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Edição 205 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVII

• MAIO 2020 • Nº205

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Em tempo de pandemia, os meios de comunicação encurtam a distância entre os fiéis e a igreja Foto: André Eustáquio

Jogo aberto Entrevista com Sinara Campos, prefeita de Santa Cruz de Minas e presidente da Amver.

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Consumidores reclamam da alta no preço de produtos nos supermercados Além da crise sanitária do novo coronavírus, consumidores estão tendo de enfrentar outra batalha: a alta no preço de alguns produtos da cesta básica, como arroz, feijão, batata e alho. O JL conversou com empresários do ramo de supermercados de Resende Costa sobre os motivos da alta nos preços de alguns produtos. PÁG 10

Padre Plínio Almeida e integrantes da PASCOM da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França

Desde que as medidas de distanciamento social começaram a vigorar em Resende Costa, em meados de março, as missas na Paróquia de Nossa Senhora da

Penha de França passaram a acontecer somente nos finais de semana e sem a presença dos fiéis na igreja matriz. Os meios de comunicação, especialmente a

Rádio Comunitária e as redes sociais, têm sido fundamentais para que os fiéis continuem participando, em casa, das celebrações. PÁG 06 e 08

CRAS promove doação de cestas básicas à população vulnerável durante isolamento social em Resende Costa O Centro de Referência de Assistência Social arrecadou, até o fechamento desta edição, 3.110 kg de alimentos, totalizando cerca de 220 cestas básicas, que serão distribuídas a famílias cadastradas em programas sociais ou que farão o cadastro na Prefeitura Municipal. Kits de higiene também serão distribuídos. PÁG 11


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EDITORIAL A triste República do “e daí? ”

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Até o fechamento deste editorial, o número de mortes por Covid-19 no Brasil havia chegado à marca de 7.288 e 105 mil os casos confirmados de infecções. Estatística alarmante e que nos envergonha diante da comunidade internacional. O nosso imenso e querido Brasil pode estar caminhando a passos largos para repetir, em alguns estados, o mesmo quadro caótico que vimos acontecer na Itália, Espanha e Estados Unidos. Já ultrapassamos a China, primeiro epicentro da pandemia, em número de mortes. Diante desse cenário triste e preocupante, o presidente Jair Bolsonaro simplesmente dá de ombros: “E daí? ” O comentário tosco e desrespeitoso do presidente da República, quando provocado por jornalistas a falar sobre os números de óbitos no Brasil, que superara a China, revela claramente seu desprezo pela gravidade de um problema que colocou de joelhos todos os países do mundo, inclusive as grandes potências. Até mesmo o seu ídolo máximo, Donald Trump, quando viu o vírus chegar com força nos EUA, especialmente no estado de Nova York, dizimando rapidamente centenas de vidas, levou a sério e reviu suas posições. Mas nada abala o capitão. Insensível, o super-homem com “histórico de atleta”, imune ao vírus que, para ele, não passa de uma “gripezinha”, é incapaz de sensibilizar-se com a quantidade de seres humanos, BRASILEIROS, sendo sepultados em valas comuns, com histórias de famílias assistindo a seus entes queridos morrerem sem direito a atendimento hospitalar e a um sepultamento digno. Para o capitão super-homem, somente pessoas fracas morrem. Ele, não. A indiferença, a ignorância e a incapacidade de governar do presidente Bolsonaro estão cobrando preço caro à nação. Desde o início da pandemia, o Brasil não apresentou um plano de combate à Covid-19 abrangente e eficaz, que considerasse as características e complexidades das regiões, estados e municípios. Era o que se esperava que acontecesse num país de dimensões continentais. Países como Alemanha, Portugal e Nova Zelândia agiram diferente e conseguiram controlar a pandemia. Inclusive, já estão reabrindo o comércio e reativando suas economias. Seus dirigentes enxergaram cedo a gravidade do novo coronavírus e grande parte da população aderiu em massa ao isolamento social. No Brasil, não fosse a atuação independente de governadores e prefeitos, a situação poderia estar muito pior. Em São Paulo, o governador João Doria virou as costas para o Planalto e estabeleceu sua própria política de enfrentamento à Covid-19. O mesmo vem ocorrendo no Rio de Janeiro, Goiás e em outros estados. Ao invés de dialogar com os governadores, unir a nação e acenar aos estados, apoiando-os com ações eficazes e embasadas tecnicamente na ciência, Bolsonaro continua escutando seus gurus alienados e radicais, flerta com o autoritarismo, intimida as instituições democráticas, insiste em subestimar a letalidade do vírus, critica os governadores que, responsavelmente, mantêm em seus estados o isolamento social, e incentiva as pessoas a saírem às ruas. Poucos governadores ainda permanecem alinhados ao presidente da República. Lamentavelmente o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, é um deles. O plano divulgado por ele para flexibilizar o isolamento social no estado, batizado de “Minas Consciente”, tira do governador a responsabilidade, transferindo-a exclusivamente para os prefeitos. “O Programa de Minas é um programa jogado nas costas do prefeito. Quem resolve é o prefeito”, esbraveja Alexandre Kalil, prefeito de Belo Horizonte. Fazem coro a ele diversos prefeitos de Minas, sobretudo da região metropolitana de BH, que reclamam da falta de diálogo com o governo e da ausência de estratégias do estado no combate à pandemia e à grave crise econômica que virá. Enquanto vidas estão em jogo, indefesas ante uma doença para a qual ainda não existe tratamento comprovadamente eficaz, a maioria das lideranças políticas do nosso país encontra-se perdida. A começar pelo presidente da República, que não perde uma oportunidade para inflamar a crise política – que ele próprio iniciou – e continua dando de ombros às milhares de famílias brasileiras que diariamente enterram seus filhos nas covas do descaso, da desigualdade e do desrespeito.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Com Política FERNANDO CHAVES*

País vai mal e liberais não podem lavar as mãos Alguns abandonam o barco, outros são atirados para fora pelo capitão. Mas e os ditos “liberais” brasileiros, os “amoêdos”, a nova direita, os libertários? Alguns já desembarcam e se isentam do naufrágio vindouro. Eles, que ignoraram os princípios básicos do liberalismo político em troca de um feixe de (neo) liberalismo econômico. Que engoliram o conservadorismo hipócrita e o falso moralismo de Bolsonaro e da velha direita brasileira a troco de concessões neoliberais e “em nome da economia” (financeira). Que se aliaram a defensores de regime autoritário, naturalizaram apologia ao estupro e à tortura, que ignoraram os antecedentes históricos dos Bolsonaro. Eles não têm mais nada a ver com esse governo? Não é de se surpreender. Nossos “novos” liberais também não têm mais nada a ver com Macri, na Argentina. Não têm mais nada a ver com Dória, o seu congênere paulista. FHC, que implementou pautas econômicas liberais na década de 1990, virou “esquerdista”. Parece que o casamento com o bolsonarismo treinou nobres liberais na arte do negacionismo e na reinvenção da história. Eles admiram a Estônia. Mas aqui em Terra Brasilis, nesta horta de Tio Sam, eles defendem que nunca houve um liberal “de verdade” no poder. Entender que a Nova República Brasileira, passando por Collor, Itamar Franco, FHC, Lula, Dilma e Temer esteve mais próxima do socialismo do que do liberalismo econômico tem nome: revisionismo histórico. “Bolsonaro!? Nunca foi liberal”, lavam-se as mãos os mesmos que celebraram a aliança de Bolsonaro com o “Papa Guedes”, o que selou simbolicamente o compromisso do atual governo com o

mercado financeiro. Aqueles que ajudaram a colocar Bolsonaro numa embalagem de razoabilidade e de eficiência econômica bancada por Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga”. Muitos querem. Mas não podem lavar as mãos. O brilho do superministro da economia, Paulo Guedes, vem se apagando. Os resultados econômicos do primeiro ano do governo não foram positivos e o receituário liberal não serve para o momento de crise social e econômica que se atravessa. Desserve, para ser mais exato. O dogmatismo ideológico e a vassalagem ao capital financeiro impedem o Brasil de aprofundar as medidas keynesianas e anticíclicas que o mundo e a história aconselham para este momento atípico. Num intervalo de quinze dias, o governo estremeceu com a saída dos ex-ministros Henrique Mandetta e Sérgio Moro. Chegou-se a cogitar também uma saída de Guedes. Mas o ministro reafirmou que permanece. Sem apresentar resultados, apagado diante da crise que não está habilitado a enfrentar efetivamente, representando um entrave ideológico para o desenvolvimento econômico e a soberania nacional, o “Garoto de Chicago” segue no cargo e integrado ao projeto Bolsonaro. Como se vê, alguns liberais rompem com o governo, outros mantêm seu flerte com o bolsonarismo. O neoliberalismo e o modelo de sociedade centrado no capital financeiro estão levando a democracia liberal a crises sociais e econômicas até nos países centrais. O coronavírus apenas acelera a bancarrota da hegemonia geopolítica ocidental e descortina a ineficiência social do neoliberalismo. Os EUA, maior potência econômica do mundo e defensora

do liberalismo, figura como o epicentro da pandemia e demonstra a fragilidade social de um Estado que não provê serviços públicos básicos de saúde. Cenários de tragédia social, como uma pandemia, evidenciam que o Estado e os serviços públicos são necessários, principalmente para a superação de crises. O Brasil entra no mês de maio, provavelmente o mês de pico da pandemia, com projeções desanimadoras, tanto na questão de saúde quanto na economia. Levantamento da BBC Brasil compara a situação brasileira com a de outros países no enfrentamento à Covid-19. Em 1º de maio, o Brasil apresentava a maior taxa de transmissão da doença, estava entre os países que menos testavam a população e registrava a oitava maior taxa de morte do mundo. Economicamente, o país também tem más perspectivas. A economia brasileira deve ter uma queda cinco vezes maior que a média dos países emergentes, segundo previsões do FMI, que apontam um recuo de mais de 5% na economia brasileira em 2020, contra a média de 1% nas economias em desenvolvimento. A chamada Zona do Euro deve cair 7,5%. Para 2021, as previsões do órgão são de que o Brasil terá a segunda pior taxa de crescimento entre os países emergentes (2,9%), melhor apenas que a Nigéria (2,4%). São muitos fatores jogando contra o Brasil. Um deles é o presidente da república. Quem ajudou a parir, que ajude a embalar. Que os liberais também paguem sua cota de responsabilidade pelo fracasso que é o atual governo brasileiro. Que tenhamos sempre memória para os Macris, Pinochets, Dórias, Bolsonaros. *Jornalista


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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

PROPOSIÇÕES ATÉ O DIA 04/05/2020

Projeto de Lei nº 33/2020 - “Altera os Anexos I e III da Lei Municipal nº 4.578, de 27 de dezembro de 2019 e dá outras providências”. – Altera a lei que “Cria, extingue, reestrutura, altera e reorganiza cargos público de professores I e II na Estrutura Administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências”. – Autoria: Executivo Municipal. Aprovado. Lei Municipal nº 4615/2020 Projeto de Lei nº 34/2020 - “Suspende as obrigações de pagamento do IPTU, da Lei Municipal nº 4.378, de 04 de setembro de 2018 e a cobrança de juros e multas”. – Autoria: Vereador Ângelo Márcio Resende. Encontra-se com vistas do vereador autor do projeto.

Projeto de Resolução nº 422/2020 - “Dispõe sobre o Plano de Metas e Prioridades do Legislativo para o exercício financeiro de 2021 e dá outras providências” – Autoria: Mesa Diretora. Aprovado. Resolução nº 422/2020 Indicação nº 11/2020 – Possibilidade de realizar o pagamento da gratificação especial de trabalho para membros da assistência social empregados no serviço direto contra a pandemia. Autoria: Vereador Ângelo Márcio Resende. Aprovada Indicação nº 12/2020 – Para que seja realizada a suspensão imediata das atividades não essenciais da Prefeitura como obras em canteiros. Au-

toria: Vereador Ângelo Márcio Resende. Reprovada Indicação nº 13/2020 – Possibilidade de dividir os recursos provenientes da emenda de R$100.000,00, do deputado estadual Cristiano Silveira, que tem como finalidade a compra de remédio para a farmácia da Prefeitura, sendo que metade seja direcionada para compra de remédios para o Hospital. Autoria: Vereador Ângelo Márcio Resende. Aprovada Indicação nº 14/2020 Possibilidade de utilização do orçamento previsto para a festa do Parque do Campo para aparelhamento da UTI do Hospital Nossa Senhora do Rosário. Autoria: Vereador Ângelo Márcio Resende. Aprovada

Adiamento do Concurso Público da Câmara Municipal A Câmara Municipal de Resende Costa comunica o adiamento sine die do concurso público destinado ao cadastro de reserva para o cargo de Assistente Administrativo de nível médio do seu Quadro de Pessoal – Edital 01/2020, tendo em vista os Decretos municipais que dispõem sobre a situação de emergência na saúde pública e sobre as medidas de prevenção ao contágio do coronavírus. Após cessar o estado de emergência, será publicado novo cronograma do concurso público. As informações podem ser acessadas no site da Câmara Municipal ou no site https://www.escolideres.com.br/

Medidas de proteção do Legislativo Municipal contra o coronavírus Considerando a declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS) do estado de pandemia em virtude da proliferação do novo coronavírus no início de março do corrente ano, a Câmara Municipal de Resende Costa se preocupou com o perigo da disseminação geográfica rápida que a Covid-19 apresentou. Nesse sentido, o Legislativo Municipal adotou uma série de medidas preventivas, adaptando o seu funcionamento administrativo, mas optando por não suspender a realização das sessões ordinárias para não impactar na tramitação de proposições, não prejudicando, assim, os resende-costenses. Porém, enquanto perdurar o estado de emergência causado pelo coronavírus, não é permitida a presença da população durante as referidas reuniões, o que não impede que o cidadão possa acompanhar as sessões através da Rádio Inconfidentes, bem como fazer suas solicitações por e-mail ou telefone. A situação demanda o urgente controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde pública a fim de evitar a disseminação da Covid-19 em nosso município.

Vereadores usam máscaras de proteção no plenário da Câmara Municipal de Resende Costa. Foto Marina Vale


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

CARTA DO PREFEITO AURÉLIO “Amigos e amigas, escrevo para falar sobre esse momento delicado que vivemos. Primeiramente, espero que vocês e seus familiares estejam bem, em segurança e com saúde. Os últimos dias não têm sido fáceis, eu sei, mas é preciso que continuemos firmes e unidos em prol de uma causa maior, que é vencer essa pandemia e dar continuidade às nossas vidas. Para que possamos estar todos bem, outras pessoas têm se arriscado e se dedicado a manter as coisas em ordem no nosso município. E é sobre essas pessoas que eu quero falar aqui. Esta carta é endereçada a todos os profissionais envolvidos no combate ao novo coronavírus. Se em Resende Costa ainda não temos nenhum caso da doença é porque vocês estão sendo verdadeiros heróis e são os responsáveis por isso. Enquanto todos tentam ficar em casa e cumprir a quarentena, os servidores municipais da

com a compreensão de todos para que sigam as recomendações nesse momento. Só assim, continuaremos sem registrar casos da Covid-19 e conseguiremos passar imunes por essa pandemia. Sei que não é fácil e que a questão financeira pesa nesse momento, afinal todos precisamos trabalhar. Mas sua saúde deve estar em primeiro

saúde, educação, transporte, obras, coleta de lixo, assistência social e demais áreas trabalham incansavelmente para manter o funcionamento do município e dar suporte à população nesse período di�cil. O meu muito obrigado a vocês que se arriscam para cuidar de todos nós! Não só o esforço dos servidores públicos é importante nesse momento, mas você que trabalha com serviços essen-

ciais, como supermercados e farmácias, também merece nosso reconhecimento. As pessoas precisam de vocês. E as pessoas precisam muito do nosso hospital, que não mede forças para se preparar e atender a todos nesse momento. Aos nossos médicos, enfermeiros e demais funcionários do Hospital Nossa Senhora do Rosário, o meu obrigado. Resende-costenses, conto

Resende Costa contra o coronavírus: site da Prefeitura tem página especial sobre a pandemia A Prefeitura Municipal de Resende Costa criou uma página especial em seu site oficial para abordar assuntos relativos à pandemia do novo coronavírus. O objetivo é facilitar

o acesso da população a informações de caráter importante, como nossos boletins frequentes sobre casos suspeitos, além de ações do Poder Público para combater a doença e orienta-

ções para prevenção. Acesse www.resendecosta. mg.gov.br para acompanhar os boletins, no�cias e orientações relacionadas ao novo coronavírus.

lugar e, se permanecermos unidos, tudo isso será superado. Por isso, agradeço também a você que entende a gravidade da situação e está fazendo sua parte e, ainda, àqueles que podem nesse momento ajudar a quem mais precisa. Fiquemos firmes, unidos e com esperança, pois nenhuma tempestade dura para sempre. Um forte abraço!”


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Jogo Aberto

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AMVER faz aniversário mergulhada no combate à pandemia dendo férias a alguns servidores, implantando o trabalho remoto para algumas atividades, avaliando a rescisão de algumas contratações e intensificando os serviços de saúde. Também foram implementadas barreiras sanitárias na maioria dos municípios. Alguns municípios promoveram o fechamento de espaços públicos e pontos turísticos, além de estarem desinfectando ruas e logradouros públicos.

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Em meio à pandemia da Covid-19, a Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes (AMVER) completou 44 anos no dia 29 de abril último. Os desafios no combate ao novo coronavírus são o tema desta entrevista com a presidente da Amver, Sinara Rafaela Campos, que também é prefeita de Santa Cruz de Minas. “De fato, estamos vivenciando uma situação extraordinária, jamais enfrentada nos municípios associados à Amver. Ainda assim, soubemos reconhecer desde o início a gravidade da situação e passamos a agir, sempre tendo como foco preservar a dignidade, a saúde e a vida das pessoas.” Desde 20 de março, quando o Ministério da Saúde decretou transmissão comunitária da Covid-19 no território nacional, a Amver passou a orientar os municípios filiados a adotar uma série de medidas, que vão desde a reorganização dos serviços públicos até a execução de ações sanitárias e de distanciamento social, resume Sinara. “O resultado de nossas ações é que temos poucos casos de infecção até o momento e conseguimos nos preparar um pouco mais para enfrentar a doença, que ainda não atingiu a sua fase aguda.” Qual é o balanço das ações dos municípios vinculados à Amver desde o início do novo coronavírus e seus resultados? Entre as primeiras providências adotadas pelos municípios, podemos citar a decretação de situação de emergência para executar ações preventivas na saúde e a instituição de um Comitê específico para estabelecer estratégias e agilizar as ações de prevenção e de enfrentamento à Covid-19. Em seguida, a Amver sugeriu aos municípios um pacote normativo com recomendações para organizar os serviços das prefeituras, bem como para resguardar a saúde e a vida das pessoas por meio da distribuição de kits de higiene, gêneros alimentícios, auxílios financeiros a pessoas carentes, entrega de medicamentos na casa das pessoas idosas ou que estejam no grupo de risco. Esses atos geram despesas para os municípios; portanto necessitaram de autorização legislativa. Assim, a Amver sugeriu que fossem aprovados por lei delegada para agilizar esses trâmites, dando a opção de aprovar por lei ordinária, o que foi feito por boa parte dos municípios associa-

Sinara Campos, prefeita de Santa Cruz de Minas e presidente da Amver

dos. Paralelamente foram promovidas, por meio de carros de som e das redes sociais, campanhas de conscientização e de informação estimulando a população a ficar em casa. Os municípios estão orientando a população sobre medidas de higiene, alteração de alguns serviços nas prefeituras, atendimento por psicólogo através de telefone e até propondo uma rotina de exercícios físicos e respiratórios para as pessoas ficarem em casa. Também estão divulgando boletins epidemiológicos, esclarecimento sobre o auxílio emergencial, alertando sobre como evitar golpes, deixando a população informada sobre os atos promovidos pelas prefeituras. A campanha mais recente diz respeito à utilização de máscaras. E em relação à área da saúde? Foram adquiridos medicamentos, materiais de proteção para os profissionais de saúde, exames laboratoriais e testes rápidos para a Covid-19, além de equipamentos médicos, inclusive leitos e respiradores. Todos os municípios determinaram a suspensão das atividades econômicas e as medidas de distanciamento social conforme orientações do Estado de Minas Gerais. Dentro do possível, a Amver está tentando padronizar essas medidas para facilitar a compreensão pela população e para evitar comparações entre as comunidades. E quais os desafios que são enfrentados? O que fazer com o planejamento orçamentário? O que fazer com os contratos temporários, se diversas atividades estão suspensas, especialmente na educação? Como manter todos os serviços públicos prestados pelas prefeituras sem causar aglomeração de pessoas? Como lidar com

o aumento na demanda por benefícios sociais? Como repor as aulas para os alunos não perderem o ano letivo? Como equilibrar as contas públicas com a drástica queda na arrecadação, ao mesmo tempo que temos que aumentar os investimentos na saúde e na assistência social? Some-se a isso que estamos no último ano de mandato e os agentes públicos sofrem uma série de restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2000) e pela Legislação Eleitoral (lei 9504/1997), especialmente com relação ao aumento de despesas e quanto à distribuição gratuita de bens. Oficiamos todos os órgãos da justiça e da promotoria eleitoral questionando sobre o que os prefeitos podem fazer em favor da população, sem que isso configure violação à legislação eleitoral. E como a senhora define o papel da Amver neste processo? A Amver tem sido grande parceira dos municípios, promovendo a integração entre as prefeituras, tentando padronizar as ações seguindo orientação dos órgãos de saúde, do Ministério Público e do Tribunal de Contas. Para facilitar o trabalho dos gestores Municipais, a Amver emitiu orientações técnicas sobre a execução orçamentária e financeira das despesas de enfrentamento à Covid-19; abertura de créditos extraordinários; decretação de calamidade pública; formalização de parcerias com organizações da sociedade civil; orientações para agilizar os procedimentos licitatórios para aquisição de bens e serviços de saúde; propostas para minimizar a reposição de carga horária e reorganizar o calendário escolar, entre várias outras. Paralelamente, as prefeituras estão reorganizando sua rotina administrativa, conce-

E com relação ao uso de máscaras? O Governo do Estado sancionou, no último dia 17 de abril, a Lei Estadual 23.636/2020, que torna obrigatório o uso de máscaras para alguns setores de serviços. Complementando a legislação estadual, a Amver propôs um modelo de Decreto Municipal dispondo sobre o uso de máscaras no âmbito municipal, que já teve a adesão de municípios filiados. Todos os municípios estão recomendando a utilização de máscaras e incentivando a população por meio de campanhas de conscientização. Barroso, Ritápolis, Tiradentes, Ibituruna, Resende Costa, São Tiago, Conceição da Barra de Minas e São João del-Rei já publicaram o Decreto dispondo sobre o uso de máscaras. Os demais municípios estão estudando como vão implementar em suas cidades, mas devem publicar a regulamentação do uso de máscaras nos próximos dias. Por fim, entre as medidas estruturantes adotadas pelos municípios nos últimos dias, podemos destacar três: 1) A Decretação de Calamidade Pública diante da inevitável queda de arrecadação, uma vez que dificilmente os municípios conseguirão cumprir todas as metas estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Porém, o Decreto tem que ser ratificado pela Assembleia Legislativa. 2) Fiscalização do uso obrigatório de máscara protetora facial respiratória. 3) Intensificação de debates para buscar alternativas para dar cumprimento ao calendário escolar, levando em conta a Medida Provisória n° 934 /2020. Como a Amver se posiciona em relação à pressão pela abertura do comércio? Entendemos que é natural que, na medida em que os dias vão passando, fica mais difícil manter as atividades econômicas paralisadas. O município não tem como dar suporte financeiro para as empresas, que estão tendo que se reorganizar, contando com as medidas apresentadas pelo governo federal para superar essa crise. Dentro daquilo que é permi-

tido aos municípios, nossos associados prorrogaram os prazos para o pagamento de tributos e estamos colaborando na divulgação dos benefícios anunciados pelo governo federal. Os municípios não têm condições técnicas de determinar sozinhos sobre a abertura do comércio. Mas o Ministério Público está acompanhando de perto as ações desenvolvidas pelas prefeituras e, para tanto, expediu uma recomendação conjunta para todos os municípios da Macrorregião de Saúde Centro-Sul, estabelecendo alguns critérios para que os municípios possam flexibilizar as restrições impostas ao comércio. Entre as condicionantes, podemos mencionar que essa transição deve estar condicionada à comprovação de que as unidades referenciais de saúde estejam suficientemente estruturadas para atender a população. A Amver sugeriu a atualização dos decretos municipais para se manterem alinhados com a deliberação nº. 17 do Comitê Extraordinário Covid-19 do Estado de Minas Gerais. Acreditamos que a continuidade das atividades econômicas vai depender muito da adesão da população e dos próprios empresários às práticas sanitárias e de distanciamento social, esterilizando os ambientes, disponibilizando álcool em gel e exigindo o uso da máscara. Recentemente, o governo de Minas Gerais apresentou o programa “Minas Consciente”, de adesão facultativa pelos municípios, contendo algumas diretrizes para a retomada da atividade econômica. Entendemos que o mesmo deve ser aprimorado pelo governo estadual. Ainda não chegamos à fase aguda da doença, mas já é consenso entre os especialistas que teremos que conviver por um bom tempo alternando entre a flexibilização e a rigidez das medidas de afastamento social. Continua o controle da entrada de visitantes e parentes vindos de outras cidades ou estados? Sim, as barreiras sanitárias continuam na maioria dos municípios associados. Inclusive, vários municípios adquiriram termômetros digitais que funcionam com precisão e sem contato físico com as pessoas. As pessoas que tiverem com sintomas de infecção respiratória aguda (febre, tosse seca ou dificuldade respiratória) podem ser encaminhadas para um serviço de saúde ou mesmo ser impedidas de adentrar nos municípios. A manutenção ou não das barreiras sanitárias deve ser feita conforme as especificidades de cada cidade.


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Especial

Transmissões on-line das missas aproximam os fiéis da Igreja durante a pandemia do novo coronavírus O isolamento social exigiu das paróquias investirem nos meios de comunicação, especialmente nas redes sociais Foto: Camila Silva

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Os decretos de governadores e prefeitos suspendendo o funcionamento do comércio e a realização de eventos públicos e privados que reúnem aglomerações atingiram em cheio um setor importante da sociedade e para a vida de milhares de pessoas: as celebrações religiosas. À medida que os decretos começaram a vigorar, em meados do mês de março, enquanto o novo coronavírus se espalhava pelas cidades brasileiras, missas, cultos, assembleias, reuniões e encontros religiosos foram sendo cancelados. Assim como lojas, bares, restaurantes, parques, teatros, estádios e cinemas, as igrejas também precisaram fechar suas portas respeitando as medidas de isolamento social. O fechamento das igrejas e a suspensão das missas com participação dos fiéis, por tempo indeterminado, exigiram que os padres usassem rápido a criatividade através dos meios de comunicação, especialmente as redes sociais, para se aproximarem dos seus rebanhos e levarem a eles a mensagem do evangelho e a celebração do sacramento da eucaristia, ou seja, a missa. Padre Plínio Almeida tomou posse como administrador paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa, no último dia 16 de março e, dois dias depois, teve de fechar a igreja seguindo determinação de um decreto municipal que restringiu, como medida de combate ao avanço do novo coronavírus, diversas atividades no município. “A pandemia desconcertou todo o trabalho pastoral previsto para a paróquia. Tive, inclusive, de suspender as atividades públicas. De repente, as visitas e todas as celebrações foram suspensas. Estamos trabalhando seguindo as orientações das autoridades competentes. Por essa razão, as reuniões e formações na paróquia foram interrompidas”, informou padre Plínio, que tem aproveitado o tempo de isolamento social para conhecer melhor a sua nova paróquia. “O tempo tem sido de cuidado, de leituras, de trabalho interno e reorganização, mas, sobretudo, de conhecimento da parte administrativa da paróquia.” Geralmente, nos finais de semana, as missas celebradas na igreja matriz de Resende Costa, tanto no sábado quanto no domingo, contam com grande presença de fiéis. Os bancos ficam lotados e muitas pessoas não encontram lugar, tendo de assistir à missa em pé nas laterais e na entrada do templo dedicado a Nossa Senhora da Penha. O mesmo acontece durante a missa dominical das 10 horas na igreja de Nossa Senhora do Rosá-

Os fiéis estão assistindo às celebrações da missa através das telas dos celulares

rio. Essa realidade, porém, mudou com a pandemia do novo coronavírus. Os católicos estão impossibilitados, temporariamente, de irem à igreja, restando os meios de comunicação como a única via que os aproxima das celebrações da missa. “Após a suspensão das missas, como medida de prevenção para evitar a propagação da Covid-19, tivemos que recorrer aos meios de comunicação: rádio, site e as redes sociais”, explica o administrador paroquial de Resende Costa. Padre Plínio elogia a audiência dos católicos resende-costenses nas redes sociais e na rádio comunitária durante as transmissões das missas dominicais na paróquia. “O movimento nas redes sociais durante as orações tem sido bastante satisfatório. É interessante observar que as transmissões atingem não somente meus paroquianos, mas também gente de longe. Ofereço dois horários de missa ao vivo pelas redes sociais e pela Rádio Inconfidentes FM, sempre às 19h, no sábado e no domingo. Tenho recebido muitos pedidos e intenções, pois, nesse período de isolamento e de impossibilidade dos fiéis de participarem da eucaristia, essa forma on-line nos aproxima.” OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO Nem todas as paróquias dispõem de meios de comunicação próprios como rádios, TVs e redes sociais, para realizarem transmissões ao vivo das missas. Também não é tão comum encontrar sacerdotes que se sentem à vontade para celebrar a missa diante das câmeras de TV e das telas dos celulares. Mas a pandemia não deu tempo e escolha aos padres, que tiveram de se reinventar e aderir rapidamente

aos meios de comunicação. “Acho que nenhum padre se prepara para celebrar sem a presença das pessoas. E esse celebrar no espaço da igreja sem as pessoas é uma realidade nova; você não tem as pessoas ali, mas você tem muito mais pessoas conectadas por meio da tecnologia. Se não fossem os meios de comunicação e as novas tecnologias, o isolamento seria muito maior. Eles permitem que a gente se mantenha conectado e em comunicação com as pessoas e com a realidade”, analisa padre Plínio. Para o administrador paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, as transmissões ao vivo da missa promovem uma interação espontânea entre o sacerdote e os fiéis que estão em casa. “Vejo as transmissões como algo positivo, como forma de fortalecimento, de termos uma presença ainda maior nesse tipo de comunicação porque as pessoas também gostam de interagir. Acho que é uma forma bonita e também nos aproxima das pessoas.” Outra vantagem, segundo padre Plínio, é que os meios de comunicação estão permitindo que pessoas que antes não eram assíduas às missas na igreja passem a participar das celebrações estando em suas casas. “É diferente celebrar a missa na igreja, com os fiéis presentes, e nas redes sociais. Mas as transmissões on-line também possibilitam que outras pessoas, que antes não tinham esse hábito, também interajam.” PASCOM Dentre as muitas e diversas pastorais atuantes na Igreja, uma tem sido destaque durante a pandemia. Em algumas paróquias, ela inclusive nem existe. Trata-se da

PASCOM (Pastoral da Comunicação). Em tempos de transmissões on-line das missas através das redes sociais, são os membros dessa pastoral que, juntamente com os padres, deixam o isolamento social e se dirigem às igrejas para transmitirem as missas aos fiéis. De certa forma, eles são privilegiados por estarem presentes na igreja enquanto as outras pessoas estão impossibilitadas de participar presencialmente da celebração eucarística. Os membros da PASCOM da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França se revezam na transmissão das missas dominicais. Camila Silva faz parte do grupo de jovens Shalom e da Pastoral da Comunicação da paróquia. Ela também está atuando nas transmissões das missas na igreja matriz. “É muito gratificante para mim ter essa oportunidade de, através da participação na PASCOM, poder estar na igreja para as celebrações e transmitir aos lares dos resende-costenses a santa missa. Muitos fiéis participam conosco durante as transmissões, deixam suas intenções e rezam a partir dos seus lares”, diz Camila. A Pastoral da Comunicação começava a se estruturar na Paróquia de Resende Costa, atualizando com fotos e reportagens o site e as páginas oficiais da paróquia nas redes sociais, bem como promovendo transmissões ao vivo das principais solenidades, como a festa da padroeira e a Semana Santa. Com a pandemia e o necessário isolamento social, a Pastoral da Comunicação vem ganhando ainda mais relevância ao apoiar o sacerdote em seu trabalho de evangelização através dos meios de comunicação. “A PASCOM talvez ainda

não seja uma pastoral muito conhecida, mas é de muita importância para a paróquia, uma vez que é responsável pela comunicação entre as demais pastorais e movimentos, como também pela divulgação e transmissão das celebrações e de eventos realizados na igreja. Nesses últimos dias, sobretudo, estamos percebendo a importância da Pastoral da Comunicação, que está possibilitando aos paroquianos participarem, em suas casas, das celebrações da santa missa”, comenta Camila Silva. A igreja matriz vazia e com as portas fechadas durante as celebrações é motivo de tristeza para Camila, que está sempre presente nas missas de domingo à noite cantando no coral do grupo de jovens Shalom: “Ver a matriz vazia me deixa triste, pois sei que as pessoas que amam a Cristo e sua Igreja estão também tristes. Afinal, elas não estão podendo ir ao alto da penha, como gostariam, para a celebração da missa e para louvar e agradecer a Deus em comunidade. No entanto, como está sendo muito falado, é momento de tornarmos nossos lares a nossa igreja e, junto de nossos familiares, através dos meios de comunicação, participarmos da santa missa fazendo a nossa comunhão espiritual.” CONFORTO E SUSTENTO DA FÉ A pandemia do novo coronavírus vem mudando a vida e o comportamento das pessoas no mundo inteiro. Há cientistas, filósofos, psicólogos, sociólogos e líderes religiosos que vaticinam que a humanidade não será mais a mesma após a pandemia. “Devemos pensar que será um pouco um pós-guerra. Não haverá mais ‘o outro’, mas seremos ‘nós’. Porque só poderemos sair desta situação todos juntos”, disse o Papa Francisco em entrevista ao jornal italiano La Stampa, publicada no dia 20 de março. As pessoas ainda estão se adaptando – inicialmente ao susto e ao medo – agora às incertezas e ao novo estilo de vida exigido de nós pelo distanciamento social. Distanciar-se das pessoas que amamos e das coisas que gostamos de fazer não é tarefa fácil. Gera angústia, tristeza, conflito e desespero. Diante disso, muitas pessoas recorrem à fé em busca de tranquilidade, resignação, conforto e esperança. “Nesse momento de distanciamento social entre as pessoas, torna-se ainda mais necessário que estejamos em sintonia com o Senhor. É oportunidade de dedicarmos mais tempo à oração, à leitura e à reflexão da palavra de Deus. É de suma importância sentir que Cristo está conosco e que Ele não nos abandona. Importante ter certeza de que tudo vai passar. A fé nos sustenta e nos ajuda a enfrentar as dificuldades da vida”, afirma Camila Silva.


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ESPECIAL

Resenha

Jubileu de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, acontecerá sem a presença dos fiéis no santuário

CAMILA CHAVES

O Milagre na Cela 7

Neste ano, devido à pandemia do novo coronavírus, não haverá a bela procissão de Santa Rita, que atrai milhares de devotos Fotos: PASCOM

ANDRÉ EUSTÁQUIO

A cidade de Ritápolis, na região do Campo das Vertentes, celebra no dia 22 de maio o dia dedicado a Santa Rita de Cássia, padroeira do município. As festividades começam com muita antecedência. Ainda no mês de abril, a imagem peregrina de Santa Rita visita todas as comunidades rurais do município e é recebida com festa pelos devotos. Neste ano, devido à pandemia do novo coronavírus, a Paróquia Santuário de Santa Rita de Cássia teve de adaptar o Jubileu da padroeira, que será celebrado sem a presença dos fiéis no santuário e sem a visita da imagem peregrina às comunidades. O resende-costense padre Adriano Tércio Melo de Oliveira é pároco da Paróquia de Santa Rita de Cássia e reitor do Santuário Diocesano. Ele lamenta não poder celebrar neste ano a grande festa da padroeira do município contando com a presença marcante das romarias e dos milhares de fiéis devotos de Santa Rita de Cássia. Padre Adriano falou ao JL também sobre o exercício do sacerdócio durante o período da pandemia: “Tem sido muito desafiador. Estamos privados de ter contato direto com o povo, que é, obviamente, o alvo do nosso ministério, pois o ministério sacerdotal, dom de Cristo, é para o povo. Por outro lado, está sendo um tempo para refletir profundamente sobre o sentido da vida sacerdotal e sobre como podemos melhorar as nossas atitudes no exercício do ministério para o bem de todos.” JUBILEU SEM A PRESENÇA DOS FIÉIS O Jubileu de Santa Rita de Cássia é marcado pela grande participação dos fiéis nas celebrações da novena preparatória e do Dia Maior. No dia da padroeira, 22 de maio, Ritápolis recebe romeiros e devotos de Santa Rita vindos de diversas cidades da região. À noite, a procissão luminosa serpenteia as ruas da pequena e bucólica cidade mineira tal como um rio caudaloso

Imagem de Santa Rita de Cássia da Paróquia de Ritápolis. A procissão no dia 22 de maio atrai uma multidão de fiéis

Padre Adriano Tércio, pároco e reitor da Paróquia Santuário de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis

a se perder de vista entre vales e montanhas. Os festejos alcançam seu ápice na chegada da procissão ao santuário, quando acontece uma apoteótica queima de fogos de artifício. O céu de Ritápolis fica iluminado, coroando, com brilho e beleza, a manifestação de carinho e fé de um povo pela santa padroeira. No entanto, neste ano, as comemorações da padroeira de Ritápolis serão mais simples e, obviamente, sem a presença dos fiéis no santuário e nas ruas acom-

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panhando em procissão a antiga e veneranda imagem de Santa Rita de Cássia. “O Jubileu de Santa Rita de Cássia, neste ano de 2020, será realizado de forma atípica. Em obediência ao decreto do bispo diocesano, também em obediência às orientações das autoridades competentes, principalmente das autoridades da área de saúde, o Jubileu será celebrado sem a presença do povo e transmitido pelas redes sociais da paróquia”, informa o pároco local.

“O milagre na Cela 7” é um filme turco, lançado em 2019, e se encontra em 4º lugar no Top 10 de filmes vistos no Brasil hoje na Netflix. Trata-se de um remake de um filme sul-coreano que foi lançado em 2013. O personagem principal, Memo, é interpretado por Aras Bulut Iynemli e representa um homem com deficiência intelectual, que vive com sua filha Ova (Nisa Sofiya Aksongur) e a avó Fatma (Celile Toyon Uysal). A família mora num pequeno vilarejo no interior da Turquia. A história se passa em 1980. Eles levam a vida normalmente até que Memo vivencia o acidente da filha de um comandante e é taxado como culpado. Devido à sua deficiência, possui grande dificuldade em se explicar, sendo condenado à morte injustamente. Memo é espancado várias vezes antes de entrar na prisão e também ao chegar lá, quando seus colegas de cela descobrem o crime que, supostamente, ele cometera. Após passar por inúmeras dificuldades dentro da prisão, Memo convence a todos que convivem com ele que não é

Padre Adriano destaca a importância dos meios de comunicação durante o período de isolamento social, enquanto opção para aproximar os fiéis das celebrações da missa. O religioso revela ainda sua experiência, como jovem padre, de ter que celebrar missas com a igreja vazia: “Presidir o santo sacrifício da missa sem a participação do povo é no mínimo muito estranho. É desconfortável e digo com toda convicção: é muito triste. Nunca pensei em passar por uma experiência dessa em toda minha vida. Os meios de comunicação social estão nos ajudando muito. Estão sendo fundamentais para que as celebrações e demais atividades possam chegar até as pessoas im-

culpado, apenas mostrando o seu jeito de ser, sua inocência e leveza que carrega em seus atos e falas. Proibido de receber visitas, seus amigos de cela fazem de tudo e até quebram regras para fazer com que Ova possa visitá-lo. A menina acaba comovendo todos que dividem cela com seu pai, fazendo amizade com eles. No final da história, Memo conta com a solidariedade e a ajuda de um dos colegas de cela, que está disposto a passar pelo pior só para ajudá-lo e fazer com que ele seja inocentado e livre para viver sua vida e não deixar sua filha sozinha, já que a avó Fatma falecera enquanto ele se encontrava preso. O filme causa muita emoção a todos os telespectadores devido à linda relação que pai e filha mantêm entre si, principalmente por possuírem a mesma idade mental, o que mostra que Ova é muito madura e entende bem a situação do pai. Vale a pena assistir para descobrir o final do enredo, ver como tudo aconteceu e como o filme tem se mantido no Top 4 da Netflix, chamando a atenção de todos.

possibilitadas de irem até a igreja.” Programação do Jubileu de Santa Rita de Cássia 2020 De 13 a 21 de maio, às 19 h: santa missa no santuário e oração da novena. Dia 22 de maio - Dia Maior dedicado à padroeira As 07 h e 30 min e às 16 h: santa missa no santuário. As celebrações serão transmitidas pelas redes sociais (Instagram, Facebook e YouTube) da Paróquia Santuário de Santa Rita de Cássia.


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ENTREVISTA

Eucaristia celebrada em tempos de pandemia ANDRÉ EUSTÁQUIO

Desde meados do mês de março, as celebrações das missas nas paróquias da Diocese de São João del-Rei vêm acontecendo sem a presença dos fiéis nas igrejas. O início do isolamento social coincidiu, inclusive, com as tradicionais celebrações da Semana Santa nos municípios da região do Campo das Vertentes. O JL conversou com o padre Lucas Alerson de Sousa, natural de Resende Costa, e vigário paroquial na Paróquia do Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei, sobre as missas transmitidas através dos meios de comunicação. Em novembro de 2019, padre Lucas foi nomeado por dom José Eudes Campos do Nascimento, bispo de São João del-Rei, assessor diocesano para a liturgia. Como é celebrar a eucaristia sem a presença dos fiéis na igreja? É uma experiência inédita para todas as pessoas. Notamos as mudanças na nossa vida cotidiana e essas mesmas mudanças atingem também a nós no ambiente celebrativo. Sabemos que as mudanças nas celebrações não interferem em nada na dignidade do mistério celebrado, mas a ausência dos fiéis nos espaços físicos de nossas igrejas é notada intensamente. Porém, nós cremos, pela nossa identidade de

um só povo sacerdotal, que todos os que estão em comunhão conosco através dos meios de comunicação estão presentes e inseridos nos mistérios que celebramos. Como “adequar” a liturgia da Igreja para celebrar on-line os sacramentos, entre eles a missa, neste momento de isolamento social? A liturgia da Igreja é sempre a mesma, independentemente das circunstâncias que possam alterar o seu caráter ordinário. Em si ela não muda nada. A dinâmica do rito é a mesma quando se celebra de forma pública ou privativa, como é o caso, agora, em tempos de pandemia. As adaptações e adequações possíveis para esse momento funcionam em uma instância pastoral. Participam presencialmente apenas as pessoas que possuem necessária função junto às celebrações. Na maioria de nossas comunidades, os ministérios que lidam diretamente com a liturgia têm revezado seus ministros para que possam representar presencialmente o restante da assembleia dos fiéis de cada comunidade. Aliás, as escalas são feitas levando em consideração as orientações das autoridades de saúde no que diz respeito às pessoas que estão na área de risco da doença. Isso é válido apenas para a celebração da santa missa. A celebração dos outros sacramentos está suspensa momentaneamente. Os fiéis estão correspondendo positivamente a essa nova e diferente realidade imposta pelo isolamento social? Como tem

sido a experiência no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos? Nossa experiência com a comunicação na Paróquia Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos já vem de muitos anos. Temos uma equipe de aproximadamente vinte pessoas que se articulam nas diferentes funções dessa pastoral. Já tínhamos uma presença considerável junto aos meios de comunicação na cidade de São João del-Rei, mas neste tempo aprimoramos ainda mais o nosso trabalho transmitindo, quase que diariamente, as missas e outros momentos de oração para a comunidade paroquial. Por meio de comentários e postagens no perfil oficial de nossa paróquia em redes sociais, percebemos que o retorno em audiência e participação aumentou consideravelmente por conta das atuais condições de isolamento social.

Foto: Fabíola Ribeiro - Pascom

“A liturgia da Igreja é sempre a mesma, independentemente das circunstâncias”

Padre Lucas Alerson, vigário paroquial da Paróquia do Sr. Bom Jesus de Matosinhos e assessor diocesano para liturgia

avanço para a Igreja diante de uma realidade tão desafiadora, mas que ao mesmo tempo é tão promissora. Enquanto Igreja, nós precisávamos de uma presença mais atuante nesse ambiente tão amplo e plural que é a internet.

A pandemia poderá trazer mudanças na forma com que a Igreja dialoga com os fiéis através da liturgia? Reafirmo que a liturgia em si sofrerá poucas ou quase nenhuma alteração naquilo que nós entendemos como rito celebrativo da Eucaristia. O mistério, o conteúdo, a linguagem e a mensagem transmitida pela celebração permanecerão os mesmos. O que notamos, analisando também a situação de várias outras paróquias e comunidades da nossa Diocese, é que muitos padres e leigos engajados com a comunicação estão se desdobrando para atingirem, por meio de outras formas, as pessoas de suas comunidades paroquiais. Isso é um

Como o senhor avalia a importância da PASCOM nas dioceses e paróquias, especialmente nesse período de pandemia? A Pastoral da Comunicação surgiu com o avanço das tecnologias midiáticas como resultado da iniciativa da Igreja Católica de se fazer presente e de ser ouvida também nos diversos meios de comunicação. Tal atividade, que se desenvolveu consideravelmente nos últimos anos, atualiza para os nossos tempos a vocação originária da Igreja de ser a comunicadora da verdade do Evan-

gelho de Jesus Cristo. A pandemia e suas consequências no isolamento social têm impulsionado muitas comunidades e paróquias, que não possuíam canais e abertura para essa realidade midiática, a criarem perfis e canais para transmitirem as suas celebrações. Outras, mesmo já com presença nas redes, tinham um trabalho muito discreto e, a partir de então, também se sentiram impulsionadas a desenvolverem um conteúdo católico que pode ir muito além das transmissões das celebrações. Vale uma menção à atuação dessas pessoas que estão diretamente envolvidas nesse trabalho missionário da Igreja em tempos de pandemia. Todas elas têm desempenhado um bonito trabalho junto às plataformas de comunicação e também junto ao nosso povo de forma geral.

Questões de Direito MARINA VALE*

Isolamento social e violência doméstica Em tempos de pandemia, o conselho que mais ouvimos é: “Fique em casa!” Uma das principais medidas protetivas para conter a disseminação da Covid-19, o novo coronavírus, é o isolamento social, tendo em vista que toda a população mundial é suscetível à infecção. O isolamento social reduz o risco de contaminação, diminuindo consideravelmente a velocidade de propagação da doença, possibilitando que o sistema de saúde consiga atender os casos que surgirem. Porém, o isolamento tem seus efeitos colaterais. Um deles, muito preocupante, é a segurança das mulheres que sofrem com a violência doméstica. Em uma matéria já publicada há algum tempo nessa mesma coluna, foi mencionado sobre a Lei Maria da Penha, onde disse que “o Brasil é o 5º entre os países com as maio-

res taxas de violência doméstica contra as mulheres. Essa violência vai muito além da agressão física. Segundo a Lei Maria da Penha, violência doméstica e familiar contra a mulher é ‘qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial’”. Se por um lado, a permanência no próprio lar é o local mais seguro para não se contaminar com o vírus que circula no mundo todo, por outro, esse é o lugar mais perigoso para as mulheres que sofrem com a agressividade de seus parceiros. No ano passado, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública fez um levantamento e apontou que 16 milhões de mulheres com mais de 16 anos sofreram algum tipo de violência no Brasil, a maioria delas em casa.

Com a quarentena, o problema da violência doméstica se agravou. Estudos realizados na China apontaram que o número de relatos de violência doméstica duplicaram no país durante o período de isolamento social obrigatório. Para conter os índices de violência, em alguns estados brasileiros foi antecipada a ampliação de serviços da delegacia eletrônica, disponibilizando registro on-line de boletins de ocorrências de violência doméstica. Além disso, foi criado pelo governo federal um aplicativo chamado “Direitos Humanos BR”. Através desse aplicativo, as vítimas podem enviar seus relatos com mais privacidade do que por meio de atendimento via telefone. O aplicativo apresenta um passo a passo para que a vítima envie a sua denúncia. Após o cadastro, é possível registrar vio-

lências não apenas contra mulheres, mas também contra crianças, idosos, pessoas com deficiência, povos tradicionais e comunidade LGBTI. O aplicativo é uma boa alternativa para as vítimas que não conseguem pedir ajuda de forma reservada, já que contam, por perto, com a presença de seus agressores, dificultando uma possível ação. É preciso garantir, a todas as mulheres em situação de violência, o acesso aos meios de justiça e aos mecanismos eficazes de proteção. Sendo possível, é interessante evitar a quarentena ao lado de potenciais agressores. No entanto, sabemos que, para muitas mulheres, trata-se de uma situação difícil ou até impossível, justamente por elas não terem outros meios de isolamento. As redes de denúncia devem ser utilizadas. O número 180 da

Central de Atendimento à Mulher é um serviço de utilidade pública gratuito e confidencial e funciona 24 horas, inclusive durante a pandemia da Covid-19. A mulher vítima da violência doméstica não pode ser deixada de lado. É preciso criar uma rede de auxílio. As primeiras pessoas que podem ajudá-la são os vizinhos que, ao perceberem algo de errado, devem chamar a polícia, solicitar alguma ajuda, ligar para o 190 ou 180. Essa atitude pode ajudar a salvar vidas. O isolamento social não impede o enfrentamento da violência doméstica. Não tenha medo! Denuncie! *Advogada, assessora jurídica da Câmara Municipal de Resende Costa, presidente da Comissão da Mulher Advogada, secretária da OAB Jovem da 37ª Subseção da OAB/MG.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

O prefeito e o verbo O doutor Paulo Pontes era conhecido como exigente e pragmático. Quando venceu a eleição para prefeito, fez questão de levar essas duas características para o gabinete. Seu pragmatismo exigente e sua exigência pragmática faziam do fordismo um mero projeto de preguiça. Paulo Pontes era fissurado em resultados. – Os fins justificam os meios, doutor? Que meios? O negócio do doutor Paulo Pontes era com o fim. No singular. Sem essa de fins diferentes, pois a sua exigência pragmática não admitia discussões sem fim. Era o típico prefeito “coito de galo”: rápido e com resultado. Como todo homem público, o doutor Paulo Pontes também tinha apelido: Doutor PP. E foi com esse apelido que ele emplacou a sua candidatura a prefeito: PPPP – PAULO PONTES PREFEITO PRONTO Rápido e com resultado. O PP do Doutor PP foi ganhando significados novos, sempre elogiosos. Nas inaugurações das obras, lá estava o Doutor PP (Prefeito Proativo)... nas reuniões administrativas, via-se o assíduo e pontual Doutor PP (Prefeito Presente)... se convidado para culto evangélico, prontificava-se o Doutor PP (Prefeito Protestante)... se era convite para evento de ateus, não se furtava o Doutor PP (Prefeito Pagão)... caso fosse ritual em igreja católica, olha lá o Doutor PP (Prefeito Pontifício)... Um dia, o Doutor PP chamou todo mundo e lascou pragmaticamente: – A partir de hoje, acabou o gerúndio aqui na prefeitura. Nada de fazendo... terminando... preparando... Quero tudo pronto. Agora é só verbo no particípio. Fez? Feito! Terminou? Terminado! Preparou? Preparado! Entenderam? – Entendido! – responderam todos, agarrando-se ao emprego e à forma do verbo. Não demorou muito e o prefeito já era o Doutor PP (Particípio Passado). Um vereador dos mais entusiasmados tentou inovar a sigla: Doutor PQP (Prefeito Que Potencia-

liza). No entanto, o entusiasta edil conteve o arrebatamento, pois PQP poderia ofender o alto escalão com uma sigla de baixo calão. Seria o seu definitivo adeus à câmara. Se o desrespeito se lhe imputa, o voto não se computa, logo é vã a disputa. PQP! Enredo bom tem que ter complicação. E ela apareceu. Foi quando o Doutor PP recebeu o Secretário Estadual de Educação para a inauguração de uma escola. O prefeito já ficou irritado com o nome do secretário: – Armando? O nome dele tinha que estar no gerúndio? O segurança sugeriu: – Chama ele pelo sobrenome, Doutor PP. – E qual é o sobrenome do homem, Massa Grossa? – era o apelido do segurança. – Venvindo – Armando Venvindo? – espinafrou o prefeito – Esse cara é uma eterna continuidade!!! Não teve jeito. Chegou o dia. Banda de música, crianças com banderinhas na mão, fita pra ser cortada. O Secretário Estadual de Educação começou o seu discurso. Depois de saudar todos os presentes, pigarreou e iniciou a sua oratória: – É com alegria que estou aqui discursando e inaugurando esta escola que estará funcionando e recebendo alunos e alunas que estarão estudando e se formando para estarem construindo este nosso país que está se desenvolvendo e... De repente, um susto e todo mundo horrorizado. O Secretário caiu sentado, depois de um pescoção do Doutor PP. Era gerúndio demais. Rolou processo na justiça. E tome prejuízo: escola cancelada, cidade difamada, prefeito afastado... E o Doutor PP com medo de engolir mais um amargo particípio: cassado! O vereador entusiasta até pensou em voltar com a sigla PQP. Mas deixou pra lá. Doutor PP está gastando com mais de um advogado, todos cobrando caro... está escrevendo mil justificativas para os jornais... dormindo mal... comendo pouco... temendo ameaças... Tudo no gerúndio.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Em casa Circulando no mundo todo, a palavra do momento, certamente do ano também, é COVID-19, precisamente uma sigla que a Organização Mundial da Saúde passou a usar desde o início de fevereiro último para chamar oficialmente a doença causada pelo novo coronavírus – Corona Vírus Disease. O 19 se refere a 2019, quando os primeiros casos em Wuhan, na China, foram divulgados publicamente pelo governo chinês no final de dezembro. A partir de então, o que soava como um alerta global para o que se via na Ásia se confirmou pela OMS no dia 11 de março como pandemia (epidemia que se espalha por diferentes continentes com transmissão sustentada de pessoa para pessoa). Num cenário de grande preocupação e de pânico até para muitos com a propagação do vírus e o crescente número de mortes, vivemos todos agora obrigados a seguir um novo normal neste período de isolamento social (ou distanciamento físico?). Como se sabe, essa é uma das medidas essenciais aplicadas no combate a esse inimigo que anda roubando nosso sossego. E a prática do “Fique em casa!” como forma de evitar aglomerações de pessoas pelas cidades instaurou outros hábitos no nosso dia a dia. Digna de registro aqui é a maneira como a comunicação vem sendo feita entre os distanciados pela pandemia, não exatamente envolvendo uma mudança, mas uma intensificação da rotina pelo uso das redes sociais.

Paralelamente ao que andei vendo, lendo e ouvindo de sério e importante sobre essa difícil situação, andei selecionando algumas boas frases de reflexão. Vejam: *Isolamento é ficar num hospital lutando pela vida. Ficar em casa é uma bênção! *O amor de sua vida é você. Cuide-se! *Bom dia! É só um tempo ruim. Vai passar! Força, foco e fé! *Daqui a pouco tudo isso passa. O beijo vai ser demorado; o abraço, apertado, e o valor à vida, redobrado. E pra gente dar uma descontraída: * Vontade de me jogar dentro da máquina de lavar só pra poder dar umas voltinhas. * Antes da quarentena eu já falava sozinho, agora isolado estou dando até palestra. * Não está sendo fácil (trecho da música Qualquer jeito, da cantora Kátia (anos 80), com foto dela em destaque). * Amanhã é feriado, vocês podem ficar em casa (no dia 20/4)! * Cada um na sua toca e a Paz na toca de todos. Feliz Páscoa! (com a ilustração de um coelhinho usando máscara) * Fiquei uma hora sem usar álcool gel e minhas mãos começaram a tremer. Acho que é abstinência. * Sou cardíaco, diabético e velho. O vírus que me pegar vai ganhar uma Tríplice Corona – Luís Fernando Veríssimo, escritor de 83 anos, que não perde uma piada. * Estou me cuidando isolada para ser uma coroaviva. A frase final acima faz referência positiva ao grupo de risco dos idosos, mas nem sempre isso acontece. Característica associada aos

mais velhos, a teimosia deles vem sendo explorada em brincadeiras sem graça alertando-os para o perigo a que se expõem insistindo em saírem às ruas nesta época. A necessidade de mantê-los em casa hoje é indiscutível. No início desse processo de reclusão, ouvi de um médico em um programa de TV considerações interessantes sobre essa questão. Segundo ele, perder a autonomia já é tão difícil em qualquer idade e, na velhice, muito mais. E sugeriu que o “está proibido” e o “você não pode” sejam substituídos por “deixa eu ajudar você”. Concluindo sua fala, observou que está sendo impedido a eles (idosos) neste momento tudo aquilo que a gerontologia recomenda que tenham: afeto daqueles com quem convivem, interatividade com as pessoas, atividades ao ar livre... Mais compreensão em relação a essa realidade é o que se espera. Novidade boa foi ver Maurício de Sousa (criador da Turma da Mônica) colocar o Cascão, que não gosta de água, lavar as mãos em tempo de combate ao coronavírus. “Transportados” para o presente, Chicó, João Grilo e companhia também estão dando as caras por aí. A reedição de trechos da série global O auto da compadecida (1999), baseada na obra homônima de Ariano Suassuna, tem áudio que imita voz e sotaque desses personagens em diálogos que alertam sobre os perigos do corona, respeitando o perfil original de cada um. É a arte a serviço da vida.


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Economia & Negócios

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Consumidores reclamam de aumento do preço de produtos em supermercados durante a pandemia Proprietários de estabelecimentos explicam que a situação não é exclusiva de Resende Costa e que vêm tentando conter a alta dos preços para o consumidor VANUZA RESENDE

Alta no preço dos alimentos nos supermercados de Resende Costa: uma reclamação constante feita pelos resende-costenses nos meses de março e abril. Pelas redes sociais, muitas pessoas questionavam: “Se é para valorizar o comércio local, por que esse aumento repentino em vários produtos? ” “No momento em que é preciso nos unirmos, os comerciantes estão sem dó e aumentando muito os preços dos alimentos. Assim não dá.” Eis alguns dos desabafos feitos que ganharam bastante repercussão nos últimos meses nas redes sociais. Carla Aparecida Sousa, 53 anos, não tem redes sociais, mas percebeu o aumento quando foi fazer as compras do mês. “Eu atrasei alguns dias para ir ao supermercado, fui me virando aqui em casa. Estava com medo de sair. Não sabia como estavam as coisas. Quando eu fui fazer as compras com a lista igual a de todo mês, estranhei o preço alto de alguns produtos. O arroz e o feijão, que são o básico, estavam bem mais altos do que no mês anterior.” Questionada se pesquisou em mais de um estabelecimento, Carla disse que sempre faz o que os economistas indicam. “Eu tento sempre comprar à vista, por isso estou sempre pesquisando. Às vezes uma sacola de lá, outra daqui. Tinha diferença de um supermercado para o outro. Mas, no geral, estavam todos mais caros”. Carla diz que não foi só ela que percebeu a alta nos preços de alimentos: “Na fila do caixa mesmo, o homem que estava na minha frente questionou o preço de uma manteiga para a moça que estava passando os produtos. Fazer o quê, né? Ela não tem culpa. Não sei de quem é a culpa. Mas eu gastei no mínimo uns trinta reais a mais esse mês. Parece pouco, mas para quem gasta cerca de 350 reais no mês, passar para quase 400 não é tão fácil assim”, lamenta Carla. O aumento dos preços em época de pandemia não é uma reclamação exclusiva dos consumidores de Resende Costa. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São João del-Rei mostra elevação de cerca de 7% nos produtos de alimentação básica, ainda durante o último mês. Dados da Pesquisa Mensal da Cesta Básica da UFSJ apontam que, no mês de abril de 2020, o valor da cesta básica no município ficou 6,24% mais caro em relação ao mês anterior. No acumulado dos últimos dois meses, a alta é de 7,60%, sendo que os itens que mais contribuíram para a elevação dos preços foram o feijão carioca e a batata, com alta de 47% e 45%, respectivamente. Outros alimentos também seguem tendência de alta, como

o arroz, a carne bovina e o açúcar. O custo total médio da alimentação básica passou de R$410,04, em março, para R$435,60, em abril. O QUE DIZEM OS PROPRIETÁRIOS DE SUPERMERCADOS Para Cláudio Márcio de Matos Rocha, proprietário do Supermercado Bom Preço, em Resende Costa, o aumento dos produtos não se deve somente à pandemia de Covid-19. “Houve um aumento, mas não necessariamente só pela pandemia. Existiram duas situações: primeiro, devido ao aumento do dólar e ao clima. E, em segundo momento, devido a uma grande demanda, uma vez que o consumidor acreditou que o produto poderia faltar; isso em meados de março. Aí houve um aumento no preço. Tanto é que, agora, a gente começa a observar que os fornecedores estão enfrentando um problema de encaixe de produtos porque está começando a diminuir o consumo, então os preços estão voltando”, afirma Cláudio O sócio administrador do Supermercado Resende Costa, Rafael José Resende, citou trecho de uma carta da Associação Mineira de Supermercados (AMIS) para explicar o aumento do preço de alguns produtos da cesta básica. “Houve um aumento em alguns itens, como laticínios, em geral, ovos, feijão, óleo, arroz, derivados do trigo e alho. Isso se deve a um desequilíbrio na balança de oferta e procura. A procura sendo maior do que a oferta pressiona os preços a subirem. Isso é explicado no trecho da carta aberta ao consumidor mineiro, publicada pela AMIS em 27 de março de 2020: ‘Com a alta demanda geral registrada no início do enfrentamento da pandemia, os estoques, que garantiriam abastecimento durante determinado prazo de tempo, foram rapidamente consumidos, o que gerou a necessidade de novas compras junto aos fornecedores. Com o excesso de demanda, os preços sofrem pressão’. Não só a alta demanda gera esse desequilíbrio, mas a instabilidade econômica gerada com a pandemia está fazendo com que o dólar comercial suba, afetando diretamente o preço no mercado interno de alguns outros produtos, como açúcar, carne bovina, trigo e soja”, explica Rafael. REPASSE AOS CONSUMIDORES Rafael diz que foram feitas tentativas para amenizar o repasse do aumento dos preços para os consumidores: “Para tentar amenizar esse impacto para os clientes, buscamos disponibilizar marcas alternativas, diminuir nossa margem de lucro e negociar incansavelmente com nos-

sos fornecedores, buscando sempre o menor preço”. Mas ressalta que os consumidores sentiram o aumento. “É inevitável que não haja algum repasse aos consumidores, uma vez que os supermercados são a última ligação entre quem produz e quem consome, ou seja, apenas repassamos os produtos e valores que adquirimos das indústrias.” O proprietário do Bom Preço fala sobre estratégias para não pesar no bolso dos consumidores. “Primeiro, uma negociação intensa. Segundo, você não faz o repasse de preços imediatamente para o consumidor quando você tem estoque. Você tenta fazer o quê? Diminuir o estoque e depois fazer o repasse. Isso evita com que as pessoas sintam esse impacto de forma brusca. Você vai aumentando os preços gradativamente; no primeiro momento, você tem uma perda, mas depois você tem um aumento das vendas, porque fica mais barato”, diz Cláudio Rocha. ABASTECIMENTO NORMALIZADO Questionados se alguns produtos começaram a faltar nas prateleiras, os empresários disseram que não. De acordo com Cláudio, houve atraso nas entregas de alguns produtos. “Eu tive demora na entrega, mas não dificuldade em comprar algum produto. Devido ao número menor de pessoas que ficaram disponíveis para o trabalho, algumas empresas que entregavam com mais agilidade começaram a demorar mais com a entrega. O produto, como o gás de cozinha, teve um problema com o prazo de reposição com o qual estávamos acostumados a ter. Se as empresas possuíam 100 trabalhadores, começaram a trabalhar com 20. O processo operacional ficou defasado. ” Rafael explicou que no início da pandemia houve um aumento considerável das vendas, o que fez com que algumas prateleiras ficassem vazias. “No entanto, isso ocorreu por um curto período de tempo e com faltas pontuais, como, por exemplo: álcool em gel, papel higiênico e gás de cozinha. Não podemos então relacionar essa falta de mercadorias a um provável desabastecimento nos supermercados, mas sim a um problema de reposição de estoques momentâneo devido à alta demanda”, destaca. O empresário informou que as vendas se estabilizaram ainda no início do mês de abril, mas a dificuldade para a compra do álcool continua. “Atualmente existe uma dificuldade apenas na compra de álcool, tanto o líquido (96ºGL ou 70ºGL) como em gel 70% pelo fato de nossos fornecedores estarem limitando a quantidade que pode ser adquirida pela empresa.”

CANAL PARA RECLAMAÇÕES Resende Costa não possui um canal para os clientes formalizarem reclamações sobre possíveis altas nos preços de produtos. Segundo informou a prefeitura municipal, está sendo estudada uma maneira para que a população possa formalizar situações de abusos nos preços, se eventualmente a situação ocorrer. No entanto, ainda não há previsão de quando a plataforma estará disponível. Ainda de acordo com a prefeitura, após reclamações de algumas pessoas foram feitas visitas aos supermercados da cidade. Os respectivos proprietários esclareceram que todos os aumentos aconteceram em virtude do repasse das distribuidoras e que estariam disponíveis para quaisquer esclarecimentos, inclusive, se necessário, apresentando nota fiscal das compras aos consumidores. DIFICULDADES NA CONCORRÊNCIA Rafael afirma que hoje as grandes redes de supermercados de São João del-Rei são concorrentes diretas e destaca a dificuldade em competir com elas. “Alguns pontos na forma de trabalhar, que são características de cada empresa, fazem com que a competição fique desfavorável para os comércios locais e menores. As grandes redes conseguem ter um poder de compra muito maior, negociando altas quantidades diretamente com a indústria e realizando pagamentos à vista. Na maioria das vezes, isso não acontece com os supermercados menores que necessitam recorrer a empresas atacadistas para comprar o mesmo produto, em menores quantidades, necessitando de prazo para pagar e colocando mais um intermediário na cadeia de distribuição do produto, que eleva seu valor final”, argumenta. Para Cláudio, as principais dificuldades são as características dos supermercados das cidades de menor porte. “São João del-Rei tem uma característica de mercado de venda à vista, nos cartões de débito, de crédito e mesmo no dinheiro. Raras são as pessoas que aceitam cheques com cadastro. Eles não têm custos de entregas de produtos e, se têm, cobram à parte. Nós temos que bancar o crédito para o cliente. Quase que somos obrigados, culturalmente falando, a fornecer esse crédito. E isso vem desde muitos anos. Quebrar essa cadeia é muito difícil. Você tem um sistema de anotação, e quando você tem esse sistema de anotação e faz para um nicho de mercado, torna-se necessário fazer para todo nicho de mercado. E com isso sua competividade diminui porque, se você dá crédito, consequentemente diminui seu capital de giro e aí não há condições de comprar uma

quantidade maior. Com isso, você perde no poder de negociação com o fornecedor.” De acordo com Cláudio, para competir de igual para igual com as grandes redes, são necessárias algumas mudanças. “Acredito que teremos capacidade de ter preços iguais ou até melhores, mas para isso teremos que repensar no sistema de entrega, de embalagens, ou seja, tudo precisa estar disponível para o cliente”, analisa. Para a consumidora Carla, ir à cidade vizinha para fazer compras é ilusório. “Eu já fui chamada de boba pela minha vizinha, que vai todos os meses buscar produtos em São João del-Rei. Na véspera do Natal, no ano passado, ela me chamou e mostrou que havia economizado oito reais com a ida até São João del-Rei. Nas contas dela, já haviam sido somados a gasolina e o tempo de fazer a barra de crochê para os tapetes, que é o trabalho dela. Eu achei engraçado. E disse que ela havia ficado feliz quando o sobrinho foi contratado para trabalhar em um estabelecimento aqui em Resende Costa. Não era de supermercado, mas era em Resende Costa, não em São João del-Rei. Eu morei muitos anos fora. E isso é uma realidade dos grandes centros também, ou seja, o pessoal ia comprar nas redes, mas quando o estômago doía, pedia à amiga para anotar na feirinha do lado de casa e a amiga anotava”, reflete Carla. “Não estou dizendo que não se deve reclamar. É necessário. Quando você me mandou mensagem convidando-me para dar entrevista, a campainha da minha casa havia acabado de tocar. As minhas compras haviam chegado e ainda ganhei um brinde”, conta Carla, que destaca a importância de valorizar o comércio local. O MERCADO LOCAL “Existe, sim, uma dificuldade em competir com as grandes redes de nossa vizinha São João del-Rei. O que não diminui em nada a capacidade de atender com excelência o cliente resende-costense, prezando sempre o melhor atendimento, a praticidade, o melhor preço e a qualidade de nossos produtos”, diz Rafael Resende. Para Cláudio Rocha, é necessário que as duas partes (consumidores e empresários) sejam envolvidas em negociações locais. “Porque se nós formos envolvidos, a cidade fica blindada com mais recursos. Inclusive tem, ainda, a possibilidade de haver mais empregabilidade e manutenção de impostos. Temos muito a ganhar. É uma questão de solidariedade, de compreensão que os dois lados precisam ter. Nós precisamos vender com preço justo, mas os nossos serviços precisam ser valorizados”, conclui.


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CIDADE

VITÓRIA CRISTINA

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o município de Resende Costa possui como principal fonte de trabalho e renda o artesanato. Neste momento de pandemia do novo coronavírus, muitas famílias que vivem do setor de produção do artesanato – cortando, enrolando retalhos e tecendo – necessitarão de ajuda econômica do governo. Essas pessoas poderão, inclusive, integrar um grupo classificado como “potencialmente vulnerável”, ou seja, que provavelmente dependerá de ajuda também da prefeitura. O JL entrevistou a coordenadora do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), de Resende Costa, Clébia Resende, para saber acerca da campanha de arrecadação de alimentos que vem sendo realizada na cidade. “A prefeitura, em mais uma ação de combate ao novo coronavírus, está fazendo a distribuição de cestas básicas e de kits de higiene para as famílias que estão cadastradas em programas sociais, ou as que precisam e preferem fazer o cadastro na prefeitura”, informou Clébia. Até o fechamento desta reportagem, o CRAS tinha conseguido arrecadar aproximadamente 3.110 kg de alimentos, totalizando

Foto: Arquivo Marco Faro

CRAS promove doação de 220 cestas básicas para população vulnerável durante o isolamento social

CRAS de Resende Costa distribui cestas básicas às famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade

cerca de 220 cestas básicas. “Nossa equipe é pequena e estamos na linha de frente no que se refere à assistência social. Estamos atendendo pelo WhatsApp, vamos em todos os povoados da zona rural. Já fomos nos Paulas, Tabuado e vamos em Jacarandira”, disse a coordenadora Clébia Resende. Ela explica ainda que a arrecadação de alimentos foi uma ajuda espontânea da população, assim como de outras entidades que ajudaram com kits de higiene, dentários e escolares. A assistência social recebeu várias orientações do governo federal devido à pandemia. A coordenadora Clébia falou também sobre outros benefícios que podem ser usados pela população durante a pandemia.

BOLSA MERENDA Estudantes da rede pública estadual começaram a receber o bolsa merenda, no valor de 50 reais por pessoa, para compra de alimentos. O benefício é exclusivo para estudantes da rede estadual inscritos no CadÚnico. ISENÇÃO DA CONTA DE LUZ O governo federal determinou a isenção da parcela do consumo de energia elétrica para todos os clientes cadastrados na Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) e com consumo mensal de até 220 KWh. A decisão poderá beneficiar mais de 500 mil famílias em Minas até o final de junho. Para ter direito à tarifa social é preciso ser inscrito no CadÚnico.

EDITAL DE CORREIÇÃO O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, atendendo ao disposto no art. 202, II, c./c. o art. 205, § 1º, ambos da Lei Complementar Estadual n.º 34/1994, e em conformidade com as Portarias n.º 70, 71 e 72/2019-CGMP publicadas no Diário Oficial eletrônico do Ministério Público de Minas Gerais em 01/11/2019, FAZ SABER que, neste exercício de 2020, a Corregedoria-Geral do Ministério Público realizará CORREIÇÃO ORDINÁRIA nos serviços afetos à Promotoria de Justiça Única da Comarca de Resende Costa, podendo ser remetidas à Corregedoria-Geral informações, críticas, sugestões e/ou reclamações sobre a exe-

cução dos serviços ministeriais, bem como quanto ao Promotor de Justiça atuante na comarca/unidade. Os respectivos trabalhos correcionais serão executados em conformidade com o art. 106 e seguintes do Ato CGMP n° 1/2020. E, para conhecimento de todos os interessados, expede-se o presente Edital, nos termos do art. 108, II, do Ato CGMP n.º 1/2020, que será afixado nas dependências da Promotoria de Justiça e/ ou do Fórum da Comarca, em local visível e acessível ao público, e divulgado na imprensa local/regional, se viável. Dado e passado na Cidade e Comarca de Resende Costa, 05 de maio de 2020.

Publique-se. Igor Augusto de Medeiros Provinciali Promotor de Justiça CORREGEDORIA-GERAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO Meios para contato: Telefone: (31) 33308024 Endereço postal: Avenida Álvares Cabral, 1740, 11º andar, Bairro Santo Agostinho, Belo Horizonte MG, CEP 30.170-008 Correio eletrônico (e-mail): correicoes@mpmg. mp.br

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De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Sem abraços, sem beijinhos Estamos diante de uma tragédia. Imagino que todos tenham noção das dificuldades que nos estão sendo impostas pela pandemia do novo coronavírus. Alguém, quatro meses atrás, poderia imaginar tudo o que estamos vivenciando com a evolução da Covid-19? Imagino que não. As primeiras notícias acerca do coronavírus nos chegaram de Wuhan, uma imensa cidade chinesa, de tamanho e população equivalentes a São Paulo, a maior cidade do Brasil. Quando começaram a divulgar o número de infectados e de mortos naquela cidade, um alerta emitido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) provocou a reação de muitos governos no sentido de proteger a população contra os males causados por esse vírus. Alguns levaram o alerta a sério, outros não. Os que se preveniram evitaram muitas mortes; aqueles que subestimaram a letalidade da Covid-19 veem o número de infectados e de mortos crescer dia após dia. Ao longo de quatro meses, o vírus rapidamente se espalhou pelo mundo. E foram os mais ricos que, viajando para lá e para cá de avião ou navio, se infectaram e o fizeram circular, pois, como disse um prefeito de cidade do Triângulo Mineiro: “Vírus não anda, quem anda são as pessoas.” Agora vemos os mais pobres, sem recursos, abandonados, senão totalmente ignorados por classes dominantes, sofrerem muito. Não nos é difícil apurar que, se essa pandemia tivesse se instalado entre nós antes do carnaval, a catástrofe teria sido muito, mas muito superior à que observamos hoje. A partir de então, as práticas de quarentena, de isolamento social e até a de isolamento obrigatório (lockdown) passaram a fazer parte da nossa vida. Quarentena é uma prática que surgiu na China antiga, mesmo país de onde nos veio o novo coronavírus. Segundo Iris Santos e Wanderson Nascimento, (Revista - Centro Universitário São Camilo - 2014), tudo começou quando os chineses perceberam que crostas extraídas dos acometidos por varíola permaneciam infectadas por cerca de quarenta dias durante o inverno e vinte dias, no verão. Uma maneira de praticar a quarentena se dá através do isola-

mento social. Em Resende Costa, o setor de saúde municipal agiu rápido e, mediante decretos baixados pelo prefeito, interveio para suspender atividades em diversos setores da economia local. O objetivo, claro, foi o de fazer diminuir a circulação de pessoas e evitar aglomerações que potencializam, nesse caso, a propagação da doença. Houve ranger de dentes, contrariedades. Mas para salvar vidas, esse é um recurso eficaz, até que surja uma vacina capaz de nos proteger desse vírus. As redes de televisão foram obrigadas a alterar a produção e exibição de programas, práticas esportivas foram canceladas e cerimônias religiosas precisaram ser transmitidas através do rádio e da internet, sem a presença dos fiéis nos templos. Rezas e leilões, tradicionalmente organizados nos povoados estão cancelados. Festa junina, nem pensar. Certamente, não teremos as festas de aniversário da cidade, da nossa Santa padroeira e a do parque do campo, que ocorre em julho. Será que teremos carnaval em 2021? O último evento que realizamos na cidade foi o lançamento do livro publicado pelo nosso conterrâneo José Venâncio de Resende, ocorrido no dia 14 de março no prédio da biblioteca pública. Naquele dia, com a preocupação instalada, evitamos os contatos físicos, abraços e apertos de mão. Ainda não estávamos usando máscaras nem praticando o distanciamento mínimo de dois metros entre pessoas. Como nunca vivenciamos situação igual a essa, cabe-nos aproveitar o momento, tirar proveito dele. A partir de agora, eu penso, teremos pela frente que adotar, senão aprimorar, novas condutas de contato pessoal, de higiene corporal. Alguns comportamentos sugeridos agora, muitos de nós já os tínhamos: lavar bem as mãos ao longo do dia, deixar os sapatos do lado de fora da casa, usar álcool em gel para desinfecção das mãos, entre outras ações. Vai ser preciso, enquanto o vírus estiver circulando, evitar muitos abraços e beijinhos, infelizmente. Digo infelizmente, já que adoramos festas, práticas esportivas, reuniões entre familiares e amigos, quando os contatos físicos são inevitáveis. Esse é o jeito nosso de ser.


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SAÚDE

A difícil vida em isolamento social: depoimentos JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O distanciamento (isolamento) social é um dos fatores de grande impacto na diminuição do número de infectados pelo novo coronavírus, disseminado por gotícolas, diz o médico-residente em São Paulo, João Roberto Resende Fernandes, em entrevista ao JL. Associado à higienização e ao uso de máscaras, é uma medida de prevenção essencial contra a doença para evitar o colapso dos serviços de saúde público e privado, alerta João Roberto: “O sistema de saúde brasileiro, mesmo antes da pandemia de Covid-19, já não conseguia atender a toda demanda, com poucas vagas de terapia intensiva disponíveis.” Nesta edição, o JL ouviu algumas pessoas sobre a experiência de viver em isolamento social. A psicóloga Kátia Valéria Gomes, de Resende Costa, observa que ficar em casa, sem estar em férias, exige “que tenhamos uma rotina, senão nos perdemos no tempo”: fazer atividades físicas, assistir a filmes e séries, ler,

jogar e conversar. “Nosso equilíbrio emocional depende muito, principalmente neste momento, desses fatores”, diz a psicóloga. A psicóloga Jane Resende, sócia-fundadora do Centro de Terapias Integradas (Cetin), em São João del-Rei, diz que, “de uma forma ou de outra, estou sempre trabalhando”. “Em minha profissão, cuido das pessoas; agora estou tendo tempo para mim. Acredito que tudo isso tenha um propósito espiritual. Aguardemos.” O professor Jonathan Nathan Alves, da Escola Chave do Saber, em São João del-Rei, não interrompeu suas atividades, mesmo em casa. Além de “pensar em muita coisa ao mesmo tempo” e ajudar as pessoas “na medida do possível”, trabalha a distância com seus alunos, “cada um na sua casa. Fizemos várias cartinhas de amor, esperança, fé e agradecimento para as áreas da saúde, supermercado e serviços essenciais.” Vanderlei Cardoso, da Biscoitos São Tiaguense, e seus funcionários estão trabalhando três dias na semana na fábrica para garantir a entrega em varejões e supermercados. “Fico angustiado ao chegar a lugares onde faço vendas e ver as lojas,

bares, restaurantes, hotéis fechados, ruas vazias. Por exemplo, Resende Costa.” Antes, nos fins de semana, ele “adorava ver as pessoas dançando e curtindo (nos shows com a sua Banda de Forró); agora, para passar o tempo, toco o violão e canto sozinho em casa.” Além da ansiedade, muita reflexão e união em casa, a psicopedagoga Ângela Santos, de Resende Costa, tem realizado “algumas atividades de que gosto muito para aproveitar o tempo, como fazer crochê e biscoitos no forno a lenha”. E retomou suas atividades laborais em plataformas on-line, “o que ajuda a aliviar as angústias desse tempo de tantas incertezas.” Esta situação de “isolamento mexe muito com o nosso emocional”, acrescenta a supervisora financeira Patrícia Inês dos Santos, de São João del-Rei. “Tem dias angustiantes, depressivos e muita ansiedade para que isso tudo passe logo. Mas temos que acreditar, confiar e ter fé que logo vai passar.” A prioridade da turismóloga são-joanense Betânia Nascimento Resende, neste período de quarentena, “tem sido meu processo de autocura. Tenho buscado ler, meditar,

orar e cada vez mais me entender. O tempo maior com meu esposo, mãe e filhos tem nos ensinado a nos respeitar mais.” Depois de três anos, a vendedora e compositora de samba-enredo Jussara Marcelino foi obrigada a umas “férias forçadas” que culminaram com a demissão porque a loja vai encerrar as atividades. “A gente fica preocupada com tudo… Por outro lado, estamos mais próximos dos nossos familiares, o que antes era mais difícil. A pandemia impôs uma aproximação forçada... apesar de não conseguir relaxar totalmente. Afinal, o lado financeiro vai pesar muito nos próximos dias e meses. Vamos com fé e esperança que dias melhores virão.” A escritora Maria Claret Resende destaca o medo de ter o dinheiro e não ter onde comprar o alimento, de ter o alimento e não ter o dinheiro; de faltar o remédio necessário para aqueles que fazem uso contínuo; de faltar o dinheiro público frente a cada movimento das estatísticas da pandemia. “O povo se desorienta e clama pela liberdade de continuar sendo o homem do ontem. Aquele que não tinha medo do inimigo invisível e selvagem.”

Também Maria Aparecida de Resende (Cida), que não tece há dois meses, refere-se ao medo das pessoas. Muita gente de máscara na rua, exigência de máscara no banco, fila de entrada no mercado e o temor de não superar a crise. “As coisas estão todas paradas, a gente não está vendo muita luz no fim do túnel. Só Deus na vida da gente! E temos que nos cuidar muito.” Diante dessa situação, o ativista social Air Souza Resende vai tocando a vida como pode, com idas ao sítio, exercícios de pilates, leituras, internet e acompanhamento de noticiários de TV. Só não escreve seus artigos porque o jornal também se encontra em “quarentena”. “Como membro da AMMASDELREI, estou acompanhando os acontecimentos relativos aos trabalhos preventivos à Covid-19 e à aplicação dos recursos liberados.” A gerente administrativa do Café Soberano, Patrícia de Oliveira Baccarini, diz que tem saído de casa só para trabalhar. A fábrica está funcionando de porta fechada e o pessoal da produção usa apenas moto própria e carro da firma para se deslocar. Já os vendedores ficam menos na rua, tentando vender por telefone.

De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Morte e vida com coronavírus Novo coronavírus, causador de mortes. Novo coronavírus, antecipador de vida. É assim que vou vendo essa terrível epidemia. Terrível, porque causadora de terror. Terrível, pois, ainda não se conhece bem esse minúsculo ser sobre o qual, a cada dia, descobre-se uma novidade. Sabe-se que poucas partículas do vírus são suficientes para infectar uma pessoa. Sabe-se que ao entrar no corpo o vírus encontra receptores aos quais se conecta e começa a se replicar. Sabe-se que atua em sistema. Sabe-se que as pesquisas são preliminares e muita investigação científica se faz ainda necessária

para validar as hipóteses dos pesquisadores. Isto é: sabe-se que não se sabe. Cada dia uma novidade. Cada dia uma incógnita. Cada dia o desafio colocado para quem pretende saber da “vida”: o que é, em que consiste, como se estabelece, onde teve origem. Enquanto isso, mata. Comovem-me todas as mortes. Algumas, porém, em particular. Comovem-me aquelas mortes de quem atende os que podem morrer. Estão lá, lado a lado, com uma segurança discutível, com o cuidado indiscutível, com uma esperança que pode ser contra toda esperança. É dedicação em estado puro. É saber que não vale viver se

não for para que outros vivam. É colocar a própria vida em segundo plano, frente à vida do outro. Por isso digo: Bem-aventurados os que morrem pelos que morrem, pois já estão nos braços do Pai comum. Novo coronavírus, fonte de vida. Vida que nasce da “comunhão”, da união com aqueles que morrem porque não conseguiram vencer o inimigo. Comunhão igualmente com aqueles que morrem para não deixar outros morrerem. Eles estão morrendo por nós, levados pelo compromisso profissional, que, acredito, não se sustenta sem a plena convicção de que é preciso lutar para viver, para não deixar morrer, para não se abater com a

derrota frente ao desconhecido. Doam a vida: são mártires, na melhor acepção da palavra. Pois não há maior amor que doar a vida pelo irmão. Por isso, recebem a vida, que vírus algum aniquila. Temos tido grande oportunidade de experimentar a verdade de que não se vive em vão. Como suportar ver o irmão definhar, ir-se embora, sem colocar nisso um sentido maior? Como, em pleno século vinte e um, marcado por avanços tecnológicos em todas as manifestações de vida, não conseguir controlar esse conhecido coronavírus, na sua atual manifestação de “novo coronavírus”? Não me escape a verdade de que a vida não

só é misteriosa na sua origem quanto o é no seu desenrolar, nas suas insondáveis manifestações. E isso é que me leva de volta para onde ela teve origem. Sim, a Covid-19 me está dando a oportunidade de reconhecer o dom da existência, de melhor me conhecer, de entender que ninguém é senhor da vida, exceto aquele que deu origem a ela. A Covid-19 tem fortalecido em mim o sentido da comunhão. Comunhão na vida: uns pelos outros. Comunhão na morte: todos para a fonte da vida. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.


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SAÚDE

Mais de um mês se passou desde que foi declarado o isolamento social em diversas partes do mundo. Não é novidade para ninguém o quanto está sendo e vai ser difícil essa fase. Porém, não podemos nos esquecer da extrema necessidade de que todos fiquem em casa se cuidando e de que possam ir à rua apenas para fazerem o necessário, a fim de se evitar a contaminação pelo novo coronavírus, causador da Covid-19. Vemos em muitos lugares jovens e adultos saindo e se reunindo como se estivesse tudo bem. Mas vale lembrar que isolamento social não significa férias. O Jornal das Lajes procurou saber o que os jovens de Resende Costa estão fazendo para passar o tempo e, consequentemente, para lidar com a ansiedade de não saber quando essa situação difícil vai passar. Entrando em contato com alguns jovens resende-costenses, descobrimos que uma grande maioria, para passar o tempo, tem se dedicado a assistir às lives de artistas famosos transmitidas nas redes sociais, principalmente no YouTube. Diversos artistas e cantores de todo o Brasil estão usando as plataformas digitais para realizarem shows destinados aos que se encontram em casa. As apresentações, ao vivo, possibilitam interação entre os artistas e os fãs através dos comentários. Muitas pessoas assistem sozinhas às apresentações e outras reúnem a família ou pessoas com quem moram para assistir às lives. Trata-se de uma alternativa de entretenimento durante o isolamento social à qual a maioria da população vem aderindo, uma vez que não estão acontecendo festas, os bares, teatros e cinemas estão fechados. A oportunidade para reunir a família e tomar uma cerveja, que muitos alegam sentir falta, é a de ficar em casa e assistir às essas transmissões. Nossa conterrânea, a cantora sertaneja Mariana Costa, tem postado em seu perfil nas redes sociais diversos vídeos cantando, interagindo com seus seguidores e perguntando-lhes quais são as músicas que eles desejam ouvir. Cursos on-line também estão

Foto: redes sociais Mariana Costa

CAMILA CHAVES

Foto: redes sociais Cristiane Vale

O que os jovens podem fazer durante o isolamento social?

Cristiane Vale apresenta lives com dicas de exercícios que podem ser feitos em casa

A cantora Mariana Costa tem postado vídeo tem seu Instagram, interagindo com seus seguidores

ocupando boa parte do tempo de muitos jovens, não só em Resende Costa como em todo o Brasil. É uma excelente opção para continuar exercitando a mente e agregar conteúdos que podem ser importantes para o currículo e para a futura experiência profissional. Os cursos on-line são indicados para todas as idades, mas, principalmente, para quem que já está na faculdade e não quer ficar parado. Adquirir o hábito da leitura, seja para passar o tempo ou para agregar conhecimento em algum setor na área de formação, é também uma opção ótima. Diversas pessoas continuam tendo aulas, porém, a distância. Todos os dias, através de chamadas de vídeo, os professores ministram os conteúdos das disciplinas. O Home Office também não fica para trás, já que muitas pessoas tiveram que levar o trabalho para casa e devem cumprir normalmente as horas de atividade profissional. Mas, sabendo que cada pessoa lida com a situação de uma maneira diferente, não é necessário que todos estejam sempre buscando algo produtivo para se fazer. É válido qualquer tipo de atividade que seja prazerosa, como simplesmente assistir a todos os filmes e séries que forem do interesse. Há dias em que tudo o que nós queremos é apenas ficarmos deitados na cama assistindo a alguma coisa. E está tudo bem. Nesse momento é importante manter a calma e relaxar do jeito que se julgar ser necessário para si. Muitos adolescentes e jovens também se rendem aos jogos on-li-

ne, o que geralmente não é fácil de conciliar durante o período letivo nas escolas e universidades. Jogos como League of Legends (LoL), Fortnite, Dota 2, Counter Strike, entre outros, atraem a atenção dos jovens que passam horas jogando diante do computador. Por último, mas não menos importante, deve-se ressaltar a necessidade dos exercícios físicos. Neste período em que estamos ficando tanto tempo em casa e sem andar grandes percursos, exercitar-se é primordial não só para a saúde física como também para a saúde mental. Isso acontece porque, além de fornecer boa forma física e evitar possíveis problemas de sáude, o exercício ajuda a lidar com a ansiedade e com a depressão, fornecendo mais energia e aumentando a autoestima. Pensando nisso, a educadora física e personal Cristiane Vale tem atraído seus alunos e seguidores em suas redes sociais, apresentando-lhes várias opções de exercícios físicos para serem feitos em casa. Em suas lives veiculadas no Instagram @cristikepersonal, Cristiane orienta como a pessoa pode se exercitar no quintal ou dentro de casa. Além das lives no Instagram, a educadora física possui grupos no WhatsApp, onde ela também oferece opções de treinamento para suas alunas fixas e para quem quiser participar. É gratificante ver a iniciativa de muitos profissionais de diferentes áreas que mudaram suas plataformas e rotina de trabalho a fim de ajudarem quem necessita. Essas são apenas algumas dicas

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CULTURA

Eventos com público em Resende Costa estão suspensos por tempo indeterminado VITÓRIA CRISTINA

Seguindo medidas preventivas de combate ao novo coronavírus, todos os eventos com público, tradicionalmente realizados em Resende Costa, estão suspensos enquanto durar a pandemia; alguns, inclusive, tiveram de ser cancelados, conforme esclareceram o prefeito municipal Aurélio Suenes e a secretária de Turismo, Artesanato e Cultura do município, Márcia Almeida. Segundo Aurélio Suenes, a medida está sendo adotada por tempo indeterminado para prevenir os riscos de transmissão da Covid-19. “Nós entendemos que nesse momento estamos seguindo o decreto de emergência. E tendo em vista a questão dos serviços essenciais, ou seja, o que pode e o que não pode funcionar, os eventos automaticamente ficaram suspensos devido a todo esse contexto atual de pandemia. Nós não temos uma previsão (para retorno), porque precisamos superar essa fase do contágio e criar uma certa estabilidade nesse cenário”, informou o prefeito. Aurélio disse que espera poder voltar com alguns eventos ainda neste ano. No entanto, ele não confirmou quais poderão acontecer e aqueles que terão de ser definitivamente cancelados. “Por enquanto, a prioridade é manter a máquina pública funcionando com serviços básicos, os eventos passam a ficar em segundo plano”, disse o prefeito. De acordo com Aurélio, assim que a prefeitura tiver uma decisão acerca da realização ou não de eventos com público no município, será divulgado um comunicado oficial à população. PRIORIDADE Segundo o prefeito municipal, a prioridade são os serviços essenciais para a população. “Há evento que podemos adiar e oudo que pode e está sendo feito pelos nossos jovens durante o isolamento social. É importante se sentir bem, porém não colocando tudo a perder ao não obedecer ao isolamento so-

tros, não. Em função dos custos, provavelmente a gente não vai realizar (alguns eventos) porque estamos tendo uma queda de arrecadação, que aconteceu agora no mês de abril, e que deverá permanecer por alguns meses. Por isso, nós vamos priorizar os serviços essenciais e as despesas que não têm como deixarmos de lado, como: gastos com pessoal, coleta de lixo, ou seja, os serviços essenciais da prefeitura”, esclareceu Aurélio Suenes. A secretária de Cultura, Márcia Almeida, informou que os grandes eventos que estavam programados para acontecer na cidade ainda no primeiro semestre deste ano foram adiados. “Tudo vai depender de quando terminará a pandemia para a prefeitura decidir se vai haver ou não possibilidade de realizá-los”, disse Márcia, informando que, até o momento, o Encontro de Motociclistas e a Mostra de Artesanato e Cultura, que aconteceriam em março e junho, respectivamente, foram cancelados. RECOMENDAÇÕES DO GOVERNO DO ESTADO A recomendação do governo de Minas Gerais é a de que todos os eventos com público e que reúnam aglomerações sejam suspensos pelos próximos 30 dias. De acordo com o governo do Estado, a medida será revista semanalmente e também será adotada por outras organizações. A gestão estadual esclarece “que irá continuar empenhando todos os esforços para evitar que o vírus se espalhe em Minas Gerais e atinja a população mineira.” “Evitando aglomerações, conseguimos conter a propagação do vírus de forma mais eficiente, com o objetivo de que a epidemia não se alastre em Minas Gerais e contamine, principalmente, quem está no grupo de risco”, afirmou o governador Romeu Zema (Novo). cial. Trata-se de um momento muito difícil em que temos de permanecer unidos em pensamento, porém separados de contato, para que tudo passe o mais rápido possível.


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Informe Publicitário

COMÉRCIO

Maquininhas de cartão ampliam horizontes de empreendedores, facilitam pagamentos de consumidores e fomentam economia saudável Da mobilidade no delivery à garantia de recebimento, Sipag e Sipaguinha levam diferenciais do cotidiano a outro patamar em tempos desafiadores Os telefones não pararam de tocar nas duas farmácias gerenciadas pelo empreendedor Paulo Daher em Resende Costa. Em Quarentena e distanciamento social, moradores da cidade precisaram recorrer ainda mais ao delivery para receber medicamentos. Em pouco tempo, a frequência de entregas cresceu 50%. Foi nesse cenário que a Sipag se reafirmou como aliada poderosa nos negócios. Primeiro por realizar pagamentos sem dinheiro vivo que, circulando em diferentes mãos, pode se tornar vetor da Covid-19. Há, ainda, o aquecimento do mercado. Isso porque, em tempos de circulação reduzida, cai também a temperatura da economia e surge um impasse: de um lado, clientes que precisam de prazos para reorganizarem as finanças; de outro, comerciantes que dependem dos recursos para manter estoques em dia. Tudo garantido, para todo mundo, nas transações com cartão de crédito. ENTENDA MELHOR Quem explica é Lucas Costa, do setor de Produtos no Sicoob Credivertentes. “O pagamento no crediário, com as famosas fichinhas, é um pacto de confiança entre quem vende e quem compra, sem certeza de recebimento. Com o cartão, porém, o consumidor continua tendo tempo para quitar a aquisição, podendo chegar a 40 dias, enquanto o comerciante tem certeza de pagamento. A máquina concluiu a venda? Pronto. Pode ficar tranquilo contando com recursos em caixa”, diz. E mais: tanto a Sipag quanto a Sipaguinha (opções que se adaptam ao perfil de diferentes negócios) não se restringem ao balcão. Precisou sair

para entregas? Qualquer uma das duas pode ir junto levando diferentes vantagens. Inclusive a antecipação de recebíveis. “O estabelecimento pode oferecer o parcelamento aos clientes tranquilamente. Se precisar, porém, pode contar com o Sicoob para receber os recursos mais rápido. Uma maneira, inclusive, de garantir fluxo de caixa no atual momento”, acrescenta Costa. Daher, que mencionamos no início da matéria, confirma: “Toda economia é bem-vinda sempre. Mas se torna ainda mais essencial em cenários incertos. Na ponta do lápis, a Sipag me garante muito mais vantagens que outras máquinas inclusive nas taxas. Já comparei e não abro mão”, frisa. COMUNIDADE A agente de Atendimento em Resende Costa, Thaísa Macedo, lembra ainda o benefício do fortalecimento

comunitário. Afinal, no cooperativismo financeiro, recursos circulam e fomentam a localidade (não acionistas restritos). “A Sipag ou a Sipaguinha traz uma lista enorme de vantagens. Além de permitir que os empreendedores reinventem seus negócios, tenham garantia de recebimento e fluxo de caixa, a maquininha tem seus valores creditados diretamente na conta dos associados. Assim, aumenta o volume de depósitos à vista. Além disso, incentiva movimentações que nos permitem conhecer melhor cada empreendedor e abrir o leque de possibilidades em negócios e soluções que podemos oferecer. A relação entre cooperativa e cooperados fica ainda mais forte e todos crescem juntos”, destaca.

VITRINE

SICOOBCARD GARANTE SEGURANÇA E AINDA MAIS VANTAGENS A ASSOCIADOS Mais do que nunca, você pode tirar o seu Sicoobcard do bolso tranquilo. Para começar, o cartão de crédito do Sicoob é uma maneira segura de realizar pagamentos, sem precisar sacar dinheiro; e basta higienizá-lo com cuidado após o uso para evitar contaminações. Além disso, dá prazo de até 40 dias para pagar suas compras em parcela única, sem juros; ou permite a distribuição do valor em prestações. Se sua fatura estiver no débito automático, nem precisa sair de casa pra quitar. No cooperativismo, porém, há ainda mais vantagens. “Uma delas é o Sicoobcard Prêmios. Quanto maior a utilização do cartão na função crédito, maior o acúmulo de pontos e maiores as possiblidades. É possível trocar todos eles inclusive por descontos na própria fatura”, lembra a agente de Atendimento Vanessa Freitas, em Morro do Ferro. Para quem optar por isso, aliás, há novidades. O Sicoob anunciou, em abril, que vai oferecer bônus de 50% na troca de pontos por crédito até o final de junho. “Com isso, 5.025 pontos que atualmente valem R$100 em crédito na fatura valerão R$150,00”, explicam posts oficiais do sistema. Para a advogada e comerciante Ana Carolina Machado, uma notícia excelente. Empreendedora no ramo de vendas, ela vê no Sicoobcard uma ferramenta essencial de trabalho. “Fazemos todas as compras do nosso estoque usando o cartão, inclusive via internet. Com o isolamento social, isso se tornou ainda mais importante”, conta ela que, no nosso programa de pontos exclusivo, prefere trocá-los por milhas aéreas e viajar com a família. “Mal posso esperar pelo próximo passeio”, diz. Outras informações estão em www.sicoobcard.com.br.

por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

REFLEXÕES

O manter-se humano Defrontamo-nos com aspectos desafiadores, ameaçadores e com os quais convivemos, com temor, já há algum tempo. Para começar, o mecanismo desumano e impessoal da busca obsessiva por patrimônio, resultados econômicos e corporativos, menosprezando interesses humanos e ambientais. Há ainda o fundamentalismo

político-religioso com adulteração e manipulação da fé por grupos radicais que nos conduzem ao embotamento ideológico, à robotização, ao fanatismo. O que dizer, então, do chauvinismo ou patriotismo deturpado com políticas governamentais de protecionismo exacerbado com menosprezo e relativização da vida, da dignidade dos me-

nos favorecidos. Em todas essas pautas reina a deturpação da verdade. Somos envoltos por interesses imediatistas, materialistas. Daí as Fake News, a publicidade enganosa, as ilegalidades “legais”, as fraudes cometidas tanto por autoridades quanto por cidadãos comuns. Como antídotos, temos que reafirmar nossa espiritualidade, nossa consciência,

nossos princípios e propósitos de solidariedade, renúncia, cooperação, tolerância. O humanismo apurado e concretizado no dia a dia. “Não somos números, somos gente. O importante não é só manter-se vivo, mas manter-se humano”. (George Orwell)


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REGIONAL

Hospital de Resende Costa recebe doação de calçados profissionais Empresa Marluvas, com sede no município de Dores de Campos, no Campo das Vertentes, doa calçados para contribuir com a segurança de médicos e enfermeiros, essenciais no combate ao coronavírus DA REDAÇÃO

Médicos e enfermeiros de todo o Brasil vêm denunciando a falta de equipamentos de proteção individual (EPI) para enfrentamento ao novo coronavírus. Até o final de março, a Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Enfermagem receberam quase 5 mil relatos da falta dos equipamentos, essenciais para o trabalho de quem está na linha de frente no tratamento de pacientes acometidos pela Covid-19. “Para minimizar esse impacto e contribuir na luta contra o vírus, a Marluvas Equipamentos Profissionais fez a doação de 2,5 mil pares de calçados para hospitais de cidades mineiras, como também de outros estados que demonstraram forte

preocupação pela falta dos materiais. Tais equipamentos de proteção são destinados exatamente a médicos, enfermeiros e técnicos”, informa Danilo Oliveira, diretor de Marketing da Marluvas. O Hospital Nossa Senhora do Rosário, de Resende Costa, foi um dos beneficiados. Segundo a enfermeira Leticia de Sousa Resende, que fez o contato do hospital com a Marluvas, a instituição recebeu 54 pares de calçados de segurança que serão utilizados por todos os funcionários. “Neste momento nós estamos aceitando todas as doações. A gente realmente gasta muitos calçados de segurança, que precisam ser sapatos fechados que seguem todas as regras de proteção e segurança”, explicou a enfermeira do hospital. De acordo com Douglas Vivas, supervisor de Relacio-

namento da Marluvas, a doação visa equipar os profissionais do Hospital Nossa Senhora do Rosário para o enfrentamento da doença. Além dele, outras 33 instituições também receberam doação da empresa: Hospital das Mercês (São João del-Rei), Cassiano Campolina (Entre Rios de Minas), Risoleta Neves (Belo Horizonte), Mario Penna (Belo Horizonte), Hospital Municipal de Contagem, Secretaria de Saúde de Tiradentes, Dores de Campos, Prados, entre outras. “Nesta ação, a empresa conta com a VHZ, transportadora que, de forma solidária, tem feito as entregas para as instituições. Com 48 anos de atuação, a Marluvas é líder no mercado de calçados de proteção, tem dez unidades distribuídas em todo o estado de Minas Gerais e conta com mais de 3 mil colaboradores. A empresa

Pares de calçados doados pela Marluvas ao Hospital Nossa Senhora do Rosário

mantém diversos programas sociais nas comunidades em que opera, a fim de contribuir com o

desenvolvimento social, econômico e humano das mesmas”, destaca Douglas.

O Verso e o Controverso JOÃO MAGALHÃES

Na crise do coronavírus, para quem vão suas palmas? O ser humano é mais de críticas – pichações, na fala moderna – do que de palmas. Infelizmente. Estendendo para a ciência, entidades e pessoas, a frase de Ênio (239-169 a.C.), citada por Cícero (106-43 a.C.) em “De amicitia”: “amicus certus in re incerta cernitur” (ou seja, o amigo certo se reconhece numa situação incerta), meus aplausos vão atualmente, aliás sempre foram, para os cientistas, especialistas e entidades sérias que têm como alicerce de fundação um profundo humanismo, resumido num culto eterno e ilimitado à vida – de modo especial, a humana. Novamente citando Cicero em “De oratore”: “História... testis temporum, lux veritatis, vita memoriae, magistra vitae, nuntia vetustatis” (História: testemunha dos tempos, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, mensageira do passado), um diálogo nosso com o presente e o passado, uma interação entre a história e o atual, ajudam muito a obter um discer-

nimento confiante frente a uma problemática. Sobre a mesa, nesse momento, três livros de antigos coirmãos meus do 4º voto solene na Ordem de São Camilo (Clérigos Regulares Ministros dos Enfermos) de serviço corporal aos enfermos, hoje desnecessário, pois esses cuidados, nos últimos tempos, são objeto de legislação profissional. Do padre Augusto Mezzomo, sobre São Camilo de Lellis, São João de Deus, São Vicente de Paulo, Ana Neri e Florence Nightingale, como pioneiros da humanização dos hospitais e da assistência aos doentes. Um exemplo, vindo de religiosos da Ordem dos Camilianos, citado por Jean Delumeau na sua indispensável “História do medo no Ocidente”, no capítulo sobre a peste: “Mas esses religiosos[capuchinhos] não tinham o monopólio da coragem. Em 1656, em Nápoles, enquanto o arcebispo se recolhia, 96 religiosos camilianos em cem morreram da peste; em 1763, em Messina, dezenove em 25”

(p.137). Nestes momentos vividos agora, nada como citar São Camilo de Lellis: “Ao atender o doente: enquanto as mãos fazem o que devem, os olhos vejam o que lhe falta, os ouvidos estejam atentos aos seus pedidos, a língua lhe dirija palavras de conforto, a mente e o coração orem por ele. Mais coração nas mãos, irmão”. “Os enfermos são as pupilas dos olhos de Deus. O que fizermos pelo último deles o teremos feito ao próprio Deus. O quarto do doente é a capela, a cama é o altar, o doente é Jesus sobre o altar” (São Camilo de Lellis). Do padre Antônio Puca, sobre o papel na epopeia da caridade exercido pelas Santas Casas de Misericórdia (“As Santas Casas de Misericórdia. De Florença a São Paulo, a epopeia da caridade): É digna de nota a Casa de Misericórdia, erigida em Salvador da Bahia: “pacientes tratados no Hospital da Misericórdia, a julgar pelo fato de que qualquer cidadão em condições de pagar um médico

recebia o tratamento na própria casa, eram geralmente provenientes dos setores mais pobres, pertencentes a quatro grupos: os negros ou brancos pobres: os estrangeiros; os soldados e marinheiros de navios de guerra ou de outros navios da coroa” (p.10). Do padre Firmino Pasqual (“As Santas Casas e a Evangelização”): “Os hospitais, praticamente, nasceram com o Cristianismo. No ano de 373 o Arcebispo São Basílio funda, em Cesareia, um hospital constituído por um albergue para viajantes e estrangeiros – Asilo para velhos – Asilo para crianças e Abrigo para doentes. A palavra “hospitalis” quer dizer hóspede, porque eram principalmente grandes moradias ou abrigos para acolher peregrinos, pobres e enfermos, conforme o saber da época” (p.7) É a humanidade ocidental prestando uma homenagem agradecida a seus heróis, seus cuidadores, seus provedores, sobretudo em épocas de grande sofrimento: epidemias, pestes,

guerras, terremotos etc. É a História batendo palmas! Restringindo para associações religiosas, igrejas, seitas. Frente a pregações como ouvidas recentemente de ministro religioso apontando e agradecendo o governo como enviado de Deus para ajudar os atingidos pela pandemia e pedindo o dízimo sobre a ajuda recebida em dinheiro, há que se abominar tais atitudes! E, sim, divulgar e colaborar com iniciativas realmente benéficas. E as palmas da atualidade vão para os mártires da saúde, profissionais que não fogem de sua missão, arriscando a própria para salvar a vida dos outros: para a misericórdia (“miseris cor dare” – oferecer seu coração aos necessitados) concretizada em atos, como empresas que se transformam em fabricantes de produtos hospitalares, firmas que estão fazendo de tudo para não demitir, voluntários como samaritanos que vão auxiliando os doentes e tantas outras iniciativas... É o que penso. E você?


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ESPORTE

Médico destaca três fatores a serem observados para a prática de atividades físicas ao ar livre durante o isolamento social É preciso seguir recomendações para caminhar, correr, andar de bicicleta ou passear com o cachorro de forma segura VANUZA RESENDE

O isolamento social em vigor em muitas cidades é tido como essencial na tentativa de “achatar a curva” de infecção pelo novo coronavírus no país. A orientação é: saia apenas em casos necessários, como idas a supermercados, bancos e unidades de saúde. No entanto, antes do isolamento social, era comum ver campos de futebol, praças e estradas em Resende Costa repletos de pessoas praticando atividades físicas. Andar de bicicleta, correr ou levar os cachorros para passearem: E agora? Como fazer e o que fazer? Para o médico Luiz Antônio Pinto, integrante do Comitê de enfretamento à Covid-19 em Resende Costa, as atividades físicas são sempre muito importantes. “A prática de atividade física é sempre importante, durante ou fora da quarentena. Ela está ligada à melhoria no padrão de saúde das pessoas, portanto é sempre importante”, destaca. PRECAUÇÕES AO SAIR DE CASA PARA REALIZAR ATIVIDADES FÍSICAS Luiz chama a atenção para três fatores importantes durante a prática de atividade física ao ar livre: “Nós vamos ter três preocupações básicas no que diz respeito a exercícios ao ar livre na quarentena. A primeira diz respeito às pessoas saírem de casa. Na verdade, o isolamento social prevê o mínimo possível de circulação de pessoas porque, cada vez que você circula, pode estar levando ou trazendo o vírus para mais pessoas. A segun-

da preocupação é a aglomeração. Do ponto de vista da aglomeração, se a pessoa conseguir um local para fazer suas atividades físicas longe de outras pessoas, seria o ideal. A terceira questão é que, durante o esforço físico, você lança um vírus em uma distância maior do que a habitual de quando você está andando, resolvendo algum problema na cidade. Quando você corre, há estudos que mostram que você consegue expelir o vírus a cerca de dez metros. Então, veja bem: quando você está correndo no asfalto, por exemplo, e encontra uma outra pessoa do outro lado, (se estiver infectado) você pode mandar o vírus ou receber o vírus. Portanto, tem esse complicador”, explica Luiz. Luiz chama atenção também para o uso de máscaras: “Tem um cuidado muito importante que é o uso da máscara. Então, além dessas considerações, as pessoas devem usar máscara se saírem para fazer atividade física”, orienta o médico, que frisa a importância da prática de atividades físicas, mas pondera que, no momento, o lugar mais seguro é em casa. “Lógico que quanto melhor meu pulmão estiver, menor a possibilidade de eu ter uma doença respiratória como, por exemplo, as complicações do coronavírus. A atividade física vai ser sempre importante, inclusive para prevenção da doença. Mas se você quiser uma segurança maior, faça seus exercícios em casa, em uma esteira ou uma bicicleta, por exemplo. Se for sair, que seja para pedalar, correr ou passear com o cachorro. Siga as recomendações: use máscara, mantenha distância e evite aglomerações”, recomenda o médico.

AO ENCONTRO COM A OMS As recomendações feitas por dr. Luiz seguem a linha da Organização Mundial de Saúde, que ressalta a importância de se manter ativo durante a pandemia. Neste sentido, a OMS apresenta em seu site uma série de sugestões de como se exercitar dentro de casa. Mas também orienta aqueles que “tiverem condições de sair para uma caminhada ou para andar de bicicleta”: que não se esqueçam de manter o distanciamento social e que lavem as mãos com água e sabão antes de sair, quando chegarem ao local e assim que retornarem para casa.” “Se água e sabão não estiverem imediatamente disponíveis, use álcool em gel.” Importante usar o bom senso e não praticar atividades físicas em locais que não seja possível respeitar o distanciamento indicado. PASSEIOS COM OS CACHORROS Já o Conselho Federal de Medicina Veterinária ressalta que, se os passeios com os animais forem imprescindíveis, por exemplo, no caso de os animais de estimação só fazerem suas necessidades fisiológicas na rua, os tutores devem seguir uma série de recomendações: apenas uma pessoa deve passear com o cão a cada saída; procure lugares menos movimentados e prefira os horários mais tranquilos; evite contato com outros animais e pessoas e, na volta para casa, higienize as patas e pelos do pet com água e sabão neutro, de preferência os que sejam adequados ao uso veterinário. Sair só mesmo quando necessário, ressalta o órgão.

Entrelinhas SAMIRA SILVA

Seleção brasileira de 1982: a equipe que encantou o mundo, mas não venceu a Copa O tetra veio em 1994, mas poderia ter vindo anos antes, na Copa de 1982. A seleção de 82, mesmo sem ter conquistado o título, entrou para a história do futebol mundial. O Brasil estava no grupo F, junto com a União Soviética, Escócia e Nova Zelândia. Na estreia, a seleção enfrentou a URSS. No começo do jogo, os soviéticos começaram assustando a equipe amarelinha com um gol aos 34’. Porém, no segundo tempo, o Brasil se impôs e Sócrates marcou aos 75’. Éder virou o jogo faltando dois minutos para o final, garantindo a vitória por 2 a 1. O segundo jogo foi contra a Escócia, em Sevilha, e mais uma vez o Brasil começou atrás no placar, com Narey fazendo 1 a 0 aos 18’. Aos 33’ Zico empatou de falta. No segundo tempo, baile. Oscar, aos 48’, Éder, aos 63’, e Falcão, aos 87’, garantindo o 4 a 1 para o Brasil. Na última partida da primeira fase, mais uma goleada: 4 a 0 na Nova Zelândia, com gols de Zico (2), Falcão e Serginho. O Brasil encantava o mundo com seu belo e envolvente futebol, fazendo com que todos acreditassem que o caneco ficaria com a seleção comandada por Telê Santana. O Brasil avançou para a segunda fase e estava no Grupo 3, no qual enfrentaria a Itália e a então campeã mundial: a Argentina. Ninguém esperava o resultado que ocorreu no clássico sul-americano, em que a seleção Brasileira deu um chocolate na seleção Argentina, com o resultado final de 3x1, com gols de Zico, Serginho e Júnior. Com esse resul-

tado, Brasil e Itália decidiriam a vaga nas semifinais, sendo que a nossa seleção precisava apenas de um empate para a classificação. Com o futebol arte que encantava a todos e os últimos placares dos jogos, quem acreditaria na derrota do Brasil? Porém, naquele jogo, a Itália deu o seu melhor. Para o azar da seleção brasileira, até mesmo Paolo Rossi, que estava até então sem marcar gols, resolveu desencantar e marcou aos 5’. Sócrates empatou aos 25’ e Rossi fez mais um, ainda no primeiro tempo. Na segunda metade do jogo, Falcão conseguiu empatar com um golaço. Mas aos 30’, pela terceira vez, Rossi conseguiu colocar a bola no fundo da rede e fechou o placar em 3 a 2 para a Itália. O Brasil encantador, artístico, rápido e fatal, com um elenco repleto de grandes jogadores, estava fora da Copa do Mundo. A seleção terminou a competição na quinta colocação. Mesmo sem o título vir, o lugar na história ficou garantido com o lindo futebol apresentado que encantou a todos. A imprensa mundial elegeu a equipe como a melhor da competição. Esse time pode não ter colocado mais uma estrela no uniforme, mas o grupo de craques de Telê Santana composto por Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho, Junior, Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates, Zico, Éder Aleixo e Serginho Chulapa era o exemplo do futebol arte. A seleção de 82 marcou época e até hoje é referência de futebol para muitas pessoas ligadas ao esporte.


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