, um nariz, uma boca, dois ouvidos, dois braços, tronco e duas pernas, mas ninguém é igual a ninguém. Os cabelos podem ser crespos ou lisos, fartos ou raros, escuros ou claros, compridos ou curtos. Os olhos podem ser azuis ou castanhos, oblíquos ou arredondados, pequenos ou grandes, vivos ou apagados. O nariz pode ser achatado ou adunco, arrebitado ou reto, proporcional ou saliente, fino ou grosso. A boca pode ser larga ou miúda, pode ser carnuda ou delgada, sanguínea ou anêmica, cordiforme ou elíptica. Os ou-
vidos podem ser de abano ou paralelos, diminutos ou taludos, lobulosos ou contíguos. O corpo pode ser brevilíneo, mediolíneo ou longilíneo, atlético ou flácido, moreno ou claro, cabeludo ou alopécico, violão ou quadrilátero, gordo ou magro. Afora isso, ou seja, além do que a natureza nos deu ou o acidente nos deformou, do que não depende de nós ou de nossa vontade, existem os artifícios. Pode-se pintar ou alisar os cabelos, colocar neles uns adereços, uma fita ou um arco, fazer neles uma trança, um rabo de cavalo, raspá-los ou eriçá-los. Os olhos podem ser realçados com lápis, pode-se passar neles uma sombra de qualquer cor, afinar as sobrancelhas, alongar os cílios com rímel ou ainda mudá-los de cor com lentes de contato. Nos ouvidos cabem
brincos e na boca batom. Para o nariz, se não houver solução, cabe uma plástica. Os braços e mãos foram feitos para relógio, pulseiras e anéis. No corpo tatuagens, piercings e depilação. E a indumentária? Veste-se o corpo com roupa descontraída ou formal, fashion ou démodé, de cores sóbrias ou multicores, manga comprida ou camiseta regata, calça ou bermuda, vestido ou saia, chinelo ou tênis, sapato ou tênis, chapéu ou boné, ou não se veste nada, à moda playboy. E o conjunto das características psicológicas que fazem a personalidade? Há o tímido e o extrovertido, o carismático e o cordeiro, o altruísta e o egoísta, o racional e o sentimental. E ainda não tentei descrever as doenças, as síndromes e os distúrbios que acometem cada um,
que de louco todo mundo tem um pouco. E por que estou falando disso tudo? É que não sou um sujeito muito observador e detalhista, mas de vez em quando eu me pego a olhar as pessoas nas ruas, nas praças, nos bares, cada um no seu cada qual, cada um no seu quadrado. Você já fez essa experiência? O fantástico disso tudo é que você, ali, olhando as pessoas, se surpreende como parâmetro e juiz da normalidade. E quem disse que eu ou você somos paradigma para alguma coisa? Que pessoa é esta – me diga, por favor – que poderia ter a perfeição plástica, vestindo-se da moda universal e definitiva e irrepreensível na sua personalidade? Talvez um dia eu mande pintar meu cabelo de vermelho, corte-o à moda punk, ponha
na vitrola um funk, ensaie uns passos de axé, troque os sapatos por andar descalço, durma na rua sob um manto de jornal, vasculhe o lixo à procura de alguma coisa útil – quem sabe latinhas de alumínio? –, vista uma calça skinning, mande tatuar um dragão no meu deltoide, almoce no restaurante popular – e coma caviar de sobremesa para saber que gosto tem –, faça as necessidades sólidas num banheiro químico, deixe a barba crescer, deixe de fumar e beber, viaje de helicóptero, me converta a alguma religião, me filie ao DEM, me matricule numa academia de ginástica, só para eu ser diferente de mim mesmo. Talvez um dia eu me interne numa clínica psiquiátrica! Talvez um dia eu entenda tanta diversidade, talvez um dia eu entenda a humanidade!
Jornal das Lajes
ANO VII Nº 95 - MARÇO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Um olhar sobre Resende Costa
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JOÃO MAGALHÃES
Da Santa Casa ao Hospital, uma trajetória: as filhas de São Camilo em Resende Costa
Dentre seus vários objetivos, o Jornal das Lajes julga muito importante o resgate da história deste município e a valorização das personalidades que contribuíram para a formação da sua cultura e do seu desenvolvimento. Padre Nelson foi uma dessas personalidades que tinha como missão não só o trabalho com o religioso, mas também cuidar do povo, atuando nas áreas sociais, sobretudo, promovendo a educação e a saúde. Daí seu empenho, trabalhando incansavelmente para que as Irmãs Camilianas assumissem a direção do Hospital Nossa Senhora do Rosário, porque acreditava que uma das necessidades fundamentais dos cidadãos é a garantia do atendimento à saúde de qualidade, através do bom aparelhamento dos recursos humanos e materiais, que visam ao tratamento da doença e à acolhida do doente. Como diz o velho ditado e modificando-o um pouco: “tendo saúde, o resto a gente corre e traz”. O Hospital Nossa Senhora do Rosário colhe o reconhecimento de ser um hospital referência na nossa região. Vamos conhecer um pouco da sua trajetória. Motivam este texto o centenário de falecimento da Madre Josefina Vannini (1859-1911), fundadora da congregação religiosa das “Filhas de São Camilo”, a sugestão da chefia de Edição do JL e o pedido de leitores nossos. O anúncio – Dezembro de 1952. Padre Nelson escreve no livro de Tombo da paróquia: “Visita de Irmã Alfonsina e Irmã Savéria. Pelo muito bem que certamente resultará da vinda dessas duas irmãs camilianas a Resende Costa, em visita ao nosso hospital para conhecerem e verem a possibilidade da vinda de irmãs para sua direção, antecipamos a notícia de sua visita em janeiro próximo. Irmã Alfonsina, vice provincial e irmã Savéria, diretora do Hospital Cruz Azul de São Paulo, aqui chega-
pela, resolvemos fazer uma campanha com os resende-costenses de São João del-Rei e conseguimos, com a valiosa cooperação do senhor Antônio de Souza Maia Junior e sua exma. senhora, dona Anna Augusta de Souza, ganhar camas, cobertores, lençóis, toalhas, cortinas para a capela, véus de sacrário, âmbulas, linho para toalhas, etc, etc, tudo no valor de cerca de Cr.$ 12000,00” (Tombo, 1954). Avanços e progressos
Irmãs Camilianas do Hospital Nossa Senhora do Rosário, em Resende Costa
rão a nosso convite, em companhia do grande amigo de Resende Costa, o Pe. João Martelo.M.I. (camiliano)”. O aceite - Realizada a visita em fevereiro de 1953, em agosto do mesmo ano a grata notícia. Novamente o extraordinário cronista de Resende Costa, padre Nelson: “As Irmãs Camilianas aceitam a direção do nosso Hospital Nossa Senhora do Rosário. A notícia de que as irmãs camilianas (Filhas de São Camilo) aceitam a direção do nosso hospital chegou-nos em princípio de agosto, por uma carta que o Revmo. Padre João Martello M.I. nos escreveu com data de 29 de julho. Nestes quase dez anos de nosso paroquiato, esta foi a notícia que maior alegria nos trouxe. Não nos julgamos dignos de tanta mercê do Alto. Jamais acreditamos pudesse o nosso pedido, feito ano passado, e a visita das duas superioras de São Paulo, feita em fevereiro deste ano, trazer-nos resultado tão auspicioso e grato. Apenas soubemos da notícia e entramos logo em entendimentos epistolares com a mui reverenda Madre Provincial de Las Hijas de San Camillo – Angel Gallardo, 861-Buenos Ayres, Argentina. E tudo dentro do maior segredo. O povo saberá da notícia apenas uns meses antes
O Hospital Nossa Senhora do Rosário é referência regional
da chegada das irmãs, visto que o atual provedor da Santa Casa, por conveniência pessoal, possivelmente discordará da vinda das irmãs” (Tombo, 1953). Chegada e assunção - “Chegada das irmãs camilianas e sua posse no Hospital Nossa Senhora do Rosário – primeiro de fevereiro de 1954. Afinal, depois de algumas demarches, pudemos ver realizado o nosso grande sonho: a entrega do nosso hospital a uma comunidade de religiosas. As irmãs camilianas (Congregação das Filhas de São Camilo) chegam a Resende Costa às 5h da tarde do dia 1° de fevereiro, tendo sido positivamente recepcionadas, à frente do hospital, pelo pároco, povo, autoridades e banda de música. No dia seguinte, após a missa das 8h, celebrada na capela da Santa Casa, foram elas solenemente empossadas na direção do Hospital. A 1ª superiora desta comunidade aqui foi a irmã Savéria Goffon, alemã, removida do hospital Cruz Azul. Da Força Pública de São Paulo para o nosso hospital. Esta foi a que aqui, em companhia da vice-provincial, madre Alfonsina, aqui esteve, em princípios de fevereiro do ano passado, para conhecer o nosso hospital. As demais irmãs, que com ela vieram, são as seguintes: Irmã Tarsila Gottardi, italiana, Irmã Serafina Palladino, argentina e Irmã Lourencina Ravanelli, de Santa. Catarina. Às 5h00 da tarde do dia da posse, dois de fevereiro, Purificação de Nossa Senhora, dia da conversão de São Camilo, fundação da Congregação das Filhas de São Camilo, realizou-se festiva procissão em honra deste santo. A casa camiliana de Resende Costa é a primeira da Congregação no Estado de Minas Gerais. A candidata mineira a esta Congregação, nesta data, já no noviciado de Buenos Aires, a moça Maria da Conceição, agora irmã Martha, é filha de Resende Costa Queremos ressaltar o seguinte: para o arranjo da primeira clausura e da ca-
1957 – Inauguração, na Santa Casa, do pavilhão dona Francisca Cândida Peçanha. “O nosso hospital se ressentia de melhores acomodações e de uma maternidade. Solucionando em parte este problema, inaugurou-se dia 21 de abril de 1957 o pavilhão Francisca Cândida Peçanha. A cerimônia foi paraninfada pelos excelentíssimos senhores Tancredo de Almeida Neves e Gabriel Resende Passos. Duas novas enfermarias receberam os nomes de dona Risoleta Tolentino e dona Amélia Passos” (Tombo 1957). 1960 – Inauguração, na Santa Casa, da clausura das irmãs: o pavilhão Cônego Cardoso. Festiva, com presença do povo, autoridades e até de algumas irmãs mercedárias do hospital Nossa Senhora das Mercês, de São João delRei. Planta do próprio padre Nelson e administração da construção a cargo do padre José Hugo de Resende Maia. 1965 - fundação do Asilo São Camilo - “A 18 de junho de 1965, festa de São Camilo de Lelis, a casa que pertenceu a Francisca Cândida Peçanha e que fora doada à Santa Casa para que nela funcionasse um asilo para meninos, recebeu os primeiros velhos e inválidos. Não se fez uma inauguração oficial e solene. À espera de que a obra se consolide, fez-se uma inauguração simples, às 15h00, com a presença de algumas pessoas. Demos a benção simples aos cômodos e demos por inaugurado. Tornou-se possível mais essa obra de assistência em nossa paróquia graças aos esforços da atual provedoria do hospital que se compõe dos senhores Adenor Coelho, Joaquim Coelho de Campos, Geraldo de Paula Majella e Antônio Pinto de Góes e Lara. Muito se esforçaram para esta fundação as Irmãs Tarsila Gottardi e Irmã Emiliana. Enquanto não tiver patrimônio próprio, o asilo dependerá do hospital para manutenção e direção” (Tombo, 1965). A doação - “A 28 de abril de 1986 do corrente ano, tornou-se realidade um sonho que vínhamos acalentando desde 1954: a doação às irmãs da Congregação da Filhas de São Camilo de toda a
Santa Casa desta cidade com seus imóveis. Houve marchas e contramarchas. Tivemos de enfrentar uma boa faixa da opinião pública contrária à doação. Membros da diretoria da irmandade do Hospital Nossa Senhora do Rosário, não percebendo o alcance da medida, não estavam muito de acordo. Em assembléia por nós convocada, houve com algum esforço, aprovação unânime. Quando fizemos proposta à Superiora Geral em Roma, a congregação, alegando dificuldades, na ocasião, não quis aceitar o hospital como doação. Tendo, em meados de 1984, recebido uma sondagem das irmãs sobre se estaríamos dispostos à doação, recomeçamos o diálogo, apresentando nossas propostas, iniciando nossa troca de correspondência. Já tínhamos alcançado anteriormente licença da autoridade diocesana que para isso ouvira o Conselho Diocesano. A maior dificuldade encontrada foi a situação dos empregados da Santa Casa perante as leis trabalhistas. A congregação religiosa exigiu a legalização de tudo. Com o pagamento de indenizações a alguns empregados que tiveram que ser demitidos, as irmãs receberam todos os imóveis e móveis pertencentes à Santa Casa, livres e desembaraçados de quaisquer ônus, devendo observar as seguintes cláusulas” (Seguem-se oito cláusulas, Tombo, 1986). Conclui-se com mais uma informação: “No dia 12 de maio de 1987, deuse início à construção do novo pavilhão da Santa Casa. Os serviços foram colocados sob supervisão do engenheiro Elias Jorge Hannas, construtor. Pelo que se pode prever, será uma obra grande para Resende Costa, um edifício melhor e muito mais aparelhado do que o atual” (Tombo, 1987).
Placa em homenagem ao Monsenhor Nelson
O prédio onde antigamente funcionou a antiga Santa Casa, atualmente é o ambulatório do hospital. Excelente infraestrutura
12 Jornal das Lajes Contemplando as Palavras
ANO VII Nº 95 - MARÇO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG REGINA COELHO
Escrevo-lhe esta carta... Elas já foram a única maneira de alguém entrar em contato com quem estava longe. Levavam declarações de amor, desabafos, amenidades do cotidiano, revelações bombásticas, reflexões sobre a vida ou simplesmente notícias. Cumprindo seu fundamental objetivo de meio de comunicação, as cartas reinaram absolutas por muito tempo. E a distribuição da correspondência era sinônimo de festa em qualquer lugarejo do Brasil-Império. É fácil entender o porquê: as mensagens, transportadas em malas de couro, acomodadas sobre o lombo de burros, demoravam cerca de três meses para alcançar seu destino. De lá para cá, muita coisa mudou: os malotes de cartas e afins não tardam tanto a chegar aos destinatários, mas perderam espaço para a comunicação via telefone – tanto o fixo quanto o celular – e a internet. Tanto isso é verdade que as correspondências trocadas exclusivamente entre pessoas físicas representam apenas 5% do volume movimentado diariamente pelos Correios em Minas, por exemplo. O percentual, apesar de baixo, corresponde a 175 mil envelopes transportados pela empresa, que, no ano passado, comemorou uma data especial: os 280 anos da primeira linha postal no Estado, criada em 29 de outubro de 1730. Saindo um pouco do âmbito particular da troca de correspondência, é oportuno lembrar que as cartas estão presentes em pelo menos dois importantes capítulos da história brasileira. Em 1500, Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Cabral, escreveu uma longa e detalhada mensagem ao então Rei de Portugal, dom Manuel, informandoo sobre a recém “descoberta” (o termo é controverso) da Ilha de Vera Cruz (antigo nome do país). Uma outra carta mudou o destino do país em sete de setembro de 1822. Às margens do Rio
Ipiranga, em São Paulo, o mensageiro Paulo Bregaro (patrono dos carteiros) entregou a dom Pedro I uma correspondência assinada pela esposa do monarca, a imperatriz Maria Leopoldina, alertando-o sobre o interesse de Portugal em repatriá-lo e rebaixar o Brasil à categoria de colônia. A consequência disso foi o famoso brado de “Independência ou morte”. Sem o caráter histórico das modalidades acima, mas igualmente necessárias, as cartas de amor são um destaque à parte. Urgentes, quase sempre melosas e muitas vezes perfumadas, elas embalaram muito namoro por aí. Segundo o poeta Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, “todas as cartas de amor são ridículas”. E continua ele: “não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”. Mas diante de tanto arrebatamento amoroso, ninguém se incomoda com isso. Hoje, para compensar as distâncias às vezes entre continentes, outras vezes, bem curtas, os apaixonados do momento preferem trocar mensagens tecnológicas por computador e telefone móvel. Se são de amor, devem continuar ridículas, mas e daí? É impossível não mencionar as tão temidas e, na maioria das vezes, covardes cartas anônimas. Da mesma forma, não dá para deixar de mencionar as cartas que muitos suicidas escrevem com o peso e o desespero de uma atitude extrema. Carlos Drummond já se referiu a elas em seu poema “Mãos dadas”: “...não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, (...)” A trajetória política brasileira registra a carta-testamento do presidente Getúlio Vargas, que se suicidou em 24 de agosto de 1954, saindo da vida para entrar na história, como ele mesmo escrevera em trecho final de seu derradeiro texto: “Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro pas-
so no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história” (Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1954 – Getúlio Vargas). Bem mais amenas eram as trocas de cartas entre amigos e familiares. O prazer ou a necessidade de escrever nascia já na escolha das ferramentas para tal – o bloco especial de papel para cartas, a caneta, o envelope, o selo, até o momento de colocála no correio ou enviá-la por um portador de confiança (neste último caso, sem fechá-la com cola, constando na frente do envelope as iniciais P.E.F., indicativas de Por Especial Favor de quem levava aquela mensagem). Depois, era esperar a resposta, ler o que o outro havia escrito. Aquela sensação gostosa de abrir o envelope com cuidado para preservar o seu conteúdo! Uma prática muito comum no meio literário brasileiro do século passado era a troca de correspondência entre os autores, material que rendeu a publicação póstuma em forma de muitos livros interessantes. Para os tempos frenéticos e cibernéticos de hoje pode parecer estranho saber, por exemplo, que de 1924 a 1945 Mário de Andrade e Drummond trocaram cartas, ocorrendo o mesmo entre Clarice Lispector e Fernando Sabino entre 1946 a 1969. É preciso lembrar, finalmente, que muitas letras de músicas fazem alusão a esse agora antigo expediente de comunicação. Escolhi os versos iniciais de Mensagem, música cantada por Isaurinha Garcia, como registro de uma outra época e homenagem ao “seu” Zé Mendonça, saudoso portador de inúmeras cartas ansiosamente aguardadas por resende-costenses que assim se comunicavam com os de fora da cidade. “Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou com uma carta na mão...”
Voz do Cidadão
Área de lazer no bairro Bela Vista “Fiquei surpreso com a posição do secretário de obras da Prefeitura Municipal de Resende Costa, considerando desnecessária e desperdício de dinheiro público a área de lazer no bairro Bela Vista (Ed. 94, p.6). Se as crianças estão brincando na rua, é porque o local por ele sugerido não atende à comunidade. É exatamente por isso que esta reivindicação foi priorizada na plenária realizada pela
administração pública e deveria ser incluída no planejamento. Nós moradores do bairro Bela Vista não estamos exigindo uma grande obra, mas um espaço onde as crianças possam divertir e praticar esporte com segurança”. José Geraldo da Costa Morador do bairro Bela Vista (enviado por e-mail)
Mãe de gestante reclama de atitude de Irmã do hospital “Venho através do Jornal das Lajes agradecer à médica Mariana e à enfermeira-chefe Larissa e sua equipe (do Hospital Nossa Senhora do Rosário, de Resende Costa) que acompanharam o tratamento da minha filha Otília até sua transferência para a UTI neo-natal no Hospital Sofia Feldeman, em Belo Horizonte. Porém, simplesmente não posso fazer esse agradecimento à Irmã de Caridade, devido à falta de atenção ao negar a liberação de uma das enfermeiras para acompanhar Otília. Todas as enfermeiras mostraram boa vontade e disponibilidade para ir, principalmente Larissa. Mas pessoas superiores a ela não liberaram a companhia à paciente, que precisava
de um profissional de saúde. Sendo assim, ficou a cargo da família correr atrás e procurar um profissional para acompanhá-la até o hospital em Belo Horizonte. Isso foi uma falta de respeito e consideração a um ser humano, ou melhor, a dois seres humanos, pois ela era gestante e necessitava de mais atenção. Agradeço também à enfermeira Vanine pela atenção dada à Otília. Eu, como mãe, só peço a Deus e a todos que rezem pela atitude da Irmã”. Maria Socorro de Paula Rua Lindolfo Caetano da Silva, 55 - Resende Costa, MG
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Quem sou eu? A partir desta edição, o JL traz de volta a série de caricaturas de resendecostenses e mais uma vez desafia o leitor a descobrir Quem sou eu? As caricaturas são assinadas pelo desenhista Márcio. Resposta na próxima edição