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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XVII
• ABRIL 2020 • Nº204
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Cenário de incerteza domina o comércio em Resende Costa e SJdR
Foto: André Eustáquio
Perfil Conheça o artesão Leci Lélis Silva, criador da Tixa, a mascote de Resende Costa. PÁG 13
Atividades físicas durante o isolamento social A prática moderada de exercícios ajuda a manter o corpo e a mente saudáveis durante o isolamento social, em que se recomenda às pessoas que permaneçam em casa. O JL conversou com o educador físico Renan Inácio Resende, da academia RE Studio, sobre como manter a rotina de exercícios, mesmo estando em casa. PÁG 16
Em Resende Costa, comércio fechado e blitz da Secretaria Municipal de Saúde para monitorar quem entra na cidade.
Demissões, paralisação de oficinas, queda nas vendas das lojas, pousadas totalmente vazias, restaurantes e bares ressentindo a que-
da do fluxo turístico. Esse é o cenário de Resende Costa, caracterizado por uma situação de incerteza e dúvidas. Também em
São João del-Rei o clima é de grande ansiedade, pessimismo e mesmo pânico. As demissões já começaram. Lideranças pedem
mais agilidade ao governo na adoção das primeiras medidas de mitigação. PÁG 06 e 10
Pandemia do novo coronavirus altera programação da Semana Santa Igrejas fechadas e celebrações sem a participação dos fiéis. Neste ano, os católicos viveram uma
inédita experiência durante a Semana Santa. Devido ao isolamento social como medida para conter a dis-
seminação do novo coronavírus, as tradicionais procissões, vias-sacras externas e sermões da Sema-
na Santa de Resende Costa foram cancelados. PÁG 08
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ANO XVII Nº 204 - ABRIL 2020
EDITORIAL Lições do novo coronavírus Ninguém previa o que estava por vir. No dia 1º de janeiro, as pessoas brindaram em todas as partes do mundo a chegada do ano-novo e partilharam a esperança de ser um ano promissor. No entanto, em algum lugar da Ásia, na cidade chinesa de Wuhan, um vírus microscópico já causava terror, ceifava vidas e colocava em total isolamento uma das maiores cidades da China. O ocidente ainda não acordara para a ameaça. O vírus já havia transposto as fronteiras dos continentes, enquanto multidões se divertiam nos estádios de futebol, nos bares, nas ruas e nos carnavais. A realidade apocalíptica não tardou a assombrar as grandes potências ocidentais. No início de março, Itália, Espanha e França começaram a registrar números gigantescos de contágios e de mortes pelo novo coronavírus, causador da Covid-19. Em um primeiro momento, as autoridades de alguns países, incrédulas, subestimaram o poder letal do novo coronavírus até verem as UTIs lotadas, os hospitais sem leitos e o número de mortos atingir níveis assustadores. 2020 estava começando de verdade. A humanidade vive um momento crucial em sua história. Apesar do medo e das incertezas, a pandemia do novo coronavírus está deixando lições importantes. O homem está sendo obrigado a aprender que é preciso respeitar a natureza. As grandes potências militares e econômicas do planeta estão sentindo na pele que investimento em saúde deve ser prioridade ante os bilhões que são gastos na produção de sofisticadas máquinas de guerra que financiam a indústria da morte em larga escala. Chegamos à conclusão de que o inimigo não é o terror, tampouco as ditaduras. O inimigo maior da humanidade pode ser um vírus invisível a olho nu, para o qual ainda não existem armas. Para que mísseis sofisticados de longo alcance? Qual a finalidade de porta-aviões ultrassofisticados? Onde estão os submarinos nucleares e os aviões de combates invisíveis aos radares? O maior inimigo do homem na atualidade pode ser vencido apenas por uma vacina, uma dose pequena de remédio, que potência nenhuma ainda desenvolveu. Não precisamos de armas. Necessitamos de remédios. Preparemo-nos para um mundo diferente. A humanidade não será mais a mesma após a pandemia. O novo coronavírus está nos dando a oportunidade de fazermos escolhas vitais. De repente, como num piscar de olhos, vimo-nos distantes fisicamente das pessoas que mais amamos. Estamos aprendendo com o medo e com o isolamento social a nos aproximarmos efetivamente das pessoas, a nos solidarizarmos, a estendermos as mãos mesmo que a distância. Façamos, pois, a nossa parte seguindo orientações de especialistas e confiando na ciência. Fechemos nossos olhos e ouvidos para as fake news, para políticos populistas e irresponsáveis que ainda subestimam a gravidade de um problema que apavora o mundo inteiro. Não deixemos, contudo, de confiar que dias melhores virão. O coronavírus irá passar e voltaremos a nos abraçar. Após esse período desafiador, que possamos renovar os votos de feliz 2020!
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JL on-line A edição deste mês do JL será marcada por esse acontecimento triste que mudou os rumos e a vida de todas as pessoas e nações do planeta. O novo coronavírus não escolhe suas vítimas. Ele assombra crianças, jovens, idosos, ricos, pobres, brancos e negros, metrópoles e pequenos centros. Pela primeira vez em sua história, o Jornal das Lajes não circulará em sua versão impressa. O coronavírus também nos atingiu, justamente no mês em que comemoramos 17 anos de existência. Devido ao necessário isolamento social, considerando a logística e a segurança na distribuição, optamos por fazer, neste mês de abril, somente a edição on-line do JL. As páginas do jornal foram diagramadas e estão disponíveis em nossa plataforma na internet (www.jornaldaslajes.com.br). O leitor poderá ler, on-line e gratuitamente, nossas reportagens e acompanhar o nosso time de colunistas. Estão todos lá! Não seria possível o JL realizar seu trabalho neste momento de pandemia e de isolamento social não fosse o apoio incondicional dos nossos patrocinadores e anunciantes. Todos eles acreditaram na seriedade do nosso trabalho e na importância de permanecermos juntos, informando a população através do jornalismo comprometido com a verdade. Muito obrigado a vocês, leitores, amigos e parceiros anunciantes, por confiarem e permanecerem conosco. Estamos juntos nessa batalha e a venceremos!
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Com Política FERNANDO CHAVES*
Uma nova ordem mundial? A China está para assumir, de fato, a liderança econômica do mundo, o que já vem acontecendo ao longo de décadas, gradativamente. O coronavírus surge não como a causa, mas como um catalisador e um marco de alterações políticas e econômicas globais em curso, um golpe de misericórdia na hegemonia americana. A produção científica de China, Rússia e Índia, em conjunto, rivaliza fortemente com a produção acadêmica ocidental há alguns anos. Países europeus estão com a economia fragilizada, a União Europeia sendo erodida. É o eurocentrismo e a hegemonia geopolítica ocidental ruindo. A pandemia põe em xeque o modelo econômico e político dos EUA, marcado pelo domínio e pela centralidade do capital financeiro. Descortinam-se as fragilidades sociais do sistema americano: a maior potência econômica do mundo não tem um sistema de saúde eficiente. Longe disso. Estados nacionais estão assumindo mais protagonismo econômico nos países do ocidente. Já se fala em um novo Plano Marshall de dimensões globais, tamanho o estrago econômico previsto. Há um esgotamento do modelo das democracias liberais, que mantinha centralidade desde a queda do muro de Berlim. No início do século XX, havia uma disputa entre três modelos de sociedade no mundo: (1) a democracia liberal capitalista; (2) o capitalismo autoritário fascista; (3) o comunismo. A segunda guerra eliminou o fascismo. O fim da guerra-fria marcou a superação do comunismo no início da década de 1990. Desde então, a democracia liberal assumiu o status de melhor sistema a ser implementado para o desenvolvimento das nações. 30 anos após o final da Guerra-Fria, as democracias
liberais demostram cansaço, o que ficou mais claro a partir da crise de 2008, desnudando um divórcio entre o ideal democrático e o liberalismo econômico, ou entre capitalismo e democracia. Ao longo do século XX, fomos levados a identificar o sistema democrático ao capitalismo. Mas essa identidade não se dá de forma perfeita, muito pelo contrário. Democracia é um sistema político. Capitalismo é um modo de produção. Desde o início do século XX, o capitalismo liberal representado por países como EUA, França e Inglaterra tomou para si a bandeira democrática em contraponto ao regime comunista de ditadura do proletariado e ao capitalismo autoritário fascista. Conceitualmente, a democracia está muito ligada ao império da lei e ao direito ao voto. Mas há concepções de democracia que pressupõem também maior igualdade econômica. Enquanto o capitalismo liberal rivalizava com o fascismo e o comunismo ao longo do século XX, houve espaço para a construção de um Estado de bem-estar nas democracias ocidentais, com concessão de direitos sociais muito além da igualdade perante a lei e do direito ao voto. Além de surgirem como um remédio que se impunha para frear as distorções e injustiças provenientes da acumulação e da exploração capitalista, esses direitos sociais foram também concedidos para rivalizar com as alternativas fascistas e comunistas de sociedade. Ao longo da década de 80, que coincide com a crise da União Soviética e a consolidação da hegemonia capitalista, os regimes do capital foram tolhendo direitos sociais e o capitalismo ocidental viu o estabelecimento de um regime democrático cada vez mais formal e pouco
efetivo quanto à garantia de direitos sociais e à inclusão econômica dos cidadãos. Foi a ascensão do neoliberalismo, acentuando o divórcio entre capitalismo e democracia, que se intensificou com o tempo e ficou mais evidente em 2008, quando a instabilidade econômica e social tomou conta de vários países “democráticos”, com episódios de repressão policial a protestos contrários à agenda liberal. Os países latino-americanos viveram essa onda liberalizante na década de 1990. Ela foi freada, no início do século XXI, por governos de centro-esquerda, em geral eleitos democraticamente e que desfrutaram de certa estabilidade econômica global, podendo implementar políticas sociais por cerca de uma década. Mas, a partir de 2008, com um mundo cada vez mais instável, essa esquerda entrou em crise e passou a ser tensionada por grupos neoliberais, com pautas que acentuam a distância entre capitalismo e democracia, inclusive com ascensão de projetos populistas e com viés autoritário, como no Brasil atual. A crise mundial trazida pela pandemia do novo coronavírus em 2020 coloca novamente os limites da democracia liberal na ordem do dia. A pandemia desnuda as deficiências democráticas do capitalismo liberal e a ineficiência social do neoliberalismo. Novos arranjos de poder devem se impor globalmente. O Estado deve ganhar espaço como agente econômico nas sociedades ocidentais. Populismos de direita estão emergindo nesse cenário e pode haver uma escalada autoritária em alguns países, principalmente subdesenvolvidos, sendo justificada pela desordem que ameaça as sociedades. *Jornalista
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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
PROPOSIÇÕES ATÉ O DIA 02/04/2020
Projeto de Lei nº 17/2020: “Autoriza repasse de recursos e a cessão das dependências do Parque de Exposições Prefeito Gilberto José Pinto à Associação das Empresas do Turismo e do Artesanato de Resende Costa - ASSETURC e dá outras providências” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.600/2020 Projeto de Lei nº 18/2020: “Autoriza repasse de recursos à Banda Lira São Sebastião e dá outras providências.” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.601/2020 Projeto de Lei nº 19/2020: “Autoriza o Município a efetuar repasse financeiro para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa – APAE/RC oriundo de emenda parlamentar e dá outras providências” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.602/2020
de Resende Costa e o Clube dos Cavaleiros de Resende Costa e dá outras providências” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.609/2020 Projeto de Lei nº 28/2020: “Revoga a Lei Municipal nº 4.583, de 30 de dezembro de 2019 e dá outras providências” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.610/2020 Projeto de Lei nº 29/2020: “Autoriza a abertura de suplementação de crédito especial e dá outras providências.” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4. 4.611/2020 Projeto de Lei nº 30/2020: “Autoriza pagamento retroativo a título de indenização, a abertura de crédito especial e dá outras providências” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.612/2020
Projeto de Lei nº 20/2020: “Dá nome as Baias do Parque de Exposições Gilberto José Pinto e dá outras providências.” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.603/2020
Projeto de Lei nº 31/2020: “Autoriza pagamento retroativo, a abertura de crédito especial e dá outras providências.” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.613./2020
Projeto de Lei nº 21/2020: “Autoriza repasse de recursos para o Coral e Orquestra Mater Dei e dá outras providências.” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.604/2020
Projeto de Lei nº 32/2020: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências.” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.614/2020
Projeto de Lei nº 22/2020: “Altera a Lei Municipal nº 3.435, de 24 de janeiro de 2011 e dá outras providências.” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.605/2020 Projeto de Lei nº 23/2020: “Revoga a Lei Municipal nº 4.573, de 20 de dezembro de 2019 e dá outras providências” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.606/2020 Projeto de Lei nº 24/2020: “Revoga a Lei Municipal nº 4.570, de 20 de dezembro de 2019 e dá outras providências” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.607/2020 Projeto de Lei nº 25/2020: “Autoriza a formalização de termo aditivo ao Termo de Colaboração nº 01/2020, o repasse de recursos a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE e dá outras providências.” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.608/2020 Projeto de Lei nº 27/2020: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município
Indicação nº 04/2020: Calçamento da Rua José do Carmo de Sousa, Bairro Pôr do Sol. Vereador Ângelo Márcio Resende Aprovada Indicação nº 05/2020: Jogar pedras em córrego que está desbarrancando dentro do Cajuru, após a pracinha do lado direito. O córrego foi limpo com máquina pública contra a vontade de moradores. Vereador Ângelo Márcio Resende Aprovada Indicação nº 06/2020: Reforma das pontes da Mandioca e da Água Limpa, pois os veículos não estão passando e as crianças estão sem acesso aos pontos de embarque antigo. Vereador Ângelo Márcio Resende Aprovada Indicação nº 07/2020: Ser realizada a colocação de um braço de luminária na Rua Antônio Assis Coelho, bairro Várzea, na altura do número 23; Vereador Vítor Rafael Camilo Ribeiro Aprovada
Indicação nº 08/2020: Ser realizada a suspensão da cobrança de IPTU, contribuição de iluminação pública e taxas da Prefeitura, bem como seja feita a aquisição urgente de barracas para equipes de saúde não ficarem no sol. Vereador Ângelo Márcio Resende Aprovada Requerimento nº 03/2020: Seja encaminhado ofício à empresa de telefonia VIVO solicitando informações sobre a falta de sinal da operadora no município de Resende Costa, tendo em vista as constantes reinvindicações trazidas pelos munícipes, no sentido de reestruturar e aprimorar os serviços de atendimento aos seus usuários. Vereador Francisco Abel de Assis Aprovado Indicação n º 09/2020: Seja estudada a possibilidade de criar a gratificação especial para o trabalho dos Agentes empregados no combate à pandemia do Covid-19 Vereador Ângelo Márcio Resende Aprovado Projeto de Lei 29/2020: “Autoriza a abertura de suplementação de crédito especial e dá outras providências” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.615/2020 Projeto de Lei 30/2020: “Autoriza pagamento retroativo a título de indenização, a abertura de crédito especial e dá outras providências” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.616/2020 Projeto de Lei 31/2020: “Autoriza pagamento retroativo, a abertura de crédito especial e dá outras providências” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.617/2020
Câmara Municipal aprova projeto de lei que homenageia, post mortem, o resende-costense Davi do Ciro As baias do Parque de Exposições passaram a ser denominadas “Baias David José da Silva” Montado a cavalo, empunhando ora a bandeira do município de Resende Costa, ora o estandarte do Clube dos Cavaleiros durante os desfiles da Cavalgada Bolivar de Andrade – que tradicionalmente abre a Exposição Agropecuária de Resende Costa, em julho – pelas ruas da cidade. Essa é a imagem do saudoso sr. David José da Silva, o Davi do Ciro, que ficou gravada na memória de muitos resende-costenses. Principal ponteiro da Cavalgada Bolivar de Andrade, sócio-fundador do Clube dos Cavaleiros, incentivador de tantas atividades voltadas ao homem do campo, o sr. Davi dedicou-se com amor e afinco à lida no campo, a cuidar dos animais, a amparar sempre quem necessitava de seus preciosos conhecimentos da vida campeira. Em resumo: uma vida dedicada a fazer o bem ao próximo. O sr. Davi foi um daqueles homens que sem precisar falar qualquer coisa já impunha respeito e admiração a todos que conviviam com ele e tinham o privilégio de contar com sua amizade. Durante longa e profícua trajetória de vida, ele construiu em seu entorno uma legião de amigos. Sua conduta de vida, seu exemplo de dedicado pai de família, além de líder de inúmeras campanhas e leilões beneficentes em prol do Hospital Nossa Senhora do Rosário, da Festa de São Sebastião e da APAE, fizeram dele um resende-costense amado, respeitado e admirado. Membro atuante da Irmandade do Santíssimo Sacramento, sua presença era também marcante nas missas e solenidades da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França. Davi do Ciro não possuía diploma universitário, mas seus conhecimentos de práticas veterinárias eram reconhecidos e prestigiados pelos pecuaristas da região. Enquanto teve forças e saúde, sr. Davi auxiliou e socorreu muitos pecuaristas no cuidado com seus rebanhos, participou de inúmeras campanhas de vacinação de gado em parceria com a EMATER/MG e com o IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária). Ele foi um verdadeiro representante do produtor rural e do homem do campo no município de Resende Costa. HOMENAGEM E RECONHECIMENTO No dia 3 de julho de 2019, a Câmara Municipal aprovou projeto de lei, de autoria do Executivo Municipal, que resultou na lei 4.494, que deu o nome do ex-prefeito Gilberto José Pinto ao Parque de Exposições de Resende Costa, após o espaço passar por ampla reforma. A iniciativa do Poder Executivo, proprietário do espaço dedicado ao produtor rural, foi homenagear o ex-prefeito que trabalhou pela municipalização do Parque do Campo no início da década de 2000. A lei 4.494 regulamentou também a proposta da atual administração municipal de dar nomes aos imóveis e demais áreas situadas nas dependências do Parque de Exposições Prefeito Gilberto José Pinto, homenageando resende-costenses que lutaram pelo desenvolvimento da atividade pecuária no município. Com a aprovação da lei, notórios e saudosos pecuaristas puderam ter seus nomes imortalizados nos imóveis que compõem o complexo interno do Parque de Exposições de Resende Costa. São eles:
Projeto de Lei 32/2020: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Executivo Municipal Aprovado: Lei nº 4.618/2020
• “Sede Social Dr. Geraldo Magela de Resende” – primeiro galpão situado à esquerda da entrada do Parque de Exposições; • “Arena Vereador Aldemar Augusto Aarão” – espaço destinado às realizações de rodeios e concursos de marcha; • “Espaço de Leilões Pedro Pio de Resende” – primeiro galpão situado à direita da entrada do Parque; • “Espaço Silvio Silva” – área destinada a realização de eventos relacionados aos criadores de gado.
Projeto de Resolução 421, de 02 de abril de 2020: “Delega ao Chefe do Executivo Municipal a atribuição para elaborar leis e decretos contendo medidas de atuação no enfrentamento dos efeitos da pandemia provocada pelo Coronavírus (COVID-19) , nos termos que menciona” Legislativo Municipal Aprovado: Resolução n º 421/2020
Faltava, porém, dar nome ao conjunto de baias utilizadas para exposição de equinos. Com a aprovação unânime do projeto de lei nº 20, de 4 de março de 2020, de autoria dos vereadores Francisco Abel de Assis (MDB), Lucas Paulo de Assis Vale (PSD) e Paulo César Daher Chaves (PSD), durante a reunião ordinária da Câmara Municipal realizada no último dia 24 de março, as baias do Parque de Exposições Prefeito Gilberto José Pinto passaram a ser denominadas “Baias David José da Silva”. Trata-se de uma justa e oportuna homenagem ao inesquecível ponteiro da Cavalgada Bolivar de Andrade, ao incansável colaborador para o desenvolvimento da agropecuária no município, ao amigo e companheiro do homem do campo de Resende Costa. De acordo com o artigo 2º do projeto de lei nº 20, caberá ao Executivo Municipal providenciar a instalação de placa definitiva com o nome do sr. David José da Silva nas baias do Parque de Exposições Prefeito Gilberto José Pinto.
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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA
Prefeitura de Resende Costa aluga ventiladores pulmonares, e Secretaria de Saúde trabalha incansavelmente na prevenção do novo coronavírus A Prefeitura Municipal de Resende Costa alugou dois ventiladores de suporte vital, equipamento similar aos respiradores que estão sendo utilizados para o tratamento de pacientes com síndrome respiratória aguda, um dos sintomas mais severos causados pelo Covid-19, o novo coronavírus. Os ventiladores serão instalados no Hospital Nossa Senhora do Rosário, que já contava com dois equipamentos. “A locação de mais dois ventiladores pulmonares para nosso município nos proporciona um certo ‘alívio’, pois é um equipamento que pode fazer a diferença e garantir a vida de pacientes acometidos pelo novo coronavírus, já que o vírus pode provocar forte insuficiência respiratória”, afirmou a Secretária Municipal de Saúde, Geórgia Araújo Resende. Os equipamentos fornecem ventilação com válvula e possibilidade de aplicações não invasivas e invasivas. Além disso, os ventiladores possuem um conjunto completo de modos de terapia para se adequarem tanto aos pacientes adultos como aos pediátricos. Segundo
Ventilador pulmonar
o prefeito Aurélio, “os ventiladores serão de grande importância caso algum paciente precise de um suporte até que se encontre uma vaga em alguma unidade de tratamento intensivo (UTI)”.
Secretaria de Saúde trabalha incansavelmente Para combater e prevenir o nosso município contra o coronavírus, a Prefeitura, através da Secretaria de Saúde, vem realizando diversas ações práticas e de conscientização, como blitz na entrada da cidade, isolamento em áreas de aglomeração, vistoria em comércios, fixação de faixas e banners em áreas rurais e urbanas, além de campanhas educativas através das redes sociais e rádio. A vacinação contra a gripe também vem sendo realizada em domicílio para evitar a aglomeração de pessoas nas unidades de saúde. Agentes de saúde têm visitado as casas na cidade e na zona rural para aplicarem as doses na população. É de se destacar o trabalho que os profissionais de saúde estão realizando em Resende Costa. Foi criado um Comitê de Monitoramento para Enfrentamento do vírus, que atua incansavelmente para evitar que a doença acometa os resende-costenses. Parabéns a todos os envolvidos nessas decisões que visam a proteção da nossa população!
Agentes de saúde trabalham para manter a população em segurança
Projeto raízes de Resende Costa incentiva preservação do meio ambiente e promoção da educação infantil O projeto “Raízes de Resende Costa”, em vigor desde setembro de 2019, incentiva a preservação do meio ambiente e a promoção da educação ambiental em Resende Costa. O objetivo é o plantio de uma muda de árvore a cada registro de nascimento de criança no município. A muda pode ser plantada pelo Poder Público ou pelos pais
da criança, que podem fazer o contato demonstrando interesse pela ação. Nos últimos meses, o autor do projeto, o vereador Lucas Paulo, fez visitas a algumas famílias para entregar as mudas e dar as orientações necessárias. O plantio deve acontecer preferencialmente em área urbana, observadas as regras de urbanismo da legislação vigente,
mediante aprovação do órgão responsável pelo meio ambiente, podendo ser plantada também na zona rural. Cada criança participante do plantio de muda receberá um certificado “Criança Amiga da Natureza”, que constará a data de nascimento do filho(a) e a data do plantio da árvore com o nome da espécie vegetal.
Projeto Raízes de Resende Costa entrega mudas de plantas a crianças recém-nascidas
ANO XVII Nº 204 - ABRIL 2020
JORNAL DAS LAJES
Retalhos literários
Resenha
EVALDO BALBINO
CAMILA CHAVES*
A Terra também se encherá de luz O silêncio da noite é escuro e solidão. Um ruído ou outro se escuta, mas agora Belo Horizonte está sonolenta, um sono de quarenta anos no deserto. Um sono forçado em meio à pandemia de COVID-19, que assola o Brasil e o mundo. A areia é longa e árida, e o calor estende-se para longe, lá onde se podem ver oásis de vez em quando. O horizonte não tem vozes. O céu de poucas nuvens também não mostra estrelas. E a Lua vaga pelo espaço imenso e vazio. Cadê os bares, os risos, as pessoas conversando, namorando, tomando um drink e brindando a vida para sempre? Cadê a Avenida Antônio Carlos movimentada, com os carros poluindo o impossível ar em nossas narinas? Cadê as pessoas andando com os seus quefazeres infindáveis? Cadê aquelas senhoras e aqueles senhores fazendo sua caminhada de todo dia? Estou com saudade daquela senhora aqui do lado, aquela dona cuja língua é longa e elétrica. E agora não a estou vendo; não a ouço mais debulhar vidas alheias. Possivelmente esteja neste momento debulhando seu rosário em casa, pedindo por si e por todos. Cadê os moradores de rua (morando nela porque na vida passaram por processos de exclusão) que antes pediam comida, dinheiro ou qualquer outra coisa? Cadê aquele cara, também morador de rua, que sempre ficava ali perto da lotérica na esquina, e que pedia centavos e ainda fazia questão de dizer que era para beber uma cachaça? Cadê os gatos se amando de noite e vizinhos reclamando dos barulhos de amor? Cadê os ruídos de amor entre as próprias pessoas? Já não escuto mais o ranger de camas em outros apartamentos, pois estamos todos apartados de tudo. Cadê a noite em si mesma existindo, cálida como
sempre o foi em Belo Horizonte? Cadê o homem com o seu pregão da pamonha ou dos tantos ovos por dez reais? Cadê o rapaz da bicicleta, pedalando esperto e passando por nós com a imensa cesta de pães que ele vende para ganhar seu pão de cada dia e que nós compramos para matar nossa fome? Cadê a moça da outra esquina, a que já não mais vende as flores para olhos que as cheiram de gula e de amor? Onde está a cadela que virava e mexia brotava na rua, já parida e com tetas caudalosas, exibindo a todos nós que já era mãe mais uma vez e que deveríamos alimentá-la para que suas crias tivessem leite? Onde o ônibus da minha rua, antes passando cheio de pernas e braços felizes ou cansados, e agora pouco passando, quase nada? Onde as luzes de carros ofuscando meus olhos aqui na janela do meu prédio? Cadê aqueles momentos de caraoquê, quando nossos ouvidos sempre reclamavam dos intratáveis candidatos a cantores? Agora quero ouvi-los a todos, a todas aquelas vozes de taquara rachada, indecisas entre acompanhar a melodia ou então ler gaguejando a letra da música na tela. E um descompasso gostoso entre a voz que cantava e a música e a letra.... tudo um fuzuê danado. Lembro certa vez uma garota num caraoquê cantando “Porto solidão”, e eu ficando sem ar com voz tão bonita e potente, ela alçando ares como o fazia a voz do Jessé. Alçando ares e singrando mares: “Meu coração, a calma de um mar / Que guarda tamanhos segredos / De versos naufragados e sem tempo // Rimas de ventos e velas / Vida que vem e que vai / A solidão que fica e entra / Me arremessando contra o cais...”. Da minha janela vejo agora o silêncio. Nem canto, nem prece, nem nada.
Da minha janela sinto a noite com medo e escondida. Pobre noite! Pobres olhos que a namoram! Da minha janela ouço a solidão... E de repente uma ambulância passa ali na avenida, rápida e barulhenta. Ela é rês perdida no campo sem flores. Ou melhor, é ovelha rápida indo guiar um pastor tresmalhado em algum canto desta cidade. De novo o silêncio me atravessa, como atravessa esta noite em mim. E vou conversando com o escuro, silenciosamente. Mas esperem... Agora escuto algo novamente! Sim, escuto! Um ranger de caminhão, vozes de rapazes enfeitando o lusco-fusco. São eles, os garis que tanto nos ajudam. Os garis que, como tantos outros profissionais, cuidam da nossa cidade. E escuto metais tinindo, garrafas se chocando, alguns cães ladrando como a proteger as casas dormidas. Escuto sacolas de lixo sendo jogadas na carroceria compactadora do veículo. Os garis vão limpando tudo, os restos de nossa vida trancada em meio a esta pandemia. Agora passa um carro numa rua aqui perto, tocando música alta, buscando acordar a vida. É um funk solitário e solidário. Cadê a solidariedade? Sei que ela existe, mesmo que agora guardando distância, fugindo de espirros, eximindo-se de toques em corpos alheios. Olho para o céu sem estrelas e percebo que a Lua é hoje quarto crescente. E vejo um beijo que ela agora está dando numa nuvem errante pelo espaço. As duas bem juntinhas. Sinto esse beijo aqui em mim, e sei que o satélite da Terra vai crescendo até ficar cheio, feliz, pleno. A Terra também se encherá de luz. Belo Horizonte, 02 de abril de 2020, 23h53min
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Investigação Criminal Na primeira edição da
também há o uso de uma
coluna de resenhas que o
linguagem mais informal, o
Jornal das Lajes apresentará
que facilita o entendimento.
a partir deste mês, trouxe-
A série possui a clas-
mos a série “Investigação
sificação etária de 16 anos,
Criminal”. Teve seu lança-
pois contém cenas fortes.
mento em 2018 no Netflix,
Para melhor demonstrar a
quando seus direitos de exi-
situação ocorrida, é apre-
bição foram adquiridos pela
sentada uma ilustração que
plataforma, já que se tratava
simula exatamente como
de um programa de televi-
foi o ocorrido e também
são. Até agora, totalizaram
sons, como de pessoas gri-
oito temporadas com oito
tando e/ou crianças choran-
episódios cada. São vários
do. Os espectadores estão
documentários
formados
em dois extremos: ao mes-
no formato de série e neles
mo tempo em que algumas
estão presentes casos de cri-
pessoas acham bom, por
mes famosos e que obtive-
deixar o mais perto possível
ram grande repercussão no
da realidade, outras julgam
Brasil, como o dos Nardo-
desnecessário e dizem sen-
ni, Suzane Von Richthofen,
tirem-se desconfortáveis.
Mércia Nakashima, Farah
Em uma visão geral,
Jorge Farah, Champinha,
fez bastante sucesso. É mui-
Eloá Cristina, Caso Yoki,
to admirada não só por pes-
entre outros.
soas que, assim como eu,
A série foi produzida
são fascinadas pela área de
pela Medialand e conta com
investigação, como também
a descrição dos investigado-
por milhares de cidadãos
res, delegados e médicos le-
que apenas prezam pela jus-
gistas que foram responsá-
tiça e gostam de se inteirar
veis pelos casos. Em alguns
das coisas que acontecem
episódios, a própria família
em nosso país. Vale muito a
ou amigos participam e fa-
pena assistir.
lam sobre a vítima e como foi a tensão no momento real. Apesar de se tratar de
*Estudante de Jorna-
um documentário que usa
lismo na UFOP, repórter
e abusa de termos técnicos,
do Jornal das Lajes.
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SAÚDE
Prefeitura de Resende Costa realiza blitz de conscientização em cinco pontos de acesso à cidade ANDRÉ EUSTÁQUIO
Desde o início da declaração pela OMS (Organização Mundial da Saúde) de pandemia global do novo coronavírus, o Ministério da Saúde, governadores e prefeitos de todos os estados e cidades do Brasil começaram a correr contra o tempo para tomar medidas – algumas mais extremadas, de acordo com as realidades locais – para conter o avanço do vírus que causa a Covid-19. Em rodovias, trevos e estradas vicinais que dão acesso a inúmeras cidades, chegaram até mesmo a ser improvisados obstáculos, como montes de terra, pedras e arames farpados, para impedir ou restringir ao máximo a entrada de pessoas de outras localidades nas respectivas cidades. A medida gerou polêmica, obrigando o Ministério Público Federal e dos Estados a se pronunciarem.
No último dia 24 de março, primeira semana que marcou o início do período de isolamento social na maioria dos municípios mineiros, inclusive em Resende Costa, a Prefeitura Municipal optou por mais uma medida preventiva além daquelas que já estavam vigorando a partir da publicação de dois decretos municipais que estabeleceram o fechamento de bares, lanchonetes, pizzarias, lojas etc. Para controlar o acesso à cidade de pessoas vindas de outros lugares, especialmente de locais onde há casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus, a prefeitura passou a realizar blitz em cinco pontos de acesso a Resende Costa. Diferentemente, porém, de algumas localidades, em Resende Costa não foram construídas barreiras de pedras, montes de terra e cerca de arame farpado no trevo da LMG 839 e nos acessos às estradas de terra que ligam a cidade a diver-
sas comunidades rurais e a municípios vizinhos. A prefeitura optou por fazer blitz de conscientização, contando com o trabalho incansável de agentes de saúde do município e com o apoio da Polícia Militar. Até o fechamento desta reportagem, não havia nenhuma restrição aos moradores tanto do centro urbano quanto da zona rural que queiram transitar pelas estradas que cortam o município. Os agentes de saúde estão orientando as pessoas e monitorando veículos que chegam a Resende Costa vindos de outras localidades. “Foi uma decisão que tomamos junto à Secretaria Municipal de Saúde e ao Comitê de Enfrentamento à Covid-19. Optamos por fazer blitz de conscientização. Não é nada mais do que isso. Não é para barrar as entradas da cidade de forma radical, como tem sido feito por aí. Nosso objetivo é mostrar que estamos presentes, estamos monitorando a fim de evitar qual-
Foto: André Eutáquio
Trata-se de uma medida adotada pelo Executivo, em sintonia com o Comitê de Enfrentamento à Covid-19, para evitar possíveis casos de contaminação pelo novo coronavírus no município
Blitz na entrada da cidade realizada pelos agentes de saúde da Prefeitura Municipal
quer excesso, mantendo o controle”, explica o prefeito municipal de Resende Costa, Aurélio Suenes de Resende. MUDANÇA A blitz principal que estava acontecendo na entrada do bair-
ro Residencial Palmares, na LMG 839, foi transferida para a entrada da cidade. Portanto, todos os cinco acessos à cidade de Resende Costa estão sendo monitorados pelas blitzen de conscientização realizadas pelos agentes de saúde do município com o apoio da Polícia Militar.
De olho na cidade O PSF e o atendimento à população em momentos de crise, como a da Covid-19
O Programa de Saúde da Família (PSF) foi implantado em 1994, no primeiro ano de governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, que presidiu o país por oito anos (1994– 2002). Em 1997, foi reeleito para mais um mandato. Fernando Henrique foi sucedido por Luís Inácio Lula da Silva, que também permaneceu oito anos na presidência da República, de 2003 a 2010. Vendo o PSF se consolidar como programa fundamental de organização da Atenção Básica à Saúde, o governo do presidente Lula emitiu a Portaria nº 648 de 28 de março de 2006, fazendo do PSF estratégia prioritária do Ministério da Saúde. Seu governo o fez ainda mais forte e organizado. O objetivo é o de possibilitar aos brasileiros o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade. Uma unidade do PSF tem 1 médico; 1 enfermeiro generalista ou especialista em Saúde da Família; 1 ou 2 auxiliares ou técnicos de
enfermagem; e 4 a 6 agentes comunitários de saúde. Passados 25 anos da sua fundação, o PSF presta um serviço importantíssimo a milhões de brasileiros. Todos os serviços prestados pelo PSF são, na verdade, uma reafirmação dos princípios básicos do Serviço Único de Saúde, conhecidos por todos nós pela sua sigla SUS. O SUS (Sistema Único de Saúde) é inspirado no programa de saúde britânico denominado National Health Service, sendo que nasceu em 22 de setembro de 1988, quando da aprovação da Constituição da República Federativa do Brasil. Em Resende Costa, temos três postos do PSF: PSF 1 “Urdindo e Tecendo Saúde”, PSF 2 “Elo Saudável” e PSF 3 “Saúde em Foco”. Por esses dias, em que o coronavírus deixou o mundo de “cabeça para baixo”, nós nos deparamos com profissionais dos três PSFs circulando pela cidade, todos usando máscaras, uniformes, luvas, toucas e carregando vasilhame conten-
do a vacina contra a Influenza (gripe). A vacina deste ano é composta por vírus inativado, é trivalente e protege contra os três vírus que mais circularam no hemisfério sul em 2019: Influenza A (H1N1), Influenza B e Influenza A (H3N2). Esses profissionais vão de porta em porta, procuram pessoas com mais de 60 anos para aplicar-lhes a vacina. A pressa do Ministério da Saúde em vacinar os idosos se deu pelo fato de que, blindados contra a gripe, eles ficam também mais protegidos dos males causados pela Covid-19. Em Resende Costa, neste momento triste que atravessamos em virtude da pandemia do coronavírus (Covid-19), é do PSF que nos chegam os primeiros atendimentos de vacinação contra a gripe. Andando pela cidade, encontrei-me com duas profissionais do nosso serviço básico de Saúde: a Kênia e a Míriam. Elas são do PSF 3. Kênia Martins da Silva é técnica de enfermagem e trabalha no PSF há
pouco mais de 2 anos. Míriam Flávia Resende é irmã do Chiano (diretor da Bateria Rifugo), filha do Zito do Zicota. Formada em Auxiliar de Enfermagem em 2000 – na época não existia o curso de técnico de enfermagem – pela Escola de Saúde Antonina Neves, da Santa Casa de São João del-Rei, considera seu trabalho valioso. “O trabalho que exerço é muito importante, pois foi a profissão que escolhi. Tento exercer minhas atividades do dia a dia da melhor maneira possível, tentando levar aos pacientes a ajuda e o conforto de que eles precisam”, disse. Ela afirmou ainda que “tem sido bem recebida, graças a Deus. Muitas pessoas que não tomavam a vacina resolveram tomar esse ano.” Para Célia Regina Monteiro de Oliveira Silva (64), residente na Rua Olinto Argamim de Freitas, que foi atendida pela Kênia e pela Míriam, “o que estão fazendo é muito importante, é melhor do que a gente ter que ir ao posto, afinal é preciso evitar
Foto: Edésio Lara
EDÉSIO DE LARA MELO*
Profissionais do Serviço Básico de Saúde de Resende Costa
aglomeração. E elas são muito boazinhas.” Segundo Kênia e Míriam, “as pessoas agradecem muito. Abençoam-nos e, o mais importante: nos dizem que estão rezando muito para que Deus nos proteja, devido à pandemia que o mundo está enfrentando e que nós, profissionais da saúde, estamos na linha de frente contra a Covid- 19. ” Eu, que também recebi a vacina em casa, junto-me a todos que pedem ao Senhor que abençoe os profissionais que trabalham em prol da nossa saúde e bem-estar.
* Professor de Música na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), presidente do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura (CMPC) de Resende Costa e da Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa (AmiRCo).
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ACONTECEU
Jornalista José Venâncio lançou em Resende Costa seu mais recente livro: “Cidades e Resendes” ANDRÉ EUSTÁQUIO
No último dia 14 de março, o jornalista e escritor resende-costense, José Venâncio de Resende, lançou em sua cidade natal seu mais recente livro, publicado pela editora portuguesa Chiado Books.
A solenidade de lançamento de “Cidades e Resendes - Uma viagem para Portugal continental, Arquipélago dos Açores, Minas Gerais e Cabo Verde” aconteceu na sede da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto, em Resende Costa. O evento reuniu dezenas de
pessoas de Resende Costa e de outras cidades da região, que prestigiaram o jornalista, editor regional do Jornal das Lajes e escritor. Membros da Academia de Letras de São João del-Rei também estiveram presentes na solenidade. Após a apresentação do livro, José Venâncio recebeu os convi-
dados e autografou exemplares de sua obra. O livro é uma viagem a cidades de Portugal, África e Minas Gerais que possuem vínculos com a grande família Resende. Parte (50%) do valor arrecadado com a venda do livro será destinada ao Hospital Nossa Se-
nhora do Rosário e ao Lar São Camilo de Lélis, de Resende Costa. Ambas as instituições administradas pelas Irmãs Filhas de São Camilo. O livro está sendo vendido na secretaria do Hospital Nossa Senhora do Rosário pelo valor de R$ 30,00.
Fotos: Vitória Cristina
Com André Eustáquio, Edésio Lara e Kátia Gomes
José Venâncio com Danilo, Alessandra, José Sérgio e Cláudio Resende
Com as alunas Lorena, da E.M. Paula Assis, e Maraiza, da E.E. Assis Resende
Com Heloisa, Eni, Dirce e José Vilela
Arte, literatura, música... UFSJ cria o 1º Festival Fica em Casa para ajudar as pessoas a suportarem o isolamento social VITÓRIA CRISTINA
Diante da grave pandemia do novo coronavírus, causador da Covid-19, é muito importante que todos fiquem em casa em isolamento social. Para tentar amenizar os efeitos do isolamento social sobre as pessoas, a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) teve uma ideia para estreitar os laços com
a comunidade e, a partir daí, promover arte e cultura através da internet, com conteúdo totalmente gratuito. O 1º Festival Fica em Casa UFSJ foi organizado pelo Centro Cultural UFSJ. A ideia é de um evento on-line que ajude a promover cultura e arte com conteúdo 100% gratuito. A primeira edição do festival apresentou shows, poesias e literatura, contação de histórias, atividades lúdicas, exibição de
documentários e outras formas de expressão artística, além de atividades para o público infantil. O festival aconteceu entre os dias 28 e 29 de março e contou com mais de 40 atrações transmitidas pelo Facebook na página do Centro Cultural UFSJ. O evento ajudou a gerar renda para os artistas que estão sendo afetados diretamente pelo isolamento social.
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Religião
Sem procissões e sermões nas praças, fiéis acompanham em casa as celebrações da Semana Santa de Resende Costa
A expectativa dos fiéis para a Semana Santa inicia-se na celebração da Quarta-feira de Cinzas, marco do início do período da quaresma. Sacrifício, recolhimento, silêncio, oração e penitência. É comum ouvir das pessoas, especialmente nas cidades do interior, que “o ar muda durante a quaresma”, ou seja, já se sente a espiritualidade que emana da Semana Santa. Em Resende Costa, durante as primeiras semanas da quaresma acontecem as vias-sacras e as procissões da penitência em preparação para a grande semana. Tudo corria normalmente no início de março até que surgiram os primeiros decretos fechando o comércio, suspendendo aulas e qualquer evento com público e aglomeração de pessoas. A notícia não era boa para quem estava esperando ansiosamente pela Semana Santa. A pandemia do novo coronavírus chegara também às igrejas. Dioceses tiveram que suspender, por tempo indeterminado, missa com presença dos fiéis nas igrejas, bem como qualquer celebração que gera aglomeração de pessoas. Os decretos municipais e diocesanos deixavam claro que as celebrações externas da Semana Santa de 2020 estavam canceladas. SEMANA SANTA ATÍPICA A Diocese de São João del-Rei determinou, através de decreto assinado por dom José Eudes Campos do Nascimento, que as paróquias realizassem, de forma atípica, os atos
internos da Semana Santa. De acordo com as orientações do bispo diocesano, as celebrações deveriam acontecer sem a presença dos fiéis, seguindo rito simplificado e, quando possível, transmitida pelas rádios e redes sociais a fim de que as pessoas pudessem acompanhar os atos litúrgicos estando em casa e cumprindo medidas de isolamento ou de distanciamento social. Em Resende Costa, todos os ritos e celebrações da Semana Santa, desde o Setenário das Dores, ocorrido de 28 de março a 4 de abril, seguiram as orientações da Diocese de São João. “Seguimos as orientações litúrgicas de nosso bispo diocesano, dom José Eudes Campos do Nascimento, que foram disponibilizadas no site da nossa Diocese de São João del-Rei. Foi uma Semana Santa diferente de todas as outras, mas não menos importante. Muito pelo contrário, vivemos a Semana Santa em nossas casas com a certeza de que o sepulcro está vazio porque Jesus vive conosco. Tenha certeza de que, apesar de não estar na igreja com Jesus, Ele está em sua casa com você e com sua família! ”, diz padre Plínio Almeida, administrador paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França. Participar da Semana Santa somente através dos meios de comunicação e redes sociais não foi tão fácil, sobretudo para quem espera o ano inteiro poder acompanhar as belas imagens de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores pelas ruas do centro de Resende Costa. Neste ano, porém, a cidade ficou vazia, não saiu nenhuma
procissão das igrejas do Rosário e matriz, as praças Mendes de Resende e Cônego Cardoso não viram os fiéis se reunirem piedosamente para ouvir os tocantes sermões do Encontro e do Descendimento da Cruz. Não se ouviu o som triste e opaco das matracas tremer nas mãos dos farricocos e suas roupas pretas; não se ouviu o barulho condenador das lanças dos legionários romanos que guardam o esquife do Senhor Morto; não se contemplou nas portas dos antigos passinhos a lágrima que cai solitária dos olhos tristes da Senhora das Dores quando chora, lacrimosa, a paixão e a morte do seu divino Filho. Foi uma Semana Santa atípica e triste para muitas pessoas, apesar do convite da Igreja para se vivenciar intensamente esse período, ainda que distante dos templos. “Após uma quaresma atípica e um tanto conturbada, iniciamos a profunda caminhada espiritual da Semana Santa. É um tempo forte de profunda experiência espiritual e deve ser como um tempo de retiro espiritual. Sem dúvida, neste ano, a nossa Semana Santa foi especial, pois este tempo difícil que estamos vivendo nos uniu ainda mais ao sofrimento de Jesus e à sua solidão na dor e, com Ele, ressurgiremos vencedores do mal e da morte. Claro que a minha vontade era de ver a igreja repleta de fiéis, ainda mais ouvindo o apelo de muitos paroquianos que desejavam participar das celebrações. Mas agora é hora de utilizarmos a fé que desenvolvemos durante todos esses anos de participação na comunidade e conseguirmos, mesmo em meio a
Celebração da santa missa na Terça-Feira Santa Foto: André Eustáquio
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Foto: Leticia Resende
As belas e venerandas imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores foram vistas pelos fiéis somente através das telas de celulares
Integrantes do Coro e Orquestra Mater Dei abrilhantaram as celebrações internas da Semana Santa
uma situação atípica, viver tudo que a nossa Igreja nos oferece”, ressalta padre Plínio. O arcebispo de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, disse durante a homilia da Missa do Domingo de Ramos: “a sua casa agora é a grande igreja. ” PÁSCOA: MOMENTO DE RENOVAÇÃO DA FÉ E DA ESPERANÇA Após vivenciarmos a paixão e morte de Jesus, o ponto alto da Semana Santa nos converge para a ressurreição do Cristo, sua vitória triunfal sobre a morte. A Igreja se desfaz do luto impresso na cor e nos paramentos roxos para se vestir do branco, a cor da esperança, da vitória e
da alegria. Neste contexto global de profunda tristeza, de grande medo e de incertezas que assolam toda a humanidade, que a Páscoa renove a paz, a esperança e a alegria no mundo e nos corações de todas as pessoas. “Desejo a cada paroquiano resende-costense uma feliz Páscoa. Desejo que nesse tempo você celebre com grande alegria a ressurreição de nosso Senhor. Mande mensagens para os seus familiares desejando coisas boas e uma boa Páscoa! Faça chamadas de vídeo para matar a saudade dos familiares. Reze, comungue espiritualmente e ame Jesus. Que Deus abençoe a todos! ”, conclui padre Plínio.
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A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
“VIRUS MUNDI” E o VÍRus VIRalizou. Na VIRada do ano, a canoa VIRou. Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar, não haveria canoa VIRando no mar. Sonho ingênuo o meu sonho, quando a esperança ameaça a ficar VIRada pelo avesso. O VÍRus VIRa-mundo encadeou uma corrente de vidas e enforcou a história. Nas agendas violentadas, os dias reVIRaram os olhos e tombaram com voz falecida. Para que clamar? O VÍRus nada escuta em sua silente absurdez. VIRavolta no que é real e no que é VIRtual. Certezas penduradas por um tênue fio da meada: “O que há de ser?” Talvez outra humanidade esteja sendo gerada do barro novamente. Ou mesmo outra humanidade esteja sendo formada após a inundação do dilúVIRus. Homem e mulher, macho e fêmea, VIRil e VIRago em edição renovada. Adão e Eva substituídos por VIRiato e VIRidiana? Enquanto o deVIR não se revela, mortes se enunciam em orações subordinadas a uma sintaxe VIRulenta e cruel. Não há ponto final no discurso das lágrimas... apenas VÍRgulas e mais VÍRgulas. A linguagem, aos poucos, vai sendo invadida por metáforas de coronorfanda-
des: palavras, ai, palavras... conVIRsar com as palavras é uma estranha potência: mesmo nas calamidades, as palavras desafiam VIRdades nos interditos da poesia. Embora as flores da minha primaVIRa estejam descoloridas, o sol do meu VIRrão esteja anêmico, a neve do meu inVIRno esteja cinzento, eu creio no outono: uma nova estação com outonalidades alegres. Folhas secas irão embora e aparecerão outras folhas, alimentadas pela clorofila dos campos saudáveis, clorofila dos abraços atrasados, dos beijos sequestrados, dos sorrisos renovados. Clorofilha da esperança e do bom senso. Olho minhas palavras espalhadas pelos canteiros do meu texto. Olho-me enquanto olho. Olho também para os teus olhos, tu que me lês. Deposito minha íntima crônica na superfície do lago onde as tuas pupilas flutuam. Sopro de leve para que o lago crie redemoinhos que consigam mergulhar a minha escrita. E no ir e vir das ondas que dão cadência aos nossos oceanos secretos, longínquas sereias possam entoar um refrão chamativo que inspire futuros: – O que há por VIR? Por vir... Porvir!
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Aqui e lá fora, um grande sucesso popular Pouco se falou de José Mauro de Vasconcelos e seu centenário de nascimento em 26/2/2020. Romancista brasileiro cuja obra teve papel importante na formação de algumas gerações de leitores, com tradução em várias línguas e presença em muitos países, mesmo assim ele não teve o reconhecimento devido nos meios acadêmicos. “Talvez ele tenha sido assim uma espécie de ‘patinho feio’, ou um pouco injustiçado nas qualidades dele como escritor, como homem de cultura”, pondera João Ceccantini, professor de literatura (UNESP de Assis/ SP). Aclamado pelo público e marginalizado pela crítica, o carioca criado pelos tios em Natal (RN), devido às precárias condições econômicas da família, é responsável por largas tiragens com sucessivas reedições de seus romances. Um deles é a obra As confissões de Frei Abóbora, que conferiu a José Mauro em 1967 o Jabuti, tradicional prêmio literário brasileiro. Esse fato pode ser sinalizado como uma rara admissão do talento desse criador de tantas outras histórias por parte de uma entidade respeitada na área, no caso, a Câmara Brasileira do Livro (promotora da premiação). Em se tratando de uma produção tão vasta ao longo de décadas, no entanto, pela popularidade e seu consequente sucesso editorial, o destaque absoluto atende pelo título de O meu pé de laranja lima (1968). Com
edição comemorativa de 50 anos em 2018 pela Editora Melhoramentos, a história fortemente autobiográfica do menino Zezé tem números impressionantes, ou seja, venda de mais de 2 milhões de exemplares somente no Brasil, onde teve mais de 150 edições. No Japão e na Coreia do Sul, chegou a ganhar uma versão em forma de mangá (história em quadrinhos). E não para aí. As mesmas páginas que fizeram muita gente se emocionar com as aventuras e desventuras do garoto que “conversava” com “um certo pé de laranja lima” foram adaptadas para a televisão em três novelas: uma na hoje extinta Rede Tupi (1970) e duas na Rede Bandeirantes (1980 e 1988). E também mereceram adaptações para o teatro e em 1970 e 2012, para as telas do cinema. Nunca me esqueci do dia em que eu e minha irmã Fátima fomos assistir em São João (del-Rei) àquele filme tão esperado por nós, uma vez que havia sido adaptado do livro que já tínhamos lido (e amado) e relido. Mas o impacto de ver na telona todas aquelas personagens que já conhecíamos da leitura do texto foi muito grande. Vê-las fisicamente com a voz e as feições de cada intérprete, é claro, foi inesquecível. Ver o Zezé sofrendo horrores, aí, foi demais para mim. E foi um chororô só! Conversando com a Fátima agora sobre isso, ela me disse que se lembra até do “vestidinho azul”
que eu usava no dia, com certeza molhado pelas lágrimas que não consegui impedir que caíssem. Para quem não conhece o livro, valem aqui algumas informações relevantes sobre ele. Trata-se de uma narrativa em primeira pessoa (Zezé, personagem-narrador), um relato da vida humilde de uma família com problemas de violência doméstica, alcoolismo do pai e omissão submissa da mãe em relação ao comportamento agressivo desse mesmo pai/marido com os filhos e com ela mesma. Nesse conjunto de situações (atemporais, diga-se de passagem), transita o protagonista infantil em seus 5/6 anos. E três figuras são fundamentais em sua vidinha (uma mistura de inocência e travessuras): Glória, a irmã adolescente, sempre tentando defendê-lo das surras que levava; Minguinho (ou Xururuca), o seu amigo imaginário, isto é, o pequeno pé de laranja lima; e Portuga, um amigo adulto por quem Zezé se afeiçoa. Chama a atenção na caracterização dessa criança a hiperatividade, hoje reconhecida como tal, mas vista na história como coisa de quem “tinha o diabo no corpo”. Isso posto e longe da questão envolvendo o embate entre sucesso comercial e legitimidade literária, lembro Djavan para sugerir a vocês neste outono inquietante e de reclusão em nossas casas em “um dia frio/ um bom lugar para ler um livro”.
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Economia & Negócios
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Incerteza e dúvidas dominam o comércio de Resende Costa JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Demissões, paralisação de oficinas, queda nas vendas das lojas, pousadas totalmente vazias, restaurantes e bares ressentindo a queda do fluxo turístico. Esse é o cenário de Resende Costa neste tempo de pandemia do coronavírus Covid-19, caracterizado por uma situação de incerteza e de muitas dúvidas, de acordo com Luciene Cardoso, presidente da Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa). As oficinas de produção de artesanato têxtil estão parando. Algumas continuam o trabalho até terminar a matéria prima disponível ou finalizar alguma encomenda. Outras já paralisaram. “Então, temos uma situação de artesãos ficando sem renda”, diz Luciene. Nas lojas, cerca de 80
na cidade, já se percebe um movimento turístico próximo de zero, com vendas pouco significativas. “Acredito que seja um movimento relativo a material para atacadistas, que também está diminuindo significativamente”, acrescenta. A queda acentuada nas vendas das lojas e a paralisação gradativa das oficinas estão acarretando as primeiras demissões, conta Luciene. “Algumas empresas estão optando por fazer demissões de parte de seus funcionários, às vezes pensando em recontratá-los num futuro mais favorável.” Outras empresas estão dando férias coletivas a seus funcionários, segundo a presidente da Asseturc. Esperam que o cenário fique mais claro, desanuviado da presente incerteza. “As empresas não tem como fazer nenhum tipo de investimento, a postura domi-
nante é de corte de custos e de espera por um momento em que as atividades possam ser retomadas.”
de gastos, esperando por um momento mais propício e de maior certeza quanto ao mercado”, conclui Luciene.
CAUTELA O setor está se inteirando das medidas tomadas pelo governo, diz Luciene. Uma dessas medidas é a linha de crédito especial, com juros de 3,75% ao ano, oferecida às empresas para que possam cumprir com suas obrigações patronais (pagar funcionários e assim evitar demissões). “Mas não é toda empresa que vê nisso uma boa oportunidade.” Alguns empresários reclamam da burocracia para se obter esse financiamento, relata a presidente da Asseturc. Além disso, “trata-se de um empréstimo e não um subsídio real”. As empresas estão preocupadas e cautelosas em assumir risco e um encargo maior. “O esforço é de contenção
ABASTECIMENTO O medo do desabastecimento, num primeiro momento, levou ao aumento acima da média do consumo nos supermercados, diz Cláudio Márcio de Matos Rocha, do Bom Preço e diretor financeiro da Asseturc. O consumo mantém-se elevado por ainda haver algum recurso circulando na economia (salários, aposentadorias, reservas etc.) e pelo temor da falta de recursos no futuro (dinheiro e crédito limitados). Mas, “agora, entraremos na terceira fase, essa com situação mais grave, de falta de recurso para comprar e iliquidez do crédito”, alerta Cláudio. A consequência será a paralisação, acrescenta. Em Resende Costa, há a cul-
tura no comércio “de anotar – os próprios comerciantes bancam o crédito”, lembra Cláudio. Mas, “para alguns nichos (restaurantes e bares, lanchonetes, lojas de roupas e pousadas) já está complicado; já estão no processo de demissão, férias antecipadas etc.” Com isso, a rede de abastecimento será afetada, de acordo com Cláudio Rocha. Ele alerta que os supermercados caminham para entrar “na terceira fase”, em consequência da situação de escassez de dinheiro no mercado. A saída é buscar maneiras de amenizar o problema, diz Cláudio, num trabalho conjunto da Asseturc com a prefeitura. “Boas ou ruins, eficazes ou não as medidas dos governos (municipal, estadual e federal), vamos divulgar e orientar. Vamos somar esforços para minizar a dor e o sofrimento, tanto na saúde física quanto na econômica.”
Comércio parado, encerramento de atividades e demissões em SJDR Clima de grande ansiedade, pessimismo e mesmo pânico generalizado e incerteza quanto ao futuro. Esta é a sensação dos comerciantes em São João del-Rei, segundo as lideranças do setor, frente ao impacto na economia da pandemia do coronavírus covid-19. O comércio local está restrito aos estabelecimentos comerciais considerados essenciais, como mercados, padarias, açougues, farmácias e bancos, de acordo com a orientação das autoridades. Dessa maneira, o mercado encolheu porque há menos dinheiro na praça. As lojas estão fechadas, sem previsão para retornarem à atividade. Se não houver alguma flexibilidade e apoio do governo, a metade vai desaparecer, diz José Egídio Carvalho, presidente da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei). Pequenos bares e pequenos restaurantes estão funcionando precariamente porque as pessoas não saem de casa. Estimam-se que as vendas caíram cerca de 70%, diz. “São empresas peque-
nas, formadas basicamente pela família cuja renda depende unicamente do seu negócio”, acrescenta José Egídio. Mas não para por aí. O Laticinios Del Rios encerrou as atividades depois de 16 anos, assim como a Panificação Santa Inês e o restaurante Mineirão Box Gourmet. Na Concessionária Cacel, apenas a loja de peças e a oficina mecânica estão funcionando, tendo a empresa demitido parte dos funcionários. Se não houver solução nas próximas semanas, eles acham muito difícil manter o negócio de veículos, diz José Egídio. Também no ramo imobiliário, está tudo parado, não há qualquer negociação, de acordo com Eustáquio Coelho Resende, corretor e membro da diretoria do Sindcomércio (Sindicato do Comércio Varejista de São João del-Rei). “As imobiliárias estão fechadas. Na minha imobiliária, por exemplo, demos férias aos funcionários e vamos continuar pagando o salário normal para eles até resolver isso. A situação é complicada porque a gente precisa do comércio para sobreviver.”
A situação não é muito diferente do que ocorre no Estado. Levantamento da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio – MG) aponta queda nos negócios, que pode chegar até 80% nas vendas e próximo dos 90% no setor de serviços. Uma das consequências é o aumento do desemprego. Wainer Haddad, presidente do Sindcomércio, fala em 90 pessoas demitidas apenas no último dia 27 de março. De fato, há notícias de várias demissões, “apesar de que a primeira orientação é tentar manter os postos de trabalho”, acrescenta Emanuel Vitoreli, consultor jurídico do Sindcomércio. “Mas a gente tem que ver também o sufocamento do empresário com relação a isso tudo.” Ele cita compromissos como questões tributárias, credores e fornecedores, folha salarial e férias antecipadas (pagamento do salário das férias). A orientação tem sido no sentido de que haja diálogo, diz Emanuel, “que as partes sempre conversem, façam propostas e todos analisem com a calma e a compreensão que o momento requer. Sabemos das necessidades
tanto do empresário quanto do empregado; então, é o momento de todos se apoiarem”. MEDIDAS José Egídio disse estar em contato permanente com a Federaminas (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais) e a FCDL (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas), das quais é diretor, e em sintonia com os governos municipal, estadual e federal. “Conversamos diariamente para ajudar na busca de soluções.” O presidente da ACI del-Rei disse esperar agilidade por parte da burocracia do setor público para transformar em ação as decisões do governo. Também o presidente do Sindcomércio defende maior rapidez do governo para salvar empresas e impedir demissões, com ações claras e sem burocracia. Uma dessas medidas é o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 a trabalhadores informais, intermitentes (que atuam sob demanda e não estão trabalhando nem recebendo salário) e empreendedores individuais,
cuja lei foi publicada no dia 2 de abril no Diário Oficial da União (DOU). O benefício será repassado por três meses e pago em dobro para mulheres chefes de família (R$ 1,2 mil). O pagamento será feito por bancos federais e talvez por agências lotéricas e Correios. Já a Medida Provisória 936, de 1º de abril, vai permitir que as empresas suspendam contratos de trabalho pelo prazo de até 60 dias, comunicando posteriormente ao Ministério da Economia para que seja liberado o seguro-desemprego do funcionário. Nesse período, o funcionário não pode ser demitido. Outro ponto principal da medida é a redução da jornada de trabalho (em 25%, 50% ou 75%), com a redução proporcional do salário e a complementação dessa redução também com o seguro-desemprego. As medidas já estão valendo, enfatiza Emanuel Vitoreli. “Agora é começar realmente a sua aplicação e ver a efetividade disso. Mas tudo deve estar atrelado à volta do movimento empresarial; essa engrenagem precisa voltar a rodar”, conclui o consultor jurídico do Sindcomércio. J.V.R
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Cidade
Secretaria Municipal de Assistência Social cria programa “Família Acolhedora” em Resende Costa CAMILA CHAVES
Acolhimento provisório de crianças e adolescentes que possuem seus direitos ameaçados ou violados e que necessitam de proteção. Esse é o objetivo do programa “Família Acolhedora”, criado em Resende Costa pela Secretaria Municipal de Assistência Social. O programa visa também a oferecer a essas crianças e adolescentes uma família que possa acolhê-los num ambiente familiar ou comunitário até que eles possam voltar para suas casas. Podem participar famílias que tiverem interesse e estejam cadastradas no programa junto à assistência social e que cumpram os pré-requisitos: ser maior de 21 anos; residir em Resende Costa; ter disponibilidade de tempo para os cuidados que forem necessários; obter parecer psicossocial favorável. A inscrição é realizada na Secretaria Municipal de Assistência Social, sendo obrigatório portar os seguintes documentos: carteira de identidade; certidão de nascimento; comprovante de residência e certidão negativa de antecedentes criminais. Antes de receber a criança/adolescente, é necessário contato preparatório com a equipe técnica responsável pelo programa. De acordo com informações da Secretaria de Assistência Social, caso não esteja dando certo ou a família não tenha mais interesse em continuar participando
do projeto, é só procurar a Assistência Social. As famílias podem escolher se desejam receber crianças pequenas ou somente adolescentes. No entanto, é importante lembrar que não se trata de um acolhimento permanente. “O tempo que a criança/adolescente permanecerá na família acolhedora será determinado pela Justiça, mas deve ser o mais breve possível, levando em consideração que a intenção é de que as crianças voltem para suas famílias de origem, ou, caso seja necessário, sejam encaminhadas às famílias substitutas que possuírem seu Cadastro Nacional de Adoção, em conformidade junto ao judiciário”, esclarece a Secretaria. CADASTRAMENTO Num primeiro momento, o programa, através de sua equipe técnica, irá cadastrar famílias que, além de demonstrar disponibilidade, apresentem documentação adequada. Posteriormente, passará à etapa de seleção e capacitação dessas famílias para que, em breve, possam estar aptas a receber crianças e/ou adolescentes. A equipe técnica do programa “Família Acolhedora” é composta pelo coordenador, Secretário Municipal de Assistência Social, Marco Antônio Pereira Faro, pela psicóloga Amanda Cristina Barquette, pela assistente social, Alessandra Guse dos Santos. “A família deve ser a primeira referência de afeto, proteção e
cuidado. É onde as pessoas constroem seus primeiros vínculos afetivos, experimentam emoções, desenvolvem a autonomia, tomam decisões, exercem o cuidado mútuo e vivenciam conflitos. A família deve ser o ambiente mais seguro de uma criança e de um adolescente, no qual terá seus direitos garantidos e fortalecidos”, frisa a Secretaria Municipal de Assistência Social. Se você tem interesse ou deseja tirar dúvidas sobre o programa, ou apenas conhecê-lo melhor, entre em contato com a Secretaria Municipal de Assistência Social: (32) 3354-2379 ou (32) 33542520. Falar com Alessandra Guse ou com Amanda Barquette. Acesse também o e-mail assistenciasocial@resendecosta.mg.gov.br
pa do programa, Mara L. Sade, que afirma: “O atendimento visa ao acolhimento e à escuta do sujeito, no momento mais próximo de sua necessidade, ajudando-o no manejo de sua ansiedade e medo.” O plantão é destinado a cidadãos de Resende Costa que estejam apresentando alguma dificuldade de ordem emocional, como sintomas de ansiedade, medo, angústia, pensamentos negativos e não conseguem se sentir capazes de enfrentar sozinhos esses distúrbios.
Para ser atendido pelas psicólogas da Secretaria Municipal de Saúde, basta fazer uma chamada via celular ou WhatsApp. Não é necessário agendamento prévio, basta ligar ou mandar uma mensagem. A psicóloga Mara Sade afirma que é muito importante estar em um ambiente tranquilo, seguro e sozinho durante o atendimento para que o cliente tenha liberdade para falar de suas necessidades, sabendo que a conversa é sigilosa. Também existe um grupo no WhatsApp
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Concurso temporário do IBGE é adiado Para Resende Costa foram abertas duas vagas de agente censitário municipal e dez de recenseadores VANUZA RESENDE
Psicólogas resende-costenses oferecem ajuda psicológica durante o período de isolamento social A Secretaria Municipal de Saúde de Resende Costa, em parceria com o Setor de Endemias e Vigilância Sanitária, criou o “Resende Costa contra o Coronavírus – Plantão de Acolhimento Psicológico”. Trata-se de atendimento psicológico em que o psicólogo fica à disposição de quem necessita de ajuda. É oferecido atendimento emergencial referente aos danos emocionais advindos do momento atual enfrentado pela população. O Jornal das Lajes conversou com uma das psicólogas que partici-
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A pandemia do novo coronavírus fez o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) adiar a realização do Censo Demográfico de 2020 para 2021. A coleta de dados, que começaria em agosto deste ano, terá início em 1º de agosto de 2021, com duração de três meses. O IBGE cancelou o processo seletivo já aberto para a contratação de mais trabalhadores temporários para as vagas de recenseadores e supervisores. Para Resende Costa, havia duas vagas para Agente Censitário Municipal e dez para recenseador. Em São João del-Rei e distritos, havia 99 vagas no total. Em Tiradentes e Santa Cruz de Minas seriam abertas dez vagas. Já em Lagoa Dourada estava prevista a abertura de 13 vagas. Em Prados o edital previa a contratação de 11 pessoas. Para a cidade de Ritápolis eram sete vagas. Os candidatos que fizeram o pagamento da inscrição do concurso serão reembolsados, conforme orientações que serão publicadas nos próximos dias. As demais pesquisas econômicas em curso no IBGE não envolvem entrevistas presenciais, apenas internet e telefone. Portanto, continuam normalmente.
que se chama “Vivendo Melhor”, coordenado pela psicóloga Mara Sade e pelo terapeuta ocupacional, Marcelo Lima R. Carvalho. Os profissionais trabalham e discutem os temas ansiedade e depressão, entre outros assuntos que podem causar transtornos durante esse período de pandemia. “Nesse grupo são disponibilizados relaxamentos e meditações a fim de ajudar no enfrentamento do adoecimento psíquico devido ao aumento da ansiedade, da angústia e do medo. Para participar do grupo,
CONCURSO PÚBLICO DE TIRADENTES TAMBÉM FOI ADIADO As provas e demais etapas do Concurso Público de Tiradentes foram adiadas em virtude da pandemia do novo coronavírus. De acordo com a Prefeitura Municipal de Tiradentes, não há previsão para nova data. Quando houver o retorno dos serviços públicos municipais, será publicado um novo cronograma no site oficial e redes sociais da prefeitura. O concurso previa a contratação imediata de 44 profissionais de todos os níveis de escolaridade, mais cadastro de reservas. As provas seriam aplicadas no dia 03 de maio. Isolamento social pode ser período de preparação para o mercado de trabalho #emcasa Os profissionais de recursos humanos e orientadores profissionais indicam àqueles que estão procurando emprego que aproveitem a oportunidade de qualificação profissional oferecida por diversas empresas de modo on-line e gratuito. A expectativa é de que no final da pandemia a maratona de concursos volte intensa. Afinal, além de concursos públicos, vários processos seletivos de empresas privadas foram adiados. Portanto, é preciso estar preparado.
basta solicitar por WhatsApp no número (32) 99938-1749”, completa Mara. É extremamente importante oferecer apoio e cuidado aos que necessitam. Portanto, se você precisa de ajuda ou conhece alguém que necessita, não hesite em entrar em contato: Psicólogas da Secretaria Municipal de Assistência Social: Amanda Barquette: segunda, terça, quinta e sexta-feira: das 8h às 16h – (32) 98857-5529 ou 99117-5977. Mara Sade: segunda a domingo – (32) 99938-1749.
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De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
O dia que o Senhor fez te?”
“Pai, por que me abandonas-
Meu leitor! Agora é a hora. Dessa não passa. Sem essa hora, não há como se dizer cristão. Jesus chegou ao maior dos sofrimentos: sentiu-se abandonado pelo Pai, ao qual foi fiel até a sua total consumação. É isso mesmo. Sem tirar nem pôr. Jesus chegou ao máximo da humilhação humana: o suplício da cruz, reservado aos grandes facínoras. Embora tenha sido um ser humano completamente consciente de si mesmo, de sua missão, de seu compromisso inarredável com as criaturas, viu-se só. Tremendamente só. Sentiu-se
abandonado por aquele a quem nos ensinou a chamar de Pai. Pois bem. Entendo que esse foi o melhor caminho, a mais digna atitude para Jesus voltar para os braços do Pai. Sofrer pelo abandono, sem que isso o aniquilasse. Sem que com isso sua súplica fosse de desespero. E Deus o ressuscitou de fato. Para alcançar a ressurreição passou pela absoluta morte, antecipada por um completo despojamento. Jesus ressuscitou. A religião católica tem conteúdos doutrinais de difícil assimilação. Há verdades construídas pelas criaturas ao longo da história, em ocasiões tão específicas, que nos é difícil e até mesmo im-
possível assimilar nos tempos tão diversos em que vivemos. A nossa história nos leva a outra compreensão da realidade e de muitos fatos. Pode-se, pois, ser cristão, e até católico, com alguma divergência relativa a doutrinas e costumes. Há, no entanto, uma verdade intocável. Uma verdade sem a qual não nos resta alternativa na condição de cristãos. Verdade que se constitui em pedra de toque de nossa adesão a Jesus: a verdade da sua Ressurreição. Para tanta gente, fato de difícil aceitação e compreensão. Talvez porque haja aí um engano. Ressuscitar não é um retorno à vida biológica. A ressurreição não é acessível à captação sensível,
ela é objeto de fé e não de conhecimento. Por isso, falar de uma visão do Ressuscitado carece de sentido. E menos ainda achar que a fé na Ressurreição é demonstrada pelas “aparições”. Não. A Ressurreição de Jesus vai além de qualquer aparência. E nela, ou simplesmente se acredita, ou não se acredita. Mistério imenso. Sem dúvida. Sem tal mistério, porém, sem a crença nele não se alcança o inteiro significado da vida de Jesus. Pela sua Ressurreição Jesus é introduzido na plenitude divina. Plenitude que Ele alcançou, sim, em consequência de seu grito “Pai, por que me abandonaste”, plenitude que alcançou sentido à
luz da total aniquilação material que a morte lhe proporcionou. Mas plenitude na morte, geradora da acolhida divina que o Pai lhe concedeu. “Se Cristo não Ressuscitou vã é a nossa fé (1Cor 15,12). Crer na Ressurreição, pois, é dizer de nossa fidelidade a Ele. Então, crer na Ressurreição é dizer se somos ou não cristãos. É dar sentido vital àquilo que tantas vezes dizemos: Ele está no meio de nós. Ressuscitou. E ressuscitaremos também, pois este é “O DIA QUE O SENHOR FEZ”.
clássico “Meiga Senhorita”. O encontro transformou-se em um excelente disco ao vivo com o nome do show, lançado há cerca de um ano, e que chegou à minha mão recentemente. O show foi idealizado e tem a direção artística assinada por Tuia Lencioni, cantautor do Vale do Paraíba. O nome “Encontro de Gerações” fica claro pelo time reunido. De um lado, alguns dos precursores do estilo, como Guarabyra, Tavito e Zé Geraldo. De outro, o próprio Tuia e o violeiro Ricardo Vignini. Vignini é um violeiro experiente e já mostrou que a viola pode se fundir com vários ritmos em seus trabalhos com o Moda de Rock (em que toca clássicos do rock em um duo de violas) e o Matuto Moderno (uma banda de rock com duas violas no lugar das tradicionais guitarras). Em outras palavras, se o rock rural é uma fusão de estilos, a viola de Vignini é
escolha certa. De fato, ele se encaixou muito bem graças aos seus competentes solos e contrapontos. Em uma formação de instrumental bem econômico – além da viola de Vignini, só há os violões dos demais – a viola foi essencial para preencher espaços e teve a proeminência devida, mas sempre respeitando o formato de canção e seus intérpretes. E sobre canções, o disco é um desfile de clássicos de Guarabyra, Tavito e Zé Geraldo, como “Dona”, “Casa no Campo” e “Meiga Senhorita”. Tuia, por sua vez, tem um desafio e tanto como cantautor ao dividir o palco com artistas consagrados. Em um show, é natural que a plateia espere pelo clássico para cantar junto músicas que fazem parte da memória afetiva. Por exemplo, no show em que fui, “Rua Ramalhete” foi pedida pela plateia do começo ao fim. Ainda assim, Tuia segurou
as pontas e a plateia, mostrando que é ótimo cantor, dono de uma voz precisa e potente e também compositor com méritos. Ricardo Vignini ainda teve um espaço merecido para mostrar dois temas instrumentais: a virtuosa “Capuxeta” e “Alvorada”. A presença de quatro cantores tarimbados deu um brilho especial ao repertório, com ótimos arranjos vocais em canções naturalmente fortes. Com tudo isso, o “Encontro de Gerações” foi muito feliz. Os clássicos ganharam novo fôlego em interpretações primorosas. Já a nova geração prova que a música brasileira continua forte e inspirada. Além disso, o show tem um valor importante por ter sido o último registro em disco de Tavito, que, infelizmente, se encantou poucas semanas após o trabalho ficar pronto. Enfim, o álbum é uma audição mais do que recomendada.
*Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
Trilha sonora RENATO RUAS PINTO
Eis o rock rural O começo dos anos 70 rendeu para a MPB uma geração incrível de novos artistas e injetou em nossa música um frescor de sonoridades. Apesar das cosmopolitas São Paulo e Rio de Janeiro concentrarem a produção musical, a fronteira de influências se expandiu com a chegada de novos artistas, como Lô Borges, Beto Guedes e a turma do Clube da Esquina, de Minas Gerais, ou Alceu Valença, Fagner e Belchior do Nordeste. A expansão se deu não só em termos regionais, mas também em estilos e fusões de ritmos. Uma dessas fusões veio no trabalho do trio Sá, Rodrix e Guarabyra, que lançou em 1972 o disco “Passado, Presente & Futuro”. O som do grupo foi rotulado de “rock rural”, possivelmente por conta do verso da canção de Zé Rodrix e Tavito, “Casa no Campo”, imortalizada por Elis Regina, no qual os autores cantam que queriam uma casa
para, além de receber amigos e os discos, compor “rock rurais”. O nome acabou se tornando um rótulo para um estilo que é até difícil de definir. Que há influência do rock, não há dúvida. Porém, com uma forte pitada de ritmos nacionais, numa mistura original. Original, porém, que encontra paralelos curiosos mundo afora, como no trabalho de grupos do chamado “Folk Inglês”, como o Fairport Convention. Ou, viajando um pouco mais na comparação, com o notório grupo de San Francisco, o Grateful Dead. E essa fusão saborosa de estilos voltou aos holofotes em 2017 e 2018 com a série de shows “Nós do Rock Rural – Encontro de Gerações”, que reuniu no mesmo palco os já citados Guarabyra e Tavito com dois artistas de uma geração mais recente, Tuia e Ricardo Vignini. Depois juntou-se ao grupo o experiente Zé Geraldo, autor do
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Perfil
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Conheça o artesão que criou as Tixas de Resende Costa Na entrada da rua de terra (no Km 82 da rodovia BR 383), os visitantes são recebidos por bichos, como girafa, lagartixa, um casal de flamingos e algumas garças. No final da rua de terra, encontram uma área de 2000 metros quadrados, com muito verde (inclusive algumas árvores de óleo), muita água e uma bicharada espalhada pela grama e pelo terreiro, na oficina e na lojinha. É assim o espaço do artesão Leci Lélis Silva, que inclui a morada da família, no povoado de Quebra Machado, pertencente a Coronel Xavier Chaves. Um dos cartões de apresentação do artista é a Tixa de Resende Costa, que se tornou a atração dos turistas e das redes sociais. Leci, 43 anos, são-joanense, mas desde criança morador de Coronel Xavier Chaves, denomina-se artesão em cimento, ferragem e tela. Tudo começou em 2003, numa brincadeira entre irmãos: ele e o Fábio, este último jardineiro de profissão. Ao observar as garças no córrego, os dois pensaram em como transformar bichos em produto vendável, aproveitando a proximidade da rodovia. De início, a ideia foi produzir as garças com areia e cimento. “A gente produziu as primeiras cinco peças, levou à beira da pista e, no segundo dia, vendeu tudo. Eram umas aves grosseiras, sem muito acabamento, pintadas de branco e bico amarelo.” Houve o entusiasmo inicial e resolveram produzir mais peças. Ocorreu que Fábio decidiu mudar-se para São João del-Rei, onde abriu uma loja de jardinagem. “E eu continuei com as garças. Aí tive a ideia de fazer outros bichos da região (como tucanos e seriemas), mas também araras e flamingos.” A técnica era simples. Leci colocava argila sobre uma banca de madeira. Nesta argila, desenhava o bicho em forma côncava. Então, despejava a massa de areia e cimen-
O artesão Leci Lélis, criador da Tixa
to, bem mole, na cavidade da argila, acrescentando a massa, artesanalmente, no decorrer do dia, até obter o formato completo da ave. Na etapa seguinte, Leci retirava a peça da argila e fazia o acabamento final a mão. Então deixava por dois dias secando ao sol e, em seguida, passava a lixa fina, a tinta branca e depois a cor. Uma experiência marcante para Leci foi a pintura de uma arara “porque são cinco cores e eu não tinha curso de pintura. Então misturei as cores e com o pincel fui rabiscando para chegar às cores da arara. Foi na base da vontade e do experimento.” EVOLUÇÃO Com a prática, Leci descobriu que seria melhor substituir a argila, pegajosa, pela areia, que se soltava mais facilmente. Também melhorou o acabamento e passou a conseguir peças mais idênticas ao original. Assistir a documentários e vídeocursos deu maior motivação ao artesão, resultando na melhoria do processo e, consequentemente, na obtenção de melhor qualidade. O que permitiu novos voos. O primeiro grande desafio foi uma onça em tamanho original, fruto de um documentário a que Leci assistiu. “Era complicado por causa do peso e da dificuldade de fazer o acabamento e de deslocar o bicho.”
Foto: Camila Chaves
Foto: José Venâncio
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A mascote Tixa dá boas-vindas aos turistas que chegam à cidade
A onça tinha um metro de altura e 250 a 300 kg de peso. “Pensei até em desistir, mas resolvi fazer o jacaré, que é baixo e pesa no máximo 100 kg. De vez em quando, fazia uma onça por encomenda, mas era um sacrifício para deslocar o bicho e colocar no caminhão.” Houve um momento em que Leci pensou em substituir a massa por madeira, depois de observar a experiência dos artesãos de Prados. “Um dia fui ao mato e cortei um jacarandá de pequeno porte, mas na hora em que ele estava caído eu fiquei arrependido e decidi voltar para o cimento.” APERFEIÇOAMENTO Por algum tempo, em 2010, Leci trocou o artesanato pelo serviço de pedreiro. Até o dia em que recebeu uma ligação de um cliente encomendando 20 peças. “Com menos de um ano eu voltei.”No retorno, o artesão resolveu estruturar-se melhor, contratando até três ajudantes para fazer o serviço de lixa e pintura. “Como não vendia muito, ficou difícil manter os ajudantes e eu voltei a trabalhar sozinho.” Leci começou a aperfeiçoar a oficina e a reduzir o tempo de trabalho. “Construí um galpão e comecei a pensar em ferramentas, como compressor de ar para pintura, máquina para cortar ferro e uma betoneira pequena para ajudar na massa. “Em relação ao tempo, ele
conseguiu diminuir etapas como, por exemplo, substituir a lixa pela esponja. Difícil mesmo era reduzir o tempo de secagem. “Se forçar a secagem, o cimento resseca e quebra facilmente.” Houve, então, a ideia de iniciar a secagam das peças a partir das três horas da tarde, o que tornou o processo mais lento durante a noite. No entanto, o resultado foi a eliminação de trincas, as quais eram uma reclamação frequente dos clientes. Para garantir o abastecimento da lojinha, Leci passou a produzir uma grande quantidade de peças por dia. SALTO TÉCNICO Nesse meio tempo, surgiu a encomenda de uma águia de três metros de altura, cujo peso atingiria 800 kg. Esse desafio levou Leci a testar a técnica da tela (aprendida em vídeocursos) para que a peça ficasse oca e mais leve. O peso da águia caiu para 350 a 400 kg. Por essa técnica, são colocadas três camadas de tela, seguidas de uma camada fina de massa. No dia seguinte, é feita a modelagem e, em seguida, a peça vai para a secagem. Mais um dia, procede-se ao acabamento com massa (cimento e cola), deixando a peça secar por cerca de duas horas. A última etapa é a pintura, que, no caso da águia, foi uma mistura de tintas de cores vermelha, marron, amarela e preta. Com a experiência da águia,
Leci sentiu-se pronto para aceitar encomendas de animais de grande porte. Entre as encomendas, uma diversidade de bichos, como o leão (400 kg), o lobo-guará, uma junta de bois e uma onça com um filhote na boca, todos em tamanho normal. “Há muita encomenda de flamingos grandes (2,5m), principalmente por donos de pousada.” A TIXA Em junho de 2017, Cícero Resende Chaves, então na presidência da Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), apareceu na oficina e indagou se Leci conseguiria confeccionar uma lagartixa “animada” do tamanho de uma pessoa. Logo em seguida, ele enviou o desenho de uma lagartixa feito pelo tatuador André de Resende. A primeira lagartixa, que se tornou conhecida pelo simpático nome de Tixa, foi encomendada para a Asseturc. Então, Cícero propôs fechar uma encomenda de 16 peças, com a condição de que Leci fosse a Resende Costa levantar detalhes de cada loja. O número de encomendas saltou para 26 peças, “cada uma de um jeito (formato, posição, altura, masculina, feminina, etc.). Isso foi um grande desafio para mim”. Leci utilizou a técnica da tela para desenvolver a lagartixa, que assim atingiu o peso médio de 120 kg. Foram cinco meses de trabalho para produzir as 26 peças. Depois das lagartixas, Leci recebeu encomenda de um dinossauro (4,5m de altura e 800 kg) e de uma girafa (3,5 m e 300 kg). “O dinossauro foi o que causou mais impacto. Foi enviado para São Paulo e precisou de dois caminhões para ser embarcado.” Já a girafa resultou na encomenda de mais cinco peças iguais. O mais recente trabalho de Leci é uma vaca (400 kg), encomendada no final de 2019 pelo prefeito da cidade mineira de Seritinga. Leci também mantém a loja com mostruário de peças pequenas, sempre procuradas, como aves (garças, flamingos, araras, seriemas, etc.), sapos e flores de cimento.
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Informe Publicitário
CANAIS ALTERNATIVOS
App Sicoob: transações financeiras, cooperativismo e praticidade sem sair de casa Aplicativo se junta a Internet Banking e Caixas Eletrônicos no time tecnológico à disposição dos cooperados. Além de saldo e extrato, app realiza pagamentos de boletos e títulos; faz transferências; traz movimentação detalhada no Sicoobcard e até dinamiza contratação de crédito proteger foi preciso repensar nossas relações – inclusive com soluções financeiras. Nosso aplicativo multipremiado, então, se tornou parceiro inseparável de associados no Campo das Vertentes e em Belo Horizonte.
CONTINUAMOS COM VOCÊ - Nossa cooperativa adotou protocolos de segurança da OMS. Por isso, tem funcionado em contingência e estimulado o uso de seus Canais Alternativos. Ainda assim, caso precise, você pode entrar em contato por telefone com sua agência e marcar um atendimento presencial. Em Resende Costa o número é (32) 3354-1040
Em 2019, quase 80% das transações financeiras (de extratos à contratação de empréstimos) do Sicoob aconteceram em canais digitais. Isto é: via aplicativos, Internet Banking ou Caixas Eletrônico. Uma conquista para o maior sistema cooperativista financei-
GUIA “Para auxiliar nossos cooperados, criamos guias multimídia explicando sobre funções e até mesmo o cadastramento de dispositivos para Pessoas Físicas”, explica a supervisora de Comunicação e Marketing da instituição, Elisa Coelho, em referência a vídeos postados em redes sociais e um passo-a-passo de segurança (veja box ao lado) com download disponível em credivertentes.com.br. Outra estratégia foi levar essas informações via Whatsapp para associados incluídos em listas de transmissão.
ro do país que ganhou novos contornos no final de março. Com o avanço do novo Coronavírus, o distanciamento social foi a primeira medida de contenção anunciada por autoridades sanitárias de todo o mundo. Em outras palavras, para nos
“GANHEI TEMPO PRA FICAR COM MEUS FILHOS”, DIZ COOPERADO O produtor Ronaldo Medeiros tem 45 anos, morangos para colher e dezenas de cabeças de gado para cuidar em Alfredo Vasconcelos. Mas nada tem mais prioridade que a família. E é por ter vantagens no relógio com quem realmente importa que se tornou defensor do App Sicoob. “Baixei e instalei pra checar meu extrato, a princípio. Gostei tanto que agora uso pra tudo. Resolvo o que preciso aqui da roça mesmo com a certeza de que, sendo necessário, também posso ir à agência e recorrer à equipe de lá. Estou 100% satisfeito e 100% aproveitando cada hora do dia”, diz Medeiros, para alegria da agente de Atendimento local, Rafaela Santos: “O cenário e a urgência do momento fizeram com que, mesmo quem tinha receio de utilizar novas tecnologias, acabasse aderindo ao aplicativo. Então foi muito gratificante ter feedback positivo de várias pessoas. Todas surpresas com a facilidade do app e estabelecendo uma relação tecnológica que vai se estender pra vida”, comenta.
Praticidade e segurança andam juntas Por isso, se você é cooperado Pessoa Física, registre seu dispositivo móvel em um de nossos Caixas Eletrônicos. É como se criasse uma identidade para seu aparelho. Assim, nosso sistema reconhecerá de onde partem as transações. Proteção extra pra você! Baixe o App Sicoob no Google Play ou na App Store. Procure nosso Caixa Eletrônico mais próximo com celular em mãos e insira seu cartão. Siga as instruções e aperte o botão “Outras Opções”. Agora escolha a opção “Senhas” seguida por “Sicoobnet” e, por fim, “Cadastro”. Crie então uma senha de 8 dígitos. Informe os dados do seu CPF e em seguida acesse nosso aplicativo no seu celular. Selecione a opção de “Adicionar Conta”, preencha seus dados e os da nossa cooperativa. Tente fazer uma transação, como transferência ou TED. O aplicativo pedirá uma senha (a de 4 dígitos, do seu cartão). Escolha a opção de liberação na cooperativa ou no Caixa Eletrônico. Surgirá um código. Acesse novamente o Caixa Eletrônico. Insira seu cartão, siga as instruções na tela. Selecione “Outras Opções” e em seguida aperte o botão “Liberar/Bloquear Dispositivos”. Opte por “Dispositivo Móvel” logo depois, siga as instruções e informe o código gerado no aplicativo. PRONTO! Você já pode cuidar da sua vida financeira no conforto do seu lar. Pode até liberar outros equipamentos (como seu computador, por exemplo), sem sair de casa!
por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração
REFLEXÕES
Um chamado veemente, urgente O sentido da vida é a dignificação social, moral e espiritual; a realização dos ideais humanos de respeito mútuo, reciprocidade, solidariedade – a consciência integral de nossos direitos e deveres ante a coletividade e a humanidade. Está aí uma reflexão basilar num mundo convulsionado pelo individu-
alismo, pela violência, por pandemias. Um mundo em que temos que fazer a opção: humanismo, solidariedade e altruísmo em contraposição ao egoísmo, à indiferença, ao materialismo. Na realidade, tornamo-nos uma sociedade subjugada por interesses imediatistas, alucinantes, cruéis. Esquecemo-nos de que fatores políticos,
sociais, culturais e econômicos são interconectados, interdependentes. E de que o lucro não pode estar acima da vida, do bem-estar comum. Mas somos forçados a nos lembrar, de maneira traumática, que toda perturbação ou lesão sistêmica provoca rupturas, consequências dolorosas. Fome, migrações, desemprego, vio-
lência, epidemias. Estamos frente a um chamado implacável para que despertemo-nos do sonambulismo a que fomos/somos levados por elites políticas ou financeiras, exercitando a solidariedade, a cooperação. Uma convocação veemente! Uma opção urgente!
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REGIONAL
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Recentemente, uma polêmica envolveu o prefeito são-joanense Nivaldo de Andrade sobre a sua intenção de trocar as pedras portuguesas por pedras São Tomé, alegadamente por causa “do salto do sapato das madames”. O maior problema da calçada portuguesa de São João del-Rei é a falta de manutenção. Coronel Xavier Chaves, a 17 km de São João del-Rei, também tem a sua calçada portuguesa. O estado de conservação é razoável, com alguns pontos onde as pedrinhas soltas não foram repostas. O primeiro projeto, do final do mandato do prefeito José Guilherme Jaques (2005-2008), foi executado pelo seu sucessor, Helder Sávio Silva, em 2009. A calçada portuguesa passou a ocupar as três praças conjugadas (Dom Lara, do Coreto e Cipriano Chaves) no centro da cidade. Na sequência, o prefeito Helder Silva implantou o projeto de revitalização da praça da igreja matriz, por volta de
2010-2011. A ideia foi restaurar a praça, mantendo a escultura da bateia que representa a mineração, explica o arquiteto Fábio da Silva, de Ritápolis, autor do projeto. “Nessa restauração, a gente sugeriu a calçada portuguesa nos passeios e nos ambientes da praça.” Outra sugestão de Fábio Silva foi no sentido de definir um paisagismo baixo para não tampar a visão da igreja. Esse paisagismo baixo foi implantado no canteiro central da rua que liga as duas praças. Para Helder Silva, a maior dificuldade na época foi a falta de capacitação de mão de obra (calceteiros) na instalação de calçada portuguesa. ORIGEM A calçada portuguesa ou calçada artística surgiu em Lisboa (Portugal) em 1842. O tenente-coronel Eusébio Cândido Cordeiro Furtado, então Governador de Armas do Castelo de São Jorge, decidiu encontrar ocupação para os prisioneiros acorrentados (também conhecidos como grilhetas). Assim, requereu à Câmara Municipal de Lisboa (equivalente a prefeitura) alguns calceteiros para
ensinar aos grilhetas a arte de calcetar. De início, foi pavimentada a entrada (e os espaços internos) do Castelo São Jorge, cujo impacto decorativo teve enorme repercussão, diz a arquiteta portuguesa Branca Neves. “Havia ‘romarias’ ao castelo para ver o trabalho e o seu efeito”. A municipalidade resolveu pavimentar a praça do Rossio, com a criação do motivo “Mar Largo” – padrão ondulado em preto e branco, alusivo ao período áureo dos descobrimentos marítimos portugueses. Esse “tapete de pedra” foi executado de 1846 a 1848 – assinala Branca Neves – e, “desde então, o revestimento bicromático de pedras de calcário e basalto foi adaptado em inúmeros lugares (praças, ruas, largos etc.), com variadas composições e motivos, muitos dos quais ainda permanecem até hoje, resultado de um apurado trabalho de precisão feito por diversas gerações de mestres calceteiros”. Após o êxito dessa intervenção, procedeu-se à pavimentação de largos, praças, passeios e escadarias da capital portuguesa. O apogeu da arte de calcetar foi em 1927, quando a Câmara
Foto: José Venâncio
Coronel Xavier Chaves adota a calçada portuguesa
Calçada Portuguesa na praça do centro de Coronel Xavier Chaves
Municipal de Lisboa criou o quadro dos calceteiros-artistas, no total de 400 artífices. Ao longo do século passado, a calçada artística propagou-se pelo resto do país, embelezando praças e ruas de cidades e vilas. E também ganhou projeção internacional, inclusive no Brasil, sendo usada no embelezamento de passeios e parques. CENTENÁRIO DA IGREJA MATRIZ A igreja matriz de Coronel Xavier Chaves comemora este ano o seu centenário. A construção teve início em 1916, com o
cônego Antônio Carlos Rodrigues, e a igreja foi inaugurada em 5 de dezembro de 1920. A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição foi instalada em 1941, com o padre Luiz André Gomes. O município foi criado em 30.12.1962 e instalado em 01.03.1963, recebendo o nome de Coronel Xavier Chaves, em homenagem ao grande benfeitor do lugar. Com população estimada de 3.301 habitantes, faz divisa com São João del-Rei, Ritápolis, Resende Costa, Prados, Tiradentes e Lagoa Dourada.
O Verso e o Controverso JOÃO MAGALHÃES
Em isolamento social: Que tal uma meditação? Neste isolamento social necessário para minorar os males da pandemia da COVID-19 (Corona Virus Disease), a mídia está pródiga em sugestões para aguentar a solidão e até tirar proveito dela. São os críticos musicais indicando músicas, leitores aconselhando livros, TVs liberando canais por assinatura, ludoterapeutas organizando brinquedos e tantas outras sugestões. Há receitas para todo mundo, para todas as faixas etárias. Lembrando o saudoso Artur da Távola (pseudônimo do Senador Paulo Alberto Monteiro de Barros), que dizia que “música é vida interior e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão”, sugiro uma prática que, nos tempos passados, era muito valorizada por causa de sua eficiência na formação espiritual das pessoas. Infelizmente nos tempos atuais está bastante relegada. Por quê? Porque supõe
silêncio, interiorização, recolhimento. Os movimentos atuais, inclusive os religiosos, há exceções é claro, caminham mais para o mundo das palmas, das danças, das coreografias, enfim, da espetacularização. Trata-se da meditação. Uma meditação sobre o próprio vocábulo (meditação) mostra o seu valor. Do verbo depoente latino “meditor”: meditar, pensar, refletir. Acrescento, no entanto, uma outra significação: “ditare” em latim significa enriquecer. Portanto, “me ditare”é enriquecer a mim mesmo. Retornando para o português, o que é meditar? É um ditado que você faz para você mesmo. Um diálogo íntimo, uma conversa consigo que vai concebendo ideias, comportamentos, decisões, planos, estratégias, compromissos, promessas, votos. Os tempos são outros, mas há práticas de valor per-
manente. É o caso, acho eu, da meditação: uma forma de ascese que são exercícios que levam à efetiva realização da virtude e a um aperfeiçoamento ético-moral. Uma prática de meditação como era nos antigos institutos de formação religiosa, como nos seminários, conventos, internatos, dificilmente se encaixa no mundo moderno. No seminário onde vivi longos anos, por exemplo, havia três meditações diárias. A primeira, logo cedo, na capela, antes da missa: para os menores, dirigida pelo diretor. E de livre escolha quanto ao tema para os maiores. A segunda, ao meio-dia, antes do almoço, também na capela. Esta era dirigida. Chamava-se “exame de consciência”. Induzia-se cada um a revisar seu comportamento na manhã. A última, também dirigida, à noite, antes do recolhimento ao dormitório. Novo exame de consciência revisando a segunda
metade do dia! No entanto, uma boa notícia é que estão-se buscando formas mais condizentes de meditar. Os cientistas dos comportamentos, das emoções, dos sentimentos – psiquiatras, psicólogos, neurologistas etc. – já estudam e propagam o valor de um cultivo da espiritualidade, por conseguinte da ascese, e a separam de religião e fé. Há especialistas já aconselhando um momento de meditação para melhorar o sono. Como costuma ser, na vida tudo tem o lado bom e o lado ruim. Nos casos de isolamentos sociais obrigatórios, isso se exacerba. Neste momento, há famílias deteriorando seus relacionamentos, mas há outras que enxergam aí novas formas de se unir. O dr. Daniel Martins de Barros, do Instituto de psiquiatria do HC de São Paulo/ SP, publicou agora, pela editora Sextante: “O lado Bom
do lado Ruim”, onde orienta o leitor a descobrir que emoções negativas como raiva, medo, tristeza, ansiedade podem ter um lado bom. Diz ele: “Quando estudamos a origem das emoções negativas do ponto de vista psicológico e evolutivo, descobrimos que cada uma está lá para indicar algo importante para nós: perigos, riscos, incômodos. Uma vez que desenvolvemos essa consciência, conseguimos tirar melhor proveito desses alertas. Além disso, a expressão das emoções [negativas] é uma forma negligenciada de comunicação. Podemos nos fazer entender – e entender os outros – melhor quando atinamos para isso.” A meditação, esse pensamento voltado para seu interior, seu imo, é uma forma comprovada de transcendência, ou seja, de melhoria de si mesmo. Não há ascese sem meditação. É o que penso. E você?
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ANO XVII Nº 204 - ABRIL 2020
ESPORTE
Mesmo em isolamento social é possível se manter ativo e praticar exercícios físicos A prática moderada de atividades ajuda a manter o corpo e a mente saudáveis VANUZA RESENDE
A rotina mudou. Ainda que sem nos prepararmos, nos vimos obrigados a “colocar o pé no freio”. Trabalho, estudo, lazer, alimentação, vida social e atividade física agora são em casa. O isolamento social chegou sem pedir licença, mas com uma intenção nobre: enfrentar o novo coronavírus, causador da Covid-19, que já contaminou mais de um milhão de pessoas no mundo, milhares delas sendo vítimas fatais. Enquanto profissionais trabalham na descoberta da cura da doença, os que estão na linha de frente, apoiados pelos principais órgãos de saúde do país e do mundo, orientam: é preciso respeitar o isolamento social. Para muitas pessoas que tinham na agenda toda o dia programado, a ansiedade e o nervosismo, muitas vezes, viraram companhia. E é preciso adaptar-se. Os professores estão aprendendo métodos para passar conteúdos on-line, as empresas adotam, dentro do possível, o serviço home office, os nutricionistas indicam e orientam como conseguir driblar o fato de se estar a todo momento com a geladeira e a dispensa ao alcance, os artistas se apresentam das janelas e fazem lives para o público. E as atividades físicas? Como fazer? Como praticar? Em casa! Essa é a resposta. Vale reforçar que a prática de exercícios físicos traz inú-
meros benefícios para a saúde e para a qualidade de vida. Por isso é importante manter essa prática também neste período de isolamento social. O proprietário da “Academia RE Studio”, Renan Inácio Resende, licenciado e bacharel em Educação Física, ressalta a importância dos exercícios físicos: “Os exercícios físicos são, sem dúvida, essenciais para melhorar a qualidade de vida, sendo importantes para o estado físico e mental. Dessa forma, a prática regular de exercícios físicos está associada à melhoria da função imunológica, otimizando as defesas do corpo diante de agentes infecciosos.” ADAPTAÇÃO Quem já praticava algum tipo de atividade física deve continuar seus treinos, adaptando-os ao espaço de sua casa. É importante lembrar que para cada indivíduo e objetivo o planejamento do treino deve seguir suas próprias especificidades, considerando idade, condicionamento físico atual, rotina, apresentação de doenças cardíacas, individualidade biológica, entre outros fatores. “As pessoas devem se orientar através de profissionais capacitados ou páginas oficiais das academias. Lembrando que os exercícios mudam de acordo com os objetivos do aluno. O principal cuidado a ser tomado é nunca passar de seu limite durante as execuções dos exercícios, sempre seguindo as orientações do profissional de Educação Fí-
sica”, orienta o educador físico. Renan destaca que aquelas pessoas que não possuíam o hábito de se exercitar precisam de orientação profissional. “Muitos que não faziam atividade física estão indo para as ruas fazer caminhada. Isolamento social não é para ficar em casa? Para essas pessoas, o ideal é entrar em contato com um profissional de educação física para que este indique um treino ideal. Não estou falando que a caminhada é uma opção ruim, mas acredito que não seja época propícia para tal atividade.” Para quem ainda não sabe quais tipos de exercícios fazer, a internet é uma ótima aliada. Existem diversas modalidades de treinos rápidos e exercícios on-line disponíveis para quem deseja iniciar alguma atividade em casa. “Na página do Instagram @re_studioo estamos dando dicas de exercícios em casa todos os dias”, indica Renan. Nesse momento, vale usar a disposição, o tempo de sobra e o que tiver ao seu alcance para realizar os treinos e os exercícios. Lembre-se sempre: procure um profissional de sua confiança e se exercite. Os exercícios físicos, combinados com uma boa alimentação e um bom descanso, são aliados para fortalecer o sistema imunológico, necessário neste momento de pandemia. Além disso, os exercícios físicos contribuem para uma mente tranquila, reduzindo a ansiedade e o estresse. Pratique exercícios, mas #fiqueemcasa.
Entrelinhas SAMIRA SILVA
Paralisação do futebol devido à pandemia Estamos vivendo sob a ameaça do novo coronavírus, denominado Covid-19, que está causando enormes consequências também ao futebol. Com os números de contágio subindo cada vez mais rápido no mundo, todos os jogos de futebol tiveram que parar imediatamente sem data para retorno dos campeonatos, causando enormes consequências aos clubes e federações. Em entrevista ao jornal italiano “Gazzetta Dello Sport”, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, disse que este poderia ser o momento para uma reforma global na modalidade devido à pandemia do novo coronavírus: “Precisamos estudar o impacto global dessa crise. Agora é difícil, não sabemos quando voltaremos à normalidade. Mas vamos olhar as oportunidades. Talvez possamos reformar o futebol mundial dando um passo atrás, com diferentes formatos. Menos torneios, porém mais interessantes”, disse Infantino. Os impactos foram enormes, uma vez que a grande maioria dos eventos e campeonatos esportivos continentais foi adiada. Dentre as competições adiadas, o Mundial de Clubes de 2021, a Eurocopa e a Copa América, Campeonatos Estaduais, Liga dos Campeões e Libertadores. A Eurocopa e a Copa América, que seriam disputadas em junho, não acontecerão mais neste ano. O novo formato ainda precisa de nova data, superlotando ainda mais o calendário de 2021. O Mundial de Clubes, também com novo formato, terá que ser disputado no fim do ano que vem.
No Brasil, a CBF interrompeu as competições por tempo indeterminado, porém não quis tomar nenhuma decisão sobre o que acontecerá com os estaduais. Eles terminariam no fim de abril, data impossível de ser cumprida. Sendo assim, caso os estaduais voltem, o calendário ficaria ainda mais confuso, já que o Brasileirão tem início previsto para o dia três de maio e término em dezembro. Como muitos times disputam mais de um campeonato ao mesmo tempo, ocorreria uma sobrecarga na agenda dos clubes, transformando o cenário em uma verdadeira maratona. Sem data para o retorno dos campeonatos estaduais, ainda não está definido se os times que estavam liderando até a paralisação dos torneios sejam decretados campeões. A UEFA foi a entidade do futebol que mais demorou a se pronunciar sobre como será o calendário a partir do controle da pandemia no continente europeu. A Liga dos Campeões da Europa está nas oitavas de final e jogos importantes, como Real Madrid e Manchester City, Bayern de Munique e Chelsea, Juventus e Lyon, Barcelona e Napoli ficaram suspensos por tempo indeterminado. Da mesma forma que outras competições, a Libertadores também foi suspensa. Portanto, será necessário que o calendário do futebol mundial se reorganize para dar continuidade aos campeonatos. Até agora, as entidades continuam analisando possíveis cenários e datas para dar continuidade às competições.