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Edição 201 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVI

• JANEIRO 2020 • Nº201

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Resende Costa comemora chegada de 2020 com a 2ª Virada Cultural

Foto Vitória Cristina

Padre Ermínio Ignácio celebrou Jubileu de Prata Sacerdotal O resende-costense padre Ermínio Ignácio dos Reis celebrou, no dia 15 de dezembro de 2019, na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, o seu Jubileu de Prata Sacerdotal. Sacerdote da Diocese de Jaboticabal, interior de São Paulo, padre Ermínio falou ao JL sobre a felicidade de celebrar os seus 25 anos de sacerdócio em sua terra natal. PÁG 08

Luto na educação O ano de 2020 começou com uma triste notícia em Resende Costa. No último dia 6, faleceu, aos 72 anos, o professor resende-costense Sebastião Pascoal da Silva Melo, o Tião Melo, como era conhecido. Leia nesta edição dois artigos em homenagem ao Tião Melo, de autoria do colunista do JL, Evaldo Balbino, e da ex-diretora da Escola Estadual Assis Resende, Maria Luzia Resende. PÁG 10

Virada Cultura atraiu grande número de pessoas ao Réveillon na Rua Gonçalves Pinto

Pela segunda vez, um evento cultural marcou a passagem de ano-novo em Resende Costa. Entre os dias 28 e 31 de dezembro, a Virada Cultural atraiu

grande número de pessoas que optaram por comemorar a chegada de 2020 na rua Gonçalves Pinto, centro da cidade e tradicional ponto de encontro

dos resende-costenses. O evento – realizado pela Prefeitura Municipal, com o apoio da Câmara, da Iniciativa Popular e do comércio local – contou com

programação diversa: ações sociais, shows, apresentações artísticas e atividades esportivas. Leia editorial na página 2. PÁG 07

Lagoa Dourada recebe o título de capital mineira do Rocambole O título, que já era unanimidade entre moradores e visitantes do município da microrregião

do Campo das Vertentes, foi concedido pelo projeto de lei 4.871/2017, de autoria do depu-

tado estadual Cristiano Silveira (PT) e aprovado no final do ano passado pela Assembleia

Legislativa de Minas Gerais (ALMG). PÁG 12


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EDITORIAL Esperança de um ano de paz

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A primeira edição de 2020 do Jornal das Lajes traz como destaque a 2ª Virada Cultural de Resende Costa. O evento marcou a chegada do ano-novo para aqueles que desejaram brindar com os amigos a virada de ano na rua Gonçalves Pinto, tradicional ponto de encontro dos resende-costenses no centro da cidade. Os organizadores afirmam que o objetivo da Virada Cultural é oferecer ao público uma programação eclética e gratuita, além de valorizar os eventos populares na tradicional “avenida” de Resende Costa. Na avenida ou nas festas organizadas em bares e clubes, a meia-noite do dia 31 de dezembro traz à tona um sentimento comum a todos: o desejo de que a esperança conduza nossas ações no novo ano que está nascendo. E é isso que desejamos aos amigos, familiares e até mesmo àquelas pessoas que mal conhecemos, mas que nos abraçam desejando-nos paz, harmonia, saúde e felicidade. O filósofo e teólogo Mario Sérgio Cortella apresenta-nos uma reflexão pontual e elucidativa sobre a esperança. Ele distingue esperança, do verbo esperançar, com esperança, do verbo esperar. “Não confundamos esperança do verbo esperançar com esperança do verbo esperar. Violência? O que posso fazer? Espero que termine… Desemprego? O que posso fazer? Espero que resolvam… Fome? O que posso fazer? Espero que impeçam… Corrupção? O que posso fazer? Espero que liquidem… Isso não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo.” As nossas esperanças para 2020 reúnem também anseios de espera. Esperamos, sim, que os líderes mundiais respeitem o meio ambiente num planeta que chora e arde em chamas devido aos efeitos apocalípticos do aquecimento global; esperamos que a humanidade se sensibilize com a fome e a miséria que ainda assolam e escravizam milhares de pessoas nas periferias esquecidas dos continentes; esperamos que a paz se efetive em atitudes ao invés de ser apenas tema coadjuvante em assembleias, reuniões e discursos utópicos; esperamos que a democracia supere a crise global na qual se engalfinhou e vença o autoritarismo, o maniqueísmo perigoso e a bipolaridade cega que fizeram surgir, nos quatro cantos do planeta, líderes que inflamam os mais insidiosos sentimentos de ódio, de divisão e de guerra. Mas não apenas esperemos, como nos ensina Cortella. Corramos atrás dos nossos sonhos, levemos adiante nossos propósitos. Se o que vemos não nos agrada, juntemos nossos esforços aos de outros e construamos juntos novos caminhos e novas alternativas. Ano-novo não é somente uma data a ser comemorada. É um novo diário que se abre com folhas brancas a serem escritas, reescritas e reelaboradas por novas ideias, novas personagens, novos enredos mirando finais surpreendentes e felizes. Ano-novo é ocasião em que o tempo transcende as doze badaladas da meia-noite de 31 de dezembro, transformando-se em nossa medida existencial. Talvez seja o único dia do ano em que olhamos atentamente para o relógio e observamos os ponteiros se movimentarem lentamente a fim de refletirmos, à meia-noite, sobre o que queremos para a nossa vida. Ano-novo é o novo que nos convida a sermos novos. Façamos, pois, de 2020 um ano de esperança renovada, de atitudes que nos levem a sermos construtores de uma sociedade onde, enfim, a paz não seja apenas uma moeda de troca em rodadas de negociações nas quais impera tão somente o desejo daqueles que buscam obstinadamente o poder e a dominação. Seja bem-vindo, 2020!

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

Folias de Reis e lições da Epifania Começou o fim da segunda década do século 21. Janeiro. Neste mês, a festa católica mais importante é a Epifania. Do grego “epifáneia”: aparição repentina, mas benévola, de uma divindade salvadora. Termo muito usado na Bíblia. Quem curte nossas tradições das “folias de Reis” lembra muito, sobretudo nós mais velhos aqui de Resende Costa. O Reisado ou Festa dos Santos Reis. Os ternos que iam de casa em casa levando a Bandeira do Divino, fitas em seus vestuários, crianças como pastorinhos(as), recebidos com alegria pelos moradores, cidade e povoados, sobretudo ao anoitecer. Depois, o indispensável café com biscoito e broa de fubá. A criançada vibrando. O cavaquinho, o reco-reco, o violão e a sanfona. Os versos cantados agradecendo cada prenda ou esmola oferecida etc. Festa religiosa popular emblemática muito antiga, originária da península ibérica: Portugal e Espanha. Na Itália, é conhecida como “Befana” e, segundo a tradição, os presentes são oferecidos às crianças por uma bruxa boa. Em 2017, o Conselho Estadual de Patrimônio de Minas Gerais declarou a Folia de Reis como Patrimônio Imaterial do Estado. A narrativa é do Evangelho segundo Mateus (Mt 2, 1-12). Fala de magos do Oriente. A etimologia do termo grego “magos, plural mágoy”, é desconhecida. Sabe-se, porém, que vem de uma tribo meda [Me-

dos: tribo fixada no atual Irã, da qual os curdos se dizem descendentes], na qual, os homens mais importantes desempenhavam a função de sacerdotes da religião persa e se ocupavam com astronomia e astrologia. O epíteto de três reis magos é devido aos três presentes: ouro, incenso e mirra. Os nomes Melchior (ou Belchior), Baltazar, Gaspar são devidos a antigas tradições. Esses presentes eram riqueza e perfumes da Arábia. Conforme explicações dos Padres da Igreja, teólogos e pregadores da Igreja nos primeiros séculos, simbolizam a realeza (ouro), a divindade (incenso) e paixão de Cristo (mirra). Os textos religiosos, quando interpretados como mensagens, quando lidos dentro do contexto histórico da época em que apareceram e separando-se a mensagem das mentalidades culturais dos tempos, trazem lições muito contributivas para quem procura meditar sobre eles com critério. Paulo, um dos fundadores da teologia cristã, sintetiza lapidarmente: “A letra mata, o espírito é que vivifica” (2Cor 3,6), no sentido da importância de estudar o que o texto, por trás das expressões, quer dizer. A festa da Epifania, frente ao quadro mundial de agora no qual o Brasil vem se inserindo, tem muito a dizer. A manipulação sacana do patriarca da família Herodes - ensinando aos magos o caminho (“Ide e procurai obter informações exatas

a respeito do menino e ao encontrá-lo, avisai-me para que também eu vá homenageá-lo”) - gerou o massacre dos inocentes meninos de até dois anos na região de Belém. Esse tipo de malogro continua até hoje sob outras formas. A fuga da família de Jesus, refugiando-se no Egito para não ser assassinada, não lembra o gravíssimo problema atual dos refugiados, dos expatriados? Os da guerra síria, os venezuelanos, os da América Central tentando entrar nos Estados Unidos, os que arriscam a vida superlotando os frágeis transportes que o digam! Só não o dizem os inumeráveis afogados do Mediterrâneo, os mortos de insolação no deserto, os cadáveres nas praias. Diz a tradição que um dos magos era negro: Gaspar. Visitou o Menino Jesus. Fosse hoje, em muitos lugares não o deixariam entrar. Seria segregado, xingado de macaco pelas plateias do mundo. Epifania: festa da catolicidade. Jesus veio para o mundo todo. Todos os povos. Como ficam os equivocados nacionalismos excludentes, prepotentes, vazios que, como placas de grama, alastram-se pelo mundo? Salve Ivan Lins! “Os devotos do Divino/ vão abrir sua morada/ pra bandeira do Menino/ ser benvinda/ser louvada...Que o perdão seja sagrado/ Que a fé seja infinita/ Que o homem seja livre/ Que a justiça sobreviva”. Ilustração Lucas Lara


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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Câmara Municipal de Resende Costa elege Mesa Diretora para o ano de 2020 A 33ª reunião ordinária da Câmara Municipal de Resende Costa, realizada no dia 19 de dezembro, foi a última de 2019. O primeiro item da pauta foi a eleição da nova Mesa Diretora para o ano de 2020. Com a presença dos nove vereadores no plenário, o presidente da Câmara, Lucas Paulo de Assis Vale (PSD), conduziu o processo eleitoral. Apenas uma chapa, formada pelos vereadores João Dias - MDB (presidente), Vítor Rafael Camilo Ribeiro, o Vítor Tibuço – PSD (vice-presidente) e José do Socorro Pinto – PSDB (secretário), se inscreveu para concorrer à Mesa Diretora que presidirá a Casa Legislativa de Resende Costa até o dia 31 de dezembro de 2020. A votação se deu através de cédulas rubricadas pelo presidente da Câmara. Os vereadores votaram de forma individual e secreta, depositando as cédulas numa urna supervisionada pelo secretário da Mesa Diretora, vereador José Assis Sobrinho, o Zé do Dico – PT. Seguindo o rito de apuração, o secretário da Câmara entregou todas as cédulas ao presidente, que proclamou, em voz alta, os eleitos. A chapa liderada pelo vereador João Dias foi eleita por unanimidade – (ambos os candidatos, em seus respectivos cargos, obtiveram nove votos). Logo após o anúncio do resultado, o vereador eleito presidente da Câmara para o ano de 2020 fez um breve pronunciamento. “Quero agradecer aos meus companheiros vereadores que depositaram confiança em mim. Peço a Deus e a Nossa Senhora Aparecida muita sabedoria para conduzir essa Casa de forma consciente e democrática. Tenho plena certeza de que tudo dará certo”, disse João Dias. O vereador Lucas Paulo, que se despediu da presidência da Câmara, também agradeceu aos

Mesa Diretora eleita para a Sessão Legislativa de 2020 demais vereadores, especialmente aos integrantes da Mesa Diretora de 2019, pelo trabalho prestado ao Legislativo Municipal de Resende Costa: “Agradeço ao vice-presidente João Dias e ao secretário Zé do Dico pela confiança depositada em mim para presidir essa Casa nesse ano de 2019. Juntos trabalhamos com afinco, respeitando sempre o dinheiro público. As diversas reuniões ordinárias e extraordinárias realizadas no decorrer desse ano, discutindo e aprovando projetos importantes para Resende Costa, confirmam que desempenhamos com sucesso o nosso trabalho.” A nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Resende Costa tomará posse na primeira reunião ordinária de 2020, que acontecerá no dia 3 de fevereiro, uma vez que em janeiro ocorre o recesso legislativo. Comissões Permanentes Após a proclamação do resultado da eleição para a Mesa Diretora, deu-se início a eleição, por escrutínio público, para composição das Comissões Permanentes. As seis Comissões Permanentes foram compostas pelos seguintes ver-

eadores: I – Legislação, Justiça e Redação Presidente – Francisco Abel de Assis Secretário - José do Socorro Pinto Membro – Paulo César Daher Chaves II – Finanças, Orçamento e Tomada de Contas Presidente – Lucas Paulo de Assis Vale Secretário – Vítor Rafael Camilo Ribeiro Membro – Francisco Abel de Assis III – Serviços Públicos Municipais Presidente – Vítor Rafael Camilo Ribeiro Secretário – Fábio Roberto Ferreira Membro – José do Socorro Pinto IV – Ensino, Educação e Cultura Presidente – Ângelo Márcio Resende Secretário – José Assis Sobrinho Membro – Lucas Paulo de Assis Vale V – Saúde, Previdência e Assistência Social Presidente – Ângelo Márcio Resende Secretário – Fábio Roberto Ferreira

Tribuna Livre: espaço democrático onde se estreita a relação entre o cidadão e os edis No ano de 1992, a Lei Municipal 1.941/92 criou a Tribuna Livre no Legislativo de Resende Costa, garantindo ao cidadão um espaço no plenário da Câmara no qual ele pode se manifestar, exercendo seus direitos democráticos. Em 2019, o uso da Tribuna Livre foi reivindicado em algumas reuniões ordinárias. Utilizaram-se da palavra, levando aos vereadores suas reivindicações e opiniões, representantes de associações, integrantes do sistema educacional no município, representantes de servidores municipais, membros de Conselhos Municipais e órgãos da sociedade civil, entre outros. Para requerer o uso da Tribuna Livre, o cidadão precisa necessariamente seguir algumas regras, criadas com o objetivo de assegurar o bom andamento das reuniões ordinárias da Câmara. De acordo com o regimento da Casa, em cada sessão da Câmara é destinado o tempo máximo de 15 minutos para a Tribuna Livre. Portanto, o cidadão que tiver interesse em se manifestar deve fazer sua inscrição na secretaria da Câmara antes do início da reunião. Espaço democrático O próprio nome diz qual é a finalidade desse importante canal criado com o propósito de estabelecer um vínculo democrático entre o cidadão e os edis que o representam. A Tribuna Livre é, sobretudo, um espaço no qual o cidadão possui liberdade para apresentar suas ideias e propostas, mas também questionar e reivindicar seus direitos enquanto membro da sociedade. O vereador Vítor Rafael Camilo Ribeiro, o Tibuço (PSD), eleito vice-presidente da Câmara Municipal para a Sessão Legislativa de 2020, lamenta o fato de a Tribuna Livre não ser utilizada com a frequência desejada, porém exalta a sua finalidade: “Há 27 anos, a Tribuna Livre foi criada na Câmara Municipal de Resende Costa com objetivo democrático e público. Porém, vejo que é utilizada muito pouco pela população resende-costense. É na Tribuna Livre que o munícipe expõe e socializa suas informações, havendo uma produção coletiva de rico conhecimento sobre os problemas locais. A Câmara, que representa o pluralismo, é onde existe a possibilidade de se aprender com as diferenças, tanto pelo lado político quanto pelo cognitivo. É o local onde há promoção de diálogos entre o saber científico ou humano e saberes leigos, populares, tradicionais, urbanos, camponeses que circulam na sociedade, conforme define Boaventura de Sousa Santos. Resumindo, Tribuna Livre é o espaço democrático no qual os cidadãos fazem uso da palavra e se expressam sobre diversos assuntos do município, como, por exemplo, Infraestrutura, Educação, Saúde, festividades, entre outros.”

Membro – José Assis Sobrinho VI – Esportes, Recreação e Lazer Presidente – Lucas Paulo de Assis

Vale Secretário – Paulo César Daher Chaves Membro – Ângelo Márcio Resende

Câmara devolve R$ 275.206,27 à Prefeitura Municipal

O Executivo poderá destinar esse valor para diversos setores, como Saúde, Educação e Infraestrutura A Câmara Municipal de Resende Costa encerrou o ano de 2019 dando, mais uma vez, bom exemplo no trato com o dinheiro público. A Mesa Diretora, que concluiu a Sessão Legislativa 2019 no dia 31 de dezembro, devolveu aos cofres públicos o montante de R$ 275.206,27. Esse dinheiro, não utilizado pelo Legislativo, volta para o caixa da Prefeitura e poderá ser investido da maneira que o Executivo julgar ser melhor. “Essa devolução é importante para a Prefeitura, pois o dinheiro voltará

para o caixa e poderá ser utilizado em qualquer setor que o Executivo achar necessário”, diz o presidente da Câmara em 2019, vereador Lucas Paulo de Assis Vale (PSD). Os vereadores podem indicar a destinação do dinheiro devolvido pela Câmara ao caixa do município, no entanto cabe ao prefeito municipal decidir em quais setores ele investirá os recursos. “Nós indicamos ao Executivo que invista esse dinheiro que estamos devolvendo na Educação, especialmente na aquisição

do imóvel vizinho à Escola Estadual Assis Resende, que pertence aos filhos da dona Terezinha Lara, para que seja anexado à escola. Mas o prefeito é quem decide. O dinheiro pode ser utilizado tanto na Educação quanto na Saúde, Infraestrutura, ou seja, em qualquer área que o Executivo julgar necessário”, informa Lucas Paulo. “O fato de estarmos devolvendo à Prefeitura esse valor mostra a seriedade com que a Câmara Municipal de Resende Costa trata o dinheiro público. No meu

mandato como presidente da Mesa Diretora em 2019, procurei sempre zelar com cuidado pelo dinheiro público, economizando o máximo possível”, completa Lucas. A economia realizada pela Câmara Municipal não significa, porém, que a Mesa Diretora que presidiu a Casa durante 2019 não tenha realizado investimentos. “Realizamos ações importantes, como a instalação de câmeras de segurança no prédio da Câmara e reforma da parte inferior da sede do Legislati-

vo”, diz o vereador Lucas Paulo, que destaca a economia feita pelo Legislativo Municipal no orçamento de 2019: “A gente conseguiu devolver um valor significativo para a Prefeitura. Isso representa uma economia importante que realizamos durante o nosso mandato e mostra também a seriedade dos vereadores de Resende Costa, que não gastam dinheiro à toa. Pelo contrário, todos nós zelamos com muita responsabilidade pelo dinheiro público.”


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

De cara nova: Prefeitura realiza melhorias no canteiro central da Rua José Coelho A Prefeitura Municipal de Resende Costa realizou, no fim de 2019, uma reforma no canteiro central da Rua José Coelho, que liga o largo do Rosário ao bairro Várzea. Foram investidos recursos próprios nas melhorias. A calçada foi refeita, a pintura renovada, além de outras manutenções. Em uma parte do canteiro, foram plantadas também palmeiras para a ornamentação da via. A medida visa melhorar o aspecto visual da região, além de oferecer mais conforto e segurança aos pedestres que transitam por ali.

Canteiro da Rua José Coelho foi reformado

Prefeitura de Resende Costa distribui uniformes para alunos e funcionários municipais 2019 chegou ao fim com uma novidade nas escolas municipais e na Prefeitura. A Administração distribuiu uniformes para os alunos das escolas municipais de Resende Costa e também para os servidores, de acordo com a lei municipal 4.536. Aos servidores públicos com atividades operacionais foram fornecidos uniformes compostos por calça, camisa e bota, enquanto os das áreas administrativas receberam camisas. Além da segurança, a

medida visa facilitar a identificação dos servidores públicos durante o expediente de trabalho. No início do último ano também foi aprovado em Resende Costa projeto de lei que obriga o uso de uniforme completo nas escolas municipais. Com a ação desse fim de ano, todas as crianças terão acesso gratuito aos uniformes. A iniciativa trará mais segurança aos estudantes, além de reforçar valores como o respeito e a igualdade.

Alunos das escolas municipais receberam uniformes da Prefeitura


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CIDADE

Obras de infraestrutura e benfeitorias na nova sede do Lajes Club encontram-se em andamento Em breve, os sócios contarão com espaço amplo e confortável numa área privilegiada de Resende Costa

A municipalização da antiga sede do Lajes Club (processo iniciado em 2013), localizada na rua dos Expedicionários, transformou, para melhor, a Escola Municipal Conjurados Resende Costa, que foi ampliada, e o próprio Lajes, que adquiriu uma nova sede no Residencial Palmares, a dois quilômetros da entrada da cidade. Em abril de 2016, poucos meses após o clube ter concluído a negociação de comprade uma chácara no Residencial Palmares, o JL visitou o imóvel na companhia do então presidente do Lajes, João Bosco Coelho, que havia sido reeleito para mais um mandato de dois anos. Na ocasião, João Bosco falou sobre os projetos para o clube e para a nova sede. Três anos depois, uma nova diretoria foi eleita e o JL foi convidado pelo atual presidente, o professor Rodrigo José de Resende Aguiar, para uma visita à atual sede do Lajes Club. A visita foi com o intuito de conhecer as obras de infraestrutura e benfeitoria que estão em andamento na nova sede. Desde 2016, pas-

Luciene de Fátima Cardoso, presidente da ASSETURC

Foto André Eustáquio

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Professor Rodrigo Aguiar, presidente do Lajes Club

sos importantes foram dados. Uma edificaçãoque já existia na chácara foi transformada em bar e ampliada para abrigar uma confortável sauna equipada com sala de estar, banheiros masculino e feminino e espaço para os usuários guardarem objetos e pertences. “Nós fizemos questão de manter o mesmo estilo do antigo Lajes Club, com sauna seca a lenha. Os usuários da sauna terão acesso direto ao bar, conforme acontecia na antiga sede do Lajes”, mostra Rodrigo

Aguiar. Uma ampla varanda circunda as dependências do bar, da sauna e dos banheiros, o que garantirá conforto aos sócios e usuários do clube. Será construído também um estacionamento privativo para os sócios. Além do bar e da sauna, os sócios do Lajes Club contarão com outros atrativos. Duas piscinas, uma de fibra e a outra de cimento, já foram concluídas. O projeto contempla ainda três quiosques com churrasqueiras e um campo de futebol. “As obras rei-

niciaram no final de agosto de 2019 e estamos investindo recursos provenientes da mensalidade dos sócios”, explica Rodrigo Aguiar, eleito presidente do Lajes Club em assembleia realizada em julho do ano passado, sendo que cumprirá mandato de dois anos. “O nosso objetivo é concluir as obras o mais rápido possível, a fim de oferecermos aos sócios todos os atrativos e infraestrutura que o clube vem planejando”, diz.

vo Monsenhor Nélson e a antiga sede do Lajes, com sua velha quadra, palco de jogos memoráveis, aos poucos foi perdendo a utilidade,ficando em estado de quase abandono. Atualmente, o Lajes Club conta com 82 associados, porém 70 estão ativos. O clube considera sócios ativos aqueles que pagam regularmente a mensalidade de 40 reais. De acordo com Rodrigo Aguiar, existe futuramente a possibilidade de se criarem novas cotas para ampliar o número de associados. “Mas para isso precisamos colocar a casa em ordem. Ainda existem muitos sócios com os quais a gente não consegue se comunicar. E para abrirmos novas cotas, precisamos apresentar às pessoas atrativos e resultados. E isso nós atingiremos a partir da inauguração das benfeitorias em nossa nova sede. As pessoas perceberão que valerá a pena investir no Lajes Club”, diz. Rodrigo conclama os sócios do Lajes a se unirem em prol da reconstrução do tradicional clube resende-costense. “A nossa intenção é realizar um trabalho marcante. Mas, para atingirmos nossos objetivos, é fundamental a união, a participação e o apoio de todos os sócios. Só assim levantaremos o nosso tradicional Lajes Club”, conclui o presidente.

TRADIÇÃO E UNIÃO O Lajes Club foi fundado em Resende Costa no dia 23 de março de 1979 por 100 associados. Em 1982, o clube criou o Torneio de Inverno de Futsal, que rapidamente se tornou uma das principais atrações de julho na cidade, reunindo equipes de diversos lugares da região e levando à antiga sede torcedores apaixonados pelo futsal. “Foi um período marcante. O torneio não atraía somente quem gosta de futsal, mas muitas pessoas que iam ao Lajes para se encontrarem, frequentarem o barzinho e se divertirem; era um evento social que ia além das partidas de futsal”, lembra o presidente Rodrigo Aguiar. A partir de meados da década de 1990,o torneio de inverno passou a ser realizado no Ginásio Poliesporti-

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO*

15 anos do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura Em 25 de abril de 2002, a Câmara Municipal aprovou e o prefeito Gilberto Pinto (1948-2015) sancionou a Lei 2.662, que “estabelece as normas de proteção do patrimônio cultural do Município de Resende Costa e seus procedimentos”. É uma lei importantíssima que deve ser amplamente divulgada e cumprida na sua íntegra. Dela, que dá cumprimento ao mandamento constitucional de proteção do patrimônio cultural, bem como das normas federais e estaduais pertinentes, destaco os artigos 2º e 3°. O 2º diz: “Ficam, na forma desta Lei, sob a proteção especial do Poder Público Municipal, os bens de propriedade pública ou particular existentes no Município que, dotados de valor cultural, aí compreendidos os valores histórico, estético, científico e outros, justifiquem o interesse público em sua preservação”. O 3º, por

sua vez, esclarece que “os bens declarados de valor cultural serão assim constituídos pela inscrição em Livro do Tombo que será aprovada pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural e homologada pelo Chefe do Executivo Municipal”. A instalação do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura (CMPC) se deu três anos após a promulgação da referida Lei. Em 28 de fevereiro de 2005, através do Decreto nº 95, o prefeito municipal Gilberto Pinto nomeou o grupo de conselheiros para cumprir mandato de dois anos. Em fevereiro de 2020, o Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura (CMPC) completará 15 anos de atividades. Para sua composição, são escolhidos dois vereadores, dois representantes do Poder Executivo Municipal e representantes de associações, tais como: AmiRCo, Asseturc, Iris, Acradatec

e Orquestra Mater Dei. Naquele momento, a primeira reunião do grupo de conselheiros aconteceu no dia seguinte, isto é, em primeiro de março de 2005. No segundo encontro do CMPC, começaram a ser elencados bens que deveriam ser tombados pelo município: a imagem de Nossa Senhora do Carmo, pertencente ao Museu de Arte Sacra da paróquia, e o Teatro Municipal. Logo em seguida, foi a vez da Fazenda das Éguas, erigida no século XVIII e que se localiza no Povoado do Ribeirão de Santo Antônio. Os bens de patrimônio que podem ser tombados são vários, não somente imóveis, como se vê. O tombamento poder ser municipal, estadual ou federal. O primeiro imóvel da cidade a ser tombado foi a Casa do Inconfidente José de Resende Costa, o pai. Localizada na Praça Cônego Cardoso, centro

da cidade, seu tombamento foi decretado pelo Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1950. Atualmente, o CMPC trabalha no sentido de dar continuidade aos processos de tombamento de três edificações de importância histórica no município: a sede da Câmara Municipal, a Escola Estadual Assis Resende e o prédio do Fórum. Ao longo desses quinze anos de atividades, foram inventariados bens materiais e imateriais que devem ser protegidos por lei e cujos procedimentos devem ser encaminhados pelo CMPC. Por exemplo, os Saberes Tecelagem Artesanal, o Livro de Cartas da Câmara Municipal, os Livros de Tombo da paróquia, as Ruínas das Fazendas Campos Gerais e da Laje. Mas há muito mais. Por isso mesmo é que gostaríamos de convidar todos para parti-

ciparem dos trabalhos do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura de Resende Costa. As reuniões, bem como todas as atas, relatórios e demais documentos produzidos pelo Conselho, são públicos. E para todas as ações positivas, o governo do Estado de Minas Gerais responde com o envio de recursos advindos do ICMS para o município. Sobre esse assunto, vamos nos debruçar na próxima edição do Jornal das Lajes. Antes, porém, para os interessados nas ações do CMPC, basta acessar o site da Prefeitura Municipal de Resende Costa: www. resendecosta.mg.gov.br (clique em “Municipal” e, por fim, em “Patrimônio”). Feito isso, quaisquer cidadãos têm acesso ao que o CMPC tem realizado, podendo contribuir com críticas e sugestões às ações voltadas para a salvaguarda do patrimônio cultural da cidade.

* Professor de Música na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), presidente do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura (CMPC) de Resende Costa e da Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa (AmiRCo).


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CIDADE

Resende Costa recebeu cerca de R$ 600 mil de leilões de petróleo Recurso será utilizado na construção de nova avenida VANUZA RESENDE

previdência.

Os estados e municípios brasileiros receberam no último dia do ano de 2019, 31 de dezembro, os R$ 11,73 bilhões relativos aos repasses do bônus de assinatura do leilão do excedente de petróleo da cessão onerosa, realizado em novembro pelo Governo Federal. O valor corresponde a 15% do total do leilão, quando o governo arrecadou R$ 69,96 bilhões pelos campos de Búzios e Itapu, duas áreas do pré-sal da Bacia de Campos. No primeiro momento, era esperada uma arrecadação de R$106,5 bilhões em quatro áreas oferecidas na Rodada de Licitações do Excedente da Cessão Onerosa, mas duas não receberam propostas. O projeto que autorizou os 15% dos recursos arrecadados para os municípios, aprovado pelo Congresso Nacional, prevê que os valores podem ser usados para investimentos de infraestrutura ou pagamentos de pendências com a

RESENDE COSTA BENEFICIADA Resende Costa recebeu o montante de R$ 613.141,53. De acordo com o prefeito Aurélio Suenes (PSD), o recurso será aplicado na construção da nova avenida, que está sendo planejada para desafogar o trânsito na entrada da cidade. “Como nosso município não possui qualquer dívida com a previdência, o recurso será investido em obras de infraestrutura, prioritariamente na construção da nova avenida.Já temos uma primeira etapa garantida com recursos da ordem de R$ 700.000,00 equacionados pelo deputado federal Diego Andrade, mas que não serão suficientes para fazer toda obra”. A previsão inicial era de que o município recebesse em torno de R$1.263.000,00. No entanto, como o valor recebido corresponde a praticamente metade do estipulado inicialmente, Aurélio disse que ainda será preciso investir recursos próprios na finalização da

melhorar a vida das pessoas com obras de infraestrutura e, por consequência, aquecerá o mercado girando a economia local com geração de trabalho temporário.”

nova avenida. Para o prefeito, o recurso chegou em bom momento. “Existia essa previsão, porém não sabíamos como o recurso viria, ou seja, se seria vinculado a áreas específicas, como saúde, educação ou assistência social, ou através de emendas parlamentares, ou livre para investimentos da forma como foi aprovado pelo Congresso. De qualquer forma, confesso que eu não acreditava, pois nos últimos tempos a situação não tem sido nada fácil para os municípios. O ano de 2018 foi dramático face às retenções de recursos feitas pelo então governador (Fernando) Pimentel. O estado deixou de repassar para Resende Costa aproximadamente R$ 2,5 milhões. Uma atitude irresponsável e criminosa que levou várias prefeituras a decretar estado de calamidade financeira. Mas felizmente o problema dos repasses foi sanado já no terceiro mês de mandato do atual governo”, disse. Aurélio destacou a importância de obras de infraestrutura: “De forma geral, esse recurso irá

MUNICÍPIOS DAS VERTENTES Entre os municípios da microrregião do Campo das Vertentes, São João del-Rei recebeu um valor de R$ 2.145.995,37. De acordo com o prefeito Nivaldo José de Andrade, o dinheiro será usado em obras de infraestrutura. Obras como asfalto e melhorias em pontes. Ainda de acordo com o prefeito, não está definido onde serão feitas essas obras, porém o processo de licitação vai começar a ser feito ainda no mês de janeiro. Nivaldo informou que estava esperando receber cerca de quatro milhões de reais com os recursos do leilão do petróleo, mas, como o município recebeu apenas dois milhões, algumas obras que estavam previstas não serão realizadas. Já Tiradentes recebeu a quantia de R$ 459.856,15. De acordo

com o secretário de administração do município, Tomas Henrique de Oliveira, a intenção do prefeito José Antônio do Nascimento, o Zé Antônio do Pacu, é construir uma creche com o valor recebido. “Hoje o município conta com duas creches, mas nenhuma em prédio próprio da Prefeitura. Portanto, queremos aumentar a oferta”, explica. Segundo esclareceu Tomas, a construção da creche está orçada em 800 mil reais – o que demandará investimento de recursos municipais para complementar o orçamento. “Estamos aguardando a elaboração do projeto, no entanto já contamos com esse recurso no orçamento para 2020”, disse. Os municípios de Lagoa Dourada e São Tiago receberam, cada um, o valor de R$613.141,53. Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Dores de Campos, Itutinga, Madre de Deus de Minas, Nazareno, Piedade do Rio Grande, Prados, Santa Cruz de Minas e São Vicente de Minas ficaram com R$459.856,15, cada um.

Questões de direito MARINA VALE*

Você conhece (de verdade) a Lei Maria da Penha? As questões sobre os direitos da mulher tiveram início na década de 1970 e, desde então, começou uma batalha para que fossem agregadas ao âmbito dos direitos humanos e tivessem notoriedade. Em 2006, surgiu a Lei Maria da Penha, fruto de um caso – conhecido em todo o país – da senhora Maria da Penha Maia Fernandes, que, por muitos anos, lutou contra a impunidade de seu ex-marido, tendo em vista as agressões e tentativas de homicídio que sofria por parte dele durante a difícil relação matrimonial que resultou em sua paraplegia irreversível. A situação de violência ainda é muito presente no cotidiano de muitas mulheres, sendo que a melhor forma de prevenção é a informação e a elevação da consciência sobre o assunto. O Brasil é o 5º entre os países com as maiores taxas de vio-

lência doméstica contra as mulheres. Essa violência vai muito além da agressão física. Segundo a Lei Maria da Penha, violência doméstica e familiar contra a mulher é “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”. Além da violência física, que ofende a integridade ou saúde corporal da mulher, devem ser denunciadas também a violência psicológica (isolamento e constrangimento da mulher, insulto e vigilância constante), a patrimonial (destruição ou subtração de bens, recursos ou documentos pessoais), a sexual (relação sexual não desejada, forçar a relação ou impedir o uso de métodos contraceptivos) e a moral (calúnia, injúria e difamação). A lei traz medidas protetivas de urgência, assegurando que

toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goze dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana e tenha oportunidades e facilidades para viver sem violência. Após o momento em que o juiz recebe o pedido da mulher vítima que compareceu à Delegacia de Polícia, ele tem o prazo de 48 horas para decidir sobre as medidas protetivas de urgência; determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária, quando for o caso, inclusive para o ajuizamento da ação de separação judicial, de divórcio, de anulação de casamento ou de dissolução de união estável perante o juízo competente; comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis; determinar a apreensão imediata de arma de fogo sob a

posse do agressor. É importante ressaltar que as medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato, independentemente de audiência das partes e de manifestação do Ministério Público. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor a suspensão da posse ou restrição do porte de armas; o afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; proibição de determinadas condutas, entre as quais: aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica

da ofendida; restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores; prestação de alimentos provisionais ou provisórios. A legislação veio para amparar e salvaguardar os direitos das mulheres. Descumprir qualquer tipo de medida protetiva de urgência é crime e pode resultar na detenção de 3 meses a 2 anos. É dever de todos, especialmente dos mais próximos que acompanham o sofrimento da vítima, denunciar o caso à polícia, ao Ministério Público, à Justiça ou outro órgão de proteção às mulheres. O direito de viver sem violência deve ser respeitado. Colaborar para construir uma rede de proteção, compartilhar informações e experiências também são formas de contribuir para o fim da violência doméstica. Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 e denuncie!

*Advogada, assessora jurídica da Câmara Municipal de Resende Costa, presidente da Comissão da Mulher Advogada, secretária da OAB Jovem da 37ª Subseção da OAB/MG.

EDITAL MARIA NADIR DE BOUCHERVILLE, OFICIAL DO REGISTRO DE IMÓVEIS DESTA COMARCA DE SÃO JOÃO DEL-REI, ESTADO DE MINAS GERAIS, NA FORMA DA LEI ETC. Faz público para conhecimento dos interessados que, pelas requerentes FABIANA TEREZINHA DE CARVALHO e CRISTINA RIBEIRO DE CARVALHO, foram depositados neste Serviço Registral, sito a Praça Duque de Caxias, n°120, Centro, nesta cidade, planta reprográfica, assinada pelo Engenheiro Civil Lucas José de Andrade- CREA 190.299/D, memorial descritivo e demais documentos relativos aos processos Administrativos de Retificação de Registro/Área relativos ao imóvel situado na Rua Vereador João Batista Nascimento, n° 86, Bairro Rosário, Conceição da Barra de Minas-MG, Livro 2, matrícula n°65.350, deste serviço, e em cumprimento da Lei 6.015/73. Ficam intimados pelo presente “EDITAL” os herdeiros de JOSÉ GARCIA FILHO, por estarem em local incerto e não sabido, para que no prazo de 15 dias, a contar a 2ª (segunda) publicação, para apresentação de impugnação ao referido Processo Administrativo, sendo presumida sua anuência, caso de apresentar a impugnação do prazo legal, ficando os documentos à disposição de V.Sa. durante o expediente legal, no endereço acima. Publica-se. Nada mais.


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ACONTECEU

2ª Virada Cultural dá boas-vindas a 2020 em Resende Costa VITÓRIA CRISTINA

Aconteceu entre os dias 28 e 31 de dezembro a 2ª Virada Cultural de Resende Costa. O evento, realizado na rua Gonçalves Pinto, centro da cidade, marcou as comemorações da chegada de 2020. A programação contou com diversas atrações. No dia 28, o público curtiu a Rua do Lazer; as crianças se divertiram durante o dia nos brinquedos montados na avenida. Teve ainda teatro de rua, show de prêmios e apresentações musicais. O dia 29 foi dedi-

cado às atrações esportivas, como corrida rústica, caminhada, ciclismo e motocross; à noite, os DJs agitaram o público na Gonçalves Pinto. No dia 30, véspera da virada, a animação continuou com o DJ FOX preparando a chegada de 2020. E na noite de réveillon, 31, o público que escolheu passar virada na tradicional “Avenida” curtiu apresentações de DJs. JP Miranda e Amigos comandaram a contagem regressiva para a chegada do Ano-Novo. Um show pirotécnico deu boas-vindas a 2020. A 2ª Virada Cultural é uma realização da Prefeitura Municipal de Resende Costa através da SETAC (Secretaria Municipal de Turismo,

Artesanato e Cultura), com apoio da Câmara Municipal, da Iniciativa Popular e do comércio da cidade. O JL conversou com Gilson Ricardo, representante da Iniciativa Popular. De acordo com ele, o evento deste ano foi planejado conforme ocorrera em 2019, ou seja, com o objetivo de oferecer ao público, de forma gratuita, diversas atrações durante o dia e a noite. “A festa contou com grande público que prestigiou os quatro dias. No dia 28, tivemos a Rua do Lazer com doces, pipoca e algodão doce. Conseguimos confeccionar novamente um bolo com mais de cinco metros”, destacou Gilson. Ele chamou atenção também para a participação das asso-

ciações e das equipes de esportes da cidade, que ajudaram a organizar a programação do evento. “Os shows dos DJs agradaram muito ao público e não tivemos nenhuma ocorrência na área de segurança”, ressalta o representante da Iniciativa Popular. Gilson Ricardo destaca ainda a importância de se realizarem festas populares na rua Gonçalves Pinto, local onde os resende-costenses, por tradição, se reúnem nos finais de semana e nos mais importantes eventos do ano, como o Carnaval e o Réveillon. “A Virada Cultural deste ano foi realizada com muito esforço e dedicação por parte de todos os envolvidos e está se tornando tradição em nossa cidade, levando o

público a brindar a chegada do Ano-Novo na rua, com tranquilidade e alegria”, comemora Gilson. A secretária de Turismo, Artesanato e Cultura, Márcia Almeida, também elogiou a organização do evento e a escolha da programação: “Os shows foram escolhidos de acordo com a proposta de se valorizar os artistas locais. Como pontos positivos, destaco a harmonia e a tranquilidade que reinaram durante os dias de festa. Também tenho que ressaltar o entusiasmo e a alegria das crianças na Rua do Lazer. Esse mesmo entusiasmo também pôde ser visto nos adultos na noite de sábado, na hora da apresentação da nossa banda de música. Foi lindo! ”

Fotos Vitória Cristina

Gilson Ricardo, representante da Iniciativa Popular, distribui pedaços de bolo às crianças durante a 2ª Virada Cultural

JP Miranda e amigos comandaram a contagem regressiva para a chegada de 2020

Réveillon em grande estilo na Churrascaria Ramona ANDRÉ EUSTÁQUIO

Alegria, mesa farta e muita comemoração. Foi em clima de diver-

são que 2020 chegou no Réveillon da Churrascaria Ramona. “A alegria das pessoas fez a diferença na chegada do ano-novo. A casa estava cheia, vendemos todos os ingres-

sos! O Réveillon 2020 na Churrascaria Ramona foi sucesso total! ”, comemora Luara, proprietária da Churrascaria Ramona. Além do tradicional churras-

co, de bebidas diversas e cardápio variado, a programação da noite da virada na Ramona agitou o público com dois shows, de Ivo Júnior e de Silvania. “Nós agradecemos a pre-

sença de todos e desejamos aos nossos clientes um feliz 2020”, conclui Luara Ramona.


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Religião

Padre Ermínio Ignácio celebrou em Resende Costa seu Jubileu de Prata Sacerdotal ANDRÉ EUSTÁQUIO

No dia 08 de dezembro de 1994, o diácono Ermínio Ignácio dos Reis, natural de Resende Costa, recebeu em Jaboticabal (SP), pela imposição das mãos do bispo diocesano dom Luiz Eugênio Perez, a ordenação presbiteral. Longe de sua terra natal, Ermínio Ignácio realizava naquele dia um sonho que acalentara desde a infância: tornar-se sacerdote. Vinte e cinco anos depois, na manhã do dia 15 de dezembro de 2019, domingo, dia dedicado ao Senhor, padre Ermínio celebrou na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa, o seu Jubileu de Prata Sacerdotal. Há muitos dons e carismas no seio da Igreja. O Ministério Sacerdotal é considerado pelos católicos um dom precioso que Deus concede especialmente àqueles que Ele elege para serem Seus ministros na evangelização dos povos. Padre Ermínio sentiu o chamado de Deus ainda menino.Na Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, sob o olhar e o testemunho do saudoso e inesquecível ex-pároco de Resende Costa, monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira (1914-1988), construiu os pilares que o sustentaram espiritualmente e o fizeram perseverar na longa caminhada de preparação para o sacerdócio. Para ele, portanto, celebrar o seu Jubileu de Prata Sacerdotal na igreja Matriz de Resende Costa teve um significado especial. “Com o coração em festa, entrei na Matriz de Nossa Senhora da Penha, lugar onde, no colo de meus saudosos pais e pelas mãos do padre Nélson, renasci pelas Águas do Batismo. Lugar onde, pela unção do Sagrado Crisma, pelas mãos do monsenhor José Maria Fernandes, fui confirmado na fé. Lugar e Altar onde, ainda aos sete anos, ajoelhado na bela Mesa de Comunhão, recebi, pela primeira vez, o Corpo do Senhor. Lugar onde, por muitas vezes, ajudando na celebração da Santa Missa como coroinha, sonhava e alimentava minha vocação. Ali, com o coração agradecido, celebrei meu Jubileu: 25 anos de sacerdócio”, disse padre Ermínio. MISSA SOLENE A Missa Solene de Ação de Graças pelos 25 anos de sacerdócio do padre Ermínio, realizada às 10h na matriz de Nossa Senhora da Penha, foi precedida pela retreta da Banda de Música Santa Cecília, que acolheu os fiéis no adro da igreja. Uma grande salva de fogos de ar-

tifício e repique de sinos também deram boas-vindas a quem chegava. O domingo era de festa. No interior da matriz, ricamente ornamentada, o Coro e Orquestra Mater Dei entoava os primeiros acordes para o início da solene celebração eucarística. Padre Ermínio presidiu a santa missa concelebrada pelo pároco de Resende Costa, padre Fábio Rômulo Reis, pelo vigário paroquial, padre Plínio Ataíde, pelos sacerdotes resende-costenses Adriano Tércio Melo de Oliveira, Fernando Salomão e Zaqueu Pinto. Participaram também da celebração os diáconos Lucas Alerson de Sousa e Rodinei Carlos Domingos. Padre Adriano, pároco e reitor do Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia, de Ritápolis, proferiu a homilia da missa. “No púlpito, tribuna sagrada, meu amigo padre Adriano, tão jovem, tão dedicado. Suas palavras maduras e profundas ajudavam-me a olhar para o precioso dom de minha vocação e a desejar, mais e mais, ser padre, somente padre”, disse padre Ermínio, que destacou a presença marcante de muitas pessoas que fizeram e que ainda fazem parte da sua vida sacerdotal: “O coração em festa! Tantos nomes, tantos rostos eram tecidos em minha lembrança ao som dos belos acordes da amada Orquestra e Coro Mater Dei. Uma Graça do Coração Generoso de Deus!” “Procurei relacionar a teologia do sacerdócio com a prática diária de um homem chamado e enviado à missão de santificar pelo múnus sacerdotal”, resume padre Adriano o núcleo essencial da sua homilia. “Celebrar o Jubileu de Prata Sacerdotal é celebrar um dom precioso de Deus na vida de um consagrado. Padre Ermínio é alguém muito especial que Deus escolheu e abençoou para ser Seu servo através do dom do sacerdócio. Homem de fé, de virtudes singulares as quais percebemos a partir do seu testemunho de amor pelo sacerdócio e pela Igreja”, completou padre Adriano, amigo e conterrâneo do padre Ermínio. FILHO AMADO DE RESENDE COSTA Embora exerça o ministério sacerdotal longe de sua amada Resende Costa, padre Ermínio sempre que pode se faz presente na cidade, especialmente na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Ele fala da emoção, durante cada momento da missa do seu Jubileu de Prata, em estar próximo de seus amigos e intimamente ligado à cidade e à paróquia, pelas quais

nutre um carinho especial: “Resende Costa nunca saiu de mim. O rosto amável da Senhora da Penha sempre me conduziu. Ao elevar o precioso Corpo do Senhor para ofertá-Lo ao Pai no momento da Doxologia, trazia no coração a minha história em ação de graças. Pedia ao Senhor que, com alegria e dedicação, eu continuasse a ser, apesar de minha pequenez e miséria, sinal do Seu amor e fidelidade para todos. Na minha Ação de Graças estavam presentes nomes e histórias que foram e são, ao longo do meu caminho, sinais que tornavam presente a Voz do Senhor que me chamou ao sacerdócio.” No final da missa, padre Ermínio, em alguns momentos com a voz trêmula pela emoção, agradeceu aos padres, a seus familiares, amigos e benfeitores que o ajudaram a realizar o sonho de ser padre. Em frente ao presbitério da igreja Matriz de Resende Costa, ele recebeu, após a bênção final, todos que desejaram parabenizá-lo pelos 25 anos de sacerdócio. “Vinte e cinco anos de sacerdócio! Uma história tecida com muita alegria. Um caminho percorrido com tantas lutas e conquistas. Uma linda festa em meu coração. Bendito seja Deus!”, concluiu o resende-costense padre Ermínio Ignácio dos Reis. FORMAÇÃO E TRABALHOS PASTORAIS Padre Ermínio Ignácio iniciou a formação sacerdotal no Seminário Arquidiocesano Santo Antônio, em Juiz de Fora, onde cursou filosofia entre os anos 1981 e 1986. De 1989 a 1991, esteve na Ordem Carmelita. Ingressou-se, posteriormente, na Diocese de Jaboticabal ainda no início da década de 1990. A etapa final da formação sacerdotal, padre Ermínio realizou entre 1991 e 1994 em Brodowski, no Seminário Maria Imaculada, da Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP). Em 22 de julho de 1994, foi ordenado diácono e em 08 de dezembro do mesmo ano foi ordenado sacerdote da Diocese de Jaboticabal. Ambas as ordenações tiveram como bispo ordenante dom Luiz Eugênio Perez. Desde sua ordenação sacerdotal em 1994, padre Ermínio vem desempenhando trabalhos pastorais importantes na Diocese de Jaboticabal. Como jovem padre, foi vigário paroquial nas paróquias do Senhor Bom Jesus, de Monte Alto (1994), e São Benedito, de Jaboticabal (1995). Em 1996, ele assumiu sua primeira paróquia, Santa Luzia, de Taquaritinga, onde permaneceu até 2002, ano em que foi transferido para a Paróquia de Santo Antônio,

Fotos Leticia Resende

“Celebrar em Resende Costa, minha amada terra natal, foi uma Graça do Coração Generoso de Deus”

Padre Ermínio entre os diáconos Lucas Alerson (esq.) e Rodinei Domingos

Padre Ermínio recebe os cumprimentos de seus familiares, amigos e conterrâneos

Padre Adriano Tércio, pároco da Paróquia de Santa Rita, de Ritápolis, proferiu a homilia da missa solene

de Taiúva. Em Taiúva, padre Ermínio realizou um longo e profícuo paroquiato. Entre tantas importantes realizações, tanto na dimensão pastoral quanto material, destaca-se a reforma da igreja Matriz de Santo Antônio, que foi ampliada e transformada num belo templo – contendo elementos artísticos, como pinturas e vitrais, que levam o fiel à íntima e profunda contemplação espiritual dos mistérios de Deus –

digno do grande doutor da Igreja e um dos santos mais populares do catolicismo. Padre Ermínio deixou Taiúva em 2016 e foi nomeado, em 2017, pároco e cura da Sé Catedral de Nossa Senhora do Carmo de Jaboticabal. Ele ocupa ainda os cargos de Assessor Diocesano para a Liturgia, Mestre de Cerimônias para o Sólio Diocesano de Jaboticabal e Assessor Diocesano para o Diaconato Permanente.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Sobre a felicidade Foi semana passada. Duas crianças me pararam na rua. Brincavam de fazer entrevistas pra televisão. O menino segurava no ombro uma caixa de sapatos com um tubo aproveitado de um rolo de papel higiênico, imitando uma filmadora. A menina, maquiada e com um microfone de plástico, era a repórter. – Por favor, moço, uma entrevista para a TV! Parei e esperei a pergunta. O menino mirava meu rosto, como se fosse atirar em mim. – A felicidade existe? O que responder? Eu mesmo já me fiz essa pergunta tantas vezes e jamais encontrei uma resposta digna de ser gravada. Felicidade... A felicidade não foi feita para esse mundo. Ela apenas dá sinais momentâneos e esporádicos de que existe, mas ela não é daqui. Nem pode ser, pois felicidade é completude... e nesse mundo somos sempre incompletos. Porém, é justamente essa incompletude que nos impulsiona a viver. É porque nos sabemos incompletos que nós nos esforçamos para preencher tantas lacunas em nosso existir. Precisamos da insatisfação para que haja mudança; precisamos da mudança para que haja transformação; precisamos da transformação para que haja satisfação. Há momentos para a insatisfação. Há momentos para o preenchimento. Esses dois universos se alimentam mutuamente e possibilitam a dinâmica da existência. E a felicidade? Sim, ela existe, mas ela é maior que nosso mundo, ela não cabe plenamente em mim nem em ti. No entanto, ela permite que nossos corações experimentem suas poucas gotas que ela deixa pingar em alguns momentos. Experimento a felicidade naqueles momentos em que o pouco me basta, em que não preciso de nada, absolutamente nada além do sentido pleno do momento. Sinto a felicidade quando me vejo motivo de sorriso de uma criança... e não

preciso de mais nada, apenas da poesia translúcida que o coração rabisca naqueles lábios infantis. Degusto a gota da felicidade quando o resultado de meu imperfeito trabalho consegue virar gratidão em quem o recebeu; e não preciso de mais nada, isso me basta. Experimento a gota da felicidade quando te amo, minha amada, e na intensidade do momento do orgasmo do corpo e da alma transformo a vertigem do teu desejo no espasmo arrebatador de vislumbrar o infinito... e não preciso de mais nada, a não ser de teus olhos úmidos e de teu corpo convite. Sinto a gota da felicidade quando escrevo e meus escritos colocam, num caminhão de mudança, a alma de quem me lê, levando-a para habitar nos becos provocadores da palavra poética. E não preciso de mais nada... só isso. Sinto a gota da felicidade quando converso com Deus e Ele me responde... e isso me basta, pois não preciso de mais nada além da certeza e da confirmação. A felicidade é infinita, por isso ela é momentânea enquanto estivermos aqui. É nesses momentos de desapego e completude que vou aprendendo a ser feliz, que vou me aperfeiçoando no caminho dela, da felicidade plena: vou conhecê-la na sua plenitude quando eu finalmente me soltar de tudo o que me impede de ser pleno. A felicidade é plena, logo eu também tenho que ser pleno. E a gente só é pleno quando não tem apego. São esses os momentos de felicidade em que acredito, que colocam um pouco de sentido nesse momento maior que chamamos de “vida”. Quando, enfim, me virei para dar uma resposta aos dois repórteres, vi a câmera e o microfone no chão. As duas crianças já iam longe, cada um numa bicicleta, correndo um atrás do outro, gritando e rindo. Não eram mais repórteres. A plenitude agora era outra. Sabiam ser felizes.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Medo de quê? O medo é um sentimento inerente ao ser humano. Em maior ou menor grau, é natural e compreensível sentir medo diante de muita coisa: da perda por morte ou afastamento de alguém querido, da própria morte, da velhice, da solidão, das doenças, da violência, do desemprego... O medo também traz em si algo de autodefensivo porque funciona como o reconhecimento de limites físicos e psicológicos, impedindo que a gente se arrisque excessivamente. Ainda que isso varie de indivíduo para indivíduo, é senso comum dizer que a virtude está no centro. Melhor é não desafiar todos os nossos medos, ao mesmo tempo, não permitir que aqueles que atrapalham nossa vida nos paralisem, impedindo-nos de viver boas situações e alcançar objetivos planejados. Certos tipos de medo são específicos. Por exemplo, aquele que acomete os que não viajam de avião de jeito nenhum. Ou, quando são obrigados a isso, saem do ar, praticamente dopados, e não veem a viagem passar. Um outro tipo atinge os que não dão conta de dirigir um carro, mesmo tendo passado por essa experiência antes (só Deus sabe como!) e até conseguido carteira de habilitação. Daí sair dirigindo por aí, com tanto carro nas ruas, perigo de acidente... A pessoa trava. Falar em público costuma ser um pesadelo para muitos, com suadeira nas mãos (onde colocá-las nessa hora?), voz trêmula e rosto pegando fogo. Encarar um elevador é sinôni-

mo de falta de ar e desespero total para outros. E se aquilo cai ou para no meio do trajeto? Ou o problema pode estar ao ar livre, nas alturas, e vem aquela vertigem toda. Olhar para baixo, nem pensar! Fobia, radical de origem grega – 1- Designação comum às diversas espécies de medo mórbido. 2- Horror instintivo a alguma coisa, aversão irreprimível (Dicionário Aurélio). Eis aí o que sente boa parcela da população diante dessas e de outras situações do dia a dia. Entre os famosos, como quaisquer criaturas sujeitas a essa espécie de vulnerabilidade humana, algumas fobias são de conhecimento público. Madonna já revelou que sofre de astrofobia, isto é, medo de raios e trovões, tendo até ataques de pânico em dias de tempestade. O ator Keanu Reeves encara todos os vilões e perigos do cinema, mas é incapaz de entrar em um lugar escuro. Ele tem nictofobia. Sofrem do mesmo mal as cantoras Anitta e Kate Perry. Já Johnny Depp admite que fica apavorado tendo um palhaço por perto. O que esse ator tem se chama coulrofobia e, como se vê, uma fobia extensiva a adultos. A maquiagem exagerada dos palhaços parece funcionar como um disfarce que mistura um sorriso forçado com intenções ocultas. É o que andei lendo sobre o assunto. De outra natureza é o medo exacerbado que o ex-jogador de futebol inglês David Beckham, a atriz Renata Sorrah e a também atriz Scarlet Johansson têm de pássaros, ou seja,

a ornitofobia. No caso da atriz Nicole Kidman, o pavor que a acompanha desde criança, quando ainda vivia na Austrália, tem o nome de motefobia, que é o medo de borboletas. São relativamente comuns a acrofobia (medo de lugares elevados), a agorafobia (de lugares públicos e grandes espaços abertos) e a claustrofobia (de lugares fechados e apertados), as duas últimas modalidades, curiosamente opostas. Nos três casos, a sensação deve ser pior do que simplesmente “ficar sem lugar”. Por tudo que passo quando se aproxima de mim um cachorro, devo ter cinofobia, o que muitas vezes é considerado uma “bobagem” ou “frescura”. Sou muito grata ao Tião Melo, então meu colega de trabalho e vice-diretor da E.E. Assis Resende, por ter entendido minha aflição diante de um “inimigo” que, certa noite, achando aberto o portão da escola, veio correndo justamente em minha direção. Ao me dizer que o medo que eu sinto deve ser o mesmo que ele tem de dentista (odontofobia), o Tião me fez um bem enorme. Não se deve tratar com deboche o medo alheio. Muito menos achar engraçada ou estranha a reação das pessoas perante esse sentimento negativo. Desafiar incômodos e desconfortos não é tarefa fácil. Submetê-los a análise ajuda a desvendar fantasmas que nos apavoram. Para tanto é preciso coragem. Chega de falar em medo! Em 2020 coragem a todos!


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HOMENAGEM

Encontraremos do outro lado do caminho, TIÃO MELO A morte é uma despedida que desperta saudade eterna nos corações daqueles que conviveram com quem se foi MARIA LUZIA RESENDE*

Do “Pequeno Príncipe”: “Era uma pessoa igual a cem mil outras, mas eu fiz dela um amigo, agora ela é única no mundo.” Assim foi a vida de Tião Melo, fez-se amigo de todos, tornou-se uma pessoa especial para muitos e ficará para sempre na memória de quem teve o privilégio da sua convivência. Perdemos um grande amigo, um inesquecível professor, um sonhador, um poeta silencioso, um cidadão inquieto que colocava na janela da alma seus questionamentos sociais, políticos, religiosos e filosóficos; que não media esforços para semear a essência humana; que tinha grande consciência da sua missão. Sua maior luta era mostrar a todos aquilo em que acreditava e fazia crer: Que somos seres imortais, criados por Deus, emprestados ao universo terreno para cumprir uma experiência de vida humana; que a morte não é o fim, simplesmente, uma volta para casa. Sim, para aquele que buscou viver com ética e amor, com hu-

mildade e sabedoria humana, a sua passagem foi tranquila, o fim de um ciclo, a volta para casa com o dever cumprido. Nos consola entendendo sua fé que é nossa também: Morrer é um fenômeno orgânico inevitável, prescrito pela lei divina, todos passam do berço para o túmulo, sem hora marcada, sem prazo de validade, sem saber como será a ida; assim é o procedimento dos mistérios da eternidade. Fernando Pessoa nos faz refletir em suas belas palavras sobre a efemeridade: “Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre... se furta à vida.” Aprendemos com o nosso amigo Tião Melo que a beleza da vida não está nas grandes conquistas, mas na intensidade dos bons momentos. Ele foi um grande articulador dos pequenos e bons momentos, quer seja entre a família, quer seja como educador, entre os colegas e os alunos ou mesmo na rua. Com seu abraço, seu sorriso acolhia a todos, sem distinção, com grande propriedade de amor, carinho e fraternidade. Acredito que ninguém passou por ele sem se contagiar

com sua alegria. Seu mundo era o seu desafio, não se deixava enganar pelo mundo que tenta desarticular o ser, por isso tudo valeu a pena em sua vida. Grandes lições escreveu em suas páginas diárias, deixando-nos um legado espiritual de tamanho testemunho, como: a espiritualidade se alimenta na confiança e na fé; faz viver na consciência como um chamado; faz transcender na meditação; é essencial para uma vida plena. Ainda, acreditava e fazia crer que a espiritualidade é uma promessa para depois da morte; que não somos apenas seres humanos passando por uma experiência espiritual, somos seres espirituais passando por uma experiência humana. Podemos nos lembrar de Tião Melo como um operador da transformação humana, uma pessoa do bem que espalhava esperança e acreditava que todo ser busca o seu crescimento na hora certa. Para tal, estava sempre à disposição para aconselhamentos e escuta. Era um ser humano de grande extensão do amor fraterno, que nos deixou se-

mentes plantadas, e para semearmos, enquanto existência terrena. Descanse, amigo, sob a proteção de Nossa Senhora, sua companheira inseparável, a quem tantas vezes dedicou suas canções; sob a luz de Deus Pai e de Deus Filho e junte-se ao coral dos anjos para entoar o hino de gratidão pela sua travessia bem feita neste mundo dos homens. E, para finalizar essa homenagem pela sua vida em nosso meio, vou pedir emprestado a Santo Agostinho a oração: A MORTE NÃO É NADA Sei que se pudesse falar agora, daí, para todos ouvirem, aqui estaria dizendo assim: “A morte não é nada, eu somente passei para o outro lado do caminho. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês continuarei sendo. Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram. Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo

Professor Sebastião Pascoal da Silva Melo, Tião Melo (1948-2020)

no mundo do Criador. Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fez rir juntos. Que meu nome seja pronunciado como sempre foi. Sem ênfase de nenhum tipo, sem nenhum traço de sombra ou tristeza. A vida significa tudo que ela sempre significou, o fio não foi cortado, porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora estou apenas fora de suas vistas. Eu não estou longe, apenas do outro lado do caminho. Você, que aí ficou, siga em frente, a vida continua bela, como sempre foi. Rezem, sorriam, pensem em mim.” Guardaremos em nossos corações para sempre, Tião, o professor de Matemática que ensinava lições para a vida. Somos gratos por termos convivido e aprendido com suas lições. Até um dia, amigo Bastião! *Professora aposentada, ex-diretora da Escola Estadual Assis Resende.

APAE - RC

APAE de Resende Costa elege nova diretoria No dia 27 de novembro de 2019, foi realizada a assembleia da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa (APAE-RC), sendo que

durante a qual se elegeu a nova diretoria da instituição. A posse dos novos diretores, que cumprirão mandato até 31 de dezembro de 2022, aconteceu no

último dia 6 de janeiro. O presidente Antônio de Fátima Resende foi reeleito. A diretoria da APAE-RC está formada pelos seguintes mem-

bros: Antônio de Fátima Resende (presidente), Luciene Maria Fernandes (vice-presidente), Luiz Carlos Martinez Mancio (1º diretor financeiro), Maíra

Augusta Reis de Souza (2ª diretora financeira), Sandra Helena de Oliveira Resende (1ª diretora secretária), Lidiane Tânia de Assis (2ª diretora secretária).

Mensagem de Ano Novo da APAE de Resende Costa A administração da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa APAE-RC, através de seu Presidente Antônio de Fátima Resende, vem agradecer a todos que, de alguma maneira, ajudaram a APAE em 2019. Agradecemos aos voluntários, funcionários, professores, alunos, estagiários, usuários, procuradores, doadores e a todos que fizeram a sua parte para manter a APAE funcionando com eficiência e carinho. A APAE agradece também ao poder público, ao prefeito Aurélio Suenes e a todos os vereadores, ao Sr. Vander Borges e ao seu Assessor Vadinho por sempre apoiarem a nossa entidade. A APAE deseja a todos apaeanos um feliz Ano Novo! Com o apoio de cada um de vocês, a APAE vem superando obstáculos e se tornando uma instituição cada vez mais forte e sustentável. Antônio de Fátima Resende Presidente APAE /RC


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Cultura

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Livro sobre igrejas de Bom Jesus de Matosinhos em Minas e no Brasil Em breve, a Biblioteca Municipal de Resende Costa terá um exemplar do livro JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Já são mais de 30 igrejas e altares de Bom Jesus de Matosinhos, identificados no Brasil pela escritora portuguesa Isabel Maria Lago Barbosa. Desse total, 25 igrejas – entre elas, a igreja de Bom Jesus de Matosinhos em São João del-Rei – fazem parte do livro “Uma Rota de Fé”, publicado em 2003 pela Câmara Municipal de Matosinhos, região metropolitana do Porto, em Portugal. Em breve, a Biblioteca Municipal de Resende Costa terá um exemplar do livro. O livro tem como tema a devoção a Bom Jesus de Matosinhos no Brasil, especialmente em Minas Gerais e na Bahia, observa Isabel Lago, formada em Filosofia e História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Essa devoção é vocalizada pelo culto e em alguns casos pelo próprio nome da igreja. “A ideia que tínhamos era de que só havia Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas do Campo.” O trabalho começou por volta do ano 2000, quando o professor de História Joel Cleto, então funcionário da Câmara Municipal de Congonhas, sugeriu a Isabel que escrevesse sobre igrejas de Bom Jesus no Brasil, para além de Congonhas. “Assim, passei três anos da minha vida a procurar igrejas pela internet. Eu tentava encontrar seminários, prefeituras, estabelecimentos comerciais que tinham e-mail. Naquela época, pouca gente tinha e-mail, o que dificultava a comunicação, lembra Isabel. “Um dia acordei o prefeito de Catas Altas às 5 horas da manhã, no Brasil, para saber sobre a igreja. Não me dei conta do fuso horário.” Nesses contatos, inicialmente, Isabel apresentava as características do Bom Jesus – um olho a olhar para cima (o Pai), outro a olhar para baixo (os filhos) e os pés pregados, saparadamente. “Eu queria saber se havia e depois pedia a fotografia.” SÃO JOÃO DEL-REI Nesta procura, Isabel localizou José Antônio de Ávila Sacramento através do Instituto Histórico e Geográfico (IHG) de São João del-Rei. “Tudo que era IHG eu

Isabel, autora do livro sobre as igrejas dedicadas ao Bom Jesus de Matosinhos

consultava também.” O fruto desta parceria foram 15 páginas do livro sobre a história de São João del-Rei, do bairro de Matosinhos, de sua igreja e as tradicionais festas religiosas da paróquia. O bairro são-joanense começou quando um padre português adquiriu, na segunda metade do século XVIII, uma área entre o Córrego Água Limpa e as margens do Rio do Porto. Ali construiu uma capela e nela entronizou “uma linda imagem de Nosso Senhor crucificado, confeccionada na cidade de Matosinhos, em Portugal.” Em outubro de 1959, o bairro de Matosinhos tornou-se paróquia. A igreja existente era ainda a original, erguida nos anos 1770. Por achar que se encontrava em péssimas condições de conservação e pequena para as necessidades do bairro, o pároco Jacinto Lovato Filho demoliu a igreja antiga e construiu uma nova matriz que, apenas em 1980, foi benzida e aberta ao público. Isto, apesar da resistência de moradores do bairro com o apoio do IHG. Em outra passagem, o livro cita as três festas religiosas do bairro – Semana Santa, Divino e Jubileu – “que, para nós em Portugal, são também as mais importantes”. Sobre o Jubileu, a grande festa do padroeiro que se celebra em maio, diz que é organizado por uma comissão de apoio ao pároco e pela Irmandade do Bom Jesus de Matosinhos. Destaca ainda “a forte componente religiosa” da festa, mas que “também contempla o aspecto profano de diversão e sociabilidade”. NOVA DESCOBERTAS “Depois que acabei o livro,

já encontrei mais sete igrejas ou altares, que não aparecem citados no meu livro “Uma Rota de fé”, conta Isabel Lago. São eles: igreja Nossa Senhora do Prazeres da Vitória, Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco (1649/1654); Altar do Bom Jesus de Bouças, na igreja de Nossa Senhora da Nazaré, Cachoeira do Campo, Ouro Preto (1700); Altar do Bom Jesus de Matosinhos, na igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, Lavras (reavaliada em 2019 ); matriz do Bom Jesus de Matozinhos, Bom Jardim de Minas (1857); igreja velha e matriz de Campo Belo (século XVIII); igreja nova de Guaicuí, MG (1911); igreja de Lagoa Dourada, MG (1734). No caso específico de Lavras, a imagem só agora tomou esse nome, explica Isabel: “Depois de anos de avaliação minha e dos responsáveis pela igreja, em Lavras, foi finalmente reavaliada e reconhecida este ano (2019) como um exemplar do Bom Jesus de Matosinhos, após estudo sobre as suas características, a sua origem e histórico da sua presença nesta capela.” Já o altar da igreja de Nossa Senhora da Nazaré, de Cachoeira do Campo, foi localizado há 5 anos por Isabel. “Ele é uma beleza. Descobri através do professor (de História) Alex Bohrer, de Ouro Preto. Ele fez um estudo sobre o altar de Bom Jesus de Bouças, de Cachoeira.” BOM JESUS DE BOUÇAS Esse é o nome pelo qual também é conhecido Bom Jesus de Matosinhos. Diz a lenda que uma imagem de Jesus, esculpida em madeira por seu amigo Nicode-

Imagem do Bom Jesus de Matosinhos de São João del-Rei

mos, foi lançada ao mar Mediterrâneo, na Palestina, para fugir da perseguição aos cristãos. Atravessou o Estreito de Gibraltar e chegou à praia de Matosinhos. Encontrada, a escultura, na qual faltava um braço, passou a ser venerada pela população no Mosteiro de Bouças. Depois de muitos anos, uma pobre mulher encontrou na praia um pedaço de madeira, que resistiu ao fogo por diversas vezes. A filha muda dessa mulher, ao ver aquilo, falou pela primeira vez, dizendo que aquele pedaço de madeira era o braço que faltava ao Senhor Bom Jesus de Bouças. Encaixado o braço na imagem, a partir daí, todos os anos, sete semanas depois da Páscoa, se realizam as festas em honra ao Senhor de Matosinhos. A Confraria que reúne os devotos de Bom Jesus de Bouças foi fundada em 1607, de acordo com Isabel Lago. Já o santuário de Matosinhos foi erguido no século XVIII, para receber a imagem de Bouças, com dinheiro de Minas

Gerais. Em 1719, a pedido da Mesa da Confraria de Bom Jesus de Matosinhos (ou de Bouças), o rei Dom João V autorizou João Alvarez de Carvalho a ir ao Brasil pedir “esmolas” aos cristãos do “districto das Minas do ouro” para o “Senhor Jezus de Bouças”. Para completar o “coração da devoção ao Bom Jesus” em Matosinhos, no século XIX foi construído o prédio ao lado do santuário, com dinheiro dos irmãos da confraria que se encontravam em Minas Gerais. “No Brasil, a devoção ao Bom Jesus de Matosinhos se desenvolveu nos ciclos do açúcar e do ouro”, resume Isabel Lago. NOVA PUBLICAÇÃO Isabel Lago pretende atualizar o primeiro livro a partir das atas (resumos) apresentadas em congressos realizados em Portugal. Para isso, falta apenas concluir as pesquisas no Rio de Janeiro sobre a rua e a travessa do Bom Jesus de Matosinhos (encostadas no sambódromo) e a Basílica de Werneck.


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REGIONAL

Retalhos literários

Agora é oficial: Lagoa Dourada, capital mineira do rocambole JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Se o assunto é rocambole, a capital mineira passa a ser oficialmente Lagoa Dourada, município do Campo das Vertentes e caminho das cidades históricas de São João del-Rei e Tiradentes. O título, que já era unanimidade entre moradores e visitantes, foi concedido pelo projeto de lei 4.871/2017, de autoria do deputado estadual Cristiano Silveira (PT) e aprovado no final do ano passado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). “O objetivo desse projeto é reconhecer esse importante aspecto cultural e vocação econômica da cidade, impulsionando a cultura local e a geração de emprego e renda”, resumiu Cristiano Silveira. Agroindústria. Atualmente, existem sete fabricantes de rocambole desta agroindústria que começou há mais de 100 anos, com o imigrante libanês Miguel Youssef. São elas: “O Legítimo Rocambole”; “Padaria do Jaci-Rocambole Lagoa Dourada”; “Rocambole e Cia”; “O Famoso Rocambole”; “Padaria Santo Afonso”; “Padaria Sabor de Pão”; e “O Tradicional Rocambole”. A partir de 1965, o negócio foi impulsionado por Paulo Miguel, filho de Youssef, que criou uma embalagem para que os visitantes ou viajantes pudessem levar o doce para casa. Há pouco mais de 10 anos, a colocação de placas nas rodovias de acesso a Lagoa Dourada estimulou ainda mais a procura. Hoje, já são muitos os locais

que vendem o doce, que pode ser encontrado em diversos sabores, desde o tradicional – recheado com doce de leite – até opções de recheio como goiabada, chocolate e doce de leite com diversos tipos de frutas e, mais recentemente, a própria polpa de frutas. Um exemplo é a Padaria do Jaci, há mais de 50 anos no ramo, que produz a média de 3.500 unidades (cerca de 1 kg cada) por mês, considerando-se que as vendas são sazonais. Há meses em que a produção chega às 5 mil unidades, conta Heloisa de Resende Andrade. A Padaria do Jaci consome, mensalmente, cerca de 250 latas de doce de leite fabricado em Perdões. Já a quantidade de ovos consumidos gira em torno de 1.700 dúzias/mês. Por ser um produto perecível e artesanal, o principal mercado do rocambole é local ou então resultante de participação em eventos e festivais, diz Heloisa. Números. Uma das maiores dificuldades é conseguir informações consolidadas – produção total de rocambole, quantidade de matéria-prima consumida (leite, ovos, doce de leite, frutas etc.) e empregos gerados – dessa próspera agroindústria local. A capital do rocambole é, por exemplo, um dos maiores produtores de leite da região (21 milhões de litros em 2018), segundo o IBGE. Já a produção de ovos, em escala comercial, varia entre 3 mil e 3.200 unidades por dia, de acordo com o secretário de Agropecuária, Antônio Barreto Pereira Neto. As informações sobre a produção de rocambole seriam úteis não

EVALDO BALBINO

Tião Melo

apenas para alimentar a divulgação como também para planejar o futuro do setor no médio e longo prazos. Lagoa Dourada não comportaria, por exemplo, uma fábrica de doce de leite? A prefeitura ou o próprio setor poderiam estimular um trabalho acadêmico por parte de algum estudante do município que cursa universidade em São João del-Rei ou em Belo Horizonte. Histórico. A história do rocambole em Lagoa Dourada teve início por volta de 1907 com o libanês Miguel Youssef, casado com a lagoense Dolores de Mello. O casal começou a vender o doce em um botequim na parada de ônibus interurbanos do centro da cidade. Inspirado em receita francesa e vendido como sobremesa, o rocambole logo chamou a atenção de moradores e viajantes que por lá passavam. A receita foi passando de geração a geração. Anos depois, um dos filhos do casal, Paulo Miguel, investiu no botequim e criou o Bar e Hotel Glória. Com a morte de Paulo, o negócio entrou em decadência e a viúva Simone vendeu o bar. Em 1981, Simone conseguiu reabrir o negócio com o nome de Bar e Restaurante Rocambole. Dois anos depois, um de seus filhos, Ricardo Youssef, assumiu assumiu o negócio, criando a marca “O Legítimo Rocambole” de Lagoa Dourada. Com a morte de Ricardo, aos 33 anos, vítima de descarga elétrica, a partir de 1996 a viúva Marise, nora de Paulo Miguel, conduz o negócio e preserva a tradição do “Legítimo Rocambole”. Foto José Venâncio

Lagoa Dourada recebeu o título de capital mineira do Rocambole

1988. 5ª série e mudanças temerosas. Professores diferentes para cada matéria, o que estranhei, pois até a 4ª tínhamos basicamente um professor por turma. Antes entrava um ou outro (para Educação Física sempre, para Ensino Religioso às vezes), mas no geral um só tutor,referência à qual nós crianças nos apegávamos. E eu achando agora, na 5ª série, que tudo eram novidades, quando o que estava ocorrendo eram divisões do que já vínhamos estudando desde o início, porém de modo mais aprofundado. Os Estudos Sociais desdobrando-se em Geografia, História, OSPB e EMC. A partir da 7ª série vieram também o Inglês e a Educação Artística. Português, Matemática, Ciências, Ensino Religioso e Educação Física. Tudo continuava ali, não intacto, porque exigindo de nós mais mergulhos em profundidades que, ao longo da vida, vão aumentando cada vez. Foi nas aulas de Matemática que tive a oportunidade de conhecer o professor Tião Melo, e por quatro anos fui seu aluno. Entre a 5ª e a 8ª séries, eu labutava com as “paralelas” do Tião, apostilas que ele elaborava a partir de autores diversos para complementar o livro didático, o qual era assinado por Benedito Castrucci, Ronaldo G. Peretti e José Ruy Giovanni. O professor usava em suas apostilas alguns clássicos e outros contemporâneos àquela época: Alcides Boscolo, Ary Quintella, Eduardo Parente, Antônio Sardella, Edison da Matta e Osvaldo Sangiorgi. As “paralelas” vinham com teoria e exercícios; a parte teórica tinha muitas lacunas, várias sublinhas que o professor ia discutindo e preenchendo com a gente; e depois as atividades de modelo, as deduções das fórmulas; e eu lá, tão amante de letras sem ser inimigo dos números. Minha paixão era pelas incógnitas. Eu amava a Álgebra e as equações que me desafiavam. Eu tinha muita dificuldade com a letra do professor naquelas apostilas. Muitas vezes não entendia essa ou aquela palavra e, confesso, também me perdia no labirinto de tantos exercícios, contas que tomavam páginas inteiras do meu caderno. E eu ali suando, exercitando, dando voltas e mais voltas, porém chegando ao fim com as respostas que geralmente conferiam com o gabarito ao final, para meu alento. E foi esse meu

jeito analítico, prolixo, que fez com que, no Ensino Médio, a professora Maria da Penha, também de Matemática, me dissesse que meu lema era: “Se eu posso complicar, para que simplificar?”. E dizia isso, arrematando depois: “Os caminhos do raciocínio são vários, e você segue os mais sinuosos, mas corretos e também possíveis.” Além de matemática, o Tião conversava conosco sobre assuntos variadíssimos. Lembro que certa feita eu estava às voltas comigo mesmo, com alguns livros e com o Divino Espírito Santo para fazer um trabalho sobre o Oriente Médio e suas tensões geopolíticas. Lembrem-se: naquela época não havia internet, essas coisas de “Dr. Google & Cia.”, e o que tínhamos eram livros, enciclopédias, almanaques. Vendo-me às voltas, no horário do recreio, perdido nas paragens leste e sul do mar Mediterrâneo e quase sendo engolfado pelo Golfo Pérsico, o Tião se aproximou de mim e me deu uma verdadeira aula sobre as questões geopolíticas daquela região e acabou, juntamente com o Espírito Santo e os livros, por me salvar dum naufrágio. Anteontem, 07/01/2020, tive a triste notícia de que ele acabara de falecer. Isso me foi um espanto. Mas a tristeza amainou-se, porque se foi apenas a materialidade daquele homem que muito me ensinou, que chegava à sala de aula, botava a cadeira do professor sobre a mesa (também do professor), abria ali o seu diário de classe, fazia a chamada e sobre a mesma cadeira ia completando conosco as “paralelas”, dirigindo-se à lousa quando necessário para deduzir fórmulas e fazer outras explicações congêneres. Nos dias de prova, as avaliações distribuídas, e ele de novo colocava sobre a mesa a cadeira, sentava-se nela e ficava nos olhando por sobre os óculos, olhos bem arregalados, para que ninguém, nenhum atrevido, colasse nas suas provas. Foi o corpo do Tião, mas o espírito permanece. A memória fica. E a alma também. Afinal era ele mesmo que nos dava lições espíritas de linha kardecista quanto à permanência de todos nós. E você, meu caro Tião, é infindável, porque, citando Adélia Prado, “O que a memória ama / fica eterno”. Seja perene, então, meu mestre, nestas linhas que escrevo e pela vida afora!


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CULTURA

Um livro de “viagem” por cidades resendenses, em Portugal, Brasil e África DA REDAÇÃO

Resende (norte de Portugal), ilha de Santa Maria (Açores), Lagoa Dourada, Resende Costa e Nova Resende (Minas Gerais), Cidade de Praia (Cabo Verde) e Cabanas de Viriato (Portugal). O que esses locais têm em comum? Por terem fortes vínculos com a grande e influente família Resende, fazem parte da “viagem” que o jornalista José Venâncio de Resende propõe no livro Cidades e Resendes, que acaba de ser publicado pela Chiado Editora, com sede em Lisboa. A viagem parte do Mosteiro de Santa Maria de Cárquere, fundado por Dom Egas Moniz, o primeiro detentor da “Honra de Resende”, concedida pelo primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriques, pelos seus relevantes serviços à criação do Estado-Nação português. A capela funerária desse mosteiro guarda as arcas tumulares dos primeiros detentores da Honra de Resende, por sucessão e herança: Vasco Martins de Resende, o trovador; Gil Vasques de Resende; Martim Vasques de Resende; e Vasco Martins de Resende. Ao longo da viagem, é possível conhecer aspectos históricos, culturais e econômicos não apenas da Vila de Resende, portuguesa, como também das demais cidades abordadas no livro. Também é possível saber a diferença entre os Resendes que vieram para Minas Gerais, no início do século 18, e o conde de Resende, que foi enviado, como vice-rei, ao Rio de Janeiro para executar a sentença judicial de condenação de Tiradentes e demais integrantes da Inconfidência Mineira. O livro transita pela ilha de Santa Maria, nos Açores, de onde saiu João de Resende Costa, o primeiro Resende a desembarcar no Brasil, mais precisamente em Lagoa Dourada, que na época pertencia a Prados. Também coloca luz na região onde os Resendes se instalaram, destacando o primeiro solar da família, o estudo de DNA dos restos mortais de José de Resende Costa (pai) e novas informações sobre a origem do nome de Resende Costa. O livro acompanha os inconfidentes pai e filho ao exílio na Áfri-

ca, pormenorizando a descendência de José de Resende Costa (filho) no Cabo Verde. Descendência esta que, posteriormente, se espalhou por Angola e Portugal continental. Na quinta parte, denominada “Rosalvo Pinto”, o autor faz uma homenagem ao professor e escritor, o maior especialista do Brasil nos inconfidentes José de Resende Costa (pai e filho). Para isso, publica uma coletânea de artigos de Rosalvo no Jornal das Lajes, em que aborda temas relacionados com as cidades resendenses. Um dos fios condutores desta história, embora não explicitamente, é o tear manual de madeira – exposto no Museu Municipal de Resende em Portugal –, mas que continua sendo utilizado pela cooperativa e associação de mulheres na ilha de Santa Maria, para produzir colchas (mantas), tapetes e outros produtos artesanais a partir de retalhos de tecidos usados e novos. Esse mesmo tear é um dos responsáveis pelo dinamismo da economia de Resende Costa, nas mãos de milhares de pequenos empreendedores artesanais. Na parte final, o livro traz uma síntese da “viagem” através de fotos. A obra tem duas apresentações, escritas pelo jornalista e professor Guilherme Rezende – aposentado da Universidade Federal de São João del-Rei – e pelo padre, escritor e historiador Joaquim Correia Duarte, o maior especialista dos Resendes em Portugal. DESAFIOS Na “Carta de Lisboa”, publicada no Jornal das Lajes (28.11.2019), o autor levanta três questões presentes nesse livro. Uma delas é como tirar do papel o acordo de cidades-irmãs (ou geminadas) entre Resende Costa e Vila do Porto, firmado em 2018. O autor reafirma a opinião do jornalista Domingos Barbosa, editor do Jornal O Baluarte de Santa Maria, para quem as lideranças políticas precisam agir para dar sequência a esse acordo. “O impulso ao intercâmbio histórico-cultural entre os dois municípios certamente gerará frutos.” Outra questão é o pouco conhecimento da origem dos Resendes dos Açores. “Sabemos que emigraram do

Capa do livro do jornalista José Venâncio de Resende

continente. Com o auxílio do historiador e genealogista José de Almeida Mello, de Ponta Delgada, chegamos ao casal Francisco Curvello e Felipa Faleiro de Resende, do final do século XVI. Francisco era neto de Antônio Curvello, mestre catalão que foi enviado a Santa Maria pelo Infante Dom Henrique, para introduzir na ilha a cana-de-açúcar e seu processamento. Resta saber a origem de Felipa, daí a necessidade de novas pesquisas.” Por fim, o autor diz esperar que seja colocada em movimento sua proposta (na introdução do livro) de criação de uma rede de cidades resendenses. “Algo simples, sem burocracia e grandes custos, a começar por um espaço, a ser inserido nos portais de prefeituras e câmaras municipais, com informações básicas (breve histórico de cada município, agenda anual dos principais eventos e informações de hotéis, restaurantes, transporte etc.).” LANÇAMENTOS O livro será lançado no dia 14 de março (sábado), em Resende Costa, no Teatro Municipal. Parte da receita das vendas do livro será destinada ao Hospital Nossa Senhora do Rosário e ao Lar São Camilo, admistrados pelas Irmãs Camilianas. Em Portugal, será lançado no dia 16 de maio (sábado) em Resende, numa parceria com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários.

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Trilha sonora RENATO RUAS PINTO

Rock e autenticidade Hoje temos vários canais para ouvir música: CD, vinil, mp3, streaming (Spotify e outros) e, curiosamente, até o YouTube, um serviço que nasceu dedicado ao vídeo, mas que hoje é muito usado para se consumir música. Porém, por melhor que seja seu aparelho de som ou fone de ouvido, na minha opinião, nada supera a experiência de se ouvir música ao vivo. O show é a hora da verdade. É quando o cantor mostra suas qualidades ou se vira, mesmo com algum problema na garganta. Ou quando o grupo mostra seu entrosamento e vontade – ou a falta de – de empolgar seu público. Em dezembro, tive a felicidade de ir a um show que surpreendeu e me fez pensar sobre a relação do artista com sua música e público. O show em questão foi de uma banda associada ao nosso rock dos anos 80, a Plebe Rude. A Plebe Rude foi formada em Brasília no começo dos anos 80 e seus membros faziam parte da “Turma da Colina”, um grupo de jovens que reunia os integrantes dos núcleos de outras bandas que se consagraram na época, como a Legião Urbana e o Capital Inicial. De fato, os anos 80 foram ótimos para o rock nacional e Brasília ganhou fama como celeiro de bandas. A grande influência dos grupos dessa época era o punk. Porém, a Legião e o Capital encontraram caminhos em outras searas, enquanto a Plebe Rude manteve-se fiel ao estilo. Aqui abro um parêntese: para saber mais sobre o rock de Brasília, recomendo assistir ao excelente documentário “Rock Brasília – Era de Ouro”. A Plebe Rude teve alguns altos e baixos, brigas entre integrantes e alguns anos de hiato de 1993 a 1999. Na ativa desde então, preserva dois fundadores: o guitarrista e vocalista Phillipe Seabra e o baixista André X. Em 2004, juntou-se ao grupo o vocalista e guitarrista Clemente, da icônica banda paulista de punk rock Inocentes. O atual baterista, Marcelo Capucci, juntou-se ao grupo em 2011. O show marcou o lançamento do novo álbum da banda, “Evolução (volume 1) ”. Confesso que nunca fui fã ou conhecedor do trabalho da Plebe Rude. Meu

conhecimento se limitava aos seus sucessos, como “Até quando esperar” ou “Johnny vai à guerra”. Atraído mais pela história e reputação do grupo, fui ao show sem saber o que iria encontrar e a surpresa foi excelente. O que vi foi um show de energia alta, uma banda muito bem entrosada e uma sonoridade bem pesada, fiel ao estilo punk. A plateia era em boa parte de fãs apaixonados, que cantaram boa parte das músicas e vibraram com o show. Diga-se de passagem, deu para notar que a banda não conseguiu renovar o seu público por conta da média de idade que se podia observar. Talvez a grande surpresa tenha sido o peso do som e a pegada punk das músicas. Quando se pensa no dito popular “incendiário aos vinte, bombeiro aos quarenta”, percebe-se que ele não se aplica à banda. Além de um show pesado, o espírito contestador do punk ainda se fez visível no teor das novas músicas. Boa parte do repertório veio do novo disco e esta foi outra surpresa positiva: músicas extremamente atuais, letras relevantes e de conteúdo crítico aos dias de polarização política e ataque às artes e ciências em que vivemos. Isso faz pensar sobre a essência do rock, um estilo do qual se espera contestação e não conformismo. O tempo costuma amansar vários artistas e grupos, de modo que é comum que aquele artista que quebrava tudo no passado hoje tenha uma pegada bem mais leve em suas músicas e performances. Assim, acho muito legal e autêntico quando grupos de rock preservam o espírito do estilo, como os Rolling Stones. Ou os Titãs, que, à medida que a banda encolheu, resgataram a sonoridade mais agressiva do começo da carreira. A Plebe Rude, definitivamente, seguiu nesta trilha sem soar falso ou forçado. Grace Slick, do Jefferson Airplane, há um tempo abandonou a música e disse que não era possível se fazer rock depois de uma certa idade. Felizmente, acho que ela estava errada, como nos provam respeitáveis senhores e senhoras, como Patti Smith ou Keith Richards. E a Plebe Rude, que continua rude e contundente, como o rock precisa ser.


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Informe Publicitário

CAMPANHA

REFLEXÕES

por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

COOPERATIVISMO – SINÔNIMO DE AÇÃO

Transparência: equipe do Centro Administrativo se mobilizou para transmissão em tempo real, via Instagram

2020 começa com sorteio de carro 0km para associados do Sicoob Credivertentes Prêmio máximo da campanha Dê um UP! no seu Sicoobcard saiu no dia 3 de janeiro em evento transmitido ao vivo O Réveillon foi em 1º de janeiro. Mas para a comerciante Amarílis Ferreira, de Barbacena, a verdadeira festa aconteceu no dia 3, às 18h, quando recebeu um telefonema de Francislaine Germini. Na ligação, a gerente de Relacionamento Pessoa Física anunciou que Amarílis, associada do Sicoob Credivertentes há 17 anos, havia sido sorteada na Dê um UP! no seu Sicoobcard. A campanha, que teve início em março de 2019, distribuiu 58 TV’s de 50” entre os 20 Pontos de Atendimento físicos da cooperativa – além da Conta Digital. Desta vez, porém, o prêmio foi outro: um UP! zero km. “Eu ganhei? Eu ganhei? Não acredito”, comemorou a empreendedora barbacenense entre euforia e lágrimas. Na quinta-feira, 9 de janeiro, as chaves do veículo foram entregues à ganhadora com carreata, buzinaço e comemoração. O SORTEIO A descoberta de Amarílis como grande sorteada da campanha aconteceu em tempo real para mais de 500 pessoas. Isso mesmo: na tarde de 3 de janeiro, uma equipe do Sicoob Credivertentes se reuniu em São Tiago e realizou uma transmissão ao vivo, via Instagram, com todos os detalhes do evento. De casa, através do celular, seguidores conectados puderam testemunhar desde a abertura das urnas da promoção até o sorteio do cupom e a conferência dos dados. “Tudo o que aconteceu no Centro Administrativo chegou às comunidades de nossa área de abrangência na hora, via internet. Com isso, garantimos transparência do processo e, ainda, continuamos próximos de cada um dos nossos cooperados”, frisou a supervisora de Comunicação e Marketing na instituição, Elisa Coelho. PARTICIPAÇÃO A Dê um UP! no seu Sicoobcard mobilizou todas as agências da Credi no Campo das Vertentes e na capital mineira, Belo Horizonte, ao longo de nove meses. Para participar, bastava ao associado ser portador do cartão e utilizá-lo na função crédito ao pagar compras. Cada R$50 regis-

trados na fatura davam direito a um cupom promocional – que deveria ser depositado na agência de relacionamento do participante. “Queríamos disseminar ainda mais junto ao nosso público os benefícios de um produto moderno, seguro e altamente tecnológico não só para quitar compras, mas para facilitar o cotidiano como um todo. Deu certo e tivemos um retorno excelente. Nosso quadro social está cada vez mais inserido no ambiente digital”, comentou o gerente executivo-financeiro da instituição, Luiz Henrique Garcia. O presidente do Conselho de Administração e membro-fundador do Sicoob Credivertentes, João Pinto de Oliveira, frisou que o contexto como um todo também destaca fortes princípios cooperativistas. “Unimos associados de toda a região e da capital mineira, Belo Horizonte, em uma ação integradora que contou, ainda, com forte empenho de todos os nossos colaboradores. É preciso agradecer por tamanha participação e lembrar do simbolismo de força coletiva que tudo isso tem”, acrescentou.

A cultura cooperativista valoriza sobremaneira a justiça, a paz, a solidariedade. Isso não significa, porém, passividade, imobilidade. Pelo contrário: ao unirmos forças, buscamos encarar e sobrepujar os desafios de um cotidiano caótico, de um modo convulsionado em todos os aspectos; de Estados obsoletos e ineficientes, mais preocupados na manutenção de princípios de elites enquanto deixam o cidadão desamparado. A doutrina cooperativista subentende, pois, estratégias, planos de ação, aprendizagem, planejamento. Até Mahatma Gandhi, libertador da Índia, partidário da não-violência e da resistência pacífica aos colonizadores ingleses, empregou destrezas cooperativistas em sua luta libertária. Isto é, integração, observação, autoconhecimento, ousadia. “Falta de cooperação é falta de consciência”, disse. O ator de cooperar é, por conseguinte, a argamassa do grande edifício da organização social. É instrumento de equilíbrio, paz. É o antídoto do orgulho e do egoísmo suprindo problemas de toda ordem ao mesmo tempo em que gera renda, trabalho, prosperidade, bem-estar familiar e social. Afinal, como escreveu Homero, “leve é a tarefa quando muitos dividem o trabalho”.

VITRINE MAIS QUE UM CARTÃO DE CRÉDITO Prazo de 40 dias para pagar compras em parcela única; programa de pontos exclusivo para troca de prêmios; promoções e sorteios; aquisições digitais com segurança; aplicativo próprio; perfis adequados ao consumo e às necessidades do portador. Quem tem Sicoobcard no bolso conta com um pacote de vantagens além do dinamismo e da praticidade em realizar transações no Brasil e até no exterior. Tudo isso sem precisar sacar ou carregar dinheiro o tempo todo. Garantir seu cartão é prático e rápido. Basta procurar sua agência de relacionamento e solicitar um. “Na verdade, o cooperado já sai do Ponto de Atendimento apto a fazer compras no crédito. Nossa proposta é justamente oferecer praticidade”, defende o supervisor de Produtos Wellington Castro lembrando, ainda, que as transações se convertem em crescimento da própria comunidade. “No cooperativismo não há lucros para investidores restritos de um banco. Há sobras que a instituição distribui no final de cada exercício a todos os associados”, encerra.


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Marcelo, um mineiro que venceu no ramo de restaurantes em Portugal JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Toda sexta-feira tem feijoada. Só não é completa porque falta a caipirinha. Mas aí seria Brasil. Em Portugal, comemos feijoada com vinho tinto mesmo. Desde abril de 2019, funciona no Campo Pequeno – bairro próximo do centro de Lisboa – o Marcelo´s Restaurante, de propriedade do mineiro Marcelo da Silva Maforte. Até aqui, o caminho foi longo. Natural de Miradouro – entre Muriaé e Juiz de Fora – onde nasceu em 1972, Marcelo mudou para Manhuaçu com cinco meses de idade. “Meu pai, Sebastião de Souza Maforte, era militar (da PMMG) e então foi transferido”, conta Marcelo. Com quase quatro anos de idade, Marcelo perdeu o pai quando sua mãe, Maria Helena Maforte, estava grávida de gêmeos. Assim, a mãe ficou com Marcelo, o irmão mais velho Alexandro e os gêmeos Ederson e Anderson. Então, os quatro filhos foram morar com a avó na cidade de Simonésia. Com oito anos, Marcelo - e o irmão Alexandro – voltou a viver com a mãe em Manhuaçu. Nesta cidade, Marcelo estudou e concluiu o curso de contabilidade. “Aos 17 anos, eu estudava e trabalhava como empregado em uma lanchonete onde

fiquei cinco anos”, diz. Em 1993, aos 20 anos, Marcelo casou-se com Marieli Maximiano e, para sobreviver, montou uma fábrica de batata frita. “Eu ainda tinha um trailer para vender lanches nos fins de semana em exposição agropecuária na região”. Isto durou até 1998 quando o casal se transferiu para Vitória (ES), onde Marcelo foi trabalhar na lanchonete Café Tabaco, que funcionava no aeroporto. Neste emprego, Marcelo ficou até o final de 2001. “A situação era muito difícil – eu fazia dois turnos e ganhava dois salários mínimos”. PORTUGAL No início de 2002, um colega de Marcelo, de nome Fabrício, foi passar férias em Manhuaçu. “Aí ele me convidou para tentar a vida em Portugal”. Marcelo aceitou o convite e, num primeiro momento, viajou sozinho para Lisboa, deixando no Brasil a esposa e os filhos Larissa (6 anos) e Vitor (6 meses). Durante seis meses, Marcelo trabalhou na construção civil, fazendo limpeza em obras durante o dia e limpeza de garagens e vidros à noite para a mesma empresa. “Eu fazia as mesmas 16 horas, mas no Brasil ganhava 400 reais e aqui, 1400 euros”. Em setembro de 2002, Marcelo deixou as obras para trabalhar como cozinheiro no restaurante Cantinho Açoriano, instalado no shopping

Vasco da Gama. Manteve o mesmo ritmo, trabalhando em dois períodos. Então, o patrão revolveu abrir o restaurante Gostinho Açoriano na Avenida Liberdade, centro da cidade. “Eu passei a ficar durante o dia na avenida Liberdade e à noite no Vasco da Gama, sempre como cozinheiro. ” Descontadas as despesas, o dinheiro que sobrava Marcelo enviava para a esposa, no Brasil. Ela investia em imóveis e terrenos nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Em 2004, o dono do restaurante fechou o estabelecimento do Vasco da Gama e Marcelo passou a fazer dois turnos no Gostinho Açoriano. No ano seguinte, o patrão abriu o Café Monumental, no Saldanha, entre o centro e o Campo Pequeno. “Então, durante o dia eu trabalhava no Café e à noite na Avenida Liberdade. Isto durou oito meses, depois passei a ficar só no Monumental. ” Até que, entre final de 2005 e início de 2006, o patrão de Marcelo decidiu abrir um café-restaurante no bairro Laranjeiras. “Fui para lá trabalhar em tempo integral” - ou seja, em dois períodos. Em 2007, Marcelo viajou de férias e ao retornar do Brasil voltou a trabalhar no Café Monumental. Até que, em julho de 2008, trocou de cidade e de restaurante. Foi trabalhar de gerente e cozinheiro no restaurante Chimarrão, na cidade do

Foto José Venâncio

IMIGRANTES & EMPREENDEDORES

Marcelo em frente ao seu restaurante em Lisboa

Porto. Em novembro do mesmo ano, Marieli juntou-se a Marcelo no Porto onde permaneceram até janeiro de 2009. Os filhos ficaram no Brasil com a avó e a tia. “Um ano depois trouxemos as crianças. ” Em Lisboa, Marcelo voltou à função de cozinheiro no restaurante Gostinho Açoriano da Avenida Liberdade. Marieli conseguiu um emprego no Café Suminho, instalado no Centro Comercial de Colombo. Em 2013, Marcelo recebeu um convite da Escócia para trabalhar de cozinheiro numa churrascaria brasileira em Aberdeen. “Lá fiquei seis meses e voltei para Lisboa onde fui trabalhar para o mesmo patrão do Gostinho Açoriano. ” NEGÓCIO PRÓPRIO Em 2014, Marcelo abriu seu próprio restaurante, em sociedade com o paulista Fabiano Santos, na esquina das avenidas 5 de Outubro e Berna, no bairro de Campo Pequeno. “Por eu ser muito conhecido nessa zona, o Fabiano sugeriu que fosse colocado o meu nome, e assim ficou Marcelo´s Restaurante. ” Marieli deixou o trabalho anti-

go e juntou-se ao marido. A sociedade durou dois anos e meio, quando o sócio resolveu mudar para a Irlanda. Marcelo assumiu sozinho o restaurante, que funcionou no local até abril de 2018 quando terminou o contrato de arrendamento (aluguel). “Eu fechei o restaurante e fiquei um ano à procura de um ponto. Além de caro, é difícil encontrar ponto e eu queria ficar nessa zona. ” Em novembro de 2018, surgiu a oportunidade de comprar uma loja no Centro Comercial Colúmbia, em frente à conhecida Praça dos Touros, no Campo Pequeno. “Reabri o restaurante com o mesmo nome no mês de abril deste ano, exatamente um ano depois. ” Além da esposa, trabalham com Marcelo a filha e mais cinco funcionárias (cozinheira e ajudante e atendentes de mesa e balcão) - quatro capixabas e uma mineira. “Todos os dias, às 5:30 da manhã, eu e minha esposa estamos aqui. Eu faço os salgados e, às vezes, alguns pratos”. “O esforço foi grande, mas valeu a pena”, diz Marcelo. “Trabalha-se muito, mas no final a gente vê o resultado deste esforço”, comemora.


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ESPORTE

Furões conquistam tetracampeonato do Torneio de Verão Veio para ficar e já completou seis anos. O Torneio de Verão de Futsal de Resende Costa chegou ao fim no último dia 21 de dezembro, após quase um mês de bola rolando no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nélson.

A competição teve duas categorias. Adulto: feminino e masculino. E categoria de base, com jogadores de 6 a 14 anos, conduzidos pela Escola Galaxy. No feminino, quatro representantes de quatro cidades: Resende Costa, São João del-Rei, Coronel Xavier Chaves e Entre Rios de Minas. Já na categoria masculina, foram

dez equipes, sendo todas de Resende Costa. Os times foram divididos em duas chaves com cinco clubes cada. Depois dos confrontos entre os clubes em cada chave, os quatro melhores se classificaram para as quartas de final, na fase mata-mata. O primeiro de uma chave enfrentou o quarto colocado da outra; os terceiros coloca-

Ficou em casa: Ribeirão é campeão do torneio de futebol de campo do Ribeirão de Santo Antônio Resgatando o tradicional e bom futebol nos campos das comunidades rurais do município de Resende Costa, o campeonato de futebol de campo do povoado do Ribeirão de Santo Antônio reuniu seis equipes: Ribeirão, Ponte Cachoeira, Curralinho, Fazenda de Baixo, Jacarandira e Cajuru, entre os dias 13 de outu-

bro a 29 de dezembro. De acordo com os organizadores, a competição atraiu bom público. Seguindo o regulamento, as equipes de enfrentaram na primeira fase e os quatro melhores avançaram para as semifinais. Na finalíssima, disputada no dia 29 de dezembro, o clássico entre Ribeirão

e Ponte Cachoeira, agitou a torcida, com direito ao empate no final da segunda etapa, após os donos da casa abrirem o placar ainda no primeiro tempo. Terminado em 1x1 no tempo regulamentar, o jogo foi para os pênaltis. Nas penalidades máximas, festa em casa: o Ribeirão levantou o troféu de campeão do torneio.

Copa Vertentes de Futebol e Campeonato Regional chegaram ao fim no mês de dezembro Os resende-costenses puderam viver aquela máxima de que “Domingo é dia de futebol”. Isso porque o Estádio Antônio Argamim de Freitas o Campo do Expedicionários, recebeu durante alguns meses de 2019 partidas de duas competições: Copa Vertentes de Futebol e Campeonato Regional. As finais dos dois campeonatos aconteceram no domingo, dia 15 de dezembro. No Campeonato Regional, Brejão (São João del-Rei) e Ribeiro da Silva (Entre Rios de Minas) disputaram o título da primeira divisão do campeonato. No tempo regulamentar, as equipes não conseguiram balançar as redes. Nas penalidades máximas, melhor para a equipe do Brejão, que venceu por 4x3 e sagrou-se campeã do Regional. Já a segunda divisão do Regional, Catauá (Lagoa Dourada) e Fanáticos (São Tiago) fizeram a final do torneio. O troféu de campeão da segundona foi levantado pelos são-tiaguenses, que venceram por 2x0. A premiação foi de mil reais para a equipe campeã e seiscentos reais para o vice da primeira divisão. Na segunda divisão, a premiação foi de seiscentos reais para o campeão e quatrocentos reais para o vice.

COPA VERTENTES DE FUTEBOL No dia 15 de dezembro, chegou ao fim também a competição que movimentou a região. Foram quatro meses de bola rolando nos estádios da região. Disputaram o campeonato 72 equipes de 26 cidades. Em sistema de mata-mata, foram jogos únicos em sete fases. PVN (Conselheiro Lafaiete) e Juventude (Dores de Campos) disputaram a grande final da Copa Vertentes. Melhor para PVN, que venceu a grande final por 2x0. As equipes Antes do Bar (São Tiago) e Sete de Setembro (Nazareno) disputariam o 3° Lugar do Campeonato, porém o Sete de Setembro não compareceu para a disputa. Sendo assim, o time Antes do Bar, por W.O., levou o troféu de bronze. Como premiação, as três melhores equipes garantiram uniformes completos. CAMPEONATOS As duas divisões do Campeonato Regional tiveram seis representantes cada. Também em sistema mata-mata, as quatro melhores se classificaram para as semifinais, chegando à grande final. Já na Copa Vertentes de Futebol Amador, além

de Resende Costa, receberam jogos da competição as cidades de Lagoa Dourada, São Tiago, Prados, Coronel Xavier Chaves, Dores de Campos, Tiradentes, Ritápolis, Conceição da Barra de Minas, Madre de Deus de Minas, Desterro de Entre Rios, Passa Tempo, Barroso e Carandaí. Representaram a cidade de Resende Costa os clubes Expedicionários, Ponte Cachoeira, Juventus, Fazenda de Cima, Independente, Jacarandira e Curralinho. Uma emenda parlamentar do deputado federal Diego Andrade (PSD), através do Ministério dos Esportes, tornou possível que as equipes não tivessem quaisquer despesas durante a competição. Os times ficaram isentos da taxa de inscrição e de outras despesas, como transporte para deslocamento às diversas cidades onde aconteceram os jogos. Enquanto o gramado do Campo do Expedicionários passa por recuperação visando à temporada 2020, o tradicional clube resende-costense continua representando a cidade na região. A equipe de futsal do Expedicionários está disputando o Torneio de Futsal de Verão – Ceclans 2020, em Barroso.

Na decisão feminina, Unicórnios e Inter Rios chegaram à final. As meninas de Entre Rios venceram a competição. A partida estava empatada em 3x3 e uma jogadora do time são-joanense foi expulsa. O time decidiu abandonar a competição e as meninas do Unicórnios se sagraram campeãs invictas.

dos enfrentaram os segundos colocados, de acordo com a classificação na primeira fase. Para a grande final da categoria masculina, os Furões conquistaram o tetracampeonatodo Torneio de Verão, após venceream, por 4x2, a equipe do Matsubara, que buscava seu primeiro título na competição.

Atleta resende-costense recebe faixa preta de Jiu-jitsu 2019 terminou com uma grata surpresa para o atleta Abdias dos Santos Miranda, 35 anos. Em um seminário realizado na cidade de Lavras, no dia 18 de dezembro, o resende-costense recebeu a faixa preta de Jiu-jitsu. Abdias diz que o recebimento da faixa foi uma surpresa, pois não imaginava recebê-la naquele momento. “A faixa veio como uma surpresa, pois não sabia que iria receber, sabia que um dia viria esse momento, mas não quando, mas foi durante um seminário de Jiu-jitsu com o Campeão Mundial Cláudio Calasans. Recebi a faixa das mãos do próprio Calasans, que já tinha conversado com meu Mestre Bauer sobre a graduação. Uma honra imensurável, até agora ainda não caiu a ficha”, comemora o atleta. Abdias ressaltou ainda quão especiais foram todas as graduações, mas destacou a importância da nova conquista. “O que muda daqui para frente é a responsabilidade que só aumenta. A faixa preta tem um peso por si só. Parece que foi ontem que eu ainda usava minha faixa branca. Essa graduação só aumenta a minha vontade de aprender mais e melhorar em todos os sentidos”. Com humildade, o atleta frisa: “A faixa preta não nos torna melhores do que ninguém.” As graduações no Jiu-jitsu são adotadas de acordo com critérios de cada equipe, mas tendo como princípio-padrão a classificação da Confederação Brasileira de Jiu-jitsu. Os critérios estão relacionados com a presença do aluno, tempo de treino e alguns exames de avaliação. Agora faixa preta em Jiu-jitsu, o resende-costense segue com os treinos e faz planos. “Meus próximos passos como atleta é dar continuidade ao trabalho que estamos desenvolvendo em Resende Costa; adoro dar aulas e ensinar um pouco do que sei. Que em 2020 eu traga muitas conquistas para a nossa equipe. Amo ver meus alunos treinando, competindo e buscando uma qualidade de vida me-

Foto arquivo pessoal

VANUZA RESENDE

Abdias (dir.) recebeu a faixa Preta de Jiu-jitsu

lhor. Pretendo também buscar mais apoio para divulgar nosso esporte e, quem sabe, fazer um grande campeonato em Resende Costa”, planeja. TRAJETÓRIA Abdias iniciou-se no Jiu-jitsu entre 2004 e 2005 com o Mestre Alvinho Viana, da equipe Bauer, na antiga academia do Rodrigo, em Resende Costa. “Lembro-me de que enquanto jovem queria fazer musculação, mas ao ver o treino de Jiu-jitsu fiquei interessado e me matriculei. Em 2006, fui para São Paulo, onde continuei meus treinos, competindo e, consequentemente, me graduando. Recebi a faixa marrom no final de 2014, quando retornei a Resende Costa, novamente pela equipe em que comecei. Em 2015, surgiu a oportunidade de começar a dar aulas na academia Ação Física e, no final de 2019, tive a honra de receber a faixa preta de Jiu-Jitsu”, comenta. Abdias agradece a todos os envolvidos nessa importante conquista em sua carreira. “Eu só tenho a agradecer ao Mestre Ronald Bauer e ao Mestre Cláudio Calasans. A todos com quem tive a oportunidade de aprender, meus alunos, companheiros de treino, que estão comigo no dia a dia. Aos amigos e lugares que o Jiu-jitsu me proporcionou conhecer. Um obrigado especial à minha família, a peça fundamental nesse processo”, conclui o atleta.


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