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Edição 206 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVII

• JUNHO 2020 • Nº206

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Novos tempos, novos costumes: máscaras tornam-se item obrigatório no trabalho, no comércio e em ambientes públicos Foto: André Eustáquio

Entrevista Jogo Aberto com Vera Rita de Mello Ferreira, psicanalista, professora e maior especialista em psicologia econômica do Brasil PÁG 05

Sonhos adiados Pandemia frustra planos de casais que já estavam com casamentos marcados e pessoas que haviam programado a viagem dos sonhos. PÁG 13

Funcionárias de farmácia em Resende Costa utilizam máscaras durante todo o período de trabalho

A pandemia de Covid-19 introduziu, por questão de necessidade, nos países do ocidente, o hábito de usar máscaras, muito comum em países asiáticos, inclusive por conta do excesso de poluição atmosférica. O acessório tornou-se, por força de decretos, comum também em lojas, estabelecimentos bancários e ruas das nossas cidades. Esperávamos por isso? Como se adaptar a essa nova realidade? O JL conversou com trabalhadores do comércio, do setor de saúde e do serviço público que estão se adaptando aos novos costumes. PÁG 06

Reinvenção e criatividade Empresários de diversos setores do comércio vêm utilizando as novas tecno-

logias para manterem as vendas e a economia aquecida. Em Resende Costa,

donos de lojas de artesanato e do ramo de vestuários se conectam na internet e

vendem pelo WhatsApp e Instagram. PÁG 10


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ANO XVII Nº 206 - JUNHO 2020

Foto e situação do mês

EDITORIAL

Fernando Chaves

Todos contra o coronavírus em Resende Costa Estátuas do Monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira e da Professora Rosa Soares Penido, no centro de Resende Costa, amanheceram com máscaras de prevenção à Covid-19 no dia 15 de maio, seguindo as recomendações de combate à pandemia.

Estátua do Monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira na praça Cônego Cardoso

Estátua da Professora Rosa Soares Penido na praça Rosa Penido

O fato bem-humorado foi registrado e comentado nas redes sociais. O que despertou ainda mais a curiosidade de todos é que a estátua do ilustre capitão José de Resende Costa, o pai – inconfidente que residiu na Lage, atual Resende Costa – permanecia desprotegida, sem máscara!

Viver sob a tutela de decretos: liberdade ferida pelo coronavírus Desde o início da pan-

vid-19, as recomendações mé-

do cidadão? Sim, ferem. Mas

demia do novo coronavírus no

dicas e não segue os protocolos

são absolutamente necessá-

Brasil, em meados de março,

de segurança. Muitos argumen-

rias!

inúmeros decretos foram emi-

tam, por exemplo, que a más-

quando ainda encontramos pes-

tidos em estados e municípios

cara incomoda e, por isso, não

soas que não têm compromisso

a fim de regulamentar ações

a utilizam. Tema de reportagem

preventivas e protetivas das

especial desta edição do Jornal

com a cidadania e com a ética e

autoridades contra o vírus que

das Lajes, o uso obrigatório de

está ceifando milhares de vi-

máscara tem forçado trabalha-

das no mundo inteiro. Decretos

dores do comércio, de institui-

suspendendo aulas, fechando

ções públicas e de saúde a se

comércios

não

adaptarem ao novo hábito que,

essenciais, restringindo a cir-

enquanto durar a pandemia,

culação de pessoas em locais

fará parte do nosso dia a dia.

considerados

públicos de grandes aglomera-

As

medidas

restritivas

ções. De repente, da noite para

que estão sendo exigidas da

o dia, a nossa vida ficou submis-

população, por força de decre-

sa à tutela de decretos.

tos, como, por exemplo, o uso

Necessárias

sobretudo

desrespeitam o outro, o próximo e as normas do Estado. Apesar de ferirem a nossa liberdade – bem mais precioso que possuímos enquanto cidadãos que vivemos e convivemos em uma sociedade democrática de direito –, os decretos (alguns exagerados e autoritários) são necessários para um bem maior, que é cercar e frear a disseminação de um ví-

obrigatório de máscara, geram

timo dos decretos emitidos até

desconforto e, em algumas

agora regulamenta o uso de

pessoas, chegam a causar re-

máscaras no município por toda

volta. Afinal, o ser humano não

a população. O item de proteção

nasceu para ser tutelado e viver

O momento atual nos im-

individual contra o coronavírus,

sob ordens. É incômodo quando

pele a ter paciência, sabedoria,

recomendado por autoridades

chegamos a uma praça pública,

bom senso e fazer valer nossos

de saúde e pela OMS (Organi-

local de convivência, e nos de-

deveres de cidadãos responsá-

zação Mundial da Saúde), pas-

paramos com tapumes e fitas

veis que zelam pelo bem-estar

Estátua do Capitão José de Resende Costa, o pai, na praça Cônego Cardoso

sou a ser peça integrante do

impedindo a nossa entrada.

e pela segurança das nossas

vestuário de quem transita pe-

Significa que não somos bem-

famílias e da coletividade. Se a

A situação gerou postagens e comentários bem-humorados no Facebook: - Será por quê? É capitão, né? - Ele é mesmo um rebelde! - Mas o capitão deveria dar o bom exemplo, senão as coisas não saem bem! - Ele deve ter pretensões de ocupar cargos administrativos... Após a repercussão da brincadeira, o capitão José de Resende Costa também recebeu uma máscara. Atualmente, os três monumentos seguem com as máscaras. Brincadeiras à parte, fica a mensagem a todos sobre a importância da prevenção e do cuidado com a saúde em tempos de pandemia.

las ruas da cidade; cada um do

-vindos ali. É constrangedor o

ciência nos pede para praticar-

seu jeito, valendo a criatividade

olhar recriminador e inquiridor

mos o distanciamento social,

de estilos e cores do assessório

de seguranças e de agentes sanitários quando nos flagram

ouçamos a voz dos cientistas e

que deve cobrir, com eficácia e segurança, o nariz e a boca.

em alguma situação de “deso-

E

X

P

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Em Resende Costa, o úl-

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

A adesão à mascara foi

bediência” às determinações

rápida. As pessoas, de forma

de algum decreto. É irritante

geral, têm seguido as orienta-

escutar pelas ruas das cidades

ções da Secretaria Municipal

gravações, às vezes com certo

de Saúde e do Comitê de En-

tom de dramaticidade, dizendo

frentamento à Covid-19. Ao ob-

o que podemos fazer e o que

servar o movimento na cidade,

não podemos e/ou não deve-

sobretudo durante o dia, quan-

mos fazer.

rus causador de uma doença grave, que para muitos pode ser letal.

sigamos suas recomendações. Se usar máscara colabora com a nossa segurança e com a das pessoas com as quais convivemos, utilizemos a máscara. Ao invés de nos revoltarmos contra decretos e medidas restritivas que, sim, cerceiam a nossa liberdade, olhemos para eles como algo que nesse momento

do se tem mais gente nas ruas,

O filósofo grego Aristóte-

dificilmente se vê alguém sem

les (384 a.C. – 322 a.C.) afirma

máscara. Nas filas dos bancos e

que “a liberdade é a capacidade

da casa lotérica, nos caixas dos

de decidir-se a si mesmo para

supermercados e até mesmo

um determinado agir ou sua

dentro dos carros que circulam

omissão”. Isto é, para Aristóte-

pela cidade, os resende-costen-

les, é livre e voluntária a ação

ponsáveis e colaboremos para

ses estão obedientes às reco-

que não sofre coações. Portan-

que a pandemia passe logo e

mendações das autoridades de

to, até que ponto as medidas

possamos, enfim, gozar nova-

saúde.

restritivas impostas para conter

mente da nossa tão estimada e

No entanto, ainda há

a disseminação do novo coro-

inegociável liberdade!

quem ignora os perigos da Co-

navírus não ferem a liberdade

é necessário a fim de protegermos a nossa vida e garantirmos a segurança de quem amamos e queremos bem. Sejamos cidadãos res-


ANO XVII Nº 206 - JUNHO 2020

JORNAL DAS LAJES

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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Proposições do mês de maio Projeto de Lei nº 34/2020 – “Suspende as obrigações de pagamento do IPTU, da Lei Municipal nº 4.378, de 04 de setembro de 2018 e a cobrança de juros e multas para as pessoas que especifica e dá outras providências.” – Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Arquivado a pedido do autor. Projeto de Lei nº 36/2020 – “Suspende as obrigações de pagamento da Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública, instituída pela Lei Municipal nº 4.733/2013”. – Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Reprovado. Projeto de Lei nº 37/2020 – “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. R$ 192.371,60 para o calçamento de 5.309,60 m² de vias públicas em povoados do município – Autor: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4.616/2020. Projeto de Lei nº 38/2020 – “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. R$ 100.270,80 para o calçamento de 3.342,36 m² de vias públicas no Distrito de Jacarandira – Autor: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4.617/2020. Projeto de Lei nº 39/2020 – “Autoriza a inclusão de programa e ações no Plano Plurianual e dá outras providências”. Inclusão do Programa 1021 – Manutenção Programa Laboratório Municipal e suas respectivas ações no Plano Plurianual do Município para o quadriênio de 2018/2021 – Autor: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4.618/2020. Projeto de Lei nº 40/2020 – “Autoriza o Município a efet-

uar repasse financeiro para a Associação Filhas de São Camilo/Hospital Nossa Senhora do Rosário oriundo de emenda parlamentar federal e dá outras providências” Autor: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4.619/2020. Projeto de Lei nº 41/2020 – “Autoriza o Município a efetuar convênio com a Associação Filhas de São Camilo/Hospital Nossa Senhora do Rosário para cessão não onerosa de direito de uso de equipamentos hospitalares e dá outras providências” - Autor: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4.620/2020. Projeto de Lei nº 42/2020 – “Dispõe sobre a ratificação e autorização para antecipação do recesso escolar para as escolas públicas municipais de Resende Costa em virtude da pandemia provocada pelo coronavírus (Covid-19) e dá outras providências” - Autor: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4.621/2020. Projeto de Lei nº 43/2020 – “Dispõe sobre a compensação de banco de horas, a antecipação das férias-prêmio e individuais dos Servidores Públicos Municipais em razão da pandemia provocada pelo coronavírus (Covid-19) e dá outras providências” – Autor: Executivo Municipal. Votação não concluída. Resultou em Requerimento solicitando anulação e nova votação a ser apreciado no mês de junho. Projeto de Lei nº 44/2020 – “Autoriza a desincorporação e alienação de bens do município e dá outras providências” – Autor: Executivo Municipal. Vistas pelo Vereador Ângelo Márcio Resende.

Projeto de Lei nº 45/2020 – “Revoga a Lei Municipal nº 3.733, de 13 de setembro de 2013” – Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Comissão de Legislação, Justiça e Redação apresentou Parecer contrário à tramitação, que foi aprovado. Projeto de Lei nº 46/2020 – “Altera a Lei Municipal nº 4.377, de 22 de agosto de 2018, que dispõe sobre a contratação por tempo determinado para atender à necessidade temporária por excepcional interesse público e dá outras providências” – Autor: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4.622/2020. Projeto de Decreto Legislativo nº 02/2020 – “Susta os efeitos jurídicos de parte de Ato Normativo baixado pelo Chefe do Poder Executivo Municipal- Decreto nº 110, de 28 de abril de 2020, que ‘Dispõe sobre medidas para enfrentamento do estado de calamidade pública reconhecida a nível Federal pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020 e da emergência internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) e dá outras providências’” – Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Projeto encontra-se com a Comissão de Legislação, Justiça e Redação, que solicitou prazo para apreciação. Projeto de Resolução nº 423/2020 – “Dispõe sobre o funcionamento dos trabalhos e as medidas de prevenção ao contágio e de enfrentamento e contingenciamento da epidemia de doença infecciosa viral respiratória causada pelo agente coronavírus (Covid-19) no âmbito da Câmara Municipal de Resende Costa e dá outras providências” – Autor:

Acesse e acompanhe o Poder Legislativo: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

Realização de audiência pública No dia 28 de maio, aconteceu audiência pública para demonstração e avaliação das metas fiscais referentes ao primeiro quadrimestre do exercício de 2020, bem como demonstrar a execução orçamentária até o referido período. A audiência foi apresentada pelo Controlador Municipal, Daniel Fonseca, e contou com a presença do Prefeito Municipal de Resende Costa, Aurélio Suenes de Resende. A audiência pública foi realizada no plenário da Câmara Municipal respeitando os devidos cuidados e precauções contra a Covid-19.

Mesa Diretora. Vistas pelo Vereador Ângelo Márcio Resende. Indicação nº 14/2020 – Possibilidade de utilização do orçamento previsto para a festa do Parque do Campo para aparelhamento da UTI do Hospital Nossa Senhora do Rosário. – Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Aprovada. Indicação nº 15/2020 – Possibilidade da manutenção dos repetidores de sinal da Rede Minas no município por conta das aulas da rede estadual. - Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Aprovada.

Câmara Municipal de Resende Costa Trabalhando por uma cidade melhor

Moção nº 01/2020 – Manifestação de condolências e sentimentos pelo falecimento de Nunes Gustavo de Lima, ocorrido no dia 24 de abril. - Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende. Aprovada. Requerimento nº 06/2020 – Solicitando o desarquivamento do Projeto de Lei nº 34/2020, que “Suspende as obrigações de pagamento do IPTU, da Lei Municipal nº 4.378, de 04 de setembro de 2018 e a cobrança de juros e multas para as pessoas que especifica e dá outras providências.”. Aprovado.


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Resende Costa adere ao Plano Minas Consciente, que prevê reabertura gradual do comércio O funcionamento do comércio de Resende Costa está apto a voltar de forma gradual de acordo com o Plano Minas Consciente, desenvolvido pelo Governo do Estado de Minas Gerais. A reabertura começou pelos comércios que integram o que o projeto denomina como ONDA BRANCA, que compreende os seguintes setores: antiguidades e objetos de arte; fogos de arti�cio; artigos esportivos e jogos eletrônicos; produtos agrícolas, plantas e floriculturas; móveis, tecidos e afins; formação de condutores; além de outras atividades assessórias. Os serviços considerados essenciais também continuam em funcionamento. Mas, antes de reabrir

o comércio, o empresário precisa requerer no setor de cadastros da Prefeitura a “Alvará Covid-19”. A certificação é obrigatória para o funcionamento e poderá ser cancelada caso o comerciante descumpra as responsabilidades assumidas. Resende Costa faz parte da região centro-sul do estado, composta por 51 municípios, e as decisões sobre retomada do comércio têm sido tomadas de forma unificada, com reuniões realizadas todas as semanas. Recentemente, foi deliberado no encontro virtual que os 51 municípios passariam a aderir o plano “Minas Consciente – Retomando a economia do jeito certo”. A proposta sugere a retomada gradual de co-

mércio, serviços e outros setores, tendo em vista a necessidade de levar a sociedade, gradualmente, à normalidade, através de adoção de um sistema de critérios e protocolos sanitários, que garantam a segurança da população. O plano setoriza as atividades econômicas em quatro “ondas” (onda verde – serviços essenciais; onda branca – primeira fase; onda amarela – segunda fase; onda vermelha – terceira fase), a serem liberadas para funcionamento de forma progressiva, conforme indicadores de capacidade assistencial e de propagação da doença, avaliando o cenário de cada região do estado e a taxa de evolução da Covid-19.

Prefeitura de Resende Costa refaz calçamento da Rua Doutor Gervásio A Prefeitura de Resende Costa está refazendo o calçamento da Rua Doutor Gervásio, localizada próxima ao Centro Municipal de Saúde. A obra consiste em retirar e recolocar os bloquetes acertando o piso da via, que estava desnivelado em alguns pontos. O Governo Municipal já havia realizado o estreitamento do canteiro central da rua Doutor Gervásio. A intervenção melhorou o fluxo de veículos e deixou o espaço mais moderno, além de contribuir com a redução nas manutenções referentes ao corte de grama. Na ocasião, foram colocadas plantas de porte menor, melhorando ainda a iluminação da via.

Prefeitura acerta calçamento da Rua Doutor Gervásio

Plano Minas Consciente prevê reabertua gradual do comércio

O Decreto nº 146, de 22 de maio de 2020, autoriza Resende Costa a liberar o funcionamento dos comércios que se encaixam na ONDA BRANCA. “Nós vamos criar um protocolo para que o comércio que esteja na onda branca possa funcionar. Sugerimos aos empresários que procu-

rem o Setor de Cadastros da Prefeitura e faça um requerimento para avaliarmos se o comércio em questão se enquadra no Cnae da onda branca. Após avaliação, vamos liberar ou não. A regra é que o CNPJ da empresa descreva as atividades que estão no plano”, explica o prefeito Aurélio.

É crime soltar animais em vias públicas! Conforme alertas anteriores, a Prefeitura Municipal não admitirá equídeos e bovinos soltos em vias públicas do município de Resende Costa, sendo os infratores sujeitos a multas e apreensão dos animais. Conforme o Código de Posturas do Município (Lei nº 1.658, de 12 de agosto de 1991), é proibida a permanência de animais nas vias públicas: • Art. 78 – É proibida a permanência de animais nas vias públicas. • Art. 79 – Os animais encontrados nas ruas, praças, estradas ou caminhos públicos serão recolhidos ao depósito da municipalidade. • Art. 80 – O animal recolhido em virtude do disposto neste capítulo será retirado dentro do prazo máximo de 6 (seis) dias, após a data do recebi-

mento da notificação pelo proprietário do animal, mediante o pagamento da multa e da taxa de manutenção respectiva. • Parágrafo único – Não sendo retirado o animal nesse prazo, deverá a Prefeitura efetuar a sua venda em hasta pública, precedida da necessária publicação. A Prefeitura Municipal criou um disque-denúncia através do número 33541612. Não deixe de denunciar essa IRREGULARIDADE. Abandono de animais em vias públicas é CRIME! Os animais podem causar acidentes fatais, principalmente quando soltos próximo à entrada da cidade, onde os veículos costumam trafegar em velocidades mais altas. Além disso, há a preocupação com o abandono e maus tratos de animais.


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Jogo Aberto

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Pandemia, oportunidade para adoção de modelo econômico sustentável Foto: arquivo pessoal

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Há mais de dois meses em isolamento total, Vera Rita de Mello Ferreira, psicanalista, professora e maior especialista em psicologia econômica do Brasil, concilia afazeres domésticos com exercícios físicos diários, leitura e atividades profissionais. “Eu sou do grupo de risco, então eu vou ser das últimas a deixar o isolamento. Agora, tédio zero. Não sinto tédio nenhum. Aliás, eu até queria ter um pouco mais de tempo para ler.” Nesta entrevista ao JL, Vera Rita dá dicas para atravessar este período de pandemia, comenta a situação do Brasil no enfrentamento da Covid-19, discute a adoção de uma renda mínima universal e fala sobre suas expectativas quanto a “saídas” para o pós-pandemia. “O que eu adoraria ver é que a saída disso pudesse ser feita por meio da ciência voltada para a sustentabilidade, empregando os mais pobres. Quer dizer, o governo não só dando dinheiro, mas também empregando as pessoas em investimentos em sustentabilidade…” Que dicas você dá para enfrentar este período de pandemia? A atividade física é importante em geral. Não descuidar disso não só para a saúde mas também porque ajuda a manter algum tipo de rotina. Então, junta duas coisas. Quem está trabalhando em home office direto até já tem uma certa rotina, mesmo porque tem que trabalhar num determinado horário. Tem gente que tem horários mais rígidos, outros têm horários menos rígidos, mesmo em home office. Pra quem está mais solto, seja em home office, seja porque trabalha por conta própria, é importante ter algum tipo de horário, de rotina. Claro, é interessante até aproveitar para descansar um pouco, já que não tem que ficar no transporte, gastar tempo no trânsito, essas coisas… Não se deve impor uma rotina rígida demais, que é outro problema porque a nossa mente já está bastante demandada pelas circunstâncias. Tudo isso cansa muito a mente, pode até mesmo chegar a esgotá-la. E em relação à parte profissional? Claro, aproveitar o tempo, pra quem tem tempo, para fazer muito curso, tanto no sentido de aprofundar mais áreas de conhecimento que já tem – tem muita coisa gratuita que pode ser aproveitada –, como também se permitir visitar outras áreas, outros assuntos. Con-

Vera Rita de Mello Ferreira, psicanalista e professora

teúdo é o que não falta. O difícil é até organizar, fazer uma curadoria disso. É bom anotar na agenda… Se tem uma “live” importante, marca no celular para despertar naquele horário; enfim, também ter uma certa organização para aproveitar o máximo que puder. Como você está vendo a situação no Brasil face a esta pandemia? Bom, o Brasil não tem nem o que falar, só chorar, lamentar, arrancar os cabelos e querer mudar para outro planeta… É tão impensável. A pandemia escancarou o que muitos de nós já sabíamos e já considerávamos inaceitável, que é a desigualdade, a falta de educação formal mesmo, de alguma familiaridade com método científico e tudo isso porque as pessoas falam barbaridades para tentar defender o que não tem defesa. É tudo muito triste. Para mim, o principal é a preocupação com os mais vulneráveis… Todo mundo que vendia o almoço para comprar o jantar nem sei como está sobrevivendo. O auxílio do governo teria que ter saído muito rápido, de uma forma muito organizada… Não é surpresa que isso não tenha acontecido neste momento que a gente vive, com este governo. Infelizmente, eles pagam um preço muito mais alto. Que saída temos? O que eu adoraria ver é que a saída disso pudesse ser feita por meio da ciência voltada para a sustentabilidade, empregando os mais pobres. Quer

dizer, o governo não só dando dinheiro, mas também empregando as pessoas em investimentos e em sustentabilidade, preparando o país para ficar competitivo para tudo isso que está vindo. O corona é uma consequência de desequilíbrios ambientais. Ninguém duvida disso, ninguém discute, tirando os malucos. Vai possivelmente jogar uma luz e uma pressão para que todos os países que tenham alguma condição possam contribuir para alternativas de como conduzir a questão ambiental: busca de fontes de energia, repensar tudo, a agricultura, todo o modelo de exportação… Aliás, o que já está muito claro, exceto para burro, é que a floresta (amazônica) em pé é muito mais valiosa – e vai ficar cada vez mais valiosa quanto mais haja devastação em geral. O que você acha da ideia de uma renda mínima, que já começa a ser discutida? Sem dúvida. Aliás, o mundo inteiro teria que adotar isso o mais rápido possível. É uma coisa que eu já dizia antes da pandemia. Em 2017, eu fui a um congresso na Paris School of Economics, que estava fazendo 10 anos, e fez este simpósio sobre desigualdade e pobreza. Inclusive, estava lá o Piketty (Thomas Piketty, economista francês, autor do livro “O Capital no século XXI”), que fala sobre a questão da desigualdade. Foi muito interessante. Eu lembro de um pesquisador francês que apresentou um trabalho – foi um dos trabalhos de que eu mais gostei.

Ele falou que em países muito pobres – nem é o caso do Brasil – eles tinham comprovado – acho que ele trabalhou no Banco Mundial – que ficava mais barato pagar uma renda mínima universal – quando se tem mais de 95% da população paupérrima – do que tentar selecionar, tentar levantar critérios etc., porque, no meio desse caminho, tem tanta chance de corrupção e de injustiça – quem precisa não recebe, quem não precisa recebe. Então, você institui uma renda mínima universal para toda a população, claro alguns poucos recebem indevidamente. Fazendo o cálculo, sai mais barato. O que eu vinha já discutindo é o fato de que as pessoas estão sendo jogadas de lado por conta da automação, desse desenvolvimento tecnológico todo – e agora, vai piorar muito com a pandemia porque o foco vai ser muito nisso: em desenvolver trabalho remoto, trabalho automatizado etc. Essas pessoas teriam que receber uma renda mínima. E melhor se pudesse trocar isso… dentro daquela ideia que eu falei de trabalhar em investimentos sustentáveis, fazendo coisas que estejam dentro de sua capacitação porque é muito difícil você pegar milhões de pessoas de 40 a 60, 70 anos e ensinar alguma coisa complexa. Esse pessoal vai ter que ir, em grande parte, com a bagagem que já tem, com a experiencia que já tem. Você vai fazendo as duas coisas: essas pessoas são aproveitadas para fazer trabalhos mais de base e você vai capacitando os mais jovens…

E investimentos em educação… Óbvio, o ideal é todo o investimento do mundo em educação básica, primária, fundamental, para que, em algum momento, daqui a 15, 20 anos, a gente tivesse pessoas mais capacitadas, vindas das escolas públicas. Eu acho, aliás, que tudo teria que começar aí, na educação – e na educação básica. E, claro, comida, saneamento e casas. Agora, por exemplo, com a pandemia tem-se falado sobre condições de vida nas favelas, em lugares assim muito pobres, palafitas e tudo o mais. Ficou destacado o problema de mofo, de bolor nas paredes, e como isso afeta total. E quem vai pagar tudo isso? Quem vai pagar isso são os países ricos, que enriqueceram também às custas de muita exploração e de destruição dos recursos naturais – eles tem que pagar uma taxa –, e também fazer uma reforma tributária… Pelo amor de Deus, qual é o sentido de uma pessoa que ganha muito pouco pagar o mesmo de imposto (Imposto de Renda) de alguém que ganha R$ 500 mil por mês? Sem contar que todo mundo já paga igual de ICMS, essas coisas todas. Claro que isso tem que ser repensado. Acho que, se a pandemia tiver algo de bom, é botar tudo isso na mesa outra vez. O que você espera do pós-pandemia? Eu tenho brincado que eu estou bem socrática: “Só sei que nada sei”. Fazer previsões, acho muito difícil. A única analogia que eu faço é com viajar de avião antes e depois do 11 de setembro (ataques terroristas contra o World Trade Center, em Nova York). Nunca mais voltou a ser normal. Ficou um perrengue para sempre e nunca mais vai voltar, eu acho. É como se fosse aquilo que é pontual, bem localizado (em viagem aérea), ampliado pra tudo. Como vai ser ir ao bar, reunir com amigos num buteco? Que jeito vai ser escolas com quarentenas intermitentes? Eu acho que ainda não sabemos, em absoluto, que jeito vai ser. Como a maioria da população, eu também estou com esperança em alguma vacina, mas a gente – quer dizer, os cientistas – sabe muito pouco sobre o vírus ainda: se tem a possibilidade de reinfecção; quanto tempo dura a imunidade; por que afeta tão gravemente algumas pessoas e não afeta quase nada outras…

Veja a íntegra da entrevista no site www.jornaldaslajes.com.br


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ANO XVII Nº 206 - JUNHO 2020

Especial

Máscaras em tempo de pandemia: necessidade que pode virar moda JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A pandemia de Covid-19 introduziu, por força da necessidade, nos países do ocidente o hábito de usar máscaras, muito comum em países asiáticos, inclusive por conta do excesso de poluição atmosférica. Mas, afinal, qual é a maneira mais apropriada de utilizar máscaras? Os cientistas começaram a estudar a eficiência das máscaras caseiras, depois de adotadas pela população, com base em dois fatores: o material e a vedação, escreveu o biólogo Fernando Reinach, em artigo recente (jornal o Estado de S. Paulo, 12/05/2020). “O tecido que melhor segura todos os tamanhos de gotas e gotículas é o algodão, mas ele precisa ter uma trama de 600 fios por polegada, ou seja, tem de ter uma trama bem fechada.” Recomendam-se duas camadas de tecido de algodão de 600 fios por polegada, que teriam a mesma eficácia do material usado nas máscaras N95. “A conclusão desse trabalho é que as máscaras caseiras podem reter as gotículas presentes no ar de maneira semelhante às máscaras profissionais, contanto que sejam produzidas usando o tecido correto. Mas tanto as máscaras profissionais quanto as caseiras perdem grande parte de sua eficiência pelo mau contato entre a máscara e o rosto.” Reinach lembra que, nesses testes, não foi medida diretamente a capacidade das máscaras de diminuir a contaminação, mas somente a capacidade de reter as gotículas que devem levar o vírus de uma pessoa para outra. Esse trabalho sugere que máscaras eficientes feitas em casa requerem dois cuidados, adverte Reinach. “Um é a escolha adequada do tecido ou combinação de tecido; a outra é melhorar o encaixe das máscaras na face de quem usa.” Assim, as costureiras habilidosas poderiam aperfeiçoar o desenho das máscaras. “Esse é um trabalho científico que tem o potencial de influenciar a moda feminina e masculina nos próximos meses”, conclui. A empresa fornece as máscaras, “mas a gente que é mulher compra umas mais bonitinhas, mais personalizadas”, diz Juliana Patrícia de Jesus e Sousa, funcionária do Supermercado Resende Costa. Depois de um início difícil, ela já está se adaptando. “Não é muito confortável porque são muitas horas que a gente usa.” Mas espera que

“passe rápido tudo isso e, se Deus quiser, que tudo volte à normalidade.” Adriana Soares, funcionária da Gerência Regional de Saúde em São João del-Rei, usa as descartáveis no trabalho, mas faz o trajeto de casa com máscaras caseiras de tecidos. Ela já testou e aprovou alguns modelos que viu na internet. Por exemplo, modelos que vêm com botões fixos em tiaras de tecidos onde se coloca o elástico das máscaras (para mulheres), “mas se homens quiserem usar, nada contra”. Também Alessandra Lommez, nutricionista da Secretaria de Educação de Lagoa Dourada, usa os dois tipos de máscara, a caseira e as fornecidas pela Prefeitura, “já que elas devem ser trocadas a cada duas horas”. Ela chama a atenção para as opções existentes na internet, como “modelos que possuem pregas nas laterais, que facilitam a adaptação ao nariz e à boca. É necessário medir o rosto para que o tecido seja cortado do tamanho certo e que com isso o elástico não aperte muito atrás das orelhas.” Já Paula Daher, farmacêutica da Drogaria São Geraldo, em Resende Costa, diz que já lida bem melhor com as máscaras, não se incomodando mais. “Minha sugestão é que usemos máscaras de tamanho adequado a cada tipo de rosto, cobrindo nariz e boca de maneira justa e confortável. Precisamos de muito cuidado com nossas mãos: não podemos tocar as máscaras no tecido, somente pela lateral e elásticos, para que não haja contaminação.” Charles De Arvelos Resende, encarregado no Supermercado Bom Preço, estranhou um pouco no início, quando foi exigido o uso da máscara. “Mas, com o passar dos dias, fui me acostumando, sendo que hoje já me encontro adaptado.” Ele sugere que as máscaras sejam sempre feitas de pano de boa qualidade e que o elástico para prender atrás das orelhas tenha um tamanho adequado. “Acho um pouco chato porque uso óculos e às vezes embaça”, diz Nivânia Mendonça, enfermeira do Hospital Nossa Senhora do Rosário (Resende Costa) e da Santa Casa de Misericórdia (São João del-Rei). “Mas, sendo bem ajustada no rosto e no nariz, ameniza.” Ela recomenda que se procure sempre melhorar o material de fabricação das máscaras, tanto para o conforto quanto para a segurança.

Paula Daher, farmacêutica da Drogaria São Geraldo em Resende Costa

Nivânia Mendonça, enfermeira do Hospital N. Sra. do Rosário e da Santa Casa de Misericórdia em SJDR

Alessandra Lommez, nutricionista da Secretaria de Educação de Lagoa Dourada

Juliana Patrícia, funcionária do Supermercado Resende Costa


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ACONTECEU

MAC realiza I Festival Cultural Paz e Esperança O movimento comemora 10 anos ininterruptos de atividades culturais e sociais em Resende Costa VITÓRIA CRISTINA

O MAC (Movimento Arena Cultural) está comemorando 10 anos de atividades artísticas e culturais em Resende Costa. E como iniciativa para ajudar a promover os artistas locais e regionais nesse tempo de pandemia, integrantes do movimento tiveram a ideia de realizar um festival promovendo a cultura e a esperança. O I Festival Cultural Paz e Esperança é realizado on-line e todos os dias é postado

nas redes sociais um vídeo de um artista se apresentando. O festival é uma realização conjunta do MAC, do Espaço Arte, que é uma produtora cultural de Resende Costa, e a Vibratos Escola de Música, também de Resende Costa. O fundador do MAC, o músico resende-costense Ângelo Márcio, falou sobre os eventos já promovidos pelo movimento e acerca da necessidade de se apoiarem os artistas locais: “O MAC surgiu da necessidade de prestar apoio aos artistas e nós, os artistas, produzirmos nossos próprios eventos.

Influenciamos muitos outros grupos, desde então, que começaram a trilhar o mesmo caminho cultural. De lá para cá, foram inúmeros eventos de todos os tipos que criamos. Fizemos o festival de bandas Circuito do Som, encontro de folias de reis, oficinas de percussão infantil, Luau nas Lajes, oficinas de pintura, rodas de viola, sarau literário, shows nas praças públicas, show na zona rural, produção de videoclipes, gravação profissional em estúdios, festival de música inédita, peças de teatro, oficinas de teatro etc. Ainda não tínhamos

feito um festival pela internet. E a quarentena veio para antecipar a realização do evento.” PARTICIPAÇÃO Para participar do festival, o artista precisa gravar uma mensagem de esperança e, logo após, apresentar-se. A participação é livre. De acordo com Ângelo Márcio, o Facebook do MAC já conta com mais de 40 vídeos de artistas regionais, incluindo nomes famosos da cultura musical mineira, como os violeiros Chico Lobo e

Wilson Dias. Desde abril, os organizadores vêm publicando um vídeo diário. “O evento foi criado para criar uma corrente de esperança e de união. O Brasil está muito dividido e não está combatendo o verdadeiro inimigo, que é o coronavírus”, comenta Ângelo Márcio. Não há previsão para o término do festival. Conforme informou a organização do evento, enquanto houver pessoas interessadas em participar, os vídeos continuarão sendo publicados diariamente nos canais de comunicação do MAC (Facebook e Instagram).

na com a realização das lives é ajudar o Hospital Nossa Senhora do Rosário, de Resende Costa, administrado pelas irmãs Filhas de São Camilo (camilianas). “O dinheiro arrecadado será totalmente destinado ao hospital. Graças a Deus, conseguimos arrecadar um valor expressivo com as doações. Vamos ver qual é a maior necessidade da instituição no momento, se é a quantia em dinheiro ou se a irmã superiora prefere que repassemos em itens de necessidade.” Outro objetivo de Brunna, de caráter mais pessoal, foi, através da realização das lives, diminuir a ansiedade de poder cantar e voltar novamente aos palcos. “Estou muito feliz com o resultado”, comemora a cantora. A banda Uai Garotos realizou sua live no dia 23 de maio. O show aconteceu no Mandacá Açaí, espaço gastronômico e cultural de Resende Costa. Conforme antecipou Anderson Vinni, acordeonista e produtor executivo da banda, a Uai Garotos pretende realizar outras lives. “Com essa crise atual que estamos enfrentando e com a saúde pública do jeito que está, a gente precisa se adaptar ao mercado de streaming. E com a nova tendência no ramo musical, acredito que seja no ramo audiovisual todo, as pessoas vão ter que se acostumar com seus artistas e bandas preferidos através das lives. Os eventos musicais que reuniam grandes aglomerações de pessoas serão uma das últimas coisas a voltarem”, acredita Vinni.

De acordo com o produtor, a banda pretende realizar lives a cada dois meses com a intenção de divulgar seu trabalho, manter a interação com os fãs e ainda conquistar novos públicos. “Tivemos um grande alcance ao vivo, em torno de 1.200 pessoas estavam nos assistindo. Subimos a live no YouTube e muitas pessoas visualizaram. A nossa live foi vista em outros estados e países”, comemora Vinni. “Nossa inspiração veio de vários cantores e bandas, os quais estávamos acompanhando. Mas nossa grande inspiração foi o Cantor Gusttavo Lima, o pioneiro, e que deu o pontapé inicial para praticamente todos os artistas do Brasil”, revela o músico e produtor da Uai Garotos. O objetivo inicial da Uai Garotos foi arrecadar doações para famílias carentes e para o hospital de Resende Costa. “Conseguimos arrecadar cerca de 1 tonelada de alimentos não perecíveis, vários produtos de higiene pessoal e também diversos produtos de limpeza. Conseguimos também produtos destinados a pessoas com necessidades especiais. Fizemos várias cestas básicas que foram destinadas a 15 famílias da cidade. Com as doações em dinheiro, compramos produtos para o hospital e para o Lar São Camilo. O nosso outro objetivo foi oferecer entretenimento ao pessoal que nos acompanha, além de promover a divulgação do nosso trabalho”, conta Anderson Vinni. V.C.

A cantora sertaneja Brunna Assis realizou live beneficente

Foto: divulgação

Em tempos de pandemia do novo coronavírus, artistas de Resende Costa entraram na onda do momento e também resolveram fazer lives a fim de ajudar a quem necessita. O JL conversou com integrantes da banda Uai Garotos e com a cantora sertaneja Brunna Assis, que estão realizando lives através de suas plataformas no YouTube. Brunna Assis fez sua apresentação no dia 5 de junho e nos contou que pretende realizar outras e, assim, manter a interação com seu público. “É um projeto que alegra a galera, ajuda a quem precisa e proporciona que também nós artistas possamos trabalhar e ocupar nossa mente”, diz a cantora, que se surpreendeu com o número de pessoas que assistiram à sua live. “No momento em que encerramos a live, o total de visualizações estava próximo de 7.000 contas únicas. Isso quer dizer um número ainda maior, já́ que mais de uma pessoa assiste em apenas um dispositivo! ” A cantora resende-costense se inspira também em outros artistas já consagrados que, como feito por ela, tiveram como propósito ajudar ao próximo nestes tempos difíceis. “A minha primeira inspiração foi poder ajudar a quem realmente precisa. Inspiro-me nos artistas que conseguem trazer novidade e autenticidade. Mas em minhas apresentações, sempre coloco minha identidade pra selar”, revela Brunna Assis. O principal objetivo de Brun-

Foto: arquivo pessoal-divulgação

Artistas de Resende Costa organizam lives e ajudam diversas pessoas através de arrecadações

Banda UAI Garotos doou alimentos e produtos de limpeza para o Hospital Nossa Senhora do Rosário e o Lar São Camilo


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RELIGIÃO

Rogações em tempos de pandemia ANDRÉ EUSTÁQUIO

A pandemia do novo coronavírus não foi e não será a última peste a atingir a humanidade, que ao longo de séculos viu surgir inúmeros surtos pavorosos de doenças que dizimaram milhares de pessoas. As pestes eram comuns em grandes centros da Europa medieval, como Roma e Paris. A ciência ainda não havia avançado e a população contava com pouquíssimos recursos. Na ausência da ciência e de medicamentos capazes de combater as doenças que proliferavam, a fé era a principal panaceia. Diz a tradição católica que no século V da cristandade medieval “grandes calamidades públicas traziam alvoroço na Diocese de Viena, mais precisamente em Delfinado (atual França)”. Foi então que o bispo local, São Mamerto, mandou que se fizesse uma procissão de penitência durante os três dias anteriores à festa da Ascensão do Senhor, precisamente quarenta dias após a Páscoa. Acreditava-se, na época, que alguns males como a tempestade, os terremotos, o flagelo da guerra, a fome e a peste eram sinais da ira de Deus que punia a humanidade pecadora. Esse ritual de penitência e de súplica a Deus manteve-se ao longo dos séculos e chegou até os tempos atuais com o nome de Rogações, ou Ladainha de Todos os Santos. O Concílio Vaticano II (1962-1965), responsável por ações renovadoras na Igreja, entre elas a reforma litúrgica do Missal Romano, confirmou as Rogações como “momento privilegiado para se viver a penitência”. Pelo que se tem notícias, atualmente poucos lugares ainda preservam o canto das Rogações, sobretudo a sua originalidade na língua latina. Na Diocese de São João del-Rei, somente a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar e a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França,

Fotos: Leticia Resende - Pascom

Antiga tradição católica surgida na Idade Média como súplica contra a peste e outros males é mantida em sua originalidade em Resende Costa

Resenha CAMILA CHAVES

JL apresenta: Sergio Produzido pela Netflix, o filme é baseado no livro “O homem que queria salvar o mundo”, de Samantha Power, e retrata a história do diplomata das Nações Unidas, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello. O diplomata foi morto em 2003 em um bombardeio na sede da ONU em Bagdá, e é interpretado no filme pelo ator brasileiro Wagner Moura. O longa foi dirigido por Greg Barker, que produziu um documentário sobre o mesmo diplomata em 2009, também disponível na Netflix. São introduzidos tons românticos ao filme para se mesclarem com a história e mostrarem outros aspectos de sua vida, apresentando o romance do brasileiro com a argentina Carolina Larriera, interpretada por Ana de Armas. O atentado terrorista em Bagdá vitimou 22 pessoas,

incluindo Sérgio Vieira de Mello, que estava liderando um trabalho no Iraque. O brasileiro, literalmente, dedicou sua vida a esse trabalho humanitário que possuía grande importância, reforçando a impressão de alguém que amava o que fazia, mas que teve sua vida interrompida enquanto buscava planos e projetos para gerarem uma melhoria no mundo. Apesar de quase duas horas de duração, o filme deixa um pouco a desejar por focar muito mais no romance dos protagonistas do que na real atuação de Sérgio nos mais de 30 anos representando a ONU. Mas, mesmo assim, é muito bom e possui uma narrativa bastante interessante. Vale a pena assistir para entender um pouco melhor o que se passou na época.

Canto das Rogações, em maio deste ano, na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França

em Resende Costa, realizam o ritual durante o tríduo da Ascensão do Senhor. Na Catedral do Pilar o texto cantado da Ladainha é em português. Em Resende Costa canta-se em latim. SÚPLICAS Os fiéis suplicam a Deus, através da intercessão dos santos, que abençoe os bens da terra, a Igreja e livre o povo cristão dos pecados e das calamidades da guerra, da peste, dos terremotos e das tempestades. Até 2018, a Ladainha era cantada em Resende Costa às 5h e 30min – geralmente sob névoa e frio intenso que cobriam as ruas no alto das Lajes –, seguindo uma antiga tradição sobre a qual não há notícias de quando surgiu na Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França. O rito original iniciava-se no interior da igreja matriz, de onde partia uma pequena procissão em ritmo um pouco mais acelerado do que o de costume em outras procissões na cidade. A procissão, que não durava mais do que meia hora, retornava à matriz onde era celebrada a Santa Missa. No entanto, desde 2019, por mo-

tivos pastorais, o horário foi alterado para as 18h e 30min. Outra modificação: ao invés de os fiéis saírem em procissão, como tradicionalmente acontecia, as Rogações passaram a ser cantadas somente no interior da igreja matriz. O texto continua sendo o original, com preces evocadas e respondidas em latim. Neste ano, a Ladainha foi cantada nos dias 21, 22 e 23 de maio (tríduo do Domingo da Ascensão), porém somente com a presença da equipe de celebração no interior da igreja, em cumprimento das normas de distanciamento social em vigor na cidade, devido à pandemia do novo coronavírus. Os fiéis acompanharam as Rogações, a bênção do Santíssimo e a celebração da Santa Missa do tríduo da Ascensão do Senhor através da Rádio Inconfidentes e das redes sociais da paróquia. ATUALIDADE As Rogações do mês de maio – antiga e piedosa oração penitencial do rito católico – nunca foi tão atual como neste ano em que o mundo inteiro sofre os efeitos da grave pande-

mia de Covid-19. Em excelente artigo publicado na revista Veja do dia 15 de abril último, o teólogo e pastor da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo, Ed René Kivitz, diz com sabedoria e ponderação que “o coronavírus deve ser enfrentado com boa medicina, e a superação da Covid-19 será uma conquista da ciência, mas também é verdadeiro que os suplementos de empatia, solidariedade, compaixão e misericórdia, necessários e heroicamente demonstrados por todos aqueles que se expõem ao risco para prover cuidado aos enfermos e vulneráveis, são qualidades que se encontram no coração dos que creem (ou intuem) que a vida descansa nos mistérios e virtudes do espírito humano e do Espírito divino. Assim é a fé saudável: não se fabrica em laboratórios nem se compra em

farmácias.” Sabemos que a cura da Covid-19 virá da ciência, porém as intempéries que ao longo de séculos colocaram e vêm colocando a humanidade à prova nos mostram o quanto somos frágeis. E a fragilidade da vida humana nos leva a crer, a ter esperança de que algo bom nos acontecerá... e nos salvará. Podemos chamar isso de fé? Esse mesmo sentimento (fé ou esperança) inspirou São Mamerto, bispo de Viena, a criar as Rogações lá no longínquo século V e ainda reúne cristãos nas igrejas do século XXI para suplicar a Deus que nos livre da peste. A peste que em 2020 tem um nome: Covid-19. “A peste, fame et bello, libera nos, Domine! Da peste, da fome e da guerra, Livra-nos, Senhor! ”

CIDADE

Asseturc solicita plano municipal de retorno às atividades comerciais DA REDAÇÃO

Em reunião no último dia 19 de maio, representantes da Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) apresentaram ao prefeito municipal, Aurélio Suenes de Resende (PSD), as demandas da classe empresarial de Resende Costa referentes à retomada das atividades comerciais na cidade após o pico da pandemia (em Minas Gerais o pico da pandemia está pre-

visto para o dia 19 de julho). De acordo com Luciene Cardoso, presidente da Asseturc, “a classe empresarial defende que seja apresentado um plano de retorno gradativo e seguro do comércio local e turístico da cidade. Sabemos que tudo precisa ser feito com critério e com cuidado com a saúde pública. Mas acreditamos que já é o momento de ter um plano de retorno gradual do comércio, com todas as medidas de prevenção necessárias”, declarou a presidente. Segundo o prefeito municipal,

Resende Costa está inserida em consórcios e parcerias regionais de saúde e não tem condições de enfrentar sozinha a Covid-19, por isso está se posicionando em conjunto com 51 municípios da macrorregião de Barbacena, à qual pertence o município: “Nossa região aderiu ao programa ‘Minas Consciente’ para a retomada gradativa das atividades econômicas. Isso tem que ser feito regionalmente porque Resende Costa precisa da cooperação de outros municípios para agir com eficácia diante da pandemia. Seria

irresponsável tomar uma medida isolada sem considerar o contexto regional e os protocolos do Estado”, afirmou o prefeito. AVANÇO Enquanto a prefeitura articula medidas de reabertura gradual do comércio, seguindo as diretrizes do programa “Minas Consciente” e em sintonia com os municípios da macrorregião, a Asseturc avança com ações de apoio ao comércio local e turístico de Resende Costa.

Segundo a Asseturc, projetos considerados fundamentais para a retomada do turismo, como a criação do Selo de Procedência do Artesanato Local (processo em andamento no INPI) e a construção do Centro de Apoio ao Turista (CAT), interrompida temporariamente em razão da pandemia, mas que deve ser retomada em breve, estão sendo levados adiante. Também está sendo disponibilizada assessoria contábil às empresas associadas, tendo em vista a adequação das mesmas ao cenário de crise.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

EX LIBRIS AD VIRUS (DOS LIVROS PARA O VÍRUS) OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO. Eles ainda guardam uma FELICIDADE CLANDESTINA. Vede... A PESTE do mundo não plantou entre eles AS FLORES DO MAL. Nem mesmo O TEMPO E O VENTO transformaram o prado vicejante em LAVOURA ARCAICA. Do outro lado, AS CIDADES E AS SERRAS ecoam o que OS SINOS DA AGONIA choram. POR QUEM OS SINOS DOBRAM? O que pranteiam? E O VENTO LEVOU a resposta para cada recanto do planeta: TODOS OS NOMES de todos os homens e de todas as mulheres estão inscritos na lista ameaçadora das ILUSÕES PERDIDAS. Nunca esteve a RESSURREIÇÃO tão distante. Ninguém poderia adivinhar O RISCO DO BORDADO que o FELIZ ANO NOVO preparou para depois do réveillon: a condenação universal a UMA TEMPORADA NO INFERNO, sorvendo o absinto de UM COPO DE CÓLERA. É irônico, mas A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER de um vírus foi o APOCALIPSE da história, o enredo do LIVRO SOBRE NADA, a distopia que confundiu A VIDA COMO ELA É. A coerência se contorce nos embates entre O SER E O NADA. Mesmo oprimido, o ser teima em olhar para o alto, pois O SOL TAMBÉM SE LEVANTA. Triste olhar... Do seu topo, O MORRO DOS VENTOS UIVANTES solfeja trágica melopeia para OS MISERÁVEIS recitarem suas queixas. Meu Deus, quantas VIDAS SECAS sepultadas na TERRA DESOLADA! A feroz FOME das covas devora os sonhos que jamais serão exumados. Enterros soturnos, sem o coro angelical do CÂNTICO DOS CÂNTICOS. A terra não consegue dormir, é TERRA SONÂMBULA, enfastiada de pesadelos despertos. É tempo de LAMENTAÇÕES, de chorar o PARAÍSO

PERDIDO, de tentar o impossível... mas o impossível vence: O BEIJO NO ASFALTO não faz MORANGOS MOFADOS brotarem novos. Talvez penseis que tudo isso é CRIME E CASTIGO. Não sou Deus para julgar se é crime nem se merece castigo. Talvez imagineis que A CINZA DAS HORAS seja o ninho da fênix. Talvez a cinza seja o derradeiro farelo de um BAÚ DE OSSOS já desfeitos. Será? Afinal, o diário que o CEMITÉRIO DOS VIVOS guarda em suas tétricas alcovas é sempre inacabado. No entanto, a ANGÚSTIA também pode gerar o broto GERMINAL de novos LAÇOS DE FAMÍLIA, evitando que sejamos condenados a CEM ANOS DE SOLIDÃO. Mesmo com o coração sufocado, temos que caminhar. Sem ÊXODO. As respostas virão nos passos que transformam. Sigamos juntos ON THE ROAD. Olhai de novo para os lírios. Escutai: ALGUMA POESIA eles sussurram e colorem. Se os olhos sensíveis conseguem enxergar A COR DO INVISÍVEL, também podem entender o CLARO ENIGMA dos lírios. Mesmo sendo ceifados, eles voltam novamente, pois o impulso à vida faz com que os lírios não desistam de ser lírios. A HORA DA ESTRELA virá. A noite vivenciará A METAMORFOSE da aurora e o céu mostrará a tão esperada ESTRELA DA MANHÃ. O que virá neste dia? Um ADMIRÁVEL MUNDO NOVO? Uma HISTÓRIA MEIO AO CONTRÁRIO? Como saber se será OU ISTO OU AQUILO? Seja o que for, a lembrança não pode ficar apenas fixada no calendário. É preciso reinventar a história, fazer da lembrança uma QUASE MEMÓRIA para que o passado não se repita como um pêndulo trágico. Lembrar para recriar. Os lírios... Olhai os lírios! Em cada reaparecimento, a invenção de um novo florir.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Enquanto houver o sol Ultimamente, sempre por causa dela, a atual pandemia, que vem estabelecendo uma nova ordem mundial, as pessoas estão buscando maneiras de seguir adiante. Nessa adequação, pelo menos para muita gente, velhos hábitos vêm sendo resgatados de um passado nem tão distante, como o de cozinhar em casa, caso daqueles que antes haviam se rendido à comodidade ou necessidade da ida a restaurantes e similares, agora fechados ou funcionando de modo restrito. De tudo o que está sendo incorporado como hábito a este novo cotidiano, nada é mais visível e representativo deste momento do que o uso de máscaras de proteção contra o contágio do coronavírus. Sem o aspecto impositivo dessas e demais formas de encaixe a esta outra realidade, o antigo costume de admirar a beleza do pôr do sol tem se mostrado em alta. Gentil Vale, nosso saudoso conterrâneo, menciona em sua obra O tempo, esse itinerante – Memórias (1992) as Lajes da Matriz, pela tardinha, como um antigo e habitual destino de muitos moradores de Resende Costa, dele próprio nos seus tempos de moço, como testemunhas do sol se escondendo ao longe. Chegava-se, procurava-se um lugar estratégico no lombo negro do enorme bloco de granito. Ali se ficava longo tempo conversando, contavam-se anedotas, à espera do pôr do sol, um dos espetáculos mais deslumbrantes que já vi, relata ele. Em fotos, imagens de vídeos ou ao vivo, o ocaso de

mais um dia é colírio certo aos nossos olhos aflitos de agora. E também inspiração em outros tempos. Do poeta alemão Friedrich Hölderlin (1770-1843) busquei esta pérola: Pôr do sol Onde estás? A alma anoitece-me bêbeda/ De todas as tuas delícias; um momento/ Escutei o sol, amorável adolescente,/ Tirar da lira celeste as notas de ouro do seu (canto da noite)./ Ecoavam ao redor os bosques e as colinas,/ Ele no entanto já ia longe, levando a luz/ A gentes mais devotas/ Que o honram ainda. (tradução de Manuel Bandeira) Em meio ao desassossego de hoje, é natural, instintivo até que nos apeguemos a tudo que nos traga um pouco de serenidade. Não por acaso, uma bela paisagem no horizonte se presta a isso. E não apenas pelo que há de esplêndido nas imagens do sol nascendo ou se pondo. Segue ele seu curso diário. Disso nos aproveitamos para a descoberta de aprendizados que nos permitem viver dias menos difíceis. Que falem por nós os versos de Mais uma vez (1986), parceria de Renato Russo e Flávio Venturini: “Mas é claro que o sol/ Vai voltar amanhã/ Mais uma vez, eu sei/ Escuridão já vi pior/ De endoidecer gente sã./ Espera, que o sol já vem.” Composto em 1973, o clássico brasileiro Juízo final, de Nélson Cavaquinho (1911-1986), possui uma letra profética, de apelo à re-

sistência, bem apropriada ao momento: O sol há de brilhar mais uma vez/ A luz há de chegar aos corações/ Do mal será queimada a semente/ O amor será eterno novamente./ É o juízo final/ A história do bem e do mal./ Quero ter olhos para ver a maldade desaparecer./ O amor será eterno novamente. Na canção Luz do Sol (1983), de Caetano Veloso, os versos iniciais retratam com perfeição a presença desse astro possibilitando a existência das plantas, e consequentemente dos seres vivos. Vejam: Luz do Sol/ Que a folha traga e traduz/ Em verde novo/ Em folha, em graça, em vida, em força, em luz. Dessas tantas poéticas palavras impregnadas de fé, força e esperança façamos nosso propósito de bem cuidar da vida mais do que nunca hoje. E muito mais do que ouvir como um mantra que tudo isso “Vai passar!”, que possamos nos reinventar como pessoas melhores já ao longo desta difícil travessia. 2020 atípico. No calendário, apesar do feriado vazio, o 2 de junho continua especial por tudo o que representa ao assinalar mais um aniversário de nossa cidade em seus 108 anos de emancipação política. És o mais belo mirante/ Que Deus já pôde criar. À lembrança desses versos do Hino oficial de Resende Costa, de autoria do poeta resende-costense Abel Lara, cabe dizer que o pôr do sol visto das Lajes de Cima, um dos símbolos de nossa terra, é, de fato, uma maravilha da natureza.


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ECONOMIA & NEGÓCIOS

Comércio em quarentena

ARTIGO

Cuidando da casa e da mente

ANDRÉ EUSTÁQUIO E CAMILA CHAVES

Reinvenção e criatividade têm sido palavras e, sobretudo, atitudes comuns no dia a dia de empresários de diversos setores do comércio neste momento de grave crise sanitária e financeira que o mundo inteiro enfrenta. A pandemia de Covid-19 forçou o comércio a fechar as portas, paralisando subitamente a economia em escala global. Desde o início da segunda quinzena do mês de março, o que mais se vê em todas as cidades brasileiras são portas fechadas (do comércio e das casas) – apesar de muitos municípios estarem começando a flexibilizar o isolamento social, justamente no auge da epidemia no Brasil. Em Resende Costa, no Campo das Vertentes, o comércio de artesanato é responsável por impulsionar a economia e o turismo no município de pouco mais de 11 mil habitantes. Na avenida Alfredo Penido, entrada da cidade e onde se localizam mais de 80 lojas de artesanato, o cenário é de cidade vazia desde o começo da pandemia. “No dia 20 de março de 2020, pela primeira vez em quatro anos de comércio, fechamos as portas. Daí vieram o medo, a insegurança e a incerteza do que estava por vir com essa pandemia que assustou todos e assusta até hoje. Pensamos que talvez em uma semana ou, no máximo, em um mês voltaríamos ao normal, mas já se passaram setenta e poucos dias e continuamos fechados”, diz Sandra

Foto: arquivo pessoal

Empresários e lojistas de Resende Costa utilizam as novas tecnologias para manterem as vendas

Foto: arquivo pessoal

Sandra (dir.), da TC Linhas Artesanato, e sua funcionária Angélica preparam mercadoria a ser despachada através de transportadora

MARIA LUCIA NASCIMENTO REIS (ZUZU)*

A necessidade de proteção transformou nossa casa em abrigo, no sentido real da palavra, onde tentamos resgatar a nossa vida. O tempo, que antes era escasso, agora nos causa ansiedade por não saber o que fazer e como agir nesse momento. Diante desse novo cenário, voltar o olhar para a organização dos ambientes da casa pode ser uma alternativa para ocupar o tempo e driblar sentimentos negativos que nos rodeiam. O processo precisa acontecer de forma leve, pois o objetivo é

Eliane Lemes, da loja Peça Rara

Silva Resende, da TC Linhas Artesanato. A incerteza sobre a reabertura do comércio deixa lojistas e funcionários apreensivos. Não podendo contar com o retorno breve das atividades comerciais e com a volta iminente dos turistas que antes da pandemia lotavam a cidade, especialmente nos finais de semana e feriados, os lojistas tiveram de se reinventar. Muitos encontraram a internet e as redes sociais como importantes aliados. “Felizmente nem tudo está perdido. Eu e minha funcionária começamos a divulgação dos nossos produtos na mídia e conseguimos ganhar novos seguidores. Nosso Direct no Instagram e o WhatsApp tocam o dia todo”, comemora Sandra, que realiza entrega também em domicílio, em Resende Costa, e conta com uma transportadora que leva as mercadorias de sua loja a cidades de outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Espírito Santo. “Agradeço o apoio e o incentivo de cada um que faz parte da nossa história”, completa. DE PORTAS FECHADAS Além das lojas de artesanato, empresários de outros setores do comércio não considerados essenciais em Resende Costa também precisaram usar a criatividade para se manterem ativos. É o caso das lojas de roupas. Eliane Lemes, proprietária da Peça Rara Modas, com endereço na rua Gonçalves Pinto, centro da

cidade, relatou como está trabalhando estando a sua loja com as portas fechadas. “Estamos nos adaptando a essa nova rotina. Estávamos acostumadas a ter contato direto com o cliente. Agora, com a pandemia e com a crise financeira que muitos já vêm enfrentando, estamos mais do que nunca tendo que nos reinventar”, disse a empresária. Eliane conseguiu manter os clientes fiéis, apesar da distância e não podendo recebê-los como de costume em sua loja. “Graças a Deus, nossos clientes não nos abandonaram e, mais do que nunca, a tecnologia tem sido nossa aliada. Tentamos divulgar o máximo que conseguimos pelas redes sociais e finalizamos as vendas através do WhatsApp”. Ela frisa o cuidado com a higienização da mercadoria que entrega em domicílio a seus clientes, seguindo os protocolos de segurança, mas lamenta a dificuldade de encontrar novidades no mercado. “Não estamos tendo tanta variedade de mercadoria, pois estamos encontrando muita dificuldade ao fazer compras e entrar em contato com os vendedores. Mas estamos fazendo o possível para trazer o máximo de opções.” As vendas por delivery estão dando certo e já é uma opção para o pós-pandemia. “Nós temos interesse em continuar com o delivery após a pandemia, já que na correria do dia a dia muitos clientes não possuem disponibilidade de ir até a loja”, planeja

Eliane. APOIO AO COMÉRCIO A pandemia pegou todos de surpresa. Projetos e metas importantes tiveram de ser adiados. A Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) estava iniciando a construção do ambicioso projeto da nova sede, na avenida Alfredo Penido. As obras tiveram de ser interrompidas com a chegada do novo coronavírus. “Tivemos que parar desde o início de abril. Espero que a gente consiga dar continuidade em breve, mas ainda não obtivemos resposta do prefeito”, informou Luciene Cardoso, presidente da Asseturc. A construção do CAT (Centro de Apoio ao Turista) é o principal projeto da atual diretoria da Asseturc para 2020. A pandemia está adiando a concretização das metas propostas, mas não desestimulando diretores e colaboradores da associação. “Estamos buscando meios para dar continuidade aos projetos que estavam em andamento. Dentre eles, o principal: a construção do CAT. Porque, através do CAT, poderemos alavancar e reconstruir o turismo em Resende Costa”, destaca Luciene. UNIÃO A situação do comércio em Resende Costa preocupa a diretoria da Asseturc. Luciene diz que vem observando a movimentação dos lojistas

realizar as atividades com prazer e não por obrigação, respeitando seu limite. Tenha calma, comece por uma gaveta, uma porta do armário, uma parte da estante. Retire tudo do espaço e analise cada objeto. Pratique o desapego separando o que vai descartar, o que vai doar e o que vai consertar. O desapego é fundamental, pois, ao livrar-se do excesso, consegue-se visualizar o que é realmente importante e nos traz felicidade. Após essa etapa, crie categorias agrupando objetos semelhantes (calças, blusas, livros). Em seguida, setorize esses itens criando “casinhas”, ou seja, locais fixos para retornar cada grupo de peças. À medida que ocupamos nossa mente e nos empenhando na realização das atividades em nosso lar, conseguimos ter mais clareza e tranquilidade, pois a organização externa harmoniza nosso interior e a família. Vendo os resultados, passamos a nos envolver mais na manutenção da nova rotina da casa. *Personal Organizer https://www.instagram.com/ zuzuorganizer/

que estão conseguindo vender através das redes sociais, mas se preocupa especialmente com aqueles que dependem exclusivamente do turismo na cidade. “Pelo que estamos observando e conversando com alguns lojistas do ramo do artesanato, a maioria está realizando vendas através de atendimento on-line. As transportadoras estão vindo aqui para fazer a coleta de mercadorias e alguns clientes optam pelos Correios. Porém, alguns lojistas que dependem exclusivamente do turismo não estão vendendo nada ou quase nada”, diz a presidente da Asseturc. De acordo com Luciene, a situação é delicada e requer paciência dos lojistas. “É necessário ter paciência e buscar outros meios através das ferramentas disponíveis, como WhatsApp, Facebook e Instagram, para divulgar os produtos e realizar vendas.” Para a presidente da Associação Comercial e Turística de Resende Costa, é imprescindível a união de todos para que o comércio da cidade sobreviva à crise. “O comércio precisa sobreviver de alguma forma. A Asseturc está à disposição para contribuir com o que for preciso. Estamos preocupados com o comércio, mas, sobretudo, com a saúde da população. Agora, mais do que nunca, é importantíssimo todos nós nos mantermos unidos. Precisamos lutar juntos para sobrevivermos a essa pandemia”, conclui Luciene Cardoso.


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ECONOMIA & NEGÓCIOS

VANUZA RESENDE

Para evitar a aglomeração de pessoas em ambientes fechados e assim tentar conter a proliferação do novo coronavírus, eventos estão sendo cancelados ou tendo suas datas remarcadas. A advogada, presidente da Comissão da Mulher Advogada e membro da Comissão do Direito do Consumidor da 37ª Subseção da OAB/MG, Marina Vale Sousa, falou ao JL sobre os direitos dos consumidores. Para quem já havia adquirido ingressos para eventos particulares existem opções a fim de evitar prejuízos. “O consumidor é a parte vulnerável de uma relação de consumo e não pode ser prejudicado por causa de um acontecimento imprevisto. No mês de abril, foi adotada a Medida Provisória 948/2020. Medida Provisória é um instrumento com força de lei, adotado pelo presidente da República, em casos de relevância e urgência, que produz efeitos imediatos. Segundo a MP 948, para que o fornecedor seja dispensado da obrigatoriedade do reembolso referente ao valor pago pelo consumidor, deve: assegurar alternativamente a remarcação dos serviços; disponibilizar crédito para uso ou abatimento em outras compras disponibilizadas pelas respectivas empresas; ou, por último, formalizar outro acordo com o consumidor”, explica a advogada. Marina orienta que “a solicitação deve ser realizada pelo consumidor em um prazo de até 90 dias contados da Medida Provisória (08 de abril) para que ocorra sem custo adicional, taxa ou multa. Caso o consumidor faça a opção pelo crédito a ser utilizado para outro evento, este poderá ser utilizado em um prazo de 12 meses, contados da data de encerramento do estado de calamidade pública. Essas situações se aplicam aos prestadores de serviços turísticos, cinemas, teatros e plataformas de vendas de ingresso pela in-

Foto: André Eustáquio

Advogada orienta sobre direitos do consumidor durante quarentena da Covid-19

Advogada Marina Vale - orientações sobre os direitos do consumidor em tempos de pandemia

ternet”, esclarece. Àqueles que tiveram que adiar eventos particulares, inclusive com contratos assinados, a advogada orienta: “Algumas empresas que trabalham com eventos relacionados a casamentos, aniversários, formaturas não preveem a possibilidade de rescisão ou restituição de valores pagos, ou estipulam multas contratuais, impossibilitando a rescisão ou modificação do contrato. Caso o consumidor fique em desvantagem exagerada, o Código de Defesa do Consumidor prevê a possibilidade de anulação de determinadas cláusulas, bem como a modificação do contrato em decorrência de um fato superveniente. A empresa que cobrar multa pela rescisão ou inviabilizar a remarcação de data para o evento estará ocorrendo em prática abusiva.” A advogada lembra que estamos em uma época totalmente adversa e que é preciso que contratante e contratado cheguem a um acordo, preferentemente de forma harmoniosa. “O mercado está atualizado de todo o ocorrido e deve procurar não criar dificuldades para remarcar

eventos. Deve-se atentar para o conflito da nova data, já que a demanda estará acumulada. Caso não haja consenso e os consumidores desejem cancelar o contrato, eles podem exigir o dinheiro de volta, conforme prevê o artigo 35 do Código de Defesa do Consumidor. É preciso buscar uma alternativa amigável que possa satisfazer as duas partes do contrato, levando em conta a situação e as consequências que a pandemia irá causar em todos os setores”, destaca Marina. A advogada reforça que “a melhor forma de solucionar os problemas das relações de consumo é negociando. Ninguém esperava por essa situação e, por causa disso, é preciso agir com bom senso. É primordial a busca de um consenso, tendo em vista que consumidores e fornecedores sofrem com os efeitos da pandemia. Caso o consumidor busque um acordo com o prestador de serviços, e não obtenha uma solução, ele pode procurar o Procon, se estiver com atendimento normal, ou registrar uma reclamação no site www.consumidor.gov.br”, conclui Marina Vale.

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De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Resende Costa e a educação escolar em tempos de pandemia Resende Costa, com população estimada em 11.569 habitantes, apurada pelo último censo de 2017, tem 1.959 alunos matriculados nas suas escolas públicas: 751 são da Escola Estadual Assis Resende e 1.208 de todas as unidades escolares mantidas pelo município. Há também o Centro Educacional Mundo Mágico, uma escola particular que atende 24 crianças com idades até 5 anos e onde trabalham três professoras. Se somarmos o número de alunos ao de servidores, sendo 130 do município e 76 funcionários do estado, teremos o total de 206 servidores. Acrescentando a esse número o total de alunos matriculados nas escolas públicas, atingiremos 2.165. Se acrescentarmos ainda aqui o número aproximado de 250 alunos que vão todos os dias a São João del-Rei para frequentar pré-vestibulares, cursos técnicos ou de graduação oferecidos pela UFSJ e pelo Uniptan, teremos 2.442 pessoas, isto é, 21,10%, um quinto da população da cidade. Não podemos deixar de lembrar que há outra parcela da sociedade que está indiretamente envolvida com os estudantes: familiares, pajens, empregadas domésticas e demais prestadores de serviços, que também aguardam a retomada das aulas presenciais. Se há, portanto, um quinto da população jovem na escola, há, pelo menos, outro quinto envolvido no processo. E isso é quase a metade dos habitantes do município, sem que tenhamos considerado aqueles que frequentam escolas de línguas, artes ou outros cursos. Os números apresentados aqui nos instigam a pensar como se dará o retorno às aulas presenciais e quando isso ocorrerá em meio à pandemia do novo coronavírus. Para saber mais sobre como os educadores estão agindo e se preparando para a retomada dos trabalhos, conversei com dois deles: Antônio Alan Melo Silva (Física/ UFJF e Matemática/Claretianos) e Roseni Maria Fernandes, (Letras/UFSJ). Alan dá aulas na E. M. Paula Assis, localizada no Ribeirão de Santo Antônio, zona rural de Resende Costa, e na E. E. Padre Crispiniano, em Ritápolis. Ambos estão apreensivos sim, mas não desesperançados. Para Alan, “um retorno presencial, nesse momento,

seria muito prematuro em relação ao combate à Covid-19. Fazendo um exercício imaginativo e pensando em uma escola com todos os seus alunos e funcionários em contato diário, seria impossível conter uma pandemia.” Roseni, diretora do Assis Resende, diz que “nesse momento de tanta ansiedade e insegurança causadas por essa pandemia, pensar na volta às aulas presenciais é impossível. A saída encontrada foi o regime de aulas não presenciais.” A oferta de aulas não presenciais (Ensino a Distância EaD) tem sido a solução para algumas escolas, mas não para todas. Faltam equipamentos e treinamento para os professores atuarem. Alan avalia o EaD “como uma modalidade inadequada para crianças e adolescentes, se for adotado como fonte única. O ensino a distância necessita de uma estrutura bastante complexa para ser eficiente.” Roseni entende que “este sistema não é o ideal”. Ela acredita que “nada substitui a presença do professor em sala de aula e o ambiente escolar dá maior garantia para que todos os alunos tenham acesso de forma igualitária ao conhecimento formal. O ensino a distância exige maior participação das famílias nesse processo e algumas delas não têm condições de fazer isso.” É necessário dizer que os professores não estão de férias. Eles têm trabalhado em casa, participado de reuniões virtuais com os colegas e produzido material a ser disponibilizado para os alunos. Tudo deverá ser aprimorado de forma a tornar o EaD mais presente em nossas vidas. Com profissionais habilitados e estrutura eficiente, vai ser possível garantir “uma plataforma virtual de estudos que possibilite aos alunos acesso a material de pesquisa e atividades interativas, dentre outras características, e acesso igualitário a todos, sem exceção”, afirmou Alan. Enfim, não há dúvida de que, sem educação de qualidade e o vai e vem dos alunos, nossa cidade perde muito da sua vida, da sua alegria. Também não há dúvida de que essa alegria se dará, em sua plenitude, quando todos pudermos dizer dos males causados pela Covid-19 como coisa do passado e que soubemos aprender muito com ela.


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ENTREVISTA com o prefeito Aurélio Suenes

Resende Costa adere ao programa Minas Consciente, mas não se descuida das medidas preventivas “Sabemos que nossa estrutura não suportaria um número grande de casos, por isso a prevenção é o grande foco no combate à Covid-19” ANDRÉ EUSTÁQUIO

No último dia 18 de maio, entrou em vigor em Resende Costa o Decreto 131, que regulamenta o uso obrigatório de máscaras por toda a população. De acordo com o decreto, o uso do item de proteção individual é necessário quando as pessoas utilizarem vias públicas e adentrarem em estabelecimentos públicos e privados no município. Trata-se de mais uma medida tomada pelo Poder Executivo, através da Secretaria Municipal de Saúde e do Comitê de Enfrentamento à Covid-19, para conter o avanço do novo coronavírus em Resende Costa. Até o fechamento desta entrevista, o município havia confirmado 1 caso de Covid-19. O prefeito municipal Aurélio Suenes de Resende (PSD) falou ao JL sobre o decreto que regulamenta a obrigatoriedade do uso de máscaras, sobre medidas preventivas e adesão de Resende Costa ao programa “Minas Consciente”, que apresenta diretrizes que orientam os municípios para a reabertura gradual do comércio. Por que a prefeitura de Resende Costa optou pela exigência do uso de máscaras por toda a população? O uso de máscaras é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde. Entendemos que esta é uma importante medida de prevenção ao novo coronavírus. Está comprovado que quando duas pessoas usam máscaras numa conversa, por exemplo, sendo que uma está contaminada e a outra não, a chance de quem não está contaminado de pegar a doença é baixa, o que mudaria caso as duas ou apenas uma delas estivessem sem a proteção. Muitas pessoas têm aproveitado o tempo durante a pandemia para a prática de atividades físicas ao ar livre. A obrigatoriedade do uso de máscaras estende-se também a quem está praticando exercícios em locais públicos? Nesse momento de isolamento social, o ideal e o que temos indicado é a prática de exercícios

físicos em casa. Porém, se a pessoa opta por uma corrida ou caminhada ao ar livre, o uso de máscara se faz necessário. Especialistas apontam que isso não faz mal e não reduz a oxigenação, apesar de o esforço para respirar ser maior. Mas são necessários cuidados devido à umidade: recomendamos que se troque a máscara assim que ficar molhada ou se ultrapassar duas horas de uso. E, claro: em tempos de pandemia, ou não, o importante é que cada pessoa procure um médico antes de começar a praticar atividades físicas. Estamos vendo o número de casos de Covid-19 aumentar significativamente no Brasil e atingir o interior dos estados. O senhor pretende intensificar algumas medidas restritivas em Resende Costa caso o vírus chegue aqui? A Secretaria Municipal de Saúde de Resende Costa e, principalmente, o Comitê de Monitoramento para Enfrentamento do novo coronavírus têm feito um trabalho de excelência em nosso município. Além de todas as ações de conscientização, como as blitzen nos pontos de acesso à cidade e visitas a pessoas que chegam de viagens, atitudes concretas têm sido tomadas para evitar a disseminação descontrolada do vírus em nossa população. Sabemos que nossa estrutura não suportaria um número grande de casos, por isso a prevenção é o grande foco no combate à Covid-19. De qualquer forma, temendo a contaminação de resende-costenses, alugamos dois ventiladores pulmonares (equipamento similar ao respirador) para preparar nosso hospital para eventuais casos. Considerando que a propagação do vírus avance em nossa região, é possível que adotemos medidas ainda mais restritivas, sim, como impedir a entrada de pessoas oriundas de lugares onde há mais casos. Por enquanto, destacamos que a contribuição da população é fundamental: seguindo todas as medidas, em breve conseguiremos voltar à nossa rotina. Aproveito para agradecer a todos os profissionais que têm se exposto e trabalhado intensamente no combate ao novo coronavírus. E ainda: acreditamos que a informação é uma

importante aliada nessa luta, por isso temos usado nossos canais oficiais para dialogar com a população e esclarecer todas as medidas que vêm sendo tomadas. A macrorregião de Barbacena, da qual pertence Resende Costa e os demais municípios da microrregião do Campo das Vertentes, aderiu ao programa “Minas Consciente” do governo do estado, que orienta a flexibilização do isolamento social e a reabertura gradativa do comércio nos municípios. Como acontecerá o processo de reabertura do comércio em Resende Costa? Já iniciamos a conversa com comerciantes e estamos na fase inicial do programa, que é a reabertura dos comércios que integram o que chamamos de “Onda Branca”, de acordo com o Decreto 146, de 22 de maio de 2020. Resende Costa faz parte da região centro-sul do estado, composta por 51 municípios. As decisões sobre a retomada do comércio têm sido tomadas de forma unificada (entre os municípios), com reuniões virtuais realizadas todas as semanas. A “Onda Branca” compreende os seguintes setores: antiguidades e objetos de arte; fogos de artifício; artigos esportivos e jogos eletrônicos; produtos agrícolas, plantas e floriculturas; móveis, tecidos e afins; formação de condutores; além de outras atividades acessórias. Porém, antes de reabrir o comércio, o empresário precisa requerer no setor de Cadastros da Prefeitura a certificação denominada “Alvará Covid-19”. A permissão é obrigatória para o funcionamento e poderá ser cassada caso o comerciante descumpra as responsabilidades assumidas.

“Acreditamos que a informação é uma importante aliada nessa luta” Como os municípios podem avançar de uma onda para outra? É feito o monitoramento da situação re-

De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Ótima ocasião A pandemia tem nos proporcionado ótima ocasião para falarmos sobre a importante distinção entre educação e ensino A educação é competência específica da família e da escola. Esta nada tem a fazer, no momento, dado que os sujeitos da educação, os alunos, não a estão frequentando. Em situação oposta estão as famílias. Elas se viram frente a frente com o processo educacional palpitando, exigindo dos adultos que convivem com os menores, uma dedicação sem precedentes. Na maioria dos casos, estão todos em casa, pais e filhos, envolvidos uns com os outros, o tempo todo. O processo educativo, essencialmente um processo de relação, está exigindo dos membros da família uma interação sem precedentes e sem folga. E tudo se reveste com novas cores, porque o dia a dia introduziu, para muitos, a novidade do preparo da alimentação, do cuidado da casa, e até da função de ensino para aqueles com filhos menores. A convivência familiar tornou-se mais intensa, cobrando de todos mais criatividade. É verdade que esse novo estilo de vida pode também ocasionar momentos de impaciência, desentendimentos, desgaste emocional, cansaço, fadiga. E há já tanta gente assim. Tudo isso, no entanto, pode resultar numa revisão de tantos aspectos da vida em geral e da vida familiar, em particular. No tocante ao ensino,as escolas estão se esforçando para ministrá-lo à distância. Acontece, entretanto, que tal ensino tem suas peculiaridades e não consiste na mera transposição da sala de aula para a internet. Não é assim. Há sérias exigências, particularmente relativas à linguagem e à metodologia de ensino. A linguagem do professor no ensino a distância é muito

gional dos casos de Covid, do número de casos confirmados, número de leitos clínicos e leitos de UTIs ocupados e número de óbitos. A partir desses dados, a região poderá avançar para a próxima onda, ficará como está ou poderá retor-

diversa daquela empregada em sala de aula. Nesta, a fala do professor tem entonação, acompanhada de emoção, mímica, expressão corporal, todos fatores que ilustram a comunicação. No ensino a distância, a maioria de tais fatores se perde, ainda que sejam aulas por teleconferências. A metodologia de ensino, então, é totalmente outra: nada de explanações, discursos, belas falas. Processa-se uma interação direta, o que supõe todo um material didático apropriado e condições tecnológicas sem percalços. Na maioria dos casos, não é o que vem acontecendo. A escola não está preparada para tal ensino. O professor continua agindo da mesma forma que o fazia dentro da sala de aula. E boa parte dos alunos não tem condições tecnológicas favoráveis. Acredito, no entanto, que esse esforço deveria perdurar. Precisamos nos convencer de que o aprendizado é individual. E que ele pode ocorrer à distância. Precisamos nos convencer de que o aluno é quem aprende, mediante a utilização de metodologia e material instrucional devidos. Numa sala de aula com vinte e tantos alunos, não há professor capaz de ajudar tantos ao mesmo tempo. Educação exige relação, presença. Ensino, não. O assunto é velho: ensino. A atividade é nova: ensino a distância. Novas e necessárias exigências para a escola e para o professor. O aluno, como sempre, continuará aprendendo quando quiser. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

nar à onda anterior. De acordo com o programa, a previsão para avançar de uma onda para outra é de 21 dias (após avaliação criteriosa dos dados e estatísticas dos municípios).


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Comportamento

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Com a pandemia da Covid-19, projetos foram suspensos e sonhos precisam ser reinventados Trajetórias de vidas que compartilham a interrupção dos planos de 2020: casamentos, viagens e outros planos tiveram que ser repensados Foto: arquivo pessoal

VANUZA RESENDE

Beatriz não se encontra com o namorado há três meses; Victor não executou o projeto pessoal de colocar um site de viagens no ar; Josi teve suas férias adiantadas; Paula deixou de ir ao show de umas das suas bandas favoritas; Juliana não começou no emprego novo; Ana Luiza cancelou a viagem internacional e Larissa não iniciou as aulas no mestrado. Todos esses planos e histórias são reais e foram adiados em virtude da pandemia da Covid-19, que virou de cabeça para baixo a vida de todo mundo. Quem tinha planos elaborados para 2020 se vê, agora, às voltas com possíveis cancelamentos, adiamentos ou, no mínimo, incerteza sobre se de fato eles poderão se concretizar. AMIZADES E DEMONSTRAÇÕES DE CARINHO EM TEMPOS DE PANDEMIA Alguns puderam ser apenas suspensos, repensados e reestruturados para algum dia no futuro, mas em alguns casos não é possível nenhuma dessas opções: a gestação. Os exames de pré-natal precisam continuar sendo feitos, o berço precisa ser comprado e vai chegar o momento de ir até a maternidade para voltar com os filhos nos braços. Como é o caso de Doraci Resende Vieira e Fernando Vieira, grávidos da Maitê em meio à pandemia. A auxiliar administrativa de 28 anos, mãe de primeira viagem, fala sobre como a pandemia acabou afetando a gestação: “Com toda certeza, a pandemia trouxe transtornos para todos. Sou muito ativa e ter que ficar em casa não é algo fácil. Tive uma fratura no pé que me forçou a ficar em ‘quarentena’ desde o final de janeiro, logo muita coisa ainda estava por ser feita. Com a chegada da pandemia, acabei o enxoval realizando compras pela internet e também graças ao comércio local. Sempre que eu precisava, mandava mensagem para os comércios e eles enviavam os produtos à minha casa. Assim consegui concluir tudo que faltava para a chegada da Maitê”, conta Doraci. Entre os planos, estava o de reunir a família e os amigos para o chá de fraldas. “Era um dos meus sonhos da gravidez, sempre adorei reunir família e amigos e minha intenção era fazer o chá bem no final porque falava para todos que queria estar com uma barriga bem

Doraci e Fernando receberam a surpresa da família e de amigos

grande. Até a roupa que queria usar no dia do chá eu comprei com apenas dois meses (de gravidez) e estava guardada, só esperando agendar a data”, diz. Com a chegada da pandemia, não foi possível realizar o evento, pelo menos não na forma que o casal planejou. Mas os amigos e a família resolveram inovar e conseguiram que a Maitê sentisse todo o carinho que espera por ela aqui de fora: um chá montado na casa do casal, sem a presença dos amigos e da família. A ausência física foi compensada com mensagens em cartas. “Sou muito desconfiada, mas essa surpresa foi totalmente inesperada. O Fernando deu um jeito de me tirar de casa, pois não tenho saído. E como iríamos tomar os cuidados, decidi ir. Quando retornamos, desci do carro, ouvi uma música que fala de gestação, que adoro escutar, e quando percebi, vinha da minha casa. Ao olhar para a garagem, vi tudo tão lindo e feito com tanto carinho. Foi muito emocionante e não contivemos a emoção. Nós dois começamos a chorar, estava tudo tão lindo, feito com muito amor por pessoas queridas por nós”, lembra Doraci. Toda essa emoção só foi possível graças à prima e amiga Daiane Pinto, que não quis deixar que o momento fosse esquecido. “A ideia foi da minha amiga e prima Daiane, que viu uma ‘charreata’ na internet e não quis deixar a minha gravidez passar em branco. Ela agitou as nossas famílias e amigos especiais que colaboraram tanto para que

tudo fosse realizado. Eles foram conversando e se organizando, recolheram fraldas e lenço umedecido. Montaram o Chá de Fraldas da Maitê com uma decoração linda, doces deliciosos e algo que, para nós, teve o maior significado de todos: cartinhas de quem participou da surpresa com mensagens de carinho de todos que, assim como nós, estão ansiosos com a chegada da Maitê”, descreve a mamãe. A conclusão disso tudo? “Nós temos os melhores amigos e a melhor família do mundo, que fizeram um sonho se tornar realidade, pois não acreditávamos mais que seria possível realizar o chá e dividir com eles nossa alegria da gravidez, devido ao isolamento social. Mas, pelo contrário, foi possível e ainda recebemos o carinho através das cartinhas.” E por mais que as coisas não tenham saído como o planejado, o amor envolvido compensou as adversidades. “A lição que tiramos é que nem sempre tudo será como planejamos e que está tudo bem. Agora por um motivo triste, estamos tendo que abrir mão de tanta coisa para garantirmos que estaremos o mais rápido possível longe desse vírus que tanto tememos. Temos que aceitar as coisas como elas são e não nos frustrarmos pelo que não está sendo feito. É hora de agradecermos pelo que temos de maior valor: nossas vidas, famílias e amigos. Se cada um fizer sua parte, logo estaremos nos abraçando de novo.” Por fim, Doraci brincou sobre as mudanças no corpo e a emoção de ser mãe. “Quem me conhece sabe o quanto estou feliz com a chegada da Maitê. Desde o dia que descobri que estava grávida, costumo dizer que estou radiante de alegria e sou muito grata a Deus por ter me dado o dom de poder ser mãe. Acho que nós mulheres temos sorte de poder viver e sentir cada sensação da gravidez. Brinco com minhas amigas que queria ter desfilado mais meu barrigão por aí e escuto dos meus amigos e familiares o quanto eles queriam ter aproveitado mais minha gravidez. Mas o que mais desejo é que tudo passe e que Maitê possa distribuir e receber amor”, diz Doraci. ENLACES MATRIMONIAIS Tem gente que sonha desde criança; algumas pessoas nunca pensaram muito nisso, simplesmente aconteceu; outros se emocionam a cada cerimônia, imaginando quando vai chegar o dia do seu casamento. O dicionário Aurélio

traz uma definição muito simples da palavra: ato ou efeito de casar(-se). Mas, certamente, quem já passou por essa situação sabe que há muito mais coisas por trás da palavra. São tantas decisões: os trajes, o local, os padrinhos, o buffet, a decoração e, em cada detalhe, uma série de decisões pensadas e planejadas por meses, anos. No entanto, desde o final de março 2020, os casais brasileiros precisaram adiar o dia escolhido para a união. Foi o caso da professora Fernanda Resende e do engenheiro Bruno Valente, que se casariam em 18 de abril e precisaram adiar o grande dia. A noiva conta que inicialmente não imaginou que a pandemia iria afetar a data escolhida. “Nunca imaginei que teria que adiar meu casamento por conta de uma pandemia. Decidimos adiar o casamento 25 dias antes, quando compreendemos que não haveria nenhuma possibilidade de a cerimônia acontecer”, relata Fernanda. Fernanda e Bruno fazem parte dos 28 casais resende-costenses que adiaram seus casamentos religiosos na Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, entre os meses de abril a dezembro de 2020. De acordo com informações levantadas pela reportagem do JL, alguns casais do mês de novembro ainda estão mantendo a data, mas a grande maioria já marcou uma nova data em 2021. O próximo ano será movimentado com as celebrações de casamentos, no tradicional horário das 20h e 30min aos sábados. Em determinados meses, já não é possível encontrar datas disponíveis. Fernanda fala sobre a frustação de adiar a celebração matrimonial: “Foi uma sensação horrível. Sonhamos com o dia que escolhemos. Já tínhamos entregado todos os convites, já tínhamos fechado com todos os fornecedores e já estávamos na contagem regressiva e, de repente, ter que adiar, sem previsão de uma nova data, foi muito frustrante.” O casal ainda não definiu a nova data por questões pessoais, mas sabe que será em um momento seguro. “Acredito que possam ocorrer cerimônias ainda neste ano, principalmente a partir de outubro, mas a minha acho que não será possível devido ao trabalho do meu noivo e a dificuldade de se conciliar uma nova data. Esperamos conseguir uma nova data para o início de 2021”, planeja. Mesmo não ocorrendo como planejado, Fernanda faz uma reflexão sobre o contexto: “Apesar do momento triste pelo qual estamos passando, precisamos cuidar da nossa saúde e isso vem em primeiro

lugar. As comemorações deixamos para quando tudo estiver normalizado. Mas agora o momento é de ter consciência e manter o isolamento social. Dias melhores virão”, conclui. Outro casal que precisou adiar o casamento foram Thays Miranda e Cássio Resende. Eles moram em outros estados, mas se casariam no civil, dia 11 de abril, em Resende Costa. “Dia 11/04/20 era para ser um dia muito especial para mim, para meu noivo e nossos familiares. Iríamos nos casar no civil, em Resende Costa. O principal motivo de ser em Resende Costa é pela minha avó, que está bastante velhinha e não conseguirá vir a Curitiba para a celebração do casamento. Então, eu e meu noivo planejamos um casamento mais simples, no civil, e um almoço em casa para os nossos familiares”. Além do casamento, Thays e Cássio também teriam uma despedida de solteiros no mesmo dia. “Estava tudo arrumado, nossos amigos empolgados enviando mensagens de ansiedade e nossa família feliz porque iríamos oficializar nossa união perante a leis dos homens. Porém, os planos mudaram devido à pandemia”, afirma Thays. A realidade de adiamento também aconteceu de forma inesperada. “Até então, por ser muito recente, eu não tinha noção a fundo do quão grave era (a Covid-19), até uma amiga minha que trabalha em hospital me relatar. Eu e meu noivo conversamos e decidimos deixar em stand by até que as coisas melhorem.” O casal remarcou o casamento pela segunda vez devido à pandemia. “O casamento era em junho, porém adiamos para setembro, com a esperança de nos casarmos ainda esse ano. Mas adiamos mais uma vez, e agora, para o ano que vem. É um pouco frustrante, triste, um misto de sensações, mas o que nos mantém fortes é o nosso amor, a nossa vida de casados que já levamos e, também, poder proteger quem nós amamos. Temos certeza de que será ainda mais especial, feliz e alegre!”, garante Thays. Maitê nasceu no final do mês de maio. O JL deseja muita saúde e luz na vida da nova resende-costense. Muitas alegrias para a família Vieira. E aos casais que adiaram a cerimônia, assim como a repórter, que também adiou a celebração do matrimônio que aconteceria no último dia 06 de junho, um alento: o “sim” no altar vai precisar esperar mais algum tempo, mas os votos de na saúde e na doença já estão sendo cumpridos.


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Informe Publicitário

SOLUÇÕES

REFLEXÕES por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

RECOLHIMENTO, SEMEADURA, CURA

Sicoob amplia proteção para Seguros de Vida No Sicoob, a prioridade é uma só: pessoas. Isso significa cuidar de quase 5 milhões de histórias, sonhos, VIDAS. E é justamente para protegê-las que a instituição conta em seu portfólio com um leque completo de Seguros, adaptáveis a diferentes perfis e necessidades. Mais do que isso, foi por elas que uma decisão histórica foi tomada. Em tempos que pedem empatia e cooperação, o Sicoob incluiu a COVID-19, causada pelo novo Coronavírus, na lista de coberturas dos seus Seguros de Vida. “Epidemias e Pandemias são citadas como ‘Riscos Excluídos’ nas Condições Gerais. Em tese, não haveria cobertura para mortes pela doença. No entanto, o Sicoob suspendeu essa determinação em nome de maior proteção garantida a seus cooperados”, explica o supervisor de Produtos no Sicoob Credivertentes, Wellington Castro. “É claro que rezamos e torcemos, do fundo do nosso coração, para que nenhum associado precise recorrer a essa indenização. Por outro lado, em tempos incertos, sabemos que essa é uma notícia que representa a Justiça Financeira que buscamos e muita tranquilidade às pessoas que contam conosco”, acrescenta a supervisora de Comunicação e Marke-

ting da Credi, Elisa Coelho. APRENDIZADO Os receios coletivos dos últimos anos deixam lições de Educação Financeira e Planejamento. Em 2019, os debates sobre crise na Previdência Pública e reforma do setor fizeram com que a Previdência Complementar ganhasse destaque e fosse procurada como solução que, além de acessível, garantia economia hoje em prol de recursos amanhã na hora de realizar sonhos ou implementar a aposentadoria. Em 2020, a pandemia mundial do novo Coronavírus trouxe susto e apreensão. Por outro lado, mostrou que imprevistos podem mesmo bater à porta de qualquer um. “Quem já contava com um Seguro de Vida se sentiu mais protegido. Quem não, começou a pensar na importância de se ter um. No caso do Sicoob, nossas opções são múltiplas. Há com certeza uma vertente perfeita para cada cooperado e nossas equipes estão prontas para orientar quem precisar”, acrescenta Castro. MODALIDADES Quem faz parte do Sicoob conta com diversidade no portfólio de produtos e soluções. No caso dos Seguros

de Vida, há aqueles voltados a cooperados com idade entre 16 e 65 anos; aqueles experientes até 85 anos que prezam a tranquilidade em todos os momentos; e até quem quer contar com Renda Protegida em caso de incapacidade temporária, por exemplo. Há, ainda, atenções especiais. É o caso do Seguro Vida Mulher. A solução, totalmente dedicada a ELAS, garante coberturas diferenciadas inclusive ante o diagnóstico de doenças graves, como o Câncer. Ou seja: além do suporte financeiro tradicional de qualquer Seguro de Vida, com indenização em caso de falecimento, o Vida Mulher indeniza a própria associada que o contrata caso passe por momentos difíceis, como resultado positivo para Alzheimer; ocorrência de infarto agudo do miocárdio; perda de audição ou visão; e até alguns transplantes. Foi pensando nisso que a fisioterapeuta, esposa, mãe e dona de casa Valdemira Chaves (36 anos), de Ibertioga, contratou o produto. “Não consigo prever o que vai acontecer comigo, mas quero ter certeza de que, em situações como essas, vou ter suporte financeiro para mim ou para as pessoas que mais amo”, explica em referência ao esposo e duas filhas, uma de 5 e outra de 16 anos.

São tempos de repensamento, recolhimento, estratégias criativas; de incorporar “velhos” princípios da confiança de autoestima coletiva. Em meio à estupefação e ao furacão advindos da Pandemia de Covid-19, expõe-se de maneira contundente as fragilidades do mundo globalizado; quão débeis são as pretensões humanas de poder, riqueza e autonomia; e como carecemos de fundamentos morais e espirituais. Pandemia que vem nos alertar quanto ao exercício da humildade, da solidariedade, de remissão, revisão de comportamentos, mudanças de paradigmas, conversão, cooperação. Assistimos atônitos à derrocada de economias, ao desemprego. Vemos empresas em dificuldades, milhares de vidas ceifadas, riscos e dramas de toda ordem. Ainda assim, não hesitemos. Estejamos firmemente decididos a enfrentar as adversidades. Confiemos na nossa capacidade de luta, de surpreender, de superar. Tenhamos bons pensamentos, orações de graça e louvor, firmeza no trabalho, bom relacionamento familiar e social, crença em nossas realizações e no nosso autoaprimoramento. Tenhamos espírito pujante e idealista como o rei português D. Dinis que, “sendo pouca a terra, plantou naus”. Ou seja: plantou pinheiros que serviram para a construção dos navios que realizaram as grandes e épicas navegações. Semeou ele também o conhecimento ao instalar as primeiras universidades portuguesas, embriões da Escola de Sagres, expandindo o território além dos oceanos. Os caminhos escarpados, embora nos firam os pés, permitem-nos atravessar montanhas, atingir o topo e, daí, descortinar planícies, horizontes e mares...

TEM MAIS:

no Sicoob, usar o cartão de crédito significa acumular pontos e trocá-los inclusive por descontos na fatura. Até 30 de junho, aliás, tem bônus de 50% só pra você.


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JORNAL DAS LAJES

SAÚDE

Projeto da UFSJ oferece atendimento psicológico on-line e gratuito para profissionais da saúde VANUZA RESENDE

Ao entrar em uma unidade de saúde, o paciente logo procura por aquele que pode remediar a sua dor. Por trás de cada crachá, jaleco e máscara está a esperança de alívio para uma enfermidade. Há cerca de dois meses, muitas atividades estão paralisadas, algumas pessoas passaram a trabalhar em casa e outras tantas estão trabalhando nos chamados serviços essenciais durante a pandemia da Covid-19. Na linha de frente estão os profissionais da área de saúde, setor primordial para o enfretamento da doença que já matou milhares de pessoas em todo o mundo. Ao lado de cada médico, enfermeiro e auxiliares estão aqueles profissionais que também não pararam e são apoio fundamental para que as instituições trabalhem em ordem: os profissionais da limpeza, cozinha e manutenção de cada casa de saúde. E ainda que acostumados com a adversidade e o ritmo intenso de

trabalho que salva vidas, esses profissionais se viram em uma situação atípica e que demanda ainda mais cuidados. Por isso, os relatos de medo e incerteza começaram a surgir, como explica a psicóloga que atua na Santa Casa da Misericórdia em São João del-Rei, no atendimento a pacientes oncológicos, Jéssica Faria Souto: “Em conversa nos corredores da Santa Casa e com psicólogos das outras instituições, a gente viu como é difícil todo esse momento de incerteza em relação ao vírus e a essa pandemia.” Ao acompanhar a necessidade desses trabalhadores, Jéssica e um grupo de profissionais apoiados pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) mobilizaram uma rede de psicólogos voluntários para atender gratuitamente os profissionais da saúde de toda a região. A psicóloga fala sobre a insegurança e o medo dessas pessoas de serem contaminadas com o vírus. “Uma vez que você está no serviço de saúde, seu contato com o vírus é muito mais provável.” Jéssica também destaca a importância do apoio psicológico

nesse momento. “Ser ouvido, cuidar dessa angústia, desse sentimento de medo, ajuda a encorajar esses profissionais a continuarem no trabalho, a entenderem o papel que eles estão desempenhando.” A psicóloga deixa claro que em momentos como esse é normal, mesmo para aquelas pessoas que são acostumadas a trabalhar em situações difíceis, sentir medo e insegurança. “Quando validado esse sentimento, elas sabem que podem se sentir mais frágeis, chorar junto ao paciente ou, ainda, pela perda dele. (Sentir medo e insegurança) auxilia quanto ao que eles entendam que também são frágeis, mas isso não significa uma fraqueza.” O atendimento aos profissionais de saúde acontece em diferentes dias e horários. Os interessados devem acessar o site: https://ufsj.edu.br/ covid19/acolhimento_psicologico. php e preencher um formulário com melhor dia e horário para receber o atendimento gratuito. Também é possível entrar em contato com esses profissionais através dos números de telefone disponíveis no site da UFSJ.

O Verso e o Controverso JOÃO MAGALHÃES

Na pandemia, cuide mais de sua saúde mental! Os problemas de saúde mental vêm aumentando durante a pandemia da Covid-19 com o isolamento social forçado, segundo estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), publicado on-line pela Lancet, revista cientifica das mais conceituadas do mundo. De acordo com o artigo, ainda em revisão pela comunidade científica, percebe-se um aumento exponencial no número de atendimento psiquiátrico nesta crise. É o que relatam os especialistas. Mas se dá também o contraponto: é significativo o número de pacientes que abandonaram o tratamento por falta de condições. Uma abordagem dos dados com consequente reflexão sobre eles, levada a sério, poderá contribuir para reforçar o zelo pela nossa saúde mental. O levantamento feito pela UERJ revelou que os casos de ansiedade e estresse mais que dobraram, enquanto os de depressão tiveram aumento de 90%. Mulheres são mais propensas a sofrer ansiedade e depressão durante epidemia. As que trabalham fora ainda mais, sobrecarregadas que são pelos trabalhos domésticos e cuidados com os filhos e, frequentemente, também com seus ascendentes, em grande parte, idosos. Fala o doutor Alberto Filgueiras, do Instituto de Psicologia da UERJ, coordenador do trabalho: “Trabalhadores que precisam sair de casa durante a quarentena, entregadores, pessoas que trabalham no transporte público, ou supermercados, profissionais de

saúde, todos apresentam indicadores mais elevados quando comparados aos que estão em casa. Eles se veem mais vulneráveis à contaminação e, por isso, mais ansiosos e estressados.” Para Filgueiras, no caso de depressão, as principais causas em tais circunstâncias são idade avançada, o baixo nível de escolaridade e o medo de passar a infecção para pessoas mais vulneráveis. E completa: “A presença de um idoso em casa, que são pessoas mais vulneráveis e que têm um maior potencial de letalidade, gera um nível de estresse aumentado pelo temor de passar o vírus.” E o doutor Louza, psiquiatra do Hospital das Clínicas/SP, resume: “Eu diria que o fator mais importante é o medo e a incerteza de algo que você não tem controle. São vários fatores, mas acho que o principal é esse receio, esse medo de uma doença potencialmente fatal.” Dados do estudo. Entre 20 de março e 20 de abril últimos, 1.460 pessoas de 23 Estados responderam a um questionário on-line com mais de 200 perguntas. Trabalho coordenado por Filgueiras e Mattew Stults Kolehmainen, do Hospital Yale New Haven, nos EUA. Os resultados sugerem um agravamento preocupante da situação desde o início da epidemia. Na primeira rodada (20 a 25 de março), sintomas de estresse agudo em 6,9% dos entrevistados; na segunda rodada (15 a 20 de abril), os sintomas aumentaram para 9,7%.

Nos casos de depressão, o salto foi de 4% para 8% e a crise de ansiedade pulou de 8,7% para 14,9%. Mais ou menos conforme previsão da Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 8,5% – 7,9% – 3,9% para estresse, ansiedade e depressão, respectivamente. De acordo com a pesquisa, quem recorreu à terapia on-line e praticou exercícios físicos apresentou índices menores de estresse e depressão. Da mesma forma, aqueles que puderam continuar praticando exercícios aeróbicos tiveram melhores resultados do que os sedentários e aqueles que não praticam exercícios de força. Porém, o doutor Filgueiras alerta: “A pressão social para exercitar, por exemplo, pode acabar impondo ainda mais estresse às pessoas. Respeita seu estilo de vida e limites”! Os profissionais orientam as pessoas a pedirem ajuda quando sintomas que julgam preocupantes aparecem. Sintomas fisiológicos como insônia – taquicardia – falta de energia para executar tarefas (lentidão psicomotora) e cognitivos como irritabilidade – solidão – melancolia – insegurança – pensamentos negativos – desesperança. Esses estudos trazem um alerta: o risco de uma onda de doenças mentais. Elas seriam o resultado da reação das pessoas diante da impossibilidade de voltar a viver no mundo que existia antes da pandemia. Por ora, uma realidade que se impõe e irá testar a capacidade de adaptação de cada um de nós.

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Retalhos Literários EVALDO BALBINO

Viagens pelo mundo e pela eternidade São as palavras em estado de arte que nos propiciam os passeios verdadeiros pelo tempo. Se não apenas elas, também elas, e de um modo único que só pertence ao discurso estético. Eu sou estas minhas mãos que escrevem, e nada mais. Quando criança, eu me encantava com a possibilidade de uma ficção científica: a de atravessar o tempo, indo para sítios que não mais existem ou que estão no porvir. Sempre amei essa probabilidade fortemente poética porque ficcional. Eu ganhava isso em filmes, em desenhos animados, nas irrealidades que a televisão projetava e também nos livros de literatura. E essas viagens me eram dadas com regalia, com o direito de eu participar de todos os enredos ofertados infindavelmente. Sou um mero escrevedor, alguém apaixonado pelas palavras e pelo que elas podem artisticamente nos proporcionar. Nada mais que isso. Lembro que, certa feita, pediram para eu mesmo fazer a resenha de um livro meu a ser publicada num jornal de grande circulação. Por orgulho, não a fiz. Por orgulho sim. Mas não uma empáfia besta. Tive foi um sentimento pleno de sinceridade, de ética suficiente para não dizer de mim mesmo o que, obviamente, desejo que outros digam. Pois desejo sim ser lido, amado. Quem não deseja isso? Quem não deseja, sob algum aspecto, ser desejado, querido, acarinhado pelo outro? Eu desejo, e o meu DESEJO é assim mesmo, em letras garrafais, imensas, imensuráveis. Não consigo desejar pouco. O mar é pequeno para o que sonho. Mesmo o mar imenso e profundo existindo distante de quem fala entre as montanhas de Minas. Aqui o mar não existe, e eu insisto em ter um sonho maior do que ele. Mas em que consiste mesmo o meu sonho? Falando aqui da literatura, da minha inserção na literatura mineira e na brasileira, o meu sonho é ser lido por pessoas que amem ler, que olhem para as palavras amorosamente, que sintam comigo o que elas, as palavras, podem dizer. Quero, enfim, que os leitores toquem o mundo como eu o toco, e sempre através das potências do verbo literariamente trabalhado. Isso, decerto, seja sonhar muito. Talvez seja muito eu querer ser lido, querer atravessar latitudes, geografias, li-

mites que os homens constroem pelo mundo. Maior ilusão do que a de querer atravessar o tempo não existe. No entanto, cônscio dessa grande miragem, não deixo de buscá-la para perto de mim, de abraçá-la, de tentar retê-la como, supostamente, os relógios retêm as horas. É isto mesmo: quero, pelas palavras, viajar pelo tempo, atravessá-lo com o meu pó de pirlimpimpim. E esse meu pó são as palavras que toco, que me tocam e que me dão certo poder. E paradoxal também é querer ser lido, ser gostado, e ao mesmo tempo sentir certa timidez, certa vergonha quando alguém elogia o meu trabalho. Paciência, não é?! Cada um de nós tem seus limites, suas contradições. Eu tenho as minhas. Contudo fico feliz quando elogiam o meu trabalho. Uma felicidade indecisa, mas feliz. Tenho consciência de que faço arte, mesmo que pequena. E espero fazê-la de modo suficiente à sede humana de leitura; de modo a satisfazer, pelo menos momentaneamente, os olhos e as mentes daqueles e daquelas que, do mesmo modo que eu, vivem. Vivem e almejam viajar pelas palavras e com elas. E que vivendo todos nós possamos, também pela literatura, viver mais e cada vez mais. De repente, talvez, as minhas constantes demonstrações de religiosidade (duma fé que se deseja inabalável mesmo sabendo que não o é) sejam um modo de eu querer penetrar o tempo, atravessá-lo para um muito além sem tempos, lá onde tudo é eternidade. Assim, entre palavras vou escrevendo meus espantos na vida e meus desejos nela e por ela. Vou nesse ofício de gostar do que faço. Gosto de poetar. Um bom verso me faz tremer, como os trovões nos abalam nas grandes montanhas, mineiras ou não. Gosto de escrivinhar minhas garatujas. E isto me é tudo: os traços que vou traçando numa tentativa de delinear o mundo e me delinear. Sei que isso é impossível em sua plenitude, mas a tentativa é sempre válida. O desejo por si mesmo já é a coisa desejada. E assim vou desejando com palavras que não acabam mais. As palavras alheias e as minhas, que todas são um só caminho, uma ponte única e extensa querendo unir tudo e todos entre si e com o outro lado: a eternidade. Afinal vivemos também, e principalmente, nas páginas alheias.


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ESPORTE

Devido à pandemia da Covid-19, calendário 2020 de eventos esportivos em Resende Costa não tem previsão para ser cumprido ICMS Esportivo será afetado: divisão de esportes explica que essa será uma realidade de todos os municípios VANUZA RESENDE

“Entre torneios, campeonatos e festivais, o ano de 2020 será de muito esporte em Resende Costa. O Calendário Esportivo da Prefeitura Municipal de Resende Costa, divulgado em 09 de janeiro, conta com 21 eventos de março a dezembro.” Quando o JL publicou essa matéria na edição de fevereiro, não imaginava que muitos desses eventos seriam suspensos ou adiados devido à pandemia da Covid-19. Para evitar aglomerações, os eventos esportivos, assim como os demais eventos, estão suspensos até segunda ordem no município. A chefe da Divisão de Esporte, Vivian Daher de Oliveira Aarão, falou sobre a suspensão dos torneios. “Não há nenhuma previsão para volta das atividades. Estamos obedecendo às normas do Ministério da Saúde. As reuniões do Conselho Municipal de Esportes vão ser feitas por grupo no WhatsApp, pois não podemos nos reunir presencialmente. Essa foi uma indicação da SEESP MG – Secretaria de Estado de Esportes de Minas Gerais. O Comitê para Enfrentamento à Covid-19 não nos informou nenhuma data de retorno. Então as atividades previstas no calendário para este ano serão adiadas ou canceladas”, informa Vivian. CAMPEONATOS ADIADOS A programação oficial da prefeitura contava com os seguintes torneios com início previsto para o mês de março: II Copa Alterosa de Futebol de Base, III Torneio Regional de Veteranos, VIII Torneio de Futebol do Povoado dos Pintos e III Campeonato Municipal de Futebol. Já em maio, haveria o III Trilhão das Lagartixas Bikers e a Corrida da Mostra de Artesanato e Cultura. Para encerrar o primeiro semestre do ano, TIF´S – Torneio de Futsal e a segunda edição dos

Jogos Estudantis da Escola Municipal Paula Assis. Um dos eventos esportivos mais tradicionais de Resende Costa é o Torneio de Inverno de Futsal, que começaria justamente em junho, no final do mês. Um dos organizadores, Cássio Almeida, falou sobre o adiamento da competição: “Não será possível realizar o evento na data habitual, principalmente por ser um evento que tem uma presença muito grande de público.Se fosse apenas com os jogadores já seria difícil, mas a gente precisa do público.” Ainda sem definição sobre o campeonato, os organizadores fazem projeções: “Uma das possibilidades é transferir o evento para o fim do ano, que é quando realizamos o torneio de verão, de porte menor, habitualmente disputado por equipes de Resende Costa. Mas isso vai depender de outros torneios que acontecem na região, porque são praticamente os mesmos times que disputam esses campeonatos”, analisa Cássio Almeida. Outra projeção seria realizar o campeonato apenas com os times da cidade, mas não tem nada definido. “A gente está aguardando uma reunião do Conselho de Esportes para termos uma definição de como serão feitas as competições em Resende Costa no ano de 2020”, explica o organizador. Julho seria o mês com mais atividades esportivas com apoio da Prefeitura Municipal. Começando com uma corrida rústica da Etapa RTR, seguida da vigésima edição do Enduro das Lajes e do X Campeonato de Futebol Amador. No mês de agosto, estavam programados a nona edição do Trilhão das Lajes e o Campeonato de Futebol de Campo do Ribeirão. Já no mês de setembro, está agendado no povoado do Ribeirão o Campeonato de Futebol de Campo e Jacarandira seria a anfitriã do Festival de Futebol. Caminhando para o encerramento do ano, está previsto no calendário

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Entrelinhas SAMIRA SILVA

Futebol e Ditadura Há 55 anos, em 31 de março de 1964, o Brasil começava a viver sob o regime militar – período de forte repressão e de limitação de liberdades que durou 21 anos. Era uma época em que não havia internet, blogs, redes sociais e outros meios de comunicação. Não existia liberdade de imprensa nem circulação de informações como hoje. O futebol não era tão exibido, poucos jogos eram transmitidos pela TV. Mas, ainda assim, a televisão era o meio através do qual as pessoas se manifestavam ao público sem tantos filtros. O futebol se tornou um programa utilizado como propaganda da ditadura. Ídolos, clubes e até o próprio Mineirão foram envolvidos direta ou indiretamente nesse meio. Reinaldo, ídolo do Atlético- MG e referência para muitos, com gestos simples começou a sintetizar a resistência ao golpe militar. O seu gesto de erguer o punho cerrado representava muita coisa: “Meu gesto era um alento aos socialistas, um sinal de apoio e unidade perante uma causa”, explicou, em trecho publicado na biografia “Punho Cerrado”. Mas este “simples” posicionamento incomodava o poder dos generais. O jogador cita no livro um encontro que teve com Ernesto Geisel, durante o qual o presidente revelou que “Reinaldo jogava muito bem, mas que não deveria falar de política”. E a tentativa de opressão não parou por aí, já que André Richer, chefe da delegação da Seleção Brasileira, pediu o fim da comemoração com o punho cerrado. Entretanto, o pedido não funcionou. Num jogo na Argentina, quando Reinaldo

do mês de outubro, até então, a terceira edição de Futsal – Outubro Rosa, Corrida Rústica em homenagem a Nossa Senhora Aparecida e Corrida Pink Run. Em novembro, está programada mais uma etapa do RTR. Por fim, dezembro encerraria com a terceira edição do Festival da 3ª Idade. Será que pelo menos parte deste calendário será cumprida?

marcou um gol, ele não deixou de fazer sua marcante e afrontosa comemoração. Não vista com bons olhos, nos jogos seguintes, sofreu no banco reservas. Daí em diante, as perseguições na seleção, ou por parte da CBD, hoje CBF, nas campanhas do vice-campeonato brasileiro do Atlético-MG, em 1977 e 1980, se seguiram. Anos anteriores aos atos ocorridos com Reinaldo, o regime militar já se fazia presente no futebol mineiro. Ídolos do Atlético e do Cruzeiro, Dadá e Dirceu Lopes, respectivamente, viveram situações dissemelhantes nas vésperas da Copa de 1970. Com Médici no governo, os dias de Saldanha na seleção estavam acabando. “O João, politizado, comunista, começou a bater de frente com o presidente. Ele começou a incomodar o poder”, relata Dirceu. Como já esperado, depois de atritos, Saldanha foi demitido às vésperas do mundial. Foi então que Zagallo ocupou a vaga, fazendo com que Dirceu perdesse espaço e acabasse fora da Copa. As mudanças feitas no comando da seleção deram espaço para Dario (Dadá Maravilha). Diferentemente de Dirceu, o ídolo atleticano foi convocado para a Copa do Mundo. O que se via é que a maioria dos jogadores naquela época não tinha consciência política e, por isso, muitas vezes eram manipulados. “Nós éramos usados pela ditadura militar e a gente não tinha noção nenhuma. Quando tinha movimento de alguma coisa, trazer a Seleção Brasileira mudava o foco”, relembra Dirceu. Wilson Piazza, outro ídolo da história

ICMS ESPORTIVO Uma das expectativas da prefeitura era pontuar bem no ICMS Esportivo Estadual, garantindo maior repasse financeiro ao município. Em 2019, tendo como referência o ano base, ou seja, os eventos realizados em 2018, Resende Costa ficou em 19º entre todos os municípios mineiros. O que gerou um repasse de R$ 125.313,57 ao município em 2020 (em parcelas men-

do Cruzeiro, também comentou sobre a falta de conhecimento político. “Infelizmente, faltava consciência política à seleção. Se soubéssemos que nossa conquista estaria ajudando de alguma forma o governo, poderíamos ter feito algo diferente. Só queríamos jogar bola. Se era ditadura, democracia, pouco importava”, disse, em entrevista ao Correio Braziliense, publicada em 2014. Assim como Reinaldo, Tostão também foi ameaçado devido ao seu posicionamento contrário às privações de liberdade no país. Disseram que se ele continuasse concedendo esse tipo de entrevista ele seria cortado da Seleção Brasileira. Atualmente, os jogadores não sofrem opressão e conseguem se posicionar sem serem prejudicados de alguma forma. Muitos atletas usam suas redes socais e momentos dentro de campo para deixarem seus recados à sociedade, gestos que antigamente não seriam vistos com bons olhos. A ditadura militar foi um momento muito duro e obviamente não ocorreram opressões somente dentro do esporte. Muitas pessoas sofreram ameaças, torturas e mortes. E 55 anos depois, ainda passamos por coisas frustrantes como, por exemplo, o fato do atual presidente da república, Jair Bolsonaro, permitir “as comemorações devidas com relação a 31 de março de 1964”. Foram torturadas 20 mil pessoas durante 21 anos de ditadura e aproximadamente 434 mortes e desaparecidos nesse período. Em datas como essa não deve haver comemoração e sim conscientização e aprendizado para que nunca mais ocorra algo parecido.

sais). Vivian Daher diz que a ausência de eventos vai impactar no ICMS, mas que essa será uma realidade de todos os municípios: “O ICMS vai cair, com certeza, mas essa é uma realidade de todos. Não podemos realizar nada. Quando for permitido, o conselho irá se reunir e discutir o que poderá ser feito para amenizar o impacto causado pela pandemia.”


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