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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XVIII
• FEVEREIRO 2022 • Nº226
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
E. E. Assis Resende conquista dez premiações na OBMEP 2021 O 3º Pelotão da Polícia Militar de Resende Costa conta, desde o dia 29 de dezembro de 2021, com novo comandante, o tenente Marcos Augusto dos Reis. Em entrevista ao Jogo Aberto, o comandante falou sobre seus projetos e destacou a importância da parceria entre a PM e a comunidade. PÁG 05
Foto: Arquivo pessoal
Entrevista
A edição de 2021 da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas foi histórica para a Escola Estadual Assis Resende, como mostra reportagem especial do JL deste mês. A aluna Maria Clara de Assis, 17, ganhou Medalha de Ouro, cursando, no ano passado, o 2º ano do Ensino Médio. Para a diretora do Assis Resende, Roseni Fernandes, as conquistas refletem a dedicação dos alunos da instituição de ensino centenária de Resende Costa. “É um estímulo e fruto de muita dedicação por parte de muitos alunos da escola. São alunos que se destacam em várias áreas do conhecimento. Acreditam na importância dos estudos e na superação de limites.” Leia editorial na página 2. PÁG 10
Expedicionários vence Torneio Regional de Futebol A grande final aconteceu no último dia 16 de janeiro, em Resende Costa. A partida entre Expedicionários e Bad Boys, de Entre Rios de Minas, terminou em 2x1 para os donos da casa, que levantaram o desejado troféu de campeão regional. Nem a forte chuva que caiu no fim da manhã de domingo conseguiu conter a alegria e a euforia dos jogadores e torcedores do ESC que lotaram as arquibancadas do tradicional “estádio dos eucaliptos”. PÁG 12
Avenida Tiradentes será inaugurada em breve. O empreendimento contribuirá para desafogar o trânsito na Alfredo Penido, a “Avenida dos Artesanatos”. Maria Clara com algumas de suas medalhas conquistadas na vida escolar. Em breve ela já terá em sua coleção a de Ouro pela OBMEP 2021.
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ANO XVIII Nº 226 - FEVEREIRO 2022
EDITORIAL Campeões da educação
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Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende
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Jornal das Lajes Ltda
Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:
Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
Educação, família, ensino, MEC Esteve ou está no Brasil o ex-ministro da educação Weintraub. Cheio de pompa, não fugiu de entrevista. E não deixou de dizer impropriedades. Uma delas: “Quem cuida da educação é a família. O MEC cuida do ensino”. Das duas, uma: ou ele não sabe o que é educação, ou sabe, mas quer causar polêmica. A educação como processo de amadurecimento, de aquisição de valores e de conquista da liberdade, certamente começa na família. E como se diz, começa muito tempo antes de a criança nascer. Tal processo, no entanto, não só não se restringe ao âmbito familiar, como supera, em muito, o tempo de convivência no seio da família. A educação é processo pelo qual família, escola e sociedade são responsáveis. Se a escola não tivesse função educativa, de nada mais precisaria que de salas de aula com robôs a ministrar os conhecimentos aos aprendizes. E a sociedade não precisaria se organizar para garantir aos cidadãos um ambiente favorável à sua segurança e à sua mobilidade, à aquisição de qualidade de vida profissional, cultural,
religiosa e, principalmente, de saúde. Tudo isso porque o processo educativo é marcadamente processo para toda a vida. Todo dia apresentam-se ocasiões que exigem das pessoas adaptação e reorganização da própria vida. As famílias estão passando por grande prova educativa no momento da pandemia. Não são apenas as crianças da família. A Covid-19 está exigindo de todos uma série de novos comportamentos, anteriormente desconsiderados. E tudo isso é parte do processo educativo que não acontece sem a escola e sem a sociedade. Tivemos em Weintraub um ministro da educação bem destemperado no seu linguajar e em suas atitudes. Com a afirmação de que quem cuida da educação é a família, ele se excedeu. Para ele, a criança que saiu do seio familiar, do ponto de vista da educação, não tem necessidade da escola, nem da sociedade: já está educada. Vai se comportar como nos tempos da vida familiar: como criança. Nem convém pensar em crianças que não têm família. E se o ensino compete ao
MEC, então, pelo menos no nome, tal ministério está equivocado. Teria que se chamar Ministério do Ensino. É certo que se faria uma enorme economia na estrutura do Ministério. Basta pensar na eliminação da secretaria da “Educação Básica”, cuja responsabilidade envolve a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. Ora, sabe-se que na Educação Infantil e na Fundamental I mais contam os processos educativos que aqueles relativos ao ensino/ aprendizado. O ex-ministro não foi feliz na declaração. Não sei por que certas pessoas chegam tão longe na vida e blasonam determinadas posições culturais. Esforço-me por achar que elas são sérias. Não consigo. Aparecem-me como dotadas de uma insatisfeita necessidade de criar polêmica para não saírem de cena. Optam pelo desmonte de tudo quanto podem. Com isso, deslocam o foco daquilo que não conseguiram realizar. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
Foto e situação do mês
O Zé e a “Mãezinha” Foto: Fernando Chaves
As disputas esportivas têm como essência revelar talentos, premiar os melhores e registrar na história grandes feitos protagonizados por gênios que se imortalizaram em suas respectivas modalidades. Pelé, Maradona, Ayrton Senna, Mike Tyson, Muhammad Ali, Michael Schumacher, Lewis Hamilton são exemplos de gênios que gozam da glória de melhores esportistas de todos os tempos. Tradicionalmente, olímpiadas e copas têm como metas promover e incentivar a competição. Na lógica, que no esporte nem sempre é seguida conforme se espera, os melhores vencem, são premiados e consagrados. Nesta edição do JL, o destaque de capa é uma olimpíada. O leitor descobrirá que não se trata de uma competição de futebol, nem corrida de carros ou luta de boxe. A disputa não envolve suor, tampouco músculos se aflorando em competições de força extrema. Trata-se de uma olimpíada diferente das competições esportivas. No entanto, há uma semelhança entre elas: os melhores são premiados pelos seus esforços e desempenho. Em 2021, a Escola Estadual Assis Resende, centenária instituição de ensino de Resende Costa, conseguiu um grande feito na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas). A escola obteve dez premiações, entre medalhas e menções honrosas. A aluna do Ensino Médio, Maria Clara de Assis, conquistou Medalha de Ouro. Tal como acontece numa disputada e prestigiada competição esportiva, na qual se reúnem os melhores e mais bem preparados atletas, numa olimpíada de matemática exige-se muito preparo e dedicação dos participantes. “Eu sempre gostei muito de estudar, mas não estudava direito. Aí veio a Olimpíada de Química e, a partir dela, comecei a estudar visando às provas. No meu caso, o diferencial para conseguir medalha foi refazer as provas de anos anteriores. Eu sempre estudei em cima dos meus erros e isso me ajudou muito, até em outras olimpíadas. Você precisa ter um foco na área e, ao estudar para uma delas, acaba conseguindo incluir outras também.”, revela Maria Clara, medalhista de ouro na OBMEP 2021. Foco, dedicação, concentração e planejamento: essa foi a estratégia vitoriosa escolhida pela Maria Clara e que a levou ao pódio dos melhores alunos de matemática das escolas públicas. Sua dedicação aos estudos foi coroada com mais uma medalha para uma coleção que não para de crescer. Planos para o futuro? A aluna de 17 anos do 3º ano do Ensino Médio do Assis Resende tem a resposta: “Eu quero entrar na faculdade”. Qual curso fazer? Bem... essa resposta ela ainda não tem na ponta da língua. Mas a conquista da medalha de ouro na OBMEP pode nos dar uma pista de qual carreira Maria Clara pretende seguir. “Ainda não sei para qual curso eu vou. Penso na área de exatas – matemática, física, química ou biológica. Tudo vai depender da minha nota e dos meus estudos neste ano.” Talento ela tem de sobra para ser destaque no curso que irá escolher. O sucesso da Escola Estadual Assis Resende na OBMEP 2021 é justo reconhecimento de um trabalho sério desenvolvido por profissionais da educação comprometidos com a causa e determinados a prepararem seus alunos não somente para uma competição, mas formando-os para enfrentarem novas e exigentes etapas da vida acadêmica. Afinal, o mercado de trabalho vem exigindo cada vez mais pessoas competentes, criativas e bem preparadas a fim de corresponderem a demandas dinâmicas e competitivas. Daí a importância de investir em educação, começando pela base, nas escolas públicas onde inúmeros talentos, como a Maria Clara de Assis, podem ser descobertos e lapidados. Qual a semelhança, então, entre uma olímpiada esportiva e uma olimpíada de matemática? Em ambas as competições, para chegarem ao lugar mais alto do pódio, os competidores necessitam de planejamento, dedicação, seriedade na preparação, apoio dos treinadores/professores e investimento de quem acredita no potencial deles. Essa é a fórmula do sucesso que consagra os verdadeiros campeões. Parabéns à Escola Estadual Assis Resende, que acredita na capacidade dos seus alunos, incentiva o trabalho dos professores e, por isso, vem revelando campeões da educação!
De um ponto de vista
FERNANDO CHAVES
“Tudo que eu peço a ela, ela me dá”, assim ele respondeu à minha pergunta sobre a sua devoção à Nossa Senhora Aparecida. José Camilo dos Santos, 65 anos, conhecido como “Zé Barba”, transformou um cupinzeiro localizado na rua da Cachoeira em uma singela gruta em honra a Nossa Senhora. “Essa rua é perigosa. Já teve acidente de carro aqui. A gruta é para abençoar a rua e o bairro Nova Resende”, comentou Zé. Hoje aposentado, “graças a Deus”, o Zé conta também que já foi salvo de um afogamento pela “mãezinha Aparecida”. Isso nos tempos em que trabalhou duro como operário lá pelas bandas do Pará. Mas o Zé não para não. Esse Zé é muito ativo. É por isso que ele pratica a sua fé por meio do trabalho, como fez na construção da pequena gruta. Esse Zé não para não... Bem ao lado da gruta da “mãezinha”, tem um outro cupinzeiro e o Zé já tem planos: “Ali vai ser a gruta de São José.”
Zé Barba ao lado da gruta de Nossa Senhora Aparecida, esculpida por ele num cupinzeiro
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Bicentenário da Independência
JORNAL DAS LAJES
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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
O Brasil, na fase final do período colonial (início do século XIX), tinha uma economia do mesmo tamanho da economia dos Estados Unidos, ou seja, ambos os países exportavam cerca de quatro milhões de libras esterlinas ao ano. Também possuíam populações equivalentes (pouco mais de quatro milhões de pessoas no Brasil e cinco milhões nos Estados Unidos). As cidades brasileiras Rio de Janeiro, Salvador e Recife eram maiores do que as cidades norte-americanas Filadélfia, Boston e Nova Iorque. E o mercado interno brasileiro provavelmente era maior do que o mercado interno dos Estados Unidos. O livro “História da riqueza no Brasil – Cinco séculos de pessoas, costumes e governos”, Editora Estação Brasil, 2017, do jornalista e escritor Jorge Caldeira*, fruto de 40 anos de pesquisa, trouxe uma reviravolta na narrativa sobre a produção de riqueza no Brasil desde a chegada dos portugueses. “É uma visão completa da evolução na produção de riqueza, do desenvolvimento da economia no Brasil e em relação a outros países.” Resulta das novas tecnologias (informática, bancos de dados), do processamento estatístico de novas informações e de algumas descobertas da antropologia instrumental, que permitiu a construção de um retrato do passado econômico que não era acessível até recentemente. SUBSISTÊNCIA? O livro coloca à prova a ideia de economia de subsistência, comum às diferentes linhas da historiografia tradicional. Os números (censo, documentação de negócios, inventários, testamentos, atas etc.), processados em bancos de dados, mostraram que o tamanho da economia era “imensamente diferente do que se supunha”. Segundo Caldeira, imaginava-se, com base na leitura tradicional dos documentos, que toda a riqueza se concentrava no latifúndio escravista, na exploração de produtos de exportação. “Quando se foi medir, percebeu-se que não: o retrato era de pequena produção no mercado interno gerando muito valor.” Nos anos 1970 e 80, antropólogos descobriram que especialmente os índios tupis-guaranis, que detinham conhecimento tecnológico de agricultura muito mais sofisticado do que os outros povos. Trabalhando duas horas, produziam o necessário
Foto: site Abramp
Livro mostra como o Brasil perdeu a dianteira para os EUA
Pintura que retrata a mineração no Brasil colonial
para viver, mais um estoque de reserva alimentar para eventuais momentos de necessidade. Isso permite entender a lógica do encontro de europeus e índios; ou seja, os europeus conseguiram, por exemplo, graças ao fornecimento do ferro de que eram detentores, convencer os índios a fornecerem madeira cortada e outros bens para exportação. “Quer dizer, aumentaram a produção de excedentes.” Os novos instrumentos de medição permitiram identificar um outro tipo de história econômica, observa Caldeira. A noção, presente desde a base mais antiga da ocupação brasileira, evolui para o sentido da acumulação, mostrando que a produção local tinha outra natureza. Emerge, assim, um retrato de um Brasil completamente diferente da visão clássica, de que a colônia ficou pobre porque organizou a sua produção para a exportação. RIQUEZA Por volta de 1800, a economia colonial brasileira era o dobro da economia metropolitana portuguesa, devido ao crescimento do mercado interno. Ou seja: “dado o regime de monopólio do comércio externo, o mercado interno cresceu mais do que o setor exportador”. Estudos econométricos do norte-americano Nathaniel Leff apontam que seis sétimos da economia de 1800 eram mercado interno e um sétimo era mercado externo, “a mesma proporção de
hoje. Então, a riqueza do Brasil colonial foi produzida aqui dentro, por quem estava aqui, exatamente naquele setor que, até hoje, se imaginava que não tinha produção de riqueza. Isso muda radicalmente o problema a ser explicado. Não é mais a questão de dar uma resposta nova a um antigo problema. O problema é outro”. No período colonial, o Nordeste era mais rico do que o Sul. Na época da mineração, Minas, Goiás e Mato Grosso apareceram como economias muito ricas. “Então, o que tornava (o Brasil) mais igual dentro dessa desigualdade de riqueza é que a produção brasileira, ao contrário do que imaginava o modelo clássico, foi feita por pequenos empreendedores. A estrutura básica que produziu a riqueza no Brasil era de pequeno empreendedor individual, autônomo, um grupo quase familiar, organização muito empreendedora – havia muito pouca estabilidade, a sociedade era uma coisa muito móvel”. EMPREENDEDORISMO O trabalho compulsório africano – a escravidão – era parte desse processo para acelerar a acumulação de riqueza, bem como as trocas culturais, acrescenta Caldeira. “O Brasil foi a primeira sociedade do planeta formada por gente vinda de muitos lugares. Por isso, é uma sociedade muito empreendedora.” Por volta de 1800, com uma população de cerca de quatro
milhões de pessoas, calcula-se que havia no Brasil 550 mil unidades produtivas, basicamente familiares. “A média de escravos por proprietário era cinco; a mediana, dois ou três. Então, havia uma escravidão mais disseminada dentro de pequena produção empreendedora; isto acontecia no Brasil todo. Aí você começa a entender por que isso era dinâmico, tinha comércio, tinha produção…” Durante os primeiros 300 anos, o Brasil cresceu mais do que a média europeia. Com a adesão ao nascente capitalismo, as economias ocidentais passaram a crescer mais e o Brasil estagnou-se porque preferiu manter a escravidão, relata Caldeira. “E manter a escravidão, no caso brasileiro, não foi só a questão da manutenção da propriedade de um homem sobre o outro. A escravidão era também a base do sistema legal; o título de propriedade do escravo era o título jurídico mais comumente aceito como garantia no mercado financeiro.” O sistema legal e a organização institucional representavam uma estrutura decadente. EUA NA DIANTEIRA A população escrava no Brasil caiu de 20% em 1800 para 5% em 1888, na véspera da abolição, constata Caldeira. “Durante o século XIX, a produção era cada vez menos uma produção escravista e as instituições continuavam as mesmas da escravi-
dão; (...) para manter essa situação de instituições adequadas à escravidão com uma produção decadente, foram-se criando distorções na economia. Então, o Nordeste passou a ser mais pobre do que o resto do Brasil entre 1850 e o fim da escravidão.” A drenagem de riqueza do Nordeste deveu-se ao tráfego interno de escravos. “Como a escravidão era, em última instância, mais ligada à exportação, toda a sociedade foi sacrificada para que se mantivesse a escravidão. E este é o resultado que deu a estagnação da economia durante o século XIX.” Quer dizer, houve uma mudança no resto do mundo que o Brasil não acompanhou. “A economia colonial, que era produtiva com suas pequenas propriedades, seus empreendedores, não acompanhou a revolução do capitalismo. No final do século XIX, 1890, a economia do Brasil era 15 vezes menor do que a dos Estados Unidos. (O império) foi o período em que o Brasil parou de crescer, mas lá fora ocorreu o inverso. Esse é o período onde se abriu o fosso que separa as economias de ponta da economia brasileira.” *Resultado de leitura do livro (disponível na Biblioteca Municipal de Resende Costa) e de entrevistas do autor ao canal UM BRASIL, da Fecomércio-SP (06/07/2018), e ao programa RodaViva, da TV Cultura de São Paulo.
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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA
Secretaria de Educação, Esporte e Lazer implanta Projeto de Inclusão Digital no município A Prefeitura Municipal segue empenhada em aperfeiçoar o sistema municipal de ensino, oferecendo melhores condições de ensino para professores e estudantes. O mais recente projeto é o PROMID – Programa Municipal de Educação Digital. Trata-se de um projeto da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer (SEMED) para o fomento da inclusão digital na rede municipal de ensino, disponibilizando equipamentos para que as escolas tenham condições de realizar intervenções pedagógicas eficazes para que os alunos possam ter acesso às aulas remotas ou semi-presenciais. Mesmo com a volta das aulas presenciais, as atividades remotas irão prevalecer através do processo de Intervenção Pedagógica, fundamental para corrigir as discrepâncias entre os níveis de evolução dos alunos. Ao todo, foram adquiridos 85 notebooks, que serão distribuídos (em comodato) da seguinte maneira e de acordo com disponibilidade, dando prioridade aos profissionais que atuem como regente de turma:
• 05 notebooks para profissionais da creche; • 17 notebooks para profissionais da Educação Infantil; • 63 notebooks para profissionais do Ensino Fundamental. Também foram adquiridos pelo município 255 tablets, que serão cedidos em comodato aos alunos da rede municipal de ensino, tendo como prioridade, na primeira fase do programa, os alunos do 4º e do 5º ano do ensino fundamental. Além disso, alunos com necessidades especiais, independente do ano em curso, também terão acesso ao dispositivo, me-
diante a assinatura de um termo de responsabilidade pelos pais ou responsáveis pelo aluno. Com este novo projeto, a Prefeitura Municipal espera tornar o sistema de ensino municipal ainda mais eficiente, oferecendo a alunos e professores melhores condições de ensino e aprendizado e adequando a educação municipal à nova realidade da educação em tempos de pandemia. Atualmente, a SEMED atende mais de 1000 alunos de toda a educação básica – da creche ao ensino médio, distribuídos em 7 escolas (zona urbana e zona rural).
Primeiras crianças são vacinadas contra a Covid-19 em Resende Costa Um ano. É o tempo que separa dois marcos importantíssimos para a saúde em Resende Costa. No dia 19 de janeiro de 2021, Resende Costa recebeu as primeiras 82 doses de vacina contra a Covid-19. Na mesma ocasião, a auxiliar de enfermagem Eliete Barbosa foi a primeira resende-costense a ser vacinada em nosso município contra a Covid-19, dando início à campanha de vacinação. Desde então, foram meses de conscientização, de campanhas e de muito trabalho das equipes de saúde. Atualmente, quase 100% dos resende-costenses acima de 12 já receberam pelo
menos uma dose de imunizante contra a Covid-19. Resultado do esforço dos servidores municipais e da colaboração da população. No dia 18 de janeiro de 2022, a campanha de vacinação passou a contemplar também as crianças de 5 a 11 anos. O dia tão aguardado por pais e filhos chegou. E praticamente um ano depois de Eliete, várias crianças puderam ser vacinadas pela primeira vez contra a Covid-19. Assim, o poder público municipal avança ainda mais na missão de levar saúde a cada resende-costense, em cada canto do município. Vacinas salvam vidas! *Até o fechamento desta
INFORME PUBLICITÁRIO
Secretaria de Obras em ação! Em janeiro, a Secretaria de Obras e Serviços Públicos trabalhou em diversas frentes para minimizar os danos causados pelo período de chuvas fortes. Na zona rural, diversas ações foram realizadas, como a recuperação e o encascalhamento de estradas e a manutenção e substituição de manilhamentos, pontes e mata-burros.
Já na zona urbana, a Secretaria seguiu trabalhando em importantes obras, como a da Avenida Tiradentes (nova avenida). Além disso, a modernização da rede elétrica (instalação de lâmpadas de LED) está quase finalizada. A Secretaria também realizou pequenas ações, como operações tapa-buracos e manutenção em manilhamentos.
2022 - Um ano de muitos esportes em Resende Costa Nos últimos anos, Resende Costa vem se destacando entre as cidades mineiras que mais incentivam a prática de esportes. Em 2021 (ano-base 2020), nosso município ficou em 19º lugar entre 296 cidades mineiras. Esta conquista se deve muito ao empenho de atletas e organizadores de eventos esportivos, que não mediram esforços para que não faltasse esporte em Resende Costa. Em 2022 não vai ser diferente. O calendário esportivo prevê a realização de mais de 30 atividades esportivas, entre projetos sociais, eventos e competições. Todas as atividades do calendário contam com o apoio
da Prefeitura e são organizadas por associações, grupos ou atletas. Dessa maneira, Poder Público e população caminham juntos na realização das práticas esportivas, promovendo saúde, qualidade de vida e lazer. Além disso, a realização de eventos esportivos garante o repasse do ICMS Esportivo, gerando mais recursos para a realização de diversas modalidades esportivas. Quanto mais esportes forem praticados, mais recursos o município recebe. Caso tenha interesse em participar de alguma competição ou conhecer algum projeto, não perca tempo: entre em contato com a Divisão de Esportes pelo número (32) 3354-1366.
cirurgias eletivas foram suspensas em Minas Gerais, afetando também nosso município. Com este novo convênio
com a CISVER, a Prefeitura Municipal pretende diminuir as filas de cirurgias e oferecer ainda mais saúde para nossa população.
edição, a campanha estava promovendo a vacinação de crianças a partir de 9 anos de idade.
Valor que seria utilizado na realização do carnaval vai para Secretaria de Saúde; verba de R$100 mil será utilizada na realização de cirurgias No dia 30 de novembro de 2021, a Prefeitura Municipal se posicionou oficialmente sobre a realização do réveillon e do carnaval. Na ocasião, Lucas Paulo, vice-prefeito em exercício no cargo de Prefeito, afirmou que, em decorrência da pandemia, nenhum dos dois eventos seriam realizados,
mostrando preocupação com a saúde pública. A ação foi seguida por outros prefeitos da região das Vertentes. Na mesma oportunidade, Lucas afirmou que a verba que seria utilizada para a realização do carnaval seria direcionada para a área da Saúde. E assim foi feito.
A verba de R$100 mil foi oficialmente destinada à Secretaria de Saúde. Com este recurso, a Secretaria de Saúde irá firmar um novo contrato com a CISVER (Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes) para a contratação de cirurgias. Com a pandemia, várias
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JOGO ABERTO
“Desde criança tinha o desejo de me tornar um policial militar” O tenente Marcos Augusto revelou ao JL a alegria de ter sido escolhido o novo comandante do Pelotão PM da cidade onde cresceu, conquistou uma legião de amigos e vive com sua família
No dia 29 de dezembro de 2021, o tenente Marcos Augusto dos Reis, 45, natural de São Paulo (SP) e resende-costense desde criança, assumiu o comando do 3º Pelotão da 190ª CIA PM de Resende Costa. “Fiquei muito satisfeito ao receber o convite para ser comandante da Polícia Militar de Resende Costa”, conta o tenente Augusto, que, desde 2002, quando passou no concurso público CTSP (Curso Técnico em Segurança Pública) para o cargo de Soldado da Polícia Militar, vem construindo sólida carreira na corporação. Em 20 anos de carreira na Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, Augusto trabalhou em Belo Horizonte, Ouro Preto, Mariana, Itabirito e São João del-Rei antes de assumir, como tenente, o comando da PM de Resende Costa. O tenente Augusto é também instrutor de tiro, formado pela Academia da Polícia Militar, em Belo Horizonte. Nesta entrevista ao JL, o militar falou sobre os projetos que pretende desenvolver como comandante do 3º Pelotão de Resende Costa, que abrange também os municípios de Coronel Xavier Chaves, Ritápolis e São Tiago. Como começou sua carreira na Polícia Militar e o que o motivou a escolher essa profissão? No ano de 2002, passei no concurso público denominado CTSP (Curso Técnico em Segurança Pública) para o cargo de Soldado da Polícia Militar, que durou um ano e meio, na cidade de Belo Horizonte. Em 2005, passei em mais um concurso e me formei na Graduação de Sargento PM na EFAS (Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Sargentos) e, em 2018, obtive êxito no concurso interno denominado Curso de Habilitação de Oficiais de nível superior. Desde criança tinha o desejo de me tornar um policial militar, uma profissão árdua, porém muito gratificante. Qual foi a sensação ao saber que havia sido escolhido para assumir o comando da PM da cidade onde você cresceu? Fiquei muito satisfeito ao receber o convite para ser comandante da Polícia Militar de Resende Costa, ainda mais por ter trabalhado em diversas cidades e ter conhecido outras realidades. Isso me trouxe muita experiência e amadureci profissionalmente. Ser resende-costense pode tornar o seu trabalho mais difí-
cil no comando do Pelotão? Por viver nessa maravilhosa cidade desde criança, conheço muitas pessoas e fiz muitos amigos. Isso facilita muito o meu trabalho. Por outro lado, sei perfeitamente diferenciar é o tratamento pessoal do profissional.
Foto: arquivo pessoal
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Quais são seus planos como comandante do Pelotão de Resende Costa? Manter Resende Costa com o título de cidade tranquila, pacata e boa para se viver; aproximar cada vez mais o cidadão de bem da Polícia Militar, conquistando a sua confiança. Hoje sabemos que o crime vem migrando dos grandes centros urbanos para as cidades pequenas do interior, e a população é a nossa principal aliada no combate a isso através das denúncias.
Resende Costa recebe atualmente muitos turistas, devido especialmente ao artesanato. O que falta para garantir ainda mais segurança para a população local e os visitantes? Sabemos da importância do turismo para o desenvolvimento econômico da cidade. Os turistas, bem como toda a população, têm que se sentir bem seguros. A Polícia Militar trabalha diuturnamente para garantir segurança a todos. Reforçamos e intensificamos o patrulhamento de forma pontual a fim de que nenhum tipo de delito ocorra e possa macular a imagem da cidade. Como a PM pode atuar e colaborar para a melhoria do trânsito em Resende Costa? O trânsito na cidade é municipalizado, ou seja, de responsabilidade do Poder Executivo Municipal (Prefeitura). Portanto, cabe a ele primar pelas sinalizações, pelo bom
POLÍCIA
Tolerância zero No final de semana, entre os dias 4 e 6 de fevereiro, a Polícia Militar de Resende Costa realizou uma grande operação de repressão às infrações de trânsito relacionadas às motocicletas com escapamento aberto e direção perigosa. Ao todo, foram apreendidas oito motos e confeccionadas 12 multas aos infratores. “A próxima operação será de combate aos automóveis com som alto, principalmente na área central nos finais de semana, bem como em toda a cidade”, informou o comandante do 3º Pelotão PM de Resende Costa, tenente Augusto. De acordo com o militar, para essas e outras infrações, “tolerância zero em Resende Costa”. A.E. Foto: arquivo PM
“Sabemos da importância do turismo para o desenvolvimento econômico da cidade. Os turistas, bem como toda a população, têm que se sentir bem seguros” Podemos afirmar que Resende Costa é hoje uma cidade segura, tanto para os moradores locais quanto para os visitantes? Das cidades vizinhas de Resende Costa, somos o município com uma das menores taxas de crimes. Sei que muito trabalho tem que ser feito e muita coisa tem que ser melhorada, e vamos nos mobilizar para isso. Podem confiar.
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Operação policial em Resende Costa combateu motociclistas infratores
Lajes Clube Tenente Augusto, novo comandante do 3º Pelotão PM de Resende Costa
estado das vias etc. E isso vem sendo realizado de forma muito eficaz pela administração pública. No que diz respeito à Polícia Militar, cabe a fiscalização no trânsito, como em estacionamentos, verificar documentação obrigatória e possíveis crimes, como embriaguez ao volante, direção perigosa, o que também vem ocorrendo. Nosso principal gargalo no trânsito é na Avenida Alfredo Penido (Avenida dos Artesanatos), devido ao grande fluxo de veículos e turistas, mas nossos dirigentes municipais estão trabalhando nessa questão e, certamente, em breve esses problemas serão resolvidos. No entanto, a principal forma de superar essas barreiras é a EDUCAÇÃO no trânsito. Como a PM vem atuando na zona rural do município? Temos a Patrulha Rural, que atua nas zonas rurais de Resende Costa, Coronel Xavier Chaves e Ritápolis. Os militares executam um brilhante trabalho junto aos proprietários de sítios e fazendas. Temos cadastradas mais de 900 propriedades rurais. Além disso,
foram criados projetos comunitários, como o Rede de Fazendas Protegidas, Rede de Propriedades Rurais Protegidas e Rede de Povoados Protegidos. Sabemos das dificuldades e dos anseios dos proprietários rurais, por isso a nossa intenção e o nosso objetivo é garantir mais segurança à zona rural. O que se espera da relação entre a Polícia Militar e o cidadão? A nossa principal aliada no combate à criminalidade é a população, precisamos trabalhar em prol dela. E o mais importante: temos que conquistar a confiança e o respeito dessa comunidade. Através das mais diversas formas de denúncias, a Polícia Militar consegue obter grande sucesso na prevenção de possíveis crimes. Sendo assim, solicito às pessoas que denunciem qualquer tipo de irregularidade através do telefone 190, do disque-denúncia número 181 ou pelo número de emergência (32) 99996-9120. O informante não precisa se identificar e a sua ligação será mantida em sigilo absoluto.
Edital De Convocação O Lajes Club, com sede à rua Amélia Rodrigues vale, nº 50, Chácara Palmares, em Resende Costa, por meio da sua Diretoria, aqui representada por seu Presidente; Sr. Rodrigo José Resende Aguiar, CONVOCA, por meio do presente EDITAL, todos os sócios, em condição de votar, conforme ESTATUTO, para Assembleia Geral ordinária que será realizada a Rua Assis Resende, nº 51, às 19 horas do dia 24 de fevereiro de 2022, quinta feira, com a seguinte ordem do dia: 1- 19 horas: Apresentação das chapas; 2- 19 horas e 30 minutos: eleição e posse da Diretoria; 3- Escolha do conselho fiscal, esclarecimentos e deliberação afins à nova Diretoria A Assembleia Geral instalar-se-á em primeira convocação às 19 horas, com a presença da maioria dos associados e em segunda convocação as 19:30 horas do dia 24 de fevereiro de 2022. Resende Costa, 11 de fevereiro de 2022
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CIDADE
Em breve, avenida Tiradentes para desafogar tráfego da “Avenida dos Artesanatos” JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Resende Costa prepara-se para inaugurar a avenida Tiradentes, que vai desafogar o crescente trânsito da avenida Alfredo Penido – conhecida como a “Avenida dos Artesanatos” e principal via de acesso à cidade. “Tudo caminhando bem, a previsão é de que a gente deva inaugurar a nova avenida nas duas primeiras semanas de março”, diz o vice-prefeito em exercício no cargo de prefeito Lucas Paulo. “Para que Resende Costa possa crescer cada vez mais e receber mais e mais turistas, esta nova avenida tem grande importância”, acrescenta. A avenida Tiradentes vai ligar a entrada da cidade ao bairro do Canela, na Rua São João del-Rei. Tem 816 metros de comprimento e duas vias (mão e contramão), cada uma com 7,5 metros de largura, divididas por um canteiro central de 1 metro. Em toda a sua extensão, há passeios para pedestres dos dois lados (2 metros cada).
Desde o seu início, em 2017, a nova avenida recebeu investimentos de cerca de R$ 1,73 milhão, de acordo com Thaísa Lara, secretária de Administração e Fazenda. A obra foi realizada em duas etapas: uma, realizada com recurso de emenda parlamentar; e a outra, com recurso do próprio orçamento do município. Na primeira etapa, concluída em 2021, estima-se que foi investido o valor de R$ 650.759, 47, oriundo da emenda parlamentar do deputado Diego Andrade. Na segunda etapa, que está em fase final, o município investiu o montante estimado de R$ 1.079.254,93. ORÇAMENTO 2022 O orçamento do município de Resende Costa, para o exercício financeiro de 2022, é de R$ 44.969.786,71. A peça orçamentária engloba os recursos destinados ao gabinete do prefeito e às secretarias de governo, além dos repasses para a Câmara Municipal, para o RC Previ e o Fundo Municipal de Saúde. Do total do orçamento, R$
nida Alfredo Penido e do trevo de acesso à cidade. Diante de tantos desafios, Lucas reconhece que o investimento previsto no orçamento “não é tão grande. A gente tem que trabalhar muito, usar a cabeça para poder avançar dia a dia, passo a passo, já que não se consegue avançar tudo de uma vez.”
Avenida Tiradentes está prestes a ser inaugurada. O empreendimento almeja desafogar o trânsito na Alfredo Penido, a Avenida dos Artesanatos
3.416.212,04 (7,59%) são recursos direcionados para investimentos em obras e material permanente (computadores, móveis, veículos e máquinas pesadas etc.). Entre os investimentos previstos, Lucas Paulo destaca como prioridades obras de manutenção (postos de saúde, por exemplo) e o
avanço em calçamentos (bloquete e asfalto) na cidade e em morros de acesso à zona rural, bem como substituição da antiga iluminação pública por luminárias de led, troca de mata-burros e pontes e a permanente operação tapa-buracos. Também aponta a necessidade de obras, como a revitalização da ave-
FUTURO Segundo o gestor, já se conseguiu reduzir bastante o trânsito de caminhões no centro da cidade. Mas ele admite que é preciso se preparar para um futuro em que a tão sonhada ligação por asfalto com São Tiago se torne realidade. Nesse sentido, um anel rodoviário que contemple a ligação entre a nova avenida e a saída para São Tiago será necessário a fim de desafogar o tráfego de veículos pesados na cidade. “Pensando no futuro, é uma obra que vem a somar com a nova avenida, e sempre acreditando nesse possível asfaltamento de Resende Costa a São Tiago”, conclui Lucas Paulo.
O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES
Sobre besouros e gafanhotos Como eu, o leitor deve ter visto recentemente as fotos de milhares de besouros invadindo a Argentina, causando danos. E a impressionante nuvem de gafanhotos vinda do Paraguai, onde provocou enormes prejuízos agrícolas, invadindo a Argentina e ameaçando ingressar no Rio Grande do Sul, o que não aconteceu, graças ao vento que a desviou. Uma das memórias mais antigas de minha infância é a narrativa de meu pai, da fantástica nuvem de gafanhotos que invadiu as terras da fazenda dos Curais, onde ele nasceu e viveu até se casar. Contava ele que os camaradas se reuniram e rolavam troncos de árvores ladeiras abaixo para esmagá-los quanto possível. Mais tarde, já adolescente, no seminário, lendo a Bíblia pela primeira vez (Êxodo 10,12-20), a praga dos gafanhotos que devastam o Egito reforça minhas impressões. Pessoas que estudam o comportamento animal (Etólogos:
do grego ethos: comportamento, morada, uso, costumes, hábito etc.) atribuem esses fenômenos a alterações no ecossistema e/ou mudanças climáticas, como, por exemplo, calor excessivo. Alguns estudiosos afirmam que a Terra já passou por fases difíceis e perigosas – as famosas eras – e se recuperou. Contudo, o aparecimento do ser humano, com sua autoconsciência, autorreflexão e autodeterminação, transfere para nós a responsabilidade de seu cuidado. A Bíblia, sabiamente, também endossa. É o sentido de “Enchei a Terra e submetei-a” de Gn 1, 28 e de Gn 8,1: “todos os animais que estão contigo... faze-os sair contigo [Deus fala a Noé, na saída da arca] ... que pululem sobre a Terra”. Vendo a humanidade envenenando nosso planeta, poluindo o ar que respiramos, provocando o efeito estufa que descontrola nossas estações climáticas; enchendo nossos mares e rios de entulhos; desmatando nossas florestas, fon-
tes de nossa água; esburacando nosso solo e causando desastres (Mariana e Brumadinho que o digam!) “mercurizando” terra e água à cata de ouro e tudo mais... chega-se à conclusão de que agimos na contramão. Recente, reportagem sobre o envenenamento do rio Tapajós confirma isso: o mercúrio dos garimpos impregna-se nos peixes, que, por sua vez consumidos, contaminam a população. “Nestas Democracias industriais e materialistas, furiosamente empenhadas na luta pelo pão egoísta, as almas cada dia se tornam mais secas e menos capazes de piedade” (Eça de Queiroz 1845-1900). O escrito acima, há mais de cem anos, acho que encerra uma verdade. Cabe ao leitor aplicá-lo a quem quiser. (*) Resta-nos um apelo à nossa consciência para curar nosso globo, enquanto é tempo. Se morrer nosso universo, morrerá a vida nele existente. Morremos nós e todos os seres vivos.
Há que se ampliar o conceito de ética social, ética pessoal, ética profissional, ética do consenso etc. – que são um conjunto de normas e direcionamentos em torno de escolhas e valores a que a comunidade adere – para uma ética ecológica, ou ambiental. Uma ética que considera o espaço comum a casa de todos. Que se baseia no respeito e conservação de todo vivente: animais e vegetais. Uma ética global. Uma ética de respeito ao ser humano, o outro que vive conjuntamente conosco, deve ser completada por outra ética que respeita o outro “outro” que é o ambiente. Escreve Tiago Adão Lara, vida ida em 2019, que está fazendo falta: “Em primeiro lugar o ‘outro’ é a natureza, na riqueza e no ímpeto de suas forças, com as quais o homem tem de relacionar-se. A natureza revela-se ambígua nas suas manifestações: é dom e ameaça. É no fio da ambiguidade das forças naturais, que o ser
humano tem de equilibrar-se e construir seus mundos ou, melhor dizendo, é nesse entrelaçado de forças naturais contrastantes que ele vive, é nelas e com elas, que ele emerge, que ele também é tecido, enquanto natureza”. Fica a esperança de nosso Brasil se enturmar para valer com as nações que participaram da conferência da ONU sobre o clima, em Glasgow, Escócia, em 2021. Mais de cem países assinaram novas promessas para proteger as florestas, acabar com os desmatamentos e restaurar paisagens. Promessa também de reduzir as emissões de gás metano. Tomara! É o que penso. E você? (*) A Mostra de Cinema de Tiradentes deste ano (2022) apresentou: “Lavra”. Extraordinário e corajoso documentário que aborda o tema: Capitalismo contra a Natureza.
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JORNAL DAS LAJES
CULTURA
Led lança “Geografia entre Brumas”, novo livro de crônicas do poeta Evaldo Balbino
POR STEPHANIE MARIA MENDES GONÇALVES E HULLY HERNANDES
O lançamento virtual do livro “Geografia entre Brumas” do poeta e escritor Evaldo Balbino, versões digital (e-book) e física (impresso), aconteceu no dia 15 de fevereiro último, terça-feira, às 19 horas. O escritor é conhecido pelos prêmios que recebeu em instituições, como a Fundação Clóvis Salgado, o Suplemento Literário de Minas Gerais, a Academia de Letras da Bahia e a União Brasileira de Escritores. Além disso, assina a coluna Retalhos Literários no Jornal das Lajes e publica mensalmente crônicas no jornal literário Linguagem Viva. As edições do novo livro são um trabalho da Led (Editora-Laboratório do Curso de Letras: Tecnologias de Edição do CEFET-MG), que saem em parceria com a ALSJdR (Academia de Letras de São João del-Rei). “Geografia entre Brumas” é o décimo livro de Evaldo Balbino e o seu terceiro de crônicas. A obra traz ilustrações de Elimar do Carmo, arquiteto, ilustrador e designer gráfico, que desenvolveu os desenhos em nanquim a partir de suas percepções ao ler os textos. O prefácio foi escrito por Regina Coelho, professora, escritora, colunista do Jornal das Lajes e membro da Academia de Letras de São João del-Rei. Para a prefaciadora, a coletânea apresenta a observação de fatos importantes, prosaicos ou miúdos do cotidiano. Além disso, ela enfatiza que a qualidade da obra está relacionada à beleza da linguagem e à utilização da metalinguagem presentes em vários trechos do livro. O livro compõe-se de 38 crônicas nas quais o processo da memória é o fio condutor. Na tessitura dos enredos, dos casos, das personagens e dos fatos que vêm à tona, a escrita se mostra numa constante revolução da linguagem e na utilização de lembranças para reconstruir passados e presentes. Com sua prosa poética, o escritor mineiro de Resende Costa, professor da UFMG, brinda-nos com momentos de reflexões e caminhares, andares e reminiscências. Perfis, anedotas, humor, infâncias recriadas, os mes-
tres e amigos e colegas reconstruídos carinhosamente – tudo isso se perfaz nas composições que mesclam dor e alegria, vida e morte, dia e noite, passado e presente, ou seja, a vida. Nesse sentido, o escritor destaca na crônica “Brincadeiras na Roça” que “Nem o tempo que passa é nossa escolha. Ainda bem que temos a memória, para nossa salvação, nesta barca se indo sempre para o futuro”. Ao longo do livro, Evaldo Balbino tece, pela reconstrução memorialística, homenagens a todos os professores que para ele lecionaram entre 1984 e 1994: Tia Jusceia, tia Lúcia do João Bosco, dona Dilma, Regina Azevedo, João Bosco do Zé Mendonça, Tia Turca, Adenorzinho, dona Aleluia, Ana do Galo, dona Ângela, Cidinha da dona Nita, dona Eleana do Tatita, Fatinha Coelho, Myrian do Cassiano, Maria Moreira, José Antônio Resende, Regininha, Regina Coelho, Elzi Reis, Alvair do Vavá, Maria Lúcia Chaves, Tião Melo, dona Maria da Penha, Ermínio, Eli, Lúcia Resende, Mário Márcio, Doralice da Emater, dona Iêda Melo, seu Élson, César da Farmácia, Regina Argamim, Maria José, Cláudia do Sandro, Marcos, Camilinho, Tela Coelho, Stela Vale Lara, Ana Cláudia e dona Inácia. Do mesmo modo, em comemoração do reencontro em 2014 da turma de 3º ano do Ensino Médio que se formou com o autor em 1994, comparecem os amigos e colegas: Adriano, Ana Paula, Alex, Aline Caldeira, Andreia, Cacá, Clébia, Dinho, Eliane, Ilneia, Júnia, Kely, Listevan, Luciana, Luciene, Paulo Cesar, Regina, Renata, Ricardo, Sônia, Vítor. O evento virtual de lançamento foi transmitido pelo canal da Led no YouTube e contou com a participação do autor Evaldo Balbino, do ilustrador Elimar do Carmo, da prefaciadora e representante da ALSJdR Regina Coelho, do representante dos alunos que atuaram no projeto editorial Murilo Vale e dos professores Elaine Martins e José Muniz. A versão digital (e-book) do livro estará disponível para ser baixada gratuitamente no site da Led. Já a versão impressa poderá ser adquirida no site do autor (www.evaldobalbino.com.br).
Imagem: Divulgação
Projetos gráfico e editorial das versões digital e impressa da obra foram criados e desenvolvidos por alunos do Curso de Letras: Tecnologias de Edição do CEFET-MG. Publicação sai em parceria com a ALSJdR.
Capa de Geografia entre Brumas, novo livro de Evaldo Balbino
SOBRE O AUTOR Evaldo Balbino é poeta e escritor. Licenciado em Letras, mestre em Literatura Brasileira e doutor em Literatura Comparada pela UFMG. Realizou Pós-doutorado em Estudos Literários na USP em 2017. É professor de Português e pesquisador de Literatura, também na UFMG, e é membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
Evaldo Balbino - dezembro de 2021 - na casa dos pais em Resende Costa
SOBRE O ILUSTRADOR Elimar do Carmo é arquiteto urbanista por formação, designer gráfico e ilustrador. Já atuou como desenhista voluntário do Jornal das Lajes, ilustrando crônicas de autores locais e temas gerais. SOBRE A LED É a Editora-laboratório do Bacharelado em Letras: Tecnologias de Edição do CEFET-MG. Tem por objetivo proporcionar ao corpo discente um espaço permanente de
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Vinho sem frescura AMANA CASTELO BRANCO*
O que são taninos? Já teve a sensação da boca travar após tomar um gole de vinho? Ou ao comer uma banana ou um caqui que não estão totalmente maduros? Isso ocorre por conta do tanino, um polifenol, substância orgânica que combina várias ligações de hidrogênio e oxigênio. Tal composto é o agente causador da adstringência de muitos frutos e vegetais, devido à precipitação de glucoproteínas salivares, o que ocasiona a perda do poder lubrificante, ou seja, deixa a nossa boca seca. Aproveito a oportunidade para recomendar que, quando estiver degustando seu vinho, lembre-se de beber água também. Ajuda a diminuir a sensação de secura e seu corpo agradecerá no dia seguinte. Voltando para os taninos, nas uvas eles se encontram na casca, semente e caule. Estão mais presentes nas cepas tintas do que nas brancas, e cada variedade tem sua quantidade particular. Algumas uvas, como Tannat e Malbec, são mais ricas em taninos do que outras, como Pinot Noir e Grenache. Pode ser que você já tenha ouvido falar sobre ele em comentários do tipo: “vinho com taninos maduros”, “taninos
equilibrados”, “vinho com taninos presentes”. Os taninos assumem a responsabilidade, junto a outros fatores, de dar complexidade à bebida, ou seja, promover estrutura e corpo a ela. Ajudam a termos a sensação de preenchimento na boca. Outra serventia importante dos taninos está no processo de envelhecimento dos vinhos, em que atuam como um protetor natural, aumentando seu potencial de envelhecimento. Vinhos que passam pelo processo de amadurecimento em barris de carvalho tendem a ter seus taninos suavizados com o tempo, isso porque a porosidade da madeira ajuda na oxigenação lenta e gradual do líquido, conferindo à bebida uma textura mais aveludada e suave. E qual o melhor jeito de harmonizar? Minha dica são pratos mais gordurosos, como risotos, arroz com suã, massas, carnes com maior teor de gordura, canjiquinha com costelinha etc. O tanino ajudará a limpar o paladar e você terá o prazer renovado na próxima garfada. E aí, deu para entender agora o que são os taninos? Você gosta de senti-los nos vinhos? Foto: Mariana Castelo Branco
reflexão e experiência para a prática profissional com a edição de diversos materiais. Tem como princípios fundadores: a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; a integração entre formação teórica e formação prática; e a valorização do aprendizado horizontal e autônomo. SOBRE A ACADEMIA DE LETRAS DE SÃO JOÃO DEL-REI É uma associação civil de direito privado, com finalidades culturais, sem fins lucrativos, criada em 8 de dezembro de 1970, instalada em 21 de janeiro de 1971, com sede e foro na cidade de São João del-Rei e com prazo de duração indeterminado. Dedicada ao ramo das Letras e das Artes, seus membros atuam na publicação de livros, obras literárias e revistas e na participação em jor-
nais. SERVIÇO Livro físico Título: Geografia entre brumas Autor: Evaldo Balbino Editoras: Led; ALSJdR Ano de publicação: 2022 Páginas: 200 Disponível em: www.evaldobalbino.com.br Preço: R$30,00 com frete grátis em pré-lançamento até o dia 22/03/2022 E-book - Download Gratuito Título: Geografia entre brumas Autor: Evaldo Balbino Editoras: Led; ALSJdR Ano de publicação: 2022 Páginas: 200 Disponível em: https://www.led. cefetmg.br/geografia-entre-brumas/ Preço: Gratuito
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Saúde
Resende Costa encerra o mês de janeiro com 22.069 doses de vacinas contra Covid-19 aplicadas Cerca de 5% da população que recebeu primeira dose não retornou para receber a segunda; pasta explica a situação e reforça a necessidade da vacinação VANUZA RESENDE
De acordo com a Secretaria de Saúde de Resende Costa, a cidade encerrou o mês de janeiro com 22.069 doses de vacinas contra a Covid-19 aplicadas, sendo 9.223 de primeira dose, 8.841 segunda dose, 350 dose única, 3.461 dose de reforço e 194 doses de vacinas pediátricas, em crianças de 5 a 11 anos de idade. Com a campanha de vacinação ainda em andamento, chama a atenção o número de pessoas que não retornaram para receber a segunda dose. Ao todo, 382 pessoas receberam a primeira dose da vacina, porém não retornaram
para completar o esquema vacinal. O número corresponde a 5% do total de vacinados. A enfermeira Núbia Augusta Resende Vale, coordenadora do Serviço de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde, suspeita que algumas dessas pessoas podem ter sido vacinadas em outros municípios. “Parte dessa diferença pode ser entendida pela hipótese dessas pessoas terem recebido a segunda dose em outro município. No início da vacinação, a Secretaria Estadual de Saúde recomendava que a pessoa recebesse a vacina contra Covid-19 na cidade onde mora ou onde trabalha. Hoje a vacinação está um tanto mais flexível quanto a isso.
O paciente consegue se vacinar em qualquer localidade. Os Agentes Comunitários de Saúde realizam, frequentemente, busca ativa pelos faltosos e orientam os mesmos sobre a importância de se vacinar.” No entanto, mesmo com a possibilidade de a pessoa ter completado o esquema vacinal em outra cidade, Núbia afirma que, após o aumento de casos da doença, muitos procuraram o centro de vacinação. “Considerando também a nova onda de casos confirmados para Covid, foi possível observar a preocupação da população de estar com o esquema vacinal em dia, e esse fato fez com que pessoas que
ainda não tinham sido vacinadas procurassem pela sua dose de proteção.” A Secretaria Municipal de Saúde continua vacinando a população em primeira, segunda e terceira doses ou dose de reforço. Para receber a terceira dose, é necessário ter completado quatro meses da segunda dose. A segunda dose da Coronavac, Astrazeneca e Janssen, para adultos que já receberam a primeira dose de um desses imunizantes, precisa ser agendada na sala de vacinas do município, localizada na Praça Marcos Reis, número 60, centro de Resende Costa. O telefone para contato é (32) 3354-1657. Para receber a vacina
contra Covid-19, a pessoa não pode ter contraído a doença nos últimos 30 dias nem apresentar sintomas gripais. É necessário também apresentar cartão do SUS ou CPF e cartão de vacinas. “Sabemos que a vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a forma grave da doença. É apenas com a imunização em massa que vamos conseguir diminuir os riscos e voltar aos trilhos da normalidade. Por isso, procure o Posto de Saúde e receba sua dose da vacina contra Covid-19. A vacina está disponível para toda a população, de acordo com a programação divulgada”, conclui a enfermeira Núbia Vale.
Inovação no controle do mosquito da Dengue e da Febre Amarela
DA REDAÇÃO
Um conjunto de produtos inovadores de origem natural, seguros e de baixo impacto ecológico, para controlar a proliferação das espécies de mosquito responsáveis pela transmissão de doenças como Dengue, Zika, Chikungunya, febre amarela e febre do Nilo Ocidental, foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar de investigadores (pesquisadores) da Universidade de Coimbra (UC), com a participação da Universidade Federal da Bahia e da Fundação Oswaldo Cruz, no Brasil. Os produtos – distribuídos por duas gamas, uma para eliminar as larvas em água e outra para ser utilizada em armadilhas de captura de insetos – têm na sua base óleos naturais extraídos de plantas nativas do Brasil e da Ásia, combinados com polímeros biodegradáveis, e recorrem a técnicas e solventes “verdes” e de baixo impacto ambiental. Têm ainda a particularidade de permitirem a libertação controlada dos princípios ativos de forma eficiente. As formulações desenvolvidas pelos cientistas da UC e do Brasil distinguem-se por serem “biodegradáveis, sem propriedades tóxicas ou perigosas
para humanos, animais e meio ambiente, e foram pensadas para serem usadas, de uma forma generalizada, no controle de mosquitos do gênero Aedes (Aedes aegypti, Aedes albopictus e Aedes japonicus), insetos vetores de doenças como a Dengue, Zika, febre Chikungunya, febre amarela e febre do Nilo Ocidental”, destaca Hermínio Sousa, pesquisador do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF) da UC e coordenador do projeto. Os testes realizados em laboratório revelaram que estes produtos são uma alternativa eficaz aos larvicidas e inseticidas sintéticos. “De fato, as formulações já desenvolvidas demonstraram ser eficientes em termos das suas atividades larvicidas para o Aedes Aegypti, seguras e de baixo impacto ecológico. Foram ainda desenvolvidas estratégias que permitiram obter produtos e formulações que podem manter a sua eficiência por períodos bastante longos de tempo”, descreve o também docente do Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC). No entanto, apesar de os testes terem apresentado resultados francamente promis-
sores, para estes produtos chegarem ao mercado ainda são necessários mais estudos. “No caso das larvas, é necessário, por exemplo, otimizar a dose, isto é, verificar se é possível obter a mesma eficácia com uma dose menor. Atualmente, estamos a desenvolver mais estudos para verificar a eficiência e a segurança das formulações em termos das atividades atrativas para os mosquitos da espécie Aedes Aegypti, para a sua captura em armadilhas”, explica Hermínio Sousa. No contexto das alterações climáticas, estes mosquitos podem disseminar-se e estabelecer-se em todo o mundo, de forma muito rápida. “Inevitavelmente, a grande circulação de pessoas e de bens por todo o mundo, decorrentes dos processos de globalização, bem como as alterações climáticas esperadas para os próximos anos, terão grandes efeitos na disseminação e propagação destas espécies para regiões onde ainda não estão estabelecidas e, consequentemente, das doenças por elas transmitidas”, previne o pesquisador da FCTUC. Dengue, Zika, Chikungunya, febre amarela e febre do Nilo Ocidental “constituem um problema muito grave de saúde pública em vários países do
Imagem: Divulgação
No contexto das alterações climáticas, estes mosquitos podem disseminar-se e estabelecer-se em todo o mundo, de forma muito rápida
Mosquito da Dengue, dos dois lados do Atlântico
mundo, com especial ênfase na Ásia, Oceania, África e América do Sul/Central, incluindo o Brasil”, sublinha Hermínio Sousa. Por isso, considera urgente “desenvolver múltiplos meios para o controle eficiente e seguro destes insetos nos meios rurais e urbanos, tanto nas regiões tropicais como nas regiões subtropicais e de clima temperado, e particularmente nos países ibero-americanos e mediterrânicos, como Portugal”. PRÓXIMOS PASSOS O passo seguinte da investigação, adianta o coordenador do projeto, será explorar novas abordagens e desenvolver novos estudos, de modo a “expandir o conhecimento já adquirido, quer no combate aos outros dois insetos vetores (A. albopictus e A. japonicus) associados a estas doenças, quer
no uso de outros compostos naturais com atividade biológica para o seu controle e de novas formulações e produtos que possam ser comercializados e utilizados pela população em geral”. Este projeto, designado “Formulações inovadoras de base natural para o controle do Aedes Aegypti nas regiões ibero-americanas”, envolve ainda a participação das pesquisadoras Mara Braga, Marisa Gaspar, Ana Dias e Carla Maleita e foi realizado ao longo dos últimos quatro anos no âmbito de uma cooperação bilateral entre Portugal e Brasil. Foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Ministério da Educação do Brasil. Fonte: Cristina Pinto / Assessoria de Imprensa da UC
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A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
Por acaso As casualidades são como estrelas cadentes. Têm origem desconhecida e enfeitiçam justamente pela sedução do acaso. Ver uma estrela cadente é sentir o privilégio de presenciar algo único; é imaginar-se escolhido para uma visão que se manifesta a poucos e por pouco tempo. A graça da casualidade está no seu inesperado repente. O acaso não combina com preparações. Se for prevista, a estrela cadente vira estrela decadente. E foi na graça do acaso que eu te reencontrei. Surpreendidos pela casualidade, ali estávamos. Por ironia do acaso (ou acaso da ironia), compartilhando a mesma mesa. De frente para mim e ao lado de teu companheiro, conversavas polidamente com todos e comigo. Discreta e bela. Entre as muitas palavras trocadas à mesa, nossas frases íntimas – agora silenciadas – lutavam contra a mudez da conveniência, num esforço sutil de se fazerem lembradas. O cardápio era variado, porém insuficiente para satisfazer um outro jejum, mais fundo, mais escravo da ausência. O tempo passou, mudou algumas coisas em ti, porém não levou detalhes tão queridos para mim.
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A emblemática Semana de 22 Permaneceu o mesmo sorriso... o movimento da cabeça ao mexeres no cabelo... ainda os mesmos trejeitos das mãos... Eras tu! Acima da história e do discurso. Poucas palavras trocamos, mas uma semântica secreta sussurrava sentidos codificados somente por nós dois. Minha pele não abraçou a tua carne, porém nossos dedos se tocaram rápida e incidentalmente. Por acaso. Não senti de perto o teu hálito, que sempre me trazia a fragrância lúbrica da tua língua. Eu que tanto invadi as tuas narinas com o meu desejo cítrico e prazer campestre... Houve um momento, um momento só, em que consegui o travamento dos teus olhos na armadilha dos meus. Tu ficaste séria, porém meiga. Tuas pupilas pulsavam. Na despedida, no meio de tantas pessoas e falas, ainda aconteceu um outro olhar. Teu sorriso conseguiu se esgueirar para um canto discreto de teus lábios. A estrela cadente seguia a cadência do caso que há no acaso. E saíste. Sei que também fui embora contigo de algum modo. Peguei carona no teu aceno e me fiz passageiro de tua memória.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
Tendência literária predominante na poesia brasileira até o início do século XX, o Parnasianismo consagrou poetas como Olavo Bilac, deixando marcas também em textos oficiais, conforme se vê na letra do Hino Nacional Brasileiro, de Joaquim Osório Duque Estrada. Através da valorização do emprego da palavra rara e da frase rebuscada, os parnasianos fizeram do cuidado com a forma sua característica básica em detrimento da própria qualidade da expressão poética. Já se percebiam, porém, na época sinais de inquietação artística, o que iria provocar o surgimento do Modernismo. Sabe-se que as primeiras décadas desse século foram marcadas por um notável desenvolvimento técnico e científico, quadro esse que alterou profundamente a configuração do mundo, criando novas maneiras de pensar e um outro ritmo de vida para as pessoas. Por outro lado, sérias agitações de ordem social e política, entre elas, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), criaram um estado geral de angústia por toda parte. Nesse contexto, falando de Brasil, algumas manifestações artísticas passaram a apresentar traços de renovação estilística condizentes com a necessidade de expressar e interpretar essa nova visão de mundo e do país. Disso é exemplo a obra dos chamados escritores pré-modernistas pela postura de análise da realidade brasileira e dos nossos problemas sociais, um dos
pressupostos do Modernismo. A esse cenário somaram os movimentos da vanguarda europeia, grandes influenciadores das nossas aspirações modernistas. Grosso modo, lembremos a Semana da Arte Moderna, mostra realizada nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo, precisamente no ano do Centenário de Independência do Brasil. Majoritariamente masculino, numa época em que as mulheres sequer podiam votar (em 1934 o voto feminino passou a ser previsto pela Constituição Federal), o evento teve apenas três figuras femininas participantes: Anita Malfatti, a pianista Guiomar Novaes e Zina Aita, pintora, desenhista e ceramista mineira. Sobre Anita, um fato importante pela polêmica que provocou foi a exposição da pintura moderna de seus mais arrojados trabalhos, ainda em dezembro de 1917 e janeiro de 1918. No tradicional meio artístico paulistano, a mostra dividiu opiniões. Entretanto, o que, de fato, ampliou a discussão em torno não somente da pintora, mas principalmente da questão da validade da nova arte, foi um artigo infeliz de Monteiro Lobato. Nele, entre outros ataques, compara a obra de Anita “aos desenhos dos internos dos manicômios”. A repercussão da crítica de Lobato foi devastadora para Anita Malfatti, no entanto, despertou a simpatia com relação a ela de um grupo de novos artistas que procuravam ganhar espaço para divulgar suas ideias reno-
vadoras, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Di Cavalcanti e outros. Em suma, o “caso” Anita foi o estopim para uma sequência de ações que culminaram com a realização da hoje famosa, histórica e centenária Semana de 22. Vista isoladamente, ela (a Semana) não mereceria tanta atenção por se tratar de um encontro restrito (aos meios artístico e endinheirado, paulistas), sem grande destaque nos jornais da época e sem um projeto de arte em comum que unisse as várias tendências de renovação voltadas ao combate à cultura estabelecida (vide o Parnasianismo) e à defesa da liberdade de criação artística. Com o passar do tempo, porém, a Semana de Arte Moderna foi ampliando a influência de seus objetivos, propiciando a formação pelo país de grupos de artistas e intelectuais, que fundaram revistas de arte e literatura, publicaram manifestos, levando enfim adiante até nossos dias e aprofundando o debate sobre a arte moderna brasileira. Em trecho do editorial publicado em julho de 1925 no primeiro número de A Revista, que divulgou as tendências modernistas em Minas Gerais, Carlos Drummond de Andrade sintetiza o pensamento vigente da época: “Depois da destruição do jugo colonial e do jugo escravista, e do advento da forma republicana, parecia que nada mais havia a fazer senão cruzar os braços. Engano. Resta-nos humanizar o Brasil”.
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Especial
ANO XVIII Nº 226 - FEVEREIRO 2022
Escola Estadual Assis Resende recebe premiação pelos bons resultados na OBMEP 2021 Com prêmios, entre medalhas e menções honrosas, estudantes, professor e instituição se destacaram na 16ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas VANUZA RESENDE
A OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) 2021 foi histórica para a Escola Estadual Assis Resende, que teve 10 alunos premiados, um professor e a própria instituição pelos bons resultados. A diretora da escola, Roseni Fernandes, comemorou a primeira vez que a instituição foi premiada em uma OBMEP. “Foi muito gratificante saber dessa premiação. Isso é resultado de muito estudo e dedicação por parte dos nossos alunos. Muitos alunos da nossa escola já ganharam medalhas e obtiveram ótimos resultados em olimpíadas em outros anos, mas a escola ainda não havia sido premiada também. Esse prêmio foi pelo número de alunos da nossa escola com bons resultados.” Roseni acredita que a premiação é um estímulo para todos. “Isso é ótimo. É um estímulo e fruto de muita dedicação por parte de muitos alunos da escola. São alunos que se destacam em várias áreas do conhecimento. Acreditam na importância dos estudos e na superação de limites.” MEDALHA DE OURO A aluna Maria Clara de Assis, 17 anos, foi a ganhadora da medalha de ouro na OBMEP 2021, quando cursava o 2º ano do Ensino Médio. Filha da Alessandra e do Aristides, a estudante se inspirou no irmão e em primos, que também foram premiados na olímpiada. Detalhe: a primeira medalha de Maria Clara na prova foi justamente a de ouro. A jovem lembra como mudou a sua preparação de estudos para conseguir o feito. “Eu acreditava que para ganhar medalhas não era necessário estudar além do conteúdo da sala de aula. Sempre participei e vinha sempre a frustação por não conseguir ganhar a medalha. A partir de 2019, eu fiz a Olímpiada de Química e estudei além da sala de aula. Consegui ganhar uma medalha de bronze. Logo depois, veio a pandemia e
eu comecei a estudar por conta própria. Esforcei-me muito, mas não esperava conquistar logo a de ouro.” Com a medalha de ouro da OBMEP 2021 garantida, Maria Clara já soma 15 premiações. Muitas delas durante a pandemia, período em que a jovem começou a estudar e a se dedicar para as provas, em especial na área de exatas, e conquistou premiações em olimpíadas de astronomia, química e matemática. A estudante conta que seu interesse pelas competições aconteceu em um momento em que as universidades já aceitam as premiações em olimpíadas como forma de ingresso nos cursos. “Nas olimpíadas em que são necessárias as inscrições pela escola, eu contei com o apoio dos professores para ajudar. E eles me incentivaram sempre. Já em algumas, eu mesma podia me inscrever. O interessante é que há olimpíadas de todas as áreas, não só de exatas. Esses bons resultados podem ajudar a ingressar em uma instituição de ensino superior, por exemplo.” Maria Clara revela sua rotina de estudos. “Eu sempre gostei muito de estudar, mas não estudava direito. Aí veio a Olimpíada de Química e, a partir dela, comecei a estudar visando às provas. No meu caso, o diferencial para conseguir medalha foi refazer as provas de anos anteriores. Eu sempre estudei em cima dos meus erros e isso me ajudou muito, até em outras olimpíadas. Você precisa ter um foco na área e, ao estudar para uma delas, acaba conseguindo incluir outras também.” Ao ingressar no 3º ano do Ensino Médio, Maria Clara inicia o desafio de escolher a área que vai seguir após formada. “Ainda não sei para qual curso eu vou. Penso na área de exatas – matemática, física, química ou na biológica. Mas tudo vai depender da minha nota e dos meus estudos neste ano. Eu quero entrar na faculdade, porém ainda não defini a área nem a instituição para a qual irei.” A expectativa de Maria Cla-
um trabalho meu, é um trabalho de muito tempo dos meus colegas também. Além, claro, do apoio da família dos alunos. Eu percebo que, além da força de vontade dos estudantes, eles têm um apoio familiar muito grande. O prêmio não é só meu, é de todo esse conjunto.” A diretora Roseni completa: “O professor Rogério é um profissional muito dedicado ao seu trabalho e a seus alunos. Ficamos muito felizes. Mas vale destacar que esse resultado é produto do trabalho de muitos outros professores da área de matemática e das outras áreas também. O conhecimento vai sendo produzido aos poucos e de forma cumulativa. O mérito é de todos.”
Direção, professores, alunos e funcionários fazem do Assis Resende uma escola campeã
ra, neste momento, é receber a premiação em cerimônia nacional. “Eu me recordo apenas do Eduardo Assis ter ganhado medalha de ouro aqui em Resende Costa. Ele foi para a premiação no Rio de Janeiro e eu ficava imaginando se eu iria conseguir esse feito um dia. Consegui. Com o incentivo da escola que nos inscreveu, estão aí os resultados. Motivo de muita alegria.” PROFESSOR PREMIADO Além dos alunos premiados e da Escola Assis Resende, o professor de matemática Rogério dos Santos, que está na escola há nove anos, também foi premiado, pela primeira vez, pelo fato de cinco de seus alunos terem conseguido a premiação. “Para mim foi uma surpresa porque a gente não estava contando com esse grande número de alunos premiados, ainda mais no período de pandemia, quando os alunos não tiveram aulas presenciais. Eu fiquei muito feliz com os resultados dos alunos, que foi o que fez com que eu também fosse condecorado.” O professor comenta sobre o interesse dos alunos em participarem da Olímpiada. “Tive-
mos uma grande procura pelos alunos para a inscrição. Criamos grupos de apoio, pois foi uma olimpíada atípica, com a primeira fase online pela primeira vez. Acredito que esse interesse tem ligação com o exemplo dos alunos que se formaram e ganharam medalhas em anos anteriores e colheram frutos na faculdade, com a Iniciação Cientifica. Essa questão do certificado, das medalhas, tudo isso é computado na universidade, independente da área que os alunos escolham seguir em um curso superior.” Rogério também destaca a importância de o aluno acreditar e se dedicar aos estudos. “A medalha, na maioria das vezes, não acontece de primeira. Por isso é fundamental que o aluno não desista. É necessário persistência nos estudos, pois a olimpíada traz o conteúdo da sala de aula, com o raciocínio lógico. É importante estudar e não desistir. O que eu noto é que os alunos no primeiro momento não ganham nada, depois conseguem uma menção honrosa e, depois, conquistam a medalha.” O professor frisa que a premiação é um trabalho conjunto entre escola, colegas de profissão e familiares dos alunos. “Não é
ALUNOS PREMIADOS Além da Maria Clara, outros nove alunos da E. E. Assis Resende receberam a premiação na OBMEP 2021: Giovanna Gama Cerboncini e Bárbara Lana de Resende conquistaram medalhas de bronze. Menção Honrosa: Carlos Daniel Francisco de Assis, Camilly Vitória Lara, Maria Gabriela Resende Chaves, Mara Cristina de Assis, Matheus Henrique Magalhães, Nathalia Cristina Pinto Dias e Vanessa Aparecida Ribeiro. “Gostaria de parabenizar os alunos premiados e todos que participaram dessa olimpíada. Esses alunos acreditam na força da educação e se destacam porque estabelecem metas e correm atrás dos resultados. Sinto-me bastante orgulhosa. Gostaria de ressaltar também a importância da família desses alunos na conquista. São pais muito presentes na vida dos filhos e comemoram com eles cada uma dessas vitórias”, elogia a diretora Roseni Fernandes. Em Resende Costa, a Escola Municipal Paula Assis também teve alunos premiados. Ana Clara de Assis M. Chaves conquistou medalha de bronze e as alunas Laura Resende Assis, Lorena Gomes Martiniano de Pádua e Maria Eduarda Silva Oliveira obtiveram menção honrosa.
ANO XVIII Nº 226 - FEVEREIRO 2022
JORNAL DAS LAJES
MEMÓRIAS
Trilha sonora
Diário de Minas: o jornal da minha infância CAMILO VALE
Na Resende Costa dos anos 60, circulava um jornal vindo de BH, do qual eu muito gostava. Era o Diário de Minas, que chegava no ônibus de São João del-Rei sempre às 13h15 da tarde. O jornal era entregue ali no bar do meu primo Zé Buquerão, que era uma pessoa muito querida em nossa família e de um coração de ouro. Hoje o espaço onde era o bar é ocupado pelo Supermercado Nossa Senhora da Penha. Mas vamos à história. Desde criança, sempre gostei de ler. Então, junto a meu pai, vi a oportunidade de termos um jornal em casa. Meu pai, Sebastião Vale, fazendeiro aposentado, dedicava o seu tempo para tratar pessoas pobres e carentes com remédios de homeopatia. Por isso, ele era muito procurado e sobrava pouco tempo para ler. Combinamos, então, que ele poderia comprar o jornal três vezes por semana. Escolhemos os dias: terças, quintas e sábados. O jornal não circulava às segundas-feiras, devia ser folga da turma da redação. Assim, nas terças-feiras, eu ficava superinteressado por causa dos jogos de futebol do final de semana. Apaixonei-me pelo Cruzeiro desde a minha infância e acompanhava os jogos do meu time no Campeonato Mineiro e no Brasileiro junto com meu pai, lendo o caderno de esportes. Não consigo esquecer aquele Cruzeiro dos anos 60 e 70, cuja escalação vinha nas páginas do jornal: Raul, Neco, Procópio, Darci Menezes e Wanderlei, Piazza, Dirceu Lopes e Evaldo, Natal, Tostão e Rodrigues. Nos anos
70, teríamos um outro time tão forte quanto esse: Raul, Nelinho, Morais, Zé Carlos, Eduardo, Roberto Batata, Jairzinho, Palhinha e Joãozinho. Mas o Atlético também tinha um time muito bom e, em cada clássico, reunindo as duas equipes, havia fortes emoções. O Diário de Minas registrava tudo e, dessa forma, ficávamos por dentro dos resultados e da classificação de nossos times. Meu pai não ligava muito para futebol, porém tinha um certo interesse pelo Galo, pois gostava de ver o Dario (Dadá Maravilha) fazer os seus gols junto a outros craques, como Lola, Laci, Reinaldo etc. O sucesso do futebol era tanto que o jogador Tostão foi convidado para ser o paraninfo de uma turma de 8ª série do Ginásio Nossa Senhora da Penha no ano de 1969. O Diário de Minas tinha ainda outras atrações, como o caderno de cultura e variedades. Ali podíamos ver a programação de TV (os poucos canais que havia), tudo em preto e branco, bem como alguns filmes do cinema que estavam em cartaz: os filmes do Mazzaropi, o comediante Jerry Lewis, o agende secreto James Bond (007), alguns Bang Bang do John Wayne, como “Rastros de Ódio”, e um dos melhores clássicos do cinema que eu já vi: “Ao Mestre com Carinho”, com o ator Sidney Poitier. Destaque para a música To Sir With Love, interpretada pela cantora Lulu. E assim seguíamos lendo os jornais por toda a semana. Meu amigo Pança aparecia de vez em quando para ler os horóscopos e recortávamos as tiras para ele levar. Ele devia colecionar um montão delas e fazer as suas previsões para os amigos.
RENATO RUAS PINTO
Os Beatles vistos por dentro
Quando chegava o domingo, meu saudoso Tio Chico passava lá em casa depois da missa da manhã e conversava com meu pai, na sala, sobre as notícias da semana. O Brasil vivia o governo militar a partir de 1964, com Castelo Branco assumindo o poder. Minha mãe, na cozinha preparava o café com pães, biscoitos e broa de fubá. Antes de sair, meu tio perguntava pelos jornais que eu, ao receber um pedido de meu pai, juntava as três edições da semana e entregava para ele. Havia uma parceria entre os dois para que ambos pudessem ler. Mas papai gostava mais era do jornal Estado de Minas, que circula até hoje. Quando ia a São João del-Rei, ele comprava um exemplar do jornal, que, aos domingos, trazia muitos cadernos, inclusive classificados. Ah ... os classificados ... Era neles que papai procurava uma casa para comprar. Certa ocasião, meu pai teve vontade de se mudar de Resende Costa para BH, ou para outra cidade mais próxima, mas isso não aconteceu. Perdemos o nosso irmão Cirilo em outubro de 1971 e, alguns meses depois, em fevereiro de 1972, portanto há 50 anos, meu pai, muito doente, também partiu. Do jornal Diário de Minas não fiquei sabendo mais nada, só alguns anos depois é que descobri que ele acabou, foi fechado. Não sei bem o que aconteceu. Ficaram as minhas lembranças que registraram alguns fatos inesquecíveis, como as conquistas do Cruzeiro de Tostão... os gols de Dario Peito de Aço, como era conhecido... meu amigo Pança buscando as tiras de Horóscopo... meu tio Chico pedindo para levar os jornais... que levaram também todos os meus sonhos de criança. Foto: Acervo Prefeitura Municipal de Resende Costa
Ao lado do muro, o antigo imóvel onde funcionou o Bar do Zé Buquerão - ponto de distribuição do jornal.
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O Papai Noel chegou mais cedo em 2021 para os fãs dos Beatles. Em novembro passado, foi lançado o documentário “Get Back” (Disney+), que mostra, de uma posição privilegiada, a criação do álbum “Let it be”. Esse foi o penúltimo disco gravado pelos Beatles, quando o grupo já se segurava por um fio. E o registro é histórico. A criação e a gravação das músicas foram acompanhadas, durante várias semanas, por equipes de filmagem e é possível ver de perto e com poucos filtros todo o processo criativo e a interação entre os membros do grupo mais influente da música pop. Parte das filmagens não é inédita. O projeto nasceu da ideia de se produzir um especial para TV e um show no qual os Beatles apresentariam músicas inéditas. O plano era uma volta ao rock básico: músicas gravadas praticamente ao vivo e que pudessem ser executadas em shows. Há tempos os Beatles vinham sofisticando suas gravações, com a inserção de orquestras, camadas diferentes de vozes e toda sorte de efeitos, sem a preocupação da execução ao vivo. Assim, seria uma volta às raízes, dos tempos de shows simples. Reuniram-se, então, em um estúdio de TV onde começaram o trabalho de composição, sempre filmados por diversas câmeras. Depois de algumas semanas, desistiram do estúdio de TV e optaram por voltar para o estúdio próprio, que ainda estava sendo finalizado no prédio da Apple, no centro de Londres. Cerca de 60 horas de filmagem e 150 horas de áudio foram condensadas em um documentário de uma hora e vinte minutos de duração, lançado em 1970 com o título “Let it be”, mesmo nome do álbum. O documentário, assinado pelo diretor Michael Lindsay-Hogg, é bastante sombrio e mostra a tensão alta no relacionamento entre os quatro Beatles. Todo o material foi revisitado pelo aclamado diretor Peter Jackson (“O senhor dos anéis”) e transformado em três capítulos, que somam quase 8 horas de vídeo, e rebatizado de “Get Back”. Nesse formato foi possível incluir elementos novos e que ajudam a mudar um pouco a imagem que os fãs faziam daquele momento. Se o original mostrava um clima péssimo de trabalho, Peter Jackson ajudou a trazer uma nova
luz aos eventos. Antes do lançamento, com base nos primeiros vídeos promocionais, havia indícios de que o novo filme poderia querer “adoçar” os eventos, numa possível tentativa de reescrita da história da banda. Felizmente não foi o que aconteceu. As tensões e discussões estão lá e dois momentos cruciais são adicionados ao filme original. Primeiro, o auge da tensão, quando George Harrison se levanta e anuncia que iria deixar a banda e vai embora. Somente após vários dias de discussões entre os outros três e duas reuniões com Harrison é que este recua e retorna ao trabalho. Outro momento precioso para os fãs e pesquisadores é a conversa gravada entre John Lennon e Paul McCartney justamente sobre a saída de George. A conversa franca, gravada com um microfone oculto e sem conhecimento dos dois, é reveladora. Ainda assim, “Get Back” mostra que havia um clima razoável, com várias brincadeiras entre eles, e que ainda existia uma química incrível e respeito mútuo entre John e Paul quando o assunto era compor e gravar. É impressionante ver como músicas que hoje são icônicas nasciam dentro do estúdio. É uma janela aberta mostrando o talento para a criação dos quatro rapazes de Liverpool. É um documentário que recomendo para todos? Não. Para os fãs, nem é preciso. Provavelmente já assistiram... e mais de uma vez. Para quem tem só alguma curiosidade pelos Beatles, também não indico. É muito longo e, em alguns momentos, pode parecer retratar só o caos nos ensaios ou discussões inúteis. Mas, para quem tem um interesse um pouco maior sobre música, com certeza eu indico. É a chance de ver do lado de dentro um dos maiores grupos de todos os tempos. Não creio que outras grandes bandas, como Pink Floyd ou Led Zeppelin, tenham material tão rico sobre o trabalho de criação e que mostre de forma tão honesta a dinâmica do grupo. De quebra, a cena do famoso show no teto do prédio da Apple é maravilhosa e emocionante. Mostra que, mesmo que os Beatles estivessem muito próximos do rompimento, ainda existia uma chama forte acesa e que sempre nos fará pensar: “Por que não durou mais?”
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Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
A expansão da agropecuária no Brasil e em nossa região O Brasil, nos últimos anos, vem passando por um processo de primarização da economia, ou seja, um aumento na participação do setor primário (especialmente agropecuária e mineração) no PIB. E para sustentar tal crescimento, ocorre a expansão da fronteira agrícola para áreas nativas da Amazônia e do Cerrado. Inclusive, em nossa região, estamos acompanhando um aumento na área plantada por lavouras comerciais. Devido à crescente necessidade chinesa por alimentos e matérias-primas, o Brasil intensificou o velho modelo primário-exportador de baixa intensidade tecnológica. Além de possuírem pouco valor agregado, o aumento na venda de produtos agrícolas (especialmente soja, açúcar, celulose, café), pecuários (carnes de frango e bovina) e minerais (minério de ferro e petróleo bruto) demanda a incorporação de áreas nativas, o que contribuiu
para o aumento do desmatamento. A participação do setor no PIB era de 5,1% em 2019, 6,8% em 2020 e 7,9 no primeiro trimestre de 2021. Já o setor secundário, as indústrias, perdeu espaço nas exportações e também no mercado interno devido ao crescimento das importações, o que sinaliza a possibilidade de um processo de desindustrialização. Os biomas mais impactados com a expansão da fronteira agrícola são a Amazônia e o Cerrado. O desflorestamento na Amazônia, especialmente para a formação de pastagens para o gado, é bastante divulgado pela mídia. O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), no final do ano de 2020, divulgou que o Cerrado, o maior bioma inteiramente brasileiro, também está sendo destruído para dar lugar à agropecuária comercial. O desmatamento foi significativo: aumento de 8% em 2021 se comparado com 2020. Com relação ao minério de
ferro, as principais áreas de extração são: Quadrilátero Ferrífero (MG), Serra dos Carajás (PA) e Maciço do Urucum (MS). Em Minas, por volta de 2009, deu-se início às explorações fora do Quadrilátero e, assim, várias mineradoras montaram estruturas visando à exportação. Inclusive, em 2014, uma empresa foi autorizada a explorar minério de ferro no município de Passa Tempo, perto do distrito de Jacarandira. A mesorregião do Campo das Vertentes está oficialmente dentro do bioma Mata Atlântica (Lei 11.428/2006). No entanto, segundo o Mapa de Vegetação do Brasil, elaborado no âmbito do projeto RADAMBRASIL em 1983, existem algumas áreas chamadas de enclaves fitogeográficos (“manchas de ecossistemas típicos de outras províncias, porém, encravadas no interior de um domínio de natureza totalmente diferente”) de Cerrado, com formação campestre Gra-
míneo-Lenhosa, dentro da região fitoecológica Floresta Estacional Semidecidual (Mata Atlântica). Inclusive, se analisarmos mais detalhadamente, o noroeste, o oeste e o sudoeste de Resende Costa possuem uma vegetação que já se caracteriza como enclave ou, mais propriamente, de transição entre Mata Atlântica/ Cerrado. A título de localização geográfica, essa mancha é visível entre os povoados dos Pintos, Ribeirão e Cajuru. Regionalmente, temos um significativo enclave de Cerrado a sul de São João del-Rei, Madre de Deus de Minas e Piedade do Rio Grande. Nos últimos anos, temos presenciado uma expansão da agricultura comercial em nossa região, especialmente com lavouras de milho e de soja. O destaque é a ampliação das plantações comerciais nos três municípios anteriormente citados. Tradicionalmente, Lagoa Dourada e Carandaí se dedicam à olericultura,
mas as lavouras têm aumentado. Em Resende Costa, a anexação de áreas para o plantio comercial tem acontecido no nordeste do município, divisa com Lagoa Dourada e Entre Rios de Minas, sentido povoados dos Curralinhos dos Paulas e Maia. Essa região é de Mata Atlântica e as plantações estão acontecendo em áreas de pastagens, especialmente braquiária. Ressalta-se que essa agricultura comercial traz vários problemas ambientais devido ao uso de agrotóxicos e de herbicidas. Como consequências, temos morte de abelhas (o que dificulta a polinização), de pequenos répteis, de peixes (visto que, quando da chuva, parte dos insumos utilizados é carreada para os cursos d’água), contaminação de nascentes (o que afeta moradores locais) e o desmatamento. Por fim, essas questões ambientais precisam ser mais bem estudadas e monitoradas.
De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO
Weber Lacerda e suas memórias de Resende Costa Weber Lacerda esteve em Resende Costa em 1948, a convite do Padre Nelson, para realizar um trabalho de pintura na Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Natural de Ubá/ MG (nasceu em 15 de marco de 1913 e faleceu em Juiz de Fora, em 7 de agosto de 2007, aos 94 anos de idade), aqui veio desempenhar trabalho idêntico ao feito na igreja matriz de Carandaí em 1947. Weber foi músico – tocava banjo e cavaquinho –, jogador de futebol, funcionário público do Estado de Minas Gerais, atuando principalmente como coletor estadual. Como artista plástico, trabalhou em toda a região da Zona da Mata fazendo pinturas e reparos em igrejas e casas. Em 1973, aposentou-se depois de trabalhar na Superintendência Regional da Fazenda (Zona da Mata) em Juiz de Fora. Cidadão honorário de Prados e Argirita pelos relevantes serviços prestados nas duas cidades mineiras, recebeu medalha de prata na Primeira Bienal de Belas Artes de Juiz de Fora em 1984.
Foi membro da Academia de Letras de Juiz de Fora, da Academia de Poetas e Prosadores de Minas Gerais e Colaborador dos Jornais: Tribuna de Minas, Estado de Minas e Correio da Manhã. Autor de cinco livros. Em um deles, “Coisas do Interior de Minas”, volume II, de 1986, o cronista relata sua passagem pela cidade de Resende Costa em 1948. Ao descrevê-la, deixa claro que sua estada em nossa cidade, antes de seguir em 1949 para São João del-Rei, foi muito produtiva e prazerosa. No livro, ele descreve nossa Resende Costa como sendo “povoação [...] edificada no dorso de uma montanha, cujo subsolo é uma extensa pedreira, que, em alguns pontos da conformação geográfica da área construída, brota na nudez do granito, conforme se vê na parte dos fundos do prédio da Prefeitura Municipal e no fundo de alguns prédios da rua que desemboca em frente ao prédio do Fórum”. Hospedado na pensão do senhor João Lara, Weber listou número enorme de pessoas com as quais traçou forte e duradoura
amizade e que teve início com o José Aristeu, o sacristão da igreja. Durante o ano em que aqui permaneceu, manteve uma “aula de pintura, atendendo pedido de algumas senhoras e senhoritas da cidade”. Fizeram parte do grupo as alunas D. Pequenita (esposa do farmacêutico Itamar), as professoras Ivone de Souza, Terezinha Lara e Paixão Hannas, além das senhoritas Hilda (filha do seu Bico) e Didinha, esta filha do Francisquinho Mendes. Terminado o curso, no qual não houve homens matriculados, o professor e as artistas organizaram uma exposição dos trabalhos realizada no salão nobre do Fórum, momento em que um coquetel foi oferecido aos visitantes. Minha mãe, Terezinha Macedo Lara Melo, com a idade de 22 anos e participante do grupo, expôs suas pinturas. Uma delas eu mostrei nesta coluna do mês passado: retrata o sobrado construído ao lado do Assis Resende. Outra é a do quadro que destaco nesta página, com medidas de 22,5 e 24,5 centímetros e que re-
presenta o Fórum visto das Lajes da Cadeia, isto é, de trás da sua entrada principal. Ao apreciarmos a pintura, notamos o quão diferente era o prédio e o seu entorno. Nele, José Peluzi (Zé Pelúcio, como o chamávamos), além de cuidar da edificação, criava muitos coelhos na parte livre do lote. Ainda nele, não foi possível pintar as enormes e fortes grades de ferro anexadas aos portais de pedra em cômodos do térreo. Eles davam frente para a atual praça Rosa Penido e funcionavam como cadeia pública do município. Weber Lacerda deixou saudade. Levou consigo boas lembranças. Tanto é que aqui retornou em 1951 para rever os amigos que fez. A diversão principal que aqui existia, segundo ele, era o cinema. De propriedade do professor Geraldo Sebastião Chaves, “aos sábados e domingos, se não se realizasse algum casamento ou algum forró, a gente não perdia as sessões cinematográficas”. Passados 74 anos, a cidade está completamente diferente. O
Pintura feita por dona Terezinha Lara
cinema não existe mais. O prédio do Fórum não é o mesmo. Como não são as mesmas muitas residências ou outras edificações daquela época. Algumas construções foram reformadas, ampliadas, como é o caso do Fórum. Outras foram demolidas para dar lugar a novas construções. Se quisermos ter ideia de como era a nossa bela Resende Costa dos séculos XVIII, XIX e XX (até o fim da sua primeira metade), precisamos recorrer aos pouquíssimos imóveis daquela época que ainda nos restam, a fotografias, relatos de pessoas mais velhas ou obras de arte, como a estampada aqui.
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REGIONAL
Em 2022, Trilha dos Inconfidentes quer fortalecer quatro roteiros A ideia é trabalhar os roteiros já existentes: o Caminhos de São Tiago, a Rota das Estações, a Rota do Queijo e o Raízes da Marcha Os 26 municípios que compõem a Trilha dos Inconfidentes preparam-se para aproveitar ao máximo os ventos favoráveis à expansão do turismo em Minas Gerais. O estado cresce acima da média nacional e avança na geração de empregos ligados à cadeia turística, de acordo com o relatório de dezembro de 2021 do Observatório do Turismo de Minas Gerais (OTMG).* Desde o lançamento, em maio, do Programa Reviva Turismo, da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), mais de 27 mil novos empregos diretos foram gerados no setor até novembro de 2021, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) citados no relatório. Esse desempenho em sete meses reforça a meta de criação de 100 mil empregos até o fim de 2022, segundo o secretário estadual de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira. Na última pesquisa do Observatório, a região abrangida pelo Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes “aparece como potencial, mas a gente tem que real-
mente aparecer como visitante”, ou seja, transformar o potencial em real, como observa Marcus Januário, gestor da Trilha. Como se beneficiar da expansão do turismo em Minas Gerais? Neste primeiro semestre, a Trilha vai trabalhar intensamente a promoção do turismo na região através do Programa Reviva Turismo, responde Januário. “Nós conseguimos um recurso através do edital do Reviva e, dentro disso, vamos trabalhar dois projetos de promoção e marketing.” Assim, serão investidos na região R$ 290 mil, através do Reviva, para implementar os projetos “Tô na Trilha, tô em Minas” e “Tô na Trilha Negócios”. “O objetivo do primeiro semestre é fazer a promoção dos nossos roteiros e das nossas cidades”, conta Januário. A ideia é trabalhar os roteiros já existentes: o Caminhos de São Tiago, a Rota das Estações, a Rota do Queijo e o Raízes da Marcha. “São roteiros para serem feitos a pé, de carro e de bicicleta, focados principalmente na atividade ao ar livre. Vamos fortalecer esses roteiros existentes e dar mais visibilidade para as nossas cidades.” As principais propostas da Instância de Governança Regional (IGR) Trilha dos Inconfiden-
Foto: Trilha dos Inconfidentes
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Secretários municipais de Cultura e Turismo se reuniram em Tiradentes, no Centro Cultural Yves Alves, no último dia 11 de janeiro
tes para 2022 são fortalecer os roteiros já existentes (concluir a sinalização e efetivar o aplicativo da Trilha para que todos possam acessar o que acontece na região); trabalhar fortemente a cozinha mineira como “identidade regional” (valorização dos nossos produtos e da nossa cozinha); e participar de feiras nacionais e internacionais (a escolha das feiras vai depender do andamento da pandemia). Em princípio, a intenção é participar de duas ou três grandes feiras: a da ABAV-SP (a maior feira de turis-
mo nacional) e a Festuris Gramado (uma das feiras internacionais), além das ABAVs (feiras da Associação Brasileira das Agências de Viagens), que ocorrerem no Estado de Minas. Outra possibilidade é a participação na Brastoa (importante feira de turismo da Associação de Operadores de Viagem), em parceria com o Ministério do Turismo, em função da Rota do Queijo. Esse é um dos projetos aprovados no Experiências do Brasil Rural. A Trilha espera apresentar neste mês
o catálogo da Rota do Queijo no Experiências do Brasil Rural. Três ações serão fortemente trabalhadas neste ano – o turismo rural, o turismo gastronômico (cozinha mineira) e o ciclo turismo, resume Januário. “Essas serão as linhas mestras de trabalho na Trilha dos Inconfidentes. A gente realmente vai entregar bastante coisa para que os municípios possam se destacar cada vez mais, receber mais turistas e, com isso, gerar renda, gerar trabalho e girar a economia da região.” Essas ações foram discutidas por secretários municipais de Turismo e Cultura em reunião no dia 11 de janeiro promovida pela IGR Trilha dos Inconfidentes. Participaram do encontro secretários das cidades de Alfredo Vasconcelos, Barbacena, Barroso, Carandaí, Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Desterro do Melo, Ibituruna, Madre de Deus de Minas, Nazareno, Piedade do Rio Grande, Resende Costa, Ritápolis, São João del-Rei, São Tiago, São Vicente de Minas e Tiradentes. *Reportagem “Minas Gerais desponta em crescimento no Turismo”, jornal Estado de Minas (07/01/2022).
Retalhos literários EVALDO BALBINO
José Simplício A memória que se tem do meu bisavô paterno, José Simplício, é pouca. Sem registros escritos, sem fotografias que lhe teçam o perfil para os conhecimentos de hoje, sem a presença das pessoas mais idosas que o conheceram e que também já atravessaram o portal instransponível aos nossos olhos, o que me resta agora é fazer um retrato do outrora com palavras. Meu pai mesmo não o conheceu. E infelizmente nunca conversei com o meu avô Geraldo, seu filho, sobre ele. Mas o vovô também tinha pouco a dizer, não havendo conhecido direito o pai: era muito pequeno ainda quando da morte do patriarca. Com nome de origem hebraica, esse meu bisavô carregava no seu corpo e na identidade o sentido daquele que acrescenta, que tem algo para trazer ao entorno. Se lembrarmos do bíblico marido de Maria, o carpinteiro José, pensamos no acréscimo para a huma-
nidade que representou o aceite dado por ele ao anjo, na visão onírica de que o menino concebido por Maria vinha do Espírito Santo e era e é o nosso Salvador. Não foi apenas Maria que disse “sim” ao Eterno. O carpinteiro, na sua simplicidade, soube passar por cima de honrarias machistas construídas socialmente e prostrar-se perante o anúncio celestial. Daí a saga de enfrentar as falações das pessoas, os preconceitos, depois a busca por um lugar onde nasceria o Filho de Deus, e ainda mais a fuga: o desterro no Egito a que ele, a esposa e o menino foram obrigados para fugirem da fúria de um rei. O segundo nome, também próprio, diz ainda do meu bisavô. Simplício. De origem latina, essa alcunha nos fala de uma pessoa simples, sem malícia, moralmente reta. O fato de referir-se também a pessoa tola poderia ser, como advogam alguns, o motivo de tal
nome ter caído em desuso. Não creio que seja simplesmente isso. Muitos nomes também são atravessados por modismos. As diferentes épocas apresentam para as pessoas uma lista de nomes à disposição, e isso varia com certeza pelo tempo. Meu bisavô era simples em todos os aspectos. Destaco aqui a retidão moral, mas também a vida humilde de um pobre vivendo às margens num mundo rural. Um mundo onde uns poucos eram latifundiários (descendentes de antigos “coronéis” e “capitães”) e a maioria era despossuída, contando apenas com as mãos para trabalhar para os outros. Soma-se a isso o fato de que meu antepassado era negro. A uma pessoa de origem pobre, negra, naqueles tempos e naquele espaço, não eram dadas possibilidades de vida melhor. Essa estrutura racista arquitetada em nosso país vem de longa data e perdura até hoje,
mesmo nos espaços mais urbanizados onde as pessoas se dizem mais esclarecidas e tolerantes. Vô Simplício lavrava terras alheias, porque as suas ele não tinha. Meeiro de terras tantas, ele mesmo pouco possuía. Viveu num casebre de pau-a-pique com a esposa Maria Amélia e os filhos, todos pequenos. Não os viu crescerem direito, pois morreu muito cedo, indo lavrar o mundo subterrâneo. Não agora terra tanta, mas os sete palmos que lhe couberam de empréstimo, porque apenas durante o tempo necessário para que seu corpo se desfizesse e para que depois disso fosse colocado outro corpo ali, naquele jazigo simples e sem adornos. Na lavra da vida, deixou rasgos na existência, plantio que se estende até hoje. Quantos descendentes dele não vieram?! Tenho tantos tios paternos e primos e filhos dos primos! Tenho estas linhas que se escrevem por mãos
que trazem as digitais do meu bisavô negro, lavrador, trabalhador. Ele lavrava terras. Do mesmo modo o filho dele, o meu avô Geraldo Melo. Ainda do mesmo jeito, meu pai, de nome Jesus mas Didi Pedreiro para tantos. E ainda, do mesmíssimo modo, também lavro. Lavro palavras nos sulcos destas linhas. Na faina do seu trabalho incessante, e que só terminou para o seu corpo quando este tombou no pó, José Simplício dizia do mundo. Profetizava um futuro difícil para a humanidade. Com olhos tristes, tinha o hábito de dizer aos convivas que ao longo do tempo o mundo teria muito rastro e pouco pasto. Ele já sentia que o mundo é injusto, que poucos dominam e muitos têm boca, porém regrada. Vivia isso na pele negra e no trabalho pesado. A vida é uma terra arada, bela forma terrosa, mas os sulcos lhe fazem doer o corpo inteiro.
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ANO XVIII Nº 226 - FEVEREIRO 2022
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ECONOMIA
São João del-Rei movimentou US$ 104 milhões no comércio internacional JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
O movimento comercial (exportações + importações) do município de São João del-Rei com o restante do mundo alcançou 104,13 milhões de dólares em 2021, de acordo com o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Economia da Universidade Federal de São João del-Rei (NEPE-UFSJ) e o economista Aluízio Barros. Este montante foi superior em 45,2% aos 71,45 milhões de dólares movimentados no ano anterior (2020).
O saldo da balança comercial são-joanense somou 52,14 milhões de dólares, resultado da diferença entre exportações de 78,14 milhões de dólares e importações de 26 milhões de dólares. Praticamente repetiu o superavit comercial do ano anterior (52,4 milhões de dólares), porém com montantes bem menores de exportações (62 milhões de dólares) e de importações (9,6 milhões de dólares). QUARTO TRIMESTRE No quarto trimestre de 2021, o saldo comercial são-joanense foi de 19,8 milhões de dólares, de acordo com o NEPE-UFSJ. As exportações
somaram 26,3 milhões de dólares e as importações, 6,5 milhões de dólares. Segundo os autores da análise, a expansão do nível das exportações municipais no quarto trimestre foi o segundo melhor resultado da série histórica, inferior apenas ao do mesmo período de 2012 quando as vendas externas somaram 25,8 milhões de dólares. Os principais destinos das exportações foram o Japão e os Estados Unidos; entre as principais mercadorias exportadas, estão os metais comuns. Já as principais fontes das importações foram China e França.
Não é só de turismo que vive São João del-Rei
Opinião
Ouvidorias: construindo organizações públicas mais abertas e participativas FERNANDO CHAVES*
Ombudsman é um termo nórdico que significa “defensor do povo” ou “representante do cidadão”. No Brasil, o termo mais adotado para designar o ombudsman é ouvidor, que é o responsável pela ouvidoria – um órgão especializado em captar críticas, reclamações e outras manifestações vindas do público externo às organizações públicas. A ideia de ter dentro do poder público um órgão responsável por ouvir as críticas externas e utilizá-las para melhorar a gestão organizacional surgiu na Suécia e se estabeleceu por vários países do mundo ao longo dos séculos XIX e XX. A ouvidoria atua como um mecanismo de democratização e deve exercer uma função mediadora entre o Estado e a população. Atualmente, a função dilatou sua área de abrangência original, passando a ser exercida até mesmo no intermédio
das relações entre organizações privadas e seus públicos ou clientes. Para exercer suas funções com efetividade, um ouvidor público precisa atuar com autonomia na sua relação com o governo e as organizações públicas. Precisa ter credibilidade junto à população e conhecer bem a legislação referente a suas áreas de atuação. O ouvidor não deve usar seu conhecimento para blindar as organizações públicas ou o governo. Ele deve atuar como um representante dos direitos do cidadão. Precisa saber mediar conflitos para ser um verdadeiro “provedor de justiça”, prevenindo contra abusos organizacionais, defendendo o direito dos públicos diante dos governos, canalizando críticas, detectando falhas na qualidade dos serviços prestados à população, estimulando a transparência governamental e organizacional. A ouvidoria é um dispositivo de fortalecimento da democracia participativa, capaz de trazer o cidadão comum para o centro da
administração pública. O professor Luís Carlos Yasbek, da Faculdade de Comunicação da UNB, ressalta que as ouvidorias trazem também uma contribuição pedagógica à cidadania. Yasbek defende que a busca pela solução de problemas pode e deve ser feita de forma participativa, envolvendo o cidadão em cada etapa e “orientando-o de modo claro e preciso sobre como proceder e como evitar problemas em situações similares no futuro”. A implementação da atividade de ouvidor no Brasil é lenta e tardia. Foi a partir das décadas de 1980 e 1990 que a expansão das ouvidorias teve início, por meio de várias medidas jurídicas e legislativas, dentre as quais destacamos: 1) a promulgação da Constituição Federal (1988), que, apesar de não instituir um “Defensor do Povo”, criou uma fundamentação jurídica para a criação de ouvidorias públicas, quando estabeleceu, no artigo 37, que lei disciplinaria as formas de participação do usuário na administração pública direta e indi-
reta; 2) a aprovação do Código de Defesa do Consumidor (1990), que trouxe impulso especial ao estabelecimento das ouvidorias privadas; 3) a aprovação da Lei de Acesso à Informação, em 2011, e da Lei de Participação, Proteção e Defesa dos Direitos do Usuário de Serviços Públicos, em 2017. Mesmo com algumas experiências pontuais na década de 1980, foi somente nas décadas de 1990 e 2000 que se assistiu à expansão das ouvidorias públicas no Brasil. Ainda são muitos os desafios no sentido de se institucionalizar e tornar mais efetivas nossas experiências com a função do ouvidor. No setor público, a morosidade na implementação das ouvidorias é um dado marcante. Em muitos casos, as ouvidorias funcionam estritamente como um balcão para registro de reclamações ou são concebidas, exclusivamente, dentro de estratégias e planos de marketing, resultando no atrofiamento de suas funções clássicas. A ouvidoria deve ser vista como uma ferramenta de
implemento da participação popular, do controle social e dos direitos do cidadão/consumidor. É também mediadora de conflitos externos e internos, instância de tratamento dos vínculos institucionais estremecidos e mecanismo de autocrítica para o aprimoramento constante da gestão. Como instância de controle social, de participação popular e como aparato de transparência, as ouvidorias enfrentam desafios para se estabelecerem plenamente no Brasil. A cultura da transparência dos atos públicos e da participação popular ainda encontra obstáculos muito persistentes que impedem a abertura das organizações públicas para um tipo de comunicação efetiva com a sociedade, de modo a superar os modelos tradicionais de uma comunicação altamente centralizada, vertical e ancorada no marketing e na defesa de interesses institucionais frente aos interesses públicos propriamente ditos. *Jornalista
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ANO XVIII Nº 226 - FEVEREIRO 2022
ESPORTE
Papo de Esportes
Ficou em casa
VANUZA RESENDE
ESC fatura o Campeonato Regional Foto: ESC
VANUZA RESENDE
Chegaram ao fim os campeonatos realizados pelo Expedicionários entre o final de 2021 e início de 2022. A bola rolou pela última vez pelo Campeonato Regional no dia 16 de janeiro; pelo Municipal, os jogos se encerraram no dia 20 do primeiro mês do ano. O Regional contou com a participação de nove equipes das seguintes cidades: Resende Costa, Barbacena, Conceição da Barra de Minas, Entre Rios de Minas, Prados, Oliveira e São Tiago. Seis equipes participaram do Campeonato Municipal: Cajuru, Expedicionários, Juventus, Nova Resende, Ponte Cachoeira e Ribeirão. Os campeonatos começaram no dia 19 de outubro de 2021 com jogos realizados aos domingos. As finais chegaram a ser adiadas devido às chuvas. O caneco do Regional acabou ficado em casa. O Expedicionários bateu o Bad Boys, de Entre Rios de Minas, por 2x1, com gols do artilheiro do campeonato Léo, que marcou duas vezes. Pedro, do Expedicionários, marcou contra. A seleção do campeonato foi formada pelos atletas que chegaram à final: Diego (ESC), Pedro (ESC), Fabricio (ESC), Emerson (Bad Boys), Aislan (Bad Boys), Filipe (ESC), Alanzinho (Bad Boys), Lucas (ESC), Paulo Gruna (Bad Boys), Léo (ESC) e Deiverson (Bad Boys). O time do Expedicionários também recebeu várias premiações individuais. Melhor goleiro: Diego; Revelação: Pedro Augusto, Artilheiros: Léo empatado com Paulo Gruna da equipe Bad Boys. O craque do campeonato foi o jogador Fabrício. MUNICIPAL No Campeonato Municipal, o time da Ponte Cachoeira levantou a taça de campeão, derrotando a equipe do Cajuru por 2x0. Mas os jogadores das seis equipes se destacaram individualmente e formaram
Jogadores do Expedicionários e do Bad Boys que integraram a seleção do Campeonato Regional
Ponte Cachoeira venceu o Torneio Municipal
a seleção do campeonato. Ronald (Ponte); Leozinho (Cajuru); Warlei (Ponte); Jonas (Cajuru); João Vitor (Ribeirão); Luciano (Ponte); Leandro (Cajuru); Matheus (Ponte); Marcelinho (Cajuru); Rael (Ponte) e Rodrigo (Juventus). Já os prêmios individuais ficaram todos com o time campeão, ou seja: defesa menos vazada: Ronald; artilheiro: Léo; craque: Filipe. Paulo Ricardo, um dos organizadores dos campeonatos, falou sobre a realização simultânea dos jogos. “Num ano atípico, tivemos que realizar os dois campeonatos simultaneamente. Isso causou al-
gum estranhamento, pois os atletas tiveram que atuar em dois campeonatos, porém sempre ressaltamos que foram campeonatos diferentes. Em 2022, sem nenhum impedimento, os torneios serão realizados em datas distintas.” Paulo destacou também a presença do público no Estádio do Expedicionários e o título do Regional ter ficado em casa. “Depois de 21 anos, conseguimos ser campeões, uma alegria muito grande. Fomos campeões em um bom torneio, muito disputado e com a torcida sempre presente, com boa média de público em todos os jogos.”
O dia em que o interior provou que os estaduais precisam continuar A bola mal começou a rolar pelos estaduais e as críticas às competições se alastram pelas redes sociais e chegam até a alguns programas esportivos que criticam o calendário apertado do futebol brasileiro. Por vezes, muitos comentaristas se posicionam contrários aos estaduais. Talvez, se eu estivesse vivido ao lado dos principais estádios do futebol do estado de Minas Gerais, também me posicionaria. Mas sou do interior e, quando comecei a acompanhar o futebol, era tudo muito distante. Acompanhava as transmissões dos jogos pelo rádio e pela TV, imaginando como seria estar ali acompanhando de perto o balançar das redes. Só fui conseguir a resposta depois de ter virado “gente grande”, com a oportunidade de participar de caravanas do interior que invadiam a capital. Acompanhando a festa realizada em 31 de janeiro de 2022, em São João del-Rei, para o jogo de Athletic e Cruzeiro, desejei que todos que criticam os campeonatos estaduais estivessem na cidade. Vi de perto o brilho do olhar da criança no ombro do pai, não pude ver o sorriso. A família era uma das poucas com máscaras no bairro de Matosinhos. O pequeno não pôde entrar no estádio Joaquim Portugal, por recomendações da FMF (Federação Mineira de Futebol), que proibiu a entrada de todos menores de 12 anos. Acredito que ninguém daquela família viu de dentro do estádio o Cruzeiro fazer 1x0 em cima do Athletic. Estavam ali para sentir o clima e acompanhar o ônibus do time do coração. Foi suficiente! Duas equipes no novo modelo do futebol se enfrentaram, duas SAFs em situações totalmente distintas, mas com o objetivo de conseguirem os três pontos e continuarem à frente na tabela. O Athletic esbarrou no
nervosismo, perdeu oportunidades e saboreou o velho ditado de “quem não faz, leva”. Um único gol no Joaquim Portugal, no entanto suficiente para ser assunto antes, durante e depois em São João del-Rei e região. Diversos torcedores resende-costenses compareceram ao jogo e até apareceram na transmissão da TV... e isso é assunto na fila do banco, na barbearia e em toda a cidade. Também foi destaque na TV a escada usada para trocar o placar no estádio. Depois de alguns minutos de atraso para colocar o número 1 no Joaquim Portugal, o placar atualizado foi motivo de nova comemoração. Coisas do futebol raiz, que pôde ser acompanhado de cima dos telhados e do muro das casas ao redor do estádio! Sabe aquela comemoração de títulos dos estaduais que os torcedores da capital fazem quando ganham, mesmo depois de criticar o campeonato todo? Pois é, ela foi feita em São João del-Rei e em toda região. Porque a cidade recebeu pela primeira vez, de forma oficial, um time da capital. E ninguém nos contou, a gente viu a história acontecer. O calendário do futebol brasileiro precisa ser revisto, eu concordo. Também concordo com que os valores para os times da capital são uns, para os do interior, outros. Mas antes de pedirem o fim dos estaduais, acho importante pedirem a profissionalização dos times do interior para que possam jogar o ano todo, para que recebam cada vez mais os times da capital em suas casas. A festa foi entre o preto e o azul, mas São João del-Rei poderia ter se tornado alvinegra para a alegria de outra parte da cidade, os atleticanos. De cima do muro, na arquibancada de cimento que “queima” os pés, pelo rádio ou pela TV, a torcida do interior comprovou que os estaduais precisam continuar!