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Edição 229 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XIX

• MAIO 2022 • Nº229

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Expedicionários comemora 76 anos de fundação A história do glorioso Expedicionários Futebol Clube começou em maio de 1946, um ano após o fim da II Guerra Mundial. 76 anos depois, um dia todo de comemorações marcou o feito histórico do esporte em Resende Costa. No sábado, 7 de maio, aconteceram no estádio do Expedicionários diversas partidas envolvendo as categorias do clube e que vêm disputando torneios locais e regionais. O destaque do evento comemorativo foi o jogo entre as equipes máster do Expedicionários e do Clube Atlético Mineiro. Os visitantes venceram o jogo por três a dois. PÁG 16

Foto: Arquivo pessoal

Romeiros resende-costenses viajam a cavalo até Aparecida (SP), a capital da fé

Romeiros resende-costenses no interior do Santuário Nacional de Aparecida

André, Bruno, Carlos Flávio, Elton, Filipe, Flávio Júnior, Gledyson, Leonardo, Marcelo, Otávio, Rafael, Ricardo, Robson e Ronaldo cavalgaram, em

12 dias, cerca de 350 quilômetros entre Resende Costa (MG) e Aparecida (SP). Inspirados e fortalecidos pela fé, os romeiros resende-costenses superaram o

cansaço e os desafios e, no dia 5 de maio, chegaram ao destino final. Em frente à Basílica Velha de Aparecida, os cavaleiros foram recebidos, com emoção,

por seus familiares e agradeceram à Padroeira do Brasil as graças recebidas e o sucesso de uma romaria que se tornou histórica para eles. PÁG 11

Após 41 anos, Resende Costa volta a receber visita oficial de um governador de estado Em 1981, o então governador Francelino Pereira veio ao município para inaugurar a rodovia asfaltada LMG – 389, obra

considerada hoje um marco para o desenvolvimento social e econômico de Resende Costa. Após essa data histórica, no último

dia 5 de maio, o governador de Minas Gerais voltou à cidade. Acompanhado do prefeito municipal em exercício, Lucas Paulo

(PSD), deputados e lideranças políticas, Romeu Zema (Novo) foi recebido em um almoço na Churrascaria Ramona e visitou a

Escola Estadual Assis Resende. Leia editorial na página 2. PÁG 05


PÁG. 2 • JORNAL DAS LAJES

ANO XIX Nº 229 - MAIO 2022

EDITORIAL Qualidade de vida e desenvolvimento

Jornal das Lajes Ltda Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende

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Em visita a Resende Costa, no último dia 5 de maio, o govenador de Minas, Romeu Zema (Novo), fez o seguinte elogio à cidade: “Parabéns para a cidade, que está crescendo e se desenvolvendo, oferecendo uma ótima qualidade de vida para aqueles que moram aqui. Resende Costa, um ótimo lugar para se visitar e, quem sabe, até para morar. Tô com inveja de quem mora aqui.” Chama a atenção na declaração do governador a constatação dele de que Resende Costa oferece qualidade de vida a seus moradores, ao mesmo tempo em que se desenvolve. Afinal, o que é qualidade de vida? É possível viver bem em uma cidade pequena, sem os mesmos recursos financeiros, infraestrutura e opções culturais que as capitais oferecem? A visita do governador de Minas a Resende Costa é reportagem de destaque desta edição do Jornal das Lajes (ed. 229). Há 41 anos, em março de 1981, a cidade recebeu o governador Francelino Pereira para a inauguração da rodovia asfaltada Alfredo Penido (LMG-389), considerada um marco importante para o desenvolvimento social e econômico do município nas décadas seguintes. A vinda de Francelino a Resende Costa na década de 1980 foi a última visita oficial de um governador de estado ao município. Receber, portanto, novamente o governador de Minas em visita oficial foi um privilégio para o município. No mesmo dia, Romeu Zema também cumpriu agenda em São João del-Rei. O elogio que o governador Zema teceu a Resende Costa, destacando que aqui se tem qualidade de vida, nos leva a refletir sobre o que é qualidade de vida. Nos últimos tempos, essa reflexão tem vindo à tona a partir do crescente movimento migratório de pessoas saindo dos grandes centros urbanos com destino às cidades pequenas do interior. O que essas pessoas estão deixando? A correria nas grandes cidades, a violência, o custo alto de vida e o estresse. O que elas buscam? Sossego, segurança, um novo estilo de vida. No entanto, muitos ainda tendem a associar uma vida feliz às condições de poder viajar e conhecer novos lugares, adquirir bens e acumular dinheiro, viver confortavelmente em grandes mansões, ter empregos rentáveis e lugar de destaque e prestígio na alta sociedade. Visão que não corrobora os argumentos de quem deixa tudo isso nas grandes cidades para viver de forma pacata e simples, porém saudável, no campo. Durante o período mais tenso da pandemia de Covid-19, em que vigoraram medidas de isolamento social, o êxodo de pessoas que migraram dos grandes centros para o interior ocorreu com mais intensidade, despertando a curiosidade de estudiosos do assunto e da imprensa de forma geral. A pandemia foi a principal responsável por esse movimento migratório, ou já havia uma predisposição dessas pessoas de deixarem as capitais em busca de tranquilidade no campo ou nas pequenas cidades? O anseio por qualidade de vida é a resposta. Desenvolvimento econômico e qualidade de vida estão intrinsecamente ligados. Se uma cidade que oferece à sua população acesso a emprego, educação e saúde de qualidade, pode-se dizer que nela existe qualidade de vida. E foram esses atributos que Zema observou em sua breve passagem por Resende Costa e o inspirou a elogiar a cidade. Se olharmos para a história de Resende Costa, constataremos que o desenvolvimento do comércio local – especialmente do artesanato, que impulsiona também o turismo enquanto atividade econômica geradora de renda – trouxe novas opções, sobretudo de emprego, à população. Não é exagero dizer que nossos jovens têm acesso a uma educação de qualidade, basta ver o índice de aprovação no Enem e o número de matriculados em universidades e cursos técnicos. Para o futuro, desafios batem à porta. Apesar dos inúmeros e inesgotáveis problemas na área da saúde, o município avançou muito. A população resende-costense conta com três PSFs (Programa de Saúde da Família) e o Hospital Nossa Senhora do Rosário é referência na região. Faltam ainda mais opções de entretenimento e cultura, porém estamos no caminho certo e podemos, sim, concordar com o governador Zema e dizer que a nossa cidade oferece qualidade de vida à sua população.

Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:

Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

OPINIÃO

Engenheiros do Caos ou um nada admirável mundo novo RENATO RUAS PINTO

A leitura veio a calhar com a eleição que se avizinha. Recentemente, em várias entrevistas sobre política, cada vez que se tratava de fakenews e a guerra suja de comunicação através de memes e robôs no debate político, o livro “Os Engenheiros do Caos” era sempre citado. Fiquei curioso, fui atrás para conferir se o frisson se justificava e fui positivamente surpreendido com o livro do escritor Giuliano Da Empoli (Vestígio Editora, tradução de Arnaldo Bloch). O autor trata da nova realidade da disputa política, que saiu do campo dos debates na TV e dos editoriais dos jornais tradicionais para o mundo das notícias (verdadeiras ou não) e memes compartilhados freneticamente no WhatsApp e redes sociais. Ao invés de buscar atualizações em mídias consagradas de TV ou jornais, cujo número dá para contar nos dedos da mão, agora estamos expostos a um universo infinito de sites, blogs e canais de YouTube para todos os gostos do espectro político. E para quem desce nas profundezas da web, a internet permitiu, em sites e fóruns obscuros, a reunião e organização de extremistas, como neonazistas e grupos abertamente racistas. O objetivo do livro é justamente mostrar como essa nova dinâmica influenciou de modo decisivo eleições recentes de figuras radicais, como Donald Trump, Victor Orban na Hungria, a ascensão da extrema direita na Itália e a votação do Brexit, que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia. O autor mostra qual é o modus operandi dessas campanhas e como os novos operadores da política se valem de redes sociais e dos nossos dados pessoais obtidos nesses meios para disparar campanhas de comunicação muito bem planejadas e atualizadas, praticamente em

tempo real, para criar mensagens customizadas direcionadas a grupos muito específicos a fim de influenciar a opinião pública. Na visão do autor, entramos em um caminho sem volta onde um cientista de dados, capaz de analisar em tempo real um volume gigantesco de informação sobre nossas escolhas e comportamentos, tomou lugar de analistas tradicionais que lidavam com pesquisas de opinião com um número muito limitado de parâmetros e cuja validade podia ser alterada da noite para o dia em face de um novo escândalo ou de uma fakenews, que, não por acaso, se tornasse viral. O autor esmiuça os casos que citei e mostra o caminho seguido nesse combate no front digital. A estratégia é basicamente a mesma em todos os casos e podemos incluir até as nossas eleições de 2018, mencionadas no livro. Após a definição da agenda de comunicação, exploram-se tendências e os dados garimpados em redes sociais para tornar a mensagem o mais personalizada possível, reajustando-a sempre que necessário. Embora eu tenha seguido discussões sobre essa nova realidade, o livro trouxe algumas informações e reflexões interessantes que destaco aqui. A primeira é que, para a estratégia funcionar, não importa se as notícias e memes difundidos sejam verdadeiros ou não. Basta ganhar popularidade e viralizar para serem realimentados e a mensagem reforçada. Esta viralização pode até acontecer de forma orgânica, mas o primeiro impulso provavelmente será feito via um ecossistema de robôs e perfis falsos. Segundo, para funcionar, a estratégia dessas mensagens precisa ser centralizada e firmemente controlada por um pequeno grupo e seus escolhidos para serem a face pública do grupo. Ao sinal da menor divergência interna, esses escolhidos são rapidamente descartados

e, frequentemente, se tornam vítimas de difamação vinda da mesma máquina de perseguição da qual faziam parte. O aliado de ontem é o inimigo da fakenews de hoje. Finalmente, a coleta massiva de dados permite a criação de mensagens sob medida para grupos específicos. Isso tem um efeito de favorecer o fortalecimento de bolhas que se unem em torno de um tema, mas também permite atingir bolhas diferentes na mesma campanha, inclusive com mensagens contraditórias. No exemplo da campanha do Brexit, grupos de defensores de animais recebiam mensagens mostrando o quanto a União Europeia era permissiva em termos de maus tratos a animais. Ao mesmo tempo, grupos favoráveis à caça eram alertados pelas regulamentações da UE que restringiam as liberdades dos caçadores. Em outras palavras, as campanhas direcionadas às bolhas permitiam unir grupos díspares em torno da mesma causa. O autor é lacônico em sua conclusão de que esta será a lógica das eleições daqui em diante. Eu confesso que não sei como podemos combater essas campanhas terríveis de fakenews para tentar chegar a um debate minimamente saudável em que se discutam planos e propostas. Menos histeria e mais discussão. A eleição de 2018 já nos deu uma amostra muito ruim desse nada admirável mundo novo e creio que em 2022 será igual ou pior. De todo modo, a leitura do livro é extremamente recomendada para, ao menos, sabermos com o que estamos lidando e não nos tornarmos vetores inconscientes de propagação dessa sujeira. Resistir ao primeiro impulso de compartilhar algo que recebemos no WhatsApp ou redes sociais e tentar verificar a fonte ou a credibilidade da informação já é um primeiro passo importante. Os próximos passos deverão ser discutidos pela sociedade como um todo.


ANO XIX Nº 229 - MAIO 2022

JORNAL DAS LAJES

INFORME PUBLICITÁRIO

CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

RUA JOSÉ VALDIVINO RIBEIRO – PROJETO DE LEI HOMENAGEIA “DEZINHO” O vereador Paulinho apresentou o Projeto de Lei nº 40/2022, que denomina RUA JOSÉ VALDIVINO RIBEIRO a atual Rua 03, Bairro Várzea, que se inicia em propriedade dos herdeiros de José Valdivino Ribeiro e termina na esquina da Rua FF, loteamento de Ivan Barbosa e outros, em propriedade do Município de Resende Costa. Conhecido em nosso meio carinhosamente como Dezinho, um homem simples que nasceu no Povoado do Ribeirão, filho do Sr. José Vicente

Ribeiro e da Sra. Geralda Antônia de Jesus, Dezinho era irmão do conhecido Sr. Zito Galinheiro. Ainda jovem, José Valdivino se casou com a Sra. Margarida Alacoque Ribeiro e tiveram sete filhos. Sr. Dezinho começou bem cedo a trabalhar como carpinteiro no Ribeirão, onde fazia caixões para serem doados para famílias que não tinham condições de pagar. Na tentativa de melhorar de vida, vendeu sua propriedade no povoado e foi morar na sede do municí-

pio de Resende Costa, onde abriu sua carpintaria e fabricava carros de boi e teares. Realizava trabalhos voluntários, principalmente desenvolvendo peças de madeira para a Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha. Sr. Dezinho amava a sua profissão e gostava de ensinar o ofício a outras pessoas. Por não ter tido a oportunidade de estudar, preocupava-se muito com a educação, tendo decidido ajudar de alguma maneira. Assim, comprou diversos livros para serem doados à Bi-

blioteca Municipal. Juntamente com os senhores Geraldo Mendes e Lalado Mendes, correu atrás para que fosse colocada luz no Bairro Várzea, despendendo de próprios recursos financeiros. José Valdivino era uma pessoa de fé, deixou saudade e bons exemplos de vida aos que com ele conviveram. O projeto foi aprovado por todos os vereadores e resultou na Lei Municipal nº 4.897/2022.

VEREADORES APRESENTAM PROJETO QUE CRIA O DIA DO TECELÃO E DO ARTESÃO Os vereadores Cleiton, Coló, João Dias, Cláudio, Lucas e Paulinho apresentaram o Projeto de Lei nº 53/2022 que “Institui o Dia do Tecelão e Artesão no Município de Resende Costa e dá outras providências”. De acordo com o projeto, fica instituído o Dia do Tecelão e Artesão no Município de Resende Costa, a ser comemorado, anualmente, no mês de junho, coincidindo com a semana de comemorações do aniversário da cidade, mesmo quando não for realizada na própria semana do aniversário. O Dia do Tecelão e Artesão tem como objetivos fundamentais: I. Fortalecer e incentivar o desenvolvimento do artesanato local e suas formas associativas e cooperativas de produção, gestão e comercialização. II. Debater e propor políticas de fomento para promover o desenvolvimento do setor artesanal do município. III. Incentivar a prática do artesanato entre as novas gerações. IV. Estimular a realização de eventos, feiras, oficinas, exposições de produtos para comercialização. V. Promover a qualificação e o estímulo ao aperfeiçoamento dos métodos e processos de produção.

VI. Promover debates entre os artesãos e tecelões, órgãos públicos, entidades, empresas e comunidade sobre questões relacionadas à sustentabilidade, fortalecimento e desenvolvimento econômico do artesanato local. VII. Conscientizar a comunidade sobre a importância do artesão, do tecelão e do artesanato como fonte geradora de emprego e de renda e fomento para o turismo e cultura local. Para a devida execução da comemoração, fica o Poder Executivo Municipal autorizado a realizar parcerias com Organizações Governamentais e não Governamentais, bem como iniciativa privada, para viabilizar a infraestrutura necessária para a realização dos eventos e atividades. O Tecelão/Artesão participará da comemoração pelo seu dia por meio de inscrição e levará uma peça de seu trabalho para fazer parte de mostra dos artesanatos fabricados pelos participantes. Segundo os autores, é preciso reconhecer e enaltecer os artistas locais e seus dons. A profissão de Artesão é regulamentada pela Lei Federal nº 13.180/2015, que define com clareza os conceitos de artesão e os requisitos para que as atividades artesanais

possam beneficiar-se de apoios públicos. Apoiar o artesanato local é uma afirmação da identidade cultural regional, dinamização da economia, do emprego em nível local e o fomento dos valores culturais e estéticos das diversas etnias e manifestações populares do povo brasileiro. A reunião contou com a participação da senhora Roseli Antunes Pires, que comentou sobre questões relevantes que o projeto aborda, citando o MEI e carteira de artesão. Segundo ela, “a formalidade é necessária para garantir direitos a esses profissionais como garantia de um futuro digno. Resende Costa respira artesanato.”

O vereador Fernando Chaves solicitou vistas e, juntamente com os vereadores Zé do Dico e Guerra, apresentou Proposta de Emenda acrescentando objetivos, como realização de palestras e outras atividades voltadas para a promoção do uso do Selo de Procedência do Artesanato de Resende Costa e atividades que deem publicidade ao artesanato enquanto patrimônio imaterial registrado e protegido pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (CMPC). O projeto e a proposta de emenda foram aprovados por todos os vereadores, resultando na Lei Municipal nº 4.909/2022.

QUADRA POLIESPORTIVA TIA ZAINHA A quadra poliesportiva do Centro Educacional Infantil Aquarela agora tem o nome de Quadra Poliesportiva Tia Zainha. A denominação é resultado do Projeto de Lei nº 39/2022, de autoria dos vereadores Paulinho, João Dias e Cláudio. Maria do Rosario Pinto e Silva, filha de Sebastião Silvino Pinto e Alzira Clara de Assis Pinto, nasceu em Resende Costa no dia 20 de junho de 1945 e faleceu aos 17 de fevereiro de 2017. Ficou carinhosamente conhecida como “Tia Zainha” pelo seu trabalho prestado por 25 anos na Educação Infantil, no município de Resende Costa. Iniciou suas atividades nessa modalidade de ensino no ano de 1975 na escola Estadual Conjurados Resende Costa. Recém-formada, surgiu a vaga para lecionar; porém, para ser contratada, ela teria que buscar alunos,

pois seria a primeira turma de pré-escolar a se formar na referida escola. Determinada, não foi essa primeira “pedra no caminho” que a fez desaminar. Apoiada por seu pai e sua irmã, Maria da Penha, iniciou sua jornada. À procura de alunos, tia Zainha saía em uma empreitada por trilhas e ruas, como, por exemplo, eram no passado a Rua do Artesanato, a Vavaso, Tejuco, Beira Muro, Parque do Campo, dentre outras. Parecia um verdadeiro censo demográfico. Tia Zainha precisava usar seus melhores argumentos no sentido de mostrar a importância para o desenvolvimento cognitivo e social que essa nova modalidade de ensino proporcionaria às crianças. Enfim, a primeira turma foi formada! Porém, o desafio mais complicado estaria por vir: manter os alunos frequentando a escola. Muito criativa, dinâmica, extro-

vertida, ela mesma criava suas estratégias de ensino. Naquela época, não havia PCNs, congressos de educação, cursos de reciclagem, muito menos coordenadoras pedagógicas para auxiliarem na construção de um Projeto Pedagógico. Na década de 70, praticava-se, ainda nas salas de aula, o que era chamado de “Escola Tradicional”, no qual o aluno era apenas um recebedor de conhecimentos e o professor o detentor do saber. Porém, tia Zainha, muito à frente de seu tempo, já praticava, sem saber, os objetivos da “Escola Nova” e, por que não dizer, do “Construtivismo”, uma vez que as atividades por ela desenvolvidas davam a oportunidade aos alunos de construir seu próprio conhecimento. Criava atividades lúdicas, como músicas que estimulavam atividades motoras, sensitivas, orientação e formação de hábitos. Ela própria fazia

massinha de modelar para as crianças, juntava revistas velhas para recorte e colagem, comprava, com seus próprios recursos, materiais como: tesourinhas, cola, papéis coloridos, retalhos, lãs, linhas etc. para trabalhos manuais. Suas atividades motoras escritas também eram feitas com extrema qualidade. Ressaltando (como citado acima) a não existência, naquela época, de coleções pedagógicas, nem redes sociais que respaldassem o trabalho em sala de aula. Tia Zainha foi pioneira. Se naquele tempo tivesse publicado seus materiais, teriam sido de grande ajuda para muitas professoras. Seus esforços foram reconhecidos e recompensados. Sua fama de boa professora se espalhou. Nos anos subsequentes aos dois primeiros, não mais precisava sair em peregrinação na busca por alunos. As

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POVOADO DOS PINTOS É RECONHECIDO COMO BERÇO DO ARTESANATO TÊXTIL EM RESENDE COSTA O vereador Guerra apresentou o Projeto de Lei nº 57/2022 reconhecendo o Povoado dos Pintos como berço do artesanato têxtil no município de Resende Costa. Segundo o autor, em conversas com seus familiares, foram apresentadas a ele as raízes do povoado. A partir dessas informações, atreladas aos relatos abordados em material apresentado no texto do projeto, a questão da atividade têxtil foi se concretizando em relação à história do referido povoado. Em umas de suas edições, o Jornal das Lajes publicou uma matéria intitulada “A história contada em um tear”, que menciona que “a história do povoado dos Pintos está intimamente ligada ao princípio da produção artesanal em Resende Costa. Conforme o que está escrito no livro ‘Tear: artesanato em Resende Costa’, de Micênio Carlos Lopes dos Santos e Gustavo Melo e Silva, o artesanato de colchas e outros materiais tecidos de trapos (retalhos) nasceu das mãos hábeis de ‘moças roceiras’. De acordo com Gustavo, a existência do tear em Minas Gerais remonta ao século XVIII e está diretamente ligada à escravidão e ao movimento da Inconfidência Mineira. Não é possível precisar a data em que os primeiros teares surgiram em Resende Costa. Mas existe a certeza de que a região do povoado dos Pintos aparece ‘como o principal foco da tradição artesanal, que hoje toma conta de quase toda a cidade’.” O projeto foi aprovado por todos os vereadores e resultou na Lei Municipal nº 4.912/2022.

mães faziam filas na porta da Escola Conjurados para matricularem seus filhos com ela. Aposentou-se em plena atividade na Escola Estadual Assis Resende, devido à municipalização da Escola Estadual Conjurados. E assim foi sua trajetória na educação, semeando e colhendo os frutos de seu primoroso trabalho. Cora Coralina, poetisa, escreveu assim sobre o bom educador: “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim, terás o que colher.” O projeto foi aprovado por todos os vereadores e resultou na Lei Municipal nº 4.910/2022.

Indicações aprovadas durante o mês de abril - Indicação 11/2022 – possibilidade de dar continuidade à divulgação e à promoção do PROERD/DARE – Programa Educacional de Resistência às Drogas, desenvolvido pelo 38 º Batalhão de Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, com sede em São João del-Rei, junto às Escolas Municipais de Resende Costa (vereador Cleiton). - Indicação 12/2022 ¬– possibi-

lidade de serem fornecidas sacolas biodegradáveis na Farmácia Popular às pessoas que forem buscar os seus medicamentos (vereador Lucas). - Indicação 13/2022 – possibilidade de ser realizada a instalação de três quebra-molas, sendo um na Rua Pedro Olímpio de Resende, próximo ao número 197 e, se possível, mais dois na Rua José Henrique Filho, transver-

sal à Rua Pedro Olímpio (vereador Cleiton). - Indicação 14/2022 ¬– possibilidade de o Executivo Municipal, por meio das secretarias municipais de Administração e de Agropecuária e Meio Ambiente, criar um programa municipal de incentivo ao uso de fontes renováveis de energia, em especial, a energia fotovoltaica – energia solar

(vereador Fernando Chaves). - Indicação 15/2022 – possibilidade de o Executivo Municipal, em parceria com a Paróquia Nossa Senhora da Penha de França, ampliar a iluminação dos dois cemitérios paroquiais, no sentido de melhorar a visibilidade e segurança, principalmente durante os sepultamentos realizados à noite (vereador Lucas).

- Indicação 16/2022 – possibilidade de o Executivo Municipal realizar obras de revitalização da infraestrutura das lajes de baixo, ponto turístico de Resende Costa-MG, haja vista que, após a instalação da academia de saúde ao ar livre, o local passou a ser mais frequentado por cidadãos. O local carece de melhorias devido à sua beleza natural relevante (vereador Lucas).


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Prefeitura coloca em prática o programa “Recupera Estradas” No início de 2022, várias cidades em Minas Gerais sofreram com as fortes chuvas. Resende Costa também foi muito afetada, sofrendo, principalmente, com a degradação das estradas rurais, que ficaram muito danificadas. Ciente da importância das estradas rurais no dia a dia dos resende-costenses, a Prefeitura lançou o programa Recupera Estradas. Com um grande investimento, a Prefeitura terceirizou equipes e maquinários para somar forças com a atual frota municipal. Além disso, foram criadas equipes para trabalhar diretamente na recuperação de pontes, mata-burros, roçadas e manutenção efetiva das estradas rurais. Resende Costa possui uma das maiores malhas de estradas rurais da região, e o programa Re-

cupera Estradas, somado ao empenho de cada servidor e ao grande investimento da administração, chega para recuperar e preparar as estradas do município para a próxima temporada de chuvas. A Administração Municipal reconhece que é muito difícil traba-

lhar em todas as estradas de uma vez e agradece a paciência de toda população. A Prefeitura segue empenhada nos trabalhos de manutenção, buscando oferecer cada vez mais conforto e segurança para todos e agradece o empenho de cada servidor neste incansável trabalho.

Inaugurada nova quadra poliesportiva “Tia Zainha”, no CMEI Aquarela Com o objetivo de incentivar a prática de esporte, as atividades recreativas e estimular o convívio social no ambiente escolar, a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer, concluiu a construção da quadra poliesportiva escolar do Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela. Batizada de “Tia Zainha”, a nova quadra foi inaugurada na última sexta-feira (29), em cerimônia realizada no próprio local. A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades, como Lucas Paulo (prefeito em exercício), vereadores, diretoras escolares, secretários municipais e assessores, professores e alunos. Além disso, estiveram presentes, como convidados especiais, familiares da homenageada Tia Zainha. Recentemente, o CMEI Aquarela recebeu diversas melhorias, tanto estruturais, quanto pedagógicas. Com a conclusão da obra da nova quadra, a Aquarela passa a oferecer melhores condições de ensino e aprendizado para alunos e professores. O principal objetivo do novo espaço é dar às crianças condições de desenvolver novas experiências, introduzindo-as no esporte e em diversas outras atividades recreativas e sociais. Atualmente, a Aquarela atende 251 crianças - matriculadas na pré-escola (creche) e educação infantil. A quadra será usada pelos estudantes em suas atividades de educação física - com foco na psicomotricidade e na coordenação motora - e em atividades de agilidade, ritmo, entre outras.

INFORME PUBLICITÁRIO

Com apoio da Prefeitura, eventos esportivos em Resende Costa são realizados com sucesso Nos últimos anos, Resende Costa vem se destacando na realização de diversos eventos esportivos. Resultado disso é que em 2021, nosso município ficou em 19º lugar entre 296 cidades mineiras no ranking do ICMS Esportivo. Para se manter no topo do ranking é necessário que as atividades esportivas não parem. E se depender dos organizadores e atletas, Resende Costa continuará sendo destaque. Em 2022, em parceria com o Expedicionários, a Prefeitura vai repassar mais de R$100 mil para a realização de diversas modalidades esportivas. E com o empenho de atletas e organizadores e com o apoio da Prefeitura, o calendário esportivo municipal prevê a realiza-

ção de mais de 30 eventos em 2022. Somente em março, foram realizados (ou iniciados) 7 eventos: 22° Enduro das Lajes (etapa válida pelo campeonato Mineiro e Copa Estrada Real de Enduro de Regularidade), Campeonato Regional de Vôlei (Categorias masculino e feminino, participação de 10 times de 9 cidades diferentes), festivais de futebol da Amat e do Boca Júnior e o início dos torneios de futebol de Veteranos (Regional e Início) e do regional de categorias de base. E ainda tem muito mais por vir. Se desejar participar de algum evento, entre em contato com a Prefeitura pelo telefone (32) 3354-1366. Esporte é saúde, vida e cidadania!

Realizado 2º Encontro da Mulher Rural e 1º Concurso de Pratos Típicos de Resende Costa Com muita tradição e comida boa, foi realizado, no último sábado (9), o 2º Encontro da Mulher Rural e o 1º Concurso de Pratos Típicos de Resende Costa. O evento foi realizado na comunidade do Ribeirão e contou com a participação de aproximadamente 100 mulheres. O evento teve o apoio da Pre-

feitura e foi realizado pela Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente, Emater e Arcosta e teve como objetivo a valorização da mulher do campo. Além disso, o Concurso de Pratos Típicos foi pensado com o intuito de dar espaço para que as mulheres pudessem trocar ideias e apresentar suas principais receitas.

Saúde é prioridade!

Inaugurada nova quadra Poliesportiva “Tia Zainha”, no CMEI Aquarela

Segundo Paula Chaves, secretária de Educação, Esporte e Lazer, “a construção da quadra esportiva no CMEI Aquarela reafirma o compromisso da Prefeitura com a educação municipal pública, gratuita e de qualidade”. Paula destaca também a importância do novo espaço para o desenvolvimento dos processos pedagógicos: “A prática esportiva é muito importante no desenvolvimento físico, emocional, cognitivo e mental, além de favorecer o espírito de companheirismo nas atividades coletivas, a disciplina, o cultivo de bons hábitos e a sociabilização.” QUADRA POLIESPORTIVA TIA ZAINHA O novo espaço esportivo e recreativo do CMEI Aquarela ho-

menageia uma ilustre personalidade de Resende Costa: Maria do Rosário Pinto e Silva, mais conhecida como Tia Zainha. Zainha dedicou grande parte de sua vida à educação infantil, deixando um grande legado. Através do magistério, Tia Zainha mostrou a importância do desenvolvimento cognitivo e social nas escolas, antecipando diversas modalidades de ensino atuais. Pioneira, criava atividades lúdicas como através de músicas e brincadeiras, estimulando atividades motoras, sensitivas e formadoras de bons hábitos. “A Aquarela é a porta de entrada das crianças na comunidade escolar. Então, nada mais justo do que homenagear a Tia Zainha, reconhecendo o grande trabalho dela enquanto professora da educação infantil”, comentou Paula Chaves.

1.Contratação de médica ginecologista; 2. Vacinação para profissionais do Lar São Camilo e Hospital; 3. Dia “D” de vacinação contra gripe e sarampo na zona urbana e em comunidades rurais; 4. Capacitação profissional para servidores da Saúde.


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POLÍTICA

Em visita a Resende Costa, governador Romeu Zema destacou o desenvolvimento da cidade “Parabéns para a cidade, que está crescendo e se desenvolvendo, oferecendo uma ótima qualidade de vida para aqueles que moram aqui” Fotos: Cássio Almeida

DA REDAÇÃO

Em março de 1981, Resende Costa recebia o então governador de Minas Gerais, Francelino Pereira, para a inauguração da rodovia asfaltada (LMG-389 – Rodovia Alfredo Penido) de acesso à MG-383. Desde então, o município não voltou a receber, oficialmente, a visita de um governador de estado até o dia 5 de maio último, quando o governador Romeu Zema (Novo) escolheu Resende Costa como local de encontro com lideranças políticas da região do Campo das Vertentes. O encontro foi organizado pelo gabinete do deputado federal Frederico Reis, o dr. Frederico (Patriota), que também esteve presente. A recepção ao governador foi realizada na Churrascaria Ramona para aproximadamente 500 pessoas, entre autoridades e lideranças políticas locais e de municípios da região. Zema chegou a Resende Costa por volta de 12h40min, foi recebido pelo prefeito municipal de Resende Costa em exercício, Lucas Paulo, e seus correligionários, além de apoiadores do governador e dos deputados presentes no evento. Após o almoço de boas-vindas e a formação da mesa, Fúvio Pinto, prefeito de Coronel Xavier Chaves e presidente da AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes), abriu a cerimônia, destacando a importância da presença do governador Zema na região. Logo após, o prefeito em exercício, Lucas, discursou: “Para

Zema foi recebido por autoridades municipais, lideranças políticas e apoiadores durante um almoço na Churrascaria Ramona

Resende Costa, é uma grande honra receber o governador Romeu Zema. Reconhecemos o ótimo trabalho que ele tem feito por Minas Gerais. Além disso, é muito importante essa aproximação com os municípios do interior do estado. Esse tipo de contato fortalece os vínculos políticos e traz mais oportunidades para pequenas cidades, como é o caso de Resende Costa”. Após a fala de Lucas, Dr. Frederico saudou as autoridades presentes e também destacou a importância da aproximação do governo estadual com as lideranças do interior de Minas Gerais. Após a fala de Dr. Frederico, foi a vez do pronunciamento de Zema. Em sua fala, Zema enfatizou a importância de uma administração responsável e austera. “Para mim, é uma satisfação estar aqui em Resende Costa. Eu queria falar rapidamente sobre o passado, um pouco mais sobre o presente e falar muito sobre

o futuro de Minas. Em 3 anos de governo, conseguimos sanar diversos problemas que o estado enfrentava. O Governo de Minas Gerais acredita que a melhor política social é aquela que gera oportunidades de emprego”. VISITA À ESCOLA ASSIS RESENDE Após os pronunciamentos, o governador se disponibilizou a tirar fotos com todos os presentes no almoço. Em seguida, Zema e sua equipe, juntamente com Lucas Paulo, se dirigiram à Escola Estadual Assis Resende para a segunda etapa de sua visita a Resende Costa. Na escola, Zema foi recebido pela diretora Roseni Fernandes, que teve a oportunidade de mostrar ao governador as melhorias realizadas na escola. Zema também passou pelas salas de aula, cantina e sala dos professores. Recentemente, o Assis Resende foi contemplado pelo programa “Mãos

O governador de Minas Gerais visitou as dependências da E. E. Assis Resende

à Obra na Escola”, que destina recursos para realização de reformas e melhorias na infraestrutura das escolas públicas estaduais. A instituição de ensino centenária de Resende Costa recebeu R$300 mil para a realização de reforma do prédio e intervenção na cozinha, visando a atender os critérios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além das reformas estruturais, o Assis Resende também recebeu um repasse de R$177,9 mil para compra de computadores que contemplarão alunos e servidores. Ao visitar o laboratório de informática, Zema teve a oportunidade de conhecer os novos equipamentos. “É gratificante saber que os alunos podem contar com computadores modernos para auxiliar os estudos”, afirmou. O Governo de Minas também investiu R$258 mil para que a escola pudesse adquirir novos mobiliários, equipamentos e carteiras de professores e alunos. A escola conta com 730 alunos dos en-

sinos fundamental, médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Antes de deixar a escola para se dirigir à cidade de São João del-Rei, onde também cumpriu agenda, Zema comentou: “Para mim, é uma satisfação estar aqui, junto com o prefeito Lucas, visitando Resende Costa, cidade que encontrou no artesanato uma vocação e que, mais uma vez, me impressionou muito positivamente. Destaco também a informação que recebi de que a cidade conta com uma Câmara Municipal muito responsável. Vejo aqui uma gestão responsável, um prefeito passando para o outro essa cultura de gestão profissional. E quem ganha com isso é a população. Parabéns para a cidade, que está crescendo e se desenvolvendo, oferecendo uma ótima qualidade de vida para aqueles que moram aqui. Resende Costa, um ótimo lugar para se visitar e, quem sabe, até para morar. Tô com inveja de quem mora aqui.”

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Avenida Alfredo Penido e os impactos advindos da sua revitalização Tornou-se público o projeto de revitalização da Avenida Alfredo Penido, localizada na entrada de Resende Costa para quem chega à cidade por via asfáltica. A avenida é nova, tem pouco mais de quarenta anos e novas também são algumas ruas que nascem nela ao longo da sua extensão. O que pode ser bom para a comunidade e aqueles que nos visitam para fazer compras e passear vai impactar sobremaneira na vida dos que residem ou trabalham próximo da via. O vídeo, publicado recentemente pela prefeitura municipal, que apresenta a maquete elaborada da revitalização da Alfredo Penido, já foi apreciado por muitos. E não há dúvidas de que a transformação será profunda com via de mão única para veículos e alargamento de passeios que deverão beneficiar muito os que preferem circular a pé pela avenida. O desenvolvimento do comércio local, associado à elevada circulação de veículos, tornou-a

intransitável em determinados momentos. Isso impacta negativamente na vida dos que trabalham ou residem no entorno dela. A proposta encaminhada de novo reordenamento do trânsito local já era solicitada por boa parte da população, o que fez surgir, como primeira sinalização de mudança, a Avenida Tiradentes, inaugurada no último dia 8 de abril. Portanto, teremos em breve uma nova maneira de circular com veículos automotores no local. Teremos uma entrada de uma cidade mais bem cuidada e organizada – essa é a proposta – e uma saída que deverá se tornar outro ponto de desenvolvimento do comércio no município. O vídeo também aponta para uma questão fundamental: passeios mais largos, bem calçados e iluminados proporcionarão mais conforto às pessoas. A meu ver, a revitalização, como vem sendo comunicada, ordenará a circulação de veículos e irá propor o

tranquilo ir e vir dos que gostam de andar a pé. Os moradores das vias públicas que se conectam com a Avenida Alfredo Penido e outras vias localizadas desde a região do bairro “Zé Padeiro” até a Rua Vicente Penido, precisarão redefinir suas maneiras de ir e vir no local. Chegar até suas residências de carro ou moto, para quem se desloca de outros bairros da cidade, só será possível pelas ruas do bairro Varginha ou Nossa Senhora Aparecida. Não será mais possível acessar a Alfredo Penido – para percorrê-la em direção à saída da cidade – por veículos que descem a Avenida Ministro Gabriel Passos ou sobem o Morro da Nega. Será preciso ir em direção à Rua São João del-Rei e descer a Avenida Tiradentes para, então, acessar as ruas da região, a saber: Rua Inconfidência Mineira, Rua Francisco Teófilo Pinto, Rua Antônio de Sousa Resende, Rua Frederico Ozanan, Rua Maria

Amélia Resende, Rua Juscelino Kubitscheck, Rua José Pedro de Mendonça Chaves, Rua Heloísa Macedo Lara e, finalmente, Rua Vicente Penido. Por sua vez, os moradores, em seus veículos, sem ter como descer a Avenida Alfredo Penido pela contramão, precisarão percorrer a Rua Padre Joaquim Carlos, embrenharem-se pelas estreitas ruas João Batista de Resende, José Vieira Lara e a já citada Juscelino Kubitscheck, a única que atravessa a Alfredo Penido. Algumas ruas passarão a ser mais utilizadas, terão muito mais carros a percorrê-las. Duas fazem parte da lista: a Vicente Penido e a Heloísa Macedo Lara. Com a obra concluída, seus moradores conviverão com mais movimento e barulho, já que os que precisarão descer a Avenida Tiradentes para deixarem a cidade em direção à MG 383 precisarão trafegar por elas. É assim que antevejo o que está por vir.

Isso poderá, no início, trazer certo desconforto para alguns, é certo, mas não há dúvidas de que as mudanças são bem-vindas e necessárias. É evidente que um estudo precisará ser feito para que as mudanças resultem em melhorias para todos. Aí entram em cena os especialistas em trânsito para cuidarem da sinalização e determinarem pontos onde será permitido, ou não, o estacionamento de veículos. Fazem-se necessários, também, pontos que garantam a travessia segura nesses espaços públicos para as pessoas, isto é, com elevatórias, sinalização e piso que facilite o deslocamento de pessoas com algum tipo de dificuldade para andar. A proposta está lançada. Ainda há tempo de conhecer melhor o projeto de forma a contribuir com sugestões para a sua melhoria, desejando que a obra só traga benefícios para todos.


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BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Fechado desde 3 de agosto de 2013 para reformas estruturais, o Museu Paulista da USP, mais conhecido como Museu do Ipiranga, será reaberto para visitação em 7 de setembro deste ano, data de comemoração dos 200 anos de Independência do Brasil. As obras de restauro, modernização e ampliação estão em fase de acabamento. A interdição ocorreu na sequência de uma vistoria técnica que indicou “alguns desplacamentos de forros decorrentes de infiltrações de águas de chuvas”, disse na ocasião Sheila Walbe Ornstein, diretora do Museu. O museu necessitava de restauro de fachadas, forros, coberturas e claraboias, implementação de acessibilidade a pessoas com deficiência e modernização de toda a sua infraestrutura como instalações elétricas, segurança contra incêndio, instalações hidráulicas, coletores de águas pluviais entre entre coisas, acrescentou. Depois da fase de diagnóstico e elaboração de projetos, em 2017

foi escolhido em concurso público o projeto “Restauro e modernização do Museu Paulista da Universidade de São Paulo”, do escritório H+F Arquitetos. O projeto foi aprovado por um júri especializado, abrangendo os três níveis da Federação (o Museu é patrimônio tombado nas esferas municipal, estadual e federal). Além do projeto, o escritório foi responsável por acompanhar a execução das obras, explicou o arquiteto Eduardo Ferroni. DUAS FRENTES A frente de restauro do edifício-monumento abrangeu a instalação de infraestrutura elétrica, iluminação, rede de dados, proteção contra incêndio e segurança, fachada, recomposição de revestimentos externos, pisos, forros etc. Uma novidade é o acesso a áreas mais técnicas “muito interessantes” (espaços entre cobertura e forro, estruturas do telhado etc.) que não eram visitadas antes, contou Ferroni. Já a construção do edifício-ampliação, no subsolo, permitirá duplicar a área total, para 16 mil m2. Vai abrigar o espaço de aco-

lhimento do público (nova entrada, bilheteria, auditório para 200 pessoas, espaço do educativo, café, loja e sala de exposição temporária). Trata-se de uma obra delicada e detalhada que, apenas na elaboração do projeto, envolveu cerca de 150 a 200 pessoas, entre especialistas e funcionários, explicou Ferroni. Já na etapa de execução, o número de trabalhadores variou entre 300 e 500, de acordo com a fase em que se encontrava a obra. Com mais de 80% do restauro já concluídos, as obras estão em fase de acabamento, ou seja, de execução de alguns pisos, término da parte nova inserida no edifício antigo, luminárias, algumas paredes de fechamento (divisórias internas), revestimentos etc. O custo da reforma é estimado em R$ 211 milhões. O MUSEU Construído entre 1885 e 1890 e inaugurado oficialmente em 1895, o Museu do Ipiranga possui um acervo com cerca de 150 mil itens, abrangendo coleções de objetos, mobiliários e obras de arte com relevância histórica, sobretudo as que

Foto - Facebook Museu do Ipiranga

Museu do Ipiranga quase pronto para a reabertura

Fachada do Museu do Ipiranga

possuem relação com o período que abrange a Independência do Brasil. É o mais antigo museu público de São Paulo. Uma das obras mais conhecidas de seu acervo é o quadro “Independência ou Morte”, do artista Pedro Américo, de 1888. Com a reabertura, o Museu do Ipiranga deve

retomar atividades, como exposições, programas educativos, cursos e pesquisas científicas. A ampliação de coleções se faz por meio de doações ou aquisições e parte importante das atividades desenvolvidas no museu envolve a conservação física, estudo e documentação do acervo.

Gente que fez e faz a história

JOÃO MAGALHÃES

Meu irmão. Deixou esta vida em 22 de abril de 2022 aos 91 anos. Nasceu em 25 de janeiro de 1931. Antônio está na História de Resende Costa pelas características de personalidade e também pela participação na vida religiosa e na vida política da cidade. Além de sua paixão pela vida rural – roças, criações e sobretudo carros de boi – destacou-se no comércio pela ajuda aos pobres, vendendo fiado, doando mantimentos, dando serviços aos necessitados e até ajudando na compra de moradia para eles. Há muito tempo, quando ele, assiduamente, participava do grupo da terceira idade, deixou comigo, após uma palestra minha, num desses encontros, sobre o Estatuto do Idoso, um caderno de memórias autobiográficas. Antes, a explicação do apelido, conhecido de todos aqui na cidade. Ele mesmo conta em suas memórias. “Na época que viajei de São Paulo para Resende Costa, pegando o ônibus em São João del-Rei, no banco em que eu sentava sentou-se junto comigo o senhor Antônio Rodrigues, vulgo Antô-

nio Marisco, que soube que eu ia me casar e que eu ia trabalhar para sobreviver. Eu, respondendo-lhe, que não sabia o que ia fazer. Ele me propôs a vender o estoque do seu estabelecimento e alugaria a casa para mim. Nós combinamos e no dia que fomos passar o contrato, como nós estávamos esperando o tabelião, que era o senhor Joaquim Pinto Lara, vulgo Quinzinho, no botequinho do sô Dico, ele muito brincalhão, falou assim: ‘ó muito bonito! Va! sair um barbudo e entrar um pelado!’ Porque ele tinha barba muita comprida e eu sempre usei barba feita. E com isto, tomei o nome de Antônio Pelado.” Quando serviu ao Exército, em São João del-Rei, Antônio foi ordenança do major Campos, que era casado com uma irmã do Gentil Vale. E lá, indo doar sangue, conheceu a enfermeira Lúcia de Jesus Resende, filha de José Pedro Resende e Maria Madalena, e com ela se casou. Infelizmente, enviuvou 9 meses após o casamento, como mostra o resumo relatado por ele próprio: “No primeiro mês de casamento, ela engravidou e quando foi o dia do parto, foi preciso fazer o fórceps .... [que] cortou uma veia do colo do útero dela e não houve nada que

parasse a hemorragia e ela veio a falecer, ficando o filho que pus o nome de Antônio Lúcio Magalhães. Ficando sem mãe, minha sogra e minhas cunhadas criaram ele, sendo a minha sogra Maria Madalena, as minhas cunhadas Aparecida e Rita”. Posteriormente, casou-se com Irene do Perpétuo Socorro, filha do Juca da Samambaia (José Egídio Costa Maia), e formou com ela uma família numerosa. Os filhos, (os dez erres!): Roselani, Ronaldo, Rivaldo, Ronivaldo, Roseli, Reginaldo, Ronildo, Rinaldo, Rildo e Rosane. Noras e genros: Lucila (esposa do Antônio Lúcio), Romeu, Lúcia, Edite, Elisa, Jesus, Iris, Analice, Cristina, Cláudia e André. Netos: Davidson, Anderson, Daniela (filhos do Antônio Lúcio), Cleiton, Cleidir, Cleisiane, Rodrigo, Gustavo, Elisângela, Ulisses, Diego, Eduardo, André, Ana Luísa, Márcio, Wilmer, Iuri, Igor, Larissa, Raiane, Nara, Milena e Gabriela. Atuação religiosa. Irmandade do Rosário. Ele mesmo escreve [ipsis litteris. Apenas mexi um pouco na pontuação]: “Eu era irmão desta Irmandade; o presidente era um senhor por nome Francisco de Melo,

vulgo Chico de Melo e, já estando muito velho, pediu-me se eu pudesse ficar no lugar dele como presidente. Como ele gostava muito de mim, eu aceitei. E quando ele passou a administração a meu comando, a igreja de Nossa Senhora do Rosário, estando muito estragada e não tendo dinheiro para a renovação dela, eu e meus companheiros de grande amizade com a população de Resende Costa resolvemos pedir aos sitiantes gados para fazermos uma praça. Pedi ao senhor José do Ciro. E ao senhor José Ilódia, que forneceu toda a madeira e ajudou no Curralinho dos Maias, que era sua residência. Ele também arrumou com seus amigos muitas cabeças de gado. O dinheiro da praça deu para arrumar todo conserto e ainda sobrou um pouco.” Atuação política. Ele mesmo narra: “Quando fui candidato a vereador, fui eleito o segundo mais votado e fui vice-presidente da Câmara, no tempo do senhor Ocacyr Alves de Andrade [prefeito]. Depois que terminou sua gestão, ele anunciou um senhor novo, por nome Dilermando [para candidato a prefeito] e ele falou: aceito a candidatura somente se o senhor Antônio Magalhães aceitar como

Foto - Arquivo pessoal

Antônio de Paula Magalhães (vulgo “Antônio Pelado”)

Antônio Magalhães, o Antônio Pelado

vice. Devido a ele ser pouco conhecido, perdemos a eleição na campanha que fizemos nas zonas rurais. O povo dizia assim: se fosse o Antônio Magalhães [para prefeito] nós votaríamos nele.” Em conversa comigo tempo atrás, o Dilermando confirmou-me isso. Ganhou na cidade, perdeu na zona rural. Se o Antônio fosse o prefeito e ele vice, a eleição deles seria vitoriosa. Antônio de Paula Magalhães. Está na história de nosso município!


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ACONTECEU

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Por Luana Chaves

Super Festa Túnel do Tempo agitou Resende Costa Aconteceu no último dia 30 de abril, em Resende Costa, no Espaço Mirante, mais uma edição da badalada festa Túnel do Tempo, resgatando sucessos do flashback; em destaque,

sucessos nacionais. O público que prestigiou o evento dançou a noite toda! Foram muitos pedidos para que o baile Túnel do Tempo fosse reali-

zado novamente. O evento contou com a presença de grande público. A Banda Remember 80 garantiu a animação e o sucesso do baile ficou marcado pelos grandes hits das dé-

cadas de 70, 80 e 90. “Gostaríamos de agradecer a todos que compareceram na 4ª edição do Túnel do Tempo. Aguardem que já estamos preparando a 5ª edição”,

anunciaram os organizadores da festa: Patetas Produções (Edmar Assis, Fagner Oliveira e Valnei Sousa). Veja mais fotos em www.jornaldaslajes.com.br


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Cultura

Uma existência dedicada à família, ao trabalho e à caridade: memórias de Adenor de Assis Coelho ANDRÉ EUSTÁQUIO

Escrever uma biografia significa debruçar-se sobre a história de vida de uma pessoa. Foi, portanto, debruçando-se sobre a memória e os afetos de filha que a professora, membro da Academia de Letras de São João del-Rei e colunista do JL, Regina Maria Resende Coelho, escreveu a biografia de seu pai. “Adenor de Assis Coelho – Centenário de Nascimento (1921 – 24 de abril – 2021)”, 159 páginas, R$ 30,00. A expectativa inicial era de que o livro pudesse ser lançado em 2021, ano do centenário de nascimento de Adenor de Assis Coelho. Porém, a pandemia de Covid-19 não permitiu e a data do lançamento precisou ser adiada. Com a melhora da pandemia e a flexibilização das restrições sanitárias, a data foi marcada e o livro foi oficialmente lançado em Resende Costa no último dia 23 de abril, no Salão C&M Festas e Eventos. Estiveram presentes no evento de lançamento e de autógrafo do livro autoridades municipais, familiares, amigos e pessoas que conviveram com o sr. Adenor Coelho. Adenor de Assis Coelho nasceu em Resende Costa no dia 24 de abril de 1921. Casou-se em 1946 com Olga Resende Lara Coelho, com quem constituiu numerosa família.

Dedicado e vocacionado ao comércio, sr. Adenor foi também benfeitor de importantes instituições de caridade no município. Foi confrade da Conferência Vicentina São Saturnino e, por longos anos, provedor do Hospital Nossa Senhora do Rosário. Homem público reconhecido por sua dedicação e obras, Adenor Coelho administrou o município entre os anos 1963 e 1966. Em 20 capítulos que tratam da família, da atuação política e profissional de Adenor Coelho, Regina Coelho apresenta a vida do seu pai e, concomitantemente, vêm à tona fatos e registros históricos da Resende Costa do século XX. Durante o lançamento, a autora falou sobre a iniciativa de escrever as memórias do seu pai, falecido em 14 de março de 2002. “Faltando alguns anos, talvez uns 4, 3 anos, da data do centenário de nascimento dele, começamos a pensar no que poderíamos fazer para marcar o dia 24 de abril de 2021. Daí veio a ideia do livro com o objetivo de deixar registrada a história de vida dele”. Regina é a sexta filha dos nove filhos de Adenor e Olga. Foi a partir das suas lembranças e da convivência com seu pai que os 20 capítulos do livro começaram a ganhar forma. No entanto, a autora contou com o auxílio dos familiares, sobretudo os mais velhos, e de pessoas que

Foto: arquivo pessoal

Uma obra escrita por sua filha, a professora Regina Maria Resende Coelho, em comemoração ao centenário de nascimento celebrado no dia 24 de abril de 2021

A autora do livro Regina Coelho (centro) e suas irmãs Olga (esq.) e Maristela

conviveram com o sr. Adenor para checar informações e ir atrás de histórias até então desconhecidas dela. “A principal dificuldade foi fazer, ou melhor, tentar fazer a reconstituição de partes das etapas da vida dele. Sem a presença do nosso pai, sem a presença da nossa mãe, fomos juntando as nossas memórias. Apelamos também para os primos mais velhos (sobrinhos dele). Contamos ainda com algumas anotações valiosas que nosso pai fez sobre sua atuação pública”. Checar datas, nomes e circunstâncias com o intuito de reconstituir a vida de Adenor Coelho tornou-se um grande desafio para Regina. Mas não tão grande quanto escrever sobre o próprio pai. “Esse foi o desafio maior: escrever um livro de memórias sobre o seu próprio pai,

portanto, sob o olhar da filha, mas sem o distanciamento a respeito dos fatos em si”, disse a autora, que, entre as inúmeras informações obtidas e lapidadas durante as pesquisas, descobriu fatos sobre a vida do seu pai que ela desconhecia e agora estão contados no livro. “Sou a sexta filha na nossa escadinha de nove filhos criados. É compreensível que não soubesse, até então, de algumas histórias da família. Uma delas: a abertura de uma primeira alfaiataria em sociedade com o Iracy, seu grande amigo desde a infância, no local onde hoje funciona o ‘Bar da Maura’ (na rua Gonçalves Pinto, centro de Resende Costa)”. Honrado pai de família; homem público dedicado às causas e aos desafios da sua amada terra natal; trabalhador profícuo que soube

enxergar os rumos do desenvolvimento do comércio de uma cidade que crescia e já demonstrava sua vocação. A história de vida do sr. Adenor, escrita e homenageada por sua filha Regina no livro “Adenor de Assis Coelho – Centenário de Nascimento”, é um exemplo para as gerações atuais. “Adenor de Assis Coelho, católico praticante, deixou como herança maior para sua numerosa família os bonitos exemplos de uma existência dedicada à família, ao trabalho e à caridade”. Do livro, emerge o legado de alguém que deve servir como paradigma para quem deseja ser verdadeiramente um CIDADÃO. RENDA BENEFICENTE A venda dos exemplares do livro “Adenor de Assis Coelho – Centenário de Nascimento (1921 – 24 de abril – 2021)”, de Regina Maria Resende Coelho, continua na Vale Tudo Loterias e na Banca do Batista. O preço do livro é R$ 30,00 e todo o valor arrecadado com a venda dos exemplares será em benefício do Hospital Nossa Senhora do Rosário, Lar São Camilo e da Conferência São Vicente de Paulo. “Como a renda é beneficente, estamos nos empenhando em conseguir um bom valor para os beneficiados”, disse Regina Coelho.

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A “Exposição de Livros de Autores Resende-Costenses” aconteceu pela primeira vez por iniciativa da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto. O evento, no período de 18 a 20 de abril, fez parte da II Semana Estadual de Incentivo à Literatura, promovida pelo Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de Minas Gerais (SEBPMG). A exposição foi inspirada no tema “Mineiridade”. “Recebemos a visita de vários usuários da biblioteca, alunos das escolas, autores, turistas que estavam de passagem pela cidade e outros públicos que ficaram sabendo da exposição por meio de divulgações em redes sociais”, contou a bibliotecária Ingredy Chagas. O evento recebeu vários elogios e até mesmo a doação de livro por parte de uma autora resende-costense que ainda não tinha sua obra no acervo da biblioteca. “Foi muito gratificante.” Ingredy disse que o plano é ampliar o número de eventos na Biblioteca Municipal e “valorizar cada vez mais os autores resende-costenses e a memória local. Nosso objetivo é trazer cada vez mais o público para se envolver e aprofundar na bonita história da nossa amada cidade”. Outra ideia é fazer uma exposição itinerante, com outra temática, que poderá ser levada para o CAT (Centro de Apoio ao Turista)

e para outros setores que tiverem interesse em receber a exposição. Aqui está a lista dos autores (e suas respectivas obras) que participaram da exposição: COLEÇÃO LAGEANA Alair Coêlho de Resende: O embuçado: agente da Conjuração Mineira. Eduardo Lara Coelho: Coalhadas e Rapaduras: estratégias de Inserção Social de Músicos Negros em São João del-Rei (Século XIX). Elaine Amélia Martins e Rosalvo Gonçalves Pinto (organizadores): Um olhar sobre Resende Costa: coletânea de textos do Jornal das Lajes; e Retratos da Centenária Resende Costa. Evaldo Balbino: Móbiles de Areia. José Augusto de Resende: Pallidas Reminiscencias da antiga Lage – Hoje – Villa de Resende Costa (organização: Elaine Amélia Martins e Rosalvo Gonçalves Pinto). José Maria da Conceição Chaves: Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa: desde os proêmios de sua existência, até os dias presentes (organização: Elaine Amélia Mar-

tins e Rosalvo Gonçalves Pinto). José de Rezende Costa: Memória Histórica sobre os Diamantes: seu descobrimento, contratos e administração por conta da Real Fazenda; modo de os avaliar; estabelecimento da fábrica de lapidação; sua extinção e estado presente no Brasil (preparação dos originais, atualização linguística e revisão: Rosalvo Gonçalves Pinto). José Venâncio de Resende: A política em municípios dos Campos das Vertentes: microrregião dos Campos das Vertentes com sede em São João del-Rei. Mário Márcio de Quadros: Portas que viram janelas. Rosalvo Gonçalves Pinto: Os Inconfidentes José de Rezende Costa (Pai e Filho) e o Arraial da Laje. EDIÇÃO INDEPENDENTE Alair Coêlho de Resende: Casos e Causos do Vovô Totonho da Chapada. Amanda Maria Resende; Ana Clara Resende e Flávia Maria de Resende: Arte de Ler e Brincar. Antônio de Lara Resende: Memórias (1): de Belo Vale ao Caraça; e Memórias (2): da Serra do Caraça à Serra do Véu da Noiva.

Evaldo Balbino: Moinho; Apesar das coisas ásperas; Os fios de Ícaro; Fantasma de Joana D’Arc; Amores Oblíquos; e Filhos da Pedra. Francisco Eduardo Pinto: A Hidra de Sete Bocas: sesmeiros e posseiros em conflito no povoamento das Minas Gerais (1750-1822). Gentil Ursino Vale: Confidências do Agreste (Contos e Crônicas); Estrelas Cadentes (Memórias); Lamento da Terra Verde e outros contos; e Discursos Acadêmicos e Crítica Literária. Gilberto Lara Resende: Recordando-Anotando-Rezando; Apresentando (e recordando) um ramo da Família Resende; e Coisas de Família. José Venâncio de Resende: Construtores do Jornalismo Econômico: da cotação do boi ao congelamento de preços; Cidades e Resendes: uma viagem por Portugal continental, Arquipélago dos Açores, Minas Gerais e Cabo Verde; Baronesa de Arary: nobres, pobres, artistas, oportunistas; e Vendedora de Ilusões: golpe de mestre na rota Minas Gerais-Londres-São Paulo (em co-autoria com Mari-Lidia Mendonça). Larissa Ibúmi Moreira: Vozes Transcendentes: os novos gêneros na música brasileira.

Foto: arquivo pessoal

Exposição mostra pela primeira vez autores resende-costenses

As funcionárias da Biblioteca Municipal, Cláudia e Ingredy

Luzia Rezende: Janela dos Olhos Meus. Micênio Carlos Lopes dos Santos; Gustavo Melo Silva e Alba Regina Moretti: Artesanato Contando Teares. Paula Chaves Teixeira Pinto: De Minas para a Corte da Corte para Minas: movimentações familiares e trocas mercantis (17901880). Rosalvo Gonçalves Pinto: Os Inconfidentes José de Rezende Costa (Pai e Filho) e o Arraial da Laje. Stela Vale Lara; Alair Coêlho de Resende: Resende Costa: a flor das Vertentes.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

As fotos do Mané Cráudio Ontem eu me encontrei com o Mané Cráudio. Terno preto, cabelo impecável e, no rosto, leves resquícios de uma maquiagem que foi retirada há pouco. Mané Cráudio é o meu amigo pagador de mico. Autêntico financiador do pequeno primata. – Que chique é esse, Mané Cráudio? Em plena tarde de terça-feira e você assim todo produzido? – Me convidaram pra posar de modelo. Várias seções de fotos ao longo do mês. E o dinheiro é bom. Tudo bem que o Mané Cráudio não é feio... mas posar de modelo? – Pra quem você está trabalhando, Mané Cráudio? Qual foi a agência que descobriu você? Alguma revista ou site de moda? Aí o Mané Cráudio raspou a garganta, olhou para o bico do sapato e falou baixo: – É pra uma funerária. – Funerária?! Como? – Visto um terno, o pessoal me faz a maquiagem e eu me deito no caixão. Então eles batem as fotos. Tem foto de perfil, foto de cima, foto de frente... Cada seção é um modelito diferente. – Do terno? – Não. Do caixão. Minhas palavras expiraram e deixaram meus argumentos sepultados pelo absurdo. Mas o Mané Cráudio continuava a falar. Aos poucos, seu constrangimento inicial ia sendo substituído pela empolgação. – Velório agora é coisa chique. Você precisa ver os salões que andam inaugurando por aí. Tem até gar-

çom e promoter. Com isso, os familiares do morto estão cada vez mais exigentes: só compram o caixão depois de averiguarem como é que o conjunto fica. Daí, a necessidade de um manequim deitado ali dentro, só para dar uma ideia. – Mas, Mané Cráudio, e se o defunto for bem diferente de você? Obeso... outra cor... ancião... – Photoshop! Meu amigo fazendo ensaios fotográficos para a morte. Ensaio tétrico de um espetáculo que ainda virá, quando as cortinas se fecharem. Mané Cráudio é o típico modelo de passarela, posando para todos os que estão de passagem. – E tem mais: também sou modelo de porta-retrato para túmulo. Estou ficando famoso. Preciso encontrar um nome artístico pra mim. E me deu uma de suas fotos para porta-retrato. Meio de perfil, olhar tranquilo e um levíssimo esboço de sorriso no canto dos lábios. Mané Cráudio se despediu, convencendo-me ainda mais da sua predestinação ao mico. Fiquei parado, olhando aquele manequim de funerária indo embora. Onde ele estava com a cabeça? Ser modelo de porta-retrato para lápide de túmulo. Peguei a foto que ele me deu e fiquei reparando: aquele olhar... aquele sorriso sutilmente esboçado... lembrei-me do Leonardo da Vinci. Vou ligar pro Mané Cráudio e dizer que já encontrei um nome artístico pra ele: “Mona Lousa”!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Inocência perdida Segunda Guerra Mundial, Itália. Guido Orefice, judeu dono de uma singela livraria judaica, e o filho Giosué, de pouco mais de 4 anos, são levados a um campo de concentração em Berlim. Afastado da mulher, tem que usar a imaginação para fazer o menino acreditar que os dois estão participando de uma brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência que os cercam. Essa é a sinopse de “A vida é bela” (La vita è bella), aclamado e premiado filme italiano dirigido e estrelado por Roberto Benigni, e ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1998. 12 de junho de 1942. Ao completar 13 anos, a alemã filha de judeus Anne ganhou um diário e no mesmo dia começou a escrever nele sobre o seu cotidiano. Vivendo na Holanda, para onde sua família havia se mudado para fugir da perseguição de Hitler, ela, a irmã e os pais, com a invasão dos alemães ao território holandês, passaram a morar num esconderijo montado sobre a casa comercial dos Franks. Dois anos depois desse período de vida clandestina, descoberto o anexo que lhes servia de abrigo, todos (incluindo algumas pessoas fora da família vivendo naquele lugar a mesma situação) foram presos e levados separadamente a diferentes campos de concentração em regiões europeias próximas. Único sobrevivente da família, o pai, Otto, por ter recebido de uma amiga deles o diário de Anne Frank, que ela encontrara, foi o responsável pela publicação das anota-

ções da filha, transformadas ao longo dos anos em impressionante sucesso editorial mundo afora até os dias de hoje. Uma foto, em especial, marca a Guerra do Vietnã. Com os braços abertos, o corpo nu queimado e a expressão de terror no rosto, Kim Phoc, atingida por uma bomba química e fotografada em fuga desesperada com outras crianças, tornou-se o símbolo de um pesadelo que é uma guerra. À época desse registro, junho de 1972, tinha 9 anos. Aylan Kurdi, 3 anos, morreu afogado em setembro de 2015 junto com o irmão Ghaleb e a mãe (apenas o pai se salvou) no naufrágio de uma embarcação síria no Mediterrâneo, quando a família tentava fugir mais uma vez dos sangrentos combates na Síria. As imagens do pequeno Aylan, encontrado morto na costa turca, causaram intensa comoção por toda parte e suscitaram debates em torno da política para refugiados da Europa e outras partes. Anne, Kim e Aylan são nomes que entraram para a história como vítimas de distintos e trágicos períodos vividos por significativa parcela da humanidade. Na condição de crianças, são a prova, infelizmente permanente, do quanto as guerras não poupam ninguém. Kim, a menina da icônica fotografia sobre as atrocidades cometidas no Vietnã, sobreviveu a elas, sem deixar de passar por anos terríveis de muito sofrimento provocado por traumas e longos tratamentos médicos. Vive hoje no Cana-

dá e atua em programas de auxílio a crianças atingidas por lutas armadas. Quanto a Giosué, ele é a representação de tantos meninos de verdade, fora das telas do cinema, vivendo, sobrevivendo ou morrendo realmente em zonas de conflito, sem que a proteção necessária os alcance. Que o digam as cenas chocantes a que assistimos atualmente sobre essa insana guerra na Ucrânia. Carregados nos braços que tentam acolhê-los ou levados por mãos adultas e apressadas, não se sabe bem para onde, rostinhos chorosos e assustados, os pequenos fogem. De um jeito ou de outro, como fez Hassan al-Khalaf, o garoto ucraniano de 11 anos. Mandado pela mãe em um trem com destino à Eslováquia e carregando uma sacola de plástico, o passaporte e o número do telefone de um irmão escrito na mão, Hassan atravessou sozinho a fronteira do seu país, viajando mais de mil quilômetros para encontrar os irmãos mais velhos. Pelos corredores nada humanitários, levas de civis ucranianos configuram a triste diáspora de hoje: crianças, jovens, idosos, doentes, e a terra querida deixada para trás. Nas pequenas bagagens arrastadas pelos caminhos do desconhecido cabe apenas o que permite o senso prático e desesperado do momento. “A guerra é nojenta, e o que ela nos tira, quando não nos tira a vida, nunca mais devolve”, Joel Silveira (1918-2007), correspondente de guerra na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.


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CIDADE

De um ponto de vista

Energia solar ganha espaço nos telhados de Resende Costa O novo relatório sobre “Mitigação da Mudança Climática”, do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), divulgado em abril, traz vários alertas. Um deles é que “não dá para resolver a crise do clima apenas plantando árvores”. Em outras palavras, criar e recuperar florestas não são suficientes para compensar o aquecimento produzido pelos combustíveis fósseis e pelo desmatamento. Outro alerta é sobre a urgência de reverter o aumento das emissões na pandemia, retomando a direção de substituir os combustíveis fósseis por energia renovável o mais rapidamente possível. Só assim seria possível limitar o aquecimento do planeta a apenas 1,5º C (meta do Acordo de Paris). Para diminuir as taxas atuais de emissões de CO2 na atmosfera e atingir a meta de 1,5º C e proteger o clima, o relatório do IPCC adverte que o prazo está mais curto (algo em torno de 8 anos). O mundo está 1,1ºC mais quente do que na era pré-industrial e os efeitos desse aquecimento já são sentidos em muitas partes do planeta. Se ultrapassarmos o limite de 1,5º C até o final do século, será preciso remover o dióxido de carbono da atmosfera para levar as temperaturas abaixo desse limite. ENERGIA SOLAR Uma das energias renováveis, a solar fotovoltaica, vem ganhando terreno, ou melhor, telhados em Resende Costa. Há três anos, a Pousada Escondidinho, no bairro Zé Padeiro, instalou um kit (inversor e 17 paineis ou placas), cujo investimento na época foi de R$ 24 mil, de acordo com Weber Vieira. A esta altura, o investimento já está pago, garante Weber, que é filho de Gizelia do Zé Padeiro. Logo depois da implantação do sistema, a conta da energia, de cerca de R$ 1.200,00, caiu em média 70 a 80%. A pousada paga entre R$ 236,00 e R$ 252,00 de conta mensal. O projeto de Diego Tadeu da Silva Santos é mais recente, de junho de 2021. Com capacidade para 17 placas (14 efetivamente instaladas), o sistema atende a casa de Diego, no bairro Santa Terezinha, e a casa de seu pai, no bairro Zé Padeiro. O plano é incluir mais uma residência. Diego investiu R$ 21 mil no projeto, que gera 530 kilowatt (kW) por mês para um consumo de 390 kW. É justamente esta sobra que Diego pretende destinar a uma terceira residência.

Marcelo Paiva, técnico em montagem de painéis da EFL Energia Força e Luz, conta que no ano passado instalou 13 kits em Resende Costa, “uns maiores, outros menores”; e este ano, até agora, já instalou seis unidades. A tendência tem sido por inversores maiores, de 7 mil a 10 mil Watts para 20 a 25 placas, explica. “As pessoas estão preferindo comprar um inversor maior, mesmo pagando um pouco mais caro, para ficar com uma sobra para colocar mais placas no futuro. Vendemos também sistemas maiores para empresas; acabamos de vender um inversor de 60 mil Watts para 220 paineis.” FORMAS DE PAGAMENTO Diego Santos é correspondente bancário, o que inclui a comercialização de energia renovável (serviço, engenharia, instalação e homologação junto à Cemig). Para ele, há diferentes formas de pagamento de um projeto fotovoltaico: empresas que financiam com capital próprio; empresas que aceitam entrada e parcelam o restante; e o financiamento bancário. Em Resende Costa, é normal o financiamento bancário a taxas de juros bem mais baixas do que as linhas de crédito convencionais. Os bancos fazem aquilo que o governo deveria fazer, observa Diego. “São os próprios bancos que criam suas políticas de crédito (exceção é o BNDES para projetos empresariais com retorno), comprometendo-se com a Agenda 2030 da ONU. A energia limpa ou renovável é um dos instrumentos para atender a essa agenda.” A Agenda 2030 é um plano de ação global que reúne 17 objetivos de desenvolvimento sustentável e 169 metas, destinados a erradicar a pobreza e promover vida digna às populações atuais, sem comprometer a qualidade de vida futura. Nasceu de um acordo firmado em 2015 pelos 193 Estado-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), com o compromisso de seguir as medidas recomendadas no documento “Transformando o nosso mundo: a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável” (A/70(L.1) para os próximos 15 anos (2016-2030). Os objetivos e metas são integrados e abrangem as três dimensões do desenvolvimento sustentável – social, ambiental e econômica – e podem ser colocados em prática por governos, sociedade civil, setor privado e cada cidadão comprometido com as gerações futuras. Entre esses objetivos, estão acabar com a pobreza e a fome; assegurar vida

Ando espantado Ando espantado com algumas coisas. Uma, em particular: a facilidade com que a gente anda definindo uns aos outros por meio de palavras chulas, deselegantes, quando não ofensivas. Com que facilidade se fala de terceiros! Basta que alguém pense diversamente de outrem para que se deem início às ofensas definidoras de caráter; para que se diga que fulano é um delinquente, um corrupto, seja ele um Ministro de Estado, um governante eleito por milhões de votos ou um simples colega, companheiro de rua, de boteco. A sabedoria popular define muito bem esse tipo de gente. Diz que isso é coisa de gente que só fica pensando “no oco da cabeça”. É coisa de gente para quem os outros “ou são angu ou são farinha”; gente metida a ver a garapa ainda na cana; gente que mal enxerga as pessoas e já imagina coisas; gente que gosta de “falar pra fazer momento”; gosta de incomodar os outros com perguntas sem se interessar pelas respostas; gente que, porque não consegue manter palavra “no auge da conversa”, ofende e se retrai; gente que tem “um susto guardado dentro de si”. Enfim, coisa de um legítimo “desenroupado” que, incapaz de dar seu acordo “sem metades”, sai a empinar insultos. É muita pobreza ofender, como diria Vieira, em todos os tempos e modos, em todos os lugares e circunstâncias. Quanta sabedoria na linguagem popular para caracterizar esse desprezível comportamento de falar dos outros! Quanta sabedoria em pensar que se pode chupar a mesma

saudável, educação inclusiva; disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos; acesso confiável, sustentável e a preço acessível à energia. No caso específico, faltam políticas públicas para incentivar energias renováveis, segundo Diego Santos. Ao contrário, o governo federal decidiu tributar a energia solar para aumentar a arrecadação. É o caso do novo marco legal, que impõe cobranças gradativas, a partir de 2023, para os consumidores que instalarem sistemas fotovoltaicos e limita até 2045 a isenção de encargos para os que já possuem o sistema e para os que solicitarem o serviço até 12 meses após a sanção da lei (Diário Oficial da União de 07/01/2022). PRÉDIOS PÚBLICOS A campanha pela disseminação da energia solar em Resende Costa acaba de ganhar uma adesão importante. Na reunião da Câmara Municipal do dia 18 de abril, o vereador Fernando Chaves requereu ao presidente da casa, vereador João Dias, que verificasse junto ao prefeito municipal a possibilidade de o Executivo Municipal, por meio das secretarias municipais de Administração e de Agropecuária e Meio Ambiente, “criar um programa municipal de incentivo ao uso de fontes renováveis de energia, em especial, a energia fotovoltaica (energia solar)”. A sugestão é no sentido de que “o Poder Público Municipal crie um programa para a instalação gradativa em prédios públicos de painéis solares e outras tecnologias limpas de geração de energia. Essa ação, além de representar economia para o poder público a médio e longo prazo, também seria uma forma de incentivar a sociedade no uso da energia sustentável. Outras ações para fomentar o uso de energia limpa pela iniciativa privada também podem ser planejadas dentro do programa ora sugerido”. Entre os benefícios citados por Fernando Chaves, estaria a redução na taxa de iluminação pública. “O município realmente tem um parque de consumo de energia elétrica muito grande, considerando todos os prédios públicos. Então, a economia pode ser realmente muito representativa e auxiliar numa diminuição na taxa de iluminação pública, a exemplo do que já está acontecendo com a luz de Led, que tende a economizar no médio e no longo prazo. E uma iniciativa nesse sentido, da energia solar, somaria muito e nós poderíamos, quem sabe, mais adiante, pensar até em desonerar um pouco o cidadão.”

laranja, deixando a cada qual o direito de sentir um gosto diferente! Vai se dizer que isso não é de hoje. De fato, tudo isso sempre aconteceu, em ambientes caseiros, nos cantos de cozinha, nos botecos da vida, nas esquinas e quebradas. Sempre se falou dos outros. Vejo, todavia, uma novidade: tudo era à meia voz, ao pé do ouvido, quase com vergonha de dizer certas coisas. Hoje, não, é às claras, por escrito, no duro das letras impressas, aqui e acolá, privilegiadamente nas tais redes sociais, pra todo mundo saber. Parece não se aceitar mais o “cuide cada um de si e já não será pouco”. É tal o descompasso dessa mania de definir ofendendo, ou ofender definindo, que, segundo ainda a sabedoria popular, teria sido melhor Deus botar “os cegos no mundo para vigiar os que enxergam”. Estamos esquecidos de que a linguagem nasceu das emoções de amor. E que, portanto, o que conta é realizar um percurso tal na vida que seja capaz de permitir às pessoas encontrarem-se sem pudores, na liberdade. Que as teorias professadas pelas pessoas não as impeçam de ouvir, de estar, de ser. E que a falta das teorias, não as impeça de enxergar. Vale a pena lembrar Garaudy: “Ao invés de querer converter, quer dizer, de querer reduzir o outro a mim, possa eu aprender a crescer junto.” *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Foto: arquivo pessoal

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Painel de energia solar da Pousada Escondidinho


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JORNAL DAS LAJES

RELIGIÃO

No caminho da fé, um destino: Aparecida

LUCAS LARA

As romarias são atividades religiosas de peregrinação e sua tradição é uma manifestação popular que remonta aos séculos passados, muito provavelmente trazida pelos portugueses. A finalidade de uma romaria é diversa e pode ser para cumprir um voto, uma promessa, agradecer ou pedir uma graça. As primeiras romarias de que se tem registro no Brasil aconteceram na primeira metade dos anos 1700, coincidindo com a história de Aparecida, a capital da fé. Desde outubro de 1717, quando o pescador Felipe Pedroso e seus familiares começaram a venerar em casa a imagem encontrada no rio Paraíba do Sul, os romeiros estavam e estão ao lado da Virgem Aparecida, vindos de todos os recantos do Brasil e do mundo. Segundo o portal “A12”, eles aqui já chegaram de carro de boi, de trem, de caminhão, a cavalo e a pé, e hoje também chegam de ônibus, de carro, de bicicleta, de moto, de charrete, e até de helicóptero; de geração em geração, príncipes, cientistas, literatos, presidentes e governadores, homens do campo e das cidades, padres, freiras, bispos, cardeais, papas, autoridades, militares, artistas, atletas. Hoje, diariamente, milhares de romeiros chegam ao Santuário Nacional para visitar a imagem de Nossa Senhora Aparecida em seu nicho. Nesses quase 305 anos de história, os peregrinos rumam ao Santuário das formas mais diversas para agradecer e pedir a intercessão da Mãe Aparecida. Entre os dias 25 de abril e 6 de maio, um grupo de resende-costenses se propôs a percorrer os quase 350 quilômetros a cavalo até Aparecida, em gesto de fé e amizade. A romaria foi sonhada por mais de dois anos, sendo adiada pela pandemia da Covid-19. O grupo foi composto por 14 cavaleiros, que se intitularam como Romaria “Os Matreiros”, o que reflete o matuto com agudeza de espírito e com virtude de sagacidade para alcançar o seu objetivo. Entre eles, estavam:

André, Bruno, Carlos Flávio, Elton, Filipe, Flávio Júnior, Gledyson, Leonardo, Marcelo, Otávio, Rafael, Ricardo, Robson e Ronaldo. Para eles, a paixão por equídeos reuniu amigos para realizar essa viagem em romaria de Resende Costa (MG) a Aparecida (SP). Além dos cavaleiros, uma equipe de apoio os acompanhava: Claudomiro, Elder, Marleysson, Tiago, Zé Raimundo e Zezinho. Ressalta-se, também, o cuidado, carinho e zelo com os animais, seus fiéis companheiros nessa jornada. André Lara foi idealizador e organizador da cavalgada. Para ele, que é aparecidense e mora em Resende Costa desde o seu segundo ano de vida, a devoção a Nossa Senhora Aparecida vem de berço. À intercessão dela, ele atribui decorrentes milagres. A cavalgada, de certa forma, é para render graças e deixar o ex-voto após ter sobrevivido a um grave acidente e sucessivas cirurgias. Cada um carregava em si um estímulo, seja para agradecer ou pedir, estavam ali unidos pela fé e devoção à Virgem Maria na pequenina imagem de Aparecida. Para André, a motivação do grupo vinha também na realização do sonho de todos e agradecimento por graças recebidas. De acordo com o mesmo, a preocupação para que tudo ocorresse da melhor forma e a distância de seus lares e famílias foram superadas pelo acolhimento em todos os lugares por onde passaram e pela chegada à Casa da Mãe, sendo recebidos pelos seus entes queridos. Aos pés de Nossa Senhora da Penha de França, receberam a bênção de envio. A partir dali percorreram por doze dias o caminho rumo à cidade de Aparecida. Saindo de Resende Costa, passaram por outras doze cidades, até que no dia 5 de maio puderam encontrar-se com familiares e amigos em frente à basílica histórica em Aparecida. A emoção estava estampada nos rostos de quem chegava e de quem recebia. Um misto de sensações: agradecimento, cansaço, saudade, alegria pela missão cumprida. Da igreja velha partiram rumo ao destino final, o Santuário Nacional

Fotos: arquivo pessoal

Peregrinos resende-costenses vão a cavalo e a pé rumo a Aparecida, capital da fé

Peregrinos de Resende Costa realizaram a pé o percurso até Aparecida

de Nossa Senhora Aparecida, onde se encontra a milagrosa imagem, pescada no século XVIII. Por fim, no dia 6 de maio, ao redor do altar participaram da Santa Missa, encerrando essa primeira romaria. PEREGRINOS DE RESENDE COSTA CHEGAM A PÉ EM APARECIDA Na mesma celebração da qual participaram os cavaleiros, chegavam ao Santuário outros seis peregrinos de Resende Costa, vindos a pé de Varginha (MG). Os resende-costenses Carlos Roberto, Dautre, Gilcélia, José Carlos, Rogênia e Rosimaria se juntaram à Romaria “Peregrinos de Maria”, que, em 8 dias, percorreram 275 quilômetros caminhando. Para Dautre Resende Batista, a maior dificuldade está nas dores vindas das longas distâncias caminhadas e na estrutura psicológica necessária. Para ele, as peregrinações geram muito aprendizado e lição de vida ao se vivenciar o desapego e poder ajudar e ser ajudado pelo irmão, estando todos do grupo uns pelos outros. É a quarta vez que Dautre vai a pé até Aparecida, mas, dessa vez, com uma missão especial: ser guia desse grupo de dezenas de peregrinos. Dautre afirma que chegar até a casa da Mãe Aparecida a pé é um sentimento que não dá para explicar, afirmando, ainda, o sonho de sair em romaria a pé de Resende Costa.

Antes de iniciarem a viagem, os cavaleiros receberam a bênção em frente a igreja matriz de Nossa Senhora da Penha, em Resende Costa

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Meio Ambiente

ADRIANO VALÉRIO RESENDE

IRIS completa 10 anos como colunista no Jornal das Lajes É com imensa satisfação que a Associação Instituto Rio Santo Antônio (IRIS) está comemorando, agora no mês de maio, dez anos de publicação de textos na sua coluna denominada “Meio Ambiente” no Jornal das Lajes. Ao longo da década, foram publicados 100 textos com várias temáticas socioambientais, contando com autoria variada. Confira nossa página na internet: https://www.jornaldaslajes. com.br/colunas/meio-ambiente Primeiramente, vamos falar um pouco do IRIS. Como já é de conhecimento público, a associação foi fundada em dezembro de 2009. Portanto, já temos mais de doze anos de caminhada. O IRIS surgiu com o objetivo principal de realizar ações voltadas para a promoção e a defesa da sustentabilidade ambiental e cultural de Resende Costa. Nesse sentido, foram várias ações e projetos socioambientais realizados. A maior parte está disponível para consulta no site da associação: https:// www.portaliris.org.br/ong-iris/ A coluna “Meio Ambiente” é fruto de uma parceria entre o Jornal das Lajes e o IRIS. A publicação do primeiro texto aconteceu em maio de 2012, intitulado “O terceiro setor e as ONGs ambientais”, da autoria de Fernando Chaves, presidente da associação na época. No texto, são discutidas questões relativas às organizações não governamentais, as ONGs, atualmente denominadas de Organizações da Sociedade Civil (OSC), conforme Lei Federal nº 13.019/2014, conhecida como Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil. Assim, o IRIS é uma associação, um dos tipos possíveis de OSC, do terceiro setor. “O terceiro setor, isto é, a sociedade civil organizada, se diferencia em relação ao primeiro setor (estado) e ao segundo setor (mercado) e atua em múltiplos campos: cultura, meio ambiente, defesa de minorias, reforma agrária, combate à pobreza etc.” Até a presente edição, maio de 2022, ao todo, foram publicados 100 textos. As temáticas socioambientais abordadas foram as mais variadas. Citamos algumas: as ações e os projetos realizados pelo IRIS; gestão de recursos hídricos; comitês de bacia hidrográfica; patrimônio histórico e cultural de Resende Costa; questões ambientais na

bacia do rio Santo Antônio; mineração em Minas e no rio Santo Antônio; coleta seletiva; resíduos sólidos urbanos (lixo); esgotamento sanitário; reflexões sobre questões socioambientais e desenvolvimento sustentável; educação ambiental; chuvas na região Sudeste; apicultura; agropecuária; mudanças climáticas; impactos ambientais (queimadas, desmatamentos etc.); patrimônio natural da nossa região; questões relacionadas ao Parque Municipal Capoeira Nossa Senha da Penha; fontes de energia; desmatamento na Amazônia e no Cerrado; a situação das nascentes (minas) na área urbana; coronavírus e a questão ambiental; homeopatia; questões políticas e legais sobre meio ambiente e biomas brasileiros. Tivemos a participação de treze autores na coluna: Adriano Valério Resende, Alberto Nagib de Vasconcellos Miguel, Alessandra Guse dos Santos, Antônio Orlando de Mendonça Júnior, Charles Henrique Fernandes Reis, Emerson Fernandez Gonzaga, Fernando Resende Chaves, Flávia Cristina da Silva, Josimar Herberthy Machado José, Marcos Alexandre Lima, Rafael Costa, Ramon Chaves Resende, Ricardo Sales dos Santos. Contamos também com a contribuição de alguns alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET-MG, em parceria com o professor e colunista Adriano Valério Resende. Agradecemos a todas as pessoas que contribuem para a manutenção e a organização da coluna “Meio Ambiente”. Em especial, gostaríamos de agradecer ao Jornal das Lajes, na pessoa do seu editor-chefe André Eustáquio Melo de Oliveira, pela oportunidade e disponibilização do espaço, tanto no site quanto nas edições impressas do jornal; nosso muito obrigado também aos associados e parceiros do IRIS e aos autores que contribuíram com os textos. Gostaríamos de deixar aqui nosso agradecimento, também especial, aos leitores da coluna, que são o motivo da elaboração dos nossos textos. Por fim, mencionamos ainda que o IRIS planeja selecionar alguns textos já publicados e editar um livro, ainda este ano, em comemoração aos dez anos da coluna. Esperamos que vocês, caros leitores, continuem nos prestigiando. Muito obrigado a todos!


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ESPECIAL - CENTENÁRIO DE OTTO LARA RESENDE

Centenário de Otto une São João del-Rei e Resende Costa JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O jornalista e escritor Otto Lara Resende completaria 100 anos de nascimento no primeiro dia desse mês de maio. Nascido em São João del-Rei, Otto de Oliveira Lara Resende é o quarto entre os 20 filhos do resende-costense Antônio de Lara Resende, professor, gramático e autor do livro Memórias (2 volumes). Pai do economista André Lara Resende (um dos idealizadores do Plano Real), Otto faleceu no Rio de Janeiro em 28 de dezembro de 1992. Professor de francês aos 14 anos, começou a trabalhar aos 18 como jornalista no periódico O Diário, de Belo Horizonte. Chegou a editar o Suplemento Literário do Diário de Minas e se formou em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já no Rio de Janeiro, atuou no Diário de Notícias, em O Globo, Diário Carioca, Correio da Manhã, Última Hora, revista Manchete, Jornal do Brasil e TV Globo. Com os intelectuais e amigos Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino, Otto formou o grupo denominado “os quatro mineiros de um íntimo apocalipse”. Ganhou de Nelson Rodrigues, “muy amigavelmente”, a pecha de “intelectual de salão”, da qual a muito custo se livrou, de acordo com o jornalista Sérgio Augusto, que o substituiu

algumas vezes em sua coluna na página 2 da Folha. “Não escondia seu incômodo com o bullying do Nelson, que inventava e punha em sua boca coisas divertidíssimas, mas apócrifas e, eventualmente, comprometedoras.” Em 1952, Otto publicou o seu primeiro livro de contos: “O lado humano”. Em 1957, a Editora José Olympio publicou seu segundo livro de contos, “Boca do Inferno”, que se ambienta em Lagedo (Resende Costa). “’Boca do Inferno’ recebeu crítica feroz por mostrar crianças malvadas em situações de violência; chegaram a chamar os personagens dos contos de ´os monstrinhos de Otto´”, observa o jornalista e professor Guilherme Rezende, que apresentou vídeo-aula alusiva ao centenário do escritor no canal You Tube da Academia Mineira de Letras. O romance “O braço direito” (1963) foi publicado pela Editora do Autor, fundada por Otto junto com Rubem Braga e Fernando Sabino, entre outros amigos. A história se passa em São João del-Rei e em Resende Costa; há também outras duas novelas, “A Cilada” e “A Testemunha Silenciosa” que também se referem a Resende Costa. Guilherme Rezende cita ainda contos “também muito bons” como “Mater Dolorosa”. “E tem ainda crônicas na Folha de S. Paulo e os perfis de políticos e escritores reunidos em “O Príncipe e o Sabiá.” “A Cilada” é um conto so-

bre a avareza, do livro “Os sete pecados capitais”, publicado em 1965 pela Editora Civilização Brasileira e do qual também participaram Guimarães Rosa, Mário Donato e Carlos Heitor Cony, entre outros. Em 1975, Otto publicou o livro de contos “As pompas do mundo”, pouco tempo antes de ser eleito membro da Academia Brasileira de Letras (3 de julho de 1979), na cadeira 39, vaga com a morte de Elmano Cardim. Ele ainda publicaria os livros de contos “O elo partido e outras histórias” (1991) e de crônicas “Bom dia para nascer” (1993). Os livros “Boca do Inferno” e “O braço direito” estão disponíveis ao público na Biblioteca Municipal de Resende Costa. “Visceralmente conciliador” Por ocasião da celebração dos 200 anos da Imprensa no Brasil, completados em 2008, Guilherme Rezende foi convidado pelo professor José Marques de Melo para escrever um texto destacando a contribuição de Otto na formação das raízes do jornalismo nacional. O texto foi publicado primeiro como encarte da “Revista Imprensa” e, posteriormente, no Volume II da Coleção “Personagens que Fizeram História”, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. No artigo “Visceralmente conciliador”, esta faceta de Otto

Livros de Otto Lara Resende que fazem parte do acervo da Biblioteca Municipal de Resende Costa

como “ponte” entre extremos, entre polos incomunicáveis, é destacada por Guilherme. Em todas as atividades que exerceu, “Ele se orgulhava de ser essa voz, essa mão que apazigua interesses e temperamentos distantes, que o digam Oswald de Andrade e Nélson Rodrigues, Carlos Lacerda e Samuel Wainer”. Otto exerceu a advocacia como procurador (cargo no qual se aposentou), foi membro do Conselho Federal de Educação e diplomata com experiências como adido cultural na Bélgica e em Portugal. Até chegou a ser

bancário, nomeado, no início da década de 1960, diretor do Banco Mineiro de Produção pelo então governador Magalhães Pinto. Eventualmente, prestou serviços como assessor político. Veja nesta edição o artigo “O que representa Otto Lara de Resende na região de suas origens no centenário de seu nascimento?”, de Guilherme Rezende. Fontes: Wikipédia (Otto Lara Resende); O Estado de S. Paulo (23/04/2022), Otto 100, de Sérgio Augusto.

O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

A racionalidade e a ignorância A filosofia escolástica distingue pessoa de indivíduo. Indivíduo é o ser que é em si mesmo indistinto, mas distinto do outro (Id quod est in se indistinctus, sed ab allis vero distinctus). Pessoa é um indivíduo quem tem a racionalidade como característica ontológica, ou seja, a racionalidade é sua característica específica (Individuum subsistens in natura rationali). Infelizmente, a história humana oscila muito quanto à racionalidade. Teorias da conspiração, fakenews, atribuição religiosa sobrenatural e até demoníaca para fenômenos paranormais, a ideia de que a Terra é plana (Terraplanismo), resistência a vacinas, fanatismo e seus variados tipos etc. mostram que a racionalidade nos tempos atuais anda em baixa. Quanto menos racionalidade, mais ignorância culpável. (Considerando ignorante culpável a pessoa que tem todas as

condições de sair da ignorância e não sai.) Steven Pinker, psicólogo canadense, catedrático da Universidade de Harvard, transformou em livro, agora publicado no Brasil, um curso realizado on-line, durante a pandemia: “Racionalidade – O que é – Por que parece estar em falta – Por que é Importante” (Rationality: What it is, Why it Seems Scarce, Why it Matters). “Nessas primeiras décadas do terceiro milênio, enfrentamos ameaças letais à nossa saúde, à nossa democracia e à habitabilidade de nosso planeta. Embora os problemas sejam intimidantes, existem soluções; e nossa espécie dispõe de capacidade intelectual necessária para encontrá-las. Contudo, entre nossos problemas atuais mais graves, está o de convencer as pessoas a aceitar as soluções quando de fato chegarmos a elas”, escreve o autor. E o tradutor dessas palavras e autor da

reportagem sobre o livro, João Luiz Sampaio (O Estado de S. Paulo – 27/3/2022), acrescenta: “Não é uma premissa difícil de aceitar. Confrontada com a pandemia do coronavírus, a humanidade foi capaz de, em menos de um ano, desenvolver vacinas capazes de proteger a população mundial. E ainda assim, lembra Pinker, em diversas partes do mundo a recusa à vacinação é alarmante”. Acompanhando pela mídia instituições religiosas incorporando-se a partidos políticos ou até fundando-os – a poderosa bancada evangélica do Congresso Nacional que o diga –, vendo ministros religiosos ameaçando fiéis com ida para o inferno se tomarem a vacina e outros pedindo propina (tomara que sejam fakenews!) minha referência é o livro fundamental do filósofo seminal Immanuel Kant (1724 – 1804), considerado um dos maiores filósofos do mundo: “A Religião nos limites

da simples razão”. Obra de difícil leitura, mas de conteúdo extraordinário, acho eu. E não estou sozinho, como o mostra a apresentação da edição que eu tenho: “Qual o papel da religião no embate entre o bem e o mal sob a perspectiva filosófica? ‘A Religião nos Limites da Simples Razão’ é uma tentativa de Kant de discutir a fé e o sistema religioso a partir do raciocínio lógico. O autor descarta conceitos ligados à iluminação divina e adota como caminho o esclarecimento interior, sempre pautado pelo pensamento puramente racional. Trata-se de obra fundamental para a compreensão de vários questionamentos relativos à religiosidade.” Conforme consta da vida de Kant, a obra publicada em 1793 e reeditada em 1794, conforme mostram os dois prefácios, foi censurada. Frederico Guilherme II, sucessor de Frederico II da Prússia, que foi grande admirador de Kant e

obrigou-o a não mais escrever sobre religião. Censura que só caiu sob Frederico Guilherme III, quando Kant voltou a tratar das relações entre religião natural e religião revelada. Por sinal, a reportagem do “Estadão” também cita Kant: “Como a humanidade que viveu o Iluminismo e seu ‘ousar saber’, nas palavras de Immanuel Kant, chegou a esse ponto?” É o que penso. E você? *Loas para os vereadores da Câmara Municipal de Resende Costa, que aprovaram a lei que cria a Semana de Conscientização sobre Inclusão Social (JL nº 227 – março 2022-p 3) nesses momentos em que os Direitos Humanos estão totalmente vilipendiados pelas ditaduras governantes. E também para São Paulo, que criou uma orquestra sinfônica exclusivamente para músicos com deficiência.


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JORNAL DAS LAJES

MEMÓRIAS

Retalhos literários

TV Sucesso (clips e grupos musicais dos anos 80) CAMILO VALE

Nos anos 80, um programa de TV chamava a minha atenção e da de meus amigos nas tardes de sábado. Era o “TV Sucesso”, que começava todo sábado ao meio-dia, apresentado por Amir Francisco, na TV Alterosa de Belo Horizonte. Na TV, eram mostrados os primeiros video-clips musicais que hoje a gente vê no YouTube. Sucessos nacionais e internacionais desfilavam durante duas horas de programação. Do meio-dia às duas da tarde. E havia aqueles clips que mais se destacavam. No cenário do rock nacional, várias bandas surgiram, como: Barão Vermelho (do Cazuza), Capital Inicial, Dr. Silvana, Grafite, Metrô, Magazine, Blitz, Kid Abelha, Leo Jaime, Ira, Ritchie, RPM, Paralamas, Legião Urbana, Titãs, Roupa Nova, 14 Bis e outros. Grupos musicais infantis também surgiram: Balão Mágico, Trem da Alegria, Os Abelhudos, Menudos, Dominó, Polegar etc. Um dos clips internacionais que mais sucesso fez na época foi “Thriller”, do Michael Jackson, que estava no auge da carreira na década de 80. E junto com outros artistas internacionais, Michael se reuniu para gravar, em 1985, a música We Are The World, um projeto social a fim de arrecadar dinheiro para amenizar a fome no continente africano. Foi um dos clips mais vistos na época. Eram mostrados outros clips de sucesso, como os do A-ha, ABBA, Bee Gees, Dire Straits, Queen, Cyndi Lauper, Madonna, Rod Stewart, Pet Shop Boys, Roxette, U2 etc. Uma das músicas da Cyndi Lauper chamava a atenção, especialmente da minha mãe Dona Santa: “Time After Time”, uma canção romântica e triste. No vídeo, Cyndi se apresentava com os cabelos e roupas coloridas, cheia de bagagens e se despedindo de seu amor. Talvez para dar “Tempo ao Tempo”.

Tempo que passou muito rápido, levando embora os nossos bons programas de TV com vídeo-clips que se tornavam grandes clássicos. Antes do “TV Sucesso”, havia o programa “Discotape”, na extinta TV Itacolomi, também Belo Horizonte. O programa ia ao ar nas manhãs de sábado e um dos clips que me faz lembrar essa época, lá pelo ano de 1976, era do Rod Stewart, Sayling. No clip, ele está navegando em um barco, parecendo estar com roupa de marinheiro. No céu, gaivotas voando e me lembrando “Fernão Capelo Gaivota”, um dos livros mais lindos que já li. A Mercês, minha amiga, trabalhava lá em casa e, ao ver o clip, dava uma parada para assistir. E como gostava! A música se tornou um clássico e está lá no YouTube pra gente ver em qualquer horário. Olha aí, Mercês, eu me lembrando de você numa de suas músicas preferidas! Muito divertido também era ver os músicos do Village People cantando “Y.M.C.A.” e a cantora Cyndi Lauper dançando em “Girls Just Want do Have Fun”. Freddie Mercury, do “Queen”, e Boy George, do “Culture Club”, arrasavam em várias canções, como “Radio Ga Ga” e “I Want to Break Free”. Na esteira de todo esse sucesso, surgiram em Resende Costa, nos anos 80, os grupos musicais. A maioria deles comandada pelo nosso saudoso José Alair Resende, que gostava de ser chamado de o Terrível Ratinho dos Anos 80. Alair foi apoiador de vários músicos e apresentava seu “Show de Calouros” no CPP (Centro de Pastoral Paroquial). Entre as bandas que se formaram, uma delas alcançou grande destaque. Era a banda Ramabek, formada por 4 jovens músicos: Joaquim de Sousa Lima (Quincas), Raimundo Salomão, Maurício

EVALDO BALBINO

Antônio Gonçalves Pai

Resende e o Bebeto Freitas. Depois de algumas apresentações, um dos músicos saiu e Camilo Fernando e Paulo César foram convidados a participar. E que sucesso fizeram! Foram dois bailes em Resende Costa e um em Coronel Xavier Chaves. Na época, os bailes com conjuntos ao vivo chamavam mais a atenção, como a última apresentação do Ramabek, em 31/12/81, ou seja, há 41 anos. Eles tocavam não só canções do pop/rock nacional e internacional, como também clássicos da MPB, de Amelinha a Jessé, passando por Guilherme Arantes e outros. Outras bandas foram formadas na época, como: Prisma, Nova Geração, em 1984, com José Alair no comando ao lado de Zé Maria, Rogério do Neném, Paulo César da Penha do Jair, Maurício do Curinga, Wander Morais etc. As bandas tocavam em várias cidades da região, fazendo shows e bailes o ano todo. Quero prestar minha homenagem a alguns amigos que já não estão mais entre nós: o saudoso Zé Maria, filho do Sr. Zé do Jesus; o Luiz Antônio, o Papinha, que era o operador de som e irmão do nosso amigo Jota Resende, e ainda os conhecidos Maurício do Curinga e Raimundo Salomão, sempre lembrados por todos nós. Agradeço também ao Camilo Fernando, meu amigo e meu xará, que colaborou na produção desse texto, pois, sem ele e sua ajuda, eu não teria conseguido. A música estará sempre presente em nossas vidas. E nos dias de hoje, quem frequenta o salão do Cláudio “Eláuai”, nosso amigo, ali na avenida, também assiste aos clips nacionais e internacionais que passam em sua TV. São bons momentos em que os seus clientes podem ver e ouvir músicas inesquecíveis de todos os tempos. Foto - arquivo Jota Resende, 1984

Conjunto Nova Geração. Da esq. para dir - Rogério do Neném, Zé Maria, Paulo César, Maurício do Curinga e Vander Morais

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Eis aqui mais um retrato, este modo que busco para refazer a vida antes que a minha própria vida se desfaça. Com palavras vou arranjando perfis, vou delineando vidas cujo rumor nunca cessa. Falar é nunca calar a voz, é tirar da campa do silêncio a alma e o corpo de que nos fazemos... Tropeiro desde cedo, o Antônio Gonçalves, o pai, fez ainda jovem sua casa de alvenaria na estrada que leva ao Capão das Onças. Hoje a chamam de casa do Ladico, mesmo já tendo este neto do antigo tropeiro também já falecido. Dos herdeiros, Ladico comprou a casa, que hoje ainda se ergue no Ribeirão de Santo Antônio. De parede firme e sobrado ancestral, de janelas vivas porque desejosas de atravessarem o tempo, de cumeeira sendo o céu de muitas vidas. Casado com dona Cota, vieram ao pai Antônio Gonçalves oito filhos: Missia, Maria, Zulmira, Antônio Gonçalves Filho, Jesus, Chico Cota (meu avô), Zé Cota e João Cota. De frente da sua casa desencilhavam as cavalgaduras e pediam pouso. Pernoitavam ali, nos quartos tantos, e seguiam seus destinos no dia seguinte. De noite, prosa e café, leite e mandioca, e a luz mortiça da lamparina desenhando sombras imensas pelas paredes e empretecendo o cimo onde aranhas faziam, escondidas, suas moradas. Também de frente da vivenda, quem não seguia para o Capão das Onças, mas rumava pela estrada subindo o morro, alcançava o cemitério a céu aberto, as cruzes orando ao tempo, o muro simples, as sepulturas não engalanadas, mas austeras e simples como todos ali eram. As flores eram vivas de início, até o dia em que ninguém se lembrava mais de as levar aos túmulos. A casa, pois, ainda existe. Também alguns bisnetos, muitos trinetos e tataranetos. Retrato do velho Antônio Goncalves, nenhum. Devo fazer aqui um esboço. Isso digo pela certeza de que o que sempre fazemos, escrevendo, é reconstrução da vida, mesmo estando a sempre vida sempre viva diante de nós: flor para a eternidade. A palavra esbarra na coisa, mas não chega nunca a ser a coisa. O velho tropeiro mais viajava do que ficava em casa. Esta era da mulher e da prole feminina. E todas, mãe e filhas, sem nenhuma exceção, na faina do dia a dia, na lida diária sem fim. Nas tropas, o comando era

do Antônio Pai, e com ele os filhos trabalhavam diligentemente. Inclusive o Antônio Filho, o não cônscio de que um dia, já com matrimônio e filhos, seria atravessado por facadas no adro da capela. Os acontecimentos são imprevisíveis, como imprevisíveis eram os fatos que poderiam suceder-se nas longas viagens tropeiras. Chuva, sol, calor e frio, noites longas e inacabáveis, as animálias assustando-se geralmente com lobos e de vez em quando com uma ou outra onça tresmalhada pelo mato em busca de presa e sobrevivência. Alguns dos homens sempre tinham que ficar na vigília. Do contrário, encontrariam uma rês ou um cavalo a menos na manhã vindoura. Antônio Gonçalves pai, pai de mil homens, pois hoje conheço um mundão de seus descendentes, sonhava sonhos para seus filhos e via nos netos verdadeira miríade de castelos. Não sabia ele que a Missia do Zé Martinhano e que a Maria do João Martinhano permaneceriam no Ribeirão até seus últimos dias, que a Zulmira do Domingo Viaco terminaria os seus dias perto do Curralinho dos Paula, que o Antônio Gonçalves Filho seria esfaqueado, que o Jesus jazeria morto sob um câncer, que o Chico Cota acabaria sobre uma cama com o estômago tomado também pelo câncer, que o Zé Cota morreria pelos lados do Ismiranda e que o João Cota (mais distante ainda) feneceria pelas bandas de Melo Franco. Quanto aos netos, também nada pôde fazer para além do desejo. Se as vidas dos filhos são corda fora do controle de nossas mãos, as dos netos e de outras mais gerações nos fogem completamente. O que podemos saber é que todos estão dentro da mesma vida e da mesma morte, nesta sinfonia que nos rege a todos, com diferenciações sempre iguais. Variações sobre o mesmo tema. E o tempo, variável, mutante e frio, atravessa a tudo e a todos, com seu coração desfeito, com sua existência esgarçada sobre a nossa, com nosso ser diluindo-se pelas estradas inelutáveis. O que nos restam são lembranças. E o máximo que se nos dá é contar o tempo, falar dele, refazer os caminhos que ele desfez. É para isso que Deus nos deu memória, esta estrada em construção contínua, esse retorno com outros pés pisando o nunca mais pisado. Voltar não é saudosismo apenas, mas também desejo de uma vida eterna.


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Informe Publicitário

DEMOCRACIA E GESTÃO

Delegados elegem novos conselheiros para o Sicoob Credivertentes Votações que definiram Conselho de Administração e Conselho Fiscal aconteceram durante Assembleia Geral em abril Transparência e participação sempre foram palavras-chave no Sicoob Credivertentes. E em 27 de abril as definições de ambas foram atualizadas. Isso porque mais de 300 pessoas participaram da 37a Assembleia Geral da Cooperativa, a terceira com transmissão totalmente online, via Moob, para mais de 22 localidades no Campo das Vertentes e na capital mineira, Belo Horizonte. Em tempo real, todos os espectadores acompanharam apresentações de resultados, ações e projetos da instituição. Além disso, cerca de 120 delegados votaram pautas importantes para o futuro dela, incluindo uma nova formação para os conselhos de Administração e Fiscal, com mandatos até 2026 e 2025, respectivamente. No primeiro, inclusive, marca presença o resende-costense Luís Cláudio dos Reis. CHAPAS Com chapa única em ambos os plei-

tos, os novos Conselhos foram definidos por aclamação durante a Assembleia. E para isso houve, antes, a apresentação dos currículos de todos os candidatos. Ao fim da sessão, foram eleitos nove nomes para o Conselho de Administração, que segue presidido pelo membro-fundador João Pinto de Oliveira. Já a advogada, auditora contábil e perita judicial Fabiana Oliveira assume a vice-presidência da cúpula gestora – posto que, nos últimos dez anos, foi ocupado por Paulo Melo. Ele foi homenageado na ocasião e agradeceu: “Ao todo, são quase 30 anos de história nesta Cooperativa. Uma instituição ímpar que prosseguirá repleta de sucesso e desenvolvimento”. Compõem o novo Conselho Administrativo, ainda, Antônio Andrade; Lígia Moreira; Mauro Vivas; Wagner Presotti; Yuri Gomes; Cristiano Almeida e Luís Cláudio dos Reis. Os dois últimos, aliás, atuavam no Conselho Fiscal vigente até 2022.

Agora, para o pleito até 2025, foram escolhidos seis novos conselheiros do setor, sendo eles os titulares Cristóvão Avelar; Luís Gustavo Resende e Rafael Leão. Já os suplentes são Manoel Almeida; Henrique Santos e Miguel Carvalho. A composição dos Conselhos de Administração e Fiscal receberá, agora, o aval do Banco Central para ser empossada. IMPORTÂNCIA O empreendedor rural Cristiano Almeida, que migra do Conselho Fiscal para o Administrativo, lembrou dos desafios e do compromisso Cooperativista pelo bem-comum. “É preciso dedicação, esforço e muito suor. Mas vale a pena. A felicidade dos Cooperados depende, também, do desempenho das nossas funções”, comentou. Mesmo movimento faz o empresário e especialista em Gestão Luís Cláudio dos Reis, de Resende Costa. “As expectativas são as melhores. Espera-

mos poder contribuir elevar o conhecimento adquirido no Conselho Fiscal às rotinas do Administrativo. O propósito é somar para termos uma Cooperativa e comunidades mais fortes”, explicou. Esses comentários se encaixam nas reflexões de Iraí Carvalho, delegado do Sicoob Credivertentes em Prados. Ele fez questão de estar na agência local para acompanhar a transmissão da Assembleia. “Acho que o evento representa comunicação e transparência. Ao mesmo tempo, enquanto delegado, é meu papel contribuir na representação da minha localidade. Especialmente em momentos democráticos como as eleições de conselheiros”, frisou. Ao encerrar o encontro, o presidente João Pinto de Oliveira destacou, ainda, “que a Cooperação se faz tanto na busca por Justiça Financeira, desenvolvimento coletivo e bem-comum quanto na participação ativa de todos”.


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EDUCAÇÃO

Empresário cria “Programa Educação Transforma” através do projeto “Minas Soletra” VANUZA RESENDE

No mês de março, dia 19, foi realizada a etapa de Resende Costa do projeto “Minas Soletra”, que tem como proposta reunir estudantes de 10 a 14 anos da rede pública de ensino em um desafio de soletração de palavras da língua portuguesa. O programa foi criado pelo ex-prefeito e empresário resende-costense Aurélio Suenes. “Com a minha ideia de entrar no ramo imobiliário, eu precisei expandir o meu nome e a divulgação para conectar negócios, porque há negócios que não são apenas locais. Surgiu então a ideia de me apresentar à comunidade com um projeto diferente, que chamasse atenção, que não fosse apenas fazer divulgação. Além disso, juntando com meus ideais. Eu acredito que a educação é a forma de desenvolver a nação”, diz Aurélio, que é pré-candidato a deputado estadual e afirma que o programa não tem viés político. “É uma proposta que pretendo levar adiante, independente da questão

política. Não tem relação com minha candidatura, e a prova disso será a permanência do projeto nos próximos anos”. A ideia foi inspirada em programas famosos que abordam a soletração em campeonatos. Aurélio explica que criou as próprias regras para o seu projeto. “Nós criamos a definição da separação silábica, a forma de soletração, a idade dos alunos. Uma inspiração, mas com a nossa identidade”. Com quatro etapas, o projeto reúne primeiramente as crianças dentro da sala de aula. Logo após, a competição acontece em nível local; a terceira etapa é uma competição entre os alunos dos polos. Aqui na região, o polo de São João del-Rei tem dez cidades. São elas: São João del-Rei, São Tiago, Ritápolis, Coronel Xavier Chaves, Prados, Santa Cruz de Minas, Tiradentes, Nazareno, Conceição da Barra de Minas e Itutinga. A terceira etapa vai revelar quem vai ser o campeão do polo de São João del-Rei. A final acontecerá entre os representantes de cada polo.

Ao todo, são seis polos; portanto, seis alunos disputarão a final. Além de São João del-Rei, Andrelândia, Conselheiro Lafaiete, Barbacena e outras regiões também são cidades-polo. RESENDE COSTA Na etapa de Resende Costa, participaram alunos das três escolas (estadual e municipais, respectivamente): Assis Resende, Conjurados e Paula Assis. A primeira etapa do desafio foi organizada pelos professores de Português e pela direção das escolas, sendo realizada dentro de sala de aula para alunos do 5º ao 9º ano. Os vencedores de cada classe foram selecionados para a segunda etapa, realizada no sábado, 19 de março, na rua Gonçalves Pinto, centro da cidade. A segunda etapa foi disputada entre 22 alunos (1 de cada turma das escolas participantes), que competiram soletrando palavras divididas em nível básico, intermediário e avançado. Além da consagração pública, os três primeiros colocados foram premiados com uma quantia

em dinheiro (R$ 400,00 para o 1º lugar, que ficou com Giovana, do nono ano do Assis Resende; R$ 300,00 para o 2º lugar e R$ 200,00 para o 3º lugar). A professora da aluna vencedora foi premiada com R$ 100,00. A premiação de Resende Costa foi custeada pelos nove vereadores e pelo prefeito em exercício, Lucas Paulo. Segundo o idealizador do projeto, “em Resende Costa, assim como nas outras cidades, o evento foi muito bacana. Sabe quando você cria uma ideia no papel e na prática ela surpreende? Foi o que aconteceu. A gente viu os pais subindo ao palco, chorando, se emocionando, assim como toda a torcida. Achei que foi muito bom. É emocionante quando se vai afunilando para saber qual aluno vai se destacar. Fiquei bastante motivado com o projeto e não imaginava que seria da forma como foi”, destaca Aurélio. EDUCAÇÃO TRANSFORMA Além do projeto “Minas Soletra”, Aurélio quer expandir o pro-

grama “Educação Transforma”. “Eu pretendo criar mais ações na área da educação. Além do “Minas Soletra”, tenho um outro projeto que não está sendo desenvolvido ainda. Mas a ideia é aliar a educação ambiental à educação financeira. Quero conseguir uma sustentação econômica para desenvolver esse projeto. A ideia é contar com uma equipe para ir até as escolas, fazer uma palestra sobre educação financeira e trabalhar a ideia da coleta do óleo usado de cozinha, que seria revertido conforme a escola achar melhor. Compraríamos o litro de óleo usado e o valor poderia ser revertido para o próprio aluno ou para a escola. A ideia do “Educação Transforma” é poder criar mais projetos e expandir a ideia de envolvimento da educação, educação ambiental e financeira. Esse é o grande objetivo”, conclui Aurélio. *A terceira fase do “Minas Soletra” vai acontecer no dia 07 de maio, após o fechamento da edição imprensa. O JL vai atualizar o resultado no site.

Artigo

O que representa Otto Lara Resende na região de suas origens?

GUILHERME REZENDE*

Otto Lara Resende completaria 100 anos de nascimento agora em maio. Considerado por Silviano Santiago, “o homem de letras mais completo de sua geração”, pela capacidade de aliar “a limpidez de estilo a um bom humor sob a forma de fina ironia machadiana”, Otto, segundo Antônio Cândido, “tinha um profundo senso da vida, uma cultura sólida, uma inteligência luminosa e o dom da prosa portuguesa”. A sua grandeza vai além de sua obra. Em um meio como o do jornalismo e das artes, no qual a vaidade muitas vezes transborda além do limite do mais descarado narcisismo, Otto era uma figura irradiante que seduzia todos que se aproximavam dele, dos mais poderosos aos mais humildes, dos mais famosos aos cidadãos anônimos. Não por acaso, Afonso Arinos dizia que Otto era, antes de tudo, “um grande fazedor de amigos”, tanto pela qualidade de contador de prosa e de inventor de frases extra-

ordinárias, quanto pelo dom de ser uma ponte entre as pessoas, mesmo as que assumiam posições polarizadas. Jornalista consagrado por sua condição eclética de executar qualquer função, escritor de estilo refinado e obcecado pela forma de expressão precisa, os cenários da obra ficcional que publicou, restrita em razão de uma autocrítica severa, embora não se passem em lugares identificados, reportam-se a localidades do interior mineiro, especialmente São João del-Rei e Resende Costa. Anos atrás, quando ocupava o cargo de vice-diretor de Assuntos Comunitários da Fundação de Ensino Superior de São João del-Rei, FUNREI, atual UFSJ, leitor diário das maravilhosas crônicas que Otto escrevia para o jornal Folha de S. Paulo, tentamos trazê-lo para uma conferência durante o V Inverno Cultural. Amável e gentil, agradeceu o convite e se desculpou por não poder aceitá-lo em razão de uma viagem ao exterior. Meses depois, em 28 de de-

zembro de 1992, fui surpreendido com a terrível notícia de sua morte. Pesaroso, pensei que, se não teria como acolhê-lo presencialmente, ao menos restava-me o conforto de continuar apreciando o seu talento através da leitura de suas obras. O tempo passou e, em 2001, publiquei um artigo para o Jornal “Gazeta de São João del-Rei”, questionando a indiferença generalizada entre seus conterrâneos de sua importância na história da cultura brasileira. Otto não passava de um ilustre desconhecido em sua terra natal. Recebi dias depois uma carta de seu irmão mais velho, Gilberto, agradecendo, em nome da família, pelo reconhecimento dos méritos do irmão, falecido quase dez anos atrás. Como ninguém mais reagiu ao meu questionamento, o desconhecimento em relação a Otto tornou-se uma suposição confirmada. Minha admiração por Otto não se interrompeu aí. Convidado pelo professor José Marques de Melo a participar de um projeto de celebração dos 200 anos da Imprensa no

Brasil, ao serem completados em 2008, coube-me a tarefa de elaborar um texto destacando a contribuição de Otto na formação das raízes do jornalismo nacional. O texto foi publicado primeiro como encarte da Revista Imprensa e, posteriormente, no Volume II da Coleção Imprensa Brasileira-Personagens que Fizeram História, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Quatro anos depois, coincidentemente no Inverno Cultural, surgiu a possibilidade de um reencontro com Otto Lara Resende. Coordenei uma programação intensa de seminário sobre sua obra e de homenagens públicas ao, enfim, ilustre conhecido conterrâneo. Na presença de sua esposa, Helena Pinheiro, filhos, irmãos e palestrantes qualificados, a dimensão e as peculiaridades da escrita de Otto foram sucintamente apresentadas. Pela cidade, espalharam-se faixas com frases geniais que Otto criou. A biblioteca da UFSJ adotou o seu nome e uma placa comemorativa foi descerrada na casa onde

nasceu e viveu os primeiros 16 anos, atualmente sede do DAMAE. O evento teve repercussão nacional, sobretudo no jornal Folha de S. Paulo e na Rede Globo de Televisão. Pareciam estar definitivamente (r)estabelecidas as ligações do escritor, imortal da Academia Brasileira de Letras, com suas origens. Tantos anos depois dessa enfática homenagem, permanece a indagação: o que Otto Lara Resende representa para São João del-Rei e região? Como as instituições culturais da cidade, área de Letras e jornalismo da UFSJ, Secretaria da Cultura, Academia de Letras se expressam diante do seu centenário de nascimento? *Professor e Jornalista. Doutor em Comunicação. Autor do Perfil “Otto Lara Resende – Visceralmente Conciliador”. In: MARQUES DE MELO, José. Imprensa Brasileira: Personagens que fizeram História. Vol .2. São Paulo: Imprensa oficial; São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo, 2005.


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ESPORTE

VANUZA RESENDE

“Terminada a II Guerra Mundial, o Totonho do Sobico, que fora sargento na guerra, funda, em maio de 1946, o Expedicionário Futebol Clube (“Expedicionário”, assim mesmo, no singular), cujo escudo era uma “cobra fumando”, emblema da Força Expedicionária Brasileira (FEB). O uniforme era uma camisa tricolor, em azul, vermelho e branco, em estreitas faixas verticais e um calção branco. Esse time foi o de mais longa vida entre nós, eis que ainda existe”, assim escreveu em artigo para o JL o saudoso resende-costense Alair Coêlho. Alair conta com orgulho os feitos do Expedicionários: “O primeiro jogo do Expedicionário foi contra um time de São João del-Rei, tendo o Expedicionário vencido por 6x1. É de se destacar que tivemos alguns craques famosos, como o foram Sossó, Iraci, Totonho do Sobico e Betinho Peluzzi, dentre outros. Betinho Peluzzi saiu do Expedicionário, onde atuava no time reserva, e logo foi campeão pelo América mineiro, em 1948, tendo sido também titular da Seleção de Minas Gerais, na época em que havia um Campeonato Brasileiro disputado pelas seleções dos estados. Betinho ficou famoso com o nome de Helbert, seu nome de batismo e de registro. Foi o primeiro resende-costense a se profissionalizar como jogador de futebol. E que jogador!”, escreveu Alair em 2013. Expedicionário tem mesmo história na cidade. Alair bem disse que essa história é digna de nota. “Quando da fundação do Expedicionário, havia entre nós, os fundadores, um jovem jogador, José Fidelis dos Santos, que, embora resende-costense, fora criado em Prados por um tio médico, que se mudara de Resende Costa em razão de desgostos políticos. José Fidelis, cuja mãe continuou morando em nossa cidade, trouxe de Prados, a nosso pedido, peças de uma bola de futebol, de tamanho oficial e nós, utilizando uma velha câmara de ar, já remendada e muito velha, montamos uma bola que, de par com uma outra, já gasta, do Totonho do Sobico, foi a primeira bola do Expedicionário e também a primeira montada em Resende Costa.”

No aniversário do clube, mais uma lembrança deixada pelo Alair que merece destaque. “Em seus primeiros anos de vida, o Expedicionário nunca teve uma diretoria, pelo menos até a transferência para Belo Horizonte do Totonho do Sobico, nosso querido Antônio Argamim de Freitas, seu fundador e líder. Algumas pessoas, inconformadas com a ‘ditadura’ do Totonho do Sobico, tentaram, certa vez, constituir uma diretoria para o Expedicionário, tirando-o das competentes mãos do Totonho. Reuniram-se num cômodo de comércio que havia na casa do José Procópio da Silva (hoje casa do Boanerges) e em meio à reunião, quando ia começar a votação, nós dissemos, bem alto, em nome de outros membros do Expedicionário: ‘nós queremos a ditadura do Totonho do Sobico.’ A reunião acabou ali e o Expedicionário continuou sua vida vitoriosa, até hoje, embora agora o chamem de “Expedicionários”, num erro de “número” (singular/plural) e sem respeito ao uniforme de origem”, finaliza Alair Coêlho. A grafia é realmente algo que chama a atenção. Por ter sido fundado por apenas um expedicionário, o nome teoricamente acompanharia o singular. No entanto, todos os registros apontam o nome com “s”, o que justifica a utilização de “Expedicionários”. A PARTIR DA DÉCADA DE 80 As primeiras informações do clube, que completou 76 anos, ficaram por conta da história, muito bem contada, por quem fez parte da fundação do clube: Alair Coêlho, que nos deixou há pouco mais de um ano, em 26 de abril de 2021. Antes de completar 50 anos de história como clube de futebol, Alair, assim como a maioria dos resende-costenses, viram o Expedicionários sendo dirigido pelo João Bosco Coelho, o João Bosco da Loja. Apesar de não ter mais ligação oficial com o clube, João Bosco é uma das pessoas que fazem parte da história do Expedicionários. “Não tinha hora de entrar nem de sair. Era o primeiro a chegar e o último a ir embora. Hoje em dia, eu até fico afastado, porque se eu ficar ali vendo, eu quero voltar.” Com saudosismo e muitas histórias, João Bosco conta que começou a “tomar

conta” do Expedicionários depois de ter criado o time IBIS – em homenagem “ao pior time do mundo”. No entanto, o de Resende Costa de ruim só tinha mesmo o nome, de acordo com ele. Como não tinha campo, os treinos do IBIS eram mais difíceis. Foi então que João Bosco começou a tomar conta do Expedicionários e muitos jogadores do IBIS se transferiram para esse time, terminando assim a equipe que fez homenagem ao pior time do mundo. Com treinos duas vezes na semana, todos que chegavam e queriam jogar se integravam ao time. Apesar de disputar campeonatos locais em todas as comunidades, João Bosco se lembra de quando começaram a disputar no regional e a mudar o panorama da qualidade do time. “Eu tinha um amigo em São João del-Rei que era diretor de um campeonato são-joanense e pedi uma chance para um time de Resende Costa disputar. Na época, o Doutor Luiz era prefeito aqui da nossa cidade. Eu precisei de ajuda do poder público para a condução e também pagar aos juízes. Nós conseguimos ajuda na época, mas, mesmo assim, toda semana eu precisava pagar do meu próprio bolso. Só depois, ao final do mês, eles acertavam. Assim eu fiz. E deu tudo certo. Só não deu certo porque não fomos campeões. Nosso time estava bem aquém do nível, mas nossa turma aprendeu bastante. Na verdade, foi melhor do que ganhar. A meninada se entusiasmou muito. Os portões do campo nos dias de jogos eram abertos, sem cobrança. É assim que funciona, com a participação do povo”, recorda-se João Bosco. Além do time, João Bosco também cuidava do campo. “A gente levava a cal e a colocava certinho para fazer as marcações do campo. Todo mundo ajudava. Não tinha luz, não tinha arquibancada, não tínhamos a estrutura de hoje. Era tudo mais difícil. Eu já cheguei a doar chuteiras para alguns jogadores. Muitas vezes, a gente tirava dinheiro do bolso para pagar lanche para os atletas. Isso foi muito gratificante. Os jogadores, muitos já casados, até hoje se lembram dessas histórias e têm um carinho muito grande para conosco.” A atividade do time sempre foi destaque. “Se não tínhamos campeonato, a gente arrumava um lugar para

Foto: Cássio Almeida

76 anos do Expedicionários - o time mais antigo ainda em atividade na cidade

Jogadores das equipes máster do Expedicionários e do Clube Atlético Mineiro

jogar. Todo fim de semana era assim. O Doutor Paulo ajudava, o Eliano do Capoeira, que já nos deixou, também ajudava. Ele tinha uma kombi e eu ia com o carro. Por sua vez, o Doutor Paulo ia com o dele. Todos os domingos de manhã, nós partíamos para onde quer que fosse. Fazíamos algumas coisas que, se fossem hoje em dia, até iríamos presos. Colocávamos até dez pessoas no carro e nos dirigíamos para o antigo Porto, hoje Santa Cruz de Minas. Graças a Deus, nunca aconteceu nada, mas era um risco. Acredito que nunca aconteceu nada porque quando a coisa é boa, dá certo. A gente não tinha celular, não tinha computador, essa era a nossa diversão.” Dos vários jogos e campeonatos, João Bosco se recorda de um fato engraçado. “A gente estava disputando um jogo contra o Ramos e quem ganhasse iria jogar contra o Curralinho em um campeonato local. Aos 47 minutos do segundo tempo, o juiz, que era de São João del-Rei, marcou um pênalti a favor do Ramos. A torcida foi à loucura, pois não foi pênalti. Mas o juiz manteve a marcação. O jogador deles perdeu o pênalti e a gente se classificou. Eu fui até São João del-Rei e pedi para que ele não apitasse mais os nossos jogos. Depois de um tempo, ele me encontrou em um jogo em São João del-Rei e disse: ‘Engraçado... nunca mais apitei jogo em Resende Costa’... Ele só não sabia que era eu quem tinha pedido para ele não apitar, até porque, se ele errasse algo simples, iria ser cobrado por nós.” Coisas do futebol que João Bosco relembra com saudade. O EXPEDICIONÁRIOS COMPLETA 76 ANOS Hoje quem está à frente do Expedicionários é Paulo Ricardo. Paulo conta que uma das demandas quan-

do assumiu o clube era justamente marcar a data de fundação. “Há divergência sobre a data de fundação, se é 8 ou 16 de maio. No primeiro livro de atas, consta 8 de maio. Porém, quando assumi a presidência do Expedicionários, uma das minhas vontades era marcar a data do aniversário. Os clubes da região todos sabem da data de suas respectivas fundações, relembram-nas sempre... e a gente não. Ano passado não teve como fazer nada porque a pandemia não permitiu. Mas neste ano, realizamos o evento em comemoração aos 76 anos do Expedicionários. E que seja o primeiro de muitos! Durante todo o dia 7 de maio, sábado, o Campo do Expedicionários recebeu jogos de atletas de todas as idades e contou com a presença de autoridades municipais. As atividades do clube seguem a todo vapor. Os times estão disputando o Regional de Prados, a Copa Regional Sub-25, que conta com times da Zona da Mata e Campo das Vertentes, o Municipal de Resende Costa na primeira e segunda divisões e o Regional de veteranos, com os times de 40 e de 50 anos. “Todo fim de semana a gente disputa campeonato. Seja na cidade ou fora dela, estamos sempre jogando.” Paulo fala sobre planos futuros para o clube resende-costense. “Queremos fazer um trabalho social maior. Eu já estou com 180 garotos, no entanto quero chegar a 300. Hoje todos os atletas são sócios do clube, e é importante que quem queira ajudar se torne sócio também: apadrinhe um garoto. Esse ano tivemos perto de entrar na Copa Alterosa Zona da Mata, categoria adulto. Não conseguimos por falta de vaga, mas queremos essa vaga em 2023. Vamos sempre tentar voos maiores de agora para frente”, conclui o presidente do Expedicionários.


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