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Edição 219 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVIII

• JULHO 2021 • Nº219

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Governo de Minas autoriza retorno das aulas presenciais Foto: André Eustáquio

Pandemia Junho foi o mês em que o Brasil ultrapassou meio milhão de mortes pela Covid-19, correndo o risco de superar os Estados Unidos já no início do segundo semestre, segundo alguns especialistas. Enquanto a propagação do coronavírus segue seu percurso, a vacinação caminha em ritmo lento, o que deixa o país vulnerável a surtos de variantes (mutações) mais contagiosas do vírus. Em Resende Costa, o primeiro óbito pela Covid-19 foi registrado em 22 de janeiro deste ano, quase um ano depois do início da pandemia no Brasil. Porém, em 15 de abril, já eram quatro mortes, com o número mais que quadruplicando em 17 de junho. PÁG 05 e 06

Escola Estadual Assis Resende, ainda em reforma, se prepara para a volta das aulas presenciais

Após mais de um ano e a pandemia de Covid-19 ainda fora de controle, é momento de receber, em segurança, os alunos de volta nas salas de aula? A comunidade escolar está preparada para seguir os rígidos protocolos de segurança sanitária? Qual o tamanho do impacto que a paralisação das aulas presenciais causará aos alunos? O JL conversou com profissionais da Educação em Resende Costa sobre a decisão que gera polêmicas, controvérsias e motiva reflexões. Leia editorial na página 2. PÁG 12 e 13

Projeto turístico Caminhos de São Tiago, inspirado no místico Caminho de Santiago de Compostela, será inaugurado Desde 2017, três circuitos turísticos mineiros vêm se unindo para consolidar um ambicioso projeto que tem potencial para fortalecer o turismo em 11 mu-

nicípios, dos quais Resende Costa faz parte, localizados nas regiões Central e Campo dos Vertentes. Circuito do Ouro, Villas e Fazendas e Trilha dos

Inconfidentes vão inaugurar, entre os dias 21 e 25 de julho, o roteiro turístico Caminhos de São Tiago. O caminho tem como ponto de partida a histó-

rica Ouro Preto, na região Central, e chegada em São Tiago, no Campo das Vertentes.

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ANO XVIII Nº 219 - JULHO 2021

EDITORIAL Não podemos mais errar!

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Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende

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Jornal das Lajes Ltda

Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:

Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Os clássicos Certa feita, esbarrei-me em um pensamento que jamais saiu de minha mente: Lemos os clássicos, não para conhecermos uma história, mas para sabermos com quais de seus personagens nos identificamos. Isto é, o que faz de um escritor um clássico é sua capacidade de identificar as muitas manifestações da vida, na variedade das personalidades. Nesta pandemia, a quarentema tem me proporcionado ocasião rica para muita leitura. Inclusive, e novamente, de clássicos. Assim, retomei Homero, em recente tradução do grego, por notável especialista português. Mais recentemente, criei coragem e li, de Ariano Suassuna, a Pedra do Reino. Carlos Lacerda assim fala dessa obra: Não há que buscar nele o folclore, o regional, o ocasional, o circunstancial e, sim, o universal, o permanente. Como em Dom Quixote.” O paralelismo entre Suassuna e Cervantes, feito pelo político brasileiro, levou-me de volta ao clássico espanhol. Reli, usufruindo muito mais que há anos, dada a evolução de minha vida. E, então, não pude deixar de, mais uma vez, entender que

os “clássicos” não morrem. Eles vão além do tempo. Eles transcendem. Outros humanos não transcendem. Agarram-se ao transitório da vida. Assim parecem viver os participantes da CPI da Covid-19. Dado o seu comportamento, pode-se deduzir que eles consideram a aventura humana um equívoco. Aventura humana que convém levar com ética.A ética tem a ver com morada, com habitação. Por isso, é necessário querer um mundo que valha a pena nele habitar. Ora, o cenário da CPI apresenta um abusado desvio de comportamento que ofende a ética; ofende a vida privada, ofende a alteridade: uma autêntica aventura desventurada. Ali, virtude e loucura não se separam. E, então, o ridículo impera, com a anulação do sublime. Contrariamente ao que acontece com Quixote, que, segundo o grande Santiago Dantas, passa por cômico, porque é santo; passa por louco, porque é virtuoso. Na CPI, nem cômicos, porque não santos; nem loucos, porque não virtuosos. Trágicos, porque falta-lhes coisa essencial: humildade, qual esplendor da verdade. Dizem que estão

buscando isso: a verdade. O objetivo final, entretanto, macula todo o comportamento deles, de cunho abertamente politiqueiro, distante da vida do povo, que necessita, isso sim, de Política. Equívoco. Na CPI em curso, há gente que parece buscar uma missão superior, o que é sublime. Mas julgar-se possuidor de tal missão, é um equívoco. Há gente querendo salvar tanta coisa, o que também é bom. Julgar-se, no entanto, um salvador, é um equívoco. Trata-se, na verdade, de mistificadores, servidores de ideologias. Não separam o heroísmo da fantasia. Caem na ridicularidade. Acreditam que, no excesso de convicção, conseguirão tornar certo o que está errado. Para eles as coisas não precisam ser como são, basta-lhes que sejam como eles. Não se vai a lugar algum quando falta ética, quando falta algo pelo que vale a pena viver. Voltemos aos clássicos. Identifiquemo-nos com nobres personagens. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Foto e situação do mês

Amanhecer e chegada do inverno no Mirante das Lajes, em Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO

O inverno tem o seu charme, o seu gosto e as suas cores. O vento gelado sopra de um céu azul, totalmente azul. A névoa pálida esconde o que restou do verde quase seco das folhas das árvores e dos capins. E a sombra fria cobre o alto do penhasco. O jornalista Fernando Chaves registrou o alvorecer no Mirante das Lajes, em Resende Costa, nos primeiros dias de inverno de 2021. A bela imagem foi compartilhada por internautas, recebeu elogios e inúmeras curtidas nas mídias sociais. “Esse friozinho charmoso também poderia ser convertido em um atrativo turístico? Fica a sugestão para os nossos empreendedores”, comentou o autor da foto nas mídias sociais.

Foto: Fernando Chaves

O mês de julho começou com um alento em relação à pandemia no Brasil. As estatísticas mostram uma tendência consistente na queda no número de casos e de óbitos pela Covid-19. De acordo com especialistas, a melhora nos indicadores já pode ser reflexo da vacinação, que, apesar disso, se encontra em ritmo lento. Embora as notícias sejam boas, ainda não é hora de cantar vitória. O coronavírus e suas variantes contagiosas e letais, como a Delta, identificada inicialmente na Índia, ainda estão ativos e espalhando horrores. Com a melhora nos indicadores, estados e munícipios começam a planejar a reabertura gradual das atividades. Escolas, comércio, clubes, bares e casas de eventos, que estão fechados há mais de um ano ou ainda sofrendo o efeito sanfona do abre e fecha, estão se estruturando para uma reabertura que, espera-se, seja consistente e definitiva. Porém, para isso de fato acontecer e a vida voltar ao seu cotidiano normal, é necessário diálogo, planejamento e seriedade nas ações. A precipitação e a ausência de diálogo só serviram, até agora, de munição para o agravamento da pandemia e da crise financeira que veio a reboque. Em Minas Gerais, o governo do Estado autorizou o retorno da volta às aulas presenciais, o que é o tema de reportagem especial desta edição do Jornal das Lajes. O assunto gera polêmica e a aprovação do retorno dos alunos às salas de aula, neste momento, está longe de ser unanimidade na comunidade escolar. A reportagem do JL conversou com diretoras das escolas das redes estadual e municipal de Resende Costa e também com a secretária municipal de Educação, Silvanda Maria Resende, sobre o possível retorno das atividades escolares de forma presencial. O que se pode concluir das opiniões das profissionais da Educação em nosso município é que é necessário muita cautela antes de abrir novamente as portas das escolas aos alunos. A decisão exige diálogo, prudência, avaliação de cada cenário possível. Afinal, os protocolos de segurança sanitária, elaborados de forma extraclasse, são factíveis de serem aplicados na realidade das escolas? A decisão sobre o retorno das aulas presenciais requer o que ainda não aconteceu de fato no Brasil desde o início da pandemia, em março de 2020: DIÁLOGO. Quando se propõe um diálogo verdadeiramente construtivo, é condição essencial a capacidade das pessoas de ouvir antes de opinar, de deixar o radicalismo e as paixões de lado a fim de chegarem a um consenso. O interesse coletivo deve prevalecer sobre questões individuais. O diálogo deve apontar caminhos, soluções e ações construtivas. No entanto, infelizmente, o que estamos vendo no enfrentamento da pandemia é a total ausência de diálogo, o que contribui para o agravamento da crise e o consequente atraso na retomada das atividades econômicas, culturais, sociais e educacionais em todo o país. O Brasil não pode mais errar. As chances nos foram dadas e erramos em quase todas elas. Miremos, pois, nos exemplos de países que fizeram corretamente as lições básicas e hoje comemoram a liberdade. Enquanto cidadãos de nações que levaram a sério as orientações da ciência investiram em vacinas e optaram pela vacinação rápida já se abraçam e sorriem, no Brasil ainda choramos nossos milhares de mortos. As autoridades trocam farpas, disputam com garras e dentes os nacos do poder e ainda aproveitam a crise para alimentaro apetite voraz e insaciável do gigante da corrupção. Se o diálogo e o bom senso – bases para a construção de ações verdadeiramente planejadas – não vêm de onde esperamos, que essa atitude surja de nós. Sepultemos de vez o radicalismo que cega, as paixões desordenadas que matam e escolhamos o diálogo como ferramenta afiada para planejarmos o futuro do nosso país, das nossas cidades e dos nosso filhos. A pandemia vai passar e, se não errarmos novamente, sobreviveremos ao obscurantismo que já matou mais de meio milhão de brasileiros.

De um ponto de vista


ANO XVIII Nº 219 - JULHO 2021

JORNAL DAS LAJES

CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Indicações apresentadas pelos vereadores durante reuniões ordinárias do mês de junho • Reforma do Conjunto de Passinhos localizados no centro da cidade, quais sejam: Passinho localizado ao lado da igreja de Nossa Senhora do Rosário, que traz em seu interior a tela representando “Jesus com a cruz às costas”. Passinho que representa o “Encontro de Jesus com sua Mãe”, localizado à Praça Mendes de Resende. Passinho situado à praça Nossa Senhora de Fátima e que representa “Simão Cireneu ajudando Jesus a carregar a cruz”. Passinho da praça Cônego Cardoso, que traz a cena da “Verônica que enxuga a face de Jesus”. Passinho, também localizado à praça Cônego Cardoso, representando a “Última queda de Jesus rumo ao Calvário”. Os cinco Passinhos são tombados pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, sendo considerados patrimônio histórico e arquitetônico de Resende Costa. (Vereador Coló) • Possibilidade de criação de uma comissão técnica e com representantes da sociedade civil, com finalidade única e exclusiva de debater a política municipal de gestão de resíduos sólidos, visando a melhorias nessa área, em especial no que se refere ao planejamento de médio e longo prazos. (Vereador Fernando Chaves) • Distribuição de cestas básicas às famílias carentes, das quais alguns membros foram testados positivos para Covid-19. Ressalta-se que as respectivas famílias devem ser cadastradas nos programas sociais do Município, devendo também estar isoladas socialmente há pelo menos 15 dias, conforme determinação das

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INFORME PUBLICITÁRIO

Aprovado projeto de lei que beneficia pessoas portadoras de autismo Foi aprovado Projeto de Lei que garante a obrigatoriedade de referência a pessoas com transtorno do espectro do autismo. O PL estabelece que sejam instaladas placas informativas que contenham o rol de beneficiários de atendimento prioritário nos estabelecimentos públicos e privados em Resende Costa-MG. O Projeto, de autoria do vereador Luís Fernando da Silva (Guerra), resultou na Lei Municipal nº 4.771/2021. O autor do projeto ressaltou a importância do reconhecimento do autismo como uma deficiência. “Dessa forma, são estendidos às pessoas com transtorno do espectro do autismo todos os direitos previstos às pessoas com algum tipo de deficiência”, disse o vereador Guerra.

Transmissão das reuniões do Legislativo Municipal Câmara Municipal aprova indicação do vereador Coló para reforma dos Passinhos. Na foto, Passinho localizado na praça Nossa Senhora de Fátima

autoridades de saúde. (Vereador Cláudio) • Promover a criação da coleta de lixo no Município de Resende Costa-MG em 02 (dois) turnos, tendo em vista que a produção de lixo doméstico tem apresentado volume crescente nos últimos meses, principalmente devido ao estado de pandemia imposto pela Covid-19. (Vereador Paulo Altivo)

REQUERIMENTOS APROVADOS NO MÊS DE JUNHO • Que a Comissão de Sustentabilidade e Meio Am-

Devido à pandemia de Covid-19, as reuniões da Câmara Municipal estão sendo realizadas virtualmente e transmitidas pela Rádio Inconfidentes FM (87.9): dias 02, 12 e 22 do corrente mês, às 17h30min.

biente da Câmara Municipal realize levantamento de dados junto ao Município e emita parecer manifestando-se sobre a política municipal de gestão dos resíduos sólidos. (Vereador Fernando Chaves) • E n c a m i n h a m e n t o de ofício, junto à Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG, para que a referida empresa, ao executar as leituras mensais do consumo de energia elétrica nas propriedades rurais dos Povoados de Resende Costa-MG, promova a respectiva entrega das faturas durante o ato ou brevemente após a emissão das mesmas. (Vereador Guerra)

Vereador João Dias (MDB) preside reunião virtual da Câmara Municipal de Resende Costa

• Encaminhamento de ofício à Polícia Militar do Município de Resende Costa-MG, reiterando o questionamento

acerca do funcionamento do número de atendimento 190. Solicita-se que o problema seja sanado. (Vereador Cláudio)


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ANO XVIII Nº 219 - JULHO 2021 INFORME PUBLICITÁRIO

GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Com medidas preventivas e restritivas, Resende Costa reduz consideravelmente o número de casos positivos de Covid-19 Com o esforço do poder público municipal e a contribuição da população, Resende Costa vem registrando uma queda significativa nos números de casos de Covid-19 nas últimas semanas. No período de 20 de junho a 02 de julho houve uma redução de 77% nos casos ativos de Covid-19. A queda é resultado dos novos decretos adotados na cidade, que impõem medidas mais rígidas para conter o avanço da Covid-19, além da continuidade no processo de vacinação dos resende-costenses. O vice-prefeito Lucas Paulo destaca o momento. “Essa redução de casos em nosso município é muito importante. Com certeza os números estão ligados às medidas sanitárias adotadas pelo poder público e que a população seguiu. Sem a colaboração da população não conseguiríamos controlar a situação. Discutimos muito sobre o fechamento de todos os comércios, mas entendemos que não seria essa a solução. Montamos uma equipe de fiscalização muito boa, e mesmo mantendo a maioria dos comércios

abertos, a gente conseguiu diminuir os casos da doença. Controlamos a situação, sem prejudicar a parte comercial do município”. Com o apoio das polícias Civil e Militar, a Secretaria de Saúde intensificou a fiscalização e as ações de conscientização, colocando em prática as medidas previstas nos decretos que dispõem sobre ações e medidas para controlar o contágio da Covid-19. As ações incluem medidas preventivas e restritivas, como nos casos de interrupção de festas clandestinas e aglomerações e a fiscalização de bares e outros tipos de comércio. Inclusive, durante uma destas fiscalizações, um bar chegou a ter o alvará suspenso por descumprir as medidas sanitárias. Leidiane Rodrigues, Fiscal Sanitário, comenta sobre as medidas estabelecidas pela Administração Municipal: “a diminuição no número de casos está diretamente ligada ao cumprimento das medidas sanitárias. E isso só é possível quando há um esforço da população, aliado a um trabalho da prefeitura para implantar

Avenida Gonçalves Pinto - ações de contenção de aglomerações foram primordiais para conter o avanço da Covid-19

medidas restritivas, como foi feito. Além dos decretos, voltamos com as barreiras sanitárias, ampliamos a fiscalização e reforçamos as orientações à população com os carros de som, por exemplo. Não podendo esquecer que o trabalho da Polícia Civil e da Polícia Militar está sendo fundamental”. Lucas também pede para que a população siga contribuindo para que a cidade mantenha o controle da pandemia. “Não adianta a população pensar que estamos seguros, devido aos

baixos números, e parte dos moradores promoverem festas e aglomerações. A gente viu que é possível manter os comércios abertos e ter uma situação controlada. Mas precisamos da colaboração de todos”. A população pode, inclusive, denunciar festas e aglomerações. O disque denúncia continua de sexta a domingo, das 8h às 0h. Basta acionar o número (32) 9 9809-3244. CAMPANHA DE VACINAÇÃO Outro fator importante

para a redução de casos positivos de Covid-19 é a intensa campanha de vacinação realizada pela Secretaria de Saúde. No dia 1º de julho, o estoque de vacinas disponíveis para primeira dose chegou a ser esgotado, comprovando a eficácia da aplicação das vacinas em nosso município. Até o dia 2 de julho já haviam sido aplicadas 6.272 doses de imunizantes contra o coronavírus, sendo 4.513 (primeira dose), 1.704 (segunda dose) e 55 doses únicas. Vários grupos já foram contemplados pelo Plano Nacional de Imunização (PNI), como grávidas, caminhoneiros, trabalhadores industriais, forças de segurança, trabalhadores da educação, pessoas acima de 18 anos com comorbidades, entre outros. No dia 6 de julho, a vacinação por faixa etária foi retomada, tendo como público alvo pessoas com 59 anos de idade. Caso você tenha dúvidas sobre a vacinação, converse com o seu Agente Comunitário de Saúde ou entre em contato com a Sala de Vacinas pelo número (32)3354-1657.

Secretaria de obras em ação Dando continuidade aos trabalhos de manutenção nas estradas e comunidades rurais, a Secretaria de Obras e Serviços Públicos segue realizando diversas ações de infraestrutura. São obras de extrema importância, pois influenciam diretamente na qualidade de vida da população, gerando segurança e facilitando o trajeto entre zona rural e urbana. Confira algumas: • Calçamento do morro do Silvério (estrada que liga o Ribeirão aos Pinto); • Reforma da ponte dos Pinto; • Limpeza de mata-burro e retirada de pedras do morro próximo a cachoeira dos Pinto; • Encascalhamento de estrada no povoado do Cajuru; • Substituição de dois mata-burros na estrada do atoleiro; • Reforma de duas pontes no Pombal; • Calçamento da entrada/ saída do povoado do Ribeirão;

Calçamento do morro do Silvério

Reforma de ponte no Pombal

Calçamento no povoado do Ribeirão

Substituição de mata-burro na estrada do atoleiro


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PANDEMIA

Descompasso entre ritmos de propagação do vírus e da vacinação preocupa Foto: Prefeitura Municipal

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Junho foi o mês em que o Brasil ultrapassou meio milhão de mortes pela Covid-19, correndo o risco de superar os Estados Unidos já no início do segundo semestre, segundo alguns especialistas. Enquanto a propagação do coronavírus segue seu percurso, a vacinação caminha em ritmo lento, o que deixa o país vulnerável a surtos de variantes (mutações) mais contagiosas do vírus. A variante Delta (ou indiana), mais contagiosa, já foi identificada no Brasil. Com variantes mais transmissíveis, há especialistas na Europa considerando ser necessário vacinar (duas doses) mais de 90% da população para se atingir a imunidade de grupo. Em Resende Costa, o primeiro óbito pela Covid-19 foi registrado em 22 de janeiro deste ano, quase um ano depois do início da pandemia no Brasil. Porém, em 15 de abril, já eram quatro mortes, com o número mais que quadruplicando em 17 de junho (dados do Informe Epidemiológico). Ou seja, em menos de cinco meses, essa estatística fúnebre saltou de 1 para 17 óbitos. Em relação à propagação do coronavírus no município, o número de casos confirmados passou de 148, em 22 de janeiro deste ano, para 644, em 30 de junho; ou seja, mais de quatro vezes superior.

A blitz educativa foi uma das ações promovidas pela Prefeitura Municipal no enfrentamento da Covid-19

VACINÔMETRO Até o início do mês (Vacinômetro, 2 de julho), foram aplicadas 6.272 doses, sendo que 1.759 pessoas estavam totalmente imunizadas (com duas doses e com a vacina de dose única), o equivalente a 15,2% da população. Na faixa etária acima de 60 anos, 1.294 idosos foram imunizados (pouco mais da metade dos que receberam apenas a 1ª dose). Quanto aos profissionais da saúde, 336 estavam imunizados (44 menos do que os 380 com a 1ª dose). Os idosos em instituições foram todos imunizados (63 ou 1 a menos, em relação à primeira dose). Pessoas com comorbidades (940 em 1ª dose e 1 em dose única) e com deficiência permanente (109 em 1ª dose e 1 em dose única), trabalhadores da educação (131 em 1ª dose) e outros grupos prioritários estavam praticamente

restritos à primeira dose. Já o Vacinômetro nacional – plataforma criada pela Universidade Federal de Alagoas e pela USP a partir de dados do Ministério da Saúde – mostra que o município de Resende Costa concluirá a vacinação em 19/09/2022, enquanto a previsão para o país é 25 de dezembro do mesmo ano. O portal oficial do município aponta recuo nos números da pandemia a partir de meados de junho, fruto do esforço do poder público municipal e da contribuição da população. Além da cidade não ter registrado nenhum óbito desde o dia 18 de junho, houve uma redução de 77% nos casos ativos entre o período de 13 a 25 de junho. Um esforço conseguido sem medidas drásticas, como o fechamento do comércio, disse o vice-prefeito Lucas Paulo. “Com certeza, os números estão ligados

às medidas sanitárias adotadas pelo poder público e que a população seguiu.” O último boletim do NEPE-UFSJ (30 de junho) confirma a tendência de redução no contágio pela Covid-19 em Resende Costa, com a média móvel indicando 2,43 casos em sete dias. GRIPE Até o final de junho, 3.143 pessoas dos grupos prioritários foram vacinadas contra a Influenza, simultaneamente à vacinação contra a Covid-19. Entre esses grupos prioritários, destacam-se os idosos (1.733), crianças entre 6 meses e menores de 6 anos de idade (635), pessoas com comorbidades (374), trabalhadores da saúde (201), professores (68) e gestantes (63). Como as duas campanhas comtemplam os mesmos grupos prioritários, houve alteração na cobertura vacinal para a Influenza, em comparação com o mesmo período do ano passado, diz a enfermeira Núbia Augusta Resende Vale. Assim, “quem ainda não foi vacinado contra Covid-19 e se enquadra nos grupos prioritários, preferencialmente deve receber a vacina contra Covid-19 e ter agendada a vacina contra a Influenza”. Apesar do frio, os casos de Covid-19 e de síndrome gripal (gripe comum) diminuíram em junho, principalmente no final do mês, em relação a maio “em que estava aquele horror”, cons-

tata Silvia Célia de Oliveira, enfermeira do PSF-1. “Há queixas respiratórias, de bronquite, de pessoas que já têm algum acompanhamento anterior.” Silvia acredita que o maior cuidado por parte das pessoas (uso de máscaras, lavagem das mãos com frequência e mais tempo em casa) tem contribuído para a menor ocorrência de doenças. “Nessa época, por exemplo, aconteciam muitos casos de conjuntivite, todo mundo na cidade pegava conjuntivite. Desde o início da pandemia (março do ano passado), isso não ocorreu aqui. A gripe comum não tem aumentado; só mesmo a Covid, mas houve um decréscimo.” SAÚDE MENTAL No momento, a maior preocupação tem sido o agravamento dos problemas de saúde mental, adverte Silvia Oliveira. “A gente percebe que as pessoas estão tensas, nervosas, precisando de um acompanhamento. As pessoas que têm depressão estão piorando. Algumas pessoas, por exemplo, estão tendo crises de coceira na pele, constatando-se aí a ansiedade; não é nada dermatológico. A pessoa fica ansiosa e começa a se coçar.” Por isso, a enfermeira do PSF-1 defende que se trabalhe mais a questão da saúde mental. Texto finalizado em 02/07/2021.

Rota Lisboa JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

De armas e livros Acabo de ter um grande dissabor com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Algumas semanas depois do envio de um pacote de livros (“Lucrécia Bórgia: A Princesa do Vaticano”, de C. W. Gortner, e “O Egipto”, de Eça de Queirós) de Portugal para o Brasil, a Biblioteca Municipal de Resende Costa recebeu, em 16 de junho, um aviso da estatal: “Sua encomenda, referenciada acima (UA0058445573PT), encontra-se no Centro Internacional dos Correios e, para liberá-la, é necessário que você realize o pagamento do Serviço de Despa-

cho Postal.” Mas como? Não se trata de “encomenda” nem de mercadoria importada. Ao despachar o envelope em 05/05/2021, na forma de doação, paguei o valor de 15,79 euros, o que equivale a R$93,55 (conversão em 30 de junho). Inconformado, reclamei ao “Fale Conosco” da estatal (protocolo 142095352) e, pelo visto, fizeram ouvidos de mercador, a julgar pela resposta:“Caro Cliente! Como o prazo para o pagamento do despacho postal expirou, a encomenda em questão encontra-se em processo de devolução ao país

de origem. Nessas circunstâncias, não há possibilidade de resgate do objeto.” Não satisfeito, acionei a Ouvidoria da estatal, tendo minha demanda sido acatada no dia 29 de junho. Mas não alimento muita esperança quanto ao destino dessa correspondência, especificamente, pois temo que, a esta altura, ela já esteja em trânsito de volta ao remetente em Lisboa. Há algum tempo encaminho livros, a título de doação, para a Biblioteca Municipal de Resende Costa, minha cidade natal. E nunca tive problema com as remes-

Livros doados pelo jornalista José Venâncio de Resende à Biblioteca Municipal de Resende Costa

sas anteriores. Em meio a esse “incidente de percurso”, nova remessa de livros já estava a caminho do Brasil. Em alguns dias, saberemos se o ocorrido foi uma “barbeiragem” ou se a prática de cobrar doações de livros no destino veio para ficar.

Em caso de se confirmar a segunda opção, aí então saberemos que terá sido implantado de vez no Brasil a política de valorizar mais as armas do que os livros, mais o militarismo do que a cultura. Texto de 30/06/2021.


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PANDEMIA

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O vacinômetro, plataforma criada pela Universidade Federal de Alagoas e pela USP, a partir de dados do Ministério da Saúde, estima que, ao ritmo atual, Resende Costa terminará a vacinação em setembro de 2022, pouco antes da média nacional. “A expectativa é a de que terminemos a vacinação dos acima de 18 anos de idade antes da média nacional”, diz o secretário municipal de Saúde, José Luiz de Resende. A seguir, a íntegra da entrevista. Diante do cenário de 17 óbitos no município pela Covid-19 e da lentidão na vacinação, como o senhor interpreta o espírito do decreto 175 (que dispõe sobre ações e medidas de controle do contágio)? Desde o início da pandemia, em março de 2020, diversas medidas foram tomadas para o controle do avanço no número de casos. Durante todo esse tempo, as restrições sofreram alterações devido ao cenário do momento. O senhor tem informações

sobre a identificação de novas variantes (mutações) mais contagiosas do vírus no município e na região, que expliquem o salto no número de óbitos de janeiro até agora, como, por exemplo, as variantes de Manaus ou a britânica? A variante indiana está ainda concentrada no Reino Unido e em Portugal, devendo espalhar-se pelo mundo em breve? A respeito da variante indiana e se ela será disseminada não temos como fazer uma previsão, somente o tempo trará essa resposta. Em Resende Costa, não temos presença de variantes confirmadas, tendo em vista que essa afirmação só pode acontecer mediante análise por laboratório. Como o sr. avalia o ritmo da vacinação no município? Está dentro do padrão nacional? O sr. tem informações sobre aumento da oferta de vacinas que poderia acelerar esse processo de vacinação? Há especialistas por aqui dizendo que a primeira dose não é suficiente para conter a propagação das variantes. Como está a aplicação da segunda dose no município? Há estoque suficiente para os que já

receberam a primeira? A vacinação não está atrasada nem adiantada, está apenas seguindo o fluxo conforme vamos recebendo doses. As doses estão sendo distribuídas de acordo com o recebimento da Regional de Saúde. Entendo que às vezes não é como a população espera, mas o ritmo da campanha vai de acordo com as doses recebidas. É comprovado cientificamente que com a primeira dose nenhum indivíduo pode ser considerado totalmente imunizado, sendo necessárias as duas doses da vacina. Com relação à aplicação da segunda dose, até o momento não temos faltosos. Os que não puderam tomar por algum motivo na data agendada, irão receber a dose no tempo oportuno. O estoque referente às segundas doses fica centralizado na Regional de Saúde, sendo esta responsável pela distribuição aos municípios. Em Resende Costa, com o a avanço da vacinação, o senhor tem ideia de quais as faixas de idade estão sendo mais afetadas pelo coronavírus, em termos de contágio e de mortes? Com a vacinação dos mais idosos, por

exemplo, já dá para se perceber alguma mudança no perfil das pessoas infectadas? A contaminação, bem como as mortes pela Covid-19, continuam presentes entre as mais diversas faixas etárias. Levando em consideração os dados das últimas duas semanas (junho), nota-se que o perfil dos infectados é menor na população idosa. O vacinômetro, plataforma criada pela Universidade Federal de Alagoas e pela USP, a partir de dados do Ministério da Saúde, estima que, ao ritmo atual, Resende Costa terminará a vacinação em setembro de 2022, pouco antes da média nacional. O senhor concorda? Vê alguma possibilidade de se acelerar esse processo? A expectativa é a de que terminemos a vacinação dos acima de 18 anos de idade antes da média nacional. Porém, tudo depende do quantitativo de doses recebidas. Seria um tanto arriscado prever essa data, uma vez que as vacinas independem do planejamento do município. Com a chegada do inverno, o senhor já constatou mudanças

Foto: Cássio Almeida - Prefeitura Municipal

Secretário de Saúde de Resende Costa espera concluir vacinação antes da média nacional

José Luiz de Resende, secretário municipal de Saúde de RC

nos atendimentos nas unidades de saúde do município, relacionados com a gripe (problemas respiratórios, pneumonia etc.)? É comum na época do inverno o aumento do atendimento às patologias relacionadas a doenças respiratórias. Essas patologias têm em destaque os idosos e as crianças. Ressalto que, com as campanhas das vacinas de Influenza, essas síndromes gripais têm ocorrido com menor incidência.

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Não ao negacionismo Desde o início de 2020, convivemos com a disseminação do Coronavírus a partir das primeiras notícias que nos vieram da China. Conhecido como Covid-19, o vírus rapidamente se espalhou pelo mundo. E com a sua circulação, deu-se início ao que todos temiam: a morte de muitos que contraíram o vírus, principalmente os mais idosos. Tornou-se necessário conter o avanço desenfreado da pandemia. Rapidamente, algumas palavras tornaram-se muito faladas por nós: pandemia, aglomeração de pessoas, quarentena, isolamento social, lockdown, isto é, o fechamento de tudo, além de home office, transferir o trabalho realizado fora (no local de trabalho) para o ambiente residencial... De pronto, os especialistas começaram a nos informar da necessidade de adotarmos procedimentos fundamentais para evitar-

mos a contaminação pelo vírus: usar máscaras e álcool em gel, manter distanciamento social, lavar bem as mãos. Cumprimentar as pessoas, apertando-lhes a mão, trocar beijos e abraços, atitudes tão comuns para nós, brasileiros, nem pensar. Muitas pessoas levaram isso a sério, outras nem tanto. Começamos, então, desde março de 2020, a deixar de ir à escola, de frequentar igrejas, clubes, bares e restaurantes. As academias de ginástica fecharam suas portas, os salões de beleza também, mediante medidas restritivas impostas por autoridades governamentais. Não tivemos Carnaval, nem Semana Santa. Até festas em família precisaram ser evitadas. Desde então, nossa vida ficou complicada. Enquanto isso, nossa atenção estava no noticiário promovido pelas rádios, TVs e jornais. E o nosso olhar fixo nos gráficos, que

apontavam para o aumento da circulação do vírus e, o pior, para a sua curva ascendente indicando o número dos que vieram a óbito. A pandemia, ou “gripezinha”, assim chamada pelo Presidente da República, mostrou sua força quando passamos a conviver com centenas ou milhares de mortes diárias no Brasil. À velocidade dessa curva ascendente do gráfico, responderam os cientistas determinados a produzir, em tempo curtíssimo, uma vacina que pudesse nos tornar imunes à Covid-19. Aqueles gráficos mostrados na televisão, que indicavam os número crescentes de infectados e de mortos ocorridos nos grandes centros urbanos, aos poucos tornaram-se realidade para as pequenas cidades, muitas delas sem a menor condição de dar assistência adequada aos que demandavam atendimento especializado

de equipes médicas. Superlotação de UTIs, falta de insumos, de oxigênio e de pessoal para tratar os doentes contribuíram para que o número de mortes atingisse o meio milhão no último mês de junho. E foi nos últimos três meses que vimos crescer o número de resende-costenses vitimados pela Covid-19. Nas redes sociais, as notícias de pessoas que contraíram o vírus e das que faleceram em decorrência dele nos deixaram assustados e temerosos. A perda de pessoas conhecidas nos foi impactante. Sem as costumeiras cerimônias de despedida dos mortos, a dor tornou-se ainda maior. Foi nesse momento que o comportamento das pessoas também mudou. Atentas ao que recomendava o serviço de saúde municipal, o que vimos foi a diminuição de pessoas circulando pelas ruas à noite. Percebemos

que a adesão da população ao uso de máscaras e ao distanciamento físico entre pessoas tornou-se realidade. Muitos que davam ouvidos às falas dos negacionistas, que não acreditavam nem recomendavam a vacinação como solução para o combate eficaz da pandemia, ao que parece, mudaram de opinião. Com o aumento de pessoas vacinadas e a mudança no comportamento (de respeito às recomendações simples, porém eficazes dos especialistas), notamos o declínio da curva do gráfico, que agora nos mostra número menor de infectados e, consequentemente, de mortos. Vacina, sim! Cloroquina ou ivermectina ou ainda outros procedimentos comprovadamente inadequados parao combate ao Coronavírus, não! O que há de preventivo para conter a pandemia é a vacinação da população. E viva o SUS!


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Cultura

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Roteiro turístico Caminhos de São Tiago será inaugurado neste mês Ouro Branco, na região Central, e São Tiago, no Campo das Vertentes, irão sediar as cerimônias oficiais de inauguração entre os dias 21 e 25 Foto: Arquivo Tarol

ANDRÉ EUSTÁQUIO E VANUZA RESENDE

Sabe aquele ditado que diz que um é pouco, dois é bom e três é demais? Neste caso, o demais pode ser visto como excesso de cultura, de economia e turismo. O que, aliás, é bom demais. Desde 2017, três circuitos turísticos vêm se unindo para consolidar um ambicioso projeto que tem potencial para fortalecer o turismo em 11 municípios mineiros localizados nas regiões Central e Campo dos Vertentes: Circuito do Ouro, Trilha dos Inconfidentes e Villas e Fazendas de Minas vão inaugurar oficialmente, entre os dias 21 e 25 de julho, o roteiro turístico Caminhos de São Tiago. Devido à pandemia de Covid-19 e às medidas sanitárias impostas para evitar aglomerações e, consequentemente, à disseminação do coronavírus, a inauguração será restrita a poucas pessoas. Em Ouro Branco, no dia 21, acontecerá o lançamento oficial do projeto com a presença de autoridades políticas. As cidades que fazem parte do caminho organizarão seus respectivos lançamentos e, no dia 25 de julho de 2021, Ano Santo dedicado ao apóstolo São Tiago, acontecerá na cidade de São Tiago, no Campo das Vertentes, onde o apóstolo é padroeiro, mais uma cerimônia oficial também com a presença de prefeitos e autoridades políticas, marcando a chegada de peregrinos. “Os trechos serão inaugurados pelos municípios, sendo que cada um deles escolherá qual modalidade é a melhor para seu respectivo percurso. Estamos trabalhando em comissões para fazer a inauguração em segurança, seguindo os protocolos do programa Minas Consciente”,

Instalação de placa indicativa do Caminhos de São Tiago no Mirante das Lajes, em Resende Costa

esclareceu o gestor da instância de governança regional do Circuito Trilha dos Inconfidentes, Marcus Vinicius Januário. Ao todo, 11 municípios participam do projeto, que tem como inspiração o místico caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Marcus falou como surgiu a ideia de criar um roteiro turístico envolvendo diversos municípios. “Após uma reunião na Secretaria de Estado de Turismo, em 2017, com a participação de alguns prefeitos e demais autoridades, foi apresentada a proposta de um caminho semelhante a Compostela.

Nós entendemos que o projeto é interessante e, assim como na Espanha, o percurso será invertido, ou seja, o trajeto vai sair de Outo Preto e chegar a São Tiago. O percurso de 275 quilômetros poderá ser feito a pé, de bicicleta, de carro 4x4, de motocicleta e até mesmo a cavalo. Se for a pé, o viajante levará cerca de 10 dias; de automóvel, a estimativa é de dois dias de viagem. “O trajeto será feito em estradas vicinais por questão de segurança. Além disso, está todo sinalizado com toques que remetem à origem de Minas Gerais, que é o ferro. O símbolo Foto arquivo Marcus Vinícius

Reunião em Belo Horizonte que marcou o início do projeto Caminhos de São Tiago

do caminho é uma flor de ipê junto com a cruz de Compostela. As placas já foram todas instaladas e o caminho está todo sinalizado”, explica Marcus Vinicius. Quem quiser explorar os atrativos turísticos de uma das mais belas regiões do estado de Minas Gerais vai passar por trilhas e estradas de Ouro Preto, Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete, Queluzito, Casa Grande, Entre Rios de Minas, Lagoa Dourada, Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Ritápolis e São Tiago. Em cada cidade a que chegar, após um dedinho de prosa no bom e velho estilo mineiro, o turista receberá o carimbo oficial do Caminhos de São Tiago em seu passaporte, registrando cada passo percorrido. De acordo com o gestor do Circuito Trilha dos Inconfidentes, após a inauguração oficial será feita a divulgação do roteiro por influenciadores digitais, blogueiros e agentes de viagens. Serão incentivadas também competições para consolidar cada trajeto em cada município. Ainda segundo Marcus Vinicius, algumas cidades ampliaram a sua rede hoteleira e gastronômica a fim de atender aos turistas que percorrerão o caminho. O investimento em infraestrutura pelos municípios que participam do projeto ratifica, inclusive, um dos objetivos do empreendimento turístico, que é impulsionar e aquecer a economia local e regional. “Entendemos que, principalmente para as pequenas comunidades e produtores locais, (o projeto) vai valorizar muito a economia. Queremos mostrar toda a potencialidade rural e urbana das cidades que estão no caminho. Mostrar também toda a importância do trabalho associativo nas cidades, fortalecendo a regionalização do turismo e consolidando a região como turística”, conclui o gestor. O LENDÁRIO E MÍSTICO CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA, NA ESPANHA, QUE INSPIROU O CAMINHOS DE SÃO TIAGO EM MINAS GERAIS Da mesma forma que os muçulmanos peregrinam até Meca, a cidade sagrada para a religião islâmica e para os seguidores do profeta Maomé, os cristãos também realizam peregrinações a diversos locais sagrados, como santuários e basílicas espalhados pelo mundo inteiro. Israel, Vaticano, Lourdes, Fátima, Aparecida e Santiago de Compostela estão na rota dos cris-

tãos católicos que desejam percorrer os caminhos que apóstolos e santos trilharam ainda nos primórdios do cristianismo, pregando o Evangelho e divulgando a religião cristã. Santiago de Compostela, na Espanha, onde, segundo a tradição, se encontra o túmulo do apóstolo São Tiago Maior, é um dos mais importantes centros de peregrinação católico do mundo e atrai turistas de diversos lugares, que vão em busca de momentos únicos de espiritualidade e de encontro com a natureza e com a história. De acordo com a tradição, após ter sido decapitado, os restos mortais do apóstolo Tiago foram milagrosamente encontrados e levados a Compostela, onde uma grandiosa catedral em estilo gótico foi construída em sua homenagem. O roteiro mais procurado pelos peregrinos de Compostela começa no sudoeste da França, nas proximidades da fronteira com a Espanha, numa pequena cidade denominada Saint Jean-Pied-de-Port, e acaba na Galícia, no noroeste da Espanha, onde se encontra a Catedral de Santiago. O Caminho de Santiago de Compostela ficou no esquecimento durante vários séculos. Relatos apontam que, a partir da década de 1980, os peregrinos redescobriram as trilhas percorridas, segundo a tradição, pelo apóstolo Tiago e a rota voltou a ter popularidade. Ressalta-se, porém, que nem todas as pessoas que percorrem o caminho espanhol são movidas por motivos religiosos. Natureza, belas paisagens e história que remonta aos primeiros séculos da era cristã são também atrativos que encantam turistas do mundo inteiro na a região da Galícia. Compostela, com os seus 600 quilômetros de extensão, é considerada a terceira maior rota de peregrinação cristã do mundo. Religiosos ou não, o certo é que todos que percorrem o místico caminho do apóstolo de Cristo chegam à catedral, onde repousam seus restos mortais, revelando experiências que os marcarão por toda a vida. O Caminhos de São Tiago, em Minas Gerais, nasce com a expectativa de também oferecer aos caminhantes experiências marcantes, únicas e indescritíveis. História, natureza, fé, tradições, gastronomia aguardam os peregrinos, que percorrerão trilhas, cruzarão estradas e montanhas de Minas em busca de atrativos que só o nosso estado oferece. Afinal, como disse Guimarães Rosa: “Minas são muitas.” Podemos acrescentar: E encantadoras.


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Vinho sem frescura AMANA CASTELO BRANCO*

A reclusão imposta pela pandemia gerou na maioria de nós novos hábitos. Começamos a nos arriscar na cozinha; com isso, passamos a reparar mais nos rótulos dos alimentos, seguir perfis de gastronomia, ler receitas e até trocá-las com os amigos. Voltados à terra, outros se viram de “dedos verdes” e mergulharam no mundo das plantas: as suculentas triunfaram e estão na moda. E puxando a sardinha pro meu lado, vi novos apreciadores de vinho nascerem. O ficar em casa fez aumentar o consumo de vinho no Brasil. Acredito que, por ser o vinho uma bebida que remete ao aconchego, onde normalmente é degustada em pequenos grupos (e nesse momento, praticamente, em duplas), ele traz um clima mais intimista. Ele relaxa e conforta. Duas sensações tão necessárias no nosso dia a dia pandêmico. E agora chegamos à estação que é a cara dele: o inverno. Só de sentir esse friozinho enquanto escrevo, já me dá vontade de puxar um cobertor, pegar uma taça e me esquecer do mundo lá fora. Você já reparou que, após consumir um pouco de vinho, parece que o corpo fica mais

quente? Muitas pessoas chegam até a ficar com o rosto mais rosado, principalmente na região das bochechas. Isso acontece por conta da função vasodilatadora da bebida. As vias sanguíneas, que tendem a se contrair nas baixas temperaturas, se dilatam, permitindo a circulação de uma quantidade maior de sangue no corpo, causando a sensação de aquecimento. Imagino que outra razão para gostarmos tanto de degustá-lo nessa época do ano seja a excelente combinação do vinho com as comidas dessa estação, como as massas, fondues, sopas, queijos, canjiquinha com costelinha, arroz com suã, risotos, pizzas... e por aí vai. Para harmonizar, minha dica é: pratos mais leves, como o espaguete ao molho de tomate, sopas, tábuas de frios vão bem com vinhos mais leves e macios, como os elaborados com as uvas Pinot Noir, Cabernet Franc e Merlot. De médio peso, como a canjiquinha com costelinha, risoto de cogumelos, vão bem com os vinhos feitos com Cabernet Sauvignon, Tempranillo e Monastrell. Os mais pesados e suculentos, como o tradicional churrasco, linguiça com batatas, lasanha de berinjela com queijo curado,

uvas que produzem vinhos mais encorpados, como Tannat e Malbec. Mas a combinação é sua. As dicas de harmonização são para melhor aproveitarmos as características da bebida e do prato. Lembrando que: seu vinho, suas regras. Outro detalhe que gostaria de dizer é que os outros tipos de vinhos, como os brancos, rosés e espumantes, não ficam de fora nessa estação. Nosso inverno aqui em Minas tende a ser mais seco, com as manhãs e tardes mais frescas, o que combina perfeitamente com esses tipos de vinhos mais leves e delicados. Podemos facilmente harmonizá-los com um strogonoff de frango, legumes assados, salpicão, peixes grelhados e até mesmo uma boa salada de inverno. Não sei se você sabia, mas Minas Gerais tem produzido excelentes vinhos de inverno, sendo que a colheita acontece nesse momento, diferente da maioria das regiões onde a safra acontece no verão. Já teve a oportunidade de provar? Assim que ficar mais tranquilo de sairmos passeando por aí, aproveite para conhecer alguma vinícola do nosso estado. Tenho certeza de que ficará orgulhoso das nossas

Foto: Amana Castelo Branco

Vinho e inverno

Vinho e inverno - perfeita harmonização

produções. Mas enquanto isso não acontece, você pode adquirir alguns desses vinhos e degustá-los na sua casa. Caso precise de ajuda, estou à disposição. Desejo um inverno bem

aconchegante para você e... bora continuar em casa que já, já tudo isso há de passar!

ele nem sabia que existia. Uma grande vantagem também para os pequenos produtores rurais, heróis anônimos que sempre estiveram à margem da sociedade, alimentando o mundo, mas sem ter nenhum reconhecimento à altura desse trabalho tão duro e importante. Juntamente com essa valorização, vem aí uma nova e grande onda de turismo local, e nosso município precisa se preparar melhor para aproveitar essa oportunidade. Por outro lado, a pandemia vem causando um estrago gigantesco no setor de bares e restaurantes. Tiveram que se adaptar na marra, com regras de funcionamento, abre e fecha repentinos e também com o serviço de entrega, que parece fácil... mas não é. Sem apoio algum do estado e com os impiedosos boletos e encargos do mesmo jeito de outrora. Já que realmente as medidas de restrições e fechamento são necessárias e óbvias, é preciso que haja uma contra-

partida do poder público, como tem ocorrido em outros países (essa é uma das funções dele, né?!). Nós também, como consumidores e cidadãos, podemos fazer a nossa parte e ajudar esses estabelecimentos tradicionais da nossa cidade, consumindo seus produtos por delívere ou indo lá buscar (você tem feito isso?). Essa tale pandemia também nos mostrou que precisamos evoluir muito como civilização, principalmente no Brasil. A carência de políticas eficazes de enfrentamento do problema, a falta de vacina, de máscara boa (e vergonha) na cara, juntamente com a total ausência de empatia e responsabilidade de parte da população, mataram e destruíram milhares de vidas (você tá mesmo fazendo a sua parte?). Mas ainda temos a oportunidade de tentar mudar nossas condutas, inclusive na cozinha. Inclusive, lembrando todos os dias que, sim, “comer é um ato político”.

*Enóloga profissional.

e

cozinheira

Gastronomia

CLÁUDIO RUAS (@CASALGASTROMG)

Gastronomia e pandemia Voltando a aparecer por aqui após um período meio sumida, essa coluna não poderia deixar de falar dessa tale pandemia. Que tomou as rédeas do mundo e rumou prum caminho de muita dor, prejuízo e mudanças, para tudo e todos, inclusive para a gastronomia e nossos hábitos alimentares. Do dia pra noite, fecha tudo na cidade, todo mundo pra dentro de casa, sem boteco, sem restaurante, sem festas e eventos. E aí vai o povo (principalmente da cidade) ter que cozinhar mais ou então pedir pelo delívere. Durante um longo período. Baita mudança, né?! Entender os reflexos disso tudo pra valer vai levar tempo, até porque a pandemia ainda está aí. Porém, já podemos perceber um bocado de coisa nesse novo capítulo da história da alimentação. É bom não esquecer que já vínhamos num processo de mudança de hábitos alimentares, com as pessoas cozinhando e be-

bendo mais em casa, buscando produtos melhores, valorizando as coisas artesanais, locais e os pequenos produtores – e se aproximando mais deles, inclusive. Uma tendência do mundo e que já tinha apeado por aqui em Resende Costa. Aí chegou esse pandemônio e deu um empurrão, daqueles bem fortes e inesperados. Vaapo! Parece bizarro falar em lado positivo numa coisa tão terrível como essa doença, que está levando a vida de muitos e trazendo dor e destruição para tantos outros. Mas é inegável que certas mudanças que ela vem proporcionando podem, sim, ser vistas positivamente. A volta ou aumento do simples ato de cozinhar, que, infelizmente foi se perdendo em parte da sociedade, é algo a se comemorar. Até porque existe muita coisa por trás disso, desde a questão de saúde até os aspectos culturais, sociais, afetivos e políticos. Reunir-se em volta do alimento

é algo sublime, ancestral e necessário. Foi a partir desse ato que nos transformamos, ainda lá no tempo dos povos das cavernas, quando controlamos o fogo e começamos a cozinhar, criar e cultivar os alimentos. Ali nos tornamos humanos. Quando nos aproximamos mais da cozinha, nos aproximamos também dos ingredientes e produtos. Com isso, vamos dando mais atenção às suas características, conteúdo e procedência. Aí o cabôco prova um trem diferente, começa a entender melhor da coisa e passa a ter mais acesso e opções, inclusive podendo se aproximar mais do artesanal e de quem o produz. Mesmo estando trancado em casa, o sistema evoluiu e se adaptou. E, para aqueles que ainda têm condições econômicas em meio a essa enorme crise, com apenas alguns cliques a pessoa adquire um produto diretamente duma roça a milhares de quilômetros de distância dele. Ou logo ali do lado mesmo, que


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Piadinhas sociais A gente vai vivendo e vai aprendendo algumas expressões que se cristalizam na própria convivência social. Muitas delas, inclusive, se tornam uma espécie de ritual de bom humor. Na verdade, são frases vazias, previsíveis e sem graça. São aquelas piadinhas inocentes que a pessoa diz, pensando que está exibindo uma pérola do humor. E a gente tem que rir, mesmo sem ver graça alguma na ostra. Tentar mexer ou dar outra interpretação para elas pode incorrer no risco da deselegância. O jeito é aguentar essas piadinhas irritantes para continuar a ter amigos. Você agradece um favor e diz: “Obrigado!” E o cara responde, achando-se o top dos humoristas: – Obrigado? Não, não é preciso brigar. Não precisa ficar “brigado”. Você ri, mordendo com raiva o risinho no canto amargo da boca. Ri por cortesia. Se não rir, aí sim, fica brigado. E quando você vai almoçar na casa de alguém? Na hora da sobremesa, se é pavê, alguém sempre se sai com esta: – Olha o doce aí, gente! É pavê... mas não é só pavê não, é pra comer também. Você ri já vomitando o pavê por antecipação. Mês passado, eu me encontrei com o cunhado do Leovaldo. Depois de uns minutos de conversa, lasquei a pergunta: – E você? Já se casou? Lá veio a piadinha manjada: – Eu não. Ainda não encontrei nenhuma doida. O humor é uma coisa exi-

gente. Você tem que contar com, pelo menos, três coisas: o conhecimento da situação, o conhecimento de quem vai ouvir e o conhecimento de combinações variadas de ideias, tudo isso movido pela criatividade e pela agilidade de raciocínio. Por isso que essas piadinhas não funcionam. O cara não percebe que a situação pede novidade, não percebe que o ouvinte quer novidade, não percebe que novas combinações exigem novidade. O resultado é o riso forçado. Quando alguém me convida para entrar em casa, eu sempre pergunto na cautela: “Tem cachorro aí?” – Não. Pode entrar. O cachorro que tem por aqui sou eu mesmo. Que preguiça, meu Deus! Uma vez, eu tentei dar outra interpretação para um clichê. Não era piadinha. Na verdade, quem fez a piadinha fui eu. E me dei mal. Uma amiga me falava da importância de viver intensamente cada dia, as maravilhas de viver, as surpresas das manhãs... aquelas coisas. No fim, ela colocou a mão no meu ombro e me disse solenemente, como se tivesse declarando o suprassumo da sabedoria: – Viva cada dia da sua vida como se fosse o último. E eu respondi: – Claro! Um dia você acerta. Ensaiei um riso, mas ela não me acompanhou. Fechou a cara e bateu em retirada, despedindo-se friamente. Pois é... Expressões que não podem ser mudadas. É pavê.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Torcida A expressão amigo da onça (amigo falso) teria surgido de uma piada envolvendo um caçador que, questionado por um colega sobre o que faria se lhe aparecesse pela frente uma onça, apresenta-lhe sucessivas e também hipotéticas estratégias de defesa, todas derrubadas pelo interlocutor, com quem perde a paciência. “Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?”, retruca ele. Pois é. Ficção e falsidade à parte, é fato que estamos a todo instante de um lado ou do outro, torcendo contra, a favor ou para, uma vez que, segundo afirmam, podemos até não admitir, mas parece não existir mesmo a imparcialidade. Com base nessa premissa, torcemos sempre. Meu pai adorava acompanhar os jogos de futebol pelo rádio e pela tevê. Não jogando a seleção brasileira ou o Cruzeiro, para os quais torcia, escolhia logo torcer para a equipe considerada mais fraca. Ainda nesse campo esportivo, cabe lembrar aquele tipo apaixonado, conhecido como torcedor de carteirinha, roxo, doente ou fanático por seu time do coração, para quem não existe aquela história de ser simpatizante. É muito mais. É paixão por um só escudo. Sentimento esse, por exemplo, devotado ao Galo pelo escritor mineiro Roberto Drummond (1933-2002) e por ele imortalizado ao declarar em frase (hoje famosa) de uma de suas inúmeras crônicas que “se houver uma camisa branca e preta pendu-

rada num varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento”. Estar na torcida significa ter a expectativa de que certo resultado se concretize. Pode ser no bloco do eu sozinho(a) para causas particulares ou não. Pode ser na torcida organizada (sem violência, por favor!) ou não, uniformizada ou não, servindo de incentivo a muitos propósitos. É presença certa em concursos de beleza e de música, gincanas, desfiles de escolas de samba, programas estilo reality show e eleições de toda ordem, entre outras situações. Quando é o caso, torcida de verdade é aquela que vota, grita, empurra, vibra, xinga, bota pressão... tudo em busca dos bons efeitos no empenho de torcer. Esportivamente falando, para além das competições anuais, de modo geral, nada mexe tanto com os torcedores do que a realização de uma Copa do Mundo de futebol e dos Jogos Olímpicos, eventos intercontinentais. É neste cenário ainda pandêmico que ocorrerá de 23 de julho a 8 de agosto deste ano a Olimpíada de Tóquio. Pela grandiosidade do evento, que reúne os atletas de mais alta performance de cada país, é possível imaginar o grau de importância que esse momento tem para eles. Estar entre os melhores do mundo já é uma vitória. Subir ao pódio, então, é a glória. Para nós, torcedores brasileiros, não tão acostumados a ver no peito de nossos atletas olímpicos a conquista de uma cobiçada

medalha, é emoção pura, natural e compreensível. Nessa hora, equivale a ver o Brasil que dá certo. Fora desse contexto, mas trazendo esse mesmo sentimento de amor pelo nosso país, uma questão se coloca: o que é ser patriota no dia a dia distante desses prováveis e esparsos sucessos das competições do esporte? Certamente que não é alguém se sentir mais brasileiro porque se veste de verde e amarelo ou se enrola na bandeira nacional em aparições públicas. Certamente que não é também alguém se sentir mais patriota porque sabe de cor e salteado o hino nacional brasileiro, mesmo desconhecendo o sentido de sua letra, complexa, por sinal. Instituídos como símbolos nacionais (os outros são o selo e o brasão), a bandeira – especialmente o verde e o amarelo que a identificam como tal – e o hino do Brasil são de todos, sem o propósito de exclusividade por parte de alguns campos políticos. Dos dois podemos nos apropriar com orgulho. Mas, acima de tudo, ser patriota não deve ter o mero significado de defender posições ufanistas. Ser patriota é gostar de sua pátria, é poder ser cidadão de fato, consciente de seus direitos e deveres. É poder viver e trabalhar em paz com liberdade e dignidade. É ter atitudes do bem pelo bem comum dos brasileiros. Nessa torcida pelo Brasil devemos querer estar. Ganharemos todos.


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O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

“Levantai-vos, soldados de Cristo...” Finalizando a série sobre a antiga poesia litúrgica católica, converso com os leitores sobre alguns hinos que cantávamos nas cerimônias religiosas de um passado já um tanto remoto. Hinos muito populares como: “Levantai-vos, soldados de Cristo”, “Queremos Deus”, “Coração Santo”, “A nós descei, divina luz”, “Eu quisera, Jesus Adorado”, “Louvando a Maria”, “Virgem Mãe Aparecida”, “Com minha mãe estarei”, “Viva a mãe de Deus e nossa”, “Bendito, louvado seja” e outros. Atualmente, talvez devido às muitas gravações, os tenho ouvido nos alto-falantes de igrejas católicas, inclusive das de Resende Costa. Cito, como exemplo, a gravação do “Queremos Deus”, de Milton Nascimento e os Tambores de Minas, que acho um primor, sobretudo com o solo de flauta inicial. E, para quem gosta, recomendo também a gravação de

“Coração Santo”, do recém falecido Agnaldo Timóteo. Quem serão os compositores das letras e das melodias? Resposta difícil, pois muitas são muito antigas e algumas vêm de tradições populares. Do “Levantai-vos, soldados de Cristo” há gravações com uma letra bastante modificada, atribuída ao padre João Clá Scognamiglio Dias, fundador dos “Arautos do Evangelho”. Os compositores do hino original por enquanto são desconhecidos. Para divertir um pouco: entre nós seminaristas, corria a história de um cantor de ouvido ruim que cantava o verso “O pendão de Jesus Redentor” assim: O cordão de Jesus rebentou! “Queremos Deus”: hino muito antigo de tradição popular italiana. “Noi vogliam Dio” (Nós queremos Deus). Tornou-se hino oficial do Estado Pontifício a partir

de 1800 e o foi até 1857. Difundiu-se, contudo, como melodia litúrgica num segundo momento. Daí sua imensa popularidade. Não consegui informação de quando foi traduzido para o português na versão tradicional. “Coração Santo”: a composição é de Tiburtino Mondin, poeta santista do final do século 19. “Eu quisera, Jesus adorado”: composição de Francisca Butler, de origem irlandesa – o que explica seu fervoroso catolicismo. “Virgem Mãe Aparecida”: música do Pe. João Batista Lehmann, autor da “Harpa de Sião”, livro de cantos a uma ou mais vozes, com acompanhamento de harmônio, bastante popular e utilizado em todas as igrejas e capelas católicas do Brasil, até o Concílio Vaticano II. Da Congre-

gação do Verbo Divino, foi também diretor do “Lar Católico”, jornal de larga influência na formação católica em nossa região. A letra é do poeta mineiro Belmiro Braga (1872-1937), nascido num povoado que, mais tarde, tornando-se município, adotou seu nome. “Viva a mãe de Deus e nossa”: Em 1905, o conde José Vicente de Azevedo compôs sua letra e música numa viagem de São Paulo a Santos. Como não tinha papel, escreveu nas bordas de um jornal. Em 1951, o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Mota, tornou oficial o “Hino à gloriosa Padroeira do Brasil”. Numa época litúrgica em que os presentes nas cerimônias eram mais ouvintes (quando ouviam) que participantes, esses hinos tiveram uma função importante. Um fator de participação. Suas me-

lodias, muito orecchiabili, como dizem os italianos, muito entoáveis, sonorizando letras ritmadas, cheias de estribilhos e bis e rimadas, provocavam um clima emocional de participação nas missas e procissões. Mais ainda quando acompanhadas pelo harmônio nos templos e pela banda de música nas procissões e rasouras. (Por falar em rasoura, sugiro assistir pela internet um vídeo da rasoura das Dores com a banda Santa Cecília em Resende Costa, ano 2019). É o que penso. E você? P.S: Não consegui, igualmente, informações quanto ao “A nós descei, divina luz”, “Louvando a Maria”, “Bendito, louvado seja” “Com minha mãe estarei” (que está, salvo engano, com a letra modificada). Se algum leitor souber, por favor informe-me: (jmagalhaes155@gmail.com).

Meio Ambiente

ADRIANO VALÉRIO RESENDE

A maior facada na Amazônia: o Projeto de Lei 490/2007 No dia 24 de junho, foi publicado em uma manchete do jornal El País: “Congresso decide extinguir a Amazônia: no dia em que o antiministro Ricardo Salles deixou o Governo Bolsonaro, foi desfechado o mais terrível ataque à maior floresta tropical do mundo”. Infelizmente, é isso mesmo que está ocorrendo. O governo Bolsonaro e seus aliados, imbuídos de um suposto projeto de modernidade e de progresso para a região da Floresta Amazônica, estão destruindo a maior floresta tropical do planeta e toda vida nativa local, inclusive humana. Nos termos do artigo: “O PL 490 é a maior ofensiva contra a Amazônia e seus povos (...). Como a maior floresta tropical do mundo é a grande reguladora do clima, o que acontece neste momento no Congresso brasileiro ameaça o planeta.” Enquanto na imprensa e nas redes sociais as falas eram sobre Covid-19, CPI, compra de vacina e, até mesmo, noticiando a feliz saída do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou, por 40 a 21 votos, o Projeto de Lei 490/2007. Anteriormente, em 2009, o mesmo

havia sido rejeitado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias. No entanto, apesar da oposição de vários deputados, o Projeto prosseguiu para a CCJC, sendo colocado em apreciação em maio e aprovado no dia 23 de junho. Isso era o que faltava em seu prosseguimento para ser votado no Congresso Nacional, primeiro na Câmara dos Deputados e depois, no Senado. E agora, se aprovado, se tornará de fato uma lei. O projeto prevê alterações na utilização das terras indígenas. Destaca-se que, desde a Constituição Federal de 1967, na época da Ditadura Militar, ficou garantida aos índios a posse permanente das terras que ocupavam. Esse fato foi regulamentado pela Lei Federal 6.001/1973, o Estatuto do Índio, com o propósito de se preservarem a cultura e as terras indígenas. Tais posturas foram recepcionadas pela Constituição de 1988 em seu artigo 231: “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.” Dessa forma, o Projeto de Lei 490/2007 pretende alterar

o Estatuto, ao possibilitar a legalização de atividades econômicas predatórias em áreas indígenas; permitir a retirada da posse de terras já identificadas (isto é, só serão consideras as terras que estavam comprovadamente na posse indígena antes de 1988), flexibilizar o contato com as tribos mais isoladas e dificultar as demarcações de novas áreas. Creio que todos devem saber da importância da Amazônia, nada menos do que a maior floresta

equatorial do planeta, e, segundo alguns especialistas, um grande regulador do clima mundial. Pesquisas já afirmam que a floresta, o maior sequestrador de carbono do planeta, está emitindo mais carbono do que retém, visto que já perdeu algo em torno de 20% de sua área. De acordo com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, quando o desmatamento atinge entre 20% e 25% do bioma, o prejuízo à floresta se torna irreversível. Citando novamente o artigo: “Isso

significa que a Amazônia começa a deixar de ser solução para se tornar um problema.” Convém destacar a importância e a abrangência das áreas protegidas por lei (terras indígenas, Unidades de Conservação e áreas militares), que representam cerca de 43,9% da Amazônia, segundo o IMAZON. As terras indígenas homologadas, declaradas ou identificadas são 21,7% dessas áreas protegidas, daí percebemos sua importância. A situação atual é tão grave que, pela primeira vez na história do país, uma entidade (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) pretende denunciar o presidente por genocídio e ecocídio no Tribunal Penal Internacional, visto que há um claro descumprimento da Constituição Federal. Qualquer brasileiro, que possua um mínimo de sanidade ética e intelectual, pode perceber que o ataque às terras indígenas, além de representar uma afronta à dignidade humana, é mais uma facada que contribui para a morte lenta e gradual da Amazônia. Por fim, mesmo com todo o conhecimento científico atual, como explicaremos para a geração futura que deixamos a floresta sucumbir?


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CULTURA

INTERNACIONAL

Professora propõe incluir tecelagem artesanal no ensino da matemática Foto: Arquivo pessoal

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A inclusão da tecelagem resende-costense na educação matemática foi sugerida pela professora Cleisiane de Sousa Silva, em sua dissertação de mestrado Estudo da matemática presente na tecelagem artesanal de Resende Costa, MG, apresentada em junho de 2020 ao Departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Cleisiane foi orientada pelo professor Paulo César Pinheiro, a quem ela dedica um agradecimento especial: “Não há uma frase em meu texto que não tenha o seu olhar e sua generosidade, pois ele conferiu todos os detalhes até a finalização da dissertação, além de ter sido um grande incentivador desde o início. Quem dera houvesse mais pessoas no mundo com o seu coração e sabedoria! Então, uma palavra que define o meu sentimento pelo meu orientador é ‘admiração’”. Em seu trabalho, a professora Cleisiane Silva apresenta “uma proposta pedagógica de matemática que envolva a tecelagem resende-costense para a construção do aprendizado de geometria de forma dinâmica e plural”. Este “exercício viável de aplicação da tecelagem artesanal na sala de aula” seria recomendado para alunos do 6º ano do Ensino Fundamental. A proposta de Cleisiane tem quatro etapas. A primeira prevê um diálogo com os alunos sobre a tecelagem em Resende Costa e o seu contexto histórico-cultural. Seria convidada uma tecelã (ou tecelão) para conversar com os alunos sobre a atividade artesanal. Poderia haver, ainda, uma exposição na sala de aula de algumas colchas e tapetes confeccionados com desenhos. Em atividade em grupo, os alunos trabalhariam com imagens; ou seja, realizariam fotografias de tapetes e colchas que tivessem desenhos, apresentando-as na aula. O professor ajudaria na identificação dos artesanatos de bico. Na segunda etapa, haveria uma aula teórica sobre os conceitos iniciais da geometria, tais como: ponto, reta e plano. Uma abordagem sobre as características, definição e utilidades desse conteúdo, bem como o ensino posterior de formas geométricas planas e propriedades dos polígonos. Na terceira etapa, seriam revelados os nomes dados aos desenhos pelos artesãos da tecelagem, questionando os alunos se eles conseguem visualizar essa outra perspectiva. Por exemplo: Qual é o olhar deles sobre os desenhos da colcha com “folha”, “estrela” ou “pirâmide”. “Onde tem ponto, reta e plano? Essas figuras se parecem

Professora Cleisiane Silva, autora de dissertação de mestrado sobre a presença da matemática na tecelagem artesanal de Resende Costa

com quais polígonos?” Na quarta etapa, os alunos poderiam tecer e nomear as figuras presentes na tecedura, de acordo com as teorias de simetria utilizadas pelas tecelãs. Para isso, os alunos poderiam visitar uma oficina de tecelagem na comunidade para observar e filmar a confecção de um tapete de bico por uma tecelã ou tecelão. Assim, os alunos poderiam realizar novas produções manualmente, com o desenho de bico. Segundo Cleisiane, estas etapas permitiriam o conhecimento da cultura tecelã resende-costense, a fundamentação de um conhecimento conceitual e a instigação de “um pensamento reflexivo sobre essa tecelagem”, bem como a percepção “se os alunos conseguem visualizar as propriedades primitivas da geometria e figuras planas na tecedura artesanal resende-costense para motivar e facilitar a aprendizagem desse conteúdo pela adequação da linguagem vivencidada por uma cultura”. As finalidades didáticas seriam identificação, classificação, medidas, simetria, ampliação e redução, criatividade, técnicas artísticas e construção de desenhos geométricos. A atividade da quarta etapa poderia ser realizada juntamente pelos professores de artes e de matemática, diz Cleisiane. “Estima-se a necessidade de duas horas/aula para cada disciplina, ou poderia ser realizada em formato de oficina, numa atividade no ambiente escolar em período extraturno e monitorada pelos professores de artes e matemática.” Para a professora, “a teorização desse artesanato tem uma importante implicação pedagógica em geometria, a qual valoriza as matemáticas culturais. Então, concretizar com os estudantes uma

atividade interdisciplinar que valoriza um saber local na sala de aula é incluir princípios mais globais no currículo escolar e exercer com o aluno seu pensamento crítico.” A DISSERTAÇÃO A dissertação de Cleisiane Silva, que é professora da Escola Estadual Assis Resende, buscou compreender a matemática empregada na construção estética das colchas e dos tapetes produzidos artesanalmente em Resende Costa e sua relação com a Etnomatemática, do autor Ubiratan D´Ambrósio. Para esse estudo, foi escolhido um grupo formado por pessoas do município que desenvolvem padrões decorativos no tear manual. Ao todo, 18 tecelãs e tecelões responderam a um roteiro de entrevistas e foi observada a confecção de tapetes realizada por duas tecelãs, com acompanhamento da elaboração do “tapete de bico”. Os resultados indicaram a existência de um universo particular, tanto no que tange ao modo de tecer quanto à matemática utilizada, observa Cleisiane. “Nesse sentido, verificou-se que, para o exercício dessa atividade artesanal, há materiais e equipamentos próprios e as tecelãs e tecelões fazem uso de contagem de números, reta numérica, operações básicas, medidas, princípio de simetria, figuras espelhadas, noções básicas da geometria e geometria plana.” Verificaram-se, ainda, as características dessa atividade “que se enquadram nas dimensões conceitual, histórica, cognitiva, epistemológica, política e educacional do Programa Etnomatemática, destacando, por exemplo, a preservação da identidade local e o conhecimento compartilhado dessa cultura que respondem questões de existência e transcendência.”

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Equipe dos Bombeiros Voluntários de Resende ajudou nas buscas por criança de 2,5 anos O caso do menino Noah, de Proença-a-Velha, que ficou 36 horas desaparecido, comoveu Portugal Força da natureza porque nasceu na natureza!” Foi assim que o jornalista José Alberto Carvalho abriu o “Jornal das 8”, na noite de 20 de junho (um domingo), ao se referir ao menino Noah, de 2,5 anos, que ficou desaparecido por mais de 36 horas na freguesia de Proença-a-Velha, concelho (município) de Idanha-a-Nova, na região centro de Portugal. Sem perder tempo, a Marinha portuguesa, via redes sociais, convidou Noah a se inscrever no Destacamento de Ações Especiais, quando completar 18 anos, “onde as táticas de sobrevivência são fundamentais”. “Aproveita a tua infância. Todo um país ficou muito feliz com o teu regresso”, concluiu a mensagem. A criança saiu de casa logo cedo, no dia 16 de junho (quarta-feira), à procura do pai que trabalhava no campo a cerca de 300 metros. Ao não encontrar o pai, Noah andou mais de 10 km em zona de mato agreste, por terrenos sinuosos e íngremes, atravessou curso d´água e deixou para trás pistas como as galochas, roupas, suas pegadas e até mesmo a cadela que o acompanhava e que não teria conseguido passar pelo mesmo espaço de uma cerca que o menino. A criança foi encontrada, desidratada, porém lúcida e bem-disposta, na noite do dia 17 (quinta-feira), a pouco mais de 6 km da casa onde morava com os pais e uma irmã de seis anos. Internado no serviço de pediatria do Hospital de Castelo Branco para recuperação e avaliações médica e psicológica, no dia 21 de junho foi liberado para retornar à famí-

lia.

As operações de busca mobilizaram militares da GNR (Guarda Nacional Republicana), bombeiros, proteção civil e voluntários, muitos deles estrangeiros, chegando a envolver mais de uma centena de pessoas, com o apoio de equipes cinotécnicas (cães treinados), drones e mergulhadores. Faziam parte do grupo o bombeiro Antônio Bártolo e o cão Zeus, da equipe de buscas e salvamento dos Bombeiros Voluntários de Resende, norte de Portugal. (As outras duplas ou binômios de Resende são Filipe Pereira e o cão Zion e Fábio Severino/Ox.) Antônio Bártolo e o cão Zeus integraram-se à equipe de buscas ao menino Noah porque os Bombeiros Voluntários de Resende são os únicos do país certificados pela GNR para trabalhar em conjunto com a corporação policial neste tipo de atividade. Ao todo, participaram das operações nove cães da GNR e o cão Zeus dos BV Resende. Nas redes sociais, houve tentativas de apontar negligência aos pais de Noah. Mas a família da criança (pais, irmã e avós materna) é muito querida pela vizinhança, a julgar pelas reações de apoio aos pais e de alegria com a volta de Noah. O casal (o pai belga ou uruguaio, não se sabe ao certo, e a mãe portuguesa, filha do escritor Nuno Caupers de Bragança) trocou a cidade pelo interior onde se dedica à permacultura e a uma vida sustentável. A investigação do caso está a cargo da Polícia Judiciária (PJ) e do Ministério Público. Até agora, não há indícios de crime. J.V.R. Foto divulgada nas redes sociais

Menino Noah e sua cadela, final feliz


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EDUCAÇÃO

Secretária de Educação e diretoras das escolas de Resende Costa comentam sobre autorização do estado a respeito da volta às aulas presenciais VANUZA RESENDE

Após longos debates, o governo de Minas Gerais autorizou a volta às aulas de forma presencial em quase todo o estado. No dia 01 de julho, ficou decidido que as aulas presenciais poderão ser retomadas nas cidades que estão na Onda Vermelha do programa Minas Consciente, exceto nas classificadas como cenário desfavorável, para alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Nos municípios que estão nas ondas Amarela e Verde do programa, haverá uma ampliação das atividades presenciais: além dos alunos do 1º ao 5º ano, discentes do 9º ano do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio poderão retornar às instituições. No dia 01 de julho, a macrorregião Centro-Sul, da qual Resende Costa faz parte, estava inserida na Onda Vermelha e havia saído do cenário desfavorável, o que permite a volta às aulas presenciais. Na avaliação da secretária municipal de Educação de Resende Costa, Silvanda Maria Resende, o retorno presencial às escolas seria mais seguro após a imunização completa dos funcionários. “A volta às aulas presenciais depende da avaliação do quadro epidemiológico e também das recomendações das autoridades sanitárias responsáveis do município, além do Plano Minas Consciente. Com relação ao início da vacinação dos professores e funcionários da Educação em Resende Costa, todos os funcionários lotados nas escolas municipais já foram vacinados com a primeira dose. A meu ver, podemos considerar mais seguro o retorno se todos os profissionais estivessem imunizados com a segunda dose. Infelizmente não teremos a mesma situação para com os alunos, suas respectivas famílias e demais grupos da sociedade, o que poderá colaborar

Apostila de Educação Infantil da rede municipal de Resende Costa. Aulas remotas também para as crianças

para uma grande circulação do coronavírus”, destaca. A diretora da Escola Estadual Assis Resende, Roseni Fernandes, falou sobre o retorno gradual dos alunos de forma presencial. “É difícil afirmar ser seguro ou não. O que posso dizer é que estamos seguindo toda a questão de protocolo. Estamos estudando há muito tempo sobre o retorno seguro e já estamos colocando em prática, com parte dos servidores trabalhando de forma presencial”. De acordo com Roseni, todos os servidores já foram vacinados com a primeira dose da vacina contra a Covid-19 e retornarão para receber a segunda dose em setembro, sendo que alguns já estão imunizados com a segunda dose. “A parte pedagógica está trabalhando de forma on-line, já os servidores da limpeza e responsáveis pela alimentação estão vindo presencialmente. E o pessoal da secretaria está trabalhando de forma híbrida. São dois dias em casa e três de forma presencial.” A diretora da Escola Municipal Conjurados, Rosinéia Aparecida da Silva Daher Resende, a Rose, manifesta preocupação com o retorno. “Nós diretoras, vice-diretoras e supervisoras estamos estudando o protocolo de volta às aulas, de forma híbrida,

seguindo o documento orientador do Estado de Minas Gerais e adequando-o à realidade do nosso município. Sabemos que, mesmo de forma gradativa, o retorno ainda não é seguro, pois estamos na Onda Vermelha do Minas Consciente. Além disso, no boletim da Covid-19 do dia 28/06/21 houve dois casos confirmados de crianças, com idade de 1 e 7 anos, no município, e isso nos preocupa muito”, afirma. A preocupação também é compartilhada pela diretora da Escola Municipal Paula Assis, Virgínia Daher. “Mesmo com todo o protocolo sendo colocado em prática, ‘segurança’ é algo que não temos como garantir numa volta das aulas presenciais. A Paula Assis é uma escola espaçosa, não haverá problemas em dividir horários de merenda e recreio para que não haja muitos alunos no pátio, mas estamos falando de crianças e adolescentes. Principalmente de crianças. Embora vivendo a quarentena há mais de um ano e sabendo bem os cuidados, eu acredito que, mesmo que os funcionários orientem, vigiem, acompanhem, será difícil mantê-los afastados dos colegas, como pedem as orientações. Estamos passando, graças a Deus, por um período de queda nos casos de contaminação em Resende Costa. Mas ainda acho prematura uma decisão de volta. Temos acompanhado casos de crianças infectadas e isso é preocupante, uma vez que ainda não podem receber a vacina. Precisamos pensar também na possibilidade de sermos, tanto os funcionários, já vacinados, quanto os alunos, transmissores para outras pessoas.” A diretora do Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela, Sandra Belo, diz que é difícil avaliar a questão da segurança nesse momento, porém a instituição elaborou um protocolo sanitário espe-

Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão, permanece fechada para as atividades presenciais

cial visando ao retorno às atividades escolares presenciais. O documento segue o modelo do protocolo do Estado de Minas Gerais, que servirá como referência. “Acredito que, afirmar ser seguro ou não esse retorno presencial, é muito complexo, uma vez que estamos lidando com um vírus de fácil disseminação e alta contaminação.” PREPARAÇÃO PARA A VOLTA ÀS AULAS PRESENCIAIS Conforme os protocolos estaduais, existem regras que devem ser cumpridas no ambiente escolar, tais como o uso de máscara por alunos e trabalhadores, distanciamento social e limpeza frequente das instalações. Além disso, deve haver alternância entre atividades remotas e presenciais: em uma semana, os alunos frequentam as salas de aula e, na outra, estudam em casa. Roseni acredita que, no início do retorno às aulas, a instituição vai conseguir suprir as demandas seguindo os protocolos. “Se for mantida a decisão atual, a gente voltaria com três turmas de manhã. À tarde nós teríamos duas turmas e à noite, uma turma. Pensando nesse primeiro momento de volta, a questão do espaçamento está tranquila. Acredito que não haverá problemas.” No entanto, a escola Assis Resende está passando por reforma do prédio centenário. Portanto, mesmo autorizada a volta às aulas, as atividades presenciais serão possíveis somente em agosto. “Estamos sem cantina, os banheiros ainda não foram finalizados e também estamos sem bebedouro. Enquanto isso não estiver pronto, não temos como voltar. A previsão é a de que essas obras fiquem prontas até agosto. Caso a decisão do estado permanecer e a prefeitura autorizar, voltaríamos em

agosto”, planeja Roseni. As escolas vão receber um checklist de aplicação dos protocolos sanitários validado. Rose Daher avalia as medidas que serão tomadas. “Temos um grande desafio pela frente para adequá-las à realidade da nossa escola. E para ser bem sincera, não sei se daremos conta, na prática, de seguir todo esse protocolo no ambiente escolar. Estamos nos preparando para isso. Mas vale lembrar que, para uma criança nesta faixa etária, seguir todas as recomendações das medidas de prevenção é muito complicado.” No caso da Escola Paula Assis, existe outro agravante: a necessidade de transporte público. Virginia fala sobre a situação. “Apesar de saber que os cuidados serão tomados e que os alunos deverão ser divididos em escalas para as aulas presenciais, ainda assim é um fator preocupante. Para os funcionários também. Por exemplo: em dias chuvosos, as janelas precisam ficar fechadas.” Inúmeras vezes, os adultos são flagrados descumprindo normas de higiene em relação à prevenção da Covid. Será um desafio controlar as crianças, sobretudo as mais novas, com a limitação do contato. Sandra fala sobre como a escola infantil pretende lidar com essa situação. “Acredito que esse será um grande desafio devido ao fato de que nessa idade as crianças sempre interagem através do contato físico. Mas estamos vivendo o distanciamento social há um bom tempo e elas já estão lidando com essa realidade em seu cotidiano. Tudo é uma questão educativa. Iremos trabalhar regrinhas e criar métodos de distanciamento de forma lúdica para que todos aceitem naturalmente”, planeja a diretora.


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EDUCAÇÃO

Ensino remoto “O ideal é voltar, mas voltar agora ou depois é uma questão muito difícil de opinar. Lembrando que o principal sempre é a saúde” VANUZA RESENDE

Desde 2020, com o início da pandemia de Covid-19, o ensino vem acontecendo a distância, assim como inúmeras atividades profissionais. Um desafio tanto para os educadores quanto para os alunos. Silvanda Maria Resende, secretária de Educação de Resende Costa, explica como as atividades estão sendo realizadas na rede municipal. “O município optou por imprimir a apostila para todos os alunos da Rede Municipal porque o alto percentual de famílias sem acesso à internet ou com pacote de dados pré-pagos sem capacidade de utilizar os aplicativos obrigatórios gera uma exclusão do acesso à educação pública de qualidade. Além desses fatores, temos que levar em consideração que somos um país de maioria pobre, portanto sem condições de comprar um computador, ou um smartphone, e muitos sequer têm condições de adquirir um plano de acesso à internet.” Sandra Belo, diretora da Escola Infantil Aquarela, analisa o longo período em que os alunos permanecem longe das salas de aula, contando apenas com o ensino remoto. “Em nosso município, conseguimos atingir todos os nossos alunos com nossas apostilas. Imprimimos todas as atividades a serem trabalhadas, criamos grupos de Whatsapp com vídeos explicativos curtos a fim de que todos tenham acesso, ou seja, consigam baixar os vídeos e assistir a eles. A principal dificuldade para os professores foi a reinvenção do trabalho pedagógico. Haja vista que eles tiveram que se adequar a uma nova rotina de trabalho, lidar com tecnologias novas, ferramentas de trabalho que antes não eram utilizadas. Em contrapartida, os alunos tiveram que aprender a lidar com a falta de interatividade com o pro-

fessor, ficando muitas vezes desmotivados a fazer os trabalhos.” Mesmo com tantas mudanças, Sandra avalia o resultado final como positivo. “Fizemos de tudo para que a aprendizagem ocorresse de forma efetiva e contínua, ressaltando que é muito difícil substituir o contato físico dentro da sala de aula. Nesse contexto mundial, lidamos com o novo e acredito que conseguimos alcançar a aprendizagem, mesmo que esta não tenha ocorrido da mesma forma que alcançaríamos presencialmente. Foi necessário fazer um trabalho diferenciado para manter o vínculo entre aluno e escola. Podemos afirmar que houve uma boa adaptação ao ensino remoto.” Virginia Daher, diretora da Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão de Santo Antônio, disse que a entrega dos materiais impressos foi uma forma democrática de contemplar todos os alunos. “Devemos lembrar que uma grande parte dos nossos alunos não tem acesso à internet ou não a tem com potência suficiente para suportar uma plataforma de aulas. A maneira que a rede municipal encontrou para fazer o conteúdo chegar a todos os seus alunos e minimizar ao máximo a defasagem que a quarentena tem proporcionado foi através das apostilas. O conteúdo das apostilas está de acordo com a BNCC, como os livros didáticos. Os professores preparam explicações e exemplos, também nas apostilas, para facilitar o entendimento. Os alunos que têm acesso à internet estão nos grupos de WhatsApp e podem tirar suas dúvidas com os professores”, explica. Rose Daher, da Escola Municipal Conjurados, destaca as dificuldades encontradas no método de aulas remotas, novidade em tempos de pandemia. “O período de ensino remoto foi, e está sendo, um grande desafio para todos nós profissionais da educação. Todos

tiveram que se adaptar ao novo propósito de ensino, intensificando os estudos, separando e analisando as habilidades e competências a serem abordadas no projeto ‘Educalar’, que são as apostilas e todo o material pedagógico que os alunos recebem mensalmente. Todo esse esforço e dedicação é para que possamos atender a todos os alunos da maneira mais simples e objetiva possível, porque o nível de aprendizagem dos alunos é diferente, cada um tem seu tempo para alcançar os objetivos propostos, de acordo com determinado ano escolar. Este ano introduzimos, também, alguns vídeos explicativos para auxiliar os alunos na realização das apostilas, pois percebemos que muitos estavam tendo grande dificuldade na realização das atividades propostas nas apostilas.” A diretora da Escola Estadual Assis Resende, Roseni Fernandes, avalia que o método de ensino remoto em 2021 houve ganho se comparado ao ano de 2020. “A gente conseguiu uma melhora em relação ao ano passado, que é o que a gente chama de aulas síncronas, que acontecem ao vivo, com alunos, alunas, professor ou professora numa mesma sala virtual. Isso foi um ganho muito grande. Além disso, tivemos também atividades complementares elaboradas pelos professores. No ano passado, tínhamos apenas as apostilas. Mas nada substitui um professor. Por isso eu acredito que temos que começar aos poucos com os alunos na escola, porque os meninos ficaram muito tempo desligados desse ambiente. Sabemos que a educação, assim como outros setores, ficou muito prejudicada com a chegada da pandemia. Mas entra uma questão muito familiar e estrutural. Porque hoje, o ensino ficou na mão da família, não é? O ideal é voltar, mas voltar agora ou depois é uma questão muito difícil de opinar. Lembrando que o principal sempre é a saúde.”

Retorno às aulas será opcional Existe um debate entre pais e responsáveis sobre autorizar ou não a volta dos filhos para a sala de aula. A decisão final será de cada família. A Escola Estadual Assis Resende está realizando uma pesquisa sobre o provável retorno dos alunos. Até o dia 01 de julho, a pesquisa ainda não havia sido finalizada, mas Roseni antecipou que o resultado parcial era: 50% dos pais aprovam a volta às aulas e 50% não autorizam o retorno dos estudantes à escola. “Ainda temos uma parte que está preferindo esperar um pouco para autorizar o retorno dos filhos.” A diretora destaca ainda que não há como garantir que a volta às aulas não trará riscos. “Às vezes, alguns pais me perguntam: ‘Você acha que não terá riscos?’ Mas eu não posso falar isso. O que eu posso falar é que a gente vai tomar todas as precauções que temos que fazer, mas a decisão de volta, ou não, é muito pessoal.” Rose comenta sobre a decisão dos pais e responsáveis. “De acordo com o protocolo de volta às aulas, os pais devem autorizar, assinando um termo de compromisso, a volta presencial ou não do(a) de seu(a) filho(a). Além disso, há o comprometimento em avaliar se o filho está com algum sintoma gripal e não enviar o mesmo à escola. Quanto aos alunos ficarem prejudicados por não estarem de forma presencial, é muito relativo falar sobre isso, porque sabemos que o prejuízo nesse período todo sem aula vai ser grande. E com o retorno, nós profissionais da educação, pais e alunos, vamos mais uma vez ter que nos adaptarmos a essa nova proposta híbrida e nos unirmos para sanar esse prejuízo. Não será fácil!”, disse a diretora do Conjurados. Virginia também analisa. “Sabemos que, apesar de todo o trabalho dos profissionais da Educação, o que temos feito por nossos alunos não será suficiente para sanar o prejuízo que a falta das aulas presenciais tem proporcionado. Chega a ser cruel escolher: voltar e expor alunos e funcionários a uma contaminação e suas consequências ou manter o estudo remoto, sabendo que os alunos não estão aprendendo como deveriam. É importante ressaltar que, assim como

os pais e os alunos, nós, funcionários da Educação, nos sentimos angustiados e impotentes diante dessa situação. É difícil uma análise sobre o impacto dos estudos remotos no futuro dos alunos. O que podemos dizer é que estamos fazendo de tudo, da forma mais abrangente e democrática possível, para ampará-los. Voltando o ensino presencial, faremos um diagnóstico pedagógico para detectarmos a defasagem e o que precisará ser revisto com todos.” Para que os alunos que decidirem não voltar às aulas presenciais neste momento não sejam ainda mais prejudicados por tanto tempo fora das salas de aula, os profissionais da Educação estão se preparando. “O sistema híbrido prevê que as atividades presenciais sejam as mesmas oferecidas no material remoto. No nosso caso, nas apostilas. Um formato de aula não pode andar em disparidade com outro. A grande diferença é a presença dos professores para explicar o conteúdo. É claro que isso tem sido feito nos grupos de WhatsApp, mas, além de termos alunos que não têm acesso à internet, o modo de aprendizagem virtual não prende tanto a atenção dos alunos quanto o presencial. Quanto à insegurança dos pais em mandar os alunos para a escola, entendo perfeitamente. Eles não estarão vacinados e, além disso, podem transmitir o vírus para alguém de seu convívio. Fará parte de nosso trabalho fazer de tudo para que os cuidados necessários sejam efetivos, porém a garantia de que nada irá acontecer, de que nenhuma criança e adulto serão contaminados é algo que ninguém pode determinar”, destaca Virginia. Aos pais ou responsáveis que optarem por não enviar as crianças de volta às aulas, Sandra Belo explica que a instituição a qual dirige vai trabalhar para que não haja prejuízos para aqueles que permanecerem em casa. “Os alunos não serão prejudicados se os pais optarem por seus filhos não voltarem de forma presencial, uma vez que iremos adequar as atividades que serão trabalhadas presencialmente àquelas que serão ministradas aos alunos de forma remota.” (V.R.)


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Informe Publicitário

COMUNIDADE

Sicoob Credivertentes atende mais de mil famílias em ação socioambiental Mobilização pelo Dia C envolveu cercamento gratuito de nascentes e doação de cestas básicas em 20 municípios Muito se fala em “crise hídrica” e “insegurança alimentar” ultimamente. E em tempos como esses, uma das respostas continua sendo união. Por isso, em 2021, o Sicoob Credivertentes expandiu suas atividades pelo Dia de Cooperar (Dia C), celebrado em todo o país no dia 3 de julho. Além de anunciar o cercamento de mais 7km de nascentes até o fim do ano via Minas + Vertentes, a cooperativa realizou a entrega de mil cestas básicas em 20 comunidades de seu mapa de atuação no dia 9. “Está na História, no DNA e no cotidiano do Cooperativismo buscar a inclusão, a sustentabilidade, o bem comum. É nossa missão fazer com que essa filosofia seja cumprida, com que a cidadania alcance todas as pessoas”, diz o presidente do Conselho de Administração, João Pinto de Oliveira. A mobilização, que alcançou um raio de 300 quilômetros entre Itutinga e Belo Horizonte, contou com mais de 200 pessoas da equipe institucional. TRANSFORMAÇÃO “Era tudo muito difícil. A gente lidava com água de córrego e na seca ela sumia. Por outro lado, quando chovia, ficava tão suja de lama que não dava pra usar nem pra lavar o banheiro”, conta Dona Neli Maria. Hoje, diz sorrindo, a realidade é outra não só para ela, mas para outras dez famílias do Povoado do Redondo, a 20km de Ritápolis. Tudo resultado do Minas + Vertentes, projeto de responsabilidade ambiental do Sicoob Credivertentes. No final de 2019, a cooperativa promoveu o cercamento de 23 nascentes (o equivalente a 7km) em 11 estabelecimentos rurais de São Tiago, Resende Costa e Ritápolis. Duas delas estavam no Sítio das Antas, a poucos metros de onde Dona Neli mora. Edison Rodrigues, um dos proprietários do lugar, aceitou participar da iniciativa justamente para compartilhar os benefícios. “A água, quando não era escassa, era mal cheirosa por causa de animais que pisoteavam a terra, defecavam perto. Menos de um ano depois do cercamento, porém, ela ficou constante e límpida. Fiz teste em laboratório e está confirmado: posso até beber”, comemora. Com motivações como essa e uma indicação ao Prêmio José Costa no ano passado, o Minas + Vertentes chega à segunda edição

em 2021. Desta vez desembarcando em São João del-Rei, Prados e Coronel Xavier Chaves. Ruralistas dos três municípios podem se candidatar para ter trechos de terreno cercados e uma comissão especial vai definir, até agosto, que locais serão beneficiados. LEGADO Ao fim de mais essa ação ambiental, o Campo das Vertentes contará com outros 7km de nascentes cercadas. Isso significará mais olhos d’água brotando limpos e cheios de fluidez já na fonte. “Quando realizamos esse isolamento, nós evitamos que o solo seja pisoteado e compactado por animais. Pouco tempo depois, a água ganha liberdade e força para seguir seu curso natural”, explica o técnico responsável pelos cercamentos, Murton Moreira. No processo, são utilizados moirões, balancins e arame. Somando os materiais à mão de obra e ao acompanhamento profissional, a média de economia ao produtor para cada mina cercada é de R$3,3 mil. Outros resultados, no entanto, não têm preço. “Há alguns anos, cercamos

por conta própria uma nascente. Hoje, a água que flui lá é apoio para a Pecuária Leiteira aqui na roça”, explica o empreendedor rural e técnico ambiental Marcelo Coelho. “Graças ao projeto do Sicoob Credivertentes, pudemos proteger outras quatro. Desta vez para que fluíssem mundo afora, para o próximo”, acrescenta. O diretor executivo-financeiro da cooperativa, Luiz Henrique Garcia, diz que essas histórias fazem parte de um legado socioambiental: “Talvez um pensamento interessante para todos nós, ao levantar da cama, seja ‘o que quero deixar para o mundo hoje?’. Com projetos como o Minas + Vertentes, dizemos que estamos dispostos a construir o melhor”. ALIMENTOS O lançamento do Minas + Vertentes, em 2019, contou com a I Caminhada da Cooperação, reunindo mais de 200 pessoas em um trajeto ecológico de 8km. As inscrições foram baseadas na doação de um quilo de alimento

não-perecível. Ao todo, foram arrecadados 260kg de mantimentos entregues, dias depois, à APAE de São Tiago. Em 2021 foi feito mais. Desta vez, o Sicoob Credivertentes entregou 50 cestas básicas em cada uma das 20 localidades com Pontos de Atendimento (PAs) da cooperativa. Assim, mil famílias foram assistidas no Campo das Vertentes e na capital mineira, Belo Horizonte. “O sentimento é de partilha, de viver a Cooperação na prática, de efetivamente fazer a diferença para alguém”, explica a gerente da agência de Morro do Ferro, Júnia Nery. O agente de Atendimento Ciro Monteiro, de Piedade do Rio Grande, concorda. Por lá, a doação de alimentos foi complementada, também, com a entrega de cobertores. “Nossos associados se uniram a nós e doaram todos eles. Foi um exemplo, na prática, de união, Cooperação. É inexplicável o que sentimos ao fazer parte dessa corrente do bem”, encerra.


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VOZ DO CIDADÃO

Nota de Esclarecimento da Rádio Inconfidentes FM Na edição nº 218, junho de 2021, do Jornal das Lajes, a coluna “De olho na cidade”, de autoria do articulista Edésio de Lara Melo, veiculada na página 7 do periódico, publicou um artigo intitulado “Rádio Inconfidentes FM”, contendo críticas à programação da emissora. A direção da Rádio Inconfidentes utiliza-se deste espaço a fim de informar aos leitores do Jornal das Lajes e ao autor da coluna sobre algumas situações as quais julga necessárias. Destacamos que nenhum representante da diretoria da emissora foi procurado pelo colunista a fim de informá-lo acerca das questões apontadas por ele no artigo, sobretudo no que tange à grade de programação da Rádio Inconfidentes. Por isso, julgamos importante esclarecer alguns pontos sobre a atual programação e sobre o funcionamento da nossa emissora. Em razão da pandemia da Covid-19, que muito nos preocupa, a direção da Rádio Inconfidentes optou por manter, presencialmente, em sua sede e em seu estúdio

somente uma secretária durante o horário comercial. Ressalta-se que a secretária é também locutora da emissora, portanto responsável por um programa musical, no qual ela atende ao ouvinte e veicula notícias de interesse da comunidade. Destacamos, com satisfação e orgulho, que todos os nossos locutores atuam voluntariamente e doam seu tempo pela nossa Rádio Inconfidentes. Visando ao bem-estar e à saúde dos nossos colaboradores, jamais os colocaríamos em risco neste grave momento de crise sanitária pelo qual estamos passando. Diante disso, decidimos interromper, temporariamente, a nossa programação com a participação presencial de nossos locutores no estúdio, conforme, inclusive, vêm fazendo inúmeros veículos de comunicação que adotam o home office. O colunista também menciona, em seu artigo, alguns saudosos locutores que, durante longos anos, atuaram conosco abrilhantando a nossa programação. Infelizmente os perdemos, mas eles nos deixa-

ram frutuosos aprendizados e enorme saudade. Recentemente, perdemos para a Covid-19 um grande amigo e locutor que fez parte da nossa equipe. Para preservamos a integridade e a saúde de nossos colaboradores durante a pandemia, optamos pela continuação da nossa programação, porém sem a presença dos locutores em nossos estúdios. A escolha pela chamada programação robotizada, isto é, sem contar com os locutores apresentando ao vivo seus respectivos programas, é TEMPORÁRIA. Tal medida irá perdurar enquanto estivermos em pandemia. Cabe ainda ressaltar que a pandemia trouxe um impacto financeiro negativo a praticamente todos os veículos de comunicação. E com a nossa rádio não foi diferente. Perdemos grande parte dos nossos apoiadores culturais (patrocinadores) e, por isso, a rádio vem enfrentando sérias dificuldades financeiras. Mas a nova diretoria está trabalhando diuturnamente, contando com o valoroso e indis-

pensável apoio de nossos colaboradores para superarmos o momento de crise e dele sairmos mais fortes. Sabemos da importância da Rádio Inconfidentes como meio de comunicação e entretenimento para o nosso município. Mesmo diante do grave momento de crise sanitária e respeitando as normas de segurança regidas pelo programa Minas Consciente, a emissora não se omite de levar informações a seus ouvintes. Durante esse período, foram realizadas diversas entrevistas ao vivo com representantes do poder público e também com profissionais da saúde, no intuito de informarmos e esclarecermos a população resende-costense sobre as ações que vêm sendo tomadas pelo município no enfrentamento da pandemia de COVID-19. A direção da Rádio Inconfidentes vem se esforçando para elaborar e promover uma programação de qualidade, priorizando programas musicais, informação, cultura e entretenimento. Temos a felicidade de olhar para a nossa história, para os 18 anos que es-

tamos ininterruptamente no ar, e constatarmos que o simples estúdio da nossa rádio comunitária colaborou para formar profissionais que hoje atuam em importantes veículos de comunicação da região do Campo das Vertentes e do país. O nosso objetivo é também descobrir e valorizar talentos, dando oportunidade a quem deseja fazer parte da nossa equipe e colaborar conosco. Enfim, esperamos que em breve todos estejamos vacinados e fora de risco para podermos retomar, com segurança, a nossa programação rotineira, contando com a INDISPENSÁVEL PRESENÇA dos nossos locutores no estúdio da Rádio Inconfidentes. Desejamos a todos os nossos ouvintes muita saúde. Solidarizamo-nos com as famílias que perderam entes queridos nesta pandemia que tanto nos preocupa e entristece. Um abraço a todos!

Direção da Rádio Inconfidentes FM.

Retalhos literários EVALDO BALBINO

O nome do meu pai é Jesus. Didi é a sua alcunha. Didi Pedreiro, assim o chamam desde longa data. Ele carrega essa identidade por mais de seis décadas. Nos seu 80 anos de vida, já perto agora dos 81, é com orgulho e honra que ele leva a profissão no próprio corpo. Se o título aqui fosse “Jesus”, alguém talvez poderia confundir este meu texto com uma fala sobre o Cristo prometido e encarnado. Mesmo não falando aqui do Deus em forma humana, esta minha fala não deixa de ser religiosa, pois falar da nossa vida miudinha é também falar de Deus, do seu corpo sagrado e sem corpo. Já me coube dizer do meu pai no poema “Posse”, do meu livro Filhos da pedra, em 2012: “Eu não tenho bicicleta / pra desfilar na alameda. / Eu não tenho carro verde / pra me enfeitar de cor. / Mas eu tenho meu Pai / caminhando na avenida, / chapéu na cabeça, / colher de pedreiro nas mãos.”. Vejo assim, desde minha pequenez, o marido de minha mãe. Desde cedo ele chegando da labuta e trazendo, na boca da noite engolindo as grotas do Ribeirão de Santo Antônio, amendoins em casca para menino pleno de gulodices. E o povoado quase noturno ficava mais vermelho, mais alegre

como os amendoins desabrochando das cascas macias. Até hoje meu pai me presenteia com amendoins. Agora mais imensos, mais largos que os amendoins em si. O homem de pedra, porque a vida assim o foi esculpindo, ainda é o mesmo e transformado, porque até as pedras mudam, como nos diria Cecília Meireles. Não que ele tenha hoje mais porosidades, porque estas sempre existiram nele. O fato é que antes os poros já estavam nele disfarçados numa rudeza amorosa. Cada um ama do seu modo. O difícil, quase sempre, é aceitarmos os diferentes modos de se amar. Meu pai sempre foi semeador de sementes, casas e singelezas. Lavrador desde criança, pedreiro desde jovem, sempiterno amante da vida e distribuidor de amor aos quatro cantos. Severo, rígido, apregoador de protocolos para a vida, mas mergulhado no sempre amor. O amor, repito, tem várias faces. Nos meandros da vida amorosa, meu pai sofreu e gozou a existência. E faz isso até agora. Diz com pulmões plenos que a vida é boa, que ela bem que poderia ser eterna. Eu lhe digo que ela deveras nunca termina, e ele responde

que sabe disso, mas que poderia ser também eterno este nosso corpo, o dia nascendo, a noite descendo sobre nós, as ruas caminhando sob nossos pés, as pessoas conversando sem eira nem beira. Entendo meu pai: entre espinhos vamos colhendo flores, e as pétalas compensam as dores. Por esses dias, depois de afastado da minha cidade natal há mais de um ano por causa da pandemia de Covid-19, aqui estou com meus pais num “abraço” necessário. Depois da primeira dose da vacina, dum isolamento 100% de 15 dias em Belo Horizonte e dum exame rápido para detecção do antígeno via coleta de secreção nasofaríngea, vim para Resende Costa, para o seio dos meus pais. Estes têm sido dias de amainar saudades. Conversas longas, ajudas nos afazeres e certo distanciamento cuidadoso regado a máscara e álcool-gel usados por mim. Eles me considerando exagerado, e eu me derramando nos cuidados por querê-los plenos de vida. Ontem foi dia de eu arrancar mandioca e colher laranja e mexerica com o meu pai. Sua faina com o enxadão, e eu ajudando a puxar os pés de raízes fortes. As laranjas descendo doces da árvore, oferecendo vida e sumo aos nossos pa-

Foto: arquivo pessoal

Didi Pedreiro

Foto do escritor Evaldo Balbino com seus pais - Didi e Laura

ladares. Cada mexerica mexendo com minha boca, a doce forma de amar. E meu pai regando os chuchus plantados, falando de como se deve aguar as salsinhas, cujos corpos frágeis cedem à pressão de água forte. E suas mãos agudas de tempo quebrando algumas espigas secas de milho e me perguntando com amor se eu queria também arrancar inhames. E me ensinou mais uma vez tantas coisas, como, por exemplo, replantar os galhos de mandioca com suas raízes ainda cheias de vida. Outro dia, lições também indeléveis. Foi mexendo com suas ferramentas bem-organizadas em

dois cômodos atrás da casa. Mexendo e me falando sobre elas. A esmerilhadeira em disco zirconado, o disco de serra de Makita para cortar madeira, o disco de vídea para cortar pedra, o serrote, a peça em disco de caminhão para soquete, a machadinha, o martelo de cabo comprido e com orelhas atentas ao nosso colóquio. Tudo isso beijava suas mãos. As sementes, os tijolos e as ferramentas são nas mãos de meu pai o que as palavras são nas minhas mãos escritoras. E nós dois seguimos escrevendo a vida, porque há muitos modos de escrita em nossa existência.


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ANO XVIII Nº 219 - JULHO 2021

ESPORTE

Educadora física ressalta a importância de o corpo estar sempre em movimento Não tem segredo: corpo em movimento e boa alimentação são sempre citados quando falamos de vida saudável. Deixar o corpo sempre ativo, por si só, já é um benefício, mas, quando aliado a outros hábitos, como alimentação adequada e saudável, tende a ser ainda melhor. A educadora física Cristiane Vale Sousa fala sobre a importância de o corpo estar sempre em movimento. “Um corpo que não se movimenta torna-se fraco e adoece mais facilmente. Fisiologicamente, o corpo necessita ser ativo e é muito importante que tenhamos consciência disso, pois o ‘movimentar-se’ ajuda na manutenção da própria natureza humana. Se analisarmos textos e livros de caráter religioso ou histórico, veremos que os povos antigos já se movimentavam para ir de um lugar a outro, ou até mesmo para a própria sobrevivência.” Cristiane, no entanto, alerta para o sedentarismo. De acordo com a educadora física, as pessoas sedentárias estão na contramão do que a medicina indica e tendem a ficar cada vez mais paradas. “Atualmente, a população está cada vez menos ativa ou se exercita menos do que deveria. No mundo todo, cada vez mais pessoas correm risco de saúde por causa da ociosidade.” Ela faz um importante alerta: “Quando uma pessoa se exercita, não deve considerar essa atividade apenas como um ato para atingir um objetivo específico, como emagrecimento, hipertrofia, estética etc., mas também como algo essencial para a promoção da saúde como um todo. A prática do exercício traz como consequência inúmeros benefícios em curto, médio e longo prazos.” A pandemia de Covid-19 levou os especialistas a também se debruçarem em estudos sobre a importância do exercício físico para as pessoas que se tornaram ainda mais sedentárias durante o longo período de quarentena. A pergunta que se faz é: “Como mudar a rotina de sedentarismo e se colocar em movimento?” Não existe outra

Fotos: Arquivo pessoal

VANUZA RESENDE

A educadora física Cristiane Vale, em frente ao celular, interagindo on-line com os alunos

Cristiane Vale e suas alunas seguindo as regras de segurança durante a aula

fórmula: Movimentar-se! Os educadores físicos indicam a adoção da prática de pequenas atividades, ou até mesmo a inserção de exercícios na rotina cotidiana das pessoas.

que atividade física é todo e qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que proporcione gasto de energia. Subir escadas, fazer tarefas domésticas e até o lazer (o chamado lazer ativo) são alguns exemplos”, explica Cristiane Vale. Atividade física, portanto, difere de exercício físico. “O exercício físico é uma sequência sistematizada de movimentos que são executados de maneira planejada e com um objetivo específico. Além disso, ele deve ser feito com a ajuda de um profissional de Educação Física para que possam ser determinadas, de acordo com o objetivo e o perfil do aluno, intensidade ideal, duração e cargas.” Cristiane destaca a importância da prática do exercício físico: “Ajuda a ter uma melhor qualidade do sono, proporciona bem-estar e disposição para as atividades do dia a dia. Também é muito importante na cura e na prevenção de diversas doenças. Caminhada, pedalada, musculação, ginástica localizada são alguns exemplos das diversas modalidades de exercícios físicos existentes hoje em dia. Não restam dúvidas de que é muito importante praticar atividades físicas e exercícios físicos. Encontre a modalidade que lhe dê prazer, aumente seu nível de movimentos diários e ganhe mais SAÚDE!”, recomenda

ATIVIDADE FÍSICA X EXERCÍCIO FÍSICO Estacionar o carro um pouco mais longe do local de trabalho, passear com os cachorros, ir ao banco a pé... tudo isso já é a realidade de muitas pessoas que vivem nos grandes centros urbanos e que vem ganhando adesão também de quem reside em pequenos municípios. De um jeito ou de outro, as pessoas que querem mudar o estilo de vida e tornar-se mais ativas fisicamente estão buscando alternativas em meio às medidas restritivas devido à pandemia. Alguns se matriculam na academia, outros optam pela corrida na praça ou em estradas e ruas. O que os educadores físicos indicam? Qual é a melhor modalidade esportiva? Qual é a diferença entre ir a uma academia e se exercitar ao ar livre, indo até o mercado, por exemplo? “A recomendação da atividade física padrão da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que sejam praticadas, pelo menos, duas horas e meia de esforço moderado por semana ou 75 minutos de atividade intensa por semana, lembrando

a educadora física. MANTER-SE ATIVO NA PANDEMIA As práticas esportivas em grupo seguem suspensas devido ao risco de contaminação pelo coronavírus. Durante o período da pandemia, as academias, por diversas vezes, precisaram fechar. Fazer caminhadas usando máscara fez com que essa atividade ficasse menos prazerosa para alguns praticantes. Com isso, muitas pessoas se tornaram sedentárias ao abandonarem as atividades físicas e os exercícios físicos. Porém, de acordo com Cristiane, o caminho precisa ser o inverso. “Precisamos nos adaptar a uma nova forma de nos manter ativos em casa devido às restrições. Diante da pandemia, nossa saúde passou a ser muito ameaçada pelo novo vírus. Manter um comportamento sedentário pode ser ainda pior.” A prática de exercícios físicos está entre as inúmeras recomendações dos especialistas para se manter o corpo saudável e, com isso, fortalecer-se imunologicamente. “Fazer exercícios físicos aumenta a produção de endorfina, que é o hormônio do prazer, essencial ao bem-estar, além de melhorar o sistema imunológico e diminuir o estresse e a ansiedade. Ainda contribui para o combate e a prevenção de doen-

ças crônicas que podem agravar as consequências do coronavírus. Uma doença crônica que está muito presente entre as complicações e os óbitos relacionados à Covid-19 é a obesidade, que vem crescendo a cada ano na população mundial e se acentuou ainda mais durante a pandemia, pelo fato de as pessoas se tornarem menos ativas. Nesse caso, o exercício físico e a atividade física podem colaborar de forma significativa e efetiva para a redução do acúmulo de gordura corporal e, consequentemente, para a melhora da saúde de forma geral”, explica Cristiane. O fato de estarmos ficando mais tempo em casa não justifica escolhermos o sedentarismo. “O exercício físico é um ‘remédio tranquilizante natural’. Manter uma rotina de prática regular de exercícios oferece benefícios físicos e psicológicos. E essas vantagens valem para crianças, adultos e idosos. Para se exercitar em casa, o segredo é ter muita determinação, arrastar os móveis da sala, convidar as pessoas que moram com você e aproveitar o espaço para se movimentar usando a criatividade. Assim, praticar atividades juntos pode se tornar um momento familiar de diversão e socialização”, indica Cristiane. TECNOLOGIA Cristiane Vale recomenda a utilização da tecnologia como aliada à mudança no hábito de vida. “Com a tecnologia a nosso favor, encontram-se na internet atividades para todas as faixas etárias, como dança, brincadeiras e jogos. Como se não bastasse, vários professores de educação física estão oferecendo e/ou disponibilizando aulas on-line de modalidades diversas. Com isso, o tempo em frente às telas pode ser reduzido e substituído por uma atividade em movimento. O exercício físico praticado ao ar livre com segurança também pode ser uma ótima opção e ainda auxilia no estímulo da produção de vitamina D. Com certeza, manter-se ativo pode ser um desafio para algumas pessoas. No entanto, depois que isso se tornar um hábito e você perceber o quanto faz bem, nunca mais vai querer parar”, garante a educadora física.


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