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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XIX
• JULHO 2022 • Nº231
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Com novidades na programação e foco no turismo e artesanato, Mostra de Artesanato e Cultura de RC chegou à sua 8ª edição Diagnósticos prontos, propostas à vista Os diagnósticos socioeconômico e físico territorial “rural” e “urbano” do plano diretor já estão prontos. E mostram algumas tendências: crescimento da população, na contramão de municípios da região; aumento da urbanização e envelhecimento populacional. A indústria têxtil aumentou a oferta de empregos, mas os salários são baixos. E há maior pressão sobre os serviços públicos em áreas como proteção social, melhoria das condições de trabalho, combate à violência contra a mulher, recuperação dos prejuízos causados pela pandemia e aumento do tempo de estadia dos turistas. As propostas, em elaboração pela equipe técnica, vão a audiência pública no dia 28 deste mês. PÁG 10
Foto: Thiago Morandi
Plano diretor:
O evento aconteceu entre os dias 17 e 19 de junho no espaço do CAT (Centro de Atendimento ao Turista), localizado na avenida Alfredo Penido, a Avenida dos Artesanatos. Devido ao feriado prolongado de Corpus Christi e às novidades que rechearam a programação deste ano, como revela reportagem especial desta edição, a Mostra recebeu centenas de turistas que visitaram Resende Costa e puderam conhecer melhor e de perto a história do artesanato têxtil e o modo de fazê-lo. PÁG 06 Cadeia produtiva do Artesanato mostrou aos visitantes a arte de tecer
Chega ao fim o 7º Torneio Municipal do Expedicionários Ponte e Parruca levantaram os troféus da primeira e segunda divisões, respectivamente. O torneio reuniu equipes da cidade e da zona rural de Resende
Costa e durou quatro meses. Todas as partidas aconteceram no estádio do Expedicionários, inclusive a finalíssima no dia 10 de julho. “Durante o torneio ti-
vemos um grande público, sempre acompanhando as equipes de suas comunidades. Na final, a arquibancada estava lotada, em torno de 600 pessoas”, co-
memora Paulo Ricardo, presidente do Expedicionários e um dos organizadores do torneio. PÁG 16
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ANO XIX Nº 231 - JULHO 2022
Meio Ambiente
EDITORIAL É preciso planejar o futuro da cidade
Jornal das Lajes Ltda Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende
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Dois temas importantes abrem a edição deste mês do Jornal das Lajes (ed. 231): a VIII Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa e a elaboração do Plano Diretor Participativo. A partir desses dois temas, podemos estabelecer uma reflexão sobre o futuro de Resende Costa. Por quê? O artesanato e o turismo (prioridades da Mostra de Artesanato) são os principais vetores do desenvolvimento social, cultural e econômico do município, conforme atesta o diagnóstico que norteará e fundamentará a elaboração do plano diretor. Após dois anos sem acontecer, por causa da pandemia de Covid-19, a oitava edição da Mostra, realizada entre os dias 17 e 19 de junho, trouxe neste ano ao público, especialmente aos artesãos, novidades interessantes, como a exposição da linha de produção do artesanato têxtil, a feira com a participação de artistas locais e produtores do setor gastronômico, além da diversidade de shows que alegraram a festa e conquistaram o público. Pode-se afirmar que a VIII Mostra de Artesanato e Cultura 2022 alçou o evento ao patamar que seus idealizadores desejavam desde o início, ou seja, ser a Mostra a vitrine do artesanato e da cultura de Resende Costa, valorizando o artesão, o empresário e divulgando o nosso principal produto econômico e turístico: o artesanato têxtil. Neste ano, a Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Turismo, Artesanato e Cultura, e a Comissão Organizadora, investiu no evento, entendendo qual o papel e o legado que a Mostra deve deixar para o comércio, de forma geral, e para a cultura do município. Outro destaque desta edição é a reportagem que esmiúça o diagnóstico “socioeconômico”, “físico territorial rural” e “físico territorial urbano”, a partir do qual será elaborado o Plano Diretor Participativo do município. A equipe técnica já está trabalhando nas propostas, que serão disponibilizadas no site do plano diretor para comentários e sugestões. Uma audiência pública para discutir estas propostas acontecerá no próximo dia 28. O Jornal das Lajes, em inúmeras reportagens, artigos e editoriais publicados ao longo de seus 19 anos de existência, sempre defendeu a criação do Plano Diretor para Resende Costa. O plano, embora não seja obrigatório para um município de pouco mais de 11 mil habitantes, é essencial para ordenar o seu crescimento urbano e populacional. O plano e suas diretrizes tornam-se ainda mais importantes num momento em que a cidade vem se desenvolvendo no setor do turismo. Inclusive, o diagnóstico aponta desafios que o município ainda precisa enfrentar para se estruturar enquanto destino turístico. “Um importante desafio é transformar o visitante voltado para a compra do artesanato em um visitante que também vai desfrutar de outros atrativos turísticos do município, como por exemplo o belo patrimônio histórico-cultural da cidade”. Preservar o patrimônio histórico e cultural, ou o que sobrou dele, é outro desafio hercúleo que Resende Costa enfrenta. Inicialmente, conscientizar a população acerca da importância de preservar o casario histórico, as praças e fazendas, igrejas, entre outros bens materiais e imateriais que contam a história do município. Cabe, porém, ressaltar os benefícios que a preservação do patrimônio traz para o próprio desenvolvimento social e econômico da localidade. Uma cidade bonita, preservada e acolhedora atrai cada vez mais turistas, o que gera novas oportunidades de emprego e renda, tanto para o comércio quanto para a população. Preservar o patrimônio histórico e cultural, como o artesanato têxtil, registrado como bem cultural imaterial de Resende Costa, significa investir no desenvolvimento futuro do município, almejando qualidade de vida para sua população. Resende Costa conquistou recentemente o título de “Capital Mineira do Artesanato Têxtil”. A VIII Mostra de Artesanato e Cultura 2022 veio, definitivamente, consolidar a importância econômica e cultural do artesanato, fazendo jus ao título que a cidade conquistou. E o Plano Diretor Participativo, se de fato for aprovado, irá preparar o município, estruturando-o para um futuro próspero, mas que já está batendo às nossas portas.
Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:
Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
Bodas de ouro da primeira Conferência Mundial sobre Meio Ambiente O dia 5 de junho de 1972 marcou o início da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. Seria a primeira de cinco conferências mundiais organizadas pela ONU. Inclusive, a data de 5 de junho ficou identificada como o Dia Mundial do Meio Ambiente. Passados 50 anos da primeira conferência, cabe-nos perguntar: como estamos deixando nosso planeta para as futuras gerações? As questões ambientais vieram à tona na segunda metade do século XX, quando o mundo vivia o processo de bipolarização entre capitalismo e socialismo. O crescimento econômico acelerado do pós Segunda Guerra Mundial tornou flagrante a pressão sobre o meio ambiente. Nesse contexto, surgiu um grupo de pessoas importantes e de cientistas que se propôs a debater política, economia e meio ambiente e que se reuniu primeiramente na Itália. Por isso foi chamado de Clube de Roma. A sua ação mais notável foi o financiamento de um estudo que ficou pronto em 1972, intitulado de “Os Limites do Crescimento”, tornando-se o livro de meio ambiente mais vendido na história. A primeira conferência mundial para discutir as questões ambientais foi realizada em Estocolmo, na Suécia, entre os dias 5 a 16 de junho de 1972. Essa reunião aconteceu por causa das discussões polêmicas suscitadas pelo Clube de Roma a respeito do antagonismo entre desenvolvimento e meio ambiente. Segundo as afirmativas dos membros do
Clube, os problemas ambientais advinham do acelerado crescimento econômico e do vertiginoso aumento populacional, chamado de explosão demográfica. Para evitar o colapso ambiental do planeta, seria necessário frear os dois processos. Daí surgiu a proposta do “crescimento zero”, o que representava o congelamento do crescimento econômico e o controle da natalidade. Se tais medidas não fossem tomadas, o mundo entraria em colapso ambiental até o ano 2000. Os países em desenvolvimento (como Brasil, Argentina, México, China, Índia, África do Sul etc.) recusaram tal proposta, afirmando que eles precisavam se desenvolver e que o uso de energia e de matéria-prima deveria ser igual para todos. A realização da Conferência foi um marco em termos de participação mundial. Reuniram-se 113 chefes administrativos de países de todas as partes do mundo e mais de 400 instituições governamentais e não governamentais. O fruto principal do evento foi a chamada Declaração de Estocolmo, um documento contendo 26 princípios para que os países buscassem resolver suas questões ambientais, econômicas e sociais. Ressalta-se que essa Declaração foi o primeiro documento internacional a reconhecer o direito humano a um meio ambiente de qualidade. As principais questões apontadas na Declaração de Estocolmo foram: descarte correto de substâncias tóxicas; apoio à luta contra a poluição; prevenção à poluição em mares e utilização
legítima do mar; garantia de um ambiente seguro para afiançar a melhoria da qualidade de vida; assistência financeira e transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento; melhoria das políticas adequadas aos estados-membros da ONU; gestão racional dos recursos naturais em benefício de toda a população; investimento em educação e em pesquisa; eliminação completa das armas de destruição em massa, como bombas nucleares. Outras decisões importantes desse encontro foram a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e o respeito à soberania das nações, isto é, os países teriam liberdade para buscar o crescimento econômico e a justiça social, explorando de forma sustentável seus recursos naturais. Ao longo das décadas de 1970 e de 1980, por causa da Conferência, vários países promulgaram ou aperfeiçoaram as legislações ambientais e criaram órgãos de defesa do meio ambiente. No Brasil a legislação ambiental mais importante no período foi a Lei Federal 6.938/81, que estabeleceu a Política Nacional de Meio Ambiente. Por fim, a partir da Conferência de Estocolmo, as questões ambientais começaram a constar nas pautas dos governos e a ser conhecidas pela população. Apesar de nenhum acordo concreto ter sido assinado pelos países participantes, a Conferência abriu caminho para futuros encontros e reuniões, o que trataremos nos textos seguintes.
Censo 2022
2022 é ano de Censo. Abra as portas para o recenseador do IBGE e colabore para um Brasil melhor DA REDAÇÃO
A partir do dia 1º de agosto, começa o CENSO 2022 em nossa cidade. Quando você abre as portas para o censo, você abre as portas para mais hospitais, escolas, qualidade de vida e melhorias para o município. Você abre as portas para mais oportunidades. Abra as portas para o recenseador do IBGE. Colabore e responda às perguntas. É rápido e fácil! Quando você abre as portas para o censo, abre as portas para um Brasil muito melhor.
ANO XIX Nº 231 - JULHO 2022
JORNAL DAS LAJES
CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
Rua Geraldo Crispim de Assis De autoria dos vereadores Coló e Paulinho, o Projeto de Lei nº 103/2022 tem o objetivo de denominar Rua Geraldo Crispim de Assis a atual Rua 01, Bairro São José, Loteamento de Cristian José de Melo e Outros, que se inicia na esquina com a Rua Doutor Gervásio, em propriedade de Aparecida Fátima Resende e termina em área de Preservação Permanente – APP. “Entre os muitos descendentes do Capitão Antônio Pinto de Góes e Lara, fazendeiro do século XIX que dá nome ao povoado do Pinto, que residiram na localidade, podia ser contado Geraldo Crispim de Assis, o Nenego, trineto do mencionado proprietário de terras e escravos, um dos mais abastados do antigo distrito da Lage durante o período do Império. Nenego foi o mais velho dos sete filhos de Geraldo Magela de Assis e Maria da Conceição de Lourdes. (...) Nascido aos 20/03/1935, foi uma das primeiras crianças a serem batizadas na Capela de São Geraldo Magela, inaugurada um ano antes de seu nascimento e cuja construção foi idealizada por seu pai Ademastor. (...) Durante sua infância, Nenego estudou nas escolas existentes no povoado em que residia, recebendo a precária instrução oferecida pelo poder público na primeira metade do século XX, única recebida formalmente durante sua existência. Anos mais tarde, já no
início da vida adulta, foi membro da Congregação Mariana, que, sob a liderança do então Padre José Hugo de Resende Maia, se reunia mensalmente em Resende Costa. (...) Para prover o sustento familiar, Nenego precisou lutar a duras penas como tantos descendentes da antiga elite rural mineira que, ao longo do século XX, em função de razões como o apego ao modo de vida agrário, após sucessivas partilhas de terras e bens de seus antepassados, viram-se apenas como proprietários de pequenas unidades fundiárias com poucos recursos, vindo a cair em estado de penúria. Em seu Sítio Capoeira da Pita, praticava a agropecuária de subsistência, sendo vendido o ínfimo excedente de sua produção, como o leite. A pequena lavoura de café foi a única capaz de garantir alguma renda mais considerável. (...) Também desempenhava o ofício de pedreiro e servente, além de trabalhar para outros sitiantes em troca do pagamento de diária e, por algum tempo, se empregou na produção de açúcar no engenho de seu avô. (...) Nenego foi um membro atuante na vida social de sua comunidade, sendo um dos principais líderes locais, seja pela inserção propiciada pela sua origem familiar, pela grande magnanimidade de espírito ou por sua benevolên-
cia.
Em sua juventude era recorrente sua presença entre os times de futebol de seu povoado, atuando como jogador e chegando mesmo a desempenhar a função de presidente em uma das agremiações. Numa época em que eram precários os meios de comunicação e de transportes, muitas vezes desempenhava o papel de portador de mercadorias e de informante entre a cidade e o povoado em que residia, no último caso, sobretudo em ocasiões difíceis, como quando algum membro da comunidade, em estado de doença ou agonia derradeira, precisava de assistência médica ou sacerdotal. (...) Após as reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II, que conferiu ao leigo a possibilidade de maior participação ativa na Igreja, o papel de liderança local desempenhado por Nenego o alçou à condição de primeiro dirigente de culto da Capela de São Geraldo por escolha do então pároco, Padre Nelson Rodrigues Ferreira, função desempenhada por vários anos e que consistia na presidência da Celebração da Palavra todos os domingos em que não havia a missa do povoado. Muitas vezes foi ainda nomeado membro da comissão que tinha a função de zelar pelo templo local, cujo mandato era bienal e exigia grandes esforços, como o cuidado com abastecimento de água, obtida a partir de
longas distâncias. Ainda no aspecto religioso foi membro atuante do Movimento Familiar Cristão e do Movimento de Cursilhos de Cristandade, ao último se dedicando por muitas décadas. (...) Recebia em seu sítio muitos estudantes da escola local, curiosos e até pesquisadores do meio acadêmico que buscavam informações sobre as origens do Povoado do Pinto e das regiões circunvizinhas, as quais narrava com grande precisão de datas, nomes e riquezas de detalhes, mesmo aqueles que remontavam aos tempos do domínio português. Tais conhecimentos haviam sido adquiridos em sua juventude por meio das corriqueiras conversações daqueles tempos com os mais antigos e cuja precisão era sempre atestada em posteriores consultas a documentos oficiais, o que fazia de Nenego uma fonte indispensável para o conhecimento da história local. Fatigado por uma vida de intensos trabalhos e doação para a criação da família e para o desenvolvimento do povoado do Pinto, Geraldo Crispim de Assis faleceu aos 14/05/2019, aos 84 anos de idade, vitimado pela Síndrome da Angústia Respiratória Aguda.” (Texto de João Carlos Resende – Mestre em História pela Universidade Federal de São João del-Rei). Aprovado por unanimidade, o projeto resultou na Lei Municipal nº 4.959/2022.
Proibição de uso de fogos de artifício Foi apresentado pelo vereador Coló o Projeto de Lei nº 101/2022, que “Dispõe sobre a proibição de utilização de fogos de artifício de estampido ou de qualquer outro artefato pirotécnico que produza estampidos no Município de Resende Costa e dá outras providências”. De acordo com o projeto, fica proibido, em todo o território do Município de Resende Costa, o
manuseio, a utilização, a queima e a soltura de fogos de estampidos e de artifício, assim como de quaisquer artefatos pirotécnicos de efeito sonoro ruidoso. Não se encontram inseridos na proibição os fogos de artifício ou artefatos pirotécnicos que produzem apenas efeitos visuais sem estampido. A proibição se estende a todo o Município, em recintos fechados e ambientes abertos, áreas públicas
e locais privados e o descumprimento do disposto acarretará ao infrator a imposição de multa a ser fixada pelo Executivo. Sobre a multa, o vereador Zé do Dico apresentou proposta de emenda, aprovada pelos vereadores, sendo que, ao se estabelecer o valor, deverá ser considerada a proporcionalidade para quem soltar bateria de fogos e fogos individuais.
Os estabelecimentos que realizarem a comercialização de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos deverão afixar na entrada, em local visível ao consumidor, placa com a informação de existência da proibição. O projeto foi aprovado por 7 votos favoráveis e 1 voto contrário, resultando na Lei Municipal nº 4.963/2022.
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INFORME PUBLICITÁRIO
Indicações aprovadas no mês de junho • Apresentação de minuta de projeto de lei objetivando a criação do “Balcão Municipal de Empregos” no município, com a finalidade de informar e auxiliar a população a respeito dos profissionais disponíveis no mercado de trabalho em Resende Costa (vereador Cleiton). • Obra de reforma da estrutura do prédio público que abriga Teatro Municipal Professor Abel Lara, haja vista que o atual estado de conservação deste se encontra em avançado estado de deterioração pela ação do tempo, dificultando a utilização regular do mencionado espaço (vereadores João Dias, Cleiton, Coló, Cláudio, Lucas, Paulinho). • Obra de revitalização do espaço público localizado entre o cemitério de baixo e a quadra poliesportiva do bairro Nova Resende, haja vista que o mencionado local apresenta estado de ociosidade, sendo necessária uma intervenção do Poder Público (vereador Lucas). • Instalação da placa alusiva ao nome da praça localizada na junção das Ruas São João del- Rei e Maria Elisa de Resende, bairro Canela, sendo esta denominada Praça Vereador José Augusto de Melo (vereador Coló). • Criação de um Fundo Especial para ajudar a custear o tratamento de cidadãos portadores de câncer, membros de famílias que apresentem vulnerabilidade financeira, uma vez que estas não dispõem de recursos para custear as possíveis diversas etapas de tratamento, principalmente na fase inicial da enfermidade (vereador Cláudio). • Auxílio financeiro necessário como forma de apoio ao Conselho Tutelar sediado no município, com o objetivo único de apoiar o referido órgão na aquisição de um novo veículo para suporte às suas atividades (vereador Cláudio). • Instalação de placas de parada obrigatória (PARE) ou até mesmo a referida pintura viária neste mesmo sentido a fim de coibir os excessos de velocidades de veículos e motocicletas que trafegam nas Ruas A, B, C e D, no perímetro do Conjunto Habitacional (COHAB), bairro Tijuco, nas proximidades da Escola Municipal de Ensino Infantil CEMEI/AQUARELA, no entroncamento destas com a Avenida Prefeito Adenor de Assis Coelho (vereador Cleiton). • Instalação de 01 (um) quebra-molas, sendo essa solicitação para a Rua Francisco Vieira de Andrade, bairro Pôr-do-Sol, na altura do número 08, de acordo com pedido dos moradores (vereador Paulinho).
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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA
SECRETARIA DE SAÚDE PROMOVE NOVO MUTIRÃO DE CIRURGIAS DE CATARATA No dia 24 de junho, a Secretaria de Saúde promoveu um novo mutirão de cirurgias de catarata e de exérese (retirada cirúrgica) de pterígio. Os procedimentos foram realizados em Resende Costa, no Hospital Nossa Senhora do Rosário, e beneficiaram 24 pessoas. Ao todo, foram realizadas, de forma gratuita, 9 cirurgias de catarata e 15 cirurgias de exérese de pterígio. No total, considerando mutirões anteriores, já foram realizadas 13 cirurgias de catarata, 19 de exérese de pterígio e 1 trabeculectomia (cirurgia realizada no tratamento do glaucoma). A cirurgia de catarata é um procedimento que visa o tratamento da
catarata ocular. A exérese de pterígio é uma cirurgia oftalmológica simples e de rápida recuperação. Ambas cirurgias
PREFEITURA INICIA OBRAS DE CALÇAMENTO EM MAIS 8 RUAS No dia 4 de julho, a Prefeitura deu prosseguimento aos trabalhos de recapeamento de ruas. Ao todo, 8 ruas estão sendo (ou foram) recapeadas: Vereador Olinto Vilaça de Resende, 15 de Novembro, José Mendonça Chaves, Celina de Resende Andrade, Manoel Valeriano Ribeiro, Olindio Argamim de Freitas, 8 de Dezembro e Rua dos Inconfidentes. Os recapeamentos estão sendo realizados por uma empresa terceirizada, contratada através de recursos próprios da Prefeitura. Através destas melhorias, a Prefeitura busca oferecer mais conforto e qualidade de vida para toda a população.
são eficazes e seguras e proporcionam uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes.
PREFEITURA CONCLUI O CALÇAMENTO DE MAIS 10 RUAS A Prefeitura Municipal segue empenhada em calçar 100% das ruas da cidade. E mais um importante passo foi dado para cumprir este objetivo. Recentemente, mais 10 logradouros foram calçados: Domiciano Pinto de Resende, Elzi Lara, Maçaranduba, Prefeito Antônio de Resende, José Sebastião dos Santos, José Pedro Pinto, Rua 24, Expedicionário Vicente Machado Neto, José do Carmo de Souza e praça Geraldo Magela de Assis. Os calçamentos foram realizados com recursos próprios da Prefeitura.
20ª FESTA DE SÃO JOÃO, NO POVOADO DOS PINTO, É REALIZADA COM SUCESSO Entre 1º e 3 de julho foi realizada a 20ª Festa de São João do povoado dos Pinto. Organizada pelo conselho comunitário do povoado, a tradicional festa atraiu grande público, que se divertiu com as diversas atrações, como shows sertanejos e de outros estilos musicais. Além das apresentações musicais, a festa contou com desfile de carros de boi, parque de diversão para as crianças, Poeirão (concurso de marcha) e, claro, a tradicional cavalgada. Apoiadora da festa, a Prefeitura parabeniza a organização do evento e a comunidade dos Pinto pela bonita festa e pela contribuição na preservação dos desfiles de carros de boi e das festas rurais.
INFORME PUBLICITÁRIO
DIVISÃO DE ESPORTES LANÇA O PROGRAMA BOLSA ATLETA MUNICIPAL Ótima notícia para os esportistas resende-costenses! No dia 1º de junho, o Conselho Municipal de Esportes se reuniu e deu um importante passo para implantar em Resende Costa o programa Bolsa Atleta Municipal. O objetivo do programa é dar suporte a atletas que participam de campeonatos de forma competitiva, com foco no rendimento e nos resultados. A iniciativa para a implantação do projeto partiu da Divisão de Esporte, chefiada por Vívian Daher. “O Bolsa Atleta Municipal é uma tentativa de incentivar aquele jovem que se destaca, em qualquer modalidade, a dar os primeiros passos em busca de seus sonhos no esporte. O projeto teve todo o apoio do Conselho e do Poder Executivo. A proposta vinha caminhando a passos lentos, devido aos trâmites burocráticos internos característicos do poder público, mas que sem os quais nada poderia ser feito legalmente”, afirmou Vívian. Confira o que alguns atletas beneficiados pela bolsa têm a dizer sobre o programa: “O Bolsa Atleta veio para abrir portas para todos. Com a bolsa podemos nos preparar e alcançar melhores resultados.” Jéssica Mendonça “Agradeço a prefeitura de Resende Costa por todo o apoio e por acreditarem e abraçarem o meu sonho com tanto carinho.” Rafael da Silva “Gratidão é a palavra que define essa ajuda que recebi da Prefeitura. Com o Bolsa Atleta, seguirei representando Resende Costa com muito orgulho em minhas competições.” Ramon Batista “No esporte não somos nada sem grandes parceiros! Fico feliz em compor o Bolsa Atleta, cujo objetivo não é apenas formar campeões, mas também cidadãos.” Otávio Ribeiro
REALIZADA 1ª EXPOSIÇÃO REGIONAL NUCAVE DE RESENDE COSTA Entre os dias 16 e 18 de junho foi realizada a 1ª Exposição Regional Nucave de Resende Costa. Ao todo, 78 animais da raça Mangalarga Marchador participaram da exposição. Realizada no Parque de Exposições, a 1ª Exposição Regional Nucave foi realizada pelo Clube dos Cavaleiros e pelo Nucave (Núcleo Campos Das Vertentes Do Mangalarga Marchador) e contou com o apoio da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente.
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Jogo Aberto
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Música e preservação do patrimônio “Resende Costa já perdeu grande parte de sua história musical com o descarte de documentos musicais, o que acontecia geralmente após o falecimento dos proprietários dos documentos. Isso é uma perda imensurável, visto que são documentos únicos” Foto: Divulgação
POR VANUZA RESENDE
O regente do Coral e Orquestra Mater Dei, Wagner Barbosa da Silva, 30 anos, está à frente dos trabalhos do grupo há quase uma década. Atualmente, Wagner Barbosa, o Waguinho, está trabalhando no processo de tombamento do arquivo histórico do Coral e Orquestra como patrimônio histórico e cultural do município de Resende Costa. Com formação técnica pelo Conservatório Estadual Padre José Maria Xavier, de São João del-Rei, Waguinho também possui formação superior em Engenharia de Produção e Logística. Ele é funcionário público da prefeitura de Resende Costa, sendo instrutor de música. Na Orquestra, além de regente, atua como professor, arquivista e, como ele mesmo descreve, acaba sendo o responsável por praticamente tudo em relação à atuação artística do grupo. Conte-nos um pouco da história do Coral e Orquestra Mater Dei. A tradição musical em nossa cidade é bem antiga. Existem registros de atividade profissional já na década de 1840, na Festa de Passos promovida pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, logo após a criação da paróquia. Nossa orquestra não tem o ano preciso de fundação, mas, de acordo com fontes históricas, foi criada no início da década de 1870 pelo músico e professor de primeiras letras Pedro Alves de Andrade Neto. Pedro foi responsável pelo grupo até o ano de 1900, quando faleceu repentinamente. O grupo já possuiu diversos nomes, como “Grêmio Musical de Santa Cecília - Lage de Tiradentes”, “Orquestra Santa Cecília”, “Orchestra Nossa Senhora da Penha” e, desde a década de 1980, possui o nome de “Coral e Orquestra Mater Dei”. Dentre seus regentes, destaco os compositores Christóvam Gonçalves Pinto e Joaquim Pinto Lara, que deixaram inúmeras obras para banda e orquestra. Regeram também a Orquestra Agostinho Matheus de Assis, Maria Aleluia Mendonça Chaves, Terezinha Macedo Lara e Maria da Penha Sousa. Desde 2013, ela está sob a minha direção. Atualmente, quantos músicos fazem parte da Orquestra? Contamos com um total de 40 integrantes ativos, entre instrumentistas e cantores. A Orquestra abre vagas para novos membros? Sim, recentemente abrimos vagas para aulas de teoria musical, para as
preservação e educação patrimonial. Neste momento, o arquivo de partituras e livros está sendo higienizado, catalogado e acondicionado em embalagens confeccionadas em papel de qualidade arquivística, tudo para garantir a preservação e maior durabilidade dos documentos. Quais documentos compõem o arquivo histórico da Orquestra? O arquivo é composto em sua maioria por manuscritos musicais dos séculos XIX e XX, copiados por inúmeros músicos de Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes. A partitura mais antiga do arquivo é datada de 1875 e, segundo consta, é de autoria do compositor Martiniano Ribeiro Bastos. Além das partituras, também compõem o arquivo livros de música antigos, fotografias, instrumentos musicais e outros objetos.
O maestro Wagner Barbosa (esq.) ao lado da presidente do Coral e Orquestra Mater Dei, Ângela Resende, e do bisneto do Christóvam Pinto, Guilherme Mello
quais os alunos realizaram sua inscrição e hoje já estão frequentando. São duas turmas somando mais de 20 alunos que estão iniciando os estudos musicais. Também estamos com 17 alunos que já realizam os estudos teóricos e hoje estão realizando seus estudos nos instrumentos. Como são as frequências de ensaio e apresentações? Os ensaios costumam acontecer em média de uma a duas vezes por semana, entre ensaios de naipe e geral. Variam muito de acordo com as épocas do ano. Para a Semana Santa, por exemplo, precisamos ensaiar mais devido à extensão do repertório, que ultrapassa a quantidade de 100 composições diferentes executadas ao longo das celebrações. As apresentações acontecem geralmente atreladas à Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, onde o Coral e Orquestra Mater Dei já tradicionalmente é responsável pela parte musical de algumas celebrações, como Semana Santa, Corpus Christi, Festa da padroeira, Natal, entre outras, o que influencia diretamente na frequência de ensaios, visto que cada celebração exige um repertório específico para seguir corretamente a liturgia. Fora esses compromissos com a Igreja, também realizamos concertos e apresentações esporádicas em Resende Costa e outras cidades. A orquestra carrega uma história ao longo desses mais de 150 anos. E agora o arquivo histórico do Coral e Orquestra está passando por processo de tombamento para se tornar pa-
trimônio histórico e cultural do município. Como surgiu a proposta do tombamento? A ideia do tombamento surgiu a partir da presidente da instituição, Ângela Maria de Resende. Grande entusiasta da Orquestra e incansável na luta pela melhoria e preservação do grupo, Ângela fez uma indicação ao Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura no início de junho deste ano, pedindo que o arquivo histórico do Coral e Orquestra Mater Dei fosse tombado, apresentando todos os dados históricos que comprovam a importância do tombamento, visto que o Coral e Orquestra Mater Dei já é inventariado como patrimônio cultural imaterial do município. O Conselho de Patrimônio e Cultura acatou a solicitação, aprovando então o tombamento provisório, que, após seguir os trâmites e prazos legais, assumirá o caráter de definitivo. Ficará pendente somente a elaboração do dossiê de tombamento, que deve ser enviado para crivo do IEPHA. Lembrando que qualquer cidadão pode requerer o tombamento ou inventário de qualquer bem, seja ele o proprietário ou não do bem. Assim, o Conselho de Patrimônio inicia o processo para pesquisar se existe interesse histórico e cultural dos bens. Caso exista, inicia-se o processo de tombamento junto ao proprietário. O que muda a partir do tombamento do arquivo? Com o tombamento, o bem tombado fica sujeito à proteção e à fiscalização por parte do poder público, que reconhece o arquivo como bem histórico e cultural do município, podendo realizar ações de
Qual a sua avaliação sobre o processo de tombamento? Avalio de forma muito positiva. O tombamento é uma garantia de preservação desses bens que não podem se perder, visto que agora o poder público deve contribuir para com a preservação do arquivo e garantir que o mesmo não seja degradado. Resende Costa já perdeu grande parte de sua história musical com o descarte de documentos musicais, o que acontecia geralmente após o falecimento dos proprietários dos documentos. Geralmente os herdeiros consideram ser um monte de papel velho, não enxergam utilidade e valor, e acabam descartando os documentos. Isso é uma perda imensurável, uma vez que são documentos únicos. Com o tombamento, o Coral e Orquestra Mater Dei está aberto para receber doações de partituras, livros, instrumentos, fotografias e garantir a preservação dos mesmos. Ou seja, tudo que possa agregar valor à história musical de nosso município, que é tão rica e deve ser preservada e divulgada. Em junho, vocês divulgaram que foram até Carandaí, na casa do Sr. José Antônio, neto do compositor e ex-regente da orquestra, Christóvam Gonçalves Pinto, e receberam alguns itens que passaram a compor o memorial da orquestra. Quais foram esses itens? E como foi essa busca? Outras estão previstas? Guilherme Mello, bisneto de Christóvam, iniciou o contato com o perfil da Orquestra Mater Dei no Instagram. Grande entusiasta da música, Guilherme toca alguns instrumentos e já possui algumas composições. Começamos a conversar sobre a história de Christóvam e ele,
sempre muito solícito, foi nos contando as várias histórias acerca do compositor e também relatou que possuía ainda alguns bens dele na casa da família. Christóvam mudou-se para Carandaí no final da década de 1910 e, como era comum na época, levou todo seu arquivo musical construído até então em Resende Costa. Durante a visita, nós conhecemos todas as partituras que ficaram com a família, objetos que pertenceram ao compositor, rascunhos, anotações, uma infinidade de material que deve ser estudado e organizado. A maior parte do arquivo do compositor ficou com a banda local em Carandaí e hoje está sendo estudada e catalogada pela Universidade Federal de São João del-Rei, através do Departamento de Música. Continuamos em contato com a família e nos dispusemos a ajudar na organização do arquivo em visitas futuras. Recebemos uma batuta que pertenceu a Christóvam e agora está exposta no memorial da Orquestra, juntamente da flauta de madeira que foi do irmão do compositor, João Gonçalves Pinto, e que foi doada para a Orquestra pela sua neta Matilde em 2020. Recebemos também partituras importantes para o estudo da Orquestra, como um manuscrito do dobrado “O Municipal”, composto por Christóvam para orquestra e dedicado ao Coronel Mendes, e também um conjunto de uma overture, uma abertura para orquestra, que contém o carimbo do Grêmio Musical de Santa Cecília da Lage de Tiradentes, anterior à emancipação do município. Quem tiver em casa algum documento ou objeto que conte a história da música em Resende Costa e queira doá-lo para o memorial do Coral e Orquestra Mater Dei, como deve fazê-lo? Aproveito o espaço para dizer que o Coral e Orquestra Mater Dei está sempre aberto a todos que desejam contribuir com o grupo e que neste momento, com o tombamento do arquivo, precisamos da ajuda da população. Caso alguém possua partituras, livros e cadernos de música, fotografias, instrumentos antigos, pode fazer a doação para o Coral e Orquestra Mater Dei para que os mesmos sejam incorporados ao arquivo histórico e preservados. Recentemente vimos um arquivo ser jogado no lixo para a reciclagem e não podemos deixar que esse fato se repita! Também recebemos doações de instrumentos para uso dos alunos. Possuímos hoje uma quantidade de instrumentos para uso dos músicos, mas o número é pequeno, haja vista a quantidade de alunos entusiasmados com o aprender musical.
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Artesanato
Mostra de Artesanato e Cultura de RC chega à sua oitava edição VITÓRIA CRISTINA
A Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa aconteceu entre os dias 17, 18 e 19 de junho, sendo que o evento chegou neste ano à sua oitava edição. Realizada pela Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, a Mostra tem como objetivo valorizar e divulgar o artesanato produzido na cidade, sendo o maior patrimônio cultural de Resende Costa o artesanato têxtil. Além dos três dias de apresentações musicais e exposições na Avenida Alfredo Penido, a Mostra também promoveu atividades culturais antes, durante e depois do aniversário da cidade, começando nos dias 13 e 14 de junho com rodas de conversa na Escola Estadual Assis Resende e no CAT (Centro de Atendimento ao Turista). De sexta a domingo, durante o dia, o público pôde conferir as feirinhas com a participação de produtores e artesãos, cozinha solidária ao vivo, com a presença do capitão Emídio e Casal Gastrô, além de atrações infantis, como oficina para as crianças, e cadeia produtiva do artesanato. Já à noite, o público curtiu shows de bandas locais e regionais. Segundo Emerson Gonzaga, que fez parte da organização do evento, a programação seguiu um formato consolidado. “Ficamos muito felizes em poder contribuir com esse evento que é tão importante para Resende Costa. Desde o início, Cíntia e eu, enquanto organizadores, nos amparamos em aspectos qualitativos que trariam luz e cultura ao festival. Ao mesmo tempo em que preservamos as tradições dos eventos passados, pudemos trazer um pouco de nossa experiência com eventos para a organização da Mostra de Artesanato. É claro que nada se faz sozinho. Contamos com o importantíssimo apoio de diversas instituições e pessoas que vestem a bandeira do festival do artesanato, sem medir esforços, contribuindo com um festival que traz relevantes ganhos coletivos ao município.” O evento também contou com muitas novidades neste ano.
“Além da valorização da cultura musical local e regional, a organização fez o possível para manter uma programação voltada ao artesanato e ao artesão, este último figura principal dessa nossa teia de tradição. E como parte da programação do festival deste ano, foi feita a exposição viva da Cadeia Produtiva do Artesanato Têxtil de Resende Costa: um cenário que deu visibilidade ao nosso processo artesanal de tecelagem e ao artesão”, destaca Emerson. “Ainda, o festival expandiu os limites dos palcos e foi até a escola para conversar com os estudantes do Ensino Médio sobre empreendedorismo no turismo de Resende Costa, tema que consideramos de suma importância para o desenvolvimento do nosso turismo. Além disso, a programação do evento trouxe o encontro de pequenos artesãos e agricultores da cidade com uma feirinha ao ar livre, com produtos naturais, todos produzidos aqui, que aconteceu durante todos os dias do festival. Turistas e moradores, assim como os feirantes, tiveram uma grande aceitação nesse encontro. Podemos destacar também a culinária solidária ao vivo, em prol da comunidade do Povoado dos Pintos, berço de artesãos. Foi bacana reunir cultura, música e culinária em um evento só”, completa o organizador da Mostra. TURISMO Lucas Lara, chefe da Divisão de Turismo e Artesanato da Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, comentou sobre a importância do CAT (Centro de Atendimento ao Turista) e também das palestras que aconteceram nesse novo espaço inaugurado no início deste ano, onde tradicionalmente acontece a Mostra: “O CAT já recebeu milhares de visitantes desde sua inauguração em abril último. Ele visa fortalecer o desenvolvimento turístico de nosso município, de forma sustentável, através da integração, consolidando nosso turismo e nossa cultura. E fazer parte da gestão desse espaço é muito gratificante. Disse na inauguração do CAT e repito agora: a arte se incorpora ao cotidiano e à paisagem da cidade e o nosso artesanato é sustento, mas princi-
palmente paixão, cultura e saber. E é isso que queremos oferecer – e conseguimos oferecer durante a VIII Mostra – ao turista e ao cidadão por meio do Centro de Atendimento ao Turista. Falando nisso, um dos momentos mais importantes de toda a programação aconteceu no CAT, fora dos dias principais do evento. Na terça-feira anterior, em duas oportunidades, recebemos tradicionais artesãos de Resende Costa para uma roda de conversa. Foi um bate-papo muito rico e esclarecedor conduzido por Isabela Resende, que, junto a Sabrina Rafa, são grandes parceiras do CAT. Isabela, além de neta e filha de artesã, desenvolveu um amplo estudo sobre a valorização da técnica tradicional da tecelagem manual e o incentivo ao processo criativo no artesanato de Resende Costa”. Lucas também falou sobre a presença de turistas e de como ele e Igor Delgado, turismólogo e atendente do CAT, receberam os visitantes. “Todos puderam se sentir acolhidos naquele espaço que também é a casa do artesanato aqui em Resende Costa. A maioria dos turistas expressa sua grata surpresa com a estrutura e acolhida oferecidas pelo CAT. Na VIII Mostra, o CAT, junto à exposição da cadeia produtiva e a oficina viva, pôde oferecer ao visitante um turismo de experiência com o nosso artesanato. Foi perceptível o encanto daqueles que puderam conhecer e ter contato com a história e produção de nosso artesanato.” Ele destacou ainda a grande relevância do encontro com produtores e artesãos: “Durante a programação uma das grandes novidades e acertos foi a realização do encontro de produtores e artesãos locais. A estratégia agregou muita cultura e tradição e concretizou um desejo da comissão organizadora: trazer a programação para durante o dia. O encontro propiciou a valorização de aspectos da nossa cultura local e reforçou como somos diversos e plurais em nossos talentos e riquezas.” Lucas Paulo, vice-prefeito em exercício no cargo de prefeito, comentou sobre a importância do evento para o turismo e a cultura em Resende Costa. Para ele, a festa foi criada com a finalidade de poder atrair ainda mais turistas
Fotos: Jogo Virou
Novidades na programação, foco no turismo e artesanato marcaram o evento em 2022
Artesãos que trabalharam na cadeia produtiva do artesanato durante os dias da Mostra
O casal Cíntia e Emerson, produtores da VIII Mostra de Artesanato e Cultura
à cidade e valorizar os artesãos locais. “A gente acredita que conseguimos dar realmente uma cara ao evento, com bons shows para agradar o público, estimular o turismo turístico e o comércio através das feiras e da própria cadeia produtiva, a fim de mostrar para o turista realmente como funciona o nosso artesanato. Acredito que a Mostra de Artesanato e Cultura é muito importante para o nosso calendário cultural. Foi muito gratificante esse crescimento, já que ficamos dois anos sem poder realizar eventos por causa da pandemia e essa foi a primeira festa realizada pelo poder público”. Lucas Paulo refletiu também sobre a complexidade de realizações de grande porte, mas avalia a Mostra deste ano de forma positiva. “A gente sabe que todo evento é difícil de ser executado, mas acredito que foi muito elogiado e atingiu o que a gente realmente queria, com bons shows e oferecendo também uma qualidade de atrações o dia inteiro a todo tipo de público; tivemos atrações para crianças, para o público local,
para os turistas e também, claro, para valorizar nossos artesãos.” MUDANÇA DE DATA Neste ano, a Administração Municipal e a Comissão Organizadora da Mostra de Artesanato e Cultura optaram pela experiência de mudar a data da realização do evento. O prefeito em exercício explicou por que a opção de realizar a Mostra durante o feriado prolongado de Corpus Christi, iniciando no dia 16 de junho, ao invés de manter o evento no feriado municipal do aniversário da cidade, no dia 2 de junho, conforme vinha acontecendo nos anos anteriores. “A data ajudou muito devido ao feriado. A gente conseguiu que esse público (turistas que visitam a região) pudesse se movimentar com mais facilidade, vindo para a nossa cidade. Como eu disse também, trata-se de uma festa tradicional, uma festa muito bacana. E ter ficado dois anos sem poder realizá-la, por conta da pandemia, pode ter atraído um público ainda maior”, conclui Lucas Paulo.
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ACONTECEU
Por Luana Chaves
20ª festa de São João no Povoado dos Pintos
VIII Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa
Entre as tradicionais “Festas de Roça” de Resende Costa, neste ano de 2022, após dois anos pandêmicos, aconteceu no povoado dos Pintos, iniciando o mês de julho, um evento durante o qual se comemoram a colheita e também a tradição dos carros de boi. Estamos falando da tradicional Festa de São João. O povoado dos Pintos é reconhecido como berço do artesanato têxtil no município de Resende Costa. A abertura oficial da 20ª Festa de São João aconteceu na sexta-feira, dia 01, com celebração da palavra e show de Alécio Carvalho. No sábado, dia 02, houve apresentação dos alunos da escola Carlos Pinto, concentração da cavalgada no Parque de Exposições de Resende Costa
A verdadeira essência da Mostra é ser vitrine do artesanato e da cultura resende-costense. A exposição da “Cadeia Produtiva do Artesanato de Resende Costa”, idealizada pelo empresário e artesão Alessandro Silva, da AT Tecelagem, conferiu visibilidade ao processo artesanal e ao artesão local. Os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer de perto o processo da tecelagem artesanal, podendo inclusive tecer um tapetinho no tradicional tear de madeira. SHOWS A programação musical começou na sexta-feira, 17, com show acústico de Luís Paulo e convidados. À noite, aconteceu a cerimônia oficial de abertura da VIII Mostra de Artesanato e Cultura, com a presença de autoridades municipais e membros da comissão organizadora do evento. Em seguida, as bandas Soulseek e Scarcéus agitaram a primeira noite da Mostra. No sábado, 18, pela manhã, aconteceu o “Cozinha Solidária”, evento gastronômico com os chefs Cláudio Ruas, do Casal Gastrô, e Capitão Emídio. Foi assado um delicioso leitão na brasa. A renda do almoço foi beneficente à Festa de São João do povoado dos Pintos.
Ainda no sábado, o cantor e violonista Ângelo Márcio se apresentou em um show acústico. Logo após, Um Duo Qualquer encerrou a programação musical da tarde. A noite de sábado reuniu grande público na área do evento. A banda Corcel 84 apresentou o melhor dos anos 80 e 90. Para fechar com chave de ouro o segundo dia do evento, a banda mineira Texas Rádio agitou o público com uma apresentação performática. A programação deste ano da Mostra de Artesanato e Cultura não se esqueceu das crianças. A atriz Marcela Paiva alegrou os baixinhos presentes nas tardes do sábado e do domingo. A programação do domingo, 19, começou cedo com o Passeio Ciclístico das Lajes e a Corrida Rústica. E animando a tardinha de domingo, Luciene Gomes e o nosso conterrâneo JP Miranda levaram ao palco o melhor do samba raiz. Já no início da noite, os meninos da banda resende-costense Mitts resgataram clássicos do pop rock num show memorável. A banda MagoZen, de Conselheiro Lafaiete, encerrou a programação da VIII Mostra de Artesanato e Cultura, deixando na plateia aquele gostinho de saudade e de quero mais.
e desfile dos carros de boi. A programação musical na tarde do sábado, 2, ficou a cargo da dupla Fábio Belo & Samuel e Wesley Marques. À noite, show com Warley Silva e Dj Cris. No Domingo, 3, foi realizado concurso de Marcha Poeirão, pelo Clube dos Cavaleiros de Resende Costa. O evento contou com apoio da Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente. “Nós só podemos agradecer à prefeitura, à comunidade, a todos os colaboradores da festa e aos que vieram prestigiar”, disse Gislene, integrante do Conselho Comunitário do Povoado dos Pintos, instituição organizadora da Festa de São João.
Fotos: Comissão Organizadora
O evento promoveu o artesanato e impulsionou o turismo na cidade Neste ano, a programação da VIII Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa foi eclética e ofereceu ao público feira de exposição de artesanatos, oficinas, rodas de conversa, gastronomia e muito mais. Além disso, o evento, realizado entre os dias 17 e 19 de junho, contou com shows musicais que conquistaram o gosto do público. No dia 13 de junho, aconteceu uma roda de conversa com alunos dos 2° e 3° anos do Ensino Médio da Escola Estadual Assis Resende. O tema abordado foi “Empreendedorismo no turismo de Resende Costa”. Foram convidados para a conversa os empresários e empreendedores resende-costenses Vanderléia e Fábio, do Tixa Café, Alessandro e Telinha, da AT Tecelagem, e Cláudio Ruas (Cacau), do Casal Gastrô. No dia 14 de junho, duas rodas de conversa reuniram no CAT (Centro de Atendimento ao Turista) artesãos de diferentes gerações que debateram o tema “Artesanato ontem, hoje e sempre”. As conversas foram mediadas pela arquiteta Isabela Resende. A Mostra de 2022 trouxe novidades ao público, especialmente aos artesãos. O “1° Concurso de Tapete das Lajes” elegeu o melhor tapetinho tecido por artesãos resende-costenses.
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Chegada da tradicional cavalgada ao povoado dos Pintos
Fotos: Jogo Virou
CULTURA Ângelo Márcio realizará recital de formatura em sua terra natal ANDRÉ EUSTÁQUIO
Banda Mitts, de Resende Costa, agitou o final da tarde de domingo da VIII Mostra de Artesanato e Cultura
O artesão e empresário Alessandro, da AT Tecelagem, idealizador e organizador da Cadeia Produtiva do Artesanado
JP Miranda (dir.) levou ao palco da Mostra o melhor do samba raiz
Competição premiou o melhor tapete tecido em Resende Costa
O músico, cantor e violonista resende-costense, Ângelo Márcio Resende, realizará, no próximo dia 22 de julho, sexta-feira, um recital de formatura. A apresentação acontecerá às 20h no CPP (Centro
de Pastoral Paroquial), localizado na Praça Cônego Cardoso, centro de Resende Costa. Ângelo Márcio concluirá, pela UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), licenciatura em Música, com habilitação em violão. Foto: Arquivo pessoal
O músico, cantor e violonista resende-costense Ângelo Márcio
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Da amizade surgiu uma parceria. Desta parceria nasceu Marité
Foto: Arquivo Pessoal
CULTURA
O novo livro de Stela Vale e Alair Coêlho foi lançado no último dia 9 de julho em Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO
Marité, de Stela Vale Lara e Alair Coêlho de Resende, selo da Academia de Letras de São João del-Rei, 2022, 172 páginas, R$30,00, nasceu da vivência de dois escritores amigos (“Manos”, como eles se tratavam) que cultivaram profunda amizade e dela nasceu uma literatura inspirada pela sensibilidade, parceria e criatividade. “Marité consiste num romance ‘de época’ passado aqui nas Vertentes, idealizado por duas pessoas que se conheceram na estação madura de suas vidas, de onde nasceu uma amizade fraterna”, disse Stela Vale. O lançamento do romance Marité aconteceu no sábado, 9 de julho, no C&M Festas e Eventos em Resende Costa. O evento contou com a presença de convidados, familiares e amigos dos autores, além de membros da Academia de Letras de São João del-Rei, da qual Alair Coêlho, falecido no dia 26 de abril de 2021 aos 90 anos, fazia parte. A ausência de Alair no lançamento do seu mais novo livro foi uma página difícil de ser lida, conforme conta Stela. “E pensar que, juntos,
ansiávamos por esse grande dia... Quando me vi só, tentei... preparei o melhor. Só que não conseguia. Eu olhava, sentada ao lado da sobrinha e amiga Regina Coelho, por mim escolhida para dirigir a cerimônia, aquele salão repleto de amigos e familiares que atenderam ao convite feito. Queria dar o melhor de mim, mas meu momento era saudade e glória, no qual a saudade doía mais. Sequer ouvi a primeira pergunta; pedi que a repetisse.” AMIZADE PARCEIRA A parceria Stela/Alair começou com a escrita do livro “Resende Costa – A Flor das Vertentes”, 2019, selo da Academia de Letras de São João del-Rei. De lá para cá, a afinidade intelectual e a amizade entre ambos, regadas pela seiva da paixão por Resende Costa, fizeram brotar mais uma semente que germinou em Marité. “Nossa parceria literária teve origem através de minha amizade com Sônia Reis. Ela possuía vários escritos meus e Alair, sendo seu primo, ia a sua casa. Lá nos tornamos amigos”, contou Stela. Escrever um romance a quatro mãos demanda total desapego si para deixar aflorar uma simbiose de
ideias. Mas nem sempre o processo da escrita elimina divergências. “Escrever um romance a quatro mãos envolve, sim, certas dificuldades, pois nem sempre os estilos se harmonizam, além de outros inúmeros detalhes. Só que mano Alair era autor de peças teatrais e também havia trabalhado como ator, de que muito se orgulhava. Tal fato lhe deu muito, muito embasamento no trabalho com o romance. Fazia a diferença, ainda, o dom da didática de que era portador. Sabia criar e ensinar. Fui muito privilegiada nesse convívio Stela/Alair”. E os embates, aconteceram? “Claro que houve embates entre nós, mas sempre os vencemos. Aliás, sempre fomos imitadores um do outro. Eu apaixonada com o estilo dele e ele com o meu”, disse Stela. De acordo com a autora, na elaboração da primeira obra dos dois, “Resende Costa – A flor das Vertentes”, a adaptação foi mais difícil. “Mas foi só o período de adaptação, até nos conhecermos. No início tudo é mais difícil”. Stela comenta sobre a técnica usada por ela e Alair para escrever a quatro mãos uma obra fictícia. “Foi uma iniciativa do mano Alair, por ser mais experiente que eu. Ele desen-
A escritora Stela Vale com familiares de Alair Coêlho
volveu a personagem masculina e eu a personagem feminina. Então nossa obra ficou estabelecida que assim seria: todos os personagens coadjuvantes, secundários que surgissem seriam apresentados ao outro imediatamente, para que a trama não se sentisse prejudicada”. Ainda segundo Stela Vale, ajustar datas e enredo não foi uma tarefa fácil na elaboração do romance. “O maior desafio das partes está relacionado ao tempo cronológico. Lidar com datas e enredos não foi tão fácil”. LEMBRANÇA DE GUIMARÃES ROSA O enredo de Marité envolveu os autores numa trama de época que inspira saudade e um sentimento bucólico do interior. Aliás, saudade e sensibilidade encantam os autores, conforme relata Stela. “As personagens foram fluindo e, aos poucos, nos dominando com
uma capacidade incrível de mudar o enredo a que nos havíamos proposto na sinopse. Nesse momento, lembramos Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas. Digo – ‘O real não está na saída nem na chegada; ele se dispõe para a gente é no meio do caminho’”. E completa: “Trata-se aqui de todo o processo da trama, dos percalços da obra. E, assim, Stela e Alair deixaram-se desfolhar e viram a obra florescer”. Os perfumes das flores e a curiosidade dos casos deram lugar ao inusitado. Stela e Alair ousaram ir além, criaram e sonharam. Deste sonho nasceram Vó Adelina, Bernardo, Tonho e...Marité. O “porreta” Alair e a “levada” Stela, como eles se referiam carinhosamente um ao outro, além de mano e mana, presentearam Resende Costa e os resende-costenses com uma obra literária que revela sensibilidade, bom gosto e inteligência.
Chega às livrarias o último volume da trilogia Escravidão, de Laurentino Gomes JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Já está à venda o último volume da trilogia “Escravidão”, do jornalista e escritor Laurentino Gomes, que compreende o período entre a Independência do Brasil e a promulgação da Lei Áurea. Foi uma década de trabalho sobre o tema “mais importante do país” e que acabou definindo o futuro da sociedade brasileira, disse o autor em entrevista à jornalista Mariana Peixoto (O Estado de Minas, 27/06/2022). As três obras, lançadas a partir de 2019, abrangem três séculos e meio da história do Brasil, o maior território escravista do hemisfério ocidental e o último a abolir a escravidão – de forma precária e improvisada, em 1888, como o novo livro mostra. Nesse período, 4,9 milhões de pessoas vieram da África para o Brasil, número que corresponde a 46% dos 10,7 milhões de africanos desembarcados em cerca de 37 mil viagens de navios negreiros para o continente americano. “Desigualdade social no Brasil é sinônimo da herança da escravidão”, afirmou o autor. Segundo Laurentino, o grande desafio para a pesquisa do terceiro
volume não foi tanto o acesso à informação, mas sim ter discernimento para editar a massa enorme de informação que existe sobre o século 19. É que há “muita fonte primária, pesquisa de historiador. Mas tem pouca fonte a partir da própria população escravizada porque a maioria imensa era analfabeta. Existe um único caso de um escravo que publicou sua autobiografia, Mahommah Gardo Baquaqua, a quem dedico um capítulo (‘A testemunha’)”. Às vésperas das comemorações do bicentenário da Independência, é oportuno ressaltar a passagem em que autor fala da grande contradição que a abolição representou para o império brasileiro. “Na Independência, em 1822, se estabelece um pacto entre a monarquia e a aristocracia rural escravista. Uma apoia a outra e uma não mexe nos interesses da outra. Esse pacto explica por que D. Pedro I dissolveu a constituinte convocada entre 1822 e 1823 e outorgou uma constituição nova, por conta própria, num gesto autoritário (em 1824).” José Bonifácio, o homem forte de D. Pedro I, “iria apresentar um projeto para constituinte acabando com o tráfico e, gradualmente, com a própria escravidão. E houve uma
reação violenta da aristocracia rural escravista. Esse império recebeu apoio político e financeiro dos senhores de engenho, dos barões de café, dos fazendeiros, e em troca deu títulos de nobreza”. O terceiro e último volume da série é uma profusão imperdível de informações, de análises e de bom texto para quem quer entender o Brasil como ele é hoje, observa o jornalista Celso Ming (O Estado de S. Paulo, 29/06/2022). “Apesar da crescente campanha abolicionista, transparece no livro o grave defeito da administração pública que vai se perpetuando no Brasil: o da improvisação. Nada se prepara, as coisas vão acontecendo, por mais sérias consequências que acarretem. A Lei Áurea caiu da árvore como fruta apodrecida. Nem o imperador nem as elites dominantes se prepararam para o que veio depois.” Para ele, “tem muito mais nesse texto que, além do conhecimento, desperta emoções”. “Hoje, não consigo olhar o Brasil sem colocar a questão racial e a desigualdade social no primeiro plano das minhas análises”, resumiu Laurentino. A partir da Bienal do Livro de São Paulo (2 a 10 de julho), o autor iniciou uma turnê de lançamento que vai percorrer, durante dois meses, nove estados.
Foto: Facebook do autor
O livro, que abrange o período entre a Independência e a promulgação da Lei Áurea, foi publicado pela Editora Globo Livros
Volume 3 da trilogia Escravidão, do jornalista e escritor Laurentino Gomes , já está nas livrarias
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A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
A, E, I, O, U DO CASAMENTO Sempre que passo em frente ao foto perto de minha casa, vejo o retrato de uma noiva. Sorrindo, como se estivesse flertando com a felicidade. Como toda noiva, essa também é bela. Bela e vestida de branco. Da fotografia para a vida real. Sempre aos sábados à tardinha, qualquer igreja está às voltas com pessoas bem vestidas, cabelos molhados e esticados... menininhas com vestidos rodados correndo para todos os cantos... e lá dentro, perto do altar, sempre se vê um noivo, uma noiva, um punhado de padrinhos com feições de responsáveis, um padre sem pompa nos paramentos e aquele cara com a filmadora na mão, insistindo em deixar os convidados desconcertados, chegando a câmera bem perto do rosto de cada um. Do lado de fora, aquele batalhão que sempre vai mas nunca entra. Se o casamento tem lá as suas características, ele também tem o seu A, E, I, O, U. Quando se casa para acabar de vez com a solidão, fazendo do parceiro não um ser para se amar, mas, simplesmente, uma companhia qualquer para poder ficar velho junto... ou seja, um manto para aquecer a solidão; também quando o casamento é feito para se jogar um manto sobre uma gravidez sem aliança e tem-se que salvar mais a honra dos futuros avós do que a dos futuros pais... então, trata-se de um casaMANTO. Quando se perde o discernimento, pois a vida é só lamento e na alma não há mais contentamento... quando o amor fica mais firme do que cimento e o coração nem sabe o que é envelhecimento e o olhar só fala de agradeci-
mento... quando o futuro vira esquecimento e o que manda é o sentimento, sendo o universo colocado dentro de um momento... tem-se aí o casaMENTO. Tem gente que se casa jurando de pé junto que ama o parceiro, mas, na verdade, o casamento vai é lhe dar mais liberdade fora de casa, mais espaço e segurança para dar às largas o seu coração e as suas aventuras; e a mentira conquista a confiança do pobre coitado que se fantasiou de cônjuge... vê-se aí um exemplo de casaMINTO. Mas quando se casa prometendo um forte e eterno amor ao parceiro rico, proprietário de mundos e fundos, cercado de admiradores nas rodas sociais, garantia certa para viagens caras e roupas refinadas, fazendo dele um cavalinho puro sangue para se subir, aparecer e acontecer... ocorre o casaMONTO. Agora, tem gente que se casa pela enésima vez. Na primeira não deu certo porque houve chifre; na segunda também não deu certo porque houve morte do outro; na terceira o casamento acabou porque o amor também acabou; na quarta os parceiros bem que prometeram, mas foi um terceiro que cumpriu a promessa; na quinta a miséria entrou pela porta e os cônjuges saíram pela janela; na sexta não deu certo porque era o parceiro do primeiro casamento... agora a pessoa vai se casar de novo, com alguém três vezes divorciado. Constata-se aqui um casaMUITO. Casamanto, casamento, casaminto, casamonto, casamuito... Só fica solteiro quem conhece apenas as consoantes.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Triste é o preconceito Baianos arretados, os escritores Jorge Amado (19122001) e João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), num misto de humor e sinceridade, assim se manifestaram um dia sobre o processo de envelhecimento humano: “Já ouvi falar muito das delícias da velhice, mas até agora nunca fui apresentado a nenhuma delas”, ironizou o autor de Gabriela, cravo e canela. Seu colega, também criador de grandes sucessos literários, e ambos ganhadores do Prêmio Camões de Literatura, foi categórico ao afirmar que “a velhice não está na mente, está nas juntas”. Estão certos os dois. Levar tão a sério a chegada dessa fase da vida não ajuda em nada. Entrar em desespero é bobagem. Conhece aquela frase “aceita, que dói menos”? É um pouco por aí. É relaxar, brincar até sobre as delícias (não apresentadas a Jorge) e as dores (sentidas em sentido duplo) típicas do prenúncio da nossa finitude neste mundo. Inaceitável, porém, é a discriminação contra os mais velhos. Desde sempre esse comportamento vem atingindo os bem mais velhos, o que já é péssimo. Mas hoje, quando se vive mais e vive-se bem, observa-se paradoxalmente como quase uma imposição em algumas culturas a busca pela juventude eterna, uma utopia, vamos combinar. E por que essa obsessão desvairada pelo impossível? Por que essa pressão desmedida pela aparência? Por que essa dis-
tinção negativa pela idade? Deveriam bastar as limitações e dificuldades naturalmente impostas pelo avanço dos anos, não obstante o aumento na expectativa de vida entre nós. Estamos vivendo tempos de ageísmo, etarismo ou idadismo, como se queira nomear o preconceito baseado em estereótipos associados à idade das pessoas, certamente aquelas consideradas velhas pela sociedade ou assim autoproclamadas. Nesse cenário já desfavorável, as mulheres aparecem como as maiores vítimas, alvo preferencial de cobranças cruéis: pelo rosto e pelo corpo que não são mais os mesmos, pela pele e pelos cabelos que não são os de antes, por tudo o que nelas se modificou. A apresentadora Xuxa sabe bem o que é isso. Por sua livre opção em não se submeter a procedimentos estéticos radicais, preferindo envelhecer naturalmente, é julgada negativamente por muitos. Uma situação pontual dessa natureza envolveu no começo deste ano a modelo Cássia Ávila, uma das mais bem-sucedidas tops do país. Ao postar uma selfie nos Stories do Instagram, ela foi criticada por um desconhecido com a seguinte mensagem privada: “Envelhecer é triste”. Com classe, Cássia rebateu o infeliz comentário dele ao dizer, entre outras coisas: “Que tolice, né? Envelhecer é natural e um privilégio. Quem não envelhece, morre. Eu amo a vida. Envelhecer é a escolha
certa. Afirmo isto com segurança em dia e colágeno em decréscimo, do alto (1,77m) dos meus 48 anos. Viva!”. Há poucos dias, atualizando a leitura de notícias pela internet, dei de cara com uma matéria (vemos muitas) sobre frases etaristas, portanto, no mínimo, questionadas hoje. Vamos a elas: 1- Você não tem mais idade para usar isso. 2- Você deve ter sido muito bonita quando jovem. 3- Você nem aparenta a idade que tem. 4- Você tem idade para ser a mãe dele. 5- Me desculpe, mas qual a sua idade? 6- Você tem alma de jovem. 7- Tá querendo parecer uma gatinha, né? 8- Esqueceu? É a idade. 9- Não gosto de tal lugar, é balada de velho. 10- Você não entende, pois já está velha. Contra ideias aí subentendidas, é preciso reafirmar, só dizendo o essencial, que o mais importante é a pessoa ser/estar feliz em qualquer idade; que a beleza física pode ser possível em todas as etapas da vida, sim; e que, claro, ter alma de jovem não é condição para alguém se sentir pleno, realizado, muito pelo contrário. Bem a propósito dessa relação entre juventude e maturidade, o sábio e saudoso jornalista e humorista Millôr Fernandes (1923-2012) cravou uma definição perfeita: “qualquer idiota pode ser jovem. É preciso ter muito talento para envelhecer”. Somente para finalizar, é bom lembrar que a vida pode nos guardar também boas surpresas até o fim.
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PATRIMÔNIO
Plano diretor: diagnósticos concluídos Foto: Alexssander Lourdes
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Os textos dos diagnósticos “socioeconômico”, “físico territorial rural” e “físico territorial urbano” podem ser consultados na plataforma colaborativa do Plano Diretor Participativo do município de Resende Costa*. O prazo para sugestões e contribuições a esses diagnósticos terminou no dia 15 de julho. A equipe técnica já está trabalhando nas propostas, que serão disponibilizadas no site do plano diretor para comentários e sugestões. A audiência pública para discutir estas propostas será no dia 28 deste mês. Tão logo seja realizada a audiência pública de propostas, a equipe técnica da empresa de planejamento Ultra deixará disponível no site o material para nova rodada de intervenções, informou o vereador Cleiton Santos, membro do núcleo gestor do plano diretor. “Por fim, as propostas serão transformadas em linguagem jurídica, que é a última etapa de elaboração da minuta da Lei.” A elaboração do plano diretor é fruto de termo de compromisso firmado em setembro de 2021 entre a Mantiqueira Transmissora de Energia S.A. e o município. Coube à prefeitura municipal, com o apoio técnico da empresa Ultra de Belo Horizonte, divulgar o processo e mobilizar a sociedade para a realização das audiências públicas. A Mantiqueira é a responsável pelo Trecho 3 A, referente à Linha de Transmissão (LT) 345 kV Itutinga-Jeceaba-Itabirito 2, que passa pelo município de Resende Costa. Entre as condicionantes impostas pela licença de instalação emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), está o apoio à elaboração ou revisão de planos diretores dos municípios atravessados por essa linha de transmissão. POPULAÇÃO De acordo com o diagnóstico socioeconômico, a população municipal cresceu cerca de 20% ao longo das últimas três décadas, para 11.540 habitantes (IBGE, 2020). Isso ocorre num contexto em que grande parte das cidades da região tem perdido população, o que “pode estar correlacionado ao crescimento econômico e ao aumento do dinamismo econômico no município”. Em paralelo, houve um movimento de aumento da taxa de urbanização do município. O índice passou de 62% em 1991 para estimados 91% da população em 2020 (10.490 habitantes na área urbana e 1.050 habitantes na área rural). “Esse aumento é correspondente à tendência verificada para Minas Gerais e para o Brasil, no qual a busca por melhores condições de vida e de renda fazem com que considerável parcela da população rural tenha de migrar para zonas urbanas, ou mesmo para
Oficina do plano diretor realizada na Biblioteca Municipal de Resende Costa
outros municípios.” Outra tendência demográfica verificada em Resende Costa é o processo de envelhecimento populacional ao longo dos últimos anos. A proporção de pessoas de até 14 anos, por exemplo, caiu de 27% em 2000 para uma estimativa de 21% em 2020. Já a proporção de pessoas com mais de 65 anos saltou, no mesmo período, de 8% para 13%. ECONOMIA O município apresentou crescimento econômico expressivo nas últimas décadas. A produção mais que dobrou nos últimos 20 anos, puxada principalmente pelo setor de comércio e serviços. O destaque é a produção e a comercialização de artesanato, em especial produtos têxteis. O crescimento da indústria de transformação têxtil resultou no aumento da oferta de empregos no município, mas à custa de baixos salários, que é uma característica da confecção de artesanato. “Grande parte dos trabalhadores de Resende Costa, que dependem da produção de artesanato para o sustento, vive sob uma condição salarial relativamente baixa”. De acordo com dados do Cadastro Único (2020), 968 famílias do município possuem uma renda per capita de até meio salário mínimo. Esse montante corresponde a cerca de um quarto da população residente. Já existem quase cem empreendimentos voltados à produção ou comercialização de artesanato, mas “ainda é frágil a estrutura de organização coletiva destes mesmos empreendimentos, cuja melhor organização poderia levar a ganhos maiores para todos”. Essa dinâmica de produção de artesanato tem colocado Resende Costa na rota turística regional, cujos atrativos principais são Tiradentes e São João del-Rei. Mas “ainda falta a Resende Costa uma fidelização destes turistas aos possíveis outros atrativos turísticos do município, como os casarios que remetem aos tempos coloniais e as lajes de pedra”. Uma nova dinâmica no turismo local poderia resultar em outros benefícios como maior oferta de restaurantes, pousadas e hotéis, com mais empregos e mais renda. O PIB (soma de tudo o que é
produzido no município) cresceu 126% em termos reais (descontada a inflação), entre 2002 e 2018, para R$180,928 milhões. Já o PIB per capita cresceu um pouco menos (cerca 108%) no mesmo período, para R$15.789,24. Esse crescimento, entretanto, foi significativamente maior no intervalo entre 2010-2018, puxado, principalmente, pela indústria de transformação têxtil e pela produção agropecuária (destaque para a silvicultura). Importante observar que, quanto maior a produção e a quantidade de dinheiro em circulação, maior é a sua capacidade de arrecadar impostos e, consequentemente, ofertar melhores serviços públicos à população. EMPRESAS E SETORES Cerca de 1300 empresas encontram-se ativas no município, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). A maioria delas é caracterizada por terem porte empresarial de microempresa ou por serem microempreendedores individuais. Os setores de comércio (tapeçarias, cortinas, persianas e vestuários) e de fabricação e tecelagem têxtil configuram-se como as maiores categorias de registros, segundo a classificação nacional de atividades econômicas (CNAE). “Este perfil encaixa-se no imaginado para o município, devido a importância da produção e do comércio de artesanato para a economia local.” A silvicultura de eucalipto, notadamente para a produção de carvão vegetal, é o maior destaque da produção agropecuária do município, segundo a EMATER. O Relatório Anual de Ações de Assistência Técnica e Extensão Rural de 2020 aponta a produção de 112.000 st (estéreos) de eucalipto no município, por 220 empreendimentos agrícolas familiares e 10 não-familiares. Outros produtos agrícolas relevantes são o milho silagem e grão, com produção de 2.380 toneladas cada (220 produtores familiares e 8 não-familiares), e a cana-de-açúcar, com produção de 7.200 t (30 produtores familiares e 1 não-familiar). EMPREGO FORMAL Todos os setores econômicos tiveram aumento no número de em-
Resende Costa conquista pontuação histórica no programa ICMS Patrimônio Cultural DA REDAÇÃO
Foi publicada no último dia 20 de junho, pelo Iepha-MG (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Arquitetônico), a pontuação provisória dos trabalhos referentes ao Exercício 2023 do Programa ICMS Patrimônio Cultural. Nesse exercício, o município de Resende Costa alcançou 15,60 pontos, sua maior pontuação desde o início do Programa. Para o gestor de patrimônio e secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, André Eustáquio, essa pontuação histórica é fruto do trabalho sério que vem sendo
pregos formais entre 2002 e 2018, de acordo com o relatório RAIS. Os maiores destaques foram os setores de comércio, serviços e indústria de transformação. “Estes são, justamente, os setores que têm sua dinâmica mais correlacionada com a questão do artesanato.” Já o setor da indústria extrativa mineral, com considerável crescimento econômico no período, registrou um aumento de apenas 21 empregos formais. Resende Costa ainda enfrenta desafios na geração de empregos formais e no aumento do nível de renda, mesmo com o dinamismo econômico recente, decorrente do crescimento do setor de artesanato. Em um universo de 4.000 habitantes do município inscritos no Cadastro Único do Governo Federal, cerca de 600 pessoas declararam estar sem ocupação alguma. ARRECADAÇÃO A receita corrente líquida (RCL) do município – montante que as prefeituras têm à disposição para efetuar suas funções e efetivar seus investimentos – cresceu cerca de 150% entre 2000 e 2018, para mais de R$ 20 milhões; ou seja, mais do que dobrou neste período, embora de forma mais acentuada até 2010. A receita tributária própria (composta pelo ISS, IPTU, IRRF,
desenvolvido em prol da elaboração de políticas públicas de preservação do patrimônio histórico em Resende Costa. “Temos que comemorar e ao mesmo tempo agradecer ao Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural pelo importante trabalho que vem desenvolvendo, bem como à arquiteta Márcia Armond, que coordenou, em 2021, os trabalhos do programa ICMS Patrimônio Cultural no município. Temos ainda muito o que fazer, mas essa pontuação mostra que estamos no caminho certo. Queremos uma cidade bonita e que ao mesmo tempo preserva o seu patrimônio e valoriza a sua história.”
ITBI e taxas e melhorias de contribuições) foi de apenas R$446.000 (valores correntes de 2020), o que corresponde a 2,5% da receita corrente, percentual que pode ser considerado muito baixo, mesmo quando comparado com municípios de mesmo porte. A arrecadação de ISS neste ano foi de R$186.000 e a de IPTU foi de apenas R$63.000, equivalente a uma contribuição anual média de IPTU de apenas R$15,75 por habitante. Em termos de despesas públicas, os setores de Saúde, Educação, Assistência Social e Infraestrutura são os responsáveis pelo maior investimento per capita por parte da prefeitura de Resende Costa. Agropecuária, Esporte/Lazer e Meio Ambiente são segmentos que, em menor escala, também vêm recebendo investimentos consideráveis. O Índice de Desenvolvimento Econômico e Tributário (IDTE) de Resende Costa - calculado com base nas receitas tributárias oriundas de atividades econômicas desenvolvidas no âmbito do próprio município - vem apresentando tendência de alta nos últimos anos, principalmente a partir de 2016. O maior potencial fiscal resulta em aumento da autonomia fiscal do município. * https://resende-costa.planodiretor.online/
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ESPECIAL
Desafios para os serviços públicos JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Em 2020, 304 famílias no município recebiam Bolsa Família, o que correspondia, aproximadamente, a 9% da população. E por volta de 197 pessoas eram beneficiárias do Benefício de Prestação Continuada (BPC), de acordo com o diagnóstico socioeconômico. Há tendência de queda no número de famílias atendidas pelo Bolsa Família, “o que pode representar um enfraquecimento da rede de proteção social”. Quanto ao BPC, a tendência é de alta no número de beneficiários, “muito provavelmente consequência do processo de envelhecimento da população”. Para além da oferta de trabalho, um dos principais problemas no município são as condições e o nível de renda do trabalho. “O trabalho na confecção de artesanato, principal fonte empregadora de Resende Costa, é serviço marcado pela informalidade, pela baixa
remuneração e por jornadas por vezes exaustivas em um trabalho de esforço repetitivo.” Da mesma forma, o trabalho em carvoarias, ocupação bastante presente na zona rural do município, também é marcado pelas mesmas condições, “muitas vezes, precárias”. Além da valorização da mão de obra, o grande desafio a ser enfrentado no município é substituir práticas tidas como assistencialistas pelo fortalecimento institucional da rede de proteção social no município. Outro desafio é enfrentar o “aumento dos casos de violência contra a mulher”, relatado pela Secretaria de Assistência Social durante a pandemia. Um dos projetos prevê a criação de “uma ´casa da mulher´, local de referência para atendimento e acolhimento das vítimas”. Na educação, “somente em 2017 e 2019”, portanto ainda antes da pandemia, o município deixou de alcançar a meta projetada para os anos iniciais e finais, nas avaliações que geram o resultado do Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (IDEB). “Nota-se que, nem em 2017 e nem em 2019, o município conseguiu cumprir a meta projetada para o ensino médio, muito embora não tenha ficado muito distante.” O maior desafio para a educação, no curto prazo, será recuperar os problemas decorrentes do ensino remoto ou a distância, “uma medida sanitária de extrema importância no enfrentamento da pandemia de Covid-19. As dificuldades no aprendizado precisarão ser enfrentadas e tratadas com a devida seriedade nos próximos anos”. A Secretaria de Educação pretende implementar o ensino em tempo integral, alcançando 50% dos alunos matriculados na rede municipal, para combater a defasagem escolar. Na saúde, um dos principais problemas do município é a gestão do transporte de pacientes, “muitas das vezes dificultada pela considerável extensão rural”. Por tratar-se de município de pequeno porte, Resende Costa não oferece em sua rede serviços de saúde de
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média e alta complexidade. Assim, é necessário o transporte de pacientes, principalmente para São João del-Rei. “O transporte de pacientes também é oferecido aos residentes da área rural e dispõe, segundo o Plano Municipal de Saúde de 2020, de frota composta por 14 veículos para isso.” No curto prazo, o principal desafio para a Secretaria Municipal de Saúde está relacionado com as defasagens, sequelas e consequências derivadas da Covid-19, do ponto de vista biopsicossocial. “Os traumas decorrentes da pandemia encontram-se presentes na população das formas mais diversas e serão necessários grandes esforços coletivos, tanto do ponto de vista de saúde quanto das demais políticas públicas, para o enfrentamento dessa questão.” TURISMO A iniciativa de destaque, como estratégia de marketing turístico, foi a criação da mascote “Tixa”, “uma simpática lagartixa que se apresenta nas mais diver-
sas cores nas fachadas dos comércios da avenida central da cidade”. Mas um importante desafio é transformar o visitante voltado para a compra do artesanato “em um visitante que vai desfrutar de outros atrativos turísticos do município, como, por exemplo, o belo patrimônio histórico-cultural da cidade”. Diversos festejos acontecem ao longo do ano em Resende Costa, como o pré-carnaval, a tradicional Semana Santa, a exposição agropecuária, a festa de Nossa Senhora da Penha, padroeira do município, e a festa de Nossa Senhora do Rosário/Congado. “A música é elemento bastante presente na formação cultural de Resende Costa. A banda Santa Cecília e a orquestra Mater Dei oferecem aulas de música para os cidadãos e realizam apresentações no município ao longo do ano.” O município faz parte dos circuitos dos roteiros turísticos “Trilha dos Inconfidentes” e “Caminhos de São Tiago”.
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CIDADE
Polícia Civil de Resende Costa inaugura nova sede Foto: Luana Chaves
VANUZA RESENDE
A Polícia Civil de Resende Costa mudou de endereço. Agora, os atendimentos estão concentrados em um imóvel recém-construído na Praça Cônego Cardoso, no centro da cidade. De acordo com o Superintendente de Investigadores, Gláucio Wallacy Ribeiro Chaves, “a escolha do local se deu devido ao término do contrato do imóvel anterior e a busca por um imóvel mais adequado e com localização privilegiada que pudesse favorecer um atendimento mais dinâmico e eficiente. As instalações anteriores da Delegacia de Polícia Civil eram antigas, com infiltrações e sem qualquer tipo de acessibilidade, tendo em vista tratar-se de um prédio de três andares, com acesso por escada. O prédio atual é todo novo, possui salas amplas e arejadas e dentro dos padrões de acessibilidade, localizado no trecho histórico da cidade, Praça Cônego Cardoso, ao lado da igreja Matriz”. O custeio das despesas do imóvel ficará a cargo da prefeitura municipal, através de convênio firmado com a Polícia Civil de Minas Gerais. O efetivo da Polícia Civil em Resende Costa conta hoje com um Delegado, um Escrivão e quatro Investigadores. Gláucio fala sobre as atribuições na instituição na cidade. “À Polícia Civil se incumbem as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, buscando seus autores, levando o sentimento de justiça ao cidadão vítima de um crime. Cabem ainda à Polícia Civil os serviços relacionados ao DETRAN, CNH e licenciamento de veículos, e a emissão de carteiras de identidade, através da identificação do
Presença de autoridades municipais e policiais durante a inauguração da nova Delegacia de Resende Costa
cidadão, bem como o registro de ocorrências policiais e o policiamento ostensivo especializado”. Em 2017, Resende Costa foi o município mineiro com menor ICV (Índice de Crimes Violentos). O ICV é a principal ferramenta de análise da criminalidade no estado de Minas Gerais. O índice é obtido através do somatório de sete modalidades de crimes: homicídio consumado e tentado, estupro consumado e estupro tentado, roubo, extorsão mediante sequestro e sequestro e cárcere privado consumado. Gláucio comenta acerca do papel das forças de segurança na cidade. “A Polícia Civil está presente em Resende Costa desde a década de 1970, sempre buscando cumprir, de forma incondicional e direta, o papel do servidor público, ou seja, de ‘servir’ a população nos seus anseios e dificuldades. Dessa forma e juntos com a sociedade, conseguimos transformar Resende Costa em uma das cidades mais segu-
ras do Estado de Minas Gerais”, conclui o policial. INAUGURAÇÃO O evento de inauguração aconteceu no dia 24 de junho e contou com a participação de autoridades e membros da sociedade civil organizada: Dr. Joaquim Francisco Neto e Silva - Chefe da Polícia Civil de Minas Gerais; Dr. Alexsander Soares Diniz - Chefe do 13º Departamento de Polícia Civil de Barbacena; Dr. Luiz Carlos Ferreira Pires - Delegado Regional de São João del-Rei; Dr.Igor Augusto de Medeiros Provinciali - Promotor de Justiça; Breno Coelho - Inspetor Geral de Investigadores; e Luciene Cardoso Murta Vilela - Inspetora Geral de Escrivães. Participaram também da solenidade autoridades de Resende Costa: Dr. Roberto da Silveira Montezi - Delegado; José Gouvea Filho - Prefeito Municipal licenciado; Lucas Paulo de Assis Vale – Vice-Pre-
De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
Declarações e conversas Aprecio bem certas falas. - Neto, de dez anos, conversava com o avô que segurava na mão o celular: Vovô, não chama isso de telefone não, vovô; isso é celular, que serve até para telefonar, mas não é telefone não. E, depois, acrescentou: Vovô, acho vocês muito esquisitos; vocês ligam para as pessoas sem saber se elas podem atender. Manda um zap antes, perguntando se pode ligar. - Em reunião de família católica, a mãe dizia que não suportava mais ir à igreja para ouvir os padres. Uma das filhas presentes diz: Mamãe, você já sai de casa reclamando dos padres. Se você vai à igreja por causa dos padres, alguma coisa está muito errada, não? - A comadre encontrou o compadre, depois de muito tempo. Ficou impressionada: era um homem alegre, cheio de vida; agora anda carrancudo. Ô compadre, você está doente? - Por que? indagou ele. Estou te achando meio triste. Não, comadre, é porque agora sou crente, me converti. Uai, compadre, conversão que não traz alegria não é verdadeira não. - Na roda de bar, um cidadão se orgulhava, seguidas vezes, de contar um fato escandaloso, sem citar o protagonista. Cansado dessa situação, um amigo virou-se para ele e disse: Tudo pela metade é verdade, mas é mais fácil de ser mentira também. - O colega se orgulhava de não acreditar mais em Deus, nem nos santos, nem em coisa nenhuma. O amigo, ouvindo aquilo, indagou: Com todo respeito, em quê que você crê agora que deixou de acreditar? - Oh! Quer saber. Eu não ando me preocupando com
feito em exercício do cargo de Prefeito; Dr. Donizetti Nogueira Ramos - Juiz de Direito da Co-
mais nada. Acho que está tudo tão doido que não ligo mais para nada. O outro, ouvindo isso falou: - Mas, se você perdeu a razão de viver, a partir de onde orienta sua vida? - Outro cara se orgulhava de descrer disso, daquilo, de tudo enfim. Mas continuava a falar sobre todos os assuntos. Um colega atento, quando teve oportunidade falou: Eh! Passamos de uma sociedade de crenças para uma sociedade de opiniões, não é?É bom, porque assim cada um fala o que quer. - Ainda no bar. Um frequentador se orgulhava de não ligar mais para Deus, cansado de decepção. Entendo o que você está dizendo, interagiu um colega. Para você a vida sem Deus seria mais livre, não é? Deus é um estorvo que o impede de viver prazerosamente, não? Deus inimigo de sua felicidade. Ruim, hein? - A esposa quis acompanhar o marido na consulta médica. Lá pelas tantas, indagou do profissional: não é verdade, doutor, que quem toma este remédio que o senhor está receitando tem que tomar um diurético? O médico respondeu: Neste dia eu matei a aula, minha senhora. Ministro do Supremo Tribunal Federal fazia conferência nos EE.UU. Chamado de mentiroso por pessoas do público, não titubeou em dizer que “Um dos problemas que estamos enfrentando no Brasil é um déficit imenso de civilidade”. Declaração? Conversa? Não, autoconfissão. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
marca; Vereador João Dias - Presidente da Câmara Municipal e demais vereadores.
CONSEP elege nova diretoria com mandato até 2023 O Conselho Comunitário de Segurança Pública (CONSEP) elegeu a sua nova diretoria em 28 de junho de 2022. O professor aposentado, Antônio Carlos Menezes Gonçalves, foi reeleito Presidente para o mandato de 2022 a 2023. Fundado oficialmente em junho de 2018, o CONSEP, constituído por uma Diretoria e um Conselho Fiscal, agora é composto pelos seguintes membros: Presidente Antônio Carlos Menezes Gonçalves; Vice-Presidente - José Carlos de Sousa Vale; Secretária - Maria das Graças Fernandes Pinto; Vice-Secretária - Mariany Cristina Pinto Oliveira Silva; Tesoureiro Franklin Marcos Melo da Silva; e Vice-Tesoureiro - Ediney Kenne-
dy do Nascimento. Conselho Fiscal: Marco Antônio Pereira Faro; Maria Gleide Souza e Cleiton Afonso dos Santos. Tendo como suplentes: Leomar Francisco Pereira; Marco Túlio de Resende e José Rosário Silva. Antônio Carlos falou ao JL sobre as atribuições do CONSEP. “O CONSEP é uma Associação de direito privado, com vida própria e independente em relação à Polícia Militar ou a qualquer outro órgão público. De utilidade pública, sem fins lucrativos, para o exercício da cidadania consciente, no qual todos podem participar e contribuir para uma vida comunitária mais segura, eficiente e solidária. O CONSEP atua em questões de segurança pública, juntamente com
os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, como a Prefeitura Municipal, a Câmara Municipal, o Juiz de Direito da Comarca, o Promotor Público, a Defensoria Pública, a Polícia Militar, a Polícia Civil etc., incluindo as Secretarias Municipais, as associações de bairros, as comunidades rurais e todos os Conselhos constituídos em nosso município”. O presidente reeleito destacou algumas ações realizadas pelo Conselho durante o mandato anterior: “Participação nas atividades culturais e auxílio financeiro para as comemorações do 100º aniversário da Escola Estadual Assis Resende; aporte financeiro para a colocação de janelas na torre de vigilância da Penitenci-
ária de Resende Costa; aporte financeiro para a regularização de documentação cartorária das Associações de bairro AMAT (Tijuco) e ARNOVA (Nova Resende), esta ainda pendente; participação em diversas atividades oficiais do município e solenidades relacionadas com a segurança, tais como: reuniões de planejamento, inaugurações de imóveis, vias públicas, entrega de viaturas, curso de capacitação e outras”, disse Antônio Carlos, que completou: “Inicialmente, a atuação do CONSEP foi muito demorada e limitada devido à falta de recursos financeiros e condições de trabalho; além disso, o Conselho não possui uma sede própria. Posteriormente, começamos a receber ajuda financeira
oriunda do MM. Juiz de Direito, Dr. Donizetti Nogueira Ramos”. Os projetos da diretoria para o novo mandato que se inicia preveem a regularização da situação jurídica do Conselho; a efetivação do registro do CONSEP junto à SEJUSP; lançar mensalmente campanhas educativas e de prevenção e combate à criminalidade, além de promover a retomada do PROERD em Resende Costa e realizar encontros territoriais nos conselhos comunitários e na zona rural, entre outras ações. O CONSEP se reúne na segunda terça-feira de cada mês, na Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto, às 19h. V.R.
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Retalhos literários EVALDO BALBINO
Miserere No panô sobre a pia, com casinhas embainhadas que serviam de garfeiro, minha mãe guardava o talher lá de casa: colheres e garfos para tantas bocas. Isso há quase quarenta anos, quando meus olhos infantes liam, bordadas no centro do panô e pouco acima do talher, as letras inconfundíveis das mãos rendeiras de minha genitora:“Deus guarde a minha casa / Salve Deus o meu lar / A todos que sair / A todos que entrar.”. Versos simples assim, numa escrita sem enfeite nenhum e sem formalismos que tornam os rituais religiosos vazios. Na humildade, a fé de minha mãe era verdadeira. Gostava de folhinhas e quadros com frases bíblicas. Quando ganhou um folheto com uma frase do Salmos, imediatamente pediu que o emoldurassem e o colocou na parede da sala. Até hoje esse quadro está lá, e o namoro constantemente. Namorá-lo é um dos modos de amar para sempre a minha mãe. No dia a dia, seus lábios cantavam hinos de louvores a Deus, entre os afazeres e mesmo duran-
te eles. Diversas vezes dizia “Tem misericórdia, meu Deus!”, ao que eu, preocupado, indagava: “Mãe, tá tudo bem?”. “Só tô conversando com Deus, meu filho.”. E assim prosseguia: trabalhando sempre, para si e principalmente para todos, trabalhando e conversando com o Ser Supremo. Levantava-se muito cedo, meio escuro ainda o dia, e passava café para tanta gente: o marido, filhos e sobrinhos que conosco viviam. Somente nos últimos anos, já com a casa mais vazia (morando nela somente meus pais e minha irmã caçula), é que meu pai assumiu a tarefa do café, antes de ir para o serviço de pedreiro. Mesmo aposentados, meus amados pais nunca quiseram deixar de trabalhar, como até hoje meu pai trabalha. Minha mãe madrugava e compunha no seu dia um enredo rico de tarefas, de tapetes no tear, de comida sempre saborosa no fogão. E em tudo e para além de tudo, o sempre amor. Sua existência amorosa para com filhos e marido e todos os mais que
lhe buscavam atenção e afeto. Até mesmo os que a ofenderam ao longo da vida receberam, em troca, a lição cristã da outra face ofertada, das mãos estendidas para quem fosse, independentemente do que fizessem. Aos distantes, quando Deus e seu esforço lhe permitiram ter um celular, sempre fazia chamadas na demanda por notícias. Assim comigo, morando a quase duzentos quilômetros dela, e assim também com os netos que de nossa pequena cidade foram saindo. Os celulares que foi adquirindo, e sempre comprando outro somente quando o anterior estragava, eram todos simples, também sem nenhum enfeite e nenhum aparato de muita tecnologia. “Só quero telefone pra conversar o que for preciso.” – ela dizia isso como quem fala “Preciso do ar pra respiração.”. De fato, nunca nada de aplicativos para chamadas de vídeo, nunca o uso de internet. Sempre era a sua voz me chegando pelo telefone: “Tudo bem, meu filho?”. Ao que eu respondia
que sim (mesmo tendo problemas meus que evitava levar-lhe), seguindo-se de minha parte um pedido de bênção, que graça de mãe não se deve negar. Muitas vezes eu falava com ela, a distância, umas duas ou três vezes por dia. Até mesmo mais do que isso. A cada conversação, o meu pedido de bênção era renovado. Nas minhas visitas a ela, sempre a sua preocupação com a hora em que eu chegaria. Quando eu retornava para minha casa, somente sossegava o seu coração depois de receber minha chamada com a notícia de que eu já estava sob meu teto e de que sob a graça de Deus já tinha feito uma viagem tranquila. Quando eu não ligava de imediato após meu retorno, ela mesma me chamava, dizendo, nas entrelinhas, que a distância não nos separava. Há oito anos saiu a versão número 5 do Hinário de nossa igreja. De imediato ela se apaixonou pelo novo hino 44, “Sol da justiça”. Logo aprendeu a música e a letra; e desde então exalava a canção lá em casa, enfeitando o ar, a
rua, o mundo. Sua voz era afinada; o seu canto, vida. E no refrão seu canto nos amava por meio do amor sagrado: “Sol da justiça, Sol da justiça, / Temos agora Teu resplendor; / Graça trouxeste do Pai Eterno, / Misericórdia ao pecador.”. Uma coisa entre tantas me fez admirar cada vez mais a minha mãe. Mesmo vindo de uma formação moralista, o que ela sempre foi aprendendo com a vida e nos ensinando é que todos somos filhos de Deus. Sem prender-se a uma ideia absurda de pecado, o que ela dizia e praticava era amor, simplesmente amor. E o amor divino é pura misericórdia. Nos seus últimos momentos de vida terrena, suas últimas palavras sobre a cama de um hospital não foram um olhar apenas para si, mas para todos nós. Mesmo na dor, no corpo sofrido, o que seus olhos e boca disseram foi amor eterno: “Deus, tem misericórdia de nós!”. Depois disso, um apaziguamento sem fim, um rosto suave nos beijando a vida.
De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO
Shows caríssimos em discussão: o caso envolvendo Gusttavo Lima Causou tititi enorme a notícia de que um show do cantor Gusttavo Lima, agendado para ser realizado na cidade de Conceição do Mato Dentro/MG, no último dia 20 de junho, havia sido cancelado. O motivo do cancelamento: a repercussão negativa ante o cachê milionário que o cantor receberia no valor de R$ 1.200.000,00. Isso mesmo: um milhão e duzentos mil reais. Tudo isso para uma apresentação que geralmente dura em torno de uma hora. Fazendo uma conta fácil, um trabalhador brasileiro que recebe por mês R$ 1.212,00 (mil e duzentos e doze reais), que corresponde a um salário mínimo, precisaria trabalhar exatos 990 meses, ininterruptos 30 anos, para atingir o valor cobrado pelo cantor para apresentar seu show na cidade mineira. E esse grupo de trabalhadores não é pequeno, ele corresponde a 38,22% do total da força de trabalho brasileira. É muita gente, uma loucura.
Não entram aqui outras despesas relacionadas ao transporte, alimentação e hospedagem para grupo de 40 profissionais que acompanha o artista e que exige hotel mais luxuoso da região e comida “de primeira”. A cidade de Conceição do Mato Dentro, considerada a capital mineira do ecoturismo, fica a 169 km da capital mineira, em local bastante procurado por turistas interessados nas belezas naturais da Serra do Cipó. Com 18.126 habitantes, conforme apurado pelo IBGE em 2017, cada morador iria pagar, de forma indireta, o valor correspondente a R$ 66,21 por ingresso. Por que tanto dinheiro para um show? Convenhamos, é muita grana. Por isso mesmo o Ministério Público entrou em cena, com o intuito de investigar este e tantos outros que também foram cancelados em cidades pequenas e pobres da região Nordeste brasileira. Afinal de contas, por que gastar tanto dinheiro que, se aplicado em
ações artísticas e culturais, mais saúde, educação e segurança, traria resultados positivos para todos ao longo de um ano? Não discutimos aqui quanto vale um show do Gusttavo Lima. Preço pelo trabalho que realiza, cada um põe o seu. Cabe-nos aceitar ou não. Também não colocamos para reflexão as qualidades artísticas do cantor e seu repertório. Afinal, gosto não se discute, cada um tem o seu. Ele, ante tantos shows cancelados, sente-se perseguido, injustiçado. Nas redes sociais manifestou interesse em ir embora do país, quando muitos responderam: pode ir. O bafafá, que teve início ao longo do primeiro semestre desse ano, deixou empresários e artistas insatisfeitos. Afinal de contas, vozes começam a ser ouvidas vindas daqueles que se preocupam com o bem-estar da população. Muitos desses municípios pequenos não produzem riqueza. Eles dependem de verbas que chegam do Fundo
de Participação dos Municípios (FPM) para custeio de despesas fundamentais, como manutenção de serviços públicos de saúde e educação. Portanto, não é incorreto questionar gastos exorbitantes como é o do caso citado aqui. É preciso considerar ainda que as verbas que recebem as prefeituras municipais vêm carimbadas, forma de dizer que não podem ser desviadas a fim de outros serviços, como pagamento de cachês a artistas. Nossos grupos artísticos vivem de pires na mão, lutam bravamente para poderem manter sua programação de aulas, ensaios e apresentações quase que sem recurso financeiro algum. Alguma verba chega e, principalmente, às vésperas de eleições para vereadores, prefeitos, deputados. Esses 38,22% da população composta de trabalhadores que recebem mensalmente até um salário mínimo merecem do poder público a atenção de lhes propor-
cionar momentos de lazer. Além de saúde e educação gratuita, não devem ser deixadas à margem a promoção de festas, sendo que muitas delas são realizadas por grupos organizados dos próprios municípios. A última edição da festa do artesanato (VIII Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa) nos serve de exemplo. Foi possível realizá-la ouvindo boa música interpretada por bandas da região sem, com toda certeza, gastar uma fortuna para contratá-las. Já para a Festa do Parque do Campo, nós participamos pagando ingressos para poder assistir aos espetáculos, sabendo que a prefeitura municipal cobre parte dos gastos com a promoção do evento. Em se tratando de dinheiro público, não é incorreto buscar informações sobre todas essas transações. Enquanto isso, neste momento, há 33 milhões de brasileiros desempregados, na miséria, passando fome.
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NOSSA COOPERATIVA
Ação socioambiental beneficia mais de mil famílias da região Anualmente, mais de mil instituições se unem em todo o país para celebrar o Dia de Cooperar (Dia C), iniciativa do Sistema Ocemg que de 2009 até aqui já impactou 13,7 milhões de pessoas e envolveu pelo menos 500 mil voluntários. O Sicoob Credivertentes participa desse mutirão pelo bem comum desde o início e realizou, nos dias 14 e 15 de julho, mais uma dobradinha de projetos transformadores. No âmbito Social, a Cooperativa distribuiu quase 20 toneladas de alimentos em 22 cidades e distritos onde atua. Na ponta do lápis, foram entregues 1,1 mil cestas com cerca de 18kg de mantimentos a 50 famílias de cada comunidade. Junto a isso, no viés Ambiental, foi lançada a terceira edição do Minas + Vertentes, projeto voltado ao cercamento gratuito de Nascentes que, até o fim de 2022, terá protegido nada menos que 7 mil metros de olhos d’água em Piedade do Rio Grande e Madre de Deus. Vale lembrar que em 2020 e
2021 a iniciativa somou 14 mil metros de área cuidada em 22 propriedades de São Tiago, Resende Costa, Ritápolis, São João del-Rei, Prados e Coronel Xavier Chaves. Ou seja: até agora, 40 fontes de água foram isoladas com materiais sustentáveis e apoio técnico, garantindo fluidez e limpeza desses recursos hídricos desde o ponto em que brotam. Todos os investimentos nessa proposta, ultrapassando R$335 mil, foram custeados pelo Sicoob Credivertentes. SOLIDARIEDADE O sétimo princípio Cooperativista é simples e direto: interesse pela Comunidade. Algo que o Sicoob Credivertentes exerce todos os dias tanto no atendimento aos Cooperados quanto nos programas profissionalizantes, culturais e de desenvolvimento que realiza. No Dia C, claro, não seria diferente. E por isso mesmo os mais de 200 colaboradores da instituição integraram o mutirão de distribuição de cestas bá-
Mobilização em 22 comunidades do Campo das Vertentes e da capital mineira, Belo Horizonte, envolveu dois projetos: um de cercamento de nascentes e outro com doação de cestas básicas sicas realizado na segunda semana de julho. Para o gerente da agência de Resende Costa, Alessandro Caldeira, o momento foi transformador. “Além de conectar pessoas oferecendo soluções financeiras, nossa missão é abraçá-las com cidadania. Saber que podemos fazer a diferença com nosso trabalho e o apoio da comunidade é sempre muito gratificante”, explica. Em 2022, a equipe resende-costense direcionou mais de 900 quilos de alimentos às conferências da Sociedade São Vicente de Paulo. “A SSVP é uma das instituições mais tradicionais e importantes da cidade, atendendo dezenas de famílias que com toda certeza precisam de nosso apoio e solidariedade”, diz Caldeira. OTIMISMO Água jorrando limpinha, caixas cheias, natureza protegida. Para Seu Edson Paiva, de Coronel Xavier Chaves, receber a assistência do Minas + Vertentes foi um presente. Ele nasceu e cresceu no Sí-
tio da Capetinga, propriedade abastecida por quatro mananciais que, com o tempo, começaram a perder força – para tristeza do produtor rural. “Água é sagrada, né? Se ela morre, muita coisa morre com ela”, diz. As preocupações dele diminuíram no ano passado, quando ações do projeto ambiental do Sicoob Credivertentes ultrapassaram as porteiras do cantinho que tanto ama e protegeram as nascentes locais. “Três eu já cercava”, explica. “Mas fazia do meu jeito. Com a vinda do técnico, ficou tudo nos conformes. Eu acho que daqui a pouco vai ter laguinho ali, como antigamente”, torce Seu Edson, de 75 anos. E isso pode acontecer, sim. “Quando realizamos esse isolamento, nós evitamos que o solo seja pisoteado e compactado por animais. Pouco tempo depois, a água ganha liberdade e força para seguir seu curso natural”, explica o técnico responsável pelos cercamentos, Murton Moreira. No processo, são utilizados moirões, balancins e arame.
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REGIONAL
Estado aprova expansão da coleta seletiva na região Proposta do Cigedas contempla 11 municípios, inclusive Resende Costa JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A coleta seletiva deve ganhar reforço e estímulo na região de São João del-Rei. O Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes (CIGEDAS) foi selecionado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) para ampliação ou implantação de programas municipais de coleta seletiva. O consórcio já forneceu todos os documentos solicitados e aguarda apenas a assinatura do convênio. Elaborado pela Superintendência de Saneamento e pela Diretoria de Resíduos Sólidos Urbanos, o edital teve como foco a aquisição de equipamentos básicos (prensa hidráulica, balança digital, elevador de fardos, esteira, mesa de triagem etc.), no valor de R$ 6,5 milhões. Do
montante total, R$ 4,5 milhões são destinados a financiar a aquisição desses tipos de equipamentos por parte de consórcios intermunicipais, ficando o restante para prefeituras que se candidataram sozinhas. A proposta do Cigedas, no valor de R$ 993 mil (o teto era de um milhão de reais), contempla 11 dos 19 municípios consorciados, de acordo com Thiago Nascimento, engenheiro ambiental do Consórcio. São eles: Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Lagoa Dourada, Madre de Deus de Minas, Nazareno, Prados, Resende Costa, Santa Cruz de Minas, São Tiago e São Vicente de Minas. POR QUE 11? Era uma “demanda represada de alguns municípios” que já tinham propostas, explica Nascimento. Estes municípios “precisavam de equipamentos para fortalecer, ou
até mesmo implantar, essas ações de coleta seletiva em seu território”. Assim, “na medida em que “a gente foi fechando o projeto, acabou atingindo a cota máxima de valor que poderia ser apresentada; como era uma demanda acumulada de outros momentos, tivemos que ver quem poderia ser contemplado num primeiro momento”. Mas ele assegura que o Cigedas está atento para alguma possibilidade, no futuro, de expansão do programa. Resende Costa vai ser contemplada com uma prensa hidráulica. No município, existem quatro catadores, membros de famílias cadastradas na Secretaria de Assistência Social, que participam do programa de coleta seletiva (realizam um trabalho de triagem de resíduos recicláveis). A prensa hidráulica vai ajudar a fazer a montagem dos fardos, depois do material separado, para a revenda. “A prensa hidráulica
vai auxiliar nesse trabalho e potencialmente aumentar a produtividade deles”, observa Nascimento. FUNCIONAMENTO Tão logo o convênio seja assinado, os recursos serão repassados ao Cigedas por meio de uma conta bancária específica. A licitação para adquirir o material ficará por conta do consórcio, explica Nascimento. “O que iremos receber não é o equipamento pronto, mas sim o recurso do Estado para fazer a compra.” A melhor maneira de fazer a licitação ainda será definida: “pedir às empresas para fazer a entrega na sede do consórcio em São João del-Rei e depois distribuir para os municípios de acordo com o que foi definido no projeto, ou as empresas entregarem os equipamentos diretamente em cada município contemplado”. Os equipamentos a serem adquiridos vão ser utilizados, por
exemplo, nas unidades de triagem de resíduos sólidos urbanos, mais conhecidas como usinas de reciclagem. Os resíduos coletados na cidade (domicílios, comércio etc.) vão para essas usinas, onde é feita a separação manual de acordo com os diferentes tipos de material, e depois são revendidos. “Alguns equipamentos são necessários para viabilizar essa operação”, explica Nascimento. VENDA O engenheiro ambiental do Cigedas aponta duas formas de venda dos resíduos enfardados. A venda segue a modalidade de leilão quando a licitação é feita pela própria prefeitura ou pelo consórcio. Em ambos os casos, a receita fica integralmente para a prefeitura. Já nos municípios que possuem associação, a venda é realizada pelos próprios catadores, que ficam com a receita.
O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES
Só xingar, vale pouco Pelas voltas que o mundo dá, a inflação veio com tudo, trazendo fome e elevando ao máximo a pobreza nos países já pobres. Voltas energizadas pela ganância, pela maldade humana, pelo poder político interesseiro e egocêntrico, pelo vantagismo (o leitor lembra da “lei de Gerson”?). A guerra da Rússia contra a Ucrânia, os assassinatos na Amazônia, a destruição de recursos de sobrevivência pelo tráfico, pelo garimpo, pela pesca e caça ilegais, pelas minerações etc. que o digam. Confirmando o que já sentimos na carne. No momento em que escrevo (19/06/2022), leio a manchete do Estadão: “Fila para o Auxílio Brasil (benefício de 400 reais por mês para cada família) dobra e já tem 2,78 milhões de famílias”. O xingatório maior agora é contra a Petrobrás por causa dos aumentos nos combustíveis, que
impedem o controle do efeito dominó no meio de vida econômico do(s) país (es). Reclamar, criticar, xingar, é preciso, porém não basta. Faz-se necessário apontar soluções. É minha opinião quanto à Petrobrás, desde que supurou a crise ocidental do petróleo do momento atual. Opinião que não está sozinha. Veja a matéria de Vinícius Neder no caderno de Economia, também no Estadão de hoje (19/06/2022). Quem sabe você concorde? “Petrobras repassa mais R$ 8,8 bilhões ao governo federal, seu maior acionista.” Especialistas avaliam que, em vez de atacar a empresa, o governo deveria usar essa parcela de lucro em políticas sociais. Dizem economistas: “A estatal, que reduziu a sua dívida, pode ser ainda mais rentável com a receita do pré-sal”. Apesar das críticas ao lucro
da Petrobras já feitas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, o governo federal está entre os maiores beneficiários dos resultados financeiros da petroleira. A União recebeu mais uma parcela, de R$ 8,8 bilhões, do lucro da estatal. A cifra faz parte de um total, já anunciado este ano, de R$ 32 bilhões em dividendos que serão pagos até julho ao governo, maior acionista da companhia. Entre 2019 e 2021, a União já tinha embolsado em dividendos outros R$ 34,4 bilhões, a valores atualizados, segundo levantamento de Einar Rivero, da TC/ Economática. Quando se somam, ao lucro destinado à União, os impostos e os royalties, a Petrobras injetou nos cofres federais R$ 447 bilhões de 2019, início do governo Bolsonaro a março deste ano, conforme dados dos relatórios fiscais da companhia, revelados pelo Es-
tadão em maio. Considerando-se estados e municípios, o montante chega a R$ 675 bilhões. Só o montante pago à União corresponde a aproximadamente cinco vezes o orçamento do Auxílio Brasil previsto para este ano, em torno de R$ 89 bilhões. Desde o início do ano, para rebater as críticas de Bolsonaro e de líderes do Congresso Nacional, a Petrobras vem ressaltando que seus ganhos retornam para a sociedade. A empresa informou que, em 2021, recolheu R$ 203 bilhões em tributos próprios e retidos, maior valor anual já pago pela companhia, um aumento de 70% em relação a 2020. No primeiro trimestre de 2022, pagou mais R$ 70 bilhões aos cofres públicos entre lucro, tributos e participações governamentais, praticamente o dobro do valor recolhido no mesmo período de 2021. PROBLEMA OU SOLU-
ÇÃO? Não falta dinheiro aos três poderes da nação e a seus funcionários categorizados. Há partidos políticos com dificuldades para gastar a quantia a eles destinada pelo Fundo Partidário! Pode?!! Viva o orçamento secreto!! Falta, sim, aos cidadãos comuns que são a maioria. Todos contribuem para o bolo. A injustiça está na distribuição das fatias. Como diz o economista Luís Eduardo de Assis, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, a fome tem rosto, tem nome e tem endereço. Tem também origem. Essa catástrofe que nos envergonha deriva da pérfida combinação entre erros da política econômica e desprezo pelos mais pobres. E informa: em 2022, 60 milhões de pessoas sofrem de insuficiência alimentar grave, ou seja, passam fome (Oesp 20/6/2022). É o que penso. E você?
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ESPORTE
Ponte e Parruca levantam troféus no 7 º Torneio Municipal do Expedicionários VANUZA RESENDE
Depois de quatro meses de bola rolando pelos gramados do Expedicionários, a sétima edição do Torneio Municipal do Expedicionários chegou ao fim no domingo, 10 de julho. A disputa contou com a participação de 14 equipes divididas em duas divisões. A primeira divisão contou com dois grupos de quatro equipes: Ponte, Juventus, Curralinho e Fazenda de Cima no grupo 1. Expedicionários, Cajuru, Ribeirão e Independente de Jacarandira no grupo 2. Ponte e Expedicionários se classificaram para a grande final. O troféu ficou com a Ponte, que venceu por 1x0 com gol de Leonardo. O artilheiro da competição, com 11 gols, foi o jogador Rael do Dico, da Ponte. A meta menos vazada foi a do goleiro Diego, que defende as cores do Expedicionários, levando apenas um gol. Já a segunda divisão contou com seis equipes, divididas em duas chaves de três equipes. Chave A com Expedicionários, Parruca e Ponte. Grupo B formado pelo Boca Júnior, Guarani e União Tejucano. Classificaram-se para as semifinais Parruca x União Tejucano e Ponte
x Boca Júnior. A grande final foi disputada entre Parruca e Ponte. Melhor para o Parruca, que venceu por 3x0. Apesar de tradicional, Parruca – time de origem no povoado dos Pintos – voltou à ativa há menos de dois anos. O artilheiro da segunda divisão do Campeonato, André Nathan, falou sobre o retorno do clube aos gramados. “Estávamos lá na roça, (povoado dos Pintos) e decidimos começar a brincar no campo do Parruca, mas o campo estava mal arrumado, muitos cupins. E aí, nós mesmos começamos a arrumar. Tivemos sorte, pois a máquina da prefeitura municipal estava lá nesses dias e nos ajudou. Ficamos com um ótimo campo e voltamos a jogar bola desde setembro, outubro de 2020. E com mais gente chegando, de diferentes idades, conseguimos montar um time para o torneio”, explica o jogador. Com 7 gols marcados, o jogador brinca com o fato da primeira disputa oficial do time após alguns anos sem atividade, mas sabe que o resultado foi o melhor possível. “Quando entramos no campeonato, o pessoal ficou até um pouco cismado porque somos um time bem novo. Escolhemos entrar na segunda porque o time jamais tinha
A Ponte foi a grande campeã da primeira divisão do Torneio Municipal Expedicionários 2022
disputado um campeonato. Porém, foi muito boa a experiência. Entramos, fomos ganhando, ganhando e chegamos à final”. O Parruca também teve o goleiro menos vazado, o Wagner, que levou apenas três gols na competição. Paulo Ricardo, presidente do Expedicionários e um dos organizadores do campeonato, falou sobre os jogos. “Durante o torneio, tivemos um grande público, sempre acompanhando as equipes de suas comunidades. Na final, a arquibancada estava lotada, em torno de 600 pessoas. Gostaria de agradecer a parceria com o poder público e enfatizar que conseguimos atingir quase todas as comunidades com o ressurgimento de equipes que estavam paradas há anos, como o caso do Parruca e do Boca Júnior. Além disso, tivemos a formação de novas equipes: Guarani e União Tejucano. Outro destaque é o trabalho feito na base: em torno de 100 atletas que passaram ou estão integrando as equipes de base do Expedicionários participaram do campeonato. Por fim, quero deixar o convite para o 12º Regional, que se inicia em agosto, com o Expedicionários defendendo o nome da cidade e o título. Já o Municipal retorna em 2023”.
O Parruca levantou o troféu de campeão da segunda divisão do torneio municipal do Expedicionários
1ª Copa Resende Costa de Jiu-Jitsu é realizada em Resende Costa No último dia 26 de junho, foi realizada, no Ginásio Monsenhor Nelson, a 1ª Copa Resende Costa de Jiu-Jitsu. O evento contou com a participação de mais de 130 atletas, representando 17 cidades. O evento começou às 9h e teve lutas durante o dia todo. A equipe Bauer Team - projeto social “Abraçando Vidas”,da cidade de São Tiago, foi a campeã geral da competição.
O organizador da Copa Resende Costa de Jiu-Jitsu, Otávio Ribeiro, falou sobre o evento. “A Copa foi importante para a consolidação do Jiu-Jitsu em Resende Costa e, com isso, fomentar e incentivar a prática do esporte em nossa cidade. Destaque especial para a categoria infantil, que contou com vários atletas demonstrando personalidade e, principalmente, espírito es-
portivo. Uma forma de mostrar que ganhar ou perder faz parte. A Copa contou também com vários apoios comerciais que abraçaram nossa ideia e depositaram a confiança em nosso trabalho, além da Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Educação Esporte e Lazer/Divisão de Esporte, e a Associação Esportiva Expedicionários”.
Papo de Esportes VANUZA RESENDE
Tá cedo ou já podemos começar a pensar nele? O Hexa! Ele vem? Bem, amigos leitores do Jornal das Lajes, o tempo tá passando depressa! Por mais que ele pareça congelar entre as oitavas e quartas de final das competições como Copa do Brasil e Libertadores da América, ele está voando. E falta pouco mais de 100 dias para ela começar: a Copa do Mundo de 2022. O torneio será realizado no final do segundo semestre de um ano que teremos eleições presidenciais. Em um momento de divisões, opiniões contrárias e discussões calorosas, a Copa do Mundo chega com todo o sentimento de patriotismo. Eu sei que não são todos, mas são quase todos os brasileiros unidos e mobilizados na torcida para a seleção. Nós, brasileiros, torcemos para o país com mais participações na Copa do Mundo e mais títulos. Mas não é porque temos cinco que não queremos o sexto. Pelo contrário... E se não temos uma verdadeira seleção como em 2002, nos agarramos em números. Bons números: melhor campanha da história das eliminatórias, fizemos 45 pontos e superamos os 43 pontos da Argentina em 2002. E estamos na ponta do ranking mundial das seleções da Fifa. Mas temos também possíveis bons adversários: França, Alemanha, Espanha, Bélgica, Portugal, Inglaterra e Argentina – na provável última copa de Lionel Messi. Leio e ouço muito que o favoritismo esse ano está com a França. E isso, sinceramente, é um alívio. Ser favorito em Copa do Mundo nunca dá certo. E a Itália sabe muito bem disso. A atual campeã europeia foi saco de pancadas nas eliminatórias da Copa e não viaja para o Catar. Pelas eliminatórias, acompanhamos o que a seleção atual pode nos oferecer. Apesar
de não estarmos recheados de craques, avalio que temos bons nomes. Um setor defensivo bom, com Alisson, Marquinhos e Éder Militão. Richarlison, Fabinho, Casemiro e Paquetá ocupando as laterais e chegando ao meio de campo. Raphinha, Gabriel Jesus, Neymar e Vinicius Júnior lá na frente. Sem falar em Alex Sandro, Arana, Fred, Gabigol, Thiago Silva, e quem sabe, a última copa de Daniel Alves. Isso dos possíveis convocados, né? Aqui em Minas, um jogador esmaga tudo e julgo que está até em melhor fase hoje do que quando foi convocado lá atrás. Quem sabe não veremos ainda Huck, do Galo, com a camisa verde e amarela?! Talvez o que mais pese para a negativa é justamente o fato de jogar aqui em Minas... Papo para outra hora. O Brasil enfrenta pelo grupo G Sérvia, Suíça e Camarões. Em 2018, jogamos justamente na primeira fase contra Sérvia e Suíça. A estreia do pentacampeão será no dia 24 de novembro, uma quinta-feira, contra a seleção da Sérvia, às 16 horas, no estádio que receberá a final do torneio, Lusail Stadium. Os outros dois jogos serão no dia 28 de novembro, contra a Suíça e 02 de dezembro, encerrando a participação na fase de grupos contra Camarões. No dia 18 de dezembro, o último apito na Copa do Catar, e que seja o apito coroando o Hexa Campeonato, após 20 anos do saudoso time do Penta. Já que o assunto é Copa, antes de ir embora deixo o convite e a torcida pela Seleção Feminina na Copa América. A grande final está marcada já para o dia 30 de julho. O Brasil estreou no dia 09 e, nesse caso, o octacampeonato é que está em jogo. Que ele venha, assim como o Hexa!