Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br
FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XVII
• JANEIRO 2021 • Nº213
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Posse dos novos gestores municipais de Resende Costa aconteceu durante solenidade restrita devido à pandemia Foto: Cássio Almeida
Ano novo, perspectivas novas Dois mil e vinte terminou sem deixar saudades. A pandemia de Covid-19 frustrou sonhos e expectativas de centenas de milhares de pessoas em todo o planeta. O que esperar de 2021? O jornalista José Venâncio de Resende conversou com economistas, diretores de associações e instituições ligadas ao comércio e ao turismo na região do Campo das Vertentes sobre as perspectivas para 2021. PÁG 13
No dia 1º de janeiro, em cerimônia restrita, tomaram posse o novo prefeito municipal de Resende Costa, José Gouvea Filho, o Zinho Gouvea (PSDB), e o vice-prefeito Lucas Paulo de Assis Vale (PSD). A cerimônia oficial de posse aconteceu, neste ano, no Centro de Convenções Lilia Lara, na Escola Municipal Conjurados. Também tomaram posse os nove vereadores e os secretários municipais. PÁG 06
Zinho Gouvea toma posse como novo prefeito municipal de Resende Costa
Fim de ano no Mirante das Lajes Nos feriados de Natal e de Ano-Novo, resende-costenses e turistas encontraram um novo atrativo nas
Lajes de Cima – principal cartão-postal de Resende Costa. A obra do novo mirante ainda não foi
concluída, mas o espaço já está atraindo visitantes que aproveitam para fazer fotografias e contemplar
a deslumbrante paisagem que registra um pôr do sol que é um dos mais belos das Minas Gerais. PÁG 07
PÁG. 2 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
EDITORIAL
De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
Jornal das Lajes Ltda Sócio administrador: Antônio da Silva Ribeiro Neto Editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Editora assistente: Vanuza Resende
E
X
P
E
D
I
E
N
T
E
Após 11 meses somente on-line, o Jornal das Lajes, a partir desta edição, volta a ser impresso. A pandemia de Covid-19 causada pelo novo coronavírus obrigou pessoas e instituições, de todas as partes do planeta, a redefinirem rumos e metas, a reavaliarem comportamentos e ações. Não foi diferente com o Jornal das Lajes – um periódico, fundado em 2003, que tem como referência e tradição suas páginas impressas e o contato próximo e pessoal com os leitores. Mas não tivemos escolha. Fomos também obrigados a nos adequarmos à nova e triste realidade e suas restrições que aumentaram distâncias e impuseram barreiras. Sempre destacamos com orgulho que o JL nunca deixou de circular ao longo dos seus já quase 18 anos de existência, a serem celebrados no próximo dia 14 de abril. Nossos leitores e patrocinadores se acostumaram com a nossa periodicidade disciplinada. Entre os dias 12 e 18 de cada mês, desde abril de 2003, o Jornal das Lajes pode ser encontrado em seus pontos de distribuição em Resende Costa e São João del-Rei. Porém, o fechamento do comércio de Resende Costa e as medidas restritivas tomadas para conter a disseminação do novo coronavírus no município nos forçaram, em abril de 2020, data em que completamos 17 anos de ininterrupta circulação, a tomar a decisão mais difícil e angustiante da nossa história: interromper a impressão do jornal e seguir o mesmo caminho de tantos veículos de comunicação que optaram, por vontade própria ou por extrema necessidade, a contar somente com as mídias digitais. Os leitores que se acostumaram a folhear as 16 páginas do JL tiveram, subitamente, que se acostumar a ler o conteúdo do jornal no site ou acompanhar as edições através do arquivo digital que divulgamos, ao longo de todo o ano de 2020, em nossas plataformas na internet. Rompendo um ano de desafios, de incertezas e angústias, mais uma decisão importante bateu às portas da redação do JL. Desta vez, fomos interpelados a percorrer o caminho contrário às tendências atuais e voltar a imprimir o jornal. Muitas pessoas vêm nos questionando se devemos “voltar ao papel” se hoje o que predomina na imprensa são as redes sociais, os sites e blogs. Sim, reconhecemos a importância das novas tecnologias e sabemos o quanto elas são importantes para a otimização e divulgação do trabalho jornalístico. Obtivemos a comprovação disso em tempos de isolamento social, quando tivemos de encurtar distâncias e romper barreiras para, de alguma forma, continuarmos próximos dos nossos leitores. Jornalismo é também tradição. E somos mineiros. Minas é terra de tradições, de costumes fortes, de enraizamento. O JL e suas páginas impressas que circulam há 17 anos em Resende Costa e em algumas cidades da região do Campo das Vertentes já fazem parte da cultura e das tradições do nosso povo. E esse povo, leitor assíduo e parceiro, anseia pela volta do “jornalzinho de Resende Costa” nas ruas da cidade, na banca, nos caixas dos supermercados e nos balcões das farmácias, nas lojas, mas, especialmente, nas mãos e sob os olhares atentos e curiosos dos nossos leitores. O JL impresso está de volta com o mesmo vigor inesgotável de fazer jornalismo independente e imparcial, sobretudo neste ano de grandes desafios e que será certamente marcado por profundas mudanças no cenário econômico, social e cultural. Neste cenário, a imprensa, enquanto formadora de opinião, precisa ser também artífice na construção do novo mundo no qual todos nós desejamos viver após a passagem do tsunami chamado pandemia de Covid-19. O JL deseja, enfim, continuar sendo esse humilde e simpático “jornalzinho de Resende Costa”, mas ao mesmo tempo almeja ser um grande e ambicioso colaborador na construção de um novo mundo, de uma nova sociedade. Desejamos, neste 2021 que se inicia, escrever em nossas páginas novas histórias contadas por personagens verdadeiramente engajados na elaboração de uma cultura livre e abrangente, comprometida com a harmonia entre os povos e com a busca incessante da verdade.
Editor regional: José Venâncio de Resende Revisão: José Antônio Oliveira de Resende Diretor de administração: Eustáquio Peluzi Chaves
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 2000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Cuidado Um programa de televisão indagou de certo número de pessoas qual a palavra que melhor sintetizava o que a população viveu em 2020. Houve uma série de respostas, como se pode imaginar. Ao final, concluiu-se pela palavra CUIDADO, que superou outras igualmente significativas, quais “generosidade”, “responsabilidade”, “solidariedade”. Houvesse eu sido indagado, também teria dito a palavra CUIDADO. Do latim arcaico coitare, significa pensar em, pensar sobre. Dar atenção à saúde. Uma palavra síntese, portanto, de tudo quanto se fez em dois mil e vinte, face à Covid-19. De fato, além do CUIDADO notável por parte dos profissionais da saúde, parte notável da população esteve, direta ou indiretamente, transitória ou permanentemente, envolvida, preocupada no dispensar CUIDADO às pessoas, contaminadas ou não pelo vírus destruidor de vidas, aniquilador do bem-estar social e limitador das manifestações de carinho e afeto. CUIDAR é dimensão essencial da vida. É no dispensar
cuidado que as pessoas tomam consciência dos limites da vida, na fragilidade da existência e, por conseguinte, se supera a arrogância, incompatível com qualquer postura humana. Mas é também pelo CUIDADO que se alcançam e se conhecem os valores da existência. Pelo CUIDADO é que se chega ao outro, que se acolhe o outro na realidade que o envolve. Pelo CUIDADO é que se pode chegar a uma forma de situar-se no mundo, com a delicadeza espiritual expressa na empatia e no sentimento de admiração. Sem o CUIDADO, nada de humana interação. Pobreza de vida. Além do mais, o CUIDADO, a atenção dispensada ao outro, o preocupar-se com o outro traz consigo um outro fator de importância capital para a vida saudável das pessoas. Quem se sente CUIDADO, sente-se RECONHECIDO. Que riqueza de atitude: prestar reconhecimento ao outro. Que pobreza de atitude: não prestar reconhecimento ao outro na sua peculiar característica. Sem o CUIDADO não há reconhecimento. E sem reconhecimento ninguém é gente, ninguém é nada, a pessoa não existe. Se
numa pessoa nada se vê, nada se reconhece, é o mesmo que dizer da sua inexistência. Pois bem, é o CUIDADO que leva alguém a reconhecer o outro. E como cuidar é também dar atenção à saúde, quando se cuida se está dando atenção à vida. Nada mais essencial. O grande biólogo chileno – Maturana – escreveu em um de seus livros: Sustentei muitas vezes que, se não todas, a maior parte das doenças que nós seres humanos contraímos, têm sua origem no desamor e, igualmente, se curam pelo amor no amar. Ora, expressão maior do amor é o CUIDADO. Dois mil e vinte e um chegou. Vamos festejá-lo. E levá-lo com CUIDADO, pois festejar é partilhar, é ter com quem se encontrar, é reconhecer que outros, além de nós, fazem jus à festa em que, mais que qualquer coisa, é preciso ter CUIDADO, pensar no outro como possuidor do direito a uma vida reconhecida. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
Foto e situação do mês
Aberta mais uma ferida na história e na memória de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO
Quem passou pela rua Gonçalves Pinto, centro de Resende Costa, na primeira semana de janeiro, testemunhou mais um atentado ao patrimônio histórico do município. O antigo sobrado de número 114, erguido na década de 1920, foi demolido. Após alguns anos sofrendo com o abandono e com a deterioração, o casarão, que não era tombado, tombou-se (ou foi tombado) literalmente. A foto nesta página registra o imóvel sendo demolido na tarde do sábado, 9. É possível ver as “vísceras” (paredes internas de pau a pique, portais e largas paredes de tijolos) que sobraram do belo casarão que abrigou, nas últimas décadas, a família do saudoso casal Aires Reis (Neném do bar) e Altair Andrade. A demolição e a perda do sobrado do Neném do bar e da
Altair, além de descaracterizarem em definitivo a tradicional “Avenida” Gonçalves Pinto, uma das vias mais antigas da cidade, expõem as vísceras de uma situação calaFoto: André Eustáquio
Tradição e tecnologia: o jornalismo na construção de um mundo novo
mitosa de um município que, em pleno século 21, ainda luta para preservar o que restou do seu outrora rico e belo patrimônio arquitetônico e cultural.
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
JORNAL DAS LAJES
CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
• PÁG. 3
INFORME PUBLICITÁRIO
Vereadores de Resende Costa tomam posse em sessão solene realizada no Centro de Convenções Lilia Lara No dia 1º de janeiro de 2021, aconteceu, no Centro de Convenções Lilia Lara, na Escola Municipal Conjurados, a Sessão Solene de Instalação da Câmara Municipal que cumprirá mandato entre 2021 e 2024. Devido à pandemia de Covid-19 e às medidas de proteção e de prevenção ao contágio pelo novo coronavírus, neste ano a cerimônia de posse foi restrita. A população, em geral, pôde acompanhar pelas redes sociais a posse do prefeito, do vice-prefeito e dos vereadores. A sessão solene de posse foi aberta e presidida pelo vereador mais votado no pleito do dia 15 de novembro de 2020, Elson Antônio Ribeiro, o Coló do Cajuru (PSD). Compareceram para tomar posse os vereadores eleitos: Elson Antônio Ribeiro (Coló), Cleiton Afonso dos Santos (PSD), Fernando de Resende Chaves (PDT), João Dias (MDB), José Assis Sobrinho, o Zé do Dico (PT), José Cláudio de Sousa Resende (PSDB), Lucas Antônio de Resende (PSDB), Luís Fernando da Silva, o Guerra (PT) e Paulo Altivo de Moura (MDB). No início da sessão solene, o vereador Cleiton Afonso (PSD) exerceu a função de secretário até a constituição da nova Mesa Diretora. Seguindo o rito oficial de posse, todos os vereadores eleitos apresentaram os seus diplomas e declarações de bens e firmaram o compromisso previsto na Lei Orgânica Municipal. Os edis prometeram promover o bem geral do povo resende-costense e exercer o
cargo sob a inspiração do interesse público, da lealdade e da honra. Ainda de acordo com o rito de posse e seguindo protocolo baseado no Regimento Interno da Câmara Municipal de Resende Costa, após apresentarem os diplomas e prestarem o solene juramento, os nove vereadores eleitos no dia 15 de novembro de 2020 foram declarados empossados. Deu-se início, em seguida, à eleição e posse da nova Mesa Diretora, que cumprirá mandato de dois anos. O processo de eleição da Mesa Diretora foi dirigido pelo presidente da sessão, o vereador Elson Ribeiro. ELEIÇÃO E POSSE DA MESA DIRETORA O vereador Fernando de Resende Chaves (PDT) apresentou-se como candidato à presidência da Câmara sem, no entanto, reunir uma chapa completa. Tratou-se de candidatura avulsa. Foi registrada, portanto, somente uma chapa completa: a Chapa 1, liderada pelo vereador João Dias (MDB). Cleiton Afonso dos Santos (PSD) e José Assis Sobrinho (PT) completaram a chapa como vice-presidente e secretário, respectivamente. Após a apresentação dos membros da Chapa 1, foram entreguesas cédulas a cada vereador. Os vereadores votaram e em seguida foi divulgado o resultado da votação, que elegeu, por 7 votos, o vereador João Dias (MDB) presidente da Câmara Municipal de Resende Costa para o biênio 2021-2022.
O vice-presidente Cleiton Afonso dos Santos (PSD) e o secretário José Assis Sobrinho, o Zé do Dico (PT), obtiveram 9 votos cada. O vereador Fernando de Resende Chaves (PDT), que apresentou candidatura avulsa, teve 2 votos. O presidente eleito João Dias agradeceu o apoio e a votação recebidos dos seus colegas de Câmara. “Quero agradecer a confiança de vocês e os sete votos depositados em mim para que eu conduza o Poder Legislativo. Agradeço a Deus pela oportunidade de estar neste meu terceiro mandato. Podem ter certeza de que darei o meu melhor à Câmara Municipal”. Fernando de Resende Chaves se apresentou como parceiro da Mesa Diretora durante a gestão que se inicia. “Como houve uma renovação de quase 80% das cadeiras da Câmara, eu entendo que a vontade do eleitor é que essa renovação acontecesse também na presidência da Câmara. Tenho muito apreço e amizade pelo vereador João Dias. Mas lancei minha candidatura para defender os princípios de alternância no poder e de renovação. Daqui para frente, serei um parceiro da Mesa Diretora para ajudar no bom andamento do Legislativo”, declarou o vereador do PDT. Após a posse da Mesa Diretora, cada vereador teve oportunidade para discursar. Os edis agradeceram aos resende-costenses os votos recebidos nas Eleições Municipais 2020 e se prontificaram a trabalhar pelo bem do povo do nosso município.
Foto: Cássio Almeida
A nova Mesa Diretora terá como presidente o vereador João Dias (MDB). Cleiton Afonso (PSD) e Zé do Dico (PT) foram eleitos, respectivamente, vice-presidente e secretário
Rito de votação que elegeu a Mesa Diretora da Câmara Municipal. O vereador Cleiton Afonso atuou como secretário na Sessão Solene.
Vereador João Dias (MDB) foi eleito presidente da Câmara Municipal para o biênio 2021-2022.
Sessão Solene de Posse do prefeito, vice-prefeito e vereadores do município de Resende Costa.
PÁG. 4 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
GOVERNO MUNICIPAL INFORMA
INFORME PUBLICITÁRIO
Prefeito eleito Zinho Gouvea é escolhido presidente do Circuito Trilha dos Inconfidentes
Prefeitura aumenta valor do repasse para o plantão médico 24 horas Foi aprovado no fim de dezembro novo valor do convênio entre Prefeitura Municipal e Hospital Nossa Senhora do Rosário referente ao ano de 2021. A parceria com o hospital, de grande importância para os atendimentos à população de Resende Costa, vem de longa data e foi fortalecida nos últimos anos, com o aumento constante da verba repassada. Além do aumento de valor, outra conquista importante nos últimos anos foi que o plantão médico
Parceria entre Prefeitura e Hospital é de grande importância para os atendimentos à população
deixou de ser sobreaviso e passou a ser 24 horas presenciais. Em 2021, o hospital receberá R$ 679 mil - R$ 25 mil a mais do que foi repassado em 2020. Os plantões médicos são extremamente importantes
para a garantia do pronto-atendimento a pacientes nos serviços de emergência, bem como da continuidade da assistência a pacientes internados. Confira evolução dos valores:
O prefeito Zinho Gouvea e o vice-prefeito Lucas Paulo tomaram posse no último dia 1º
No dia 21 de dezembro, em cerimônia realizada no Teatro Municipal de São João del-Rei, o prefeito de Resende Costa, Zinho Gouvea, foi escolhido presidente do Circuito Trilha dos Inconfidentes para o exercício 2021/2022. A chapa foi articulada entre 4 entidades: AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes), CIGEDAS (Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes), CISVER (Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes) e Trilha dos Inconfidentes. O evento foi realizado seguindo todos os protocolos de prevenção à Covid-19. “É muito gratificante para Resende Costa fazer parte do Circuito Trilha dos Inconfidentes. Nosso município tem um grande potencial turístico e fico muito honrado em ter sido escolhido presidente da Trilha. Ao lado dos prefeitos da região, espero desenvolver um ótimo trabalho pelo turismo”, disse Zinho. Além de presidente do Circuito, Zinho Gouvea é também segundo vice-presidente da AMVER, vi-
ce-presidente do Cigedas e membro do Conselho Fiscal do CISRU (Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência). TRILHA DOS INCONFIDENTES O Circuito Trilha dos Inconfidentes, fundado em 28 de agosto de 2000, é uma organização sem fins lucrativos, que busca impulsionar o desenvolvimento do turismo sustentável na região trilha dos inconfidentes por meio da articulação dos atores governamentais, empresariais e sociedade civil e da gestão de projetos de estruturação e promoção do destino. Atualmente, são 24 municípios associados: Alfredo Vasconcelos, Antônio Carlos, Barbacena, Barroso, Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Desterro do Melo, Dores de Campos, Entre Rios de Minas, Ibituruna, Itutinga, Lagoa Dourada, Madre de Deus de Minas, Nazareno, Piedade do Rio Grande, Prados, Resende Costa, Ritápolis, Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, São Tiago, São Vicente de Minas e Tiradentes.
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
JORNAL DAS LAJES
• PÁG. 5
JOGO ABERTO com a psicóloga Mariana Resende
Saúde mental em meio à pandemia VANUZA RESENDE / ANDRÉ EUSTÁQUIO
Marcado por incertezas e perdas devido à pandemia do novo coronavírus, 2020 chegou ao fim. Um fim que deixa feridas abertas e também compromissos e metas a serem cumpridos. Para muitas famílias, o ano velho foi tristemente marcado por perdas e despedidas dolorosas de entes queridos vitimados por um vírus letal que mudou os rumos do ano e de centenas de milhares de pessoas em todo o planeta. O Ano Novo chegou. É tempo de renovar esperanças de “vida nova”, de fortalecer expectativas e sonhar de novo. Mas será mesmo possível estabelecer metas e traçar objetivos para um ano tão imprevisível? Como lidar com possíveis frustações no decorrer de 2021? O JL conversou com a psicóloga resende-costense Mariana Resende sobre as perspectivas para 2021 e como superar as dores que herdamos de 2020 – um ano difícil e desafiador. Mariana é especialista em neuropsicopedagogia e tem aperfeiçoamento em avaliação e intervenção neuropsicológica. O ano de 2020 foi atípico. Além das preocupações rotineiras com a saúde física, a saúde mental também demandou de nós muitos cuidados. Como você avalia o ano que terminou? O ano de 2020 ficará marcado na história, especialmente pela pandemia de Covid-19, que veio de forma inesperada e impactante para todo mundo. Foi um ano marcado por muitos desafios e perdas na perspectiva biopsicossocial. Tivemos dificuldades financeiras, de saúde física e mental. Muitas pessoas experienciaram o contato com as sensações de impotência, de ansiedade, medo, frustração e angústia. Grande parte da humanidade viveu o luto da perda de pessoas queridas, das quais nem puderam se despedir. Muitos projetos foram adiados e cancelados. Houve perda da credibilidade do ser humano diante de posturas oportunistas e individualistas, que se contrapuseram à solidariedade em relação ao sofrimento e à vida do próximo. Todavia, foi também um ano marcado por ganhos. Pudemos ver, por exemplo, muitas pessoas contaminadas vencerem o vírus e se recuperarem, a mobilização de profissionais de diferentes áreas a fim de disponibilizarem recursos para o enfrentamento da pandemia e para o bem-estar das pessoas, a união para reverter as perdas financeiras, o empenho das comunidades científicas de diferentes
áreas com o objetivo de oferecer sua contribuição em prol do desenvolvimento da saúde coletiva. Muitas pessoas tiveram que reinventar suas atitudes nos âmbitos profissional e pessoal, descobrindo forças internas que acreditavam não possuírem. Foi um ano que nos permitiu perceber que uma andorinha sozinha não faz verão e que somos partes de uma sociedade. Por menor que seja nossa ação, pode ser de grande valia para a propagação do respeito e do cuidado com a vida. Sentimentos são necessariamente experiências individuais. Cada pessoa lida com problemas e adversidades de forma particular. Diante, porém, da pandemia que atingiu todos, podemos falar de sentimentos coletivos? Em geral, quase todas as pessoas envolvidas em circunstâncias de fragilidade e imprevisibilidade em diferentes esferas, como as que a pandemia nos trouxe, experimentam algum tipo de alteração emocional. É possível que ocorram limitações para se adaptar ao novo contexto de vida e aos desafios trazidos por ele. Sentimentos de frustração, de tristeza, de medo e insegurança estão sendo frequentemente relatados pelas pessoas. Entretanto, o espírito de coletividade, que também foi eliciado pelas circunstâncias da pandemia, parece estar fazendo aflorar a solidariedade nas pessoas, contribuindo para o fortalecimento da empatia, da compaixão, da gratidão e da esperança. Mas como você bem disse, os sentimentos são muito individuais, cada pessoa tem experienciado de sua maneira os contextos trazidos pela pandemia de Covid-19. É comum ouvirmos das pessoas que “tudo tem um lado bom”. É possível garimpar bons sentimentos de uma situação tão triste e desafiadora como uma pandemia? Acredito ser uma questão de perspectiva. A humanidade não conhecia o vírus que causa a Covid-19. Houve, portanto, necessidade de lidar com a imprevisibilidade e com a carência de adaptações para a rotina no trabalho, nos estudos, nos projetos de vida, nos eventos e no lazer. Também tivemos que elaborar estratégias para a promoção da saúde física e mental. As dificuldades podem, sim, nos fazer elaborar alternativas criativas de adaptação a um novo contexto. Nesse processo, ganhamos conhecimento de vida e passamos a valorizar o que é de fato importante para nós, como: dar valor à companhia de pessoas que amamos, à liberdade de ir e vir, à saúde... Enfim, valorizarmos pe-
quenas coisas que em outro contexto poderiam passar despercebidas. Sentimentos como gratidão, esperança, autoconfiança, motivação e alegria podem nascer a partir da visualização de nossas conquistas em lidar com os desafios experienciados com a pandemia. Já se tornou tradição na chegada de um novo ano as pessoas fazerem “listas” com seus planejamentos. Como elaborar projetos para 2021, se grande parte do que planejamos para 2020 não conseguimos fazer devido à pandemia? Dou relevância à reflexão que cada pessoa tem acerca do seu processo e do seu tempo. Respeitar isso é de suma importância para o estabelecimento de objetivos de vida. Momentos como esse, de contexto pandêmico, pedem priorização e foco no que pode ser feito no agora. Nada adianta gastarmos nossas energias em projetos futuros que não terão como ser implantados em nossas vidas neste momento. Por diversas razões isso pode levar ao esgotamento emocional. Imprevistos em planejamentos acontecem e, para lidar com eles, é importante a elaboração de metas conscientes, conectadas à realidade. Esse panorama contribui para um direcionamento sobre o que desejamos alcançar. Refletir sobre o que está dentro da nossa capacidade de controle e o que não está pode ajudar na elaboração de novas metas frente ao período de incertezas. Como fazer planos e ao mesmo tempo evitar futuras frustações? A elaboração de um planejamento envolve perceber os recursos que temos, o que podemos gerenciar, quais são as necessidades, prioridades e desafios para a realização de um projeto. Através dessa construção, podemos ter uma visibilidade mínima do que pode dar errado. Entretanto, o ano de 2020 veio como um bom exemplo de que é impossível ter controle de tudo. Em nossa condição humana, somos limitados. Não temos, em minha perspectiva, como evitar a frustração, ela faz parte da vida. Mas podemos gerenciar o efeito nocivo para nossa saúde do excesso dela, reavaliando nossa postura frente à vida e nossas relações. Com a pandemia vieram dificuldades que não imaginávamos que iríamos vivenciar. É natural fazermos experiências de respostas emocionais, como ansiedades, medos, frustrações e tristezas quando percebemos algum risco e perdas, ou que alguma coisa não aconteceu da forma como gostaríamos que ocorresse. Essas respostas emocionais nos auxiliam a termos atitude de defesa
e reação frente aos imprevistos, bem como a percebermos determinadas situações que não estão confortáveis para nós. Ou seja, aquilo que gostaríamos de modificar. Portanto, as emoções que não gostamos de sentir, como a frustração, são também importantes para nossa sobrevivência no mundo e em sociedade. Maior tolerância à frustração nos permite desenvolver capacidade de flexibilidade e de persistência, dando-nos oportunidade de nos adaptar a novos contextos e a também de lidarmos, da melhor maneira possível, com expectativas não correspondidas. Isso fortalece o nosso repertório de gerenciamento das respostas emocionais e a emissão de atitudes mais assertivas em nossa vida. Em 2020, muitas famílias tiveram que se despedir, a distância, de familiares e amigos que não conseguiram vencer a Covid-19. Como lidar com esse luto? Acolher a dor sentida pela perda, especialmente em um momento em que o contato físico não é permitido, é muito importante. Diante desse contexto, o luto surge como uma reação necessária, normal, esperada e que cada um vivencia da sua própria maneira. O luto possibilita à pessoa elaborar o seu sentir para seguir com sua vida. É um processo que necessita de tempo para a pessoa se adaptar à perda e a todas as mudanças que vêm com ela. Para lidar com o processo de luto, é importante que se busque aceitar a nova realidade. Para isso, os rituais de despedida são de suma importância. No entanto, nesse momento alguns rituais não estão sendo possíveis. Mas é possível repensar alguns rituais de despedida, como, por exemplo, através da escrita de uma carta para a pessoa que faleceu. Fazendo isso, promove-se um “fechamento” do ciclo vivido junto a quem faleceu, expressando sentimentos que possam, de alguma forma, estar influenciando na dificuldade da elaboração do luto. Para ajudar uma pessoa enlutada, podemos ter algumas atitudes de primeiros socorros psicológicos. Por exemplo: buscar ter empatia sem julgar a dor do outro; evitar dizer expressões, como “isso vai passar”, “Deus sabe o que faz”, “era hora dele(a)”. Ao invés disso, procure oferecer frases acolhedoras, como: “você não está sozinho”, “estou aqui para o que precisar”, “sinto muito por você estar assim”, “há algo que posso fazer por você nesse momento?” Ofereça a escuta atenta ao que a pessoa tem a dizer. Caso o indivíduo não queira conversar, não tente minimizar a dor dele, respeite o seu silencio. Perceba se esse alguém está
Foto: Arquivo pessoal
“O ano de 2020 veio como um bom exemplo de que é impossível ter controle de tudo. Em nossa condição humana, somos limitados.” (Mariana Resende)
A psicóloga Mariana Resende
precisando de ajuda para realizar atividades do dia a dia, como ir ao supermercado ou à farmácia. Deixe-o chorar e permita que ele expresse sua dor. Fique junto a ele nesse momento difícil. Lembre-se de que estar junto não é necessariamente estar perto fisicamente. Esse amparo pode ser realizado através de uma chamada de vídeo pelo celular, por exemplo. É possível fazer uma retrospectiva do que vivemos e que nos transformou em 2020, marcado pela pandemia? Gostaria de fazer uma reflexão em retrospectiva de tudo que experienciamos até aqui com a pandemia da Covid-19. O momento é transformador, o vírus nos cutucou do lado de fora, convocando-nos a (re)conhecer o lado de dentro, seja de nós ou de nossas casas. Foi necessário contato com o que antes poderia ficar para o amanhã. Foi preciso reger as fraquezas e desbravar forças que muitos não sabiam que tinham. O vírus convocou o ser humano a respeitar o tempo dos processos que não estão em sua possibilidade de atuação. O período exigiu de muitos a revisão do eu, dos valores, do mundo e das prioridades. Houve percepções de que “transformar coisas” não é só para especialista ou cientista; a vivência na prática tem seu jeito único de ser. O período de vírus solto pelo ar pode nos fazer desbravar com ousadia as possibilidades de resolução de problemas. Afinal, para sobrevivermos, muitas vezes temos que sentir medo e ir com medo para atravessarmos as pedras no caminho. O momento difícil pode nos ensinar a transformar dor em conhecimento de vida, a encontrar nossas potencialidades para explorarmos com coragem a força do ser dentro da sociedade humana e (re)conhecer o poder da união. A transformação pode não ser confortável ou agradável, mas amadurece o homem de alguma forma. O cenário mudou e nossas possibilidades de atuação nele também.
PÁG. 6 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
Política
Zinho Gouvea e Lucas Paulo tomaram posse no dia 1º de janeiro Com secretariado definido, prefeito e vice elegem a pandemia da Covid-19 como o maior desafio a ser enfrentado no início de mandato Foto: Cássio Almeida
VANUZA RESENDE
No dia 1º de janeiro de 2021, aconteceu a posse do prefeito e do vice-prefeito eleitos do município de Resende Costa, além dos nove vereadores que irão compor a Câmara Municipal durante a legislatura 2021-2024. A solenidade de posse foi realizada no Salão Lilia Lara, na Escola Municipal Conjurados. Devido às medidas de segurança sanitária e de prevenção ao novo coronavírus, o evento foi restrito a poucas pessoas e transmitido pelas redes sociais. A programação contou com missa às 9h e, em seguida, sessão solene da Câmara Municipal, durante a qual foram empossados o prefeito José Gouvea Filho (PSDB), o vice-prefeito Lucas Paulo de Assis Vale (PSD) e os vereadores. Após ser solenemente empossado no cargo de prefeito municipal de Resende Costa para o mandato 2021-2024, Zinho Gouvea deu posse aos novos secretários municipais que formarão a sua equipe de governo. O secretariado ficou definido da seguinte maneira: Secretaria de Saúde: José Luiz; Secretaria de Educação, Esporte e Lazer: Silvana Resende; Secretaria de Transporte: Fagner Barbosa; Secretaria de Obras: Ricardo Resende; Secretaria de Administração e Fazenda: Thaísa Lara Ribeiro; Secretaria de Turismo, Artesanato e Cultura: André Eustáquio Melo de Oliveira; Secretaria de Assistência Social: Edirlene Aparecida; Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente: Alexssander Lourdes; Secretaria de Planejamento e Governo: Gleidson Diego; Secretaria de Gabinete: Jucimara Coelho; Assessor Jurídico: Geraldo Aires da Silva. O prefeito municipal Zinho Gouvea falou sobre a escolha do seu secretariado. “Procuramos escolher nossos secretários de forma técnica, sem vínculos ou indicação política. Mantivemos alguns secretários da atual administração e inovamos com um processo seletivo para escolha de alguns novos nomes. Fizemos uma mudança no quadro de secretários da prefeitura, em que aproximadamente 65% dos indicados estão assumindo pela primeira vez as respectivas pastas.” NOVIDADE: PROCESSO SELETIVO PARA A ESCOLHA DOS SECRETÁRIOS Sobre a inovação no processo seletivo para a escolha de quatro secretários (Saúde; Assistência Social; Agropecuária e Meio Ambiente; Turismo, Artesanato e Cultura), Zinho comentou: “Foi uma ideia, de certa forma, inovadora e ousada para que possamos ouvir a popula-
O prefeito Zinho Gouvea, o vice-prefeito Lucas Paulo e os secretários municipais
ção e ver a aceitação dela em participar. O prazo de transição entre a eleição e a posse foi bem curto, devido ao atual cenário mundial, o que não daria tempo para uma mudança geral. Considerando o cenário acima e, como participei ativamente da administração passada na condição de vice-prefeito, entendi que seria importante manter alguns secretários que já estão no cargo para darmos continuidade ao ótimo trabalho até aqui desenvolvido”, destaca o prefeito. O vice-prefeito Lucas Paulo também comentou sobre o processo seletivo. “Foi algo inovador, não só para a nossa cidade, mas também para nossa região. Durante a campanha, batendo de porta em porta, nós explicamos que a nossa primeira preocupação seria vencer as eleições e depois montarmos a nossa equipe de governo, mas que não tínhamos compromissos políticos nenhuns. Passadas as eleições, sentei-me com o Zinho e tomamos a decisão de fazer esse processo.” Lucas destacou também a oportunidade ofertada a diferentes pessoas, uma vez que o processo seletivo foi aberto a todos os interessados. “Tenho certeza de que foi uma ótima decisão fazer esse processo seletivo. Tivemos nomes que nem passavam pela nossa cabeça. Durante o processo, vimos muitas pessoas competentes que talvez não tivéssemos a oportunidade de conhecê-las. E ainda temos um leque de opções, conhecidas no próprio processo seletivo, que poderão vir a somar conosco em qualquer momento da administração.” Zinho Gouvea também falou como surgiu a ideia de criar o processo seletivo para a escolha dos quatro novos nomes. “Ao sermos eleitos, discutimos como iríamos analisar a parte técnica do nosso secretariado. Foi a partir daí que surgiu a ideia de contratarmos uma empresa de RH (cabe ressaltar que tal contratação se deu com recur-
sos próprios nossos) competente para análise de currículos. Com isso, abrimos oportunidade para que todas as pessoas que tivessem interesse de participar pudessem ser ouvidas. Vale aqui destacar que ficamos muito satisfeitos com a aceitação geral da população e com o resultado do processo seletivo. Estamos confiantes nas pessoas escolhidas e tenho certeza de que todos exercerão com profissionalismo a função de secretário de nossa cidade.” “Estamos dando continuidade a um bom trabalho até aqui realizado pelo Aurélio. Não justificaria trocar todas as secretarias. Devido à pandemia e ao atraso na realização das eleições, tivemos metade do tempo de transição em situações normais. Manter, portanto, algumas secretarias foi e é muito importante para fazer um bom trabalho e uma boa transição. Não teríamos tempo para fazer um processo seletivo para todas as secretarias. Não sabíamos como seria o resultado dessa ideia, então optamos por fazer a experiência nas quatro secretarias”, explica o vice-prefeito. Lucas Paulo agradeceu aos secretários que atuaram na gestão passada e que não permaneceram na nova administração. “Quero deixar registrado que quem saiu agora deixou sua grande contribuição, mas algumas mudanças foram necessárias. Nesse primeiro momento, eu posso dizer que estamos bem confiantes. Tivemos um processo no qual foram aprovadas quatro pessoas competentes para ocuparem os lugares certos, com muita vontade de somar e trabalhar pelo município de Resende Costa.” Questionado sobre possíveis mudanças no secretariado ao longo do mandato, o prefeito Zinho Gouvea disse que a intenção é manter os escolhidos, mas que pode haver mudanças, caso seja necessário. “Como é de conhecimento,
a função de secretário é de livre nomeação e exoneração por parte do prefeito municipal. Entendemos que todos os nossos secretários possuem conhecimento técnico e são excelentes profissionais. Eles agregarão muito valor à nossa administração e pretendo que todos continuem exercendo sua função pública até o final da nossa administração. Mas, caso algum secretário não corresponda às expectativas, poderemos, sim, fazer trocas”, afirmou. GESTORES DESTACAM O COMBATE À PANDEMIA COMO MAIOR DESAFIO NO INÍCIO DO MANDATO Depois de empossados os novos secretários e com quatro anos de administração pela frente, prefeito e vice destacam a pandemia da Covid-19 como o maior desafio a ser enfrentado nesse momento. “O maior desafio que iremos enfrentar, juntamente com todos os prefeitos eleitos que assumirão os municípios, é a pandemia do coronavírus que assola o mundo todo. Além da questão da saúde de nossa população, que é extremamente importante, temos o cenário econômico como uma incerteza para os próximos anos, o que será um desafio para todos os administradores”, pontuou o prefeito. Zinho sinalizou que o município de Resende Costa vai continuar aderindo ao plano Minas Consciente, do governo do Estado, que orienta os municípios a retomarem as atividades econômicas e sociais de forma organizada. “Vamos dar continuidade ao programa Minas Consciente, elaborado pelo Governo Estadual, do qual nossa cidade já faz parte, valorizando o comitê da Saúde. Vamos acompanhar os estágios da doença em nossa região, ouvindo profissionais da saúde para que possamos tomar decisões com sabedoria. A saúde
tem os recursos necessários para as ações de testagem da população, assim como para elaborar medidas de prevenção a fim de evitar a disseminação do vírus”, garantiu o prefeito. Lucas Paulo enfatizou que “trabalhar com essa incerteza não é fácil, mas com muita prudência e responsabilidade vamos conseguir fazer uma boa administração. Nesses primeiros meses, é muito importante darmos sequência ao trabalho desenvolvido até aqui, além de terminar algumas obras importantes já iniciadas pela gestão passada. Com isso, poderemos planejar e começar a executar as nossas novas ideias.” Lucas disse ainda que em 2020, antes de assumir a prefeitura, foram feitas reuniões para debater áreas, como saúde e economia. “Tivemos reuniões constantes nesses 45 dias de transição. Nós nos reunimos algumas vezes com o setor comercial e também com setores da saúde. Precisamos manter o diálogo constante com esses dois setores, e assim será feito. Vamos caminhar juntos, pois sabemos que as decisões não são e não serão fáceis. Porém, se estivermos juntos nas ideias e nos ajudando nas execuções delas, poderemos sair mais fácil dessa complicada situação. Vamos ter que ir dia a dia, cenário a cenário, já planejando o momento atual com a retomada da economia. Lembrando que a saúde será prioridade em nossa gestão, tanto na pandemia quanto no pós-pandemia.” Os novos administradores municipais aproveitaram a oportunidade para agradecer aos cidadãos resende-costenses. “Gostaria de agradecer pelo espaço no Jornal das Lajes e, mais uma, vez agradecer a nossa população pela confiança depositada no Zinho e também em mim. Quero pedir para que, nesse momento difícil pelo qual estamos passando, possamos esquecer as questões partidárias e pensarmos em nossa cidade. Caminhar juntos fará com que cada um de nossa cidade tenha uma vida melhor. A administração é como se fosse uma corda; se cada um puxar para um lado, o meio arrebenta. Em nosso governo, vamos acertar e também vamos errar, somos seres humanos como qualquer um. Porém, tentaremos, a todo momento, acertar e fazer o melhor para nossa querida cidade”, diz o vice-prefeito Lucas Paulo. “Quero aproveitar para agradecer a todos os munícipes pelo voto de confiança depositado em nossa chapa. Peço a Deus para que nos dê sabedoria a fim de podermos realizar uma administração para todos. A prefeitura está com as portas abertas para receber todo o povo de Resende Costa. Forte abraço a todos”, conclui o prefeito municipal Zinho Gouvea.
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
JORNAL DAS LAJES
• PÁG. 7
ACONTECEU
Mirante das Lajes atrai visitas de resende-costenses que registram momentos no principal cartão-postal da cidade VANUZA RESENDE
A Laje de Cima, principal cartão-postal de Resende Costa, recebeu uma importante obra de revitalização. O espaço, que já era bastante frequentado pelos resende-costenses e vem atraindo turistas de diversas cidades do país, conta agora com um mirante. Apesar da obra ainda não ter sido concluída, moradores da cidade já registram no local momentos pessoais com os amigos e familiares. Confira alguns registros feitos no Mirante das Lajes por leitores do JL e publicados nas redes sociais.
@Daiane Pinto
@Fernanda Resende e família
@Milena Daher
@Carla Silva
@Victoria Silva e família
@Francielle Vale e Luiz Otávio
@Maura Resende e Walison Silva
PÁG. 8 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
ACONTECEU
O dia 1º de janeiro de 2021 na região das Vertentes foi marcado pelas posses dos novos gestores municipais Foto: Arquivo Câmara Municipal de SJDR
VANUZA RESENDE / ANDRÉ EUSTÁQUIO
No dia 1º de janeiro, aconteceram as cerimônias de posses de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores nas cidades que compõem a microrregião do Campo das Vertentes. Os novos gestores municipais cumprirão mandato de quatro anos, entre 2021 e 2024.Também tomaram posse os secretários municipais que auxiliarão os gestores na condução dos seus governos nos municípios. O JL traz registros de momentos das posses em São João del-Rei, Tiradentes, Barroso e Lagoa Dourada.
Em Barroso, a posse do prefeito Anderson Geraldo de Paula (DEM) e do vice-prefeito Eduardo Ferreira Pinto (Cidadania) aconteceu no Plenário da Câmara Municipal. Devido à pandemia, a solenidade foi restrita e estiveram presentes somente autoridades municipais e familiares dos gestores eleitos. A posse foi transmitida pelo canal da Câmara Municipal no YouTube e pela página do Legislativo no Facebook. Foto: Arquivo Prefeitura Municipal de Lagoa Dourada
Foto: Arquivo Prefeitura Municipal de Tiradentes
Em cerimônia restrita de posse, o prefeito eleito de Tiradentes, Nilzio Barbosa, o Pinto, do MDB, assumiu o governo da cidade histórica mineira ao lado do vice-prefeito Reinaldo Noronha, do Avante.
Foto: Arquivo Prefeitura Municipal de Barroso
Foto: Arquivo Câmara Municipal de SJDR
O prefeito Nivaldo José de Andrade (PSL) assumiu o quinto mandato de prefeito da histórica São João del-Rei.
Tomaram posse os vereadores eleitos de São João del-Rei: Lívia Guimarães (PT), Edmar da Farmácia (PSDB), Igor Sandim (Podemos), Werinton Andrade (PSL), Rosinha do Mototáxi (PSL), Stefanio Pires (PSL), Dondom (PRTB), Sargento Machado (PRTB), Professor Leonardo (PSDB), Claudinho da Farmácia (PTC), Fabiano Pinto (DEM), Mara Protetora de Animais (PSC) e Rogério Bosco (PT). A Mesa Diretora da Câmara Municipal de São João del-Reificou composta pelos seguintes vereadores e seus respectivos cargos: presidente: Stefânio Pires; vice-presidente: Rosinha do Moto Taxi; primeiro-secretário Weriton Andrade e segundo-secretário Sargento Machado.
O prefeito municipal de Lagoa Dourada, Ronald Pereira (PSDB), e o vice-prefeito Cizinho (PSDB) tomaram posse juntamente com os nove secretários municipais e o procurador-geral do município. A cerimônia aconteceu na Câmara Municipal.
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
JORNAL DAS LAJES
A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
Tá devendo? Outro dia fui comprar um presente para a minha pequena prima. Sempre me enrolo com as compras de presentes. Já dei calça de magro pra gente gorda, camisa de gente velha pra gente jovem, sabonete pra quem não precisava, livro pra quem não gosta de ler... Sou um Papai Noel ao contrário: vivo enchendo o saco dos outros. A mocinha chegou sorridente atrás do balcão e me lançou um “pois não” enfeitado por um sorriso burocrático. Expus os motivos pelos quais me encontrava em frente a ela naquela loja. – Menininha, né? – perguntou, com jeito de mãe embutida, que um dia vai aparecer. – É, é uma menininha sim. – respondi, com jeito de pai paciente, que um dia em mim apareceu. A garota sumiu para depois aparecer carregando uma porção de caixas coloridas, de diversas formas. Explica dali, mostra daqui, abre uma caixa, fecha outra... até que se instalou um silêncio fatal: qual levar? Fiquei olhando os artigos como se olha para peças de xadrez. Ela tentou opinar, mas em vão. Continuei como estátua de burro empacado. Finalmente, dei por encerrados meus raciocínios demorados e decidi-me. – É pra anotar? O senhor tem ficha aqui? – É, é pra anotar sim. Tenho ficha aqui. Lá no caixa, a mocinha começou a procurar minha ficha que, costumeiramente, desaparece nas lojas, sempre a colocam no lugar errado. Como não encontrava, a jovem
olhou para mim e perguntou: – Tá devendo? Todos por ali olharam para mim, esperando uma resposta, querendo saber se eu era um devedor. Sim, eu era um devedor, o tipo mais terrível de dívida: a dívida perante os olhares alheios. Eu devia uma resposta a todos. Fiquei uns instantes parado e olhando para o ar. Dever... Tá devendo? Pergunta cruel, pois nos coloca em situação de obrigatoriedade, de erro. É duro admitir que está devendo. Estou devendo uma visita... Estou devendo desculpas porque não fui ao seu jantar... Estou devendo um favor ao fulano... E toca a gente a fugir dos cobradores sociais, que aparecem nos lugares mais inesperados. E a gente com as mesmas satisfações: Ainda não tive tempo, mas apareço lá... Logo na hora de eu sair para a sua casa chegou um amigo com a família toda... Um dia eu ainda lhe pago o seu favor, amigo... Isso tudo vai sedimentando ainda mais o nosso complexo de dívida. Já nascemos devendo: quando criança, aprendi que todos nascem com o pecado original. Nem bem entramos no mundo e já nos cobram algo que já deveríamos ter quitado!!! E a vida inteira a gente passa nessa autocobrança das dívidas que nos assombram. Saí da loja com o presente dentro da sacolinha. Acho que minha priminha vai ficar uma boneca com a roupinha que comprei para ela. Mas ainda não entreguei, não tive tempo de ir lá, é uma correria danada... Estou devendo esse presente a ela.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
• PÁG. 9
Desejos de paz “A paz/Invadiu o meu coração/De repente, me encheu de paz/Como se o vento de um tufão/Arrancasse meus pés do chão/Onde eu já não me enterro mais. A paz/Fez o mar da revolução/Invadir meu destino a paz/Como aquela grande explosão/Uma bomba sobre o Japão/Fez nascer o Japão na paz. Eu pensei em mim/Eu pensei em ti/Eu chorei por nós/Que contradição/Só a guerra faz/ Nosso amor em paz. Eu vim/Vim parar na beira do cais/Onde a estrada chegou ao fim/Onde o fim da tarde é lilás/Onde o mar arrebenta em mim/O lamento de tantos ais.” Começo este 2021 com A paz (1986), bela música de Gilberto Gil e João Donato. A letra, segundo Gil, foi inspirada no nome do célebre romance histórico Guerra e Paz, de Tolstói, escritor russo, e baseada na oposição que o título sugere. Para o sujeito poético dos versos acima o mundo contemporâneo busca a paz, paradoxalmente, através da guerra. A rigor, no entanto, é sabido que a ausência de guerra nem sempre significa que estamos vivendo num ambiente de paz. Historicamente consideradas, situações em que essa realidade se apresentou não faltaram ao longo da trajetória da humanidade. A título de ilustração, tomem-se dois momentos em que se viveu um armistício. A Pax Romana (Paz Romana), um conjunto de medidas aplicadas em todo Império Romano, ficou conhecida
como uma época marcada por uma aparente paz e prosperidade encerrando o período da república romana em 27 a.C. num processo de transição com vistas a rever a estabilidade do Império e garantir sua integridade territorial, se necessário, por coação. Já no século XX, após a Segunda Guerra Mundial (a partir de 1945), houve uma divisão político-ideológica envolvendo os Estados Unidos e a antiga União Soviética. Nessa disputa, representada pelo capitalismo americano e o socialismo soviético, a que se deu o nome de Guerra Fria, não houve conflitos diretos entre os EUA e a URSS (uma potência mundial até então, hoje dissolvida com essa configuração única), mas sim um duradouro estado de tensão entre ambos na vigência desse período. É possível e necessário compreender que os arranjos aos quais se dão nomes como acordos, convenções ou tratados de paz sejam costurados e assinados, no entanto e verdadeiramente, costumam gerar uma paz imposta pela caneta, pela força dos mais fortes. Não é paz. Num outro sentido, dessa vez dentro do contexto social brasileiro e com o mesmo entendimento sobre essa questão, podem ser analisados os versos da ainda atual letra de Marcelo Yuka (1965-2019) para o sucesso de Minha alma (A paz que eu não quero), de 1999, do grupo O Rappa, que teve Yuka também como seu integrante. Vejamos: “A minha alma está armada/E apontada para a cara/Do sossego/Pois Paz sem voz/Paz sem voz/
Não é paz. É medo...” O termo “sossego” aqui é o silêncio, atitude passiva, socialmente aceitável. O próprio título da música faz referência a essa ilusão de um sossego que não se pode querer porque é acomodação diante das injustiças. Do poema Maísa (Bandeira) me vem agora uma bonita e sugestiva descrição dos olhos da inesquecível cantora brasileira, cujo olhar tinha uma “expressão de amargura”: “Os olhos de Maísa são dois não sei quê dois não sei como diga dois Oceanos não Pacíficos”. Disse tudo o poeta. Os olhos grandes e expressivos de Maísa espelhavam sua vida – intensa e atormentada em comparação inversa às águas tranquilas do Oceano Pacífico. No dia a dia das tribulações de toda ordem, estamos sempre pedindo (Me deixe em paz!) ou desejando (Fique em paz!) a alguém simplesmente o que de melhor pode haver, pois essa sensação de perfeito bem-estar inclui tudo aquilo de que precisamos para nos sentir felizes ou pelo menos em equilíbrio, o que não é pouca coisa. É fato que, diante dos sobressaltos por que passamos em razão principalmente de um grande e atual inimigo comum a todos, paz é tudo o que não estamos tendo ainda hoje. Mas recomecemos assim mesmo por acreditar, sem a utopia dos ingênuos, na possibilidade de viver dias mais tranquilos e desconceituar como uma atitude meramente contemplativa a paz, que é uma conquista, nosso bem talvez maior.
PÁG. 10 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
CIDADE
EDUCAÇÃO
Substituição de paralelepípedos por asfalto em algumas ruas da cidade é questionada pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura
Calçamentos de paralelepípedos da Praça Dom Lara e da Rua 7 de Setembro foram substituídos por asfalto
VANUZA RESENDE
Encerrando o segundo mandato como prefeito de Resende Costa, Aurélio Suenes deu início a obras de asfaltamento ou calçamento de diversas ruas da cidade. De acordo com o agora ex-prefeito Aurélio, a Prefeitura Municipal possui em vigor três contratos para execução de obras de asfaltamento de ruas, dois deles na Avenida Tiradentes, a nova avenida, que inclui trecho da rua Heloisa Macedo Lara e da Rua Vicente Penido, no Bairro Nossa Senhora Aparecida. “O contrato da primeira etapa (das obras) é de recursos de emenda parlamentar do deputado federal Diego Andrade. Já o contrato da segunda etapa é com recursos provenientes do pré-sal. O outro contrato de recapeamento ficou no valor de 832 mil reais e são recursos da CFEM (compensação pelos efeitos de exploração mineral)”, explica Aurélio Suenes. Além de vias recapeadas com asfalto na cidade, há locais em que a prefeitura optou pela utilização de bloquetes, sobretudo em trechos de estradas rurais e em povoados. Há também ruas no centro urbano de Resende Costa que estão sendo calçadas com bloquetes. De acordo com Aurélio, a grande maioria dessas obras será concluída no decorrer deste ano. DISCORDÂNCIA A substituição do calçamento com paralelepípedos por asfalto em alguns logradouros no centro da cidade, no final de 2020, causa polêmica entre o Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura e o Exe-
cutivo Municipal. O presidente do CMPC, Edésio de Lara Melo, não concorda com a intervenção, especialmente na Praça Dom Lara e na Rua 7 de Setembro. “O paralelepípedo, além de ecologicamente correto, é mais bonito e não contribui para que automóveis circulem em alta velocidade. Ele nos liga à nossa bela Resende Costa do século passado, à década de 1940 em diante, especificamente. Se bem instalado, ele é para sempre. Único maltrato que recebe são os trabalhos de manutenção mal feitos. O paralelepípedo contribui diretamente para a retenção da água da chuva, portanto é ecologicamente correto. Sua manutenção é barata, não demanda mão de obra especializada para a execução dos serviços”, argumenta Edésio. Contrapondo o conselho, Aurélio Suenes diz: “O meu ponto de vista é diferente. As ruas onde estão sendo feitas as intervenções não fazem parte do nosso entorno (do centro) histórico. Se esses calçamentos ainda existissem nas proximidades da igreja matriz, eu não seria louco de retirá-los. Se seguirmos o ponto de vista do Conselho, não poderíamos também asfaltar as ruas calçadas com pedra quebrada, pois elas possuem características parecidas.” LOCAIS ESCOLHIDOS PARA OBRAS Edésio Lara reconhece que em alguns locais na cidade existe, sim, necessidade da substituição dos calçamentos. “Eu sei que algumas ruas precisam desses serviços. Algumas precisam de manutenção, como a (rua) José Jacinto. Há ruas que são verdadeiras armadilhas. Mês passado, duas senhoras da cidade
de Lagoa Dourada tiveram seu automóvel agarrado em um buraco: a rua (onde o fato ocorreu) não tem sequer cascalho. Foi preciso uma retroescavadeira ser chamada ao local para retirar o carro. Agora estão jogando entulho na rua para ver se os carros podem passar por ela. Por que não investir nessas ruas que não têm nada, só terra batida?”, questiona o presidente do Conselho de Patrimônio. Aurélio disse que, para a execução das obras, “as ruas foram escolhidas de acordo com o nível de conservação e com a demanda dos moradores. Infelizmente as obras de implantação da rede de esgoto deixaram as ruas em condições bem ruins.” CONSELHO FALA SOBRE DESCARACTERIZAÇÃO E PREJUÍZOS AO TURISMO; PREFEITURA DISCORDA O CMPC defende que o asfaltamento pode prejudicar questões ligadas ao turismo. De acordo com o presidente do órgão, turistas que visitam a cidade “não querem ver asfalto. Eles (turistas) gostam de ver ruas e lugares com calçamento original, ou seja, os paralelepípedos que são vistos em tantas ruas de cidades históricas de Minas, como Diamantina e Ouro Preto”. “Se quisermos cuidar da imagem da cidade, preservando o que há de bom, bem acabado e bonito, não é com asfalto que vamos conseguir isso. A riqueza que temos dos nossos calçamentos vem sendo coberta com asfalto”, lamenta Edésio. Mais uma vez, Aurélio discorda: “Seria óbvio e fácil concordar se os paralelepípedos estivessem no
Inscrições para processo Seletivo do IF Sudeste MG começaram no dia 18 de janeiro O processo é gratuito e sem provas presenciais Atuando de forma remota desde março de 2020, o Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais divulgou uma nova maneira de selecionar alunos para o primeiro semestre de 2021. Devido à pandemia de Covid-19, as inscrições são gratuitas. De acordo com a instituição, buscando eliminar qualquer possibilidade de contágio pelo novo coronavírus, não haverá provas ou qualquer etapa presencial. As novidades valem para cursos de todas as modalidades: técnicos, graduação e pós-graduação, em todos os campi participantes, incluindo o de São João del-Rei, que conta com dezenas de alunos resende-costenses. A classificação dos candidatos ocorrerá de diferentes formas: para os cursos técnicos, a seleção se dará por meio de análise documental de desempenho escolar em Língua Portuguesa, Matemática, História e Geografia. Para os cursos técnicos integrados ao Ensino Médio, serão consideradas as notas do 8º ano de escolaridade. Para participar do processo seletivo para ingresso no primeiro semestre de 2021 nos cursos de graduação, o candidato deverá
entorno da Matriz. Isso, sim, seria algo muito bom para o nosso turismo. Diamantina e Ouro Preto têm um patrimônio histórico que não se compara com o de Resende Costa, mas, mesmo assim, possuem ruas com asfalto e bloquetes. Portanto, o que faz sentido é sempre a localização. Esse é o meu ponto de vista e o de várias outras pessoas com quem já conversei sobre o assunto.” Aurélio enumera algumas possíveis intervenções no centro da cidade que, em sua opinião, são importantes para a preservação do patrimônio histórico e arquitetônico de Resende Costa. “Entendo que possa ser um objetivo realizável em médio prazo restaurar os pavimentos do nosso entorno histórico, a começar pela praça Nossa Senhora de Fátima, em frente à Câmara Municipal. No meu ponto de vista, isso, sim, faz sentido.” CONSELHO E PREFEITURA O CMPC informou que deu início ao processo do tombamento de algumas ruas da cidade, cujos calçamentos de paralelepípedo estão sendo substituídos por asfalto.
ter concluído o Ensino Médio até a data da matrícula. Para classificação dos candidatos, será considerado o somatório das notas por área de conhecimento e da redação, dentro dos grupos de concorrência. O candidato optará, no momento da inscrição, pela edição do Enem que será considerada para classificação, de 2015 a 2019. Na pós-graduação será feita a análise de currículo. As inscrições vão de 18 de janeiro a 21 de fevereiro e serão feitas exclusivamente pela internet, no site copese.ifsudestemg. edu.br, clicando em “área do candidato”. É obrigatório, para efetuar a inscrição, que o candidato possua CPF, documento de identificação com foto: RG, CNH, Carteira de Trabalho ou Passaporte; e e-mail. O Instituto Federal de São João del-Rei oferece vagas para dois cursos técnicos integrados ao Ensino Médio, cinco cursos técnicos, cinco cursos de graduação, três cursos de pós-graduação e dois cursos de formação inicial e continuada. A classificação provisória será divulgada no dia 15 de março de 2021, no site da Copese. V.R.
Porém, a ação está sendo realizada concomitantemente às obras. Os dois lados (conselho e prefeitura) foram questionados pela reportagem do JL sobre como foi o diálogo entre eles nos últimos quatro anos acerca da preservação do patrimônio histórico e cultural de Resende Costa. “A única coisa com a qual não concordamos foi em relação a essa questão dos paralelepípedos e também sobre a instalação de academias ao ar livre em alguns locais, como o Mirante das Lajes, por descaracterizarem o local”, avalia Edésio Lara. O ex-prefeito Aurélio, que deixou o governo do município no último dia 31 de dezembro, elogiou a relação do Executivo com o Conselho de Patrimônio. “Sempre tivemos uma relação de respeito mútuo. Até então sempre havia concordado e apoiado as decisões do Conselho. Mas essa questão do tombamento dos calçamentos de paralelepípedos nos locais onde estão não faz sentido algum”, pondera. O Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura sugere à gestão municipal que realize uma campanha de conscientização com a população sobre a importância da preservação dos calçamentos de paralelepípedos.
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
JORNAL DAS LAJES
De olho na cidade
Trilha Sonora
EDÉSIO DE LARA MELO
RENATO RUAS PINTO
No primeiro domingo deste ano, fui me encontrar com a Filomena. Ela completará 91 anos de idade no próximo dia 5 de fevereiro. Cheguei no horário marcado. Ela já me aguardava do lado de fora da casa, com um sorriso próprio dos que adoram a vida. Não por acaso, ela já planeja uma grande festa para o dia 5 de fevereiro de 2030, para celebrar seu aniversário de 100 anos de idade. Viúva e mãe de seis filhos, ela nasceu em Resende Costa. Filomena Andrade Lourdes Resende, porém, anda um tanto inquieta devido à pandemia do coronavírus que a impede de andar pela cidade, visitar amigos, ir à missa e cantar no coral do qual participa há mais de 70 anos. Filha de José Luís de Lourdes (1882) – o Zequinha de Lourdes –, natural de Carmo da Mata (MG), e de Isbela Andrade Lourdes (1896), do Morro do Ferro, próximo de Oliveira (MG), teve oito irmãos, sendo seis mulheres do primeiro casamento do pai e dois homens do segundo casamento. Empreendedor, pelo que parece – ele era celeiro, mestre de obras e proprietário de uma jardineira que ligava nossa cidade a São João del-Rei –, construiu na cidade uma casa para cada uma das seis filhas do primeiro casamento. Entre elas, estão a da Pensão do Boqueirão, como é conhecida, e a do senhor Barbosinha, o farmacêutico. Ambas as casas localizadas na rua principal da cidade, a Gonçalves Pinto. O imóvel que construiu para a família na década de 1920, localizada na Rua Gonçalves Pinto, número 114, está sendo demolido. Nessa casa, Filomena morou até os quinze anos de idade. Em 1945, seu pai a vendeu para o senhor Sylla Reis e quem nasceu nela foi o padre Fábio Rômulo Reis. Daquele tempo ela se recorda dos bons vizinhos: “Dona Maria Joaquina, biscoiteira, dos meus avós Quinzinho e Nhazinha e da enorme jabuticabeira que tinha no quintal.” Na fonte da chácara ela buscava água para beber, enquanto seus dois irmãos, João
Foto: André Eustáquio
A demolição do casarão e a memória perdida
Antigo sobrado sendo demolido na rua Gonçalves Pinto, centro de Resende Costa
Batista e José Maria, ajudavam a mãe a cuidar das galinhas. Outra boa lembrança são os jogos de vôlei nas lajes de cima, quando os meninos ficavam à distância, deitados no chão apreciando-as, e ao jogo também, prontos para buscar a bola quando esta descia laje abaixo, principalmente em direção ao Buraco do Inferno. Outra lembrança são as cenas das boiadas que passavam pela rua, sendo conduzidas em direção a César de Pina para, de lá, seguirem de trem de ferro em direção aos matadouros dos centros de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Os últimos moradores da casa de nº 114, na rua Gonçalves Pinto, centro de Resende Costa, foram o casal Aires Reis (Neném do bar) e Altair e seus filhos. Abandonada há alguns anos, os novos proprietários solicitaram autorização para promover a sua demolição. Isso agradou alguns e desagradou a outros. Os descontentes acham que o imóvel deveria ter sido tombado pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura. Mas isso não foi possível. Outros não veem motivo para mantê-lo de pé, ante o estado precário de conservação em que se encontra. Eu conheci bem esse casarão de cinco janelas e cinco portas de madeira na parte de baixo, onde funcionava a selaria. Quando menino, por vezes lá me encontrei com o Nenzito para formarmos um duo – eu na
requinta, ele na clarineta – e tocar parte do repertório da Banda de Música Santa Cecília, da qual participávamos, ou os boleros, polcas e valsas como “Branca”, “Saudade de Matão” ou “Saudade de Ouro Preto”, de que gostávamos muito. De décadas atrás, do lindo casario da Rua Gonçalves Pinto – que chamamos de avenida– não temos mais nada. Os que querem saber como era a rua e suas as casas devem recorrer aos relatos dos mais velhos ou às fotografias. Os mais velhos, também, da forma como recordou Filomena, lembram-se, saudosos, do footing – o andar para lá e para cá dos jovens –, momento precioso para o flerte. Sábados e domingos à noite, enquanto os rapazes caminhavam em uma direção, podiam cortejar as moças que vinham no sentido contrário. Infelizmente, o casario que mereceria tombamento foi sendo substituído pelos atuais imóveis. O que havia de harmonia nas construções, com seus telhados característicos de quatro águas, janelas e portas de madeira, se foi. As ruas, avenidas e praças lindamente calçadas de paralelepípedos estão, a contragosto, sendo descalçadas ou cobertas por massa asfáltica. Quanto aos imóveis, algumas perdas são irreversíveis, como é o caso do casarão da Rua Gonçalves Pinto, 114.
• PÁG. 11
Música, apesar de tudo Vamos começando 2021 com uma ponta de esperança: a vacina que já se enxerga no horizonte. O ano que passou foi terrível em todos aspectos, após sermos atingidos por uma pandemia que parece ter saído de um filme ruim de terror e que está cobrando um preço altíssimo em vidas. Ao longo de 2020, tentei trazer nesta coluna uma série de dicas de grandes discos, dos mais variados estilos, para proporcionar algum conforto para a alma e o coração. As atividades ligadas à cultura e ao entretenimento foram severamente afetadas pelo isolamento social e a consequente proibição de shows e abertura de teatros e cinemas. Ainda assim, alguns artistas conseguiram produzir em alto nível e, além de shows via internet – as lives –, alguns bons álbuns foram gestados e lançados em 2020. E para começar bem o ano, nada como um disco excepcional do grande Paul McCartney, que, nos últimos dias do ano, botou no ar o excelente “McCartney III”. Sempre há uma expectativa quando um dos maiores compositores da música popular coloca um disco novo na praça. Os últimos trabalhos de Paul, entretanto, não haviam me impressionado de modo que não sabia exatamente o que esperar. A pandemia e o isolamento fizeram com que Paul gravasse e produzisse um disco literalmente sozinho, tocando todos os instrumentos. A fórmula não é nova. Ao romper com os Beatles em 1970, Paul lançou o seu primeiro disco solo, “McCartney”, gravado desse modo. É um disco excelente, diga-se de passagem, e que vale a pena ser ouvido. E repetiu em 1980, com “McCartney II”. Agora ele faz o seu terceiro álbum, no qual mostra por que é um dos grandes mestres da canção de nossos tempos, além de desfilar seus dotes como multi-instrumentista. O resultado foi surpreendente até para os fãs com maior intimidade com a obra fabulosa do Beatle. “McCartney III” é um disco onde o artista se ateve unicamente em mostrar a força das suas melodias e letras, sem se preocupar com produções rebuscadas ou com algum apelo comercial. A
voz de Paul sente o peso dos seus 78 anos, mas ele foi completamente honesto em relação a isso, sem se preocupar em soar diferente ou tentar dar algum retoque. Como seria de se esperar de um disco totalmente solo, as bases são simples, mas nem por isso falta qualidade. Paul domina diversos instrumentos e, desde quando gravou, junto com John Lennon, a maioria dos instrumentos da clássica “The Balladof John and Yoko”, ele sempre mostrou a sua intimidade com aqueles instrumentos que fazem a base de um bom rock: bateria, baixo, piano e guitarras. Tal como em seu álbum de estreia solo, Paul faz questão de mostrar que realmente sabe tocar, arriscando-se até em faixas instrumentais. Com uma combinação de canções fortes, bases sólidas, produção enxuta e despojada – que deixa passar até o que poderia ser chamado de pequenos erros de corte e edição – e toda a sinceridade na interpretação de Paul, que, como disse, mostrou sem maquiagens na voz quem ele é, o disco foi sucesso instantâneo. Curiosamente, um disco que passa longe de buscar fórmulas de sucesso, estreou de cara no topo das paradas britânicas e em segundo lugar nos Estados Unidos. Mais do que o sucesso comercial, Paul nos brinda com mais um trabalho de alto nível e em um momento particularmente delicado. Que a boa vibração das canções do disco traga uma boa energia de que tanto precisamos para encarar um ano que não há de ser fácil. O trabalho de Paul não foi o único disco novo lançado em meio à pandemia, de modo que ainda temos bastante assunto para as próximas colunas ao longo do ano. Comecem o ano conferindo essa pérola que um dos maiores compositores de todos os tempos nos trouxe. Em tempos difíceis é que artistas como Paul McCartney se fazem necessários para nos trazer leveza e beleza. Falando em tempos difíceis, cuidem-se, pois ainda estamos longe de sair desse pesadelo e toda atenção ainda é necessária. E que 2021 traga tempos melhores para todos.
PÁG. 12 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
Cultura
Lajes de Cima passa por processo de revitalização VANUZA RESENDE
Um dos principais cartões-postais de Resende Costa está passando por obra de revitalização. As Lajes de Cima ganharam um mirante que já vem atraindo a visita de resende-costenses e turistas. Orçada em R$ 234.520,84, a obra começou em setembro de 2020 e teve sua primeira e principal etapa concluída em dezembro do mesmo ano, ainda na gestão do ex-prefeito Aurélio Suenes. “A revitalização do mirante é uma obra esperada há muito tempo. Lembro-me de ouvir essa demanda ainda quando eu era vereador. Enfim, conseguimos alcançar esse objetivo. A prefeitura investiu cerca de 250 mil reais de recursos próprios para realizar obra”, diz Aurélio. Conforme informou o ex-prefeito, a obra foi projetada pela arquiteta da AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes), Anaisa Barbosa da Silva. “Como as Lajes são locais de preservação, previstos na Lei Orgânica, o projeto foi submetido e aprovado pelo Conselho Municipal de Patrimônio. A intenção foi fazer um projeto harmônico com as lajes e com o entorno”, detalha Aurélio. A obra de revitalização do Mirante das Lajes ainda não foi concluída.“Ainda não foi concluída 100%.Falta colocar parte do guarda corpo, lixeiras e uma estrutura de aço com a escrita #Eu Amo Resende Costa. Não está prevista inauguração a fim de evitarmos aglomerações em tempos de pandemia, especialmente nesse momento que os números da Covid-19 estão acelerando”, explica Aurélio. NOVA GESTÃO E NOVOS PROJETOS PARA O MIRANTE O atual prefeito municipal Zinho Gouvea fala sobre a importância do espaço revitalizado: “Minha avaliação é extremamente positiva. A obra marca a atual administração e agrega valor turístico à nossa cidade. Nossa administração assume o compromisso de continuar revitalizando o nosso mirante, realizando
Fotos: André Eustáquio
Local ganha um novo mirante que já está atraindo visita de resende-costenses e de turistas. A etapa principal da obra foi orçada em cerca de 250 mil reais
Embora as obras ainda não tenham sido concluídas, Mirante das Lajes de Cima já está atraindo visitantes
O espaço valoriza a deslumbrante paisagem do alto das Lajes de Cima
o trabalho de manutenção e elaboração de novos projetos. Posso aqui citar que um dos nossos projetos será a revitalização do conhecido “Buraco do Inferno”, a fim de atrairmos ainda mais turistas às Lajes. Os turistas conhecerão as lendas sobre o Buraco do Inferno, que despertam curiosidades. Com certeza, será um atrativo a mais.” Já o vice-prefeito Lucas Paulo destaca projetos da atual administração de promover atividades culturais no mirante. “O novo Secretário de Cultura, ao mesmo tempo que ganha um novo atrativo turístico e cultural, terá que ter boas ideias junto a nós gestores para que possamos utilizar o local da melhor maneira possível. Hoje eu vejo ali um espaço multiuso, podendo ser utilizado para receber diversos eventos, como o Luau nas Lajes, que inclusive acontece lá. O local também pode ser utilizado para a realização de feiras gastronômicas, teatros a céu aberto, apresentações musicais e até mesmo cursos. Já imaginou um curso de fotografia ou de pinturas naquele local? Enfim, bem planejado e bem pensando, temos um local estruturado, com ótima localização e lindo para ser utilizado. E assim o faremos”, planeja Lucas. André Eustáquio, que assumiu a pasta de Turismo, Artesanato e Cultura, fala sobre projetos para utilização do espaço. “Queremos valorizar bastante o espaço através da realização de eventos culturais. Ainda não há uma definição sobre quais eventos serão realizados, até porque estamos em plena pandemia
Acredito, porém, que a própria população da nossa cidade vai nos ajudar. Ao visitarem o mirante, fazendo uma foto e marcando o local, os resende-costenses motivarão os turistas a terem vontade de conhecer e também registrar fotos no local. Com isso, aquele visitante que só vinha a Resende Costa comprar artesanato e depois das compras ia embora vai querer subir até as Lajes para conhecer o lugar. O turista ficará mais tempo em nossa cidade e movimentará ainda mais os nossos comércios.” André diz que o movimento no mirante, que já é grande, deverá aumentar. “Certamente vai atrair mais turistas ao centro da cidade, que é o que desejamos. Muita gente vem a Resende Costa para conhecer e comprar artesanato, no entanto não sabe que temos mais atrativos a serem conhecidos. E um deles são as Lajes de Cima. Na verdade, já estão atraindo. Durante o fim de semana do feriado de Natal, vi bastante gente visitando o mirante, fazendo fotos e contemplando a paisagem. Nas redes sociais, já podemos também ver a quantidade de pessoas postando fotos tiradas no mirante. Será, sem dúvida, um grande atrativo para quem quiser contemplar o pôr do sol e curtir as tardes especiais que só o horizonte das Lajes proporciona”, declara o secretário de Turismo, Artesanato e Cultura. Assim como os turistas, os resende-costenses estão curtindo o mirante e aproveitando para tirar fotos, além de passear com os familiares e amigos. “O Mirante das Lajes, nosso cartão-postal, está agora
e atividades que geram aglomerações são impensáveis de serem realizadas. No entanto, tão logo a pandemia seja controlada, vamos criar uma agenda de eventos, priorizando também a realização de atividades culturais no Mirante das Lajes.” André também aponta a continuidade de projetos e ações de revitalização do Mirante das Lajes de Cima. “Um dos objetivos é revitalizarmos o Buraco do Inferno, a famosa gruta que se localiza no fim da Laje de Cima e que lamentavelmente se encontra suja, tornando impossível o acesso das pessoas. A ideia é limpar o local, sinalizá-lo e oferecer total segurança às pessoas que desejam conhecer a gruta que marcou diversas gerações de resende-costenses com seus mistérios e lendas.” TURISMO Uma das últimas obras entregues pela gestão de Aurélio Suenes foi a revitalização das Lajes. “Essa obra tem uma importância não somente para nós moradores, que certamente poderemos passar parte do tempo deslumbrando a paisagem que aquele local oferece, mas também como estratégia para desenvolver o turismo de Resende Costa”, avalia Aurélio. Lucas Paulo também destaca a importância do espaço para o fomento do turismo na cidade. “Se usarmos bem o marketing, tenho certeza de que o resultado será positivo. Como já estamos vendo, lá são feitas muitas fotos devido à beleza natural. Vamos ter que divulgar o espaço o máximo que pudermos.
ainda mais lindo! Para quem adora ver o entardecer, o sol se pondo, ficou ainda mais gratificante. Para nossos turistas e visitantes, que adoram tirar aquelas fotos, ficou ainda mais encantador. Nós, resende-costenses, merecemos”, elogia a artesã Neia Coelho. MANUTENÇÃO Um detalhe importante sobre o local é a necessidade de mantê-lo limpo e preservado. O prefeito municipal Zinho Gouvea frisou que serão realizadas ações de preservação do espaço e citou ainda outros locais que deverão ser revitalizados ao longo da sua gestão. “A manutenção será feita periodicamente pelos funcionários da prefeitura, que manterão o local acessível a todos. Nossa administração não medirá esforços para investir em outros pontos turísticos. Podemos citar o projeto de revitalização da Capoeira Nossa Senhora da Penha.” De acordo com o secretário de Cultura, será necessária uma “força-tarefa” para que o local do mirante seja preservado. “O poder público faz a parte dele, limpando e dando a devida manutenção, e o cidadão e usuário do espaço fazendo também a sua parte. É inadmissível vermos espaços públicos depredados pelos próprios cidadãos que os utilizam. Queremos ver os gramados bonitos, os lampiões acesos, as calçadas limpas e preservadas. Trata-se do nosso principal cartão-postal, um local que vai atrair visitantes e acolher também os resende-costenses. Precisamos, juntos, preservá-lo”, conclui André Eustáquio.
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
JORNAL DAS LAJES
• PÁG. 13
PERSPECTIVAS 2021
Vacinação em massa, a esperança para a economia JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
O mundo prepara-se para 2021 jogando as fichas nas vacinas, desenvolvidas em tempo recorde graças ao avanço da ciência e da tecnologia. Dezenas de países já começaram a vacinação, mas o Brasil está atrasado. Na falta de um plano nacional, a vacinação por aqui deverá aproveitar a experiência de longa data que a rede de saúde tem nessa área. As vacinas mais promissoras são a Coronavac (Instituto Butantan/Sinovac Biotech) e a AstraZeneca-Oxford (em parceria com a Fiocruz), pela facilidade de conservação e manipulação. O ano de 2020 terminou com números recordes de infecções e mortes (respectivamente 7,7 milhões e 195 mil até 31 de dezembro, segundo o Ministério da Saúde) devido ao novo coronavírus, cuja evolução deverá permanecer ainda por tempo indeterminado. Ao lado da saúde, a economia é outra vítima da pandemia. Espe-
cialistas acreditam que somente com a vacinação em massa será possível vencer o vírus. É o caso do economista e professor Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central (BC): “Para salvar vidas e restabelecer a normalidade da economia, é preciso vacinar 100% da população no prazo mais curto possível.” Cem por cento é força de expressão, com a qual faz coro o economista Aluizio Barros, professor aposentado da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ): “Feliz ano (de 2021) com quase todo mundo vacinado”. A exemplo da economia em geral, o comércio vai depender basicamente da vacinação, que abranja o maior número de pessoas, reforça Emanuel Vitoreli, consultor jurídico do Sindicato do Comércio de Bens e Serviços (Sindcomércio) de São João del-Rei. “A todo momento, ouvimos conversa de lockdown, fechamento, pico da doença. Então, vamos precisar realmente de uma decisão sobre as vacinas, a eficácia delas, para saber que rumo a econo-
mia vai tomar em 2021.” Enquanto a vacina não chega, ele acredita que o governo federal terá de cuidar das micro e pequenas empresas, que dependem desse apoio para se sustentarem e se manterem no mercado, em questões tanto fiscais quanto trabalhistas. Cooperativismo. Mesmo com a perspectiva mundial de vacinação, 2021 será um ano desafiador, segundo Luiz Henrique Garcia, diretor executivo-financeiro do Sicoob Credivertentes. Condições econômicas, logísticas e sanitárias diferentes afetarão de maneira difusa o mercado em cada cada país, enfatiza ele. Mesmo com a tendência de imunização a médio e longo prazos, Garcia se diz confiante no crescimento do cooperativismo. “Com o isolamento social e as dificuldades de deslocamento, as pessoas perceberam a importância de se associarem a uma instituição que se identifica com a comunidade onde está e que, em momentos difíceis como os
enfrentados em 2020, se mantenha próxima a seu público, apoiando e socorrendo financeiramente pessoas físicas e jurídicas com atendimento humanizado.” Garcia acredita em crescimento econômico em 2021 entre 2,5% e 3%, com base na expectativa de retração do PIB em 2020 de 5%, “base de referência baixa”. Destaca ainda indicadores que sinalizam “certa estabilidade na economia, ao menos em curto prazo”, como taxa de juros Selic de 2% a.a. (menor patamar da Historia), inflação dentro da meta do BC de 4% (com variação de 1,5% para cima ou para baixo) e menor pressão do dólar (“fortes expectativas de que seus valores caiam para abaixo de R$4,50”). Desemprego. “Socialmente, num primeiro momento, a taxa de desemprego em níveis elevados vai impactar no poder de compra do consumidor, inibindo altas exageradas em alguns preços nas gôndolas”, prevê Garcia. Porém, “a injeção de
recursos por parte do governo federal continuará estimulando a demanda por produtos básicos e incentivando empresas a reativarem suas linhas de produção em atendimento a essas necessidades.” Não é de surpreender que o presidente do Conselho de Administração do Sicoob Credivertentes, João Pinto de Oliveira, considere positivas as perspectivas para 2021, apesar das dificuldades relativas ao mercado (global e nacional), à saúde e à política. Um cenário favoràvel às cooperativas de crédito, que “superam obstáculos operacionais e buscam soluções pacíficas dos problemas comuns às suas comunidades via mutualidade, união de forças, integração, desenvolvimento sustentável e intercooperação”. Essas instituições crescem na medida em que encolhe a rede bancária tradicional, e já somam cinco milhões de cooperados em todo o país, dos quais 26 mil integrantes da Credivertentes (em 20 agências físicas e uma digital).
Força às parcerias e busca por economia diversificada A incerteza decorrente da pandemia não impediu que a Associação Empresarial e Turística de Resende Costa (Asseturc) definisse uma programação para 2021, focada no incentivo ao crescimento e ao desenvolvimento do comércio local, tendo como carro-chefe o seu cartão postal, que é o artesanato. O intuito é, com segurança e cautela, avançar na consolidação da indústria do turismo, de maneira diversificada (compras, aventura, lazer, rural, religioso etc.), informou a diretoria da entidade. O plano de metas da Asseturc prevê melhorar o receptivo turístico de Resende Costa, implementar o CAT (Centro de Apoio ao Turista), em parceria com o poder público e o empresariado local/regional; obter o Selo de Procedência do Artesanato Têxtil de Resende Costa junto ao INPI (e sua utilização pelos produtores e comerciantes do artesanato local); implementar o Site Destino Resende Costa (e outras ações publicitárias para intensificar o fluxo turístico e a demanda pelo produto local); ampliar as ações de capacitação voltadas para o empresariado local e para o Trade Turístico; reformular a Mostra de Artesanato e Cultura de
Resende Costa; promover o comércio local e fortalecer a Asseturc. A diretoria da Asseturc acredita que a chave para o sucesso estará em solidificar e profissionalizar parcerias já existentes com a Prefeitura Municipal, o Sicoob Credivertentes, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Diversificação. Uma das vantagens da economia do Campo das Vertentes é a sua diversificação, com destaque para as atividades de turismo, artesanato, indústria e agronegócio, além de outros tantos setores com grande potência, diz Luiz Henrique Garcia, diretor executivo-financeiro do Sicoob Credivertentes. A pandemia contribuiu para que o artesanato explorasse a sua potencialidade através do e-commerce, enquanto os setores hoteleiro e de bares e restaurantes (bem como os artistas que se apresentavam nesses lugares) passam por momentos críticos, avalia Garcia. Com associados praticamente em todos os nichos, a Credivertentes continuará a apoiar esses setores com ações de capaci-
tação em parceria com o Sebrae eo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/FAEMG). Além disso, adapta e amplia suas linhas de crédito, “tornando-as ainda mais flexíveis e com prazos mais adequados ao atual momento”, de maneira a “continuar impulsionando” o desenvolvimento regional. Entre os setores contemplados está o estratégico agronegócio, cuja expectativa é de novo recorde na produção de grãos, com preços ainda elevados, principalmente de milho e soja, diz Garcia. “Essas culturas têm impulsionado, assim, o comércio de máquinas e implementos. Também a valorização da arroba de boi tem instigado alguns criadores a melhorarem geneticamente seu gado, enquanto após o primeiro impacto do isolamento vários horticultores retomaram suas atividades.” São João del-Rei. O comércio são-joanense deposita sua esperança na vacina e no apoio do poder público para ultrapassar a crise sanitária e econômica, de acordo com Emanuel Vitoreli, consultor jurídico do Sindcomércio. Depois do final de ano com um movimento de vendas um pouco
mais aquecido, embora “aquém do que se esperava”, 2021 começa sem um norte para o comércio. “A cidade perde muito, economicamente, por conta desse movimento em ´W´ do comércio, que abre e fecha, amplia e restringe... Então, isso é muito temerário para a economia”, alerta Vitoreli. Daí a esperança de que as instituições, especialmente o poder público, consigam “fazer a economia local retornar ao crescimento e que consigamos vislumbrar um futuro econômico para São João del-Rei”. Vacina. Enquanto o país não tem um plano nacional de vacinação, os prefeitos da região antecipam-se para garantir o abastecimento de vacinas. Uma das últimas ações em 2020 da diretoria do Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes (CISVER) foi a encomenda, em 23 de dezembro, de 260 mil doses da vacina Coronavac à Fundação Butantan, de São Paulo. O documento, assinado por Reinaldo Aparecida Fonseca e Sinara Rafaela Campos, respectivamente presidente e vice do CISVER, considera que essa quantidade de va-
cinas atenderia aos 16 municípios da microrregião das Vertentes. São eles: Barroso, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Dores de Campos, Ibituruna, Itutinga, Lagoa Dourada, Madre de Deus de Minas, Nazareno, Piedade do Rio Grande, Prados, Resende Costa, Ritápolis, Santa Cruz de Minas, São Tiago e Tiradentes. No dia 28 de dezembro, o prefeito reeleito de São João del-Rei, Nivaldo Andrade, anunciou nas redes sociais que também iniciou os trâmites para a aquisição de 40 mil doses, no valor de R$ 1 milhão, da vacina do Instituto Butantan, produzida em parceria com a chinesa Sinovac Biotech. Confirmadas as compras, seriam 300 mil doses da Coronavac para a região. Embora já tenha iniciado a produção, o Instituto Butantan aguarda decisão da SinovacBiotech para anunciar em conjunto a eficácia comprovada da vacina Coronavac, bem como solicitar a sua aprovação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Butantan fechou 2020 com um estoque de cerca de 10,8 milhões de doses da vacina, segundo o governo paulista.
PÁG. 14 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
JORNAL DAS LAJES
• PÁG. 15
Retalhos Literários EVALDO BALBINO
De força em força se caminha Recebo neste Natal de 2020 uma linda mensagem de áudio da minha amiga Elzi Reis. E também lhe envio outro áudio, ao que ela me responde. E as três gravações são longas. Desculpamo-nos mutuamente pelos tamanhos dos arquivos, mas fazemos isso sabendo que as mensagens são necessárias e fraternas. Minha amiga diz que o Natal a inspirou a conversar comigo, mostrando-lhe a importância de guardarmos o que nos é sempre caro. No nosso caso, a amizade, esta flor que não murcha e que levamos para a ultravida. Digo-lhe do meu prazer em ouvir o seu áudio, e reafirmo sua garra e dedicação quando ela foi minha professora de 1988 a 1991. Pontual e assídua, ela chegava à escola e dava suas aulas de História com competência e seriedade. Nas idas e vindas de nossas vozes, falamos de tantas coisas mais. Dos desânimos. Dos declínios. Do tempo que
passa. Das forças indo-se embora aos poucos. Do desejo de que todos os que estão vindo compreendam que nós vamos passando. Da existência de culturas diversas e do fundamental respeito entre elas. Dos trabalhos sociais em prol de todas as vidas, humanas ou não. Da literatura. Das antologias de que venho participando. Dos nossos desejos de que a humanidade seja sempre guiada por Deus. Falamos sobre a sensibilidade como algo que nos salva. Vivemos para nós mesmos, mas antes de tudo para os outros. Se buscamos compreender a vida, compreensão impossível, começamos a ver o nada. Então nos salva dar sentido para a existência. Daí fazermos tudo para atingir essa meta. Ponderamos sobre a finitude. Sim, somos finitos. Mas existe o infinito que nos alimenta. E no infinito temos fé. Nessa esperança do que não se vê (eis a definição paulina
da fé), vamos seguindo nossas vidas adiante. Nossa conversa passeia pela difícil senda das coisas estruturais da nossa sociedade, as coisas entaladas em nossas gargantas como espinho incômodo de peixe: as diferenças sociais, a pobreza, o racismo. E pensamos no frio e nas pessoas imersas nele sem proteção, na fome e nos estômagos vazios clamando por piedade. Mas nos acalentamos em referências a pequenas ações nossas e alheias que podem amainar as dores. Envia-me, entre um áudio e o outro, a declamação de um poema do poeta Bráulio Bessa, feita pelo próprio autor, no qual se tecem reflexões sobre o exato sentido do Natal, sobre a necessária ação social que deve comboiar a oração. A partir do poeta cordelista, falamos do poder do sorriso e da alegria no meio da dor e da tristeza. E, num acordo de pensamento, reforçamos reciprocamente que pensar
no mundo e no outro é contribuir para amenizar as agonias da existência. E fazendo tudo isso, estamos fazendo para nós mesmos, tanto neste plano quanto no que lhe é diverso. Cuidar duma planta é cuidar da beleza e do ar, é cuidar de nós que amamos a beleza, de nós que respiramos o ar. As sociedades precisam de consciência, de amor (caridade), de união, de respeito entre tudo e todos. Quanto às antologias de que participei ao longo de 2020, digo-lhe em específico do livro Tempo partido 2020 – resgatando sentimentos de humanidade. Organizado pela escritora pernambucana Ivanilde Morais de Gusmão, esse tomo é uma antologia de que participo com muito amor. Eu lhe conto que já li todo o volume de 554 páginas e que gostei muito dele. Informo-lhe que a brochura enfeixa poemas, contos, crônicas, reflexões sobre a vida e a necessidade de a repensarmos. Enfim, textos
com sentimentos humanos. O meu escrito, dentro do universo de 121 autores, é uma carta aberta para a humanidade, no desejo de que todos nos amemos, amemos o mundo e cuidemos dele. Ao fim da conversa amena, entabulada a distância, solicito à minha amiga que ela continue caminhando, apesar dos pesares, pois assim está escrito no salmo 84, através do cântico dum peregrino alegre por encontrar-se nos átrios do templo de Jerusalém: “Bem-aventurados os que habitam em tua casa; / louvam-te perpetuamente. / [...] / Vão indo de força em força; / cada um deles aparece diante de Deus em Sião.”. Lindo e respirável isso! De força em força se caminha. E com os olhos de Deus em nós, vamos vendo a beleza da vida. Continuemos no nosso apego a Deus, que só assim tudo é vida e luz em meio aos sentimentos do nada.
O Verso e o Controverso JOÃO MAGALHÃES
2021: convocação e homenagem Tenho como caraterística, nos momentos finais do ano, fazer uma revisão do espaço onde estão vivendo o meu ser, o tempo e minhas características pessoais. Ou seja, a minha ambiência, os movimentos, portanto, as mudanças trazidas pelo passar do tempo e minhas condições individuais. Resumindo: onde, quando, como. Convocação. Neste momento, em minha frente, o “Programa Nacional de Direitos Humanos” elaborado pela Secretaria Nacional dos direitos Humanos em 1998. Conjuntamente, o pensamento, carregado de emoção, está no falecido 2020. Ano de muito luto. De muito negacionismo. De surpresas vitais. Ano em que os Direitos Humanos foram muito vilipendiados. Ano discípulo dos anos de ditadura: a de Getúlio Vargas e a dos militares de 1964 a 1985! “Direitos humanos são os direitos fundamentais de todas as pessoas, sejam elas mulhe-
res, negros, homossexuais, índios, idosos, portadores de deficiências, populações de fronteiras, estrangeiros e imigrantes, refugiados, portadores de HIV, crianças e adolescentes, policiais, presos, despossuídos e os que têm acesso a riqueza. Todos, enquanto pessoas, devem ser respeitados, e sua integridade física protegida e assegurada. Direitos humanos referem-se a um sem número de campos da atividade humana: o direito de ir e vir sem ser molestado; o direito de ser tratado pelos agentes do Estado com respeito e dignidade, mesmo tendo cometido uma infração; o direito de ser acusado dentro de um processo legal e legítimo, onde as provas sejam conseguidas dentro da boa técnica e do bom direito, sem estar sujeito a torturas ou maus tratos; o direito de exigir o cumprimento da lei e, ainda, de ter acesso a um Judiciário e a um Ministério Público que, ciosos de sua importância para o Es-
tado democrático, não descansem enquanto graves violações de direitos humanos estejam impunes e seus responsáveis soltos e sem punição, como se estivessem acima das normas legais; o direito de dirigir seu carro dentro da velocidade permitida e com respeito aos sinais de trânsito e às faixas de pedestres, para não matar um ser humano ou lhe causar acidente; o direito de ser, pensar, crer, de manifestar-se ou de amar sem tornar-se alvo de humilhação, discriminação ou perseguição. São aqueles direitos que garantem a existência digna a qualquer pessoa”. Passaram-se mais de vinte anos e estamos longe de atingir essas metas, expressas na substanciosa introdução ao Plano Nacional dos Direitos Humanos de 1998. Em alguns casos houve até recuo. Há que se convocar todo brasileiro de boa vontade a batalhar pelos direitos da pessoa. É a única maneira de sanear a poluída atuação de nossa política.
Vamos transformar estas metas num programa de luta neste alvorecente 2021? Homenagem. Em 22 de novembro de 2020, fez um ano de morte do rabino Henry Sobel (1944-2019). Nasceu em Portugal. Educou-se nos EUA. No Brasil, rabino-mor da Congregação Israelita Paulista, destacou-se na luta em defesa dos direitos humanos. Ficaram marcados para a História sua posição firme, não permitindo o sepultamento na ala dos suicidas do Cemitério Israelita do Butantã, do jornalista da Rádio/TV Cultura, Wladimir Herzog, assassinado pela ditadura (1975) e também o culto ecumênico em sua homenagem na Catedral da Sé liderado pelo trio: Dom Paulo Evaristo Arns, ele, e o pastor presbiteriano James Wright. Momento tenso. Os arredores cercados pelas tropas do exército. Sou testemunha, pois estive presente na nave da catedral.
Ao aproximar-se a cerimônia da Haskará (cerimônia judaica em homenagem à memória de uma pessoa falecida), seu sucessor na Congregação judaica, rabino Michel Schlesinger, junto com o cardeal de São Paulo, dom Odilo Scherer, deram um testemunho de sua atuação (“Uma só casa de oração” OESP-24/11/2020 A2): “O envolvimento de Sobel em causas humanitárias se estenderia por quatro décadas. Do apoio aos despossuídos da cidade e do campo à defesa de uma solução negociada para o conflito entre Israel e palestinos, Sobel jamais se acovardou. Por isso era recebido e respeitado por todos os presidentes da República, assim como por todos os papas e mesmo pelo líder palestino Yasser Arafat. Daí a relevância de marcar a Haskará do rabino Sobel com uma iniciativa inter-religiosa, reunindo líderes judeus, cristãos, muçulmanos, budistas, do candomblé e da fé Baha’í.
PÁG. 16 • JORNAL DAS LAJES
ANO XVII Nº 213 - JANEIRO 2021
ESPORTE
VANUZA RESENDE
O resende-costense Otávio Ribeiro da Silva, 32, representou mais uma vez a cidade em um campeonato mundial de Jiu-Jitsu. Entre os dias 10 e 13 de dezembro, Otávio esteve em Campinas (SP) para disputar o Mundial de Jiu-Jitsu Esportivo realizado pela CBJJE (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo). Otávio conquistou o terceiro lugar na Categoria Peso Pena (até 70 quilos). O atleta falou sobre a disputa: “Lutei em uma categoria com atletas rápidos e com alto nível técnico. Foi uma disputa acirradíssima. Depois de intenso embate, o tão sonhado pódio: bronze no Mundial de Jiu-Jitsu da CBJJE. Eu havia disputado ano passado, mas infelizmente o pódio não veio. Talvez ainda não fosse a hora certa.” A comemoração do título vem depois de mais de um ano
sem disputar uma competição. “Foi muito gratificante participar de mais um campeonato de Jiu-Jitsu, mesmo com todas as dificuldades e o medo que eu estava de viajar, por causa da Covid-19. Mas sempre pedi a Deus para me abençoar. Estava sem participar havia algum tempo. O último (torneio) do qual participei foi em Barbacena, em outubro de 2019”, diz Otávio. O atleta falou sobre a oportunidade de participar de um campeonato de alto nível. “Participar do Mundial foi uma experiência e tanto, ainda mais subindo ao pódio. Esse é um dos maiores campeonatos do Brasil, que conta com a presença de vários atletas, de várias partes do mundo. Como consequência, tivemos um campeonato de alto nível técnico”, destaca. 2020 ATÍPICO Em 2020, assim como em outras categorias, os campeonatos de Jiu-Jitsu foram adiados
ou cancelados. O Mundial que Otávio disputou estava marcado para acontecer em julho, mas não foi possível ser realizado devido às restrições impostas pela pandemia. Para a realização do evento em dezembro, foi exigida testagem de todos os participantes, além do cumprimento de medidas de segurança e higiene. O campeonato foi realizado sem a presença de público. De acordo com Otávio, além das competições, os treinos também foram suspensos por longo período, retornando com muitas restrições. “Fiquei cerca de seis meses sem treinar; voltei com os treinos em agosto. Quando retornei, fiz treinos de alta intensidade, com meses de preparação exaustiva. Treinava quase duas horas diárias em casa e, graças a Deus, a preparação foi muito boa, mesmo em meio à pandemia”, comenta o atleta resende-costense. Para este ano, Otávio faz
planos de disputar outras competições. “A expectativa para 2021 é muito grande. Primeiro: que a vacina contra essa doença seja concretizada e possamos viver com tranquilidade. Segundo: que os principais campeonatos de Jiu-Jitsu voltem, para que possamos fazer o que amamos, que é lutar”, planeja. Otávio começou a praticar o esporte em 2011 e já representou Resende Costa em diversas competições de Jiu-Jitsu, sendo, inclusive, campeão do Pan e do Brasileiro. Ele comemora por ter encerrado o ano de 2020 com o título de bronze no Mundial da CBJJE. “Quero agradecer a Deus por me dar força e condição de lutar. Agradeço também à minha família, em especial minha esposa Regina, que sempre me apoia. Agradeço à minha equipe Bauer Team e digo que esse Bronze é de todos vocês que estão comigo. Quero ainda agradecer aos meus patrocinadores que me apoiaram mesmo
Foto: Arquivo Pessoal
Resende-costense conquista medalha de bronze no Mundial de Jiu-Jitsu
O lutador Otávio Ribeiro representou Resende Costa no campeonato mundial de Jiu-Jitsu
na dificuldade de um ano como esse: Supermercado Resende Costa, Resende Turismo, Contemp Service Contabilidade, Alessandro Telinhas, Gráfica Mapa Artes, Espa Çoart, Expedicionário e Prefeitura Municipal de Resende Costa”.
APAE
APAE realiza Assembleia Geral Ordinária e Conselho Fiscal aprova a movimentação financeira referente ao ano de 2019 A APAE de Resende Costa realizou, no dia 01 de dezembro de 2020, em sua sede, uma assembleia geral ordinária com a presença dos membros da diretoria e do Conselho Fiscal para apresentação e aprovação do balancete contábil referente ao ano de 2019. O Conselho Fiscal da instituição aprovou o relatório das atividades e os membros presentes confirmaram a decisão do Conselho. “Os dados foram extraídos do relatório apresentado pelo escritório de contabilidade Contemp
Service. Eu apenas apresentei esse relatório por meio de assembleia”, explicou a contadora Layza Gabrielle Resende, que, juntamente com a Contemp, realizou voluntariamente a apresentação aos conselheiros e integrantes da diretoria da APAE/RC. Layza explicou também que essa apresentação deve ser realizada no mês de maio, mas, devido à pandemia de Covid-19, a Federação Nacional das Apaes determinou o adiamento até dia 30 de novembro do corrido ano.
A APAE de Resende Costa fechou o ano de 2019 com o total de receitas de R$ 354.077,59 (trezentos e cinquenta e quatro mil, setenta e sete reais e cinquenta e nove centavos). O total das despesas foi de R$ 328.199,16 (trezentos e vinte e oito mil, cento e noventa e nove reais e dezesseis centavos). O resultado final apresentado no balancete contábil, subtraindo receitas e despesas, foi positivo: R$ 25.878,43 (vinte e cinco mil, oitocentos e setenta e oito reais e quarenta e três centavos).
O relatório detalha toda a movimentação contábil, desde os recursos que entraram no caixa da APAE (subvenções do Governo Federal, subvenções do Governo Municipal, recursos públicos/educação e assistência social, doações de pessoas físicas, rendimentos de poupança e aplicação financeira, doações de pessoas jurídicas e receitas financeiras/eventos), incluindo despesas com pessoal, tributação, encargos trabalhistas, despesas com materiais de limpeza, combustível, alimentação, etc.
Agradecimento A APAE de Resende Costa, através da sua administração, agradece a todos que, de uma forma ou de outra, contribuíram para que pudéssemos atender da melhor maneira possível os nossos usuários. Feliz 2021 a todos! Antônio de Fá�ma Resende. Presidente da APAE/RC