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ANO VII Nº 93 - JANEIRO 2011 / RESENDE COSTA - MG
Diocese de São João del Rei ordena novo diácono
Justiça suspende a extração e o transporte de quartzo em Resende Costa
Uma liminar expedida pelo juiz da comarca de Resende Costa suspendeu a extração e o transporte do mineral quartzo extraído nos povoados do Curralinho dos Maias e da Micaela. A responsável pela extração era a Mineração Vianini Ltda, que também lavava e beneficiava o mineral. A decisão da Justiça não é em caráter definitivo.
Admilson Heitor foi ordenado diácono na paróquia de Nossa Senhora da Penha
Admilson Heitor de Paiva foi ordenado diácono no dia 17 de dezembro de 2010, na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha. O diácono Admilson, que já vinha exercendo trabalhos pastorais em Resende Costa enquanto seminarista, auxiliará o pároco Geraldo Soares durante seu diaconato. Página 09 Em breve, com recursos do Fundo Estadual de Cultura, a AMIRCO lançará os dois primeiros volumes da Coleção Lagena: a reedição fac-similar “Lívro de Pallidas Reminiscências da Antiga Lage – hoje Villa de Rezende Costa” e, em parceria com o Jornal das Lajes, a coletânea “Um olhar sobre Resende Costa.”
DISTRIBUÇÃO GRATUITA
Lavra de extração de quartzo no Curralinho dos Maias
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Alunos vencedores do 1º Concurso de Horta Domiciliar foram premiados na Escola Municipal Paula Assis O 1º Concurso de Horta Domiciliar, realizado entre os alunos da Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão, colheu seus primeiros frutos. Após um período de plantio e cultivo da horta, os dez alunos participantes disputaram entre si as três primeiras colocações. No dia 8 de dezembro os três primeiros colocados receberam a premiação das mãos do prefeito municipal Adilson Resende, do vereador Bacarini e de outras autoridades municipais.
Patrocínio
Alunos participantes do concurso recebem os cumprimentos das autoridades municipais presentes na solenidade de premiação
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2 Jornal das Lajes Editorial Dilma presidente: o Brasil nas mãos firmes de uma mulher Uma nova e importante página da história política do Brasil começou a ser escrita na tarde do dia 1º de janeiro. Dilma Rousseff, primeira presidente da República Federativa do Brasil, tomou posse em Brasília, sucedendo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deixa à sua sucessora um legado de importantes avanços sociais, na economia e na educação. Ainda no alvorecer de 2011, pode-se dizer que a posse da presidente Dilma marcará o principal evento político do ano que ora se inicia. Afinal, pela primeira vez na história do Brasil uma mulher foi eleita e tomou posse como presidente da República. A suntuosa solenidade de posse, apesar da chuva forte que caiu sobre Brasília durante o cortejo na esplanada dos ministérios, revelou por si a importância do momento. Foi visível a emoção de todos os presentes, chefes de estado, ministros, populares etc., principalmente da presidente Dilma, que renovou no Congresso Nacional seus principais objetivos de governo. Em um longo discurso, a presidente destacou seus compromissos em dar continuidade às políticas sociais iniciadas por Lula, erradicar a miséria, avançar ainda mais na educação capacitando professores e dando mais oportunidades aos jovens. Em seu discurso, Dilma enumerou os principais desafios que a esperam, entre eles as obras de infraestrutura no país: aeroportos, portos, ferrovias e estradas. Reafirmou seu compromisso de encaminhar as reformas de que o país necessita urgentemente, sobretudo a política e a tributária, que seus antecessores na presidência não o fizeram. Reformas pelas quais a sociedade brasileira espera ansiosamente, como imprescindíveis para o fortalecimento da democracia e continuidade dos processos de estabilidade da economia e crescimento sustentável, levado a efeito pelos dois governos que a precederam. Reafirmou ainda seu compromisso de campanha de defender as liberdades do cidadão e da imprensa. A emoção da posse não destoou do otimismo de centenas de populares que foram até Brasília para ver de perto a primeira mulher presidente ter, como ela mesma disse, o “ombro cingido pela faixa presidencial”. O otimismo de muitos brasileiros não é gratuito, é fruto da aprovação de um governo avaliado positivamente por 80% da população. Lula conseguiu trazer a presidência para perto do povo e com isso colheu os frutos de eleger sua sucessora e dar continuidade ao seu projeto de governo. A eleição da mineira Dilma Rousseff à presidência da República revela o amadurecimento de nossa democracia, tão instável no passado. Marca também o surgimento de uma nova e feliz mentalidade, ao proporcionar ao eleitor a escolha de uma mulher para governar o país. Em seu discurso no Congresso, Dilma destacou seu compromisso com as mulheres, comprovado com a nomeação de nove delas para compor seu ministério, um recorde. Mesmo sabendo dos inúmeros desafios que a esperam, sendo talvez o maior deles preencher o vazio deixado pelo presidente Lula, que se despediu do cargo literalmente nos braços do povo, Dilma inicia seu mandato com o apoio da maioria do Congresso e de grande parte do eleitorado brasileiro. A trajetória política do Brasil começa agora a ser escrita por uma mulher, escolhida a dedo por um dos maiores e mais carismáticos líderes políticos da história republicana do Brasil.
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Jornal das Lajes Ltda Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000
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Editoração: Rafael Alves Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte Tiragem: 3000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
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Política
GERALDO AIRES
Câmara Municipal já tem nova Mesa Diretora
Luís Cláudio dos Reis (PDT) é o novo presidente da Câmara Municipal de Resende Costa, eleito na última reunião ordinária de 2010, ocorrida em 22 de dezembro último. A votação transcorreu de forma tranquila e, conforme previsto no Regimento Interno da Casa Legislativa, realizada em escrutínio secreto. Apenas uma chapa foi registrada para concorrer e oito entre os nove membros que compõem o Legislativo resende-costense, a apoiaram, tendo um vereador anulado o seu o voto. A nova Mesa Diretora tomou posse oficialmente no início de janeiro de 2011 e o presidente terá ao seu lado, como vice, Cleiton Afonso do Santos (PPS) e como secretário, o peemedebista, Francisco Abel de Assis. Em seu primeiro pronunciamento como presidente eleito, Luís Cláudio agradeceu aos parlamentares por elegerem a chapa liderada por ele: “Agradeço a todos pelo voto de confiança e quero parabenizá-los pelo alto nível de discussão e continuar elevando este nível nestes dois anos que estarei à frente da presidência. Vou honrar e respeitar a decisão de todos de me elegeram e os demais membros da toda a Mesa Diretora”, falou o presidente eleito. Paulo César Daher Chaves (PT), que deixou a presidência do Legislativo Municipal depois de dois mandados consecutivos, manifestou todo seu apoio a nova diretoria: “Como já é do conhecimento de todos, quero reafirmar todo meu apreço à pessoa do vereador Luís Cláudio e dos demais membros da nova mesa diretora da Câmara Municipal, co-
locando-me ao inteiro dispor para fazer com que Resende Costa continue crescendo”, disse o ex-presidente. Luís Cláudio também falou sobre a responsabilidade em assumir tão importante cargo. “A responsabilidade dobrou. Este vereador sempre foi sério e correto e vai ser mais ainda, respeitando nosso Município, os vereadores e o Executivo Municipal”, disse o vereador que está no seu primeiro mandato.
Perfil do novo presidente O presidente eleito para o biênio 2011-2012 à frente da Câmara Municipal de Resende Costa é filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) desde 2006. Com 33 anos de idade, está prestes a se formar no curso de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos pela
Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Membro ativo da comissão de Legislação, Justiça e Redação nos últimos anos, sempre debateu e discutiu os projetos apresentados com muita seriedade e prudência, procurando sempre o melhor para o município. Com seu conhecimento técnico, adquirido após a participação em vários cursos, e em diversas áreas, participou e contribuiu ativamente para a nova redação da Lei Orgânica Municipal, através da Comissão Especial de Reformulação e Atualização. Projeto que está em sua fase de conclusão. Membro atuante do Legislativo, apresentou projetos e requerimentos com vários benefícios para a população, tanto para munícipes da zona urbana, quanto para os da rural.
Luís Cláudio dos Reis
Homenagem
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Faleceu em Poços de Caldas, aos 85 anos, o professor e promotor de justiça doutor José Resende Lara Faleceu na manhã do dia 25 de novembro de 2010, em Poços de Caldas (MG), aos 85 anos, o resende-costense professor doutor José Resende Lara. Além de professor, doutor Lara foi promotor de justiça, cargo que exerceu durante 33 anos (1965-1998) na cidade de Machado, Sul de Minas. Em Machado, o professor José Lara se dedicou também a outras importantes obras, o que o fez receber o carinho e a admiração do povo da cidade. Lara participou decisivamente do processo de fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que foi a primeira faculdade a integrar a Fundação Educacional de Machado (FEM). Em sua sólida, longa e destacada carreira no magistério, doutor José Lara lecionou Língua Portuguesa no curso de Letras da Faculdade de Filo-
sofia, bem como na Escola Técnica de Comércio, no Colégio Comercial e no Curso Científico, ambas instituições sediadas em Machado. Doutor Lara foi também vice-diretor da FAAFI (Faculdade de Administração e Finanças) de 1972 a 1974, posteriormente diretor da mesma instituição (1975-1978) e novamente vice-diretor (1982-1986). Como promotor de justiça, Lara trabalhou incansavelmente até 6 de abril de 1990, quando se aposentou. Era casado com a professora Maria Auxiliadora Brasileiro Lara, com quem participou ativamente de movimentos pastorais da Igreja Católica em Machado, entre eles o Movimento de Cursilho de Cristandade. Depois de aposentar-se, José Lara e a esposa Maria Auxiliadora mudaram-se para Poços de Caldas, em 1998. O doutor Lara foi um dos primei-
ros assinantes do nosso Jornal das Lajes, tendo acompanhado assídua e mensalmente suas primeiras edições. José Resende Lara era filho da dona Zezé e do Alcides Lara. Deixou os irmãos Vera e Ana (residentes em Barbacena) e Olga, Paulo e Lilia Lara (residentes em Resende Costa). Seu corpo foi cremado em São Paulo e as cinzas foram sepultadas no jazigo da sua família, em Resende Costa, sua terra natal.
Dr. José Lara e sua irmã Olga
Jornal das Lajes
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Cultura
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ANDRÉ EUSTÁQUIO
Fim de semana cultural em Resende Costa MAC prestigia o teatro e a poesia no Circuito das Artes – Histórias de Rua
O Movimento Arena Cultural (MAC) realizou em Resende Costa, nos dias 18 e 19 de dezembro último, o Circuito das Artes – Histórias de Rua. Na chuvosa noite do dia 18, sábado, quem esteve no bar do Toru, esquina do Zé padeiro, foi presenteado com uma programação um tanto quanto diferente para a noite resende-costense. Banners com poemas espalhados pelo interior do bar, exposição de obras de arte e iluminação especial davam sinais de que algo diferente ia acontecer ali. A noite tranquila aos poucos começou a ser preenchida pelos versos dos poemas de Pedro Frâncis, Ângela Maia, Evaldo Balbino, Ângelo Márcio e Adriano Valério, que em meio às obras de arte de Ricardo Lemos, Expedito e Celina Moëller, expostas especialmente para a ocasião,
Ângela Maia entrevista o poeta Pedro Frâncis durante recital de poesias
foram declamados com intensidade e romantismo. O primeiro sarau de poesias organizado pelo MAC revelou talentosos escritores de nossa terra, que sabem perfeitamente trabalhar com as palavras e com o sentimento traduzido em versos, Afinal, como disse a apresentadora do evento, a radialista e poetisa Ângela Maia: “todos nós somos românticos”. E foi nesse clima de romantismo que a noite do dia 18 prosperou. O romantismo referido pela autora é sobretudo aquele que inspira o intelecto a se refugiar nas paixões e nas sensações, para ir de encontro ao que há de mais profundo e insondável na nossa alma. Embora todos sejamos românticos, como disse poeticamente Ângela Maia, existem aqueles que possuem o dom inato de expressar seu romantismo, especialmente através da arte e suas mais sublimes manifestações, como a música e a poesia. O poeta é por natureza um romântico, pois ama o verso e dele se utiliza para expor as delicadezas e impressões do seu ser. Quanto à arte – produto da inspiração do artista - o que dizer dela? De onde vem a inspiração? Talvez, possamos beber da sabedoria do saudoso escritor e jornalista cario-
ca Artur da Távola para responder poeticamente a essa pergunta. Ele dizia que a arte e a inspiração brotam de onde repousam as “nossas verdades eternas”. Onde seria esse lugar? De acordo com Artur da Távola, o êxtase do artista e a sensação de bem-estar ao ouvir uma bela música, admirar uma perfeita escultura ou “viajar” através dos versos de um poema inspirado, surgem de um lugar do corpo, que não sabemos muito bem localizar, mas todos nós o sentimos “gelar” da mesma forma como quando nos encontramos subitamente com uma pessoa amada. É nesse lugar de “susto”, onde as nossas emoções se manifestam, que o artista se inspira, extraindo daí o néctar para compor a sua obra. E é nesse espanto de emoção que nos encontramos com ele, quando admiramos a sua obra. Que outros saraus aconteçam em Resende Costa. O MAC felizmente tem procurado resgatar, através do empenho desmedido dos seus integrantes, liderados pelo Ângelo Márcio, o valor da arte e do artista. “Este recital de poesias é uma forma de o público estar mais perto do artista”, disse Ângelo Márcio, que acredita acima de tudo que “a arte tem o poder de transformar o ser humano”.
Ângelo Márcio, coordenador do evento. No palco, obras de arte de Expedito, Celina Moëller e Ricardo Lemos
Segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, a contemplação artística vai mais além, trata-se do único remédio capaz de momentaneamente aliviar os sofrimentos do homem impostos pela existência. O filósofo tem razão, pois através da arte podemos brincar, sorrir, amar, produzir, cantar, contar histórias e assim revelar o que há de mais inocente e puro nos recônditos da alma.
sical na Praça da Matriz. No Centro de Pastoral Paroquial (CPP) o teatro foi o protagonista, com o monólogo “A visita da saudade”, apresentado por Mariana Maia, com o grupo teatral Manicômicos, que levou ao palco o projeto “Arte Por Toda Parte”. O público também prestigiou a apresentação de dança “Free Step”, com Antônio Vinícius e Thayler Maia. Para encerrar o fim de semana cultural, os músicos do MAC se apresentaram no bar da Maura e em seguida realizaram, juntamente com o grupo de teatro Embaixadores da Arte, uma seresta pelas ruas da cidade, resgatando diversos clássicos do repertório seresteiro. A noite estrelada de domingo foi palco para a despedida de um fim de semana verdadeiramente cultural em Resende Costa.
Domingo A programação do “Circuito das Artes – Histórias de rua” teve continuidade durante a noite de domingo, 19. A Lira São Sebastião, do distrito de Jacarandira, abriu a programação da noite, com uma apresentação mu-
Flávia declamou poema de Evaldo Balbino
Voz do Cidadão
Presente de Natal
Os serviços de implantação da rede de esgoto, na cidade de Resende Costa, estão trazendo alguns transtornos para seus moradores. O que já era de se esperar, mas o que está ocorrendo na Rua Morethson de Oliveira e seus entornos chega a ser desrespeito com os populares. Os serviços de escavação começaram no dia 03/12/2010. No dia 16/12/2010 a empreiteira res-
ponsável pela obra entrou em férias coletivas com quase a totalidade de seus funcionários, o que paralisou as obras. Com as chuvas a situação está crítica. Na esquina com a Rua Francisca Félix Vieira o trânsito foi muito prejudicado, já que a área para trânsito de carros foi reduzida à metade, esquina essa já considerada perigosa pelos moradores.
O serviço está sendo realizado e não vimos fiscalização das obras nem por parte da prefeitura e nem da Copasa, empresa responsável pela obra. Antônio Erivaldo de Assis por email, em nome dos moradores da Rua Morethson de Oliveira (aeassis@hotmail.com).
Moradores da Rua Morethson de Oliveira sofrem com os transtornos deixados pelas obras de implantação da rede de esgoto
Desrespeito duplo: carro estacionado em garagem alheia e omissão da PM Na virada do ano, estava chegando em casa, no Edifício Magda, por volta de 01:00 h, quando fui surpreendida pelo veículo Corsa, placa GQS 7934, de São João Del Rei, estacionado bem em frente à garagem do meu prédio, na Rua Gonçalves Pinto. Mais à frente, avistei o carro da Polícia Militar e me dirigi até lá, a pé. Falei para os dois policiais presentes na viatura que eu precisava guardar meu carro e não tinha como. Indignada fiquei quando um deles simplesmente me sugeriu que eu procurasse o serviço de som do reveillon a fim de que os responsáveis pelo mesmo convocassem o proprietário do Corsa estacionado irregularmente para retirada do referido veículo do local, ou seja, a entrada da garagem, ou melhor, de duas garagens do prédio onde moro. Não acreditei no que ouvi. Afinal, o que aqueles policiais estavam fazendo? Não eram eles que estavam em serviço? Como estava muito cansada, com minhas filhas menores de idade no
carro, optei por deixar meu veículo na rua a madrugada inteira. Por sorte não aconteceu nada. E se tivesse acontecido alguma coisa? Quem iria me ressarcir por eventual prejuízo? Sou uma cidadã, pago todos os meus impostos e fico triste ao me deparar com policiais que agem dessa maneira omissa e relapsa, não fazendo valer os direitos das pessoas. Quero deixar registrado meu protesto. Estacionar em frente à garagem alheia virou rotina em Resende Costa. E eu vou reclamar com quem? E pior é saber que quem deveria tomar a iniciativa de coibir esses abusos costuma não fazer nada. Não quero generalizar. A Polícia Militar possui bons profissionais, mas quando precisei da instituição, que é paga por nós para nos servir, fui solenemente ignorada. Um absurdo! Maristela Maria Resende Coelho Por e-mail
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Cinema
CARINA BORTOLINI
No primeiro mês deste ano, indico dois excelentes lançamentos, um indicado ao Oscar 2010 e outro provável concorrente ao Oscar 2011. Bom proveito!
A ORIGEM (Inception, EUA/Inglaterra) Gênero: Ficção Científica / Ação Direção: Christopher Nolan Tempo de duração: 148 min. Ano: 2010 Alucinante. Esta trama de Christopher Nolan é complexa, os efeitos
são estonteantes e o elenco, encabeçado por Leonardo DiCaprio, muito competente. Não é tarefa das mais fáceis explicar o roteiro: Cobb (DiCaprio) lidera uma equipe de especialistas em “invadir” o inconsciente das pessoas para fins escusos. Com o uso de poderosos sedativos e equipamentos desenvolvidos para tal fim, eles compartilham o sonho da vítima e descobrem segredos industriais e comerciais, utilizando técnicas avançadas para “construir” uma realidade psíquica que induza o inconsciente da pessoa a revelar o que desejam. Quando um poderoso cliente (Ken Watanabe) contrata a equipe para uma missão ousadíssima – implantar uma ideia na mente do herdeiro de um magnata -, Cobb convida uma jovem e talentosa arquiteta (Ellen Page, dos ótimos Juno e MeninaMá.com) para projetar a parte estética do sonho. Como se a missão já não fosse suficientemente intrincada, Cobb ainda tem que lidar
com as armadilhas de seu próprio inconsciente, perturbado desde a traumática morte de sua esposa (Marion Cotillard). Parece complicado? E é mesmo. Mas é também absolutamente original e empolgante – mão cheia para um diretor como Nolan, que tem em sua ficha sucessos de público e crítica como Amnésia e os dois últimos Batman: como se trata se sonho, não há limites de tempo, espaço ou dimensões. Como sempre, DiCaprio sabe onde mete seu bedelho. Classificação: 14 anos.
EDUCAÇÃO (An Education, Inglaterra) Gênero: Drama Direção: Lone Scherfig Tempo de duração: 95 min. Ano: 2009 Indicado ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Atriz (a revelação Carey Mulligan) e Melhor Ro-
teiro Adaptado, Educação vem como um sopro de novidade no cinema de língua inglesa. O roteiro, baseado num livro de memórias autobiográficas de uma jornalista britânica, é filmado de forma irrepreensível pela dinamarquesa Lone Scherfig. Jenny (Mulligan) é uma aluna aplicada na qual são depositadas todas as expectativas e investimentos de seu pai (o fabuloso Alfred Molina), que almeja vê-la na aclamada Universidade de Oxford. Sua inteligência e perspicácia cativa professores e a direção da escola de elite em que estuda. Mas Jenny sonha mesmo é com o glamour intelectual da época em que vive (início da década de 60): concertos, leilões de obras de arte, clubes de jazz, livros raros e... Paris, é claro, e toda a cultura daquela cidade. Quem virá colocar de pernas pro ar sua rotina modorrenta de estudos e oferecer tudo e muito mais que ela sempre sonhara será o playboy David (Peter Sarsgaard), de
Perfil
hábitos luxuriosos e fonte de renda suspeita. Os pais de Jenny, a princípio receosos por David ter o dobro da idade da filha, se deixam seduzir facilmente por seu charme, dinheiro e suposta influência nos círculos intelectuais de Londres. Molina é um show à parte, conseguindo expressar com absurda sutileza obsessão, reticência, deslumbramento, pernosticismo, vergonha, arrependimento. Uma produção de primeira. Classificação: 14 anos.
EMANUELLE RIBEIRO
Mariana Resende, talento que promete Mariana Resende Maia, um jovem talento e uma futura promessa do teatro. No “Circuito das Artes”, evento promovido pelo Movimento Arena Cultural (MAC), Mariana se apresentou pela primeira vez em Resende Costa e encantou o público presente no CPP com o monólogo “A Visita da Saudade”. A peça, formulada pela artista a partir de alguns contos do livro Ecos do Tempo, resgatou a história de Resende Costa. Mariana Resende conta que o seu gosto pela arte de atuar começou na infância, quando ela praticava balé e acreditava que o teatro foi uma herança da dança. Além disso, desde criança tem contato com as artes cênicas e o fato de sua mãe, Luzia Resende, ter participado de um grupo teatral, a influenciou. No colégio, Mariana se envolveu com a literatura e conheceu pessoas ligadas ao teatro. Em 2009 começou a desenvolver peças e o “O Cavalinho de Platiplanton”, sua primeira apresentação em público, foi um sucesso entre os colegas de classe. “Essa peça foi muito gostosa de fazer, eu me diverti muito! Foi uma apresentação só para os alunos da minha sala, era um trabalho de literatura e eu entrei de uma forma no personagem que não consegui sair, mesmo após ter terminado a apresentação. O mais legal foi o reconhecimento dos colegas, eu não esperava por aquilo”, conta Mariana. Durante nossa conversa, Ma-
riana se mostrou um pouco tímida, suas mãos não paravam e o momento da foto foi bem interessante: “Ai, não precisa de foto! Então vai, tira, que raiva” (risos). Essa timidez foi um grande obstáculo para os projetos teatrais da nossa artista. Em sua primeira apresentação, ela diz ter sofrido bastante com isso: “Na escola, eu não era a Mariana que você está vendo aqui, eu era super tímida e de repente, com a minha apresentação, os alunos e até mesmo a professora olharam pra mim de uma forma estranha, surpresos com o que estavam vendo, acho que foi um choque pra eles”. Mas ela não parecia nada tímida no CPP, talvez tenha sido o efeito provocado pelo “rock alto” que precisou escutar antes da apresentação: “No dia que apresentei aqui eu quase morri do coração, tive que escutar um rock bem alto pra relaxar (mais risos). E aqui em Resende Costa foi um pouco pior, acho que é porque eu conheço quase todo mundo e dá um frio na barriga”. A artista tem o teatro apenas como hobby e não pretende seguir carreira. Mariana ainda tem dúvidas quanto ao seu futuro profissional, para ela o teatro é uma área muito difícil e com espaço limitado no mercado de trabalho, mas mesmo assim não abandonará essa arte. Ela já tem uma vaga a sua espera na faculdade de Psicologia, mas se conseguir e quiser, poderá ser nossa colega de profissão, já que também prestou
vestibular para Comunicação Social. Enquanto conversávamos, Luzia, a mãe orgulhosa, nos interrompeu para falar de projetos futuros e peças que gostaria de que a filha apresentasse em 2011: “Você precisa ver, ela apresentou uma peça em São João, ‘A Tribo Mevoj’, maravilhosa, eu estou doida pra ela trazer pra Resende Costa”. “Ah não, mãe!”, disse Mariana. A jovem artista não gosta de falar sobre possíveis projetos, pois segundo ela são coisas de que ela não pode ter certeza de que irão acontecer e agora tem a faculdade, que passa a ser sua prioridade. Mesmo assim, Mariana contou ao JL que, a partir desse ano, é mais uma integrante do MAC e participará dos eventos relacionados ao teatro. Quanto à “A Tribo Mevoj”, é uma peça que ela realmente gostaria de apresentar em Resende Costa: “Eu queria muito trazer essa peça pra cá, mas é muito complicado, as artes cênicas em Resende Costa ainda estão atrás dos panos e esse seria um trabalho para o qual eu precisaria de alguns voluntários, principalmente jovens, o que torna difícil a realização. Com o MAC, os eventos culturais ganharam vida, foi um pontapé inicial para mobilizar um movimento maior, mas ainda assim, Resende Costa precisa de mais investimento e incentivo para não ser somente a cidade do artesanato”. Com o sonho de ver o desenvolvimento da cultura de Resende
Costa, Mariana Resende terminou pedindo para que todos busquem se conscientizar para que se possa formar um movimento cultural forte em nossa cidade e para que nossa história seja sempre lembrada e acessada, especialmente pelos jovens, que segundo ela, não demonstram o inte-
resse necessário. Encerro aqui com a mesma frase que a artista usou no fim de “A Visita da Saudade”: Nós temos que viver o presente buscando o melhor do passado e usando isso como aprendizado para o futuro.
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Economia & Negócios
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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
“Empresa de óleos é, antes de mais nada, empresa de farelo” A empresa Fusermann, com sede em Barbacena, fornece farelos de amendoim e algodão para sumplementação alimentar de rebanhos de 1.300 pecuaristas (de bovinos, ovinos e caprinos). Os farelos são resultado do esmagamento para a produção de óleos vegetais. “A maioria dos nossos associados são clientes da empresa”, diz Luciano Piovesan Leme, presidente do Núcleo de Criadores de Caprinos e Ovinos da região dos Campos das Vertentes e Zona da Mata (NUCCORTE) e diretor-executivo da Fusemann. A empresa oferece preço mais acessível para as associações de produtores que fazem compra conjunta. Mas o principal negócio da Fusermann é óleo vegetal e o foco principal é o amendoim. “Nós esmagamos para a produção de óleo, tanto comestível quanto combustível (biodiesel)”, conta Piovesan. No momento, a empresa produz o óleo comestível e cerca de 70% da produção é exportado para Europa e Ásia. “Depois do azeite de oliva, o óleo de amendoim já é o segundo mais consumido”. A Fusermann já esmagou este ano 14 mil toneladas de matériaprima. Desse total, 10 mil toneladas são de amendoim e quatro mil de algodão. Para 2011, a meta é atingir 25 mil toneladas (15 mil de amendoim e 10 mil de algodão). “Nós estamos trabalhando para criar aqui na região um cinturão de fornecedores”. Hoje, 70% do amendoim vem do Estado de São Paulo, enquanto o algodão é trazido do noroeste de Minas e do Mato Grosso. A Fusermann quer incentivar
os produtores da região a produzir amendoim. Este ano a empresa está plantando mil hectares de amendoim aqui na região, sendo 200 hectares de uma área que foi arrendada e 800 hectares em parceria com produtores que já plantam feijão, soja e trigo na região de Madre de Deus, Minduri, São Vicente de Minas e Andrelândia. “É uma região onde os produtores estão inovando, trazendo muita tecnologia para essas culturas”, diz Piovesan. Mas a ideia é ampliar o fomento ao amendoim para outras regiões das Vertentes e da Zona da Mata, prossegue. “Isso vai proporcionar aos produtores mais uma alternativa de renda. Eles vão se beneficiar, de um lado, na compra do farelo com preço muito diferenciado do que eles pagam no mercado e, de outro, no fornecimento de matéria-prima para a própria empresa”. Biocombustível - A Fusermann pretende entrar no mercado de biodiesel no segundo semestre de 2011. “A nossa capacidade operacional é de 30 mil litros/dia, mas não estamos operando ainda a planta de biodiesel porque nesses dois últimos anos nós focamos o mercado de óleos vegetais”. A ideia foi justamente fortalecer a comercialização do farelo “porque empresa de óleos é, antes de mais nada, uma empresa de farelo”, define Piovesan. A soja, por exemplo, tem 18% de óleo na semente. No caso do algodão, para cada tonelada de matéria-prima esmagada, a empresa consegue 180 kg de óleo e 820 kg de farelo. “Então, a ideia foi estabelecer
um grupo de produtores parceiros e cativos e de consumidores (casas de ração, fábricas de ração, cooperativas e associações) para que a gente pudesse efetivamente, a partir daí, entrar no mercado de biocombustíveis”, diz o empresário. Ele planeja esmagar a soja, que ainda representa um volume razoá-
vel para a produção de biodiesel no Brasil. “Embora hoje os preços de óleo de soja estejam bem acima do próprio preço do biodiesel, o Brasil ainda está muito dependente da soja. E nós podemos agregar valor a essa matéria-prima em vez de exportar”. Dupla agregação de valor porque o resultado do esmagamento da soja
para biodiesel será também a transformação em farelo, que é proteína animal. “O que nós precisamos fazer é exportar proteína animal”, conclui Piovesan. (A íntegra da reportagem está disponível no site www.jornaldaslajes.com.br).
Luciano Piovesan, presidente do NUCCORTE e criador de ovinos.
Estudo mostra o reflexo dos impostos sobre a vida das famílias Além do Imposto de Renda e da Contribuição Previdenciária (da tributação incidente sobre rendimentos), o cidadão paga tributação sobre o consumo, já inclusa no preço dos produtos e serviços (PIS, COFINS, ICMS, IPI, ISS etc.), e também sobre o patrimônio (IPVA, IPTU, ITCMD, ITBI, ITR), além de outras tributações como taxas de limpeza pública, coleta de lixo, emissão de documentos e contribuições (por exemplo, iluminação pública). É o que mostra a monografia “O reflexo das altas taxas tributárias e da complexidade dos tributos nas micro e pequenas empresas no desenvolvimento da economia brasileira”, apresentada por Patrícia Inês dos Santos em julho de 2006 para a obtenção do título de pósgraduação em Gestão Empresarial em Finanças na Universidade Fe-
deral de São João del-Rei (UFSJ). Ela fez um diagnóstico completo da situação tributária no Brasil, que se pode considerar ainda bastante atual. O estudo não incluiu a CPMF, extinta em 2007, que incidia sobre as operações financeiras de pessoas físicas e das cadeias de produção dos vários setores da economia. “Muitas pessoas acreditam que quem paga os impostos são as empresas, sejam indústrias ou comércios, mas, na verdade, elas, simplesmente, repassam os valores ao Governo”, diz Patrícia, que é gerente administrativo/financeira da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei). “Nosso atual modelo tributário impossibilita o cidadão de saber o quanto paga de impostos, visto que a taxação brasileira não é assunto transparente. Todas as vezes que faz suas compras, o valor do tributo
é embutido nos produtos que sustentam a nação”. Atualmente (em 2006), o cidadão trabalha o dobro (145 dias ou 4 meses e 25 dias) do que se trabalhava na década de 1970 (76 dias ou 2 meses e 16 dias) para pagar os tributos, revela Patrícia, com base em dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Ela cita, sempre com base no IPBT, exemplos de tributos incidentes sobre produtos de consumo popular. Assim, sobre uma régua, pagavase 45,85% em tributos; achocolatado, 37,84%; açúcar, 40,50%; amaciante, 43,16%; caderno escolar, 36,19%; café, 36,52%; carne bovina, 18,62%; carne de frango, 18,00%; cerveja, 56,00%; creme dental, 42,00%; DVD, 38,00%; margarina 500g, 37,18%; óleo, 37,18%; refrigerante lata, 47,00%; sabão em pó, 42,27%; sal, 29,58%;
TV 29 polegadas, 38,00%. Sem se falar de produtos de consumo popular como a cachaça (83,07% do valor são impostos) e o cigarro (81,68%). Porém, para uma família de classe média (casal e dois filhos), os gastos com a tributação não terminam em maio, de acordo com Patrícia, “devido à deficiência na prestação de serviços públicos”. Essas famílias “têm que gastar, cada vez mais, com serviços privados em substituição àqueles que deveriam ser fornecidos pelo Poder Público”. Uma família de classe média comprometia, em 2006, 31% de sua renda (113 dias) para a aquisição destes serviços, contra apenas 7% (25 dias) na década de 1970. Assim, só começaria a trabalhar para comer, vestir-se, morar, adqui-
rir bens, gozar férias e fazer alguma poupança no dia 26 de setembro. Isto depois de pagar serviços privados em substituição aos serviços públicos. Entre os serviços privados que o cidadão paga, sem perceber, Patrícia cita segurança (vigias), planos de saúde, escolas particulares e pedágios. A situação não deve ter mudado muito de 2006 para cá e, se mudou, foi para pior. Por isso, a proposta de Patrícia – “é importante e urgente a realização de uma nova reforma tributária para alcançarmos a tão ambiciosa meta de desenvolvimento auto-sustentado” – continua mais válida do que nunca. (J.V.R.) (O texto completo está disponível no site www.jornaldaslajes.com.br)
6 Jornal das Lajes
ANO VII Nº 93 - JANEIRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Meio Ambiente
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Liminar da Justiça proíbe a extração e o transporte de quartzo no município de Resende Costa
Diariamente pesados caminhões trafegavam pelo centro de Resende Costa transportando o mineral não metálico quartzo, extraído das lavras localizadas nos povoados do Cajuru, Curralinho dos Maias e, por último, na Micaela, todos pertencentes ao município de Resende Costa. A mineração responsável pela extração é a Empresa Mineração Vianini Ltda, com sede em São João del-Rei. O vai-e-vem dos caminhões se deu praticamente durante todo o ano de 2010, até que em dezembro passado a Justiça concedeu liminar proibindo a extração e o transporte do mineral. O quartzo retirado era lavado e beneficiado na sede da mineradora. As minas serviam apenas como local de extração, conforme informou à Prefeitura Municipal de Resende Costa a empresa Vianini. A preocupação com o impacto ambiental foi o principal fator que levou a Prefeitura Municipal a investigar o caso e acionar a Justiça, ainda em agosto de 2010. “No início de agosto, chamamos a Polícia Ambiental para vistoriar a lavra que estava sendo explorada lá na Micaela. Além dos inúmeros mataburros quebrados, pontes destruídas e estradas danificadas, havia muitas irregularidades, entre elas a falta de Alvará para a exploração, que a empresa Vianini jamais nos apresentou”, disse o secretário de Agropecuária e Meio Ambiente, João Bilaya. De acordo com Bilaya, a empresa possui autorização apenas para pesquisa. A Mineração Vianini contesta afirmando que a área explorada nos Maias pertencia à empresa Companhia Industrial Fluminense, que em 2006 firmou um contrato cedendo-lhe os direitos minerários, isto é, permitindo-lhe que pesquisasse e extraísse o quartzo. No dia 16 de agosto último, o secretário de Meio Ambiente enviou ao Fórum da Comarca local um ofício e anexou a ele diversas fotos revelando o estado em que se encontravam as áreas exploradas nos Maias, bem como a situação caótica das estradas que serviam de escoadouro. Em muitas delas ainda pode-se ver montes de
pedras de quartzo deixados pelos caminhões que não conseguiam, devido ao excesso de peso, subir os morros. Vários mataburros de aço ainda se encontram degradados e pontes de madeira quebradas. “A prefeitura num dia construía um mataburro e no outro ele aparecia quebrado, devido ao peso dos caminhões”, conta João Bilaya, que chama a atenção, sobretudo para o passivo ambiental, isto é, o impacto causado à vegetação adjacente às lavras: “eles retiram toda a vegetação, extraem o minério e deixam apenas as voçorocas que, com as chuvas, podem danificar ainda mais o terreno”. Segundo ele, na Micaela o problema é ainda mais grave, uma vez que a terra é saibrosa, ou seja, constituída em grande parte por saibro, “é a chamada terra podre”, explica o secretário.
Impacto Ambiental –“O impacto ambiental nos preocupa. Muita gente diz, ‘ah, é apenas pedra, o que é que tem...’ Gente, a pedreira faz parte de um bioma complexo, por cima dela e ao lado estavam vegetação que desapareceu com a extração”, explica Bilaya, que completa: “Lidar com a natureza tem que ser de forma sustentável, sem agredi-la”. A empresa Vianini, após ser notificada, enviou representante à prefeitura no intuito de negociar a continuidade da exploração: “eles enviaram representantes para negociar conosco, mas nós não aceitamos esse tipo de negociação. Quero deixar claro que não é proibida a lavra, mas desde que tudo esteja dentro da lei e das normas ambientais”, esclareceu Bilaya. Em resposta à notificação, a empresa Vianini assegura estar em perfeita harmonia com a legislação. Ela diz que o primeiro alvará de pesquisa foi concedido e que um plano de lavra foi apresentado ao “órgão competente”, para que a área “passasse da fase denominada pesquisa e fosse concedida a licença para lavra”. Segundo a empresa, o “órgão competente”, que ela não diz qual, “resolveu conceder a lavra no local” (Maias). A mineração
Mineração abre clareira na mata para extrair quartzo
Estrago causado pela extração de quartzo no Curralinho dos Maias
ressalta que possui seu licenciamento em dia na FEAM (Fundação Estadual do Meio Ambiente) e que o Instituto Chico Mendes deu parecer favorável ao seu funcionamento. “Eles degradam, exploram, não fazem reflorestamento, ou seja, o município só fica com o prejuízo de ver tudo destruído, matas, estradas e pontes”, reclama João Bilaya. Quanto a isso, a mineração Vianini diz que realiza projetos de reflorestamento na região: “Infelizmente, o progresso também gera incômodos. É com base nisso que a empresa vem realizando projetos de reflorestamento na região. Com a ajuda da Promotoria do Meio Ambiente da Comarca de São João del-Rei, somente neste ano (2010), fizemos cinco grandes projetos de recuperação de áreas degradadas”, esclareceu a empresa em resposta à notificação extrajudicial. Em resposta aos estragos causados pelos caminhões de transporte, a mineração afirma: “sempre estivemos à disposição deste município para refazer os estragos que eventualmente possam ocorrer nas estradas, disponibilizando mataburros e equipamentos para conserto”. A empresa Vianini assegura ainda que o projeto de recuperação da área degradada será cumprido. Assessoria jurídica – O JL conversou com o assessor jurídico da prefeitura de Resende Costa, Ernani Moreira, que confirmou ser o impacto ambiental o principal motivo que levou a prefeitura a pedir à Justiça a paralisação da extração e do transporte do quartzo no município. “O que mais pesou foi o impacto ambiental. Além
disso, eles não apresentaram a documentação necessária para a exploração do mineral. Sendo assim, a prefeitura entrou na Justiça com uma ação de “Obrigação de não Fazer”, em virtude da agressão ao meio ambiente e degradação das estradas”, explicou Moreira. Ernani informou também que a empresa não possui licença para atuar no município, consequentemente, toda a situação se encontra irregular. “Eles não têm representação de licença ambiental, muito menos alvará de licença e funcionamento para a exploração do quartzo. Na verdade, eles falam que têm, mas não apresentam”. O fiscal de posturas da prefeitura, Cláudio Cesar Costa, notificou a empresa, no dia 10 de dezembro passado, data em que a Justiça expediu a liminar que determina a suspensão da extração do quartzo no Curralinho dos Maias. “Quero ressaltar que em ne-
nhum momento a prefeitura agiu com arbitrariedade. A empresa tem todo o direito de se defender e apresentar a documentação de licença ambiental”, disse Ernani. Segundo ele, a prefeitura já havia pedido providências aos representantes da Mineração Vianini, antes mesmo de acionar a Justiça, porém jamais foi atendida. “Mostramos os prejuízos e a empresa sempre alegou que possui a documentação exigida, mas nunca nos apresentou”, disse Ernani, que esclarece que a decisão da Justiça não é em caráter definitivo: “a decisão da Justiça é em caráter de liminar, isto é, ela pode ser mantida ou não. Tudo vai depender das provas apresentadas e do entendimento do juiz julgador. Enquanto isso, estão suspensas as atividades de extração e transporte do quartzo no município”, confirma Moreira.
Mataburro quebrado pelos caminhões que transportavam carga excessiva de quartzo
Jornal das Lajes
ANO VII Nº 93 - JANEIRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Aconteceu
EMANUELLE RIBEIRO / JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Formaturas
Final de ano é sinônimo de formatura e formatura nos lembra alguma coisa, na verdade a melhor coisa de uma formatura, é claro que para os convidados: FESTA! E a comemoração dos formandos dos 3ºs Anos 2010 da Escola Estadual Assis Resende não deixou nada a desejar: muita bebida, comida e diversão. Dezembro de 2011 tem mais formatura e, consequentemente, mais festa.
As comemorações aconteceram no Espaço C&M (3º ano II) e no Parque do Campo (3º ano I), nos dias 30 de dezembro de 2010 e 1º de Janeiro de 2011 respectivamente. Destaque também para a organização da festa, Saulo Longati – Assessoria e Cerimonial - que se preocupou em fazer desse momento uma ocasião inesquecível. Parabéns aos formandos!
Júlio, Diego, Ramon e Vinícius
Bruna e Caio
Daniel, Leo e João pedro
Gabriel e João Paulo
Gustavo e Caio
Sandro, Marcela, Nádia, Jéssica, Maíra e Jéssica
Cristiane e Layza
Bete e Ricardo
André e Breno
Valéria e Douglas
Pelankas
Ingrid, Ana Maria e Nara
Formatura 3ºano II
Darle e André casam-se em Resende Costa Darle, filha de Sebastião e Edite, e André, da Cida do Tião (neto de Dona Eni), celebraram bodas matrimoniais no dia 18 de dezembro passado na igreja Matriz de Nossa Se-
nhora da Penha. Cerimônia bastante concorrida, com a presença de parentes e amigos do casal de Resende Costa e da capital paulista. Parabéns e muitas felicidades.
Foto - Paris Foto & Vídeo
André e Darle se casaram na matriz de Nossa Senhora da Penha.
7
8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Cursinho prévestibular Não me lembro de quem partiu a
O primeiro dia de aula foi mar-
ideia. Só sei que a coisa foi crescendo
cado para a próxima segunda-feira.
e o monstrengo já estava formado: o
Fiel ao seu estilo social, o diretor não
tal do cursinho pré-vestibular.
compareceu devido a exames mé-
Monstrengo, pois o negócio
dicos – a bem da verdade, ele iria a
era um Frankstein. Um apanhado de
um laboratório pegar o resultado de
professores, cada um com uma pe-
seu exame de fezes. Assim, logo na
dagogia deferente, como se fossem
estreia, o cursinho iria se apresentar
membros variados de corpos diversos
lá sem direção.
formando um todo desengonçado e
Lá onde? Outra pergunta sem
assustador. Típica inserção de Mary
resposta. Não havia local para o cur-
Shelley no terror escolar.
sinho funcionar. E aí veio uma lista
O cursinho tinha diretor, o que
imensa de imóveis adaptáveis: ga-
não tinha era direção. O diretor era
ragem, sacristia da igreja, salão pa-
mais conselheiro honorário do que
roquial, boteco desativado, casa de
administrador. Na primeira reunião
algum parente solitário... O último
não apareceu. Na segunda mandou
imóvel da lista era a capelinha do ce-
um substituto. Na terceira fomos to-
mitério de cima.
dos pra casa dele sem avisar: só assim a reunião poderia acontecer.
Depois de algumas negociações, a Lilia Lara – então diretora –
Durante a reunião, o diretor
permitiu que o cursinho funcionasse
mais parecia um gato na piscina, de
no Conjurados. No primeiro dia, sala
tão apavorado. Ainda mais porque
lotada. Na segunda semana, sala pela
já havia trinta alunos matriculados e
metade. Na terceira semana, apenas
esperançosos. Depois de muitas per-
cinco alunos. Na quarta semana, ape-
guntas sem respostas, a escalação do
nas o diretor apareceu por lá, para
corpo docente apareceu. Porém, fal-
apagar as luzes. Todos tínhamos de-
tava professor para biologia. Sugere
sistido.
daqui, discorda dali, até que o diretor
Já vai longe esse ano de 1986.
apresentou uma solução: dentre os
Ainda tenho comigo a lista dos alu-
matriculados, havia um aluno que
nos. Vejo ainda o rosto ansioso de
era fera em biologia. Então, o rapaz
cada um em minha memória, assen-
poderia lecionar a tal disciplina e ser
tados nas carteiras e querendo passar
aluno, tudo ao mesmo tempo, e ele
no vestibular. Vejo ainda o rosto re-
teria um bom desconto em sua men-
voltado de cada um em minha me-
salidade.
mória, postados em fila e querendo o
Pobre cursinho! Já começou
dinheiro de volta.
esquizofrênico. O aluno de biologia é
O cursinho não foi pra frente,
aluno e não é aluno... o professor de
nenhum professor recebeu uma só
biologia é professor e não é professor.
gratificação e ainda tivemos que res-
Todos acharam um absurdo, in-
sarcir os alunos.
clusive o diretor. Mas era a única saí-
Quanto ao resultado do exame
da, uma vez que os alunos já estavam
do nosso diretor...ele estava conta-
cobrando o início das aulas. E num
minado pela Entamoeba histolyti-
rasgo de estupidez conjunta, a ideia
ca. Em outras palavras, o cara tinha
foi aceita. O corpo docente frankstei-
uma ameba de estimação. Mas já está
niano já estava montado.
curado.
__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
ANO VII Nº 93 - JANEIRO
DE
Dicas de Saúde - Pública
2011 / RESENDE COSTA - MG DR. LUIZ A. PINTO
É verão - férias, viagens etc. E a saúde? Existem problemas de saúde que se manifestam de acordo com as diversas estações do ano como, por exemplo, as gripes no inverno, entre outras. São as chamadas doenças sazonais. O clima do planeta está muito mudado atualmente, todos sabemos e por isso, não temos mais uma divisão tão perfeita das doenças em “sazonais”. Mas algumas ainda acontecem mais ou menos assim. Quando falamos de verão, queremos abordar um pouco mais do que simplesmente as “doenças dessa estação”. É época de viagens, cachoeiras, churrascos, bebedeiras, alimentação irregular, vida sem compromissos etc. Assim, decorrente disso tudo, alguns cuidados são necessários, para que atravessemos o verão sem maiores problemas para nossa saúde. Primeiro, podemos falar, sim, de doença sazonal comum no verão: as diarréias. Adultos, crianças - principalmente estas - estamos propensos a termos viroses que se manifestam com vômitos, diarréia, dores na barriga, desidratação, febre etc. O calor e a ingestão inadequada de alimentos favorecem esses vírus. Assim, é importante tomarmos sempre muitos líquidos, conferirmos a origem daquilo que comemos, verificarmos as condições de higiene do estabelecimento onde comemos, entre outras
coisas. Ainda assim, se a diarréia nos pegar, procurarmos o cuidado médico adequado, o mais precocemente possível. Os pais que levarem as crianças na viagem deverão hidratá-las sempre e dar-lhes alimentação sem exageros, mais leves, entre outros cuidados. Deverão evitar expôlas demais ao sol de qualquer horário - a pele da criança é mais sensível. Falando em viagens, sempre importante lembrar-se de carregarmos alguns medicamentos para dor, vômitos, febre, soro oral etc. Levar algum povidine para curativos, band aids, faixas, gases, entre outros. Nunca sabemos se teremos algum acidente, mesmo que seja o mais leve. Carregar uma bolsa térmica para compressas poderá ajudar muito. Não aventurarmos em águas - rios, cachoeiras ou mar - elas são sempre mais poderosas que nós. São uma força da natureza e devemos temer sempre as águas. Respeitar o mar, o rio, não sujá-los, protegê-los, para que eles estejam sempre disponíveis para nós. Neste ponto é sempre bom lembrar que álcool não combina com água. Aliás, o excesso de álcool não combina com nada. Sol, calor, “pegar um bronze” - cuidado para não usar bronzeadores caseiros, de figo, por exemplo, e pegar uma bruta de
uma queimadura. Bronzeador, somente os comercializados. Cuidado com o sol - evitá-lo de 10 às 16 horas. Quando for se expor a ele, usar também filtros solares, protetores etc. Assim, prevenimos o câncer de pele. Se já tivermos alguma lesão de pele, convém procurar o médico antes de se aventurar pelos raios solares. Roupas e calçados adequados para viagens - roupas leves e claras evitam perda excessiva de líquidos e calçados adequados evitam acidentes, ferimentos, picadas de insetos e outros. Alimentação - todo mundo gosta de um churrasco, um peixinho frito e outros alimentos típicos do verão. Também aqui é preciso cuidado - desde a origem e conservação dos alimentos até o cuidado no consumo - comer moderadamente, sem exageros. Carregar sempre algum digestivo ou medicamento para estômago: sal de frutas eno, ranitidina, buscopam etc. Dentre as muitas observações necessárias, neste momento eu me lembrei apenas dessas. Porém uma, mais importante que todas as anteriores, não poderia ficar de fora: JUIZO ao volante dos carros, durante as férias e sempre. Acidente tira vidas, destrói famílias. Vamos curtir o verão.... COM SAÚDE.
Crônicas do Cotidiano
RAFAEL CHAVES
A carne é fraca Depois do frango, que virou ícone, representativo da proteína levada à mesa de todos os brasileiros, vem o churrasco, onde, também, cabe o frango. E agora Resende Costa tem uma churrascaria! Que sucesso! Que beleza! Esses dias eu tenho tomado umas cervejas por lá. Sento em uma das mesas da varanda e fico observando as crianças brincando no parquinho e correndo pelo pátio, os grupos de amigos e de amigas entrando e saindo, os casais namorando, as famílias se fartando, os turistas... Todo mundo querendo comer churrasco. É interessante ver as meninas e senhoras de sapatos ou sandálias de salto alto, com seus melhores vestidos ou jeans, indo à churrascaria. E os meninos e homens com suas bermudas, camisetas e tênis. É meio contraditório. Não que isso seja uma regra, mas parece acontecer mesmo desse jeito: mulheres arrumadas, homens esculhambados. Talvez porque os homens tenham incorporado melhor a cultura do churrasco, que é a da descontração. Ou alguém já ouviu uma turma de mulheres combinando fazer um churrasco num final de semana qualquer? Churrasco, do jeito que conhecemos, parece ser um prato típico brasileiro. Pelo
menos temos um jeito próprio de fazê-lo. Os americanos fazem churrasco de hambúrguer (credo!). Os argentinos se gabam é do bife de chorizo - que é o contrafilé, assado na brasa, ou lenha, só isso. Os alemães adoram é salsicha. Os franceses provavelmente fariam churrasco de carne moída: uma pelotinha para cada um. Com a variedade de carnes e outras coisas mais, acredito que só aqui, no Brasil. Aqui churrasco é com carne de boi, de porco, de frango, de búfalo, de capivara, de javaporco, de tudo que é bicho. Fora as linguiças e a variedade de cortes da carne, como a picanha, que é também um corte tradicional nosso. Dizem que foram os gaúchos que inventaram o churrasco. Contam que os gaúchos, campeando o gado nos pampas, resolveram espetar numa vara de pau uns pedaços de carne e puseram para assar sobre uma fogueira. Como a carne estava sem tempero, meteram a mão no cocho de sal grosso do gado e untaram a carne com essa mistura. Assim nasceu a receita do churrasco gaúcho, que tanto sucesso faz nas beiras de estradas do país inteiro. Se churrasco é sinônimo de descontração e até de improviso, tem também ciência. Não é fácil fazer um bom churrasco (o Vinícius do Tinô que o diga), mas de mé-
dico e churrasqueiro todo mundo tem um pouco. Manuais, receitas e dicas de como fazer churrasco se espalham, sem dó nem piedade. Sacrilégio ou não, existem receitas de churrasco até para vegetarianos. Não adianta espernear, se sai do espeto cai na brasa. Está estabelecida a confusão! Afinal o churrasco é feito com lenha ou na brasa? No “bafo” ou a céu aberto? Na grelha ou no espeto? Com sal grosso ou fino? Ou podese usar outro tipo de tempero? Qual a maneira correta de se cortar a carne? Serve-se a carne sangrando ou bem passada?... Bom mesmo é que, numa churrascaria, sempre haverá algum tipo de carne de que você goste mais, e no ponto que você queira. Churrasco é prato democrático, assim com o é o frango. Bem mais caro, talvez, mas nada que não se possa contornar. Se não tiver dinheiro para uma picanha, dá para fazer um bom contrafilé; se não tiver peito, serve a asinha do frango (que, nesse caso, é mais gostoso!); se não puder comprar o lombo, a costelinha ou o pernil não deixam nada a desejar. E agora, graças a Churrascaria do Marquinho, não estaremos mais condenados exclusivamente ao frango do domingo. Bom apetite!
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Religião
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ANDRÉ EUSTÁQUIO
Diocese de São João del-Rei ordena novo diácono Admilson Heitor de Paiva recebeu de dom Célio, bispo diocesano, a ordem do Diaconato, na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França
No dia 17 de dezembro último, Admilson Heitor de Paiva, 29, foi ordenado diácono na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, em Resende Costa. A ordenação foi presidida pelo bispo da Diocese de São João del-Rei, dom frei Célio de Oliveira Goulart e concelebrada por diversos sacerdotes. Há um ano, o diácono Admilson exerce trabalhos pastorais em Resende Costa, por isso a paróquia de Nossa Senhora da Penha de França foi escolhida para ser o local da sua ordenação. Natural de São João del-Rei, o diácono Admilson iniciou, porém, sua caminhada vocacional na paróquia de São Sebastião da Vitória, distrito de São João del-Rei, a qual ele mesmo define como sendo “minha paróquia de origem”, onde provavelmente será ordenado presbítero em dezembro de 2011. O novo diácono da Diocese de São João del-Rei é graduado em Filosofia e está cursando o quarto ano de
Teologia no Seminário Santo Antônio, em Juiz de Fora (MG). “Após nove anos de estudos e discernimento vocacional, me alegro em poder responder ao chamado de Deus. E este é o primeiro passo, a ordem do Diaconato”, disse Edmilson. A ordem do diaconato constitui um grau hierárquico na formação do clérigo, um último passo antes da ordenação sacerdotal. Oficialmente considerado clérigo da Igreja Católica, o diácono é inferior ao presbítero, ou padre, tendo como função auxiliá-lo nos serviços pastorais e litúrgicos. Admilson Heitor exercerá o diaconato na paróquia de Nossa Senhora da Penha e já mostra muito entusiasmo com as novas funções: “tenho uma boa expectativa, uma vez que já trabalhei como seminarista aqui pelo período de um ano. No entanto, já conheço um pouco da realidade paroquial, bem como as necessidades do povo. Eu
me colocarei a serviço dessa paróquia como diácono, com muito amor e dedicação”. Como missionário a serviço do
povo de Deus, o diácono Admilson se inspira nas palavras do próprio Cristo: “Como o próprio Cristo veio para servir e não ser servido, dedico-me intei-
ramente ao serviço e de modo especial aos mais necessitados, levando a todos a Palavra de Deus”.
Dom Célio cumprimenta o diácono Admilson Heitor
Contemplando as Palavras
REGINA COELHO
Mulheres ao volante (3) - Final
Conversando um dia com seu tio Né (o saudoso Né do Chico Daniel), Maria da Penha Pinto, hoje professora aposentada, 69 anos, pediu a ele que lhe comprasse um carro. O que para ela pareceu ser uma simples brincadeira foi levado a sério pelo Né. Tanto é que, no dia seguinte, precisando ir a São João Del Rei, ele viu um veículo que lhe caiu no agrado, reservando-o para a sobrinha. “Eu entrei na dele, arrumei um empréstimo e comprei o carro”, afirma Maria da Penha. O carro em questão era um Volkswagen 57, de cor branca. Mas faltava o principal, que era “botar a mão na massa”, ou melhor, no volante, para finalmente aprender a dirigir. Penha revela que, naquele tempo, ela não sabia nem quantos pedais havia num carro, muito menos que havia o câmbio, alavanca responsável por ditar as marchas. Vieram então as primeiras instruções dadas logicamente pelo Né e também pelo primo Amadeu e sucedidas por bastante treinamento. Em setembro de 1977 e cumpridas as
exigências de praxe, Maria da Penha se tornou motorista oficialmente habilitada, completando, portanto, em 2010 33 anos de habilitação. “Fui a primeira mulher resende-costense, residente aqui, habilitada...Na época havia outras, mas não residiam em Resende Costa”, assegura ela com natural e indisfarçável satisfação. Mas, entre tantas viagens pela nossa região, houve uma que lhe trouxe um certo aborrecimento. Maria da Penha conta que um dia, ao contornar o praça da Matriz da Piedade, em Barbacena, foi surpreendida por uma motorista que subia uma rua através da qual se chegava até a praça. A tal mulher acabou batendo na traseira do carro dirigido pela Penha, quebrando o farol traseiro da direita. Segundo ela, o susto foi grande, pois, além de tudo, no banco de trás estava uma criança, que naturalmente, chorou muito por tudo aquilo. Momento ruim à parte, nossa conversa agora se volta para as lembranças curiosas ligadas às reações das pesso-
as quando viam aquela principiante e já cautelosa motorista dirigindo seu carro pela cidade. Enquanto algumas se espantavam com a cena e diziam simplesmente “que coragem!”, outras afirmavam num misto de pessimismo ou mesmo de uma certa inveja (como saber?) que ela não conseguiria tirar a carteira por não ter coragem para tal. Reação bonita vinha dos que ficavam felizes vendo a Penha ao volante: “Que chique! Nossa professora tem carro”. Tinham razão os alunos daquela professora de matemática. Não tanto pelo carro, mas é mesmo chique a gente ter a coragem de enfrentar desafios. Outra forma (quase obrigatória até) de entender a ligação pioneira das mulheres de Resende Costa com o carro é conhecer um pouco da história de Maria das Graças Vieira Mendes, a popular Gracinha do Zé Padeiro. 62 anos, comerciante ambulante aposentada, ela conta que na família todos os homens, exceto o pai, eram motoristas. Vendo os irmãos dirigindo, principalmente o Nonô e o Paulo, foi aprenden-
do com eles. Antes dos 18 anos, já dirigia os carros que o “seu” Zé Padeiro comprava. Tanta naturalidade em sair simplesmente dirigindo deve explicar o entusiasmo pela aquisição do primeiro veículo, um modelo Vemaguete marrom que Gracinha, ainda sem carteira, comprou de um rapaz de Barbacena. Mais tarde, o DKW Vemag (nome oficial da perua) foi substituído por uma Rural comprada do Zé Manganga. A condição de motorista precoce, no entanto, não lhe valeu de imediato a obtenção da carteira de habilitação, que foi tirada em 1980. Segundo ela, o exame de rua foi realizado em Barbacena, “num caminhão Detroit” pertencente à Serveng Civilsan, empresa dos irmãos Penidos (de Resende Costa) e responsável pelas obras do nosso asfalto (entroncamento da BR 383, batizado oficialmente Rodovia Alfredo Penido). Naquela época, a pessoa candidata a uma carteira levava o carro no qual o teste de rua era feito. Como Gracinha era fornecedora de frangos para a Serveng e administrava a co-
zinha da firma, conseguiu que o Karimata, um engenheiro da firma, emprestasse a ela o tal caminhão. E por mera curiosidade, só para situar melhor os leitores mais jovens ou mais esquecidos: o acampamento da companhia funcionava em área alugada pelo João do Cornélio, onde é hoje a casa do Carlinhos do Ivan. Sem qualquer história pessoal para contar sobre eventuais acidentes ao dirigir e revelando que, além de carro, dirigia moto e andava a cavalo pra todo lado, Gracinha (“um monumento de Resende Costa” nas palavras de César da farmácia) afirma que “ninguém nunca falou nada” sobre tais ousadias. Ela sabe, porém, que indiretamente muitos a chamavam de meio louca ou mulher macho. E acha graça disso a Gracinha, detentora orgulhosa de carteira de motorista categoria D. Louca ela? Só se for pelas boas aventuras da vida, uma marca dessa verdadeira profissional do volante. Pela valentia, uma mulher-macho sim, senhor.
10 Jornal das Lajes
ANO VII Nº 93 - JANEIRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
No armarinho da memória Aquele homem sem uma das pernas estava no armazém. A tarde era quente, de uma quentura insuportável. Ele estava num canto à direita, bebendo cachaça e comendo pedaços de mortadela. O menino de braço dado com sua mãe entrou já temendo toda a cena, nem querendo pensar em tudo o que poderia acontecer. Não gostava de mortadela, da palavra e da coisa. Palavra feia, parecida com morte. Os seus irmãos tinham a mania de comprar aquelas fatias vermelhas com bolinhas brancas de gordura. Muitas bolinhas alternavam-se com caroçozinhos de pimenta ardida, sem vergonha. A alma do garoto ardia, sem sequer tocar naquelas quenturas. As bocas fraternas comiam com vontade a carne comprimida entre pães. As mãos movimentavamse gulosas entre os sanduíches e goladas de café ou de refrigerante. Olhou bem para o chão cascudo, perto da vitrine do balcão. Do lado de lá do vidro, alguns pães murchos insistiam em exibir-se. Na prateleira acima dos pães, marias-moles ostentavam sua lassidão, coloridas, esborrachadas e preguiçosas, querendo derreter-se por causa de uma faixa de luz do sol que entrava pela porta da venda. Rente a elas, às marias molengas, chicletes e balas sortidas estavam arrebanhados em caixinhas de cores diversas. Enquanto a mãe entregava ao senhor do outro lado do balcão uma caderneta azul, os olhos do menino continuaram buscando salvações. Uma balança Filizola, com bandeja de um alumínio sujo e gasto, estava bem à vista dos fregueses, sobre uma mesa de cimento liso que era uma belezura. Ao lado da balança, bexigas de mussarela, cabeças de alho entrançadas, caixas de fósforos a serem riscados. E no centro de tudo a mortífera mortadela! A lembrança da carne anunciando-se para bocas e olhos que pudessem desejá-la.
Ao lado, ainda o homem sem uma das pernas, carne inexistente. O menino desconfiou que estava sendo olhado por ele, por sua vontade de oferecer-lhe um pedaço da carne. Só não lhe daria cachaça, “a bebida de adultos” como o pai dizia. Olhar para diante, para a Filizola imponente e determinadora dos preços e das facadas nos fregueses, seria o mesmo que olhar para o homem, para a ausência de uma perna e para o perigo de que lhe fosse dado por esse homem um pedaço daquilo que era gordura e carne e pimenta. Os olhos titubearam. Ficaram na dúvida do que fazer, de que trajeto, sempre o mesmo, deveriam seguir. Os ouvidos, então, ouviram ansiosos a voz da mãe: “duzentas gramas de fermento e quatro quilo de farinha, a da Santa Luzia”. E nenhuma santa poderia ali salvar seus olhos. Ele não estava cego, e o homem sem uma das pernas lhe diria alguma coisa se atenção lhe desse. As prateleiras à direita o resguardaram momentaneamente do que aconteceria. Gavetas abertas com retroses de linhas coloridas, sandálias havaianas e correias de sandálias, fumos de rolo como cobras escuras à espreita, botões de roupa, agulhas, colchetes, vidros esverdeados de óleo Singer, garrafas de querosene, lamparinas em forma de cone, tripas-de-mico e sacos de linhagem, almôndegas frias em pratos esmaltados e descascados, pacotes de Q-suco, latas de banha, açúcar batido e moreno em caixotes. Diversas conchas esperavam nos repartimentos sobre grãos de arroz, de feijão, de fubá de moinho d’água, grãos de café limpo e de café em coco... O homem e sua muleta cumprimentaram a mãe. Uma perna apoiada no chão e a outra não existindo. Mãos sobre o balcão, preocupadas em levar à
Causos & Cousas
boca de dentaduras duplas e amareladas o tira-gosto terrível. O menino não o olhava, mas percebia: ao lado do homem sem uma perna descansava uma muleta. Encostada na parede, ao lado de sacos de ração, esperava por continuar desempenhando sua nobre tarefa, a de ser ela também uma perna. O garoto quis de repente namorar a muleta, abraçar-lhe a existência, agradecer-lhe pelo que ela vinha fazendo com dedicação, mas aí teria que esbarrar na perna sem vida, naquilo que não existia, e num pedaço de mortadela estendido por mãos tão afáveis. Após nova e dolorosa hesitação, um novo refúgio: o lado esquerdo da venda. Pacotes de polvilho, de farinha de trigo, de canjica; pacotes de sal refinado e sacos de sal grosso para gados nos pastos e pés cansados das pessoas em sua lida diária. Mais adiante, prateleiras com bobes, brincos de cabacinha, águas de cheiro, ruge, batom, leite de rosas. Tudo existências para tornar a vida possível, mais bonita, mais fácil. Enquanto olhava perdido para as utilidades de todas aquelas coisas, não chegou a ouvir a mãe agradecendo o comerciante, mas pôde voltar a si quando a sua mão esquerda lhe tocou o ombro, chamando-o para que fossem embora. Ao virar-se, continuou fugindo de olhar para o homem sem uma das pernas. O assoalho cascudo veio ao seu encontro novamente. Voltaria, por fim, ao mormaço que fazia lá fora. Passou com a mãe pela porta larga de madeira antiga, gigante. Atravessou a soleira como um vitorioso, mas triste consigo mesmo. Triste por não compreender o sentimento que acabara de ter diante da possibilidade de aceitar uma oferta daquele homem.
ROSALVO PINTO
Do peguete ao divórcio
Não sou psicólogo, psicanalista ou sociólogo. Apenas um linguista. A faculdade da linguagem é uma das condições fundamentais da vida dos seres humanos. Sem ela nós seríamos como os demais animais: seres irracionais. Foi a partir do desenvolvimento dessa capacidade que nos tornamos seres racionais, ou seja, pensantes e conscientes. O exercício da linguagem possibilitou a organização das sociedades humanas. Quanto mais complexas essas sociedades e maiores nossos conhecimentos sobre nós e sobre o mundo, mais a linguagem vai se aparelhando para dar conta desses processos. Por isso as línguas naturais humanas são extremamente criativas. Para cada nova necessidade criam-se novas palavras. Que podem durar séculos, como desaparecer de uma década para outra. As novas gerações não conhecem a palavra “boko moko” (ou “boco moco”), por exemplo. Nascida e usada na década de 70, logo, logo desapareceu. Significava desatualizado, fora de moda no agir e no vestir, conservador, ultrapassado
etc. Na mesma época criou-se a palavra “dica” para indicar um conselho, uma sugestão, uma indicação (suponho que “dica” venha dessa palavra) para se resolver uma questão, termo usado em provas, vestibulares, concursos etc. Essa continua firme na língua. Sabemos que uma das questões mais complicadas na vida dos humanos é a do relacionamento amoroso entre homem e mulher. À medida que a moral e os costumes nessa esfera vão se mudando, a linguagem vai se adaptando a essas mudanças através da criação de novas palavras. O nosso português anda apertado para dar conta de criar novos termos referentes aos diferentes tipos ou fases dos relacionamentos amorosos, que vão se multiplicando. E haja criatividade! Antes uma olhadinha no passado para lembrar como funcionavam essas coisas. Em matéria de amizades e relacionamentos, os pais andavam sempre vigilantes, fiéis cães de guarda, sobretudo quando se tratava da moça. Depois vinha a árdua e pe-
rigosa tarefa do “pedido de namoro”, geralmente por parte do rapaz. Podia dar certo ou dar zebra. No primeiro caso, tinha que começar namorando em casa, da namorada, claro. No caso de zebra, o namoro poderia começar (e continuar) às escondidas. No início era preciso contar com a boa vontade das “velas”, do lado das moças. Geralmente cabia às irmãs mais novas, e principalmente às primas ou às tias a difícil tarefa de ser ou ir de vela. Em muitos casos elas entravam na história apenas de gaiatas, como parte de um álibi: “no reveion vou à praia com o Carlão, mas a Bia da tia Jô vai com a gente”. E muitos pais, bobinhos, acreditavam nessa história. Depois vinha o casamento, com todos seus problemas, convites, padrinhos, enxoval, festas, confusões, brigas etc. até o veredicto final, na igreja: “prometo, para sempre”. Só que hoje até esse termo “sempre” já perdeu o seu sentido original. Passou a significar “até enquanto durar”. Hoje as coisas são bem diferentes.
Política e Cidadania
FÁBIO ABREU DOS PASSOS
O nascimento de um Ano Novo... Fechamos as cortinas que possibilitaram ao ano de 2010 entrar no palco da vida e ter seus 365 dias de fama. Muitos fatos marcaram o ano que terminou e, de uma maneira geral, são fatos que acontecem todo ano: calamidades, escândalos, mortes, eleições. Se, por um lado, as cortinas do teatro da vida se fecharam para o ano de 2010, as mesmas começam a se abrir pra o ano que nasce, para 2011. Muitos fatos marcantes irão colorir esse ano: calamidades, escândalos, mortes. Mas, um fato, não teremos: eleições. O que teremos são os efeitos das eleições de 2010 e, principalmente, teremos as nossas expectativas, quanto aos governos eleitos, concretizadas ou frustradas. Para falar um pouco da “natalidade” de um ano novo, devemos falar que os eventos serão realizados a partir de ações humanas, que se realizam a partir da relação entre ação e discurso. Assim, a relação entre ação e discurso está no fato de que a ação responde à pergunta “Quem és?”. Quando os homens iniciam uma ação, efetivando sua capacidade de colocarem em marcha algo novo, ou seja, quando eles expõem a condição humana da natalidade, o que há implícito nela é a revelação de suas individualidades que são apreendidas pelo discurso, demonstrando a estreita relação entre agir e falar. A esse respeito, diz Hannah Arendt, em sua obra A condição humana: “Se a ação, como início, corresponde ao fato do nascimento, se é a efetivação da condição humana da natalidade, o discurso corresponde ao fato da distinção e é a efetivação da condição humana da pluralidade, isto é, do viver como ser distinto e singular entre iguais”. Em outras palavras, se pela ação o homem atualiza sua faculdade de iniciar algo novo, pelo discurso ele manifesta suas opiniões, faz-se entender pelos demais, aponTudo pode começar com um simples “peguete”. O peguete é a forma de relacionamento na qual os parceiros se “pegam”, alguma ou mais vezes, para uma pequena paquera, uma fugida, um sarro, um amasso, saídas rápidas, uma balada, mas nada de compromisso. Mais ou menos no mesmo nível, há também a fase do “periguete”, essa mais para as garotas. São aquelas mais “prafrentex” (olha aí outro termo que não se usa mais), que são mais atiradas, mais dadivosas, pulando de galho em galho. Daquelas sobre as quais algumas mães ainda comentariam, preocupadas: “se a Kelly continuar assim, vai acabar ficando solteirona”. Quando esse relacionamento já cresce um pouco em tempo e em intimidade, vem a etapa do “ficar” ou do(a) “ficante”. “Você está namorando o Edu, minha filha? Não, estou apenas ficando”, costuma-se ouvir por aí. Até essa fase é tudo numa boa, sem brigas, sem desgastes, apenas pura fruição. Do ficante passa-se a um grau de compromisso maior: o namoro ou namorado. É a época, para uns, de relacionamento
tando o porquê de ele ter agido de tal maneira e, assim, singulariza-se, pois demonstra que o mundo se revela a ele por perspectivas diferentes daquelas de seus companheiros. Se a ação e o discurso não revelassem seu agente perderia sua “razão” de existência. A perda da capacidade da ação e do discurso de revelar o “quem” acontece quando o agir e o dizer são realizados “pró” ou “contra” alguém, ou seja, quando a ação e a fala visam a um fim particular, fazendo com que elas sejam um tipo de procedimento instrumental, arruinando sua característica essencial que é o fato de ser um agir em conjunto em prol de se preservar o mundo. A ação, como um ato que deve revelar o “quem”, imprime um novo começo que precisa ser acolhido por outros, para que seja levada a término a empresa iniciada. Esse novo começo é o ano de 2011 o qual, com ações e palavras vão revelar o “quem” de nossos políticos e, assim, poderemos comprovar se seus discursos eram recheados de uma retórica vazia de conteúdos de verdade ou se, ao contrário, eles, pelo menos, têm a intenção de levar a cabo a obra prometida na campanha eleitoral. “Alguém” coloca em movimento uma ação e, este “alguém”, precisa de que outros o ajudem a finalizar a ação iniciada a qual, se não tiver a adesão dos demais, certamente fracassará. O ano de 2011 nos revelará o “quem” de nossos novos governantes e, fundamentalmente, os da esfera federal e, juntamente com a revelação desse “quem”, a possibilidade de haver o nascimento da nossa vontade de levar a cabo a obra iniciada e, bem como, a possibilidade de passarmos de meros espectadores da cena política, para atores políticos, ou seja, passarmos de integrantes de uma democracia representativa para uma democracia participativa. Que venha 2011!!!
firme e, para outros, de um relacionamento do tipo vai-e-vem, brigas e voltas. Ao namoro segue-se, ou não, o tradicional noivado. Antigamente o noivado era solenemente pedido. Hoje pode até ser simplesmente comunicado aos pais: “vamos ficar noivos e vamos nos casar no dia tal”. E ponto final. Quando ao namoro não se segue o noivado, é porque não haverá casamento. Então a situação seguinte é apenas de “juntados”. “Vão se casar? Não, vamos apenas juntar os panos, os trapos”. Ao casamento podem se seguir hoje as situações de “separados” ou, mais juridicamente resolvidas, as de “divorciados”. Mas o importante é que desde o “peguete” até o eventual divórcio, o fator financeiro está na base de tudo, das artimanhas da relação e dos problemões das separações. E a regra básica para enfrentar tais situações poderia ser esta: para qualquer um dos tipos de relacionamento, é bom estar com o pensamento e o olho no coração (ou na cama...), inicialmente, mas, depois e sobretudo, no bolso...
Jornal das Lajes
ANO VII Nº 93 - JANEIRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Educação
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ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO
Concurso de Horta Domiciliar colhe os primeiros frutos
A proposta do vereador Bacarini (PT) de estimular o cultivo sustentável de hortaliças nas propriedades dos alunos da Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão de Santo Antônio, colheu os primeiros frutos. No dia 8 de dezembro último, aconteceu, na escola, a premiação dos vencedores do Concurso de Horta Domiciliar, que nesta primeira edição contou com a participação de 10 estudantes da Paula Assis. Entre outros objetivos, o cultivo da Horta Domiciliar objetivou estimular os alunos a cultivar os mais variados canteiros de hortaliças (couve, alface, cebolinha, alho, cenoura, quiabo etc.), utilizando-se de técnicas agrícolas para o manejo e o cultivo ideal da terra. O regulamento do concurso deixou claro que as hortas seriam avaliadas ao longo do ano e, no final, observar-se-iam os seguintes critérios avaliativos: criatividade, variedade das espécies, bem como se os proprietários procuraram assistência técnica e se a horta começou do zero. “Os participantes obedeceram aos critérios estabelecidos no regulamento, trabalhando com muita criatividade, produzindo alimentos de qualidade, assimilando bem as orientações técnicas, pesquisando e buscando informações”, disse o vereador Bacarini. Todos os participantes são moradores da zona rural e deveriam estar cursando do 9º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio na Escola
Paula Assis. Na edição de julho (Ed. 87), o JL destacou o concurso devido, sobretudo, aos seus objetivos pedagógicos. Na ocasião, o vereador Bacarini, idealizador do projeto, chamou a atenção para o fato de uma mudança de mentalidade, isto é, “disseminar no meio rural uma nova mentalidade na prática agrícola, que coloque a comunidade autossuficiente, ou seja, colher o que produz, sem necessitar da cidade”. Quem também se beneficiou do concurso foi a cantina da Escola Paula Assis, que recebeu verduras e legumes durante boa parte do ano. “Foi um projeto arrojado que envolveu os alunos e suas famílias. A escola pôde contar com um grande suprimento de verduras e legumes de alguns participantes. Teremos o maior prazer em apoiar este projeto outras vezes”, disse Virgínia Daher de Oliveira Coelho, diretora da Paula Assis. Bacarini também avalia positivamente o concurso e diz que o resultado foi justo: “De todos os meus projetos, o Concurso de Horta Domiciliar foi o que mais superou minhas expectativas. Para mim foi um sucesso total, pois atingiu seu objetivo principal que foi estimular os alunos no aprendizado do cultivo de hortifrutigranjeiros. O resultado final fez justiça aos participantes, premiando todos eles, com destaque para os primeiros colocados, aqueles que preencheram melhor as etapas do processo de produção: escolha do local, feitio da horta,
Horta cultivada por Adilson Gouveia
preparação dos canteiros, tratos culturais e colheita”. Resultado final causou surpresa a alguns integrantes da escola
O resultado final do Concurso de Horta Domiciliar causou surpresa a alguns integrantes da Escola Paula Assis, principalmente ao aluno Adilson Antônio Gouvêia, terceiro colocado. Mesmo assim, o estudante, que se formou no ensino médio e se despediu da Escola Paula Assis no ano passado, foi humilde e reconheceu a vitória dos seus colegas e concorrentes: “Eu não vou desmerecer ninguém, não é este o meu intuito, apenas declarar e agradecer à Escola Municipal Paula Assis pelo reconhecimento do meu esforço e do prazer que foi para mim doar os alimentos e receber como troca o sorriso e a alegria e também de contribuir para que todos os alunos tivessem uma alimentação saudável”. O estudante afirma que procurou trabalhar corretamente, tentando sempre plantar e colher no momento certo. Seu principal objetivo foi abastecer a cantina da Escola: “A minha meta era com um mês poder levar os alimentos produzidos na horta e esta expectativa foi superada. Foi tão surpreendente que as próprias cantineiras e professoras ficaram surpresas, pois toda semana eu levava alimentos para a escola e da melhor qualidade. No início eram mais folhagens e
O vereador Bacarini com a vencedora do Concurso de Horta Domiciliar Gizelle Cristine Resende
aos poucos foi aumentando e variando, tanto que cheguei a levar mais de 25 qualidades de verduras e legumes”. Perguntado se descumpriu alguma regra antes estabelecida pela organização, ele respondeu que não: “O principal objetivo do projeto era cultivar a horta e levar os alimentos produzidos para a escola, o que eu cumpri corretamente. Após a divulgação do ganhador, houve controvérsias que foram divulgadas inclusive no jornal da prefeitura de Resende Costa”, informa Adilson. Adilson reconhece a importância da vitória, mas para ele esse ponto não é o mais importante: “Vencer é sempre gratificante, principalmente quando a gente se esforça para alcançar o intuito do projeto (plantar, cultivar e o principal, doar), mas receber a alegria das cantineiras com um sorriso de felicidade quando eu chegava com as sacolas de alimentos semanalmente, foi mais que um prêmio pra mim, esta consideração da equipe da escola, agradecendo e parabenizando pelo meu esforço, foi tudo”. “Agradeço a todos que me deram apoio e ao espaço concedido pelo JL. Quero dizer também que o projeto Horta Domiciliar foi uma ideia que não poderá acabar, que desperta nos jovens a importância de produzir para o sustento das famílias e, principalmente, que este projeto seja melhor planejado na próxima edição. Sugiro que seria mais justo que os professores e as cantineiras pudessem fazer parte do júri do projeto”, acrescentou Adilson. O Concurso Horta Domiciliar foi realizado pela Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente e contou com o apoio da Secretaria de Educação e da Emater – MG. Na solenidade de premiação, estiveram presentes o vereador Bacarini, o prefeito Adilson Resende e seus secretários: Adriano Magalhães (Educação, Esporte e Cultura), Mazé (Administração e Fazenda) e João Bilaya (Agro-
pecuária e Meio Ambiente). Os vencedores foram 1º lugar: Gizelle Cristine Resende, 15 anos, aluna do primeiro ano do Ensino Médio e reside no povoado dos Pintos. Foi premiada com um notebook. 2º lugar: Ana Talita Teixeira, 17 anos, aluna do terceiro ano do Ensino Médio, e seu irmão Tiago Dener Texeira, 15 anos, do 1º ano do Ensino Médio. Foram premiados com uma câmera digital. 3º lugar: Adilson Antônio Gouveia, 17 anos, aluno do terceiro ano do Ensino Médio. Premiado com um telefone celular. Formatura – No dia 17 de dezembro, a Escola Municipal Paula Assis encerrou seu ano letivo com a formatura de seus alunos, que concluíram o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. Aliás, esta foi a primeira formatura de 3º ano do Ensino Médio na escola. Após a Missa em Ação de Graças, foi realizada a cerimônia de conclusão de curso de 42 alunos, seguida do tradicional “cafécom-biscoito”, na sede da escola. Medalha de bronze – A Escola Paula Assis em 2010 teve mesmo o que comemorar e iniciar 2011 com o “pé direito”. A professora de Química, Nazaré Eunice de Resende, preparou e acompanhou uma equipe de alunos a Belo Horizonte, para que pudessem participar da Olimpíada de Química. O aluno Rodrigo José da Silva, do 1º ano do Ensino Médio, conseguiu a medalha de bronze. “Ao Rodrigo e a todos os participantes da equipe da Paula Assis e à professora Eunice, parabéns de toda a escola”, felicitou a diretora Virgínia.
12 Jornal das Lajes
ANO VII Nº 93 - JANEIRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo
GERALDO AIRES
As curtinhas do esporte ponto de partida, perfazendo um total de 9 km de prova. Concorreram atletas dos Municípios de Barbacena, Tiradentes, Dores de Campos, Conselheiro Lafaiete e São João del-Rei e o resultado final nas categorias masculino, feminino e infantil ficou assim: Categoria Masculino 1º - Alan (Dores de Campos) 2º- Reinaldo (Tiradentes) 3º- Reginaldo (Resende Costa) Categoria Feminino 1º - Erika (Barbacena) Equipe da Escolinha de Futsal Galaxy brilhou em campeonato regional
Futsal Mais uma vez as equipes da Escolinha Galaxy de Futsal são destaque positivo nos torneios regionais. Em São João del-Rei, no Campeonato Regional de Escolinhas de Futsal, realizado de outubro a dezembro de 2010 e que contou com a participação de equipes das cidades de Dores de Campos, Coronel Xavier Chaves, Resende Costa e da cidade anfitriã, a equipe resende-costense teve significativas apresentações em três categorias. Pela categoria Pré-Mirim terminou a disputada competição na 5ª colocação geral. Na categoria Fraldinha terminou como 4ª. colocada chegando às semifinais. E o time Mirim, foi vicecampeão, perdendo a grande final para a boa equipe do IEPA de São João delRei, pelo placar de 8 a 5. Outra competição em que as equipes do Galaxy também se destacaram foi na Copa Ceclans de Futsal em Barroso, na qual foram eliminadas pela principal equipe da cidade na fase decisiva do torneio. Apesar de não ter conquistado títulos nessas importantes competições, o treinador João Vítor destaca que as competições serviram de grande experiência para a evolução das equipes de Resende Costa. “Apesar de não conquistarmos nenhum troféu, vejo que as equipes evoluíram muito e estão crescendo. Isto já é resultado dos trabalhos realizados no Ginásio Poliesportivo
Monsenhor Nelson, onde estamos realizando treinamentos desde o início de dezembro”, afirmou o competente treinador. Volta internacional da Pampulha Na XII Volta Internacional da Pampulha, realizada em Belo Horizonte, os representantes do país africano do Quênia ficaram no lugar mais alto do pódio, tanto no feminino, quanto no masculino. A prova reuniu cerca de 12.500 corredores que se espalharam pelos quase 18 quilômetros do percurso. Resende Costa também teve seus representantes.Mesmo amadores, completaram a volta num dos principais cartões postais da capital mineira. Disputando a competição pela primeira vez, os resende-costenses Samuel Eduardo Santos e Luis Nei Resende concluíram a prova, em 1h17min57s e 1h21min46s, respectivamente. 1º Corrida Rústica da APAE A Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa (APAE/RC) e os atletas Luis Nei e Samuel Santos, promoveram a 1ª Corrida Rústica da APAE de Resende Costa. A saída aconteceu em frente à entidade, percorrendo as principais ruas dos bairros circunvizinhos e retornando ao
Luis Nei e Samuel na Volta Internacional da Pampulha
Categoria Masculino Infantil 1º - Mateus (Resende Costa) 2º - Eduardo (Resende Costa) 3º - Marcelo (Resende Costa) Categoria Feminino Infantil 1º - Liriane (Resende Costa) 2º - Luciana (Resende Costa) 3º - Paula (Resende Costa) Expedicionários sorteia prêmios para arrecadar recursos A nova diretoria do Expedicionários Sport Club sorteou, no último dia 2 de janeiro, três prêmios com o fim especifico de arrecadar recursos para concretizar as melhorias no espaço administrado pela associação esportiva. A diretoria pretende construir uma pista de caminhada ao redor do gramado e ainda reformar os vestiários. Confira o resultado do sorteio 1º Prêmio: Televisor de 21” Fernanda Andrade – Lagoa Dourada Número sorteado: 2833 2º Prêmio: Sanduicheira Sílvio Resende (Sílvio da Loja) – Resende Costa Número sorteado: 1219 3º Prêmio: Secador de cabelos Romilson Nazarro Silva – Lagoa Dourada Número sorteado: 0051
Fernanda Andrade, da cidade de Lagoa Dourada, ganhou uma TV de 21 polegadas
O verso e o controverso
JOÃO MAGALHÃES
Mensagem de Feliz Ano Novo do Congresso Nacional ao povo Brasileiro “Agradecemos a vocês que votaram em nós por idealismo, por fé em nossas propostas, em nossos programas. Continuaremos pensando em vocês. Reajam contra quem os chamar de idiotas. Vocês são os nossos ‘santos’ da democracia. Agradecemos especialmente a quem nos vendeu seu voto por um preço camarada. Graças a Deus são muitos. Esperamos continuar seus fregueses, pois já nos preparamos para, na próxima compra, pagar um pouco mais. Infelizmente não sobrevivemos só com doações, precisamos comprar. Um agradecimento especial a nossos patrocinadores e mais especial ainda a nossa equipe de ‘agentes comerciais’. Por urgência de nossa precária situação, não tivemos tempo de dialogar com vocês a respeito de nossa primeira decisão fundamental, fundamental mesmo! Aumentamos, em tempo recorde, e isto prova nossa eficiência, o salário de toda a categoria dos legisladores: senadores, deputados federais, deputados estaduais e vereadores, reconhecendo a enorme responsabilidade que têm em todo o país. Como não podemos ser injustos, nem propugnar as coisas só para nós, aumentamos também os salários da categoria dos executivos: presidente da República, governador de Estado, prefeito, seus ministros e secretários, Para não haver reclamação, tomamos por padrão o salário de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), por julgarmos um salário razoável: R$ 26.723,13 por mês. Esperamos que nossos irmãos estaduais fiquem satisfeitos com seu aumento de 75% sobre o nosso, que dá mais de R$ 20.000,00 por mês. Esperamos a mesma atitude de nossos manos municipais. Como vocês podem receber de 20% a 75% do salário dos deputados estaduais, lutem pelos 75%! Contem com nosso apoio! Prezado cidadão patriota brasileiro, sabemos que nosso aumento significa um rombo de 121 milhões de reais nos cofres estaduais, onde são guardadas suas contribuições inestimáveis e obrigatórias para saúde, educação, segurança, habitação, saneamento, remédios, transporte, lazer, amparo aos marginalizados, defesa, auxílio em calamidades etc. Fiquem tranquilos. Batalharemos pela volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre as Movimentações Financeiras). Se Deus quiser, não será mais provisória; o aumento sobre o Imposto de Renda também será bem-vindo. Aplicaremos toda nossa criatividade para que o cofre chegue a seu nível máximo. Faremos de tudo, como sempre fizemos, para que o nosso aumento não prejudique em nada a boa qualidade de vida que você, cidadão patriota brasileiro, já recebe dos gestores da Nação. A excelente saúde, educação, habitação, segurança, transporte, justiça, lazer etc. de que você já usufrui, não só será mantida, mas ampliada, aperfeiçoada, facilitada... Por último e muito importante: nos-
sa responsabilidade é grande. Seria um gesto insano de nossa parte aplicar ao salário mínimo que vocês recebem (510 reais) a porcentagem de nosso aumento (61,8% a 148,63%), mas conseguimos um aumento de uns 30 reais! Povo Brasileiro, desejamos a você o mesmo Feliz Ano Novo que nos proporcionou! Feliz Ano Novo!” (Seguem-se as assinaturas. Os pouquíssimos contrários ao aumento recusaram-se a assinar) Anexo ao cartão, esta saudação do Deputado Francisco Everardo Oliveira da Silva aos seus 1.350.000 eleitores paulistas: “Vocês me honraram com seu voto. Por favor, continuem me chamando de TIRIRICA. Apoiem minha campanha para ser a erva símbolo do Congresso Nacional. E, olha, dei sorte, viram? Cheguei na hora certa, aprovaram o aumento!”. Amigo leitor desta coluna, publico aqui minha resposta pessoal, breve, aos votos felicitativos: “Prometo a vocês uma cerrada campanha para o voto nulo: não votar em ninguém enquanto não houver uma reforma eleitoral decente; se não houver a porcentagem legal de votos válidos, a eleição é anulada Vamos anular as eleições! Sair às ruas, mesmo de bengala se preciso for, o dia em que houver alguma manifestação, algum protesto, alguma passeata para desinfetar as instituições da nação. Lutar, não para a reforma que nunca virá, mas para a extinção do Senado que, pela atuação dos últimos tempos, considero um órgão inútil e até prejudicial. Que rapidez, hein “onorevoli” (título dos senadores da Itália!)? Votaram seus polpudos aumentos em 6 minutos! Isto é que é eficiência! Cumprimentar sarcasticamente os meus votados, protagonistas agora de minhas desilusões e desesperanças. Infelizmente, muitos. Gargalhada, ovo, bolinha de papel, não, porque na minha idade não posso apanhar! Farei isso, se um dia encontrar-me com o Senador Suplicy em quem sempre votei. Cheguei a distribuir, por idealismo, seus “santinhos” em feiras de São Paulo, suportando os ataques de seus adversários. Vou dar-lhe os parabéns pelo seu comentário, em close, na rede Globo: “O aumento é justo e merecido porque o cargo de Senador é de grande responsabilidade”. Que responsabilidade, hein, Senador? Se você fosse responsável, não tiraria para si e seus comparsas um dinheiro que poderia ser destinado para a melhoria da família brasileira. Um abraço à Luiza Erundina pelo discurso que fez contra o aumento. Até agora não me arrependo dos votos que já lhe dei. Eis minha resposta. Respeitando-a, leitor, gostaria muito de saber a sua.
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