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Edição 225 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

Ex-prefeito de Resende Costa por dois mandatos, Aurélio Suenes de Resende (PSD) confirma em entrevista ao JL sua pré-candidatura a deputado estadual. PÁG 05

Sentença aplicada a autor de crime de feminicídio aborda a crescente violência contra as mulheres José Nicodemos de Jesus Neto, o Tonhão, foi condenado, no último dia 6 de dezembro de 2021, a cumprir pena de 23 anos e três meses de prisão pelo assassinato de sua ex-companheira, Luciana Aparecida dos Reis Martiniano. O crime aconteceu no dia 29 de março de 2018 e causou enorme comoção entre os moradores de Resende Costa. A sentença aplicada ao Tonhão, de autoria do juiz de direito da Comarca de Resende Costa, Donizetti Ramos, é também uma reflexão para a sociedade sobre o agravamento de crimes violentos praticados contra as mulheres. “Vemos, ao longo de toda a história, dos primórdios ao mundo hodierno, que a sociedade é machista, dominada por homens que não aceitam a ideia de compartilhar seu mundo com as mulheres.” PÁG 10 e 11

Foto: Fernando Chaves

Jogo Aberto

ANO XVIII

• JANEIRO 2022 • Nº225

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Artesanato de Resende Costa recebe Selo de Procedência

Foto registra produtos, matéria-prima e utensílios tradicionais da cadeia produtiva do artesanato de Resende Costa: colchas, novelos de retalho, o tear, uma roca e uma dobradeira.

Em evento realizado no último dia 16 de dezembro na Churrascaria Ramona, a Associação Empresarial e Turística de Resende Costa

(ASSETURC) recebeu das mãos do pesquisador Bruno Diláscio, da UFSJ, o certificado do selo de procedência para o artesanato local,

concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Na ocasião, também foi entregue ao município o título de “Capital

Mineira do Artesanato Têxtil”, emitido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. PÁG 08


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ANO XVIII Nº 225 - JANEIRO 2022

EDITORIAL Liberdade e responsabilidade em tempos de pandemia

Jornal das Lajes Ltda Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende

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Com o aumento no número de casos de Covid-19 devido à rápida disseminação da variante Ômicron, a amplitude da vacinação torna-se fundamental, principalmente para proteger as pessoas das formas graves da doença que já matou mais de 600 mil pessoas no Brasil. No entanto, mesmo estando diante de um vírus (e suas constantes e imprevisíveis mutações) que já se mostrou letal e altamente contagioso, ainda há um número significante de pessoas que simplesmente se recusam a tomar a vacina, a única arma cientificamente comprovada que nos livrará da pandemia. Uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes mostra que em Resende Costa, cidade de pouco mais de 11 mil habitantes, 1,3% da população alvo, isto é, pessoas acima de 12 anos, ainda não procurou o centro de saúde para receber as doses do imunizante. De acordo com o Serviço de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde, ao todo, 127 cidadãos resende-costenses afirmaram que não vão se vacinar. Ignorando os riscos de contrair a forma grave da Covid ou de transmitir o vírus, caso o contraiam, a um parente ou amigo, esses indivíduos simplesmente não querem se vacinar. Recusam-se a se proteger e a proteger as pessoas com quem convivem. O motivo de tal escolha? Segundo o Serviço de Imunização, as principais justificativas apresentadas são: medo, insegurança, crença religiosa e política. Outro argumento muito utilizado por quem não quer se vacinar é o direito de escolha. “Eu tenho a liberdade de escolher se quero ou não tomar vacina”, dizem. Sim, vivemos numa sociedade livre e democrática, onde todos têm o direito de opinar e de empreender suas próprias escolhas, tanto para o bem quanto para o mal. Mas será que os defensores da plena liberdade sabem que toda escolha traz consigo, inerentemente, o fardo pesado da responsabilidade? Somos responsáveis pelas escolhas que fazemos. Se optamos, em livre consciência, por cometer um crime, devemos saber que existe uma legislação que certamente nos questionará e nos penalizará pela “escolha” que fizemos. A humanidade encontra-se em alerta de pandemia. Diante disso, não há escolha entre querer ou não querer estar. O coronavírus atingiu a todos, sem exceção, e a liberdade individual não nos isenta da responsabilidade de colocar em risco a vida das outras pessoas. “E quanto a quem não quer se vacinar? É simples: fique em casa e não use nenhum local público. Vão dizer: mas isso é cerceamento de direitos, cabe até habeas corpus, mandado de segurança… Por exemplo, se alguém tem uma doença contagiosa também está impedido de frequentar locais públicos, exatamente para proteção dos demais. E nem por isso caberia habeas corpus, mandado de segurança etc. Não querer se vacinar é ‘direito’ do cidadão, mas esse mesmo cidadão tem o ‘dever’ de não colocar o resto da população em risco”, argumenta o juiz de direito da Comarca de Resende Costa, Donizetti Nogueira Ramos. Desde o início da pandemia, a notícia que todos esperavam era a do surgimento da vacina para, enfim, voltarmos a ter nossas vidas dentro da normalidade. Pois então, a vacina veio em tempo recorde e é oferecida gratuitamente. O mais importante: as vacinas são seguras e eficazes. Qualquer argumento contrário é fruto de imaginações mirabolantes de pessoas irresponsáveis, que desejam disseminar notícias falsas com o objetivo de negar a ciência. Os atalhos para superar a pandemia já foram descobertos pela ciência e a estratégia é simples: vacinar, vacinar, vacinar. Os especialistas estão otimistas e preveem que, se houver distribuição equânime das vacinas, neste ano de 2022 a pandemia terminará e a Covid-19 tornar-se-á uma doença endêmica, podendo causar surtos sazonais, porém controláveis. Mas para cantarmos vitória, será necessário convencer muita gente a jogar junto esse jogo que ainda está longe de acabar.

Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:

Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Meio Ambiente

LUISA GABRIELA DE CASTRO MACHADO* ADRIANO VALÉRIO RESENDE*

As consequências da expansão da pecuária bovina na Amazônia Uma questão é notória: a floresta amazônica é a maior floresta tropical ainda existente e nela se encontra grande parte da biodiversidade do planeta. Os especialistas são unânimes em afirmar a necessidade de preservá-la, mas parte da sociedade ainda insiste em sua depredação. Para reafirmar a importância da Amazônia, vamos apresentar algumas informações. Ela abrange aproximadamente 6,9 milhões de km² de área e se alonga por 9 países sul-americanos. No Brasil, é chamada de Amazônia Legal, envolvendo 60% do país (5,2 milhões de km²) e se estende pelos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Além da extensa variedade de fauna e flora, a bacia hidrográfica amazônica abriga a maior rede hídrica do planeta e escoa cerca de 1/5 do volume de água doce do mundo. Inclusive, por meio dos chamados “rios voadores”, ela é responsável pela manutenção do período chuvoso nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. No entanto, a floresta já perdeu praticamente 20% de sua cobertura vegetal, o que compromete sua função de reguladora do clima e de maior sequestradora de carbono do planeta. Nesse sentido, a ampliação das atividades econômicas não sustentáveis tem sido o principal vetor do desmatamento. Destaca-se que, no mês de dezembro de 2021, a mídia divulgou a informação de que a área desmatada na Amazônia foi a maior nos últimos dez anos. Na região, há significativas atividades de extrativismo

mineral e vegetal, boa parte ilegal. Outra atividade relevante e que tem crescido é a pecuária bovina. De acordo com os dados da Pesquisa da Pecuária Municipal, realizada pelo IBGE em 2018, a Amazônia Legal apresentou um crescimento de 22,5% nessa atividade, sendo que a média nacional foi de apenas 4%. Ela detém aproximadamente 40% do rebanho nacional, o que equivale a 89 milhões de cabeças. Para se ter ideia da grandiosidade da questão aqui discutida, de acordo com o Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), a pecuária bovina é responsável por 65% do desmatamento na região da Amazônia Legal. Com o intuito de ampliar suas áreas, muitos fazendeiros invadem terras, matam ou expulsam os seus ocupantes, em uma luta desleal contra os indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Apesar dos benefícios, as atividades econômicas têm trazido consequências danosas, pois a expansão da fronteira agropecuária contribui para o aumento nas taxas de desmatamento, para a ocupação ilegal de florestas públicas (grilagem) e para a invasão de terras indígenas. E os conflitos pela posse das terras traz à tona um problema social: a ocupação ilegal de terras constitucionalmente reservadas aos índios e às comunidades tradicionais. Dentre os programas federais, cabe mencionar a implantação, em 2004, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal – PPCDAm, constituído por uma série de medidas para reduzir

de forma contínua o desmatamento e criar um modelo de desenvolvimento sustentável. Entre os anos de 2008 e 2015, o plano obteve êxito significativo, uma vez que as taxas de desmatamento foram sendo gradualmente reduzidas. Todavia, a partir de 2016, os índices voltaram a subir e o programa perdeu força. Infelizmente, em 2020, o Plano foi encerrado. Ressalta-se que a preservação da floresta amazônica passa, em primeiro lugar, pela superação da ideia de que ela é uma espécie de paraíso, que deve permanecer intocada, servindo apenas para a contemplação. Os moradores locais são cidadãos brasileiros como quaisquer outros e querem, merecem e necessitam das benesses e confortos proporcionados pelo desenvolvimento econômico. Mas, para tanto, deve ser levada a sério pelos governos e cidadãos a sustentabilidade econômica da região, por meio de atividades que proporcionem a coexistência harmoniosa entre o ser humano e o meio ambiente, como o ecoturismo, o extrativismo sustentável, a agricultura familiar e a indústria cultural. De maneira concomitante, o poder público deve aumentar a fiscalização e a punição quanto àqueles que insistem em realizar intervenções ambientais ilegais. Caso contrário, passa-se a mensagem de que as práticas de infrações ambientais compensam, especialmente do ponto de vista financeiro. *Aluna do Curso Técnico de Meio Ambiente – CEFET/ MG *Professor CEFET/MG


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JORNAL DAS LAJES

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INFORME PUBLICITÁRIO

CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Indicações aprovadas em dezembro de 2021 • Possibilidade de ser construída uma praça no encontro das Ruas Expedicionário e Vicente Machado com a Rua Francisca Félix Vieira, próxima à arvore de óleo, nas proximidades da saída do Povoado do Barracão. Nesse sentido, que seja analisada a possibilidade de ser inserida, no interior da referida obra, a reconstrução do cruzeiro anteriormente retirado do local. Além disso, indica-se a construção de uma praça, uma quadra de areia e um parquinho, com o objetivo de se promover melhoria estrutural no local, proporcionando melhor qualidade de vida às pessoas que residem nas imediações. (Vereadores Cleiton, Coló, Cláudio, Lucas e Paulinho) • Possibilidade de que seja revisado o vencimento bá-

sico dos auxiliares e técnicos do setor de Saúde, efetivos da prefeitura municipal de Resende Costa. (Vereador Fernando Chaves)

Executivo Municipal, do Legislativo, bem como instituições de ensino, biblioteca, dentre outros. (Vereador Fernando Chaves)

• Possibilidade de ser elaborada, juntamente com o Comitê de Enfrentamento da COVID-19, projeto de lei que institua o passaporte vacinal no município de Resende Costa, instituindo tal documento como requisito para o acesso dos cidadãos resende-costenses e turistas a bares, restaurantes, cafeterias, lanchonetes e academias com ambiente fechado, bem como a espaços públicos ou privados de uso coletivo e recreativo utilizados para shows e outras atividades de lazer. O passaporte também pode ser exigido para o acesso a órgãos e departamentos públicos do

• Possiblidade de serem realizadas obras de melhorias na ponte da Água Limpa, que liga o Povoado dos Pintos ao centro urbano de Resende Costa-MG. A ponte encontra-se em péssimo estado de conservação, apresentando vários pranchões estragados. (Vereador Zé do Dico) • Possiblidade de o Executivo Municipal promover melhor fiscalização junto à empresa que executa os serviços de manutenção e troca de lâmpadas queimadas nos postes do Município de Resende Costa-MG. Constata-se que existem

diversos pontos de iluminação apagados, apesar de a população solicitar insistentemente o serviço de substituição de lâmpadas que não mais funcionam. (Vereador Zé do Dico) • Possibilidade de ser estudado procedimento a fim de coibir o desrespeito quanto à legislação de trânsito em Resende Costa-MG, mais especificamente nas imediações do prédio da Prefeitura Municipal, à Rua Maria Cândida Andrade, centro. Verifica-se que no referido logradouro comumente existe a prática de desvio irregular por parte de alguns motociclistas, motoristas de veículos de passeio e até mesmo de caminhões em relação ao quebra-molas localizado defronte ao recém-reformado estacionamento da prefeitura. (Vereador

Cláudio) • Possiblidade de ser realizada instalação de dois quebra-molas na Rua Heloisa Macedo Lara, bairro Nossa Senhora da Penha, sendo um (01) na altura do número 56.1, defronte ao lote vago (propriedade particular) e um (01) em frente à Capela de Nossa Senhora Aparecida, também defronte ao lote vago (propriedade particular). (Vereadores Cleiton, Cláudio e Paulinho) • Possiblidade de ser realizada instalação de adesivos nos veículos da Prefeitura Municipal que realizam viagens intermunicipais, sendo estes alusivos ao título concedido ao Município de Resende Costa-MG, pela Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, de “Capital Mineira do Artesanato Têxtil”. (Vereadores Guerra, Fernando Chaves e Zé do Dico)

A última reunião ordinária do ano de 2021 aconteceu no dia 22 de dezembro, ocasião em que foram votados projetos importantes para o município de Resende Costa. Os vereadores aprovaram repasse de recursos para a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa (APAE) e para a Associação Filhas de São Camilo/Hospital Nossa Senhora do Rosário. Também foi aprovado o Projeto de Lei nº 139/2021, de autoria do vereador Fernando Chaves, que tem o objetivo de vedar a nomeação, no âmbito da Administração Pública direta e indireta, bem como em todos os Poderes do Município de Resende Costa, para todos os cargos

públicos efetivos e em comissão de livre nomeação e exoneração, de pessoas que tiverem sido condenadas nas condições previstas na Lei Federal nº 11.340, de 07 de agosto de 2006 – Lei Maria da Penha. Segundo o vereador autor do projeto, a ação se justifica pela necessidade de se fortalecer formalmente o princípio da moralidade na gestão pública e estimular o Poder Público Municipal a inibir a violência contra a mulher. Outro projeto aprovado foi a concessão de abono aos profissionais do magistério com funções nas modalidades de ensino pré-escolar de 0 a 3 anos, de 4 a 5 anos e nas séries iniciais e fundamentais do Ensino Fundamental, conforme critérios estabelecidos.

Foto: Divulgação

Vereadores aprovaram projetos importantes na última Reunião Ordinária de 2021

Vereadores da atual legislatura no Plenário da Câmara Municipal de Resende Costa


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Prefeitura finaliza o asfaltamento de mais 6 ruas A Prefeitura Municipal segue empenhada na realização de obras para a melhoria da infraestrutura urbana. Recentemente, mais 6 ruas foram completamente asfaltadas: Rua Marcos de Oliveira Neto e Travessa Doutor Gervásio, no bair-

ro São José; Rua Vereador Alberico Augusto dos Reis, Rua José de Assis Resende e Rua Professora Ruth, no bairro Nossa Senhora Aparecida; e Rua Manoel Rodrigues Vale, no Centro. Além destas localidades, outros pequenos trechos de ruas

também foram asfaltados. Além de reduzir a poeira, o asfalto favorece o tráfego de veículos e de pedestres em relação ao calçamento de pedras, gerando mais conforto e segurança para a população.

INFORME PUBLICITÁRIO

Prefeitura adquire veículo de 7 lugares para transporte de pacientes para consultas, exames e cirurgias A Prefeitura Municipal segue investindo em melhorias para a área da Saúde e para o bem-estar da população. Buscando atender a demanda para transporte de pacientes para consultas, exames e cirurgias, foi adquirido um novo veículo. Trata-

se de uma Chevrolet Spin zero quilômetro, uma minivan de 7 lugares. O veículo foi adquirido com recursos próprios, através da Secretaria de Transportes, e será utilizado para atender demandas de locomoção e transporte de pacientes da Secretaria de Saúde.

Mutirões de castração beneficiam mais de 200 cães e gatos em Resende Costa

Prefeitura adquire mesas interativas e laboratório de ciências para escolas municipais Pensando no início do novo ano letivo e em oferecer ainda melhores condições de ensino, a Prefeitura, através da Secretaria de Educação, adquiriu novos equipamentos que serão de grande importância para o processo de aprendizagem dos alunos das escolas municipais. Os equipamentos em questão são as Mesas Interativas, que serão instaladas em todas as escolas de nosso município, e um Laboratório de Ciências, que será instalado na Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão - que já possui um laboratório, mas que precisa da reposição de materiais. As mesas interativas foram adquiridas com o intuito de possibilitar aos professores um trabalho pedagógico diferenciado, pautado em tecnologia e inovações. Todas as escolas municipais serão atendidas pelos equipamentos. Com mediação do professor, cada mesa será usada simultaneamente por 4 alunos, viabilizando atividades educacionais que desenvolvem a coordenação motora, o raciocínio lógico, as artes, a musicalização, a literatura, a alfabetização, entre outras.

Recentemente, a Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Saúde, promoveu o 2º mutirão de castração de 2021. Com a soma dos 2 mutirões, foram beneficiados mais de 200 animais entre cães e gatos, sem nenhum custo para os tutores dos animais. As ações foram realizadas no Parque de Exposições Prefeito Gilberto Pinto. Realizados através de um consórcio com o Cigedas (Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Sustentável das Vertentes), os mutirões de castração têm importante função para a saúde pública e dos animais, pois é um método eficaz de controle populacional e de prevenção de doenças. Para a realização das cirurgias foi contratada uma Unidade Veterinária Móvel - um ônibus equipado com toda estrutura necessária para a realização de castrações e equipe veterinária especializada.

“A causa animal é uma das prioridades de nossa gestão. E o mutirão de castração promove diversos benefícios para a saúde pública e para os animais. Cito como exemplo a redução da taxa de natalidade, que reduz também o número de animais abandonados pela cidade. Além disso, os mutirões de castração realizados em Resende Costa beneficiaram diversos animais de rua, cuidados por seus tutores. Fico feliz em ver que nossa população conta com pessoas que protegem e são amigas dos animais”, afirmou Lucas Paulo, vice-prefeito em exercício no cargo de prefeito. Caso você seja de família de baixa renda, tenha adotado algum animal de rua ou tenha conhecimento de algum animal abandonado, entre em contato com o setor de Epidemiologia pelo número 3354-1657 e faça seu cadastro. No próximo mutirão, seu animalzinho poderá ser um dos beneficiados.

Prefeitura amplia repasse para a realização de plantões médicos no Hospital Nossa Senhora do Rosário

Já o Laboratório de Ciências da escola Paula Assis foi adquirido com o objetivo de complementar o laboratório já existente na instituição. Com a aquisição dos novos equipamentos, os alunos poderão aprender novos conceitos e evoluir a aprendizagem nas áreas

de Física, Química e Biologia. Além disso, os novos equipamentos incluem apostilas para professores e alunos que, somadas aos conhecimentos obtidos em sala de aula, serão de grande importância para o sucesso acadêmico dos estudantes.


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Jogo Aberto

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Ex-prefeito Aurélio Suenes é précandidato a deputado estadual Foto: arquivo pessoal

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Vereador eleito em 2004, prefeito eleito de Resende Costa (MG) pela primeira vez em 2012 (cumprindo dois mandatos), Aurélio Suenes agora é pré-candidato a deputado estadual pelo PSD. Sua bandeira principal é a Educação, inspirando-se no ex-senador e candidato à Presidência da República, Cristovam Buarque. Com larga experiência regional, Aurélio foi presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes (AMVER), do Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes (CIGEDAS), do Circuito Trilha dos Inconfidentes e do Comitê de Bacias GD2 (pela Copasa). Nesta entrevista ao JL, ele fala de sua trajetória política e de suas ideias e propostas, caso seja confirmado como candidato e seja eleito nas próximas eleições. Por que você entrou na política? Entrei porque acredito que a boa política pode transformar, melhorar a vida das pessoas e da comunidade. De certa forma, estou na política por um ideal, pela possibilidade de fazer a boa aplicação do recurso público para ajudar as pessoas. Alguém, quando exerce um cargo público eletivo, tem a oportunidade de fazer o melhor; no final das contas, ser político é uma missão que a gente deve cumprir com muito zelo, muito gosto e de forma a não decepcionar as pessoas que acreditaram. Quando você se candidatou a prefeito pela primeira vez, acreditava ser possível vencer? Eu me preparei para isso, na verdade. Mas, no decorrer do mandato de vereador, percebi que ainda não era a hora. Eu ainda era muito jovem, estava com 29 anos. Então decidi compor uma chapa com o Dr. Paulo, pelo PSDB. Fomos derrotados pelo Adilson, do PT. Fiquei quatro anos sem mandato. Obviamente, quem é político, quem se interessa pelas questões sociais, continua envolvido. Não me desliguei de forma alguma, continuei sempre participando dos assuntos locais; apesar de estar na Copasa, em São João del-Rei, sempre estive atento às movimentações na comunidade. Aí veio a candidatura a prefeito… Eu investi na pré-campanha, na pré-candidatura – na ocasião, estava com 33 anos – e participei das eleições de 2012. Eu sabia que não seria fácil. Na verdade, entrei naquela disputa pensando em deixar o nome para as eleições de 2016. A gente sempre fazia levantamentos, acompanhava o posicionamento de cada candidato – os outros candidatos eram o Gilberto (PSDB) e o Adilson (PT) – e percebia que realmente seria muito difícil vencer aquela eleição.

Ex-prefeito Aurélio Suenes assume pré-candidatura a deputado estadual

Os números favoreciam a eleição do Gilberto. Consegui fazer uma aliança importante com o PMDB, que indicou o Toninho Ribeiro para vice – ele havia sido candidato a prefeito em 2008 e teve mais de 1.500 votos. Isso conferiu uma certa estrutura e credibilidade à campanha. Também veio o apoio de colegas, como o Cícero Chaves, que sempre foi muito envolvido com política. Em que momento você percebeu que dava pra vencer? Pelos nossos levantamentos, eu e o Toninho, com apenas um mês de campanha, conseguimos empatar as eleições com o Gilberto. Nós percebemos, no decorrer da campanha, que seria possível ganhar aquela eleição. E trabalhamos firmes para isso. Fizemos uma campanha bonita, sem falar mal de adversário, colocando as nossas ideias, novas propostas…Foi um momento histórico, em que as pessoas queriam mudar, renovar. No cargo executivo, principalmente, a pessoa não consegue se perpetuar por melhor que ela seja – e nós temos que considerar que o Gilberto tinha todos os méritos porque já tinha feito três mandatos em Resende Costa. No entanto, a população nos deu um voto de confiança. Assim, tivemos a oportunidade de mostrar um pouco do nosso trabalho, que, em seguida, foi reconhecido pela comunidade de Resende Costa. Qual é o balanço que você faz das suas gestões? Pegamos uma prefeitura com muita coi-

sa para ajustar, inclusive o caixa negativo. Além disso, a situação econômica do país se refletia nos repasses para as prefeituras; tanto que, por diversas vezes, a imprensa relatou a quebradeira de prefeituras… Não havia recursos para fazer uma melhoria no município, fazer investimento. Praticamente, o recurso que tinha era para custear a estrutura da prefeitura. E como foi possível reverter a situação? Com parcerias, uma forte parceria com o deputado federal Diego Andrade, que foi diretor da Copasa, e com o então deputado Wander Borges, hoje prefeito de Sabará. Eles foram carreando recursos para o município e, assim, conseguimos ir mostrando o nosso trabalho. Também conseguimos uma aproximação com o PSDB – na época, tivemos uma conversa com o Gilberto –, sendo que no terceiro ano de mandato já era possível prever que iríamos caminhar juntos nas eleições de 2016. A população entendia a situação da prefeitura e via o nosso esforço. Assim, conseguimos avançar para o segundo mandato. Tivemos uma reeleição com uma confiança da população que eu poderia chamar de histórica, uma dianteira de 2089 votos, 65% dos votos válidos. E o segundo mandato? Também foi muito difícil. Na verdade, a dificuldade até aumentou porque o governo do Estado começou a reter recursos dos municípios: da Saúde, do ICMS, da Educação… Resende Costa, por exemplo, deixou de receber, na ocasião, em

torno de 2 milhões e meio de reais. Mas continuamos com as parcerias. Fizemos parceria até com presídio para fazer pré-moldados e conseguimos calçar muitas ruas. Melhoramos consideravelmente a infraestrutura do município. Ajustamos muitas leis e regras que estavam atrapalhando o andamento da prefeitura. Com as mudanças de governo, os repasses para as prefeituras começaram a melhorar. Podemos dizer que, atualmente, as prefeituras estão com dinheiro, cada vez mais batem recorde de arrecadação. E nós ficamos felizes porque deixamos a prefeitura numa condição que, acredito, seja inédita. Deixamos no caixa da prefeitura, acho eu, um pouco mais de três milhões de reais de recurso próprio. Somados com recursos vinculados, nós chegamos à casa de quase oito milhões de reais. Deixamos a prefeitura numa situação muito boa, apesar da pandemia em 2020, que nos impediu de desenvolver os projetos, pois havia sempre uma interrogação. Talvez até por um excesso de zelo, seguramos bastante e fechamos 2020 com muito recurso, ficando para o sucessor uma prefeitura totalmente saneada, equipada e organizada. Por que a decisão de ser pré-candidato a deputado estadual? Sempre que a gente anda pelas ruas, o pessoal comenta: “Você tem que ser candidato, você ficou com uma imagem muito boa na cidade, na região…” Em meados do mês de julho, decidi avançar com a ideia de ser pré-candidato. Eu acho que este é o momento. Saí com uma avaliação em Resende Costa, medida em duas pesquisas, na casa de 94%. Apesar disso estou ciente de que se trata de uma eleição muito difícil. Nós temos uma base eleitoral em Resende Costa relativamente pequena para uma eleição para deputado. Portanto, vamos ter que trabalhar muito nas cidades da região para buscar os votos necessários. Se chegarmos lá, certamente iremos fazer tudo para sermos diferentes. Temos a experiência da passagem pelo executivo, inclusive com uma premiação de melhor prefeito das Vertentes – uma pesquisa que foi feita –, e isso me deu mais força para acreditar que o momento chegou. Você se considera preparado para esse novo salto na atividade política? Tenho plena convicção de que sim. Depois de quatro anos como vereador e oito como prefeito, eu me sinto preparado para um cargo no legislativo estadual; eu acredito ter o conhecimento necessário para fazer um ótimo trabalho, caso chegue lá. E acredito ter o discernimento e a clareza necessários para fazer um trabalho que traga bom resultado para a nossa região e o Estado. E qual será o maior desafio? O maior desafio é fazer as pessoas saberem quem é o candidato e o

que ele realmente propõe. O tempo de fazer uma campanha é muito curto (45 dias) para a pessoa se apresentar de forma tão abrangente a ponto de se eleger. O candidato precisa ter uma atuação em várias cidades. Se as pessoas me conhecessem como os resende-costenses me conhecem, eu acho que seria bem mais tranquilo. Sendo assim, o desafio maior é como fazer chegar às pessoas que não me conhecem minha biografia, minhas propostas, minhas bandeiras, minhas ideias, tudo dentro de uma nova forma de fazer política. Como você pretende financiar a sua campanha? Eu me proponho a abrir mão do fundo eleitoral e do fundo partidário porque não concordo com eles. Farei uma campanha mais simples, com recurso próprio, e vou tentar fazer com que as ideias, as informações cheguem até as pessoas pelas redes sociais, através dos amigos, dos conhecidos, dos aliados que tenho nos municípios. E quais são suas principais bandeiras? Minha principal bandeira será a Educação, pois ela é o caminho para termos um cidadão melhor, uma nação mais desenvolvida. Vou trabalhar muito as questões da Educação, a qualificação e a valorização dos profissionais da Educação, por exemplo. Eu ainda me lembro do senador Cristovam Buarque, que chegou a disputar a presidência da República. A todo o tempo só falava de Educação, Educação… Hoje, eu tenho uma clareza, depois de ter passado pelo executivo: ele estava correto. Temos que colocar a Educação como uma prioridade, uma vez que ela é condição para que o cidadão tenha lucidez, por exemplo, para escolher melhor os governantes e os membros do parlamento para cuidarem melhor da Saúde ao adotarem ações preventivas, como alimentação e práticas esportivas adequadas, entre outras coisas. O que você acha do custo para o país que um político representa no modelo atual? A questão dos privilégios dos políticos precisa ser combatida, não há necessidade de tantos privilégios; é possível termos políticos com um custo mais baixo. Devíamos seguir o exemplo de países de primeiro mundo. Eu tenho os meus empreendimentos, que, graças a Deus, estão indo bem. Eu me propus, nesta candidatura, abrir mão do próprio salário de deputado, caso seja eleito, e fazer uma doação para instituições filantrópicas, como a Apae. Meu direcionamento não é pelo dinheiro, não é pelo poder, não é pelo prestígio, se é que existe. É realmente pelo desejo de fazer alguma coisa diferente, que ajude a mudar o que hoje existe na política. O que eu pretendo como deputado é nada diferente do que eu sempre fui na política: uma pessoa acessível, simples.


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ANO XVIII Nº 225 - JANEIRO 2022

CIDADE

Sobrado ao lado da Escola Assis Resende será a “casa da Educação” A Prefeitura Municipal de Resende Costa adquiriu, no final de 2021, por cerca de R$ 675 mil, o imóvel da Avenida Ministro Gabriel Passos, 120, que pertencia à dona Terezinha Macedo Lara Melo. De acordo com a administração municipal, o projeto é instalar no casarão a sede da Secretaria de Educação Esporte e Lazer e aproveitar parte da área (648m2) para implantação de um espaço educacional (salas de música, de jogos e para recuperação de alunos), revela o vice-prefeito em exercício no cargo de prefeito Lucas Paulo de Assis Vale. “A ideia surgiu por volta de agosto (do ano passado) e, depois de aprovada pela secretária Silvanda Maria de Resende, avançamos para conversar com os familiares sobre a possível

compra da casa.” O casarão, da década de 1920, é contemporâneo da centenária Escola Estadual Assis Resende, construída em 1919, poucos anos após a emancipação política de Resende Costa, ocorrida em 2 de junho de 1912. Nesse sobrado, viveu com a família o maestro e compositor Joaquim Pinto Lara, o sr. Quinzinho. “A casa foi construída numa época em que havia normas para edificação no município, principalmente nas ruas principais”, diz Edésio Lara, filho de dona Terezinha e neto do sr. Quinzinho. Por ser “um local estratégico, área grande, próximo a uma escola centenária e tradicional”, a aquisição vai “trazer mais qualidade e bons projetos para nossos alunos”, explica Lucas Paulo. “Certamente também teremos benefícios culturais e patrimoniais nessa aquisição, pois sabemos da história que

Foto: André Eustáquio

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Sobrado histórico que pertenceu a dona Terezinha Lara, adquirido recentemente pela Prefeitura Municipal

ali há e da importância para nossa cidade”. Por isso, a conclusão do projeto “será um importante investimento tanto para educação quanto para a cultura e o patrimônio de

nossa cidade”, frisa o vice-prefeito em exercício no cargo de prefeito. “Vai ser um ganho enorme para a Educação, a Cultura e o Patrimônio de Resende Costa”, concorda

André Eustáquio Melo de Oliveira, secretário de Turismo, Artesanato e Cultura. “A aquisição da prefeitura foi ótima, vai preservar um imóvel de importância, um sobrado bonito ao lado da escola Assis Resende, no centro da cidade. É um marco da história de Resende Costa, da sua memória. Eu fiquei muito feliz com a aquisição da casa, com a iniciativa do Lucas.” A previsão é de que boa parte da obra seja realizada ainda este ano. O imóvel encontra-se em bom estado, não tendo sido detectado por parte do setor de engenharia da prefeitura qualquer risco de cair. Mas o sobrado precisa de restauro: “Precisamos fazer uma intervenção, uma reforma considerável, para a sua utilização”, acrescenta Lucas Paulo. Apesar de possíveis modificações, a prefeitura pretende manter a fachada da casa e de boa parte da estrutura.

O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

Resende Costa, através da Câmara Municipal, homenageou esta sua filha ilustre, dando seu nome a uma de suas ruas. Nosso “Jornal das Lajes”, que tem se dedicado ao histórico de nossas ruas e sempre destacou pessoas que fizeram ou fazem história em nosso município, naturalmente se associa a essa homenagem. Cedo a palavra ao Paulo Jesus Magalhães, filho caçula da “Tia Nonó”, que fez a pesquisa sobre a trajetória de sua vida. Tia porque foi casada com o tio Jesus Eduardo Magalhães, irmão de meu pai. “Uma guerreira, uma vencedora” “Filha de José Severino Miranda e Hipólita Áurea da Trindade, nascia na cidade de Resende Costa, em 13/07/1913, a segunda filha do casal: Maria da Luz Miranda, conhecida carinhosamente por Dona Nonó. Seus pais, de origem simples e humilde, lutaram com muita dificuldade para obter o sustento da família, constituída por cinco filhos. Após concluir o primário, seus pais, sem medir esforços, de-

cidiram dar continuidade aos seus estudos, realizando sua matrícula no renomado colégio “Nossa Senhora das Dores”, situado na cidade de São João del-Rei, o qual era administrado pela Irmandade das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. Por ser aluna interna, em suas férias escolares, partia de trem da estação central com destino à estação César de Pina, onde se encontrava com seu pai para trazê-la a cavalo até Resende Costa, sendo que o mesmo ritual ocorria no final do período das férias. Com o passar dos dias, o corpo docente no colégio, observando seu jeito natural de fazer humor, convidou-a para fazer parte do grupo teatral ali existente, obtendo grande êxito. Após se formar, retornou a sua cidade natal, iniciando carreira como professora. Nomeada pelo Estado, lecionou aproximadamente 31 anos, conforme demonstrado no histórico anexo [esses dados biográficos foram enviados à câmara municipal para a aprovação do projeto, dando seu nome a uma rua da cidade]. Por volta de 1942, foi convidada por Gentil Vale para partici-

par do grupo teatral juntamente com os amadores José Ramos de Melo, Prudêncio Gomes dos Santos, Francisco Peluzi, Nonó e Chiquinho Maricota (filhos de dona Hipólita), Maria de Melo, Olga Rios Pinto, Naná do Juquinha, André, Marfísia, Elzi Lara, Benedito Teixeira, José Nicodemos, Benedita Silva, Aílton, Zizi, Maria Ambrozina, Zezé de Melo, Arlindo Coelho, Sinval Reis, Jair do Josué, Gisélia Silva, Albertina Teixeira, Filomena Andrade, Quito, José Soares, os quais mencionados nos livros “Escavações no Tempo” e “Ecos de Ontem”, ambos de autoria de Gentil Vale. Em 1944, casou-se com Jesus Eduardo Magalhães, natural de Resende Costa, constituindo uma família formada por onze filhos. Nas horas de folga, “dona Nonó” lecionava em sua residência em caráter particular e gratuito, demonstrando assim o amor que sentia pela profissão. Apesar de ter sido rotulada como uma mulher muito brava, dona Nonó carregava consigo uma bondade infinita, jamais fazendo distinção de raça, cor, crença religiosa, classe social etc.

Em meados de 1969 a 1970, foi acometida pela enfermidade, interrompendo de vez a sua carreira. Em 1974, aos 61 anos de idade, veio a falecer, causando uma grande perda para todos.” Acrescento ao texto do Paulo minhas vivências e recordações. “Tia Nonó” sempre teve muito xodó comigo. Quando se casou, em 1944, eu já lá ia pelos 5 anos de idade. Quando morava na casa na praça Dom Lara, aqui perto do cemitério, por muitas vezes me acolheu lá. Por meio dela, fui também muito acolhido pela dona Hipólita (“Sá Iporta”, como falávamos!). Mais tarde, fazendo o curso primário no Assis Resende, embora não fosse aluno dela, pois a professora de nossa classe até tirar o diploma foi a saudosa dona Maria Ivone Sousa, filha do Alcides Sousa, o contato era direto. Quando seminarista camiliano, nas férias, tinha que visitá-la frequentemente. Ela fazia questão. Participou muito da cerimônia e festejos de minha ordenação sacerdotal em 1964, na nossa igreja matriz de N. Sra. da Penha. Lembro-me muito das tratativas com ela quanto ao enxoval,

Foto: Arquivo pessoal

Professora Maria da Luz Miranda – “Dona Nonó”: uma homenagem

Professora Maria da Luz Miranda, a dona Nonó

quando encaminhei e levei para o seminário camiliano, em São Paulo, seu filho José Severino, que desejava ser padre. Foi muito triste o dia em que (aí por 1969 ou 1970), já combalida pela doença, amparei-a junto com o tio Jesus e a acomodamos no meu fusca para levá-la a São João del-Rei para um exame, cujo resultado nos inquietou demais. Como eu fazia na minha infância: “A benção” tia Nonó! Sua vida agora está marcada numa rua da cidade, reforçando assim a memória dos que conviveram com a senhora.


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ACONTECEU

Campanha “Doce Natal” realiza entrega de doações para crianças em Resende Costa VANUZA RESENDE

Pelo segundo ano consecutivo, a campanha “Doce Natal” realizou entrega de doações de guloseimas para as crianças da cidade. De acordo com as idealizadoras e organizadoras da ação, Josiane Magali e Shirlem Mendes, no dia da distri-

buição das guloseimas 17 pessoas estavam, empenhadas em entregar a lembrança para as crianças na cidade. A ação também contou com o apoio da Polícia Florestal e da Polícia Militar. Durante os meses de outubro a dezembro, com a ajuda da população e de comerciantes, foram recolhidas doações de guloseimas para a confecção das sacolinhas,

Trilha da Gastronomia realizou oficinas para resgatar tradições da região

que fizeram um Doce Natal para diversas crianças resende-costenses. “Levar o sorriso para as crianças e trabalhar a questão da igualdade é o nosso principal objetivo. Nós fizemos sacolinhas de guloseimas para todas as crianças, trabalhando mesmo essa questão da igualdade. Todas as crianças receberam a lembrancinha”, destacam as organizadoras.

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Fotos: Divulgação

Projeto Natal Solidário contou com a participação de voluntários e alegrou as crianças

Participantes do Natal Solidário

Patrulha Rural distribuiu brindes de Natal em povoados de Resende Costa, Coronel Xavier Chaves e Ritápolis ANDRÉ EUSTÁQUIO

O Natal inspira alegria, motiva confraternizações, promove partilha e solidariedade. Uma ação social realizada pela Patrulha Rural do 3º Pelotão da 190 CIA PM tornou ainda mais feliz o Natal de diversas crianças que moram na zona rural dos munícipios de Resende

Costa, Ritápolis e Coronel Xavier Chaves. A equipe da Patrulha Rural, que contou com a parceria da Tida Melo e sua equipe de voluntários, distribuiu brinquedos, balas e doces às crianças. A distribuição dos brindes aconteceu nos dias 19, 21 e 23 de dezembro de 2021. De acordo com o 3º Pelotão PM de Resende Costa, 16 povoados, localizados nos três

O Papai Noel participou da distribuição dos presentes na ação social realizada pela Patrulha Rural

municípios onde atuam os militares da Patrulha Rural, foram visitados pelos PMs, pelos voluntários e, claro, pelo Papai Noel. As doações partiram do comércio e das prefeituras de Coronel Xavier Chaves e Ritápolis. A prefeitura de Resende Costa forneceu transporte para levar as doações e os voluntários às comunidades rurais do município.

Patrulha Rural distribui brindes a crianças em localidades da zona rural de Resende Costa, Coronel Xavier Chaves e Ritápolis

Cinco tipos de oficinas destinadas a capacitar produtores de queijos, doces, cachaça, biscoitos e cerveja, além de outras atividades, marcaram a realização da “Trilha da Gastronomia”, entre os dias 9 e 17 de dezembro, envolvendo participantes de 26 municípios do Campo das Vertentes. A ideia era promover o resgate de tradições gastronômicas mineiras e potencializar essas riquezas na microrregião, com o objetivo de impulsionar os municípios como destinos gastronômicos para turistas. Foram 52 oficinas ao todo (duas por município) que movimentaram um público de mais de 600 pessoas da região. O projeto deve estimular o empreendedorismo ao alavancar o turismo gastronômico no Campo das Vertentes, diz Marcus Januário, gestor da Trilha dos Inconfidentes. Mostrar “um pouco da nossa história, da gastronomia regional” para melhor capacitar as pessoas a empreenderem mais e impulsionarem o desenvolvimento regional. “Ao valorizar os principais produtos da região, pode-se fomentar a economia, incentivar o empreendedorismo, gerar emprego e renda e qualificar-se para receber mais turistas”, acrescenta. As oficinas estiveram a cargo de produtores tradicionais da região, que se

destacam pela qualidade de seus produtos e pela experiência em recepção de turistas. Um almoço no encerramento da capacitação reuniu o secretário de Estado Adjunto de Cultura e Turismo, Bernardo Silviano Brandão, e prefeitos de municípios que integram a Trilha dos Inconfidentes. Bernardo destacou a força do turismo regional e a iniciativa da Trilha da Gastronomia. “Eventos como esse demonstram que a região realmente está se preparando para ser cada vez mais desenvolvida no setor de turismo.” O presidente da Trilha, Higino Zacarias, citou as conquistas de 2021 e apresentou reivindicações para 2022. Uma delas é a abertura de mais editais para municípios e instâncias de governança regional (IGRs) focados em infraestrutura turística. Também encaminhou a proposta de aumento da alíquota do ICMS Critério Turismo para, no mínimo, 2%, o que permitiria melhorar as estruturas físicas das secretarias municipais de turismo e cultura. Por fim, pediu apoio para eventos da gastronomia e da cozinha mineiras. A “Trilha da Gastronomia” foi viabilizada por meio da Lei Aldir Blanc, no âmbito do estado de Minas Gerais. Tem o apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e do Governo Federal, por meio do Ministério do Turismo/Secretaria Especial da Cultura. Foto: Divulgação

Cinquenta e duas oficinas movimentaram um público de mais de 600 pessoas da região


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CULTURA

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Em evento realizado no dia 16 de dezembro na Churrascaria Ramona, a Associação Empresarial e Turística de Resende Costa (ASSETURC) recebeu das mãos do pesquisador Bruno Diláscio, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), o certificado do selo de procedência para o artesanato local, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Artesãos, empresários do setor turístico e representantes do poder público formaram a maioria do público presente. Na ocasião, também foi entregue ao município o título de “Capital Mineira do Artesanato Têxtil”, emitido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O selo de procedência é o resultado de um trabalho desenvolvido pela ASSETURC em parceria com a UFSJ. A pesquisa que gerou a certificação junto ao INPI foi objeto da dissertação de mestrado de Diláscio, que foi o idealizador e o coordenador geral da iniciativa. “Estou muito satisfeito com o resultado. Espero que esse selo ajude a trazer mais emprego, mais renda para Resende Costa e que motive os mais jovens na tarefa de perpetuar a tradição artesanal do município.” O certificado é “uma conquista de todos os artesãos e lojistas da cidade e ajudará a eles no seu esforço de levar o artesanato de Resende Costa

a todos os recantos de Minas e do Brasil”, acrescentou Luara Ramona, presidente da ASSETURC, entidade que passa a ter a titularidade do selo e que realizará a gestão de seu uso. “Dizer que Resende Costa tem hoje uma indicação de procedência do INPI significa dizer que nós possuímos um produto único, reconhecido pelo seu caráter histórico e cultural, pela sua tradição, pelo seu modo de fazer tão típico, que é uma herança da colonização portuguesa na nossa região”, destacou Fernando Chaves, presidente do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), que foi nomeado pela ASSETURC em 2019 como o coordenador local dos trabalhos pela obtenção do selo. “Significa também que temos um produto reconhecido pela sua qualidade no mercado”, acrescentou. Chaves ainda enfatizou a importância do associativismo, ao informar que somente associações de classe como a ASSETURC podem obter e gerir esse tipo de selo de procedência. Também ressaltou a condução técnica do processo, feita pela UFSJ, sem a qual o projeto não seria viável. PRIMEIRAS ADESÕES Durante o evento, oito produtores vinculados à ASSETURC aderiram, formalmente, ao selo. São eles: Luciene Tecelagem, Trilhos da Arte, Laranja Lima Artesanato, Tuca Artesanato, Arte Q Faço, Segredos de Minas Artesanato, Empório Vertentes e D´Corações Ar-

Foto: Arquivo Asseturc

Selo de procedência do artesanato local já começa a ser usado em RC

Luara Ramona recebe o Selo de Procedência das mãos do pesquisador Bruno Diláscio

tesanato. A primeira a aderir, simbolicamente, foi a ex-presidente da ASSETURC, Luciene Cardoso, em cuja gestão teve início o trabalho de obtenção do selo. O selo de procedência artesanal será muito importante, de maneira geral, para Resende costa “e, principalmente, para darmos o real valor ao que nós produzimos”, diz Andréia Resende, da loja Arte Q Faço. Ela lista os envolvidos na produção artesanal, desde o enrolador, que deixa as bolas de malha ou de fio no ponto para que o tecedor possa fazer a peça, até o responsável pelo acabamento, onde são dados os nós nas franjas. “Dar valor a esse processo é uma maneira de agradecer a cada um desses artesãos.” No seu caso particular, diz

ela, “senti-me muito feliz, pois a loja Arte Q Faço levará aos clientes um produto de autenticidade artesanal comprovada”. A partir deste ano, o selo começará a ser difundido aos (e utilizado pelos) demais produtores, de maneira a dar mais visibilidade ao artesanato da cidade, distinguir os produtos locais de similares industriais e agregar valor ao autêntico artesanato e ao trabalho feito efetivamente à mão no município. CRITÉRIOS O selo terá critérios bem claros para ser utilizado, podendo ser aplicado apenas em produtos de natureza têxtil, produzidos artesanalmente em Resende Costa. A ASSETURC é a única instituição autorizada a

produzir e fornecer o selo. A entidade vai divulgar três opções de etiquetas com a marca do selo de procedência. Haverá uma opção em papel, mais econômica e que pode ser removida. Outras opções mais sofisticadas destinam-se a serem costuradas nas mercadorias. Os produtores e lojistas que aderirem ao selo receberão autorização da ASSETURC para gravar a sua imagem em embalagens (sacolas ou caixas), juntamente com o logotipo de sua empresa. A ideia é que o selo possa agregar valor à marca empresarial do produtor ou lojista e também contribua para a divulgação da cidade, explicou Chaves. “Assim, fica bem claro que o uso correto do selo de procedência beneficia não apenas à cidade como um todo, mas também cada uma das empresas que adotarem o selo.” Porém o selo “já tem dado resultados muito positivos para Resende Costa no que se refere à divulgação da nossa cidade e dos nossos produtos”. CAPITAL DO ARTESANATO Durante o evento, André Eustáquio Melo de Oliveira, secretário de Turismo, Artesanato e Cultura, recebeu, em nome do vice-prefeito em exercício Lucas Paulo de Assis Vale, o certificado de Capital Mineira do Artesanato têxtil das mãos de Netinho Pelegrinelli, representante do deputado estadual Cristiano Silveira (PT), autor da iniciativa parlamentar.

Retalhos literários EVALDO BALBINO

Maria Amélia Era muito boa, diziam a mim os mais idosos que já realizaram a travessia pelos caminhos espirituais. E dizem o mesmo alguns outros que, a despeito da idade avançada, persistem firmes nos nossos caminhos da matéria. “Era muito boa”, me diziam e me dizem. Das palavras proferidas e do meu amor, resulta que em tudo eu só posso acreditar. Crer e não teologar mais, como tanto já se fez e se faz em relação a Deus. Pelas palavras ditas e embebidas em meus ouvidos e pousadas no meu coração, posso dizer da minha bisavó Maria Amélia muita coisa que meus afetos plantam e fazem brotar duma terra roxa de paixão, pura vida. Se há morte, há também vida. Dor e alegria de mãos dadas, nas nossas travessias. Mãe do vovô Geraldo Melo, avó do meu pai Didi. Tinha cinco filhos, duas mulheres e três homens. Meu avô era um dos rebentos que, juntamente com ela, tiveram que lutar desde cedo

na vida. Manhãs, tardes e noites adentro, suas lidas prolongavam-se na vida rural, com pequeno descanso aos domingos (dias de Deus) e às madrugadas nas quais os cansaços descansavam em colchões de palha estirados sobre jiraus. Na parede de pau-a-pique do casebre, buracos faziam ver o de fora, o vento da noite, a geada da madrugada, os fantasmas dos mortos lamentando as dores dos vivos. Nome tão belo: Maria Amélia! Identidade composta pela suavidade morando num corpo de vida áspera. Os cascos da vida têm suas delicadezas. Maria, nome da mãe de Jesus. Simplesmente assim, Maria. Palavra desenrolando-se pela existência tal qual a água marinha em calmaria. Amélia, mulher do lar, longe de se fazer “bela e recatada”. Mulher que enfrentava a vida doméstica e a vida fora de casa (ambas difíceis nas mãos afeitas ao serviço rude), e não mulher de altos políticos ou

homens poderosos que arrotam nobreza nunca existida. A verdadeira nobreza reside nas pessoas simples da vida. Na cozinha e na lavoura, os braços rudes da bisavó Maria Amélia iam plantando meiguices na vida, alimentando a boca da vida, abençoando a prole que desde cedo ajudava mulher tão audaz. Humilde e trabalhadora, de uma simplicidade franciscana, não sabia ler nem escrever palavras, mas lia o mundo, este livro imenso diante de nós. Areava a terra, arava vasilha, verdejava o chão da casa, varria os campos com folhas de arroz e galhos longos de milho e ramas de feijão. Depois os grãos maduros, o arroz e o feijão batidos e soprados, as palhas ressequidas jogadas para um canto do terreiro. E o milho, este fruto nosso de cada dia, matando fome e gerando vida, vindo para casa nas espigas quebradas dos talos, a palha seca servindo

para pitos e para o fogo no fogão da existência. Os grãos de milho triturados no moinho da vida. O fubá gerando o angu, a broa; e a mesa simples, mas suficiente para alimentar os corpos. Maria Amélia praticamente criou sozinha os filhos. O marido José Simplício partiu-se logo da luz do mundo. E nessa mesma luz ficou a mulher com os meninos. Todos, ao longo da vida inteira, sem Escola. Mas na escola, a grande escola da vida. No casebre de pau-a-pique em que moravam, o telhado era simples e sem forro, as janelas eram de madeira velha, o chão de terra batida. Do lado de fora da janela da cozinha, um jirau para escorrer a água das vasilhas usadas. O jirau era lindo, pousado no de fora da casa, como um guarda que não tosqueneja. Ele era uma das manifestações de Deus guarnecendo a casa, a mulher e os filhos. Um ar de limpeza, de água escorrendo

no chão cheiroso e seco da Terra. Viviam no Ribeirão de Cima, lá perto do Morro das Antas, na parte mais alta do Ribeirão de Santo Antônio. Residiam lá onde as pessoas conviviam com os mortos enterrados no cemitério. O povoado todo ainda era bastante povoado. Não sabia a minha bisavó Maria Amélia que muito tempo depois estaria eu, seu bisneto, falando sobre ela. Duma mulher forte conhecida por palavras contadas e recontadas, agora este bisneto anda entre palavras e remenda os retalhos da vida. Nesta lavoura verbal, nesta faina doméstica com os vocábulos, eles e eu tão íntimos, vou plantando vidas que não morrem nunca. Os retratos fixados pela escrita incessante permanecem guardados por molduras de aço. As palavras são aço nos guardando de traça e tempo. Assim é o retrato da minha bisavó: Maria Amélia eterna.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Não é à toa que a justiça é cega. Se ela enxergasse, iria julgar pelo que visse. E é aí que está o risco: julgar pelo que se vê. As aparências não enganam: quem engana são os olhos. Você viu um boi de longe e pensou que fosse um cavalo. Será que o boi mudou a aparência para cavalo só para enganar você? Claro que não! Ele continuou boi o tempo todo. Os seus olhos é que viram um cavalo. Daí, a justiça com a venda nos olhos. Ela julga apenas pelo que ouve. Ora, direis: Na certa, perdeste o senso... por que ela às vezes julga errado? Realmente não sei o que chega aos ouvidos da justiça. Talvez ela ouça estrelas... Mas isso já é outra história. Há momentos em que precisamos colocar uma venda nos olhos. Não necessariamente para julgar melhor, mas necessariamente para não julgar porcaria nenhuma. Ano passado mesmo, não tem muito tempo: elevador cheio e quem eu vejo um pouco à minha frente? Maria José! Amiga de infância, andou sumida, apareceu, sumiu e agora ali, na mais inesperada coincidência, perto de mim e num elevador. Assim de costas, olhando bem, dava para comprovar. Seus cabelos, o formato da cabeça, o jeito de olhar para cima... Era a Maria José. Abri o sorriso e rasguei

o silêncio burocrático do elevador: – Maria José! Não era a Maria José. Fiquei na minha, como se deve ficar numa situação dessas: idiotizado, sem cara e com vontade de sair correndo. O pior é que não aprendo. Vivo proporcionando quadros lastimáveis que surpreendem os mais variados públicos. Não preciso de venda, mas de uma viseira. Semana passada, quis ser simpático com a moça que me atende na cafeteria. Enquanto ela preparava o meu café, eu a observava: olhos tristes, semblante cansado, mãos apressadas, cabelo preso, vestido baby-look, corpo cheio, barriga proeminente... Grávida! Minha voz se enfeitou de simpatia, de vontade de alegrar a futura mamãe. E ornejei a pergunta: – Pra quando é o seu bebê? Ela retrucou, num misto de espanto e indignação: – Eu não estou grávida! Fiquei parado, sem falar, olhando pra ela. Foi a única vez em minha vida que consegui pensar em absolutamente nada. Depois de muitos segundos assim, virei as costas e fui embora, deixando a minha honra no coador. Não volto lá nunca mais! Nem mesmo pra pagar o café... do qual acabei me esquecendo.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

Com as mãos na massa A inauguração da agência do Banco do Planalto em meados dos anos 1960 foi um fato relevante na história de Resende Costa e, particularmente, na vida de Eni de Sousa Resende, que, como salgadeira, marcou sua estreia num evento público de grande porte para a época. Dali em diante, impulsionada pelo êxito daquele dia e pela procura crescente por seus serviços profissionais, Eni, conhecida entre nós por Eni “do Curinga”, foi acumulando um número impressionante de entregas de salgados para festas de casamento, formatura, aniversário, batizado, festejos cívicos (na Prefeitura, Câmara e no Fórum) e religiosos e o que mais surgisse. Por boas décadas, seu nome foi sinônimo de alta qualidade pela competência de suas mãos trabalhadoras na produçãode delícias ansiosamente aguardadas por sua clientela e chegadas às nossas casas ainda quentinhas, quando era o caso, aguçando o nosso paladar. Por trás de tudo isso, muito esforço é o que sempre existiu bem antes desse empreendimento vitorioso. “Comecei com 12 anos. Uma filha do Lindolfo (a Luísa) me ensinou a fazer pastel, isto é, fiquei observando e aprendi. Ela fazia pra vender no bar do seu irmão Bié. Nos resguardos dela, eu assumia o serviço. Isso por uns três anos. Morava com meus pais, o Euclides, sobrinho do Lindolfo, e Conceição, que morreu quando eu tinha 14. Aí fiquei cuidando dos irmãos menores”, lembra ela. Aos 18 anos, casada com o Geraldo “Curinga”, Eni passou a fazer sonho (na verdade, bolinho de chuva) para ser

vendido no bar do Geraldo Monteiro. Depois, no do Zé do “Buquerão”. E em outros bares: do Chichico e o Coelhão, entre eles. Em antigas e sucessivas edições do Rodeio (assim chamamos a nossa Exposição Agropecuária), as expressivas vendas do pastel da Eni, o campeão na preferência popular, seguido da coxinha, fizeram também a festa de muita gente e a alegria pessoal dessa mulher de muitas lutas. E trabalhando sempre com a família. Como quando o Geraldo, contando com a ajuda dos filhos – naquele tempo, o Maurício, o Marquinhos (já falecidos), a Marília e a Marly -, levava um fogareiro para a rua com a intenção de aproveitar o movimento das pessoas perto de parques e circos instalados costumeira e temporariamente na cidade. Ali então, ele fritava os pastéis servidos com café ou quentão. Canudo, pé de moleque e pipoca, às vezes, faziam parte do cardápio. Em outra frente de atuação, havia ainda o fornecimento de salgados vendidos nos recreios do antigo Colégio Nossa Senhora da Penha. Quanto ao processo específico de criação e comercialização dos produtos, Eni ressalta os tempos de grandes dificuldades. Inicialmente, sem geladeira (costumava usar a da vizinha Ninica), muito menos freezer, não tinha como guardar certos ingredientes, como a carne, vinda do açougue do Duque uma vez por semana, que era quando se matava vaca. Assim, não dava para adiantar muita coisa e reservar. Fogão industrial, nem pensar! No começo, a massa do pastel era aberta com garrafa, já que

Foto: Arquivo pessoal

À primeira vista

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Eni de Sousa Resende, a dona Eni do Curinga

ela não tinha cilindro. Depois, teve o manual e mais tarde, o elétrico. Em suma, dias e noites de total labuta. Um dado: quando gastava menos farinha de trigo por dia, nunca era menos que 12 kg. Por isso, com a ajuda do Hugo do Antônio Honório (seu compadre), passou a comprá-la com o Lino, atacadista em São João del-Rei. Hoje, sem a carga pesada dos afazeres da profissão, com a saúde exigindo cuidados, mas com a energia que nunca lhe faltou, agora para passear pelo Brasil, essa resende-costense bonita, vaidosa, prestes a completar 82 anos neste 28 de janeiro, que gosta de roupas alegres e que, segundo a Marília, construiu com os braços tudo o que eles têm, fala com orgulho do caminho que trilhou: “Ganhei meu dinheirinho, graças a Deus! Nunca fiquei devendo nenhum centavo a ninguém. Contei muito com a ajuda do Geraldo, que ganhava pouco, trabalhava na Prefeitura. Criei a família. Meu trabalho representa tudo para mim.” Missão cumprida com louvor, Eni! Vivas a você!


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Especial

Pelo fim da violência contra a mulher Projeto da UFSJ propõe ações e presta orientações à sociedade A violência contra a mulher acontece em todos os espaços – em casa, na rua, no trabalho e até em ambientes virtuais. A situação se agrava quando ela ocorre de maneira silenciosa no seio da sociedade. O ditado de que em briga de marido e mulher não se mete a colher precisa ser esquecido. Muitas vezes, as vítimas se calam não só por medo do agressor, mas do julgamento da sociedade, que é machista. Se os números da violência contra a mulher aumentaram assustadoramente durante a pandemia, projetos que combatem a violência contra a mulher também vêm ganhando forças. O programa de extensão da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), “Entre Idas e Vindas”, foi criado em 2019, motivado pela ideia de compartilhar informações sobre a violência contra as mulheres e, principalmente, com o intuito de apoiar a construção de caminhos para que as mulheres em situação de violência possam buscar ajuda e apoio nos serviços públicos. A professora do Curso de Medicina e médica da Família e Comunidade, Tatiana Miranda, fala sobre o programa. “Na época da criação do projeto, e até hoje, vemos que é muito comum uma mulher em situação de violência, quando vai buscar ajuda nos órgãos públicos da saúde, segurança pública e assistência social, se perder por esses caminhos. Além de precisar enfrentar muitas burocracias em um momento de extrema fragilidade. Por isso, o programa se formou com a ideia de aumentar o fortalecimento da rede de enfrentamento à violência contra a mulher, uma rede que já existia e atuava.” A professora destaca as ações do programa. “Dentre as principais ações realizadas até o momento, está a construção, divulgação e constante atualização da cartilha informativa sobre violência contra a mulher. Nossa cartilha foi lançada em novembro de 2020 e é resultado das ações contempladas pelo programa de extensão ‘Entre idas e vindas’, que faz parte do Núcleo de Estudo de Saúde Coletiva da UFSJ (NESC), com o apoio da

Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex). Os trabalhos foram realizados pelas integrantes do programa, composto de docentes e alunas dos cursos de Psicologia e Medicina do campus Dom Bosco.” Através da cartilha, o grupo apresenta detalhes da rede de cuidado à mulher em situação de violência. “Na cartilha explicamos as principais formas de violência, sua estruturação social e o lugar das políticas públicas na prevenção e no enfrentamento. A rede de serviço é apresentada, bem como ações que podem ser incorporadas para seu contínuo fortalecimento. Além disso, deixamos o convite para que todas e todos façam parte desse movimento. O material está disponível nas redes sociais, no Instagram@idasevindasufsj e nos links https://linktr.ee/idasevindasufsj e https://saudecoletiva. ufsj.edu.br”, destaca Tatiana. É PRECISO QUE OS HOMENS MUDEM SEUS COMPORTAMENTOS Questionada sobre o papel do homem no âmbito da violência contra a mulher, a professora argumenta: “É fundamental que os homens revejam suas atitudes. Uma entrevista feita no Brasil, pelo Instituto Avon, em 2016, apontava que 48% dos homens ainda não admitem que o homem cuide da casa e a mulher trabalhe fora, e que 35% dos homens ainda veem o trabalho doméstico como responsabilidade da mulher. Os principais agentes no enfrentamento da violência contra a mulher devem ser os homens. Enquanto os homens continuarem assistindo de braços cruzados e esperando que apenas as mulheres lutem por seus direitos, pouco avanço acontecerá. É preciso que eles também se sintam responsáveis por acabarem com a violência contra elas, em todos os sentidos. Só desconstruiremos essa cultura machista se estivermos conscientes e colocarmos em prática a necessidade de acabar com o machismo que alimenta a desigualdade e perpetua a violência contra a mulher. É preciso compreender que não se trata de uma luta das mulheres contra eles, mas sim contra a violência. É uma luta de todos.” Tatiana acredita que é ne-

Foto: Fernando Chaves

VANUZA RESENDE

Movimento em frente ao Fórum de Resende Costa durante julgamento de autor de crime de feminicídio

cessário chegar às raízes das violências contra a mulher para que a situação possa começar a melhorar. “Para além das punições – detenção ou medidas socioeducativas –, é preciso entender o que leva um homem a agredir uma mulher ou um membro da própria família. Dessa maneira, é fundamental que os homens tenham conhecimento da maneira como esse sistema gera violência de gênero diariamente contra as mulheres e que possam, então, se mobilizar de forma ativa pelo fim da violência contra elas, com uma consciência e educação de gênero. Mudanças podem ocorrer com homens demonstrando sua posição em relação à problemática da violência contra as mulheres, revendo suas práticas, atitudes e buscando caminhos para estabelecer relações mais igualitárias e não violentas.” SER MULHER A professora da UFSJ alerta que, devida à tamanha violência cometida contra as mulheres, a luta continua por justiça e igualdade. O fato de ser mulher não pode ser motivo de violência. “É muito problemático pensar que apenas o fato de ser uma mulher já nos coloca em um lugar onde estaremos sujeitas a sofrer violências. Se você é mulher, ou você já sofreu ou você conhece alguém que sofre algum tipo de violência. O Brasil possui números alarmantes de violência contra a mulher. Conforme pesquisa, uma em cada cinco mulheres considera já ter sofrido alguma vez um tipo de violência de parte de algum homem, conhecido ou desconhecido. E não é apenas isso: uma mulher é vítima de estupro a cada 10 minutos. 30 mulheres sofrem agressão física por hora! Três mulheres são ví-

timas de feminicídio a cada dia em nosso país*. Precisamos falar sobre a violência contra a mulher, algo tão problemático, tão destrutivo e tão naturalizado na nossa sociedade. É a única forma de desconstruir essa violência. Essa discussão deve fazer parte do cotidiano, sendo abordada em toda comunidade, inclusive junto com nossa família, amigas e amigos.” Tatiana Miranda enumera os tipos de violência contra a mulher: “Para colocarmos esse assunto na mesa, é importante que reconheçamos que a violência contra mulher vai além da violência física e sexual, que são as mais debatidas. De acordo com a Lei Maria da Penha, existem 5 tipos de violência contra a mulher: a física e sexual são as mais conhecidas; também existem a psicológica, a moral e a patrimonial. A violência psicológica é quando o homem grita, humilha, ameaça, chama a mulher de nomes ruins. Ou quando o homem tem ciúme excessivo e quer controlar todos os lugares e horários da mulher, as roupas que ela usa, além de afastar a mulher da família e dos amigos. Atenção: mexer no celular sem permissão, controlar postagens e conversas no WhatsApp e outras redes, como Facebook, também são exemplos de violência psicológica. Quando o homem critica continuamente, desvaloriza, debocha da mulher perante amigos e parentes, também é um tipo de violência, chamada de violência moral. Já a violência patrimonial acontece quando o homem controla o dinheiro da mulher ou proíbe a mulher de trabalhar. Uma forma comum desse tipo de violência é quando o homem quebra, de propósito, pertences da mulher ou coisas da casa.

Sabemos que esses três tipos de violência, que não deixam marcas no corpo, geralmente acontecem antes das violências mais faladas. Por sua vez, a violência sexual é mais discutida: se a mulher não quer ter relação sexual ou não pode decidir se quer ou não ter relação, e é forçada pelo homem, tem-se aí o estupro. Por exemplo, se a mulher tiver bebido muito e estiver inconsciente ou dormindo e o homem tiver uma relação com essa mulher, é estupro. Quando o homem se recusa a usar camisinha ou a retira durante o sexo, contra a vontade da mulher, é violência sexual. Se o homem proíbe a mulher de usar métodos para impedir a gravidez ou obriga-a a fazer um aborto, é violência sexual. A violência física ocorre através de empurrões, socos, chutes e tapas, entre outras formas de agressão ao corpo da mulher. Tudo isso é violência contra a mulher e é sinal de alerta.” DENUNCIE A professora orienta como denunciar os casos de violência contra a mulher, levando em consideração diferentes situações. “Para denunciar, temos três situações. Primeira: se a violência está acontecendo nesse momento e a mulher precisa de ajuda urgente, disque 190, havendo possibilidade de prisão em flagrante do agressor. Se a violência aconteceu há mais de 24 horas ou é algo que acontece com frequência, disque 180. Esse número também pode ser usado para a mulher se informar sobre os seus direitos. E a terceira via ocorre através da busca pelos serviços de saúde e assistência social. A violência contra a mulher gera um processo de sofrimento e adoecimento atrelado à situação vivida. Por isso, as mulheres também podem buscar ajuda nos serviços de saúde, como nas equipes de saúde da família perto de sua casa. É importante que toda a rede faça o acolhimento adequado a essas mulheres. Para mulheres que precisam de apoio social, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) também é um ponto de apoio”, conclui Tatiana. *Fonte: https://dossies. agenciapatriciagalvao.org.br/ violencia-em-dados/


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Tonhão é condenado a cumprir pena de 23 anos e três meses por crime de feminicídio Sentença do juiz Donizetti Nogueira Ramos, da Comarca de Resende Costa, aborda a crescente violência praticada contra as mulheres no Brasil Foto: Fernando Chaves

DA REDAÇÃO

No dia 29 de março de 2018, uma notícia chocou os moradores de Resende Costa – pequena cidade da região do Campo das Vertentes, com pouco mais de 11 mil habitantes. Em plena luz do dia, por volta das 12h e 30min, Luciana Aparecida dos Reis Martiniano foi brutalmente agredida com um golpe de faca no abdômen pelo seu ex-companheiro José Nicodemos de Jesus Neto, o Tonhão. Ali, no meio da rua José Coelho, centro de Resende Costa, Luciana perdeu a vida aos 28 anos. Ela deixou uma filha de 3 anos, fruto de um relacionamento de aproximadamente seis anos com Tonhão. O assassinato da jovem Luciana causou enorme comoção entre os moradores de Resende Costa. Tonhão foi preso poucos dias depois de cometer o crime e, no último dia 06 de dezembro de 2021, foi julgado e condenado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Resende Costa por crime de feminicídio praticado contra a ex-companheira dele. O júri considerou que Luciana foi assassinada por seu ex-companheiro por motivo fútil, sendo que não teve nenhuma condição de se defender da selvageria do golpe de faca que a fez perder a vida no auge da juventude. O assassinato de Luciana é mais um crime violento praticado contra uma mulher. O enredo é sempre o mesmo: começa com agressões verbais, avança para humilhações, passa por crises doentias de ciúmes e culmina em golpes muitas vezes fatais. Luciana foi vítima desse enredo macabro, assim como centenas de mulheres, todos os dias, Brasil a fora, sofrem nas mãos de namorados, maridos ou companheiros violentos e muitas vezes sádicos. O juiz de direito da Comarca de Resende Costa, Donizetti Nogueira Ramos, sentenciou Tonhão a cumprir pena de 23 anos e três meses de reclusão, em regime fechado no início. De acordo com o Código Penal Brasileiro, a pena prevista para esse tipo de crime varia de 12 a 30 anos de reclusão. Segundo dr. Donizetti, José Nicodemos, o autor do crime de feminicídio que ceifou brutalmente a vida de Luciana Aparecida dos Reis Martiniano aos 28 anos de idade, recebeu uma das maiores penas já aplicadas a uma pessoa por crime de homicídio em Resende Costa. A sentença aplicada ao Tonhão, de autoria do juiz Donizetti

Manifestação em frente ao Fórum de Resende Costa

Ramos, que presidiu o julgamento do réu, é uma brilhante peça jurídica, mas, além disso, pode ser considerada uma reflexão para a sociedade sobre o agravamento hodierno de crimes violentos perpetrados contra as mulheres. O JL teve acesso ao resumo da sentença, disponibilizado pelo Fórum da Comarca de Resende Costa, e publica parte do texto. “Antes de adentrar na questão do mérito deste julgamento devo, por razão de consciência e ofício, fazer breve relato sobre o que entendo por questão da mulher no contexto da história: Quando o criador universal criou o homem, soprando-lhe nas narinas e dando-lhe o fôlego da vida, viu que não era bom que o homem vivesse só e, por isso, criou a mulher a partir de uma das costelas de Adão. Isto está no livro de Gênesis, o primeiro do Pentateuco, escrito por Moisés sob inspiração divina. Ora, Deus não fez um saco de pancadas, uma empregada ou uma escrava para o homem, mas, sim, fez para o varão uma companheira, alguém que iria lhe acompanhar por toda sua vida. Mas o que vemos ao longo de toda a história, dos primórdios ao mundo hodierno, que a sociedade é machista, dominada por homens que não aceitam a ideia de compartilhar seu mundo com as mulheres. A mulher teve que abrir caminho por sua conta, e luta constantemente para conseguir seu tão sonhado lugar ao sol. E bravamente isto vem sendo conseguido, felizmente, ao longo dos últimos tempos. Da rainha Cleópatra do Egito antigo à cantora Adele neste século, passando dentre outros por nomes consagrados como Maria

Madalena, Anne Frank, Malaia Yousafzai, Frida Kahlo, Dorothy Mae Stang, Joana D’arc, Simone de Beauvoir, Margaret Thatcher, Madre Tereza de Calcutá e tantas outras, temos exemplos de mulheres virtuosas que marcaram a história mundial. Em terras tupiniquins temos nomes grandiosos também, do importe de Chiquinha Gonzaga, Fernanda Montenegro, Cecília Meireles, Tarsila do Amaral, Cora Coralina, Irmã Dulce e… Maria da Penha (a mulher que foi espancada pelo marido até ficar paraplégica e depois lutou para criar a Lei Maria da Penha, destinada a dar mais proteção às mulheres). Todavia, infelizmente, a maioria das mulheres segue em sua vida de subserviência e dependência de seus maridos, de seus “homens”. Esta é a história de vida do que podemos chamar de a mulher média brasileira. Esta que vive dia a dia a cuidar dos filhos e do marido e espera toda noite a chegada deste em casa, não sabendo com qual temperamento seu esposo irá adentrar no lar, ou seja, se irá receber um carinho ou um tapa na cara. Se irá receber flores ou uma facada. Sim, o adágio popular nos mostra que em uma mulher não se bate nem com uma flor. Mas se não batem com a flor, o fazem de modo mais grave, batendo com um pau, um tapa, uma faca ou outro instrumento. Caso emblemático e que até hoje repousa na memória nacional foi o de Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street, que, em 30 de dezembro de 1976, tomado de fúria, matou a pantera de Minas, Ângela Diniz, em Armação de Búzios, litoral norte fluminense, frequentado por estrelas nacionais e internacionais.

Entre as mais famosas, a atriz francesa Brigitte Bardot. Doca desferiu quatro tiros contra a moça mineira, sendo três no rosto e um na nuca, deixando-a totalmente transfigurada. O motivo do crime foi a não aceitação, pelo assassino, da escolha de Ângela em terminar o relacionamento que mantinham. Submetido a julgamento, em evento épico na época, foi absolvido por legítima defesa da honra, como se fosse possível e normal um homem defender sua suposta honra matando uma mulher. A absolvição de Doca Street provocou imediata reação das mulheres Brasil afora. Passaram a exigir o fim de tamanho absurdo de usar o subterfúgio da legítima defesa da honra para o homem que mata a mulher e, principalmente, o fim da violência contra o “sexo belo” e não o “sexo frágil”, esta expressão extremamente machista que em nada mostra o real alcance do que seja uma mulher. Levado a um segundo júri, pouco tempo depois, no mesmo local, Doca Street foi condenado a 15 anos de reclusão. O que mudou para que isto acontecesse? A mudança de comportamento, o fortalecimento do movimento das mulheres e o desejo de impregnar na sociedade a igualdade entre homens e mulheres, de modo a não mais permitir que os incautos homens continuassem a agredir, machucar e matar as mulheres. Infelizmente o avanço daquela época não atingiu os rincões deste país. Diga-se de passagem, até mesmo em grandes centros, a violência doméstica e familiar ainda impera. Basta ver as mídias sociais para verificar estes fatos ocorrendo entre pesso-

as da chamada “alta sociedade”. Pois bem, em Resende Costa isto não é diferente. Há vários e vários processos em que homens continuam a bater nas mulheres, como se fossem suas propriedades. A sequência destes atos é, não raras vezes, de fim trágico, com a morte da vítima, como ocorreu no caso deste processo. E o que aconteceu depois do crime cometido pelo réu? José Nicodemos, vulgo “Tonhão”, tornou-se uma espécie de ícone para os machistas de plantão de Resende Costa. Em muitos processos surgidos após o crime de José Nicodemos os agressores disseram para suas mulheres: “Eu vou fazer igual ao Tonhão, te mato e depois fujo”. Sim, minhas senhoras e meus senhores, o réu virou um exemplo para muitos homens. Exemplo, logicamente, de algo que não se deve fazer. Tanto foi exemplo para outros homens que há menos de 48 horas atrás, houve outro trágico assassinato nesta urbe. Mais uma vez houve um assassinato de uma esposa que deixou órfãos três filhos, dentre eles um menor de seis anos de idade. Mas é isto que queremos para nossa cidade? Para nosso mundo? Não, não e não. Chega de tanta agressão, de tanta humilhação, de tantas mortes das infelizes mulheres. Não precisamos de falsos exemplos, de homens que vivem como se ainda estivéssemos nos tempos das cavernas. O mundo progrediu, o ser humano inventou o avião e dominou os ares, pisou na lua, erradicou doenças antes mortais, desenvolveu sistema de comunicação que nos permite conectar com outrem na Tailândia em fração de milésimos de segundos. Contudo, no tema particular da relação homem/mulher ainda vivemos milênios de atraso. Por isso essa luta, essas mudanças, essa garra feminina têm que prosseguir. Tem que se dar um fim, um basta a este estado de coisas. Chega de se entender o assassino como herói. Após o crime cometido pelo réu destes autos, foi implantado o acompanhamento regular das vítimas de violência doméstica por parte do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) da Prefeitura local, mobilizando as mulheres desta cidade de forma não antes vista, com o fito de combater a violência doméstica. Prova disto é a intensa mobilização realizada na data de hoje na praça em frente a este Fórum.”


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De um ponto de vista

Câmara aprova projeto de lei que impede que cidadãos condenados pela Lei Maria da Penha sejam nomeados para cargos públicos Em 2021, a Câmara Municipal de Resende Costa aprovou um projeto de lei que proíbe que cidadãos condenados pela Lei Maria da Penha sejam nomeados para cargos públicos no município. O vereador Fernando Chaves (PDT), autor do projeto, fala como surgiu a iniciativa de apresentar o tema. “Há alguns meses, eu já vinha estudando esse projeto de lei, que vem sendo discutido também em outras cidades. Inclusive, já houve manifestação do STF indicando que municípios podem legislar colocando esse tipo de critério na nomeação de cargos públicos. Infelizmente, uma triste coincidência aconteceu, quando eu já estava com a minha pesquisa avançada: ocorreu um feminicídio na cidade. Esse fato lamentável acabou reforçando a importância dessa lei, que foi sancionada no final de 2021.” De acordo com o vereador, o projeto contou com o incentivo do juiz da Comarca de Resende Costa, Donizetti Nogueira Ramos, e de integrantes de movimentos sociais da cidade. “Apresentei essa iniciativa na última reunião do Legislativo em 2021 e o projeto foi aprovado por unanimidade. Agradeço a todos os vereadores o apoio. Destaco também o trabalho da assessora jurídica da Câmara, Marina Vale, que sempre contribui de forma muito profissional com nossos projetos. Eu ainda contei com sugestões do juiz da Comarca de Resende Costa, Doutor Donizetti Ramos, e com o apoio da jovem Itane Batista, do Movimento Pretas Presentes, que constantemente acompanha a elaboração dos meus projetos quando eles envolvem a questão da mulher.” Fernando explica como a lei será aplicada na prática. “Os principais efeitos dessa lei recairão sobre os cargos comissionados, que são de natureza gerencial ou política, conhecidos por muitos como ‘cargos de con-

SÍNODO

Foto: Arquivo pessoal

VANUZA RESENDE

JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Vereador Fernando Chaves é autor do projeto de lei que impede contratação de condenados pela Lei Maria da Penha

fiança’. São funções públicas de livre nomeação e exoneração, ou seja, são diretamente nomeadas pelo prefeito, sem dependerem de concursos públicos. O objetivo é impedir a nomeação de condenados pela Lei Maria da Penha para esses cargos. No caso dos cargos efetivos (ocupados através de concursos), já existem legislações que restringem que o cidadão com condenação criminal assuma a função. O intuito da lei é reforçar a moralidade na gestão municipal para que as nomeações levem sempre em consideração o respeito à mulher, nessa e em futuras administrações. Se algum dia houver a ocorrência de um servidor comissionado já no exercício da função ser condenado por violência contra a mulher, ele deve ser afastado, ainda que tenha recorrido da condenação e esteja em liberdade. Já no caso de uma condenação de servidor efetivo que já ocupe o cargo, as sanções ou afastamento também são possíveis, mas devem ser avaliados e aplicados passando por processo administrativo, como já há legislação prevendo. Não tenho notícia de nenhuma nomeação que infrinja a lei atualmente. Mas com a sanção da lei no final do ano passado, passaremos a acompanhar essa situação de

forma efetiva a partir de 2022.” Questionado se a lei também vai ser aplicada para aqueles que prestam serviço à prefeitura, o vereador explica: “Geralmente esse tipo de contratação ocorre através de CNPJs (empresas). Nesse caso, os critérios para avaliação de uma empresa são outros. Mas cabe ao Poder Executivo estar atento aos antecedentes dos profissionais que essas empresas contratadas colocam para desempenhar funções públicas e realizar serviços para o município. Estou pesquisando sobre legislações que possam versar sobre esse ponto específico, porém a lei que aprovamos, em sentido mais amplo, já é uma demonstração de qual conduta a sociedade deseja na seleção de servidores e prestadores de serviço em geral no nosso município.” Por fim, Fernando faz uma avaliação de como acredita que a lei vai contribuir na luta da violência contra a mulher. “Vivemos numa sociedade machista. A violência contra a mulher não acontece apenas em cidades grandes. Não é exclusividade de países mais atrasados. Não está restrita a classes mais pobres. Esse tipo de violência infelizmente acontece nos diversos ambientes sociais. Por isso, ações como essa lei contribuem para mostrar que

O Papa Francisco, num esforço gigantesco para ajudar a Igreja Católica a se identificar, cada vez mais, com a figura de Jesus, convocou em outubro passado um SÍNODO que deve terminar em 2023. Por que configurar-se sempre mais com a figura de Jesus? Porque convém muito à Igreja dar-se conta de que algo não vai bem nela. A Igreja, até por vaidade, vai se distanciando do Reino de Deus, apregoado por Jesus: aquele reino que se constitui de uma comunidade que tem um pastor e vive da lei da solidariedade. A Igreja se distancia das atitudes dos primeiros cristãos, para quem aquilo que os movia não era a ideia de uma Igreja, mas a busca de uma nova forma de vida, um CAMINHO novo e vivo de enfrentar a vida. Com a palavra Caminho é que os primeiros cristãos se referiam a Jesus. Papa Francisco não está inventando nada. Está tentando ajudar a Igreja a realizar os anseios, as aspirações e até as determinações do já longínquo Concílio Vaticano II (1962-1965). O Papa tem feito isso insistentemente. E convoca mais um sínodo, cuja temática é comunhão, participação e missão. Antes, já haviam acontecido outros três sínodos sobre a família, juventude e evangelização. A palavra sínodo, etimologicamente, significa caminhar juntos. Por isso, o sínodo, que tem momentos diferentes, inicia-se com a fase da escuta: “Povo fiel, Colégio episcopal, Bispo de Roma: cada um à escuta dos outros; e todos à escuta do Espírito Santo, o ‘Espírito da verdade’”. Essa fase da escuta teve início em outu-

a sociedade clama por mudança e que é possível criar mecanismos para inibir essa cultura de violência contra a mulher. É uma questão cultural que precisa ser mudada com mais informação, com mais educação, com mais respeito e com mecanismos de punição aos cidadãos que prati-

bro e vai até abril de 2022. O que se espera é que os fiéis se encontrem, das mais variadas formas, para darem a própria opinião sobre assuntos absolutamente graves e importantes da vida da Igreja: atuação da mulher nos ministérios eclesiásticos, o sacramento para os divorciados, o aborto, o celibato sacerdotal, a convivência eclesial dos LGBTQIA+, a comunhão com outras Igrejas e outras preocupações do povo santo de Deus. O Papa deseja a participação de todos na tomada de decisão. Ele tem consciência de que não se leva as pessoas a Jesus a partir do domínio e do poder. Por isso, as pessoas precisam se encontrar para falarem sobre a própria vida de Igreja. Acontecem, no entanto, atitudes desprezíveis. De uma parte, grupos isolados estão novamente distribuindo acusações sobre as atitudes do Papa. Dizem, entre outras coisas, que ele quer implantar a democracia na Igreja e assim destruí-la. Grupo minoritário, na verdade, mas possuidor de enorme poder econômico. Mais grave, me parece, a atitude dos “bons”: não tomam conhecimento do sínodo. Moro numa cidade episcopal. Nem na Cúria Metropolitana Diocesana, nem na secretaria da paróquia da Catedral obtive a menor informação sobre o sínodo. Absoluto silêncio. O Papa, condenado por seus inimigos, é normal. Desconsiderado por seus amigos, deplorável. Haja Espírito Santo! *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

cam esse tipo de violência. A lei é uma iniciativa que pretende se somar a outras medidas importantes de valorização da mulher, como uma outra proposta que estou defendendo, que é a criação do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CODIM)”, conclui.


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BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA

200 anos: pouco a celebrar, muito a questionar JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Enquanto o Brasil tem um Imposto de Renda altamente regressivo (a faixa mais alta é de 27,5%, bem abaixo dos 37% nos Estados Unidos, 40% no Chile, 48% em Portugal e 56% no Japão), o país está “acumulando uma enorme massa de desempregados, subempregados e não empregáveis sem perspectiva realista de solucionar o problema”. É o que aponta artigo do cientista político José Murilo de Carvalho, publicado em 1º/01/2022 no jornal O Estado de S. Paulo. “Olhando agora para a frente, mesmo que em prazos mais curtos do que os dos chineses, digamos uns 30 anos, podemos nos perguntar se ainda somos um país viável no sentido de sermos capazes de formarmos uma sociedade includente, sem a enorme marginalização que hoje a caracteriza”, alerta Carvalho, que é formado na UFMG, com pós-doutorado em História pela Universidade de Stanford, na Califórnia. “A hipótese pode soar apocalíptica, mas talvez estejamos a brincar, ou a brigar, na praia, alheios ao tsunâmi que se delineia no horizonte”, conclui.

Quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo

Carvalho inicia o artigo observando que o Brasil não tem sorte com seus centenários. No primeiro, em 1922, teve de conviver com os restos da devastação causada pela gripe espanhola, com cerca de 35 mil mortes concentradas no Rio de Janeiro e em São Paulo. O segundo, a ocorrer este ano, virá na cauda de outra pandemia, a da Covid-19, que já matou cerca de 620 mil brasileiros. Ao examinar a natureza do percurso feito até aqui, ele propõe “verificar onde acertamos,

onde erramos e como chegamos à situação atual”. Também podemos “perguntar sobre o que nos pode esperar no futuro próximo”. Considera que sofremos de “Alzheimer coletivo” e que “dois séculos já são tempo suficiente para fazermos um balanço do que fizemos e perscrutarmos nosso futuro próximo”. Carvalho reconhece que as mudanças nesses 200 anos foram enormes em população, em urbanização, na evolução econômica, na diversificação da população, na ocupação territo-

rial. “No entanto, todos os analistas que se encarregaram do tema de nossa trajetória, como Sérgio Buarque de Holanda, Oliveira Viana, Nestor Duarte, Raimundo Faoro, Gilberto Freyre, Roberto DaMatta, entre outros, reconhecem que há mais continuidades do que rupturas. Somos um país sem revoluções. O que chamamos de revolução, como a de 1930, não passou de ajustes entre grupos dirigentes. O povo só entrou no sistema político a partir da segunda metade do século 20, tendo sido logo

contido por uma ditadura.” Para Carvalho, o “problema da desigualdade, que é de todos conhecido, mas sobre o qual, a meu ver, mais se fala do que se faz”, desautoriza celebrações. “Segundo dados do IBGE, o auxílio emergencial criado para atender os mais necessitados, adicionado aos recursos do agora extinto Bolsa Família, abrangeu cerca de cem milhões de pessoas, quase a metade da população. Somos o oitavo país mais desigual do mundo e ocupamos a 84.ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano. Em 2010, o 1% mais rico da população detinha 44% da riqueza nacional. Ao mesmo tempo, há três décadas estamos crescendo a taxas medíocres, incapazes de gerar os empregos necessários e viabilizar políticas sociais mais substanciais.” O país tem sido incapaz de aprovar no Congresso medidas redistributivas de renda, como o aumento do imposto sobre heranças, a taxação de dividendos, a alteração nas faixas do Imposto de Renda, observa o cientista político mineiro. Isto, “apesar de termos uma das mais altas franquias eleitorais do mundo ocidental (16 anos)”. E sintetiza: “Distribuímos, mas não redistribuímos”.

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Prefeitura Municipal adquire casa e deve ajudar a ampliar espaços físicos da Escola Estadual Assis Resende

A Escola Estadual Assis Resende foi fundada em 1919. Em todos os aspectos, cresceu ao longo de um século de atividades. Durante esse tempo a escola viu surgir demandas e, consequentemente, viu-se obrigada a implementar ações fundamentais para poder atendê-las. Entre elas, a mais grave: o limitado espaço físico do edifício não satisfazia mais às necessidades de seus usuários. Nas duas últimas décadas, as complicações enfrentadas pela escola para receber seus mestres, demais servidores, alunos e aqueles que a visitam se intensificaram. A escola, por esse motivo, deixou de acompanhar o notório desenvolvimento da cidade ocorrido ultimamente. Obrigação de oferecer conforto e ambientes apropriados para atividades acadêmicas tornou-se realidade para o educandário da cidade. Salas multiuso para artes, ambientes semiabertos para educação física e recreio dos estudantes, sala para reuniões e biblioteca estão no topo da lista de pleitos considerados

urgentes para o bom andamento dos trabalhos de todos no dia a dia da centenária Escola Assis Resende. No Assis Resende eu e meus seis irmãos estudamos. Quase todos os resende-costenses também se instruíram lá. Nela, minha mãe Terezinha Macedo Lara Melo foi professora durante anos. Momentos maravilhosos da nossa infância foram vividos ali. Não por acaso, nossos olhares se voltam para a escola repletos de boas lembranças e de profundo agradecimento. Ao longo do tempo e morando ao lado dela, nos tornamos testemunhas de demandas surgidas que o edifício, construído no início do século XX, não dava mais conta de atender. No dia 17 de maio de 2012, minha mãe, já viúva, veio a óbito. Estava com 86 anos de idade e residia, desde a década de 1970, na casa que anteriormente pertenceu aos seus pais, Joaquim Pinto Lara e Heloísa Macedo Lara. Após sua morte, decidimos que a venderíamos, mas, prefe-

rencialmente, para o governo do Estado de Minas Gerais a fim de vê-la anexada à Escola Estadual Assis Resende. Houve empenho da direção da escola, da Secretaria de Educação do Estado e de políticos para a efetivação do negócio. Com tudo acertado entre as partes e faltando dez dias para a assinatura de documentos, a negociação foi bruscamente suspensa pela parte compradora. Passados oito anos, coube à Prefeitura Municipal de Resende Costa tomar a frente e adquirir a residência, após aprovação unânime da câmara de vereadores. Residência da família constituída pelos meus avós Joaquim Pinto Lara e Heloísa Macedo Lara e filhos, ela se destacava não somente pela sua beleza, mas também por ser um local cheio de vida onde se ouvia e tocava boa música, produzia vinhos (vinhos de laranja), doces de laranja, de leite e goiabadas colocadas em grandes caixetas. Num imenso forno aquecido a lenha, produziam-se os biscoitos, bolos e roscas, que eram servidos a todos

nos cafés da manhã, no meio da tarde e no início da noite. Além disso, e como acontecia em quase todas as casas do município até meados dos anos 1960, havia a criação de porcos e galinhas e colheita de frutas das árvores que cobriam o seu imenso quintal. O local era vivo, alegre. Da casa dos meus avós, Sô Quinzinho, maestro, compositor e instrumentista, e Dona Nhazinha, cantora e violinista, saíam músicos a cantar e tocar seus instrumentos musicais pelas ruas da cidade. As serenatas eram um dos acontecimentos mais apreciados pelo povo. Elas agradavam os artistas, aqueles que os acompanhavam nas caminhadas e os que tinham seu sono interrompido para ouvir músicas e agradecer a lembrança e as homenagens recebidas. A parte de baixo da casa era o local de trabalho do meu avô, que desenvolvia duas atividades: a de sapateiro e a de escrivão. No fundo do cartório, havia sempre uma frase basilar: “Quem não registra não é dono”, para indicar

A foto que ilustra esse artigo é de um quadro pintado pela minha mãe em 1948, aos 20 anos de idade. Nela nota-se como era o imóvel naquela época, com suas cores em amarelo e vermelho, sua vizinhança, bem como o tipo de calçamento, que era feito de pedras arredondadas, e poste colocado no centro da praça

que não basta ter escritura de um imóvel, é preciso registrá-lo. Ela ficava ao lado de um grande painel com a imagem do presidente Juscelino Kubitscheck. Agora o “prédio”, como eram chamadas as casas nas primeiras décadas do século XX, deixa de pertencer aos filhos de Geraldo Melo e Terezinha Macedo Lara Melo para tornar-se da municipalidade. E que as boas energias de antes permaneçam.


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pras será convertido em um Número da Sorte. Utilizou o Sicoobcard em uma Sipag? Mais chances pra concorrer, já que o valor será considerado em dobro na promoção. Ou seja: seu débito ou crédito de R$50 feito na nossa maquininha vai equivaler a R$100 no sistema do Cartão Premiado e, assim, significará um Número da Sorte a mais pra você. Não se esqueça, porém, de dois detalhes: manter dados cadastrais atualizados na sua agência e acessar bit.ly/ CartaoPremiadoSicoobcard para aderir em poucos cliques à campanha. GANHADORES Do som de “Transação Aprovada” na maquininha do cartão a buzinaços de alegria. Para dois cooperados do Sicoob Credivertentes, essa mudança foi rápida e possível justamente devido à Promoção Cartão Premiado – que envolve cooperativas de todo Estado. Em 2016, Adair Carvalho foi sorteado duas vezes (sim, duas vezes) durante a campanha. Com isso, levou para casa uma TV LED 40” e, dias depois, uma S10. Já em 2019 a sorte desembarcou em Morro do Ferro. No distrito de Oliveira, Géssica Alves ganhou um Renault Kwid Zen 0km novinho. “A gente nunca acha que vai acontecer. Quando recebi a notícia, demorei a entender, a acreditar (risos). Mas foi uma surpresa incrível, numa hora necessária. Agradeço a Deus e ao Sicoob por

isso”, disse à época. SORTEIOS Serão três promovidos pelo Sicoob Central Crediminas via Loteria Federal. Os dois primeiros acontecem em 19 de janeiro e 23 de fevereiro, valendo um Hyundai 0km em cada. Já em 30 de março o prêmio será uma Toyota Hilux. TEVE MAIS O Sicoob Credivertentes tem um objetivo direto: promover Justiça Financeira

enquanto oferece as soluções que os cooperados precisam, procuram, merecem. O Sicoobcard é uma delas e foi o protagonista na ação Dê um UP!, ação exclusiva da nossa cooperativa ao longo de 2019. Nela, compras na função Crédito também foram convertidas em cupons para sorteio. E o prêmio foi nada menos que um Volkswagen Up! O automóvel 0km saiu para Amarílis Ferreira, de Barbacena, em janeiro de 2020.


ANO XVIII Nº 225 - JANEIRO 2022

Saúde

JORNAL DAS LAJES

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A pandemia dos não vacinados ANDRÉ EUSTÁQUIO

Chegamos ao final de 2021 comemorando o controle da pandemia no Brasil. O avanço da campanha de vacinação possibilitou atingirmos percentuais que demonstravam que o número de novos casos e de óbitos estava desacelerando de forma consistente. Até que... surgiu uma nova cepa, a Ômicron, identificada originalmente na África do Sul, e o jogo começou a virar novamente. Nas primeiras semanas de 2022, novos casos suspeitos de Covid-19 começaram a se multiplicar subitamente, causando preocupação e acendendo o alerta na comunidade científica. Além das medidas de segurança sanitária recomendadas desde o início da pandemia, e que ainda não caíram em desuso, como uso de máscara, distanciamento social e higienização das mãos, a amplitude da cobertura vacinal é essencial para o controle definitivo da pandemia. Graças às vacinas, especialmente a partir do segundo semestre de 2021, casos graves de Covid-19 diminuíram consideravelmente, assim como o número de internações em UTIs e óbitos. De vilão da pandemia, devido à lamentável postura negacionista de figurões da República, o Brasil tornou-se exemplo para o mundo em se tratando de cobertura vacinal – graças ao SUS (Sistema Único de Saúde). Ainda que o Brasil já tenha atingido um patamar elevado em sua cobertura vacinal – diferentemente de países europeus que estão experimentando uma quarta onda de Covid, atribuída em grande parte aos negacionistas que se recusam a se vacinar –, ainda há um número expressivo de pessoas que não querem se proteger. O juiz de direito da Comarca de Resende Costa, Donizetti Nogueira Ramos, postou em sua página no Facebook um desabafo ao constatar que um percentual de resende-costenses ainda se recusa a se vacinar. Na postagem, ele discute a importante questão do conflito en-

tre o interesse público e o particular no que tange à decisão de se vacinar ou não. “Muitas pessoas têm se recusado a se vacinar contra o coronavírus. Fui informado que na cidade onde moro e trabalho cerca de 3% da população não se vacinou. Nessa questão da vacina contra a Covid-19, reconhecida como uma pandemia (quase ninguém reconhece a importância que a palavra contém), o interesse público prevalece sobre o particular. Para mim, em todos, absolutamente em todos os lugares públicos, e aí incluo logicamente as ruas, praças etc., deveria ser exigido o comprovante de vacinação para quem quiser frequentar. E quanto a quem não quer se vacinar? É simples: fique em casa e não use nenhum local público. Vão dizer: mas isso é cerceamento de direitos, cabe até habeas corpus, mandado de segurança…”. Contra esses argumentos, dr. Donizetti opina: “Por exemplo, se alguém tem uma doença contagiosa, também está impedido de frequentar locais públicos, exatamente para proteção dos demais. E nem por isso caberia habeas corpus, mandado de segurança etc. Não querer se vacinar é ‘direito’ do cidadão, mas esse mesmo cidadão tem o ‘dever’ de não colocar o resto da população em risco”. O juiz reforça sua opinião sobre o conflito entre o interesse público e o individual. “Volto a dizer: o interesse público, nesse particular, se sobrepõe ao interesse individual.” A VACINAÇÃO EM RESENDE COSTA O JL entrou em contato com o Serviço de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde para atualizar as informações sobre a campanha de vacinação em Resende Costa. De acordo com as informações obtidas pela reportagem, da população alvo no município, ou seja, pessoas acima de 12 anos, estimada em 9.706 indivíduos, 165 ainda não tomaram nenhuma dose da vacina contra a Covid-19, o que representa cerca de 1,7% da população alvo. “Essas 165 pessoas foram contatadas através de seus agentes

comunitários de saúde, e 127 desses indivíduos afirmaram que não iriam se vacinar, representando, assim, 1,3% do total da população alvo”, informou o serviço de imunização. Além do negacionismo ignorante e da tentativa inaceitável de desconstrução da ciência, indivíduos que não querem se vacinar apresentam argumentos religiosos, de acordo com o serviço de imunização da prefeitura de Resende Costa. Medo, insegurança e crença política são outras justificativas apresentadas pelos resende-costenses contrários à vacina. Para chegar às pessoas – consequentemente, atualizar a estatística – que ainda não procuraram o centro de saúde para se vacinar, a secretaria cruzou informações do município com dados do SUS. “Foi realizado um cruzamento de dados nos sistemas usados pela Secretaria de Saúde no cadastro da população no SUS com os dados da população vacinada. Posteriormente foi feita uma busca ativa dos faltosos com a ajuda dos agentes comunitários de saúde para saber o motivo da não vacinação.” OS NÚMEROS NÃO MENTEM O melhor argumento para convencer quem não quer se vacinar e ao mesmo tempo comprovar a eficácia e a segurança das vacinas é a constatação da queda na estatística de óbitos e de casos graves de Covid. “Não existe nada mais convincente do que a diminuição no número de internações e até mesmo de casos positivos”, responde o serviço de imunização, ao ser questionado sobre se há uma estratégia da Secretaria Municipal de Saúde para convencer aqueles que ainda se recusam a receber as doses (ou a dose única) da vacina. CONDIÇÕES PARA RECEBER A VACINA CONTRA COVID-19 • Não ter contraído Covid-19 nos últimos 30 dias. • Não apresentar sintomas gripais. • Quem se vacinou contra gripe ou recebeu outra vacina do

calendário nacional de vacinação deve esperar 14 dias para ser vacinado contra Covid-19. SEGUNDA DOSE E DOSE DE REFORÇO • Para quem recebeu a dose única da vacina da Janssen, a dose de reforço (segunda dose) será também com Janssen, após dois meses ter recebido a dose única. • Para quem recebeu a primeira dose da Astrazeneca, a segunda dose também será com a Astrazeneca, dois meses após a primeira dose. A dose de reforço será aplicada com o imunizante da Pfizer, quatro meses após a segunda dose. • Para quem recebeu a primeira dose da Pfizer, a segunda também será com Pfizer, 21 dias após a primeira dose. O reforço será com Pfizer, quatro meses após a segunda dose. • Para quem tomou a primeira dose da Coronavac, a segunda dose também será da Coronavac, 28 dias após a primeira dose. A aplicação do reforço será com a vacina Pfizer, após quatro meses de aplicação da segunda dose; • Pessoas com imunossupressão recebem a dose adicional da vacina Pfizer, 28 dias após a segunda dose. Essas pessoas receberão a dose adicional de reforço também com o imunizante da Pfizer. GESTANTES, PUÉRPERAS E ADOLESCENTES De acordo com o serviço de imunização do município, gestantes e puérperas receberão a segunda dose, preferencialmente da vacina Pfizer, 21 dias após a primeira dose. A aplicação do reforço acontecerá cinco meses após a segunda dose, exclusivamente com a vacina Pfizer. Para adolescentes entre 12 e 17 anos ainda não está disponível a dose de reforço. SURTO DE INFLUENZA H3N2 O final de 2021 também foi marcado por outro surto que lotou hospitais e prontos-socorros de quase todas as cidades do país.

Foto: Arquivo pessoal

A ignorância ainda insiste em medir forças com a ciência

Thais Socorro Pena recebe dose da vacina contra Covid-19 em Resende Costa durante a fase de imunização dos adolescentes

Uma nova cepa do vírus Influenza, a H3N2, vem se disseminando rapidamente e aliando-se ao coronavírus, atingindo especialmente quem? Os que também não se vacinaram contra o Influenza, o popular vírus da gripe. O serviço de imunização do município informou que não há vacina disponível contra gripe e que a campanha acontece geralmente entre os meses de março e abril. Ainda não há orientações acerca da campanha de imunização contra Influenza em 2022. O QUE FAZER PARA SE VACINAR EM RESENDE COSTA Para receber as vacinas Coronavac, Astrazeneca e Janssen, é necessário agendar-se presencialmente na sala de vacinação do Centro de Saúde ou através do telefone (32) 3354-1657. Para se imunizar com a vacina da Pfizer, seja a primeira dose, a segunda ou a dose de reforço, basta comparecer ao Centro de Saúde de segunda a sexta-feira, de 8h às 11h e 30min e das 13h às 14h e 30min. É necessário apresentar o cartão do SUS e o cartão de vacinas. Fonte: Serviço de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde de Resende Costa.


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ESPORTE

Papo de Esportes

Ginásio Monsenhor Nelson volta a ser palco de torneio de futsal

VANUZA RESENDE

Torneio de Futsal em 2021 marcou o retorno do público resende-costense aos jogos no ginásio Foto: Divulgação

VANUZA RESENDE

Quando, em 27 de julho de 2019, o público se despediu do 35° Torneio de Inverno, não imaginávamos que um dos mais tradicionais torneios de futsal da região seria obrigado a ter uma pausa forçada devida à pandemia de Covid-19. O torneio também não foi realizado em 2020 e 2021, pelo menos não nas datas tradicionais, entre junho e julho, no auge do inverno na cidade das Lajes. Se não foi possível realizar o torneio de futsal em meados do ano, antes de concluir 2021 os amantes do esporte puderam voltar a torcer no Ginásio Monsenhor Nelson com a realização do Torneio de Futsal 2021, entre 29 de novembro e 8 dezembro. O organizador do campeonato, Cássio Almeida, falou sobre o planejamento de 2021. “Foi desafiador porque não sabíamos se haveria times da cidade. O ginásio ficou muito tempo fechado e, por consequência, muitos times pararam de treinar. Tivemos um contato, ainda que informal, para saber se teríamos equipes suficientes para fazer um torneio bem disputado. Incialmente, a gente pensava em oito equipes, mas conseguimos 10.” O torneio foi realizado de forma mais enxuta, apenas equipes de Resende Costa participaram. Com duas chaves de cinco times cada, classificaram-se as quatro melhores equipes, que se enfrentaram em mata-mata, com quartas de final, semifinal e final. “Na primeira fase, tivemos bons jogos, com viradas, inclusive. Mas a segunda fase rende jogos mais intensos. Por exemplo, a equipe do AA virou o jogo em duas situações: tanto na semifinal quanto na final, em que chegaram a ficar atrás no placar por quatros gols. Além de outros jogos, como os Furões, equipe vice-campeã, que nas quartas estavam perdendo por dois gols e viraram o jogo. Tivemos ótimos jogos, não só dessas equi-

Equipe AA levantou o troféu de campeão do torneio de futsal

pes citadas, que foram as finalistas. Foi um torneio muito intenso. Mesmo as equipes voltando após um tempo paradas, conseguimos uma qualidade muito boa nos jogos disputados”, avalia Cássio. O caneco de Campeão ficou com o jovem time do AA, que superou a tradicional equipe dos Furões. A equipe menos vazada foi a do Matsubara e a artilharia do torneio de Futsal de 2021 ficou com Lucas, goleador da equipe do AA. TRADICIONAL TORCIDA NOS BANCOS DO GINÁSIO É aplauso de um lado, gritos de campeão do outro... E, claro, aquelas provocações sadias com gritos de “frangueiro” para o goleiro que defende 10, mas deixa escapar uma. Os pivôs também não escapam e acabam recebendo uma vaia pela bola furada, que até nos melhores times acontece. A presença do público é fundamental para fazer valer o bom campeonato. Cássio comentou sobre a retomada de eventos no Ginásio Monsenhor Nelson. “Ficamos muito felizes em ver o público presente durante todo o campeonato. As duas equipes finalistas levaram torcidas e tivemos uma festa muito boa.”

VACINA FOI CRITÉRIO PARA PARTICIPAÇÃO NO TORNEIO Não bastava montar um time competitivo: os atletas precisaram mostrar, além da habilidade com a bola, a consciência fora da quadra, sendo que todos os inscritos tinham que estar com a vacinação contra a Covid-19 em dia. “Uma das cláusulas do regulamento era que o atleta tivesse sido vacinado contra a Covid-19 para disputar o torneio. Tivemos alguns casos de atletas que não haviam tomado a vacina e se vacinaram para jogar. De certa maneira, além de voltarmos a promover o Torneio de Futsal, ajudamos a conscientizar alguns atletas de receber a vacina. O que foi um ponto positivo também”, analisa o organizador. Com o avanço da vacinação, a expectativa é a de que em 2022 o Torneio de Futsal volte a acontecer. “São mais de 30 edições, não é pouca coisa. Esse torneio foi quase um laboratório para a gente analisar como estão as equipes. Na verdade, o Torneio de Inverno é muito grande, já chegamos a promover o evento com mais de 70 equipes. Em 2022, a gente espera conseguir realizá-lo com todas as categorias, com todos já vacinados e a pandemia controlada”, finaliza Cássio.

O fim de uma era, a permanência de uma história: Fábio O atraso de uma matéria para um periódico, como o Jornal das Lajes, pode acontecer por diferentes motivos: fonte que não conseguiu enviar as respostas a tempo, matéria que precisa de apuração mais aprofundada, decisões que precisam ser tomadas em último momento... Para o tema da coluna “Papo de Esportes” deste mês do JL, pensei em destacar o ano de 2022 para América, Atlético e Cruzeiro. A primeira Libertadores do Coelho, a missão do Galo de manter o alto nível e os desafios de uma Raposa que se tornou o primeiro clube empresa do Brasil. Porém, adiei a escrita a fim de esperar o que aconteceria com a renovação contratual do Cruzeiro com o goleiro Fábio. Não veio! Uma notícia foi recebida como uma bomba para todos que acompanham o futebol. O Fábio que vestiu a camisa estrelada por 976 vezes. O Fábio que carrega dois Campeonatos Brasileiros, três Copas do Brasil e sete Campeonatos Mineiros. Foi fácil ser Fábio com 12 títulos. Difícil foi ser o Fábio por dois anos consecutivos na Série B. Esse mesmo Fábio jogou em um clube com uma dívida milionária e sentiu os reflexos, dentro e fora das quatro linhas, de uma crise política e financeira sem precedentes na história do Cruzeiro. Ao longo de 17 anos, o Fábio não apenas vestiu a camisa 1. Ele fez, meus amigos e amigas, o que só quem marca a história faz: honrou a camisa, de peso, com toda certeza. Veio para tirar o que chamaram de maldição do Dida. E substituiu o goleiro com louvor. No entanto, com uma diferença: não vestiu a camisa Canarinho. Talvez por isso tenha escolhido fazer do Cruzeiro a sua se-

leção. Fábio é de longe o maior jogador dos últimos tempos do Cruzeiro e do futebol brasileiro. Tornou-se líder dentro de campo e ídolo dos torcedores. Comemorou junto com os nove milhões a compra do clube por Ronaldo Fenômeno, que, por ter começado no Cruzeiro, acreditaram que a paixão, que move o futebol, ia se fazer presente em decisões de tamanho impacto. Não foi assim, não vai ser assim. A torcida do Cruzeiro começa a viver um luto. A primeira fase é de não acreditar no que aconteceu. A raiva e a tentativa de negociação também vieram nos primeiros momentos da notícia de que Fábio encerraria seu ciclo na Raposa, por decisão da SAF Cruzeiro. Mas o que parece mesmo é que só resta aceitar o fim de uma era. Contudo, a aceitação terá um preço, meus caros, talvez maior do que a vultosa dívida do clube. Os cifrões que a atual diretoria precisa arrecadar não chegam perto do desrespeito e da ingratidão que a SAF Cruzeiro teve com um dos maiores nomes do futebol brasileiro. Apesar de tudo, eu não diria o fim de uma história, porque o que foi construído entre Fábio e Cruzeiro e Cruzeiro e Fábio não tem fim. Os efeitos vão surgir, quem vier para defender as cinco estrelas do Camisa 1 vai carregar o peso do sucessor de Raul e Dida. E por mais que possa defender até as bolas indefensáveis, não vai ouvir da arquibancada do Mineirão, que “o Fábio é o melhor goleiro do Brasil”. Esse grito só será dirigido a ele. Fábio, mesmo sem escrever os “palavrões de carinho”, a torcida do Cruzeiro garante: “é o melhor goleiro do Brasil, Fábiooo!”


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