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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
Foi inaugurada, nos dias 21 e 22 de novembro último, a nova pintura do forro da capela-mor da igreja matriz de Santa Rita de Cássia. O artista plástico são-joanense, Carlos Magno de Araújo, reproduziu, no lugar de origem, a pintura antiga atribuída ao pintor setecentista Joaquim José da Natividade. PÁG 11
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Foto: André Eustáquio
Paróquia de Ritápolis traz de volta pintura do forro da capela-mor da igreja matriz
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Resende Costa não elegeu nenhuma mulher para a legislatura 2021-2024
Réveillon em casa
Pandemia impede a realização do tradicional réveillon na rua Gonçalves Pinto, frustrando as expectativas de quem se acostumou a curtir a festa da virada no centro de Resende Costa. De acordo com a Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, ainda não há definição sobre a realização do Carnaval em fevereiro de 2021. PÁG 06
ANO XVII
Sobrado construído em meados do século 19 que abriga a Câmara Municipal de Resende Costa
Elas lutaram, apresentaram suas ideias, fizeram campanha, porém o resultado das urnas não lhes foi favorá-
vel. Nenhuma das 23 mulheres que se candidataram ao cargo de vereadora no município de Resende Cos-
ta conseguiu se eleger. A candidata mais votada, Itane Trindade, do PDT, obteve 182 votos. Leia artigo na
coluna “De olho na cidade”, de Edésio Lara. PÁG 05
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ANO XVII Nº 212 - DEZEMBRO 2020
EDITORIAL Enfim, a luz vencerá as trevas
E T N E I D E P X E
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
A questão da extração de areia no rio Santo Antônio (parte 4) Procuramos trazer neste último texto sobre a expansão da extração de areia para o leito médio do Santo Antônio a opinião de pessoas que moram próximas ao rio. Nas conversas que fizemos, são unânimes as menções acerca dos impactos negativos trazidos pelo início da mineração e de sua possível ampliação para várias partes do rio. Primeiramente, perguntamos sobre os possíveis benefícios advindos da atividade de extração de areia. Foi-nos respondido sobre a possibilidade de gerar empregos para a comunidade local. Acerca da questão, destaca-se que as empresas detentoras dos direitos minerários são de pequeno porte e a atividade será mecanizada. Com isso, há pouca necessidade de mão de obra. Fomos questionados sobre a geração de impostos para o município. O imposto pago pelas mineradoras se chama Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), sendo que 65% do mesmo são destinados aos municípios, 23% aos Estados e 12% à União. Conforme consta no site da Agência Nacional de Mineração (ANM), “a CFEM é calculada sobre o valor do faturamento líquido, quando o produto mineral for vendido. Entende-se por faturamento líquido o valor de venda do produto mineral, deduzindo-se os tributos, as despesas com transporte e seguro que incidem no ato da comercialização.” A alíquota da CFEM para areia e cascalho é de 2% do faturamento líquido. Devido ao volume autorizado para extração ser pequeno, a arrecadação de impostos também é baixa. Cabe destacar que, infelizmente, na prática, o volume de material realmente extraído e comercializado é muito maior do que o autorizado. Conforme consta no site da ANM, o valor da CFEM transferido para o município de Resende Costa em 2019 foi de R$272.144,33. Grande parte desse valor provém da extração de manganês nas proximidades do povoado do Ramos. Quando perguntamos sobre os problemas que podem ser trazidos pela mineração, houve, primeiramente, referências às alterações no rio, tais como: afundamento do seu leito, desbarrancamento das margens e alteração da qualidade da água. Foi citado ainda que os vários proprietários
Fotos: Adriano Valério
Não se trata de mais um mantra afirmar que “devemos sempre nos reinventar” e que a “vida nos reserva infinitas surpresas”. O ano de 2020, que está chegando ao fim, confirmou que, sim, devemos verdadeiramente estar preparados para nos reinventarmos diante das surpresas que a vida nos revela. Às vezes surpresas desagradáveis, tristes e subitamente desafiadoras. Sobreviver à pandemia de Covid-19, que já dizimou milhares de vidas em todos os cantos e continentes do planeta, foi o maior desafio imposto à humanidade neste triste e infeliz 2020. Era para estarmos eufóricos com a chegada das festas de fim de ano, fazendo planos para o Natal em família, planejando confraternizações com os amigos e já vivendo o clima alegre de réveillon. No entanto, a sensação que temos é de que 2020 não terá fim, congelou-se em março quando as primeiras medidas de isolamento de pessoas e cidades começaram a vigorar. Desde então, o novo coronavírus assenhorou-se do ano que mal havia começado, dominando-o e ditando o seu destino. Incapaz e assustada, a humanidade, tolhida da sua liberdade, quase se rendeu ao inimigo invisível, traiçoeiro e letal. Apesar da desesperança, do medo e da perplexidade, foi necessário reagir, lutar com todas as armas a fim de conseguirmos sobreviver num campo de batalhas de onde vinham sinais apocalípticos. Superando o medo e, com o passar dos dias, conhecendo melhor o inimigo e suas artimanhas, fomos nos reinventando no trabalho, no cotidiano em família ou sozinhos, na vivência da espiritualidade e na diversão. A nossa rotina mudou. Surgiram novos aprendizados em meio a tantos desafios, adaptações e renúncias. Aqueles que de alguma forma se dispuseram a praticar o isolamento social – ainda recomendado pela OMS como única medida comprovadamente capaz de frear a disseminação do novo coronavírus, enquanto não surgem remédios e vacinas – descobriram que para conviver em harmonia consigo mesmos é necessário tolerar-se, valorizar tempo e espaço e usufruir o máximo das novas tecnologias que nos aproximam de quem está distante. Apesar de ainda vivermos dias sombrios, assistindo ao aumento preocupante do número de infecções e de óbitos pela Covid-19, as notícias neste fim de ano não são tão carrancudas como no início. Isto porque estamos vendo a tão esperada luz no fim do túnel brilhar mais forte a partir do surgimento de vacinas que nos testes vêm se mostrando eficazes. O brilho dessa luz nos remete aos simbolismos do Natal. Uma estrela surgiu na noite escura de Belém, guiou pastores e magos mostrando-lhes o caminho que os levaria a um recém-nascido que um dia afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Neste ano em que a vida se tornou supérflua para alguns políticos populistas mundo afora, uma simples estatística a ser mensurada em gráficos, reverenciemos o conhecimento e a ciência, que, vencendo a ignorância e o negacionismo, lançam luzes em meio às trevas e salvam vidas. O isolamento que nos distanciou de tudo e de todos que amamos será enfim rompido por um grande abraço, que reunirá aqueles que acreditam na força do bem, da empatia e da solidariedade – únicas armas capazes de derrotar o vírus mortal da ignorância e da maldade. Que 2021 seja um ano de concretização de sonhos, de realização de esperanças, de fortalecimento da bondade, da solidariedade e do amor. Que a luz do Natal ilumine, aqueça e converta corações gélidos. Sobretudo, oriente e inspire todos os homens e mulheres de boa-vontade. Feliz Natal, um ano-novo repleto de paz, saúde e grandes conquistas!
Meio Ambiente
Banco de areia no no rio Santo Antônio. Sinais de assoareamento no leito do rio que corta o município de Resende Costa
Trecho do leito do rio Santo Antônio ladeado por mata ainda preservada
de terras ao longo do rio podem ser prejudicados, pois não se sabe ao certo quais serão os reais problemas que virão. Nesse sentido, destaca-se que não houve contato, conversa ou qualquer tipo de esclarecimento junto às comunidades ou aos proprietários vizinhos da mineração. Sendo assim, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente ou do CODEMA, deveria realizar uma reunião pública com a população local para ouvir as demandas e explicar a situação. Outras questões mencionadas foram: mudanças na paisagem (foi citado que a vista do alto da capela do Pinto é um “cartão postal”, mas que pode sofrer alterações devido às atuais e futuras intervenções); a destruição das “prainhas de areia” (que são bancos de areia acumulada próximo às margens); as águas ficarão impróprias para a prática da natação; a pesca será impactada (já houve diminuição dos peixes ao longo das duas últimas décadas); a dessedentação do gado no rio será prejudicada devido ao afundamento de seu leito; piora da situação das estradas de terra, o que demandará mais atenção por parte da Prefei-
tura. Fazemos aqui um parêntese sobre o tráfego de caminhões de eixo duplo carregados de areia no asfalto que liga a cidade à BR-383, provenientes da região do povoado do Ramos. A pavimentação asfáltica, construída no início da década de 80, já foi recapeada tempos atrás e encontra-se atualmente bastante danificada. Assim, o constante trânsito desses caminhões, que estão visivelmente acima do peso permitido, está contribuindo para a piora do asfalto. Foi mencionada ainda a necessidade de fiscalização das atividades pelos órgãos competentes, seja na questão ambiental (órgãos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e a Polícia Militar Ambiental) ou minerária (ANM). Destaca-se que a comunidade dos Pintos já entregou um abaixo-assinado à Promotoria de Justiça solicitando que a mesma acompanhe as atividades de extração mineral no rio Santo Antônio, especialmente nas proximidades do povoado. Por fim, parafraseando o poema de Drummond, chamado “Confidência do Itabirano”, esperamos que o rio Santo Antônio não se transforme em apenas uma fotografia na parede.
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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
Indicações aprovadas em novembro de 2020 Confira as indicações, de autoria dos vereadores, que foram aprovadas nas reuniões ordinárias no mês de novembro • Que seja providenciado o encascalhamento da estrada vicinal no alto do Sítio Pica-Pau, na estrada da Boa Vista (Ângelo Márcio); • Troca de braço de luminárias em 02 postes, localizados na Rua Pedro Olímpio de Resende, em frente aos números 48 e 100, bairro Bela Vista, nas proximidades da Igreja Testemunhas de Jeová, em Resende Costa (MG) (Vítor Tibuço); • Possiblidade de fornecimento de máquina para auxiliar no corte de árvore próximo à residência do Reginaldo do Geraldo Sírio, na Restinga (Ângelo Márcio); • Possiblidade de solicitação junto ao Executivo Municipal para que seja expedido ofício, junto à Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), a fim de que a referida empresa execute as leituras mensais e a respectiva entrega das faturas correspondentes ao consumo de energia elétrica dos imóveis rurais dos povoados do Município de Resende Costa (MG). A solicitação justifica-se uma vez que o serviço tem sido executado na forma de média dos últimos consumos dos meses anteriores, gerando, assim, cobrança de maneira incorreta referente ao consumo da população rural, em sua grande maioria (Zé do Dico).
Últimas leis sancionadas As seguintes leis são oriundas de projetos de lei aprovados em reuniões ordinárias e extraordinárias que aconteceram durante o mês de novembro e início de dezembro de 2020. Lei 4.687 – Crédito especial para incremento temporário na execução de ações socioassistenciais, devido à situação de emergência em saúde pública decorrente do coronavírus – Covid-19;
Lei 4.688 – Crédito suplementar para formalização de termo aditivo ao Termo de Fomento nº 002/2020, celebrado entre a Prefeitura Municipal de Resende Costa e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa (APAE/ RC); Lei 4.689 – Crédito especial para custear aquisição de equipamentos para modernização das salas de informáticas das escolas municipais, para atendimento aos alunos do ensino fundamental; Lei 4.690 – Crédito especial para incremento de ações de amparo ao idoso em situação emergencial; Lei 4.691 – Crédito especial para aquisição de uma colhedora de forragem, para fomentar o apoio aos produtores rurais do município; Lei 4.692 - Estima a Receita e fixa a Despesa do Município de Resende Costa (MG) para o exercício financeiro de 2021; Lei 4.693 - Institui Programa de Atendimento ao Pequeno Produtor Rural; Lei 4.694 - Institui Programa de Atendimento Social; Lei 4.695 - Institui Programa de Atendimento a Estudantes; Lei 4.696 - Institui Programa para Tratamento Fora do Domicílio; Lei 4.697 - Institui Programa para Concessão de Subvenções Sociais; Lei 4.698 - Institui Programa para Concessão de Contribuições Correntes, Auxílios Financeiros; Lei 4.699 - Atualização dos programas contidos na lei municipal nº 4.273, de 14 de novembro de 2017, que dispõe sobre o Plano Plurianual do governo do Município de Resende Costa (MG), para o quadriênio 2018/2021;
Lei 4.700 – Crédito suplementar para formalização de termo aditivo ao Contrato Administrativo nº 072/2020, cujo objeto é a pavimentação da Nova Avenida e da Rua Juscelino Kubitschek, conforme projetos, cronograma físico-financeiro, memorial descritivo, planilha orçamentária e demais anexos ao edital do processo licitatório; Lei 4.701 – Crédito especial para realização de reforma no Centro de Educação Infantil Aquarela, para atendimento aos alunos da rede municipal de ensino infantil; Lei 4.702 - Altera o Plano de Custeio do Regime Próprio de Previdência Social do Município de Resende Costa, para fins de adequação às Regras Constitucionais decorrentes da Emenda Constitucional nº 103 de 12 de novembro de 2019; Lei 4.703 – Crédito especial para custear a aquisição de 05 (cinco) kits de lousas digitais para Implantação de Salas Interativas no CMEI Aquarela e nas Escolas Municipais Paula Assis e Conjurados Resende Costa, conforme projeto pedagógico;
Cerimônia de posse dos vereadores, prefeito e vice-prefeito eleitos no pleito de 15 de novembro No dia 1º de janeiro de 2021, às 10h, acontecerá, no Centro de Convenções da Escola Municipal Conjurados Resende Costa, a sessão de posse dos vereadores eleitos para a legislatura 2021-2024. Também tomarão posse o prefeito e o vice-prefeito eleitos do município de Resende Costa. Conforme dispõe o Regimento Interno da Câmara Municipal de Resende Costa, a sessão solene de instalação
da nova legislatura será aberta pelo atual presidente da Câmara, vereador João Dias, que passará a presidência da reunião ao vereador mais votado no pleito de 15 de novembro de 2020, Elson Antônio Ribeiro. Seguindo o rito da sessão solene, os vereadores eleitos prestarão o seu compromisso e serão declarados empossados. Neste momento, portanto, será aberta a eleição da Mesa Diretora.
RITO DE POSSE DO PREFEITO E DO VICE-PREFEITO ELEITOS Após a instalação da nova Mesa Diretora para o biênio 2021-2022, o prefeito e o vice-prefeito eleitos também prestarão seus compromissos e serão empossados pelo presidente da Câmara Municipal. Devido à situação de emprego de medidas de pre-
venção, controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde pública, a fim de evitar a disseminação da Covid-19 no município, a cerimônia de posse ocorrerá de forma restrita, limitada apenas ao número permitido de pessoas, razão pela qual não será aberta ao público.
Lei 4.704 – Denominação “Avenida Tiradentes”; Lei 4.705 – Crédito especial para pagamento de indenizações trabalhistas para servidores em processo de desligamento na Secretaria Municipal de Saúde; Lei 4.706 – Crédito especial para custear despesas de exercícios anteriores ao período de janeiro a março dos anos 2015 e 2016, para com os profissionais do magistério ativos e inativos, conforme Processo Administrativo nº 017/2020. Acesse o site da Câmara Municipal de Resende Costa, pelo link: http://camaraderesendecosta.mg.gov.br/?Meio=Leis, e saiba mais sobre as leis e indicações aprovadas pelos vereadores.
Plenário da Câmara Municipal de Resende Costa. No dia 1º de janeiro os novos vereadores tomarão posse durante sessão solene do Legislativo
Acesse e acompanhe o Poder Legislativo: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
Câmara Municipal de Resende Costa Trabalhando por uma cidade melhor
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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA
Prefeitura de Resende Costa distribui placas com nomes das ruas pela cidade A Prefeitura Municipal inves�u recursos próprios na instalação de placas com nomes das ruas em Resende Costa, facilitando a localização e iden�fica-
ção das vias. As placas são cruciais para a localização de pedestres e motoristas e para os serviços, como correios e entrega de mercado-
rias do comércio. Além disso, valorizam nossa história, já que a maioria remete a nomes de personagens importantes para o nosso município.
As placas são cruciais para a localização de pedestres e motoristas
Avenida Tiradentes: obra da nova avenida avança em Resende Costa A construção da nova avenida de Resende Costa, que ligará o bairro Canela ao bairro Nossa Senhora Aparecida, avançou muito nos úl�mos meses. A Prefeitura já cumpriu as etapas de infraestrutura básica, como instalação das redes de água, esgoto, drenagem pluvial, manilhamento, nivelamento da pista e estruturação das passagens. A obra está na fase de asfaltamento e construção da rede de energia pela Cemig. Idealizada pelo prefeito Aurélio, a nova
avenida já tem nome definido e aprovado por votação na Câmara dos Vereadores. A via, im-
portante para desafogar o trânsito na entrada da cidade, será chamada de AVENIDA TIRADENTES.
Obra da nova avenida está na fase de asfaltamento e construção da rede de energia
MUITO OBRIGADO! Amigos e amigas, os úl�mos oito anos foram de grandes desafios e trabalho intenso para fazer de Resende Costa um lugar melhor para todos. Acredito que conseguimos avançar muito e alcançar nossos principais obje�vos. Vejo uma Resende Costa mais estruturada na Educação, Saúde, Esporte, Cultura e que conseguiu crescer na cidade e na zona rural. Tenho muito orgulho do trabalho que fizemos, das parcerias que fortalecemos e do respeito que a administração criou junto aos resende-costenses. Conseguimos trazer uma gestão profissional para a Prefeitura, que, em meio a uma crise no país e no mundo, teve
sucesso em buscar recursos para inves�r num município mais moderno, acessível e confortável. Mais que realizar grandes obras e inves�r na infraestrutura dos nossos bairros e comunidades, �vemos a preocupação de ouvir as pessoas e atender demandas an�gas da população. A sensação é de dever cumprido. Deixo aqui o meu muito obrigado a cada um de vocês que cobrou, apoiou e par�cipou diretamente da nossa gestão, em especial aos secretários e servidores públicos que deram seu melhor por Resende Costa. Um abraço, prefeito Aurélio Suenes.
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Política
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Mulheres querem mais protagonismo na política local
BANCADA FEMININA Coronel Xavier Chaves foi o município da região que elegeu o maior número de vereadoras. Uma delas foi Bárbara Maria Praia Santos, eleita pelo PSDB com 110 votos. “Uma conquista que vai fazer Foto: Arquivo pessoal
Lívia Guimarães (PT) liderou a votação para a Câmara Municipal de São João del-Rei com 1.525 votos
Bárbara Maria Praia Santos, de Coronel Xavier Chaves. Eleita pelo PSDB com 110 votos Foto: Arquivo pessoal
Dos 177 vereadores eleitos na microrregião do Campo das Vertentes (incluímos Ibituruna, por ser filiada à AMVER) com sede em São João del-Rei, apenas 28 mulheres vão ocupar vagas nas Câmaras Municipais. Coronel Xavier Chaves é o município que elegeu mais mulheres (4), seguido de Carrancas, Prados, Ritápolis, São João del-Rei e Ibituruna (3 cada). Lagoa Dourada, Piedade do Rio Grande e São Tiago elegeram duas mulheres cada e Dores de Campos, Madre de Deus e Tiradentes escolheram uma mulher cada para suas Câmaras Municipais. Em São João del-Rei, a vereadora Lívia Guimarães (PT) liderou a votação (1.525 votos) para a Câmara Municipal, que ainda terá a presença de Rosinha do Moto Táxi (PSL) e Mara Protetora de Animais (PSC). Lívia atribui o resultado a “um trabalho sério que realizamos na Câmara, seja fiscalizando, legislando ou lutando pela comunidade, pelos direitos das mulheres ou apoiando os movimentos sociais da cidade”. Ela destaca a importância de ouvir sempre a população no desempenho da sua função. “As pessoas não conversam comigo apenas na época das eleições. Estamos sempre juntos, dialogando, debatendo e entendendo as necessidades de nossa cidade. Dessa forma, elas também acabam conhecendo o meu trabalho. Isso aumenta a minha responsabilidade, e eu pretendo continuar ouvindo a população e sendo a voz da sociedade na Câmara.” Lívia considera que o “ambiente hostil e machista” da política não é “nada estimulante para a partici-
pação feminina”, daí a “importância de cada vez mais mulheres participarem”. Acha que é preciso mudar essa realidade e “tornar a política acessível a todas e todos. Nós mulheres precisamos participar da elaboração de leis e projetos que nos atingem diretamente, como, por exemplo, creche, educação, saúde pública e tantas outras questões. Precisamos ser ouvidas e isso só vai acontecer de fato quando mais mulheres ocuparem o espaço político”. Para Lívia, não bastam mudanças na Legislação para uma participação feminina maior. “Os partidos políticos também têm de fazer a sua parte e investir e apoiar as candidaturas femininas, permitindo que elas participem, vivenciem verdadeiramente a vida do partido. Não lançarem candidaturas laranjas apenas para cumprir os 30% de gênero.” Também considera importante mais protagonismo das mulheres no cenário político: “Primeiro, porque é um direito de todas nós e lutamos muito e lutaremos sempre para defendê-lo. E depois vem o fato desse protagonismo ser uma fonte de inspiração e de encorajamento para que outras mulheres possam participar de forma mais ativa da política também”. Lívia pretende continuar ouvindo a população e ser a voz da sociedade na Câmara. “Continuar meu trabalho de fiscalização e legislar cada vez mais em prol daquilo que realmente importa para as pessoas. Precisamos construir uma cidade que cuide mais das pessoas.”
Foto: Arquivo pessoal
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Edinamar Professora teve 147 votos e ficou na primeira suplência do PSDB em Resende Costa
parte da história; como sempre falo, lugar de mulher é onde ela quiser.” Entre as suas propostas de trabalho, estão a internet rural, “pois os alunos foram muito prejudicados, principalmente os da zona rural, com essa pandemia”, e a geração de empregos, “com a criação de um distrito industrial através de incentivos a empresas e parceria com o sistema S (Sesc, Senac, Sesi, Senai)”, diz a vereadora eleita. Em Resende Costa, dos 71 candidatos, apenas 23 eram mulheres (PDT, PSDB, PSD e PT, 4 cada; MDB e PSL, 3 cada; e Avante, 2). Mas ainda não foi dessa vez. É o caso das resende-costenses Edinamar Professora (PSDB) e Itane Batista (PDT), que foram bem votadas, mas não conseguiram vagas na Câmara Municipal. Edinamar Solange da Silva Gomes, a Edinamar Professora (147
votos), ficou na primeira suplência do PSDB. “Estou triste, não por ter perdido, mas por não ter uma representante feminina na Câmara Municipal.” Ela decidiu candidatar-se por gostar de política – “por minha família ser sempre envolvida com a política” – e porque queria ser vereadora. “Achei que agora seria o momento para ter uma representante das mulheres.” As mulheres são em maioria e vivenciam o cotidiano na saúde, na educação e na economia, assinala Edinamar: “Nós vamos ao mercado, levamos o filho ao médico, participamos de tudo, discutimos vários assuntos, exercemos a política.” Apesar de cansativo, para Edinamar o mais positivo na campanha foi o envolvimento da família. “Foi gratificante levar meus pais, com 76 (Getúlio) e 73 anos (Anália), para a rua a fim de pedir votos. E o meu irmão Rogério, conhecido
como Babão, que saiu de São João del-Rei e andou comigo.” Itane Batista, candidata pelo PDT (182 votos), ficou decepcionada: “Senti que tinha falhado com o meu povo, muitos não me conheciam e mesmo assim acreditaram na minha política, no meu projeto, confiaram em mim para representá-los”. Ela diz que esse foi “o primeiro passo de muitos que virão pela frente; foi um excelente começo e não pretendo de maneira alguma parar por aqui. O nosso povo chegará ao Poder Legislativo ou até mesmo ao Executivo”. Ela promete lutar para “desconstruir o machismo estrutural”, ou seja, “precisamos de libertação de padrões patriarcais baseados em normas de gênero”. Mas ela sabe que precisa ampliar sua votação em futuras eleições. “Buscarei o diálogo (com os homens), pretendo ouvi-los e passar o conhecimento que sei. Diria a eles para repensar sobre suas ações, para se desconstruírem e nos respeitar.” MULHERES CANDIDATAS À CÂMARA MUNICIPAL DE RESENDE COSTA Avante: Lucivânia Aparecida da Costa (Lucivânia da Cecília) e Luziana Renata Silva MDB: Roseli Aparecida de Sousa (Lili do Tejuco), Rosângela Lara Coelho (Rosângela Mãe do Dângelo) e Vanderlúcia Mendes de Freitas (Vanderlúcia Fisioterapeuta) PDT: Darle Letícia dos Santos Resende (Darle do Tião Maraba), Itane Trindade de Jesus Batista (Itane da Regina da Lilica), Neuci Luiz de Morais (Neuci Leonel da Rádio) e Rosely Antunes Pires (Rosely do Real Tapete) PSD: Jacqueline Alves Alamino (Jack Alamino), Maria Helena Mendonça Cardoso Simplício, Claudineia da Silva Sousa Miranda (Neia do Dativo) e Marieta Barbosa de Almeida Assis (Pretinha Almeida) PSDB: Ana Paula Ramos Silva, Edinamar Solange da Silva Gomes (Edinamar Professora), Lidiane Núbia Mariano e Aparecida Roberta de Miranda Santos (Roberta do Curralinho) PSL: Josiane de Souza Silva (Josy), Nicoly Cristina Santos e Sandra Aparecida Resende Pena (Sandrinha da Dengue) PT: Elisabete de Oliveira Resende (Betinha do Evandro), Ítala Carolina da Silva (Ítala da Silvânia), Jéssica Anne Dias Ferreira Pinto e Aparecida de Andrade Mendes (Tininha Mendes)
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CIDADE
Prefeitura Municipal cancela festa de réveillon em Resende Costa A realização do Carnaval em fevereiro de 2021 ainda está indefinida VANUZA RESENDE
Diversas cidades de Minas Gerais e do Brasil já anunciaram o cancelamento da festa de réveillon 2020/2021. O JL entrou em contato com a Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura (SETAC) de Resende Costa para saber acerca da decisão da prefeitura. De acordo com a secretária da pasta, Márcia Valéria de Almeida Ferreira, a festa na rua Gonçalves Pinto – a tradicional Avenida – está cancelada. “Devido à pandemia de Covid-19, nós não vamos realizar o evento. A medida foi tomada para evitar aglomerações”, justifica Márcia. Sobre a queima de fogos de artifício, ainda não está definido se haverá ou não. Em anos anteriores, além da festa do dia 31 para o dia 01, a SETAC realizou alguns
eventos no fim do ano. De acordo com Márcia, as apresentações neste fim de ano serão on-line. “Vão ser gravadas três apresentações. Duas delas realizadas por bandas, uma pela Banda de Música Santa Cecília e a outra pela Lira São Sebastião, de Jacarandira. E a outra será gravada pelo Coro e Orquestra Mater Dei. Os vídeos serão divulgados na semana do Natal e do fim do ano na página do Facebook da Prefeitura Municipal”, explica a secretária. Ainda de acordo com Márcia Valéria, a atual administração, em consonância com o prefeito eleito Zinho Gouvea, decidiu não promover a tradicional queima de fogos à meia-noite do dia 1º de janeiro de 2021, marcando a virada do ano. Também devido ao aumento no números de contaminações na região pelo novo coronavírus, não há uma definição sobre o Carnaval de 2021 na data prevista, ou seja,
mia. Foi um ano muito triste para a cultura no mundo inteiro”, lamenta a secretária.
no fim da primeira quinzena de fevereiro. O feriado de Carnaval está marcado para o dia 16 de fevereiro, mas a programação oficial em Resende Costa, segundo Márcia Valéria, poderá não ocorrer, ou serem adiadas, dependendo da situação da pandemia. A decisão, no entanto, será tomada pelo próximo secretário que estiver à frente da SETAC em 2021, quando Zinho Gouvea (PSBD) e Lucas Paulo (PSD) assumem a prefeitura. Márcia Valéria fala sobre fatores que impediram a realização de eventos programados para o decorrer de 2020. “É uma situação que aconteceu no mundo inteiro, mas a gente fica triste de não poder realizar os eventos que acreditamos que aconteceriam. Por exemplo, a Mostra [de Artesanato e Cultura] já estava bem encaminhada. Já tinha outros planos, outras festas e infelizmente foi tudo suspenso por um motivo de força maior, a pande-
LEI ALDIR BLANC Entre tantos adiamentos e cancelamentos, a Lei nº 14.017, de 29 de junho de 2020, denominada Lei Aldir Blanc, foi criada com o intuito de promover ações para garantir uma renda emergencial para trabalhadores da Cultura e manutenção dos espaços culturais brasileiros durante o período de pandemia da Covid 19. Márcia diz que foi um respiro para a classe artística. “A gente conseguiu agraciar artistas da música e também os artesãos. Com o recurso que veio para o município, conseguimos pagar 125 artesãos, dez músicos, cinco profissionais da Cultura Popular e Manifestações Tradicionais, três profissionais das Artes Plásticas e Visuais, dois da Produção Cultural, um do Teatro e um da Dança”, des-
taca. De acordo com o que previa o edital, o pagamento seria para 100 artesãos, mas em caso de outras categorias não serem preenchidas com as vagas completas, os recursos poderiam ser remanejados para outra categoria. Assim foi feito e 125 artesãos resende-costenses foram contemplados. Ainda assim, 40 pessoas inscritas não conseguiram receber o auxílio. O primeiro critério de desempate entre os profissionais do artesanato foi o maior tempo de serviço na área. Os valores recebidos por cada categoria foram diferentes. O artesanato recebeu R$604,00, os artistas receberam R$600,00 e os trabalhadores da Cultura e manutenção dos espaços culturais, que são grupos maiores, receberam R$2.043,52. De acordo com Márcia Valéria, Resende Costa recebeu o montante de R$100.252,89 de recursos da Lei Aldir Blanc.
De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO
A primeira Câmara de Vereadores de Resende Costa tomou posse no ano de 1912, quando o então distrito da Lage se emancipou de Tiradentes. Tomaram posse naquela época e sob a presidência do Coronel Francisco Mendes Rezende homens das famílias Gonçalves Pinto, Souza Santos, Rezende Mendonça, Coelho, Oliveira Braga e Reis. O quadro de fotografias exposto na sala do plenário da Câmara Municipal nos apresenta homens de cor branca, todos usando bigode, cabelos bem cortados e vestidos de alinhados ternos e gravatas. A ausência quase absoluta de negros e a de mulheres no Legislativo Municipal é uma triste realidade durante 108 anos de sua existência. E se nos colocarmos diante do painel com fotografias de prefeitos e vice-prefeitos afixado na Biblioteca Municipal, não vemos um negro. Nem uma mulher. Ao longo do tempo, dos 18 prefeitos que teve a cidade, somente três foram eleitos mais de uma vez. Gilberto José Pinto assumiu o Poder Executivo por três vezes. Depois, Ocacyr Alves de Andrade e Aurélio Suenes de Resende emplacaram dois mandatos cada um. Entre eles há ainda um fato: dois irmãos, de partidos diferentes, tornaram-se prefeitos municipais: Gilberto José Pinto
(PMDB e, posteriormente, pelo PSDB) e Luiz Antônio Pinto (PT). Foi durante o mandato deles e, antes, no mandato do então prefeito Adenor de Assis Coelho, entre 1963 e 1967, que a cidade viu mulheres sendo eleitas vereadoras. Em 21 de fevereiro de 1963, tomou posse, como primeira vereadora eleita no município de Resende Costa, Maria Raimunda da Conceição, a dona Maroca, do distrito de Jacarandira. Dona Maroca, porém, cumpriu somente um ano do seu mandato, renunciando no fim do primeiro ano. Em 1983, Maria Luíza Cesconi foi eleita vereadora pelo PMDB e ocupou uma das cadeiras na Câmara de Resende Costa, presidindo-a entre 1985 e 1986, quando Gilberto Pinto se elegeu pela primeira vez. Posteriormente, ao vencer as eleições em 1992, Luiz Antônio Pinto viu sua colega de partido, Cidinha do Posto (Geralda Aparecida R. Sousa), ser eleita e tornar-se a terceira vereadora do município. Por fim, e também pelo Partido dos Trabalhadores, Maria das Dores Silva, a Maria do Pedro, foi a quarta representante do sexo feminino na Câmara de vereadores, por duas vezes, entre os anos de 2001 e 2008. Atualmente, quando um partido político busca entre seus filiados os interessados em parti-
cipar do pleito destinado à escolha de vereadores, é preciso que 30% das vagas sejam do sexo feminino. Portanto, não é possível uma legenda lançar candidatos sem que seja cumprida essa regra. Trata-se de uma estratégia adotada para fomentar a presença feminina na política e estimular a participação das mulheres nas eleições deste ano. Nas eleições 2020 em Resende Costa, tivemos 71 candidatos a vereador, sendo 23 mulheres, isto é, 32,85% do total. Juntas, obtiveram 1.120 votos. Já os 47 homens somaram juntos 5.133 votos, 78,19% dos votos válidos. Novamente não elegemos uma mulher. A mais bem votada entre elas, com 182 fotos, foi Itane Trindade de Jesus. Filha da Regina da Lilica e artesã, ela completou 21 anos no último dia 4 de setembro. Itane mora no centro da cidade e estudou nas escolas Conjurados Resende Costa e no Assis Resende. Atualmente, faz curso técnico de Controle Ambiental no IFMG, em São João del-Rei. Filiada ao PDT, Itane, orgulhosamente, apresenta-se como líder do Movimento de Empoderamento Feminista Negro – Pretas Presentes. Quando lhe perguntei o que a levou a se candidatar a vereadora nas últimas eleições, ela respondeu: “A falta de representantes mulheres pretas no Poder Legislativo e no Exe-
Fotos: redes sociais - reprodução
As mulheres e as eleições municipais de 2020 em Resende Costa
Itane Batista, do PDT, foi a candidata mais votada, porém, não conseguiu se eleger
cutivo e, também, a insatisfação com o nosso sistema fizeram-me pensar que a diferença e a representatividade partiriam de mim.” Itane, terminado o pleito, disse ter sido “bem recebida por todos durante a campanha eleitoral. Achei interessante, pois, se fizermos comparações por causa do sexo, eu fiquei como 2ª suplente, poderia ter chegado a uma das cadeiras. Adorei participar da campanha, conheci pessoas fantásticas, recebi apoio de mulheres que não imaginava; fica aqui minha gratidão por vocês.” Nossas cidades vizinhas, Co-
ronel Xavier Chaves, Ritápolis e Desterro de Entre Rios elegeram três mulheres, cada, nas eleições do último dia 15 de novembro. Duas representantes do sexo feminino vão assumir seus mandatos em Lagoa Dourada e São Tiago. Já os eleitores de Entre Rios de Minas e da nossa Resende Costa não conseguiram eleger uma mulher sequer. A persistente ausência de mulheres, e também de negros, tanto no Legislativo, quanto no Executivo municipal, deve ser motivo de estudo, merece ser bem avaliada.
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Coro e Orquestra Mater Dei participa de missa solene no Santuário Diocesano de Ritápolis ANDRÉ EUSTÁQUIO
No domingo, 22 de novembro, dia dedicado a Santa Cecília e ao músico, o Coro e Orquestra Mater Dei, de Resende Costa, sob a regência do maestro Wagner Barbosa, participou da missa solene das 19 horas, no Santuário Diocesano de Santa Rita de
Cássia, em Ritápolis. O grupo se apresentou com formação reduzida, devido aos protocolos de prevenção à disseminação do novo coronavírus. A celebração, presidida pelo pároco e reitor do santuário, padre Adriano Tércio Melo de Oliveira, encerrou as festividades de apresentação da pintura do forro da capela-mor da igreja matriz de Santa Rita de Cássia.
Foto: arquivo da Orquestra Mater Dei
ACONTECEU
Coro e Orquestra Mater Dei, com formação reduzida, na capela-mor do Santuário de Santa Rita de Cássia
Orquestra Ribeiro Bastos realiza concerto no Santuário de Santa Rita de Cássia Um concerto especial da bicentenária orquestra são-joanense Ribeiro Bastos marcou a solenidade de apresentação e bênção da
pintura do forro da capela-mor do Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis (MG), no sábado, 21 de novembro. A pintu-
ra é de autoria do artista plástico Carlos Magno de Araújo, que reinterpreta a obra original do século 18 atribuída ao pintor setecentista
Joaquim José da Natividade. Devido às medidas de prevenção ao novo coronavírus, a orquestra Ribeiro Bastos se apresentou
com grupo reduzido e foi regida pelo seu maestro titular e presidente, Rodrigo Sampaio. A.E.
Fotos: Pascom Ritápolis
O artista plástico Carlos Magno discursou durante a solenidade de apresentação da pintura de sua autoria
Fotos: Arquivo ORB
Fotos: Otávio Augusto - Pascom
Padre Adriano Tércio, pároco e reitor do Santuário de Santa Rita de Cássia
Rodrigo Sampaio regeu a Orquestra Ribeiro Bastos durante concerto no Santuário de Santa Rita de Cássia
Padre Adriano Tércio durante solene celebração no Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia
Orquestra Ribeiro Bastos no interior da igreja matriz de Ritápolis
Solenidade de apresentação e bênção da pintura do forro da capela-mor do Santuário de Santa Rita de Cássia
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Educação
Resende Costa, 3 de Dezembro de 2020. Querido Jornal das Lajes, Minas Gerais completou 300 anos na quarta-feira, dia 2 de dezembro de 2020. Em meio a um ano atípico, em que os profissionais da educação estão, sim, trabalhando, de forma adaptada, tentando se encaixar ao mundo tecnológico dos jovens, buscando ferramentas inovadoras para mostrar conhecimento, é claro que os professores de Língua Portuguesa, acima de tudo, apreciam que nossos alunos se comuniquem, façam uso social da língua. Apreciam os vídeos, as mídias, os slides, mas ainda se reservam ao direito e ao dever de cultivar e incentivar a leitura e de apreciar as produções escritas de nossos alunos leitores. Porque leitura vai, escrita vem. A Secretaria Estadual de Educação lançou uma edição especial do Plano de Estudo Tutorado para os alunos da rede estadual de ensino, em comemoração aos 300 anos
de Minas Gerais, que vem bem ao encontro de tudo isso. A edição, além de trazer um breve histórico de Minas e um panorama de nossas cidades históricas, de nosso patrimônio artístico e natural e de nossas tradições culturais, convocou os alunos a produzirem cartas para diferentes destinatários, nas quais eles expressem o que o Estado de Minas Gerais representa para eles. Enfim, era preciso expressar a mineirice, o pertencimento a esta nossa Minas tão mãe e tão avó, tão parte da gente. Todos os professores da Escola Estadual Assis Resende se uniram para incentivar nossos alunos a produzirem as cartas antes do dia 2 de dezembro, para uma seleção pela Secretaria Estadual de Educação. Das cartas enviadas, foram selecionadas duas: uma representando nossos alunos do Ensino Fundamental e outra, nossos alunos do Ensino Médio. Maria Eduar-
Oh Minas... tão linda e tão almejada nossa Minas Gerais,
da Resende Gouvêa (8º ano 3 – da professora Jordânia da Fonseca e Resende) e Graziella Santos (3° ano 1 – da professora Flávia de Barros Silva) são as alunas selecionadas. Por pura coincidência, ambas são alunas que experimentam a vivência no campo e na cidade. E não é só de leitura que se constrói a escrita. Ela também é resultado de percepção, de sensibilidade. E as duas cartas selecionadas para representarem a Escola Estadual Assis Resende expressaram com essa sensibilidade a representação de uma Minas Gerais adorável, que se faz provinciana, simples, mas ao mesmo tempo é tão rica, convidativa, no abraço e no beijo, com sabor de Minas e de queijo, e acolhedora ao universo... Esperamos que gostem. Um grande abraço mineiro da Escola Estadual Assis Resende.
As pessoas desejam ir para fora do Brasil, conhecer novas tecnologias, novos lugares com imensos prédios, enquanto o mais rico mora aqui em Minas. O cheirinho da terra molhada, barulho da árvore balançando com os ventos, encontrar animais no meio do campo tendo o “bom dia” deles, isso faz parte da nossa rotina. Nasci em uma roça em Minas, eu amava acordar e sentir meus pés na terra, apanhar jabuticaba e sentir seu sabor, fresco e sem conservantes, andar a cavalo, tirar leite, aprender a tratar bem os animais e a amá-los. Hoje, no nosso dia a dia, vivemos tanto no automático, que não aproveitamos as coisas simples. Aqui em Resende Costa, sentar nas lajes e ver o sol se pondo, acordar cedinho para comer aquele pão de queijo que acabou de sair do fogão a lenha feito com tanto amor pela nossa avó, parece ser algo sem importância, mas são esses pequenos detalhes que marcam a vida da gente. Nossa cultura é bela, saborosa e nos ensina a aproveitar as pequenas coisas. Somos apaixonados por um frango caipira com um angu feito na hora, nossa história é repleta de conquistas e coisas que parecem simples. Minas tem as cachoeiras mais lindas, lugares que fazem você relaxar, tirar um tempo pra si mesmo. Eu arriscaria dizer que Minas é mágico e só quem vive aqui consegue saborear um pouco dessa magia. São 300 anos de história, são 300 anos que marcaram a vida das pessoas, e comigo não seria diferente. Moro em Resende Costa, onde as pessoas são acolhedoras e também gostam de sentar na praça para conversar, prosear. Por mais que algum dia eu saia daqui, ela não sairá de mim, Resende Costa sempre será minha casa, sempre me sentirei em paz aqui, e por aqui espero terminar os meus últimos dias.Na paz de Minas. Espero que cada pessoa que ler essa carta se sinta aqui, Minas, sinta realmente essa magia que tanto descrevo nessa carta. Um abraço com gosto de Minas! Graziella Santos. Foto: arquivo Jornal das Lajes
Escola Assis Resende participa de projeto que celebra os 300 anos de Minas Gerais
Resende Costa, 13 de novembro de 2020.
ALUNA: Graziella Fernanda da Silva Santos TURMA: 3º ANO 1 PROFESSORA: Flávia de Barros Silva
Resende Costa, 8 de novembro de 2020 Querida Bia, Como você está? Espero que esteja tudo bem! Aquele dia você me pediu para lhe contar como é Minas e, como você nunca veio até aqui, vou tentar descrever um pouco sobre como é meu estado. Temos igrejas maravilhosas as quais são visitadas por pessoas de todo o mundo, localizadas em nossas cidades cheias de histórias como Tiradentes, Ouro Preto e Diamantina! Em minha cidade, Resende Costa, podemos dizer que tecemos muitas histórias, sendo o berço dos inconfidentes, produzimos lindos artesanatos que chamam a atenção por todo o país. O famoso pão de queijo! Você provavelmente já deve ter experimentado, mas o daqui ninguém supera! Eu juro, é muito bom! Para fazermos o pão de queijo usamos o nosso famoso queijo minas, é perfeito...até eu sei fazer! Meu avô me ensinou enquanto passava as férias lá na fazenda. Temos também deliciosos pratos como feijão tropeiro, carne seca e pratos a base de milho, além da carne de porco que eu adoro! Aqui nós usamos o leite para fazer completamente tudo, inclusive o doce de leite. Mas você acredita que eu já enjoei? Pois é! Prefiro goiabada, com leite então...é de dar água na boca! “Êta trem bão! “ Você provavelmente já ouviu algum mineiro falando “uai”, nós o usamos para tudo. Se estamos assustados usamos, se estamos tristes usamos, felizes também, uai! Em qualquer situação ele está presente. Ah! E quando alguém pergunta o que significa, ficamos perdidos...uai é uai, uai! Aqui não temos mar, porém temos lindas serras e cachoeiras, cada uma mais linda que a outra! Além disso, temos em nossas riquezas naturais o ouro, o qual desde o período colonial vem erguendo nossa história pelas pequenas ruas de paralelepípedo em cidades famosas por suas obras arquitetônicas. Mas então é isso! Espero que tenha ficado curiosa para conhecer esse lugar maravilhoso que é Minas e venha logo me visitar! Um beijo e um queijo! Maria Eduarda. ALUNA: Maria Eduarda Resende Gouvêa TURMA: 8º ANO 3 PROFESSORA: Jordânia da Fonseca e Resende
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A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
Casar-se com alguém Há quem diga que casamento é uma coisa normal... Mas é melhor que não seja. O ser amado tem que me transpor da normalidade dos fatos e das esperas corriqueiras. Por causa do ser amado, minha pele é tapete de arrepio, meu olhar é transparência tranquila, meu desejo é sedução de paz. Por causa do ser amado, minha voz é contraponto, minhas mãos são parceria, meu abraço é abraçado. Há quem diga que casamento é promessa e juramento... Mas é melhor que não seja. Quem ama não promete... já nasce cumprindo. O amor não jura, pois não força verdades. É simples e sincero o coração que ama. Por não prometer, não faz cobranças. Ama por amar. Amor intransitivo, explica-se por si mesmo. Amor transitivo, pois transborda para quem é amado. É verdadeiro o coração que ama. Não precisa jurar em nome de Deus, pois o amor é o outro nome de Deus. Há quem diga que casamento é até que a morte os separe... Mas é melhor que não seja. Casamento não é até que a morte os separe, mas que a vida os torne unidos.
Casar-se já pensando na morte que separa é desperdiçar tantos detalhes grávidos de boas surpresas que o casamento oferece. Casar-se pensando na morte que separa é dar aviso prévio para o amor. Ser feliz com o ser amado é viver uma vida que agora é mais plena, mais completa, mais forte, mais intensa... pois é a dois. Há quem diga que casamento é lua-de-mel... Mas é melhor que não seja. Nenhuma festa dura para sempre. Enjoa. De vez em quando, é necessário que haja uma gota de pranto, uma pontada de dor, uma febre de angústia. Faz parte. O casamento se alegra com o mel do gozo. Porém, ele se fortalece é com as dificuldades que são superadas com a aliança no dedo. Há quem diga que casamento é perda de liberdade... Mas é melhor que não seja. Por causa de ti, ser amado, sou mais livre para chorar sem timidez... sou mais livre para dançar comicamente na chuva... sou mais livre para esperar tua chegada como se fosse a primeira vez... sou mais livre para ser mais eu em ti. Sou mais livre para ser mais livre, pois tu me queres do jeito que sou. E foi do jeito que sou que fui ao teu encontro... do jeito que tu és. É melhor que assim seja.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Nossa essência mineira O desmembramento da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro em Capitania de São Paulo e Capitania de Minas Gerais, decisão do Conselho Ultramarino e determinação do Alvará Régio de 2 de dezembro de 1720, de D. João V, rei de Portugal, assinala o início da existência administrativa do território mineiro. Definitivamente já lembrado por uma pandemia que mudou o rumo e o ritmo de nossa caminhada, este tricentésimo ano de criação da Capitania de Minas bem que merecia um destaque maior nas mídias, compreensivelmente dominadas por questões mais urgentes. Mas essa marca não pode ser esquecida por tudo o que representa para nós, os nascidos nestas Minas Gerais e parte dessa tricentenária história. Muito mais do que simplesmente não esquecer essa data, é oportuno considerar o que ela sugere como modo de entender quem somos na condição de mineiros e como Minas existe dentro de nós. Para começo de definição, somos quase todos bairristas, da mesma forma que assim também deve se definir a maioria dos não mineiros em relação a seus respectivos lugares de origem. Esse termo costuma vir carregado de uma conotação negativa, pois a ele está vinculada uma visão estreita de mundo que menospreza tudo aquilo que é de fora, ao mesmo tempo expressa em adoração exagerada pela terra natal. Considera-se aqui o bom bairrismo, uma atitude positiva de
amor e orgulho por Minas, que são muitas, já dizia o mineiro Guimarães Rosa. Mas mesmo assim nossa identidade mineira é única, uma questão de mineiridade. Aproprio-me da opinião do também mineiro Fernando Sabino quando disse que tinha chegado à conclusão de que: “se existe uma coisa chamada ‘mineiridade’, consiste em não tocar nunca mais nesse assunto. Isso tem que ser mineiro: não tocar nesse assunto”. Mineiro é assim, nós nos entendemos. Na estreia do programa Conversa com Bial, em maio de 2017, a ministra do STF Cármen Lúcia roubou a cena ao ser entrevistada pelo jornalista. Ao falar sobre Minas e os mineiros, monopolizou a conversa com uma prosa divertida e inteligente. A certa altura da entrevista, ao ser indagada se a Carminha era a queridinha do pai (Florival Rocha), mineiramente respondeu: “Também se fosse, eu não falaria”. E Bial não resiste: “Eh mineirice!” E ela: “Tô aprendendo porque na verdade, Pedro, eu queria ser mineira, mas eu sou geraiseira. E você sabe que são duas coisas completamente diferentes. O mineiro toma a banana do macaco, deixa o macaco satisfeito, agradecido e devendo favor, com uma facilidade impressionante. O geraiseiro briga com o macaco quando o macaco pega a banana dele. O Gerais é o descampado, é o sertão. Minas é das sombras, das minas, isso, claro, sem nenhum fatalismo geopolítico. Mas é
claro que isso orientou (os mineiros)”. Mais adiante, continua: “E o mineiro tem uma coisa maravilhosa. Ele fala assim: ‘Passa lá em casa.’ ‘Passo lá mais tarde.’ Quem convida não deseja, quem aceita não acredita. Não tem erro, esse encontro não acontece e ninguém fica com raiva”. E prossegue: “A boba aqui faz isso. Convida só quem gosta. E aí fica lá esperando com seu bolinho. A pessoa não aparece e eu fico de mal porque não apareceu, ué. Porque me deu o cano.” Bial comenta que adora a expressão mineira “fala mais do que pobre na chuva”. E a ministra afirma que tem uma melhor: “como diz o outro”. Ninguém sabe quem é o outro, nunca dá processo porque não foi você quem disse, quem disse foi o outro, agora, ninguém sabe quem é o outro. É uma beleza. Eu adoro.” Também adoro! E sem “inventar moda”, recorro a Drummond (“espírito mineiro, circunspecto talvez”) em sua melhor tradução sobre nossa essência mineira. A palavra Minas Ninguém sabe Minas (...) Só os mineiros sabem. E não dizem nem a si mesmos o irrevelável segredo chamado Minas. Na reta final deste 2020 de difícil travessia, desejo um Natal possível a todos. Com a celebração que o bom senso nos recomenda e algumas doses de energia extra para resistir a tudo isso que está aí.
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REGIONAL
De um ponto de vista
Prefeito mais jovem de Barbacena e a Barbacena mais antiga
JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
“São filhos de Deus”
Barbacenas mineira e portuguesa JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE.
A Barbacena mineira elegeu o mais novo prefeito da sua história, Carlos Augusto Soares do Nascimento, o Du, 29 anos completados recentemente. Sua rápida ascensão deveu-se ao seu comprometimento com as causas sociais e ao apoio católico. O professor Mário Márcio de Quadros acredita que Du “tenha sido eleito pelos católicos, sobretudo pelos jovens da Igreja Católica, que o veem como um exemplo de ser humano a ser seguido e admirado”. Carlos Du foi um vereador muito ativo no seu primeiro e único mandato (2016-2020). Muito católico, “trabalha na Pastoral da Juventude e conhece os perrengues sofridos pelas famílias invisibilizadas pelo poder público. É professor da rede pública do Estado de Minas Gerais e um rapaz muito sério. Um idealista, mas tem os pés assentados no chão”, diz o professor Mário Márcio. Em entrevista à Rádio Sucesso FM logo depois da eleição, Carlos Du destacou prioridades, como criação de “operações urbanas consorciadas” (dedução de IPTU para cidadão ou empresário que fizer uma benfeitoria em espaço público); revisão da alíquota de IPTU, levando em conta benfeitorias realizadas nos imóveis; investimentos em saúde por meio de programas e projetos de captação de recursos para redução das filas de exames, reformas e conclusão de obras de unidades básicas de saúde; criação do comitê de gerenciamento de crise para a prevenção à Covid-19;
criação da Secretaria de Meio Ambiente e de fundo para a captação de recursos do marco regulatório de saneamento básico. Pretende ainda criar o Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico, com a participação do setor produtivo, para identificar e diminuir “gargalos burocráticos”, dar segurança jurídica e criar medidas e benefícios fiscais a fim de atrair empresários para investir e gerar empregos. Na Educação, fala em instalar um conselho misto (educação pública e educação do setor privado) para estimular o diálogo e a troca de experiências. Também quer investir os recursos do “novo Fundeb” na capacitação dos professores e na ampliação do número de creches. BARBACENA PORTUGUESA Barbaris Scena/Barvacena/ Barbacena, cerca de 400 habitantes, localizada no Alto Alentejo a 15 km de Elvas, 22 km da Espanha e 220 km de Lisboa. Antiga povoação islâmica, reconquistada pelo rei D. Sancho II na primeira metade do século XIII, deu origem ao nome da cidade mineira de Barbacena, no Campo das Vertentes. A Barbacena portuguesa foi sede de concelho (sic) (município) até 1837, quando passou a integrar o concelho de Elvas. Atualmente, é sede da União das Freguesias de Barbacena e Vila Fernando. A palavra Barbacena pode ter várias origens, no encontro das línguas arcaicas da Península Ibérica e a sua influência de dominação moura, observa Graça Maria Mendes, designer e professora de artes no Instituto de Ciências Educativas de
Lisboa. Natural de Barbacena, Graça fez uma breve pesquisa sobre a história do povoamento, atendendo pedido do JL. Literalmente, o nome viria da expressão “Barbaris Scena”, que os romanos deram a este sítio que lhes resistiu. Esta primeira hipótese, ainda que remota, pertence a Aires Varela (Teatro Histórico, 1915). A localidade encontrada pelos romanos, quando conquistaram Elvas, seria uma antiga aldeia de celtas (povo bárbaro) com choças e ramadas onde se abrigavam das intempéries. O nome de “Barvacena” surge na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, com a aprovação régia de 1251, imposta pelo chanceler D. Estevão Annes. Assim, o nome pode ter origem na vegetação dominante no terreno: barvosas, barveitos e barveitas, barvedos, barvais, etc. “Recentemente, descobri que no primeiro mapa de Portugal, que se tem conhecimento, do matemático e cartógrafo português Fernando Alvarez Seco (1561-1585), a localidade aparece com o nome ´Borbacem´”, revela Graça Mendes. CONDE DE BARBACENA O povoamento do burgo, possivelmente desenvolvido sobre um castelo pré-romano, fez-se a partir da doação de Barbacena a D. Estêvão Annes, chanceler-mor do rei D. Afonso III, no ano de 1251. Na carta de doação, confere-se a Estêvão Annes a capacidade de governo próprio e fora do contexto do poder régio. A 1.º de Outubro de 1388, o rei D. João I doa Barbacena ao seu guarda-mor e alcaide de Évora, Martim Afonso Melo, a quem é Foto: redes sociais
Foto: Vertentes das Gerais - reprodução
Sede da Câmara Municipal de Barbacena, casarão do século 18 símbolo da cidade mineira do Campo das Vertentes
Vista panorâmica da Barbacena portuguesa
Quando os jornais noticiaram que o Papa Francisco reconheceu que “homossexuais têm o direito de estar em uma família”, muitos jornalistas fizeram questão de dizer que o tema divide a Igreja Católica. Francisco, ao dizer que tais pessoas também “São filhos de Deus”, não faz outra coisa senão proclamar sua fidelidade ao Evangelho de Jesus, seu compromisso com o reino de Deus, que é reino de justiça e justiça é dar a cada um o que é seu. Essa é uma questão em que não é possível tergiversar. Quando Jesus, diante da prostituta, proclama “quem não tiver pecado atire a primeira pedra”, tudo ficou definido: agora há uma nova lei, háum novo parâmetro de vida. A antiga lei mandava apedrejar aquela mulher. A nova lei declara a superioridade do pecador sobre o pecado. Ficou estabelecido, para sempre, que não há atitude alguma que possa superar a dignidade da pessoa. Além disso, naquele momento Jesus condena, com toda clareza, a hipocrisia dos observantes da lei em prejuízo do espírito da lei. A religião católica, como instituição, tem suas normas, suas regras. Por isso é que o Papa não fala em casamento de homossexuais. Ele fala de família:“Não se pode expulsar ninguém de uma família”. Ora, família não é uma instituição religiosa, portanto não está sujeita a normas institucionais desse tipo. Francisco fala de coisas que interessam às pessoas de boa vontade, àquelas pessoas dispostas a sair de seu espaço cômodo e ir ao encontro da vida borbulhante, da vida que fervilha, cheia de contratempos
sucessivamente atribuído o senhorio de Barbacena. Em 1519, o rei D. Manuel I daria novo foral à vila, ordenando a reconstrução do seu castelo. Em 1539, Barbacena é adquirida por Diogo de Castro do Rio, cavaleiro da Ordem de Cristo e fidalgo da Casa Real, o primeiro a usar o título de senhor de Barbacena. Em 1575, a vila é comprada por Martim Castro, que só conseguiu, no fim da sua vida em 1612, obter os direitos de jurisdição e administrativos. A partir de então, a vila passa para o domínio do ramo dos Furtado de Mendonça, que resistem com heroísmo aos cercos de 1660, 1708 e 1712.
e de desencantos, e que, mesmo assim,é vida, ou, sobretudo assim, é vida. Francisco convida os cristãos a abandonarem o constituído para irem em busca do constituinte, daquilo que qualifica, identifica, justifica uma vida de fé. Sabe-se quanto é mais fácil desconsiderar as interrogações da vida que enfrentar seus questionamentos. Quanto é mais fácil crer que amar, contemplar que fazer, embora para se amar seja preciso crer, para se fazer seja preciso contemplar. Os amantes da lei pela lei se incomodam com as atitudes de Francisco, se escandalizam. Exatamente como aqueles que, ouvindo Jesus recomendar a superação da lei a favor dos homens, no tocante, por exemplo,à observância do sábado, escutaram do mesmo Jesus: “Bem-aventurado aquele que não ficar escandalizado por causa de mim” (Mt 11,6).Mas Jesus é o Evangelho, não é a Igreja. Francisco escandaliza? Francisco divide a Igreja? Não. Quem escandaliza, quem divide a Igreja Católica não é a posição do Papa sobre este ou aquele tema. Quem escandaliza, quem divide é o próprio Evangelho. É a sua observância. É a fidelidade a ele. Se Igreja e cristãos estão se sentindo divididos pelas palavras de Francisco, convém que ambos se perguntem se não é o Evangelho que os está dividindo. A Igreja pode ser dividida. O Evangelho, não. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
Luís Antônio Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro (17541830) era governador e capitão-general de Minas Gerais no Brasil, quando em 1791 fundou a cidade de Barbacena. Formado em Direito e Filosofia, um dos fundadores da Academia Real das Ciências e veador (camarista) da princesa D. Carlota Joaquina, foi eminente personagem da vida cultural portuguesa do século XVIII. Em 1816, o rei D. João VI criou o cargo de conde a seu favor, tornando-se assim o 1.º conde e 6.º visconde de Barbacena. Mais sobre a Barbacena portuguesa em: https://www.jornaldaslajes.com.br/lisboa
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Cultura
Paróquia de Ritápolis traz de volta pintura do forro da capela-mor do Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia
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Foto: Pascom de Ritápolis
ANO XVII Nº 212 - DEZEMBRO 2020
A obra é do artista plástico são-joanense, Carlos Magno de Araújo, que reinterpreta a pintura original do século 18, desaparecida da igreja em meados da década de 1970, atribuída ao pintor Joaquim José da Natividade ANDRÉ EUSTÁQUIO
Na noite do último dia 21 de novembro, a bicentenária orquestra são-joanense Ribeiro Bastos ocupou o presbitério da capela-mor do Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, para um concerto especial. Os ritapolitanos celebravam a inauguração da bela pintura do forro da capela-mor, cuja representação original, de autoria do pintor setecentista Joaquim José da Natividade, fora retirada do seu lugar de origem em meados da década de 1970. A Ribeiro Bastos, conduzida pelo seu regente titular e presidente, Rodrigo Sampaio, escolheu obras de gênios da música sacra – Padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (17461805) e Padre João de Deus de Castro Lobo (1794-832) – para abrilhantarem a programação da solenidade de apresentação e bênção dos novos elementos artísticos que passam a compor o acervo sacro do Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia. Além da apresentação e bênção da pintura do forro da capela-mor, foram entronizadas no santuário a imagem de Nossa Senhora do Terço, esculpida pelo artista Welington Reis, natural de Carmópolis de Minas, a imagem barroca de São João Batista e uma tarja que se destaca sobre o arco do cruzeiro da igreja matriz. A solenidade foi presidida pelo pároco e reitor do Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia, padre Adriano Tércio Melo de Oliveira, e contou com a presença do vigário-geral da Diocese de São João del-Rei, padre Geraldo Magela da Silva, representando o bispo diocesano dom José Eudes Campos do Nascimento, além de autoridades municipais e de convidados. A nova pintura do forro da capela-mor do Santuário de Santa Rita de Cássia é de autoria do artista plástico são-joanense, Carlos Magno de Araújo, que também estava presente na solenidade no santuário. O artista falou ao JL sobre a pintura de sua autoria e também da representação original atribuída ao mestre Joaquim José da Natividade. “A pintura do teto
do Santuário de Santa Rita de Cássia, de Ritápolis, entregue neste dia 21 de novembro de 2020, foi de certa forma inspirada no risco e palheta deste grande artista e uma homenagem a sua criação para o interior deste espaço religioso. A obra original, desaparecida do presbitério da igreja nos anos 1970 e até hoje não se sabe do seu paradeiro, teria sido mais uma das pinturas realizadas nas igrejas do mesmo período [da antiga igreja de Ritápolis], com a intenção de catequizar, evangelizar e captar o fiel expectador”. Carlos Magno teve acesso a duas antigas fotografias em monóculo da pintura original, além de ter obtido informações de outras igrejas que também possuem obras do mestre Natividade. “Esse material serviu de suporte para a realização do trabalho atual em Ritápolis”, esclarece o artista são-joanense. MESTRE NATIVIDADE O autor da pintura original do forro da capela-mor da igreja matriz de Ritápolis nasceu na segunda metade do século 18 e morreu em meados da década de 1840, em Baependi (MG). Estudioso da obra do mestre Natividade, o artista plástico Carlos Magno fala sobre o pintor setecentista que deixou obras em diversas igrejas de cidades do Sul de Minas e do Campo das Vertentes. “Sabe-se que ele iniciou seus trabalhos como aprendiz em Congonhas do Campo (MG), vindo posteriormente residir em São João del-Rei (MG), onde deixou alguns trabalhos realizados, e seguiu em direção a localidades próximas a São João e ao Sul de Minas. São encontrados trabalhos de sua autoria em cidades, como Ritápolis, Conceição da Barra de Minas, São Miguel do Cajuru, Madre de Deus de Minas, São Vicente de Minas, Andrelândia, Santana do Garambéu, Liberdade, Lavras, Carrancas, Baependi, São Thomé das Letras, dentre outras. A presença desse artista na cidade de Ritápolis certamente ocorreu na passagem do século 18 para o 19, coincidindo com o período no qual ainda vivia em São João del-Rei.” De acordo com Carlos Magno, Joaquim José da Natividade pode ser considerado o mais importante pintor,
desenhista de retábulos e dourador da fase final do século 18, ou seja, do período conhecido na história da arte como Rococó. Mestre Natividade foi, ainda segundo Magno, um dos maiores artistas desse período que percorreram as regiões das Vertentes e do Sul de Minas. “Suas pinturas de teto com perspectivas ilusionistas, cores ímpares e figuras humanas com roupagens de extremo realismo fazem do seu trabalho um primor nas decorações artísticas em cada templo no qual atuou. Esse excepcional artista também sabia fazer como ninguém arranjos florais nos fundos dos altares e oratórios, bem como pode ser considerado o mais importante policromador e dourador de imagens sacras do Brasil colonial”, comenta o artista plástico. RESGATE DA CULTURA E VALORIZAÇÃO DA RELIGIOSIDADE A pintura inaugurada no forro da capela-mor do Santuário de Ritápolis significa muito mais do que uma representação artística. Ela vai ao encontro dos anseios de uma comunidade de fé. O pároco e reitor do Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia fala sobre o trabalho realizado na comunidade. “A ideia começou quando tomei conhecimento de que, no passado, havia uma pintura antiga no forro da capela-mor da igreja e que foi retirada na década de 1970. Tivemos contato com duas pequenas fotografias que nos possibilitaram ver como era a pintura original. Portanto, a partir dessas fotografias, da memória de pessoas que se lembram da pintura original e da vontade do povo de ver de novo a capela-mor pintada, demos início à concretização desse grande sonho”, diz padre Adriano Tércio. Não bastavam, porém, somente o desejo e as lembranças da comunidade.Para a realização do ambicioso projeto, era necessário encontrar um artista capaz de executar com maestria, em pleno século 21, as ideias e os elementos genuínos que inspiraram o mestre Natividade no final do século 18. Padre Adriano não teve dúvidas de que esse artista seria o são-joanense Carlos Magno de Araújo. “O tra-
Elementos artísticos que passaram a integrar o acervo sacro da igreja matriz de Santa Rita de Cássia
balho tornou-se possível a partir das fotografias encontradas e também do apoio quase que unânime da comunidade, que foi consultada através das instâncias legais, como Conselho Municipal de Patrimônio, conselhos paroquiais e a Diocese de São João del-Rei. A partir daí, entrei em contato com o artista plástico Carlos Magno de Araújo, que prontamente aceitou o desafio de reproduzir no forro da capela-mor praticamente uma réplica da pintura original atribuída ao mestre setecentista Joaquim José da Natividade.” A pintura representa Santa Rita recebendo em sua testa a estigma ao contemplar o crucificado. O medalhão principal é rodeado pelos doutores da Igreja. Carlos Magno traduziu com singeleza o episódio místico que marcou a vida de Santa Rita e que inspira seus devotos. A contemplação da obra que cobre o teto da capela-mor de Ritápolis arrebata quem se propõe a imergir-se na mística a fim de se elevar ao sagrado, tendo como guia a inspiração do belo. Padre Adriano destaca a importância para a Igreja de resgatar e preservar o seu patrimônio histórico e cultural. “Essa importância se dá no momento em que a própria Igreja perdeu, ao longo dos anos, grande parte do seu rico patrimônio histórico e arquitetônico. A meu ver, a recuperação da arte sacra, enquanto expressão da fé e do amor do povo às coisas de Deus, é como que um resgate do patrimônio principal, que é a manutenção da espiritualidade do povo. A arte eleva o espírito à contemplação. Portanto, o belo precisa ser mantido e reverenciado.”
O artista Carlos Magno elogia a iniciativa do povo e do pároco de Ritápolis de resgatar parte da história da comunidade que havia desaparecido desde a década de 1970. “É importante salientar que a pintura desse teto teve o objetivo de saciar um desejo antigo da comunidade cristã local de recompor a lacuna que a retirada do original provocou e ao mesmo tempo devolver ao ambiente interno do templo a atmosfera da concepção original. A iniciativa do pároco local, juntamente com a comunidade católica e o Conselho Municipal de Patrimônio, com o aval da diocese, foi uma atitude louvável não só para o resgate do patrimônio histórico em si, como também para preencher uma lacuna irreparável na história de fé da cidade de Ritápolis.” De acordo com padre Adriano, ainda há muito trabalho pela frente e o objetivo é continuar lutando pelo resgate e pela divulgação da história da comunidade, que, além da rica devoção a Santa Rita de Cássia, tem orgulho de ser berço do herói e mártir da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. “Para o município de Ritápolis foi de grande importância esse resgate, uma vez que a paróquia e, consequentemente, a cidade, perdeu muito do seu patrimônio ao longo de décadas. É desejo nosso continuar esse trabalho e buscar valorizar a importância das obras de arte que evangelizam e tocam o coração do nosso povo. Precisamos, sem dúvidas, valorizar e manter o que ainda restou do rico patrimônio cultural, artístico e religioso do município de Ritápolis”, conclui padre Adriano Tércio.
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Cultura
Professora propõe incluir tecelagem artesanal no ensino da matemática A inclusão da tecelagem resende-costense na educação matemática foi sugerida pela professora Cleisiane de Sousa Silva, em sua dissertação de mestrado Estudo da matemática presente na tecelagem artesanal de Resende Costa, MG, apresentada em junho deste ano ao Departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Cleisiane foi orientada pelo professor Paulo César Pinheiro, a quem ela dedica um agradecimento especial: “Não há uma frase em meu texto que não tenha o seu olhar e sua generosidade, pois ele conferiu todos os detalhes até a finalização da dissertação, além de ter sido um grande incentivador desde o início. Quem dera houvesse mais pessoas no mundo com o seu coração e sabedoria! Então, uma palavra que define o meu sentimento pelo meu orientador é ‘admiração’”. Em seu trabalho, a professora Cleisiane Silva apresenta “uma proposta pedagógica de matemática que envolva a tecelagem resende-costense para a construção do aprendizado de geometria de forma dinâmica e plural”. Este “exercício viável de aplicação da tecelagem artesanal na sala de aula” seria recomendado para alunos do 6º ano do Ensino Fundamental. A proposta de Cleisiane tem quatro etapas. A primeira prevê um diálogo com os alunos sobre a tecelagem em Resende Costa e o seu contexto histórico-cultural. Seria convidada uma tecelã (ou tecelão) para conversar com os alunos sobre a atividade artesanal. Poderia haver, ainda, uma exposição na sala de aula de algumas colchas e tapetes confeccionados com desenhos. Em atividade em grupo, os alunos
trabalhariam com imagens; ou seja, realizariam fotografias de tapetes e colchas que tivessem desenhos, apresentando-as na aula. O professor ajudaria na identificação dos artesanatos de bico. Na segunda etapa, haveria uma aula teórica sobre os conceitos iniciais da geometria, tais como: ponto, reta e plano. Uma abordagem sobre as características, definição e utilidades desse conteúdo, bem como o ensino posterior de formas geométricas planas e propriedades dos polígonos. Na terceira etapa, seriam revelados os nomes dados aos desenhos pelos artesãos da tecelagem, questionando os alunos se eles conseguem visualizar essa outra perspectiva. Por exemplo: Qual é o olhar deles sobre os desenhos da colcha com “folha”, “estrela” ou “pirâmide”. “Onde tem ponto, reta e plano? Essas figuras se parecem com quais polígonos?” Na quarta etapa, os alunos poderiam tecer e nomear as figuras presentes na tecedura, de acordo com as teorias de simetria utilizadas pelas tecelãs. Para isso, os alunos poderiam visitar uma oficina de tecelagem na comunidade para observar e filmar a confecção de um tapete de bico por uma tecelã ou tecelão. Assim, os alunos poderiam realizar novas produções manualmente, com o desenho de bico. Segundo Cleisiane, estas etapas permitiriam o conhecimento da cultura tecelã resende-costense, a fundamentação de um conhecimento conceitual e a instigação de “um pensamento reflexivo sobre essa tecelagem”, bem como a percepção “se os alunos conseguem visualizar as propriedades primitivas da geometria e figuras planas na tecedura artesanal resende-costense para motivar e facilitar a aprendizagem desse conteúdo pela adequação da linguagem vivencidada por uma
Foto do tradicional tapete de bico, produzido artesanalmente em Resende Costa
Resende Costa poderá receber oficialmente o título de Capital Estadual do Artesanato Têxtil ANDRÉ EUSTÁQUIO
Fotos: arquivo pessoal
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE.
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Professora Cleisiane Silva
cultura”. As finalidades didáticas seriam identificação, classificação, medidas, simetria, ampliação e redução, criatividade, técnicas artísticas e construção de desenhos geométricos. A atividade da quarta etapa poderia ser realizada juntamente pelos professores de artes e de matemática, diz Cleisiane. “Estima-se a necessidade de duas horas/aula para cada disciplina, ou poderia ser realizada em formato de oficina, numa atividade no ambiente escolar em período extraturno e monitorada pelos professores de artes e matemática.” Para a professora, “a teorização desse artesanato tem uma importante implicação pedagógica em geometria, a qual valoriza as matemáticas culturais. Então, concretizar com os estudantes uma atividade interdisciplinar que valoriza um saber local na sala de aula é incluir princípios mais globais no currículo escolar e exercer com o aluno seu pensamento crítico.” A DISSERTAÇÃO A dissertação de Cleisiane Silva, que é professora da Escola Estadual Assis Resende, buscou compreender a matemática empregada na construção estética das colchas e dos tapetes produzidos artesanalmente em Resende Costa e sua relação com a Etnomatemática, do autor Ubiratan D´Ambrósio. Para esse estudo, foi escolhido um grupo formado por pessoas do município que desenvolvem padrões decorativos no tear manual. Ao todo, 18 tecelãs e tecelões responderam a um roteiro de entrevistas e foi observada a confecção de tapetes realizada por duas tecelãs, com acompanhamento
O artesanato têxtil utilizando o tear manual faz parte da história e da identidade de Resende Costa, situada na microrregião do Campo das Vertentes. A técnica do trabalho nos teares, que vem desde o século XVIII passando de geração em geração, é hoje a principal atividade econômica do município de 11.569 habitantes. O projeto de lei 4868/2017, de autoria do deputado estadual Cristiano Silveira (PT), aprovado em primeiro turno pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 18 de novembro último, possibilitará a Resende Costa receber oficialmente o título de “Capital Estadual do Artesanato Têxtil”. O projeto aguarda a sanção do governador Romeu Zema para se tornar lei. O artesanato produzido em Resende Costa foi registrado, em 2016, pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura como bem cultural imaterial do município. A aprovação em primeiro turno, pela ALMG, do projeto de lei 4868 ajudará o munícipio mineiro a escrever mais um importante capítulo da sua rica história. “Resende Costa já é conhecida pela produção do artesanato que atrai turistas, movimenta a economia e emprega boa parte da população da cidade. Era necessário reconhecer essa história e tradição e dar um impulso ainda maior à divulgação da cidade, incentivando a expansão do turismo e do progresso econômico local”, explica o deputado Cristiano Silveira, autor do projeto. VOCAÇÃO ECONÔMICA Resende Costa possui hoje aproximadamente 80 lojas especializadas no comércio de
da elaboração do “tapete de bico”. Os resultados indicaram a existência de um universo particular, tanto no que tange ao modo de tecer quanto à matemática utilizada, observa Cleisiane. “Nesse sentido, verificou-se que, para o exercício dessa atividade artesanal, há materiais e equipamentos próprios e as tecelãs e tecelões fazem uso de contagem de números, reta numérica, operações básicas, medidas, princípio de simetria, figuras espelhadas, noções
artesanato têxtil, que movimentacerca de R$6 milhões/ano à economia local, de acordo com dados de 2015. Em torno de 70% da população do município vive direta ou indiretamente da produção e do comércio do artesanato. A qualidade e a diversidade dos produtos têxteis e artesanais produzidos em Resende Costa alcançaram fama nacional. Grande parte da produção, que atrai à cidade turistasde diversas partes do país e até do exterior, é comercializada sobretudo nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. VALORIZAÇÃO DA REGIÃO O deputado estadual Cristiano Silveira, que é também autor da lei 23.509/19 que deu a Lagoa Dourada o título de “Capital Estadual do Rocambole” e dos projetos de lei 4878/17 e 4869/17, que poderão conceder à região do Campo das Vertentes o título oficial de “Polo Mineiro dos Móveis Rústicos”, e à cidade de São Tiago “Capital Estadual do Café com Biscoito”, destaca a importância da aprovação dos respectivos projetos pela ALMG para a futura retomada, no período pós-pandemia, das atividades econômicas na região das Vertentes: “[A aprovação dos projetos] é importante porque estamos trabalhando o fortalecimento da identidade dessas cidades, cujo polo turístico é muito forte. Tenho certeza de que no pós-pandemia nós vamos precisar retomar as atividades econômicas, e o turismo é uma atividade econômica muito importante para nós aqui no Campo das Vertentes”. Fonte: Assessoria de imprensa do deputado estadual Cristiano Silveira.
básicas da geometria e geometria plana.” Verificaram-se, ainda, as características dessa atividade “que se enquadram nas dimensões conceitual, histórica, cognitiva, epistemológica, política e educacional do Programa Etnomatemática, destacando, por exemplo, a preservação da identidade local e o conhecimento compartilhado dessa cultura que respondem questões de existência e transcendência.”
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FIM DE ANO
Projeto Doce Natal recolhe doações de guloseimas para crianças resende-costenses Entrega será feita no dia 25 de dezembro nos bairros da cidade. Expectativa é distribuir cerca de 3 mil sacolinhas para as crianças VANUZA RESENDE
Estamos caminhando para o fim de um ano totalmente atípico. Em 2019, enquanto, reunidos em festa, compartilhávamos votos de feliz ano-novo, não imaginávamos o que seria 2020. Com a crise de saúde mundial causada pela pandemia da Covid-19, muitas famílias também viveram uma grave crise financeira. Em 2020, o Natal será com menos encontros e mesas menos fartas para grande parte das famílias brasileiras. No entanto, um item precisa sobressair neste momento de troca de votos, ainda que de forma virtual: a esperança. Esperança de dias melho-
res e a chegada da cura para a doença que já vitimou milhares de pessoas no mundo inteiro. Em Resende Costa, pensando na máxima que diz que cada um pode fazer a sua parte para melhorar o dia do próximo, as amigas Josiane Magali e Shirlen Mendes estão promovendo o projeto “Doce Natal”. Shirlen explica como surgiu a ideia: “sempre tive vontade de fazer algo nesta época do ano, alguma coisa voltada para as crianças. Então resolvi convidar a Josiane e juntas pensamos na ideia do projeto ‘“Doce Natal’”. A campanha, que tem como meta arrecadar doces e guloseimas para as crianças da cidade, está contando com o apoio da população. “A nossa campanha está
sendo feita nas redes sociais e através do famoso boca a boca. Ainda caminha a passos lentos. Contamos com ajuda de amigos e colaboradores para divulgação e estamos passando nos comércios locais pedindo a colaboração de todos. Estamos recebendo as guloseimas para colocar nas sacolinhas e também ajuda em dinheiro para efetuarmos a compra do restante dos itens”, diz Josiane. O objetivo das idealizadoras do projeto é conseguir montar cerca de três mil sacolas: “procuramos ajuda de uma amiga que se disponibilizou a pesquisar a quantidade de crianças em nossa cidade. Foi feita uma estimativa, de acordo com o senso do IBGE, e conseguimos a informação
de que Resende Costa tem cerca de 2.545 crianças de 0 a 13 anos. Diante dessa informação, resolvemos fazer cerca de 3.000 sacolinhas de guloseimas. Ainda não foi decidido o que iremos colocar dentro das sacolinhas, pois dependemos da quantidade de guloseimas que conseguiremos arrecadar”, acrescenta Shirlen. A distribuição dos itens será feita a partir das 13h do dia 25 de dezembro. “Cientes da situação que estamos vivendo, optamos por esse cortejo pelos bairros da nossa cidade. Para agilizar a distribuição, iremos em três carros, evitando, assim, aglomerações. Na semana do Natal, divulgaremos em nossas redes sociais o trajeto que será feito no dia
da distribuição”, destacam Josiane e Shirlen. As idealizadoras do projeto ressaltam que qualquer tipo de ajuda é bem-vinda: “ressaltamos que a quantidade de guloseimas colocadas nas sacolinhas será de acordo com a quantidade que arrecadarmos. Nosso projeto não conta com nenhuma ajuda pública, por isso dependemos totalmente da ajuda e da doação de nossos amigos e colaboradores. Desde já, agradecemos a cada um que fez a sua doação e também a todos que estão nos ajudando nessa causa.” Os interessados em contribuir podem entrar em contato através dos telefones: (32) 9 9930-8338 – Josiane ou (32) 9 9996-7802 – Shirlen.
jogador adversário – o seu grande amigo e parceiro na Napoli, Careca. Em seguida, continuou sua comemoração com a amarelinha. No dia 25 de novembro, dia também da morte de Fidel Castro, figura que Maradona idolatrava (e fazia questão de dizer de que lado estava), os amantes do futebol perdem um dos maiores gênios de todos os tempos do futebol. Perdem os argentinos, os senhores(as) e os(as)
garotos(as). Perdemos todos nós, que um dia vamos nos assentar ali na minha sala do painel recém-instalado para assistir a um jogo e não poderemos ver tudo o que aquele baixinho já aprontou dentro de campo. Fora dele, eu sei, para muitos ainda vai ser considerado vilão. Vilão, ou não, Maradona mais do que nunca vai continuar entre os personagens inesquecíveis e que fizeram história. E que história!
Artigo
Adeus a Diego Armando Maradona VANUZA RESENDE
No sábado, 21 de novembro, eu havia acabado de instalar o painel na sala da minha casa, onde daqui a alguns dias será o meu lugar favorito para assistir futebol. Além da televisão, o painel oferece espaço para decoração. Aqui em casa, a gente não é muito ligado a decoração moderna e o marido logo pegou os seus guardados no guarda-roupas. Dentro das caixas, vários personagens: Jason, Freddy Krueger e Chuck – vilões bem conhecidos em todo o mundo e inesquecíveis. Até que no meio de tantos bonecos de cera, uma lembrança recebida do cunhado quando foi até Buenos Aires – dos tempos em que a gente ainda podia viajar. Um camisa 10, um baixinho de 1,65 metros que, certamente, foi um dos caras que mais honrou esse número: Diego Maradona. Em tom sarcástico, o Juninho perguntou se poderia colocar o camisa 10, trajado com o
uniforme da Argentina, ali, ao lado dos vilões. Pouco sabia que Maradona havia passado há pouco tempo por uma cirurgia, li de relance em um noticiário – mas, sendo bem sincera, não abri a reportagem. Passados quatro dias daquela conversa, no grupo de amigos a notícia: Maradona morreu. Não dava para acreditar. Maradona? E mesmo que estivesse na capa de todos os jornais, eu ainda não conseguia acreditar. Maradona, personalidade ímpar, figura sagaz, passava a sensação de um cara imortal. Maradona foi artista em campo, gênio em cada jogada. Fora de campo, enfrentou problema sério com a dependência química, que nunca escondeu: “Eu era, sou e serei um viciado em drogas”, declarou em 1996. Maradona em várias entrevistas falou sobre a dependência química e alertou sobre a doença, tão negligenciada e criminalizada. Para mim, o baixinho se tornou gigante todas as vezes em que mostrou
sua sensibilidade por trás das falhas. O garoto, que aos 18 anos chegou à seleção do seu país, não se enquadra em nenhuma descrição. De fato, muito contestado; afinal, depois de tantos dribles, parou nos antidopings que chegaram a afastá-lo por um ano do mundo da bola. Porém, por muitos idolatrado, chegou a ser considerado “Deus”! O cara que fez gol de todo jeito, inclusive de mão, não gostava de ser chamado assim, mas sempre mostrou acreditar em forças divinas. “Muitos dizem que fiz à mão. Eu digo que fiz isso com a cabeça e a mão de Deus.” Mais um episódio marcante em sua carreira: o craque argentino chegou a vestir a camisa da Seleção Brasileira, eterna rival, ao comemorar a classificação da Argentina para as quartas de final da Copa do Mundo de 1990, eliminando o Brasil. Não foi só uma jogada de marketing. Ele cumpriu o protocolo oficial dos boleiros, trocando sua camisa com um
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PROMOÇÃO
REFLEXÕES
Cartão na mão e carro novo na garagem: usar seu Sicoobcard pode garantir prêmios exclusivos até março Natal chegando e, mais do que nunca, seu Sicoobcard merece sair do bolso. Isso porque, além de segurança, praticidade, bônus exclusivos e até mesmo Cashback (dinheiro de volta na sua Conta Corrente), acontece desde 10ºde dezembro a Promoção Cartão Premiado. Realizada pelo Sicoob Central Crediminas, a ação sorteará dois Ônix quatro portas e uma Hilux cabine dupla novinhos. Para participar, bastar usar seu cartão na função crédito ou débito e pronto! A cada R$100 em compras já terá garantido, automaticamente, um Número da Sorte – ou dois, caso a transação ocorra em uma de nossas maquininhas oficiais, a Sipag. INCENTIVO Para a gerente do Sicoob Credivertentes em Nazareno, Leidiane Janaína Silva, a campanha reforça ainda mais a parceria entre sistema e associados através de portfólio financeiro completo. “Estamos bem perto de um momento festi-
vo – em que as pessoas gostam de se presentar – ao mesmo tempo em que passamos juntos por um período delicado, de cuidados financeiros, devido às consequências da Pandemia. Aí entra o Sicoobcard, porque garante segurança, tranquilidade e planejamento para quem o tem”, comenta. Justamente por isso, a equipe local tem atuado para incentivar o uso do cartão e, ainda, desejar sorte aos cooperados. “Nossos associados têm ficado animados com a possibilidade de um veículo novinho na garagem. Imagina que ótimo começar 2021 com um presente desses!”, pontua. SORTEIOS Ao todo, serão três grandes chances de ganhar. O primeiro sorteio acontece no dia 20 de janeiro, seguido por outro em 24 de fevereiro. Em ambos o prêmio será um Chevrolet Ônix 0km. Já em 24 de março, data de encerramento da promoção, será sorteada uma Toyota Hilux. Para conhecer
todas as regras, só acessar o site www.cartaopremiadosicoobcard. com.br/regulamento SORTE GRANDE Vale lembrar que o Sicoob Credivertentes já teve dois associados comemorando na Promoção Cartão Premiado Sicoobcard. Em 2016, o cooperado Adair José de Carvalho, de Madre de Deus de Minas, levou pra casa uma S10 completa e uma TV LED 40”. “Na hora a gente nem sabe definir o que sente (risos). O susto se mistura com uma alegria muito grande, além de gratidão, claro”, comentou o produtor rural na época. Já em 2019 um UP! novinho foi parar na garagem de Géssica Alves, de Morro do Ferro. “Comecei a chorar, tremer, sentir as forças sumindo das pernas. Mas foi, com certeza, um dos melhores momentos da minha vida. Deus escancarou portas que nunca pensei conseguir atravessar. Milagres acontecem. Sempre”, disse emocionada ao receber as chaves do carro.
por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração
PRESENÇA DA COOPERATIVA NA COMUNIDADE A presença da Cooperativa de Crédito gera/fortalece a cidadania, a organização, a inclusão social e mesmo a redução da concentração da riqueza – em especial nas localidades menos desenvolvidas. Estudos apontam que, onde atuam cooperativas, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) local evolui substancialmente. Isso porque, democratizando e expandindo o crédito, a cooperativa atua na geração de empregos, oportunidades de trabalho, melhoria da renda. Isto é: o acesso amplificado à riqueza social, incluindo qualificação profissional, educação, tecnologia, segurança alimentar e informação induzem à prosperidade coletiva, à qualidade de vida e ao bem-estar social – daí a importância da perenização de processos socialmente sustentáveis. Todo esse êxito está ligado à proximidade e ao relacionamento com o associado, à noção de pertencimento que se instala – porquanto o seu olhar e seu agir voltam-se especificamente para os interesses maiores da coletividade. Importante lembrar que nossos (novos) tempos – a transformação da Era Industrial para a Era do Conhecimento – exigem de todos nós autorreflexão, criticidade, compromisso, mobilização sistêmica. Enfim, mudanças! Afinal, o macroambiente em que estamos envolve múltiplos panoramas como o social, o político, o ambiental, o econômico, o cultural, o demográfico e o tecnológico. Todos devem ser balizados pela ética, pela solidariedade, pela cooperação!
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Retalhos Literários EVALDO BALBINO
Caminhos Quase toda a minha família congregava numa igreja lá no Ribeirão de Cima. Nas noites de sábado e nas tardes de domingo. De noite eu não via quase nada, porque não tinha luz elétrica no povoado. Não via com os olhos materiais. Mas durante o dia sim. Meus olhos que a terra espreita eram sóis iluminando a vida. E viam muita coisa. Mato, bichos, gentes, córregos, morro pra subir e descer. Havia dois caminhos pra irmos à igreja, isso se pensarmos em aberturas já feitas porhumanos, como estradas e trilhas. Querendo burlar essas duas sendas, era possível subir pelo pasto acima da nossa casa e atalhar um pouco. Uma das passagens usuais era lá pra baixo, passando de fora das casas da tia Tuquinha, depois da Sá Bilica e da tia Fiinha. Mais além da estrada, ao lado do moinho coletivo da parentela, vinha a casa da Teresa do Roberto. E, por fim, subindo uma trilha perto da cachoeira do Tibúrcio,
chegávamos por trás da igreja, passando acima da casa do irmão João. A outra possibilidade era pela estrada de cima mesmo, a principal que ligava os três Ribeirões: o de Baixo, o do Meio e o de Cima. Nós morávamos no do Meio. Íamos subindo por essa carreira forrada de cascalhos, os pés escorregando neles, e ao lado uma cava sombria de dar gosto pra uma história qualquer de terror. Meus olhos subiam pela estrada iluminada, mas desejando medrosos pisar o chão da cava carrancuda. E os causos macabros sempre olhando meus passos, abraçando meu corpo de menino. No caminho de baixo também tinha perigos, e muitos. Um deles foi num domingo bem certeiro. Minha mãe terminou atarantada de arrumar a cozinha do almoço, se arranjou com simplicidade e me levou junto dela. Meu pai não estava em casa, e meus irmãos curtiam a modorra duma tarde domingueira, sol a pino, calor de morte. Também pu-
dera! Culto às duas horas da tarde neste Brasil dos trópicos, só Deus na causa mesmo! E como precisamos de Deus nesse dia, minha mãe e eu! Sobre a porteira depois da casa da tia Fiinha, um cipó esverdeado e grosso jazia estirado. Minha mãe viu. Eu até então não tinha visto nada, pois meus olhos ouviam atentos e prazerosos a bulha da água descendo pro córrego da Sá Bilica. No exato momento em que as mãos de minha mãe foram abrir a porteira, o cipó se moveu. No susto, ela retrocedeu o corpo e me puxou consigo pelas mãos. O cipó era uma cobra grande tomando o sol da tarde. Incomodada com o nosso movimento, a serpente foi saindo pra horta da tia. E nessa saída de matrona que comera e não gostara, ela foi indo devagar, em câmera-lenta, sem pressa nenhuma. Isso, com certeza, era pra azucrinar a pressa de minha mãe, que tinha incomodado seu sono ofídico. Ofendida, custou-lhe nos dar caminho. Mas deu, mesmo que na lentidão.
Pela estrada descendo ao lado da cava, era bom apanhar alecrim-macho na volta da igreja. E aquele cheiro de verde, porque cor tem cheiro certo!Com esse alecrim a gente fazia uma touceira em torno da ponta de um pau, amarrava com embira e, num passe de mágica, produzia uma vassoura. E terreiro pra varrer era o que não faltava lá em casa. A vassoura de alecrim indo e vindo, a poeira se levantando, a sujeira sendo jogada pra qualquer banda ou juntada pra se jogar bem longe. Na estrada de baixo que dava até na trilha perto da cachoeira do Tibúrcio, tinha o moinho. Mundo vasto onde eu triturava pedaços de vivências. E se contava que no debaixo da moenda, bem junto do rodízio, vivia uma assombração. Com o maquinário parado de noite, ou nas sombras estendidas de tardes silenciosas, vinha de lá um choro, um lamento, um balbucio sem consolo. Por causa desse fantasma, eu nunca que ia sozinho no moinho. Tinha que
ser junto de um alguém adulto pra me proteger. Os medos são enormes e carecem de arrimo. Na estrada de cima tinha o mata-burro, onde burro não passava, mas passavam gente e jipe. Inclusive um tal de jipe do farol azul que andava só de madrugada e que era na verdade outra assombração. Prova disso foi um tio meu que, estando a cavalo, encontrara numa antemanhã escura e nebulosa o tal do jipe, tentara desviar dele e não conseguira. Na iminência da batida, o seu susto de olhos abertos vira o carro de farol azulado passando por cima dele, atravessando cavalo e homem como se fossem ar. Olhando pra trás, o tio vira que lá ia o carro-fantasma seguindo seu caminho espectral. Resultado da cena: um homem todo urinado e um cavalo empacado no meio do caminho. O menino que eu era e sou amava esses dois caminhos. Lá na igreja, o homem do púlpito só falava de céu ou de inferno. Coitado! Acho que ele não conhecia os meus caminhos tão ricos.
genial Machado de Assis, por sinal nada religioso de frequência. Basta ver como se aproveita de um evento do Natal, baseado em lendas, que é a Missa do Galo (conto “Missa do Galo”. Curto, pode-se lê-lo pela internet), para uma reflexão sobre a educação social de sua época: machismo para o menino, subserviência para a menina. E quanto a seu “Soneto de Natal”:
o metro adverso/ Só lhe saiu este pequeno verso: “Mudaria o Natal, ou mudei eu?” Machado, acho que não há solução para o problema que você poetizou se os dois não mudarem. O ser humano, como você bem trata na sua obra, vive numa eterna transformação. Vida supõe movimento (“Vita est in motu immanenti”,) que, por sua vez supõe mudança. Camões: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades/ Muda-se o ser, muda-se a confiança/ Todo o mundo é composto de mudança/ Tomando sempre novas qualidades”. Re-significar os eventos sociais e religiosos, ora extirpando suas raízes malignas, ora fortificando-as, quando vitais, é uma necessidade e faz parte da missão do ser humano... Por enquanto, o único ente capaz de fazê-lo. E o Natal é um deles. É o que penso. E você, leitor?
O Verso e o Controverso JOÃO MAGALHÃES
Uma conversa sobre o Natal O mês de dezembro é muito pontilhado pelos símbolos do Natal: Papai Noel, São Nicolau (em alguns países, Santa Claus, por causa de “Sinterklass”: São Nicolau em holandês), a árvore, as luzes, a estrela e sobretudo o presépio para o Catolicismo. O Natal deste ano será diferente por causa da pandemia? Sei lá! Nota-se, nos últimos meses, um relaxamento meio generalizado quanto aos cuidados para evitar a propagação da Covid-19.No entanto, deveria ser o contrário, pois o Natal é a comemoração do nascimento, representado pelo nascimento de Jesus. A vida que nasce e renasce. Seus símbolos mostram isso: o velho Noel acarinhando e presenteando uma criança, a árvore florindo e gerando frutos, a luz dos astros sem a qual não existe vida, o menino numa manjedoura que mais tarde, segundo a tradição, dirá: “Eu sou o caminho, a verdade e a VIDA”. Já a Covid-19... Apareceu
e se inscreveu nos símbolos da morte. Tem sentido você comemorar o Natal, propagando esse vírus? Há que se revitalizar os símbolos, que são sinais que mexem com o nosso interior, tanto no sentido positivo quanto no negativo, como é a suástica para um nazista e para um judeu. Todo símbolo é sinal, mas nem todo sinal é símbolo. Por exemplo, uma fumaça é sinal de algo que está queimando. Vira símbolo quando vinda de um incenso, levando uma pessoa a uma atitude de veneração, de oração etc. É neste sentido que a revitalização é necessária. Os símbolos tendem a desgastar-se pela ação dos tempos (E vem a mania do latim: “Tempus edax rerum” – o tempo(esse) devorador das coisas!). Ultimamente, acho eu, os símbolos do Natal pouco significam. São mais sinais que símbolos. Objetos de decoração, de enfeite, de propaganda e até de competição. Estamos
esvaziando seu sentido fundamental. Precisamos re-simbolizar os sinais de nossas festas. Atualizá-los para que reforcem as atitudes positivas. Por que não montar um presépio, de preferência com o fundo musical da “Missa dos Quilombos”, com texto do nosso “profeta” recentemente falecido, Dom Pedro Casaldáliga? Neste presépio, o menino Jesus é um recém-nascido negro; sua mãe Maria, uma jovem negra: seu pai José, também um negro. Deu à luz em miseráveis condições (lembro ao leitor que “presépio” vem do latim: “praesepis”, que significa curral, estábulo) devidas ao preconceito racial estrutural que grassa ainda pelo mundo todo e continua matando o povo negro pelas forças policiais, fome, miséria, abandono. E o Brasil não é exceção, mesmo que alguns de nossos governantes digam o contrário! E finalizo com o nosso
“Um homem – era aquela noite amiga/ Noite cristã, berço do Nazareno/ Ao relembrar os dias de pequeno/ E a viva dança, e a lépida cantiga/ Quis transportar ao verso doce e ameno/ As sensações da sua idade antiga/ Naquela mesma velha noite amiga/ Noite Cristã, berço do Nazareno/ Escolheu o soneto... A folha branca/ Pede-lhe a inspiração, mas frouxa e manca/A pena não acode ao gesto seu/ E, em vão, lutando contra
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ANO XVII Nº 212 - DEZEMBRO 2020
ESPORTE
Athletic Club vai representar São João del-Rei e região na primeira divisão do Campeonato Mineiro Clube retornou ao futebol profissional em 2018 e vai disputar o Mineiro novamente após 50 anos Foto: Divulgação
VANUZA RESENDE
O Athletic Club, dono do Estádio Joaquim Portugal, em São João del-Rei, que carrega as mesmas cores que um dos maiores clubes de Minas Gerais, o preto e branco do Atlético, retornou ao futebol profissional em 2018 e, no mesmo ano, foi vice-campeão do Mineiro – Segunda Divisão, conseguindo a classificação para o Módulo II do Mineiro. Em 2019, não fez uma boa campanha e lutou para não ser rebaixado no estadual, escapando na última rodada ao bater o Nacional de Muriaé por 4×3, ficando em sétimo lugar com 14 pontos. Com maior tempo para treinamento e uma equipe que estava treinando desde o fim de 2019, o Athletic começou o Mineiro Módulo II deste ano sob o comando do técnico Gustavo Brancão até a parada devido à pandemia da Covid-19. Brancão deixou o time, que chamava a atenção por um ataque eficiente, em 3° lugar na competição. Se o clube tinha começado sua preparação mais cedo, foi surpreendido pela pandemia e precisou mais uma vez se segurar para continuar firme no objetivo inicial: a classificação para o quadrangular final e, assim, lutar pela vaga na elite do estadual. Após a saída do Brancão, que foi ser auxiliar técnico no Boa Esporte de Varginha, o clube anunciou no mês de agosto o retorno de um velho conhecido da torcida athleticana, Cícero Júnior, o Cicinho, são-joanense responsável pela subida do clube da Segunda para o Módulo II em 2018. Mesmo com os imprevistos e a perda de renda com a parada do campeonato, o Athletic reforçou ainda mais o time para o quadrangular final com três novas contratações e conseguiu alcançar o projeto ambicioso de 2018: a volta para o futebol profissional e jogar ao lado das principais equipes do estado: Atlético, América, Cruzeiro e demais clubes que estão no Módulo I do campeonato, que deve começar no final de fevereiro de 2021. Cicinho falou sobre o seu
Athletic conseguiu acesso à elite do futebol mineiro
retorno ao clube. “Eu estava no Uberlândia, onde fiquei de janeiro a março, e, com a pandemia, as atividades ficaram paralisadas. Quando surgiu a oportunidade de voltar ao Athletic, acertei o meu retorno e foi gratificante. Pude voltar a trabalhar, mesmo em meio à pandemia. O clube estava organizado, eu sabia da possibilidade do grupo. Trouxemos mais alguns atletas e tivemos a formação de um time muito bom”, destaca. CAMPANHA DE 2020 O Esquadrão de Aço terminou a primeira fase do Módulo II do Mineiro com 20 pontos, em segundo lugar, e conseguiu a classificação para o quadrangular final do torneio. O clube venceu seis partidas, empatou duas e perdeu três, terminando com 61% de aproveitamento. Além do Athletic, classificaram para a próxima fase: Pouso Alegre, com 21 pontos; Betim, com 20 e Nacional de Muriaé, com 18. Foram rebaixados para a segunda di-
visão: CAP Uberlândia e Mamoré. Na fase de classificação, as equipes se enfrentaram em turno e returno, no sistema de todos contra todos. Os dois melhores colocados da chave única garantem acesso ao Módulo I do Campeonato Mineiro. O Athletic empatou em casa com o Betim em 2x2, pela rodada 01; foi derrotado pelo Pouso Alegre por 1x0. Teve uma vitória histórica em casa e ganhou de 3x2 do Nacional de Muriaé. Empatou com o Nacional em 2x2, depois de sair vencendo por 2x0; e a vitória por 1x0 contra o Pouso Alegre. Chegou ao último jogo precisando de um empate contra o Betim e alcançou o feito ao segurar o placar de 0x0 no último jogo realizado no sábado, dia 28 de novembro. O Athletic terminou a competição com 9 pontos, em segundo lugar. O campeão foi o Pouso Alegre, com 10 pontos. O Betim ficou em terceiro, com 8 pontos, e o Nacional terminou o quadrangular com cinco pontos.
Cicinho destacou o calendário apertado no quadrangular final e os pontos fortes do clube. “A gente só não marcou gol em um jogo, quando perdemos do Pouso Alegre. O nosso ataque foi muito bem aproveitado. O jogo em que eu acho que soubemos mostrar o nosso maior futebol foi contra o NAC, quando estávamos perdendo de 2x0 aqui (estádio Joaquim Portugal) e conseguimos a virada no segundo tempo. Contra o Democrata, de Governador Valadares, também foi um ótimo jogo. Tivemos cinco jogos em 15 dias. Então a gente pensou na dificuldade em ter todos os atletas nas partidas. Por isso, nos preparamos e trouxemos atletas para agregar ao clube”. Além de conseguir a classificação ao Módulo I, o Athletic terminou o Módulo II com a artilharia da competição. Michael Paulista marcou oito gols e foi seguido por Matheus Roldan, do Pouso Alegre, e Paulo Henrique, do Betim, ambos com sete gols. Michael avaliou a
competição durante o Programa Papo de Esportes, da Rádio Emboabas. “Eu estou muito feliz por essa conquista. Nós lutamos por esse objetivo durante meses e conseguimos o objetivo final, que era o acesso. A classificação foi mais que um título; fomos para a Primeira Divisão e entramos para a história do clube e da cidade. Foi fantástico. Agora é focar para o próximo ano, para fazermos um ótimo campeonato em 2021. Estou vivendo o que eu vivi em 2016, quando fui artilheiro do campeonato. E só me resta gratidão por tudo que Deus fez em minha vida.” DE VOLTA APÓS CINCO DÉCADAS A última vez que o Athletic disputou a elite do futebol mineiro foi há 50 anos. Em 1970, a competição foi disputada por 24 equipes, divididas em três grupos na primeira fase. A equipe de São João del-Rei estava no Grupo C e terminou em penúltimo lugar, com apenas quatro pontos em 14 partidas. O Presidente do clube, Leandro Bini, disse que já começou a preparação para o Módulo I do Mineiro. “Nós temos que nos adaptar, adaptar o nosso campo, o Estádio Joaquim Portugal, para atendermos às solicitações do Corpo de Bombeiros e da Federação Mineira de Futebol. Já estamos, inclusive, recebendo a visita de engenheiros da Rede Globo e da Federação para que possam fazer uma avaliação em nosso campo. Todas as mudanças precisam ficar prontas até o final de fevereiro. Além das mudanças estruturais do clube, vai haver mudanças no time, que já estão sendo pensadas pela diretoria de futebol do Athletic Club”, declara Bini. Questionado se continua em 2021, o técnico Cicinho disse que a resposta virá nos próximos dias. “Meu contrato de 2020 acabou e eu vou falar de férias agora. Mas vamos aguardar as próximas etapas para ver o que é melhor para mim e para o Athletic”, finalizou o comandante.