Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br
FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
• DEZEMBRO 2021 • Nº224
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Ainda não será desta vez...
Resende Costa inaugurou o Natal Tecendo Luz
Cenário incerto da pandemia e o surgimento de nova variante do coronavírus motivaram a Prefeitura Municipal de Resende Costa a cancelar o Carnaval 2022 Foto: Jornal das Lajes
No dia 27 de novembro, sob os acordes da Banda de Música Santa Cecília e show com o duo Vocal e Sax, foi inaugurada a iluminação de Natal em Resende Costa. O evento aconteceu no Mirante das Lajes, principal cartão-postal da cidade, que recebeu uma linda decoração natalina. Além do Mirante, as praças Mendes de Resende e Rosa Penido, o canteiro central da Avenida Ministro Gabriel Passos e o CAT (Centro de Atendimento ao Turista) foram iluminados. PÁG 12
ANO XVIII
Galo se consagrou Campeão Brasileiro de 2021
Em 1971, o Clube Atlético Mineiro levantou pela primeira vez a taça de Campeão Brasileiro. De lá para cá, o alvinegro viveu, como a grande maioria dos clubes brasileiros, temporadas de altos e baixos, ganhou títulos importantes, como a Libertadores de 2013, e a Copa do Brasil de 2014. Mas faltava vencer de novo o Brasileirão. No dia 2 de dezembro, após uma virada eletrizante contra o Bahia, na Fonte Nova, a apaixonada torcida atleticana enfim soltou o grito de bicampeão. Em Resende Costa, a euforia dos torcedores tomou conta das ruas antes mesmo do juiz apitar o final da partida. PÁG 16
Bateria do Rifugo na Rua Gonçalves Pinto durante o Carnaval 2019
O avanço da campanha de vacinação e o consequente decréscimo do número de casos na cidade possibilitaram aos foliões resende-costen-
ses sonhar com o Carnaval, após um ano sem a realização da maior festa popular da cidade. No entanto, seguindo a mesma decisão da
maioria das cidades da região do Campo das Vertentes, o réveillon na rua Gonçalves Pinto e o Carnaval 2022 foram cancelados pela Pre-
feitura Municipal. A administração informou que avaliará, em momento oportuno, se autorizará eventos particulares de carnaval. PÁG 05
PÁG. 2 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
EDITORIAL Ano de dor e de vitórias
E T N
Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende
E
X
P
E
D
I
E
Jornal das Lajes Ltda
Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:
Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
Natal está aí Nesta época de Natal, parece-me oportuna a reflexão em torno da pergunta que um Mestre da Lei fazia a Jesus: “Qual o primeiro dos mandamentos?” Sobre tal passagem do Evangelho, li uma reflexão que fez o Padre Adroaldo Palaoro, sacerdote jesuíta. Trago para os leitores desta coluna algumas de suas palavras, extremamente sábias. Padre Adroaldo, depois de mencionar que o Mestre da Lei estava movido por uma angústia existencial; que sua vida era marcada por um forte legalismo, fundamentado num emaranhado de leis e normas, diz que Jesus entendia muito bem o que sentia aquele homem que se aproximava dele. Jesus sabia que o homem desejava conhecer o que seria mais importante para ele acertar sua vida, como se livrar do peso das exigências da lei. Jesus sabia tratar-se de uma pergunta pertinente, uma vez que, na Torá, encontravam-se 613 preceitos. Quando na religião vão se acumulando normas e preceitos, costumes e ritos, doutrinas e dogmas, é fácil viver dispersos, sem saber exatamente que
é o fundamental para orientar a vida de maneira sadia. Hoje, como antes, diz padre Adroaldo, estão sobrando leis, mas está faltando o amor. O amor não cabe nas leis, só cabe no coração. Quem ama não precisa de leis. A pergunta do mestre era relativa ao primeiro mandamento. Jesus, porém, ao responder cita dois. O primeiro, Amarás o Senhor teu Deus...e o segundo, Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Para Jesus, ambos os mandamentos estão no mesmo nível, devem ir sempre juntos. Jesus faz dos dois mandamentos um só. Ele não aceita que se possa chegar a Deus por um caminho individual e intimista, esquecendo o próximo. Deus e o próximo não são magnitudes separáveis. Por isso, tampouco se pode dizer que o amor a Deus é mais importante que o amor ao próximo. A resposta de Jesus aponta para os dois eixos centrais na vida dos seus seguidores: Deus e o próximo: ambos os eixos se exigem mutuamente, a ponto de um levar ao outro. Quem está sintonizado em Deus está, necessariamente, aberto ao amor
e à solidariedade e vice-versa. O seguidor de Jesus não se caracteriza por pertencer a uma determinada religião, nem por doutrinas, nem ritos, nem normas morais, mas por viver no fluxo do amor, que tem sua fonte no coração do Pai. Só há um mandamento: manifestar o amor, que é Deus, em nossas relações com os outros. O amor é esvaziar-se do “ego” dentro de si mesmo, para que haja lugar para o outro... O amor é a força que nos escava, que alegra e aumenta a nossa capacidade de irmos para além de nós mesmos. O amor carrega em si a marca da eternidade. Quem ama vê o tempo se ampliar. Neste Natal, além dos melhores votos de paz e alegrias, uma lembrança para quem se põe no caminho de Jesus: “Quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus que não vê, não poderá amar” (1Jo 4, 20). *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
Foto e situação do mês
Uma siriema na praça Foto: André Eustáquio
A expectativa de que 2021 seria o ano da vitória da humanidade contra o novo coronavírus aconteceu em partes. Chegamos a dezembro e temos, sim, muitos motivos para comemorar. No final do ano passado, ainda não havia no Brasil vacinas suficientes para iniciarmos uma campanha robusta de imunização capaz de frear a disseminação do coronavírus, que causava enormes estragos em quase todos os estados e municípios do país. As festas de fim de ano em 2020 foram canceladas e os encontros de famílias desaconselhados pelos médicos, diante do temor de um possível aumento no número de casos e de óbitos pela Covid-19. A previsão, infelizmente, se concretizou. As festas aconteceram, à revelia das recomendações científicas, e uma nova onda de Covid-19 explodiu no Brasil no início de 2021. Capitais, como Manaus, viram o terror se instaurar nos hospitais com a falta de oxigênio. Cenas tristes de pacientes perdendo a vida nos corredores das casas de saúde sinalizavam que estávamos na iminência de perder a guerra. O avanço sustentado da campanha de vacinação possibilitou à ciência virar o jogo. As curvas das estatísticas dos números de casos e de óbitos pela Covid-19 começaram a baixar em movimento contínuo à medida que a vacinação avançava nos municípios brasileiros. Os sinais de controle da pandemia no Brasil nos permitiram chegar ao final de 2021 sonhando com a retomada segura das atividades econômicas e culturais. O comércio reabriu, torcedores retornaram aos estádios de futebol na reta final do Brasileirão, shows musicais e espetáculos artísticos voltaram a acontecer. Diante desse movimento eufórico de reabertura, a possibilidade de realização de grandes eventos, como festas de réveillon e o Carnaval em fevereiro de 2022, entraram definitivamente em pauta. No entanto, fomos surpreendidos no final de novembro com a notícia de que uma nova variante do coronavírus, batizada pela comunidade científica de Ômicron, havia sido detectada na África do Sul e demonstrava, através de estudos preliminares, grande potencial de transmissão. Um balde de água fria nas expectativas de quem sonhava com as festas de fim de ano sem restrições e com os foliões de volta às ruas. O surgimento da variante Ômicron e o crescente aumento no número de casos de Covid em diversos países da Europa fizeram com que estados e munícipios do Brasil repensassem a realização de eventos que reúnem grandes aglomerações de pessoas como o Réveillon e o Carnaval. Reportagem de capa desta edição do Jornal das Lajes destaca o cancelamento do Carnaval 2022 em Resende Costa. O vice-prefeito em exercício, Lucas Paulo, em um vídeo divulgado nas redes sociais da prefeitura no dia 30 de novembro, comunicou a decisão da administração de cancelar o Carnaval, alegando falta de segurança e preocupação com a saúde da população, visto que a pandemia ainda não está sob total controle. A decisão da prefeitura de Resende Costa está em consonância com a maioria dos municípios da região do Campo das Vertentes, onde a Festa de Momo é tradicional, como São João del-Rei e Prados. A decisão dos gestores municipais de ainda não realizar eventos de grande porte neste fim de 2021 e início de 2022 é sensata e responsável. Embora já tenhamos avançado muito na luta contra o coronavírus, graças sobretudo às vacinas, o cenário epidemiológico ainda não nos permite correr riscos desnecessários. Começamos a colher os frutos de um trabalho árduo empreendido especialmente pelos profissionais da saúde desde o início de 2020. Não podemos, nesta fase do enfrentamento à pandemia, colocar tudo a perder por causa de festas que podem esperar um pouquinho mais para voltarem a acontecer com segurança. Que tenhamos, em 2021, um Natal de luz, de paz e de lindas celebrações. E que o alvorecer de 2022 renove em nós a esperança de dias vitoriosos e prósperos!
De um ponto de vista
ANDRÉ EUSTÁQUIO
A cidade já não lhe é estranha. Os moradores são seus amigos e a praça tornou-se o seu lar. Antes encontradas somente nos pastos e matas nativas, de alguns anos para cá as siriemas começaram a ser vistas em diversos pontos do centro de Resende Costa, em plena área urbana. A foto mostra uma siriema na Praça Mendes de Resende, desfrutando a sombra de uma árvore num dia quente de dezembro. A ave não se assustou com a presença do repórter. Pelo contrário, fez pose e esperou o melhor ângulo para ser fotografada e revelar sua exuberância, simpatia e elegância.
Uma ilustre moradora da praça Mendes de Resende
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
Projeto de Lei de autoria de vereadores institui a Semana da Consciência Negra em Resende Costa No mês de novembro, tramitou na Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 117/2021, de autoria dos vereadores Cleiton, Coló, Cláudio, Lucas, Zé do Dico, Fernando Chaves, Guerra e Paulinho, que institui a Semana da Consciência Negra e reconhece o Dia da Consciência Negra no Município de Resende Costa. O projeto resultou na Lei Municipal nº 4.825/2021. A semana tem por objetivo valorizar a cultura afrodescendente, bem como seus valores, lutas e ensinamentos transmitidos à sociedade e será realizada anualmente durante o mês de novembro, na semana no dia 20. A programação será organizada pelas entidades do movimento negro, sendo coordenada pelo município. Na “Semana da Consciência Negra”, serão ministradas atividades pedagógicas nas escolas municipais, além de discussões e debates, incluindo a temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, com
conteúdo programático que contenha aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, tais como: o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. O vereador Cleiton, um dos autores do projeto, relata: “O Dia e a Semana da Consciência Negra são muito importantes e nos fazem relembrar que a construção da sociedade brasileira se deu por meio da escravidão. Os avanços conquistados até hoje foram muito relevantes, mas estão muito longe do ideal, pois a discriminação ainda é muito grande em nossa sociedade, gerando falta de oportunidades para a população negra, violência contra o negro, tentativas de apagamento da cultura africana, dentre outros males. Acredito muito
• PÁG. 3
INFORME PUBLICITÁRIO
Indicações aprovadas durante reuniões realizadas no mês de novembro • Possibilidade de ser desenvolvido projeto, juntamente com as Secretarias Municipais de Educação, Esporte e Lazer e de Assistência Social, com o objetivo de oferecer reforço escolar às crianças em situação de vulnerabilidade e que são atendidas pelo CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). O projeto poderá ser realizado também em parceria com associações de bairros (Vereador Cláudio). • Manutenção das calçadas, com bloquetes, ao lado do campo de futebol do bairro Tijuco, localizado na Rua das Aroeiras (Vereador Coló).
Vereador Cleiton, autor do projeto de lei que institui a Semana da Consciência Negra em Resende Costa
na importância desse projeto, tanto pelo apoio dos vereadores Cláudio, Elson (Coló), Fernando Chaves, Fernando Guerra, José do Dico, Lucas e Paulinho, que aceitaram, prontamente, assinar o projeto de lei, dada a relevância, principalmente, da necessidade de um olhar mais atento para a valorização da dignidade e promoção da igualdade racial. Além
• Possibilidade de ser oferecido transporte para os moradores da zona rural, com a finalidade de poderem participar de eventos realizados na sede do município, especialmente do evento “Domingo da Família”, que ocorrerá mensalmente. Caso não seja possível o transporte, que seja verificada uma forma de se realizar o evento também nos povoados rurais do município (Vereador Coló). • Encascalhamento, com urgência, no povoado do Tabuado, entre a escola da comunidade até onde se localiza a ponte. Sendo possível, indica-se que seja construído calçamento no local (Vereador Zé do Dico).
disso, as escolas da rede municipal já realizam atividades alusivas à Consciência Negra, em função da exigência legal instituída pela Lei 10.639/03, que instituiu o Dia da Consciência Negra e a obrigatoriedade do estudo da história e da cultura afro-brasileira e africana. Por
isso, agradeço a todos que contribuíram para a elaboração do projeto de lei e convido todos os cidadãos resende-costenses para que, juntos, possamos criar uma sociedade mais justa e mais fraterna, livre de todo e qualquer tipo de preconceito e discriminação.”
Instituído programa de acompanhamento a alunos diagnosticados com TDA ou TDHA na rede pública municipal De autoria do vereador Cláudio, o Projeto de Lei nº 115/2021, que resultou na Lei Municipal nº 4.818/2021, instituiu o programa de acompanhamento a alunos matriculados na rede pública municipal que sejam diagnosticados com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ou com Transtorno do Déficit de Atenção sem Hiperatividade (TDA). Em parceria com os demais órgãos competentes, o Executivo Municipal organizará atividades que promovam maior esclarecimento sobre o transtorno, como palestras ministradas por especialistas, exposição de painéis, apresentação de estudos e pesquisas relacionadas ao distúrbio,
entre outras iniciativas que envolvam a participação de médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogos, professores e demais profissionais da área. O dia 13 de julho ficou estabelecido como o Dia da Consciência sobre o Transtorno de Déficit de Atenção/ Hiperatividade. A data tem o objetivo de lembrar a todos a importância da conscientização sobre o transtorno. Pela lei, fica assegurado o direito das crianças diagnosticadas de terem assentos reservados nas fileiras dianteiras das salas de aula de escolas públicas ou privadas no município, mediante a apresentação de laudo médico que comprove o transtorno. “Graças ao projeto de lei nº
115/2021, de minha autoria, as famílias de crianças com TDHA ou TDA podem ficar um pouco mais tranquilas. Um importante passo foi dado rumo à verdadeira inclusão neurodivergente, com o respeito que todos os portadores de TDAH ou TDA merecem”, disse o vereador Cláudio, autor do projeto de lei. Ele reforçou que “as pessoas com TDAH ou TDA têm a necessidade de serem assistidas através de políticas públicas da infância à fase adulta, integridade física/moral, livre desenvolvimento de personalidade, segurança, lazer, proteção contra toda forma de abuso e exploração”. Afinal o que é TDAH? Somente em 1980, com a 3ª edição do (osm-3), que o TDAH
foi caracterizado pelo padrão de desatenção e/ou hiperatividade. De acordo com estudos, 80% das pessoas com TDAH ou TDA apresentarão dificuldades escolares e acadêmicas. Um aluno com TDAH ou TDA possui 4 vezes mais possibilidade de repetir o ano do que o neurótipico. Ainda segundo estudos sobre o tema, há forte inclinação dos alunos acometidos para o abandono da escola, para desenvolvimento da dependência química e depressão. “O TDAH e o TDA são uma condição e não possuem cura. No entanto, os estudos evoluíram muito e atualmente a pessoa, com tratamento adequado, leva uma vida normal. Agradeço o apoio de Carlos Eduardo de Sousa e de
Vereador Cláudio, autor do projeto de lei 115
Karla Rodrigues de Sousa no desenvolvimento do projeto”, conclui o vereador Cláudio.
PÁG. 4 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
GOVERNO MUNICIPAL INFORMA
1º Torneio Leiteiro a Nível de Fazenda é realizado com sucesso No dia 26 de novembro, foi realizada uma cerimônia para entrega das premiações do 1º Torneio Leiteiro a Nível de Fazenda de Resende Costa. O Evento contou com a participação de autoridades e dos principais convidados: os produtores rurais e seus familiares. O Torneio Leiteiro é uma tradição de nosso município e, geralmente, é realizado durante a Exposição Agropecuária. Porém, com a pandemia, a Exposição deixou de ser realizada e, naturalmente, o Torneio também foi adiado. Mas uma parceria entre a Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente, Emater e Arcosta tornou possível a realização do evento ainda em 2021. Realizado de maneira inovadora, 1º Torneio Leiteiro a Nível de Fazenda inverteu a lógica dos torneios tradicionais e foi até cada uma das 10 fazendas inscritas, apurando 41 animais. O formato foi aprovado pelos produtores e também pelo secretário de Agropecuária e Meio Ambiente, Alexssander Lourdes: “Gostaria de ressaltar a importância deste torneio para o município como atividade
incentivadora na produção de leite de qualidade e quantidade. Em 2022, com a parceria entre Emater, Arcosta e secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente, com certeza teremos ainda mais participantes. Gostaria de agradecer a cada patrocinador, colaborador e produtor. A ajuda de cada um foi essencial para a realização do evento”. Além de incentivar os produtores rurais nesta época de pandemia, o 1º Torneio Leiteiro a Nível de Fazenda foi importante também para não alterar a rotina das propriedades, conforme relata
Elisabeth Almeida, Extensionista de bem-estar social da Emater: “O 1º Torneio Leiteiro a Nível de Fazenda foi importante por ser realizado nas próprias fazendas, não influenciando no comportamento do gado, favorecendo o bem-estar do animais e, consequentemente, beneficiando a produção e a qualidade do leite. Aproveito para informar que a Emater está à disposição dos produtores rurais e que aguardamos ainda mais produtores para a 2ª edição do Torneio Leiteiro a Nível de Fazenda.”
Prefeitura destina R$ 40 mil ao Lar São Camilo de Léllis Através da Secretaria de Assistência Social, a Prefeitura Municipal de Resende Costa destinou R$40 mil ao Lar São Camilo de Léllis, instituição gerida pela Associação Filhas de São Camilo e dedicada ao cuidado e repouso de idosos. O valor será pago em 2 parcelas e será destinado à manutenção de estrutura física, pagamentos de contas de água, luz, telefone, internet, produtos de higiene, limpeza e alimentação. É a primeira vez que o Lar vai receber um auxílio deste porte do Poder Público de Resende Costa. Além do custeio destas despesas fixas, a ajuda de custo da Prefeitura vai possibilitar ao Lar a contratação de uma equipe multidisciplinar, conforme explica Edirlene do Nascimento, secretária de Assistência Social. “Com essa parceria com a Prefeitura, o Lar poderá investir seus recursos próprios na contratação de uma equipe de referência, uma exigência do Ministério do Desenvolvimento e Cidadania para instituições deste tipo. A nova equipe vai contar com psicó-
logo, assistente social e terapeuta ocupacional para atendimento aos idosos e mediações e intervenções junto aos familiares.” Com a formação desta equipe multidisciplinar, o Lar São Camilo de Léllis estará em conformidade com as exigências da Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS (NOB-RH/SUAS) - criadas para orientar e padronizar os trabalhos prestados pela Assistência Social em todo o território nacional. Com estas adequações, o Lar também abre portas para outros possíveis investimentos, como do Governo Federal, por exemplo.
Além disso, como contrapartida ao valor repassado pela Prefeitura, o Lar irá disponibilizar duas vagas para a Secretaria de Assistência Social, que serão concedidas, sem custos, a idosos em situação de vulnerabilidade social. Para Lucas Paulo, vice-prefeito em exercício no cargo de Prefeito, é de grande importância esta parceria com o Lar: “Ficamos felizes em firmar esta primeira grande parceria entre o Poder Público e o Lar São Camilo, instituição importantíssima para Resende Costa e região e muito bem administrada pelas Irmãs Camilianas.”
INFORME PUBLICITÁRIO
Inauguração do Natal Tecendo Luz encanta resende-costenses
No dia 27 de novembro, a Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Turismo, Artesanato e Cultura e da Secretaria de Administração e Fazenda, inaugurou a iluminação natalina em Resende Costa. Neste ano, o Mirante das Lajes, as praças Mendes de Resende e Rosa Penido, o canteiro central da avenida Ministro Gabriel Passos e o CAT (Centro de Atendimento ao Turista) foram iluminados e decorados para as festas natalinas. O evento de inauguração aconteceu no Mirante das Lajes e, além da presença do público, contou com a participação de autoridades municipais, representantes de associações e movimentos culturais. A Banda de Música Santa Cecília e o duo Vocal e Sax abrilhantaram a noite musical. O secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, André Eustáquio, falou sobre o projeto e as expectativas da administração municipal de atrair ainda mais turistas à cidade nesta época do ano: “O projeto municipal Natal Luz, neste ano bati-
zado com o nome ‘Natal Tecendo Luz’, foi criado com o objetivo primeiro de oferecer à nossa população uma experiência única que somente o Natal, com o seu brilho e magia, pode proporcionar. Natal é tempo de sonhar, de agradecer, de confraternizar e de celebrar a vida. Estando a cidade bela e iluminada, viveremos momentos de alegria, de contemplação e também de oração - essência de um tempo de graça, paz e harmonia. Aos turistas que nos visitam, desejamos que tenham uma experiência bonita, encantadora e inesquecível do Natal, a fim de que voltem sempre a Resende Costa”. Nos próximos finais de semana, até o dia 25 de dezembro, sempre às sextas-feiras e aos sábados, a programação cultural do Natal Tecendo Luz contará com shows musicais e concertos natalinos. Acompanhe a programação cultural do Natal Tecendo Luz através das redes sociais (Instagram e Facebook) da Prefeitura Municipal de Resende Costa.
Secretaria de Saúde promove mutirão de consultas e exames oftalmológicos A Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Saúde, promoveu um mutirão de consultas e exames oftalmológicos, como retinoscopia, glaucoma, pressão intraocular, catarata e fundo de olho, todos oferecidos de forma gratuita. Para a realização deste mutirão, os Agentes Comunitários de Saúde tiveram papel fundamental, pois foram eles os res-
ponsáveis pelo agendamento das consultas. Assim, mais de 300 pessoas foram contempladas por pelo menos um tipo de exame. Com este mutirão, a Prefeitura Municipal conseguiu atender todos os pedidos de exames ou consultas oftalmológicas que estavam pendentes na Secretaria de Saúde, promovendo um maior bem-estar para a população.
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
Cidade
• PÁG. 5
Resende Costa cancela o Carnaval 2022 A chegada da vacina contra a Covid-19 possibilitou aos foliões sonhar com a realização do Carnaval em 2022. Mas, o cenário epidemiológico incerto e inseguro e o surgimento da variante Ômicron fizeram diversos prefeitos cancelarem as festas de réveillon e o Carnaval 2022 em inúmeras cidades do Brasil. Em Minas Gerais, na região do Campo das Vertentes, a grande maioria das cidades, até o fechamento desta reportagem, já havia anunciado o cancelamento das duas festas em virtude das incertezas da pandemia, que, apesar de parcialmente controlada, ainda assusta as autoridades sanitárias. Essa também foi a justificativa da Prefeitura Municipal de Resende Costa. O prefeito em exercício, Lucas Paulo, falou sobre a decisão tomada na terça-feira, 30 de novembro. “A decisão foi tomada em conjunto: Poder Público, Secretaria de Cultura e Comitê de Enfretamento da Covid-19, além de uma conversa com, por exemplo, a Polícia Militar e a Civil. Chegamos à conclusão de que neste momento o melhor a se fazer é o cancelamento do Carnaval. Eu já imaginava que haveria o cancelamento, mas preferi conversar sobre a realização da festa. Se todos os municípios da região realizassem o Carnaval, seria uma situação complicada, pois a população poderia ir para as cidades vizinhas. Isso geraria uma situação com alto risco da contaminação em outros locais, chegando, assim, a Resende Costa”. Em nota, a Secretaria de Turismo, Artesanato e Cultura se manifestou sobre o cancelamento do Carnaval 2022. “O Carnaval é, sem dúvidas, a maior festa popular de Resende Costa. Nos últimos anos, a Semana dos Blocos, como alguns resende-costenses costumam chamar o pré-carnaval, vem atraindo foliões de diversas cidades da região, consolidando-se em referência no carnaval antecipado nas Vertentes. A realização de um grande evento como o Carnaval exige, entre tantas coisas, muito planejamento. Após um ano sem a realização do evento, devido à pandemia de Covid-19, estávamos esperançosos de que em 2022 pudéssemos enfim voltar a realizá-lo. Planejávamos inovar, criar programações inéditas e desenvolver novas ideias para o nosso carnaval, principalmentenos dias oficiais da folia. Porém, infelizmente, o momento em que vivemos ainda não nos proporciona segurança para realizarmos um evento de
rua, uma vez que permanece o alerta global de pandemia”. O médico Luiz Antônio Pinto analisou a situação do ponto de vista sanitário. “Nós ainda estamos em uma pandemia, embora ela esteja relativamente controlada, com um bom número na vacinação. A pandemia está aí, a gente tem casos salpicados, mas eles não deixaram de existir, inclusive em pessoas vacinadas. Ao promover uma festa como o Carnaval, em que ninguém irá de máscara para a avenida, as pessoas vão beber, não vão tomar os cuidados necessários de higienização e vão se aglomerar. Portanto, o risco de contaminação é muito grande. Sem contar que receberíamos pessoas de outros locais e a possibilidade de uma nova onda da variante da África. Portanto, eu acho que o risco é muito grande de haver uma aceleração dos casos e uma reativação da pandemia, que está bem controlada”. Sobre as vacinas, dr. Luiz lembrou que, apesar de eficazes, elas não garantem uma imunização 100%. “Todos nós sabemos, desde o início, que as vacinas não dão 100% de imunização. Haja vista que temos visto casos de pessoas com Covid-19 e esquema vacinal completo. Portanto, não dá para afirmar que, mesmo com uma cobertura vacinal relativamente boa, a gente não vá ter propagação de contágios. Mesmo pessoas vacinadas podem transmitir e carregar o vírus. O critério da cobertura vacinal serviria para você permitir uma aglomeração quando a gente tivesse um controle praticamente total da pandemia acontecendo no país todo e não só em Resende Costa”. A pasta da Cultura, responsável pela realização do Carnaval em Resende Costa, destacou o cuidado primeiro com a saúde e a segurança da população. “Mesmo já estando a maioria da população de Resende Costa vacinada com as duas doses e o número de casos positivos na cidade apresentando queda, julgamos que ainda não é o momento para a realização de eventos com grandes aglomerações nas ruas, como acontece essencialmente nas festas de réveillon e no Carnaval. Avaliamos que tais eventos poderiam submeter a população da nossa cidade e os turistas que nos visitam a riscos desnecessários, justamente na etapa em que começamos a colher, consistentemente, resultados positivos nesta triste e árdua batalha contra o novo coronavírus. Aliás, queremos destacar: a preocupação com a saúde da população resende-costense sempre foi o objetivo primeiro da administração municipal, e nossas ações nestes tempos pan-
tar com a compreensão e com o apoio da população. “Entendemos a frustração das pessoas que esperavam ansiosamente pela realização do Carnaval em 2022. Peço, gentilmente, que entendam a decisão que tomamos e nos apoiem. Antes de tomarmos a decisão de cancelar o Carnaval 2022, conversamos com autoridades sanitárias, acompanhamos atentamente a situação epidemiológica no Brasil e em nossa região, uma vez que durante o evento há um forte movimento migratório de pessoas provenientes de diversos lugares do país com o objetivo de curtir os tradicionais carnavais nas cidades mineiras. Aguardamos também o posicionamento de cidades vizinhas de Resende Costa (onde o Carnaval é representativo para o turismo e para a economia), com o intuito de obtermos consenso na decisão, a fim de beneficiar não só uma cidade, mas a região. Percebemos que, felizmente, a maioria das cidades compartilha conosco a mesma preocupação: cuidar, em primeiro lugar, da saúde e da segurança da população”.
pandemia ao longo de 2022, mas não dá para falar exatamente quando. Se não houver essa complicação da variante Ômicron, ao longo do próximo ano vamos entrar no controle da situação”. “Apesar de ainda não podermos realizar os grandes eventos que já se consagraram tradicionais em Resende Costa, como as festas de réveillon, o Carnaval e a Mostra de Artesanato e Cultura – todos eles ligados à Secretaria de Turismo, Artesanato e Cultura –, o momento é de planejamento das ações que desejamos realizar ao longo do nosso mandato. Sabemos quais são os desafios a serem superados e quais problemas a serem enfrentados e corrigidos. Tenhamos um pouquinho mais de paciência. A campanha de imunização está avançando a passos largos, confirmando que a vacina – aliada às medidas de higiene que já conhecemos, como o uso da máscara – é a arma com a qual derrotaremos essa pandemia”, disse o secretário André Eustáquio, que também está otimista quanto ao controle da pandemia em 2022: “Os bons tempos voltarão e em breve estaremos juntos, com segurança, realizando novamente os grandes eventos de Resende Costa, dos quais estamos com muita saudade. O momento é de trabalho, planejamento e ação. Desejamos firmemente que 2022 seja o ano da retomada segura das atividades econômicas, culturais e turísticas. Desejamos que seja, especialmente, o ano da Educação, da retomada consistente das atividades presenciais nas escolas e nas universidades. Que bom ver de volta professores e alunos nas salas de aula e as escolas voltando a ser esse organismo vivo e pulsante da nossa sociedade!”
PACIÊNCIA E PLANOS FUTUROS Para dr. Luiz, em 2023 os foliões poderão sair com segurança para festejar o Carnaval nas ruas. “Eu acredito que o Carnaval de 2023 apresentará segurança, caso tudo continue como está indo, ou seja, com o avanço da vacinação, o decréscimo dos índices de contaminação e a diminuição de óbitos. Afirmo, quase com toda certeza, que em 2023 a situação será bem mais tranquila. Assim acontece com todas as pandemias, passamos por situações mais complicadas que depois são amenizadas. A gente não decreta o fim da pandemia, a pandemia é que decreta o seu fim, aos poucos. Acredito que ainda vamos ficar, por um longo tempo, com o uso de álcool em gel, por exemplo, o qual vai perdurar. Acredito também que vamos ter esse controle da
APRENDIZADO O médico Luiz Pinto faz um alerta para as lições que devemos tirar desse longo período de crise sanitária que nos desafiou. “Tudo isso deixa um exemplo marcado para todos nós. Temos que aprender a conviver com momentos como esse. A vida social, às vezes, nos impõe restrições que farão bem a todo mundo. Estamos sujeitos a pandemias na vida toda, portanto precisamos aprender com as consequências, ainda que sofridas. É muito importante que tenhamos políticas públicas, em todos os níveis, que ajudem cada vez mais a não passarmos por momentos como esse que passamos, com a morte de mais de 600 mil pessoas. Políticas públicas e bem pensadas que determinam como vamos enfrentar momentos monstruosos como esse”.
Foto: Jornal das Lajes
VANUZA RESENDE
Carnaval 2019 em Resende Costa
dêmicos corroboram isso”. FESTAS PRIVADAS Alguns municípios já sinalizaram que festas particulares vão poder ser realizadas. Atualmente, em Resende Costa, festas particulares são liberadas desde que sigam os protocolos sanitários elaborados a partir do plano Minas Consciente. Lucas Paulo disse que a administração ainda vai analisar se serão permitidos eventos fechados de carnaval. “Sabemos que festas privadas são menores do que o carnaval de rua. Inclusive, é possível cobrar, por exemplo, o esquema vacinal, testes negativos para doença... Um mecanismo diferente de festas populares na rua. Logo, iremos analisar o momento, o tamanho da festa para uma possível liberação”. Sobre as festas privadas, dr. Luiz afirma que “evidentemente também podem ser focos de contaminação. Talvez não tanto quanto o carnaval de rua, que tem um potencial muito maior de retransmissão ou transmissão da doença. Mas as festas particulares também precisam seguir uma série de cuidados, como uso de máscara, o distanciamento, a higienização. As festas particulares têm menor risco, mas não deixam de também ter um potencial de transmissão”. APOIO DA POPULAÇÃO Lucas acredita que a decisão de cancelar o Carnaval foi acertada. “Nós avaliamos como prudente a decisão. Sabemos que o nosso Carnaval é um evento de rua, uma festa popular que atrai um número muito grande de pessoas. Realizar uma festa desse porte é muito complicado, já que a gente não consegue saber quem na rua está vacinado ou não. Por isso, vemos o cancelamento como uma decisão prudente, tendo sempre em vista o bem estar da população”. O secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, André Eustáquio, espera con-
PÁG. 6 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
Cidade
Feminicídio em RC: dois casos Judiciário de Resende “numa lamentável coincidência” Costa começa a punir os transgressores das regras da pandemia
Júri popular condenou José Nicodemos Neto, o Tonho, a 23 anos e 3 meses de prisão pelo assissanato, a facadas, da jovem Luciana dos Reis Foto: Fernando Chaves
Protesto pacífico em frente ao Fórum de Resende Costa durante julgamento de autor de crime de feminicídio
DA REDAÇÃO
Feminicídio! O problema é mundial, nacional, estadual, local. Como não é uma ilha, Resende Costa não é exceção. Dois casos chocantes, “numa lamentável coincidência: nas vésperas do julgamento de um caso de feminicídio que ocorreu em Resende Costa há quase quatro anos, um novo feminicídio aconteceu na cidade”. Assim o jornalista Fernando Chaves inicia a transmissão do canal no youtube RCTV, em 6 de dezembro, diante do Fórum da cidade. Um grupo de mulheres reuniu-se no local para manifestar “silenciosamente o seu luto, a sua indignação e o seu clamor por justiça”. CASO 1 Na noite de sábado (4), a Polícia Militar foi acionada pelo SAMU, cuja equipe atendia,uma emergência numa residência no bairro Bela Vista. A aquipe encontrou a porta da suíte arrombada e marcas de sangue no chão. No banheiro, dois corpos caídos: Maria Sueli Pinto, 49 anos, já sem vida, vítima de dois golpes de faca no tórax, e o marido dela, A.J.M., 48 anos, inconsciente por tentativa de suicídio; foi socorrido, atendido no hospital local e, em seguida, preso. Um dos três filhos do casal contou que, ao che-
gar à casa, ouviu a mãe pedindo socorro. O casal estava trancado na suíte. Depois de várias tentativas, o filho conseguiu arrombar a porta, mas já não deu mais tempo de socorrer a mãe. O casal estava em fase de separação, mas foi “um caso atípico” porque não havia registro policial nem indício de alcoolismo e ambos eram ministros da eucaristia, disse o tenente Gabriel Nascimento em entrevista a Fábio Silva, do Pop News. Posteriormente, o marido disse à polícia que brigou com a esposa e acabou por dar duas facadas no peito dela, tentando suicidar-se em seguida. CASO 2 Em 29 de abril de 2018, Luciana dos Reis, 28 anos, foi vítima de um golpe de faca no abdome pelo ex-companheiro José Nicodemos de Jesus Neto, o Tonho, após intensa discussão entre ambos, de acordo com reportagem do JL. Eles tinham uma filha de apenas três anos. Luciana foi socorrida por vizinhos que passavam pelo local. O SAMU foi acionado, mas ela não resistiu aos ferimentos. Neto fora denunciado três vezes por Luciana em 2017: por lesão corporal e duas ameaças, que teriam sido o motivo da separação. Fugitivo, o autor do feminicídio foi capturado pela Polícia Militar, com a colaboração da família dele. Foi encon-
trado escondido numa mata às margens da estrada de acesso à cidade de São Tiago. Preso, Neto foi levado para São João del-Rei, onde foi autuado pelo delegado de plantão e encaminhado para o presídio de Resende Costa. No último dia 6 (segunda-feira), Tonho foi condenado por um júri popular, realizado no Fórum da Comarca de Resende Costa, a 23 anos e 3 meses de pena. REAÇÕES A assistente social Raquel Azevedo, presente a uma manifestação realizada pacificamente em frente ao Fórum, no dia 6 de dezembro, enquanto o júri popular acontecia, destacou o caráter mundial da violência doméstica. “Nós sabemos que o índice de feminicídio hoje é muito alto.” No Brasil, a cada seis horas e trinta minutos, uma mulher é morta por um homem por violência doméstica. Ela acrescentou: “Nós viemos aqui pedir justiça pelas mulheres que vêm sendo violentadas, porque é um crime hediondo, é um crime desumano, é um crime absurdo e que continua acontecendo. Nós estamos aqui pedindo justiça pela Luciana, pela Sueli, por mulheres que são vítimas próximas a nós.” A artesã Rosely Antunes referiu-se à triste coincidência dos dois casos e pediu que a pena fosse proporcional ao “sofrimen-
Durante o período mais crítico da pandemia do novo coronavírus, medidas restritivas tiveram de ser impostas aos cidadãos com o objetivo de diminuir a circulação de pessoas nas ruas e, com isso, dificultar a disseminação do vírus. Horários restritos de funcionamento do comércio, proibição de eventos esportivos e de shows são exemplos de medidas adotadas no enfrentamento à pandemia. No entanto, durante o período do isolamento social, algumas pessoas ignoraram o apelo das autoridades sanitárias e do poder público e descumpriram as regras. Tal fato obrigou o Judiciário de Resende Costa a punir aqueles que transgrediram as regras adotadas no enfrentamento à pandemia. Vale lembrar que o município de Resende Costa aderiu, desde o início, ao programa Minas Consciente, elaborado pelo governo do estado a fim de orientar os gestores nas ações de flexibilização das medidas restritivas e na reabertura do comércio.
PUNIÇÕES De acordo com o juiz de Direito da Comarca de Resende Costa, Donizetti Nogueira Ramos, os infratores foram enquadrados nos artigos 268 do Código Penal e alguns também no artigo 42, incisos II e III da Lei de Contravenções Penais. “Já foram aplicadas mais de vinte penas pecuniárias de dois salários mínimos cada uma. Os valores estão sendo encaminhados para o Conselho da Comunidade de Execução Penal”. Ainda conforme o juiz da Comarca, os autores do delito ficam impedidos de receber o mesmo benefício pelo prazo de cinco anos, por força da Lei 9.099/95, que dispõe sobre os Juizados Especiais. “A atuação da Polícia Militar e da Polícia Civil continua e outros infratores ainda serão punidos. O recente aumento de casos de contaminação pelo coronavírus em nossa região (Resende Costa, Prados, Tiradentes e Dores de Campos estão no grupo de cidades com maior aumento de casos) requer atuação firme do Poder Judiciário e, por isso, todo aquele que transgredir a lei será punido”, reforça dr. Donizetti.
to (que) é muito grande”. “Nós, mulheres, estamos muito cansadas. Só pedimos: dê espaço pra gente.” Janete Helena, servidora municipal, foi no mesmo sentido, pedindo que “parem de nos matar” e que “as penas não sejam leves porque a misoginia e o machismo são culturais”. A assistente social Clébia Resende enfatizou que “infelizmente” muitas mulheres sofrem caladas no mundo inteiro, mas em Resende Costa “nós nos sensibilizamos por causa do caso recente que coincidiu com esse júri popular”. Por isso, espera que “ninguém admita mais a violência contra a mulher” e pede que as pessoas denunciem pelo 180, ainda que anonimamente, para a ajudar uma eventual vítima.
CONSELHO Desde agosto, tramita na Câmara dos Vereadores a proposta de criação do Conselho Municipal de Direitos da Mulher (CODIM) ou então uma comissão da mulher, dentro do Conselho de Assistência Social. A iniciativa é da jovem Itane Batista, do movimento Pretas Presentes, e foi subscrita pelo vereador Fernando Chaves. Segundo Chaves, este é um movimento que está ocorrendo na região, com vários municípios discutindo o assunto e criando o seu Conselho. “É uma forma de dar espaço à mulher e oferecer um local de participação, um lugar de voz para a mulher.” O vereador destaca o fato de a Câmara Municipal de Resende Costa ser cem por cento masculina.
ANDRÉ EUSTÁQUIO
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
• PÁG. 7
ACONTECEU
Banda Santa Cecília realiza concerto em homenagem ao Dia do Músico DA REDAÇÃO
Um concerto realizado pela Banda de Música Santa Cecília, no último dia 21 de novembro, no Teatro Municipal de Resende Costa, marcou as comemorações do Dia do Músico. A data festiva, celebrada oficialmente no dia 22 de novembro, é dedicada a Santa Cecília, padroeira dos músicos. A apresentação foi dividida em
três partes. Na abertura, o maestro da banda, Luiz Carlos Júnior, executou, na trompa, a obra Rêverier Op. 24, do compositor russo Alexander Glazunov. “Essa música fala de esperança, de sonhos. Na Rússia, terra natal de Glazunov, há grandes extensões de terra e fazendas, o que se assemelha às nossas vivências aqui”, comentou o solista. Na segunda parte, jovens alunos de música da Banda Santa Cecília realizaram audição. Cada aluno, acompanhado pelo maestro,
professor e trompista Luiz Carlos Júnior, tocou uma peça escolhida especialmente por eles. “Quero ressaltar que esses alunos começaram a estudar música quando ainda estávamos na Onda Vermelha do Minas Consciente. Portanto, têm pouco tempo de estudo do instrumento”, informou o maestro. A apresentação das crianças, que já revelam talento e entusiasmo pela música, emocionou o público presente no Teatro Municipal. Na parte final do concerto, os
músicos da Banda Cecília se dirigiram ao palco do Teatro para executarem um repertório digno dos amantes de banda de música. Dobrados, jazz e outras interpretações do repertório instrumental provocaram aplausos e aguçaram o deleite da plateia, que já estava com muita saudade de ouvir a banda. “Que bom ouvir novamente a banda de música! Que bom estarmos de volta ao nosso Teatro Municipal após longo período de inatividade devido à pandemia! Ver o Teatro, a casa
da Banda Santa Cecília, novamente com as portas abertas nos emociona e nos traz esperanças de que os bons tempos estão de volta. Quero agradecer à AMARC (Associação dos Músicos Amadores de Resende Costa) e ao maestro Luiz Carlos Júnior pela iniciativa e organização desse concerto. Parabenizo todos os músicos de Resende Costa pelo dia dedicado, merecidamente, a eles”, disse o secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, André Eustáquio.
Fotos: André Eustáquio
Banda de Música Santa Cecília no palco do Teatro Municipal
Público presente no Teatro Municipal na apresentação da Banda Santa Cecília
O maestro Luiz Carlos Júnior acompanhou os seus alunos durante as audições
ANDRÉ EUSTÁQUIO
No dia 20 de novembro último, foi celebrada, na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França, missa solene de Santa Cecília, considerada pela Igreja Católica padroeira dos músicos. A iniciativa de realizar a celebração em Resende Costa partiu do Coral e Orquestra Mater Dei, cuja padroeira é Santa Cecília, e contou com o apoio do administrador paroquial, padre Plínio Almeida, que presidiu a cerimônia. A solenidade, inédita nos tempos atuais em Resende Costa, contou com a apresentação à comunidade da imagem de Santa Cecília, pertencente ao Coral e Orquestra Mater Dei e que se encontra em um oratório montado na sede da orquestra. “A imagem é uma obra exclusiva, em estilo barroco, feita no ateliê do artista Wellington Reis
e foi benzida no dia 1° de setembro deste ano, na sede da instituição, pelo padre Ermínio Ignácio”, disse Wagner Barbosa, regente do Coral e Orquestra Mater Dei. O repertório foi escolhido especialmente para a ocasião e teve estreia de obras inéditas, conforme explicou Wagner Barbosa: “Foram executadas obras dos resende-costenses Christóvam Gonçalves Pinto, Elvis Washington Reis, Orestes Gustavo José de Resende e Wagner Barbosa, além de obras dos são-joanenses Pe. José Maria Xavier e Geraldo Barbosa de Souza, e outras obras de autoria desconhecida”. O solo ao pregador “Jesu Corona Virginum”, de Orestes Gustavo, e o coro processional “Cantatibus Organis”, de Wagner Barbosa foram compostos especialmente para a celebração pelos dois integrantes do Coral e Orquestra Mater Dei, sendo executados pela primeira vez durante a missa. “A Orquestra
Mater Dei, além de executar obras de compositores já consagrados no meio musical, tem o privilégio de executar obras compostas na atualidade para o grupo, pelos próprios membros. Obras de alto nível que contribuem para a construção da identidade do conjunto”, destaca o regente. ENTRONIZAÇÃO Após a celebração, a imagem de Santa Cecília foi levada da igreja matriz para a sede da orquestra, onde foi entronizada no oratório criado especialmente para ela. Houve uma pequena confraternização para os músicos presentes,com o intuito de comemorar a data importante para o Coral e Orquestra Mater Dei. “Para mim, é uma alegria enorme poder, nesta data tão significativa para os músicos, reger o Mater Dei que tanto se dedica à música em nossa cidade desde
Foto: Arquivo Pessoal
Coral e Orquestra Mater Dei abrilhanta missa solene de Santa Cecília
Coral e Orquestra Mater Dei em fotografia tirada após a Missa Solene de Santa Cecília na igreja matriz de N. Sra. da Penha
o século XIX. É muito satisfatório ver o crescimento de cada um, a união do grupo e o resultado da soma dos talentos e dos esforços dos músicos, que são os pilares do Coral e Orquestra Mater Dei. Re-
sende Costa, com certeza é, além da cidade do artesanato, a cidade da música. Por isso, devemos valorizar esse título e os que o fazem”, conclui o maestro Wagner Barbosa.
PÁG. 8 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
ACONTECEU
Resende-costense assume presidência da Academia de Letras de SJDR Evaldo Balbino foi eleito por unamimidade durante assembleia da Academia realizada na sede da Sociedade de Concertos Sinfônicos O professor, pesquisador e escritor Evaldo Balbino, 45 anos, foi eleito, em 28 de novembro último, presidente da Academia de Letras de São João del-Rei para um mandato de dois anos, tendo como vice-presidente Ana Maria de Oliveira Cintra. Ao todo, 31 acadêmicos efetivos votaram e elegeram, por unanimidade, a nova mesa diretora. Devido às medidas de segurança em tempos de pandemia, a assembleia da ALSJDR não aconteceu em sua sede localizada no Largo de São Francisco, centro histórico de São João del-Rei. A reunião aconteceu às 10h de domingo na sede da Sociedade de Concertos Sinfônicos, situada no Largo do Carmo, também na parte histórica da cidade. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei desde 26 de novembro de 2017, Evaldo ocupa a cadeira n° 1, que pertenceu ao professor José Alberto Ferreira, atualmente no Instituto Histórico e Geográfico (IHG) de São João del-Rei. Primeiro resende-costense a ocupar a presidência da Academia de Letras de São João del-Rei, Evaldo pretende, “juntamente
com a Diretoria e com todos os confrades, contribuir com os desígnios culturais e sociais de uma academia de letras”. Ele buscará “dar ênfase em questões culturais, dentro e fora da Academia”, de maneira a cumprir o papel institucional “de cultivo da memória e, ao mesmo tempo, de propulsão da cultura no aqui e agora. E que isso seja feito não somente entre os pares acadêmicos, mas que também chegue a outras pessoas, a outras instituições, como escolas, bairros, comunidades, associações, conselhos culturais etc.”. Uma das propostas de Evaldo é a instituição do “Prêmio Nacional de Literatura Academia de Letras de São João del-Rei”, com a premiação de textos avulsos ou de livros integrais, com base em leis de incentivo à cultura ou investimento privado. Entre suas ações, pretende promover atividades culturais, as publicações institucionais e as relações com outras entidades, com a comunidade e com a mídia. CURRÍCULO Evaldo Balbino é licenciado em Letras, mestre em Literatura Brasileira, doutor em Literatura Comparada pela UFMG, onde é professor e pesquisador. Fez Pós-
(editora Saraiva); Prêmio Humberto de Campos, em 2014 (UBE-RJ; Menção Honrosa no Prêmio Stella Leonardos, em 2019 (UBE-RJ); Finalista do Prêmio Guarulhos de Literatura, em 2020; e Menção Honrosa no 5º Festival de Poesia de Lisboa, em 2020. Evaldo publica mensalmente crônicas no Jornal das Lajes e no jornal literário Linguagem Viva. Participa de 21 antologias pelo Brasil e de uma em francês.
Foto: Lyziane Brito
DA REDAÇÃO
Evaldo Balbino e Ana Cintra presidirão a Academia de Letras de São João del-Rei a partir de fevereiro de 2022
-doutorado em Estudos Literários na USP em 2017. É autor dos livros: Moinho (1ª ed. em 2006, 2ª ed. em 2021 – poesias); Móbiles de areia (2012 – crônicas); Filhos da pedra (2012 – poesias); Amores oblíquos (2013 – contos); Os fios de Ícaro (2015 – romance); Apesar das coisas ásperas (2016 – crônicas); Fantasma de Joana d’Arc (2017 – poesias); Inscrição no deserto (2020 – poesias) e Lições de cigarra (2021 – poesia
infantojuvenil). Já recebeu 26 distinções literárias, com destaque para o 3º lugar em poesia no Concurso Edital Estímulo às Artes, em 2005 (Associação Pró-Cultura Palácio das Artes/Suplemento Literário de Minas Gerais); Troféu MG Cultura em 2013 (Jornal MG Turismo); Prêmio Nacional Academia de Letras da Bahia, em 2012; 3º lugar em romance no 1º Prêmio Saraiva de Literatura, em 2014
POSSE A Academia de Letras de São João del-Rei entrou em recesso de fim de ano e voltará às suas atividades em fevereiro de 2022, quando acontecerá a posse da nova mesa diretora da instituição. LANÇAMENTO DO LIVRO COMEMORATIVO AOS 50 ANOS Em 2021, a ALSJDR completou 50 anos (1971–2021). Para comemorar essa data histórica, a instituição lançou, durante a reunião do dia 28 de novembro, um livro de 344 páginas que traz artigos, crônicas, poesias e outros gêneros de textos de autoria dos acadêmicos efetivos e correspondentes.
Resende-costense ganha direito a cidadania portuguesa por descendência de judeus sefarditas Descoberta abre possibilidade para que mais pessoas da região obtenham nacionalidade lusitana e resgatem sua história JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) aceitou a candidatura de Lesley Fernandes Moreira à nacionalidade portuguesa, de acordo com o Decreto-Lei n.º 30A/2015, do Ministério da Justiça, que considera judeus sefarditas “os judeus descendentes das antigas e tradicionais comunidades judaicas da Península Ibérica”. A próxima fase será o pedido da cidadania, cuja única condição é não ter antecedentes criminais. Assim, o resende-costense de 35 anos, registrado na Santa Casa de Misericórdia de São João del-Rei, torna-se provavelmente o primeiro mineiro da microrregião do Campo das Vertentes a se tornar cidadão português descendente de judeus sefarditas. Através de grupos de ancestrais no facebook, Lesley descobriu que havia
alguma relação com Sebastião de Freitas. “Eu verifiquei que Sebastião de Freitas (L8RJ-2YL) é meu hendeca tio porque se casou com Maria Pedroso de Alvarenga (LD7Q-FBL), irmã do Francisco de Alvarenga (LVRJ-MNJ), meu ancestral. Eles são filhos de Antônio Rodrigues de Alvarenga (LTM3-NQQ).” Também o Museu Regional de São João del-Rei foi muito útil. “Eu encontrei muitos testamentos de antepassados meus por parte de mãe e pai lá”, conta Lesley. Os documentos foram transferidos para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), onde é preciso fazer agendamento para consulta. Lesley, que tem cidadania italiana e reside em Manchester, Inglaterra, considera que ter a cidadania portuguesa por resgate histórico é “fantástico”. Filho da
resende-costense Adair da Costa Fernandes e do são-joanense José Asterak Moreira, ele descobriu que tinha origens judaicas já reconhecidas pela CIL. “Uma parente me informou sobre isso.” Ele adotou a ramificação dos antepassados de seu pai, ou seja, Antônio Bicudo Carneiro e Antônio Rodrigues de Alvarenga. “Eu fui pelos familiares do meu pai, que são de Emboabas (São João del-Rei).” A avó de Lesley, Maria da Costa Resende (filha de Cecília da Costa Maia e de José Cupertino de Rezende) nasceu em Resende Costa, após os pais se mudarem de Lagoa Dourada. “Ao se casar, adotou o sobrenome do meu avô, João Evangelista Fernandes, e passou a se chamar Maria da Costa Fernandes. A minha mãe, nascida em Resende Costa, conheceu meu pai, que é de Emboabas, o histórico distrito de São
Lesley e família em Lisboa, Portugal
João del-Rei, e, após se casarem, decidiram continuar morando na cidade. Foi aí que eu surgi como resende-costense.” A família de Lesley, “assim como a de todos os Resendes da cidade, tem ligações com João de Rezende Costa e Helena Maria de Jesus. A filha deles, Maria Helena de Jesus, irmã de José de Rezende
Costa, é a tetravó do meu bisavô José Cupertino de Rezende. Uma curiosidade é que ele também é trisneto de Antônia Rita de Jesus Xavier, irmã do Tiradentes. Essa relação se dá por ambos avós paternos dele, Capitão Pedro José Ferreira e Maria Helena de Rezende (bisneta de Maria Helena de Jesus)”.
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
• PÁG. 9
A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
Água com açúcar Parece filme água com açúcar... Olho para trás e me vejo criança em dias de Natal. Lojas abertas até tarde... o entra e sai insistente... as calçadas abarrotadas... embrulhos coloridos prometendo a felicidade dos presenteados... encontros, abraços, sorrisos alegres... frases de “Feliz Natal” e “Próspero Ano Novo”... Ao longo da avenida, músicas natalinas na Harpa Paraguaia... luzes piscando nas ruas... vitrines ricas à espera de pais abastados (ou corajosos)... vitrines humildes oferecendo brinquedos também humildes, à espera de pais que, apesar de ganharem pouco, sempre se lembram dos filhos... E lá no fundo do coração, aquele sentimento de uma paz alegre, de uma alegria simples, de uma simplicidade divina. Lembro-me das vésperas do Natal. Minha avó me mostrando os preparativos do almoço: os frangos já escolhidos, as carnes já temperadas, os doces nas compoteiras, a árvore iluminada, ainda sem os presentes. Quase meia-noite, hora da Missa do Galo. Todos em frente ao presépio... a imagem do Menino Jesus dentro da gruta. Momento de emoção... parecia que Ele se acomodava em cada coração ali. Rezávamos agradecendo mais um Natal. E íamos para a missa. Lá, ficava eu dividido entre o dever litúrgico e o pensamento nos presentes e na festa do dia seguinte. De manhã, despertava com o alarido das crianças que acordavam antes de mim e que já tinham ido para a rua brincar e exibir suas novidades. Levantava-me num pulo, corria até a árvore e abria os meus presentes com avidez. Mesmo duvidando, esforçava-me para acreditar que fora Papai Noel que os deixara ali. Hora do almoço: todos rumavam para a casa de minha avó. E a família toda começava a se compor. Meus primos chegavam também com seus brinquedos e a casa virava um espaço de infinito e de harmonia. Ainda ecoam em mim as vozes agudas de nós crianças fazendo festa, jogando piadas inocentes na hora do almoço, explicando cada
brinquedo que ganháramos, falando que nenhuma porção de comida caíra do prato... E minha avó olhava tudo aquilo, deixando sua felicidade transbordar em seu sorriso. Nossos pais nos abraçavam e todos nos sentíamos em paz. Sim, tudo isso passou. Parece filme água com açúcar. Mas como fazem falta a água e o açúcar em cenas de hoje! Como seria bom se houvesse uma água pura para que lavasse tantas coisas tristes que a gente vê no Natal: crianças e famílias que jamais tiveram chance de ter um Natal feliz e em paz... países que sempre estão em guerra no dia 25 de dezembro... pessoas que sempre estão solitárias no dia do nascimento de Cristo... Falta o açúcar no paladar de alguns tantos natais. Aquela vontade de chorar no Natal, sem sabermos por quê... Talvez seja fácil explicar: o verdadeiro dono da festa muitas vezes não é convidado. Justamente no seu aniversário, muitos se desviam do aniversariante e se concentram na festa. É mais cômodo pensar em comida e bebida, presentes e roupas, viagens e shoppings, Papai Noel e trenó... Lembrar-se do dono da festa é lembrar-se de Jesus Cristo. E lembrar-se de Jesus Cristo é também lembrar-se de crianças que morrem de fome enquanto outras são violentadas e até mesmo prostituídas; políticos enganam nações e comunidades enquanto muitos votam sem lucidez; pessoas são assassinadas enquanto outras se desesperam por não terem emprego... Acho que é por isso que ficamos com vontade de chorar no Natal: Jesus Cristo achou lugar para nascer e se instalou em nossos corações, deixando-nos grávidos de divindade. Mas sempre atrasamos o parto, por causa de comodismos e receios. Os esforços do Cristo dentro de nós nos fazem lembrar que o tempo pede o seu nascimento... e choramos frente ao medo de sermos felizes. Mesmo assim, desejo a você um Feliz Natal! Que o seu Ano Novo seja um novo ano, porque você deixou Jesus nascer... e aceitou as suas consequências!
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
O perfil na foto No meu escritório, em casa, tendo como fundo parte de uma estante onde se veem alguns livros e vídeos, posiciono-me para tirar algumas fotos com a missão de escolher uma entre tantas parecidas. Opto por aquela que me parece melhor. Mesmo assim, nela apareço séria e pouco à vontade pela pose. Hoje já avancei nesse aspecto. Feito pela Lívia, sobrinha e afilhada, esse registro corresponde à minha foto de perfil no WhatsApp. Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras. Certo. Mas, em relação a essas fotos de identificação pessoal expostas nas redes sociais, é preciso considerar que elas mostram como queremos nos ver propriamente e como queremos que nos vejam. Por outro lado, mostram ainda como somos vistos pelos outros. Acompanhando nossas mensagens virtuais, na maioria das vezes, nossas carinhas é que dão as caras e podem até ganhar este vasto mundo cibernético para além do imaginado. E será que quem vê cara vê coração também? Não à toa que essas imagens são chamadas de fotos de perfil. Sendo assim, descrevem visualmente as pessoas em traços breves que destacam o que parecem ser. De qualquer forma, revelam muita coisa em variações infinitas ligadas à vida de todos nós. Mais comum é ver a pessoa retratada sozinha. Nesse caso, o “ensaio” fotográfico costuma ser caprichado com a escolha do ângulo de rosto (ou de corpo) mais favorável, a busca por um cenário perfeito, talvez em meio à natureza, ou o resgate de um momento particularmente feliz da infância, da escola ou do trabalho. Sendo o espaço dividido com alguém, isso é sinal de importância para quem aparece junto: pais, filhos, avós, netos, tios ou irmãos fotografados em significativas cenas familiares. Há ainda as poses dos casais. Muitas, eternas; outras, nem tanto. Em se falando de companhia, há ainda aqueles que querem homenagear seus animais de estimação trazendo-os ao conhecimento público. É natural que a escolha da foto de perfil de cada usuário leve em conta seu estilo de vida na reafirmação de cren-
ças, valores e preferências. Nesse sentido, há aqueles que escolhem um perfil religioso mostrando-se diante do Santuário de Aparecida (SP), por exemplo, ou mesmo abrindo mão de aparecer na foto (ou não querendo) para destacar um símbolo religioso que seja. Ou que pode ser político também. Quem opta por aparecer em práticas esportivas e recreativas ao ar livre ou deixando somente em destaque uma inspiradora paisagem sinaliza afinidade com o meio ambiente. Viagens marcantes, todo mundo sabe, rendem muitas fotografias. E sempre há aquela que elegemos como a mais bonita para estar ao lado do nosso nome nas conversações virtuais de todo dia. Se for tirada de um ponto turístico bacana ou famoso, é opção feliz por fazer lembrar um passeio inesquecível e contar pontos no nosso currículo de turista. Dignos de presença nessa relação, os registros fotográficos ligados a festas, baladas e shows chamam a nossa atenção, voltada principalmente às mulheres. Com o visual impecável – maquiagem especial, roupa e acessórios de arrasar –, em momento de grande alegria, a pessoa se transforma e chega a ficar até irreconhecível, dependendo do grau de produção empreendido. Mas que a foto fica maravilhosa, isso fica. Sem transformações são as imagens dos que preferem exibir algum objeto ou emblema ligado ao trabalho que fazem ou que se mostram em atividade profissional: de uniforme ou no local onde atuam. Entre as pessoas mais jovens são típicas as fotos de meninas fazendo biquinho e/ou se vendo no celular. Ou então tomadas em situações casuais ou enigmáticas, quando se mostram pouco, deixando-se fotografar de costas ou em posições inusitadas e divertidas. Entre cada um de nós, ao que parece, na definição do que desejamos para essa linguagem não verbal que nos representa, imprimimos marcas pessoais do que somos ou julgamos ser também internamente. Fiéis à foto de anos ou camaleônicos, mudando de foto como quem muda de roupa, revelamos uns aos outros nossa melhor versão visual via internet.
PÁG. 10 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES
Natal e seus símbolos: uma promessa de Esperança Novembro, o luto. Finados, o fim da vida. Dezembro: Natal, alegria, nascimento, início da vida, aniversário de Jesus. A comemoração mais alegre da liturgia católica, acho eu, tem numerosos símbolos. Sinais-símbolo, pois atingem nosso emocional. Cada pessoa tem suas preferências. – Para nós dos velhos tempos, crianças pobres nascidas e criadas lá no velho Tijuco, quase um pequeno arraial, longe da cidade, a vila – como chamávamos, o Natal tinha pouco significado. A pobreza não permitia qualquer presente. A grande sensação era a Missa do Galo, quando podíamos, junto com os adultos, vencer os terrores da noite, sobretudo a assombrada cava do barranco do cruzeiro, fugindo da lamparina de querosene e usu-
fruindo da iluminação de nossa matriz que o Azevedo (empresa que fornecia luz para a cidade durante um certo período) não desligava até o amanhecer. O leitor poderá encontrar na internet os símbolos do Natal, com suas origens e seus significados: luzes - estrela - sinos vela - anjo - missa do galo - bolas - árvore - Papai Noel - cartão de natal - peru - ceia - presentes – panetone - guirlandas. As guirlandas merecem um ligeiro comentário. Surgiram na Roma antiga. Sinal de boas-vindas para os visitantes. Inicialmente um símbolo pagão, passaram a ser utilizadas pela Igreja Católica com a adaptação de velas, donde surgiu a Coroa do Advento (do latim, Adventus: vinda, chegada). A Coroa do Avento é uma
espécie de guirlanda onde se colocam quatro velas, uma para cada semana antes do Natal. Advento, na liturgia católica, são semanas de reflexão e ritos preparatórios para o dia de Natal. Muito mais do que um bonito objeto de decoração, para os cristãos a Coroa do Advento é um pré-anúncio do Natal. O seu formato simboliza a eternidade e suas folhas verdes, a esperança. Nas igrejas, cada vela da coroa tem uma cor diferente e são acesas na seguinte ordem: verde, vermelha, roxa e branca. A data é 1839 e foi usada para as crianças que ansiavam pela chegada do Natal. Mas, na minha preferência, o melhor símbolo do Natal é o presépio, criação de São Francisco de Assis, em 1223. Com a presença dos animais do es-
tábulo que aqueceram Jesus, a estrela de Belém, que indicou a caminho para os reis magos: Baltazar, Gaspar e Belchior; o anjo que anuncia ao mundo seu nascimento, os pastores. O presépio (do latim, praesaepium: curral, estábulo, manjedoura) traz didática e biblicamente mensagens importantes. Lições a nós, humanos. O nascimento de Jesus dá-se num presépio porque não havia lugar nas hospedarias. No meio de animais, portanto junto à natureza que nos acolhe. Os primeiros a saber do parto, avisados pelo anjo, pertencem à classe popular: os pastores trabalhando nas intempéries da noite a vigiar o rebanho. Não titubearam. Talvez a mãe e o recém-nascido precisassem de ajuda (Lc 2,6-20). O dever cívico levou os pais a Be-
lém para o recenseamento. Os anjos anunciando paz às pessoas de boa vontade. A homenagem vem dos estrangeiros (os três reis magos, conforme a tradição). Do poder político de sua terra, corrupto e sanguinário, só vieram falsidade e perseguição! Assim como em novembro, o apelo foi para um lamento saudoso e uma reverência às vítimas da Covid-19, anseia-se que o Natal seja uma celebração para desenvolver a paz; para uma movimentação social em defesa dos direitos humanos, atualmente tão vilipendiados; para a diluição de todo tipo de preconceitos; para que o Pão da Vida, o Pannis Angelicus da eucaristia católica, nutra nosso espírito de solidariedade a fim de que “o pão nosso de cada dia” não falte a todos os necessitados. É o que penso. E você?
do que ar. Quando uma região ou camada do subsolo está com seus poros encharcados (ou saturados de água), temos um aquífero. Essas camadas podem ser profundas (aquíferos confinados ou semiconfinados) ou mais próximas à superfície (aquífero freático). As nascentes são, portanto, caminhos por onde o excesso de água do solo brota na superfície, oriundo dos lençóis freáticos, formando córregos e riachos. Vale lembrar que muitas cidades surgiram próximas a cursos d’água. Os rios eram e ainda são vistos como fonte de água para abastecimento e escoadouro para o esgoto. E, com a expansão urbana, muitos córregos foram canalizados ou passaram a correr em galerias, sendo cobertos por concreto, tornando-se avenidas. Em Resende Costa, com a ampliação da malha urbana, algumas minas, que antes eram usadas para abastecimento de água, se tornaram receptoras
de esgoto, foram canalizadas ou tiveram a vegetação do entorno suprimida para se tornarem ruas ou pomar nas hortas das casas. Curiosamente, uma nascente dentro da cidade nos chama a atenção: ela está no meio da rua, no encontro da Praça Rosa Soares Penido com a Avenida Ministro Gabriel Passos. É uma nascente intermitente, só corre no período das chuvas. Ela escoa o excesso de água que infiltra no solo a montante, ou seja, desde o entorno da Matriz. Segundo relato de moradores antigos, essa área sempre foi “molhada”, o que comprova que ali temos uma nascente intermitente. Por fim, os cuidados com áreas onde as águas nascem são essenciais para a garantia quali-quantitativa desse recurso tão precioso. Por isso, os administradores públicos de Resende Costa precisam ter mais cuidado ambiental com as minas que brotam no entorno da cidade.
Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
Nascentes urbanas em Resende Costa Muitas pessoas já devem ter percebido que a maior parte da água que utilizamos provém do solo e chega à superfície por meio das nascentes. Essas também são conhecidas com outros nomes, tais como: fonte, mina, minadouro, brejo, olho d’água, manancial etc. As nascentes são comuns em áreas rurais, mas estão do mesmo modo presentes no meio urbano, por isso estão sujeitas a maiores intervenções antrópicas. Resende Costa é um típico exemplo. Várias nascentes foram incorporadas pela expansão da malha urbana e uma, em especial, nos chama a atenção, pois ficou no meio de uma rua na parte central da cidade. Primeiramente, convém destacar que realizar a gestão da oferta de água de forma sustentável não tem sido uma tarefa fácil para a humanidade. Fato preocupante perante a disponibilidade desse precioso líquido no planeta: 97,5% de água é salgada e 2,5% é doce. Desse
total de água doce, 68,9% estão nas calotas polares, nas geleiras e nas altas montanhas e 29,9% são águas subterrâneas profundas. Assim, da água superficial, 0,9% estão em diversas fontes, tais como pântanos e umidade do solo, e 0,3% estão em rios e lagos, sendo essa a que pode ser diretamente acessada (REBOUÇAS, 2002). Portanto, o homem tem acesso direto a uma pequena parte do total de água do planeta. Podemos comparar afirmando que de um copo de água, uma gota é de fácil acesso para nós. Podemos nos perguntar: o que são nascentes? Tecnicamente, num sentido mais amplo, elas não são apenas os locais onde a água aflora, “[...] mas, sim, todo um sistema constituído pela vegetação, pelo solo, pelo relevo e pelos demais componentes das áreas de recarga a montante.” (EMATER, 2014). As águas que brotam das nascentes provêm dos lençóis
freáticos. Os lençóis são abastecidos pelas águas da chuva que infiltram no solo, especialmente em áreas cobertas por vegetação nativa nas partes mais altas, as chamadas áreas de recarga. Trata-se de um sistema frágil diante das agressões decorrentes das atividades antrópicas, tais como queimadas, desmatamento, erosão do solo e o pisoteio pelo gado. “Neste sentido, as nascentes precisam ser adotadas, protegidas e, se for o caso, reabilitadas e recompostas.” (EMATER, 2014). Aqui nos cabe outra pergunta: como a água fica no solo? O solo é constituído por partículas minerais, matéria orgânica, ar e água. Esses últimos (ar e água) representam algo em torno de 50% e dependem de sua porosidade, isto é, do percentual de espaços vazios. Outro fato é que quando estamos no período seco, o solo tem mais ar do que água e no período chuvoso, há mais água
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
• PÁG. 11
CULTURA
A chegada das rádios FM em Resende Costa (Memórias) CAMILO VALE
Vamos continuar falando sobre rádios nesta edição, inclusive comentando acerca da chegada das rádios FM. Como foi? Será que vieram de ônibus, de avião, de carro próprio? Pois é, tem um pouco de graça comentar sobre tudo isso. Mas, antes, vamos falar ainda um pouco de fatos e curiosidades do rádio AM que não foram lembrados na edição anterior. Você sabia que o Chacrinha e o Sílvio Santos começaram no rádio AM? Eu me lembro, ainda criança, de programas como Discoteca do Chacrinha, na Rádio Globo do Rio de Janeiro, e do Sílvio Santos, na Rádio Nacional de São Paulo, que depois se tornou Rádio Globo de São Paulo. No entanto, o sucesso maior de ambos os comunicadores foi mesmo na TV. Havia uma outra rádio AM no Rio de Janeiro, uma das mais ouvidas nos anos 60 e 70, principalmente à noite. Era a Rádio Mundial, que tinha um som de
FM, pois pegava muito bem. Meu saudoso amigo José Camilo dizia que, às vezes, acordava de madrugada ao som da Rádio América de São Paulo. Ele ouvia a vinheta da rádio: “América ... duas e vinte e dois da madrugada. Vem aí Amado Batista”. Aí, ele novamente voltava a dormir. E para aqueles que dormiam demais, após as 5h, vinha o locutor Zé Bétio, na Rádio Record de São Paulo, mandando a dona de casa jogar água no marido. Eram latas e mais latas de água para acordar o dorminhoco: chuá á ááá ... Zé Bétio parecia estar numa fazenda e chamava as vacas, os bois, as galinhas, cães, gatos... Parecia que todos os bichos respondiam. Na edição anterior do JL, falei da liderança da Rádio Record na época. O Zé Bétio era um desses locutores que chamavam a atenção pelo carisma e pela simpatia. Depois dele, vinha o Gil Gomes, repórter policial; o Barros de Alencar, que conversava com os ouvintes pelo telefone; e o Eli Correia. O Eli está no rádio até hoje, apresentando um
programa que leva seu nome na Super Rádio AM de São Paulo, do meio-dia às 2 e meia da tarde. O Eli Correia se orgulha de dizer que ele foi um dos primeiros locutores a tocar música sertaneja durante o dia no rádio. Até o final dos anos 70, a música sertaneja só era tocada à noite ou nas madrugadas, não sendo tocada durante o dia. Foi então que o Eli criou um quadro no seu programa, às 13h15min, intitulado “Boa Tarde Sertão”. Nesse quadro, ele começou a tocar uma ou duas músicas sertanejas, que chamavam a atenção dos ouvintes. A partir daí, outras emissoras também passaram a tocar os sertanejo durante o dia. E assim o tempo foi passando, já estávamos nos anos 80 e as primeiras rádios FM começaram a pegar nos nossos aparelhos. No início, começamos a pegar as emissoras de BH, entre elas a BH FM, que tocava músicas o dia todo; a Itatiaia, que na época tinha uma programação alternativa em FM, mais musical; Alvorada, Antena 1 e Inconfidência FM, com músicas brasileiras. O movimento de final de se-
mana em Resende Costa concentrava-se no centro, ficando a rua Gonçalves Pinto, chamada também de “Avenida”, lotada aos sábados e domingos à noite. A nossa juventude procurava também os bares do centro da cidade, que tinham seus aparelhos de som ligados em antenas que pegavam várias rádios FM de BH. O bar do Rubinho, onde hoje é o Supermercado Nossa Senhora da Penha, o bar do Bita, o bar do Chichico, onde atualmente é a lanchonete do Barriga e do João, e o bar do Lico, onde hoje é o Caio, sintonizavam as FM’s, levando boa música a todos os fregueses, inclusive a mim, que vivi muito bem essa época. Chegávamos em casa e queríamos ter também o nosso aparelho de som 3 em 1. Rádio AM/FM, tape (tocafita) e pick-up para tocarmos discos de vinil. Mas a maior motivação era mesmo pegarmos as rádios FM de Belo Horizonte e, quando não pegávamos, a gente chamava um técnico com chave de fenda na mão que conseguia regular as rádios FM. Certa vez, estando em casa,
já com a antena instalada, rádio ligado e a BH FM pegando limpinho, minha mãe, sentada na sala, fez um comentário: – Parece que tem alguém dentro da caixa de som falando. Minha mãe estava quase certa, pois o som era muito bom. Depois de alguns anos, vieram também as rádios FM das cidades da região: Emboabas, Ecológica, Sol e Vertentes de São João del-Rei; a Sucesso, de Barbacena, inaugurada em 1985; a Fama, de Carandaí; a Colonial, de Congonhas, dentre outras. Aí chegamos até Resende Costa, quando então foi inaugurada a nossa Rádio Inconfidentes FM em 2003, na época comandada pelo nosso amigo Joaquim de Sousa Lima, o saudoso Tião Lima, e vários locutores. Sinto-me feliz por fazer parte dessa emissora até hoje e conhecer um pouco de como tudo começou. Quero dedicar esse texto a todos que gostam de ouvir rádio, aos meus irmãos e ao meu primo Duduta que mora em BH, sempre ouvindo rádio. Não só as AM’s, mas também as FM’s fazem parte de nossa vida.
De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO
Devoção à Santa Cecília, sua representação e a música em Resende Costa No final do século XVI, em 1594, Santa Cecília foi declarada protetora da música pelo Papa Gregório XIII. Diz-se que ela, Cecília de Roma, morreu sob tortura enquanto cantava hinos religiosos a Deus. A história do seu martírio começa quando ela, uma cristã da alta nobreza romana, foi prometida em casamento pelos pais a um jovem chamado Valeriano. No dia das núpcias, ela revelou ao marido que havia consagrado sua virgindade a Cristo e que um anjo aguardava a sua decisão. Valeriano, apesar de não ser cristão, compreendeu e acatou a decisão da esposa, deixando-se converter ao ser batizado. Cecília viveu numa época em que inexistia liberdade religiosa plena, quando cristãos eram martirizados pelo Império Romano. Desprovida de ambições, doou o que tinha aos mais pobres. Viu seu marido Valeriano e o cunhado realizarem sepultamentos dignos de
cristãos que eram abandonados a céu aberto e não acatarem a ordem de entregar ao prefeito de Roma parte da herança que herdariam de Cecília. Também negaram abandonar a fé cristã. Por isso, foram julgados e condenados à morte. Quanto à jovem Cecília, que também se negou a acatar ordens de imperadores, foi submetida a seções de tortura e condenada à morte de forma bárbara, sendo deixada queimando-se em água fervente. Túrcio Almáquio, prefeito de Roma, vendo que ela resistia bravamente e cantava hinos em louvor ao Senhor, mandou que lhe cortassem a cabeça. Ao longo do tempo, principalmente entre o fim da Idade Média e o início do Renascimento, artistas começaram a retratá-la em óleo sobre tela, afrescos, mosaicos e esculturas. Com feições de mulher jovem e rosto sereno, Santa Cecília aparece sempre segurando um instrumen-
to musical: harpas, de corda friccionada, como são hoje os violinos, ou um órgão positivo. Um bom exemplo é o quadro “Santa Cecília” (1606), obra de Guido Reni (1575-1642), músico e pintor do período barroco italiano. Outra obra importante é a escultura “O martírio de Santa Cecília”, de Stefano Maderdo (1576-1636), concluída em 1600, depois de ele ter visto seu corpo ainda inteiro e incorrupto deitado em urna na Basílica de Santa Cecília, em Trastevere, na Itália, em1599. Em se tratando de texto e música, houve um poeta que escreveu várias poesias intituladas “Odes a Santa Cecília”, que mais tarde foram musicadas por dois importantes compositores ingleses: Purcell e Haendel. Desde o século XVIII, no Brasil, confrarias foram criadas com o nome de Santa Cecília. As Irmandades de Santa Cecília passaram a abrigar músicos. Elas funcionavam como
se fossem um sindicato. Ligadas à Igreja Católica, tinham estatutos e regulamentos. Ao longo do tempo, com o incremento da devoção à santa, surgiram grupos musicais que passaram a ter o nome dela. A banda de música municipal de Resende Costa, por exemplo, chama-se Santa Cecília. O mesmo nome tinha nossa orquestra e o coro sacro. Nossa orquestra, no entanto, teve outros nomes, como Orchestra Nossa Senhora da Penha, quando padre Heitor foi nosso vigário. Em 1988, a professora e maestrina Aleluia Chaves, dando continuidade aos trabalhos dos grupos no âmbito da igreja Matriz, deu-lhe o nome de Coro e Orquestra Mater Dei, atualmente dirigidos por Wagner Barbosa da Silva. Apesar de ter perdido o nome de Santa Cecília, o Coro e Orquestra Mater Dei mandou esculpir uma imagem da santa, que agora ocupa lugar de des-
taque na sala do grupo. A imagem esculpida por Wellington Reis, da cidade de Carmópolis de Minas, foi benzida no último dia 1º de setembro. Agora, ainda mais motivado, o grupo pretende realizar solenidades em honra à santa a cada ano, tocando e cantando músicas de autores resende-costenses e da região do Campo das Vertentes. A experiência, realizada no último mês de novembro, foi coberta de êxito. Sob a proteção e as bênçãos da santa padroeira, o grupo demonstrou o quanto tem melhorado seu desempenho, ao ponto de colocá-lo em condições tão boas quanto a de outras orquestras e corais sacros de cidades vizinhas à nossa. Os sons que nos chegam do Coro e Orquestra Mater Dei são repletos de esperança frente à baixa qualidade e ao estado crítico em que se encontra a música praticada na Igreja Católica.
PÁG. 12 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
FIM DE ANO
Natal Tecendo Luz é inaugurado em Resende Costa VANUZA RESENDE
Para muitos, chegou a melhor época do ano: o Natal. As comemorações natalinas afloram sentimentos, como gratidão e prosperidade. Pelas ruas da cidade, seja nas casas ou nos comércios, a decoração mostra a espera pelo dia 25 de dezembro. Em Resende Costa, desde o dia 27 de novembro, ruas e pontos turísticos da cidade estão em clina natalino. Neste ano, o Mirante das Lajes, as praças Mendes de Resende e Rosa Penido, o canteiro central da avenida Ministro Gabriel Passos e o Centro de Atendimento ao Turista (CAT) foram iluminados e decorados para as festas natalinas, integrando o projeto “Natal Tecendo Luz”.
O evento de inauguração do “Natal Tecendo Luz”, no sábado, 27 de novembro, aconteceu no Mirante das Lajes e, além da presença do público, contou com a participação de autoridades municipais, representantes de associações e movimentos culturais. A Banda de Música Santa Cecília e o duo Vocal e Sax também se apresentaram na inauguração. O prefeito em exercício, Lucas Paulo, falou sobre o projeto. “A inauguração foi um sucesso. A população abraçou a ideia e prestigiou a iniciativa. Temos recebido bastantes relatos positivos de moradores e turistas. A #Nataltecendoluz tem crescido nas redes sociais. Já podemos falar que o projeto é um sucesso”. O Secretário Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, André
A aluna da escola Conjurados,Yasmin, autora do nome Natal Tecendo Luz, foi homenageada
Eustáquio, destacou a iniciativa, bem como as expectativas da administração municipal de atrair ainda mais turistas à cidade nesta época do ano: “O projeto municipal Natal Luz foi criado com o objetivo primeiro de oferecer à nossa população uma experiência única que somente o Natal, com o seu brilho e magia, pode proporcionar. Natal é tempo de sonhar, de agradecer, de confraternizar e de celebrar a vida. Estando a cidade bela e iluminada, viveremos momentos de alegria, de contemplação e também de oração – essência de um tempo de graça, paz e harmonia. Aos turistas que nos visitam, desejamos que tenham uma experiência bonita, encantadora e inesquecível do Natal, a fim de que voltem sempre a Resende Costa.”
Para a secretária de Administração e Fazenda, Thaísa Lara, o projeto vem cumprindo o objetivo proposto. “O clima natalino é contagiante e pudemos sentir isso na inauguração do “Natal Tecendo Luz”. Foi muito gratificante ver o reconhecimento da população e os comentários positivos. Com certeza, depois de um longo período pandêmico de precauções, foi um momento muito acolhedor e familiar.” Lucas Paulo frisou ainda a oportunidade de o projeto aquecer a atividade turística em Resende Costa durante o período do Natal. “O projeto vem para impulsionar o turismo. A ideia é a de que a gente continue com uma divulgação legal, apesar de não ser a divulgação que queríamos, em virtude da
Autoridades municipais presentes nas festividades de inauguração do Natal Tecendo Luz
pandemia. Estamos fazendo um evento para ser bom para a cidade, que contribua para alavancar o turismo, mas conscientes de que não seja uma oportunidade para grandes aglomerações de pessoas e, com isso, piorar o cenário da pandemia. Quem sabe, no ano que vem, o Natal Luz seja ainda maior?” PROGRAMAÇÃO Durante os fins de semana, até o dia 25 de dezembro, sempre às sextas-feiras e aos sábados, a programação cultural do “Natal Tecendo Luz” contará com shows musicais e concertos natalinos. Acompanhe a programação cultural do “Natal Tecendo Luz” através das redes sociais (facebook e Instagram) da Prefeitura Municipal de Resende Costa.
Voz e Sax na praça Mendes de Resende
História
Livro comemora 210 anos de antiga rota de ligação entre Minas e Rio de Janeiro JOSE VENÂNCIO DE RESENDE
Os 210 anos da antiga rota de ligação entre Minas Gerais e Rio de Janeiro foram comemorados, no dia 14 de novembro último, com o lançamento, em Bom Jardim de Minas, do livro “Estudos Históricos sobre o Caminho do Comércio – Edição Comemorativa da Rota”, de autoria dos historiadores Marcos Paulo de Souza Miranda e Rodrigo Magalhães, que pesquisam o trajeto há mais de dez anos. O livro retrata uma importante rota oficial surgida no período colonial, onde existem grandes atrativos culturais e paisagísticos, além de vários locais para a prática do turismo ecológico e cultural, segundo os seus autores. “As ruínas centenárias de Iguaçu Velho, a natureza exuberante da Serra do Tinguá e as fazendas coloniais da região de Valença e Vassouras, no estado do Rio de Janeiro; as belas cachoeiras e paisagens serranas da região compreendida entre Rio Preto e Bom Jardim, incluindo a famosa gruta do Funil; a arquitetura colonial, os sítios arqueológicos, os doces, o queijo e a cachaça de qualidade produzidos na região de Andrelândia; as fazendas e igrejas centenárias, as serras e as tradições folclóricas da região de Madre de Deus de Minas; a bela capela de São Miguel do Cajuru, com pinturas artísticas do renomado pintor José Joaquim da Natividade; as ruínas da antiga Capela do Rio das Mortes, onde foi batizada a milagrosa Nhá Chica e a imponente arquitetura tricentenária de São João del-Rei, idealizada pelos inconfidentes mineiros como a capital da sonhada república
da liberdade, são pequenos exemplos do potencial turístico desse caminho, cujo itinerário precisa ser melhor conhecido e divulgado.” O livro contém no final o “Passaporte do Caminho do Comércio”. Assim, os viajantes que percorrerem a rota poderão colecionar os carimbos dos municípios por onde passaram. Pontos específicos estão sendo criados ao longo da rota para chancelarem a passagem dos turistas. O “Caminho do Comércio” é uma importante variante da Estrada Real ainda pouco pesquisada e conhecida, também chamada de “Caminho do Rio Preto”, de acordo com os autores. A via foi aberta no início do século XIX para facilitar o trânsito de viajantes, comerciantes e tropeiros entre São João del-Rei (MG) e a Corte no Rio de Janeiro. História. A abertura de um novo “Caminho do Comércio” foi determinada, em 14 de novembro de 1811, pela “Real Junta do Commercio, Agricultura, Fabricas e Navegação do Estado do Brazil e seus Domínios Ultramarinos”, órgão integrante da administração joanina. O objetivo era o de facilitar a ligação de Minas Gerais à cidade do Rio de Janeiro e possibilitar, de forma mais rápida e econômica, o abastecimento da Corte, cuja população havia aumentado consideravelmente com a chegada da Família Real ao Brasil, em 1808. O “Caminho Novo”, aberto no início do século XVIII por Garcia Rodrigues Paes, era muito longo e não conectava o Rio de Janeiro diretamente com a principal área de produção de alimentos de Minas Gerais (Sul de Minas e Campo das
Vertentes), tornando-se obsoleto e inadequado no início do século XIX. Isso motivou a criação do Caminho do Comércio, que era muito mais curto e econômico, pois os impostos cobrados na divisa entre as Capitanias eram mais baratos. Faziam uso da rota, que foi concluída em 1816, as tropas que partiam da Comarca do Rio das Mortes, cuja sede era em São João del-Rei. Por uma vasta extensão de Minas Gerais, conduziam bois, porcos, toucinho, galinhas e queijos, retornando do Rio de Janeiro com produtos como sal, azeite, vinho, vinagre, bacalhau, lampiões, ferramentas e vidros. Ainda segundo os registros históricos, grandes quantidades de escravos eram transportadas do litoral em direção às fazendas mineiras. A cada três léguas de distância, aproximadamente, ranchos rústicos rodeados de estruturas singelas permitiam o pernoite dos viajantes, que sempre contavam com uma bica de água limpa, estruturas de pedra para fogueiras e árvores como a araucária em suas proximidades, cujos galhos secos serviam de le-
nha, essencial para minorar o frio nas serras e nos grotões da região da Mantiqueira. Rota. A rota tinha início na localidade de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu (atual distrito de Nova Iguaçu-RJ), cortava a Reserva Biológica Federal do Tinguá, subia as serras, passava pelo porto de Ubá (atual Andrade Pinto, distrito de Vassouras), seguia em direção a Valença e depois passava pelos antigos arraiais mineiros de Rio Preto (região de Varejas e Funil), Bom Jardim (passando por Taboão), Turvo (atual Andrelândia), Madre de Deus, São Miguel do Cajuru e Rio das Mortes Pequeno, chegando finalmente à Vila de São João del-Rei,
depois de percorrer cerca de 280 km. Além de comerciantes, muitos cientistas estrangeiros percorreram o trajeto durante o século XIX. Nomes como o francês Auguste de Saint-Hilaire (1819), os ingleses Robert Walsh (1829) e Charles James Fox Bunbury (1835) e o alemão Enst Hasenclever (1839) deixaram registros importantes sobre o caminho. Muitos vestígios e alguns trechos originais do Caminho do Comércio ainda existem e estão sendo mapeados por um grupo de pesquisadores que atua na região do Alto Rio Grande, em Minas Gerais. Fonte: Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Bom Jardim de Minas.
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
Bicentenário da Independência
JORNAL DAS LAJES
• PÁG. 13
A História do Brasil ensinada nas escolas portuguesas JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
O Brasil celebra, em 2022, o bicentenário da Independência. Foi no dia 7 de setembro de 1822, às margens do Rio Ipiranga, que Dom Pedro – filho do rei de Portugal D. João VI - proclamou a Independência, tornando-se assim o primeiro imperador do Brasil. Mas, afinal, como as escolas portuguesas ensinam este e outros fatos históricos relacionados com o Brasil? Para responder a esta pergunta, o JL ouviu dois professores de Resende (norte de Portugal): Rosa Maria da Conceição Costa Rodrigues, da Escola D. Antônio José de Castro (Básica do 2º Ciclo), e Paulo Sérgio Pinto, da Escola Secundária de Resende. A História do Brasil é parte do programa de História, ensinado em Portugal, que começa no 2º Ciclo (5º e 6º anos) da escola básica, abrangendo crianças (“miúdos”) com idades de 9/10 anos a 11/12 anos. “O programa é tão extenso que os assuntos são dados muito rápido”, diz a professora Rosa que é licenciada em História pela Universidade do Porto. No 2º Ciclo, são duas aulas de 50 minutos cada por semana. Começa pelo Tratado das Tordesilhas, de 1494, época em que “os reis de Portugal e de Castela julgavam que o mundo era só deles e decidiram partilhar este mundo; era o auge das descobertas”, observa Rosa. D. João II rejeitou a primeira proposta (uma linha meridional que dividia o mundo em duas partes, não incluindo o território hoje conhecido como Brasil), que o papa Alexandre VI estabelecera através de uma bula (os direitos de exploração de cada uma das partes ficaria entregue aos países ibéricos). “Tudo leva a crer que D. João II sabia da existência de novas terras, mas o projeto original eram as Índias.” Justamente por pensar que “já estava descoberto há muito tempo”, a professora Rosa prefere falar em “achamento” do Brasil. O tema é abordado na parte do curso que trata da época de expansão decorrente dos descobrimentos. Ainda no 5º ano, ela menciona o início da colonização no século XVI, com as exportações de madeira (pau brasil) e de produtos exóticos. Na medida em que começa a decair o comércio com as Índias, Portugal volta-se para o Brasil, com as capitanias hereditárias e a nomea-
Paulo Sérgio Pinto, da Escola Secundária de Resende
Professora Rosa, licenciada em História pela Universidade do Porto
ção de um governador-geral e a exploração da cana-de-açúcar. Com a dificuldade em convencer os índios, os portugueses começaram a importar escravos. Para a professora Rosa, “falar de escravos, atualmente, choca os miúdos, mas eles não tem noção de tempo”.
rei D. José I; e invasões napoleônicas e a “fuga” de D. João para o Brasil. A mudança da corte para a colônia trouxe vantagens e desvantagens, assinala o professor Paulo Pinto. Entre as vantagens, estão a modernização do Rio de Janeiro e a expansão do Brasil. A principal desvantagem foi o fato de o rei “não estar cá” e, sobretudo, “de não querer regressar”; até que foi obrigado a retornar em decorrência da revolução liberal de 1820, deixando o caminho aberto para D. Pedro declarar a independência do Brasil.
OURO E LIBERDADE A descoberta de minas de ouro e de outras pedras preciosas aumentou o interesse de Lisboa pela colônia, ensina a professora. A importação de toneladas de ouro é exemplificada com a talha dourada da igreja de S. Martinho de Mouros (Freguesia de Resende) e com a riqueza de igrejas como a de São Francisco do Porto. Não há menção à Inconfidência Mineira, conspiração separatista (inspirada nos ideias franceses e americanos de liberdade) na capitania de Minas Gerais contra a derrama (piso de 100 arrobas anuais na arrecadação do quinto, a retenção de 20% do ouro direcionado à Coroa Portuguesa), que foi abafada em 1789 com a condenação dos envolvidos. Entre os punidos, estavam os José de Resende Costa (pai e filho) que foram degredados para a África. A transferência da família real para o Brasil em final de 1807, por conta da invasão das tropas de Napoleão, é abordada no 6º ano. O príncipe regente D. João e sua corte de nobres permaneceram no Brasil entre 1808 e 1821. A mudança da capital do império de Lisboa para o Rio de Janeiro resultou no desenvolvimento da colônia, ensina a professora Rosa que dá aulas de história há 40 anos (37 em Resende). Com a revolução liberal do Porto em 1820, D. João VI foi obrigado a voltar a Portugal, por exigência das cortes, deixando o filho D. Pedro como príncipe-regente. As mesmas cortes decidiram que D. Pedro teria de retornar; então, ele declarou a in-
dependência e foi proclamado o primeiro imperador do Brasil. Com a morte do pai em 1826, D. Pedro I do Brasil foi aclamado Rei de Portugal, mas abdicou do trono em favor de sua filha D. Maria da Glória. Ensina a professora Rosa que D. Pedro outorgou a Carta Constitucional, que defendia ideais liberais. Fez um contrato de casamento da filha com o irmão D. Miguel que, no entanto, deu o golpe de estado de 1828, tornando-se rei absoluto. D. Pedro I reagiu, abdicando em favor do filho, D. Pedro II, e se uniu aos liberais contra o irmão na chamada Guerra Civil Portuguesa (1832-34). IMIGRAÇÃO Outro tema abordado em sala de aula é a imigração, conta Rosa que é neta de emigrante português. Duas fortes ondas de imigração ocorreram no século XVIII, com a mineração na colônia, e no final do século XIX e início do século XX, com o fim da escravidão no Brasil. “Meu avô foi clandestino para o Brasil, aos 11 anos, e teve sucesso, regressando com dinheiro em 1920.” Imigração que também é tema do 9º ano do 3º Ciclo, de acordo com o professor Paulo Sérgio Pinto. Nos anos 1960, muitos portugueses do norte de Portugal emigraram, sobretudo, para o Brasil. “Muitos regressaram ricos e construíram grandes casas (solares); eram denominados ´os brasileiros´.” O programa de História do 3º Ciclo (7º ao 9º ano) é semelhante, inclusive na carga horária (duas aulas de 50 minutos por semana), diz o professor Paulo. No 8º ano, são trabalhados os descobrimentos portugueses, sendo o Brasil abordado em quatro momentos: descobrimento e ocupação inicial; reinado de D. João V e a exploração lucrativa do ouro; Marquês de Pombal e a inquisição como “arma repressiva” a serviço do
SECUNDÁRIO No secundário, a História é ensinada no curso de Humanidades do ensino regular, segundo o professor Paulo Pinto que está há 20 anos na profissão (quatro anos em Resende). Além da carga horária maior (cinco aulas de 50 minutos por semana), no secundário o ensino de História é mais aprofundado e mais exigente, embora o conteúdo seja praticamente o mesmo. Por exemplo, a descoberta do Brasil é ensinada em três aulas, em comparação com apenas uma aula no 3º Ciclo. Outra diferença é o material didático. No 3º Ciclo, é utilizado apenas um manual em todo o ano escolar. Já no secundário são três manuais, um para cada período: de setembro até o Natal; de janeiro à Páscoa; e do pós-Páscoa até meados de junho. Tanto num quanto no outro curso, “os miúdos gostam muito da parte dos descobrimentos em geral por conta das novidades, das aventuras”, conta o professor Paulo. A expansão europeia no século XVI, com Espanha e Portugal dominando as rotas do comércio mundial, trouxe resultados como a introdução de novos produtos na alimentação (batata-doce, tomate, ananás ou abacaxi, pimentos, amendoins, feijões e batatas).
A fase inicial da ocupação da colônia abrange as exportações de madeira (pau-brasil), seguida da expansão do açúcar (tentativa fracassada de escravizar os índios e início do tráfico de escravos) e do ciclo do ouro (toneladas embarcadas). Num primeiro momento, as aulas de História são partilhadas com o professor de Português que trabalha a obra do padre Antônio Vieira, cujo foco é a ação do homem, a defesa dos índios. O professor Paulo destaca a diferença na forma como portugueses e espanhois exploraram as suas colônias na América. Enquanto “os portugueses tinham uma postura mais negocial”, os espanhois priorizavam a destruição e mortes. Ele procura fazer os alunos compreenderem que isto explica a boa relação entre Portugal e Brasil, pois “nunca foi intenção dos portugueses nem de impor nem de destruir o que estava lá”. RESPEITO Na aula de multiculturalidade, busca-se mostrar aos miúdos como a mistura de culturas entre brancos, índios e negros deu origem a “um novo povo, que é único no mundo (tom da pele, estilos musicais, português brasileiro, gastronomia etc.)”, conta o professor Paulo. “Ganharam as duas culturas.” Isto foi resultado da expansão europeia que promoveu processos de intercâmbio, aculturação e assimilação relacionados com raças, línguas, religião, arte e economia. “A palavra-chave é respeito. Essa é uma aula que costuma ser interessante, que os miúdos gostam muito.” Atualmente, muito por influência das redes sociais, a visão dos miúdos sobre o Brasil resume-se a futebol, samba, praia e talvez insegurança nas ruas. O papel do professor é “buscar o equilíbrio, mostrando que nem tanto a terra nem tanto o céu”, conclui Paulo Pinto.
PÁG. 14 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
Informe Publicitário
CRESCIMENTO Elisa Coelho. O mesmo comenta o presidente do Conselho de Administração, João Pinto de Oliveira: “Não se trata de apenas pregar valores humanistas. Nos esforçamos para cumpri-los tanto no alcance e na adesão de mais pessoas à nossa filosofia, quanto na motivação para que se desenvolvam com Crédito acessível, soluções modernas. Isso sem falar, claro, em ações sociais, culturais, profissionalizantes”.
Há 26 anos, cooperativa é parceira nos negócios e nos sonhos dos resende-costenses
Sicoob Credivertentes chega à marca de 30 mil cooperados Instituição do Campo das Vertentes amplia alcance nas comunidades que já atende enquanto implementa, também, novo projeto de expansão “Somos 30 mil histórias, sonhos, corações. Somos 30 mil cooperados”, anunciou o Sicoob Credivertentes em suas redes sociais. A cooperativa, com sede em São Tiago, chegou ao mês de dezembro de 2021 com exatos 30.163 pessoas “fazendo parte”. Isto é, crescimento de quase 10% em apenas um ano. O resultado vem de esforços coletivos nas 20 localidades com agências
da instituição e está em consonância com a proposta do Sicoob em todo o âmbito nacional. “O Sistema tem se dedicado a levar inclusão e Justiça Financeira a ainda mais indivíduos. É um movimento de impulsionamento coletivo que faz parte da nossa missão e que representa, também, importantes evoluções de mercado”, explica a supervisora de Comunicação e Marketing do Sicoob Credivertentes,
DESENVOLVIMENTO Aí entra Josiane Silva, de Resende Costa. À frente de uma loja dedicada a moda feminina, ela foi uma das participantes do seminário Empretec no fim de novembro. A metodologia voltada a empreendedores é chancelada pela ONU e ministrada no Brasil pelo Sebrae. Acontece que, numa parceria com o Sicoob Credivertentes, 32 cooperados como Josiane puderam se certificar. “Vim de coração aberto para mudanças, para sair da zona de conforto, e agradeço à cooperativa pela oportunidade. Sei que aqui dentro, pessoal e profissionalmente, haverá um grande impacto”, disse. O gerente da agência resende-costense, Alessandro Caldeira, vê no posicionamento dela um símbolo da força local. “A cidade tem o talento e a coragem no DNA. É algo histórico que se renova dia a dia e segue movendo o mercado. Na cooperativa, caminhamos juntos enaltecendo e incentivando esse processo há 26 anos. Somos parceiros da comunidade sempre prontos a atender, oferecer as melhores soluções”, frisa. EXPANSÃO Em 2018, o Sicoob Credivertentes inaugurou uma agência na área central da capital mineira, Belo Horizonte. A conquista não significou, porém, perder sua essência interiorana – marca registrada desde sua fundação, em 1986. Por isso, depois de também abrir portas em Senhora dos Remédios, Piedade do Rio Grande e Alto Rio Doce, a cooperativa se prepara, agora, para crescer e levar Cooperação a Santana do Garambéu e Santa Rita do Ibitipoca.
REFLEXÕES por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração
35 ANOS DE EXISTÊNCIA, 30 MIL ASSOCIADOS O Cooperativismo é um modelo econômico lastreado em elevados princípios humanistas promovendo desenvolvimento e bem-estar social. Um instrumento pois, de inovação e transformação com a população administrando sua economia e seus destinos sociais. O Sicoob Credivertentes orgulha-se, desde sua fundação há 35 anos, de impulsionar equidade social, prosperidade econômica, sustentabilidade ambiental e vitalidade cultural nas dezenas de comunidades onde atua. Uma instituição de nossa região, com a marca de nosso laborioso passo. Ao atingirmos o patamar de 30 mil associados, número crescente e pujante, honra-nos a confiança depositada pela sociedade ao nosso trabalho engajado de fomento à riqueza regional, à geração de perenidade e segurança aos negócios locais, ao serviço diuturno em prol da coletividade regional. Ofertamos assim presença, compartilhamento, transparência, inclusão, porquanto somos uma instituição comunitária, uma iniciativa popular de profundas e sólidas raízes! Parabéns a todos os nossos 30 mil associados. Parabéns a toda região! “Quem quiser ir rápido, vá sozinho. Quem quiser ir longe caminhe junto” (Provérbio Africano)
Abra sua contaviaAPP
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
• PÁG. 15
POLÍTICA
Resistência dos políticos ao voto distrital prejudica os eleitores JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A principal mudança nas regras para as próximas eleições é a formação de federações partidárias (partidos podem unir-se para atuar como uma só legenda por pelo menos quatro anos). Esse é o tipo de medida para garantir a sobrevivência dos pequenos partidos e o acesso ao fundo eleitoral (cerca de R$ 5,7 bilhões para o financiamento de campanhas políticas), além do fundo partidário (R$ 1,2 bilhão, em 2022). Ou seja, mudar para continuar como está o caótico sistema político por votação proporcional. Esses blocos partidários vão “vender” caro o seu apoio a qualquer candidato ao executivo. Nas próximas eleições, serão escolhidos presidente e vice-presidente da República, 27 governadores e
vice-governadores de estado e do Distrito Federal, além de 27 senadores, 513 deputados federais e mais de mil deputados estaduais. Voto distrital. Há grande resistência entre os políticos em mudar o atual sistema de votação, que mantém os eleitores sub-representados por seus deputados (eleitos proporcionalmente ao número de votos recebidos pelo partido ou individualmente) e aumenta sensivelmente os custos das campanhas eleitorais. Nem mesmo o sistema do voto distrital misto – para a eleição de deputados federais, estaduais e vereadores – consegue ser aprovado na Câmara de Deputados, na qual tramita há algum tempo um projeto, já votado pelo Senado. O voto distrital puro é considerado um sistema eleitoral de maioria simples, cujo representante mais genuíno é o Reino Uni-
do; ou seja, cada membro do parlamento é eleito individualmente nos limites geográficos de um distrito pela maioria dos votos. Para isso, o país é dividido em distritos eleitorais, normalmente com população semelhante entre si, cada um elegendo seu representante. No sistema misto, pelo contrário, os votos distritais e os votos por lista de partidos são independentes. O melhor exemplo é o da Alemanha, onde os eleitores votam duas vezes: a primeira votação serve para eleger um candidato do círculo eleitoral do votante (distrito) – quem conseguir mais votos recebe um mandato direto e integra o parlamento; o segundo voto é um voto num partido que determina a maioria que vai formar governo. Se implantado no Brasil, o sistema de voto distrital misto, é bem possível que o número de partidos se reduza para menos de
10 (hoje, são mais de 30); é possível que não haja necessidade de fundos eleitoral e partidário de bilhões de reais; é possível que o eleitor se sinta mais próximo de seu candidato e melhor representado; é possível que caminhemos para um sistema parlamentarista, a exemplo de países evoluídos, que seja um amortecedor de crises políticas e fator de maior estabilidade. Já que os políticos não querem mudar o sistema eleitoral, que tal os eleitores fazerem eles mesmos o voto distrital na prática? CANDIDATOS Fosse a microrregião das Vertentes um distrito, por exemplo, os eleitores teriam de escolher um deputado federal e um estadual para representá-los, independente de que partido fosse. Atualmente, circulam pela região deputados como Cristiano Silveira, Gustavo
Valadares, Alencar da Silveira Jr., Delegada Sheila, Glaycon Franco, Doorgal Andrada e Eros Biondini (estaduais); Reginaldo Lopes, Domingos Sávio, Aécio Neves, Diego Andrade e Dr. Frederico (federais), entre outros. Como se vê, a região está inflacionada; desafio alguém a apontar quem de fato pertence à região. Para embolar o meio de campo, surge a pré-candidatura a deputado estadual do ex-prefeito de Resende Costa, Aurélio Suenes de Resende (PSD). Além da experiência de dois mandatos como prefeito, ocupou cargos regionais, como a presidência da Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes (AMVER), do Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes (CIGEDAS), do Circuito Trilha dos Inconfidentes e do Comitê de Bacias GD2, pela Copasa.
Retalhos literários EVALDO BALBINO
José Colodino Na Boca da Mata, o beijo de amor. O beijo do moço José Colodino na moça Ilídia. A mulher amada, a mocinha Ilídia que com ele fora viver em bodas, do outro lado do córrego, numa grota em que a noite cantava, na mesma grota em que a roda da pedra do moinho fazia círculos sem fim. Meu bisavô Colodino, pai da vó Laurinda e avô de minha mãe, criou, moço jovem, as filhas ao lado da jovem esposa. Elas foram crescendo: Maria, Chiquita, Laurinda. Foram abotoando como as plantações iam brotando, pois o plantio, a capina e a colheita eram estações certas. No terreiro da casa, o vento ajudando a peneira bailando no ar, o arroz soprado, cascas se indo leves ao vento. O arroz antes disso socado no pilão. De igual modo, na mesma faina, o sopro do feijão na dança da peneira. E o canto do moinho, e as mulheres cantando no mutirão das searas. As lavouras, a terra lavra-
da com afinco e ardor. Os bois na canga ajudavam a puxar o arado, o torto arado fazendo sulcos retos na terra farta de frutos. As mulas, os burros, os cavalos de porte mais olímpico para viagens tantas. O lavrador foi aos poucos e cada vez mais se tornando tropeiro. Não apenas condutor, mas também dono do pequeno bando. Renda melhor, família mais cuidada. Ausências do bisavô Colodino passaram a marcar presença. Saía com a tropa e os tropeiros da Boca da Mata, pousava com o gado nos pastos de fazendeiros que o permitiam, e ia rumando para as bandas do sul de Minas, dando vazão a produtos diversos, principalmente açúcar e polvilho produzidos nas terras do Ribeirão de Santo Antônio. Tudo com destino aos portos do Rio de Janeiro ou São Paulo. Os limites da tropa, no entanto, eram as terras mineiras. Dos Campos das Vertentes para o Sul e o Sudoeste de Minas, lá onde havia outras tro-
pas, maiores e mais bem equipadas, para chegarem com as cargas até o litoral. Nas idas e vindas, não percebia a pedra do moinho girando na Boca da Mata. As filhas crescendo, a esposa envelhecendo com tantos trabalhos, ele mesmo se mudando no espelho sem se dar por isso. Depois a enfermidade da mulher. Uma erisipela avassaladora, a lesão sempre ali, silenciosa, porém de forte raiz. Casaram-se as três filhas, e Colodino sentindo a necessidade de mais presença na vida da Ilídia. Nas suas longas ausências, deixava os negócios da família nas mãos da filha mais velha, que, à sua revelia, foi, de modo perdulário, gastando muitos dos bens sem um juízo que trouxesse garantias. Quando o marido retornou para o lado da mulher, deixando as tropas mais por conta de homens de sua confiança, muito estrago nos bens familiares já tinham sido feitos. Isso, do ponto de vista material. Os
afetos, por seu turno, já estavam doloridos, pois a bisa Ilídia já caminhava, com a enfermidade bem avançada, para os braços da morte. Viúvo logo depois, Colodino ficou na sua solidão, porém amando com todas as forças as filhas casadas. Assistia-lhes as vidas, acompanhava os netos que iam chegando, a roda da vida girando. Com o tempo, a própria velhice, no quadro da média de vida da época, bateu-lhe à porta. Do mesmo modo lhe deram aceno as enfermidades. Não tinha mais ânimos nem forças físicas para ir a cavalo ao Cajuru visitar a Chiquita, o genro e os netos. Eles é que iam vê-lo. No Ribeirão, os demais descendentes morando todos próximos, nas terras do próprio pai. Tomando o sol da manhã depois de a geada ceder lugar à luz acalentadora, seus ouvidos doentes escutavam a pedra do moinho lá no fundo da horta. Agora, porém, a engrenagem
antiga não era mais administrada pelas mãos da sua Ilídia. Eram as filhas Maria e Laurinda, os genros e os netos que ali labutavam. De tropas, ele não mais cuidava. Tivera já que aposentar-se dos trabalhos da vida, pois seu tempo de energia para tanto já se tinha passado. No fim de tarde dum dia ameno, de uma serenidade que vem nos tempos de outono com folhas secas na certeza de que tudo germinará novamente, o bisavô Colodino, sentado numa pedra perto da porta da cozinha, bebia leite e comia farinha de mandioca, o manjar de que não abria mão. Comia pouco e com vagareza da boca, mas com gosto, muito gosto. A boca se movendo lenta, os olhos fixos lá no ponto escuro entre as árvores onde o moinho jazia parado, a pedra imóvel. De repente um engasgo, a falta de ar, os olhos se fechando úmidos de lágrimas. A Boca da Mata se fechou na boca da noite.
PÁG. 16 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 224 - DEZEMBRO 2021
ESPORTE
VANUZA RESENDE
Luiz Nei Resende já é conhecido em Resende Costa pelo seu bom desempenho em provas de atletismo. E não foi diferente quando o atleta representou a cidade no Desafio Circuito das Serras, nos dias 06 e 07 de novembro, em São Bento do Sapucaí (SP). No sábado, fez um percurso de 24,5 km, com 2 horas e 36 minutos, superando 1.100 metros de ganho de elevação. O atleta foi o primeiro colocado, com 4 minutos e 50 segundos de vantagem para o segundo colocado. Já no domingo, dia 07 de novembro, foram 17 km percorridos em 1 hora e 19 minutos, chegando também na primeira colocação. “Foi uma experiência muito legal, sendo a primeira vez que corro uma prova em dois dias com a soma dos tempos. Não foi fácil; depois de correr no sábado um percurso duro, encarar mais uma prova no domingo, com as pernas já cansadas. Mas saí muito satisfeito com a performance, conseguindo vencer um dos principais atletas do Brasil (José Virgínio), que já ganhou muitas corridas Brasil afora e no exterior”, comemora Luiz.
Foto: Arquivo Pessoal
Resende-costense é campeão em Desafio Circuito das Serras
Luiz Nei, em primeiro lugar no pódio
INAUGURADO PROJETO “CRAQUE DE OURO DO ESPORTE PARA A VIDA” O projeto “Craque de Ouro – do esporte para a vida”, desenvolvido pela Prefeitura Municipal através da Divisão de Esportes da Secretaria de Educação, Esporte e Lazer, pelo Expedicionários e pela Associação dos Moradores e Amigos do Tijuco (AMAT), foi lançado no dia 21 de novembro. “Vamos levar aqueles que se destacarem para avaliações em clubes profissionais. Também realizaremos, juntamente com a Assistência Social, palestras e cursos
para os participantes. O projeto vai ser um fortalecedor no município. Vamos cobrar dos garotos frequência e desempenho escolar. Faremos amistosos, torneios com os meninos e isso vai ajudar a tirá-los das ruas, dos jogos eletrônicos, do vício em celulares, por exemplo”, disse Paulo Ricardo, coordenador do projeto. Ao todo, até o momento, são 125 garotos inscritos, mas a expectativa dos organizadores é de chegar a 200 alunos. As atividades são realizadas no campo do Tijuco, às segundas-feiras, e no Campo do Expedicionários, às quintas-feiras. Para se inscrever, basta entrar em contato com a sede da Amat, ou com o Paulo Ricardo.
Athletic Club fará seis jogos em casa no Campeonato Mineiro 2022 Um deles será contra o Cruzeiro paralelas ao Campeonato Mineiro e disputadas neste ano também foram mantidas, como o Troféu Inconfidência e Recopa Mineira, disputados pelos clubes que terminam de 5º a 8º lugares na primeira fase. O Athletic jogara fora de casa contra Uberlândia, Pouso Alegre, América, Atlético e Caldense. Em casa, enfrentará Cruzeiro, Tombense, Patrocinense, Democrata, URT e Vila Nova. O diferencial da temporada serão os seis jogos em casa, enquanto que em 2021 foram seis jogos fora e apenas cinco com mando de campo do Esquadrão.
Lembrando que em 2021 os jogos contra Atlético e América foram realizados em Juiz de Fora, devido à iluminação insuficiente do Estádio Joaquim Portugal. A fase de classificação acontecerá entre 26 de janeiro e 20 de março, em 15 datas disponíveis. Não haverá rodada no dia 26 de fevereiro, sábado de Carnaval. Os dois clubes com pior campanha na primeira fase serão rebaixados. A novidade, nesta temporada, é a presença de Villa Nova-MG e Democrata de Governador Valadares, recém-promovidos ao Módulo I.
O BRASILEIRÃO 2021 é do GALO! VANUZA RESENDE/ ANDRÉ EUSTÁQUIO
Entre tantas características de um time de futebol, as do Atlético Mineiro são a cara do Campeonato Brasileiro. O Galo de 2021 é, acima de tudo, um time de fôlego. No dia em que Minas Gerais completou seus 301 anos, os seus filhos a pintaram de preto e branco. O estado tão acolhedor mostrou hospitalidade a tantos estrangeiros que vestiram com honra a camisa alvinegra. Se foram necessários 50 anos para o Galo sair do quase, o título de 2021 coroa o que os comandados de Cuca souberam fazer com maestria: usaram da fé e do pé no chão do técnico; da força de um herói; da experiência de quem joga aos 35 anos aliada ao fôlego, à irreverência e habilidade dos garotos. A torcida do Galo sabe que comemorar um título requer uma dose extra de sofrimento. Nessa temporada não foi diferente para o Atlético. A matemática importunou (não chegou a ameaçar) o grito de campeão por algumas vezes. No jogo contra o Bahia, na Fonte Nova, os 2 a 0 que pareciam improváveis de acontecer a favor dos donos da casa, ameaçados pelo rebaixamento, surpreenderam e fizeram os atleticanos reviver novamente o “eu acredito”, repetido exaustivamente pela massa em 2013 – ano da conquista inédita da Libertadores e que marcou o surgimento da nova (e vencedora) fase do Clube Atlético Mineiro. Por acreditar, mais uma vez, que era possível, três gols saíram em 5 minutos e o alvinegro virou o jogo. Saiu, enfim, o grito de bicampeão após 50
anos, colorindo de preto e branco as Minas Gerais. Em Resende Costa, o jogo ainda não havia terminado e a euforia dos torcedores já tomara as ruas da cidade. Foguetes, carreata e o grito de “É campeão” agitaram a noite da quinta-feira, 2 de dezembro de 2021. Vencer, vencer, vencer – esse foi o espírito do Galo, dentro e fora de casa. Foram 18 jogos sem perder – uma campanha irretocável, digna dos grandes campeões do Brasileirão na era dos pontos corridos. Foram necessários 50 anos para a massa alvinegra comemorar novamente o título de campeão brasileiro, no torneio de futebol considerado o mais difícil do planeta. O desejo de ver o Galo levantar a taça, o amor pela camisa e o reencontro com o time nos estádios após longo período devido à pandemia, uniram os torcedores atleticanos, que bateram o recorde de público em 2021. Na vitória por 2 a 0 sobre o Juventude, pela 34ª rodada, 61.476 apaixonados torcedores lotaram o Mineirão. Se teve quem contestou a chegada do Cuca ou do Hulk ao Atlético, não há quem conteste esse título, que pôde ser previsto antes mesmo da bola rolar. Resposta para isso? Investimento, organização, gestão e planejamento. Essa fórmula garante à apaixonada torcida atleticana sonhar com novos títulos e novas temporadas gloriosas. Se hoje o Galo ganhou, o amanhã alvinegro é prelúdio de novas e importantes conquistas nos gramados de Minas Gerais e do Brasil! Foto Reprodução
No dia 28 de novembro, foi divulgada a tabela do Campeonato Mineiro Módulo I – 2022. O Athletic Club, de São João del-Rei, vai receber um dos gigantes do futebol de Minas, o Cruzeiro. O jogo acontecerá no dia 30 de janeiro às 11h, no Estádio Joaquim Portugal. O formato do campeonato de 2022 será o mesmo que foi adotado em 2021. Os 12 times participantes da competição se enfrentarão em turno único, avançando os quatro primeiros colocados para as semifinais. A novidade em 2022 será a final em jogo único. Competições
BRASILEIRÃO 2021
Pôster do Galo Bicampeão Brasileiro feito pelo cartunista Quinho