Skip to main content

Edição 200 - Jornal das Lajes

Page 1

Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVI

• DEZEMBRO 2019 • Nº200

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Três belas árvores localizadas nas praças do centro de Resende Costa são protegidas pela Lei Orgânica Foto André Eustáquio

Entrevista Jogo Aberto com a presidente da ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), Luciene de Fátima Cardoso.

PÁG 05

Centro de Apoio ao Turista será construído O CAT é um sonho antigo da ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) que começa a se tornar realidade. O Centro de Apoio ao Turista será construído através de parceria público-privada na Avenida Alfredo Penido, entrada de Resende Costa, no espaço onde acontece anualmente a Mostra de Artesanato e Cultura. A PPP envolve a ASSETURC, a Prefeitura Municipal, empresas locais e diversos voluntários. PÁG 06

O artigo 185 da Lei Orgânica considera monumentos municipais de conservação permanente, entre outros, as árvores das praças Coronel Sousa Maia, Dr. Costa Pinto e o, até então, conhecido Pau-Brasil da Praça Cônego Cardoso. O JL procurou informações sobre qual espécie é a árvore que ornamenta a praça da Matriz e é protegida pela Lei Orgânica promulgada no início da década de 90. Será mesmo o mítico Pau-Brasil? PÁG 10

São João delRei comemora 306 anos

A árvore da Praça Dr. Costa Pinto ornamenta o centro de Resende Costa

O mês de dezembro é especial para a histórica cidade da região do Campo das Vertentes. Além das festividades natalinas, São João del-Rei comemora aniversário no dia 8 de dezembro. Neste ano, a Secretaria Municipal de Cultura, com o apoio de instituições culturais do município, organizou uma série de eventos especiais. PÁG 09


PÁG. 2 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Agora é Advento Agora é “Advento”, espera, expectativa para quem alguma coisa espera, para quem quer enxergar além do que a vista alcança. É celebração eminentemente religiosa, católica. Pode haver nela, entretanto, uma contemplação que ultrapasse os limites da religiosidade. Cíclica é a natureza, em movimento ascendente. Igualmente cíclica é a ciência. Cíclica é a história. E, se formos falar dos humanos, cíclica, muito cíclica é a vida biológica, a vida psíquica. Com o avançar dos anos, em

nós tudo vai se transformando, biologicamente. Na velhice, psicologicamente voltamos a ser crianças, que de nada têm medo, que ignoram os riscos do viver, que não dão importância a tanta coisa considerada já desnecessária. A velhice nos põe mesmo diante de um mundo infantil: tudo ignora, de um lado, porque tudo passa, de outro. A nada se dá tanta importância. Com a velhice vamos ficando nus, novamente. Noutro estado. Noutra dimensão. Em evolução. Cíclica também deveria

ser a vida espiritual, sempre crescente. Por que não? Não podem os anos passar, a vida evoluir em todos os aspectos e mantermo-nos infantis diante do enigma da vida, diante da certeza da morte que nos coloca numa colossal incerteza. É preciso acreditar que o cíclico da vida exige uma vida espiritual também cíclica. Caso contrário, uma enorme fraqueza: corpo adulto com espírito infantil, pobre, desajustado, doentio. Incompreensível. A festa que se aproxima, cujo Advento nos leva a con-

templá-la como um fenômeno cíclico, enriquecedor, em evolução, nos surge como um convite permanente ao crescimento. O centro da festa é o irmão Jesus, que não vai nascer, que não vai voltar, e a quem convém contemplar em sua vida plena. E vale relembrar: contempla quem sabe que não vê, mas sente. Contempla quem não tem certeza, mas experimenta. É a transcendência a que se pode aspirar, mesmo enraizados numa vida corpórea, já de imenso valor, pois é ela que nos permite esperar, que é capaz de

gerar em nós a certeza de um dia que vem vindo. Criar expectativa não é viver ilusão. É aguardar o possível encontro. Que ele nos aconteça, encontrando-nos, ciclicamente, mais avançados mais perto, mais com Ele, adulto, vivo entre nós. Bom Advento! Rica expectativa! Feliz encontro em crescente cíclica harmonia! *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

EDITORIAL 2019: uma retrospectiva nada boa

E

X

P

E

D

I

E

N

T

E

Enfim chegamos a dezembro de 2019. Para muitos considerado um ano difícil, turbulento, repleto de acontecimentos ruinsque superaram as boas notícias. Na TV e nos jornais, o mesmo de sempre: corrupção; desemprego; alta do dólar; debates quase incompreensíveis no Judiciário envolvendo grandes personalidades da política nacional; tragédias ambientais; mortes de crianças indefesas, vítimas de conflitos entre policiais e traficantes. Resumidamente, esses foram os destaques de 2019 na imprensa brasileira. 2019 marcou o início de uma nova era na política brasi-

leira a partir da posse, em 1º de janeiro, do presidente Jair Bolsonaro. O país vem experimentando, desde então, os efeitos da polarização e do radicalismo político, antes restritos às redes sociais, ganharem contornos institucionais, colocando em risco valores democráticos, como a liberdade de imprensa e o amplo debate de ideias. Os partidos tradicionais, especialmente PT e PSDB, mostram sinais de enfraquecimento sendo substituídos, paulatinamente, por figuras populistas de forte discurso ideológico. Vimos também neste ano tragédias ambientais, como as

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

queimadas na Amazônia e no Pantanal, tomarem conta do noticiário aqui e no exterior. À medida que o fogo avançava consumindo enormes hectares dos nossos biomas e áreas de preservação ambiental, as autoridades se revelavam impotentes e despreparadas para lidar com o problema. Faltaram ações eficazes e sobraram justificativas absurdas e nada convincentes do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e do próprio presidente Bolsonaro, que culpou ONG’s e disse, resignadamente, que não há muito a se fazer, pois “as queimadas são culturais”. O mundo lançou olhares atônitos para o Brasil, que se perdia em discursos rasos. O Brasil foi literalmente manchado em 2019. A partir de agosto, uma misteriosa mancha de petróleo bruto começou a avançar pelo litoral do Nordeste. Tal como uma praga que infesta plantações e consome rapidamente a lavoura, o óleo bruto foi se espalhando no mar, nas praias, nos arrecifes de corais assustando a população, que, apavorada, tentava conter o óleo e limpar as areias das praias. Enquanto isso, o Brasil procurava, como agulha no palheiro, o responsável pelo derramamento do óleo. Até o fechamento desta edição, o autor (ou autores) da grave tragédia ambiental não havia sido descoberto.

Na cultura, vimos uma tentativa de desmanche generalizado de grandes instituições, como o IPHAN, a Funarte, a Biblioteca Nacional e a Fundação Cultural Palmares através de nomeações para cargos importantes de pessoas comprometidas apenas com o viés ideológico do presidente da República, de seus gurus e do grupo político ultraconservador que o circunda. Com o argumento anacrônico e estapafúrdio de combate ao aparelhamento da esquerda, o governo se dispôs a uma política contrária ao que é mais caro à cultura: liberdade e diversidade. Na economia, 2019 termina com boas, mas ainda tímidas notícias. A equipe econômica do governo, chefiada pelo ministro Paulo Guedes, apresentou números que nos fazem ter esperança para os próximos anos, mostrando um crescimento gradual da economia. Longe, porém, do que o brasileiro espera, ou seja, uma economia pulsante que impulsione, sobretudo, o surgimento de mais empregos. Dando uma pausa nos assuntos nacionais, falemos da edição número 200 do JL, que circula neste mês de dezembro, fechando 2019. Para esta edição,elegemos como destaque de capa um tema leve. Falamos de árvores que enfeitam Resende Costa. O leitor conhecerá detalhes sobre as três espécies de

árvores que foram plantadas há décadas nas principais praças do centro da cidade. A curiosidade é que essas árvores são protegidas pela Lei Orgânica do Município como “monumento de conservação permanente”, ao lado de locais e edificações presentes na cidade e em seus arredores. Além de mostrar aos leitores os monumentos do município que são protegidos pela Lei Orgânica, entre eles as Lajes, o Buraco do Inferno, as reservas florestais, os Passinhos, o Teatro Municipal e as fontes, o JL deseja cobrar do Poder Público o cumprimento do parágrafo segundo da Lei Orgânica, que atribui ao Executivo Municipal “a obrigação de manter e preservar todos os monumentos municipais”. As Lajes necessitam urgentemente de revitalização, o Buraco do Inferno encontra-se tomado pelo mato e pelo esgoto que escorre em sua direção, as fontes estão assoreadas e com a água contaminada e a Capoeira Nossa Senhora da Penha corre sério risco de desaparecer. Enfim, se a retrospectiva 2019 não foi tão boa, iniciemos 2020 com a esperança renovada. Lutemos pela construção de um mundo melhor, de um Brasil melhor. Feliz Natal!


ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 3

CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

20% das vagas oferecidas nos concursos públicos municipais serão reservados aos negros Projeto de Lei de autoria do vereador Ângelo Márcio foi aprovado na reunião do dia 02 de dezembro O Projeto de Lei n° 150, de autoria do vereador Ângelo Márcio (PT), foi votado durante a 31ª reunião ordinária da Câmara Municipal de Resende Costa, no dia 02 de dezembro, e aprovado por seis votos a dois. O projeto propõe que fiquem reservados aos negros 20% das vagas oferecidas em concursos públicos para provimento de cargos efetivos no âmbito da administração pública municipal. Ainda de acordo com o projeto, a reserva de vagas será aplicada sempre que o número de vagas ofertadas for igual ou superior a três. O vereador Ângelo falou sobre a idealização e elaboração do projeto: “Fui convidado para participar de um debate sobre questões raciais na UFSJ. Voltei pensando que não adianta apenas ficarmos nas palavras. As palavras não enchem a barriga das pessoas. Só palavras não trazem conhecimento. Comecei a pesquisar sobre sistema de cotas no serviço público e, para minha felicidade, descobri uma lei da ex-presidente Dilma que criou tal sistema no serviço federal. Então resolvi propor a regulamentação em nível municipal”, disse o vereador. Durante a discussão do projeto pelos vereadores, surgiram questões relevantes sobre a inserção dos negros na sociedade, discriminação e preconceito, oportunidade de trabalho

para todos e, principalmente, sobre a dívida histórica que o Brasil possui com os negros, oriunda do trágico e longo período da escravidão. “É um problema social no país que precisa ser resolvido. Ainda há uma grande maioria de negros que não tem oportunidade de estudar e de ter acesso a emprego. Ou seja, eles formam uma categoria social que necessita de apoio da legislação para protegê-los. Precisamos tentar corrigir as mazelas que nossos antecessores historicamente deixaram”, defendeu o vereador autor do projeto. O vereador Abel (MDB) lamentou que no Brasil infelizmente ainda haja necessidade de se discutir questões raciais, uma vez que todos somos iguais. “É a cor da pele que define uma pessoa? É claro que não! E questões como essa não teriam que ser mais discutidas em lugar nenhum do mundo, mas infelizmente não tem sido assim. Penso que o Brasil tem uma dívida histórica com os negros. Eles lutaram muito construindo o Brasil. Eu defendo sempre a igualdade e afirmo que a vida não é definida pela cor da pele. Nestes tempos de intolerância, devemos olhar as questões como seres humanos”, disse o vereador Abel, que votou favorável à aprovação do projeto de lei 150. Antes de o projeto ser colo-

A parte inferior da sede da Câmara Municipal de Resende Costa passará por reformas estruturais. O projeto foi orçado em R$ 7.108,20 e contemplará pintura, partes elétrica e hidráulica, forro e alvenaria (piso). A obra será executada neste mês de dezembro e contará com uma parceria entre a Câmara, que comprará o material, e a Prefeitura Municipal cedendo a mão de obra.

Vereador Ângelo Márcio, autor do projeto de lei 150

cado em votação, a tribuna livre foi solicitada pela presidente da ARNOVA (Associação Comunitária do Bairro Nova Resende), Marina Aparecida Delgado. Descendente de negros e militante de causas sociais em Resende Costa, Marina elogiou o projeto de lei proposto pelo vereador Ângelo e chamou atenção em sua fala para a escassez de oportunidades aos negros, sobretudo em relação ao mercado de trabalho. “Na minha concepção, a presença dos negros está diminuindo em muitos lugares. Ainda há muita discriminação e faltam oportunidades aos negros. Apesar dos concursos serem públicos, vejo que na Prefeitura de Resende Costa há poucos negros, poderia ter mais. Portanto, estou aqui em defesa dos negros, para que eles tenham mais oportunidades”, defendeu Marina Delgado. Importância das cotas

Marina Delgado, presidente da ARNOVA, defendeu o projeto de lei 150 na Tribuna Livre

Parte inferior do histórico sobrado do século XIX que abriga a Câmara Municipal de Resende Costa passará por reforma

O vereador Ângelo Márcio defendeu o sistema de cotas e falou da importância da implementação de políticas públicas que proporcionam aos negros acesso ao estudo e ao mercado de trabalho. “Eu já penso em projetos assim faz algum tempo. Os programas de ações afirmativas federais, segundo

as pesquisas, deram muito certo. Tanto para as comunidades negras e indígenas quanto para as populações mais pobres e marginalizadas. A grande questão era como o projeto seria apresentado, pois, pode não parecer, mas há resistência de alguns segmentos sociais. Uns não querem a distribuição de renda que as cotas proporcionam. Já outros setores entendem não haver necessidade. Tanto é que na votação da Câmara no dia 2 de dezembro houve dois votos contrários”, pontuou Ângelo. Vagas Poderão concorrer às vagas aqueles que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso público, conforme o quesito cor ou raça utilizado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. De acordo

com o projeto de lei, tornar-se-á obrigatório constar no edital dos concursos públicos municipais o total de vagas correspondentes à reserva para cada cargo ou emprego público oferecido. Ângelo Márcio destacou a importância da aprovação do projeto de lei 150 de sua autoria. “Acredito que todos saibam da importância. Muitos podem não aceitar, mas sabem da necessidade. A população negra foi e continua sendo explorada em todo o mundo. Os negros deram sangue e suor para construir o Brasil rico de hoje. Essa riqueza precisa ser distribuída. Não podemos mais esperar! Essa lei municipal terá duração de 10 anos. Em 10 anos o município deverá promover políticas que façam com que a comunidade negra consiga, por si só, alcançar seus objetivos, sem depender de cotas sociais ou raciais”, concluiu o vereador.


PÁG. 4 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Prefeitura investe mais de R$ 200 mil em calçamentos no bairro Várzea A Prefeitura Municipal segue trabalhando para alcançar o obje�vo de pavimentar 100% das ruas de Resende Costa. A Administração inves�u R$ 246.381,13 no calçamento de cinco ruas localizadas no bairro Várzea. As seguintes vias foram contempladas com recapeamento asfál�co em CBUQ: Rua Luiz Henrique Rodrigues Pinto, Rua Aires Luiz da Silva, Rua Antônio Assis Coelho, Rua Leny Silva e Rua Pedro Joaquim Santana.

Cinco ruas no bairro Várzea foram beneficiadas

Em clima de natal! Prefeitura inaugura decoração na Praça Doutor Costa Pinto A Prefeitura preparou uma decoração especial na Praça Doutor Costa Pinto, no centro de Resende Costa. As “Luzes de Natal” estão decorando a praça desde o dia 30 de novembro. Para a inauguração, foi preparada uma programação especial, com atrações musicais e com a presença do Papai Noel.

A programação contou ainda com a par�cipação do Coro e Orquestra Mater Dei, com par�cipação dos alunos das turmas de musicalização. A Mater Dei executou famosas canções natalinas e foi acompanhada pelas famílias. Logo após as apresentações, surgiu o Papai Noel, que deixou a noite das crianças ainda mais feliz.

Papai Noel participou da inauguração das “Luzes de Natal”

A Administração Municipal aproveita para desejar a todos boas festas! Tenham um FELIZ NATAL e um excelente 2020. Que o novo ano seja repleto de boas experiências.


ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 5

JOGO ABERTO com Luciene Cardoso

“Precisamos nos unir para atingirmos nossos interesses comuns, que incluem o desenvolvimento econômico e turístico de Resende Costa” ANDRÉ EUSTÁQUIO

A artesã e empresária Luciene de Fátima Cardoso, 44, assumiu a presidência da ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) no dia 23 de maio último com a missão de trabalhar para o fortalecimento da associação, ampliar o número de associados e levar adiante projetos essenciais para o desenvolvimento do comércio e do turismo em Resende Costa. Formada em Ciências pela UFSJ, Luciene Cardoso escolheu, porém, o ramo comercial do artesanato, principal atividade econômica de Resende Costa, como profissão, seguindo os passos de seus pais. Nesta entrevista ao JL, a artesã e empresária fala dos projetos da nova diretoria da ASSETURC, que terá mandato até 27 de fevereiro de 2021. A sua família possui longa tradição de trabalho no artesanato em Resende Costa. Como você se inseriu nessa atividade? Desde criança me lembro de ver minha mãe tecer. Meu pai viajava para vender as colchas de retalho feitas por ela no tear manual. Nosso sustento vinha do tear. Eu aprendi a tecer com meus pais aos 13 ou 14 anos de idade. E a partir daí, até os dias de hoje, me envolvi de corpo e alma nessa atividade maravilhosa e abençoada. Eu amo trabalhar com os produtos feitos no tear. Estudei, formei-me, casei-me, construí e construo meus sonhos através do artesanato. Enquanto artesã e empresária do ramo do artesanato, em sua opinião, qual a importância do artesanato para o município de Resende Costa? Sem dúvidas, o artesanato é a principal atividade econômica do município. Sustenta famílias e proporciona, consideravelmente, uma melhor qualidade de vida para todos. Atrai turistas e lojistas de todos os lugares do Brasil e até do exterior. Além disso, é uma atividade que veio com os portugueses na época colonial. Tornou-se patrimônio imaterial pela sua importância histórica, econômica, cultural e turística. Você assumiu em maio deste ano a presidência da ASSETURC. O que a motivou a assumir esse cargo? Desde a organização da terceira Mostra de Artesanato, estou envolvida com a ASSETURC. A partir daí, fui convidada a fazer parte da diretoria como segunda-secretária. Esse ano, uma nova chapa foi montada e acabei ficando com o cargo de vice-presidente. Infelizmente, houve alguns contratempos com o ex-presidente Edmar. Então, eu acabei assumindo a presidência da associação. Sou uma cidadã que sempre se preocupou com o futuro da nossa cidade e do nosso artesanato. Foi por isso que aceitei assumir esse cargo, com o apoio do Cláudio do Supermerca-

Luciene de Fátima Cardoso, presidente da ASSETURC

do Bom Preço, que também defende as mesmas ideias que eu. Nós decidimos lutar juntos pelo desenvolvimento econômico, cultural e turístico de Resende Costa. A ASSETURC é considerada uma instituição de grande importância para o desenvolvimento do turismo e do comércio de Resende Costa. Quais são os projetos da atual diretoria para fomentar o turismo e o comércio locais? Temos dois projetos em andamento, que são os principais. O primeiro é o seguinte: alugamos o terreno onde é realizada a Mostra de Artesanato e Cultura, na Avenida Alfredo Penido. Lá iremos instalar um estacionamento e também construiremos um Centro de Atendimento ao Turista (CAT), o qual será também a nova sede da ASSETURC. Trata-se de uma parceria Público-Privada, envolvendo Prefeitura, ASSETURC, Empresas Locais e voluntários. Com esse projeto, acredito que teremos condições de desafogar o trânsito na Avenida Alfredo Penido e dar um suporte ao turista com informações sobre a cidade. A segunda iniciativa é o desenvolvimento de um selo de procedência para colocar em alguns produtos de tear manual. Este selo tem por objetivo proteger e agregar valor aos produtos feitos no tear manual, além de divulgar ainda mais a nossa cidade. Em breve, daremos mais detalhes sobre isso. Muitas pessoas ainda associam a ASSETURC apenas ao artesanato. A associação possui estratégias para mudar essa concepção? A associação está trabalhando há um tempo para mudar essa concepção. Em outros mandatos foram feitas parcerias com empresas de combate à inadimplência, buscou-se oferecer novas formas de crédito seguro, como o cartão de crédito Sisprocard, além do oferecimento de serviços que abrangem todo tipo de empresa, por exemplo as consultas ao SPC, dentre outras ações. Também fazemos encontros empresariais para esclarecer sobre os serviços prestados. Porém, infelizmente, a participação dos empresários ainda não é a que desejamos, sendo que ela pode crescer muito. Acredito que agora, com

os novos projetos, vamos conseguir atrair os olhares dos empresários e do setor público de uma forma positiva para a ASSETURC. Precisamos nos unir para atingirmos nossos interesses comuns, que incluem o desenvolvimento econômico e turístico de Resende Costa. Com certeza, os novos projetos vão beneficiar a todos. Fomentar e estruturar o turismo tem sido um enorme desafio para o poder público e para a iniciativa privada em Resende Costa. Você concorda que o futuro do município, sobretudo econômico, depende também desse setor? A ASSETURC, em parceria com o setor público e privado, está preparando Resende Costa para receber melhor o turista, construindo o CAT, uma área de estacionamento, profissionalizando a propaganda do município com um website, criando um selo de procedência do artesanato etc. São projetos que irão, com certeza, abrir portas para o desenvolvimento do turismo e, consequentemente, para o comércio local. Nosso diretor financeiro, o Cláudio Rocha, está amadurecendo também a ideia de algum projeto que possa incentivar as compras em Resende Costa, de modo que possamos evitar ou, pelo menos, minimizar, a fuga de recursos para outras cidades. Isso daria impulso ao comércio local. Espera-se muito que Resende Costa invista no turismo rural devido aos inúmeros atrativos que o município oferece. A ASSETURC tem planos para estimular esse setor do turismo? A ASSETURC tem interesse em projetos para qualquer setor turístico. Com certeza, estamos dispostos a estimular e contribuir no que for possível com o turismo rural, que já ele poderia estar sendo explorado há muito tempo. O Centro de Atendimento ao Turista poderá contribuir, pois terá um site para divulgar melhor os atrativos, com propagandas impulsionadas em redes sociais. Também ajudará a criar uma rede de informação para o turista, facilitando o acesso a esses atrativos. Mas é importante que as empresas e os produtores passem a investir conosco nesse ramo tão importante que é o turismo rural. Felizmente já temos bons exemplos na cidade. Precisamos in-

centivar e vamos fazer isso! A ASSETURC está oficializando uma parceria público-privada (PPP) com o município para construção do CAT (Centro de Atendimento ao Turista), na Avenida Alfredo Penido. A obra é uma antiga demanda e considerada estratégica para melhor receber os turistas que visitam a cidade. Fale um pouco sobre esse projeto. Em nossas conversas sobre o que fazer para melhorar e desenvolver o comércio e o turismo de Resende Costa, tivemos a ideia de alugar o terreno do senhor José Eli para funcionar como estacionamento e um Centro de Atendimento ao Turista. Fomos conversar com o proprietário, que foi muito receptivo conosco. Claro que para desenvolver um projeto de tamanha grandeza precisamos de parceiros. O Cláudio do Supermercado Bom Preço, o Fernando Chaves e eu tivemos uma reunião com o prefeito Aurélio Suenes, que incentivou nossas ideias e disse que poderíamos celebrar um convênio para realizar esse sonho, por meio de um chamamento público. A partir daí, foi o momento de buscar parceiros para que o projeto fosse aprovado. Fernando Chaves nos ajudou com a parte burocrática. Cláudio e eu procuramos as arquitetas Isabela e Sabrina e elas toparam desenvolver o projeto arquitetônico voluntariamente. Com o convênio aprovado pela Câmara, ficou acertado que a prefeitura irá arcar com o valor do aluguel e com o custeio mensal de manutenção do CAT, do estacionamento e dos investimentos em publicidade para o município. A ASSETURC vai entrar com a construção do CAT e, para isso, conta com apoio dos diversos segmentos da sociedade de Resende Costa. Felizmente, estamos começando bem e já recebemos várias pessoas dispostas a apoiar. Mas ainda precisamos de muito apoio, pois é um projeto ousado. No projeto enviado à Prefeitura, consta, além do CAT, criação e desenvolvimento de um website que contenha informações sobre a cidade e seus atrativos turísticos. Você não acha que ainda falta mais investimento na divulgação dos nossos atrativos turísticos? Com certeza! A partir dos recursos liberados pelo setor público, consta no projeto do CAT a criação e o desenvolvimento de um website com todas as informações necessárias para o visitante. Além disso, está previsto o investimento em mídias sociais para impulsionar e divulgar melhor esse site, atraindo mais turistas à cidade. A Mostra de Artesanato e Cultura vem se consolidando a cada ano como um dos mais importantes eventos anuais realizados no município. A festa atrai público local e regional, oferece oficinas, apresentações culturais, shows, mas ainda esbarra na falta de recursos financeiros. Está faltando mais in-

centivo tanto da iniciativa privada quanto do poder público para a Mostra de Artesanato? Precisamos, sim, de mais envolvimento tanto do setor privado como do setor público para realizar um evento mais bem estruturado, à altura da importância que ele tem para o município. E não é só para a Mostra, mas também para a comemoração do aniversário da cidade. Os dois eventos se complementam. Precisamos valorizar mais a nossa cidade, nossos artistas locais, nossa história, nossa cultura, zelando também pelo bem-estar social. Um pouco mais de investimento financeiro na Mostra por parte do poder público também é necessário para colocar a cidade na mídia. Em comparação ao que se investe na Exposição Agropecuária, por exemplo, a Mostra fica muito aquém. Quais são os planos da atual diretoria da ASSETURC para a Mostra de Artesanato e Cultura? A ASSETURC pretende seguir realizando a Mostra em parceria com a Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, mantendo a linha de organização desse ano de 2019, a qual deu muito certo. Claro, tentando melhorar no que for possível, visto que ainda não teremos recursos necessários para realizar um evento de grande porte. É importante salientar que a Mostra está inserida nas comemorações do aniversário da cidade. É muito importante manter isso, inclusive o Encontro de Bandas, que é um evento lindo! Contamos muito com o apoio da Banda Santa Cecília e da Secretaria de Cultura para manter a programação oficial da Mostra e do aniversário da cidade. Mas, para isso, precisamos que os setores público e privado andem juntos a fim de garantir a continuidade e a melhoria da festa. Um dos grandes desafios da ASSETURC tem sido, desde a sua fundação, atrair o empresariado, ou seja, ter mais sócios comprometidos com a instituição. Como a diretoria pretende reverter essa situação e atrair mais sócios? Acredito que, através da execução de projetos como o estacionamento, o CAT, o Selo de Procedência e o website, além de outros que virão, a ASSETURC dará um grande passo a caminho do nosso maior desafio: continuar atraindo a atenção dos empresários para que possam enxergar a Associação como uma instituição que pode fazer algo benéfico para o comércio em geral. Já colocamos a mão na massa e, agora, mais do que nunca, precisamos de parceiros/sócios para fortalecer a Associação e realizar nossos projetos. Teremos muitos desafios pela frente e, por isso, aproveito para pedir a todos que colaborem, participem, comprometam-se com o crescimento da ASSETURC para que possamos fazer de Resende Costa um lugar melhor para se viver, bom para o turista, bom para o comércio e para todos.


PÁG. 6 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

CIDADE

Resende Costa terá Centro de Apoio ao Turista (CAT) Parceria público-privada envolvendo a ASSETURC, a Prefeitura, empresas locais e diversos voluntários prevê a construção do Centro na Av. Alfredo Penido no primeiro semestre de 2020 Foto divulgação

FERNANDO CHAVES

Um velho sonho do setor turístico de Resende Costa está em vias de ser realizado. A construção de um Centro de Apoio ao Turista (CAT) no local onde é realizada a Mostra de Artesanato e Cultura está nos planos da ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) para 2020, com o apoio da Prefeitura Municipal. A criação do CAT faz parte de um amplo projeto que envolve vários segmentos da sociedade resende-costense. Esse projeto ganhou o nome de “Estruturar para crescer” e prevê a implementação de várias ações público-privadas voltadas para a profissionalização do turismo local. Além da criação do CAT, o projeto prevê o lançamento de um website que funcionará como Agenda Cultural e Guia Turístico do Município. Esse portal de informações terá como público-alvo o turista que planeja visitar Resende Costa ou que já se encontra no município, fornecendo informações precisas sobre a história da cidade, sobre o artesanato, atrativos locais, calendário cultural, onde ficar, onde comer etc. O nome do portal será “Destino Resende Costa” e ele será impulsionado por meio de campanhas de publicidade nas mídias sociais, com o objetivo de atrair mais fluxo turístico para Resende Costa. “O projeto busca divulgar melhor a cidade e receber melhor o turista que nos visita”, comenta a nova presidente da ASSETURC, Luciene Cardoso. O Centro de Apoio ao Turista vai funcionar como um núcleo de inteligência do turismo, de onde será possível coordenar uma rede turística, mapeando atrativos, disponibilizando catálogos com horários de funcionamento de estabelecimentos comerciais, informações de como chegar à cidade, dentre outras. “Com o CAT será possível fomentar outras modalidades turísticas, como o turismo rural, estimulando atividades diversificadas como cavalgadas, caminhadas, passeios ciclísticos, visita a produtores rurais etc. Será mais viável, por exemplo, estimular o

consumo de produtos da nossa culinária, promover o conhecimento da história e da cultura local. Tudo isso pode contribuir para mantermos o turista por mais tempo em nossa cidade, dando maior impulso à economia local”, ressaltou o diretor financeiro da ASSETURC, Cláudio Rocha, que é representante direto do comércio local na diretoria da Associação. O projeto de criação do CAT tem natureza público-privada, dividindo os encargos entre o poder público e a iniciativa privada. O centro será construído com recursos da ASSETURC, que conta com o apoio do empresariado local e de diversos voluntários. A Prefeitura Municipal, por sua vez, entrará no projeto cobrindo os custos de manutenção do empreendimento, que incluem o valor de comodato do terreno, todo o custeio mensal de funcionamento do CAT, além dos recursos destinados às ações de propaganda turística do município, como manutenção do website e campanhas publicitárias previstas pelo projeto. A estrutura física do CAT prevê uma sala de recepção, que também poderá ser utilizada para exposições culturais, além de banheiros e espaço para estacionamento e manobra de ônibus e outros veículos turísticos, o que deve diminuir o transtorno do trânsito na Av. Alfredo Penido em dias de muito movimento. O projeto arquitetônico está sendo desenvolvido voluntariamente pelas arquitetas Sabrina Rafa e Isabela Resende e prioriza espaços abertos e que integrem o interior com o exterior, para que tudo flua bem durante todo o ano e também durante a Mostra de

Artesanato, conforme proposta trazida pelas arquitetas. A inauguração do CAT está prevista para a próxima edição da Mostra de Artesanato e Cultura, em meados de 2020. Selo de procedência do artesanato têxtil de Resende Costa Em paralelo ao projeto de criação do CAT, do estacionamento turístico e da maior profissionalização da propaganda turística do município, a ASSETURC está planejando a criação de um selo de procedência do artesanato têxtil de Resende Costa. O selo servirá para identificar os produtos autenticamente manuais, feitos no município. Será uma forma de valorizar o trabalho manual, estimular a preservação das técnicas artesanais de origem resende-costense, além de agregar valor ao produto local e promover o nome da cidade, ajudando a atrair mais fluxo turístico para o município. Para a realização deste projeto, a ASSETURC conta com a consultoria de uma equipe ligada ao mestrado de inovação tecnológica da UFSJ, representada pelo mestrando Bruno Dilascio. No momento, a associação está dando entrada nos documentos necessários junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) e desenvolvendo a parte estética do Selo. Também está elaborando suas normas de utilização, de acordo com os critérios do INPI. Mais informações sobre o Selo de Procedência Geográfica dos produtos artesanais de Resende Costa serão divulgadas em breve pela ASSETURC.

IPTU de Resende Costa sofre ajustes para 2020 VANUZA RESENDE

O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de Resende Costa teve aumento para o ano de 2020, comparado ao de 2019. O imposto é cobrado com base no valor venal dos imóveis, além de taxas como a de limpeza e a de coleta de lixo. Os valores cobrados na guia, que chegaram a aumentar em até 14%, motivaram discussões entre os cidadãos, em especial nas redes sociais. Alguns moradores da cidade questionaram a falta de limpeza nas ruas e de coleta do lixo. Um morador do Centro, que preferiu não se identificar, disse que se assustou com o valor da guia. “Eu sempre paguei em dia. Se quero os meus direitos, eu vou cumprir com os deveres. Mas não é assim, chegou uma guia com um aumento considerável aqui em casa. E meu imóvel não recebeu nenhuma alteração física, nenhuma melhora. O aumento foi maior que o previsto no aumento do salário mínimo, por exemplo. Será que está mesmo na hora de fazer aumento? Com a crise do país? A insatisfação não é só minha, é de todos com quem eu pude conversar. O poder público precisa refletir sobre esses aumentos. Além do prefeito, os vereadores podiam olhar a situação”, opinou o morador há 42 anos do município. O prefeito municipal Aurélio Suenes esclareceu o aumento, dizendo que foi necessário fazer o reajuste dos valores pelos serviços prestados pela prefeitura à comunidade. “Nós que estamos à frente da administração pública temos a nossa responsabilidade. Nós somos fiscalizados pelo Tribunal de Contas do Estado, pelo Ministério Público, pelo Controle Interno da Prefeitura, pela Câmara Municipal, entre outras diversas fiscalizações. E nós temos que nos atentar à renúncia de receita, que é quando você tem uma despesa clara e a arrecadação que você faz não é suficiente para cumprir a despesa. E o que vem cobrado na guia? A limpeza e a conservação de ruas, além da coleta de lixo”, explica o prefeito. Ainda de acordo com o gestor municipal, o valor do IPTU não é suficiente para cobrir todas as despesas da coleta de lixo. O lixo recolhido em Resende Costa tem como destino o aterro sanitário da cidade

de Sabará, região metropolitana de Belo Horizonte. “O que a população paga pela coleta de lixo não é suficiente para cobrir seis meses das despesas com a coleta de lixo. A média de cobrança aqui na cidade é de cem reais. Então, se o valor fosse para cobrir todas as despesas, seria muito maior”, afirma Aurélio. O presidente da Câmara Municipal, vereador Lucas Paulo, falou sobre o aumento e esclareceu que não houve nenhum projeto do Legislativo para reajustes do imposto. “Não aprovamos nenhum reajuste. O único projeto que passou pela Câmara esse ano foi o de 10% de desconto para quem pagar em dia o imposto, o que já estava estabelecido em outros anos. Foi o único projeto que passou pela Câmara em relação ao IPTU”, explica Lucas. Proprietários de lotes sem estrutura básica foram notificados pela Prefeitura Municipal – prazo para regularização vai até o dia 27 de dezembro Aurélio explica a situação de alguns moradores que receberam a cobrança do imposto com valores acrescidos pela falta de estrutura básica exigida pela Prefeitura Municipal, através da lei 4.378, que penaliza quem possui espaços no centro urbano que não apresentem passeio concretado e muro. A lei só foi aplicada para locais já urbanizados. “Duzentas guias sofreram aquela multa da lei que obriga a regulamentação de muros e calçadas. Resende Costa tem 7.200 imóveis cadastrados na prefeitura. Desses, 200 receberam a guia com os efeitos da lei por não terem feito calçada e muro. Então, nós tivemos guias que chegaram a mil reais, mas todas as pessoas que receberam foram notificadas, estava na lei, elas foram avisadas.” Ainda de acordo com Aurélio Suenes, se o proprietário ajustar o que define a lei até o dia 27 de dezembro, a guia retrocederá ao valor original, sem cobrança pela falta de regularização. “O proprietário precisa ir até a Prefeitura Municipal, no setor de Cadastro, e solicitar uma vistoria. Após essa solicitação, a guia será revista, com a diminuição dos valores”, orienta o prefeito.


ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 7

Praça Dr. Costa Pinto recebeu iluminação de Natal No sábado, 30 de novembro, a Prefeitura Municipal de Resende Costa inaugurou as luzes de Natal na Praça Dr. Costa Pinto, centro da cidade. O evento contou com a participação de músicos da cidade, da Orquestra Mater Dei e de grande público que se emocionou com a música e, especialmente, com as luzes que dão brilho ao Natal resende-costense. Resende Costa foi contemplada pelo projeto “Natal de Minas Gerais”. De acordo com a prefeitura, algumas cidades do estado receberam kits de enfeites natalinos distribuídos pela CEMIG. Em 2018, o projeto de iluminação de Natal foi realizado pelos servidores da prefeitura,

desde a parte elétrica até a produção e acabamento da casinha do Papai Noel, na Praça Nossa Senhora de Fátima. A secretária municipal de Administração, Thaísa Ribeiro, disse que para este ano, em reunião com o prefeito Aurélio Suenes e com José Antônio de Sousa, secretário de Obras, ficou decidido que se mudaria o local da iluminação. A praça escolhida para receber os enfeites natalinos foi a Dr. Costa Pinto. A prefeitura justificou a mudança por entender que o objetivo é iluminar uma praça com grande movimentação de pessoas. Segundo a secretária Thaísa, o local escolhido, próximo à rua Gonçalves Pinto, é um dos endereços da cidade que mais recebe movimento de pessoas à noite, sobretudo de jovens.

Jornal das Lajes e Rádio Inconfidentes receberam da JS Mídia o troféu Destaque do Ano 2019 ANDRÉ EUSTÁQUIO

Os dois veículos de comunicação de Resende Costa conquistaram, na categoria Imprensa, o troféu Destaques Empresariais – Resende Costa (MG) 2019. O prêmio é uma realização da “JS Mídia – Agência de Publicidade”. A entrega dos troféus e dos certificados às empresas vencedoras aconteceu no dia 29 de novembro na Churrascaria Ramona. O Jornal das Lajes e a Rádio Inconfidentes foram representa-

dos, respectivamente, pelos diretores André Eustáquio Melo de Oliveira (Editor-chefe do JL e diretor de programação da Rádio Inconfidentes), Eustáquio Peluzi Chaves (diretor de administração do JL e diretor tesoureiro da ACRADATEC/Rádio Inconfidentes FM) e Cláudio Luís Resende (presidente da ACRADATEC/Rádio Inconfidentes FM). Parabéns ao empresário e publicitário Stellyano Patrick pela iniciativa e a todas as empresas resende-costenses que se destacaram em 2019!

André Eustáquio, Cláudio Luís e Eustáquio Peluzi representaram o Jornal das Lajes e a Rádio Inconfidentes no evento de entrega do Troféu Destaques Empresariais 2019

Iluminação da prefeitura O prédio da Prefeitura Municipal de Resende Costa também recebeu iluminação de Natal. As luzes foram instaladas após a conclusão da iluminação da Praça Dr. Costa Pinto, conforme já havia ocorrido no ano passado. De acordo com Thaísa Lara, a prefeitura utilizou o mesmo material que foi doado no ano passado pela CEMIG. Já os adereços artísticos foram feitos pelos servidores, que contaram com o apoio, durante a montagem, da Secretaria Municipal de Obras. “Esse ano a única despesa que a prefeitura teve com a decoração de Natal foi com a casinha do Papai Noel. Foi necessário comprar madeira e tinta. As telhas foram reaproveitadas”, informou a secretária de Administração.

Inauguração da iluminação de Natal na Praça Dr Costa Pinto contou com grande presença de pessoas da cidade. O evento teve a participação da Orquestra Mater Dei

Casinha do Papai Noel na Praça Dr. Costa Pinto atraiu as crianças na noite de inauguração da iluminação de Natal

Churrascaria Ramona comemora aniversário de nove anos Em 2010, um grande empreendimento ganhava vulto em Resende Costa. Na avenida Alfredo Penido, entrada da cidade, inaugurava-se a Churrascaria Ramona – considerada uma das maiores churrascarias da região, que não tardou a atrair grande público de Resende Costa, de cidades vizinhas e turistas. No último dia 15 de novembro, a Churrascaria Ramona completou nove anos. A programação de aniversário contou com um animado e concorrido Jantar Dançante com a banda Farra Trio. “A noite foi de casa cheia e tivemos sorteio de brindes. A Churrascaria Ramona agradece a presença de todos nesta data muito especial”, disse Luara Ramona, proprietária da Churrascaria. A.E.

Fotos Luara Ramona

VITÓRIA CRISTINA

Fotos Luana Chaves

ACONTECEU

Marquinhos, proprietário da Churrascaria Ramona, realizou entrega de prêmios

Show com a banda Farra Trio agitou o jantar dançante de comemoração dos 9 anos da Churrascaria


PÁG. 8 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

Cultura

Comédia “O Contrato” marcou a estreia da Trupe Cália no palco do Teatro Municipal de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO

O palco do Teatro Municipal de Resende Costa recebeu, entre os dias 8 e 17 de novembro, um espetáculo de comédia. A Trupe Cália, novo grupo de teatro formado por atores resende-costenses, encenou a comédia “O Contrato” – uma adaptação livre feita pelo diretor da Trupe, Ezequiel Cassemiro dos Santos Cruz, a partir da peça “De Ovo de Cobra Só Sai Sogra”, do dramaturgo Antônio Carlos Théko. A peça conta a história de Renato, que está enfrentando a crise da meia-idade e esbarra em diversos imprevistos, como, ser despedido do emprego, ter muitas dívidas, ter o filho envolvido com drogas e se separar de sua esposa. “Ele chega a um momento em que não sobrou mais nada em sua vida, pelo menos era o que ele pensava. Neste emaranhado de coisas, Renato recebe a visita de Lúcifer e do Anjo Tafarell, que vieram disputar a única coisa que lhe sobrou, a sua alma. Essa visita traz muitas brigas, confusões e trapalhadas à trama. É impossível segurar a risada”, conta Ezequiel. “O Contrato”, que teve no elenco os atores Cleide Oliveira, Luana Chaves e Hamilton Douglas, entrou em cartaz no dia 7 de novembro, com apresentações nos finais de semana, encerrando no dia 17. De acordo com o diretor da Trupe Cália, a comédia recebeu muitos elogios da plateia e despertou o interesse de outras cidades da região. “A peça saiu de cartaz aqui em Resende Costa no dia 17 de

novembro e foi muito elogiada pelo público, o que fez surgir o interesse de pessoas de outras cidades.” A última cidade que recebeu “O Contrato”, neste ano, foi Ritápolis, no dia 7 de dezembro. Segundo informou Ezequiel Cassemiro, em 2020 a Trupe retomará a turnê regional com a comédia “O Contrato”. “Levaremos, assim, o nome de nossa Trupe e de nossa querida Resende Costa a outras cidades”, planeja o diretor. PROMOÇÃO E INCENTIVO À ARTE O diretor Ezequiel Cassemiro conta como surgiu a ideia de criar uma companhia de teatro em Resende Costa, batizada com um nome forte que lembra a Tropicália – movimento cultural brasileiro da década de 60, liderado por grandes artistas, como Caetano Veloso e Gilberto Gil. A Trupe Cália surgiu em agosto deste ano a partir do envolvimento de atores e entusiastas do teatro em Resende Costa. “O público, que sempre esteve presente em atividades culturais na cidade, estava me questionando por que motivo não estava acontecendo há um bom tempo peças teatrais com pessoas aqui da cidade. Até mesmo artistas que estavam há tempos longe dos palcos se ofereceram para participar de alguma peça e, assim, matar a saudade do palco”, diz o diretor da Trupe. Conversas e encontros com atores, colaboradores e pessoas ligadas à cena cultural de Resende Costa deram o impulso decisivo para a criação de uma companhia de Teatro. “Convidei

esses atores para montarmos uma peça. E aí começaram a surgir muitas outras ideias para trabalhos. Nas reuniões que fizemos, os integrantes do grupo também davam ideias e com o tempo foi amadurecendo a proposta de criarmos uma companhia, mas precisávamos de um nome”, revela Ezequiel. O nome apareceu a partir de uma conversa do Ezequiel com o jornalista e ex-secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, Fernando Chaves, e com o ator Hamilton Douglas. “O Fernando sempre me perguntava pela trupe. E o nome acabou pegando. Então ficou decidido que seríamos uma Trupe. Em uma reunião, estávamos em um assunto bem descontraído sobre a cultura no país e o Hamilton Douglas, um dos integrantes da Trupe, lembrou do movimento tropicalista e sugeriu que o nome fosse Trupe Cália. Todos aprovaram a ideia e batizamos nosso grupo assim.” Segundo informou Ezequiel Cassemiro, o objetivo da Trupe Cália é “incentivar a cultura em nossa cidade e região”. Para isso, o grupo pretende oferecer às pessoas interessadas, sobretudo em teatro, atividades artísticas, como oficinas, exposições e exibição de peças teatrais. “Ofereceremos diversos trabalhos culturais, no menor intervalo de tempo possível entre eles, justamente para dar opções às pessoas e fazer com que o Teatro Municipal sempre esteja ativo. Inclusive, queremos estabelecer parcerias com artistas da cidade e da região. Não queremos ficar somente presos ao teatro, traremos também outros

Foto divulgação

Em 2020 a Trupe planeja investir em novas montagens, oficinas de teatro e projetos artísticos

Trupe Cália estreou em Resende Costa com a comédia O Contrato

estilos de arte”, afirma Ezequiel. Na estreia da comédia “O Contrato”, a Trupe contou com a participação do pintor e artista resende-costense Ângelo Márcio, que expôs no Teatro Municipal algumas de suas telas. “Quem foi assistir à peça pôde ter contato com esse outro tipo de arte. Também tivemos outra parceria, com o grupo ‘Entre Nós’, responsável pela confecção de caixas, cuja finalidade é recolher doações de alimentos e materiais de limpeza para o Hospital Nossa Senhora do Rosário e para o Lar São Camilo.” O grupo deixou uma caixa no Teatro Municipal nos dias de exibição da peça. A comédia “O Contrato” marcou a estreia da Trupe Cália no Teatro Municipal de Resende Costa. Mas o grupo não pretende parar por aí. O diretor Ezequiel Cassemiro revela que a Trupe aproveitará o período das férias de fim de ano para oferecer oficinas de teatro a crianças e adolescen-

tes: “A proposta é que eles tenham contato com os palcos. Realizaremos montagens com eles e, atendendo a um pedido do público, exibiremos uma peça infanto-juvenil. Já estamos montando essa peça, que estreará no início de 2020.” De acordo com o diretor, a Trupe Cália pretende ser, além de uma companhia de teatro, um movimento que promove e incentiva outros grupos, atores e pessoas que desejam participar de atividades culturais em Resende Costa. “Não queremos ser um grupo exclusivo e fechado, muito pelo contrário: a ideia é incentivar o surgimento de mais grupos artísticos, possibilitando-lhes atuar na cidade. Pretendemos também incentivar o surgimento de novos artistas e estimular pessoas que já participaram de grupos de artes e desejam uma nova oportunidade para voltar aos palcos. A Trupe surgiu para apoiar a todos”, conclui Ezequiel Cassemiro.

São João del-Rei realiza várias atividades em dezembro, mês de aniversário da cidade VANUZA RESENDE

O município de São João del-Rei celebrou seus 306 anos no dia 8 de dezembro. A festa de celebração do aniversário da cidade histórica do Campo das Vertentes mescla uma programação que se funde com o período natalino. A Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Cultura, lançou uma programação repleta de eventos. O secretário Marcus Frois falou sobre as festividades. “Como são várias atividades na programação do aniversário da cidade, a gente fala que dezembro e o “mêsversário” de São João del-Rei. Tentamos também trazer o comércio para a programação natalina. Além da questão religiosa e da fé. Então, temos uma programação com os eventos para tentar impulsionar o comércio, e uma outra parte: a fé e a cultura através da programação natalina”, explicou o secretário. A programação para celebrar o aniversário de São João del-Rei começou no dia 1º de dezembro, às 20h, no Teatro Municipal, com o lan-

çamento do livro “Composições Musicais – Coletâneas”, de Abgar Campos Tirado. O evento, com entrada gratuita, foi uma homenagem ao compositor são-joanense. A obra foi uma realização do Instituto Histórico e Geográfico e contou com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de São João del-Rei, do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural (CMPPC). No dia 06 de dezembro, aconteceram a inauguração da iluminação natalina no Largo da Cruz e a reinauguração da fachada da Prefeitura. O projeto fez parte da revitalização de edifícios da cidade, como o Coreto e o Teatro Municipal. A parte interna do prédio da Prefeitura já havia sido reformada. No dia 08 de dezembro, foi preparada uma comemoração de 12 horas de festa. O evento foi realizado no Alto do Cristo Redentor, no Senhor dos Montes. De acordo com a diretora de eventos, Amanda Ribeiro, “a intenção foi resgatar pontos históricos e turísticos da cidade”. No domingo também aconteceu uma

corrida rústica pelas ruas da cidade, com vários atletas de São João del-Rei e da região, inclusive com a presença da Equipe Novo Amanhecer, de Resende Costa. Em todos os sábados do mês de dezembro, acontecerão apresentações de músicos no Coreto da cidade, das 10 às 12h. A música é inclusive um dos carros-chefes da programação de 2019, com apresentações de bandas e corais da cidade em pontos de intensas movimentações, como nas escadarias do Teatro Municipal e em igrejas. Outra atração que permanecerá durante todo o mês de dezembro é o Papai Noel, que chegou com carreata no dia 05 de dezembro e se instalou em sua Casinha na Praça Doutor Salatiel. A programação dos eventos, ao longo de todo o mês de dezembro, está na página oficial da Secretaria de Cultura no Facebook. HOMENAGENS O Museu Regional realizou um recital com a organista Elisa Freixo, no dia 05 de dezembro. A apresen-

tação trouxe vários simbolismos da história são-joanense. Fabricado no final do século 18, na região de São João del-Rei, o órgão é o único de origem civil em funcionamento que foi confeccionado no Brasil, com técnicas manuais e matérias-primas locais. O 38° Batalhão da Polícia Militar realizou no dia 06 de dezembro, em frente à sede do batalhão, uma cantata executada por diferentes grupos artísticos, corais e artistas da região. Estiveram presentes na homenagem, o coral do Colégio Tiradentes de São João del-Rei, o Coral Alegro, o Coral da Banda Sinfônica do Santuário Bom Jesus de Matosinhos e a Orquestra do Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier. O evento fez homenagem também aos 14 anos do 38° Batalhão da Polícia Militar. 306 ANOS A história de São João del-Rei originou-se do antigo Arraial Novo do Rio das Mortes. A ocupação do arraial remonta a 1704, quando o

paulista Lourenço Costa descobre ouro no ribeirão de São Francisco Xavier, ao norte da encosta da Serra do Lenheiro. Algum tempo depois, o português Manoel José de Barcelos encontrou mais ouro na encosta sul da Serra do Lenheiro, num local chamado Tijuco. Foi ali que se estabeleceu o primeiro núcleo de povoamento que daria origem ao Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, vindo a ser chamado, mais tarde de Arraial Novo do Rio das Mortes. Já bastante próspera, em 1713 a localidade é elevada à vila e recebe o nome de São João Del Rei em homenagem a Dom João V, rei de Portugal. Passados três séculos, São João del-Rei se tornou um importante polo comercial da região do Campo das Vertentes. Com boa parte do centro histórico bem preservada, São João del-Rei mescla arte barroca, o ecletismo e o modernismo. Essa evolução urbana e a harmonia com as construções mais recentes chamam a atenção dos turistas de todas as partes do Brasil e até mesmo do exterior que visitam a cidade diariamente.


ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Criança lendo a redação sobre o Natal

O Natal

O Natal é uma festa de fim de ano. Perguntei pro meu pai o que é a palavra “Natal”. Ele me falou que quer dizer nascimento. Então eu pensei: se Natal é nascimento, então Natal é festa de uma vida que começa. Natal não é festa de fim de ano... mas de começo de ano porque alguém nasceu. Minha mãe gosta de enfeitar o apartamento com uma porção de coisas coloridas. Ela fala que é Natal. Ela também prepara umas coisas legais da gente comer. Tem peru assado, fruta, refrigerante, rabanada, farofa, vinho... esse último eles não deixam porque criança não pode ficar tonta. Fica tudo alegre e o apartamento cheio. Todo mundo conversando na sala, todo mundo com roupa nova, cabelo esticado, copo na mão e cheiro de banho. A gente também brinca de Amigo Oculto. O Amigo Oculto é uma brincadeira. A gente brinca dele. Olha num papelzinho picado o nome da pessoa e então a gente tem que dar presente pra ela. O nosso Amigo Oculto é sem graça porque todo mundo já sabe o que é que vai ganhar. Minha mãe tem uma listinha com os presentes de todo mundo. Mas é só ela que sabe quem. O Amigo Oculto tem umas coisas que a gente nem espera. Ano passado, eu saí com o meu pai, o meu pai saiu com a minha mãe, a minha mãe saiu comigo e nós três saímos da brincadeira porque travou tudo. Teve que começar de novo. Tem também o Papai Noel. Ele aparece no Natal. Vem numa carrocinha. As renas são animais bonzinhos. A carroci-

nha do Papai Noel é o trenó. As renas puxam o trenó do Papai Noel. Ele é velho, tem barrigão, barba branca, touca na cabeça e anda de vermelho. Faz “Rô-rô-rô”. Eu nunca ouvi a risada dele. Nem sei do que ele fica rindo. Como é que o Papai Noel entra no meu apartamento? Lá não tem lareira nem chaminé. Também não sei como é que ele sai. Só sei que ele vai. O Papai Noel deixa uma porção de presentes na árvore de Natal. A árvore fica piscando a noite toda. O Papai Noel pode entrar nas casas de madrugada. Ele não leva nada das casas. Só deixa. É de confiança. O Natal é festa do nascimento. Não é nascimento do Papai Noel porque ele já é grandão e velhinho, não dá pra ele entrar na mãe dele de novo e nascer outra vez. Minha mãe me contou que quem nasceu no Natal é o Menino Jesus. Mas ele nunca nasceu lá em casa. Nunca vi o Menino Jesus. Todo mundo fala que ele é amigo, alegre e muito inteligente. Sabe fazer milagres e ama todo mundo. Perguntei pra minha mãe por que o Menino Jesus nunca nasceu no nosso Natal. Ela ficou quieta. Acho que não sabia. Então eu falei pra minha mãe que eu vou falar pro Menino Jesus que ele vai poder nascer lá em casa. Acho que ele nunca nasce lá porque não encontra espaço. Minha mãe passou a mão no meu rosto com ternura. Depois saiu de perto, enxugando os olhos. O Natal tem dessas coisas. Mas não era pra ninguém chorar.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

• PÁG. 9

Nos embalos do Natal Muitos lamentam o fato de que a tevê, pelo menos por enquanto, não é capaz de transmitir o aroma das gostosuras anunciadas nas propagandas e dos pratos preparados diante das câmeras nos inúmeros quadros ou programas inteiros dedicados à gastronomia, tendência em alta hoje no país. Sabendo que os sentidos se complementam, isso é mais ou menos como ver uma música cifrada no papel ou apresentada somente em palavras. Pensei nisso ao me lembrar das tradicionais canções de Natal, interessada em falar das letras que elas têm e que ganham mais beleza através dos sons que embalam toda temporada natalina, e que vocês certamente reconhecerão aqui. É bom esclarecer que a grande produção de músicas natalinas no Brasil se deu entre os anos 30 e 60 com a explosão da nossa indústria fonográfica. Relembrando algumas delas. Composta em 1932 por Assis Valente e gravada no ano seguinte por Carlos Galhardo, com arranjo de Pixinguinha, Boas Festas (ou Anoiteceu) é uma marchinha de versos tristes e realistas. Apenas um trecho: “Eu pensei que todo mundo/ fosse filho de Papai Noel./ Bem assim felicidade. / Eu pensei que fosse uma brincadeira de papel. / Já faz tempo que eu pedi, / mas o meu Papai Noel não vem. / Com certeza já morreu. / Ou então felicidade / é brinquedo que não tem.” De maneira oposta, em O velhinho, de Octavio

Babo Filho (primo de Lamartine Babo), a visão do autor apresenta um certo traço de alienação social ao retratar um Papai Noel sempre justo. Para ele, “Como é que Papai Noel não se esquece de ninguém. / Seja rico ou seja pobre, / o velhinho sempre vem.” Completando o trio, o destaque fica para Natal das crianças. Com mais de 40 regravações, é um clássico do compositor e cantor Blecaute, com uma bonita proposta de harmonia coletiva. “Natal, Natal das crianças. / Natal da noite de luz. / Natal da estrela-guia. / Natal do Menino Jesus. / Blim, blão, blim, blão./ Bate o sino da Matriz. / Papai, Mamãe rezando. / Para o mundo ser feliz...” Em se tratando do repertório internacional, três músicas são imbatíveis em versões livres para o português. Uma delas é Jingle Bells (Bate o sino), que rivaliza com o próprio Papai Noel no quesito popularidade. A outra é Stille Nacht – (em alemão, Noite Silenciosa, com adaptação do título em português para Noite Feliz), em versão brasileira de 1912. Considerada pela Unesco em 2011 Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, essa canção é puro encantamento, especialmente para a noite do dia 24. De cunho religioso, ambas anunciam o nascimento de Jesus em versos singelos que enaltecem a paz e a simplicidade. A terceira é Happy Xmas (War is over), lançada em 1971, originalmente uma canção de protesto contra a Guerra no Vietnã, e imortalizada por John Len-

non. União entre as pessoas e esperança no que virá são propostas presentes nessa bela música, que ganhou uma versão bem-sucedida da cantora Simone em 1995. Nesta época repleta de cores e luzes, de sons melodiosos e vozes cantantes, quando beijos, abraços e apertos de mão são trocados com votos de felicidade, que haja verdadeiramente o sentido do bem em nossos gestos. E, diferentemente do lamento banal diante das imagens da tevê que mostram o que não pode ser captado pelo cheiro nem experimentado pelo paladar, que haja a alegria possível diante da mesa posta para a celebração do bom Natal. TURMA DAS LULUZINHAS – Fechando as comemorações de seus 15 anos de existência, a Turma das Luluzinhas, um grupo de Resende Costa (do qual participo) formado por mulheres ligadas pela amizade e pelo prazer dos bons encontros, promoveu um almoço beneficente no último 10/11 com renda destinada ao Hospital N.S. do Rosário e ao Lar São Camilo. Naquele dia, não tivemos somente mais uma de nossas tantas reuniões. Na companhia de familiares, amigos e demais pessoas que compareceram ao Barril Bar, e aliando diversão e trabalho, praticamos nossa melhor forma de ser. E não há nada de extraordinário no que foi feito. Muitos fazem, fazem muito. Que assim seja!


Um olhar sobre Resende Costa

Lei Orgânica protege árvores e monumentos do centro de Resende Costa Três espécies são protegidas, entre elas uma árvore da Praça Cônego Cardoso que muitas pessoas conheciam como sendo o mítico Pau-Brasil ANDRÉ EUSTÁQUIO

A Lei Orgânica do Município de Resende Costa, promulgada no início da década de 1990, na seção Cultura, artigo 185, considera “monumentos municipais de conservação permanente” as lajes existentes na sede do município; a caverna denominada ‘Buraco do Inferno’, as reservas florestais e fontes situadas no centro e na periferia da cidade, as praças, cachoeiras, grutas, Teatro Municipal, os Cruzeiros, os Passinhos e as árvores situadas nas praças Coronel Sousa Maia, Dr. Costa Pinto e o “Pau-Brasil existente na Praça Cônego Cardoso”. O parágrafo segundo do artigo 185 atribui ao Executivo Municipal a “obrigação de manter e preservar todos os monumentos do município”. Dentre os monumentos protegidos pela Lei Orgânica, as três árvores situadas nas principais praças do centro da cidade despertam curiosidades. Muito já se discutiu acerca de qual espécie de fato pertence a histórica árvore plantada no centro da Praça Cônego Cardoso, próximo ao cruzeiro. A maioria dos resende-costenses cresceu ouvindo a informação (inclusive nas escolas) de que se trata de um Pau-Brasil – espécie de árvore nativa de algumas florestas do Brasil que tanto lucro gerou aos portugueses, na época em que ainda éramos colônia. Uma entrevista com Murton de Carvalho Moreira, Técnico Am-

Árvore da espécie Sobrasil localizada na Praça Cônego Cardoso

biental e funcionário da agência avançada do Instituto Estadual de Floresta (IEF) em Resende Costa, trouxe informações interessantes e ao mesmo tempo reveladoras sobre as três árvores das principais praças do centro da cidade. “A árvore da Praça Cônego Cardoso é conhecida popularmente em nossa cidade como Pau-Brasil, mas ela não é um legítimo Pau- Brasil. Trata-se de uma espécie nativa conhecida como Sobrasil (Saguaraji Sobrasil) e seu nome científico é Columbrina glandulosa”, informou Murton. Segundo o técnico do IEF, a árvore é bastante utilizada para construções na zona rural, uma vez que possui madeira de cerne vermelho e de grande durabilidade. “Quanto ao Pau-Brasil, é uma espécie nativa, porém não encontrada em nossa região. Sua presença se dá com maior frequência no leste de Minas, próximo ao Espírito Santo e ao sul da Bahia”, esclareceu Murton Moreira. “A árvore de Pau-Brasil possui folhas pequenas de coloração verde escuro e em seu caule há presença de acúleos (espinhos), que ficam na superfície da casca. Sua flor é pequena e amarela, com centro vermelho”, completou. OUTRAS ESPÉCIES PRESERVADAS Além da árvore da Praça Cônego Cardoso, que agora sabemos se tratar de um Sobrasil, o artigo 185 da Lei Orgânica preserva também as belas e frondosas árvores que ornamentam e sombreiam as praças Coronel Sousa Maia e Dr. Costa Pinto, ambas no centro da cidade. Murton Moreira falou ao JL sobre essas duas espécies. “A árvore do Rosário (Praça Coronel Sousa Maia) é uma planta nativa da flora brasileira, conhecida popularmente como ‘Orelha de Negro’ ou ‘Tamboril’. Ela é encontrada em quase toda a flora brasileira, desde Pernambuco até o Rio Grande do Sul e pertence à família da Fabaceae. O seu nome científico é Enterolobium Maximum. É uma árvore de grande porte e chega a atingir 45 metros de altura. Sua madeira não é de boa qualidade para uso nobre. Já a árvore da Praça Doutor Costa Pinto não é uma planta nativa. Ela é oriunda da África, sendo conhecida como Espatódea ou também

como Bisnagueira. É uma árvore de crescimento rápido, chegando a 25 metros de altura, e faz parte da família Bignoniaceae. Essa espécie foi muito utilizada para arborização nas décadas de 60 e 70, devido à beleza de sua florada vermelha e ao crescimento rápido. Hoje ela já não é mais recomendada para arborização, pois suas raízes quebram calçamentos e as flores, de acordo com os especialistas, são tóxicas para as abelhas.” Sobre o Tamboril que sombreia o Largo do Rosário, sua presença na praça costuma despertar polêmica na cidade e dividir opiniões. Nas últimas décadas, a árvore, que chega a atingir de 20 a 35 metros de altura e de 80 a 160 centímetros de diâmetro, ganhou grandes proporções, levando algumas pessoas a defenderem o seu corte ou uma poda radical. No entanto, há mais defensores da permanência da árvore do que quem deseja extirpá-la da praça. O JL conversou com o advogado e Oficial de Justiça da Comarca de Resende Costa, Cláudio Luís Resende, que, no início da década de 90, foi vereador constituinte da Lei Orgânica do Município. Ele exerceu, na ocasião, o cargo de relações públicas da Lei Orgânica. “Pude ofertar algumas propostas substanciais ao projeto original, que era um modelo para todos os municípios. Neste esboço original, dentre outras questões relevantes, entendi que o património histórico cultural não era protegido pela lei. Foi então que propus ao plenário algumas mudanças que culminaram na aprovação do artigo 185 que trata dos monumentos históricos que, no meu entendimento, mereciam ser protegidos por lei”, disse o ex-vereador. Cláudio Luís, que atualmente preside a ACRADATEC/Rádio Inconfidentes FM, explicou o motivo que o levou a escolher os monumentos que passaram a ser preservados pela Lei Orgânica: “A questão das árvores protegidas se prendeu ao fato de que o Pau-Brasil existente (na Praça Cônego Cardoso) era a única espécie plantada nas praças. Embora não seja o legítimo, foi o que se adaptou na nossa região e serve para lembrar o nome do nosso país, como árvore símbolo.

ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

Fotos André Eustáquio

PÁG. 10 • JORNAL DAS LAJES

Árvore da Praça Coronel Sousa Maia, protegida pela Lei Orgânica

A árvore da Praça do Rosário sempre foi o marco mais imponente ali existente. Os demais monumentos jamais poderão ser esquecidos do dever de serem preservados, tanto pelo poder público como pela sociedade em geral. Afinal, um povo sem história e sem memória não pode seguir rumo ao futuro. Outro fator que me chamou atenção em proteger as lajes se deve ao fato de que partes delas foram transmitidas a terceiros, quer pela ocupação ilícita ou pela outorga do poder público.” O advogado e ex-vereador esclarece que, se houver necessidade, o artigo 185 da Lei Orgânica pode ser modificado, porém deve-se respeitar o trâmite necessário. “Gostaria de lembrar que, embora a Lei Orgânica necessite de rito próprio para modificação, esse artigo envolvendo os monumentos culturais poderá ser modificado em virtude de novos fatos e atos que vislumbrem a necessidade de alteração, seja para incrementar ou erradicar monumentos, sem, contudo, perder a essência da preservação e da história que cada monumento representa para nossa cidade. ” CIDADE MAIS ARBORIZADA Nas grandes cidades, o verde vem perdendo cada vez mais espaço para o cinza dos prédios, do asfalto e da poluição. Nuvens de fumaça já não permitem às pessoas verem o azul do céu, tampouco contemplar o brilho das estrelas numa noite enluarada. Esse cenário um tanto quanto poético felizmente ainda é possível de ser admirado nas pequenas cidades do interior, onde o nível de poluição ainda está controlado e a ganância selvagem da especulação imobiliária não destruiu a natureza por completo. Em Resende Costa, a Capoeira Nossa Senhora da Penha, uma mata nativa localizada no centro da cidade e também protegida pela Lei Orgânica, vem resistindo a duras penas. Vista das Lajes de Cima, a Capoeira aos poucos vai se tornando apenas um pequeno amontoado de árvores sufocadas por casas e ruas. Para muitas pessoas, as árvores nas ruas são sinônimo de incômo-

do. Os incomodados argumentam que as árvores sujam e danificam as calçadas, colocam em risco pessoas e veículos. Murton Moreira pensa diferente. Para ele, quanto mais arborizada for uma cidade, melhor qualidade de vida terá a população. “O que precisamos é de conscientização da população do quanto é benéfico termos uma cidade arborizada. Uma maior quantidade de árvores nas cidades proporciona melhorias no microclima e na qualidade de vida em geral; melhora muito o aspecto estético, atrai a presença de pássaros; diminui o calor do sol, os ruídos e, principalmente, colabora com a renovação do oxigênio. De acordo com algumas pesquisas, uma área arborizada pode ser até 4 graus mais fresca do que uma área sem árvores”, defende o funcionário do IEF. A topografia de Resende Costa dificulta, segundo Murton, a presença de mais árvores nas ruas. O que não impede de se elaborarem projetos de arborização adequados. “A cidade de Resende Costa, como todas as cidades mais antigas, foi construída com ruas mais estreitas, principalmente na área central. Isso traz certas dificuldades de se realizar arborização. Contudo, nada impede de se fazer o plantio de árvores de pequeno porte e mais adequadas para arborização urbana”, explica o técnico ambiental. Cláudio Luís, vereador constituinte que propôs o artigo 185 da Lei Orgânica que preserva os monumentos municipais de conservação permanente, revela o seu sonho de ver um dia as Lajes de Cima, principal cartão-postal de Resende Costa, revitalizadas. “A principal motivação desse artigo da Lei Orgânica foi sem dúvida a preservação. No entanto, uma questão me chama a atenção até hoje e se prende ao meu desejo maior que era, e continua sendo, a revitalização das Lajes de Cima, dado o seu potencial turístico. Daquele tempo até os dias de hoje, passaram-se muitas administrações que pouco ou nada fizeram, pelo menos naquilo que entendo ser necessário, para a realização do meu sonho de ver transformadas as lajes em um local totalmente adaptado aos novos tempos”, conclui o ex-vereador.


ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

RELIGIÃO

Padre Joaquim Carlos de Resende Alvim completou 140 anos de falecimento

ANDRÉ EUSTÁQUIO

No dia 13 de novembro de 1879, a pequena Lage – atual Resende Costa – se cobriu de luto. Aos 82 anos de idade, falecia o vigário Joaquim Carlos de Resende Alvim (1797-1879), primeiro pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, criada em 3 de abril de 1840. Cento e quarenta anos após a morte do padre Joaquim Carlos, a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França celebrou uma solene Missa de Requiem, no último dia 15 de novembro, em memória do vigário que dedicou longos anos do seu sacerdócio ao Arraial da Lage e à paróquia local. Conforme relata o escritor resende-costense José Maria da Conceição Chaves, o Juca Chaves, em seu livro “Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage”, publicado em 2014 pela amiRCo (Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa), padre Joaquim Carlos de Resende Alvim nasceu na Fazenda dos Campos Gerais, possivelmente no ano de 1797. Ele era filho legítimo do antigo escrivão do juízo da Provedoria da Vila de São João del-Rei, capitão-mor Gervásio Pereira Alvim, português natural de Coimbra, e de dona Francisca Cândida de Resende, irmã do conselheiro José de Resende Costa, o filho. Portanto, o padre Joaquim Carlos era neto do capitão e inconfidente José de Resende Costa, proprietário da Fazenda dos Campos Gerais. PRIMEIRO VIGÁRIO Em 1840, o Curato da Lage foi elevado à condição de Paróquia e o vigário Joaquim Carlos, que na ocasião residia na Fazenda dos Campos Gerais e era o responsável por ministrar os ofícios litúrgicos na capela da Lage, foi apresentado ao Governo Provincial como vigário colado em 7 de novembro de 1840. Lageano de nascimento, padre Joaquim Carlos deixou a Fazenda dos Campos Gerais ainda adolescente para se ingressar no renomado

Seminário de Mariana, onde realizou seus estudos preparatórios para o sacerdócio. No dia 24 de maio de 1823, ele foi ordenado sacerdote pelo então bispo de Mariana, dom frei José da Santíssima Trindade. “Desde cedo se lhes manifestaram os pendores de uma legítima vocação”, escreveu Juca Chaves. De acordo com relatos históricos, padre Joaquim cumpriu praticamente todo seu ministério sacerdotal na Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França da Lage. “Sempre residiu o vigário Joaquim Carlos nos Campos Gerais, ao lado daqueles entes queridos que lhe deram o ser e por quem nutria extremado afeto e, após o trânsito deles, continuou a viver ali, de onde se afastava por exigência do ministério, para celebrar, na Lage, o Santo Sacrifício da Missa e demais atos do culto, nos dias de preceito e festas”, conta Juca Chaves. Ainda segundo o escritor resende-costense, relatos de pessoas da antiga Lage afirmam que o padre Joaquim Carlos “foi um pastor solícito, angelicalmente puro, de desmedida caridade, não descurava de suas ovelhas a que muito amava, trazendo-as sempre presas ao seu aprisco por uma velada assistência e constante pregação”. Padre Joaquim geriu a paróquia até 13 de novembro de 1879, quando faleceu aos 82 anos de idade. MISSA DE REQUIEM Segundo o escritor Juca Chaves, no dia 22 de março de 1880, foi celebrada na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, “grandes exéquias em sufrágio da alma do vigário Joaquim Carlos de Resende Alvim, as quais contaram de três missas e solene Libera me”. No dia 15 de novembro de 2019, 140 anos após o falecimento do vigário da Lage, a Paróquia que recebeu dele tanto zelo e dedicação celebrou solene Missa de Réquiem em sua memória. A celebração aconteceu na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França e foi presidida pelo pároco local, padre Fábio Rômulo Reis. “Com gratidão, fizemos memória de sua marcante presença como pastor solícito, bem como de todos os ex-párocos falecidos, que

Foto Edésio Lara

Solene Missa de “Requiem”, celebrada na igreja Matriz de Resende Costa, fez memória do primeiro pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França

Quadro com a foto do padre Joaquim Carlos foi exposto no presbitério da igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha

deixaram sinais indeléveis na espiritualidade desta comunidade”, destacou padre Fábio, que, no transcorrer da celebração, recordou-se dos ex-párocos e sacerdotes filhos de Resende Costa já falecidos. A missa contou com a participação do Coro e Orquestra Mater Dei, dirigido pelo maestro Wagner Barbosa. O grupo executou a “Missa de Requiem” do compositor tiradentino Antônio de Pádua Alves Falcão (1848-1927), que a escreveu especialmente para sua filha, falecida precocemente em 1923; o “Les Mort”, do francês Jacques Louis Battmann (1818-1886), e o tradicional Libera me, Domine, de compositor anônimo, executado pelo Mater Dei nos ofícios fúnebres. Além desse repertório, a orquestra entoou, antes da procissão de entrada, a Marcha Fúnebre “Maria da Penha Sousa”, composta pelo músico resende-costense Elvis Washington Reis na ocasião do falecimento da musicista e ex-maestrina do Mater Dei, que dá nome à obra. “O Coro e Orquestra Mater Dei sempre esteve atrelado a grandes comemorações em nosso município, especialmente as de cunho religioso. Em 1880, foram realizadas celebrações das exéquias do padre Joaquim Carlos e solene Libera me, Domine. Não sabemos se o grupo que realizou a música naquela época foi contratado, se foi algum grupo local ou ainda se foi o grupo que deu origem

• PÁG. 11

IMPRENSA

Documentário sobre tragédia de Brumadinho foi lançado em novembro na UFSJ VITÓRIA CRISTINA*

No dia 29 de novembro, em São João del-Rei, no campus CTAN da UFSJ, aconteceu, às 19h, a exibição do documentário “Heróis da Lama”, de autoria da jornalista e repórter da GloboNews Mariana Queiroz. Logo em seguida, a jornalista proferiu uma palestra, através de videoconferência, sobre o documentário. Mariana Queiroz revelou durante a palestra que, antes de produzir o documentário, estava nervosa, pois “sabia que tinha um desafio: mostrar o lado humano desses personagens (que trabalharam no desastre humano e ambiental resultante do rompimento da barragem de rejeitos de minério da Vale, em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte). Mas como conseguiria isso? Eles são tão bem treinados, precisam ser frios para trabalhar nessas situações. Depois de alguns dias de convívio, conhecendo os parentes, os amigos, acho que consegui o que tanto queria. Não só ouvimos as histórias de cinco bombeiros que trabalharam em Brumadinho, mas acima de tudo

à nossa orquestra. 140 anos depois, a música volta a ser parte importante da celebração”, disse o maestro Wagner Barbosa. Em 1879, padre Joaquim Carlos foi sepultado, provavelmente, no túmulo de seus pais no interior da igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha. Lamentavelmente, as sucessivas obras de ampliação e até mesmo de demolição da igreja Matriz fizeram com que desaparecesse o túmulo da família dos Resende Costa. Portanto, não se tem notícias de onde foram parar os restos mortais do neto do capitão e inconfidente José de Resende Costa, o pai, e ilustre primeiro pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha. Na procissão de entrada da solene Missa de Réquiem, foi levado até o presbitério da Matriz de Nossa Senhora da Penha, por dois seminaristas, o quadro com a foto do vigário Joaquim Carlos de Resende Alvim. A foto, que atualmente se encontra exposta no Museu de Arte Sacra da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, na galeria dos ex-párocos, é um dos poucos registros que se tem do primeiro pároco

ouvimos profissionais que são pais, filhos, esposas que encararam a tragédia como se as vítimas fossem da própria família”, disse a jornalista. O DOCUMENTÁRIO O documentário foi lançado no último dia 9 de novembro, no canal pago GloboNews. A tragédia, que ocorreu em janeiro de 2019, deixou um rastro de mais de 290 hectares de terras cobertos de lama e centenas de mortos. “Heróis da Lama” fala sobre o trabalho exaustivo do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais durante o resgate às vítimas do rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Vale, em Brumadinho. O lançamento do documentário no Campus Tancredo Neves (CTAN) da UFSJ aconteceu graças ao empenho da professora Filomena Bomfim, coordenadora do curso de Comunicação Social – Jornalismo, que tem como objetivo trazer profissionais da comunicação para orientar seus alunos. *Aluna de Comunicação Social – Jornalismo da UFSJ, estagiária no Jornal das Lajes.

da Lage. Existe também o “De Genere” (espécie de biografia do religioso a partir do momento em que ele se tornava clérigo) do padre Joaquim, arquivado na Cúria Metropolitana da Arquidiocese de Mariana. No feriado da Proclamação da República de 2019, os conterrâneos do padre Joaquim Carlos de Resende Alvim rezaram pelo descanso eterno de sua alma, 140 anos após o seu falecimento. Uma bonita e tocante manifestação de fé e de gratidão pelo trabalho e pela vida, agora eterna, daquele que, segundo relato de Juca Chaves, “o mundo não seduziu, não guardou rancor, jamais se deixou negligenciar no cumprimento de sua obrigação (...). E que repetia, sem cansar, que não buscou as ordens como um meio de vida, mas tão somente para a sua santificação, louvando sempre os seus pais por lhe terem proporcionado os recursos para a sua ordenação”. Fonte: “Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage”, de José Maria da Conceição Chaves (Juca Chaves), amiRCo, 2014.


PÁG. 12 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

Retalhos literários EVALDO BALBINO

As cores do Natal brasileiro - 2019 O Natal se aproxima e atravessará mais uma vez os céus do Brasil, não com trenó e renas comandadas pelo Papai Noel, mas com dúvidas e opressões coagindo o anil e suas 27 estrelas. De origem pagã (mesmo que muitos cristãos não o saibam ou não o aceitem), a festa natalina é tudo hoje, menos a comemoração do nascimento do deus encarnado, o homem Jesus. Em sua natureza divina, Jesus de Nazaré é o Cristo, palavra grega Khristós, significando “ungido” e traduzida do hebraico Māšîa que, transliterada ao português, chegou-nos como Messias. E esses nomes greco-judaicos foram apropriados, nos dois últimos anos, por alguns a dizerem que hoje temos um “messias” no controle do nosso país. Isso é dupla parvoíce sem limites. “Parvoíce”, porque a crença paternalista de que um homem governa sozinho um país é erro dos piores; o governo de uma nação republicana e democrática como a nossa é

feito também por umCongressoonde existe de tudo um pouco: tensões, seriedades e, infelizmente, leviandades. E também “parvoíce”, porque vivemos num momento em que leituras fanáticas ede um messianismo vazio já não mais procedem. Para nossa desgraça, no entanto, os fanatismos religiosos não cessam de aumentar; e são frutos, na maioria dos casos, de uma ignorância de muitos manipulada por mestres em fazer lavagens cerebrais. Desinformação e passividade grassam como ervas daninhas nas terras brasis. As vestes do bom velhinho são brancas e vermelhas. E bem antes de essa vestimenta estar a serviço de uma grande empresa de bebidas, o presenteador sobre chaminés já fazia uso dessa roupagem entre outras representações. Mas a face comercial do senhor de barbas brancas ficou de fato cada vez mais evidente. E ainda que Noel apareça constantemente em propagandas e ofusque a imagem de Cristo, nem um nem outro prevale-

cem. O que conta é vender e comprar. É fazer do gesto de dar presente, não um rito de sociabilidade amável, mas sim uma demonstração de que nossa alma é produto industrial. Entre comércios e indústrias nestes tempos natalinos, fico a pensar em algumas cores, no que elas dizem e no que desejo queme digam: verde, amarelo, azul, branco e vermelho. E a bandeira e o hino do meu país e o bom velhinho se conjugam no meu ruminar que não cessa. Eu poderia sonhar com a personagem voando os céus, aquela construída pelo escritor Clement Clarke Moore em seu poema “Uma visita de São Nicolau”. E meus olhos de sonho veriam “A lua no peito da recém-caída neve” que “Dava luz de meio-dia a tudo o que tocava”. Veriam ainda, para sua surpresa idealista, “Um trenó miniatura, e oito renas pequeninas, / Com um velhinho motorista, tão alerta e ágil”. Também em devaneios eu veria nossa bandeira e o nosso Hino dizen-

do de um raio vívido de esperança, de lindos e risonhos campos com muitas flores, de bosques plenos de vida, de nossa vida no seio do Brasil com mais amores, de um sol da liberdade no céu da pátria, de um céu formoso e risonho e límpido, da imagem resplandecente do Cruzeiro, do lábaro estrelado ao som do mar e à luz do céu profundo. Eu poderia sonhar com tudo isso, mas não sonho. De tudome resta o branco sem inscrições positivistas e anunciador de placidez. Porque meus olhos desejam uma grande paz (não num futuro, mas agora), e não acredito nas glórias dum passado cheio de equívocos e explorações. Resta-me também o vermelho. Não o vermelho do velhinho a serviço do comércio entre pessoas. Não o vermelho comunista, esta assombração reinante nos discursos elitistas do Brasil e em nome da qual golpes se instalam e ferem de morte os processos democráticos. Muito menos o

vermelho do sangue dos explorados e assassinados. Mas sim o vermelho da vida pulsando em nós. Ninguémme conforta. Nem Clement em seu tenro poema, nem Joaquim Osório Duque-Estrada com o Hino Nacional, nem Gonçalves Dias no seu “Canção do exílio”. E olhem que não deixo de amar e apreciar a beleza desses textos! Mas ufanismos não me fisgam; antes me fazem ficar atento e forte diante de perigos que voam pelos nossos céus. Não adianta me falarem em nome de Deus e de uma Pátria amada. Não aceito palavras tomadas em vão. No antepenúltimo verso do poema de Clement, cria-se uma imagem do Noel e das renas que permanece em mim, “And away they all flew like the down of a thistle”, que assim traduzo: “E voaram longe, como pétalas de um cardo”. Vejo pétalas voando, perdendo-se nos ares até ficarem sem cor. E assim experimento exílio no meu próprio país.

O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

O fim do DPVAT. Por quê? O presidente da República, Jair Bolsonaro, por medida provisória, acabou, a partir de janeiro de 2020, com o Seguro de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de via Terrestre (DPVAT) e o seguro de danos pessoais causados por embarcações ou cargas (DPEM), até então obrigatórios para o licenciamento. A decisão foi motivada por fraude e desvio de recursos relacionados a este seguro e também invocando razões econômicas. Difícil de entender: fraudes se resolvem com fiscalização e punição, não por extinção. Razões econômicas: como, se 50% do recolhido vão para o governo?! E cabe aqui uma pergunta já feita pela imprensa (OEstado de São Paulo, 18/11/19): “Nesse contexto, o fato de uma das seguradoras atingidas pelo fim do DPVAT pertencer ao deputado Luciano Bivar, (presidente do PSL) desafeto do presidente Bolsonaro, é

apenas um intrigante detalhe”? Extingue o que não se deve extinguir, como se não provocasse grave prejuízo social. Pense nos milhares de vítimas de acidente de trânsito no Brasil, anualmente na casa de uns 300 mil. Vítimas pobres em sua maioria, portanto impossibilitadas de contratar um seguro, e/ou um advogado para pleitear indenização. O seguro é abrangente. Cobre motoristas, passageiros e pedestres. Cobre danos pessoais ou morte mesmo que não se saiba quem foi o responsável. Apenas 20% dos veículos, rodando por aí, possuem um seguro facultativo. Portanto, a maior parte só tem a proteção do DPVAT. Ajuda significativamente. As cifras mostram. A indenização por morte aos parentes da vítima, ou por invalidez permanente dela: R$ 13,5 mil, além de uma indenização por despesas médicas, que pode chegar a R$ 2,7 mil, caso a vítima não te-

nha sido atendida por um hospital do SUS. Aproximadamente 460 mil pessoas são indenizadas por ano. Entre 2009 e 2018 foram indenizadas por invalidez 3,27 milhões de pessoas. O governo alega que as vítimas não estarão desassistidas, pois “no caso das despesas médicas e suplementares, há atendimento gratuito e universal na rede pública, por meio do SUS e “para os segurados do INSS, também há a cobertura do auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, auxílio-acidente e de pensão por morte.” “Aos que não são segurados do INSS, o governo federal também já oferece o Benefício de Prestação Continuada com o pagamento de um salário mínimo mensal para pessoas que não possuam meios de prover sua subsistência ou tê-la provida por sua família”. O SUS não é seguradora, portanto. Esses argumentos, a meu ver, não valem. Segundo Antônio Pentea-

do Mendonça, advogado especialista em seguros, as alegações de que o SUS teria condições de atender as vítimas porque já o faz são absolutamente improcedentes. “Isso não é verdade, até porque o SUS não indeniza por morte e nem por invalidez. Como se não bastasse, o SUS, que não tem recursos para fazer frente ao mínimo exigido dele, ainda por cima vai perder a verba destinado pelo seguro. O DPVAT foi constituído para que os donos de veículos tivessem alguma proteção no caso de acidente e com preço acessível a todos. Além do mais, os administradores são empresas particulares. Por que a nação tem que custear totalmente os danos provocados por um carro particular, nada cobrando do cidadão, seu proprietário? As Santas Casas e hospitais filantrópicos respondem por mais de 50% dos atendimentos pelo SUS. Estão com a corda no pescoço, pois

há 15 anos as tabelas do SUS não são reajustadas devidamente. Acrescente-se que das 2.172 destas entidades de saúde, 968 são responsáveis por todo atendimento hospitalar de seus municípios que costumam não pagar ou pagam pouco, porque também estão em crise. O DPVAT destina 45% da receita ao SUS, já tão precário. E vem o governo, arbitrariamente, extingui-lo, abdicando de uma receita anual de R$ 4 bilhões destinados à Seguridade Social e ao Sistema Único de Saúde e ao Sistema Nacional de Trânsito! Espera-se que o Congresso Nacional rejeite esta MP. Já há propostas neste sentido. Pelo jeito, contará com o apoio também da população, pois uma enquete, promovida pelo Senado, recentemente, já contava até o momento com 7.609 votos contra a extinção e somente 1.168 a favor. E o que penso. E você?


ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

MÚSICA

Obra de violinista mineiro que imita sons ambientes chega a oito países O violinista Leonardo Feichas é o maior especialista em Flausino Valle na atualidade JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A obra do violinista barbacenense Flausino Valle corre o mundo, já passou por oito países (Colômbia, Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Portugal, Espanha, Escócia e Suécia). A missão é desempenhada pelo também violinista mineiro Leonardo Feichas, não apenas o maior especialista em Flausino Valle na atualidade como também o curador (desde 2017) do violino que pertenceu ao músico por delegação da família. O violino, reformado, foi estreado em junho último durante o III Encontro de Cordas Flausino Valle: performance e ensino coletivo, na Universidade Federal de Pelotas (RS). A partir de agora, o instrumento – que não era executado desde 1954, ano da morte de Flausino –, acompanha Leonardo em suas apresentações no Brasil e no exterior. “Boa parte dos prelúdios que estudo foi composta com esse violino”, diz Feichas. Pouquíssimos brasileiros já ouviram falar do compositor e violinista Flausino Valle, natural de Barbacena, na região do Campo das Vertentes. Sua obra musical, no total de 26 prelúdios para violino solo, retrata a imitação de sons ambientes, como uma porteira de fazenda, passarinhos, carro de boi e viola caipira. Flausino dos Reis Rodrigues Valle viveu entre os anos de 1894 e 1954. Aos 18 anos de idade deixou sua terra natal para estudar em Belo Horizonte. Formou-se advogado, foi violinista de orquestra de cinema mudo nos cines Odeon e Comércio, tocou em rádios e ainda foi violinista da Sociedade de Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte. Apelidado por Villa-Lobos de “Paganini brasileiro” – compositor e violinista italiano que revolucionou a arte de tocar violino – Flausino deve ser mais conhecido na Europa do que no Brasil, diz o musicólogo, violinista, professor e investigador artístico Leonardo Feichas, mineiro de Itajubá.

Em Barbacena, Flausino estudou apenas quatro anos de violino com o seu tio José Augusto Campos. “É muito pouco para a formação de um violinista. Normalmente, são 10 anos pelo menos de estudo, muitos violinistas inclusive com passagem pela Europa”, observa Feichas. Como Flausino não foi moldado no parâmetro europeu de técnica, ele buscou representar em sua música paisagens sonoras relativas ao seu meio ambiente, observa Leonardo: “Então, sua música é descritiva e onomatopaica”. Em 1936, Flausino publicou o livro “Elementos do folclore musical brasileiro”. Além de advogado e violinista, foi professor de história da música e do folclore no Conservatório Mineiro de Música. DESCOBERTA Flausino foi descoberto pelo renomado violinista lituano Jascha Heifetz. Durante visita a Belo Horizonte, Jascha recebeu de suas mãos a obra musical “Ao pé da fogueira” – prelúdio 15 dos 26 prelúdios compostos por ele. O lituano trouxe a peça para a Europa e, a partir daí, outros grandes nomes também a executaram, conta Leonardo: “Villa-Lobos também teve a oportunidade de conhecer o Flausino.” Esquecido, Flausino foi redescoberto em 1985 pelo violinista polonês, naturalizado brasileiro, Jerzy Milewski. Ele gravou 21 dos 26 prelúdios, “o que foi muito importante para começar a revelar Flausino”, conta Leonardo. “A partir dele (Jerzy), começaram a surgir pesquisas acadêmicas sobre Flausino, como as de Hermes Alvarenga (UFRGS, 1993) e Camila Fresca (USP, 2011), entre outras. Hermes abordou o aspecto de estilo e Camila, o aspecto histórico.” Em 2013, Leonardo Feichas sintetizou os dois autores, ao abordar os aspectos estilísticos e históricos da obra de Flausino, na dissertação de mestrado apresentada à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Posteriormente, o seu trabalho foi adaptado para livro com o título “Da porteira da fazenda ao batuque mineiro: o violino brasileiro

de Flausino Valle”. O prefácio do livro de Leonardo foi escrito pelo professor britânico Jonathan Morton, violinista spalla (músico que fica à esquerda do maestro e lidera a orquestra) da London Sinfonietta e diretor artístico da Scottish Ensemble. CONTATO Leonardo escutou o LP de Jerzy Milewski pela primeira vez em 2007, durante o curso de graduação na Unicamp. “Aí eu fiz a minha primeira pesquisa de iniciação científica sobre Flausino, sob a orientação do professor doutor Eduardo Ostergren.” O primeiro contato com a família de Flausino aconteceu em 2009 quando Leonardo conheceu o filho do músico barbacenense, Guatemoc Valle, sua esposa Helena e seus filhos Heloisa e Yara. Desenvolveu-se uma amizade a tal ponto que a família se tornou para Leonardo uma importante fonte primária de pesquisa (as outras são manuscritos e documentos pessoais, como o diário do músico). “Eu toco as peças para o filho de Flausino e tenho feed-back.” Assim, Leonardo ganhou novo fôlego e retornou à Unicamp para aprofundar seus estudos sobre Flausino no curso de mestrado. Durante o curso, em agosto de 2012, recebeu uma bolsa de estudo para participar do “Dartington International Summer School”, no sul da Inglaterra. Na audiência do recital, estavam o violinista e maestro Jonathan Morton e o lendário maestro inglês Sir Neville Mariner. “Foi a primeira vez que saí do país para tocar. Depois vieram muitas outras oportunidades”. Em 2014, Leonardo assumiu a cadeira de violino no curso de licenciatura em música da Universidade Federal do Acre (UFAC). Foi um dos idealizadores do projeto de extensão universitária Camerata de Cordas, que coordena em parceria com a professora Letícia Porto e o professor Marcelo Brum. No Brasil, Leonardo lançou, em 2016, o livro sobre Flausino Valle, com turnê de recital em universidades e livrarias de várias capitais brasileiras.

• PÁG. 13

Trilha sonora RENATO RUAS PINTO

Te recuerdo A música sempre foi uma expressão popular muito forte e uma canalização da voz das massas. Enquanto acontecia um concerto em algum palácio da nobreza europeia medieval, em uma feira popular próxima, muito provavelmente um menestrel cantava canções satirizando seus governantes. É o que chamaríamos hoje de “música de protesto”, termo que ficou popular nos anos 60. Aquela década ficaria marcada por protestos vigorosos em todo o mundo: contra inúmeras ditaduras, contra a guerra do Vietnã, nos EUA, movimentos de independência na África e Ásia e outras bandeiras. A participação da intelectualidade e artistas nas mais diversas formas de luta foi uma constante e a música sempre foi um canal bastante democrático por permitir que a criatividade transformasse a voz e um violão em armas poderosas. Porém, muitas vezes essa militância cobrou preços caros dos seus artistas. Em alguns casos, o maior a se pagar. Os protestos recentes no Chile, de grande proporção e que já duram várias semanas, trouxeram a lembrança de um artista importante para aquele país e que pagou com a vida pela sua militância: Victor Jara. Jara simboliza como poucos essa força da música como canal de expressão e tem sido comum ouvir as multidões entoando suas canções nos protestos atuais. Victor Jara foi um cantor, compositor e diretor de teatro consagrado em seu tempo e que sempre pautou sua arte pelas causas sociais e pelo resgate da cultura popular chilena. Ao participar de grupos dedicados ao folclore chileno, começou a compor e logo foi incentivado pela compatriota Violeta Parra (autora de clássicos como “Gracias a la vida” e “Volver a los 17”) a seguir com seu trabalho. Foi um dos expoentes nos anos 60 do movimento conhecido por “Nova Música Chilena”, marcado pela recuperação da música tradicional chilena e politicamente engajado. O Chile teve um respiro democrático e de reformas sociais importantes entre 1964 e 1973 nos governos de Eduardo Frei e Salvador Allende. O governo do último, porém, foi interrompido

por um golpe militar cuja primeira ação foi prender e fuzilar sumariamente milhares de potenciais opositores ainda nos primeiros dias do golpe. Victor Jara estava entre estes prisioneiros. Jara já era um artista de renome no teatro e na música, com oito discos gravados. Sua atuação devotada às causas sociais e a proximidade com o governo de Allende, entretanto, foram fatais. Foi barbaramente torturado e teve seus dedos das mãos todos quebrados em um gesto de simbologia macabra de que não iria mais tocar. Na sequência foi metralhado e seu corpo encontrado com mais de quarenta perfurações de bala. Esta violência desmedida dá a ideia de quanto a cultura e as artes são ameaçadoras para regimes ditatoriais ou de cunho autoritário. É impossível não fazer um paralelo com a nossa ditadura e lembrar de nossos artistas perseguidos, exilados e censurados, como Geraldo Vandré, Chico Buarque ou Caetano Veloso. Ou não pensar na pauta recorrente de combate à cultura e seus agentes promovida pelo governo atual, desde a campanha eleitoral. O fato de o novo presidente da Funarte difundir teorias malucas, como aquela em que coloca os Beatles e Elvis como comunistas trabalhando para destruir o capitalismo, nos demanda posicionamento firme e vigilância, muito além do desprezo e chacota do primeiro instante. Outra lição que tiramos é a de que a truculência não consegue calar a arte. Victor Jara e sua música retornam em um momento crucial para os chilenos e “Para não dizer que não falei das flores”, de Vandré, foi cantada mesmo no auge da ditadura. Ditadores passam para o lixo da história como merecem, enquanto grandes artistas são celebrados geração após geração. Porém, como diz a música, “é preciso estar atento e forte”. De tempos em tempos aparecem forças para combater as artes, sempre empunhando uma falsa bandeira de moralismo ou em uma suposta defesa da “beleza da arte verdadeira”. Desconfie. E conheça a obra de Victor Jara, que pode ser encontrada nas principais plataformas de streaming.


PÁG. 14 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

Informe Publicitário PROMOÇÕES

Sicoobcard traz rodada dupla de promoções e prêmios para usuários do cartão Campanhas regional e estadual distribuirão TV’s e automotores Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), mais de 120 milhões de brasileiros devem fazer compras para o Natal deste ano – e se somar aos mais de 5 milhões de consumidores que aproveitaram as promoções da Black Friday em novembro. Se você é um deles e usou seu Sicoobcard na função crédito, ganhou prazos para pagar, pontos para trocar por vantagens exclusivas e, claro, mais cupons para concorrer na campanha Dê um UP! no seu Sicoobcard. A promoção é voltada aos associados do Sicoob Credivertentes e tem dois novos sorteios programados: um no dia 27 de dezembro, com premiação de 20 televisores LED 50” e outro em 3 de janeiro, valendo um UP! zero quilômetro. Não é só isso. Desde o dia 1º de dezembro, pagar compras no crédito garante Números da Sorte para outra novidade, o Cartão Premiado Sicoobcard. Nessa ação do Sistema Crediminas, cooperados mineiros concorrem a seis automotores nas transações feitas até 29 de fevereiro. DÊ UM UP! A campanha do Sicoob Credivertentes começou em março e já premiou 38 associados com TV’s. Uma delas foi Karen Lara, de Resende Costa. Agora com tela espaçosa conectada à Netflix no quarto, a farmacêutica celebra a nova fonte de entretenimento. “Eu fiquei tão emocionada quando soube! Até gritei e pulei de felicidade”,

diz divertida. O gerente do Ponto de Atendimento local, Alessandro Caldeira, compartilhou essa alegria. “Não há cena melhor para nós. Campanhas como esta são uma forma de homenagear as pessoas que estão conosco ao mesmo tempo em que nos mostramos ainda mais presentes em suas vidas”, disse. No dia 27 de dezembro, outros 20 aparelhos serão sorteados, sendo um para cada agência física da Credi no Campo das Vertentes e na capital mineira, Belo Horizonte. Menos de uma semana depois, será a hora de saber quem começará 2020 com automóvel novinho na garagem. O UP! 0km será sorteado no Centro Administrativo da instituição em 3 de janeiro – e pode ser seu! Para participar, basta utilizar seu Sicoobcard nas compras presenciais ou via internet. Cada R$50 em compras na sua fatura dará direito a um cupom da promoção, que deve ser retirado na sua agência de relacionamento. Depois, basta preenchê-los, depositar na urna disponível e torcer. O regulamento está disponível em nossos Pontos de Atendimento e no site www.credivertentes.com.br. CARTÃO PREMIADO SICOOBCARD Essa promoção acontece anualmente e envolve os usuários do cartão de crédito associados à Central Crediminas. O Sicoob Credivertentes é uma das singulares que a compõem no Estado. Assim,

quem faz parte da cooperativa e tem Sicoobcard pode concorrer. Desta vez, os prêmios serão 5 Fords Ka e a uma Hilux cabine dupla novinhos. Vale lembrar que a sorte grande já bateu à porta de associados da Credi duas vezes nessa mesma campanha. A primeira em 2016, quando Adair José de Carvalho, associado em Madre de Deus de Minas, ganhou uma S10 completa e uma TV LED 40”. “Na hora a gente nem sabe definir o que sente. O susto se mistura com uma alegria muito grande, além de gratidão, claro”, comentou na época. Já na campanha mais recente, com último sorteio em fevereiro de 2019, foi Géssica Marina Alves, de Morro do Ferro, quem comemorou a surpresa de um Renault Kwid Zen 0km. “Nunca ganhei um sorteio, nem em quermesse (risos). Por isso mesmo demorei a acreditar na notícia. Agora, o que sinto é felicidade e muita gratidão a Deus. Esse prêmio veio na melhor hora pra mim e pra minha família”, festejou. Quer ter um cupom nessas urnas? Também é bem simples: basta escolher o Sicoobcard como opção pra pagar as compras no crédito. Cada R$100 serão convertidos automaticamente em um Número da Sorte virtual. Depois é só cruzar os dedos. O primeiro sorteio, valendo um Ford Ka, acontece em 22 de janeiro. Para outras informações, acesse www.cartaopremiadosicoobcard.com.br. por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

REFLEXÕES

COOPERATIVISMO MODELO ECONÔMICO INOVADOR “O movimento cooperativo constitui uma inovação essencial para uma boa e nova sociedade” (Robert Shiller, Prêmio Nobel de Economia de 2013) Não restam dúvidas de que o cooperativismo é uma doutrina inovadora, transformadora e revolucionária, agregando compromisso social ao objetivo econômico; um movimento que busca soluções justas, conscientes e inclusivas utilizando os próprios recursos pessoais e locais na luta contra problemas comunitários - onde muitas

vezes falham ou inexistem as iniciativas privada e pública. Afinal, os desafios de nosso tempo são enormes, cabendo a cada cidadão empenhar seu esforço pessoal e coletivo na minimização ou eliminação dos mesmos. O Cooperativismo em muito pode – e deve - contribuir para reduzir a concentração da riqueza, fazer decair a desigualdade social, tornando-se a face humana do mercado, desenvolvendo a sociedade, promovendo a cidadania, a justiça financeira. Ou seja: tornando a sociedade mais coerente, consciente; economicamente autossustentável. O cooperativismo de crédito, além da inclusão

social, preconiza a democratização e a expansão do capital, o fortalecimento da organização social – em especial das comunidades menos desenvolvidas –, a prosperidade coletiva através do “self-help” (ajuda reciproca, o “fazer você mesmo”), o direito e o acesso universalizado à riqueza social (renda, trabalho, saúde, habitação, educação, saneamento, tecnologia, informação etc). Em sintese, é parte da reforma do ser humano sob os mais sublimados principios na certeza de que, unidos, temos condições de promover grandes transformações no meio e no tempo em que vivemos.


ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 15

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Ao longo deste ano, demos atenção especial às comemorações pelo centenário da Escola Estadual Assis Resende. Ouvimos alunos, muitos deles matriculados nos anos iniciais de funcionamento do educandário. Através dos seus depoimentos, foi-nos possível ter ideia de como funcionava a escola na primeira metade do século passado. Nesta edição, a última do ano, voltamos nossa atenção para a pessoa de Eunice de Sousa Gomes, que teve sua vida de estudante e de profissional ligada à escola. Ela nasceu em 23 de junho de 1938 e, sete anos depois, iniciou seus estudos. Concluídos os primeiros quatro anos de escola, fez o “admissão”, curso oferecido em Resende Costa, na época, pelo professor Geraldo Sebastião Chaves e que durava um ano. Imediatamente após o curso, ela se transferiu para São João del-Rei para ficar, em regime de internato, no Colégio Nossa Senhora das Dores, onde cursou o ginásio e o magistério, durante sete anos. Em 1961, já com vinte e três nos de idade, ainda fez um curso de especialização em matemática com a professora Beatriz Alvarenga em São João del-Rei. Terminado esse curso, Eunice sentiu-se preparada iniciar a carreira de professora, o que aconteceu após de ter sido aprovada em concurso públi-

co e ser nomeada como efetiva na Escola Estadual Assis Resende, em 1963. Dona Eunice, como é chamada por muitos, além de professora também foi diretora da escola. Noutro momento, atuou como supervisora da merenda escolar e, também, como inspetora pedagógica, o que a fez viajar por todos os povoados do município. Muitos a viam como diretora dessas escolas, o que era um erro. Suas idas às escolas rurais do município eram periódicas, portanto completamente diferente de quem exerce a função de diretor (a) e que exige presença diária da pessoa no local de trabalho. No Assis Resende ela permaneceu até se aposentar. Da sua vida na escola como aluna, ela se lembra, com gosto, das trocas de merenda que fazia com os colegas de classe. José Peluzzi, seu pai adotivo, como bom cozinheiro que era, fazia questão de deixar sua lancheira cheia de doces, queijos, salgados e sucos que ela não dava conta de consumir. Por isso mesmo, não titubeava em doar ou fazer trocas de lanches com os colegas. Uma dessas trocas era bastante curiosa: o lanche era permutado por cipós. Isso mesmo, cipós que eram utilizados para a brincadeira que conhecemos de “pular corda”, um dos divertimentos mais

apreciados pelas crianças na hora do recreio. Enquanto educadora, seu maior orgulho reside no fato de ter conseguido alfabetizar um aluno que havia chegado à escola com deficiência auditiva. “Eu o coloquei sentado na primeira fileira da sala e ele conseguiu estudar, aprender a ler e escrever. Era um menino muito pobre, cuja família não tinha condições de comprar pilhas para o aparelho de escuta que conseguira. Foi quando o Gilberto, casado com a Anália, minha irmã, começou a trazer as pilhas de Belo Horizonte. Ele doava as pilhas e o menino usava o aparelho somente em sala de aula, para economizá-las”, conta dona Eunice. Por fim, outra boa lembrança que tem dos muitos anos de trabalho na Escola Estadual Assis Resende foi ter feito muitos amigos. As professoras, naquela época, atuavam com uma mesma classe durante o segundo, terceiro e quarto anos do grupo. Terminados esses três anos de trabalho com a mesma turma, o que se via era a amizade travada entre a professora e seus alunos. Eu, que sou filho de uma professora, sou testemunha disso. São muitos, mas muitos mesmo, os que me abordam para dizer: fui aluna(o) da sua mãe. Tenho muita saudade dela. Assim acontece com dona Eunice e tantas outras professoras que ti-

Foto Arquivo Pessoal

Dona Eunice: recordações de aluna e professora da E. E. Assis Resende

Professora Eunice (centro) e suas alunas

vemos e das quais temos saudade, guardando respeito e admiração pelo resto de nossas vidas. A dedicatória anotada atrás da fotografia que escolhemos para ilustrar este texto é prova disso. Na pequena

fotografia em preto e branco do Foto Scylla, vem escrito: “A D. Eunice uma recordação de suas alunas Aparecida e Maria Geralda. Saudades. 5/11/65.”


PÁG. 16 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 200 - DEZEMBRO 2019

Equipe “Novo Amanhecer” lança calendário do Circuito RTR de 2020

Foto divulgação

ESPORTE

Circuito será realizado em seis cidades e inclui uma ultramaratona de 70km VANUZA RESENDE

Os resende-costenses já se acostumaram com o grande número de atletas correndo, seja para competir ou apenas para treinos nas ruas da cidade. O atletismo caiu no gosto das pessoas e é uma modalidade que não apresenta nenhuma, ou quase nenhuma, restrição para quem deseja começar a praticar uma atividade física. Para efeito de comparação, em 2009 a Equipe de Resende Costa “Novo Amanhecer” tinha apenas quatro integrantes. Após uma década de fundação, já são 80 atletas, com a presença de moradores de Ritápolis, Coronel Xavier Chaves, Lagoa Dourada e Prados. Das ruas, a equipe começou a desbravar as paisagens das montanhas e das estradas de terra, encontrar uma nova atmosfera e desafios

até então desconhecidos. Motivou ainda a criação de um grupo para a prática de corridas em trilha: o RTR – Resende Trail Run. De acordo com um dos fundadores do grupo “Novo Amanhecer” e do RTR, Luiz Nei Resende, durante as corridas o contato com a natureza é um dos grandes diferenciais da modalidade. Em 2019, municípios da região participaram do circuito. “Criamos um ranking neste ano, com cinco cidades, sendo uma etapa em cada: Barroso, Lagoa Dourada, Ritápolis, Resende Costa e Coronel Xavier Chaves. Com três percursos: o curto de 6 a 8 km, o médio de 12 a 14 km e o longo de 20 a 22 km”, conta Luiz. Ele ainda acrescenta que participaram cerca de 300 atletas em cada etapa, com premiação para os melhores na última etapa. LANÇAMENTO DO RTR 2020 No último dia 29 de novembro,

a equipe participou do lançamento das etapas do Circuito RTR 2020. O evento oficial foi realizado na Câmara Municipal de Resende Costa com a presença de autoridades e membros da equipe “Novo Amanhecer”. O sucesso desse tipo de corrida fez com que em 2020 fossem criadas mais duas etapas novas, conforme explica Luiz Nei: “Para 2020, serão sete etapas com o mesmo sistema de três percursos: curto, médio e longo. A diferença é que o longo passará para a média de 23 a 25 quilômetros. Haverá um ranking com as pontuações, os melhores vão ser premiados com troféus no final das etapas. A premiação vai se estender aos cinco melhores de cada distância, masculino e feminino, além do primeiro de cada faixa”. Além da premiação final, haverá também premiação em cada corrida. A expectativa é que o nível de participação seja mantido e as

Em uma apresentação na Câmara Municipal de Resende Costa, a equipe divulgou o calendário e a nova identidade visual. Além de uma retrospectiva de 2019

provas continuem recebendo cerca de 300 atletas por etapa. Com o slogan “Desperte o guerreiro que existe dentro de você”, o circuito e o ranking RTR de 2020 começarão no dia 02 de fevereiro em Tiradentes – novidade no circuito. Barroso receberá os atletas no dia 08 de março; Barbacena – outra cidade incluída no circuito – no dia 12 de abril, São Tiago receberá as provas no dia 03 de maio; Lagoa Dourada encerrará o primeiro semestre com provas no dia 07 de junho. Resende Costa receberá as corridas do RTR no dia 05 de julho e Coronel Xavier Chaves, a última etapa dos percursos tradicionais no dia 06 de setembro. Para encerrar o circuito, o grande desafio acontecerá em Re-

sende Costa no dia 15 de novembro. A cidade sediará a Ultra RTR com um percurso de 70 km e maratonas de 42 km. Luiz Nei explica que nessa etapa os atletas poderão disputar sozinhos ou em duplas. “Para encerrar o circuito em 2020, faremos nossa primeira ultramaratona, com percurso de 70 quilômetros, e nossa maratona de 42 quilômetros. Nós já estávamos planejando esse percurso e estamos pensando em fazer um outro, de oito quilômetros. Nesse caso, os atletas vão dando voltas até completar a quilometragem. Nessa etapa, poderão ser feitos revezamentos. Atletas podem escolher o seu parceiro ou parceira e cada um correr uma volta, até que o percurso total seja completado”, explica o organizador.

Com representante são-joanense, Campeonato Mineiro Módulo II tem formato definido Faltam menos de dois meses para a bola rolar pela primeira vez no Campeonato Mineiro Módulo II. Doze equipes buscam o mesmo objetivo: conseguir acesso para jogar na elite do futebol mineiro. Entre elas, o Athletic Club de São João del-Rei. No entanto, apenas duas podem conseguir o feito. Após uma reunião na sede da Federação Mineira de Futebol (FMF), no dia 05 de novembro último, ficou definida a fórmula de disputa do Campeonato. A competição terá início em 8 de fevereiro e termina no dia 30 de maio. As equipes se enfrentarão em turno único, mas a grande novidade é que os quatro melhores disputarão um quadrangular final, também no sistema de pontos corridos, porém, com turno e returno. Os dois melhores colocados ao fim do quadrangular garantem acesso à primeira divisão do

Campeonato Mineiro. Outra novidade ficou por conta da desistência do América de Teófilo Otoni. Com a carta entregue no arbitral, o time não sofrerá nenhuma punição. O Mamoré, terceiro colocado na Segunda Divisão deste ano, ficou com a vaga. Assim como nos anos anteriores, poderão participar das partidas até sete jogadores acima de 24 anos. O restante do time é obrigatório ter esta idade. O Athletic começou os trabalhos no dia 09 de dezembro e já anunciou 23 jogadores para a temporada: O elenco 2020 será composto pelos goleiros Jeffinho, Matheus Jonatha e João Vitor. Os zagueiros Rayan, Davy, Jonathan Soares e Jorginho; os volantes Arilson, Silvano, Gaguinho e Gabriel; os laterais-esquerdos Nathan e Adriano; os laterais-direitos Ronaldo e Iago da base; os meias Fi-

lipinho, Andinho e Ágabo Paraíba; o centroavante Ingro e os atacantes Mococa, Victor Popó, Michel Paulista, Carioca e Pagé. Os atletas Bádio, zagueiro, e o centroavante Amauri também foram contratados e deverão se apresentar em breve. Para a temporada 2020, o elenco do Athletic estará sob o comando de Gustavo Brancão. “Estamos com um tempo hábil para preparação. As contratações mostram a força do time. Vamos fazer um bom trabalho de preparação para conseguir alcançar esse projeto do Athletic, que é muito audacioso: a subida do clube para a Série A do Campeonato Mineiro”, comentou o técnico sobre a principal competição que o clube são-joanense disputará em 2020. Em outubro último, uma possível contratação do Loco Abreu repercutiu bastante nos meios espor-

tivos da cidade. O assunto já havia causado bastante alvoroço quando o clube postou em suas redes sociais, perguntando à torcida quem eles gostariam que fosse o camisa 9 da temporada 2020. As opções eram Loco Abreu, Magno Alves, Bruno Mineiro e Igor Bádio. E a grande maioria dos votos foi para o atacante das cavadinhas, ídolo do Botafogo. No fim de semana, dos dias 18 e 19 de outubro, dirigentes do Athletic foram até Montevidéu, no Uruguai, para uma possível negociação com o atacante Loco Abreu. No entanto, no domingo, 20, a imprensa de Rondônia noticiou que o União Cacoalense havia contratado o atacante uruguaio. O que foi desmentido posteriormente. A expectativa com a vinda do craque continua, mas, até o fechamento desta edição, não havia uma definição acerca do destino de Loco. Os torcedores e

amantes do futebol aguardam os desfechos das contratações. Além de Athletic, as equipes que disputarão o Módulo II do Mineiro são: Betim, CAP de Uberlândia, Democrata de Governador Valadares, Democrata de Sete Lagoas, Guarani de Divinópolis, Ipatinga, Mamoré de Patos de Minas, Nacional de Muriaé, Pouso Alegre, Serranense de Nova Serrana e Tupi de Juiz de Fora. No dia 06 de dezembro, a Federação Mineira de Futebol divulgou a tabela do campeonato. O Athletic jogará cinco partidas em casa contra o Democrata de Sete Lagoas, Mamoré de Patos de Minas, Serranense, Betim Futebol e o Democrata de Governador Valadares. A equipe são-joanense visitará o Ipatinga, Pouso Alegre, Tupi, CAP Uberlândia, Guarani e Nac Muriaé.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Edição 200 - Jornal das Lajes by Jornal das Lajes - Issuu