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Edição 222 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVIII

• OUTUBRO 2021 • Nº222

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

As lajes de Resende Costa são tema de série especial de vídeos que registram a participação do município na 8ª Jornada do Patrimônio Cultural de MG Foto: André Eustáquio

Centenário O resende-costense padre Josué Francisco da Natividade, salesiano de Dom Bosco, completará, no próximo dia 31 de outubro, 100 anos. Padre Joso, como é carinhosamente chamado, é o salesiano mais idoso da Inspetoria Salesiana São João Bosco, fazendo parte de toda a sua história, uma vez que foi ordenado apenas três anos depois de sua fundação no Brasil. Com 70 anos de vida religiosa dedicada plenamente ao carisma de Dom Bosco, padre Josué reside em Niterói (RJ), no Colégio Salesiano Santa Rosa PÁG 05

O enorme rochedo que marcou as origens de Resende Costa inspira escritores, encanta turistas e está presente nas lembranças e no cotidiano da população local.

A Jornada do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, criada em 2009 e promovida pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA), acontece em anos ímpares. Em 2021, as atividades (ações de promoção e difusão do patrimônio cultural) foram realizadas em 752 municípios mineiros. Em Resende Costa, a oitava edição teve o apoio da prefeitura municipal por meio da Secretaria de Turismo, Artesanato e Cultura (SETAC). “Não há como falar de Resende Costa e da preservação do seu patrimônio histórico sem falar das lajes, que são a identidade do nosso município, estão na nossa gênese e na cultura da nossa população”, disse o secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, André Eustáquio. Leia editorial na página 2. PÁG 06

Artesãos e empresários de Resende Costa fazem contas para manterem o tear em funcionamento A inflação que atinge os brasileiros nestes tempos de pandemia do novo coronavírus chegou

aos custos das matérias-primas têxteis (retalhos e fios) utilizadas na fabricação de produtos

artesanais em Resende Costa, reconhecida oficialmente como “Capital Estadual do Artesana-

to Têxtil”. A escassez de mão de obra é outra queixa dos profissionais do setor responsável

pelo aquecimento da economia e do turismo na cidade. PÁG 12


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ANO XVIII Nº 222 - OUTUBRO 2021

EDITORIAL Planejando o futuro sem tirar os olhos do presente

Jornal das Lajes Ltda Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende

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A retomada das atividades econômicas e culturais no pós-pandemia exigirá dos atores envolvidos – países, estados, municípios, poder público e iniciativa privada – planejamento, investimento e criatividade. Quem conseguir reunir esses requisitos, transformando-os em ações efetivas, largará na frente. Dentre as inúmeras atividades que sofreram fortes impactos com a pandemia da Covid-19, os setores do turismo e da cultura despontam como os mais prejudicados. Porém, com o arrefecimento da crise sanitária no Brasil, conquistado a partir do avanço da campanha de vacinação neste segundo semestre, a retomada da economia e das atividades culturais começa a acontecer de forma segura e contínua. As cidades que têm o turismo como opção de negócio já vislumbram um horizonte aberto e promissor. Falando em horizonte, uma reportagem de destaque na edição deste mês do JL aborda as lajes de Resende Costa. Entre os dias 28 e 30 de setembro, a Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura divulgou uma série especial de quatro vídeos sobre as lajes, publicados exclusivamente nas redes sociais da prefeitura. A série registrou a participação do município na 8ª Jornada do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, evento organizado em anos ímpares pelo IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico). As lajes, conforme explica a reportagem, foram escolhidas como tema devido à sua importância para a memória, a paisagem e a identidade de Resende Costa, outrora Arraial da Laje. A série apresenta depoimentos diversos sobre as lajes, cartão-postal da cidade, as quais ganharam recentemente um novo atrativo: um mirante de onde é possível contemplar o mais belo pôr do sol das Gerais. O local, que antes já era visitado e admirado pelos resende-costenses, tornou-se ponto turístico que atrai olhares e inspira selfies de turistas vindos de diversas cidades do Brasil. Importante, porém, situar as lajes no contexto das perspectivas e planejamentos de Resende Costa para a retomada das atividades do turismo no pós-pandemia. A série de vídeos chama a atenção para a necessidade de preservar o espaço, mantendo a limpeza, a segurança e a organização do lugar, mas quer frisar ainda a urgência de cuidarmos do nosso patrimônio histórico, cultural e arquitetônico como um todo. Resende Costa, infelizmente, ao longo de décadas, perdeu grande parte da sua arquitetura original que fotos antigas nos fazem lamentar. O apelo imobiliário e a tentativa de adaptar a cidade para absorver o rápido crescimento da população e o consequente desenvolvimento do comércio ignoraram a preservação do casario histórico e da originalidade do traçado de ruas (calçadas de pedra), largos e praças. Até as lajes (de cima, de baixo e da cadeia) sofreram com a falta de planejamento urbano e tiveram suas paisagens alteradas com a construção de casas e outros imóveis. No passado, a intervenção desordenada no centro urbano de Resende Costa mascarou o que o futuro revelou ser um enorme potencial turístico: a preservação do patrimônio. Cidades históricas de Minas, como Tiradentes, Ouro Preto, Mariana, Diamantina e São João del-Rei, que preservaram em bom estado o seu patrimônio, hoje veem o turismo pulsar forte e lucram com o movimento advindo dele. Não adianta, todavia, lamentar os “erros” do passado. É preciso olhar para a frente, começando por preservar o que nos restou. O turismo já é uma realidade em Resende Costa. Antes da pandemia, falava-se que a vocação turística da cidade era exclusivamente para o turismo de compras, devido ao artesanato. A reabertura da economia vem mostrando que a cidade possui também outros atrativos, além do artesanato, que os turistas valorizam e desejam conhecer melhor, como as belezas naturais, o patrimônio cultural e a gastronomia. O futuro promete revelar novos horizontes à cidade das lajes. Precisamos nos preparar para ele se almejamos nos consolidar como importante destino turístico na região do Campo das Vertentes. E isso se dará através de muito planejamento, parcerias e investimentos.

Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:

Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Meio Ambiente

ANA CLARA ORLANDO GUIMARÃES* ADRIANO VALÉRIO RESENDE**

A dependência de água para gerar energia elétrica O crescimento econômico e o aumento da população intensificaram a demanda por água nas últimas décadas. Assim, realizar a gestão da oferta desse recurso de forma sustentável, em quantidade e qualidade, não tem sido uma tarefa fácil para a humanidade. Fato preocupante perante a disponibilidade desse precioso líquido no planeta: dos 2,5% do total de água doce, 68,9% desse estão nas calotas polares, nas geleiras e nas altas montanhas e 29,9% são águas subterrâneas. Da água doce superficial, 0,9% estão em diversas fontes, tais como pântanos, umidade do solo e placas de gelo flutuantes e 0,3% estão em rios e lagos. Essa última parte é que pode ser acessada diretamente e está em constante processo de renovação, que é realizado principalmente através das precipitações. Felizmente, o Brasil tem a maior quantidade disponível de água doce do planeta, cerca de 12% do total. E um dos principais usos das águas dos rios é para gerar energia elétrica. Para se ter uma ideia da dependência da matriz hidráulica, ela representa 65% de toda energia elétrica produzida. Para entendermos melhor a questão, vamos a seguir fazer considerações sobre cada fonte produtora de energia elétrica no país. Nas Usinas Hidrelétricas, a energia é obtida a partir da água dos rios. Armazenada em barragens, a água passa por tubulações, realizando o movimento das turbinas que são conectadas a um gerador, o qual transforma a energia potencial – da água – em energia mecânica – movimento das

turbinas. No Brasil, a maior parte da energia elétrica advém dessa fonte, que, apesar de não apresentar níveis significativos de poluição e ser renovável, ocasiona profundos impactos socioambientais na construção de grandes reservatórios: desalojamento de populações, alteração na vazão dos rios, alagamentos e desmatamento da vegetação nativa, entre outros. Em Usinas Termelétricas, a energia é gerada a partir da pressão do vapor d’água obtido pela queima de carvão mineral, gás natural ou petróleo. O fluxo de vapor é conduzido por tubulações que são conectadas às turbinas, que, por sua vez, chegam aos geradores. O uso dessas usinas causa grandes impactos ambientais, visto que são movidas pela queima de combustíveis fósseis, aumentando ainda mais o efeito estufa, proporcionando a intensificação de ilhas de calor e de chuvas ácidas, além de emitir gases que são prejudiciais à saúde. Nos parques eólicos, o processo se dá pela construção de aerogeradores. Neles as turbinas giradas pelo vento causam rotações no conjunto de engrenagens do gerador. Representam cerca de 10% do total de energia elétrica gerada no Brasil e estão em expansão. Essa forma, apesar de não ser poluente e renovável, acarreta alguns problemas socioambientais, tais como a emissão de ruídos e a interferência nas rotas de voo de pássaros, resultando em mortes. A Energia Nuclear possui alta capacidade de produção e é proveniente da fissão dos átomos de urânio em um reator nuclear, causando o aque-

cimento da água e a geração de vapor, o que movimenta uma turbina. O procedimento diz respeito a 3% da energia brasileira. Os riscos e impactos ambientais são muito altos, podendo ocorrer a liberação de resíduos radioativos que permanecem por séculos no local. Na Energia Solar, os painéis fotovoltaicos captam a irradiação solar e converte diretamente em energia elétrica. Cerca de 2% de energia elétrica gerada no Brasil provém desse modelo. Seu uso está se ampliando em função dos avanços tecnológicos, o que vem causando a diminuição do preço. Biocombustível é a energia gerada a partir da queima de derivados da biomassa: cana-de-açúcar, oleaginosas, madeira e outras matérias orgânicas. As principais formas utilizadas a partir desse processo são: etanol, biodiesel e biogás. O biocombustível apresenta vantagens quando comparado ao uso de combustíveis fósseis no que diz respeito à sustentabilidade econômica, social e ambiental, mas necessita de amplas áreas agricultáveis. Por fim, estamos dependentes das hidrelétricas e qualquer alteração no regime anual de chuvas, como a que estamos vivenciando em 2021, afeta a quantidade de água armazenada nos reservatórios, ocasionando crise na disponibilidade de energia elétrica no país. *Aluna do Curso Técnico de Meio Ambiente – CEFET/MG **Professor - CEFET/ MG


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JORNAL DAS LAJES

CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA Vereadores promovem discussão sobre a organização do trânsito de Resende Costa A cidade de Resende Costa está se desenvolvendo cada vez mais, impulsionada, principalmente, pelo comércio e pelo turismo. Com isso, amplia-se a necessidade de se organizar melhor o trânsito na cidade, visando garantir segurança dos pedestres e motoristas. O assunto referente à organização do trânsito vem sendo debatido no Plenário da Câmara Municipal. Os vereadores Cleiton e Paulinho apresentaram indicação no mês de setembro, a qual teve aprovação unânime. Os vereadores solicitaram nova pintura das faixas de pedestre existentes nos logradouros públicos, especialmente na Avenida Alfredo Penido. Segundo os autores da indicação, a faixa de pedestres é uma sinalização que visa garantir mais segurança para os pedestres nas ruas. Porém, são necessárias ações, tanto dos pedestres quanto dos motoristas, para que a faixa seja útil e consiga efetivamente evitar acidentes de trânsito. Assim, esse dispositivo, somado à educação no trânsito, podem contribuir efetivamente para a segurança, organização e dinâmica no tráfego. O vereador Paulinho apresentou também indicação para que seja verificada a possibilidade de promover a instalação de duas placas de “Proibido Estacionar”, na Rua Assis Resende, centro da cidade, sendo uma na altura do número 49 e a outra na altura do número 51. De acordo com Paulinho, devido ao alto fluxo de veículos que estacionam no perímetro do referido logradouro, torna-se bem complexa a situação do trânsito nessa área, dificultando-se a entrada e saída de veículos das garagens de moradores próximos. Tal situação, segundo o vereador, gera trans-

tornos a quem necessita utilizar seus veículos, sobretudo em situações de emergência. ASSUNTO RECORRENTE Em meses anteriores, outros vereadores também apresentaram solicitações referentes ao trânsito em Resende Costa. O vereador Cláudio indicou a possibilidade de ser instalada uma placa indicativa de parada obrigatória, bem como a pintura viária de PARE, na estrada de acesso ao Povoado do Ribeirão, com o objetivo de oferecer melhorias no controle do tráfego de veículos, bem como prevenir possíveis acidentes. O vereador Coló indicou a instalação de uma placa indicativa de parada obrigatória na descida da Rua Dr. Abeilard, esquina com a Rua Agenor Gomes de Sousa e Praça Marcos Reis, no centro. A indicação ampara-se na solicitação de pessoas que transitam no local e que temem pelo risco de acidentes. Já o vereador Lucas solicitou que seja estudada a possibilidade de construção de uma pista de caminhadas no bairro Várzea. O vereador sugeriu ainda melhorias na sinalização nas vias do referido bairro através de pinturas de faixas de pedestres. Pensando na promoção de melhorias para a segurança na extensão da Avenida Alfredo Penido, a pedido de cidadãos que fazem uso do local para a prática de exercícios físicos, o vereador Paulinho indicou a possibilidade de serem instaladas placas de sinalização indicativa de alerta para a presença de pedestres fazendo caminhadas, bem como ciclistas que utilizam a referida via. Tais placas também deveriam regularizar a velocidade dos veículos.

Considerando o acentuado crescimento no fluxo de trânsito em frente à Escola Estadual Assis Resende, o vereador Coló indicou melhorias na sinalização das ruas do entorno da escola, com o intuito de oferecer segurança aos alunos. Os vereadores Coló e Lucas sugeriram a realização de estudo técnico, junto ao Executivo Municipal, com o objetivo de promover melhorias na sinalização e controle de velocidade de tráfego no cruzamento entre as Rua Assis Resende e Avenida Monsenhor Nelson, centro, local conhecido como “Quatro Cantos”. Motivado pelo objetivo de coibir excesso de velocidade de veículos e motocicletas, o vereador Cláudio sugeriu ao Poder Público Municipal que promova a instalação de placas de parada obrigatória, juntamente com a referida pintura viária, na Rua Teodoro Neto e Rua Antônio de Sousa Resende, bem como na esquina da Rua Antônio de Sousa Resende com a Rua Saturnino Chaves, no bairro Nossa Senhora da Penha. Cláudio indicou também a instalação de uma placa de parada obrigatória, assim como pintura viária de PARE, no encontro das Ruas Dauri de Oliveira e Laércio Vieira, ambas localizadas no bairro Zé Padeiro. MIRANTE DAS LAJES Foi indicada pelo vereador Cleiton a instalação de duas placas de proibido estacionar, em frente ao letreiro #euamoResendeCosta, nas Lajes de Cima. O vereador chamou a atenção para o fato de que o Mirante das Lajes vem atraindo inúmeras pessoas ao local. “A implantação do letreiro com os dizeres “Eu Amo Resende Costa” contribui bastante para que muitas pesso-

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INFORME PUBLICITÁRIO

Indicações aprovadas durante reuniões do mês de setembro • Possibilidade de promover obra de restauração nas instalações da Gruta de Nossa Senhora de Fátima, localizada no entorno do largo da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, Município de Resende Costa-MG (Vereador Guerra). • Patrolamento da estrada que liga o beco sentido Inhambu à encruzilhada da porteira do Jardim, sentido estrada para o Curralinho dos Paulas (Vereador Zé do Dico). • Instalação de três quebra-molas na Praça Santo Antônio, no Povoado do Cajuru, Município de Resende Costa-MG: um (01) na altura dos números 90/134, um (01) na altura dos números 100/campo de futebol (espaço público) e um (01) na altura dos números 150/terreno vago (propriedade particular) (Vereador Coló). • Instalação de duas placas de “Proibido Estacionar”, na Rua Assis Resende, centro de Resende Costa-MG, sendo uma na altura do número 49 e a outra na altura do número 51. Possibilidade de promover a instalação estratégica de bebedouros artesanais, confeccionados em PVC, com o intuito de minimizar o sofrimento que os efeitos das altas temperaturas impõem aos cães de rua em nosso município (Vereador Paulinho). • Possibilidade de pintar novamente as faixas de pedestre existentes nos logradouros públicos, principalmente as da Avenida Alfredo Penido (Vereadores Cleiton e Paulinho). • Possibilidade de promover ajustes e reformulações no projeto Natal Luz: campanha prévia de divulgação do evento, campanha de publicidade de abrangência regional e/ou estadual para incentivar compras de Natal em Resende Costa, alteração do nome do evento, uma vez que o título “Natal Luz” já é utilizado pela cidade de Gramado-RS (Vereador Fernando Chaves).

as possam registrar e eternizar o momento através de fotos. Porém, sem uma sinalização adequada, muitos motoristas estacionam seus veículos em frente ao letreiro, impedindo que as pessoas registrem, fotograficamente, o momento”, justificou o vereador. Além disso, os vereadores já indicaram, em diversos momentos, a instalação de quebra-molas em variados logradouros na cidade. Vale ressaltar que, para isso, é necessária a verificação da

Lei Complementar nº 4.131/2016, que altera o Código de Posturas do Município. De acordo com a lei, os quebra-molas serão implantados somente após a autorização das autoridades de trânsito, obedecendo às regras definidas pelo Conselho Nacional do Trânsito, e com a aprovação ou a solicitação expressa por abaixo-assinado da maioria dos moradores da via pública, identificando a numeração exata da indicação de localização.

Comissão de Legislação, Justiça e Redação As Comissões da Câmara Municipal são órgãos técnicos constituídos pelos seus próprios membros, destinados a proceder estudos, emitir pareceres especializados, realizar investigações e representar o Legislativo. Elas podem ser permanentes, que subsistem através da Legislatura, e temporárias, que se extinguem com o término da Legislatura, ou

mesmo antes se atingidos os fins para os quais foram criadas. As Comissões Permanentes têm por finalidade analisar, estudar e emitir parecer sobre assuntos submetidos à sua apreciação e exame, e o exercício, no âmbito de sua competência, da fiscalização dos atos do Executivo e da administração direta e indireta. Dentre as comissões, existe

uma que se reúne com mais frequência: a Comissão de Legislação, Justiça e Redação. Compete a ela manifestar-se sobre assuntos submetidos à sua apreciação, quanto ao seu aspecto constitucional, legal ou jurídico e quanto ao seu aspecto gramatical e lógico, quando da análise dos projetos antes de iniciada sua discussão, emitindo o respectivo

Membros da Comissão de Legislação, Justiça e Redação da Câmara Municipal de Resende Costa

parecer. Quando um projeto de lei é apresentado no Plenário da Câmara Municipal de Resende Costa, é encaminhado à Comissão de Legislação, Justiça e Redação, que realiza o seu estudo. Para o biênio 2021/2022, a Comissão de Legislação, Justiça

e Redação da Câmara Municipal de Resende Costa está constituída pelos vereadores: José Cláudio de Sousa Resende (Presidente), Cleiton Afonso dos Santos (Secretário) e Lucas Antônio de Resende (Membro). Os vereadores são acompanhados pela Assessora Jurídica, Dra. Marina Vale.


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

INFORME PUBLICITÁRIO

Prefeitura segue trabalhando na manutenção de estradas rurais Ciente da importância das estradas vicinais para a população e, principalmente, para produtores rurais, a Prefeitura Municipal segue empenhada em realizar manutenções e melhorias nas vias de acesso aos diversos povoados do município. Através da Secretaria de Obras, a atual administração trabalha para que as estradas estejam nas melhores condições possíveis para enfrentar o período

de chuvas, buscando minimizar os impactos causados pelas águas pluviais. “Sabemos que às vezes não é possível realizar manutenções em todas as estradas, pelo fato de Resende Costa possuir uma longa extensão territorial. A prefeitura busca sempre trabalhar com a melhor logística possível, para dar tempo de realizar as manutenções nas principais estradas do

município e atender o maior número de povoados, beneficiando toda a nossa população. Além de trabalhar na melhoria das estradas, frequentemente, a Secretaria de Obras promove trocas de mata-burros, reforma de pontes e também o calçamento de pontos estratégicos de acesso às comunidades rurais”, afirmou Lucas Paulo, vice-prefeito em exercício no cargo de prefeito.

Resende Costa se destaca entre as cidades mineiras que mais incentivam a prática de esportes Nos últimos 5 anos, Resende Costa vem se destacando entre as cidades mineiras que mais incentivam a prática de esportes. Esta afirmação é baseada no ranking do ICMS Solidário - Critério Esportes, divulgado pela Secretaria de Estado de Esportes de Minas Gerais (SEESP). O ICMS Esportivo é uma das formas que o governo tem para fomentar a prática de esportes, garantindo recursos para a realização de eventos de diversas modalidades. Para que o município possa receber mais recursos, mais eventos e práticas esportivas deve realizar. Em 2021, Resende Costa ficou em 19º lugar entre 296 cidades mineiras. O ranking tem como base as atividades esportivas realizadas no ano de 2020 (ano-base). Assim, podemos observar que, mesmo em meio à pandemia de Covid-19, Resende Costa trabalhou para que as atividades esportivas fossem realizadas, se adaptando às normas de segurança e prevenção ao coronavírus. Ao todo, 20 eventos foram realizados em 2020 e aprovados no ranking. Com a conclusão destes eventos, será repassado ao nosso

município o valor de R$109.237,63 (em parcelas mensais) - a verba pode ser utilizada em diversas áreas. Esta conquista se deve muito ao empenho também de atletas e organizadores de eventos esportivos, que não mediram esforços para que nosso município continuasse sendo destaque no estado e um importante centro de atividades esportivas para a região das vertentes. Desde 2016, quando começou a fazer parte do ranking, Resende Costa figura, pelo menos, entre as 20 primeiras cidades: Ano-base 2016: 16º lugar, entre 224 cidades; Ano-base 2017: 19º lugar, entre 369 cidades; Ano-base 2018: 19º lugar, 404 cidades; Ano-base 2019: 14º lugar, 412 cidades; Ano-base 2020: 19º lugar, entre 296 cidades. Se levarmos em consideração apenas as 19 cidades associadas à AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes), Resende Costa tem um destaque ainda maior: Ano-base de 2016 - 2º lugar; Ano-base de 2017 - 4º lugar; Ano-base de 2018 - 6º

lugar; Ano-base de 2019 - 4º lugar; Ano-base de 2020 - 4º lugar. As boas colocações conquistadas por Resende Costa se devem também aos variados tipos de esportes praticados no município, critério importante para aumentar a pontuação no ranking. Sempre reconhecida como uma cidade referência nos eventos de futebol e futsal, nos últimos anos Resende Costa também vem se destacando na prática e realização de eventos de diversos outros esportes, como atletismo, caminhadas, ciclismo, copas de marcha, enduros e campeonatos de vôlei. Além disso, atletas de Resende Costa sempre participam, por exemplo, de eventos de mountain bike e jiu-jitsu realizados em outras cidades. Outros tipos de atividades também são importantes na soma de pontos e sempre são realizadas em nossa cidade, como os jogos escolares e da terceira idade. Assim, com poder público e população trabalhando juntos, Resende Costa só tem a ganhar, figurando sempre entre os primeiros colocados no pódio do esporte, saúde e educação.

Com apoio da Prefeitura Municipal, Arcosta distribui calcário para produtores rurais Por meio de um convênio com a Prefeitura Municipal, a Arcosta (Associação de Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa) distribuiu mais de 500 toneladas de calcário aos produtores rurais de nosso município. O repasse foi realizado através da Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente e atendeu, ao todo, 57 produtores - um aumento de 42% em relação ao ano passado. A distribuição do calcário é realizada visando a prática da calagem, um procedimento comum na agricultura, que tem a função de diminuir a acidez do solo agrícola, aumentando a produtividade do terreno e, consequentemente, o retorno financeiro. Assim, essa parceria entre Prefeitura e Arcosta beneficia a todos, pois aumenta a produtividade e gera renda, movi-

mentando a economia local, além de valorizar e fortalecer o solo de nosso município. “A Arcosta é uma importante associação de nosso município e este convênio fortalece o vínculo entre os produtores rurais e o poder público municipal. A Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente

confia no trabalho da Arcosta e prova disso é o acréscimo no repasse, que é feito de maneira a atender o maior número possível de produtores, gerando renda e movendo a economia de Resende Costa”, afirmou Alexssander Lourdes, secretário de Agropecuária e Meio Ambiente.

Prefeitura adquire novos uniformes para os servidores municipais Em 2018, a prefeitura de Resende Costa implantou uma novidade na administração pública de nosso município: uniformes para todos os servidores públicos. Os uniformes foram adquiridos pela prefeitura e distribuídos para os servidores de todos os setores (operacionais, administrativos, educacionais e de serviços gerais). Desde então, a utilização dos uniformes se tornou uma prática comum entre os funcionários da Prefeitura Municipal. Para dar continuidade a esta prática, o poder executivo

adquiriu novas peças para que os servidores possam renovar seus uniformes. O investimento, no valor de R$69.278,02, tem como objetivo facilitar a identificação dos colaboradores durante o expediente de trabalho e transmitir mais segurança para a população em casos como, por exemplo, as visitas domiciliares dos Agentes Comunitários de Saúde. Além disso, a adoção de uniformes proporciona mais segurança aos servidores dos setores operacionais no exercício de suas funções.


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Perfil

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LUCAS LARA

Quem me conhece sabe o quanto sou feliz e orgulhoso de familiares e amigos. Coisa de neto do Tarcísio e da Gaída, que, além de serem, colocaram em minha vida dois exemplos que me constituem. Primeiro, meu amado avô, filho da Abigail e do Zeca da Chácara, me fez ter a chance de ser sobrinho-neto de Irmã Madalena, a Tia Zizi, filha da caridade de São Vicente de Paulo. Já vovó Gaída, do Zezué e da Dona Chiquita, me deu a honra de ter como tio-avô Pe. Josué Francisco da Natividade, salesiano de Dom Bosco. Os dois, Irmã Madalena e Padre Josué, meus tios, como vovó Gaída e vovô Tarcísio, me fizeram entender o que é missão e o tal do amor-doação. Mas é do tal do Pe. Joso que quero falar hoje. No dia 31 de outubro deste ano, completa 100 anos. Josué Francisco da Natividade nasceu em 1921, filho do Sr. José Francisco de Paula e da D. Francisca Augusta de Paula. Tem como irmãos Jair, Wander (que também foi padre), a Eni, a Francisca, sendo estes falecidos, e a minha avó Margarida. Começou o caminho para o sacerdócio com 14 anos. Em 1936, seguiu para o seminário em Lavrinhas (SP). Os seus primeiros votos foram fei-

tos em 1940, quando terminou o noviciado. Cursou Filosofia entre os anos de 1941 e 1943 em Lorena (SP). Já o tirocínio foi entre 1944 e 1946 em “um dos mais antigos e importantes colégios salesianos do Brasil, o famoso Liceu Coração de Jesus, situado no coração de São Paulo”, como disse Rosalvo quando dos 90 anos de Pe. Joso, aqui mesmo no JL. Terminou essa etapa ao fazer seus votos perpétuos. Por fim, o curso de Teologia também foi feito em São Paulo, no Instituto Pio XI, situado no alto do bairro da Lapa, onde hoje é um campus do Centro Universitário Salesiano de São Paulo, em que tive o prazer de estudar, especializando-me em acompanhamento de adolescentes e jovens, muito pelo seu exemplo. Sua ordenação sacerdotal foi em 8 de dezembro de 1950, dia da Imaculada Conceição. Sim, já são 70 anos de sacerdócio. A celebração aconteceu na igreja salesiana de Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. No dia 1º de janeiro de 1951 celebrou sua primeira missa na terra natal, sob as bênçãos da Virgem da Penha, aqui em Resende Costa. Hoje, Pe. Joso é o salesiano mais idoso da Inspetoria Salesiana São João Bosco, fazendo parte de toda a sua história, uma vez que foi ordenado apenas três anos depois de sua fundação. A inspe-

toria foi criada em 1947 e abrange o Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Tocantins. O primeiro trabalho do Pe. Josué no território da ISJB foi em Pará de Minas, onde hoje atua meu grande amigo, Pe. Roberto Modesto, sdb. Depois esteve em Araxá, de onde seguiu para Niterói (RJ), para o Colégio Salesiano Santa Rosa, onde está atualmente. Formado, também, em História e Português, lecionou por mais de quarenta anos e ajudou na formação educacional e social de milhares de jovens, em consonância com a missão assumida por Dom Bosco. Além do colégio e das atividades pastorais na basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, desenvolveu inúmeras atividades assistenciais em bairros e comunidades de Niterói. Sou adepto do que nos diz Adélia Prado: “o que a memória ama, fica eterno”. Dessa forma, está eternizado em meu coração as inúmeras vezes em que ansioso fiquei pelas férias de janeiro que Pe. Joso sempre passava em Resende Costa. Cada conversa uma aula, em que, na varanda de vovó, nos contava dos projetos, dedicando sua vida à educação e ao povo, principalmente aos jovens. Lembro-me das lindas missas que esperava o ano todo para atuar como coroinha. Não me esqueço de todo ano escutá-lo em seu quarto ensaiando as músicas da

Foto: Arquivo familiar

Padre Josué completa 100 anos de uma história dedicada à educação e ao povo

Pe. Josué, sdb, resende-costense, debruçado sobre o volume da Coleção Lageana, “Um olhar sobre Resende Costa”

Campanha da Fraternidade para chegar a Niterói preparadíssimo. Minha avó Margarida, caçula dos irmãos, sempre mantém vivas memórias de seu irmão mais velho, apesar da distância, sempre cheia de brio. Vovó foi conhecê-lo só quando tinha 12 anos de idade porque, quando nasceu, ele já estava no seminário. O mesmo aconteceu com Wander. Ambos se ordenaram, mas só Josué seguiu exercendo o sacerdócio. A história de Pe. Josué se mistura à história da presença salesiana no Brasil. Tanto que, como também disse Rosalvo (2012), “tornou-se uma figura emblemática” no Colégio Santa Rosa e em toda a comunidade salesiana. Exímio conhecedor e mestre da

língua portuguesa e da história, é um exemplo não só pedagógico, mas também social e pastoral. Em toda sua vida, conquistou o que Dom Bosco pretendia com os salesianos: ser sinal e portador do amor de Deus aos jovens, especialmente os mais pobres, por meio da evangelização, da educação e da assistência social, contribuindo para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Sem dúvida, é o nome de um dos grandes resende-costenses que agora se torna centenário e merece todas as honras a serem atribuídas. De cá, fica o orgulho e a gratidão aos salesianos pelo zelo com a vida, a história e as conquistas de Pe. Joso.

Pe. Josué (segundo da direita para esquerda), seus pais e irmãos na primeira missa de seu irmão, então padre, Prof. Wander em 1957

Bom exemplo! Padre Josué recebendo a terceira dose da vacina contra a Covid--19

Pe. Josué (centro) em sua primeira missa em Resende Costa, ao lado de seus pais


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Cultura

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Uma série de quatro vídeos marcou a presença de Resende Costa, este ano, na 8ª Jornada do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, que aconteceu no período de 28 a 30 de setembro. O primeiro deles – “As Lajes: lugar onde memórias renascem” – foi apresentado por Ulisses Passareli, instrutor em cultura e patrimônio do circuito turístico Trilha dos Inconfidentes. No segundo vídeo, Adriano Valério, professor e membro do Instituto Rio Santo Antônio (IRIS), falou sobre a formação geológica das Lajes, a necessidade de preservação desse cartão-postal e a origem do “Buraco do Inferno”. No terceiro vídeo, Edésio de Lara Melo, professor e membro da Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO), destacou suas vivências e lembranças nas lajes de cima e de baixo. No último vídeo, André Eustáquio, secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, voltou o seu olhar no tempo através da leitura de trechos do livro “Memórias” (1) do professor Antônio de Lara Resende. “Quando nós escolhemos as lajes, sua importância histórica, cultural, de memória e identidade, como tema para a participação de Resende Costa na jornada mineira do patrimônio, não foi à toa”, disse André Eustáquio. Não há como falar de Resende Costa e da preservação do seu patrimônio histórico, “sem falar das lajes que são a identidade do nosso município, estão na nossa gênese” e “na cultura da nossa população. Cultura de pertencimento, cultura de sentimento de amor, de paixão por essa terra tão bonita”, completa o secretário. A Jornada do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, criada em 2009 e promovida pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA), acontece em anos ímpares. Em 2021, as atividades (ações de promoção e difusão do patrimônio cultural) foram realizadas em 752 municípios mineiros. Em Resende Costa, a oitava edição teve o apoio da prefeitura municipal por meio da

Secretaria de Turismo, Artesanato e Cultura (SETAC). Vídeos. Na origem do nome do município, “a laje permanece como uma referência perene a esta cidade, como elemento referencial, como símbolo para a comunidade e para os visitantes”, diz Passareli. É um lugar onde as pessoas podem ver o pôr e o nascer do sol, as crianças brincam, os idosos e as famílias passam seu tempo. A interação com este lugar “é uma sensação de pertencimento, referência, identidade”, que “é a base estruturante do processo de preservação do patrimônio”. A preservação deste conjunto paisagístico-natural requer os “esforços conjugados” do poder público e da comunidade, esta “a grande guardiã desse espaço, a grande zeladora dessa referência perene da cidade”, conclui. As lajes de cima, ponto turístico muito visitado, são formadas de rocha granítica – a cidade está localizada sobre um “pontão de granito”, explica Adriano Valério. Nessas lajes, existe a caverna popularmente conhecida como “Buraco do Inferno”, que surgiu do fraturamento do granito. “Há alguns blocos de rocha e uma gruta dentro dessa caverna. E isso é uma coisa rara, Resende Costa foi presenteada com essa caverna, porque as cavernas são comuns onde se tem calcário.” A caverna deveria ser mais potencializada para o turismo, diz. “Essa caverna tem um salão, até grande, e uma pedra no meio que parece uma mesa. AlAlém disso, há alguns túneis que vão se aprofundando e diminuindo de tamanho, o que impede a passagem do ser humano.” O IRIS quer cadastrar essa caverna no CECAV (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas). A sua bandeira é “a gente ter uma laje mais organizada, mais bonita, mais limpa; quem venha realmente sinta vontade de voltar a esse mirante lindo, que é único em Minas Gerais.” Crianças, jovens e adultos procuram as lajes de cima para descansar, apreciar as belezas da natureza, refletir, relaxar, namorar e até orar, diz Edésio Lara. “É um espaço de multiuso.” No tempo de menino, ele e seus amigos esperavam ali a chuva

chegar, contavam histórias de assombração à noite e brincavam de pique. Foi nesse espaço “onde eu presenciei o primeiro time de voleibol da cidade, misto, constituído de moças e rapazes do lugar”. No ponto mais alto da cidade, ao lado da matriz, há a gruta de Nossa Senhora de Fátima, a Biblioteca Municipal “e esse espaço criado para acolher melhor as pessoas que aqui vêm”. “Não é incomum ver pessoas aqui fazendo leituras, fotografias, é um espaço de memórias”; famílias e até casais de noivos procuram esse espaço para serem fotografados. Sobre as lajes de baixo, lembra-se de prazeres da época de criança, como soltar pipas – as “estrelas, balaios e pipas que voavam em direção à matriz”. As crianças também brincavam nas “piscinas que surgiam quando chovia”; a água empoçada também servia “para pessoas da vizinhança lavar roupa”. Ali também as crianças quebravam pedra, que vendiam para fazer o concreto que construiu o antigo ginásio de Resende Costa. “Eu, que sempre frequentei esse espaço desde menino, quero que os que virão depois de mim ajudem a manter esse lugar tão importante para nós”, conclui Edésio. Laje do céu, laje do inferno e laje da cadeia, assim eram denominados “os três gigantescos e abaulados afloramentos de rocha entre os quais repousa, a cerca de 1200 metros de altitude, a antiga Lage, atual Resende Costa, distante 32 km de São João del-Rei e a 10 km em linha reta da rodovia”, resume o professor Lara Resende em “Memórias”. Citado por André Oliveira, ele descreve o “Buraco do Inferno” nas lajes de cima: “Tem essa denominação a maior e mais notável das três lajes. Seu nome lhe vem da existência numa de suas extremidades de uma furna a que lá sempre chamaram Buraco do Inferno, com largura e profundidade de algumas dezenas de metros. Quem a custo consegue descer-lhe até o fundo, lá verifica a existência de uma gruta lateral à maneira de sala, de linhas irregulares, seguida de enormes aberturas e fendas, a princípio em sentido vertical e depois horizontal. Pouquíssimas pessoas se arriscaram até o presente a perscrutar aquelas galerias úmidas e

Fotos: André Eustáquio

Resende Costa participa da 8ª Jornada do Patrimônio Cultural de Minas

As lajes e o mirante - a natureza abraça os visitantes

Mirante das Lajes - um lugar para contemplar, conversar e se divertir

escuras que lá se sucedem. Sem toque de luz direta do sol, são cortadas aqui e ali de feixes de luz amortecida, até se tornarem de total escuridão. São blocos de tamanho variado, de formas as mais caprichosas que ora se amontoam, ora se sucedem na mais desordenada sucessão. Sítios e fenômenos como aqueles que não poderiam escapar ao destino de tornar-se motivo e origem de lendas que a imaginação popular engendra e muitos de bom grado ou de boa-fé aceitam, conservam, alteram, enriquecem e propagam. Sobre o exterior das lajes de cima (outrora chamada Laje do Inferno, por causa da caverna que aina hoje mantém o mesmo nome) a fala do professor parece poesia, música: “A grande área, constituída pela superfície meio abaulada, proporciona esplêndido posto de observação, empolgante pela vastidão e formosura

das paisagens num horizonte, compreendendo bem mais de 180 graus. Manhãs e tardes, de abril até setembro, proporcionam ali ao expectador cenários e espetáculos indescritíveis por sua beleza. Pela manhã, tem-se ali ante os olhos vasto oceano de leite, sereno, sem ondas, deixando-se atravessar pela luz matutina, mais intensa aqui do que ali, bem menos além do que mais longe, o que resulta em telas soberbas e variadas, em matizes que vão do branco de neve ao nácar, passando pelo marfim e pérola”. É por tudo isso que André Eustáquio deixa a mensagem final: “Preservemos o que é nosso, preservemos a beleza da nossa cidade e assim estaremos cuidando da nossa memória, da nossa identidade e da nossa cultura” (veja a íntegra dos vídeos na página da prefeitura no facebook: https://www.facebook. com/prefeiturarc).


ANO XVIII Nº 222 - OUTUBRO 2021

JORNAL DAS LAJES

TURISMO

LITERATURA

Peregrinos gaúchos nos Caminhos de São Tiago

São-joanense Ulisses Passarelli lança livro de crônicas sobre a Serra do Lenheiro Com narrativa dividida em estações, como a via sacra, o livro será lançado na 2ª Edição da FLITI - Feira Literária de Tiradentes

Delcio e Vânia Dreher, naturais de Gramado (RS), percorreram a pé o percurso entre as cidades mineiras de Ouro Preto e São Tiago

O casal Delcio e Vânia Dreher e o secretário de Turismo, Artesanato e Cultura de Resende Costa, André Eustáquio

São Tiago torna-se “Capital Mineira do Café com Biscoito” São Tiago é oficialmente a “Capital Mineira do Café com Biscoito”. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sancionou no dia 17 de setembro a lei estadual que confere esse título ao município, a partir de iniciativa do deputado estadual Cristiano Silveira. É o reconhecimento desse importante aspecto cultural e da vocação econômica da cidade, que impulsionam a cultura local e a geração de emprego e renda, justificou o parlamentar. O título vem se somar ao selo de procedência geográfica (de 2012) e à rota turística Caminhos de São Tiago, cujo município é o ponto de chegada, comemora Bruno Henrique dos Santos, secretário municipal de Cultura, Turismo e Lazer. “Esse título vem fortalecer ainda mais a nossa posição no cenário estadual e nacional como cidade-polo na produção de biscoito artesanal.” A indústria é o carro-chefe da economia local, empregando cerca de três mil pessoas, direta e indiretamente, acrescenta Bruno. “São Tiago já exporta biscoito para vários estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Paraná. E alguns produtores já fi-

zeram contato para comercializar biscoito no Paraguai.” Além disso, a Festa do Café com Biscoito, apesar de prejudicada pela pandemia (foi apenas virtual em 2020 e 2021), recebe mais de 100 mil pessoas em períodos normais. “Com certeza, esse título vai divulgar mais os nossos biscoitos”, concorda Eduardo Custódio Rodrigues Parreiras, dono da marca “Biscoito Rosa de Minas” e sócio da Associação São-tiaguense dos Produtores de Biscoito (ASSABISCOITO). A produção não foi muito prejudicada pela pandemia por integrar um setor essencial, que é o alimentício, acrescenta. Porém, a indústria de biscoito sofre com “aumentos abusivos” nos preços das matérias-primas, que “não conseguimos repassar aos consumidores”, alerta. Em algumas mercadorias, como margarina, gordura hidrogenada e embalagens, o aumento chegou a 60%, acrescenta. CAMPO DAS VERTENTES Cristiano Silveira é também autor da Lei 23.509/2019, que concedeu a Lagoa Dourada o título de “Capital Estadual do Rocambole”, e da Lei 23.770/2020, que reconhece Resende Costa como “Capital Estadual do Artesanato Têxtil

Foto: arquivo prefeitura municipal

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Forno da praça e o belo Ipê Amarelo em São Tiago

(Tear)”. Segundo o deputado, os títulos, além de valorizarem as atividades, são também uma forma de divulgar as cidades que já são referência na produção artesanal: “É possível levar o Campo das Vertentes ainda mais longe, atraindo mais visitantes e compradores”. É também de sua iniciativa o projeto de lei 4.878/2017, que confere ao Campo das Vertentes o título de Polo Mineiro dos Móveis Rústicos e que aguarda votação na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais. “A produção de móveis de madeira de demolição é uma das marcas da região”, explica o deputado. Cidades como Santa Cruz de Minas, Prados, Tiradentes, Lagoa Dourada, Coronel Xavier Chaves e Resende Costa, da microrregião de São João del-Rei, destacam-se nesse setor.

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O folclorista e escritor são-joanense Ulisses Passarelli lançará o livro “Estação das crônicas: o santuário do Lenheiro”, na 2ª Edição da FLITI - Feira Literária de Tiradentes , que acontecerá entre os dias 14 e 17 deste mês. Editado pela Aquarius Produções Culturais, o livro relata as experiências das andanças do autor pela Serra do Lenheiro, em São João del-Rei. Trata-se de uma narrativa simples, dividida em estações, como a via crucis, onde o autor descreve a fauna, a flora, as pinturas rupestres, as lendas e as belezas do lugar, assim como o descaso com a sua proteção; enfim, tudo o que ele experimenta e vive nesse santuário de raro encantamento. O livro é ilustrado pelo seu filho Iago Passarelli, e a capa e as orelhas se figuram como um mosaico de fotografias retratando o lugar. Ulisses conta que partiu de duas inspirações. A primeira é que a Serra é um espaço ecumênico, ou seja, é um verdadeiro santuário para o povo, em especial religiosos e religiões. A segunda inspiração foi a via sacra (via crucis). Assim, o autor pensou numa “via sacra ecológica ou cultural pela Serra”, contemplando aspectos como natureza e bens arqueológicos deixados pelo homem. Em paralelo à via crucis de Cristo, o autor observou que a destruição imposta à Serra pelo homem seria o seu calvário. Assim, “as belezas da Serra eram o seu alvorecer, o seu nascer”. Então, “se configurava uma manjedoura da serra, o lugar sagrado do nascimento”, ou seja, da manjedoura ao calvário correspondem as 15 estações da via sacra. A reflexão final é a oração, a prece do Lenheiro, estampada na última capa do livro. Em outras palavras, a ideia

do livro “foi perpassar por diversas características da Serra do Lenheiro numa linguagem simples, formatada como crônicas e poesias, que fixam impressões pessoais tomadas de uma percepção adquirida em duas décadas de pesquisas de campo em suas vertentes”, explica Ulisses. As crônicas “evocam a Serra sob a inspiração do sagrado, como o faz a cultura popular, ao se apropriar do território como se fosse um santuário”. Nesta perspectiva, continua o autor, “as belezas serranas retratam o seu nascer, enaltecido pelo texto, e a destruição se equipara à morte, seu calvário de descaso, contra o qual o livro insurge”. Assim, o grande objetivo da obra é o despertar da consciência preservacionista, voltar a atenção para tal patrimônio. “O livro antecede a outro mais arrojado, enquanto diagnóstico técnico da Serra, um dossiê, no prelo”, conclui. POESIA Também será lançado na 2ª FLITI o livro “Palavras em mim”, de Márcia Heliane Gomes. Trata-se de sua primeira coletânea de versos na qual a autora “se insere na cena da poesia contemporânea com a fabulação poética de um terreno – sua vida – a partir do qual institui um campo de inquirição e de obstinada busca. Sendo mais precisa, a poeta retrata seu mundo enquanto é criada por ele”, resume a sinopse do livro. “Nesse terreno de imagens refletidas nos versos nem sempre simétricos, com ritmo próprio e figuras de linguagem, Márcia se revela em cada poema, deixando escapar a mulher que habita nela.” Para mais informações sobre os livros, o interessado pode entrar em contato pelo e-mail gomesmarciatiradentes@gmail. com ou pelo telefone (32) 988126089.

Foto: capa do livro - reprodução

No fim da manhã do dia 6 de outubro, um casal passeava pelos arreadores do Mirante das Lajes, admirando e se encantado com a bela paisagem ainda nublada pelas nuvens da primavera resende-costense. Delcio Dreher e Vânia Dreher, naturais de Gramado (RS), partiram a pé de Ouro Preto, na região Central de Minas, no dia 26 de setembro e chegaram a Resende Costa, no Campo das Vertentes, no dia 6 de outubro após percorrerem já quase a totalidade do percurso turístico Caminhos de São Tiago. A expectativa deles era de chegar em São Tiago, marco final no caminho, no dia 10 de outubro. O casal foi até a Biblioteca

Municipal de Resende Costa a fim de conhecer melhor a cidade, saber informações e carimbar o passaporte de caminhantes/peregrinos. Delcio e Vânia Dreher foram recebidos pelo secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, André Eustáquio, e pela servidora Cláudia Resende. “Acredito que é a quarta ou a quinta vez nossa em Minas Gerais. Gostamos da cultura, da gastronomia e da história das cidades de Minas. Onde vou sempre gosto de questionar e saber mais informações sobre a cultura”, revela Delcio, usando uma camisa estilizada do Caminhos de São Tiago. “Estou encantada com a hospitalidade do povo mineiro. A beleza desses lugares também cativa a gente, uai”, completa mineiramente a Gaúcha Vânia Dreher.

Fotos: Cláudia Resende

ANDRÉ EUSTÁQUIO

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Estação das Crônicas - o santuário do Lenheiro de Ulisses Passarelli


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Cidade

Avenida Tiradentes, a Nova Avenida de Resende Costa, deve ser inaugurada ainda neste ano Um novo processo de licitação está sendo aberto para contratação de nova empresa a fim de se concluírem as obras Fotos: Jornal das Lajes

VANUZA RESENDE

Há anos, o tráfego na Avenida Alfredo Penido, principal via de acesso a Resende Costa e onde se localiza a maioria das lojas de artesanato, é intenso. Carros estacionados nos dois lados da avenida, grande fluxo de turistas e de veículos de transportadoras são alguns dos motivos de constantes congestionamentos na Alfredo Penido, que já não comporta o movimento diário, especialmente durante os finais de semana, feriados e períodos das férias. No intuito de diminuir o fluxo intenso de veículos na “Avenida dos Artesanatos” e tentar resolver os constantes congestionamentos na via, em 2017 o então prefeito Aurélio Suenes iniciou a construção de uma nova avenida, que liga a entrada da cidade ao bairro Canela, na Rua São João del-Rei. Porém, não houve tempo para o ex-prefeito inaugurar a nova avenida, que já tem nome: “Avenida Tiradentes”. A obra encontra-se em fase final. O vice-prefeito em exercício no cargo de prefeito, Lucas Paulo, fala sobre a construção. “As obras estão bastante adiantadas, mas infelizmente tivemos que encerrar o contrato com a antiga empresa. Estamos elaborando uma nova licitação para terminar o que ainda falta.” A previsão é de que a nova avenida seja inaugurada ainda neste ano. “Para finalizar, precisamos fazer nova licitação, sendo que a nova empresa terá que realizar o recapeamento de uma parte final da avenida, além de algumas ligações e alguns ajustes que ficaram pendentes. Mas prefiro não colocar data. Vamos inaugurar neste ano ainda, se as chuvas permitirem”, prevê o vice-prefeito. A atual administração municipal vai investir mais 420 mil reais para concluir as obras. Cerca de 200 mil reais são provenientes de recursos que foram devolvidos pela empresa que já havia recebido da gestão passada e não concluiu as obras. Em entrevista publicada no JL, o então prefeito Aurélio Suenes disse, na ocasião, que a prefeitura aplicou 700 mil reais vindos do Ministério das Cidades. A gestão passada investiu também recursos próprios na obra, cerca

Avenida Tiradentes foi planejada também para desafogar o trânsito na Alfredo Penido, a avenida dos artesanatos

Nova avenida já quase pronta para inauguração oficial

de 700 mil. Portanto, no total, a obra custou aos cofres públicos aproximadamente1 milhão e meio de reais. Mesmo sem ainda ter sido inaugurada, a Avenida Tiradentes já está sendo utilizada por motoristas e também por pedestres que fazem caminhada no local. Pelas redes sociais do JL, moradores da cidade elogiaram a nova avenida. Para Glória Lara, “ficou excelente e linda”. Para Vanessa Aparecida, foi a “melhor coisa que a administração já fez. Principalmente nos fins de semana, para que a gente possa fugir do movimento da avenida (Alfredo Penido)”. O vereador e presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Fernando Chaves, falou sobre o objetivo da obra. “É bom lembrar que a ‘Nova avenida’, ou Avenida Tiradentes, é um projeto da administração anterior. É uma obra que vem sendo discutida com a sociedade civil há anos e que já está em fase final. As intenções desse projeto foram claras desde o início: primeiro, melhorar o trânsito para os moradores, criando uma opção de entrada e saída da cidade sem depender da Avenida Alfredo Penido, a tradicional Avenida dos Artesanatos, lugar que vivencia um trânsito bastante sobrecarregado em finais de semana e feriados. O segundo objetivo foi o de possibilitar uma ampla revitalização urbanística da Avenida Alfredo Penido, o que dá complemento à obra do Centro de Atendimento ao Turista (CAT)”.

Fernando sugere alternativas para as situações apontadas pelos lojistas. “Quanto às vagas de estacionamento, minha sugestão é alternar dos dois lados da rua, uma vez que a intenção da prefeitura é a de tornar a Alfredo Penido uma pista de mão única. O Comtur tem feito o seu papel, conversando intensamente com a sociedade e com o prefeito sobre esse tema. O Conselho se coloca à disposição para o diálogo com lojistas e moradores e também para encaminhar propostas e críticas ao poder executivo sempre que necessário”.

MUDANÇAS NO TRÂNSITO O objetivo da administração municipal é transformar a Alfredo Penido em mão única. Mas isso acontecerá após a inaugu-

ração da Avenida Tiradentes. “A partir do momento em que a Avenida Tiradentes estiver funcionando, vamos transformar a Alfredo Penido em mão única. Os veículos só poderão subir (em direção ao centro da cidade). E em breve, teremos também que fazer um trabalho de recuperação no local, muito provavelmente após o período das chuvas. Vamos iniciar uma revitalização da Avenida Alfredo Penido. Afinal, mexer com obras naquele local em época de chuva não é favorável”, explica Lucas Paulo. A escassez de estacionamento no endereço de maior movimento no comércio da cidade é uma antiga preocupação de moradores e também de lojistas. Para o leitor do JL, Bruno Henrique Ribeiro, “deveria ser proibido estacionar em todo o trecho da nova avenida. Se isso não acontecer, o trânsito vai ficar prejudicado da mesma forma”, avalia. Alguns lojistas chegaram a destacar, no início da construção da nova avenida, possíveis prejuízos se o turista puder estacionar em apenas um dos lados da Alfredo Penido. Para o Presidente do Comtur, a situação precisa ser estudada. “A revitalização da Avenida dos Artesanatos precisa ser feita mediante um bom projeto urbanístico e de engenharia de trânsito. O objetivo da revitalização é valorizar o local e torná-lo mais atraente e propício às compras e ao turismo. A intenção é a de favorecer o comércio. Então, a funcionalidade de todos os estabelecimentos que ali estão precisa ser garantida, por meio de decisões técnicas que visem ao benefício da coletividade, à segurança, ao bem-estar do morador da cidade e também do turista”.

AVENIDA TIRADENTES E AVENIDA ALFREDO PENIDO – ENDEREÇOS IMPORTANTES PARA O TURISMO NA CIDADE Sobre a revitalização da Alfredo Penido, Fernando opina: “Assim como a criação da ‘Nova Avenida’, a proposta de revitalização da Avenida Alfredo Penido é um projeto com origem na administração anterior. Lá atrás, na gestão anterior, o que justificou todo o investimento feito na Nova Avenida foi isto: melhorar o trânsito local, oferecendo uma via alternativa à Alfredo Penido, bem como melhorar o receptivo turístico da cidade, incentivando esse importante setor econômico. O que cabe hoje ao executivo municipal é finalizar as obras, revitalizar a Alfredo Penido e implementar as devidas adequações no trânsito para que esses objetivos sejam devidamente alcançados. É isso que irá justificar de fato o investimento expressivo de recursos que já foi feito na ‘nova avenida’”. Lucas Paulo frisa os benefícios que a Avenida Tiradentes

irá proporcionar à população de Resende Costa e também aos turistas. “Teremos uma linda e estruturada nova avenida, o que dará mais comodidade e segurança tanto para a nossa população quanto para os turistas. Iremos desafogar um trânsito que, em todo final de semana, é complicado. E a nossa Alfredo Penido, após a revitalização, estará linda para receber nossos turistas. Quero dizer à nossa população que estamos acompanhando de perto e que não faltará empenho para terminar o mais rápido possível essa tão desejada obra”. Fernando Chaves também destaca o papel da nova avenida para o turismo na cidade. “Resende Costa está cada vez mais estruturada para o turismo. Isso é resultado de um trabalho que vem sendo feito há décadas por artesãos, empresários, associações e poder público. Em breve, com a retomada do turismo, teremos várias estruturas novas funcionando em nossa rede turística: o novo Mirante das Lajes, o Centro de Atendimento ao Turista (CAT), a provável revitalização da Avenida do Artesanatos. Sem falar em vários outros atrativos que estão sendo preparados: turismo rural, culinária, turismo religioso, cicloturismo, dentre outros”. Para o presidente do Comtur, a “‘Nova Avenida’, no futuro, poderá se converter também em lugar de comércio turístico. Se isso ocorrer, é muito importante que tenhamos a Avenida Alfredo Penido revitalizada, atraente e com movimento pujante para que possamos sustentar dois polos locais de turismo de compra, além de fazer o turista entrar mais e permanecer por maior tempo na cidade”, conclui Fernando Chaves.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Hoje é meu aniversário Foi só eu virar a esquina da avenida e lá vinha ela em minha direção. Ao me ver, fixou o olhar e abriu um sorriso discreto, mas alegre: – Quanto tempo! – Pois é, quanto tempo! – Você sumiu. Por onde anda? – Tenho saído pouco. Era ela. Mais madura, penteado diferente, marcas sutis do tempo ao lado dos olhos... Ainda estava bonita. – Hoje eu me lembrei de você. Que bom que ela ainda se lembra de que hoje é o meu aniversário! Fingi-me de desentendido: – Ah, é? Por quê? – Li uma crônica sua ontem no jornal. Você falava da primavera e hoje é primavera. Será que ela esqueceu o meu aniversário? Culpa da primavera. Por outro lado, seria pior se eu tivesse nascido em estação de chuvas. Não suportaria vê-la dizendo que toda vez que tem raio e trovão ela se lembra de mim. – Na crônica, você falou tão bonito das flores... Fiquei encantada. A primeira flor que dei a ela... Quanto tempo! Era começo de namoro. Depois, vieram muito mais flores, mas aquela primeira era a mais linda e a mais pura, justamente porque era a primeira. Lembro-me do primeiro presente de aniversário que ela me deu: uma camisa da cor daquela flor. – Mas eu me lembrei de você por um outro motivo também. Que alívio! Eu sabia que ela iria lembrar que hoje é meu aniversário. – Há um momento engra-

çado na crônica. Eu ri muito. Você sempre me fez rir, lembra-se? Como esquecer? Era gostoso vê-la alegre, ouvir sua gargalhada de menina sapeca, sentir seus tapas e beliscões carinhosos me mandando parar de fazê-la rir, pois já não tinha mais fôlego. Que saudade daquele meu aniversário em que a velinha não acendia de jeito nenhum. Depois de acesa, por mais que eu soprasse, ela não apagava nunca, o foguinho sempre voltava. Como rimos juntos! – Parabéns! Ufa! Lembrou. – Parabéns pela crônica! Amei, apesar de ter uma passagem que me fez chorar. Lembro-me das suas lágrimas quando não pude mais ficar. Escorriam como dois riachos sem destino e sem consolo. Minha passagem a fez chorar... passei e não fiquei quando ela queria que eu ficasse. Agora é ela quem passa e eu quero que fique sem ela poder. Tudo é passagem. Meu aniversário também é passagem. Daqui a algumas horas não será mais meu aniversário. – Bem, já vou indo. – Some não. – Tenho saído pouco. E desci a avenida como uma lágrima sem destino e sem consolo. Hoje à noite, amigos e amigas irão lá em casa para o meu aniversário. Levarão presentes e eu abrirei cada um, com gratidão, alegria e carinho. Mas ficará, no canto da minha lembrança, um presente que um dia ganhei e jamais abri. Um presente que floriu, encantou, riu, chorou... e foi embora.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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De mal com a escola Guardo comigo a cena de um acontecimento, certamente uma das primeiras lembranças de minha existência. Ainda não tinha entrado na escola e, vendo a criançada passar pela rua Gonçalves Pinto rumo ao então Grupo Escolar Assis Resende (hoje Escola Estadual), costumava ouvir de alguns adultos uma mesma palavra dirigida ora individual, ora coletivamente àqueles meninos e meninas levando consigo seus pertences escolares e os sonhos de toda infância. “Gaiola! Gaiola!”, ouviam os pequenos. Pelo tom amistoso das vozes, imaginava ser aquilo uma brincadeira, com certa intenção de um bem feito! para quem seguia em direção a um “lugar ruim”. Havia (e ainda há) no entendimento desse termo de zoação aos estudantes em aula, embora não pareça ser ele usado mais com tal significado, a ideia angustiante desse espaço como “clausura onde se encerram aves” (Aurélio) ou prisão. Eis aí a triste metáfora da escola vista como gaiola. De natureza parecida, um outro episódio do passado e bastante conhecido na cidade envolve a figura simpática do Bebeto da dona Olga e do Iracy Freitas. Chegando em casa o Bebeto, vindo do seu primeiro dia de aula, quis a mãe saber dele: – E aí, José Alberto, como foi lá na escola? Gostou? E ele, prontamente, para decepção da dona Olga, disse a ela com toda a sua sinceridade infantil:

– Iihh, mãe! É muito pior do que missa! Como professora, no convívio com alunos dos mais variados perfis, ouvia muitas vezes daqueles que diziam odiar a escola e/ou os estudos, coisas que também me decepcionavam. “Tenho vontade de matar quem inventou a escola.” “Detesto estudar.” “Tô aqui só porque meu pai me obriga.” “Ah, Fulano de tal tá bem de vida e não estudou.” Essas foram algumas declarações (ou seriam desabafos?) mais frequentes com que lidei, ao mesmo tempo tentando intervir como mediadora nessa relação de conflito de parte do alunato com o ambiente escolar, que era visto como indesejável, e tudo o que isso implicava. Temática relacionada à educação formal é explorada no belíssimo Sociedade dos poetas mortos (Dead poets society – 1989), dirigido por Peter Weir e estrelado por Robin Willians (John Keating, um professor nada convencional que busca valorizar a expressão artística e a liberdade de seus alunos). O tema central do filme é o constante embate entre as vontades e as necessidades dos jovens de viverem intensamente diante de um sistema de ensino rígido e autoritário que lhes tolhe a busca por outras visões de mundo. Meses atrás, com a pandemia do novo coronavírus em alta e a vacinação em baixa, o fechamento total das escolas no Brasil, passada a euforia dos primeiros momentos sem aulas, provocou em muitos dos

novos haters da escola (sempre haverá) reações como esta, por exemplo: “Nunca pensei que fosse falar isso, mas tô sentindo muita falta da minha escola”. Ainda bem. Mesmo que seja apenas pela saudade da diária rotina com os colegas/ amigos interrompida por longo tempo. Mesmo que seja também, em delicados e inúmeros casos, pela necessidade urgente da comida certa e gostosa servida em nossas cantinas escolares. Sim. Já é alguma coisa. Pensando bem, não pode ser ruim um lugar onde muitas amizades se formam e onde uma acolhida positiva pode representar o início de um bom caminho a trilhar. Permanece, porém, o grande desafio da integração plena desses alunos e dos demais ao processo educativo de forma a permitir o êxito no bonito salto que é o aprendizado, ponto crucial nessa questão. Importa muito para tanto que a realidade escolar faça sentido no dia a dia dos estudantes, decisivo passo adiante para que se sintam fora da gaiola, mas dentro da escola de fato. Não podendo ser um parque de diversões, a escola pode e deve ser o local de incontáveis e prazerosas atividades e experiências de construção de futuros mais promissores. Em que pese toda essa sensação de aprisionamento, é oportuno lembrar que, na verdade, a educação liberta, pois é estímulo de peso para a realização de novas e interessantes jornadas de vida.


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SAÚDE

De um ponto de vista

Setembro Amarelo

JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Seminário discutiu qualidade de vida e chamou atenção para o processo de adoecimento mental e emocional no trabalho Foto: Arquivo Pessoal

DA REDAÇÃO

Lucas Lara, os estagiários de psicologia e RH e a professora Cristiane Silva (centro) Foto: André Eustáquio

No dia 30 de setembro último, a Secretaria Municipal de Administração e Fazenda da Prefeitura de Resende Costa, por meio da Divisão de Recursos Humanos (RH), promoveu o I Seminário de Saúde Mental no Trabalho de Resende Costa. O evento, realizado no Salão Multiuso Lilia Lara, da Escola Municipal Conjurados Resende Costa, propôs trabalhar o desenvolvimento do bem–estar e da qualidade de vida no trabalho, além de pensar maneiras de oportunizar o acolhimento e a escuta de servidores em processo de adoecimento mental e emocional. O tema vai ao encontro do Setembro Amarelo, mês em que o olhar está voltado para questões da saúde mental e à demanda que retrata o crescimento do número de servidores públicos afastados por questões mentais e emocionais. O seminário foi idealizado e coordenado pelo servidor Lucas Lara, gestor de RH e aluno do curso de Psicologia do UNIPTAN de São João del-Rei. A comissão organizadora foi integrada também pelos estagiários de Psicologia e de RH da Prefeitura: Ariel Campos Pinto (Psicologia, UFSJ), Yasmin Mól (Psicologia, Uniptan), Ana Tereza Resende e Géssica Santos (Gestão de Recursos Humanos, IF Sudeste MG). A programação contou com palestras das professoras do curso de

Da esq. para dir. o vice-prefeito em exercício Lucas Paulo, Thaísa Lara, Lucas Lara e a professora Cristiane

Psicologia do Uniptan, Dra. Cristiane Valéria da Silva e Ma. Raíssa Pedrosa Gomes Tette. Além disso, para finalizar, discussões em grupos

trouxeram estratégias e ações para o desenvolvimento de políticas públicas no âmbito da saúde e da qualidade de vida no trabalho.

OUTUBRO ROSA: EXPRESSÃO AMOROSA DO RENASCER BETÂNIA NASCIMENTO RESENDE*

A cada passo, um novo desafio. A cada erro, um novo aprendizado. A cada estação, uma nova esperança. Em cada momento, o Eterno manifestado. Somos parte de um todo e nem nos damos conta disso Passamos pela vida a lamuriar desalentos Sem ao menos perceber as bênçãos que recebemos E reconhecer em nós, os verdadeiros talentos. A dor assusta, Instiga, provoca, amedronta. Mas a dor pode ser sua maior amiga. Pois nos aponta caminhos que nem nos damos conta. Um diagnóstico pode mudar sua história Fazer-lhe repensar valores Olhar para dentro de si E ressignificar suas dores Aquele sentimento um dia sufoca-

do Se transforma severamente Em um tumor maligno Que te faz perceber os erros do passado Passado que não há como apagar Passado que tenta corroer seu presente Passado que aos poucos se transforma No alicerce da evolução de sua mente O medo da rejeição A incidência da morte Provocam na alma Um despertar muito forte Os olhos se abrem O coração clama As palavras perdem o sentido Somente o amor te chama Amor pela vida Amor pelos seus Amor por tudo aquilo Que ganhara de Deus Amor é cuidar Cuidar de si Entender-se, valorizar-se.

Saber que é preciso prevenir No ato de antever o mal Uma bela campanha nos alerta Um singelo toque nos chama atenção Para no amor próprio nos desperta O “rosa” representa os afetos, as emoções Que tantas vezes caladas Suprimidas no fundo de nosso ser Rompem a linha do silêncio Chamando-nos a renascer Renascer na leveza Renascer no perdão Renascer na alegria Na mais profunda gratidão Salve Outubro Rosa, Mês florido pela primavera! Salve a beleza dos recomeços, Da majestosa e nova vida que nos espera! *São João del-Rei, 17/10/2019

Dois Paulos, duas grandezas Não houvesse outros brasileiros para solucionar os enormes problemas que temos, estes dois PAULOS, Freire e Arns, seriam suficientes para fazerem o Brasil menos feio. Com um deles, aquele pernambucano “arretado”, pautaríamos a educação como uma energia para a transformação e a libertação, destituída de sua roupagem alienante e alienada. Uma educação orientada para a tomada de decisão, para a responsabilidade social e política. Com o outro, o catarinense que tinha como arquétipo básico de sua existência a ternura e a coragem, as pessoas teriam, como fonte inspiradora de suas vidas, o absoluto respeito pelos direitos civis, o fim da exclusão de todo tipo, a absoluta convicção de que a pessoa humana vale mais que qualquer dinheiro, a certeza de que o amor a Deus se manifesta no amor ao povo, ao lado do qual é indispensável estar. E não deixa de haver uma enorme aproximação entre o pensamento e a ação transformadora desses dois brasileiros. Foram homens para os quais as palavras têm vida, pois elas se referem ao seu trabalho, à sua fome e à sua dor. Em ambos, um radical compromisso com a vida. Em ambos, o amor qual fonte inspiradora de transformação. Amor feito de coragem, exigência do compromisso com a causa do outro. Em Paulo Freire a amorosidade percorre toda a sua obra, materializa-se no afeto como entendimento com o outro e se faz engravidado de solidariedade. Em Paulo Arns, a preocupação com os menos possuídos o faz vender o suntuoso palácio episcopal de São Paulo por cinco milhões de dólares e

o leva a comprar mil e duzentos terrenos na periferia da capital para atender às necessidades dos desfavorecidos. Em ambos, o ser humano é entendido como um ser intrinsecamente social e político, um ser da relação. Existe uma pluralidade de relações do homem com o mundo, relações que jamais serão de dominação ou domesticação, pelo contrário, sempre de libertação. Por isso Paulo Freire vê as palavras com seu significado real, na sua referência a situações reais. Para ele são palavras grávidas. E o processo educativo se faz caminho e abertura para uma história concreta libertadora e não uma mera idealização da liberdade. Em Paulo Arns, a evangelização o faz deixar a sacristia e ir ao encontro dos carentes de qualquer liberdade. Oito dias após sua posse como arcebispo de São Paulo, já era contado entre os subversivos, porque contra a proibição da liberdade. Os órgãos executores da política opressora fizeram contra ele mais de mil e quinhentas citações. Tais órgãos várias vezes se viram quase invadidos por ele e, mais de uma vez, marcou ele presença junto ao mandatário maior do governo ditatorial em defesa dos perseguidos. Freire, o educador que concebia a educação como prática da liberdade. Arns, o Cardeal da periferia, da resistência, dos direitos humanos, da esperança, da libertação. O mundo celebra o centenário de nascimento dessas duas grandes figuras. O Brasil, menos. Incrivelmente. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.


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Bons Tempos E o causo que Tião Lima não contou CAMILO VALE

– “E agora, com vocês, a previsão do tempo com o professor Batistuta!” Esse era um dos momentos mais aguardados do programa “Bons Tempos”, do saudoso Tião Lima, na Rádio Inconfidentes FM de Resende Costa. O tempo estando bom, o Tião seguia tocando as músicas da saudade. Se o tempo estivesse ruim, sujeito a chuvas e trovoadas, não teria como levar o programa ao ar. Tião também contava seus causos no quadro “Causos do Tião”, com trilha musical da Pantera Cor de Rosa. O quadro não tinha horário fixo para entrar no programa, mas quase sempre havia um causo. Um dos causos que eu queria que o Tião contasse aconteceu comigo, porém não me lembro do Tião tê-lo contado. Numa quarta-feira à tarde, saí de casa na minha bicicleta e fui até o salão do Cláudio para cortar o cabelo. Deixei a bicicleta do lado de fora e, con-

versando com o Cláudio, me despedi dele e voltei para casa a pé. Esqueci minha bicicleta lá na rua e naquela noite não me lembrei mais dela. Era noite de futebol na Globo e fiquei atento aos jogo das nove e meia da noite. Não me lembro se era o meu Cruzeiro série B em campo ou se era o Galo do Tião Lima. Só sei que a rivalidade ficava só no jogo, pois éramos grandes amigos. No dia seguinte, me dei conta de que deixei a bicicleta na rua e fui até lá no salão do Cláudio. Não é que a bicicleta estava lá na rua me esperando? Pois é, Tião Lima, esse causo você não contou. Hoje, a bicicleta está com meu amigo Batista, que tanto colaborou com o Tião na previsão do tempo. Tempo que era bom, quando chegava às 11 da manhã e nosso locutor dava o seu “bom dia, mas bom dia mesmo” a todos os ouvintes da Rádio Inconfidentes. Outro quadro que fez parte do programa foi a “Hora do Pança”. Para o nosso amigo Geraldo Pança, sempre tinha uma música dedicada a ele, que poderia ser um bolero do Anísio

Silva, Carlos Alberto, Silvinho, Núbia Lafaiete ou uma canção da Jovem Guarda. Tião Lima também gostava de lembrar as suas pescarias que fazia com os amigos, a paixão pelo Atlético Mineiro – seu time do coração. E muitas músicas boas eram tocadas no horário do almoço. Um destaque especial ia para Roberto Carlos, cantor que era sempre lembrado pelo Tião. Parecia que tinha até um cantinho do rei reservado para ele, como tem em outras rádios. Quando Roberto Carlos gravou, em 2012, “Esse cara sou eu”, o Tião tocava quase que diariamente. Era uma música nova para o seu programa, mas qualquer sucesso do Roberto Carlos virava saudade no programa do Tião. Um dia, um ouvinte lhe disse: – Banda Calypso e KLB não fazem parte do seu programa. Era tudo música nova na época. Mas o Tião achava engraçado e, ao tocar uma delas, dizia: – KLB aqui também tem! E tinha também Agnaldo Timóteo, Cauby Peixoto, Ama-

Foto: Arquivo familiar

GENTE QUE FEZ E FAZ A HISTÓRIA

O saudoso radialista e apresentador da Rádio Inconfidentes FM Tião Lima

do Batista, Odair José, Almir Rogério (aquele do Fuscão Preto, lembra-se?) Tocava-se também as músicas do Pe. Marcelo, Pe. Zezinho e, às vezes, até do Falcão e Tiririca, que deixavam o programa um pouco mais divertido. Assim, o rádio se tornou uma das grandes paixões do Tião Lima, além da família, dos amigos, do amor a Deus e ao próximo. Hoje, as músicas boas continuam sendo tocadas no horário dos Bons Tempos – programa que, atualmente, é tão bem produzido pelo nosso colega e amigo Toninho Ribeiro. No entanto, a cadeira do locutor está vazia, assim como ficaram vazias

as cadeiras de outros colegas, como Carlos Andrade, Jorge da Sebastiana, João da Zica e Zeca. Eu e o Tião fizemos parte de uma geração em que a rádio AM era o grande sucesso. Éramos ouvintes de grandes locutores, como: Barros de Alencar, Altieres Barbieiro, Eli Correia, Oswaldo Bétio, Zé Bétio e outros. Enquanto Eli Correia lê suas cartas da saudade na Super Rádio AM de SP, Tião Lima deve estar contando seus causos a uma legião de anjos curiosos. Então, Tião Lima, aí onde você está, receba o nosso carinho, o nosso abraço e a nossa saudade.

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

O desenvolvimento da cidade e a necessidade de implementação de um código de postura O desenvolvimento de Resende Costa e de cidades vizinhas é notório. Cada uma, ao se inclinar para determinada atividade comercial, gera trabalho que envolve parte significativa de suas respectivas populações. Os rendimentos advindos do desenvolvimento geram riqueza e bem-estar para todos. Não por acaso, vimos as cidades crescendo com destaque para setores como o da construção civil, que absorve mão de obra local na sua totalidade. Serviços de hotelaria, bares, restaurantes, transportes, entre outros, acompanham essa tendência. Lagoa Dourada, forte no setor agrícola, se sobressai também no comércio de móveis e no famoso e delicioso rocambole. São Tiago se estabeleceu como a cidade mineira do biscoito. Foi, inclusive, no último dia 2 de setembro, reconhecida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais como “Capital Estadual do Café com Biscoito”, através de proposta encaminhada pelo deputado

estadual Cristiano da Silveira. O índice de desemprego na cidade é igual a zero, muito em função da produção artesanal de biscoitos. Coronel Xavier Chaves, que tem o alambique mais antigo do Brasil – remonta ao século XVIII –, atrai interessados nos trabalhos em pedra. Prados chama a atenção por causa de suas lojas e ateliês de artesanato no Bichinho. São de interesse geral os trabalhos em couro, madeira, palha, ferro, linha, cerâmica, cabaça, bambu, papel machê e resíduos descartados. O número de turistas que circulam por lá é enorme, todos ávidos por oportunidades de conhecerem as belezas da cidade e os trabalhos realizados pelos artesãos locais. Tiradentes, que conseguiu preservar o casario, igrejas e outros imóveis construídos a partir do século XVIII, tem como produto o patrimônio arquitetônico e artístico admirado por turistas do mundo inteiro. Resende Costa, que faz parte desse grupo, tem

sua economia baseada no artesanato sim, mas vem se destacando também, mesmo que de forma ainda discreta, no setor de alimentos e bebidas artesanais. Paralelamente à atividade comercial, uma agenda consolidada de eventos contribui para o aumento de pessoas circulando pelas cidades ao longo do ano. São João del-Rei, que ainda mantém parte de seu patrimônio arquitetônico, artístico e cultural preservado, é bom exemplo. Suas cerimônias religiosas, como a Semana Santa e a festa de Nossa Senhora da Boa Morte, são admiradas devido à beleza e à organização. Enquanto em muitos lugares essas celebrações não são mais realizadas, como eram em épocas anteriores, os são-joanenses, orgulhosamente, se empenham em manter a tradição de encená-las com boa música tocada e cantada por suas orquestras bicentenárias. A boa notícia é que, a exemplo de São João del-Rei, suas cidades vizinhas seguem fir-

mes com a mesma proposta. Além do comércio, acompanhamos nos municípios o surgimento de diversas ações que visam à saúde e ao lazer dos seus participantes. Grupos organizados de ciclistas e motociclistas que percorrem trilhas nos arredores das nossas cidades que o digam! A recente criação do percurso Turístico “Caminhos de São Tiago” atesta o interesse crescente entre pessoas dessas cidades pela prática de esportes. Tudo isso nos leva a pensar em duas coisas para bem atender às pessoas. Ao setor público cabem a segurança, a higienização, a organização e o estabelecimento de normas para a utilização de espaços. Do setor privado esperam-se a organização de eventos e a oferta de produtos e serviços de qualidade. É nesse momento que se abre uma discussão a respeito do que a Prefeitura Municipal precisa fazer. E isso tem a ver com o

Código de Posturas do município. Nele devem constar as regras que norteiam o comportamento de todos, com vistas ao bem comum. Ele tem por objetivo, através de leis, disciplinar condutas, promover a harmonia e o equilíbrio do espaço público. Não sei como os municípios citados aqui têm se comportado com respeito a isso. Noto que já há pessoas interessadas em aprofundar discussões sobre essa questão em Resende Costa. Delimitação de espaços destinados a eventos e comercialização de produtos diversos em espaço público, faixas exclusivas para circulação de pedestres, regras para plantio e poda de árvores, ocupação de espaços para comercialização de quaisquer produtos são algumas das muitas situações que demandam debate, aprovação pela câmara de veadores e sanção pelo prefeito municipal para serem colocadas em prática. E isso é urgente.


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REGIONAL ECONOMIA & NEGÓCIOS

Emater-MG e Trilha dos Inconfidentes, juntas pelo turismo rural Fotos: Casal Gastrô

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Um acordo de cooperação técnica foi firmado em setembro entre a Emater-MG e a Associação do Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes para ampliar as ações de desenvolvimento do turismo nos municípios da microrregião das Vertentes com sede em São João del-Rei. Um dos objetivos é orientar os pequenos agricultores na regularização e na habilitação de atividades das agroindústrias familiares e de serviços de turismo rural. A Emater-MG irá oferecer aos produtores a oportunidade de diversificar a sua atividade. O acordo vai aliar conhecimento da Emater-MG aplicado no campo com a experiência da Trilha dos Inconfidentes em turismo, diz Marcus Vinicius Januário, gestor do Circuito Turístico. “Vamos mostrar ao turista toda a nossa potencialidade rural, principalmente gastronômica, além das experiências memoráveis que ele pode ter, de ver como é uma colheita, como são feitos os produtos.” O turismo rural na região, muito afetado pela pandemia, ainda pode ser melhor explorado, potencializando uma nova oportunidade de renda para os produtores, reforça Otávio Maia, diretor- presidente da Emater-MG. Em Resende Costa, o acordo vai fortalecer o trabalho com o turismo e o artesanato, acredita Elisabeth Almeida Duarte, extensionista de bem estar social da Emater-MG. Apesar de estar apenas quatro meses no município, ela já percebeu o imenso potencial turístico de Resende Costa em termos territoriais, de propriedades, do próprio relevo e da história. Ela destaca, em particular, as peculiaridades da gastronomia local: “Acho que ainda dá para trabalhar muito a questão dos temperos, o resgate dos sabores, dos prazeres do prato.” Elisabeth enfatiza o papel da parceria do setor público com a sociedade civil, reforçada por esse acordo de cooperação técnica. Vai permitir aprofundar o levantamento das potencialidades locais e re-

A culinária mineira presente nas mesas e no paladar de tantas gentes começa a ganhar ainda mais destaque

O fogão a lenha e o típico tiragosto mineiro, cachaça com torresmo

gionais, ressaltar o que já existe e melhorar o que for necessário. “É juntar as mãos e os olhares para perceber os talentos, as possibilidades, os prazeres que Resende Costa oferece. Há muita coisa pronta para se aproveitar, mas há muito a ser feito.”

te, a comercialização é feita pela agência Uai Trip, com sede em Tiradentes. Para dar mais visibilidade aos produtos, a Trilha está melhorando suas mídias sociais, “com foco no turismo rural, dando mais visibilidade para os produtos, além de estar em fase final o APP do Circuito”, informa Marcus Januário. “Outra proposta é fazer a ligação dos restaurantes com os produtores locais para que possa haver produtos da região no cardápio de restaurantes e hotéis, valorizando-se ainda mais nossa gastronomia e nossos produtores”, conclui.

FEIRA Por meio do projeto “Experiências do Brasil Rural”, desenvolvido pelo Ministério do Turismo e Universidade Federal Fluminense (UFF), foi criado um formulário para os produtores interessados em trabalhar o turismo rural, conta Marcus Januário. “A partir daí, entendemos que o número era grande e o potencial maior ainda, pois a diversidade e a qualidade de nossa produção rural são diferenciadas.” A parceria com a Emater-MG permitiu ainda a realização de pequena mostra de produtos rurais na nova sede da Trilha (Estação Chagas Dória, em São João del-Rei), acrescenta Marcus. “A proposta é que esta feira se torne um evento regional com produtores e produtos dos 26 municípios associados e que possa ser realizada uma vez por mês.” Já os passeios, “experiências memoráveis”, nas palavras de Marcus Januário, são realizados por agências de receptivos da região, que montam pacotes “para que o turista possa aproveitar ao máximo todos os produtos, o modo de fazer, participar de colheitas e, também, conhecer as histórias da região e do produtor”. Atualmen-

QUEIJO Resende Costa faz parte da Rota do Queijo Terroir Vertentes, criada com a participação da Emater-MG, segundo Marcus Januário. “Se não fosse a parceria com a Emater nesse projeto da Rota do Queijo, a gente não teria conseguido avançar nessa questão do turismo rural.” A região que abrange o Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes começou a ser povoada no século 18, por causa da mineração. Atualmente, ela atrai os turistas por sua arquitetura histórica, seus eventos culturais, cachoeiras, artesanato e gastronomia. Além de Resende Costa, a Trilha dos Inconfidentes abrange os seguintes municípios: Alfredo Vasconcelos, Antônio Carlos, Barbacena, Barroso, Carandaí, Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Desterro do Melo, Dores de Campos, Entre Rios de Minas, Ibituruna, Itutinga, Lagoa Dourada, Madre de Deus de Minas, Nazareno, Piedade do Rio Grande, Prados, Ritápolis, Santa Bárbara do Tugúrio, Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, São Tiago, São Vicente de Minas e Tiradentes.

Inflação da pandemia chega à matériaprima do artesanato resende-costense A inflação decorrente da crise pandêmica chegou aos custos das matérias-primas têxteis (retalhos e fios) utilizadas na fabricação de produtos artesanais em Resende Costa. “O custo da matéria-prima vem impactando absurdamente o preço do artesanato porque a gente tem de repassar o aumento, agora frequentemente, para acompanhar a inflação que a gente está vivendo”, resume Nilceleia das Dores de Sousa, da loja Repasso Artesanato. Liliane Auxiliadora de Resende, da Tuca Artesanato, que produz tapetes de vários tipos e tamanhos e consome cerca de 25 mil quilos de retalho por mês, confirma que, durante a pandemia, o preço da matéria-prima aumentou muito. O quilo do retalho está em torno de R$ 7, bem acima dos R$ 4,70 a R$ 5 pagos antes da crise. A matéria-prima que ela compra de revendedor na própria cidade é oriunda em parte de Santa Catarina e em parte de importação. Já o fio, usado no tear para trançar o tapete (o retalho é jogado entre essas linhas), praticamente dobrou de preço: passou de R$ 10 a R$ 13 antes da pandemia para R$ 18 a R$ 20 o quilo. Outra queixa de Liliane é quanto à escassez de mão-de-obra. Trata-se de um trabalho manual que é remunerado por produção. “Então, muitas pessoas não querem. Algumas pessoas preferem enrolar um retalho, amarrar um tapete do que produzir a peça em si.” A autônoma Gerciane Aparecida Procópio produz tapetes variados e jogos americanos, consumindo em média 1000 quilos de retalho por mês. A matéria-prima, trazida do sul do Brasil (cidades de empresas

têxteis, como Sulfabril, Hering e Fakini), é adquirida do revendedor a R$5 o quilo. “E temos também comprado retalhos que são importados da China”; antes da pandemia, o retalho chinês custava R$6. “O retalho aumentou em média R$ 1,50/kg. Nós tivemos aumento em tudo, quando pensamos no produto final”, lamenta. Também o quilo do fio sofreu “um aumento muito grande”, diz Gerciane, que trabalha em casa e fornece para lojas de artesanato. “Comprávamos ao preço médio de R$16/kg; hoje já encontramos em algumas lojas por R$28/kg.” O resultado é que “tivemos que aumentar o valor final dos tapetes”, conclui. CORES Nilceleia conta que resolveu substituir o retalho por um tipo de fio que oferece mais opções de cores e maior quantidade de uma determinada cor. “Adaptei tudo o que eu faço para fio; então, em média, eu gasto cerca de 4 mil a 5 mil quilos por mês.” Esse fio, oriundo de São Paulo, sul do Brasil e China, é fornecido atualmente pelo revendedor local por quase R$15 o quilo, em comparação com R$ 11 a R$ 12 antes da pandemia. “Com o mercado têxtil muito aquecido, as fábricas não estão conseguindo suprir a nossa demanda e o mercado em geral”, diz ela. Daí a necessidade de importar da China para “a gente não ficar sem o fio”. Já o custo do fio, usado na urdição para fazer as telas e trançar os tapetes, aumentou ainda mais e com maior frequência, relata Nilceleia. “Esse fio sai pra mim atualmente por volta de R$ 23 o quilo.” J.V.R.

Produtos têxteis expostos em loja na cidade de Resende Costa, reconhecida como Capital Estadual do Artesanato Têxtil

Tixa. A mascote da cidade recebe os visitantes e já se tornou referência para quem quer conhecer o artesanato de Resende Costa


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Covid-19: pessoas perfeccionistas sofreram mais durante a pandemia

Fotos: Cristina Pinto

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Estudo foi desenvolvido por equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

As pessoas perfeccionistas sofreram mais durante a pandemia de Covid-19, concluiu estudo pioneiro conduzido por uma equipe de pesquisadores (investigadores) da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC). Trata-se do primeiro estudo a nível internacional a avaliar o papel do perfeccionismo no sofrimento psicológico durante a crise pandêmica. O estudo foi realizado por pesquisadores do Instituto de Psicologia Médica da FMUC, dirigido pelo professor catedrático Antônio Macedo, em colaboração com a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC). Foi publicado na revista científica Personatity and Individual Differences, com o título “COVID-19 psychological impact: The role of perfectionism”.

As pessoas mais perfeccionistas tiveram mais medo da Covid-19, pensaram mais repetida e negativamente sobre a pandemia e as suas consequências e isso levou a que tivessem mais sintomas de depressão, ansiedade e stress, explica Ana Telma Pereira, docente da FMUC e coordenadora do estudo. “O perfeccionismo é um traço de personalidade, caracterizado pela tendência para estabelecer padrões de desempenho excessivamente elevados, acompanhada de (auto) avaliação demasiado crítica e evitamento de falhas. As pessoas perfecionistas têm risco elevado de sofrer de ansiedade, depressão e stress”, esclarece. A amostra do estudo foi constituída por 413 adultos, homens e mulheres, da população portuguesa, recrutados entre setembro e dezembro de 2020. Embora as mulheres tenham demonstrado níveis mais

elevados de perfeccionismo (na sua dimensão autocrítica), pensamento repetitivo negativo (preocupação e ruminação) e perturbação psicológica do que os homens, as três facetas do perfeccionismo que avaliamos, e que são atualmente as consideradas mais relevantes (perfeccionismo rígido, autocrítico e narcísico), tiveram este efeito de aumentar a perturbação psicológica, independentemente do gênero, realça Ana Telma Pereira. A pesquisadora e docente explica, ainda, que as reações psicológicas a pandemias dependem muito da personalidade da pessoa, uma vez que são influenciadas pelos traços de personalidade, pois estes determinam a forma como interpretamos as situações e, portanto, as emoções e comportamentos que geram. Este foi o primeiro estudo publicado na literatura científica

Ana Telma Pereira, docente, coordenadora do estudo

internacional a comprovar empiricamente o impacto negativo do traço de personalidade nas reações psicológicas à pandemia de Covid-19, revela Ana Telma Pereira. “Mais concretamente, verificamos que as diversas componentes do perfeccionismo, quer intrapessoais (o próprio exigir-se a excelência), quer interpessoais (entender que os outros lhe exigem perfeição e, também, exigi-la aos outros), geraram mais ansiedade, depressão e stress face à pandemia. O perfeccionismo tem vindo a aumentar significativamente nas duas últimas décadas, principalmente entre os jovens, falando-se mesmo de uma ´epidemia de per-

feccionismo`, nota Ana Telma Pereira. Assim, os resultados deste estudo evidenciam que “o perfeccionismo deve ser tido em conta na avaliação, prevenção e tratamento do impacto psicológico da(s) pandemia(s). É difícil alterar a personalidade, mas é possível ajudar as pessoas a reconhecer os seus traços e a desenvolver formas de lidar com os acontecimentos de vida que sejam menos negativamente influenciadas por eles.” Além de Ana Telma Pereira e Antônio Macedo, integram a equipe Carolina Cabaços, Ana Araújo, Ana Paula Amaral e Frederica Carvalho. Com informações de Cristina Pinto.

Vinho sem frescura AMANA CASTELO BRANCO*

A cor é rosa Como diria Adriana Calcanhoto, “eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome”. No meu caso, ando atenta às diferentes tonalidades dos vinhos rosés. Não sei se você já teve a oportunidade de reparar que uns são bem claros, como rosa bebê, alguns mais alaranjados e outros quase tintos. Certa vez, quando proporcionávamos uma degustação de rosés de diferentes partes do mundo, tivemos quase um problema para a ONU resolver (rsrs). Entre as alunas, havia

duas estrangeiras: uma argentina e outra francesa, sendo que para cada uma delas existia a cor ideal para o vinho. Nossa vizinha dizia que eles eram melhores quando tinham cores mais fortes, já a europeia falava o contrário. Para ela, a delicadeza do rosa claro era um sinal de qualidade. Tinha alguém certo nessa discussão? Não. É uma questão de gosto e cultura. Você sabe o que faz os vinhos rosés terem diferentes tonalidades? Fique aqui que eu conto o porquê de não termos resposta exata para isso. Na verdade, para

nada na enologia. A origem da coloração pode ser da variedade usada, pois existem milhares de diferentes tipos de uvas para elaboração de vinho, e cada uma delas com um pigmento distinto, de acordo com o tempo de maceração, a mistura de vinhos ou uvas (assemblage) e outras técnicas escolhidas pelo enólogo da vinícola. Maceração é o tempo que o mosto da uva fica em contato com a casca. Isso pode acontecer antes ou durante a fermentação. Esse processo tem como objetivo extrair cor e aromas das cascas. No caso dos rosés, a maceração normalmente dura algumas horas, de 2h a 24h. Ou seja, se a intenção é um vinho mais claro,

chamamos de maceração curta; se é mais escuro, longa. E não existe uma cor precisa. Os enólogos fazem testes para se chegar ao mais próximo do desejado. O corte de vinhos rosés também é utilizado para ter o resultado esperado, e com mais frequência a mistura entre vinho branco e tinto. Dependendo da coloração do vinho tinto escolhido para esse blend, a quantidade pode ser pequena devido ao seu tom. Alguns enólogos gostam dessa técnica porque ela permite uma precisão maior no resultado e notas aromáticas de cada variedade. Outros preferem a maceração. Os vinhos rosés têm a acidez como uma das características mais marcantes. São frescos,

leves e combinam muito com nosso clima. São fáceis de harmonizar, pois combinam com quase todos os tipos de pratos. Vão bem nas tardes de inverno, têm a cara da primavera e são perfeito para serem tomados na praia. Sabe o que me deixa feliz? Saber que o brasileiro vem deixando o preconceito de lado e gostando cada vez mais desse tipo de vinho. E por mais que seja inusitado, vinho também entra e sai de moda. Poucos anos atrás, algumas pessoas achavam cafona gostar de rose Dá para acreditar? Sorte que tudo passa. E você, já colocou o seu rosé favorito para gelar?


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Informe Publicitário

TECNOLOGIA

Conheça o Open Finance Se 2020 foi o ano do Pix, 2021 já é inegavelmente o ano do Open Finance, novo sistema integrado do Banco Central (Bacen). Mas afinal, o que significa o termo? Na prática, ele se refere ao Sistema Financeiro Aberto. Isto é, ao fluxo livre de informações bancárias entre diferentes instituições – desde que e somente se o dono delas permitir. Ou seja: você, que é autônomo para escolher para onde vão seus dados e preferências. A proposta é facilitar a relação entre público e as cooperativas, os bancos ou prestadores de serviços. Vamos explicar melhor. Se você é cliente em um banco e está cansado das taxas cobradas, das dificuldades em obter crédito e do atendimento frio, pode iniciar um relacionamento sério com a nossa cooperativa de um jeito muito mais fácil, sem uma enxurrada de documentos. Bas-

ta permitir que seus dados, seu histórico financeiro, sejam compartilhados conosco. E mais: a partir deles, incluindo renda, pagamentos, empréstimos, limite de crédito, etc, poderemos conhecer seu perfil com mais praticidade, oferecendo soluções adequadas aos seus interesses e às suas necessidades. “Quem é cooperado já entende sobre poder de decisão. Agora, com o Open Finance, esse poder ganha um novo significado: o de poder avaliar e escolher, com mais clareza, a instituição financeira mais justa”, explica o Sicoob no seu site oficial. Confira outras perguntas e respostas que podem ajudar. 1 – Qual a diferença entre Open Banking e Open Finance? O Banco Central (Bacen), ao

anunciar um novo sistema meses atrás, mencionou o Open Banking – isto é, a integração de informações entre bancos, cooperativas e fintechs. Agora, a novidade é mais abrangente e inclui corretoras, companhias de câmbio, etc. Assim, o Open Finance é a evolução do Open Banking, promovendo transparência e alto poder de escolha a você. 2 – Meus dados estarão seguros? Sim. Para começar, você escolhe o tempo todo se, quando e com quem compartilha suas informações. Pode até suspender essa troca de dados quando desejar. Além disso, todas as instituições que aderirem ao Open Finance junto ao Bacen devem cumprir requisitos que ga-

rantam autenticidade, segurança e sigilo das informações envolvidas. E há regras que incluem responsabilização institucional e de seus dirigentes caso haja quebra de confiabilidade ou na regulamentação do sistema. 3 – Quais as vantagens do Open Finance? Além da praticidade de se relacionar no mercado financeiro, você também aumenta seu poder de decisão. Afinal, conhecendo melhor seu perfil, as instituições que você escolher poderão oferecer propostas mais atraentes e competitivas naquilo que mais precisar ou desejar. 4 – Como aderir? Sua decisão de compartilhar ou não seus dados e histórico financeiro será feita através de canais digitaisde forma gradativa. A expectativa do Banco Central, aliás, é de que até o fim do ano todos os consumidores possam integrar o Open Finance. Até lá, se tem relacionamento com outra instituição e quer fazer parte do Sicoob, pode entrar em contato com uma de nossas 20 agências físicas ou baixar nosso app para abrir sua conta sem stress. Afinal, contar com o maior sistema cooperativista de crédito do país já é fácil, cheio de vantagens e com soluções pensando em você por natureza.

DEIVIDSON COSTA

INTERESSE PELA COMUNIDADE

Cooperativa integra parceria para desenvolvimento turístico em Resende Costa Sicoob Credivertentes estreita laços repetindo apoio a setor que transformou São Tiago na Terra do Café com Biscoito O nome oficial da cidade é São Tiago. Mas quando o assunto é Economia e Turismo, a identificação vira outra, Terra do Café com Biscoito. Todos os anos, aliás, 60 mil pessoas passam pelo festival da cidade, com degustação e negócios em praça pública, desde a década de 1990. Mais do que apoiador e patrocinador, o Sicoob Credivertentes foi um dos idealizadores da ação, um case importantíssimo do poder da União. Exatamente por isso, a Cooperativa de Crédito sinalizou positivamente, agora, para outra proposta: a de impulsionamento turístico em Resende Costa. O movimento, realizado pela Associação Empresarial e Turística do município (Asseturc), também tem o apoio do Sebrae e da Prefeitura local. Com seminário e reuniões realizadas pelo grupo ao longo de agosto, a meta agora é promover um mapeamento completo do potencial turístico resende-costense.

OFERECER MAIS

Reza a lenda que em Resende Costa (antigo Arraial das Lajes), toda casa tem um tear. É que por ali produtos manuais e únicos têm história, tradição e impacto econômico. Segundo os Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, Padre Toledo já mantinha uma peça para tecer, nas Lajes, ainda no século XVIII. Costume mantido entre os residentes e que, ao longo do tempo, chegou a um patamar robusto no mercado. Hoje, 70% da população economicamente ativa se dedica ao artesanato em algum nível, movimentando R$6 milhões anuais. Cifras que vêm de variedade extensa de produtos, indo dos típicos tapetes a peças de decoração. Não por outro motivo, Resende Costa foi reconhecida oficialmente, em janeiro deste ano, como a Capital Mineira do Artesanato Têxtil. Agora, no entanto, empreendedores e moradores locais querem ir além. Mais do que arte na vitrine, a cidade quer ofertar hospedagem, gastrono-

mia e opções de lazer a quem passa por aqui. Daí a união de diferentes entidades visando implementar um projeto de impulsionamento e desenvolvimento desses setores. “O Campo das Vertentes tem, além de atrativos excepcionais, a vantagem da proximidade entre os municípios. O turista pode chegar e fazer uma maratona histórica, culinária, de arte e eventos com praticidade. Assim, o que todos desejamos é que Resende Costa possa integrar esse circuito virtuoso com estrutura completa. É, de fato, um ato cooperativo em prol de diferentes áreas”, explica o diretor executivo-financeiro do Sicoob Credivertentes, Luiz Henrique Garcia. Algo semelhante comentou o secretário resende-costense de Turismo, Artesanato e Cultura, André Eustáquio, em entrevista ao Jornal das

Lajes - salientando ainda a importância de parcerias público-privadas: “O Turismo é uma atividade coletiva que gera renda, emprego e aquece a Economia. Daí, portanto, a necessidade vital de termos ao nosso lado os empreendedores, comerciantes e empresários”.

PLANOS

O caminho para a implantação do projeto de desenvolvimento turístico é longo. Mas já deu passos importantes. O próximo, previsto para início ainda neste semestre, é o mapeamento dos potenciais locais em diferentes eixos, incluindo um inventário, um estudo de atrativos e uma pesquisa de tendências e vocações em Resende Costa. Transferência de tecnologias e capacitação profissional de agentes também devem ocorrer.


ANO XVIII Nº 222 - OUTUBRO 2021

JORNAL DAS LAJES

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O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

“Lições de Cigarra” do Evaldo Resende Costa tem sido berço de bons poetas. Teve poetas que versejaram poemas até em latim. Caso do Zé Procópio, que foi meu paraninfo quando de minha ordenação sacerdotal. Seu discurso no salão do grupo escolar Assis Resende foi escrito e pronunciado num latim clássico em odes horacianas. Até hoje tenho a cópia ilustrada que ele me deu. Caso também do Milled Hannas, que deixou belos poemas em latim, assinados com o nome poético: Theofilus a solitudine (Teófilo (amigo de Deus) da solidão). Era prefeito de Resende Costa quando se comemorou o cinquentenário de criação do município. No programa/convite paras os festejos, Milled saúda a cidade com “Carmen ad dilectissimam urbem Resendecostensem” (hino à diletíssima cidade resende-costense), poetando em latim a modo do “Carmen Saeculare”, de Horácio. Para ilustrar, uma estrofe com livre tradução minha: “Car-

mine insignem celebrare festo/ Civitatem nunc decet ore pleno/ Rupis aeternae positam perite// Culmine summo!” (Agora, faz-se necessário celebrar de boca cheia, com um festivo canto, a insigne cidade, assentada caprichosamente no supremo cume de uma laje eterna) E outros poetas, como o Abel Lara, Terezinha Hannas e José Antônio Oliveira de Resende etc. Modernamente é o Evaldo Balbino, nosso colega e amigo aqui neste jornal. Meu vizinho até de página, pois, às vezes, nossas colunas saem no mesmo espaço. Minha experiência com poemas infanto-juvenis foi longa, uma vez que por 22 anos fui professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e também de Literatura Infantil no Curso Normal (atualmente Magistério). O quarto ano era de especialização para o pré-primário, com estágio acompanhado por nós professores. Implicava o estudo e a prática

da Literatura Infantil. Meu primeiro contato com o Evaldo poeta foi quando li seu livro de poemas “Moinho”, que acho um dos melhores que já publicou. Evaldo antecipava o que atualmente vem se chamando de “Escrevivências”, ou seja, o autor transforma suas vivências e influências em arte, em textos, pinturas etc. Senti o Evaldo transpirando, “suando” numa criativa poesia, sua educação, seu ambiente, suas situações vitais, sobretudo lá no povoado do Ribeirão, onde nasceu. Agora vem seu mais recente lançamento:“Lições de Cigarra”, publicado pela Ed. Helvetia. Nos muitos anos de ensino de literatura para jovens, sempre insisti com eles que o método de avaliar uma prosa e até uma poesia épica não pode ser o mesmo para a poesia lírica. Se na prosa e na poesia épica você pode comentar as estruturas narrativas, a formação das personagens, a criatividade da

trama, o vigor da ambientação, o fluxo da linguagem, na poesia lírica não vejo esta possibilidade. A avaliação do poema lírico se dá mais pela intuição, pelas agulhadas que ele dá em nossa sensibilidade, pelo clima psicoemocional que cria, pelos versos inusitados, por uma sonoridade rítmica no momento e espaço certos. Quanto ao poema para crianças – e aproveito para dizer que um poema bom para os pequenos é bom também para os grandes, porque em nós adultos existe uma faixa criança que nunca desaparece – há que se observarem muitas características para ponderá-lo. Tomo emprestado o conceito de matéria e forma da metafísica aristotélico-tomista para apresentar algumas dessas características. Matéria (ou seja, os temas, os assuntos): animais, brinquedos, brincadeiras, árvores, flores, seres fantásticos, objetos curiosos, partes do corpo, choro, alaridos e

tantos outros. No livro do Evaldo: Cigarra, sapo, tanajura, minhoca, saci-pererê, casa, flor, barco e muitos mais. A forma (isto é, a criatividade na expressão dos temas.): são fundamentais a sonoridade e ritmo, que geram a musicalidade; o drama, que possibilita movimentação, encenação, figurinos; a comicidade, que provoca o riso, a gargalhada, as palmas; a facilidade para decorar (poema orecchiabile, como falam os italianos); a práxis: desenhos, modelagens, colagens; as ilustrações muito necessárias. De preferência, as metonímicas (apresentam só uma parte, a imaginação completa o restante). E é o momento dos aplausos para a ilustradora Liss Thane. Belíssimas. Amplificam maravilhosamente a significância dos poemas. Em tudo, o “Lições de cigarra” é opulento. Muito rico. Um primor. Merece o sucesso que está obtendo.

ferido. O vô Gonçalves não participava do folguedo no adro nesse dia. Era muito do seu gosto um baile sim, mas nessa hora ele estava, não muito longe, numa de suas lavouras trabalhando. Chegou-lhe por uma das filhas a notícia de que bateram no seu filho. Furioso, largou ferramentas e foi averiguar o acontecido. Chegou entre as pessoas já gritando, porque uma das meninas dos seus olhos estava num canto com o rosto machucado por socos. “O que bateu no meu filho que venha!”. O trovão de sua voz levantou poeira, e do redemoinho o Coisa-Ruim se ergueu indômito. Um senhor seu compadre foi na sua direção já com uma faca em riste. Meu bisavô foi se desvencilhando dos golpes e dizendo assustado: “Faca não, compadre!”. Esse senhor era pai do outro pretende da moça que estava sendo galanteada; o rapaz aspirante que tinha, juntamente com os colegas, espancado o tio do meu pai. Eram

compadres os dois homens, mas parece que alguma rixa já existia entre ambos. Tudo foi muito rápido, sem que houvesse tempo para intervenções alheias. Mesmo assim os detalhes se fixaram na mente do menino de oito anos que já era o meu pai. Uma cena eterna que até hoje acontece. Os braços aflitos do meu bisavô em movimentos de defesa e ganhando facadas, seu corpo se afastando, depois o baque contra uma ribanceira, os dois escudos humanos já pendidos e ensanguentados, o peito exposto à morte, as perfurações, o sangue do âmago exalando morte, a queda do homem, a fuga do atacante, a esposa Olívia correndo na direção do marido, seu corpo feminino e forte dobrando-se sobre ele e pegando-lhe a cabeça ao colo. Os últimos suspiros do meu bisavô. E o meu pai, menino, vendo com olhos cheios d’água a terrível cena imorredoura. Há lembranças dolorosas que o tempo não mata.

Retalhos literários EVALDO BALBINO

Antônio Gonçalves Antônio Gonçalves, avô do meu pai. O que dele sei é de tanto ouvir falarem. Duas cenas fortes o envolvendo me habitam a memória lavrada por palavras alheias e minhas. Numa, ele coloca o meu pai, ainda com seus sete anos, no lombo de um cavalo. E diz rompante que o neto será padre, que vai enviá-lo para Mariana. Reafirma às pessoas e ao vento que o filho de sua filha se tornará um pároco lá na cidade dos sinos que plangem dolentemente. Na outra cena, vejo-o no colo da sua esposa, a minha bisavó Olívia, ela chorando e segurando-o em seu seio. Seus braços retalhados por facadas tantas, seu peito com perfurações, e o sangue vivo morrendo e ensopando a sua camisa suada de lavoura e trabalho. Meu pai se lembra das promessas quanto ao seminário. E o desejo que ele menino tinha de ser pomposo como os padres, a batina escura dando ao corpo seriedade, as pregações na capela e

até mesmo nas igrejas lá da vila, principalmente na do Rosário. Por Nossa Senhora do Rosário, uma devoção sem conta. Mas o seminário nunca existiu para o garoto. O avô o carregava sim sobre o cavalo, ensinava-lhe desde cedo a ser tropeiro, a arrear os equinos, a fazê-los trotarem pelas estradas do Ribeirão. Da venda do Antônio Mariano, vinham ao neto balas redondas de dar gosto, inesquecíveis para a boca infantil namorando doces e palavras saborosas. Os carinhos do avô e os sonhos futuros para o infante morreram um dia no adro da capela. Na casa do Antônio Gonçalves, muito jubileu. Farta gente de outras bandas ia aos bailes do povoado e pernoitava na habitação antiga. No porão, sob o assoalho, fantasmas ancestrais ficavam dormindo ou balbuciando entre arreios, cangas e mais bugigangas. Não faziam eles, porém, mal algum aos vivos, e sabiam da beleza da vida e conheciam dela as agruras. E talvez rissem as as-

sombrações, quando ouviam os vivos dizerem da existência de almas penadas. Quem pena mesmo são os vivos, pensavam os mortos ali no porão. Num dia festivo no adro da capela, o povoado e mais outros ali estavam em peso. Poeira densa levantava-se do chão, pois, entre as barracas com prendas para arrecadamento de esmolas, pernas dançavam ao som de violas e andavam de um lado para outro. As mesmas pernas se namoravam. As casadas, discretamente, pois os olhos só podiam de través ensaiar uma pulada de cerca. Os olhos não têm cerca. Já as pernas solteiras, essas andavam sem eira nem beira, sem canga. Namoradeiras elas. Eis que o Geraldo (tio do meu pai e filho do Antônio Gonçalves), jovem primaveril buscando flores aromais, se engraçou com certa moça entre tantas. Ela, todavia, era também demandada por outro rapaz. Daí a confusão, a briga entre os moços, a violência física. O tio do meu pai saiu


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ESPORTE

VANUZA RESENDE

eu recebo do torcedor. Eu fico muito lisonjeado com esse carinho. E tudo o que eu faço, faço pela torcida.

O dono da rede Supermercados BH, Pedro Lourenço de Oliveira, que também é conselheiro do Cruzeiro e o principal patrocinador do clube, esteve em São João del-Rei no dia 16 de setembro para a inauguração de uma loja na cidade. Nesta entrevista, Pedrinho, como é conhecido, destacou o seu amor pelo futebol mineiro e os investimentos que ele vem fazendo no Cruzeiro.

O Cruzeiro vive a pior fase de toda a sua história. Como é isso para o senhor? Essa batalha que estamos vivendo é muito difícil. Mas o que eu faço é de coração. Não busco receber nada em troca. Tento ajudar a acabar com o sofrimento dos cruzeirenses, pois nós estamos sofrendo muito.

Fale sobre sua relação de empresário e torcedor com o Cruzeiro. É uma parte com a qual é difícil de lidar no dia a dia, mas ao mesmo tempo é uma parte gostosa. Eu faço pelo Cruzeiro, pela torcida do clube. Eu sou cruzeirense, sou apaixonado pelo clube, assim como a minha família toda. Mas eu tenho responsabilidade com a torcida do Cruzeiro e com todo o carinho que

Essa fase do Cruzeiro vai passar? Nossa Senhora, não vejo a hora. Se Deus quiser! A torcida do Cruzeiro pode contar com o Pedrinho para ajudar essa fase passar? Nunca vou abandonar o Cruzeiro. Podem contar comigo sempre. Além do Cruzeiro, o senhor também patrocina outros clubes mineiros. Qual é a sua relação

com o futebol? Eu patrocino o Atlético e tenho uma relação ótima com os atleticanos. Patrocino o América. Aqui, em São João del-Rei, patrocino o Athletic e vou renovar com o clube. Sou a favor do esporte e sempre procuro ajudar o esporte. Patrocino quase todos os clubes do estado. A sua relação com o futebol é intensa... Acho que o esporte é a razão de muita coisa. Ele é apaixonante, ele agrega. Tira as crianças da rua, movimenta a cidade. Por exemplo, em São João del-Rei, nós ajudamos, junto com outras empresas, a trazer o Loco Abreu para o Athletic. E isso gerou um desdobramento muito grande em toda a mídia nacional, colocando São João del-Rei e região em evidência. Isso, claro, valoriza muito a minha marca. Por que escolheu patrocinar clubes de futebol? Aproveito para

Foto: Reprodução - Rádio Emboabas

Pedro Lourenço destaca seu apoio ao futebol mineiro e sua relação com o Cruzeiro

A repórter Vanuza Resende entrevistou em São João del-Rei o empresário Pedro Lourenço, o Pedrinho da rede Supermercados BH

ajudar os clubes porque todos têm muitas dificuldades. Dos doze times mineiros da primeira divisão, devo ajudar dez. Mas ajudo porque faz parte da cultura e eu amo o esporte. Em nossa região, o pessoal acompanha muito o futebol e, mesmo morando no interior, os

torcedores comparecem sempre ao estádio e sabem do investimento que o senhor realiza no futebol. Fico muito feliz com esse carinho que recebo por onde eu passo no estado de Minas Gerais. Procuro retribuir tudo isso com os investimentos e demonstrar todo o amor que tenho pelo futebol.

Papo de Esportes VANUZA RESENDE

O Cruzeiro deve se tornar um clube empresa! E aí, o que muda? Às vezes a única coisa que se quer é uma solução para uma fase que parece interminável. E é por isso que aqui eu chamo: “Alô, torcida cruzeirense! Tô escrevendo para vocês e, claro, para todos os torcedores das equipes de futebol endividadas.” E são muitas. Foi sancionada recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro a lei do clube-empresa, que autoriza os clubes do futebol brasileiro a se transformarem em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), o que pode ser o principal caminho para os clubes saírem da crise e tentarem uma reestruturação financeira. O cruzeirense, que viveu momentos excepcionais em 2013 e 2014, não imaginava que o clube passaria, de forma tão rápida,

para um estado drástico. Dívidas, cobranças de vários profissionais, a primeira queda para a segunda divisão do campeonato nacional e, pior ainda, a permanência na Série B. Com um futebol muito limitado, a torcida conta com os patrocinadores, em especial com o patrocínio máster do Pedrinho, dono da Rede Supermercados BH, que salva como dá. Como diria meu avô: “uma peleja que só”. Cá pra nós, os torcedores, que “não ganham nada” vendo o jogo, sofrem no grau máximo. Penso no que sente Pedrinho ao acompanhar as partidas... Ainda há muitas especulações sobre as mudanças com a lei, mas o que podemos analisar nesse primeiro tempo é: o atual modelo, de acordo com o qual

a maioria dos clubes brasileiros funciona hoje, é um convite para a corrupção. Geralmente, uma chapa é eleita por um grupo de sócios e os dirigentes eleitos assumem cargos administrativos não remunerados, pelo menos no papel. E aí surgem gestores mais preocupados com os resultados em campo do que fora dele. Foi exatamente o que aconteceu com o Cruzeiro. Enquanto a torcida celeste comemorava, na última década, dois Brasileiros, duas Copas do Brasil e quatro Estaduais, a corrupção corria solta. A cada grito de “é campeão”, os investimentos pesados em jogadores de alto nível com o tempo se mostraram impagáveis. A conta sobrou para os torcedores, que estão pagando caro por todos os títulos tão co-

memorados. Há quem diga que é a arrogância sendo castigada. Entre os principais objetivos do clube-empresa, deveria constar a permissão da exploração econômica de ativos, incluindo estádios e centros de treinamento. Com isso, o Cruzeiro poderia fazer dinheiro com os patrimônios. Outro detalhe importante é a separação do Cruzeiro como instituição do Cruzeiro clube de futebol. Outra coisa: a lei prevê regras de parcelamento de dívidas, além de permitir que as obrigações civis sejam separadas das trabalhistas, sem repassá-las a essa nova empresa que será criada com as novas regras. Em 2020, os torcedores cruzeirenses se assustaram com a possibilidade do time começar do zero, ou melhor, na Sé-

rie D, depois de decretar falência e se tornar clube-empresa. Mas a medida drástica de começar nas últimas competições não deve ser tomada, nem pelo Cruzeiro, nem por qualquer outro clube. Eu ainda acho essas regras um tanto burocráticas, mas, ouvindo especialistas, dá para confiar que essa é a saída mais próxima para o Cruzeiro, enfim, se libertar dessa fase tão crítica. Mas futebol vai ser sempre futebol e a gente sabe que os bastidores importam e muito. No entanto, meus amigos e amigas, não há lei e brechas que possam resolver o apresentado dentro das quatro linhas. E se as leis são ainda confusas, dentro de campo é claro: o Cruzeiro vai precisar, e muito, dos ensinamentos do professor!


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