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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
Entrevista
• AGOSTO 2020 • Nº208
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Aumentam o drama e as incertezas dos pais que ainda não podem enviar seus filhos para aulas presenciais Foto: André Eustáquio
Jogo Aberto com o poeta e escritor resende-costense Evaldo Balbino, que acaba de lançar o seu quarto livro de poesias
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Maquiadoras se unem e PÁG 05 fazem vídeos que são divulgados na internet O estilo Challenge inspirou maquiadoras profissionais de Resende Costa a produzirem juntas vídeos que promovem seus trabalhos e ao mesmo tempo divulgam mensagens importantes de empoderamento feminino. A iniciativa viralizou nas redes sociais, atraindo centenas de visualizações. PÁG 10
Sala de aula vazia na Escola Estadual Assis Resende. Não há previsão para a volta às aulas presenciais, o que gera apreensão nos pais, alunos e professores
Escolas e universidades foram as primeiras instituições a serem fechadas, desde o início da pandemia, como forma de evitar a disseminação do novo
coronavírus. Milhares de alunos, entre eles crianças, adolescentes e jovens, estão em casa há mais de quatro meses sem perspectiva de quando poderão
retornar às salas de aula. Uma reportagem desta edição do JL mostra a preocupação de pais de alunos do ensino fundamental de Resende Costa. PÁG 06
O que pensam as lideranças de bairros sobre a importância das eleições municipais? Na segunda reportagem da série especial sobre as próximas eleições municipais, que serão realizadas em novembro, o JL ouviu presidentes e representantes de associações de bairros de Resende Costa e São João del-Rei. Sugestões, críticas e demandas estão na pauta das lideranças comunitárias para serem discutidas com os candidatos a prefeito e vereador. PÁG 12 e 13
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ANO XVII Nº 208 - AGOSTO 2020
EDITORIAL O drama da educação na geração pandêmica
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Uma reportagem de destaque desta edição do Jornal das Lajes, assinada pelo jornalista José Venâncio, revela um drama que acomete pais e educadores nestes tempos de pandemia: quando, afinal, os alunos poderão retornar com segurança às salas de aula? Dentre tantas dúvidas que povoam a inteligência dos cientistas que tentam decifrar os diversos enigmas do novo vírus causador da Covid-19, esta é mais uma pergunta que aguarda resposta. Desde que a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou que o mundo estava em alerta devido a uma pandemia causada por um novo vírus, o cotidiano de pessoas e instituições sofreu uma verdadeira revolução. Em poucos dias, escolas foram fechadas, sendo que em alguns países, como o Brasil, o ano letivo estava apenas iniciando. Durante recesso por tempo indeterminado, foi dado aos alunos um único dever de casa: proteger-se do novo coronavírus. No início do distanciamento social, imaginava-se que o recolhimento não duraria tanto tempo e que em breve a vida poderia retornar a uma certa normalidade. No entanto, após cinco meses, as salas de aula continuam vazias, pais tentam ajudar seus filhos no cumprimento das atividades escolares remotas e os professores lutam contra o tempo para se adaptarem ao método on-line de ensino para o qual muitos ainda não estão preparados. O ensino remoto ou a distância foi adotado em alguns estados, entre eles Minas Gerais, como forma de suprir a ausência de professores e alunos no ambiente escolar. Não há, no momento, em praticamente todos os estados do Brasil, condições adequadas para o retorno seguro das aulas presenciais, sobretudo nas escolas públicas. Mesmo em países da Europa e da Ásia, onde a pandemia já foi controlada, o retorno às aulas tem sido gradativo e um rigoroso protocolo de segurança precisa ser seguido por pais, alunos, professores e funcionários de escolas. Com os filhos em casa e impossibilitados de irem para a escola, os pais vivem o desafio de ajudá-los a fazer as lições escolares através de apostilas, ou pelo celular e notebook, no caso das aulas remotas. O cotidiano das famílias foi alterado pela pandemia e no horizonte só se veem incertezas de quando os filhos poderão pegar novamente as mochilas e os cadernos e voltarem a entrar numa sala de aula. Porém, não é somente a quebra da rotina de pais, alunos e professores que vem causando preocupação à comunidade internacional. No início deste mês, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Antonio Guterres, alertou que o planeta está diante de uma “catástrofe de toda uma geração” e apelou aos governantes para tratarem do retorno às aulas como prioridade absoluta quando houver segurança sanitária. “Colocar os alunos de volta às escolas da forma mais segura que for possível precisa ser a maior prioridade”, afirmou Guterres em entrevista divulgada no Brasil pela CNN. De acordo com o secretário-geral da ONU, mais de 1 bilhão de estudantes foram afetados pelas medidas de distanciamento social mundo afora, abrindo brechas para o surgimento de outro grave problema social: a desigualdade. “Já enfrentávamos uma crise de ensino anterior à pandemia. Agora, estamos diante de uma catástrofe de toda uma geração que pode desperdiçar potencial humano, levando a décadas de atraso, exacerbando a desigualdade.” No momento, o que estamos vendo é a urgência em reabrir praias e shoppings. E, infelizmente, não se vê a mesma determinação em relação à retomada das aulas com segurança e planejamento. O desafio imposto às autoridades não é somente autorizar as escolas a receberem os alunos de volta, mas, sim, oferecer soluções capazes de mitigar o precioso tempo perdido, de forma a evitar que a geração atual seja testemunha do agravamento de problemas oriundos da desigualdade social. Que a “catástrofe de toda uma geração”, conforme alerta Antonio Guterres, não se cumpra e fique registrada nos futuros livros de história somente como mais uma terrível previsão apocalíptica surgida durante a pandemia de Covid-19 no trágico e desafiador ano de 2020.
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES
O gato e os ratos “Gracias a la vida”, nasci com uma propulsão quase obsessiva para a leitura que continua até hoje. Lembro-me dos dois primeiros livros que li, logo que me alfabetizei no nosso “Assis Resende”. No velho Tijuco onde nasci e me criei, morava o sr. Olivério. Pessoa estranha, solitária, isolada, sistemática, como se falava, com pouquíssimo relacionamento. Por isso, tínhamos medo dele: pacto com alguma força do além?! Fazia exceção para meu pai. Uma curiosidade: única pessoa do Tijuco que tinha livros. Certa ocasião, emprestou dois para meu pai. Sorrateiramente, às escondidas, li os dois. De um, não lembro o título. Acho que histórias de fada: Perrault? Grimm? Andersen? Do outro, a lembrança é perfeita: o famoso “Contos Pátrios”, de Olavo Bilac e Coelho Neto, que achei num sebo, dezenas de anos mais tarde. Vem dessa remota leitura minha predileção por leitura de histórias moralizantes, de conselhos de sábios, de educação, como são as alegorias, as parábolas, as fábulas, os apólogos, os “contos sapienciais” tão utilizados pelas tradições e escritos bíblicos. Sobretudo as fábulas. Desde a infância, sempre me atraem pela antropoformização, com animais, plantas e objetos tendo comportamentos humanos, e pelo simbolismo: por exemplo, o lobo representando a prepotência humana; a raposa, a esperteza para o mal; uma erva-de-passarinho, o envenenamento da natureza; um gato, a atual pandemia etc. Cheguei a decorar algumas delas, até em latim. Da famosa “Lupus et Agnus”, de Fedro, lembro-me até hoje. Li e colecionei todas que encontrei: Esopo, Fedro, La Fontaine, Trilussa, Monteiro
Lobato... Depois, como professor, vi nelas um excelente instrumento para criar hábitos de leitura, para debater situações, para analisar personagens e comportamentos, ilustrar vícios ou virtudes etc. Com o tempo, impus-me um desafio: criar algumas com dois intuitos. O primeiro – e mais importante – um esforço para que minha memória não carunchasse por falta de exercício. O segundo, contribuir com algum material para debater problemas humanos, sobretudo os ligados à cidadania. Duas condições: fossem originais. Semelhanças, sim, mas não cópias nem imitações. As personagens: animais, plantas e coisas deveriam surgir da fauna e flora brasileiras. Algumas nasceram, dez ou doze mais ou menos. Por exemplo, “O lambari e a minhoca”, “A parasita e o carrapato” “O tico-tico e o chupim”, “O gambá e o carcará”, “O papagaio educador” etc. O tempo passou. Agora, neste isolamento pandêmico – vendo e ouvindo a mídia mostrando emocionantes gestos de solidariedade, mas também ações de inominável maldade humana, como roubos, golpes, desvios, apropriações das ajudas – mexendo e descartando papelada que a gente vai acumulando, dei de cara com alguns originais dessas fábulas. Dentre elas, esta: O gato e os ratos “Uma comunidade de ratos vivia num lugarejo. Como sempre, um pequeno grupo vivia ricamente, acumulando comida, pois dominava tudo. Um outro grupo, um pouco maior, também vivia muito bem, defendendo as posses dos ricos, sendo pago para isso. Não faturavam igualmente. Uns menos, outro mais, mas de alguma
maneira tinham uma vida decente. Para a maioria, restavam a pobreza e a miséria. Não tinham reserva alguma. Todo o dia era uma luta para terem o que comer. Moravam todos numa grande toca. A minoria rica, luxuosamente; outros, bem, outros razoavelmente. Claro, a maioria em abrigos precários. Certo dia, todo mundo ouviu um terrificante miado de um gato e logo em seguida um bichano enorme e faminto apareceu na praça. Todos entraram na grande toca. O gato cercou o lugar. No segundo dia, os ratos miseráveis já não tinham o que comer. No terceiro, os pobres também não. E nada de os outros ratos ajudarem. Pelo contrário, egoisticamente continuavam explorando os outros. Aí, uns ratos líderes reuniram todos e o coordenador deles falou: Pessoal, ou a gente se organiza, partilhando as próprias coisas, ou todo mundo morrerá. A comida estocada dá para todo mundo, se for racionada e distribuída justamente entre todos. Conseguiremos ficar aqui por alguns dias. Nesse tempo, o gato deixará este local por alguns momentos, também ele buscando comida. É a nossa chance de escapar! Os ratos privilegiados deram risada! E ai dos que tentassem tirar alguma coisa deles! Não deu outra. Desesperados, os famintos foram saindo da toca. Ao menos, podiam ter alguma chance de escapar da boca do gato. Se ficassem, a morte era certa. Nenhum conseguiu. O gato engordava cada vez mais, refestelando-se por bastantes dias ali na entrada da toca. Só foi embora quando uma catinga insuportável começou a exalar. Viu lá no fundo do buraco os cadáveres amontoados. Ninguém vivo.” A moral da fábula fica por sua conta, caro leitor.
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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
Agora é lei! Durante as reuniões ordinárias e extraordinárias da Câmara Municipal de Resende Costa, ocorridas no último mês de julho, foram aprovados os seguintes projetos de lei: - Desincorporação e alienação de bem do município – Sprinter – Lei 4.628/2020; - Troco Solidário – Lei 4.629/2020; - Transferência de recursos para a Associação Filhas de São Camilo/ Hospital Nossa Senhora do Rosário oriundos de emenda parlamentar – Lei 4.630/2020; - Desafeta e autoriza a alienação de imóvel de propriedade do município – Lei 4.631/2020; - Crédito especial – 1º Festival Live RC – Lei 4.631/2020; - Crédito especial – roçadeira articulada – Lei 4.633/2020; - Contratação por
tempo determinado, especificamente durante a vigência da situação de Calamidade Pública decorrente da pandemia de Covid-19 – Lei 4.634/2020; - Crédito especial – construção de platôs para a instalação das academias ao ar livre – Lei 4.635/2020; - Avaliação de desempenho dos servidores públicos – Lei 4.636/2020; - Prorroga a data do vencimento da parcela única do IPTU – Lei 4.637/2020; - Altera a Lei Municipal nº 4.616/2020 – Lei 4.638/2020; - Fixa o subsídio dos vereadores para a legislatura 2021/2024 – Lei 4.639/2020; - Fixa o subsídio do prefeito municipal, do vice-prefeito municipal e dos secretários municipais para o mandato de 2021/2024 – Lei 4.640/2020;
- Crédito especial – lavadora de alta pressão industrial – Lei 4.641/2020; Crédito especial – calçamento – Lei 4.642/2020; - Plano de custeio de benefícios; – Lei 4.643/2020; - Altera a Lei Municipal nº 4.058/2016 – Lei 4.644/2020; - Altera a Lei Municipal nº 4.049/2016 – Lei 4.645/2020; - Crédito especial – equipamentos de academia ao ar livre – Lei 4.646/2020; Crédito especial – RCPREVI – Lei 4.647/2020; Crédito especial – RCPREVI – Lei 4.648/2020. Para ter acesso à íntegra dos textos dos projetos de lei aprovados pelo Legislativo Municipal de Resende Costa, acesse http:// camaraderesendecosta. mg.gov.br/?Meio=Leis
Indicações aprovadas em julho de 2020 Confira as indicações, de autoria dos vereadores do município de Resende Costa, aprovadas durante reuniões ordinárias ocorridas no mês de julho - Pintura com o nome “Centro Comunitário Hipólito Evangelista Maia”, na comunidade do Curralinho dos Maias; - Aplicaçãodo Código de Posturas no que se refere à proibição de atear fogo em local que limite com terras de outrem, sem tomar as devidas precauções, e imposição de multa prevista na referida lei em casos de infração; - Instalação de poste com luminária na Rua das Margaridas, esquina com a Rua Vereador Antônio Salomão, no Bairro Jardim; - Revitalização de área onde será instalada academia ao ar livre no Bairro Nova Resende, especificamente na Rua Carmem Geralda Daher Gomes, além de solucionar problemas decorrentes do escoamento de água pluvial no referido bairro.
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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA
Prefeitura de Resende Costa realiza melhorias na Avenida Ministro Gabriel Passos A Prefeitura de Resende Costa investiu mais de R$ 100 mil em recursos próprios para realizar melhorias na Avenida Ministro Gabriel Passos, que liga o Centro à região do Asfalto. O canteiro central da via passou por uma reforma e foi 100% renovado. Foram refeitas as calçadas, que receberam novo piso e instalação de bancos para conforto dos pedestres e moradores da região. A avenida ainda está com nova iluminação, de LED, que é mais barata, duradoura e tem pouca necessidade de manutenção, além de possuir uma estética melhor.
Canteiro central da Avenida Ministro Gabriel Passos foi repaginado
Local teve calçadas refeitas e recebeu bancos e nova iluminação
Reabertura do comércio: Resende Costa avança para “Onda Amarela” do Plano Minas Consciente No início de agosto, Resende Costa avançou para a “Onda Amarela” do Plano Minas Consciente e deu mais um passo na reabertura gradual do comércio no município. De acordo com o Decreto nº 215, fica autorizado o funcionamento dos seguimentos de: departamento e variedades; livros, papelaria, discos e revistas; vestuário; salões de beleza e estética. Os comércios que integram as “Ondas Verde e Branca” também seguem em funcionamento. ATENÇÃO: antes de reabrir o comércio, o em-
presário precisa requerer no setor de cadastros da Prefeitura a certificação denominada “Alvará Covid-19”. A permissão é obrigatória para o funcionamento e poderá ser cassada caso o comerciante descumpra as responsabilidades assumidas. Para a reabertura, os comércios precisam também de seguir os protocolos sanitários disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde. O plano “Minas Consciente – Retomando a economia do jeito certo” sugere a retomada gradu-
al de comércio, serviços e outros setores, tendo em vista a necessidade de levar a sociedade, gradualmente, à normalidade, através de adoção de um sistema de critérios e protocolos sanitários, que garantam a segurança da população. COMBATE E PREVENÇÃO AO NOVO CORONAVÍRUS A Secretaria Municipal de Saúde reforça algumas medidas necessárias nesse momento de pandemia: isolamento social (só saia de casa se for ex-
tremamente necessário); uso da máscara quando for preciso deixar o isolamento; evitar aglomerações e contato próximo com pessoas que não são
do seu convívio; lavar as mãos com frequência e não tocar nos olhos, nariz ou boca. Cuide da sua saúde e da saúde de quem você ama!
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Jogo Aberto
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ANDRÉ EUSTÁQUIO
O poeta e escritor Evaldo Balbino, 44, lançou, no último dia 31, mais um livro. Inscrição no deserto – Cabo Frio (RJ): Helvetia Éditions, 2020, 92 páginas, é o oitavo livro, o quarto de poesias, do escritor resende-costense e membro da Academia de Letras de São João del-Rei. Evaldo vive desde 1995 em Belo Horizonte, leciona português na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde também é pesquisador de literatura. O livro foi impresso em março deste ano, porém, com o avanço da pandemia do novo coronavírus no Brasil, ficou parado no estoque da editora. “Todos nós ficamos esperando pelo ‘andar da carruagem’. Como sanitariamente o nosso país continua no difícil processo em que se encontra, a editora resolveu fazer um lançamento virtual”, explica o autor. Nesta entrevista ao JL, Evaldo Balbino fala do seu novo livro de poesias, dos tempos sombrios em que vive a cultura no Brasil e da inspiração poética que o faz refletir sobre os mais áridos e instigantes temas relacionados à existência. No último dia 31, você lançou seu novo livro de poesias, Inscrição no deserto. O deserto o inspira? O deserto me inspira porque sem ele não existem oásis. Esta parece ser uma lógica binarista, a qual é questionada por muitos pensadores de meados do século 20 para cá: a lógica do binarismo. De fato, as coisas da vida não se resumem a apenas dois lados. A existência é sempre múltipla. Mas é fato que o nosso pensamento – e consequentemente nossa simbologia – funciona tomando como ponto de partida os opostos. Claro que entre os opostos há infinitas possibilidades, assim como, numa reta, entre um ponto e outro há infinitos pontos. Entre o deserto e o oásis há infinitos – ou talvez apenas vários – modos de ser e de estar na vida. O deserto (no seu sentido do que é negativo, nada, ausência, morte etc.) me inspira, pois ele me estimula a criar-lhe substitutos ou formas paralelas. Daí o meu desejo pelo que é positivo, tudo, presença, vida etc. No livro você trata de temas filosóficos complexos, como a morte, Deus, vida, amor, tempo. Como abordar esses temas através da poesia? O texto poético deve ser, antes de tudo, poesia. E, como tal, ele trata de quaisquer assuntos de modo estético, do nível da beleza erigida em palavras. Nesse sentido, apesar dos contatos, filosofia e poesia se esbarram, mas não são a mesma coisa. A filosofia quer pensar, compreender um fenômeno. A poesia também deseja isso, mas antes de tudo ela deseja produzir beleza. Filosofar sobre a morte ou o amor é busca de compreensão desses fenômenos. Poetar sobre isso é fazê-lo de modo a
produzir beleza, porque as palavras, quando organizadas num alto grau de simbologia e de atenção a sua materialidade (visual, fônica, melódica), ofertam-nos a beleza do que na vida muitas vezes não vemos como sendo belo. Pela poesia, deseja-se também o entendimento de tudo, mas antes queremos nela um alimento espiritual, um canto aos nossos sentidos. A filosofia pensa a coisa. A poesia revela a coisa que, muitas vezes, não percebemos. Em uma de nossas conversas, você disse que considera Inscrição no deserto um livro mais maduro quando comparado aos anteriores de poesia de sua autoria. Por quê? Considero-o mais maduro em termos estéticos e de clareza de tudo o que vejo, ouço, sinto, leio. É claro que tudo o que escrevo hoje já está na seara do meu primeiro livro, Moinho (2006). Só que, de lá para cá, tenho amadurecido mais os meus pensamentos. Isso é questão de experiência, de vivência, de mais leituras. Esteticamente falando, Inscrição no deserto se constrói de um modo mais seguro, com poesia mais destilada, com mais unidade entre os textos, com versos mais incisivos e mais elaborados a meu ver. Mas isso não me faz deixar de amar os meus filhos anteriores não. Pelo contrário, são todos literatura por mercê de Deus. Se não fossem, eu não os teria publicado. Estamos vivendo um período atípico devido à pandemia do novo coronavírus. As medidas de distanciamento social impedem encontros interpessoais, eventos com público etc. Inclusive, o seu mais novo livro foi lançado on-line. Enquanto escritor, como você tem vivido o distanciamento social? O trabalho em si do escritor é solitário. O ato de escrever per si é solidão. Mas é lógico que escrevemos recriando a vida. Nesse sentido, o distanciamento social também não deixa de ser um dos acontecimentos da vida. Inclusive, durante esta pandemia, cheguei a escrever alguns poemas e textos em prosa sobre o que estamos vivendo. Penso que ninguém está vivendo esse momento com tranquilidade. Você mesmo coloca em sua pergunta sobre o lançamento on-line do meu livro. Eu, particularmente, gosto do calor humano, de me encontrar com as pessoas. Mas veja: o deserto também não faz parte da vida? Então: atravessamos agora um deserto – um trágico deserto – mas dele podemos erigir flores, aprendizados, reflexões, mudanças de postura, poesia. A pandemia é um deserto, e espero que nessa travessia a humanidade aprenda algo. Apesar de realista, alimento em mim utopias e sonho com um mundo melhor de amor e respeito a todas as vidas em suas diferentes formas. Como é fazer literatura, especialmente poesia, num momento de tanta tensão, em que todos os dias nos deparamos com notícias
tristes a respeito de mortes e de sofrimento? A tristeza, o sofrimento e o medo também inspiram o poeta? Como eu já disse, tenho produzido bastante. Não só a tristeza, o sofrimento e o medo inspiram o poeta. Tudo é matéria de poesia, coisas boas ou ruins. Por isso que muitas vezes, em palestras minhas e bate-papos com leitores sobre o meu trabalho, vira e mexe alguém pergunta por que escrevo sobre coisas tristes, como a morte, por exemplo, ou a passagem do tempo que a tudo leva. E o que respondo é o que Aristóteles já respondia em sua poética: na poesia tudo é belo; o que na vida dói, na poesia se me revela com tanta beleza, que olho para o que leio e penso: “Poxa! Então é isso e eu nem tinha parado pra pensar!”. A poesia me revela as coisas em sua plenitude, me dá a sensação de abarcar o dito como sendo a própria realidade. Por isso que uma denúncia social feita via arte tem mais vigor, já que penetra na memória das pessoas, nos marca a ferro e fogo. Vejamos: ninguém quer ver uma cena de retirantes fugindo da seca e passando fome, mas quando lemos isso em Morte e vida severina, quanta beleza! O sepultamento em precárias condições de um sem-terra, vítima de emboscada de latifundiário, não é coisa bonita de se ver; é sim uma vergonha, um absurdo perante um mundo civilizado. Mas olhe esta maravilha de poesia (e de denúncia) do João Cabral de Melo Neto: “– Essa cova em que estás, / com palmos medida, / é a conta menor / que tiraste em vida. / – E de bom tamanho, / nem largo nem fundo, / é a parte que te cabe / deste latifúndio. / – Não é cova grande, / é cova medida, / é a terra que querias / ver dividida.”. A poesia aí ganha um tom da oração de um terço em velório, porém com dizeres de alto teor simbólico e musical a serviço da beleza do discurso e da denúncia dos males da má distribuição de terra e de poderes no Brasil. Essa “oração poética” de Cabral termina com a imagem da terra (a sepultura) envolvendo o corpo do homem como se ela fosse uma mulher acolhendo-o em seu seio: “Se abre o chão e te envolve, / como mulher com que se dorme.”. Isso tudo não é beleza demais?! Como você avalia o atual cenário da cultura no Brasil? Avalio-o pessimamente. A literatura é um caso à parte, porque são poucos os escritores que vivem de escrever, mormente num país de poucos leitores de literatura. Eu gosto de dizer que todos os escritores de verdade vivem para a literatura e que alguns, além de viverem para ela, também vivem dela. Mas muitos outros setores das artes, como o teatro, por exemplo, são o ganha-pão dos artistas, e agora esses artistas estão desassistidos. Qual sua opinião sobre a “politização ideológica” da cultura no Brasil? Na verdade, tudo é político em nossa vida. Mas entendo quando você fala de “politização ideológica”
da cultura em nosso país. A política entendida como ciência que estuda os sistemas políticos, as organizações e os processos políticos é algo maior do que os partidos políticos. Todos eles, os partidos, deveriam estar a serviço da democracia, da nação, de todos os indivíduos em suas especificidades. E nos últimos anos, principalmente de 2017 mais ou menos para cá, a cultura tem sido massacrada, pisoteada, e isso num país cujo histórico nunca foi muito favorável a ela. Se nos mais ou menos primeiros 15 anos dos anos 2000 a cultura começou a ganhar fôlego, por parte de fomento governamental, ela tem sido agora abandonada pelo atual governo. E, o que é mais terrível ainda, parte dos próprios discursos oficiais um menosprezo pelas artes. As culturas são várias, mas agora existe uma tentativa, no Brasil, de se amordaçá-las. Estão ressuscitando censuras. A polarização política tem afetado a vida cultural no país? Com certeza. A vida cultural está sendo afetada e muito. Como todos os demais setores sociais. No caso da vida cultural, mordaças ideológicas são venenos mortais. Arte precisa de liberdade de expressão. E lembro que liberdade de expressão não é desrespeito ao outro. Tem havido controvérsias com relação a artistas humorísticos. Ora, o que as forças ideológico-opressoras não entendem é que o humor é justamente um discurso que caminha num fio de equilibrista, por tratar de brincar com (e de modo sério quando é bom humor) coisas muito melindrosas. Ora, fazer isso perante fanatismos, principalmente quando os fanatismos estão no âmago do poder, é oferecer o peito à bala, para usar aqui metáfora tão real e concreta num momento em que se defendem cegamente as armas. A literatura também apresenta discursos proscritos como os desses grupos de humor. O que acontece é que ela, a literatura, não tem visibilidade midiática como tais grupos. Reforço aqui as “flores” de Geraldo Vandré contra os canhões ideológicos e reais que estão sendo ressuscitados hoje no Brasil. O distanciamento social tem exigido de todos nós adaptações no estilo de vida. As novas tecnologias, especialmente as redes sociais, têm encurtado distâncias e se tornaram ferramentas de trabalho. Qual o impacto disso na educação e na atividade literária? Penso que as tecnologias – fenômeno que já vem caminhando conosco há mais tempo – estão agora mostrando seu poder de socialização. Mas acredito que a sociabilidade do ser humano ainda carece do corpo. Precisamos estar uns com os outros, e todos, ou quase todos nós, estamos desejosos de que esta tempestade passe e voltemos a nos encontrar. Mas isto é fato sim: as distâncias são encurtadas pelas novas tecnologias. Até mesmo em se tratando de educação ou de literatura. Hoje
Foto: Arquivo Pessoal
“Que a dor de agora nos faça abrir os olhos”
Poeta e escritor Evaldo Balbino, autor de Inscrição no deserto, seu mais novo livro de poesias
se tem notícia de um autor ou de um livro pelas redes sociais. Aulas virtuais, bem ou mal, estão acontecendo. Resta saber se “ter notícia” é o mesmo que acessar de fato tal autor e tal obra e se, pelas aulas virtuais, crianças, adolescentes e jovens caminharão pela seara dos saberes com autonomia e com frutos. Muitas pessoas preveem que as tecnologias digitais poderão substituir definitivamente o livro impresso, os jornais e revistas. Estamos vivendo uma revolução cultural digital? Os impactos dos meios digitais são inegáveis. Mas ainda fico com o pensamento do historiador francês Roger Chartier: os livros resistirão às tecnologias digitais. Para esse especialista na história da leitura, as tecnologias digitais podem se transformar em aliadas dos textos físicos por permitirem sua divulgação em grande escala. Veja bem: divulgar é uma coisa; substituir é outra. Ainda acredito que o prazer de se ter um livro nas mãos, de folheá-lo, de sentir sua materialidade – acredito que esse erotismo é muito caro a todos nós. E dificilmente os amantes de livros abandonarão essa experiência erótica. O que você espera do mundo pós-pandemia? Espero um mundo melhor. Um mundo em que as pessoas enxerguem mais o nosso planeta, amando a ele e a tudo o que nele está: minerais, vegetais, animais, o ar e a água que nos são dádiva de valor incalculável. No meio desta pandemia fui convidado a escrever uma carta aberta à humanidade, texto esse que vai sair num livro cujo título é 2020 – Tempo partido. Para essa carta já escrita fiz uma pequena “pesquisa” sobre guerras, epidemias, pandemias e desastres/crimes socioambientais que já acometeram a humanidade. Tudo, quase sempre, é culpa nossa, culpa do modo como vivemos o mundo e com ele interagimos. No trato cotidiano, mesmo entre nós humanos, há muita coisa também para se melhorar. Que a dor de agora nos faça abrir os olhos. Ainda quero plantar e alimentar essa esperança, apesar de a história da humanidade mostrar-me o contrário desse meu sonho.
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Educação
Escola na pandemia: o drama de filhos e pais sem aulas presenciais Foto: André Eustáquio
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Desde o início da pandemia do novo coronavírus, Silvio Irineu Ramos e Vanderleia Mendonça Santos, Leia, conciliam o trabalho da mercearia (das 6h às 19h, menos aos domingos, quando fecha ao meio-dia) com os afazeres domésticos e o acompanhamento dos filhos Luiz Otávio (8º ano da E. E. Assis Resende) e Ana Luiza (3º ano da E. E. Conjurados Resende Costa). Na mercearia, a alguns poucos metros da casa onde moram, no bairro Várzea, em Resende Costa, eles vendem produtos alimentares em geral, o que explica porque o comércio não fechou durante a pandemia. Já a escola dos filhos está interrompida, sem previsão para o retorno. Inicialmente, Luiz Otávio começou a ter acesso ao ensino a distância, mas pouco mais de um mês depois a teleaula foi suspensa. As crianças estavam tendo dificuldade em acompanhar as aulas, ou porque não tinham acesso à internet ou porque não tinham aparelho de celular adequado para instalar o aplicativo, contam Silvio e Leia. Tanto Conjurados (desde o início) quanto Assis Resende optaram pela distribuição mensal de apostilas aos alunos. No princípio, queriam que os pais pagassem os custos, mas depois conseguiram algum apoio e passaram a entregar as apostilas no final de cada mês, quando recolhem a anterior preenchida, explicam Silvio e Leia. Essa entrega é feita durante três dias para grupos de alunos a fim de evitar aglomerações. A título de exemplo, a primeira apostila (Top 1) de Luiz Otávio trazia exercícios de português, matemática, ciências, história, geografia e inglês. Já a segunda apostila (Top 2) de
Centenária Escola Estadual Assis Resende - portões fechados e salas de aula vazias em tempos de pandemia
Ana Luiza incluía exercícios de língua portuguesa, matemática, ensino religioso, ciências, história e geografia. Os filhos do casal levam cerca de duas semanas para preencher as quase 100 páginas. Luiz Otávio não pede ajuda aos pais e Ana Luiza estuda com uma coleguinha de classe, que é também vizinha de residência no bairro. Mas não é tão simples assim: “Os pais têm de pegar firme para eles estudarem”, relatam Silvio e Leia. O casal sente falta das aulas presenciais. “As crianças estão desmotivadas, desinteressadas; preferem ficar no celular.” Leia diz que tem conversado com outras mães e percebe as mesmas dificuldades. “Elas reclamam que os filhos têm dificuldade de preencher as apostilas e elas, de ajudar.” Por isso, muitas mães querem que os filhos repitam o ano “porque as crianças não estão aprendendo e elas não conseguem ensinar”. INCERTEZA Mesmo em países ricos, como o Reino Unido, o expe-
Silvio e Leia ajudam seus filhos nas tarefas escolares
rimento de ensino em casa não está indo bem para a maioria das crianças, depois de meses de escolas fechadas (The Economist, 27/06). Em média, uma criança gasta apenas duas horas e meia por dia para fazer trabalho de escola, de acordo com estudo do Instituto de Educação da University College London. E apenas metade desse trabalho é checado pelos professores. A pandemia escancarou a desigualdade no acesso digital (equipamentos e rede), um dos principais empecilhos ao ensino remoto. É um fenômeno mundial, cujo prejuízo é maior nos países mais pobres. Cerca de 465 milhões de crianças não podem fazer uso de aulas online por falta de conexão de internet (The Economist, 18/07). Em partes da África e do Sul da Ásia, por exemplo, a situação é tão grave que famílias querem que seus filhos abandonem os estudos para trabalhar ou se casar. Relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), divulgado na última semana de junho, revelou que 40% de um grupo de mais de 200 países não tem como oferecer apoio a estudantes no ensino a distância durante a pandemia (Notícias Gerais, 03/07). Sobre o Brasil, o documento refere-se a escolas que aprovam estudantes que não assimilaram de fato os conteúdos e destaca as barreiras enfrentadas principalmente pela parcela negra da população. Outro problema é a falta de experiência de professores das escolas municipais, estaduais e federais com o trabalho remo-
to, de acordo com a pesquisa “Trabalho Docente em Tempos de Pandemia”, realizada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). E quase metade (42%) dos entrevistados não recebeu capacitação em tecnologias digitais na educação (O Tempo, 09/07/2020). Porém, existe grande incerteza sobre a volta do ensino presencial com salas lotadas. Recentemente, o governador Romeu Zema afirmou que as aulas presenciais em Minas devem ser retomadas em escolas do Estado neste semestre (Estado de Minas, 19/07). No entanto, faltam informações e definições por parte de autoridades da área de saúde. O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) antecipa-se e divulga documento para orientar as instituições filiadas. O setor avalia adotar rodízio no início, com o comparecimento em média de 40% dos alunos, e uma modalidade de ensino híbrido (parte presencial e parte on-line). PELO MUNDO Em Portugal, o governo pensa em retomar as aulas presenciais no próximo ano letivo (que começa em setembro), segundo reportagem da TVI. Sob o impacto da pandemia, a intenção é seguir a orientação das autoridades de saúde, como o distanciamento entre alunos (no mínimo, um metro) e outras medidas de segurança (uso de máscaras, nova disposição das salas de aula, higienização pes-
soal e da infraestrutura e medição de temperatura). As aulas presenciais estarão condicionadas à situação epidemiológica do país. Nos Estados Unidos, o governo federal, que falhou no controle da pandemia, ameaça as escolas que se recusam a reabrir. Aquelas escolas que desejam retornar no outono devem adotar um sistema rotativo que permite as crianças comparecerem somente meio período. Em outros países, as crianças já estão voltando. França, Dinamarca e Nova Zelândia, por exemplo, relaxam as regras de distanciamento social para permitir a maior parte das crianças retornar às aulas. O governo britânico espera o retorno em período integral a partir de setembro. “Mas ter as crianças de volta nas salas de aula é somente o primeiro passo para reparar o prejuízo que a pandemia tem causado no seu aprendizado. O desafio dos educadores agora é como recuperar o tempo perdido” (The Economist, 18/07). Em junho, cerca de metade dos países mais pobres disse que tinha planos de reabrir as escolas, de acordo com estudo das Nações Unidas e do Banco Mundial. A complicação é manter o distanciamento social com 50 a 60 crianças amontoadas numa única classe. Outra limitação é o aumento das despesas frente a um orçamento apertado. Apenas 8% dos países mais pobres informam que estão recrutando novos professores para auxiliarem na reabertura, comparado com quase 40% dos países ricos, segundo o mesmo estudo da ONU e do Banco Mundial. ESTRATÉGIAS O desafio é imenso, lições do período que termina continuam sem ser ensinadas. E crianças muito tempo fora da escola tendem a esquecer o que já aprenderam. Há analistas em educação que já apontam que algumas crianças vão ficar um ano defasadas em matemática. Estudo produzido pela Unesco e pela empresa de consultoria McKinsey, citado por The Economist, identifica três tipos de estratégias de recuperação: as escolas devem dar mais tempo às crianças, ajustar os seus currículos ou tentar melhorar a qualidade de sua instrução. O maior sucesso provavelmente virá da combinação dos três.
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ACONTECEU
Artistas resende-costenses realizam primeira Mostra Cultural on-line VITÓRIA CRISTINA
Entre os dias 11 e 18 de julho, aconteceu em Resende Costa o primeiro festival de lives, que recebeu o nome de “Mostra Cultural”. O evento reuniu diversos artistas da cidade, entre eles a banda Uai Garotos, Brunna Assis, Weber Vieira, Banda Chá Preto e Carol Brasil. A Mostra aconteceu no Espaço Cultural Gastronômico Mandacá Açaí, com transmissão ao vivo pelo YouTube e teve o apoio da Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura de Resende Costa (SETAC). O músico Anderson Vinni, da banda Uai Garotos e um dos organizadores do evento, disse que os objetivos da Mostra foram promover os artistas locais, fomentar a cultura e divulgar o artesanato da cidade. De acordo com ele, a ideia de criar o evento
surgiu a partir da necessidade de movimentar, ainda que de forma remota, o cenário artístico e cultural de Resende Costa, uma vez que no primeiro semestre deste ano, devido à pandemia do novo coronavírus, não foi possível realizar a Mostra de Artesanato e Cultura, a Exposição Agropecuária, além de outros eventos tradicionais que atraem grande público à cidade. As transmissões da primeira Mostra Cultural on-line chegaram a atrair, no total, aproximadamente 10 mil visualizações. “Durante o evento, as lives tiveram uma média de público de 1.200 visualizações por dia”, informa Anderson Vinni. Os organizadores já planejam novas edições do evento. “A ideia é não parar. O nosso objetivo é fazer sempre e impulsionar cada vez mais a cultura na cidade, promovendo e incentivando nossos artistas. Para as próximas edições, vamos abrir mais o campo, dando espaço a
novos artistas de todas as áreas culturais, como pintores, escritores, artistas plásticos, contadores de histórias, fotógrafos e artistas de teatro”, diz Vinni. Anderson Vinni falou sobre a importância dos eventos culturais realizados na cidade e destacou o apoio da população: “Recebemos certo apoio da população e de muitos comerciantes locais. Portanto, é sempre bom ressaltar que é importante a população nos apoiar e participar cada vez mais dos projetos culturais e dos eventos. Essas iniciativas trazem benefícios mútuos, pois, quanto mais o município se destaca culturalmente, mais atrativo ele se torna aos turistas e a potenciais investidores.” A cantora resende-costense Carol Brasil comentou como foi para ela participar da primeira Mostra Cultural on-line de Resende Costa: “Eu adorei participar do evento, até porque estávamos há muito tempo
Fotos: Bel Sullivan
O evento aconteceu no Mandacá Açaí e foi transmitido ao vivo pelo YouTube
Os shows foram transmitidos ao vivo através de plataforma digital no YouTube
longe dos palcos. Estava com saudades de fazer um barulho, ainda mais com pessoas aqui da cidade. Foi uma experiência muito gratificante, pois nós, músicos aqui de Resende Costa que trabalhamos em ramos e estilos musicais diferentes, dificilmente conseguimos estar em um mesmo ambiente para tocarmos juntos.” Carol Brasil disse que pre-
tende participar de outros eventos on-line e revelou que em breve vai fazer uma live. “Sempre que eu puder, irei participar desses eventos, amo estar no meio do povo. Neste momento, estamos trabalhando para a realização de uma live. Quero fazer uma live mais longa, sem hora para terminar, cantar tudo o que quero e o que o povo pedir também”, disse a cantora.
Artistas resende-costenses promovem lives ao vivo durante a primeira Mostra Cultural on-line de Resende Costa
A Mostra Cultural on-line aconteceu no Mandacá Açaí e contou com o apoio da Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura e do comércio local
Espaço Cultural e Gastronômico Mandacá Açaí
Banda Uai Garotos participou da Mostra Cultural
A cantora Brunna Assis e o pessoal da banda Uai Garotos
A cantora resende-costense Carol Brasil
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Cultura
amiRCo elege nova diretoria para o biênio 2020-2022 ANDRÉ EUSTÁQUIO
Na tarde do último dia 21 de julho, a amiRCo (Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa) elegeu sua nova diretoria, que cumprirá mandato de dois anos. A historiadora Taína Resende foi eleita presidente, sucedendo o professor e músico Edésio de Lara Melo, que dirigiu a associação durante dois mandatos consecutivos entre 2016 e 2020. Eustáquio Peluzi Chaves (vice-presidente), Ana Luíza Coelho Andrade (secretária) e Edésio de Lara Melo (tesoureiro) completam a nova diretoria. Taína Resende, 28, é a primeira mulher a presidir a amiRCo, fundada em maio de 2004. “Enquanto cidadã, sempre admirei as ações propostas pela amiRCo em Resende Costa. Considero tudo o que foi desenvolvido ao longo dos anos por todos aqueles que já se dispuseram, de alguma forma, a doar tempo e energia em prol de projetos de valorização da memória e da cultura, que são ações fundamentais para a cidade”, declarou a historiadora. “Pretendo, no que for possível, perpetuar o trabalho que já vem sendo executado por todos os que passaram pela amiRCo, além de continuar a busca por conhecimento e proporcionar visibilidade aos projetos que foram desenvolvidos e aos que ainda serão implementados pela associação”, acrescenta Taína. A nova presidente da amiRCo fala também dos desafios de estar à frente de uma associação cultural em um momento em que a cultura no Brasil vem perdendo cada vez mais espaço e protagonismo. “Enxergo a atual posição como um desafio, pois vivemos tempos em que a cultura e a memória perderam espaço e passaram a ser vistas por muitos como acessórias e não como fundamentais. Preocupo-me em ver como retrocedemos nesse sentido. No entanto, espero podermos resgatar o interesse e a consciência da sociedade para a necessidade que temos de sermos ‘alimentados’ também pela música, pela arte, pela leitura... A atual pandemia nos tem mostrado claramente o quanto de-
Foto: André Eustáquio
A historiadora Taína Resende assume a presidência da associação, sucedendo o professor e músico Edésio de Lara Melo
Membros da nova diretoria da amiRCo. Da esq. para dir. Eustáquio Peluzi, Taína Resende, Edésio Lara e Ana Luíza
pendemos de tudo isso”, reforça Taína Resende. AÇÕES A amiRCo foi criada em 2004 com o propósito de resgatar, incentivar e divulgar a cultura, em suas diversas manifestações, no município de Resende Costa. Desde então, a associação vem participando ativamente, enquanto promotora e/ou apoiadora, de inúmeros eventos e projetos culturais desenvolvidos no município. Contudo, a iniciativa que deu maior visibilidade à amiRCo foi o projeto editorial Coleção Lageana, iniciado em 2009 com o patrocínio integral da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, através do Fundo Estadual de Cultura (FEC). Ao todo, foram aprovados junto ao FEC quatro projetos (2009, 2011, 2012 e 2013) que resultaram na publicação de 12 livros de interesse regional de autoria de escritores resende-costenses. Edésio de Lara Melo, que deixa a presidência da amiRCo após cumprir dois mandatos, fala de ações desenvolvidas pela associação ao longo de 16 anos: “A Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa nasceu em maio de 2004 e, desde a sua fundação, de forma ininterrupta, vem procurando desenvolver trabalhos relacionados à cultura e à arte em nossa cidade. Foram lançamentos de livros,
realização de festival e concursos de música, além de apoio e participação na Mostra de Artesanato e Cultura. Participamos também de diversas comissões organizadoras do Carnaval. E, desde o início, a amiRco sempre esteve representada no Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura”. O ex-presidente destaca ainda as principais realizações da amiRCo nos últimos quatro anos em que ele dirigiu a instituição: “Encaminhamos e aprovamos projeto junto à prefeitura municipal para levantar recursos necessários para a publicação do livro ‘De Minas para a Corte, da Corte para Minas: movimentações familiares e trocas mercantis (1790-1880) ’, de Paula Chaves Teixeira Pinto; promovemos o relançamento do livro ‘Memória histórica sobre os diamantes. (Resende Costa: Amirco, 2017) ’, escrito e publicado originalmente em 1836 pelo inconfidente José de Rezende Costa, o filho”. Em 2018, a amiRCo promoveu o lançamento em Resende Costa do livro “Vozes Transcendentes: novos gêneros na música brasileira”, da historiadora e escritora resende-costense Larissa Ibúmi Moreira, e, em 2019, apoiou o lançamento de “Resende Costa: a Flor das Vertentes”, de autoria de Stela Vale Lara e Alair Coêlho de Resende. Em março de 2020, a amiRCo participou da organização do
lançamento do livro do jornalista e escritor José Venâncio de Resende, um dos últimos eventos ocorridos em Resende Costa antes da pandemia do novo coronavírus. A solenidade de lançamento de “Cidades e Resendes: uma viagem por Portugal continental, Arquipélago de Açores, Minas Gerais e Cabo Verde”, publicado pela editora portuguesa Chiado Books, aconteceu na Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto. Além de atuar no ramo editorial, publicando e apoiando a divulgação de obras e autores importantes tanto para Resende Costa quanto para a região do Campo das Vertentes, a amiRCo vem participando ativamente de inúmeros projetos de grande relevância para a cultura resende-costense. Destaca-se, entre eles, a criação da revista da Tixa, a mascote oficial da cidade. O projeto editorial da revista se consolidou através da parceria entre a amiRCo e a ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa). “O lançamento da revista da Tixa aconteceu no Teatro Municipal no dia 8 de dezembro de 2017. Após o lançamento oficial, visitamos todas as escolas do município, incluindo, evidentemente, as comunidades rurais. Na ocasião, além de levar a revista da Tixa, distribuímos também livros da Coleção Lageana aos alunos e bibliotecas das escolas
do nosso município”, disse Edésio Lara, que destaca também o apoio da amiRCo ao lançamento do selo oficial dos Correios, alusivo ao centenário de fundação da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto, em 2018. CLUBE DE LEITURA Recentemente, uma ideia que vinha sendo discutida entre alguns amircos começou a ganhar forma. Trata-se da criação do Clube de Leitura, patrocinado pela amiRCo. Devido às dificuldades de promover encontros presenciais durante o período da pandemia de Covid-19, as conversas iniciais entre os primeiros participantes do clube estão acontecendo em um grupo no WhatsApp. De acordo com Edésio Lara, criador do Clube de Leitura e mediador do grupo no aplicativo de conversas, assim que os encontros presenciais se tornarem possíveis, o clube irá promover encontros com os leitores, palestras com escritores, além de eventos específicos destinados a quem gosta de ler e tem os livros como parceiros. “Demos início ao funcionamento do Clube de Leitura. Podem participar todas as pessoas que gostam de ler ou que estão começando a criar o bom hábito da leitura. Para participar não é necessário pagar nada; basta a pessoa entrar em contato conosco e começar a interagir em nossos bate-papos”, conclui Edésio.
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A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
Meu desenho Sonhei que sabia desenhar. Nos contornos do meu sonho, eu criava imagens, sombreava panoramas, traçava diferentes ângulos em variadas perspectivas... Uma beleza que só vendo! Meus desenhos eram em preto e branco. Curioso, pois em todos os meus outros sonhos sempre identifiquei as cores das roupas das pessoas, os matizes de uma paisagem, coisas assim. Mas nesse sonho não. Foi a primeira vez que sonhei em preto e branco. Lembro-me de que desenhava um rosto de mulher. Ela usava um chapéu floppy e tinha os olhos agateados. Assim que acabei o desenho, entreguei-lhe a obra. Ela recebeu sorrindo e a pendurou no céu. Meus sonhos sempre foram um caleidoscópio de cenas e imagens, tudo de modo esparso e de mudanças bruscas. Ainda no mesmo sonho, eu desenhava a lua. E o desenho ficou lindo. A lua quase pulsava. Em cada fase, uma feição diferente. Coloquei a lua entre as nuvens e escrevi: “As faces da lua.” Num corte súbito, eu já estava desenhando um antigo gato que tive. Já falecido. O gato parecia redivivo. Olhava fixamente para mim e miava de um modo tranquilo. Tão traquilo quanto à tonalidade suavemente cinza de seus pelos. Acordei entusiasmado. No banho, a água deslizando em minha pele fazia contornos que pediam definições. Meu corpo e a água queriam desenhar. Cheguei a riscar o esboço de uma ave no vidro embaçado do box. Asas
abertas e peito abraçando o voo. O sonho que tive à noite me fez descobrir em mim um artista que eu não conhecia. Eu estava convicto de que sabia desenhar. Mas... não seria o sonho que estava continuando? Absolutamente! O sonho tinha virado realidade. Realidade molhada e limpa, higienizada dos meus limites quanto a saber desenhar. Saí voando do banho, sem enxugar a inspiração. Alguns minutos depois, já estava eu à mesa construindo a minha obra. O lápis corria enquanto eu tomava o meu café com leite. E comecei a desenhar uma tartaruga. Desenhei-a vista de cima, caminhando para o mar. Caprichei nos contornos do quelônio vagaroso. Fiz até um dégradé interessante entre o preto, o branco e o cinza. Enfim, minha tartaruga ficou pronta, depois de setenta e cinco minutos e oito copos de café com leite. – Aí, filho! Olha o que eu desenhei! E ele, na sinceridade cruel e crua que toda criança já consegue ter com três anos: – Nossa, pai! Que legal o ovo frito que você desenhou! E continuou a brincar com os seus toquinhos de madeira no chão. Minha tartaruga morreu numa frigideira... Fazer o quê? Não insistir, pensava eu enquanto massageava a minha barriga inundada de café com leite. Quem nasceu pato não chega a pavão. Mas, pelo menos, o ovo que a pata botou eu desenhei bem.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Memorável criatura “A Dra. Zilda estava em uma igreja, onde proferiu uma palestra para cerca de 150 pessoas. Ela já tinha acabado seu discurso e estava conversando com um sacerdote que queria mais informações sobre o trabalho da Pastoral da Criança. De repente, começou o tremor. O padre que estava conversando com ela deu um passo para o lado e a Dra. Zilda recuou um passo e foi atingida na cabeça quando o teto desabou. Ela morreu na hora. A Dra. Zilda não ficou soterrada. O resto do corpo não sofreu ferimentos, somente a cabeça foi atingida. O sacerdote que conversava com ela sobreviveu. Já outros quinze sacerdotes que estavam próximos a ela faleceram.” A mulher de que trata o texto acima é Zilda Arns, que nasceu em Forquilhinha (SC – 1934). Médica pediatra e sanitarista, foi fundadora – a convite do Arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns (1921–2016), seu irmão, – e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O tremor aí citado é o terremoto de magnitude 7, na escala Richter, que devastou o Haiti em 2010 e deixou dezenas de milhares de mortos e mais de 300 mil feridos, destruindo a maior parte de Porto Príncipe, capital haitiana. E o autor dessa nota sobre as circunstâncias da morte da brasileira é Flávio Arns, sobrinho dela e senador (Rede Sustentabilidade
– PR). Passados quase 11 anos dessa catástrofe, vivemos hoje tempos de pandemia. No Brasil, enquanto os meios de comunicação nos revelam o sofrimento dos afetados pela Covid-19 e o sufoco dos profissionais envolvidos no atendimento de tantas vítimas, certos nomes que identificam nas fachadas hospitais e unidades de saúde que cuidam desses doentes chamam a atenção pela homenagem que carregam. A denominação UPA Moacyr Scliar (em Porto Alegre) faz lembrar o gaúcho Scliar (1937 – 2011), médico especialista em Saúde Pública e professor universitário, que cumpriu também importante e reconhecida trajetória como escritor. A designação Hospital Leonardo da Vinci (em Fortaleza e Goiânia) é, até certo ponto, surpreendente, em se tratando de homenagear alguém que viveu há tanto tempo (1452 – 1519) e não foi diretamente ligado à área médica. É oportuno considerar, porém, que da Vinci era um polímata (indivíduo que estuda ou que conhece muitas ciências), tendo se destacado em variados campos do conhecimento e considerado por muitos o maior gênio da história da humanidade. No caso, com totais méritos, sem o uso banalizado desse rótulo. Destaque à parte, Dra. Zilda, personalidade várias vezes indicada ao Prêmio Nobel da Paz, saiu de cena em plena atuação, num 12 de janeiro e estando longe de casa, mas perto dos que
dela precisavam. A inscrição do nome Zilda Arns Neumann no prédio do Hospital Regional do Médio Paraíba, em Volta Redonda (RJ), evoca a vida e o trabalho humanitário de uma mulher notável. Essa situação se repete até na capital do Haiti. Das 3 unidades de saúde construídas pelo Brasil no país como parte do projeto internacional de sua reconstrução, uma delas é o Hospital Comunitário de Referência Dra. Zilda Arns. Em Curitiba, o Hospital Municipal do Idoso leva esse mesmo nome. E o antigo Hospital da Mulher, em Fortaleza, é agora o Hospital e Maternidade Dra. Zilda Arns Neumann. Há ainda por aí clínicas da família e centros de educação infantil “batizados” com essa significativa marca. Vivendo meses de sobressalto por tudo o que estamos passando, boas histórias nos interessam. Boas ações também, que elas existem aos montes. Falemos, então, de uma boa história real através de um fragmento do último discurso de sua protagonista. “‘Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos’ significa trabalhar pela inclusão social, fruto da Justiça, significa não ter preconceitos, aplicar nossos melhores talentos em favor da vida plena, prioritariamente daqueles que mais necessitam. Somar esforços para alcançar os objetivos, servir com humildade e misericórdia, sem perder a própria identidade.” – Zilda Arns
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Comportamento
Maquiadoras resende-costenses se unem e fazem vídeos no estilo Challenge Profissionais passam mensagens de empoderamento feminino e aproveitam para divulgar trabalho
Em agosto de 2019, a influenciadora Larissa Rezende, que atualmente tem cerca de 366 mil seguidores no Instagram, lançou nas redes sociais o conhecido “Challenge”, que é basicamente o que a tradução diz: um desafio. O “Evoluiu Challenge”, ou só Challenge, se espalhou por todas as redes sociais. A partir desse vídeo, que viralizou nas redes sociais, famosos e anônimos também começaram a gravar e a relatar transformações surpreendentes em frente à câmera. O diferencial do desafio é editar um vídeo curto com música ou mensagem, de forma que os cortes acompanhem o ritmo da música. As pessoas cantam, dançam e dublam enquanto fazem gestos com as mãos para que surja a impressão de que a transformação ocorre “do nada”. Por exemplo, em um estalar de dedos, o rosto está com contorno, os olhos com cor e, em um toque final, até as madeixas são transformadas em produções de tirar o fôlego. Por trás de cada mudança, destaca-se o ofício de profissionais capacitadas que aproveitam a oportunidade para divulgar o trabalho. CHALLENGE EM RESENDE COSTA Ao longo de um ano da moda Challenge, os vídeos continuam fazendo sucesso nas redes sociais, inclusive em Resende Costa. Um grupo de maquiadoras do município já realizou dois vídeos e uma montagem com fotos, cuja ideia é divulgar o trabalho e passar uma mensagem através das redes sociais. A maquiadora Viviane Mendonça, que participou das três edições, disse que “a ideia das postagens foi uma construção coletiva com participações de todas as maquiadoras”. Segundo ela, as maquiadoras Adriane e Duda criaram o grupo das profissionais e começaram a propor os desafios. Adriane Resende, maquiadora há quatro anos, explica: “Eu e a Vivi [Viviane Mendonça] iniciamos juntas na profissão; isso fez com que a nossa amizade acontecesse e nos tornássemos mais próximas. A Vivi sempre tem ideias incríveis, daí saiu essa [ideia] para a gente aproximar todas as maquiadoras”. Responsável pela edição dos conteúdos, Maria Eduarda Barretto de Sousa, a Duda Barreto, maquiadora há cerca de três anos, fala sobre as produções por Challenge que ela começou a realizar ainda individualmente. “Esse estilo de vídeo estourou no ano passado, e eu comecei a fazer. A intenção era usá-lo como divulgação do meu trabalho, que é a maquiagem. A ideia do primeiro vídeo foi da Viviane Men-
donça, e eu ajudei a colocá-la em prática porque naquela época tinha mais facilidade para editar e fazer o roteiro. Mas hoje já estão todas craques”, explica Duda. COM O GRUPO CRESCENDO, NOVOS VÍDEOS FORAM SURGINDO O primeiro vídeo contou com a participação de quinze maquiadoras, o segundo com 19 e hoje o grupo conta com a participação de 23 profissionais. Adriane fala sobre as produções: “Fizemos dois vídeos e uma montagem com fotos. No primeiro vídeo, mostramos nosso trabalho e a transformação que a maquiagem faz usando a moda dos vídeos challenges. Já a montagem e o segundo vídeo fizemos para incentivar e motivar mulheres.” No primeiro vídeo publicado no dia 07 de abril, com duração de um minuto, as maquiadoras aparecem de rosto limpo, até que, com um toque “mágico” de um pincel, elas aparecem totalmente produzidas. Com a legenda “Nenhuma de nós é tão boa quanto todas nós juntas”, o vídeo compartilhado nos perfis pessoais das maquiadoras foi muito elogiado nas redes sociais. No mesmo mês, no dia 17, as maquiadoras aparecem com uma mensagem nas redes sociais, cada uma delas segurava um papel com palavras e frases que juntas formavam mensagens para as mulheres: “Seja a mulher que conserta a coroa de outras mulheres sem dizer ao mundo que estava torta”; “Seja uma mulher que levanta outras mulheres”; “Moça, esqueça a competição, não somos rivais, somos a revolução”; “Outras mulheres não são nossas inimigas”, dizia a publicação. Já o terceiro vídeo, publicado no dia 02 de julho, as maquiadoras em 55 segundos dublam uma carta da apresentadora global Angélica para a filha Eva. “Não é fácil ser mulher no mundo em que a gente vive, Eva. Se você seguir todos os padrões de beleza, vão questionar sua inteligência. Se você quiser ser de outro jeito, vão dizer que você não se cuida. Eles vão falar do tamanho da sua saia, do seu corte de cabelo, de quem você escolhe para estar com você, do excesso de maquiagem, da falta de maquiagem. Eles vão comentar as marcas do seu corpo, dizer que você é gorda demais ou que você está magra demais ou muito sem graça, ou muito sexualizada. Vão criar disputas sem sentido entre você e outras mulheres, vão duvidar da sua capacidade, diminuir as suas conquistas, vão achar os motivos mais supérfluos pra dizer que você não é perfeita, mas ninguém é, filha, nem eles, nem eu, nem você, nem ninguém. Eu desejo força, sabedoria, felicidade e união para todas nós. O mundo é mais forte
Fotos: Redes Sociais
VANUZA RESENDE
que qualquer pessoa, mas não é mais forte que todas nós juntas”. Ao longo do vídeo, as maquiadoras aparecem com e sem maquiagem, mostrando conquistas pessoais. O perfil profissional de cada uma também é divulgado durante a participação. Adriane fala sobre os temas: “A gente sempre evolve a maquiagem representando nossa profissão. No último vídeo, mostramos a força que nós mulheres temos. A Vivi, que sempre escreve as legendas e acho que a descrição do último vídeo, nos representa bem. Ela diz ‘Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Existem mulheres fortes e existem mulheres que ainda não descobriram a sua força.’” A maquiadora destaca também a repercussão das postagens. “Foi muito grande o número de pessoas me parando na rua para falar que foi uma iniciativa maravilhosa, que é muito bom ver a união, que conheceram outros profissionais... [A iniciativa] surpreendeu muitas pessoas pelo fato de ser cidade pequena onde o pessoal comenta sobre as rivalidades. Mas ali mostramos que
somos melhores juntas”, afirma Adriane. CONCORRENTES QUE SÃO AMIGAS Duda fala sobre um dos objetivos de divulgar os conteúdos: a união da classe. “Nós não somos inimigas; pelo contrário, somos colegas de profissão. No grupo, há inclusive amigas pessoais. A gente quis mostrar que a união faz a força mesmo. Não é porque somos maquiadoras na mesma cidade que a gente precisa ser inimiga. Principalmente nessa sociedade machista que coloca a mulher sempre como rival uma da outra, sobretudo quando há uma ‘disputa’ de mercado. A gente quis mostrar isso, ou seja, que estamos longe de sermos inimigas. Pelo contrário, nós somos muito amigas”. Adriane reforça a mensagem de união: “Fizemos os vídeos para mostrar que somos melhores juntas, que, mesmo tendo a mesma profissão, não precisamos ter rivalidade. Falando por mim, Adriane, acho que com isso nós incentivamos muitas mulheres a serem fortes, determinadas, amigas uma das
outras, pois, quando estamos juntas, nos tornamos pessoas muito melhores.” Duda comenta acerca da profissão: “A maquiagem uniu a gente e com certeza vai unir cada vez mais. É muito gratificante ser amiga das maquiadoras aqui de Resende Costa. Tenho certeza de que elas pensam o mesmo. E o nosso grupo, que surgiu no primeiro vídeo, nos aproximou. Através dele podemos trocar ideias e conversarmos.” Adriane descreve a importância do empoderamento feminino: “Eu penso que conseguimos fortalecer muitas mulheres com esse vídeo e espero que possamos fortalecer muitas delas ainda. A maquiagem é uma aliada nisso, pois, quando nós nos maquiamos, nos sentimos lindas, poderosas e fortes para seguir em frente.” Em breve, outros vídeos devem ser feitos pelas maquiadoras. “Claro que vamos fazer mais! Só estamos esperando surgirem ideias de algumas das meninas para a Vivi e a Duda movimentarem o grupo e fazerem acontecer”, acrescenta Adriane.
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Vida on-line na pandemia: benefício ou malefício? CAMILA CHAVES
Com a pandemia, não é novidade que as interações das pessoas através das redes sociais e aplicativos de conversas passaram a ser mais frequentes. Isso se deve ao fato de que milhares de pessoas tiveram de reinventar a forma de estudar, de trabalhar e de se relacionar em tempos de pandemia. A vida passou a acontecer on-line. Outro grande influenciador no aumento dessa interação é o uso maior das redes sociais como forma de se relacionar com os amigos. WhatsApp, Instagram, Facebook passaram a ser mais utilizados juntamente com plataformas que permitem chamadas de vídeo. A tecnologia, permitindo a realização de aulas EAD (ensino a distância) e trabalho Home Office, facilitou exponencialmente a vida da população, que, em um momento tão difícil, precisou procurar algo que compensasse a falta de aglomeração. Algo que sempre foi considerado vilão, isto é, como um vício para as pessoas, principalmente para os jovens, está cumprindo, neste momento, um papel primordial em nossas vidas e possibilitando-nos que, mesmo estando cada um em sua casa, ainda possamos ter contato e realizar tarefas importantes, tanto para nossa sobrevivência (há pessoas que estão trabalhando apenas on-line) quanto para o aprendizado dos estudantes. Levando esse fato em consideração, o Jornal das Lajes entrou em contato com a psicóloga Tatiane Maria a fim de que ela nos ajudasse a refletir sobre o atual momento: Qual o impacto das novas tecnologias na vida das pessoas em tempos de pandemia? Até que ponto o uso das novas ferramentas tecnológicas deixa de ser benéfico e passa a ser um vilão em nossas vidas? Segundo Tatiane, nós entramos em um novo padrão de comportamento de vivência em que temos que nos adaptar a uma reali-
dade de tecnologia, passando a executar muitas de nossas atividades, profissionais e pessoais, através de métodos on-line, ou seja, pela internet. Já era previsto que em algum momento, não tão distante, a sociedade atual passaria a viver e a conviver mais “conectada”. A pandemia de Covid-19 veio para acelerar esse processo que, de forma ou de outra, era inevitável. “Falando dos malefícios, teremos um enxugamento das relações reais e isso pode, sim, gerar impactos psicológicos consideráveis nas pessoas. É inevitável que muitas pessoas estejam sentindo incômodo por não poderem se encontrar pessoalmente (com amigos, parentes...), já que nós somos seres de sociedade, de trocas, de vivências. A grande preocupação agora é que esse enxugamento gera um afetamento muito grande na concepção do nosso eu. Parte das nossas concepções de eu está ligada ao fato de a gente ter essas relações reais, essas habilidades sociais que têm a ver com o que vivemos de concreto, de real”, diz Tatiane. Existe um risco ainda maior de ocultarmos quem verdadeiramente somos quando nos relacionamos somente através de aplicativos de conversa, das redes sociais, ou até mesmo numa aula de EAD. “Consequentemente, definhamos nossas habilidades psicológicas”, afirma Tatiane. Portanto, nos relacionarmos somente através das novas tecnologias pode ser considerado um malefício. “Pensando pelo lado de que o nosso corpo não sabe viver 80% on-line, a nossa mente sente falta do mundo real”, acrescenta a psicóloga. EDUCAÇÃO CONECTADA Um outro desafio imposto pelas regras de distanciamento social é em relação ao ensino. Como as escolas estão lidando com a situação, tendo que ministrar aulas remotas, uma vez que os alunos não podem estar presentes nas salas de aula? A professora de matemática, Goretti Resende, falou ao JL sobre o assunto. De acordo com ela, a Escola Estadual Assis Resende adotou
as aulas EAD e tem como suporte o Plano de Estudo Tutorado (PET). “Trata-se de uma apostila que os alunos recebem, virtualmente ou impressa, para a realização das atividades mensais. O estado oferece a aula através da TV Rede Minas, no YouTube e também no aplicativo Conexão Escola. O serviço que nós professores estamos realizando é tirar dúvidas dos alunos através do WhatsApp, já que cada turma tem um grupo (no aplicativo) para facilitar essa comunicação e também para enviar fotos das atividades feitas”, explica Goretti. De acordo com ela, alguns professores utilizam outras plataformas digitais, como o Zoom e o Google Meet para auxiliar os alunos, mas não é obrigatório, visto que nem todos os alunos possuem internet de qualidade em suas casas. Na Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão, zona rural de Resende Costa, onde a professora Goretti também leciona, foram elaboradas apostilas mensais para os alunos realizarem suas atividades escolares. Segundo informou a professora, todos os alunos recebem as apostilas impressas e os professores também estão disponíveis no WhatsApp para esclarecer as eventuais dúvidas dos estudantes. No entanto, infelizmente, segundo Goretti Resende, o número de alunos da Escola Paula Assis com acesso à internet – justamente por se tratar de uma escola localizada na zona rural – é menor do que entre os estudantes que residem e estudam na cidade. “Na minha opinião, a internet foi um facilitador para o momento, principalmente a ferramenta WhatsApp. Porém, não podemos garantir que o estudante esteja aprendendo e/ou estudando da mesma forma que no ensino presencial, já que vídeoaulas, resumos e áudios não substituem o professor, o quadro e o giz. Além disso, o contato com os colegas e com o professor é um fator positivo no processo de ensino e aprendizagem. E, no momento, a aprendizagem está sendo ofertada de forma individual. Basicamente, cada aluno ‘constrói’
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De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
O vice-treco do sub-troço Li na Folha de S. Paulo uma articulista interessante. Começou por dizer que “Dor é o que sinto, pois é tão difícil entender este país”. Depois, narra dois fatos. “Vi na televisão o segundo homem do Ministério da Saúde enxotando de uma reunião um garçom que só tentava fazer o seu trabalho. Com gestos bruscos de braço, gritava: ‘Sai daí. Eu falei ‘não’”. Mais adiante, narra outro acontecimento, no qual teve participação. Ocorreu num aeroporto. Buscando interagir com um cidadão que se comportava de modo pouco elegante, ouviu dele, de maneira arrogante: “Você sabe com quem está falando? ”. Não se pode culpar a pandemia, a quarentena por tantos desaforos. Atribuo tais comportamentos a uma razão muito simples: “prepotência”. Segundo o dicionário, prepotência significa abuso de poder, abuso de autoridade, tirania, poder mais alto, entre outros significados. Vou bem além, pois o dicionário não cuida da gênese psicológica do prepotente. Ele é um cego. Não vê ninguém, nem acima nem além de si mesmo, apesar de estar sempre acompanhado. Mas todos que o acompanham estão “sub-ele”. Ele é surdo: não ouve ninguém. Se ele ouvisse, correria o risco de provar alguma insatisfação, o que não lhe convém. Ele se cabe, ele se basta. É cheio de si mesmo, rempli de soi-même, na bonita expressão francesa. Mas, diferentemente do surdo, ele não é mudo. Falar é sua arma preferida. Aplica-se em falar, para não correr o risco de ouvir. Ele tem grande cuidado consigo mesmo. Ele se preserva. Ele se blinda. Ele não
o seu próprio conhecimento”, reflete a professora. Para ela, o uso excessivo da internet por crianças e adolescentes é um fator negativo que foi dimensionado na situação em que vivemos. “É um momento de incertezas, mas quando voltarmos para a escola teremos algumas dificuldades
pode dividir nada do que é seu com outros. É um absurdo ele precisar de alguém. Ele se enxerga como tendo tudo o de que necessita para estar presente, não importa onde, em que lugar, em que tempo. E ele não conhece derrota. Seus fracassos são fruto da incompreensão alheia. Ele se orgulha em dizer que uma mentira dele vale mais que duas verdades de seu interlocutor. E não se pense que ele se julga uma pessoa que abusa do poder. Não. Ele tem o poder, ele é o poder. Não há como abusar de alguma coisa que ele é, que ele pensa que é. O prepotente é um fraco. Só aprendeu a obedecer. Por isso, só sabe mandar. É um pobre coitado. Ele não sabe que o único lugar em que estará sozinho, sem precisar de ninguém, mas também não tendo ninguém a quem dar ordem, será no caixão. Para muita gente, trata-se de tipo insuportável. Só que o prepotente não se vê assim. Ele se considera um iluminado. Tem certeza de que quem tem estrela não precisa de bússola. Ele se julga um estrelado. Para Mário Sérgio Cortella, entretanto, “essa gente é o vice-treco do sub-troço”. O leitor poderá indagar se esse tipo de personalidade, assim puro, existe na natureza. A experiência de cada um responderá se sim ou não. O interessante, porém, é que para cada um de nós poderão ocorrer momentos em que assim nos comportemos. Vale pensar. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
como, por exemplo, fazer com que o estudante fique sentado na sala de aula durante dois ou três horários seguidos. Com certeza, uma nova rotina terá de ser criada para que aos poucos voltemos ao normal. Será uma nova adaptação”, conclui a professora Goretti.
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CIDADE
Em SJDR, pandemia reforça demandas sociais de bairros JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
O que pensam lideranças de bairros sobre a importância das próximas eleições municipais para prefeitos e vereadores? “O rito das eleições periódicas é sem dúvidas uma afirmação constitucional”, diz Douglas Geraldo Gonçalves, presidente da Sociedade de Amigos do Bairro Senhor dos Montes, em São João del-Rei. “As eleições exercem um papel fundamental nos interesses do povo”, acrescenta. Eleições podem representar o reconhecimento do trabalho realizado por uma administração municipal, mas também é uma oportunidade de se colocarem novas demandas aos candidatos, diz Luís de Castro Resende, presidente da Associação Pró-Melhoramentos Bairro Colônia do Marçal. Os eleitos vão assumir os mandatos em meio à pandemia do novo coronavírus, com o desafio de dar atenção especial à saúde. “Prefeitos e vereadores nas próximas eleições deverão estar atentos para evitar o alastramento da Covid-19, através de medidas de precaução e de preparação para uma vacinação em massa”, alerta José Cláudio Henriques, presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Grande Matosinhos (ASMAT). De fato, a crise da pandemia fará com que a nova gestão municipal dê prioridade para áreas que foram afetadas no período de quarentena, diz Douglas Gonçalves. “É de se esperar que os municípios estejam em um movimento contínuo de aprimoramento, seguindo as determinações estabelecidas pelas autoridades de saúde.” Já Marcos Luís das Dores, o Kiko, presidente da Associação
Renascença do Bairro Alto das Mercês (ARBAM), é mais radical. Defende que, nesse período de pandemia, não deveria haver eleições e os recursos (inclusive de salários dos políticos) “deveriam ser revertidos para as pessoas mais necessitadas”. DEMANDAS SOCIAIS Diante de uma situação econômica preocupante, José Cláudio pede maior flexibilização do emprego, “porque penso que haverá quebradeira e desemprego geral. Então é preferível todos perderem um pouco ao invés de perderem tudo”. Uma receita é “prosseguir com desoneração de impostos, diminuir horário de trabalho e possibilizar trabalho in house”. Além disso, ele defende que o dinheiro recuperado da corrupção seja usado para cobrir gastos sociais com desempregados, bem como com assistência médica. Recurso que, “nas mãos dos cidadãos, gira a economia”. Outro desafio é recuperar o atraso na educação das crianças, que estão perdendo um ano letivo, alerta Kiko. “Não quero nem citar a saúde, que antes da pandemia já estava um caos.” Mas é preciso começar pelos bairros “onde existem demandas sociais situadas”, assinala Douglas Gonçalves. Por isso, “temos que nos conscientizar sobre a necessidade de participação de todos os cidadãos da nossa cidade”. Uma das prioridades no bairro Senhor dos Montes é, “sem dúvidas”, o saneamento básico: “Construir uma boa infraestrutura para os moradores deve fazer parte da atenção destinada à área da saúde”. Douglas não se esquece da educação para jovens e adultos, que abre “possibilidade de os moradores disputarem vagas no
PM inaugura em Ritápolis projeto Rede de Fazendas Protegidas
mercado de trabalho. Além disso, a escolaridade também é urgente na vida dos jovens que de alguma forma se envolveram com a criminalidade”.
ANDRÉ EUSTÁQUIO
LAZER Uma das maiores carências da Colônia do Marçal é a falta de espaço para lazer, diz Luís de Castro. “Estamos lutando há 20 anos para fazer esse campo de futebol.” A associação luta para conseguir a transferência de um terreno de cerca de 18m² pertencente ao Nacional Esporte Clube, atualmente sem atividade. A ideia é construir, na área, um campo de futebol e um espaço de lazer para a população. Já uma prioridade de Matosinhos é a retirada do trânsito pesado que entra no bairro via Avenida Domingos Pinto Camarano (antiga Avenida Independente), na Colônia do Marçal, e Rua Tomé Portes del-Rei (que termina na antiga Ponte do Porto, divisa com Santa Cruz de Minas). Uma idéia “fantástica” seria aproveitar a linha férrea da Maria Fumaça para transporte coletivo, usando locomotivas mais leves, diz José Cláudio. Na Colônia do Marçal, as enchentes cada vez mais frequentes também estão a exigir ação por parte do poder público, diz Luís de Castro. A falta de planejamento na construção de condomínios residenciais tem levado as águas das chuvas a invadirem residências do bairro, causando desconforto e prejuízos às famílias. Por fim, o presidente da associação lembra que ainda há ruas no bairro sem saneamento básico e sem asfalto. Já no Alto das Mercês, a prioridade é fazer encanamento de esgoto ou fossa séptica em algumas ruas, diz Kiko, pois ainda são usadas fossas ou “betas” no fundo dos quintais.
A Polícia Militar inaugurou, no último dia 10, no município de Ritápolis, o projeto “Rede de Fazendas Protegidas”. O evento de inauguração contou com a presença do tenente Nascimento, comandante do Pelotão de Resende Costa, do qual Ritápolis faz parte juntamente com Coronel Xavier Chaves. De acordo com a PM, o projeto visa promover maior interação entre a comunidade rural e a Polícia Militar de Minas Gerais. O objetivo é reduzir a incidência de prováveis crimes cometidos contra quem reside em áreas rurais. O tenente Nascimento destacou a importância do projeto para as comunidades rurais, especialmente para o município de Ritápolis, que também passou a fazer parte da Rede de Fazendas Protegidas: “Grande dia para a população do campo do município de Ritápolis. O projeto visa qualificar as residências participantes, cadastrando-as com uma numeração que é incluída em um aplicativo utilizado pelos policiais que trabalham na Patrulha Rural.” De acordo com o tenente, em caso de necessidade de acionamento dos policiais, o primeiro passo é o proprietário se identificar através do código de numeração de sua fazenda. A partir daí o aplicativo traça a rota mais rápida para acesso dos militares até a localidade.
Nascimento informou que o aplicativo ainda está em fase de instalação no município de Ritápolis. “São colocadas também placas de identificação de ‘Zona Rural Protegida’, como forma de demonstrar o trabalho efetuado pela PMMG em parceria com a sociedade”, informou o comandante do pelotão de Resende Costa. A previsão é de que o projeto Rede de Fazendas Protegidas seja expandido aos municípios vizinhos de Resende Costa e que estão sob a guarda da Patrulha Rural da PM. “O projeto contemplará também futuros interessados em participar e que sejam residentes nos municípios limítrofes”, esclareceu a PM. Também no dia 10 de agosto foi inaugurada em Resende Costa e Coronel Xavier Chaves a terceira etapa da instalação das placas da“Rede de Propriedades Monitoradas”. Segundo a Polícia Militar, ao todo já são 200 placas instaladas nos três municípios que fazem parte do Pelotão de Resende Costa. “Contamos sempre com o apoio dos escritórios da ARCOSTA (Associação de Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa), da ARCEL (Associação Rural e Comunitária de Coronel Xavier Chaves) e da ASPUR, de Ritápolis. A Patrulha Rural realiza um trabalho diuturno, prevenindo e contribuindo com a redução das taxas de crimes no meio rural”, destacou a PM.
Foto: Thiago Morandi
Foto panorâmica da histórica São João del-Rei
Fazendeiros e sitiantes da região protegida pelo Pelotão de Resende Costa podem aderir ao projeto e contar com a proteção da Patrulha Rural da PM
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Questões de Direito
O que bairros resende-costenses esperam dos próximos eleitos Renovação, sem abrir mão dos políticos experientes e realizadores; novos líderes com capacidade de enfrentar os novos desafios. É o que pensam lideranças de bairros em Resende Costa sobre as próximas eleições municipais. É o caso, por exemplo, da Câmara Municipal. “Precisamos de novos vereadores determinados, que pensem à frente, que estimulem as inovações e que impulsionem a cultura, projetos sociais, o desenvolvimento da saúde e da educação municipal, o bem-estar da população”, diz César Henrique Resende Guedes, o Cesinha, presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Tijuco (AMAT). “Mas é preciso manter, em parte, os vereadores que nesses últimos anos trabalharam arduamente, fazendo bons trabalhos. Assim, somam-se a experiência de quem lá já está e o gás novo de quem está por vir.” Ao que acrescenta Mariselia Resende Maia Chagas, ex-presidente da Associação: “Este é o momento e a hora em que os cidadãos podem fazer a diferença com a sua participação, votando com consciência.” Novas lideranças, tanto no Executivo quanto no Legislativo, à altura para conduzir o município em anos difíceis, marcados pelos desdobramentos de uma crise pandêmica, diz Marina Aparecida Delgado, presidente da Associação de Moradores do Bairro Nova Resende (ARNOVA). “Há muitas coisas a se fazer, principalmente na educação e na saúde, em meio à crise que estamos vivendo. É importante que os novos líderes cuidem do bem-estar do povo e administrem bem os recursos, tanto municipais quanto estaduais e federais.” VALORIZAÇÃO A crise mostrou a importância de ações em setores como a saúde pública, observa Cesinha. “É momento de pensar à frente, de entender que todo o sistema está sujeito a falhas e de ter sempre mais de uma solução viável em mãos.” Ele acha que a administração deve ter novo olhar, por exemplo, sobre “projetos
MARINA VALE*
Foto: André Eustáquio
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Resende Costa a partir da estrada de acesso aos Campos Gerais
sociais visando à saúde mental durante e no pós-pandemia”. A crise mostrou a importância de “valorizar cada vez mais o funcionalismo público, com capacitação profissional nas suas áreas de atuação”, diz Cesinha. “São profissionais das áreas de saúde, inclusive familiar, saneamento básico, entre outros, que enfrentarão o desafio da prevenção da saúde mental, ante uma pandemia ou epidemia e uma crise mundial”, complementa Mariselia. Outra área citada é a geração de empregos e oportunidades, pois “já passou da hora do artesanato ter mais valorização, faltam políticas públicas sobre o tapete e os tecelões, que são nosso patrimônio”, pondera Cesinha. Também Marina Delgado realça a necessidade de se priorizarem novas oportunidades de trabalho. Alta taxa de desemprego, combinada com inflação alta, será desafio dos novos governantes, ao lado de deficiências em áreas como saúde, educação, transporte, cultura e lazer; enfim, os novos administradores públicos terão de manter a estrutura da cidade em meio à crise, complementa Mariselia. BAIRROS Cesinha pede que se olhe “com mais atenção e carinho” para o bairro, “mais políticas públicas que desenvolvam aspectos educacionais, capacitação e geração de renda, estimulando os moradores a uma ascensão financeira e a uma melhor condição de vida”. Outra demanda é a revisão dos valores taxados nos serviços básicos de saneamento, água e luz. “Além de não atrasar o processo de pavimentação e calçamento de ruas, manuntenções rotineiras e limpeza dos pontos públicos.” Mariselia enfatiza os projetos
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sociais que valorizem o cidadão e deem oportunidades e suporte às famílias mais vulneráveis, incluindo cursos profissionalizantes, oficinas, espaços de esporte, lazer e cultura, entre outros. “Serão bem-vindos projetos que beneficiem principalmente crianças, adolescentes e que cuidem com atenção de nossos idosos.” Outra demanda é que “prefeitos e vereadores sejam participativos nos bairros, e que não apareçam só em período eleitoral”. Marina pede mais cuidado com a limpeza de ruas e com as áreas públicas dos cemitérios (fonte de doenças), bem como o ajuste no horário da coleta seletiva para facilitar a vida dos moradores, evitando, assim, que o lixo seja depositado na noite anterior à passagem do caminhão da prefeitura. ARCOSTA A realização de eleições é sempre uma boa oportunidade para “surgirem novas ideias”, resume Benoni José de Lima, presidente da Associação de Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa (ARCOSTA). Independente de quem sejam os eleitos, ele acha que se “deve manter os mesmos rumos porque o trabalho que está sendo feito é muito bom”. Benoni espera que seja mantido (e ampliado) o convênio da ARCOSTA com a prefeitura, renovado anualmente. Atualmente, o convênio abrange compra conjunta de calcário, vacinação de brucelose e pagamento de diesel. Ele espera que os novos convênios incluam veterinário e agrônomo. “Os produtores do nosso município estão fazendo grandes investimentos em novas tecnologias e genéticas, mas isso não é visto pelos meios de comunicação do nosso município”, diz Benoni.
Cuidados com os golpes na internet A pandemia do novo coronavírus afetou a rotina de toda a população. Com o distanciamento social, cuja finalidade é evitar a rápida propagação do vírus causador da Covid-19, as pessoas, em todo o mundo, tiveram de se adaptar a novos hábitos e rotina e criaram meios de consumo e de trabalho através da internet. Segundo dados da Anatel (Agência de Telecomunicações), o uso da internet no Brasil aumentou entre 40 e 50%. Com esse aumento, cresceu também o volume de compras e de transações on-line e, consequentemente, os golpes contra o consumidor ficaram cada vez maiores. Diversas fraudes começaram a ser praticadas e os criminosos se aproveitam da situação de vulnerabilidade das pessoas, valendo-se da criatividade para enganar suas vítimas. Golpistas fazem com que o usuário acredite na informação que recebe por e-mail ou mensagem no celular. Pelo conteúdo recebido, são obtidas informações sigilosas. É necessário, portanto, desconfiar se o produto que está sendo oferecido é muito bom, mesmo que a mensagem tenha sido recebida de amigos. Investigue sempre o endereço da empresa mencionada nas mensagens recebidas ou contate fontes oficiais ligadas a elas. Algumas dicas para não cair nos golpes da internet • Preste atenção ao endereço do site ou do e-mail recebido. Golpistas enviam mensagens por e-mail com layout muito parecido com o original da empresa. Ocorre que o link é encaminhado para um site diferente e o e-mail tem um domínio comum. Nesse caso, verifique se o link recebido começa com https e se possui um símbolo de cadeado. • Não passe suas informa-
ções pessoais em sites e aplicativos que não conheça, nem encaminhe fotos de cartão de crédito, senhas, códigos de segurança. • Não encaminhe códigos de segurança e autenticação e desconfie de mensagem, mesmo que sejam de pessoas conhecidas. Já ouviram falar no golpe do WhatsApp? O usuário do aplicativo recebe um código e alguém entra em contato avisando que a mensagem era para outro número, solicitando que a vítima compartilhe o referido código. O problema é que o código foi enviado para a pessoa certa e os ladrões utilizam o número para cadastrar o telefone do usuário em outro aparelho, invadindo o WhatsApp e conversando com todos os contatos de forma normal. Assim, conseguem aplicar golpes pelas conversas. • Preste atenção para não cair no “golpe do boleto”. Ao receber um boleto para pagamento, confira os dados do beneficiário, CPF, CNPJ. Os primeiros dígitos do código devem coincidir com o do banco emissor. Além disso, existem vírus que agem no momento da impressão. Verifique todas as informações contidas. • Cuidado com o golpe do Caixa Tem. Criminosos encaminham mensagens sobre o auxílio emergencial, solicitando que o usuário acesse um link e preencha um formulário para saber se tem direito ao saque. Ao preencher as informações, os dados da vítima são roubados. • Desconfie de qualquer solicitação de documentos, informações, envio de dados; evite armazenar dados de cartões em dispositivos eletrônicos e fique atento às situações que possam se constituir em fraude, a fim de evitá-las ao máximo. * Advogada
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CRÉDITO
Crédito Automático: facilidade e rapidez na hora do aperto O ano de 2020 está aí pra provar que não dá pra prever ou planejar tudo. Algo que inclui a vida financeira. É claro que organizar bem o que entra e sai do bolso faz parte de um gerenciamento sustentável das economias. Mas imprevistos acontecem e,nessa hora, o Sicoob Credivertentes também pode te ajudar de maneira super prática - inclusive sem sair de casa. Estamos falando sobre o Crédito Automático, dinheiro rápido para usar como quiser, na hora em que mais precisar, sem análises e garantias, com taxas a partir de 1,72% ao mês. “Essa modalidade é muito atrativa porque oferece facilidade e ausência de processos burocráticos em uma mesma solução financeira. Nosso próprio sistema, a partir de cruzamentos de fatores, modelos estatísticos, informações da nossa carteira e dados do associado, calcula o que pode oferecer a ele naquele momento”, comenta o gerente de Negócios da Credi, Marcelo Costa. COMO FUNCIONA É possível conferir se há ou qual o limite liberado pra você através de nossos Caixas Eletrônicos, via Internet Banking ou na palma da mão, acessado o App Sicoob. No aplicativo, as informações são obtidas acessando o Menu na parte superior da tela e escolhendo a opção Crédito. Ao clicar ali, aparecerá a barra de Crédito Automático onde poderá conferir o total disponível, as condições e taxas oferecidas. Além disso, dá pra simular seu empréstimo ou mesmo contratá-lo definindo o total de parcelas (que podem chegar a 36) e a data de vencimento de cada uma. Feito isso, o dinheiro é transferi-
do na hora para sua Conta Corrente e os débitos passam a ser realizados de maneira automática. Em caso de dúvidas, entre em contato com a agência da sua comunidade. POSSIBILIDADES A gerente de agência em São Tiago, Lidiane Reis, lembra que a linha de Crédito Automático é socorro importante para imprevistos financeiros que não têm hora nem lugar: uma compra imediata a ser feita para implementar algum projeto; um incidente que envolva pagamentos urgentes; uma oportunidade com custos fora do orçamento que você não pode perder. Na Pandemia causada pelo novo Coronavírus, aliás, várias situações vieram à tona com demanda de capital tanto em empreendimentos quanto no cotidiano. Sim, o Crédito Automático é democrático. “Ele é ideal para Pessoas Físicas e Jurídicas relacionadas a micro e pequenos negócios. Justamente por causa do atual momento, temos conversado e elucidado todos os detalhes dessa solução a diferentes associados que possam se interessar ou precisar dela”, diz Lidiane. PORTFÓLIO Vale lembrar que o Sicoob Credivertentes conta com Linhas de Crédito completas para diferentes perfis de associados e necessidades. Dá pra antecipar o 13º Salário e a restituição do Imposto de Renda; ter recursos para realizar sonhos ou cumprir metas pessoais com o Consignado; obter uma injeção financeira para impulsionar o Capi-
tal de Giro do seu negócio; investir em maquinário e culturas do seu empreendimento rural. Para outras informações, entre em contato com sua agência de relacionamento. Em Resende Costa nosso telefone é (0**32) 3354-1040.
REFLEXÕES por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração
COOPERATIVISMO E REALIZAÇÃO DE SONHOS COMUNS Devemos buscar, em nossas atitudes cotidianas, o bem comum; uma sociedade mais justa, pluralista, fraterna, próspera. A humanidade acha-se em processo de contínua criação e aprimoramento, tendo o Criador colocado, à nossa disposição, excepcionais talentos e instrumentos como fé, idealismo, solidariedade. Nos cabe utilizá-los a cada instante e assim compormos um mundo mais equânime, capaz de propiciar realização de sonhose grandeza a todos –não apenas a alguns. Cabe-nos, pois, abrir caminhos, integrar esforços e avivar a lâmpada da vida mediante os valores da Cooperação, da Justiça e da ação conjunta. Assim, reduzem-se desigualdades sociais, gera-se trabalho e empregabilidade, acesso à Educação, à Cultura, à Economia Criativa. Um exercício árduo, mas gratificante, que nos leva a abrir veredas numa sociedade ainda composta, em grande parte, por individualistas e ególatras. Afinal, como defendeu o inolvidável João Paulo II, “se queremos chegar à nascente, temos que subir e enfrentar as correntes”. E como bem disse Martin Luther King, “mesmo que dissessem que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim eu plantaria a minha macieira”. Assim, a chama do ideal cooperativo deve ser mantida sempre acesa, mesmo entremeio aos nevoeiros, obstáculos e às nossas singularidades. Reunidas, elas geram a magnânima sinfonia do progresso, da paz. Lembremos que as cordas da lira são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia musical; assim como as colunas do templo erguem-se a certa distância, mas sustentam todo o edifício.
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De olho na cidade
Resenha
EDÉSIO DE LARA MELO
CAMILA CHAVES
Os resende-costenses, nos anos iniciais da década de 1960, vivenciaram dois acontecimentos importantes que movimentaram a cidade. O prefeito Adenor de Assis Coelho e o vigário Monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira, dois líderes do município, envolveram todos os munícipes nas cerimônias de inauguração da rede elétrica da Cemig, em substituição a da Athur Azevedo, em 1962. Alguns dias após a inauguração dos serviços da Cemig na cidade, eu voltava de Belo Horizonte, junto com a minha mãe, no carro do Tio Resende (Antônio de Lara Resende). Viemos num Chevrolet preto, novinho. Lá do Alto do Jacarandá, já era noite, eu gritei: Olha, mãe, a luz da Azevedo parece uma lamparina perto da luz da Cemig. E parecia mesmo. Foi um momento rico, com a melhoria significativa dos serviços que mudaram completamente a vida de todos em Resende Costa a partir de então. No ano seguinte, foi a vez de a cidade parar para acolher, com grande festa, a imagem de Nossa Senhora de Fátima e colocá-la na gruta localizada nas lajes de cima. A gruta foi construída pelo meu pai, o pedreiro Geraldo Melo. Na cidade todos o chamavam de Geraldo Corina. Quem se incumbiu de organizar a chegada da imagem foi Fernando Macedo, um parente da minha avó Nhazinha, Heloísa Macedo Lara. Foi uma das maiores festas que eu presenciei na cidade. Ela ocorreu no dia 17 de agosto de 1963, um sábado à noite, há 57 anos, com bênção realizada durante as Missões dos Padres Capuchinhos na cidade. O povo todo foi para a avenida Expedicionários para receber, em grande estilo, a imagem da Virgem de Fátima. Apesar da minha pouca idade e dos muitos anos passados, eu não vi apagar da memória as imagens que guardei desses dois momentos. Naquela época, a principal avenida de acesso ao centro da cidade era a dos
Fotos: André Eustáquio
Nomes de ruas e a memória perpetuada
Avenida Ministro Gabriel Passos, em Resende Costa
Gruta de N. Sra. de Fátima, localizada no Mirante das Lajes
Expedicionários. A justa homenagem foi dada em memória aos soldados brasileiros que estiveram em batalha no norte da Itália a partir de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Depois de instalada a Cemig em Resende Costa, o nome da avenida mudou, passando a se chamar “Avenida Ministro Gabriel Passos”. Gabriel de Resende Passos (Itapecerica-MG, 17/03/1901 – Rio de Janeiro, 19/06/1962) foi advogado, jornalista e político eleito quatro vezes deputado federal. Foi ainda secretário do Interior e de Justiça do Estado de Minas Gerais, Procurador-Geral da República, ministro de Minas e Energia e o responsável direto pela criação da Eletrobrás. O reconhecimento pelos seus trabalhos resultou que, em várias cidades, há avenidas, praças e escolas que levam seu nome. Para os Expedicionários, restou o nome do principal time de futebol da cidade, a rua onde moro e o campo de
futebol. Já a atual praça Nossa Senhora de Fátima, até o ano de 1963, não tinha nome. Era um espaço no qual os jovens da cidade jogavam vôlei. E, também, o lugar ideal para apreciar o ainda belo pôr do sol quando não existia a feiosa caixa d’água da Copasa. Com a chegada da imagem da Santa e a construção da gruta, deram-lhe o nome de “Praça Nossa Senhora de Fátima”. Desde então, o local tornou-se ponto de visita de muitas pessoas que ali param para uma breve oração e apreciação das belezas que a natureza nos oferece. Resende Costa, segundo dados da Prefeitura Municipal, tem cadastradas 364 ruas e avenidas e 18 praças. Os logradouros do distrito de Jacarandira fazem parte desse total. Também integram esse número as ruas e espaços públicos, ainda sem nomes, dos novos loteamentos que já foram construídos na cidade. Oportunamente,
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JL recomenda: “Turismo Macabro” Turismo Macabro é uma série documental produzida em 2018, cujo enredo principal trata da saga de um jornalista neozelandês chamado David Farrier, que viaja pelo mundo visitando pontos turísticos que contêm algumas histórias sombrias e inusitadas. Segundo David, ele sempre foi atraído pelo lado bizarro da vida. Então, decidiu investigar e se igualar às pessoas que viajam pelo mundo procurando destinos excêntricos e evitando o comum. Na série, ele visitou o México, Japão, EUA, Cazaquistão, Indonésia, entre muitos outros países. No primeiro episódio, David visita Medellín, na Colômbia, e vai até a prisão onde Pablo Escobar esteve preso entre junho de 1991 e julho de 1992. Lá, o jornalista é guiado por Poppeye, Jhon Jairo Velásquez, um dos maiores capangas do narcotraficante. Também participa de uma simulação para atravessar a fronteira México–EUA ilegalmente. É uma atuação muito real, na qual os turistas são ameaçados com armas enquanto estão
a Câmara Municipal deverá aprovar nomes de políticos, de religiosos, professores, artistas, santos e santas para esses logradouros. A intenção é a de que os agraciados não caiam no esquecimento, que seus atos permaneçam vivos na memória do povo. Afinal, em se tratando de pessoa, principalmente o nome de rua tem um significado simbólico enorme: significa que há um consenso social de que a pessoa agraciada deve ser
deitados no chão. Segundo ele, o intuito do passeio é desencorajar a população e mostrar o quanto a travessia da fronteira é perigosa. Essas são apenas duas das visitas que ele realiza. Entre as outras, há um passeio até a floresta de Aokigahara, no Japão, muito conhecida pelo número de suicídios já realizados no local. Ele conhece também, em outro destino, pessoas que bebem o sangue umas das outras; um lago formado por uma explosão atômica, onde as pessoas nadam e pescam; passou pelo trajeto realizado pelo ex-presidente dos Estados Unidos John Kennedy no dia do seu assassinato; entre outros lugares. Com alguns episódios muito mais interessantes e relevantes do que outros, David usa uma maneira descontraída para retratar as situações bizarras que são divididas em oito episódios. Por não serem episódios muito grandes, são fáceis de “maratonar” e também muito válidos para quem se interessa pelo tema “viagem a lugares inusitados”.
homenageada e sua memória perpetuada. Enquanto isso, a Avenida Ministro Gabriel Passos, que passou por obras de revitalização, está linda. Dá gosto vê-la como está. Porém, a Gruta de Nossa Senhora de Fátima, lugar de oração para muitos fiéis, espera por obras simples: limpeza geral, pintura, iluminação adequada e recuperação da fonte luminosa que está sem funcionar há décadas.
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ANO XVII Nº 208 - AGOSTO 2020
Retalhos Literários EVALDO BALBINO
Vó Quinha Lá em casa, a todos os rebentos do seu primeiro filho (Jesus – conhecido em Resende Costa por Didi Pedreiro) ela dava um apelido. Do mais velho ao mais novo: Elias (Nonô), Elton (Erto), Hélia (Fia), Edinéia (Néia), Edinei (Dola), Everaldo (Raldo – já falecido), Edicéia (Céia), Evaldo (Vardo), Elenice (Nice – também falecida) e Aline (Linda). Seu nome de batismo era Francisca. Mas para todos, dona Quinha. Tinha alguns dedos meio tortos, pela vida que levara desde nova trabalhando no fogão a lenha e na friagem. Com os choques térmicos no corpo frágil, foi tendo problemas nos dedos com o tempo, mas isso nunca a impediu de trabalhar. Certa feita, quando ainda jovem, ela segurava no colo um irmão mais novo (o tio Bastião), e uma roda de carro de boi passou-lhe sobre o pé esquerdo. Fez-se um corte fundo e de fora a fora, curado ali mesmo na roça com remédio caseiro, chá de horta,
unguento e sal. Curou-se do acidente, mas sempre levou pela vida uma cicatriz no peito do pé. Desde pequena, católica. Quando ouvia sobre Deus, erguia as mãos para o alto, conversando com o Ser Superior. E sempre foi benzedeira. Benzia com folhas de arruda os maus-olhados, as dores tantas, as febres. E não cobrava pelo bem que buscava fazer a todos. Também benzia enfermos com garrafa d’água nas suas cabeças. Punha sobre elas um pano em rodilha e em cima dele uma garrafa cheia de água com o bico para baixo. O pano impedia a saída do líquido. E ela ficava ali, segurando a garrafa com a mão esquerda e com a direita fazendo o sinal da cruz na testa do adoentado. Certo dia, quando a tarde se ia embora e a noite quase se avizinhava do Ribeirão de Santo Antônio, a tia Fiinha, irmã de minha mãe, chegou à casa da vó Quinha. Chegou fazendo careta, chorando dores,
dizendo estar passando mal com uma enxaqueca das bravas. Vó Quinha não titubeou: a tia sentou-se sobre a cama do quarto de hóspede, perto da cabeceira, e a benzedeira em pé no seu ritual. Apoiou firme o pano no cimo da cabeça da enferma, colocou ali a garrafa d´água de bico para baixo, e foi gesticulando a cruz na testa da doente e dizendo convicta uma reza lá sua bem peculiar. Num trecho da prece, sua boca falou seriamente “Santa Maria sentou na pedrinha fria”, e do lado de fora da janela do quarto um dos netos lhe respondeu gritando: “Coitadinha, gelou a bundinha!”. Foi uma lamentação só a da vó Quinha! A Virgem Maria e Deus perdoariam aquela blasfêmia, porque o garoto era novo, aparentemente ingênuo em relação à fruta proibida que Adão e Eva comeram apesar de contrária ordem. Era católica desde sempre. Mas depois de muitos netos vindos ao mundo, tornou-se evangélica. Seguiu o
mesmo caminho que sua mãe Olívia trilhara anos atrás. Apesar de evangélica, nunca deixou o hábito de amar as folhas de arruda. Gostava muito de flores e ramas e as arrebanhava em muda onde quer que as visse, para levá-las e plantá-las no seu quintal. As folhas de arruda iam direto para a sua proteção, entre as orelhas e os fios de cabelo liso bem rentes à cabeça e puxados para trás num rabo de cavalo ou num coque. De vez em quando as tais folhas tinham ainda a função de bendizer outras pessoas que não ela. Afinal, quem com o dom nasce, com ele permanece para sempre. E se dizia muito “ai, meu Deus!”, também soltava de vez em quando um “Nossa Senhora!” quando com algo se espantava. Quando ela ainda morava no Ribeirão e nós já tínhamos mudado para a vila (Resende Costa), fui muitas vezes à sua casa. Era lá que eu vivia entre mato e céu. E foi lá que um dia ela pediu que eu lhe desse meu
vidro de xampu. Alguns anos depois, voltando lá, fui encontrar o vidro intacto, guardado debaixo de um colchão de palha. Me disse que só o usaria quando carecesse. Depois disso, em meados dos anos 1990, meu pai a buscou lá do Ribeirão, e ela e o vovô Geraldo, seu marido, passaram a morar na rua da nossa casa. Logo depois vim para Belo Horizonte. Quando ainda fazia menos de um ano do falecimento do vovô, fui a Resende Costa e a visitei. Na saída, ela me chamou pela janela da sala, eu já estando na rua, e me pediu que, quando voltasse, levasse-lhe balas e das bem doces. Prometi que levaria. Mas não levei. O meu próximo retorno à cidadefoi para o seu velório. Uma dor nos atravessando a todos, muita gente, uma chuva forte na caminhada para o cemitério. Fiquei o tempo todo ao lado do meu pai, o Didi Pedreiro, homem forte nas perdas da vida.
Trilha Sonora RENATO RUAS PINTO
A pandemia e as artes Infelizmente escrevo esta coluna ainda vivendo sob o fantasma de uma pandemia sem precedentes. Além de estarmos pagando o mais alto dos preços – a perda de vidas – estamos assistindo a uma crise social sem tamanho, com várias pessoas perdendo todo o seu sustento porque suas profissões demandam exatamente aquilo que precisa ser evitado neste momento: o contato social. Uma das categorias mais afetadas é a dos profissionais envolvidos com artes e entretenimento. Sem shows e com teatros e cinemas fechados, há uma enorme massa de profissionais que do dia para a noite perdeu todas as possibilidades de trabalho. Aí alguém pode lembrar que estão acontecendo transmissões ao vivo, as lives, além dos vídeos no YouTube ou outros canais que remuneram os artistas. Sim, é fato que todo dia tem uma live rolando... e algumas excelentes, por sinal. Porém, alguns esclarecimentos são necessários. O primeiro diz respeito ao modelo de remuneração de canais como You-
Tube ou o streaming (Spotify, Deezer e afins). Todos pagam aos artistas somente frações de centavos por execução de música ou vídeo, de modo que só ganha dinheiro para valer quem consegue ter seu material visto ou ouvido centenas de milhares ou milhões de vezes. Assim, quem consegue faturar nessas mídias são aqueles que já possuem grande público e, provavelmente, têm menos problemas financeiros para atravessar a pandemia. O segundo esclarecimento é definir o que é o segmento de artes, cultura e entretenimento. É muito fácil lembrar-se do artista que está em destaque no palco. No entanto, existe toda uma indústria ao redor para fazer a máquina andar. Além dos músicos de apoio ou banda, ainda temos os profissionais da iluminação e som e os responsáveis por cenário, figurino e maquiagem. E há funções de apoio importantes, como os funcionários do espaço de shows (da portaria à manutenção e limpeza), o transporte de artistas e equipamentos, as
equipes de marketing e vendas de ingressos. Vale contar até os atendentes da lanchonete do teatro. Pesquisas mostram que esse setor da economia tem o tamanho próximo ao da nossa indústria automobilística em termos do dinheiro que ele movimenta. Daí podemos concluir o tamanho do estrago e a quantidade de profissionais e famílias afetados pela pandemia e que não podem se virar com lives e/ou com a venda de músicas. E para minimizar o impacto da crise, o que podemos fazer para apoiar o setor? Como país, precisamos garantir que esses profissionais estejam incluídos nos programas assistenciais do governo. Felizmente, alguns artistas de envergadura, como Milton Nascimento e Gilberto Gil, ajudaram com lives beneficentes a fim de angariar fundos para ajuda aos profissionais das artes. Então fique de olho nesses eventos e, se possível, contribua. Por fim, você pode contribuir também diretamente com os artistas independentes.
Voltando à questão da remuneração dos artistas, a internet nos trouxe uma facilidade de acesso à informação, porém trouxe junto um pensamento não muito correto de que agora tudo tem que ser gratuito. Conhecimento, música e notícias ao alcance do clique e sem custos. Se por um lado isso teve um efeito positivo de democratizar o acesso às artes e à cultura, por outro causou um impacto muito grande em quem produz conteúdo, seja ele música, livro ou até mesmo jornalismo. A produção de conteúdo de qualidade demanda dinheiro, seja para contratar músicos para o estúdio ou até mesmo para manter uma página na internet. Falando especificamente de música, se a pirataria praticamente matou a venda de música em discos – até a venda de mp3, como o iTunes, que permaneceu por muito tempo e já não existe mais – o artista passou a depender quase exclusivamente da renda de shows. Hoje, sem o show remunerado, é hora de mudarmos a nossa postura de consumidor e valori-
zar o trabalho dos profissionais. Por exemplo, comprando música como fazíamos antigamente. Alguns artistas têm feito pré-venda de seus trabalhos antes de disponibilizar no streaming. Outro dia, vi um artista anunciando um novo álbum, mas somente com venda pela internet. E deixou claro que não iria disponibilizar no Spotify tão cedo. Enfim, creio que é hora de repensarmos nossa atitude e valorizar o trabalho dos artistas e autores, em especial os pequenos e independentes. Valorize o artista independente de sua preferência comprando sua obra, seja um livro, sua música ou quadros. Se você gosta do que ele ou ela produzem, só assim podemos mantê-los capazes de nos alimentarem com sua arte – alimento mais que essencial para a alma. E não se esqueça de atitudes simples e que ajudam a dar visibilidade ao trabalho deles: assinar canais no YouTube, curtir e divulgar nas redes sociais. Não custa nada e ajuda a aumentar a visibilidade de quem merece e precisa.
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ESPORTE
Liga de Futebol 7 é criada na região do Campo das Vertentes Expedicionários e Ponte Cachoeira representam Resende Costa na competição VANUZA RESENDE
Que o futebol está entre as inúmeras paixões nacionais, não há dúvidas. Pelo contrário, há uma série de evidências. Mas além do futebol tradicional, que é disputado com 11 jogadores de cada lado, existem também outras modalidades que fazem sucesso, como o Fut7. Com dois tempos de 25 minutos e sete jogadores de cada lado em um campo de grama sintética, menor do que o campo tradicional, o F7 tem atraído cada vez mais participantes. Em 1996, foi fundada a Confederação Brasileira de Futebol 7 e desde então os estados brasileiros contam com suas próprias federações. Além das ligas estaduais, foram formadas também as ligas regionais. Em Minas Gerais, existem mais de dez. Uma das mais recentes é a Liga Vertentes de Futebol 7, criada em maio deste ano com o objetivo de organizar competições de Futebol 7 envolvendo equipes de toda a região. A Liga já nasceu filiada a duas instituições de maior representatividade no país: a FF7MG (Federação de Futebol 7 de Minas Gerais) e CF7 Brasil (Confederação de Futebol 7 do Brasil). Um dos gestores da Liga das Vertentes, Luiz José da Fonseca Neto, explica como surgiu o grupo: “Eu sou presidente do clube Aimorés, de Tiradentes, e nós estamos com um campo society concluído. Então, junto com a Federação Mineira de Fut7 e com a Confederação Brasileira de Fut7, criei a Liga das Vertentes, que vai abranger cerca de 13 cidades da região. A intenção é dar visibilidade ao Fut7 na região.” De acordo com Luiz, embora ele seja presidente do Aimorés, a Liga é totalmente independente do clube tiradentino que ele preside. A Liga Vertentes F7 organizará torneios e os melhores times vão representar a região em torneios estaduais e nacionais. “A gente vai realizar um torneio com primeira e
segunda divisões, sendo que os dois primeiros colocados vão disputar o Campeonato Mineiro, com possibilidade de disputar o Brasileiro. Por sua vez, quem ganhar o Brasileiro terá a possibilidade de disputar a Libertadores do F7. É um projeto ambicioso, extenso e queremos ser os pioneiros da região”, diz Luiz Neto. A competição conta com organização profissional, porém acontece entre times amadores. Os campeões amadores têm a chance de disputar ligas profissionais enfrentando times tradicionais como Cruzeiro, América e Betim, no Mineiro. Corinthians, São Paulo, Palmeiras são alguns clubes no cenário nacional. Luiz explica: “Os dois times que ficarem mais bem colocados na Liga das Vertentes terão a oportunidade de disputar o Campeonato Mineiro Amador. Existe uma diferença que eles chamam de times sem camisa e times de camisa, amadores e profissionais. Então, o campeão do amador garante uma vaga para disputar ao lado de equipes tradicionais que disputam a liga profissional do estado, o que eles chamam de time de camisa.” De acordo com Luiz, criando uma liga forte, a região poderá sediar outros campeonatos. “Podemos ser sede para campeonatos como o Mineiro e o Brasileiro, tudo em médio e longo prazos. Vamos negociar com municípios da região para usarmos os campos que possuem a medida exigida (pelo regulamento). A nossa intenção é dar visibilidade aos pequenos times, mas com muita seriedade, cumprindo todas as regras.” EXPEDICIONÁRIOS E PONTE CACHOEIRA REPRESENTAM RESENDE COSTA Até o final de julho, 28 times já haviam se filiado à Liga das Vertentes, o número pode chegar a 32 equipes. Entre os times que fazem parte da liga regional, estão dois de Resende Costa: Expedicionários e Ponte Cachoeira. Paulo Ricardo, que integra a diretoria dos dois clu-
bes resende-costenses, fala sobre a expectativa das equipes de participarem da Liga. “Uma vez que a Liga será regionalizada, nós nos filiamos a ela. Dessa forma, vamos aprimorar a disputa do Fut 7 na cidade. Alguns municípios da região já contam com campos sintéticos e nós sempre participamos de amistosos nesses campos. A criação da Liga, bem como a filiação da mesma a entidades maiores, é uma forma de incentivar ainda mais a prática esportiva”, destaca Paulo. CAMPEONATO PÓSPANDEMIA A nova entidade esportiva já trabalha com o objetivo de movimentar equipes e organizar competições após o período da pandemia de Covid-19. O objetivo dos gestores é que seja realizado um campeonato de primeira e segunda divisões assim que possível. “Nós vamos fazer primeira e segunda divisões simultaneamente. Ainda estamos definindo os critérios para ver quem vai para a segunda e quem vai participar da primeira divisão. Mas, num primeiro momento, os clubes vão poder escolher em qual divisão eles querem entrar. Os times, espontaneamente, vão poder decidir. No entanto, se tivermos um número grande (de times) em uma divisão e um pequeno na outra, nós vamos levar em consideração a tradição dos clubes para ficarem na primeira”, planeja do Luiz Neto. Servindo de aquecimento para esses campeonatos, foi criado um torneio virtual com direito a votação do público nos times já filiados à Liga. “Nós lançamos o campeonato virtual para divulgar a nossa Liga. Vimos uma Liga da região do Vale do Aço que fez esse campeonato virtual, então a gente juntou os 22 times filiados na época. Foi uma disputa de torcidas, com o pessoal votando no time que gostava para ser o campeão. Tivemos uma interação legal com o pessoal e o ganhador faturou um troféu. O Aimorés, de Tiradentes, foi o campeão”, explica Luiz.
RELIGIÃO
Diocese de São João delRei autoriza retomada das celebrações religiosas com presença dos fiéis nas igrejas DA REDAÇÃO
Após quatro meses de suspensão, a Diocese de São João del-Rei autorizou a retomada das celebrações religiosas com presença dos fiéis nas igrejas, após uma reunião remota, realizada no último dia 5, pelo bispo diocesano dom José Eudes Campos do Nascimento, juntamente com o vigário-geral, padre Geraldo Magela, e membros do Colégio de Consultores e do Conselho Presbiteral. A medida passa a valer a partir do dia 15 de agosto. De acordo com o decreto assinado por dom José Eudes e pelo vigário-geral, o limite de lotação para cada celebração deverá ser de 30% da capacidade do templo, assegurando também a distância de dois metros entre os participantes das missas. Segundo as recomendações, as missas devem ter, no máximo, uma hora de duração e a comunhão deve ser ofertada, única e exclusivamente, na mão dos fiéis. O uso de máscara é obrigatório no interior das igrejas. As coletas e o dízimo deverão sempre ser entregues ao final da solenidade. A recomendação é que pessoas idosas e com fatores de risco ainda não participem presencialmente das celebrações. O documento ressalta também que as transmissões das missas pelas mídias sociais serão mantidas a fim de que todos tenham oportunidade de assistir a elas. Procissões e missas campais continuam suspensas, assim como as missas de corpo presente. Neste caso, segue em vigor a prática da encomendação no local do velório. Atividades pastorais, como encontros de oração, catequeses e reuniões, permanecem proibidas. Para participar das celebra-
O Expedicionários participou do campeonato e chegou à semifinal, sendo eliminado pela equipe União de São Tiago. Os interessados em se filiar à
ções, os fiéis devem fazer um agendamento nas secretarias paroquiais. Em missas com intenções, como aniversário, bodas e sétimo dia, a prioridade deverá ser para os familiares, informa o decreto da diocese, que esclarece também como deve ser organizado o fluxo de pessoas dentro das igrejas, tanto na entrada quanto na saída das missas. O decreto divulgado pela Cúria Diocesana ressalta que, diante de um possível agravamento da pandemia na região, as atividades religiosas devem ser suspensas novamente. Em Resende Costa, o prefeito municipal Aurélio Suenes publicou o decreto nº 228, de 6 de agosto de 2020, no qual o município autoriza a reabertura de igrejas e templos. De acordo com o documento, missas e cultos religiosos poderão contar novamente com a presença física dos fiéis, desde que as igrejas sigam o protocolo de segurança, que recomenda distanciamento de dois metros entre as pessoas, uso constante de máscaras e de álcool em gel, entre outras medidas. É importante destacar que celebrações com participação das pessoas nos templos só acontecerão se as autoridades municipais de cada localidade autorizarem. “Nas cidades e paróquias onde não seja possível a retomada das celebrações em virtude de legislação local, sejam observadas as recomendações das autoridades locais e sanitárias”, ressalta o decreto da Diocese de São João del-Rei. Há cidades na região, como Prados e Ritápolis, onde não foi autorizada a retomada de celebrações religiosas com presença dos fiéis no interior das igrejas. A íntegra do decreto 228 está publicada no site oficial da Prefeitura Municipal de Resende Costa (www.resendecosta.mg.gov.br).
Liga Vertentes de Futebol 7 podem entrar em contato através dos telefones:(32) 98494-1888; (32) 999390821. Também é possível fazer contato pelo Instagram @F7vertentes.