Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br
FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
• NOVEMBRO 2021 • Nº223
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Estado de MG determina 100% da volta presencial das aulas nas redes pública e particular Foto: André Eustáquio
Após a tempestade... ...vem a esperança de tempos melhores. Com o avanço na campanha de vacinação no Brasil, a pandemia vem mostrando sinais claros e consistentes de queda, o que possibilita a volta de atividades que sofreram graves consequências com o fechamento do comércio, como os setores do turismo e do entretenimento. Reportagem especial desta edição do JL mostra como o retorno do turismo e a reabertura do comércio estão sendo avaliados por empresários de Resende Costa PÁG 13
ANO XVIII
Resende Costa vai se iluminar para celebrar o Natal Projeto Natal Luz, batizado neste ano com o nome “Natal Tecendo Luz”, vai decorar com iluminação pontos turísticos da cidade, como o Mirante das Lajes, Praça Mendes de Resende, Praça Rosa Penido, canteiro central da Avenida Ministro Gabriel Passos e CAT (Centro de Atendimento ao Turista). “Queremos fazer do Natal um momento diferente, voltado às famílias da nossa cidade, bem como atrair e receber bem os turistas que nos visitam”, disse o vice-prefeito em exercício, Lucas Paulo.
PÁG 12
Escola Estadual Assis Resende voltou com as aulas presenciais seguindo as determinações do estado
Em Resende Costa, os alunos começaram a voltar, de forma gradual, às salas de aula no início de outubro. Com a nova deliberação
do governo do Estado de Minas Gerais, desde o último dia 3 de novembro as escolas deverão receber 100% dos alunos. As recomenda-
ções sanitárias, como uso constante de máscara e higienização das mãos, fazem parte do protocolo de segurança. Leia entrevista no Jogo
Aberto desta edição com o professor da UFSJ, doutor em Educação, Heitor Antônio Gonçalves. PÁG 06
PÁG. 2 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
EDITORIAL Prioridade para a Educação
Jornal das Lajes Ltda Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende
E
X
P
E
D
I
E
N
T
E
Com o avanço da campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil, o chamado e tão aguardado “novo normal”, vem se concretizando neste final de 2021. O comércio reabriu as portas, setores do turismo e do entretenimento vêm ganhando novo fôlego, torcedores voltando aos estádios de futebol e alunos retornando às salas de aula. A vida começa, aos poucos, a entrar na rotina de antes da pandemia. Devido às necessárias medidas restritivas do isolamento social, muito se falou que um dos legados deixados pela pandemia seria uma mudança radical no estilo de vida das pessoas, nas relações interpessoais e de trabalho, ou seja, a Covid-19 causaria uma transformação sem volta na forma como nos relacionamos. Novos hábitos surgiram com o isolamento social, como o trabalho em home office, as vendas por delivery, reuniões on-line e lives. Alguns desses novos costumes dão sinais de que vieram para ficar. O home office, por exemplo, mostrou-se eficaz para algumas atividades de trabalho, reuniões tornaram-se mais produtivas e objetivas ao congregar os participantes através das telas de celulares e notebooks. No entanto, após quase dois anos de vida digital reclusa, sentimos falta do encontro, do mundo real. Há atividades para as quais a presença física é fundamental. Reportagem de capa desta edição do Jornal das Lajes aborda o retorno dos alunos às aulas presenciais e o impacto que o fechamento das escolas causará, em longo prazo, na vida dos estudantes. As aulas remotas serviram como facilitador para mitigar o enorme problema causado pelo distanciamento entre alunos e professores. Há que concordar que o ambiente pedagógico, o barulho nos recreios, a saída para a merenda, a correria nos corredores e nos pátios da escola são insubstituíveis no processo ensino/ aprendizagem e impossíveis de acontecer remotamente. Mesmo que se coloque em discussão a eficácia do “velho” formato da sala de aula, onde alunos escutam o professor lhes transmitir o conteúdo da matéria, ainda não foi testada nenhuma fórmula que o substitua com sucesso e em definitivo. Nestes tempos pandêmicos, a tecnologia surgiu como alternativa para facilitar muitas coisas, e de fato o fez, mas não conseguiu substituir o necessário contato humano. Afinal, somos, essencialmente, seres de relação. Como é bom ver novamente os alunos vestidos com uniformes e se dirigindo novamente à escola após longo tempo em casa! Escolas abertas representam a vitória inconteste do conhecimento e da ciência sobre o obscurantismo e o negacionismo. A OMS (Organização Mundial de Saúde) alertara, ainda no final de 2020, que a reabertura segura de escolas e universidades deveria ser encarada como prioridade pelos governantes. Infelizmente não foi isso que vimos. Percebeu-se que reabertura de shoppings e bares ganhara mais atenção do que a volta às aulas presenciais. Mas, como diz o ditado popular, “antes tarde do que nunca”. As escolas reabriram e o momento é de planejamento e dedicação. “(A reabertura) acho que tem que ser com muita tranquilidade. Não pode ser algo feito às pressas, com aquela preocupação: vamos tentar alfabetizar num tempo mais rápido ou então vamos trabalhar conteúdos de forma mais rápida. O tempo perdido já foi perdido. O que nós temos que fazer agora é uma retomada consciente, tranquila, dentro de uma certeza pedagógica muito grande do que se está fazendo”, disse em entrevista ao Jogo Aberto desta edição o professor da UFSJ e doutor em Educação, Heitor Antônio Gonçalves. É com planejamento, diálogo e investimento que construiremos uma Educação de qualidade, capaz de transformar a sociedade e iluminar o futuro que desejamos para o nosso país e as futuras gerações.
Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:
Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
Acontecimentos ambientais em Resende Costa No segundo semestre de 2021, aconteceram três eventos de significativa importância ambiental em Resende Costa. São eles: a criação do Coletivo Local de Meio Ambiente, a implantação do projeto Conservador da Mantiqueira e a devolução do Horto pelo Estado ao município. A seguir, mencionaremos as principais informações sobre os mesmos. O Coletivo Local de Meio Ambiente, chamado de Colmeia, é um dos braços executivos do programa Pró-Mananciais, desenvolvido pela Copasa. O programa tem como objetivo desenvolver ações visando à preservação dos mananciais (que são todas as fontes de água utilizáveis para o abastecimento público, sendo essas superficiais ou subterrâneas), buscando parceria com a comunidade local. Segundo a empresa, “o programa tem em sua concepção a cultura de sustentabilidade, ações de sensibilização, mobilização e de educação ambiental; valorização dos saberes e crenças das comunidades, estímulo à mudança de hábitos e costumes, a ética do cuidado; a construção coletiva do sentimento de pertencimento à microbacia hidrográfica; e a responsabilidade compartilhada.” Para execução das atividades previstas no Pró-Mananciais, são criados os Colmeias locais, envolvendo, além da própria Copasa, prefeituras, órgãos públicos, empresas privadas e a sociedade civil organizada (ONGs, instituições de ensino etc.). Resende Costa foi selecionada para receber, a partir de 2021, as ações do Pró-Mananciais. O Colmeia teve sua primeira reunião no último dia 21 de julho, no escritório da Copasa, sendo composto pelas seguintes entidades: Secretaria
Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente (coordenador), Copasa (secretaria executiva e comunicação), Conselho Municipal de Conservação, Defesa e Desenvolvimento do Meio Ambiente (Codema), Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos, representante dos produtores rurais, Emater, IEF e o IRIS. O objetivo do Colmeia Resende Costa é viabilizar ações visando à revitalização socioambiental do manancial de abastecimento público do córrego Vassouras, com recursos provenientes da Copasa e de outas instituições parceiras. As águas que abastecem a cidade atualmente provêm desse córrego, uma vez que o manancial do Tijuco não está sendo mais utilizado. CONSERVADOR MANTIQUEIRA No dia 17 de agosto, foi apresentado no povoado dos Pintos, zona rural de Resende Costa, na Escola Municipal Carlos Pinto, o projeto Conservador da Mantiqueira. Segundo informações do site, “o Plano Conservador da Mantiqueira é uma iniciativa coletiva que une agentes na esfera pública, no terceiro setor, em instituições de ensino e no setor privado em prol do mesmo objetivo: promover a restauração de paisagens na região de influência da Serra da Mantiqueira”. Trata-se de uma ampliação de outro projeto, o Conservador das Águas, implementado pela prefeitura de Extrema, cidade do Sul de Minas. O mesmo já foi amplamente divulgado pela mídia, inclusive com várias reportagens exibidas na televisão. O Conservador da Mantiqueira se espalha por 284 municípios nos três estados abarcados pela Serra da Mantiqueira
(MG, RJ e SP) e se organiza em 20 núcleos (cidades-polo). Resende Costa pertence ao núcleo de Barbacena. A região de abrangência do projeto tem o potencial de preservação ambiental de 1,2 milhão de hectares, sendo previsto o cercamento e o reflorestamento de Áreas de Preservação Permanente – APPs (entorno de nascentes, beira de cursos d’água e topos de morros). Há também a previsão para pagamento de R$300,00 por hectare preservado/ano, por um período de 5 anos. O projeto, que conta com apoio financeiro internacional, está sendo encabeçado pelo IEF (Instituto Estadual de Florestas), regional de Barbacena. Em Resende Costa, conta com a parceria da Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente. Inicialmente, foram cadastrados voluntariamente 31 proprietários rurais. HORTO FLORESTAL Por último, uma das demandas antigas do IRIS (Instituto Rio Santo Antônio) se concretizou por intermédio da Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente. No dia 27 de setembro, foi assinado um ofício pela Diretora-Geral do IEF (Ofício IEF/GAB nº. 251/2021), devolvendo o Horto (Viveiro Florestal do IEF em Resende Costa) ao município. Trata-se de uma área de 3,0 hectares que foi doada pela Prefeitura ao IEF, com vista à instalação de um viveiro para produção de mudas florestais (Lei Municipal nº 543, de 29/03/67). A área será incorporada ao Parque Natural Municipal Capoeira Nossa Senhora da Penha. A expectativa é a de que a prefeitura invista recursos para a melhoria da infraestrutura para que o espaço seja melhor aproveitado pelos resende-costenses.
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
Dignidade menstrual No dia 13 de outubro último, foi aprovado pelo Legislativo Municipal o Projeto de Lei nº 96/2021, de autoria dos vereadores Fernando Chaves e Fernando Guerra, que resultou na Lei Municipal nº 4.809/2021. O projeto dispõe sobre as diretrizes para ações de promoção da dignidade menstrual no município de Resende, com o objetivo de promover a garantia de cuidados básicos e a conscientização acerca da menstruação. São também objetivos do programa a promoção de atenção integral à saúde da mulher, garantindo os cuidados básicos decorrentes da menstruação; a universalização do acesso de mulheres vulneráveis economicamente aos absorventes higiênicos; a aceitação do ciclo menstrual como um processo natural do corpo; a redução de faltas em dias letivos de estudantes em período menstrual, evitando prejuízos à aprendizagem e ao rendimento escolar; o combate à precariedade menstrual. A ação tem como objetivos fundamentais: o desenvolvimento de ações e a articulação entre órgãos públicos, sociedade civil e a iniciativa privada, que visem ao desenvolvimento do pensamento livre de preconceito em torno da menstruação; incentivo a palestras e cursos nos quais a menstruação seja abordada como um processo natural do corpo
feminino, com vistas à proteção à saúde da mulher; elaboração e distribuição de cartilhas e folhetos explicativos que abordem o tema da menstruação, objetivando ampliar o conhecimento e desmistificar a questão; promover o acesso das pessoas em situação de vulnerabilidade social a absorventes e/ou coletores menstruais, com possibilidade de aquisição pelo Poder Executivo através de compra, doação ou outras formas, mediante parcerias com a iniciativa privada ou organizações não governamentais; realização de ações para garantir explicações acerca de como utilizar o coletor menstrual, caso seja distribuído; realização de pesquisas para aferição dos lares nos quais as pessoas que menstruam não têm acesso a absorventes higiênicos, visando direcionar e aperfeiçoar ações governamentais. O vereador Guerra, um dos autores do projeto, comenta: “Pesquisei muitos relatos sobre o assunto, principalmente envolvendo o processo da saúde da mulher tanto física quanto emocional e me deparei com um projeto da companheira vereadora Joice Alvarenga, da cidade de Formiga (MG). Eu trouxe esse projeto para a realidade do nosso município. Repassei a ideia do projeto para os companheiros de São João del-Rei. A companheira Lívia fez o projeto e saiu nas pá-
ginas do jornal Estado de Minas. Fernando Chaves iria protocolar o projeto parecido com o meu. Foi então que ele me procurou para sermos autores desse projeto de lei e eu aceitei. É muito bom juntarmos forças. O projeto foi votado de forma unânime e posteriormente sancionado pelo Lucas, vice-prefeito em exercício.” Também autor do projeto, o vereador Fernando Chaves comenta: “A mulher enfrenta várias dificuldades a mais do que os homens para se colocarem no mercado de trabalho. Vários ambientes sociais ainda são muito machistas e não abrem espaço para a mulher. Um exemplo disso é a política, que ainda é um ambiente dominado pelos homens. Esse projeto vem para combater a pobreza menstrual para que a questão da menstruação não se coloque como mais um obstáculo para as mulheres pobres. Existem dados que mostram que meninas pobres faltam às aulas e até abandonam a escola por causa da menstruação, sem falar que a higiene menstrual inadequada pode causar infecções e doenças. Fico feliz de ter sido um dos porta-vozes dessa questão em Resende Costa e tenho certeza de que esse projeto irá melhorar a vida de muitas pessoas. A distribuição de absorventes para meninas pobres não é um privilégio, é um direito básico delas.”
• PÁG. 3
INFORME PUBLICITÁRIO
Indicações aprovadas pelos vereadores durante reuniões ordinárias do mês de outubro • Contratação de psicólogos para atendimento nas escolas municipais (Vereador Cláudio) • Criação do programa Bolsa Atleta (Vereador Guerra) • Soldagem de chapas de ferro em mata-burros nas estradas vicinais e melhoria nas condições de estradas rurais (Vereador Paulinho) • Reforço escolar para crianças em situação de vulnerabilidade que são atendidas pelo CRAS – Centro de Referência de Assistência Social (Vereador Cláudio)
Requerimentos aprovados • Promoção de palestra pela Escola do Legislativo ministrada por profissional da área ambiental com formação superior, sobre o seguinte tema: gestão municipal de resíduos sólidos e destinação correta e eficiente do lixo, incluindo temáticas como coleta seletiva, usina de triagem e compostagem, aterro sanitário, ICMS ecológico e principais legislações relacionadas (Vereador Fernando Chaves) • Encaminhamento de ofício à Polícia Civil, solicitando informações sobre a viabilidade de se realizar operação para emissão de carteiras de identidade na cidade de Resende Costa (MG), tendo como público-alvo principalmente os jovens (Vereador Fernando Chaves) • Encaminhamento de ofício à Viação Presidente-Ltda., solicitando atenção especial em relação aos horários de ônibus do trajeto entre os municípios de Resende Costa (MG) e São João del Rei (MG), via MGC 383, uma vez que houve redução significativa da oferta de viagens intermunicipais da linha, devido aos efeitos da pandemia de Covid-19. Até a presente data não houve mudança desse cenário (Vereador Guerra) • Encaminhamento de ofício ao DER/MG – Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais –, solicitando atenção especial em relação às condições de manutenção da estrada de ligação entre os municípios de Resende Costa (MG) e São João del-Rei (MG), mais especificamente no tocante ao trecho do KM 03. Solicita ainda instalação de placas de sinalização de entrada e saída de veículos nos acessos aos povoados do Brumado e do Barro Vermelho (Vereador Paulinho)
Projeto de lei aprovado - Projeto de Lei nº 108/2021 – de autoria do vereador Guerra – “Dispõe sobre a criação do Programa de Saúde Vocal para professores da rede municipal de ensino de Resende Costa e dá outras providências”. O Programa Saúde Vocal abrangerá: a assistência preventiva, por meio da rede pública de saúde; a capacitação dos professores, com a realização de treinamentos teóricos e práticos que orientem e habilitem esses profissionais quanto ao uso adequado da voz profissionalmente; a adequação do processo e do ambiente de trabalho do professor, com o fim de reduzir o seu esforço vocal e garantir melhor desempenho fônico; a reabilitação dos profissionais acometidos por desordens vocais ou laríngeas, por meio de atendimento fonoaudiológico; a promoção da saúde auditiva e a prevenção, a identificação precoce e o tratamento dos problemas auditivos. Projeto resultou na Lei Municipal nº 4.811/2021. Vereador Fernando Chaves
Vereador Guerra
PÁG. 4 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
GOVERNO MUNICIPAL INFORMA
INFORME PUBLICITÁRIO
Prefeitura investe em reforma do Ginásio Monsenhor Nelson e no apoio a atividades esportivas Através da Secretaria de Obras e da Divisão de Esportes, o ginásio poliesportivo Monsenhor Nelson recebeu diversas melhorias recentemente. Valendo-se do tempo que o espaço ficou fechado para a prática de esportes devido à pandemia, a Secretaria realizou a reforma das arquibancadas, pintura da parte interna, reparos no sistema elétrico e nos vestiários. Com estas melhorias, a Divisão de Es-
portes espera oferecer um espaço cada vez melhor para a prática de esportes ali realizados, como futsal e vôlei, além de preparar o ginásio para futuras competições, oferecendo mais conforto para atletas e também para o público. Além da reforma de espaços físicos, a prefeitura segue apoiando a realização de competições e a prática de diversos esportes: Motocross (Copa Sul Mineira e Campe-
onato Mineiro de Regularidade), Futebol (10º Regional e V Municipal), Futsal (Copa Outubro Rosa), Corridas (Duathlon, Cross Country e Forrest Run), etapas do circuito RTR (1ª RTR Presencial, Cross Duathlon, Night Trail Run e Ultra RTR), Jogos Escolares Virtuais da Escola Municipal Paula Assis (Ribeirão) e participação de munícipes em competições de Fisiculturismo e Jiu-Jitsu.
Prefeitura Municipal lança oficialmente o programa Progredir No dia 21 de outubro, em evento realizado no Centro de Convenções Lilia Lara, foi lançado o programa Progredir, que vai garantir alimentação de qualidade para 100 famílias resende-costenses. A cerimônia teve início às 18h e contou com a presença de autoridades e também de beneficiários do programa. O vice-prefeito em exercício no cargo de prefeito, Lucas Paulo, destacou a importância do programa: “O Progredir veio para garantir às famílias uma alimentação de qualidade e incentivar que estas mesmas famílias busquem o seu próprio bem-estar social, cumprindo as exigências do programa, como frequência escolar das crianças e participação em oficinas profissionalizantes. Além disso, o programa vai gerar renda também para a agricultura familiar local, fortalecendo os feirantes e agricultores”. O Progredir foi elaborado pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Assistência Social e da Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente, com o intuito de
prestar assistência alimentar a famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, promovendo dignidade e bem-estar social. “O programa Progredir foi elaborado pensando na dignidade humana, dando condições para o beneficiário adquirir alimentos de acordo com suas próprias necessidades. O Progredir visa também incentivar uma maior participação das famílias nos projetos realizados pelo CRAS. Assim, esperamos que, o quanto antes, estas famílias possam ter autonomia social, profissional e econômica”, afirmou Edirlene do Nascimento, secretária de Assistência Social. A seleção das famílias beneficiadas foi realizada pela equipe do CRAS, com base no CadÚnico. Na cerimônia de ontem, cada família recebeu um cartão, representando um auxílio de R$80,00/mês. Este auxílio deve ser utilizado única e exclusivamente nos comércios que fazem parte da Feira Livre do Rosário. Assim, o programa favorece também o comércio local e a agricultura familiar do nosso município. A estimativa é que o programa
movimente cerca de R$96 mil até o fim de 2021. “O Progredir chega para mudar a vida de várias famílias em Resende Costa, proporcionando uma ajuda financeira e também estrutural, através da realização de cursos e um acompanhamento nas áreas da saúde e educação. O programa também é um grande incentivo aos produtores rurais, já que vai movimentar a economia da feira, fomentando ainda mais o apoio aos feirantes”, afirmou Alexssander Lourdes, secretário de Agropecuária e Meio Ambiente. Para garantir a continuidade do auxílio, as famílias terão que cumprir exigências como frequência escolar, carteira de vacinação em dia, participação em oficinas ofertadas pelo CRAS, entre outras. Com a implantação do programa Progredir, a Prefeitura Municipal busca garantir mais qualidade de vida através da oferta de alimentos saudáveis, fortalecer a economia local e desenvolver a capacidade profissional, educacional e a saúde dos beneficiários do programa.
Nova médica assume o PSF2 de Resende Costa No dia 20 de outubro, o vice-prefeito em exercício no cargo de prefeito, Lucas Paulo, e o secretário de Saúde, José Luiz de Resende, receberam a nova médica do PSF 2, a Dra. Júlia Arantes Oliveira, contratada através de processo seletivo. Com a chegada da nova profissional, o sistema de saúde municipal conta agora com 4 médicos, aprimorando e tornando mais eficaz a cobertura do SUS (Sistema Único de Saúde) em nosso município. “Desde o início, nossa administração tem como prioridade melhorar o sistema de saúde de Resende Costa, investindo em diversos segmentos da área, como marcação de exames laboratoriais e oferta de cirurgias. E agora, com a chegada da nova médica, poderemos oferecer
Projeto “Domingo da Família no Parque” é lançado com sucesso
No dia 31 de outubro, a Prefeitura Municipal lançou o projeto Domingo da Família no Parque, proporcionando um dia de muita diversão e lazer para as famílias de Resende Costa. Desenvolvido através da Secretaria de Assistência Social e com o apoio da Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente, o Domingo da Família foi realizado no Parque de Exposições e ofereceu, de forma totalmente gratuita, acesso a mais de 20 brinquedos e lanches para crianças de todas as idades. Outro grande destaque do Domingo da Família no Parque foi a presença do Galo Doido, mascote do Atlético Mineiro - uma parceria com o Instituto Galo, uma associação sem fins
lucrativos, vinculada ao clube da capital. A visita do mascote movimentou a cidade, fez a alegria dos torcedores e chamou a atenção até mesmo do presidente do Atlético. Com a implantação do “Domingo da Família no Parque” a prefeitura busca contribuir para uma sociedade melhor, onde o maior número de pessoas tenha acesso a atividades de lazer e recreação de qualidade, construindo uma cidade mais humana, solidária e feliz, Com a criação deste evento, a Prefeitura Municipal espera também aproveitar melhor o espaço do Parque de Exposições. E fique ligado: em breve teremos mais um dia de muita diversão com o Domingo da Família no Parque!
Prefeitura adquire caminhão zero-quilômetro
serviços de saúde com ainda mais qualidade e agilidade. Então, seja bem-vinda, Dra Júlia. Tenho certeza
que seu trabalho será muito importante para nosso município”, declarou Lucas Paulo.
Para dar mais agilidade aos serviços de manutenção das estradas vicinais, a Prefeitura Municipal adquiriu mais um caminhão para sua frota. O veículo é zero-quilômetro, modelo Volkswagen VW 17320 (2021/2022). Com essa nova aquisição, a Secretaria de Obras e Serviços Públicos recebe mais uma ferramenta para dar continuidade aos serviços de manutenção das estradas rurais, facilitando a execução e agilizando os trabalhos.
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
JOGO ABERTO
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Fala-se muito em recuperar o tempo perdido no retorno às aulas. Mas essa ideia tem de ser vista com muito cuidado. De nada adiantam ações no sentido de tentar recuperar “esse tal tempo perdido” para os alunos se os professores também não tiverem as condições necessárias reconhecidas pelo poder público. Essa é a visão do professor Heitor Antônio Gonçalves, doutor em Educação, com atuação nas áreas de Didática e Práticas de Ensino, Educação Matemática e Ensino de Ciências, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). “Eu acho que tem que ser com muita tranquilidade. Não pode ser algo feito às pressas, com aquela preocupação: vamos tentar alfabetizar num tempo mais rápido, ou então, vamos trabalhar conteúdos de forma mais rápida. O tempo perdido já foi perdido. O que nós temos que fazer agora é uma retomada consciente, tranquila, dentro de uma certeza pedagógica muito grande do que se está fazendo.” E isso demanda muito diálogo. Nesta entrevista ao JL, o professor fala sobre o impacto da pandemia no ensino, o retorno às aulas e o futuro. Quais foram os principais impactos da pandemia no ensino básico? A pandemia realmente teve um impacto grande porque os alunos, quando deixam de ir à escola, têm uma perda com relação a aspectos do conhecimento escolar, o que vai influenciar na aprendizagem, e também a aspectos psicológicos, mais envolvidos com fatores sociais, porque o aprendizado se inicia na interação com o meio ou com pessoas do seu entorno. Houve, tanto na escola básica pública quanto na escola privada, um impacto muito grande. O início da modalidade remota de ensino também impactou não apenas a escola pública, como também as particulares. Uma das tarefas agora será avaliar esse impacto… O resultado em termos de aprendizado tem que ser avaliado – em cada país, já estão sendo feitas pesquisas com relação ao estudo desses impactos. Não obstante, é importante dizer, a criança, o jovem ou mesmo o adulto estudante não param de se desenvolver intelectualmente, cognitivamente… A grande defasagem fica por conta do conhecimento escolar (crianças que estão na fase crucial da alfabetização, por exemplo), mas esse aspecto da aprendizagem é plenamente recuperável…Foram, na verdade, quase dois anos porque o ensino remoto não cumpriu, e não cumpre, o objetivo pleno. No entanto,
Foto: Arquivo pessoal
Na volta às aulas, recuperar o “tempo perdido” exigirá “muita tranquilidade”
Professor Heitor Antônio Gonçalves, doutor em Educação
eu acho que tal prejuízo é plenamente recuperável. Nós vamos ter um atraso temporal. A experiência do ensino on-line contribuiu para aumentar as diferenças sociais? Na verdade, a pandemia descortinou algumas mazelas da sociedade e, por conseguinte, da educação brasileira. Uma delas é justamente a falta de conhecimento da tecnologia e das possibilidades dela como auxiliar do conhecimento… A grande maioria dos alunos, principalmente da escola pública, não tem equipamentos adequados. Há casos de muitas famílias utilizando celulares, alunos utilizando celulares; mas, por outro lado, existem aqueles casos de apenas um celular para a família inteira… Foi uma experiência dramática, não obstante os professores, os coordenadores pedagógicos, os gestores da escola, terem feito um trabalho heroico, tentando diminuir a grande defasagem em termos de aprendizagem. Mas no caso das famílias de baixa renda o drama foi bem maior. Foi uma experiência de ensino que, ao mesmo tempo, acabou criando uma condição para os professores aprenderem… Porém, a falta de infraestrutura, tanto para o aluno quanto para o professor, aumentou realmente as diferenças sociais. O que o senhor acha do retorno às aulas neste momento? Há notícias de que muitos alunos não retornaram por motivos diversos, como questões financeiras e sociais. O índice de retorno em várias escolas tem sido muito pequeno. Agora em que alguns estados insistem em 100% de retorno, talvez aumente essa presença… Talvez alguns pais estejam aguardando estudos que mostrem se esse retorno vai implicar num índice maior de incidência da Covid nos estudantes… Já temos adolescentes vacinados a partir dos 12 anos, sendo que, basicamente, as crianças não estarão vacinadas – as crianças foram poupadas, de certa forma, mas há que ter estudos que apontem realmente para o comportamento do vírus nessa
faixa etária. O retorno às aulas tem que ser seguro, tem que ser apoiado nas conclusões dos cientistas. E deverá ser um retorno com uma adequação comportamental (uso de máscaras, etc.) e uma adequação pedagógica. A minha opinião sobre adequação é diretamente proporcional ao resultado dos estudos calcados na ciência, inclusive em estudos feitos em outros países.
• PÁG. 5
POLÍTICA
Governador Romeu Zema visitou São João del-Rei VANUZA RESENDE
No último dia 21 de outubro, o governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) visitou a cidade de São João del-Rei. Na pauta da visita à cidade histórica, Zema anunciou um repasse de verba à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) no valor de R$ 62,5 milhões. O montante faz parte dos mais de R$ 500 milhões destinados pelo Estado a 10 Universidades através do Programa de Apoio às Universidades Federais de Minas Gerais. Com esses recursos, serão executados 22 projetos na UFSJ. O governador também assinou termo de compromisso com dez cidades da região, incluindo Resende Costa, do Programa Minas Livre para Crescer. Em entrevista produzida pela jornalista Vanuza Resende, da Rádio Emboabas de São João del-Rei, o governador falou, entre outros assuntos, sobre a situação da BR 265. Romeu Zema reconheceu que a
estrutura da rodovia não é boa e que conversa com a bancada mineira em Brasília e com o Ministro de Infraestruturas, Tarcísio Gomes de Freitas. “Ontem mesmo eu conversei com o Ministro Tarcísio. Falei que estava passando pela estrada e que ela precisa de intervenções. Tenho tentado junto à bancada mineira que a gente consiga melhorias nessa estrada. O ideal é que ela seja duplicada”, disse Zema. O governador, que deixou clara sua intenção de tentar a reeleição em 2022, disse ainda que, se o estado tiver condições, pode pedir ao governo federal a estadualização da BR. “Se não for possível duplicar, que pelo menos seja feito um investimento menor e que possa ser melhorada a situação atual. Vale lembrar que temos instrumentos de estadualização e, se o estado estiver bem, a gente pode falar: ‘passa essa estrada para nós que vamos tomar conta e fazer direito’. Mas isso leva tempo, não dá para fazer isso de uma hora para outra”, concluiu Zema.
Quais são as condições básicas para esse retorno na sua opinião? Primeiramente, nós temos que ter as condições físicas: salas de aula adequadas e o respeito ao distanciamento físico. Essas condições básicas dependem do que a ciência vai nos dizer. Os profissionais de educação e as crianças têm que ser acompanhados o tempo todo. Espera-se que haja acompanhamento do setor de saúde e dos próprios pesquisadores nos levantamentos dos índices de Covid nesse momento mais crucial de retorno. O ensino on-line será incorporado no pós-pandemia? Eu acho que nós experimentamos algumas ações on-line que podem ser mantidas, mas ainda temos na escola pública o grande problema da infraestrutura de equipamentos, da rede de internet, entre outros obstáculos. Isso é uma característica do Brasi. Em termos de escola pública, acredito que teremos um sistema misto até que haja segurança total – até as coisas melhorarem, até chegar num patamar aceitável para que os alunos, os professores, os funcionários das escolas, os educadores de maneira geral possam frequentar com tranquilidade o espaço escolar com segurança. Penso que ainda vai demorar muito para que a escola pública possa ter um aproveitamento grande de atividades on-line, pois como já mencionei, ela não tem infraestrutura, poucos alunos têm equipamento e a rede de internet muitas vezes é problemática. Como recuperar o tempo perdido? Tem que ser com muita
O governador de Minas Romeu Zema, em visita a São João delRei, ao lado de autoridades políticas regionais
tranquilidade. Não pode ser algo feito às pressas, com aquela preocupação:“vamos tentar alfabetizar num tempo mais rápido”, ou então, “vamos trabalhar conteúdos de forma mais rápida”. Esse tipo de ação, sem um projeto de trabalho, sem uma adequação dos métodos à situação, pode atrapalhar muito mais. A recuperação do tempo perdido tem que ser feita com muita calma, os gestores têm que dialogar com os professores, fazerem um planejamento muito realista, identificar as maiores defasagens, onde e como atacar essas defasagens. Os professores precisam ter condições para fazer um bom trabalho, eles não podem ser em hipótese nenhuma pressionados, no sentido ruim desse termo. Não é saudável nem produtivo que haja esse tipo de pressão negativa, uma vez que o período pandêmico já foi muito angustiante para todos, professores e alunos. Essa angústia tem que ir diminuindo, não aumentando.
Muito diálogo… Os educadores têm que conversar, discutir as questões; as escolas precisam promover essas discussões, também com a participação dos pais. Talvez nem seja questão de recuperar o tempo perdido, mas de tentar fazer um trabalho efetivo que possa ressituar esse tempo, um tempo que não foi proveitoso na sua completude. E que isso também recomponha os alunos. Os professores vão chegar às escolas ainda bastante abalados, com certeza, e esse abalo tem que ser enfrentado com muito cuidado. A retomada abrupta, com uma grande pressão e com a tentativa de se passar apenas – e somente apenas – conteúdo não vai produzir o efeito desejado. É hora de tranquilidade. O tempo perdido já foi perdido. O que nós temos que fazer agora é uma retomada consciente, tranquila, dentro de uma certeza pedagógica muito grande do que se está fazendo (íntegra em www.jornaldaslajes.com.br).
PÁG. 6 • JORNAL DAS LAJES
Educação
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
A volta às aulas presenciais em Resende Costa JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
As aulas presenciais, nas redes pública e particular de ensino, foram retomadas em 3 de novembro, no Estado de Minas Gerais. A decisão foi do Centro de Operações de Emergência de Saúde (COES), da Secretaria de Estado de Saúde, que aprovou a 6ª versão do Protocolo Sanitário de Retorno às Atividades Escolares Presenciais. A medida acabou com a exigência de distanciamento adicional de 90 centímetros entre os estudantes nos ambientes da escola, permanecendo vigentes as demais recomendações sanitárias, como o rastreamento de contato com pessoas infectadas por Covid-19, isolamento e quarentena. Em Resende Costa, as aulas presenciais recomeçaram, de forma gradual, a partir do início de outubro. Na E. E. Assis Resende, a equipe foi capacitada para o retorno dos alunos, segundo Cleisiane de Sousa Silva, professora de matemática este ano do ensino fundamental (período da tarde). “Vamos estar diante de mais um desafio, mas estou me mantendo positiva para que possamos voltar para sala de aula com felicidade e segurança.” Na E. M. Paula Assis, no povoado do Ribeirão de Santo Antônio, zona rural de Resende Costa, as aulas presenciais voltaram, no início de outubro, para alunos com autorização das famílias, diz Virgínia Daher de Oliveira Coelho, diretora da escola. Os demais continuaram com a forma remota, voltando a partir de agora como resultado do avanço da vacinação. Na E. M. Conjurados Resende Costa, as aulas presenciais foram retomadas em 4 de outubro, informou sua diretora Rosenéia Aparecida da Silva Daher Resende. “Dividimos os alunos em dois grupos A e B, ou seja, uma semana frequenta o grupo A e na outra o grupo B.” A escola enviou aos alunosuma cartinha com orientaçõessobre prevenção e adequações na rotina escolar. “Será feito um rodízio entre os alunos que irão participar das atividades presenciais, de forma que haja, todos os dias, distância segura no ambiente escolar”, diz a publicação. Cita ainda medidas de isolamento em caso de sintomas ou de contatos com pessoas que tenham testado positivo para Covid-19. Na rotina escolar, fala de medição de temperatura, marcadores de distanciamento, uso de máscaras, distribuição de álcool em gel etc. Rosenéia ressalta o empenho de toda a equipe pedagógica envolvida nesse processo de reto-
mada às aulas presenciais. PANDEMIA O início da pandemia foi um período de dificuldades para muitos professores e alunos, lembra Cleisiane. A utilização das novas tecnologias no ensino à distância (EAD) exigiu adequação e treinamento (cursos gratuitos, seminários e palestras) que minimizaram as dificuldades. Também “contamos com muitas ferramentas digitais que potencializaram o ensino-aprendizagem na modalidade virtual, além de estarmos trabalhando com o ensino híbrido: aulas síncronas (os professores e estudantes online ao mesmo tempo ou aulas são realizadas ao vivo) e assíncronas (material didático preparado pelo professor e enviado ao aluno, um método inclusivo que permite o aluno estudar no seu ritmo)”. A escola ainda entregou material impresso aos alunos sem conexão à internet e sem dispositivos eletrônicos de comunicação.“Portanto, essas mudanças nos proporcionaram alcançar uma porcentagem maior de participação de alunos nas aulas online no ano de 2021.” Na rede municipal, foi instituído o sistema de estudo remoto que priorizou as apostilas mensais entregue aos alunos, conta Virgínia. “Usamos a forma virtual somente para orientações. Foi a forma mais democrática encontrada. Mesmo assim, nem todos os alunos da Paula Assis concluíam o material mensal.” Na Conjurados, foi ofertado, no ensino à distância “EducaLar”, material impresso para todos os alunos “e praticamente 90% desses realizaram as atividades propostas nas apostilas”, acrescenta Rosenéia. Também foram distribuídos vídeos explicativos dos conteúdos das apostilas, pelos grupos de whatsApp. Vídeos pequenos, “para que todos pudessem ter acesso”, o que “contribuiu para evitar uma desigualdade de oportunidades”. Apesar dos esforços e das alternativas, “este período em que os alunos estiveram fora do ambiente escolar foi muito prejudicial”, admite Virgínia. “E não só no aspecto cognitivo; a convivência com colegas e funcionários da escola é essencial para a socialização de crianças e adolescentes.” Esta troca de experiências e de interação nos espaços de convívio escolar “são vitais para o desenvolvimento do aluno, principalmente nas séries iniciais, que necessitam muito do lúdico”, reforça Eunice Maria Fernandes Coelho, professora no município de Resende Costa. Além disso, “nem todos têm oportunidades iguais de acesso aos meios de
comunicação, o que prejudica o resultado do processo de aprendizagem no ensino remoto”. Para Cleisiane, o aumento da desigualdade educacional levou, algumas vezes, a “uma desmotivação em aprender”. Apesar do desenvolvimento tecnológico e da visível melhoria no ensino a distância, “essa modalidade de estudos ainda não substitui o ensino presencial, pois o ambiente escolar não é apenas um espaço de Educação formal”, mas sobretudo “é um ambiente de interações, vivências e construção de saberes”.Pode-se dizer que o período de pandemia “foi marcado por vários desafios profissionais e psicológicos”, reforça Rosenéia. “O prejuízo educacional foi grande, vamos levar um bom tempo para sanar as defasagens de aprendizagem dos nossos alunos.” Em tempos de pandemia, o desafio, como professora e educadora, “está sendo proporcionar a igualdade de estudos” e de “tentar amenizar os impactos na Educação”, observa Cleisiane. Até porque os danos para os alunos “são maiores, mesmo com todas as ferramentas digitais disponíveis, interessantes e atrativas”, mas que “não substituem aquele período que o aluno está na escola”. Sem falar que “muitos estudantesnão têm em casa dispositivos eletrônicos de comunicação para as aulas virtuais; então, eles recebem a apostila impressa, mas faltou aquele espaço diário de conversa com a comunidade escolar”. Com isso, ela reforça o papel do espaço físico da escola como “um espaço de Educação, diálogo e inclusão”; enfim, “há uma proximidade e maior engajamento nos estudos”. RETORNO Justamente porque as aulas virtuais ainda não substituem o ensino-aprendizagem na escola, Cleisiane diz-se favorável ao retorno às aulas presenciais. “No entanto, todas as medidas protetivas devem ser seguidas para a não propagação do vírus e uma maior amplitude de vacinação.” Também Rosenéia considera este retorno “o mais favorável, pois a Onda Verde (do Programa Minas Consciente) e o avanço da vacinação contribuíram para uma segurança maior para todos”. “Nós ficamos muito apreensivos com esse retorno, mas agora que ele aconteceu foi possível ver que os alunos estão respeitando muito bem as regras de distanciamento e segurança.” No primeiro momento, a estratégia usada é a de acolhimento de funcionários e alunos, a fim de “passar uma tranquilidade necessária para realizar o trabalho de
Alunos da E. M. Paula Assis foram recebidos nas salas organizadas, com distanciamento entre as carteiras
Sala de aula da E. M. Paula Assis preparada para receber os alunos na volta às aulas presenciais
ensino-aprendizagem”, explica Rosenéia. “Depois vamos realizar um diagnóstico para avaliarmos as habilidades pedagógicas que vamos ter, para sanar as dificuldades apresentadas pelos alunos.” De qualquer forma, tudo que o contribui para compensar o “tempo perdido” deve ser levado em conta. “Deverá haver muito planejamento, investimentos e, claro, disposição e união entre família e escola para que juntos possamos tentar compensar o tempo perdido e superar os impasses que virão”, acrescenta Eunice. FUTURO A educação à distância foi “uma boa estratégia para abrandar os prejuízos educacionais no atual momento”, reconhece Cleisiane, destacando o“trabalho empreendedor e dinâmico para amenizar as desigualdades e evasões”. Mas ela acredita que, no contexto nacional, o ensino a distância “ainda não substitui o ensino presencial nas escolas públicas. Quem sabe no futuro teremos o ensino híbrido, dado que aprendemos muito sobre
novas formas de ensinar e sobre metodologias educacionais tecnológicas durante a pandemia”. Nesse sentido, a equipe pedagógica da Paula Assis “tem feito, com os alunos presentes, uma averiguação diagnóstica para apurar o que eles conseguiram absorver com a estratégia remota e como deveremos agir daqui pra frente, principalmente com o ensino médio, que terá menos tempo para recuperar os conteúdos”, conta Virgínia. “Uma certeza nós játemos: a tecnologia é uma grande aliada na Educação, mas nada substitui a escola na formação dos alunos.” O ensino à distância é uma realidade que veio para ficar, acredita Eunice. “Porém, ainda estamos longe de um misto entre as duas modalidades porque a desigualdade de condições ainda persiste”. Na visão de Rosenéia, o ensino online é “uma ferramenta a mais no processo de ensino-aprendizagem. Recebemos vários elogios sobre os vídeos explicativos, os conteúdos das apostilas e o acompanhamento pelos grupos de whatsApp das turmas”.
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
• PÁG. 7
ACONTECEU
Padre Josué celebra em ação de graças os seus 100 anos de vida LUCAS LARA
Padre Josué Francisco da Natividade, sdb, comemorou, no dia 31 de outubro último, seu centenário. Padre Joso é resende-costense e é o segundo sacerdote salesiano mais idoso do Brasil, sendo o mais velho de sua Inspetoria. A missa em ação de graças foi celebrada pelo inspetor salesiano, padre Natale Vitali Forti, sdb. A comunidade salesiana de Niterói, em comunhão com a Inspetoria São João Bosco, com a imensa legião de ex-alunos e fiéis atendidos pelo padre Joso no exercício de seu magistério e ministério pastoral, unida ainda à família e aos amigos, celebrou uma sentida ação de graças pelos 100 anos de seu membro mais longevo e ilustre. Embora sob as restrições impostas pela pandemia, a celebração contou com o
que não podia faltar: muita simplicidade e alegria salesiana. O afeto e as homenagens que chegavam por mensagens dos que acompanharam a transmissão da celebração eucarística reboaram no coração do padre Joso como um eco de cada momento vivido na sua consagração, doação de si e serviço aos que Deus lhe confiou. Segundo o próprio padre Joso, hoje, em sua velhice, o que o conforta é uma lembrança do tempo que passou. Ele continua: “Como é bom ficar velho pensando num passado tão feliz como foi o meu!” Siga o padre Joso entre nós como testemunho vivo de fé, perseverança e fidelidade ao chamado do Senhor! Nossa Senhora Auxiliadora não cesse de se mostrar mãe amorosa, sobretudo nesse momento de colheita, memória e louvor da vida feliz que ele soube cultivar.
O sacerdote centenário leu por diversas vezes a matéria que conta sobre sua vida, publicada na última edição do JL
Padre Joso e seus poucos familiares presentes, devido a pandemia
Padre Joso comemorou seu centenário junto à sua comunidade salesiana em Niterói
amiRCo elege nova diretoria e planeja desenvolver novos projetos culturais em Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO
A Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto sediou, no último dia 26 de outubro, a assembleia da amiRCo (Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa), durante a qual foi eleita nova diretoria que cumprirá mandato entre 2021 e 2023. No decorrer da reunião, que contou com a presença de novos integrantes da associação, foram discutidos diversos temas de interesse cultural. Foram eleitos para o mandato 2021-2023 Edésio de Lara Melo (presidente), Márcia Valéria Almeida Ferreira (vice-presidente), Eustáquio Peluzi Chaves (diretor financeiro), Ana Luíza Coelho Andrade (secretária), Ianca Emanuelle (diretora de comunicação), Danielle Tonioli (diretora social). Em 2022, Resende Costa completará 110 anos de emancipação política. O presidente eleito da amiRCo, Edésio de Lara Melo, falou sobre os projetos da associação para comemorar essa data histórica para o município: “A amiRCo pretende desenvolver ações relacionadas com a história da cidade. Por isso, vai apoiar a realização de concertos com obras de autores resende-costenses pelo Coro e Or-
questra Mater Dei e o lançamento de dois livros de autoras participantes da diretoria da associação. Vamos lançar o projeto ‘Memória de Velhos’, a ser realizado, a princípio, com mulheres mais idosas da cidade e concluir o trabalho de inventário do acervo de partituras da coleção Joaquim Pinto Lara, iniciado em parceria com o Coro e Orquestra Mater Dei”. A amiRCo criou, no início de 2021, o “Clube de Leitura”. No entanto, devido às restrições impostas pela Covid-19, as conversas estão acontecendo através do aplicativo WhatsApp. Com o arrefecimento da pandemia, o grupo pretende se reunir também presencialmente e desenvolver ações de incentivo a escritores e leitores de Resende Costa. “O grupo foi criado no início deste ano e visa o desenvolvimento da leitura entre pessoas. Além disso, pretendemos realizar um levantamento de artistas resende-costenses para propor exposição de trabalhos que envolvem artes plásticas. A amiRCo pretende ainda estreitar relações com outras associações que desenvolvem projetos semelhantes em cidades vizinhas, a fim de promover ações conjuntas nas artes e na cultura”, disse Edésio Lara.
Membros da amiRCo se reuniram em assembleia que elegeu a nova diretoria
PÁG. 8 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
ACONTECEU
“Carnavaliza Mirante” marca retorno de eventos em Resende Costa VANUZA RESENDE
No dia 09 de outubro, uma festa com mais de 400 pessoas, promovida pela Mirante Eventos, marcou o retorno das festas particulares em Resende Costa, após longo período de restrições impostas pela Covid-19. Com temática do Carnaval, o evento resgatou a festa mais popular do país, que não foi realizada em 2021, devido à pandemia. Os proprietários da Mirante Eventos, Alex Júnior, o Truko, e Paulo Guilherme falaram sobre o retorno dos eventos com público em Resende Costa. “Não havíamos realizado desde novembro de 2020, na semana de Onda Verde em Resende Costa. Felizmente, tanto no evento anterior quanto neste, não houve avanço de casos de Covid-19 na cidade nos 15 dias após a festa. O que certifica que os eventos não são o pico de disseminação do vírus. Pelo menos não, quando se tem um planejamento adequado”, avaliam. Os organizadores destacaram o planejamento feito para a realização do evento. “Com o início da vacinação, queda nos casos e as festas voltando na região, procuramos a prefeitura e o pessoal da saúde para questionar e propor a realização de eventos. Todos foram bem solícitos com a gente, ouvindo-nos e adequando as demandas do nosso setor à situação em que nossa cidade se encontrava no momento. Foram necessárias três reuniões na prefeitura para podermos alinhar nossos projetos, aguardar o avanço da
vacinação e poder ter a liberação com as recomendações do Minas Consciente”. Em locais abertos, estão autorizados eventos com até 450 pessoas, respeitando as regras sanitárias estabelecidas pela Secretaria Municipal de Saúde. Já em locais fechados, a limitação é de, no máximo, 250 pessoas. “O público presente foi de 420 pessoas. Optamos por esgotar os ingressos nessa quantidade a fim de garantir conforto ao nosso público presente e que o mesmo se sentisse à vontade para poder circular com tranquilidade durante evento”, informaram os organizadores. Uma das exigências para se ter acesso à festa foi apresentar comprovação de vacinação contra a Covid-19, com pelo menos uma dose do imunizante. “Essa comprovação da vacina foi obrigatória na portaria, como também o controle de temperatura e os dados de todos que, posteriormente, foram encaminhados ao pessoal da saúde como medida de segurança. Todos que trabalharam na festa estavam com máscara e distribuímos álcool em gel em vários pontos do local”, explicaram Paulo Guilherme e Truko. RECUPERAÇÃO DO SETOR Truko e Paulo Guilherme falaram sobre o período sem poder realizar eventos na cidade. “O setor de eventos foi um dos mais prejudicados. Não nos restava lamentar, mas simplesmente aguardar as coisas voltarem ao normal. Estávamos cientes de
que em algum momento esse período iria passar e tínhamos que estar preparados. Vimos essa fase como uma oportunidade de nos profissionalizar, buscar estudar o mercado de eventos, ouvir a opinião das pessoas e reformular nossas ideias. Essa maneira pela qual optamos, ou seja, enxergar o problema, foi fundamental para voltarmos à ativa”. Os organizadores anteciparam o que, para eles, é prioridade para a garantia de sucesso, segurança e qualidade nos futuros eventos. “Nós listamos, ao final de cada evento, tudo aquilo que foi bom e também o que não deu certo para podermos melhorar. Contamos com o feedback do público e analisamos vídeos e imagens da festa, para podermos ser bem objetivos. Pois, se algo não foi bom para o nosso público, a gente elabora cinco alternativas para melhorar.” Outro destaque, segundo Truko e Paulo Guilherme, foi o apoio que eles tiveram na cidade. “Foram inúmeras lojas fazendo promoções, sorteios e lives exclusivas para montar o look pra festa, os salões de beleza e barbearias com vagas esgotadas. Isso mostra que, certamente, nossos eventos impactam diretamente a economia local. Nosso entretenimento é uma vitrine poderosa para fomentar a economia e gerar projetos sociais que impactam positivamente na cidade. E esse, sem dúvidas, é um dos nossos principais objetivos: gerar valor para nossa querida Resende Costa”.
ATUALIZANDO-SE
Número de mortes é bem maior do que o das vítimas de Covid-19 JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
O número de óbitos, em Resende Costa, mais que dobrou em 2020 (ano do início da pandemia do novo coronavírus), passando de 81, em 2019, para 188, no ano passado. Em 2018, a quantidade de mortes havia alcançado 99 ocorrências. Já em 2021, até setembro foram contabilizados 104 óbitos. As informações são da Serventias Extrajudiciais (Cartórios). “Não acho que a quantidade de óbitos tem relação com a Covid-19”, diz Sabrina de Castro Rocha Roscoe, oficial do Registro Civil das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas da Comarca de Resende Costa-MG. No entanto, ressalva, nos meses de maio, junho e julho de 2021, houve óbitos que tiveram como causa mortis o coronavírus. De fato, reportagem do Jornal das Lajes (15/07/2021) mostra que o primeiro óbito pela Covid-19, em Resende Costa, só foi registrado em 22 de janeiro deste ano, quase um ano depois do início da pandemia no Brasil. Porém, em 15 de abril, já eram quatro mortes, com o número mais que quadruplicando em 17 de junho. Ou seja, em menos de cinco meses, essa estatística fúnebre saltou de 1 para 17 óbitos. Atualmente, as mortes pela Covid-19 estão estabilizadas em 19. PRINCIPAIS CAUSAS Além das mais de 55 mil vidas perdidas em Minas Gerais para o novo coronavírus, a fragilização do sistema de saúde e, muitas vezes, o medo de deixar o isolamento mataram silenciosamente milhares
de pacientes de outras doenças controláveis, de acordo com reportagem do jornal o Estado de Minas (24/10/2021). Segundo levantamento da Secretaria de Saúde do Estado, em 2020, 391 municípios mineiros (46% do total) registraram mais mortes diárias não-Covid-19 do que no ano anterior. O maior volume de óbitos está relacionado a doenças vasculares cerebrais e cardíacas, muitas delas de acompanhamento necessário e medicação com prescrição médica. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam aumento de quase 43% no índice de mortes diárias por doenças não-respiratórias, na comparação entre 2019 (ano pré-pandemia) e os dados deste ano (até 10 de setembro). Até 2019, morriam 3.254 pessoas diariamente, em média, por causas não-respiratórias (excluídos acidentes, crimes e outros fatores externos). Esse número se ampliou, em 2020, para 3.866 óbitos por dia (mais 19%) e, em 2021, sofreu um salto de 43% (em relação a 2019) para 4.640 mortes a cada 24 horas. As doenças que mais apresentaram aumento de mortes em 2021 foram as cardíacas isquêmicas (ritmo de 274 óbitos/dia); as cerebrovasculares (246 a cada 24 horas); e o diabetes (184 óbitos diários). NASCIMENTOS O número de nascimentos, em Resende Costa, bateu recorde em 2020, com 175 registros, em comparação com 93 no ano anterior e 102 em 2018. Este ano, a Serventias Extrajudiciais (Cartórios) contabiliza registros de 93 crianças até setembro. A oficial Sabrina Roscoe lembra que nem todas as crianças nascidas em Resende Costa residem no município.
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
Meia furada Foi só eu enfiar o pé na meia que o dedão foi direto pro buraco. Ficou na janelinha, a meia foi à guerra, como diziam antigamente. Meia furada é um constrangimento rasgado. É o atestado do desleixo, é andar descalço na pobreza desmazelada. E não adianta pensar que só pelo fato do buraco estar escondido no sapato que ninguém vai ver. Uma hora o buraco aparece, transcende as muralhas do esconderijo íntimo e ganha a praça do olhar público. Mané Cráudio, meu amigo pagador de micos. Vira e mexe, lá vai o Mané Cráudio credenciar o pequeno símio. Meu amigo apareceu com uma luxação no pé e foi procurar o médico. Nem bem chegou e o doutor já foi mandando deitar naquela caminha sem pé nem cabeça (nem travesseiro) que todo consultório tem. Quando o Mané Cráudio tirou o sapato pra mostrar o inchaço, mostrou também o rombo na meia. Tomando todo o diâmetro do rasgo, o majestoso dedão nu, alheio a qualquer luxo ou luxação, apresentou-se altaneiro e liberto. O médico fez uma pausa e, mais pedicure do que ortopedista, falou pro Mané Cráudio cortar a unha. E o Leovaldo, meu amigo cismado e grilado? Arrumou uma namorada riponga: vestidão colorido de seda indiana, penduricalhos pelo corpo, bolinhas coloridas no cabelo, toda zen no fumacê do paz e amor. Dentro de casa, somente descalço e assentado no
chão. Na hora do chazinho, a moça acendeu uns incensos místicos e fechou os olhos pra buscar o nirvana. Quando abriu, encontrou foi o dedão do Leovaldo, preparado para o mantra. Quanto a mim e ao buraco da minha meia... Olhei para o meu pé. Parecia um ciclope, com aquele único olho que ali se alargava. Ciclope que me fazia agora enxergar pelo pé, que me fazia ver a decadência humana no tecido puído da existência que sempre termina no buraco. Ciclope terrível que arregalava o seu único olho – único, mas é olho – sem piscar. Olho sem lágrima, que não se fecha nem pra dormir. Ciclope teimoso em olhar os andaimes do desgaste. Uns fazem disso desespero. Outros, literatura. Meu pé, um ciclope. Meu caminhar olha pra frente e às vezes é tortuoso e feio, tal como o ciclope. Mas aprendi a fazer raios que rasgam o papel e o coração, que faíscam sentidos e não sentidos. Aprendi a olhar o que existe e a dar existência ao que olho. Meu pé é um ciclope. Ciclopé. Antes que o buraco da minha meia virasse furo de comentários, comprei um par novo. Estreei hoje as meias novas. São bonitas, o tecido é bom e resistente. Parece que vai demorar bastante tempo até um outro buraco aparecer. Foi só eu sair pela porta do prédio que dei uma topada na sarjeta. Também... quem mandou colocar uma venda no olho do meu pé?
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
• PÁG. 9
O preto no branco A reprodução de certas expressões em nosso meio, entre sutilezas, supostas brincadeiras e aparentes elogios, é sinal do quanto o preconceito racial ainda está incorporado à visão de mundo das pessoas. Naturalizados por longo uso, esses termos nem sempre são percebidos como racistas, nem por isso cabem no vocabulário dos nossos dias. “Mas que programa de índio!” é uma dessas falas. É provável que eu mesma já tenha me expressado assim em algum momento e por isso faço aqui um mea-culpa. Antes usada para se referir a atividades ao ar livre, como fazer trilha, caminhada pela cidade ou tomar banho de cachoeira, com o tempo virou sinônimo de coisa chata, estranha. Expressar-se assim é enfatizar a discriminação contra a cultura indígena (muito rica, diga-se de passagem), postura fundamentada no falso pressuposto de uma superioridade cultural atribuída aos colonizadores europeus e seus descendentes, herança de um Brasil que não existe mais. Verdade é que todo cuidado com as palavras é pouco. Recentemente, no início de outubro, Luís Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foi infeliz ao cumprimentar em entrevista para a GloboNews as jornalistas Aline Midlej e Flávia Oliveira, que são negras. “Inveja branca de vocês, que estão aí no Rio (ele nasceu em Vassouras - RJ). Aliás, essa frase já é politicamente
incorreta. Antigamente se dizia isso”, corrigiu Barroso. Ao se desculpar novamente, afirmou que “a gente, na vida, deve saber pedir desculpas” e refez o cumprimento às entrevistadoras. Aline afirmou que estava tudo certo e que “a gente está em constante aprendizado”, acrescentando: “Ministro, eu ia falar isso. Olhei para a Flávia meio assim, de canto de olho. Um ministro tão elegante, tão carinhoso”. “Inveja branca” é considerada uma expressão racista porque associa a ideia de algo positivo com o que é branco. Sendo assim, a inveja, que é algo ruim, deixa de ter caráter negativo por ser “branca”. Ao mesmo tempo, o termo reforça ainda a associação racista do preto com atitudes negativas, isso em um país marcado por um longo passado escravagista. Com foco restrito agora ao uso dos termos “preto”“negro” e “branco” (e suas variações de gênero), impossível não lembrar (para esquecer depois), um clássico exemplo, no fundo, uma espécie de “bondosa” concessão a quem, apesar de negro, tem a alma de branco, “boa”. Trata-se do indesculpável “preto de alma branca”. Inadmissível dizer ou ouvir isso. Pior ainda é ter esse tipo de pensamento. É como canta Jorge Aragão, em Identidade: “Se preto de alma branca pra você / É o exemplo da dignidade. / Não nos ajuda, só nos faz sofrer. / Nem resgata nossa identidade”. Também para ser esquecida me vem à
lembrança uma outra fala deplorável, ou seja, “serviço de preto”. Há quem defenda que certas construções linguísticas não são preconceituosas simplesmente pelo uso de termos que necessariamente não remetem às comunidades negras. Algumas delas: “a coisa tá preta”, “lista negra”, “magia negra”, “mercado negro”, “ovelha negra” (em sentido figurado, alguém que destoa negativamente de um grupo). Inquestionável, porém, é considerar que, nos casos citados, a conotação é depreciativa. Uma exceção a registrar: “grana preta” (valor muito alto em dinheiro), o que é visto geralmente como coisa agradável. De outra forma, em se tratando do termo “branco” (e variações), de forte associação ao que é tido como positivo, há também exceções. “Deu branco” é uma delas (= esquecimento momentâneo de algo que se sabe). “Elefante branco” é outra (= em sentido figurado, algo valioso ou no qual se gastou muito dinheiro, muitas vezes uma grande obra, mas que não possui utilidade ou importância prática). Como se pode ver por aí, a conotação é negativa para “branco”. Pondo literalmente “o preto no branco” ao escrever essas breves considerações, que fique aqui firmado o nosso empenho coletivo de desconstrução de todos esses discursos ofensivos de cunho racista. Respeito é tudo!
PÁG. 10 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES
JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
Novembro – Finados
Uma reverência às vítimas da COVID-19
Não ouso afirmar que seja universal, mas a História mostra que uma grande maioria dos povos cultua seus mortos. Cemitérios, arte funerária, monumentos, estátuas, ritos religiosos, relíquias, amuletos etc. são a prova. O mês de novembro caracteriza-se por Finados. De finar. Aqueles cuja vida biológica chegou ao fim, naturalmente ou provocada. Para a teologia cristã, a morte não existe para vida humana, pois ela não tem fim. Apenas transforma-se (“Vita mutatur, non tolitur”: a vida não é tirada, {apenas} muda-se). Até a morte do corpo é provisória, pois a ressurreição é dogma de fé. Quando estas linhas chegarem ao leitor, a data apropriada já terá passado (o feriado de 2 de novembro), mas, na minha opinião, uma meditação, no sentido de se fazer um ditado a si mesmo (me ditare) sobre a vida e sua finitude e também sobre as vidas que já se foram, é sempre recomendável. O culto aos mortos é sobretudo um culto à vida. À vida que tiveram. Vidas idas que fazem falta a nós que continuamos vivos. De modo especial, acho eu, merece um culto mais intenso, mais dedicado, a vida dos humanistas. Pessoas que puseram sua existência a serviço da vida. Pessoas que sempre colocaram em primeiro lugar o ser humano. Pessoas que perderam até a própria vida para salvar a dos outros. Agora, inesperadamente, chegou mais uma peste, a da COVID-19, dentre as muitas que já
assolaram a humanidade. Cabe uma reverência profunda às vítimas fatais e uma solidariedade afetuosa e prática ao sofrimento de seus familiares. Mas urge também um lamento indignado e uma luta renhida contra as forças do mal que rapinaram muitas vidas por omissão, interesses escusos, negacionismo, ignorância culpada, egoísmo e outros mais. Pessoa cujas vidas seriam salvas se tivessem sido adequadamente cuidadas! Há que se lutar pela vida de todos os entes e barrar seus destrutores: os vírus, bactérias, fungos... E, de modo especial, os seres humanos que agem na contramão. Em vez de cuidar, matam. Para algum leitor que não tem muita familiaridade com a Bíblia: ela tem alguns livros, escritos no gênero literário apocalíptico (de: “apocalipse”, que significa revelação). Apresentam acontecimentos numa linguagem simbólica e cifrada, entrelaçada por visões, personagens misteriosas, cenas estranhas, gestos inusitados, julgamento final, punição dos ímpios etc. O mais incisivo deles é o Apocalipse, livro final do Novo Testamento. O historiador, sociólogo e teólogo Jacques Ellul escreve sobre ele: “Podemos considerá-lo como um produto cultural que nos esclarece sobre a mentalidade, a ideologia de certos grupos cristãos do fim do século I e sobre as suas reações face a problemas políticos. E nada mais. Seguramente, nada mais!” (“Apocalipse. Arquitetura em movimento” – p 6 – Ed.
De um ponto de vista
Paulinas – 1980). Seu capítulo 6, versículos 7 e 8, que descreve o poder das forças do mal, simbolizadas pelo cavaleiro-morte, na minha visão, parece escrito para hoje. Basta atualizar para o momento brasileiro de agora. Antes, uma explicação para os versículos citados. Segundo a Bíblia de Jerusalém, os quatro seres vivos (leão – novilho – homem – águia) “representam o que há de mais nobre (leão), de mais forte (novilho), de mais sábio (homem), de mais ágil (águia) na criação”. O apelo é para Jesus Cristo: “Vem!” “Quando abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto Ser vivo que dizia: “Vem!”. Vi aparecer um cavalo [atualização: moto, cavalo de aço] esverdeado [é a cor do cadáver que se decompõe pelo efeito da peste]. Seu montador chamava-se “a Morte” e Hades o acompanhava [Hades: na mitologia grega, o deus da morte, o deus do subterrâneo, portanto das covas]. Foi-lhe dado o poder sobre a quarta parte da terra, para que exterminasse pela espada [atualização: fuzis, metralhadoras, bombas, depredações...], pela fome, pela peste e pelas feras da terra [atualização: discurso do ódio, fakenews, calúnias...]”. Seria forçar muito interpretar o quarto ser vivo (águia, símbolo da agilidade) chamando Jesus para derrotar o mal, como um apelo para agir o mais rápido possível contra a Covid? O que, infelizmente, não foi feito pelos responsáveis pela nação. É o que penso. E você?
PAULO FREIRE De outra feita, falei dos dois grandes Paulos. Hoje volto a falar, especificamente, do Paulo pernambucano. Faço isso não para cobrir a omissão do Ministério da Educação, mas para, como educador que sou, prestar minha homenagem ao maior de todos os brasileiros educadores. Por que Paulo Freire foi o grande educador? O que o faz “deslizar pelo mundo, receber homenagens, ser consagrado como um professor de qualquer fronteira?”(Carlos Alberto Emediato). Paulo Freire intuiu o cerne do processo educativo. Assinalou que o educando é sujeito e não objeto da educação. Ora, isso revoluciona tudo. O educando não é aquela tabula rasa em que o educador vai depositando conceitos e valores. Ser sujeito da educação significa que o educando coloca sua visão de mundo em interação com a visão de mundo do educador, sem a falsa superioridade de um sobre o outro. Ambos são protagonistas, movidos pela convicção de que educação é processo que leva o ser humano a ir se tornando, a ir se transformando por se ver como um ser inacabado, cuja vocação é ser sempre mais. Com esse modo de entender, o aprendizado, na sua clássica fórmula ensino/aprendizado, passa a ser um processo em que todos ensinam e todos aprendem. Essa visão de educação está radicada em outra crença que alimentou sempre a vida do grande educador: as pessoas vivem no mundo, mas, também, vivem com o mundo. E se “viver no mundo é viver de contatos, estímulos, reflexos e reações,
viver com o mundo é viver de relações, desafios, reflexões e respostas”. Isso é que leva Paulo Freire, com seu método de alfabetização, a servir-se da realidade circundante para fazer com que o alfabetizando não apenas aprenda a ler, servindo-se de palavras que encerram o sentido da vida, mas a pensar criticamente e a ser capaz de dizer o que pensa. “O método de alfabetização de Paulo Freire oferecia a grande vantagem de proporcionar, concomitantemente, alfabetização, educação e conscientização política (Dalmo Dallari). Paulo Freire quis sempre ajudar as pessoas a serem eternos leitores da vida, como sujeitos que rechaçam a dominação política e a discriminação social e buscam a democratização da sociedade, a implantação da justiça social e o respeito pela dignidade da pessoa humana. Não vou comentar outros tópicos do pensamento educacional de Paulo Freire. Quero apenas relembrar que para ele o amor é a fonte inspiradora de toda transformação. E que é possível acreditar em tudo que tenha sido construído com amor. Não consigo encerrar essas considerações sem responder à pergunta que paira no ar: por que o governo brasileiro tem dedicado tanto desprezo aos cem anos do nascimento de Paulo Freire? É que o desprezo para com o grande brasileiro significa o desprezo para com uma educação que liberta. E libertar é a grande finalidade da educação. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
• PÁG. 11
CULTURA
Nos tempos do rádio AM (Memórias) CAMILO VALE
Tudo começou em 1923. A primeira emissora de rádio instalada no Brasil foi a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Depois vieram outras: a Mayrink Veiga e a Nacional, do Rio de Janeiro. As rádios Inconfidência e Itatiaia, de Belo Horizonte, começaram na época de ouro do rádio. A Inconfidência está completando 85 anos de existência, mantendo em sua grade a Tina Gonçalves, comandando o Túnel do Tempo, aos sábados de manhã, e a Hora do Fazendeiro, às 5 da tarde, de segunda a sexta-feira, um dos programas mais antigos. Na nossa região, tivemos o saudoso “Cumpadre Vieira”, apresentando as manhãs sertanejas na Rádio São João del-Rei. Sempre gostei de ouvir as rádios AM desde os meus tempos de criança. Meu pai tinha um rádio antigo de madeira e uma rádio vitrola, chamada na época de radiola. Um dos programas favoritos dele nos anos 60 era “Pelos caminhos do amor”, com o locutor Hélio de Aguiar, na Rádio Record de São Paulo. Depois de tanto tempo, percebi que o programa era de autoajuda e músicas de mensagens.
Músicas que eram ouvidas no início dos anos 70, com o Padre Zezinho apresentando “Tempo e Contra Tempo”, na Rádio 9 de julho, de São Paulo. Isso lá pelos anos de 1973, quando uma boa parte da nossa juventude estudava e lia as revistas do rádio, ouvindo o clube do disco – programa líder de audiência nas tardes da Rádio 9 de julho em ondas curtas. Ouvíamos o clube do disco e, após o programa, vinha “Só boleros”, do qual eu não gostava. Talvez porque, sendo jovem, eu considerasse as músicas de boleros como sendo mais antigas. O mais curioso é que hoje eu gosto dos boleros e aprendi a gostar ouvindo “Bons Tempos”, do Tião Lima, na Rádio Inconfidentes FM, de Resende Costa. Um dos cantores de bolero de que meu saudoso irmão Cirilo mais gostava era o Silvinho. Ele até tentava imitar o Silvinho cantando algumas de suas canções. A Rádio 9 de julho acabou sendo fechada pelo governo militar. Estávamos na época da ditadura e os militares não aceitaram a firme postura dos dirigentes da emissora. No entanto, felizmente, a 9 de julho já voltou depois de um bom tempo. Temos ainda outra emissora católica muito ouvida, que é a Rádio Aparecida.
Sem a 9 de julho, fomos ouvir a Tupi, de São Paulo, e o programa “Barros de Alencar”, que vinha ganhando muita audiência nas manhãs de segunda a sábado. Às 11h e 30min, entravam no ar as sete campeãs do dia. O Barros, que, além de locutor, era também cantor, colocava uma de suas músicas na parada. Nos finais de semana, entravam no ar as “Paradas de Sucesso”, em várias rádios. Em 1977, fui para Belo Horizonte em busca do meu primeiro emprego de carteira assinada, que consegui graças a minha saudosa irmã Ilca. Por lá encontrei um colega de escritório que trabalhava ouvindo a rádio Atalaia. A emissora tocava músicas o dia todo. Era tempo dos radinhos de pilha e cada um tinha o seu. O curioso é que os nossos radinhos só tinham uma faixa, AM, uma vez que as FM ainda não tinham sido instaladas. Voltando de Belo Horizonte, já no início dos anos 80, fui fazer uma pesquisa sobre rádio e meios de comunicação para a Associação Cultural Raízes e percebi a grande liderança da rádio Record na época. A Record contratou um time de grandes locutores: Zé Bétio, Gil Gomes, Barros de Alencar, Eli Correia, Altieres Barbiero e Oswaldo Bétio.
Aconteceu um fato curioso comigo naquela época. O ponteiro de sintonia do meu rádio agarrou no vazio e pedi ao meu amigo Tomás da Tereza para fazer alguma coisa. Muito curioso, ele conseguiu mover o ponteiro até a Rádio Record e ali ficou agarrado. Então disse a ele: – Pode deixar aí mesmo, já que a liderança era da Record. Aí não tinha pra ninguém. Quando a minha saudosa prima Romilda chegava em casa nas tardes de sábado dizendo: “Tia Santa, vamos fazer biscoito frito!”, aquilo era uma palavra mágica para mim. E para agradar às duas, eu já ligava o rádio, de que elas tanto gostavam. Quando tocava a Nalva Aguiar, “Dia de Formatura”, era a música que elas mais queriam ouvir. Em algumas ocasiões, minha avó chegava em casa e, ao abrir a porta, o rádio estava bem alto. – Esse menino com esse rá-
dio ligado nessa altura toda, eu não volto mais aqui não, Santa. Mas a vovó sempre voltava. São passagens divertidas de minha infância e adolescência e, como os leitores estão vendo, com o rádio sempre presente em nossas vidas. Acho que ele está presente na vida de muitas pessoas: inclusive hoje há até o aplicativo RadiosNet em seus celulares. Assim ficou mais fácil ouvir rádio com o áudio do AM parecendo FM num som mais puro. Se os leitores buscarem no site radios.com.br (estatística) região campo das vertentes, irão ver a Rádio Inconfidentes muito bem colocada entre as outras emissoras mais ouvidas. Isso porque o nosso time de locutores também é muito bom, começando pelo Chiquinho, Luana Chaves, Neném Ramos, Cleiton, o Alex, Batista e Hélio Henrique aos domingos. É a nossa Rádio Inconfidentes dando o seu recado e colocando o nosso ouvinte em 1º lugar.
De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO
Teremos Carnaval em 2022? Eu não tenho notícia de que o Carnaval em Resende Costa deixou de ser realizado alguma vez. Desde que a festa de Momo começou a fazer parte do calendário de eventos da cidade, ela sempre aconteceu e com bastante entusiasmo e participação do povo. Resende Costa tem uma história bonita do seu Carnaval. Tudo começou, e timidamente, na década de 1940, sob olhar desconfiado de lideranças religiosas, principalmente. Mas não teve jeito e a festa foi ganhando corpo até se estabelecer definitivamente a partir de meados dos anos 70. Antes dessa época, ele era todo dançado dentro do Teatro Municipal. Havia, sim, festa na rua, mas o bom mesmo acontecia dentro do teatro, que não aceitava menores de idade no recinto para os concorridos bailes noturnos. A música ficava por conta dos instrumentistas da Banda de Música Santa Cecília, de Resende Costa, ou de algum conjunto contratado de outro lugar.
Eu mesmo, na requinta, cheguei a tocar em alguns bailes. Como o teatro não se constituía em espaço mais adequado para bailes de Carnaval devido às suas dimensões e por não ter sido construído para esse fim, tudo passou a ser realizado na avenida. O que era, para poucos, em lugar pequeno e fechado, tornou-se para todos e fora dele. Porém, na avenida, nada de música instrumental e ao vivo, mas música mecânica reproduzida em enormes caixas de som espalhadas ao longo dela. Os blocos carnavalescos, nos quais se destacavam o Bié e a Darci Ramos, exímios foliões, também foram substituídos por blocos imensos, como o do Cabeção, do Mal Dormido, das Domésticas, além de outros, sendo acompanhados pela bateria comandada pelo Chiano e músicos da banda. Esse “ensaio”, um esquenta, acabou se tornando mais animado que os dias oficiais do Carnaval. Os resende-costenses que residiam
fora ficavam desesperados, já que não tinham como participar. Assim, o pré-carnaval, que chegou a durar quinze dias, aos poucos foi se esgotando. Cansados, muitos deixaram de brincar nos três dias que antecedem a Quaresma, tornando a cidade mais vazia. Em vez de vir para cá, muita gente optou por buscar diversão noutras cidades vizinhas. Nos últimos três anos, percebendo que o modelo de Carnaval estava findando, houve reação por parte de um grupo que foi convidado pelo prefeito municipal para reorganizá-lo, torná-lo mais seguro, com música ao vivo e com eventos mais bem distribuídos entre bairros e não somente no centro da cidade. Propôs-se, também, uma cidade mais limpa e capaz de oferecer bons serviços a todos. Mas a pandemia chegou e encerrou esse processo. Neste ano, não houve festa e agora, faltando três meses para o de 2022, deparamo-nos com uma pergunta: teremos Carna-
val? Se tivermos, como ele será conduzido? Prefeitura Municipal não faz o Carnaval, mas faz investimentos, impõe normas, estabelece regras, delimita e determina horários e espaços para sua realização. Ela responde pelos seus resultados. Atualmente, boa parte da população já foi vacinada e a esperança é a de que esse percentual melhore muito até fevereiro próximo. A média móvel de casos e de mortes vem se reduzindo, a vida começa a voltar ao normal. No entanto, ainda há muitas pessoas sem terem sido vacinadas e, em grande número, aquelas que não tomaram a segunda dose do imunizante. As mortes diárias, agora em número de três ou quatro centenas de pessoas, parece que não assustam mais. Mas, elas não cessaram e mostram que deverão acontecer até o Carnaval, ou Semana Santa do próximo ano. E por isso mesmo, ninguém tem certeza de como conviveremos com a pandemia em 2022.
Portanto, chegou a hora de discutirmos o assunto. Informalmente há os que dizem que o Carnaval deve acontecer normalmente; outros não, pois consideram que seria um ato de irresponsabilidade total a sua realização. Prefeitos e seus secretários, a três meses da festa, estão entre a cruz e a espada. Se houver para o Carnaval um protocolo determinado por instâncias superiores e idêntico para todos os municípios, como ainda ocorre com a pandemia do coronavírus, melhor para todos. Procedimentos diferentes poderão, com o esvaziamento de municípios que optarem pela não realização do evento, causar transtorno e superlotação noutros. Será que em fevereiro próximo, com o vírus ainda circulando, teremos carnavalescos mascarados ou pessoas com suas máscaras protetoras contra a Covid-19, como vem ocorrendo há alguns meses?
PÁG. 12 • JORNAL DAS LAJES
Cidade
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
Natal Luz é aposta da Prefeitura de Resende Costa para atrair turistas e divulgar a cidade Com investimento de cerca de 200 mil reais, pontos turísticos da cidade ficarão iluminados entre os dias 27 de novembro e 7 de janeiro VANUZA RESENDE
Ainda com muitas indefinições, mas com um cenário melhor do que o de 2020, o Natal 2021 se aproxima e com ele vêm as expectativas de uma retomada segura das atividades turísticas. A Prefeitura Municipal de Resende Costa realizarão neste ano o Projeto Natal Luz, que recebeu o nome, através de votação nas redes sociais, “Natal Tecendo Luz”. O projeto foi criado originalmente em 2020, porém, devido ao cenário da pandemia de Covid-19, não foi possível realizá-lo. Lucas Paulo, vice-prefeito em exercício no cargo de prefeito, falou ao JL sobre a importância do projeto para impulsionar o turismo na cidade. “A administração avalia esse projeto como algo muito importante. A ideia surgiu no ano passado, mas, devido ao tempo, não conseguimos executar. Já começamos esse ano com todo um planejamento antecipado. A gente considera esse investimento muito necessário. Alguns municípios têm projetos semelhantes e que dão muito certo. Queremos transformar o Natal em um momento diferente, voltado às famílias da nossa cidade. Que possamos também atrair turistas para a nossa cidade”. O secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, André Eustáquio Melo de Oliveira, falou sobre a elaboração do projeto em 2021. “Um projeto que vai iluminar, de forma planejada, pontos
históricos e turísticos da cidade, tal como já ocorre em diversas cidades do país, como Gramado (RS) e Tiradentes (MG). O objetivo é também atrair turistas e fomentar a economia local. O Natal é momento de trazer brilho, alegria e esperança às pessoas, especialmente nestes tempos difíceis em que vivemos, devido à pandemia de Covid-19”. Thaísa Lara, secretária de Administração e Fazenda, falou sobre a elaboração do projeto, que vem sendo planejado há algum tempo. “A gente já tinha o costume de enfeitar alguns pontos públicos, como a prefeitura. Fazíamos de forma simples, com mão de obra da prefeitura mesmo, mas não era uma iluminação profissional. Nós adaptamos o projeto que foi elaborado no ano passado; estamos trabalhando com a elaboração há algum tempo”.
Rosa Penido, o canteiro central da avenida Ministro Gabriel Passos e o CAT (Centro de Atendimento ao Turista) na avenida Alfredo Penido. “Tratam-se de pontos turísticos de Resende Costa. Quando escolhemos esses locais, levamos em consideração a localização deles, o fluxo de visitação, a possibilidade de acesso a eles tanto da população local quanto de turistas. São endereços da cidade que representam a nossa história”, disse o secretário de Turismo, Artesanato e Cultura. Entre os dias 27 de novembro e 25 de dezembro acontecerão, nos finais de semana, apresentações musicais em alguns pontos iluminados. Thaisa Lara diz que a intenção é justamente fortalecer o turismo a partir das apresentações. “É um projeto bem bacana, bem família. As pessoas poderão também admirar e contemplar a iluminação ao som de música ao vivo”.
PONTOS ILUMINADOS De acordo com Lucas Paulo, estão sendo investidos no projeto Natal Luz cerca de 200 mil reais, sendo 176 mil reais destinados à montagem da estrutura e um valor em torno de 25 mil reais para a realização de eventos culturais. Uma empresa de Belo Horizonte, Alternativa Eventos, ganhou a licitação e executará o projeto. O Natal Luz acontecerá entre os dias 27 de novembro de 2021 e 7 de janeiro de 2022. Os locais a serem iluminados serão o Mirante das Lajes, o canteiro central da Praça Mendes de Resende, a Praça
INVESTIMENTO PARA ATRAIR TURISTAS E REUNIR FAMÍLIAS “A gente ainda passa por momentos difíceis devido à pandemia. O Natal é um momento de renascimento, de novos sonhos que nascem, de novas ideias e novos planos. Acredito que vai ser um momento importante para as famílias, para as crianças. Com esse projeto, iremos também fomentar o turismo, divulgar o nome da cidade e atrair cada vez mais pessoas para conhecer Resende Costa”, disse Lucas Paulo
O cuidado com a segurança foi planejado, conforme explica a secretária de Administração, Thaísa Lara: “Na licitação deixamos claro que precisamos de uma equipe de apoio para fazer a ronda durante a madrugada, a fim de cuidar dos enfeites e evitar possíveis atos de vandalismo. Espero que a população saiba aproveitar esse momento e compareça como foi em anos anteriores. Mas que esse ano seja maior ainda. Que os resende-costenses possam de fato contemplar e aproveitar esse momento, especialmente devido a tudo que vivemos”. Aproveitar o tempo do Natal para iluminar as cidades tem acontecido em diversos lugares do Brasil, como em Tiradentes. O evento atrai turistas de todas as partes e ajuda a divulgar as cidades que o realizam. O secretário André tem a expectativa de que o Natal Tecendo Luz possa conquistar os resende-costesenses e atrair visitantes à cidade. “Resende Costa já atrai e encanta os visitantes pela sua beleza, por sua história e pelo artesanato. No início deste ano, fomos contemplados pelo governo do Estado com o título de “Capital Mineira do Artesanato Têxtil”, um reconhecimento da vocação de Resende Costa para as artes, para o turismo e a cultura. O projeto incentivará ainda mais o turismo na cidade e também na região, assim como já acontece na bela e histórica Tiradentes. Digo sempre que devemos aprender e compartilhar experiências que vêm dando certo em cidades nas quais
devemos nos espelhar. A experiência do turismo nos mostra isso. Se podemos partilhar experiências e bons projetos, por que não fazê-lo? Todos saem ganhando, afinal, o turismo deve ser regionalizado, ou seja, cada lugar apresenta os seus atrativos, valoriza sua cultura e, no fim, todos compartilham entre si as suas diversidades e experiências”. “O Natal Luz, neste fim de ano, será um importante atrativo para Resende Costa e região. Costumo também dizer que o turista é atraído pela beleza dos lugares onde ele visita, ou seja, quem vem a Resende Costa quer ver a beleza do nosso artesanato, a paisagem magnífica das lajes, a igreja matriz e as praças que conferem identidade interiorana e bucólica à nossa cidade. Resende Costa é uma cidade bonita, acolhedora e aconchegante. Nós resende-costenses sentimos isso e os nossos visitantes concordam conosco. O Natal Luz destacará ainda mais as belezas da nossa cidade. Teremos verdadeiramente, neste final de 2021, um Natal de luz, de esperança e alegria. É isso que queremos oferecer e desejar à nossa população”, diz o secretário de Turismo, Artesanato e Cultura, André Eustáquio. Lucas conta com o apoio da população e acredita na força do projeto. “É um projeto que veio para ficar. Que cada vez mais some forças e consiga alcançar o seu objetivo, que é fortalecer o encontro das famílias e impulsionar o turismo em nossa cidade”.
Aluna do 4º ano da Escola Municipal Conjurados cria nome para o projeto de iluminação de Natal em Resende Costa ‘Natal Tecendo Luz’ foi escolhido pelos internautas em votação no Instagram da Prefeitura Municipal ANDRÉ EUSTÁQUIO
Uma votação na internet decidiu o nome do projeto de decoração natalina em Resende Costa. Oficialmente, o projeto de lei aprovado em 2020 pelo Legislativo chama-se “Natal Luz”. Porém, a administração municipal optou por escolher um nome fantasia que traduzisse a identidade cultural de Resende Costa. Foi então que surgiu a ideia de propor aos alunos da rede mu-
nicipal de ensino que sugerissem alguns nomes para serem colocados em votação no Instagram da prefeitura. Entre diversas sugestões criativas de nomes elaborados por alunos das escolas municipais Conjurados e Paula Assis, venceu “Natal Tecendo Luz”, de autoria da Yasmin Pires Maia, de 9 anos, aluna do 4º ano da escola Conjurados, da classe da professora Suely. Em vídeo divulgado pela prefeitura, Yasmin falou, ao lado do vice-prefeito em Foto: Prefeitura Municipal
Yasmin Maia, autora da frase que inspirou o nome do projeto de iluminação de Natal, ao lado do vice-prefeito em exercício, Lucas Paulo
exercício, Lucas Paulo, sobre o nome elaborado por ela: “Estamos nos aproximando do tempo do Natal. As luzes representam a esperança do Natal em tempo de pandemia e o tecendo é porque muitas pessoas tecem em nossa cidade. Fiquei muito feliz com a escolha do nome”. L u c a s Paulo elogiou o nome elaborado pela Yasmin Maia e escolhido pela maioria dos internautas que participaram da enquete. “Esse nome é muito bacana e sintetiza bastante o
que é a nossa cidade. Quero destacar também a interação criada nas redes sociais pelos internautas na escolha do nome. Foi muito legal.
Parabenizo a Yasmin pela criação do nome ‘Natal Tecendo Luz”, que irá batizar o Natal 2021 da nossa cidade”.
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
Turismo
• PÁG. 13
VANUZA RESENDE
O Governo de Minas Gerais divulgou dados sobre o turismo no estado. O novo relatório divulgado pelo Observatório do Turismo de Minas Gerais registra que, em agosto de 2021, mais de dois milhões de viajantes circularam pelo estado. Segundo dados da última Pesquisa de Demanda realizada pelo Estado, em 2016, visto que ainda não há uma medição mais atualizada deste viés até então, a média de gasto de um turista em Minas Gerais é de cerca de R$ 105,00 por dia. A média de permanência do viajante no estado é de aproximadamente seis dias, o que dá o valor R$ 630,00 por turista. Ainda de acordo com o Governo Estadual, no que diz respeito ao movimento de empregos no setor do turismo em Minas Gerais, que vinha registrando quedas até o mês de maio, a partir de junho, com a recuperação exponencial que o setor vem passando, já houve registro de mais de 12 mil novas vagas preenchidas no acumulado. O JL conversou com três empresários de Resende Costa sobre a recuperação do setor, fortemente impactado pela pandemia. Luara Ramona Teodoro Nascimento, proprietária da Churrascaria Ramona, falou sobre o movimento atual. “Hoje posso dizer que o movimento na Churrascaria voltou igual, ou até maior do que antes. E isso é muito bom para a nossa economia local, pois, geramos mais emprego, as lojas de artesanato voltaram com suas vendas beneficiando desde a pessoa que tece à que vende o produto final. Posso dizer que os ônibus de excursão já voltaram a todo vapor, e o mais interessante é que a classe da 3ª idade voltou a viajar normalmente. Muitos dizem que já não aguentavam ficar em casa. E o avanço da vacinação contribui muito para a retomada do nosso turismo”. O proprietário da loja de arte-
sanato “Alessandro Telinhas Tecelagem”, Alessandro Silva Resende, também avaliou o período. “A retomada gradual do turismo tem sido bem organizada e consciente. Percebemos que Resende Costa ficou mais conhecida e por isso mais procurada e visitada. Parabenizo todos que direta e indiretamente estão ajudando a divulgar o nosso artesanato, a nossa história e a nossa cidade. E agora que recebemos o título de ‘Capital Mineira do Artesanato Têxtil’ vamos nos esforçar para atender cada vez melhor os turistas”. A proprietária da Pousada “Mirante das Lajes”, Márcia Coelho Resende Vale, disse que ainda não conseguiu retornar com o mesmo movimento de antes da pandemia, mas destacou o retorno gradual. “O movimento ainda é mais fraco. Pela primeira vez, desde a pandemia, no dia 13 de novembro,atendi a uma excursão e já tenho outra programada para o dia 6 de dezembro. Mas, ainda assim, não é o mesmo movimento de antes da pandemia. Numa época dessas, já tinha gente procurando para o Carnaval, por exemplo, nesse ano ainda não tem. Não consegui voltar ao normal ainda”. DIFICULDADES DO SETOR Desde março de 2020, o setor de turismo sofreu graves prejuízos causados pela pandemia. Márcia relembra o fechamento da pousada. “Eu fiquei por volta de seis a sete meses fechado. Foi muito triste, porque a pandemia veio do dia para noite, então foi um período bem difícil. Quando eu fechei a porta, doeu até a alma. Não sabia quando eu ia voltar, tive que dispensar funcionários. Reabrimos, mas só com hóspede que comprovasse a necessidade de estadia, como médicos, viajantes, acompanhantes de pessoas internadas. Logo depois, podíamos ficar abertos com 30 e 50% da capacidade. Abri com 100% somente nos últimos dois meses. Hoje já consegui retornar com o número
de funcionários anteriores à pandemia”. De acordo com Luara, foram mais de seis meses sem atender clientes de forma presencial. “Por causa da pandemia ficamos seis meses fechados no ano passado, e mais 45 dias nesse ano. Enfrentamos algumas dificuldades no início, acredito que todos se sentiram inseguros e com medo, afinal a pandemia foi algo novo para todos. Tivemos que nos adaptar aos protocolos contra a Covid-19 e havia mudanças todas as semanas. E falar para um cliente como ele deveria se comportar era difícil, pois cada região do nosso país estava seguindo um protocolo diferente, de acordo com a prefeitura da sua cidade. Optei por não trabalhar com delivery, acredito e apoio muito essa iniciativa, mas fora da pandemia, minha demanda é muito alta e preferimos continuar com o nosso sistema de retirada ou consumação no local”. A empresária do ramo alimentício destacou os principais desafios durante esse período. “Muitas pessoas perderam seus empregos, gastaram suas economias e deixaram de comer fora, de sair e viajar. E sem contar o medo de contrair a doença e levar para as nossas famílias. Aqui na Avenida dos Artesanatos vivemos meses de terror. A rua ficou deserta, todas as lojas fechadas, mercadorias paradas e quando surgiu um raio de esperança, fomos impedidos de trabalhar porque a pandemia ainda não deixava”. Alessandro falou sobre o período em que as lojas permaneceram fechadas. “No início foi assustador por ser uma realidade diferente e de pânico, mas agora concretizo que é preciso dificuldade para nos reinventarmos e acharmos soluções e saídas. No período inicial da pandemia aconteceu declínio nas vendas e aumento das despesas, com isso muitos perderam seus empregos. Outros, devidoàs despesas, não aguentaram e fecharam as portas. Como eu disse, devido às dificuldades, fomos obrigados a nos
Foto: Marcinho Pinto
Retorno gradual do turismo em Resende Costa começa a movimentar pousadas, restaurantes e lojas de artesanato
O CAT (Centro de Atendimento ao Turista) será inaugurado em breve. Resende Costa se prepara para a volta do turismo
reinventarmos e o caminho que nos salvou foi a internet. Se não fossem as vendas on-line teríamos quebrado ou falido. A pandemia acelerou uma realidade que já estava por vir: a era digital. Devido ao isolamento as pessoas procuram fazer as compras on-line e este aumento superou o das compras presenciais dos turistas”. No entanto, Alessandro destaca as dificuldades em matéria-prima para confeccionar os produtos do tear, como malhas e linhas. “O artesanato de Resende Costa sempre vendeu bem, tendo meses melhores e alguns piores. Na pandemia tivemos uma aceleração nunca vista devido à oferta e à procura. Com a dificuldade e o aumento das matérias-primas, estamos passando por um processo de desaceleração. Voltando, assim, ao normal, ou seja, igual ao período pré-pandemia”. EXPECTATIVA PARA OS PRÓXIMOS MESES A expectativa dos empresários é que a retomada gradual se torne efetiva nos próximos meses. “Para os próximos meses, a minha expectativa é das melhores, porque nós criamos produtos têxteis, design com qualidade que os nossos representantes e vendedores levam para decorar. Este ano, como a pandemia está mais controlada, acredito que o movimento comercial será mais visitado. E faço um convite a você turista: venha conhecer a nos-
sa querida Resende costa”, destaca Alessandro. Márcia acredita que, em breve, seguindo todos os protocolos de segurança, o movimento voltará a ser como antes. “Uma das nossas estratégias foi não repassar o valor ao cliente, para tentar trazê-lo de volta. Temos usado as redes sociais para mostrar que estamos seguindo os protocolos, como o álcool em gel na limpeza das superfícies, ahigiene das mãos é exigida, máscara sendo cobradas. As pessoas ainda estão com medo e a gente também. A gente perdeu amigos, hóspedes. Foi muito triste. Causou um estresse muito grande. Mas a nossa expectativa é que a gente consiga fazer Réveillon, para depois começar a pensar no Carnaval”, planeja a empresária. Luara Ramona também está otimista com a retomada das atividades comerciais que impactam positivamente no turismo em Resende Costa. “Acredito que se todas as pessoas concordarem em tomar a vacina, os casos de Covid-19 continuarão estáveis. Infelizmente nossa Resende Costa sofreu muito com a pandemia. Tivemos perdas irreparáveis. Mas a nossa economia não aguenta sofrer outra pressão como o ano passado, pois estamos passando por crises após crises. Estou bem confiante para os próximos meses, acho que a tendência é de uma melhora contínua na nossa economia, principalmente no setor turístico”.
PÁG. 14 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
Informe Publicitário
CRÉDITO CONSIGNADO
Sicoob tem melhores taxas com atendimento especializado e estrutura completa Minas Gerais tem, hoje, mais de 3,5 milhões de segurados do INSS, sendo a maior parte aposentados e pensionistas. E todos eles têm os mesmos direitos, incluindo receber os benefícios em dia e escolher como sacá-los. É aí que entra o Sicoob Credivertentes. Além de caixas eletrônicos abastecidos e atendimento personalizado para quem precisar, a cooperativa garante acesso a Crédito Consignado e outros produtos com Justiça Financeira. CONSIGNADO Essa solução quase todo mundo já
conhece. Precisou de recurso extra para organizar as finanças, realizar um sonho ou tirar um plano do papel? O Crédito Consignado pode ser perfeito. No caso de aposentados e pensionistas do INSS, a opção garante recursos que podem ser parcelados em até 84 prestações – descontadas automaticamente do seu benefício. Prático e leve, como a vida deve ser. ATENDIMENTO Pessoas, não números. É esse o princípio básico da recepção ao “até logo”
em todas as interações na agência de Resende Costa. “Cada história, cada conversa e cada demanda é única. Então realmente nos concentramos em quem está falando conosco, no que precisa, no que podemos oferecer de melhor”, explica o agente de Atendimento local, Diego Resende. Exatamente por isso, antes de efetivar o Crédito Consignado, por exemplo, o aposentado ou pensionista do INSS recebe toda a consultoria necessária para optar por valores e prestações de forma sustentável. Assim, sai da agência com o suporte que
precisa para ter dinheiro no bolso e tranquilidade na cabeça. Parte dela, aliás, vem da Justiça Financeira. No Cooperativismo, as taxas aplicadas em todo o portfólio são competitivas todos os dias e ficam ainda melhores em períodos promocionais. Fechou negócio em outra instituição? Tudo bem: com a Portabilidade, você pode migrar seu contrato para o Sicoob Credivertentes e, com isso, até economizar. Ainda não é cooperado? Abrir sua conta também é simples e rápido. Só procurar nossa equipe.
CONSÓRCIOS
Promo Week vai garantir condições ainda melhores no fim de Novembro tornam ainda mais atrativas nesse período, com economia significativa ao consorciado. Um presente de Natal antecipado”, explica Narayana Santos, do setor de Produtos no Centro Administrativo.
Todo mundo tem um grande sonho. Realizá-lo, porém, não precisa exigir grandes esforços. Com tranquilidade para você e para o seu bolso, os Consórcios podem ser a chave para a sua casa própria; o combustível que falta para um carro novo na garagem. Mas suas possibilidades não param por aí. No Sicoob, você também pode contar com Consórcios para a aqui-
sição de outros bens, como os móveis da sua casa; ou para a adesão a diferentes serviços, incluindo sua festa de casamento. Se adquirir o que mais deseja com planejamento, prazos e prestações que cabem no bolso já é bom, imagine fazer isso com condições promocionais. Pois é essa a proposta da Promo Week, esperada para a última semana de novembro. “Nossas taxas, que são competitivas o ano todo, se
O QUE SÃO O Consórcio é, na verdade, uma maneira coletiva e planejada para realizar aquisições. Você, que é Produtor Rural e quer mais implementos para seu maquinário, pode garanti-los em até 144 prestações, sem juros. Assim, você alcança maior produtividade investindo pouco por mês em grupos de consorciados com o mesmo objetivo. Ou seja: o pouquinho pago de cada um sustenta o fundo para a compra dos bens. E é aí que o melhor acontece: todo mês um participante é sorteado para ter o equipamento em mãos, independentemente da quantidade de parcelas pagas. Lances também podem ser dados para acelerar o processo. Se interessou? Só procurar nossa agência.
ONDE ESTAMOS Nossa cooperativa está há 26 anos em Resende Costa. Hoje, a agência local fica na Rua Gonçalves Pinto, no 135, no Centro. Entre em contato também pelo telefone: (32) 3354-1040.
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
CULTURA
Livro “Cidades e Resendes”, lançado na terra-mãe, em Portugal DA REDAÇÃO
Finalmente aconteceu a tão aguardada apresentação do livro “Cidades e Resendes – Uma viagem por Portugal continental, Arquipélago dos Açores, Minas Gerais e Cabo Verde” (Chiado Books), em Resende, terra-mãe da grande família no norte de Portugal. Por conta da pandemia, o lançamento do livro, que deveria ter ocorrido em 16 de maio de 2020 em Resende, teve de ser adiado. O evento, no dia 6 de novembro, foi resultado de uma parceria com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Resende, na pessoa do seu presidente Joaquim Alves, e com a Foto Ideal Resende. Entre os presentes, encontravam-se cidadãos resendenses e autoridades municipais, bem como o conterrâneo resende-costense João Bosco Pinto Lara e a esposa Maria da Conceição Lopes Noronha. Na ocasião, o padre e escritor Joaquim Correia Duarte discorreu sobre a história dos Resendes, contada no livro, a começar pela “ilustríssima família que, em tempos medievais, teve a sua residência no lugar que nós chamamos Paço”. Os membros dessa família adotaram o apelido“Resende”, que deu nome à “nossa terra” e foi levado “honrosamente” para lugares ou cidades, com destaque no Brasil. Padre Joaquim lembrou o dia, em 2012, em que o autor do livro, José Venâncio de Resende, apareceu em sua casa, chegado de Resende Costa, “para saber coisas sobre a nossa Vila de Resende, de Portugal”. Neste primeiro encontro, Padre Joaquim falou de Resende e dos “Resendes”, de Portugal, e também de “uma cidade com o nome Resende, na margem esquerda do rio Paraíba do Sul, no Estado do Rio de Janeiro, a cuja Academia de História tenho a honra de pertencer”. Sabia que o nome Resende do Rio de Janeiro foi uma homenagem ao “fidalgo do Paço de Resende (Portugal), José Luís de Castro, 2.º Conde de Resende, nomeado em 1789 Vice-Rei do Brasil pelo governo de D. Maria I, com a missão de gerir e abafar a revolta de ‘Tiradentes’ e de mais 33 conspiradores, que pretendiam fazer de Minas Gerais um estado autônomo e independente do reino de Portugal”. De Resende Costa, prosse-
O autor José Venâncio autografou exemplares do livro durante o evento de lançamento
guiu Padre Joaquim, “eu só sabia da sua relação com a tal revolta conhecida por ‘Inconfidência Mineira’, chefiada pelo alferes de cavalaria Joaquim da Silva Xavier, mais conhecido pelo apelido ‘Tiradentes’ e que, descoberta a conjura, veio a ser morto por enforcamento na cidade do Rio de Janeiro, às ordens do nosso conterrâneo Vice-Rei, a quem coube mandar executar a sentença dos tribunais”. “De tal ‘levante’, mais conhecido por Inconfidência Mineira, fiquei muito bem informado, mais tarde, lendo o livro ‘Os Inconfidentes’ que gentilmente me foi enviado pelo seu autor, Rosalvo Gonçalves Pinto.” Depois de discorrer sobre a origem de Resende Costa, cujo nome original, Arraial da Lage, deu nome ao Jornal das Lajes, Padre Joaquim referiu-se ao tear manual que existe no Museu Municipal de Resende, na ilha de Santa Maria, nos Açores, e em Resende Costa (Minas Gerais), sempre citando o livro “Cidades e Resendes”. Uma passagem da fala de Padre Joaquim deixou o autor do livro emocionado. Depois de vários encontros com o jornalista, disse, “tive a tentação de pensar que o seu trabalho não ia dar em nada. Trazia consigo um bloco de papel sem linhas e, numa corrida desabrida, escrevinhava uns gatafunhos com um lápis de grafite”. Na medida em que ia lendo as reportagens no Jornal das Lajes, revela, “passei a levá-lo a sério e disse cá para mim: - Estavas equivocado”. “E estava mesmo, e disso lhe peço desculpa.” E conclui: “Quando (o autor) me pôs na mão este precioso livro e passei os olhos por ele, a minha vontade foi pedir-lhe per-
dão pela minha falta de confiança. Só o não fiz, por timidez e por não estar a sós com ele”. Já o autor, em sua fala, revelou bastidores do processo de elaboração do livro e destacou a sua proposta de criação do site RCR – Rede de Cidades Resendenses, uma prioridade nos próximos anos. No final de sua fala, Padre Joaquim deixou um desejo e uma dúvida. “O desejo é que o seu sonho de criar uma ‘Rede de Cidades Resendenses’, todas ligadas entre si e todas ligadas à cidade-mãe, em Portugal, se venha a concretizar em breve. A dúvida, que nem eu nem o autor da nossa obra conseguimos dissipar, é esta: como e quando foram os Resendes, de Resende para os Açores.” OUTROS EVENTOS O primeiro lançamento ocorreu em 14 de março de 2020 em Resende Costa (Minas Gerais), no dia em que o Ministério da Saúde anunciava, oficialmente, a chegada da pandemia do coronavírus ao Brasil. E em 9 de outubro deste ano, com a trégua dada pela pandemia, foi realizada a primeira apresentação do livro em Portugal, evento que aconteceu na cidade de Viseu, numa parceria com a Associação Casa do Brasil (ACB-Viseu). O livro é uma coletânea de textos (reportagens e notícias) publicados no Jornal das Lajes, desde a primeira viagem do autor a Portugal em 2012. O principal objetivo é o de promover a aproximação entre as comunidades de cidades ligadas aos Resendes, com foco em intercâmbio cultural, turismo e até mesmo negócios.
• PÁG. 15
Retalhos literários EVALDO BALBINO
Ilídia No Ribeirão de Santo Antônio, em tempos que já se vão distantes, Ilídia nasceu em família simples para uma vida, após o casamento, de certo modo remediada. Modesta estabilidade. Avó de minha mãe, contraiu núpcias, ainda moça muito nova, com José Claudino, rapaz afeito ao trabalho na lavra e à lida com muares. Foram viver na Boca da Mata, ali num canto do povoado, do outro lado do córrego caudaloso que alimentava a terra, as plantas e todos os gados, humanos ou não. As águas do rio moviam o moinho de pedra. As águas corriam pelo rio da vida. Trabalhando incansáveis dias, e depois concentrando mais suas atividades na sua tropa que ele administrava com diligência, Claudino pôde dar à esposa e às três filhas que tiveram uma vida, senão rica, pelo menos um pouco tranquila, e isso em meio a uma região povoada – como em grande parte do planeta – por uma maioria de vidas simples e até mesmo miseráveis. Do mesmo modo a mulher Ilídia fez a sua parte, cuidando da casa, do marido e da prole, contribuindo e muito para a prosperidade de tudo. Pouco sei da bisa Ilídia. Mas é chegado a um hoje, cujo passado carece de registros claros, o certo fato de que ela faleceu muito jovem. Casou-se com a morte ainda antes dos cinquenta anos, como antes dos dezoito se casara com o Claudino tropeiro e galanteador. Com seus mais ou menos 45 anos, deixou as filhas ainda jovens, mas já preparadas para a existência. Sua filha Chiquita, a do meio, casou-se primeiro. Foi-se com o marido Realino para o povoado do Cajuru. A mais nova, minha vó Laurinda, se foi de casa em seguida, casada com o Vô Chico Cota. Na casa ficou ainda solteira a tia Maria, que ao depois uniu-se em matrimônio com o Tio Antônio. Na minha meninice fui certa vez ao povoado do Cajuru. Já não existiam mais os bisavós Ilídia e Claudino, a vó Laurinda e a tia Maria. Num recanto desse outro povoado, porém, ainda vivia a tia Chiquita. Cabelos brancos, magra, rugas infindáveis à vista, e uma fala amorosa e incansável. Enquanto ela conversava com minha mãe na cozinha, o tio Realino nos levou, à minha ir-
mãzinha e a mim, para vermos a fonte de água fria e cristalina e aplantação imensa de berinjela, novidade para nós que só conhecíamos jiló. Me encantei mesmo foi com a bilha sobre a mesinha da sala, um frescor de água para a vida inteira. Depois que voltamos à cozinha, após subirmos uma escada de pedra que fazia curva, ouvi a voz macia e baixa, porém esperta, da tia Chiquita. Ela falava da sua vida no Ribeirão, do muito trabalho, da quietude da irmã Laurinda (a minha avó), das rebeldias da mana Maria. Falou dos cuidados que todos tentaram ter com a ferida na perna da mãe Ilídia. Cancro sempre aumentando, o zelo do pai buscando os remédios que raizeiros indicavam, as três filhas buscando o cuidado que o cuidado materno tivera com elasdesde pequeninas vidas sendo geradas no útero de mulher da roça e trabalhadeira. Contava tudo com os olhos afundados em água, mina pouca mas profunda, pois o tempo tem o poder de diminuir as lágrimas, mesmo que elas continuem existindo com seus rumores brotando em nós. O tom da voz da Tia Chiquita era de frustração pelo fato de a mãe Ilídia ter ido embora da vida tão cedo. Sem compreender a existência debaixo do céu, foi contando as experiências alegres e dolorosas, os problemas de família, as lutas do pai e das três filhas para colocar na linha o que desalinhava. Foi narrando a velhice e a morte do patriarca, uma velhice que para os moldes de hoje, com a média de vida da população aumentada, seria ainda o começo da terceira idade. No tom de voz da tia Chiquita, que morreria algunsanos depois dessa nossa ida a sua casa, uma aparente demonstração de não aceitação da vida tal como sempre esta se dera. Entretanto, o que ela não disse, mas hoje sei que foi dito nos vãos e nas combinações de suas palavras, é que a mãe era o seu amor eterno, exemplo de mulher, e que seu pai era um companheiro em tudo. Contou-nos que diziam ser ela muito parecida com a bisa Ilídia. Então aproveitei para namorar, na sua voz suave e nos seus olhos claros e úmidos, os claros olhos úmidos e a suave voz da minha bisavó me beijando para sempre.
PÁG. 16 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVIII Nº 223 - NOVEMBRO 2021
ESPORTE
Com a permissão da volta das atividades esportivas em Resende Costa, organizadores correm atrás do atraso e movimentam o calendário de 2021 VANUZA RESENDE
O calendário esportivo de 2021 foi afetado pela pandemia da Covid-19, assim como tantos planejamentos feitos para o segundo ano de pandemia. Mas assim como em outros setores, o retorno gradual das atividades esportivas já começou em Resende Costa. De acordo com Vivian Daher, chefe da Divisão de Esportes da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer, “os protocolos adotados são os que regem a Onda Verde (do plano Minas Consciente). Os eventos estão autorizados desde que obedeçam à onda em que o município se encontra. Todos os responsáveis pelas atividades estão seguindo isso. Os ginásios estão abertos para os treinos, mas as competições têm público restrito ao número que é permitido à plateia”. Ainda de acordo com Vivian, “com relação ao calendário, nós fizemos um no início do ano, como de costume, e vai ser observado, na medida do possível, para que o município cumpra com as regras do Minas Consciente, mas que esse calendário não fique sem executar o planejado para este segundo semestre de suas atividades. Além da reforma de espaços físicos, a prefeitura segue apoiando a realização de competições e a prática de diversos esportes: Motocross (Copa Sul Mineira e Campeonato
Festival resgatou lembranças de fins de semana com futebol no Barracão
Mineiro de Regularidade), Futebol (10º Regional e V Municipal), Futsal (Copa Outubro Rosa), Corridas (Duathlon, Cross Country e ForrestRun), etapas do circuito RTR (1ª RTR Presencial, Cross Duathlon, Night TrailRun e Ultra RTR) Jogos Escolares Virtuais da Escola Municipal Paula Assis (Ribeirão) e participação de munícipes em competições de Fisiculturismo e Jiu-Jitsu”. BARRACÃO REALIZA FESTIVAL DE FUTEBOL No domingo, 31 de outubro, o povoado do Barracão recebeu o primeiro Festival de Futebol. De acordo com um dos organizadores, Eder Flávio Teixeira, o Tezinho, o festival surgiu da iniciativa própria da comunidade a fim de resgatar o futebol no povoado. Motivados pela boa presença de público, os organizadores já planejam organizar outros festivais.
Foram três jogos: Cachoeira de Coronel Xavier Chaves 4x 1 Matatu de Lagoa Dourada; Barracão A 1 x 1 Cajuru – nos pênaltis, o Barracão venceu por 7x6; Barracão B 1 x 8 Ribeirão. De acordo com Tezinho, o convite foi feito aos times que já têm tradição de jogar no povoado. Além disso, os organizadores homenagearam Osvaldo de Oliveira, o Vado do Barracão, de 78 anos. “A gente procurou fazer uma pequena homenagem a um integrante de cada comunidade que participou do festival. No caso do Barracão, o homenageado foi o Sr. Oswaldo de Oliveira, que sempre teve participação importante no futebol da comunidade”, disse Tezinho. Ao final da tarde de domingo, independente do resultado, todos os times levaram troféu para casa e já estão prontos para voltarem para o próximo torneio.
Figueirense de São João del-Rei eliminado na primeira fase da Segunda Divisão do Mineiro O Figueirense de São João del-Rei fez uma péssima campanha no Campeonato da Segunda Divisão do Mineiro. Pelo grupo A, ao lado de Santarritense, Varginha, Poços
de Caldas e Três Corações, em oito rodadas o clube conseguiu apenas um ponto no empate com Poços de Caldas. Eliminado de forma precoce, com saldo de menos 13 gols,
restou ao clube são-joanense, que sonhava com o acesso ao Módulo II, apenas cumprir tabela até o fim da primeira fase.
Athletic chega à semifinal do Mineiro sub-17 e conquista título simbólico de Campeão do Interior A equipe de base do Esquadrão de Aço venceu o Minas Boca por 1×0. A partida aconteceu na tarde do sábado, 30 de outubro, no estádio Joaquim Portugal, em São João del-Rei. O gol foi
marcado por Artur Becari. O time são-joanense já havia vencido o adversário em Belo Horizonte pelo mesmo placar: 1×0. Com o resultado, além de avançar para a semifinal, o Athletic conquistou o
título simbólico de Campeão do Interior, já que foi a equipe de fora da capital que chegou mais longe na competição. Pela semifinal, os garotos da base enfrentaram o Cruzeiro. A
Papo de Esportes VANUZA RESENDE
O futebol e a expressão cavalo paraguaio Entre tantos memes que recebi e acompanhei nas redes, o tal do cavalo paraguaio foi recordista. O amigo internauta sabia que o Galo tinha perdido alguma coisa, e os que gostam de futebol sabiam que o Atlético Mineiro tinha sofrido uma das maiores ironias do mundo da bola: perder, sem perder. Perdeu a chance de classificação, mas não perdeu nenhum jogo, empatou. E, sei lá, mas tenho pra mim que o “quase” é pior do que o “passou longe”. Pelo menos, tive essa impressão lá no 27 de setembro. Um mês depois, estava lá na minha linha do tempo o cavalo paraguaio de novo. Mas que coisa! Eu já vi muito cachorro invadir campo, em especial na Libertadores, mas cavalo não, uai. E nem era Libertadores para ter um doguinho caramelo. Era Copa do Brasil. E, dessa vez, o animal era do Flamengo. Mudou de dono em trinta dias. E eu mudei a opinião.O ‘passar longe’ e ser goleado na semifinal – em que você era o favorito – é pior do que ficar no “quase”. O programa de esportes, após a eliminação do Flamengo, poderia ter começado de tantas formas que eu nem sei calcular. Mas preferi começar explicando isso aqui: “Lá em 1933, contrariando todas as expectativas, ‘Mossoró’, um cavalo pernambucano de descendência paraguaia, acabou vencendo a prova no Hipódromo Brasileiro, situado no Rio de Janeiro, e arruinando o prognóstico dos mais experientes apostadores. E aí, toda vez que um time inesperada-
equipe celeste passou pelo Dínamo por 6×0. No agregado, foi 9×1 para o Cruzeiro. O Cruzeiro é o atual campeão da competição. Venceu, em 2019, o Galo nos pênaltis. Em 2020,
mente conquistava vitórias, os cronistas esportivos anunciavam a presença de um ‘cavalo paraguaio’. Nesse caso, espera-se do time chamado de ‘cavalo paraguaio’ uma queda de rendimento no final da competição. Dessa forma, acabam frustrando os seus torcedores e deixando que times de maior regularidade encabecem o campeonato”. Para falar verdade, acredito que depois da vitória de 1933, o Mossoró só perdeu, e já sabemos que perder pode significar empatar.Aí sim fica mais claro o porquê da expressão! Entre justificar o motivo da eliminação dos favoritos e listar que nem mesmo a volta de Bruno Henrique e Gabigol ao time do Flamengo surtiram efeito para uma defesa espetacular do Athletico-PR. Um 2x2 em Curitiba não serviu de lição.Então, meu caro, receba aí um 3x0 para acordar para o jogo, os próximos, é claro. Do lado do Galo, a torcida elegeu seus culpados: Nathan Silva tinha mesmo que perder pro Véron? Até podia, se não fosse desse lance o gol palmeirense. E, claro, sem esquecer da pipoca que Hulk serviu e errou na marca da cal, não dá! Por isso, ao invés de estender a justificativa, preferi explicar a tal expressão. Passadas as eliminações de Atlético na Copa Libertadores, e Flamengo na Copa do Brasil, espero fortemente que o Atlético largue para lá isso de querer ter outro bicho e fique apenas com o Galo. E por falar em bicho, entre Urubu e Porco, fico é com o Mossoró!
não teve campeonato. O Cruzeiro também foi o responsável pela eliminação do Athletic Club nas quartas de final de 2019, ao vencer os garotos do Esquadrão por 5x 0.