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Edição 207 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVII

• JULHO 2020 • Nº207

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Artesãs resende-costenses confeccionam o tapete arraiolo

Foto: Fernando Chaves

Eleições municipais em tempos de pandemia Nesta edição, o JL inicia uma série especial sobre as eleições, começando com depoimentos de representantes de organizações da sociedade civil, ligados às áreas de artesanato, cultura, comunicação e meio ambiente. PÁG 12 Alguns encontros do grupo acontecem no Mirante das Lajes

Especial Como forma de manter o comércio em atividade, proprietários de bares e restaurantes em Resende Costa encontraram no delivery uma opção prática, criativa e segura PÁG 07 e 08

Em 2019, a artesã Rosely Antunes teve a ideia de confeccionar um novo tapete

em Resende Costa, utilizando como matéria-prima o mesmo material que consa-

grou o artesanato produzido na cidade e que atrai turistas de diversas cidades do país

e do mundo: o retalho. PÁG 15

Cuidado: queimada é crime! A chegada do inverno e do período da estiagem, que se prolonga até meados de setembro, coincide também

com a antiga e perigosa prática das queimadas. Infelizmente, ainda há quem ignora o perigo do fogo e realiza

queimadas em terrenos rurais e lotes urbanos sem o devido cuidado, colocando em risco o meio ambiente e a vida das

pessoas. Leia também artigo do professor do CEFET-MG, Adriano Valério Resende. PÁG 10


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EDITORIAL A injustiça grita na cultura do silêncio

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A onda de protestos que correu diversos países do mundo devido ao assassinato covarde do afro-americano George Floyd, no último 25 de maio, em Minneapolis (EUA), pelo policial branco Derek Chauvin, despertou diversos sentimentos e reações em milhares de pessoas que, indignadas, lotaram as ruas das principais metrópoles do planeta reivindicando justiça e clamando basta a todas as formas de opressão e discriminação. Imobilizado, deitado de bruços sobre o asfalto de uma rua na cidade americana de Minneapolis e com o pescoço submisso ao joelho avassalador e cirurgicamente mortal de Chauvin, Floyd suplicava: “não consigo respirar”. Essa frase breve, quase rouca, inaudível e ofegante, tornar-se-ia um hino contra a discriminação, a covardia e a injustiça. O policial Derek Chauvin – que teve outros companheiros de farda como testemunhas – talvez tivesse imaginado que a sua covarde ação não causaria nenhuma repercussão além do pequeno círculo que se formou em torno da viatura policial que ostenta o nome da cidade americana. Na concepção do policial branco, Floyd seria mais um negro infrator da ordem a ser exemplarmente silenciado. Mas só que não. A cena foi gravada e as imagens chegaram imediatamente aos quatro cantos do planeta. O episódio de Minneapolis acendeu também a reação das pessoas contra a inércia das autoridades e instituições ante as diversas formas de preconceito e discriminação. As multidões que saíram às ruas nos Estados Unidos e em diversos países do mundo – ignorando, inclusive, a pandemia e os altos riscos de contaminação pelo coronavírus – abriram um grande portfólio de reivindicações em seus protestos. Sob o lema “vidas negras importam”, o coro de vozes quis dizer que todas as vidas são importantes e preciosas, independentemente da cor da pele ou dos olhos. A sociedade que se levantou raivosa, derrubando estátuas de escravagistas e de colonizadores do passado e que hoje ornamentam, heroicas e gloriosas, jardins, museus e praças das nossas metrópoles, mandou um recado claro: chega de opressão, de submissão e injustiça. A sensação é visceral: covardia e injustiça despertam em nós um sentimento primitivo e reativo de indignação. Quando somos vítimas ou assistimos a outras pessoas sofrerem passivamente os efeitos de atitudes covardes e injustas, sentimos náusea e tendemos a cobrar das instituições os princípios elementares da ética que rege a vida numa sociedade organizada. Se isso não acontecer, voltaremos (ou não sairemos) do estado de barbárie no qual somente elites privilegiadas encontram voz, oportunidades e amparo. Por detrás da covardia e da injustiça sempre se esconde a cultura do silêncio. Ditadores agem protegidos pelas paredes dos porões da cumplicidade; patrões autoritários demitem impiedosamente seus funcionários cercados pelo silêncio obsequioso e interesseiro do seu séquito de bajuladores. É essa a infame engrenagem da qual aproveitam os vocacionados ao autoritarismo. O silêncio e a falta de transparência, sobretudo em instituições que regem a vida social, azeitam a engrenagem que move e faz circular ininterruptamente o carrossel da covardia e da injustiça. Mesmo que sufocado pelo joelho do policial branco, o negro George Floyd encontrou forças para balbuciar uma súplica que pode mudar para sempre a engrenagem da cultura do silêncio que ainda impera na índole de muitas pessoas e rege instituições, famílias e nações. A frase “Não consigo respirar” abriu os pulmões de centenas de milhares de pessoas no mundo inteiro que, com sangue nos olhos, reagiram contra a injustiça, gritando basta à sociedade opressora. Na era da tecnologia e da informação rápida, não há mais espaço para a cultura do silêncio. O policial Derek Chauvin pensou que esconderia sua ação criminosa sob seu joelho e por trás de uma viatura da polícia de Minneapolis. Seu intento, no entanto, foi desvelado por minúsculas câmeras de celulares que captaram também o áudio baixo, porém revolucionário, de uma voz que, já quase sucumbida pelo peso da morte, encontrou forças para, quem sabe, sepultar para sempre a infame cultura do silêncio que encobre e protege a covardia, a injustiça e a discriminação.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Alguma coisa vai mudar? Nesse tempo de pandemia, uma pergunta não nos abandona: quando tudo isso acabar, vai mudar alguma coisa em nossas vidas? Para muitos, tudo continuará como sempre. Para outros, não. No meu campo específico de conhecimento, educação e escola, tenho absoluta convicção: é preciso mudar. Se vai, não sei. Mas que seria preciso, não tenho dúvida. Faço algumas considerações relativas apenas ao aprendizado, nos níveis Fundamental II e Médio da rede pública. O que fazer? Em primeiro lugar: foco absoluto na leitura. Leitura como capacidade de interpretação, de crítica, de dedução, de indução, de criatividade, como competência para dizer com as próprias palavras o que se leu ou ouviu. Leitura é tudo isso. Longo aprendizado, indispensável num mundo bombardeado com tanta informação. Leitura para se saber ler a vida. Em segundo lugar: foco nas quatro operações da matemática. Saber que as pessoas se servem de tal conhecimento o tempo todo na vida: sempre se está fazendo cálculo, organizando tempo e espaço, equacionando

ofertas que se apresentam a cada instante, ponderando oportunidades. Foco nessas duas áreas, sem brincadeira, sem concessões. Em terceiro lugar: reduzir drasticamente os conteúdos das muitas disciplinas. É incrível o que se oferece e se espera dos alunos. O peso das mochilas já o diz suficientemente. São programas imensos que não deixam oportunidade alguma de serem levados a efeito, seja por parte do professor, seja por parte do aluno. Em quarto lugar: trocar a metodologia do ensino. É hora de acabar com aulas para vinte, trinta alunos. Enganação. Dinheiro jogado fora. O percentual de alunos que aprendem em aula expositiva é baixíssimo. Dentre os poucos que aprendem estão aqueles que não precisariam do professor para aprender. Fazer o quê, então? É preciso criar o máximo de oportunidade de encontro entre professores e alunos. Encontros individuais ou, quem sabe, em grupos de até três. Grupos maiores já viram brincadeira enganadora. Todos sabem disso. Não é simples, mas é factível. Imagine-se um professor que dê quatro aulas por semana,

de cinquenta minutos, para vinte e cinco alunos: ele terá duzentos minutos à sua disposição. Se atendesse seus alunos individualmente, teria oito minutos para cada um, por semana. Se atendesse dois de cada vez, seriam dezesseis minutos. Se três, vinte e quatro minutos. Não tenho a menor dúvida de que tal tempo seria muito melhor aproveitado que com todos os alunos na sala de aula durante os duzentos minutos. Como é evidente, a metodologia de ensino, o material instrucional, tudo teria que ser revisto. Algumas dificuldades existem. A maior é vencer o pressuposto de que o professor ensina. Não ensina, o aluno é que aprende. O método, pois, tem que se radicar na atividade do aluno e não na do professor. A escola precisa mudar, no aspecto do aprendizado. As coisas não são simples. Mas, se a escola e o professorado quisessem, seria possível encontrar caminhos mais gratificantes para o próprio trabalho.

*Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Foto e situação do mês

Cuidados com a higienização Uma das medidas que vêm sendo amplamente divulgada pelos especialistas em saúde pública, nestes tempos de pandemia, é o cuidado com a higienização. Lavar as mãos com frequência, evitar aglomerações, não tocar os olhos e a boca são hábitos que, a partir de agora, devemos seguir e observar atentamente. A Prefeitura Municipal de Resende Costa, através da Secretaria de Saúde, divulgou em suas redes sociais, no dia 2 de julho, que a Copasa instalara diversos pontos de higienização de mãos em alguns locais da cidade. O dispositivo que libera água potável e sabão é encontrado nas praças Coronel Souza Maia (Largo do Rosário) e Cônego Cardoso (próximo ao Hospital Nossa Senhora do Rosário) e na rua Gonçalves Pinto, no centro. “Uma higienização eficaz das mãos é prática essencial para a prevenção ao novo coronavírus”, destaca a publicação da Secretaria Municipal de Saúde.

André Eustáquio


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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Proposições do mês de junho INDICAÇÕES - Melhoramento e manutenção da iluminação da Rua Maria da Costa Fernandes. (vereador Ângelo Márcio). - Colocação de máscaras nas lagartixas, mascotes do município, como forma de incentivo ao uso das mesmas pelas pessoas. (Ângelo) - Reprovada. - Conserto de bueiro no final da Rua Antônio Carlos, no Bairro Santo Antônio. (Ângelo) - Possibilidade do caminhão de lixo passar na Rua Elzi Lara, no Bairro Bela Vista. (Ângelo) - Uso dos recursos disponíveis do saldo proveniente de economia do Legislativo Municipal, tendo em vista a queda da receita do município devido à pandemia do coronavírus. (Mesa Diretora) - Colocação de manilhas na entrada do povoado do Curralinho dos Paulas, com o objetivo de preservar uma nascente na beira da estrada e melhorar a drenagem em frente à casa de uma família que reside próximo ao penúltimo mata-burros antes da entrada da comunidade. (Ângelo) - Manutenção, patrolamento, limpeza e iluminação das seguintes ruas: Rua Maria Aparecida de Sousa (Bairro Nossa Senhora Aparecida), Rua Cinco (Bairro Novo Horizonte), Rua Maria Celina de Resende (Bairro Zé Padeiro), Rua Prefeito Antônio Resende (Bairro Expedicionários), Rua Vereador José do Carmo de Sousa (Bairro Pôr do Sol), Rua Massaranduba (Bairro Tijuco), Rua Quatro (Bairro Bela Vista). (Vereador Fábio Ferreira) - Disponibilização nas barreiras sanitárias de termo de responsabilidade para turistas e pessoas de outros municípios que adentrarem na cidade de Resende Costa. No termo deverá constar que a pessoa se compromete a seguir as orientações dadas e a respeitar a quarentena e normas de controle municipais em vigor, devendo prever multa pelo descumprimento, além de outras responsabilidades. (Ângelo) - Instalação de um ou dois postes com iluminação na Rua São Sebastião, no distrito de Jacarandira, onde foi construído recentemente um calçamento. (Vereador Lucas Paulo). - Colocar em prática as disposições legais referentes ao entulho de construção nas ruas, criação de bovinos e suínos dentro do perímetro urbano do Distrito de Jacarandira. (Lucas) REQUERIMENTOS - Encaminhar ofício em nome da Câmara para a ACRADATEC-RC questionando a falta

da programação normal. (Vereador Ângelo) - Encaminhar ofício em nome da Câmara para a ACRADATEC-RC questionando o alcance da transmissão na zona rural do município, mais especificamente no Ribeirão de Santo Antônio. (Vereador José Assis) - Encaminhar ofício em nome da Câmara para o Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Comarca de Resende Costa, questionando quais os procedimentos estão sendo tomados para manter a segurança no município, e de quem é a responsabilidade da soltura de presos na porta do presídio. (Ângelo) - Encaminhar ofício em nome da Câmara para o Executivo Municipal solicitando providências quantos aos preços praticados pelos postos de combustível no município. Autor: (Ângelo) - Realização de auditoria nos equipamentos de transmissão de reuniões da Câmara Municipal pela Rádio Inconfidentes, tendo em vista a má qualidade do som que está chegando aos ouvintes. (Ângelo) - Encaminhar ofício em nome da Câmara para o Executivo Municipal solicitando o melhoramento no atendimento e manutenção da Internet “Net Rural”. (José Assis) - Cancelamento do processo de votação do Projeto de Lei Complementar nº 43/2020, que “Dispõe sobre a compensação de banco de horas, antecipação das férias-prêmio e individuais dos Servidores Públicos Municipais em razão da pandemia provocada pelo coronavírus (Covid-19) e dá outras providências”, realizado de forma equivocada, reiniciando-se a votação do referido projeto. (Mesa Diretora) - Realização de pronunciamento oficial da Câmara Municipal em favor da democracia. (Ângelo) - Reprovado. PROJETOS - Projeto de Lei 34/2020 – “Suspende as obrigações de pagamento do IPTU, da Lei Municipal nº 4.378, de 04 de setembro de 2018 e a cobrança de juros e multas para as pessoas que especifica e dá outras providências.” – Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Desarquivado. Reprovado. Projeto de Lei 35/2020 – “Dispõe sobre as diretrizes para a elaboração e execução da Lei Orçamentária de 2021 e dá outras providências”. – Autor: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4.627/2020. Projeto de Lei Complementar 43/2020 - “Dispõe sobre a

compensação de banco de horas, a antecipação das férias-prêmio e individuais dos Servidores Públicos Municipais em razão da pandemia provocada pelo coronavírus (Covid-19) e dá outras providências” – Autor: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4.623/2020. Projeto de Lei 44/2020 – “Autoriza a desincorporação e alienação de bens do município e dá outras providências” – Autor: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4.624/2020. Proposta de Emenda nº 01 ao Projeto de Lei 44/2020 – Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Reprovada. Projeto de Lei 47/2020 – “Isenta o pagamento da Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública para as pessoas que especifica e dá outras providências.” – Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Reprovado. Projeto de Lei 48/2020 – “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. – R$1.500,00 para promover a manutenção da Escola do Legislativo da Câmara Municipal. Autor: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4.25/2020. Projeto de Lei 49/2020 – “Dispõe sobre as publicações oficiais da Covid-19 e dá outras providências” - Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Arquivado a pedido do autor. Projeto de Lei 50/2020 – “Autoriza a formalização de termo aditivo ao Termo de Colaboração nº 04/2020, o repasse de recursos a Associação Comunitária de Radiodifusão para o Desenvolvimento Artístico, Educacional e Cultural - ACRADATEC e dá outras providências” – Autor: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4.626/2020. Projeto de Lei 51/2020 “Autoriza a desincorporação e alienação de bem do município e dá outras providências” – Autor: Executivo Municipal. Projeto encontra-se com vistas do vereador Ângelo Márcio Resende. Projeto de Lei 52/2020 – “Dispõe sobre a criação do programa ‘Troco Solidário’ possibilitando o aumento de doações para o Hospital Nossa Senhora do Rosário e Lar São Camilo de Lellis e dá outras providências.” – Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Projeto encontra-se com a Comissão de Legislação, Justiça e Redação, que solicitou prazo para

Servidora da Câmara Municipal se aposenta Jane Resende foi homenageada pelos vereadores e servidores do Legislativo Após 34 anos de trabalho dedicado ao serviço público, especialmente na Câmara Municipal de Resende Costa, a servidora pública Jane Resende aposentou-se. Reconhecida por sua competência, dedicação e profissionalismo, a servidora conquistou a admiração e o respeito tanto dos edis e servidores da Câmara quanto dos cidadãos resende-costenses. Os longos anos de trabalho da servidora Jane Resende não foram ignorados pelos vereadores que compõem a atual Câmara. Na reunião ordinária do dia 2 de julho, foi realizada uma homenagem especial de despedida e de agradecimento a Jane. A assessora jurídica da Câmara, Marina Vale, leu uma mensagem de agradecimento e foi ofertado um buquê de flores à funcionária homenageada. Os vereadores se manifestaram e agradeceram a Jane pelo brilhante trabalho desenvolvido por ela ao longo de uma longa carreira exemplar dedicada ao serviço público no município de Resende Costa.

Audiência pública – LDO 2021 Considerando o estado de pandemia decorrente da disseminação do novo coronavírus, causador da Covid-19, os trabalhos legislativos da Câmara Municipal de Resende Costa estão sendo organizados com medidas de prevenção ao contágio. Desta forma, a audiência pública para discussão da proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o exercício de 2021 foi realizada sem a presença da população no plenário da Câmara. No entanto, a fim de garantir a participação dos interessados, foi requerido junto aos presidentes de associações e conselhos atuantes no município que, caso houvesse interesse das instituições, que encaminhassem ao Legislativo, por escrito, suas solicitações e demandas a fim de serem lidas e debatidas pelos vereadores durante a audiência. As manifestações foram discutidas no decorrer da audiência, que antecedeu a reunião ordinária do dia 15 de junho, e foram encaminhadas ao Executivo Municipal. A reunião, durante a qual aconteceu a audiência pública, foi transmitida ao vivo pela Rádio Inconfidentes FM.

apreciação. Projeto de Decreto Legislativo 02/2020 – “Susta os efeitos jurídicos de parte de Ato Normativo baixado pelo Chefe do Poder Executivo Municipal- Decreto nº 110, de 28 de abril de 2020, que ‘Dispõe sobre medidas para enfrentamento do estado de calamidade pública reconhecida a nível Federal pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020 e da emergência internacional decorrente do Coronavírus (COVID-19) e dá outras providências’” – Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Reprovado. Projeto de Resolução 423/2020 – “Dispõe sobre o funcio-

namento dos trabalhos e as medidas de prevenção ao contágio e de enfrentamento e contingenciamento da epidemia de doença infecciosa viral respiratória causada pelo agente coronavírus (COVID-19) no âmbito da Câmara Municipal de Resende Costa e dá outras providências” – Autor: Mesa Diretora. Aprovado. Proposta de Emenda nº 01 ao Projeto de Resolução 423/2020 – Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Reprovada. Projeto de Resolução 424/2020 – “Autoriza a criação da ‘TV Câmara’ e dá outras providências”. Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Reprovado.

Acesse e acompanhe o Poder Legislativo: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Prefeitura realiza desinfecção de diversos locais em Resende Costa A Prefeitura de Resende Costa segue ativa no combate ao novo coronavírus em nosso município. Além do monitoramento de possíveis casos, realização de testes, aluguel de respiradores pulmonares, controle no acesso de pessoas à cidade com aferição de temperatura, campanhas de conscientização, decretos que visam à prevenção (como uso de

máscaras e fiscalização de aglomerações) etc., a Administração tem realizado desinfecções em diversos pontos de Resende Costa. A Secretaria Municipal de Saúde, por meio do setor de Endemias, tem executado a descontaminação de locais públicos na cidade e na zona rural. A ação visa desinfectar praças, espaços usados para atividades �sicas e

prédios públicos. Além do contato com pessoas infectadas, uma das formas de contágio da Covid-19 é o contato com super�cies e objetos contaminados. Por isso, a Prefeitura tem feito a higienização de diversos locais diariamente. Faça sua parte, siga as medidas de prevenção e cuide da sua saúde e da saúde de quem você ama!

Setor de Endemias realiza desinfecção em diversos pontos de Resende Costa

Prefeitura investe mais de R$ 450 mil em novos calçamentos de ruas em Resende Costa O calçamento de ruas em Resende Costa não para! Recentemente, a Prefeitura destinou R$ 454.167,31 para pavimentação em bloquetes de dez vias do nosso município. A Administração Municipal investiu recursos próprios e parte da verba disponilizada através da CFEM - Compensação Financeira pela Exploração

de Recursos Minerais. Veja as ruas que estão sendo calçadas: • Rua 1 - Expedicionários • Rua Prefeito Antônio de Resende - Expedicionários • Rua Geraldo Evangelista - Expedicionários • Rua Guilhermina das Dores de Jesus - Bela Vista • Avenida Anida do

Dez ruas estão sendo calçadas com bloquetes

Perpétuo Socorro Almeida - Mendes • Rua Zauri Resende Mendes • Rua São Tiago - Santo Antônio • Rua das Orquídeas Jardim • Travessa Maria Cândida de Andrade - Centro • Travessa Alfredo Penido - Nossa Senhora da Penha

Secretaria de Saúde mede temperatura de pessoas que acessam a cidade


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De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Homenagens para manter viva a memória As imagens de George Floyd, 46, um afro-americano sendo estrangulado por um policial de cor branca, correram o mundo. Mesmo ele estando algemado e completamente dominado, pedindo para que o deixassem respirar, a equipe de policiais não atendeu ao seu pedido. Nove minutos depois, ele veio a óbito, expirou. Desde o último dia 27 de maio, a cena violenta e cruel causou revolta em vários países, inclusive no Brasil. Seguiram-se ao fato dias de manifestações violentas, notadamente nos EUA, e a destruição de estátuas, monumentos que homenageiam personalidades reconhecidas como colonialistas e escravagistas. Movimentos há, como um do estado paulista, de projeto de lei apresentado pela deputada Erica Malunguinho (Psol), que visa à retirada de monumentos que aludem ao passado escravista brasileiro. Esses movimentos não são novos. Em 2013, indí-

genas protestaram contra homenagens dirigidas a bandeirantes, como o Monumento às Bandeiras, na cidade de São Paulo, capital. Pensam, muitos, que tais monumentos devam ser colocados em museus. No entanto, a simples eliminação dessas obras de arte não apaga o que ocorreu no passado. Ao circular por vias públicas das nossas cidades, é comum nos depararmos com monumentos sem, às vezes, lhes dedicarmos atenção. São despercebidos, senão, completamente ignorados por nós. Mas as homenagens, além de estátuas, estão em músicas, pinturas, fotografias, nomes de edifícios ou de ruas, avenidas e praças. E não há povoado, vila ou cidade, por menores que sejam, que não possuam espaços com nomes de pessoas que se destacaram por serviços prestados à comunidade. De certa forma, suas realizações sobressaíram e após suas mortes é comum que, por meio de homenagens,

seus nomes e feitos sejam realçados de modo a permanecerem como exemplos a serem seguidos pelas gerações futuras. Em Resende Costa, recentemente, alguns espaços ganharam nomes de pessoas falecidas há pouco tempo. Ao novo salão de eventos da Escola Municipal Conjurados Resende Costa foi dado o nome da professora Sônia Reis. O Parque do Campo, após a grande revitalização pelo qual passou em 2019, ficou como nome do ex-prefeito Gilberto José Pinto. No mês passado, em trabalho realizado junto ao Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura de Resende Costa, precisei ir até a Rua Doutor José de Alencar Teixeira. Perguntei para um comerciante, depois para um taxista, onde ela se localiza. Eles, mesmo morando próximo, não sabiam. Não vi nenhum carteiro por perto e nem consultei o googlemaps; foi um motoboy que me apontou sua localização:

nas Lajes de Baixo. Fui até ela e procurei por uma placa com o nome da rua Dr. Teixeira e não vi nenhuma. Ela está assim, como tantas outras, esquecida; para quem a procura, uma rua sem nome. Quem foi o Dr. Teixeira? Os mais jovens certamente já podem ter ouvido falar do único médico que tínhamos na cidade até o fim da década de 1960. Ele que, além da Santa Casa, recebia os pacientes no consultório contíguo à sua residência na atual Av. Monsenhor Nelson, entre as casas dos senhores Aldemar Aarão e Luizinho Chaves. Quando o procurávamos para um atendimento, éramos recebidos com a clássica pergunta: O quê que ocê tem? Eu ainda me lembro do dia em que meu pai chegou em casa, vindo de São João del-Rei, dizendo da tristeza que teve ao vê-lo internado na Santa Casa em estado terminal. Logo ele, que cuidou da saúde e salvou a vida de várias pessoas, demandava a

atenção da equipe médica que se esforçava para tentar salvar-lhe a vida. Temos na cidade logradouros que recebem nomes de santos, políticos, artistas e professores, principalmente. Mas, em se tratando de nomes próprios, vários estão na lista daqueles sobre os quais nada sabemos. Com o passar do tempo, sem que haja um registro nos órgãos públicos ou mesmo um breve histórico afixado ao lado de seus nomes, ninguém saberá dizer quem foram e o porquê desses nomes colocados por aí. George Floyd, enterrado no dia 9 de junho passado, terá sua imagem afixada em nossa memória como sinal de repúdio ao racismo e à violência policial, da forma como também ocorrem no Brasil. Resta-nos manter na memória, também em nossas cidades, o histórico de boas ações que nos foram deixadas pelos nossos antepassados.

Com Política! FERNANDO CHAVES

Com resgate bolsonarista, Enéas Carneiro se revira no túmulo A moda agora é bolsonarista resgatar e aplaudir vídeos do falecido político Enéas Carneiro, elogiando-o e acusando a mídia tradicional de ter construído a imagem de Enéas como um louco, durante suas candidaturas à presidência na década de 1990. Não é novidade o apego da extrema-direita ao personalismo, ao conservadorismo de costumes e aos discursos moralistas inflamados “contra a decadência da sociedade”. Também já conhecemos bem a bajulação que o bolsonarismo faz de qualidades como a disposição ou a “macheza” de um líder para enfrentar sozinho “tudo que está aí na política”, ainda que isso lhe custe o rótulo de “louco” diante da mídia e da política convencional. Aliás, ser tachado de louco pode significar, para o bolsonarista, um distintivo, uma forma de marcar diferença positiva em relação ao establishment. Nesses pontos, as figuras pessoais de Bolsonaro e Enéas se aproximam: conservadorismo, moralis-

mo exaltado, coragem e “macheza” no enfrentamento político, loucura atribuída por terceiros e por adversários. Por isso, o resgate de vídeos inflamados de Enéas tem entusiasmado os bolsonaristas. Eles sentem que a chegada de Bolsonaro ao poder resgata a história de Enéas e vinga as injustiças supostamente sofridas pelo antigo candidato à presidência, que teria sido inviabilizado como líder nacional por conta da “manipulação” de sua imagem feita pela “mídia esquerdista” na década de 1990. Interessante é que, apesar das semelhanças no discurso moralista e nos rompantes pessoais, politicamente a diferença entre Enéas e Bolsonaro é significativa. O primeiro sempre fez um discurso claramente estatista. O segundo é, hoje, entusiasta do Estado Mínimo e das privatizações, dando carta branca ao ministro da economia Paulo Guedes, representante do neoliberalismo tão criticado por Enéas.

O ato de bajular e aplaudir líderes políticos em razão de suas características pessoais (firmeza, “macheza”, coragem e até loucura aparente por enfrentar “o sistema”) é comum à extrema direita. Mas o que chama atenção na paixão simultânea por Bolsonaro e Enéas é que ela negligencia nesses dois líderes algo que é central em política: a concepção de Estado. O que essa paixão dúbia revela sobre o bolsonarismo? Releva os principais critérios de escolha eleitoral e política da extrema-direita. São critérios moralistas, de identificação personalista, de culto à autoridade conservadora, à masculinidade e à ordem militar, de exaltação do enfrentamento enérgico contra o sistema político estabelecido e de frisson pelo homem que luta, na companhia de poucos, contra a decadência moral na sociedade e na política. Mas a devoção dúbia por Enéas e Bolsonaro revela algo mais importante: a negligência profunda do bolsonarista médio em relação às questões políticas e

ideológicas relacionadas à gestão e à concepção do tamanho e do papel econômico do Estado. Ou seja, ao bolsonarismo o que mais importa na escolha eleitoral, para além da histeria anacrônica anticomunista, é a defesa dos costumes e da moral conservadora, além da imagem de masculinidade e de enfrentamento agressivo ao que se considera imoral, seja no campo político, social ou privado. Isso descreve bem a adesão política de um bolsonarista, que é facilmente insuflada por emoções como o medo, a raiva, a frustração diante de um mundo que não lhe agrada, inclui ou representa. As questões de política econômica, que certamente são as que mais interferem na qualidade de vida material das pessoas, são ignoradas pelo eleitor médio pró-Bolsonaro, que agora resgata Enéas Carneiro como um grande líder inviabilizado pela mídia e pela política convencional. Para o chamado gabinete do ódio, esse resgate se tornou uma forma de ataque retórico aos adversários do

atual presidente da república. O que vemos é a vocação do bolsonarista médio para seguir líderes machões, sisudos e conservadores. Pouquíssima capacidade e interesse em refletir sobre as questões efetivamente nacionais, políticas e econômicas. Eis a escolha política feita por critérios personalistas e morais, sob forte negligência em relação às questões de economia política. Uma escolha raivosa, identitarista e irrefletida politicamente. A esse tipo de voto e de escolha eleitoral despolitizada devemos muito das mazelas que presenciamos nos nossos dias. Enéas não tem minha admiração, mas era um estudioso e tinha, ao menos, coerência em seu discurso político-ideológico de viés nacionalista. Certamente, revira-se no túmulo ao ser resgatado hoje por aduladores e serviçais do neoliberalismo e da subserviência aos interesses dos Estados Unidos e do mercado financeiro internacional.


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PERFIL

Resenha

Lesley, o resendecostense que vive em Manchester, Inglaterra JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Perseverante, criativo, inovador, versátil. Assim é Lesley Fernandes Moreira, 34 anos, digital consultant and web developer na Inglaterra. Casado com a ítalo-brasileira Jaqueline Graziela Bozzetto Spina Fernandes, escolheu morar em Manchester. “Eu fiz a escolha por Manchester porque, além do futebol, aqui tem muita história. Foi onde começou a revolução industrial, onde surgiu a primeira linha de trem, onde os modelos atômicos que víamos na escola foram desenvolvidos, onde a computação moderna se iniciou, onde os movimentos do direito ao voto feminino se iniciaram a cinco minutos daqui de casa e os membros do Oasis moravam no bairro ao lado. É um lugar bonito, industrial. Uma cidade que reúne a história com a modernidade.” Lesley considera-se resende-costense, embora tenha nascido na Santa Casa de Misericórdia de São João del-Rei. Pertence à linhagem de João de Rezende Costa, pai do capitão e inconfidente José de Resende Costa. Filho da resende-costense Adair da Costa Fernandes e do são-joanense José Asterak Moreira, Lesley tem duas irmãs: Lílian Fernandes Moreira e Liliane Fernandes Moreira, e um irmão, falecido ainda bebê, de nome Rodrigo Fernandes Moreira. “A minha avó, Maria da Costa Resende (filha de Cecília da Costa Maia e de José Cupertino de Rezende), nasceu em Resende Costa, após os pais se mudarem de Lagoa Dourada. Após se casar, adotou o sobre-

nome do meu avô, João Evangelista Fernandes, e passou a se chamar Maria da Costa Fernandes”, conta Lesley. Até os 19 anos, Lesley viveu em Resende Costa. “Tenho muitas memórias boas e ainda mantenho contato diário com meus amigos de infância em grupos de WhatsApp, onde falamos sobre assuntos diversos e rememoramos os tempos em que nos divertíamos fazendo música, jogando futebol e videogames e confraternizando nas lajes ou na nossa famosa esquina do rock.” Desde cedo, Lesley aprofundou-se em internet, abrindo uma lan house (cyber café) junto com sua mãe. Além disso, consertava, fazia manutenção e vendia computadores, desenvolvia sites e fazia anúncios de negócios para os sites locais. Então, mudou-se para São Paulo, onde se formou em Sistemas para Internet e, posteriormente, fez pós-graduação em Engenharia de Software pelo antigo IBTA/IBMEC. EMPREENDEDOR Lesley iniciou a carreira, em 2008, como estagiário na Lampada Global, onde desenvolvia componentes para sistemas de relacionamento com clientes. A partir daí, criou a própria empresa de prestação de serviços em desenvolvimento de sites e sistemas para internet, a Intelectua, e atendeu grandes empresas, com foco em gestão, planejamento e desenvolvimento de sites, intranets e planos de marketing digital. Teve como clientes: PricewaterhouseCoopers (PwC), Presidência da República (SECOM), Racional Engenharia, Casablanca Turismo, FIERGS (Federação das In-

CAMILA CHAVES

JL apresenta: História – direto ao assunto “História: direto ao assunto” é um documentário lançado na Netflix em 2020 e que possui 10 episódios de aproximadamente 20 minutos cada. O documentário conta uma pequena história sobre diversos temas. Os episódios possuem formatos que remetem às videoaulas de história. Cada episódio retrata um tema diferente, como a trajetória do fastfood e o quanto a população tornou-se dependente dele, além dos problemas de saúde que o mesmo acarreta às pessoas; a corrida espacial entre os EUA e a antiga URSS durante a Guerra Fria; a ascensão da China, que se torna potência econômica global; os plásticos, que se transformaram

dústrias do Estado do Rio Grande do Sul), Mercantil do Brasil, Titan/Goodyear, HSM Management e Unilever. Inicialmente, Lesley pensou em viver na Irlanda. Então, conheceu a atual esposa, com quem planejou o futuro. “Depois de algum tempo, mudamos os planos para ir para o Québec, no Canadá”, diz. Mas o casal desistiu da ideia ao saber do inverno lá... de -30, -40 graus. Voltou o foco para a Irlanda, mas a gravidez do primeiro filho mudou os planos. O casal decidiu, então, cuidar do processo de cidadania. “Montamos o processo e fomos para a Itália com minha esposa grávida. Ficamos lá por um tempo, fizemos o processo e voltamos para o Brasil. Aguardamos o nosso filho nascer e fomos uma segunda vez para finalizar uma parte que ficou pendente. Com as cidadanias em mãos, fomos novamente para Resende Costa finalizar o planejamento e imigrar para a Inglaterra.” Desde junho de 2017, Lesley e a família moram em Manchester. O casal tem dois filhos: Lucca Spina Moreira, nascido em São Paulo, e Cecília Bozzetto Fernandes, nascida em Manchester (Inglaterra). “O nome da minha filha foi escolhido em homenagem a minha bisavó Cecília da Costa Maia, também conhecida como Dinha.” Mas Lesley nunca se esqueceu das pessoas que lhe deram a mão. Desde os professores – Euza, Elvira, Jucéia, Juceli, Tião, Bia, Regina Coelho, Eunice, Edmar Moreira, Alessandra, Lulude, Adriano, Bete, Lílian e Márcia –, até amigos, como Luciana e Cláudio Resende, que trabalhavam na Emater; Aurélio Campos (Lelinho) e Ricardo

Campos, que lhe ofereceram um espaço para morar em São Paulo; e Antônio Spampinato (Toninho), que o indicou para o estágio na Lampada Global, onde desenvolveria componentes para sistemas de relacionamento com clientes.

Foto: Arquivo pessoal

Lesley em trabalho remoto, em Manchester

PANDEMIA Hoje Lesley está completamente adaptado à vida em Manchester. “Quando a minha esposa engravidou da nossa segunda filha, iniciamos um planejamento para uma transição. Ela passaria a ficar de licença em casa e eu iniciaria meu trabalho por aqui.” Assim, Lesley trabalhou no braço de energia e meio ambiente da Ricardo – multinacional com cerca de três mil funcionários – e atualmente trabalha para a Manchester Metropolitan University (Universidade Metropolitana de Manchester), “uma experiência inusitada, pois não conheci boa parte do meu time pessoalmente ainda; temos feito reuniões periodicamente pela internet para trabalhar no lançamento do novo site da instituição.” Um trabalho que veio a calhar, devido à pandemia da Co-

num grande problema ecológico; os robôs, que a cada dia substituem os homens em diversas atividades; o feminismo e a luta constante pela igualdade, entre outros. Por não se tratar de episódios muito longos, é uma série fácil de maratonar. Os recursos didáticos favorecem a rápida compreensão sobre os diversos temas históricos tratados. O documentário possui narrativa clara e instiga a pessoa a cada minuto. Vale muito a pena tanto para quem não domina os assuntos abordados, mas deseja se informar, quanto para quem quer apenas aprimorar o conhecimento a partir de diferentes curiosidades.

vid-19. “Eu tenho muita felicidade de trabalhar nessa área que escolhi, pois o trabalho que prestava para a Ricardo e que presto para a universidade podem ser feitos remotamente. Todo dia eu me conecto com o meu time, faço reuniões e executo os projetos a partir do meu computador.” Nas horas vagas, Lesley desenvolve outras atividades, como o projeto chamado Brasileiros em Manchester – “um site e diversos grupos no Facebook e no WhatsApp com informações úteis e promoção da troca de experiências entre brasileiros que já imigraram ou pretendem imigrar para cá. Nos últimos 12 meses, o site teve 66 mil visitantes únicos e atualmente o grupo no Facebook possui 4,5 mil membros.” Além disso, gosta de viajar com a família e fazer confraternizações com os amigos da comunidade brasileira. “Nós regularmente nos reunimos em pubs ou em nossas casas. Em momentos em que a saudade da família no Brasil aperta mais, como em datas especiais, nós nos reunimos para celebrá-las juntos, como no Natal e no Ano Novo.”


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ACONTECEU

DA REDAÇÃO

O prefeito municipal de Resende Costa, Aurélio Suenes (PSD), e a fiscal sanitária da prefeitura, Leidiane Rodrigues do Socorro, participaram ao vivo, no último dia 26, do programa matinal de entrevista da Rádio Inconfidentes FM, apresentado pelo jornalista e diretor de programação da emissora, André Eustáquio. O tema abordado foi o enfrentamento ao novo coronavírus em Resende Costa. Aurélio destacou as medidas que vêm sendo tomadas no município há mais de três meses. “Posso afirmar que acertamos mais do que erramos. Os casos (de Covid-19) que surgiram aqui nos últimos dias naturalmente aconteceriam... a menos que conseguíssemos isolar totalmente a cidade. Mas como ficariam os serviços essenciais, o

abastecimento? Não tem jeito. Os casos confirmados refletem também a nossa estratégia de aumento do número de testes. Estamos indo atrás dos possíveis casos sintomáticos e assintomáticos. E para isso, estamos notificando e testando mais pessoas, diferentemente de outros municípios da região”, disse Aurélio. Leidiane Rodrigues, integrante do Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19, falou sobre a importância de a população manter o isolamento social e observar as medidas de segurança e de prevenção. “A gente sabe que é difícil as pessoas ficarem tanto tempo em casa. Realmente cansa. Mas neste momento é muito importante manter o isolamento social e observar o protocolo de segurança divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, como evitar aglomerações, fazer festas, entre outras coisas que o vírus adora.” “Agora que a situação real-

mente agravou em Minas, não podemos nos descuidar. As pessoas às vezes cobram que devemos flexibilizar, abrir todo o comércio... Mas não podemos ceder e temos que tomar medidas mais duras, justamente para proteger a nossa população. Vivemos numa sociedade organizada, onde há responsabilidade e planejamento; e todos precisam colaborar. Quero agradecer ao Comitê e dizer que aprovo todas as ações que têm sido implementadas até agora pela nossa equipe”, afirmou o prefeito Aurélio, que, durante a entrevista, falou sobre a adesão de Resende Costa ao programa Minas Consciente, do governo do Estado, que orienta a reativação gradual das atividades econômicas nos municípios. Desde o dia 26 de junho, a região Centro-Sul do Estado, da qual Resende Costa faz parte, voltou à onda verde do programa Minas Consciente, devido ao aumento expressivo no número de casos de

Foto: Luana Chaves

“Vivemos numa sociedade organizada”

Leidiane Rodrigues, Aurélio Suenes e André Eustáquio na sede da Rádio Inconfidentes

Covid-19 e a pressão sobre o sistema de saúde na região. Portanto, somente os serviços considerados es-

senciais permaneceram autorizados a funcionar nos 51 municípios que fazem parte da região Centro-Sul.

Especial

ANDRÉ EUSTÁQUIO / CAMILA CHAVES

Medo, sacrifícios, ansiedade, perdas e incertezas. Esses são apenas alguns dos graves transtornos que a pandemia do novo coronavírus trouxe à vida de milhares de pessoas mundo afora. O vírus não nos deu tempo para escolher e pensar. Tivemos que agir rápido para sobreviver, proteger as pessoas ao nosso redor e manter nosso sustento diário. O comércio foi um dos setores da sociedade que mais sofreu impacto com a pandemia. Enquanto a ciência não encontra a tão esperada vacina e um tratamento específico e eficaz para a Covid-19, o isolamento social tem sido, desde o início da pandemia, a melhor forma de prevenção ao vírus. Mas a medida preventiva recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pelos cientistas tem seu preço: significa ter que ficar em casa, evitar contatos interpessoais e aglomerações. Cumprindo as medidas de isolamento social, bares e restaurantes precisaram fechar as portas e os proprietários tiveram que encontrar meios criativos e práticos para atender seus fregueses e manter os estabelecimentos funcionando. Houve muitos que, devido à falta

de opção e, principalmente, de recursos financeiros, foram obrigados a demitir funcionários e fechar definitivamente os estabelecimentos. Em Resende Costa, o comércio considerado não essencial fechou as portas no início da segunda quinzena de março. Os decretos municipais que regulamentam o funcionamento do comércio permitem que bares e restaurantes funcionem somente com retiradas no local ou através de entregas no sistema de delivery, ou seja, o cliente faz o pedido por telefone ou aplicativo de celular e recebe o pedido em casa. Por enquanto, nada se sentar-se à mesa do bar com os amigos para uma boa conversa e aquela cerveja gelada. ADAPTAÇÃO Sérgio Augusto Mendonça de Resende, o Serginho do Restaurante Xegamais, localizado na avenida Alfredo Penido, contou que a pandemia transformou a rotina de um dos restaurantes mais antigos e tradicionais de Resende Costa. Serginho conta que ele e sua família, proprietários do Xegamais, chegaram inclusive a pensar na interrupção do funcionamento do restaurante. No entanto, encontraram o sistema de delivery como opção. “O Donizete, nosso funcionário, tem experiência em entregas de lanches e porções e se

disponibilizou a nos ajudar. Dessa maneira, o delivery foi a opção que tivemos para continuar a trabalhar”, disse Serginho. De acordo com ele, foi estabelecida uma nova rotina de trabalho e de atendimento aos clientes. “Sofremos, é claro, com a perda da vinda de turistas e de clientes de municípios vizinhos. Porém, estamos nos mantendo graças à procura e a fidelidade de nossos clientes de Resende Costa.” Na mesma avenida Alfredo Penido, um dos endereços mais procurados pelos frequentadores de bares em Resende Costa também teve que se adaptar para seguir as orientações da Secretaria Municipal de Saúde e continuar atendendo os clientes durante o período de isolamento social. “Pela primeira vez, desde o nosso surgimento, vimos as lojas de artesanato da Alfredo Penido de portas fechadas e a diminuição do fluxo de turistas. Essa nova realidade, somada ao fato de ainda não estarmos recebendo o público da cidade, trouxe grandes impactos ao nosso faturamento e, por isso, tivemos que nos adaptar a essa situação”, diz Emerson Gonzaga, proprietário do Espaço Gastronômico e Cultural Mandacá Açaí. Emerson disse ainda que concentrou todo o foco do trabalho no sistema de delivery e que para isso investiu em marketing e na divulgação do cardápio no site e nas redes sociais do espaço Mandacá.

Foto: arquivo pessoal-divulgação

Delivery mantém o funcionamento de bares e restaurantes em Resende Costa durante a pandemia

Equipe do Mandacá Açaí

“Atualmente, estamos trabalhando com açaís, pizzas e almoço, ou seja, ampliamos nossa carga horária para atender a diversos públicos e conseguimos manter quase todos os nossos colaboradores. Outra particularidade positiva do Mandacá é que possuímos um forte canal de relacionamento, com opções de atendimento de forma virtual e personalizada”, diz o proprietário. “Nosso público é bem variado. Vai de crianças e adolescentes, que amam nossos açaís, aos adultos, que optam por aperitivos e alimentação para toda a família, como

nossas pizzas e almoço”, completa. Emerson frisa que todos os colaboradores do Mandacá Açaí trabalham de forma segura. O uso de máscara é obrigatório no local e o álcool em gel fica disponível em todo o espaço. “Mesmo possuindo condições ambientais para receber nossos clientes, optamos por continuar trabalhando apenas com o serviço de delivery. Para nós, o que mais importa neste momento é manter seguros a família Mandacá e todos os clientes locais que se relacionam com o nosso espaço”, conclui.


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ESPECIAL

Começar do zero ANDRÉ EUSTÁQUIO

A Gonçalves Pinto, no centro de Resende Costa, além de ser uma das ruas mais antigas da cidade, é o ponto de encontro e de convivência dos resende-costenses. É onde há décadas a vida social – a autêntica vida social longe das telinhas dos celulares – acontece. Na “Avenida”, como é conhecida popularmente a principal rua do centro, as aglomerações preenchem o cenário urbano e social, sobretudo nos finais de semana. Desde 1996, o Bar da Maura, localizado na “Avenida” e próximo à praça Dr. Costa Pinto, é referência para os resende-costenses e turistas que visitam a cidade. Além do cardápio diversificado de porções e pizzas, a descontração é mais uma opção que atrai e conquista os frequentadores do charmoso bar. E com um detalhe: a aglomeração na calçada em frente ao bar faz parte do programa de quem sai à noite para tomar uma cerveja na “Avenida”. Devido à pandemia, o Bar da Maura também teve de fechar as portas, mudando por completo o ambiente na, agora, silenciosa Gonçalves Pinto. A proprietária do bar, Maura Resende, falou sobre o atual momento e como tem feito para manter o bar sem poder contar com a presença dos fregueses. “Sempre gostei do meu bar cheio de gente, de ver as pessoas felizes, os turistas que sempre passaram por ali contando um pouco de onde vinham, além dos clientes que acabaram virando amigos. Com a pandemia, que foi um grande susto para todos nós, tivemos que nos reinventar, adaptando-nos à nova realidade que é o delivery.” Maura conta que nunca pensou em aderir ao sistema de vendas por delivery, uma vez que a proposta do seu bar é de ser um local de encontro das pessoas. “É um mercado no qual nunca pensei em me inserir, já que estar com pessoas foi sempre o motivo de seguir em frente.” Apesar da novidade e dos desafios, a empresária diz que está conseguindo se adaptar. “Sem dúvida alguma, está sendo uma grande experiência. Existem algumas falhas, mas a cada dia a gente está sempre fazendo o possível para atender melhor e com mais agilidade os nossos clientes. Aliás, a agilidade foi um ponto que me chamou muito a atenção nesse novo mercado. Confesso que é um processo bem mais difícil do que eu imaginava, pois, apesar de parecer igual ao que estávamos acostumados, é tudo muito novo. Tem hora que parece que estamos começando do zero. É uma adaptação diária”, diz a proprietária do

Foto: arquivo pessoal

O tradicional Bar da Maura, no centro de Resende Costa, também aderiu ao sistema de delivery

Maura Resende, proprietária do bar que, desde 1996, é referência no centro da cidade

bar e pizzaria. Maura revela que um dos desafios de trabalhar com delivery é a urgência (ou pressa?) dos clientes em receber logo os pedidos. De acordo com ela, tudo é preparado no momento em que a pessoa faz o contato e solicita o pedido. Afinal, as pizzas e as porções precisam chegar quentinhas às casas dos fiéis fregueses do Bar da Maura. “Nossos pratos do cardápio são todos preparados no momento em que são solicitados pelo cliente. Nós nunca sabemos qual sabor ele vai escolher naquele dia, pois o cardápio é bem amplo e o público muito diversificado. Então a escolha do dia acaba variando muito entre as pizzas, que são a tradição da casa, os hambúrgueres artesanais, que têm se destacado bastante nas entregas, e o famoso tira-gosto.” Em tempos de pandemia, o cuidado com a higiene dos produtos, tanto em supermercados quanto em lojas, bares e restaurantes, tem sido exaustivamente frisado por médicos e pela vigilância sanitária. O delivery exige dos proprietários dos estabelecimentos um cuidado ainda maior com o preparo e a entrega dos produtos. “Tudo é sempre preparado com muito cuidado e zelo, mas agora a preocupação tem aumentado devido à Covid-19. Nossas embalagens são descartáveis e vão fechadas por um lacre de segurança. Além de todo esse cui-

dado, trabalhamos com o menor número possível de funcionários”, explica Maura. PÓS-PANDEMIA O coronavírus ainda está assombrando as pessoas e a pandemia longe de ser controlada. Enquanto não vier a vacina, teremos que nos adaptar a um “novo normal” de vida. E nesse novo normal parece que algumas coisas vieram para ficar, entre elas o home office e o delivery. “Temos muitos planos para o futuro, inclusive manter o delivery na reabertura dos bares está em nosso planejamento. Mas, por enquanto, a insegurança de uma reabertura no cenário atual ainda é grande, não comparada à torcida para que tudo fique bem. E vai ficar”, planeja Maura para o pós-pandemia. Apesar de ter se adaptado ao delivery, Maura não esconde a saudade de ver as pessoas novamente se AGLOMERANDO em seu bar. “Fico muito feliz em poder aprender todos os dias com esse novo mercado. Apesar de distante, é muito bom poder levar um pouco do meu sabor para a casa de cada cliente. Espero que tudo passe logo para matarmos a saudade desse buteco cheio!” Que a pandemia passe logo e a boemia nos traga de volta os prazeres da convivência nos bares, embriagados por altas gargalhadas e propondo novos brindes à vida!

Retalhos Literários EVALDO BALBINO

Tia Denita Uma das filhas da minha bisavó Olívia, tia Denita falava de modo trêmulo, afagando o queixo com o polegar e o indicador da mão direita. Poucas vezes a vi em Resende Costa. Morava num sítio no povoado do Cajuru (pertencente ao município), aonde fui somente uma vez. Lembro bem o dia. Meu pai, pedreiro desde sempre (construtor de vidas porque erguendo abrigos para os nossos corpos tão carentes de proteção), estava no povoado fazendo a reforma da Capela de Santo Antônio do Cajuru. Quando o vi nas alturas do templo, lá estava ele terminando de erguer a torre. E ela parecendo, no seu topo, quase uma pirâmide. Torre quadriculada apoiada em quatro colunas e se mostrando como um prediozinho de três andares: a entrada para a igreja, uma janela um pouco mais acima e outra janela, mais acima ainda, ostentando o sino badalador. Nas laterais da torre, ainda na fachada da ermida, outras duas janelas. Nos flancos do santuário, mais portas e janelas deixando o edifício respirar. E todas elas quadradas na base, com dois ângulos retos dos lados, e semicirculares na parte superior, dando ao mesmo tempo a ideia da rigidez na entrada para o céu e da delicadeza nas curvas, uma abertura a permitir que todos nós, sem nenhuma exceção mesmo, possamos entrar na Terra Prometida. Meu pai e um servente cuidavam da reforma da nave, e minha mãe, indo ver o marido para amainar saudades, aproveitou para visitar parentes no povoado e comprar tecidos na dona Hercília. Fomos, pela estrada de terra, na carroceria de um caminhão que transportava latas de leite. E na casa da vendedora Hercília eram tramas tantas, fatos para diferentes gostos e bolsos, desde o mata-borrão e a chita, até passar por tecidos caros de algodão e fina seda. Ao lado esquerdo da igrejinha, para quem a olhasse de frente, plantavam-se quatro casas humildes e silenciosas, nas quais moravam, de modo enfileirado, o sr. Gilmar, o seu Luís Antero, o seu Ibrahim e o Antônio do Adilino. A casa da Hercília ficava antes, mais para cá da igreja, perto do campinho de futebol. Entre todos os parentes visitados, a tia Denita. Como eu já disse, poucas vezes pude vê-la. A primeira foi num batismo da nossa igreja no Ribeirão de Santo Antônio: todos os fiéis reunidos ao lado do tanque de imersão, ela com o véu na

cabeça, hinário nas mãos em posição de louvor, um canto fino e alto querendo chegar ao céu. Umas duas ou três vezes me encontrei com ela em Resende Costa mesmo, também congregando nós dois. Agora, no Cajuru, eu revia suas mãos. Trêmulas ainda, pois desde sempre as vi idosas, avançando pelo tempo, lutando contra a morte. Os dedos meio que encurvados, já pejados do mergulho em água fria para lavação de roupa, já gastos pelo roçar da faca no cortar carnes e legumes, já enrugados pelo calor do borralho, já retalhados em plantios e colheitas do antigamente. O mesmo hábito já visto: a mão direita sobre o queixo, no qual se fechavam o polegar e o indicador enquanto ela falava. E o queixo com umas poucas penugens, pelos ralos e parcos que ali cresciam e com relação aos quais ela não manifestava nenhuma vaidade. Não os arrancava, antes os acariciava com o polegar e o dedo indicador. E sua fala, também trêmula, era rápida, meio abafada, num descompasso que os meus ouvidos de criança lutavam para entender. E contava casos, e ouvia atenta, e falava tanto sobre tudo e todos. E como ria do que escutava! Gargalhava para a vida. Porque a vida precisa de risos e sorrisos. Um siso duro e carrancudo não faz bem a nenhum ser. Tia Denita era baixa. Andava meio corcunda, a coluna envergada pelos anos. Os pés quase plantados no chão, com sapatos semifechados de fivela por cima ou então com sandálias de couro e meias para guardarem do frio o corpo que tanto frio enfrentou na sua existência. E me lembro dela falando de geadas, de orvalhos ensopando gramas, do tilintar de vidas que madrugavam para a labuta da roça e da casa. E dos homens tantos, mais filhos homens do que filhas mulheres nas casas esparsas, roupa a ser lavada, sabão de sebo a ser fabricado nos terreiros das cozinhas, e os capados em preparo, a varrição do quintal que não tinha fim, e a dura semeadura sob um Sol pura lâmina cortante, a capina nos tempos necessários, a ceifa de fazer arderem braços e olhos e mãos. O plantar e colher incessantes da vida. E nesse viver sem fim uma vida dura e boa, ela também foi colhida um dia. A foice da vida sempre ceifando. E agora, na lavra da palavra, revivo-a no que semeio. Escrever é ressuscitar o que o tempo mata.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Hilderico, o corajoso Durante o namoro, Hilderico sempre sustentou aquele papo de coragem. Rosali adorava ouvir as histórias do namorado. A cada conversa, Hilderico surgia com uma nova aventura em que ele era o herói. – Sou corajoso, Rosali. – e estufava o peito em direção a ela. Rosali ficava toda, toda. E lá vinha o Hilderico costurando peripécias. Era história dele enfrentando cachorros ferozes num beco baldio... história dele batendo sozinho numa turma de ladrões... tinha até história dele pulando de paraquedas no mar bravo. Rosali ouvia tudo na mais pia confiança. Ainda por cima, sabia aplaudir com os olhos. Estava orgulhosa de ter um namorado tão corajoso. Apaixonadinha. Derretida. ¬– Oh, Dendê! – Dendê era o Hilderico. O intrépido namorado só não gostava de contar aquela história em que ele caiu sentado na fogueira numa festa junina. Hilderico sempre insistia que não tinha sido tombo. E falava, estufando o peito: – Eu me assentei na fogueira pra mostrar que comigo nem o fogo pode. Porém, o que diziam no bairro era que Hilderico ficou tonto com o quentão e acabou levando um quentão nos fundilhos. Daí, a polêmica: ou o quentão de cima acendeu o quentão de baixo, ou o quentão de baixo apagou o quentão de cima. Mas o que Rosali não sabia mesmo era que Hilderico tinha um medo que o transtornava: lagartixa. Quando via uma, suava

frio. Corria. Já sonhou que uma lagartixa o levava nas costas, subia com ele pelas paredes e o entregava a outras lagartixas... um horror! Lagartixa bambeava as pernas do Hilderico. E a Rosali, coitada, engolindo que o namorado não tinha medo de nada, nem de choque elétrico, nem de trovão, nem de bichinhos e insetos... – Oh, Dendê! Até que um dia o casal foi ver um apartamento para morarem. Prédio novinho e laje fresquinha. Foi só o Hilderico rodar a chave e abrir a porta, uma lagartixa despencou de não sei onde e caiu no ombro do rapaz. Por um átimo de segundos, homem e bicho se encararam. A lagartixa, mais do que depressa, se enfiou por dentro da roupa do Hilderico. Hilderico bambeou as pernas. Rosali entrou pouco depois. Viu uma cena deplorável: o namorado gritava, suava, contorcia-se freneticamente, pulava e tirava a roupa num desespero terrível. Por fim, caiu imóvel, pelado, frio e com os olhos arregalados. Igualzinho a uma... uma... lagartixa. Hilderico ficou uns dias internado. Quase enfartou. Andou tomando uns calmantes de tarja preta, pois de vez em quando ficava estatelado, sofrendo uns tremeliques e falando coisas estranhas. Até hoje a Rosali conta pra todo mundo que aquilo tudo foi coragem do namorado. Hilderico espantou os espíritos maus que estavam no apartamento. Queriam se apoderar do Hilderico. A briga foi feia. Mas ele não deixou. – Oh, Dendê!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Poder linguístico Comecei minha carreira profissional como professora de inglês, assim permanecendo por alguns bons anos. E era comum, na época, ouvir de certos alunos, os mais arredios aos estudos, a mesma frase: “Por que é que eu vou estudar inglês se não vou pra Inglaterra?”. Como contra-argumentação a esse raciocínio, e armada de paciência, praticamente discursava dizendo que a língua inglesa é uma das mais faladas no mundo. Que é uma segunda língua para os falantes em viagens e negócios internacionais. Que é o idioma mais usado em pesquisas e publicações científicas importantes e nas relações diplomáticas. E por aí prosseguia. Não vivíamos ainda uma era globalizada, muito menos conectada pela internet. Essa lembrança me veio agora, exatamente depois de ver no último 14 de junho uma entrevista por videochamada do rapper Emicida ao apresentador Faustão para o seu programa de domingo (Globo). Bem-articulado, coerente e corajoso, Emicida brilhou e viralizou nas redes sociais. Falando com muita propriedade, fez comentários sobre racismo, violência doméstica, desigualdade social, fragilidade masculina e, é lógico, sobre o novo coronavírus, entre outros temas de relevância. E conseguiu calar até o entrevistador, sempre tão falante, mas atento ao seu convidado. Excelente a participação do artista no Domingão! Faço apenas uma observação discordante em relação

às suas palavras finais. Ao se referir à atual pandemia e a todo este nosso contexto social, o rapper questionou o uso, para ele indevido, dos termos ingleses adotados pelos brasileiros como forma de comunicação nestes tempos de crise sanitária e outras daí advindas. Como se sabe, situações novas pedem palavras novas. Vinda do inglês e escolhida oficialmente para denominar a doença do momento, Covid-19 (coronavírus + disease) é uma dessas. O uso de outros termos dessa mesma língua, como lockdown e a expressão “testou positivo”, cuja construção não é tradicional no português, não prejudicam nossa língua e não causam, necessariamente, uma dificuldade na compreensão da mensagem transmitida. Mahayana Godoy, linguista e professora de linguística da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), defende o uso da palavra lockdown por entender que esse termo faz sentido para as pessoas, já que o significado que tem – confinamento – não é o mesmo para o programa BBB, por exemplo, e sim algo específico para o cenário da pandemia. A universalidade da língua de Shakespeare pode ser atestada também nos pronunciamentos feitos pela Organização Mundial da Saúde através de seus chefes, notadamente do etíope Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, falando atualmente ao mundo um inglês bastante compreensível.

É oportuno considerar ainda que não é novidade o uso informal do inglês em grande parte do planeta, e não seria diferente aqui. Nas mais variadas situações cotidianas, os exemplos desses anglicismos (palavras ou locuções inglesas introduzidas noutra língua e empregadas como sendo desta) aparecem aos montes. Alguns deles a título de ilustração: check-in, cupcake, fast-food, cheeseburguer, bike, self-service, fashion, hobby, design e tantos outros. Na área da informática, vamos nos apoderando de palavras antes estranhas e com elas ganhando intimidade: WhatsApp pode ser “zap”, Facebook ou Face? tablet, mouse, site... E sobre aquela ideia de alguns, distante no tempo e no espaço, de não ir à Inglaterra, então não ser útil estudar inglês, é pra esquecer isso. Ele é onipresente. Como todo empréstimo linguístico, o anglicismo, quando usado com bom senso e adequação, não constitui um problema. O mesmo não se pode dizer quando dele se utiliza o falante de modo abusivo, assim ameaçando a soberania de sua língua pátria, no nosso caso, o português, símbolo de identidade cultural do povo brasileiro. Quanto a Emicida, curiosamente, é no rap (discurso rítmico com rimas e poesias surgido no final do século XX nas comunidades afrodescendentes nos Estados Unidos) que ele encontra sua brasileira forma de expressão artística.


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MEIO AMBIENTE

Queimada urbana é crime e pode gerar multa Nessa época do ano, registros de queimadas aumentam e a população sofre com as consequências VANUZA RESENDE

Com a chegada da estação mais fria do ano e o período de estiagem, o número de queimadas urbanas e em áreas rurais aumenta. O tempo seco acaba por favorecer a propagação do fogo e a fuligem das queimadas piora a qualidade do ar, aumentando os índices de complicações de doenças respiratórias. Uma família que mora no bairro Várzea, em Resende Costa, viu de perto os riscos e sentiu as consequências das queimadas em lotes localizados no centro urbano. “A gente tem medo do fogo pular para a casa, que possui telhado com engradamento de madeira e que tem o próprio muro de divisa do lote como uma das paredes. Ao lado da nossa propriedade há um terreno da prefeitura que nunca está limpo, ou seja, oferece riscos reais de incêndio”, destaca o morador, que preferiu não se identificar. O morador diz que as queimadas acontecem até três vezes no ano: “Algumas vezes o fogo não queima todo o pasto. Dias ou semanas depois a outra parte que ficou intocada costuma ser queimada também”, comenta. Os malefícios das queimadas irregulares são inúmeros e ele cita vários: “Há transtornos menores que não deixam de causar fortes incômodos. As queimadas são acompanhadas de intensa fumaça que causa grande irritação aos olhos e ao nariz. Ela também deixa um cheiro forte impregnado no interior da residência.” Os efeitos são sentidos até

mesmo no dia após as queimadas. “Se abrimos as janelas para amenizar o odor, as cinzas acabam entrando dentro de casa carregadas pelo vento, que é sempre mais intenso nessa época do ano. As cinzas causam grande sujeira e é preciso deixar de fazer algum outro serviço para proceder à limpeza. Muitas vezes tudo isso acontece um ou dois dias após ser feita uma grande faxina no imóvel, o que causa bastante stress, já que todo o serviço de poucos dias antes acaba sendo perdido. Quanto à questão da limpeza, há ainda que se ressaltar que às vezes o fogo é aceso quando há roupas no varal, de modo que é preciso lavar tudo de novo, gastando água, produtos de limpeza e eletricidade para o funcionamento da máquina. Os animais domésticos (no nosso caso, as galinhas) ficam bastante alvoroçados com o incêndio”, desabafa. O relato de quem sofre com as queimadas continua. “Há ainda um outro transtorno menos recorrente, porém grave: o fogo espanta os animais silvestres, como as cobras, que vivem na área atingida. Eles procuram áreas mais seguras nas imediações, que são as nossas hortas. Embora nossos terrenos sejam limpos, temos achado esse tipo de animal em nossos quintais”, denuncia. QUEIMADA É CRIME Pode parecer inofensivo, mas quando você decide colocar fogo no terreno para eliminar o mato seco e o lixo do local, está infringindo uma lei municipal. O uso de fogo para a limpeza de terrenos é prática proibida por lei e os infratores estão sujeitos a multas. A lei municipal Foto: Ilustração

Queimadas em centros urbanos colocam em risco os imóveis e a população

1658/91 destaca “que a ninguém é permitido atear fogo em roçalhos, palhadas ou matos que limitem com terras de outras pessoas sem tomar os seguintes cuidados: preparar aceiros de no mínimo sete metros de largura, avisar os moradores do entorno com antecedência mínima de doze horas sobre local e horário de colocar fogo”. O morador da Várzea que comentou sobre as queimadas que ocorrem em seu bairro informou que não chegou a denunciar os fatos. “Nunca fizemos denúncia. Esse ano, alguns vizinhos conversaram informalmente com uma autoridade de segurança pública para saber se adiantava denunciar. No entanto, foi dito a eles que para haver algum resultado seria preciso termos alguma prova. Acontece que as queimadas geralmente são iniciadas à noite e em locais sem casa por perto. Quando nos damos conta do novo incêndio, aquele que ateou fogo já deve estar dentro de casa, sendo impossível a captura de alguma foto, por exemplo.” De acordo com o vice-presidente da Câmara Municipal de Resende Costa, Vitor Rafael, o Tibuço, a Casa Legislativa sempre recebe reclamações sobre as queimadas irregulares. “É comum nós vereadores recebermos demanda sobre lotes sujos para solicitarmos limpeza, seja em espaço público ou privado. Quanto às queimadas em terrenos, somos sempre cobrados para elaborarmos leis que cobrem e punam os autores. No entanto, há legislação municipal que trata disso. Esta pauta está na lei 1658/91, que é o Código de Posturas do Município”, explica o vereador. Ainda de acordo com ele, “quanto à fiscalização, o Executivo tem um encarregado para essas situações, entre outras, que é o Fiscal de Posturas, que recebe as denúncias, assim também a Polícia Militar de Minas Gerais”, destaca. O fiscal de obras e posturas municipais da Secretaria de Obras e Serviços Públicos, Nélson Vinícius Daher de Oliveira, explica que as denúncias podem ser feitas através dos telefones da Prefeitura Municipal ou pelos contatos disponíveis na Secretaria de Saúde, setores de epidemiologia e vigilância que oferecem suportes necessários. “Não

CIDADE

Mirante das Lajes em quarentena Principal cartão-postal de Resende Costa encontra-se isolado ANDRÉ EUSTÁQUIO

Nos últimos finais de semana de junho, especialmente nas tardes de domingo, as aglomerações no Mirante das Lajes de Cima, principal ponto turístico de Resende Costa, preocupou as autoridades de saúde do município. As pessoas, sobretudo jovens e alguns turistas, ignorando o grave momento da pandemia, estavam se reunindo no Mirante sem usar máscaras e desrespeitando as regras de distanciamento social. Os fiscais sanitários estão tentando coibir aglomerações nas

Lajes de Cima. E uma medida encontrada recentemente pelo Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19 foi isolar a praça Nossa Senhora de Fátima com fitas zebradas. Além disso, a Prefeitura Municipal afixou cartazes informando que está proibido o acesso ao local e pedindo às pessoas que evitem aglomerações. Outros pontos no centro da cidade também foram isolados, como as praças Dr. Costa Pinto e Coronel Souza Maia. Enquanto não passar o período crítico da pandemia, os resende-costenses poderão assistir somente de longe ao belo pôr do sol de inverno no Mirante das Lajes. Foto: Luana Chaves

Fitas zebradas isolam acesso ao Mirante das Lajes

possuímos a contabilidade do número de denúncias, haja vista que várias são feitas a servidores de diferentes setores”, explica o fiscal de posturas. Já em relação às multas, Nélson Vinícius diz que “se for identificada a pessoa que tenha realizado de forma clandestina, prejudicando a terceiros, ela vai sofrer sanções, como multas. Mas é preciso que seja identificada a pessoa que praticou as queimadas, que são consideras crimes.” Tibuço orienta as pessoas em relação ao problema. “A população tem de estar sempre atenta quanto à limpeza de suas áreas e a de seus vizinhos. Sempre que se sentir prejudicado, procure conversar e resolver da melhor forma possível. Quando isso não é possível, informe à prefeitura a situação em que se encontra o imóvel para que se tomem as devidas providências. Quando se trata de áreas maiores, pode ser que ocorram incidentes ou atos criminosos. Pegar o flagrante e puni-lo é o que dificulta

o cumprimento da lei. Ocorre de haver suspeitas, porém o denunciante não se atreve, em muitos casos, de dar nomes. Com isso, os maiores prejudicados são os vizinhos, que têm suas residências sujas, sobretudo pessoas que têm problemas respiratórios e os animais que ficam nessas áreas, como, por exemplo, algumas aves”, comenta o vereador. Vitor Tibuço destaca ainda os problemas ambientais causados pelas queimadas. “Todos sabem que queimada é proibido. As pessoas praticam esse ato pensando na economia em limpar o terreno, mas se esquecem de que os danos podem ser muito maiores do que o valor economizado. A questão ambiental tem de estar sempre em pauta, ou seja, fazer com que a pessoa tenha consciência de que suas ações refletem no meio em que vive.” As denúncias de queimadas no município de Resende Costa podem ser feitas através dos telefones: (32) 3354-1366; 3354–1815; 3354–1657.


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Meio Ambiente

O Verso e o Controverso

ADRIANO VALÉRIO RESENDE*

JOÃO MAGALHÃES

Os danos socioambientais das queimadas A cultura da queimada, infelizmente, ainda não desapareceu de nosso cotidiano. Sempre nos deparamos com a utilização indiscriminada do fogo em várias situações: limpeza de lotes, de restos orgânicos das hortas ou da varredura de ruas, queima de lixo, da palhada seca das pastagens para rebrota de capim novo para o gado, ou simplesmente queimar só para ver queimar. E no período da estiagem, que vai de maio a setembro, quando o tempo está mais seco, essa prática se torna um problema socioambiental. Historicamente, no Brasil, mesmo antes da chegada dos portugueses, o fogo já era utilizado pelos nativos numa técnica de cultivo muito simples, chamada de coivara. Tratava-se da queimada da vegetação e, logo depois, o plantio era feito sobre as cinzas. Cabe destacar que os índios faziam as roças em locais sabiamente escolhidos e essas interagiam com a preservação da natureza ao seu redor. Em tempos mais recentes, especialmente a partir da segunda metade do século XX, a modernização das técnicas agrícolas impulsionou a devastação de vários biomas brasileiros. Três macroquestões relacionadas às queimadas ainda são preocupantes: cana de açúcar, lixo e Amazônia. A queima controlada da palhada de cana (matéria-prima do açúcar e do álcool) objetiva facilitar a colheita manual. Felizmente, esse processo já está com os dias contados, pois as legislações federal e estaduais preveem a substituição gradual da utilização de fogo para a próxima década. A queima de Resíduo Sólido Urbano

(chamado popularmente de lixo) “a céu aberto ou em recipientes, instalações e equipamentos não licenciados para essa finalidade” é proibida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei Federal 12.305/2010, mas ainda continua ocorrendo. Já o desmatamento e a queima da floresta amazônica não foram controlados, haja vista as publicações recentes nas mídias. É preciso destacar que a queima controlada é permitida, isto é, “o uso do fogo de forma planejada com fins agrossilvipastoris ou fitossanitários em propriedades rurais”. Esse tipo de queimada depende expressamente de prévia autorização do órgão ambiental competente, que no caso de Minas é o IEF (Instituto Estadual de Florestas), sendo que o ato autorizativo se chama “Autorização de Queima Controlada”. Outra questão importante: não há previsão legal, federal ou estadual que autorize queimadas controladas em áreas urbanas, o que ficaria a cargo de cada município legislar. Em Resende Costa não há legislação sobre o tema. Infelizmente, no período mais seco do ano, o que se vê é a proliferação de queimadas não controladas. Na zona rural de nossa região, a utilização do fogo é principalmente para renovação das pastagens nativas, forçando a rebrota de capim novo para o gado. A queimada das beiras de estradas também é muito comum, especialmente após as roçadas feitas pelo DER-MG (Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais), o que atrapalha a visibilidade e pode provocar acidentes. Outro fato

Um “Corpus Christi” sem alegria

corriqueiro é a limpeza, com uso do fogo, da galhada do eucalipto, após o seu corte, e da vegetação nativa (sub-bosque) presente no interior dos talhões. A fumaça proveniente desse processo, juntamente com a do cozimento das toras de eucalipto nos fornos para se fazer carvão, se acumula no horizonte. Para se ter uma dimensão da questão, tem dias em que a paisagem, vista das Lajes de Cima, está com uma névoa esbranquiçada no horizonte. Na área urbana, a situação é mais preocupante, pois, além de receber fumaça e fuligem das queimadas rurais, as próprias pessoas ainda insistem em colocar fogo para queimar lixo e material orgânico (restos de capina) provenientes das hortas ou da limpeza de calçadas e de lotes vagos. Deve-se destacar que a queima de materiais plásticos deve ser evitada, pois libera várias toxinas na atmosfera. E ainda, a legislação não autoriza a “queima pura e simples”, ou seja, queimar materiais apenas por queimar. Por fim, além de trazer prejuízos ambientais, como a perda da biodiversidade, de nutrientes no solo e o aquecimento global, as queimadas não controladas causam prejuízos sociais, como danos às redes elétricas, aos patrimônios particular e público, o impacto visual e, principalmente, na época da estiagem, provocam problemas respiratórios. Enfim, evite fazer queimadas. A natureza e a sociedade agradecem! *Professor do CEFET/MG. Foto: Ilustração

Queima do carvão

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“Corpus Christi” 11/6/2020 - sol da manhã dando brilho às ruas de Resende Costa. Dia festivo para a natureza, mas a cidade, deserta. Um ou outro raro transeunte. Culpa do coronavírus. Girou a roda da fortuna. O vírus infinitamente multiplicado escorraçou a maior parte dos devotos. Privatizou as cerimônias para dentro dos templos. Cadê a festa bonita? Crianças, jovens, adultos, idosos, atapetando as ruas. Serragem tingida, flores, folhas verdes formatando símbolos religiosos. Nas janelas, vasos de flores e pendendo delas as toalhas mais luxuosas, as colchas mais chiques. Tudo para a passagem da procissão dos “três abenços”, como falava a Maria da tia Nininha, minha prima, não mais entre nós. Resende Costa religiosa. Na tela da memória, a procissão solene. As irmandades com seus signos à frente. Guarda de honra do ostensório com a Hóstia Consagrada – o Corpo de Cristo do dogma católico –, a irmandade do Santíssimo, a elite do presbitério, opa vermelha cintilante, segura as hastes do pálio. À sombra dele, o celebrante das bênçãos, envolto pela rica capa de asperges, acolitado pelos padres, clérigos e coroinhas, ergue o Santíssimo para a visão de todos. Protegido, resolvi caminhar pelo trajeto tradicional da mais alegre procissão do culto católico: a multicentenária do Santíssimo Sacramento, originada aí pela metade do século 13. Poucas casas, janelas abertas, com os enfeites costumeiros. Minha pré-adolescência, já tão remota, voltou ao presente. Resolvi, de carro, dar um giro pelas áreas da “vila” sempre percorridas, naquela época, com alguns companheiros do “Assis Resende”. Rodei pela Rua Sete, antigamente apelidada preconceituosamente de “Caba Fubá”. Aí vi um altar montado na entrada de uma casa. Visível, uma decoração sincrética, misto do religioso europeu com cultos afros. Girei também por algumas ruas da agora moderna Nova Resende, toda reformada. Minha memória desgastada pelo tempo desta vez negou fogo. Onde ficam os antigos “Beira-Muro” e “Serra do Urubu”? Mesmo fora do antigo percurso da procissão, uma ou

outra residência enfeitada. O bom é que nem tudo a pandemia apagou. Muitas pessoas no seu recinto cumpriram a tradição, conforme suas vivências e fé. Fiquei pensando sobre o simbolismo das toalhas e colchas nas janelas para os moradores. Certamente, não acredito que sejam só um caprichado ornamento. Talvez os habitantes se sintam visitados pelo hóspede sagrado, Jesus Cristo, e o homenageiam com tudo que possuem de mais fino e belo. Feita a reserva de que há símbolos comunitários generalizados no meio da sociedade e um exemplo é a bandeira nacional dos países, há espaço, no entanto, para símbolos individuais, subjetivos, criados pelos sentimentos, pelo psiquismo de cada um. O ser humano reage a sinais e, quando um sinal movimenta seu mundo interior, torna-se um símbolo. Seja ele positivo ou negativo. Uma cruz pode significar o sofrimento por amor, mas também o ódio, o massacre, como o é a suástica do Nazismo! Pessoalmente, as toalhas e, sobretudo, as colchas típicas dos teares de nossa cidade remeteram-me aos tecidos nas tradições do Novo Testamento. Na última ceia, a toalha com que Jesus enxugou os pés dos apóstolos (Jo 13,4). Uma toalha cobriria a mesa? As pinturas respondem que sim. A toalha segura pelas 4 pontas na visão de Pedro em Cesareia (At 10,11). O pano de linho que envolvia o moço que escapa nu do Jardim das Oliveiras no momento da prisão de Jesus, que a tradição diz ser Marcos, o futuro evangelista que narra o fato (Mc 14,52). O lençol branco de linho com que José de Arimateia e Nicodemos envolveram o corpo de Jesus para a sepultura, conforme o costume judeu (Jo 19,39-41), celebrizado, aliás, pelo famoso e discutido Santo Sudário de Turim. E, sobretudo, a túnica que, segundo o dicionário de símbolos, é signo do eu, da alma e da região de contato com o espírito. Furada ou rasgada, representa cicatrizes e simboliza as feridas da alma. Justifica a narrativa do evangelho segundo João: “Ora, a túnica era sem costura, tecida como uma só peça, de alto a baixo. Disseram entre si [os soldados]: “não a rasguemos, mas tiremos a sorte, para ver com quem ficará.” (Jo 19, 23,24)


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Eleições 2020

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Este ano, voltamos às urnas para escolher novos prefeitos e vereadores, em geral em campanhas muito disputadas. Aliás, desde o descobrimento do Brasil que os cidadãos elegem representantes para suas Câmaras Municipais, como lembra Jorge Caldeira no livro “História da Riqueza no Brasil”. Muito antes de isto acontecer no âmbito nacional. Desta vez, com uma diferença: ao lado do fortalecimento da democracia e das propostas de solução dos problemas locais, teremos de juntar os cacos deixados pela pandemia do novo coronavírus e reconstruir a economia municipal e regional, em grande parte sustentada na informalidade dos negócios. Nesse sentido, o JL inicia a publicação de uma série de reportagens sobre as eleições municipais, a partir de manifestações de representantes da sociedade. A primeira delas apresenta depoimentos de líderes de organizações da sociedade civil. Para Luciene Cardoso, presidente da Associação Empresarial e Turística de Resende Costa (ASSETURC), a grande oportunidade das eleições municipais é nos reaproximar da política, já que vivemos um período de muita descrença em relação às instituições políticas. “Nas eleições municipais, principalmente nas cidades pequenas, como Resende Costa, temos muito mais proximidade com os atores políticos e podemos participar efetivamente do processo.” E participar efetivamente é “dar mais valor ao nosso voto, à nossa capacidade de escolher nossos representantes”, diz Emerson Gonzaga, presidente da ong Instituto Rio Santo Antônio (IRIS). “Isto quer dizer que devemos nos afastar de discursos de ódio, de preconceito e de desrespeito às instituições.” Nas eleições municipais, “o eleitorado é próximo dos governantes, o que nos traz um sentimento maior de ´estar em casa´”, acrescenta. Mas, justamente por isso, “precisamos ser mais críticos e avaliar bem os nomes que se colocam à nossa disposição.” De qualquer forma, eleitos nossos representantes, “é respeitando os resultados que construímos uma democracia forte, principalmente quando fazemos oposição sem recursos da

violência”, pondera Edésio de Lara Melo, presidente da Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo). “Esse é o momento de sinalizarmos, através do voto, o que queremos para nossos municípios; de nos voltarmos para as políticas, isto é, o conjunto de ações, direitos de cidadania…” Enfim, buscar a harmonia, o trabalho conjunto, as parcerias possíveis, sem partidarismo. “Nossa política é a artística e cultural como um direito para todos, sem exceção”, resume Edésio. Apesar de muito longe de ser perfeito, o “processo eleitoral é uma das mais fortes expressões do exercício democrático”, reconhece Cláudio Luís Resende, presidente da Associação Comunitária de Radiodifusão para o Desenvolvimento Artístico, Educacional e Cultural de Resende Costa (ACRADATEC/RC). “No meu entendimento, a campanha eleitoral devia terminar na data do pleito”, acrescenta, referindo-se à extensão da campanha eleitoral ao exercício do mandato por parte dos governantes, “esquecendo-se de exercer a missão para a qual foram eleitos.” ENCONTROS A ASSETURC pretende promover encontros com todos os candidatos oficiais a prefeito para discutir as demandas do setor, nas áreas turística e empresarial, conta Luciene. Assim, “podemos participar efetivamente do processo e nos reencontrarmos com a democracia, com a importância de compartilhar as decisões do poder público com a sociedade.” Já a atenção da amiRCo estará voltada para o segmento social da cultura, educação, patrimônio e artes, revela Edésio. “Queremos ouvir o que os candidatos pretendem para a área da cultura e das artes. Poderemos participar dos debates, levando aos candidatos nossas demandas, apresentando-lhes propostas que visam à valorização do nosso patrimônio histórico, artístico e cultural. Teremos uma atenção ainda mais redobrada para as questões relacionadas com a história e a memória que precisam ser mais bem tratadas pelas organizações sociais da nossa cidade.” “Enquanto representante de uma associação sem fins lucrativos que desenvolve debates e projetos ambientais e culturais no município, espero ver temas de cunho ambiental e cultural nos planos de governo dos candi-

datos ao legislativo e ao executivo do município”, acrescenta Emerson. Cláudio está preocupado com as “imperfeições do processo eleitoral” e apresenta uma extensa pauta de discussões que vai muito além de uma campanha eleitoral municipal, como a melhoria da qualificação dos políticos, o fim da reeleição e mandatos de cinco anos para todos os cargos do executivo e do legislativo (a serem escolhidos numa única eleição). PANDEMIA As eleições municipais ocorrem num dos períodos mais difíceis da vida nacional, com impacto maior no âmbito municipal, o que vai exigir foco, acima de tudo, no pós-pandemia para enfrentar os desafios do novo tempo. Talvez o que tenha mudado seja o sentido de urgência em relação a prioridades nas áreas econômica, social, ambiental e cultural. No artesanato e no turismo, a ASSETURC espera que haja continuidade em vários projetos já iniciados. Luciene cita a conclusão do Centro de Atendimento ao Turista (CAT) na entrada da cidade, do ponto de vista tanto do espaço físico quanto da publicidade (divulgar o município); a criação do selo de procedência do artesanato; e questões relativas à competitividade do comércio local, “que tem ficado muito evidentes agora com a pandemia.” Quanto ao comércio, ela defende a capacitação do empresariado e a profissionalização da gestão, por meio do acesso a consultorias (Sebrae e outras instituições) e do associativismo, para que o mercado local se torne mais atrativo em relação a outras cidades. Isso é uma forma de “evitar a evasão de recursos” e que “a gente consiga segurar o consumidor aqui”, ao “oferecer um preço melhor”, em relação a São João del-Rei, por exemplo. Na área cultural, a amiRCo pretende concretizar parcerias com o novo prefeito e a nova Câmara Municipal para levar adiante seus projetos, partindo do princípio de que “nada será como antes”, observa Edésio. “A pandemia, o isolamento social e as novas formas de desenvolver trabalhos que estamos experimentando determinarão novas maneiras de tocar nossas vidas daqui para a frente.” Ele tem claro que, numa crise, os primeiros cortes ocorrem no orçamento da cultura. “Associações, como a nossa, sofrem muito com a falta de re-

Foto: arquivo Jornal das Lajes

Especial JL: eleições municipais em tempo de pandemia

Sobrado da Câmara Municipal, sede do Poder Legislativo de Resende Costa

cursos, bem como com as dificuldades enormes que enfrentamos para aprovar projetos e conseguir patrocínio para eles. Mesmo assim, temos conseguido manter uma agenda mínima de ações.” Cita como exemplos os lançamentos de livros, a realização do festival de música e a parceria no lançamento da Tixa como mascote da cidade, além de parceria com outras associações e a presença em comissões organizadoras de eventos ou conselhos deliberativos, como o Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura (CMPC). Já o IRIS espera mais projetos que tragam inclusão para os artistas locais, diz Emerson. “Resende Costa é berço de artesãos, de grandes artistas e de associações que visam ao interesse público. A cultura e a participação social de nosso povo nas questões de interesse público são exemplares. INVESTIMENTOS PÚBLICOS O IRIS quer mais investimentos em saneamento básico para acelerar a conclusão da rede de esgoto municipal, “um legado negativo” de oito anos. Emerson lembra que bairros importantes, como o Asfalto, ainda continuam sem infraestrutura de esgoto. “Mais do que calçar ruas, investimento em infraestrutura deveria envolver a criação de espaços de recriação, praças, sistemas eficazes de saneamento básico, entre outros.” A consolidação da rede de esgoto também é defendida por Cláudio (ACRADATEC/RC), que ainda reivindica “um serviço de saúde mais ousado”; a efetivação do “projeto de revitalização das lajes e do seu en-

torno” e o apoio ao artesanato “com políticas de infraestrutura e logística apropriadas”. Outra prioridade, de acordo com Emerson, é a coleta seletiva, “um projeto socioambiental de inclusão social fantástico e, ao mesmo tempo, uma forma de economia de recursos públicos, uma vez que a destinação final de nossos resíduos tem sido em um aterro sanitário localizado distante de nossa cidade, o que gera grandes investimentos de recursos públicos”. Porém, continua “sem o apreço dos administradores públicos”. O IRIS também espera ver na pauta dos candidatos nas próximas eleições municipais a institucionalização do Parque Municipal Capoeira Nossa Senhora da Penha, diz Emerson. Este projeto “trará diversos benefícios ao meio ambiente local e a toda população. Infelizmente, vimos esse projeto ser engavetado por falta de interesse da administração pública nos últimos anos.” Já Cláudio considera que o município precisa há tempos de um plano diretor. “Neste plano, serão estabelecidas as diretrizes básicas e específicas de cada segmento, envolvendo os agentes de todas as esferas municipais, seja no campo econômico, cultural, da saúde, do meio ambiente, agropecuário, da mobilidade urbana, dos serviços, industrial, da construção civil, do artesanato, dentre outros, proporcionando obter um diferencial entre os municípios pequenos. Somos uma cidade diferenciada, temos um povo diferenciado e a administração pública precisa acompanhar e fazer a diferença.”


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Cultura

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DA REDAÇÃO

A expansão das novas mídias sociais e a imensa disponibilidade de informação trazida pela internet impulsionaram a circulação de informações duvidosas e mal-intencionadas, impondo novos desafios para a sociedade e para a democracia. Com isso, o fenômeno das fake news tem chamado a atenção de pesquisadores das áreas de comunicação e ciências sociais. A circulação de informações incompletas, imprecisas, manipuladas, tendenciosas ou completamente falsas pela sociedade não é uma consequência da internet e das novas mídias digitais. As notícias falsas sempre existiram, tanto na política quanto no jornalismo. No entanto, nos últimos 20 anos a circulação desse tipo de conteúdo aumentou consideravelmente em intensidade e volume, gerando ondas de desinformação que têm interferido fortemente no funcionamento de instituições caras à sociedade moderna, tais como a democracia, a imprensa e a ciência. Mas não é só o aumento no volume, no alcance e nos impactos das notícias falsas que têm trazido o tema da desinformação para o centro das discussões sobre democracia e comunicação social. Além da questão tecnológica, que ampliou a disponibilidade de conteúdos duvidosos, há também um cenário cultural que potencializa a influência desse tipo de notícia sobre as pessoas. Nos últimos anos, cientistas sociais e comunicólogos têm debatido intensamente um fenômeno cultural que ganhou o nome de pós-verdade. Esse fenômeno diz respeito a uma prevalência das emoções, dos interesses in-

dividuais e das crenças pessoais na percepção da realidade pelas pessoas e na formação da opinião pública. “Hoje, os fatos objetivos têm menos influência sobre opinião pública do que os apelos à emoção e às crenças individuais”, comenta o jornalista Fernando Chaves, que é mestre em Comunicação Política pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e acaba de ingressar no doutorado em Comunicação da Universidade Paulista (UNIP), com o objetivo de estudar o uso das fake news e da desinformação na comunicação política brasileira. Segundo Fernando, o tema fake news e a pós-verdade é muito atual e ainda não possui muitas produções bibliográficas no Brasil. “Trata-se de um fenômeno muito novo que tem impactado bastante o funcionamento de várias instituições, no Brasil e no mundo. Estudos apontam que nosso país, infelizmente, vem se destacando negativamente, sendo uma das nações com maior circulação de notícias falsas no mundo. Vimos isso acontecer intensamente durante as eleições presidenciais de 2018. Mas ainda há muito o que se investigar cientificamente sobre esse fenômeno no país. A maioria dos estudos sobre fake news e pós-verdade ainda vem de fora. Foi esse cenário que despertou a minha vontade de pesquisar o tema, que é muito relevante para a nossa democracia”, relata o jornalista. PESQUISA A pesquisa proposta pelo resende-costense vai focar na circulação das fake news e no uso político da desinformação durante a pandemia da Covid-19 no Brasil, por meio de uma análise de publicações e

Foto: Arquivo Pessoal

Jornalista resende-costense inicia pesquisa de doutorado sobre fake news

Fernando Chaves é mestre em Comunicação política pela Universidade Federal de Juiz de Fora

interações sociais estabelecidas por agentes públicos durante a pandemia no Brasil, com atenção especial para a comunicação realizada através das redes sociais pelo presidente da república, Jair Bolsonaro, pelo Ministério da Saúde do Brasil e pela OMS (Organização Mundial da Saúde). “Um dos objetivos é entender melhor como as fake news, o discurso negacionista e o discurso anticientífico ocuparam as publicações e as interações sociais desses atores durante a pandemia, já que vários estudos apontam para um aumento significativo na circulação de notícias falsas durante cenários epidêmicos, como já foi constatado durante o surto de Ebola na África no ano de 2013 e durante a epidemia de

Zika Vírus no Brasil em 2019”, diz Fernando. Para o jornalista, o contexto de pandemia e as características atuais do governo brasileiro formam um cenário propício para o estudo do uso político das fake news e da desinformação: “O presidente Bolsonaro já é conhecido internacionalmente por ocupar um lugar de destaque entre os líderes mundiais que flertam com o negacionismo científico e com o uso sistemático das fake news. Num cenário pandêmico, em que o presidente tem se posicionado contra o discurso da OMS e confrontado grande parte da comunidade científica, surge uma boa oportunidade para a investigação do fenômeno da desinformação como ferramenta política. Tam-

bém queremos entender melhor como o discurso científico e institucional reage aos ataques e tensionamentos promovidos por grupos políticos. Por isso a pesquisa deve analisar, além da comunicação presidencial, as publicações e interações estabelecidas pelo Ministério da Saúde e a OMS nas redes sociais durante a pandemia.” O estudo investigativo proposto pelo jornalista Fernando Chaves é importante para auxiliar a sociedade, a imprensa, as instituições científicas e as democráticas no enfrentamento às fake news e à desinformação. “Nossa sociedade ainda está começando a desenvolver seus antídotos para tentar lidar com os desafios desse novo ambiente cultural e informacional em que vivemos. Nesse sentido, já existem esforços institucionais, acadêmicos e jornalísticos no sentido de se entender melhor o fenômeno das fake news e combater sua disseminação. Nessa linha, o campo jurídico amadurece para lidar com as notícias falsas e entidades empreendem ações de ‘educação da audiência digital’, de checagem e crítica de informações que circulam pelas redes. É assim que estão surgindo as plataformas e serviços de fact checking, grande parte ligada a órgãos de imprensa. Ainda são iniciativas novas e limitadas, diante do potencial de interferência das notícias falsas na opinião pública. Porém, já indicam uma reação da sociedade diante das fake news. É nessa linha que pretendo inserir o meu trabalho de doutorado. Espero poder contribuir, de alguma forma, para a melhor compreensão e combate das notícias falsas e da desinformação”, conclui Fernando Chaves, que deve iniciar sua pesquisa no segundo semestre deste ano.


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Informe Publicitário

COOPERATIVISMO

Além de vantagens exclusivas, produtos e serviços do Sicoob podem render prêmios a associados Fazer parte do maior sistema cooperativista de crédito sempre significou coletividade, união de forças para crescer e superação. Neste ano, tudo isso também pode trazer sorte e até veículos 0km para sua garagem Desde seu início no século XIX, em Rochdale, o cooperativismo busca justiça social, bem-comum. Algo válido tanto para os tecelões ingleses que idealizaram essa filosofia humanista; quanto para as mais de 24 mil pessoas que fazem parte do Sicoob Credivertentes hoje. No cooperativismo financeiro, aliás, a valorização de ideias, histórias, negócios e economias envolve soluções em crédito para crescer e tecnologia para modernizar e facilitar relações. Já imaginou, então, se junto a todo esse incentivo houvesse a chance de ganhar prêmios? Pois é: não é preciso imaginar mais. Isso porque acontece desde o início do ano a campanha Sorte Assim Só no Sicoob. Para participar da promoção que vai sortear R$5 milhões em prêmios, basta contar com nossos produtos e serviços na sua vida ou no seu negócio. MOMENTO A difusão dessa ideia, a oferta de soluções e a promoção de benefícios são cotidianas no Sicoob. Mas neste momento de Pandemia fazem ainda mais diferença. A hora é da comunidade. O diretor-presidente do Sebrae Nacional, Carlos Melles, lembrou recentemente disso: “Mais do que nunca, é hora de acreditar no pequeno comércio de bairro perto de nossas casas para a compra de produtos e utilização de serviços”. E acredite: o cooperativismo de

crédito se encaixa nesse contexto. Em fevereiro deste ano, o diretor-superintendente do Sicoob Central Crediminas, Elson Justino, lembrou em entrevista à nossa cooperativa que “o sistema como um todo se move através da inovação. Mas ela é um meio, não o fim. Para nós, o fim é o sucesso e o desenvolvimento das pessoas”. É nesse ciclo que as economias se fortalecem, se sustentam, resistem às crises. “O Sicoob Credivertentes estabelece elos com suas comunidades. Conhecemos os potenciais e as dificuldades delas, sabemos as histórias dos nossos associados e como podemos ajudá-los tanto com orientação quanto com soluções em todo momento. Inclusive agora, quando tantos sentem os impactos da Pandemia, continuamos prontos na busca por sustentabilidade econômico-financeira. Nos sentimos parte importante de cada

negócio, vamos escutar o cooperado e oferecer a ele recursos adequados, de maneira competitiva”, acrescenta o gerente de agência da Credi em Resende Costa, Alessandro Caldeira. PRÊMIOS Em tempos de Quarentena, que tal aderir a uma maquininha de cartão que pode ir com seu negócio onde precisar chegar? Ou, quem sabe, apostar em Seguros para tudo o que mais importa pra você? Pois bem: quem diz ‘sim’ a essas soluções conta com todas as vantagens do maior sistema cooperativista de crédito do país e, ainda, concorre a mais de 500 prêmios (entre Vales-Poupança de R$2 mil e caminhonetes Hilux 0km) na campanha Sorte Assim Só no Sicoob. Também entram na lista Consórcios, Poupança, Previdência, Sicoobcard... Quanto mais Sicoob na sua vida financeira, mais chances você tem de ganhar. E o melhor: não é necessário qualquer cadastro. Basta contratar ou usar produtos e serviços do nosso sistema para concorrer. Assim fez o cooperado Adalton Abreu, da nossa agência em Itutinga, levando um Samsung Galaxy S10 novinho pra casa. Outras informações estão em: www.sicoob. com.br/web/sorteassim.

REFLEXÕES por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

COOPERATIVISMO E AUTOESTIMA SOCIAL A cooperação é indubitavelmente uma alternativa - sobremaneira essencial - à nossa economia, mormente em tempos desafiadores como o presente. No momento em que vivemos grave crise epidemiológica com desemprego maciço, milhares de empresas paralisadas, isolamento e mortes lamentáveis, faz-se premente a junção de esforços comuns para a solução/minimização de tão drásticos efeitos sociais e econômicos. Eis aí a força do cooperativismo, cuja função é a inclusão socioeconômica e a promoção integral do ser humano. O Sicoob Credivertentes, a título de exemplo e com orgulho, atua há mais de três décadas em nossa região. Através de seus associados e colaboradores, busca levar o máximo de serviços e produtos de toda ordem financeira à comunidade. Aliás, toda economia depositada/confiada à cooperativa é reinvestida totalmente na região, gerando renda, empregos, bem-estar social. São recursos alocados que melhoram a vida da população, conferem estabilidade econômica e sustentabilidade ambiental, além de transmitir sensação de pertencimento, de autoestima comunitária. Afinal, a Instituição é de propriedade coletiva, atuando dentro das normas previstas pelas autoridades monetárias do País. “A cooperativa de crédito é a expressão no campo da economia de um elevado ideal social”. (Alphonse Desjardins)


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Cultura

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Grupo de resende-costenses adapta técnica do tapete arraiolo e confecciona produto com retalho Em tempos de pandemia, a produção do tapete tem sido uma aliada para as artesãs Foto: Fernando Chaves

VANUZA RESENDE

“Bordados com lãs de cores variadas sobre tela de juta ou algodão, têm padrões clássicos e, ao mesmo tempo, inovadores. São peças incríveis, coloridas e primorosas, feitas totalmente à mão com muito cuidado. O segredo é o uso do ponto arraiolo, que foi criado pelas tecelãs há centenas de anos. A técnica existe há mais de 400 anos e vem sendo passada de geração em geração pelas habilidosas bordadeiras”, assim a gestão municipal da Vila Arraiolos, em Portugal, descreve a arte de fazer tapetes arraiolos. O JL poderia usar essa descrição para apresentar ao leitor o grupo que confecciona o tapete em Resende Costa, mas é preciso trocar um detalhe: “bordados com retalhos de cores variadas...”, uma adaptação com a matéria-prima mais abundante do artesanato da cidade: o retalho. Em 2019, Rosely Antunes teve a ideia de confeccionar um novo tapete em Resende Costa e o material usado na produção seria o mesmo dos produtos carros-chefes do município: o retalho. “Esse tapete é muito parecido com arraiolo, mas é feito com retalho. Na verdade, ele é até melhor porque não precisa engomar e não dá bolinhas. A intenção é vender pelo preço do arraiolo. O retalho acaba sendo mais barato, mas a produção leva tempo e é um trabalho bem demorado”, explica Rosely, que é a professora de um grupo composto de mais seis mulheres. “Chamei algumas meninas e decidimos começar a produzir. O nosso grupo é pequeno, já estávamos começando a expandir, mas a pandemia atrapalhou um pouco. Algumas estavam iniciando e tiveram que parar porque no primeiro momento precisa-se de aulas presenciais”, destaca. De acordo com Rosely, a intenção é transformar o produto em patrimônio de Resende Costa. “Eu já recusei a proposta do SEBRAE e de um grupo de São Paulo, que queriam estender a produção. A minha intenção é colocá-lo como patrimônio da cidade. Estamos em conversa com os gestores, com a ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), para que possamos ter um selo de Resende Costa em nossos produtos. Quem sabe com a inauguração do CAT (Centro de Apoio ao Turista) não coloca-

Artesãs trabalhando na confecção do tapete arraiolo

mos esses tapetes em exposição para que mais pessoas possam conhecer e fazer as encomendas? Para firmar que é um produto daqui. Uma alternativa para Resende Costa”, planeja. UM ALIADO NO COMBATE AO ESTRESSE E À DEPRESSÃO “Se não fosse o arraiolo, eu não sei o que eu iria estar fazendo. Por mim, fico desde a hora em que acordo até quando vou dormir, só fazendo o tapete”, essa empolgação é da aposentada Maria Elisabeth Resende, a Beth, uma das integrantes do grupo. Ela e a irmã Gorete Resende participam da confecção dos tapetes desde o início do projeto, em março de 2019. Além da produção artesanal, Beth destaca a união do grupo.

“São pessoas muito bacanas. Desde o início, algumas saíram, outras entraram, mas é muito bom. A gente se reúne para as aulas e vamos conversando, brincando, nos divertindo enquanto fazemos o tapete. Somos um grupo muito unido. Quanto falta o retalho para uma, a outra passa... Nós ficamos muito amigas, é um vínculo de muita confiança e de muita amizade.” Devido à necessidade do isolamento social, durante a pandemia da Covid-19, o grupo não se reúne presencialmente, os encontros acontecem por vídeo conferências. “Estou sentindo muita falta de me encontrar com elas pessoalmente, mas a gente se encontra através de vídeos, nos falamos todos os dias pelo WhatsApp. Eu falo que é uma terapia, me faz bem, faz muito bem. Já aprendi a produzir, mas continuo indo às aulas porque

gosto”, conta Beth. Rosely destaca que a produção dos tapetes está ajudando o grupo a manter a cabeça ocupada durante o período da quarentena. “Temos algumas integrantes no grupo que passam por depressão e problemas de ansiedade. A produção dos tapetes é uma ajuda. Quem está na quarentena agora está de castigo dentro de casa e as meninas estão produzindo que é uma beleza. E elas falam assim: ‘Se não fosse isso, eu não sei o que eu ia estar fazendo’”. Beth reafirma os benefícios mentais advindos da atividade artesanal que o grupo realiza. “Se não fossem esses tapetes, eu já tinha pirado. Tenho tendência à depressão, já fiz tratamento. E produzir esses tapetes é uma delícia, faz bem para a cabeça e para o ego quando a gente vê aquela coisa linda ali pronta.”

TEMPO DE PRODUÇÃO E TÉCNICA Para produzir o tapete arraiolo, são usados a juta e o retalho. “São produtos ecológicos. A juta é um material totalmente ecológico, só nasce no Ribeirinho do Amazonas; eu compro pela internet e repasso pelo preço de custo para as meninas. Estamos até estudando uma forma de comprar esse material um pouco mais barato. Porém, mesmo comprando juntas, queremos uma produção independente”, explica Rosely. Beth destaca que, para confeccionar um tapete mais simples, a média de produção é de cerca de 15 dias. Já a produção dos tapetes trabalhados demora cerca de um mês e meio. “Eu faço a média de um tapete por mês, mas depende do tamanho e das características. Porque a gente compra o retalho, lava, corta... é uma produção demorada. Eu lavo e testo todo o retalho para ter certeza de que não vai manchar. Tudo demanda muito tempo”, explica a artesã. O metro quadrado é vendido por cerca de R$400,00, valor equivalente ao metro do arraiolo. Rosely explica que as vendas são esporádicas, sob encomendas. “Vendo algumas peças, mas são encomendas específicas. Não gosto de vender, porque não quero que elas saiam daqui, mas recebo algumas encomendas com cor, tamanho e detalhes que o cliente pede”. Beth disse que está finalizando um tapete para quarto de criança. “É o produto mais bonito que estou fazendo. Brinquei com a Rosely, nossa professora, que agora eu quero me especializar em tapetes para crianças. Que coisa mais linda!”, conta. No momento, o grupo não está acolhendo novos integrantes, uma vez que as aulas presenciais, como foi dito, estão suspensas. No entanto, os interessados em aprender a técnica podem entrar em contato com a Rosely através do telefone: (31) 9 9959-2185. Para cada aula é cobrado um valor simbólico de cinco reais. Quem faz parte do grupo de artesãs resende-costenses que produzem o tapete arraiolo indica: “É uma terapia em grupo e eu só pago cinco reais! Só a convivência com as outras pessoas e as amizades que a gente fez já valem a pena. Parece que são pessoas que a gente conhece a vida inteira. Vale muito a pena! E quem já faz trabalho manual vai ter muita facilidade”, conclui Beth Resende.


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Esporte

Nostalgia e reprises: como o torcedor tem matado a saudade do futebol durante a pandemia? Em pesquisa pelas redes sociais do JL, maioria dos torcedores é contra a volta do futebol neste momento VANUZA RESENDE

Não tem jeito. Quem é fã de futebol vai sempre encontrar uma forma para falar sobre o esporte. Na fila do supermercado, os conhecidos cumpriam o distanciamento recomendado de aproximadamente dois metros e, mesmo com a voz abafada pela máscara, era possível ouvir a conversa de quem está com saudade dos jogos de futebol, paralisados devido à pandemia da Covid-19. – “Eu nem sei se volta esse ano, mas o melhor disso tudo é que o Flamengo não está ganhando”, poderia ficar imaginado qual seria o time do coração, mas o chaveiro do carro entregou: tratava-se de um vascaíno falando com um atleticano que fazia questão de mostrar o clube do coração vestindo a camisa já desbotando o número 1. O torcedor do Galo não ficou para trás: - “Vai voltar, sô. ‘Tava’ ouvindo na Itatiaia que voltam em julho, sem ninguém para ver, mas vão voltar a jogar. Não tem como ficar sem futebol não. Mas se não voltasse, o bom é que o Cruzeiro vai ficar dois anos seguidos na Série B”. Os dois riram e a conversa continuou com o vascaíno passando alguns produtos no caixa e reclamando dos preços altos. Um preço tão alto quanto os torcedores não terem oportunidade de comemorar e de zoar o rival. Ficou claro na conversa: as torcidas não são apenas a favor. Na maioria das vezes, torcer contra tem até um gostinho melhor. REPRISES DE PARTIDAS HISTÓRICAS SE TORNARAM UM REFÚGIO O JL conversou com torcedores fanáticos pelos seus clubes para saber como eles estão driblando a saudade de ver o time entrar em campo. Todos citaram as reprises de partidas históricas como op-

ção para suprir a abstinência de 90 minutos de bola rolando em tempo real. Para a estudante Ianka Emanuelle, que veste a camisa do Cruzeiro, o ano de 2020 seria marcado mais uma vez pelas partidas de futebol. “Estou sentindo uma falta exorbitante do futebol. Falta das sensações que o esporte proporciona, de sentir um pequeno infarto, seja de alegria ou até mesmo tristeza. Futebol é emoção. Mesmo na Série B e em uma situação crítica, eu como cruzeirense de uma família de Sangue Azul, não deixaria de acompanhar.” Sem bola rolando, Ianka logo menciona as reprises de jogos marcantes. “Mesmo sem jogo, não perco uma reprise no Sportv e na Globo. Jogos da Seleção Brasileira e do Cruzeiro, e sabe o 6×1? Vi de novo, mesmo tendo decorado cada passe. Até dá para aquecer o coração com reprises, viu? ”, brinca a estudante. O comerciante Alex Rodrigo, apaixonado pelo Galo, destaca a oportunidade de o Clube Atlético Mineiro ser o único time de Minas a jogar a Série A em 2020. “Esse ano, para nós atleticanos, era para ser um ano legal, pois, com o rebaixamento do Cruzeiro para a Série B no ano passado, seria motivo de brincadeiras entre amigos. Porém, não imaginávamos que o ano seria marcado por algo muito mais sério. Para mim, que sou apaixonado por futebol, essa pandemia tem afetado direta e indiretamente o cotidiano. Como de costume, há anos já esperamos o domingo à tarde, ou a quarta-feira à noite, para assistir aos jogos do nosso time. É diferente, você não fica mais tão ansioso para o jogo”, relata o torcedor. Rodrigo comemorou pelas redes sociais a oportunidade de poder assistir a um jogo em tempo real em 2020: um trecho de uma partida de futebol de um campeonato europeu postado nos stories do Instagram. “Durante essa quarentena, tento me manter

informado com algumas notícias não só do Galo, mas de outros clubes também, para ser uma forma de não me distanciar do que gosto. Venho assistindo às reprises de jogos marcantes através de vídeos na internet. Sou um grande fã do futebol europeu e, recentemente, algumas ligas voltaram a campo. Então tenho assistido a essas partidas sempre que possível e vendo como está sendo esse novo modelo de futebol sem torcida, sem abraços nas comemorações”, destaca Rodrigo. Já para a servidora da Justiça Eleitoral, Paula Dias, que faz parte da maior torcida em números do Brasil, a flamenguista, 2020 tinha tudo para ser uma continuação de 2019. “O ano de 2019 foi mágico para o Flamengo: conquistas de títulos importantes e um time que encantava os torcedores em campo. As expectativas para 2020 eram imensas. O ano já começou com a conquista da Taça Guanabara, da Supercopa do Brasil e da Recopa Sul-Americana. De repente veio a pandemia... e tudo parou!”, comenta. Reviver uma glória, ainda que recente, foi a maneira que a torcedora encontrou para comemorar as vitórias do seu clube do coração. “Neste tempo, acompanhei as notícias diariamente e fiquei muito feliz com a renovação do técnico Jorge Jesus, que foi fundamental para o sucesso do time. E vibrei como se não soubesse o resultado do jogo, quando assisti à reprise da final da Libertadores 2019”, relembra Paula. SAUDADE DE IR AO ESTÁDIO Pelo Instagram, @jornaldaslajes, em uma enquete rápida que ficou 24 horas no ar, o JL perguntou aos leitores se eles estavam sentindo falta de assistir aos jogos durante a pandemia. O Lucas Ribeiro foi um dos 31 torcedores que responderam sim à pergunta. Lucas é resende-costense,

mas trabalha em Belo Horizonte desde 2014. Para ele, uma das grandes oportunidades de morar na capital é poder ir sempre ao estádio a fim de ver o Atlético jogar. “Tem jogo do Galão, a gente tá lá. Esse ano eu havia prometido ao meu primo de sete anos, que já nasceu atleticano, que o traria para assistir Galo e Coelho na final do Mineiro, porque não tenho dúvidas de que será assim, haha. Mas agora tenho dúvidas se vai ter como assistir ao Galo ser campeão, assistir pessoalmente.” Lucas ainda fala sobre a falta que faz acompanhar os jogos. “BH em dia de jogo é outro mundo. É foguete, alegria, ônibus lotados, churrascos acontecendo, uma emoção danada. E isso dá muita saudade porque, quando é janeiro e não tem jogos, você sabe que logo vai voltar. Mas e agora?”, questiona o torcedor. Em Resende Costa, muitos torcedores encaravam um bate e volta para a capital só para acompanhar os jogos de Atlético e Cruzeiro. A Torcida Sangue Azul fez inúmeras caravanas nos últimos anos. Era comum acompanhar os jogos do Cruzeiro pela TV e ver a faixa da torcida resende-costense estampada no Mineirão. Paulo César, o PC, presidente da Sangue Azul e organizador das caravanas, comenta sobre a falta dos jogos. “O futebol é a paixão nacional, a alegria do povo. E de repente parou tudo! Ficamos sem nossa maior alegria do final de semana, o futebol! A rotina de ir aos jogos, em especial os torcedores do interior de pegar estrada, mesmo que seja super-cansativo, tem feito falta. A magia do futebol nos alegra e nos faz esquecer os problemas diários. Esperamos que essa pandemia passe logo e voltemos à rotina”, declara. SERIA O MOMENTO DA VOLTA DOS JOGOS? O JL também perguntou aos leitores sobre a volta do

futebol em pleno momento de agravamento da pandemia no Brasil. Mais de 90% se mostraram contra o retorno dos jogos. Oitenta e sete pessoas responderam à enquete: 80 votaram não para a pergunta: “Você é a favor da volta dos jogos neste momento?” Ianka também disse ser contrária à volta imediata dos campeonatos nos estados do Brasil. “Não é o momento de ir aos estádios. A melhor forma de apoiar o retorno à vida ‘normal’ e do coração acelerado pelo esporte é tendo empatia e ficando em casa”, destaca a estudante. Mesma opinião de Alex Rodrigo: “Sou contrário a essa decisão, pois, mesmo como torcedor apaixonado pelo futebol, acho que ainda tem muita coisa a melhorar antes. Por mais que os estádios estejam fechados ao público, ainda assim acho uma medida arriscada, pois existem muitas outras necessidades com mais prioridades”, conclui. Paula se mostra favorável ao retorno dos jogos, desde que se cumpram os protocolos de segurança. “Desde que adotados todos os protocolos de segurança, sou a favor do retorno do futebol, mesmo que seja bastante triste ver os estádios vazios. Acompanhar os campeonatos e torcer pelo time do coração faz parte da nossa cultura e traz alegria e diversão para os dias difíceis que o brasileiro conhece tão bem. E como estamos precisando de algo que nos distraia e nos motive nos dias atuais!”, argumenta. Até o fechamento dessa reportagem, em 30 de junho, o Campeonato Mineiro ainda não tinha data para voltar a acontecer. A previsão inicial é de que seria retomado no dia 26 de julho, mas o governo de Minas Gerais não autorizou. Já o Campeonato Brasileiro, que deveria ter começado em maio, segue sem data definida para o seu início. Veja os depoimentos na próxima página.


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ESPORTE

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Entrelinhas

CONTINUAÇÃO

SAMIRA SILVA

Rodrigo: “Torço para que o ano possa melhorar para todos. E, no momento certo da volta ao futebol, podermos retornar à rotina normal de assistir aos grandes jogos.”

Paula: “Faço parte de um grupo de amigos que disputa o Cartola FC e todos os anos esperamos ansiosos pelo Campeonato Brasileiro.”

Ianka: “O meu amor pelo esporte é avassalador. Torço para que os jogos voltem logo.”

Desvalorização do futebol feminino O futebol feminino no Brasil não é levado a sério, nem é valorizado. O problema talvez esteja no pensamento social. Não basta ganhar um título importante para o futebol feminino ser valorizado. Falta, na verdade, um olhar sem preconceitos no intuito de enxergar que o futebol também pode ser praticado por mulheres. Nos Estados Unidos, por exemplo, veja o quanto o futebol feminino é valorizado. Isso é refletido desde a base, visto como as meninas, ainda jovens, são incentivadas a praticar o esporte sem serem taxadas de anormais por isso. A modalidade, inclusive, é mais popular e desenvolvida no país do que o próprio futebol masculino. Já no Brasil, a realidade é outra. Não temos nem um pouco de incentivo e os investimentos são muito mais escassos. Além disso, não se compara a divulgação que ocorre com o futebol masculino, considerado referência do esporte mais popular do planeta e orgulho da nação pentacampeã. Ora, não merecemos também a chance de buscar um lugar de destaque? O futebol feminino ainda recebe menos visibilidade na mídia, menos incentivos, patrocínios e apoio. Com a falta disso, torna-se difícil esperar que as meninas se interessem pelo esporte. A consequência mais direta é a escassez de novas revelações, tornando ainda mais difícil o desenvolvimento do esporte dentro do país. É como alerta a craque Marta, eleita cinco vezes melhor jogadora do mundo: “Tem que chorar no começo para sorrir no fim. Querer

mais, treinar mais, se cuidar mais. Estar pronta para jogar o quanto for. Não vai ter Marta, Cristiane, Formiga pra sempre. Chore no começo para sorrir no fim.” A principal jogadora brasileira deixa essa mensagem de motivação e disciplina à nova geração que agora assume a responsabilidade de vestir uma camisa com o peso da amarelinha. É preciso colocar outros nomes na boca do povo, acionar jogadoras que estão chegando, fazer com que outras sobressaiam para, assim, renovar o ciclo. Precisamos também que empresas invistam mais e que grandes canais de TV aberta transmitam os jogos dos campeonatos femininos. Para quem questiona a rentabilidade do futebol feminino, a Copa do Mundo Feminina de 2019 foi suficiente para demonstrar que pode, sim, ser um negócio lucrativo. Já no primeiro jogo da Seleção Brasileira a audiência foi muito alta, com mais de 19 milhões de telespectadores. Nos jogos seguintes, o público foi ainda maior. Portanto, o apoio das grandes mídias é fundamental para a valorização e a popularização do esporte, tanto na transmissão de jogos quanto na cobertura do cotidiano dos clubes. São fatores cruciais a fim de que mais pessoas se interessem pelo esporte. Dessa forma, o reconhecimento virá e com ele haverá mais investimentos que possam bancar a estrutura necessária para a evolução das atletas e, consequentemente, do esporte no Brasil.


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