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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XVIII
• AGOSTO 2021 • Nº220
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
O momento é delas
Influenciadoras digitais fazem sucesso nas redes, conquistam cada vez mais seguidores e abrem espaço no mercado Foto: PK Fotografias - Paula Karoline
Jogo aberto: JL entrevista o jornalista e escritor Laurentino Gomes Laurentino falou sobre o volume 2 da trilogia “Escravidão”, lançado recentemente. O livro já está no topo da lista dos mais vendidos no Brasil. Vencedor por quatro vezes do prêmio Jabuti de Literatura, o jornalista e escritor unificou as categorias Livro-Reportagem e Livro do Ano Não Ficção com a trilogia 1808 (lançada em 2008), 1822 (2011) e 1889 (2014). O terceiro volume da trilogia “Escravidão” está previsto para ser lançado em 2022, ano em que o Brasil comemora o bicentenário da Independência. PÁG 05
Influencers da cidade foram convidadas para 2 live da Pizzaria e Buteco da Maura
O JL conversou com Isabela Fernandes, Mônica Cristina, Paula Sheylla, Isabele Silva e Maiara Maia. As influencers resende-costenses falaram sobre a atuação delas nas redes, a rotina de trabalho e o mercado aquecido neste período de pandemia, devido especialmente às lives. A reportagem especial mostra também que a vida de influencer digital não é somente sorrisos. O fenômeno do “cancelamento” nas redes traz chateações e inspira cuidados. Leia editorial na página 2. PÁG 06 e 07
Inaugurado o projeto turístico Caminhos de São Tiago Minas Gerais ganhou, no dia consagrado ao apóstolo, 25 de julho, o “Caminhos de São Tiago”, entre a histórica Ouro Preto, na região Central do Estado,
e a “cidade do café com biscoito”, na região do Campo das Vertentes. A nova rota turístico-religiosa atravessa 11 municípios numa extensão de 274 qui-
lômetros. Devido à pandemia de Covid-19, cada um dos 11 municípios promoveu evento simples de inauguração de seu percurso, contando apenas com
a participação de autoridades e idealizadores do caminho e de grupos de ciclistas, cavaleiros e caminhantes. PÁG 12
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ANO XVIII Nº 220 - AGOSTO 2021
EDITORIAL Novas tendências exigem novas respostas
Jornal das Lajes Ltda Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende
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Quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) emitiu alerta global de que o mundo estava vivendo uma nova pandemia, a da Covid-19, e as recomendações eram para que as pessoas se isolassem, muitos diziam que estava iniciando uma nova era na qual as pessoas não seriam mais as mesmas. Após tantos episódios tristes, no mundo inteiro, causados pela Covid-19, tantas mortes e separações precoces, verdadeira tragédia humanitária, será que a profecia se concretizou? Ou seja, as pessoas mudaram? O mundo mudou? Inquestionável, neste turbilhão de acontecimentos, o papel das novas tecnologias que ocuparam rapidamente espaços antes impensáveis de serem preenchidos. Quem um dia imaginou ver, em pleno século 21, uma Olímpiada sem público? Isso no Japão, país rico e onde se desenvolvem tecnologias avançadas. Professores e alunos imaginavam ter de se encontrar para as aulas através de aplicativos na internet? E as reuniões de trabalho nas grandes empresas e nos parlamentos acontecendo pelas telas de celulares e computadores? Missas e cultos religiosos em grandes templos vazios, transmitidos pelas mídias sociais? Pois é, o microscópico coronavírus mudou a vida, a relação das pessoas e das instituições. A pandemia fez surgir uma nova tendência no arranjamento das relações pessoais e sociais. Reportagem especial da edição deste mês do Jornal das Lajes aborda uma nova tendência de comportamento que ganhou notoriedade durante a pandemia. Sobretudo com as lives (apresentações on-line realizadas em tempo real nas redes sociais e em canais na internet), influenciadores digitais, ou influencers, assumiram protagonismo no universo da moda, na formação de opinião e no planejamento de estratégias de marketing. Os influenciadores vêm se tornando referência especialmente para adolescentes e jovens, que representam a geração conectada, isto é, mais presente nas redes sociais. Uma das atividades que mais sofreram impacto com a pandemia foi o turismo, tema também de reportagem desta edição, com a inauguração do “Caminhos de São Tiago”. O coronavírus obrigou as pessoas a cancelarem ou adiarem suas viagens; hotéis, lojas, museus, bares, parques, salas de concertos, cinemas e restaurantes fecharam as portas. Toda a cadeia que alimenta a atividade turística e cultural sofreu, em mais de um ano, um abalo avassalador com o fechamento do comércio e da economia. Com o avanço, porém, da imunização, aos poucos as atividades comerciais, culturais e de entretenimento começam a ser retomadas, ainda que estejamos longe de voltar à normalidade de antes. Enquanto a vacina não chega a todos e o coronavírus continua livre na natureza e entre as pessoas, a máscara continua sendo item obrigatório, o distanciamento social deve ser observado e os eventos com aglomeração são vistos com desconfiança e preocupação. Neste cenário, o turismo é ainda uma atividade incerta. O que não quer dizer que devemos ficar com os braços cruzados. A pandemia está dando sinais de controle em algumas partes do planeta, o que possibilita planejar o retorno seguro de certas atividades. Estudos mostram que em 2022, com grande parte da população imunizada, o turismo será uma das atividades de negócio que ganharão mais impulso, impactando positivamente no reaquecimento da economia. Quem sobreviveu aos tempos sombrios do fechamento da economia poderá vislumbrar um horizonte promissor, com novas oportunidades. A pandemia ainda não acabou, mas já podemos tirar lições importantes dela. Se o mundo não mudou totalmente, como muitos previram, novas tendências certamente vieram para ficar. Entre elas o papel fundamental das novas tecnologias na inter-relação de pessoas, atividades de trabalho e culturais. Se o mundo interligado colaborou para a rápida disseminação do novo coronavírus, as novas tecnologias que tiraram as pessoas do total isolamento aproximaram ainda mais as culturas, fortaleceram as relações humanas, sociais e culturais. Enfim, mais uma vez a humanidade está diante de um novo e desafiador capítulo em sua história, que a permite refletir sobre em qual mundo queremos viver daqui para a frente. A nossa resposta será decisiva para o futuro do nosso planeta e da própria humanidade.
Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:
Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
ARTIGO
Um Rio em forma de Orquestra IVAN ALVES FILHO*
Há um lirismo extraordinário – eu diria, até: arrebatador – nessa obra para orquestra de Luiz Carlos Prestes Filho e nos poemas que acaba de publicar sobre o Rio de Janeiro, com foco na Praça Quinze, apontada como “o coração da cidade”. Com efeito, ali se localizava a antiga Praia da Piaçaba. Foi nessa mítica Praça Quinze que ocorreu a primeira resistência indígena do Rio de Janeiro. O Dia do Fico, ou o lançamento do manifesto fundamental para a obtenção da nossa Independência política, redigido por José Bonifácio, também ocorreu ali. Mais: nessa mesma Praça Quinze o revolucionário baiano Cipriano Barata seria ovacionado pelo povo, após deixar as masmorras da Ilha das Cobras. E também a Lei Áurea, que consagraria juridicamente a primeira revolução social brasileira, seria assinada na Praça Quinze (afinal, materializava a mudança do modo de produção, iniciando a passagem, ainda que não fosse de forma direta, do escravismo para o capitalismo). Como se não bastasse, a Praça Quinze homenageia a nossa tão combalida República. E seria ainda palco de movimentos sociais contra a carestia, em meados do século XX. De cortar o fôlego. Eis aqui um mérito incontestável do autor, uma grande percepção sua realmente: a Praça Quinze como palco privilegiado das transformações sociais. Em tempo: acompanha a criação musical um livro igualmente magnífico, pela qualidade dos textos nele estampados, pela amplitude do reexame histórico que propõe, logrando nos esclarecer – e muito – a respeito da ação dos primeiros colonizadores europeus da cidade. Os acontecimentos que marcaram aquela área fundamental do Rio de Janeiro vão sendo pontuados criteriosamente ao longo do livro e isso realmente nos impressiona. Tudo ilustrado, de quebra, por um bamba: Poty Lazarotto, o artista
paranaense que o Brasil inteiro aprendeu a admirar. Piaçaba voltar para o útero Aimberê imagem primeira do Rio Trata-se de um passeio pelo Rio de Janeiro dos tempos primeiros, de uma sonoridade que nos envolve, como envolvente é o próprio Rio de Janeiro, esse extremo-Ocidente banhado pelo Atlântico e habitado por um povo insubmisso, desde os índios aimberê. A abrangência musical é perfeita, incorporando elementos sonoros do barroco, por exemplo, adaptando-se assim às mais diferentes fases artísticas ou momentos culturais que marcaram o Rio de Janeiro. História e Arte entrelaçadas. Um belo encontro. Um passeio e uma surpresa, também. Apesar de ser amigo do Luiz Carlos, o Carlinhos, há dezenas de anos, e saber de sua ligação com o mundo do samba, eu desconhecia totalmente o seu talento de compositor. Ainda mais de música de concerto. Deliciei-me com sua Piaçaba e Acrescidos, cuja linha melódica nos remete ao que há de mais criativo em nossa música para orquestra. A força telúrica da obra realmente emociona, provoca um impacto no ouvinte. Sou historiador de ofício e não possuo formação musical, mas isso não me impede talvez de registrar aqui o quanto esse trabalho me sensibilizou. Terno, comovente, produzido e conduzido da forma mais profissional possível, com arranjos magníficos, essa Piaçaba e Acrescidos se faz acompanhar por questionamentos pertinentes no tocante ao desenvolvimento do Rio de Janeiro. Meu amigo mergulhou fundo na formação da cidade, na alma da cidade, com uma sensibilidade própria, mas também com um conhecimento que poucos possuem sobre a nossa trajetória cultural, a nossa verve criativa. Com isso, o músico-poeta nos legou um Rio antes do Rio, ousaria dizer assim. Ou um Rio dos índios, antes de
Estácio de Sá. Pois ali já existia uma cidade. Daí, talvez, o Padre Manoel da Nóbrega ter recomendado ao Infante Dom Henrique “ser muito necessário povoar-se o Rio de Janeiro e fazer-se nele outra cidade” (o grifo é nosso). O historiador Alessandro Ventura, que contribui para o livro com um texto enriquecedor, não deixaria de observar isso. Muito acertadamente, ele informa que as mudanças que foram ocorrendo no espaço urbano do Rio de Janeiro revelavam as novas funções que a cidade foi adquirindo ao longo dos anos (políticas, mercantis). Em tempo, mais uma vez: o livro está muito bem editado, sendo um verdadeiro prazer manusear suas páginas. O compositor-poeta está de parabéns. Digo, sem medo de errar, que raramente ouvi algo tão singelo quanto a composição Gênese do Brasil. Teve sobre mim o mesmo efeito que teve “Bachianas No.5” ou o “Concerto de Aranjuez”. Não, não é lá muito fácil lançar um olhar artístico inovador sobre o Rio de Janeiro, cidade louvada por poetas como Manuel Bandeira, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, Geir Campos e Vinícius de Moraes. Berço de compositores da qualidade de Heitor Villa-Lobos, Noel Rosa e Antônio Carlos Jobim. Mas meu amigo conseguiu ser original. Por isso, repito, está de parabéns. Fez um trabalho que honra a cultura brasileira no que ela tem de melhor, subvertendo a nossa sensibilidade musical da mesma maneira que seu pai, o saudoso camarada Prestes, lutou a vida toda para subverter as bases da injusta política nacional, nela imprimindo a marca imorredoura do Cavaleiro da Esperança. Cada um, a seu modo, imaginou um mundo para que nele pudéssemos todos viver dignamente, em liberdade e criatividade. *Historiador e jornalista. Autor de Memorial dos Palmares, Brasil, 500 anos em documentos, A saída pela Democracia e O caminho do Alferes Tiradentes, entre outras obras.
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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
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INFORME PUBLICITÁRIO
Câmara Municipal desenvolve Programa de Proteção de Dados Pessoais A Lei nº 13.709/2018 LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) dispõe sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito público ou privado, com o objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa na-
tural. Tem como princípios: respeito à privacidade; autodeterminação informativa; liberdade de expressão, de informação, de comunicação e de opinião; inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem; desenvolvimento econômico e tecnológico e inovação; livre iniciativa, livre concorrência e defesa do consumidor; direitos humanos, livre desenvolvimento
da personalidade, dignidade e exercício da cidadania pelas pessoas naturais. A Câmara Municipal de Resende Costa está desenvolvendo o seu Programa de Proteção de Dados Pessoais, com o objetivo de regulamentar internamente as disposições contidas na LGPD, de modo a adequar o tratamento de dados pessoais nos seus processos de trabalho,
naquilo que for necessário. Foi nomeado como Encarregado da Proteção de Dados o servidor Nélson Vinícius. O Presidente da Câmara Municipal, vereador João Dias, instituiu o Comitê de Proteção de Dados Pessoais, responsável pela avaliação dos mecanismos de tratamento e proteção de dados pessoais e pela proposição de ações voltadas ao seu aperfeiçoamento, sendo composto pelo Encarregado, que o preside, e também Assistente Adminis-
trativoNélson Vinícius), pela Assessora Jurídica Marina Vale pelo e o servidor responsável pelo Departamento Pessoal Mauro Alexandre. No site da Câmara é possível ter acesso à cartilha sobre a LGPD e ao ato de designação do Comitê. Em caso de dúvidas, reclamações, elogios e sugestões referentes à política de privacidade da Câmara Municipal, basta entrar em contato com o Encarregado, pelo telefone (32) 3354-1526.
Indicações apresentadas pelos vereadores durante reuniões ordinárias do mês de julho • Instalação de quebra-molas: - Rua Deputado Sebastião Patrus de Sousa, Bairro Nova Resende, na altura dos números 54/55 – (Vereador Coló); - Avenida Alfredo Penido, bairro Nossa Senhora da Penha, próximo à Green House e Audiocar, ou instalação de radar eletrônico de velocidade na referida via–(Vereador Paulinho) • Possibilidade de tratamentos médicos, fisioterapêuticos, fonoaudiológicos, psicológicos, dentre outros que se fizerem necessários, aos cidadãos do município que apresentem sequelas provenientes de pós-Covid-19, conforme atestado médico justificando tal assistência – (Vereador Coló) • Fiscalização para que possa ser coibido o uso indevido de praças e outros espaços públicos por vendedores ambulantes de artesanato ou similares vindos de outro município e sem o devido alvará para funcionamento – (Vereador Fernando Chaves) • Sugestão de criação do Fundo de Combate à Pobreza – (Vereador Guerra)
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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA
Pacientes de catarata ganham nova oportunidade para fazer cirurgia No dia 26 de junho, 20 resende-costenses tiveram a oportunidade de passar por uma cirurgia de catarata, através de um mutirão realizado no Hospital Evangélico. No entanto, naquela oportunidade, alguns pacientes, por motivos clínicos, não puderam realizar a cirurgia. Porém, com o apoio das Se-
cretarias de Saúde e Transporte, estes pacientes tiveram a oportunidade de participar de mais um mutirão, que foi realizado no dia 31 de julho. O mutirão foi novamente realizado no Hospital Evangélico e 11 resende-costenses puderam passar pela cirurgia. A cirurgia de catarata é um procedimento que visa o trata-
mento da catarata ocular. É um método seguro e eficaz, que proporciona uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes. Com este novo mutirão, a demanda por cirurgia de catarata foi atendida quase que em sua totalidade, assim como a demanda por exames laboratoriais.
Prefeitura adquire novo compactador de lixo A Prefeitura Municipal adquiriu um novo compactador de lixo. Obtido através de recursos próprios, o equipamento custou R$125.900,00 e foi implementado em um caminhão WV Worker, que já era patrimônio da Prefeitura. O novo equipamento vai aumentar cerca de 30% a autonomia do município em recolher o lixo - consequentemente, esse fator diminui o número de viagens até o transbordo para descarregar o caminhão, economizando recursos públicos. Além disso, o novo compactador de lixo vai tornar o trabalho dos garis mais eficiente. O investimento busca tornar o serviço de limpeza urbana mais eficaz. A ação de recolher lixo está inserida nos serviços de saneamento básico, sendo considerada um serviço essencial à população e está ligada diretamente à saúde ambiental e pública.
INFORME PUBLICITÁRIO
Parque de Exposições poderá ser utilizado aos sábados como espaço para práticas esportivas e recreativas A Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente informa que o Parque de Exposições “Gilberto José Pinto” passará a funcionar aos sábados de 8h às 18h. A medida visa um maior aproveitamento do espaço por parte do produtor rural e das famílias de nossa cidade. O espaço vem sendo utilizado para a prática de caminhadas e outras práticas esportivas, além de ser utilizado também como área de lazer por crianças e adoles-
centes. Para a utilização do espaço, regras devem ser seguidas, como a utilização de máscara e o distanciamento social. Além disso, é terminantemente proibido o uso de som automotivo e de bebidas alcoólicas. Em breve, o Parque também será utilizado como sede do projeto “Domingo no Parque”, uma parceria com a Secretaria de Assistência Social.
Secretaria de obras inicia calçamento no Povoado do Cajuru Através da Secretaria de Obras, foi iniciado o calçamento da entrada/saída do povoado do Cajuru. Com recursos próprios, o calçamento está sendo feito com bloquetes,
uma alternativa que facilita a manutenção e favorece o meio ambiente. Além disso, o calçamento vai oferecer mais qualidade de vida e segurança aos moradores da região.
Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente promove encontro com representantes da feira livre da Praça do Rosário No dia 26 de julho, a Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente realizou um encontro entre representantes da Feira Livre e Emater, juntamente com Alexssander Lourdes, secretário da pasta, e com Lucas Paulo, vice-prefeito municipal em exercício no cargo de prefeito. A reunião foi realizada na sede da prefeitura, respeitando todos os protocolos de segurança e combate à Covid-19. O objetivo do encontro foi traçar metas a fim de continuar a estruturação da feira, tradicional espaço de comercialização de produtos, em sua maioria, oriundos da agricultura familiar. “Através de
Resende Costa contra o Coronavírus
conversas proveitosas e da parceria com os feirantes, o poder público segue trabalhando para melhorar a estrutura e oferecer um espaço
ainda melhor para os feirantes e para o público que frequenta o espaço da feira”, afirmou o secretário Alexssander.
A Prefeitura Municipal segue empenhada em combater a Covid-19 em nosso município e, com o apoio da população, vem conseguindo bons resultados. Até o dia 3 de agosto, apenas dois casos positivos estavam ativos. Nesta mesma data, o município também alcançou a marca de 7 dias consecutivos sem novos
casos. Este resultado mostra que as ações do poder público, em conjunto com a conscientização da população, trazem resultados positivos. Por isso, é importante continuar se prevenindo. Mesmo que você já esteja vacinado, continue utilizando máscara, higienizando as mãos e não se aglomerando. Todos contra a Covid-19!
Jogo Aberto
Volume II de “Escravidão” confirma aceitação do 1º livro de Laurentino Gomes JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A comarca do Rio das Mortes (com sede na antiga Vila de São João del-Rei) aparece nos capítulos iniciais do livro “Escravidão”, de Laurentino Gomes (volume II, Globo Livros). O autor descreve o impacto da descoberta de minerais preciosos em Minas Gerais no início do século XVIII: Uma onda de fome, violência e criminalidade assolou o interior do Brasil, especialmente de Minas Gerais nessa época. Milhares de pessoas abandonaram suas casas, terras e famílias e partiram em busca de riqueza fácil nas novas áreas de mineração. O autor trata, ainda, da chamada Guerra dos Emboabas, série de conflitos entre paulistas e forasteiros pelo controle das áreas produtoras de minério. Nesta entrevista ao JL, Gomes fala também da aceitação do primeiro volume (que já vendeu cerca de 300 mil exemplares) e da repercussão do livro II. A estratégia de divulgação do livro nas redes sociais inclui a publicação de pequenos vídeos e fotos com os bastidores de suas viagens de pesquisas: “Eu uso as redes sociais para compartilhar com os leitores algumas experiências adicionais do meu trabalho, que nem sempre pude colocar no livro”. No final, o autor revela que o terceiro e último livro da trilogia será lançado em 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil: “Terá como foco principal o movimento abolicionista, o tráfico ilegal de cativos, o fim (pelo menos do ponto de vista formal e legal) da escravidão no século XIX e o seu legado atualmente.”. Qual é o balanço que você faz da aceitação do primeiro volume? Ao iniciar a pesquisa, oito anos atrás, eu tinha preocupações a respeito de como o público brasileiro e o português reagiriam a um tema tão difícil e delicado quanto a história da escravidão. Felizmente, nenhum dos meus temores se concretizou. A repercussão do primeiro volume foi maior e melhor do que eu imaginava. O livro permaneceu várias semanas na lista dos mais vendidos e ganhou diversos prêmios importantes, incluindo o Jabuti de Literatura. Até agora, em menos de um ano, desde o lançamento, já vendeu cerca de 300 mil exemplares. Tudo isso reforça em mim a convicção de que a obra chegou em boa hora. As discussões a respeito da he-
rança da escravidão, o que inclui a desigualdade social e o racismo, têm sido muito intensas. Fico feliz em contribuir para que as pessoas reflitam sobre o assunto. Como tem sido a repercussão do segundo volume? Tem sido a melhor possível. Em três semanas, o livro já saltou para a primeira posição entre as obras mais vendidas da semana, pelo ranking do site PublishNews. Na revista Veja, os dois volumes aparecem juntos entre os dez primeiros lugares da lista. O número de novos seguidores nas redes sociais também aumentou muito desde que comecei, em meados de abril, a divulgar uma série de pequenos vídeos com os bastidores de minhas viagens de pesquisas. Eu uso as redes sociais para compartilhar com os leitores algumas experiências adicionais do meu trabalho, que nem sempre pude colocar no livro. Ao longo de seis anos, li quase duas centenas de livros, viajei por doze países em três continentes, visitando museus, bibliotecas, rotas e fortificações utilizadas pelo tráfico negreiro tanto na África quanto na América. Estive em Liverpool, na Inglaterra, que era o grande centro fornecedor de mercadorias, capitais e embarcações para o comércio de gente. Fui a Lagos, no sul de Portugal, onde ocorreu o primeiro leilão de cativos africanos registrado na história, na manhã do dia 8 de agosto de 1444, diante do Infante Dom Henrique, o Navegador. Reuni milhares de dados e informações e seria impossível descrever tudo isso numa trilogia de livros, por mais volumosa que fosse a obra. Então, ao longo da jornada, decidi fazer uma série de vídeos e fotos que agora estou publicando nas redes sociais. É como se fosse um livro paralelo, em formato digital, que ninguém vai ler no papel. Mas acho também que ajuda a chamar a atenção das pessoas para a importância do tema. É, portanto, um jeito diferente e inovador de lançar livros no Brasil. No segundo volume, você aborda o papel da Comarca do Rio das Mortes (instituída em 1714, com sede na vila de São João del-Rei)? A Comarca do Rio das Mortes aparece nos capítulos iniciais do livro, em que descrevo o impacto da descoberta de minerais preciosos em Minas Gerais no início do século XVIII. Uma onda de fome, violência e criminalidade assolou o interior do Brasil, especialmente de Minas Gerais nessa época. Milhares de pessoas abandonaram suas casas, terras e famílias
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e partiram em busca de riqueza fácil nas novas áreas de mineração. Nos decadentes centros produtores de açúcar, senhores de engenhos falidos mudaram-se para “as minas” com toda a sua escravaria, movidos pelo sonho de refazer rapidamente a fortuna. Os precários caminhos coloniais ficaram congestionados de homens e mulheres, jovens e idosos, brancos, negros e mestiços, nobres e plebeus, incluindo religiosos de diversas ordens. De que outros temas você trata? Trato da chamada Guerra dos Emboabas, série de conflitos entre paulistas e forasteiros pelo controle das áreas produtoras de minério. Antes da corrida do ouro, essa era região de atuação de Borba Gato, o bandeirante paulista famoso pelas investidas contra os índios nos sertões brasileiros, com o objetivo de escravizá-los, e por uma vida misteriosa, em que se misturavam crimes, contrabando e muita truculência. Acusado de matar Dom Rodrigo de Castelo, fidalgo português administrador-geral das Minas, em 28 de agosto de 1682, Borta Gato se acobertou com seu bando na região do Rio das Velhas. Nas vizinhanças do refúgio, estava localizada a Serra de Sabarabuçu, atualmente no município de Sabará, a 23 quilômetros de Belo Horizonte, de onde brotariam as primeiras pepitas de ouro. Hoje acredita-se que, por mais de uma década, Borba Gato tenha mantido segredo da descoberta, para não atrair a cobiça de concorrentes, os cobradores de impostos da coroa portuguesa e, em especial, obter perdão real para o crime que havia cometido. Foi, de fato, o que aconteceu. Você poderia falar de figuras públicas da região, de origem escrava, que se destacaram na sociedade mineira? Conto a história de Alexandre Correia e Maria Correia de Andrade em um capítulo sobre a família escrava nesse segundo volume da trilogia. É um caso fascinante, bem estudado pelo historiador mineiro Eduardo França Paiva. Mostra como, no curso de uma única geração, um homem e uma mulher, recém-chegados da África como cativos, tiveram a oportunidade de ganhar a liberdade, constituir família, acumular bens avaliados no total em dois contos de réis, o que seria uma fortuna razoável para a época, equivalente a 5,5 quilos de ouro, cerca de 865 mil reais em valores atualizados de 2019, além de virar, eles próprios, donos de escravos. Quando Alexandre e Maria con-
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Foto: divulgação
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Jornalista e escritor Laurentino Gomes é autor da trilogia Escravidão, cujo segundo volume foi lançado recentemente
traíram matrimônio, a noiva já era mãe de um filho e uma filha. Depois do casamento, nasceram mais cinco filhos. A liberdade de ambos, aparentemente, foi obtida na mineração de ouro. Os bens de raiz, declarados pelo chefe do clã em seu testamento, de 1761, incluíam lotes de extração de ouro, diversos instrumentos de mineração e agricultura e, por fim, doze escravos. Você acredita que, se a Inconfidência Mineira tivesse sido bem-sucedida, a abolição da escravidão poderia ter acontecido antes de 1888, considerando a influência dos Estados Unidos nos ideais dos inconfidentes? Acho pouco provável. Os Estados Unidos só aboliram a escravidão ao final de uma sangrenta guerra civil, que matou cerca de 750 mil pessoas. Além disso, nada garante que a Inconfidência Mineira de fato tivesse interesse em acabar com a escravidão. No meu livro, eu cito o dilema dos inconfidentes diante do tema. Há uma contradição nos grandes movimentos libertários do século XVIII. A Independência Americana, a Revolução Francesa e a Inconfidência Mineira, entre outras rupturas, tinham um traço em comum: eram todas transformações brancas, que deixavam à margem a população negra e escravizada, a esta altura calculada em milhões de seres humanos em todo o continente americano. Os documentos, manifestos e discursos falavam em liberdade, direitos para todos, participação popular nas decisões, mas seus autores conviviam naturalmente com a escravidão, como se a defesa dessas ideias não dissesse respeito aos negros. O próprio Tiradentes, no ano de sua morte, era dono de seis escravos. Gostaria que você falasse um pouco sobre as “Áfricas brasileiras”, em Minas Gerais, onde é muito marcante a expressão cultural, mas também são muito fortes o racismo e a desigualdade social. A beleza, o racismo e a desigualdade social são parte dessas muitas Áfri-
cas brasileiras que encontrei em Minas Gerais. Fiquei particularmente impressionado ao visitar a Igreja de Santa Efigênia, de Ouro Preto, construída por negros escravizados, e observar, com a ajuda de um guia muito experiente, os sinais e códigos de origem africana escondidos ou cifrados em meio às esculturas e desenhos em alto relevo dos altares. Quem tiver um olhar atento, poderá observar lá, por exemplo, a simbologia de alguns orixás africanos, como o véu de Iansã, as conchas marinhas de Iemanjá e o casco de tartaruga de Xangô. Isso muda totalmente a compreensão que se tem do barroco mineiro, muitas vezes interpretado apenas como mera transposição de um estilo arquitetônico português para o Brasil. O barroco mineiro carrega contribuições negras e africanas fundamentais. Talvez o mais correto seria chamá-lo de barroco afro-mineiro, ou afro-brasileiro. Qual será o foco do terceiro volume? Já há previsão de lançamento? O terceiro e último livro da trilogia, a ser lançado em 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil, terá como foco principal o movimento abolicionista, o tráfico ilegal de cativos, o fim (pelo menos do ponto de vista formal e legal) da escravidão no século XIX e o seu legado atualmente. Pretendo mostrar como o pacto entre a aristocracia escravista e o trono brasileiro impediram que o Brasil resolvesse o problema do tráfico negreiro e da própria escravidão ainda na época da Independência, como defendia José Bonifácio de Andrada e Silva. O Brasil foi o último país da América a acabar com o tráfico, pela Lei Eusébio de Queirós, de 1850, e o último a abolir a própria escravidão, pela Lei Áurea de Treze de Maio de 1888. Mas não enfrentou nem resolveu o legado da escravidão, contrariando o que defendiam os nossos grandes abolicionistas no século XIX. Há um projeto de Brasil que ficou abortado ou interrompido naquela época. E isso explica muitos dos nossos problemas atuais.
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ESPECIAL: COMPORTAMENTO
Influenciadoras digitais ganham espaço no mercado de Resende Costa Cidade conta com várias mulheres de diferentes idades na divulgação de lojas, produtos e compartilhamento do dia a dia VANUZA RESENDE
Eles estão nas redes sociais, dando bom dia, falando das últimas novidades, divulgando marcas, produzindo diversas enquetes e se posicionando sobre os mais diversos assuntos, por vezes até entrando em polêmicas: os influenciadores digitais, ou como são mais chamados – os influencers. Entre os mais famosos influencers do Brasil, são centenas de milhares pessoas curtindo, assistindo e repostando. Todo o sucesso, que já é realidade no mundo virtual, chegou às pequenas cidades, como é o caso de Resende Costa, que assiste a um aumento expressivo de mulheres trabalhando com as ferramentas das redes sociais. O JL conversou com algumas, que trabalham também como influencers, e elas comentaram sobre a rotina diária de vida e trabalho. Isabela Fernandes, 23, é bacharel em direito, trabalha em uma clínica credenciada no DETRAN e, desde 2015, realiza diversos trabalhos de divulgação, quando começou a fazer fotos para lojas em Resende Costa. “Eu sempre amei o mundo do Instagram, sempre gostei de acompanhar as blogueiras, apreciar os vídeos e fotos. A partir disso, com os convites que recebia das lojas e também com o apoio das pessoas mais próximas, eu comecei a postar mais coisas no meu perfil. Comecei a dar dicas, postar vídeos com montagens de looks, abrir caixinhas de perguntas, incentivar as pessoas e também mostrar o meu dia a dia.” Mônica Cristina de Oliveira, 32, Servidora Pública Estadual, também está nas redes como influencer. O trabalho dela começou de forma despretensiosa. “Eu comecei em meados de 2020, quando uma seguidora do Acre pediu pra eu abrir a conta (modo público) porque ela queria compartilhar um vídeo meu. A partir daí, fui ficando mais desinibida e as coisas começaram a fluir.”
Paula Sheylla dos Santos, 26, microempresária, é uma das pioneiras na cidade. “Sempre gostei de postar vídeos, fotos e conteúdos na internet, porém tornou-se um trabalho em março de 2020. As pessoas ao meu redor sempre ficavam falando para eu tornar meu Instagram fonte de trabalho. No início eu não acreditava que poderia dar certo pelo fato de Resende Costa ser uma cidade pequena. Até que um dia eu decidi começar a fazer pequenas divulgações e, assim, uma coisa foi levando a outra. Posso dizer que foram as pessoas do meu convívio que me fizeram ser influencer.” Isabele Silva Ribeiro, 19, trabalha no comércio local e faz publicidade, lives e serviços de divulgação através do Instagram. A jovem explica como iniciou sua atividade nas redes. “Comecei a aparecer no Instagram há um ano, em agosto de 2020. Sempre fui uma pessoa comunicativa, isso ajudou meus serviços no aplicativo a fluírem, fazendo com que eu trouxesse credibilidade tanto a quem me segue quanto aos comerciantes que me procuram.” O sonho de trabalhar com as ferramentas e canais das redes sociais começou ainda criança: “Sempre gostei de redes sociais. Na minha infância, possuía um canal no YouTube, o “Mundo Charmoso”, mas na época não prossegui com ele. Quando o Instagram começou a ser um meio para esse tipo de serviço, a minha tia começou a me influenciar e assim eu fiz”, declara. Quem também começou na infância foi Maiara Maia, 15, que hoje cria conteúdos para diferentes plataformas digitais. “Eu sempre adorei gravar vídeos e, como comecei muito nova, estava sempre por dentro das trends do momento. Eu mudei meu estilo de vídeo e comecei a postar em novas redes sociais. Desde então, venho alcançando bem mais pessoas.” Em uma edição de 2017, o JL publicou reportagem especial sobre a “Era Digital na Infância”. Maiara foi uma das entrevistadas.
@belafernandesisa
@moninha.o
@isabeleribeiro1
Na época, a adolescente já havia postado vídeos que acumulavam cinco mil visualizações – uma estatística considerada expressiva nas redes. Hoje, ela possui mais de 800 mil seguidores no TikTok. Questionada sobre o que levou a esse expressivo aumento, ela acredita que é fruto do trabalho aliado à diversão. “Com o passar do tempo, os aplicativos foram mudando, atualizando-se e eu fui me adaptando. E como fiquei mais velha, comecei a levar isso mais a sério e a me dedicar mais, apesar de tudo ainda ser uma grande diversão para mim.”
segundo emprego. “Com aparição no Instagram, me surpreendi com tanto apoio e engajamento. Eu não esperava por isso na velocidade em que foi. Atualmente, tenho 6.500 seguidores e um milhão e meio de alcance, sendo distribuídos em 43,3 % de Resende Costa, 13,6% em São João del-Rei e o restante em cidades vizinhas. Tenho um retorno financeiro que considero ótimo e já conquistei coisas de valores consideráveis através das publicidades que faço e, principalmente, com as lives para comércios.” Paula explica que trabalhar como influencer ajudou-a a divulgar a sua própria loja. “Em termos de rede social, o que mais me ajuda hoje em dia é o Instagram, apesar de eu ter o TikTok com mais seguidores, mas são mais pessoas de outras cidades. A plataforma me ajuda até mesmo em questão da divulgação da minha loja country. Inclusive, uma das maiores divulgações que faço hoje é pra mim mesma. O Instagram me gera uma renda extra, principalmente agora em época de lives, porém não é uma fonte fixa, já que em cada mês posso estar ganhando um valor diferente. Ganho muitos ‘recebidos’, que são quando o estabelecimento me envia algo para ser divulgado. Foi pensando nisso que resolvi começar com a loja para aproveitar essa minha fase e torná-la uma coisa da qual eu posso ter mais controle financeiro. Mas
de qualquer forma acabo, sim, ganhando muito sendo influencer porque na maioria das vezes não preciso pagar nem por um lanche ou para arrumar meu cabelo. É só ir nos stories do Instagram e divulgar em troca. Eu amo!”, declara Paula. Mônica diz que, por já ter uma renda fixa, o valor que ela recebe das redes sociais é baixo. “As divulgações que mais compensam (monetariamente falando) são menos frequentes e pontuais, até pelo motivo de não ter a agenda 100% disponível. Não é tudo que consigo fazer, pois tenho que trabalhar todos os dias, durante o dia todo. Todas as minhas parcerias são daqui da cidade. Cerca de 45% do meu público é de Resende Costa; o restante se divide em São João e Belo Horizonte, mas tem gente de vários lugares do Brasil. A maioria das divulgações é de lojas de roupas e comida.” A maioria do trabalho realizado por Isabela é de divulgação de lojas de roupas. “Consigo alcançar, em média, 1.100 contas. Apesar de ser pequeno o número de contas, são pessoas que estão ali todos os dias me apoiando e me incentivando. A maioria das pessoas é de Resende Costa, mas ainda não consigo viver somente com o dinheiro das redes. As divulgações são contratadas de acordo com a preferência do estabelecimento/parceiro”, conta a influencer.
GANHOS COM AS REDES SOCIAIS Maiara diz que nem sempre ganhou dinheiro com o trabalho na web, mas hoje consegue ter lucro com as postagens. “Em alguns casos, recebo da própria marca, mas meu maior retorno vem das redes para as quais crio conteúdo. Atualmente posto vídeos com frequência no Instagram, TikTok e Kwai. Tenho maior alcance no TikTok, já que ele é um dos aplicativos queridinhos do momento. Meu público é bem diferente em cada plataforma, mas grande parte deles tem entre 14 e 24 anos. Apesar de ter uma grande quantidade em Minas, tenho pessoas de todos os cantos me acompanhando”, conta Maiara. Isabele considera sua atividade nas redes sociais como um
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ESPECIAL: COMPORTAMENTO
A era do cancelamento VANUZA RESENDE
Numa época em que quase todos têm opinião e vocalizam isso de forma pública – principalmente no que se refere às questões de raça, gênero, discurso político, aspirações profissionais, entre outros temas delicados –, é preciso ter cuidado com os conteúdos abordados nas redes. Paula Sheila revela que isso já foi um problema, mas que hoje contorna a situação. “Desde quando comecei a expor minha vida na internet, sempre recebi críticas maldosas, principalmente por perfis fakes. Apesar de eu não ligar, às vezes as pessoas pegam pesado demais e desestabilizam um pouco o meu emocional. Porém, sou uma pessoa que sofre na hora, mas logo passa e eu volto com tudo a fazer o que amo. Principalmente hoje em dia, em que aprendi muito com as experiências passadas. Eu sofria demais com críticas e hoje faço o que gosto de fazer e ponto final. Não me importo com o que o povo vai falar e, sim, com o meu bem-estar.” De acordo com Mônica, a sua atividade profissional não deixa de “intimidar” algumas pessoas. “A aceitação diretamente a mim? Perfeita (risos)! Nunca recebi nenhum comentário ruim ou crítica, até brinco que queria um hater, pois acredito que quem tem é porque está fazendo sucesso. Mas acredito que não devo agradar todo mundo, as pessoas só não me atacam por causa da minha profissão (risos). Elas têm medo, mas eu juro que nunca moveria o Estado (na forma da Polícia Civil) para agir contra haters. Juro. Gente, pode xingar, tá? Não vou fazer B.O. nem nada disso, vou avaliar o xingamento, ver o que posso tirar de bom e seguir o baile.” Apesar de não ter recebido ataques, tão comuns nas redes, Mônica é consciente do papel que deve cumprir. “Já dispensei parcerias nas quais não acreditava e que, simplesmente, não
entendia como funcionavam e não queria influenciar ninguém a comprar, ter algo, investir em alguma que eu não sabia se era confiável. Não vou indicar pra ninguém algo que não faria pra mim mesma, sabe?! Óbvio que, eventualmente, algumas pessoas podem não aprovar aquilo que eu divulguei, mas por questão de gosto, afinidade, valor etc., e não por ser algo arriscado ou ruim. Eu sempre evito aquilo que não conheço e que sei que pode trazer riscos para as pessoas. Eu sempre estudo o assunto a fim de saber se posso divulgar ou não. Exemplo: eu não entendo de mercado de ações e já me contataram para divulgar um perfil que fazia esses investimentos. Recusei explicando que, se eu não entendo para mim, não me sentiria bem indicando a outras pessoas, sabendo do risco real de perder dinheiro, entende?! Procuro sempre ser muito cuidadosa com o que passo. Minha intenção é ajudar, facilitar e entreter meus seguidores.” Isabela também afirma nunca ter tido problema com os chamados “cancelamentos” nas redes sociais. “Nunca sofri isso diretamente. Mas confesso que algumas coisas conseguem abalar o meu psicológico. Dentro desse meio estamos expostos a isso, né?! Então busco absorver somente as coisas boas, as energias positivas e levar comigo todo apoio e incentivo daqueles que estão comigo. É uma responsabilidade gigantesca, óbvio. Nos dias atuais, devemos pensar muito antes de falar qualquer coisa. Mas tento ser transparente e passar aquilo que realmente acho e em que acredito.” Maiara sabe da responsabilidade e se diz cuidadosa quanto aos assuntos abordados por ela em suas postagens e interações. “É uma grande responsabilidade, às vezes até perco a noção da proporção que algumas coisas podem tomar. Mas tento sempre usar minhas redes para propagar o bem e fazer com que as pes-
soas se divirtam. Felizmente, nunca tive episódios de cancelamento, mas tenho bastante medo da forma com que as pessoas agem on-line. Muitas pensam que nunca serão descobertas, mas estão gravemente erradas.” Isabele destaca que episódios de ofensas já aconteceram e ela precisou contornar a situação. “Estar na internet é saber que está exposto a tudo, elogios e ofensas, a todo momento. Não digo que já fui cancelada, mas já tive que lidar com conta fake que criaram para me ofender em redes sociais, por exemplo. E por mais que coisas do tipo me deixem muito mal, não permito que isso me desestabilize e continuo dando o meu melhor.” O EPISÓDIO DO “BOMBOM QUEIMADO” O trabalho das meninas influencers já ganhou destaque em Resende Costa. As lives do comércio (destaque em outra edição do JL) já contam com a presença delas. Entre tantos episódios que atingiram inúmeras visualizações na redes, um se destacou. Trata-se de um vídeo de algumas garotas comendo bombom queimado. Elas colocam bombom próximo à chama do fogão e afirmam que fica uma delícia. Inúmeras pessoas marcaram as influencers, dizendo ter experimentado a tal forma de saborear o chocolate e aprovando a ideia espalhada através das redes sociais. Maiara comentou o episódio: “Foi um retorno muito positivo. Além de ser uma delícia, me mostrou justamente como as coisas podem tomar uma proporção inesperada. Muitas pessoas da região começaram a me acompanhar e a conhecer o meu trabalho depois do ocorrido. Eu adorei”, comemora. Mônica comenta dizendo que a brincadeira teve saldo positivo na balança. “Ah, o tal do bombom queimado que me fez ganhar 1 quilo (risos). Foi
@maiaramaaia
@paula.sheylla
um surto, né? Surreal! Uma ideia genial da Maiara, que rendeu bons compartilhamentos no Instagram e, acredito, que (rendeu) boas vendas aos comerciantes.” Assim como ocorreu com esse episódio, os internautas também entram em algumas brincadeiras. Paula, que faz sempre vídeos de humor e conta com a ajuda de seguidores para marcar perfis famosos, já teve vídeo seu curtido pelo sertanejo Zezé di Camargo. “Eu sou super fã do Zezé di Camargo, mando mensagem no direct para ele há anos. Ano passado ele visualizou e me deu uns minutinhos de atenção. Eu fico sempre nas redes sociais dele comentando as postagens até ele cansar e resolver me dar uma chance de eu ir conhecer a fazenda dele. Não vou descansar até conseguir (risos). Os vídeos engraçados sempre serão minha marca registrada no Instagram. É um tipo de conteúdo em que consigo prender a atenção do meu público. Sempre gostei de ser a ‘palhaça’ do grupo, gosto de fazer as pessoas rirem e se sentirem bem. Então faço vídeos de situações que acontecem no meu dia a dia e de coisas que acontecem com todos. Inclusive, até criei a personagem Rogéria (que é uma personagem muito sincera) para poder fazer críticas em forma de humor, de um forma em que todos levam na esportiva.” Isabele faz diariamente conteúdos com danças de bom dia aos seguidores e, por vezes, alguém a marca com danças, inclusive cantores das músicas
as quais ela utiliza. “A influencer Virginia Fonseca foi minha inspiração para as dancinhas de bom dia. Sempre me identifiquei com o seu jeito e a música sempre me moveu. Juntando as duas coisas, comecei a dar bom dia aos seguidores de uma forma mais animada. Nos dias em que eu não fazia, as pessoas mandavam mensagem perguntando o porquê de eu não ter feito aquilo. Com isso, as danças pela manhã viraram uma referência e, hoje, tornaram-se uma de minhas marcas.” Apesar de ter seu tempo escasso, a atividade de influenciadora digital proporciona prazer e alegria à Isabela. “É uma correria! Mas aparecer no Instagram, mostrar as parcerias e fazer minhas divulgações fazem parte do meu dia a dia. Isso me deixa muito feliz. Em todo tempo que sobra, nas pausas de um serviço para outro, eu tento aparecer nas redes, mesmo que seja para dar um “oi” e também para desejar um dia feliz. Isso pode mudar o dia de alguém.” Para aqueles que estão começando, ou sonham em fazer parte do grupo, Maiara deixa um recadinho. “Meu conselho é para que vocês não desistam. No começo, sempre vai ser difícil, sempre haverá pessoas duvidando de vocês e diminuindo-os. Mas, como diz aquele famoso ditado, ‘Levanta a cabeça, princesa, senão a coroa cai’. Não desistam! Quando vocês conquistarem o que querem, irão perceber o quanto essas pessoas fortaleceram vocês e os fizeram chegar onde estarão.”
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CULTURA
Turismo em debate CÁSSIO ALMEIDA
Na última quinta-feira (5), a Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) promoveu um seminário para discutir o desenvolvimento turístico e econômico de Resende Costa. O evento foi organizado em parceria com o Sebrae e com o Sicoob Credivertentes e contou com o apoio da Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Turismo, Artesanato e Cultura. Realizado no Centro de Convenções Lilia Lara, na escola Conjurados, o seminário contou com a presença de diretores do Sebrae e do Credivertentes, empreendedores, grupos de esportistas, além de autoridades políticas e da sociedade civil organizada. Para André Eustáquio, secretário de Turismo, Artesanato e Cultura, “O evento foi de grande importância para iniciarmos nosso planejamento de desenvolvimento e estruturação do turismo em Resende Costa”. André destacou também a importância das iniciativas público-privadas: “A parceria entre Sebrae, Sicoob Credivertentes, Asseturc e Prefeitura Municipal certamente trará bons frutos para o que almejamos, que é desenvolver, de forma planejada e
estruturada, o turismo em nosso município. Quero destacar ainda que turismo é uma atividade coletiva, gera renda, emprego e aquece a economia. Daí, portanto, a necessidade vital de termos ao nosso lado os empreendedores, comerciantes e empresários”. De acordo com o vice-prefeito em exercício no cargo de prefeito, Lucas Paulo, a Prefeitura Municipal tem consciência e incentiva o comércio local a realizar práticas que possam estimular ainda mais o turismo e o artesanato em nosso município. “O seminário veio para fortalecer os laços entre o poder público e o comércio local. A Prefeitura está empenhada em investir na infraestrutura de nossa cidade, buscando oferecer mais opções para os comerciantes e turistas. Fico feliz em saber que os empreendedores sabem do potencial turístico e cultural de Resende Costa. Ao longo dos anos, pudemos perceber uma melhora significativa na oferta de serviços como hotelaria, restaurantes e lojas de artesanato, e isso acaba atraindo ainda mais turistas ao município e aquecendo a economia local. Caminhando juntos, seremos cada vez mais merecedores do título de Capital Mineira do Artesanato Têxtil”, afirma. Iniciativas como o seminá-
Foto: Felipe
Sebrae, Sicoob Credivertentes, Asseturc e Prefeitura Municipal promovem seminário para discutir os rumos do desenvolvimento do turismo em Resende Costa
Luiz Henrique Garcia, diretor-executivo financeiro do Sicoob Credivertentes, participou do seminário
rio são muito importantes para consolidar Resende Costa como uma cidade turística, pois favorece o debate, viabilizando novas ideias e fomentando a realização de novas parcerias. É o que defende Luara Ramona, presidente da Asseturc: “Acredito que o encontro tenha sido muito produtivo. Penso que reuniões como essa são muito importantes para desenvolver o turismo e o artesanato de Resende Costa, sendo que as peças fundamentais para que esse desenvolvimento aconteça são os empreendedores que se preocupam com o crescimento de nossa cidade, gerando
renda e emprego”. Luara destacou ainda a força dos associados da Asseturc para o desenvolvimento de projetos importantes para a cidade, como o turismo. “A Asseturc acredita bastante no potencial dos seus associados. Estamos interessados em fazer com que o turismo cultural, rural e outros cresça tanto quanto o de compras cresceu. O artesanato é um dos bens mais valiosos de Resende Costa e, junto com a nossa cultura riquíssima e as nossas belezas naturais, podemos fazer com que o turista permaneça mais tempo na cidade e não venha somente de
passagem. Para a presidente da Asseturc é importante o estreitamento da parceria entre o poder público e a iniciativa privada. “Acredito que o poder público vai ao encontro das nossas ideias. Tivemos um ótimo crescimento na infraestrutura da cidade e outros projetos estão vindo aí para agregar mais valor. E temos entidades e pessoas incríveis interessadas em fazer acontecer, como o Sebrae, Sicoob e empreendedores visionários que amam Resende Costa, apoiam e acreditam no crescimento turístico”, conclui Luara Ramona.
Vinho sem frescura AMANA CASTELO BRANCO*
Colheita de inverno Na coluna passada falamos sobre como o vinho combina com esse clima mais frio. Mas hoje quero contar sobre os vinhos de colheita de inverno. Já ouviu falar sobre eles? Em boa parte dos lugares em que se plantam videiras, comumente chamadas de parreiras, para a fabricação de vinhos, a colheita acontece no verão. É nessa estação que a planta brota e as uvas crescem sadias e cheias de açúcar, a substância essencial que será transformada em álcool durante a sua elaboração. No Brasil, várias regiões têm o verão com altas temperaturas e muita chuva, o que se torna um grande desafio para os vitivinicultores. O excesso de chuvas pode afetar o acúmulo de açúcares, a redução dos ácidos orgânicos, que são fundamentais
na conservação e no equilíbrio da bebida e também na qualidade da maturação da uva, podendo originar vinhos pouco encorpados, com pouca expressão da sua variedade, tipo de uva, e com redução das chances de condições ideais de envelhecimento, principalmente para os tintos. Durante muitos anos esse foi um dos principais desafios dos produtores mineiros na elaboração de vinhos finos de excelência no nosso estado, aqueles que são feitos com uvas viníferas, como a Cabernet Sauvignon, a Merlot, a Chardonnay e tantas outras. Foi testemunhando essa batalha anual e observando o clima seco de inverno da região Sudeste, onde temos dias quentes e noite frias, que o mineiro Murillo Albuquerque Regina, agrôno-
mo e pesquisador da EPAMIG, participou ativamente do desenvolvimento e implantação do sistema de dupla poda, inspirado na produção de uvas de mesa do Vale do Rio São Francisco. Esse sistema, também conhecido por ciclo invertido, ou mais comumente, por colheita de inverno, basicamente altera o ciclo da videira “desviando-o”, através da poda e quebra de dormência e, assim, direcionando-o para que a colheita ocorra no período das secas, compreendido entre os meses de abril e outubro. Desta forma, as uvas têm uma maturação mais lenta e favorável para a manutenção da acidez e da produção de açúcar, com maior acúmulo de polifenóis e compostos voláteis, os aromas e seus precursores. Nesse período da safra, ocorrem
temperaturas variando entre 4 e 8ºC para as mínimas na madrugada, até 22 e 26°C durante a tarde, para as máximas, gerando ótima amplitude térmica para a fruta. Essa técnica teve início em 2001, no Sul de Minas Gerais, na região cafeeira de Três Corações. Por lá foram feitos inúmeros testes com diferentes variedades e manejos nas videiras. Em 2003 foi realizada a primeira colheita, sendo que as uvas se revelaram muito propícias para a elaboração de vinhos de ótima qualidade. A partir daí, em 2004, vários vinhedos foram implantados no estado, tendo se expandido para outras regiões do nosso país, como Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Distrito Federal e Rio de Janeiro. Em 2005 pude acompanhar de perto, por 6
meses, esse projeto, quando realizei meu estágio final do curso de Enologia. Atualmente, possuímos mais de 500 hectares de videiras conduzidas por essa incrível técnica de dupla poda. Em sua maioria, nas variedades da uva tinta Shyrah e da branca Sauvignon Blanc. Aqui em Minas, podemos provar e comprovar nosso potencial vitivinícola, já que possuímos vários vinhos de qualidade. Entre eles, vale citar o Primeira Estrada, Maria Maria, ambos do sul de Minas, Quinta D`Alva, da região de Diamantina, Bambini, do Cerrado Mineiro. Você já provou algum vinho produzido no inverno? *Enóloga e cozinheira profissional.
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A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
Pai presente “Presente!” – Foi o que eu respondi quando Deus me fez a chamada para ser pai. Minha missão começou junto com a minha aprendizagem. Aprendi a ser pai... sendo pai. Pai é presente gerúndio. Amando, ouvindo, dizendo, apoiando, educando. Pai é pai... estando. Mesmo que às vezes necessite ficar longe. Sou pai e, quando abracei pela primeira vez meu filho recém-nascido, foi como se eu abraçasse a minha própria alma, que naquele momento tinha mais um corpo além do meu. Beijar o filho, beijar a filha são momentos sublimes em que lábios e pele formam um inseparável amálgama de existências para sempre entrelaçadas e comprometidas. Filhos são para sempre. Há momentos em que eles nos fazem chorar, há outros momentos em que eles nos trazem risos, existem situações em que eles nos apresentam angústias e também existem momentos em que eles nos fazem ficar orgulhosos. Mas são sempre eles os melhores desdobramentos de nós. Pai presente sabe tirar de si mesmo a pepita mais rara e entregá-la aos filhos, sem ficar pobre. E se ficar pobre, é uma pobreza que enriquece, pois a fortuna do pai presente é o filho alegre, realizando-se e em paz. Pai presente é acima do tempo, pois para ele o filho e a filha são, simultaneamente, as crianças do passa-
do, os viventes do agora, os caminhantes para o futuro. Pai presente é rígido quanto às ameaças ao bem dos filhos. Pai presente é, antes de ser pai, amigo sempre com o coração aberto na acolhida. Pai presente sabe quando o filho e a filha alcançam o seu direito – e eles têm esse direito – de abrir suas asas, mirar o horizonte e voar, levando como bagagem o peito repleto de expectativas. Nesse momento, o pai presente sabe que a saudade vai ficar morando no lugar do filho e da filha… o pai presente sabe que haverá aquele cantinho da casa no qual o filho e a filha se projetarão em imagens suavemente insistentes… Mas o pai presente sabe que ele um dia abriu suas asas e também fez seu voo. E agora, porque voou, é contemplado pela sua continuação nos filhos. O pai presente, de antemão, é conhecedor dessa realidade, pois a vida é para frente. O pai presente… pressente. Os filhos são o nosso resgate mais precioso. Por causa do meu filho e por ser pai presente, eu aprendi a ser um filho melhor para com meu próprio pai e minha própria mãe. Por causa do meu filho e por ser pai presente, eu estou aprendendo a ser um filho cada vez melhor para com Deus. Por causa do meu filho e por ser pai presente, quando Deus me fizer a chamada para eu entrar em seu Reino, eu poderei responder: “Presente!”
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Guerrinha de gerações Basta piscar para uma nova palavra dar as caras, principalmente em algumas redes sociais. Às vezes, nem tão nova assim, mas revestida de um outro significado. E, como aparece, some, porque fica rapidamente batida e cai em desuso. “Lacrou” (mandou bem) e “tombou” (chegou arrasando), só pra ficar nessas duas como exemplos, tiveram um pico de uso em 2016, segundo me informei, e já perderam espaço na linguagem dos jovens, os mais afeitos a essas mudanças linguísticas ditadas por e a cada geração. Até aí tudo certo. Só que um recente conflito de gerações entre os millennials (também chamados de geração Y), os nascidos entre 1980 e meados dos anos 1990, e a geração Z (quem nasceu entre 1995 e 2015) tem agitado a internet. A cutucada inicial partiu do lado mais jovem, que passou a categorizar certas atitudes dos que nasceram antes como cringe, verbo inglês transformado por eles em substantivo aqui no Brasil para definir hábitos antiquados, cafonas ou vergonhosos. Por um tuíte da publicitária Carol Rocha (1980), a reação veio logo: “Por favor, jovens da geração Z, me contem o que vocês acham um mico nos millennials. Acho que falar mico já passou. É cringe, né?” À provocação de Carol não faltaram respostas envolvendo até o visual da criatura enquadrada como tal, entre outros pontos, assim vista: toma café da manhã; é vicia-
da em café e cerveja litrão; fala constantemente sobre gatos e sobre pagar boletos; adora a série norte-americana Friends, a novela mexicana A usurpadora e filmes como Harry Potter; acompanha os jornais pela tevê e ouve rock ou pagode dos anos 90; usa sapatilha de bico redondo, calça skinny e cabelo dividido de lado. Em relação à comunicação pela web, são considerados também comportamentos cringes usar o “rs”, ou “hahaha” na troca de mensagens pelo WhatsApp e outros mensageiros e começar uma frase usando letra maiúscula, utilizar emojis no sentido literal, não ter paciência para acompanhar os vídeos do aplicativo Tik Tok. E mais outros tantos pequenos “delitos” cibernéticos na visão dos nativos digitais. Lendo e aprendendo. Pertenço à geração Baby Boomers (os nascidos entre 1945 e 1964), portanto uma intrusa nessa atual guerrinha de gerações, ao mesmo tempo, uma interessada no embate em questão. É certo que existe a busca por uma identidade de grupo gerada por pessoas de idades próximas, com tendências típicas de uma época. E ainda. É normal os jovens divergirem da geração anterior, mas é importante considerar que todas elas são indispensáveis, trazendo-os até aqui. E mais. As características de cada geração não são tão estereotipadas assim, podendo transitar entre tempos geracionais diversos.
Sabe-se que, ao longo das décadas, costumes, roupas, calçados (e seus complementos) e até mesmo palavras entram na moda, saem dela e retornam a ela de modo cíclico. O termo “ranço” (sentimento de repúdio, aversão, raiva ou desprezo) voltou com tudo hoje através da expressão “pegar ranço”, que significa ficar entediado(a) ou cansado(a) de alguma coisa, situação ou de alguém. Nesse caso, houve um resgate da palavra, cujo sentido original se manteve. Uma informação: descobri que agora (não sei até quando) não se diz que a pessoa “tá viajando na maionese” (não prestando atenção ao que está acontecendo; fazendo ou dizendo algo sem lógica ou sentido). Ela “tá na Disney”. Isso posto e, como já cantavam Belchior e também Elis, “o novo sempre vem”, representado, por enquanto, pela geração Z. “São grupos muito mais tolerantes. Desde cedo eles são educados a conviver com o diferente”, diz a psicóloga e consultora da OMS Ilana Pinsky sobre essa turma. No entanto, levando em conta apenas o posicionamento isolado deles relativo aos millenials, permito-me discordar um pouco dela porque defendo a ideia de que gostos, costumes e vocabulário de qualquer geração, em qualquer época, merecem respeito e não são, definitivamente, objeto da vergonha alheia. Em outras “cringes” palavras, “cada um no seu quadrado”
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CULTURA
EVALDO BALBINO
A professa e escritora Regina Coelho, colunista do Jornal das Lajes, tomou posse, em sessão solene no dia 25 de julho último, na Academia de Letras de São João del-Rei. Professora de Português em Resende Costa por quase 32 ininterruptos anos, Regina assumiu a cadeira nº 2, cujo patrono é o poeta e jornalista Modesto Antônio de Paiva. Natural de Resende Costa, Regina Coelho graduou-se em Letras em 1979, pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras (atual UFSJ – Universidade Federal de São João del-Rei). Antes, porém, de se formar, lecionou Inglês na Escola Estadual Conjurados Resende Costa (hoje municipalizada). Depois de formada, passou a lecionar Português, primeiramente como contratada, depois efetivada mediante concurso público. Transferida para o Ensino Médio da Escola Estadual Assis Resende, ministrou também Literatura. Dando aulas de Língua Inglesa, integrou o corpo docente do antigo Colégio Nossa Senhora da Penha. Em 1987, bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete – MG. Em 1994, concluiu pós-graduação pela UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), especializando-se em Língua Portuguesa. Há 17 anos, participa ativamente da amiRCo (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa). Há 14 anos, contribui no Jornal das Lajes (JL), assinando a coluna “Contemplando as palavras”, em que demonstra seu claro e talentoso papel escritor. Recepcionada por mim na Academia, pude saudá-la com estas palavras: “Construo aqui flashes reveladores, momentos que nos podem mostrar a grande importância da nossa companheira na vida educacional e cultural de Resende Costa e região. Isso porque Regina Coelho é profissional das letras intimamente ligada à Educação e à Cultura de Resende Costa. E se pode dizer também que extremamente vinculada a uma região maior, porque responsável, desde fins da década de 1970, pela formação de muitos resende-costenses que, posteriormente à educação básica, alçaram voo para outros horizontes, outras cidades, outros estados e até mesmo diferentes latitudes.[...] Do ponto de vista cultural no sentido mais amplo, suas constantes participações em eventos da cidade, apoiando-os e até mesmo atuando diretamente em seu âmago, demonstram uma cidadã preocupada em formar cidadãos, evidenciam um sujeito competente
Foto: Arquivo pessoal
Regina Coelho toma posse na Academia de Letras de São João del-Rei
Regina Coelho tomou posse na Academia de Letras de SJdR
e engajado com a cultura e preocupado em cultivar cultura em todas as pessoas. Suas ações sempre se concretizaram na mediação de lançamentos de livros, no estímulo a alunos escritores, alimentando a escrita e a cultura do alunado por meio de mostras culturais, eventos teatrais e de música. Isso tanto nas escolas em que atuava, quanto em eventos de cultura no Teatro Municipal resende-costense e no Centro de Pastoral Paroquial.”. No discurso de posse, Regina Coelho rememorou os primeiros passos de seu trajeto profissional, quando já demonstrava inclinação às palavras. Do inicial desejo de fazer Comunicação Social com opção posterior para o Jornalismo, caminhou para o curso de Letras, por decisão pessoal e por orientação dos pais: “Influenciada por eles, reconheço, mas tendo a palavra final e o convencimento pessoal do passo adiante a ser dado, escolhi o curso de Letras [...]”. Quanto ao período de sua formação na faculdade, referiu-se a São João del-Rei como“a segunda casa dos resende-costenses, nossa referência mais próxima como cidade-polo, lugar para onde nos [deslocávamos] em busca dos muitos serviços ali ofertados à população da ‘Lage’ e cidades vizinhas [...]”. Falou-nos das idas e vindas entre a “cidade dos sinos” e a “Lage”, impulsionada, como muitos, a dar continuidade aos estudos. Aludiu à sua “sólida formação salesiana”, demonstrando-se grata à terra são-joanense, que acolheu por 33 anos o seu primo Alair Coêlho de Resende, “confrade e orador des-
sa cinquentenária Casa, tendo nela ocupado a cadeira número 2 ]...], à qual esse saudoso resende-costense emprestou como ninguém seu grande brilhantismo intelectual.”. Referiu-se Regina Coelho ao livro de sua lavra sobre seu pai, no prelo pois esperando momento propício para lançamento, Adenor de Assis Coelho – Centenário de nascimento: 1921 – 24 de abril – 2021. E destacou a importância da “memória privilegiada” do primo Alair, que, sendo apenas 10 anos mais novo que o tio Adenor, “foi um colaborador de primeira na reconstituição de fatos relevantes da vida” do biografado, sendo também o prefaciador da obra. Salientou os fortes laços afetivos e intelectuais cultivados ao longo dos anos entre ela e o Sr. Alair Coêlho. Tomando posse na Academia, com assento na mesma cadeira antes ocupada pelo primo, Regina manifestou o acerto em haver elegido o magistério como seu ofício e o sentimento de honra em ingressar na referida agremiação, comprometendo-se com os ideais dessa Casa e rendendo homenagem a Alair Coêlho de Resende, “mentor da proposição do [seu] ingresso a essa instituição no que talvez tenha sido seu último ato público.”. Demonstrando agradecimento aos confrades, a acadêmica finalizou seu discurso citando Cecília Meireles, poetisa e “também professora”: “a educação é uma das coisas deste mundo em que acredito de maneira inabalável.”. E arrematou a professora e escritora Regina Coelho: “Educação e cultura, sempre!”.
Trilha sonora RENATO RUAS PINTO
Notáveis cinquentões O mundo estava em efervescência nos anos entre 1967 e 1974. Colônias e países subjugados se levantavam contra seus senhores, a guerra do Vietnã estava à toda e mudanças de costumes sacudiam a juventude. Em outras palavras, o mundo incendiou-se literal e figurativamente. As artes sempre andam sintonizadas com seu tempo e costumam ser uma válvula de escape para as pressões acumuladas. Assim, foi natural que a produção de música popular andasse igualmente inflamada, refletindo toda a agitação em curso. O resultado foi uma quantidade de discos incríveis produzidos e que ainda hoje influenciam e são objetos de discussões e estudos. O tempo passa, mas as obras ficaram registradas nos fonogramas e em mídias que evoluíram. Nos últimos anos, temos visto uma série de grandes álbuns completando cinquenta anos e rendendo desde matérias a relançamentos ou edições luxuosas para celebrar sua importância. O ano de 1971 também registrou grandes lançamentos e vale a pena lembrar e ouvir alguns desses notáveis cinquentões. Construção – Chico Buarque: o álbum marca o retorno de Chico Buarque do exílio e é um disco de canções de alto teor crítico, reflexo de um dos períodos mais terríveis da ditadura militar, que estava sob o comando do general Médici. Com grandes músicas, como “Construção”, “Cotidiano” e “Valsinha”, é um disco que seguramente entra na lista dos álbuns mais marcantes de um dos maiores compositores da nossa música popular. Imagine – John Lennon: se o disco tivesse só a faixa título, já seria elogiado. Mas conta com outras ótimas músicas que mostram um lado intimista de John Lennon em canções quase confessionais. Para os fãs dos Beatles e de Lennon, o aniversário rendeu uma edição comemorativa de luxo com músicas extras e gravações alternativas. A caixa é um bocado cara, mas os extras podem ser ouvidos nas plataformas de streaming. Blue – Joni Mitchell: Joni Mitchell combina uma voz incrível com um talento único como compositora. Autora de melodias belíssimas e letras com conteúdo, ela teve suas músicas gravadas por outros artistas da cena folk antes mesmo
de lançar seus álbuns. O disco é totalmente autoral e, seguindo a tradição folk, é predominantemente acústico e com bases elegantes. A voz incrível de Joni é um bálsamo para a alma. Tim Maia – Tim Maia: após o grande sucesso da sua estreia no ano anterior, Tim conseguiu engatar uma boa sequência em um trabalho mais autoral do que o primeiro. O disco reúne algumas músicas que se tornaram sucessos do artista, como: “Não quero dinheiro” e “Você”. Tim Maia seguiu com sua fusão de ritmos brasileiros ao soul norte-americano e consolidou a reputação de revelação. Led Zeppelin IV – Led Zeppelin: o grupo de rock inglês já havia se firmado como uma das grandes bandas de rock dos anos 70, quando lançou o seu quarto disco. O amadurecimento da banda pode ser visto em um disco que mostra sua evolução, mas sem perder a pegada e suas bases pesadas. Recheado de grandes músicas, como “Stairway to heaven”, “Black dog” e “Going to California”, foi sucesso imediato de público e crítica. Pearl – Janis Joplin: a intensa vida de Janis foi interrompida precocemente aos 27 anos e apenas a poucos meses do lançamento deste álbum. Após alguns anos como parte da fraca “Big Brother and the Holding Company”, Janis finalmente conseguiu um contrato para se lançar como estrela principal e recebeu da gravadora Columbia uma produção que merecia. “Pearl” foi seu segundo disco solo e Janis mostra toda a potência que lhe rendeu fama nos anos anteriores. “Gilberto Gil” – Gilberto Gil e “Caetano Veloso” – Caetano Veloso: registrei os dois discos juntos por conta de seus paralelos. Os álbuns foram gravados no exílio na Inglaterra e contêm várias semelhanças. Nos dois, o tom é melancólico por conta das dores do exílio e a produção é bem simples. Enfim, os discos ilustram bem o espírito pesado daquele tempo por conta dos coturnos que esmagavam um país inteiro. A lista não para aqui, já que o ano de 1971 registrou outros grandes álbuns. Porém, fica aí a dica de audições preciosas de obras que resistiram ao teste do tempo, mas ainda assim servem como instantâneos de tempos agitados.
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De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
Tecnologia e sabedoria “Nosso futuro é uma corrida entre o potencial de crescimento da tecnologia e nossa sabedoria ao usá-la. Precisamos garantir que a sabedoria vença”, escreveu Stephen Hawking (1942-2018), o grande físico inglês. Há ano e meio, a maioria esmagadora de nossas escolas de educação básica não utilizava tecnologia alguma de ensino. Por falta de recursos tecnológicos instalados, por despreparo de nossos professores e por outras muitas razões. De repente, nada mais que de repente, as escolas, para tentar minorar o prejuízo que a pandemia veio causar, passaram a se servir da internet,
dando origem ao ensino a distância, nos ciclos fundamental e médio. A utilização de tal tecnologia, mesmo sem os devidos cuidados relativos ao preparo do professorado, à inexistência de recursos por parte notável dos alunos, veio para ficar. Nossas escolas, mesmo públicas, nunca mais serão as mesmas de antes da pandemia, do ponto de vista do ensino. Do ponto de vista da educação, nada de novo, porque a educação acontece com o estabelecer-se de uma relação interessante entre os muitos atores da escola. A novidade surgida exige sabedoria. Além de competência e habilidade na utilização dos recursos tecnológicos,
entendo, com absoluta clareza, que as escolas deveriam ter coragem para radicalizar no aspecto relativo aos conteúdos: REDUZI-LOS DRASTICAMENTE. Quem tem algum interesse em escola, se tomar nas mãos os livros utilizados no ensino fundamental e no médio, não vai acreditar que seja possível ajudar os alunos a adquirir tantos conhecimentos. É exageradamente demais. Que bom, dizem alguns, os meninos sairão da escola com uma invejável cultura geral. Não, não é verdade. Basta considerar que, para o aluno ser aprovado, a escola considera que obter um quatro ou um cinco nas avaliações seja suficiente, esquecida de que os
demais pontos que faltam para alcançar o dez possam conter o essencial de um programa. Nem mesmo com a melhor das tecnologias de ensino o excesso de conteúdo não deixa tempo para que o essencial aconteça: aprender a ler, no sentido amplo da palavra. No mundo atual, quem sabe ler não precisa de uma escola que lhe forneça conhecimento. Quem não sabe ler, aliena-se. A ausência da leitura é responsável pelo apagão educacional que todos lamentamos. A ausência da leitura é que provoca o analfabetismo político que presenciamos e que se constitui como clara manifestação de nossos problemas educacionais. Quando o povo souber
ler, seremos um país melhor. Para que a tecnologia produza seus frutos, é necessário trabalhar estrategicamente, isto é, com a identificação de esquemas de intervenção que tornem a ação mais eficaz. Isso é sabedoria. E, em termos de ensino, a sabedoria exige uma radical redução dos conteúdos para que se possa cuidar do essencial: aprender a ler. Que os recursos tecnológicos aconteçam. Que os preceda a sabedoria, a garantir-lhes eficácia. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
Gente que fez e faz a história
Tributo aos nossos amigos (Memórias) José Maria José Maria, João da Vovó, José Alair, João da Zica e Jorge da Sebastiana. Foram todos meus amigos. O primeiro da lista é o Zé Maria, filho do saudoso Zé do Jesus e Dona Chiquinha. Deixou muita saudade o amigo Zé Maria, que partiu em 1989. Participamos, juntos com outros amigos, da “Turma do Meio-Dia”. Por que o nome? Porque nos encontrávamos quase todos os dias ali na avenida (Rua Gonçalves Pinto), no centro, por volta do meio-dia.Temos uma foto dessa época em que éramos felizes e não sabíamos. Zé Maria participou também de grupos musicais, na época chamados de conjuntos pelo saudoso José Alair (Jota Resende). Os conjuntos tocavam os sucessos do rock nacional dos anos 80. Fica registrada aqui a minha saudade do amigo Zé Maria, que partiu tão novo ainda para a morada celestial. João da Vovó Já escrevi sobre o João da Vovó em uma edição antiga do Jornal das Lajes. Hoje, volto a me lembrar do João na crônica “Tributo aos nossos amigos”. O João se tornou um grande amigo. Era conhecedor de muitas músicas, gravava suas fitas e isso se tornou um passatempo preferido dele. Gravava e vendia
as cópias para os amigos, numa época em que as fitas K7 vendiam muito até a chegada dos CDs. Corriam os anos de 1989, 90 e 91, época da Loja Camarim – Roupa e Presentes (Rua Assis Resende); em frente, estava o Bar do Tião e do Paulinho (Bar São Judas Tadeu). Nas Festas do Rosário, ali era o nosso ponto de encontro, onde as fitas eram vendidas. Que tempo bom foi aquele, João! Mas num determinado dia você se sentiu mal, caiu e foi levado às pressas para o hospital. Não deu tempo. Você não resistiu e partiu. Quanta saudade você deixou em nós, seus amigos, que jamais o esqueceremos! José Alair Era também muito conhecido como Jota Resende. Fã dos Beatles, do Roberto Carlos, da Jovem Guarda e do rock dos anos 80. José Alair animava a juventude daquela época. Comandou grupos de jovens, formando bandas musicais que faziam grande sucesso na época. Entre os músicos estavam o Camilo Fernando, Zé Maria, o Rogério do Neném, Paulo César da Penha, o saudoso Maurício na bateria, o Wander Morais e outros. Jota Resende também liderou grupos de teatro e shows de calouros no CPP (Salão Paroquial), que ficava lotado nas noites do Encontro de Inverno do Movimento Raízes. José Alair
participou de uma coluna no Jornal das Lajes, escrevendo sobre a família Resende. Viveu intensamente a cultura de nossa terra. Fazíamos viagens para as cidades vizinhas a fim de assistirmos a shows de grandes artistas e bandas de rock. Com o José Alair fui a São João del-Rei, em 1995, para comprarmos o meu primeiro vídeo-cassete, grande atração da época, antes do DVD. Foi com ele também que assisti ao show do Roberto Carlos no campo do Minas, em São João del-Rei, em 1998. A outros grandes shows assistimos juntos, como as apresentações do Roupa Nova, em Ritápolis, e da banda 14 Bis, em São Tiago, na Festa do Café com Biscoito. Um show nos chamou a atenção no ano de 2007: a apresentação de três bandas dos anos 60 e 70, numa só noite, em São João del-Rei. A abertura do Inverno Cultural da UFSJ daquele ano trouxe ao palco os Pholhas, Renato e seus Blue Caps e The Fevers. Um grande espetáculo para todos nós. José Alair reclamava muito do frio, uma vez que os shows aconteceram, na maioria das vezes, durante o inverno. Ele então dizia: “É impressionante como faz frio nessa região”. Num determinado dia, durante uma missa na Semana Santa, José Alair sentiu-se mal. Foi levado ao hospital, porém não resistiu e nos deixou naquela noite. Foi uma grande perda para nós, seus amigos, que sentimos
muito a sua falta hoje e sempre. João da Zica De segunda a sexta-feira, sempre às 5 horas da tarde, entrava no ar o “Rancho do Cumpadre João”, comandado pelo nosso saudoso colega e amigo João da Zica ou João do Rancho, como ele gostava de ser chamado. João gostava muito de rádio e, quando a Rádio Inconfidentes foi inaugurada, em 2003, ele logo se colocou à disposição para algum programa. Ele foi chamado, assim como o saudoso Zeca Tenentinho. Ambos eram apresentadores de programas sertanejos. O João lembrava muito o programa do Zé Bétio, da Rádio Record SP, com passarinhos e galos cantando, gato miando, cachorros latindo e toda a bicharada reunida. Quando o programa ia ao ar, os grandes sucessos sertanejos eram tocados, com o Batista ou o Neném Ramos auxiliando o João na mesa de transmissão. O João atendia a todos os ouvintes com o carinho de sempre, lendo as cartinhas e atendendo ao telefone. Temos boas recordações do nosso saudoso João, que será sempre lembrado por todos nós. Jorge da Sebastiana “Segura, seu Jandico! Firma a cadência, seu Zico!” Era com esse anúncio que Jorge da Sebastiana chamava a próxima música, acrescentando ainda: “E é com você, maestro!”
CAMILO VALE
Marchas e dobrados faziam parte do seu programa “Lá vem a banda”, nas manhãs de domingo da Rádio Inconfidentes. Jorge participava sempre de nossas reuniões, dando sugestões para a nossa programação. Com isso, ele ganhou um novo programa nas manhãs de domingo, que ainda está no ar. É o programa “Parada Popular”, às 5 horas da manhã, que leva aos ouvintes os grandes sucessos dos cantores populares dos anos 60, 70 e 80. Jorge era muito dedicado à cultura de nossa terra e acompanhava sempre as festas populares e os encontros de bandas de música. Hoje, lembramo-nos dele com muito carinho. Um amigo e colega que deixou muitas saudades em todos nós da Rádio Inconfidentes. Jorge será sempre lembrado. Com esse texto, presto uma homenagem a alguns de nossos amigos que partiram desta vida. Sabemos que a vida segue, mesmo depois da morte. E eles estão lá no mundo espiritual. Assim como eu, muitos de nossos amigos sentem a falta deles, daí essa simples homenagem. Depois de um longo tempo ausente, volto a participar do Jornal das Lajes, agradecendo à direção e a toda equipe por mais essa oportunidade. Aos nossos amigos que se foram, tenho uma última mensagem: José Maria, João da Vovó, José Alair, João da Zica e Jorge da Sebastiana: que saudade de vocês!
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Regional
Inaugurado o mineiro “Caminhos de São Tiago”, inspirado em Compostela DA REDAÇÃO
Neste ano santo jacobeu de Compostela, Minas Gerais ganhou, no dia consagrado ao apóstolo, 25 de julho, o “Caminhos de São Tiago”, entre a histórica Ouro Preto, na região Central do Estado, e a “cidade do café com biscoito”, na região do Campo das Vertentes. Inspirada no místico Caminho de Santiago de Compostela, na Galiza (Espanha), a nova rota turístico-religiosa atravessa 11 municípios numa extensão de 274 quilômetros, a maioria na zona rural. Devido à pandemia de Covid-19, cada um dos 11 municípios promoveu evento simples de inauguração de seu percurso, contando apenas com a participação de autoridades e idealizadores do caminho e de grupos de ciclistas, cavaleiros e caminhantes. No total, são 360 marcos (tótens) de sinalização indicativa no sentido São Tiago, num passeio que poderá ser feito a pé, de bicicleta, carro, moto ou a cavalo. “As pessoas poderão dormir nas cidades e percorrer o caminho durante o dia”, disse Marcus Vinícius Januário, gestor da Trilha dos Inconfidentes (Estado de Minas, 22/07/2021)*. Os caminhantes poderão apre-
ciar paisagens, como serras, rios e cachoeiras; conhecer fazendas, casarios coloniais, igrejas barrocas, monumentos históricos e artesanatos; manifestar a sua religiosidade; desfrutar da comida típica e da hospitalidade do povo mineiro. “O objetivo é dinamizar a economia das cidades, especialmente as de menor porte, atrair visitantes e dar maior visibilidade aos pontos de relevância turística”, informou Marcus Januário. RESENDE COSTA Um dia antes da festa do Apóstolo, no sábado (24), Resende Costa inaugurou o seu trajeto no Caminhos de São Tiago, representado pelos circuitos turísticos Villas e Fazendas e Trilha dos Inconfidentes. A cerimônia de inauguração aconteceu no Mirante das Lajes, ponto turístico e cartão-postal da cidade do artesanato, com a presença de autoridades locais e da região, representantes de associações e conselhos e dos circuitos. Para o evento, a cidade recebeu uma equipe de ciclistas de Lagoa Dourada. E as equipes de ciclistas Lagartixas Bikers e Pedal Sem Fingimento fizeram o pedal inaugural, partindo de Resende Costa com destino à vizinha Coronel Xavier Chaves. O vice-prefeito municipal em exercício no cargo de Prefeito, Lu-
cas Paulo de Assis Vale, elogiou a iniciativa: “O projeto é importantíssimo para a valorização e o desenvolvimento do turismo em nossos municípios.” E manifestou confiança no seu sucesso: “Acreditamos no potencial e no quanto o turismo vai agregar à nossa cidade, especialmente através do Caminhos de São Tiago.” Também o secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, André Eustáquio Melo de Oliveira, destacou a importância do projeto: “É um projeto grandioso e ao mesmo tempo ambicioso, pois envolve 11 municípios que têm suas particularidades e características. Mas todos estão de mãos dadas e comprometidos com o sonho comum de consolidar o turismo como fonte de renda, emprego e desenvolvimento.” No domingo, 25, aconteceu em São Tiago uma comemoração dupla: a celebração do padroeiro e a conclusão da série de inaugurações do roteiro, destacou o prefeito Alexandre Nonato Almeida Vivas. Ele enfatizou a importância do projeto, “tão consistente” e “tão bem conduzido pelo ex-prefeito Denilson Reis”, ressaltando: “o Caminhos de São Tiago não é um ativo cultural e turístico que pertença apenas à administração pública, mas é das comunidades que, a partir de hoje, têm encontro marcado com
Representantes de Resende Costa durante cerimônia de inauguração na cidade de São Tiago
os caminhantes que circulam pela região.” Integram o Caminhos de São Tiago os municípios de Ouro Preto, Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete, Queluzito, Casa Grande, Entre Rios de Minas, Lagoa Dourada, Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Ritápolis e São Tiago. Na praça central de São Tiago, há um marco e uma placa de boas-vindas: “A mais completa rota turística das Minas Gerais, por onde se aventuraram tropeiros e inconfidentes. Um roteiro onde transbordam história, natureza, religiosidade e toda a hospitalidade do povo mineiro. Inspirado no Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, Minas tem agora o seu próprio Caminhos de São Tiago.”
PARCERIA Marcus Januário disse ao jornal Estado de Minas que já estão adiantados os entendimentos para uma parceria entre os caminhos mineiro e europeu. “A ideia é que o trecho percorrido aqui se some ao espanhol, o que totaliza mais de 800 quilômetros, com pontos de partida em Portugal e França. Assim, o caminho mineiro, a exemplo do europeu, que atrai gente do mundo inteiro, também passaria a ter um passaporte para moradores e visitantes registrarem sua participação.” *Caminhos de São Tiago: Minas lança roteiro turístico inspirado na Espanha.
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Os negócios envolvendo “imóveis rurais” (sítios e terrenos acima de 2 hectares) em Resende Costa aumentaram 23% em 2020, primeiro ano da pandemia, para 192 propriedades transferidas, quando comparados com 2019, de acordo com informações do setor de cadastro da Prefeitura Municipal. No período de janeiro a julho deste ano, a quantidade de transferências somou 92 imóveis denominados rurais. Mais de 70% desses negócios abrangem propriedades de pequeno e médio portes, observa o engenheiro civil Leandro Kloser. “É um reflexo do que acontece atualmente no Brasil: a procura por imóveis rurais é uma forma de investir na economia em tempos de instabilidade econômica. Em particular, a procura por sítios de pequeno porte, onde famílias possam ter momentos de lazer, e terras de grande porte (fazendas), para plantio ou criação de animais.” No caso específico de compra de fazendas, a maioria é para atender a necessidade de terras boas para alguma atividade econômica, acrescenta. Há um mês e meio atuando como corretor de imóveis, Aurélio Suenes Resende constata uma
grande demanda no meio rural, principalmente de propriedades para plantio de grãos, mas também para pecuária de corte –“são terrenos maiores, de no mínimo 80 a 100 hectares, para viabilizar o deslocamento de máquinas.” Ele atribui esse interesse ao aquecimento nas exportações do agronegócio e à valorização do preço da carne. Mas Aurélio também verifica alguma procura por sítios, para descanso nos finais de semana e feriados. “O pessoal está buscando muito o sossego, o desligar um pouco da vida urbana; então houve um aquecimento nesse sentido.” Além disso, o corretor resende-costense considera que essa demanda por imóveis menores tem relação com algum movimento positivo da economia, apesar da pandemia, e também devido aos juros baixos. “A gente tem visto um giro maior de capital no mercado. As pessoas não estão guardando dinheiro, mas procurando fazer investimentos; e um bom investimento sempre foi em imóveis.” SÃO JOÃO DEL-REI Também em São João del-Rei a procura por sítios aumentou muito, diz o corretor Eustáquio Coelho Resende, da Venância Imóveis e da diretoria do Sindcomércio (Sindicato do Comércio
Varejista). “Essa pandemia realmente aqueceu muito o mercado nesta área. Antes, o pessoal queria fugir da roça; agora, muita gente voltou pra roça. Foi o medo da contaminação e a necessidade de respirar um ar mais puro.” Com isso, houve acentuado aumento nos preços desse tipo de imóveis, principalmente perto da cidade, constata Eustáquio. “Para terreno que valia R$ 5 mil o hectare estão pedindo R$ 15 mil, R$ 20 mil o hectare. Para os bem próximos à cidade, estão falando em R$ 50 mil o hectare.” E n t r e os negócios mais comuns, Eustáquio cita chácaras pequenas (cerca de 1000 metros) em volta da cidade. “Terrenos na faixa de R$ 60, R$ 70 mil tiveram boas vendas. A região do Córrego do André, por exemplo, foi uma área que cresceu bastante.”
Foto: Aurélio Suenes
Negócios de imóveis rurais aquecidos em Resende Costa e SJDR
O interesse pelo campo está em alta
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SAÚDE
Usina de oxigênio deve ser instalada no Hospital Nossa Senhora do Rosário neste mês de agosto VANUZA RESENDE
Em junho de 2021, a Prefeitura Municipal de Resende Costa anunciou que abriria processo para aquisição de uma usina de oxigênio para o Hospital Nossa Senhora do Rosário, a fim de atender às demandas da instituição. A previsão inicial é de que a usina seja instalada ainda neste mês de agosto. De acordo com o vice-prefeito municipal em cargo do exercício de prefeito, Lucas Paulo, o trâmite de pagamento já está encaminhado. “O hospital fez o pagamento da primeira parcela e a prefeitura já destinou o pagamento da segunda parcela no valor de R$236.000,00, oriundos de recursos próprios que, inclusive, já foi aprovada pela Câ-
mara Municipal”. Ainda de acordo com Lucas, a prefeitura também cedeu mão de obra necessária para a instalação da usina. Em vídeo divulgado pela Prefeitura Municipal de Resende Costa, no dia 15 de junho, a Diretora Administrativa do Hospital Nossa Senhora do Rosário, Irmã Auxiliadora, disse que o modelo da usina adquirida é o mesmo utilizado no Hospital de Cruzília, também administrado pelas Filhas de São Camilo. “Com esta usina vamos ter maior tranquilidade.Foi um custo alto porque o hospital liberou R$250.000,00 para pagar a primeira parcela da compra da usina, mas um gasto necessário.” De acordo com a Irmã Auxiliadora, o recurso investido é proveniente da venda
de um terreno à prefeitura eque pertencia ao hospital. No espaço será construída uma quadra. A diretora do hospital destacou a alta demanda por oxigênio pela instituição. “Nesse período, nós estamos com um consumo muito grande de oxigênio que é carregado em cilindros. Do dia 25 de maio até 15 de julho, entraram no Hospital 99 cilindros de oxigênio. E nós só estamos conseguindo manter esse serviço com a ajuda da população, que está sendo muito generosa. Por vezes, pacientes precisaram ser transferidos para outras unidades de saúde para dar mais segurança, porque, com o consumo muito alto, a pressão do oxigênio que fica no hospital abaixa. Portanto, se for necessário intubar um pa-
ciente urgentemente, podemos ter problemas. Por isso, nós optamos por pedir para a regional a transferência dos pacientes”, explica Irmã Auxiliadora. Lucas afirmou que a instalação da usina será suficiente para atender à demanda do Hospital Nossa Senhora do Rosário. “Com certeza, será possível atender toda a demanda, uma vez que a usina terá capacidade maior do que a existente, que sempre deu conta, mas devido ao tempo de uso e o aumento recente das demandas, não estava mais atendendo”. O vice-prefeito destaca a importância da aquisição. “Toda a nossa população é atendida ali e vimos exemplos tristes, como em Manaus, que passou por uma situação muito grave. E para
além da questão da pandemia, que está amenizando a cada dia, é uma aquisição importante porque o oxigênio é sempre necessário. A prefeitura está empenhada em sempre fazer convênios necessários com o hospital, além de destinar recursos para a saúde no município. Sabemos sabe que passamos por um momento complicado, mas as coisas vão se ajeitando e, claro, o hospital foi nosso parceiro e fez o que pôde e o que não pôde durante momentos críticos da pandemia. Estaremos sempre de portas abertas para continuarmos com essa parceria tão importante”. *A reportagem tentou contato com a Irmã Auxiliadora, porém não obteve resposta para as solicitações de entrevista.
O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES
LGBTQIA+ 28 de junho é o dia do Orgulho LGBTQIA+. Este ano, houve pouco que comemorar. Talvez a confissão de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, declarando-se homossexual: “Eu não sou um gay governador, sou um governador gay”. E muito a lastimar: o jovem brasileiro gay, cruelmente assassinado na Espanha, mês passado (ainda bem que houve significativas manifestações de protesto, inclusive do 1º ministro); a lamentável manifestaçãodo Vaticano, em nota diplomática, invocando inclusive a Concordata de São João de Latrão, de 1929, contra o projeto de lei debatido no parlamento da Itália, que criminaliza atos contra pessoas LBTGQIA+; o crescimento da violência de gênero na Argentina: o cerco a gays (caso dos governos da Hungria e Polônia e outros). O retrocesso e o desrespeito aos direitos humanos
motivaram essas linhas. Explicando a sigla do título. Essas mudanças na nomenclatura ocorrem porque, felizmente, a sociedade tem aberto cada vez mais espaço para a discussão e estudo em torno da representatividade de gênero, observando, no entanto, que essas alterações, ou até mesmo os respectivos significados de cada letra da sigla, podem gerar dúvida e confusão L - lésbica. G-gay. B - bissexual. T- transexual. (Pessoa que assume o gênero oposto ao de seu nascimento. Uma identidade ligada ao psicológico e não ao físico, pois nestes casos pode ou não haver mudança fisiológica para adequação). Q - queer, termo inglês ofensivo (“bicha”). No entanto, as pessoas do grupo se apropriaram dele. Hoje é uma forma de designar pessoas que não se encaixam à heterocisnormatividade, que é a imposição compulsória da
heterossexualidade e da cisgeneridade: condição da pessoa cuja identidade de gênero corresponde ao gênero que lhe foi atribuído no nascimento. Por exemplo, alguém que nasceu mulher e se identifica como mulher é cisgênero. O termo cisgênero é o oposto da palavra transgênero. I - intersexo: relativo a pessoas que não se veem adequadas à forma binária (feminino e masculino) de nascença. Ou seja, seus genitais, hormônios etc. não se encaixam na forma típica de masculino e feminino. A - assexual (pessoas que não possuem interesse sexual).O mais (+) serve para abranger a pluralidade de orientações sexuais e variações de gênero. O “Dicionário Básico de Filosofia” (Jorge Zahar Editor, 3ª ed.) define o preconceito como “opinião ou crença admitida sem ser discutida ou examinada, internalizada pelos indivíduos sem dar conta disso, e influenciando seu modo de agir e de considerar as coisas. O preconceito é constituído, assim, por uma visão de mun-
do ingênua que se transmite culturalmente e reflete crenças, valores e interesses de uma sociedade ou grupo social. Entretanto, é preciso admitir que nosso pensamento inevitavelmente inclui sempre preconceitos, originários de sua própria formação, sendo tarefa da reflexão crítica precisamente desmascarar os preconceitos e revelar sua falsidade”. O ser humano, desde que foi se destacando dos animais pela autoconsciência, sempre vive mergulhado em preconceitos. Morre um ou outro, mudam os objetos, as formas, mas continuam gerando estragos e injustiças, causando violência, engessando comportamentos. Os tempos futuros serão assim? Quem vai saber?! Pesquisas mostram. Segundo José Leon Crochik, da Universidade de São Paulo (“Preconceito, indivíduo e sociedade”), o preconceito não é inato, embora haja indivíduos mais predispostos. Ele se instala no desenvolvimento individual como um produto das re-
lações entre os conflitos psíquicos e a estereotipia do pensamento. Uma das questões centrais sobre o preconceito refere-se a como se dá a relação entre os aspectos psíquicos e sociais na sua constituição. Ou seja, ao mesmo tempo que podemos afirmar que o indivíduo predisposto ao preconceito independe dos objetos sobre os quais ele recai, podemos dizer também que o objeto não é totalmente independente do estereótipo apropriado pelo preconceito que lhe diz respeito. O estereótipo em relação ao negro não é o mesmo daquele que se volta contra o judeu, que, por sua vez, é diferente do estereótipo sobre o deficiente físico. Portanto, a dissolução do preconceito caminha pelas mudanças sociais e pela educação. Já os atos e atitudes motivadas pelo preconceito se combatem pela repressão legal que os criminaliza. E pela vontade política. Claro, leis bem feitas, com boa aplicação, ou seja, eficazes. É o que penso. E você?
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INTERCOOPERAÇÃO
Sicoob Credivertentes fecha parceria e promove capacitação digital de professores Projeto, que uniu a cooperativa ao Sicoob Saromcredi, expande atuação institucional que já conta com incentivos culturais, socioambientais e profissionalizantes A digitalização do Ensino já era tendência nos últimos anos. De recursos multimídia aos edutubers (professores com canais próprios no YouTube), a expectativa era de que conteúdos em bytes ocupassem espaços cada vez maiores na troca de conhecimentos. Em 2020, porém, a Pandemia causada pelo Coronavírus acelerou o “download” desse processo. A reboque do distanciamento social trazido pela crise sanitária, mais de 2,5 milhões de educadores do país trocaram as salas de aula por salas virtuais. E por mais conectados ou online que já fossem com redes sociais, por exemplo, essa mudança não foi tão simples. Surgiu exatamente aí, nesse contexto, a parceria entre o Sicoob Credivertentes, de São Tiago (MG); e o Sicoob Saromcredi, de São Roque de Minas. Embora cerca de 300km separem as sedes das duas instituições, o Cooperativismo as aproximou e teve como ápice a formação de 13 professores no Programa de Capacitação Digital SaromTech. O foco? Novos formatos e sistemas para lecionar via internet. Em agosto, a proposta chega à segunda etapa e, nela, os primeiros profissionais participantes atuarão como “multiplicadores”. Isto é, levarão tudo o que aprenderam a mais colegas do interior mineiro. PARCERIA A iniciativa do Sicoob Saromcredi integra o Movimento CoopEducação via Instituto ELLOS e já soma 1,7 mil professores formados junto a 62 escolas parceiras em Minas Gerais. Com esses
resultados, e praticando o 6o princípio cooperativista, de Intercooperação, o Sicoob Credivertentes “importou” a proposta para 11 municípios da região. Assim, implementou um conjunto de atividades cooperativas promovendo incentivos culturais, socioambientais e profissionalizantes. “Estamos cumprindo o nosso papel de mobilização coletiva, desenvolvimento comunitário. Queremos, de maneira estratégica e entendendo os chamados sociais, atuar em tantos setores quanto possível”, explica o presidente do Conselho de Administração e membro-fundador do Sicoob Credivertentes, João Pinto de Oliveira. De acordo com o assessor de Educação da instituição parceira, Leonardo Bernardes, a junção de forças foi gratificante. “Ao mesmo tempo em que houve mudança de mindset e partilha de novas tendências educacionais para os participantes, houve a vivência do Cooperativismo em sua essência. Para nós, é mais do que satisfatório compartilhar nossas práticas e impactar a vida das pessoas de maneira tão rica”, diz. EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA (EAD) O conselheiro fiscal do Sicoob Credivertentes, Luís Cláudio dos Reis, atuou no processo de mobilização nas cidades envolvidas (todas do Campo das Vertentes mineiro). Segundo ele, o trabalho de abordagem e articulação com secretarias de Educação, por exemplo, aconteceu nos meses de maio e junho. Nesse período, foram sugeridos aprendizes para a formação e houve conversas com
manifestação ou não de interesse. Já de 12 a 15 de julho ocorreram as aulas em si, totalmente online, focando em Gestão Digital, Paradigmas Educacionais, Comunicação e Desenvolvimento Intrapessoal. Os encontros virtuais contaram com materiais complementares e envolveram, ainda, atividades práticas. “O mais interessante”, explica Reis, “é que junto com o aprimoramento profissional houve cuidado emocional, motivação. E tudo isso chegará aos estudantes. Isto é, a nossas crianças e nossos jovens”. MULTIPLICAÇÃO Os 13 participantes do Programa de Capacitação Digital SaromTech são das cidades de São João del-Rei, Barbacena, Itutinga, Coronel Xavier Chaves, Ritápolis, São Tiago, Resende Costa, Senhora dos Remédios, Dores de Campos, Ibertioga e Piedade do Rio Grande. Em agosto, eles assumem outro papel: o de multiplicadores, coordenando novas turmas com até dez educadores. A professora Flávia Magalhães será uma das pessoas com essa missão. Para ela, a capacitação na parceria entre Sicoob Credivertentes e Sicoob Saromcredi foi transformadora. Por isso mesmo, já existe a ansiedade para levar tudo o que aprendeu a outros profissionais. “Quando somos apresentados a mecanismos novos, um leque se abre para nossa criatividade. Quando esbarramos com sistemas que já conhecemos e usamos, fica evidente que estamos no caminho certo. Isso, sem dúvida fortalece todos nós”, encerra.
REFLEXÕES
por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração
INCLUSÃO DIGITAL EM NOSSAS ESCOLAS A Pandemia de COVID-19 forçou-nos todos a mudanças de hábitos, a reciclagens de comportamentos e rotinas – em especial motivados pelo distanciamento social, pelo fechamento de empresas e escolas. O ambiente educacional, aliás, é um dos mais que tiveram
transtornos e tem maior necessidade de inovação, inserindo-se na área da Informação e da Tecnologia Digital. Isto é, descortinando novas oportunidades, novas fontes de conhecimento e recursos de aprendizagem. O Sicoob Credivertentes, através do método SaromTech, oferece
OUTRAS AÇÕES Na esfera Cultural, o Sicoob Credivertentes aposta em publicações próprias, como o boletim memorialístico Sabores & Saberes, a revista Vertentes Cultural e livros. O mais recente, biográfico, foi lançado neste mês. Os exemplares de todos eles podem ser acessados em sicoob.com.br/web/sicoobcredivertentes. Já quando o assunto é aperfeiçoamento profissional, outras duas parcerias fazem toda a diferença para empreendedores rurais do Campo das Vertentes, região-sede da cooperativa. Desde 2007, ela é aliada ao Senar na realização do programa Gestão com Qualidade no Campo (GQC); e à Faemg na promoção do Balde Cheio. O primeiro capacitou, até aqui, 260 produtores (que se tornaram empresários rurais); enquanto o segundo amplificou desempenhos e mudou histórias de 80 pecuaristas leiteiros em 12 cidades ou distritos. Por fim, em 2019 foi implementado o projeto Minas + Vertentes. A proposta, que foi indicada ao Prêmio José Costa, visa o cercamento gratuito e com acompanhamento técnico de nascentes. Na primeira edição, 23 nascentes (o equivalente a 7km de extensão) em 11 propriedades foram beneficiadas. Em menos de um ano, fluxos hídricos foram duplicados e garantiram acesso a recursos potáveis para mais de 20 famílias em São Tiago, Ritápolis e Resende Costa. Em 2021, a ação desembarcará em São João del-Rei, Prados e Coronel Xavier Chaves.
plataformas de aprendizado e soluções digitais às redes escolares de nossa região, permitindo a melhor e mais adequada difusão do conhecimento. Assim, enaltece, fortalece e motiva os abnegados mestres que, mesmo virtualmente, mantiveram sólidas, erguidas, as pontes entre nossos estudantes e o futuro.
Modelo, portanto, de cidadania, de comprometimento. Daí nosso orgulho em atuar como parceiros e colaboradores nessa jornada. “Reparta seu conhecimento. É uma forma de alcançar a imortalidade” (Dalai Lama)
ANO XVIII Nº 220 - AGOSTO 2021
JORNAL DAS LAJES
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De olho na cidade
Pedro Alves e seu trabalho no Arraial da Lage na segunda metade do século XIX Na edição do último mês de abril, trouxemos uma informação que diz respeito à prática musical em Resende Costa no século XIX. De posse de um manuscrito da habanera El sol de Sevilla, do compositor espanhol Sebastián Iradier Salaverri (1809-1865), deixamos, como se diz, algumas perguntas no ar. A data do trabalho – Lage, 13 de outubro de 1875 – realizado por Neto, chamou nossa atenção e também de outras pessoas interessadas em fatos ocorridos aqui em épocas passadas. Perguntamos quem seria Neto e para quem ou por qual motivo ele realizara a cópia da partitura para voz e piano. Outra curiosidade: para quem teria sido feito o trabalho e quais teriam sido os seus intérpretes naquela época. Desde então, algumas res-
postas começaram a surgir. Na época o maestro Wagner Barbosa, regente do Coral e Orquestra Mater Dei, mostrou interesse em ver o manuscrito, visto que tinha informações acerca de Neto, o copista. Segundo o maestro, trata-se de Pedro Alves de Andrade Neto, que se tornou conhecido aqui no Arraial da Lage como Mestre Pedro Alves. Ele nasceu em 1850, em São João del-Rei, e mudou-se com sua família para Resende Costa por volta do ano de 1869. Aqui na Lage, ele atuou como professor público e mantinha uma escola para meninos, enquanto sua mãe, dona Ilídia Mesquita, mantinha uma escola para meninas. Fez parte da mesa administrativa das Irmandades do Santíssimo Sacramento, de Nossa Senhora do Ro-
sário e foi o criador da primeira corporação musical do Arraial, ainda ativa na cidade, com o nome atual de Coral e Orquestra Mater Dei. Pedro Alves faleceu em 1900, com cinquenta anos de idade, e foi sepultado no adro da Igreja Rosário. Por ser ele inteiramente integrado ao arraial e em reconhecimento às atividades que aqui desenvolvera, é que escolheram uma rua do arraial para dar a ela o nome do músico e professor das primeiras letras. Trata-se da Rua Pedro Alves, de um quarteirão que fica no cento da cidade. Ela começa na Praça Dr. Costa Pinto e finda na confluência da Rua Moreira da Rocha com a pequena Praça maestro João AugustoReis. Valendo-nos de documentos, como o caso de material
musical manuscrito ou impresso, empreendemos um trabalho de pesquisa de forma a buscar mais informações sobre práticas musicais ocorridas em tempos passados tanto no âmbito da Igreja Católica quanto noutros ambientes, tais como residências, auditórios ou fazendas. Foi a partir do manuscrito da peça habanera que, vasculhando um acervo, descobrimos outros trabalhos feitos por ele: a cópia de uma valsa, um Solo ao Pregador, um Domine. A imagem que ilustra hoje nossa coluna é de um manuscrito feito por ele. Nele, o copista Neto deixou sua assinatura bem à direita, na parte superior do documento. Trata-se de uma valsa e a parte é para Ophcleide, instrumento que, apesar de ter uma sonoridade muito agradável, caiu em desu-
Foto: Arquivo Edésio Lara
EDÉSIO DE LARA MELO
Partitura de valsa do compositor e copista Neto
so ainda na segunda metade do século XX. O pequeno manuscrito, medindo 11,5 x 15,0, não tem data nem lugar. A única certeza que temos, o que é bastante óbvio, é a de que o trabalho foi realizado ainda no século XIX e, certamente, na Lage.
Retalhos literários EVALDO BALBINO
Tia Donana Chamava-se Ana, nome que se fundia ao “dona”, funcionando este vocábulo como forma de tratamento, chegando-se à formação de don’Ana. Escrevo “Donana”, sem apóstrofo, porque o nome passou a ser de fato, na boca do cotidiano, uma palavra só, sem sinais diacríticos duma escrita cheia de paramentos. Eu ainda pequeno, e a família morando no povoado do Ribeirão de Santo Antônio. Não sei se foi a minha primeira ida a Resende Costa, mas tenho comigo que é a primeira lembrança que tenho da pequena cidade. Depois da trajetória entre latas de leite, na carroceria dum caminhãoque nos levara para a cidadezinha, mamãe segurava minhas mãos nas ruas vazias que eu não conhecia. Vazias sim, porém mais animadas do que as estradas do Ribeirão. A casa que meus pais construíam já estava quase pronta. Em breve seríamos mais vidas entrando para a estatística do êxodo rural. Agora, entretanto, era um
passeio rápido, o olhar pequeno vendo mundo tão grande. Ainda não era a mudança definitiva. Pernas e mãos franzinas de um turista em formação. Chegamos de tardezinha à vila. A rua descalça. Nós descendo empoeirados do caminhão em que antes estávamos empoleirados, gado humano em meio ao leite de vaca. E foi com o cheiro de leite gordo das vacas rurais do município que entramos na casa que meu pai erguia com suas mãos pedreiras. Lembro a conversa do pai e da mãe, ele mostrando a ela a sala, os três quartos, a copa funcionando como cozinha improvisada. Da copa abria-se uma janela para outra parte interior da vivenda: mais quatro cômodos à espera de família grande, os quais se tornariam depois mais um quarto, o banheiro, a despensa e a cozinha de tamanho muito bom. Na conversa, os olhos da mãe alegres com o que viam, e sua boca depois dizendo que iríamos à casa da comadre Fátima, minha madrinha.
Não me lembro de ter visto antes a madrinha. Esta também foi para mim a primeira visão dela. A rua descalça com buracos e pó. Os poucos postes acesos davam um respiro de luz, mesmo que pouco, à nossa passagem. Bem diferente do Ribeirão, que ainda não tinha luz elétrica e que só ficava semiclaro à noite, quando a lua sorria com vontade e de cara redonda no céu. Meus olhos mergulhavam na mágica dos postes, o mundo fugindo do breu. Pedi bênção à minha madrinha, e até hoje a trato por tia, com um carinho sem medidas. Depois, a volta ao nosso canto em construção, com a promessa de no dia seguinte irmos à casa da tal tia Donana. Dormi com barriga cheia de comida boa feita por mamãe. Pela manhã, a brasa em mim. Diziam que, como minha mãe perdera a sua mãe quando tinha somente dois anos de idade, a tia Donana passara a ocupar essa função depois de ter-se casado com o meu avô, o Chicota. Na entrada da casa da tia Do-
nana, uma cena sem fim. Minha mãe me puxando pelos braços. Primeiro o Tibastião e a Tialorde (mais nomes criados pelas fusões que nossas línguas fazem). As mãos estendidas, minha boca pedindo bênção. Depois um corredor estreito entre a casa e a caixa d’água (aqui uso o apóstrofo). Grande a caixa, alçada com vigor, tijolo e cimento, chegando à altura da casa, competindo com ela na utilidade para a vida. Na casa moravam pessoas; na caixa de cimento, muita água para saciar a sede e a higiene humanas. Em seguida uma guinada para a esquerda, uma área de serviço e uma pia. Ao lado da pia, Deus! Um ser meio corcunda; cabelo branco e pouco que, preso em coque, parecia curto; óculos escondendo olhos pequenos; mãos e dedos antigos vindo na minha direção. Era Deus, só podia ser Deus, aquele Deus de que me falavam desde sempre! E de repente Deus abriu a sua boca! Não foram trovoadas
sobre o monte Sinai o que ouvi, porém uma voz débil e feminina. Era uma voz trêmula. Não era Deus o que eu via e ouvia. Era a madrasta de minha mãe. E ela se abaixou com certa dificuldade, passou as mãos na minha cabeça e foi logo dizendo “Pede benção pra vó!”. Pedi-lhe a bênção. Enquanto todos iam conversando tantas coisas de que não me lembro, fiquei num canto abraçado ao medo nunca antes sentido. Medo da vó-madrasta. Na saída, um presente da Tia Donana, talvez em paga pela bênção que eu lhe pedira. Ela me deu um caqui, fruta estranha aos meus olhos, estrangeira mesmo para mim à época. Meio verde, o pomo apertou minha boca, deu-lhe um gosto de travamento, de secura da vida. O fruto prendeu-se ao meu paladar do mesmo modo com que fui descobrindo pelo tempo que Tia Donana não era Deus, nem mãe de minha mãe. Era a madrasta da que me guiava com mãos maternas.
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ESPORTE
Mais uma!
Resende-costense conquista medalha de bronze em campeonato brasileiro de jiu-jítsu VANUZA RESENDE
Realizado entre os dias 16 e 18 de julho no Ginásio de Embu das Artes, em São Paulo, o Campeonato organizado pela Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu Esportivo (CBJJE) contou com a participação do resende-costense Otávio Ribeiro da Silva, o Akon. O lutador ganhou Medalha de Bronze na categoria peso pena até 70 quilos. “Pela CBJJE foi minha primeira disputa. Em 2018, fui campeão brasileiro pela xcombat, no Espírito Santo. Esse ano, já na faixa marrom, o Ouro não veio, mas sim o Bronze. O resultado é fruto de um trabalho duro, juntamente com a minha equipe. Disputei numa categoria com alto nível técnico, tive dificuldade para bater esse peso, mas, por fim, o pódio: sou Bronze no brasileiro de jiu-jítsu da CBJJE”, comemora Akon. Akon, que já está há quase uma década representando Resende Costa nas competições de jiu-jítsu, falou sobre suas expectativas ainda para o decorrer de 2021. “Competir é o que eu amo fazer. Já são quase 10 anos rodando o nosso país. O último embate foi no final do ano passado, em dezembro, quando fui Bronze no Campeonato Mundial, em Campinas, um grande feito diante das dificuldades de um ano de pandemia. A expectativa para 2021 é muito grande. Almejo lutar mais uns dois campeonatos até o fim do ano e continuar com o mesmo ímpeto, até chegar mais alto no pódio e, consequentemente, melhorar meu desempenho.” Entre as principais conquistas de Akon, estão: a conquista do Campeonato Pan-Americano 2017; Campeão World Cup e Campeão Brasileiro, em 2018; Bronze no Mundial 2020.
Otávio vem acumulando títulos expressivos ao longo de 10 anos de competições regionais nacionais e até internacionais
Para conseguir competir em 2021, Akon, além de contar com os patrocinadores, vendeu trufas para custear as despesas. O atleta, que também é funcionário público e acadêmico em Educação Física, comenta acerca das dificuldades que encontra para conseguir competir. “A vida de um atleta não é nada fácil. O corpo está o tempo inteiro sendo levado ao seu limite. É preciso conciliar trabalho, estudo, vida social, amigos e família. As dificuldades são grandes e elas foram agravadas pela pandemia de Covid-19. Outra dificuldade como atleta é a falta de apoio para as competições, mas isso é algo cultural em nosso país. Nessas olimpíadas têm muitos atletas sem patrocínio e até mesmo sem bolsa-atleta, devido ao corte que houve por parte do governo federal.” Otávio agradece a todos que participaram com ele, coroando uma trajetória vitoriosa na conquista do Bronze no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu. “Quero agradecer à minha família, a minha equipe Bauer Team, a to-
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Papo de Esportes VANUZA RESENDE
Olimpíadas 2020: espírito esportivo para não se esquecer Há muito tempo eu não via os brasileiros tão unidos como eu acompanhei nos últimos dias, durante as Olimpíadas 2020 de Tóquio. Nem de perto as Olimpíadas realizadas no Rio, em 2016, conseguiram tanta torcida, mesmo sendo os donos da casa. Pelo contrário, na época, muitos foram contra a realização do evento no país, pelos investimentos feitos e pelas denúncias de corrupção. Eu me recordo, quando criança, das comemorações do Penta Campeonato do Brasil na Copa do Mundo de 2002. Talvez a memória mais antiga que eu tenha do país unido, torcendo em sua grande maioria, pelo mesmo motivo. Desde então, o país do futebol, tão dividido e pouco politizado, parece respirar o clima do 7x1 e um massacre acontece todas as vezes que uma opinião pertinente, mas diferente, surge. Dessa vez, não. A polêmica maior aconteceu em meio às especulações de mais um adiamento e a realização do evento. (Foi feito de forma segura?) Mas depois da abertura oficial, as Olimpíadas foram um respiro entre tantas notícias tristes em meio à pandemia. Se os lugares nas arquibancadas estavam vazios, na sala, no quarto e na cozinha famílias inteiras torceram juntas, como se estivessem ali ao lado da Fadinha, da Rebeca Andrade, do Ítalo Ferreira, ou gritando ace nas quadras com os times de vôlei. A torcida era sempre por
dos que me ajudaram comprando minhas trufas para custear as despesas, e dizer que esse Bronze é de todos vocês que estão comigo. Quero agradecer aos meus patrocinadores: Britax, Supermercado
aqueles que vestiam as cores da bandeira brasileira. Em alguns esportes, nem dava para entender muito as regras, mas no final o espectador virava quase um perito na modalidade e possuía conhecimento suficiente para brigar com os juízes, que, cá para nós, beneficiaram alguns atletas. Apesar da maioria da torcida nunca ter subido em um trampolim, nadado em mar aberto e muito menos ter pisado em um tatame, a identificação com os atletas surge instantaneamente. É a ligação do mesmo povo, em sua maioria sofrido, com pouca ou nenhuma ajuda governamental, mas com vontade de vencer. E quem vence conta com a ajuda de poucos: da família, de amigos e daqueles que ainda acreditam. Dá para acreditar que entre os 309 representantes nacionais, no maior evento esportivo do mundo, 131 não têm patrocínios?! É. E 41 só foram a Tóquio, porque realizaram algum tipo de vaquinha para arrecadar dinheiro. É a famosa volta por cima, que é história de vida sim, mas não dá para romantizar. O Brasil, que teve o seu melhor desempenho da história, com 21 medalhas conquistadas, precisa mudar esse quadro. O país merece mais ouros, pratas e bronzes, sem nenhuma dúvida, mas é além disso. Muito provavelmente a grande maioria dos leitores não conhece nenhum atleta
Resende Costa, Charme Feminino, Resende Turismo, Alessandro Telinhas, Irapê Alumínios e Enxovais e aos meus apoiadores: Expedicionário, Academia Ação Física e Prefeitura de Resende
olímpico. Eu os convido agora a fazer uma busca rápida e pensar nos amigos da escola, da vizinhança, e na família, ou quem sabe a se olhar no espelho: E aí? Quantas pessoas você conhece que poderiam carregar uma medalha no peito? O garoto que anda de skate e aprendeu as manobras sozinho; a menina que tem um ritmo espantoso, sem nunca ter colocado um macacão de ginástica; a criança com fôlego excepcional para a corrida... Não estou dizendo necessariamente uma medalha olímpica, mas uma medalha que pode significar menos gente nas ruas, mais saúde física e mental, (obrigada por tudo que você representa Simone Biles), mais esporte diversificado. Afinal, nem todo mundo nasceu pra ganhar o bicampeonato olímpico no futebol, simplesmente porque nasceu para ser a primeira mulher a ganhar duas medalhas na ginástica na mesma olimpíada, ser campeã olímpica por três vezes consecutivas no judô, quem sabe o primeiro brasileiro medalhista olímpico na corrida com barreiras, ou ainda, ser uma potência mundial na canoagem. O Brasil é de muitos: de mulheres, de negros, nordestinos. O Brasil pode ser também de todos! Que a chama dessa torcida não se apague até 2024, ano das Olimpíadas de Paris. Que ela continue reluzente sempre, assim como o Brasil no quadro de medalhas!
Costa, através da Secretaria de Educação, Esporte e Lazer. Quero aproveitar o espaço e parabenizar o meu Mestre Ronald Bauer pelos seus 42 anos de jiu-jítsu e agora Faixa Coral na modalidade.”