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Edição 218 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

O abre e fecha do comércio e o ritmo lento da vacinação no Brasil têm causado enorme impacto na economia. Mais de um ano de pandemia e, ainda, inúmeras incertezas levam empresários a terem de se reinventar para continuarem seus negócios. A única certeza é a de que somente a vacinação em massa resolverá a crise sanitária, salvará vidas e a economia. “Fica, portanto, muito evidente a importância de se acelerar a vacinação aqui e no resto do planeta”, afirma Aluizio Barros, economista e professor aposentado da UFSJ. PÁG 05

• JUNHO 2021 • Nº218

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

“Peço a todos que tenham cuidado, acreditem nessa doença” Foto: Arquivo pessoal

Pandemia se prolonga e o comércio sente os impactos

ANO XVIII

Chiano ainda se recupera em casa dos sintomas graves da Covid-19

O mês de maio foi, até agora, o pior momento da pandemia em Resende Costa. O número de casos confirmados aumentou significativamente e o município chegou a confirmar cinco óbitos em apenas um mês. Muitos pacientes precisaram de internação para tratar a Covid-19 e as complicações da doença causada pelo novo coronavírus. Um desses pacientes é o funcionário público da Prefeitura Municipal de Resende Costa, Márcio Resende, de 49 anos, o Chiano, que ficou internado por 12 dias e necessitou ser transferido para uma UTI. Leia editorial na página 2. PÁG 08

Rota do Queijo Terroir: foco na agricultura familiar e oportunidade para o turismo O projeto Rota do Queijo Terroir Vertentes foi um dos dois projetos do Sudeste brasileiro escolhidos

para participar do programa “Experiências do Brasil Rural”, desenvolvido pelo Ministério do Turismo (MTur)

e a Universidade Federal Fluminense (UFF). O projeto abrange os 26 municípios do Circuito Trilha dos

Inconfidentes e tem a EMATER–MG como parceira. PÁG 12


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ANO XVIII Nº 218 - JUNHO 2021

EDITORIAL A infame politização da pandemia

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Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende

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Jornal das Lajes Ltda

Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:

Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Dor de fome Morre mais gente de fome no mundo que devido à Covid-19. Oitocentos e vinte milhões é o número de pessoas que passam fome no mundo. No Brasil, são dezenove milhões. Que pessoas são essas? É gente para quem a fome é o único sinal de sua existência. É gente para quem o amanhã não conta, pois que essa gente vive a incerteza de tudo, na certeza do nada. É gente para quem a fome constitui parte integrante da vida. E a fome dói. Dói em quem a contempla. Dói mais em quem a padece. Se Epicuro tem razão em dizer que “Importa menos saber o que se come do que saber com quem se come”, ele também sabia que, sem ter o que comer, não faz sentido ter com quem comer. “Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu é de carne e sangra toda hora”, é o que se lê em Saramago. Não nos faltam motivos para termos um coração que sangra, nesta hora de pandemia: muitas mortes, muita fome causadora de morte. Organizações sociais e políticas promovem campanhas de

solidariedade para levar comida aos que dela precisam, nesse período tão cruel da nossa história. Mas há uma indagação que paira no ar: O que um cidadão, isoladamente, pode fazer diante de um quadro tão triste? Há uma enorme dificuldade inicial: grande parte do dinheiro do país está nas mãos de apenas 10% da população brasileira. E tais 10% não têm interesse algum em acabar com a fome, pois, se tal acontecesse, poderia faltar comida para eles. Nada a fazer, pois? Não. Se você acredita, como dizia Elisabeth Leseur (+ 1914) que “uma alma que se eleva, eleva consigo o mundo”, você poderia seguir as orientações da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Ela recomenda: . reduza o consumo de carne, já que diversos recursos naturais são usados na sua produção; . não desperdice comida: pois estará desperdiçando recursos usados em sua produção; . utilize menos água: elemento básico na produção de alimentos; . descarte corretamente

eletrônicos e medicamentos, que contaminam os solos e os lençóis freáticos com seus elementos químicos. . consuma produtos locais: eles podem ajudar a combater a poluição, reduzindo as distâncias e o transporte. Se se pode matar a fome de algum faminto, o ideal é fazê-lo. Mas, creia, seguir as orientações da FAO é assunto igualmente notável. Se você entrar nessa onda, ninguém vai saber se colabora ou não. Mas você poderá sentir uma grandeza que vem dos nobres ideais. Somos, isoladamente, parcela mínima na população. A TERRA, no espaço, é também parcela mínima. E ninguém diz que seja insignificante e sem importância. O angolano José Eduardo Agualusa diz: “Só me interessam as revoluções que começam por sentar o povo à mesa”. Enquanto tal revolução não acontece, elevemos o mundo, elevando-nos. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Foto e situação do mês

Resende Costa, a Capital Mineira do Artesanato têxtil, comemora 109 anos de emancipação política ANDRÉ EUSTÁQUIO

No último dia dois de junho, Resende Costa completou 109 anos de emancipação política. Em 1912, sob a liderança do influente fazendeiro e político local, Coronel Francisco Mendes de Resende, o então distrito da Lage de Tiradentes adquiriu sua autonomia política. Ao longo de mais de um século, Resende Costa vem se desenvolvendo através do comércio, sobretudo do artesanato, da agropecuária e do turismo. Conhecida como a cidade das lajes e do artesanato, Resende Costa atrai turistas que se encantam com a beleza do lugar e com os atrativos de uma cidade tipicamente mineira.

Fotos: Cássio Almeida

Quando a pandemia começou a avançar pelo interior deste imenso e desigual Brasil, o temor de que o sistema de saúde fosse colapsar era iminente. Vimos a doença se espalhar com gravidade, inicialmente, pelos grandes centros, lotando hospitais e UTIs, mas, de certa forma, poupava as pequenas cidades. Imaginávamos que a pandemia de Covid-19 não passaria de 2020 e que 2021 seria um ano mais tranquilo, com vacinas para todos e a economia se recuperando. As apostas otimistas, todavia, não se confirmaram. Abril e maio de 2021 foram, até agora, os meses mais letais da pandemia no Brasil e o vírus atacou com força municípios do interior. Resende Costa, com seus aproximados 12 mil habitantes, sentiu, como quase todos os municípios da região do Campo das Vertentes, os efeitos catastróficos da interiorização do novo coronavírus. Durante todo o mês de maio, o Hospital Nossa Senhora do Rosário registrou lotação nos leitos destinados a pacientes diagnosticados ou com suspeita de Covid. Devido ao aumento no número de casos e à gravidade de alguns quadros, diversos pacientes tiveram de ser removidos para outros hospitais da região que dispõem de UTIs. Confirmou-se, portanto, a dinâmica já prevista para a doença que ainda impede conclusões científicas e desafia os especialistas: quanto mais pessoas infectadas e o vírus se espalhando sem controle nas comunidades, maior a possibilidade de surgirem casos graves, de pacientes necessitarem de hospitalização e de alguns, consequentemente, morrerem. No fechamento deste editorial, no dia 6 de junho, de acordo com a versão atualizada do Informe Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, na noite do último dia 5, Resende Costa registrava 554 casos de Covid-19. Desse total, 134 ainda estavam ativos e 420 pacientes haviam se recuperado da doença. Porém, o mais triste: 13 óbitos foram registrados no município até o dia 6 de junho. Além do temor da interiorização da Covid-19, outra situação não menos letal nos preocupava: a politização da pandemia. E ela veio desde o início com a postura negacionista do presidente da República, Jair Bolsonaro. A negação da ciência, o embate do presidente com governadores que desejavam seguir protocolos científicos e a insistência dele em incentivar a adoção de tratamentos precoces comprovadamente ineficazes, além da demora em adquirir vacinas, fizeram de Bolsonaro o maior aliado do coronavírus no Brasil. Lamentavelmente, em nosso país os números ainda não pararam de subir e a politização da pandemia se fortalece a cada dia. Nas redes sociais leem-se diariamente comentários e postagens irresponsáveis com o único intuito de abalar politicamente uma situação que se desenha cada vez mais trágica. Atitudes estas que, além de confirmar o desolador cenário da desumanização, da insensibilidade e da falta de bom senso na política, denota profundo desrespeito com as vítimas e com familiares de quem perdeu a luta para o novo coronavírus. O triste momento em que vivemos, inclusive nós resende-costenses, requer união de todos, independentemente de cores, bandeiras e legendas partidárias. Urge confiar na ciência, no bom senso e nas decisões dos especialistas. É preciso deixar de lado o achismo das postagens infames e irresponsáveis nas redes sociais. Todos têm, democraticamente, o direito de se manifestar, mas momentos de crise nos pedem prudência, elegância e serenidade antes de escrevermos e opinarmos sobre algo que não conhecemos. Triste constatar que as redes sociais têm sido mananciais fecundos de opiniões sem fundamento, de disseminação do ódio e de fomento à polarização política, que só atrapalham o enfrentamento da pandemia. Não deixemos que essa longa e triste pandemia nos desumanize. Por detrás de cada óbito registrado há sempre um nome, um rosto, lutas, uma história de vida e planos que foram ceifados precocemente.

De um ponto de vista


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JORNAL DAS LAJES

CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Reuniões da Câmara Municipal estão sendo realizadas de forma virtual Foi aprovada, na reunião ordinária do último dia 12 de maio, Projeto de Resolução que regulamenta a possibilidade de discussão e votação remota de matérias sujeitas à apreciação do Plenário, dispensando a presença física dos vereadores. O uso do meio remoto é medida excepcional para viabilizar o funcionamento do Plenário do Legislativo Municipal durante a emergência de saúde pública de importância internacional relacionada à pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. As sessões virtuais obedecem às mesmas regras de realização constantes do Regimento Interno da Câmara Municipal de Resende Costa no que se refere à votação, ou seja, quórum, tramitação de proposições, e acontecem nos mesmos dias e horários regimentais.

TRIBUNA LIVRE Para a utilização da Tribuna Livre durante as reuniões virtuais, é necessário que o cidadão interessado a solicite anteriormente, encaminhando sua demanda para o e-mail camaramrcosta@ mgconecta.com.br ou via telefone (32) 3354-1526. O

cidadão requerente receberá o link da reunião virtual e terá a palavra concedida nos moldes da Lei Municipal nº 1.941/92. As reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa continuam sendo transmitidas ao vivo pela Rádio Inconfidentes FM, 87.9

• Realização de estudo técnico, junto ao Executivo Municipal, para promover melhorias na sinalização do trânsito em frente à Escola Estadual Assis Resende, localizada na Praça Professora Rosa Soares Penido, centro de Resende Costa-MG. Justifica-se tal ação, uma vez que a via apresenta intenso fluxo de trânsito de veículos e de pedestres, sendo necessária melhor organização no local. (Vereador Coló) • Instalação de um quebra-molas na Rua Xisto Faustino, bairro Nossa Senhora Aparecida, na altura dos números 1.201/4.215. (Vereador Paulinho) • Instalação de uma passagem elevada de pedestres na Avenida Alfredo Penido, bairro Novo Horizonte, na altura dos números 1.233/1.160-1. (Vereadores Paulinho e Lucas) • Instalação de uma passagem elevada de pedestres na Avenida Antônio da Silva Barbosa, bairro Várzea, na altura dos números 744 e 745, uma passagem elevada de pedestres na Avenida Antônio da Silva Barbosa, bairro Várzea, na altura dos números 321-A e 290.

Vereadores de Resende Costa se reunem de forma remota durante o período da pandemia

INFORME PUBLICITÁRIO

Indicações apresentadas pelos vereadores durante reuniões ordinárias do mês de maio • Instalação de uma passagem elevada de pedestres na Praça Cônego Cardoso, na altura do número 61. (Vereador Coló)

O vereador João Dias preside a reunião on-line da Câmara Municipal de Resende Costa

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(Vereador Lucas) • Realização de estudo técnico, junto ao Executivo Municipal, com o objetivo de promover melhorias na sinalização e no controle de velocidade de tráfego no cruzamento entre as Rua Assis Resende e Avenida Monsenhor Nelson, centro da cidade, conhecido como “Quatro Cantos”. (Vereadores Coló e Lucas) • Instalação de, no mínimo, dois brinquedos destinados ao público infantil em cada Academia de Saúde localizada no Município de Resende Costa. (Vereador Cláudio) • Instalação de manilhas no final da Rua Vereador Antônio Salomão, precisamente na passagem que liga o bairro Mendes ao bairro Jardins. (Vereador Cleiton)

Requerimentos do mês de maio • Encaminhamento de ofício ao Executivo Municipal a fim de que este verifique a situação dos serviços realizados, de forma geral, pela COPASA em toda a extensão do perímetro urbano do município de Resende Costa. (Vereador Lucas) • Retorno das atividades da Escola do Legislativo. (Vereador Fernando)


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

INFORME PUBLICITÁRIO

Resende Costa: 109 anos tecendo histórias No dia 2 de junho, Resende Costa completou 109 anos de emancipação política. São 109 anos de história e tradição que merecem ser celebradas. Infelizmente, devido à pandemia, não podemos nos abraçar e nos reunir em eventos como nos anos anteriores. Mas nem por isso, nossa cidade e toda nossa população, que ajuda a fazer de Resende Costa uma cidade tão especial, deixaram de receber merecidas homenagens. No dia 02, como de costume, a bandeira de Resende Costa foi hasteada ao lado das bandeiras de Minas Gerais e do Brasil, na sede da Prefeitura. A cerimônia contou com a participação do prefeito Zinho Gouvea e de seu vice, Lucas Paulo. Também estiveram presentes o secretário de Turismo, Artesanato e Cultura, André Eustáquio e João Dias, presidente da Câmara Municipal. A parte musical foi comandada pelo maestro da Banda Municipal Santa Cecília, Luiz Carlos Martins Júnior. “ “Eu quero aqui parabenizar a população de Resende Costa que, através de muito trabalho, ajudou a construir nossa cidade.

Quero parabenizar também nossa equipe de governo que, com muita força, vem conduzindo o município neste momento difícil pelo qual passamos. Agradeço aos servidores municipais pela dedicação, trabalho e compromisso para manter nossa cidade funcionando. Deixo aqui uma mensagem de fé e de esperança para que, no próximo ano, possamos voltar a celebrar o aniversário de Resende Costa como a cidade merece”, declarou Zinho Gouvea. Já as outras homenagens foram realizadas de forma virtual, através das redes sociais oficiais da Prefeitura. “Neste ano, infelizmente, não pudemos comemorar como desejávamos os 109 anos de emancipação política de Resende Costa, que coincidiria com a Mostra de Artesanato e Cultura. A pandemia nos privou disso. Porém, uma data tão importante para nós resende-costenses não poderia passar em branco. Usamos da tecnologia para nos unirmos e mostrarmos que apesar das distâncias nossos corações e sentimentos permanecem unidos no amor pela nossa cidade. E deu certo! Através de vídeos,

desenhos e depoimentos manifestamos o nosso carinho por Resende Costa. Como foi bom ver as nossas crianças homenagearem a nossa cidade, no dia 2 de junho, através de lindos desenhos. Elas retrataram, com criatividade e espontaneidade, os pontos históricos e turísticos de Resende Costa”, afirmou André Eustáquio.

O secretário de Turismo, Artesanato e Cultura aproveitou para destacar também a participação dos servidores públicos nas homenagens: “Parabéns aos servidores da Prefeitura Municipal que também homenagearam o município, comprovando que a união realmente faz a força e que de mão dadas, cada um fazendo

a sua parte, continuamos construindo a nossa cidade e a preparamos para um futuro cada vez mais promissor. Mas, enquanto ainda vivemos sob a pandemia, vamos fazer a nossa parte, cuidando de nós e dos outros, para que possamos, em 2022, comemorarmos com muita festa os 110 anos de Resende Costa.”

Homenagem da Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura Resende Costa comemora, neste 2 de junho, 109 anos de Emancipação Política. Uma data a ser comemorada e sempre lembrada por todos nós resende-costenses. Convido você a voltar um pouquinho na história, como se estivéssemos abrindo um livro pego numa estante da nossa biblioteca municipal. Em 1912, um novo e importante capítulo da história do antigo Arraial da Lage de Nossa Senhora da Penha de França começou a ser escrito. O então distrito da Laje de Tiradentes conquista a sua autonomia política, liderada pelo nosso primeiro administrador municipal, o coronel Francisco Mendes de Resende, e inicia sua trajetória, deliberando sobre suas ações em todos os aspectos. Porém, a nossa história não começou em 1912. Os registros históricos nos contam que

no final da primeira metade do século XVIII, no alto de um rochedo – hoje o nosso belo Mirante das Lajes, principal cartão-postal de Resende Costa – um pequeno núcleo de casas já havia surgido em torno de uma capelinha dedicada a Nossa Senhora da Penha de França. Estamos falando do ano de 1749, de um pequeno lugar onde se encontravam duas estradas, usadas por tropeiros, mascates e viajantes e que levavam aos sertões de Goiás e ao Rio de Janeiro. Se voltarmos nossos olhares ainda mais para o passado e retrocedermos nas páginas do livro do tempo, veremos personagens importantes da história de Minas e do Brasil, em nossa terra. O Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, deslumbrou-se com o lindo mirante que se descortina no alto das lajes, quando por aqui passou em visita a José de Resende Costa, o

pai, com o intuito de articularem um importante episódio da Inconfidência Mineira, movimento libertário que marcou o destino do Brasil. Veremos também em nossa história capítulos bonitos sobre a fé de um povo que se curva em reverência a sua padroeira Nossa Senhora da Penha de França. No alto do afloramento do belo rochedo encontra-se, imponente, a nossa igreja matriz - Ícone da fé dos resende-costenses que transpassa as barreiras dos séculos, formando gerações alicerçadas nos bons costumes, na valorização da família e na dedicação ao trabalho. E o pequeno Arraial da Laje se desenvolveu. Política, Economia, Agricultura, Pecuária, Saúde, Educação, artes... Graças ao espírito laborioso e criativo dos resende-costenses, hoje podemos nos orgulhar das inúmeras conquistas alcançadas pelos fi-

Artesanato: orgulho e tradição resende-costense

lhos de Resende Costa ao longo de 109 anos de emancipação. Mas o fio da nossa história não termina aqui. A terra dos Inconfidentes José de Resende Costa, pai e filho, reconhecida, com justiça e merecimento, como “Capital Mineira do Artesanato Têxtil”, ainda tem longos caminhos a trilhar; nossa gente,

incansável, ainda tem muita história a tecer e a contar. Os 109 anos, que hoje comemoramos, são apenas mais um capítulo de uma linda história que teve seu início há mais de 200 anos e que projeta um futuro magnífico a ser escrito. Parabéns, Resende Costa pelo seu aniversário!


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Pandemia

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Recuperação dos empregos formais, em ritmos diferentes JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O impacto negativo da crise sanitária no mercado de trabalho formal de São João del-Rei pode ser dimensionado pela perda de 944 postos de trabalho (empregados com carteira assinada) no período de março a maio de 2021 quando a expansão da pandemia ainda era lenta. Tal era a gravidade da recessão local que “esse volume de desempregados em três meses foi maior do que o emprego gerado de 819 trabalhadores durante oito anos, de 2012 a 2019”, observa o economista Aluizio Barros, com base no CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Mi-

nistério da Economia. Mas há uma boa notícia. Houve forte recuperação no quarto trimestre de 2020 (521 novos postos de trabalho) e, no primeiro trimestre de 2021, as contratações em todos os setores superaram as demissões (mais 415 empregos), segundoo Boletim do Mercado de Trabalho do Departamento de Ciências Econômicas da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei). Assim, o total de empregos formais chegou a 18.143, “voltando aos patamares pré-crise em fevereiro de 2020”. A recuperação dos empregos formais prossegue em 2021, refletindo perspectiva de crescimento econômico para o corrente ano, analisa Aluizio Barros. “Alguns

setores crescem mais rápido do que os demais; outros setores ainda contabilizam perdas. O comércio é responsável por mais seis mil empregos formais. Os setores de comércio, transporte, viagens, alojamento (hotéis, pousadas) e alimentação (restaurantes, bares e lanchonetes) e de serviços pessoais foram os que mais sofreram com a pandemia. Sendo uma cidade turística, São João del-Rei foi afetada, embora não saibamos ainda a magnitude do impacto, uma vez que muitos serviços são prestados na informalidade.” Nota negativa foi a inflação, que corroeu o poder aquisitivo das famílias. Um exemplo é a cesta básica são-joanense, medida pela pesquisa mensal do Núcleo

de Ensino, Pesquisa e Extensão em Economia (NEPE) da UFSJ. O valor da cesta aumentou de R$ 410,04, em março de 2020, para R$ 503,87 em abril deste ano, mas a participação relativa dos gastos com alimentos no salário mínimo líquido passou de 42,42% para 49,52% nesse um ano de pandemia. VACINAÇÃO O que pode prejudicar a recuperação econômica em curso é o combate à pandemia, alerta Aluizio Barros. “A maior preocupação dos governantes e de todos nós é garantir o sucesso no enfrentamento da pandemia, como pré-requisito para uma economia em crescimento. Sabemos que

nem todos os países conseguiram resultados sólidos até o momento. O vírus continua se disseminando na população a taxas elevadas.” Em São João del-Rei, na semana anterior ao dia 29 de maio, foi registrado um recorde de novos casos confirmados de Covid-19: a média móvel diária atingiu 55 casos, segundo acompanhamento do Departamento de Ciências Econômicas da UFSJ. Há duas semanas, esse número era de 40 casos, e no inverno de 2020, de apenas 10. A esperança do controle da pandemia está na vacinação, cujo esforço vem adquirindo mais coordenação e eficiência, constata Barros. Texto finalizado em 30/05.

Em Resende Costa e São João del-Rei, comércio reinventa-se “um alto índice de desocupados” entre seus colaboradores diretos e indiretos. Já o agronegócio local beneficiou-se do bom momento do setor, “mas distribui pouca renda em nossa região, ainda mais com a alta nos preços dos principais insumos (soja e milho, dólar alto)”. Por sua vez, os aposentados “vêm vivendo bastante alavancados em empréstimos”. Os setores mais afetados em São João del-Rei foram os de eventos, academias, bares e restaurantes, diz Afonso Farias. “Esses setores sofreram grande retração de clientes e foram muito prejudicados, sendo forçados a reduzirem o quadro de funcionários e a se adaptarem ao meio digital”. No setor de bares e restaurantes, “de certa forma, foi menor o impacto, pois esse setor se adaptou ao meio digital, oferecendo delivery para os clientes”. Já nos setores de eventos e academias, “o cenário é bem pior, pois ficaram impossibilitados em quase 100% de operarem”. Em Resende Costa, o comércio vem atendendo de maneira mais restrita os seus clientes, trabalhando muito forte no delivery e apostando todas as fichas no mercado digital, dizem Luara e Cláudio. “Essa ferramenta possibilitou uma manutenção e regramento do crescimento; ou seja, como consequência, houve redução da mão de obra empregada, tanto CLT quanto informal.” Em São João del-Rei, a orientação é no sentido de estudar, inovar, aprender e buscar novas formas de conquistar o cliente, receita Afonso Farias. “O cenário

Foto: Arquivo pessoal

Mais de um ano de pandemia e incerteza. Só a aceleração do processo de vacinação vai permitir a volta de certa normalidade, admitem lideranças empresariais. Uma coisa é certa: “A pandemia do coronavírus tirou todos da sua zona de conforto e o comércio teve que se reinventar para se manter nos momentos de oscilação das ondas mais restritivas”, constatam Luara Ramona e Cláudio Rocha, respectivamente presidente e tesoureiro da ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa). Este período de pandemia “está sendo muito desafiador para o empresariado; toda esta transformação social e econômica que estamos vivendo, novos desafios para as lojas físicas, como a falta de clientes na porta… A tradicional abordagem do cliente na loja, a negociação com o cliente no ato da compra na loja física, isso tudo de certa forma ´acabou´”, confirma Afonso Henrique Cyrne Farias, coordenador do SINDJOVEM (Conselho de Jovens Empreendedores do Sindcomércio – São João del-Rei). Os negócios estão desaquecidos, atestam os dirigentes da ASSETURC, por fatores como alta de preços, desaceleração das ajudas governamentais e redução drástica da renda. Uma das “vítimas” é o artesanato, principal atividade econômica de Resende Costa. “Nossa principal renda é o artesanato que depende do turismo de varejo e atacado; nossa população depende direta e indiretamente dele.” Outra vítima é o comércio local, que enfrenta

Luara Ramona e Cláudio Rocha, diretores da Asseturc

que temos atualmente é a venda de forma digital, abordando os canais de WhatsApp, facebook, Instagram e o e-commerce.” Muitos empresários “compraram a ideia e estão atuando forte nos meios digitais, fazendo ´lives´ dos produtos nas lojas, reduzindo custos e se reinventando.” APOIOS Este ano, as ações de ajuda dos governos, quanto à manutenção das empresas, têm sido muito acanhadas em relação a 2020, dizem os dirigentes da ASSETURC. Eles destacam o apoio de várias entidades ao turismo de Resende Costa, como Sebrae, Sicoob Credivertentes, Prefeitura Municipal, Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado e a própria Associação. “A fé em dias melhores e os planos que traçamos para o desenvolvimento do segmento de renovação do nosso turismo vão nos dando um pouquinho de esperança.” Em São João del-Rei, o

principal apoio veio do Governo Federal, com a possibilidade de redução ou suspensão do contrato de trabalho, conta Afonso Farias. “Isso ajudou a evitar demissões e, além disso, permitir o trabalho mais ´seguro´ ao colaborador na forma de homeoffice.” Na esfera estadual, o apoio não foi muito expressivo; e o município prorrogou alguns impostos de sua competência. AÇÕES As lideranças empresariais acreditam que este será um ano difícil, mas não se dão por derrotadas. Em Resende Costa, “ideias viraram metas, estão saindo do papel e tomando corpo. Temos ações ainda acanhadas, mas prontas para serem implementadas no momento certo (pós-pandemia)”, dizem Luara e Cláudio. “Assim, acelera-se o processo de retomada do crescimento econômico e de valorização da cultura do nosso artesanato.” Entre as medidas, a finaliza-

ção do selo de procedência dos produtos têxteis do tear artesanal; implantação da Carteira Nacional do Artesão (validada pelo Estado de Minas Gerais); e a retomada da construção do CAT (Centro de Atendimento ao Turista). “O CAT será o nosso ´boas-vindas´, conectando os turistas aos novos circuitos turísticos que serão desenvolvidos e implementados assim que possível.” Mas a esperança dos dirigentes da ASSETURC é que o processo de vacinação ganhe velocidade para que haja “uma imunização mais eficiente” e os turistas retornem. Em São João del-Rei, uma das metas é evitar demissões, mesmo com a incerteza econômica (o “fecha e abre”) e a falta de cronograma de vacinação em massa, diz Afonso Farias. “A economia anda de mãos dadas com a vacinação e a prevenção; enquanto não houver um plano rápido e efetivo de vacinação e prevenção, vamos continuar a ´engatinhar´, economicamente.” Enquanto isso, o Sindjovem vai mantendo a sua estratégia de promover “lives” e campanhas nas redes sociais – a atuação nos meios digitais tem gerado “bons frutos de vendas”. Além disso, grupos reúnem-se semanalmente para discutir as ações a serem adotadas nas empresas “para gerar conteúdo e, com isso, atingir as vendas”. Também são realizadas palestras em supermercados e outras instituições locais para reforçarem as medidas de segurança e reduzirem a contaminação e disseminação do vírus. J.V.R.


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Turismo

Percepções dos resende-costenses sobre a atividade turística JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Para os residentes em cidades pequenas, os impactos socioculturais da atividade turística são mais importantes do que os impactos econômicos, concluiu um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Coimbra (UC) e do Instituto Politécnico de Viseu (IPV). A pesquisa envolveu 350 habitantes de cidades portuguesas. O trabalho analisou a relação entre a ligação ao lugar e os impactos percepcionados pelos residentes em cidades pequenas relativamente à atividade turística. E visa contribuir para um melhor planejamento destes destinos com vistas ao pós-pandemia, diz a pesquisadora Cláudia Seabra, da UC. Nessas comunidades, “as pessoas geralmente estão ansiosas para conhecer novas pessoas e se conectar com outras culturas e gerações diferentes”. “Os turistas são vistos como pessoas que trazem oportunidades de negócios, visitando bares, restaurantes, hotéis e atrações da região, ao mesmo tempo que compram produtos locais para levar. Por outro lado, os turistas são fontes de rejuvenescimento cultural.” Não há pesquisa do gênero para Resende Costa, por isso o JL optou por ouvir algumas lideranças locais. Para o artesão e consultor de cooperativismo Luís Cláudio dos Reis, “mesmo sem perceber, para o resende-costense, os aspectos social e cultural têm maior relevância, impactados pelas atividades turísticas. Qualquer reportagem sobre Resende Costa, mesmo com foco na sua economia, não sai sem mencionar a sua trajetória histórica e tradicional da cultura de um povo, que fez e faz do seu maior legado cultural seu principal produto econômico”. Também para Luciene Cardoso, empresária do ramo do artesanato e ex-presidente da Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), os três aspectos estão interligados. “Um favorece o desenvolvimento do outro. O turista

Avenida Alfredo Penido, conhecida em Resende Costa como Avenida dos Artesanatos

proporciona e favorece uma relação sócio-cultural-econômica de grande relevância para qualquer cidade turística.” Ao que acrescenta Cícero Resende Chaves, sócio-proprietário da Arraial da Lage Hospedaria. “O turista que vem adquirir um produto artesanal busca peças com aspecto cultural e artístico, mas que tenham utilidade prática ou que componham algum tipo de decoração. E, buscando atender melhor este turista em suas vontades/necessidades, estamos constantemente aprimorando e alterando nossas percepções e, consequentemente, nossa cultura e sociedade.” Além do aspecto econômico, “há parcela da população que considera positiva a intenção de muitos turistas que aqui chegam e procuram saber dos bens culturais do município”, acrescenta Edésio Lara, da Amirco (Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa). “Frequentam a biblioteca pública, visitam as igrejas e se deliciam com o mirante das lajes. Consomem produtos alimentícios locais. Querem saber mais das festas religiosas e populares, dos imóveis urbanos e rurais antigos. Os artistas artesãos chamam-lhes a atenção. Interessam-se pelas caminhadas ecológicas,

pelos passeios ciclísticos e trilhas com motos, que ajudam a preservar as belezas naturais do município. Há os que estão interessados em conhecer os nossos escritores, em comprar os livros lançados pela Amirco. Ora, se isso acontece, as pessoas do lugar sentem, percebem as reações dos visitantes. Sentindo, verbalizam o que pensam, comentam os fatos acontecidos que estão distantes do simples ato de vender produtos.” “Os eventos culturais, além de saciar anseios da população local, atraem visitantes. Estes, por sua vez, fomentam o comércio local. E assim se dá o fluxo econômico na cidade”, assinala Emerson Gonzaga, presidente do Instituto Rio Santo Antônio (IRIS). Com a pandemia, sem visitantes, a cidade deixa de ser uma cidade “bem situada” - próxima a Tiradentes e São João del-Rei, grandes centros turísticos e econômicos - e volta a ser a Resende Costa pacata de 30, 40 anos atrás, constata. “É neste momento que percebemos o quão importante é o turismo para nosso município, que, além de visitantes para fomento da economia local, atrai pessoas interessadas em vivenciar nossas experiências culturais.”

Pandemia. O aspecto psicológico, para além do impacto negativo sobre a economia, de “momentos extremos” como este é destacado por Cícero Chaves. “Mas, mesmo sob esta carga atual nestes aspectos econômico e psicológico, com certeza os resende-costenses reconhecem a importância dos impactos sociais e culturais trazidos pela atividade turística.” Resende Costa está-se ressentindo da presença do turista, que “proporciona e favorece uma relação sócio-cultural-econômica de grande relevância para qualquer cidade turística”, admite Luciene Cardoso, da Asseturc. “Sem turista, a cidade está ‘morta’, vazia... Acredito que até desestimula algumas empresas e pessoas a trabalhar, devido a dificuldade de lidar com as inovações.” As ferramentas tecnológicas (WhatsApp, Instagram, Facebook etc.), utilizadas para vender e manter o empreendimento, ao representar “uma relação à distância, não proporcionam a mesma experiência e/ou os mesmos objetivos”. Ou seja: “A presença é insubstituível; o ser humano precisa desse contato humano para sobreviver e se desenvolver em todos os sentidos”. Salta à vista a preocupação das

pessoas com os impactos econômicos negativos advindos da baixa atividade turística nesse tempo de pandemia, diz Edésio, diretor tesoureiro da Amirco. “A cidade depende desse vai e vem de turistas, e isso é real. Sem vendas, há redução da atividade econômica. Isso é fato e implica na renda familiar de muitos trabalhadores.” Os mais afetados foram os serviços considerados não essenciais, acrescenta Emerson, do IRIS. “Por ser uma cidade que obtém grande parte de suas receitas advindas do fluxo de visitantes, turistas em busca de produtos artesanais, a pandemia afetou significativamente a visitação.” Vários segmentos tiveram suas ações restringidas, como os movimentos culturais e as festividades, inclusive as religiosas, “enfim, todo o calendário cultural da cidade foi readaptado pela pandemia”. Entre os eventos culturais prejudicados, cita a tradicional Semana Santa, a Mostra de Artesanato e Cultura e o movimento Luau nas Lajes, evento cultural de iniciativa do próprio IRIS. “Sem público e sem eventos, as bandas locais ficaram sem espaço para se apresentarem, assim como os grupos de teatro que também deram uma pausa em suas atividades.” Luciene, da Asseturc, conclui que os empresários estão se reinventando e enfrentando os desafios para sobreviver à pandemia. Por isso, acredita que, por ser este um “momento passageiro”, “estamos nos preparando para reverter as perdas e colher bons frutos, quando tudo isso passar”. Para Cícero Chaves, ao atender melhor o turista, “estamos constantemente aprimorando e alterando nossas percepções e, consequentemente, nossa cultura e sociedade”. Para o artesão Luís Cláudio, mesmo sendo o aspecto econômico “a mola propulsora da atividade turística no município, no entanto ele não sobrevive sem a valorização e o desenvolvimento dos aspectos social e cultural. O viés econômico só ganhou força pela ação do desenvolvimento cultural, desencadeado pela transmissão dos saberes das nossas tradições”.


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CULTURA

DA REDAÇÃO

Na tarde da segunda-feira, 24 de maio, dois caminhantes, naturais de Conselheiro Lafaiete, passaram por Resende Costa, percorrendo o circuito turístico “Caminhos de São Tiago”. Antônio Noronha de Almeida e José Geraldo Pinto partiram de Conselheiro Lafaiete na sexta-feira, 21, com destino à cidade de São Tiago, no Campo das Vertentes, marco final do caminho. “Na sexta-feira, partimos de Conselheiro Lafaiete, passamos por Queluzito e pernoitamos em Casa Grande. No sábado, saímos de Casa Grande e dormimos em Entre Rios. No domingo, partimos de Entre Rios com destino a Lagoa Dourada. Já na segunda-feira, o percurso foi: Lagoa Dourada, Resende Costa e Coronel Xavier Chaves”, relatou José Geraldo. Os caminhantes passaram ainda por Ritápolis até chegarem ao destino final, São Tiago, no dia 26 de maio. Os dois caminhantes, os primeiros a percorrerem quase a totalidade do percurso que partirá, provavelmente, de Ouro Branco (MG), aprovaram o caminho e curtiram cada detalhe. “O caminho é maravilhoso. A gente está curtindo bastante cada detalhe. Às vezes paramos

simplesmente para ouvir o som das águas de um rio e de uma cachoeira”, disse Antônio Almeida. José Geraldo traz em sua bagagem fortes e marcantes experiências. Ele fez quatro vezes o famoso e místico caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Para ele, porém, cada experiência é única: “Estamos vivenciando esse caminho. Tem sido uma experiência sensacional. O caminho é lindo”. O PERCURSO O projeto “Caminhos de São Tiago” foi inspirado no Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. O caminho mineiro, que abrange municípios dos circuitos do Ouro, Villas e Fazendas e Trilha dos Inconfidentes, ainda não foi oficialmente inaugurado. A previsão é de que a inauguração do projeto aconteça em julho próximo. De acordo com os organizadores, o projeto tem como objetivo atrair turistas, fomentar os comércios locais e valorizar a cultura e a história das cidades que estão no roteiro. “Nesse sentido, [o Caminhos de São Tiago] propõe levar os turistas para uma volta no tempo, que poderá ser feita como ele preferir: a pé, de bicicleta, a cavalo, de moto ou de carro”. “O projeto é sensacional,

um grande empreendimento turístico que irá unir os municípios participantes, agregando valor ao turismo cultural, religioso e histórico. Todos ganharão: empresários, poder público, empreendedores. Mas, especialmente, os caminhantes e peregrinos, que irão vivenciar experiências únicas num circuito que reúne fé, tradições, história, natureza, gastronomia, entre outros atrativos”, disse o secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, do município de Resende Costa, André Eustáquio Melo de Oliveira. O percurso partirá, provavelmente, de Ouro Branco, passando por Conselheiro Lafaiete, Queluzito, Casa Grande, Entre Rios de Minas, Lagoa Dourada, Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Ritápolis e São Tiago. “Vocês possuem o elã de ouro, uma corda de ouro que liga todos os municípios que integram o caminho. Esse caminho vai ser um sucesso”, vibra o caminhante Antônio Noronha. “Essa experiência nos mostra que a simplicidade é um atrativo, aliada a uma boa prosa com quem nos encontramos e uma boa acolhida onde chegamos”, completa José Geraldo. Fonte: Portal de Notícias da Prefeitura Municipal de Resende Costa.

Fotos: SETAC

Caminhantes percorrem o circuito “Caminhos de São Tiago” e passam por Resende Costa

Marcus Vinícius Januário é o gestor do Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes

Os caminhantes Antônio Noronha de Almeida e José Geraldo Pinto foram os primeiro a percorrerem o circuito Caminhos de São Tiago

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Rádio Inconfidentes FM

Não seria a hora de ampliar e melhorar a programação? O ouvinte vai aplaudir. O rádio, veículo de comunicação e entretenimento dos mais populares do mundo, foi inventado no finalzinho do século XIX, em 1896. Ele sucedeu o telégrafo, aparelho que utiliza eletricidade para enviar mensagens codificadas através de fios. Até o aparecimento do rádio, esse era o jeito mais rápido de comunicação a distância. Mesmo antes do advento do telégrafo e do rádio, o telefone já havia sido colocado para funcionar pelo seu inventor, em 1875, nos Estados Unidos da América. No Brasil, a primeira estação de rádio a ser instalada foi na cidade do Rio de Janeiro, em 1923, passados 27 anos da criação rádio. Foi a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, de propriedade do cientista Henrique Morize e do escritor, médico e antropólogo Edgar Roquete Pinto. A nossa Rádio Inconfidentes FM (87,9), emissora comunitária, 80 anos depois, foi inaugurada em 2003,

no dia 2 de junho, no aniversário da cidade de Resende Costa. Foi uma novidade bem recebida por todos. Antes, porém, o mundo viu surgir a televisão, o computador e, depois, a internet. É bom lembrar que todas essas novidades apareceram quando o jornal impresso já circulava há muito tempo. Tem-se notícia de que o primeiro, como noticiário, ocorreu na cidade germânica de Estrasburgo, em 1605. No Brasil, somente após a chegada da família real portuguesa é que foi criado o jornal “A Gazeta do Rio de Janeiro”, em 1808. Esses veículos de comunicação, ao longo do tempo, foram sendo aprimorados devido aos avanços da tecnologia. Aqui, cito o caso do rádio, que deixou de ter orquestra, cantores e instrumentistas próprios para tocar músicas durante sua programação. Esses conjuntos musicais foram sendo substituídos pelos discos de vi-

nil (LPs), fitas magnéticas, pelos CDs. Atualmente, acredite, nem CD se vê numa estação de rádio. Tudo está no computador. E o pior, até os técnicos que circulavam pelas emissoras para cuidar da programação musical, do noticiário, ou de outras funções, foram praticamente extintos, já que quase tudo se resume num computador conectado à internet. A rádio FM de Resende Costa, não muito diferente de outras, passa por esse processo. Suas portas podem estar fechadas e ninguém no interior do prédio, pois há um computador que dá conta de tocar músicas, retransmitir comerciais e informações previamente gravadas aqui ou noutros lugares. Para ilustrar, cito o programa “Catequizar”, do padre Reginaldo Manzotti. Produzido em Curitiba, capital do Paraná, ele pode ser ouvido em todo território nacional e até no exterior por causa de conexões feitas por satélite.

Esse processo de mecanização, ou robotização, como também é dito, e que retira até os locutores das estações de rádio locais, não tem sido bem recebido pelos ouvintes. Tínhamos na nossa rádio Inconfidentes, de Resende Costa, pessoas que conversavam conosco em seus programas. Quem não se recorda, e com saudade, do Zeca do Tenentinho e da sua irmã Lucinha apresentando um programa de música caipira no fim da tarde? Ele, com aquela voz meio arrastada, um pouco fanhosa, cumprimentava os cumpadre, contava piadas. Ela lia as cartas que o Zeca recebia dos ouvintes pedindo músicas, ditava receitas de doces, bolos e divulgava o horóscopo do dia. Era pura diversão. Quando faleceram, ocupou o lugar dos dois o João da Zica, outro sucesso de audiência. Com a morte deste, o programa acabou. Ainda assim, tivemos Neuci e Lourenço, que por bom tempo estiveram com

programa musical ao vivo. Outro exemplo de sucesso foi o programa apresentado pelo Sebastião Lima (Tião da Caixa) e João Batista de Jesus Maia, o Batista, seu parceiro inseparável. Tião gostava de música mais antiga, romântica e de dialogar com o ouvinte. Diariamente, acionava seu parceiro e auxiliar da seguinte forma: “Agora vamos à previsão do tempo com o professor Batistuta!” Ainda estão firmes em suas funções o Camilo Vale, o Antônio Carlos (Neném) e a Luana Chaves, que organizam programas musicais e os levam ao ar. Mas é sabido que o povo quer mais. Quer mais informação, diversão. Quer ter a emissora como ponto de convergência de todos os que amam rádio, precisam dele, como eu. Não seria hora de termos novos programas para tornarem a nossa rádio ainda mais viva?


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SAÚDE

VANUZA RESENDE

O mês de maio foi o pior momento da pandemia em Resende Costa. Além das 251 confirmações em 30 dias e dos cinco óbitos confirmados em um mês (até o fechamento desta reportagem, o município havia registrado 10 óbitos causados pela Covid-19), muitos pacientes precisaram de internação para se tratarem da Covid-19 e das complicações da doença causada pelo novo coronavírus. Um desses pacientes foi o funcionário público da Prefeitura Municipal de Resende Costa, Márcio Resende, de 49 anos, o conhecido Chiano, que ficou internado por 12 dias. Chiano apresentou os primeiros sintomas no dia 06 de maio e precisou de internação logo após o diagnóstico positivo para o novo coronavírus, no dia 12. Ele acredita que contraiu o vírus no pátio da Prefeitura Municipal, que durante o mês de maio precisou afastar 29 pessoas entre suspeitas e confirmação da doença. “Ele ficou internado do dia 12 ao dia 16 no Hospital Nossa Senhora do Rosário. Em seguida, foi pedida a transferência e ele foi encaminhado para o Hospital de Barbacena, o Ibiapaba. Do dia 16, por volta das 10h, até o dia 21, ele ficou na UTI. No dia 22, ele recebeu alta e foi para o quarto, sendo

liberado no dia 23”, conta a enfermeira e filha do Chiano, Taynara Resende. Chiano descreve os dias que precisou de internação para se tratar das complicações da doença. “Foi a pior sensação que eu tive até hoje, pois saber que você está indo para um local onde ficam pessoas que estão muito enfermas, que a qualquer momento eu poderia morrer, faz dor fica cada vez mais intensa. E o pior de tudo, estar totalmente consciente e ver tudo aquilo como se fosse uma ficção. O tempo todo eu me lembrava da minha família que estava ficando para trás. O que seria da minha família se eu me ausentasse?!”. Felizmente, Chiano não precisou ser intubado na UTI. Ele, porém, avalia como “um milagre” a decisão dos médicos de não intubá-lo. “Quando eu cheguei à Unidade de Tratamento Intensivo, veio uma pessoa, que eu denomino como um anjo que Deus preparou naquele momento, para me orientar. Mostrou-me a máscara de VNI (ventilação não invasiva) e disse: ‘Ou você encara a máscara e/ou é intubado, ou então amanhã não estará mais aqui’”. Durante os dias de internação, a comunicação com a família era limitada aos boletins emitidos pelas instituições de saúde. “Nós aqui em casa ficamos de quarentena; o meu irmão apresentou sintomas no dia 12 e testou positivo para a doença, mas não precisou

de hospitalização. Nós mantivemos contato com o meu pai através de boletins médicos. No hospital de Resende Costa, somente um boletim por dia. Em Barbacena, um boletim de manhã e um à tarde, pela psicóloga. Além disso, por dois dias nós conseguimos fazer chamada de vídeo com ele”, conta Taynara. DIA DA ALTA MÉDICA E A PERDA DE UM AMIGO Um dos cinco óbitos registrados no mês de maio em Resende Costa foi o de Celso José Ribeiro, também servidor municipal, que trabalhava na prefeitura desde 2001. A vítima era amiga de Chiano, que, ainda emocionado, falou sobre essa perda. “Durante os dias que permaneci na UTI, fiquei bastante fraco.Algumas vezes, tive a sensação de que estava lá do outro lado, junto da morte. Porém, algo me dizia que tinha que voltar, que não era minha vez, e que ainda teria que acabar de cumprir minha missão aqui na Terra. Senti que ainda não era a minha vez. Eu pensava muito na minha família, no sofrimento de cada um que estava lá fora, dos amigos, do meu companheiro de quarto, de serviço e de vida, o Celso, de cujo falecimento fiquei sabendo no dia da minha alta, notícia que me deixou extremamente triste”. Chiano está em processo de recuperação com fisioterapia respiratória e conta com a ajuda da família para voltar à atividade.

Foto: Arquivo pessoal

Resende-costense que contraiu a Covid-19 relembra momentos da internação e fala sobre a recuperação da doença

De volta para casa, Chiano foi recebido com muita emoção pelos seus familiares

Depois de tanta aflição, o recado: “Peço a todos os leitores que tenham cuidado, acreditem nessa doença. Cuidem-se, cuidem de seus familiares e dos amigos porque essa terrível doença mata, e a coisa é feia. Confie em quem esteve à beira da morte. Só Deus sabe o que estou passando na recuperação, não consigo ficar sozinho. Mesmo após esse episódio de guerra contra a Covid-19 no hospital, ainda sinto dificuldade de respirar. Se não fosse o apoio de toda minha família, não sei o que seria de mim. Agradeço pri-

meiramente a Deus pela oportunidade de continuar vivo; também aos meus familiares e amigos por todas as orações feitas. Tenho certeza de que isso me fortaleceu muito e me fez estar aqui dando essa narrativa. Gratidão!”. Muito mais do que fazer parte dos mais de 400 recuperados da Covid-19 em Resende Costa, a história de Chiano é alerta para a seriedade do vírus, além de inspiração e força para dias melhores em meio a tanta dor e luto de familiares e amigos das vítimas da Covid-19 em todo o mundo.

Trilha sonora RENATO RUAS PINTO

Os oitenta anos do bardo Em maio, uma das figuras mais influentes da música popular completou oitenta voltas ao redor do sol: o cantor e compositor Bob Dylan. Que o rock foi uma das maiores revoluções recentes na cultura e costumes ninguém contesta. E Bob Dylan tem, com todos os méritos, os créditos de uma parte importante nessa revolução. O rock nasceu como um estilo musical para consumo de jovens. Assim, era natural que, nos seus primórdios, o estilo falasse essencialmente de um universo adolescente: festas, carros esportivos, namoros e paixões de verão. Mas, com a chegada de Bob Dylan na cena, a coisa mudaria e o estilo entraria em sua fase adulta. O próprio Bob Dylan foi atraído pelo rock quando adolescente. Porém, depois de começar a se dedicar seriamente à música com suas primeiras ban-

das, achou que o rock não tinha substância – como, de fato, não tinha – e virou-se para a música folk estadunidense, que bebia na tradição do folclore e do country, trazendo letras com conteúdo. Ao se mudar para Nova Iorque, logo se envolveu com a cena folk local e, após participar em discos de alguns artistas, conseguiu o contrato para o seu primeiro álbum, “Bob Dylan”, de 1962. A estreia, que continha principalmente músicas tradicionais folclóricas e apenas duas autorais, não teve grande repercussão. O álbum seguinte, contudo, “The Freewheelin’ Bob Dylan”, tornou-se um marco. Com um repertório quase todo autoral, Dylan mostrou a força de suas letras em canções que se tornaram icônicas, como “Blowin’ in the wind”. Além disso, antenado com o seu tempo e com a luta pelos direitos civis dos

negros, seu repertório foi automaticamente incluído entre as músicas cantadas em passeatas. Finalmente, em um 1963, quando os Beatles ainda cantavam canções inocentes, como “She loves you”, Bob Dylan já estava em outro patamar de complexidade de letras, como se pode ver em “A hard rain’s a- gonna fall”. E o rock? Onde ele entra nessa história de músicas folk acompanhadas só de violão e instrumentos acústicos? Uma troca importante aconteceu em 1964, quando os Beatles, em turnê pelos EUA, conheceram Bob Dylan. O trabalho de Dylan inspirou os Beatles a fazer música mais séria e, ao mesmo tempo, o sucesso dos Beatles e suas guitarras teria feito Dylan buscar audiências mais amplas. Há quem diga que esse foi um dos encontros mais importantes do rock, mas isso é uma opinião

e, como tal, pode ser debatida. O fato é que no ano seguinte Dylan usou instrumentos elétricos em um álbum pela primeira vez. E tomou uma sonora vaia quando subiu ao palco do tradicional festival de música folk, em Newport, com uma guitarra em vez do violão. O rompimento de Dylan com a tradição do folk, além de representar a entrada do rock em sua fase adulta, como já citado, deu a pista do que viria a ser a carreira do artista. Dylan se tornaria um artista descolado de rótulos ou estilos. Em sua extensa discografia, ele passearia com desenvoltura pelo folk, rock, blues, country e até pela música gospel. Dono de uma obra extensa e recheada de grandes discos, Dylan se tornou objeto de uma idolatria incondicional por parte dos fãs. Curiosamente, essa paixão também fez movimentar, desde os

tempos das fitas cassetes, um mercado de discos não oficiais de shows ou gravações não lançadas, as chamadas “bootleg”. Dylan não só rompeu fronteiras dentro da música, mas também de outras artes e se aventurou como escritor e artista plástico. Finalmente, a força da sua escrita – em especial, de suas letras – foi coroada em 2016 com o prestigiado Prêmio Nobel de Poesia. Ainda que o prêmio reacenda uma polêmica antiga sobre classificar letras de música como poesia ou não, é um reconhecimento sem precedentes para um artista popular. Bob Dylan, enfim, é um artista de primeira grandeza e um dos grandes nomes de nosso tempo. Mais do que a qualidade do seu trabalho, é preciso destacar a extensão de sua influência e o legado que construiu para as artes. Com violão ou com guitarra, não deixe de ouvir Dylan.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Menino lembrando uma noite de junho Foi numa daquelas noites de junho, daquelas em que o céu já começa a se vestir de noite lá pelas seis da tarde. As nuvens ficam cor-de-rosa enquanto pelo chão as sombras se mostram compridas, longas iguais à solidão que gosta de acompanhar a gente por toda a vida. Era uma dessas noites de junho. O vento cortava gelado as costas dos meninos e as pernas das meninas... queimava de frio os dedos finos das moças e as mãos ásperas dos moços. O vento vinha do morro e virava a esquina. Pegava todo mundo de surpresa. Mesmo assim, com tanto vento e com tanto gelo, o pessoal da vila não se fez de rogado. Saiu todo mundo pra ir às barraquinhas da quermesse. Música tocando no alto-falante, vestidos estampados indo e vindo, rodinhas de rapazes conversando e rindo, meninos e meninas correndo pra tudo quanto é lado, um homem gritando números em uma das poucas barracas, cheiro de quentão embriagando a alegria simples de um povoado que se contentava com a simplicidade das poucas coisas. Uma das barracas vendia salgados. A outra, doces e canjica. A última, perto do coreto e também cheia de luzinhas acesas, vendia bebidas quentes e fazia jogos de víspora e pescaria. Praça cheia, alegre e aconchegante. Acho que por isso ninguém tinha ficado sozinho em casa. As casas estavam frias e a praça quentinha. Havia vento, mas tinha quentão. Resolvi tentar a sorte num dos jogos. Na verdade, eu queria era tirar um prêmio na pes-

caria e entregar pra Ana Clara, que estava na praça havia meia hora, mas no meu pensamento um montão de tempo. Ana Clara caminhava, passava perto da barraca e nem me via. Que vontade de pegar a sua trança e pescar com ela o seu coração... Levei a mão gelada no bolso e achei lá uma solitária moeda. Fiquei por ali, encarapitado na cerca da barraca, atento à minha pescaria. Pescador de sonho... de sonho mergulhado na serragem e que não precisa de isca pra ser capturado. Fisguei o peixinho e o peixinho escorregou. Fisguei outra vez e o danado voltou pro chão. Na terceira vez, o peixinho veio pra mim. Não é que tinha um anel pendurado nele? Peguei o anel, soprei a poeira e fui procurar a Ana Clara. Já imaginava sua trança sem Rapunzel, seu sorriso de princesa sem castelo, perdida ali naquele povoado sem grandes perspectivas, porém única e preciosa nas minhas vertigens de infinito. Lá estava ela! Cheguei perto e... Ana Clara já tinha anel. Não só anel, mas também um namorado. Rapaz que eu nunca tinha visto na vila. Era gente da cidade. Garanto que foi ele quem deu o anel pra ela. O anel que Ana Clara ganhou do namorado não era de pescaria nem tinha poeira de serragem. Desci os olhos, fechando as cortinas da minha esperança. Voltei pra barraquinha da pescaria. Joguei o anel na serragem, a serragem no meu sonho e pus meu sonho num balão que estava subindo pra sumir. O vento continuava soprando frio.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Sobre as Lajes À citação do nome do município hoje conhecido também como cidade do artesanato, evocam-se as figuras de José de Resende Costa (Pai e Filho), cidadãos do então Arraial da Lage (assim mesmo, com g) e depois incorporados à Inconfidência Mineira. Nosso passado “inconfidente” e a tradição dos teares produzindo trabalho, beleza e movimento de turistas por estas bandas são especificidades que nos marcam como resende-costenses. No entanto, é preciso considerar que, na verdade, nossa identidade primeira tem origem nas Lajes, esse chão negro sobre o qual Resende Costa se eleva. E como testemunhas silenciosas desta e de outras épocas, guardam incontáveis histórias. Basicamente, elas abrangem três espaços, assim denominados: Lajes de Cima ou da Matriz, Lajes de Baixo ou do Quartel e Lajes da Cadeia, atrás do Fórum (prédio usado anteriormente no térreo como cadeia) e de casas vizinhas a ele. Pela proximidade com o Assis Resende, esse último lugar era muito frequentado pelos alunos que matavam aula e o usavam como esconderijo, mesmo sob o risco do eventual aparecimento de algumas cobras-corais (imagino que da espécie inofensiva), da mesma forma que os meninos gazeteiros, escondidas por ali. Meu pai e seus ajudantes alfaiates costumavam levar os tecidos antes molhados na alfaiataria para que secassem sobre par-

te dessa grande pedra (hoje, casa que pertence à família da Iêda Melo) e pudessem ser cortados sem o perigo de encolhimento posterior das roupas. Esse pedaço de um símbolo de nossa cidade, já há algum tempo, se mantém fechado ao acesso público. Das Lajes de Baixo tenho boas lembranças de infância. Como o imenso quintal da casa de minha avó Zezé chegava até lá, era fácil ir para aquele outro ambiente e participar de muitas brincadeiras entre a criançada que se juntava pensando nisso mesmo. Brincar de burrinha era uma delas. Do alto do lajedo, do lado que dá para o prédio da prefeitura, a gente se sentava sobre folhas de piteira e descia a bordo dos nossos tobogãs improvisados escorregando pela laje até parar naturalmente bem abaixo. Para subir depois e descer de novo. E mais e mais. “Sobre sua superfície negra, formavam-se pequenas depressões circulares, que represavam as águas da chuva, assemelhando-se a pequeninas lagoas.” (Gentil Vale – O tempo, esse itinerante). A descrição do nosso escritor sobre esse ponto das Lajes suscita a memória em bonitas imagens. Como a da Amália e da Neném, filhas da Iana e tias da Nincéia (ainda moradora das Lajes), levando suas trouxas de roupa para lavação naquela abençoada represa natural. Ou como a dos meninos disputando com elas e alguns girinos o direito ao uso daquela imitação de

piscina. À entrada da Praça N. S. de Fátima, já se entreveem as Lajes da Matriz (ao lado direito da igreja) ou Lajes de Cima (no ponto mais alto da cidade), nosso maior, mais belo e mais famoso cenário natural, com suas tardes de esplêndido pôr do sol e animadas noites de serestas e luaus. Espaço para conversar, meditar, namorar. E brincar, como fazia em outros tempos a meninada ao se equilibrar andando sobre os canos grossos, pretos e suspensos da antiga caixa d’água municipal, ou em torno deles revirar o corpo em incontáveis cambalhotas, em local que conduz também até o Buraco do Inferno, uma caverna situada na base da imensa rocha. Fala-se muito da necessidade de revitalização das nossas Lajes pela importância da proteção do nosso patrimônio, primeiramente, e do bom atrativo turístico que elas representam para a cidade. Alguns passos nesse sentido vêm sendo dados em intervenções, por exemplo, como o Mirante das Lajes (da Matriz), ponto de observação para mirar, de fato, imagens de grande beleza. Como novidade e no mesmo lugar, a instalação do logotipo “#EU RESENDE COSTA”, inspirado no célebre “I love NY”, do designer gráfico americano Milton Glaser, é para nós uma declaração de amor a RC; um pano de fundo na fotos dos turistas marcando presença por esta terra.


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O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

A antiga poesia litúrgica católica – parte 4: “Tantum Ergo” Junho é caracterizado pelas festas religioso-folclóricas: Santo Antônio, São João Batista, São Pedro. O Nordeste brasileiro que o diga. Também pela festa eucarística por excelência: “Corpus Christi”. Festa da procissão das “três abenção”, como o povo simples falava aqui, em Resende Costa. Falando da Bênção do Santíssimo Sacramento, na liturgia antiga católica, necessariamente tem-se que falar sobre o “Tantum Ergo”, praticamente seu hino oficial. E o “Tantum Ergo” remete obrigatoriamente ao autor da letra: Santo Tomás de Aquino (1227-1274). Escreve o padre Heitor Pedrosa (“Nos Esplendores da Poesia Litúrgica”): “Quando o papa Urbano IV pediu a

Santo Tomás, teólogo da Cúria Romana, que compusesse o ofício para a festa de Corpus Christi era de temer que um doutor escolástico, o que [ele] mais é, aristotélico, estivesse pouco preparado para compor em latim clássico e ornado, hinos”. Deu-se o contrário. Ele, não só é um dos maiores teólogos do catolicismo, mas, igualmente, o melhor poeta latino da Eucaristia que a Igreja já teve: “Pange Lingua”, “Ó Salutaris Hostia”, “Panis Angelicus” “Lauda Sion” etc. Uma análise literária – intuito aliás desta série – revela um pendor poético de origem (Reinaldo, irmão de Tomás de Aquino, foi um dos melhores poetas da corte de Frederico II). Sua veia poética mostra um talento para

expressar conceitos teológicos profundos do catolicismo e seus dogmas numa forma rigorosa da poesia clássica latina: rimas, métrica, ritmo, estrofação. Novamente, padre Pedrosa: “A poesia de Santo Tomás é uma poesia tônica que repousa na tríplice base do acento, da numeração das sílabas e da rima”. Alguém já comentou; “Doutor pelo pensamento e poeta pelo amor” Na realidade, o “Tantum Ergo” constitui-se das duas últimas estrofes do hino eucarístico “Pange Lingua”. Ei-lo com a tradução muito livre e rimada do beneditino Dom Beda Keckelsen, autor do “Missal Quotidiano”, muito adotado pelo clero antigo. Se traduzir poesia é muito difícil até para o próprio autor, segundo alguns teóricos, quase

impossível, o poema aquiniano confirma em tudo a opinião. Tantum ergo Sacramentum /veneremur cernui /Et antiquum documentum/ Novo cedat ritui; / Praestet fides supplementum / Sensuum defectui. (A tão grande Sacramento / Veneremos com respeito / Ceda o antigo documento / Ao rito novo e perfeito / Preste a fé o suplemento / Dos sentidos ao defeito) Genitori, Genitoque / Laus et jubilatio, / Salus, honor, virtus quoque / Sit et benedictio; /Procedenti ab utroque / Compar sit Laudatio. Amen (Ao Pai, ao Filho amplamente / Louve, o mortal [nós mortais] e saúde [de saudar} / Junte ao louvor igualmente / Tributos de honra e virtude; / E de ambos ao Procedente {O Espírito Santo} / Louve em

igual plenitude / Amém. *Vidas idas que fazem falta Alair Coêlho e Agenor Gomes Neto (Agenorzinho). Com a ida deles, a memória de Resende Costa fica empobrecida. Esta coluna os homenageia, pois devido à longeva participação deles da vida da cidade e a espetacular memória que tiveram, eram fontes permanentes de informação para o nosso JL. Alair deixou muita coisa escrita. Agenor, ultimamente, escrevia suas memórias no computador. A convite dele, eu as lia, o que estreitou mais ainda minha convivência com ele. Tomara que sejam impressas, pois são muito interessantes e muito bem escritas.

Meio Ambiente

LUCAS MATOSO ALVES1 / ADRIANO VALÉRIO RESENDE2

A pressão sobre o que ainda resta dos biomas brasileiros É notório que o Brasil tem a maior biodiversidade do planeta. Para se ter uma ideia de como somos importantes: abrigamos pouco mais de 20% da variedade de fauna e flora existentes, temos 12% da disponibilidade de água doce superficial, dois dos maiores aquíferos do planeta e a maior floresta equatorial úmida. Devido à dimensão do país e por se estender por zonas climáticas distintas, há uma significativa variação ecológica ao longo do território, o que gera uma elevada biodiversidade. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), temos seis biomas, que, devido ao processo histórico de ocupação do país, já sofreram significativas intervenções. E, recentemente, a degradação desses biomas se acelerou devido à política ambiental do atual governo. Bioma é o conjunto de comunidades vegetais e animais determinado por fatores geográficos e que ocupa grandes extensões. Dos biomas brasileiros, dois são constituídos por florestas: Amazônia e Mata Atlântica; dois são de savanas: Caatinga e Cerrado; um é de vegetação rasteira, o Pampa; e o Complexo do Pantanal. A Amazônia é a maior floresta equatorial do mundo, ocupando uma área de 6,9 milhões de km².

Desses, 4,2 milhões de Km² estão no Brasil, o que corresponde a quase metade do território nacional, abrangendo nove estados. Mesmo sendo um dos biomas brasileiros mais preservados, cerca de 25% de seu território já foi alterado. Atualmente, a região sofre os efeitos da expansão da fronteira agrícola. Os principais problemas ambientais enfrentados são: desmatamento, queimadas, garimpo, agropastoreio, biopirataria e as intervenções ilegais em unidades de conservação e em terras indígenas. A Mata Atlântica ocupava todo o litoral, indo do Rio Grande do Norte ao do Sul. Trata-se de mata tropical, originada pela umidade proveniente do oceano e, proporcionalmente, apresenta a maior diversidade biológica do país. É o ambiente nativo da árvore pau-brasil, que cedeu o nome ao nosso país. Devido à ocupação antrópica, resta menos de 13% de sua cobertura original, sendo o segundo ecossistema mais ameaçado do mundo. A Caatinga (“floresta branca”) ocupa o interior do Nordeste e um pedaço do norte de Minas, equivalendo a 11% do território nacional. O bioma é o único inteiramente brasileiro. O destaque é para a diversidade da fauna. Por exemplo, ele abriga 221 espécies

Mapa dos biomas do Brasil

de abelhas. O desmatamento tem acontecido de forma acelerada, chegando a comprometer quase metade do bioma. O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul e ocupa 22% do território brasileiro, em sua parte central. O realce é para o potencial de água superficial e subterrânea, sendo chamado de “caixa d’água do Brasil”. Devido a vários fatores, é a área de maior produção agropecuária do país e atualmente também sofre a pressão da expansão da fronteira agrícola. O bioma já perdeu em torno de 45% de sua vegetação nativa. Por isso, o Cer-

rado e a Mata Atlântica estão na lista mundial de hotspots, ou seja, áreas com grande diversidade e ameaçadas de extinção. O Pampa (significa “região plana”) está restrito ao Rio Grande do Sul e se caracteriza pelo predomínio dos campos nativos. Essa área até hoje é muito utilizada para a pecuária. Restam por volta de 35% da vegetação nativa original. O Pantanal é considerado uma das maiores áreas úmidas contínuas do mundo. O destaque é para sua beleza natural, apesar de ser o menor bioma brasileiro. Ainda mantém 83% de sua área com

cobertura vegetal nativa. Cabe destacar que Minas Gerais engloba três biomas: Mata Atlântica (a leste), Cerrado (a oeste) e um pedaço de Caatinga, no extremo norte. Resende Costa está dentro do primeiro. Para se ter uma ideia do grau de intervenção, segundo dados do Inventário Florestal divulgado pela UFLA em 2008, o município conservava apenas 7,45% de sua vegetação nativa. Desde 2005, segundo o IBGE, ocorreu uma desaceleração no desmatamento. Mesmo assim, entre 2000 e 2018 houve perda da vegetação nativa dos biomas brasileiros de cerca de 500 mil km². As maiores áreas foram na Amazônia e no Cerrado. Nesse período, os biomas brasileiros perderam 8,34% de sua área. Infelizmente, a partir de 2019, voltamos a conviver com altas taxas de desmatamento, isso devido a mudanças na legislação ambiental, nos procedimentos de licenciamento e na política interna da região, o que tem pressionado ainda mais a expansão para áreas preservadas. Essas questões serão ainda discutidas em nossa coluna. 1 - Aluno do Curso Técnico de Meio Ambiente – CEFET/MG 2 - Professor CEFET/MG


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“Obras Sociais Vovô Faleiro” em São João del-Rei completa seis décadas

Foto: Arquivo pessoal

REGIONAL

Nova diretoria comenta sobre projetos e relata aumento da procura por ajuda durante a pandemia VANUZA RESENDE

Oferecer um prato de comida, uma conversa e um lugar digno para se alimentar. Assim tem sido a atuação das “Obras Sociais Vovô Faleiro”, há sessenta anos em São João del-Rei. Desde fevereiro último, a instituição conta com nova diretoria. Maria do Carmo Santos Neta assumiu a presidência, ao lado de Darci Aparecida dos Reis, vice-presidente, e Flora Lucila Ferreira, tesoureira. Flora conta um pouco da história da instituição. “Estamos fazendo uma coleta de dados da sopa, para termos mais informações. Mas já sabemos que o senhor Joaquim Machado Faleiro era confeiteiro. Com a sua profissão e dedicação, ele passou a fornecer remédios de homeopatia à população carente. Também há registros de que ele fornecia co-

mida a esse pessoal. Isso aconteceu em sua residência, na antiga Rua do Ouro. Em agosto de 1969, o aumento de assistidos cresceu muito e eles conseguiram adquirir, através do Licon de Sousa, uma casa, onde funcionam as ‘Obras Sociais Vovô Faleiro’, até hoje”. No início, a instituição servia sopas para a população, ficando conhecida como “Obras Sociais Sopa Vovô Faleiro”. Atualmente, são servidas refeições diversificadas, como explica Maria do Carmo. “Com o passar do tempo, foi sendo desenvolvido um cardápio a partir de doações. Hoje nós temos um dia em que é sopa, porque nós não podemos perder a origem. Mas durante os outros dias da semana, nós funcionamos de segunda a sábado, temos um cardápio variado, exceto no dia da sopa, que acontece normalmente às quintas-feiras.” São cerca de 120 almoços e jantares diários. Além de aproxi-

madamente 30 cafés da manhã. O refeitório na sede tem capacidade para 50 pessoas. Porém, desde o início da pandemia, o local está fechado para a alimentação no local. Devido às medidas de segurança sanitária, as pessoas não podem almoçar ou lanchar ali, a fim de serem evitadas as aglomerações. Cada pessoa recebe duas refeições, uma destinada ao almoço e outra para o jantar. De acordo com Flora, durante a pandemia da Covid-19 a busca por ajuda aumentou consideravelmente. “O objetivo sempre foi atender todos aqueles que passam por aqui. Nós não temos escolha de quem vem. O nosso público é majoritariamente de moradores de rua, além de pessoas que têm uma renda muito baixa e possuem necessidade de recorrer a essa instituição. Nós, hoje, também por causa da pandemia, recebemos famílias, mães que perderam seus empregos de faxi-

Registro de almoço servido na sede das Obras Sociais Vovô Faleiro, antes da pandemia

neira e serviços gerais. Essas mães, geralmente, são chefes de família e estão com dificuldade de prover a alimentação dos filhos. Também estamos observando um grande número de ambulantes, pessoas que ficam nas calçadas vendendo um produto ou outro. Eles também recorrem aqui para fazer a refeição.” Ao longo de seis décadas, o trabalho é realizado através de doações e mão de obra de voluntários, e conta atualmente com cerca de quinze colaboradores. “Nós temos que agradecer muito à comunidade são-joanense e às pessoas de todos os lugares que contribuem com as Obras Sociais. Temos contribuintes

mensalistas e também muitos recebimentos na própria sede. A comunidade é muito solidária”, frisa Maria do Carmo Neta. A instituição está localizada à Rua Aldo Zerlotini, 312 – Centro. Pela manhã, às 7h e 30min, é servido o café. Às 10h e 30min começa a ser servido o almoço. Os interessados em contribuir com as “Obras Sociais Vovô Faleiro” podem entrar em contato através do telefone (32) 3371-9065 e pelo site: vovofaleiro. com.br Dados Bancários: CNPJ: 26.148.049/0001-80. Agência: 0151. Conta Poupança: 139400-6. Caixa Econômica Federal - Operação: 013

Retalhos literários EVALDO BALBINO

As mãos eternas de minha mãe. Mãos de mulher da roça e do povo, e depois mulher duma vila tomando ares de cidade pouco a pouco. Sem vaidade nenhuma. Se bem que, nos últimos anos, por clarividência da minha irmã caçula, as mãos de minha mãe têm recebido mais cuidados. Sem exageros, porém. Se antes unheiros as maltratavam, isso lá num passado que já vai longe, hoje elas estão bem menos sofridas, mesmo carregando marcas do tempo, porque sempre trabalharam sem os cuidados que dão à pele um ar de juventude. Meigas as suas mãos, suaves no amar cada filho, o marido, a humanidade, os animais e as plantas. Humana sim, a minha mãe. Mas mergulhada em bondades que não se medem. Há muitos anos, na igreja que frequenta desde fins da década de 1970, convidaram-na pra ser Irmã da Piedade, um trabalho bonito juntamente aos diáconos, voluntariamente, no atendimento aos que têm fome e sede de comida, roupa e justiça. Recusou de modo franciscano o convite. Pois a recusa não foi por orgulho, e sim pelo medode exercer de modo oficial “função tão excelsa”. Melhor mesmo seria continuar ajudando a quem pudesse, mas fazendo isso no anonimatoda vida. Desde nova, pronta pra ajudar os outros. Quando o pai e a madrasta foram embora de casa, ela, órfã de mãe desde os 2 anos

e contando agora com 8 anos apenas, teve que abandonar a escola que frequentava e assumir sozinha uma casa inteira, o terreiro grande pra varrer, as roupas suas e dos dois irmãos pra lavar, pra coser. Pra socar arroz no pilão, tinha que subir num banco, pois não dava altura. Sem falar no peso da mão-de-pilão. Sabão pra lavar as roupas no riachinho que passava na horta?! Nem isso ela e os irmãos pré-adolescentes tinham. E a comida? Também faltava. Daí ela e os irmãos terem começado a trabalhar em lavouras alheias pra sobreviver. Com o minguado dinheiro recebido, sobrava um pouco pra comprar sabão preto e lavar as roupas no corregozinho. Na adolescência, submissão ao pai e à madrasta. Uma vigilância. Moça tinha que ficar quieta pra não dar o que falar. Pouco saía de casa, muito trabalhava. E não pra ganhar dinheiro, mas pra cuidar da vida doméstica de todos. Ainda jovem se casou com meu pai. E filhos, tiveram dez. Perderam dois: o Everaldo com 9 meses de vida e a Elenice com 4 meses. Até 1989, éramos 7 filhos. E no trajeto desses 7, a luta dos pais pela vida da família em todos os dias. Noites insones, enfermidades, dificuldades financeiras. Todos morávamos no Ribeirão de Santo Antônio, numa época em que até a condução pra vila

de Resende Costa era difícil. Em madrugadas sem conta, minha mãe teve que sair a pé do Ribeirão, ir até a fazenda dos Mendes, atravessando mata escura e densa, pra pegar carona no caminhão do fazendeiro. E tudo isso pra cuidar dos filhos doentes com o farmacêutico da cidadezinha ou com algum médico, quando conseguia atendimento público. Em 1989, veio a décima filha (contando-se os 2 falecidos). E aí, aos 45 anos, novamente mãe de uma bebê, minha mãe iniciou toda uma nova odisseia. Desde meados dos anos de 1980, ela começou a ter problemas de saúde, como diabetes, hipertensão, má circulação sanguínea (chegando a passar anos depois por duas cirurgias complexas). E agora um bebê sendo gerado. No parto, nosso medo, devido às condições de saúde da nossa mãe. Depois, a bebê, linda alegria de nossa casa. 14 dias após o nascimento, um tumor no pescocinho da criança, uma cirurgia, um desgaste de longos dias pré e pós-operatórios. Nos meus 18 anos, saí de casa pra morar e estudar em Belo Horizonte. De longe, e na medida do possível presente, fui acompanhando a faina dos meus pais, o crescimento e os estudos da minha irmã, as vidas de todos os meus familiares. Cada qual no exercício cotidiano de viver. De lá pra cá, entes queridos foram partindo, entre eles um cunhado ainda jovem e os meus avós pa-

Foto: arquivo pessoal

Laura

Dona Laura ao lado do filho, o escritor e poeta Evaldo Balbino

ternos, dos quais, quando bem idosos, minha mãe e meu pai muito cuidaram com desvelo e amor. De lá pra cá dona Laura (este é o nome guerreiro de minha mãe) também enfrentou um câncer de pele, acompanhou as alegrias e as dores dos seus familiares, dos vizinhos e conhecidos. Hoje, em plena pandemia da Covid-19, ela, sempre muito cui-

dadosa com os protocolos sanitários, sempre diz confiante: “Com Deus atravessando a vida, a gente dá conta de tudo!”. Assim é minha mãe: Laura, a sempre Laura. Alcunha bonita. Com origem no substantivo latino laurentius (coroa de folhas de louro), seu nome já diz tudo. Minha mãe é mulher vitoriosa, triunfadora.


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COMPORTAMENTO

Quilos a mais é realidade de mais da metade da população brasileira durante a pandemia VANUZA RESENDE

O Paulo se tornou vegetariano, o Pedro controlou a alimentação para não engordar, já a Ângela acabou exagerando no carboidrato e na cerveja e, por isso, ganhou alguns quilos a mais durante a pandemia. Essas foram algumas das participações dos leitores do JL em uma enquete nas redes sociais, quando perguntamos sobre a experiência com a alimentação durante a pandemia. 59% dos nossos leitores também afirmaram que engordaram no último ano. E eles não estão sozinhos. De acordo com a pesquisa Diet & Health Under Covid-19, realizada com correspondentes de 30 nações em todo o mundo, 52% dos entrevistados no Brasil declararam ter engordado durante a pandemia. A média de aumento de peso no referido período foi de 6,5 kg. De acordo com o nutricionista clínico e esportivo, Rômulo Costa, o cenário já era esperado. “Qualquer fato que desestabilize o contexto de vida em que estamos inseridos, como a pandemia, afeta a nossa saúde emocional. Isso pode gerar maiores episódios de ansiedade e depressão,

por exemplo. Nesses casos, muitos indivíduos acabam buscando ‘compensar’ o prazer apenas na comida, fazendo escolhas por alimentos mais calóricos e álcool em excesso. No longo prazo, sabemos que isso pode virar uma bola de neve, levando ao ganho de peso, à piora da saúde e da qualidade de vida”, alerta o profissional. No entanto, durante o tempo de pandemia, algumas pessoas também mudaram seus hábitos alimentares e conseguiram realizar refeições mais saudáveis. Como foi o caso da Gabriela Gomes Lara, que afirmou: “Comecei a me alimentar melhor, por ter mais ‘tempo’ para focar”. Situação parecida com a do Lucas Aarão: “Por ficar mais em casa, a minha alimentação melhorou.” Para aderir a uma alimentação mais saudável, Rômulo orienta: “Quanto mais colorido estiver o prato, maior será a garantia de fornecimento de nutrientes necessários para o nosso corpo. Percebo que as pessoas consomem poucos vegetais (cenoura, couve, brócolis couve-flor, alface, tomate) e muito carboidrato (arroz, batata, mandioca, farinha), além de muita fritura. Pensando em quem está buscando controlar o peso corporal, seria

interessante um maior consumo de vegetais e carnes magras, pois ambos nos dão muita saciedade. Com isso, a quantidade de calorias consumidas ao longo do dia diminui. Também devemos ficar atentos à quantidade de óleo no preparo dos alimentos. Sempre devemos utilizar o mínimo possível e evitar frituras.” PREÇOS ELEVADOS Devido à crise econômica pela qual o Brasil vem passando no momento atual, a alimentação está custando mais caro ao bolso do consumidor. De acordo com Rômulo Costa, definir um orçamento para as compras é o primeiro passo para economizar. “O planejamento das compras mensais é de grande importância, pois quem nunca se planeja para ir às compras acaba levando qualquer coisa que vê pela frente. Por outro lado, há uma prática comum de quem busca gastar o mínimo e comer bem: sair de casa com uma lista de compras e buscar alimentos que sejam da safra. Por exemplo: em época de laranjas, elas ficarão mais baratas do que outros tipos de frutas. Com certeza, é possível comer de modo muito mais saudável e gastando pouco. Inclusive, tenho muitos pacientes que me dizem

economizar muito nas compras quando estão fazendo o acompanhamento nutricional”, destaca o nutricionista. O profissional lista alguns alimentos que podem ser inseridos no carrinho do supermercado e que são mais baratos e saudáveis. “Vegetais, frutas, alguns tipos de carnes, ovos, arroz, feijão, pães. Apesar de terem subido de preço, sempre serão mais vantajosos. Se cada um souber consumir e combinar esses alimentos no dia a dia, irá promover saciedade, terá mais saúde e qualidade de vida – algo para o qual não há preço que se pague. O ideal seria praticar a famosa frase: ‘Descascar mais os alimentos e desembalar menos’.” ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL ALIADA A UMA BOA SAÚDE, MAS É PRECISO CUIDADO COM AS FAKE NEWS É comum ouvir ou receber mensagem pelo WhatsApp, com informações sobre alimentos que ajudam a combater o vírus causador da Covid-19. No entanto, especialistas alertam para fake news sobre receitas caseiras. Para evitar tais, situações, é necessário ter consciência sobre os

Fotos: arquivo pessoal

Nutricionista alerta sobre a importância de uma alimentação saudável

Rômulo Costa

tipos de dietas ou de alimentação impostas sem qualquer respaldo profissional. “Uma regra geral: sempre duvide de promessas milagrosas de supostos alimentos ou suplementos alimentares ditos emagrecedores e que resolvem algum problema de saúde. Se isso existisse, mais da metade da população brasileira não estaria acima do peso. A melhora da nossa saúde está nas práticas diárias de estilo de vida saudável, ou seja, uma boa alimentação, exercício físico e atenção à saúde mental”, conclui Rômulo Costa.

Regional

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O projeto Rota do Queijo Terroir Vertentes foi um dos dois projetos do Sudeste brasileiro escolhidos para participar do programa “Experiências do Brasil Rural”, desenvolvido pelo Ministério do Turismo (MTur) e a Universidade Federal Fluminense (UFF). “A gente conseguiu ser selecionado entre mais de 50 projetos no país inteiro, o que é um ganho muito grande”, comemora Marcus Vinicius Januário, gestor da instância de governança regional do circuito Trilha dos Inconfidentes. O projeto, que existe há três anos, abrange os 26 municípios do circuito e tem a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) como parceira. Para participar do processo de seleção do MTur e da UFF, foram identificados mais de 80 produtores rurais da região, dos quais cerca de 40 se dedicavam à produção de queijo, conta Marcus. Entre eles, o Casal Gastrô, de Resende Costa (ver artigo nesta edição). As características do terroir (clima, solo e ambiente) conferem ao queijo produzido nos mu-

nicípios das Vertentes atributos especiais, como casca semidura, coloração amarelo palha e sabor levemente ácido, com um processo de maturação distinto, segundo o turismólogo Luís Carneiro (Portal Minas Gerais, 12/05). A produção da região é expressiva e, além de Resende Costa, destacam-se municípios como São João del-Rei, Tiradentes, Ritápolis, Antônio Carlos, São Vicente de Minas, Carrancas e Nazareno. Além de envolver diretamente esses quase 40 produtores, a ideia é a de que, paralelamente, se trabalhe também com os outros integrantes da cadeia produtiva, de maneira que “todo mundo possa ganhar com isso”, explica Marcus. “A gente passa a ter melhor qualificação e maior visibilidade dentro do cenário nacional”, associado ao turismo, uma vez que “a gente começa a ter um produto realmente sendo divulgado e promovido pelo principal órgão turístico do país”. A presença da UFF é importante para a realização de diagnóstico do estágio de qualificação e o apoio à comercialização e à promoção dos empreendimentos inseridos no roteiro. O foco é trabalhar a agricultura familiar como

Fotos: arquivo pessoal

Projeto Rota do Queijo Terroir, com foco na agricultura familiar

Queijo minas artesanal produzido em Resende Costa pelo Casal Gastrô

diferencial competitivo: elaboração de plano de ação e inovação para os principais gargalos identificados pela pesquisa inicial; capacitação dos empresários, empreendedores e produtores rurais; apoio à comercialização e fortalecimento da

promoção e comercialização do roteiro. Dessa forma, busca-se inserir os produtos da agricultura familiar em bares, restaurantes, meios de hospedagem, lojas e outros equipamentos que fazem parte do roteiro.

“Tudo isso vai contribuir para o desenvolvimento e a melhoria da nossa região, para que possamos aproveitar ao máximo essas informações e fazer um trabalho que beneficie todo mundo”, conclui Marcus.


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Cerveja artesanal com sotaque alemão na ilha de Santa Maria JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Seis variedades da cerveja artesanal “A Nossa” (framboesa, maracujá, preta intermédia, trigo, trigo de Munique e belga), inspirada na tradição cervejeira alemã, estão disponíveis na ilha de Santa Maria, informa a RTP Açores. O empreendedor alemão Marc Oliver, residente há alguns anos na ilha, iniciou a atividade na cozinha de sua casa, mas agora ocupa um espaço na incubadora de empresas. “É uma paixão, a minha cidade natal é Munique e,

para matar um pouco a saudade da minha terra, eu comecei com essa ideia alguns anos atrás.” A cerveja artesanal, produzida em pequenas quantidades, é toda consumida na ilha, conta Oliver. “Até o momento, está correndo muito bem, vende-se bem, a aceitação é grande.” Ele adaptou o seu produto aos Açores e a Portugal. “Cada país tem as suas qualidades próprias de lúpulo (responsável pelo amargor e por alguns aromas), conforme a qualidade da cerveja que quer produzir. Na cerveja artesanal, nós temos que ter um pouco de tudo.” Oliver vende a própria cerve-

ja, uma vez que tem dois restaurantes em Santa Maria. “Assim, não corro o risco que empresas grandes correm de, nesta fase da pandemia, não poder vender, calcular mal o estoque… Eu faço o que eu consigo vender.” Para além do trabalho, a atividade é um passatempo, admite. “De tudo, um pouco: começa com a contabilidade, a limpeza, a preparação das receitas, o trabalho bioquímico com a levedura, os processos enzimáticos… Tudo faz parte, tudo é muito interessante.” Esta cerveja, que cruza sabores açorianos com uma seleção

Foto: Facebook

INTERNACIONAL

A cerveja artesanal da Ilha de Santa Maria

de ingredientes, resulta num produto de qualidade. Já disponível na ilha, espera-se que chegue

em breve ao mercado regional e, quem sabe, ao território continental.

Gastronomia CLÁUDIO RUAS @CASALGASTROMG

Desde a criação do projeto, fomos agraciados com o convite de participar desse roteiro como produtores do Queijo Minas Artesanal Casal Gastrô, do município de Resende Costa. Iniciativa importantíssima para nossa região, uma vez que traz uma série de benefícios não só aos produtores, mas a toda a cadeia turística e econômica do município e do Campo das Vertentes como um todo. Vivemos numa cidade, região e estado onde o turismo é de extrema importância e de relevância nacional, inclusive o turismo gastronômico. O visitante que vem para Minas Gerais ou, mais especificamente, para a nossa região não quer só visitar as cidades históricas e aproveitar os artesanatos e as belezas naturais. Ele quer ter experiências gastronômicas. Afinal de contas, Minas é o estado onde a gastronomia pulsa mais forte no Brasil. O turista quer comer bem. Ele quer levar alguma lembrança alimentícia

para sua casa ou para presentear. E ele também quer se aprofundar nessa cultura, conhecendo de perto os processos e aqueles que produzem essas iguarias que tanto fazem sucesso no país afora. E dentre as dezenas de alimentos produzidos por aqui há séculos, qual deles é o carro chefe do estado? A resposta é fácil: o queijo. Minas Gerais é o principal produtor de queijos do Brasil, em suas mais variadas receitas e formas, tanto em escala industrial quanto artesanal. Mas uma receita, em especial, é a que mais se destaca: a do chamado “Queijo Minas Artesanal” (QMA). Nome, aliás, muito confundido com o do “Queijo Canastra”, que nada mais é do que o Queijo Minas Artesanal produzido na microrregião da Serra da Canastra. Tal e qual o nosso Queijo Minas Artesanal do Campo das Vertentes, ou do Serro, de Araxá, enfim, de uma das oito regiões reconhecidas oficialmente como produtoras dessa receita. Tal receita foi trazida pelos

colonizadores portugueses vindos das Ilhas dos Açores, justamente para a nossa região do Campo das Vertentes. Daqui, posteriormente, partiram para outros lugares, inclusive para a Serra da Canastra, onde ganhou força e fama a produção, ao contrário do Campo das Vertentes, que viu sua produção artesanal dar lugar aos grandes laticínios, perdendo até mesmo o próprio “saber fazer” dessa receita. Porém, também é bom lembrar que os tantos queijos brancos (frescos e resfriados) produzidos na região, embora feitos de leite cru em muitos casos, não são considerados como QMA, pois, dentre outras coisas, não levam o “pingo” (fermento lácteo natural extraído da produção do dia anterior) e também não são maturados/curados em prateleiras de madeira e à temperatura ambiente (por 22 dias), como determina a legislação. Essa receita vem sendo resgatada por uma nova geração de produtores ao longo dos

últimos anos, inclusive por enxergarem o grande benefício do potencial turístico da região para esse tipo de atividade. E é aí que entra o importante trabalho desenvolvido pelo Circuito Trilhas dos Inconfidentes, através dessa Rota do Queijo (que abrange, inclusive, produtores que trabalham com outras receitas), na medida em que se encurta o caminho entre o turista (e também locais, empresários etc.) e o pequeno produtor. São importantes a catalogação, o mapeamento, a instalação de placas, a operação com agências de turismo, a divulgação midiática e até mesmo os trabalhos de capacitação. Muitas vezes falta ao produtor apenas um pequeno (mas importante) detalhe para que ele feche bem o ciclo do seu negócio. Ele faz um ótimo produto, ele preserva as tradições, ele está num lugar bonito e numa região turística, ele é hospitaleiro e tem muita história para contar – e tem até outros produtos e servi-

Fotos: Arquivo pessoal

Rota do Queijo Vertentes: relato de um produtor participante

Amana e Cláudio Ruas

ços para oferecer. Mas ele não consegue “pescar” o turista que está passando ali pertinho. Ele não consegue dar a visibilidade e o valor comercial à altura da sua produção. Ele tem a faca e o queijo na mão, literalmente, mas acaba não conseguindo cortar esse queijo. E é por isso que nós produtores rurais (não só de queijo) precisamos de reconhecimento e apoio como esse, pelo lindo e duro trabalho e por tudo que ele representa na história do nosso povo e da nossa nação.


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Informe Publicitário

COOPERAÇÃO

Cooperativas crescem mais que os bancos e respondem melhor às crises, diz Banco Central Ninguém cresce no mercado financeiro como as Cooperativas de Crédito. A afirmação é do Banco Central (BC), no Relatório de Economia Bancária. Segundo dados do levantamento, o setor soma hoje 11,9 milhões de associados em todo o país, total 9,4% superior ao registrado em 2019. Vale lembrar que, desse total, 5 milhões integram o Sicoob. Há mais: nos últimos cinco anos, a carteira de crédito cooperativista

praticamente dobrou, saltando de 2,74% para 5,1% do Setor Financeiro Nacional (SFN). Em cifras, um crescimento de R$ 95 bilhões em 2016 para R$ 228,7 bilhões em 2020, ano de explosão da Pandemia causada pelo novo Coronavírus. O que isso significa? Que o volume de dinheiro emprestado pelas cooperativas foi multiplicado. Nesse cenário, parte do protagonismo ficou para o Agronegócio. Ainda de acordo com o BC, no final do

Cooperados da Credi economizaram mais de R$47 milhões em 2020 Fazer parte do Sicoob significa (muita!) economia para o seu bolso. Dados do Banco Central, aliás, provam isso. De acordo com levantamentos da instituição, as taxas em nosso Sistema chegam a ser três vezes mais baixas que as cobradas por bancos tradicionais. Matemática com Justiça Financeira que só o Cooperativismo oferece e que os 28 mil associados ao Sicoob Credivertentes conhecem na prática. Em 2021, por exemplo, eles economizaram juntos R$5,9 milhões só em tarifas. Não bastasse isso, também se beneficiaram com a distribuição de Sobras e Juros ao Capital, totalizando mais de R$15 milhões. Some a tudo vantagens em Empréstimos (com metade dos juros praticados no mercado financeiro tradicional); em Financiamentos e outras modalidades de Crédito.

O resultado? Na ponta do lápis, transações justas que, feitas em bancos, custariam R$47,3 milhões a mais coletivamente – ou mais de R$1,7 mil em um ano para cada pessoa. “É muito importante destacar que associado, cliente e dono são as mesmas pessoas no Cooperativismo de Crédito. E só ele oferece produtos, serviços, oportunidades e relacionamentos mais justos”, explicou o diretor-executivo do Sicoob Central Crediminas, Elson Justino, em podcast do Sicoob Credivertentes. Sobre os ganhos financeiros oferecidos aos cooperados, ele lembra que representam “dinheiro extra que é reinvestido na atividade econômica no caso da Pessoa Jurídica; e na família, para a Pessoa Física. Ou seja: os recursos captados pelas cooperativas voltam à comunidade em que estão num ciclo virtuoso”.

ano passado a principal modalidade de empréstimos no setor – a Pessoas Físicas – foi o Crédito Rural, representando 36,9% das operações. Dessa forma, o impacto se refletiu no mercado financeiro como um todo, já que dentre todas as instituições, incluindo bancos, as cooperativas responderam por 20,26% de todo o financiamento rural registrado. Em 2016, essa fatia era de 9,5%. Esse movimento, aponta o estudo

do Banco Central, corrobora com o fato de que, historicamente, instituições cooperativistas reagem melhor às crises. O BC lembra que ao longo de 2020 no Brasil, por exemplo, pequenas empresas que procuraram recursos junto ao setor tiveram taxas de sucesso maiores que as registradas no núcleo bancário tradicional. O Sicoob em si, aliás, aumentou em 30% o volume de crédito disponível para empreendedores.


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Regional

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SJDR: aumenta participação das vítimas de covid-19 no total de sepultamentos Veja ainda os comentários sobre diferentes aspectos da pandemia do pesquisador Renato Mancini Astray, do Instituto Butantan de São Paulo Foto: José Antônio de Ávila

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Desde o início da pandemia, foram sepultados 482 corpos no Cemitério Municipal do Quicumbi, em São João del-Rei, dos quais 63 foram vítimas da Covid-19. Em pouco mais de um mês (até 2 de junho), foram 34 sepultamentos (14 por Covid-19). Até 29 de abril, foram registrados, respectivamente, 448 e 49 cadáveres. Isto significa que o percentual de sepultamentos por Covid-19 aumentou de 10,94% para 13,07% do total; as mortes por “causas naturais” caíram para 86,93%. As informações constam do livro de registros da administração da Funerária Municipal e do Cemitério. Estes dados não incluem o Cemitério São José, pertencente à Irmandade de São José e responsável por parte de sepultamentos “de chão” da prefeitura, e seis ou sete cemitérios particulares. Segundo a diretora da Funerária Municipal, Beth Silva, entre as chamadas “causas naturais” dos óbitos que chegam ao Cemitério, destacam-se “problemas relacionados com o aparelho respiratório – às vezes, agora por causa do inverno, pneumonia, insuficiência respiratória, mas que não é Covid; e, infelizmente, o infarto tem ocasionado bastante óbitos aqui no Cemitério Municipal”. DADOS SUBESTIMADOS? Embora à primeira vista pareça que haja subestimação dos dados da Covid-19, Renato Mancini Astray, pesquisador do Instituto Butantan de São Paulo, alerta: “Isso é mais fácil de investigar através do número de casos.” Ele cita Wuhan (China) onde, no início, morriam 3% dos infectados. “Isso caiu para 0,5% com bom tratamento.” No caso do Brasil, a taxa de mortalidade está em 176/100.000 habitantes: em média 2,7% dos infectados morrem, acrescenta Renato Astray. “Então, salvo casos catastróficos como o de Manaus, qualquer valor muito diferente desses acima, aplicados à população da

Cemitério Municipal de São João del-Rei

cidade ou aos casos registrados, deve estar errado. Também devem considerar-se os relatos de que as mortes por várias causas aumentaram, porque as pessoas deixaram de ir aos serviços de saúde, que é um dos locais onde mais se contrai a doença.” Segundo o pesquisador do Butantan, algo parecido pode estar ocorrendo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Relatório da agência das Nações Unidas, divulgado em 21 de maio em Genebra (Suíça), mostra que os números oficiais de mortes atribuídas direta ou indiretamente à pandemia de Covid-19 (cerca de 3,4 milhões de pessoas até maio) provavelmente estão significativamente subestimados. Este número na verdade seria de duas a três vezes maior, entre 6 milhões e 8 milhões de pessoas, disse Samira Asma, diretora-geral-assistente da OMS na divisão de dados e análises. “Tendo a acreditar nisso, sim”, diz Renato Astray. “A OMS trabalha com dados e muita estatística. Então, quando coletam dados, vamos dizer de São Paulo, e estes estão muito diferentes do Rio de Janeiro, eles vão checar e normalmente é possível verificar se há probabilidade da informação estar errada com base em estatísticas de cidades semelhantes”, explica o pesquisador.

“EXCESSO DE MORTES” Já a revista britânica The Economist aponta 10 milhões de mortes em 2020 e 2021, além do que normalmente ocorria nos anos anteriores. Este total de “excesso de mortes” inclui as subnotificações das mortes por Covid-19. “Os estudos da OMS e da Economist nos fazem entender e dimensionar porque existe tanta imprecisão nas estatísticas de mortes causadas por epidemias”, diz o economista Aluizio Barros, em comentário no facebook. A estimativa de “excesso de mortes” é um trabalho objetivo com números de mortes num país em determinado período, em relação ao número médio de ocorrências, alerta Barros. “Esse excesso de mortes ocorre por causa das mortes da Covid confirmadas, das mortes pela Covid não confirmadas (apenas suspeitas) e das mortes por outras causas. Há países onde o excesso de mortes foi negativo. Isto é, o número total de mortes é menor do que o registrado antes da pandemia. Explicação: com o isolamento das pessoas na pandemia, as outras doenças não se manifestaram. Por que isto aconteceu? Porque as medidas de distanciamento social para evitar a Covid-19 reduziram a ocorrência de mortes por outras causas (pneumonia, acidentes de

trânsito etc.).” DEPOIS DA MORTE Uma questão pouco abordada é a permanência do coronavírus nos cadáveres depois de serem sepultados, o que geralmente ocorre em áreas exclusivas. O vírus sobrevive à decomposição dos corpos? Em caso, por exemplo, de exumação de corpo, cuja causa mortis tenha sido a Covid-19, há algum perigo de contaminação? Há necessidade de procedimentos especiais? Para o pesquisador Renato Astray, do Butantan, “a exumação feita após, digamos, uma semana não deve oferecer riscos. O vírus depende das células vivas para se propagar. Trata-se de uma estrutura frágil, facilmente inativada, contendo material genético lábil. Não vejo risco de contaminação na exumação”. FALTA COORDENAÇÃO Uma das principais críticas ao governo federal, de um país continental como o Brasil, é pela falta de um plano nacional, o que dificulta o combate à pandemia e facilita a propagação de variantes (britânica, indiana, sul-africana, de Manaus etc.). Na medida em que não se fecham fronteiras entre Estados, não há saída sem coordenação, acredita o pesquisador Renato Astray. “Mesmo os lock-

downs são muito mais penosos, porque é como você varrer a sua calçada e o vizinho não. Aquelas folhas vão acabar vindo para a sua calçada também.” Para o pesquisador do Butantan, “a coordenação central seria importantíssima, pois estabelece a política de enfrentamento, os protocolos de prevenção e tratamento. As ações em um país qualquer, mas especialmente em um país grande, são dos agentes locais, pois o combate é no corpo a corpo, não é borrifando veneno de avião como se mata uma praga da lavoura. O problema é que a coordenação central do Brasil focou em algo totalmente tosco e fora do que o mundo estava fazendo. Então, obviamente que ninguém deu crédito e começou essa bagunça”. “DESCOBERTA IMPRESSIONANTE” Estudo coordenado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), sobre a origem do coronavírus, acaba de ser divulgado. “Um vírus ancestral, que infecta seres humanos há milhares de anos, está sendo ativado pelo coronavírus, Sars-CoV-2, e aumentando o número de mortes por Covid-19 em pacientes graves.” “É uma descoberta impressionante”, reconhece Renato Astray, do Butantan. “As evidências que eles apresentam são bem grandes. Creio que o estudo ainda está em revisão. Vale esclarecer que não é o outro vírus que é, digamos, revivido, ou ressuscitado, é uma parte dele, desse vírus ancestral. Essa enzima pode estar ligada a alguma função que o organismo humano incorporou, por ser uma vantagem evolutiva.” Embora ainda não se tenha certeza sobre o papel dessa enzima, o estudo poderá trazer novos conhecimentos úteis à humanidade, acredita o pesquisador do Butantan. “O estudo pode servir para definir essa enzima como um novo alvo terapêutico ou para mapear as pessoas com altos níveis basais de expressão ou a localização do gene em determinado ponto do genoma que indiquem que essa pessoa tem maior chance de ter complicações, como uma comorbidade.”


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ANO XVIII Nº 218 - JUNHO 2021

ESPORTE

Abertas as inscrições para o Projeto “Craque de Ouro, do esporte para a vida” VANUZA RESENDE

Em meio à paralisação dos campeonatos e a suspensão de diversas atividades esportivas, Resende Costa começa o cadastro para um novo projeto: “Craque de Ouro, do esporte para a vida”. O projeto, que está sendo desenvolvido pela Prefeitura Municipal, pelo Expedicionários e pela Associação dos Moradores e Amigos do Tijuco (AMAT), pretende atender até 200 crianças e adolescentes entre sete e 17 anos, oferecendo atividades esportivas gratuitas. O idealizador do projeto, o vice-prefeito Lucas Paulo, falou sobre a iniciativa. “Era um desejo antigo, mas para começar precisávamos de um recurso para a compra de materiais e

de iniciar as inscrições. Estamos com boas parcerias e, apesar de estarmos parados devido à pandemia, nos bastidores o projeto tem caminhado bem. Teremos dois campos para as atividades: o do bairro Tijuco e o do Expedicionários.” Todo o material esportivo vai ser adquirido através de emenda parlamentar vinda do deputado estadual Gustavo Valadares. “Vamos comprar bolas, coletes, uniformes para que todos possam participar sem gasto algum. Além de equipe com treinador à disposição dos inscritos, queremos também, além das atividades esportivas, fazer com que os participantes tenham uma vivência social com viagens entre os municípios para disputarem campeonatos”, completou Lu-

cas Paulo. César Guedes, o Cesinha, presidente da AMAT, é outro apoiador do projeto. Ele também falou sobre as atividades. “O foco é em crianças e adolescentes, pois eles estão na fase de aprendizagem e de desenvolvimento. Além de atividade física, o esporte consegue desenvolver o social, a educação, o psicológico, o comportamento e a disciplina dos envolvidos. O projeto reunirá crianças e adolescentes, criando espaço de bem-estar e prevenindo situações de risco. Além disso, o projeto também vai colaborar com a descoberta de talentos no esporte em nossa cidade”, destaca. O coordenador do projeto, Paulo Ricardo, fala sobre as pretensões. “Aqueles que se

destacarem vamos levar para avaliações em clubes profissionais. Também vamos implantar, juntamente com a Assistência Social, palestras e cursos para os participantes. O projeto vai ser um fortalecedor no município. Estamos apenas aguardando a liberação da Onda Amarela do Minas Consciente para que possamos realizar atividades esportivas de modo seguro.” Cesinha também destacou a infraestrutura que Resende Costa oferece para sediar o projeto. “Tivemos conversas produtivas e, em uma delas, notamos o potencial do espaço do Campo de Tijuco. Com a ampliação e melhor estruturação do local, poderá ser criado um espaço ainda melhor para o desenvolvimento de atividades físicas e recreati-

vas. Além do ganho social do projeto, também ganharemos um local de bem-estar para o bairro.” Inicialmente, o projeto contemplará somente o futebol. Questionado sobre a expansão para outras modalidades esportivas, Lucas diz que tem planos futuros para a implementação de outras práticas esportivas. “Queremos iniciar o projeto com o futebol de campo. Mas, depois das crianças já devidamente cadastradas e atuantes, pretendemos estender para outras modalidades.” As fichas de inscrições já estão com os organizadores. Os interessados já podem se inscrever. Basta ser morador de Resende Costa e ter entre sete e 17 anos.

Papo de Esportes VANUZA RESENDE

E começam as 38 rodadas do campeonato mais “disputado do mundo” Final dos estaduais 2021 sem muitas surpresas. O Atlético, sendo campeão mais uma vez. De forma menos costumeira, deu Atlético na Bahia também, o de Alagoinhas. O Internacional confirmou a sua freguesia para o Grêmio, o Flamengo comprovou que não está para brincadeira, de novo. E o São Paulo saindo da fila, finalmente! Se os estaduais servem como aquecimento para a temporada, chegou a hora, meus amigos: o Brasileirão está de volta. Nem deu tempo de sentir tantas saudades. Com o calendário apertado, os times entraram em campo por tantas competições que a bola está sempre rolando. Dessa vez começou a rolar em 11 estados diferentes. Sem muitas novidades no regulamento, mas vale lembrar que, para minimizar as várias demissões de treinadores ao longo

do torneio, a CBF definiu que cada equipe poderá fazer apenas uma troca de técnico durante a competição. A nova regra também limita cada técnico a dirigir no máximo duas equipes durante a temporada. Claro que há algumas brechas na regra, (e o Cuiabá deve estar ligado), mas é algo para ficar de olho. O Brasileirão tem lá suas particularidades. Se o time está competindo nos torneios paralelos mata a mata, como, Libertadores, Copa do Brasil e, em alguns casos, até a Sul-americana, entra com reservas, poupa dois ou quatro, e quando perde tem sempre a desculpa na ponta da língua: ‘cansaço da viagem, desgaste dos jogadores’. Mas na grande maioria dos casos, o problema deveria ser respondido com a ponta da chuteira. E nos torneios mata a mata, a eliminação é certa, meus amigos.

Assim como a correria para alcançar os três pontos perdidos, afinal são 38 rodadas, e o ‘Brasileiro’ gosta de deixar para a última hora. Como é bom montar o time no Cartola e refletir depois de xingar o técnico do time, que perdeu dois pontos em casa, naquele empate chocho em 0x0: “Mesmo com todas as opções disponíveis, eu não fiz mais de 30; imagina o técnico do meu time com aquele banco limitado”. Na verdade, esse pensamento se esvai facilmente, quando em uma mísera rodada o cartoleiro faz mais de 70 pontos, e é a prova de que você é um profissional no assunto. Por falar em profissional, se tem uma coisa de que jornalista esportivo gosta é palpitar. E aqui vou eu: G-4 do Brasileirão 2021: Flamengo, São Paulo, Atlético Mineiro e Palmeiras. Não necessariamente nessa ordem. Ou seria?! Vou falar

logo um G-6 que, se eu acertar 4, fico melhor do que o meu time do Cartola. Anotem aí: Fluminense e Internacional. Nossa, e o Grêmio? O time é bom, não está na Libertadores e pode se dedicar mais aos pontos corridos. Unh, mas deixe-o correndo aqui por fora e eu me redimo com o torcedor colorado que leu sobre a freguesia. E o Z-4? Eu acredito que pelo menos um flerte dos “grandes” com a Zona vai rolar. Corinthians e Santos podem se assustar e, quem sabe, até engatar um relacionamento por ali. Quem subiu recentemente tem mais chance de cair, na teoria. Mas vocês já estão cansados de saber que na prática... Já que estou arriscando, lá vai: Cuiabá, Juventude, Atlético-Go e Sport. Eu espero pelo amor de Lisca, que o América faça valer o fato de não ter entrado nesse meu chutômetro.

Se caem 4, sobem outros 4. Se o Cruzeiro não amarrar os calções, não entra. Mas veja bem, eu coloquei o Atlético buscando o bi e o América a permanência. Portanto, não posso deixar o Cruzeiro de fora (mas eu não entro em campo), não que se eu entrasse mudaria muita coisa, mas é que às vezes só o amor à camisa resolve. Sobem: Cruzeiro, Botafogo, Vasco e Avaí. Pela consistência do início da temporada, só o Avaí merece estar na lista. Os outros eu coloquei pelo respeito à camisa e, claro, aos meus leitores! De sofrimento já basta ter que assistir à Série B. Às vezes, faz bem ler algo motivacional, pincipalmente na sessão de esporte. Para encerrar: o campeonato mais disputado do mundo foi vocês que disseram, eu só escrevi. Não quero me comprometer mais do que já me comprometi.


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