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Edição 217 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVIII

• MAIO 2021 • Nº217

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Sopa Solidária Beija-Flor de Luz realiza trabalho social em Resende Costa, oferecendo alimento a quem nada possui O turismo rural no Circuito Trilha dos Inconfidentes, que abarca 26 municípios das regiões Vertentes, Sul, Zona da Mata e Centro, deverá ser impulsionado ainda este ano com o lançamento do projeto “Caminhos de São Tiago”. Para isso, a Trilha criou um projeto específico de turismo rural a ser implantado, inicialmente, em seis municípios: Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Ritápolis, São Tiago, Lagoa Dourada e Entre Rios de Minas. PÁG 11

Foto: André Eustáquio

Turismo nas Vertentes

Casa do projeto Sopa Solidária Beija-Flor de Luz, na rua Pau Brasil, bairro Tijuco

A ação, que conta com mais de 20 voluntários, entre cozinheiros e entregadores, vem conquistando a admiração e o apoio da comunidade. Após um ano de existência, a sede do projeto, na rua Pau Brasil, 526, no bairro Tijuco, foi ampliada para dar conta de receber a demanda que aumenta a cada segunda-feira. “Aqui aprendemos a aumentar nosso número familiar. São irmãos que vão chegando e entrando em nossos corações para sempre. Esta sopa é uma comunhão de almas que aqui se encontram”, diz Guilherme Novais, idealizador do projeto. Leia editorial na página 2. PÁG 05

Criatividade on-line: novas tecnologias surgem como aliadas dos lojistas em tempos de pandemia O fechamento do comércio fez com que empresários e lojistas

se reinventassem para conseguirem se manter no mercado.

A novidade do momento em Resende Costa é a realização

de lives. A transmissão ao vivo ganhou a adesão dos lojistas e

vem conquistando o público consumidor. PÁG 12


PÁG. 2 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVIII Nº 217 - MAIO 2021

EDITORIAL Pai nosso, pão nosso

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Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende

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Jornal das Lajes Ltda

Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Impressão:

Tel: (31) 2101-3544 Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende.

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Bom senso Num artigo de quinze dias faz, falei que não via bom senso algum nas autoridades religiosas que, contrariando determinações, insistiam em manter seus templos abertos para receber os fiéis. Houve quem se manifestasse contrário à minha opinião, não sem apresentar bons argumentos. Entre esses, diziam da importância das celebrações comunitárias. Nada contra, pelo contrário, tudo a favor. Não é disso, porém, que se trata. Vive-se particular momento no qual, mesmo acontecimentos importantíssimos, quais as reuniões no culto, devem ceder lugar a outras maiores exigências circunstanciais, provisórias. E, o que é importante, sem desdenhar o que ficou relegado para um segundo momento. Não nego, portanto, a importância da celebração comunitária. Nasci e cresci, formei-me e reformei-me, com absoluta convicção sobre isso. E aprendi: não há cristianismo sem comunidade. O assunto, porém, é outro. A saúde pública, no momento, proíbe as reuniões provocadoras de aglomeração antes, durante e depois dos

eventos. E, para as autoridades competentes, essa norma atinge também os templos de oração. Não há, nessa determinação, nada de teológico, de religioso. Trata-se, exclusivamente, de cidadania, do esforço que a comunidade está fazendo para evitar circunstâncias facilitadoras da expansão do coronavírus. Disseram-me: “Mas as igrejas têm seguido o protocolo exigido.” Sei disso e sou prova. Quando participei de uma celebração eucarística, depois de obter o “ingresso”, pude verificar que na igreja havia, seguramente, menos de um terço de sua capacidade. Presença controladíssima. Por isso digo: sou contra a proibição. Mas não posso concordar em desobedecer à norma, embora hipócrita, uma vez que o povo continua vítima de um transporte público incapaz de evitar a aglomeração. Prezado leitor, passa da hora de nós católicos entendermos que a santa celebração do “Isto é meu corpo”, não pode se desvincular do mandamento que se segue: “Fazei isto em memória de mim”. Passa da hora de entendermos que “meu corpo e meu

sangue” acontecem no pão distribuído, no agasalho provido, no amparo dado, na acolhida ofertada, na sede dessedentada, no enfermo visitado. “Isto é meu corpo”, sim. Mas, “fazei isso em memória de mim”, também. Uma coisa não existe sem a outra. Acreditar que o pão e o vinho são o corpo e o sangue de Jesus, sem a repartição do pão e do vinho, é uma crença ineficaz, inconsequente até. O mandamento “Fazei isso em memória de mim” pede que vejamos “o meu corpo e o meu sangue” no faminto, no desamparado, no sozinho, no pobre. A celebração de “isto é o meu corpo” sem o complemento do “fazei isso” é uma celebração de culto, sem vida. O que se pede, no momento, é que celebremos espiritualmente a cerimônia eucarística, para continuarmos a ter a força, a coragem, o sustento para realizarmos o mandamento de Jesus: repartir o pão. Sem receio: a celebração é, provisoriamente, dispensável. O mandamento, não. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Foto e situação do mês

Cena de um absurdo Foto: Redes sociais

Desprendimento, sensibilidade, dedicação, doação, partilha e amor ao próximo: atitudes que caracterizam e norteiam a espiritualidade e a prática cristã. Numa sociedade que, cada vez mais, cultua o individualismo, o poder, a competição e a busca obstinada pelo dinheiro, as virtudes cristãs estão desaparecendo, sendo ignoradas ou tornando-se obsoletas. Mas Jesus pregou a esperança e a radicalidade em fazer o bem apesar das intempéries. As virtudes cristãs mencionadas estão presentes num trabalho que voluntários do projeto “Sopa Solidária Beija-Flor de Luz”, destaque desta edição do Jornal das Lajes, realizam em Resende Costa desde agosto de 2020. O JL visitou, no último dia 3 de maio, uma segunda-feira, a casa-sede do projeto, na rua Pau Brasil, bairro Tijuco. O imóvel modesto cedido pela Prefeitura abriga um projeto monumental. O idealizador Guilherme Novais e sua esposa Ana realizam, há dez anos, o mesmo trabalho em Belo Horizonte, oferecendo sopa a moradores de rua. Conforme mostra a reportagem especial desta edição, o sonho do Guilherme contagiou Cláudia Magalhães e multiplicou-se para mais de 20 voluntários, entre cozinheiros e entregadores. Na segunda-feira, 3 de maio, aproximadamente 800 marmitex de sopa foram distribuídos em diversos lares de Resende Costa. Além dos voluntários que doam tempo e trabalho, sempre às segundas-feiras, para o preparo e a entrega, em mãos, da sopa, o projeto já conta com a adesão de moradores e comerciantes da cidade que ofertam alimentos e outros objetos, como roupas e utensílios domésticos. “A gente vive totalmente de doação. Tudo que recebemos de doação a gente converte em doação”, diz Guilherme. O projeto “Sopa Solidária Beija-Flor de Luz” nasceu da inspiração cristã. Trata-se daqueles lampejos de ideias para as quais dificilmente encontramos explicação essencialmente lógica. O que faz um grupo de pessoas voluntariamente deixar seus afazeres na tarde de segunda-feira, a fim de se dedicarem ao preparo de alimentos e distribuí-los a outras pessoas que, em sua maior parte, pouco têm para comer e alimentar seus filhos? Encontramos a resposta no espírito cristão de partilha e de amor ao próximo. Os integrantes da “Sopa Solidária” dão exemplo de espiritualidade e ação cristã. Na oração do Pai Nosso, rezada pelos trabalhadores do projeto após o preparo da sopa, Jesus resumiu o que se deve pedir ao Pai, que já sabe do que necessitamos. O pão deve estar na mesa de todos, ser partilhado e tornar-se pão da vida. “Aqui nesta casa fraterna encontramos a simplicidade do bom cristão, a sabedoria daquele que sabe doar. Doar o tempo, doar amor, servir sem esperar nada em troca. Servir pensando em servir mais. Olhar a criança não como um enfeite. Olhar o jovem não como quem nada sabe do que representa a vida. Olhar o velho não vendo nele apenas o restolho que deverá ser jogado fora, escrevendo em sua face a palavra ‘Fim’. O trabalho da sopa é a convivência direta com Jesus. É a caridade pura. Nele você consegue se colocar nas condições dos outros, consegue, por alguns minutos que sejam, sentir a pureza da vida. É a sensação de sermos muitos dentro de um”, resume Guilherme. Em tempos de pandemia, o projeto “Sopa Solidária” ensina que devemos olhar além dos nossos horizontes para irmos ao encontro dos que sofrem, dos que perderam o sentido da vida e a força para alcançar a felicidade. O projeto nos mostra como é simples e prazeroso fazer o bem. Na modesta casa da rua Pau Brasil, nº 526, onde um beija-flor construiu seu ninho simples de galhos secos e retorcidos, existe acolhida, alegria de viver e pão na mesa. Lá se constrói a esperança de que um dia as pessoas compreendam que habitamos a mesma casa-mãe e temos, todos, sem exceção, o direito ao mesmo pão. O projeto nos convida a sermos felizes na partilha do pão e na comunhão de vida.

De um ponto de vista

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Uma foto tirada na noite do sábado, 1º de maio de 2021, na rua Gonçalves Pinto, centro de Resende Costa, viralizou nas redes sociais e causou revolta em quem está se protegendo e levando a sério os perigos da Covid-19. A fotografia, feita através de um celular, revela dezenas de pessoas, sem máscaras, aglomeradas na principal rua do centro da cidade: a tradicional e popular “Avenida”. Na última semana de abril, considerado o mês mais letal da pandemia no Brasil, Resende Costa registrou um aumento preocupante no número de casos. No dia 1º de maio, de acordo com o Informe Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, o município de pouco mais de 11 mil habitantes totalizava 282 casos confirmados de infecções pelo novo coronavírus e 5 óbitos causados por complicações da Covid-19. Famílias enlutadas, resende-costenses internados, alguns

intubados em hospitais e o vírus circulando sem controle. Nada disso, contudo, é capaz de sensibilizar aqueles que insistem em promover aglomerações e ignorar os riscos de uma doença letal, traiçoeira e que não escolhe suas vítimas. A cena registrada em Resende Costa na noite do dia 1º de maio

do pandêmico ano de 2021 denota total falta de sensibilidade, de respeito e de empatia com o próximo, com os profissionais da saúde, com as autoridades municipais e, especialmente, com as milhares de pessoas do mundo inteiro que estão sofrendo com os efeitos terríveis da pandemia.


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JORNAL DAS LAJES

CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

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INFORME PUBLICITÁRIO

Indicações apresentadas pelos vereadores durante reuniões ordinárias do mês de abril • Instalação de uma unidade da “Academia da Saúde” na Rua Juiz de Paz Saturnino Chaves, em frente ao número 85, em imóvel do município. A academia, além de incentivar a prática de exercícios cooperando para o bem-estar físico, irá contribuir para a organização e urbanização dos bens próprios do município. (Vereador Cleiton). • Implementação do programa “Adolescente Trabalhador” ou similar na Prefeitura Municipal de Resende Costa, como forma de dar oportunidade de inserção

no mercado de trabalho aos jovens do município. (Vereador Fernando Chaves). • Realização de projeto para catalogar, inventariar e revitalizar os Cruzeiros tradicionais localizados dentro do município. (Vereador Fernando Chaves). • Instalação de equipamentos de academia ao ar livre (Academia da Saúde) no entorno das lajes de baixo. O vereador indica ainda a instalação de luminária no local para melhorar a iluminação na academia. (Vereador Fernando Chaves).

• Calçamento de aproximadamente 50 metros no perímetro da Rua Expedicionário Vicente Machado, em frente à árvore de óleo que dá acesso à Rua Francisca Félix Vieira, principal via de acesso para o Povoado do Barracão. (Vereador Cláudio).

Vieira Lara, esquina com a Rua Lindolfo Caetano da Silva, bairro Nossa Senhora da Penha. A árvore encontra-se entrelaçada por fios de energia elétrica, o que proporciona perigo para os moradores do entorno, bem como para os transeuntes e motoristas que utilizam o logradouro. (Vereador Cláudio).

Requerimentos do mês de abril

• Encaminhamento de ofício à COPASA, tendo como tema principal os serviços de esgotamento sanitários na área urbana do Município de Resende Costa-MG, mais especificamente no que se refere à limpeza das fossas

• Encaminhamento de ofício à CEMIG, com o objetivo de promover estudo e vistoria da situação de uma árvore situada à Rua José

sépticas em imóveis onde não se encontra instalada, em seus respectivos logradouros, a rede de captação de esgoto da supracitada empresa. (Vereador Lucas). • Solicitação de contratação de empresa especializada na prestação de serviços de Assessoria de Comunicação para o ano de 2021 no Legislativo Municipal, com a finalidade de melhor adequação da Câmara à Lei de Acesso à Informação e de maior transparência e publicidade dos trabalhos legislativos. (Vereador Fernando Chaves).

Aprovado projeto de lei que denomina “Rua Radialista Tião Lima”

TIÃO LIMA Sebastião de Souza Lima, falecido no dia 14 de agosto de 2019, aos 77 anos,

apresentava o programa Bons Tempos, na Rádio Inconfidentes FM, de Resende Costa, que se tornou um dos líderes de audiência da emissora desde a sua fundação, em junho de 2003. A popularidade de Tião Lima o fez conquistar uma legião de amigos e foi na Rádio Inconfidentes que descobriu uma das suas grandes paixões na vida, como ele costumava dizer. Comunicador nato e radialista talentoso, Tião criou um jeito próprio de conduzir o programa, dedicado a resgatar os inesquecíveis clássicos da era de ouro do rádio. Com o seu carisma inigualável, sensibilidade e conhecimento de vasto repertório musical, o radialista conseguiu fazer

de um programa “retrô” um dos líderes de audiência no horário nobre da Rádio Inconfidentes. Tião Lima participou da criação da Rádio Inconfidentes e a ela se dedicou intensamente durante 16 anos. Sua presença na emissora não se limitava aos estúdios. Devido aos seus conhecimentos, experiência como radialista e enorme prestígio junto aos diretores, colaboradores e ouvintes, sua voz era ouvida tanto nos microfones como nos bastidores e em decisões importantes da emissora comunitária resende-costense. (Texto adaptado de André Eustáquio, publicado no Jornal das Lajes).

Foto: arquivo Rádio Inconfidentes

Em reunião ordinária do Legislativo Municipal, ocorrida no último dia 22 de abril, foi aprovado o Projeto de Lei nº 38/2021, de autoria do vereador Luís Fernando da Silva, o Guerra (PT), que “Dá nome à Rua Radialista Tião Lima e dá outras providências”. O projeto foi aprovado por unanimidade e resultou na Lei Municipal nº 4.752/2021. A Rua Radialista Tião Lima encontra-se no Bairro Pôr do Sol, com início na esquina com a Rua José Adenor de Resende e término na esquina com a Praça Geraldo Magela de Assis.

O saudoso radialista Tião Lima


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

INFORME PUBLICITÁRIO

Mais de 20% da população de Resende Costa já está vacinada contra a Covid-19 Resende Costa deu mais um passo importante no combate à covid-19: 20% da população já está vacinada contra a doença. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, até o dia 07 de maio, 2.474 pessoas já haviam recebido a primeira dose da vacina contra a covid-19 na cidade, sendo que 1.304 pessoas já completaram a imunização, com o recebimento da segunda dose. A pasta segue todas as instruções do Plano Nacional de Imunização. Até o momento já foram vacinados os profis-

sionais de saúde em atividade, pessoas acima de 60 anos, idosos institucionalizados, pessoas com deficiência em residências inclusivas, quilombolas e profissionais das forças de segurança. Estamos mais uma vez, à frente da média de vacinação nacional. Até nesta sexta-feira, 7 de maio, o país havia vacinado 15% da população. Todo o trabalho só é possível pelo desempenho de toda a equipe de saúde que não mede esforços em atender a toda população. As vacinas chegam para o munícipio através de um repasse feito pela

Gerência Regional de Saúde GRS - com sede em São João del-Rei. Assim que liberadas, profissionais buscam as vacinas e preparam toda a logística para aplicar os imunizantes da forma mais ágil possível. Apesar de todo o esforço da pasta de saúde e dos bons resultados da vacina, é preciso reforçar que estamos vivendo uma das fases mais complicadas da pandemia no país. Por isso, use máscaras, evite aglomerações, higienize as mãos com frequência, mantenha o distanciamento social e só saia de casa quando neces-

Resende Costa investe em melhorias na zona rural Com recursos próprios, a Prefeitura segue investindo na infraestrutura da zona rural de nosso município. Através da Secretaria de Obras, o povoado do Tabuado passou por me-

lhorias, como o calçamento de ruas da comunidade e também uma parte da rua de acesso ao local. Melhorias também foram realizadas na comunidade do

Curralinho dos Paulas. Foram investidos recursos próprios para o calçamento com bloquetes em ruas do povoado, dando maior conforto e qualidade de vida aos moradores do local.

sário. Mesmo após a vacina é importante manter os cuidados como o uso de máscara, a

higienização das mãos e o distanciamento social, evitando aglomerações.

Com o apoio de grupo de empresários de Resende Costa, Secretaria de Assistência Social distribui cestas básicas na zona rural A Secretaria Municipal de Assistência Social, através do CRAS (Centro de Referência da Assistência Social), tem realizado ações que buscam amenizar os impactos socioeconômicos consequentes da pandemia causada pela Covid-19. Dentre estas ações estão as visitas sociais às comunidades rurais de Resende Costa, sendo realizado o atendimento às famílias em situação de vulnerabilidade e que, no momento, necessitam da concessão da cesta básica. Foram atendidas famílias no Cajuru, Jacarandira, Ribeirão, Tabuado, Curralinho dos Paulas e Curralinho dos Maias, totalizando 99 cestas básicas, cedidas por comerciantes de nosso município. Também com o apoio deste grupo de

empresários, outras cestas básicas também foram entregues na zona urbana. Edirlene do Nascimento, Secretária de Assistência Social, comentou sobre a importância da ação e do apoio do comércio local na doação dos mantimentos: “Estamos trabalhando para que todo o município seja atendido por ações socioeconômicas, buscando sanar necessidades emergenciais de famílias vulneráveis de Resende Costa. Juntamente com o poder público, a parceria com os empresários locais é essencial para que coloquemos em prática programas e campanhas para amenizar os impactos causados pela pandemia e nos apoiar em nossas estratégias para a redução da vulnerabilidade social da população.”


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JORNAL DAS LAJES

Especial

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Matar a fome, partilhando amor e solidariedade

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Um pequeno imóvel, de propriedade da Prefeitura Municipal, localizado na Rua Pau Brasil, 526, no bairro Tijuco, em Resende Costa, tornou-se, desde agosto de 2020, sede de um projeto social que vem atraindo voluntários e, o mais importante, matando a fome de muita gente que não tem o que comer. Mas além de matar a fome física, o projeto “Sopa Solidária Beija-Flor de Luz” também procura saciar o desejo das pessoas por uma palavra amiga de esperança e solidariedade. Foi numa manhã, precisamente às 9h, que Guilherme Novais chegou à casa da Cláudia Magalhães e a convidou para desenvolverem juntos um projeto nobre e ao mesmo tempo desafiador. “Eu fui lá na casa da Cláudia levar umas peças de roupa para o bazar da Casa Espírita (Jesus Caminho e Luz), que ajuda, com a renda, a manter o espaço e ainda amplia o acesso de pessoas que não têm condições de comprar roupas a conseguirem adquirir peças por 2 ou 3 reais”, conta Guilherme. Desse encontro nasceu rapidamente o projeto “Sopa Solidária”. “O Guilherme foi lá em casa, me convidou e eu topei. Foi tudo muito rápido. Às 9h ele chegou lá em casa, às 13h o espaço estava pronto e quinze dias depois a primeira sopa foi servida”, revelou Cláudia. Na primeira semana, foram servidos 96 marmitex de sopa; na segunda, a mesma quantidade; na terceira; o número saltou para 175. No dia 3 de maio de 2021, quando o JL visitou a sede da “Sopa Solidária”, foram servidos aproximadamente 800 marmitex de sopa, além da sobremesa para as crianças: salada de frutas e gelatina. A sopa é feita e servida sempre às segundas-feiras. Os voluntários, cerca de 20 pessoas, começam os preparativos a partir das 13h e 30min. Na cozinha, ampliada para dar conta da demanda, reúnem-se cozinheiras, pessoas picando legumes e preparando as embalagens para tudo correr conforme o cronograma. A equipe de entrega começa o trabalho, que abrange oito setores da cidade, no fim da tarde. “95% da sopa é en-

tregue de casa em casa, em toda a cidade. Não há distinção. Há oito rotas de entrega. Há três semanas estamos levando também ao povoado dos Pintos e ainda há uma quantidade reservada para o presídio da cidade”, explica Guilherme. “A segunda-feira é um dia da semana que a gente tira para se doar. É a hora que a gente tem certeza de que todo mundo é igual”, completa o idealizador do projeto. Guilherme Novais e sua esposa Ana, a Ana do Galo, realizam, há dez anos, a mesma ação em Belo Horizonte. Na capital mineira, eles oferecem sopa a moradores de rua. “Infelizmente tivemos que interromper em BH devido à pandemia”, lamenta Ana. Repetir, portanto, o projeto em Resende Costa era um sonho que Guilherme vinha acalentando. “Há mais de dez anos que sonho em realizar esse trabalho aqui, reunindo todo mundo. E a Cláudia topou”. “É claro que topei, prontamente! Esta casa estava abandonada, a prefeitura nos cedeu o espaço e tratamos de equipá-lo e melhorá-lo”, diz Cláudia Magalhães. UM NINHO NO TELHADO Quando Guilherme convidou a Cláudia para realizarem juntos o projeto, não havia sequer onde reunir as pessoas para fazerem a sopa. Mas Cláudia pensou rápido. Ela sabia da existência da casa no Tijuco e pôs mãos à obra. “Nós tínhamos na Casa Espírita dois caldeirões e um fogão. Iniciamos com eles e depois realizamos uma campanha para adquirir um fogão novo e uma geladeira”. O projeto foi batizado de “Geladeira Solidária”. Hoje, a cozinha está totalmente equipada com panelas, caldeirões, fogão e geladeira nova. Mas, sobretudo, com o principal: os alimentos doados pelos resende-costenses que abraçaram o projeto. “Tudo aqui é doado e nada é desperdiçado”, diz Cláudia. Guilherme completa: “Dividir as coisas, partilhar. Isso nos move. Tudo aqui é 100% doação, ou seja, a gente vive de doação. E tudo que recebemos de doação a gente converte em doação. Estamos o tempo todo partilhando.” O leitor deve estar curioso para saber o que tem a ver um ninho no telhado com a sopa. Cláudia explica: “Quando nós chegamos aqui pela primeira vez,

um beija-flor nos recebeu e nos acompanhou o tempo inteiro.” E não é que o beija-flor fez seu ninho justamente no telhado que cobre a varanda da cozinha? E ele está lá até hoje, em seu ninho feito com ramos secos e retorcidos, testemunhando e alegrando os voluntários que oferecem esperança, alimento e alegria a quem, muitas vezes, perdeu a vontade de viver por nada possuir. “O nosso objetivo principal é matar a fome. Você não tem noção do que é ver pessoas nos esperando para receberem a sopa. Sim, as pessoas nos esperam. E muitas realmente não têm o que comer”, diz Cláudia. “É muito gratificante tudo isso. Não tenho palavras para traduzir.” REMÉDIO PARA O CORPO E PARA A ALMA Por volta das 16h, a sopa já estava pronta nos caldeirões e algumas crianças do bairro Tijuco começavam a chegar à casa da “Sopa Solidária Beija-Flor de Luz”. Antes, porém, de as sopas começarem a ser embaladas, surgiu um silêncio na cozinha. Iniciava-se ali um momento importante do trabalho: o encontro para a oração. De mãos dadas, as cozinheiras e o pessoal da entrega rezaram o Pai Nosso e cantaram a bela e tocante Oração de São Francisco. “Que essa sopa seja também remédio, alimento físico e espiritual”, invocou o dirigente da oração. Guilherme Novais destaca a espiritualidade que motiva, norteia e ilumina os voluntários que promovem o bem e matam a fome em Resende Costa. “Jesus disse: ‘Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles’. Diante disso, tenho certeza de que esta sopa, este alimento, farão bem para a alma, não só para o corpo.” O clima de boa convivência e de alegria contagia todos que participam do projeto. “Fazer o bem ao próximo e reunir as pessoas em prol do bem-comum. É isso que desejamos. Esse é o momento de convivência e de alegria, de oferecer amor puro”, reflete Guilherme. Da sua propriedade, o Sítio do Retiro Velho, vem a água limpa e pura para o cozimento da sopa. “A sopa é feita da água pura tirada na mina, sempre aos domingos”, revela. Guilherme, todas as segundas-feiras, realiza

Fotos: André Eustáquio

Projeto “Sopa Solidária Beija-Flor de Luz” realiza trabalho social em Resende Costa, congrega voluntários e oferece alimento a quem nada possui

Cláudia Magalhães e Guilherme Novais coordenam a Sopa Solidária Beija-Flor de Luz

Cozinheiras voluntárias do projeto trabalham no preparo e na embalagem da sopa

uma maratona aos supermercados para recolher os ingredientes doados. Ele faz um pedido: “As pessoas que desejam doar, fazer sua oferta de algum alimento, podem nos procurar, a mim ou a Cláudia. A gente vai direcionar as doações.” Além das segundas-feiras, ininterruptas desde o dia 22 de agosto de 2020, o “Sopa Solidária” costuma realizar algumas ações em dias especiais, como ocorreu no último Natal e na Páscoa deste ano. “No Natal a gente organizou uma ceia. Escolhemos famílias, 40, ao todo, que realmente não teriam nada para comer na noite de Natal. Foi uma festa justamente no dia 24 de dezembro”, conta Cláudia. Na Páscoa, o grupo preparou um delicio-

so almoço com direito a peixe. Levar alimento a quem não tem. Eis o espírito cristão que move os integrantes do projeto “Sopa Solidária”. Mas a ação não termina na entrega da sopa. “Muitas pessoas esperam de nós também palavras de incentivo, de esperança para viver. Oferecemos a nossa amizade e sempre uma palavra de esperança. Afinal, o que nos move é o espírito de caridade. Desejamos vivenciar e partilhar o amor. Somos todos irmãos usufruindo daquele alimento que traz como símbolo a imagem viva de Jesus, dizendo que agradecerá sempre àquele que fizer algo por alguém, lembrando que é a Ele que estamos fazendo. Emoção, ternura, encanto, enfim...”, conclui Guilherme.


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De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Terceirização de serviços e obras públicas em Resende Costa A terceirização de serviços foi uma estratégia utilizada pela indústria bélica norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial, a fim de se dedicar, exclusivamente, à produção de armas e munições. Cuidar da limpeza, restaurantes e da manutenção de prédios, por exemplo, consideradas atividades secundárias, deixaram de ser realizadas por empregados próprios. Esses serviços passaram a ser feitos por empresas especializadas, contratadas para esses fins. Vejamos um exemplo muito próximo da nossa realidade. Uma agência bancária tem seus funcionários para tratarem especificamente dos serviços de atendimento aos clientes, de tesouraria, caixa. Por outro lado, as responsabilidades pela segurança interna das agências, transporte de valores, manutenção de máquinas, caixas eletrônicos e da faxina são transferidas para empresas

especializadas. Assim, a contratante cuida, especificamente, do seu negócio principal. Na década de 1980, a terceirização de serviços se intensificou e passou a ser empregada, com destaque, pela indústria automobilística. Foi quando surgiram pequenas empresas próximas às grandes montadoras de automóveis para lhes fornecerem, em tempo hábil, com qualidade e bom preço, as peças necessárias para a montagem final do veículo. Certo é que uma fábrica de automóveis não fabrica, não produz peças automobilísticas: somente reúne aquilo que encomendou a seus parceiros para comporem o veículo que vai ser colocado à venda nas concessionárias. Posteriormente, na década de 1990, a prática de terceirizar serviços chegou, e de forma intensa, ao serviço público, seja ele federal, estadual ou municipal. Uma escola pública, por

exemplo, que antes tinha todos os trabalhadores como efetivos, começou a terceirizar aqueles serviços que não tinham ligação direta com a tarefa de ensinar. Faxineiras, cantineiras, porteiros e seguranças passaram a figurar na lista daqueles que poderiam ser contratados de empresas parceiras, sendo exigido desses empregados o empenho e o comprometimento com a razão de ser do educandário. Atualmente, presenciamos um típico sistema de terceirização de serviços, os quais estão à mostra nas ruas de Resende Costa. Recentemente, os trabalhos de ampliação da rede de esgoto na cidade, paralisados há muito tempo, foram retomados. Incumbem-se da tarefa trabalhadores de empresa contratada para esse fim. Eles não são do quadro de efetivos da Prefeitura Municipal, muito menos da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa),

que identificamos através dos uniformes e veículos que usam para fazer instalação e reparos nas redes de água e esgoto, leitura de hidrômetros e atendimento ao público, tendo sua sede localizada na Praça Mendes de Resende. Dedicam-se, pois, e fundamentalmente, às tarefas principais da companhia de saneamento, que é de atendimento ao público. Não por culpa dos trabalhadores das empresas terceirizadas, mas, talvez por questões relacionadas ao gerenciamento das obras, muitas pessoas andam contrariadas. Feitas parceladamente, a sua descontinuidade tem deixado ruas esburacadas e extremamente empoeiradas. Diariamente, muitas mulheres são vistas jogando água sobre a terra solta, com o intuito de evitar que o movimento de carros ou o vento lancem para o interior de casas e de lojas o

indesejado pó. São roupas do corpo, de cama, mesa e banho, automóveis, livros, eletrodomésticos, gêneros alimentícios e os próprios imóveis que estão numa imundície. Além disso, e agravado pelo clima seco do outono, há o desconforto aos que sofrem com as crises alérgicas, com os males do sistema respiratório provocados pela poeira. O que se ouve continuamente nas ruas é: Meu Deus, até quando isso vai durar? Eles, os trabalhadores, vêm, fazem uma parte do serviço e depois somem. Muito tempo depois retornam, fazem mais alguma coisa e desaparecem de novo. Por que não fazem tudo de uma vez? Certo que isso não é culpa de quem está na linha de frente do canteiro de obras, contudo na gerência geral desses serviços. Como se vê, nem tudo são flores quando nos referimos à terceirização de serviços.

HOMENAGEM ESPECIAL

STELA VALE LARA

Resende Costa foi marcada pela tristeza e sentiu-se empobrecida culturalmente ao perder seu filho Dr. Alair Coêlho de Resende, no dia 26 de abril. Com orgulho ele falava de sua cidade e, sempre que possível, aqui estava revivendo suas saudades. Em sua adolescência, era comum vê-lo percorrendo as ruas da antiga Resende Costa, ora com um livro, ora com papéis de teatro debaixo do braço, lembra Paulo, meu marido. Orgulhava-se de ter aprendido ofício de sapateiro com seu tio Alberico Reis, casado com Aracy, irmã de sua mãe, Abigail, muito se orgulhando, também, de ter exercido essa profissão. Participou ativamente, na qualidade de ator e diretor, do Grupo Teatral Agenor Gomes, na era de ouro do Teatro Municipal de Resende Costa (1947-1958); do Grupo Teatral Amadores Unidos do Rio Piracicaba/MG (1955-1961) e de outros grupos. Escreveu as obras teatrais: A Vingança do Judeu (em parceria com José Ramos de Melo – 1951) e A Felicidade está presente (1953). Também os livros: Casos e Causos do Vovô Totonho da Chapada (Provisão – 2010 – Palmas – TO); O Embuçado – Agente da Conjuração Mineira (AMIRCO – 2013 – Resende Costa – MG); Resende Costa – A Flor das Vertentes – Alair Coêlho de Resende e Stela Vale Lara – Academia de Letras de São João

del-Rei (ALSJDR – 2019 – São João del-Rei). Era membro da Academia de Letras de São João del-Rei (ALSJDR). Graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e em Teologia pela Faculdade de Teologia de Goiás. Em sua vasta vida profissional, foi, ainda, rodoviário, bancário, revisor de jornal, professor, agente de Estatística, agente e assistente técnico administrativo do IBGE, consultor jurídico da Revista Imposto Fiscal (SP), assistente da Associação dos Municípios da Microrregião das Vertentes (AMVER) e advogado em vários municípios. Foi agraciado com as Comendas da Liberdade e Cidadania, em 2012, pelo Governo de Minas Gerais, e Dr. José Fagundes de Oliveira, pela OAB – 37ª Subseção/MG em 2018. Onde nasceu? Em Resende Costa, bem em nosso coração. Sempre ouvi falar de Dr. Alair Coêlho de Resende, pois nossas mães eram amigas. Só que fui conhecê-lo, há alguns anos, por intermédio de minha grande amiga Sônia Reis e através do Facebook, onde nos comunicávamos. Estava escrito que nasceria daí uma amizade com laços de afinidade muito fortes. Ambos tínhamos gosto pela escrita. A quatro mãos escrevemos Resende Costa – A Flor das Vertentes – abril 2019. Durante a escrita desse livro, em que Alair escreve, ou melhor, conta casos acontecidos em Resende Costa, e eu escrevo sobre flores (era uma exigência dele ser chamado de contador de casos), paulatinamente, nossa amizade foi

se consolidando. Descobrimos uma aproximação entre nossos estilos, o que muito nos agradava. Gratidão é o sentimento que trago comigo por tudo que ele me ensinou e representou para mim. Em 2020, nos seus oitenta e nove anos, em plena lucidez, dava gosto conviver com mano Alair. Na sua inquietude de escrever, encantado com a vida, com os filhos, sobrinhos meus por afinidade, netos, queria escrever mais e mais. Terminamos a escrita de nosso segundo livro no início de 2020 para nosso verdadeiro encantamento. Que capacidade criadora a dele! Quanta lucidez. Aos oitenta e nove anos, escrevia e criava personagens incríveis com linguagem típica delas que até eu, como escritora, por elas me apaixonei. Dessa vez escrevemos um romance e ele me confessou por várias vezes, demonstrando estar muito feliz, ser aquela sua melhor obra. Fazia questão de dizer: “Mana, eu e você fizemos um casamento literário perfeito!” E completava: “Sem divórcio!” Sempre muito responsável, quando viu que nosso livro já estava pronto para ir para a revisão e a diagramação, me disse que iria para Palmas com seu filho Eugênio. Mantivemos contato e falávamos sempre ao telefone. Como eu gostava de ver meu mano Alair, em Palmas, usando WhatsApp, mandando fotos com as netas para eu ver! Estava inserido no mundo da tecnologia. Só que ele não se livrou completamente da pandemia. Foi acometido pela Covid. Seu filho Eugênio cercou-o de cuidados,

Foto: Arquivo Pessoal

Mano Alair

Alair Coêlho e Stela Vale escrevem juntos Resende Costa - A flor das Vertentes

equipando sua casa com aparelhos necessários ao tratamento médico do pai, evitando que ele fosse hospitalizado. Sobreviveu à Covid e, feliz, restabeleceu-se. Sua visão ultimamente não estava bem. Queixava-se por não poder fazer o que mais amava: ler. Os sonhos? O encanto pela vida? Esses sempre pulsaram forte em seu peito. Recentemente, falou-me: “Mana: vamos escrever mais um livro a quatro mãos. Só mais esse. O próximo vai ser sua estreia na carreira solo.” No dia 26 de abril de 2021, Deus o chamou. Enorme foi nossa tristeza, mas sim. Agradecemos a você, Mano,

pelos seus noventa anos voltados para a cultura. Resende Costa tem sua História engrandecida por esse filho seu que tão bem soube amá-la. Quanta oportunidade Deus me deu em minha idade madura! Benditas foram as horas em que juntos produzimos nossas duas obras, pois foram oportunidades de conhecer uma pessoa ilustre, honesta, de um caráter invejável. Sempre me lembrarei de você, mano Alair, com saudades. Seu nome e sua figura ímpar ficarão imortalizados em suas obras, seu maior legado à nossa altaneira Resende Costa, terra a quem você deu tanto orgulho, ao mesmo tempo, por ela manifestando seu grande amor.


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JORNAL DAS LAJES

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Um requiem ao resende-costense Alair Coêlho de Resende (1931-2021)

ANDRÉ EUSTÁQUIO MELO DE OLIVEIRA*

No último dia 26 de abril, Resende Costa perdeu um filho dileto e apaixonado. O advogado, escritor e membro da Academia de Letras de São João del-Rei, Alair Coêlho de Resende, morreu aos 90 anos de idade, em São João del-Rei. Trabalhador incansável, intelectual de fôlego, a vida do dr. Alair Coêlho foi devotada a grandes paixões: a família, o Direito, as letras, as artes e, especialmente, a sua eterna e querida Resende Costa. Em nossas muitas conversas, ele não cansava de confidenciar-me com voz firme e carregada de um saudosismo nostálgico, típico de um trovador prestes a se declarar à sua amada: “Ter de me afastar de Resende Costa foi para mim, em toda a minha vida, uma verdadeira sentença de condenação”. A morte do Alair deixa uma daquelas lacunas difíceis de serem preenchidas. Sua personalidade marcante, de inteligência rara e sedutora, fez dele uma pessoa inigualável, daquelas das quais sempre desejamos estar próximos. Alair foi orador oficial da Academia de Letras de São João del-Rei (ALSJDR). Na tribuna da AL, ele raramente precisava se ater a um discurso escrito. A palavra soava fácil da sua boca, seus pulmões expeliam o impulso vital, o elã que conferia brilho, garra e vibração a uma oratória rara e convincente. Apaixonado pela casa de Milton Viegas, defensor incondicional da cultura mineira e são-joanense, cidade que ele adotou para si até os últimos dias de sua vida, Alair era quem dava, quase sempre, as boas-vindas aos novos acadêmicos da ALSJDR. A presidente da Academia de Letras de São João del-Rei,

Zélia Maria Leão Terrel, a quem o Alair carinhosamente chamava de “minha presidente”, lamentou a morte do amigo e confrade: “Sendo meu orador oficial na AL, com uma voz grave e bonita, dr. Alair acentuava sua personalidade, postura e integridade sem deixar de lado sua humildade. Era o primeiro a chegar e o último a sair em nossas assembleias, porque sentia que seus pares lhes eram primordiais. Perdemos nosso amigo querido, nosso colaborador de todas as horas, nosso exemplo de ser humano e o maior fã da nossa Arcádia.” Alair contraiu a Covid-19 no transcorrer de 2020. Recuperou-se, porém a doença lhe deixou sequelas. Aos 90 anos, completados em fevereiro último, sua saúde encontrava-se fragilizada. Todavia, mesmo antes do seu coração marcar os últimos compassos que regeram uma vida intensa e vibrante, Alair manteve-se atuante e fazendo planos. Ao lado de sua “mana” Stela Vale, ele iria lançar mais um livro. Não deu tempo. Deus o chamou para mais perto de Si e a eternidade plena lhe foi oferecida serenamente, sem dor, sem sofrimento. “Sua passagem para o outro plano foi tranquila e sem alarme, o que nos faz pensar que Deus o chamou bem em silêncio, para não despertar nossas dores”, disse Zélia Terrell. UM RESENDECOSTENSE APAIXONADO Ouvir o Alair falar de Resende Costa e declarar-se eternamente apaixonado por ela nos fazia encantar ainda mais pela nossa cidade. Sua memória, lúcida e prodigiosa até o fim, desvelava uma Resende Costa que imaginávamos ter surgido de páginas ilustradas de um lindo

romance bucólico e pastoral. O teatro, as ruas, as festas religiosas, as lajes, o Buraco do Inferno, o vôlei com as amigas, o oficio de sapateiro, os amigos que partiram... Imagens que povoaram, durante 90 anos, as lembranças do Alair e o fizeram suportar a terrível “condenação” de tão cedo ter sido condicionado a deixar sua amada cidade a fim de trabalhar e constituir uma bela família. A vida, no entanto, não foi tão severa com o resende-costense obrigado a se tornar ausente. Ela tratou de corrigir a grave sentença condenatória e o reaproximou de sua terra nos últimos anos. Aqui ele lançou seus mais recentes livros, apoiou e incentivou a amiRCo (Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa) e o Jornal das Lajes, do qual era leitor voraz e entusiasta. Sua paixão pela terra natal levou-o a querer e lutar sempre por ter a presença de mais resende-costenses nas cadeiras da Academia de Letras de São João del-Rei. Ele assumia, com o humor que lhe era peculiar e sorriso sincero, que se orgulhava de pertencer à “bancada de Resende Costa na Academia”. Assim como uma mãe sofre pela morte do seu primogênito, Resende Costa hoje chora a perda do Alair, ao mesmo tempo em que o agradece pelo orgulho que ele sentia de aqui ter nascido, vivido e voltado – ainda que a distância física o tenha imposto alguns obstáculos, os quais ele tratou de superar através da memória, das lembranças e de um coração palpitante, confessadamente apaixonado. A professora e colunista do JL, Regina Coelho, revela alguns marcantes episódios que vivenciou ao lado do seu primo, os quais confirmam uma personalidade íntegra,

Foto: Arquivo pessoal

HOMENAGEM ESPECIAL

Alair Coêlho ao lado da presidente da Academia de Letras de São João del-Rei, Zélia Maria Leão Terrell

voltada a querer sempre o bem e ajudar aqueles a quem ele tanto estimava. “Ao me formar em Direito (1987), recebi do Alair, advogado atuante em São João del-Rei e região, um honroso convite: o de trabalhar com ele, o que segundo o próprio, lhe daria um enorme prazer. Eu apenas sorri. Por reiteradas vezes esse aceno veio à tona. Dizia o primo falar sério e aguardar o momento de eu lhe dizer um sim. Sob sua orientação ética, segura e competente, eu teria seguido esse caminho não fosse um outro já sendo trilhado com a certeza de nele querer prosseguir: o da Educação. Ainda assim, estivemos juntos em muitos momentos. Era um danado o Alair – homem de prosa culta, voz firme e presença imponente onde quer que estivesse. Em fevereiro último, quando completou 90 anos, como resposta a uma mensagem de áudio enviada a ele parabenizando-o pelo dia, agradeceu-me com a elegância de sempre: ‘Querida

prima Regina, a sua lembrança, os seus cumprimentos tornam o meu aniversário mais rico e minha vida mais digna de ser vivida. Muito obrigado mesmo!’ Mais uma vez, Alair, bondade sua me tratar com tanta consideração. Ouso contestá-lo. Foram todos seus os méritos de uma vida digna levada a efeito em sua plenitude. Eu é que lhe digo: Muito obrigada mesmo!” A existência do Alair entre nós chegou ao fim. Permanecerão a saudade incessante, a admiração que não finda, os ensinamentos que não perecerão, a retidão de uma vida íntegra, paradigma de exemplos a serem seguidos e multiplicados eternamente. Requiescat in pace, resende-costense dr. Alair Coêlho de Resende! *Editor-chefe do Jornal das Lajes, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.


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Saúde

Em meio ao aumento de casos de Covid-19, aglomerações em locais públicos são registradas em Resende Costa Poder público fechou praças e avenidas, nos finais de semana, para tentar conter comportamento deplorável de parte da população Foto: Redes sociais

VANUZA RESENDE

O Brasil enfrenta uma segunda onda de infecções pela Covid-19, com os piores dados registrados na pandemia desde o seu início. O último mês de março já havia sido considerado o pior mês da pandemia e foi ultrapassado pelo mês de abril, com recordes de mortes registrados no país. Situação que se espalhou de Norte a Sul e se agravou pela falta de leitos de UTI. A situação levou o estado de Minas Gerais a criar uma fase ainda mais restritiva: a Onda Roxa do Programa Minas Consciente. A macrorregião Centro-Sul, da qual Resende Costa faz parte, ficou cerca de 50 dias na Onda Roxa, seguindo medidas mais rígidas. No entanto, no dia 24 de abril, foi concedida a permissão para o avanço à Onda Vermelha. O prefeito municipal Zinho Gouvea, em entrevista à Rádio Inconfidentes no dia 05 de maio, falou sobre a decisão do estado. “Quando nós aderimos à Onda Roxa, estávamos em uma situação confortável, com poucos casos na cidade, mas fomos obrigados a seguir as regras do estado (Programa Minas Consciente). No entanto, quando fomos autorizados a avançar novamente para a Onda Vermelha, o município estava em uma situação ainda mais complicada, talvez o momento mais difícil enfrentado pela cidade. Acreditamos que, durante o período que passamos na Onda Roxa, a população tinha entendido a gravidade da doença, mas não. E nos dois finais de semana seguintes, mesmo com toda a fiscalização, não foi possível controlar aglomerações.” O prefeito pediu a colaboração da população para uma retomada segura e eficiente da economia. “Essa Onda Vermelha é uma forma de dar uma aliviada na economia da cidade, que eu sei que está prejudicada. Mas, com a realização de aglomerações, isso prejudica toda a cidade”. O vice-prefeito Lucas Paulo também

Rua Gonçalves Pinto, centro de Resende Costa, fechada com gradil em noite de sábado

comentou sobre a classificação do município para a Onda Roxa. “Fomos direto da Onda Amarela para a Roxa. Até nos assustamos com a decisão, que foi para todo o estado. Porém, mesmo com a Onda Roxa, com tudo fechado, com toque de recolher, os casos foram aumentando significativamente. Um dia antes da Onda Roxa, estávamos com 198 casos confirmados e 197 casos já haviam sido concluídos, ou seja, só um caso ativo. Quando saímos da Onda Roxa, com o comércio fechado, Resende Costa passou a ter 250 casos confirmados, com 213 casos concluídos e ainda um óbito registrado. E, mesmo assim, fomos autorizados a ir para a Onda Vermelha, no momento em que precisávamos estar na Roxa. Nós ficamos perdidos com esses protocolos estaduais.” Lucas chamou atenção para o fato de que o estado autoriza apenas mais restrições para o município. Ou seja, caso optasse, o município poderia ficar na Onda Roxa, mesmo com autorização de acesso à Onda Vermelha. No entanto, de acordo com o vice-prefeito, isso será um prejuízo para os comerciantes, que não podem carregar nos ombros a responsabilidade do aumento de casos. “A gente volta para a Onda Roxa por conta própria, mas estaríamos sacrificando o

comércio, que a meu ver não é o culpado por esses altos números. O comércio foi fechado, no entanto aumentam as festas em sítios, fazendas, as viagens. E isso é mais perigoso do que o comércio aberto.” AGLOMERAÇÕES EM ESPAÇOS PÚBLICOS Nos fins de semana dos dias 24 e 25 de abril e dos dias 1º e 2 de maio, foram registrados várias pontos de aglomeração na cidade. Circularam pelas redes sociais vários vídeos e imagens da Rua Gonçalves Pinto, a tradicional Avenida, com um intenso movimento, além de grande movimentação no Mirante das Lajes. O prefeito comentou sobre a situação. “Recebemos as fotos e os registros dos finais de semana. Ficamos perplexos com o comportamento da população nos finais de semana. De imediato, entramos em contato com a equipe de apoio para saber sobre a situação e fomos surpreendidos com as informações de que não foi possível atuar mediante tanta aglomeração.” O vice-prefeito classificou as aglomerações como atos irresponsáveis. “Eu conversei com o fiscal de posturas e ele me disse: ‘Orientávamos um grupo de cinco pessoas, chegava um de 10. Algumas pessoas riam da nossa cara’. Eu sei que a população está ansiosa,

mas fazer aglomerações como as que foram feitas é muita irresponsabilidade. Peço aos responsáveis que orientem os seus filhos. Se segurar um filho é difícil, imagine 200 filhos”, diz Lucas Paulo. Após os episódios registrados nos fins de semana, o poder público se reuniu com a Polícia Militar a fim de tomar algumas atitudes. “Dentre as medidas tomadas, todos os donos de bares e estabelecimentos com funcionamento para o público, independentemente do horário de funcionamento, vão precisar informar quantas mesas o estabelecimento possui e a sua capacidade de receber todas as pessoas sentadas. Em caso de descumprimento das normas, os locais serão interditados. Além do uso obrigatório de máscaras ao circular no ambiente”, esclareceu o prefeito Zinho Gouvea. Outra ação tomada pela administração municipal foi fechar locais públicos que vêm recebendo aglomerações, como as Lajes de Cima e a rua Gonçalves Pinto, com grades de contenção, os gradis. Também foi intensificado o efetivo da Polícia Militar e equipes de apoio. CONSCIENTIZAÇÃO E HÁBITOS DE HIGIENE Neste momento, ressaltar a eficácia das medidas de prevenção ao vírus ganha rele-

vância. Um estudo produzido por pesquisadores da UFRGS, UFPel, UFSCPA e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre concluiu que o uso de máscaras reduz em 87% a chance de infecção por SARS-CoV-2. O estudo também mostra que as pessoas que aderem de forma moderada a intensa ao distanciamento social têm entre 59% e 75% menos chances de contrair o vírus. Higienizar compras, tirar os calçados antes de entrar em casa, separar as roupas para lazer e para o trabalho e tantos outros hábitos desenvolvidos durante a quarentena também têm eficácia. Está cientificamente comprovado que o vírus fica na superfície de objetos e por isso é importante termos esses cuidados a mais. “A gente queria que todos usassem a máscara por conta própria, sem precisar exigir. A população precisa entender que até a vacinação ser concluída em grande parte da sociedade, vamos precisar adiar as visitas, além de compreendermos a (gravidade da) situação e fazermos a nossa parte. Porque o poder público não consegue sozinho”, comentou o prefeito de Resende Costa. Além da eficácia das medidas de higiene, o vice-prefeito Lucas Paulo destacou a importância das pessoas que são diagnosticadas com a doença cumprirem a quarentena. “Estamos com mais casos ativos do que durante todo o período de quarentena. Tem pessoas que estão em situação mais confortável em isolamento domiciliar, outras em leitos clínicos em Resende Costa e casos em leitos de UTI em São João del-Rei e Conselheiro Lafaiete. E com mais casos ativos, as chances de transmissão também são maiores. Por isso os cuidados devem ser redobrados. Outra situação é a de que temos registros de pessoas que não respeitam o período necessário de isolamento. E isso é muito preocupante, pois os casos são reflexos de atitudes da população. Nós vamos tomar atitudes em relação isso.” Até o fechamento dessa reportagem, no dia 10 de maio, Resende Costa registrava 322 casos de Covid-19, sendo que 7 pacientes evoluíram a óbito por complicações da doença e 276 pessoas já haviam se recuperado e foram liberadas para retornarem à rotina.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

O primeiro carro a gente nunca esquece Foi um fusca. Creme. Quando ele chegou, confesso que tive vergonha. Velho, mas conservado (eufemismo cretino para tentar esconder a decrepitude). Tudo naquele fóssil de lata cheirava a baú. Mas, o que fazer? Não sabia dirigir, daí comprei o fusca para aprender. O instrutor ia até minha casa e saía comigo: ele dirigindo e eu observando. Depois de dois dias assim, o instrutor disse, sempre resoluto: – Agora é a sua vez. Sentei-me no lugar dele e me senti guiando o planeta. Tudo era difícil. Inclusive contar com o carro. Sempre morria. E morria, de preferência, em vias públicas movimentadas, fazendo com que eu também morresse... de vergonha. Quem quer saber se você está aprendendo? O pessoal quer é passar. E o fusca nem aí. Não pegava e pronto. O negócio era empurrar, instrutor e eu. Mico geral. Quando o danado não morria, era qualquer outra coisa: disco de embreagem patinando, freio no fim, pneu furado, vela fraca fazendo o motor trabalhar quase desmaiando, carburador sujo... Parece que o carro tinha o compromisso de sempre avisar que ele era velho, que não aguentava mais muita coisa. Não sei quem era mais fiel: se o instrutor a mim, se eu ao fusca ou o fusca ao enguiço. E nessa complicada fidelidade, íamos os três sempre na mesma hora, nas mesmas ruas, na mesma teimosia de um ensinar, o outro aprender e o terceiro querer funcionar. Não saiu muita coisa daí. Dois marmanjos dentro de um vetusto carro do povo. Talvez pensassem, quando nos viam: “Por que será que esses dois passeiam tanto nesse monte de lata velha?”

Pior era o gasto. Gastava com as aulas e com os consertos do carro. Cada aula terminava na oficina. Teve um dia que alguma coisa explodiu dentro do motor, tipo uma bomba. O estranho é que não saiu fumaça alguma. Nesse dia, o instrutor deixou de ficar preocupado comigo e ficou preocupado com o carro. – É melhor não mexer. Eu sou instrutor, mas não sou mecânico nem desativador de bombas. Vamos lá chamar o Taturana. Taturana era o mecânico. Aliás, nunca entendi por que todo mecânico tem apelido estranho. O Taturana veio, abriu o capô, apertou uns negócios, puxou outros e soprou o motor. Não respondeu a nenhuma pergunta que fiz. Resultado: o carro pegou novamente, a aula iria continuar e eu estava devendo o pagamento ao Taturana. Arrisquei mais uma pergunta: – Por que o motor explodiu? E o Taturana respondeu, numa filosofia de parafuso: – Acontece!... O tempo passou, consegui minha carteira e já podia comprar um carro melhor. Tinha que me desfazer do fusca. Consegui vendê-lo para uma moça que queria aprender a dirigir. (A gente sempre encontra alguém mais bobo do que a gente!) Mais uma que queria aprender a dirigir... no fusca. Bem que o fusca podia ser doado a um centro pedagógico, já que se prestava tanto ao ensino. Foi-se o meu fusca. Quando a moça virou a esquina levando o fusca, senti um estranho vazio: saudade misturada com remorso. Era velho, irritante, gastador... mas me valeu muito. Porém, assim é a vida, nada fica. De repente, ouvi de longe uma explosão forte. Acontece!...

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Vacina já! Funcionária aposentada de uma joalheria, 90 anos, Margaret Keenan parecia tranquila quando a enfermeira May Parsons se aproximou com a seringa, descobriu parte do braço esquerdo da paciente e nele injetou a pioneiríssima dose do imunizante da americana Pfizer, desenvolvido em parceria com a alemã BionTech. Essa já histórica cena, registrada em 8 de dezembro de 2020 na cidade de Coventry (centro da Inglaterra) e observada com grande entusiasmo mundo afora, marca mais uma excepcional vitória da ciência, desta vez, na corrida por uma vacina contra o novo coronavírus. O Brasil largou com atraso. Somente em 17 de janeiro último foi possível ver momento parecido se replicar aqui (na capital paulista) através da enfermeira Mônica Calazans, primeira pessoa a ser vacinada em solo nacional. Sem um posicionamento oficial, responsável e alinhado às evidências científicas por parte do Governo Federal, o país viu, com inveja, o importante passo à frente dado antes de nós por mais de cinquenta nações no quesito imunização. Passados os primeiros meses da nossa arrancada, há muito o que avançar no lugar até pouco tempo reconhecido internacionalmente por seus bem-sucedidos programas de vacinação em massa, como as campanhas contra a poliomielite, por exemplo. Agora, na superação dos intermináveis dias ainda

sombrios, nós, pobres mortais que somos, e como por um instinto de sobrevivência, identificamos na vacina que nos chega a conta-gotas o passaporte para continuar vivendo. Conta muito para a comprovação dessa crença a atuação fundamental do Instituto Butantan e da Fiocruz na produção dos imunizantes de proteção contra a Covid-19. Destacado centro de pesquisa biológica localizado no bairro do Butantan (ou Butantã), na zona oeste paulistana, o Butantan (palavra cujo significado é “terra muito dura, chão muito duro”) é uma instituição centenária de renome. Nascida em 1900 como Instituto Soroterápico Federal (dirigido então pelo jovem bacteriologista Oswaldo Cruz, de apenas 28 anos), a Fundação que passou a levar o nome desse notável médico, sediada no Rio de Janeiro (capital), é igualmente referencial de excelência em saúde pública no Brasil. Dois orgulhos nacionais! Da ansiedade coletiva pela espera de uma vacina segura e eficaz à realidade pelo desenvolvimento dela em mutirão global de cientistas, onze inéditos meses foram transcorridos. É compreensível que o instante de receber a rápida agulhada contra os males provocados pelo inimigo que ainda anda à espreita por toda a parte tenha sido ou ainda seja o sonho da maioria das pessoas. É a hora D, ou melhor, a hora V dos felizes vacinados. E como todo acontecimento importante, merece registro em fotos, ví-

deos e até discursos emocionados de quem sabe que está participando de uma história única. De gente anônima ou famosa, não interessa, diante de quem aplica a substância que salva, afloram palavras que dizem tudo o que um coração aliviado e agradecido sente. Nesse sentido, o depoimento da atriz Lília Cabral é exemplar. “Hoje fui vacinada. Viva o SUS! Viva a Ciência! Viva todos que estão na linha de frente cuidando da população, se dedicando incansavelmente para vencer a batalha contra o (sic) covid. Meu agradecimento a esses profissionais e minhas orações, meu carinho, respeito e amor a todas as famílias.” Como tantos fizeram, Lília também citou o SUS, um dos maiores e melhores sistemas de saúde públicos do mundo, instituído em 1988, por ocasião da promulgação da Constituição Federal vigente, que passou a oferecer ao cidadão brasileiro acesso universal e igualitário a ações e serviços ligados a essa área. Ao enaltecer a ciência e o trabalho dos que atuam diretamente no combate à pandemia, mostrando-se grata ao grande contingente daqueles que enfrentam uma dura missão, reconheceu o que é incontestável. Para completar e fazendo referência e reverência às famílias, revelou sensibilidade ao lembrar, ainda que indiretamente, a aflição e a dor dos lares atingidos por esta verdadeira tragédia sanitária. Vacina já para todos!


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O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

Crianças de até 4 anos mortas por agressão As cenas de tortura de uma criança de 4 anos, Henry Borel, impactaram a nação. Ao menos, em sua maioria, pois há sempre um grupo de insensíveis e até praticantes. Se tortura choca, choca o dobro quando resulta em morte. Choque inominável, quando acontece com pais ou responsáveis matando filho e vice-versa. As estatísticas são apavorantes. O fenômeno é mundial. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde): um bilhão de crianças, vítimas de violência em 2015! O Brasil não está de fora. Levantamento feito pela SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) em conjunto com o SINAN (Sistema Nacional de Agravos de Notificação) do Ministério da Saúde: somente em 2019 foram 88.572 notificações: 71%, violência física (62.537); 27%, violência psicológica (23.693): 3%, tortura (2.342). Dez casos de agressão por hora! Dados apontam 2 mil mortes de crianças de até 4 anos por

agressão na década 2010-2020. Afora as subnotificações, que chegam provavelmente a 20 para cada caso denunciado. Um exemplo: em 2019, foram 188 óbitos. Provavelmente mais, por causa da subnotificação. Ainda segundo a SBP, os autores de 80% das agressões são os pais ou responsáveis, e elas acontecem dentro de casa. Sobretudo agora, com a pandemia e o consequente fechamento das escolas, quando as crianças ficam mais reféns dos agressores. Que sociedade é esta na qual vivemos! Dói, mas não há como discordar do Dr. Marco Antônio Chaves Gama, presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP: “A violência é uma doença que não vê distinção de classe, etnia, religião ou escolaridade dos pais e se perpetua nas famílias.” Há que se romper o ciclo da violência infantil. Escreve a pediatra Luci Pfeiffer, de intensa formação também na área de psi-

quiatria e psicologia: “O abuso na infância e adolescência poderá transformar aqueles agredidos nos futuros pais que maltratarão seus futuros filhos, ou seus parentes, seus pais então idosos, amigos, desconhecidos, pequenos grupos em grandes populações, todos num jogo do poder do mais forte contra o mais fraco, do dominador sobre o dominado.” E o Dr. Marco Antônio acrescenta: “Precisamos interferir, interromper esse ciclo, salvar as vidas dessas crianças e impedir que cresçam com sequelas.” Não há carência jurídica, ou seja, falta de legislação. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é considerado um dos textos mais avançados da América Latina e a lei 13.010 (apelidada de Lei da Palmada, ou lei Menino Bernardo) o aperfeiçoa. Convém transcrever o artigo 18 A, parágrafo único: Para os fins desta Lei, considera-se: I castigo físico: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada

com o uso da força física sobre a criança ou o adolescente que resulte em: a) sofrimento físico; ou - b) lesão. II - Tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma cruel de tratamento em relação à criança ou ao adolescente que: a) humilhe; ou b)ameace gravemente; ou c) ridicularize. A carência está na prática. Há progresso, porém ainda é muito pouco. É necessário denunciar mais, notificar mais, ler melhor os sinais manifestados pela vítima, treinar mais os cidadãos para essa leitura, exigir mais dos Conselhos Tutelares. Segundo os especialistas, é preciso ouvir as crianças e levar a sério o que elas dizem. Qualquer problema, ou mesmo suspeita, devem ser denunciados à polícia. Como contribuição: Dra. Luci Pfeiffer, depois de orientar como descobrir os sinais de violência física, escreve também (Violência contra crianças e adolescentes): “A criança e o ado-

lescente sempre vão demonstrar de alguma forma este sofrimento e se consideram como sinais de alerta de que existe violência psicológica quando apresentam: comportamentos extremos de apatia ou agressividade - irritabilidade ou choro frequentes sem causa aparente - sinais de ansiedade ou medo constantes - dificuldades na fala, gagueira, tiques ou manias - sinais depressivos - aumento injustificável da incidência de infecções de repetição - manifestações alérgicas de difícil controle - baixa autoestima e autoconfiança - falta de controle de urina e ou fezes em crianças maiores de quatro anos - distúrbios alimentares importantes, como inapetência persistente, obesidade, anorexia, bulimia; destrutividade e ou autodestrutividade - uso de drogas - dependência química - comportamento delinquente - tentativas de suicídio e o suicídio”. É o que penso. E você?

Meio Ambiente

ADRIANO VALÉRIO RESENDE

O descrédito do Brasil na Cúpula do Clima de 2021 Nos dias 22 e 23 de abril, foi realizada a Cúpula de Líderes sobre o Clima. O encontro, que foi virtual devido à pandemia da Covid-19, reuniu líderes dos quarenta países mais importantes, por solicitação do presidente estadunidense Joe Biden. O objetivo foi reafirmar os compromissos ambientais, especialmente sobre a questão da redução das emissões de gases causadores do aquecimento global. Bolsonaro foi o décimo nono líder a discursar no primeiro dia do evento. A realização da Cúpula do Clima de 2021, a pedido de Biden, foi uma estratégia para que os EUA resgatem seu protagonismo na discussão climática global, perdida na era Trump. Dentre outros fatos assumidos pelo ex-presidente, citamos a saída do país do Acordo de Paris, substituto do Protocolo de Kyoto. O Acordo foi assinado em dezembro de 2015, sendo reconhecido praticamente por todos os países, e estabeleceu

metas para a redução da emissão de gases estufa. Destaca-se que China, EUA, Índia, Rússia e Brasil são os maiores geradores desses gases. A Cúpula do Clima é uma espécie de reunião não oficial (não está dentro do calendário da ONU) e preparatória para a chamada COP 26. As Conferências das Partes (COP) são eventos organizados no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU. A COP 26 acontecerá na cidade de Glasgow (Escócia), em novembro deste ano, sob a presidência do Reino Unido. Ela aconteceria em novembro de 2020, mas foi adiada em um ano devido à pandemia. Na Conferência, os países que assinaram o Acordo de Paris apresentam seu desempenho no cumprimento das metas assumidas e revisam ou ratificam os próximos passos e as estratégias para efetivar as mudanças no padrão ambiental. Daí a importância das discussões prévias no âmbito de eventos

como a Cúpula do Clima. Na solenidade de abertura da Cúpula, líderes de vários países discursaram sobre as ações realizadas e ainda a se realizarem em relação à emissão de gases que provocam o efeito estufa antrópico. Uma das falas mais esperadas na Cúpula foi a do presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro. Ele falou por mais de três minutos e, segundo a imprensa, assumiu um tom “moderado” em relação às questões ambientais. Os pontos principais de sua fala foram: eliminar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030 e zerar o balanço das emissões de gás carbônico, alcançando a neutralidade climática até 2050. Nas palavras do presidente: “Entre as medidas necessárias para tanto, destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data.”

Mesmo com um discurso moderado e prometendo ações mais efetivas em prol da preservação ambiental, “o Brasil sai do encontro da mesma forma como entrou: em descrédito com a comunidade internacional.” Na verdade, o que temos presenciado são tentativas (ou melhor, a concretização) do desmonte da fiscalização, da legislação ambiental e do Fundo Amazônia. Assim, o que ficou evidente foi a divergência entre o discurso do presidente e o que realmente está acontecendo na prática. Vejamos alguns fatos principais veiculados na imprensa. Diante da promessa do aumento de recursos para a fiscalização, cita-se que a previsão orçamentária para o Ministério do Meio Ambiente é a menor das últimas duas décadas. As demissões de funcionários de seus cargos de chefias por não se ali-

nharem com a política bolsonarista. O desmatamento ilegal na Amazônia aumentou desde que Bolsonaro assumiu o cargo em 2019. O Brasil é o maior emissor de gases estufa advindos de queimadas. O Fundo Amazônia, financiado principalmente pela Noruega e pela Alemanha, está desativado devido a questões políticas/burocráticas realizadas pelo governo, mas possui um valor em caixa de quase 3 bilhões esperando a resolução dos impasses. Na Cúpula, o presidente recuou quanto à sua postura e pediu apoio financeiro internacional para a Amazônia, mas não tocou na questão do Fundo. Por fim, na realidade, para além das questões ambientais, o que estamos vivenciando é o desmonte das instituições brasileiras e das premissas do Estado Democrático de Direito. Nesse sentido, assim como precisamos lutar pela preservação da Amazônia, temos que zelar pela democracia brasileira.


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REGIONAL

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O turismo rural no Circuito Trilha dos Inconfidentes, que abarca 26 municípios das regiões Vertentes, Sul, Zona da Mata e Centro, deverá ser impulsionado ainda este ano com o lançamento do projeto “Caminhos de São Tiago”. Para isso, a Trilha criou um projeto específico de turismo rural a ser implantado, inicialmente, em seis municípios: Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Ritápolis, São Tiago, Lagoa Dourada e Entre Rios de Minas. Para desenvolver o trabalho, a Trilha contratou a assessoria da turismóloga Betânia Nascimento Resende, atualmente instrutora de formação profissional no segmento Turismo e Hospitalidade do Senac Minas (Unidade São João del-Rei). Ela vai realizar as ações de mobilização e envolvimento da comunidade rural no projeto, diz Marcus Vinicius Januário, gestor da instância de governança regional da Trilha dos Inconfidentes. “Houve uma demanda de todos os municípios no sentido de que o turismo rural fosse desenvolvido porque tem uma potencialidade muito forte.” O agendamento de reuniões com conselhos municipais de tu-

rismo ou mesmo com secretários (Cultura e Turismo) já pode ser solicitado. Inicialmente, houve uma apresentação on-line sobre o potencial do turismo rural para todos os secretários, conta Marcus. Depois, Betânia reuniu-se com o Conselho Municipal de Turismo de Resende Costa, dando a largada às ações locais, que se encontram agora na fase de visitas aos empreendimentos (fazendas, sítios etc.) para verificar o potencial turístico a ser aproveitado. “A partir daí, a gente coloca no plano municipal de turismo de Resende Costa e também no plano estratégico do Circuito para que consigamos dar suporte à cidade”, explica Marcus. A ideia é dar opções a quem quiser visitar Resende Costa para além da compra do “artesanato do tear”, acrescenta o gestor da Trilha. “Quem fizer o ‘Caminhos de São Tiago’, seja de carro, de moto, de bicicleta, a cavalo ou a pé, pode ter outras atrações no município.” O mesmo procedimento vale para os demais municípios incluídos nesta primeira fase. A partir da reunião de Betânia com o conselho municipal ou com o secretário da área, é feito o cronograma de visitações para conhecimento e levantamento da potencialidade turística. “É um trabalho que vai ser desenvolvido em conjunto e de forma

regionalizada, para que todo mundo possa ganhar um pouco mais de visibilidade e mais renda e trabalho para cada cidade”, resume Marcus. A primeira visita foi à propriedade rural de Ernesto Longatti, em Coronel Xavier Chaves. Além da efetiva implementação nos municípios do Circuito, um objetivo específico do projeto Turismo Rural é, em linhas gerais, “também contribuir para as questões técnicas de patrimônio cultural, trazendo bases conceituais para estimular nos gestores a valorização da identidade e do senso de pertencimento”, acrescenta Betânia. “Ao se desenvolver o senso de pertencimento local e de valorização de seu território, suas tradições, seu modo de ser e viver, a comunidade começa a perceber aquilo que tem em suas mãos: os elementos simbólicos do lugar (patrimônio) que, ao serem trabalhados de forma planejada, atraem visitantes (turismo).”

Foto:Ulisses Passarelli

Projeto de turismo rural começa pelo “Caminhos de São Tiago”

Visita técnica a Resende Costa

No total, são 11 municípios, numa extensão de aproximadamente 275 quilômetros, considerados os fundadores do projeto: Ouro Preto, Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete, Queluzito, Casa Grande, Entre Rios de Minas, Lagoa Dourada, Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Ritápolis e São Tiago. O trecho traçado não deverá ultrapassar 30 quilômetros entre as sedes de cada município, para que os visitantes possam fazer seu roteiro nos diversos formatos (a pé, de bicicleta, a cavalo, de veículo ou moto). Em todo o trajeto, haverá placas indicativas do caminho, das comunidades e de seus atrativos.

Caminhos. O projeto “Caminhos de São Tiago”, idealizado para se tornar uma das maiores rotas turísticas de Minas Gerais, tem como inspiração o “Caminho de Santiago de Compostela”, na Espanha. O roteiro, considerado a sua espinha dorsal, parte do município de Ouro Preto com destino à cidade de São Tiago, a 41 km de Resende Costa.

O objetivo principal dessa rota é fomentar o turismo, valorizando o caminho histórico e atrativo dos tropeiros e Inconfidentes, e dar visibilidade aos municípios de pequeno porte no cenário turístico regional e nacional. Outros objetivos são o fomento ao desenvolvimento regional, maior visibilidade aos municípios envolvidos, envolvimento da comunidade e serviços de capacitação e treinamento de recursos humanos. Espera-se com isso estimular o crescimento regional por meio de novas oportunidades de negócios e do impulsionamento dos já existentes na cadeia produtiva do turismo.

Retalhos literários EVALDO BALBINO

Numa foto, seus olhos atrás dos óculos estão atentos como todo o seu corpo e suas mãos segurando o violino. No meio de um coral, ela brilha como brilham os corais da música, os corais do mar ecoando nas profundas águas da vida. Entre silêncio e som, seu instrumento trabalhando para Deus e para a humanidade. O violino e a vibrante voz de contralto cantam em nossos ouvidos, essas conchas que amam as pérolas da música e as guardam como relíquia que se ama. A mesma elegância com que ela andava no seu salto discreto, na beleza dos vestidos e das blusas e saias. Os brincos escolhidos, dois colares bem apostos no colo de musicista, os lábios na beleza da cor vital. Ainda na foto, uma blusa de poá preta com bolinhas brancas a brilharem como estrelas no céu escuro. Eu a vi pela última vez em 2012, um ano antes do seu falecimento em dezembro de 2013 aos 67 anos. Nosso encontro foi quando a Câmara Municipal de Resende Costa concedeu diplomas e medalhas de Honra ao Mérito a cidadãos resende-costenses. Tive a honra de estar juntamente a ela, a dona Penha do Jair, nós dois entre outros queridos recebendo a

homenagem. Me senti pequeno, pois no meio de pessoas de longa estrada, vastíssima experiência e inconteste dedicação à cultura resende-costense. Pequeno entre essas pessoas louváveis, me senti também honrado. E não me esqueço, entre tantos abraços, dos braços regentes da dona Penha. Em maio de 2013, quando meu livro de contos Amores oblíquos foi premiado e publicado pela Academia de Letras da Bahia, fui para Resende Costa promover o 3º lançamento da obra, que já houvera sido lançada em Salvador e Belo Horizonte. O evento ocorreria (como de fato ocorreu) no Teatro Municipal da cidade. Dei de cara com o recinto todo por limpar e organizar, pois ocorrera ali uma apresentação teatral e ninguém havia feito a limpeza do espaço ao depois. Até um caixão, que compusera o cenário da peça apresentada, tive que retirar do centro do palco. Fiz tudo isso com a ajuda de irmãs e sobrinhos. Posteriormente chegou ao meu conhecimentoque dona Penha achara um absurdo eu ter encontrado o teatro daquele jeito. Recebi com carinho a notícia dessa indignação. Seu nome ecoa o da padroeira

de Resende Costa, Nossa Senhora da Penha, e ao longo de sua vida ela se fez devota da Santa, para quem cantava e vivia. Como somos do mundo e da eternidade, ela soube bem dividir-se sem espantos entre os dois lados, que na verdade são apenas um. Com dedicada vida para a Igreja e para a Música, não deixou de lado os quefazeres também importantíssimos do cotidiano. Viver é isto: é sermos tudo o que somos, nos desdobramentos da nossa existência. Violinista, musicista e regente, a Penha do Jair foi também coralista. Nas sendas musicais desde criança, louvou a Deus e deliciou os ouvidos de fino trato. E isso na música sacra e na excelente canção secular. Desde a adolescência fez parte do Coro Paroquial e da Orquestra Mater Dei. Desta, assumiu oficialmente a regência no dia 29 de março de 2013; e daquele, do mesmo modo, chegou a ser maestra. Dirigiu o Coral Nossa Senhora da Penha, fundado pela também saudosa Lilia Lara. Zelosa na regência dos ensaios, montava os repertórios, entregava as partituras e cantava a alegria para com os convivas na lauta festa do som

Foto: arquivo familiar

Penha do Jair

O casal Penha e Jair

em arte esculpido. Dona Penha atuou ativamente na organização de serestas na cidade. Eu mesmo tive a oportunidade de participar de alguns desses eventos nas Lajes de Cima, quando podíamos ouvir cantores, violeiros e sanfoneiros numa só voz. E me marcaram, nesses encontros, as vozes da Penha do Jair e da Maria da Penha (à época nossa professora de Matemática). Luar do sertão, Índia, Yolanda, Flor do cafezal, Meu primeiro amor e tantas outras canções embalavam os ares mais altos de Re-

sende Costa. À vida religiosa e musical, soma-se o cotidiano de esposa, de mãe de família e de mulher que viveu com todos nós – em sua casa, no seu trabalho na Prefeitura Municipale pelas ruas da cidade. Seus braços carregavam inúmeros cadernos e partituras. Os mesmos braços arrumavam um jeito de nos abraçar, bem como sua boca se abria num bom dia sorridente, a doçura amanhecendo a vida. Dona Penha ainda vive. Viveu e vive, porque somos todos eternos.


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Comportamento

Lojistas apostam em estratégias de venda on-line para superar crise econômica Mesmo os empresários mais experientes foram pegos de surpresa com a chegada da pandemia da Covid-19. O fechamento do comércio, por diversas vezes, para tentar controlar o registro dos casos da doença fez com que os proprietários se reinventassem a fim de conseguirem se manter no mercado. Em tempos de pandemia, a criatividade vem falando mais alto. Em Resende Costa não é diferente. A grande novidade do momento é a realização de “lives”, assim como já aconteceu em outros segmentos. Uma transmissão ao vivo feita por meio das redes sociais, de maneira simples e sem limites de tempo ou de número de internautas. A proprietária da loja Ramona Espaço Fashion, Luara Ramona Teodoro Nascimento, explica que a novidade surgiu como oportunidade para divulgar o espaço recém-inaugurado. “A loja foi inaugurada há aproximadamente dois meses. E nesse intervalo, com a pandemia, o nosso comércio foi forçado a fechar devido à Onda Roxa do Minas Consciente. A ideia da live surgiu no intuito das pessoas conhecerem a loja e os nossos produtos. Mostrar que trabalhamos com moda feminina, masculina, plus size e acessórios. A loja era um sonho que se tornou realidade e a live serviu para nós podermos apresentar a nossa loja a quem ainda não a conhecia.” Para atrair os clientes, Luara apostou em divulgar uma coleção nova. “Nós lançamos a Coleção Gold Lines, uma coleção linda de outono/inverno. Transmitimos pelo Instagram da loja e eu tive a participação do meu esposo Diego e de três modelos: Laura, Luana e Neneu, além de duas amigas que acompanharam os bastidores: Ana Flávia e Edineia. Todo mundo trabalhou duro e se empenhou bastante para que a live fosse um sucesso”, conta a empresária. Josiane Silva, da loja Vijô Modas, disse que, apesar de vir acompanhando diversos estabelecimentos que estão aderindo à nova forma de vendas, ficou receosa de se render à novidade. “A ideia de realizar a primeira live surgiu vendo algumas

marcas utilizarem essa ferramenta e, claro, devido a cobranças de clientes e amigos. Confesso que fui bem resistente a esse pedido, mas o mundo digital cresceu muito e eu não poderia ficar para trás. Restou-me inserir nessa nova onda. Acredito que, mesmo quando acabar a pandemia, as lives e o delivery não vão deixar de existir. Pelo contrário, acho que todos vão estar inseridos nesse mercado”, aposta a lojista. Josiane destaca toda a preparação por trás das câmeras. Para conseguir atender à demanda, além da funcionária Isabelle Ribeiro, Josiane chamou mais três amigos. “Houve uma jornada muito cansativa e trabalhosa no preparo da live. Houve toda uma preparação: treinamento, planejamento, estratégias, logísticas... Confesso que as estratégias foram muito bem pensadas para atrair o nosso público e mantê-lo na live. Os meus amigos Adriane, Douglas e Maria foram convocados para participarem da live da Vijô Modas. O nosso objetivo era, claro, vender, mas queríamos prender a atenção dos nossos seguidores, queríamos ser divertidos e espontâneos. Acho que conseguimos”, comemora. BONS RESULTADOS As lives vêm sendo uma oportunidade para os comerciantes de Resende Costa se unirem. Um exemplo é a realização de sorteios que reuniram diversos estabelecimentos parceiros, como destaca Luara. “Além de conteúdo, as pessoas gostam de sorteios e brindes, e foi isso que nós pensamos. Fiz um sorteio de vale compras na loja pelo Instagram e, junto com os nossos parceiros, sorteamos vários brindes. Foram 12 brindes no total. Foi um sucesso! O pessoal participou bastante e disputou os brindes, pois fizemos várias perguntas sobre a nossa coleção e a nossa loja.” Outro passo importante é a divulgação da loja e dos produtos. Josiane destaca que as ferramentas on-line têm contribuído muito para isso. “Sabíamos da importância de fazer a divulgação. Usamos o reels – recurso do Instagram – para fazer um sorteio com parceiros que disponibilizaram prêmios. Confesso que fui surpreendida com o resultado dessa divulgação. Foram 34,9 mil visualizações e 6.196 comen-

Fotos: arquivo pessoal

VANUZA RESENDE

Josiane contou com o apoio de amigos para conseguir atender todos os pedidos que chegaram durante a live

tários no reels. Aproveito para dar um conselho: quem não utiliza essa ferramenta está perdendo. Minhas visualizações nos stories triplicaram depois que comecei a explorar essa ferramenta.” A proprietária da Ramona Espaço Fashion ficou satisfeita com o resultado. “Foi a nossa primeira live e posso dizer que foi um sucesso! Para uma loja nova, que está começando agora no mercado, nós tivemos um total de 1.153 pessoas que assistiram e a média de 250 pessoas interagindo direto com a gente. Foi muito legal, o pessoal comentou e vibrou junto. Foi muito gratificante. Além disso, fizemos inúmeras vendas na semana pós-live”, destaca Luara. Josiane disse que suas expectativas foram superadas. “Em menos de 5 minutos estavam presentes 200 pessoas e esse número não parava de crescer. Permanecemos por um bom tempo com 400 pessoas nos assistindo e finalizamos com 202 pessoas e 1.965 acessos durante a live, que teve duração de 3 horas e 45 minutos. Tínhamos público para continuar, mas foi impossível, estávamos exaustos.” Os clientes queriam mesmo comprar. Até a roupa que a Josiane Silva estava vestindo foi

Após horas de live, Luara e Diego comemoram o sucesso das vendas online

vendida. Ela se recorda do momento com bom humor. “Preparamos tudo com muito carinho, inovamos com o leilão de peças exclusivas na live e foi tanto sucesso que o vestido que eu estava usando foi leiloado. Isso foi muito gratificante, meu Deus! Eu fiquei sem roupa para ir para casa. Ainda bem que tinha uma roupa de faxina na loja e foi com essa roupa que fui embora.” NOVAS LIVES A grande maioria dos comerciantes de Resende Costa está aderindo às lives e o público tem se mostrado bastante interessado no novo formato de vendas. Além de aproveitar as promoções e os lançamentos. Nessa boa onda, novas lives estão garantidas. “Sim, é claro, vamos fazer novas lives”, garante Luara, que acrescenta: “a live não tem somente o intuito de vender, você pode transformar uma live em diversos conteúdos. A internet nos dá imaginação e asas para criar e nos reinventar sempre. Então, sim, podem esperar outras lives da Ramona Espaço Fashion. Quero agradecer o espaço aqui no Jornal das Lajes, meio de comunicação da nossa cidade e região,

do qual já sou parceira há anos. É muito importante o reconhecimento de que o nosso trabalho vale a pena. Para quem ainda não conhece a Ramona Espaço Fashion, deixo aqui o convite para conhecer a nossa loja e o nosso Instagram.” Devido ao sucesso da live, Josiane informa que vai continuar tralhando com vendas on-line. “A Vijô foi pioneira na cidade com fashion delivery. Claro que fomos afetados pelo fechamento do comércio, mas estávamos preparados para encarar o atendimento on-line e o delivery. Os clientes já sabiam do nosso serviço de entrega e a nossa adaptação não foi difícil diante do cenário incerto. Sofremos com a pandemia, mas não cruzamos os braços. Fomos em busca de soluções, sendo que uma delas foi explorar essa ferramenta incrível que é o Instagram. A nossa próxima live já está sendo preparada, o contato com os fornecedores já está sendo feito e logo vamos divulgar a data. Agradeço a oportunidade de contar um pouquinho dessa experiência incrível que foi sucesso. Agradeço também aos meus clientes e à minha equipe maravilhosa. Muito obrigada!”


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Pandemia

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Vida difícil de uma coveira em São João del-Rei JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Roseli Cristina da Silva Magalhães, 55 anos, é uma das duas coveiras do Cemitério Municipal do Quicumbi, em São João del-Rei. Há cinco anos na profissão, por “dom de Deus”, confessa que esta é uma atividade difícil, porque se lida com muita dor. Confessa, ainda, que no início da pandemia ficou apavorada porque nada se sabia sobre a gravidade do novo coronavírus. “Mexeu muito com o meu psicológico. Agora, eu levo uma palavra de conforto para as famílias. Oro muito para essas famílias porque eu sinto a dor delas.” Cristina é cristã da Assembleia de Deus.

Vacinada há cerca de dois meses com as duas doses, ela fala um pouco do seu cotidiano no Cemitério Municipal neste tempo de pandemia. Sempre trabalha em dupla com um coveiro. Recentemente, houve uma semana (17 a 24 de abril) em que fez dois enterros por dia. Mas já houve dia em que chegou a fazer três sepultamentos de vítimas de Covid-19. “Antes, a gente perguntava à funerária se era morte por Covid ou natural; agora já nem precisa perguntar, eles vão logo avisando.” Se for vítima de Covid-19, Cristina tem de se paramentar a rigor com o EPI (Equipamento de Proteção Individual); se for de “morte natural”, basta o uniforme de trabalho. As vítimas de Covid-19 são enterradas “no chão” (antes destinado

às pessoas carentes), em covas cujo prazo (de cinco anos) já venceu, conta Cristina. Os restos mortais retirados dessas covas são levados para o ossuário geral ou, se a família preferir pagar, para um particular. As “sepulturas covid” são identificadas tanto no livro de coveiro quanto no da administração. Com a pandemia, o falecido por “morte natural” é sepultado preferencialmente em gaveta. Durante o sepultamento, os familiares das vítimas de Covid-19 não podem passar de 10 pessoas e devem manter-se à distância de 1,5m da coveira. “Depois que eu tampo a metade da urna, podem chegar perto (sem aglomeração), mas as flores eu mesma prefiro colocar”, conta Cristina.

Roseli Cristina da Silva Magalhães, coveira do Cemitério Municipal do Quicumbi, em São João del-Rei.

SJDR: 10,94% dos sepultamentos no Cemitério Municipal “são Covid-19” Dos 448 corpos sepultados no Cemitério Municipal do Quicumbi, em São João del-Rei, em pouco mais de um ano de pandemia (de março de 2020 a 29 de abril deste ano), 10,94% (49) foram de vítimas da Covid-19. A revelação foi feita ao JL pela diretora da Funerária Municipal e do cemitério, Beth Silva, com base nos registros do livro da administração. Ou seja, cerca de 89% foram mortes por outras causas, também chamadas de “mortes naturais”. “Às vezes a gente chega a fazer três sepultamentos de Covid-19 num único dia, exceto os outros cemitérios”, explica Beth. Além do Cemitério Municipal, há ainda em São João del-Rei o Cemitério São José, pertencente à Irmandade de São José e responsável por parte de sepultamentos “de chão” da prefeitura, e seis ou sete cemitérios particulares. Com o agravamento da pandemia (mais casos e mais mortes), essa segunda onda está sendo marcada por regras de proteção ou de segurança mais rigorosas, em comparação com as da primeira onda, diz Beth. “Infelizmente, nessa segunda onda, os protocolos ficaram mais rígidos, e acabou sobrando para as famílias que sofrem mais com isso.” É o caso do número de pessoas

que podem participar de um funeral, exemplifica Beth. “A gente tem de restringir o número de pessoas que entram; chega a ser constrangedor porque a pessoa está ali sofrendo e ainda tem de passar por essa situação: ´Não pode entrar porque já deu o número´. Às vezes as pessoas reclamam, mas acabam por entender que não há outra solução.” Geralmente, o funeral de falecidos por causas naturais é restrito a familiares e “amigos bem chegados”, explica Beth. “Entram de 10 em 10; não costuma haver tumulto, a não ser que seja uma pessoa muito conhecida.” Nesse último caso, a Funerária Municipal escala um funcionário para controlar o fluxo de pessoas; as funerárias particulares também usam o mesmo critério. Durante as duas horas de velório, sem aglomeração e com máscara, os familiares não podem consumir lanche algum, apenas água em embalagem descartável. Já as vítimas de Covid-19 vão direto do hospital para o cemitério, são sepultadas em covas ao nível do chão, envoltas no lençol em que vieram a falecer, com os orifícios do corpo fechados com bandagem e num saco plástico. A família pode acompanhar, em número máximo de 10 a 15 pessoas.

Segundo Beth, as cerimônias fúnebres, sejam católicas ou evangélicas, são bastante restritas: constam de “encomendação do corpo”, por parte do padre; de leitura de passagem da Bíblia e louvor, por parte do pastor – “coisa simples, de 15 minutos”. No caso de vítima de Covid-19, “nós permitimos que o religioso atenda o pedido das famílias, já tão sofridas, desde que não comprometa o distanciamento, e faça uma despedida”. AS REGRAS As regras de funeral de casos confirmados ou suspeitos de Covid-19 são definidas por recomendações do Ministério da Saúde e notas técnicas da Secretaria de Saúde do Estado, explica Leidiane Rodrigues, fiscal sanitária da Prefeitura Municipal de Resende Costa. “O falecido deve ser enterrado (na nossa cidade não há crematório) no menor tempo possível, sem velório e apenas com uma despedida rápida, que acontece no próprio cemitério, somente para alguns familiares.” No início da pandemia, o município reservou, a pedido da Secretaria de Saúde do Estado, uma área do cemitério para ser usada em 10 sepultamentos, caso acontecesse muitos óbitos em pouco tempo, acrescenta Leidiane. Além

Cemitério Municipal de São João del-Rei

dos cinco óbitos de vítimas da Covid-19, também foram enterradas nessas sepulturas casos suspeitos (em investigação) de pessoas que morreram antes do resultado do exame. Nos casos de mortes naturais, pode haver velório “também no menor tempo possível, geralmente não ultrapassando 3 horas, restrito somente a familiares próximos. No máximo, 10 pessoas...”. No velório, não é permitido o uso da cozinha e o ambiente deve permanecer o mais ventilado possível, explica Leidiane. Outros cuidados são necessários, como uso de máscara e álcool-gel em vários pontos do velório.

Tanto os funcionários da funerária quanto o coveiro devem usar o EPI completo (macacão impermeável, touca, máscara N95 ou PFF2, bota de borracha e luva). É o caso da Funerária Nossa Senhora do Rosário, que segue rigorosamente esses protocolos. Ou seja, o corpo da pessoa falecida em decorrência da Covid-19 segue diretamente para o sepultamento “com a finalidade de evitar possíveis contaminações.” Em Resende Costa, até agora, foram seis as mortes confirmadas por Covid-19. J.V.R. Texto finalizado em 29/04/2021.


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Informe Publicitário

COOPERAÇÃO

Cotas-Partes: investimento fortalece sua cooperativa, garante Justiça Financeira na comunidade e rendimentos diretos pra você Você sabe o que é B3? Faz aportes em Renda Fixa? Calma, está tudo bem se sua resposta for “não” para ambas as perguntas ou se a Poupança ainda for uma escolha para guardar e ampliar suas economias. Além disso, o Sistema de Cooperativas Financeiras do Brasil (Sicoob) tem duas grandes notícias para você: a primeira é que, por aqui, você pode entrar para o Mercado Financeiro em si começando com R$200. A segunda é que, sendo associado a instituições como o Sicoob Credivertentes, você já é de certa forma um investidor. Afinal, tem em seu nome as chamadas Cotas-Partes. Em outras palavras, desde seu primeiro minuto como cooperado, você se torna muito mais do que cliente: passa a ser dono da sua cooperativa; ajuda a somar recursos que vão circular em toda a comunidade inclusive como crédito com taxas competitivas; e, ao fim do exercício, se beneficia com a distribuição dos excedentes financeiros na sua Conta Capital - diferente da Conta Corrente. Tudo com segurança, sustentabilidade e a possibilidade de, lá na frente, contar com esses valores para ampliar sua aposentadoria, tirar planos do papel, aproveitar o melhor da vida.

CAPITAL SOCIAL Quem faz parte do Sicoob sabe: aqui, todas as taxas são competitivas. Segundo o MyNews, a partir de dados do Banco Central, a economia do cooperado no Crédito Pessoal alcança 50%. No Cartão de Crédito, essa porcentagem chega a 55% e, para financiar um carro novinho, as taxas oferecidas pelo Cooperativismo são 15% mais baixas que as dos bancos. Não por outro motivo, segundo dados do Sistema publicados pela Folha de São Paulo, cooperados deixaram de pagar R$8,3 bilhões em custos bancários só em 2020, com média de economia equivalente a R$3,1 mil no ano para cada um. E sabe por que? Porque você é protagonista nesse ciclo, impulsionando o chamado

Capital Social. “Ao entrar numa cooperativa e integralizar determinado valor, o cooperado se torna um acionista, digamos assim. Ou seja: ele colabora com o total de recursos disponibilizados pela instituição para empréstimos, financiamentos e outros serviços. Com isso, a fortalece, aumenta a probabilidade de negócios e resultados positivos que, sendo excedentes, são distribuídos de acordo com a movimentação e participação de cada um”, explica o diretor executivo-financeiro do Sicoob Credivertentes, Luiz Henrique Garcia. Só em 2020, aliás, esse montante foi de quase R$3 milhões somados, ainda, à Remuneração do Capital – isto é, aos juros pagos como rendimento da cota para cada associado.

REFLEXÕES

por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

UM EXCELENTE INVESTIMENTO O Cooperativismo desponta como um dos pilares sutentáveis de desenvolvimento do País. Comunidades onde o associativismo se faz presente e atuante, aliás, exibem bons resultados econômicos e melhoria no Índice de Desenvolvimento humano (IDH). Afinal, estimula a organização social, a geração de empregos, a defesa dos interesses e valores comuns como Cultura, Meio Ambiente, Cidadania. Ou seja: sua proposta é a

de um mundo melhor para todos – na nossa e nas próximas gerações! Quando se fala em Cooperativismo de Crédito, deve-se acrescentar a esses objetivos a Inclusão Financeira, a disponibilidade de tecnologias perto de casa, a cessão democrática e com taxas justas de empréstimos, financiamentos. Aí entram as Cotas-Partes. As cooperativas que atuam em prol do interesse coletivo constroem-se com esse capital. Isto é, com o investimento de cada associado que se torna,

LONGO PRAZO É um Ciclo Virtuoso em que o seu investimento garante condições melhores para produtos e serviços enquanto circula dentro da sua comunidade. Assim, após fazer a diferença para quem precisa de Crédito no seu bairro, por exemplo, retorna com correções pra você. Cooperados com 65 anos completos e cooperadas com 60, ambos integrando o quadro social da cooperativa há pelo menos 15 anos, podem pedir a devolução de suas Cotas-Partes. Esse direito está previsto no Estatuto Social do Sicoob Credivertentes e é garantido por resolução do Banco Central.

portanto, dono da cooperativa – e participa de seus processos decisórios. Somados um a um, os recursos aportados pelo cooperados consolidam o funcionamento/fortalecimento da instituição, garantem fluxo econômico circulando na própria comunidade e significam um ótimo investimento pessoal também. Isso porque rendem dividendos anuais e corrigidos junto das sobras (resultados do exercício). Podemos dizer, então, que a Cota Capital ou Cota-Parte corresponde a um pecúlio silencioso

ao longo do tempo que não existe em nenhuma outra instituição financeira convencional. Nenhuma. Associe-se. Capitalize a Cooperativa. Todos temos a ganhar. “O Cooperativismo é a capacidade de governar a si próprio”. Dicionário Houaiss


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CULTURA

O poeta e escritor resende-costense Evaldo Balbino lança seu mais recente livro de poesia infantil “Lições de Cigarra” é leitura para crianças e adultos DA REDAÇÃO

O premiado escritor resende-costense Evaldo Balbino acaba de lançar seu mais novo livro e já recebeu os aplausos da crítica. Lições de cigarra, publicado pela editora Helvetia Éditions, foi ganhador de Menção Honrosa no Concurso Internacional de Literatura da União Brasileira de Escritores (UBE-RJ) 2019, na categoria Literatura Infantil – Prêmio Stella Leonardos. A obra apresenta poemas extremamente musicais/poéticos, que vêm acompanhados por singelas e sensíveis aquarelas da artista Liss Thane. “O livro parte do símbolo da cigarra como o ser do canto. Seus poemas apresentam linguagem lúdica e temáticas direcionadas para o público infantil e infantojuvenil, uma vez que o público pré-adolescente também pode se interessar pelos textos e aceder a eles”, explica o autor. Não apenas o canto (poesia) é tema da obra. A morte, a vida e o amor (a cigarra canta para atrair o parceiro e multiplicar a vida) comparecem nos 30 poemas do livro. E tudo isso girando em torno da infância e do seu mundo. Sendo assim, a ciranda da vida vivida e cantada comparece nos versos dados ao leitor: a poesia, o poetar/cantar, os objetos, os sentimentos e estados dos seres (tais como a alegria e a solidão), os brinquedos da infância, os bichos personificados pelo olhar poético, o período da alfabetização em que olhares curiosos e atentos da infância acessam as primeiras letras e o mundo por elas representado. “Essas são, entre outras, as experiências esteticamente apresentadas na obra. A memória e as brincadeiras infantis atravessam todo o livro, apresentando um mundo todo permeado por uma fantasia lúcida: a que faz a criança viver sonhando e vendo o mundo, aceitando-o e desejando mudá-lo no que ele tem de triste e desnecessário”, analisa Evaldo. Os versos de Lições de cigarra são de recriação da vida, das experiências (boas ou más) vividas pelas crianças e tocadas pela poesia. LEITURA TAMBÉM PARA OS ADULTOS “Do mesmo modo o público adulto pode se deliciar com os textos e neles buscar construções estéticas e com eles se deliciar, pois, como afirma Cecília Meireles no seu clássico ensaio Problemas da literatura infantil: ‘Um livro de literatura infantil é, antes de mais nada, uma obra literária’, diz o poeta. A escritora de literatura infantil Moba Nepe Zinid, autora de texto de apre-

sentação registrado na orelha do livro, assim se manifesta sobre a obra: “Ouça bem o que vou lhe falar: este livro é diferente porque tem uma trilha no sumário. Isso mesmo! Para você ir seguindo devagar cada página e… encontrar uma capa de livro lá dentro dele! Nossa! Que livro diferente! Sim. Muito diferente, porque o seu autor é um escritor-cigarra. Ele nos traz poemas que são uma forma de (en)canto. E por nos encantar, ele nos leva a um jardim onde dançam letras. Ensina-nos muitas lições: uma delas mostra o M antes do P e do B. Você, educador(a), que agora lê as minhas letras encontradas no céu onde a lua é de prata, mas

também de nata – lembrando que nata é um (de)leite para nossos olhos e para saborearmos –, deve aproveitar-se dessas muitas lições e levar um pouco de poesia para a sua sala, para a sua casa, para o seu mundo, para o nosso universo onde retratos se (de)formam e mães choram suas perdas, pois há muitas lições nas partidas… Cada um que ler este livro vai encontrar nele a bola esquecida, um barco à deriva, um caule, um vento, um sopro, um esconde-esconde de palavras que levam à minhoca mais charmosa que alguém já pôde ver: a Siloca! Tem crenças, tem simpatias e muitas ladainhas. Entre nesse carrossel de palavras e divirta-se!”

Surge em Lagoa Dourada a Academia de Ciências, Letras e Artes JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Encontra-se em fase de instalação a Academia de Ciências, Letras e Artes de Lagoa Dourada (ACLALD), segundo notícia publicada no portal da Prefeitura Municipal. A ideia é fomentar a produção intelectual, na cidade, dessas três áreas do conhecimento, segundo os seus organizadores. Serão considerados membros fundadores aqueles selecionados para participar da seção inaugural da Academia. Até o final de abril, a nova Academia já contava com 12 membros fundadores. A fase de seleção dos membros efetivos (fundadores), que vão ocupar as 40 cadeiras, vai até 21 de maio, prazo para a entrega dos documentos necessários (Currículo Lattes ou Curriculum vitae atualizados, histórico de atividades literárias, artísticas ou científicas, trabalhos e obras publicados, documentos pessoais, entre outros). O processo seletivo abrange ainda a admissão de membros correspondentes. Conhecido como a “Capital Estadual do Rocambole”, o município faz parte da microrregião mineira do Campo Cada criança, cada jovem, cada adulto pode apreciar esse trabalho e, a partir dele, pode alcançar mais gente, plantando o amor pela leitura no coração de nossas crianças. Lições de Cigarra é o primeiro livro infantil e o 9º da produção do escritor resende-costense e membro da Academia de Letras de

das Vertentes, com sede em São João del-Rei. É o berço da Família Resende no Brasil. Há pouco mais de 300 anos (entre 1716 e 1718), o português João de Resende Costa, procedente de Vila do Porto (Ilha de Santa Maria, Açores), foi morar no então território da Capela de Santo Antônio de LagoaDourada, Freguesia de Prados, município de São João del-Rei. Casou-se em 1726 com Helena Maria de Jesus e estabeleceu-se na Fazenda do Engenho Velho dos Cataguazes. Os 12 membros fundadores da Academia já selecionados são os seguintes: Luciana das Mercês Santos; Fernanda Andrade Vale Tavares; Daiane Carrieri Rodrigues; Flávia Bruna Santos Costa; Juliana Eler de Mendonça Salles de Araújo; Edilamar Efigênia de Oliveira de Resende; Eliandra Aparecida da Silva Andrade; Géssica Aline Tavares; Elisana Maria de Oliveira Resende; Carina Bruna de Melo; José Henrique Messias e Regina Helena Luis Alves. As inscrições deverão ser feitas pelo e-mail academiaaclald@gmail.com Mais informações em http://www. lagoadourada.mg.gov.br/noticia/29551

São João del-Rei, Evaldo Balbino. O livro está à venda no site da editora Helvetia Éditions, na Europa e no Brasil, pelo link: https://helvetiaeditions.com/loja/licoes-de-cigarra/ Contatos através do e-mail: evaldo_balbino@yahoo.com.br e do Tel/WhatsApp: (31) 996992405.


PÁG. 16 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVIII Nº 217 - MAIO 2021

ESPORTE

Athletic Club garante permanência na elite do Campeonato Mineiro 2021 VANUZA RESENDE

O Campeonato Mineiro 2021 já chegou ao fim para os times do interior. O Athletic Club, de São João del-Rei, representou a região na disputa do torneio estadual. De volta à elite do torneio, após 50 anos, o clube ganhou todos os holofotes com a vinda de Loco Abreu, que disputou apenas quatro jogos e saiu sem marcar gol. O uruguaio se despediu do Athletic na paralisação do campeonato devido à pandemia. A justificativa foi o fechamento das fronteiras entre Uruguai e Brasil. O Athletic terminou a primeira fase do Mineiro em oitavo lugar, com 13 pontos e 39,4% de aproveitamento. Foram seis derrotas, um empate e quatro vitórias. A equipe começou muito bem o campeonato com 100% de aproveitamento contra as equipes do interior. Estreou com vitória sobre o Patrocinense, por 2x0. Perdeu para o América por 1x0, venceu o Boa Esporte por 1x0, perdeu do Cruzeiro por 1x0 e

venceu o Pouso Alegre por 2x1. No final da quinta rodada e com 100% de aproveitamento no “campeonato do interior”, o clube estava entre os quatro primeiros colocados e se classificaria para a semifinal do Mineiro se o campeonato terminasse ali. Devido ao momento crítico da pandemia da Covid-19, a competição foi paralisada após a quinta rodada, no dia 21 de março, e retornou no dia 01 de abril. Na volta, o Athletic não conseguiu manter o bom desempenho e perdeu por 1x0 para o Coimbra. Foi derrotado para a Tombense por 2x1. Jogando em casa e defendendo a invencibilidade de mais de dois anos, acabou perdendo da URT por 1x0. Com as três derrotas seguidas, o sonho do G-4 – visto como impossível – e a permanência na elite ameaçada, a diretoria demitiu o técnico Cícero Júnior, o Cicinho. O comandante tem uma forte ligação com o clube alvinegro, participando das campanhas de 2018, 2019 e 2020. Agindo rapidamente fora das quatro linhas,

o Athletic anunciou o técnico Gustavo Brancão, que também já havia passado pelo comando da equipe em parte do campeonato de 2020. Brancão chegou com a missão de manter o Athletic Club na disputa da série A do Campeonato Mineiro 2022. E conseguiu. Venceu de virada, em um jogo histórico, o Uberlândia, fora de casa. O responsável pelos dois gols foi o Wallace Lalado, que ganhou sua primeira chance com o novo técnico. Lalado, inclusive, é conhecido dos resende-costenses por já ter disputado algumas edições do Torneio de Inverno de Futsal da cidade, defendendo o Casa Nova. TROFÉU INCONFIDÊNCIA Com a permanência garantida na primeira divisão do Campeonato Mineiro 2022, o objetivo do Athletic era lutar por uma vaga na Série D do Brasileirão e conseguir, ainda, a classificação para o Troféu Inconfidência. A vaga na série D não veio, após o clube empatar em 0x0 com

a Caldense e perder de 1x0 para o Atlético. Mas a classificação para o Troféu Inconfidência foi conquistada. Porém, a equipe são-joanense acabou sendo eliminada nos pênaltis, na semifinal realizada em Patos de Minas. O Athletic saiu atrás no placar, mas conseguiu o empate. Com 1x1 no tempo normal, a decisão foi para os pênaltis, e a equipe da casa foi para a final vencendo por 3x2 na marca da cal. A final foi disputada entre Caldense e Pouso Alegre, com o Pousão se sagrando campeão. O Troféu Inconfidência foi criado em 2020, com o intuito de dar a oportunidade para os clubes do interior terem mais jogos na temporada e disputarem uma taça. Caso o estado de Minas Gerais tenha direito a uma 5ª vaga na Copa do Brasil 2022, ela será destinada ao Campeão do Troféu Inconfidência 2021. A 5° vaga virá se América ou Atlético conseguirem uma vaga na Copa Libertadores do próximo ano e, consequentemente, um lugar direto nas oitavas de final da Copa do Brasil. Com isso, Minas Gerais

ganhará mais uma vaga. Ou ainda, se algum time mineiro for campeão do torneio em 2021. Se acontecerem ambas as situações, Minas Gerais ganha mais duas vagas. A Copa do Brasil é um torneio cobiçado pela grana que distribui. Times do grupo 3, do qual o Athletic faz parte, ganham R$ 560 mil somente pela participação. URT, Pouso Alegre e Caldense, além de disputarem o Troféu Inconfidência, garantiram vagas para a Série D do Brasileiro. Caso algum desses clubes desista de participar da competição, o Athletic fica com a vaga. Uberlândia e Patrocinense terminaram com 12 e 10 pontos, respectivamente, na 9° e 10° posição, e encerraram a temporada do estadual. Já Boa Esporte, com 8 e Coimbra com 6 pontos, caíram para o Módulo II do campeonato estadual. Ainda será disputada a Recopa do Interior: Tombense, campeão do Interior, e Pouso Alegre, campeão do Troféu Inconfidência, disputarão o título de Campeão da Recopa do Interior.

Papo de Esportes VANUZA RESENDE

O campeonato estadual vivo no interior Chega ao fim mais uma temporada para os times do interior. O breve estadual menos conturbado que em 2020, mas ainda com resquícios de impedimentos da pandemia, encerrou sua primeira etapa. Em 2021, os moradores da região puderam aproveitar o gostinho de torcer por dois clubes. Tivemos muitos atleticanos, sendo athleticanos, mas o preto e branco costumeiro não espanta muito. Ah, mas o que teve de Cruzeirense procurando outro nome para torcer pelo Athletic. Não teve jeito: vestiram mesmo a camisa preta e branca, mas tudo tem limite. Não são athleticanos, são torcedores do Esquadrão de Aço. Com a volta do Athletic Club, de São João del-Rei, para a elite do Mineiro, a atenção dos torcedores da região também foi voltada para os adversários considerados mais fracos. Afinal, é costumeiro ouvirmos ao longo da competição: O Galo joga contra quem, mesmo? O

jogo do Cruzeiro é hoje ou amanhã? É nítido um desinteresse pelo estadual, sobretudo na primeira fase. Os resultados ganham holofotes quando se tem uma bonita goleada. E estou falando de mão cheia para cima. Ou quando dá zebra. Vixi, perder para time do interior, que disputa a D, é brincadeira... E de muito mau gosto! Será mesmo? Eu estive do outro lado esse ano. Fiquei responsável por ser repórter de campo nos jogos do Athletic, pela Rádio Emboabas, e percebi um maior interesse pela competição. A audiência foi gigante, sobretudo em mais um ano com estádios com portões fechados. O discurso se inverteu. A preocupação era a seguinte: “O Cruzeiro jogando aquele futebol mais ou menos vai passar aperto com aqueles rapazinhos do Athletic”; “O meio de campo do Athletic é bom, hein!”; “Aquele goleiro cata muito”; “Perdeu, mas, apesar de ser atleticano, merecia pelo menos

um empate”. Escutei essas e outras diversas versões dos mesmos dizeres. O Athletic Club, assim como os outros times de cada canto do Estado, merece mais atenção. É inadmissível olhar a velocidade, o estilo de jogo, perceber a visão dos jogadores e não acreditar que terão chances em times que disputam campeonatos o ano todo. Assistir Athletic x Cruzeiro foi um desafio. Enquanto o atacante Marcelo Moreno, do Cruzeiro, literalmente trombava com a bola, o Nathan, lateral do Athletic, se esforçava e dava o sangue para jogar nos gramados do Mineirão. Era nítido que aquele era o sonho de muitos que estavam ali: jogar uma partida oficial no maior estádio de Minas. Em um jogo em que a camisa e a experiência pesaram – sobrando para o Fábio cobrar a lateral – o futebol de muitos jogadores do Athletic se sobressaiu. Difícil contra-argumentar com os torcedores

celestes que listam meia dúzia de jogadores e dizem: “Só estão ali porque têm empresários.” Jogar contra o Atlético era sem dúvida um dos maiores desafios. Ainda mais se tratando do Atlético de 2021. Com time alternativo, o Galo saiu vitorioso e mais uma vez a camisa pesou. Mesmo acostumado com o preto e branco, o time do interior se assustou ao jogar no Independência contra um adversário que já comemorou infinitas glórias ali. No segundo tempo, poderia ter saído a virada para esquentar ainda mais o discurso final do Hulk. Com baixo investimento e os grandes desafios das longas viagens, os quatro clubes que se classificaram para o Troféu Inconfidência preferiram encerrar a temporada ainda mais cedo e o regulamento foi alterado: apenas um jogo e todas as decisões caíram na marca da cal. Injustiça? Pergunta que eu gostaria de responder em

outra oportunidade. Mas já adianto que sempre fui fã das penalidades máximas. Apito final. Corre nos bastidores toda a preparação para a temporada do próximo ano. Há quem diga que Carnaval e futebol se assemelham, mais um ponto de coincidência: assim que as luzes do sambódromo se apagam, as primeiras luzes para a próxima festa se acendem. E assim é com o futebol: mal acabou a temporada 2021, os desafios para a próximo já aparecem. O Athletic precisa mesmo pensar nas luzes. Sem iluminação noturna no Joaquim Portugal, os jogos de América e Atlético foram transferidos para outros estádios, mesmo com mando de campo do Esquadrão. Para 2022, a expectativa é a volta do público aos estádios. E aí, meus amigos, o interior usará de toda a sua hospitalidade para dizer: “Estamos bem representados!”


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