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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XVIII
• SETEMBRO 2021 • Nº221
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Banda de Música Santa Cecília realizou alvorada festiva em homenagem a Nossa Senhora da Penha de França Foto: Fernando Chaves
Pedalando nas montanhas Minas é conhecida por suas cadeias de montanhas que no passado desafiaram desbravadores, inspiraram poetas e hoje continuam desafiando esportistas de diversas modalidades. De Resende Costa partiu, no último dia 4, um grupo de quatro ciclistas em direção a Aparecida, no Vale do Paraíba (SP). Eles venceram os desafios da Serra da Mantiqueira. No mesmo final de semana, as meninas do grupo Lagartixas Bikers subiram e desceram as serras das Vertentes, percorrendo o recém-inaugurado “Caminhos de São Tiago”. PÁG 07 e 08
Banda de Música Santa Cecília desfila no Mirante das Lajes, cartão-postal de Resende Costa
O dia 1º de setembro, dedicado à padroeira de Resende Costa, além das solenidades religiosas na igreja Matriz, contou com alvorada festiva realizada pela Banda Santa Cecília em homenagem a Nossa Senhora da Penha de França. A apresentação marcou também o retorno das atividades presenciais da banda, que já tem um planejamento para o decorrer do ano, como ensaios abertos, retretas e apresentações. “Percebemos, como nunca antes, as pessoas felizes ao verem a banda. Recebemos aplausos, as pessoas tiraram fotos e fizeram vídeos. A Banda Santa Cecília está de volta às atividades”, comemora o maestro Luiz Carlos Martins Júnior. PÁG 06
Campanha de vacinação contra a Covid-19 Resende Costa cumpre as metas do Ministério da Saúde e vacina todos os adultos com a primeira dose. Especialistas, porém, aler-
tam que é necessário concluir o esquema vacinal com as duas doses ou a dose única, no caso do imunizante da Janssen, para
a pessoa estar protegida contra o coronavírus. Medidas sanitárias, como o uso de máscara, higiene das mãos e distanciamento so-
cial ainda não foram abolidas e permanecem recomendadas para ajudar a conter a pandemia e salvar vidas. PÁG 10
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ANO XVIII Nº 221 - SETEMBRO 2021
EDITORIAL A pandemia e seus ensinamentos
Jornal das Lajes Ltda Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende
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O avanço da campanha de vacinação no Brasil, neste segundo semestre de 2021, acendeu um sinal claro de esperança de que a pandemia de Covid-19 enfim será controlada. As estatísticas vêm apresentando números animadores. Queda na taxa de contágio, no número de óbitos e de internações. Casos graves da doença e que demandam atendimentos em UTIs também começam a diminuir. Esse avanço confirma o papel preponderante da ciência frente a uma crise sanitária sem precedentes na história recente da humanidade. As vacinas trouxeram não só o antídoto de proteção contra o coronavírus, como também uma nova sensação de liberdade. O fantasma do medo e da insegurança começa a ser exorcizado. As pessoas estão voltando gradualmente ao trabalho, viagens sendo retomadas, escolas sendo reabertas, espaços culturais e de entretenimento voltam às suas atividades seguindo, obviamente, protocolos sanitários. A sensação de obscuridade e de incerteza aos poucos vai ficando para trás. Medalha de ouro para a ciência, que, além de vencer o inimigo principal, o novo coronavírus, teve de travar uma feroz batalha contra o negacionismo crônico. Sem cantar vitória antes da hora, uma vez que a pandemia não foi totalmente controlada e as variantes do vírus ainda amedrontam, o momento atual é de fortalecer os cuidados, porém já nos permite fazer planos para o futuro pós-pandêmico. Colher ensinamentos deixados pela crise é o primeiro passo para decolarmos rumo a uma nova sociedade. A humanidade, ao longo desses quase dois anos de pandemia, experimentou a fragilidade da vida. Uma experiência existencial ao mesmo tempo angustiante e pedagógica. Observar a vida de pessoas que amamos ser sorvida abruptamente nos mostra quão somos impotentes diante da morte. A brevidade da existência nos impele a valorizar a vida como se fosse a última gota d’água encontrada num deserto árido. Outro ensinamento precioso legado pela pandemia é o sentimento de coletividade. Com o isolamento social, aprendemos que somos seres sociais, ou seja, precisamos uns dos outros, da sociabilidade, do olho no olho, do aperto de mão e do abraço. Não nascemos para a solidão. Estar sozinho nos lança na experiência angustiante do vazio e do conflito interior. Gera medo, causa ansiedade, nos adoece. Foi necessário o surgimento de um vírus perigoso, do qual precisamos nos proteger e nos esconder, para confirmarmos nossa identidade de seres sociais vocacionados para a liberdade. Saber esperar, ter paciência. A crise da Covid-19 nos mostrou também a necessidade de estabelecermos uma nova e profícua relação com o tempo. No mundo inteiro, metrópoles que ousavam afirmar que nunca paravam tornaram-se desertas. Ruas vazias, portas fechadas, comércio paralisado. O coronavírus também se assenhoreou do tempo, esse senhor apressado que controla nossos passos e mede o compasso das nossas ações. Quando tentávamos driblar o vírus invisível, lotando praias, bares e ruas, ele se mostrava mais forte e visível do que nunca, ordenando que voltássemos ao confinamento de nossos lares. O coronavírus sequestrou também o tempo e nos ensinou que é inútil lutarmos contra aquele que determina quando saímos, voltamos e agimos. O tempo precisa ser nosso aliado. A arrogância e o negacionismo foram derrotados nesta pandemia. A sensatez e a razão, formuladas em ciência, produziram a vacina que nos trouxe de volta o sonho essencial de liberdade. Que a experiência da dor causada pela perda de tantas pessoas queridas não nos deixe retroceder ao indiferentismo e ao individualismo de antes. O aprendizado maior deixado por este longo e trágico momento que o mundo ainda vivencia com a crise da Covid-19 é o de que somos um só povo que sofre e chora junto, mas que sonha e aspira à liberdade de mãos dadas.
Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:
Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
A crise hídrica e a dependência de água para gerar energia Nos últimos meses, estamos acompanhando novamente a mídia falar em crise hídrica. E a causa é a falta de chuvas, que estão abaixo da média. E, como sempre, quem sofre as consequências é a população, principalmente devido ao aumento no preço da energia elétrica, ao racionamento no abastecimento de água e ao encarecimento dos alimentos. Mas cabe aqui pensarmos em algumas questões: As precipitações (chuvas) estão realmente diminuindo? A crise hídrica seria reflexo de uma crise ambiental? Como utilizamos nossas águas, especialmente as armazenadas nos grandes reservatórios? Precisamos melhorar nossa gestão das águas e da geração de energia? Entender o clima e, especificamente, o regime das chuvas não é uma tarefa fácil. Vários fenômenos acontecem e possuem certa regularidade de atuação. Podemos citar, por exemplo, o El Niño, a La Niña e a Oscilação Decadal do Pacífico. Cabe destacar que o território brasileiro é diverso e heterogêneo; na questão das chuvas, não poderia ser diferente. Devemos ter em mente também que as chuvas são cíclicas, sucedendo-se anos com maior ou com menor intensidade. E acrescentamos a isso as interferências humanas, como o desmatamento, o desperdício de água tratada, utilização de métodos ineficientes na irrigação etc. Diante do mencionado, fica claro que precisamos de uma eficiente gestão para não sofrermos nos períodos de menor precipitação. No entanto,
isso envolve uma série de questões. Vejamos um exemplo: a geração de energia. O Brasil é um dos campeões em utilização de fontes renováveis (principalmente de derivados da cana-de-açúcar, hidráulica e eucalipto). Estas representam quase 44% da origem da energia consumida no país, contra os 14% da média mundial. Apesar disso, ainda consumimos muito combustível fóssil (carvão mineral, gás natural e, especialmente, o petróleo). Os setores de transporte e industrial consomem quase 80% da energia gerada. Para a geração de energia elétrica, o que particularmente aqui nos interessa, somos muito dependentes da matriz hidráulica, que representa 65% de toda energia produzida, seguida dos 15,5% dos combustíveis fósseis. Apesar de serem limpas e de termos um bom potencial de crescimento, o Brasil ainda gera pouca energia solar (1,9%) e eólica (10,3%). Em épocas em que há menos água nos reservatórios, aumenta-se a geração nas usinas termelétricas, que utilizam combustíveis fósseis; essas, além de poluentes, são mais caras. O resultado vem no aumento na tarifa de consumo de luz, especialmente com a bandeira vermelha. O verão passado foi marcado pela La Niña, que vai atuar até meados de 2021, sendo o terceiro mais intenso dos últimos anos, de acordo com o que foi noticiado pela mídia. Esse fenômeno ocorre entre El Niños, que acontecem em intervalos de 2 a 7 anos, e normalmente provo-
ca diminuição das chuvas no centro-sul do país e aumento no norte/nordeste. Daí a crise hídrica. Por outro lado, existem informações divulgadas por uma mídia alternativa, afirmando que os reservatórios não estão baixos por causa da suposta seca, mas sim porque os reservatórios foram esvaziados em 2020 (ano de redução de crescimento devido à pandemia, portanto, de menor consumo de energia elétrica) sem que a água passasse pelas turbinas. Mas, algumas usinas privadas produziram energia acima da média. Há o argumento de que o volume de água que entrou nos reservatórios brasileiros foi o quarto melhor da última década. Cita-se também que as termelétricas são privadas, sendo que o setor é dominado pelo mesmo grupo das hidrelétricas. Nesse sentido, não há crise hídrica e o que estamos vivendo é a consequência das privatizações no setor e da destruição da soberania energética do país. Tal situação se aprofundará com a privatização da Eletrobrás. Por fim, o setor elétrico brasileiro ainda é dependente das hidrelétricas e, assim, qualquer alteração no regime anual de chuvas afeta o nível dos reservatórios e, consequentemente, a quantidade de energia elétrica gerada. Para além da questão da crise hídrica, o fato é que certamente estamos vivendo uma crise de gestão da energia. Energia que é essencial para o crescimento da economia do país e para o bem-estar da população.
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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
Indicações aprovadas durante reuniões ordinárias do mês de setembro - Construção de 03 quadras de areia em imóveis próprios do município localizados nos bairros Santo Antônio, Nova Resende e Tijuco (Vereadores João, Cleiton, Coló, Cláudio, Lucas, Paulinho).
- Instalação de quebra-molas, placas de parada obrigatória e pintura viária na Rua Pedro Teodoro Neto, antiga Rua 16, e Rua Antônio de Sousa Resende, ambas situadas no bairro Nossa Senhora da Penha (Vereador Cláudio).
- Divulgação no site oficial e em redes sociais, administradas pela Prefeitura Municipal de Resende Costa, da listagem de medicamentos existentes em estoque na “Farmácia de Todos”, bem como da relação dos remédios que estão em falta, juntamente com a provável previsão de entrega (Vereador Paulinho).
- Instalação de placas indicativas com a denominação oficial em cada uma das entradas principais dos povoados rurais, bem como do Distrito de Jacarandira, espalhadas pelo perímetro do Município (Vereadores Cleiton, Cláudio, Fernando).
- Ampliação e fortalecimento do Convênio com o CISVER (Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região das Vertentes) para aumento dos serviços ofertados pelo consórcio (Vereador Cleiton).
- Instalação de duas placas de trânsito de estacionamento proibido no Mirante das Lajes, mais precisamente em frente ao letreiro “Eu amo Resende Costa”
- Criação do Conselho Municipal de Direito da Mulher (Codim), em Resende Costa. Ou, alternativamente, a criação de uma comissão sobre direitos da mulher, dentro do Conselho Municipal de Assistência Social (Vereador Fernando Chaves). - Instalação de placa indicativa de parada obrigatória, bem como pintura viária de PARE, na estrada de acesso ao Povoado do Ribeirão, saindo da Avenida Prefeito Adenor de Assis Coelho e entrando na Rua Pau Brasil, Bairro Tijuco (Vereador Cláudio).
Projeto de autoria de vereador cria a Semana de Valorização do Estatuto da Criança e do Adolescente Na reunião do dia 12 de agosto, foi votado e aprovado o Projeto de Lei nº 73/2021, de autoria do vereador Cláudio, que institui a “Semana de Valorização do Estatuto da Criança e do Adolescente no Município de Resende Costa”. De acordo com o que prevê o texto aprovado pelos vereadores, a Semana de Valorização do Estatuto da Criança e do Adolescente será realizada anualmente, no mês de julho, quando se comemora o aniversário do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). O objetivo do projeto é divulgar o conteúdo do ECA, esclarecendo à comunidade sua finalidade, alcance e aspectos legais, promover
a valorização do estatuto, discutir a adoção de políticas e atividades permanentes, aproximar a comunidade dos Conselheiros Tutelares e realizar conscientização por meio de campanhas, palestras, oficinas, entre outras formas, acerca dos direitos estabelecidos nesse documento. O vereador e autor do projeto de lei já foi Conselheiro Tutelar e uma de suas propostas apresentadas na campanha eleitoral é a de lutar para garantir a preservação dos direitos das crianças e dos adolescentes. “A responsabilidade pela preservação dos direitos, elencados no Estatuto, é função do Estado, do município e de to-
Vereadores homenageiam resende-costenses com nomes de ruas
(Vereador Cleiton). - Participação da Associação Instituto Rio Santo Antônio (IRIS) em dois Conselhos Municipais diretamente ligados à questão ambiental, sendo estes: (1) o Conselho Municipal de Meio Ambiente - Codema; e (2) o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (Vereadores Fernando, Paulinho, Guerra).
dos nós. Seria preciso um cuidado maior nessa área como forma de proteção às crianças e aos adolescentes. É preciso divulgar os benefícios do Estatuto. As famílias menos favorecidas precisam ser melhor orientadas, como forma de preservação do bem-estar das crianças e dos adolescentes”, defende o vereador Cláudio. O projeto foi aprovado por todos os vereadores, que elogiaram a proposta e ressaltaram a importância da divulgação dos direitos e deveres das crianças e dos adolescentes. O texto aprovado pelo Legislativo resultou na Lei Municipal nº 4.787/2021.
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Confira abaixo os nomes de algumas ruas da cidade que foram denominadas através de projetos de iniciativa de vereadores - Rua Pedro Teodoro Neto (Bairro Nossa Senhora da Penha) – Vereador Coló – Lei Municipal nº 4.778/2021 - Rua Professora Maria da Luz Miranda (Bairro Nossa Senhora Aparecida) – Vereador Lucas – Lei Municipal nº 4.784/2021 - Rua Tiago José Fernandes (Bairro Mendes) – Vereador Cleiton – Lei Municipal nº 4.792 Para conhecer a história dos homenageados, acesse o site: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
Câmara Municipal retoma reuniões presenciais Durante o mês de agosto, a Câmara Municipal de Resende Costa retomou as reuniões presenciais, seguindo os protocolos de segurança recomendados pelos órgãos sanitários. De acordo com a Resolução nº 423/2020, ainda não está sendo permitida a presença da população no Plenário durante as reuniões ordinárias e extraordinárias até o término oficial de alerta de pandemia emitido pelo Ministério da Saúde. Mas você pode acompanhar a transmissão das reuniões pela Rádio Inconfidentes FM, 87,9, todos os dias 02, 12 e 22 de cada mês, às 17h30min. Foto: Marina Vale
- Hospedagem em hotéis ou pousadas na sede do Município de Resende Costa (MG), com o objetivo de propor melhor maneira de realizar a espera para o transporte de paciente em tratamento de saúde, advindo da zona rural, bem como de seu acompanhante. A estada se dá nos dias necessários para realização do tratamento de saúde em grandes centros de referência, como São João del-Rei, Barbacena, Juiz de Fora, Belo Horizonte entre outros polos (Vereador Coló).
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Vereadores de Resende Costa voltaram ao plenário em reuniões presenciais
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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA Prefeitura implanta Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) que promove acesso à alimentação e incentiva a agricultura familiar Em agosto, a Prefeitura deu início ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), instituído através da Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente e em parceria com a EMATER, SEAPA (Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e Ministério da Cidadania. O PAA é uma das principais políticas de incentivo à agricultura familiar do país. Por meio do programa, o poder público
tem a possibilidade de adquirir alimentos sem a necessidade de licitação. “O PAA acontece de forma bem simples: o produtor pré-cadastrado vende diretamente para o Ministério da Cidadania, a prefeitura executa a parte burocrática e opera o sistema que gere o PAA, onde são processadas a aquisição, a doação e por fim a inserção da Nota Fiscal”, explica Diego Magalhães, assessor de Governo e Planejamento.
Realizada 1ª Exposição de Inéditos Nucave do Mangalarga Marchador; evento contou com apoio da Prefeitura Municipal Entre os dias 27 e 29 de agosto foi realizada, no Parque de Exposições Prefeito Gilberto Pinto, a 1ª Exposição de Inéditos NUCAVE do Mangalarga Marchador. O evento contou com o apoio da Prefeitura Municipal e atraiu criadores de toda região, reunindo 64 animais de aproximadamente 40 cidades. Os animais e seus criadores foram acolhidos na quinta-feira (26) e julgados na sexta (27) e no sábado (28). O evento foi realizado seguindo todos os protocolos de prevenção à Covid-19. Realizada pelo Nucave (Núcleo Campos Das Vertentes Do Mangalarga Marchador) e pelo Clube dos Cavaleiros de Resende Costa, a exposição tem o objetivo de incentivar a criação da raça Mangalarga Marchador em nossa região e também a geração de emprego e renda, como explica o secretário de Agropecuária
e Meio Ambiente, Alexssander Lourdes: “O evento é importante pois fortalece e incentiva criadores e adeptos da raça mangalarga marchador em nosso município e região. Além disso, o evento contribui para o fortalecimento do comércio local, pois gera renda, novos empregos e oportunidades
de negócio, movimentando a economia de diversos setores do município. Aproveito para agradecer aos realizadores pelo apoio e empenho em realizar um evento tão importante para todos. Essa foi a primeira exposição de inéditos da região e, com certeza, foi um evento aprovadíssimo.”
Realizada 10ª Conferência Municipal de assistência social No dia 25 de agosto foi realizada a 10ª Conferência de Assistência Social de Resende Costa. Com o tema “Assistência Social: Direito do Povo e Dever do Estado - com financiamento público, para enfrentar as desigualdades e garantir proteção social”, o evento foi realizado no Salão de Eventos da Escola Conjurados, seguindo todos os protocolos de prevenção à Covid-19. A conferência contou com a participação de autoridades políticas, entidades públicas e membros da sociedade civil organizada. Além disso, a conferência contou também com a participação do prefeito de Barroso/MG, Anderson de Paula, convidado como palestrante. A abertura do evento foi realizada por Lucas Lara, presidente do Conselho Municipal de Assistência Social, que comentou: “A Conferência é um importante e democrático momento para a política
de assistência social no município. Toda ação em assistência social é uma intervenção e foi assim na10ª conferência municipal. Como ação entre o poder público e a população mais vulnerável na busca, na luta, nas garantias dos direitos e no desenvolvimento de verdadeiras, efetivas e afetivas políticas públicas de assistência social. Para isso é preciso ter coragem, ter responsabilidade e sermos, sobretudo, organizados e comprometidos com a causa. Foi momento de construir e de buscar ferramentas para desenvolvimento da política de assistência social em nosso município.” A conferência é realizada a cada dois anos com o objetivo de elaborar novas propostas para serem implantadas no serviço de assistência social. Essas propostas são idealizadas em conjunto com associações, entidades e membros da sociedade civil organizada.
Assim, a conferência abre espaço para que entes municipais, estaduais e federais, busquem melhorias nos serviços em prol dos usuários da rede socioassistencial. Além da conferência, também foi realizada a eleição de delegados para a conferência estadual e também a eleição da nova mesa diretora para o conselho 2021-2023. “A Conferência Municipal de Assistência Social é muito importante, pois abre espaço para a população avaliar e participar dos serviços e das políticas da assistência social de nosso município. Com isso, a população participa de forma ampla, garantindo serviços qualificados para todos. A conferência é também um momento de reflexão sobre os direitos garantidos e da continuidade de políticas públicas”, declarou Edirlene do Nascimento, secretária de Assistência Social.
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Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente implanta plano conservador da Mantiqueira; objetivo do projeto é restaurar florestas nativas, nascentes e solo No dia 17 de agosto, a Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente, se reuniu com produtores rurais e moradores do povoado dos Pinto para colocar em prática o Plano Conservador da Mantiqueira. A reunião contou com a presença de Edmilson da Silva, representante do IEF (Instituto Estadual de Florestas), que comentou sobre as mudanças no novo código florestal e como vai funcionar o Plano Conservador da Mantiqueira, destacando a importância de implantá-lo em nossa região. Segundo o site oficial do projeto, o Plano Conservador da Mantiqueira é “uma iniciativa coletiva, que une agentes na esfera pública, no terceiro setor, em instituições de ensino e no setor privado em prol do mesmo obje-
tivo: promover a restauração de paisagens na região de influência da Serra da Mantiqueira”. Com a implantação do plano, espera-se promover a restauração de florestas nativas, nascentes e solo, melhorando a capacidade de produção dos serviços ambientais, beneficiando produtores rurais e população em geral. De início, o projeto está sendo direcionado para a região do povoado dos Pinto. Caso tenha interesse em se cadastrar no programa e saber mais informações, entre em contato com a Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente pelo número (32) 3354-1366. Para se cadastrar é simples: basta preencher o formulário disponível na Secretaria e apresentar o comprovante de inscrição do CAR (Cadastro Ambiental Rural).
Praças ganham rampas de acessibilidade As praças Cônego Cardoso e Mendes Resende passam a contar agora com rampas de acessibilidade. O serviço foi executado pela Secretaria de Obras e Serviços Públicos. As melhorias buscam adaptar as praças para dar mais conforto e segurança para pedestres com dificuldade de locomoção, idosos, cadeirantes e pessoas que transitam com carrinhos de bebê, facilitando o acesso aos espaços públicos. As melhorias foram iniciadas seguindo a sugestão de pessoas que encontravam dificuldades quando precisam acessar a praça, como explica Lucas Paulo, vice-prefeito em exercício no
cargo de prefeito: “A construção das rampas é um serviço relativamente simples, mas de extrema relevância para aqueles que precisam delas para facilitar a locomoção no dia a dia. A ideia é que, com a construção das rampas, mais pessoas possam usufruir dos espaços públicos de lazer e recreação. Outro ponto que gostaria de destacar é que essas melhorias foram executadas a partir de conversas com a população. Cito este exemplo para mostrar que a administração pública está de portas abertas para ouvir as demandas da população e, dentro das possibilidades, colocar essas demandas em prática”.
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CULTURA
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
“Não sei dizer se a pesquisa contribuiu para a obtenção do selo ou se o obtenção do selo contribuiu para a pesquisa. As duas partes andaram de forma paralela.” Assim reagiu Bruno Dilascio, “simplesmente, um são-joanense Apaixonado pela cidade”, ao ser questionado sobre a contribuição da sua dissertação de mestrado para a obtenção do selo de indicação de procedência do artesanato em tear de Resende Costa, anunciada no dia 10 de agosto pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A dissertação “Indicação de procedência do artesanato em tear da cidade de Resende Costa – MG” foi aprovada, no dia30 de agosto, junto ao Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação (PROFNIT) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). O principal objetivo foi o de identificar os procedimentos adotados para o registro da Indicação Geográfica
do artesanato em tear manual do município, “de modo a apresentar um processo integrado capaz de contribuir para o aprimoramento e a compreensão acerca do registro desses sinais distintivos”. Também influenciou nos propósitos da pesquisa o fato de Dilascio gostar muito de Resende Costa; “e quando comecei a conhecer a história e a ter o contato com as pessoas da cidade, especialmente os produtores e membros da ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), a obtenção do selo se tornou mais importante do que a própria pesquisa”. Por isso, a conquista do selo “me trouxe uma satisfação imensa, mas não posso deixar de citar que me aprofundar na história de Resende Costa foi extremamente gratificante, conhecer a fundo a produção têxtil com o uso do tear foi incrível”. A pesquisa partiu do princípio de que “a atividade do artesanato manual em tear é preponderante no município, sendo base do desenvolvimento econômico local”, explica seu autor. “Ao se pensar numa forma de manter o artesanato manual em tear da ci-
dade, o instituto das Indicações Geográficas despontou como uma alternativa plausível”. Dessa forma, este relato teve como meta apresentar os passos para se chegar à solicitação do registro, conclui Dilascio, que é o técnico responsável pelo setor de contratos da UFSJ. GRUPO DE TRABALHO Bruno Dislacio coordenou o grupo de trabalho que elaborou o projeto, cujos membros foram Fernando Chaves, pela ASSETURC, e Luciene Cardoso, pelos produtores. “O selo servirá para valorizar o trabalho manual e distinguir o produto de Resende Costa. E permitirá que os consumidores tenham a certeza de estarem adquirindo um produto diferenciado”, diz Fernando Chaves, que atualmente é vereador. Uma grande conquista, concorda Luciene. “Uma das coisas boas que aconteceram em plena pandemia foi a aprovação do selo de Indicação Geográfica, cuja importância é estritamente relevante para proteger, divulgar, valorizar e fazer perpetuar o nosso grande patrimônio imaterial: o nosso ar-
Foto: Fernando Chaves
A pesquisa por trás do selo de procedência do artesanato em tear
O selo de procedência irá valorizar ainda mais o autêntico artesanato produzido em Resende Costa
tesanato.” Mas nem todos os produtos artesanais do município estão aptos a receber o selo, alerta Fernando. “Para possuí-lo, o produto deve seguir um regulamento. Basicamente, precisa ser um produto têxtil, efetivamente feito a mão e produzido em Resende Costa, seguindo as técnicas tradicionais de artesanato local.” O projeto do selo de procedência do artesanato de Resende Costa contou também com o
apoio do Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. Paralelamente à busca pela certificação, Resende Costa vem investindo na estruturação da cidade para o turismo. Além do selo de procedência do artesanato obtido pela ASSETURC, está sendo construído pela prefeitura um Centro de Atendimento ao Turista (CAT). A previsão é de que o local possa ser inaugurado até o início de 2022.
PERFIL
Ianka, a menina que fez opção por livros, música e voluntariado Foto: Arquivo pessoal
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Amante de livros, do ukulelê (instrumento português naturalizado havaiano) e de trabalhos voluntários. Esta é Ianca Emanuele Ferreira dos Reis, a Manu, para a família; e a Iankas livros para seus seguidores, doravante Ianka Emanuelle, autora – “eu prefiro ele com ´k´, é mais artístico, sabe!” Belo-horizontina de nascimento (viveu na capital até os três meses), é resende-costense de fato, com uma curta passagem por Oliveira, na infância. Filha de Arnaldo Dunga, neto do Penujo, e de Shyrllei do Dunga, oriunda da zona rural (Fazenda de Cima). Realizou os primeiros estudos nas escolas municipal Conjurados e estadual Assis Resende; agora, cursa Física na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ): “adoro ser uma mulher da ciência”. No período escolar, Ianka participou de algumas “olimpíadas de escrita” na Escola Estadual Assis Resende: “eu amo escrever”. Numa dessas competições, ela venceu a etapa municipal de um concurso no qual escreveu uma “carta para si, no futuro”, representando, assim, Resende Costa no certame estadual: “foi bem legal”.
Ianka Emanuele se dedica à divulgação e promoção da cultura.
VOLUNTARIADO Apesar dos seus apenas 20 anos, Ianka tem uma vida agitada, para além da rotina diária. Este ano, ela começou a trabalhar como atendente na loja de roupas infantis Encantos Outlet, que fica situada no bairro Várzea. No voluntariado, Ianka já organizou projetos de doação de livros, recolha de ração e feira de adoção de cãezinhos abandonados. “Eu e dois amigos recolhemos livros usados e os repassamos à Sociedade Protetora dos Animais SJDR, juntamente com a ração. Foram arrecadados 190 livros, que são vendidos no brechó da sociedade, e mais de quase 700 reais em
espécie e 18 kg de ração. Em dezembro, vamos realizar o projeto novamente.” Para isso, ela utiliza o seu Instagram de “influenciadora literária”. Ianka desenvolve, ainda, ações de apoio a famílias e pessoas em demandas específicas. “Uso minhas duas redes (no Instagram), a pessoal e a comercial, para arrecadar o que for necessário para as ações.” Um exemplo foi a campanha de arrecadação de dinheiro através de um Pix, para uma biopsia solicitada por um senhor: “A biopsia foi um sucesso e o dinheiro que sobrou foi repassado pra ele.” Aí “posto tudo ao vivo e salvo os vídeos e as notas, para principalmente mostrar que o trabalho é sério”. Mas ela é incansável. Participa de atividades do “Movimento Pretas Presentes”, como encontros culturais e oficinas. “Toda preta tem direito à fala, a gente ajuda as mulheres pretas a se tornarem mulheres pretas, como disse Simone de Beauvoir (escritora, ativista e feminista francesa); o meu lugar, em especial, é em frente ao microfone, acompanhada das líderes do grupo.” Foi assim num encontro no,Teatro Municipal de Resende Costa ou numa ida a Belo Horizonte para “falar de mulheres e negritude”. Ou ainda “quando
tivemos oficinas no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social)”. Agora, ela está envolvida numa campanha de organização de um varal solidário (com roupas) do grupo. CLUBE DE LEITURA No campo cultural, destacam-se a leitura e a música. Leitora assídua, Ianka aspira ser escritora. “A leitura, pra mim, é um preenchimento de vazios; ser leitor pode ser um aperfeiçoamento, sim, que só traz benefícios, mas também pode trazer grandes dificuldades para se ‘ tornar’ leitor. Por isso, e entre outros motivos, influencio mais de três mil pessoas a seguirem o caminho da leitura e da escrita.” Ianka participa do clube de leitura Calanguinhos, em Resende Costa, e de outras iniciativas na cidade e em diferentes regiões: “Escolhemos um livro por mês, lemos em grupo e, no final, debatemos sobre a obra”. Para divulgar e incentivar o hábito da leitura, ela utiliza suas redes sociais, nas quais veicula resenhas, sorteios, indicação de livros grátis e vídeos cômicos. Na música, Ianka arrisca o canto com o seu ukulelê: “Eu sou ukulelista. É um instrumento maravilhoso, amo de paixão. Como
musicista, pretendo tocar, pelo menos, uma vez em algum bar antes de morrer (risos)”. Em novo desafio, Ianka confirma que vai ser “influencer” da 2ª Feira Literária de Tiradentes (FLITI), que acontecerá entre 14 e 17 de outubro e vai homenagear a escritora Thalita Rebouças. “Tudo da feira, principalmente a diversidade, vai ficar salvo no meu perfil para meus seguidores.” ASPIRAÇÕES Embora esteja cursando Física, o que Ianka gostaria mesmo era de estudar Psicologia: “Escolhi a Física como minha segunda opção; meu sonho, meu projeto, sempre foi a Psicologia.” Por isso, não desistiu de tentar o seu maior sonho: “Se não der certo, eu volto para a Física”. No caso de se formar em Física, seu objetivo é especializar-se no ensino médio e ser educadora, “descobrindo como o racismo afeta seus estudantes, e talvez um pouco de Física de Partículas ou a Astrofísica”. Mas se o caminho for mesmo a Psicologia, “minha paixão primordial, são tantas coisas que nem cabem aqui. Em ambas as hipóteses, serei autora, porque escrever eu já escrevo e escritor é quem escreve, né?”.
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ANO XVIII Nº 221 - SETEMBRO 2021
CULTURA
Banda Santa Cecília realiza alvorada festiva no dia da padroeira de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO
Ainda não foi neste ano que os devotos de Nossa Senhora da Penha de França puderam sair novamente em procissão pelas ruas da cidade, acompanhando a bela imagem da padroeira de Resende Costa. A pandemia de Covid-19 não terminou e algumas atividades que geram aglomerações de pessoas precisam ser evitadas. No entanto, no dia 1º de setembro último, feriado municipal de Nossa Senhora da Penha, os resende-costenses acordaram cedo ao som da Banda de Música Santa Cecília, que realizou uma alvorada festiva em homenagem à padroeira. Uma surpresa que encantou a todos. A alvorada marcou o retorno da Banda Santa Cecília às atividades presenciais. “A alvorada do dia primeiro foi um momento de que estávamos precisando há muito tempo, pois desde o início da pandemia ainda não havíamos desfilado pelas avenidas de Resende Costa. A nossa vontade de voltar às ruas e avenidas era muito grande”, disse Luiz Carlos Martins Júnior, regente da banda. Em desfile pelas ruas do centro da cidade, a banda apresentou um repertório tradicional, como os dobrados Dois Corações, Antonio Quirino, Regulo, Brasil e Batista de Melo. Os músicos tocaram também o Hino de Nossa Senhora da Penha, em homenagem ao dia da padroeira de Resende Costa. A alvorada teve início no Teatro Municipal, sede da banda. Os músicos desfilaram em algumas ruas do centro da cidade, passaram em frente à igreja Matriz e concluíram o percurso no Mirantes das Lajes. Apesar do frio, as pessoas que despertaram cedo abriram as janelas de suas casas para ouvir e aplaudir a banda de música. “Percebemos, como nunca antes, as pessoas felizes ao verem a banda. Recebemos aplausos, as pessoas tiraram fotos e fizeram vídeos a partir de suas casas e também nas ruas. Sim, foi possível concluir que a Banda Santa Cecília está de volta às atividades”, comemora o maestro Júnior.
Das janelas das casas vieram não somente aplausos, mas brotaram também sentimentos de saudade, alegria e emoção. Pollyanna Pinto, que mora ao lado da igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, conta como foi acordar no dia 1º de setembro ouvindo a alvorada da Banda Santa Cecília. “Acordar ao som do Hino de Nossa Senhora da Penha executado pela Banda Santa Cecília é um privilégio. É despertar com alegria, pois relembrar bons momentos aquecem o nosso coração. A alvorada marcou a minha infância, pois, antigamente, a minha família oferecia café para a banda após a alvorada. Era uma ‘festa’ para mim e para minha irmã. Ficávamos esperando ansiosamente, era um momento de alegria. Então, em tempos de pandemia, em que estamos vivendo enclausurados, assistir ao retorno da alvorada despertou um sentimento de esperança e a expectativa de que dias melhores virão.” MÚSICA EM TEMPOS DE PANDEMIA A pandemia impôs inúmeras dificuldades e limitações a todos os setores da sociedade. Como forma de evitar o contágio do coronavírus, atividades culturais presenciais também precisaram ser interrompidas. Não foi diferente com a Banda de Música Santa Cecília, de Resende Costa, que teve que se adaptar para não deixar os alunos sem instrução e os músicos totalmente inativos. A banda geralmente se apresenta em ambientes abertos, com plateia, nos quais não há como manter o distanciamento adequado entre as pessoas. O maestro Júnior conta como conseguiu exercer algumas atividades com os membros da banda, respeitando os protocolos de segurança sanitária. “As atividades com os assistidos pela Banda Santa Cecília nunca pararam, mesmo com a Covid-19. Um dos momentos mais difíceis foi quando tivemos que pedir para os alunos que chegavam à sede da banda voltarem para suas casas. Foi um momento triste e desesperador, mas sabíamos que era a medida mais responsável e segura a se fazer naquele momento em que as regras de distanciamento eram
muito rígidas. Nos momentos de isolamento social rígido, as instruções foram passadas via WhatsApp. Depois foi possível voltar com as aulas presenciais e ter vários alunos novos, que encontraram na banda um refúgio em meio a essa pandemia e ao isolamento. Os alunos tinham sede de conhecimento e, com muita vontade, evoluíram em pouco tempo. Esperamos que continuem assim.” Como forma de garantir a segurança e o cumprimento dos protocolos sanitários, professor e alunos tiveram que se encontrar através da internet. O maestro estabeleceu uma rotina de trabalho com os músicos e conseguiu inovar. “No ano de 2020, fizemos um vídeo em que cada músico executou, de sua casa, o dobrado Antônio Quirino. Trabalhar a distância exige o dobro de esforço para [atingir] a metade da eficiência. Mas, sabendo que era o modo mais seguro e responsável, trabalhamos alguns meses nesse projeto, que foi sucesso de crítica nas mídias sociais”, diz Júnior. De acordo com o regente da banda, as atividades presenciais do grupo serão retomadas aos poucos e com um planejamento estabelecido. A banda tem como meta em seu retorno realizar ensaios abertos ao público e ao ar livre nas praças da cidade, além de retretas em alguns domingos. “Nosso planejamento para o retorno às atividades é de muito foco, principalmente nas questões sanitárias de segurança contra a Covid-19. Esperamos voltar gradualmente, seguindo as normas do poder público e, claro, ouvindo o nosso público resende-costense. Estamos planejando, pelo menos, uma apresentação por mês. Temos que homenagear as pessoas importantes para a banda e para Resende Costa e que se foram nesse período e não pudemos homenageá-las no momento de suas partidas. Mas agora vamos fazer essas homenagens. Estamos com um projeto de fazer ensaios ao ar livre nas quartas-feiras. É uma medida de segurança, pois ao ar livre é mais seguro, além de proporcionarmos ensaios abertos ao público em geral.” Atualmente, a Banda de Música Santa Cecília conta com
Fotos: Fernando Chaves
A apresentação nas ruas do centro da cidade marcou oficialmente o retorno das atividades da banda, após mais de um ano de interrupção devido à pandemia
A banda passou pela praça Nossa Senhora de Fátima. Na foto, o histórico prédio da Câmara e a igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França
À frente, o maestro e trompista Luiz Carlos Martins Júnior
A banda realizou alvorada festiva em homenagem à padroeira de Resende Costa
cerca de 50 músicos em seu efetivo. Luiz Carlos Júnior rege a banda e ensina música aos novos alunos que pretendem fazer parte da tradicional corporação musical de Resende Costa. O trabalho de aprendizagem, capacitação e os ensaios acontece regularmente ao longo do ano e é oferecido de forma gratuita. “Mesmo com a pandemia e com as escolas fechadas, um momento muito difícil para o mundo, pudemos ver vários jovens e crianças iniciarem suas primeiras notas musicais e poderem tocar suas primeiras músicas. Isso é mágico! Mesmo em tempos de isolamento, tivemos sementes brotando. Não temos palavras para descrever. Tantos talentos assim só podem ser obra de Deus”, descreve o maestro.
Para o maestro Luiz Carlos Júnior, o retorno da banda significa também superação de desafios. “O momento em que a banda teve que interromper suas atividades foi desafiador e apenas a certeza de que um dia voltaríamos às ruas, avenidas e palcos era o nosso maior conforto para não cairmos em desalento. Temos que retomar as atividades e nos adaptar aos protocolos de segurança sanitária. Fica mais um ensinamento desses tempos pandêmicos: conseguir adaptar-se a ele. E nesse retorno vamos voltar mais fortes. Vamos comemorar e curtir cada acorde musical, cada melodia como se fosse a última. Bom retorno, Banda Santa Cecília! Que a banda volte a dar vida e esperança a todos nós!”
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TURISMO
Desafio, fé e determinação Quatro ciclistas resende-costenses percorreram, em três dias, 360 Km entre Resende Costa (MG) e Aparecida (SP) ANDRÉ EUSTÁQUIO
Após longo período de planejamento, algumas vezes adiado pelo agravamento da pandemia, o sonho de ir de bicicleta até Aparecida (SP), no Vale do Paraíba, partindo de Resende Costa, em somente três dias, enfim se concretizou no feriado prolongado do 7 de Setembro (Independência do Brasil) para os ciclistas Antônio Garcia, Ronaldo Silva, Fábio de Mendonça e Leandro Chaves. Ao todo, eles percorreram 360 Km cruzando serras, trilhas e estradões num percurso desafiador. Os quatro ciclistas saíram de Resende Costa no sábado, 4, e chegaram ao Santuário Nacional de Aparecida na tarde da segunda-feira, 6. Os ciclistas contaram com o apoio de Charles Wagner, que os acompanhou durante todo o percurso. O primeiro dia de pedal, entre Resende Costa e Carrancas, foi marcado pelo entusiasmo de se iniciar uma jornada que associou amor pelo esporte à fé em Nossa Senhora Aparecida,
padroeira do Brasil. Os quatro ciclistas resende-costenses percorreram, no primeiro dia, cerca de 115 Km, orientados pelos marcos da Estrada Real em São João del-Rei. “Passamos pela capela de Nhá Chica, percorremos o caminho até a represa de Camargos (Caquende). Atravessamos de balsa a represa em direção a Carrancas, onde, no final, subimos a serra, cerca de 5 Km de ascensão. Ali há o famoso Pico Cruz das Almas. Chegamos ao fim do primeiro dia da jornada cansados, porém dispostos para o restante dos dias”, descreve o ciclista Antônio Garcia. A vista deslumbrante do alto da serra de Carrancas certamente energizou os ciclistas, que tinham consciência do que os esperava no segundo dia da viagem, considerado por eles o mais crítico. De acordo com Antônio Garcia, o percurso de 140 Km entre Carrancas e Pouso Alto (MG) acumula 2.500 metros de altimetria. Isso, na linguagem dos ciclistas, significa morro que não acaba mais.
“Foi o dia mais difícil. Saímos de Carrancas em direção a Pouso Alto. No primeiro trecho, até Cruzília (Sul de Minas), passamos pela Fazenda Traituba. Foram 68 Km extremamente desgastantes, com muita poeira e muito sol. Já cansados, fomos em direção a Baependi, Caxambu e São Lourenço, locais de muitas belezas e cachoeiras. Finalmente, exaustos, chegamos a Pouso Alto, naquele que foi o pedal mais difícil de nossas vidas. Mas com a graça de Nossa Senhora, chegamos”, conta Antônio. Rumo ao Santuário Nacional “Em procissão/ em romaria / romeiro Ruma para a casa de Maria Em procissão/ feliz da vida / romeiro Vai buscar a paz de Aparecida” A canção do padre Zezinho, “Lá no Altar de Aparecida”, descreve com exatidão a sensação de quem chega pela primeira vez ao Santuário Nacional. Ainda na Via Dutra, vê-se o co-
lossal templo, casa da Mãe Aparecida, onde milhares de brasileiros, de todos os cantos do país, vão venerar a pequenina imagem da Virgem encontrada por pescadores nas turvas águas do rio Paraíba do Sul. A simbiose de fé, emoção e alegria é indescritível para quem chega em romaria, a pé, a cavalo e, para Antônio Garcia, Ronaldo Silva, Fábio de Mendonça e Leandro Chaves, de bicicleta. Após atravessarem os paredões da Serra da Mantiqueira, que divide os estados de Minas e São Paulo, os quatro ciclistas estavam prestes a concluir o que fora, até hoje, o maior desafio vivido por eles pedalando. “Fomos finalmente para o último dia. O dia ‘mais tranquilo’, com cerca de 120 Km e 1.500 de elevação. Partimos de Pouso Alto com os corpos exaustos e mentes determinadas para cumprir nosso objetivo. Passamos pelo Mirante de Nossa Senhora, na divisa entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, onde fomos recompensados com uma descida de 7 Km de trilha. Um
visual deslumbrante”, descreve Antônio. A partir desse trecho, o que era sonho foi se materializando até os ciclistas avistarem o templo de Aparecida. Parte final da viagem e início da recordação de uma experiência única que os acompanhará no decorrer de suas vidas. “A partir daí, já na parte final do trajeto, realmente pudemos acreditar em nossa chegada e na vitória. Já chegando ao santuário, a emoção tomou conta de nós e pudemos finalmente contemplar quão imensa é a basílica. Aquele sonho tão cuidadosamente planejado foi finalmente alcançado”, diz Antônio, ainda tomado pela emoção. Os quatro ciclistas resende-costenses poderão agora cantar e testemunhar com o padre Zezinho o que reza a tocante canção “Lá no Altar de Aparecida”: “e cada qual tem uma história pra contar e o coração de cada qual tem um motivo pra rezar. Vem pra pedir, agradecer ou celebrar, aí quem tem fé no infinito sabe aonde quer chegar”.
O grupo em frente ao Santuário Nacional de Aparecida
Esforço, determinação e superação nos mais de 300 Km entre Resende Costa e Aparecida
Os ciclistas Antônio Garcia, Fábio de Mendonça, Ronaldo Silva e Leandro Chaves
O ciclista Antônio Garcia descreveu ao JL a aventura realizada com seus amigos Fábio, Ronaldo e Leandro até Aparecida
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TURISMO
Ciclistas do grupo Lagartixas Bikers percorrem os “Caminhos de São Tiago” Oito mulheres percorreram durante quatro dias cerca de 250 quilômetros entre Ouro Branco e São Tiago VANUZA RESENDE
Um desafio concluído com sucesso. Assim pode ser descrito o trajeto do “Caminhos de São Tiago”, recém inaugurado, percorrido pelas ciclistas resende-costenses que se aventuraram por quatro dias entre dez cidades da região. A ideia de percorrer a totalidade do Caminhos de São Tiago partiu de uma das integrantes do grupo Lagartixas Biker’s, Lucilene Aparecida Gama da Silva, a Lu, inspirada pela ciclista Germana Vargas, da cidade de Oliveira, que pedalou pelo caminho entre os dias 13 e 15 de agosto último. Além de Lu, Adriane Aparecida Silva Resende, Bianca Natane Resende, Daniela Regina Resende, Daniane Mariane Resende, Érica Leonor Martins, Ivânia Aparecida de Oliveira Silva e Silvânia de Fátima Resende Oliveira também participaram da aventura. Apoiadas por Leandro Tomé da Silva, que acompanhou o pedal das meninas em um veículo. Entre os dias 04 e 07 de setembro, as ciclistas pedalaram cerca de 250 km, com paradas noturnas em três cidades: Casa Grande, Lagoa Dourada e Coronel Xavier Chaves. A reportagem do JL manteve contato com as ciclistas todos os dias e elas contaram um pouco de cada dia de pedal. PRIMEIRO DIA – MUITO TRÂNSITO E ANSIEDADE PARA OS PRÓXIMOS QUILÔMETROS As ciclistas saíram de Resende Costa no dia 03 de setembro e dormiram em Ouro Branco para iniciarem o percurso no dia 04, pela manhã. No primeiro dia, elas percorreram 70 km, até chegarem a Casa Grande. De acordo com Adriane Resende, o primeiro dia de pedal foi marcado por muitos morros durante o percurso. “A primeira impressão que eu tive foi sobre os morros. Resende Costa não tem subidas como essas. Já temos a visão de como vai ser o caminho, mas também tivemos muitas descidas. Foi gostoso demais”. Já a Lu destacou as dificuldades com o trânsito. “Até
chegar a Conselheiro Lafaiete, achei o trânsito muito pesado, foi mais tenso do que Ouro Branco, mas compensou muito. A igreja à qual chegamos é muito linda”. Daniane também elegeu o trânsito de Conselheiro Lafaiete como a maior dificuldade encontrada no primeiro dia do percurso. “Com certeza, a parte mais difícil desse primeiro dia foi o trânsito que enfrentamos em Conselheiro Lafaiete. Foi um pedal puxado como um todo. Mas passamos por um povoado, chamado Maracujá, que foi uma delícia. A água de coco de lá salvou a gente. Passamos por paisagens maravilhosas, estou amando e já ansiosa pelo dia de amanhã.” No final do dia, a recepção em Casa Grande contou com a hospitalidade da Dona Madalena, que recebeu as ciclistas e proporcionou uma boa noite de descanso. A cidade está na Onda Vermelha do Programa Minas Consciente, que restringe o funcionamento de bares e restaurantes. Com isso, elas contaram com a receptividade mineira, que certamente fez toda a diferença. “Dona Madalena mora no local e aluga quartos. Como estava tudo fechado, ela fez uma janta para a gente e foi ótimo!”, destaca Daniela.
DOMINGO - O DIA ELEITO COMO O MAIS DIFÍCIL O segundo dia foi considerado pelas ciclistas como o mais pesado. Adriane, que já havia falado dos morros no primeiro dia, se surpreendeu com os vários morros entre Casa Grande, Entre Rios de Minas e Lagoa Dourada, um total de 83 km. “Ontem eu falei que não existia morro em Resende Costa e continua a mesma coisa. Só tem morro, muito pesado. Um caminho muito difícil, mas muito bonito. Porém, está valendo cada segundo. Estamos perto de pessoas bacanas, estamos sofrendo, mas nos divertimos muito.” Daniela guardou um pouco de fôlego para conversar com a reportagem, mas, pelo áudio enviado, era nítido todo o esforço daquele dia. “Eu já estava imaginando que hoje seria pesado, para mim está sendo muito sofrido. A gente está a 20 km de Lagoa Dou-
Chegada a São Tiago no quarto dia. Marco final da aventura
rada e eu estou fazendo de tudo para não ir para o carro de apoio, a coisa está feia. Estamos muito cansadas. Hoje não tivemos trânsito como ontem, mas o caminho é muito pesado mesmo. Não está fácil.” Se a hospitalidade mineira fez a diferença no primeiro dia, no segundo, uma expressão que os mineiros conhecem definiu bem o dia: “mortas com farofa”. Chegamos a Lagoa Dourada por volta das 19 horas. Hoje o sol e a quantidade de morro judiaram”, reveloua ciclista. MEIO DO CAMINHO – RESENDE COSTA ENTRE AS CIDADES Lagoa Dourada, Resende Costa e Coronel Xavier Chaves – total de 42 km. Essa é uma parte mais conhecida do percurso e, por isso, proporciona a sensação de certo alívio às ciclistas. Em Resende Costa, as ciclistas pararam no Mirante das Lajes e foram recebidas por algumas integrantes do grupo Largatixas Bikers. Algumas delas também aproveitaram o momento para se encontrar com familiares. Desde o inicio, o grupo já havia planejado não dormir em Resende Costa, para que no outro dia não houvesse riscos de desanimarem de concluir o trajeto. Danianea valiou o percurso. “Por estarmos em caminhos que a gente já conhece, hoje foi mais tranquilo. O percurso inteiro é muito bonito. O calor é que está atrapalhando. Porém, é muito bonito mesmo. O trajeto tem tudo para ser sucesso, pois as paisagens são maravilhosas.”
Em Resende Costa, Teti, Fátima, Cristiane, Priscila e Ana Carolina, do grupo Lagartixas Bikers, receberam as meninas
TERÇA-FEIRA – QUARTO E ÚLTIMO DIA No último dia, um trajeto de 55 km, as ciclistas passaram por Coronel Xavier Chaves, Ritápolis e São Tiago. Elas se depararam com uma ponte quebrada. “Nós nos deparamos com um tóten (marco) sem seta e não sabíamos para qual direção ir. No entanto, havia duas setas pintadas em uma madeira, estando escrito: ‘Caminhantes e veículos’. Optamos por seguir a que indicava‘caminhantes’. Não sei se onde estava indicando ‘veículos’ havia tóten, mas, como optamos por ir pelo trajeto dos caminhantes, tivemos que desbravar um rio porque a ponte estava quebrada. Saímos em um curral, para depois irmos para o asfalto, que já estava sinalizado novamente”. Daniela descreve o episódio, que as ciclistas chamaram de “perrengue”. A sensação das ciclistas após concluírem o percurso foi de alívio e também de gratidão pela missão cumprida. Bianca falou sobre a experiência. “Falar que não teve perrengue é mentira, porque teve. O sol castigou demais nesses dias todos. O segundo dia foi o pior, com muito morro e muito sol. Mas compensa demais fazer! Uma aventura, um desafio pessoal. A paisagem pede para a gente parar e contemplar! A sinalização está boa, com exceção de poucos trechos. Chegamos sãs e salvas. Foi emocionante! Desce até uma lágrima quando a gente chega aqui e vê a linha de chegada.” Lucilene, que teve a ideia
de fazer o percurso, falou sobre as dificuldades encontradas pelo grupo, porém elogiou o passeio e o descreve como “excelente”. “Não foi fácil, como nada na vida é fácil. Cansaço, irritações, calor. Eu tive um tombo hoje. Fazer o quê? Na vida, levamos vários tombos; entretanto, temos que nos levantar e chegar onde se pretende chegar. Foi muito bom, valeu muito a pena!” Já a Ivânia chamou a atenção para os desafios encontrados ao longo dos quatro dias. “Os dois primeiros dias foram muito tensos, até porque não conhecíamos o caminho. Quando eu cheguei a Lagoa Dourada, pensei em desistir. Mas a sensação de chegar aqui em São Tiago é muito emocionante. Ficamos muito felizes de conseguir enfrentar todas as nossas dificuldades.” No final do percurso, só agradecimentos: “Com a glória de Deus, conseguimos vencer. Eu pensei que não chegaria nem no segundo dia. Hoje me sinto uma vencedora”, declarou Silvania. No Instagram @lagartixasbikerc é possível acompanhar algumas lives que contam a experiência do grupo desbravando o Caminhos de São Tiago. O percurso entre a cidade de Ouro Preto, na região Central do Estado, e São Tiago, na região do Campo das Vertentes, pode ser feito a pé, de bicicleta, a cavalo e de carro. Inspirada no místico Caminho de Santiago de Compostela, na Galiza (Espanha), a nova rota turístico-religiosa atravessa 11 municípios numa extensão de 274 quilômetros, a maioria na zona rural.
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A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
– Mas ele é muito sério! Dizem isso a meu respeito (não sei se o trocadilho com o respeito vai bem aí.) Falam que tentam se aproximar de mim, comentar meus escritos, falar de alguma passagem engraçada ou lírica, ou emocionante... – Fico sem graça, ele é muito sério. Ora bolas, quem fica sem graça é aquele que fica sério, pois perdeu a graça. Encontrou-se comigo e ficou sem graça, de duas uma: encontro de dois sérios ou encontro de dois sem graça. Em retratos, reconheço, eu posava como um alemão protestante e puritano. Quando me via nas fotos, sentia-me ameaçado por mim mesmo. Tentei corrigir e passei a sorrir na frente da câmera. O resultado foi um arremedo de garoto-propaganda de camelô. Aí eu entendi que o problema estava com as minhas sobrancelhas: eu as franzia demais e ficava com aquela cara de metralhadora. Relaxei os sobrolhos e passei a gostar mais de mim nas fotos. Nem soldado da guarda inglesa do Palácio de Buckingham, nem zé-risonho das plagas de Vera Cruz. Agora, na rua... o negócio é complicado. Como andar sem os outros acharem que sou sério? Andar sorrindo? Não estou a fim de ganhar o apelido de Toninho Ternura. Andar gargalhando? É o Zé Maluco? Andar parando com todo mundo, perguntando até por quem já morreu e sempre de bom humor nos lábios?
Não nasci para palanques nem para compra de votos. No fundo, não sei o que os outros entendem por sério. Eu procuro viver adaptado às conveniências sociais... o que, por sinal, já é muito sério. Trabalho, estudo, curto a vida, rezo, viajo, escrevo, saio com os amigos, amo, sonho, canto... isso é coisa de assustar os outros? Ele é muito sério... Talvez o problema esteja com a minha ginga. Ou são as pernas e as passadas? Quem sabe eu ando sempre de cabeça erguida? Será que são as minhas roupas? Ou o movimento dos meus braços? Pode ser que eu ande muito depressa... ou devagar... Será? Vou um pouco mais fundo: será que é porque não olho nos olhos de quem não conheço? Posso não olhar nos olhos, mas estou vendo a alma pelas fendas da aparência. O que vejo me emociona, outras vezes me faz rir... mas sempre me leva a escrever. Acho que esta é a minha seriedade: trago um menino atento, curioso e terno dentro de um homem discreto, simples e... sério. Há pessoas que vivem dando risada para não terem tempo de chorar. Existem outras, sérias, que não exageram na euforia para que a alma tenha tempo para a alegria. Sou do segundo grupo. Quer mesmo saber de uma coisa? Eu ando do jeito que sou, mas não sou do jeito que ando. Entendeu? Mas não fique pensando muito nisso, senão você vai ficar sério demais.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
Irmã Maria Geralda – dez anos depois “Caminhar com humildade, amar com ternura, agir com justiça (Miqueias 6:8). Isso é o que eu tenho tentado viver”. Com essas belas e definitivas palavras de inspiração bíblica e uma singela declaração sobre seu plano de vida, Irmã Maria Geralda Resende, 82 anos, iniciou seu discurso durante a celebração de uma missa festiva em 15 de agosto último pelos seus 60 anos de uma existência dedicada ao serviço religioso. Presidida pelo bispo diocesano de Caraguatatuba (SP), Dom José Carlos Chacorowski, a cerimônia foi realizada na Matriz de São Sebastião, cidade onde Irmã Geralda, como é conhecida por lá, desenvolve importante trabalho de assistência às pessoas mais sofridas e marginalizadas. Com voz firme e semblante tranquilo e diante de um público formado por familiares, representantes da comunidade sebastianense, amigos e religiosos (entre eles, Padre Alessandro Coelho, pároco da Matriz local, e irmãs do Bom Pastor), a religiosa resumiu desta forma os caminhos que trilhou no cumprimento do que ainda abraça como sua missão neste mundo. “Muitos me ajudaram nessa caminhada. Meus irmãos, minha família, muitas irmãs nas comunidades por onde eu passei. No Rio de Janeiro (Ilha do Governador), Juiz de Fora, Ipiranga (em São Paulo), Penitenciária do Carandiru, Penitenciária Feminina de Tremembé, Zona de prostituição de Campinas, São Sebastião, Prelazia de São Félix do Araguaia, Alto da Poeira (em Goiânia) e novamente em São Sebastiao, onde os pobres foram e são meus amigos e meus mestres.” Ainda naquele dia, em todas as merecidas homenagens prestadas à Irmã Geralda e vindas de tanta gente, alegria é o que não faltou por saberem todos da presença forte da homenageada na história de cada um.
Foto: Arquivo pessoal
Un hombre muy serio
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A resende-costense Irmã Maria Geralda celebrou 60 anos de vida religiosa
Declarações de muito carinho pela Irmã, também por vídeo, disseram muito sobre a mulher especial que ela é. Entre tantos testemunhos bonitos, destaco o do Padre Zezinho, conhecido sacerdote, autor e cantor de grandes sucessos religiosos. “O valor que Irmã Geralda atribui aos outros, esquecendo-se de si mesma, é qualquer coisa de franciscano, de... como é que eu vou dizer, de... Evangelho. Cada vez que penso na Irmã, eu penso no Evangelho. Gente que assumiu e não abre mão de cuidar dos mais abandonados (...)”, afirma ele sobre a amiga. Há exatos dez anos, fiz para esta coluna uma matéria sobre as Bodas de Ouro religiosas da Maria Geralda, que é como costumamos chamar em família a filha da minha tia Vera (e do tio Alcindo) e primogênita neta do nosso avô, Alcides Lara. Hoje, quis trazer de volta aqui a figura incomparável dessa filha de Resende Costa. Em contato com a prima, solicitei-lhe um depoimento de vida, ao que ela me sugeriu que eu lhe fizesse perguntas, aqui subentendidas em razão da limitação física deste espaço. • “Depois de morar em Goiânia, novamente estou aqui (em São Sebastião) com os moradores de rua e mulheres da zona de prostituição do cais do porto (a morada atual).
• Levanto, tomo café, faço meditação, rezo o ‘Ofício’, atendo as pessoas, rezo o terço, rezo ‘Vésperas’, vou para o trabalho na comunidade dos pobres, participo da missa, rezo ‘Completas’ e faço oração da noite (a rotina). • Minha maior realização é conviver com os mais pobres e fazer parte da comunidade com eles. • Que consigamos ter na cidade uma Casa de Passagem para os pobres e andarilhos (maior sonho). • Representa tudo. Aí nasci, cresci, aprendi. Aí estão minhas raízes, que são a base da minha vida (Resende Costa). • Quero dar graças a Deus por tudo o que d’Ele recebi. Da minha terra, da minha família e de todas as pessoas que fizeram de mim o que sou hoje. São Sebastião é o lugar para o qual Deus me chamou para exercer minha missão junto às pessoas mais sofridas e marginalizadas (palavras finais)”. E ela se lembra ainda de dizer que participa do GEV (Grupo de Esperança Viva), que encaminha dependentes químicos para a Fazenda Esperança, em Guaratinguetá, perto de Aparecida. “Caminhar com humildade, amar com ternura, agir com justiça”. Isso é o que Irmã Geralda tem feito por uma vida inteira.
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SAÚDE
De um ponto de vista
Resende Costa conclui vacinação contra Covid-19, em primeira dose, para todos os adultos
JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
COVID-19
Secretário de Saúde faz balanço sobre a campanha de imunização Foto: André Eustáquio
VANUZA RESENDE
O mês de agosto foi muito produtivo em relação à campanha de vacinação contra a Covid-19 em toda a região do Campo das Vertentes. Enquanto no mês de julho oito dos 20 municípios que fazem parte da região não haviam conseguido cumprir o calendário estadual, que previa a vacinação contra a Covid-19, em primeira dose, para as pessoas com mais de 40 anos, em agosto as cidades não só conseguiram cumprir o estabelecido pelo governo, ou seja, vacinar adultos com mais de 25 anos, como foram além da meta. Resende Costa conseguiu vacinar, até o dia 31 de agosto, todas as pessoas com 21 anos ou mais. O Secretário Municipal de Saúde, José Luiz, falou sobre o feito. “Avalio com muito otimismo a campanha de vacinação na cidade. Nossa agenda está sendo cumprida dentro do quantitativo de doses recebidas. Sempre estivemos muito empenhados para chegarmos aos 18 anos o mais rápido possível, respeitando o Plano Nacional de Imunização (PNI) e as doses destinadas ao nosso município. Temos uma equipe comprometida e uma excelente adesão da população.” No mês agosto, Resende Costa recebeu seis lotes de vacinas. Foram 3.640 doses entre primeiras, segundas e doses únicas. O quantitativo expressivo de imunizantes recebidos, aliado ao avanço na vacinação por ordem de idade, são os motivos da campanha de vacinação ter sido ampliada na cidade. “Um dos motivos foi, sim, a chegada de mais doses, porém o principal motivo foi terminarem os grupos prioritários, pois passamos a vacinar somente por idade, o que garantiu um avanço grande nas faixas etárias”, destaca o secretário. É importante ressaltar que estudos feitos apontam a eficácia apenas depois do reforço do imunizante, com exceção da vacina da Janssen, da qual é necessária apenas uma dose. Até o mês de agosto, as orientações são: quem foi vacinado com a Coronavac,
O secretário José Luiz e as profissionais da Saúde do município de Resende Costa
do Instituto Butantan, deve tomar a segunda dose no intervalo de 21 a 28 dias após a primeira dose. Quem recebeu a AstraZeneca ou a Pfizer deve ser imunizado com a segunda dose após 90 dias da primeira. De acordo com José Luiz, Resende Costa não enfrenta problemas com ausência da população para receber a segunda dose. “A população tem vindo receber a segunda dose, há pouquíssimos faltosos, mas geralmente por um motivo plausível. Até hoje, houve atraso apenas no repasse da segunda dose da Coronavac no início da vacinação.” Para que não haja comprometimento com a campanha, as cidades têm recebido as doses para segundas aplicações e armazenado até o prazo estipulado. “Até o dia 31 de agosto, a cidade de Resende Costa recebeu 13.608 doses de vacinas. E aplicamos, até o dia 30, 11.220 doses, mas isso não significa população imunizada. Em estoque, no dia 30, tínhamos, considerando dose 1 e dose 2, o total de 2.407. Desse somatório, as doses D1 acabam na quinta-feira, dia 02 de setembro, com a vacinação dos jovens de 20 anos. As demais doses D2 serão aplicadas gradativamente, conforme agendamento prévio nos cartões de cada resende-costense. Isso acontece porque não podemos antecipar calendário de vacinação”, explicou José Luiz. ESTRUTURA DA VACINAÇÃO Desde o início da campanha,
o governo federal é o responsável por distribuir as doses de vacinas ao governo estadual, que, por sua vez, distribui aos municípios, através das Gerências Regionais de Saúde (GRS). A GRS que faz a distribuição para Resende Costa tem sede no município de São João del-Rei. Depois que as vacinas chegam à cidade, elas são encaminhadas às equipes que realizam a vacinação. “Toda a campanha é feita por uma equipe própria para vacinação com a ajuda dos agentes comunitários de saúde na marcação e divulgação. Assim que ficamos sabendo da chegada de remessa, é feito um planejamento com base no levantamento do número de pessoas daquela faixa etária”, explica José Luiz. No entanto, mesmo com as vacinas já em estoque, são necessários alguns dias para que se consiga contemplar todas as faixas etárias. Por exemplo, como a chegada do 41º e do 42º lotes na quarta-feira, 25 de agosto, a Secretaria Municipal de Saúde anunciou o calendário de vacinação até a terça-feira da outra semana, 31 de agosto. Foram sete dias com vacinas em estoque. De acordo com o secretário, isso acontece porque não é possível vacinar regularmente mais de uma faixa etária por dia. “Já fizemos mais de uma faixa etária por dia, mas temos limitação de recurso humano e há um número limite de vacinação possível de ser aplicada pela equipe. Quando aconteceu mais de uma faixa etária por dia, foi porque, pelo levan-
Tive Covid-19. Entrei para o grupo de centenas de milhares de pessoas que disseram a si mesmas: “Eu tive a doença do mundo.” Eu tive a doença com a qual tanta gente morreu, pela qual tanta gente passou. Deixei de contemplar a doença nos outros. Passei a vê-la a partir de mim. E posso dizer que ninguém viveu o que vivi, como não vivi o que antes de mim tantos viveram, tal a imprevisibilidade do que poderia ter acontecido. Clinicamente, não passei de uma tosse muito forte que, depois de alguns dias, me deixou o corpo moído. Medicamentos, apenas depois de cinco dias, quando a elevação febril recomendou uma tomografia pulmonar. Conhecido o resultado, o antibiótico tornou-se necessário. Nada além dele, exceto os cuidados comuns com a hidratação, a saturação e respeito às exigências do próprio corpo. O aspecto emocional, porém, levou-me para profundezas, antes desconhecidas. Fui longe. Abati-me. Expandiu-se em mim o tempo da ambiguidade: amar a vida e não temer a morte, levar a vida com coragem para aceitar a morte. Os parâmetros existenciais se manifestaram em novas cores. E tomei contato direto com a verdade de que o juízo do corpo tem o mesmo valor que o do espírito. E o corpo recua diante do aniquilamento. Aquilo de que nossa história está imersa na finitude ficou às claras. Finitude que explica tudo: o ir e vir, a saúde e a doença, o amor e o desamor, o saber e a ignorância. Experimentar isso confirmou que “viver é perigoso”. Verificar a verdade de que um grande
tamento feito, eram faixas etárias com menor número de pessoas”. Moradores da zona rural, em sua maioria, também estão recebendo as doses na cidade. “A população da zona rural tem vindo ser vacinada aqui na cidade, mas há vacinação na zona rural também, em um número muito menor, pois a própria população tem vindo até acidade, já que estamos em idades em que essas pessoas têm facilidade de locomoção”, esclare-
amor pela vida significa não se prender ao transitório, ao passageiro. E como não indagar sobre Deus em situação que parece negar Deus? Enxerguei que Deus se torna presente em mim quando me torno presente a mim mesmo, em verdade e simplicidade. Confirmei a verdade de que o humano e o divino não são realidades que se excluem. O humano é a porta que nos permite entrar no divino. O humano é o único caminho para o divino. Hoje celebro, tanta gente comigo, o momento sagrado da vida, que poderia ter sido interrompida. Todo dia é sagrado. A celebração, porém, é o sinal de que o sagrado nos acolhe, nos fala, nos espia e desafia, nos anima e, por vezes, acabrunha. Sei que “a imaginação é a metade da doença; a tranquilidade é a metade do remédio; a paciência é o primeiro passo para a cura”. Saber disso não me fez mais forte. Como controlar uma imaginação incontrolável, diante de fatos e realidades? Como ficar tranquilo diante do imponderável? Assumi em plena paciência: não sou, não preciso ser super-homem. Basta-me a simples humanidade. Não sabia o que poderia vir a acontecer. E sabia de tanta coisa já acontecida a tanta gente. Tive Covid-19. A vacina foi fator-chave para a cura. Com tanta ajuda, tudo continua em superação. Em celebração. E muito agradecido. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
ce o secretário. INVESTIGAÇÃO De acordo com nota oficial divulgada nos meios de comunicação da Prefeitura Municipal, no dia 18 de agosto foi identificada a falta de um frasco da vacina Pfizer. Sobre o ocorrido, o secretário José Luiz informou que “todas as providências administrativas e legais foram tomadas e agora temos que aguardar as apurações”.
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SAÚDE
Avanço da vacinação e melhoras nos indicadores Variante delta é a nova preocupação VANUZA RESENDE
Com o avanço da campanha de imunização contra a Covid-19, os números indicam melhoras na situação da pandemia, mas as recomendações são para que as medidas de segurança continuem. “Vivemos um cenário bem mais favorável do de meses atrás, mas não podemos afrouxar, pois o vírus ainda está em circulação”, alerta o secretário municipal de Saúde, José Luiz Resende. Ele destaca a importância do trabalho realizado em conjunto com outros órgãos na cidade no enfrentamento da pandemia. “A Prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde não estão medindo esforços nessa batalha contra a Covid-19. Mantemos nossas ações de combate na mesma proporção, sempre em
consonância com o plano Minas Consciente. O Comitê de Enfrentamento à Covid-19 se reúne semanalmente para a avaliação das ações e também a fim de traçar novas estratégias. Gostaria de agradecer o apoio incondicional das polícias Militar e Civil nessa luta”. Os dois primeiros casos de infecção pela variante delta da Covid-19 na região do Campo das Vertentes foram confirmados no município de São João del-Rei, no dia 27 de agosto. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que duas pessoas, de sexo e de idades não informados, tiveram os sintomas no início de agosto. A secretaria investiga se já existe transmissão comunitária no município. Ou seja, quando já não é mais possível identificar a origem do vírus e onde a pessoa foi infectada. A enfermeira do setor de epidemiologia de São João del-Rei,
ponsável pelas defesas do nosso organismo. Ela, inclusive, pode ser tão contagiosa quanto a catapora. Estudos também mostraram que a quantidade de vírus em uma pessoa infectada com a variante delta é mil vezes maior do que a observada em pessoas infectadas com a versão original do coronavírus. Especialistas confirmam que pessoas vacinadas e infectadas pela variante delta carregam tanto vírus no nariz e na garganta quanto as não vacinadas, podendo espalhá-lo com a mesma rapidez, no entanto com menos frequência. Os dois pacientes confirmados em São João del-Rei já estavam com esquema vacinal completo, o que colaborou para que os sintomas não fossem graves. A Pfizer afirmou que o imunizante possui eficácia reduzida contra variante. Já a AstraZeneca se mostrou 92% eficaz contra hospitalização pela nova cepa. O Butantan iniciou re-
Eliene Freitas, disse, em entrevista à Rádio Emboabas 92,7, que os dois pacientes apresentaram os sintomas no início do mês de agosto e tiveram contato entre si. “Eles têm contato entre si, embora não sejam da mesma família. São pessoas que, graças a Deus, evoluíram bem e estão de alta. Inclusive, já retornaram para suas atividades de trabalho. Um deles tem histórico de viagem a Belo Horizonte e outro não possui nenhum histórico de viagens, o que já é um forte indício de transmissão comunitária”. Ambos já haviam recebido as duas doses da vacina contra a Covid-19, que garantem o fechamento do ciclo de imunização. A preocupação com a variante delta se sustenta, uma vez que estudos recentes vêm apontando que essa nova versão do coronavírus é muito mais transmissível e tem maior probabilidade de invadir o sistema imunológico, res-
centemente um estudo para medir a eficácia da CoronaVac, mas dados iniciais do fabricante indicam que a vacina consegue atuar contra a mutação. A Janssen anunciou que a vacina protege contra a variante por até oito meses. SINTOMAS Os principais sinais da variante delta são febre, dores de cabeça, coriza e dor de garganta. Pacientes infectados pela nova cepa apresentam menor ocorrência de tosse e perda de paladar e olfato, o que pode levar os sintomas a se confundirem com um resfriado comum. Por isso, é muito importante que as pessoas procurem as unidades de saúde no caso de sintomas da doença. Além de continuar com as medidas de prevenção, como uso de máscara, distanciamento social e higienização das mãos com água e sabão ou álcool em gel.
De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO
Para esta coluna, nas últimas edições do Jornal das Lajes, tenho me dedicado a informar sobre alguns trabalhos que ora realizo com documentos antigos. São papéis de música, fotografias, correspondências, certidões diversas, notícias de jornal... enfim, tudo o que temos e que nos fala, nos remete a uma Resende Costa antiga, dos séculos XIX e XX. Material produzido na segunda metade do século XVIII não é tão fácil de ser encontrado. Muito se perdeu em virtude da degradação natural pela qual passam os papéis, principalmente. Mantê-los bem guardados e conservados não é tão fácil; aliás, é tarefa bastante difícil. Mesmo os que conseguiram sobreviver ante o ataque de cupins, traças e variação climática, quando encontrados precisam passar por tratamento adequado, realizado por especialistas no assunto. Em nossa cidade, não temos um arquivo público destinado à guarda de fontes documentais produzidas por órgãos públicos ao longo do tempo. O que foi guardado se encontra espalhado em secretarias, escolas, outros setores da administração pública ou mesmo em mãos de particulares. Os cartórios de registro civil, de notas ou de imóveis, por obrigação, mantêm toda a documentação que produz sob guarda própria, já que dependem continuamente do que produzem para atender às demandas de pes-
soas físicas ou jurídicas, quando solicitados. Apesar de prestar alguns serviços que outros países já aboliram, tais como autenticação de documentos e reconhecimento de firmas, eles, de acordo com a Lei Federal nº 8.935, em seu artigo 1º, têm por finalidade “garantir a publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos”. Portanto, os cartórios precisam guardar todos os documentos que geram e cuidar bem deles. A Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França se empenha em manter na casa paroquial alguns documentos, tais como os livros de tombo ou de atas das mesas diretoras das irmandades, se não os envia para serem guardados no arquivo da Arquidiocese, em São João del-Rei. Outros órgãos são também produtores de documentos: escolas, hospitais, associações, clubes, agremiações ou bibliotecas são depositárias de informações de grande interesse público. Acessá-los, no entanto, não é fácil, já que não estão preparados para atender aos que os procuram em busca de informações. A pessoas que se dedicaram a escrever livros, compor música ou textos para teatro, em boa parte, não se empenharam, não tiveram seus trabalhos bem cuidados, muito menos o fizeram os seus herdeiros. Deixados sob a guarda de familiares ou de amigos, muito se perdeu ou foi sumariamente jogado fora, como
coisa velha, sem valor. Onde é que podem estar textos para teatro, poesias ou contos escritos por gente dessa terra? E os trabalhos de historiadores, memorialistas ou outros que destacam nossa cidade em seus escritos e que ainda aguardam uma revisão para serem publicados? Sobre música não nos é difícil falar. Ela, a arte das musas, esteve e continua presente entre nós desde o nascimento do povoado, em 1749. Surgida a primeira capela, não é possível imaginar qualquer cerimônia litúrgica ou paralitúrgica sem música. Quais foram os músicos que aqui estiveram e em quais condições ainda não sabemos, estamos a pesquisar. Do Arraial Velho de Santo Antônio, atual cidade de Tiradentes, certamente músicos vieram junto com os sacerdotes para abrilhantar as festas de cá. Depois começaram a vir também os maestros, instrumentistas, cantores e compositores de São João del-Rei para se juntarem aos da Vila de Resende Costa, para comporem os conjuntos incumbidos de participar com música das cerimônias religiosas celebradas aqui. Por sorte e uma boa dose de cuidados, parte do repertório musical que serviu ao Coral e Orquestra Santa Cecília e também à banda de música que ainda leva o nome da santa padroeira dos músicos, ficou guardada. E é partir desse acervo, que não é grande,
Foto: Edésio Lara
A guarda e o uso de documentos antigos
Documentos antigos que registram parte da história da música em Resende Costa
que podemos contar um pouco da história do lugar, da religiosidade do povo, dos seus artistas músicos, por fim, de certos costumes
que permanecem vivos entre nós desde que foram estabelecidos há muito tempo.
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Regional
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Todos os dias, às 6h35min, Daniela saía de casa para tomar o ônibus rumo a São João del-Rei. Para chegar ao CTAN-UFSJ (Campus Tancredo Neves, da Universidade Federal de São João del-Rei), onde funciona o Núcleo de Criação de Animais de Laboratórios (NUCAL), ela pegava lotação ou ia a pé. Até que, em março de 2020, a pandemia mudou tudo. A partir de 19 de março, paralisaram-se todas as atividades da Universidade e começou o trabalho remoto. “Hoje, como vou apenas uma vez na semana (segunda-feira), saio às 6h15min de casa no meu carro.” Daniela Regina Resende é descendente de Gervásio Pereira de Resende, conhecido por Vavazo, que já deu nome à atual Avenida Alfredo Penido – a “Avenida dos Artesanatos”. Seus pais são Camilo de Lelis Resende e Laura Maria das Dores Resende e seus avós, Antônio Fausto de Resende, conhecido por Antônio do Vavazo, e Ana Augusta de Resende, a Nitinha. Licenciada em Química (2003), pela UFSJ, e em Ciências Biológicas (2010), também pela UFSJ, trabalhou como professora em Resende Costa entre 2004 e 2010. Ensinou na escola Sementinha (até 2007) e, como contratada, na Escola Municipal Paula Assis (licença de outros professores), além de algumas aulas na Escola Estadual Assis Resende. Também deu aulas no telecurso, fruto de parceria entre a prefeitura e o Senai/São João del-Rei. Em janeiro de 2011, Daniela trocou a docência pela oportunidade de trabalhar como técnica concursada de laboratório na UFSJ. “No NUCAL, a gente cria animais para experimentação. Agora estou mais feliz, eu gosto de trabalhar com os animais, eu fico até mais calma.” Ela é a única servidora: os outros três funcionários são terceirizados: Jean, que cuida dos camundongos; Luciano e Moisés, que cuidam da limpeza, colocam maravalha (cama dos animais) nas caixas e enchem bebedouros. São três linhagens de ratos: o “Wistar” (branco de olhos vermelhos) e camundongos (o branco suíço e o preto C57BL6). Cada pesquisador envia seu formulário reservan-
do os animais. “A gente tem que criar esses animais para a entrega”, conta Daniela. A liberação dos animais depende de aprovação do projeto pela comissão de ética da universidade. “Cada protocolo de pesquisa tem uma vigência e número de animais por espécie, sexo e idade. Nós seguimos as determinações do CONCEA (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal).” O NUCAL é coordenado pelo professor Paulo Henrique de Almeida Campos Júnior, pesquisador em áreas, como, células tronco, reprodução assistida e transplante gonadal, entre outras.A unidade atende demandas da área biomédica (Medicina, Bioquímica, Farmácia e Enfermagem) do Campus Centro-Oeste, em Divinópolis, e de áreas como Medicina, Neurociências e Bioengenharia dos Campi de São João del-Rei. PANDEMIA No dia em que o coordenador disse que iria fechar tudo, “nós nos assustamos”, recorda Daniela. “O nosso medo, no início da pandemia, era: ´quem vai cuidar dos animais se todo mundo aqui pegar Covid e ter que ficar de quarentena?´ ficamos muito apreensivos. O nosso coordenador pediu para tomarmos muito cuidado. Se algum de nós estivesse com gripe, era para não aparecer lá.” No início, foi elaborada uma escala presencial semanal. Daniela passou a comparecer toda segunda-feira, “porque não tem como abandonar os bichinhos”. Neste dia, ela cuida dos ratos, verifica o estoque de material e as necessidades de cada sala. A carga horária é completada em casa – acompanhamento do cotidiano dos animais por meio de ferramentas, como e-mails e reuniões online. Os três funcionários terceirizados, que iam duas vezes por semana, para não serem demitidos voltaram a marcar presença todos os dias. “Foi uma loucura, os professores começaram a cancelar pedidos de animais porque não tinham como entrar na Universidade para fazer os experimentos, não havia transporte para levar os animais para Divinópolis…”, conta Daniela. Os laboratórios estavam liberados apenas para quem fazia mestrado ou doutorado, poi havia prazo a se cumprir e também experimentos em andamento
que não podiam ser interrompidos. “A gente entregou alguns animais no meio da pandemia para aqueles pesquisadores que não puderam parar.” Com a desistência dos pesquisadores, a solução foi reduzir o número de animais para se adaptar à nova situação. “Começamos a diminuir o número de casais das três linhagens, uma vez que não era necessário reproduzir tanto. A gente tinha ninhada de ratos, por exemplo, de 17 animais.” Desde então, ao nascerem, passaram a ser separados dois machos e duas fêmeas para se repor algum casal, e o restante era sacrificado. Em janeiro de 2020, havia 1011 animais no NUCAL; número que caiu para 803 em março. Um ano depois (março de 2021), eram 787 animais. “Em novembro de 2019, entregamos aos pesquisadores 443 animais e, em abril de 2020, entregamos 66”, conta Daniela. Em 2021, começaram a chegar novos pedidos de animais, mas numa escala bem menor”, acrescenta Daniela. Em março deste ano, a quantidade entregue aos pesquisadores atingiu 109 animais. “Mas, até hoje, a gente não aumentou o número de casais; o que temos dá para atender à solicitação de reservas.” O NUCAL mantém cerca de 800 animais para atender às entregas, que diminuíram bastante, diz Daniela. “As coisas estão voltando ao normal porque os laboratórios foram liberados e os pesquisadores começaram a fazer novos pedidos de animais. Eu acredito que vai aumentar mais a partir do ano que vem.” INCERTEZA “Fomos guerreiros! Fizemos tudo para manter as colônias e nenhuma precisou ser eliminada!”, comemora Daniela. Ela ressalta o esforço persistente realizado até agora, porém expressa preocupação quanto ao futuro. “Nós até que tentamos comprar novos animais porque essas
Fotos: arquivo pessoal
Pandemia mudou a rotina da criação de animais para pesquisa na UFSJ
Daniela Regina no NUCAL da UFSJ
Daniela Regina e os servidores do Núcleo de Criação de Animais de Laboratórios da UFSJ
colônias precisam ser renovadas, mas a USP (Universidade de São Paulo) – de quem compramos muito – não tem animais para vender. E não pode ser qualquer animal.” A dúvida é até quando as atuais colônias vão manter um bom padrão genético, acrescenta Daniela. “Eu tenho medo de chegar uma hora em que a nossa colônia não esteja boa geneticamente... e a gente pre-
cisar comprar e não ter!” Mas o problema mais imediato é mesmo a pandemia, preocupa-se Daniela. “A gente segue com medo, pois pode ainda acontecer de todos terem Covid mais ou menos ao mesmo tempo. Porém, vamos com fé e tomando todos os cuidados. Pelo menos, todos nós estamos vacinados (1ª dose) e vamos ver o que essa variante Delta vai fazer.”
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GENTE QUE FEZ E FAZ A HISTÓRIA
Então morreu o Adelmo do Neném... Não me lembro de quando o conheci, mas se tornou, ao longo dos anos, figura emblemática no fórum. O ambiente forense é, na maior parte do tempo, carregado e pesado. Lidamos com assuntos ásperos, crimes às vezes bárbaros, litígios de casais que escancaram toda a fraqueza e hipocrisia humanas. Não é fácil, por exemplo, ter que tomar o depoimento de uma menina de oito anos de idade que foi violentada sexualmente por um tio. A dor daquela criança é tão contagiante que se torna a nossa dor também, ante a revolta, nojo e repúdio que sentimos ao vê-la relatar tamanha barbárie. Por isso, as audiências do Adelmo se tornaram, de certo modo, um alívio para um ambiente onde a dor e a miséria humana mais predominam. No princípio, achei deveras estranho aquele cidadão comparecer quase que semanalmente no prédio do fórum para audiências. Todas elas envolvendo carros velhos. Lá pelas tantas, eu indaguei: – Mas o senhor está aqui toda semana, cada vez é um processo de um carro diferente. O que está acontecendo? Então o Adelmo, aquela simpatia em pessoa, me respondeu: – Doutor, eu gosto mesmo é de carro velho. Eu negocio carros e o senhor sabe como é: carro velho tem sempre problemas, principalmente de documentos... Pronto. Eu vi que não tinha jeito e o melhor era prosseguir com os processos. E o sujeito era realmente “boa praça”, tinha sempre uma proposta de acordo. Quando não podia resolver o impasse ele comprava o carro de volta e ficava tudo acertado. Uma dia, estávamos numa audiência em que o Adelmo litigava com o “Vicente das Pedras”. De repente, o tal Vicente
propôs: – Eu te dou duas porcas e uns leitões em troca do carro. Eu não sabia se ria, se chorava (de rir) ou se suspendia a audiência para ir tomar um café. O Adelmo caiu na gargalhada, olhou para mim e falou: – Tá vendo, doutor? Olha só o que eu sofro! Agora tenho que criar porcos no lugar dos carros... Geralmente ele falava nas audiências, quando se sentia acuado pela outra parte do processo: “Calma, rapaz, calma! O doutor Donizetti me conhece e sabe que eu sou do bem, não vou te dar prejuízo.” Muitas vezes fui duro com ele. Disse que teria que pagar e pronto. Então, o filho do Neném dizia: “Se o senhor está falando assim, tá certo. Que dia que eu tenho que trazer o dinheiro para fazer o pagamento?” Teve a outra do veículo Monza. Este caso foi mais especial que os outros. Discutiam o Adelmo e um cidadão de Prados sobre desfazer a troca dos carros, porque nenhum dos dois tinha como legalizar a documentação dos automóveis. Depois de muita discussão entre eles, eu intervim e falei: – Vamos acabar com isso! Vocês destrocam os carros e cada um fica com seu prejuízo. Não tem outra forma de resolver essa pendência. Eles aceitaram, mas o rapaz de Prados queria que o Adelmo levasse o Monza até aquela cidade... e ele não aceitava de jeito nenhum. Fiz igual Salomão: determinei que o Monza fosse levado até o trevo de Prados e que o outro trouxesse o carro que iria devolver até o mesmo trevo. Processo encerrado. A troca dos veículos seria feita em dois dias. Não é que dois dias depois me aparece o Adelmo lá no fórum, todo sujo de fuligem, me dizendo que o Monza pegou fogo quando estava sendo levado para o trevo de Prados? Pode uma coisa dessas? Realmente esses fatos só aconteciam com ele...
Foto: Arquivo Vanessa Reis
DONIZETTI NOGUEIRA RAMOS*
Adelmo do Neném
O Edney, servidor do fórum, me contou que, quando foi fazer o concurso para trabalhar aqui, contratou o Adelmo para levá-lo e o Eustáquio, o “Taquinho” do eleitoral, até Belo Horizonte. No caminho, descobriram que o Adelmo não sabia sequer chegar ao local da prova. Além disso, ele parou o carro na BR só para pegar uns objetos que haviam caído de um caminhão. Quando as audiências de conciliação passaram a ser feitas por conciliadores, sob a minha supervisão, eu ficava no gabinete e as audiências eram realizadas no salão do júri. Minha esposa Aline, funcionária do Tribunal de Justiça, era a orientadora dos conciliadores. Numa dessas audiências, ela chamou a atenção do Adelmo. Então, ele falou para ela: – Fala com o doutor que sou eu, o Adelmo, quem está aqui. – como se dissesse para ela que o juiz já o conhecia e sabia dos casos dele com os carros velhos. Aline riu do inusitado da situação, mas continuou chamando a atenção dele. Depois me contou o corrido e demos largas gargalhadas. Esse era o Adelmo. Enrolado
com os carros velhos, mas de um coração grandioso. Por falar em coração, um dia me apareceu no fórum querendo mostrar o resultado de uma cirurgia cardíaca. Queria me mostrar a cicatriz e os resultados dos exames, como se eu fosse médico. Eu só entendi a verdadeira razão do ato quando ele, com lágrimas nos olhos ao falar de sua recuperação, me disse: – Eu confio no senhor. A mãe dele foi minha vizinha por longo período. Porém, não me cumprimentava. Comentava com os outros que eu era um juiz muito bom porque deixei a neta, filha do finado César, morar com ela quando a mãe reapareceu pleiteando a guarda da garota. Mas não me cumprimentava. Não é que um dia o Adelmo foi ao fórum e disse ao oficial de justiça que precisava falar comigo urgente e que era um caso de vida ou morte? Preocupado, mandei trazê-lo até o gabinete. Ele entrou e vi que estava falando pelo celular com alguém. Quando eu falei para desligar imediatamente o celular, ele simplesmente me entregou o aparelho e, com a maior naturalidade, me disse:
– É a mamãe, doutor. Ela quer falar com o senhor. Ainda meio atônito pelo inesperado da situação, peguei o celular e fui conversar com a dona Altair. Ela, com a voz já muito fraca, me agradeceu por tê-la deixado criar a netinha, ao que eu redargui, dizendo-lhe que apenas cumpri meu papel de juiz, em obediência à lei, e que esse julgamento tinha ocorrido havia vinte anos. Dona Altair disse que estava doente e que não iria durar muito tempo nesta terra. Disse-lhe que não, que ela era forte e iria viver muito tempo ainda. Ela, então, retrucou e me pediu um favor: – Eu quero que o senhor cuide dos meus filhos depois que eu morrer. Eles são muito enrolados, mas são boas pessoas. Cuide deles para mim... Uma semana depois, dona Altair partiu para o Reino do Desconhecido. Não sei se cumpri o desejo dela. Na medida do possível, orientei os seus “meninos”. Talvez pudesse ter feito mais... No dia em que cheguei ao fórum e tive a lamentável notícia do passamento do Adelmo do Neném, senti um vazio, como se tivesse perdido não só um amigo, mas também um filho adotivo. Foi aí que o Rocha, oficial de justiça, me revelou algo que até então eu desconhecia: toda vez que o Adelmo chegava ao fórum, ele perguntava: “O pai está aí?” E explicava: “Esse homem é um verdadeiro pai para mim.” Todos, inclusive eu, levamos a coisa na brincadeira, acreditando ser mais uma das desventuras do Adelmo. Mas hoje eu penso: um pai é muito mais que um amigo. Talvez fosse essa a mensagem que ele queira me passar. Adelmo, tenho certeza de que neste momento você está negociando carros velhos nas planícies celestiais e enchendo a paciência dos anjos, alegando que “é só mais um carrinho”. *Juiz de Direito.
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Informe Publicitário
COMEMORAÇÃO
O associado Sérgio Marcos ao lado de Alessandro Caldeira, gerente do Sicoob Credivertentes em Resende Costa: parceria, incentivo e Crédito na hora de recomeçar
Sicoob Credivertentes completa 35 anos de fundação Instituição com sede em São Tiago soma 28 mil cooperados em 20 agências físicas e na Conta Digital “Chamavam de ‘tamborete’”, conta Donato Rocha, membro-fundador da então Cooperativa de Crédito Rural Campos das Vertentes Ltda em 1986. O apelido era um trocadilho debochado em referência aos tradicionais bancos. E estava aí uma contradição: a pequena São Tiago, no interior mineiro, havia sido abandonada justamente pelas típicas empresas do ramo financeiro. “Atividades simples como receber o salário ou pagar uma conta exigiam viagens. Já poupar dinheiro era sinônimo de guardar tudo debaixo do colchão”, acrescenta João Pinto de Oliveira que, para transformar esse cenário, idealizou naquela época um projeto ousado: abrir uma cooperativa creditícia. A ele se juntaram outros 21 são-tiaguenses – e foi assim que, ora contrariando normas vigentes, ora superando a desconfiança popular, teve início a história do Sicoob Credivertentes, instituição que completou 35 anos em 27 de agosto. Diferente de três décadas e meia atrás, ela congrega hoje 28 mil cooperados em
20 agências físicas, sendo 19 instaladas em distritos e municípios do Campo das Vertentes. Há, ainda, um Ponto de Atendimento (PA) na área central de Belo Horizonte e a Conta Digital. CELEBRAÇÕES Com tanto a se comemorar, as equipes de todos os PAs prepararam pequenos mimos para seus associados entre brindes e quitutes. Todos produzidos por empreendedores locais. Além disso, conselheiros e diretores promoveram uma transmissão online para se comunicarem, simultaneamente, com todos os colaboradores. Discursos e agradecimentos também foram levados a mais de 6 mil seguidores do Sicoob Credivertentes via redes sociais. “Nossa gratidão às pessoas que acreditaram na filosofia cooperativista e que seguem apoiando, junto conosco, essa jornada de Justiça Financeira, de consistência e autonomia a toda a região”, disse João Pinto de Oliveira, presidente do Conselho de Administração.
RECOMEÇOS A fala de Oliveira reverbera depoimentos de cooperados como Sérgio Marcos Teodoro, de Resende Costa. Dono do Supermercado Nossa Senhora da Penha, ele viu seu negócio e seus sonhos virarem cinzas após um incêndio no imóvel. “Fiquei sem chão e sem rumo por três dias inteiros. Nada me consolava”, explica. E continua: “Depois percebi que precisava enxugar a lágrima e seguir em frente. O Sicoob foi essencial porque, lá, fui tratado como família. Consegui um financiamento, me reergui, reabri as portas e, acima de tudo, vi dezenas de pessoas tranquilas com seu emprego de volta”. Quem também recomeçou foi o casal Flávia e Vilson Lara, de São Tiago. Há cerca de cinco anos, ambos estavam decididos a encerrarem atividades no Recanto da Siriema, sítio voltado à Pecuária Leiteira em São Tiago. Mas um convite para participarem do Programa Gestão com Qualidade em Campo (GQC) mudou tudo. A iniciativa é realizada pelo Sicoob
REFLEXÕES
por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração
UMA PRESENÇA DE 35 ANOS (1986 – 2021) Iniciativa modesta, arrojada – senão visionária... A fundação de uma Cooperativa de Crédito há cerca de 35 anos visava impulsionar a economia e a organização social de nosso meio. Afinal, nossas pequenas comunidades não contavam com agências bancárias perenes e os poucos recursos financeiros disponíveis eram carreados para centros
maiores. Um drama que seria solucionado eficazmente pelo Cooperativismo, pela ajuda mútua. Ao reunir pessoas e capital, foi permitido que as cidades contassem com sistema financeiro-creditício próprio (de propriedade do associado) gerando sustentabilidade e autonomia nos negócios. Portanto, ao comemorar três décadas
Credivertentes numa parceria com o Senar e já capacitou 260 produtores (que se tornaram empresários rurais) em 11 comunidades do Campo das Vertentes. “Nunca imaginei que veríamos nosso cantinho como um negócio. Isso só foi possível graças às ações da cooperativa”, diz Flávia. Atualmente, o Recanto da Siriema responde por 500 litros de leite vendidos diariamente a laticínios e padarias, fartura e crescimento de quase 300% em comparação a 2016. Para o também cooperado Emerson Caldeira, de Barbacena, relatos assim são sinais de “futuro próspero para todos”. Idealizador da destilaria e da cachaça Divina d’Minas, ele somou persistência ao suporte do Sicoob Credivertentes para tirar o projeto do papel no ápice da Pandemia. “Sem crédito, teria que adiar planos por um bom tempo. Mas, ao contrário disso, fui recebido, ouvido e apoiado pela instituição. Tive coragem e o Cooperativismo ao meu lado”, encerra.
e meia de existência, nossa cooperativa orgulha-se de gerar soluções financeiras para cerca de 28 mil associados, em dezenas de comunidades da região, dentro dos mais elevados padrões de eficiência e inovação; de incentivo à cultura, à cidadania, à sustentabilidade. Nossos agradecimentos aos cooperados, colaboradores e dirigentes que compartilham conosco o fascinante
projeto de transformar vidas, de fomentar esperança, de redimensionar o progresso local-regional mediante o esforço conjunto. “A supremacia da raça humana derivou do sentimento da cooperação” (Richard Sennett)
ANO XVIII Nº 221 - SETEMBRO 2021
JORNAL DAS LAJES
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O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES
Setembro Amarelo: Posvenção do suicídio Isto mesmo, como está escrito: “Posvenção”. Palavra não dicionarizada, mas é o termo que se está usando para significar o trabalho que se faz com os familiares de pessoas que praticaram o suicídio, ou tentaram praticá-lo. Esta coluna, dada a gravidade dos acontecimentos aqui em nosso município, normalmente no mês de setembro, tem abordado o preocupante problema do autocídio (“Suicídio, você já pensou nisso?- “Setembro Amarelo” -“Setembro Amarelo e a morte autoinfligida”, respectivamente nos números 23, 162 e 197 deste jornal). Fala-se muito de prevenção; não tanto, porém, da preocupação que se deve ter com os pais, irmãos, familiares e amigos do suicida. A psicanalista Mônica Marchese Damini (“Setembro Amarelo: pósvenção (sic) do suicídio. Você sabe o que é isso?”) escreve: “Pósvenção (sic) é o suporte ao luto e a prevenção do suicí-
dio aos enlutados e suas futuras gerações. Os sobreviventes são principalmente os familiares, mas também os amigos, os provedores de ajuda, como os bombeiros que prestaram socorro, médicos que fizeram o atendimento, os terapeutas e a comunidade toda que foi impactada pelo suicídio.” Mônica, que têm experiência nesse trabalho de posvenção, apresenta dados que engendram preocupação. Cinco a dez pessoas são impactadas diretamente pelo suicídio de alguém próximo; as pessoas enlutadas por suicídio costumam ter um luto mais longo e mais difícil, tanto em intensidade como duração, é diferente do luto normal. Existe muita dificuldade em compreender os motivos e atitude do suicida. Os familiares sentem-se abandonados e questionam o porquê de a pessoa não ter sequer pensando neles; os sobreviventes sofrem impactos físicos, sociais, cognitivos e psicológicos e muitas vezes se torturam com a crise do “e se”
(E se eu tivesse feito isso? E se eu não tivesse feito aquilo? E se eu tivesse percebido? Etc.). No suicídio, a dor de quem tirou a vida é transferida para quem ficou. Ficam para a família as culpas, a vergonha de falar no assunto e o afastamento que a própria comunidade acaba fazendo com ela por não saber como lidar com isso ou como falar com ela. E essas pessoas, que precisam tanto de apoio e acolhimento, acabam ficando cada vez mais isoladas. A vida é muito diferente antes e depois do suicídio de alguém amado. Como a posvenção é basicamente prevenção, uma vez que um suicídio pode motivar outros, há que se desfazer mitos, tais como: os indivíduos suicidas estavam mesmo determinadosa se matar; toda pessoa que pensa em suicídio tem transtorno psiquiátrico; quem fala em se matar quer apenas chamar a atenção; que falar com alguém sobre suicídio pode encorajar a praticá-lo; os
suicídios, em sua maioria, acontecem de repente; quando um indivíduo melhora ou sobrevive, não o praticará mais... Há que se diluir preconceitos, como: quem consulta psiquiatra é doido. Segundo o instituto Vita Alere (latim: “alere”: alimentar, nutrir) de Prevenção e Posvenção do Suicídio, cabem aos sobreviventes do suicídio os direitos seguintes: • Enlutar-se a seu modo e conforme o tempo que for necessário. • Saber a verdade sobre o suicídio, ver o corpo do falecido e organizar o funeral, considerando suas necessidades, ideias e rituais. • Considerar o suicídio como resultante de causas inter-relacionadas que provocaram uma dor insuportável na pessoa que cometeu o suicídio: o suicídio não foi meramente uma escolha. • Viver plenamente, com
alegria e tristeza, livre do estigma ou julgamento. • Respeitar sua privacidade e a do morto. • Receber apoio de parentes, amigos, colegas e outros sobreviventes, assim como de profissionais habilitados, com o conhecimento e o discernimento da dinâmica do processo do luto, dos potenciais fatores de risco e suas consequências. • Entrar em contato com o médico ou cuidador (se houve) que acompanhou a pessoa que cometeu o suicídio. • Não ser considerado como um candidato ao suicídio ou como um doente mental. • Compartilhar sua experiência com outros sobreviventes, cuidadores e com todos que buscam a ampliação do conhecimento acerca do suicídio e do luto por suicídio. • Não se exigir ser a mesma pessoa de antes: há uma maneira de se viver antes do suicídio e outra depois dele. É o que penso. E você?
Retalhos literários EVALDO BALBINO
Pintam e bordam As irmãs Ana Luiza e Marcella pintam e bordam. Fazem arte. São artistas, e não arteiras. A elas não atribuo a conhecida expressão do povo “pintar e bordar” no sentido de “pintar o sete”. Mesmo assim sei que, se eu pedir, elas podem sim pintar ou bordar um lindo número sete para mim. Cabalístico, perfeito nas cores ou nas linhas tecendo forma. Das mãos de ambas, pode sair um sete encantador, como sai das mãos do oleiro um vaso que nos cativa. Pintando e bordando, elas não bagunçam, fazem o que se deve fazer numa vida em busca da beleza e esbarram em Deus com suas criações. Porque criar é isto: tocar nas vestes sagradas. No Instagram da Ana Luiza, a criativa frase: “Eu sou um museu cheio de quadros, mas você estava de olhos fechados”. Nada mais acertada aqui do que a imagem do museu, afinal estou falando de uma professora de História. E sabemos os de bom senso que mu-
seu não é coisa do passado, que nem o passado é passado, mas que tudo é um agora buscando sentidos para os fatos da vida. De olhos bem abertos vou vendo os quadros da Ana Luiza, a pintora-professora. Girassóis alegres semeando harmonia, gratidão, equilíbrio e fé. Dum quadro com recortes em MDF, brotam flores para a vida. As integrantes do grupo feminino sul-coreano Blackpink estão num mundo cheio de cores, o céu rosa, os abraços entre elas nos dizendo dos laços necessários. A decoupagem em uma chaleira a transforma num artefato de decoração, belíssimo com figuras vintage de mulheres e rosas. Gatos negros miando e se amando entre corações vermelhos em pequenos vasos. Um elefante marrom numa natureza cheia de vida brotando na superfície do MDF. Tudo isso e muito mais nascendo de mãos criadoras. A Marcella é formada em Di-
Para Ana Luiza Coelho Andrade e Marcella Coelho Andrade reito, mestre emCiências Sociais e doutorandaem Ciência Política na PUC-Rio. Aprendeu a bordar na adolescência, tendo como professora a dona Lora. Nessa época bordava toalhas de banho, toalhinhas, caminhos de mesa, panos de prato – tudo para a própria família (mãe e tias) ou para presentear alguém. Durantea faculdade, o bordado aparecia esporadicamente na sua vida. Com a deflagração da pandemia de Covid-19 e com as atividades acadêmicas remotas, aninhou-se por mais tempo nos seios paternos (um ano e meio em Resende Costa) e voltou a bordar com mais frequência. Se a pandemia vivida hoje pela humanidade é algo trágico, também não deixa de ser um momento para diversos retornos, revisões da vida, releituras da existência. Bordando, Marcella faz terapia, o tempo voa, a mente e as mãos se ocupam do que faz bem. Palavras da artista: “O bordado manual foi uma forma
de me ajudar a passar pelo isolamento da pandemia e, de quebra, uma renda extra. Não me vejo mais sem meus bordados!”. Com o incentivo dafamília, especialmente da irmã pintora, surgiu a ideia de começar a fazer bordados em bastidores. Em sua página do Instagram, podemos namorar e adquirir bastidores de decoração, chaveiros, ímãs de geladeira, bótons e também bordados em jeans, tudo com muito afeto e cuidado. Eu mesmo estou aqui em casa com uns bastidores lindos, em forma de chaveiros. Deles, me olham gatos amorosos, um livro aberto e uma coruja azul. E eles ficam pendurados em minhas portas, juntos às chaves, dizendo para mim que a existência nos abre passagens, que o mundo é um caminho aberto. Nos bastidores, as linhas coloridas traçam bicicletas, âncoras, a Nossa Senhora de Fátima nos abençoando, jarros de flores, o Sagrado Cora-
ção de Jesus nos amando, Deus nos sagrando, um trevo de quatro folhas para nossa longa sorte... E os gatos. O que dizer dos gatos?! Lindos eles e a menina sob a chuva. Linda a frase de Frida Kahlo (linha escura sobre fundo laranja e pairando acima de flores com puro amor: “Onde não puderes amar, não te demores.”. E bordados nas roupas e na vida. Na nossa vida. As duas irmãs “aprontam” com seus belos trabalhos. Além dos estudos “metafísicos”, elas pintam e bordam formas e cores em nossos olhos amantes de arte. Fazem como Adélia Prado nos diz no poema “Clareira”: “Eu gosto de metafísica, só pra depois / pegar meu bastidor e bordar ponto de cruz...”. As artes que as duas irmãs nos ofertam são as duas coisas numa só: metafísica e beleza. Com olhos bem abertos e mãos ávidas deencanto, pensamos/sentimos os lindos trabalhos que delas nos chegam. Pintar e bordar é presentear a vida com pura poesia.
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ESPORTE
Competições esportivas começam a ser retomadas Organizadores precisam de aval para a realização das provas, que devem seguir protocolos de segurança em decorrência da pandemia
Com adaptações e algumas mudanças, os eventos esportivos estão retornando aos poucos, após um longo tempo suspensos devido à pandemia da Covid-19. Entre os eventos realizados no mês de agosto, Resende Costa sediou o XXI Enduro das Lajes e o Trail Run. O Enduro das Lajes, com previsão para ser realizado em julho, foi adiado, em virtude da pandemia, para o dia 15 de agosto. A prova, mais uma vez, foi válida pelo Campeonato Mineiro de Regularidade. Um dos organizadores do enduro, Jonas Pinto, falou sobre a competição. “A prova seguiu todos os protocolos referentes ao combate à Covid-19. Fizemos uma reunião com as autoridades de saúde da cidade e conseguimos a liberação para 100 participantes. Com isso, muitos pilotos acabaram ficando de fora da prova porque precisávamos cumprir as recomendações. As exigências para realizar o evento foram parecidas com as do ano passado, mas com a limitação para 100 atletas”. Jonas destaca a importância do Enduro das Lajes para a cidade. “Uma movimentação grande para o município, com as pousadas todas lotadas. Com isso, movimentamos o turismo e contribuímos também com pontuação para o ICMS Esportivo”. Foram cerca de 100 quilômetros percorridos entre Resende Costa, Coronel Xavier Chaves e São João del-Rei. Os atletas disputaram diferentes categorias, conforme explica Jonas. “Os pilotos disputam a mesma prova, mas cada um com nível de média. São alguns trechos diferentes, a depender da categoria de cada um. Tivemos
Fotos: Divulgação
VANUZA RESENDE
Corredores enfrentaram terrenos acidentados numa prova desgastante
Pódio do XXI Enduro das Lajes
o piloto Guilherme (Aires), aqui em Resende Costa, que foi campeão na categoria que ele disputa atualmente, representando muito bem o município”. O piloto Guilherme Aires, 21 anos, falou sobre a volta das competições e analisou o seu resultado na prova. “Não está sendo fácil, como qualquer outra coisa. Muitas corridas canceladas ou adiadas, porém todas seguindo as normas sanitárias à risca. Meu resultado na prova foi o melhor possível: consegui sair campeão da categoria ‘Graduados’, que é a segunda categoria de maior nível no Enduro de Regularidade. Foi uma prova muito dura e com o nível técnico extremamente alto e exigiu preparo físico dos competidores do início ao fim. Eu me destaquei bastante nesse fato, devido a meus treinos diários de musculação e corridas”. O piloto almeja conquistar o título estadual da categoria em 2021. “Eu ocupo a segunda posição, mesmo não podendo participar de uma das etapas, por motivos pessoais. O campe-
de competição. Os atletas percorreram 12 e 28 quilômetros de trilhas e estradas no município. Houve premiação para os cinco melhores colocados de cada prova e para os três melhores em cada categoria de idade. Todos os atletas receberam medalha de participação. Luiz Nei Resende, que esteve à frente da organização da corrida, falou sobre a realização das provas. “Não é uma situação fácil. Muitos atletas ainda sentem insegurança, principalmente os mais velhos. Devido à pandemia, muitos pararam de treinar e até mesmo de correr. A gente percebeu, inclusive, uma menor procura por inscrições”. Lúcia de Fátima Assis Resende, 59 anos, ficou em primeiro lugar na sua faixa etária. Já vacinada com as duas doses da vacina contra Covid-19, ela conta como voltou às corridas. “Foi muito bom ter voltado. Todos os participantes e organizadores usando máscara. Eu percorri o trajeto de 12 km e foi de ritmo intenso, em especial nos dois úl-
onato ainda tem mais algumas etapas e, sem dúvidas, irei em busca do título, que será algo inédito para mim. Já ‘bati na trave’ duas vezes, sendo vice-campeão em 2018 e em 2019”. Jonas Pinto fala sobre como o Enduro das Lajes se consolidou como um evento esportivo tradicional em Resende Costa. “Apesar de não sermos tão reconhecidos, realizar um evento desse porte é de grande importância. É um Campeonato Mineiro. No futebol, é o campeonato que Cruzeiro e Atlético disputam aqui no estado. Nós temos uma federação que nos ajuda e nos orienta com recomendações. Se Deus quiser, ano que vem, sem essa pandemia, o evento será ainda maior aqui na cidade”. TRAIL RUN Nos dias 28 e 29 de agosto, o atletismo, um dos esportes que mais cresce em Resende Costa, também realizou uma prova. Organizada pela Equipe Novo Amanhecer, o Trail Run reuniu mais de 100 atletas nos dois dias
timos quilômetros dentro de trilhas, com o apoio até de cordas para os atletas conseguirem subir os morros. Percebi que muitos atletas estavam ansiosos com o retorno das provas. No geral, foi uma ótima prova”. O evento foi realizado no sábado e no domingo para evitar aglomerações. “No sábado, foram cerca de 70 atletas e no domingo, em torno de 40 participantes. Entres os 120 participantes, cerca de 30 competidores eram de Resende Costa. Tivemos a liberação do Comitê Municipal de enfrentamento à Covid e seguimos todos os protocolos de segurança, como o uso de máscaras e álcool em gel disponível na arena para os atletas. Mesmo com todas as limitações, foi muito bom sentir esse clima novamente”, afirma Luiz Nei. Atualmente, todos os eventos esportivos podem ser realizados em Resende Costa, desde que previamente autorizados pela Secretaria Municipal de Saúde.