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Edição 214 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVII

• FEVEREIRO 2021 • Nº214

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Chegada da vacina fortalece a luta contra a Covid-19 e acende a esperança de novos tempos O título foi concedido ao município em 06 de janeiro, após o governador Romeu Zema (Novo) sancionar a lei estadual 23.770/2021, de autoria do deputado estadual Cristiano Silveira (PT). Estima-se que a cidade possua, atualmente, cerca de 80 lojas especializadas no comércio de peças têxteis criadas a partir do retalho e tecidas em tear manual. De acordo com dados de 2015, o setor de artesanato movimenta aproximadamente R$6 milhões/ano no município. PÁG 06

Foto: Cassio Almeida

Resende Costa é reconhecida oficialmente como Capital Mineira do Artesanato Têxtil

Auxiliar de enfermagem Eliete, primeira pessoa a ser imunizada em Resende Costa, já tomou as duas doses da vacina

O que em 2020 foi um sonho comum partilhado por milhões de pessoas em todo o planeta começa a se tornar realidade neste início de 2021. As primeiras doses das vacinas contra a Covid-19 começaram a ser aplicadas, dando início a uma grande e desafiadora campanha de imunização em nível global. Com a adesão e o envolvimento de todos nesta luta planetária contra o vírus que já ceifou milhares de vida, a ciência vencerá a covid, o negacionismo e o obscurantismo. PÁG 07 e 12

Sacerdotes resende-costenses iniciam novos trabalhos na Diocese de São João del-Rei Os padres Adriano Tércio, Paulo Marcelo e Lucas Alerson tomaram posse, no fim do mês de janeiro, nas

paróquias de Lagoa Dourada, Madre de Deus de Minas e Ijaci, respectivamente. As missas solenes de

posse dos padres filhos de Resende Costa foram presididas pelo bispo diocesano dom José Eudes Campos

do Nascimento e concelebradas por diversos sacerdotes da Diocese de São João del-Rei. PÁG 08


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ANO XVII Nº 214 - FEVEREIRO 2021

EDITORIAL Uma dose de esperança

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Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende

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Jornal das Lajes Ltda

Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

JOÃO MAGALHÃES

A antiga poesia litúrgica católica: “Dies Irae” Talvez possa interessar a nossos leitores, uma análise de textos poéticos, tantas vezes cantados ou declamados nas cerimônias litúrgicas mais antigas da Igreja Católica. Não vou me ater à poesia bíblica: salmos, hinos e cantos, mas, sim, a uma poesia litúrgica criada por poetas católicos a partir do século III da era cristã, por exemplo, Santo Ambrósio e São Gregório Magno, e que floresceu copiosamente na Idade Média. Uma poesia litúrgica como expressão estética de temas teológicos, sobretudo bíblicos. Uma poesia que se impõe por uma qualidade literária muito expressiva que reforça, poética e musicalmente, temas da devoção cristã. Escreve o Pe. Heitor Pedrosa (“Nos Esplendores da Poesia Litúrgica” - Ed. Íntima -1928): “O acolhimento das letras cristãs na sociedade do século IV é um fato expressivo: por elas muitas almas sentiram a fascinação do Cristo Salvador e procuraram a Igreja. Nestas circunstâncias, as poesias desempenharam missão importantíssima. Por que é que a poesia somente começou no III século? Se são os grandes abalos, as fortes emoções, que fazem desabrochar a flor da poesia, nenhum período mais propício do que o tempo das perseguições. As ansiedades, as separações doloridas, o júbilo das conversões, o encanto das reuniões, a afetividade profunda aos irmãos, as agonias, os triunfos atravessados de dores, a paixão pelo martírio, as despedidas soluçantes, os espetáculos crudelíssimos no Coliseu, as lágrimas no recesso das catacumbas eram potenciais de inspirações felizes e da mais inflamada poesia”! Alguns desses poemas sagrados cruzaram os tempos e foram e continuam sendo fonte de inspiração para os grandes compositores da assim chamada música clássica ou erudita. Caso do “Dies Irae”, “Te Deum” e “Stabat Mater”. A meu gosto, são joias da poética sagrada. É sobre eles que a coluna versará, trabalhando o verso poético. Uma edição para cada um. A probabilidade maior é que o franciscano, Tomás Celano (1200-1255), um dos primeiros discípulos de São Francisco de Assis e um dos seus hagió-

Ilustração: Lucas Lara

A foto de capa desta edição do JL revela o sentimento que povoa os sonhos de milhares de pessoas, em todos os cantos do planeta, que desde o ano passado vêm sofrendo com os efeitos da pandemia de covid-19, causada pelo novo e ainda pouco conhecido coronavírus. Na foto, a auxiliar de enfermagem Eliete Mônica Barbosa recebe em seu braço a primeira dose da vacina Coronavac. Se observarmos bem os detalhes da imagem, veremos os olhos úmidos de Eliete e, por detrás da máscara, um escondido sorriso emocionado que comemora a vitória. A vacina que todos nós esperávamos e com a qual continuamos sonhando, enfim, começou a chegar. No pico da pandemia no Brasil, em julho e agosto de 2020, alguns cientistas afirmaram que era utópico pensar em contar com vacinas no início de 2021. Um pesquisador brasileiro, em entrevista ao Canal Livre da Band, no início do segundo semestre do ano passado, chegou a dizer que “esperar que tenhamos vacina em janeiro do ano que vem é querer brincar de ciência”. A previsão dele felizmente estava errada. Em janeiro, os primeiros imunizantes começaram a ser aplicados nos braços de profissionais da saúde em diversos países. Ainda que em ritmo de conta-gotas, as vacinas contra a covid-19, especialmente as dos laboratórios que largaram primeiro nas pesquisas e, por sua vez, receberam investimentos bilionários, ficaram prontas, testadas e aprovadas em tempo recorde para a ciência. Embora o distanciamento social e as restrições tenham afastado e amedrontado as pessoas nas datas em que celebramos justamente o encontro, a vida e a alegria (Natal e Réveillon), ainda encontramos motivos para brindar a chegada de 2021. E o motivo maior que fez renascer das cinzas a esperança adormecida no coração das pessoas foi a notícia de que, no início do ano novo, as pessoas já começariam a ser imunizadas. Uma luz no fim do túnel se acendeu e a pira da esperança começou novamente a crepitar suas chamas. No entanto, nem tudo ocorre como desejamos. Logo o brasileiro pôde perceber que o sofrimento e a angústia pela espera estavam longe de terminar por aqui. Ao lado das boas notícias sobre a chegada da vacina, vieram os baldes de água fria. Entre tantos absurdos, chegamos a ouvir que o outrora prestigiado Ministério da Saúde não conseguiu sequer adquirir quantidade suficiente de seringas e agulhas! Inacreditável ouvir isso em um país modelo em vacinação em massa e que tem um programa público de saúde, o SUS, como referência mundial! Em meio ao despreparo e à falta de planejamento do Ministério da Saúde, ainda tivemos de assistir, em horário nobre da TV, briguinhas patéticas de dois patetas: o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria. Enquanto os dois mimados trocavam farpas, países desenvolvidos largaram na frente, dando início a uma ampla e desafiadora campanha de vacinação. E o Brasil foi ficando para trás, assistindo passivamente às pessoas morrerem asfixiadas nos hospitais de Manaus e ao sistema de saúde colapsar em diversas capitais, de Norte a Sul do país. Mas a esperança e a coragem, latentes no DNA do nosso povo, não foram vencidas, apesar do bombardeio diário de negacionistas capazes, inclusive, de desqualificar as vacinas e ignorar a importância delas no controle da pandemia. De um canto a outro, ainda ouvimos pessoas dizerem que não se vacinarão com medo de reações adversas. Lamentavelmente ainda há quem se deixa convencer-se por teorias obscurantistas e falaciosas. A ciência, a passos largos, vem mostrando que a vitória sobre o inimigo invisível que mudou a vida do planeta e ceifou milhares de vidas virá somente do conhecimento, do esclarecimento e do investimento prioritário em pesquisa, educação e cultura. Somente essas armas serão capazes de combater o vírus letal da ignorância. E ignorância mata!

O Verso e o Controverso

Por inspiração do Dies Irae e do afresco Juízo Final de Michelangelo

grafos, seja o autor do “Dies Irae”. O “Dies Irae”, no entanto, formou-se lentamente. Textos e versos sobre o dia do julgamento final corriam dispersos na liturgia, na Bíblia, nos poetas, nos teólogos. Tomás Celano, bom poeta e escritor, teve a brilhante ideia de reuni-los num poema com 19 tercetos de intenso dramatismo, perfeitamente ritmados e rimados e com a métrica latina do verso troqueu (uma sílaba longa, outra breve). Ezra Pound caracteriza uma poesia pelo seu grau de logopeia (ideias, reflexões, pensamentos, sentimentos); de fanopeia (visualizações, imagens, espaço, paisagem); de melopeia (musicalidade, ritmo, rimas, aliterações etc.). O “Dies Irae” preenche tudo isso com excelência. O poema quase todo é uma longa logopeia, lembrando passagens das Sagradas Escrituras: o profeta Sofonias, 1,15 (Dies irae, dies illa), os Evangelhos (Qui Mariam absolvisti et latronem exaudisti..Inter oves locum presta et ab haedis me sequestra: tu que absolveste Maria Madalena e ao ladrão na Cruz ouviste...Coloca-me entre as ovelhas, retira-me para lon-

ge dos bodes) e, claro, o Apocalipse 20,12 (Liber scriptus proferetur: O livro escrito será mostrado); textos litúrgicos anteriores, por exemplo, de São Pedro Damião(o quam dira, quam horrenda voce judex intonat: Oh com que voz sinistra e horrenda o juiz pronuncia [sentença]) - de Santo Anselmo (vix Justus salvabitur: apenas o justo se salvará) - de São Bernardo (quid in illo die dicturi sumus?: O que diremos naquele dia?) E tantos outros. E a fanopeia? O juiz de extrema majestade (rex tremendae maiestatis) sentando-se no trono de julgamento; a natureza e até a morte, estupefatas com o ressurgir das criaturas (Mors stupebit et natura cum ressurget creatura); o livro onde tudo está anotado (Liber scriptus proferetur in quo totum continetur). A melopeia dispensa comentários e demonstrações. Basta observar a cadência, as rimas, o som da trombeta (Tuba mirum spargens sonum per sepulchra regionum: a trombeta espalhando um som assombroso pelos sepulcros das regiões). Observação: a íntegra do texto latino com a respectiva tradução está no site do Jornal das Lajes.


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JORNAL DAS LAJES

CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

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INFORME PUBLICITÁRIO

Indicações apresentadas pelos vereadores durante as reuniões ordinárias da Câmara Municipal nos meses de janeiro e fevereiro • Instalação de placa indicativa de parada obrigatória na descida da Rua Dr. Abeilard, esquina com a Rua Agenor Gomes de Sousa e Praça Marcos Reis, Bairro Centro. – Vereador Coló. • Que seja dispensado o empenho necessário junto ao Poder Público do Estado para que seja estudada a possibilidade de serem construídos banheiros no Presídio localizado no Município, bem como colocação de bancos de espera. – Vereador Coló. • Possibilidade de ser convertida a lombada existente em frente à “Casa da Terra”, na Avenida Ministro Gabriel Passos, em passagem elevada de pedestres, buscando melhorar a segurança para condutores e pedestres, tendo em vista a ocorrência de vários acidentes nas proximidades nos últimos meses. Propõe-se, ainda, que no lado oposto da pista (subida dos veículos) seja instalada uma faixa de pedestres dando continuidade à passagem elevada sugerida. – Vereador Fernando Chaves. • Possibilidade de serem insta-

lados 02 (dois) bueiros próximos à propriedade do Sr. João Batista, localizado na estrada principal do Povoado da Boa Vista, uma vez que a enxurrada em tempos de chuvas desce pela referida via, provocando estragos que atrapalham sua conservação, ocasionando transtornos para todos que dependem da estrada vicinal. – Vereador Zé do Dico. • Possibilidade de ser providenciado o alargamento de 01 (um) mata-burro na estrada vicinal que liga o Povoado do Ribeirão ao Povoado do Curralinho dos Paulas, próximo às propriedades dos Srs. Celso e Luís, uma vez que o mesmo se apresenta estreito, possibilitando que o gado desses locais esteja passando de um imóvel para o outro, devido à falta de estrutura regular do mata-burro existente, o que dificulta o controle melhor desse tipo de situação. – Vereador Zé do Dico. • Seja reforçada a ideia da construção de uma pista de caminhadas, onde a Prefeitura Municipal possui projeto, na Avenida Antônio da Silva Barbosa, bairro Várzea, seguindo em frente à oficina de

pintura de veículos do Emerson. Nesta mesma via, próximo à praça do bairro, onde se localiza uma academia de saúde, que também seja estudada a viabilidade de ser melhorada a sinalização da faixa de pedestres existente no referido local, com a pintura da mesma. – Vereador Lucas.

las na Rua Juiz de Paz Saturnino Mendonça Chaves, bairro Nossa Senhora da Penha, na altura dos números 02 e 112, conforme solicitação dos moradores. Instalação de placas de sinalização de PARE e de regulamentação da velocidade permitida da via a serem instaladas na Rua Juscelino Kubistchek, bairro Nossa Senhora da Penha, sendo esse logradouro que dá acesso à Nova Avenida, proporcionando maior segurança para os motoristas e principalmente para os pedestres. – Vereador Cláudio.

• Possibilidade de serem instaladas, na extensão do início do perímetro urbano do Município de Resende Costa-MG, na Avenida Alfredo Penido, sendo este da entrada do bairro Palmares (Macaco) até a altura da Pousada Belas Artes, placas de sinalização indicativas de alerta da presença de pedestres fazendo caminhadas, bem como ciclistas que utilizam a referida via com extrema frequência. Tais placas também deveriam regularizar a velocidade dos veículos a ser praticada no logradouro. O fluxo elevado na via apresenta sérios riscos para quem a utiliza como forma de realizar exercícios, o que pode acarretar acidentes graves. – Vereador Paulo Altivo.

REQUERIMENTOS • Encaminhamento de ofício ao DER/MG (Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais), solicitando um recapeamento asfáltico na estrada que liga o trevo ao Município de Resende Costa, tendo em vista os transtornos ocasionados aos motoristas que trafegam no local, uma vez que os buracos constantes comprometem a pista, colocando em risco os veículos e seus condutores. – Vereador Lucas.

• Possiblidade de ser realizada a instalação de dois quebra-mo-

• Encaminhamento de ofício à empresa de telefonia VIVO, solicitando informações sobre a falta de sinal da operadora no município de Resende Costa, mais precisamente na zona rural, tendo em vista as constantes reivindicações trazidas pelos usuários, no sentido de reestruturar e aprimorar os serviços de atendimento. – Vereador Guerra. • Encaminhamento de ofício à Polícia Militar do Município de Resende Costa-MG, questionando o funcionamento do número de atendimento 190. Caso este referido número não apresente funcionamento regular, solicitar a divulgação do novo número de ligações gratuitas para a comunicação dos cidadãos resende-costenses. – Vereador Cláudio. • Encaminhamento de ofício ao Comitê de Enfrentamento da Covid-19, no sentido de solicitar o retorno da fiscalização em relação à questão da aglomeração de pessoas no Município, sendo esta em vias públicas, comércios, devido à situação de pandemia existente. – Vereador Cláudio.

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Um casarão assobradado, erguido provavelmente em meados do século 19 ao lado da igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, sedia o Poder Legislativo do município de Resende Costa. É no salão nobre desse imponente solar que os vereadores se reúnem, legislam, debatem os rumos do município e representam, politicamente, os cidadãos resende-costenses. Até 1987, o sobrado, que antes fora casa de morada de nobres famílias do antigo Arraial da Laje, serviu durante anos como paço do Executivo Municipal. Antes de se tornar prédio público, em 1º de outubro de 1936, o imóvel pertenceu a nobres famílias da antiga Laje, hoje Resende Costa. “O sobrado, presumivelmente construído no início do século 19, pertenceu a abastadas famílias, pois ter um casarão naquele lugar, topo do Arraial, ao lado da Capela, era um privilégio. Indícios revelam que ele foi um dos poucos imóveis assobradados do largo. Para erguê-lo e mantê-lo, era necessário um grande poder aquisitivo. Os alicerces do seu porão foram construídos em pedras para darem sustentação às paredes de adobe do segundo andar. Conta-se que existia uma passarela que o ligava ao adro lateral da igreja [matriz]”, escreveu a professora Elaine Amélia Martins em artigo publicado no Jornal das Lajes em outubro de 2005 e que faz parte da

coletânea “Um Olhar Sobre Resende Costa”, amiRCo, 2011. Em seu livro “Memórias, vol. I”, o professor Antônio de Lara Resende menciona o imponente sobrado da Câmara e confirma a existência da passarela que, conforme abordou Elaine, ligava o imóvel à igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França. “Um passadiço de sólidas peças de madeira extenso, de uns quinze metros se não mais, a uns cinco metros do nível da rua, ligava o solar dos Pinto-Lara às tribunas que na igreja matriz só a eles se reservavam. Aquele passadiço, que não mais existia no tempo em que comecei a me entender por gente, dispensava os habitantes e hóspedes do sobrado de pisar chão de rua para irem à igreja e de lá voltarem. Contava papai que, sendo ele menino ainda, quando, nas procissões, as imagens transitavam por debaixo do passadiço, toda a meninada da família despejava sobre elas bandejas de flores. E alternavam-se duas turmas. Uma lá ficava para a florida saudação, enquanto outra, vestidos uns de anjo, outros de virgem, ia acompanhando a procissão”. Antes de passar às mãos dos Pinto-Lara, o imóvel pertenceu à família Sousa Maia, que, conforme escreveu Elaine Martins em seu artigo, “ali se estabelecia em dias de festa do Arraial”. A descrição que o professor Lara Resende faz do antigo sobrado dos Pinto-Lara, que ainda se destaca na esquina da praça Nos-

sa Senhora de Fátima com a rua Orquestra Mater Dei, permite-nos voltar os olhos para o passado, como se estivéssemos defronte de um espelho que reflete sombras da história. O casarão era símbolo do poder da aristocracia rural lajeana que ditava solidamente, ao lado da Igreja, os rumos e os costumes do pequeno arraial erguido no topo da colina de pedra. Não é por acaso que ambas as edificações (igreja e o grande solar) localizam-se lado a lado. No início do século 20, ainda conforme relatos de Antônio de Lara Resende, o passadiço que servia para “preservar” os ilustres moradores do casarão do contato com os simples mortais que transitavam sob seus pés, deixou de existir. Assim como certos privilégios gozados por poucos poderosos. “As tribunas da igreja matriz passaram depois a receber só pessoas mais velhas da família privilegiada, que, crescendo em número, teve de ir se adaptando às imposições da contingência, até que desapareceu o privilégio, com a reforma a que o padre Alfredo de Macedo, nos primeiros anos desse século, procedeu no templo”. TRANSFORMAÇÃO Se no século 19 o velho sobrado se ergueu como símbolo do poder que emanava das mãos e da influência de nobres famílias representantes da aristocracia rural da Laje, nas primeiras décadas do século 20 o seu papel na sociedade resende-costense começou a se

Foto: André Eustáquio

Sobrado da Câmara Municipal: o solar majestoso que ajuda a contar a história do poder na antiga Laje, hoje Resende Costa

Fotografia atual da sede da Câmara Municipal mostra a localização do histórico imóvel, erguido ao lado da igreja matriz

modificar. Ao ser adquirido, em 1936, pelo então prefeito Doutor Costa Pinto, o imóvel, que pertencia na ocasião a Christovan Gonçalves Pinto, foi preparado para sediar os poderes Executivo e Legislativo. Reformas estruturais adaptaram a suntuosa casa de morada para ser prédio público. Porém, o velho casarão dos Pinto-Lara jamais deixou de lado sua vocação para abrigar o poder. Diferentemente dos tempos dos coronéis aristocratas que ditavam regras e normas protegidos por fiéis súditos, hoje as leis elaboradas e aprovadas no salão nobre da Câmara Municipal são chanceladas pela democracia e pela vontade soberana do povo. E, felizmente, os atuais in-

quilinos do velho solar não usam passadiço para adentrarem ao salão nobre. Como qualquer simples cidadão desprovido de títulos e honrarias, eles sobem as escadas que dão acesso ao interior da sede do Legislativo de Resende Costa, a casa do povo, sob o olhar vigilante e confiante daqueles que os elegeram e que merecem a máxima fidelidade. Reconhecendo, enfim, o valor histórico, cultural, arquitetônico e artístico do imóvel, o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Resende Costa tombou, através do decreto municipal datado de 9 de outubro de 2020, o belo e imponente casarão dos Pinto-Lara, hoje sede da Câmara Municipal de Resende Costa.


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

INFORME PUBLICITÁRIO

Prefeitura recebe as primeiras doses de imunizantes contra a Covid-19 e inicia plano de vacinação Entre o final de janeiro e os primeiros dias de fevereiro, Resende Costa recebeu as primeiras doses de vacinas contra o coronavírus, dando início ao Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19. Até o dia 1º de fevereiro, o município havia recebido doses suficientes para vacinar 291 pessoas, sendo 171 doses de CoronaVac (desenvolvida pelo laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan) e 120 do laboratório AztraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, da Inglaterra. As vacinas estão sendo distribuídas pelo governo de Minas Gerais através da Gerência Regional de Saúde (GRS). “É muito gratificante para nós fazer parte deste início do processo de vacinação contra a Covid-19. Aproveito para parabenizar todos os colaboradores e colaboradoras da Secretaria da Saúde que estão fazendo de tudo para combater o coronavírus e executar o plano de vacinação com eficiência”, declarou o prefeito Zinho Gouvea. Na primeira etapa de vacinação, que contou com 82 doses, foram imunizados os seguintes profissionais: motoristas de ambulância, profissio-

nais do SAMU, do Hospital e da atenção básica que lidam diretamente com casos suspeitos ou confirmados de Covid-19. A segunda etapa da vacinação teve início no dia 2 de fevereiro. As 209 doses disponíveis foram aplicadas nos profissionais do Lar São Camilo de Lélis e também nos acolhidos na instituição, além de profissionais da saúde da rede pública e da rede hospitalar. Os critérios de prioridade seguem o estabelecido no Plano Nacional de Vacinação e estão em conformidade com a OMS (Organização Mundial da Saúde). Para o secretário de Saúde, José Luiz de Resende, este é um momento importante para o município. “Estamos dando o primeiro passo para que possamos retomar as atividades normais. Infelizmente, neste primeiro momento, não será possível atingir um grande público, devido ao número restrito de unidades do imunizante, mas estamos trabalhando para que em breve todos estejam vacinados’, declarou. O INÍCIO Em Resende Costa, a primeira profissional a ser vacinada foi Eliete Barbosa, auxiliar

José Luiz de Resende, secretário de Saúde, e o prefeito Zinho Gouvea com as seringas que estão sendo utilizadas na vacinação contra a Covid-19

de enfermagem da Prefeitura Municipal e responsável por diversas campanhas de vacinação já realizadas na cidade. “Estou muito satisfeita de ser a primeira resende-costense a receber a vacina contra a Covid-19. Em 25 anos de carreira, nunca vi uma

vacina ser tão esperada quanto essa. Quando for a sua vez de se vacinar, não deixe de vir”, declarou Eliete, reforçando a importância de que todos devem se vacinar. É importante lembrar que mesmo com o início da vaci-

nação, é necessário continuar combatendo a Covid-19, seguindo as medidas de prevenção, como a utilização de máscaras e álcool em gel e também o distanciamento social, medidas que devem ser seguidas mesmo por quem já foi vacinado.

Prefeitura em ação No dia 20 de janeiro, a Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente promoveu um encontro com os representantes da Feira Livre da Praça do Rosário. “Acredito no potencial da Feira,

estamos empolgados e vamos trabalhar para fazer o melhor para que tudo dê certo”, declarou Alexsander Lourdes, secretário de Agropecuária e Meio Ambiente.


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JOGO ABERTO COM JOSÉ LUIZ DE RESENDE

Enfrentamento da pandemia da Covid-19 em Resende Costa VANUZA RESENDE

O enfermeiro José Luiz de Resende assumiu a Secretaria Municipal de Saúde de Resende Costa no último dia 01 de janeiro, tendo como missão dar continuidade ao trabalho da pasta no enfretamento da pandemia da covid-19 no município. Graduado em enfermagem, o novo secretário é especialista em unidade de terapia intensiva, urgência e emergência e em obstetrícia. Já atuou como enfermeiro supervisor na Santa Casa de São João del-Rei, enfermeiro responsável técnico no hospital Cassiano Campolina em Entre Rios de Minas e professor/supervisor universitário no Uniptan em São João del-Rei. Nesta entrevista ao JL, José Luiz fala sobre as demandas atuais da pasta e as ações de enfretamento da pandemia da covid-19, incluindo a chegada de vacinas contra a doença. Qual é a sua avaliação sobre a situação de enfretamento à pandemia da covid-19 em Resende Costa? Em comparação com muitos municípios da Macro Centro-Sul, o diagnóstico situacional da pandemia em Resende Costa se mostra favorável. Apesar das inúmeras ações profiláticas adotadas pelo município, hoje contabilizamos apenas dois óbitos, o que não deixa de ser lamentável, claro! Ressalto que nosso plano de contingência consta de várias ações de enfrentamento. No momento, temos como foco o Lar São Camilo, onde intensificamos nossas ações junto à administração da ILPI ( Instituição de Longa Permanência para Idosos). De acordo com o boletim epidemiológico, emitido pela Secretaria Municipal de Saúde no dia 27 de janeiro, apenas 48,22% das notificações eram testadas. Você considera suficiente o número de testes aplicados nos pacientes que foram

notificados? Já foram realizados mais de 2 mil testes rápidos desde o início da pandemia no município, sendo esses aplicados em pacientes notificados, profissionais da saúde, população economicamente ativa e vulneráveis. Porém, os resultados negativos no teste rápido não são contabilizados no boletim epidemiológico, de acordo com Nota Técnica da Secretaria Estadual de Saúde. Os descartados no boletim são somente por exame laboratorial (RT PCR). Qual o número de testes disponíveis em Resende Costa? Gostaria de ressaltar que não se trata de estocar testes. Temos um quantitativo suficiente para atender a demanda. À medida que precisamos, bastar fazer solicitação que recebemos em tempo hábil. Tranquilizo a população sobre a realização dos testes: todos aqueles que porventura precisarem fazer o exame serão atendidos sem atropelos. Condições que nos permitem realizar exames: • RT-PCR é realizado em sintomáticos após prescrição médica e enviado para FUNED. O kit de coleta é enviado continuamente pela regional de saúde de acordo com a demanda. • Teste rápido é feito no final do isolamento ou quando o paciente procura atendimento já com pelo menos 10 dias do início dos sintomas. A Secretaria Municipal de Saúde recebe resultados de exames de laboratórios particulares de outros municípios que realizam os testes? Por exemplo, se um resende-costense realiza o teste em um laboratório particular em São João del-Rei e testa positivo, a confirmação é registrada no boletim? Como é feito esse controle? Sim. Qualquer cidadão pode procurar laboratório particular, independente do município. No caso de positivar, ele será cadastrado no sistema e encaminhado para nossas unidades de saúde para as condutas pertinentes. Nesse caso, serão realizados uma

busca ativa e o monitoramento de todos os envolvidos. Todos os laboratórios particulares devem lançar os exames positivos no sistema do governo e assim podemos fazer o monitoramento constante do sistema. É fundamental que o paciente nos comunique logo que realizar o exame.

Foto: Cássio Almeida

“O uso de máscara, álcool em gel, lavar as mãos e manter distanciamento social continuam essenciais. A situação será considerada favorável somente a partir de um percentual de 70% da população ter sido vacinada”

Tivemos dois óbitos registrados em Resende Costa até o dia 27 de janeiro. As duas pessoas que morreram eram pacientes do Lar São Camilo? Como estão os cuidados com o Lar? Lamentavelmente tivemos dois óbitos no Lar. Esclareço que a Secretaria Municipal de Saúde, juntamente com a Regional de Saúde e Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) da Secretaria de Saúde do Estado, estão acompanhando desde a primeira notificação. Todas as medidas sanitárias, diagnóstico e atenção à ILPI estão sendo realizados em conjunto com os responsáveis pela instituição. Uma vez que Resende Costa foi um dos pequenos municípios da região que mais recebeu doses da Coronavac, que chegaram no dia 19 de janeiro para a GRS de São João del-Rei, os idosos e os profissionais do Lar serão contemplados também? As orientações recebidas para as primeiras doses de vacina não contemplavam as ILPI’s. A prioridade era para os profissionais de saúde da linha de frente, uma vez que o número de doses era insignificativo para atender esse contingente específico. Além disso, já havia um óbito em investigação na instituição, no que isso iria infringir o protocolo de imunização. Como foi a distribuição das doses? Quantos profissionais de quais setores receberam a vacina? 47 profissionais de linha de frente que estão em contato direto com caso suspeito/positivo do Hospital Nossa Senhora do Rosário; 8 motoristas de ambulância;

José Luiz de Resende, secretário municipal de saúde de Resende Costa

7 profissionais do SAMU; 20 profissionais de saúde em contato direto com caso suspeito/positivo da atenção básica. Como será a distribuição das novas doses que devem chegar ao município? Serão destinadas à continuidade de imunização dos profissionais de saúde e à ILPI, no caso o Lar São Camilo. Caso venha número superior ao esperado, seremos conduzidos pelas orientações da GRS – Gerência Regional de Saúde. Mesmo com a chegada da vacina, as autoridades se preocupam com a pandemia, que ainda não tem data para acabar. Fale sobre a importância dos cuidados contra a doença que devem ser mantidos pela

população. Trata-se de um momento muito importante nisso tudo que estamos vivendo. As pessoas que já foram imunizadas pelas duas doses ainda terão que manter todas as profilaxias preconizadas pelo Ministério da Saúde: o uso de máscara, álcool em gel, lavar as mãos e manter distanciamento. Só será considerada favorável uma situação a partir de um percentual de 70% da população já tendo sido vacinada. *As perguntas foram enviadas para o secretário de Saúde no dia 28 de janeiro, sendo respondidas no dia 01 de fevereiro. Infelizmente no dia 02, dia de fechamento desta entrevista, o município de Resende Costa já havia confirmado o terceiro óbito pela doença.


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CIDADE

Resende Costa, oficialmente a capital mineira do artesanato têxtil JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O título oficial de “Capital Mineira do Artesanato Têxtil” e o selo de procedência em fase de implantação serão duas ferramentas fundamentais na busca pelo fortalecimento e pelo reconhecimento da atividade têxtil de Resende Costa. A análise é de Luís Cláudio dos Reis, empreendedor e agente de desenvolvimento e cooperativismo. “Afirmação da identidade, valorização econômica e maior expansão da principal atividade comercial do município.” O título foi concedido ao município em 06 de janeiro, após o governador Romeu Zema (Novo) sancionar a lei estadual 23.770/2021, de autoria do deputado Cristiano Silveira (PT). “O título é uma forma de reconhecimento dessa importante tradição, parte da cultura e da história de Resende Costa, que já atrai turistas, movimenta a economia e emprega boa parte da população”, diz Silveira. “Com esse título, damos um impulso ainda maior na divulgação da cidade, incentivando a expansão do turismo e do progresso econômico local”, acrescenta o deputado estadual, autor da lei. “O título certamente irá fortalecer ainda mais a nossa identidade de cidade do artesanato”, reforça André Eustáquio Melo de Oliveira, secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura (SETAC). “Resende Costa já é referência em Minas, e por que não dizer no Brasil, pelo artesanato em retalhos produzido aqui. Tapetes e colchas tecidos pelas mãos habilidosas e criativas dos nossos artesãos já foram temas de inúmeras reportagens na imprensa, inspiraram temas de estudos acadêmicos e até apareceram em cenários de novelas e minisséries da TV. É evidente que essa exposição do nosso artesanato torna Resende

Costa ainda mais conhecida no país e procurada por turistas.” Luís Cláudio defende que essa conquista permita, “a médio prazo, um trabalho de exploração de mídia mais regional e um projeto maior, com foco no público nacional e, quem sabe, até internacional”. Já os componentes da cadeia de produção, a começar pelos artesãos, podem beneficiar-se de diferentes formas, acrescenta: “O primeiro passo é entender e assimilar a importância desse título. O primeiro benefício é a autoestima (agregar valor sentimental) e, em um segundo momento, agregar valor também financeiro. Será um grande trunfo para o marketing da cidade.” De fato, o título reconhece a vocação e o talento dos artesãos resende-costenses e confirma que essa bela e genuína cidade mineira é, sim, o recanto do artesanato e o destino certo de quem deseja conhecer as belezas do município e a arte tecida por mãos criativas e talentosas, completa André. “Esse título é uma grande conquista que precisa ser celebrada. Porém, acima de tudo, deve servir de incentivo e de inspiração para todos nós resende-costenses a fim de valorizarmos as nossas tradições, o nosso patrimônio (material e imaterial) cultural e a nossa identidade. Mais ainda, irá valorizar o trabalho fantástico dos nossos artesãos e lojistas que, incansavelmente, fazem de Resende Costa referência para o turismo e para a cultura na região do Campo das Vertentes.” O TEAR E A INCONFIDÊNCIA O tear manual faz parte da história de Resende Costa desde o Brasil-Colônia e, inclusive, tornou-se patrimônio imaterial do município. Nos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, há um tear entre os bens sequestrados da

Por conta dos impactos da pandemia, Assistência Social de Resende Costa registrou aumento de mais de 100% nos atendimentos

fazenda do Padre Toledo, no antigo Arraial da Laje, de acordo com o pesquisador João Pinto Furtado, em “O Manto de Penélope”. O uso do tear era proibido pela Coroa Portuguesa porque todos os tecidos tinham que ser importados da Inglaterra. “Curiosamente, o tear se tornou amplamente utilizado na localidade e atualmente é a principal fonte de renda do município de Resende Costa, empregando centenas de pessoas”, diz Claudir Carvalho, em “Padre Toledo e a Inconfidência Mineira” (18.02.2019, Villa Alferes Pousada). A arte de tecer é passada de geração em geração, sendo parte da identidade do povo resende-costense. Estima-se que a cidade possua cerca de 80 lojas especializadas no comércio de peças têxteis criadas a partir do retalho e tecidas em tear manual. Aproximadamente 70% da população do município vive direta ou indiretamente do comércio e/ou da produção de artesanato. De acordo com dados de 2015, o setor de artesanato movimenta cerca de R$6 milhões/ ano no município. “Quero destacar a importância desse título para o setor econômico do nosso município. Sendo o artesanato um dos maiores vetores que impulsionam o comércio e a economia de Resende Costa, o título agregará ainda mais valor e visibilidade ao nosso maior produto, ou seja, à vitrine que divulga Resende Costa ao país, ao mundo”, conclui André. Os produtos criados em Resende Costa são nacionalmente conhecidos e atraem ao município, durante todo o ano, turistas de diversos estados do Brasil, principalmente de São Paulo e do Rio de Janeiro.

VANUZA RESENDE

Com informações da Prefeitura Municipal de Resende Costa. Foto: arquivo Asseturc

Tear de madeira exposto na Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa

Por conta dos impactos econômicos e sociais da pandemia do novo coronavírus, a Assistência Social de Resende Costa apresentou um aumento significativo dos números de atendimentos e concessão de benefícios. Atualmente a secretaria atende cerca de 340 famílias por mês, mas com grande aumento de cadastros devido à situação financeira e psicológica, reflexos da pandemia. A atual secretária da pasta, Edirlene Aparecida do Nascimento, descreve a situação. “O ano de 2020 foi atípico em todo o mundo, aqui no município não foi diferente. Segundo a equipe das Técnicas do CRAS, a pandemia levou muitos usuários a procurarem a Secretaria Municipal de Assistência Social. Tivemos um aumento significativo, de mais de 100%, na busca de informações referentes ao auxílio emergencial. Pessoas que não possuíam cadastro no Cad-Único, como autônomos, vieram em busca de benefícios eventuais que são ofertados pela Secretaria. Edirlene também destacou que com a queda de receita dos resende-costenses, foi registrado um grande número de usuários na busca de cestas básicas e outros auxílios. “Os usuários que vieram em busca desses auxílios foram atendidos de forma imediata, para suprir as necessidades dos mesmos, como a distribuição de kits de higiene para a população que estava em situação vulnerável”. A secretária também fala sobre o investimento de outros recursos recebidos pela pasta. “Com os repasses que foram realizados pelas esferas estadual e federal, foram adquiridos equipamentos para dar continuidade ao excelente serviço prestado pelo Lar São Camilo de Lélis. Também foram adquiridas cestas básicas para a APAE, equipamentos de manutenção da secretaria, e cestas básicas com Kit de Higiene para a população que estava em situação atual vulnerável. Todas as aquisições vieram especificadas nas portarias indicando em que os recursos poderiam ser aplicados”, explica a secretária. Questionada sobre os atendimentos mais procurados nesse momento, Edirlene lista os serviços realizados pela

Assistência Social. “Estamos com uma busca intensa por atendimento de denúncias de violação de direitos, benefícios eventuais, atualização e cadastramento de Cad-Único com ênfase do Programa Bolsa Família e Tarifa Social. Ressalto que todos os usuários, que buscam os auxílios, estão dentro dos critérios da vulnerabilidade social, segundo a tipificação nacional”. COMO BUSCAR ATENDIMENTOS O CRAS – Centro de Referência de Assistência Social – fica na rua Vereador Antônio Salomão, 60, Expedicionários, Resende Costa, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13h às 17h. O telefone para contato é o (32) 3354-2379. “Ressalto que as pessoas que necessitam de algum benefício ou serviço que é ofertado pela Secretaria que nos procurem no CRAS para que possamos atender todos de forma justa e humana”, informa Edirlene. Ainda de acordo com a secretária, mesmo durante a pandemia, os atendimentos continuam. “Estamos realizando atendimento presencial com horários agendados e trabalhando em home office, através de sistema remoto. Além disso, realizamos visitas na zona rural, com os devidos cuidados de distanciamento e de higienização, deixando abertas todas essas alternativas de acordo com a adaptação de cada usuário.” Edirlene, que assumiu a pasta no dia 01 de janeiro, falou sobre o trabalho desenvolvido e os planos para a Secretaria. “Eu, como gestora da Secretaria, a coordenadora do CRAS e as técnicas de referência e a gestora do Programa Bolsa Família estamos com a missão de dar continuidade ao trabalho que vem sendo realizado e também com a principal missão e desafio de inovar. Queremos criar oportunidades, elaborar momentos de interação familiar, resgatar laços, fortalecer vínculos e buscar parcerias para gerar renda para a população vulnerável. Já estamos planejando diversos projetos e programas para serem executados após a pandemia. O objetivo é empoderar as pessoas, gerar renda e auxiliá-las na conquista de seus objetivos. Dessa forma, procure-nos quando necessário. Estamos aqui para servir!”, finaliza.


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ACONTECEU por Vanuza Resende

ACONTECEU

Camila Chaves

Momento histórico: chegada da vacina contra a Covid-19 Desde o dia 19 de janeiro, os brasileiros estão recebendo a vacina contra a covid-19. Nesse primeiro momento, em todo o país, a prioridade é imunizar profissionais da saúde e idosos que residem em instituições de longa permanência, como os asilos. O JL traz, nesta edição, registros compartilhados por profissionais da saúde resende-costenses e de outras cidades da região que atuam na linha de frente de combate à covid-19 e que já tomaram a vacina.

Em São João del-Rei, as primeiras doses da vacina foram aplicadas no dia 19 de janeiro em uma cerimônia simbólica na UPA (Unidade de Pronto Atendimento). A primeira pessoa a ser vacinada foi a auxiliar de serviços gerais Eliane Antônia Alves, que atua na área covid-19 da Santa Casa de Misericórdia. Reprodução: Rádio Emboabas

A enfermeira do Hospital Nossa Senhora do Rosário, Lussara Coelho, 34 anos, foi uma das profissionais contempladas na primeira remessa do imunizante que chegou a Resende Costa. Reprodução: arquivo pessoal.

Em São Tiago, a primeira dose da vacina foi aplicada no dia 20 de janeiro no médico Carlos Herbert de Almeida, o Dr. Carlito. Reprodução: Prefeitura Municipal de São Tiago.

A médica resende-costense Nádia Moreira, 28 anos, atua no município de Macaé (RJ) e também foi vacinada contra a doença. Reprodução: arquivo pessoal.

A fisioterapeuta resende-costense Mariana Oliveira, 26 anos, recebeu a vacina no Hospital Felício Rocho, unidade em que trabalha em Belo Horizonte, MG. Reprodução: arquivo pessoal.

A técnica em enfermagem do Hospital Nossa Senhora do Rosário, Bruna Maria de Resende, 27 anos, também foi contemplada com a vacina Coronavac. Reprodução: arquivo pessoal.


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ACONTECEU

Sacerdotes filhos de Resende Costa tomam posse em paróquias da Diocese de SJdR ANDRÉ EUSTÁQUIO

A segunda quinzena de janeiro foi marcada por solenidades de posses de diversos padres da Diocese de São João del-Rei. O bispo diocesano, dom José Eudes Campos do Nascimento, presidiu as celebrações nas paróquias que receberam seus novos párocos e administradores paroquiais. Os sacerdotes resende-costenses Adriano Tércio Melo de Oliveira, Paulo Marcelo Daher Gomes Filho e Lucas Alerson de Sousa tomaram posse, respectivamente, em Lagoa Dourada, Madre de Deus de Minas e Ijaci. Na solenidade de posse do padre Adriano Tércio, no último dia 28, na Paróquia de Santo Antônio, em Lagoa Dourada, dom José Eudes destacou durante a homilia a disponibilidade do sacerdote em assumir a missão evangelizadora. “Se não fosse a pandemia, tenho certeza de que essa igreja estaria repleta de paroquianos para acolher esse sacerdote que disse ‘sim’ e aceitou esse novo passo na sua caminhada sacerdotal. Tenho certeza de que o padre Adriano fará um belo trabalho nesta comunidade, junto com o monsenhor José Hugo, um grande exemplo para todos os cristãos”.

Em Madre de Deus de Minas, padre Paulo Marcelo, que em dezembro de 2020 completou 21 anos de sacerdócio, falou sobre o novo passo que dará em sua caminhada sacerdotal e agradeceu ao bispo de São João del-Rei por nomeá-lo pároco da Paróquia de Nossa Senhora Mãe de Deus. A missa solene de posse do padre Paulo aconteceu no dia 27 de janeiro último. “Estou muito feliz em estar aqui e, de novo, recomeçar. Em dezembro de 2020, eu completei 21 anos de vida sacerdotal e me vejo feliz com a história já construída nas paróquias por onde passei e venho para continuar essa missão. Aos poucos vamos nos conhecendo e caminhando juntos, em comunidade. Peço a oração de todos, pois todas as mudanças causam medos e inseguranças, mas precisamos enfrentar nossos medos e dificuldades sempre de coração aberto. Agradeço ao bispo dom José Eudes por me confiar essa missão, me dar de presente essa comunidade e me colocar no colo de Nossa Senhora, Mãe de Deus”. No dia 26 de janeiro, padre Lucas Alerson de Sousa foi empossado administrador paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Ijaci. Padre Lucas, que no último dia 8 completou 1 ano de sacerdócio, trabalhou como vigário paroquial na Paró-

Padre Paulo Marcelo é empossado pároco da Paróquia de Nossa Senhora Mãe de Deus, em Madre de Deus (Foto: Ellen - Pascom Madre de Deus)

quia Santuário do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, em São João del-Rei. Desafio, alegria e responsabilidade: palavras centrais no discurso do novo administrador paroquial da Paróquia de Ijaci. “A expectativa é a melhor possível nesta nova missão porque, a partir de então, a Igreja me confia uma nova responsabilidade. Ao mesmo tempo em que é um desafio, é uma alegria saber que agora, mais diretamente, nós contamos com esse trabalho mais próximo do povo de

Deus”. Missão e trabalho, além de serem compromissos dos sacerdotes ordenados com o propósito de evangelizar, tornam-se sentimentos de motivação para os jovens padres que abraçam novos desafios inspirados na causa maior do Evangelho, que é levar Cristo a todos os povos. “O Senhor me chamou para uma missão junto a esta comunidade e me alegro em dar novos passos junto com vocês. Deus, através dos sacerdotes,

fez deste solo sagrado que merece todo o meu zelo, atenção e cuidados. Que a exemplo de Santo Antônio, eu possa levar, com minhas palavras e gestos, a pessoa de Jesus a todos os corações. Darei o melhor de mim para contribuir para o crescimento dessa paróquia”, disse padre Adriano Tércio, novo pároco de Lagoa Dourada. Com informações da Assessoria de Comunicação da Diocese de São João del-Rei.

Dom José Eudes presidiu as solenidades de posse dos novos párocos e administradores paroquiais (Foto: Pascom Lago Dourada)

Ritual de posse presidido pelo bispo diocesano dom José Eudes Campos do Nascimento (Foto: Portal Diocesano)

Padre Lucas Alerson é acolhido pelos seus novos paroquianos em Ijaci (Foto: Portal Diocesano)

Padre Adriano Tércio, empossado pároco de Lagoa Dourada, recebe a chave da igreja (Foto: Pascom Lagoa Dourada)


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Não é com você – Ei, você! Venha aqui, por favor. Olhei bem, não conhecia o cara. Mas ele me chamava de modo tão convincente que acabei indo. Não era comigo. Era com outro alguém mais atrás. Reassumi minha condição de nada e fui embora. Outra vez foi na cafeteria. Nem bem virei a xícara na boca, uma senhora de óculos escuros parou à minha frente, sorriu e abriu os braços. Levantei-me da mesa e fui até ela com as minhas asas abertas, pois é sempre bom aninhar-se num abraço. Pois a mulher passou direto. Era com outro alguém mais atrás. Aproveitei as minhas asas abertas e saí de lá voando discretamente, sem olhar pra trás. Mico alado. E na lotérica? O rapaz que atendia no guichê olhou em minha direção e disse sorrindo: – Você pode passar à frente. Não entendi o privilégio que ele me concedeu e adiantei-me um tanto sem graça. Foi aí que chegou ao guichê uma mulher grávida. Era alguém que estava mais atrás. Voltei conformado para o meu lugar, com a cara maior do que aquele barrigão. Rebate falso. Ontem, quando saí do meu prédio, veio de repente um cachorro enorme latindo em minha direção. E vinha feroz. Gelei. Mas o bicho passou direto. A implicância dele era com um gato... que estava mais atrás. E sumiram, um correndo atrás do outro. Preciso me localizar melhor. O recado é sempre para

quem está mais atrás. Aquela frase é certa: os últimos serão os primeiros. Hoje pela manhã, passou uma moto e a condutora me acenou efusivamente. Dei um tchauzinho, também efusivo. Não era comigo. Também não era com alguém que estava mais atrás. Era com alguém que estava mais acima. Nem olhei pra janela do sobrado. Pior foi o Mané Cráudio, meu amigo chegado a pagar altas somas ao mico. Estava no banheiro do shopping quando ouviu na cabine ao lado: – E aí? Tudo bem? Você está sumido. E o Mané Cráudio, tentando reconhecer a voz do outro: – Estou por aqui mesmo. – A família está bem? – Todos estão ótimos. ¬– Quero te contar uma novidade. Você vai adorar. O Mané Cráudio saiu do banheiro para esperar a novidade e, enfim, certificar quem era o amigo. Não era amigo. Nem era conhecido. Saiu do banheiro um homem falando ao celular. Comentei essas coisas com a Tia Zenóbia, minha vetusta tia filósofa. Tia Zenóbia escutou pacientemente a minha angústia de ser confundido e disse de modo sábio: – Na verdade, meu filho, isso pode ser bom. Quando a morte chegar, pode ser que ela leve outro em seu lugar. Não gosto de aparecer, mas, depois dessa filosofia da Tia Zenóbia, ando meio cismado de ficar um pouco mais atrás.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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“Esplêndida aventura” “Dicionário, para mim, nunca foi apenas obra de consulta. Costumo ler e estudar dicionários. Como escritor, sou obrigado a jogar com palavras. Logo, preciso conhecer o seu valor exato.” Essa foi a resposta do escritor Graciliano Ramos (1892-1953) a uma anterior observação do jornalista Homero Senna sobre o assunto em entrevista dele ao autor de Vidas secas (a última do “Velho Graça”), preciosidade publicada originalmente em 1948. Ainda que desprovida dos predicados do entrevistado em questão, também costumo ler e estudar dicionários. E mais. Não abro mão de ter meus leais companheiros de papel por perto. Não desconsidero as versões online. Acontece, porém, que me acostumei e me afeiçoei aos calhamaços que carrego e manuseio com prazer. Uma paixão, é verdade. Como professora, dos tempos em sala de aula, ao ensinar e incentivar o uso deles aos alunos mais novos, gostava de rebater o apelido que têm de “o pai dos burros” e preferia chamá-los de “o pai dos inteligentes”, os que vão em busca do conhecimento. É fato que a origem exata desse epíteto não se tem. Segundo Ana Salgado, lexicógrafa portuguesa, “poderíamos, é certo, estabelecer uma relação entre dicionário, obra de saber, com o não saber de quem o vai consultar. Mas não. A expressão deve-se ao facto de o pai de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (autor do Dicionário

Aurélio) fabricar carroças puxadas por burros. Essas ditas carroças eram muito cobiçadas pelos passageiros que diziam que não tinham palavras para elogiar o trabalho de seu pai. Assim, Aurélio (ainda menino) decidiu fazer um sumário dos termos usados para os elogios, nascendo o seu primeiro dicionário: o pai dos burros! Lindo, não?” Indo muito além das indispensáveis definições dos verbetes em todas as suas acepções, esse importante instrumento de pesquisa fornece informações sobre sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical, etimologia (origem) das palavras, entre outras, abrangendo um campo amplo de conhecimentos lexicográficos. E praticamente todas as áreas do conhecimento humano, daí envolver em sua criação o trabalho coletivo e especializado como suporte técnico ao dicionarista. Fazer um dicionário, sabe-se, é entregar-se a um projeto grandioso, exaustivo, de intermináveis anos e até sacrifícios à saúde de quem a ele se dedica. Algumas curiosidades sobre essas monumentais fontes de estudo merecem aqui um registro em forma de palavras. A primeira é “saudade”, que não tem tradução em outras línguas. A segunda é, preparem-se!, “pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico”, a maior palavra do português, com 46 letras, registrada no Dicionário Houaiss da língua portuguesa em

2001. Significado: relativo a, próprio de doença pulmonar causada pela aspiração de cinzas vulcânicas. A terceira palavra é “alfabetizar”. v.t.d. 1. Ensinar a ler: “Capitão Josué contratou uma professora, em Santana, para alfabetizar os filhos.” (Gentil Ursino Vale, Confidências do Agreste, p.11) – Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Além de popularizar o acesso ao dicionário, Aurélio Buarque também inovou ao trazer citações de outros autores ao lado da definição das palavras. É o que vê acima ao usar a frase de um livro do escritor resende-costense Gentil Vale para contextualizar o verbete “alfabetizar” (em sua primeira acepção), um reconhecimento público de peso à obra do nosso conterrâneo. “Fazer dicionários é como caçar borboletas. As palavras voam, é preciso caçá-las”, dessa forma definia seu ofício Aurélio, cujo nome virou nome de dicionário, lançado em 1975 e o maior fenômeno do mercado editorial brasileiro. E termino com Monteiro Lobato (1882-1948). Lembrado pelo jornalista citado no início desta matéria (ao entrevistar Graciliano) como também um leitor de dicionários, Lobato, referindo-se ao Dicionário Aulete (publicado em Lisboa, 1881) fala com entusiasmo em carta ao amigo Godofredo Rangel (escritor) da “aventura esplêndida” que estava sendo para ele o passeio pelo “oceano das palavras”.


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De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO*

Em 1981, Resende Costa estava em festa, não sem razão. Enfim, uma nova estrada asfaltada havia sido construída para benefício dos que sofriam com a precária estrada de terra que nos ligava a Coronel Xavier Chaves e São João del-Rei. As más condições da estrada, até aquele ano, eram como uma barreira para o pleno desenvolvimento do nosso município. A estrada asfaltada tornou-se, portanto, uma necessidade. Para resolver o problema, sentaram-se à mesa o prefeito municipal, o pároco, o presidente da Câmara Municipal e, posteriormente, o governador do estado e os irmãos da família Penido, daqui de Resende Costa, proprietários da empresa de construção civil Serveng Civilsan. Inaugurada a estrada, o ir e vir se tornou mais seguro, rápido e confortável para os viajantes. Aquela foi uma obra que não contrariou nem foi tida como desnecessária por ninguém. Não houve protestos, só elogios. Bem construída, com pista mais larga e com traçado bom, a

estrada fez com que o número de visitantes crescesse. E foi nessa época que os olhares se voltaram para uma atividade que envolvia muitos resende-costenses: o artesanato em tear. Os trabalhos bem feitos começaram a ser mais bem apreciados pelos que aqui vinham a passeio ou a negócio. E, aos poucos, muitas pessoas começaram a se interessar por aprender a tecer colchas, jogos americanos, caminhos de mesa, tapetes e toalhinhas, principalmente. A arte de tecer foi sendo passada de pais para filhos, ou mesmo entre amigos ou de uma vizinha para outra, de forma a atender a demanda crescente pelo artesanato local. Os relatos dos atuais artesãos comprovam isso. Por isso mesmo, muitas casas, além do mobiliário básico de uma moradia, passaram a ter pelo menos um tear. É certo que em muitas delas há dois ou mais teares que servem aos seus moradores. Aquela atividade pequena, que envolvia poucas pessoas, tornou-se grande tanto em volume de produtos artesanais quanto em pessoas envolvidas na

sua produção e comercialização. Ao longo desses anos, nós nos acostumamos a ver pessoas sentadas do lado de fora de suas casas, conversando animadamente e enrolando novelos de retalhos. Enquanto isso, outros estão nos seus teares, tecendo ou dando o acabamento final aos produtos antes de serem colocados à venda. Por fim, vemos pessoas de todas as idades carregando o resultado do trabalho para entregá-lo a lojistas ou a viajantes que aqui vêm em busca desses produtos artesanais para vendê-los noutros locais. E há ainda quem se dedica em enviá-los pelos Correios a outras cidades do Brasil, e até do exterior, devido às vendas feitas pela internet. Muita coisa mudou nesses quarenta anos. A cidade cresceu, está diferente daquela da década de 1980. A pequena Resende Costa, cujos limites não ultrapassavam o campo de futebol dos Expedicionários e dos cruzeiros do Tijuco e do Pau de Canela, no fim da Rua São João del-Rei, ficou para trás. Surgiram novos

Foto: arquivo Toninho Melo

Estrada asfaltada e o desenvolvimento da cidade

Obras da estrada asfaltada de Resende Costa. O progresso da cidade passou por ela

bairros com construções que trazem a assinatura de arquitetos e engenheiros civis, o que era raro. Ampliaram-se, também, em virtude desse crescimento, serviços de saúde, restaurantes, pousadas, entre tantas outras atividades comerciais. A estrada asfaltada e a melhoria do poder aquisitivo da população refletiram-se até na qualidade da educação de estudantes universitários, que saem todos os dias para estudar na UFSJ ou no Uniptan, em São João del-Rei. É comum ouvirmos dizer

que em Resende Costa só não trabalha quem não quer. E isso é bem verdade. Todos trabalham. É comum ouvirmos ruídos vindos dos teares ainda de madrugada. Uns precisam produzir muito para atender à demanda, outros é porque têm, além da atividade com o artesanato, que assumir funções em demais serviços. Não é à toa que há pessoas que possuem até três frentes de trabalho, incluindo, evidentemente, a do artesanato. Enfim, em Resende Costa, as pessoas trabalham muito.

de estrangeiros conseguiram sucesso de alguma forma. O caso mais conhecido é o de Morris Albert, cujo nome é Maurício Alberto. Morris Albert emplacou um grande hit, “Feelings”, que foi regravado por artistas famosos como Johnny Mathis, Paul Anka e Ella Fitzgerald. Ou Michael Sullivan, que teve grande sucesso comercial compondo músicas infantis para a Xuxa e o Trem da Alegria. Artistas como Fábio Júnior começaram a carreira se passando por estrangeiros e, quando não sabiam falar inglês, iam aos programas de auditório ou shows sem poder abrir a boca para entrevistas para não entregar a encenação. Por trás desses artistas havia alguns personagens essenciais, que eram os músicos de estúdio. Um capítulo do documentário é dedicado ao grupo paulista “Os Carbonos” e outro episódio, aos cantores de es-

túdio e de coros, responsáveis pelos backing vocals. A história d’Os Carbonos é digna de registro. O grupo é composto por três irmãos de talento que trabalhavam em estúdios incessantemente, de segunda a segunda, fazendo as bases para uma infinidade de artistas de vários estilos. Foram tantas gravações que nem eles sabem em quantas músicas e discos tocaram. Se houvesse registro, pelas contas de Barcinski, provavelmente o grupo estaria no livro Guinness como os artistas com mais horas registradas em fonogramas. O documentário ainda trata de várias outras histórias bem legais como, por exemplo, o surgimento do mercado de música infantil no Brasil. São episódios curtos, algo como 30 minutos, e de conteúdo rico. Fica a dica para quem quiser saber mais sobre nossa música. E fico na torcida para ter uma segunda temporada.

Trilha sonora RENATO RUAS PINTO

Histórias secretas O que você acha do som da banda “Os Carbonos”? Possivelmente não conhece o nome ou nunca ouviu falar. Mas tenha certeza de que você já os ouviu tocando em dezenas de gravações, incluindo grandes sucessos da música brasileira, como “É o amor”, de Zezé di Camargo ou “Summer Holiday”, de Terry Winter. Aliás, sabia também que esse último artista, com nome gringo e cantando em inglês, é na verdade brasileiro? Essas e outras histórias curiosas estão no ótimo documentário “A história secreta do pop brasileiro”, disponível no Amazon Prime e outros serviços de assinatura. A série de oito episódios é dirigida pelo jornalista e escritor André Barcinski, que conhece como poucos os temas tratados no documentário. Barcinski é o autor de “Pavões Misteriosos”, livro sobre o qual já escrevi aqui na coluna, e ele traz para a

tela algumas histórias do livro, bem como dá rosto e voz aos personagens. Tal como no livro, o documentário faz um recorte específico da música brasileira, entre meados dos anos 70 e o começo dos 80. Foi um período de grande crescimento do mercado fonográfico e vendas generosas sustentavam toda uma indústria que ia desde o estúdio, com técnicos, músicos e cantores, até os shows dos artistas e disc jockeys (os DJs) de prestígio de rádios e bailes. O documentário dá um peso maior justamente ao lado “indústria” da música, de produção em escala e com foco no atendimento de determinadas demandas ou oportunidades de mercado. Os episódios mostram principalmente o trabalho duro de bastidores de músicos e produtores e, assim, trazem histórias para lá de interessantes. Algumas destas histórias estão ligadas ao crescimento ace-

lerado do mercado, que abriu oportunidades para gravadoras menores. As grandes gravadoras tinham matriz no exterior, de modo que tinham um catálogo de artistas estrangeiros à disposição. Se as menores não tinham esse acesso, então elas criaram os seus “estrangeiros”. E para isso se valeram de dois recursos, verdadeiras cópias de artistas estrangeiros e os falsos gringos. No primeiro caso, pegava-se um artista com algum reconhecimento no estrangeiro e colocava-se um artista nacional com um nome parecido interpretando as mesmas músicas. O documentário mostra, por exemplo, a história do brasileiro José Gagliardi, que cantava com o nome artístico Prini Lorez, que imitava o jeito de cantar e o repertório do norte-americano Trini Lopez. O segundo recurso, o dos “falsos gringos”, rendeu frutos e alguns artistas que se faziam


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Cultura

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JANETE HELENA

Entre estrutura, equipamentos de som, artistas, ornamentação, percussionistas, alimentação, montagem e equipe de apoio, deve sair por uma base de oitenta mil reais. Bem barato até, né? Poderia até ser maior o investimento, sendo tão importante para o município. Feito com o suor de uns poucos, criticado por muitos e amado por todos, o Carnaval de Resende Costa é sempre assunto. Para o bem ou para o mal, antes, durante e depois não se fala em outra coisa. A festa das liberdades mais profanas e de todas as cores faz o esforço valer a pena e encanta a todos, sem distinção de raça, cor, faixa etária, classe social, gênero. Todo mundo fica junto. Todo mundo junto. Junto que é exatamente como não deu (nem está dando ainda) pra gente ficar. Pelo menos, por enquanto. Difícil não lamentar que a tradição tenha sido adiada e que os tão esperados blocos tenham ficado silenciosos quando o que mais se desejava era ouvi-los de todos os cantos da cidade. Aquele barulho bom e familiar da Bateria do Rifugo, sabe qual? Sim, quando chegou a hora dele, tudo virou silêncio. E não teve o batuque que

fazia até o resende-costense mais desanimado dar uma requebradinha marota. E não teve Chiano apitando e regendo os percussionistas, enquanto a multidão de fantasiados seguia gritando a plenos pulmões versos que já viraram parte da história da cidade. Desde a criação da Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, existe um movimento de resgate da nossa tradição carnavalesca. A intenção, além de voltar a ser destino turístico, é atender às novas demandas de um público cada vez mais eclético. O trabalho é desafiador em muitas esferas, mas também gratificante quando conseguimos agradar públicos que, em outros momentos, não tiveram a atenção devida. É o caso da velha guarda de foliões que, nos últimos anos, puderam brincar o Carnaval à moda antiga, no Teatro Municipal. Com decoração e repertórios personalizados, não teve quem não dançasse ao som das famosas marchinhas e dos sambas-enredo mais conhecidos e guardados para sempre na memória. O público infantil também foi agraciado com o retorno do Bloco do Palhacinho, que, em 2020, realizou oficina de percussão e fez entidades da sociedade civil organizada vislumbrarem a possibilidade de isso se tornar um projeto social permanente. Certamente, um serviço que viria bem

Em 2021, sem blocos, sem aglomerações. Pandemia impossibilitou a realização da maior festa popular do país

à população em situação social vulnerável e pode vir a ser palco de revelação dos incontáveis talentos que essa terra é capaz de gerar. Teve público de tudo que é tipo. E público exigente! As comissões organizadoras trabalharam sem cessar, focadas em resolver problemas, lidar com imprevistos e entregar o melhor resultado possível. O MELHOR POSSÍVEL! Nem sempre todos foram agradados, mas perfeito é um conceito irreal, não é mesmo? Promover e organizar um Carnaval custa relativamente pouco, comparando-se aos benefícios psicossociais e econômicos resultantes do evento. Não ter um Carnaval foi doído. Porque conter a alegria, o amor e a animação dói mesmo, não é tarefa fácil. Aqui escrevo de data anterior aos dias oficiais. Sigo o raciocínio esperançoso de que todos vão se comportar com empatia e se guardar pra evitar a propagação desse vírus que assusta e chega cada vez mais perto dos nossos. Quanto é que custa, afinal, ter um Carnaval? Se for o último de todos, o valor é alto. Por isso, espero que tenham se guardado para, em 2022, poderem se jogar no que eu espero que seja diversão e alegria em dobro. Vontade pra fazer bonito a organização tem. Vamos esperar que o folião venha animado à altura.

A alegria dos foliões ficou para o ano que vem

Fotos: Cássio Almeida

Quanto custa ter um Carnaval?

Neste ano os foliões não ouviram o som contagiante da Bateria do Rifugo arrastando os foliões na avenida

O casal Raquel e Cláudio Costa - muitos foliões, como eles, certamente sentiram saudades do Carnaval

Que o sorriso e alegria voltem a desfilar na avenida em 2022


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COMPORTAMENTO

Esperança em 2021 é por vacinação e um “mundo novo” na normalidade JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

“Esperança em 2021!” O JL ouviu a opinião de cidadãos de Resende Costa e da região. A enfermeira Eliete Mônica Barbosa, a primeira profissional de saúde a tomar a vacina Coronavac em Resende Costa, espera que “este momento de vitória” seja o prenúncio de “grandes conquistas para todos”. “A próxima meta é que a vacina chegue a todos, principalmente àqueles que passaram tantos infortúnios até agora.” Para Eliete, a esperança neste caso vem precedida do reconhecimento. “Essa é a palavra-chave para começarmos um ano, mais uma jornada, mais oportunidade de vida. Reconhecimento a todos que participaram na criação da vacina, que se esforçaram e lutaram para que isso ocorresse.”Embora a vacina tenha sido produzida em tempo recorde, parecia uma eternidade. “Tenho 25 anos de trabalho, nunca imaginei que passaríamos por uma espera tão grande”, confessa Eliete, que é funcionária da Secretaria Municipal de Saúde. Mas é preciso não esquecer que muitos perderam suas vidas para esse vírus, acrescenta. “Tenhamos essas pessoas na mente e no coração, sempre, e continuemos em frente.” A tão esperada vacina e a cura definitiva para a covid-19 também são a maior esperança de Dirceu Fernando Sousa Pinto, oficial substituto do Registro de Imóveis. “E que possamos retornar à nossa rotina de vida de cidade do artesanato e de trabalho para todos os resende-costenses.” Outra grande esperança de Dirceu “é que eu possa colocar minha vida em ordem, voltar a viver sem minha filha Dara, voltar a ser feliz ao lado de minha esposa Tatyane”. As coisas simples do cotidiano, a começar por “ter motivos pra rir da vida”, fazem parte da esperança da técnica em enfermagem Aline Santos. “Reencontrar fisicamente os amigos. Sentir a barriga doer de tanto gargalhar. Abraçar meus afetos mais sinceros. Fazer aquele mega-almoço com a família toda reunida. Cantar parabéns e sentir a emoção de cortar o bolo. Ver o sorriso das crianças, sorriso aberto, em alguns até faltando dentes. Retomar todos os encontros que o distanciamento social postergou. Curtir o show do meu artista favorito, chegar em casa na hora de acordar.” Sem se esquecer

REGIONAL

Pandemia marca o início da gestão de nova diretoria da AMVER Prefeito de Coronel Xavier Chaves é o novo presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Desenho do artista plástico internacional Mauro Marques Kersul, feito especialmente para o Jornal das Lajes

de renovar “as nossas esperanças, nosso cuidado com nós mesmos e com o próximo, e que distância nenhuma enfraqueça o amor”. “Tudo o que queremos é que aquela nossa vida de antes da pandemia volte, o uso não obrigatório das máscaras, os abraços e sorrisos, que são a marca do povo brasileiro”, concorda a estudante Paula Resende, ao se referir às “situações inimagináveis” vividas no ano passado. “Entretanto, é justamente nesses momentos de incertezas que provamos a nossa força pessoal, a nossa empatia e aprendizados.” Para ela, 2020 foi um desses momentos em que “a vida costuma nos exigir momentos de resiliência, aprendizados e superações. A nós cabe esperar, sonhar e realizar um ano melhor, com mais entusiasmo e alimentando a nossa esperança de que possamos nos reunir em grandes comemorações novamente, cuidando da nossa saúde e da daqueles que amamos”. O novo ano “amanheceu com a esperança da reconstrução”, acredita Angela Maria Resende, funcionária pública aposentada. “Espero que a humanidade entenda que as tragédias são atemporais. Espero que as nações se unam para derrotar o inimigo comum. Espero que a economia retome seus passos. Mas minha grande esperança é que a lição faça com que os egos se acomodem e a dor, o desespero e a impotência se transformem em humil-

dade.” Angela espera, ainda, “que tenhamos aprendido que vivemos em comunidade e que essa jovem geração se assuste, saia da área de conforto e invista em estudo, pesquisa e conhecimento, mas que principalmente se conscientize de que ética e solidariedade estão acima de tudo”. E que, “dentro de cada um, nos quatro cantos do mundo, ressurja uma semente que nos conclame a sermos verdadeiramente irmãos”. “A gente sempre tem esperança de melhora”, reforça o entregador de gás José Raimundo Vilela, mais conhecido por Vila. Embora ache que a pandemia vá durar ainda algum tempo, “e por vários lados”, ele também tem esperança de que “as coisas possam voltar ao normal; se não se normalizarem, pelo menos que amenizem um pouco”. Será um ano de novas oportunidades, aposta a professora aposentada e escritora Maria Luzia Resende, pois “a gente pensa no novo, como solução; passar a limpo, recomeçar”. Ela procura responder à pergunta “o que posso esperar desse tempo?”: “Que os homens sejam mais sábios, não só ao ponto de descobrir a vacina que vai curar a doença fatal, que amedronta a humanidade, mas que sejam capazes da transformação de suas vidas em todas as esferas sociais.” Espera que “todos aproveitem para a descoberta de um homem novo, com uma vida comprometida com o outro, uma

Em época de pandemia, a experiência conta. Aperfeiçoar a assessoria aos municípios filiados, realizar cursos de capacitação para enfrentar a pandemia, buscar novos associados e constante inovação, bem como dar suporte a entidades como CISVER (Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes), CIGEDAS (Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes) e Trilha dos Inconfidentes. São prioridades do novo presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes (AMVER), Fúvio Olímpio de Oliveira Pinto, prefeito reeleito de Coronel Xavier Chaves. “Diante da pandemia, neste início de ano serão realizados vários cursos de capacitação para os servidores municipais, de forma presencial e também por videoconferência, sempre seguindo os protocolos de segurança. Esses cursos tem o objetivo de auxiliar principalmente as novas equipes de governo dos municípios que tiveram mudança de governo.” Sobre o apoio a outras entidades da região, Fúvio Pinto citou o suporte em questões jurídicas e técnicas, atualizando sempre as legislações e a legalidade dos atos administrativos. “O intuito da AMVER é buscar o desenvolvimento das cidades e da região, acompanhando diversos cases de sucesso, e criar alternativas e pro-

visão centrada nos valores éticos, políticos, econômicos, religiosos, enfim, uma reconstrução da sociedade eliminando poderes, egoísmo, diferenças, uma virada grandiosa”. Daí acreditar em “mais entendimentos” e “menos forças antagônicas ao amor, à liberdade de ser”, bem como aprender a lição com o vírus que “não escolhe este ou aquele, para levar”. “Que possamos ver situações difíceis como aprendizado e não

gramas para esse fim.” NOVA DIRETORIA A nova diretoria executiva e o conselho fiscal, para o exercício de 2021, foram eleitos em assembleia realizada no dia 21 de dezembro, com a presença de prefeitos e vice-prefeitos eleitos para o período 2021/2024. Além de Fúvio, compõem a nova diretoria executiva: Lester Rezende Dantas Júnior (prefeito de Prados), 1º vice-presidente; e José Gouvea Filho (prefeito de Resende Costa), 2º vice-presidente. Os membros efetivos do conselho fiscal são: Higino Zacarias de Sousa (prefeito de Ritápolis); Márcio Antônio Pinheiro (prefeito de Dores de Campos); e Anderson Geraldo de Paula (prefeito de Barroso). São suplentes: Nilzio Barbosa (prefeito de Tiradentes); Wagner de Almeida (prefeito de Santa Cruz de Minas); e José Heitor Guimarães de Carvalho (prefeito de Nazareno). Na ocasião, a então presidente da AMVER, Sinara Rafaela Campos, fez um balanço do seu mandato, destacando o trabalho realizado para enfrentar a pandemia causada pelo coronavírus. A ex-prefeita de Santa Cruz de Minas apelou para a continuidade da ação integrada entre os municípios filiados. Fúvio agradeceu a confiança depositada nele e se comprometeu a dar continuidade aos serviços prestados pela gestão anterior, bem como intensificar a presença da Associação no dia a dia dos municípios.

como castigo”, diz a fisioterapeuta Vanderlucia Mendes de Freitas. Por isso, ela espera que, em 2021, “nós seres humanos possamos entender a grandeza da nossa criação e que nos doemos mais. Sem pensar ou agir como se os nossos problemas fossem maiores que os dos outros”. E conclui: “Tenhamos fé. E não procuremos explicação para tudo, pois temos uma mente finita! Só Deus é onipotente, onisciente, onipresente e onividente”.


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Retalhos literários EVALDO BALBINO

O escuro cintilante

De noite eu não via quase nada, porque não tinha luz elétrica no povoado. Lá em casa, parede de tijolo à mostra, chão também de tijolo no qual eu tinha vontade de nadar quando minhas irmãs o lavavam. Eram latas tantas de água que limpavam tudo, e o tijolo do chão bebendo a água que lhe matava a sede. E minha sede de mergulhar ali era muita. De noite, nessa casa de família numerosa, a luz de lamparina era a nossa companheira. Sua fumaça chegava à cumeeira, sua flama projetava sombras nas paredes. Sombras humanas, pois os demais bichos fugiam lá de casa, tamanha era a higiene com tudo. Lembro as sombras dos meus irmãos estudando, fazendo de noite o para-casa, porque de tarde ou de manhã, no contraturno da escola, o que faziam eram os afazeres da casa e das roças que o pai cultivava em terra alheia nas proximidades.

Era de noite, nessa casa, que eu via a sombra de minha mãe ao tear. Colchas sendo tecidas para ajudar no cuidado financeiro de tudo. Marido e mulher em labutas sem fim. Lembro a noite em que dois garrotes da redondeza travaram uma baita briga. E seus urros e embates corporais eram escutados a distância. Minha mãe assustou-se; mas, clamando pela misericórdia de Deus, não largou o tear nas altas horas semiescuras. Digo que eu não via quase nada, porque era de noite. Mas esse não ver era com os olhos materiais na limpidez do dia. Muita coisa eu via sim. Silhuetas dizem mais do que os corpos e os objetos vistos à plena luz. Indecisas, elas acionam o que há em nós da verdadeira visão. É mais real o que imaginamos do que aquilo que vemos. E era dentro da pequena igreja que a luz era verdadeira. Luz atravessada pelos escuros de dogmas rígidos na verdade, mas

em meio à comunhão de reses que, mesmo machucando umas às outras de vez em quando com os chifres, não deixavam de ser grei buscando seu pastor. E o pastor, dizia o cooperador Totonho lá em cima do púlpito, o verdadeiro pastor é o Cristo que se fez Jesus e que morreu em carne por nós. Na igreja tinha lampião a gás, luxo tanto para casas pobres. Não que a igrejinha fosse rica, mas o ajuntamento do gado (cada rês com seu bolso, vaquinha dali e daqui no que se chamava e se chama de coleta espontânea) permitia o fausto do lampião. E que a mão esquerda não visse o que fazia a direita: assim ninguém sabia o que cada qual dava em contribuição para os gastos básicos da igreja. Os atendentes dos rituais, os faxineiros, os porteiros etc. – todos trabalhavam ali voluntariamente. Porém tinha todo o resto: os lampiões, o gás dos lampiões, a limpeza, o asseio dos dois banheiros ao fundo da igreja (outro “luxo”

este, porque praticamente todos usavam em casa era privada seca mesmo!). O chão do pequeno e simples templo era amarelo. De amarelão, diziam. E como brilhava à luz dos lampiões! E meus pais e outros progenitores levavam colchas para que nós (as crianças exaustas da labuta de ser criança) pudéssemos repousar durante o culto de uma hora e meia. Eu gostava de me deitar ali, com vontade mesmo até de abrir mãos das cobertas forrando aquele brilho gostoso de se ver. A luz de Deus morava no amarelo do chão. A cera e a enceradeira tinham o poder de fazer os olhos de Deus brilharem sob os nossos pés. Mas nada de eu me deitar direto no piso frio! Meus pais não deixavam. Poderia vir um resfriado. Entre outras crianças, meus olhos semicerrados fingiam um sono que quase nunca existia. Primeiro porque o brilho dos olhos de Deus era espantoso. Não tinha

como não olhar para ele. Segundo porque o inferno, vindo com palavras de ferro lá de cima do altar, era terrível e também espantoso. E meu corpo pequeno, bem na boca do sono, temia o ranger de dentes, os lagos de enxofre, o fogo descomunal crepitando por toda a eternidade. Daí meus olhos meio que abertos. A visão do brilho de Deus no chão amansava a dança dos demônios e limpava a mente de algum pecado cometido durante o dia, por ato ou pensamento ou palavra. E Totonho até que falava manso. Mesmo assim, na sua branda e sussurrada voz, o inferno, mesmo vindo macio e aveludado, era espinho na carne, farpa cravada na pele, cravo incomodando o pé contido num sapato apertado. Os cultos eram assim, cheios de luz nos escuros da vida. Deus tem doçuras como nós temos, mas somos também brutos em nosso severo amor.

justiça social. Quer se concorde quer não com essa lista do bispo emérito de Roma, há nela um claro viés social, como convém. O diálogo longo com os colegas do programa foi muito proveitoso, sobretudo porque deixou clara a noção de excesso, o que, sem dúvida, deve ou pode ser evitado, sob qualquer ponto de vista. De minha parte, solicitada uma palavra final, não pude deixar de dizer: erro hoje, não falei pecado, é a desumanização. Essa atitude, sim, é causadora de males perniciosos, ofensivos à humanidade, indignos dos que se dizem seguidores de Jesus de Nazaré. E veio-me, espontaneamen-

te, a lembrança de Guimarães Rosa: Existe é homem humano: Travessia. Assim é que nos convém caminhar. NOTA - O Catecismo da Igreja Católica, editado depois do Vaticano II, na edição das Vozes, de 1993, de setecentas páginas, dedica seis páginas ao tema do pecado. E em tais páginas, três linhas para falar sobre o que são os pecados capitais, sua origem e quais são eles. Muito significativo. Faz muito sentido.

De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Sete Pecados Capitais Numa manhã de sábado de janeiro, participei de um programa de rádio, com duas horas de duração, em que se falava sobre os SETE PECADOS CAPITAIS. Além do coordenador do programa, éramos três expositores: um psicanalista, um jornalista-radialista-influenciador digital e eu. Dada a diversidade de formação dos participantes, os vários enfoques emprestados ao assunto enriqueceram a informação. Não se tratou de um debate. Tratava-se, muito mais, de gerar informação sobre a matéria e elucidar os vários conceitos. Desde minha primeira intervenção me posicionei contrário à ideia de pecado. É que pecado,

gerador de culpa, é assunto restrito a cristãos católicos. E a soberba/vaidade, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a preguiça são temas, são matéria comum a qualquer pessoa. Qualquer um, no seu dia a dia, pode ter nessas manifestações de personalidade, comportamentos indevidos, atitudes condenáveis, pelo excesso. Excesso gerador de desequilíbrio na personalidade. Isso, porém, nada tem a ver com o pecado incluído na doutrina cristã. É que o pecado, por sua definição, exige o pleno conhecimento de ofensa que se faz a Deus e a total liberdade de fazê-la: eu sei o que estou fazendo e quero fazê-lo. A instrução latina dizia: sciens et volens

(sabendo e querendo). Convenhamos: além de não ser fácil pecar, querer transformar em pecado características, traços de personalidade, é um despropósito. Além do mais, quis me opor à ideia de pecado porque em nenhuma de tais manifestações de comportamento aparece a ideia, o enfoque social. E se algum pecado hoje cometemos, é o pecado de omissão diante de tantos problemas vitais. Não por nada, o grande teólogo Ratzinger, emérito da Cátedra de Pedro, disse que os pecados capitais hodiernos são: a pressa, a manipulação genética, a interferência no meio ambiente, o causar a pobreza, a muita riqueza, as drogas e a in-

*Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.


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REGIONAL

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ECONOMIA & NEGÓCIOS

Entre 2018 e 2020, ASAPAC DE SJDR registrou um aumento de 70% em atendimento a pacientes resende-costenses

Exportações de São João del-Rei somaram 62 milhões de dólares em 2020 Metais comuns e produtos minerais foram os principais itens vendidos para outros países

Instituição que atende cerca de 350 pessoas da região manifestou preocupação com o aumento de pacientes oncológicos e realizou eventos na cidade no ano de 2019

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE Foto: arquivo ASAPAC

O movimento em negócios internacionais de São João del-Rei, em 2020, foi de US$ 71,63 milhões. As exportações para outros países somaram US$ 62 milhões, enquanto as importações foram de US$ 9,63 milhões. Assim, a balança comercial do município com o resto do mundo foi superavitária em US$ 52,36 milhões, um acréscimo de 2,35% em relação ao valor de 2019. As informações constam de boletim de comércio exterior, referente ao quarto trimestre de 2020, do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Economia (NEPE) da UFSJ. “Isso se deveu a dois motivos. O primeiro foi a redução em 40,5% do valor das

importações no período, ocasionada pela baixa demanda interna de 2020. O segundo, à pequena variação no valor das exportações, que reduziu 4,4%.” A pauta exportadora do município é concentrada em metais comuns e produtos minerais. Isto “garantiu a manutenção do valor das exportações, já que a demanda externa por tal tipo de produto permaneceu aquecida no período, mesmo no cenário atípico do ano de 2020”, concluem os autores do estudo, sob a coordenação do pesquisador Douglas Marcos Ferreira. Os principais países de destino das exportações do município durante o 4º trimestre de 2020 foram Alemanha e Estados Unidos, no total de US$5,80 milhões em transações.

Casa de apoio da ASAPAC de São João del-Rei

VANUZA RESENDE

A Associação de Amparo a Pacientes com Câncer (ASAPAC) é uma organização civil sem fins lucrativos que oferece atendimento gratuito a pacientes diagnosticados com câncer durante todo o processo de tratamento. A instituição foi fundada em Belo Horizonte no ano de 2004, por Isabel Matilde Cunha. Em São João del-Rei, a associação presta serviços desde o ano de 2006 a crianças, adolescentes, adultos e idosos portadores de qualquer tipo de neoplasia. O gerente de planejamento, produção e organização da instituição, Valdecir Braga, comenta sobre o trabalho da ASAPAC. “A atuação da ASAPAC é no amparo e no acompanhamento ao paciente durante seu tratamento, com uma equipe multidisciplinar de saúde. O paciente, ao descobrir que está com câncer, é encaminhado para a ASAPAC ou ele mesmo a procura. No primeiro contato é marcado um horário com nossa assistente social e o paciente ou familiar são orientados a trazer os seguintes documentos para o cadastro: documento de identidade, CPF e cartão do SUS. Além disso, também são necessários comprovante de residência, comprovante de renda e biópsia ou laudo médico atualizado.” Devido à pandemia, o ca-

dastro dos pacientes pode ser realizado por telefone e a documentação enviada via WhatsApp. O número para contato é o (32) 3372-1913. RESENDE COSTA A instituição atende toda a microrregião do Campo das Vertentes e hoje presta atendimento a mais de 350 pessoas. “Atualmente estamos com 354 pacientes em acompanhamento e atendimento na ASAPAC. Nossa equipe acompanha a evolução do paciente durante todo o tratamento, com total suporte à família e ao paciente para enfrentarem o câncer”, frisa o gerente. No ano de 2019, a ASAPAC realizou um evento da Campanha Novembro Azul, mês de prevenção ao câncer de próstata, em Resende Costa. O motivo de ter levado o evento até a cidade teria sido o aumento de pacientes cadastrados e atendidos pela ASAPAC. “O quadro abaixo mostra o quantitativo de pacientes cadastrados e atendidos na ASAPAC da cidade de Resende Costa. Veja que de 2018 para 2019 tivemos um aumento de pouco mais de 70%. O número se manteve em 2020. Esse foi o principal motivo de levarmos orientação e exames de prevenção para a cidade de Resende Costa em 2019”, explica. 2018

2019

2020

15

26

26

Portanto, de 2018 a 2020 o número de pacientes oncológicos atendidos pela instituição saltou de 15 para 26. Vale ressaltar que os números não significam o total de pacientes em tratamento oncológico da cidade, e sim os que procuraram o apoio da ASAPAC. Não há um motivo para o aumento dos números de casos na cidade. No entanto, é muito importante que a população procure o médico em casos de sintomas da doença, faça exames de rotinas e mantenha hábitos saudáveis, como uma boa alimentação e a prática de exercícios físicos. PROJETO DESAPEGA RAPUNZEL A notícia do diagnóstico de câncer não é uma tarefa fácil de enfrentar, mas algumas preocupações dos pacientes podem ser amenizadas com ações simples. Entre tantas dúvidas que passam pela cabeça ao começar o tratamento, uma delas é encarar a perda dos cabelos, que costuma acontecer durante a quimioterapia. Mas perder o cabelo não significa perder a vaidade. Para lidar com a queda dos fios, existem alternativas: lenços, turbantes, chapéus e perucas. E foi pensando nisso que a ASAPAC inaugurou em agosto de 2019 o banco de perucas da instituição. A ASAPAC recebe doações de cabelos, que são enviados para uma ONG em Belo Horizonte, onde são confeccionadas as perucas. É o que explica Val-

decir Braga. “Mandamos para a ONG Fios de Luz e doamos as perucas para as pacientes. São delas, não precisam devolver. “As perucas vêm tanto com corte ou sem ele, a fim de que a paciente tenha condições de ir ao salão e modelá-las do jeito de que mais gosta”, conta. Para que o cabelo seja bem aproveitado, a orientação é de que o doador corte o cabelo amarrado e seco, coloque em um saquinho limpo ou envelope. É importante também que o cabelo tenha a partir de 20 centímetros de extensão. Além das perucas, a ASAPAC também oferece lenços e turbantes para as pacientes. As doações de cabelos, assim como a escolha da peruca, são feitas na sede da ASAPAC. INSTITUIÇÃO CONTA COM AJUDA PARA CONTINUAR ATUANDO De acordo com Valdecir, os principais atendimentos com profissionais realizados pela ASAPAC são com advogados, assistentes sociais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos. Além de atendimentos com os profissionais, a instituição fornece medicamentos não encontrados na rede SUS e realiza pagamentos de exames. Outra assistência prestada é a do fornecimento de suplementos alimentares, como dieta enteral (dieta por sonda),

leite integral, leite em pó e cestas básicas. A ASAPAC ainda oferece aos pacientes cadeiras de roda e de banho, bolsa de colostomia e fraldas geriátricas. Uma outra ajuda da instituição é a casa de apoio para pacientes e familiares de cidades vizinhas, com hospedagem, alimentação e translado para o tratamento. Para continuar atendendo todos os pacientes, o gerente ressalta que precisa de ajuda. “A ASAPAC depende totalmente das doações, sejam em dinheiro ou em doações de alimentos não perecíveis. Temos também dois apartamentos para aluguel, que nos foram doados, em cima da nossa casa de apoio. No momento não estão alugados. Não temos nenhum outro tipo de recurso financeiro a não serem as doações”. Quem desejar contribuir com a ASAPAC bastar entrar em contato com o número: (32) 3372-1913 ou enviar um WhatsApp. Valdecir ressalta que qualquer ajuda é bem-vinda. “Temos também um serviço de telemarketing que liga para as pessoas pedindo doações. Sendo estas autorizadas, o nosso mensageiro se desloca até a residência com recibo em nome do doador, uniformizado e com crachá. Toda ajuda é muito importante. A associação sobrevive apenas de doações de pessoas físicas e jurídicas e há 16 anos milhares de pessoas já foram atendidas e amparadas”, finaliza.


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ESPORTE

Com Loco Abreu, Athletic se prepara para a estreia do Mineiro A segunda participação do Athletic Club, de São João del-Rei, no Campeonato Mineiro está próxima de acontecer. A estreia do Esquadrão de Aço será no dia 28 de fevereiro contra o Patrocinense, fora de casa, jogo das 16h. O Athletic retornou ao futebol profissional em 2018, sendo vice-campeão do Mineiro – Segunda Divisão – e conseguindo a classificação para o Módulo II do Mineiro. Em 2019, não fez uma boa campanha e lutou para não ser rebaixado no estadual, escapando na última rodada ao bater o Nacional de Muriaé por 4×3, ficando em sétimo lugar com 14 pontos. Em 2020, o projeto do futebol profissional se manteve firme, mesmo com a pandemia da covid-19. O clube terminou a primeira fase do Módulo II do Mineiro com 20 pontos, em segundo lugar, e conseguiu a classificação para o quadrangular final do torneio. Na fase final, alcançou o objetivo de subir para a elite do futebol mineiro. Com 9 pontos, o time comandado por Cícero Júnior ficou em segundo lugar, carimbando a vaga na elite do Mineiro após 50 anos. LOCO É DO ESQUADRÃO Foi uma novela, mas os recentes capítulos colocaram o Athletic como notícia nacional e até internacional: Loco Abreu vai jogar pelo Athletic Club. Na quarta-feira, 03 de fevereiro, a assessoria do Athletic Club anunciou que o clube estava em processo de finalização de contratação do atleta. O anúncio não foi feito pela primeira vez, isso porque a contratação do Loco Abreu já havia sido notícia há dois anos no Esquadrão de Aço. O assunto começou causando bastante repercussão quando o clube postou, ainda em 2019, em suas redes sociais, perguntando à torcida quem eles gostariam que fosse o camisa 9 da temporada 2020. As opções eram Loco Abreu, Magno Alves, Bruno Mineiro e Igor Bádio. E a

grande maioria dos votos foi para o atacante das cavadinhas, ídolo do Botafogo. Em outubro do mesmo ano, dirigentes do Athletic foram até Montevidéu, no Uruguai, para uma possível negociação com o atacante Loco Abreu. Na época, a contratação era tida como 90%, mas por detalhes não aconteceu. Com menos capítulos ao público, as negociações continuaram em 2020 e se concretizaram em 2021. Loco Abreu chegou a Minas Gerais no dia 08 de fevereiro e foi apresentado pelo clube no dia 10. Em coletiva de imprensa, ainda no desembarque em Belo Horizonte, Loco Abreu falou sobre a sua chegada ao Athletic e o porquê de ter vindo agora para o clube. “Foram até o Uruguai no ano passado com a intenção de somar a gente ao projeto do clube, que em 2018 voltou ao profissional. Havia 50 anos que o clube não jogava a primeira divisão e manifestou vontade de contar com a gente para poder subir. Infelizmente eu já tinha compromisso com um time lá no Uruguai. No momento em que o Atlhetic subiu para a primeira divisão, ligaram na hora, falando que eu teria que vir comemorar esse retorno. Foi assim, eles ligaram, a gente começou a falar e rapidamente deu para entender o momento da torcida, do povo e da diretoria do Athletic.” Com 44 anos, Loco falou sobre suas condições para jogo. “Eu falo que não subestimo minhas condições mentais e físicas. Tem gente que acredita, como eu acredito em mim. Eu não sei se vou fazer história, mas para mim vai ser um ano histórico por poder participar do Athletic nesse ano especial”, declarou. Os valores da negociação não foram informados pela assessoria do clube. Esse é o 30° clube da carreira do atacante, que fez sucesso no Brasil quando defendeu o Botafogo e ficou conhecido pelo pênalti batido com a “cavadinha”. É a primeira passagem do uruguaio pelo futebol mineiro. No Brasil,

lhardo, irmão de Thiago Galhardo, artilheiro do Internacional. O atleta estava no Londrina (PR) na disputa do Campeonato Brasileiro da Série C. Com 26 anos, Gabriel tem passagens pelo Ceará e pelos times do Rio: Goytacaz, Nova Iguaçu, Madureira, Bangu e Botafogo.

Foto: Fernanda Trindade - Athletic Club

VANUZA RESENDE

A contratação de Loco Abreu é considerada uma das maiores para o Campeonato Mineiro 2021

além do Botafogo, ele já defendeu Grêmio, Figueirense, Bangu e Rio Branco-ES. Loco fez parte da campanha da seleção uruguaia na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, na qual o Uruguai terminou em terceiro lugar. O último clube de Loco Abreu foi o Boston River, de seu país natal. Lá, ele acumulou as funções de jogador e técnico. No momento de sua saída, em novembro, o time ocupava a última colocação do campeonato nacional. NEM SÓ DE LOCO VIVE O ATHLETIC Loco Abreu com certeza é considerado o principal reforço da temporada do Athletic dentro e fora de campo. Mas o time está investindo nas contratações e renovações para chegar firme ao objetivo de 2021: manter-se na elite do estadual. O Athletic renovou com 10 jogadores. Os zagueiros Danilo, Rayan e Sidimar; os laterais-direitos Fernando e Igor Nunes; o lateral-esquerdo Nathan e os atacantes Alason Carioca, Igor Bádio, Ingro e Willian Mococa. O clube também promoveu quatro atletas da base para o time profissional: Gabriel – volante, João Henrique – lateral direito, João Victor – goleiro e Ruan – zagueiro. Além disso, o volante Silvano retornou ao clube,

onde disputou a primeira parte do Módulo II 2020 antes do início da pandemia do novo coronavírus (covid-19). O Athletic anunciou ainda dois goleiros: Lee Oliveira, que estava no Atlético Tubarão, na disputa do Campeonato Catarinense, e Renan Pastre, que na última temporada disputou o Campeonato Paulista da Segunda Divisão pela Francana. Houve também o anúncio do lateral esquerdo Michel, que estava no Betim Futebol, na disputa do Módulo II do Campeonato Mineiro na última temporada. Outro reforço é do volante são-joanense, Cristian, que tem passagens por América e Figueirense de Santa Catarina. O meio-campista Willian Pontes, na última temporada, teve passagens pelo Serra (ES), Vocem (SP) e CAP Uberlândia (MG). Também para o meio de campo, Wallace, mais conhecido como Lalado, que estava no Betis, de Ouro Branco. Além desses, ainda há os atacantes Flávio Gabriel – vindo do Bandeirante, de São Paulo, onde conquistou o acesso à Série A3 do Campeonato Paulista –, Rafael Mineiro, que estava no Caçador, na disputa do Campeonato Catarinense e ainda João Victor, que veio do Coimbra. Outro destaque do clube foi a contratação do volante Gabriel Ga-

ATHLETIC JOGARÁ EM CASA CONTRA AMÉRICA E ATLÉTICO O Athletic vai receber em casa dois gigantes da capital: América e Atlético jogarão no Estádio Joaquim Portugal, em São João del-Rei. O compromisso com o América será o segundo jogo da equipe são-joanense, marcado para o dia 03 de março, às 15h. Já o jogo contra o Atlético será a última partida da primeira fase de classificação, marcada para o dia 18 de abril, às 16h. O formato e a fórmula do campeonato foram mantidos para este ano, seguindo a edição do torneio de 2020. Os 12 times participantes da competição se enfrentarão em turno único, avançando os quatro primeiros colocados diretamente para as semifinais e, posteriormente, para a grande final do estadual (em jogos de ida e volta). Competições paralelas criadas no ano passado também serão mantidas, como o Troféu Inconfidência e a Recopa Mineira, disputados pelos clubes que terminam entre o 5º e o 8º lugares na primeira fase do mineiro. Caso o clube avance para as fases finais, poderá realizar os jogos no Estádio Joaquim Portugal. Isso porque, de acordo com o previsto para a temporada 2021, não haverá limite mínimo de capacidade dos estádios para as equipes mandantes disputarem as fases decisivas do campeonato. A grande final do Campeonato Mineiro está marcada para acontecer no dia 23 de maio. O Athletic jogará fora contra Patrocinense, Cruzeiro, Coimbra, Tombense, Uberlândia e Caldense. Já em casa, os confrontos serão contra o América, o Boa Esporte, Pouso Alegre, URT e Atlético.


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Edição 214 - Jornal das Lajes by Jornal das Lajes - Issuu