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Edição 227 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVIII

• MARÇO 2022 • Nº227

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Resende Costa está elaborando Plano Diretor, uma contrapartida da linha de transmissão de energia elétrica que corta o município

A pandemia de Covid-19 não permitiu que em 2022 o Carnaval pudesse acontecer. Mas um desfile, que não era de Carnaval, levou muita gente às ruas na manhã do domingo, 27. O som que vinha das ruas não era de marchinhas e axé, mas dos eixos dos mais de 50 carros-de-boi que desfilaram e “cantaram” pelas ruas de Resende Costa. O evento, que reuniu carreiros e candeeiros, teve também o objetivo de arrecadar alimentos para a APAE, Lar São Camilo e Hospital Nossa Senhora do Rosário. PÁG 10

Foto: Márcio Pinto

Desfile de carros-de-boi movimentou a manhã do domingo de Carnaval em Resende Costa

Linha de transmissão de energia elétrica corta quase ao meio o município. Torres foram montadas em diversos lugares da zona rural

A paisagem em alguns pontos da zona rural de Resende Costa ganhou, nos últimos meses, novos integrantes. Quem percorre as estradas rurais, em certas localidades do município, pode ver enormes torres de aço fincadas nos pastos e no interior de matas. As torres fazem parte da ampliação da Linha de Transmissão 345 kV, que liga Itutinga – Jeceaba – Itabirito 2 e Subestações Associadas. O enorme empreendimento está em fase final de implantação e corta o município de Resende Costa quase ao meio. Como contrapartida ao inevitável impacto ambiental causado pelas obras, a empresa Mantiqueira Transmissora de Energia S.A., responsável pelo projeto, ofereceu a Resende Costa o “Plano Diretor Participativo”. PÁG 05

Escritor e poeta resende-costense toma posse como novo presidente da Academia de Letras de São João del-Rei Evaldo Balbino, que ocupa a Cadeira Nº 1, cujo patrono é Severiano Nunes Cardoso de Resende,

tomou posse como novo presidente da ALSJDR durante reunião solene, realizada no dia 20 de fe-

vereiro. O acadêmico conversou com o JL sobre seus planos para a Academia de Letras de São João

del-Rei, que completou, em 2021, 50 anos de criação. PÁG 07


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ANO XVIII Nº 227 - MARÇO 2022

A guerra e o indestrutível instinto pré-histórico do homo sapiens

Jornal das Lajes Ltda Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende

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Em seu livro Homo Deus – Uma breve história do amanhã, Companhia das Letras, 2015, o historiador israelense Yuval Noah Harari revela-se incrédulo em relação à possibilidade de uma guerra em pleno século XXI. “A palavra ‘paz’ adquiriu um novo significado. As gerações anteriores pensavam na paz como ausência temporária de guerra. Hoje a vislumbramos como a implausibilidade da guerra. Em 1913, quando se falava que havia paz entre a França e a Alemanha, o que se queria dizer era que, ‘no presente, não há uma guerra entre esses países, mas ninguém sabe o que nos aguarda no próximo ano’. Quando hoje se afirma que há paz entre a França e a Alemanha, sabe-se que é inconcebível, em quaisquer circunstâncias previsíveis, eclodir uma guerra entre essas duas nações. Uma paz assim prevalece não apenas entre a França e a Alemanha, mas entre a maioria (conquanto não todos) dos países. Não existe um cenário para que uma guerra séria ecloda no ano que vem entre a Alemanha e a Polônia, entre a Indonésia e as Filipinas, ou entre o Brasil e o Uruguai”. Para ser assertivo em seu prognóstico, Harari se esqueceu, porém, de combinar (ou de consultar) com os russos, especificamente com Vladimir Putin. Contrariando o vaticínio do historiador israelense, autor do best-seller “Sapiens: Uma breve história da humanidade”, Putin invadiu a Ucrânia no dia 24 de fevereiro de 2022! A população de um dos maiores países da Europa e que faz fronteira com a Rússia – compartilhando, ambos os países, história, cultura, mas também ódio, conflito e hostilidades – acordou incrédula com o estrondo de bombas e mísseis que já abalavam os arredores da capital Kiev, deixando rastros de morte e destruição. As cenas dos comboios de tanques russos invadindo e bombardeando grandes cidades ucranianas deixa apavorada e, ao mesmo tempo, incrédula a população mundial e incita-nos ao inevitável questionamento: afinal, o homo sapiens, após longa caminhada pelo planeta, marcada pela evolução, conquistas e invenções, voltou às sombras das cavernas? A racionalidade retrocedeu ao estágio de puro e destrutivo instinto? Como é possível, em plena era dos grandes avanços tecnológicos, da exploração espacial, da nanotecnologia, dos veículos autônomos operados por algoritmos computacionais, nações desenvolvidas agredirem umas às outras, jogarem bombas, matarem crianças e pessoas inocentes? O conflito entre Rússia e Ucrânia, no alvorecer de 2022 do século XXI, nos dá a resposta. Sim, é possível! Tanques nas ruas de grandes metrópoles e mísseis apontados para arranha-céus populosos não são cenas de ficção científica. São espelhos da vida real de um ser humano que se revela sedento por sangue, mata para alcançar o poder e vende a alma para manter seus privilégios e prestígios. O avanço vertiginoso da ciência infelizmente não nos fez sair da escuridão das cavernas. Sim, ainda somos capazes de nos agredir mutuamente, de destruir com frieza o nosso habitat, condenando as gerações futuras – se é que haverá! Escrevemos livros, compomos sinfonias, deciframos algoritmos complexos. Mas também matamos, escravizamos, torturamos e destruímos. Esse é o homo sapiens que saiu da caverna, mas a caverna e as sombras da irracionalidade nunca o deixaram e sempre o atraíram. Esse mesmo homo sapiens continua espalhando conflitos pelo mundo, como na Síria, no Iraque, no Afeganistão e agora na Ucrânia. Não sabemos quais serão os próximos capítulos do terrível e assustador conflito Rússia X Ucrânia. Porém, uma lição já nos foi deixada: “a guerra ainda não se tornou obsoleta e inconcebível”, conforme previu o historiador e escritor israelense Yuval Harari. A humanidade não vislumbra um futuro de paz e ainda não encontrou o caminho para a concórdia e união de todos. Ao contrário, prefere as armas, flerta incessantemente com a morte e com a autodestruição, caminha com presteza rumo ao reencontro com seus indestrutíveis instintos pré-históricos.

Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:

Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

OPINIÃO

Em busca de um crescimento urbano ordenado: ponderações sobre o Plano Diretor em Resende Costa FERNANDO CHAVES*

O crescimento urbano desordenado é um fator bastante comum às cidades brasileiras. Em Resende Costa, esse problema também se apresentou de modo significativo, especialmente durante o século XX. Mas ainda hoje é possível perceber a expansão urbana sem planejamento. Ruas estreitas, calçadas sem padrão e acessibilidade, vias que privilegiam inteiramente os veículos e desconsideram o pedestre... São vários os legados da urbanização sem critério e planejamento em Resende Costa. Assim como há exemplos históricos fartos de perdas irreparáveis de espaços públicos durante o século XX, como a antiga “Laje do Fórum” ou parte significativa da praça Mendes de Resende. Mais recentemente, nas últimas décadas, é possível registrar o impacto da urbanização sem planejamento sobre a Capoeira Nossa Senhora da Penha, precioso patrimônio ambiental de Resende Costa, e o fechamento de caminhos de servidão, como o que ligava a “Rua das Piteiras” à fonte João de Deus. Há também a verticalização indevida em algumas áreas de relevante interesse paisagístico, cultural e turístico. Sem falar em problemas estruturais com relação ao trânsito, ao escoamento de águas pluviais, à eficiência da coleta e tratamento de esgoto, do manejo de resíduos sólidos etc. O Plano Diretor é um mecanismo importante para possibilitar um crescimento urbano mais organizado. Ele busca orientar o uso do território municipal e a expansão urbana. Nos últimos meses, o município de Resende Costa iniciou a elaboração de um Plano Diretor, oportunidade que se apresentou ao poder público municipal a partir de determinação do ICM-Bio, como uma contrapartida às obras de transmissão de energia que estão passando atualmente pela zona

Foto: Alexssander Lourdes

EDITORIAL

Oficina para elaboração do Plano Diretor Participativo aconteceu na Biblioteca Municipal de Resende Costa

rural de Resende Costa. Para cumprir a contrapartida, a empresa Mantiqueira, responsável pelas obras de transmissão em andamento, colocou a serviço do município a empresa Ultra, que assumiu a coordenação técnica na elaboração do Plano Diretor. Como instrumento de planejamento territorial e urbano, o Plano Diretor deve ser instituído por lei municipal e precisa ser atualizado a cada 10 anos. O ideal é que não se subordine a interesses particularistas e não se misture com a política partidária, ainda mais por ser uma contrapartida aos impactos ambientais de uma grande obra que corta o município. Tendo a elaboração prevista por um órgão federal, o ICM-Bio, o plano é um instrumento da municipalidade. Ele precisa ser técnico e representativo das vontades e necessidades da sociedade. Participei de uma oficina de levantamento de dados junto a moradores, que foi organizada pela empresa Ultra. Achei os métodos da oficina interessantes, mas verifiquei, por outro lado, a baixa presença da população. Por isso, sugerimos aos representantes da empresa e do Executivo Municipal que façam consultas setoriais mais aprofundadas, principalmente através de grupos representativos da sociedade civil, que são os conselhos municipais e as associações. Também acredito

que os representantes dos diversos segmentos econômicos e empresariais devam estar mais envolvidos, afinal é dos empreendimentos empresariais que decorrem muitos dos serviços prestados à comunidade e boa parte das transformações urbanas ao longo do tempo. Observei que algumas metodologias utilizadas pela empresa responsável pela coleta de informações junto à população não demonstraram a eficiência esperada. O uso de questionários longos e com algumas questões técnicas nos pareceu inapropriado para o levantamento de dados junto à população em geral. Tanto é que o índice de resposta e participação por parte da sociedade tem sido baixo nessa etapa de levantamento de dados. É importante que o Executivo, o Legislativo, os conselhos municipais e as associações estejam mais integrados nesse processo e que a empresa responsável pela elaboração do plano busque aprimorar as metodologias de acordo com a realidade local para obter uma participação mais ativa, qualitativa e representativa da sociedade. É preciso mobilizar melhor a comunidade e ter coragem para abrir espaço para discussões sobre temas espinhosos, que muitas vezes as prefeituras preferem evitar. *Jornalista


ANO XVIII Nº 227 - MARÇO 2022

JORNAL DAS LAJES

CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Aprovado projeto de lei que cria a Semana da Conscientização sobre a Inclusão Social das Pessoas com Deficiência Foi apresentado pelo vereador Guerra o Projeto de Lei nº 12/2022, que “Institui a Semana da Conscientização sobre a Inclusão Social das Pessoas com Deficiência no Município de Resende Costa e dá outras providências”. A semana, que será comemorada anualmente entre os dias 25 e 31 de agosto, terá uma programação que inclui atividades que visam conscientizar a sociedade sobre as necessidades específicas de organização social e de políticas públicas para promover a inclusão social desse segmento populacional e combater o preconceito e a discriminação. As comemorações têm como objetivos estimular a participação social das pessoas com deficiência, conscientizar a família e a sociedade sobre a importância da inclusão social, promover a informação e a difusão dos direi-

tos, divulgar avanços, conquistas e boas práticas de políticas públicas relacionadas às pessoas com deficiência. O projeto esteve em pauta da Reunião Ordinária, ocorrida no dia 14 de fevereiro, e contou com a participação das munícipes Karla e Renata. Karla, educadora, comentou acerca dos rótulos que as pessoas com deficiência enfrentam, juntamente com seus educandos. De acordo com Renata, educadora e mãe de pessoa com autismo, “trata-se de um erro a não empatia dentro da sociedade, pois cada pessoa, principalmente as portadoras de deficiência, precisam ser tratadas de acordo com as suas necessidades”. Para o vereador Guerra, autor do projeto, “a ideia surgiu a partir de conversas com as cidadãs presentes na Tribuna Livre, profissionais de educação, sendo

Vereador Guerra apresentou projeto de lei que cria a Semana de Conscientização sobre a Inclusão Social das Pessoas com Deficiência

que o objetivo principal seria a estruturação de atividades que poderiam melhorar a inclusão na vida das pessoas com deficiência, orientando estas e seus familiares a respeito de seus direitos. Novas oportunidades são iniciadas atra-

vés dessas iniciativas. Seria uma maneira de promover a independência desses cidadãos.” O projeto foi aprovado por todos os vereadores presentes e resultou na Lei Municipal nº 4.868/2022.

Aprovado pelo Legislativo projeto de lei que cria a Semana Municipal de Educação no Trânsito O Projeto de Lei nº 23/2022, de autoria dos vereadores Cleiton e Paulinho, com o objetivo de instituir a Semana Municipal de Educação no Trânsito em Resende Costa, foi aprovado durante Reunião Ordinária realizada no dia 22 de fevereiro. A semana, que será realizada anualmente no mês de setembro, em que o dia 23 faça parte, deverá integrar o Calendário Oficial de Eventos do Município e englobará atividades previstas, como: – melhorar as condições no trânsito através de atividades de orientação e conscientização da população; – realizar simpósios, conferências, palestras, exposições e atividades que despertem a atenção da comunidade para a necessidade de segurança, ética e cidadania no trânsito; – conscientizar a comunidade acerca dos problemas do trá-

fego e sua responsabilidade para melhoria da segurança do sistema; – estabelecer campanhas que visam a esclarecer sobre condutas a serem seguidas nos primeiros socorros em caso de acidentes de trânsito; – orientar a comunidade escolar, oferecendo conhecimentos básicos sobre a sinalização, circulação de veículos e movimentação de pedestres. Segundo os autores do projeto, é importante o diálogo com a comunidade sobre problemas do trânsito e sobre a responsabilidade de cada um para que o trânsito seja melhor e mais seguro. Em suas considerações durante a reunião, o vereador Paulinho, também autor do projeto, apresentou índices alarmantes de acidentes no trânsito. Ele ressaltou a importância da conscientização para com a educação no trânsito na vida das nossas crianças. Já o

Vereadores Cleiton e Paulinho, autores do projeto de lei que cria a Semana de Educação no Trânsito

vereador Cleiton, também autor do projeto de lei, demonstrou sua satisfação de participar do projeto, salientando que a conscientização na vida escolar é fundamental

para a criação de cidadãos conscientes. O projeto foi aprovado por todos os vereadores e resultou na Lei Municipal nº 4.880/2022.

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INFORME PUBLICITÁRIO

Indicações aprovadas pelo Legislativo Municipal em fevereiro • Indicação 01/22 – Possibilidade de ser viabilizado estudo técnico por parte do Executivo Municipal, mais especificamente pela Secretaria Municipal de Obras, em relação à possível obra de manilhamento para melhorias na captação de águas pluviais na extensão da rua Padre Joaquim Carlos, centro, nas proximidades do Lar São Camilo de Léllis. Em períodos de chuvas, a concentração de água proveniente das vias localizadas em planos superiores causa transtorno aos moradores da rua Padre Joaquim Carlos, acumulando-se defronte a residências e comércios. (Vereador Cláudio) • Indicação 03/22 – Possibilidade de se realizar mutirão de castração na zona rural de Resende Costa, uma vez que, comumente, o mutirão é realizado na sede do município. (Vereador Coló) • Indicação 04/22 – Possibilidade de o Executivo Municipal promover a substituição do transformador elétrico, localizado no Povoado do Barracão, zona rural de Resende Costa. O equipamento não apresenta a potência necessária para suportar as demandas da comunidade, principalmente em relação aos eventos que são realizados nessa localidade rural. Não raro, durante a realização de diversas festividades na comunidade do Barracão, torna-se necessário o apoio de vizinhos a fim de se suprir a falta de capacidade de carga do transformador. (Vereador João Dias)


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ANO XVIII Nº 227 - MARÇO 2022

GOVERNO MUNICIPAL INFORMA Secretaria de Educação, Esporte e Lazer distribui materiais escolares para estudantes da rede municipal de ensino Caderno brochura, caderno de desenho, caderno universitário, agenda, bolsinha e garrafinha de água foram itens distribuídos gratuitamente pela Secretaria de Educação, Esporte e Lazer aos alunos da rede municipal de ensino. Os materiais foram distribuídos com o intuito de incentivar a frequência escolar e oferecer boas condições de ensino aos estudantes. Outro objetivo é apoiar as ati-

vidades pedagógicas, facilitando a prática do ensino-aprendizagem e a assimilação dos conteúdos pelos alunos. Além disso, foram distribuídos kits escolares para as séries iniciais. Com esta ação, a Secretaria busca oferecer um ensino acessível e de qualidade, a fim de que todos possam ter as mesmas condições de ensino.

INFORME PUBLICITÁRIO

Prefeitura irá terceirizar manutenção de estradas rurais para agilizar o serviço de recuperação das vias Em decorrência das fortes chuvas, as estradas rurais do município estão sofrendo grandes danos. No ano passado, foram realizados diversos serviços para minimizar os impactos das águas pluviais nas estradas. Porém, o nosso município conta com uma vasta extensão de estradas de

terra, o que dificulta as manutenções periódicas. Ciente da situação, a Prefeitura vai inovar: os trabalhos de manutenções serão terceirizados. Uma empresa será contratada para somar esforços com as equipes da Secretaria de Obras, agilizando, assim, o trabalho de manutenção das estradas.

Domingo da Família no Parque e 1º Encontro de Carreiros e Candeeiros: diversão, tradição e solidariedade No último domingo, 27 de fevereiro, foi realizada mais uma edição do Domingo da Família no Parque, evento realizado pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Assistência Social. Mais uma vez, as famílias puderam se divertir a partir de uma gincana super animada e com brinquedos para todas as idades. Em paralelo ao Domingo da Família no Parque foi realizado o 1º Encontro de Carreiros e Candeeiros de Resende Costa. Com o objetivo de preservar a tradição dos carros de boi e arrecadar alimentos para a APAE, Hospital Nossa Senhora do Rosário e Lar São Camilo, os carreiros desfilaram por toda cidade. O desfile contou com a presença de 57 carros de boi e 361 animais. A missão foi cumprida: foram arrecadados mais de cinco carros de boi cheios de alimentos não perecíveis, comprovando o caráter solidário dos resende-costenses.

1º Mutirão de Castração de 2022 é realizado com sucesso Do dia 15 ao dia 18 de fevereiro, foi realizado, no Parque de Exposições, o 1º mutirão de castração de 2022. Ao todo, foram castrados, de forma gratuita, 292 animais entre cães e gatos. O mutirão de castração foi realizado pela ONG AJUDA e pela RC Animais e contou com o apoio da Prefeitura Municipal. As castrações foram organizadas através de um pré-cadastro realizado pelos tutores dos animais. Além disso, foram castrados diversos animais de rua. Os mutirões de castração têm importante função para a saúde pública e dos animais, pois trata-se de um método eficaz de controle populacional e de prevenção de doenças.

CADASTRE SUA EMPRESA NO CATÁLOGO OFICIAL DE TURISMO, COMÉRCIO E SERVIÇOS DE RESENDE COSTA Com o objetivo de divulgar e impulsionar o turismo em Resende Costa, a Prefeitura Municipal está desenvolvendo o Catálogo Oficial do Turismo, Comércio e Serviços de Resende Costa. A sua participação é essencial. Se você é proprietário de qualquer tipo de estabelecimento comercial, preencha o formulário e cadastre sua loja ou serviço através do site oficial da Prefeitura: www.resendecosta.mg.gov.br. Resende Costa, a Capital Mineira do Artesanato Têxtil.


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JORNAL DAS LAJES

Cidade

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Plano Diretor, a contrapartida da linha de transmissão de energia elétrica JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Resende Costa vive um momento que merece toda a atenção da população. A “Linha de Transmissão 345 kV Itutinga–Jeceaba– Itabirito 2 e Subestações Associadas”, em fase final de implantação, corta o município quase ao meio. Como contrapartida, a empresa Mantiqueira Transmissora de Energia S.A., responsável pelo projeto, ofereceu a Resende Costa o “Plano Diretor Participativo”. Em relação à linha, é importante ressaltar que (1) o licenciamento ambiental, conduzido pelo núcleo estadual do IBAMA, com base no Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/RIMA), foi uma decisão do Governo de Minas Gerais; (2) o modelo de Plano Diretor Participativo (PDP), a cargo da empresa Ultra Haus Strategic Solutions, é padrão para os 11 municípios cortados pela linha de transmissão. Sobre a linha de transmissão, o município não teve papel ativo, por a decisão pertencer a nível superior de poder, no caso o estadual, e o projeto ser considerado de interesse social mais amplo. Quanto ao Plano Diretor Participativo, o próprio nome já indica: a população deve envolver-se na sua elaboração e acompanhar atentamente a sua execução; é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. A LINHA As obras da linha estão na fase de instalação das torres de transmissão (estruturas metálicas que sustentam os cabos por onde passa a energia elétrica), de acordo com boletim informativo distribuído pela Mantiqueira. A previsão é de concluir logo, considerando que o prazo de duração é de 12 meses a partir da emissão da licença de instalação (abril de 2021). A linha tem uma extensão de 149,9km, com 320 torres, e atravessa 11 municípios: Itutinga, Nazareno, Conceição da Barra de Minas, Ritápolis, Resende Costa, Entre Rios de Minas, São Brás do Suaçuí, Jaceaba, Congonhas, Ouro Preto e Itabirito. Ao longo da linha de transmissão, foi definida uma “faixa de servidão”, considerada “necessária para a segurança das pessoas que vivem próximas à linha e para a segurança do próprio setor elétrico”.

A faixa possui largura de 48m (24m de cada lado a partir do eixo). A limpeza da faixa é de responsabilidade da empresa Mantiqueira. Nessa faixa, permitem-se apenas culturas de baixo porte (mandioca, milho, feijão, abacaxi etc.); sistema de irrigação localizado (feito com tubos de PVC); cercas de arame seccionadas e aterradas, pastagens e porteiras; trânsito de pessoas e animais; circulação de veículos agrícolas (exceto nas áreas das torres). O PLANO DIRETOR Pelo Estatuto da Cidade (Lei Federal 10.257 de 2001), estão obrigados a elaborar Plano Diretor municípios com mais de 20 mil habitantes ou “inseridos em área de influência de empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional”, além de outras condições. Resende Costa insere-se no segundo caso por conta da instalação da linha de transmissão. O modelo de Plano Diretor Participativo, elaborado pela Ultra, que assessora a Mantiqueira, busca estimular o envolvimento da comunidade local, desde o início, “pois quem participa de todo o processo está mais preparado para acompanhar a gestão e implementação do Plano, contribuindo para a efetivação das propostas pactuadas na lei”, diz a cartilha, distribuída pela empresa na sua apresentação. A mesma cartilha define o Plano Diretor como “uma lei municipal que representa o instrumento básico de planejamento territorial do município”, para “orientar a atuação do poder público e da iniciativa privada durante o processo de crescimento e transformação da cidade”. O objetivo final é “assegurar melhores condições de vida para a população, a preservação dos recursos naturais e do patrimônio histórico municipal”. PARTICIPAÇÃO A elaboração do Plano Diretor pressupõe as seguintes etapas: sensibilização e mobilização da comunidade (audiências públicas, oficinas participativas, preenchimento de questionário e contribuições através do aplicativo “Meu Local” etc.); formação do núcleo gestor (representantes do poder público e da sociedade civil); diagnóstico do município; e redação de proposta de projeto de lei (a ser aprovado pela Câmara Municipal). Foto: Márcio Pinto

Instalação de torre para passagem da linha de transmissão de energia elétrica no município de Resende Costa

As demandas no município (lista de ações a serem desenvolvidas pelo poder público e pela iniciativa privada) serão transformadas em princípios e diretrizes. “Assim, selecionados os temas prioritários, deve-

rão ser definidos os objetivos, instrumentos e estratégias que nortearão as ações a serem realizadas em prol do desenvolvimento do município.” Uma redação jurídica dos temas e propostas, levantados e apresentados

à comunidade local e à administração municipal, serão encaminhados à Câmara Municipal para a aprovação da lei. O Plano Diretor será uma lei que deverá ser revista a cada dez anos.

A primeira oficina do Plano Diretor Cerca de 30 pessoas participaram da primeira oficina do Plano Diretor Participativo (PDP), que aconteceu no dia 24 de fevereiro no auditório da Biblioteca Municipal de Resende Costa. Estavam presentes representantes da comunidade, de conselhos rurais, da Câmara Municipal, da Prefeitura, do Conselho de Segurança Pública e do núcleo gestor do Plano Diretor. Durante a oficina, foi explicado o que é o Plano, a sua finalidade e como está sendo elaborado, disse Alexssander Pinto Lourdes, secretário de Agropecuária e Meio Ambiente. “Também foi feito um trabalho com mapas do município, em que as pessoas presentes marcavam pontos negativos e positivos em áreas como turismo, meio ambiente, educação e lazer, entre outros.” O vereador Fernando Chaves, que participou da oficina, considerou “interessantes” os métodos utilizados, “mas ainda assim verifiquei a baixa presença da população”. Por isso, ele sugere à empresa Ultra e ao Executivo Municipal que façam consultas setoriais mais aprofundadas, prin-

cipalmente através de grupos representativos da sociedade civil, que são os conselhos municipais e as associações. “Também acredito que os representantes dos diversos segmentos econômicos e empresariais devem estar mais envolvidos; afinal, é dos empreendimentos empresariais que decorrem muitos dos serviços prestados à comunidade e boa parte das transformações urbanas ao longo do tempo.” Fernando também acha que os questionários usados pela Ultra são “longos e com algumas questões técnicas inapropriadas para o levantamento de dados junto à população em geral”. Tanto é que o índice de respostas e participação por parte da sociedade foi pequeno nessa etapa, conclui. Quem também admitiu a complexidade do Plano Diretor Participativo foi o vereador Cleiton Afonso dos Santos, que é membro do núcleo gestor, ao lado de representantes dos poderes municipais, dos movimentos populares, da Emater, Copasa e organizações não-governamentais, no total de 12 integrantes. Ele admite, por isso, que “não é

tão fácil conseguir a participação resende-costense”, quando, “para que o PDP contemple todas as necessidades atuais do município, ele deve ser o mais participativo possível e incluir os diferentes setores que integram a comunidade no processo de elaboração”. Segundo Cleiton, o Plano está na fase de elaboração do diagnóstico municipal; ou seja, momento em que é feito o levantamento das informações necessárias e a sua caracterização, identificando vulnerabilidades e potencialidades. “Os integrantes do núcleo gestor auxiliaram na compreensão dessas informações do município, apresentando as principais demandas, anseios, projetos em curso e possibilidades vislumbradas.” Todo o material disponível está sendo analisado pela equipe técnica responsável pela elaboração do PDP de Resende Costa, acrescenta. “O núcleo gestor irá avaliar o material construído e apresentado em audiência pública e, posteriormente, contribuir com a construção das propostas para o município”, o que se dará na próxima fase do processo.

O impacto ambiental da linha de transmissão Para a implantação da nova linha de transmissão de energia elétrica, em Resende Costa, “houve supressão de vegetação nativa de Mata Atlântica (Floresta Estacional Semidecidual) e de eucalipto, além da travessia de áreas de pastagens”, diz Adriano Valério Resende, membro do Instituto Rio Santo Antônio (IRIS). Os impactos socioambientais ocorrem em duas etapas: na instalação, principalmente, e na operação da linha. “É preciso mencionar que essa é uma atividade cujos impactos são praticamente pontuais, ou seja, não se espalham muito para além da área diretamente afetada.” Durante a fase de instalação das torres, os principais impactos são: supressão de árvores e outras espécies nativas (a madeira e a lenha devem ser aproveitadas); movimentação de máquinas causando ruídos, poeiras e tráfego nas estradas; morte ou danos a animais silvestres; possibilidade de erosão nas praças (áreas abertas para instalação das torres); carreamento de sólidos (terra) para os cursos d’água e aumento na movimentação de pessoas (operários) na zona rural. Na fase de operação, os impactos são limitados a morte de animais que pousarem nos fios de

alta tensão, a emissão de pequeno ruído devido à passagem da energia pelos cabos, a restrição de utilização das áreas de servidão para agricultura ou para construções e a questão visual (as torres alteram a paisagem natural), acrescenta Adriano. “Em contrapartida, tem-se uma indenização pela restrição de uso nas faixas de servidão, que devem ser mantidas sem grandes obstáculos e sem vegetação de grande porte.” Uma das torres de transmissão foi instalada na propriedade Recanto Santa Maria, de Márcio Pinto, que fica na região da Água Limpa, próxima à ponte do Pinhão. Para isso, a Mantiqueira desapropriou 2,49 hectares ocupados por pastagens (1,49ha) e mata nativa (1,00ha) que fazia parte de uma área preservada (7ha). Assim, foi cortado o equivalente a 8,15m³ de madeira em toras e 24,494m³ de lenha. Mas Márcio disse ser “totalmente favorável à obra”. “Sei que houve muito prejuízo ambiental, conforme ocorreu na minha mata. Mas sei também da necessidade dessa energia para atender pessoas e empresas que vão gerar empregos a várias famílias.” Ressaltou que a seriedade do trabalho resultou no “menor dano possível

e também fui informado de que houve compensação ambiental para essa grande obra”. No sítio do seu vizinho, Domingos André de Resende, foram instaladas duas torres de transmissão. A propriedade fica a cerca de 6,5km da cidade, no caminho do povoado do Ribeirão. Como as torres ficam longe da estrada principal, foi preciso abrir uma estrada para a passagem de caminhão com o material das torres. Embora não tenha fornecido números, Domingos disse que a chamada faixa de servidão ocupou uma parte da plantação de eucalipto, da roça de milho e do campo. Procurada pela reportagem, a Mantiqueira não quis fornecer informações detalhadas sobre a instalação da rede em Resende Costa, alegando questões de política interna e de compliance. Reportou ao “material gráfico informativo”, destinado ao público-alvo (proprietários/comunidades de terras interceptadas pela faixa de serviço, gestores públicos e demais instituições civis), e ao“Processo de Licenciamento Ambiental” (disponível em http:// licenciamento.ibama.gov.br/LinhadeTransmissao/) cujos dados são anteriores à aprovação do IBAMA.


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ANO XVIII Nº 227 - MARÇO 2022

EDUCAÇÃO

Pela primeira vez, escolas municipais de Resende Costa realizaram eleições para direção A Prefeitura Municipal de Resende Costa, através da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer, realizou pela primeira vez eleições para definir a direção das três escolas municipais: Conjurados, CMEI Aquerela e Paula Assis. Para participarem do pleito, realizado no domingo, 6 de março, foram inscritas chapas únicas. A votação aconteceu nas dependências das três escolas municipais. Puderam votar pais e mães de alunos menores de 16 anos, alunos maiores de 16 anos, funcionários das escolas e motoristas que atuam no transporte escolar. De acordo com a Secretaria de Educação, foi disponibilizada uma urna na Escola Municipal Conjurados para atender exclusivamente aos eleitores que votaram para direção da Escola Paula Assis, uma vez que a escola localiza-se na zona rural do município, no povoado do Ribeirão de Santo Antônio. Conforme previsto no edital do processo eleitoral, as candidatas tiveram que apresentar um plano de trabalho. Virgínia Daher, atual diretora

da Escola Municipal Paula Assis, que concorreu ao cargo e foi eleita, agradeceu o apoio recebido. “A democracia é uma conquista da humanidade e deve ser respeitada e vivenciada. Sendo assim, a eleição para a direção das escolas municipais de Resende Costa foi um marco. A comunidade escolar escolheu quem irá administrar as instituições de ensino da cidade. Mesmo sendo a única candidata inscrita para concorrer pela Escola Municipal Paula Assis, me senti honrada com os votos que recebi. Tive o carinho e o apoio também das pessoas que não puderam comparecer aos locais de votação. Essa confiança faz toda a diferença! É disso que precisarei para conseguir fazer meu trabalho: o apoio e a parceria das famílias, dos alunos e dos funcionários da escola! A todos, minha gratidão”. A diretora da Escola Conjurados, Rose Daher, também destacou o momento especial para a educação municipal em Resende Costa. “Há dez anos iniciei minha trajetória na direção da Escola Municipal Conjurados Resende Costa. Durante este tempo vem sendo elaborados e desenvolvidos projetos escolares para a melhoria do ensino-aprendizagem dos nossos alunos e da infra-

Foto: Arquivo pessoal

VANUZA RESENDE

Pela primeira vez, a rede municipal de ensino de Resende Costa escolhe, pelo voto, diretores das escolas municipais

estrutura do ambiente escolar. Ao longo destes anos foram adquiridos mobiliários, materiais pedagógicos, utensílios e maquinários com o intuito de modernizar a infraestrutura da escola e prover melhores condições para execução das atividades na instituição”. Rose foi eleita junto com Fernanda Coelho, vice-diretora, pela chapa ‘Escola e sociedade, juntas pela Educação’. Ela elogiou a união das professoras para a formação

da chapa. “A Fernanda já vinha realizando um trabalho comigo na direção e juntas nos candidatamos com o objetivo de dar continuidade aos projetos desenvolvidos, que deram certo, e colocar em prática os novos que pretendemos desenvolver com o apoio da Secretaria de Educação como, por exemplo, o reforço escolar no contra turno para os alunos que necessitam de um apoio pedagógico, a fim de sanar as dificuldades na aprendizagem

geradas durante o período dos estudos remotos, devido à pandemia da Covid-19. Sabemos que os desafios são muitos, mas com o apoio dos funcionários da escola e das famílias dos nossos alunos vamos conseguir saná-los de forma satisfatória”. Sandra Vale, diretora do CMEI Aquarela, também agradeceu o apoio recebido na eleição que a confirmou em mais um mandato frente à Aquarela. “As eleições municipais para diretor escolar são de suma importância para que se construa uma gestão democrática e significativa. Fiquei imensamente feliz com a participação dos pais, motoristas e funcionários do CMEI Aquarela. Em cada voto recebido encontrei apoio para continuar desempenhando meu trabalho de forma comprometida, com muito amor pela educação. Acredito muito que uma gestão democrática aproxima a escola e a comunidade e esse é o sucesso para o crescimento do aluno e para que a escola desempenhe seu verdadeiro papel na construção de uma sociedade mais justa e igualitária”. As diretoras eleitas cumprirão mandato de quatro anos, conforme previsto em edital.

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

O retorno às aulas presenciais e a pandemia do Coronavírus Lá se foram pouco mais de dois anos quando o Coronavírus fez com que mudássemos nosso comportamento, alterássemos radicalmente a maneira de trabalhar, de estudar e de manter contato com outras pessoas. Para nos protegermos da contaminação, passamos a cuidar melhor da higiene corporal, a usar máscaras, luvas e aplicar álcool em gel nas mãos. Deixamos de cumprimentar pessoas com aperto de mão, dar e receber abraços e beijos, e fomos levados a evitar aglomerações. Esses procedimentos básicos foram assumidos pela maioria absoluta da população. Uma fração menor, negacionista e que acreditava ser a pandemia uma gripezinha, recusou-se a seguir os conselhos de especialistas em saúde pública e a adotar os procedimentos citados. Todos sofremos muito enquanto os maiores laboratórios farmacêuticos do mundo se em-

penhavam em desenvolver uma vacina que pudesse pôr fim às contaminações que vinham causando número altíssimo de mortes em quase todos os países. A vacinação, assim que se tornou realidade e possível para todas as pessoas, ainda demorou a ser distribuída para os mais jovens. E foi emocionante ver indígenas sendo atendidos por equipes de saúde, comunidades quilombolas e demais brasileiros agradecendo a vacina que estavam recebendo. Queriam voltar à vida normal, passear, brincar com os amigos, ir à escola. O recomeço do ano letivo, no último mês de fevereiro, foi show. O comportamento das crianças foi exemplar. Acompanhando a movimentação delas junto à Escola Municipal Conjurados Resende Costa, percebemos sorrisos que as máscaras não conseguiram ocultar. O olhar, os gestos e o uniforme escolar trouxeram vida

nova ao bairro Expedicionários, que ficou triste com o silêncio e a ausência delas, dos pais e dos profissionais que lhes dedicam seus serviços. Alegres, elas voltaram à escola usando máscaras – para não as retirar nem durante o recreio – e recebendo boa dose de álcool em gel nas mãos do recepcionista na porta. Nesses dois anos de suspensão das aulas presenciais, algumas disciplinas ficaram mais prejudicadas com a adoção do ensino remoto. Apesar do esforço e dedicação dos professores, os resultados conseguidos nesse período não foram satisfatórios. Cito como exemplo as aulas de Artes e de Educação Física. Elas são fundamentais para a boa formação das crianças. Cantar, representar, dançar, jogar são atividades que implicam trabalho coletivo, englobam procedimentos de ensino-aprendizagem socializantes. E foi muito bom voltar a escutar

as vozes dos pequenos nas aulas de Educação Física. Os sons que escutamos vindos do ginásio da escola são animadores. Atentos, em silêncio, prestam atenção às orientações passadas pelo professor. Da parte dele, não há gritos, xingamentos ou expressões verbais que possam intimidar, humilhar ou constranger os alunos. Não há comparações do tipo um sendo melhor ou pior que outro. Pelo contrário, há estímulo ao bom comportamento, à importância de cumprir regras, respeitar o outro, participar e jogar sem agredir. Aula de Educação Física não é “deixar a bola rolar”, somente colocar a meninada para correr. Durante ela, enquanto fazem movimentos de aquecimento corporal, alongamentos, flexibilidade, é comunicada aos alunos a importância dessas práticas. Fundamental não é só saber fazer, mas como fazer, explicando os seus

benefícios para o corpo. Entre uma prática e outra, há aquela paradinha para que todos possam beber água, quando o professor diz da necessidade de hidratação do corpo. Aproveita, noutro momento, para informar o porquê de não chupar balas ou mascar chicletes durante a prática esportiva, evitando-se com isso o engasgo que pode levar à asfixia. As crianças ativas, críticas e atentas a tudo o que acontece ao seu redor nos dão lições de comportamento. Ao assumirem as orientações do professor, realizam-nas com gosto, principalmente quando veem sentido naquilo que desempenham. Da mesma forma como respeitam regras colocadas para práticas esportivas, o fazem quando se atentam para os conselhos dos cientistas, compreendem os benefícios que a vacinação, por exemplo, somada a hábitos de higiene corporal, trazem às pessoas.


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Cultura

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O poeta e escritor resende-costense Evaldo Balbino é empossado presidente da Academia de Letras de SJdR “Entre homens de letras e pelas letras, me sinto em casa” Fotos: Lyziane Brito

DA REDAÇÃO

A primeira reunião de 2022 da Academia de Letras de São João del-Rei, realizada no dia 20 de fevereiro, foi marcada pela posse da nova Mesa Diretora. O professor, poeta e escritor resende-costense Evaldo Balbino e a professora Ana Cintra foram empossados presidente e vice-presidente, respectivamente. A solene assembleia aconteceu na sede da Sociedade de Concertos Sinfônicos e contou com a presença de Acadêmicos e convidados especiais. A reunião foi aberta pela Mesa Administrativa, composta pela presidente do quadriênio 2018–2021, Zélia Maria Leão Terrell, pelo vice-presidente Antônio Carlos Galvão Del Mônaco, a 1ª secretária Terezinha de Jesus da Silva e o 1º tesoureiro José Carlos Hernández Prieto. Seguindo o cerimonial, a presidente Zélia Terrell proferiu seu discurso de encerramento do mandato e, em seguida, deu posse ao novo presidente Evaldo Balbino e à vice-presidente Ana Cintra. Em sua primeira fala como presidente da Academia de Letras de São João del-Rei, Evaldo agradeceu e destacou os trabalhos da diretoria que encerrou os trabalhos. “Meu agradecimento se deve ao zelo com que todos conduziram esta casa nesses tempos, com seriedade e competência. Principalmente em meio às dificuldades por que viemos atravessando a partir de 2020 com a eclosão da pandemia de Covid-19. Desejo frisar o fato de ser a confreira Zélia a primeira mulher a presidir a Academia de Letras de São João del-Rei, o que deve ficar notório em nossos registros. E manifesto sempre foi o seu compromisso para com nossa casa.” Evaldo recordou-se do saudoso acadêmico Alair Coêlho de Resende, entusiasta da sua candidatura a presidente da Academia de Letras: “Em fins de 2019, o nosso saudoso confrade Alair Coêlho de Resende me chamou à parte e sugeriu que eu me candida-

Integrantes da nova Mesa Diretora da Academia de Letras de São João del-Rei

tasse à presidência deste sodalício. Depois desse dia, alguns outros confrades e confreiras reforçaram a mesma sugestão. Desde aquele momento me pus a pensar sobre o assunto e, entre conversas amigas e amenas, no segundo semestre de 2021, juntamente com as confreiras Ana Maria de Oliveira Cintra e Terezinha de Jesus da Silva e os demais confrades e confreiras que ora tomam posse comigo compondo esta Diretoria, decidimos por lançar nossa candidatura, Ana Cintra e eu.” Momento de destaque na solene reunião de posse da Mesa Diretora foi o tradicional discurso de abertura do ano de 2022 da Academia de Letras, proferido pelo novo orador oficial da Casa, o escritor, poeta e professor José Antônio Oliveira de Resende, que saudou os novos dirigentes. A reunião foi concluída com uma apresentação musical do tenor Álisson Carvalho, acompanhado ao piano pelo maestro da Orquestra Ribeiro Bastos e da Sociedade de Concertos Sinfônicos, acadêmico Rodrigo Sampaio Pereira. MESA DIRETORA A nova Mesa Diretora da Academia de Letras de São João del-Rei, que cumprirá mandato no biênio 2022–2023, ficou formada pelos seguintes acadêmicos e seus respectivos cargos: - Presidente: Evaldo Balbino da Silva - Vice-presidente: Ana Maria de Oliveira Cintra - 1ª Secretária: Terezinha de Jesus da Silva

Acadêmicos se reuniram em solene assembleia

- 2ª Secretária: Letícia Uebe Pires Braga - 1º Tesoureiro e Secretário Especial: Carlos Elcio Silveira Franco - 2º Tesoureiro: José do Carmo dos Santos - Orador Oficial: José Antônio Oliveira de Resende - Relações Institucionais: André Eustáquio Melo de Oliveira - Bibliotecária: Betania Nascimento Resende. ENTREVISTA O Acadêmico Evaldo Balbino da Silva ocupa a Cadeira nº 1, cujo patrono é Severiano Nunes Cardoso de Resende. Em conversa com o JL, do qual é colunista, o novo presidente falou dos seus planos para a Academia. Para um resende-costense, como é assumir a presidência da Academia de Letras de São João del-Rei? Assumir a presidência da Academia de Letras de São João del-Rei me é gratificante, mas também desafiador. Gratificante por representar certo reconhecimento pelos trabalhos que venho desenvolvendo no âmbito cultural, em específico no campo da literatura. Se uma academia de letras está voltada para o fomento das culturas e das artes, fazer parte dela é algo que me diz respeito. Entre homens de letras e pelas letras, me sinto em casa. E é desafiador estar agora nesse cargo, pois, para além das questões administrativas, por si mesmas complexas, temos os eventos em prol da cultura, da

arte e da educação, a busca de recursos para tal, a operacionalização de todo um processo da academia em diálogo com a sociedade. Nesse sentido, presidir uma academia de letras é atuar nessas duas frentes, tendo-se os elementos culturais como motor de tudo. Quais são seus projetos para a Academia? Eu gostaria de frisar que os projetos a serem aqui mencionados (alguns dos propostos em assembleia) não são apenas meus, mas que nasceram de discussões entre mim e toda a Diretoria por mim escolhida. Muitas ideias partiram de mim, mas amadureceram a partir desse diálogo. Pretendemos dar continuidade ao cuidado para com as questões materiais e imateriais de nossa casa. Nos rastros da arte e da cultura – num processo infindável de humanização do humano –, desejamos diálogos constantes com a Diretoria e com todos os acadêmicos; buscaremos atenção constante ao Regimento e ao Estatuto da instituição; manteremos foco nas atividades culturais propriamente ditas, sem, é claro, deixarmos de nos atentar aos aspectos administrativos. Adotaremos o Livro de Tombo para registro dos acontecimentos históricos, das atividades e dos fatos significativos, dos procedimentos administrativos de maior relevância da Academia de Letras fora das assembleias mensais e do inventário dos bens da academia. Organizaremos e catalogaremos a biblioteca e os arquivos. Retomaremos, assim é o nosso de-

sejo, a periodicidade das publicações acadêmicas, mormente da revista da instituição, via leis de incentivo à cultura e/outros editais públicos. Pretendemos fomentar a divulgação de eventos e lançamentos de livros dos acadêmicos e de não acadêmicos e estimular eventos culturais levados à população, tais como palestras, oficinas, saraus, cafés literários etc. em escolas e outras instituições. Algo que me é muito precioso é a instituição do “Prêmio Nacional de Literatura Academia de Letras de São João del-Rei”, isso via comissão instituída e com premiação de textos avulsos ou livros integrais, com o apoio de leis de incentivo à cultura ou de investimento privado. Por fim, buscaremos estreitar as relações institucionais da academia com outros órgãos, públicos e privados, de São João del-Rei e região e também de outras regiões. Do mesmo modo, buscaremos mais parcerias com as mídias em geral e nossa inserção mais atuante nas redes sociais. Momentos marcantes da história do Brasil estão sendo celebrados neste ano, como o bicentenário da Independência e o centenário da Semana de Arte Moderna. A Academia de Letras pretende elaborar uma agenda cultural destacando esses e outros eventos importantes para a cultura brasileira? Sem dúvida alguma. Quanto ao movimento modernista, seria agora em fevereiro de 2022 a comemoração, pois foi nesse mês que ocorreu o famoso evento no Teatro Municipal de São Paulo em 1922, evento que muito alterou nossa produção artística e nossas relações culturais com a Europa e o resto do mundo. Quanto à Independência do Brasil, veremos algo em nossa agenda para setembro deste ano. Já que temos a publicação periódica de uma revista, proporei à Academia que façamos um dossiê sobre os dois eventos histórico-culturais. Fonte: Academia de Letras de São João del-Rei


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Cultura

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Uma comitiva da Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais (SECULT), liderada pelo secretário Leônidas Oliveira, visitou a região das Vertentes entre 21 e 23 de fevereiro. Em encontro com a instância de governança regional (IGR) do Circuito Trilha dos Inconfidentes, o grupo participou de lançamentos de editais e se inteirou de importantes projetos dos municípios. A surpresa veio, em café da manhã, no dia 21, com prefeitos, secretários e parceiros da Trilha em São Tiago, “Capital Mineira do Café com Biscoito”. Leônidas Oliveira anunciou a criação do Congresso da Mineiridade, cuja primeira edição será realizada na região, provavelmente ainda no primeiro semestre deste ano. “Será aqui, região marco do Bicentenário (da Independência), o 1º Congresso da Mineiridade com parceria do Sebrae e participação de todos os gestores de cultura e turismo. Vamos refletir sobre o bem receber e a mineiridade, que é o nosso principal atrativo.” Além disso, a equipe da SE-

CULT participou do lançamento do “Programa Reviva Tô na Trilha, Tô em Minas”, que promove a recuperação e a retomada do turismo na região, em um cenário pós-pandemia. E ainda anunciou repasses financeiros para as cidades da Trilha (por exemplo, investimentos na melhoria de sinal televisivo da Rede Minas). Estavam presentes representantes de Barroso, Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Dores de Campos, Entre Rios de Minas, Ibituruna, Lagoa Dourada, Madre de Deus de Minas, Nazareno, Ritápolis, Piedade do Rio Grande, Prados, Resende Costa, Santa Bárbara do Tugúrio, Santa Cruz de Minas e São Tiago, além de Amver, Emater, Comtur, Senac, Sicoob e Sebrae. Em Tiradentes, os visitantes conheceram a identidade visual do “Selo da Cozinha Mineira”, projeto que busca reconhecer a cozinha mineira como patrimônio cultural de Minas Gerais. No mesmo evento, foi lançado o “Projeto Renovar”, da Secult, que tem como objetivo reposicionar o destino turístico de Tiradentes como polo gastronômico nacional e internacional, com base

F oto Trilha dos Inconfidentes

Região das Vertentes vai receber 1º Congresso da Mineiridade

Secretários de Cultura e Turismo da região das Vertentes em evento com o secretário estadual de Cultura Leônidas Oliveira

na reputação da cozinha mineira tradicional e contemporânea instalada no município. A Secult ainda anunciou o “Edital Calhas e Telhados – Programa Restaura Minas”, voltado a bens tombados em municípios mineiros. O aporte será de R$ 5 milhões, contemplando 25 prêmios no valor de até R$ 200 mil. No dia 22, a subsecretária da

Secult, Milena Pedrosa, visitou Barroso, onde conheceu pontos turísticos do município, como a Matriz de Sant’Ana e a Praça Sant’Ana; também experimentou o tradicional “Chico Paio”, delícia da culinária local. Em São João del-Rei, foi a vez de o secretário adjunto de Cultura e Turismo, Bernardo Silviano Brandão, visitar o Conselho Municipal de

Turismo (COMTUR). Na oportunidade, conheceu o @circuitoecovertentes, que busca fomentar a economia regional através da criação de rotas ecoturísticas voltadas à prática de esportes, como mountain bike, trekking e cavalgada Fonte: Trilha dos Inconfidentes.

Saramago inspira novo programa turístico em Portugal Entre outubro de 1979 e julho de 1980, o escritor José Saramago, cujo centenário será comemorado em 16 de novembro de 2022, percorreu o país, de lés a lés (de uma ponta a outra), e os seus registos deram origem ao livro Viagem a Portugal, publicado em 1981. Um novo programa turístico da Rota do Românico, inspirado na sua obra literária, propõe uma viagem de cinco dias através do olhar do escritor que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1998. Entre as experiências vivenciadas pelo escritor e que farão parte do roteiro, estão o Mosteiro de Santa Maria de Cárquere e a igreja de São Martinho de Mouros, ambos localizados no município de Resende. O programa turístico da Rota do Românico, nos vales do Sousa, Douro e Tâmega, pretende ainda relembrar e promover numerosos monumentos, paisagens e experiências vivenciadas pelo escritor. São os Mosteiros de Pombeiro, Ferreira, Cête e Paço de Sousa; as Igrejas de Telões e Tabuado; o centro histórico de Amarante e as serras da Aboboreira e de Montemuro, entre outros locais do itinerário geográfico, histórico e sentimental narrado por José Saramago.

O programa Viagem a Portugal faz parte do projeto de turismo literário homônimo, desenvolvido por técnicos das Associações de Municípios do Vale do Sousa/Rota do Românico e do Baixo Tâmega e dos Municípios de Baião e Marco de Canaveses, premiado, em dezembro de 2020, pelo IPDT – Turismo e Consultoria e pelo Turismo de Portugal, no âmbito da iniciativa ALA+T Qualificar para o Turismo. 900 ANOS DE S. MARTINHO DE MOUROS O historiador e padre Joaquim Correia Duarte assinalou, em seu artigo “Coisas da Vida”, os 900 anos da instituição do concelho de S. Martinho de Mouros, atual Freguesia de Resende. “Reconquistado o castelo de S. Martinho aos Árabes (mouros) pelos exércitos de Fernando Magno, rei de Leão, em 1057, entregou o rei reconquistador ao Conde D. Sisnando este castelo e outros castelos da região para ele cuidar de povoar e aforar a cristãos as terras reconquistadas. A essa reconquista seguiu-se naturalmente o repovoamento da terra que se terá concretizado pelo sistema de ´presúria´, com

apropriação de terras feita pelos guerreiros, à medida que os árabes as abandonavam.” Segundo Duarte, o referido Conde D. Sisnando, por ordem de Fernando Magno, “deve ter dado à terra algum documento, ainda que rudimentar, no gênero das ´cartas de foro´ ou ´cartas de povoação´, documento que veio a ser confirmado e atualizado pelo filho do referido rei, Afonso VI de Leão, o mesmo que fez doação do Condado Portucalense ao Conde D. Henrique, seu genro. Constando os forais de Penela, de S. João da Pesqueira, de Paredes, de Linhares e de Ansiães, todos de 1056, como sendo os mais antigos forais que se conhecem em terras portuguesas, o documento de Fernando Magno dado a S. Martinho de Mouros deve ser da mesma época, senão mesmo anterior, e, consequentemente, deve pertencer a esse rol dos mais antigos forais”. “Tais documentos”, prossegue Duarte, “destinavam-se a atrair povoadores para esses lugares reconquistados, a regular a vida e as relações desses novos possuidores (fidalgos e vilões), e também a estabelecer os direitos do rei e os tributos a pagar pelos moradores. Esses documentos

Fonte - Foto Ideal Resende

Mosteiro de Cárquere e igreja de S. Martinho de Mouros, em Resende, fazem parte do roteiro

Igreja de S. Martinho de Mouros, do século XIII

mais antigos relacionados com S. Martinho não se conhecem. Conhece-se, sim, a Carta de Confirmação desses anteriores documentos pela Condessa D. Teresa, mãe do nosso primeiro rei, com a data de 1 de Março de 1158. O documento original, guardado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Forais Antigos, maço VIII, nº 6, está escrito em latim.” A data de 1158 é anterior à adoção da Era Cristã, que aconteceu apenas em 22 de agosto de 1422, no reinado de D. João I, explica Duarte. “Assim sendo, a essa data corresponde, na era

cristã que hoje usamos, o ano de 1121. Novecentos anos passaram. É verdade que S. Martinho de Mouros, que então abrangia todo o vale de Bestança e também Gosende, no Montemuro, perdeu o seu estatuto de município, já lá vão perto de 170 anos. Porém, a sua importância histórica permanece de pé. A sua antiguidade indiscutível. A sua glória intacta.” Fonte: Notícias de Resende, edição de fevereiro de 2022 J.V.R.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

CRIANÇA LENDO A REDAÇÃO SOBRE O GATO O gato O gato é um bicho legal. Ele é nosso amigo. O gato é um bicho bichano. O nome do gato é gato. Quando o gato dorme, ele faz que nem rosca. Ele vira rosca dormida. Deve ser por isso que ninguém come a rosca do gato. Você já viu o gato sentado? Ele vira um vaso. Eu tenho um gato. O nome dele é Bidu. Às vezes, ele fica parado no meio da sala e fica olhando pra gente. Aí ele começa a miar. Bidu sabe fazer uma coisa que todo gato sabe fazer, mas ninguém sabe fazer: lamber a barriga. Ele fica todo molinho e não tem dor na nuca. O meu gato Bidu tem hora que é teimoso. Quando a gente quer tirar ele de um lugar, ele fica esticado que nem sanfona. E fica lá, agarrando o que pode com a unha. Todo gato é preguiçoso: passa o dia dormindo, não entra debaixo do chuveiro, não trabalha pro dono e, ainda por cima, fala somente uma palavra pra não ter que falar mais: Miau. Não sei se o gato existe pra correr atrás do rato ou o rato existe pra correr do gato. Só sei que eles não são amigos, mas o gato vive cheirando o rato. Eu fiz pesquisa do gato.

Você sabia que no Egito o gato era importante? Tem gato que hoje também é importante porque ganha prêmio. O gato é ladrão. O Brasil tem muito gato importante. Eu desenhei o gato pra pesquisa do gato. Tem duas orelhas, um rabo, dois olhos com risquinho no meio e um bigodão. Mostrei o desenho pro Bidu, mas ele cheirou e foi embora. Virou rosca e dormiu. O gato enxerga no escuro. O olho dele vira luz que brilha de noite. Tem gente que não deixa gato preto passar na frente porque senão dá azar. Aí fica correndo atrás do gato pra ultrapassar ele e a sorte voltar. O gato acaba pensando que a gente é doido. Perguntei pro meu pai se o gato tem sete vidas. Fiz uma risca no chão. Era a risca da vida do gato. E apaguei um pedacinho. Se eu matar o gato, será que ele vive mais seis vezes? Meu pai respondeu que não, que o gato só tem uma vida mesmo. Bidu estava dormindo, mas parece que ele escutou a conversa. Ele desmanchou a rosca e fugiu da risca. O gato é sabido. Fica sempre em cima do muro, não faz nada e ainda ganha carinho de todo mundo.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Hey, brothers! Vem sendo assim desde 2002. Cercado por grande expectativa e planejado como trunfo certo de audiência e faturamento, a cada início de ano tem início o Big Brother Brasil, versão nacional do original holandês, criado pela Endemol, empresa detentora dos direitos do programa produzido e exibido pela TV Globo. Sigo o BBB. Não com frequência diária, nem o tempo todo ligada no reality, mas o suficiente para dar os meus pitacos sobre o que acontece na “casa mais vigiada do país” e, sem nunca votar, fazer a minha torcida a cada rodada de provas para a escolha do(a) líder e a eliminação de um a um dos brothers até a grande final. Considerando as primeiras edições que acompanhei, não dava conta de entender direito as conversas sussurradas e entrecortadas entre os competidores. Com o tempo fui treinando o ouvido e entendendo aquilo como uma fala não voltada para os telespectadores, estrategicamente usada com o objetivo de não ser ouvida mesmo por uns e outros confinados. Confinamento. Essa é a dinâmica do jogo proposto, por cerca de três meses, aos “moradores” de uma casa cenográfica observada por câmeras 24 horas por dia e vista por milhões de olhos atentos e curiosos aqui fora. Não por acaso, o nome de origem dessa famosa competição, também presente em outros países, é Big Brother, empresta-

do da literatura britânica, especificamente do livro “1984”, de George Orwell. No romance (publicado em 1949 e na lista dos mais vendidos da revista Veja atualmente), o personagem Grande Irmão é o líder supremo de Oceânia, lugar fictício de onde ele controla toda a população. Na história, todos os espaços públicos e privados são controlados por câmeras que monitoram, espionam e gravam a intimidade das pessoas. Trata-se de uma crítica ao totalitarismo, regime político não democrático. O olhar vigilante é o ponto comum entre a ficção de Orwell e o BBB. Nela, provocando reflexão sobre o controle do cidadão pelo Estado. Na atração global, proporcionando diversão. E diversão, vamos combinar, quem não quer? É claro que nem todos acham graça no Big Brother ou têm paciência para acompanhá-lo. Acontece. Fica claro ainda, inclusive com advertência exposta na telinha, que é programa impróprio para criança. Sem uma proposta edificante, a ideia é provocar “fogo no parquinho”, expressão equivalente a treta, confusão, conflito. Tudo isso com o intuito de acirrar os ânimos entre os jogadores em busca do cobiçado prêmio à pessoa vencedora e/ou da fama instantânea tão sonhada por muitos. No que se propõe a ser, esse reality fica distante, por exemplo, do respeitado “Conversa com Bial”, talk show comandado por Pedro Bial, que nos seus

tempos de BBB gostava de convidar o público a “dar uma espiadinha na casa”. Segundo Maura Martins, jornalista, mestre e doutora em comunicação, a bisbilhotice alheia é característica inata do ser humano, que está sempre curioso para ver “como as pessoas vivem, convivem, reagem e qual é a sua essência”. E lembra ainda a pesquisadora gaúcha que, além do puro entretenimento, cada temporada do BBB acaba trazendo à tona questões que vêm sendo debatidas na sociedade, o que é bom. E acrescenta ainda que “ser popular não significa ser ruim”. Sobre essa discussão envolvendo a qualidade do que é popular, lembro aqui um depoimento do humorista Renato Aragão: “Tudo mudou no dia em que o poeta Drummond (sempre ele para mim) não atendeu à ligação de um repórter e disse que, naquele momento, não podia dar entrevista, pois estava assistindo “Os Trapalhões” (1974 - 1995). A partir dali, muitos passaram a assumir que viam o quarteto na tevê. Antes disso, diziam que viram um trecho enquanto passavam pelo quarto da empregada. Depois, passaram a nos assistir na TV da sala”. Gosto e preconceito à parte, não se pode negar que a trupe formada por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias marcou época no humor brasileiro. Inegável também é que o BBB segue sendo um fenômeno cultural.


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Meio Ambiente

ESPECIAL

DANIELLE DE SOUZA SILVA E GABRIELA DE OLIVEIRA LIMA* ADRIANO VALÉRIO RESENDE**

1° Encontro de Carreiros e Candeeiros promove resgate solidário da tradição em Resende Costa

Petróleo: gigante da energia, mas um vilão ambiental

Mais de 50 carros e 300 bois desfilaram na cidade, recolhendo alimentos para instituições Fotos Prefeitura Municipal

VANUZA RESENDE

O tradicional canto de um dos mais primitivos e simples meios de transporte, ainda em uso no meio rural, tomou conta de uma manhã de domingo em Resende Costa. No dia 27 de fevereiro, os resende-costenses acompanharam o desfile de 57 carros-de-boi pelos bairros da cidade. Os 363 bois guiados pelos carreiros e candeeiros levavam os carros, que recolhiam alimentos para a APAE, Hospital Nossa Senhora do Rosário e Lar São Camilo. A ideia de promover o desfile partiu de Sérgio Vanderci Urquisa, o Serginho da Serraria, que uniu a vontade de ajudar com o resgate de uma tradição. “Essa tradição não pode acabar. A gente tem uma tradição antiga do transporte dos carros-de-boi. Eu me lembro de que nessa época, por exemplo, os carros-de-boi já estavam sendo todos preparados para saírem da zona rural, das roças, a fim de chegarem até a cidade com alimentos: lata de biscoito, arroz... Tudo em preparação para a Semana Santa”, relembra Serginho. O Secretário de Agropecuária e Meio Ambiente, Alexssander Pinto Lourdes, falou sobre a realização do Encontro. “Nós ajudamos três instituições e, ao mesmo tempo, fomentamos uma tradição. Reunimo-nos com os integrantes do grupo de carreiros e candeeiros, com a Câmara de Vereadores, EMATER, ARCOSTA, Polícia Militar e APAE para que, juntos, realizássemos o evento. Contamos com recursos da Prefeitura Municipal e de patrocinadores.”

a participação de 19 cidades da região. De algumas cidades mais distantes, como Lavras, vieram apenas os carreiros e candeeiros. Os carros-de-boi foram emprestados pelos produtores rurais do município. “Vieram algumas pessoas, mesmo sem carro e sem boi, mas que vestiram a camisa. Conduziram os carros, recolhendo alimentos pelas ruas da cidade. Foram 363 bois na cidade e, graças a Deus, sem nenhum acidente”, diz Alexssander. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) foi responsável por recolher os dados de cada um dos carros para a apresentação feita no Parque de Exposições. O extensionista agropecuário da EMATER, Marcos Túlio Resende Maia, comentou sobre o evento. “Tivemos um excelente evento. Foi o primeiro encontro desse molde na cidade. Já tivemos outros que foram realizados nas festas rurais. Mas eram bem diferentes, com os carros apenas desfilando. O diferencial desse ano foram as doações, sendo que foi tudo muito positivo.”

CARROS-DE-BOI PELA CIDADE Alexssander comenta sobre o trajeto escolhido para o desfile. “Todos os carros-de-boi saíram juntos do Parque de Exposições e chegaram até a Rua Gonçalves Pinto, a tradicional Avenida. De lá, dividimos os integrantes para os bairros. Foram cerca de 10 a 15 carros em cada bairro. Não foi possível passar em todos eles, uma vez que os bairros que possuem mais morros oferecem dificuldades para os animais. Depois disso, encontramo-nos de novo na Avenida e descemos para o Parque de Exposições, onde foi realizada a apresentação de cada carro.” De Resende Costa foram 11 carros, mas o desfile contou com

DOAÇÃO Todos os alimentos já foram doados às instituições contempladas. De acordo com Alexssander, os materiais recolhidos encheram cinco carros, um grande quantitativo. “A população abraçou mesmo a ideia. A gente teve uma boa repercussão no pós-evento. Foi a primeira vez que tivemos um desfile desse porte na cidade. Tínhamos os desfiles de carros-de-boi durante a exposição agropecuária, mas nada desse tamanho. Foi muito positivo poder ajudar APAE, Hospital e Lar São Camilo.” Serginho também comemora a realização do evento. “Que alegria realizar o encontro! Minha equipe é minha família, e eu tive ajuda do Saulo, da Solange, da Sâmala e da

O desfile arrecadou alimentos para a APAE, Lar São Camilo e Hospital Nossa Senhora do Rosário

Desfile de carros-de-boi marcou o domingo de carnaval

Sara. Foi um sonho realizado.” O PRIMEIRO DE MUITOS Para 2023, a ideia é promover o segundo encontro. “Eu quero repetir esse desfile todo o ano. E quero que ele seja realizado no Dia do Carreiro, na cidade. Vou enviar um projeto para a Câmara dos Vereadores para que seja aprovado o Dia do Carreiro, dia 02 de junho, aniversário de Resende Costa. Também pretendo todos os anos realizar esse encontro de forma solidária, em benefício das instituições aqui da cidade. A gente faz pelo amor ao próximo e pelos carreiros. Agradecemos à Prefeitura Municipal, aos patrocinadores que apoiaram muito a realização e a todos que acreditaram que daria certo realizar o encontro. Para o ano que vem, gostaria de contar com um apoio maior dos carreiros e candeeiros de Resende Costa e, assim, colocarmos 100 carros-de-boi nas ruas”, planeja Serginho. Marcos Túlio reforça a importância de se manter a tradição. “Hoje, as máquinas acabaram substituindo a força animal. Mas muitas propriedades mantêm os bois como força de trabalho, principalmente na nossa região, que, por ser muito montanhosa, não permite a entrada das máquinas em alguns locais, sendo utilizada, então, a força do animal. É um resgate da tradição e uma valorização dos produtores que buscam manter essa cultura.” O Secretário de Agropecuária e Meio Ambiente reafirma o desejo do encontro ser anual e reforça os agradecimentos aos envolvidos. “Queremos tornar anual esse encontro. Os meus agradecimentos a todos que participaram, que ajudaram na organização, aos patrocinadores, que foram fundamentais. A todos que fizeram a doação dos alimentos e, principalmente, aos carreiros e candeeiros que fizeram o evento acontecer”, conclui Alexssander.

A fonte de energia mais utilizada no mundo é o petróleo. Trata-se de um combustível fóssil que está bastante presente em nossa vida pela sua capacidade de ser matéria-prima para inúmeros subprodutos, que vão desde a gasolina até o plástico. No entanto, apesar da flexibilidade e importância para a humanidade, a sua expressiva utilização gera inúmeros problemas ambientais. O petróleo é um combustível fóssil, originado pela decomposição de organismos marinhos (os plânctons), sendo uma substância de natureza inflamável e não renovável. Acredita-se que sua utilização remonta à antiguidade, especialmente por povos do Oriente Médio. No entanto, sua utilização em escala industrial se deu a partir de meados do século XIX, quando foi desenvolvido o processo de refino e inventou-se o motor a combustão interna, movidos a óleo diesel e a gasolina. No final do mesmo século, ele já respondia por quase 50% do consumo de energia. Ainda hoje, apesar de diversas inovações e adesões a novas fontes de energia, o petróleo ocupa lugar de destaque no ranking. A utilidade e o uso do petróleo são vastos. Além de ser fonte de energia, ele também é utilizado na fabricação de borracha sintética, solventes, asfalto, gás de cozinha, óleos lubrificantes, plásticos, grande maioria dos xampus e condicionadores, ceras, tintas para cabelo, analgésicos, roupas, produtos de limpeza em geral, alimentação (alguns corantes e conservantes), fertilizantes artificiais, pesticidas, entre outros. Apesar dos esforços para diminuir a dependência desse recurso, especialmente na sua utilização como combustível, é inegável a sua importância e versatilidade. Os países que detêm as maiores reservas de petróleo são os membros fundadores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), criada em 1960, que funciona como um cartel, com a função de regulamentar a produção e o comércio do óleo. São eles: Venezuela, Arábia Saudita, Irã, Iraque e Kuwait. Atualmente, são 14 países-membros, envolvendo países da África, Ásia e América Latina. O grupo detém aproximadamente 80% de toda reserva mundial e 45% da produção atual. Arábia Saudita, Estados Unidos e Rússia são responsáveis

por grande parte da produção mundial. Os dois principais consumidores são Estados Unidos e China. Para se ter uma ideia, são consumidos diariamente quase 100 milhões de barris (um barril tem 158,9 litros). Segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), o Brasil possui a 16ª reserva provada de petróleo em 2020, sendo ainda o 9º maior produtor e o 8º consumidor. A indústria petrolífera possui um grande potencial de riscos para o meio ambiente e pode afetá-lo em diferentes níveis. Praticamente, todas as etapas (extração, transporte, refino e distribuição) podem causar algum tipo de poluição, seja no ar, na água ou no solo. Alguns dos impactos ambientais mais significativos incluem a intensificação do efeito estufa, das chuvas ácidas e a contaminação das águas subterrâneas e superficiais. Por exemplo, recentemente, descobriu-se que as emissões de metano proveniente dos combustíveis fósseis são 25% a 40% maiores do que se estimava. Assim, o consumo de petróleo está contribuindo muito mais para o aquecimento do planeta do que se pensava anteriormente. Com tantas consequências ambientais negativas devido ao seu uso, o petróleo tem sido considerado uma fonte de energia bastante poluente, levando os países a investirem em fontes alternativas e a buscarem por uma eficiência energética maior. O Brasil é um exemplo a ser seguido: cerca de 44% da origem da energia consumida no país provém de fontes renováveis (principalmente de derivados da cana-de-açúcar, hidráulica e eucalipto). As que têm ganhado destaque recentemente são a eólica e a solar. Inegavelmente, a humanidade está diante de um desafio, o de substituir ou, pelo menos, diminuir a dependência do petróleo. Nesse sentido, ficamos com o comentário do jornal on-line OutrasPalavras: “Há dois séculos, ele é o emblema da industrialização e do capitalismo. Suas propriedades são notáveis, mas a lógica de infinitude associada a ele nos projetou em crise ambiental e civilizatória. Substituí-lo exigirá criar outra sociedade.” *Alunas do Curso Técnico de Meio Ambiente – CEFET/MG **Professor CEFET/MG


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BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA

Neto de João de Rezende Costa deu nome a bairro de Campinas (SP) JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Por que “Barão Geraldo”? Alguns indícios sugerem que a denominação desse bairro do município de Campinas (SP) possa estar atrelada às ferrovias e estações ferroviárias da região. Decreto estadual nº 543, de 30 de março de 1898, aprovou “a planta da projetada estação denominada ´Barão Geraldo de Rezende´, estaca 155 do prolongamento da via férrea da Companhia Carril Agrícola Funilense, e o orçamento para o custo da mesma estação”. O decreto, que atendia solicitação da Funilense, foi assinado pelo vice-presidente do Estado, em exercício, Francisco A. Peixoto Gomide, por recomendação da Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. A abertura ao tráfego público, em caráter provisório, do trecho da linha férrea da Cia. Carril Agrícola Funilense, entre Campinas e a estação Barão Geraldo de Rezende, foi autorizada pelo decreto estadual nº 707, de 14 de setembro de 1899, do presidente paulista Fernando Prestes de Albuquerque. A condição era de que a companhia construísse, no prazo de 60 dias, os cattle-guards nas divisas dos campos de experiência do Instituto Agronômico (IAC), no km 6 da referida linha. Os primeiros esforços para a criação de uma linha férrea ligando a região do Funil (Cosmópolis) ao centro de Campinas surgiram no período 1870-1899, segundo Ana Laura Evangelista, na dissertação “Estrada de Ferro Funilense (SP): território, história e patrimônio cultural” (2018), apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da PUC-Campinas. O Barão Geraldo de Rezende participou, como incorporador e incentivador, da fundação da Cia. Carril Agrícola Funilense (CCAF), em 1890, ao lado de outros fazendeiros da região. A CCAF construiu o trecho inicial da ferrovia, que foi inaugurada oficialmente em 1899. Mas as obras da ferrovia só tiveram início quando o coronel João Manoel de Almeida Barbosa vendeu, em 1891, a Fazenda do Funil para a Cia. Sul Brasileira de Colonização, cujo diretor era o Barão Geraldo de Rezende, relata Ana Evangelista. “Além de proprietário de fazendas que seriam favorecidas pela passagem da linha férrea, o barão possuía enorme prestígio no governo republicano e dedicou-se integralmente à criação da ferrovia.” ALÉM DO CAFÉ O surgimento da Funilense, assim como das demais ferrovias da época, estava relacionado com o processo “de colonização do

interior paulista, a partir da mão de obra imigrante e assalariada, de expansão da cultura cafeeira ao oeste paulista e de consolidação da industrialização”, de acordo com Ana Evangelista. Com a iniciativa da elite campineira e benefícios e facilidades concedidos pelos governos municipal, estadual, imperial e republicano, o que “orientou a construção da Funilense foi a necessidade de uma infraestrutura para escoamento da produção agrícola do Funil, através da rede de tráfego ferroviário que se conectava em Campinas e que dava acesso ao Porto de Santos”. Inaugurada com o objetivo de escoar café, a pequena ferrovia independente sobreviveu graças ao transporte de gêneros alimentícios, derivados de cana-de-açúcar, algodão, produtos de primeira necessidade, madeira, couro, tecido, fumo, material de construção, diz Ana Evangelista. “Foi o valor arrecadado pela venda da lenha retirada da região (usada para produção de dormentes e para abastecer as locomotivas a vapor das companhias ferroviárias em Campinas) que salvou a Funilense de sua total falência. No entanto, a ferrovia apenas se manteve funcionando pelo peso das vozes em sua defesa dentro do governo.” SANTA GENEBRA A Funilense foi construída entre os traçados das Companhias Paulista e Mogiana. O tráfego provisório foi autorizado pelo Decreto nº 707/1899 – a ferrovia contava com 46km de extensão, quatro estações e quatro chaves: a Estação Guanabara, que pertencia à Mogiana e dava acesso ao centro de Campinas e às outras ferrovias; a Estação Santa Genebra, depois chamada de Estação Barão Geraldo, que dava acesso às fazendas Santa Genebra e Rio das Pedras, e que ajudou a formar o centro do atual distrito de Barão Geraldo; a Estação José Paulino, que influenciou na formação do centro histórico de Paulínia; a Estação Barão Geraldo de Rezende, depois chamada de Estação Cosmópolis, na cidade que herdou esse nome. As chaves eram Deserto (também chamada de Estiva ou Santa Teresinha), Engenho (ou Funchal), João Aranha e Funil. “Esse processo atrelou-se às tentativas do governo imperial e republicano, em parceria com os latifundiários, de implantar projetos de imigração visando substituir a mão de obra negra e escrava pela branca e assalariada”, de acordo com a autora. “No caso do estado de São Paulo, esses projetos foram implantados principalmente através da instalação dos núcleos coloniais de incentivo à colonização e à imigração”, para suprir necessidades, como carência de mão de obra para a lavoura e a indústria; fixação de imigrantes à terra no Brasil; criação de no-

vos núcleos populacionais, além de desenvolver e modernizar os já existentes; e produção de alimentos para os centros urbanos. Um dos fatores essenciais para a construção da Funilense foi a implantação, em 1897, do Núcleo Colonial Campos Salles (NCCS) no Funil, em terras doadas pela CCAF ao Estado de São Paulo (Decreto nº502-A/1897). Esse projeto “alinhava interesses e esforços dos grandes proprietários de terras da região”, acrescenta Ana Evangelista. A Funilense transportava para Campinas vários produtos do NCCS, bem como equipamentos importados, manufaturas e mão de obra ao Núcleo, à Vila e à Usina Açucareira Ester, fundada em 1905 após a compra e a incorporação de terras no Funil pela empresa Irmãos Nogueira & Cia. A história da família Nogueira confunde-se com a história da formação de Campinas. HERANÇA Em 1905, a Cia. Carril Agrícola foi desfeita e o nome da ferrovia foi alterado para Estrada de Ferro Funilense (EFF), que passou a ser propriedade do Estado de São Paulo (Decreto nº1308/1905). “Com os crescentes investimentos no transporte rodoviário e a obsolescência do sistema ferroviário, a partir de 1950 a Funilense foi perdendo seu papel como vetor de transporte de mercadorias, pessoas, ideias, tecnologias e memórias, sendo finalmente desativada em 1960, após muitos protestos nas cidades atendidas por ela”, relata a autora. “Os trilhos foram retirados entre 1961-62 e muitas edificações foram demolidas pelos municípios ao longo dos anos seguintes. A Funilense tornou-se uma ‘ferrovia fantasma’.” Um dos fatores essenciais para a construção da Funilense foi o processo de industrialização da região de Campinas, que se acelerou vertiginosamente a partir da década de 1950, observa Ana Evangelista. Isso fez “com que as cidades interligadas pela Funilense recebessem grandes contingentes populacionais de outros estados e de áreas rurais de São Paulo, uma população que não se identificava com as histórias e memórias locais e que alterou o perfil dessas cidades”. Cosmópolis foi o primeiro município a se emancipar de Campinas (em meados do século XX). O segundo a se desmembrar foi Conchal (1948); a mesma lei também emancipou Artur Nogueira, até então um distrito de Mogi-Mirim. Paulínia foi elevada à categoria de cidade em 1964, tornando-se um importante polo industrial nacional e um dos maiores polos petroquímicos da América Latina. Um bairro, com muitos imigrantes alemães, belgas, suíços, suecos, húngaros, austríacos, poloneses e descendentes, tornou-se distrito

Barão Geraldo de Rezende. Foto do séc. XIX, autor desconhecido

de Engenheiro Coelho e se emancipou em 1991, após mobilização da população. Resta o distrito de Barão Geraldo, que“luta até os dias de hoje para se emancipar de Campinas”, segundo Ana Evangelista. “O vilarejo rural, formado a partir das Fazendas Santa Genebra e Rio das Pedras, surgiu de desmembramentos e vendas de lotes da segunda fazenda, comprados por famílias de agricultores livres, italianos, portugueses e libaneses. O pequeno núcleo, transformado em distrito em 1953 (Lei Estadual nº2456/1953), começou a crescer e a se transformar rapidamente a partir da implantação da UNICAMP (Universidade Federal de Campinas), na década de 1960.” Por ser “um polo científico e tecnológico, virou espaço estratégico para fomentar a expansão urbana de Campinas, e também metropolitana”. QUEM É O BARÃO GERALDO? Geraldo Ribeiro de Souza Rezende, nascido em 19 de abril de 1846, no Rio de Janeiro, era filho do senador Estevão Ribeiro de Rezende, Marquês de Valença, e de Ilidia Mafalda de Souza Queiroz. Era neto paterno do Coronel Severino Ribeiro (de família lisboeta) e de Josefa Maria de Rezende; portanto, bisneto dos açorianos João de Rezende Costa e de Helena Maria de Jesus, que fixaram residência em Lagoa Dourada. Geraldo iniciou seus estudos no Colégio Köpke, do Rio de Janeiro, e também estudou em Bruxelas, Londres e Coimbra, retornando ao Brasil em 1864. Falava

três línguas: português, francês e inglês. Entre 1865 e 1867, Geraldo mudou-se para São Paulo a fim de ingressar na Academia de São Paulo do Convento de São Francisco, estudando no Colégio dos Jesuítas. Mas sua avó, ao perceber seu talento para a lavoura, deu-lhe a direção da fazenda Santa Genebra, onde ele se estabeleceu em 1870. Herdou da avó a fazenda Santa Genebra (1.250 alqueires em região de terra roxa), tornando-se grande produtor de café. Santa Genebra destacou-se por seu pioneirismo e inovação. Geraldo associou-se aos agrônomos do IAC e se tornou participante ativo de exposições agrícolas, o que fez da sua fazenda uma espécie de propriedade modelo na cafeicultura. Durante o Império, tocava os cafezais com mão de obra escrava. Com a abolição, passou a utilizar o trabalho familiar de imigrantes europeus, principalmente alemães. Foi vereador em Campinas (1883 a 1886) pelo Partido Conservador e deputado no Parlamento Nacional (1886), constando primeiramente como Comendador Geraldo Ribeiro de Sousa Rezende. Em 19 de janeiro de 1889, Geraldo recebeu o título de Barão de Iporanga, assinado por D. Pedro II, e depois modificado para Barão Geraldo de Rezende a seu pedido. Com o fim do Império, retirou-se da vida pública e passou a dedicar-se exclusivamente à sua fazenda. Fonte: Diretoria de Gestão Documental da Câmara Municipal de Campinas e Wikipedia.


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CIDADE

Vinho sem frescura

Servidores municipais criam sindicato em Resende Costa

AMANA CASTELO BRANCO*

Foto: Arquivo SINDRESENDECOSTA

Membros da diretoria do SINDRESENDECOSTA

DA REDAÇÃO

No dia 03 de fevereiro de 2022, foi realizada, no Centro de Pastoral Paroquial (CPP), assembleia geral para eleição da primeira diretoria do recém-criado SINDRESENDECOSTA – Sindicato do Servidores Públicos Municipais Ativos e Inativos de Resende Costa. Sindicato pode ser definido como uma organização de pessoas jurídicas ou físicas que figuram como sujeitos nas relações coletivas de trabalho. Tal organização é instituída para reunir tanto pessoas físicas quanto jurídicas, e não visando a fins indiscriminados. A principal característica do sindicato é de “ser uma organização de um grupo existente na sociedade”, segundo Amauri Mascaro Nascimento. A Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho disciplinou o princípio da liberdade sindical em 1948: “os trabalhadores e os empregadores, sem distinção de qualquer espécie, terão direito de constituir, sem autorização prévia, organizações de sua escolha, bem como o direito de se filiar a essas organizações, sob a única condição de se conformar com os estatutos das mesmas.” A Constituição Federal estabelece em seu artigo 5º, inciso XVII, que “é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar”. Por sua vez, o mesmo artigo, em seu inciso XIX, dispõe que “as associações só podem ser com-

pulsoriamente dissolvidas ou ter as suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado.” Assim, amparados pela lei e desejosos de constituir uma entidade que possa defender os seus direitos e organizar as suas ações, um grupo de servidores públicos municipais de Resende Costa, ativos e aposentados, começou a se reunir, em julho de 2021, com a finalidade de criar um sindicato de servidores públicos municipais. A iniciativa foi do ex-vereador Ângelo Márcio, que, entendendo a necessidade de organização dos servidores para a defesa de seus direitos, tratou de reunir as pessoas interessadas e solicitar apoio ao Sind Ute – Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação de Minas Gerais – e Sind Metal – Sindicato dos Metalúrgicos de São João del- Rei. O Sind Ute enviou André Ávila, coordenador de comunicação, e o SindMetal enviou o Secretário Geral Jordano dos Santos e a advogada Dr. Keyze Bruna. Com o apoio desses dois sindicatos, foram feitas diversas reuniões, durante as quais debateram-se todas as questões relativas à implantação e ao funcionamento de uma entidade desse nível. O serviço público, de forma geral, é essencial para o bom funcionamento da sociedade. Os servidores detêm a função de atender a população nas diversas secretarias do município, fazer o cadastramento de benefícios na Assistência Social, dar encaminhamento aos pedidos na Secretaria de Saúde, fazer os agenda-

mentos de consultas e exames, cuidar de toda a parte orçamentária e administrativa municipal, realizar obras, promover a educação e outras funções importantes. Logo, para termos um serviço de qualidade é necessário que tenhamos um quadro de servidores satisfeitos com o serviço. O servidor é empregado da população, portanto tem de prestar a ela um bom serviço. “Nós iremos lutar pela valorização dos servidores municipais. O sindicato não foi criado para ‘brigar’ com ninguém, mas para trabalhar em parceria com o Poder Público Municipal e com a população em geral”, disse o presidente eleito do SINDRESENDECOSTA, Otávio Ribeiro. O sindicato começou bem disposto. Uma rifa, tendo como finalidade custear as despesas com registro de atas e estatuto, foi organizada e contou com adesão em massa dos servidores municipais. A primeira diretoria, eleita para o mandato de três anos, ficou composta da seguinte maneira: Diretor Presidente – Otávio Ribeiro; Diretora Vice-Presidente – Márcia Mendonça; Diretora Secretária Geral 1ª Secretária – Susana Valéria; Diretora Secretária Geral 2ª Secretária – Elaine Santos; Diretor Tesoureiro – Antônio Alan; Diretora Tesoureira – Solange Lídia; Suplentes da Diretoria – Sandra Pena, Kesller Sulivan e Janete Helena; Conselho Fiscal – Aguinaldo Rodrigues, Valdir Coelho, Adriana Coutinho; Suplentes do Conselho Fiscal – Paulo Ricardo e Maria Mendes.

Já ouviu falar sobre vinhos verdes? Antes de estudar sobre vinhos, cheguei a pensar que os vinhos verdes recebiam esse nome por conta da sua cor, na verdade, pelo seu reflexo, que me parecia sempre esverdeado. Meu pai era um apaixonado por vinhos e os portugueses estavam entre os seus preferidos. Através do seu olhar encantado, seu conhecimento e suas histórias, acabei por me interessar e foi, inevitável, me apaixonar também. Quando era ainda adolescente, adorava a garrafa de um vinho verde que meus pais tomavam. Ela era diferente das outras, tinha uma forma mais baixa e arredondada. Durante os anos 90, era muito comum encontrá-la em outros lares como garrafa de água, comumente estocada nas geladeiras. Tais garrafas ainda existem no mercado, em menor quantidade, mas não é tão difícil topar com uma por aí. O vinho verde foi minha primeira experiência com vinhos brancos, que eu jurava, eram verdes! Pela minha descrição, você também, deve tê-lo imaginado assim. Por mais que alguns tenham uma coloração levemente esverdeada, seu nome é relativo à sua denominação de origem, ou seja, diz respeito ao lugar de onde veio, que, no caso, está localizado no noroeste de Portugal. E, sendo uma região demarcada, D.O.C, assim denominada como, “Entre-Douro-e-Minho”, é permitido fabricá-los nas suas nove sub-regiões: Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção e Melgaço, Paiva e Sousa. Isso quer dizer que vinho verde é português e essa é uma denominação de origem. Assim como champanhe é uma bebida feita somente na Champagne, na

França. Vinho do Porto é fabricado apenas no Douro, Cava apenas na Catalunha, localizada na Espanha, e por aí vai. Pode até parecer besteira, mas é uma forma de proteger, incentivar e valorizar a história de um lugar. Fazer com que produtos específicos sejam os representantes legítimos de uma localidade a torna reconhecida, atravessando o tempo e carregando histórias. Por mais que aqui no Brasil a maior parte do consumo seja de vinho verde branco, ele pode ser rosé, tinto ou espumante. As variedades mais populares utilizadas na produção dos brancos e espumantes são: Alvarinho, Loureiro, Trajadura, Avesso, Azal e Arinto. Entre as uvas tintas, para os vinhos tintos e rosés, as mais presentes são Espadeiro e Vinhão (Sousão). São cepas pouco comuns para nós, que estamos mais habituados com as francesas, como Cabernet e Chardonnay. No entanto, já existem produtores brasileiros investindo também em uvas portuguesas. São vinhos frescos, jovens, com acidez marcante, que combinam muito bem com nosso clima tropical. É melhor que sejam servidos a temperaturas mais baixas para que se aroviete ao máximo seu frescor. Por conta das suas características, aqui vão algumas dicas para uma boa harmonização: frutos do mar, ceviche, bacalhau, truta, comida japonesa, bolinho de peixe, salpicão e frango ao molho de limão ou maracujá. E você, já provou algum vinho verde? Se quiser conhecê-los, estou à disposição para apresentar alguns. *Enóloga e cozinheira profissional.


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O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

A centenária Semana de Arte Moderna: um testemunho Nosso jornal não se omitiu frente ao centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, graças ao texto de nossa colega, colunista como eu, do JL: Regina Coelho. Artigo muito bom e elucidativo. Como, nesta coluna, acho útil, de vez em quando, entrar em assuntos memorialísticos e até testemunhais que, talvez, possam contribuir, por exemplo, para a história da cultura em nosso município, acrescento ao texto da Regina a vivência que tive com os resultados da Semana de 1922. No cinquentenário da Semana – 1972 –, eu cursava Letras Português/Inglês na Faculdade de Ciências e Letras Nossa Senhora Medianeira, dos padres jesuítas, recentemente transferida do Rio de Janeiro para o Colégio São Luís, de São Paulo, também dos jesuítas, na Avenida Paulista. Foi meu primeiro contato com a obra de Mário de Andrade, pois tive dois meses de aula com a professora Telê Ancona Lopez, que acho a maior especialista, no Brasil, sobre

Mário. Antes, 1967, eu estava sob o impacto da montagem teatral de José Celso Martinez Corrêa de O Rei da Vela, que foi um marco no teatro nacional. Primeira obra teatral do modernismo. Peça de Oswald de Andrade de, quem eu conhecia quase nada. O elenco, em minha memória até hoje, sobretudo a saudosa Dina Sfat (1938-1989). Após a leitura de obras de Mário, fixei-me em Macunaíma, a meu ver um dos maiores romances da literatura brasileira. A histórica montagem teatral de Macunaíma, em 1978, no teatro São Pedro, fez a fama de Antunes Filho. Impressionou-me tanto que algumas cenas estão na minha memória até hoje. Citando a Folha on-line: “Macunaíma ainda está aí, em toda parte, nos textos, nas músicas e nas ruas. Seus desdobramentos reaparecem no teatro de José Celso Martinez Corrêa, nas ideias de Darcy Ribeiro, na Refavela de Gilberto Gil, no discurso de Roberto da

Matta, em todas as falas que percebem na miscigenação brasileira e nas contradições de nossa história não somente um problema a resolver, mas uma dinâmica a aproveitar, em nosso próprio benefício”. Mário de Andrade: um dos maiores vultos da cidade de São Paulo. Poeta, romancista, músico e professor de música, crítico literário e musical, folclorista, ensaísta, epistológrafo, promotor cultural. Homem plural, múltiplo, poliédrico, como diz Tristão de Ataíde (Alceu Amoroso Lima). Poliglota: falava espanhol, italiano, francês e alemão. Mapeou o Brasil da época com suas viagens. Visionário, foi o primeiro a mostrar a importância de documentar e preservar o patrimônio cultural, tão debatido hoje em dia. Criador da primeira biblioteca circulante. Seu projeto Brasil naufraga (para variar!), com a ditadura Vargas. A revista de cultura Vozes, da Editora Vozes, de Petrópolis, dos frades franciscanos, em minhas mãos até hoje, pu-

blicou uma edição comemorativa do cinquentenário. Na capa: 50 anos de modernismo brasileiro e uma citação de Alceu Amoroso Lima: “Tenha acabado ou esteja se renovando o ciclo do Modernismo, podemos afirmar que sua herança representa o patrimônio mais rico de toda a nossa evolução cultural”. Nessa mesma edição, a revista parece antecipar as páginas amarelas da Veja. Publica em páginas azuis uma entrevista com Alceu, fundamental para o estudo do Modernismo propugnado pela Semana. Mais tarde, matriculando-me na PUC/SP para um mestrado em Teoria Literária, foi meu professor, Décio Pignatari. As aulas de Décio despertaram-me para a estética da poesia concreta, da qual ele era um dos mais famosos representantes. Um contato bem próximo com os irmãos Campos, Augusto e Haroldo, ensaístas teóricos e poetas do Modernismo, abriu-me para os “ismos” da época da Semana de Arte Moderna de 1922: sur-

realismo, cubismo, dadaísmo etc. Um mergulho nas águas revoltas da arte daquele tempo. Aí, o ponto forte foi Oswald de Andrade. E, segundo Tristão de Ataíde na entrevista acima citada, ao contrário de Mário de Andrade e do seu poliedrismo, foi Oswald de Andrade, um monoedro mutável com seu radicalismo total e unilateral, embora com atitudes sucessivas contraditórias. No entanto, foi sem dúvida a figura mais importante e mais influente do Modernismo sobre a geração de artistas posteriores. É o que penso. E você?

cuidado com os animais, os de pequeno e os de grande porte, ficava por conta da esposa que, cada vez mais, não tinha tempo para assistir a sogra. Assim também os netos, cada um cuidando de sua vida. Não era maltratada a matrona. Sem poderes, no entanto. Ficava na sua cadeira de balanço, parada diante da vida balançando, para um lado e para o outro. A vida já não dando mais conta dela, já lhe dizendo que ela era mulher que vivia para além da medida humana. Não demorou muito para que o seu idoso corpo se entregasse mais às próprias fraquezas. Demandando cuidados urgentes, sua presença ali na casa se tornou mais dificultosa, e cada vez mais. Carecia ela de atenção, o que o filho, a nora e os netos não podiam dar a contento. Então decidiram que ela fosse viver com outra filha, a tia Missia. Ali, talvez, teria mais atenção, o cuidado necessário à sua avançada idade.

O dia da partida para a outra casa chegou. A trouxa com as roupas idosas foi amarrada. As antigas roupas saíram da canastra, foram dobradas pelas mãos da vó Laurinda, e a sogra a tudo vendo sem concordar. Depois, o filho Cota pegando a mãe nos braços, erguendo seu corpo leve e frágil pra riba do carro-de-boi, as mãos anciãs segurando contrariadas os fueiros que estavam ao seu alcance. O carro leve, levando somente o corpo da mulher, sua trouxa de roupas e a roda de fiar que não mais fiava, mas que os olhos envelhecidos namoravam como se namora insistentemente a própria vida. O carro-de-boi foi subindo pela estrada onde todos se perdem. Não cantava, pois não estava pesado de tantas coisas materiais assim. Carros apertados é que cantam. Mas o que levava a bisa Cota não estava apertado, muito menos carregado de milho ou qualquer outra carga de muito peso. Sobre ele ia sim muita vida: um de-

sejo de eternidade e uma voz pra canto e terço. E a vida, os sentidos da vida, têm peso, cor e forma. Mas não o peso comezinho das coisas concretas. A voz da Cota, desolada, soltou seu uivo. Foi lavrando no ar seu canto de mulher vivida por demais:

*Vida ida que faz falta: Arnaldo Jabor. Aqui comigo sua crônica no Estadão, 11/5/2004: “A morte não está nem aí para nós. Ela nos ignora, ignora nossos méritos, nossas obras. Ela é simples, uma mutação da matéria que pouco se lixa para nós. Só nos resta viver da melhor maneira possível até o fim”.

Retalhos literários EVALDO BALBINO

Bisa Cota Filhas e filhos criados, crescidos, casados. Eles também tiveram seus filhos, os quais, do mesmo modo, fizeram florescer toda uma prole. Num canto, a roda de fiar, sem movimento. A voz, antes rezadeira de terço e cantadora nos bailes, agora sem olhar ao redor, sem mirar o mundo que a jogava fora como se joga uma tralha num quarto de despejo. O tempo passando, a quentura do sol esfriando, as noites e suas cores sem cor estendendo-se sobre o povoado do Ribeirão de Santo Antônio. Nuvens inevitáveis correndo o céu, dispersas, sem destino. Ovelhas sem forma em suas sendas sem rumo, sem um pastor que pudesse pastoreá-las. As horas correndo lentas, cansadas de passarem. Mesmo sabendo que uma hora acabariam, sentiam-se as horas num caminho espinhoso, num andar exaustivo e eterno. De uma eternidade sem remédios. Os olhos da velha Cota, parados, a tudo e a todos viam

sem consolo. Ela, uma velha senhora, a matriarca de muitos, porém encostada num canto, sem serventia, sem nada mais valer para todos os que saíram do seu antigo ventre. O nascedouro sendo esquecido aos poucos. Assim como olhamos para fresca mina abençoada e, depois de tanto olhar para ela no cotidiano, nos acostumamos com a vista e perdemos o amor primeiro. Ou então continuamos amando, porém de um modo mais morno, um amar atravessado pelas preocupações da nossa própria vida. Cada qual buscando atentar-se ao próprio umbigo. Após morar em diferentes casas, de filhas e filhos, passara a dona Cota a viver com o filho Chico Cota e a nora Laurinda. Dava-se bem na casa, porém os diversos afazeres se multiplicavam, cresciam como erva daninha sufocando a vida. O Chico carreando nos longes, a Laurinda na lida diária duma labuta que não terminava nunca. Até mesmo o

Neste mês de maio, Mês de amargura, Lá vai a Cota Veia Morá na sepultura. Na casa da Missia, passaram-se desde então três meses. Exatos dias para os olhos da Cota irem ficando aos poucos embaçados. Embaciados, numa secura sem vida, os que antes existiram abertos para o mundo, agora se entregavam ao fechamento para sempre das pálpebras. Nenhum canto, alegre ou triste, saiu mais de seus olhos. Nenhuma visão do mundo vasto exalou de sua boca. O silêncio tomou conta definitivamente de seu corpo.


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Informe Publicitário

SOLUÇÕES

‘Dinheiro de plástico’, possibilidades de ouro “O que cabe no seu bolso?”. As respostas podem ser muitas. Mas para o agente de Atendimento Diego de Resende Pinto, em Resende Costa, duas palavras resumem tudo quando o assunto é o Sicoobcard: “Facilidades” e “Sonhos”. De fato, mais de 135 milhões de brasileiros carregam ao menos uma opção de Cartão de Crédito consigo. Mas só o dispositivo do Sicoob oferece, além de vantagens competitivas no mercado, os diferenciais exclusivos da Cooperação. Um deles é a oferta de soluções que se encaixem ao perfil e às necessidades dos Cooperados. “Nosso papel é apoiá-los. Somos o elo entre nosso público, nosso portfólio e, também, sustentabilidade financeira”, explica Narayana Santos, do setor de Produtos e Serviços no Sicoob Credivertentes. POSSIBILIDADES “Exatamente por isso”, complementa Diego, “somos capazes de transformar a vida das pessoas”. E não sou poucas. Com Pontos de Atendimento em 22 comunidades e uma plataforma para associação totalmente digital, o Sicoob Credivertentes é instituição creditícia escolhida por 30 mil pessoas – e todas elas têm acesso ao Sicoobcard. O dispositivo pode ser usado para diferentes transações (como saques, transferências e pagamentos) em nossos Caixas e Terminais de Autoatendimento. Além disso, é opção prática para realizar compras em lojas físicas ou online tanto no Débito quanto no Crédito. Nessa última um mundo inteiro de possibilidades se abre. PRAZOS Para começar, o Sicoobcard como Cartão de Crédito estende prazos para o consumidor e dá segurança de recebimento ao vendedor. Sabe aquele fogão novo que vai ficar ótimo na sua cozinha? Pois é: pode ser adquirido via internet ou na sua loja de departamentos favorita com pagamentos divididos em prestações. Você sai do estabelecimento agendando a entrega quase imediata para o seu lar, mas tendo (por exemplo) 10 meses para quitar o eletrodoméstico de maneira suave para o seu bolso. Aquisições do dia a dia, pagas uma única vez, são facilitadas da mesma forma. Os ingredientes

para o churrasco no fim de semana são um exemplo. Encheu o carrinho do supermercado com carne, temperos, bebidas e pão de alho? Fique tranquilo. Com o Sicoobcard passando em qualquer maquininha e a transação cabendo nos seus limites, você pode ter até 40 dias para quitar tudo. Há outro detalhe envolvendo praticidade: sua fatura vai reunir todas as transações realizadas no mês, sejam elas parceladas ou não. O pagamento, assim, acontece unificado, garantindo mais tempo para você. Se preferir, tudo fica ainda mais fácil com o Débito Automático. TRANSPARÊNCIA Com aplicativo próprio, o Sicoobcard permite que a gestão das suas finanças aconteça na palma da mão. Isto é, suas movimentações são registradas de maneira transparente e, inclusive, estratégica. “No app, é possível até estabelecer limites para áreas específicas. Quem percebe, por exemplo, que tem pesado a mão nos gastos com roupas, pode definir um valor máximo para isso por mês. Ao

Prazos estendidos, programa de pontos exclusivo, aplicativo de ponta. O Sicoobcard é perfeito para o seu bolso e tem benefícios na palma da mão

alcança-lo, as transações em estabelecimentos do setor já não acontecem”, frisa Narayana. Dessa forma, o Cartão de Crédito funciona, também, como uma ferramenta de Educação Financeira. TABUS Como toda inovação, o Cartão de Crédito causa dúvidas – e por vezes alguns tabus. Nosso atendimento nas agências, no entanto, muda esse cenário. “Um dos receios mais comuns é o do endividamento por gastar demais. Algumas pessoas acreditam que, com a facilidade de ‘passar o cartão’, vão acabar perdendo o controle das finanças. Não é bem assim”, comenta Diego. Ele lembra que, sem atenção ao consumo, o problema pode acontecer em qualquer situação, inclusive com o uso das famosas e antigas “fichas” de crediário. “A vantagem do Sicoobcard é que ele permite que você acompanhe todos os valores gastos onde estiver, 24 horas por dia. Percebeu que gastou demais ou precisa fazer ajustes no

orçamento? Hora de controlar as compras”, lembra. JUROS Outra preocupação é com os juros. Ou seja: se parcelar minha passagem aérea em 12 vezes vou pagar acréscimos infinitos? A resposta é não. Na realidade, você paga exatamente o que foi estipulado pelo fornecedor na hora da compra. O preço é “sem juros”? Então esse valor deve aparecer na fatura. Há algum tipo de adendo pelo prazo? Não pode ser diferente do negociado. Juros só aparecem no chamado Crédito Rotativo que em caso de emergências e imprevistos pode fazer a diferença e ajudar nas contas. Ou seja: imagine que sua fatura fechou em R$1000. Se na data de vencimento você pagar metade, R$500, o restante será financiado. Por isso os adendos. “Se bem gerido”, explica a gerente da agência em São João del-Rei, Débora Giarola, “o Cartão de Crédito é um aliado indispensável”, encerra.


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ECONOMIA

De um ponto de vista

Impulso ao tripé cultura, turismo e produção artesanal em 2022 JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

As principais metas de trabalho, este ano, para o segmento turístico de Resende Costa são a capacitação do trade turístico, a profissionalização da divulgação do município, a melhoria contínua do receptivo turístico e o resgate, a valorização e a maior visibilidade da cultura e da tradição de produção artesanal do município. Em 2021, duas conquistas marcaram a valorização do artesanato no seu aspecto cultural: a cidade foi reconhecida pelo governo do estado como “Capital Mineira do Tear” e o INPI, autarquia federal, concedeu à Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) um selo de procedência do artesanato local. Tais ações fazem parte de um trabalho de diagnóstico e de planejamento estratégico para o segmento turístico em Resende Costa, que vem sendo realizado por um grupo de trabalho constituído por quatro entidades: Associação Empresarial e Turística (Asseturc), Sebrae, Sicoob Credivertentes e Prefeitura Municipal (por meio da Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura SETAC e do Conselho Municipal de Turismo – COMTUR). A essa iniciativa soma-se o CAT (Centro de Atendimento ao Turista), idealizado pela Asseturc e cuja obra, conduzida pela prefeitura, está concluída e prestes a ser inaugurada. As ações estruturantes no segmento do turismo incluem ainda algumas obras urbanísticas realizadas pelo poder público, como a revitalização do Mirante das Lajes e a abertura da nova avenida de acesso ao centro da cidade. Há

ainda a perspectiva de revitalização da Avenida dos Artesanatos, melhorando o trânsito e o conforto dos turistas que visitam as mais de 80 lojas ali concentradas. SÃO JOÃO DEL-REI Em 2021, São João del-Rei gerou 1.363 vagas formais (carteira assinada) no mercado de trabalho, resultado da diferença entre 7.595 admissões e 6.232 desligamentos, de acordo com o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Economia da Universidade Federal de São João del-Rei (NEPE-UFSJ). Todos os setores foram superavitários na geração de empregos formais. No comércio, o saldo foi de 482 novas vagas; nos serviços, 398 vagas; na construção, 259; na indústria, 217; e na agropecuária; 7 novas vagas. No final do ano, o estoque de empregos formais no município era de 18.754, dos quais 43% no setor de serviços e 33% no comércio. “Observando-se os resultados de 2020 e 2021, há uma recuperação sistemática do mercado de trabalho no município”, disse a equipe responsável pelo trabalho. “Em junho de 2020, por exemplo, o estoque de empregos formais no município atingiu 16.714, o menor patamar da série histórica. O ano de 2021 finaliza com 18.754 empregos formais, valor 12,2% superior ao mínimo observado.” OTIMISMO Depois da instabilidade no comércio em 2021 em virtude da pandemia, a previsão para o novo ano é otimista, “com aumento de faturamento e retomada de investimentos, ao passo que o cenário vai evoluindo para uma estabilidade da pandemia”, diz Anderson Francisco Bento, da União Em-

presarial do Setor Automotivo de São João del-Rei (UESA). Houve pequena queda no movimento devido à onda da variante ômicron, lembra ele, mas “as pessoas vão ficando mais seguras para poderem viajar e, com isso, cuidar com mais frequência da manutenção dos seus veículos”, na medida em que a situção vai se normalizando. Já William Silva, da Câmara Setorial de Arte Sacra de São João del-Rei (UniArte), espera que neste ano haja crescimento em torno de 20% nas vendas. Para ele, 2021 “foi um ano de desafios para o segmento de arte sacra, porém, apesar do cenário pessimista geral, as empresas conseguiram sobreviver”. Houve momentos de instabilidade durante o ano, com queda nas vendas, mas, com a flexibilização das medidas de restrições nos municípios, o mercado voltou a reagir, diz ele. “Novos fornecedores foram surgindo e a oferta de produtos aumentou, o que fez com que, em agosto de 2021, os negócios voltassem a acelerar.” Depois dos empecilhos enfrentados ao longo de quase dois anos, a expectativa é grande com a volta às aulas em 2022, diz Rafael Pires, coordenador da União das Instituições de Ensino Privadas de São João del-Rei (UNIEP). “Com o avanço da vacina para adolescentes e crianças, os alunos puderam voltar às suas atividades nas escolas”, seguindo os protocolos de segurança. As instituições de ensino que não conseguiram trabalhar com recursos próprios tiveram de fazer financiamentos para ultrapassar a fase de pandemia, acrescenta. “A expectativa para este ano é de maior procura por parte do seu público-alvo e um aumento nas matrículas.”

JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Campanha da Fraternidade CAMPANHA DA FRATERNIDADE, novamente com o tema da educação, essa realidade quase abandonada, por muitos gestores, nesses dois anos de pandemia. O texto-base da Campanha é rico. Texto apenas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, sem a participação de outras igrejas cristãs. A hierarquia eclesiástica católica não suportou a tentativa ecumênica de uma campanha que falasse a todas as pessoas de boa vontade. O texto é amplo, mais que o necessário para cativar as pessoas a se engajarem numa ação comum. Mais simples ele fora, maior alcance obteria junto àqueles católicos dispostos a se empenharem numa tarefa comum. É tarefa, pois é campanha. O tema é claro e cativante: “Fraternidade e educação”. Já o lema, nem é claro, nem cativante. Não é claro ao dizer: “Fala com sabedoria”. Ora, sabedoria é o auge da maturidade em qualquer atividade humana. Se para falar for preciso sabedoria, confesso que eu seria mudo. Ainda bem que o Hino da Campanha traz um consolo: Quem fala com sabedoria é aquele que ensina com amor. Levados pelo amor, talvez muitos sejam capazes de sabedoria. Ensina com amor. Essa formulação não é boa. Basta considerar que o texto-base fala o tempo todo de educação, não de ensino. E com razão. O ensino é atividade restrita a pouca gente. A educação é tarefa própria, inalienável, da família, da escola e da sociedade. Acho que a busca do lema não foi feliz para falar do tema. Fraternidade e educação, a questão aqui é outra, muito rica, e dá margem a tanta consideração. Já na Oração da Campanha, suplica-se por uma educação integral, fraterna e solidária, realizada com amor, com uma pedagogia do diálo-

go, da solidariedade e da paz. O texto-base sugere muitas atividades possíveis, umas setenta atividades, segundo os variados níveis da atividade educacional. A meu ver, entretanto, tais sugestões não se dirigem ao cristão comum, àquele que está todo domingo presente nas igrejas, àquele que leva uma vida simples, seguindo os passos de Jesus. São sugestões, na sua maioria, voltadas para os gestores da educação. Pode-se, pois, perguntar: o cidadão comum... como pode viver a fraternidade e educação? Para mim, a resposta está no próprio cartaz da Campanha, na própria imagem central da Campanha: Jesus que dispensa a pecadora, dado que ninguém a condenou. Isto é, todos temos oportunidade de humanizar nossas relações. Relação é o que educa. E fraternidade é o que nos faz humanos. Portanto, quem pensar em se empenhar na campanha, pode se realizar nela lutando por um processo educativo humanizador: misericordioso, solidário, acolhedor, sem julgamento. Na família, na escola, na sociedade. Além do mais, eis o que diz o número 276 do texto-base da Campanha: O lar é chamado a viver e a cultivar o amor recíproco e a verdade, o respeito e a justiça, a lealdade e a colaboração, o serviço e a disponibilidade para com o próximo, especialmente com os mais frágeis. Na acolhida a tal sugestão, cada um de nós poderá realizar o ideal da CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 2022. (NOTA – “Escolas não devem servir apenas de abrigo depois das tragédias. Elas devem servir para evitar tragédia” – Cristóvão Buarque) *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.


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ESPORTE

Papo de Esportes

Busca por diferentes modalidades de atividades físicas cresce em Resende Costa

VANUZA RESENDE

Xiiii, deu zebra!

Jump e pilates são algumas das opções oferecidas pelas academias Foto reprodução - arquivo pessoal

VANUZA RESENDE

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, em 2020, para uma epidemia que atingia cerca de 25% da população mundial: a obesidade. No Brasil, segundo dados de 2018, do Ministério da Saúde, 55,7% da população adulta do país está com excesso de peso e 19,8% encontra-se obesa. Ou seja, um em cada cinco brasileiros é obeso. A obesidade é um dos principais fatores de risco para diversas doenças, como diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão, acidente vascular cerebral e várias formas de câncer. Durante a pandemia de Covid-19, a obesidade manifestou-se como um fator de risco para o agravamento da doença. Além de melhorar a alimentação, a prática de atividades físicas é fundamental para quem precisa perder peso por questões de saúde. E é cada vez maior o número de pessoas conscientes da importância da atividade física para ter uma vida saudável. Correr, pedalar, nadar são atividades indicadas pelos especialistas. Mas começar a praticar exercício sem a ajuda de um profissional pode ser um desafio. Inúmeras pessoas relatam dificuldades em criar uma rotina de exercícios e muitas não são habituadas à tradicional musculação, oferecida por academias. E aí surgem opções menos tradicionais, como o jump, ou o método do pilates, que, apesar de não serem novos, crescem a cada dia. A educadora física e acadêmica de fisioterapia, Érika Bárbara Costa, da “RE Studio e Academia”, fala sobre a prática do jump e do pilates. “São inúmeros os benefícios do jump: melho-

As professoras Érika Bárbara e Júlia Santos, da RE Stúdio e Academia

ra a capacidade cardiovascular, proporciona alto gasto calórico, trabalha a coordenação motora e o equilíbrio, fortalece os músculos inferiores, contribui para mais energia no dia a dia, potencializa e oxigena a musculatura, dentre outros. Os benefícios do pilates também são muitos: aumento da resistência física e mental, aumento da flexibilidade, correção de problemas posturais, aumento da concentração, tonifica a musculatura, melhora a coordenação motora, promove menor atrito nas articulações, alivia dores musculares, ajuda a melhorar a respiração e a flexibilidade, auxilia na prevenção contra a osteoporose, promove relaxamento e o bem-estar, eleva a autoestima, auxilia no equilíbrio de todas as funções do corpo, ajuda no alongamento, dentre muitos outros”. Érika completa: “Pode-se dizer que é um método completo. Os exercícios são focados nos músculos do centro do corpo, que ajudam a manter o equilíbrio e estabilizam a coluna vertebral. Portanto, promove a consciência da respiração e da postura. A prática de atividade física também libera dopamina e serotonina, que são hormônios responsáveis pelo prazer e pelo bem-estar, o que contribui para um melhor controle emocional.”

De acordo com a educadora física, a modalidade do pilates tem sido a mais procurada pelos alunos. “O jump tem um aumento de procura, sobretudo em estações mais quentes do ano”, diz Érika. A quem deseja iniciar uma atividade física, Érika indica o pilates. “Seja para pessoas que não têm nenhuma patologia e desejam melhorar a qualidade de vida, mas também para idosos, gestantes, atletas e crianças”. Para o jump, existem algumas restrições, conforme explica a educadora física: “É importante saber que cardiopatas, portadores de labirintite e gestantes devem evitar a aula. O importante é não abusar. O praticante deve primeiro se familiarizar com o trampolim, deve fazer os exercícios dentro do seu próprio ritmo e ficar atento às orientações de segurança do instrutor.” A escolha de uma modalidade esportiva por si só já é satisfatória, especialmente para quem é sedentário e deseja começar a se exercitar. Para aqueles que optam por conciliar dois ou mais exercícios, Érika diz que é possível. “Cada modalidade tem suas características e benefícios. Sendo assim, podemos alternar e ter bons resultados. Inclusive, temos clientes que fazem essa mesclagem”.

Olha eu aqui escrevendo sobre animais de novo, em plena coluna esportiva! Mas é que quando eu saía apressada para trabalhar pela manhã, me deparei com ela: a zebra. Estava estampada em todos os jornais, noticiários televisivos e radiofônicos. A zebra, que sequer é natural do Brasil, se instalou lá no Sul. Fiquei curiosa para saber se ela encontrou com o cavalo paraguaio que tratei aqui em colunas passadas, mas nem deu tempo de pesquisar. Pela Copa do Brasil, o Grêmio perdeu na primeira fase, 3x2, bom placar. Melhor ainda para o time do interior paulista, Mirassol, que, mesmo jogando com um atleta a menos no segundo tempo, recebeu a premiação desejada por qualquer time que disputa a Série C do Brasileiro. Se a zebra foi pro Sul, parte de Minas Gerais respondeu dizendo quem tem mais Copa do Brasil: tem 6. E o pasto lá no Sul parece ser mais atrativo que os pães de queijo de Minas (mas, aí, todo o estado quer a zebra bem longe). Logo depois da eliminação do Grêmio, o Internacional também deu boas-vindas ao bicho listrado. O Globo, time do Rio Grande do Norte, eliminou os colorados. E não foi um gol só não... foram 2!!! E ouso dizer que, por pouco, o bicho não se acostuma mesmo com o clima tropical, fazendo uma visita pela região Sudeste. O São Paulo empatou em 0x0 com a Campinense. Foi por muito pouco – graças ao regulamento, com o qual não

concordo – que a zebra não chegou por lá também. Empate para mim não deveria favorecer ninguém. Se um time com estrutura de Série A não consegue vencer quem disputa a Série C, a marca da cal precisa ser usada. Tudo bem. Sei que muitos vão discordar e dizer que a marca da cal é quase invisível em alguns campos. Realmente, os gramados que pertencem a alguns times parece que foram banquetes para a família da dona zebra... mas não justifica, pessoal. E digo mais: só é assim porque o futebol do interior não consegue respirar com a mesma ajuda dos grandes e poderosos times das capitais. E mesmo sem essa ajuda, as surpresas sempre acontecem. Diga-se de passagem o Athletic de São João del-Rei, que faz uma campanha sensacional no Mineiro, podendo ser um dos clubes a enviarem uma zebra para qualquer lugar do país na Copa do Brasil de 2023. Mas até lá vamos seguindo, pois o futebol em 2022 está apenas começando. Apesar das listas pretas e brancas e da identificação com o vencedor do Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Supercorpa, o Atlético está bem satisfeito de passar bem longe da amiguinha gremista e colorada. Aliás, depois daquela disputa de pênaltis que envolveu 12 cobranças e a conquista do primeiro título em 2022, eu acredito que nem zebra, nem cavalo paraguaio passarão pela cidade, que é do Galo!


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