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Edição 209 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

Entrevista

• SETEMBRO 2020 • Nº209

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Reforma emergencial salva histórica Fazenda das Éguas do risco de desabamento Foto: André Eustáquio

Jogo Aberto com o educador, professor aposentado da UFSJ e membro da Academia de Letras de São João delRei, João Bosco de Castro Teixeira

ANO XVII

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Justiça Eleitoral trabalha para realizar uma eleição segura A pandemia do novo coronavírus levantou a suspeita da ocorrência ou não das eleições municipais deste ano, sobretudo quanto à segurança para todas as pessoas envolvidas no pleito. PÁG 10

Casarão da sede da histórica Fazenda das Éguas recebeu nova pintura durante reforma emergencial

Desde 2007, quando foi tombada pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, a Fazenda das Éguas tornou-se símbolo da luta pela preservação do patrimônio cultural em Resende Costa. A última propriedade rural do século 18 que se manteve de pé no município corria sério risco de ter o mesmo destino das históricas fazendas da Lage e dos Campos Gerais, das quais só restaram as ruínas. Leia o editorial na página 2. PÁG 13

Partidos começam a se organizar para as eleições de novembro Com as alterações no calendário eleitoral, os partidos políticos ganharam

mais tempo para realizarem as convenções que definirão os candidatos

a prefeito e vereador nas eleições municipais de 15 de novembro. Algumas re-

gras eleitorais mudaram, como o fim das coligações. PÁG 06


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ANO XVII Nº 209 - SETEMBRO 2020

Meio Ambiente

ADRIANO VALÉRIO RESENDE

A questão da extração de areia no rio Santo Antônio A areia é um insumo essencial na construção civil. Sua extração é feita geralmente nos leitos ou nas margens dos cursos d’água. Dessa forma, se o processo não for bem controlado, pode ocasionar vários problemas ambientais. Em nossa região, o rio Santo Antônio sempre foi utilizado para extração do mineral, no entanto a expansão para o seu leito médio, nas proximidades do Povoado do Pinto, tem gerado questionamento por parte de moradores locais e de pessoas ligadas ao meio ambiente. Areia, brita, cascalho e pedra são os agregados essenciais para a construção civil, sendo utilizados em diversas etapas: fundações, estruturas, vedações, acabamentos e coberturas. Tecnicamente falando, a areia é um tipo de material composto basicamente de quartzo (Si O²) em pequena granulometria, com tamanho de até cinco milímetros. Assim como o cascalho e alguns tipos

de pedras, ela é um material oriundo do processo natural de desagregação de rochas: o intemperismo. De acordo com o tamanho dos grãos, a areia é dividida em fina, média e grossa. Regionalmente, a bacia do rio Santo Antônio é referência na extração de areia e também em número de voçorocas (MOREIRA, 1992). A extração mineral nos leitos e nas margens dos cursos d’água da bacia é histórica, sendo os principais minerais extraídos a areia e a cassiterita (minério de estanho). Existem outros minerais que foram retirados em menor quantidade, como o ouro e a tantalita. Os locais mais conhecidos de extração de cassiterita são o Barro Vermelho e o Curralinho dos Paulas. A mineração aconteceu até meados dos anos 90 e deixou um significativo passivo ambiental (áreas degradadas e não totalmente recuperadas). As extrações de areia na bacia

acontecem tanto no leito do rio Santo Antônio quanto nos seus afluentes. As principais áreas são: córrego do Mosquito (nas proximidades da ponte do Barracão, atualmente desativada), na confluência do córrego do Retiro com o ribeirão do Mosquito (Barro Vermelho), no ribeirão do Mosquito (Sumidouro e na cidade de Coronel Xavier Chaves), no córrego Tabatinga (na região da Fazenda da Lage) e em várias partes do leito do rio Santo Antônio (povoados do Glória, Penedo, Ramos e nas regiões do Val e da Ponte Grande). Existem outras áreas menos significativas de extração de areia, mas geralmente são para uso pessoal ou a quantidade extraída é pequena. Naturalmente, a bacia do rio Santo Antônio é propensa à produção de areia, que é acumulada ao longo de seu leito principal, nas partes mais baixas. Na bacia, a amplitude do relevo (diferença entre os

pontos mais altos e mais baixos) é de 424 metros; o perfil longitudinal do rio ainda não atingiu a fase de equilíbrio dinâmico; assim, há uma tendência à degradação e à erosão acelerada na bacia (o que produz muito sedimento, dentre esses a areia), especialmente entre seu trecho inicial na Serra das Vertentes e o começo de seu trecho médio, no ribeirão dos Marianos. A geologia, formada principalmente por granito e gnaisse, possui muito quartzo em sua composição, gerando grande quantidade de areia quando do seu intemperismo (RESENDE, 2013). As áreas de extração de areia mais antigas estão no trecho baixo do Santo Antônio, entre os povoados do Glória e do Ramos (divisas entre Coronel Xavier Chaves, Ritápolis e Resende Costa), sendo utilizados maquinários e equipamentos para dragagem do material direto do leito. Nos últimos anos, vivenciamos sua expansão para o trecho

médio do rio. Tal fato fica evidente quando se analisam os pedidos de outorga (autorização para intervenção em recurso hídrico) para a finalidade de “Dragagem de curso d’água para fins de extração mineral” no nosso município. Em 2013, havia quatro autorizações concedidas. Atualmente são doze. Também é verificado que vários direitos minerários (processo que autoriza a extração mineral do subsolo) foram concedidos pela Agência Nacional de Mineração (ANM) para extração de areia no trecho médio do rio. Diante dessa expansão minerária para o trecho médio do rio Santo Antônio, uma questão se torna flagrante: quais as consequências para o rio, a fauna aquática, os animais que vivem em suas margens e para a população residente ou que passeia pela região? (Continua na próxima edição)

EDITORIAL Fazenda das Éguas: símbolo da luta pela preservação do patrimônio histórico

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O Jornal das Lajes, desde a primeira edição, publicada em abril de 2003, elegeu como uma de suas prioridades editoriais a defesa e a divulgação da cultura em suas diversas manifestações. Essa escolha se materializou em inúmeras reportagens veiculadas nas mais de 200 edições do periódico, ao longo de 17 anos. Esta edição (nº 209) confirma isso. A reportagem de capa destaca a conclusão da primeira etapa da reforma da histórica Fazenda das Éguas, localizada a 22 quilômetros da sede do município de Resende Costa. Não é a primeira vez que a Fazenda das Éguas apare-

ce como destaque de capa em edição do JL. A luta pela sua restauração nasceu juntamente com o jornal. Quando preparávamos a nossa segunda edição, um assunto veio à tona durante a reunião de pauta realizada no CPP (Centro de Pastoral Paroquial), presidida pelo nosso então diretor e fundador, Denilson M. Daher. O professor e historiador Adriano Aparecido Magalhães nos alertara para um fato de importante relevância para a preservação da história de Resende Costa: a última fazenda remanescente do século 18 no município corria risco iminente de desaparecer, repetindo o que ocorrera

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

décadas atrás com a Fazenda da Lage e a Fazenda dos Campos Gerais, ambas construídas nos idos de 1700. Da conversa com o professor Adriano Magalhães surgiu uma pauta que ganhou destaque de capa na edição nº 2 do JL, cujo título foi: “Fazenda das Éguas: uma preciosidade histórica de nosso município ameaçada de desaparecer”. O próprio professor Adriano tratou de organizar a nossa visita à fazenda e aceitou escrever um brilhante artigo que ocupou uma página inteira do jornal, revelando a Resende Costa a rica história de uma fazenda erguida em 1747 na região do povoado do Ribeirão de Santo Antônio. Ao mesmo tempo, o artigo denunciava o estado precário em que se encontrava o imóvel. Nascia ali uma causa que o JL assumiu também como sua e que se tornou símbolo da luta pela preservação do patrimônio histórico e cultural no município. O artigo publicado no JL, em 2003, colaborou para conscientizar a administração municipal acerca da necessidade de promover ações de proteção do patrimônio. A primeira delas foi a reestruturação do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura. Por iniciativa do ex-prefeito Gilberto Pinto, de saudosa memória, o Órgão passou a ser deliberativo, deixando de ser meramente consultivo. Tratou-se de um primeiro

e importante passo para a realização de diversas ações que, nos anos seguintes, balizariam a elaboração de políticas públicas de proteção patrimonial no município. O conselho, já reestruturado, articulou e promoveu eventos profícuos de educação patrimonial destinados aos alunos da rede municipal, além de realizar o tombamento de bens materiais e imateriais, entre eles a própria Fazenda das Éguas, a igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França, o Teatro Municipal e a imagem de Nossa Senhora do Carmo, pertencente à capela dos Campos Gerais, que atualmente se encontra no museu de arte sacra da paróquia. Também por iniciativa do conselho, o artesanato em retalhos, confeccionado em Resende Costa, foi registrado como bem cultural imaterial. No entanto, o ganho maior de todas essas ações foi, sem dúvida, ter conscientizado a comunidade para a obrigação vital de preservar o seu patrimônio histórico e arquitetônico, já bastante dilapidado devido a sucessivas atitudes irresponsáveis e destruidoras no passado. Nessa luta, o JL atuou, e vem atuando, como um dos agentes principais. Através de inúmeros editoriais, artigos de opinião e reportagens, cobramos do poder público que olhasse com carinho pela Fazenda das Éguas e, consequentemente, salvasse um rico e importante capítulo da história

de Resende Costa. Tantos, concomitantemente, se juntaram a essa causa, em especial o Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, que, embora renove seus membros a cada dois anos, sempre manteve a reforma da fazenda como prioridade na pauta. Encerramos este texto transcrevendo um trecho do editorial da edição nº 2 do JL, escrito em maio de 2003: “Nossos agradecimentos a todos que se disponibilizaram para conosco. De modo particular, aos proprietários da Fazenda das Éguas que tão bem acolheram nossa reportagem, despedindo-se de nós com aquele gostoso cafezinho mineiro com biscoito frito servido na bicentenária cozinha; ao professor Adriano Magalhães, que coordenou a visita, e ao professor João Magalhães, que nos levou de carro.” Dezessete anos se passaram e voltamos à Fazenda das Éguas, desta vez acompanhados por membros do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, para ver os resultados da primeira etapa das obras. Novamente nos despedimos do casal Romeu Maia e Maria Margarida Maia com a sensação gostosa de dever cumprido e saboreando um delicioso e feito na hora cafezinho mineiro servido na bicentenária cozinha do casarão histórico que, felizmente, não mais corre risco de desaparecer.


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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Indicações aprovadas durante reuniões ordinárias do mês de agosto Os vereadores da Câmara Municipal de Resende Costa aprovaram as seguintes indicações durante as reuniões ordinárias do Legislativo Municipal acontecidas no mês de agosto. Indicações • Instalação de 5 manilhas no encontro da Rua Zequinha de Lourdes com a Rua Alberto Salomão, no bairro São José; • Instalação de grade em bueiro próximo à Fonte da Ilha; • Eliminação da grande quantidade de formigueiro no Campo do Boca Júnior; • Calçamento do restante do trecho da Rua das Arueiras, no bairro Tijuco; • Jogar água na estrada de saída do bairro Tijuco até a primeira curva de acesso à estrada principal que liga Resende Costa ao distrito de Jacarandira, próximo ao Sítio do Açude. A justificativa é que existe grande quantidade de poeira no local; • Instalação de quebra-molas na Rua Pau Brasil, bem como a fixação de duas placas com indicação de redução de velocidade no local; • Instalação de quebra-molas na Rua Sandra Valéria Resende Fernandes, entre os números 52 e 22, 86 e 122 e próximo ao número 152; • Recuperação de um mata-burro localizado depois da Ponte Grande, na entrada da via que dá acesso ao povoado da Restinga; • Possível regulamentação de autorização para que o Executivo Municipal possa receber ofícios por meio eletrônico durante a pandemia do novo coronavírus, não sendo necessária presença física na sede da

Prefeitura. Tal procedimento poderá contribuir para evitar a propagação do vírus causador da Covid-19; • Nivelamento da curva no cruzamento do Açude, localizado na estrada vicinal municipal, sentido Povoado do Ribeirão; • Reforma e cascalhamento de estrada e reforma de ponte que dá caminho entre o distrito de Jacarandira e o município de Desterro de Entre Rios, onde localiza-se o terreno do Sr. Osnir, de Jacarandira. O Sr. Osnir é produtor de leite e, devido às condições atuais da estrada, está sendo obrigado a transportar, a cavalo, as latas de leite num percurso de 2 km morro acima. Isso se dá uma vez que o caminhão que faz o transporte de leite na região não consegue descer até a propriedade do sr. Osnir, devido às más condições da estrada. A referida indicação propõe a construção de um mata-burro na estrada que passa pelo terreno do Sr. Antônio Bilaya. Confira as leis municipais sancionadas no mês de agosto • Lei nº 4.649/2020 – Normas acerca da prestação de serviços funerários e administração de cemitério; • Lei nº 4.650/2020 – Altera a Lei Municipal nº 4.564/2019 – extensão de jornada de trabalho; • Lei nº 4.651/2020 – Crédito especial de R$195.141,38 - cofinanciamento de ações socioassistenciais visando ao enfretamento de situação de emergência em decorrência da Covid-19; • Lei nº 4.652/2020 – Crédito especial de R$137.500,00

- construção de um Centro Comunitário no Povoado do Barracão; • Lei nº 4.653/2020 – Repasse de recursos à Associação Musical Amadora de Resende Costa – AMARC; • Lei nº 4.654/2020 – Cessão de uso de microtrator e carretinha à ARCOSTA; • Lei nº 4.655/2020 – Altera a Lei Municipal nº 3.733/2013 Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública; • Lei nº 4.656/2020 – Extingue vaga de Psicólogo; • Lei nº 4.657/2020 – Crédito especial de R$11.000,00 - pagamento de vencimentos e encargos previdenciários de servidores a serem lotados no Programa Bem Viver; • Lei nº 4.658/2020 – Crédito especial de R$4.000,00 - pagamento de eventuais benefícios de auxílio funeral aos familiares de servidores da Câmara Municipal; • Lei nº 4.659/2020 – Altera Anexo da Lei Municipal nº 4.627/2020 – Lei de Diretrizes Orçamentárias; • Lei nº 4.660/2020 – Crédito especial de R$2.044,00 custeio das bases de cooperação técnica com o CIGEDAS, para implantação da fase de obras de eletrificação do programa PROILUMINA sob a forma de gestão associada; • Lei nº 4.661/2020 – Crédito especial de R$20.000,00 contratação da CEMIG para realização de obra na rede elétrica no município; • Lei nº 4.662/2020 – Crédito especial de R$651.405,55 - infraestrutura urbana e pavimentação asfáltica da Nova Avenida interligando a Rua São João del-Rei à Rua Vereador Joaquim de Paula Resende, totalizando 448,57metros.

Posicionamento das bandeiras em eventos oficiais MARINA VALE*

Você sabia que durante eventos oficiais existe uma posição correta para posicionar as bandeiras? Quando falamos da Bandeira do Brasil, que é um dos maiores e mais importantes símbolos nacionais da nossa Pátria, estamos tratando de algo muito sério. Tão importante que existe uma lei, chamada Lei dos Símbolos Nacionais do Brasil, que regulamenta a confecção e o uso da Bandeira do Brasil. De acordo com a Lei nº 5.700, de 1º de setembro de 1971, existe uma forma oficial e correta para a apresentação dos símbolos nacionais. Diz a referida lei que a Bandeira do Brasil deve ocupar lugar de honra em todas as apresentações oficiais em território nacional. Portanto, a disposição das bandeiras deve respeitar o seguinte protocolo: • Se o número de bandeiras for ímpar, a Bandeira do Brasil deve ficar sempre no centro; a próxima bandeira em grau de importância (geralmente a do Estado) fica à direita da Bandeira do Brasil. Já a bandeira do município deve permanecer à esquerda da Bandeira do Brasil. • Se o número de bandeiras for par, a Bandeira do Brasil fica à direita do ponto central e a próxima bandeira em escala de importância (do Estado) permanece à esquerda da bandeira nacional. A bandeira do município fica à direita da Bandeira do Brasil. Tendo outra bandeira (por exemplo, de alguma instituição), esta deverá também ficar à esquerda do Pavilhão Nacional. Além disso, as bandeiras devem ser posicionadas sempre na lateral direita da mesa das autoridades constituídas. *Assessora Jurídica da Câmara Municipal de Resende Costa.

Bandeiras no plenário da Câmara Municipal de Resende Costa

Câmara Municipal de Resende Costa Trabalhando por uma cidade melhor


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Secretaria de saúde distribui mil kits de higiene na avenida Alfredo Penido, em Resende Costa A Secretaria Municipal de Saúde de Resende Costa, por meio do Comitê de Monitoramento e Enfrentamento da Covid-19, realizou nos dias 12 e 13 de setembro uma campanha educa�va na Avenida Alfredo Penido. Foram distribuídos mil kits de higiene para pessoas que circularam no local. Os kits con�nham lixocar, duas máscaras, dois sachês de sabonete líquido e dois sachês de álcool em gel. A campanha visa conscien�zar os resende-costenses e turistas sobre os riscos do novo coronavírus e a necessidade da proteção. Resende Costa iniciou nova fase de flexibilização do comércio com reabertura das lojas de artesanato também aos finais de semana. O úl�mo bole�m divulgado em Resende Costa dá conta de 36 casos da Covid-19 confirmados em nosso município, sendo que 33 já estão recuperados. O Brasil já registra mais de 4 milhões e 200 mil casos da doença, sendo que mais de

130 mil mortes foram confirmadas. Não é o momento de relaxarmos, por isso siga as recomendações dos órgãos de saúde: higienize bem as mãos, use máscara e, se puder, fique em casa. BIBLIOTECA MUNICIPAL FOI REABERTA A Biblioteca Municipal já está de portas abertas para lhe receber, seguindo todos os devidos cuidados de prevenção contra o novo coronavírus. O atendimento funciona de 8h às 11h30 e de 13h às 17h30. AINDA NÃO É O MOMENTO DE AGLOMERAÇÃO De acordo com o decreto nº 180, de 30 de junho de 2020, ficam vedadas quaisquer formas de aglomeração que ultrapasse o número de 10 pessoas e viole as recomendações e protocolos dos órgãos de saúde. O descumprimen-

Secretaria de Saúde distribui mil kits de higiene em Resende Costa

to da medida está sujeito à aplicação de: 1. Advertência por escrito; 2. Em caso de reincidência, multa no valor

de 10 Unidades Padrão Municipal Fiscal; 3. Em caso de nova reincidência, a multa será aplicada em dobro.

Quanto menos pessoas nas ruas, menor será o número de novas infecções. Faça isso por você e pelas pessoas que você ama!

>>> Dúvidas e informações relacionadas à Covid-19 devem ser sanadas junto as Unidades Básicas de Saúde ou pelo telefone (32) 99809-3244 <<<


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Jogo Aberto

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

“A educação do país não vai ficar mais precária se se vier a perder um ano. Não vai, porque estamos perdendo anos seguidos com o desprezo que emprestamos à educação básica.” É o que pensa João Bosco de Castro Teixeira, professor aposentado da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e membro da Academia de Letras de São João del-Rei. Nesta entrevista ao JL, o educador fala do aumento da desigualdade com a pandemia nos aspectos econômico, social, cultural, da saúde e da educação, bem como do comprometimento do ano letivo de 2020. “Se o Governo e as escolas, nos vários níveis, dedicassem o resto de 2020 para preparar 2021, cuidando da metodologia de ensino, do aparato tecnológico e de logística, da capacitação docente e da gestão educacional, o ano de 2020 passaria como um grande momento do ensino na escola.” Você acha que a pandemia expôs de maneira mais contundente aquilo que já sabíamos, ou seja, que existe uma desigualdade gritante? Sem dúvida. Evidenciou-se em todos os campos. No econômico, causou espécie o grande número de pessoas que precisaram do auxílio emergente, oferecido pelo Governo. No campo social, ele está intimamente ligado ao econômico, mas pense-se quão poucas foram as pessoas que puderam se dar ao luxo de se recolherem em casas de campo, sítios, pequenas propriedades mais interioranas, enquanto as classes de baixa ou de nenhuma renda precisam permanecer em espaços mínimos de suas residências, submetidas muito mais à transmissão do coronavírus. No aspecto cultural, os espetáculos ficaram reduzidos às ofertas das “lives”. No campo religioso, sabe-se bem que quem mais sofreu com o fechamento dos templos foram os pobres. Nos campos da saúde e da educação, a evidência da desigualdade se fez maior ainda e totalmente evidente. Você acha que a pandemia acentuou de maneira irreversível essa desigualdade em seus vários aspectos (regionais, entre escolas particulares e públicas, entre as próprias escolas públicas e entre classes sociais)?

Sim, a pandemia acentuou, sim. Espero, no entanto, que não de “maneira irreversível”. Acentuou a desigualdade em dois sentidos. Primeiro, pela oferta de qualidade diferenciada entre regiões e entre os setores público e privado; diferença que já existe no ensino presencial. Segundo, pela diferença acentuada até dentro de uma mesma região ou seguimento, com alunos que não tiveram as mesmas condições tecnológicas, ou de acompanhamento, para seguir os trabalhos ministrados a distância. Como você analisa esses movimentos contraditórios na sociedade, como pressão das escolas particulares para retomarem as aulas presenciais; professores das escolas públicas que resistem a voltar, alegando insegurança; pais de alunos da rede pública que defendem que o ano letivo seja repetido; indefinição de governadores sobre o retorno das aulas presenciais etc.? Não posso garantir a objetividade de tais percepções. Escolas particulares requerem a retomada não sei se por motivos nobres, dado que a principal preocupação da maioria delas não está na educação, mas na transmissão de conhecimentos necessários aos alunos para que superem a variedade de exames a que o sistema atual os submeteu. Além disso, elas precisam manter o pagamento das mensalidades. Professores das escolas públicas resistem, com razão, dado que as escolas não estão preparadas para obedecer a um protocolo que ofereça a eles condições indispensáveis para prevenir uma Covid-19. Observe-se que parte notável dos professores constitui grupo de risco, por razão de idade e por razão de deficiente saúde física e psicológica. Mais, além dos professores as escolas públicas mantêm um pessoal de apoio à educação também em condições, às vezes, não satisfatórias à saúde. Pais de alunos de escola pública que gostariam que o ano letivo fosse considerado perdido. É uma questão interessante. A maioria dos alunos de escolas públicas é das classes sociais mais baixas. Os pais de tais alunos foram os que menos se sentiram ocupados no acompanhamento dos filhos com os estudos a distância, por razões já anteriormente consideradas. Por isso, eles não veem sentido considerar válida a tentativa de substituição das aulas presenciais por atividades das quais não participaram

com os filhos. Governadores que anunciam a abertura das escolas e voltam atrás. Prefiro não dizer nada, pois a incerteza sobre a evolução da pandemia não deixa ninguém seguro sobre questão alguma relativa. Tomar decisão, em tal situação, não é nada confortável. Em termos de educação escolar, você acha que 2020 é um ano perdido? Vamos distinguir os termos educação e ensino. Educação é um processo pelo qual se ajuda o infante (aquele que não fala) a dizer a própria palavra. É um processo de aquisição de valores, pela conquista da liberdade. Como tal, é competência da família, da escola e da sociedade. Nesse sentido, a pandemia exigiu muito das famílias. E, acredito, positivamente. A escola, esse lugar maravilhoso da convivência, da companheirada, da cumplicidade em tanta coisa, da educação, por excelência, e que ela faz bem, tudo foi perdido. E eu digo: irremediavelmente. Outros tempos virão. Mas esse tempo foi perdido. A escola deixou de oferecer o que de melhor ela faz: educação. Evidente que sem culpa alguma. A sociedade reduziu-se a proibir isso e aquilo. Do ponto de vista do ensino, já falamos da diversidade de situação no tocante à possibilidade de ensino/aprendizado a distância. Quem teve condição, teve. Quem não teve, não teve. E nesse sentido, a escola fez falta e fará. Muitos alunos só têm a escola quando se fala de Enem. Soa para mim como injustiça a oferta do Enem diante da situação que vivemos. É oferecer a mesma oportunidade para quem não teve as mesmas condições. É oficializar e aceitar, como estrutural, a desigualdade Num país onde a educação já é precária, o que significa perder este ano, mesmo que haja algum retorno parcial às aulas presenciais? A educação do país não vai ficar mais precária se se vier a perder um ano. Não vai, porque estamos perdendo anos seguidos com o desprezo que emprestamos à educação básica. Nossa precariedade está, fundamentalmente, na educação básica. Não temos o atendimento devido à infância. Faltam-nos creches, muitas creches, com pessoal capacitado que ajude as crianças a crescerem “experimentando” a validade e a beleza da vida, que de todos pede empenho. No fun-

Foto: Arquivo Pessoal

Ano de 2020 ainda pode ser “um grande momento do ensino na escola”, diz educador

João Bosco de Castro Teixeira é professor aposentado da UFSJ e membro da ALSJDR

damental I e II, há uma enorme distorção do ponto de vista do ensino/aprendizado. É período de foco em dois aspectos: leitura e matemática. Leitura como crítica, dedução, indução, criatividade, interpretação, capacidade de escutar, de exprimir o próprio pensamento. Matemática como exercício contínuo, diuturno, de reflexão, de interpretação da realidade, iniciada com as quatro operações em suas muitíssimas aplicações por toda a vida. O excesso de conteúdo não deixa espaço para o essencial nesse período. Se se quisesse enriquecer o currículo nessa fase do ensino, era recheá-lo de arte e esporte. Tem-se um excesso de conteúdo, sem foco algum, sem escolha estratégica que alimente todo o processo. O menino pode até terminar o 5º ano sabendo ler. Mas é de uma leitura pobre. E a matemática não o levou a pensar, discutir, interpretar, imaginar, enfim, viver. Infelizmente, a perda de um ano não vai piorar a educação, aqui entendida, pobremente, como ensino/aprendizado. Como sair desta armadilha provocada pela pandemia: de um lado, não há condições para ensino remoto; por outro lado, é impraticável o retorno às aulas presenciais nos atuais níveis de contágio no Brasil? Olhe, até hoje não tivemos, no Brasil, um governo, em nível federal ou estadual, que colocasse a educação como prioridade. Em nível municipal, alguma coisa aqui e acolá.

Pois bem, se o Governo e as escolas, nos vários níveis, dedicassem o resto de 2020 para preparar 2021, cuidando da metodologia de ensino, do aparato tecnológico e de logística, da capacitação docente e da gestão educacional, o ano de 2020 passaria como um grande momento do ensino na escola. Não há quem acredite que seja possível um mal pago professor, às vezes também despreparado, ajudar vinte e cinco, trinta meninos e adolescentes dentro de uma sala de aula. Trata-se de alunos que estão vivendo noutro tempo, noutra cultura, motivados para mil coisas que pouco têm a ver com uma sala de aula onde o que mais conta, absurdamente, é o silêncio. Alunos, que no seu dia a dia, vivem de conversa, de interação, de trocas em tudo quanto é aspecto da vida, servindo-se dos celulares, da internet, nos mais variados ambientes, em grupos pequenos (onde a afetividade conta e muito) o tempo todo desafiados. Portanto, é necessária, a meu aviso, uma radical revolução no ensino que leve as escolas a adaptarem desde sua área física até os aspectos facilitadores do aprendizado. E, sem receio, aderirem, a partir do fundamental II, ao ensino a distância, concomitantemente com o ensino presencial. Na minha opinião, no Fundamental I não cabe o ensino a distância, por razões de ordem até psicológica. Veja a íntegra no site www. jornaldaslajes.com.br


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ELEIÇÕES 2020

SETEMBRO VERDE

Fim das coligações para vereadores fortalece partidos

Plenário da Câmara Municipal de Resende Costa

legenda e também qualificação da disputa”, assinala Cássio Almeida, presidente do MDB. “Essa nova regra pode ainda aumentar a identificação do candidato com o partido e evidenciar as diferenças de ideologia. O eleitor precisa se sentir representado por candidatos e partidos que tenham uma linha clara de atuação.” Ponderando que as eleições para vereadores são sempre muito competitivas, Ângelo Márcio Resende, presidente do PT, considera que a proibição das coligações “prejudica os partidos que não possuem um bom leque de candidatos disponíveis, pois todos sabem que não é fácil montar uma chapa. Primeiro, porque pouquíssimas mulheres aceitam participar.” Ele defende que o poder público invista, urgentemente, em publicidade e conscientização, para que as mulheres “vejam que há uma enorme necessidade de mudarmos esse quadro quase que exclusivamente masculino”. Sensibilidade e justiça, que “as mulheres têm de sobra”, são “o que precisamos para

tornar a sociedade mais sensível e mais justa”. Acrescenta que “renovar é de vital importância, só a renovação (das chapas) traz a evolução”. Já Anderson Belo de Resende, o Alemão, presidente do PSL, considera insuficiente o fim das coligações apenas para a Câmara Municipal, pois “essa estratégia eleitoral foge da ideologia de cada partido. Tivemos grande avanço na proibição de coligação para vereadores; no entanto, no Executivo as coligações servem para fortalecimento de determinados partidos, um lançando um prefeito e o outro o vice. É deplorável os partidos se coligarem a fim de manipular o povo. Usa-se a matemática tratando o povo como números.” De qualquer forma, se houver muitos candidatos à Câmara Municipal, os votos vão se distribuir mais e vai ser possível eleger vereador com até menos de 200 votos, observa Fernando Chaves: “o que não é uma votação tão expressiva. Então, pode diminuir o voto de corte pra que sejam eleitos”.

As prioridades de cada um dos partidos Continuidade e novas propostas, assim Zinho Gouvêa (PSDB) resume o binômio de campanha. “A ideia-base que norteará a nossa campanha, bem como sustentará nossas propostas, é a de dar continuidade a um modelo de administração que vem trazendo inúmeros e importantes benefícios para o desenvolvimento de Resende Costa.” Além disso, pretende avançar em propostas que façam a diferença nos rumos do município, “especialmente ante os desafios que surgiram a partir da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus”. Lucas Vale (PSD) reforça

“A sociedade só será de fato inclusiva quando houver mudança cultural e comportamental” Foto: André Eustáquio

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A principal mudança nas regras eleitorais deste ano, promovidas na minirreforma de 2017, é o fim das coligações proporcionais para o legislativo (no caso, Câmara Municipal). Assim, a figura do candidato chamado “puxador de votos” só valerá para a legenda, ao contrário do que ocorria antes. Com o fim das coligações proporcionais (para vereadores), os partidos foram obrigados a se fortalecer individualmente, a aumentar a sua lista de candidatos, diz Fernando Chaves, presidente do PDT de Resende Costa. “Então, há uma tendência a ter maior número de candidatos a vereador. Isto, por um lado, torna a eleição mais disputada, mas por outro, curiosamente, vai diminuir o número da votação de todos os candidatos.” Lucas Paulo de Assis Vale, presidente do PSD, concorda com que os partidos saiam fortalecidos com chapas únicas e individuais. “Creio que isso foi bom. A partir de agora, os partidos novos que vierem, bem como os que já existem, terão que se fortalecer se quiserem apresentar uma chapa forte para lutar por cadeiras na Câmara Municipal.” José Gouvêa Filho, Zinho, presidente do PSDB, acha que tanto os partidos quanto os eleitores serão beneficiados. “O eleitor poderá contribuir para eleger o candidato que mais se identifica com a ideologia do partido de sua admiração. No fim, quem ganha é a própria democracia através de mais transparência e representatividade.” Por isso, essa mudança é “positiva para fortalecimento da

Setembro Verde: promover a inclusão e assegurar os direitos de todos

a ideia de “dar continuidade ao trabalho realizado até aqui, que consideramos ter sido muito positivo, e aprimorar os pontos nos quais consideramos que pode haver melhoras”. Saúde e educação serão “sempre prioridade”, além de “muito” investimento em infraestrutura e “atenção à zona rural”. Uma campanha bem propositiva, assim resume Ângelo Márcio (PT) a ideia do partido “que sempre fez valer o seu nome: Partido dos Trabalhadores”. O partido terá propostas para um leque de operário a empresário, tecelão a lojista, pequeno a grande produtor rural, acrescenta. “Nossas

propostas serão com os pés na realidade”, resultado de um “trabalho (que) sempre foi contínuo e incansável em busca do bem-estar social, principalmente das pessoas menos favorecidas, que são obrigadas a fazer rifa pela internet ou ir de porta em porta para pagar um exame”. Uma das propostas “será zerar a fila da saúde. É inaceitável a construção de megaobras enquanto houver alguém sem dinheiro para comprar remédio ou fazer um exame.” Com foco em pluralidade e capacidade, Cássio Almeida (MDB) fala em “oferecer opções e perfis diferentes para a população”. Ou seja, “pessoas capazes

ANDRÉ EUSTÁQUIO

O mês de setembro é tradicionalmente marcado pela campanha nacional de conscientização da inclusão social. O chamado “Setembro Verde”, instituído em 1982 por movimentos sociais, tem como objetivo incentivar o debate sobre a inclusão social. Comemora-se o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A cor verde, que caracteriza a campanha, possui um significado especial e simbólico, conforme explica Clébia Maria Resende, coordenadora do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) de Resende Costa: “A cor não é por acaso, mas tem um significado especial: o verde da esperança simboliza dias melhores para o país e para as pessoas com deficiência. Portanto, a data foi escolhida para coincidir com o Dia da Árvore, 21 de setembro, representando o nascimento das reivindicações de cidadania e de participação em nível de igualdade de condições para todos.” As reflexões propostas para o mês de setembro visam também chamar a atenção das pessoas sobre ações que podem ser implantadas a fim de se garantir uma sociedade mais justa, inclusiva e acessível a todos. “Inclusão é a capacidade de a sociedade incluir pessoas com deficiência. Incluir, introduzir, inserir representam a capacidade de uma sociedade de mudar para entender, receber, respeitar e atender às necessidades de todos que dela fazem parte, não importando classe social, gênero, condição econômica, limitação sensorial, física, mental ou qualquer outra natureza que a pessoa possua. Inclusão pressupõe participação de todos, para todos e com todos”, destaca Clébia. O processo de inclusão social vem acontecendo no Brasil e se solidificando enquanto importante avanço social através do

de exercer a função e representar bem nossa população e, obviamente, honestas e íntegras”, essas últimas importantes “em um cenário de desconfiança e de descrença da população”. A ideia é substituir “conceitos ultrapassados” por “uma nova política de verdade, com pessoas participativas e interessadas”. Fernando Chaves (PDT) enfatiza a estratégia “de o partido ter presença o maior possível e o mais qualificada possível no Legislativo”, de “ter uma chapa representativa dos vários segmentos da socidade, dos vários

trabalho incansável de ONGs, associações, instituições, governo e sociedade. “A sociedade, mesmo sem perceber, promove ações de inclusão. Por exemplo, mulheres exercendo trabalhos que antes eram destinados somente a homens, a quebra de preconceito com LGBTs, afrodescendentes, pessoas idosas e pessoas com deficiência. Enfim, cada vez mais estão acontecendo ações que promovem a inclusão social”, ressalta Clébia. A coordenadora do CRAS de Resende Costa enumera diversas ações práticas que têm sido fundamentais para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência, inserindo-as no contexto social. “Exemplo dessa promoção é a elaboração de legendas e o uso de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais); construção de rampas de acesso e pisos táteis nas calçadas; implantação de transporte coletivo com acesso para cadeiras de rodas; inclusão do alfabeto em braile e, principalmente, quando os pais conversam com seus filhos sobre como conviver com as diferenças. Essas atitudes são importantes e a sociedade só será de fato inclusiva quando houver mudança cultural e comportamental”, assegura Clébia. Embora o mês de setembro tenha sido escolhido para debater a inclusão social, o tema deve permanecer sempre na pauta diária de toda a sociedade. “Trata-se de algo natural do nosso dia a dia. É necessário ter em mente que se deve lutar por uma cultura de inclusão na sociedade. Parafraseando Maria Teresa Montoan, ‘a inclusão é o privilégio de conviver com as diferenças’. A troca é positiva na convivência entre sociedade e pessoas com deficiência. Portanto, inclusão não é favor nem caridade, mas sim um direito em qualquer contexto social. Dessa forma, lutar a favor da inclusão social deve ser responsabilidade de cada um e de todos coletivamente”, conclui Clébia Resende.

locais, dos vários bairros e assim levar de fato as demandas dos eleitores; unificar essas demandas na campanha e levá-las para o exercício da política”. Alemão (PSL), por sua vez, diz que a base de campanha, ou seja, o objetivo do partido, será “saúde, educação e geração de empregos”. “Estaremos prontos para apresentar novos projetos em todas as secretarias; todas as áreas da administração pública são extremamente importantes. Nosso plano é dar sequência à realização de pedidos que o povo faz há décadas.”


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ELEIÇÕES 2020

Eleições mais antigas do Brasil ajudam a fortalecer a democracia JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

As eleições municipais são tradicionais no Brasil. Desde o descobrimento pelos portugueses, em 1500, os representantes das Câmaras Municipais, instituídas no Brasil Colônia, são eleitos pelo voto popular, de acordo com Jorge Caldeira, no livro “História da Riqueza no Brasil”. Por isso, é uma oportunidade de “nos reencontrarmos com a democracia no contexto local, municipal, onde temos condições de vivenciar, de forma mais imediata, mais de perto, os problemas, os desafios, as questões sociais, enfim, as questões da coletividade”, observa Fernando Chaves (PDT). Participar das eleições “sempre será importante para mantermos o bom funcionamento da democracia”, pondera Ângelo Márcio (PT). “Quando não vota-

mos, estamos simplesmente passando a outras pessoas o poder de escolher e decidir por nós qual projeto social será implementado. Atualmente, a democracia como a conhecemos está por um fio. Muitos especialistas até dizem que já não existe mais.” Fernando Chaves salienta o “aspecto de proximidade dos cidadãos com as questões públicas e com os atores (políticos), especialmente na crise.” No meio de uma pandemia e de uma crise econômica que se anuncia, “é importante a gestão das questões coletivas, das questões públicas”; enfim, “eficiência na gestão”. Assim, este é “um momento importante de planejar, de discutir o município e de escolher os representantes”. Lucas Vale (PSD) acredita que a pandemia e a incerteza quanto aos seus desdobramentos reforçam a importância destas eleições, já que os políticos escolhidos vão tomar as “decisões que

mais se refletem na vida do morador local”. “Esse ano em especial, vivenciamos uma pandemia que não sabemos até onde irá e nem quais serão os reflexos, tanto na saúde quanto na economia. Então os próximos eleitos terão uma responsabilidade muito grande de saber sair de situações complicadas e continuar levando o município ao crescimento.” Zinho Gouvêa (PSDB) ressalta a “necessidade de experiência tanto política quanto administrativa” num momento político e econômico difícil em que vive o país. “Automaticamente isso se reflete nos municípios. Os novos administradores talvez encontrarão dificuldades nos próximos anos, sobretudo pelo fato de o país estar passando por uma grave crise econômica, sanitária e política.” Cássio Almeida (MDB) destaca a importância das eleições frente a “um cenário de amplas incertezas e riscos, acentuados

pela pandemia”. A crise política que afeta o Brasil, nos últimos anos, “já vem trazendo prejuízos aos pequenos municípios bem antes do vírus e há o receio de isso se agravar nos próximos meses”, acrescenta. Por isso, em momento de instabilidade, é importante unir experiência e juventude. “Precisamos de gente que entenda as necessidades do nosso povo e, ao mesmo tempo, trabalhe com criatividade para driblar as consequências da crise. Escolher bem os vereadores, vice-prefeito e prefeito é escolher o que queremos para o nosso presente e o nosso futuro. É no cenário municipal também que surgem novas lideranças políticas para a região, o estado e até mesmo para o país.” Alemão (PSL) acredita que os municípios, “que em nossa federação prestam a maioria dos serviços à população, sofrerão respingos negativos” no combate à Covid-19, a qual trouxe im-

pacto à saúde e à economia. “As eleições de 2020 são mais uma oportunidade para o povo usar a democracia a seu favor, podendo fazer a melhor escolha entre os candidatos mais preparados a fim de se ter um bom relacionamento administrativo com o estado e com a União.” “Tenho plena certeza de que Resende Costa será contemplada com o que há de melhor.” Eleição é isso, conclui Ângelo Márcio: “Votar é mostrar que o direito de escolha é seu. De nada adianta ficarmos indignados quando não ousamos mudar, escolher propostas inovadoras e saudáveis, ou seja, mudar o perfil de administradores e legisladores. O político é representante social. Se você vota em alguém diferente do seu perfil social, dificilmente esse político irá representá-lo(a), pois uma coisa é certa: só entendemos a dor do outro quando a vivenciamos de perto ou temos vontade de entendê-la.”

O Verso e o Controverso JOÃO MAGALHÃES

A criança estuprada desde os 6 anos que, aos 10, engravidou do estuprador Horrorizou e comoveu a população brasileira em sua maioria, no último mês de agosto, o chocante caso de uma criança de 10 anos, moradora no interior do Espírito Santo, grávida, que vinha sendo violentada por um tio dela desde os 6 anos de idade! O aborto, autorizado pela Justiça, foi realizado num hospital de referência em Pernambuco. O procedimento ao qual a criança foi submetida, assistido por equipe médica especializada, provocou manifestações grupais, contra e a favor, em frente ao hospital. Extremistas divulgaram pela internet o nome da criança e o local onde seria atendida, ato de flagrante ilegalidade pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Consta ainda que grupos religiosos pressionaram, até com ameaças, a avó que cuida da menina para não permitir o aborto. Estatísticas mostram a gravidade da situação. Em 2019, fizeram-se no Brasil 72 abortos legais de meninas de até 14

anos, 53,8% delas vítimas de estupro. Quatro menores de 14 anos são estuprados por hora no país e 75,9% das vítimas conheciam o agressor! Esta coluna opinativa, cujo objetivo é estimular as pessoas a dialogar sobre acontecimentos e atos, tanto os de pouca contestação (o “verso”) como os polêmicos (o “controverso”), não pode se omitir sobre esse acontecimento de tamanha gravidade. Lembrando o eficiente método da Ação Católica: Ver – Julgar – Agir (VEJA), muito adotado nos anos já longínquos pela Juventude Universitária Católica (Juc), Juventude Estudantil Católica (Jec) e Juventude Operária Católica (Joc), resumo, para municiar o ver e o julgar do leitor duas falas-testemunho do Dr. Olympio Barbosa Moraes Filho. Uma, em 2015, no debate sobre a regulamentação da interrupção voluntária da gravidez nas primeiras semanas de gestação, promovido em audiência pública pela Comissão de

Direitos Humanos do Senado. Outra, agora, pois é diretor do hospital que fez o aborto legal da menina. Falas muito abalizadas, pois ele é vice-presidente da FEBRASGO (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia), filiada à FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, ambas aliadas da OMS – Organização Mundial da Saúde). Dr. Olympio é também diretor do CISAM (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros), que tem a segunda maternidade mais importante do Estado de Pernambuco. É necessário retirar o aborto da esfera criminal, pois trata-se de um problema de saúde pública. Mulheres morrem ou ficam com sequelas, como esterilidade, infecção etc. Isto se dá quando o aborto é inseguro, clandestino, feito na ilegalidade e em condições precárias por curiosos ou agentes incompetentes e despreparados. Quando o aborto é seguro, ou seja, feito com assistência médico-hospi-

talar, isso raramente acontece. Por que o Brasil não legaliza, deixando a decisão para a gestante, ou no caso de criança, para os responsáveis por ela, como já o fizeram uma maioria significativa de países desenvolvidos? Psicólogos e psiquiatras que trabalham o problema afirmam que o maior dano para a mulher é tirar dela o poder de decidir. Quando ela sente que vai ser bem acolhida e legalmente atendida, poderá deixar a situação de vulnerabilidade em que se encontra. O médico deve agir por práticas e evidências científicas e não por crenças e/ou convicções pessoais. Alegar objeção de consciência para não realizar (o aborto) é um direito do médico em sua individualidade, mas, por ética médica, é dever seu encaminhar para quem o faça. Por exemplo, sendo ele testemunha de Jeová, ao atender um necessitado de transfusão imediata de sangue, caso contrário ele morrerá, deverá fazê-la se não

houver outro profissional que a faça. Não se deve misturar religião com ciência, religião com assuntos de saúde, religião com Estado laico. Por exemplo, tem religião que proíbe métodos contraceptivos, sendo que eles evitam muitas mortes! Concordo com as opiniões do doutor. A teocracia direta – poder religioso exercendo também o poder legal ou o poder de mando – pratica inomináveis injustiças. Atualmente, além de teocracias diretas, crescem muito as teocracias indiretas, ou seja, crenças religiosas, igrejas, dogmas, argumentos de fé, acuando o Estado para legislar favoravelmente às suas pregações. Não é justo. A lei é para todos e todos não têm a mesma religião, os mesmos princípios, a mesma fé. As religiões são muitas e divergem substancialmente. Há muitos cidadãos que não têm religião, nem fé. Infelizmente, o Brasil está caminhando para essa teocracia indireta. É o que penso. E você?


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Cultura

Prestes a completar 150 anos de existência, o Coral e Orquestra Mater Dei mantém vivas as tradições religiosas e culturais de Resende Costa

ANDRÉ EUSTÁQUIO

O Coral e Orquestra Mater Dei é uma das joias do patrimônio cultural de Resende Costa. Prestes a completar 150 anos de existência, o grupo está cada vez mais fortalecido graças ao trabalho incansável do jovem e determinado maestroWagner Barbosa, que conta com a valiosa colaboração e empenho de diversos cantores e instrumentistas. O Mater Dei tem em seu portfólio principal a música sacra e atua, há mais de 1 século, nas principais celebrações solenes da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França. Em março deste ano, o grupo já estava nos preparativos finais para a Semana Santa, no entanto o maestro teve que suspender os ensaios a partir de uma notícia que abalou a comunidade. Pela primeira vez, em quase 200 anos de história, a Semana Santa, uma das mais belas e importantes manifestações religiosas e culturais do município, não aconteceria devido à pandemia do novo coronavírus. Com as medidas preventivas de isolamento e de distanciamento social, os ensaios do coro e da orquestra também precisaram ser suspensos. Entretanto, respeitando as orientações das autoridades sanitárias locais, o Mater Dei conseguiu se adaptar aos protocolos e não deixou de estar presente nos ritos da Semana Santa, que aconteceram somente no interior da igreja. O mesmo ocorreu meses depois, durante as solenidades de Corpus Christi e de Nossa Senhora da Penha de França, padroeira do município. “Com o início da pandemia, a Orquestra Mater Dei paralisou suas atividades semanais de aulas e ensaios, mantendo somente os compromissos existentes com formação reduzida, como aconteceu na Semana Santa, Corpus Christi e aniversário da cidade. A partir do momento em que nosso município foi avançando nas ondas do programa Minas Consciente, nossa orquestra também começou a retomar suas atividades, porém de maneira restrita”, esclareceu o maestro Wagner Barbosa. FESTA DE NOSSA SENHORA DA PENHA Uma novena solene antecede o Dia Maior da festa da padro-

eira da cidade, Nossa Senhora da Penha de França, celebrada oficialmente no dia 1º de setembro, feriado municipal. O Coral e Orquestra Mater Dei é responsável por abrilhantar a novena preparatória e a missa solene do Dia Maior. As celebrações com presença dos fiéis nas igrejas já são permitidas na Diocese de São João del-Rei, consequentemente em Resende Costa. Mas para isso acontecer, está sendo necessário cumprir um rígido protocolo de segurança, o qual prevê número reduzido de pessoas dentro das igrejas, distanciamento, higienização constante, uso de máscaras etc. Com o intuito de preservar antigas tradições litúrgicas da Igreja católica em Resende Costa, especialmente a solenidade da padroeira, mas sem se descuidar das medidas de segurança em tempos de pandemia, o grupo, mais uma vez, teve que se adaptar. “Para a festa da padroeira, deixamos em aberto aos nossos músicos se eles desejavam participar ou não da novena. Assim, com os nomes em mãos, começamos as preparações através de ensaios de naipe reduzidos e obtenção de autorização para participação do grupo”, explicou Wagner Barbosa. De acordo com o maestro, foi necessário contar com uma formação reduzida tanto do coro quanto da orquestra, conforme acontecera também na Semana Santa, em abril último. “Atuamos durante a novena com grupo reduzido, fazendo rodízio entre os músicos. No Dia Maior, na missa solene, participamos com todos os músicos que atuaram durante a novena. Em todos os eventos foram respeitadas as normas de segurança, como uso de máscara sempre que possível e mantendo-se distância segura entre os músicos”, disse o maestro. Manter o distanciamento entre os músicos não é uma tarefa muito simples em um grupo musical. Aliás, a proximidade entre cantores e instrumentistas é importante para a própria execução das músicas. Todavia, a necessária medida de segurança não foi empecilho para o Mater Dei, que participou com o brilhantismo de sempre das festividades em honra à padroeira de Resende Costa. “A questão do distanciamento, com certeza, tem sido a maior dificuldade para todos, pois demanda muito mais preparo e segurança dos músicos, já que estando dis-

tantes é muito mais difícil para ouvir os outros durante a execução das músicas, o que é essencial para manter a sincronia”, explica o regente do grupo. Na missa solene do Dia Maior da festa de Nossa Senhora da Penha deste ano, o maestro preparou um repertório que “resgatou” composições antigas e, ao mesmo tempo, promoveu a estreia de uma peça escrita recentemente pelo tenor do coro do Mater Dei, Orestes Gustavo. Wagner Barbosa falou ao JL sobre o repertório e os respectivos compositores: “No dia 1° de setembro, apresentamos o dobrado ‘O Municipal – Resende Costa’, dedicado ao Coronel Francisco Mendes, composto para a orquestra por Christóvam Gonçalves Pinto, e o moteto eucarístico ‘Domine Jesu’, também de sua autoria. Christóvam foi regente da orquestra nas décadas de 1900 e 1910. Além de grande compositor, foi responsável pela manutenção da atividade musical no município no início do século 20. Apresentamos também a ‘Ave Maria das Graças’, composta neste ano pelo tenor Orestes Gustavo, com orquestração de minha autoria. É uma honra para a nossa orquestra poder executar essas composições no dia em que se celebra a padroeira do município. Essas músicas foram criadas para o nosso grupo por filhos de Resende Costa. Além dessas obras, executamos também o hino ‘Salve Senhora da Penha’, do ex-regente Joaquim Pinto Lara, e o hino oficial da padroeira, com letra de José Procópio, ambos compositores resende-costenses.” Ainda durante a missa solene do dia 1º de setembro, o grupo apresentou a “Missa Nossa Senhora da Lapa”, do compositor Carlos dos Passos, e a antífona “Maria Mater Gratiae”, de Antônio dos Santos Cunha, ambos são-joanenses, e o “Credo São José do Tocantins”. Segundo o maestro Wagner Barbosa, esse Credo se trata de uma composição anônima encontrada nos arquivos de conjuntos musicais do interior de Goiás. Ainda conforme o maestro, esses grupos musicais atuavam nas igrejas locais desde o século 17. “Reafirmamos, assim, o propósito maior da orquestra, que é recuperar e preservar a execução do repertório sacro composto no Brasil, especialmente em nossa região”, frisou Wagner.

Fotos: arquivo Mater Dei

Na Festa de Nossa Senhora da Penha deste ano, o grupo resgatou antigo repertório escrito especialmente para a orquestra e promoveu a estreia da “Ave Maria das Graças” composta pelo tenor Orestes Gustavo

Coral e Orquestra Mater Dei, em formação reduzida e respeitando o distanciamento social, em frente à igreja matriz de Resende Costa, no dia 1º de setembro

Coral e Orquestra Mater Dei em atuação durante a novena de N. Sra. da Penha neste ano.

LEGADO CULTURAL A presença do Coral e Orquestra Mater Dei nas principais solenidades da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França confere ainda mais beleza à liturgia católica celebrada em Resende Costa. Wagner Barbosa fala da importância do grupo, que se aproxima de completar 150 anos de existência, para a preservação das tradições religiosas e culturais em Resende Costa, bem como na região do Campo das Vertentes. “O Coral e Orquestra Mater Dei, com aproximadamente 150 anos de existência, é hoje uma das poucas orquestras que sobreviveram no Brasil, especialmente em Minas Gerais, após as mudanças do Concílio Vaticano II (1962-1965). Resende Costa e algumas cidades próximas conseguiram se adequar às mudanças (implementadas pelo concílio) sem, porém, perder as características dos conjuntos musicais que

já atuavam há tempos nas paróquias.” Wagner Barbosa, atual maestro do Mater Dei, destaca o trabalho dos regentes que o antecederam no pódio da orquestra e exalta o legado deixado por eles. “Graças aos esforços de muitas pessoas, em especial aos regentes que passaram pela orquestra nos últimos tempos e que foram persistentes para a manutenção do grupo, nossa orquestra hoje é atuante na cidade e na região. O Coral e Orquestra Mater Dei foi inventariado como Patrimônio Cultural do Município e oferece atualmente prática de orquestra e de canto coral, assim como aulas de instrumentos, canto e teoria musical, contemplando várias pessoas da cidade, em especial os jovens, que começam a entender o papel da orquestra e a importância em mantê-la viva”, conclui o maestro.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Manfredo O Manfredo é assim. Quando vê a gente na rua, pega de conversa e não larga mais. Já está ficando chato encontrar o Manfredo. Toda vez, lá vem ele fazer conferência de quase uma hora de relógio. Se ficasse apenas no blá-blá-blá, ainda ia. Mas tem também o blé-blé-blé, o bli-bli-bli, o bló-bló-bló e o blu-blu-blu. Esse último, aliás, é sempre interrompido no segundo blu, pois ninguém aguenta ficar até o final. A conversa segue sempre uma ordem de temas, como se fosse um jornal. Ele chega com um comentário ou uma crítica sobre alguma situação. Terminado o editorial, Manfredo parte pra política: pedrada no prefeito, sarrafada no governador e bordoada na presidência da república. Na seção de economia, tudo está caro, o salário é uma merreca sem vergonha e o país está falido. E os esportes? Manfredo só fala das glórias – passadas! – do seu time. Há também os faits divers: fulano bateu na mulher e apanhou do amante dela, pessoas juraram que viram um disco voador na zona rural, briga de dois homens num bar termina em bala perdida... Até publicidade tem. É quando o Manfredo elogia a filha da vizinha, enaltece as formas da vizinha e exalta a outra filha da vizinha. Política da boa vizinhança... e da vizinhança boa. Comecei a regular o meu horário de sair à rua pelo ho-

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Sempre o tempo rário do Manfredo. Porém, sempre atento a duas coisas fundamentais: o ainda não veio e o já foi. Uma espécie de AM e PM: ao banco, eu passei a ir às 11h e 33min AM (Ante Manfredum); à cafeteria, somente às 05h e 30min PM (Post Manfredum). Claro, evitando a Rota do Manfredo e os Locais do Manfredo. Certas frases jamais podem ser ditas ao Manfredo, tais como: “Você está sumido...” “Ainda é cedo...” “Você tem algo a falar?” “Aparece lá em casa...” “Qual a sua opinião sobre isso, Manfredo?” O Manfredo é uma ameaça. Ou será um alerta? De um lado, a ameaça do emudecimento, da impossibilidade de falar frente ao outro, do anulamento social, pois não falamos. Quem não se comunica, se trumbica... já disse alguém. Só que o Manfredo, além de não nos deixar comunicar, também nos leva a trumbicar. Mas o Manfredo também é um alerta. Está sempre nos lembrando que muitas trombadas da humanidade acontecem porque as pessoas não têm paciência nem interesse de ouvir umas às outras. Preciso ouvir mais o Manfredo. Mas ele bem que poderia falar menos e me deixar falar mais. Talvez... quem sabe... se o Manfredo conversasse em Libras, poderia dar certo. Pensando bem, não daria. O Manfredo acabaria morrendo com distensão muscular.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

Presente entre nós praticamente desde o início deste ano, portanto, aqui no Brasil ainda na temporada de verão, a pandemia do novo coronavírus vem atravessando as estações. Quando passamos pelo outono, sabíamos estar vivendo um período difícil, experimentando uma maneira única de existir e resistir nesse mundo compulsoriamente transformado pelas circunstâncias do momento. Ainda que alertados por especialistas sobre o prolongamento dessa indesejada situação, julgávamos poder acordar desse pesadelo tão logo fosse possível. Ingênuo engano! Eis que avançamos rumo à estação das baixas temperaturas vendo arrefecida em nós uma certa esperança de respirar dias menos sombrios. Daqui a pouco haveremos de nos encantar com o espetáculo da natureza vestida de flores, provavelmente na duradoura incerteza de um rumo mais seguro para nós. Assim vai passando “o tempo, esse itinerante”, como o definiu o escritor resende-costense Gentil Vale em livro com esse mesmo nome. E vai passando em fatias representadas pelas estações do ano. Dentro delas correm meses, semanas, dias, horas e segundos. E como correm! Neste 2020 sendo engolido por um inimigo mortal, busquei na itinerância desse tempo o simbolismo das estações além das mudanças climáticas. Nesse sentido, o ano fragmentado em temporadas lembra a muitos os ciclos da vida. Nessa asso-

ciação, a Primavera (primeiro verão) é a representação da infância e da juventude. Veranum tempus é o Verão, o bom tempo; a maturidade jovem. Outono é o tempo da colheita, que lembra crescimento e transformação. Associa-se a ele a ideia de declínio, ocaso, daí a expressão “outono da vida” em referência ao envelhecimento do ser humano. O ciclo se completa com o Inverno, o tempo frio, do recolhimento. Em sentido figurado, a velhice. Com essa mesma significação conotativa se pergunta a alguém: quantas primaveras (quantos anos) você (geralmente, uma pessoa jovem) está completando (ou fazendo)? Ou nos referimos à mocidade como “a primavera da vida”. Dizer que “os janeiros pesam” é afirmar que os muitos anos vividos têm um custo. De uns tempos pra cá, as estações andam decepcionando um pouco as pessoas porque nem sempre chegam com suas típicas manifestações. Com relação ao Inverno, por exemplo, já ouvi muita gente comentar que não temos mais aquele frio de doer. Pelo menos em nossa cidade, essa constatação – ou seria uma sensação? – parece verdadeira. Lembro-me especialmente do rigoroso inverno de 1974. Era ano de Copa do Mundo, na Alemanha Ocidental (hoje, apenas Alemanha, pelo processo de reunificação das 2 Alemanhas – Ocidental e Oriental). Em casa, reunidos e cheios de agasalhos, aguardávamos diante da tevê um determinado jogo do Brasil. Aí chegou

o tio Celso para se juntar a nós. O casaco que ele usava – pesadão, compridão, de pura lã – é o “termômetro” que tenho na lembrança daquela tarde gelada. E o que dizer das inúmeras Semanas Santas de antes, especialmente das Procissões do Depósito e do Enterro? Certamente, muito fervorosas pela fé dos acompanhantes, mas desafiantes pelo frio cortante daquelas noites. O mesmo frio potencializado pelo vento, ambos misturados e sentidos com força pelos destemidos que se aventuravam a contornar a “Distribuidora”, antiga fornecedora de luz situada na esquina onde foi construída a casa do Dr. Paulo (médico). Quanto às temporadas de verão, dificilmente se podia sair de casa à noite sem levar um leve agasalho que fosse. Mais tarde batia uma brisa, contávamos com isso. Ventilador e ar-condicionado em Resende Costa? Pra quê? Vivemos agora outros tempos. Compreensivelmente, em total desconforto com toda essa realidade da pandemia que vem nos consumindo. Estranhamente, o futuro é o lugar onde já gostaríamos de estar. O tempo presente é de espera. Até quando? Como saber? Achar que tudo se resolverá logo com uma vacina segura e eficaz contra a Covid-19 é simplismo. Que haja espera em nossos dias por boas e esperançosas notícias. Mas, acima de tudo e apesar de tudo, que haja tempo em nossos dias para simples e necessárias alegrias.


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Eleições em tempos de pandemia Com a alteração do calendário eleitoral de 2020, Justiça Eleitoral corre contra o tempo para se adequar à nova logística, que pressupõe regras de distanciamento social e protocolo rígido de segurança, a fim de garantir a realização segura das eleições municipais ANDRÉ EUSTÁQUIO

Neste ano, os eleitores irão novamente às urnas para elegerem prefeitos e vereadores nos 5.570 municípios do Brasil. Devido à pandemia do novo coronavírus, as eleições municipais, previstas inicialmente para acontecer no dia 4 de outubro (primeiro turno) e 25 de outubro (segundo turno), tiveram de ser adiadas. O Congresso Nacional aprovou uma proposta de emenda à Constituição (PEC), autorizando a alteração das datas do calendário eleitoral de 2020. De acordo com o novo calendário, as eleições ocorrerão no dia 15 de novembro em primeiro turno e, nos municípios onde houver segundo turno, no dia 29 de novembro. Para se adequar ao novo calendário eleitoral e cumprir os rígidos protocolos de segurança, a Justiça Eleitoral está correndo contra o tempo. O objetivo do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é garantir a realização das eleições e, ao mesmo tempo, proporcionar segurança aos mesários, eleitores e a todas as pessoas que, de alguma forma, participarão do processo. Para isso, inúmeras medidas de segurança vêm sendo tomadas pelos profissionais da Justiça Eleitoral em todo o país. Diante de tantas indefinições acerca da realização de eventos no decorrer deste ano, como volta das aulas presenciais, possibilidade de as pessoas poderem frequentar igrejas e outros ambientes que promovem aglomerações, há quem ainda tem dúvida se realmente as eleições ocorrerão no final do ano. Há também pessoas que possuem opinião formada de que o pleito de 2020 deveria ser cancelado, pois, segundo elas, não há segurança para os eleitores saírem de suas casas, enfrentarem filas e aglomerações para votar. O JL entrou em contato com o Cartório da 232ª Zona Eleitoral, em Resende Costa, responsável também por organizar eleições em Coronel Xavier Chaves, Ritápolis e São Tiago. Paula da Silva Dias,

chefe de cartório, esclareceu dúvidas importantes dos eleitores e informou sobre como a Justiça Eleitoral está se preparando para realizar as eleições municipais num ano atípico de pandemia. Muitas pessoas ainda têm dúvida se as eleições deste ano vão mesmo acontecer. Sim, as eleições municipais vão acontecer. O primeiro turno será no dia 15 de novembro de 2020 e, nas cidades onde houver segundo turno, no dia 29 de novembro de 2020. A Emenda Constitucional que permitiu o adiamento das eleições ainda estabelece que, no caso de as condições sanitárias de um estado ou município não permitirem a realização nas datas previstas, poderá haver novo adiamento, observando-se a data-limite de 27 de dezembro de 2020. Esperamos que a eleição aconteça na data programada e que a situação sanitária permaneça sob controle nos quatro municípios da 232ª Zona Eleitoral (Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Ritápolis e São Tiago) e em todo o país. Devido à crise sanitária causada pelo novo coronavírus, como a Justiça Eleitoral vem se programando para realizar as eleições garantindo, sobretudo, a segurança dos mesários e dos eleitores? A Justiça Eleitoral tem se programado para garantir a segurança de todos que fazem parte das eleições. Está sendo desenvolvido um protocolo para a votação em todo o país. Os mesários trabalharão com equipamentos de segurança individuais fornecidos pela Justiça Eleitoral, como máscaras, protetor facial e álcool em gel. A biometria não será utilizada nessas eleições, mesmo nas cidades em que foi obrigatória a sua realização. Além disso, o TSE pretende estabelecer um horário de votação específico para os eleitores que fazem parte do chamado grupo de risco. Como os mesários serão treinados, uma vez que, devido ao distanciamento social, reuniões presenciais estão sendo desaconselhadas? O TSE disponibilizou uma plataforma de ensino à dis-

tância e está sendo desenvolvido também um aplicativo para o treinamento dos mesários. Tendo em vista que cada Zona Eleitoral conta com suas particularidades, pretendemos nos reunir virtualmente com os presidentes das seções eleitorais para instruções específicas acerca dos trabalhos a serem realizados. E as reuniões com os dirigentes de partido? As reuniões por videoconferência se tornaram rotina na Justiça Eleitoral. Sempre nos reunimos com os dirigentes partidários e todos os profissionais que os auxiliam antes do período eleitoral para instruí-los sobre as mudanças legislativas e acerca dos sistemas operacionais a serem utilizados durante o processo. Neste ano, estamos realizando encontros virtuais para esse fim. Acredito que o resultado está sendo alcançado da mesma forma, mesmo que haja necessidade de adaptação de todos à nova realidade. Quem ainda não fez a biometria poderá votar neste ano? A biometria em nossa Zona Eleitoral não era obrigatória. E mesmo que fosse obrigatória, o TSE suspendeu a sua utilização nas eleições deste ano por questões de segurança sanitária. Assim, quem não fez a biometria poderá votar normalmente em novembro. Quando o cadastro eleitoral será retomado e os eleitores poderão procurar o Cartório Eleitoral para fazer a biometria e o título de eleitor? O cadastro eleitoral foi fechado em 06 de maio de 2020 e, mesmo com o adiamento da data das eleições, não foi prorrogado o período para fazer novos títulos de eleitor, transferências de domicílio ou alteração de dados. O cadastro será reaberto no dia 09 de dezembro de 2020; portanto, após a realização das eleições. Não sabemos ainda se o recadastramento biométrico será retomado ou se o eleitor continuará a ser atendido pela internet e com coleta de dados biométricos em data posterior. Tudo dependerá da situação da pandemia e dos protocolos de segurança a serem estabelecidos pelo TSE.

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Cruzeiro da Serra do Mané Chico parcialmente fechado para visitantes Muita gente, até mesmo moradores de Resende Costa, não conhece o lugar. Os que o conhecem sabem que, passando pela região do Catimbau, próximo ao povoado do Ribeirão de Santo Antônio, localiza-se a Serra do Mané Chico. Lá, no seu ponto mais alto, pertinho do céu, de onde se tem uma vista de 360 graus, privilegiada e livre, vislumbra-se claramente a bela Resende Costa ao longe. Neste lugar, os que moram por perto mandaram erguer um cruzeiro, nos moldes dos que temos nas entradas da cidade. E trataram de cercá-lo com uma forte e larga mureta de pedra. O antes pouco conhecido cruzeiro, devido à distância da sede do município e cujo local não é de fácil acesso, começou a chamar a atenção das pessoas. Desde então, visitas ao local se tornaram mais corriqueiras. No ponto mais alto da serra, encontra-se cravada a cruz com duas escadas, uma placa com a sigla em latim INRI (tradução: Jesus Nazareno Rei dos Judeus) e um galo – símbolos da paixão e morte de Jesus. Há também a representação do lençol, que simboliza o tecido usado por José de Arimatéia e Nicodemos, depois de autorizados por Pilatos, para retirar e descer o corpo de Jesus Cristo da cruz, após sua morte por crucificação. Para compor o cenário da representação do Descendimento da Cruz, foram construídas também as 14 estações da via-sacra. O lugar especial e muito bonito aos poucos começou a receber visitas de grupos de caminhadas, de ciclistas e de motociclistas, além de famílias inteiras que realizam passeio ecológico, pois, no local e em seus arredores, há trilhas, como a que passa pela Jabuticaba e termina na Terra do Feijão, por exemplo. Esses grupos de pessoas sempre cuidam, como fazem por onde passam, de deixar tudo como encontram. Não estragam e não sujam nada. Porém, há sempre quem atrapalha tudo. Uma minoria, inexpressiva em

todos os aspectos, tratou de começar a depredar a Serra do Mané Chico, deixando no local restos de comida, plásticos, vidros, latas, entre outras coisas espalhadas pelo chão. Esta coluna apurou que pelo menos um dos proprietários de terreno no entorno do cruzeiro não permitirá mais o acesso de pessoas ao local, devido às constantes depredações. A chateação, ante tanto desrespeito ao outro, à própria natureza e ao símbolo maior dos cristãos, levou um dos proprietários a tomar uma atitude radical: trancar a porteira de acesso ao topo da serra. Outro proprietário de terreno que compõe o complexo da serra, no entanto, optou por aguardar um pouco mais, não restringindo a circulação de pessoas. Para ele, nada de porteira fechada com cadeado, por enquanto. A partir de agora, de um lado, visitas ao cruzeiro só serão permitidas para as missas, rezas e vias-sacras. Saímos todos perdendo para os mal-educados, lamentavelmente. No entanto, podemos agir no sentido de reverter a situação. No momento em que trabalhamos para a completa revitalização da Fazenda das Éguas, a mais antiga do município e tombada pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, que fica pertinho dali, faz-se necessário que espaços como esses permaneçam abertos para podermos, junto aos turistas que nos visitam, desfrutar do nosso patrimônio, dando nossa contribuição para sua preservação. Foto: Eudes Resende

ELEIÇÕES 2020

Cruzeiro situado no topo da Serra do Mané Chico


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CIDADE

Infestação de escorpiões preocupa população de Resende Costa De acordo com setor de epidemiologia, Prefeitura vai realizar dedetização de áreas com registro dos aracnídeos VANUZA RESENDE

Eles preocupam todo o Brasil e os acidentes envolvendo-os estão cada vez mais comuns: os temidos escorpiões. De acordo com dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde, em 2018 o país registrou uma média de 429 acidentes diários com picadas de escorpião. Se fizermos um comparativo com o ano de 2008, o quadro quase quadriplicou. Em 2008, os dados registravam 40.287 acidentes com o aracnídeo; o número subiu para 156.833 em 2018. Ainda que sem dados divulgados pelo Ministério da Saúde para o ano de 2020, Resende Costa se preocupa com as ocorrências de aparecimento do animal peçonhento. Leitores do JL relataram aparecimento de escorpiões em diversos pontos da cidade, principalmente no bairro Nova Resende. O coordenador do setor de epidemiologia da Prefeitura Municipal de Resende Costa, Reginaldo Magalhães, disse que há muitos anos o município vem registrando aparecimento de escorpiões. No entanto, em 2020, houve um aumento desses registros. “A gente estava conseguindo controlar os casos de aparecimento dos escorpiões, a endemia fazia mais o trabalho de informação e de orientação da população. Mas em 2020 a incidência de escorpião aumentou muito, principalmente no bairro Nova Resende”, afirma Reginaldo. No mês de junho, após ocorrências constantes relatando aparecimento dos animais, o setor de epidemiologia atuou no bairro Nova Resende para detectar a presença dos escorpiões. “Nesse trabalho, durante uma se-

mana, procurando de casa em casa, foram encontradas dezenove espécies. Um número muito grande”, destaca Reginaldo. Reginaldo Magalhães atribui as ocorrências de aparecimento no bairro sobretudo aos cemitérios localizados nos arredores. “O que eu pude verificar é o que os escorpiões estão saindo dos três cemitérios do município; hoje a gente fala que são três, devido à ampliação do cemitério municipal. E também dos bueiros. Nós procuramos a COPASA (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), responsável pelo tratamento de água e esgoto no município, e a empresa disse que nada pode fazer”. O coordenador explicou que o setor de obras da prefeitura abriu um pregão para dedetização dos bueiros e dos cemitérios, mas nenhuma empresa, até o momento, se candidatou a fazer o serviço. “Com a quantidade de metragem que estava no pregão, nenhuma empresa se interessou. Porque só havia a metragem do lado externo do cemitério. Agora, a gente vai fazer um novo processo licitatório com toda a área do cemitério, além dos 48 bueiros. Com um serviço maior, com mais de sete mil metros quadrados, eu garanto que vai aparecer empresa interessada”. Reginaldo prevê que até o mês de outubro deverá ser realizada a dedetização no bairro Nova Resende. Escorpiões têm predileção por ambientes escuros, quentes, úmidos e que tenham insetos — especialmente baratas, alimento favorito do aracnídeo. Por isso, podem ser encontrados em subsolo de edificações, construções inacabadas, entulhos, terrenos baldios, cemitérios, forros, ralos e sótãos de casas. Geralmente, os acidentes são mais comuns no verão.

O ideal, portanto, é evitar ambientes onde a presença deles é mais comum e não acumular materiais de construção, como vigas, telhas e tijolos nos terrenos. Reginaldo ressalta que, além do poder público, a população precisa contribuir para evitar a proliferação dos escorpiões. “Infelizmente, algumas pessoas não colaboram. É assim com a dengue, por exemplo: a gente pede, orienta e muitas vezes a população não colabora. Precisamos da ajuda da população para combatermos.” Caso as pessoas encontrem algum escorpião em casa, o procedimento inicial é comunicar imediatamente o setor de epidemiologia para que os profissionais possam fazer uma visita ao local e repassar as devidas orientações aos moradores. Em caso de acidentes com escorpião ou qualquer outro animal peçonhento, a recomendação é procurar atendimento hospitalar, com urgência. Se possível, levar o animal para identificação. Os sintomas variam de acordo com o tipo de escorpião, a quantidade do veneno inoculada e a massa corporal do paciente. Em crianças e idosos, os sinais são mais graves. De acordo com o Hospital Nossa Senhora do Rosário, realizado o atendimento, o paciente fica em observação fazendo uso de medicação de analgesia, caso o quadro seja considerado leve. Em casos moderados e graves, a unidade de saúde faz a aplicação de um soro antídoto para o veneno. Na região do Campo das Vertentes, as unidades de saúde precisam solicitar o soro à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São João del-Rei, que concentra todos os tipos de antídotos e faz o repasse aos municípios quando necessário.

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Retalhos literários EVALDO BALBINO

Vovô Geraldo Melo O caminho era uma trilha sinuosa, margeada de capins-gorduras e outras plantinhas sem-vergonha ao longo da jornada. Antes, uma cava escura, uma estrada estreita banhada por um bambuzal, uma ponte velha de madeira cansada sobre um córrego indo com vontade de desaguar num rio maior. Após a casa antiga, velha escola do arraial, a cerca de arame farpado. E nela o tronco por onde passavam pessoas, e não as reses. O tronco era um ziguezague em S, um curto caminho torto. Eu gostava de passar pelos troncos e sonhava que um dia pudessem construir um corredor enviesado como aquele, porém longo como os de um labirinto. Depois uma cachoeira meio plana de pequenas quedas d’água sobre lajedos, com águas escorrendo em planuras, fazendo-se gostosas para se deitar no frio dos dias quentes. E depois a trilha continuava subindo ao lado de muros antigos de pedras mais antigas ainda. Íamos vovô Geraldo e eu para a fazenda Bela Vista. Lá aconteceria o casamento de um dos seus netos, um primo meu. Ele tinha que levar ovos num balaio para a fazenda. Fui com ele. Andava o meu avô com dificuldade. Já o conheci assim: cambaleando, pernas lentas em botas de sete-léguas, correia apertada na cintura fina, alto e magro, chapéu sempre na cabeça. E sua fala confusa, enrolada. Com ele, fui aprendendo na vida a fazer leitura labial. E era alegre, proseador. Então nossos olhos tinham que aguçar para pegar o que dizia. Quanto a andar, não; pois era devagar que ele ia, num vagar de câmera-lenta. As pernas endurecidas e a fala enrolada eram sequelas de três derrames que ele sofrera ao longo da vida. E dos três adoecimentos, seu corpo se levantara com vigor. Erguera-se para a existência com vontade cada vez mais de viver. Porque esta ele tinha, e isso se mostrava nos seus olhos doces, no sorriso de brilho, na alegria silenciosa mas nada silente. Não conseguia falar o meu nome tal qual o que me deram na santa pia, mas era santo o modo como articulava alguns dos fonemas que compõem a minha identidade de batismo. De sua boca saía vago meu nome. Vago, porém incisivo. No dia da caminhada para a fazenda Bela Vista, ele me chama-

va várias vezes, porque o vocativo é poderoso. Repetia meu nome a seu modo para que eu atendesse às narrativas que me contava. E eu respondia a todas, também com vocativos e interjeições, com caras de espanto, com “ohs” longuíssimos, com uma curiosidade que sempre me atravessou e atravessa a vida inteira. E quanto mais eu lhe perguntava, mais sua boca antiga me contava fatos e histórias do caminho que fazíamos. Na cava, a Luz da Pedra que muitos ali viam. Entre o bambuzal e a estrada, a passagem de anos a fio por pessoas simples que iam para a vila e dela voltavam nos seus quefazeres. Certa feita encontrou-se bem ali, ao lado dos bambus, um homem morto por embriaguez. Contou-me isso com tanta vivacidade, que o falecido ganhou vida em suas palavras. Da ponte me disse que era nova, o que estranhei, pois passávamos em tábuas velhas ameaçando romper-se sob pés incautos. Vendo meu rosto indagador, falou que antes houvera ali uma ponte feita de pau-a-pique e que fora substituída depois pela de agora. Do córrego não ponderou nada, mas vi seus olhos pequenos namorando as águas indo embora. Contou-me da escola e das professoras que ali lutaram tantos anos para levar um pouco de letra às pessoas do lugarejo, um alumiar de caminho pelo abecedário. Diante da cerca de arame, suas mãos disseram como faziam cercas, como lavravam e plantavam as terras, como enfrentavam cobras na sua lida, pois que havia muita cascavel na redondeza, sim senhor! Diante da pequena cachoeira, também nada disse sobre as águas. Amou-as líquidas e frias com seus olhos úmidos. Me falou, porém, das pedras, dizendo que elas eram de muita finura. Dos muros antigos de pedra relatou casos de escravos que seu pai lhe contava, das pedras que eles carregavam para erguer aquelas muretas nas terras dos homens ricos e esfomeados por divisões. Cada centímetro de terra era motivo de conta. E muita conta se fazia, mas ninguém levava para a sepultura a terra medida e decantada. Hoje, já falecido, o meu avô é sempre vivo em mim. Guardo comigo esse passeio pela vida feito com ele e a lição de água pelo tempo se indo sem cessar.


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Religião

Grupo de Jovens Shalom completa 25 anos VANUZA RESENDE

Foi inspirado no Movimento Emaús e pela percepção de que Resende Costa não tinha nenhum grupo de jovens católico que surgiu a ideia de fundar um grupo de jovens na Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França. Foi então que, em 1995, surgiu o grupo de jovens Shalom, que completou 25 anos no mês de agosto último. Um dos fundadores do grupo, o artesão Dirceu Geraldo Pinto, falou ao JL sobre como surgiu a ideia de criar o grupo: “Foi lá na capela do Povoado dos Pintos, Capela de São Geraldo, quando aconteceu o primeiro Encontro Sal da Terra, em fevereiro de 1995. Na época, eu, Fábio, Ésio, Lucilene promovemos o encontro. E naquele momento, participando do Emaús, a gente criou o Shalom”, lembra Dirceu. O resende-costense padre Fábio Eduardo Pinto, da ordem camiliana, que reside atualmente em Pinhais, no Estado do Paraná, é também um dos fundadores e se recorda dos primeiros movimentos do Shalom. “No ano de 1992, eu fiz o curso do Emaús, sobre valores humanos e cristãos para jovens, na Diocese de São João del-Rei. E com meus 21 anos, percebi que na cidade não tinha nenhum grupo de evangelização para jovens. Embora Resende Costa seja uma cidade católica, a juventude não tinha um grupo para partilhar os seus sentimentos. A irmã Clara, que trabalhava no Hospital, foi uma das idealizadoras do grupo, e em uma das nossas conversas, ela disse: ‘Vamos montar um grupo de jovens’. E assim começou a surgir a primeira célula do grupo”. Padre Fábio se recorda de uma tarde de sábado de Pentecostes, quando a direção do grupo se reuniu. “Depois dessa tarde, lá em maio, em um dia de Pentecostes, fomos nos articulando e, no dia 18 de agosto de 1995, fundamos o grupo”. DA FUNDAÇÃO AOS DIAS ATUAIS Padre Fábio Eduardo rememora as primeiras atividades realizadas pelo grupo. “Nós nos encontrávamos para rezar terços; fizemos um levantamento de temas sobre os quais gostaríamos de conversar. Eram momentos muito descontraídos. A gente rezava, brincava e se divertia. E o que era uma célula pequenina se transformou em uma obra muito bela.” Atualmente o grupo conta com cerca de 80 membros e é coordenado por três jovens: Francianne Fernandes, estudante de medicina, que está no grupo há cinco anos; Marcos Vinicius Vieira, estudante de história; Josiane Martiniano, médica veterinária. Ambos os coordenadores estão há

oito anos no grupo. Marcos Vinicius enumera algumas atividades realizadas pelo grupo: “Todos os anos a gente promove campanha de alimentos, via-sacra, encontro de jovens, quadrilhas e participações em eventos da diocese, como retiros. Temos reuniões mensais e também nos encontramos para rezar o terço mensalmente.” Josiane fala sobre a organização do grupo: “Nós temos um grupão do qual participa todo mundo e temos a coordenação, que é um grupo mais restrito e que toma as decisões. Temos também um grupo que se chama “Folclore” e é responsável por coordenar as músicas a serem tocadas nas missas e eventos.” Em comemoração aos 25 anos, ainda que em meio à pandemia da Covid-19, o grupo de jovens Shalom realizou alguns eventos em Resende Costa. “Tivemos que alterar as nossas comemorações pensadas inicialmente, mas contamos com tríduo realizado on-line. Na semana do nosso aniversário, as missas voltaram a ter a participação do público na igreja. Pudemos, portanto, participar presencialmente. Além de lives, que também realizamos e foi bem legal”, destaca Marcos Vinicius. ENCONTRO DE JOVENS Uma das grandes marcas do grupo são os encontros de jovens realizados anualmente ou até semestralmente na Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França. Dirceu se recorda do primeiro encontro, realizado em 1996. “A gente não estava tão preparado, para te falar a verdade. Nós fomos com a cara e com a coragem, e deu certo. Nós não tínhamos um projeto, tínhamos era coragem e muito incentivo. A partir do primeiro encontro, a gente foi alavancando o projeto. Começamos a tocar nas missas, fazíamos visitas a outros grupos, íamos a povoados e aos poucos fomos crescendo. Começamos a atuar também na área social, com campanhas de doação de alimentos para famílias carentes e instituições, como o Hospital Nossa Senhora do Rosário.” Padre Fábio lembra-se do primeiro encontro de jovens promovido pelo Shalom. “A gente fez um encontro de jovens no povoado dos Pintos, promovido pelo Movimento Sal da Terra. Alguns membros do Shalom participaram e foi daí que fizemos o encontro, o primeiro. E aí que bombou. E bombou em todos os sentidos. Tínhamos uns 50 participantes e uns 50 organizadores. Foi ótimo e o grupo começou a deslanchar.” Dirceu também se recorda da grande quantidade de jovens que se interessaram em participar dos primeiros encontros. “Nós tínhamos um limite para o número de participantes e, nos primeiros encontros, algumas pessoas apareceram sem fazer a inscrição para estarem ali. Eu me recor-

do de que três pessoas apareceram na ocasião e não tinham a ficha de inscrição. E aí, eu disse: ‘Mais um, menos um, a gente dá um jeito.’ E isso foi muito bacana porque uma dessas pessoas, que não havia feito a inscrição, contribuiu muito para a formação de um grupo de jovens no distrito de Jacarandira.” Marcos Vinicius diz que um dos objetivos do grupo é fazer com que a participação nos encontros volte a crescer. “Nós tínhamos uma grande procura de jovens com interesse em participar dos encontros. Às vezes, a pessoa precisava deixar o nome bem antes para conseguir fazer o encontro. Hoje precisamos ir atrás dos jovens, convidando-os a participar. Eu acredito que a juventude podia ser um pouco mais empolgada. No entanto, com os jovens que temos hoje no grupo, acredito que vamos continuar por muitos anos. Mas quanto mais pessoas, melhor.” 25 ANOS DE HISTÓRIA E DE MUITAS VOCAÇÕES Dirceu destaca a importância do grupo na vocação familiar e sacerdotal. “Tivemos pessoas que seguiram a vida sacerdotal e foram muitos casais formados (no grupo), dos quais não posso citar os nomes porque posso me esquecer de algum. Mas eu e a Cleonice (sua esposa) nos conhecemos no grupo. Na época da fundação, muito provavelmente cerca de dez casais se conheceram e se formaram no grupo, sendo que hoje estão com família constituída. O Shalom, com certeza, contribuiu para que o jovem formasse uma família na sociedade.” Padre Fábio guarda também em sua memória discussões no grupo que os incentivaram e os apoiaram para tomarem decisões importantes. “Uma das características do Shalom era o desejo de estarmos juntos e partilharmos os nossos sentimentos, as nossas dores e dificuldades. Naquele período, muitas pessoas namoravam e muitos encontraram sua cara-metade dentro do grupo. E também dentro do grupo surgiram outras vocações, como para o sacerdócio. Eu, padre Alexandre, a irmã Cleide e a irmã Camila, que também participavam do grupo. E tantas vocações para a vida matrimonial. Francianne disse que atualmente mais um casal se formou a partir dos encontros do grupo. “Nós temos momentos de confraternização, também temos muitos encontros dentro do próprio grupo. Por isso ficamos próximos de muitas pessoas, vamos conversando bastante e isso acaba impulsionando a formação de casais. Recentemente, tivemos um casal que se conheceu no grupo.” Nem todas os fundadores do grupo e pessoas que participaram de encontros de jovens permanecem ainda atuantes. De acordo com Dirceu, mui-

Fotos: redes sociais - Shalom

Fé, religiosidade, amizade e vocação são características marcantes do grupo que atua em Resende Costa desde 1995

Em 2020, DNJ - Dia Nacional da Juventude - seria realizado em Resende Costa. Em virtude da pandemia, evento foi adiado

Grupo de Jovens Shalom completou 25 anos

tas delas, porém, possuem vínculos com o Shalom, estando presentes em algum encontro. Segundo ele, a presença dos “antigos membros”, mesmo que seja pontualmente, permite uma importante troca de experiências com quem está chegando. “Às vezes, a pessoa não vai continuar no grupo, mas ela adquire conhecimentos que vai levar para a vida, para a sua formação. Isso é importante. Muitas pessoas chegam, ficam e conseguem levar o grupo adiante. Quando o grupo esfria um pouco, algumas pessoas incentivam a continuidade dele. E são 25 anos para comemorar! Hoje, nós optamos por fazer parte do Movimento Familiar Cristão, mas o Shalom representa uma força muito grande. Eu rezo e torço para que ele perdure por mais 25 anos. Ele merece o nosso respeito por ser um grupo atuante em nossa comunidade”, conclui o artesão. Padre Fábio Eduardo atribui à fé como sendo um dos pilares que sustentam o grupo e o mantêm forte há duas décadas e meia em Resende Costa. “Primeira coisa é a experiência pessoal com Jesus, porque os jovens que ali estão, se não fizeram a experiência pessoal com Jesus, descobrindo-se como filho e filha de Deus, não continuam. Essa pessoa que compreendeu, permanece. A juventude é um

período muito bonito, mas também de muitas inquietações. Nesse período, temos o estudo e as primeiras relações afetivas de amor e amizade. Eu acredito que o grupo é uma grande reposta ao mundo de hoje, porque participar de um grupo significa que eu faço parte de algo que é maior do que eu. Estou junto com outras pessoas no mesmo projeto e sei que essas pessoas estão comigo e que eu posso confiar nelas. Uma das características do Shalom é a amizade, a amizade adquirida através da experiência com Jesus”, destaca o religioso. Francianne também frisa a relação de amizade entre os integrantes do grupo. “Existe um diálogo muito grande entre os participantes de diferentes gerações. Inclusive, de algumas pessoas com as quais eu nem tinha afeição acabei me tornando amiga. A música, as missas e os diálogos são muito importantes para manter o grupo.” Josiane conclui dizendo que o grupo está de portas abertas para todos os jovens interessados em participar. “Estamos aqui para mostrar que a Igreja não é um lugar chato, pelo contrário. Nós queremos mostrar que a Igreja é também lugar para jovens. Quanto mais pessoas entrarem no nosso grupo, maior será o incentivo para permanecermos atuando na cidade, quem sabe por mais 25 anos.”


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Patrimônio Histórico

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Concluída primeira etapa de reforma da histórica Fazenda das Éguas ANDRÉ EUSTÁQUIO

A última fazenda remanescente do século 18 no município de Resende Costa passou recentemente por uma reforma de caráter emergencial. A histórica Fazenda das Éguas, construída em 1747, agonizava há décadas e corria sério risco de ter o mesmo destino de outras importantes propriedades rurais no município erguidas na mesma época. Das fazendas dos Campos Gerais e da Lage, ambas construídas no século 18,só existem atualmente as ruínas que, a pedido do Ministério Público de Minais Gerais, foram tombadas pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura. O projeto de reforma da sede da Fazenda das Éguas, tombada em 2007 pelo Conselho de Patrimônio, foi dividido em três etapas devido ao elevado custo total da obra. A primeira etapa, concluída no início de agosto último, contou com investimento da Prefeitura Municipal orçado em R$ 74.627,54. A intervenção recuperou parte do alicerce de pedras que se encontrava seriamente comprometido,colocando em risco a estrutura da casa. Além disso,realizou-se reforma completa do telhado, reestruturação de três cômodos internos, reconstituição da cimalha e da pintura externa do histórico casarão que pertence à família do casal Romeu Resende Maia e Maria Margarida Aparecida Maia. O projeto de restauração foi elaborado pela equipe técnica da AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes). O Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura participou de todo o processo, da aprovação do projeto ao acompanhamento de execução das obras. “O órgão participou ativamente de todo o processo. Além disso, os proprietários do imóvel também contribuíram com a restauração”, informa a Prefeitura. O presidente do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, Edésio de Lara Melo, comentou a participação do Órgão de preservação patrimonial no projeto: “O Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, desde 30 de outubro de 2007, atua no

sentido de fiscalizar, de acompanhar e de ver cumprido o decreto municipal de tombamento do Conjunto Paisagístico Fazenda das Éguas. Há dois anos, conseguimos aprovar o projeto de restauro desse conjunto paisagístico e firmar acordo com o Executivo Municipal para que as obras fossem realizadas em três etapas. Nossa atenção agora se volta para a continuidade dos trabalhos em 2021. Em breve, poderemos brindar a todos com a recuperação completa dessa fazenda do século 18, patrimônio histórico do nosso município.” A Fazenda das Éguas está localizada na região do povoado do Ribeirão de Santo Antônio, a aproximadamente 22 quilômetros da cidade. No último dia 20 de agosto, a convite da Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura (SETAC), este repórter visitou a fazenda juntamente com membros do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura. Numa manhã ensolarada e de céu azul, típica do inverno, chegamos à sede da histórica fazenda por volta de 9 horas. O contraste com outras tantas visitas que realizamos ao local, especialmente quando se desenrolava o processo de tombamento do conjunto paisagístico, tornou-se evidente, fazendo saltar aos nossos olhos a exuberância do casarão, que recebeu nova pintura de tonalidade azul. VITÓRIA A reforma da Fazenda das Éguas tornou-se símbolo da luta pela preservação do patrimônio histórico em Resende Costa. Ao longo de décadas, o município perdeu grande parte de suas belas fazendas, além de casarões e sobrados que caracterizaram a cidade até a primeira metade do século 20. Nem a antiga igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França, construída em 1901, em estilo neogótico, no local onde fora erguida em 1749 a primitiva capela, escapou. No final da década de 1930, o belo templo edificado em pedras foi demolido pelo então vigário da paróquia, padre Heitor de Assis. Portanto, de alguns anos para cá, proteger o que restou do patrimônio histórico no município tornou-se uma árdua – algumas vezes, incompreendida por alguns setores e pessoas da

cidade – luta assumida pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura. Desde o tombamento do Conjunto Paisagístico Fazenda das Éguas, em 2007, pouco foi feito para a preservação do imóvel por parte do município. O casal proprietário da fazenda já havia perdido a esperança de ver o casarão recuperado. Romeu Maia nasceu na Fazenda das Éguas e vive lá até hoje com sua família. Para ele, a reforma da casa foi uma grande conquista. “Foi sem dúvida uma vitória. A situação estava precária e o que foi feito até aqui melhorou muito”, disse Romeu, que se emociona ao falar do significado que a Fazenda das Éguas tem para ele: “Aqui é meu tudo. Nasci aqui e o meu fim certamente será aqui.” Romeu, que é agricultor e lida diariamente no campo em sua propriedade, fala das visitas à Fazenda das Éguas. Ele espera que a partir da reforma aumente ainda mais o interesse das pessoas em conhecer a histórica propriedade rural. “A gente recebe cavalgadas, caminhadas ecológicas, alunos das escolas do município e muitas pessoas que desejam vir conhecer aqui. Antes a situação estava ruim, agora melhorou.” A sua esposa, Maria Margarida, também fala sobre a situação em que se encontrava a fazenda e destaca a importância da reforma de caráter emergencial. “A gente tinha vergonha de receber as pessoas aqui. Agora eu respiro aliviada e estou muito feliz com o que já foi feito. Eu não acreditava mais que a Fazenda das Éguas seria reformada; demorou, mas chegou, né?”, disse Margarida, que já tem planos para receber mais pessoas que queiram conhecer a fazenda: “Antes já vinham cavalgadas e caminhadas ecológicas. A reforma foi muito importante, pois agora posso receber melhor as pessoas aqui.” HISTÓRIA PRESERVADA O prefeito municipal Aurélio Suenes (PSD) explicou o que foi feito nesta primeira etapa das obras e sublinhou a importância de se preservar um imóvel de grande relevância histórica para Resende Costa: “A importância histórica e cultural da Fazenda das Éguas é indiscutível. É a única fazenda do século 18 que permanece em pé

Fotos: André Eustáquio

Intervenção emergencial recuperou o telhado, parte danificada do alicerce, cômodos internos e pintura externa do casarão erguido no fim da primeira metade do século 18 em Resende Costa

Cômodo interno do casarão construído no século 18 foi reformado

O alicerce da casa foi recuperado, respeitando-se a técnica original

no município, então é uma história que precisa ser preservada e perpetuada pelo nosso povo. A restauração era uma necessidade que avaliamos juntamente com o Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura e, pelo custo da obra, dividimos em três etapas. A primeira fase, chamada de intervenção emergencial, visou reformar os pontos mais críticos do casarão, além das melhorias na parte externa para dar um novo aspecto visual. E ficou mesmo muito bonita. Conseguimos também adiantar algumas situações da segunda etapa. Não falta muita coisa para essa obra ser concluída. Destaco que o empenho do Conselho e a participação dos moradores, que colaboraram com a restauração, foram fundamentais.” A conclusão da primeira etapa da

reforma da Fazenda das Éguas apagou o medo do iminente desaparecimento a que estava condenada a última das grandes propriedades rurais erguidas no século 18 no município de Resende Costa. Ao mesmo tempo reacendeu, especialmente em quem se preocupa com a preservação do patrimônio histórico, a esperança de vermos o conjunto paisagístico totalmente recuperado; os grandes muros de pedra que circundam o antigo curral refeitos e o interior da casa, que possui 7 quartos, restaurado. A restauração completa da histórica fazenda do século 18 será uma vitória maiúscula na árdua luta pela preservação do patrimônio histórico, arquitetônico e cultural de Resende Costa.


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Informe Publicitário

EXPANSÃO

Banco Central homologa Assembleia Geral do Sicoob Credivertentes e aprova expansão de fronteiras para todo o país Foram quatro agências físicas em quatro anos. Mas as ações expansionistas do Sicoob Credivertentes após chegar a Senhora dos Remédios, Piedade do Rio Grande, Alto Rio Doce e Belo Horizonte não pararam por aí. No mesmo período, entre 2016 e 2019, a 11a maior cooperativa no ramo Crédito em toda Minas Gerais implementou também a Conta Digital, um sistema de atendimento personalizado, oferta de produtos e adesão a serviços totalmente virtual. Agora, nossas possibilidades são ainda maiores. É que o Banco Central do Brasil homologou, via ofício, a XXX Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da Credi. No documento, a instituição aprovou a lisura e idoneidade de todas as deliberações realizadas no evento em 17 de junho. O momento, aliás, foi histórico: pela primeira vez, a cooperativa realizou uma AGE totalmente online, via aplicativo Moob, reunindo delegados de toda a região. Além disso, uma reforma estatutária garantiu expansão de fronteiras para que a agora denominada Cooperativa de Crédito Credivertentes Ltda. – Sicoob Credivertentes possa atuar muito além da nossa região, com potencial para abrir portas em qualquer lugar de todo o país. Da mesma forma, qualquer pessoa de Norte a Sul, “do Oiapoque ao Chuí”, agora pode aderir ao cooperativismo na Credi através da Conta Digital. Basta baixar o aplicativo Faça Parte no Google Play ou na Apple Store. IMPACTO A primeira mudança foi no Estatuto Social da cooperativa, alterando sua razão social e sua área de atuação. Tudo isso sob avaliação e aprovação dos delegados

que representam os mais de 26 mil associados da Credi. Com a validação do Banco Central veio também o deferimento da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais. Agora, é apostar em mais desenvolvimento e na propagação da Justiça Financeira a comunidades de qualquer lugar do Brasil. “Nossa cooperativa está credenciada a chegar ainda mais longe e isso significa democratização, cidadania, oportunidade de levar a todos nosso portfólio completo, com possibilidades diferenciadas”, explica o diretor financeiro do Sicoob Credivertentes, Luiz Henrique Garcia. Ele lembra, ainda, que em curto prazo a instituição fará adequações em documentos e diferentes tipos de comunicação tanto para públicos internos e externos para enquadramento. O gerente da cooperativa em Resende Costa, Alessandro Caldeira, lembra que a novidade é sinal de crescimento e robustez da Credi. “A instituição é formada por uma equipe que desde o início visava alcançar

o Ponto de Atendimento resende-costense passará por um processo de segmentação de carteira.

o topo. Por esse motivo sempre se abriu à tecnologia, às mudanças, ao fortalecimento do cooperativismo, do próprio sistema e das comunidades onde está”, diz. Em breve, aliás,

REFLEXÕES

POR UMA NOVA VISÃO E AÇÃO SOCIAL Ansiamos todos nós por uma sociedade equânime, progressista, solidária, uma Nação pujante da qual passamos nos orgulhar. Só a conseguiremos mediante união, qualificação e coparticipação de cada cidadão. Somos então chamados a reconhecer, enfrentar e solver nosso próprios problemas. Afinal, como

nos prescreve o inolvidável Hino Nacional, “um filho teu não foge à luta” e “o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braço forte”. O Cooperativismo como movimento econômico-social e democrático tem preocupação maior de defesa da paz, da democracia, atu-

ando como um freio à exclusão social e à concentração da riqueza. Daí sua importância até mesmo inclusiva. Qualquer pessoa (Física ou Jurídica), independente de onde reside, pode se filiar a uma cooperativa – mormente o Sicoob Credivertentes, instituição de crédito há mais de três décadas promovendo

NÚMEROS Importante anunciar, ainda, o desempenho obtido pelo Sicoob Credivertentes no primeiro semestre deste ano, fechando o mês de julho com R$492,4 milhões em Ativos Totais, R$231,7 milhões em Operações de Crédito e R$333.185.494,52 em Depósitos Totais. Além disso nossa instituição soma R$57,9 milhões de Patrimônio Líquido e bateu a marca de R$8,658.030,97 em Resultado Acumulado até julho.

por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

Justiça Financeira. São tempos históricos de mudanças. Precisamos nos unir, nos reconhecer, enfrentar os problemas com solidariedade. Afinal,como bem disse Saint Exupéry, somos “responsáveis por aquilo que cativamos”. E como recitou o Apóstolo Paulo, “não despreze o talento que há em ti”.


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Regional

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Cel. Xavier Chaves: o despertar para a “noção de igualdade” em Vila Fátima Foto: José Venâncio

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A comunidade negra da antiga Vila Fátima está mais consciente do seu valor, não tem mais vergonha de morar no bairro e nem da sua cor, diz o líder comunitário Roberto Carlos, mais conhecido por Beto. “O COSNEC (Grupo Consciência Negra de Coronel Xavier Chaves) despertou no nosso povo a noção de igualdade.” Em termos de educação, as crianças da Vila Fátima estão plenamente integradas nas escolas municipal (crianças são transportadas de ônibus) e estadual. Quanto aos adultos, poucos ainda trabalham na roça, muitos jovens frequentam faculdade e outros já atuam em suas áreas profissionais. “Muitos que moravam fora estão retornando para o bairro, como aposentados ou como empreendedores”, conta Beto. Segundo Beto, a Vila Fátima surgiu em terras ocupadas pelos ex-escravos do Coronel Francisco Xavier Chaves e do Quilombo Dom Silvério. O Quilombo Dom Silvério surgiu em 1838 com o nome “desairoso” de “Comunidade do Porqueiro”, que pertencia ao senhor José Antônio Rodrigues. Ainda no século XIX, dois grupos de negros se juntaram nessas terras, que serviam de passagem para os negros do quilombo e de moradia para os escravos da Fazenda do Mosquito. O nome do quilombo foi uma homenagem ao bispo de Mariana, Dom Silvério, “grande defensor dos negros”, que, em 1911, visitou a comunidade.

Sede do Cosnec no bairro Vila Fátima

FILHO DO BAIRRO Beto nasceu na Vila Fátima em 1966 e viveu toda a infância no bairro. Com 17 anos, mudou-se para São Paulo, onde morou cerca de um ano, retornando à origem. “Era um dos bairros mais sofridos da cidade, onde morava a classe pobre. Não tinha luz, não tinha água nem calçamento e saneamento básico. A assistência à saúde era precária.” A maioria dos moradores fazia trabalho braçal em fazendas da região. As crianças tinham de estudar no centro da cidade, mas não tinham calçado, roupa nem material escolar, relata Beto. Há cerca de 30 anos, primeiro chegou a energia elétrica, depois a água e, gradativamente, a infra-

O líder comunitário Roberto Carlos, o Beto

estrutura. Mas a mudança em Vila Fátima não foi apenas física e material. Em 1988, Beto promoveu a primeira reunião com os moradores do bairro para discutir a importância da consciência negra. “Assim, foi plantada a primeira semente do nosso movimento.” CAPOEIRA E TEATRO O primeiro trabalho social na comunidade foi a criação do grupo de capoeira. “Com o mesmo grupo, iniciamos o trabalho de teatro. Era uma maneira de falar do negro, de conscientizar.” Eram peças sobre o negro, apresentadas no salão paroquial para a população. “A reação foi muito boa desde o início”, comemora Beto. Uma nova fase foi inaugurada com o COSNEC, em 28 de junho de 2009, no bairro Vila Fátima. O grupo surgiu a partir da realidade de que os afrodescendentesrepresentam mais de 50% da população do município. Apesar de não ser reconhecida oficialmente como comunidade tradicional, a população do bairro Vila Fátima é praticamente toda afrodescendente. “O objetivo do CONESC era trabalhar o resgate com o tripé: parte social, parte cultural e religião”, resume Beto. Na parte social, foram realizadas atividades, como cursos de costura (formados 35 profissionais) e a fábrica de vassouras (matéria-prima eram garrafas PET), em parceria com o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). A ideia era proporcionar complemento de renda para os moradores do bairro, explica Beto. A fábrica chegou a empregar 20 a 30 pessoas, funcionando num galpão fornecido pela prefeitura. Atualmente, está desativada por falta de local. CULTURA E RELIGIÃO Na parte cultural, o foco foi o resgate da verdadeira história do bairro, acrescenta Beto. “Os moradores antigos estavam morrendo e a história morrendo junto. Então criamos um grupo para documen-

tar esses relatos.” Foram resgatados vários tipos de dança, como a dança do bate-paus que os negros do bairro praticavam. “Quando eu era criança, a dança era com sanfona. Hoje, nós a colocamos no estilo afro, com atabaque”, conta Beto. Na parte religiosa, foi resgatada a matriz africana, principalmente a missa inculturada, cujos atos são encenados com rituais africanos. Beto destaca o apoio do padre Raimundo Inácio, já falecido, que “realmente deu toda a força. Toda Festa do Rosário, ele convidava o grupo para participar dessa missa.” Além da missa inculturada, na Festa do Rosário há apresentações de congado, inclusive com a participação de grupos de outros municípios. “A comunidade de Vila Fátima preserva suas tradições e costumes, mantendo viva a pujança de sua banda de congado, grupo de capoeira e folia de reis, além de outras atividades apoiadas pelo CONESC”, resume Beto. LEGISLAÇÃO Uma importante viragem no movimento foi a legalização que abriu o caminho para a captação de recursos e a realização de parcerias com a prefeitura, o CRAS e a UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), assinala Beto. Do seguinte conjunto de leis, a primeira é a Lei 881 (de 02/10/2009), aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo então prefeito Helder Sávio Silva, que instituiu feriado municipal o Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro. Outra lei importante foi a de número 925 (de 25/10/2010), também aprovada na administração de Helder Silva, que declarou de utilidade pública o COSNEC. A partir dessa legislação, foi criada a Semana da Consciência Negra, que acontece entre os dias 15 e 20 de novembro. “A legislação facilitou o repasse de recursos públicos para as despesas com palestrantes, transporte, apresen-

tações de grupos folclóricos e shows”, explica Beto. Também permitiu a captação de recursos para a aquisição de máquinas de costura industriais do projeto “Profissão e renda”, bem como para o repasse de recursos indicados pela Câmara Municipal. No caso da fábrica de vassouras PET, a legalização foi importante para elaborar o projeto que permitiu a aquisição de equipamentos e máquinas com recursos fornecidos pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). SEDE E ORGANIZAÇÃO Na sede do COSNEC, denominada “Centro Afrodescendentes”, na Rua João XXIII de Vila Fátima, acontecem atividades como reuniões, cursos e ensaios. Recentemente, ali houve cursos de culinária (rosquinhas, broas, pamonha etc.) e de fabricação de bonecas negras de pano. Para 2020, está sendo discutido um grande projeto social destinado exclusivamente a crianças do bairro, conta Beto. A ideia é trabalhar com música, dança e folclore (congado e folia de reis). Um novo reforço ao trabalho na comunidade negra é a Lei 1244, aprovada em 3 de junho de 2019 pela Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito Fúvio Olímpio de Oliveira Pinto, que cria o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR) e o Fundo Municipal da Promoção da Igualdade Racial (FUMPIR). Vinculado à Secretaria de Assistência Social, o COMPIR é um “órgão colegiado de caráter permanente, consultivo, normativo, deliberativo, avaliador, propositivo e fiscalizador, encarregado de assessorar o Poder Público Municipal em assuntos referentes ao estudo de políticas que visem à promoção da igualdade racial.” O Conselho é composto de oito membros, com respectivos suplentes, ou seja: quatro da administração municipal e quatro da sociedade civil (COSNEC, Folclore Afrodescendentes, Comunidade Afrodescendentes do Bairro Vila Fátima e Afrodescendentes da Zona Rural). O FUMPIR tem a função de captar e repassar recursos financeiros destinados à política de atendimento e aos programas de promoção, proteção e inclusão da comunidade negra e de outros grupos étnico-raciais. A captação e a aplicação serão vinculadas às decisões do COMPIR. As receitas do FUMPIR serão provenientes de recursos de órgãos federais e estaduais vinculados à Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial; transferências do Município; doações do setor privado, pessoas físicas e jurídicas; rendimentos eventuais (inclusive de aplicações financeiras) e acordos e convênios.


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ESPORTE

Após cinco meses, governo estadual permitiu a reabertura das academias em nove microrregiões do estado, incluindo a de São João del-Rei, da qual Resende Costa faz parte VANUZA RESENDE

Roupas confortáveis, toalha na mão, garrafinha de água, máscara e álcool em gel. Em tempos de pandemia de coronavírus, novos elementos foram inseridos na rotina de quem frequenta as academias. Depois de mais de cinco meses fechadas, as academias de ginástica e musculação já estão reabertas em Resende Costa e nos municípios da microrregião do Campo das Vertentes. A permissão veio em um momento de intensa pressão de empresários do setor. Atendendo a essa demanda, o governo do estado de Minas Gerais criou um protocolo de segurança especifico para que as academias de ginástica pudessem reabrir ainda na Onda Amarela do programa Minas Consciente. Inicialmente, a ideia era a de que esses

estabelecimentos fossem reabertos somente dentro da Onda Verde, que prevê a liberação das atividades não essenciais consideradas de alto risco de contágio. O governador Romeu Zema falou sobre os impactos da reabertura. “São sete mil unidades (de academias) em todo o estado. Então, consideramos uma boa notícia essa possibilidade de reabertura segura. Mas vale lembrar que ainda não podemos baixar a guarda. Toda medida de segurança se faz necessária: o uso de máscara, o distanciamento, a higienização. Não vencemos a guerra, temos muitas batalhas pela frente. Conto com a postura zelosa do povo mineiro, que possibilitou que tivéssemos, hoje, a menor taxa de óbitos do Brasil”, declarou o governador no dia 18 de agosto último. O proprietário da “Academia RE Studio”, em Resende Costa,

Renan Inácio Resende, licenciado e bacharel em Educação Física, falou sobre o impacto econômico no setor durante os primeiros meses da pandemia. “Fiz demissão total dos empregados. Como o pagamento é mensal e não temos contrato anual, todas as mensalidades ficaram congeladas. Nós tínhamos cerca de 8 a 10 alunos por hora na academia. Quanto àqueles alunos a cujas casas nós fomos – com o serviço de personal, que é totalmente diferente de academia – conseguimos manter alguns, mas mesmo assim com treinos limitados devido à falta de equipamentos.” Nesta fase de reabertura, as academias precisam seguir uma série de determinações para atender aos alunos. Renan esclarece que “as academias têm os protocolos mais rígidos para serem seguidos. Como, por exemplo, aferição de tempera-

tura na entrada; tapete sanitizante; dispenser de álcool em gel; todos os alunos recebem na entrada toalha descartável e um borrifador com álcool 70; a higienização dos equipamentos tem que ser feita antes e após o uso; tempo de permanência de uma hora; o aluno só pode ir em seu horário marcado; a cada duas horas a academia tem que ser fechada para higienização; uso obrigatório de máscara; distância de dois metros dos equipamentos; foi proibido o revezamento de aparelhos; bebedouro apenas para encher garrafas; os armários devem permanecer lacrados”. Ainda de acordo com Renan, “é impossível atender à mesma quantidade de pessoas devido às restrições”. Por isso, o educador físico orienta para que as pessoas “continuem com as atividades físicas ao ar livre e mantenham hábitos saudáveis, lembran-

do-se da importância da prevenção à Covid-19.” A médica de família e comunidade, professora dos cursos de medicina da Universidade Federal de São João del-Rei e do Centro Universitário Presidente Tancredo Neves (Uniptan), Tatiana Miranda, reforça algumas orientações. “Higienizar as mãos e os equipamentos todas as vezes em que utilizar os aparelhos. Evitar tocar o nariz, olhos e boca. Outro detalhe importante é evitar o uso de celular, por exemplo, nas academias. Além disso, todas as vezes em que as pessoas chegarem (em casa) vindo das academias, (importante) tomar banho e trocar a roupa”, orienta a professora. Renan conclui dizendo que “as expectativas são as melhores possíveis, já que vamos voltar a promover saúde.”

Entrelinhas SAMIRA SILVA

El Clásico - a maior rivalidade do mundo A rivalidade ia crescendo, década após década. Nos anos 70 e 80, o Real já deixava o rival Barça para trás, que voltou a incomodá-lo no início dos anos 90 com a conquista de sua primeira UCL (UEFA Champions League). Ali o clube catalão começou a se estabelecer novamente, aplicando inclusive um histórico 5x0 no rival, em 1994, com hat-trick de Romário. A rivalidade entre Real Madrid e Barcelona transcende os campos futebolísticos, dado que o Real representa psicologicamente a realeza e o poder centralizador de Madrid: por outro lado, o Barça representa a cultura, o povo catalão e o seu desejo histórico de independência. Daí a força desse confronto, pois, diferente da maioria dos países onde os principais clássicos envolvem clubes da mesma cidade, o El Clásico, disputado pelos dois maiores clubes de diferentes regiões espanholas, envolve até mesmo

pensamentos e anseios políticos distintos. Talvez seja por isso o clássico de maior rivalidade na Europa. A rivalidade entre Real Madrid e Barcelona é maior até do que entre eles e os seus rivais conterrâneos – Atlético de Madrid X Real Madrid e Espanyol X Barcelona. O Barça, no caso, muito mais pela sua enorme superioridade em relação ao rival Espanyol, também da cidade de Barcelona. Em 1943, aconteceram as semifinais da Copa do Rei. No jogo de volta o Madrid goleou o Barcelona por 11x1 (maior goleada da história dos clássicos envolvendo as duas equipes), iniciando uma era em que o roteiro estava claro: os dois clubes jamais seriam “amigos”. Muitos questionam esse placar, argumentando que alguns jogadores do Barcelona teriam sido ameaçados. Os madridistas negam. Tornava-se claro que, além do futebol, havia também

questões políticas no El Clásico – a Espanha vivia o período de ditadura. Dentro de campo, essa rivalidade não teve um ponto de partida específico. Mas, em 1953, a contratação de Di Stefano, que havia acertado com os dois times e acabou indo jogar no Real Madrid, onde seria ídolo posteriormente, aflorou ainda mais a briga entre ambos os clubes, sobretudo pela forma como ocorreu o desfecho da transação. Em 1968, na partida da final da Copa do Rei, o Barça abriu o placar de 1x0. Um clima bem tenso envolveu a disputa. A torcida do Madrid arremessou muitas garrafas dentro de campo durante o jogo e depois do apito final, impedindo a tradicional volta olímpica do Barcelona. Após ter atuado durante cinco temporadas pelo Barcelona, Luís Figo gerou fúria nos torcedores catalães ao vestir, em seu primeiro El Clásico, a camisa blanca do rival.

O craque português foi severamente hostilizado no Camp Nou, casa do Barça. Até hoje acredita-se que foi a maior vaia ouvida em um campo de futebol. Não só da vaia, Figo foi também alvo de vários objetos jogados no campo, entre eles uma cabeça de porco. História diferente ocorreu com Ronaldinho Gaúcho, que, em 2005, deu um show na vitória por 3x0 do Barcelona sobre o Real Madrid e foi aplaudido de pé pela torcida do Real. O craque brasileiro teve atuação mágica naquele jogo, fazendo dois gols muito parecidos, em arrancadas incríveis. Não à toa ele é considerado um dos maiores jogadores da história. Falemos agora daquela que foi, talvez, a maior era do El Clásico. Pelo menos, uma das mais vistas e prestigiadas fases: a de Messi e Cristiano Ronaldo. Os craques argentino e português, respectivamente, foram

protagonistas de um período que marcou também a rivalidade entre dois grandes treinadores: Pep Guardiola, do Barcelona, e Mourinho, do Real Madrid. A disputa aconteceu dentro e fora das quatro linhas, com alfinetadas por todos os lados. Pep Guardiola levou a melhor nos confrontos entre as duas equipes, vencendo 5 partidas, empatando 4 e perdendo apenas 2. Destaca-se entre elas uma sonora goleada por 5x0. Domínio total dos catalães. No entanto, na mesma temporada, foi a vez da revanche. O Real Madrid sagrou-se campeão da Copa do Rei em cima do Barça, com gol de Ronaldo Fenômeno na prorrogação. Por sua vez, Messi e Cristiano Ronaldo protagonizaram grandes jogos, grandes momentos, sempre com os dois brilhando cada vez mais. O argentino se tornou o maior artilheiro da história do clássico, superando o lendário Di Stefano.


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