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Edicao 92

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ANO VII Nº 92 - DEZEMBRO 2010 / RESENDE COSTA - MG

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Câmara Municipal de Resende Costa elegerá novo presidente Criação de cabras e ovelhas ganha espaço na região do Campo das Vertentes

Criadores de caprinos e ovinos estão aumentando seus rebanhos e com isso ganhando cada vez mais espaço no mercado de carne e leite na região. Os criadores estão se organizando através do Núcleo de Criadores de Caprinos e Ovinos dos Campos das Vertentes e Zona da Mata (NUCCORTE), que foi criado em dezembro de 2009 e reúne pouco mais de 30 associados e cerca de 2.500 matrizes. O NUCCORTE está aberto a novas adesões de criadores da região, inclusive de municípios como Coronel Xavier Chaves e São João del-Rei. Já existem associados em Carandaí, Nazareno e Madre de Deus. Página 05

No próximo dia 22, a Câmara Municipal de Resende Costa elegerá seu novo presidente para o biênio 2011/2012. O atual presidente, vereador Paulo César Daher Chaves (PT), que deixa o cargo após completar o seu segundo mandato, concedeu entrevista exclusiva ao JL, na qual analisa os dois mandatos e ainda fala sobre políticas públicas para as áreas de Cultura e Turismo. Leia a entrevista no Jogo Aberto e a íntegra no site

br/entrevistas. Sobrado da Câmara Municipal, restaurado durante a gestão do presidente Paulo Daher

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Temporal causa transtorno aos moradores da Rua Vereador Joaquim Campos

AMIRCO e MAC lançam o primeiro volume da Coleção Lageana A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO) e o Movimento Arena Cultural (MAC) realizarão durante os dias 18 e 19 de dezembro o primeiro Circuito das Artes – Histórias de Rua. Durante o evento, será lançado o 1º volume da Coleção Lageana, o opúsculo “Pálidas Reminiscências”, de autoria do professor José Augusto de Rezende.

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Forte chuva alaga parte da rua vereador Joaquim Campos (Morro da Nêga)

Na tarde do dia 27 de novembro um temporal caiu sobre Resende Costa causando sérios danos em vários pontos da cidade. Ruas tiveram seus calçamentos revirados e a forte enxurrada assustou muitos moradores. Na Rua Vereador Joaquim Campos (popularmente conhecida como Morro da Nêga), um pequeno córrego transbordou e a água invadiu casas causando prejuízos materiais a alguns moradores. Parte do problema, segundo os moradores, foi causado pelas obras de implantação da rede de esgoto que estreitou a vazão das águas no local. Página 10


2 Jornal das Lajes Editorial Em dia com a imprensa, em dia com o Brasil Numa retrospectiva podemos elencar alguns fatos importantes que foram, neste ano, destaques na imprensa brasileira, entre eles Copa do Mundo, eleições e ocupação das forças de segurança no Rio de Janeiro. Nos bastidores desses eventos, um batalhão de repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e editores trabalharam para levar ao cidadão o máximo possível de informações. É nesse cenário que gostaríamos de refletir sobre a importância da imprensa na sociedade, sobretudo numa sociedade democrática. O que seria de um evento esportivo de repercussão mundial, como a Copa do Mundo, se não fossem as emissoras de TV transmitindo os jogos, utilizando inclusive recursos tecnológicos de última geração? E a batalha nas ruas da periferia do Rio de Janeiro, nas últimas semanas? Lá estavam centenas de profissionais da imprensa arriscando suas vidas, cobrindo cada momento, na linha cruzada de rajadas de tiros. Nos sites, revistas, telejornais e jornais, o cidadão ficou por dentro de cada movimento do Bope e das demais forças de ocupação. Além de mostrar os bastidores do inferno, no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro, a imprensa também revelou uma comunidade do bem, de pessoas que vivem como qualquer outra nas periferias miseráveis do Brasil. Mostrou crianças que jogam bola nas ruas, empinam pipas e vão à escola. Nas últimas semanas, a imprensa ajudou a desmistificar os morros cariocas, para os quais muitos brasileiros olhavam até então como sendo a sucursal do inferno. Mas a imprensa foi mais longe, colaborou para colocar a comunidade do lado daqueles que estavam lá para libertá-la da opressão tirânica do crime. A síntese disso são as imagens de moradores das comunidades pedindo autógrafos aos soldados e aplaudindo as operações militares. No campo da política, ponto também para a imprensa brasileira, que soube acompanhar passo a passo os candidatos nas últimas eleições, destacando tudo o que vinha a tona e ainda radiografando um Brasil que esperava por seus novos representantes. Mas, mesmo assim, não faltou quem acusasse a imprensa brasileira de golpista: “a grande mídia”, como muitos gostam de dizer. É justamente esse o preço que a imprensa paga por ser livre. E assim deve permanecer. Alvo de algumas visões míopes que tentam atribuir-lhe os destemperos daqueles que estão no poder, a imprensa e seus profissionais precisam tocar de letra cada lance polêmico e desleal que surge. Faz parte do jogo. Sem perder as forças e o compromisso com a verdade, ela deve continuar sendo combativa, indo no âmago da questão, revelando aquilo a que o cidadão não tem acesso, mas sobre o qual precisa e deseja saber. Guiado pela liberdade e orientado pela ética, o JL procura sempre estar sintonizado com a imprensa séria, comprometida com a sociedade e seus anseios. É por isso que desde a sua fundação, o JL nunca se furtou em se posicionar diante dos principais acontecimentos em Resende Costa, e assim o fizemos durante este ano. O Jornal das Lajes sempre buscou levar aos seus leitores informação e cultura. Essa é a nossa missão, que renovamos para 2011. Aproveitamos este editorial para agradecer a você, leitor, pelo companheirismo, pela amizade e confiança no decorrer deste ano. Queremos agradecer também, especialmente, a todos os nossos patrocinadores e assinantes, que acreditam no nosso profissionalismo, caráter e compromisso com a ética jornalística. Feliz Natal e renovamos a todos vocês nossos votos de Feliz Ano Novo. Até 2011!

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Jornal das Lajes Ltda Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000

Diretor de redação: Rosalvo Pinto Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Editoração: Rafael Alves Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte Tiragem: 3000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

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Religião

PE. DIRCEU DE OLIVEIRA MEDEIROS*

É Natal... O que celebramos no Natal? Natal é a celebração do mistério da encarnação do Filho de Deus. O Verbo eterno do Pai, a segunda pessoa da Santíssima Trindade que estava com o Pai no ato da criação, “no princípio era a palavra”, agora assume a nossa condição humana, exceto o pecado. Assim, “o verbo se fez carne e habitou entre nós” ou, como os especialistas em Bíblia traduzem e de modo mais adequado “o verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós”. A palavra tenda, em hebraico Shekinah, faz referência à tenda da reunião que era armada no centro do acampamento pelos hebreus quando esses caminhavam no deserto. A tenda portátil ou o tabernáculo era sinal da presença de Javé (Ex. 25-30). Qual a origem da festa do Natal? No século III da era cristã existia, no império romano, uma festa pagã, a festa do deus invicto ou invencível, a festa do deus sol. Era celebrada no dia 25 de dezembro quando, no meio do inverno, o sol voltava a aparecer. A luz vencia as trevas. O sol era invencível. A Igreja deu um sentido novo a essa festa pagã, pois para nós cristãos o verdadeiro sol invencível é Jesus, o sol que nunca se põe, que não conhece ocaso. Assim nasceu o natal cristão, uma festa pagã que foi cristianizada. Não estaria hoje ocorrendo um processo inverso? A festa cristã do Natal, não estaria gradativamente sendo paganizada? O que fazer para vivermos o verdadeiro, o genuíno sentido do Natal? Santificar o Natal participando da Santa Missa, daquele mistério que é o “cume e ápice” da vida cristã. Como entender um católico que diz celebrar o natal do Senhor, mas não o santifica participando da Santa Missa?

Deus vem a nós em forma de criança! “Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém nascido envolto em faixas deitado numa manjedoura” (Lc. 2,12). Uma criança é a dádiva do alto. O Dom de Deus é uma criança, envolta em faixas e deitada numa manjedoura. Por que uma criança? Um ser que inspira cuidados, que chora, um ser indefeso e dependente? Por que uma criança? É simples. Ninguém tem medo de uma criança: é como se Deus estivesse nos dizendo: não tenham medo de mim, aproximem-se! É o mistério da pedagogia e da simplicidade de Deus! Na simplicidade e na pobreza de uma estrebaria a luz visita a pobreza! Deus é simples, sendo rico se fez pobre para nos salvar. É o que nos diz o apóstolo Paulo “...Com efeito conheceis a generosidade de nosso Senhor Jesus Cristo, que por causa de vós se fez pobre, embora fosse rico, para vos enriquecer com a sua pobreza” (2Cor. 8, 9). A contemplação do presépio! É um lugar privilegiado para se vislumbrar o mistério da encarnação. Ele traz uma mensagem de simplicidade e de despojamento. Permitam-me convidálos: vamos à Belém de novo, com os pastores! Lá encontraremos o recém nascido, indefeso e pobre, a esperança da humanidade! Lá, seguramente, encontraremos a resposta cabal para nossos anseios, o verdadeiro sentido para nossa vida! Numa criança, numa simples e indefesa criança encontramos a chave que abre o complexo mistério da vida. Permanece uma pergunta: Onde é Belém? Belém hoje é o nosso coração, é a nossa casa! O menino Deus procura um lugar para nascer. Ainda hoje somos desafiados pelo presépio a ter um estilo de vida mais

simples, despojado, baseado no ser e não no ter, a renunciar ao consumismo, ao desperdício, à ostentação, às bebedeiras que roubam de nós o verdadeiro espírito do natal! São Paulo, escrevendo à comunidade de Filipos, referindo-se aos inimigos da cruz de Cristo, diz que “o deus deles é o estômago” (Fl 3, 19). Quanta coisa ainda rouba e mata o verdadeiro sentido do natal. Muitos sinais de morte querem derrotar a luz do natal: violência, drogas, ambição, contudo, nesta noite afirmamos que o meninoluz-esperança vence as trevas! Queremos celebrar bem o natal do Senhor! Celebra bem o Natal quem se faz solidário com os pequenos e não só no tempo do Natal, quem perdoa, de coração o seu irmão. Celebra bem o Natal quem entendeu que o personagem principal desta festa é o Deus menino e não Papai Noel, símbolo maior do consumismo! Celebra bem o Natal quem não se deixa levar pelo consumismo, pelo desperdício, quem aposta no diálogo como caminho para superação dos conflitos, quem renuncia à mesquinharia, ao revanchismo, à vingança! Celebra bem o Natal quem faz de seu coração um verdadeiro presépio capaz de acolher o menino Deus e canta com e como os anjos naquela noite santa: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc. 2, 13). Feliz e Santo Natal a todos! *Pe. Dirceu é pároco da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Prados (MG), e vigário geral da Diocese de São João del-Rei (MG).


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Educação

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ANA PAULA MENDONÇA DE RESENDE

Olimpíadas científicas mudam a rotina da Escola Municipal Paula Assis

A Escola Municipal Paula Assis festejou em 2010 a ampliação do seu prédio e também a extensão do Ensino Médio. Além dessa conquista, a escola comemora o bom desempenho de seus alunos nas olimpíadas científicas. Esse sucesso já foi constatado com a medalha de bronze do aluno Eduardo Geraldo de Assis, hoje no 8º ano, na Olimpíada de Matemática. Na Olimpíada de Língua Portuguesa, a aluna Ariadne Silva

Daher teve sua redação selecionada para a final. No dia 23 de outubro, alunos da Paula Assis e alunos da Escola Estadual Assis Resende estiveram com a professora Eunice em Belo Horizonte, na UFMG, onde fizeram prova para a Olimpíada de Química. Na mesma data, a equipe “Os Farrapos da História”, composta pelos alunos Rosimeiri, Ana Talita e Douglas, foram para a cidade de Campinas para a 6ª e última fase da

II Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB). Iniciada em agosto com mais de 43 mil participantes de todo o Brasil, a ONHB se destaca como uma das competições mais inovadoras do país. Realizada em cinco fases online e uma presencial, a competição envolveu professores e alunos na resolução de provas e elaboração de tarefas específicas com documentos e fontes históricas, estimulando a troca de experiência entre os participantes, além da leitura e do estudo. A cada fase, um seleto grupo conseguia ser aprovado, até que restaram apenas 300 equipes para participar da final presencial na UNICAMP. Os alunos participantes foram orientados pela professora Ana Paula e a escola contou ainda com a universitária Flaviana, a Babi, aluna do curso de História da UFSJ, para a discussão das questões. Enquanto os alunos iam para as aulas de Educação Física, a Babi discutia os documentos com as equipes. E na hora do recreio, eram feitos os últimos retoques nas tarefas. Na casa da orien-

tadora, as tarefas eram digitadas e as respostas enviadas, afinal, a escola ainda não tem acesso à internet. O sucesso foi tanto que, das 18 equipes inscritas, 7 foram para a 5ª fase e uma conseguiu ir para a final. A equipe finalista representa bem a escola, uma vez que as duas alunas moram no Povoado dos Pintos e o aluno reside no Curralinho dos Paulas. A grande final aconteceu nos dias 23 e 24 de outubro. Na cerimônia de premiação, a equipe não conseguiu medalhas, mas já viajou para Campinas como vitoriosa. A

maior parte das escolas públicas medalhistas era federal ou militar. E das 75 medalhas distribuídas, Minas Gerais ficou com apenas 4, todas de alunos de instituições particulares. Esse momento inesquecível só foi possível com o apoio incondicional da Virgínia, diretora da escola, dos professores que cediam os alunos para discutir as questões, e, principalmente, da Prefeitura Municipal de Resende Costa, que proporcionou todos os meios materiais para que a equipe pudesse participar do evento em Campinas.

Projeto pedagógico ensina alunos a compreender e cantar o Hino Nacional Brasileiro ANDRÉ EUSTÁQUIO

Antes de algumas partidas importantes de futebol, sobretudo na Copa do Mundo, já faz parte do cerimonial oficial a presença dos jogadores perfilados no gramado para cantar o hino de seus países. Alguns cantam esbanjando patriotismo, outros choram de emoção, já alguns, em contrapartida, aproveitam o momento para continuar disfarçadamente fazendo aquecimento; outros nem sequer abrem a boca para cantar alguma estrofe. Mas o leitor sabia que, no caso do Brasil, o Hino Nacional deve ser executado, além das sessões cívicas, em cerimônias religiosas de cunho patriótico e em eventos esportivos internacionais? Pois é, essa é a regra e é garantida pela lei 5.700, de 01/09/1971. E a partir de 22 de setembro de 2009, o Hino Nacional Brasileiro tornou-se obrigatório em escolas públicas e particulares de todo o país. Pelo menos uma vez por semana, todos os alunos do ensino fundamental devem cantálo. É o que manda a lei. Mas será que os alunos sabem cantar direito o nosso hino? E a letra - difícil e em algumas estrofes construída na ordem indireta - será que os nossos alunos entre 7 e 8 anos de idade a compreendem, sabem o seu significado? Foi justamente por isso que as professoras Marli Resende, Cristina Maria, Ana Flávia e Edneia, do 2º

ano da Escola Municipal Conjurados Resende Costa, planejaram desenvolver com seus alunos o “Projeto Hino Nacional”. “O nosso objetivo foi resgatar o respeito e o amor ao Hino Nacional, além do aprendizado e do resgate do civismo”, disse a professora Cristina. O trabalho foi desenvolvido nas salas de aula sob a supervisão das professoras. “Eles (alunos) fizeram um glossário das palavras, aprenderam o significado delas e ilustraram a letra do Hino Nacional, interpretando-a”, explicou Cristina. De acordo com as professoras, o projeto motivou os alunos, que fizeram aflorar a criatividade. “Foi muito gratificante e superou as expectativas. Os alunos participaram com entusiasmo, aprenderam e entenderam a letra do Hino Nacional”, comemora a professora Marli. A professora Ana Flávia destacou a presença e o apoio dos pais: “Os pais dos alunos participaram em grande quantidade, dando apoio e acompanhando”. O dia 19 de Novembro foi propositalmente escolhido para ser a apresentação dos trabalhos, uma vez que se trata do Dia da Bandeira. O evento, que aconteceu nas dependências da Escola Conjurados, contou com a presença de policiais militares, autoridades municipais, jurados e banda

de música Santa Cecília. O solene hasteamento da bandeira e a execução do Hino Nacional revelaram o aprendizado dos alunos envolvidos no projeto. “Eles aprenderam que durante a execução do hino não se pode bater palmas, todos devem ficar em pé, não se pode usar boné, nem mascar chicletes e chupar balas. Além de não poder rir, brincar e conversar”, explicou a professora Cristina. Criatividade – Antes da solenidade de execução do hino e do hasteamento da bandeira, um grupo de jurados examinou cada caderno confeccionado pelos alunos, com o objetivo de escolher os quatro melhores. “Não foi uma tarefa fácil. Diante da criatividade dos alunos, os jurados acharam difícil escolher somente quatro”, disse a professora Marli, que destacou ainda: “A disputa se deu de forma igual, pois todos estão na mesma faixa etária, entre 7 e 8 anos”. Folhear os cadernos dos alunos significa iniciar uma viagem rumo à fantástica e criativa imaginação das crianças. Elas aprendem muito rápido e tão logo conseguem explicitar o que aprenderam. Cada estrofe do hino foi ilustrada pelos alunos, que confeccionaram a bandeira do Brasil na capa dos cadernos. Diante do sucesso do projeto, as professoras já pretendem repeti-lo em

2011, em novas turmas. Parabéns às professoras e aos alunos. Educar significa também formar consciência cívica e incentivar nos alunos o amor à pátria. Numa democracia tal atitude não se dá através da chibata e do medo, como outrora acontecia, mas por meio do estímulo e do aprendizado. As professoras da Escola Conjurados ensinaram a seus alunos a importância de se ter respeito e amor pela pátria, estimulando-os a pesquisar e estudar. E começaram pelo Hino Nacional. Quanto aos alunos, bom, a dedicação e o entusiasmo deles já respondem. Parece que ao

wterem contato detalhado com a letra do Hino Nacional, esse “amor pelo hino”, do qual falam as professoras, da parte dos alunos se deu à primeira vista. Os vencedores foram • Laura Silva (turma da professora Ana Flávia) • Renata (turma da professora Cristina) • Rafaela (turma da professora Edneia) • Maria Fernanda (turma da professora Marli)

Membros da comissão julgadora analisam os cadernos confeccionados pelos alunos do 2º ano


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Jogo Aberto

POR ANDRÉ EUSTÁQUIO

“O político, antes de qualquer coisa, tem que saber para onde deseja ir, para onde ele quer levar a cidade, o estado, o país” Vereador Paulo Daher avalia seu mandato como presidente da Câmara e fala sobre políticas públicas para cultura e turismo

No ocaso do seu segundo mandato como presidente da Câmara Municipal de Resende Costa, o vereador Paulo César Daher Chaves recebeu o JL em seu gabinete, no paço do Legislativo, onde concedeu entrevista, na qual avalia os quatro anos em que presidiu a Câmara dos vereadores. Paulinho, como é conhecido na cidade, falou também sobre políticas públicas nas áreas de cultura e turismo e sobre a possibilidade de futuramente ser indicado candidato a prefeito de Resende Costa pelo Partido dos Trabalhadores. Paulinho tem 48 anos, é casado e pai de duas filhas. O presidente da Câmara, que é licenciado em Geografia e Educação Ambiental, é empresário e funcionário do IEF (Instituto Estadual de Florestas). Sua trajetória política começou em 1981, quando se filiou ao PT, dois anos após a fundação do partido em Resende Costa. Na vida pública, Paulinho vem conquistando notoriedade como político de “postura ponderada”, como ele mesmo se define e como franco defensor de políticas de preservação patrimonial e de estímulo à cultura. Adepto do diálogo, o vereador aposta sempre na capacidade de boas articulações em prol de interesses comuns para o desenvolvimento de Resende Costa. A íntegra da entrevista está no site www.jornaldaslajes.com.br, seção “Entrevistas”. O senhor está concluindo o segundo mandato como presidente da Câmara Municipal de Resende Costa. O que destaca nesses quatro anos de mandato? Desde o primeiro mandato tive a intenção de abrir as portas da Câmara Municipal a toda população de Resende Costa. Falo isso porque antes de ser eleito, eu tinha a impressão de que o vereador ficava muito distante das pessoas. Diante disso, uma das minhas primeiras iniciativas como presidente dessa Casa foi investir na comunicação. Nós fizemos um contrato com a Rádio Inconfidentes FM, para que todas as reuniões

da Câmara fossem transmitidas ao vivo. Considero que esse primeiro passo foi muito importante, porque a população começou a acompanhar as reuniões e os trabalhos dos vereadores. Por outro lado, os vereadores começaram a se interessar e mostrar cada vez mais serviço, o que é muito bom. As reuniões ficaram bem mais produtivas. Gostaria de ressaltar que todo esse trabalho teve também como objetivo esclarecer à população qual é o papel do vereador. Para muitas pessoas o vereador é simplesmente um assistente do prefeito. E não é. Ele tem a função distinta de legislar. E mais ainda, fiscalizar as ações do Executivo. Neste ano, houve aqui na Câmara uma votação polêmica, durante a qual os vereadores rejeitaram o projeto enviado pelo Executivo, que visava a criar na cidade uma nova equipe do Programa de Saúde da Família (PSF). Os debates e o resultado dessa votação colocaram a Câmara em evidência? Quando a Câmara intervém na tramitação de um projeto de supervalia, sobretudo para aqueles que precisam dos serviços de saúde pública oferecidos pelo município, geram-se debates e muitos comentários. Porém, isso demonstra que a Câmara está sendo eficiente no seu papel de fiscalizadora. Nessa questão do PSF eu tive uma postura bem clara, apesar de não ter votado, pois sou presidente da Casa. De fato o projeto apresentado pelo Executivo extrapola os limites da lei 101, de responsabilidade fiscal. Mas para não emperrar a aprovação desse projeto, que eu acho muito importante para Resende Costa, eu procurei não interferir nos trabalhos. Conhecendo as demandas no setor da saúde no município, é claro que a minha posição é favorável ao projeto, desde que as responsabilidades fiquem nas mãos do Executivo. Ele implantaria a nova equipe somente se tivesse a garantia de que não extrapolaria a folha de pagamento.

Outro projeto que, levado ao plenário, sempre gera muita polêmica é a instituição da taxa de iluminação pública. O senhor é a favor desse projeto? O projeto que cria essa contribuição, a taxa de iluminação pública, foi apresentado a essa Casa fora do tempo hábil previsto pelo parecer da Comissão de Legislação, Justiça e Redação. Ele deveria ter sido apresentado três meses antes do término deste ano, ou seja, em setembro. Por isso ele não foi ao plenário. Avalio a importância desse projeto, olhando o lado daquelas pessoas que dependem do poder público para a instalação de uma eventual extensão de rede na sua casa, ou no seu lote. Veja bem, a prefeitura, para aprovar um loteamento, atualmente, obriga o loteador a assumir a extensão de rede. Mas existem lotes aqui em Resende Costa que não seguiram essa exigência – loteamentos antigos que foram aprovados de forma errada, não cumpriram a lei de parcelamento do solo e o loteador não assumiu a extensão de rede. Mas os compradores desses lotes não têm culpa disso, a fiscalização da prefeitura é que deveria impor o cumprimento da lei. Mas nem sempre isso acontece. É devido a esses casos, visando a levar eletricidade a essas pessoas, que defendo a cobrança consciente, ou seja, o dinheiro arrecadado deve ser estritamente direcionado para esse fim. O senhor é um dos políticos de Resende Costa que mais defendem políticas públicas para a cultura e proteção patrimonial. O imbrólio que se tornou a questão da remoção da caixa d’ água da Copasa do Mirante das Lajes não o incomoda? Fui conselheiro do Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Resende Costa e a minha preocupação em preservar a história do município é visível. Acredito que essa preservação deve estar totalmente atrelada ao desenvolvimento do turismo, já que Resende Costa tem esse potencial. O trabalho tem que ser incisivo. Agora, não podemos esquecer a nossa história, muitos imóveis da nossa cidade já se foram e com eles um pedaço da nossa história. Enquanto representante público, se posso amenizar essa situação continuarei firme na empreitada. Sobre a questão da caixa d’ água da Copasa, eu trabalho com fatos e com leis aprovadas. E a lei aprovada nessa Casa diz que a Copasa é obrigada a retirar o reservatório, até então na parte central da praça da Câmara, e construir outro no espaço cedido pela prefeitura, atrás da gruta. Isso foi homologado pelo Conselho do Patrimônio. Sei que se trata de um assunto polêmico, pois há outras pessoas que pensam diferente. Mas o que temos é uma legislação voltada para esse fim e particularmente acho que o reservatório não pode continuar naquele local. O senhor não acha que falta para Resende Costa um projeto político com

objetivos bem definidos para o setor de Cultura? Participei, juntamente com outros dois vereadores, de uma reunião em São João del-Rei, promovida pela Trilha dos Inconfidentes. O objetivo foi discutir a participação dos municípios no ICMS do Turismo. Só pra você ter uma ideia, se Resende Costa aderisse, no ano seguinte poderia contar com 120 mil reais. E as regras são as mesmas para o ICMS cultural, sobre o qual a gente entende há mais tempo. Se Resende Costa aderir, poderemos começar a desenvolver políticas culturais e de turismo para longo prazo. Por que Resende Costa ainda não aderiu? O que está faltando? Eu vi uma relação de 20 municípios que já aderiram, estão recebendo o repasse do ICMS de Turismo e usufruindo dos seus benefícios. Infelizmente Resende Costa está de fora. Nós vereadores que participamos (Cleiton e Luis Cláudio também participaram) da reunião obviamente ficamos preocupados com essa falta de iniciativa do Poder Executivo. É necessário que se crie um setor dentro da Secretaria de Educação e Cultura para cuidar especificamente dessa área. Ou seja, ter uma pessoa, com autonomia, para responder pelo turismo, bem como pelo esporte. Quando existe vontade política é fácil resolver. Levo essa crítica ao atual secretário de Educação e Cultura, Adriano Magalhães. Nós vereadores nos colocamos à disposição para aprovar o ingresso de Resende Costa no ICMS de Turismo, já para o exercício de 2011. Isso já foi apresentado ao prefeito e ao secretário de Educação e Cultura, se eles quiserem podemos fazê-lo de forma rápida. Assim Resende Costa poderá ter o benefício já em 2011. Como o senhor acha que deve ser a relação de quem está no poder com a imprensa? Não raro têm-se notícias de projetos que visam a regular a imprensa, controlá-la. A liberdade de imprensa deve ser totalmente garantida. Agora, existem os maus políticos que infelizmente levam a imprensa muitas vezes a pré-julgar. Acho nocivo o préjulgamento. Antes de você acusar, é preciso checar se tudo aquilo é verídico. E a imprensa às vezes joga e depois o político tem que correr para provar a sua inocência, mesmo quando é de fato inocente. Isso tem acontecido no Brasil. Mas faz parte do jogo e é preciso reconhecer isso. Como diz o ditado: “quem não deve não teme”. Quem tem a consciência pesada é que fala em controle da imprensa, censura, mordaça. Precisamos entender que a imprensa está aí para isso mesmo e as críticas são construtivas. A gente aprende com elas. A situação no Brasil não permite mais falar em controle da imprensa. A ditadura já se foi. O que fazer para estimular o surgimento de novas lideranças políticas

em Resende Costa? O primeiro passo é lutarmos para que haja uma grande reforma política em nível nacional. Atualmente para se ocupar um cargo de primeiro escalão no governo de Minas Gerais, o nome de quem postula o cargo tem que passar pelo crivo da lei da Ficha Limpa. Em Resende Costa já estou desenvolvendo, junto com o nosso assessor jurídico, um projeto para que todas as pessoas que forem ocupar algum cargo público municipal passem pelo crivo da Ficha Limpa. Essa lei é muito importante, sobretudo para a valorização da política em nosso país. Mas, voltando ao início da sua pergunta, Resende Costa hoje conta com cinco partidos políticos e é muito importante que haja abertura para que surjam novas lideranças. É importante também a alternância no poder e discursos diferentes. Quem acompanha as nossas reuniões percebe que já estão surgindo novas lideranças, dentro do PDT, do PSDB e do PT. Esses políticos trazem discurso próprio e inovador e estão atentos ao desenvolvimento do nosso município. Nas eleições municipais de 2008, o senhor postulou a indicação de seu nome para candidato do PT a prefeito de Resende Costa. Mas quem saiu indicado foi o atual prefeito, Adilson Resende. O senhor ainda cogita ser futuramente prefeito de Resende Costa? Nesses seis anos como vereador em Resende Costa adquiri uma experiência muito grande, sobretudo em não deixar a máquina pública emperrar. Sempre fiz questão de manter uma postura ponderada, que todos sabem que tenho, independente de partido político ou de quem está governando. Fui presidente da Câmara durante dois anos como oposição e outros dois na situação. Isso traz experiência. Tive uma relação política muito produtiva com o ex-prefeito Gilberto Pinto. Com certeza ajudei muito na administração dele, não deixando a máquina emperrar em momento algum. Agora, na administração do prefeito Adilson tenho mais responsabilidade ainda, justamente por fazer parte do Partido dos Trabalhadores. Antes de qualquer coisa, tenho interesse em colaborar para o progresso de Resende Costa. Logicamente, quem faz parte da política tem aspirações. E, com certeza, se o meu partido precisar de mim, desde que as conjunturas sejam favoráveis, colocarei meu nome, juntamente com toda a minha experiência, seriedade e postura, como candidato a prefeito pelo Partido dos Trabalhadores. É óbvio que temos outras lideranças dentro do partido, como o ex-prefeito doutor Luiz, o próprio atual prefeito Adilson. Alguns correligionários, porém, consideram a possibilidade de novamente colocar meu nome à disposição do Partido dos Trabalhadores como candidato a prefeito de Resende Costa.


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Economia & Negócios

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Dicas de Saúde - Pública

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DR. LUIZ A. PINTO

Saúde mental – Ovelhas e cabras começam a 2ª parte mudar as paisagens das Vertentes

A criação de ovinos, principalmente para carne, começa a mudar as paisagens da região das Vertentes. Vem se somar à criação de cabras para leite que também começa a ganhar aspecto empresarial. O estágio de profissionalização ainda é incipiente, diz o zootecnista Luciano Piovesan Leme, presidente do Núcleo de Criadores de Caprinos e Ovinos dos Campos das Vertentes e Zona da Mata (NUCCORTE). “Grande parte inclusive dos nossos associados entrou na atividade este ano. Então, há necessidade de capacitação não só do produtor como principalmente dos funcionários”. O Núcleo, criado em dezembro de 2009, reúne pouco mais de 30 associados e cerca de 2.500 matrizes. “A nossa meta é que até 2012 tenhamos 7.500 matrizes de associados ligados ao Núcleo”, prevê Piovesan. Para isso, o NUCCORTE está aberto a novas adesões de criadores da região, inclusive de municípios como Coronel Xavier Chaves e São João delRei. Já existem associados em Carandaí, Nazareno e Madre de Deus. A abrangência estatutária do núcleo é Campo das Vertentes e Zona da Mata. Um grupo de produtores de Canaã, perto de Viçosa, pediu a Piovesan para ter um braço do Núcleo no município, com um representante para servir de elo de contato. “Eles já estão comprando sal mineral e vendendo animais conosco”. Existe ainda um polo organizado de criadores de cabras de leite na região de Cataguazes, Leopoldina e Muriaé. “A nossa intenção é trazer também esse pessoal para o Núcleo”, revela. A ideia é fortalecer a atividade e, com isso, o Núcleo oferecer condições de se desenvolver o trabalho que o produtor espera de uma associação. “Queremos dotar a região de uma referência na ovinocapri-

nocultura.” Criadores otimistas Piovesan alia à atividade de empresário de óleos vegetais e farelos ao novo ramo de criação de ovinos em Barbacena. “A ovinocultura é uma paixão mais antiga, mas efetivamente estou criando de forma comercial há três anos.” Ele começou com um rebanho pequeno (quatro fêmeas) e hoje está com 300 fêmeas (matrizes). “A minha meta é chegar a 500 matrizes até meados do ano que vem, ter uma frequência de animais a ser ofertados no mercado, tanto para vender como reprodutores, matrizes, como também os cordeiros para comercialização”. Engenheiro eletricista aposentado do metrô de Belo Horizonte, Paulo Lasmar cria ovelhas desde outubro de 2004 no Sítio Valinho, em Nazareno. “Eu comecei a minha criação com 19 fêmeas e um reprodutor da raça Texel, aquele lanado branco, mais pelo prazer de comer a carne”. Atualmente, ele tem cerca de 230 matrizes, um rebanho formado no próprio sítio. “Este ano, eu adquiri uns reprodutores PO (puro de origem) na exposição que o NUCCORTE organizou em maio, em Barbacena”. Apesar da criação lanada, Lasmar optou pela produção de carne. “Há falta do produto no mercado”. Leite de cabra - Mário Nelson Gomes da Costa é criador de cabras leiteiras em Barbacena há cerca de 20 anos. “Naquela época, leite de cabra não era benquisto porque tinha cheiro de bode. O pessoal tinha resistência”. O médico indicava como remédio para criança que tinha problema com leite de vaca, por

Rebanho de matrises santa inês, texel, cruzadas, de Lasmar

causa da lactose mais baixa do leite de cabra. “A pessoa me procurava pedindo uma garrafinha para dar para o filho. Eu até dava. Em casa, eu usava o leite de cabra, fazia queijo, fazia manteiga. E minhas filhas também tomavam”. Os médicos passaram a recomendar cada vez mais para idosos e crianças. “Então, o pessoal me procurava. E começou a aparecer no mercado leite de caixinha. Eu e um amigo resolvemos criar umas duas ou três cabras. E a gente foi aumentando a produção”. Contribuiu ainda para a mudança de hábito a eliminação do “cheiro de bode” no gosto do leite, lembra o criador. “O problema todo era o tempo que se levava para pasteurizar. Nós ficamos sabendo que os microrganismos vão se multiplicando; esses é que vão dar o cheiro e o gosto do leite. Se tirasse o leite e rapidamente pasteurizasse, ele ficaria sem o cheiro e o gosto característicos. Nós passamos a usar essa técnica e realmente o leite não tem mais aquele gosto”. Hoje, Gomes da Costa e seu sócio, Luiz Carlos de Oliveira, produzem cerca de 20 litros por dia. “Nós estamos com 11 animais, só seis lactando. Não estamos dando conta, toda a produção nossa é para entregar” (a íntegra da reportagem está disponível em www.jornaldaslajes.com.br).

Os criadores Paulo Lasmar e Mario Nelson Gomes da Costa

“De médicos e loucos, todos temos um pouco...”. Na primeira parte, refletimos um pouco sobre a loucura ou o que muitos julgam que ela seja. Agora é necessário falar um pouco sobre a parte médica. A doença mental é vasta, ampla. Vai de simples diagnósticos de ansiedade às mais temidas doenças mentais; aquelas que acabam por segregar as pessoas e muitas vezes terminam por tirar a vida delas. A psiquiatria, ao longo dos tempos, tem separado, agrupado, ou mesmo classificado as mais diversas patologias (doenças) mentais. Grosso modo podemos falar em grandes grupos de doenças, mais ou menos assim: ansiedades, retardos, neuroses, transtornos obsessivos, compulsivos e de personalidade, depressividades, psicoses, distúrbios bipolares, paranóias e esquizofrenias. Os nomes são muitas vezes incompreensíveis aos leigos, mas a medicina sabe reconhecê-los individualmente e assim é necessário para que se encaminhem os diversos tratamentos que a complexidade deles exige. Muitas das doenças são passageiras, desencadeadas por algum fato importante e outras vezes elas serão duradouras e até mesmo definitivas, com tratamentos os mais complexos, que incluem medicamentos, terapias ou até mesmo internações, em casos graves. O comportamento variado das pessoas - aquilo que refletimos na primeira parte - é que vai determinar o diagnóstico. Assim, o semblante frio, pesado e tristonho de um indivíduo ao andar pela rua pode esconder o diagnóstico de uma grave depressividade. Ou mesmo, os tremores e sudorese de quem tenta “tirar carteira” pode levar ao diagnóstico de uma ansiedade apenas passageira, em função daquela situação. Outras vezes os diagnósticos começam a ser feitos durante a fase de desenvolvimento da criança, quando os pais ou professores percebem que o comportamento de um estudante foge aos padrões do que se costuma chamar de normal. Ou mesmo durante a fase de “bebê”, quando alguma coisa vai errada no desenvolvimento do filho. Muitos de nós temos algum tipo de doença mental leve, com a qual convivemos e somente em caso de agravamento estaremos precisando de procurar o médico ou o terapeuta. “Ansiedades” são as doenças mais comuns - todos têm algum tipo delas e na maioria das vezes não necessitamos de tratamento especifico. Há os “retardos mentais”, desde aqueles de nascimento até os decorrentes da senilidade e poderão ser leves, não atrapalhando o convívio do paciente, até aqueles que inviabilizam a atuação social do paciente. Nas “neuroses”, já existe algum tipo de alteração mais delicada da persona-

lidade. Os pacientes imaginam “coisas” irreais e as pessoas que os cercam começam a perceber que algo vai de errado com eles. Às vezes essas neuroses evoluem para “obsessões, compulsões”, levando a comportamentos problemáticos que acabam por trazer prejuízos severos à saúde do paciente. Aqui, o tratamento é sempre necessário. Existem os quadros “depressivos”, que vão desde aqueles causados por uma situação pequena e passageira - financeira, amorosa, por exemplo -, até mesmo as depressões graves, com total desinteresse pela vida, chegando em alguns casos ao suicídio. As “psicoses” também sempre serão graves. Antigamente conhecidas como psicose maníaco-depressiva e agora como “distúrbio bipolar”, nesse grupo de patologias os pacientes variam do quadro maníaco-humor excessivo à depressão grave. Aqui também se encaixam as psicoses derivadas do uso e dependência das mais diversas drogas. Nesse grupo, a personalidade original do individuo estará sempre prejudicada, durante as crises. Crises, porque essas pessoas poderão passar longas temporadas sem o menor sinal da doença. Por fim, a “paranóia” e a “esquizofrenia”. Alguns autores colocam a paranoia como um subgrupo da esquizofrenia. Nesses doentes, a personalidade está totalmente dissociada. O consciente pouco existe e o subconsciente está completa e radicalmente dissociado da pessoa. O mundo externo não existe para esses pacientes. Suas atitudes e comportamentos são aberrantes. A evolução e o prognóstico aqui são sempre graves, chegando à morte prematura em muitos dos casos. Os tratamentos são os mais diversos: terapias, psicanálise, medicamentos, internações em casos graves. A origem das doenças é muito polêmica. Há muitos autores, posições, teorias, hipóteses. O fato é que se constituem num grande grupo de doenças com as quais a medicina precisa trabalhar. A psiquiatria é muito vasta e pouco falei aqui. Jamais teria a pretensão de querer esgotar o assunto. Apenas quis repartir com os leitores do JL alguns conceitos de doenças mentais e contribuir para que nossos doentes não sejam taxados de “loucos” A saúde publica e a medicina clínica precisam trilhar juntas os caminhos que desvendam a mente humana: para o bem de todos nós, de nossas famílias e de toda a humanidade. (Novamente agradeço a sugestão do Rosalvo Pinto e espero ter alcançado o que ele sugeriu).


6 Jornal das Lajes

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Meio Ambiente

ELAINE A. MARTINS

4º. Seminário de Meio Ambiente Plantar árvores para enfatiza projetos e ações regionais combater as erosões

O Instituto de Estudos dos Direitos Humanos e do Meio Ambiente (IEDHMA) e o Hotel Fazenda Rochedo promoveram, nos dias 19 e 20 de novembro, o 4º Seminário de Meio Ambiente do Hotel Fazenda Rochedo, que contou com um público de cerca de 40 pessoas, dentre professores, estudantes, autoridades e gestores municipais, produtores rurais e profissionais da área ambiental. Dando prosseguimento ao propósito de realizar atividades ligadas à educação, conscientização e gestão ambiental, a quarta edição do evento teve início na noite do dia 19, com a abertura oficial seguida de um coquetel. No dia seguinte, o evento recomeçou com um painel de atualização ambiental, contendo palestras que abordaram os temas de crimes ambientais, ecoturismo, resíduos sólidos e patrimônio histórico. Em seguida, no painel “Eu me comprometi e fiz,” os que participaram do 3º Seminário apresentaram as suas ações. Uma das coordenadoras do Seminário, Christianne Bernardo, destacou que um dos pontos altos desse painel foi a apresentação de Lúcia Chaves, sócia do Hotel Fazenda Rochedo, que falou da continuidade do projeto de recuperação de uma área degradada da propriedade. Outro ponto destacado foi a exposição dos representantes do IRIS (Instituto Rio Santo Antônio) sobre o as ações de conscientização ambiental na região. Na sequência, o seminário prosseguiu com uma visita guiada pela área do hotel. Segundo Christianne, os participantes puderam conhecer ações de proteção ambiental, como o tratamento da água e o uso de energia solar, dentre outras marcas de sustentabilidade. Houve ainda a simulação de uma au-

Junto a um engenheiro ambiental, o secretário municipal João Bilaya, o exsecretário José Humberto e sua esposa Miriam falaram de resíduos sólidos

diência pública e um painel de defesa O secretário ainda avaliou o evenambiental, quando os participantes, to como positivo para a área de meio reunidos em grupos, indicaram os prin- ambiente. “Foi um seminário direciocipais problemas ambientais da cidade nado a vários segmentos da sociedade e e região e delimitaram alguns compro- muito proveitoso. Tanto é que o IEDHmissos. MA propôs ao IRIS a realização de um O prefeito Adilson Resende, que trabalho conjunto para atrair recursos depois de provocado no seminário de para a recuperação do rio Santo Antô2009 assumiu o compromisso público nio. Muitos outros temas importantes de revitalizar o horto florestal da cida- foram abordados, como o tratamento de, só participou da abertura do evento de resíduos sólidos e a recuperação de de 2010. O tema, porém, ressurgiu e voçorocas,” disse. coube ao secretário de Agropecuária e Meio Ambiente de Resende Costa, João Bilaya, justificar: “A revitalização da Capoeira Nossa Senhora da Penha custaria cerca de R$350 mil e o Município ainda não tem condições financeiras para tal. Mas estamos com um projeto junto ao Governo Federal aguardando deferi- Fernando Chaves, do IRIS, apresentou o projeto e as ações de revitalização do rio Santo Antônio mento”.

Artesanato

As erosões em áreas de acesso e de proximidades urbanas são problemas enfrentados por vários municípios. No distrito de Morro do Ferro, em Oliveira, por exemplo, as voçorocas somam 70 hectares e parecem engolir as casas. Em Resende Costa, há vários pontos de erosão que saltam aos olhos do viajante que toma a estrada que dá acesso a São Tiago ou que percorre a rodovia asfaltada de acesso à cidade. Ações que visam a reverter alguns desses processos erosivos gerados pelas atividades minerárias nas proximidades do Km 7 da rodovia de acesso foram apresentadas no 4º Seminário de Meio Ambiente do Hotel Fazenda Rochedo. “Em 2008, quando a Rede Globo visitou o nosso hotel, a equipe pediu-me que mostrasse um dano ambiental. Resolvi mostrar as erosões das minerações dos anos 1960 que temos no nosso próprio terreno ao invés de falar de outro lugar e, a partir daí, surgiu a ideia de recuperarmos a área degradada e as áreas de preservação permanente (APP)”, contou Lúcia Chaves ao Jornal das Lajes. Um plano de reflorestamento, que contemplasse a contenção dos paredões e tapumes em planos para evitar as grandes enxurradas, foi pensado em conjunto com seu sócio e irmão, Luciano Chaves. O projeto começou a ser imple-

mentado em 2009 e uma das espécies escolhidas foi o eucalipto. “Foi difícil porque o gasto para trabalhar com esse tipo de área é muitas vezes maior que o plantio em terreno normal. Meu sonho seria termos um projeto para toda a região para que pudéssemos consertar a degradação que a Ferrovia do Aço deixou, desde 1979, em torno dos terrenos por onde passa a linha férrea, trechos enormes que conhecemos lindos no passado e que hoje parecem desertos”, disse Lúcia. De acordo com o engenheiro agrônomo da Sete Soluções e Tecnologia Ambiental, Eduardo Andrade, um processo erosivo geralmente se inicia com alguma intervenção humana. À medida que essas ações desordenadas sobre o terreno se intensificam, o solo fica ainda mais frágil, seco e quimicamente morto. “A revegetação com gramíneas e o reflorestamento com algumas espécies arbustivas recuperam o terreno esburacado, que, naturalmente, tende a estabilizar-se”, apontou. Ainda de acordo com Andrade, um projeto de recuperação de áreas degradadas demanda tempo e investimento, pois é preciso fazer um estudo do solo, das técnicas adequadas de contenção e, principalmente, das espécies a serem plantadas que, a exemplo do eucalipto, podem gerar renda.

Luciano Chaves, ao lado de seu funcionário Vinícius, plantou 15 mil mudas de eucalipto como forma de recuperar o terreno esburacado

Tradição e modernidade da tecelagem tradicional de Resende Costa (MG)

GUSTAVO MELO SILVA*

O mercado de produção de utensílios domésticos e peças decorativas da tecelagem tradicional do município de Resende Costa (MG) faz parte da vida cotidiana de parte de sua população. A tecelagem tradicional que atualmente movimenta parte da economia deste município tem sua origem na produção doméstica têxtil do século XVIII no então denominado Arraial da Lage. Ao processo produtivo tradicional dos séculos XVIII e XIX foram incorporadas, no final do século XX, principalmente a partir da década de 1980, inovações para atender a pressões do mercado local. Uma pesquisa realizada por mim em 2010 mostra que no ano de 2009, em 2.655 domicílios no perímetro urbano da sede deste município foram identificados 709 domicílios produto-

res da tecelagem. Nesses domicílios foram encontrados 1072 trabalhadores que exerciam alguma atividade produtiva e eram remunerados pelo seu trabalho. Além desses domicílios produtores a pesquisa visitou 72 estabelecimentos comerciais e entrevistou 69 comerciantes. Fazendo uma análise comparativa socioeconômica entre os municípios de Dores de Campos, Prados, Resende Costa e São Tiago, mostro a importância relativa desse mercado para a economia local e regional e identifico alguns aspectos interessantes e até mesmo contraditórios entre os dados oficiais. Por exemplo, por um lado, os dados econômicos oficiais desses municípios apontam o fato de que Resende Costa possui as piores condições econômicas entre os demais municípios analisados. Por outro lado,

esse município tem a maior frota de automóveis e de caminhonetes, a segunda maior frota de motocicletas e a terceira maior frota de motonetas do grupo de municípios. Em minha pesquisa acima citada defendo a ideia de que as atividades econômicas relacionadas com a tecelagem tradicional justificam essas supostas contradições entre os indicadores econômicos e o poder de consumo de bens duráveis de sua população. Por exemplo, os dados da pesquisa sobre a produção possibilitam estimar que em 2009 a receita mensal total dos domicílios produtores foi de R$ 393.686,64, com um faturamento domiciliar mínimo de R$6,90 e máximo de R$13.500,00, o que para a economia municipal representa um montante de recursos anuais de R$4.724.239,68.

Os dados relativos aos materiais utilizados no sistema produtivo apontaram para um consumo mensal de 20.491 kg de linha e de 103.370 kg de retalho. O tapetinho, tapete, jogo americano e guardanapos eram as peças mais produzidas. O tapetinho era a peça de maior destaque na produção local, o que já era uma realidade pontuada por trabalho publicado por mim e pelo Prof. Micênio Lopez dos Santos em 1998, no qual identificamos uma produção de 38.603 tapetinhos em 1996. Já em 2009, minha pesquisa registrou uma produção mensal de 131.088, o que representa em 12 anos um crescimento aproximado de 240%. O que observo, principalmente nas últimas duas décadas, é que este mercado passou por uma série de transformações organizadas burocrati-

camente e controladas socialmente pelos proprietários dos estabelecimentos comerciais, detentores das fontes de fornecimento e consumo da produção domiciliar. Esse mercado foi construído por uma produção dispersa nos domicílios, pela divisão do trabalho e pela organização burocrática comercial que controla seus serviços produtivos para atender, por um lado, as pressões de consumo e, por outro lado, a solidariedade entre indivíduos de um território em que as relações familiares formam sua densidade e disciplina moral.

*Professor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)


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Jornal das Lajes

Aconteceu

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GERALDO AIRES / ANDRÉ EUSTÁQUIO

Festa da Cerveja agita o feriado de 15 de Novembro na Kaessy

O feriado prolongado de 15 de Novembro (Proclamação da República) teve um ingrediente a mais para garantir a animação de quem se programou para curtir a noite resendecostense. A Festa da Cerveja agitou a danceteria Kaessy nos dias 12 e 13 de novembro último. Na sexta-feira (12), dois ambientes atraíram a galera, que curtiu o romantismo agitado do sertanejo universitário, com a Banda Namoradeiras. Mas quem curte o som das baladas eletrônicas não se decepcionou com os DJ’s que dominaram a noite na Kaessy. No sábado (13), a animação continuou embalada também pelo modesto preço (R$ 1,00) dela, sempre parceira das noites de balada, a cerveja. A Festa da Cerveja trouxe a Resende Costa visitantes de outras cidades da região, que já descobriram o sucesso das festas na Kaessy Eventos. Afinal, gente bonita, e badalação são garantias de um fim de semana de total descontração. Que venha a próxima!

Churrascaria Ramona foi inaugurada em grande estilo No dia 12 de novembro último, sexta-feira, Resende Costa e região ganharam uma nova opção para apreciar as carnes assadas em espetos na brasa com a inauguração da “Churrascaria Ramona”. Foram quatro dias de muita festa e descontração. Shows de alta qualidade, cerveja gelada e um tira gosto espetacular atraíram apreciadores de toda região. Com mais de trezentos lugares, contando ainda com estacionamento próprio, a churrascaria funciona de quinta a domingo em sistema de self-service e de rodízio. São oferecidos de 17 a 20 tipos de carne, entre picanha, alcatra, costela e muitos outros cortes, inclusive frango e até criações próprias da cozinha Ramona. Venham conhecer uma das grandes atrações da região. Churrascaria Ramona.

Mariana Silva Dias se formou em medicina No dia 12 de novembro último, Mariana da Silva Dias formou-se em medicina pela Faculdade de Valença (RJ). No Centro de Eventos La Rocca, em Juiz de Fora, a nova médica comemorou essa grande vitória, com seus pais, Dr. Paulo e Valéria, familiares e vários amigos, que saíram de Resende Costa especialmente para celebrarem com Mariana esse momento especial. Mariana esbanjou alegria, afinal tratava-se do coroamento de seis anos de estudo intenso e muita dedicação. A festa foi realmente completa, pois Romero José Kopke Alexandre, namorado de Mariana, também se formou. Ambos são plantonistas no Hospital Nossa Senhora do Rosário, em Resende Costa. Parabéns, Mariana.

Luís Eduardo e Manuela Mendonça Após se formar como oficial da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, no dia 26 de novembro passado, o resendecostense Luís Eduardo trocou alianças com a também resende-costense Manuela Mendonça, no sábado, dia 27. Em uma cerimônia com honrarias militares o casal se mostrou muito feliz com o carinho recebido de toda a família e amigos que compareceram à bela cerimônia.


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Papai Noel...? Tô fora! Pra começar, a festa nem dele é. O

fora de forma. Ele viria de calção e sem

Papai Noel entrou de gaiato no Natal

camisa, chinelo havaiana e um copo de

e se deu bem. O Aniversariante fica

cachaça. Só mesmo tungado é que ele

esquecido e o obeso risonho de barbas

entraria nessa de entregar presente pra

brancas posa de pop star com o saco

todo mundo. Trenó? Nem pensar. Vi-

nas costas.

ria de busão e vale-transporte. Do seu

Uns não gostam de limão... outros

saco, ele tiraria um pandeiro, um cava-

não gostam de jiló... tem gente que não

quinho e um surdo. Encharcaria todo

gosta de samba... mais alguns detestam

mundo de pinga. Depois era só mandar

funk... Ora, eu também tenho o direito

um Jingle Bell num ritmo de pagode e

de não gostar de alguma coisa. Papai

estaria todo mundo conversado. Inclu-

Noel... sei lá, nunca me afinei muito

sive, teríamos dois natais: um em de-

bem com ele.

zembro e outro em fevereiro.

Pra mim, esse cara é um fintão.

Não sei quem trouxe o Papai Noel

Tem menino que pede bicicleta e ga-

pro Brasil. Devem ser os mesmos que

nha uma bermuda. Já vi menina escre-

trouxeram o Michael Jackson, o Paul

vendo carta caprichadinha, papel rosa

McCartney, o Queen, o Frank Sinatra...

e cheirinho de morango, pedindo com-

Todos esses conheceram o Reino De-

putador. E lá vem um fogãozinho com

sencantado de Tupiniquim, mas foram

panelinha de plástico.

embora depressa. Nunca mais falaram

Isso sem falar nas fintas que o ve-

do Brasil. Só o gordo do trenó é que

lhinho dá nas criancinhas pobres. Elas

teima em voltar. Vai ver que esses caras

também escrevem cartas pro Papai

do show bizz pagam uma nota rechon-

Noel. E é cada presente que elas pe-

chuda pro rechonchudo.

dem... E o velhinho nem tchum! Tem

Não é à toa que ele sempre passa

criança pobre que pede carrinho e no

no céu com aquela risada irritante: Oh!

dia do Natal o pai continua desempre-

Oh! Oh! No mínimo, ele está levando

gado. Há criança pobre que pede bone-

algum. Ninguém ri assim com tanto

ca e no dia seguinte a mãe, que abando-

gosto metido num modelito de Polo

nou a família, ainda não voltou.

Norte e tostando na fornalha tropical.

São coisas do bom velhinho. Bom

Por outro lado, lembrar-se do

velhinho... bom pra quem? Pros lojis-

Aniversariante é também lembrar-se

tas, é claro. O Papai Noel até pode tra-

de que existem injustiças... é lembrar-

zer presentes, mas ele deixa tudo nas

se do perdão que a gente não dá... das

lojas pra gente comprar.

traições que a gente faz... dos amores

Além disso, Papai Noel pra mim é

que a gente amordaça... das guerras

meio sem noção. Dezembro no Brasil:

que a gente semeia... do agradecimento

calor rachando o pepino, sol tostando a

que a gente não faz... E todo mundo vai

mamona, seca pra tudo quanto é lado,

preferindo colocar essas coisas todas

malária, dengue, febre terçã... e o ho-

dentro do saco do Papai Noel pra ele

mem aparece por aqui todo agasalha-

levar embora.

do, de touca e luvas de frio. Olho pra ele e tenho sintomas de insolação. Papai Noel brasileiro tinha que ser do nosso jeito. Pra começar, nada de

Fica dentro de nós um vazio estranho. A gente quer chorar e não sabe por quê. E lá no céu, alguém ri: Oh! Oh! Oh!

aparecer como se fosse um bombeiro __________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

ANO VII Nº 92 - DEZEMBRO

DE

2010 / RESENDE COSTA - MG

Cultura

RENATO RUAS PINTO

Veias que continuam abertas

T

erminei de ler um clássico que recomendo muito: As Veias Abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano. O seu tema central é situação de pobreza e exploração da América Latina e, para entender suas origens, Galeano faz uma revisão da colonização, independência e crescimento da região para explicar o subdesenvolvimento atrelado ao longo histórico de dependência e subserviência às potências estrangeiras. Uma das teses propostas é de que o desequilíbrio social da região tem suas origens na colonização. Foi formada, então, uma elite dominante que prosperou com uma política essencialmente extrativista e baseada na exploração de uma mão-de-obra escrava ou semi-escrava, o que sufocou qualquer iniciativa de se investir em uma manufatura local. Além disso, as trocas comerciais de matéria prima por produtos de maior valor agregado vindos da Europa – Inglaterra, principalmente – e dos Estados Unidos, posteriormente, somente acentuaram a dependência externa. Às potências dominantes só interessava a manutenção de uma elite subserviente nos países latino-americanos,

para garantir seus interesses e manter a relação de dominação. Um ponto alto do livro é a correlação que faz o autor entre o surgimento de governos de cunho nacionalista ou socialista e o subsequente golpe de estado patrocinado pelos Estados Unidos. Sob o pretexto padrão da luta contra o “comunismo”, o resultado era sempre a instalação e manutenção de uma ditadura sangrenta para zelar com mão de ferro pelos interesses das potências dominantes. Pelo fato de ter sido publicado em 1971, a obra pode ser taxada de desatualizada. Atualmente, alguns historiadores estão, de fato, propondo teorias que contestam aquelas de autores clássicos como Celso Furtado – fonte constantemente citada por Galeano – ressaltando o papel de empreendedores na formação econômica da América Latina. Além disso, o autor deixa claro em todo o livro que não é historiador e muito menos um acadêmico e, sim, um jornalista. Compensa essa falta, porém, com uma pesquisa primorosa e citações fundamentadas em fontes confiáveis. Finalmente, o autor possui um viés marxista e, na época, os ventos da revolução cubana que ainda sopravam eram um alento para uma esperança de mudança

que não viria a se realizar. O momento atual, porém, nos leva a refletir se de fato algumas veias não continuam abertas. Todo o desenvolvimento econômico ainda não foi capaz de eliminar bolsões de pobreza na região, do México à Terra do Fogo e, olhando para o nosso país, vemos que, apesar de progressos recentes, ainda temos um longo caminho à frente. Recursos naturais abundantes, como o gás boliviano ou o petróleo venezuelano e equatoriano, não foram suficientes para melhorar o nível de vida de populações que vivem na pobreza. Do Haiti vem outro exemplo de como um país que viveu por anos sob uma ditadura apoiada pelos Estados Unidos (ou sob ocupação direta do mesmo) e cujo resultado foi a miséria total ante uma pequena elite milionária. Dessa forma, vejo que a leitura de “As veias” ainda permanece bastante relevante e é uma fonte preciosa para se analisar os dias de hoje e, talvez, entender a recente ascensão das esquerdas em boa parte da região. Essa ligação entre o passado e os novos tempos possivelmente forneça material para uma atualização do tema do livro. Alguém se habilita a fazê-la? Estaria aí algo útil e interessante a ser feito.

Crônicas do Cotidiano

RAFAEL CHAVES

O fundo do buraco! Queria se desculpar com os cristãos de toda denominação, com as famílias que se reunirão à meia-noite para a ceia, com os colegas que trocarão presentes de amigo oculto e com as crianças que terão, depois de um ano de bom comportamento e de terem se alimentado bem, inclusive jiló, seus cobiçados brinquedos, no Natal. Queria se desculpar com os que compraram roupa branca alvinha e novinha em folha, com os que gravaram um CD de axé baiano e ensaiaram a dança do “rebolation” e com os que puseram o espumante na geladeira (sidra não, por favor), para o réveillon. Que lhe perdoassem, mas andava meio desenganado com essas festas. Festas obrigatórias, tal qual era o carnaval, o sábado de aleluia ou o dia do seu aniversário, festas com data marcada para ser feliz. Natal de roteiro lacrimejante e réveillon de desfecho previsto. Todo ano a mesma coisa! Todo ano feliz natal e próspero ano novo. Naquele dia a primeira visão que lhe veio foram as das decorações dos corredores dos “shopping centers”, das imensas árvores-de-natal, dos papais-noéis bochechudos e vermelhos enfeitando as vitrines das lojas, do alvoroço de sacolas abarrotadas de compras trombando umas nas outras, dos

toc-toc-toc dos saltos altos das madames percutindo no piso de granito. Enquanto a imagem de um menino recém-nascido, espreitado por imagens de seus pais, sob a indiferença de imagens de vaca, jumento e ovelhas e de seus pastores, dormia à sombra de luzes cintilantes e artificiais, tentando reproduzir uma cena bucólica, singela, pura, modesta e humilde que acontecera há 2010 anos antes. Depois as das crianças maltrapilhas fugindo e se desviando das trocas de tiros nas favelas do Rio de Janeiro, tentando sobreviver até o próximo dia 25 de dezembro, na esperança de receber seu presente, que peticionara numa cartinha endereçada a um velhinho lá no polo norte. E das outras crianças famélicas e subnutridas das periferias, do agreste, dos orfanatos, dos cantões de todo o mundo. Depois as dos filantropos distribuindo presentes de última hora, à guisa de alcançar suas indulgências, receosos de que, de fato, haveriam um dia de ser julgados pelos seus atos e omissões. Depois as dos filmes e histórias lacrimejantes, repletas de esperanças na humanidade, traduzindo generosidade, altruísmo e virtude. Aquelas mesmas histórias emble-

máticas que, talvez, ele tenha contado aqui num outro final de ano qualquer e que moral da história – revelavam que as ações individuais e isoladas de alguns poderiam indicar que tudo poderia dar certo, que haveríamos de ter um “happy-end”. Depois e por último as dos comensais estourando espumantes à zero hora do dia primeiro de janeiro, lavados na alma e na roupa branca, abraçando-se e beijando-se uns aos outros, irmanados amigos e inimigos, reconciliados casais e desafetos, reconhecidos os desconhecidos, prontos para uma nova etapa da vida no próximo ano, próspera e feliz, se Deus quiser! Todos alegres e satisfeitos, da boca prá fora! Pensou que todo ano-novo deveria ser agendado para uma segunda-feira, o dia mais propício às promessas (de fazer regime, de frequentar academia, de parar de fumar, de etc.) que jamais serão cumpridas. Não! Que lhe desculpassem todos, mas não estava com o espírito de natal e anonovo! Não pretendia comemorar nada, ou talvez comemorasse, mas lembrando-se daquelas imagens que o tinham perseguido naquele dia. Havia algo de errado no ar, o buraco lhe parecia mais fundo, o buraco não tinha fundo...


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Formatura

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ROSALVO PINTO

Anderson Daher, o primeiro pianista de Resende Costa 2). Um repertório bem escolhido, com pe-

son Freire, este o meu preferido, além de

Cabo Frio, RJ, com um aplaudido concerto

ças que exigem uma apurada performance,

Arthur Moreira Lima, Eudóxia de Barros,

na série “Jovens Pianistas”. Nove dias de-

sobretudo as duas últimas. As peças foram

Miguel Proença, João Carlos Martins, Pe-

pois, no Rio de Janeiro, participando do IV

executadas de cor e ele soube acrescentar à

drinho Mattar, David Hasan, Berenice Me-

Concurso Nacional Jovem Destaque, pro-

impecável performance, a elegância.

negale (os dois últimos de Belo Horizonte)

movido pela Universidade Federal do Rio

Lembro-me do Anderson chegando a

e a própria Celina Szrvinsk, em concerto

de Janeiro, Anderson se apresentou, como

Belo Horizonte com o objetivo de enfren-

a quatro mãos com seu marido, o Miguel

tar o vestibular para o curso de piano na

vencedor do concurso, em concerto no Sa-

Rosselini, também professor do Anderson.

lão Dourado do Palácio Universitário da

Digo com sinceridade, ouvir o Anderson ao

Praia Vermelha.

Escola de Música da UFMG. O concurso vestibular previa, além das provas gerais, uma prova específica e prática, na qual os candidatos deveriam comprovar que já tinham um desempenho mínimo na arte piaO pianista Anderson Daher realizou recital de formatura no dia 25 de novembro

Quem não teve o privilégio de estar

Em rápida entrevista com sua profes-

presente no Auditório Fernando Mello

sora, Celina Szrvinsk, muito cumprimen-

Viana, da Escola de Música da UFMG, na

tada pelo extraordinário resultado do seu

noite do dia 25 de novembro, quinta, per-

trabalho, ela confirmou e repetiu o que eu

deu. Incrível, simplesmente incrível! Era

pensava e havia comentado com alguns

a noite do recital de formatura do nosso

dos presentes: “Este menino vai longe”.

conterrâneo Anderson da Mata Daher, 23.

Ela não precisava dizer mais nada: o “vai

À diferença de outras tantas formaturas,

longe” se resume e se comprova através da

com os tradicionais intermináveis discur-

beleza que nos foi brindada naquela noite.

sos, os presentes foram agraciados com um

No entanto, a professora Celina foi mais

inesquecível recital de piano, no mais alto

longe ainda: “O Anderson é um diamante,

estilo. Ao contrário dos tradicionais discur-

que vimos lapidando com carinho e dedi-

sos, aquele “discurso” do formando os pre-

cação, ele e eu”.

sentes gostariam de que não terminasse na-

O programa do recital contemplou os

quela noite e, ao final, o que acabou sendo

compositores alemães J. S. Bach (Prelúdio

interminável foram as palmas. Os presentes

e Fuga em si menor) e Robert Shumann

o aplaudiram, de pé, por alguns minutos.

(Symphonishe Etüden), bem como o brasi-

Uma consagração.

leiro Heitor Villa-Lobos (Prole do Bebê no.

nística. Apreensivo, ele procurava espaço e ocasiões para seus treinos e, um dia, me perguntou se eu teria um banquinho próprio para piano para lhe emprestar ou dar. Coincidentemente eu tinha dois banquinhos e lhe dei um de presente. Mal podia imaginar, entretanto, que aquele singelo banquinho

piano, aos seus 23 anos, me parecia estar

Estão de parabéns seus pais e seu ir-

ouvindo experientes e maduros pianistas.

mão, que o apoiaram e quantos o estimu-

Impressionou-me sua clareza e precisão,

laram. Está de parabéns Resende Costa,

sua capacidade de expressão, sua postura e,

que já pode se orgulhar de ter, entre seus

por que não, sua elegância.

filhos, um pianista talentoso e profissional.

Antes mesmo de chegar à formatura, o

Com certeza o primeiro. Entretanto, a esse

Anderson já vinha colecionando aplausos e

orgulho já consolidado pelo seu precoce

prêmios. No dia 13 de novembro passado

currículo, pode-se acrescentar um auspi-

ele já havia participado, a convite, da pro-

cioso prognóstico: aguardem: “quem viver,

gramação do 395º aniversário da cidade de

verá!”.

seria um suporte material necessário para que um dia eu viesse a ter o prazer de ouvir o que ouvi naquela noite de sua formatura. Não sou nenhum crítico pianístico. Apenas estudei piano durante alguns anos de seminário, o que me foi útil ao longo de minha vida. Além disso, tempos depois, realizei o meu sonho de ter um piano em casa com o qual gosto de me divertir. Entretanto, tive a oportunidade de ouvir famosos e celebrados pianistas, brasileiros e estrangeiros. Entre os brasileiros já ouvi diversas vezes o Arnaldo Cohen, o Nel-

Anderson Daher sentado ao piano, durante recital de formatura na UFMG

Contemplando as Palavras

REGINA COELHO

Mulheres ao volante (2)

- Bobagem a senhora dirigir – era

teira de habilitação. Ela até começou a

o radiador. Nada mais grave, só que eles

algumas boas explicações e também o

até a rodoviária ve-

essa a reação mais comum das pessoas

fazer o curso de legislação ou a “estudar

tiveram de voltar em outro carro.

Ercílio da Anita do Lado.

lha e chamar o Jair

quando se encontravam com Dalva Ma-

a sinalização”, como prefere dizer, mas

Hoje, aos 79 anos, aposentada, Dona

Na pensão, o pessoal se divertia com

ria de Resende. Muitos que assim fala-

“encravou” no exame de vista. Adoeceu

Dalva não dirige mais, por isso a bonita

as histórias dos insucessos que aquela

para levar o carro ao centro. Um bêba-

vam tinham visto Dona Dalva dirigindo

e ficou descrente de ir até o fim naque-

Rural Willys azul com tração nas quatro

aprendiz de motorista contava. Foi aí

sua Rural ou simplesmente ficaram sa-

les testes todos. E como reforço à sua

rodas, companheira fiel de inúmeras jor-

do inoportuno e insistente impediu que

que o Clóvis, hóspede da casa e mecâ-

bendo daquele feito. Tudo começou exa-

convicção de que aquele documento não

nadas, foi vendida. Saudades daqueles

nico que prestava serviços à Serveng

a Elzi deixasse a filha pequena e com a

tamente em 1966, quando ela comprou

lhe seria tão necessário, ouviu de uma

tempos? Pode ser, mas acima de tudo or-

Civilsan, em razão das obras do asfalto,

seu primeiro veículo, a já citada Rural,

pessoa ligada àquele ambiente de exa-

gulho de quem até “trocava roda” (pneu)

então em andamento, recomendou-lhe o

que, “tirada de primeira mão” em uma

mes que ficasse tranquila, pois mulher

e nunca ficou parada na estrada.

seguinte:

agência de Barbacena, foi seu único car-

e padre nunca eram parados nas opera-

Quem também guarda uma boa his-

ro ao longo de incontáveis anos, circu-

ções de fiscalização. Mesmo assim, por

tória para contar é Elzi Lara Santos, 73

lando pelas ruas da cidade, pelas cidades

precaução, quando viajava para longe,

anos, aposentada, que afirma ter se tor-

Recomendação aceita, aulas já me-

próximas e trazendo sua corajosa dona

Dona Dalva levava um motorista habi-

nado proprietária de um Volks branco

nos desastrosas e ensinamentos finais

da Fazenda do Val, onde morava com

litado para garantir a tranquilidade da

por puro acaso, já que não sabia nada de

com o Élcio Maia e a tão merecida car-

o marido, o Zé Resende. Na verdade,

viagem. Entre eles, lembra os que lhe

carros e nem tinha interesse por isso. O

teira de motorista foi tirada em 1980.

Dona Dalva precisava do carro para vir à

deram as instruções sobre como dirigir:

responsável pela mudança foi o Toninho

Na condição de habilitada, Elzi passou

missa, mas ele lhe valeu muito também

o Zé do Alípio, um filho do Zé do Nico

da Dona Zizina, quando sugeriu que ela

a dirigir sozinha e sem deixar de obser-

para carregar doentes, mulheres que vi-

cujo nome esqueceu e o Cici do Joaquim

comprasse um carro e ele mesmo o trou-

var como as pessoas ficavam admiradas

nham ter filho na cidade e mesmo tra-

Batista.

xe para Resende Costa.

com aquela situação. Verdade seja dita!

balhadores que se acidentavam ou eram

- Não conte suas mancadas para ninguém, todo mundo comete as suas.

Quando indagada a respeito de al-

Final da década de 70. Era o tempo

Algumas piadinhas machistas ela tam-

gum possível acidente que pudesse ter

da Pensão da Elzi. E chegou o dia de en-

bém ouvia. Conhecem aquela manjadís-

Um fato curioso, ao mesmo tem-

sofrido ao volante, a provável mais anti-

carar o desafio de dirigir pela primeira

sima? “Mulher ao volante,...” Pois é!

po compreensível para aqueles anos, é

ga motorista de Resende Costa recorda-

vez. Elzi estava acompanhada de sua fi-

Faltava, porém, ir a São João del-

que essa motorista de tantos préstimos

se de um passeio a Ritápolis, na compa-

lha (a Mara) e do Bita do João de Paiva,

Rei dirigindo, um teste quase obrigatório

para muita gente, principalmente numa

nhia do Padre Antenor (seu irmão). Já na

que simplesmente lhe passou o carro. O

para quem mora em Resende Costa, tira

época em que os carros não eram tão

volta, por um vacilo seu, o carro saiu da

resultado não foi dos melhores. Depois,

carteira e quer dirigir na estrada. Estava

comuns como agora, não tirou sua car-

estrada, bateu numa pedra e arrebentou

a Maria Helena da Dona Zizina lhe deu

tudo planejado. A ideia inicial era chegar

picados por cobra.

Chaves, ali perto,

perna engessada sozinha no carro, ainda que por alguns minutos. O jeito foi enfrentar o trânsito até o hospital para que a Mara se livrasse daquela “bota” incômoda. Da segunda ida a São João, mais adrenalina. Um rapaz bateu no carro dela e ainda se achou no direito de lhe dizer besteiras. “Muito homem acha que a gente por ser mulher vai ter medo deles”, afirma Elzi, que lembra ainda que, naquele dia, contou com a ajuda do Luizinho Chaves e do Almênio (que tinha sido coletor estadual em Resende Costa), que presenciaram aquela cena. O moço criador de caso? Ah, rápido, rápido mudou a afinação do seu discurso. - Ando devagar, finaliza nossa tranquila motorista, com a certeza dada pelos muitos anos rodados por aí de que mais importantes mesmo são o cuidado com a vida e a volta segura para casa.


10 Jornal das Lajes Retalhos Literários

ANO VII Nº 92 - DEZEMBRO DE 2010 / RESENDE COSTA - MG EVALDO BALBINO

Crônica de Natal

Desta vez seria diferente. Nos anos anteriores ele correra com outros meninos atrás de um carro luxuoso, conversível e enfeitado de apetrechos natalinos. Um carro distinto daqueles com que na pequena cidade estavam acostumados. Fizera todo aquele exercício, ano após ano, e nenhum brinquedo sequer. Só conseguira pegar, de cada vez, uns dois ou quatro saquinhos de pipoca doce. Sujos pela terra vermelha da rua sem calçamento, aqueles saquinhos seguiram jururus em suas mãos de menino. Se pelo menos fossem daquelas pipocas que estouravam no fogão a lenha de sua casa! Uma barulhada dentro da panela: “rebenta piruá e deixa a pipoca”, “rebenta piruá e deixa a pipoca”... Assim seu coração ia dizendo, pulsando, pulando como as pipocas na panela, desejando que não restasse nenhum grão daqueles pulos eletrizantes. Queria que a mágica acontecesse sempre e com todos os milhozinhos. Queria isso para depois brincar e comer. Cada pipocazinha ganhava uma forma: ovelha, pedaço de nuvem, um carrinho diferente, uma cabeça de boi, uma florzinha para a vida. Cada qual mais bonita e comestível que a outra. Barulhavam felicidades entre os dentes apressados e gulosos do menino. Mas depois daquelas corredeiras atrás do carro faustoso e com Mamãe Noel dentro, ele conseguira apenas pipocas doces, sem o doce sal que as de sua casa tinham. Por isso decidiu que agora tudo seria diverso. Definiu o que iria acontecer, deliberando o porvir como sonha um profeta com o futuro. Ficou sabendo que outra mulher rica estava inscrevendo crianças pobres para serem agraciadas pelo espírito natalino. Era só dar o nome para conseguir um brinquedo. Qualquer um que fosse, não se importaria. Mas tinha que ser um brinquedo. Saiu de casa pela manhãzinha, sem falar com a mãe. Chegou a uma mansão escondida, cujo portão grande abrigava mistérios, mostrando e ao mesmo tempo

escondendo coisas que ele não podia tocar. Um cachorro desses imensos corria de um lado para outro, atrás do portão. Bafejava seu hálito audaz nas grades, impondo a elas não um medozinho qualquer, mas um terror desses bem graúdos. O garoto, catatauzinho de nada, atreveu uma aproximação. Era bem cedo, não podia acordar a família da Dona que lhe daria um presente. Ficou silencioso, montando guarda como o cão valente. Logo começaram os movimentos. Questão de minutos. Outras crianças principiaram a chegar. E todas traziam nas mãos uns papéis amarfanhados. Ele era o primeiro da fila. Imponente, feliz como ficava na escola, quando todos tinham que ficar em linha para entrar na sala e para ir ao vestiário. Ele, sempre o primeiro. O menorzinho lá na frente perto da professora. Como poderia enxergar o bê-á-bá se um grandão ficasse na sua frente? Não, de jeito nenhum! E ali, agora, era como sua mãe dizia: “Deus ajuda a quem cedo madruga.” Chegara cedo, não chegara!? Nada mais justo do que ser o primeiro a ser atendido. Apareceu um homem forte do outro lado do portão. Assoviando, prendeu o cachorro, abriu as grades e permitiu que a fila acedesse ao pátio. Ele, o meninozinho, ficou rente à porta bonita da sala, toda de madeira e vidros. Belezura assim ele nunca tinha visto. Rapidinho apareceu a madame, com um caderno encostado ao peito e uma caneta presa na mão direita. Ela se sentou num sofá grande, e ali se afundou carregada e pomposa. – Pode entrar o primeiro! O homem que prendera o cachorro guiou o menino pelo braço até uma cadeira diante da mulher. Tamborete duro perante o sofá. O guri nem perceberia a diferença, pois com bancos duros já estava acostumado. O problema ali era o sofá. Sua maciez destoava diante do banco em que ele fora depositado. – Seu nome?

Cidade

– Chiquinho, senhora. – O seu nome, garoto, não o apelido! – Ah, sim, é Francisco. – Francisco de quê? – Como assim? – Ora, como assim?! Quero saber seu nome completo! – Ah, tá certo: é Francisco Jesus da Silva. A mulher anotou o seu nome e pediu que ele lhe mostrasse os documentos. – Que documentos? – Uai, você não viu escrito no cartaz pregado lá no portão? Não sabe ler não, meu filho? – Sei sim! – respondeu melindrado, pois o que mais sabia fazer na vida era ler – Sei sim, mas não vi o tal de cartaz não! – Pois você tinha que trazer a carteira de trabalho dos seus pais e a sua certidão de nascimento pra me mostrar! – Mas eu não trouxe não, senhora. Não tem jeito sem esses papéis? – Não. Não tem! Providencie tudo ou do contrário não se inscreve. Ele abaixou um pouquinho o rosto, com raiva, triste, mas não deixou de perceber os olhos da madame inspecionando-o de alto a baixo. Diante do seu silêncio, continuou a mulher: – Ou será que você tá escondendo que não precisa de brinquedo? Seu pai trabalha com o quê? – Ele faz casas, dona. – De qualquer forma preciso dos documentos. Volta em casa e pega! O garoto saiu constrangido, magoado. Não tinha como pegar os papéis. Como explicaria tudo para os pais? Orgulhosos, não iriam deixar que ele fizesse aquilo. Subiu pela rua calçada e bonita, perguntando-se quantos saquinhos de pipoca doce conseguiria pegar dali a alguns dias. O Natal chegaria de novo, e em sua casa não existia lareira nem chaminé.

GERALDO AIRES

Moradores reclamam de problemas em obra da rede de esgoto Moradores da parte baixa da Rua Vereador Joaquim Campos, entre os bairros Expedicionários e Nossa Senhora da Penha, reclamam das obras realizadas pela empresa responsável pela construção do sistema de esgotamento sanitário em Resende Costa. Eles denunciam que o sistema de escoamento do pequeno córrego que passa pelo local foi construído de forma incorreta e o mesmo não dá a vazão necessária para o escoamento das águas pluviais. A alteração no sistema teria gerado o alagamento de residências durante a chuva que caiu durante a tarde do dia

27 de novembro último, uma vez que a água não teria para onde escorrer e voltou à superfície da rua. Por meio de um registro fotográfico, eles mostram as condições da rua durante a tempestade e depois o estado em que a via ficou. A água ficou prestes a invadir a casa de José Marcos, o Marquinho da Oficina: “Foi por pouco que a água não invadiu minha casa. Isso com uma chuva de dez minutos, imagine se fosse no inverno, quando a chuvas duram mais de horas. É necessário que essa estrutura seja refeita para que não haja mais problemas”, reclama

o morador. Outro morador que solicitou a presença da equipe de reportagem do JL foi o Jusinei Vieira, que nasceu e vive no logradouro até os dias atuais. Segundo Vieira, o ocorrido trouxe-lhe vários prejuízos. “Foi uma correria só. Quando a água começou a subir tentei retirar alguns de meus pertences que estavam em cômodo que tenho do lado de fora da minha casa, mas acabei perdendo um motor que foi todo tomado pela água”, disse indignado. A chuva que caiu naquela tarde foi verdadeiramente muito forte, mas

Política e Cidadania

FÁBIO ABREU DOS PASSOS

Uma democracia ameaçada? O ano de 2010 poderá ficar lembrado como o ano em que o Brasil elegeu um palhaço – de verdade – para o Congresso Nacional ou o ano em que colocamos em “xeque” a nossa democracia que, se ainda engatinha devido a sua pouca idade no que diz respeito a sua história recente pós-ditadura militar, pode vir a morrer de forma prematura. O palhaço Tiririca, codinome do cidadão Francisco Everardo Oliveira Silva, não só foi eleito como foi o candidato com a maior votação entre os pretendentes a uma vaga na Câmara dos Deputados. Concorrendo pelo PRSP, ele teve de 1,35 milhão, números que o colocaram muito à frente do segundo mais votado do país, Anthony Garotinho (PR-RJ), ex-governador do Rio de Janeiro, que obteve quase 700 mil votos. Os números e a consequente eleição de Tiririca o colocam na história da política nacional, pois é a segunda maior votação da história para deputado no Brasil: Tiririca só fica atrás de Enéas Ferreira Carneiro (falecido em 2007), presidente do extinto Prona e detentor dos votos de 1.573.112 eleitores para deputado federal no pleito de 2002. Os números da eleição de Tiririca, em um país cujo regime político tem como base fundamental a democracia participativa, por si só deveriam ser fonte de legitimidade eleitoral. Contudo, após sua eleição nas urnas, começou a haver um levante de alguns setores da nossa sociedade, que têm como objetivo primeiro impedir que Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, venha a tomar posse da vaga na Câmara dos Deputados, alegando que o mesmo é analfabeto, o que fere um dos requisitos básicos que outorgam a um indivíduo o direito de ter um cargo público na esfera política. Na noite do dia 11 de novembro do presente ano, quinta-feira, o promotor eleitoral Maurício Ribeiro Lopes afirmou que o deputado federal eleito teve resultado insuficiente em seu teste de alfabetização, ou seja, Tiririca durante audiência no processo no qual é acusado de

ao que parece a enchente foi causada pelo afunilamento do sistema que conduz a água do córrego por debaixo da rua.

falsidade ideológica por ter forjado uma declaração de alfabetização para o registro de sua candidatura, foi considerado inapto para assumir o cargo de deputado. Nas palavras do Promotor: “Quantitativamente e qualitativamente não houve satisfação do conceito de alfabetizado. Pelo menos alfabetizado funcional”. O teste apontou que Tiririca não conseguiu alcançar um desempenho de pelo menos 30% no teste de escrita, leitura e de interpretação a que se submeteu. Contudo, no dia primeiro de dezembro passado, o deputado eleito, Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, foi absolvido da acusação de “Falsidade Ideológica” e será empossado na Câmara dos Deputados, representando 1,35 milhão de eleitores. Mas, mesmo diante da informação de que Tiririca, de fato, será empossado no cargo de deputado, o que desejo, nessa coluna, é chamar a atenção para a ameaça que o possível impedimento de Tiririca em assumir seu posto de deputado poderia trazer para nossa democracia. Não queremos, é claro, que pessoas não qualificadas venham a assumir postos de representatividade públicos, mas uma questão deve ser colocada para nossa reflexão: uma vez aceita a candidatura do Tiririca a deputado e, uma vez que o mesmo teve a segunda maior votação da história da democracia brasileira para os quadros de deputado, não seria uma ameaça à nossa democracia que este “palhaço” não assumisse o seu cargo? Certo ou errado, consciente ou inconscientemente, voto de protesto ou pouco caso com a política, o certo é que 1,35 milhão de eleitores credenciaram, de maneira legítima, o Tiririca a ser o seu representante na Câmara dos Deputados. Acredito que devemos, sempre, primar por um voto sério e consciente, mas, impedir quaisquer que sejam as pessoas eleitas de assumir os seus cargos, salvo questões de corrupção, deva ser visto como uma ameaça a nossa recente democracia que ainda está aprendendo a ser democrática.

gem do JL por várias vezes esteve no escritório da SOENGE, empresa responsável pela obras na cidade, mas não encontrou ninguém que pudesse falar sobre o assunto.

SOENGE - A equipe de reporta-

Estragos provacados pela chuva na rua Vereador Joaquim Campos


Jornal das Lajes

ANO VII Nº 92 - DEZEMBRO DE 2010 / RESENDE COSTA - MG

Causos & Cousas

ROSALVO PINTO

Brancas e inesquecíveis lembranças

Não há dúvidas de que as lembranças dos tempos de criança e de adolescente são as mais perenes e as mais gostosas. Talvez seja porque o ser humano está apenas desabrochando-se para a vida. Tempo dos brinquedos, dos primeiros amigos, das primeiras transgressões, da novidade da escola, da descoberta do amor e da sexualidade. Acima de tudo, tempo de começar a sonhar com o futuro. Por esses tempos, lembro-me de que o meu tio paterno, o tio Saneco, morava lá no Brumado, onde havia arrendado a fazenda do Maracujá. Era um baixinho trabalhador, incansável. Plantava de tudo e negociava. Gostava de uma mula bonita e bem ajaezada. Brabo feito seus irmãos, da raça do povo da “Chácara”, entre eles o Góes, meu pai. Tia Quiquita, a típica dona de casa, paciente e prendada, exímia cozinheira e forneira, de tempos em tempos colocando mais um filho no mundo. Começando pela Maria, seguindo-se o Dinho, a Adair, a Carmen, a Olga, a Ivone, o Renato (10 dias mais

velho do que eu), a Vera, o Mazinho e terminando com o Zé Imar. Como era costume da época, tio Saneco abriu uma escola rural que funcionava em sua casa. Para isso, mandou para a “vila” a Adair e, tempos depois, a Ivone, para fazerem o primário e voltarem como professoras na roça. Como as duas ficaram por algum tempo em minha casa, quem lucrou fui eu: ganhei algumas férias na fazenda. Primeiro no Maracujá, de onde me lembro de tudo: desde a vaca brava “Paraíba”, o cachorro “Piloto”, em cujo lombo o Renato colocava um cangalhazinha de couro e sola, feita pelo tio Saneco, até a grande roda d’água do engenho, onde se faziam o melado, a rapadura e o açúcar “preto” (mascavo), os torrões de açúcar secando ao sol sobre as esteiras, que a gente tirava escondido, as latas de biscoitos para serem vendidos na festa da capela do Brumado. Não me esqueço da “bola de capota” do Dinho para as “peladas” de tardinha, no gramado em frente à casa, do agregado Zé Maria com seu cavaquinho, das visitas à casa do vi-

11

zinho “Capitão” e seu enorme tacho de arroz doce, enfim, de tantas e tantas coisas que compunham um mundo mágico para mim. Mundo que nunca mais revi. Algum tempo depois tio Saneco comprou um terreno com casa na “Floresta” e minhas férias se mudaram pra lá. Um dos pequenos cômodos da casa era a única sala de aula da escola. Menino da cidade, uma novidade, a Adair me pôs para declamar uma poesia na festinha do fim de ano, um sucesso. Lembro-me de ir visitar o velho solteirão Antônio Belena, vizinho que morava num enorme casarão de uma fazenda ali por perto (hoje Fazenda da Floresta). Já no leito, doente, achei engraçado ver uma galinha aninhada no canto, aos pés do seu catre. E dependurada no teto, sobre a cama, a tradicional tábua com queijos. Passaram-se muitos anos. Dias atrás resolvi rever aqueles lugares, na companhia do Chiquinho, meu irmão. Emocionado, vi a casa, branquinha e bem cuidada, tal como era antes. Apenas dei falta da portinha de acesso à “Vendinha

do Saneco”. Era uma tarde bonita, um pouco de sol, algumas nuvens prometendo chuva. Da frente da casa, ouvíamos o barulho das águas da cachoeira, que ainda correm, do mesmo jeitinho, atrás e bem perto da casa. Era o lugar preferido das férias. Senti naquele momento as águas que até hoje escorrem nas pedras de minha memória. Então lembrei-me da azáfama do tio Saneco fazendo polvilho. O polvilho, tão branca lembrança. Muitos anos depois, quando me apaixonei pelo Guimarães Rosa, um dia dei de cara com o conto “Substância”. Está lá no “Primeiras Estórias”. Em princípio, o título não me dizia nada. Mas, era o Rosa, e eu entrei na estória. A Maria Exita, “na azáfama de farinha e polvilho” apaixonada pelo Sionésio, mas moída de sofrimento pela ameaça da lepra de seu pai, abandonado num lazareto. Transfigurada na brancura do polvilho, na incerteza e na dor. À medida que fui lendo o conto, foi-se criando na minha mente um velho espaço conhecido, no qual passaram a transitar a Nhatiaga, a Tia

Censo 2010

Quiquita, a Maria Exita, “hesitando” em sua paixão, o tio Saneco e o Sionésio, na tortura de sua incerteza. Tudo ali, atrás da casa, onde se fazia o polvilho. Não conseguia separar a casa do tio Saneco, das brancas e inesquecíveis lembranças de minha infância, do conto do Rosa. Passei até a imaginar que ele teria conhecido a casa branca, lá na Floresta. Só podia ser. Meus leitores podem estar curiosos em saber como foi o desfecho da estória. Final feliz na vida dos personagens e mais feliz ainda, nas palavras do Rosa: “Sionésio e Maria Exita – a meiosolhos, perante o refulgir, o todo branco. Acontecia o não-fato, o não-tempo, silêncio em sua imaginação. Só o um-eoutra, um em-si-juntos, o viver em ponto sem parar, coraçãomente: pensamento, pensamor. Alvor. Avançavam parados, dentro da luz, como se fosse no dia de Todos os Pássaros”. Beleza, não?

EMANUELLE RIBEIRO

Censo 2010 registrou pequeno aumento da população de Resende Costa Foram quase quatro meses de trabalho e o Censo Demográfico 2010 terminou. 191 mil recenseadores trabalharam por todo o território nacional. A população brasileira atinge o total de 190.732.694 pessoas neste ano (são 20.933.524 pessoas a mais do que foi registrado no último censo, em 2000). Os resultados mostraram ainda que o número de mulheres no Brasil é maior que o de homens, ultrapassando 3,9 milhões. Assim, para cada 100 mulheres existem 95,9 homens. As mulheres também dominam em Resende Costa. Com uma população equivalente a 10.918 habitantes, 5.546 são mulheres e o restante, 5.372 são homens. Com relação ao último censo, realizado em 2000, foi contabilizado um aumento de 582 pessoas. Do total registrado, 8.782 pessoas residem na zona urbana e 2.136 vivem na zona rural. De acordo com uma das recenseado-

ras, Valéria Reis, este número ainda pode sofrer um pequeno aumento devido ao número de casas que permaneceram fechadas durante a coleta e às recusas de atendimento aos recenseadores. Em Resende Costa, 12 recenseadores trabalharam no Censo 2010, sendo 11 contratados para o município e um exclusivo para o distrito de Jacarandira. Segundo Valéria, foi realizada uma dinâmica para a escolha e divisão da equipe: “Resende Costa foi dividida em 23 setores, sendo 21 setores no município e dois no distrito. A equipe classificada pelo concurso público inicial foi submetida a um pequeno curso preparatório e ao final deste fizeram uma prova reclassificatória. Através do resultado, os recenseadores por ordem decrescente de classificação tinham o direito de escolher os setores em que gostariam de trabalhar”. O maior desafio encontrado pelos recenseadores, e eles já esperavam por isso,

foi na zona rural. “Os setores rurais, além de maiores e de acesso mais difícil, demandavam mais tempo e dedicação por parte dos recenseadores. Além disso, mesmo com toda informação sobre o Censo 2010 divulgada pelos meios de comunicação, outro problema encontrado tanto na zona rural como urbana, foi a recusa de algumas pessoas em dar a entrevista e o receio de receber os recenseadores. Mesmo assim, ao final do trabalho ficamos com um número pequeno de casas consideradas fechadas, às quais o IBGE atribui um número médio de moradores de acordo com a média de habitantes por domicílio encontrados no município”, declarou Valéria Reis. Além disso, não houve nenhum problema técnico, devido ao uso de aparelhos mais modernos, como aconteceu há pouco tempo no Censo Agropecuário: “o Censo Demográfico, que visa principalmente à contagem dos habitantes do município,

ocorre a cada dez anos. Porém, em 2007 aconteceu o censo chamado Agropecuário, voltado para questões rurais e que também contabiliza a população. Esse foi o primeiro censo realizado com a ajuda da informatização. Em 2007, os primeiros computadores de mão (PDA) foram usados pelos recenseadores, o que facilitou muito o trabalho. Porém, ocorreram alguns problemas, tais como travas ou perda de dados durante as transmissões, problemas esses que não tivemos este ano, com o uso dos mesmos aparelhos e de alguns modelos mais modernos com seus programas sempre atualizados”. A contribuição dos moradores, apesar de alguns problemas, e de outros setores da sociedade foi essencial para a realização das coletas, de acordo com a recenseadora: “embora tenhamos tido algumas recusas, na maioria das casas, os recenseadores foram bem recebidos e tratados durante as

entrevistas. Com isso, terminamos nosso trabalho no prazo estabelecido. O que podemos dizer, ao final de nosso trabalho, é que temos a sensação de dever cumprido. E aproveitamos para agradecer a todos que colaboraram conosco. Ao prefeito Adilson pela total disponibilização de transporte e outros serviços dos quais precisamos; ao secretário de Educação, Adriano Magalhães, pelo espaço cedido para nosso trabalho, na Biblioteca Municipal e a todos que direta ou indiretamente nos ajudaram com informações e, em especial, aos recenseadores pelo empenho, paciência e dedicação”. O Censo Demográfico terminou e registrou um pequeno aumento da população resende-costense nos últimos dez anos. O JL parabeniza o serviço dos recenseadores e a contribuição da população para que esse serviço lograsse sucesso. O próximo censo acontecerá somente em 2020.


12 Jornal das Lajes

ANO VII Nº 92 - DEZEMBRO DE 2010 / RESENDE COSTA - MG

O verso e o controverso

JOÃO MAGALHÃES

Os “turcos” em Resende Costa VIII caçula, Antônio Salomão. Criou numerosa família: Amélia, Adélia, Florinda, Filomena, Jamile, Dalila, Olga (falecida ainda criancinha), José, Alberto, Simão, Clemenceau (Sossó) e Antônio. Conforme Terezinha Hannas (Lembranças Esparsas, p.66), Amélia foi a maior tristeza da vida de Dona Maria. Por volta de 1913, Miguel, contra a vontade da mulher, enviou Amélia e Adélia para o Líbano, a fim de cuidar da mãe dele. Explodiu a 1ª Guerra Mundial (1914/1918) e Amélia desapareceu no Líbano e sobre ela ninguém jamais ouviu falar. Cedo espaço para a prodigiosa memória do Gentil Vale (Escavações no tempo, p.116): “Nos quatro cantos também duas outras lojas abriam suas portas. A do Miguel Turco e a do Calixto Hannas. Vendiam tecidos, armarinhos. Seu Miguel, como o tratávamos, era natural do Líbano. A casa do Sr. Miguel ficava na esquina, ao lado da do Osório. No amplo quintal, duas imensas paineiras e muitas jabuticabeiras. Casa farta e sempre cheia de gente. Nela também moravam o Pedro turco, seu irmão Joaquim e o Zacarias” Miguel Turco era um homem alto e forte. Na mocidade, era chamado de Miguelão. Trabalhador inquieto e sempre pronto. Homem correto com indiscutível crédito no comércio. Afável e muito brincalhão. Dos costumes árabes, parece que só manteve os hábitos culinários mais tradicionais: quibes de carne de carneiro, charutinhos etc. A Filomena do Dezinho (mãe do Luís Ezequiel de Resende, o Bacarini) lembra-se de uns figos cristalizados deliciosos que faziam. Devia ser novidade, na época, em Resende Costa. Antônio de Paula Pinto (Tonico do cartório), que por amizade com o Antônio Salomão, frequentava muito a casa, diz que dependuravam numa porta perto da cozinha um carneiro abatido e limpo. Embaixo, uma baciinha com sal e uma faca. Cortava-se uma tira de carne (crua) passava-se no sal e comia-se. Miguel não gostava de falar o árabe, nem para xingar, mas dominava-o, pois, morando com o Chicre, traduzia para a mulher dele, brasileira, cartas chegadas do Líbano. Gostava de acompanhar os acontecimentos: sobre o balcão, sempre um jornal do Rio de janeiro. Faleceu em sete de janeiro de 1956, na faixa dos 80 anos. Ainda lúcido, sempre controlando suas contas. Só então se livrou do suplício de uma ferida na perna, incicatrizável, que o acompanhava nos últimos tempos. Seu numeroso clã familiar movimentou bastante a roda social e política de nossa cidade. E ainda gira, através de netos e bisnetos. O espaço nos permite citar apenas al-

GERALDO AIRES

Coordenadores do Projeto Estrada Real debatem estratégias para o turismo em Resende Costa

A família Salomão

Nossa série sobre os “Turcos” em Resende Costa termina com a família Salomão. A raiz “Salomão” em Resende Costa foi Miguel Salomão, conhecido de todos como “Miguel Turco”. De seus filhos, viva só está a Filomena, infelizmente, sem condições de relatar suas vivências. Como não se conseguiu qualquer documento, só nos restou o recurso a lembranças, aliás, muito esparsas, de quem com ele conviveu. Nossas fontes principais são, por coincidência, duas Terezinhas. Terezinha Hannas, sua sobrinha por parte da esposa dona Maria (Marin, no Líbano), informa que ele nasceu em Halet, no Líbano. Seus pais: Simão e Dunna Salomão. Portanto, conterrâneo do João Daher e dos El-Corab, sobre cuja trajetória já escrevemos. Veio para o Brasil nos inícios do século XX (1900-1910), com um grupo de conhecidos, entre eles, João Daher, Chicre Salomão, Bichara, Abraão e Alfredo Hannas, Sebastião Nagib Roman, Nacif, Zacarias e outros. Motivos? Os mesmos de todos: busca de melhores condições de vida, fuga da opressão turca etc. Sua nora, Terezinha (82 anos), filha do Sérgio Procópio, viúva de seu filho, Alberto Salomão, relata que, aos 12 ou 13 anos, vindo morar na cidade, ouvia o povo falar que Miguel “depois voltou na Turquia (sic). Casou com dona Maria e veio morar em Santos. Lá morou, não sei quanto tempo. Lá em Santos, tiveram Amélia, Adélia, Florinda e o Zé. Acho que tiveram quatro filhos em Santos” Por informações da filha de Chicre Salomão, via Terezinha Hannas, sabe-se que ambos trabalharam juntos na venda de cereais e na criação de carneiros. Miguel morou com Chicre em Capelinha, depois em Garça (Morro da Garça?). Tinha, na ocasião, cerca de 20 anos. Como o primeiro filho seu a nascer em Resende Costa foi o Alberto, em 29 de julho de 1911, conclui-se que entre os anos 1909 e 1910 já se estabelecera aqui na cidade. Montou seu negócio nos “Quatro Cantos”, atualmente esquina da Av. Mons. Nelson com a Rua Assis Resende, uma parte, ainda propriedade de seus descendentes. Era a “Loja Árabe”. Um cartaz de sua loja, ao que parece muito antigo, contém as palavras seguintes, ao pé da letra: “Completo sortimento de Fazendas, Roupas, Chapéos, Calçados, Armarinho, Ferragens, Louças, Generos do Paiz, etc, etc. Miguel Salomão & filho. Villa Rezende Costa – E. de Minas” . Tal como os demais sírio e libaneses por aqui, cresceu economicamente. Além do comércio, tinha um terreno, lá na “Fonte da Ilha”, mais tarde, propriedade do filho

Turismo

Miguel Salomão

guma atuação ou acontecimento. A opção foi para os mais lembrados nas entrevistas. Está na memória da cidade o Sossó, que tinha um nome próprio incomum: Clemenceau. Poderia ser uma homenagem ao famoso primeiro-ministro George Clemenceau, que governou a França durante a 1ª. Guerra Mundial (1914-1918). Foi o melhor goleiro que o mítico time dos “Expedicionários” já teve. Teve convite para jogar no Rio de janeiro. Não foi por oposição do pai. Escreve Terezinha Hannas: “não me lembro em que ano, a filha Jamile resolveu ser rainha na festa do Rosário, que aconteceria no final do mês de outubro. As rainhas eram sempre escolhidas entre mulheres da raça negra, cuja comunidade local não gostou da presença de uma rainha branca”. Alberto Salomão, fanático pelo expresidente da República Jânio Quadros, de vassourinha na lapela, marcou presença por ter sido delegado de polícia e juiz de paz. E claro, na História política de Resende Costa, não se pode omitir o Antônio Salomão, por sua longa atuação na Câmara Municipal. Vereador secretário da câmara no mandato do prefeito Geraldo Monteiro (1950-1954). Novamente, no mesmo cargo, no mandato do prefeito Antônio Honório (1955-1959). Presidente da Câmara, no biênio 1989-1990, no mandato do prefeito Camilo Lélis (1989-1992).

Na manhã do último dia 4 de novembro, foi realizada em Resende Costa mais uma reunião do “Projeto Design e Integração Competitiva no Território - Estrada Real”, coordenado pela professora Ana Luíza Cerqueira, do curso de design da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). O encontro, ocorrido no Espaço Cultural Professor Geraldo Sebastião Chaves, teve por principal finalidade a apresentação e o esclarecimento dos principais objetivos do projeto a agentes locais, bem como a possibilidade de se relacionar novas informações que possam contribuir para as próximas etapas do projeto, que culminarão em ações e trabalhos de campo. Na reunião estiveram presentes o prefeito Adilson Avelino, os vereadores Paulo Daher e Luis Cláudio, o secretário de educação e cultura, Adriano Magalhães, o funcionário da EMATER, Marcos Túlio, a funcionária da prefeitura, Solange Silva, o professor da UFSJ, Gustavo Melo, além dos alunos de design, bolsistas da UEMG. O importante encontro, como destacado por todos os presentes, foi de fundamental importância para a coleta de dados e conclusão dos trabalhos, uma vez que inúmeras propostas e ações foram discutidas. O projeto Estrada Real, instituído pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SEC-

TES), segundo informações obtidas junto ao site da UEMG é uma ação de design com orientação sustentável para apoiar o marketing territorial em determinados locais de interesse especificados ao longo do território contido na Estrada Real, no âmbito do Estado de Minas Gerais. Os valores e objetivos a serem trabalhados são materiais e tradições locais, ecossistema natural, eco-compatibilidade de materiais e processos, tecnologia a baixo impacto ambiental, energia renovável, informação, comunicação e tecnologia (ICT). Durante o proveitoso debate no prédio da biblioteca municipal, a professora Ana Luíza explicou que o trabalho do design na Estrada Real, um dos pontos turísticos de grande valor para o Estado, tem por finalidade potencializar a capacidade da região como um todo, beneficiando os empresários locais, atraindo turistas e, principalmente, tornando Minas um local onde a qualidade dos produtos e serviços seja referência no país. As próximas etapas e a conclusão de todo o estudo ainda não tem previsão de datas, mas o mais importante é que o potencial turístico de Resende Costa e região está sendo discutido e estudado de forma inteiramente profissional, o que, no futuro gerará bons frutos para todos os municípios que se encontram no circuito da Estrada Real.

Dona Maria (Marin) Salomão, esposa de Miguel Salomão

Projeto Estrada Real discute estratégias para o desenvolvimento do turismo nos municipios

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