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Edição 210 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVII

• OUTUBRO 2020 • Nº210

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

As eleições se aproximam

É hora de conhecer melhor os candidatos e suas propostas Foto: André Eustáquio

Especial Durante a pandemia, vem crescendo o número de pessoas que procuram o ciclismo como esporte e alternativa prazerosa para sair do sedentarismo. Devido à grande procura, nas lojas especializadas já há dificuldade de encontrar bicicletas novas, peças e acessórios. E o preço... PÁG 11, 12 e 13

Prefeitura Municipal de Resende Costa. O cargo de prefeito, para o cumprimento do mandato 2021 - 2024, será disputado por três candidatos

A pouco mais de um mês para as eleições, ainda paira a dúvida se neste ano, devido à pandemia, o eleitor vai se motivar a entrar no clima da campanha eleitoral. Geralmente, as eleições municipais despertam paixões, disputas e muitos, muitos comentários nas esquinas, nos bares e nas ruas. Porém, a campanha, até o momento, está se restringindo às redes sociais, onde o debate, na maioria das vezes, é raso e pouco contribui com uma decisão inteligente e reflexiva do eleitor. O JL entrevistou os três candidatos a prefeito de Resende Costa para saber deles quais são suas ideias e projetos para o município. PÁG 05, 06 e 07

Extração de areia no rio Santo Antônio gera preocupação em Resende Costa Na segunda parte do artigo especial sobre extração de areia no leito e nas mar-

gens do rio Santo Antônio, o professor e membro da ONG ambiental IRIS (Ins-

tituto Rio Santo Antônio), Adriano Valério Resende, reflete sobre os impactos

que uma exploração que ignora normas ambientais pode causar ao meio am-

biente e à sociedade. PÁG 16


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ANO XVII Nº 210 - OUTUBRO 2020

O Verso e o Controverso JOÃO MAGALHÃES

As eleições 2020 estão chegando... Época de efervescência política. Apesar dos defeitos, feliz o país que periodicamente tem eleições livres. Começo aplaudindo Thomas L. Friedman, do “The New York Times”: “Para que uma política saudável floresça, ela precisa de pontos de reflexão fora de si mesma. Pontos de referência da verdade e uma concepção de bem comum – explicou o filósofo religioso Moshe Halbertal, da Universidade Hebraica – quando tudo se torna político é o fim da política”. Continua Friedman: “Em outras palavras, quando tudo é política, significa que tudo se trata apenas de poder. Não há centro, há apenas lados. Não há verdade, apenas versões. Não há fatos, há apenas uma competição de vontades”. Frente às utopias (gr. “u topos”: nenhum lugar) nas falas, propagandas e promessas dos candida-

tos, aliás, de pouquíssimo crédito, ou quase nenhum, da parte dos eleitores, espera-se que se resulte alguma eutopia (gr.“eu topos”: bom lugar). Esperança frustradíssima, por exemplo, no atual regime governante do país, acho eu. O que mais surge é uma distopia (gr. “distopia”: mau lugar) atrás da outra. Tenho dito, por acompanhar tanto tempo os eleitos do país, que um eleito eticamente comportado, que não compra votos, que assume seu cargo tendo em vista o bem-estar coletivo e luta por essa causa até o fim, raramente se reelege. Pior: poucos se elegem se não conseguirem muito dinheiro! Por quê? O cidadão sabe a resposta. Para haver melhoras substantivas na política das nações democráticas de direito, uma exigência seria fundamental a todo candidato: uma Ética Social inabalável. Melhor dizendo, jamais violar os

princípios da Ética Social que podemos concentrar em 6: Dignidade da Pessoa Humana; Direito de propriedade; Primazia do trabalho; Primazia do Bem comum; solidariedade; subsidiariedade (suprir o que falta). E aqui cabe uma reflexão sobre Tolerância, atitude a meu ver muito importante para a democracia. Norberto Bobbio, Karl Popper e Umberto Eco serão meus guias. Bobbio faz uma distinção entre tolerância negativa e tolerância positiva. Na negativa, você atura os defeitos, erros, comportamentos da pessoa ou grupos, por conveniência, por pragmatismo, mal menor etc. A positiva se fundamenta na convicção de que a pluralidade de opiniões, em concorrência entre si, é condição essencial para sobrevivência e desenvolvimento de uma sociedade democrática. Isso não

implica em renúncia das próprias convicções, nem abdicação do desejo de triunfo de sua posição. Mas implica, sim, em não excluir as demais posições. É o velho ditado: do debate nasce a luz. Ser tolerante não é ser indiferente. “A Democracia, diz Bobbio, “pode ser definida como um sistema de convivência em que as técnicas da argumentação e da persuasão substituem as técnicas de coação para solução dos conflitos sociais. Tolerância do ponto de vista democrático é opção pelo debate, pela argumentação, pela persuasão, em lugar da coação ou da perseguição”. Só que a tolerância tem limites. Concordo com Karl Popper em que a tolerância ilimitada pode ocasionar o desaparecimento da tolerância, ou seja, uma sociedade tolerante que não se defende dos ataques dos intolerantes permite

a destruição dos tolerantes e, com eles, da tolerância. Saudades do “profeta” de nosso tempo, Umberto Eco, que nos deixou em 2016: “A intolerância mais perigosa é exatamente aquela que surge na ausência de qualquer doutrina, acionada por pulsões elementares. Por isso não pode ser criticada ou freada com argumentos racionais. Mas aí está o desafio. Educar para a tolerância, adultos que atiram uns nos outros por motivos étnicos e religiosos, é tempo perdido. Tarde demais. A intolerância deve ser, portanto, combatida em suas raízes, através de uma educação constante que tenha início na mais tenra infância, antes que possa ser escrita em um livro, e antes que se torne uma casca comportamental espessa e dura demais” (Da pequena coletânea de seus escritos e intervenções: “Migração e Intolerância” – Ed.Record – 2020).

EDITORIAL O voto: uma escolha certa, inteligente e ponderada

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O cargo é cobiçado, apesar de o país viver uma grave crise sanitária, política e econômica com reflexo em grande parte dos municípios. O que leva alguém desejar ser prefeito ou vereador em tempos de pandemia e de crise política e econômica? É o que devemos refletir quando formos votar no próximo dia 15 de novembro. Em Resende Costa, três cidadãos se apresentaram ao eleitor a fim de concorrem ao posto mais alto do Executivo do município mineiro de 11.569 habitantes, na região do Campo das Vertentes. Os resende-costenses decidirão se querem Adil-

son Resende (PT), Zinho Gouvea (PSDB) ou Anderson Belo, o Alemão (PSL), como próximo prefeito para o mandato 2021 - 2024. A campanha eleitoral iniciou no dia 27 de setembro já demonstrando uma enorme diferença em relação ao que o eleitor estava acostumado a ver em anos anteriores. Antes víamos os candidatos andando pelas ruas da cidade, abordando os eleitores e distribuindo os famosos “santinhos”. Neste ano, o “corpo a corpo” será virtual devido às normas sanitárias de prevenção ao novo coronavírus. Já no primeiro dia de propaganda eleito-

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

ral, as redes sociais, especialmente o Facebook, receberam uma avalanche de postagens de candidatos a prefeito e vereador, compartilhadas por seguidores, amigos, admiradores e correligionários dos postulantes aos cargos públicos do Executivo e do Legislativo municipais. Mas, afinal, uma campanha eleitoral atípica no Brasil, sem comícios e grandes encontros, culminará numa eleição (escolhas) também atípica? É o que veremos nas próximas semanas. Nas eleições de 2018, a maioria dos eleitores brasileiros elegeu presidente da República um candidato, Jair Bolsonaro, que pediu votos cumprindo quarentena dentro do seu QG na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. Não houve debate e o candidato dispensou até mesmo o tradicional corpo a corpo – com direito a cafezinho na padaria da esquina – com o eleitor. Para Bolsonaro, bastaram como material de campanha somente as redes sociais, os celulares, notebooks e toda parafernália tecnológica que hoje dita comportamentos e forma opinião (ou deturpa opiniões?). As eleições municipais seguirão essa mesma tendência, ou os problemas locais que afetam diretamente o dia a dia dos cidadãos em suas respectivas cidades exigirão contato maior e mais pessoal dos candidatos com o eleitor? O olho no olho, os aper-

tos de mãos, a conversa franca e as promessas (ainda que algumas delas sejam vãs) serão dispensáveis? Há analistas políticos que afirmam que as eleições municipais nada, ou quase nada, têm a ver com as chamadas eleições gerais, nas quais escolhemos presidente, governadores, deputados e senadores. Para eles, o debate nacional é muito diferente das demandas locais, sobretudo nos pequenos municípios do interior. Pesam mais as propostas que almejam resolver os problemas urgentes das nossas, às vezes caóticas, cidades e menos o debate ideológico sobre, por exemplo, investimentos no SUS (Sistema Único de Saúde), políticas de proteção ambiental, análises geopolíticas e teorias de desenvolvimento econômico – que geralmente balizam campanhas presidenciais. De acordo, portanto, com essa avaliação, a escolha do eleitor tende a ser mais paroquial, objetiva e pragmática. O pragmatismo é, sem dúvida, importante na hora da escolha de quem irá governar o município nos próximos quatro anos e de quem ocupará uma vaga na Câmara Municipal. Porém, é temerário ignorar a biografia e o preparo político dos candidatos. No momento solitário diante da tela da urna eletrônica e prestes a apertar a tecla VERDE para confirmar o voto, é preciso avaliar

com esmero quem de fato estamos escolhendo, quais são suas verdadeiras intenções e, sobretudo, se o candidato ora escolhido por nós é realmente capaz de assumir um cargo tão importante para o município. É importante, ainda, ponderar se suas propostas, apresentadas durante a campanha, são realmente factíveis, constitucionais, ou meramente eleitoreiras. O voto exige de nós seriedade, reflexão, serenidade e inteligência. Por isso, ciente do compromisso de contribuir com o eleitor em sua reflexão, o JL promoveu, nesta edição, um jogo aberto com os três candidatos a prefeito de Resende Costa. O editor-chefe André Eustáquio e a jornalista Vanuza Resende conversaram com Adilson Resende, Zinho Gouvea e Anderson Belo, o Alemão, a fim de saber deles quais são seus projetos para o município. O JL deseja que, no fim da leitura desta edição, o eleitor conheça melhor os candidatos e tenha maior clareza acerca do que cada um deles, se eleito, deseja implantar em Resende Costa nos próximos quatro anos. Mais ainda, desejamos contribuir para um debate eleitoral profícuo de ideias, reforçando sempre a democracia e valorizando a escolha certa e inteligente do eleitor.


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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Indicações aprovadas em setembro de 2020 Confira as indicações, de autoria dos vereadores, aprovadas nas reuniões ordinárias no mês de setembro • Possiblidade de realização de obra de reforma dos balaústres que se localizam no entorno do Velório Municipal de Resende Costa – MG; • Possiblidade de instalação de um poste com iluminação no Povoado do Cajuru, no logradouro atrás da casa do senhor Luiz Antônio Duarte.

Leis sancionadas em setembro de 2020 As seguintes leis foram resultado dos projetos de lei aprovados durante as reuniões ordinárias e extraordinárias que aconteceram durante o mês de setembro. Para ter acesso, acesse o site da Câmara Municipal de Resende Costa, pelo link: http:// camaraderesendecosta.mg.gov. br/?Meio=Leis. • Lei nº 4.663 – Cria cargo de Psicólogo do Bem Viver; • Lei nº 4.664 – Cria cargo de Psicólogo do NASF; • Lei nº 4.665 – Crédito especial de R$200.000,00 para

construção de uma quadra poliesportiva no Povoado dos Pintos; • Lei nº 4.666 – Crédito especial de R$31.200,00 para promover a contratação de 150 horas de escavadeira hidráulica a ser utilizada nas obras de infraestrutura do trecho que liga o Bairro Pôr do sol à LMG 839; • Lei nº 4.667 – Crédito especial de R$250.000,00 para aquisição de terreno para construção de uma quadra multiuso/ Centro de Apoio Educacional; • Lei nº 4.668 – Dá nome a rua de Rua Orquestra Mater

Dei;

• Lei nº 4.669 – Inclusão de programa e ação nos instrumentos orçamentários com finalidade de atender aos objetivos do Programa de Enfrentamento Hospitalar da Covid-19; • Lei nº 4.670 – Crédito especial de R$135.000,00 para custear serviços de reforma e ampliação da Escola Municipal Marcos de Oliveira Braga, localizada no distrito de Jacarandira; • Lei nº 4.671 – Crédito especial de R$41.364,02 para custear serviços de reforma da Escola Municipal Carlos Pinto, no

povoado do Pintos; • Lei nº 4.672 – Crédito especial de R$39.305,76 para custear serviços de reforma da Escola Municipal José Augusto de Resende, localizada no povoado do Cajuru; • Lei nº 4.673 – Altera a Lei nº 4.058/2016 – RCPREVI; • Lei nº 4.674 – Cria o CAT – Centro de Atendimento ao Turista; • Lei nº 4.675 – Inclusão de ação no Plano Plurianual - Pagamento de licença prêmio indenizada.

Composição e atribuições da Mesa Diretora da Câmara Municipal

A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Resende Costa é composta pelo Presidente, pelo Vice-presidente e pelo Secretário. Aos seus componentes cabe direcionar os trabalhos do Legislativo, além de gerenciar os serviços administrativos da Câmara Municipal. A eleição da Mesa Diretora do Legislativo é realizada em sessão solene no dia 1º de janeiro, quando se tratar do primeiro ano da legislatura. Nos outros anos, a escolha é feita no dia 22 de dezembro. Até o corrente ano, a Mesa Diretora da Câmara Munici-

pal de Resende Costa tem sido eleita para o cumprimento do mandato de 1 ano, não podendo o Presidente que for eleito ser reconduzido ao cargo na eleição imediatamente subsequente. Porém, no dia 02 de março de 2020, foi aprovada a Resolução nº 418, que atualizou a redação do artigo 2º do Regimento Interno da Câmara e passou para 2 anos, a partir de 2021, o tempo de mandato da Mesa Diretora. O Presidente da Câmara Municipal integra a Mesa Diretora e também a preside. É o representante legal da Câmara

e desempenha funções legislativas, de direção, de administração e de representação. O Vice-presidente substitui o Presidente na sua ausência, em caso de impedimento, de licença e em quaisquer outras eventualidades. Quando está no exercício da Presidência, o Vice exerce todas as atribuições do cargo. Ao Secretário cabe verificar e declarar a presença dos vereadores no Plenário, realizar registros, acompanhar e supervisionar a redação da ata das sessões, além de outras atribuições que lhe são outorgadas.

Foto: Marina Vale

Você sabe como é formada a Mesa Diretora que administra a Câmara Municipal? Quais são as atribuições de cada membro que a compõe?

Mesa diretora onde trabalham o presidente, o vice-presidente e o secretário da Câmara Municipal de Resende Costa


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Secretaria de Saúde realiza ação de combate à Covid-19 no Curralinho dos Paulas No dia 2 de outubro, a Secretaria Municipal de Saúde realizou ação de combate ao novo coronavírus no Curralinho dos Paulas, zona rural de Resende Costa. Profissionais da saúde es�veram na comunidade quilom-

bola realizando testes da Covid-19, entrega de kits de higiene e aplicação de vacina contra o sarampo. Além disso, a equipe orientou e conscien�zou a população local sobre os cuidados contra o vírus, que

já fez cerca de 150 mil ví�mas em todo o Brasil. Resende Costa já registrou mais de 40 casos da Covid-19. A ação, considerada um sucesso, será estendida para as outras comunidades rurais de Resende Costa.

Secretaria de Saúde realiza ação de combate à Covid-19 na zona rural de Resende Costa

Profissionais da saúde estiveram no Curralinho dos Paulas no início de outubro

Resende Costa age para impedir aglomerações e disseminação do Coronavírus Em setembro, Resende Costa foi palco de cenas lamentáveis após pessoas irresponsáveis terem lotado a Avenida Gonçalves Pinto, no centro da cidade. No momento, as aglomerações na cidade e no país todo não são recomendadas, porque, infelizmente, ainda estamos perdendo muitas pessoas para a Covid-19. O

vírus não está controlado, a pandemia não acabou! Várias pessoas perderam familiares e amigos para essa doença nos úl�mos meses. Outras ainda sofrem as consequências da crise de saúde e financeira causada pelo coronavírus. Não há como retomarmos nossas vidas como se nada es�vesse

acontecendo. Irresponsabilidades como aquelas são inaceitáveis, e a Prefeitura tomou todas as medidas para que a situação não se repe�sse. Para isso, foi contratada uma empresa de apoio para auxiliar os profissionais de saúde nas rondas visando impedir aglomerações. Além disso, a Secreta-

ria de Saúde colocou barreiras no centro da cidade e nas Lajes de cima e contou com o reforço importante da Polícia Militar. A�tudes irresponsáveis podem colocar tudo a perder. Aos poucos conseguimos avançar com as a�vidades comerciais e isso pode não durar muito tempo se o cenário epidemio-

lógico piorar. Não é o momento de relaxarmos, por isso siga as recomendações dos órgãos de saúde: higienize bem as mãos, use máscara e, se puder, fique em casa. Se não es�ver preocupado com a sua saúde, pense no bem-estar de quem você ama. Empa�a é o mínimo que todos deveriam ter. Cuidem-se!


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JOGO ABERTO - ESPECIAL ELEIÇÕES 2020

ANDRÉ EUSTÁQUIO / VANUZA RESENDE

O PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) é um dos principais partidos políticos de Resende Costa, tendo governado o município por três mandatos consecutivos, com José Rosário Silva (1997-2000) e Gilberto José Pinto (2001-2004 e 2005-2008). Na atual administração do prefeito Aurélio Suenes (PSD), o partido está representado pelo vice-prefeito José Gouvea Filho, o Zinho Gouvea, escolhido pelo PSDB para ser o candidato a prefeito nas eleições 2020 pela coligação “Resende Costa seguindo em frente”, formada por PSDB, PSD e MDB. O vereador Lucas Paulo de Assis Vale (PSD) compõe a chapa como candidato a vice-prefeito. Zinho Gouvea, 55 anos, é produtor rural, nascido no distrito de Jacarandira, zona rural de Resende Costa. Filiou-se no PSDB em 2004 a convite do ex-prefeito Gilberto Pinto, um dos maiores líderes políticos de Resende Costa, falecido em dezembro de 2015. A carreira política do candidato Zinho Gouvea é marcada por dois mandatos de vereador (2005-2008 e 20132016) e um mandato de vice-prefeito (2017-2020). O atual vice-prefeito e candidato ao cargo mais alto do Executivo Municipal de Resende Costa conversou com o JL, falou de sua trajetória política e apresentou seus projetos para o município. O senhor vem construindo uma trajetória política iniciada com dois mandatos de vereador e um de vice-prefeito. Como surgiu o projeto de propor uma candidatura a prefeito de Resende Costa? Com a experiência e os conhecimentos adquiridos nos mandatos anteriores, seja como vereador e agora como vice-prefeito, bem como acompanhando de perto a administração do atual prefeito Aurélio Suenes, me sinto hoje preparado para dar sequência ao ótimo trabalho que tem sido desenvolvido durante toda essa administração. O seu partido, o PSDB, vem passando por grave crise em nível nacional e estadual, envolvendo importantes lideranças, como o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, o senador José Serra e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Esse momento difícil pelo qual passa o PSDB poderá influenciar nas eleições municipais? Acredi-

to que não teremos essa influência no cenário municipal. Infelizmente nosso meio político, de forma geral, em âmbito nacional, vem sendo contaminado pela corrupção, que abrange praticamente todos os partidos. Como é de conhecimento de todos, nossa política local é diferenciada. Sempre tivemos na administração local, sejam prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, pessoas do bem e comprometidas com a nossa cidade. Acredito que todos os munícipes de Resende Costa conhecem a minha trajetória política e social, sabem do respeito que tenho com as coisas públicas, que são patrimônio de todos nós. Os municípios estão sofrendo os efeitos da grave crise sanitária e econômica, devido à pandemia do novo coronavírus. Educação e Saúde certamente são os setores mais fragilizados. Quais são seus planos para a Educação e a Saúde em Resende Costa? Nosso município é agraciado por ter um excelente hospital, uma infraestrutura básica para saúde municipal em ótimo estado (como Posto de Saúde, PSF, entre outros), bem como excelentes escolas. Nosso projeto para a Saúde é ampliar o convênio com o hospital, com O CISVER (Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes), para que possamos oferecer maior número de consultas, de exames e de procedimentos cirúrgicos para toda a população, entre vários outros projetos, que poderão ser consultados em nosso plano de governo. Com relação à Educação temos o projeto de implantar gradativamente o tempo integral escolar, seguindo as metas do Governo Federal, que acredito ser importante para o desenvolvimento de nossas crianças e adolescentes, que são o futuro da nossa cidade. Temos também o projeto de oferecer cursos profissionalizantes e alfabetização para jovens e adultos, em parceria com as escolas e associações, entre vários outros projetos, que também podem ser consultados em nosso plano de governo. O senhor é vice-prefeito e participa da atual administração do prefeito Aurélio Suenes. Se eleito, o senhor pretende realizar um mandato de continuidade ou vislumbra mudanças? A atual administração vem elaborando ótimos projetos para o desenvolvimento urbano e rural da nossa cidade, em diferentes áreas, podendo citar, como exemplo, Saúde, Educação e Infraestrutura. Se eleito, darei continuidade a esse trabalho

e, com certeza, implantarei novas ideias para continuar desenvolvendo nossa cidade. Entre as principais propostas, estão a implantação de um museu histórico desta cidade, para desenvolvimento turístico e cultural; construção de uma pista de caminhada; melhoramento da iluminação pública, entre vários outros projetos. O senhor tem raízes familiares e políticas na zona rural de Resende Costa. Quais são seus projetos para a zona rural do município? Ampliar o convênio com a EMATER e valorizar nossas associações rurais, tais como: ARCOSTA, Clube dos Cavaleiros, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e, em parceria com essas instituições, desenvolver ainda mais o nosso meio rural. Tenho projeto de construir calçamentos em alguns trechos críticos das nossas estradas rurais, substituir mata-burros de madeira pelos de ferro, além de realizar a conservação de todas as estradas rurais para integração. Como importante meio de divulgação da nossa agricultura local, temos a Exposição Agropecuária, Exposição do Girolando, Copa do Mangalarga Marchador e as festas rurais. Em nosso projeto, destaca-se a valorização ainda maior desses eventos para a manutenção das tradições e a divulgação dos nossos produtos. A economia de Resende Costa é movida pelo comércio, sobretudo pelo artesanato e pelo turismo. Quais são seus planos para o turismo, o artesanato e a cultura? Valorizar a Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, dando a ela poderes para desenvolver projetos junto à ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), a fim de aprimorar a divulgação dos nossos eventos, do nosso artesanato e, consequentemente, da nossa cidade de forma geral. Temos também como projeto valorizar nossas belezas naturais e convertê-las em pontos turísticos; dar prosseguimento à construção do CAT (Centro de Apoio ao Turista), que irá apresentar ao turista as belezas naturais, históricas e culturais do nosso município, a fim de que ele permaneça por mais tempo em nossa cidade. Além disso, temos vários outros projetos de divulgação da nossa cidade em inúmeros e diferentes setores, que poderão ser vistos em nosso plano de governo. A sociedade brasileira vem

Foto: Arquivo Zinho Gouvea

Atual vice-prefeito Zinho Gouvea é o escolhido do PSDB para a disputa pela prefeitura de Resende Costa

Zinho Gouvea e Lucas Paulo

assistindo a episódios preocupantes de agressão a instituições que sustentam a nossa democracia, como o Judiciário, o Legislativo e a imprensa. Se eleito, como o senhor pretende dialogar com os outros poderes e com a imprensa no município de Resende Costa? Entendo que todas as instituições são importantíssimas para o desenvolvimento democrático e devem ser tratadas com o máximo respeito. Caso eleito, manterei as portas abertas para todos, mantendo um diálogo aberto, ouvindo críticas construtivas, sempre com o intuito de melhorar ainda mais nossa administração. Nas eleições de 2016, Resende Costa teve um percentual de 2,71% de votos brancos; 6,04% nulos e 14,87% de abstenções na votação para prefeito. Há algum tempo, os brasileiros manifestam certa descrença com a política em virtude, sobretudo, do cenário político nacional. Como o senhor pretende conquistar o apoio daqueles eleitores que estão indecisos e ao mesmo tempo descrentes com a política? Realmente entendo que a política, em âmbito nacional, em vários momentos, vem tratando com desrespeito os eleitores, causando descrença aos cidadãos. Demonstrarei a todos que o nosso trabalho, realizado até o presente momento, continuará sendo conduzido de forma séria e transparente, mantendo o diálogo com todos. É desta forma que pretendemos conquistar o voto dos que estão desiludidos com a política. Como considera os servidores públicos, sabendo que sem eles não é possível administrar?

Qual a relação que pretende ter com eles e como planeja formar a sua rede de secretariado? Considero que todos os servidores públicos são de suma importância para o sucesso de uma administração, devendo ser todos valorizados e tratados com o máximo respeito. Pretendo ter uma relação de companheirismo com todos os servidores da nossa estrutura pública, uma vez que sem eles não chegaremos a lugar algum, estando sempre aberto ao diálogo, ouvindo novas ideias e valorizando-as, ouvindo críticas construtivas e sempre melhorando. Com relação à escolha dos secretários, usaremos como critério a qualificação técnica, deixando de lado qualquer jogo político. Em sua opinião, quais são os principais desafios a serem enfrentados pelo novo prefeito municipal de Resende Costa que será eleito no dia 15 de novembro? Devido ao atual cenário mundial causado pelo novo coronavírus, que desencadeou uma crise econômica em diversos setores do nosso país, acredito ser este um dos principais desafios a ser enfrentado pelo novo prefeito municipal. Como é realizar uma campanha eleitoral em plena pandemia? Estamos ainda no início da campanha eleitoral e, como é de conhecimento de todos, faremos uma campanha limpa, com respeito a todos e sabendo ouvir toda a população resende-costense com o intuito de conquistar os votos dos nossos eleitores. Sabemos do risco de contágio que esse vírus possui. Dessa forma, faremos nossa campanha com a máxima segurança, obedecendo às regras sanitárias.


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JOGO ABERTO - ESPECIAL ELEIÇÕES 2020

ANDRÉ EUSTÁQUIO / VANUZA RESENDE

O PSL (Partido Social Liberal) ganhou destaque no país nas eleições de 2018, especialmente pelo fato de a legenda abrigar o então candidato Jair Bolsonaro, eleito presidente da República. Em Resende Costa, o partido está sendo conhecido melhor graças à militância política do seu fundador no município, o candidato a prefeito Anderson Belo de Resende, o Alemão. Aos 43 anos, o empresário do setor de vendas de máquinas e tratores, que traz em seu currículo profissional atuação no ramo do comércio em Fortaleza (CE), inicia-se na política da terra natal da sua família ao lado do companheiro de partido, Luiz Carlos da Silva, o Tiririca, candidato a vice-prefeito. Alemão, que nos últimos anos ganhou visibilidade nas redes sociais através da publicação de vídeos nos quais relata sua opinião sobre a cidade, falou ao JL sobre a sua candidatura e apresenta propostas de governo aos eleitores de Resende Costa. O senhor disputará sua primeira eleição pleiteando o mais alto cargo do Executivo Municipal. O que o motiva a ingressar na política? Saí de casa muito cedo e fui em busca de conhecimento e da minha independência financeira. Deus é testemunha de que, desde adolescente, sempre carreguei o sonho de ser prefeito de Resende Costa. Nos últimos anos, tudo que eu via de diferente e de inovador nas cidades e estados eu guardava em minha mente, pensando em Resende Costa e acreditando que meu sonho seria realizado. Aí eu poderia colocar em prática todos esses projetos. Minha motivação vem desde que me entendo por gente, de sempre pensar no próximo e poder ajudar de alguma maneira. Acredito que somos seres enviados por Deus, já pré-programados, ou seja, cada um tem sua missão. Acredito que, por isso, mesmo estando em último nas pesquisas, estou sempre acreditando e buscando meu sonho. Hoje sinto-me realizado amorosa e financeiramente. Daqui para frente quero fazer algo pelo povo. Candidato-me a prefeito de Resende Costa, dispondo-me a ser um funcionário do povo pelos próximos 4 anos. O seu partido, o PSL, tornou-se conhecido por ser a legenda que elegeu o presidente Jair Bolsonaro em 2018. Isso contribuiu para a sua filiação no partido? Não só o PSL, mas outros partidos me atraíam pela ideologia de cada um. Acontece

que nós seres humanos tendemos a nos aliar àquilo que nos faz bem e, principalmente, com quem nos dê valor. Antes de me filiar no PSL, tive contato com mais três partidos e nenhum me tratou com tanto respeito. O PSL ofereceu estar junto comigo e saciar as necessidades e os desejos do povo resende-costense pelos próximos anos. O senhor é um admirador do presidente Bolsonaro? A palavra admiração eu só utilizo para minha esposa, meus pais, meus avós e meus amigos. Passo a todos os meus parceiros do PSL de Resende Costa que não podemos defender um político, seja ele prefeito ou presidente, como um time de futebol. Caso o presidente tenha boas atitudes, nós temos que apoiar; mas caso ele tenha atitudes ruins com o povo, nós temos que cobrá-lo. Enfim, independentemente do presidente ser do meu partido, ou não, eu só irei apoiar suas boas atitudes. A grande maioria dos candidatos tem como pilares de suas propostas de governo projetos para a saúde, a educação e a cultura. Quais são suas propostas para esses setores? Meu propósito é trazer para a nossa cidade o que há de mais moderno em tecnologia e modelos de gestão. Quero deixar as famílias tranquilas e confiantes de que, caso adoeçam, serão tratadas por profissionais eficientes, sem deixar faltar remédios ou recursos para seu tratamento. Apresentarei para apoio à educação o projeto “Galpão do Conhecimento”, que será fundamental para a motivação dos alunos. Implantaremos robótica nas escolas. Quero resgatar nossas tradições, como, por exemplo, o Carnaval. Destaco ainda o apoio aos Congados e a toda nossa cultura. Quero também fazer renascerem novas culturas. Pretendo investir no teatro. Quero promover, junto com associações ligadas ao turismo, a nossa Mostra de Artesanato, de culinária, promovendo nossa cidade e o artesanato. E para a zona rural do município? Adoro falar dos distritos, uma relíquia que guarda nossas origens. Sei da minha responsabilidade de cuidar dos povoados e investir neles. Tive uma grande preocupação com os distritos ao fazer meu plano de governo. Quero levar a essa gente o que há de melhor em pavimentação, telefonia, saúde, educação, transporte público e projetos para o agronegócio. Amo os leilões e as festas das roças. Quero ser o prefeito que mais participou e investiu nos distritos nos últimos anos. Já há algum tempo, o senhor vem postando em suas contas nas redes sociais vídeos em que aparece denunciando o que julga

serem problemas na cidade e/ou fazendo críticas à atual administração. O senhor pretende apresentar suas propostas aos eleitores utilizando-se, sobretudo, de vídeos e das redes sociais? Sim, fiz em média 25 vídeos e alguns surtiram efeito. Vejam o vídeo que eu fiz denunciando uma cratera na rua no bairro Riguinho; denunciei também o ônibus que não estava passando para levar os alunos na escola. Em menos de 24 horas, o ônibus voltou a circular e a rua foi arrumada na mesma semana. Denunciei também a falta de cinto de segurança para os alunos. Com meu vídeo dando sugestão de diminuir o canteiro central na rua padre Joaquim Carlos, a cidade ganhou muito espaço, fazendo com que o trânsito flua melhor. Também é fato que há décadas a prefeitura judiou dos funcionários públicos, tirando seus direitos a EPIs (equipamentos de proteção individual), assegurados por lei. E com minhas duras críticas, em alguns meses, eles deram o uniforme. Só não foi mais justo porque os funcionários não fizeram parte da escolha da cor e dos tipos de tecido. Tenho relatos de que algumas partes do uniforme são muito quentes. Irei utilizar todas as ferramentas disponíveis para a campanha eleitoral do PSL em Resende Costa. A economia de Resende Costa é movida pelo comércio, sobretudo pelo artesanato e pelo turismo que é aquecido justamente por esse setor. Quais são seus planos para o turismo e o artesanato? Há 30 anos, eu levava retalhos para picar no Cajuru, no Curralinho dos Paulas e no Tabuado. Bati na porta de muitas casas em Resende Costa para vender fio e retalho. Na época, eu tinha 12 anos. Em 1999, eu estava dentro do primeiro caminhão de retalhos que chegou a Resende Costa, conduzido pelo meu pai, Dalmo Belo de Resende, de quem tenho muito orgulho. Eu fiz parte do nosso artesanato e acompanhei o seu crescimento. Daqui para frente, nós vamos implantar um bom plano de marketing para Resende Costa e para o turismo. A sociedade brasileira vem assistindo a episódios preocupantes de agressão a instituições que sustentam a nossa democracia, como o Judiciário, o Legislativo e a imprensa. Se eleito, como o senhor pretende dialogar com os outros poderes e com a imprensa no município de Resende Costa? Tenho assistido a uma troca de farpas entre as instituições, como o Judiciário, o Legislativo, a imprensa e o governo. Todos eles, a meu ver, sustentam a democracia. Reconheço erros de todos os poderes. Tive uma boa educação familiar. Sou educado e respeitoso com quem me respeita. Não tenho

Foto: Arquivo Anderson Belo

Alemão e Tiririca são candidatos a prefeito e viceprefeito de Resende Costa da chapa do PSL

Alemão e Tiririca

passagem policial porque respeito as leis brasileiras e pretendo continuar respeitando e seguindo as ordens judiciais diante de qualquer situação. Apesar de os poderes Executivo e Legislativo terem diferentes obrigações, ambos têm o mesmo propósito de servir o povo. Nesse caso, pretendo ter um bom relacionamento com os vereadores. Afinal, quem ganha é o povo. Acompanho as dificuldades da Rádio Inconfidentes. Há alguns anos, já fiz postagens elogiando a nossa mídia. Sei o quanto é importante e glamouroso para nosso município apoiar o Jornal das Lajes, a Rádio Inconfidentes e outras mídias. Nas eleições de 2016, Resende Costa teve um percentual de 2,71% de votos brancos; 6,04% nulos e 14,87% de abstenções na votação para prefeito. Há algum tempo, os brasileiros manifestam certa descrença com a política em virtude, sobretudo, do cenário político nacional. Como o senhor pretende conquistar o apoio daqueles eleitores que estão indecisos e ao mesmo tempo descrentes com a política? Meu recado a todas as pessoas que estão descrentes com a política é que eu também fico triste com tantos gestos de irresponsabilidade e de corrupção nas políticas nacional e municipal. Acredito que Deus nos colocou na terra para evoluirmos e temos que continuar tentando sempre. Acredito que o homem deve estar sempre no meio e quando você não vota, você está fora; é como se você tivesse desistido da raça humana. Não podemos simplesmente lavar nossas mãos, temos responsabilidades sociais. Precisamos continuar tentando, mesmo que pareça estar tudo perdido. Eu acredito em pessoas honestas porque sou honesto. Amigo eleitor, peço-lhe para nunca desistir da nossa política porque o futuro de nossas crianças depende de nós. Como considera os servidores públicos, sabendo que sem

eles não é possível administrar? Qual a relação que pretende ter com eles e como planeja formar a sua rede de secretariado? Por melhor e mais capacitado que seja o prefeito, é impossível governar sozinho. Converso com muitos amigos que trabalham na prefeitura e fico chateado com o descontentamento de muitos funcionários. Irei implantar um programa de motivação baseado no carinho, no respeito e, principalmente, no reconhecimento do trabalho executado. Considero-me um colecionador de amigos e na prefeitura não será diferente. Pretendo formar meu secretariado baseado na competência. Quero dar oportunidade a novos profissionais. Irei indicar pessoas que não irão medir esforços para oferecer um trabalho de qualidade ao povo. Em sua opinião, quais são os principais desafios a serem enfrentados pelo novo prefeito municipal de Resende Costa que será eleito no dia 15 de novembro? Acredito que a nossa receita irá cair nos próximos anos devido a essa pandemia. Depois dessa crise sanitária, irão instalar outras crises. Vejam que os preços dos alimentos estão aumentando desordenadamente. Acredito até em uma falta de mantimento no país. O próximo prefeito não poderá brincar com o dinheiro público, como estamos vendo acontecer, porque o povo poderá precisar de ajuda e o poder público terá que estar preparado. A administração feijão com arroz já não cabe mais. O prefeito terá que trabalhar dobrado na busca de geração de empregos e de renda para a cidade. Nosso carvão está acabando e poucos estão plantando eucalipto. Com isso, centenas de pessoas ficaram desempregadas. Isso me preocupa. As drogas invadem Resende Costa e, se o prefeito futuro não implantar ações de combate, em breve iremos conviver com cenas de violência, de roubo e morte seguindo parâmetros de milhares de cidades do Brasil.


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JOGO ABERTO - ESPECIAL ELEIÇÕES 2020

ANDRÉ EUSTÁQUIO / VANUZA RESENDE

O Partido dos Trabalhadores já esteve à frente do município de Resende Costa em duas administrações, com o médico Luiz Antônio Pinto (1993-1996) e, entre 2009 e 2012 com o empresário Adilson Avelino de Resende. Um dos mais importantes líderes do PT de Resende Costa, Adilson, 60 anos, tenta uma nova eleição para o Executivo Municipal, acompanhado do vereador Ângelo Márcio, seu vice na coligação “Resende Costa Solidária e Popular”, formada pelo PT e pelo Avante. Empresário de destaque com mais de trinta e seis anos de atuação em Resende Costa no ramo de supermercados e transporte, Adilson Resende é católico, casado, pai de três filhos e possui duas netas. Nesta entrevista ao JL, o candidato do PT, que, além de ex-prefeito foi também vereador na legislatura de 2001 a 2004, avalia o cenário político eleitoral em tempos de pandemia e fala dos seus projetos para Resende Costa. O senhor foi prefeito, vereador e já disputou diversas eleições em Resende Costa. O que o motiva a entrar novamente na disputa para a prefeitura de Resende Costa? Fui prefeito de 2009 a 2012, posso afirmar que fiz ou iniciei obras importantíssimas para o povo, seja no saneamento básico ou na moradia popular. Sempre levei em consideração as legítimas necessidades do povo e, não tenho dúvidas, a saúde e a educação estão sempre em primeiro lugar. O que me motiva a disputar novamente é a necessidade premente que Resende Costa tem, no pós-pandemia, de implementar programas de recuperação econômica, gerando emprego e renda. Mas isso tem que estar vinculado à prioridade absoluta em saúde e educação. Assim como outros grandes partidos, o PT vem passando por um momento de crise, sobretudo em nível nacional. Em sua opinião, isso pode influenciar nas eleições municipais? O PT tem quarenta anos de atuação nacional. Atualmente, governa três estados e muitas cidades, tem a maior bancada federal, tem milhões de filiados e militantes, portanto é um sujeito histórico importante na construção de uma nação para todos. Lembrando que partido que não tem crise é só em regimes totalitários,

porque nesses não existem partidos, existe partido único controlado pelo Estado. Além do mais, em eleição municipal discutimos os problemas locais, aqueles que atingem diretamente a vida das pessoas. Historicamente o PT sempre apresentou propostas para o meio ambiente, educação, cultura e assistência social. Quais são seus projetos para esses setores tão importantes para o desenvolvimento do município? Meio ambiente: revitalização da Capoeira Nossa Senhora da Penha; retomada e ampliação da Coleta Seletiva como geradora de trabalho e renda. Educação: manter as escolas com os atuais níveis de ensino; diálogo com os professores; melhorias do plano de cargos e carreira do magistério; cursos de formação continuada; regulamentação imediata da eleição de diretor de escola; oferecer serviços de psicologia e serviço social na rede pública municipal de educação básica; melhorar as séries iniciais com cursos de aperfeiçoamento de alfabetização; professor recuperador para as crianças com dificuldade de aprendizagem; gratuidade do transporte de universitários e de cursos técnicos para São João del-Rei, com contrapartida social. Cultura: fortalecimento da cultura popular tradicional de nosso município; parceria com a UFSJ, IF Sudeste MG e outras instituições para projetos culturais; retomada do Carnaval Popular; incentivo a todas as entidades culturais para manutenção e desenvolvimento de suas atividades; criar e/ou regulamentar o Plano Municipal de Cultura e Plano Municipal de Turismo em parcerias com entidades e apoio integral aos artistas; garantia de prevenção e promoção do patrimônio cultural; ensino de Artes e Música em parceria com associações musicais e artísticas. Assistência social: construção de 100 casas populares; programa Renda Mínima; criação de empregos temporários para cidadãos de baixa renda na prestação de serviços para o espaço público. O PT é oposição ao atual mandato do prefeito Aurélio Suenes. Quais são as novas propostas que o senhor pretende apresentar ao eleitor de Resende Costa? Nossos vereadores atuaram no estrito cumprimento da lei. Propostas do Executivo que estavam de acordo com a lei e com as demandas da comunidade tiveram o apoio e o voto de nossa bancada.

Agora, projetos que não eram de interesses da comunidade, como, por exemplo, retirada de recursos de comunidades rurais e de associações, prejuízo aos servidores públicos, foram objeto de questionamentos por parte de nossos vereadores, principalmente do vereador Ângelo, que é o meu vice em nossa chapa. Quem assumir a prefeitura em 2021 vai entrar em um período recente marcado por graves consequências da pandemia de Covid-19. Em um cenário pós-pandemia, sobretudo com os cofres públicos sofrendo com os cortes, se for eleito como o senhor pretende iniciar sua gestão? Priorizando saúde, educação e assistência social. Obras, somente aquelas absolutamente necessárias e, com preferências, aquelas de emendas parlamentares. Então, vamos começar adotando políticas públicas solidárias e populares. A economia de Resende Costa é movida pelo comércio, sobretudo pelo artesanato e pelo turismo que é aquecido justamente por esse setor. Quais são seus planos para o turismo e o artesanato? Apoiar com a divulgação e a manutenção da festa do artesanato. A sociedade brasileira vem assistindo a episódios preocupantes de agressão a instituições que sustentam a nossa democracia, como o Judiciário, o Legislativo e a imprensa. Se eleito, como o senhor pretende dialogar com os outros poderes e com a imprensa no município de Resende Costa? Com certeza absoluta, vamos dialogar sempre. Consideramos o diálogo entre os poderes constituídos e com a imprensa valores fundamentais de uma sociedade democrática. Nas eleições de 2016, Resende Costa teve um percentual de 2,71% de votos brancos; 6,04% nulos e 14,87% de abstenções na votação para prefeito. Há algum tempo, os brasileiros manifestam certa descrença com a política em virtude, sobretudo, do cenário político nacional. Como o senhor pretende conquistar o apoio daqueles eleitores que estão indecisos e ao mesmo tempo descrentes com a política? Não só em Resende Costa, isso acontece no mundo todo. Acho que é próprio das democracias, sempre vai existir um percentual que não quer participar das eleições, sendo que

Foto: arquivo Partido dos Trabalhadores

Ex-prefeito Adilson Resende concorre à prefeitura de Resende Costa pelo Partido dos Trabalhadores

Adilson Resende e Ângelo Márcio

as razões que usam para justificar essas atitudes são muitas. O que importa é apresentar nossas propostas para todos porque sempre vai existir uma maioria absoluta interessada nas decisões políticas da sua cidade, do seu estado, do seu país. Como considera os servidores públicos, sabendo que sem eles não é possível administrar? Qual a relação que pretende ter com eles e como planeja formar a sua rede de secretariado? Das grandes conquistas da Constituição de 1988, destaco: o acesso ao serviço público por concurso; a estabilidade do servidor e os planos de cargos, carreira e salário, quesitos fundamentais para a construção de uma burocracia profissional e competente. Sem isso, a memória e a continuidade da administração ficam extremamente prejudicadas, o que afeta a qualidade dos serviços públicos. Sem esses profissionais de carreira, digo que é impossível governar. Seria um Deus nos acuda se todo governante trocar, a bel prazer, os servidores públicos sempre que os interesses partidários falarem mais alto, se não tiver freios, falam, né? Por isso, o concurso, a estabilidade. Conheço os servidores públicos da administração municipal e posso afirmar que são competentes e comprometidos com a missão deles, que é servir ao povo. Assim, a mesma coisa digo para os servidores das atividades fins, como os da saúde, da educação, do transporte, das obras, da assistência social e dos serviços públicos em geral. Livre nomeação só para os cargos de secretários e assessores; para os demais, concurso público. Minha relação com eles foi e sempre será de valorização, seja de salários, capaci-

tação, respeito à carreira. Enfim, vamos ter uma relação respeitosa e democrática com o funcionalismo público, valorizando-o na garantia de direitos básicos, como plano de saúde e salário digno. Em sua opinião, quais são os principais desafios a serem enfrentados pelo novo prefeito municipal de Resende Costa que será eleito no próximo dia 15 de novembro? São muitos. Destaco duas propostas para a saúde: municipalização dos serviços de emergência em acordo com o Hospital Nossa Senhora do Rosário e criação do Centro Municipal de Fisioterapia. Além disso, claro, com prioridade na realização de exames complementares e garantia de abastecimento de remédios na farmácia pública. Nas últimas duas eleições, o senhor disputou apenas com um outro candidato, o atual prefeito Aurélio Suenes. Dessa vez, na corrida eleitoral à prefeitura de Resende Costa há três candidatos pleiteando o cargo de prefeito. Como o senhor avalia a disputa pelo mais alto cargo do Executivo Municipal, levando em consideração que nestas eleições haverá uma campanha eleitoral atípica devido à pandemia? Não me importo com o número de candidatos. Apresento minhas propostas para o povo e acho que tenho boas condições de fazer uma administração solidária e popular. É atípica mesmo, acho que todos estamos aprendendo com isso, principalmente em usar mais a internet. Faremos a campanha de rua, sem aglomeração, respeitando as normas sanitárias, vamos fazer as visitas para pedir o voto e peço o seu voto.


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ELEIÇÕES 2020

No Brasil são mais de 513,4 mil candidatos a vereador; em Resende Costa, 71 JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Dos mais de 513,4 mil candidatos a vereador nas próximas eleições, 71 são de Resende Costa, município de cerca de 11,6 mil habitantes localizado na região do Campo das Vertentes em Minas Gerais. As nove vagas vão ser disputadas por candidatos assim distribuídos entre os partidos: PSDB, 13; PSD e PT, 12 cada; MDB e PDT, 10 cada; PSL, 8 e Avante, 6 postulantes. Uma média de 7,9 candidatos por vaga. No território nacional, são cerca de 57 mil vagas para vereador nas 5.579 Câmaras Municipais, diz o cientista político Humberto Dantas, do Centro de Liderança Pública (CLP). “Portanto, o vereador é o cargo que mais representa este segmento que nós costumamos chamar de políticos no Brasil.” O número de vereadores em disputa varia de nove nas pequenas cidades a 55 na capi-

tal paulista. Eles são eleitos pelo sistema proporcional; assim, um partido que tem 10% dos votos (soma dos votos de seus candidatos e do voto de legenda) ficará com 10% das vagas do Legislativo. A diferença, nas próximas eleições, é que os partidos não mais poderão coligar-se. “Portanto, o partido que abria mão de lançar muitos nomes para se alocar numa chapa mais competitiva, com dois, três postulantes, provavelmente terá que apresentar para o eleitorado uma chapa completa”, explica Dantas.

OBSTÁCULOS A batalha dos candidatos a vereador (e a prefeito) tem que superar dois obstáculos iniciais em meio a uma pandemia, de acordo com o economista e professor Aluizio Barros. Primeiro, convencer o eleitor a sair de casa para votar. Segundo, não deixar que o eleitor anule seu voto ou vote em branco. O que anima os candidatos

a irem à luta é saber que o eleitorado promove a renovação da Câmara Municipal, diz Barros. No caso de São João del-Rei, desde 2000, a cada eleição, no mínimo 60% dos vereadores não são reeleitos. Em 2016, oito vereadores não se reelegeram. Este ano, 230 candidatos para disputar as 13 vagas de vereadores em São João del-Rei, o que significa 17,7 candidatos por vaga neste ano. Nas eleições de 2016, a disputa por vaga foi um pouco pior: 18 candidatos por vaga entre os 244 candidatos. “É mais difícil do que entrar numa faculdade de medicina”, resume Aluizio Barros. Os 230 candidatos às 13 vagas que compõem a Câmara Municipal são-joanense estão assim distribuídos, por partido: PSDB, PTC, PODEMOS, Patriota e PSL (20 candidatos cada um); PTB e PV (19 cada); PT e PSC (18 cada); DEM (17 cada); Avante e PRTB (16); PSOL (5) e PSTU (1). Reportagem fechada no dia 06 de outubro de 2020.

HOMENAGEM ESPECIAL

Leila Sousa Lima Pinto (12/10/1951 – 01/10/2020)

Sua eterna amiga Edna Melo.

Foto: Arquivo Maíra Pinto

A vida é uma dádiva que nos foi concedida ante um mistério que somos incapazes de compreender. Esse mistério nos inquieta e, ao mesmo tempo, nos fascina. No transcorrer da nossa vida, histórias são construídas, amizades feitas, amores vividos, dores partilhadas, sorrisos compartilhados. No entanto, essa vida, repleta de mistérios insondáveis, nos arrebata com surpresas – algumas felizes, outras tristes e dolorosas. No último dia 1º de outubro, Dia de Santa Terezinha, perdi uma querida amiga, Leila Sousa Lima Pinto, nascida no dia 12 de outubro de 1951, Dia de Nossa Senhora Aparecida. A sua partida, querida amiga Leila, foi, sem dúvidas, uma dessas surpresas que a vida – em sua incompreensível trajetória marcada pelo inevitável curso do destino – nos apresenta e que nos tiram o chão. Ninguém poderia imaginar que você nos deixaria tão cedo. Amiga Leila, sua partida nos deixa um imenso e profundo vazio habitado somente pela saudade. Mas reconforta saber que você permanece viva em nossas vidas, em nossas lembranças. Você, Leila, com sua alegria de viver, hoje encanta o céu e eternamente alegrará os astros que brilham neste universo magnífico e repleto de mistérios. Leila Sousa Lima Pinto (1951 - 2020)

Retalhos Literários EVALDO BALBINO

Vô Chico Cota Gostava de uma sanfona, e com ela às costas ia a bailes em noites animadas. Cruzava os escuros do Ribeirão de Santo Antônio; seus olhos, porém, brilhavam pensando nas músicas tocadas, nas danças eróticas de cavalheiros e damas. E eram nos terreiros das casas essas festas. Comida, bebida e pés levantando poeira do chão. Com sua sanfona, gostava de tirar Folia de Reis. Em cada início de janeiro, a lembrança do Menino Deus fazia os foliões saírem pelas estradas do povoado e adentrarem casas que os recebiam de janelas, portas e braços abertos. Vô Chico era um dos magos do Oriente, como a peregrinar atrás da Estrela Guia desde sempre eterna e anunciadora dum grande sentimento humano: o perdão. Os magos saíam logo ao anoitecer e iam andando de porta em porta pedindo pousada. Todos eram pândegos e religiosos, num sentimento sacro e carnavalesco. Quantidade boa de músicos e instrumentos vários, entre os quais tambor, clarineta, viola, reque-reque, pandeiro e sanfona. Chico Cota era sempre o certo sanfoneiro, como acertadas tinham sido as profecias dos profetas falando do Salvador dos povos. Na frente do bando seguia um mascarado, o Bastião, que brandia uma varinha enfeitada de fitas. No limiar de cada porta que visitavam, música alta se tocava para aleluia e fuzuê da vida. Era namorador o vô Chico. Sua esposa, a vó Laurinda, partira cedo aos 38 anos. Tempos depois ele entrara de namoro com uma viúva dali mesmo, com quem depois se casara. Casado com ela ficou até a morte, mas os olhos não têm cerca e pulam os tapumes que nem boi ladrão. Os dele pulavam tanto, que nas Folias de Reis de todos os anos não suportavam a tanta alegria de ver a Nhá Rosa vestida de cigana do Egito. Ela andava no meio da folia segurando o estandarte da Sagrada Família e a imagem do Menino Jesus. Pastorinha guiando a vida, Rosa usava longas tranças pretas. Postiças, porém verdadeiras como dogmas perante todos. O adereço preso nos cabelos curtos era de folha de piteira. Ainda moça, Rosa cortara a folha dum pé próximo da sua casa, e numa bica d’água lavara as fibras até que ficassem branquinhas. Depois, pusera os filamentos e tinta preta numa panela com água e fervera tudo. As fibras já

secas foram trançadas e desde então passaram a enfeitar sua cabeça e rosto, brilhantes e rematadas com fitas vermelhas. Os olhos do Vô ficavam tontos do vermelho das fitas nas tranças de Nhá Rosa. Em cada lugar, as pastorinhas entoavam “Dona desta casa, / venha nos abrir a porta...”, e Rosa cantava sua parte: “Sou cigana do Egito / nas montanhas de Belém. / Vim tirar a minha esmola; / cada um dai o que tem!”. Os foliões, repentistas, improvisavam versos a partir de temas bíblicos. Quando os donos da casa gostavam dos cantos, escondiam o donativo para segurar ali a folia. Os religiosos histriões só iam embora depois de achar o dinheiro. Esmola dada, agradecimento feito: “Deus vos pague a vossa esmola / dada de boa vontade. / Lá no céu tereis o pago / da Santíssima Trindade.”. O óbolo, nesse grupo, era destinado a São Sebastião; contudo, ia na verdade para a Igreja. O Vô também pescava, e muito. Arrancava as minhocas, preparava o anzol, os embornais impermeáveis com a água onde punha os peixes retirados dos rios. A pesca lhe era um ritual sagrado, não só porque lembrava o Salvador na Galileia, mas também porque tudo aquilo era diversão certeira. A água silenciosa e os pescadores também para não haver espantos. A linha puxando, as rabanadas no ar, e o tempo sendo atravessado de júbilo. Quando mais jovem, Vô Chico deixara os filhos meio a esmo, eles cuidando uns dos outros. Principalmente quando, tendo brigado com a segunda esposa, esta se fora para sua antiga casa e ele seguira atrás, não contando com os filhos ainda novos. Minha mãe, nessa época, tinha tão-só 8 anos de idade. A depois, porém, o juízo tomou conta dele. Amor mais demonstrado aos filhos, madureza. Quando meu pai começou o namoro com minha mãe, vô Chico aproveitava que o jovem sabia ler e se interpunha entre os dois namorados no banco da sala, à luz da lamparina, e pedia ao futuro genro que lhe ensinasse o abc. E sua alfabetização, feita pelo moço enamorado, deu-se através duma História Sagrada de que meu vô não se separava. Hoje sei que sagrada também é toda essa história do vô e dos que com ele conviveram.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Papel higiênico Lá estão eles. Empilhados, aos rolos, como serpentinas gigantes de um carnaval grotesco. Uns até têm fragrância e cores variadas. Papel higiênico lilás, amarelo, verde... papel higiênico com perfume de lavanda... Cores, olores e flores trabalhando juntos para darem um toque especial ao vaso. Não gosto de comprar papel higiênico, acho constrangedor. Já me falaram que isso é frescura de minha parte, que papel higiênico é a coisa mais natural do mundo. – Ah, é? Então faz o serviço no seu banheiro e use o papel higiênico no meio da rua. Cadeia, cara! Atentado ao pudor. O papel higiênico não vai limpar a sua barra. Não adianta. Compro esse troço por obrigação... ou melhor, por necessidade. No supermercado, olho para os lados, verifico se tem gente vendo, pego um, dois, cinco pacotes (quanto mais melhor, pois assim você fica muito tempo sem precisar comprar), coloco-os debaixo de outras compras e vou tampando como posso as entranhas do meu carrinho. Tem gente que não está nem aí. Mês passado, vi uma mulher correndo com uns pacotes de papel higiênico em pleno supermercado. Gritava para o marido: – Bem, ô bem! A gente esqueceu o papel. Tudo numa boa. É de se admirar. E no caixa? Cheguei lá com o carrinho. Nenhuma mercadoria teve problema com o código de barras. Pois o papel higiênico teve. A moça pegou os pacotes, levantou,

olhou, na tentativa de descobrir o que estava acontecendo. Atrás de mim, uma fila como testemunha do meu mico sanitário-social. Por fim, ela digitou o código, mas nem assim a coisa funcionou. Prisão de ventre no sistema. Aí, a moça gritou para o outro caixa: – O papel higiênico desse moço não quer passar. – Passa mais devagar que vai, se passar depressa tudo desanda – respondeu o outro, numa didática de latrina. – Nem devagar a coisa pisca por aqui. Estavam borrando a minha dignidade. Quando já iria desistir dos rolos, a luzinha acendeu e o sistema voltou. Paguei e saí com a cara lilás, a circulação sanguínea toda concentrada no rosto. Vergonha total. “Você é muito recalcado”, dirá você, leitor. De repente, sou recalcado mesmo. No entanto, não ouso tirar o tampão do meu inconsciente, pois não há papel higiênico que limpe tanta... tanta... deixa pra lá! Meu amigo Marcus Vinicius de Andrade Peixoto é especialista em Filosofia e existencialista por preguiça. Acabou de escrever um artigo sobre as introspecções do Ser na emergência da sublimação do Nada. Na verdade, o artigo conclui tudo sobre nada. Marcus Vinicius de Andrade Peixoto tem um bom papo-cabeça. Ele ouviu minha história, escutou minhas angústias e opinou, enfim, sobre o papel higiênico, numa típica filosofia WC (Without Constraint): – Tô cagando e andando!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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O primogênito, o(s) do meio, o caçula Ter irmãos significa fazer parte de uma história comum familiar, na maioria das vezes compartilhando vivências e sendo os primeiros amigos entre si. Nessa última condição, brincando e brigando com toda a intimidade advinda desse intenso convívio diário. Ao longo da trajetória da humanidade, os relacionamentos fraternais, reais ou fictícios, estiveram presentes em uma infinidade de narrativas. Nelas cabe, por exemplo, a passagem bíblica envolvendo os irmãos Caim e Abel, na qual o primeiro mata o segundo por inveja em ato extremo e nada fraternal. Diferentemente dessa convivência desarmoniosa, cabe lembrar aqui Cosme e Damião, irmãos médicos que curavam pessoas e animais não cobrando por isso. Protetores dos gêmeos (caso dos dois, o que certamente os uniu ainda mais) e das crianças (daí as balas e os doces distribuídos a elas no dia deles), representam a boa irmandade. A favor de quase todos os irmãos, é preciso dizer que, de um modo geral, as relações entre eles são permeadas de amor, confiança e companheirismo, ainda que imperfeitas. Andei pensando nesse assunto e pesquisando sobre ele ao descobrir recentemente que existe o Dia do Irmão, que, no Brasil, é celebrado em 5 de setembro. E de irmãos eu entendo bastante, já que fui criada no meio de oito. Sabe-se, por estudos, que a ordem de nascimento dos filhos pode determinar certos traços de personalida-

de, definindo uma parte da pessoa que somos. Mesmo antigas e com o tempo determinadas por outros fatores, as ordenações familiares continuam tendo peso na formação da individualidade de cada filho. Assim é que, pela ótica dos especialistas e observação de quem é irmão (com direito a discordâncias), tracei abaixo breves perfis do irmão mais velho, do irmão do meio e do mais novo. O PRIMOGÊNITO: o único que pode experimentar a exclusividade dos pais (o filho único, por óbvia razão, não conta). Normalmente considerado autodisciplinado, organizado e prudente, apresenta ainda as seguintes características: • é mais protetor (tem uma função importante na família ao dar apoio aos irmãos mais novos); • é mais intenso (carrega uma carga maior de responsabilidade imposta pelos pais, que criam altas expectativas sobre ele e tendem a ser mais rigorosos nas cobranças a esse filho); • é um líder (referência natural para os irmãos, assume papel de liderança em relação a eles, principalmente na ausência dos pais); • é um influenciador (serve de exemplo para eles). O(s) IRMÃO(s) DO MEIO: com núcleos familiares cada vez menores, eles, que antes eram comuns, estão se tornando raridade. Conhecidos como “filhos sanduíche”, podem ser acometidos pela Síndrome do Filho do Meio, caracterizada tanto pela suposta ou real pouca atenção dos pais em rela-

ção a eles quando crianças, quanto pela percepção de se sentirem menos importantes que seus irmãos. Em virtude disso e como compensação, irmãos do meio são aqueles que: • costumam ser os mais independentes (sem tantos cuidados, tendem a se virar sozinhos); • podem assumir postura competitiva (uma tentativa de superar o irmão mais velho nas atividades); • de outra forma, podem assumir uma postura conciliadora porque estão posicionados no centro da ordenação cronológica da família; O CAÇULA: criança criada de forma mais livre pelas experiências anteriores dos pais com os filhos mais velhos. Com isso, como irmão de pelo menos mais dois, ele: • acaba sendo mais criativo, experimentador (pela oportunidade de ousar mais); • por essa sua situação, aprende também alguns truques e artimanhas (uma tentativa de chamar a atenção para sua própria pessoa); • tendo uma superproteção dos pais e até mesmo dos outros irmãos, pode ser visto também como uma eterna criança. Questionamentos à parte sobre essas considerações, uma verdade é absoluta: os filhos (irmãos) são indivíduos únicos contrariando certos estereótipos que carregam como primogênitos, irmãos do meio ou caçulas. E para quem não sabe, fico no grupo do irmão sanduíche, a 6ª de uma turma de nove.


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De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Revitalização da praça Professora Rosa Soares Penido: homenagem aos Soares Penido Professora Rosa Soares Penido é o nome dado a uma das praças centrais de Resende Costa, que, há aproximadamente um mês, vem passando por reforma. Os canteiros originais foram retirados, assim como o velho piso ladrilhado. Sobraram somente as árvores. Nos arredores da praça Rosa Penido, encontram-se o centenário prédio que abriga a Escola Estadual Assis Resende e o histórico sobrado do Fórum Desembargador Mello Júnior, sede da Comarca de Resende Costa. Professora Rosa Penido é também nome de condomínio localizado na Vila Guilherme, na cidade de São Paulo, capital. O condomínio, por sua vez, fica na rua Deputado Vicente Penido, nome dado em memória do filho da referida professora, nascida no povoado do Curralinho dos Paulas, zona rural de Resende Costa. Seu nome aparece também em uma das ruas da cidade de São José dos Campos/SP. As homenagens

dadas a membros da família Penido não são poucas, devido ao sucesso como empresários de alguns dos filhos do casal Alfredo Inácio Nogueira Penido e Rosa Soares Penido, desde que se mudaram do Curralinho dos Paulas para a capital paulista, com destaque para Pelerson Sorares Penido e Vicente Soares Penido, nascidos em 1918 e 1930, respectivamente. As lembranças de Rosa Penido restringem-se aos que a conheceram ou que mantiveram contato com a professora que empenhou sua carreira lecionando na escola municipal do referido povoado. No entanto, os feitos dos filhos do casal Penido em São Paulo contribuíram para que se fosse dada a ela a homenagem na praça localizada na região central de Resende Costa. Aliás, nome de praça com direito a uma herma, isto é, uma escultura de meio busto da professora Rosa. Pelerson, ajudante de tropeiro, depois de concluir o gi-

násio mudou-se para São Paulo com o objetivo de continuar seus estudos. Na capital paulista, estudou topografia. Foi a partir de então que se tornou um dos empresários mais bem sucedidos no ramo da engenharia civil. O seu irmão Vicente, também empresário, trilhou o caminho da política, sendo eleito vereador em Aparecida/ SP pelo partido da Aliança Renovadora Nacional (Arena) no ano de 1966, quando completou 36 anos de idade. O sucesso alcançado pelos Soares Penido em São Paulo refletiu-se em muitas ações propostas pela prefeitura municipal, paróquia e hospital de Resende Costa. É sabido que eles responderam positivamente aos pleitos que lhes foram encaminhados por autoridades do município. A atenção dada aos resende-costenses ainda foi adiante. Muitos jovens que precisaram se mudar para buscar emprego em São Paulo bateram à porta da Serveng

Civilsan, empresa do setor de engenharia e construção. Tomo como exemplo o ocorrido com José Carlos de Souza Vale, o conhecido Carlos da Santa. Carlos saiu de Resende Costa ao completar 18 anos de idade e com carteira de motorista na mão. Em São Paulo, trabalhou como motorista de ônibus urbano durante 6 anos até decidir procurar os Penido e mudar de emprego. Foi até a sede da empresa e, de lá, saiu empregado. Os Penido nunca negaram emprego aos seus conterrâneos de Resende Costa. Carlos da Santa, certo dia, resolveu retornar para Resende Costa. Na cidade, envolveu-se com a política até ser eleito vereador. Na Câmara Municipal, foi vice-presidente durante o mandato do prefeito Ocacyr Alves de Andrade. Pois foi nesse período que os Penido foram acionados mais uma vez para ajudar a trazer para a cidade a Copasa e a construção da pista de asfalto que liga a cidade à

MG383. William Sebastião Penido Vale, neto de Alfredo e Rosa e então presidente da Copasa, autorizou a vinda da companhia de saneamento para o município de Resende Costa. Já seu tio Pelerson, acompanhado de uma comitiva de políticos da cidade, visitou o Governador Francelino Pereira a fim de convencê-lo a autorizar a construção da estrada que recebera pavimentação asfáltica. Quarenta anos atrás, as decisões desses senhores mudaram completamente a nossa Resende Costa. Hoje, pode-se dizer que ao homenagear a professora Rosa Penido, imortalizando seu nome em uma importante praça do centro da cidade, de certa forma, prestaram-se honras a toda sua família. *Presidente do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura de Resende Costa e professor da UFOP.

De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Religião mal concebida e mal resolvida “As crises e as mudanças pelas quais a vida e a cultura ultimamente estão passando, nossas dúvidas e nossas obscuridades, as muitas perguntas sem resposta que atualmente se nos apresentam, justamente no momento em que alcançamos os mais altos níveis científicos e tecnológicos, colocam em evidência não só as limitações que nossa condição humana arrasta consigo, mas, além disso, estamos vendo melhor do que nunca que o recurso ao divino, ao religioso, ao sagrado também – com toda certeza – está mal concebido e mal resolvido”. Essas são palavras de abertura do livro “A humanidade de Jesus”, do extraordinário teólo-

go José M. Castillo. Castillo não mora aqui, é europeu, é espanhol. Parece, no entanto, estar escrevendo face a acontecimentos que temos presenciado. Parece ter presenciado as manifestações na porta do hospital em que, uma menina de dez anos, engravidada por força de estupro, foi submetida a aborto. Parece conhecer, em detalhe, a governança do santuário dedicado ao Pai Eterno, que vai acumulando riqueza sobre riqueza, ao que parece nada para atender ao espiritual. Pelo jeito, o escritor espanhol conhece bem a força do grupo evangélico no Congresso Nacional que diz empenhar-se na preservação dos valores cristãos para

a sociedade, sem nunca pensar em abrir mão de privilégios e mais privilégios pessoais. Castillo, com certeza, tem ouvido os gritos e contemplado as lágrimas de deputada federal que, acusada da morte do marido, pastor evangélico, suplica pela preservação de seu mandato popular. Ela que se recusava a divorciar-se para não escandalizar os frequentadores de sua igreja. A ignorância religiosa faz menos mal que o seu conhecimento voltado para o mal. O ateísmo é menos maléfico que a crença usurpadora dos direitos das pessoas. A não necessidade de Deus é melhor que a crença invocadora de Deus para caminhar por caminhos que não se-

jam os de Deus, isto é, que não sejam favoráveis aos humanos. Ao avanço tecnológico e científico não tem correspondido o avanço na concepção do transcendente, na concepção do profundamente humano que leva, que pede, que exige a dimensão divina. O humano absoluto invoca o “acima das coisas”. O pouco humano é que não se comove diante da criança grávida. O pouco humano é que não sabe servir a Deus sem muito dinheiro, sem templos faraônicos, sem investimentos lucrativos. O pouco humano é que se preocupa com o próximo sem tocar nos próprios prazeres. O pouco humano é que se rodeia de numerosos filhos e

não se incomoda de não terem eles um pai. “Recurso ao divino, ao religioso, ao sagrado mal concebido e mal resolvido”. Espíritas, evangélicos, católicos sabem, muito bem, que, na base de suas convicções religiosas, ou há um compromisso radical com o humano ou nunca encontrarão o sagrado, o religioso e o próprio Jesus, divino, porque profundamente humano. Fora do humano não há espaço para o Deus de Jesus.

*Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.


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Em tempos de pandemia cresce o número de pessoas que procuram o ciclismo como alternativa para sair do sedentarismo

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Elas estão por todos os lados: no asfalto e nas trilhas, nas estradas de terra e nas ruas, nos parques e ciclovias. Antes utilizadas como meio de transporte barato e alternativo, nos últimos tempos as bicicletas se tornaram uma febre mundial, conquistando pessoas de diferentes idades. Há quem opte pela adrenalina do mountain bike e há aqueles que preferem o giro rápido das speed. Desde março último, quando a pandemia do novo coronavírus obrigou as pessoas a praticarem o distanciamento social e, consequentemente, deixarem de fazer algumas atividades cotidianas, como ir a academias, clubes e bares, muita gente optou por realizar exercícios físicos ao ar livre, ainda que individualmente, também como forma de canalizar as energias aprisionadas num corpo em quarentena. O ciclismo tem sido o esporte preferido por quem quer aproveitar o período tenso da pandemia para deixar pra trás o sedentarismo e começar um novo estilo de vida, mais saudável e prazeroso. PAIXÃO PELA BIKE Nunca é fácil começar um novo esporte. Na maioria das vezes, o corpo não dá aquela resposta rápida que desejamos, doem as pernas, falta fôlego e a boca seca rápido. Nesta fase, é comum que muitos iniciantes desistam e aposentem a bike num cantinho da garagem. A perseverança e a força de vontade são, contudo, fatores fundamentais para quem deseja ingressar no ciclismo. O resultado pode ser uma paixão que só tende a aumentar a cada pedal – um vício saudável que consome tanto atletas profissionais quanto amadores, que também querem ver seus limites superados. O resende-costense Webert Romulo Resende é ciclista e se dedica ao ramo de bicicletas há aproximadamente quatro anos, como mecânico, na CSA Bikes, e também no mercado de vendas. Ele conta que nos últimos meses vem percebendo um interesse maior das pessoas pelo

ciclismo. “O ciclismo em Resende Costa só veio a crescer de uns anos pra cá. Porém, com a vinda dessa pandemia, cresceu ainda mais. Isso não está acontecendo somente em Resende Costa, mas no mundo todo, pois, além de ser uma forma saudável de fazer exercício físico, o ciclismo proporciona outros benefícios, como transporte rápido, fácil e com custo baixo”. Com as academias fechadas por longo tempo, fazer atividade física ao ar livre foi uma opção fácil e agradável encontrada por muitas pessoas. “Sem poder contar com as academias e não podendo fazer aglomerações, a bike foi uma das melhores opções para uma boa atividade física. Além de fazer muito bem para a saúde, tanto física como psicologicamente, a bike te leva a lugares incríveis, a contemplar paisagens e cachoeiras e a ter contato com a natureza”, completa Webert. O BOOM DO MERCADO Porém, a grande demanda pela “magrela de duas rodas” tem seu preço – que não está sendo nada barato no momento atual. De acordo com empresários do setor, o aumento na procura por bicicletas e acessórios inflacionou o preço, que na maioria das vezes segue a cotação do dólar. “Os preços aumentaram devido à procura e também por causa da alta do dólar. As peças são cotadas pelo preço do dólar. Pra você ter uma ideia, bicicletas mais caras tiveram um aumento de mais de mil reais”, diz o empresário resende-costense Daniel Geraldo de Oliveira, proprietário da loja Racing Moto e Bike, há três anos no mercado de bicicletas. “Logo que estourou a pandemia, o pessoal ficou parado. O mercado parou e ninguém queria comprar nada. Mas, um mês depois, aumentou bem a procura e o mercado movimentou bastante. Com certeza, esse aumento na procura por bicicletas teve um pico muito grande durante o período da pandemia. Porém, a procura pelo ciclismo já vinha aumentando antes. A procura por moto vem diminuindo, ou seja, as pessoas estão fazendo essa troca da moto pela bicicleta”, diz Daniel. Ele conta que tem fornecedores da

sua loja em Resende Costa que estão se comprometendo a enviar novas remessas de bicicletas somente em 2021. “Realmente tem muita gente querendo comprar e não estamos encontrando”. Com experiência em realizar manutenções em diversos modelos e marcas de bicicleta e também em atuar no setor de vendas, Webert fala sobre a grande procura pelas bikes, o que fez com que o mercado aquecesse, impactando positivamente outros setores associados, como as oficinas de manutenção. “Nesses últimos meses, as vendas aumentaram mais do que o esperado. Muitas pessoas começaram a procurar uma atividade física que possa proporcionar lazer e qualidade de vida. Posso dizer que o nosso serviço aumentou ainda mais, uma vez que muitas pessoas que já tinham bicicletas paradas em casa, em alguns casos até durante anos paradas no quintal, começaram a procurar uma oficina para arrumar sua bike a fim de pedalar”. QUALIDADE DE VIDA A combinação saudável do prazer de pedalar com os inúmeros benefícios à saúde certamente tem conquistado a preferência das pessoas pelo ciclismo. “Vejo a bicicleta também como uma terapia. A bike te possibilita conhecer lugares diferentes, ter contato com a natureza e, além disso, você está fazendo uma atividade física. Hoje as pessoas estão mais conscientes em relação aos cuidados com a saúde. E o ciclismo une essas duas coisas: conhecer lugares diferentes e praticar uma atividade física”, destaca Daniel Oliveira. Webert Resende ressalta que o ciclismo pode ser praticado por qualquer pessoa, independentemente se já é atleta iniciado ou esportista principiante. Ele, porém, orienta que é necessário sempre estar atento para a manutenção contínua da bicicleta. “Como venho trabalhando há alguns anos e cada dia me especializo um pouco mais em bicicletas, posso falar muitas coisas a respeito de peças e também sobre a questão das pessoas que estão iniciando no ciclismo. Todos podem praticar o

Fotos: André Eustáquio

Nas lojas especializadas já há dificuldade em encontrar bicicletas novas, peças e acessórios. E o preço não está nada convidativo.

O ciclista e mecânico Webert Resende, da CSA Bikes

O empresário Daniel Oliveira, da Racing Moto e Bike

ciclismo, em qualquer modalidade, seja urbana ou em trilhas e asfalto. Mas deixo uma dica de segurança: é necessário sempre dar manutenção na bike porque a segurança do ciclista passa por uma bike toda revisada. Além disso, é parte fundamental da segurança do ciclista o uso dos equipamentos de segurança, como capacete, luvas, óculos, entre outros acessórios”. Para Daniel Oliveira, a escolha adequada da primeira bicicleta pode fazer toda a diferença para o ciclista que deseja iniciar-se no esporte mais badalado no momento. “Quando uma pessoa quer iniciar, costuma dizer: ‘Ah, eu quero uma bicicletinha simples porque vou iniciar, para eu saber se vou gostar’. Geralmente, pensando assim, a pessoa tende a comprar uma bicicleta ruim. Depois ela tenta melhorar e acaba perdendo

dinheiro. A gente tenta aconselhar a que a pessoa pegue uma bicicleta mais básica, com configurações um pouco melhores para evitar que ela tenha que trocar a bike logo de cara. Atualmente, há muitas marcas boas no mercado, como a Sense, a Oggi e a Caloi”, recomenda Daniel. Quem já aderiu – e se apaixonou – pelo ciclismo, como é o caso deste repórter, pode testemunhar o quanto o esporte é prazeroso. Acordar cedo nos finais de semana e enfrentar o frio cortante no rosto não é nenhum sacrifício quando o prazer de pedalar supera as intempéries. Chegar em casa com a roupa encharcada pela chuva e as sapatilhas pesadas de tanto barro acumulado gera um prazer ainda maior. Afinal, um pedal “cabuloso” não tem como ser explicado, é uma experiência que vale a pena ser vivida.


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Empresário no ramo de Bike em SJDR diz que durante a pandemia vendas cresceram 100%

VANUZA RESENDE

Além das preocupações com a saúde durante a pandemia de Covid-19, o cenário econômico também desperta preocupação. Números apontam o aumento no desemprego e grande quantidade de comércios que fecharam as portas. Mas um ramo do setor econômico vem na contramão: as lojas de bicicletas. Justamente pela preocupação com a saúde, buscando-se um aliado para a saúde mental e para a prática de exercício físico, houve um aumento expressivo na procura pelas magrelas, que estão cada vez mais queridas. O proprietário da loja Bike Shop, Maurício Giarola de Resende, o Mauricinho, que trabalha nesse mercado em São João del-Rei há 25 anos e é competidor de mountain bike desde 1997, falou sobre o aumento na procura por bicicletas. De acordo com ele, apesar das vendas terem se acentuado nos últimos meses, elas vêm crescendo já há algum tempo. “A bicicleta foi o que o pessoal encontrou de seguro para praticar exercício físico na quarentena. Qualquer pessoa podia pegar sua bicicleta e sair por aí, para distrair a cabeça e movimentar o corpo. Mas a bicicleta tem crescido muito, mesmo fora da pandemia. Hoje o ritmo que o ser humano leva, com trabalho intenso, celular o dia todo, aquela correria, a bicicleta oferece contato com a natureza, aquele vento no rosto, uma sensação de liberdade. E quando você está ali pedalando, você não se lembra dos problemas, das contas a pagar. Além do bem que faz para o corpo”, destaca o empresário. PREÇOS ALTOS E BICICLETAS EM FALTA NO MERCADO Com o aumento na procura

pelas bicicletas, associado à diminuição da mão de obra no período em que as fábricas ficaram fechadas ou diminuíram o ritmo de trabalho, o consumidor acabou encontrando dificuldades em encontrar as bicicletas para comprar. “Houve uma parada forçada nas fábricas no mundo todo. E com o grande aumento da procura por bicicletas, praticamente foi vendido todo o estoque. Com isso, aumentou muito o número de vendas e as fábricas não estão dando conta de produzir”, explica Mauricinho. De acordo com o empresário e ciclista são-joanense, o preço final passado ao consumidor subiu até 40%. Ainda segundo ele, o principal fator foi o aumento do dólar, aliado à grande procura. Ainda assim, as vendas aumentaram cerca de 100%. “Tivemos uma demanda muito grande. Entre os meses de maio a agosto, tivemos um aumento de 100% nas vendas. E não conseguimos atender todo mundo. Ficamos até preocupados com a qualidade do serviço, devido à demanda grande. Agora deu uma normalizada, mas ainda estamos com bastante movimento. Por exemplo, o que chega já está encomendado. Infelizmente, a gente está deixando de atender muitas pessoas. Apesar disso, a nossa expectativa é boa, porque com esse número de novos adeptos, se ao menos 30% continuarem pedalando, o mercado vai ficar aquecido por muito tempo ainda”, analisa Mauricinho. CIDADE PLANA, SJDR NÃO TEM CICLOVIAS Para nós resende-costenses, atravessar a cidade usando a bicicleta como meio de transporte é preciso tempo e muita disposição, haja vista a quantidade de morros na cidade das lajes. Um cenário bem diferente da histórica São João del-Rei, com a maioria de suas ruas planas e, consequentemente, bem convi-

Fotos: Arquivo Pessoal

Com o aumento na procura por bicicletas, manutenções e equipamentos, empresa não conseguiu atender todas as demandas

Mauricinho, da Bike Shop em São João del-Rei. Empresário e ciclista

dativas ao uso da bicicleta como meio de transporte. Mauricinho diz que na década de 70 esse era inclusive o meio de transporte mais utilizado na cidade, mas hoje um item dificulta o transporte: a segurança. “Antigamente as pessoas não tinham tantas condições, como hoje, de terem seus carros. Sendo assim, o principal meio de transporte era a bicicleta, para a qual a cidade sempre foi muito propícia. Você consegue ir da Colônia até o centro, porque é só plano. Em Matosinhos, a mesma coisa. Por outro lado, infelizmente, não temos ciclovias. Como o nosso trânsito é bem caótico, torna-se perigoso usar a bicicleta, porque não existe uma via especifica para quem anda de bike”, destaca. Ainda de acordo com Mauricinho, já foram feitas tentativas para que se construísse uma

ciclovia na cidade. “Eu, como usuário de bicicleta, já tentei várias vezes fazer com que tenhamos vias para ciclistas. Estamos com alguns projetos ainda sendo desenvolvidos e, com certeza, será um ganho muito grande para a cidade se esse movimento ganhar forças e sair do papel”, destaca. PARA AS PRIMEIRAS PEDALADAS Pode ser que a vontade de começar a pedalar necessite esperar um tempinho, afinal as lojas estão com estoques praticamente zerados. Mas nada que uma fila de espera de um a dois meses não resolva. Por outro lado, o investimento inicial para adquirir uma bicicleta para a prática de longos trajetos é de cerca de R$2.000 a R$2.5000, podendo chegar a valores bem mais altos.

Para aqueles que querem começar a pedalar, Mauricinho dá algumas dicas que podem fazer a diferença e estimular o ciclista iniciante. “É muito importante o uso do equipamento de proteção, porque houve vários casos de pessoas que não usaram capacetes, caíram e tiveram acidentes até mesmo graves. O equipamento de proteção, não só o capacete, mas a bermuda, os óculos, a blusa são muito importantes. Outra dica é estudar o local em que se vai fazer a pedalada, se a rota é segura. E uma pessoa inexperiente não deve tentar seguir de uma vez os mesmos caminhos de uma pessoa que já pratica o esporte há mais tempo. É preciso ir aos poucos para pegar mais intimidade com a bike e domínio sobre ela. E sempre tentar se divertir ao máximo”, conclui o empresário e ciclista.


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Aos 42 anos, o profissional de educação física, Bruno Henrique Ribeiro, decidiu aderir ao ciclismo. Acostumado a praticar atividade física e apaixonado por esportes – inclusive como jogador profissional de futsal, com passagem pela Espanha –, Bruno adaptou-se rápido à sua nova modalidade esportiva e descreve os benefícios do ciclismo para a saúde de quem o pratica. QUALIDADE DE VIDA “O ciclismo contribui para aumentar a liberação de endorfinas, um neurotransmissor ligado à sensação de conforto e tranquilidade, e serotoninas, substâncias que causam a sensação de prazer. A sensação de quem pedala é ainda maior. Isso se dá através do contato do ciclista com a natureza e devido ao convívio com pessoas sempre bem

humoradas e bem de espírito.” ATIVIDADE FÍSICA AERÓBICA “No ciclismo, a queima calórica pode ser maior, geralmente devido ao longo tempo que a pessoa passa exercitando-se. Quase sempre será uma atividade aeróbica, porém os benefícios desse esporte vão muito além da perda de peso. Mesmo que você pedale entre 30 a 40 minutos por semana, haverá também uma melhora da resistência muscular e no ganho de condicionamento físico. O ciclismo também auxilia em diversos fatores que mantêm o corpo saudável, como, por exemplo, redução dos índices de colesterol, melhora da respiração, saúde do coração, entre outros.” QUASE NÃO HÁ CONTRAINDICAÇÕES “O ciclismo é uma ótima opção para sair do sedentarismo porque, mesmo a pessoa estando acima

do peso, ou ainda que haja alguma restrição de impacto que a impeça de correr, jogar futebol ou de praticar outro esporte de impacto, no ciclismo quem recebe primeiro as pancadas é a bicicleta. Com isso, todo o impacto transmitido para as articulações são mais leves, principalmente nos tornozelos e joelhos.” TESTEMUNHO PESSOAL “Sempre gostei de praticar atividades físicas e, com o momento da pandemia, a restrição social me fez muito mal. Sem o futebol e a musculação, que sempre pratiquei, ganhei alguns quilinhos a mais. Busquei no ciclismo uma forma de perder peso sem, contudo, infringir as restrições impostas pelos serviços de saúde. Certamente os benefícios foram muito maiores do que eu esperava. Além da saúde corporal, melhorei a minha saúde mental e tive ainda a oportunidade de conhecer lindas paisagens e povoados da nossa região.”

Ronaldo Silva escolheu o ciclismo como esporte e estilo de vida Sua página Mundo das Bikes, nas redes sociais, divulga o ciclismo e já possui aproximadamente 300 mil seguidores A paixão pela bike conquistou o mecânico Ronaldo Silva, que já possui uma legião de seguidores em sua página, Mundo das Bikes, nas redes sociais. Acostumado a pedalar longas distâncias, enfrentar desafios e quebrar seus próprios recordes, Ronaldo vem se dedicando a divulgar o ciclismo e a incentivar as pessoas a pedalar. “Desde quando comecei a pedalar, eu quis compartilhar meu amor pela bicicleta com outras pessoas e tentar incentivá-las a também fazer o mesmo. Foi assim que resolvi criar o canal Mundo das Bikes, que hoje conta com quase 300 mil seguidores”, diz o ciclista.

No Mundo das Bikes, no Instagram, há postagens de ciclistas de diversos estados do Brasil e também de outros países. São experiências compartilhadas através de imagens feitas em lugares incríveis que só o ciclismo pode proporcionar. Ronaldo é também mecânico experiente de bicicleta. Ele relata que vem observando, nos últimos meses, um aumento expressivo na procura por bicicletas e também um movimento interessante de pessoas que desejam aderir ao ciclismo. “Sim, aumentou bastante. Creio que não somente em nossa cidade, mas em todo o país”. A rotina diária do ciclista Ro-

naldo Silva inclui o seu trabalho na oficina de manutenção de bikes e motos, na Racing, e treinos de mountain bike e speed. “Ultimamente tenho pedalado em média três vezes por semana, percorrendo uma média de 100 km”. O experiente ciclista dá algumas dicas a quem deseja iniciar-se no ciclismo. “Procure uma bike que atenda você e comece a pedalar aos poucos. Em pouco tempo você estará pedalando por longas distâncias. A bicicleta é uma ótima terapia para o corpo e para a mente. Além disso, o ciclismo ajuda a ter um estilo de vida mais saudável”, recomenda Ronaldo. A.E.

O professor de Educação Física Bruno Henrique aderiu recentemente ao ciclismo

Fotos: Arquivo Pessoal

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Fotos: Arquivo Pessoal

Testemunho de um profissional de educação física que também escolheu o ciclismo como novo esporte

O ciclista Ronaldo Silva. Sua página Mundo das Bikes, nas redes sociais, já tem mais de 300 mil seguidores


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Informe Publicitário

INOVAÇÃO

Sicoob abre cadastros para o Pix, novo sistema que efetiva pagamentos em até 10 segundos, 24 horas por dia, sete dias por semana O Pix está chegando. Com a novidade do Banco Central (Bacen), fazer transferências e pagamentos será mais simples e rápido a qualquer hora do dia, todos os dias da semana – incluindo feriados. Para começar, as transações (que serão feitas a partir da segunda quinzena de novembro) não vão exigir vários dados bancários. Apenas uma chave digital que você registra gratuitamente. Além disso, todas as operações serão efetivadas em no máximo dez segundos. Ou seja: é o fim da novela “o dinheiro cai amanhã”. Quer aderir à solução dinâmica, econômica e segura? Só acessar seu App Sicoob e seguir as instruções. Leva menos de um minuto. Como anuncia nosso Sistema nos canais oficiais, “piscou, cadastrou!”. EXPLICANDO MELHOR O Pix foi apresentado pelo Bacen em 19 de fevereiro deste ano e deve estar disponível em 16 de novembro. A partir dessa data, quem tiver aderido ao sistema poderá contar com uma nova forma de pagamentos e recebimentos totalmente online a qualquer hora, 365 dias por ano. Ou seja: sabe aquela transferência bancária feita no sábado com valores creditados só no próximo dia útil? Ou aquela compra que só será remetida a você com a confirmação de pagamento depois do feriado prolongado? Com a nova opção operacional, o Pix, tudo

isso se resolve rapidinho, sem taxas para Pessoas Físicas. “Nossa missão é entregar aos cooperados soluções que dinamizem o dia a dia sem perder de vista o atendimento humanizado. O Pix é um exemplo disso, funcionando em tempo integral. Ninguém vai querer ficar fora de algo tão revolucionário – e nesse processo nossa equipe está pronta, sempre disposta a orientar sobre essa nova ferramenta”, comenta a gerente do Sicoob Credivertentes em São João del-Rei, Débora Giarola. FÁCIL DE USAR Realizando seu cadastro junto ao Sicoob, você só precisa escolher suas Chaves Pix. Elas serão “identidades” podendo envolver seu CPF/CNPJ, o número do seu telefone ou um endereço de e-mail, por exemplo. Feito isso, serão as únicas informações necessárias para as transações instantâneas que realizará, via smartphone, a partir de novembro. Tudo bem rapidinho. Para pagamentos em lojas físicas ou online, você poderá usar um QR Code.

REFLEXÕES por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

COOPERAÇÃO E MODERNIDADE “O movimento cooperativista constitui uma inovação essencial para uma boa e nova sociedade. É, portanto, uma iniciativa sempre atual para esse propósito – uma vez que, embora reconheça a livre iniciativa, não tem o lucro como objetivo. Cooperativismo é, pois, sinônimo de uma sociedade sadia”, atesta Robert Shiller, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2013 O Cooperativismo de Crédito, a cada dia mais, amplia sua presença social e histórica. Para isso, densifica seu relacionamento negocial, exibe um portfólio comercial efetivo, prima pela ampla eficiência, segurança e acessibilidade operacional. Tudo gerido por profissionais qualificados, com pleno domínio tecnológico digital somado a, claro, formação humanista. Uma vitória para todos, pois somos um movimento vanguardista, abrangente, inclusivo e expoente de uma economia solidária, buscando contribuir incansavelmente para o desenvolvimento integrado de nossa coletividade, velando efetivamente para (e pelo) interesse de nossos associados. Eis, a título de exemplo, o fato de contarmos em nossas agências com todos os produtos e serviços para atendimento a nossos cooperados – incluindo revoluções tecnológicas que vão desde aplicativos exclusivos e soluções como o novo Pix. Nós, interioranos, fomos por vezes ridicularizados. Hoje, nos firmamos como orgulhosos donos de uma instituição financeira – o nosso Sicoob Credivertentes – que se fortalece sempre a olhos vistos como fruto do trabalho de cada um; como resultado do mutualismo, do humanismo, da solidariedade, do progresso!


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PATRIMÔNIO HISTÓRICO

CULTURA

Estação ferroviária de Prados: restam apenas as paredes em pé JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Inaugurada em 1881, apenas as paredes da estação ferroviária de Prados continuam em pé. “A pequena vila à sua volta ainda sobrevive, mas a distante prefeitura de Prados não parece nem um pouco interessada em sua conservação”, diz artigo publicado na página eletrônica “Estações Ferroviárias do Brasil”. A estação foi fechada um século depois (dezembro de 1984), com a extinção da linha da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM). “Em 2003, estava abandonada, tendo sido saqueada, com todas as portas e janelas arrancadas. O piso de tábuas havia sido arrancado e o forro de madeira do teto estava desabando com a umidade. O telhado desabou no segundo semestre desse ano”, informa Bruno Nascimento Campos. E continuava sendo destruída aos poucos, prossegue Bruno. “Havia um ano (em 2004), o telhado estava caído, mas estavam lá os portais, uma das portas do armazém e o chão de tábua corrida. No entanto, levaram quase todos os portais, desmancharam o fogão a lenha e agora estavam levando as telhas.”

O que resta da estação fica a uns 3 ou 4 km distante da cidade de Prados, “por reivindicação dos moradores” na época de sua construção, segundo relato de Marcos Cavaliere, que, na década de 1970, desceu no local em companhia de um amigo durante viagem entre São João del-Rei e Barroso. “Este passeio ficou marcado, pois se tratava de uma viagem normal, não turística, com passageiros comuns carregando compras. Na época, tive o privilégio de viajar em uma Maria-fumaça de verdade, que deve ter sido uma das últimas no Brasil nesse contexto.” Segundo Cavaliere, a estação, “muito bonita e bucólica”, era “totalmente isolada no meio de um pasto cortado apenas por uma estradinha de terra que cruzava os trilhos do trem, próxima à estação”. TANCREDO NEVES O capítulo sobre Prados, do meu livro “A política em municípios dos Campos das Vertentes” (Coleção Lageana/Amirco), revela que Tancredo Neves trabalhou como advogado em Prados, no início da sua carreira, “com brilhante atuação, ganhando diversos processos”, de acordo com Roseni Pinheiro, o fundador do MDB local. Tancredo ficava em Prados a semana inteira e em São João del-Rei nos fins de semana. No auge

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VIVE A FAZENDA DAS ÉGUAS MÁRIO MÁRCIO DE QUADROS [PROFESSOR, POETA E CONTADOR DE HISTÓRIAS]

Nos velhos tempos da Lage, De adobe e de madeira, Fez-se a Fazenda das Éguas.

da ferrovia, todo dia de manhã ele chegava a Prados procedente da estação de trem. “Lembro-me do Tancredo subindo a rua (Coronel José Manuel) com uma pastinha preta, rumo ao Fórum”, diz José Geraldo da Costa, o Nhô Marques da antiga Selaria Estrela. Até que se tornou vereador em São João del-Rei e entrou em definitivo na vida política.

Sesmarias de uma légua, Concedidas pela Coroa, Nasce a Fazenda das Éguas. Da descoberta das minas, De abastanças e riquezas, Fez-se a Fazenda das Éguas. Sob o Sol que rege a vida Pelos cantos da cozinha, Nasce a Fazenda das Éguas.

ANTIGA FERROVIA A EFOM foi aberta em 1880, ligando com bitola de 0,76cm as estações de Sítio (Antonio Carlos) e Barroso. Mais tarde, foi prolongada até São João del-Rei (1881), alcançando Aureliano Mourão em 1887. Ali havia uma bifurcação, com uma linha chegando a Lavras (1888) e a principal seguindo para o norte, até atingir, finalmente, Barra do Paraopeba (1894). Dela saíam diversos e pequenos ramais. A linha da EFOM foi extinta em pedaços: o primeiro, em 1960 (Pompeu-Barra); e o último, em 1984 (Antonio Carlos-Aureliano). A exceção foi o trecho São João del-Rei a Tiradentes, que continua em atividade até hoje. Também se conserva o trecho Aureliano-Divinópolis, ampliado, em 1960, para bitola métrica, ligando hoje Lavras a Belo Horizonte

Da cana, da rapadura, Do melaço e da cachaça, Fez-se a Fazenda das Éguas. Nos ermos da chapada: Da maldade dos “mais grandes”, Nasce a Fazenda das Éguas. Do aboio alto e cantado E trânsito de comitivas, Fez-se a Fazenda das Éguas. Da peleja para os negros, Currais de burro e cavalo, Nasce a Fazenda das Éguas. De arrobas de mantimento Cabeceiras de muita água, Fez-se a Fazenda das Éguas. De largos muros de pedra, Paiol, silo e engenho, Nasce a Fazenda das Éguas.

Fonte: www.patriamineira. com.br Foto: Fábio Belo

Do desterro e do banzo, E concentração de escravos, Fez-se a Fazenda das Éguas. De assoalhos de tábua E marchas de todo dia, Nasce a Fazenda das Éguas. Da alvenaria de pedra De preto e escravidão, Fez-se a Fazenda das Éguas. - Muito bom dia, compadre! - Diiiiiiiiia! (Espichado de Sol). De abastados fazendeiros, De história e tradição, Vive a Fazenda das Éguas.

Ilustrtação: Lucas Lara

Barbacena, 30 setembro de 2020.

Antiga Estação de Prados, inaugurada em 1881 e desativada em 1984. Restam apenas as paredes da histórica edificação da EFOM

Fazenda das Éguas


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ANO XVII Nº 210 - OUTUBRO 2020

Meio Ambiente

INTERNACIONAL

Pontevedra (Espanha) há mais de 20 anos sem carros no centro histórico

ADRIANO VALÉRIO RESENDE*

A questão da extração de areia no rio Santo Antônio (parte 2) Falamos na edição passada (ed. 209, setembro de 2020) sobre a extração de areia no leito do rio Santo Antônio. Rumores do início das atividades nas proximidades do Povoado do Pinto têm provocado questionamentos por parte de moradores locais e de pessoas ligadas ao meio ambiente. Nesse sentido, nos perguntamos: a quem cabe autorizar e fiscalizar a extração mineral e seus impactos socioambientais? Conforme artigo 20 da Constituição Federal, os recursos minerais, inclusive os do subsolo, são bens da União, cabendo ao poder público federal a sua regulamentação, concessão para exploração e fiscalização. Essa tarefa é atribuída à Agência Nacional de Mineração – ANM. Os direitos minerários (títulos de propriedade do subsolo) estão disponíveis para consulta pública, constando as informações relativas aos processos: titularidade, responsáveis legal e técnico, substância mineral explorada, tipo de regime e de autorização para a lavra, prazo de validade etc. Cabe destacar que o titular do direito minerário muitas vezes não é o proprietário da superfície (isto é, o dono da terra), o que gera a necessidade de acordo entre as partes. Considerando o trecho médio do rio Santo Antônio, que vai da ponte na estrada para o Ribeirão (conhecida como ponte do Pletes) até o encontro com o córrego do Pinhão (a jusante da ponte do Val), tem-se 3 direitos minerários para extração de areia e cascalho que envolvem suas margens e seu leito. Dois fo-

ram solicitados em 2016 e um em 2017. Os dois primeiros já possuem autorização da ANM para extração mineral, sendo a titularidade de empresa resende-costense; já a terceira poligonal (direito minerário) pertence a uma empresa de materiais de construção de Lagoa Dourada. Nesse sentido, da confluência do córrego dos Pintos até a ponte para o Ribeirão está autorizada pela ANM a extração de areia e cascalho no leito e nas margens do rio. Façamos dois destaques. Primeiro, a ANM somente autoriza a extração mediante consentimento expresso da Prefeitura Municipal de onde se localiza a jazida mineral. Isto é, para formalização do pedido junto à Agência, há necessidade de um documento autorizativo assinado pelo prefeito municipal. Segundo, além da autorização da ANM, para minerar é necessário fazer a regularização ambiental junto ao Sistema Estadual de Meio Ambiente: Outorga para intervenção em recurso hídrico, Documento Autorizativo para Intervenção Ambiental – DAIA (no caso, para supressão de vegetação ou intervenção nas Áreas de Preservação Permanente, por exemplo, as margens dos rios) e, por fim, a Licença Ambiental. O licenciamento ambiental de pequenos empreendimentos (como é o caso das minerações em questão) é de responsabilidade do estado ou de algumas prefeituras conveniadas, o que não é o caso de Resende Costa. Novamente, o estado não emite a licença ambiental sem a devida de-

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

claração prévia da prefeitura informando que a atividade a ser licenciada está de acordo com as leis e os regulamentos municipais. Sobre as regularizações ambientais dos três direitos minerários aqui mencionados, apenas um possui Outorga para a finalidade de “Dragagem de curso de água para fins de extração mineral”. A área autorizada para dragagem (processo de bombeamento de areia do leito do rio) se refere a um trecho de 250m do rio Santo Antônio, logo abaixo da confluência com o ribeirão dos Pintos. Ressalta-se que, como as informações sobre as regularizações ambientais são públicas (http:// www.siam.mg.gov.br), não foi verificada Licença Ambiental para a atividade de extração mineral ao longo do leito médio do rio Santo Antônio. Cabe destacar que a fiscalização ambiental de atividades potencialmente poluidoras cabe aos órgãos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (FEAM, IGAM e IEF) e à Polícia Militar Ambiental. Menciona-se também o Ministério Público, que, com a atuação independente dos Promotores de Justiça, tem o dever constitucional de proteger o meio ambiente, cobrando, por exemplo, o efetivo cumprimento da legislação minerária e ambiental. Por fim, conforme texto constitucional, impõe-se ao poder público e a toda coletividade o dever de defender o meio ambiente e de preservá-lo para as presentes e futuras gerações. (Continua na próxima edição) Foto: Arquivo Adriano Valério

Banco de areia no leito do rio Santo Antônio

Há mais de 20 anos, automóvel não entra na cidade galega de Pontevedra, a menos que seja para serviços essenciais à comunidade. Foi uma mudança radical, liderada pelo alcaiade (assim denominam o prefeito em Espanha) Miguel Anxo Lores. Pontevedra (Galícia) tem uma população de 83 mil habitantes, equivalente à de São João del-Rei. Antes, milhares de veículos entravam e saiam de Pontevedra. “Mais carros passavam pela cidade num dia do que pessoas moravam aqui”, conta Lores. Em 1999, ele foi um visionário ao promover o início de grandes transformações amplamente discutidas no nosso tempo. Hoje, cerca de 72% dos deslocamentos são feitos a pé ou de bicicleta e as crianças vão sozinhas para a escola. É aqui que entra o professor de Educação Física resende-costense Bruno Henrique Ribeiro, 42 anos. Ele morou na cidade galega entre 2003 e 2006, onde jogava futsal pelo Leis Pontevedra FS. “Foi a cidade da Espanha onde morei, da qual mais gostei e à que melhor me adaptei. Acho que por a Galícia lembrar tanto Minas Gerais, pela sua geografia (muitas montanhas, muito verde ). A única coisa de lá que não temos aqui são as lindas praias da região galega.” Bruno andava para todos os lados da cidade a pé. “Só pegava carro para me locomover para outra cidade. O centro era fechado, somente carros de entregas (com horários estabelecidos) ou de urgência passavam no centro.” O chamado centro histórico, como São João del-Rei. “À noite, sair pelos pubs e restaurantes da região era uma maravilha. Você se encontrava com quase todos da cidade, todos os bares e pubs ficavam no centro histórico.” ESTRATÉGIA A retirada dos veículos de circulação foi o ponto central da estratégia para reconquistar o espaço público e levar para a rua os residentes, especialmente crianças, idosos e a população com mobilidade reduzida, explica Lores. “Decidimos inverter a tendência. Colocamos as pessoas em primeiro lugar e o carro privado em último – atrás do pedestre, do ciclista, do motociclista, do transporte público e das cargas e descargas de mercadorias.” Logo no primeiro ano, os carros particulares foram expulsos do centro histórico e, no seu lugar, foram surgindo, nos anos seguintes, passeios e áreas de pedestres, trajetos escolares e algum estacionamento subterrâneo. As ruas foram calçadas com granito. Agora, consegue-se ir de um lado ao outro a pé em menos de 25 minutos, bicicletas andam

nas ciclovias, pedestres estão por todo o lado, há carrinhos de bebê e crianças a brincarem nas ruas. A interdição alcançou quase todo o centro urbano, conta o prefeito. Cerca de 60% a 70% da área da cidade ficou destinada ao espaço público e cerca de 20%, 30% aos carros. Os semáforos foram substituídos por rotatórias e a velocidade reduzida para 30 km/hora (há zonas com limites de 20 km/hora e de 10 km/hora). Atualmente, apenas 28% dos deslocamentos são feitos com veículos motorizados. As crianças caminham sozinhas para a escola e “têm melhores notas”, de acordo com Lores. Os pais, por outro lado, já não têm os “estresses matinais” com o trânsito: “O mais importante é que as pessoas já não têm medo dos carros”. Pontevedra ganhou os holofotes internacionais: zero mortes no trânsito; redução de 66% nas emissões de CO2 (níveis de poluição abaixo do recomendado pela OMS); aumento do turismo e da receita comercial; 12 mil novos habitantes e maior número de crianças entre 0 e 14 anos devido à crescente procura por parte das famílias. PARATY No Brasil, Paraty (RJ) é um exemplo de cidade onde não entram veículos no centro histórico, considerado pela UNESCO como “o conjunto arquitetônico colonial mais harmonioso” e Patrimônio Nacional tombado pelo IPHAN. O centro histórico de Paraty remonta aos anos 1820, quando suas ruas já possuíam o calçamento “pé de moleque”. Protegidas por correntes que impedem a passagem dos carros, suas ruas preservam ainda o encanto colonial aliado a um variado comércio e a expressões culturais e artísticas muito intensas. Os carros podem circular apenas nas ruas que fazem limite com o centro. VERTENTES Bruno Ribeiro acha interessante pensar essa medida para São João del-Rei, cidade mais ou menos do tamanho de Pontevedra. “Aqui em São João del-Rei seria muito bom. Além de ser mais fácil de se locomover, ajudaria a preservar as construções históricas do centro.” Em Resende Costa, a medida “seria melhor ainda, pela distância entre os bairros”, sugere Bruno. Ajudaria na questão da saúde, pois faria as pessoas andarem um pouco, acrescenta. “Hoje, todos pensam em ir de carro ou moto e fazem questão de parar na porta só pra não andarem.” Questionado sobre uma consulta popular para a mudança da rodoviária e a retirada do trânsito de veículos pesados do centro de Resende Costa, Bruno aprova a ideia. “Com certeza, vai haver várias discussões e opiniões diferentes.”


ANO XVII Nº 210 - OUTUBRO 2020

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ESPORTE

São-joanense assume o comando técnico da equipe Sub-20 do Cruzeiro Gilberto Fonseca foi goleiro de grandes clubes do futebol brasileiro, como o Cruzeiro e o América Foto Divulgação -Cruzeiro

VANUZA RESENDE

Na década de 1980, o sonho de criança se tornou realidade e o são-joanense Gilberto Carlos da Fonseca, 49 anos, começou a construir sua carreira como goleiro no Cruzeiro Esporte Clube e não parou mais. Dentro de campo, Gilberto participou da campanha do título do Cruzeiro pela Copa do Brasil, já em 1993; também venceu a Série B do Campeonato Brasileiro com o América, no ano de 1997. Fora das quatro linhas, o são-joanense já comandou alguns times, como: o time do Betinense e a equipe juvenil do América. Gilberto trabalhou também no Paraná, Goiás, Vitória, Fluminense, Audax e Tupi. Em fevereiro deste ano, ele foi convidado para comandar a categoria Sub-17 do Cruzeiro e, em setembro, uma novidade: assumiu a principal equipe juvenil do clube, o Sub-20. Nesta entrevista, o ex-goleiro e agora treinador falou sobre os desafios da atual gestão do Cruzeiro, também sobre a oportunidade de treinar o time juvenil principal e destacou os seus planos para o clube. Você foi contratado pelo Cruzeiro em fevereiro de 2020 para treinar a categoria Sub-17 e, em 9 de setembro, foi promovido a treinador do Sub-20. Como foi esse processo? Aconteceu muito rápido. Eu não esperava essa subida agora para o Sub-20. Lógico que eu almejava um dia subir de categoria, a gente que está no futebol quer sempre crescer. O diretor Gustavo Ferreira perguntou se eu queria assumir o Sub-20, porque o Rogério Micale tinha pedido para sair. Houve, então, essa oportunidade e eu aceitei prontamente. Me sinto muito preparado hoje para assumir o Sub-20 do Cruzeiro e muito feliz com essa

Gilberto defendeu o Cruzeiro, como goleiro, na base e no time adulto.

oportunidade. É uma responsabilidade muito grande substituir o Micale, um campeão olímpico que estava desenvolvendo um trabalho muito bacana com os garotos Sub20. Mas eu confio no meu trabalho e tenho certeza de que vamos fazer um grande Campeonato Brasileiro ainda esse ano com o Cruzeiro. Como foram os meses à frente do Sub-17? Eu cheguei aqui no dia 03 de fevereiro, treinamos cerca de 40 dias, jogamos uma partida pelo Campeonato Brasileiro contra o Flamengo e tivemos que parar os trabalhos devido à pandemia. Depois de cinco meses e meio, retornamos com os treinamentos. Mesmo com esse tempo parado, a diretoria do clube estava acompanhando os meus trabalhos e foi por isso que eu fui convidado a assumir o Sub-20. Existia a possibilidade de contratar um outro técnico, um treinador de fora do clube, mas eles decidiram

me dar essa oportunidade porque confiam no meu trabalho. Quais são as competições que o Sub-20 vai disputar ainda esse ano? Estamos disputando o Sub-20 do Brasileiro, que começou no dia 23 de setembro, e no final do ano temos a Copa São Paulo. Infelizmente o Cruzeiro não se classificou no ano passado para a Copa do Brasil de 2020. Portanto, a meta nossa é o Brasileiro, uma competição muito forte. A gente está muito confiante em fazer um bom campeonato, porque vários jogadores que estavam no profissional, e subiram no ano passado, desceram para reforçar a equipe. Isso deu uma encorpada muito grande no nosso grupo. Praticamente são cinco ou seis jogadores que desceram – o time ficou bem forte para disputar essa competição. A classificação para a dispu-

ta da Copa do Brasil se dá através de qual campeonato? Pelo Mineiro. Por isso que não conseguimos a classificação e estamos focados no Brasileiro e na Taça São Paulo. Acredito que você esteja assumindo o Cruzeiro com duas situações complicadas. A primeira delas é a pandemia. Como estão os treinos neste período de pandemia? Nossa rotina alterou, mas os treinos não muito. A logística muda, né? Estamos sempre dando treino de máscara. Mudou a nossa rotina de alimentação, não tem aglomeração mais, só dois por mesa. Estamos fazendo testes de Covid-19 ao menos quinzenalmente e sempre tomando todos os cuidados para que nenhum atleta seja contaminado. A segunda situação é a crise que o Cruzeiro vive, a maior de sua história dentro e fora de

campo. O clube planeja aproveitar os garotos do Sub-20 no profissional? Como estão as conversas com a diretoria sobre isso? É um momento muito difícil que o Cruzeiro vive. Financeiramente nem precisa falar. Também tecnicamente, a equipe profissional tem deixado a desejar, precisa melhorar muita coisa. E todo mundo dentro do clube tem consciência de que o Cruzeiro precisa virar essa chave e começar a ganhar. É importante demais o profissional estar ganhando porque isso reflete na base, já que o futebol profissional é o nosso carro-chefe. A expectativa é a de que a gente possa ajudar no que for preciso, trabalhando com os garotos para que eles possam servir ao profissional. Existe a expectativa de alguns garotos subirem, mas a gente tem que ter muito cuidado em um momento como esse, para não “queimar” esses jogadores. Porém, vamos trabalhar para que aos poucos eles possam, como eu disse, servir ao profissional. Gilberto, você é muito conhecido na região do Campo das Vertentes. Muitas pessoas inclusive o conhecem desde a época em que você jogava nos campos de São João del-Rei e em cidades vizinhas. Agora, assumindo o Sub-20 do Cruzeiro, você pode ajudar aqueles garotos que sonham em estar em um grande clube como o Cruzeiro? Sim. Outro dia, uma pessoa me encontrou no Instagram e estou para trazer um menino de doze anos para fazer uma avaliação no clube. Na idade de Sub-20, não é tão fácil captar um garoto e trazer para cá. Tem alguns casos em que os garotos já jogam em times profissionais, como Figueirense e Athletic. Mas hoje é muito grande a procura por garotos de 12 e 13 anos, fase em que se começa a trabalhar os atletas. A gente vai estar atento e, no que eu puder ajudar, eu vou ajudar.


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