Page 1

Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVI

• NOVEMBRO 2019 • Nº199

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Festa do Rosário reuniu em Resende Costa diversos congados em celebração de forte apelo religioso e cultural Foto Vitória Cristina

Esporte Atletas resende-costenses se destacaram em 2019 em diversas modalidades esportivas. 2020 promete ser um ano vitorioso para o esporte em Resende Costa.

PÁG 16

Horta na Escola Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela (CMEI Aquarela) desenvolve projeto que estimula os alunos a plantar e cultivar alimentos que farão parte da merenda escolar. O objetivo é despertar nas crianças o cuidado com o meio ambiente e com a alimentação saudável, além de aproveitar os espaços físicos da escola. PÁG 06

Congados de diversas cidades da região abrilhantaram a tradicional Festa de Nossa Senhora do Rosário, em Resende Costa

Ao todo, 31 bandas de congado vindas de diversas cidades e comunidades rurais da re-

gião participaram da tradicional Festa de Nossa Senhora do Rosário. O Dia Maior da festa

aconteceu no domingo, 3 de novembro, e movimentou a cidade. Leia editorial na página

2 e artigo do jornalista Fernando Chaves. PÁG 07 e 08

Duas rodovias estaduais que cortam o município de Resende Costa serão interligadas por anel rodoviário A obra, planejada e executada pela Prefeitura Municipal, está em fase de terraplenagem. A

estrada ligará as rodovias LMG 839 e Resende Costa/São Tiago, passando pelos bairros Pôr

do Sol e Dois de Junho. A via poderá desafogar o trânsito de caminhões pesados no centro

da cidade e na avenida Alfredo Penido. PÁG11


PÁG. 2 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

Em favor da preservação das tradições religiosas e culturais da Festa do Rosário

E

X

P

E

D

I

E

N

T

E

A Festa de Nossa Senhora do Rosário, realizada neste ano entre os dias 31 de outubro e 03 de novembro, é destaque de capa desta edição do Jornal das Lajes. Novamente o JL abre espaço para essa festividade tradicional de Resende Costa por entender tratar-se de uma das mais importantes manifestações da cultura religiosa de Minas Gerais, tão forte em nossa região. Não é presunção afirmar que a Festa do Rosário de Resende Costa vem se consolidando como uma das melhores da região. Neste ano, houve participação recorde de bandas de congado no domingo, 3, Dia Maior da Festa. Segundo a organização do evento, 31 bandas de diversas cidades e comunidades rurais da região participaram da Festa do Rosário 2019. Porém, nos últimos anos, o crescimento do número de barracas na Praça Coronel Sousa e na rua do Rosário trouxe sérios transtornos para a organização da festa e, especialmente, para moradores dos arredores da igreja do Rosário. Trânsito obstruído, acúmulo de lixo, poluição sonora e visual, riscos causados por instalações elétricas precárias são apenas alguns dos problemas constatados devido à presença do comércio de ambulantes. A insatisfação de parte da população e os riscos que a falta de organização e de infraestrutura trazem aos moradores da cidade, aos frequentadores da festa e aos próprios comerciantes que montam suas barracas na rua e nas calçadas levaram a organização do evento a criar neste ano uma comissão representativa com o intuito de discutir e planejar melhor as festividades de Nossa Senhora do Rosário. O jornalista e ex-secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, Fernando Chaves, que também integrou de forma voluntária a comissão organizadora da Festa do Rosário, escreveu um artigo publicado nesta edição, no qual avalia as modificações realizadas na edição 2019 da festa. Além de apontar os desafios que foram enfrentados e elogiar as melhorias alcançadas, Fernando Chaves sugere mais investimento na preservação das tradições religiosas e culturais que sustentam, há décadas, a Festa de Nossa Senhora do Rosário. Dentre as importantes sugestões dadas por Fernando Chaves, o JL destaca e endossa a proposta de registro da Festa de Nossa Senhora do Rosário como bem cultural imaterial do município de Resende Costa. Já passou da hora de o município tomar essa iniciativa juntamente com a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, responsável pela realização da festa. Não é necessário esperar que o evento se torne ainda mais conhecido e frequentado. A devoção a Nossa Senhora do Rosário, as tradições populares e religiosas presentes na cultura negra e celebradas com fervor pelos congados e a preservação de elementos genuínos do folclore mineiro justificam uma iniciativa das autoridades municipais (leia-se Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural) de iniciar o processo de registro da festa como bem imaterial. Há muito vem-se discutindo sobre melhorias na infraestrutura da festa (espaço para barraquinhas, banheiros, praça de alimentação etc.). Comparando-se a isso, pouco se ouve acerca de mais investimento no resgate e na preservação dos elementos religiosos e culturais que sustentama Festa de Nossa Senhora do Rosário. É isso o que realmente interessa, pois, sem os ternos de congado e suas danças típicas, sem as celebrações religiosas, sem o levantamento dos mastros, sem a procissão da veneranda e histórica imagem de Nossa Senhora do Rosário, não há festa. Portanto, que tal se ao invés de se preocupar tanto com a infraestrutura de barracas que incentivam o comércio ilegal, a comissão organizadora da Festa do Rosário, o poder público e a paróquia se unissem e investissem no resgate e valorização das tradições e numa ampla e estratégica divulgação da festa? O JL reitera sua opinião exaustivamente explicitada neste espaço em edições passadas: a Festa de Nossa Senhora do Rosário não pode se tornar comércio, mas deve, acima de tudo, se fortalecer como importante e precioso evento religioso e cultural do município de Resende Costa.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Darci Terezinha de Resende na cidade e na Escola Estadual Assis Resende: memórias de infância Quando dona Darci nasceu, a Escola Estadual Assis Resende estava em seu oitavo ano de fundação. É conhecida na cidade por Cici, ou Cici do Geraldo Procópio, de quem ficou viúva há vinte e quatro anos. Estatura mediana, franzina, pode-se dizer, Darci Terezinha de Jesus (27/05/1927), de 92 anos de idade, com voz clara, firme e fluente, é de uma vivacidade de dar inveja. Certa vez, perguntou para sua mãe o motivo de não ter em seu nome os sobrenomes Barros (da mãe) e Vieira (do pai), como os dos seus irmãos. A resposta foi: “Achei seu nome bonito assim e pus.” O Resende, com a supressão do Jesus, foi acrescentado após o casamento. Darci iniciou os estudos aos sete anos. Depois, houve uma interrupção quando foi morar em Belo Horizonte. A rematrícula se deu ao retornar a Resende Costa para concluir os quatro primeiros anos do grupo, aos treze anos de idade, em 1930. As lembranças da época de aluna são de dedicação à escola e ao trabalho. Antes de terminar o curso, buscava duas latas d’água na Fonte João de Deus para entregá-las na casa do senhor Geraldo (Porteiro), que fica ao lado da Matriz e da Câmara Municipal. Outra incumbência era a de “acordar às 4h para catar lenha destinada ao fogão de sua casa.” Na Escola Estadual Assis Resende, todos os dias e na hora do recreio, outra tarefa: ir até a casa da sua professora Dona Célia, buscar café para ela. Na escola, Cici ficava assentada na fileira da frente, em carteiras destinadas aos mais adiantados. “Era boa aluna. Fui aluna de dona Nair, dona Mariinha, dona Célia e dona Dulce Mendes, com quem tirei o diploma”, disse. “Dona Dulce colocava os melhores alunos pertinho dela, para aprender. Quando chegou o dia do exame (exame final, prova oral), ela colocou um tanto de papelzinho em cima da mesa. Eu tirei o número cinco. Eu então estudei tudo do número cinco, decorei tudo e não estudei mais nada. Então eu rezei muito, muito mesmo, para Nossa Senhora da Penha. No dia da prova, no sorteio do ponto, tirei o número cinco. Eu nunca mais esqueci isso.” A fé inabalável em Nossa Senhora da Penha e que começou ainda na infância, segundo ela, a salvou de grave acidente em agosto de 2011. “Foi um dia em que faltou luz na cidade, estava tudo

escuro e a minha cozinha estava cheia de gente. Eu acendi duas velas e comecei a subir a escada de quatorze degraus para ir até o quarto onde estava meu neto Gustavo jogando no computador, o filho dela que morreu, bateu o carro (nesse momento ela apontou para a filha Lúcia, que, ao nosso lado, já estava com os olhos cheios de lágrimas). Quando ia descendo a escada, faltando três degraus, eu confundi, achando que faltava um. Foi quando meu neto correu, me abraçou e disse: ‘Vó, uma coisa cutucou na minha cabeça (para ele, o neto, era Nossa Senhora) para ir aonde a senhora estava.’ Quando eu levei o pé, ia embarcar, estaria quebrada até hoje, né? Ia ser uma coisa terrível. Ele me salvou”, afirma dona Cici. Quando completou quinze anos de idade, a filha de dona Adalgisa Barros, professora do estado, optou por seguir os passos da mãe e lecionar principalmente em fazendas do município. Sua primeira experiência como professora foi na Capelinha dos Machado. “Lá, além das aulas, a gente socava arroz e ainda catava lenha para a casa do João de Lima. Eu dava aula no Curralinho dos Machado, Curralinho dos Paulas, Barro Vermelho e Barracão. Depois eu fui chamada a dar escola (sic) na Fazenda do Retiro”. Nesta fazenda dona Cici conheceu Geraldo Procópio de Resende, filho do fazendeiro, que seria o seu futuro marido. A vida da jovem, que teve outros namorados antes de se casar, não foi fácil. “Eu tinha dezenove anos e minha mãe não queria que eu me casasse.” Geraldo Procópio, na época, com trinta e oito anos de idade, ficara viúvo e com a responsabilidade de cuidar dos dez filhos que tivera com a primeira esposa, que faleceu durante o parto do décimo segundo filho. Dona Cici, depois desse fato, voltou para Resende Costa. No entanto, os dez filhos do Geraldo tomaram amor por ela, durante sua estada na fazenda. Não teve jeito. Mediante o choro e o chamado das crianças, ela retornou à fazenda para se casar e assumir a responsabilidade de cuidar do marido e das dez crianças. Casada com o Geraldo, ela teve outros catorze, sendo nove homens e cinco mulheres, fazendo dele pai de vinte e quatro filhos vivos, não incluídos aqui outros dois que faleceram. Na plenitude dos seus no-

Foto Edésio Lara

EDITORIAL

Dona Cici, ex-aluna do Grupo Escolar Assis Resende

venta e dois anos de idade, dona Cici esbanja vivacidade e simpatia. Participa do grupo de terceira idade, assiste à missa todos os dias, e de joelhos, do início ao fim da celebração. Ela sabe de cor – na ponta da língua, como se diz – vários poemas e a tabuada, que recita numa rapidez incrível. Eu a encontrei no Hospital Nossa Senhora do Rosário para a entrevista. Lá, durante quatro dias, ela se recuperou de uma queda que sofrera em casa. Estava pronta para receber alta e querendo, a todo custo, retirar um colete que o médico, doutor Paulo, mandara colocar no pescoço da paciente para proteger a coluna cervical. Antes de nos despedirmos, dona Cici recitou de cor quatro poemas dos vários que começou a decorar desde os treze anos de idade. Um deles deixo transcrito aqui e com uma reflexão bem particular: a dedicação à família numerosa e ao trabalho nunca a abateu, tampouco a fez esmorecer. Muito pelo contrário, tornou-a uma senhora especial, cujo gosto pela vida nota-se facilmente refletido em seus gestos e em seu rosto. Senhor, o dia terminou, a noite se aproxima Venho ajoelhar-me aos teus pés, Senhor Para meditar e refletir. Tão pouco fiz para te oferecer Trabalhei, diverti, sofri, aqui chorei Sem muita paciência e, talvez, sem merecimento. Mesmo assim, dou-te pequenina parcela da minha vida. Prometo me esforçar para ser fiel À minha vocação de filha tua. Amanhã farei tudo para entregar-te um dia melhor Abençoa a todos que me deste por amigos Até amanhã, obrigado, Senhor.


ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 3

CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Câmara Municipal de Resende Costa inaugura Escola do Legislativo A Câmara Municipal de Resende Costa realizou, na tarde do dia 23 de outubro último, uma reunião solene que inaugurou a Escola do Legislativo. A reunião contou com a presença de autoridades dos poderes Executivo e Legislativo do município, de representantes de associações e de instituições educacionais. O vice-prefeito de Resende Costa, José Gouvêa Filho (PSDB), representou o Poder Executivo. Destaque para a presença do presidente da ABEL (Associação Brasileira das Escolas do Legislativo e de Contas), Florian Augusto Coutinho Madruga. Participaram também da solenidade o assistente jurídico da AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes), Rodrigo Wagner Santos e da diretora regional da ABEL, Rita de Cássia Almeida. O presidente da Câmara Municipal de Resende Costa, vereador Lucas Paulo de Assis Vale (PSD), deu início à reunião solene convidando os presentes na sala de reuniões da Casa do Legislativo a ouvirem de pé e respeitosamente o Hino Nacional e o Hino de Resende Costa, executados pelo violinista e maestro do Coro e Orquestra Mater Dei, Wagner Barbosa, e pelo tecladista Alex Ribeiro. Finalidade da Escola do Legislativo O presidente da ABEL, Florian Madruga, falou sobre a Escola do Legislativo: “A Escola do Legislativo é uma imposição da Constituição Federal de 1988, que diz que a administração pública deve criar escolas de governo a fim de capacitar e profissionalizar os administradores públicos”. Em nível federal, o Senado, a Câmara dos deputados e o Tribunal de Contas da União possuem suas Escolas. De acordo com Florian, a primeira Escola do Legislativo criada em nível estadual foi na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. “É uma grande escola”, elogia o presidente da ABEL – instituição criada em 2005, com sede em Brasília. A partir da criação da ABEL em Brasília, no Senado Federal, iniciou-se uma grande peregrinação pelos estados brasileiros a fim de incentivar as Assembleias a também fazerem o mesmo. “Realizamos uma verdadeira maratona pelo Brasil para estimular as Assembleias Legislativas a criarem suas Escolas”, contou o presidente da ABEL. A Câmara Municipal de Resende Costa é a segunda na região do Campo das Vertentes a criar uma Escola do Legislativo. A Câmara Municipal de São João delRei já possui a sua. “A Escola do

Legislativo da Câmara de Resende Costa é a de número 219. Essa iniciativa de Resende Costa é de uma importância que a gente não consegue mensurar. Além de capacitar os vereadores e servidores, a Escola tem o viés de abrir a Câmara para o cidadão, aproximando-se dele”, disse Florian Madruga. A Escola do Legislativo da Câmara Municipal de Resende Costa foi criada pela Resolução 414/2019, como resultado de Requerimento de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende (PT). Em 2015, Ângelo Márcio apresentou uma proposta de inclusão da Escola do Legislativo na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) da Câmara. No entanto, foi em 2018 que os vereadores aprovaram a proposta de emenda do vereador Ângelo e, a partir daí, a criação da Escola do Legislativo tornou-se meta para 2019. A Escola do Legislativo tem como objetivo capacitar agentes políticos e servidores públicos no âmbito municipal, atendendo ao que dispõe a Constituição Federal em seu artigo 39. Além da capacitação dos agentes políticos e dos servidores públicos, a Escola do Legislativo almeja aproximar a Câmara do cidadão através de ações voltadas para a educação política, por meio de projetos que envolvem crianças, idosos, lideranças comunitárias, instituições beneficentes, conselhos municipais, dentre outros órgãos públicos. Aula de cidadania Nos dias atuais, a atividade parlamentar vem sendo alvo constante de hostilidade, sobretudo por parte de quem associa, de forma generalizada, a política à corrupção. A Escola do Legislativo pretende desconstruir essa falsa premissa, esclarecendo o cidadão, aproximando-o dos agentes políticos e fazendo-o enxergar, através do conhecimento, que política é cidadania. “Está faltando cidadania no Brasil. O cidadão precisa conhecer a Constituição Federal, a Lei Orgânica do Município, saber quais são seus direitos e deveres. E isso a Escola do Legislativo pode oferecer. Ou seja, contribuir para que o cidadão conheça os vereadores, saber o que eles fazem. Afinal, é o Poder Legislativo que rege os nossos dias, elaborando as nossas leis”, destacou o presidente da ABEL. Para Florian Madruga, a inauguração da Escola do Legislativo da Câmara Municipal de Resende Costa foi um marco histórico: “Hoje é uma data histórica. Resende Costa está cumprindo uma determinação da Constituição Federal. A Escola do Legislativo, além

de capacitar melhor os agentes políticos e os servidores, tornando-os bem preparados para melhor receber o cidadão que chegar à Câmara, contribuirá para a construção da cidadania.” Para o advogado Rodrigo Wagner Santos, assistente jurídico da AMVER, “é necessário atrair o cidadão para a política”. Ele destaca a importância das audiências públicas que discutem os problemas e elaboram planos para o desenvolvimento da cidade. “O vereador é o elo entre o cidadão e o poder público. Por isso é necessário que cada vereador, independentemente de qual setor da sociedade o apoiou nas eleições, entenda que a sua missão é legislar para o bem-comum, para o bem de todos, indo ao encontro dos anseios da comunidade.” O advogado da AMVER falou também sobre a importância da Escola do Legislativo, frisando a técnica e o conhecimento a serviço da coisa pública (res publica): “A Escola do Legislativo tem como missão capacitar tecnicamente os vereadores a fim de minimizar o impacto da polarização política. É através da capacitação que os agentes políticos saberão buscar a legalidade de seus atos, ou seja, entender quais são os seus limites e o que podem fazer”. De acordo com Rodrigo Santos, “o cidadão possui anseios que podem modificar o seu dia a dia. E a Câmara Municipal precisa colocar em prática os anseios da população.” Entrelaçar conhecimento técnico e política é uma das contribuições da Escola do Legislativo, segundo o assistente jurídico da AMVER. “Através da tecnicidade, os vereadores têm consciência de que não representam somente um segmento da sociedade que o ajudou a se eleger. Ao assumir o mandato, ele (vereador) representa todos os cidadãos”, reitera Rodrigo Santos. O autor do requerimento que solicita a criação da Escola do Legislativo, vereador Ângelo Márcio, destacou o conhecimento como ferramenta indispensável para a cidadania e a atividade política: “Feliz de nós hoje que entendemos que a Educação é o caminho. Não há como o cidadão ser cidadão se ele não conhece as normas que regem a sociedade, ou seja, os seus direitos e deveres. A cidadania, sem dúvida, é construída através do conhecimento.” O vereador Ângelo expressou sua alegria pela criação da Escola do Legislativo em Resende Costa: “Procurei pesquisar os locais onde existe a Escola do Legislativo, bem como conhecer o que ela propõe. Entendo que a criação da Escola não é gasto, mas

A Escola do Legislativo de Resende Costa foi inaugurada durante reunião solene da Câmara Municipal importante investimento na capacitação dos vereadores e dos servidores.” Incentivo aos jovens Atrair jovens para a política tem sido um grande desafio para os partidos e suas lideranças. A ausência de jovens na política dificulta a renovação dos partidos e cria uma barreira para o surgimento de ideias novas que podem oxigenar o cenário político em todas as suas esferas. O que pensam os jovens acerca da política? O que eles desejam? Eles estão dispostos a se aproximarem da política partidária através dos meios tradicionais, como filiação partidária, presença em convenções e reuniões de diretórios? Essas são perguntas que alguns líderes de partidos fazem, preocupados com a renovação na política. Talvez o que os jovens desejam seja participar de forma mais ativa do cotidiano de sua cidade – independente de sigla partidária – propondo ideias e projetos que podem fazer a diferença no meio social. O Parlamento Jovem é um meio dinâmico de participação ativa dos jovens na vida política. A Câmara de Resende Costa já possuiu o Parlamento Jovem e agora está prestes a reimplantá-lo com o suporte técnico da Escola do Legislativo. “O Parlamento Jovem foi criado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Nunca vi um projeto tão belo e tão profundo quanto o Parlamento Jovem, que procura chamar os jovens que desejam participar da política. A ABEL estimula com toda força a criação do Parlamento Jovem”, elogia Florian Madruga. Direitos e deveres Contribuir para a construção da cidadania através do conhecimento e da educação. Esses são os pilares da Escola do Legislativo numa sociedade na qual, muitas vezes, os cidadãos desconhecem os seus direitos e deveres. “As escolas, em sua grande maioria, não possuem nas grades curriculares nenhuma matéria que fala o que é cidadania, que ensina os alunos sobre seus direitos e deveres. A gente deseja que a Escola do Legislativo preencha essa lacuna, trazendo os

alunos para dentro da Câmara através da organização de simpósios e cursos, a fim de ensiná-los sobre a importância do Legislativo na vida deles”, disse Florian Madruga, que sugeriu ao presidente da Câmara, Lucas Paulo, criar uma biblioteca e um memorial do Legislativo: “Todo município tem sua origem quando é criada a Câmara Municipal. Daí a importância de se ter na Câmara um arquivo organizado e aberto para pesquisa. Importante também a criação de uma biblioteca. Costumo dizer que quanto mais bibliotecas forem abertas em nossas cidades, melhor para os jovens, para o cidadão e para a cidadania.” A diretora regional da ABEL, Rita de Cássia Almeida, também destacou a importância da capacitação dos jovens enquanto cidadãos políticos cientes de seus direitos e deveres. Em sua fala durante a solenidade, ela apresentou versões lúdicas para crianças do texto da Constituição Federal. “Estamos fazendo um trabalho muito importante e colhendo frutos positivos, pois os alunos são multiplicadores de conhecimento. Quando eles chegam em casa e conversam com seus pais sobre o que aprenderam acerca da Constituição, os pais também aprendem”, disse Rita de Cássia. No final da reunião solene, o vereador e presidente da Câmara Municipal de Resende Costa, Lucas Paulo, agradeceu a presença dos convidados e das autoridades e elogiou a iniciativa do vereador Ângelo Márcio de propor a criação da Escola do Legislativo. “Três partidos políticos diferentes estão representados aqui em nossa Câmara Municipal, mas todos nós trabalhamos juntos, pensando no bem da nossa Casa e da nossa cidade”, destacou Lucas. “A AMVER reúne 17 municípios da microrregião do Campo das Vertentes. Resende Costa é o segundo município a criar a Escola do Legislativo na região. Um momento importante e histórico. Mas não basta somente criar, é necessário fazer essa escola funcionar”, instigou o advogado e assistente jurídico da AMVER, Rodrigo Santos. A Escola do Legislativo de Resende Costa funcionará nas dependências da Câmara Municipal.


PÁG. 4 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Prefeitura de Resende Costa investe quase R$ 200 mil em reformas de escolas A Prefeitura Municipal de Resende Costa segue com sua política de investimento na Educação. Como aconteceu nos últimos anos, a Secretaria Municipal de Educação está novamente melhorando a infraestrutura de duas das principais escolas de Resende Costa: Conjurados e Paula Assis. Quase R$ 200 mil foram destinados para as obras. Na Escola Municipal Conjurados Resende Costa, foi realizada a pintura geral do espaço, tanto da parte externa quanto da interna e também da quadra poliesportiva. O

valor total da obra é R$ 86.553,41. Enquanto na Escola Municipal Paula Assis, localizada no povoado do Ribeirão, foram destinados R$ 94.377,16 para a ampliação da instituição de ensino, que terá mais uma sala de aula, além de uma sala de informática. Importante destacar que a sala de informá�ca será fundamental para os alunos, tendo em vista que agora todas as escolas rurais de Resende Costa contam com internet via satélite disponibilizada através de programa do Governo Federal.

Escola Conjurados foi toda pintada

Mutirão de castração beneficia 100 animais em Resende Costa A causa animal segue como preocupação do Poder Público. No dia 21 de outubro, a Prefeitura Municipal de Resende Costa realizou mais um mutirão de castração de animais. Ao todo, 100 bichinhos foram beneficiados, a maioria deles animais de rua. Tanto a captura quanto o pós operatório até a retirada dos pontos desses animais ficaram sob a responsabilidade da Administração. O mutirão foi regulamentado pelo decreto n° 274, de 14/10/2019. “Foram castrados 21 gatos e 79 cães. Contamos com a ajuda voluntária de grande valia da Kelly na elaboração da lista,

da Kall, da Mariana e do Márcio do Pet Dog . Recebemos doação de ração para tratar dos animais de rua da Casa da Terra, JG Agro, Mazinho Agropecuária e Armazém da Vila, Camilinho, Soraia e Kelly. Nos ajudaram muito. Mais uma vez foi um sucesso, e desta vez ficamos ainda mais realizados pelo grande número de animais que moram na rua que foram castrados. Como eles se reproduzem muito, acabam trazendo ainda mais animais para a rua”, disse a veterinária da Prefeitura, Leidiane Rodrigues. No início do ano, a Prefeitura apoiou outra ação, em que 100 animais também foram castrados.

Mutirão de castração aconteceu em outubro


ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

Política

• PÁG. 5

Câmara Municipal aprova projeto de lei que trata da proteção de bens públicos no município de Resende Costa Foto André Eustáquio

ANDRÉ EUSTÁQUIO

O vereador Francisco Abel de Assis (MDB) apresentou, durante a 26ª reunião ordinária da Câmara Municipal de Resende Costa, realizada no último dia 14 de outubro, o projeto de lei 120, que “Dispõe sobre o programa de prevenção e punição aos atos de vandalismo nos bens públicos e de terceiros no âmbito do Município de Resende Costa e dá outras providências”. O projeto de lei foi aprovado por todos os vereadores. De acordo com o texto do projeto, já sancionado pelo prefeito Aurélio Suenes de Resende (PSD), “entende-se por atos de vandalismo, destruir, danificar, pichar, sujar, ou por outro meio depredar edificações públicas ou particulares, suas respectivas fachadas, equipamentos públicos, monumentos ou bens tombados, além de elementos do mobiliário urbano”. Quando se tratar de vandalismo em prédios federais, o projeto de lei assegura ao município estabelecer convênios com a União “para a execução de serviços de limpeza ou de recomposição”. “Os atos de vandalismo estão se tornando cada vez mais rotineiros, expondo a sociedade, causando indignação. Embora a matéria já se encontre prevista no Código Civil, no Código Penal e na Lei de Proteção Ambiental, é essencial que seja prevista também em lei municipal, tendo em vista que a prática do van-

Banco na praça Cônego Cardoso, centro de Resende Costa, quebrado por suposta ação de vandalimo

dalismo gera prejuízos financeiros também ao erário público e causa grave poluição visual”, justificou o vereador Abel, autor do projeto. GRAFITES O projeto do vereador Abel exclui do programa de proteção os grafites realizados, de forma artística, com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado. O parágrafo quarto do projeto de lei afirma que o proprietário ou o locatário do imóvel, seja ele um bem privado ou público que poderá receber alguma pintura em grafite, terá que consentir. PENALIDADES As penalidades previstas para serem aplicadas aos infratores que cometerem atos de vandalismo contra imóveis públicos ou de terceiros encontram-se explícitas no texto do projeto de lei 120. Caberá, portanto, ao Poder Executivo fiscalizar o

cumprimento da lei, além de estar autorizado a impor medidas administrativas de responsabilização a autores e/ou responsáveis, pessoas físicas ou jurídicas, por qualquer espécie de vandalismo. “O ato de vandalismo constitui infração administrativa passível de multa no valor de sete UFM’s (Unidades Fiscais do Município), independentemente das sanções penais cabíveis e da obrigação de indenizar os danos de ordem material e moral porventura ocasionados. Se o ato for realizado em monumento ou bem tombado, a multa será no valor de 14 UFM’s, além do ressarcimento das despesas de restauração do bem pichado. Em caso de reincidência, a multa deverá ser aplicada em dobro”, diz o artigo 3º do projeto de lei. “A aplicação e o pagamento da multa não isentarão o Município de aplicar também medidas judiciais reparatórias que o caso comportar”, assegura o documento.

O projeto de lei apresentado pelo vereador Francisco Abel não pretende, todavia, somente penalizar pessoas que eventualmente cometam atos de vandalismo contra imóveis públicos, incluindo praças. No texto estão previstas realizações de campanhas educativas. Inclusive, uma quantia de dinheiro arrecadada com multas aplicadas aos infratores deverá ser investida em promoção de campanhas sobre educação patrimonial e de conscientização contra o vandalismo; restauração da pintura de prédios e bens públicos danificados pelo vandalismo; aquisição de câmeras de monitoramento para serem instaladas em locais de maior índice de vandalismo no município. APROVAÇÃO UNÂNIME Ao ser apresentado no plenário da Câmara Municipal para apreciação dos vereadores, o projeto de lei recebeu elogios antes de ser apro-

vado por unanimidade. “A partir do momento em que houver punição, a pessoa vai pensar bastante antes de cometer algum ato de vandalismo em imóveis públicos”, disse o vereador João Dias (MDB). O vereador Ângelo Márcio (PT) elogiou o projeto, porém ressaltou que o poder público precisa intensificar a fiscalização. “Importante o projeto, pois já temos pouco patrimônio preservado na cidade, e o que temos precisa ser resguardado. Mas quero ressaltar que falta fiscalização por parte da Prefeitura. É preciso que a Prefeitura fiscalize e cumpra a legislação”, cobrou o vereador. O autor do projeto reconheceu que faltam iniciativas por parte do poder público: “O município realmente precisa agir. A gente sabe que o município está deixando a desejar. Há praças depredadas, com bancos quebrados, que precisam ser restauradas”. O vereador ressaltou, porém, a importância de o poder público fiscalizar e punir infratores que cometerem atos de vandalismo contra imóveis públicos. “Todos nós sabemos que recentemente aconteceram atos de vandalismo aqui no município (o vereador se refere a uma residência localizada no Beco das Lajes de Cima, vizinha à Câmara Municipal, que foi apedrejada em junho último). O prejuízo sempre fica com o cidadão de bem e com o município. Pessoalmente, acredito que numa sociedade civilizada sequer deveria existir multas, mas a partir do momento em que houver desrespeito, torna-se necessário punir os infratores”, conclui o vereador Abel.

Projeto “Raízes de Resende Costa” estabelece que a cada criança nascida na cidade uma árvore seja plantada VANUZA RESENDE / ANDRÉ EUSTÁQUIO

Na terceira reunião ordinária do mês de outubro de 2019 da Câmara Municipal de Resende Costa, realizada no dia 22, foi aprovado por unanimidade o Projeto de Lei 121, que institui o “Projeto Raízes de Resende Costa”. O projeto é de autoria do vereador Lucas Paulo de Assis Vale (PSD), presidente da Câmara, e prevê o plantio de uma muda de árvore a cada registro de nascimento de criança no município. De acordo com o texto do projeto, a muda da árvore deverá ser plantada em local apropriado. O vereador Lucas Paulo revelou que a ideia surgiu quando ele assistiu pela televisão a uma reportagem sobre o tema. “Eu estava as-

sistindo a uma matéria na televisão e um hospital, que não me recordo de qual cidade, fez algo parecido. Dali veio a ideia de adaptar para os moldes de Resende Costa. Pesquisei na internet e vi que em Itapemirim (ES) tinha um projeto parecido também. Para que pudesse ser realmente colocado em prática, conversei com o secretário municipal de Meio Ambiente e Agropecuária e vi que seria possível, até mesmo sem exigir muito do Poder Executivo”, explica o vereador. O projeto recebeu elogios dos vereadores. “A consciência de preservação do meio ambiente está avançando muito, inclusive nas escolas. As crianças estão sendo educadas observando valores de preservação do meio ambiente. Sou favorável a esse projeto, pois uma cidade sem árvore é uma cidade

morta”, disse o vereador João Dias (MDB). O vereador Francisco Abel (MDB) também elogiou o projeto do vereador Lucas, mas alertou que é importante saber escolher corretamente as espécies de árvores a serem plantadas na cidade. “É preciso que haja esse cuidado, ou seja, escolher árvores de pequeno ou médio porte, pois árvores grandes podem causar problemas no futuro”, destacou o vereador. O projeto de lei 121 foi sancionado pelo prefeito Aurélio Suenes (PSD). “Eu acredito que ainda neste ano já teremos os primeiros plantios. As árvores poderão ser plantadas em qualquer local do município, que irá analisar como adaptar a muda ao local. Reforço que, caso a família queira a muda como recordação daquele dia (do nascimento da criança), poderá

solicitar à Prefeitura e plantar em sua residência, desde que também esteja nos moldes permitidos pela lei”, esclareceu o autor do projeto. De acordo com o vereador Lucas, a Prefeitura fará um levantamento mensal dos nascimentos no município e promoverá o plantio. Segundo o que está previsto no projeto, caso a família solicite a muda, a Prefeitura terá 90 dias para fazer o repasse. “Ao nascer de uma criança, nascerá também uma árvore. A Prefeitura fará o plantio da árvore e entregará à família um certificado do local e o tipo de árvore que foi plantada. No certificado “Criança Amiga da Natureza” vão constar a data de nascimento do filho e a data do plantio da árvore com o nome da espécie vegetal. Com isso, a criança, ao crescer, terá uma simples lembrança do dia do

seu nascimento e, quem sabe, dará mais importância ao nosso meio ambiente”, disse o vereador Lucas Paulo, que espera que através dessa iniciativa Resende Costa se torne uma cidade mais arborizada. SERVIU DE EXEMPLO A iniciativa do vereador Lucas Paulo recebeu elogios nas redes sociais. “É um projeto que teve uma aceitação muito boa, fico grato por isso. Foram muitas mensagens recebidas, inclusive três cidades já pediram o projeto para terem como exemplo: Madre de Deus de Minas, Porteirinha e Itatiaiuçu. A ideia principal foi chamar atenção para a causa do meio ambiente. Agora, atuarei e vou acompanhar de perto para que na prática tenhamos resultados também positivos”, concluiu o vereador.


PÁG. 6 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

EDUCAÇÃO

VANUZA RESENDE

Ajudar a plantar, cultivar e colher alimentos: essas são algumas das atividades propostas pelo Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela (CMEI Aquarela) no projeto Horta Escolar. O projeto surgiu em 2017, porém ficou paralisado em 2018 devido às obras na instituição, retornando em 2019. O objetivo é despertar nas crianças o cuidado com o meio ambiente e com a alimentação saudável, além de aproveitar todos os espaços físicos da escola. Todo o trabalho é pensando com a finalidade de desenvolver com os alunos ações e posturas de cuidado com o meio ambiente, a multidisciplinaridade, estimular a adoção de bons hábitos alimentares, valorizar o trabalho em equipe e ainda conscientizá-los a respeito da importância dos alimentos orgânicos. A diretora do CMEI Aquarela, Sandra Reis Vale Belo, falou sobre as ações desenvolvidas no projeto: “É muito importante para as crianças terem um contato com a horta no ambiente escolar. O contato com a terra alivia as frustrações e tranquiliza a mente das crianças. Além de estarmos enfatizando a importância de cuidar da natureza e de ter uma alimentação saudável vinda da terra, plantada e colhida por eles. Há, dessa forma, uma conscientiza-

Foto divulgação

CMEI Aquarela desenvolve projeto Horta na Escola

Produção de leite da região atinge 292,7 milhões de litros em 2018 O rebanho bovino, dos 18 municípios da microrregião das Vertentes, foi estimado em 261,5 mil cabeças (praticamente o mesmo do ano anterior) JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Com a ajuda da nutricionista Juliana Ribeiro, os alunos colheram a cenoura na horta, fizeram a receita de um bolo de cenoura e depois puderam saborear o bolo

ção feita de forma prática e efetiva, construindo pessoas mais conscientes com o mundo e com a natureza.” Os pequenos participam de todo o processo. Eles plantam, cuidam, colhem e, por fim, se alimenta da merenda escolar. O cultivo é variado. Na horta da escola tem agrião, couve-flor, couve, alface, beterraba, tomate, hortelã, salsinha, menta, brócolis, repolho, cenoura, cebolinha. O porteiro da Aquarela, Antônio Belê Belê, acompanha o trabalho da Horta Escolar de perto e comenta o projeto. “O aprendizado que estão tendo, eles irão levá-lo para a vida inteira. É muito bom ver a carinha deles, plantando, colhen-

do e entregando para as cantineiras prepararem a fim de que eles possam comer. Eles estão aprendendo o que é cada verdura, cada legume. É gratificante ver a alegria deles ao colher. Ainda bem que esse projeto vem acontecendo! A escola ganhou muito com isso e estamos muito satisfeitos em dar esse apoio à horta escolar”, diz o funcionário do CMEI. No decorrer deste ano, a horta foi cultivada com alunos da Creche, no turno da tarde, e com a turma da Primeira Etapa, no turno da manhã. No entanto, a meta da escola é que, em breve, todas as crianças da escola participem do projeto.

Com Política! FERNANDO CHAVES

Bolsonaro acuado? a embaixada americana e a necessidade de mantê-lo no Brasil para cuidar de seu partido. Isso é reflexo de inabilidade política e da falta de quadros em que o presidente possa realmente confiar. Além, é claro, de ter exposto indecorosamente o interesse de beneficiar o próprio filho. Com o seu conservadorismo e o seu anti-esquerdismo extremados, Bolsonaro conseguiu se ligar a setores da opinião pública que lhe deram votação suficiente para ser eleito. Mas o presidente se sustenta no poder não pelo apoio que tem da opinião pública ou pela sua articulação política. Sustenta-se porque atende bem aos interesses do mercado, do capital financeiro, do agronegócio. O trabalho de Guedes, Salles e companhia, desregulando o Estado, liberalizando a economia e entregando o país e suas riquezas à sanha do capital estrangeiro é o que realmente dá sustentação ao presidente. O apoio dos grandes setores econômicos é mais estratégico e poderoso do que popularidade alta e adesão da opinião pública. É assim que Bolsonaro tem se sustentado até o presente.

Enquanto ele atende ao conservadorismo raivoso de um terço do eleitorado com suas bravatas, seus ministros de Estado atendem à sanha neoliberal de venda do país. Acontece que essa sustentação altamente dependente do apoio do grande capital necessita da entrega de serviço sujo em continuidade (corte de direitos, entrega do patrimônio nacional, flexibilização das leis ambientais, favorecimentos ao setor financeiro). O cão feroz do mercado não tem a menor simpatia pela pessoa do presidente. Apenas pelos serviços entregues pelo governo. Esse grupo pode jogar Bolsonaro ao mar assim que o perceber como inútil ou improdutivo. A TV Globo, por exemplo, que já é um desafeto antigo do presidente, ainda pode intensificar muito os seus esforços contra o presidente. Fará isso de forma crescente se o agronegócio e o capital financeiro (seus maiores clientes) iniciarem um desembarque do governo. Mesmo que a organização dos Marinho esteja decadente, ainda pode fazer muito estrago politicamente.

A produção de leite da microrregião do Campo das Vertentes, com sede em São João del-Rei, atingiu 292,7 milhões de litros em 2018, praticamente o mesmo volume do ano anterior, segundo o novo levantamento por município do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor da produção, consolidado para 18 municípios, foi estimado em R$ 274,3 milhões. São João del-Rei liderou a produção, com 50,67 milhões de litros (queda de 0,6%), seguido de São Tiago, com 32,85 milhões de litros (queda de 0,5%). Na terceira posição, aparece Nazareno, com 27,01 milhões de litros (mais 3,4%). Outros destaques são Lagoa Dourada, 21,02 milhões de litros (mais 0,8%); Itutinga, 20,72 milhões de litros (mais 0,1%); Conceição da Barra de Minas, 19,5 milhões de litros (mais 1%); Madre de Deus de Minas, 19,45 milhões de litros (queda de 2,8%); e Resende Costa, 17,53 milhões de litros (menos 1,9%). Outros municípios produtores relevantes são Ritápolis, 15,6 milhões de litros (mais 3,5%); Carrancas, com 15,3 milhões de litros (mesmo volume do ano anterior); São Vicente de Minas, 15,29 milhões de litros (mais 2,7%); e Piedade do Rio Grande, 11,025 milhões de litros (queda de 4,7%).

A produção de mel de abelha atingiu 85,8 mil quilos (pouco acima dos 84,3 mil quilos do ano anterior), sobressaindo São João del-Rei (34 mil quilos), São Tiago (19,3 mil) e Resende Costa (18,6 mil). Já a produção de tilápia alcançou 46,95 mil quilos, principalmente por causa de Resende Costa (37 mil quilos). REBANHO O rebanho bovino foi estimado em 261,5 mil cabeças (praticamente o mesmo do ano anterior), das quais 75,9 mil de vacas ordenhadas. No topo da lista, está São João del-Rei, com 39,2 mil cabeças, seguido de São Tiago (29,7 mil cabeças), Resende Costa (22,97 mil cabeças), Nazareno (20,3 mil), Carrancas (20,08 mil) e Lagoa Dourada (19,6 mil cabeças). O plantel avícola (galináceos) diminuiu 5,9%, para 1,09 milhão de cabeças, das quais 61,9 mil galinhas. Já o número de suínos foi de 53,9 mil cabeças (praticamente o mesmo do ano anterior), enquanto o de equinos cresceu 3,4%, para 12,03 mil cabeças. Na avicultura, os destaques são Prados (393 mil cabeças) e Coronel Xavier Chaves (320 mil cabeças). O rebanho equino somou 12,03 mil cabeças (mais 3,4%), sendo os principais municípios criadores Lagoa Dourada (1896 cabeças) e Resende Costa (1460 cabeças). Foto Emanuelle Ribeiro - Jornal das Lajes

Em quase um ano de governo, o presidente Jair Bolsonaro não conseguiu construir uma base partidária sólida. Também já demonstrou que não tem carisma para preservar o apoio da opinião pública que o elegeu (hoje esse apoio estacionou em torno de 30% do eleitorado), sendo o presidente eleito que mais perdeu adesão do eleitor no seu primeiro ano de mandato desde a redemocratização. Além disso, seu governo implementa uma pauta política antipopular, com ataque aos direitos sociais e sustenta uma relação turbulenta com os maiores veículos de mídia do país. O presidente está circunscrito à sua bolha ideológica radical e mostra-se muito dependente dos seus relacionamentos políticos mais imediatos: uma parte do clã do PSL que lhe é fiel, alas militares, seus filhos. Não consegue dilatar seu prestígio e sua influência política desde que chegou à presidência. Pelo contrário. Viu retrair seu capital político. O grupo em que o presidente confia é tão reduzido que Bolsonaro oscilou entre o interesse de mandar o filho para

REGIONAL

Gado de leite em Resende Costa

Para que esse apoio do grande capital econômico perdure, o presidente precisa executar mais serviços liberalizantes, mais desmanche do Estado e de direitos, mais entreguismo das riquezas nacionais. Por outro lado, persistindo a pauta liberal e de desmanche estatal, a conta eleitoral será cara, como está sendo para os governos neoliberais de países vizinhos. A sua forma de sustentação no poder é justamente o que pode inviabilizar

Bolsonaro eleitoralmente para 2020. A menos que ocorra uma reação improvável da economia nacional e da geração empregos a ponto de retomar a popularidade do presidente. Se Bolsonaro vai terminar o seu mandato é uma incógnita. Já o projeto de reeleição em 2022, esse me parece cada vez mais comprometido. *Jornalista, mestre em Comunicação Política.


ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

ACONTECEU

• PÁG. 7

Por Luana Chaves

COLABOROU: VITÓRIA CRISTINA

Festa em honra a Nossa Senhora do Rosário A Festa de Nossa Senhora do Rosário é uma importante celebração da fé e de valorização da cultura popular de Resende Costa. De acordo com o calendário da Igreja Católica, Nossa Senhora do Rosário é celebrada no dia 7 de outubro, mas, em Resende Costa, a solenidade com participação dos congados e procissão acontece, anualmente, no primeiro domingode novembro. A Festa do Rosário reúne pessoas (congadeiros, turistas, devotos de Nossa Senhora) vindas de diversas cidades da região para

saudar a Virgem Maria. Além da religiosidade, a festa possui um forte apelo cultural por celebrar as raízes e as tradições dos povos afro-brasileiros e sua história de resistência. As batidas dos tambores anunciam a passagem dos congados, o som das latinhas amarradas nos pés dos congadeiros marca o ritmo do cortejo, o estandarte dos santos abre passagem para o grupo que reverencia a Virgem Maria. Na chegada da procissão à igreja, uma saudação respeitosa marca a despedida dos congados à imagem da Virgem Foto Vitória Cristina

Imagem de Nossa Senhora do Rosário venerada pelos resende-costenses

do Rosário. Esse ritual se repete há séculos, superando o tempo e passando de geração em geração. PROGRAMAÇÃO Neste ano, as solenidades da Festa de Nossa Senhora do Rosário de Resende Costa aconteceram entre os dias 31 de outubro e 3 de novembro, com celebrações na igreja dedicada a Nossa Senhora. Na praça Coronel Sousa Maia (Largo do Rosário), houve shows à noite, com destaque para

os artistas sertanejos, e movimento de barraquinhas. No domingo, 3 de novembro, Dia Maior da Festa em honra a Nossa Senhora do Rosário, o movimento começou cedo no Largo do Rosário com a chegada das bandas de congado. Ao todo, 31 ternos de congado, vindos de diversas cidades e comunidades rurais da região, participaram da festa. Às 10h aconteceu a celebração da santa missa “sertaneja”, com participação da Banda Chá Preto. Às 15h teve início a missa campal na praça Coronel

Sousa Maia, com a participação das bandas de congado. Logo após a missa, os fiéis devotos de Nossa Senhora do Rosário, de São Benedito e de Santa Efigênia saíram em procissão pelas ruas do centro da cidade. Os congados também acompanharam a procissão. Após a chegada da procissão à igreja do Rosário, a Banda Chá Preto realizou o show de encerramento da festa. Abaixo, fotos da Festa do Rosário 2019 feitas pela fotógrafa e repórter do JL, Vitória Cristina.


PÁG. 8 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

ARTIGO

Festa do Rosário se ergue FERNANDO CHAVES*

Apesar de todas as dificuldades, tivemos em 2019 a melhor Festa do Rosário dos últimos anos. O número de grupos de congado dobrou em relação ao ano passado. Resultado de um trabalho desempenhado pelos congadeiros de Resende Costa, que visitaram várias festividades na região durante o ano corrente e, com isso, atraíram para nossa festa mais participantes. A prefeitura municipal contribuiu, nesse aspecto, com a disponibilização de transporte para essas viagens. Mesmo que tenha havido falhas na organização do evento, houve melhora na gestão do espaço público e foi possível realizar um amplo diagnóstico dos desafios que envolvem a festa para que possam ser ajustados nas próximas edições. Pela primeira vez, houve uma comissão de moradores e organizadores interagindo de forma veemente durante toda a festa para tentar minimizar transtornos e valorizar o evento. Pela primeira vez, os cidadãos tiveram a oportunidade de opinar em uma reunião aberta que antecedeu a festividade, com o comparecimento expressivo de moradores do entorno. Tive a satisfação de participar de todo o processo. No

início, como secretário de Cultura; no final, como voluntário. Parabenizo a nova secretária, Márcia, pelo empenho e competência. E também aos demais colaboradores que doaram seus esforços para melhorar a festividade: Vinícius, Janete, Leidiane, Fábio, Aninha, Adenor Chaves, Polícia Militar, Associação de Congado São Cosme e Damião, Capitão Fernando Pacote, dentre outros. É preciso também agradecer a compreensão de TODOS os moradores do entorno, sendo impossível citar todos os nomes. Dou início aqui a uma campanha pelo registro da Festa do Rosário de Resende Costa como patrimônio imaterial do município, discussão que já levantei de forma embrionária no Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, órgão muito representativo que dispõe de uma composição privilegiada e conta com membros atuantes, o que nos dá mais ânimo para a defesa dessa empreitada. Desta vez, levarei a proposta ao Conselho e à Secretaria de Cultura de forma mais decidida e madura, e me disponho a colaborar no que for possível para que o registro se efetive. Trata-se de uma das festividades locais que mais preserva vínculos com suas raízes fundadoras, suas origens, seu passado. Sem falar do valor que representa

para a cultura afrodescendente, como grito de liberdade e autoafirmação. Não se pode permitir a quebra de elos tão fortes com o passado como os que a Festa do Rosário representa. O registro como patrimônio imaterial é um passo muito importante no auxílio à preservação da tradição, seja em seu aspecto religioso, seja como elemento de identidade cultural e pertencimento. Por fim, ressalto também o potencial turístico do evento. Trata-se da melhor festa do Rosário da nossa região. Vimos nossa cidade cheia no final de semana, principalmente no domingo. Com um trabalho de preservação e resgate das antigas tradições, juntamente com as melhorias ainda necessárias na gestão do espaço público, os bons frutos culturais, sociais, turísticos e econômicos serão de grande valor para nossa cidade. A festa de congado de Resende Costa andou cabisbaixa. Mas ergueu sua cabeça em 2019. É uma festividade que merece, como poucas, o título de “festa do povo”. Vamos em frente! *Jornalista, ex-secretário municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, membro voluntário da Comissão Organizadora da Festa de Nossa Senhora do Rosário 2019.

Congado São Cosme e Damião, de Resende Costa. Em destaque, o Capitão Fernando Pacote

RELIGIÃO

Comitiva das “Filhas de São Camilo”, de Portugal, Espanha e Brasil, na canonização do Vaticano JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A partir do dia 13 de outubro, a Igreja Católica passou a contar com mais cinco novos santos, entre eles Santa Dulce dos Pobres e Santa Josefina Vannini. Cerca de 50 mil pessoas participaram da cerimônia de canonização na Praça de São Pedro, de acordo com o Vaticano. Um grupo de 70 pessoas, entre religiosas e leigos (funcionários e colaboradores) ligados às “Filhas de São Camilo” - dos quais 45 pessoas de Portugal e Espanha e 25 do Brasil -, participou da canonização de Madre Josefina Vannini (fundadora da congregação); de Irmã Dulce (a primeira santa nascida no Brasil); do cardeal John Henry Newman (fundador do Oratório de São Filipe Néri na Inglaterra); de Maria Teresa Chimarel Mankidiyan (fundadora da Congregação das Irmãs da Sagrada Família) e de Margherita Bays (da Ordem Terceira de São Francisco de Assis). Na comitiva brasileira, estava o pedreiro Arno Celson Klauck, que em 2007 trabalhava numa obra da Casa das Irmãs Camilianas, em Sinop (Mato Grosso). Ao cair de uma altura de mais de 10 metros enquanto colocava uma viga, ele pediu auxílio à Madre Josefina Vanini e sobreviveu ao acidente. “Em honra da Santíssima Trindade, pela exaltação da fé católica e para incremento da vida cristã, com autoridade de

nosso senhor Jesus Cristo, os santos apóstolos Pedro e Paulo, depois de haver refletido longamente, ter invocado a ajuda divina e escutado o parecer de muitos irmãos do episcopado, declaramos e definimos santos os beatos: John Henry Newman, Giuseppina Vannini, Mariam Thresia Chiramel, Dulce Lopes Pontes e Marguerite Bauys”, declarou o Papa, em latim. Em Portugal, as religiosas dirigem, há 25 anos, o Centro Social Filhas de São Camilo, na cidade de Lamego, norte do país. E, desde 2015, uma filial (extensão) do lar - que é dedicado a pessoas idosas funciona na diocese de Fátima/ Leiria, fornecendo assistência no domicílio aos doentes e idosos, bem como atendimento de enfermagem aos peregrinos do Santuário de Fátima. No Brasil, as irmãs camilianas são responsáveis por 10 instituições, como hospitais, hospedarias e casas de acolhimento a idosos, doentes e crianças. Em Resende Costa, elas dirigem o Hospital Nossa Senhora do Rosário e o Lar São Camilo. PRESENÇA DE RESENDECOSTENSES A irmã Auxiliadora, diretora do Hospital Nossa Senhora do Rosário e superiora da comunidade das Filhas de São Camilo em Resende Costa, e a defensora pública aposentada, Dilma, participaram da missa solene de canonização da madre Josefina Vannini, no Vaticano.

A partir da esquerda, Daiane, Dilma (Resende Costa), Pe. Gilmar, Ir. Auxiliadora (RC), Pe. Fábio (RC), Ir. Lúcia, padre camiliano, Ir. Amelia, Ir. Elismar, Ir. Maria do Alíviom e Carol.


ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Bicho de papel Vai aí uma crônica para a criança que me lê. Principalmente para a criança que está dentro de você, meu leitor amigo, minha leitora confidente. Criança que me lê, gostaria eu de deixar alguma coisa para a sua vida, para a vida do ainda de sua existência. Difícil tarefa com poucas palavras e uma crônica. Mas literatura é isto: buscar o muito mexendo com o pouco. Você, com certeza, gosta de bicho. Bicho é divertido, companheiro, simples e... ensina muito. Faça de conta que minha crônica é bicho: diverte-se com as palavras, companheira das reflexões, simples no despojamento de frases chiques e – quem dera! – procurando ensinar algo. Vamos soltar os bichos pra gente entender o que é o bicho da crônica! A crônica, criança, tem que aproveitar o momento, sem grandes pretensões, pois mais vale um pássaro na mão que dois na gaiola. A inspiração é assim: chega sedutora, mas exige trabalho. O jeito é escrever: o dono do boi é quem pega no chifre. Às vezes, sai um texto bom e fico alegre como se tivesse visto o passarinho do rabo verde; outras vezes, sai um texto pobre, chato, conversa pra boi dormir. É aí que a gente tem que ser macaco velho: quando a crônica não está aparecendo como devia, é hora do cronista dar uma parada, ler, conversar, ouvir e prestar atenção, igual coruja. Assumo essa cautela, pois, como sou macaco velho, não meto a mão em cumbuca. Por outro lado, já escrevi porcarias... e alguns gostaram. Também já aconteceu de eu escrever coisas ótimas... e poucos

entenderem. Uma vez, quase me processaram. Que fazer? Os cães ladram e a caravana passa. Sabe? Cachorro que muito late não morde. O desafio da crônica vale a pena: a pena de brigar com as palavras feito cão e gato; a pena de acordar no meio da noite, que nem galo pontual, e escrever para não perder a ideia; a pena de colocar risos e lágrimas, vidas e mortes em linhas contidas, para que o texto supere as palavras. Sempre soube disso e, quando escrevo, não posso pensar nessas coisas senão a crônica não sai. Eu quero é a minha crônica. Pode ser ela engraçada ou lírica, não me interessa. Tenho que abrir o curral das minhas angústias e soltar a embriaguez do meu coração. Não quero saber se o pato é macho ou fêmea, o que eu quero é o ovo. Pois é... mas como conseguir isso, perguntarão alguns. Sinto muito, não ensino o pulo do gato. Apenas procuro organizar o que penso e o que escrevo, cada macaco no seu galho, apesar da minha crônica ser uma árvore em que cada leitor põe o seu próprio galho. No entanto, os macacos sempre variam de galho e a escrita leva a universos imprevisíveis. Por isso, meu texto parece um bicho, um bicho de estimação: revela mas não confia, brinca mas pode ferir. É um bicho, mesmo que de papel. Aí vai mais uma crônica... ou será que aí fica mais uma crônica? Um dia, pretendi a permanência e a efemeridade me feriu. Gato escaldado tem medo de água fria. É melhor dizer que aí está mais uma crônica. Se vai ou se fica... só vou saber quando galinha tiver dente.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

• PÁG. 9

Ainda hoje infeliz realidade Viajei pela primeira vez para Porto de Galinhas (PE) há muito tempo. Estive lá novamente há três anos, quando ouvi de um guia local a explicação esquecida sobre o nome do lugar. O que contam é que antigamente Porto de Galinhas era conhecida como Porto Rico devido à farta extração de pau-brasil na região. Em 1850, a Lei 581 (Lei Eusébio de Queirós) tornou proibido o comércio escravista no país, mas os escravos continuaram a chegar para serem vendidos, contrabandeados. E tão logo atracava no porto pernambucano o navio em que eram trazidos, escondidos debaixo de inúmeras galinhas d’angola, comerciantes das redondezas anunciavam a “carga” com uma senha secreta: “Tem galinha nova no Porto!”. Essa lembrança me veio agora ao saber que outro famoso paraíso natural também tem seu nome ligado à história da escravidão no país. Segundo o jornalista Laurentino Gomes, coube a Fernando de Noronha, um cristão-novo, (judeu recém-convertido ao cristianismo) “inaugurar o tráfico de escravos no Brasil. Em 1511, ou seja, apenas uma década após a chegada da esquadra de Pedro Álvares Cabral à Bahia, a nau Bretoa, de propriedade do florentino Bartolomeu Marchianni e de Fernando de Noronha, atracou em Portugal com uma carga de papagaios, peles de onça-pintada, toras de pau-brasil e 35 índios cativos”. Essa informação consta do livro “Escravidão” – vol.

1 – a nova trilogia de Laurentino – que cobre o período que vai do primeiro leilão de escravos africanos realizado em Portugal, no dia 8/8/1444, até a morte de Zumbi, o líder do Quilombo dos Palmares, em 20/11/1695. Lançada em agosto deste ano na Bienal do Rio, a obra, uma verdadeira empreitada, custou ao jornalista uma extensa pesquisa (leu por volta de 200 livros) e anos de viagens por 12 países, 8 deles em território africano. Falando de escravidão, essa prática muito antiga em todas as culturas, um fato é inquestionável: os homens cativos vistos como mercadoria, reduzidos à condição de bens semoventes, como os animais, podendo ser vendidos, alugados ou dados como pagamento de dívidas. No capítulo Documentos históricos do seu Memórias do antigo arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage..., o resende-costense Juca Chaves faz a transcrição de alguns testamentos. No de Francisca Cândida Resende há uma referência especial a duas escravas – Rizulia e Maria Delfina – dadas respectivamente à Maria e à Francisca, netas de Francisca. Eis aí apenas um pequeno e doméstico exemplo do que se vivia naqueles tempos. Uma outra questão que o tema suscita é o racismo, definido como crime no Brasil desde 1989. À afirmativa de que a escravidão é um fenômeno presente no curso da própria humanidade, o já citado Laurentino Gomes men-

ciona em seus últimos escritos os milhões de seres humanos cativos. Eles “provinham de todas as regiões, raças, linhagens étnicas, incluindo eslavos (designação que originou a palavra “escravo”) de olhos azuis das regiões do Mar Báltico”, revela ele. Nessa última condição, os escravos eram pessoas brancas. A escravidão na América provocou o “nascimento de uma ideologia racista, que passou a associar a cor da pele à condição de escravo”, esclarece. Na verdade, três séculos e meio de escravidão brasileira deixaram como herança o racismo, ainda hoje forte, camuflado ou escancarado, mas sempre vergonhoso e abominável. Como tal, é um mal a ser combatido, aqui ou onde quer que seja. Recentemente, em partida de futebol realizada na Bulgária entre a seleção do país e a inglesa, torcedores búlgaros foram vistos imitando sons de macaco, fazendo saudações nazistas e entoando cânticos racistas para os atletas negros da Inglaterra. Nas imagens que circularam por toda parte, jovens bonitos e saudáveis aparecem juntos e uniformizados, como numa ação orquestrada. Uns sorriem. Alguns cobrem parte do rosto com o capuz. Na inscrição de deboche que se lê nas camisas que seguram, “Sem respeito”, uma alusão à campanha “Respeito”, da Uefa, contra o racismo no esporte, eles dizem tudo, autodefinindo-se. Sem comentários! Lá ou cá, é inaceitável toda forma de racismo.


PÁG. 10 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

INTERNACIONAL

Portugal: quase zerar as emissões de gases poluentes até 2050, a meta que chega à ONU País também tem plano para o Oceano, afinal 97% do seu território é água JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Portugal apresentou, no dia 23 de setembro último, na Cúpula do Clima da ONU em Nova York, sua meta de neutralidade carbônica para 2050, que tem por objetivo reduzir em mais de 90% as emissões de gases com efeito estufa. O chamado “Roteiro para a Neutralidade Carbônica” foi aprovado, em 6 de junho, pelo Conselho de Ministros. O plano prevê intervenção em quatro áreas: energia, transportes, resíduos e agricultura/florestas, de acordo com reportagem da TVI. Em Portugal, o principal emissor de gases que contribuem para o aquecimento global é a produção de energia a partir do carvão e da refinação de petróleo, que representa 30%. A seguir, aparecem os transportes que consomem os derivados do petróleo (cerca de 24%). A indústria surge na sequência, também com 24%. O percentual restante abrange outros setores. Assim, na produção de energia, a meta é atingir 80% de energias renováveis (principalmente dos ventos e solar), em 2030, e 100% em 2050. As usinas de carvão, por exemplo, deverão ser encerradas em 2025. Na indústria, o objetivo é reduzir em 73% as emissões até 2050 por via da eletrificação de parte dos consumos energéticos e de maior uso da biomassa. Nos transportes, a ideia é as energias renováveis assumirem 90% da mobilidade em 2050, com aposta nos transportes públicos (investimentos em ferrovias e no metropolitano) e no mercado dos carros elétricos. O plano prevê ainda redução de 25% na produção dos resíduos urbanos, com ênfase à economia circular; ou seja, reduzir, reutilizar, recuperar e reciclar mais. Na agricultura, o esforço passará pela redução à metade da produção de bovinos e expansão da agricultura biológica e de regadio. Já na área florestal, a intenção é reduzir pela metade a área queimada por incêndios rurais e aumentar a proteção das espécies e a conversão de pelo menos 30% das pastagens pobres em pastagens biodiversas. FAMÍLIAS E EMPRESAS O custo da “descarbonização”

Marcelo Rebelo de Souza, presidente português, e Antônio Guterres, secretário-geral da ONU.

do país está estimado em 85 bilhões de euros (cerca de R$ 389,9 bilhões), segundo a pesquisadora Júlia Seixas, da Universidade Nova de Lisboa e uma das autoras do documento. Este custo será pago por famílias e empresas (não inclui os investimentos públicos) - suas ações deverão ser induzidas por políticas públicas. “Portanto, quando uma determinada política pública está a ser desenhada, essa decisão do empresário, do investidor tem que ter a clareza suficiente e o enquadramento certo para ir na direção da neutralidade do carbono.” A pesquisadora acredita que é possível estimular as pessoas, famílias e empresas a utilizarem as novas tecnologias disponíveis para substituir os gases poluentes. Júlia Seixas cita como exemplo a política fiscal que, em termos de taxas e incentivos, deve onerar quem polui e estimular quem utiliza energias limpas. Ela comenta estudo recente que estima em cerca de 422 milhões de euros as isenções a combustíveis fósseis utilizados na aviação e nos transportes marítimos, e mesmo ao carvão. “Estamos a subsidiar quem polui.” Com o início do novo ciclo de governo em breve (as eleições legislativas aconteceram no dia 6 de outubro), “eu penso que a neutralidade carbônica em particular e a sustentabilidade em geral devem estar no coração de todas as políticas públicas”, conclui a pesquisadora na entrevista à TVI. OCEANO SUSTENTÁVEL Segundo o jornal Público, 14 países assinaram, no dia 23 de setembro, um compromisso para ações climáticas com base no Oceano. Portugal comprometeu-se,

entre outras medidas, a classificar 30% do seu espaço marítimo como áreas marinhas protegidas (AMP) até 2030, intensificando esforços já assumidos. Nesta altura, o país pretende também garantir que 10% da energia consumida seja produzida através de eólicas offshore (ou seja, energia através das ondas marítimas). Para se ter ideia do significado desse compromisso, é bom lembrar que 97% do território português é mar. O continente tem pouco mais de 92 mil quilômetros quadrados, enquanto o território debaixo de água soma quase quatro milhões de quilômetros quadrados. O compromisso foi assumido durante reunião do Painel de Alto Nível para uma Economia do Oceano Sustentável, em Nova York, à margem da Cúpula do Clima da ONU. Além de Portugal, o Painel inclui Noruega, Austrália, Japão, Quênia, México, Namíbia, Chile, Indonésia, Palau, Fiji, Gana, Canadá e Jamaica. Juntos representam cerca de 30% da linha costeira mundial, 30% das Zonas Econômicas Exclusivas globais ou 20% da frota de navios em todo o mundo. Os 14 países comprometeram-se com medidas concretas para desenvolver na próxima década. “O Oceano tem um grande impacto nas alterações climáticas, constituindo-se como uma grande fonte de absorção de CO2, retendo 50 vezes mais dióxido de carbono do que a atmosfera. É por isso que o Oceano tem de ser central naquele que é o grande objetivo global da descarbonização e do combate às alterações climáticas”, defendeu a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, num discurso ao qual o Público teve acesso.

Meio ambiente

LUCAS MATOSO ALVES1 ADRIANO VALÉRIO RESENDE2

Greta Thunberg: uma jovem e tanto na Educação Ambiental Recentemente, uma ativista ambiental sueca de 16 anos, Greta Thunberg, ganhou protagonismo no cenário político mundial, principalmente após seu discurso proferido na Organização das Nações Unidas (ONU), que foi uma queixa em relação ao não cumprimento das obrigações sob a Convenção dos Direitos da Criança, assinada há 30 anos. A mesma acusou França, Argentina, Brasil, Alemanha e Turquia de terem conhecimento sobre os riscos que as mudanças climáticas poderão causar no futuro dos jovens e não agirem prontamente para minimizar o chamado Aquecimento Global. Na abertura da Cúpula sobre Ação Climática, realizada em Nova York no dia 23 de setembro, Greta fez um discurso forte. Eis os trechos mais impactantes: “Eu não deveria estar aqui. Eu deveria estar na minha escola, do outro lado do oceano. E vocês vêm até nós, jovens, para pedir esperança. Como vocês ousam? Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias.” Disse ainda: “As pessoas estão sofrendo e estão morrendo. Os nossos ecossistemas estão morrendo. Nós estamos vivenciando o começo de uma extinção em massa. E tudo o que vocês fazem é falar de dinheiro e de contos de fadas sobre um crescimento econômico eterno. Como vocês se atrevem?” Diante da atuação da sueca Greta Thunberg, cabe uma reflexão sobre os adolescentes e o meio digital. Monbiot (2012) afirma que “com metade do tempo desperdiçado em telas, a próxima geração estará pobremente equipada para defender o mundo natural de danos”, o que nos faz pensar sobre um protagonismo que deve ser destinado à infância e à criação de uma mentalidade sustentável que dê possibilidade de desenvolvimento efetivo. Na contemporaneidade, as crianças têm passado mais tempo em frente a telas do que ao ar livre; assim, a troca de uma interação presencial

pela digital acaba limitando sua sensibilidade e sua criatividade na maioria das vezes. Toda essa rotina simplista de sensações e de descobertas tem limitado a liberdade criativa de meninos e meninas na infância, limitando inclusive o sentimento de pertencimento ao que é vivo, ou seja, natural no meio ambiente. Nesse contexto, podemos refletir ainda sobre o processo de educação ambiental na infância e na adolescência. Dessa forma, com base no olhar ecológico da educação ambiental, uma área do ensino que tem como objetivo a conscientização dos indivíduos sobre os problemas ambientais e como ajudar a combatê-los, é possível notar que a relação indivíduo-ambiente está empobrecida, principalmente nas escolas de educação infantil, onde se observa a ausência das próprias crianças no processo criativo de seu ambiente de convivência, na relação umas com as outras e também com os adultos. Por fim, a respeito de Greta Thunberg, ela se faz uma adolescente com um senso de luta bastante proativo, principalmente em pautas ambientais. Em recente entrevista à BBC Rádio 4, ela conta que, quando tinha 11 anos de idade, sofreu uma forte depressão: “Parei de ir à escola, parei de falar, porque estava muito triste. Aquilo me deixou muito preocupada. Teve muito a ver com a crise climática e ecológica. Achava que havia algo muito errado e que nada estava sendo feito, que nada fazia sentido.” No entanto, foi com esse incômodo, de desequilíbrio da natureza por interferência antrópica, que a jovem deu início a um movimento internacional de greves de estudantes contra as mudanças climáticas, uma iniciativa que a fez ser indicada ao prêmio Nobel da Paz. 1 - Aluno do Curso Técnico de Meio Ambiente – CEFET/MG 2 - Professor do CEFET/MG


ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

Cidade

JORNAL DAS LAJES

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Durante o seu mandato de prefeito municipal de Resende Costa, entre 1997 e 2000, José Rosário Silva idealizou uma obra que para muitas pessoas da cidade seria “futurista”, inexequível. O então prefeito do PSDB vislumbrou a construção de um anel rodoviário no entorno do perímetro urbano a fim de desafogar o trânsito no centro da cidade. O mandato de José Rosário findou em 2000 e a obra não aconteceu. Quase 20 anos depois, um projeto semelhante começou a sair do papel. No início de outubro deste ano, uma estrada que ligará a rodovia estadual Resende Costa/São Tiago à LMG 839, que dá acesso ao trevo da cidade, começou a ser aberta. “Não é o anel rodoviário idealizado pelo ex-prefeito José Rosário, mas é uma obra que terá finalidade semelhante ao que ele idealizou”, diz o prefeito municipal Aurélio Suenes (PSD). O anel rodoviário, conforme o prefeito Aurélio identifica a obra, tem seu marco inicial num cruzamento próximo à rodovia que liga Resende Costa a São Tiago e se estende até o bairro Pôr do Sol, onde ele encontra ruas que dão acesso ao bairro Dois de Junho, já próximo à entrada da cidade. O anel rodoviário cruzará com a nova avenida que está sendo aberta paralela à avenida Alfredo Penido. “Essa ligação será fundamental para desafogar o trânsito na avenida Alfredo Penido e no centro da cidade, sobretudo trânsito de caminhões pesados. Ou seja, quem está indo para São Tiago ou a algum lugar próximo pode evitar a Alfredo Penido ou o centro da cidade”, explica o prefeito Aurélio.

De acordo com o prefeito municipal de Resende Costa, para as máquinas começarem o trabalho de terraplenagem, a prefeitura seguiu todas as etapas legais. “Gostaria de frisar que para iniciarmos essa obra, que está sendo feita com recursos próprios do município, seguimos todas as etapas de licenciamento ambiental, indenizações a proprietários de terrenos por onde passa a estrada, com o objetivo de não termos nenhum problema”, esclareceu Aurélio Suenes. O anel rodoviário tem a extensão de aproximadamente 1 quilômetro e a obra foi licitada em 40 mil reais. DESENVOLVIMENTO O prefeito Aurélio, que caminha para o final do seu segundo mandato em dezembro de 2020, lamenta não poder concluir todas as fases da obra, entre elas a pavimentação e urbanização. “Infelizmente essa parte de asfaltamento e urbanização eu não conseguirei fazer. Ficará para os meus sucessores. Mas a abertura da estrada já é um grande feito. Após a conclusão dessa primeira etapa da obra, caminhões pesados e até mesmo carros pequenos já poderão passar por aqui, como via alternativa”, diz o prefeito. Diariamente trafega pelo centro de Resende Costa uma grande quantidade de veículos, entre eles caminhões de carga. Esse número aumenta nos finais de semana e feriados, especialmente na avenida Alfredo Penido, onde se localizam as lojas de artesanato. Resolver ou pelo menos minimizar os problemas no trânsito de Resende Costa tem sido um desafio para as autoridades municipais, que vêm quebrando a cabeça em busca de alternativas.

Foto André Eustáquio

Prefeitura municipal de Resende Costa inicia obra do anel rodoviário que liga a rodovia estadual de acesso a São Tiago à LMG 839

Máquina e caminhões trabalham na abertura da estrada que ligará duas rodovias estaduais que cortam o município de Resende Costa

Para o prefeito Aurélio Suenes, a nova via de acesso que ligará as duas rodovias estaduais que cortam o perímetro urbano do município trará benefícios, além de mitigar os problemas de acúmulo de veículos na entrada e no centro da cidade. “A nossa cidade não foi planejada para receber essa quantidade de carros. As ruas estreitas e a topografia íngreme dificultam a organização e a fluidez do trânsito. Esse anel rodoviário vai desafogar o trânsito no centro da cidade. Os caminhões pesados, sobretudo os que transportam carvão, poderão optar por passar por essa nova via”, planeja o prefeito municipal. “Tenho certeza de que é um grande passo que estamos dando rumo ao desenvolvimento da cidade. Num futuro próximo, veremos novas ruas serem abertas aqui, novos loteamentos e chácaras serão construídos. Não tenho dúvidas de que, com a conclusão da nova avenida e desse anel rodoviário, a tendência é que o desenvolvimento e o crescimento da cidade migrem para cá”, comple-

tou o prefeito Aurélio Suenes. No dia em que esta reportagem visitou as obras do anel rodoviário, na companhia do prefeito Aurélio Suenes, as máquinas e os caminhões trabalhavam na abertura da estrada e no entupimento com terra e pedras do brejo que fica na parte baixa do terreno. De acordo com o prefeito, não há previsão para a conclusão desta etapa de abertura da estrada. “Eu gostaria de concluir essa etapa da obra já no final deste ano, mas depende muito do período das chuvas”, informa Aurélio. O sonho do prefeito José Rosário começa, 20 anos depois da conclusão do seu mandato, a se tornar realidade num momento em que Resende Costa enfrenta desafios impostos pelo crescimento urbano. Curioso observar: uma obra que no passado não tão remoto foi vista por algumas pessoas como mera utopia desnecessária, hoje é importante alternativa para se resolver problemas de trânsito oriundos do inevitável crescimento da cidade.

Resende Costa recebe atividade do Novembro Azul ASAPAC de São João del-Rei vai distribuir 200 exames gratuitos de PSA e TSH VANUZA RESENDE

Após os laços rosa no mês de outubro, em novembro a cor que predomina é o azul. Em outubro, o alerta foi para o câncer de mama e para a saúde da mulher. Já em

novembro, o laço é azul, muitas vezes acompanhado de um bigode para conscientizar os homens sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata é a segun-

da doença mais comum entre os homens brasileiros. Quando há diagnóstico precoce, as chances de cura são de 90%, mas o caso pode ter quadro terminal se o paciente descobrir o câncer em estágio avançado. Para conscientização acerca do assunto e da importância da

prevenção, a Associação de Amparo a Pacientes com Câncer, a ASAPAC de São João del-Rei, vai promover atividades e palestras durante este mês. No dia 27, quarta-feira, a programação será em Resende Costa, com a distribuição gratuita de 200 exames de PSA e TSH para a população.

• PÁG. 11

Obras de construção da nova avenida, na entrada de Resende Costa, está embargada As obras de construção e pavimentação da nova avenida (ainda não há nome para a via) que está sendo aberta próximo à avenida Alfredo Penido, na entrada da cidade, encontra-se embargada. O JL apurou que uma denúncia anônima ao Ministério Público acerca do não cumprimento de etapas da fase de licenciamento ambiental culminou no embargo da obra. O embargo foi feito pela Polícia Militar do Meio Ambiente, cumprindo uma demanda do Ministério Público, que investigou a denúncia. A Prefeitura Municipal recorreu à Justiça para dar prosseguimento à obra. De acordo com o prefeito Aurélio Suenes, a prefeitura apresentará novas propostas de compensação devido às intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APP). A Prefeitura Municipal de Resende Costa espera obter logo a liberação para dar continuidade às obras. O Codema (Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente) autorizou a continuidade das obras em 120 metros da avenida, em áreas que não estão incluídas em APP. A expectativa do prefeito Aurélio Suenes é de que a conclusão das obras de construção da nova avenida aconteça em 2020. A nova avenida é considerada pelo Executivo Municipal e por grande parte da população de Resende Costa de fundamental importância para minimizar os problemas do acúmulo de veículos que trafegam pela avenida Alfredo Penido, onde se localizam as lojas de artesanato. A.E.


PÁG. 12 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

RELIGIÃO

Romeiros resende-costenses devotos da Santa Josefina Vannini foram ao Santuário Nacional de Aparecida ANDRÉ EUSTÁQUIO

O Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida recebeu, no dia 1 de novembro, uma grande romaria para a celebração de uma missa em ação de graças pela canonização da madre Josefina Vannini (18591911), fundadora das Irmãs Filhas de São Camilo (camilianas). A italiana madre Vannini foi canonizada

pelo papa Francisco no último dia 13 de outubro, no Vaticano, durante solene celebração eucarística. No mesmo dia foi também canonizada a freira brasileira Irmã Dulce (Santa Dulce dos Pobres). A romaria a Aparecida (SP), no dia 1 deste mês, contou com a participação de irmãs camilianas, sacerdotes e devotos de Santa Josefina Vannini de diversas cidades do Brasil, especialmente de onde as irmãs camilianas estão presentes

realizando a missão de amparo e dedicação aos enfermos. Romeiros de Resende Costa também compareceram à celebração no Santuário Nacional de Aparecida. Presentes em Resende Costa desde 1954, as Filhas de São Camilo administram, com competência e dedicação, o Hospital Nossa Senhora do Rosário e o Lar São Camilo. Ambas as instituições, sob o cuidado das irmãs camilianas, se tornaram referência na região.

Romeiros resende-costenses no Santuário Nacional de Aparecida

O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

O Sínodo da Amazônia Já pela escolha do nome, o papa Bergoglio concentra, atualiza e vivifica o espírito de São Francisco de Assis que incorporou e cumpriu a meta da encarnação de Jesus: “Eu vim para tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo10,10). A maravilhosa encíclica Laudato si’ (em português: Louvado sejas) resume sua Pastoral: uma Igreja-povo profundamente integrada na sua ambiência que é avida em sua infinita manifestação e variação. Em 1965, ano de conclusão do Concilio Vaticano II, no chamado “Pacto das Catacumbas de Santa Domitila”, 500 bispos, reunidos numa celebração eucarística, pactuaram por uma opção preferencial pelos pobres e por sua libertação. “Todas as grandes maldades do mundo são por causa do dinheiro: é a corrupção, é o roubo, guerras, conflitos. São mentiras. Tudo para juntar dinheiro, para ganhar dinheiro às custas de qualquer coisa. O dinheiro é o grande inimigo de Jesus, pois você não pode servir a Deus e ao dinheiro”, palavras do cardeal dom Claudio

Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e relator do Sínodo, na renovação do Pacto das Catacumbas, ampliando-o para “Pacto das Catacumbas pela Casa Comum”. O papa Francisco convocou o Sínodo da Amazônia (do grego “sin”: junto, “odós”: caminho), realizado no Vaticano entre os dias 6 e 27 de outubro, para aprofundar, debater, aconselhar e orientar a Igreja Católica da Amazônia quanto aos amplos problemas da região. Caminhando juntos para resolvê-los. A pauta da grande reunião, com participantes oficiais e convidados especialistas, previa estudo e análise de muitos pontos, como a complexa situação das comunidades indígenas e ribeirinhas e os povos isolados; a exploração internacional dos recursos naturais da Amazônia; a violência, o narcotráfico e a exploração sexual dos povos locais; o extrativismo ilegal e/ou insustentável; o desmatamento; o acesso à água limpa e ameaças à biodiversidade; o aquecimento global e possíveis danos irreversíveis; a conivência de governos

com projetos econômicos que prejudicam o meio ambiente. O relatório final do Sínodo, elaborado em cinco capítulos e 120 parágrafos, é um documento esperançoso que enfatiza e atualiza a autêntica Teologia da Libertação. Com profundas raízes teológicas no movimento-Jesus, embasa uma prática pastoral missionária para a pan-Amazônia. Os títulos dos capítulos e de seus parágrafos dão uma ideia de sua importância. Alguns destaques de cada capítulo: 1 - Amazônia: da escuta à Conversão Integral. A voz e o canto da Amazônia como mensagem de vida, o clamor da terra e o grito dos pobres (indígenas, camponeses, ribeirinhos, afrodescendentes, migrantes) são apelos para uma conversão integral: “uma leitura orante da Palavra de Deus”. Igreja com o rosto amazônico e missionário. Os desafios da inculturação e da interculturalidade. 2 - Novos caminhos de Conversão Pastoral. Uma Igreja samaritana: referência ao

diálogo de Jesus com a samaritana (Jo 4) e ao bom samaritano (Lc 10,29-37); madalena, que se sente amada e reconciliada, anunciando com alegria e convicção o Cristo crucificado e ressuscitado; mariana, gerando filhos para a fé, educando-os com carinho e paciência e aprendendo com as riquezas dos povos. Uma Igreja servidora, kerigmática, inculturada no meio dos povos. 3 - Novos caminhos de Conversão Cultural. Conversão cultural: que o outro aprenda com o outro. O outro, que são os povos originários da Amazônia com suas tradições, lendas, práticas religiosas, festas, costumes, sobretudo trato com a natureza e valores de reciprocidade, solidariedade, sentido comunitário, igualdade, família, organização social e sentido de serviço. 4 - Novos Caminhos de Conversão Ecológica. Uma Ecologia Integral, holística. Cuidar da Casa Comum, ou seja, da vida do planeta e dos seus habitantes. Pecado Ecológico:

“Uma ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, a comunidade e o ambiente”. 5 - Novos caminhos de Conversão Sinodal. Relevando muito o papel da mulher na pastoral da Igreja, máxime na Amazônia, os sinodais anseiam: “Gostaríamos de compartilhar nossas experiências e reflexões com a Comissão [estuda a pedido do Papa o diaconato permanente para a mulher]. Esperamos seus resultados.” Ante a enorme carência de sacerdotes nas comunidades, o Sínodo sugere a ordenação sacerdotal de homens idôneos e reconhecidos da comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam uma formação adequada, podendo ter família legitimamente constituída e estável, para sustentar a vida da comunidade cristã mediante a pregação da Palavra e a celebração dos sacramentos nas zonas mais remotas da região amazônica. Um Sínodo assessora. O papa decide e comanda.


ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

Educação

• PÁG. 13

Mais de 100 representantes de 22 países discutiram português como língua de herança, na Itália Durante dois dias, educadores (mães/pais e professores ligados a associações de brasileiros no exterior) e pesquisadores (universidades brasileiras e europeias) estiveram reunidos nas cidades italianas de Florença e Pisa JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Países: 22 de diferentes continentes. Participantes: 102, mais os alunos ouvintes. Durante dois dias (25 e 26 de outubro), educadores (mães/pais e professores ligados a associações de brasileiros no exterior) e pesquisadores acadêmicos (universidades brasileiras e europeias) estiveram reunidos nas cidades italianas de Florença e Pisa. O IV Simpósio Europeu sobre o Ensino de Português como Língua de Herança (SEPOLH) discutiu e compartilhou teoria e experiências no ensino do Português como Língua de Herança, também conhecido pela sigla POLH. Compareceram brasileiros residentes na Alemanha, Áustria, Brasil, Bélgica, Dinamarca, Dubai, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Itália, Japão, Noruega, Palestina, Portugal, Rússia, Suíça e Suécia. Participaram

ativamente de mesas-redondas, palestras, debates e apresentações de pôsteres sobre temas como políticas linguísticas, plurilinguismo, inovações no ensino-aprendizagem e material didático. Surgiram muitas questões “porque são dúvidas de todos nós, pesquisadores e associações que trabalham com o ensino do português como língua de herança”, conta Ana Luíza Oliveira de Souza, organizadora local do evento ao lado de Mônica Lupetti (Universidade de Pisa) e Daniela Mascarenhas Benedini (Universidade do Estado da Bahia). “Realmente, foi um sucesso”, acrescenta Ana Souza, do comitê executivo e uma das idealizadoras do SEPOLH. Além do número de países e de participantes, ela destacou a evolução na qualidade das apresentações, “que é o reflexo do crescimento do movimento do POLH em si, desses trabalhos que estão sendo desenvolvidos ao longo dos anos, que refletem a prática, a teoria, a convergência desses dois aspectos do português como língua de herança”. O resultado

será a continuidade da “socialização” das crianças (filhas de brasileiros que crescem no exterior) e a transmissão da cultura brasileira, que “com certeza traz muitos frutos para o próprio Brasil”. “O evento foi muito bom”, confirma Camila Lira, do comitê executivo do SEPOLH e da Linguarte (Munique). “Estamos muito felizes com a qualidade do evento, que mais uma vez uniu teoria e prática, profissionais acadêmicos, professores e coordenadores de iniciativas, bem como interessados num movimento em prol do POLH.” Maria José Maciel, Juliana Azevedo Gomes e Adenilson Pereira, da coordenação do Elo Europeu, transmitiram o evento em tempo real pelo facebook. Foi possível observar pelas imagens a descontração na chegada, com encontros e reencontros e fotos de grupos informais para os álbuns. A atenção do público ao ouvir as primeiras falas na abertura (dia 24), e mesmo ao longo do evento. O profissionalismo e dedicação nas

Rede POLH da Itália

apresentações dos temas diversos e das experiências de cada país. A sensação de dever cumprido no ato de encerramento. E não podia faltar, da parte de Ana Luiza, o tradicional agradecimento aos patrocínios e apoios, como os de Universidade de Pisa e seus departamentos envolvidos; Associazione Piazza San Donato/ Casa do Brasil de Florença; Rede POLH Itália, Embaixada do Brasil na Itália; Prefeitura de Florença e

Linguarte (Munique), além dos 10 funcionários do suporte técnico. No final, Camila Lira anunciou a Espanha como sede da quinta edição do evento, embora ainda não esteja escolhida a cidade. Juliana Gomes, da APBC (Associação de Pais de Brasileirinhos da Catalunha) em Barcelona e uma das coordenadoras do Elo Europeu, será a responsável pela organização local do V SEPOLH. Até 2021, na Espanha!

Cursos de universidades são-joanenses alcançam notas 5 e 4 no Enade 2018 UFSJ, IF Sudeste SJDR e Uniptan ficaram no topo da classificação nacional Cursos das três universidades de São João del-Rei – UFSJ, IF Sudeste e Uniptan – alcançaram o topo da classificação do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), edição 2018. As notas foram divulgadas, no último dia 4, pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Numa escala de 1 a 5, atingiram nota máxima os cursos de Administração e Psicologia, da Universidade Federal de São João

del-Rei (UFSJ), e de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas (IF Sudeste SJDR). Com nota 4, pontuaram os cursos de Ciências Contábeis e Comunicação Social-Jornalismo (UFSJ); de Tecnologia em Logística (IF Sudeste SJDR); e de Administração do Centro Universitário Presidente Tancredo de Almeida Neves (UNIPTAN). Trata-se de um desempenho superior ao da maioria dos cursos cuja nota é 3.

O Enade é um exame feito por estudantes - ao final dos cursos de graduação - para avaliar conhecimentos, competências e habilidades desenvolvidas ao longo do curso. Levando em consideração o desempenho dos alunos nas provas, os cursos são classificados seguindo uma escala de 1 a 5. Em 2018, 492 cursos superiores tiraram a nota máxima (5) no Enade, de acordo com dados divulgados pelo Inep. Esses cursos correspondem a cerca de 5,8% do total de 8.520 que tiveram o desem-

penho divulgado. De acordo com os resultados divulgados, 1.689 cursos obtiveram conceito 4 e 3.830 obtiveram conceito 3. A maior parte desses cursos é ofertada por instituições públicas federais, 199, seguida por instituições privadas sem fins lucrativos, que ofertam 123; privadas com fins lucrativos, que ofertam 117; públicas estaduais, 52; e um deles é ofertado por instituição pública municipal. Ao todo, foram avaliados nesses cursos 25,2 mil estudantes.

COMO A NOTA É COMPOSTA De acordo com o site do MEC, para calcular a nota do ENADE, são tiradas separadamente as médias das notas dos estudantes na prova de Formação Geral e na de Componente Específico. Em seguida, é calculada uma média ponderada entre esses dois valores, sendo atribuído peso 1 ao primeiro e 3 ao segundo. Fonte: Rádio Emboabas e Comunicação/Uniptan J.V.R.


PÁG. 14 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

Informe Publicitário CRÉDITO RURAL

O presidente do Conselho de Administração da Credi ao lado de representantes do JEEProfetas. Pesquisa do cooperativista guiou expedição no Campo das Vertentes e pode ampliar projetos turísticos

João Pinto de Oliveira recebe homenagem de grupo congonhense Troféus simbolizam bom atendimento de demandas e direcionamento de recursos

Credi se destaca em apoio ao Agronegócio e é premiada em BH O Sicoob ecoa um lema ao empreendedor rural: “Para produzir e crescer, conte com quem apoia você. Conte com a sua cooperativa”. O Sicoob Credivertentes é uma delas, fomentando os negócios de homens e mulheres do campo há mais de 30 anos. Todo esse trabalho, constante, ganhou reconhecimento com premiação no 2º Workshop de Crédito Rural, evento promovido pela Central Crediminas em Belo Horizonte no dia 12 de setembro. Na realização, nossa cooperativa recebeu dois Troféus Florença. RANKING O Sicoob Credivertentes ficou em 2º lugar, entre mais de 80 instituições, no quesito “Índice de Produtor Rural Atendido”, alcançando mais de mil agricultores e pecuaristas com soluções de crédito. “Isso quer dizer que temos a confiança dos cooperados; que conseguimos atender às necessidades deles ao mesmo tempo em que, claro, podemos alcançar ainda mais gente”, explica o gerente de Negócios Rogério Ladeira. Em outro critério, “Aderência à Pesquisa de Demanda”, a cooperativa ficou em 3º lugar. O supervisor de Crédito da instituição, José Arnaldo Reis, explica a importância disso. “Solicitamos aproximadamente R$5 milhões para atender ao mercado rural por trimestre. Logo que chegam, esses recursos encontram aplicabilidade com baixos custos para o nosso associado. Receber esse prêmio da Crediminas confirma que o conhecemos e que conseguimos distribuir essas cifras para que o ruralista aplique no que precisa”, diz. No último ano, o Sicoob Credivertentes registrou aderência de 99,11%. COOPERADO Luiz Fernando Reis é um dos empreendedores atendidos pelo Crédito Rural. Ele conta que foi graças a recursos emprestados pela cooperativa que sua propriedade em Resende Costa avançou de espaço para lazer a negócio de sucesso no ramo Pecuário. Hoje, a Recanto da Fulore é especializada na criação de gado Girolando, raça genuinamente brasileira que cruza animais Gir (rústicos de grande capacidade de adaptação) com Holandeses (grandes produtores de leite) e responde por nada menos que 80% do contingente leiteiro no país. “Quando me interessei por esse mercado, precisei de recursos e os encontrei no Sicoob Credivertentes. O empréstimo se transformou em investimentos que proporcionaram animais, equipamentos, plantio de culturas, pastagem. Fez toda a diferença”, comenta o empreendedor. A Recanto da Fulore tem 120 cabeças de gado, sendo 40 em lactação com produção diária de 600 litros. CRÉDITO RURAL O Sicoob é o terceiro maior financiador da produção rural brasileira entre todas as instituições financeiras do país, com cerca de R$14 bilhões para a safra 2019/2020. Desse montante, R$3 bilhões são destinados a cooperativas filiadas ao Sicoob Central Crediminas – do qual faz parte o Sicoob Credivertentes. O que isso significa? Que quem precisa ampliar, diversificar ou modernizar sua produção tem linhas de crédito específicas em nossa instituição. Esses recursos, aliás, podem ser utilizados para financiar maquinário, investir em animais de cria e recria (incluindo melhoras genéticas), implantar sistemas de armazenamento e irrigação, recuperar pastagens, realizar ações de preservação ambiental, etc. Para outras informações, procure uma de nossas 20 agências no Campo das Vertentes e na capital mineira, Belo Horizonte.

O presidente do Conselho de Administração do Sicoob Credivertentes, João Pinto de Oliveira, recebeu uma homenagem especial por sua atuação em pesquisas de cunho histórico. Uma delas, aliás, pode impulsionar a extensão de projetos turísticos envolvendo o Poder Público em São Tiago, berço da cooperativa. A entrega do troféu aconteceu no dia 24 de setembro e foi promovida pelo JEEProfetas Clube de Congonhas (MG). VIAGEM O grupo de amigos viaja todos os anos desbravando circuitos mineiros off-road. E escolheu os arredores de São Tiago como parte da expedição de 2019, com 25 integrantes. No total, os jipeiros passaram por quase 50 cidades e povoados (um deles o de São Pedro da Carapuça, vizinho à Terra do Café com Biscoito) em percurso de 800km. A vinda ao Campo das Vertentes, porém, não foi aleatória. Por aqui, os viajantes queriam conhecer os trechos que compuseram a Picada de Goiás. SABORES & SABERES A via histórica foi aberta e usada por bandeirantes em meados de 1700. O objetivo era ligar Pitangui, em Minas Gerais, ao Centro-Oeste brasileiro, onde ouro foi descoberto em 1725. Tudo isso cortando municípios locais, como São Tiago. O trânsito de riquezas era tão intenso por ali que o trecho foi classificado como Estrada Real – e centro de determinação mortal da Coroa Portuguesa que, à época proibiu a abertura, sem autorização, de caminhos entre as capitanias mineira e goiana. Quem desobedecesse pagaria com a vida. Essas histórias foram contadas em artigos do boletim Sabores & Saberes, publicação mensal e memorialística realizada pela Credi. De janeiro de 2018 a outubro de 2019, sete artigos envolveram a Picada de Goiás. Todos com dados investigados, analisados e redigidos por João Pinto de Oliveira. Exemplares gratuitos podem ser acessados no site www.credivertentes.com.br. DEPOIMENTOS “Soubemos desse trabalho e procuramos o Sr.João. Conversar com ele, receber todas as informações possíveis e ter acesso às pesquisas que realizou nos permitiu planejar e fazer a viagem com fundamentação histórica, sem cair em não-caminhos. Por isso nossa gratidão e nossa homenagem”, explica um dos fundadores do JEEProfetas, José Carlos Gomes (Tarol). Para João Pinto de Oliveira, a viagem do clube comprova a importância histórica de São Tiago e seu entorno, fortalecendo os projetos turísticos que têm sido desenvolvidos ali. Além disso, o membro-fundador do Sicoob Credivertentes destaca a força da proteção à memória. “É motivo de orgulho saber que com pesquisas, palavras e conhecimentos trocados estamos resgatando trechos tão nobres do nosso passado, conhecendo melhor nossas origens, deixando um legado de saber às novas gerações que poderão perpetuar também esse trabalho”, destacou.


ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 15

Retalhos literários EVALDO BALBINO

Olívia Após as várias facadas, num dos braços e no peito, o marido cambaleou até um barranco. Deixou cair ali seu corpo cujo sangue jorrava por veias da vida desatada para a morte. E foi ali que Olívia, apressada no meio das pessoas no adro da capela, abeirou-se e lhe deu o último alívio. Curvou seu corpo de esposa, sentou-se ao lado do marido e lhe ofereceu o colo. Sobre o seu vestido, o sangue do homem jorrado, o coração dele quase parando até parar-se de fato, e o dela batendo forte, desafinado entre raiva e susto. Meio anestesiada, talvez, mas com dores suficientes para começar a chorar o fim do consorte. Por algum tempo ainda frequentou a igreja. Em cada vez que se achegava à capela, no adro da ermida, a mesma dor, o mesmo susto, o mesmo medo brotando-lhe rubro no peito. Era da irmandade do Rosário. Em ritos sagrados ou formais, como

nas missas e nas reuniões de conferência, usava uma fita no pescoço com uma medalha representando Nossa Senhora do Rosário. Tempos depois conheceu o Sr. João Batista, homem evangélico que acabara de chegar ao povoado para evangelizar ovelhas do local. Como Olívia já tinha alguns parentes “protestantes” em arraiais do entorno e já “namorava” aquelas tendências de mulheres de saias e cabelos longos e jeito conspícuo, caiu na graça das palavras do pregador. Numa tarde de sol e céu azul aberto para Deus, deixou-se imergir num córrego tranquilo. Batizada, viveu muitos anos na nova igreja, até sua morte. Já idosa, com filhos quase todos casados, com netos formando um povaréu de tanta gente, ficava em sua casa sempre na lida doméstica. Recebia as pessoas com biscoito e café feito de garapa ou de açúcar preto. Tudo cultivo dali mesmo, do

retiro que o marido deixara a ela e aos filhos. A casa era um sobrado cujo porão dava medo e onde antes se guardavam cambões, sacos de mantimento, arreios, cangas, varas de guiar gado, estribos, couros curtidos e ferramentas de trabalhos da roça. No porão, antes, um vaivém de peões, de lavradores que amanheciam com as galinhas para trabalho tanto. Depois, um silêncio escuro que podia ser visto através das frestas no assoalho da casa. Era de madeira nobre o chão, mas havia nele fendas por onde se podia namorar e temer o escuro. No terreiro da casa muita era a festa, tudo era baile e jubileu, onde se dançava ao som do sertanejo de raiz, de um forró que alçava poeira. Ia para ali muita gente do Curralinho, povoado próximo, e todos chegavam para festas religiosas e profanas. A casa de Olívia era pensão sem cobrança nenhuma. O pessoal dançava de fora e de

dentro do sobrado. Olívia, na idade cada vez mais chegando, não perdia a argúcia do corpo. E no passar do tempo nem mais falava da triste morte do marido. Gostava de receber os netos, sobretudo para dar-lhes doce, açúcar preto e trabalho. Havia aqueles que chegavam matreiros, aceitavam a barganha da lida pelas iguarias, ganhavam antes o de-comer e saíam à francesa sem pagar à vó com o trabalho prometido. Quando já bem idosa, Olívia não chegou a viver só. Dois filhos ainda eram solteiros. Um morava em São Paulo e outro com ela, sendo que este nunca chegou a se casar. Um terceiro, esse sim casado, continuou vivendo também com a mãe, tendo levado a esposa para junto da sogra. Quando veio a adoecer de fato para a morte, levaram-na a São João del-Rei, pois em Resende Costa, a vila, não havia

todos os recursos medicinais de que ela carecia. Veio a óbito num hospital são-joanense. Um neto, o mais velho de todos e já casado, deixara a família no povoado e a seguira de companhia. Ele providenciou tudo, tanto em São João, quanto na vila e no povoado. Foi neste que se realizou o sepultamento. No enterro, deu-se um imbróglio. O coveiro quis sepultá-la no espaço do cemitério reservado à Irmandade do Rosário, o que o neto não aceitou, pois afinal ela já era batizada havia muitos anos noutra igreja que desde então passara a frequentar. No colóquio tenso entre o coveiro e o neto, o primeiro aventou a possibilidade de deitar o corpo na fileira dos pagãos. Depois dum falatório, foi Olívia deposta no lugar comum de todos os que nunca pertenceram a irmandades nem levaram o nome de pagãos. E para ela, com certeza, qualquer lugar lhe cabia no seio da terra.

INFORME PUBLICITÁRIO

Cirurgia por videolaparascopia: inovação médica na região das Vertentes

A todo momento, somos surpreendidos por novidades no campo da ciência. Novos e poderosos medicamentos surgem no mercado; exames precisos e sofisticados facilitam diagnósticos de forma muito mais rápida e segura, possibilitando tratamentos mais eficazes. É a ciência colaborando para a qualidade de vida das pessoas. Dentre os grandes avanços da medicina nos últimos tempos, destaca-se a cirurgia por videolaparoscopia. A videolaparoscopia é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva realizada por auxílio de uma en-

docâmera no abdômen do paciente. Benefícios A técnica de videolaparoscopia geralmente proporciona ao paciente um tempo menor de internação e melhor recuperação no pós-operatório. Sendo assim, o paciente poderá retornar mais rapidamente às suas atividades cotidianas. A cirurgia através dessa técnica é considerada mais segura, menos invasiva, além de diminuir o risco de infecções na ferida cirúrgica.

Um médico especialista pode indicar ao paciente qual a melhor prática a ser adotada para o procedimento cirúrgico, levando sempre em consideração as particularidades e especificidades do caso em questão. Inovação, qualidade de vida e segurança Resende Costa e região contam com um médico especialista em cirurgia por videolaparoscopia. O Dr. Euler Augusto Resende (CRM 68.111) reside em Resende Costa há três anos e atua no Hospital Nossa Senho-

ra do Rosário em cirurgia geral e clínica médica. Dr. Euler é formado pela Faculdade de Medicina de Juiz de Fora (FAME-JF) e especialista em Cirurgia pelo Hospital SOCOR de Belo Horizonte. Além de Resende Costa, Dr. Euler trabalha como emergencista no Samu de Barbacena e no Instituto Nossa Senhora do Carmo (cirurgia geral e emergência) de Barroso. Em Resende Costa, Dr. Euler Resende possui consultório médico na Clínica AMO&F, na praça Coronel Souza Maia, ao lado da igreja do Rosário.

Dr. Euler Resende - cirurgia geral e clínica médica

Cirurgia utilizando a técnica de videolaparoscopia

Agende sua consulta através dos telefones: (032) 99920-7100; (032) 3371-7616, (32) 3506-0041, ou na Clínica AMO&F


PÁG. 16 • JORNAL DAS LAJES

ANO XVI Nº 199 - NOVEMBRO 2019

ESPORTE

Resende-costenses participam da III Copa de Muay Thai e Boxe em Barbacena VANUZA RESENDE

Diversos atletas da região participaram da terceira edição da Copa de Muay Thai e Boxe na cidade de Barbacena, no dia 27 de outubro. Pela segunda vez, Resende Costa teve atletas representando a cidade. João Victor Resende, de 21 anos, e Pâmela Regina Ferreira, 20, foram os atletas que competiram na modalidade iniciante de Muay Thai. Os resende-costenses voltaram para casa com medalhas. João Victor ficou com a medalha de ouro e Pâmela conquistou a medalha de prata. Na competição, houve também modalidades amador, semi-profissional e profissional. Professor de Muay Thai e responsável pelos alunos, Ruan Rodrigues, falou como surgiu a ideia de levar os atletas para disputar o campeonato: “O evento na cidade de Barbacena tem crescido muito na região. Nós participamos da segunda edição do evento em 2018 e fomos convidados para participarmos dessa nova etapa”. A competição contou ainda com a presença da torcida de Resende Costa. A Prefeitura Municipal cedeu um ônibus para levar amigos e familiares dos competidores para prestigiarem o torneio. ATLETA É CAMPEÃO NO 11° CAMPEONATO DE JIU-JITSU EM BARBACENA No dia 19 de outubro, no Ginásio Delmo Maria, em Barbacena, o atleta Otávio Ribeiro, 31 anos, participou do 11° Campeonato de Jiu-Jitsu. E mais uma vez o atleta voltou com premiação para Resende Costa. “Na minha luta casada, na qual o adversário é selecionado através de faixa e peso, consegui sair campeão e trouxe o cinturão para a nossa cidade, além de ter sido prata, na categoria até 76 kg”. O evento recebeu vários atletas mineiros, representando Belo Horizonte, Juiz de Fora, Carandaí e São João del-Rei. Otávio disse que, mesmo sem muito tempo de preparação, ficou

feliz com o desempenho. “Apesar da falta de tempo, consegui me preparar um pouco; durante meu horário de almoço aproveitava para malhar e isso me garantiu lugar no pódio, sendo o único representante da cidade no evento”, ressaltou. O atleta destacou a falta de patrocinadores como a maior dificuldade para continuar disputando o campeonato. “A maior dificuldade é a falta de patrocinadores, já que não existe premiação em dinheiro e, como o Jiu-Jitsu é pouco conhecido, fica mais complicado. Entretanto, conto com alguns parceiros que sempre me ajudam e apoiam. Destaco e agradeço ao Supermercado Resende Costa, Contemp Service Contabilidade e à Prefeitura Municipal de Resende Costa, através da secretaria de Esporte. Meu muito obrigado! Agradeço também a Deus, minha equipe Bauer Team e a todos que torcem por mim”, finalizou Otávio. PINK RUN REÚNE VÁRIAS MULHERES COMPETIDORAS EM LAGOA DOURADA Lagoa Dourada foi palco do Pink Run, no dia 19 de outubro. 170 mulheres participaram de uma prova voltada para elas. O objetivo? Chamar a atenção e conscientizar sobre o câncer de mama, que é o mais comum entre as mulheres. A prova contou com o apoio da equipe “Novo Amanhecer”, de Resende Costa. Cerca de 30 resende-costenses participaram da corrida. O percurso foi de seis quilômetros, totalmente plano. A intenção dos organizadores foi dar oportunidade não somente para as atletas experientes, mas também para as iniciantes. A ideia de levar a prova para Lagoa Dourada foi do atleta Carlos Eduardo Campos Silva, conhecido como Tuca. “Eu achei muito legal a corrida que foi realizada em Resende Costa, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Observando um crescimento notável da prática esportiva de corrida e caminhada aqui em Lagoa, pensei em trazer uma etapa para cá, no mês de outubro”, explica Tuca. Para a rea-

lização da prova, Tuca contou com o apoio de Luiz Nei e Maraisa Santos da Equipe Novo Amanhecer, da Secretaria de Esportes de Lagoa Dourada e de patrocinadores. “Além de incentivar e orientar sobre a prática do esporte com segurança e qualidade, unimos também um assunto tão importante, que é a prevenção do câncer de mama e a saúde da mulher”, reforça Tuca. Tuca destaca o grande interesse das mulheres em competir. “Abrimos para 100 vagas, que, rapidamente, com uns 15 dias se esgotaram. Então, conseguimos chegar a quase 180 inscritas, que receberam um kit com camisa, caneca e sacolinha personalizada”. O número de atletas também foi comentado por Maraisa: “Eu não esperava esse número de atletas. A Pink Run veio para homenagear o Outubro Rosa e incentivar as mulheres na prática do esporte, além de chamar atenção para os cuidados com a saúde”. Tuca afirmou que o objetivo da prova foi alcançado: “Após a corrida, conseguimos um grande número de adeptas para a prática da corrida em Lagoa Dourada, além da conscientização da busca de uma melhor qualidade de vida e prevenção de um problema sério entre as mulheres: o câncer de mama”. DUPLA RESENDECOSTENSE TERMINA COPA DE MOUNTAIN BIKE EM SÉTIMO LUGAR As bicicletas têm se tornado companheiras para os resende-costenses.A geografia da cidade, que até então não era vista como muito convidativa para o dia a dia de ciclistas, transformou-se em aliada de quem quer praticar exercício físico. O número de ciclistas aumentou consideravelmente nos últimos anos e, além dos passeios promovidos por grupos formados na cidade, há aqueles que vão além das pedaladas tradicionais. É o caso de Webert Rômulo Resende, 22, e Luiz Miguel Rodrigues, 19. A dupla participou da Copa Vertentes de MTB na cidade de

São João del-Rei, no dia 20 de outubro. Os garotos contam como foi a experiência de participar da prova. “Tem um ano que estou praticando MTB. Minha primeira prova foi em 2019, durante a última etapa da Copa Vertentes. Como foi minha primeira competição, tive um pouco de dificuldade em acompanhar o ritmo forte de outros atletas, mas, como fui em dupla, meu parceiro me ajudou na maior parte do percurso. Com muita força de vontade, conseguimos chegar na 7º colocação”, ressalta Luiz Miguel. Já Webert diz que a prova foi considerada difícil: “A prova é a mais pesada das etapas, sendo a maior parte de estradão; portanto, uma prova rápida que, com bastante esforço da dupla, conseguimos chegar em 7º lugar”. Webert pratica MTB há dois anos. “A primeira prova de que participei foi em Entre Rios de Minas, em 2017. Devido à falta de experiência, não consegui chegar em uma boa colocação. A minha segunda prova foi em São João del-Rei, em 2018; depois, em São Tomé das Letras. Em 2019, participei da primeira etapa da Copa Vertentes, em Lagoa Dourada. A prova foi uma das melhores etapas na minha opinião. 70% do percurso é feito por trilhas e consegui chegar na 8º colocação, pegando pódio”. Já Luiz Miguel diz que vai continuar levando o nome de Resende Costa a novas competições. “Estou muito contente com o resultado da minha primeira prova, fui até surpreendido pelo resultado. Gostei muito e pretendo no ano de 2020 participar de todas as etapas da Copa Vertentes de MTB”. A temporada 2019 de Webert continua. “Pretendo participar de mais uma prova neste ano, no dia 17 de novembro, em Barbacena. Uma prova diferente das que já participei, em uma modalidade de XCO, que é feita em pista fechada. Com isso, encerro a temporada de 2019. Mas continuo com os treinos e passeios. Em 2020, pretendo participar de outras provas em cidades diferentes, inclusive em provas maiores”, planeja o atleta.

SUB-15 E SUB-17 DO EXPEDICIONÁRIOS CONQUISTAM VICECAMPEONATO DO REGIONAL COPA VERTENTES DE BASE É na base que se forma um bom profissional. Justamente por isso, equipes de diversas cidades mineiras se reuniram para realizar a Copa Vertentes de Base, nas categorias Sub-11, Sub-13, Sub-15 e Sub-17. Oito equipes se dividiram em dois grupos e as duas melhores de cada chave se classificaram. Os times participantes foram: Atlhetic e Ferroviário de Conselheiro Lafaiete; EFF de Santos Dumont, Vila do Carmo e Olimpic de Barbacena; América, Minas e Juventus de São João del-Rei, Pradense de Piedade do Rio Grande, Aymorés de Tiradentes, CGP de Lavras e Expedicionários representando Resende Costa. Na categoria Sub-15, o Expedicionários disputou a final com o Olimpic e perdeu por 2x0. No Sub-17, os garotos do ESC perderam por 3x1 para o América. Os meninos do Sub-11 e do Sub-13 não se classificaram para as semifinais. De acordo com Paulo Ricardo, membro da diretoria do Expedicionários, a partir de fevereiro de 2020, será colocado em prática o projeto “Escolinha de Campo”, com crianças a partir de seis anos. “Serão realizados treinamentos para as categorias sub 7 e sub 9, a fim de que possam desenvolver a prática esportiva. Estamos tentando um projeto em nível federal. Já temos certo o apoio em nível estadual, que contemplará garotos em vulnerabilidade social, os quais receberão todo o material para treinos. Vamos tentar viabilizar a contratação de um professor de educação física pra nos ajudar a desenvolver o projeto”, explica Paulo. Paulo diz que o clube também está à procura de parceiros para disputar a Copa Brasileirinho Sub14 e a Copa Alterosa Sub 11, 13,15 e 17. As competições começarão em março de 2020. Interessados em ajudar podem procurar a diretoria do ESC.

Profile for Jornal das Lajes

Edição 199 - Jornal das Lajes  

Edição 199 - Novembro 2019

Edição 199 - Jornal das Lajes  

Edição 199 - Novembro 2019