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Edição 211 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVII

• NOVEMBRO 2020 • Nº211

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

População de Resende Costa vai às urnas e elege Zinho Gouvea o próximo prefeito municipal Foto: André Eustáquio

Jogo Aberto Próximo do fim do seu segundo mandato, o prefeito municipal Aurélio Suenes (PSD) falou ao JL sobre as ações de combate à Covid-19 em Resende Costa. Após 8 meses de pandemia, o município, que tem o comércio e o turismo como importantes fontes de desenvolvimento econômico, flexibilizou as medidas de segurança seguindo o plano Minas Consciente. PÁG 05

Zinho Gouvea - prefeito eleito de Resende Costa para o mandato 2021-2024

No dia 15 de novembro, data em que o Brasil comemora a Proclamação da República, 4.144 eleitores resende-costenses elegeram o atual vice-prefeito José Gouvea Filho, o Zinho Gouvea (PSDB), prefeito de Resende Costa para o mandato 20212024. O tucano derrotou o candidato do PT, Adilson Resende, com a diferença de 2.050 votos. Alemão, candidato do PSL, ficou com o terceiro lugar, somando 619 votos. PÁG 08

Rádio Inconfidentes e Jornal das Lajes realizam debate entre os candidatos a prefeito de Resende Costa Desde 2008, os dois veículos de comunicação de

Resende Costa vêm realizando o debate com a

presença dos candidatos a prefeito nas eleições mu-

nicipais. Leia editorial na página 2. PÁG 11


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ANO XVII Nº 211 - NOVEMBRO 2020

EDITORIAL Civilidade e tolerância mútua no debate político

E T N E I D E P X E

JOÃO MAGALHÃES

A pandemia e o Cemitério Imagens tristes de escavadeiras fazendo covas nos cemitérios, Brasil afora, no auge da pandemia... sepultamentos sem presença de familiares... caixões lacrados... inexistência de velórios... as pessoas sem poderem despedir-se de entes queridos... impressionam a nação. É um drama humano. Com certeza, a comemoração do Dia dos Falecidos, dois de novembro, sofreu modificações. Vamos, antes, ao significado do nome. Cemitério: do grego “koimeterion”, que significa dormitório, local de repouso. Conforme o historiador medievalista belga Michel Lauwers (“O Nascimento do Cemitério – Lugares sagrados e terra dos mortos no Ocidente medieval”), um clérigo italiano do século XI, de nome Pápias, gramático e lexicógrafo, apresentou uma outra etimologia do vocábulo. Derivando, segundo ele, do latim “cinis”: cinza, Daí: “Cinis-terium”. Cimiterium: local onde os falecidos se reduzem a cinza. Pensamento, aliás, muito enfatizado na liturgia católica na Quarta-Feira de Cinzas, após o Carnaval: “Lembra-te, ó homem, que és pó e ao pó retornarás (“Memento homo quia pulvis es et in pulverem reverteris”). Aproximadamente, a partir do século IX, cria-se na cristandade o conceito de “terra cemiterial” (terra cimiteriata). Terra consagrada, pela Igreja Católica. Campo santo que abriga os restos mortais de seus adeptos. Estudos antropológicos, arqueológicos e históricos mostram que o culto aos mortos é uma prática universal entre os povos até agora conhecidos. Faz parte da natureza humana, que

tem enorme dificuldade de aceitar a própria finitude. Daí o conceito cristão: a vida não é tirada, apenas muda-se (“vita mutatur, non tolitur”). Os seres humanos buscam meios de permanecer juntos, embora inexista, pela morte, a presença física. E as fórmulas de manifestar sua lembrança, seu afeto, seu orgulho de pertencer ao clã do finado vão desde o sepultamento no piso das habitações até as fantásticas necrópoles, verdadeiros museus ao ar livre. O culto supõe rito e rito supõe local e participantes. Daí a tríade: Cemitério, terra dos mortos; a igreja ou capela onde os ritos são vivenciados; e o povoamento, terra e habitação dos participantes. O Cemitério com sua dimensão simultaneamente material (local dos restos mortais), espiritual (fé, orações, homenagens, promessas) e cotidiana (um dia viveram o cotidiano conosco) é uma criação da Igreja Católica, num processo lento, iniciado no século IV e que chega ao auge entre os séculos IX e XI. Com o tempo, a terra dos mortos ritualmente consagrada e o próprio templo fundem-se. O templo, tornando-se uma extensão do cemitério, honra os falecidos mais ilustres com a permissão de túmulos no recinto sagrado e nos adros. Benfeitores, ao doarem terras à Igreja, punham como condição o abrigo de seus túmulos dentro do templo sagrado. A sagração tem um efeito importante para a hierarquia católica, pois a Igreja se torna proprietária dos espaços consa-

grados, sempre mais fortificado pelo seu trabalho de misericórdia, a caritas cristã, em particular no domínio funerário. Por outro lado, afasta os não-católicos que passam a construir os próprios. Citando Michel Lauwers: “Na sociedade antiga, a sepultura era assunto privado, pertinente às famílias – ou semiprivado, quando era providenciado pelos colégios. Só a inumação dos mais pobres era de responsabilidade das cidades, notadamente por razões sanitárias.” A Igreja antiga prolongou essa tradição, como testemunha a reflexão de Santo Agostinho (morto em 430): a Igreja “como mãe piedosa assume a responsabilidade pelos fiéis defuntos enquanto ‘os pais, os filhos, os aliados ou amigos’ negligenciam esse dever”, ou como atestam as preocupações do arcebispo de Milão, Ambrósio (morto em 397), cioso em dispor em sua cidade terrenos destinados ao enterro dos pobres”. Qual será o futuro do cemitério? Ao nascer, praticamente o cemitério extinguiu a cremação no mundo católico, mas a cremação está voltando e com grande adesão. Será o futuro? Difícil prever. Acho que a atitude mais importante é manter a sacralidade do culto aos mortos. Entendendo por sacralidade momentos de vida em que você transcende, cultiva seu espírito, revitaliza ou reforma suas características de pessoa, vê como anda seu grau de humanismo, revivencia os momentos juntos com aqueles cuja vida na Terra teve fim: os finados. É o que penso. E você? Foto: Vanuza Resende

No último dia 7 de novembro, faltando apenas uma semana para as eleições municipais ocorridas neste domingo (15), a Rádio Inconfidentes FM e o Jornal das Lajes realizaram o tradicional debate eleitoral, com a presença dos três candidatos a prefeito de Resende Costa: Adilson Resende (coligação Avante, PT), Alemão (PSL) e Zinho Gouvea (coligação PSDB, PSD e MDB). O debate aconteceu no salão nobre da Câmara Municipal e foi transmitido ao vivo pela Rádio Inconfidentes FM, facebook e Instagram. Eleições geralmente mexem com as paixões dos eleitores, especialmente quando se trata de pleitos municipais, afinal muitos candidatos convivem conosco no dia a dia do trabalho, do convívio social e da família. Essa proximidade, porém, tem seu lado positivo e também seu lado negativo. O lado bom é que estarmos próximos de quem pleiteia ser prefeito ou vereador nos possibilita conhecer razoavelmente a personalidade, a capacidade e o interesse público dos postulantes. Já o lado negativo é que a disputa pelo poder divide opiniões, incendeia paixões e, não raro, causa discórdias entre famílias e amigos. Em muitas cidades pequenas do interior, disputas eleitorais costumam causar enormes transtornos que destoam da proposta democrática. Brigas entre candidatos e entre eleitores, tais como ocorre entre torcidas organizadas, chegam a transformar algumas eleições em verdadeiros pesadelos, ao invés de serem uma festa plena e bonita da democracia. Resende Costa, até hoje, vem dando bom exemplo de serenidade, civilidade e tolerância mútua durante os processos eleitorais. Isso não significa que não haja disputas aguerridas por aqui, até porque o que está em disputa é o poder municipal tão cobiçado pelos partidos e suas lideranças. A maior prova de que em Resende Costa conseguimos manter a civilidade e a cordialidade durante as eleições é a possibilidade que temos de organizar debates contando com a presença dos candidatos sentados lado a lado. Desde 2008, quando realizamos o primeiro debate, o eleitor anseia pelo encontro democrático promovido pelos dois veículos de comunicação do município. Muito se espera de um debate como sendo o grande evento da campanha, capaz inclusive de decidir os rumos das eleições. Alguns eleitores chegam ao dia do debate indecisos, já outros esperam ansiosos para torcer pelo bom desempenho do seu candidato já escolhido. Fato é que o debate pode ser um divisor importante na reta final de uma eleição, sobretudo quando tendências apontam para uma disputa apertada. Neste ano, devido às normas de prevenção ao novo coronavírus, as campanhas eleitorais ficaram limitadas quase que exclusivamente às rede sociais. Não houve grandes eventos de rua, como comícios e carreatas, a fim de evitar aglomerações. O corpo a corpo dos candidatos com os eleitores foi reduzido a breves visitas nas casas e a encontros fortuitos nas ruas. O debate eleitoral 2020, organizado pela Rádio Inconfidentes e pelo Jornal das Lajes, obteve grande audiência e repercussão tanto no centro urbano quanto na zona rural do município de Resende Costa. O velho radinho de pilha e as telas de celulares e computadores: tradição e modernidade colocaram os eleitores resende-costenses, no último dia 7 de novembro, atentos à contenda entre Adilson, Alemão e Zinho e, assim, todos puderam conhecer melhor as ideias e propostas dos três candidatos. Enfim, o debate eleitoral mais uma vez cumpriu o seu papel de colaborar para que as eleições sejam de fato uma festa da democracia. Todos saíram vitoriosos – mais ainda o eleitor, que pôde confirmar que na política devem sempre prevalecer a tolerância mútua, a civilidade e a cordialidade. O debate nos ensina que numa disputa eleitoral madura, em que candidatos e eleitores são conscientes da importância do voto e da vitalidade de uma saudável troca de ideias, lados opostos devem ser somente adversários, jamais inimigos.

O Verso e o Controverso

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Fachada do Cemitério do Carmo, no centro histórico de São João del-Rei


ANO XVII Nº 211 - NOVEMBRO 2020

JORNAL DAS LAJES

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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Nova composição do Legislativo Municipal MARINA VALE*

No último domingo, dia 15 de novembro, aconteceram as eleições municipais 2020. Em Resende Costa, foram eleitos para o cargo maior do Executivo: José Gouvea Filho, o Zinho Gouvea (prefeito), e Lucas Paulo de Assis Vale (vice-prefeito). Para o Legislativo Municipal, foram eleitos os seguintes candidatos: • Coló do Cajuru (PSD) – 339 votos • Fernando Chaves (PDT) – 315 votos • Paulinho da Barbearia (MDB) – 299 votos • Fernando Guerra (PT) – 267 votos • Cleiton (PSD) – 257 votos • Cláudio do João Pergentino (PSDB) – 200 votos • Joãozinho do Antônio Dias (MDB) – 189 votos • Lucas do Pastel (PSDB) – 182 votos • Zé do Dico (PT) – 172 votos Desta lista, dois candidatos já são vereadores e foram reeleitos para mais um mandato: Joãozinho do Antônio Dias e Zé do Dico.

Saiba um pouco mais sobre os nove vereadores eleitos em Resende Costa no domingo, 15 de novembro João Dias, o Joãozinho do Antônio Dias, atual presidente da Câmara, iniciará em janeiro de 2021 o seu terceiro mandato de vereador. Filiado ao MDB, João Dias vem desenvolvendo seu trabalho parlamentar representando o homem do campo. Através de emendas parla-

mentares, o vereador reeleito para a legislatura 2021-2024 conseguiu melhorias nas áreas da educação, saúde, lazer e infraestrutura. José Assis Sobrinho, o Zé do Dico exerceu a função de presidente do Conselho Comunitário do Povoado do Ribeirão Santo Antônio por vários mandatos, e é membro atuante da Associação São Vicente de Paula. O vereador reeleito pelo PT já foi Secretário de obras da Prefeitura Municipal de Resende Costa, durante o mandado 20092012 e é o primeiro vereador a alcançar o sexto mandato na Câmara Municipal. Elson Antônio Ribeiro, o Coló do Cajuru, é trabalhador rural, membro atuante no time de futebol e do Conselho Comunitário do povoado do Cajuru. Foi o candidato mais votado nas eleições 2020, com 339 votos. Como vereador eleito mais votado, ele assumirá a Presidência da Câmara na sessão solene de instalação da Legislatura, no próximo dia 1º de janeiro, até a constituição da primeira Mesa Diretora. Fernando de Resende Chaves tem um histórico de atuação em associações, conselhos e movimentos sociais. Foi presidente de ONG ambiental, membro de conselhos municipais na área cultural e turística, presidente de associação estudantil e Secretário Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura. Filiado ao PDT, Fernando Chaves possui experiência também como Assessor de Comunicação da Câmara Municipal de São João del-Rei. Paulo Altivo de Moura, o Paulinho da Barbearia, trabalhou por muito tempo como tecelão. Atualmente, é barbeiro e funcionário público, atuando como Agente de Combate a Endemias em Resende Foto: André Eustáquio

Plenário da Câmara Municipal de Resende Costa

Costa. Luis Fernando da Silva, o Fernando Guerra, tem origem familiar no Povoado dos Pintos. Atualmente, é Agente Comunitário de Saúde, em Resende Costa. Atua como voluntário na Sociedade São Vicente de Paulo e foi um dos fundadores do MAC (Movimento Arena Cultural). Foi Conselheiro Tutelar entre os anos 2016 e 2018. Cleiton Afonso dos Santos é Engenheiro Mecânico e funcionário da COPASA há mais de 18 anos. Já exerceu o cargo de vereador entre os anos 2009 e 2012 e iniciará o seu segundo mandato. Atuou também como Secretário Municipal de Transportes e de Administração e Fazenda em Resende Costa. José Cláudio de Sousa Resende, o Cláudio do João Pergentino, atua como Conselheiro Tutelar, em seu terceiro mandato, tendo sido um dos mais votados para o compromisso de proteger e defender os direitos das crianças e dos adolescentes de Resende Costa.

Leis aprovadas nas reuniões ordinárias de outubro e novembro e que já foram sancionadas - Lei 4.676/2020 - “Institui o Programa Municipal de Vídeomonitoramento de Vias Públicas e dispõe sobre o Sistema de Vídeomonitoramento, no âmbito do Município de Resende Costa, autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências.” - Lei 4.677/2020 - “Dispõe sobre o atendimento aos direitos da pessoa com deficiência e dá outras providências”. - Lei 4.678/2020 - “Autoriza a concessão de aporte financeiro à Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes –(AMVER) e dá outras providências.” - Lei 4.679/2020 – “Autoriza a inclusão de ações no Plano Plurianual, abre crédito especial e dá outras providências”.

Lucas Antônio de Resende, o Lucas do Pastel, é conhecido pela sua atuação nos movimentos religiosos da cidade, em especial, na RCC (Renovação Carismática Católica) de Resende Costa e no Terço de Oração da Capela de São Judas Tadeu, no Bairro Várzea.

- Lei 4.680/2020 - “Altera a Lei Municipal nº 4.617, de 13 de maio de 2020, e dá outras providências”.

Rito de posse e eleição da Mesa Diretora

- Lei 4.682/2020 - “Institui o projeto municipal “Natal Luz”, dispõe sobre a Iluminação Natalina no âmbito do Município de Resende Costa e dá outras providências”.

A posse dos vereadores ocorrerá no dia 1º de janeiro de 2021, às 10h, em sessão solene de instalação da Legislatura. Na ocasião, será eleita a Mesa Diretora para p mandato de dois anos. A reunião será iniciada pelo último presidente da Câmara, Joãozinho do Antônio Dias, o qual convidará o vereador mais votado, Coló do Cajuru, para assumir a presidência da sessão solene até a constituição da nova Mesa Diretora. Tomarão posse também os prefeito e o vice-prefeito eleitos. A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal se faz por cargo ou chapa, por votação nominal, podendo a inscrição ocorrer até a hora da eleição por qualquer vereador. Importante ressaltar que serão observadas as exigências e formalidades previstas no Regimento Interno da Câmara Municipal. *Assessora Jurídica da Câmara Municipal de Resende Costa.

- Lei 4.681/2020 - “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”.

- Lei 4.683/2020 - “Autoriza a transferência de valores apurados com juros, correção monetária e demais rendimentos nos procedimentos de colaboração/ fomento e dá outras providências”. - Lei 4.684/2020 - “Autoriza suplementar crédito especial e dá outras providências”.

- Lei 4.685/2020 - “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. - Lei 4.686/2020 - “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Para ter acesso aos textos das leis, acesse http://camaraderesendecosta. mg.gov.br/?Meio=Leis

Indicações aprovadas nas reuniões ordinárias de outubro e novembro - Indicação 47 - pintura e melhoria das placas de sinalização de todos os quebra-molas do município (vereador Lucas Paulo). - Indicação 49 – poda de uma árvore devido à fiação elétrica na Rua Lindolfo Caetano da Silva, próximo ao número 55, bairro Nossa Senhora da Penha (vereador Ângelo Márcio). - Indicação 50 - encascalhamento da estrada vicinal no alto do Sitio Pica-Pau, localizado na estrada da Boa Vista (vereador Ângelo Márcio). - Indicação 51 - troca de braços de luminárias em 02 postes localizados na Rua Pedro Olímpio de Resende, em frente aos números 48 e 100, bairro Bela Vista, próximos à Igreja Testemunhas de Jeová (vereador Vítor Tibuço). - Indicação 52 - fornecimento de máquina para auxiliar no corte de árvore próximo à residência do Reginaldo do Geraldo Sírio, na Restinga (vereador Ângelo Márcio).

Acesse e acompanhe o Poder Legislativo: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

Câmara Municipal de Resende Costa Trabalhando por uma cidade melhor


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ANO XVII Nº 211 - NOVEMBRO 2020

GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Prefeitura de Resende Costa investe em academias ao ar livre e praças pelos bairros da cidade Resende Costa não parou nos últimos meses e seguiu avançando em vários setores. Em continuidade às obras de infraestrutura nos bairros da cidade, a Prefeitura Municipal está instalando novas cinco academias ao ar livre, além de ter investido na construção de novas praças. As academias ao ar livre são importantes aliadas na melhora da condição �sica, qualidade de vida, saúde, além de proporcionar momentos de lazer e inclusão social aos frequentadores. A Administração Municipal entende que o investimento nesses espaços está dire-

tamente ligado ao aumento do bem-estar da população.

Novas academias ao ar livre em Resende Costa: • Rua Pau Brasil – bairro Tijuco • Rua Inconfidência Mineira – bairro Nossa Senhora da Penha • Praça de Óleo – bairro Zé Padeiro • Praça da Nova Resende – bairro Nova Resende • Rua Xisto Faustino - bairro 02 de Junho (em frente ao Ginásio do Boca

Júnior) • Praça do Pôr do Sol – bairro Pôr do Sol As academais dos bairros Nova Resende, 02 de Junho e Pôr do Sol estão sendo instaladas em novas praças que estão sendo construídas pela Prefeitura. Praças são importantes locais públicos das cidades e estão entre as principais reivindicações dos moradores dos bairros. Além da função social e de ser um espaço para encontros e práticas de atividades diversas, as praças contribuem para melhorar a estética e aspecto ecológico do nosso município.

Plataforma onde foi instalada academia ao ar livre no bairro Zé Padeiro

Prefeitura construiu praça no bairro Pôr do Sol

Secretaria de Saúde realiza ações de combate ao coronavírus na zona rural de Resende Costa e segue com conscientização na cidade No final de outubro, a Secretaria Municipal de Saúde realizou ação de combate ao novo coronavírus nos povoados do Cajuru e Jacarandira, zona rural de Resende Costa. Profissionais da saúde estiveram nas comunidades realizando testes da Covid-19 e entrega de kits de higiene e aplicação de vacina contra o sarampo. Além disso, a equipe orientou e conscientizou a população local sobre os cuidados contra o vírus, que

já fez mais de 166 mil vítimas em todo o Brasil. Resende Costa já registrou mais de 70 casos da Covid-19. O Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus em Resende Costa segue com as ações de conscientização e com as rondas visando impedir aglomerações e, com isso, a disseminação da doença. No dia 2 de novembro, por exemplo, uma equipe realizou orientações nas entradas dos cemitérios em razão do feriado

Combate ao coronavírus: Prefeitura em ação na zona rural de Resende Costa

de Finados. Não é o momento de relaxarmos, por isso siga as recomendações dos órgãos de saúde: higienize bem as mãos,

use máscara e, se puder, fique em casa. Se não estiver preocupado com a sua saúde, pense no bem-estar de quem você ama. Cuidem-se!

Secretaria de Saúde fez orientação à população no feriado de Finados


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JOGO ABERTO COM O PREFEITO AURÉLIO SUENES

Oito meses de pandemia

ANDRÉ EUSTÁQUIO

O ano “atípico” de 2020, que caminha para o fim, deixou marcas profundas na sociedade, de forma geral. A pandemia de Covid-19, causada pelo novo coronavírus, bagunçou o planeta, ceifou vidas, abalou a economia global e obrigou gestores públicos a reverem suas ações previstas para este ano, a fim de combater um inimigo invisível, traiçoeiro e ardiloso. Em março, Resende Costa começara a colocar em prática algumas medidas preventivas de combate ao coronavírus. Foram suspensos eventos públicos e privados, e, no dia 18 daquele mês, as aulas nas escolas municipais também foram suspensas, deixando em casa centenas de alunos. Um comitê de monitoramento e de enfrentamento à pandemia foi criado pelo Executivo com o objetivo de elaborar medidas de prevenção para conter uma possível (e rápida) disseminação do vírus no município de pouco mais de 11 mil habitantes e que sobrevive essencialmente do comércio e do turismo impulsionado pelo artesanato. Placas afixadas no trevo e em alguns pontos da rodovia de Resende Costa conscientizavam os turistas a não visitarem a cidade durante o período crítico da pandemia e quem entrava era abordado na barreira sanitária. O funcionamento do comércio ficou restrito e decretos regulamentaram o uso obrigatório de máscaras, o distanciamento social, entre outras medidas restritivas. Apesar de todas as ações preventivas, o novo coronavírus chegou a Resende Costa, sendo o primeiro paciente diagnosticado com a Covid-19 no mês de junho. De lá para cá, os casos foram aumentando, conforme já havia sido previsto e vem acontecendo em quase todos os municípios do estado. Aos poucos, porém, as medidas restritivas foram flexibilizadas de acordo com as regras do plano Minas Consciente. O comércio voltou a funcionar, mas tendo que seguir rigoroso protocolo se segurança. Após 8 meses de pandemia, novos casos de Covid-19 ainda são diagnosticados em Resende Costa; o governo municipal continua monitorando o avanço do vírus, além de realizar campanhas e ações de conscientização e de combate ao causador da pandemia que mudou, globalmente, o ano de 2020. No fim do seu segundo mandato de prefeito municipal de Resende Costa, Aurélio Suenes de Resende (PSD) concedeu esta entrevista ao JL, na qual destaca as ações do governo no combate ao novo coronavírus. Ele fala também dos desafios enfrentados

pelo Executivo no auge da crise sanitária, das medidas restritivas que teve de tomar para frear a rápida disseminação do vírus e de suas expectativas para o retorno das atividades comerciais na cidade, que necessita de uma economia pujante para voltar a gerar emprego e trazer de volta, com segurança, os turistas. Qual o período que o senhor considera ter sido o mais crítico em Resende Costa durante esses oito meses de pandemia? Acredito que foi o mês de junho, quando os primeiros casos começaram a ser confirmados no município e tivemos de ser ainda mais incisivos nas medidas de proteção e combate ao novo coronavírus. Quais foram as medidas restritivas mais difíceis que o governo municipal teve de tomar para frear a disseminação do coronavírus? Com certeza, o fechamento do comércio e o impedimento da entrada de turistas na cidade. Sabemos como isso afeta diretamente a economia e coloca em risco a saúde financeira da população, que muitas vezes não entendeu a necessidade dessas medidas. Mas a situação era muito delicada, os casos só cresciam no país, assim como as mortes. Ainda hoje não sabemos muito sobre o vírus. Então foi a medida certa na ocasião. A saúde e a segurança dos resende-costenses sempre foram prioridades do nosso governo, pois as outras situações seriam resolvidas depois. Resende Costa flexibilizou, aos poucos, as medidas restritivas e o comércio já reabriu seguindo os protocolos do plano Minas Consciente, do governo do estado. Porém, a adesão total do município ao Minas Consciente gerou atrito entre o Executivo e o Comitê de Enfrentamento. Por que isso aconteceu? Inicialmente fui de acordo com os protocolos mais restritivos criados pelo Comitê de Enfrentamento do município. O fato de recebermos muitos turistas nos levou a crer que esse fluxo poderia disseminar rapidamente o vírus em Resende Costa, por isso a decisão de restringir o funcionamento de determinadas atividades comerciais. Depois de uma reunião que tive com lojistas, donos de restaurantes e outros representantes de segmentos do comércio, entendi a necessidade de avançarmos um pouco mais, seguindo tão somente as regras do programa Minas Consciente do governo estadual. A decisão não foi em comum acordo com o comitê, mas essa situação já foi superada e seguimos unidos para evitar a disseminação do vírus em nosso município.

Em alguns finais de semana do mês de setembro, dezenas de pessoas, sobretudo jovens, se aglomeraram na rua Gonçalves Pinto, no centro da cidade, e a maioria delas ignorou as medidas de segurança sanitária, como o uso de máscara e o distanciamento social. Houve, inclusive, cenas de hostilidade a funcionários da Vigilância Sanitária que realizavam o trabalho de fiscalização no local. Diante de tal comportamento, o senhor gravou um vídeo no qual prometeu agir com rigidez. Quais medidas foram tomadas pelo governo municipal? Frente à situação, bem como devido ao desrespeito à nossa equipe de fiscalização, atos que consideramos lamentáveis, foi contratada uma empresa de apoio para auxiliar os profissionais de saúde nas rondas, visando a impedir aglomerações. Além disso, a Secretaria de Saúde colocou barreiras no centro da cidade e nas Lajes de Cima e contou com o reforço importante da Polícia Militar. Continuaremos enfrentando, de maneira firme, o desrespeito às orientações dos órgãos competentes. A intenção continua sendo proteger a nossa população. Durante quanto tempo irão durar essas medidas? Até o último dia do nosso mandato. Em sua opinião, o que levou os jovens da nossa cidade a agirem de tal maneira? As pessoas se cansaram do cumprimento de medidas restritivas? Entendo as pessoas se cansarem do isolamento. Não é fácil, mentalmente, manter e enfrentar essa situação, mas os jovens precisam aprender a ter empatia e a pensar no coletivo. Ainda estamos enfrentando essa pandemia e o relaxamento total não deve acontecer frente a um vírus tão imprevisível. A região Centro-Sul do estado, da qual Resende Costa faz parte, encontra-se na Onda Verde do plano Minas Consciente. Todas as atividades comerciais autorizadas pelo Minas Consciente já foram abertas na cidade? A região Centro-Sul, de acordo com o Minas Consciente, se encontra na Onda Verde, porém, por decisão macrorregional, 99,99% dos municípios optaram pelo não avanço de onda, levando em consideração fatores como: estoque de medicamentos nos hospitais referência para tratamento de Covid-19 e habilitação de leitos nas cidades polo. Como as decisões, até o momento, foram tomadas de forma regionalizada, permanecemos na Onda Amarela. Há previsão para os bares da cidade voltarem a oferecer atrações, como apresentações de can-

Foto: André Eustáquio

O prefeito de Resende Costa, Aurélio Suenes, que está chegando ao fim do seu segundo mandato, fala das ações do governo municipal no combate ao novo coronavírus

Prefeito municipal de Resende Costa, Aurélio Suenes, está concluindo seu segundo mandato

tores e música ao vivo? Algumas atividades ainda não foram liberadas, como de recreação e lazer, eventos, entretenimento, serviços de tatuagem e colocação de piercing e ensino curricular. Música ao vivo será permitida quando realmente avançarmos para a Onda Verde. Há perspectivas para a volta às aulas presenciais ainda neste ano em Resende Costa? Se depender somente da minha decisão, não teremos aulas presencias neste ano. Além de ser muito arriscado, entendo que não conseguiríamos avançar muito, faltando poucos dias para o fim do ano. Pelo que estamos acompanhando, o retorno às aulas presenciais ficará mesmo para 2021. A epidemia no município pode ser considerada controlada? A situação está sob controle, porém pedimos que a população relate todos os casos com sintomas de gripe. Como tem sido feito o trabalho de testagem das pessoas em Resende Costa? Além dos casos mais suspeitos, têm sido feitas testagens em grupos específicos de pessoas que geralmente possuem contato maior com a população. Nas últimas semanas, também estendemos a testagem à zona rural de Resende Costa, visitando algumas comunidades para distribuição de kits de higiene e conscientização sobre o coronavírus. A partir dessa iniciativa de testagem, tivemos um aumento de casos nos últimos dias, o que acendeu o alerta vermelho. Continuamos atentos, não podemos relaxar, pois, como disse anteriormente, estamos diante de um inimigo invisível, perigoso e imprevisível.

Já estamos chegando ao fim do ano, quando o movimento na cidade, sobretudo de turistas, aumenta. Qual sua expectativa para o fim de ano em relação às atividades comerciais em Resende Costa? Há risco de retrocesso e o comércio ter de ser novamente fechado? Não queremos regredir na abertura do comércio, embora isso não dependa somente do nosso município e, sim, do cenário regional. Por isso é importante o respeito da população e dos empresários às regras. Precisamos manter o cuidado, usar máscara, fazer a higienização correta e seguir controlando a ocupação dos espaços. Se observarmos as medidas de proteção, acredito que conseguiremos manter o controle. O processo de flexibilização e a retomada das atividades econômicas em Resende Costa vêm seguindo o que foi planejado pelo governo municipal? Na medida do possível, estamos avançando dentro das regras do programa Minas Consciente. Tudo isso tem sido acompanhado de perto pelo poder judiciário. Porém, à medida que flexibilizamos, naturalmente a circulação de pessoas aumenta e faz parecer que a pandemia acabou. Em alguns momentos, vemos estabelecimentos comerciais descuidando das regras impostas pelo programa e as próprias pessoas não se dão conta do risco do contágio. É preciso que todos entendam que, se o cenário epidemiológico piorar, podemos regredir. E isso não será bom para ninguém. Por isso, seguimos firmes com nossa equipe atuando, a fim de orientar e corrigir aqueles que desrespeitam as regras, até o dia que possamos finalmente ficar livres desse vírus.


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ANO XVII Nº 211 - NOVEMBRO 2020

Saúde

SJDR, cidade responsável por atender cerca de 250 mil pessoas com sintomas graves da Covid-19, conta com 36 respiradores públicos nas duas casas de saúde referência em atendimento Ocupação dos leitos está baixa; nas últimas semanas não ultrapassou 20% Fotos: divulgação Uniptan

VANUZA RESENDE

São João del-Rei é a cidade polo da região do Campo das Vertentes responsável por oferecer atendimento a pacientes com sintomas graves da Covid-19, vindos de outros 19 municípios da região. Ao todo, são em torno de 250 mil pessoas. No início da pandemia, ainda no mês de março, houve indicativos de que seria construído um hospital de campanha na cidade. No entanto, o Secretário Municipal de Saúde, José Marcos de Andrade, explicou que o município optou por investir os recursos que seriam usados para a construção do hospital de campanha nas unidades de saúde do município: Hospital Nossa Senhora das Mercês e Santa Casa da Misericórdia. “Nós tivemos uma reunião com nosso médico infectologista, com o prefeito e com o comitê técnico e decidimos que os recursos seriam então repassados para as duas casas de saúde da cidade”, explica Andrade. O secretário destaca o porquê de priorizar os investimentos nas unidades de saúde do município. “De acordo com o Ministério da Saúde, todo hospital de emergência ou de campanha, assim que acabar a epidemia, ele também será encerrado. Teríamos que desmontara estrutura e encerrar as atividades.” Desde o início da pandemia, as duas unidades de saúde referência em São João del-Rei para atendimento a pacientes com sintomas graves da Covid-19, Hospital Nossa Senhora das Mercês e Santa Casa da Misericórdia, estão com alas especiais. Cada unidade foi equipada com 36 leitos de UTI com respiradores e 20 leitos de enfermaria públicos. Inicialmente, eram 10 leitos de UTI em cada local. As casas foram credenciadas para receber mais leitos no mês de julho. O Diretor Executivo do Hospital Nossa Senhora das Mercês, Ricardo Camarano, explica como o hospital foi preparado para receber e tratar pacientes

Centro de Especialidades Médicas e Odontológicas

Hospital das Mercês, em São João del-Rei, é uma das instituições de saúde referência no antedimento a casos de Covid-19 na micorregião das Vertentes (foto UFSJ)

diagnosticados com Covid-19: “Inicialmente, nós fizemos um plano estratégico e dedicamos uma área do Pronto Socorro para pessoas que eventualmente chegassem com sintomas gripais. Depois foram instituídos dez leitos de UTI e outros 20 de enfermaria. Em julho, conseguimos o credenciamento para outros 10 leitos de UTI.” Dos 20 leitos de UTI no Hospital das Mercês, 18 são destinados a atendimentos públicos. “Temos 18 leitos do SUS e dois leitos dedicados a planos de saúde, para convênio ou particular. É importante frisar que os leitos que temos hoje não estão todos ocupados.” A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município conta com quatro respiradores. De acordo com o secretário de Saúde, essa foi, inclusive, uma exigência do Ministério da Saúde feita em 2019. “No ano passado, houve uma inspeção do Ministé-

rio da Saúde aqui e eles exigiram que houvesse mais leitos com respiradores na UPA. São três nos leitos e temos um de retaguarda, caso algum aparelho estrague”. Mesmo com os respiradores na UPA, a unidade está credenciada apenas como suporte para atendimento a pacientes com sintomas da Covid. Pelos boletins epidemiológicos, é possível observar que as internações no local não ultrapassam 72 horas. Isto é, o paciente é liberado ou transferido para uma das casas de saúde que foram preparadas para receber e tratar casos de Covid-19. Além do Hospital Nossa Senhora das Mercês, Santa Casa da Misericórdia e UPA, São João del-Rei também conta com um centro de triagem. Inicialmente, o local foi instalado no CEM (Centro de Especialidades Médicas e Odontológicas) do UNIPTAN, localizado na Avenida Oito de Dezembro. No entanto, desde o dia 30 de junho,

a Unidade Básica de Saúde do bairro Matosinhos passou a ser oficialmente Centro de Triagem para a Covid-19, no município. A mudança ocorreu porque a instituição UNIPTAN necessitou utilizar o prédio do CEM para aulas práticas dos alunos do curso de Medicina. O Centro de Triagem tem horário de funcionamento de segunda a sexta-feira, de 7h às 19h, e 24 horas nos fins de semana e feriados – momentos em que as UBS (Unidades Básicas de Saúde) não estão realizando atendimentos. BOLETINS DAS CASAS DE SAÚDE O Hospital Nossa Senhora das Mercês, assim como a Santa Casa da Misericórdia, vêm divulgando em suas redes sociais boletins com informações sobre as internações e atendimentos durante a pandemia. O boletim mais recente divulgado pelo Hospital foi no dia 27 de outubro. De acordo com a publicação, foram ao todo 310 casos suspeitos notificados na instituição e 16 óbitos registrados. Os dados são acumulativos desde o dia 27 de abril. Já na Santa Casa da Misericórdia, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado no dia 22 de outubro, foram 181 pacientes com suspeita de Covid-19 atendidos na área especial desde o início da pandemia. No período, a instituição registrou 18 óbitos causados pela Covid-19. A Secretaria Municipal de Saúde de São João del-Rei divulga diariamente um boletim com dados epidemiológicos e com os números de internações nas unidades de saúde. Nos últimos dias do mês de outubro e início do mês de novembro, a porcentagem de leitos de UTI ocupados não ultrapassou 20%. No dia 04 de novembro, dia de fechamento desta reportagem, nenhum paciente utilizava respirador no município. Durante esse período, foram registradas três internações, sendo uma na Santa Casa da Misericórdia, na qual o paciente, apesar de estar no leito de UTI, não utiliza respirador; e dois pacientes no Hospital Nossa Senhora das Mercês, que tam-

bém estavam internados em UTI, mas não necessitavam da ajuda de respiradores. ACOMPANHAMENTO DA EVOLUÇÃO NO NÚMERO DE CASOS DE COVID-19 NA REGIÃO DO CAMPO DAS VERTENTES Semanalmente o NEPE (Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Economia da Universidade Federal de São João del-Rei) divulga um informativo contendo dados da propagação e da evolução no número de casos de Covid-19 na região do Campo das Vertentes. No boletim divulgado no último dia 04 de novembro, Resende Costa novamente aparece como o único município da região que apresenta elevação no índice de contágio. As informações são obtidas a partir da média móvel atual de casos. A média móvel de novos casos em Resende Costa é de 3,14 casos por dia. A média do município também é a maior de todas as cidades da região. Maior inclusive que a de São João del-Rei, que registrou a quinta semana de queda de contágio e uma média de 2,71 casos por dia. No boletim anterior, divulgado no dia 28 de outubro, Resende Costa foi também a única cidade do Campo das Vertentes a apresentar elevação, indo de 0,14 para 0,86 casos por dia. A média móvel é um indicador de como a pandemia se propaga. Ela consiste na média de novos casos confirmados nos últimos sete dias. A tendência de contágio é identificada comparando a média móvel atual com a registrada há 14 dias. A cidade de Barroso aparece como situação de estabilidade. Bom Sucesso e São Vicente de Minas têm situação indefinida. Coronel Xavier Chaves, Lagoa Dourada, Prados, São João del-Rei e São Tiago estão no cenário de redução. Já os municípios de Conceição da Barra de Minas, Dores de Campos, Ibituruna, Madre de Deus de Minas, Piedade do Rio Grande, Ritápolis, Santa Cruz de Minas e Tiradentes apresentam número de casos zerados.


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ACONTECEU

Rádio Inconfidentes e Jornal das Lajes realizam debate entre os candidatos a prefeito de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO

O debate é um dos momentos mais esperados na campanha eleitoral em Resende Costa. Desde

2008, a Rádio Inconfidentes FM e o Jornal das Lajes vêm mantendo a tradição de reunir os candidatos a prefeito municipal a fim de debaterem suas propostas para o município. Neste ano, o debate aconteceu

no Salão Nobre da Câmara Municipal e contou com a presença dos candidatos Adilson Resende (coligação Avante, PT), Alemão (PSL) e Zinho Gouvea (coligação PSDB, PSD e MDB). O escritor, professor da Universidade Federal

de São João del-Rei e colunista do Jornal das Lajes, José Antônio Oliveira de Resende, foi o mediador do debate transmitido ao vivo pela Rádio Inconfidentes FM (87,9) e pelas redes sociais da emissora (facebook e Instagram).

Devido aos protocolos sanitários, o debate contou com presença reduzida de pessoas no plenário da Câmara Municipal. Foram autorizados a participar, além dos candidatos e da equipe técnica, somente dois assessores de cada candidato.

Fotos: Vanuza Resende

Zinho Gouvea (PSDB) e Adilson Resende (PT), durante o debate

O professor e colunista do JL, José Antônio Oliveira de Resende, foi o mediador do debate

O debate aconteceu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Resende Costa

Anderson Belo, o Alemão, candidato do PSL

Adilson Resende, candidato do PT

Zinho Gouvea, candidato do PSDB

O plenário da Câmara Municipal foi escolhido, mais uma vez, para sediar o debate entre os candidatos a prefeito de Resende Costa

Candidatos debateram temas importantes para a administração do município

Assessores dos candidatos presentes no plenário da Câmara


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ELEIÇÕES 2020

Zinho Gouvea é eleito prefeito de Resende Costa Com 4.144 votos, o atual vice-prefeito derrotou os candidatos Adilson Resende (PT) e Alemão (PSL) Fotos: André Eustáquio

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Pouco antes das 18h do último domingo (15), eleitores do candidato do PSDB à prefeitura de Resende Costa, José Gouvea Filho, o Zinho Gouvea, saíram às ruas da cidade para comemorar a vitória da coligação “Seguindo em Frente”, composta pelos partidos: PSDB, PSD e MDB. Antes mesmo de o resultado oficial ser proclamado na sede da 232ª Zona Eleitoral, a população de Resende Costa já conhecia o seu novo prefeito que governará o município pelos próximos 4 anos. Lucas Paulo de Assis Vale (PSD) foi eleito vice-prefeito. A diferença de votos entre o prefeito eleito, Zinho Gouvea, e o segundo colocado, o candidato do PT, Adilson Resende, foi de 2.050 votos. Zinho obteve 4.144 votos; Adilson Resende, 2.094 e o candidato do PSL, Anderson Belo, o Alemão, somou 619 votos. De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), num total de 9.159 eleitores aptos a votar, 7.355 (80,30%) compareceram às urnas neste 15 de novembro – data em que o Brasil comemora a Proclamação da República. Foram totalizados pela Justiça Eleitoral 6.857 votos válidos e a abstenção nas eleições municipais 2020 em Resende Costa atingiu o percentual de 19,70%, ou seja, 1.804 eleitores resende-costenses não compareceram às urnas no dia 15 de novembro. Zinho Gouvea e Lucas Paulo conquistaram uma votação expressiva, vencendo em todas as seções eleitorais do município, tanto na área urbana quanto na zona rural. “Essa votação é fruto de um trabalho iniciado em 2004, quando eu fui eleito vereador pela primeira vez. Naquela ocasião, tive o prazer de participar da administração do saudoso ex-prefeito Gilberto Pinto, sendo o líder do PSDB na Câmara. Eu aprendi muito com o Gilberto, especialmente com sua honestidade, seriedade e competência”, disse o prefeito eleito. “Destaco também a minha participação na admi-

Zinho Gouvea e Lucas Paulo venceram as eleições em Resende Costa

nistração do prefeito Aurélio, que me inspirou muito. Quero dar sequência ao trabalho e ao legado desses dois grandes prefeitos que administraram tão bem a nossa querida Resende Costa”, completa Zinho Gouvea. CARREIRA POLÍTICA Aos 55 anos, Zinho Gouvea chega ao ápice da sua carreira política no município de Resende Costa. Nascido no distrito de Jacarandira, filho de produtores rurais, Zinho iniciou sua militância no PSDB em 2004 a convite do ex-prefeito Gilberto Pinto, falecido em dezembro de 2015 e um dos maiores líderes políticos de Resende Costa. Zinho Gouvea teve dois mandatos de vereador (20052008 e 2013-2016), foi presidente da Câmara e elegeu-se vice-prefeito em 2016 na chapa encabeçada pelo atual prefeito municipal Aurélio Suenes (PSD). Além da militância política, Zinho Gouvea esteve à frente de importantes instituições culturais do município. Foi presidente da banda de música Lira São Sebastião, de Jacarandira, vice-presidente da Rádio Inconfidentes (chegou a assumir interinamente a presidência); é o atual presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa. O prefeito eleito de Resende Costa falou ao JL sobre as eleições e agradeceu aos seus eleitores. “Agradeço primeiramente a Deus pela oportunidade de poder participar de mais

uma eleição em minha terra. Agradeço também à minha família pelo apoio incondicional, especialmente neste período da campanha eleitoral. E agradeço à população de Resende Costa, que confiou em mim a missão de conduzir o município nos próximos quatro anos. Sabemos que a missão é desafiadora, difícil. Mas, com os pés no chão e confiante em Deus, cumprirei com sucesso essa nobre missão.” VICE-PREFEITO A chapa da coligação “Resende Costa seguindo em frente” teve como candidato a vice-prefeito o jovem vereador Lucas Paulo de Assis Vale, do PSD. Lucas está concluindo seu segundo mandato de vereador e presidiu a Câmara Municipal de Resende Costa na legislatura 2019. Aos 30 anos de idade, já tendo inclusive disputado uma eleição para deputado estadual, Lucas Paulo pode ser considerado o vice-prefeito eleito mais jovem da história do município de Resende Costa. “Agradeço à minha família pelo apoio que sempre me deu. E especialmente ao povo de Resende Costa pela confiança depositada mais uma vez em mim. Agradeço também ao nosso grupo político formado por 35 candidatos a vereador. Caminhamos juntos durante toda essa jornada! Fico feliz pelo fato de o grupo ter confiado no meu nome como candidato a vice-prefeito. Estou muito feliz com o resultado final das eleições. Fizemos uma campanha

limpa, fomos muito bem recebidos nas casas em que passamos. A grande votação que tivemos é também fruto do excelente trabalho que vem sendo feito pela administração do prefeito Aurélio. Peço a Deus muita sabedoria para poder retribuir cada voto que me foi confiado. Independentemente de partido, quero afirmar que estaremos, a partir do dia 1º de janeiro, com as portas abertas da prefeitura para todos os resende-costenses. Trabalharemos com todos e para todos”, disse Lucas Paulo.

Câmara Municipal foi renovada. Apenas dois vereadores que tentaram a reeleição conseguiram os votos necessários Demorou um pouco até a população de Resende Costa conhecer, no último dia 15 de novembro, os nomes dos novos vereadores que irão compor a

Câmara Municipal na legislatura 2021-2024. Enquanto os eleitores do prefeito eleito comemoravam a vitória em carreata pelas ruas da cidade, a apreensão ainda tomava conta dos candidatos a vereador. Por volta das 20h30, enfim foram divulgados, no Cartório da 232ª Zona Eleitoral de Resende Costa, pelo juiz eleitoral da Comarca, Donizetti Nogueira Ramos, os nomes, partidos e quantidades de votos dos nove vereadores eleitos para o Legislativo de Resende Costa. Da atual legislatura, apenas dois vereadores que concorreram no pleito de 2020 conseguiram se reeleger: o atual presidente da Câmara, João Dias (MDB) e José Assis Sobrinho, o Zé do Dico (PT). Confira abaixo os nomes dos nove vereadores eleitos no pleito deste 15 de novembro de 2020: • Elson Antônio Ribeiro, o Coló do Cajuru (PSD) – 339 votos • Fernando de Resende Chaves (PDT) – 315 votos • Paulo Altivo Moura, o Paulinho Cabeleireiro (MDB) – 299 votos • Luis Fernando da Silva, o Guerra (PT) – 267 votos • Cleiton Afonso dos Santos (PSD) – 257 votos • José Claudio de Sousa Resende (PSDB) – 200 votos • João Dias (MDB) – 189 votos • Lucas Antônio de Resende, o Lucas do Pastel (PSDB) – 182 votos • José Assis Sobrinho, o Zé do Dico (PT) – 172 votos

Prefeitura Municipal de Resende Costa receberá o novo prefeito no dia 1º de janeiro de 2021


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Vai dançar bem assim Lá no Parque do Campo! No amor, o apaixonado dá o que não tem... o pobre não dá porque não tem... o rico dá o que os outros não têm... o espertalhão dá o que os outros têm... o conformado dá o que tem... Já estive apaixonado várias vezes. Em cada paixão, vidas e mortes diferentes. Nas minhas paixões andei dando o que não tinha... e fiquei mais pobre ainda. Também dei o que os outros não tinham... e virei palhaço. Dei também o que os outros tinham... e me chamaram de maluco. Porém, pelo menos conformado eu nunca fui. Lembro-me de uma daquelas festas de exposição de vacas, litros de leite, garotas bonitas e poeira. Era lá no Parque do Campo. Noite gelada, mas o agito fervia. Meu coração andava apanhando por causa de uma morena linda, que me ensinou com seu riso alegre e solto que a vida podia ser uma tentativa de felicidade quando se anda de mãos dadas. Não queria ir ao baile. Eu sabia que ela estaria lá. Sempre tive comigo que a gente nunca deve se declarar quando está apaixonado, dá tudo errado...mas eu, nunca aprendo. Mário Márcio me empurrava com os argumentos: – Vamos, Zé! Você não vai ter outra chance de chegar nela. Depois desse baile já entram as férias e aí, só em agosto. – Até lá, cara, tudo já vai estar diferente, vai esfriar. – completou o Marcos, já ajeitando o cabelo e passando um perfume do qual nunca soube o nome. E lá fui eu, sabendo que mais uma vez iria dar o que não tinha para receber respostas que sempre tinha. O Parque estava entupido de gente... de gente e de vaca. Rock dos anos 80 numa altura de ensurdecer boi. Ultraje a Rigor, RPM, Metrô, Biquíni Cavadão, Engenheiros do Havaí, Dr. Silvana, Gang 90, Herva Doce, Paralamas do Sucesso, Titãs, Eduardo Dusek, Kid Abelha... todo mundo dançando entre pilastras, mesas, cadeiras enfeites e luzes piscando. Ela estava lá. Consegui me controlar. Somente as pernas tremiam. Troquei o nome de cinco pessoas, derrubei uma garrafa e pedi café em vez de cerveja. Ela dançava de bem com a vida e com a sua

beleza radiante. Parecia que a festa era para ela. – Vai lá, Zé! Chega! – berrou o Mário naquela confusão. Chegar eu já tinha chegado. O problema era ir. Fui me aproximando da rodinha onde ela dançava como se aproxima de um touro bravo: dois passos pra frente e três pra trás. Bolero imbecil de quem não tinha – nem tem! – habilidades para dançar rock. Ensaiei uns pulos sem sair do lugar, tentando sacudir meu corpo no ritmo da música. Sentia todos os meus ossos balançarem, inclusive o crânio. Cheguei perto dela. Minha musa morena rodava pra direita e eu rodopiava pra esquerda, ela subia e eu agachava, ela batia palmas e eu abria os braços, eu sorria e ela fechava os olhos... – Você está linda! Uuuhhhh! – tentei lhe falar de modo moderninho, enquanto realizava minha aeróbica. – Hein? – Você está linda! Uuuhhhh! – Hein? Falei diferente: – Uuuhhhh! Você está linda! E toca criatividade: – Você! Uuuhhhh! Está linda! Você está... Uuuhhhh! Linda! – Hein? – Uuuhhhh! Aquilo jamais iria dar certo. Virei-me de costas para ela e voltei para a mesa, pulando com os braços cruzados, que nem sapo desiludido com a lagoa. Sozinho na minha mesa, escutei o Paulo Ricardo cantar London London: a música que eu sonhara cantar para ela, numa pracinha perto de sua casa. Fui para a porta do salão, pois uma coisa molhada já começava a denunciar meus olhos. Não olhei para trás e saí sem me despedir de pessoa alguma. O jeito era esperar o tempo. Quem sabe, num outro momento, num outro lugar, numa outra situação... sem precisar tentar ser o que não sou. Nunca esse outro momento, esse outro lugar, essa outra situação aconteceram. Eu já sabia. Fazer o quê? Lembro-me que, quase saindo do Parque do Campo, ainda olhei para um cercado. Uma vaca me olhava: – Uuuhhhh!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Política Durante a implementação do Plano Real, o economista Edmar Bacha, que fazia parte da equipe de FHC, então ministro da Fazenda, ia diariamente ao Congresso convencer os parlamentares de que o novo programa teria sucesso. Essa informação consta da entrevista dele à Veja (Páginas Amarelas – 7/10/2020). À pergunta de que lições teria tirado do relacionamento que manteve com os congressistas naquela época, foi direto ao dizer: “Guardei algumas frases que os políticos me diziam. Um dizia: ‘Ô, Bacha, você é Ph.D e tudo mais, mas não vai achando que vai enganar alguém, não. Aqui, o mais bobo foi eleito’. Um outro virava e falava: ‘A gente gosta de verba, mas o que a gente quer mesmo é palanque e prestígio’. E um terceiro disparava: ‘Em negociação política, o relógio zera todo dia, nunca dê hoje para pegar amanhã’.” Também guardei essas frases sentindo e compartilhando com o entrevistado tal desconforto em relação ao funcionamento dessa engrenagem política de bastidores, mesmo não havendo nisso novidade alguma. Ocorre que estamos em época de eleições municipais pelo país. Fala-se muito nas candidaturas ligadas ao Poder Executivo, talvez pelo número mais reduzido de candidatos e/ou pelo destaque dado a alguém a ser eleito para ocupar uma cadeira única em qualquer uma das esferas desse poder. No entanto, é no Legislativo que tudo começa, basica-

mente com a criação das leis e a fiscalização ao Executivo. E candidato a vereador é o que não falta, em Resende Costa também. Em ano de pandemia, a campanha política é atípica, mas a disputa pelas 9 vagas do nosso Legislativo é a de sempre, envolvendo 72 postulantes. Uma breve análise sobre a relação de nomes dos candidatos e seus respectivos partidos revela que o número de candidaturas femininas no município apenas atinge o percentual de 30% a ser cumprido por partido em conformidade com a atual legislação eleitoral. Esse quadro local reflete uma tendência geral, ainda sem apresentar aumento expressivo no número de mulheres candidatas. “Mas podemos perceber uma mudança qualitativa de ter candidaturas reais, com condições materiais, por conta da cota financeira”, (vinda dos Fundos Partidário e Eleitoral e repassada pelos partidos a suas candidatas), avalia Polianna Santos, advogada, professora da PUC-Minas e diretora-presidente da Associação Visibilidade Feminina. “Existe uma questão cultural de achar que lugar da mulher é dentro de casa, e não ocupando espaço de poder na política. Então ela é cantada, menosprezada, objeto de chacota. Quando é eleita, falam de sua roupa, do seu corpo”, diz ela. O que não acontece com os homens. Eis aí mais uma desigualdade de gênero a ser combatida. A reserva de cotas (numérica e passo adiante

agora, financeira) se propõe a isso como começo para candidaturas viáveis e não de fachada ou “laranjas”, artifício este que desacredita a luta e a competência das mulheres também no campo político. No corpo a corpo eleitoral deste 2020, aqui entendido como mera figura de retórica devido ao recomendado distanciamento social, que as candidatas de verdade (e candidatos idem) se apresentem para o bom jogo político fazendo valer suas ideias. Com mulheres candidatas somente à Câmara na cidade, mesmo assim em número menor, é oportuno lembrar que o vereador é a figura mais próxima do cidadão, condição que o habilita a conhecer melhor a sociedade e a representá-la em suas demandas. No entanto, é bom também desconfiar de quem promete o que não pode cumprir, seja em campanha ou já eleito (haverá uma outra eleição e aí...). Em retomada à resposta de Bacha, não obstante o decurso de quase 27 anos em que teriam sido proferidas as falas ali contidas e atribuídas a membros do Legislativo Federal da época, elas soam ainda hoje e soam mal porque configuram práticas estranhas, para dizer o mínimo, e reincidentes ao longo do tempo. Nada que possa servir de exemplo positivo aos que anseiam por ingressar na política com propostas voltadas para a busca do bem comum, sem tamanhas espertezas, certas vaidades tolas e o famoso toma lá dá cá, entre outros desvios.


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ELEIÇÕES 2020

Trilha Sonora

Partidos tradicionais, destaques do novo mapa eleitoral da região das Vertentes

O Blues britânico Foto: Matheus Scaldini

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE.

Os partidos tradicionais foram os principais vencedores das eleições municipais para prefeito na microrregião do Campo das Vertentes, com sede em Sao João del-Rei. O PSDB emplacou seis prefeitos, o MDB, 4 e o DEM, 2. Outro destaque foi o Patriota, do deputado Dr. Frederico Escaleira, com dois eleitos. Com um eleito cada, aparecem PL, PSB, PSL e PTB. Duas surpresas envolveram o PSDB. Em São Tiago, Denilson Reis, que tentava a reeleição, foi derrotado por Alexandre Nonato Almeida Vivas, do Patriota. Em Lagoa Dourada, na tradicional disputa entre pêgas e braquiárias, o tucano Ronald Pereira Dutra, braquiária, deu a volta por cima depois de seguidas administrações dos pêgas, MDB. Os tucanos venceram ainda em Resende Costa, com José Gouvea Filho, o Zinho Gouvea, em continuidade da administração atual, do PSD. Os tucanos também reelegeram Fúvio Olimpio de Oliveira Pinto, em Coronel Xavier Chaves, José Heitor Guimarães de Carvalho, em Nazareno, e Higino Zacarias de Sousa, em Ritápolis. Outra vitória tucana na região das Verentes aconteceu em Prados. O atual prefeito Lester Rezende Dantas Junior, o Juninho

O PSDB destronou o MDB e assumirá o governo de Lagoa Dourada

Foto: Deividson Costa

Rua do Poder vista do alto. Ao fundo, o histórico prédio da Prefeitura Municipal. Nivaldo Andrade, do PSL, foi reeleito prefeito municipal

RENATO RUAS PINTO

do Lester, saiu vitorioso das urnas e foi reeleito para mais um mandato. Em Dores de Campos, o MDB manteve a prefeitura, na velha rivalidade com DEM, que vem dos tempos de UDN e PSD, elegendo desta vez Márcio Antônio Pinheiro. O MDB ainda destronou os tucanos em Tiradentes, com a volta de Nilzio Barbosa, o Pinto. O partido também saiu vitorioso em Piedade do Rio Grande, com José Fernandes Neto Cabaço, e em São Vicente de Minas reelegendo Jacinto Alair de Paula, o Lili do Gás. Já o DEM venceu em Barroso, com Anderson Geraldo de Paula. O atual prefeito tucano, Reinaldo Aparecido Fonseca, não tentou a reeleição. Em disputa apertada com quatro candidatos, em Madre de Deus de Minas, Osmar de Oliveira, do DEM, derrotou o peemedebista José Eustásio, o Tazinho, que tentava a reeleição. O Patriota, do deputado Dr. Frederico, impediu a reeleição de Denilson Reis em São Tiago, com o candidato Alexandre Vivas, em coligação com o Avante. O partido também conquistou a prefeitura de Conceição da Barra de Minas, com Heitor Sebastião Guedes derrotando o candidato do PSDB por apenas cinco votos. Entre os partidos que elegeram apenas um prefeito, destaque em São João del-Rei para o PSL de Nivaldo Andrade, que na verdade é mais importante do que o

partido. A disputa eleitoral na histórica cidade polo da região das Vertentes foi acirrada e envolveu sete partidos, com destaque para o bom desempenho da candidata Jania Costa. Mais uma vez, Nivaldo tem como vice Jorge Hannas, desta vez concorrendo pelo Avante. Em Carrancas, venceu Hely Andrade Alves, do PTB, com vice do PSDB. Em Itutinga, o vencedor foi Rodinei Antônio do Nascimento, do PSB, derrotando o tucano Fabiano Ribeiro do Vale, que tentava a reeleição, por apenas 53 votos. Em Santa Cruz de Minas, venceu Wagner de Almeida, o Wagner do Didico, do PL. MUNICIPALISMO Apesar do desprezo da elite brasileira em relação à política municipalista, na maioria dos municípios o povo mostra-se capaz de se autogovernar, apesar da crescente centralização política do governo federal e embora a Constituição de 1988 tenha dado aos municípios o status de entes federados, observa o jornalista Luiz Carlos Azedo em seu artigo “A volta ao leito natural”, publicado no dia das eleições no jornal Estado de Minas. Segundo Azedo, os indicadores mostram que os municípios gastam mais e melhor do que os governos estaduais e a União, em termos de investimentos públicos e prestação de serviços básicos, principalmente nas áreas da saúde e da educação.

O blues é um estilo musical surgido no sul dos EUA e foi uma das principais formas de expressão do sofrimento dos negros daquela região do país. Ainda que libertos, eles conviviam com a miséria, com a exploração e a negação de todos os direitos humanos em estados que até os anos 60 possuíam leis abertamente racistas e segregacionistas. Nascido de uma fusão de músicas africanas com cantos de trabalho e religiosos, o estilo cresceu, popularizou-se e está na raiz de outros gêneros musicais importantes, como o jazz e o rock. O estilo teve um caminho curioso. Muito popular nos EUA até os anos 50, o blues perdeu espaço para o rock e foi quase esquecido no seu país de origem. Porém, os discos cruzaram o Atlântico e desembarcaram na Inglaterra e Irlanda, onde renasceu com características próprias nos anos 60. Uma febre de blues tomou a Grã-Bretanha com o surgimento de vários clubes dedicados ao ritmo e diversas bandas e artistas que se projetaram internacionalmente. Com forte influência da sonoridade do blues de Chicago, mais apoiado na guitarra elétrica, o blues britânico definitivamente acrescentou mais peso e distorção. Com o sucesso de grupos britânicos, como o Bluesbreakers de John Mayall, o Cream, e mesmo os Rolling Stones – que nasceram como um grupo de blues –, o estilo renasceu nos EUA. Felizmente, grandes lendas como B.B. King, Muddy Waters, Howlin’ Wolf e John Lee Hooker tiveram uma segunda chance na carreira e voltaram aos holofotes com uma ajuda dos seus fãs britânicos. Para conhecer um pouco do blues britânico, listo abaixo alguns discos importantes do estilo e que são garantia de música de qualidade. Blues Breakers with Eric Clapton (John Mayall & The Bluesbreakers): John Mayall era o líder da banda e um dos pioneiros do blues na Inglaterra. Ele recrutou para o grupo um jovem e ainda pouco conhecido Eric Clapton, um estudioso do blues e que, no conjunto de Mayall, rapida-

mente despontaria como um dos maiores guitarristas da Inglaterra. A guitarra de Clapton chamou atenção imediatamente e criou uma legião de fãs. Dizem as lendas, a inscrição “Clapton is god” (Clapton é deus) teria aparecido pintada nas paredes de Londres na época, tamanho foi o impacto do guitarrista. Mr. Wonderful (Fleetwood Mac): a grande maioria do público conhece a fase mais pop da banda, de discos de grande sucesso, como “Rumours”, com Stevie Nicks e Lindsay Buckingham na formação. Mas a banda nasceu dedicada ao blues, com o virtuoso Peter Green nas guitarras. Green, aliás, foi outro guitarrista revelado por John Mayall e que teve a difícil missão de substituir Clapton no grupo. Peter Green, infelizmente, teve sérios problemas psiquiátricos que praticamente acabaram com sua carreira. De todo modo, a fase inicial do Fleetwood Mac é excelente para fãs mais puristas de blues. Fire and Water (Free): o grupo Free ficou conhecido pelos ótimos shows e pelo talento precoce da banda, que despontou quando alguns membros ainda eram menores de idade. O grupo teve uma breve duração, de 1968 a 1973, mas chamou atenção na cena e teve relativo sucesso comercial. A precocidade da banda talvez tenha cobrado um preço alto e, logo após o fim do grupo, o talentoso guitarrista Paul Kossoff faleceu muito jovem, provavelmente por conta do uso de drogas e vida desregrada. Além dos discos citados aqui, já escrevi na coluna sobre um ótimo tributo que os Rolling Stones fizeram recentemente ao estilo, Blue & Lonesome (https://www. jornaldaslajes.com.br/colunas/ trilha-sonora/as-pedras-que-ainda-rolam-e-lancam-bons-discos/1008). Conhecidos como um grupo de rock, foi o blues que aproximou os jovens Mick Jagger e Keith Richards, que formaram uma banda dedicada ao estilo. Não por acaso, o nome da banda veio de uma canção de um disco de um ícone do estilo: Muddy Waters.


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ELEIÇÕES 2020

Rádio Inconfidentes e Jornal das Lajes promoveram 4ª edição do debate entre os candidatos a prefeito de Resende Costa VANUZA RESENDE

Na reta final das eleições municipais 2020, marcadas por mudanças em decorrência da pandemia de Covid-19, a Rádio Inconfidentes e o Jornal das Lajes promoveram um debate, no dia 07 de novembro, entre os candidatos a prefeito de Resende Costa: Adilson Avelino de Resende (coligação Avante, PT), Anderson Belo de Resende, o Alemão (PSL) e Zinho Gouvea (coligação PSDB, PSD e MDB). O debate entre os candidatos a prefeito de Resende Costa, promovido pela Rádio Inconfidentes e pelo Jornal das Lajes, já se tornou tradição e ocorre desde 2008. Neste ano, o evento mais esperado pelos eleitores durante o período da campanha eleitoral aconteceu no Salão Nobre da Câmara Municipal, durou ao todo 4 horas e contou com uma novidade: a transmissão ao vivo através das páginas da Inconfidentes no Facebook e no Instagram. Apesar de alguns breves momentos de interrupção da transmissão pelas redes sociais, devido a instabilidades no sinal de internet, os vídeos tiveram amplo alcance e muitas pessoas postaram seus comentários ao vivo, como a internauta Laura Diel: “Gratidão e parabéns a todos os envolvidos na produção do debate, estão de parabéns”. Já a internauta Janete Sandra sugeriu que nas próximas edições a população também tenha oportunidade de enviar perguntas aos candidatos: “Parabéns à Rádio Inconfidentes. Deixo aqui uma ideia: Talvez vocês possam fazer algo nas redes sociais para que o povo participe fazendo perguntas diretas a cada candidato. Pensem com carinho, pois o povo é prioridade.” Na edição 2020 do debate eleitoral, foram programados sete

blocos. O primeiro bloco foi preenchido com perguntas da emissora. O segundo conteve questionamentos sobre Saúde. Os demais blocos apresentaram como tema: Educação e Esporte (3º bloco); Infraestrutura e Meio-Ambiente (4º bloco); Zona Rural (5º bloco); Artesanato, Turismo e Cultura (6º bloco). Fechando o debate, o 7º bloco deixou os candidatos livres para fazerem as perguntas que quisessem. Cláudio Luís Resende, diretor-presidente da Rádio Inconfidentes, falou sobre a 4ª edição do debate eleitoral promovido pela emissora com o apoio do JL. “O debate entre candidatos a prefeito já é tradição na programação da nossa emissora. O principal objetivo do nosso debate é proporcionar ao eleitor a oportunidade de avaliar os candidatos para poderem optar por aquele que propõe os melhores projetos e apresenta o perfil mais preparado para administrar a nossa cidade. Na verdade, as propostas sempre vão ao encontro dos interesses sociais e coletivos. Contudo, sempre existe aquela proposta que a maioria dos eleitores considera como sendo a mais viável de se efetivar o plano de governo apresentado, visto reunir qualidades, aptidão e experiência administrativa. Acredito que no debate podemos ver quem é esse candidato. Propaganda eleitoral é editada; o debate, não. Acontece ao vivo.” O professor da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei) e colunista do Jornal das Lajes, José Antônio Oliveira de Resende, falou especialmente sobre a sua participação como mediador dos debates eleitorais organizados pela Rádio Inconfidentes e pelo JL. “Venho mediando os debates em Resende Costa desde a eleição de 2008. Para mim é uma satisfação imensa, pois minhas raízes paternas são daqui.

Foto: Vanuza Resende

O debate começou às 8h30 e terminou às 12h30

Candidatos a prefeito de Resende Costa participaram do debate organizado pela Rádio Inconfidentes e pelo Jornal das Lajes

Também é uma aprendizagem, uma vez que, a cada novo debate nessa cidade, eu constato que Resende Costa ensina que é possível exercer a política com respeito aos eleitores e transparência quanto ao que se pretende realizar na administração pública”, comenta. José Antônio comentou a quarta edição do debate. “O debate dos candidatos a prefeito de Resende Costa me mostrou aspectos que sempre são recorrentes. Destaco a competência, seriedade e constante assistência dos organizadores: regras claras, boa distribuição do tempo, logística e aparelhamento à disposição, três canais de transmissão ao vivo”. O mediador elogiou a postura dos três candidatos. “Também ressalto a ética dos candidatos ao colocarem seus argumentos e respostas, o respeito de cada um

quanto ao tempo estabelecido para suas respectivas falas e o comportamento tranquilo de seus assessores. Os eleitores de Resende Costa puderam, mais uma vez, acompanhar e avaliar as ideias e propostas dos três candidatos a prefeito municipal”. O diretor-presidente da Rádio Inconfidentes destaca que, ao realizar o debate, tanto a Rádio quanto o Jornal das Lajes cumprem seus objetivos, reafirmando a seriedade e a imparcialidade, elementos fundamentais para a credibilidade da imprensa profissional. “Nas eleições temos a oportunidade rara de mudar o destino da nossa cidade e acredito que a Rádio, ao promover o debate, presta sua contribuição no sentido de oferecer ao eleitor mais informações a fim de que ele possa escolher bem o seu candidato. Além

do debate, tradicionalmente a Rádio Inconfidentes entrevista os candidatos em sua programação oficial (neste ano, a emissora entrevistou os candidatos Adilson Resende, Alemão e Zinho Gouvea no programa “Jogo Aberto”, apresentado às sextas-feiras, a partir de 8h30, pelo jornalista e diretor de programação da Inconfidentes, André Eustáquio). Assim, os eleitores têm a oportunidade de conhecer melhor quem, se eleito, irá administrar e cuidar do futuro do nosso município nos próximos quatro anos. O debate e as entrevistas são de fato a única forma isenta, imparcial e transparente na campanha política, pois, em ambas as situações, não há vínculos e tampouco manobras utilizadas pelos partidos e candidatos na tentativa de conquistar votos”, conclui Cláudio Luís.


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De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Escritores resende-costenses e suas memórias Você sabia que a cada terceiro domingo do mês de julho Resende Costa comemora o “Dia do Resende-Costense Ausente e Amigo de Resende Costa”? Sim, esse dia existe. Quase trinta anos atrás, exatamente em 21 de julho de 1991, depois de aprovada por unanimidade pela Câmara de Vereadores, o projeto de criação desse dia foi transformado em lei. Naquela data e em seção solene na sede da Câmara Municipal, houve o lançamento do livro Visões Perdidas, de Gentil Ursino Vale, advogado e escritor natural de Resende Costa, que, por motivos de trabalho, foi morar em Divinópolis/MG no ano de 1958. Gentil fez o curso primário no Grupo Escolar Assis Resende. Depois foi estudar Humanidades na prestigiadíssima Escola Apostólica do Caraça, situada nos municípios mineiros de Catas Altas e Santa Bárbara. Concluiu o curso de Direito somente em 1977, quando já havia publicado livros e ganhado prêmios pelos trabalhos

literários, aos quais se dedicou desde o ano de 1957. Abel Lara foi outro escritor resende-costense que obteve reconhecimento pelos seus trabalhos. Dele são a letra e a música do Hino de Resende Costa. Em 1953, publicou seu primeiro livro, Alma Atormentada. Atualmente, Evaldo Balbino, outro poeta da cidade, em projeto de pesquisa desenvolvido na UFMG, resgata a produção literária de Abel Lara no sentido de nos oferecer uma edição de seus trabalhos publicados em jornais, suplementos, coletâneas ou periódicos. Outro escritor, memorialista dos melhores, Antônio de Lara Resende, publicou em dois volumes as suas memórias. O primeiro é o Memórias: do Belo Vale ao Caraça. O segundo é o Da Serra do Caraça à Serra do Véu de Noiva. O autor é filho do resende-costense Antônio Sebastião de Resende Lara e da ouro-pretana Macrina Augusta de Albergaria Lara, professora no Povoado de Nossa Senhora

da Boa Morte, da atual cidade de Belo Vale/MG. Lara Resende nasceu lá em 24 de setembro 1894, mas, em janeiro de 1895, isto é, quatro meses depois, veio com a família para a Vila de Resende Costa. A maior parte dos seus vinte anos ele viveu entre Resende Costa e no Caraça, onde também estudou Humanidades. Antes, porém, é preciso mencionar outros três homens importantes e que se dedicaram às letras: o inconfidente José de Resende Costa, o filho, em 1836, escreveu o livro Memória Histórica sobre os diamantes. José Augusto de Rezende, primeiro diretor do Grupo Escolar Assis Resende, em 1920, publicou o seu Livro de Pálidas Reminiscências da Antiga Lage – Villa de Rezende Costa. Por fim, destaco o Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa, de José Maria da Conceição Chaves, (o Juca Chaves). Os três livros foram reeditados pela As-

sociação de Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) e estão à disposição dos leitores na Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto, em Resende Costa. Outras obras de Gentil Vale também podem ser encontradas na Biblioteca Municipal. Atualmente, temos escritores que se dedicam em seus textos a tratar de temas relacionados a Resende Costa: Alair Coêlho de Resende, Evaldo Balbino da Silva, José Venâncio Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto e José Antônio Oliveira de Resende fazem parte desse time. A boa notícia é que, finalmente, um grupo de mulheres começou a atuar em área até então dominada pelos homens. Stella Vale Lara e Maria Luzia de Resende, com suas poesias e contos; as historiadoras Larissa Ibúmi Moreira, autora do livro Vozes Transcendentes: os novos gêneros da música brasileira, e Paula Chaves Teixeira Pinto, com sua obra De Minas para a

Corte, da Corte para Minas, que tem como personagem principal o resende-costense Gervásio Pereira Alvim – inclusive tem seu nome cravado em uma rua da cidade – nos encantam com suas publicações. Mas, para não ficar somente com essas escritoras, tivemos a grata surpresa de ver a jovem Danielle Tonioli publicar seu Ginásio de Metamorfoses: contos e poesias, disponível, por enquanto, pelo Kindle, no site www.amazon. com.br Outra notícia boa é que Regina Maria Coelho Resende, professora aposentada e colunista do JL, está terminando a escrita de um livro de memórias e que estará pronto até março de 2021. Tenho me dedicado a comentar como tem sido a nominação de ruas e edifícios públicos em Resende Costa. Estranho, senão triste, é saber que nenhum dos escritores falecidos e mencionados acima ainda não recebeu uma homenagem dessa. Será por quê?

inteligência, puramente emoção, puramente “espírito”. Somos, constituímos uma belíssima e extraordinária unidade, continuamente sujeita a mil condicionamentos que nos levam a viver dessa ou daquela forma, a emitir os mais variados comportamentos. Hoje, esse movimento expresso no livro citado pela amiga toma fôlego. O próprio brasileiro Marcelo Gleiser, físico de renome, vem dando notável contribuição a essa nova preocupação da física, tendo ganho, em março de 2019, um prêmio considerado “O Nobel da Espiritualidade”. Na semana passada, ele participou de um encontro sobre espiritualidade, que ele define como “uma conexão com algo maior do que

somos que inspira crescimento e humildade”. O que sinto nesta hora (talvez isso seja inteligência emocional) é que a humanidade não anda se aguentando, sustentada apenas sobre os próprios pés. É muita coisa, muita coisa mesmo, que está fora dos trilhos. Se não conseguirmos enxergar além dos nossos passos, se não conseguirmos imprimir aos nossos passos olhares mais longínquos, “sobre algo maior do que somos”,acho que chegará um momento em que a loucura, ou o desespero, será a saída. E isso é muito triste. Então, que venham os físicos nos ajudar. Tenho profunda convicção sobre a dimensão espiritual do ser humano. Mas não sei se isso é inteligência es-

piritual. Sei, sim, que se pode até “perder-se no espírito”. E, à luz dele, estabelecer relações fortes, capazes de alimentar, iluminar e até transformar vidas. À amiga, médica patologista e cantora lírica, casada com um médico doutor em doenças infecciosas, eu não duvidei em dizer que existe, sim, uma inteligência espiritual. Afinal, neles, na vida deles, vibra o transcendente, feito de dedicação à ciência da vida, à arte e a tanta coisa mais que “entusiasma”, palavra que no grego significa “dentro de deus”. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Inteligência espiritual Uma grande amiga tomou conhecimento do livro “Inteligência Espiritual”, da doutora Dana Zohar, da Universidade de Oxford. O livro trata da matéria contida no título. E a amiga indagava: Que acha? Respondi-lhe: “Você quer me colocar numa ‘sinuca de bico’ com essa questão? Em todo caso, não vou deixar de dar minha opinião.” Nós sempre entendemos por inteligência aquela “aptidão para compreender as relações que existem entre os elementos de uma situação e a ela se adaptar a fim de realizar seus próprios fins”. Durante muito tempo, tal concepção era única e suficiente. A partir da primeira metade do século passado, Thordinke (falecido

em 1949) já falava de três inteligências: a inteligência abstrata ou conceitual, a inteligência prática e a inteligência social. No final do século, ou um pouco antes, passou-se a falar de inteligência emocional. Muitos físicos falam de muitas inteligências. Mas, não sei bem que conceito de inteligência adotar em tais casos. É certo que a “aptidão para compreender as relações” é muito diversificada em um engenheiro, em um artista, em um marceneiro ou em um médico. Como, porém, é isso neuro-fisiologicamente? Haverá partes distintas no cérebro para cada uma das inteligências? Por isso, minha opinião é assim: não há dúvida de que não existe ninguém puramente


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Retalhos Literários

HOMENAGEM ESPECIAL

Francisco de Assis Resende

EVALDO BALBINO

paciência. Eu ao lado dela, sempre. E ali era porque eu queria bater perna, ir pra Boca da Mata, menino sem nada que fazer. Dali partia uma estrada que se chamava na época Morro do Quebra-panela e ia dar nas casas do Tibastião e da Tiazinha, esposa do Tizé, esse sim irmão da minha mãe. Meu desejo era saber o porquê do nome Morro do Quebra-panela, uma curiosidade de ver panelas quebradas rolando morro abaixo e fazendo um fuzuê danado. Mas nunca via nada disso. Pra completar a cena do quarto, sentada na cama de casal, tava Irmã Terezinha (Na igreja dos meus pais, todos se chamam de irmãos, mesmo quando meio enviesados uns com os outros.). Terezinha tava emburrada, falando “Não vou porque não vou!” repetidas vezes. Xingando com sua voz fanhosa, meio sufocada, porque conversava como que dizendo pra dentro o que tinha que dizer pra fora. E revirava os olhos, e fazia uma cara de quem queria silêncio e dizer tudo silenciosamente. Mesmo falando pra dentro com seus lábios finos e quase fechados, era claro o que ela queria. Batia o pé, pois não queria ir pra vila. E não queria porque a tia Ana iria, lá da vila, despachá-la no ônibus pra São João del-Rei, lá onde elas tinham outra irmã que a esperaria e cuidaria dela. No Ribeirão ela tava dando trabalho pra doente tia Ana. Tive, depois, que ficar com a minha curiosidade menina. Não acompanhei a peripécia em Resende Costa. Mas depois que minha mãe voltou, fiquei sabendo de alguns fatos contados a adultos. E o meu ouvido menino escutando tudo.

JOÃO MAGALHÃES

Na vila, a tia Ana já internada, o Tiantônio vendendo suas frutas pra outras bandas, e minha mãe com a árdua tarefa de pôr Terezinha no ônibus pra São João del-Rei. Os passageiros ainda esperando do lado de fora o motor em funcionamento pra esquentar e dar a partida. Perto do ônibus, o caminhão de leite do mesmo jeito, o que iria pro Ribeirão. E minha mãe preocupada de o caminhão sair antes do ônibus, pois ela voltaria pra roça. A emburrada Terezinha, sem aviso prévio e sem nada, entrou num bar, pediu um doce ao caixeiro e saiu dizendo que não iria pagar, mas que Deus lhe pagaria. O homem ficou sem saber o que fazer. Minha mãe, envergonhada, foi ao vendedor e lhe pagou o doce, pedindo desculpa. Já no ônibus partindo, Terezinha foi bufando pela janela e chamando minha mãe de “Irmã ingrata!”. Todos ali sabiam da situação e entendiam bem o que ocorria. Minha mãe entrou no caminhão e voltou pra junto de nós. Anos depois, nós já morando em Resende Costa, Terezinha foi lá em casa fazer uma visita. Nem se lembrava mais do “Irmã ingrata!”. Bebeu café, comeu biscoito, falou muito pra dentro. E de repente deu uma das crises que lhe eram costumeiras. Caiu, começou a babar, a virar os olhos. Minha mãe a segurou e pediu que eu buscasse socorro. A Tialorde e o Tibastião, também já residentes na vila, vieram. Terezinha se recuperou, graças a Deus! Nunca mais a vi. Hoje ela mora em outro plano, com sua fala pra dentro, seus gestos contidos e sua doçura e raiva sempre doce.

No exato momento em que entregava o artigo da minha coluna desta edição do Jornal das Lajes, uma reflexão sobre o dia de finados, veio-me a notícia do falecimento de Francisco de Assis Resende, aos 79 anos, em São Paulo, no dia 28 de outubro de 2020, através do André, editor-chefe do nosso JL. Familiarmente: o Francisco da Sá Cristina do Chico Gabriel. Merece uma homenagem, pela influência que teve em Resende Costa e a valorização do nosso jornal que sempre manifestou. Salvas as exceções que sempre há, a “partida” de um irmão é sempre dolorosa. No meu caso, a “viagem” de um coirmão, termo usado entre nós, professos na Ordem de São Camilo de Lellis (Clérigos Regulares Ministros dos Enfermos). Francisco foi o segundo padre camiliano mineiro. Em 1953, foi para o seminário menor dos camilianos em Iomerê, Estado de Santa Catarina, junto com o Tonico do Geraldo Porteiro (Antônio de Paula Pinto). Foi ordenado sacerdote aqui na nossa matriz em 24 de dezembro de1966, junto com o jesuíta Fernando Calzavara. O tríduo de preparação para a cerimônia foi pregado por mim, já padre camiliano havia dois anos. Ordenação também aqui, em 1964, pelo primeiro bispo da recém-criada diocese de São João del-Rei, dom Delfim Ribeiro Guedes. Longos anos de convivência com o Francisco. Fomos colegas de infância. Eu no Tijuco, ele um pouco mais longe, no sítio onde nasceu: o morro da Sá Cristina. Sobrinho do José Gabriel, que foi prefeito da cidade, do Geraldo Gabriel e do “Ziquita” da Casa Nova. Todos vizinhos de terras. Depois, nos seminários da Ordem Camiliana, vivendo a rotina disciplinar formativa e comprovativa de vocação para a finalidade específica da Ordem: o trabalho corporal e espiritual com os enfermos. Logo depois da ordenação, Francisco foi destacado para o trabalho pastoral, como padre coadjutor na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, na Vila Pompeia–São Paulo/capital, onde fica até hoje a casa mãe dos Camilianos no Brasil. Paróquia modelo da renovação pastoral com atuantes Comunidades de Base. Para se ter uma ideia, tinha até uma equipe para receber os visitantes vindos de toda a Sul-América. A revolução renovadora do Concílio Vaticano II (1962 a 1965)

Fotos: Arquivo Pessoal

(1941 – 2020)

Irmã Terezinha Era irmã da tia Ana, casada esta com o Tiantônio. Tinha deficiência mental ou, como dizem alguns especialistas da área, tinha deficiência intelectual. Complicado esse troço de nomenclatura. Eu achava até há pouco tempo que o correto seria dizer “portador de necessidades especiais”. E todo o meu anseio é não negar a ninguém o papel de cidadão. Porque a inclusão de qualquer diferença se faz necessária, e isso em relação ao que as sociedades consideram, nos seus parâmetros, diferente do que seja “padrão”. Padronizar a vida pode ser perigoso, porque isso beira a uma postura, dependendo do caso, autoritária, centrista, excludente. A primeira cena que trago da irmã Terezinha na memória é lá do Ribeirão de Santo Antônio. Na Boca da Mata, na casa da Tia Ana e do Tiantônio. Tia Ana tava adoentada. Tiantônio mandou chamar minha mãe. Ele tava no lugar de tio dela, pois quem era tia dela mesmo era a Maria, primeira mulher dele. Falecida a tia, minha mãe continuou considerando como tio o marido que contraíra novo matrimônio. Essa consideração era praxe na época. Na Boca da Mata, Tiantônio tava atarantado no pomar apanhando frutas frescas pra ir vender na vila, Resende Costa. E isso ao invés de cuidar ele mesmo da tia Ana. Mandou chamar minha mãe pra ir com ela a Resende Costa e interná-la na Santa Casa de Misericórdia. No quarto, tia Ana se arrumando frente ao espelho, penteando o longo cabelo, presilhas acalmando-o na cabeça. De pé rente à porta, minha mãe esperando com

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Francisco de Assis Resende e seus netos

trouxe crises sérias para as Ordens e Congregações religiosas. A Ordem de São Camilo, por exemplo, teve a deserção de muitos membros. Entre eles, o Francisco. A maioria laicizou-se, partindo para o casamento. Um ou outro, como eu, incardinou-se na Arquidiocese de São Paulo, tornando-se padre diocesano. Mas, cedo ou tarde, todos saíram do clero. Francisco deixou o sacerdócio, mas não a Igreja. Continuou trabalhando pela sua renovação, sua atualização. Liderou por muito tempo o MPC (Movimento dos Padres Casados), batalhando pelo celibato (proibição de os padres casarem) voluntário e não obrigatório, como continua até hoje, e também pela volta deles ao exercício do ministério sacerdotal. Graduado em Assistência Social, trabalhou como Assistente Social na Volkswagen até se aposentar. Vem daí sua dedicação à causa operária, à defesa dos Direitos Humanos, aos movimentos comunitários. Nessa linha aderiu, plenamente, em parceria com a Rosa, sua esposa, aos movimentos de esquerda, como se fala hoje. Francisco Resende nunca perdeu as raízes de sua terra natal. Como padre, substituiu por vezes o saudoso Monsenhor Nelson aqui na paróquia. E pelo que eu saiba, jamais se omitiu de participar, por apoio, não por candidatura, da política de nossa cidade. Ultimamente, com a idade chegando e a saúde se afastando, dedicou-se mais às redes sociais, publicando suas reflexões, suas críticas, seus comentários. Francisco: pessoa de ebulição, de fervura e, como costuma ser, de polêmica. Finou-se sua existência física, mas suas marcas de pessoa atuante vivem e permanecem.


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Informe Publicitário

ECONOMIA

Cashback: pague suas compras com o Sicoobcard e receba dinheiro de volta na Conta Corrente Sabe aquele vinho de sexta-feira à noite pra um jantar especial? Ou aquela passadinha no posto de gasolina perto de casa pra encher o tanque? Pois é: cooperados do Sicoob Credivertentes agora têm (ainda mais) motivos pra quitar essas e outras compras usando o Sicoobcard. É que a partir de agora toda aquisição com valor acima de R$30, no crédito, significa dinheiro de volta na Conta Corrente. Isso mesmo: com o Cashback da cooperativa, tirar o cartão de crédito do bolso se converte em retorno e Justiça Financeira – além de praticidade, segurança e troca de pontos por prêmios. COMO FUNCIONA É bem simples: sempre que adquirir um produto ou aderir a um serviço, basta escolher a função crédito do seu Sicoobcard. Cada compra acima de R$30 garante retorno de R$0,20 direto na Conta Corrente do cooperado. Se a transação acontecer numa maquininha Sipag, o cashback passa a ser de R$0,40. A partir daí é só acompanhar o extrato, já que devoluções ocorrem até o dia 10 de cada mês. “É realmente simples assim, sem sorteios, sem acúmulo em longos períodos. Ou seja: diferente dos bancos, em que lucros vão para acionistas, o Sicoob devolve recursos. Uma iniciativa única que, esperamos, possa se espalhar pelo país”, explica o superintendente comercial de cartões do sistema, Marcos Carvalho. COMUNIDADE Ele lembra, ainda, que aderir ao Cooperativismo e seus produ-

tos significa investimentos de capital e transformação social nas próprias comunidades com agências do Sicoob Credivertentes: “Pensa comigo aqui: se o cartão Sicoobcard é da cooperativa e a maquininha Sipag também, o dinheiro que sai de um dispositivo e passa para o outro vai continuar na cidade, circulando entre cooperados locais. Isso pode acontecer através do rateio das sobras, dos projetos da instituição”.

Novidade é válida para compras presenciais e online

SICOOBCARD Mais do que nunca, você pode tirar o seu Sicoobcard do bolso tranquilo. Para começar, o cartão de crédito do maior sistema cooperativista financeiro do país é uma maneira segura de realizar pagamentos sem precisar sacar dinheiro; e basta higienizá-lo com cuidado após o uso para evitar contaminações em tempos de Pandemia. Além disso, dá prazo de até 40 dias para pagar suas compras em parcela única, sem juros; ou permite a distribuição do valor em prestações. Se sua fatura estiver no débito automático, nem precisa sair de casa pra quitar. Quer mais? Quanto mais você usar o Sicoobcard, mais pontos soma para garantir prêmios, aportes em produtos do nosso portfólio ou descontos. “Com a chegada do Cashback, nossa solução de pagamentos, que já é cheia de benefícios, fica ainda mais vantajosa. Existe então um exercício das melhores práticas de mercado aliado a retornos diretos, em dinheiro, para quem faz parte do Sicoob Credivertentes e conta com nosso cartão”, explica a gerente Francielle Rodrigues, da agência de Alfredo Vasconcelos.

REFLEXÕES por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

A CHAVE PARA OS PROBLEMAS DE NOSSO TEMPO Num mundo convulso como o nosso, com crises sobre crises, desamparo e perplexidade, é importante manter a serenidade, a esperança, a solidariedade. Somos então desafiados a ter/produzir ideias, visões e estratégias sobre o futuro; além de propor um ideário coletivo coeso, de desenvolvimento integrado. Assim, envolvemos pessoas e recursos (financeiros, naturais, intelectuais, espirituais) de forma planejada, legitimada, criativa, sustentável. Pois bem: o cooperativismo tem plenas e promissoras condições para sanar graves problemas sociais e econômicos de nosso tempo. Afinal, através da coletividade e da integração, busca respostas eficientes a impasses cotidianos que nos afetam. Ao mesmo tempo, nos evidencia como sujeitos de nosso destino utilizando forças e chaves disponíveis, ao nosso alcance. O célebre ativista social Herbert de Souza, o Betinho, escreveu que “em resposta a uma ética de exclusão, estamos todos desafiados a praticar a ética da solidariedade. Só a participação cidadã é capaz de mudar o País”. É, pois, plenamente possível inovarmos e constituirmos uma nova sociedade pluralista, humanista, mais justa e equânime, progressista. Para tanto, uma palavra nos traz a resposta – UNIÃO!


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Meio Ambiente

IMIGRANTES & EMPREENDEDORES

Queijo minas frescal, produzido em Portugal por irmãos baianos

ADRIANO VALÉRIO RESENDE

A questão da extração de areia no rio Santo Antônio (parte 3) sam-se essas intervenções com a preservação e a recuperação de outras áreas que possuam as mesmas características ambientais dentro da propriedade. O revolvimento do fundo do rio para retirada da areia e a utilização de motores provocam a incorporação de sedimentos (argila, resíduos orgânicos etc.) e de óleo na água, o que prejudica a fauna aquática (peixes, por exemplo) e animais que utilizam o espaço para dessedentação. Nesse sentido, podemos citar as legislações sobre a classificação dos corpos d’água (o chamado enquadramento), na qual são estabelecidas as condições e os padrões para a manutenção da qualidade da água superficial de acordo com os usos preponderantes dos mesmos. Em Minas Gerais, vigora a Deliberação Normativa COPAM/CERH 01 de 2008. Por exemplo, todos os cursos d’água da bacia do rio Santo Antônio até a confluência do mesmo com o ribeirão do Pinhão (incluindo-o também) são de classe 1, devendo ser garantidos os seguintes usos: consumo humano após tratamento simplificado, recreação de contato primário (natação, mergulho) e irrigação de hortaliças e de frutas que se desenvolvem rentes ao solo e que são consumidas cruas. Tecnicamente, quanto aos vários parâmetros a serem analisados para verificar a qualidade da água, para classe 1, destacamos que: óleos/graxas, corantes, espumas não naturais e os resíduos sólidos objetáveis devem estar visualmente ausentes; turbidez de 40 UNT; Oxigênio Dissolvido não inferior a 6 mg/L; pH de 6 a 9 e sólidos em suspensão totais

até 50 mg/L. Portanto, o minerador é obrigado a manter a qualidade da água durante a sua atividade, observando os vários parâmetros estabelecidos. Destaca-se que a várzea acima da Ponte Grande possui uma grande reserva de areia, formada de camadas que foram sendo acumuladas ao longo de milhares de anos. Assim, para aumentar o volume do material a ser dragado, especialmente na época da seca, o mangote de sucção da bomba é direcionado para a beira do barranco da margem, fazendo-o desabar para dentro do leito do rio, o que provoca o seu alargamento. Outro ponto impactante é o aprofundamento do leito devido à constante retirada de areia: isso aumenta o potencial erosivo de toda a bacia. Para se ter uma ideia, basta olhar o nível dos pilares da Ponte Grande. Se a prefeitura não tivesse colocado pedras à jusante para segurar o “afundamento” do leito do rio, a ponte já não estaria mais funcionando. Por fim, com relação à mineração, concordamos com a afirmativa: o lucro da extração mineral é individualizado e o passivo (impactos ambientais) é socializado. Isto é, a sociedade inteira é obrigada a conviver com os problemas socioambientais causados pelas atividades econômicas, no caso a mineração, mas o lucro da exploração é de poucos, apesar dos bens naturais/minerais serem constitucionalmente um patrimônio de todos. Resta para a sociedade local se organizar e cobrar das autoridades que fiscalizem a atividade para que a mesma seja desenvolvida com sustentabilidade.

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Tradição, cultura e tecnologia de Minas em Portugal. Desde o final de 2017, dois irmãos de Itabuna (interior da Bahia) produzem em Portugal o típico queijo Minas Frescal (produto artesanal resultante da coagulação de leite de vaca fresco). Cida e Roberto são sócios da queijaria de nome Estrela do Sul, localizada na freguesia de Saboia, município de Odemira, no Baixo Alentejo. Além disso, fabricam outros tipos de queijos brasileiros, como o coalho. A empresa familiar, que conta com uma colaboradora (e caminha para contratar o segundo), produz entre 700 a 900 unidades de queijo Minas Frescal por semana. A matéria-prima é do próprio Alentejo, tradicional região portuguesa na produção de leite de vaca. O fornecedor fica a 35 minutos da queijaria, conta Cida Berger. A empresa tem pontos de vendas em várias cidades de Portugal, como Lisboa, Cascais, Setúbal, Coimbra, Viseu, Vila Nova de Gaia, Açores e Lagos. São mercadinhos de produtos brasileiros, restaurantes e snack bar, informa Cida. “A maioria dos nossos clientes é de brasileiros, mas estamos sentindo uma crescente procura, principalmente por parte dos portugueses e ingleses, pelos nossos queijos.” A empresa tem clientes em Espanha, Itália, Irlanda, França e Alemanha “e estamos em negociação com outros países”, revela Cida.

O INÍCIO Cida Berger era corretora de imóveis no Brasil quando, em 2016, veio a Portugal a passeio. “Tenho dois irmãos, Roberto e Adriana, que moravam em Portugal havia bastante tempo e, desde a primeira vez que vim visitá-los, tive vontade de morar aqui.” Cida decidiu mudar-se para Portugal. “Conversei com meu irmão, que é o meu sócio, sobre que negócio poderíamos abrir aqui. Algo novo, que ainda não tivesse no mercado.” Roberto sugeriu que começassem pelo queijo Coalho. “Então, fui correr atrás desse meu sonho: abrir meu negócio aqui em Portugal. Começamos a fabricar em casa, vendia através das redes sociais, entregava os queijos pessoalmente e fomos crescendo. Aos poucos, fomos ficando mais conhecidos e aumentando a nossa produção gradativamente. Alugamos um ponto pequeno e começamos a crescer mais um pouco.” Aí houve a necessidade de a empresa se legalizar e crescer, “como deve ser”, diz Cida. “As barreiras entrantes são imensas aqui. Foi quando nos mudamos para essa queijaria no Alentejo. Hoje temos a certificação HACCP, que nos dá segurança para fabricarmos dentro da legislação em vigor. Nossos queijos passam por análise de seis em seis meses.” A HACCP (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle, em português) engloba controle de pragas, análises microbiológicas dos queijos, acompanhamento de engenheiro alimentar, segurança alimentar etc.

Foto: arquivo Adriano Valério

Foto: José Venâncio

A areia é um insumo essencial na construção civil e o consumo do material na região, especialmente em Resende Costa, é elevado. No entanto, é notório que sua extração gera impactos socioambientais, especialmente em área ainda não minerada e provida de significativa beleza natural, como é a várzea do rio Santo Antônio. Nesse sentido, o minerador não deve apenas chegar e extrair o mineral da forma que bem convier: ele deve prezar pela sustentabilidade de sua atividade. Assim, vamos nos ater aos impactos ambientais e sua possível mitigação. Primeiramente, qualquer processo de extração mineral não é bonito de se ver na paisagem. Dessa forma, o que pode ser feito para diminuir o impacto visual é a instalação de uma cortina arbórea ao redor da área, plantando eucalipto ou sansão do campo. O barulho gerado pelo funcionamento da bomba para dragagem da areia e pela movimentação de máquinas pesadas pode ocasionar afugentamento da fauna local e, caso haja moradores próximos, é necessário respeitar a chamada Lei do Silêncio (Lei Estadual 7.302 de 1978). Outra questão é a emissão de material particulado (poeira), devido à movimentação de máquinas e caminhões, o que pode causar transtornos a moradores próximos às estradas de acesso às áreas. A aspersão (jogar água) nas vias de terra ameniza o problema. No processo de dragagem de areia, a retirada da vegetação para acesso ao leito do rio e para sua estocagem nas margens é recorrente. Geralmente, compen-

Processo de extração de areia no rio Santo Antônio

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Cida, na fábrica de queijos no Baixo Alentejo, Portugal


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ANO XVII Nº 211 - NOVEMBRO 2020

ESPORTE

XX Enduro das Lajes foi realizado após três meses de adiamento e sem presença de público VANUZA RESENDE

Em 2020, o Enduro das Lajes chegou à sua vigésima edição. De acordo com o calendário inicial, a prova estava prevista para acontecer no mês de julho, porém, devido à pandemia da Covid-19, os pilotos aceleraram com três meses de atraso. A prova foi realizada sem presença de público no primeiro fim de semana de outubro e seguiu todos os protocolos de segurança do plano Minas Consciente. O piloto resende-costense e um dos organizadores do Enduro das Lajes, Jonas Pinto, falou sobre a realização da vigésima prova. “Mudou muito a organização em relação ao que estávamos acostumados a fazer. Na verdade, a prova seria em julho, mas estávamos no pico da pandemia. A Federação Mineira de Motociclismo (FMEMG) buscou recursos, propostas e elaborou protocolos para a gente movimentar. O Enduro de Regularidade é considerado um esporte profissional, como o futebol, por

exemplo. Mas nós não somos muito reconhecidos. Nós seguimos os passos do Enduro da Independência, que largou em Socorro (SP) e chegou a Caxambu (MG) no feriado do último dia 07 de setembro. Eu acompanhei a prova, fui no apoio e percebi, assim como as outras pessoas, que ocorreu tudo bem”. Jonas relata que uma das maiores dificuldades para a organização do Enduro das Lajes foi aguardar a liberação para a realização da prova. “Só depois que tivemos o protocolo da FMEMG, a partir da realização do Enduro da Independência, é que conseguimos realizar essa prova. Inclusive, ela valeu para o Campeonato Mineiro, Copa Estrada Real e Copa Sul-Mineira. Mas, depois do projeto pronto, conseguimos realizar tranquilos. Contamos com o apoio das secretarias de Saúde de Resende Costa e de Coronel Xavier Chaves e da Policia Militar.” O 20° Enduro das Lajes reuniu 98 pilotos, todavia não contou com a presença de público, que é tradicionalmente muito grande. Além disso, de acordo com Jonas, entre as medidas de segurança, constavam o uso obrigatório de máscaras, higieniza-

ção com álcool em gel e distanciamento social recomendando. Todas as inscrições foram feitas on-line, assim como os pagamentos efetuados via depósito ou boleto bancário. “Pensamos em fazer o evento na Avenida Alfredo Penido, na área do artesanato, do turismo. Mas levamos para o Parque de Exposições para ser fechado, somente com a presença dos pilotos, da organização e da equipe técnica”, explica. Jonas destacou ainda que os pilotos já seguem um distanciamento de 30 segundos e isso contribuiu para evitar aglomeração. “Montamos também uma praça de alimentação no Parque de Exposições para que os pilotos não precisassem passar em restaurantes e padarias na cidade.” Além da ausência do público, Jonas disse que os próprios pilotos buscaram, pessoalmente, os troféus a fim de evitar aglomeração. “Foi um pouco diferente. Não estamos acostumados a ver uso de máscara (em competições). Outra coisa que chamou a atenção foram os moldes da premiação, ficando os troféus sobre uma mesa. A gente anunciava o nome do piloto e a categoria à qual ele pertence. Por exemplo: “Categoria Elite

Enduro das Lajes aconteceu com atraso no calendário previsto para 2020 devido à pandemia de Covid-19

– quarto lugar”, e o piloto se dirigia até a mesa e subia no pódio para fazer uma foto. Isso tudo sem abraçar e sem nenhum cumprimento. Sabemos que muitos pilotos vinham com a família, mas dessa vez não foi assim. Então foi algo meio seco, digamos assim”, descreve o organizador. Devido à pandemia, muitas etapas dos campeonatos foram afetadas, conforme explica Jonas. “Os calen-

dários estão todos atrasados e muitos organizadores não conseguiram realizar as competições por questões de falta de patrocínio entre outros empecilhos nos municípios. Por exemplo, um campeonato que tinha oito etapas caiu para quatro, ou até três para conseguir fechar esse ano. Em alguns casos, foi preciso alterar o regulamento do campeonato, e isso deu um pouco de trabalho”, finaliza o piloto.

“Corrida Contra o Relógio” marca retorno das corridas de rua em Resende Costa No calendário esportivo deste ano, estavam previstas pelo menos oito corridas em Resende Costa. No entanto, foram realizadas apenas duas. Como seguimos em um momento em que, devido à pandemia de Covid-19, ainda não se permitem eventos de corrida de rua, diferente do que vinha ocorrendo até março de 2020, os organizadores das provas pensaram em novas soluções. O autônomo Luiz Nei Resende, que sempre está à frente das corridas de ruas em Resende Costa, organizou mais uma prova, mas desta vez com regras bem diferentes. A “Corrida Contra o Relógio”, realizada entre os dias 10 e 12 de outubro último, reuniu vários atletas, ainda que sem nenhuma aglomeração. Luiz explica: “Montamos um protocolo a ser

seguido para poder fazer a primeira corrida na região durante a pandemia. Tivemos a liberação do comitê da prefeitura de Resende Costa. Seguimos à risca os protocolos, respeitando o distanciamento, com largadas individuais, ou seja, um atleta a cada 5 minutos, uso de máscaras na arena de largada e chegada.” Ao todo, participaram 85 atletas ao longo dos três dias de prova, uma média de 28 corredores por dia. A organização foi reduzida e contou apenas com quatro pessoas. Luiz cita as principais mudanças para realização da prova: “Tivemos que reduzir o número de atletas, fizemos a medição de temperatura em todos eles e era obrigatório o uso de máscaras. Não tivemos premiação presencial no dia da prova para não

haver aglomeração.” Os atletas percorreram o total de 9,3 km num percurso de estradas rurais e trilhas. O tempo de cada corredor foi cronometrado e os corredores mais bem colocados receberam o troféu em casa, após os dias das provas. O organizador e atleta também comenta sobre as dificuldades de realizar um evento esportivo em meio à pandemia. “Muitos atletas ficaram receosos de participar. Precisamos ainda, como eu falei, limitar o número de inscrições. Tivemos o trabalho de fazer o evento em três dias para não aglomerar os atletas e tivemos também que enviar a premiação posteriormente. Considero isso tudo como dificuldade para a realização da prova.” O aposentado Edivaldo Gon-

zaga de Resende, 62 anos, foi um dos 85 participantes da prova. Para ele, apesar de valer a experiência de participar de uma prova seguindo todas as normas de segurança em meio a uma pandemia, o prazer não é o mesmo do vivenciado em outras competições, sem a necessidade de protocolos sanitários. “A corrida foi bem organizada, me senti seguro. Estavam todos de máscara e sem aglomeração. Mas eu estranhei bastante o tipo dessa prova, acho que foi sem aquela emoção de correr acompanhado de vários outros atletas. A gente corre e, quando estão todos cansados, já não há conversa, mas escutamos só o barulho das pisadas, aquele barulho gostoso. Quando corremos em grupo, apesar de estarmos sempre tentando ganhar, também passamos força aos

nossos companheiros. Eu senti falta disso. Na chegada, geralmente recebemos e damos os parabéns, e desta vez não tivemos essa oportunidade. Foi bom porque corremos, mas faltou a emoção de uma corrida em tempos normais”, declara Edivaldo. Luiz Nei acredita que, até sair uma vacina para prevenção à Covid-19, as corridas ainda serão realizadas seguindo protocolos de segurança. “Depois de mais de seis meses sem ter corridas, os atletas que participaram acharam o evento bastante seguro e muitos ficaram emocionados por voltarem a correr uma prova. Acredito que, até que surja uma vacina, teremos que nos adequar ao novo normal. E já estamos pensando em mais eventos assim”, conclui o maratonista.


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