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Edição 198 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVI

• OUTUBRO 2019 • Nº198

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Casos de depressão entre adolescentes acendem alerta em educadores, pais de alunos e autoridades municipais de Resende Costa

Antes vistas somente em pastos, as queimadas (muitas delas criminosas) começaram a assombrar moradores das cidades. Frequentemente, há ocorrências de focos de incêndio em lotes localizados em bairros residenciais. No início de setembro, uma queimada em um terreno localizado no bairro Pôr do Sol, próximo à antiga estrada que liga Resende Costa a Coronel Xavier Chaves, por pouco não atingiu residências e fios da rede de energia elétrica da CEMIG. Leia editorial na página 2. PÁG 10

Foto Tatiane Silva

Queimada criminosa no bairro Pôr do Sol assusta moradores de Resende Costa

Roda de conversa com alunos da Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão, em Resende Costa

Início do restauro de casarão e pontes do centro histórico de SJDR As obras de restauro da Casa do Barão, das pontes do Rosário, Cadeia e Teatro Municipal e da passarela metálica da estação ferroviária – cartões postais do centro histórico de São João del-Rei – começaram

neste mês. O sobrado, do século 19, que pertenceu ao único barão são-joanense do Império, fica perto da igreja de São Francisco de Assis, um dos locais mais visitados da cidade. Já as pontes da Cadeia e do

Rosário, com arcos de pedra e óleo de baleia, foram construídas no início do século 19. Os custos das obras são estimados em R$ 1,491 milhão.

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Dois casos de suicídio de alunos da Escola Municipal Paula Assis, na zona rural de Resende Costa, preocuparam a comunidade escolar. O JL conversou com a diretora da Paula Assis, Virgínia Daher, sobre como a escola tem lidado com a situação e quais iniciativas têm sido tomadas a fim de acompanhar e orientar os alunos que sofrem de depressão. PÁG 05 e 06

Entrevista Jogo Aberto com a Psicóloga da Infância e Adolescência, Tatiane Maria da Silva.

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De um ponto de vista

EDITORIAL As queimadas que nos assustam todos os anos

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Neste ano, o Brasil ultrapassou o número de 100 mil focos de queimadas. Isso não ocorria desde 2012. No Pantanal, de acordo com dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de 1º de janeiro a 11 de setembro de 2019, o número de incêndios cresceu 334% em relação ao mesmo período de 2018. Diante do aumento no número de queimadas, da vegetação seca, da baixa umidade do ar e da escassez de chuva, os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul decretaram situação de emergência durante o auge do período da seca. Queimadas são comuns no Brasil durante o inverno. Todos os anos registram-se focos de incêndio em diversas regiões do país, especialmente na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, considerados os maiores biomas brasileiros. No entanto, isso não pode servir de argumento de que “não há muito o que se fazer, pois as queimadas são comuns nesta época do ano”, conforme disseram meses atrás algumas autoridades enquanto o fogo consumia quilômetros de matas, florestas e parques na Amazônia e no Pantanal, apavorando o mundo inteiro. A maioria das queimadas que destroem, todos os anos, extensas áreas de nossas florestas são provocadas intencionalmente. Tratam-se de ações criminosas perpetradas por pessoas inconsequentes e gananciosas que, em busca de formar grandes áreas de pastagens, ignoram os riscos e o gravíssimo impacto ambiental. Não precisamos, contudo, ir à Amazônia e ao Pantanal para refletirmos sobre o problema das queimadas. Durante o período da seca, especificamente entre os meses de agosto e setembro, focos de incêndios são vistos todos os anos em diversos pontos da região do Campo das Vertentes. Nem mesmo a Serra de São José – área de proteção ambiental (APA) localizada entre os municípios de São João del-Rei, Tiradentes, Santa Cruz de Minas, Coronel Xavier Chaves e Prados – costuma escapar ilesa das queimadas no inverno. Em muitos casos é necessária a intervenção do Corpo de Bombeiros para controlar as chamas, como aconteceu em Resende Costa no início de setembro último. Moradores do bairro Pôr do Sol, próximo à antiga estrada de terra que liga Resende Costa a Coronel Xavier Chaves, ficaram assustados com um incêndio que em pouco tempo consumiu a vegetação seca de um terreno situado em área residencial. Conforme mostra uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes, o incêndio teve início a partir de uma “brincadeira” de dois jovens, sendo um deles menor de idade, que atearam fogo na vegetação e não conseguiram controlar as chamas que se espalharam rapidamente. Foram consumidos pelo fogo cerca de 4.000km². Antigamente era comum, durante os meses do inverno, avistarmos de longe focos de queimadas nos pastos. Muitas vezes de forma inadvertida, os proprietários de terrenos queimavam o capim seco para, assim que as chuvas chegassem, pudesse brotar nova vegetação verde para alimentar o gado. Alguns utilizavam técnicas rudimentares a fim de impedir que o fogo se espalhasse descontroladamente. Antes vistas somente na zona rural, as queimadas passaram a acontecer com frequência nos bairros e áreas residenciais dos centros urbanos, como mostra a reportagem sobre o incêndio no bairro Pôr do Sol, em Resende Costa. Ainda há muitas pessoas que desprezam os riscos, desrespeitam os vizinhos e a legislação e ateiam fogo em lotes com o objetivo de queimar a vegetação seca e os entulhos acumulados. As chuvas chegaram novamente e as queimadas – na Amazônia, no Pantanal, no Cerrado, em Resende Costa, nas serras que nos rodeiam – deixaram, pelo menos até o próximo ano, de nos assustar. Porém, não podemos deixar de falar sobre elas. É preciso, o ano inteiro, intensificar as campanhas de conscientização, identificar e punir criminosos que provocam intencionalmente queimadas em parques, matas e na vegetação nas margens das estradas. Não podemos falar sobre queimadas somente quando vemos o fogo consumir nossas florestas. A preocupação com o meio ambiente dever ser cotidiana. Façamos, pois, a nossa parte e cobremos dos governantes as responsabilidades deles.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG

JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Abuso de autoridade Autoridade é qualquer pessoa que exerce algum poder. E, no exercício de tal poder, pode cair no erro de abusar da autoridade. Assim é que pais, que punem o filho sem conhecer os detalhes do erro que o filho cometeu, abusam da autoridade paterna. Superiores, gerentes, administradores, de qualquer categoria, que baixam normas sem levar em consideração a real possibilidade de serem obedecidas, abusam do poder. Pessoas, de qualquer nível intelectual, moral, econômico, religioso, que, valendo-se de seu maior preparo, impõem sua opinião sobre os menos capacitados, coagindo-os a aceitar suas opiniões, abusam do poder. Autoridades dos mais variados níveis hierárquicos, dos mais variados tipos de serviço, nos mais variados espaços de convivência humana que, independentemente do mister que exerçam, entendem não dever dividir com seus colaboradores decisões que envolvam todos, abusam do poder. Convenhamos: nada mais natural, assim como é natural o desejo de poder. Isso é tão forte nas pessoas que, para muitos psicólo-

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

se o Congresso Nacional, se o Presidente da República estabelecem princípios, leis, decretos que não visem ao bem comum, não apenas abusam do poder como são merecedores de desprezo por parte daqueles que representam. Para grandes conhecedores do assunto, a atual lei sobre Abuso de Autoridade, emanada pelo Congresso Nacional, é desnecessária, pois o ordenamento jurídico brasileiro já dispõe de mecanismos legais suficientes sobre a matéria. Além do mais, essa lei é para ser desprezada porque sequer é lei. Sabe-se que a condição para que uma lei seja lei é que ela vise ao bem comum. Ora, o projeto dessa lei que aí está, “foi feito com interesse direto de inibir as investigações que atingem os políticos”, segundo Miriam Leitão. Por conseguinte, ela não visa ao bem comum e, consequentemente, não é lei. Ela é a clara manifestação de um ABUSO DE AUTORIDADE. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Atualizando-se

Eleitos os novos membros do Conselho Tutelar de Resende Costa LUANA CHAVES

Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

gos, a dinâmica do poder constitui a maior fonte de energia na constituição psíquica das pessoas. Portanto, autoridade, poder, uso e abuso de uma coisa e outra, estão no dia a dia de nossas vidas, ainda que pouca importância demos a isso, ainda que sequer percebamos como somos “abusados”. Quando, porém, se trata da autoridade que é investida de poder por delegação de uma comunidade, o abuso de autoridade se torna mais evidente. Quando o poder que uma autoridade tem lhe é atribuído por manifestação pública, o seu exercício fica sujeito a variáveis muito mais exigentes. E haverá, então, uma condição inalienável do poder, que é o exercício da autoridade em busca do bem comum. Se um frentista de posto de gasolina, que também tem seus momentos de exercício do poder, atende mal a um cliente; se um médico deixa de acolher um paciente com menos atenção, poderá haver nisso um abuso de poder que, no entanto, não causa maiores prejuízos à população em geral. Mas, se a Câmara dos Vereadores, se a Assembleia Legislativa Estadual,

No último dia 06 de outubro, domingo, a população de Resende Costa elegeu os cinco novos membros do Conselho Tutelar que exercerão o car-

go de 2020 a 2024. A votação aconteceu na Escola Municipal Conjurados, das 8h às 17h. Dentre os 14 candidatos que disputaram as vagas, os mais votados (eleitos) foram: Cláudio – filho do João Pergentino, Carmem Lúcia – do Tcheco, Paulo André – da Sandra do Xodó, Érica – fi-

lha do Lourenço e Ivany Barbosa – mãe do Yago. Os novos membros eleitos para o Conselho Tutelar de Resende Costa assumirão o compromisso de proteger e defender os direitos das crianças e dos adolescentes pelos próximos quatro anos.


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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Ainda estão presentes na memória de muitos resende-costenses as ruas de Resende Costa sem a quantidade de veículos que hoje chegam, em determinadas horas do dia, a congestionar alguns cruzamentos e vias do centro e da entrada da cidade. É viva também nas lembranças de tantas pessoas a imagem do senhor José Pedro Pinto, com sua carroça puxada por um cavalo, fazendo a limpeza das ainda pacatas ruas da cidade. Naquela época, poucos veículos incomodavam o trabalho do José Pedro, que foi, durante longos anos, o único gari do município. A partir da década de 1990, Resende Costa experimentou um grande salto de desenvolvimento impulsionado, sobretudo, pelo comércio de artesanato. As ruas do centro da cidade passaram a receber maior quantidade de veículos, a população aumentou, fazendo, consequentemente, crescer a demanda por mão de obra. Aumentaram também, exponencialmente, as obras de infraestrutura na cidade, como abertura de novas ruas e avenidas, construção de loteamentos, pavimentação de vias públicas, construção de praças etc. Atualmente, vendo-se transitar cotidianamente pelas ruas da cidade os caminhões da coleta de lixo, é inimaginável pensar que há algumas décadas quem fazia esse trabalho era apenas o senhor José Pedro com a sua carroça. Funcionário público competente e dedicado pai de família José Pedro Pinto nasceu em Coronel Xavier Chaves no dia 23 de novembro de 1923. Antes, porém, de se dedicar ao trabalho de limpeza das ruas de Resende Costa, vizinha à sua cidade natal, morou por muitos anos na zona rural do município, trabalhando de sol a sol na lavoura que ele mesmo plantava e cuidava com enorme zelo. Ele foi também comerciante, dono de bar e criador de porcos. No entanto, foi na cidade que José Pedro Pinto deixou sua marca indelével. De lavrador e comerciante, José Pedro tornou-se funcionário público da Prefeitura Mu-

Foto Redes Sociais

Câmara Municipal de Resende Costa homenageia José Pedro Pinto, que por longos anos cuidou da limpeza das ruas da cidade

José Pedro à frente de sua carroça, descendo a rua do Rosário

nicipal de Resende Costa. A sua função era realizar diariamente a limpeza das ruas da cidade. Ele iniciava sua rotina de trabalho sempre de madrugada, fazendo a limpeza das vias públicas ainda de forma primitiva. Suas ferramentas de trabalho eram uma vassoura, a pá e um balaio. Posteriormente, ele evoluiu e passou a utilizar uma carroça de mão. Somente com o passador dos anos é que as condições de trabalho do José Pedro melhoraram. Ele adquiriu, com seus próprios recursos, a fim de facilitar os serviços, uma carroça e um cavalo. É esta cena que permanece viva na memória de muitos resende-costenses: o senhor José Pedro, com seu porte esguio e elegante, à frente da sua carroça pelas ruas da cidade. Homenagem É comum aos municípios homenagearem postumamente seus filhos ilustres dando, através da aprovação de lei municipal, seus nomes a ruas, praças e prédios públicos. Essa ação política visa a reconhecer o trabalho e a dedicação de cidadãos que não mediram esforços em favor da cidade e de seus munícipes. No último dia 12 de setembro, durante a 23ª reunião ordinária da Câmara Municipal de Resende Costa, o vereador Paulo César Daher Chaves apresentou o projeto de lei 96, de 2 de setembro de 2019, que “dá nome à rua de José Pedro Pinto”. A via pública localiza-se no bairro Mendes.

O projeto de lei foi aprovado por unanimidade e recebeu os elogios dos vereadores. “Quero parabenizar o vereador Paulo pelo projeto. É muito bom recordar o trabalho que o José Pedro fazia em Resende Costa. Além de cuidar da limpeza das ruas, ele era responsável pela capina delas, quando ainda não havia capina química. Eu mesmo capinei muitas ruas da cidade na véspera da Semana Santa. Era o José Pedro quem coordenava os nossos trabalhos e fazia os nossos pagamentos”, lembra o vereador Fábio Ferreira. Em seus comentários referentes ao projeto de lei 96, os vereadores destacaram o caráter e a dedicação profissional do senhor José Pedro Pinto. “Ele foi um funcionário exemplar e dedicado”, elogiou o vereador Francisco Abel. “Um homem correto que se dedicou à cidade e constituiu uma família numerosa (José Pedro foi casado com Leni Vale, com quem teve 13 filhos). Ele merece essa homenagem”, completou o vereador José do Socorro. O vereador João Dias também elogiou o projeto de lei 96: “Eu fiquei surpreso, pois achava que o senhor José Pedro já tivesse sido homenageado, tendo seu nome em alguma rua ou praça da cidade. Mas quero parabenizar o vereador Paulo pelo projeto e dizer que se trata de uma justa e merecida homenagem a alguém que se dedicou muito por nossa Resende Costa.” O vereador Paulo César Daher Chaves, autor do projeto de lei 96, falou sobre a iniciativa de homenagear o saudoso José Pe-

Acesse e acompanhe o Poder Legislativo: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

Mesa Diretora investe em segurança e instala oito câmeras que monitoram o histórico sobrado que abriga a Câmara Municipal O equipamento beneficiará também imóveis vizinhos do paço do Legislativo Na madrugada do dia 15 de junho último, um imóvel residencial localizado no Beco das Lajes de cima, conhecido como Beco do Geraldo Porteiro, que liga a Praça Cônego Cardoso à rua Maria da Costa Fernandes, foi alvo de vandalismo. Parte da grade que ficava em frente à residência foi arrancada e retorcida, o muro parcialmente quebrado e as janelas de frente da casa apedrejadas. O episódio despertou um debate entre os vereadores sobre a segurança no mirante das Lajes de Cima e em seu entorno, durante a 15ª reunião ordinária, realizada no dia 14 de junho de 2019. Com o objetivo de coibir a ação de vândalos e oferecer mais segurança aos moradores e cidadãos de bem que frequentam as Lajes, o vereador Paulo César Daher Chaves apresentou uma indicação ao Executivo, solicitando o fechamento do beco durante a noite. A indicação foi aprovada por 6 votos a 2. No entanto, os vereadores contrários ao fechamento do beco, José do Socorro e Vítor Tibuço, sugeriram que, ao invés de fechar o beco, se instalassem câmeras de segurança e melhorasse a iluminação no local. “Não se deve fechar os becos da cidade, mas, sim, implantar melhorias que possam inibir quem está praticando atos ilícitos”, disse, na ocasião, o vereador José do Socorro. Uma proposta sobre o possível fechamento do Beco das Lajes de Cima foi levada também à apreciação do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura do Município, que se manifestou contra a iniciativa.

Instalação de câmeras O imponente sobrado histórico, construído no século 19, que abriga a Câmara Municipal de Resende Costa faz divisa com o Beco das Lajes de Cima. A Mesa Diretora da Câmara, preocupada com a segurança dos moradores do entorno, de pessoas que frequentam as Lajes e com o imóvel histórico, acatou a sugestão apresentada em plenário e investiu na segurança do prédio. Foram instaladas recentemente oito câmeras de segurança que monitoram, além da totalidade do sobrado da Câmara, todo o entorno da Praça Nossa Senhora de Fátima, inclusive o Beco das Lajes. As imagens, de excelente resolução, permitem visualizar as ruas, o beco e os acessos aos imóveis vizinhos à Câmara Municipal. O Beco das Lajes, que vinha sendo alvo de vandalismo, já está sendo monitorado, 24 horas, por câmeras de segurança e teve sua iluminação melhorada através de dois lampiões fixados na parede de trás do sobrado da Câmara. “Foi um importante investimento que fizemos na segurança do prédio da Câmara e que beneficiará diretamente os moradores vizinhos e a população que frequenta as Lajes e a Praça Nossa Senhora de Fátima. Trata-se de um local residencial bastante frequentado pelos moradores da cidade e por pessoas que nos visitam a fim de conhecerem o mirante. A gente tem a preocupação de preservar o prédio da Câmara, bem como oferecer mais segurança à população”, disse Lucas Paulo de Assis Vale, vereador e presidente da Câmara Municipal de Resende Costa.

dro Pinto – lendário e querido funcionário público de Resende Costa, que terá, a partir de agora, seu nome impresso numa rua do bairro Mendes. A sua dedicação e o seu carinho pela cidade conquistaram o reconhecimento da Câmara Municipal. “Foi com grande prazer que apresentei esse projeto de lei que resultou numa singela e importante

Câmara Municipal de Resende Costa Trabalhando por uma cidade melhor

homenagem ao senhor José Pedro Pinto. Foi uma iniciativa, através da Câmara Municipal, de agradecer todo o trabalho e empenho na sua carreira no funcionalismo municipal. Ele foi um funcionário exemplar, correto e que ficará para sempre na memória de todos os resende-costenses”, disse o vereador Paulo Daher.


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Resende Costa figura entre os 20 primeiros municípios no ranking do ICMS esportivo Resende Costa segue dando show quando o assunto é esporte. Segundo ranking da Secretaria de Estado de Esportes, tendo como base a pontuação dos municípios no ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) esportivo, Resende Costa ficou em 19º lugar. Ao todo, 404 cidades foram avaliadas. A Prefeitura Municipal, ao apoiar a prática de esportes e realização de várias competições, tem conseguido bons resultados no índice. Quanto mais se pratica esporte em nosso município, mais repasse recebemos. O ICMS Esportivo é uma forma de fomentar a prática do esporte, garantindo aos municípios recursos que podem ser investidos no próprio esporte, proporcionando mais qualidade de vida à população. A Secretaria de Estado de Esportes analisa os dados dos municípios e apura seu Índice de Esportes, o que

determina quanto cada município recebe. Para receber o repasse, o município precisa comprovar, através de documentos, a realização de eventos esportivos em nossa cidade, por meio de cartazes de divulgação, reportagens e fichas de inscrição, além de outros critérios. O município deve contar também com um Conselho Municipal de Esporte considerado ativo, que é o caso de Resende Costa. A participação de atletas de Resende Costa em eventos realizados em outras cidades também conta para a pontuação do índice. Em Resende Costa não só o futebol e o futsal colaboraram para a excelente posição conquistada no ranking do ICMS Esportivo de Minas Gerais. Vários eventos esportivos foram realizados, como as maratonas, corridas e outras provas de atletismo, as caminhadas, as copas de marcha, enduros, ciclis-

mo e campeonato de vôlei. Além disso, atletas de Resende Costa participaram de eventos que foram realizados em outras cidades. Também conta ponto para o ranking as atividades pro-

movidas pelo NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família), as quais envolvem, principalmente, os grupos de Terceira Idade. As atividades esportivas promovidas nas escolas também são de

grande importância para o fortalecimento do ICMS Esportivo repassado ao nosso município. Resende Costa está muito bem representada quando o assunto é esporte!

Mais esporte! Prefeitura realiza manutenção em quadra da Nova Resende e promove gincana na Escola Municipal Paula Assis No intuito de incentivar e facilitar cada vez mais a prática de esportes em Resende Costa, a Prefeitura Municipal, através de Divisão de Esportes, executou melhorias na quadra do bairro Nova Resende. Foi realizada a pintura completa do local, que precisava de manutenção, além de melhorias na iluminação. A quadra é um importante espaço de lazer para a população do bairro, além de ser local de recreação para os jovens.

Gincana escolar Outubro começou com novidade na Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão. Foi realizada a primeira Gincana Escolar, uma iniciativa da instituição, em parceria com a Divisão de Esporte da Prefeitura Municipal, e com o apoio da educadora �sica Cristiane Vale. Ao todo, 20 modalidades esportivas integraram a programação do evento, que envolveu os cerca de 300 alunos da escola. O objetivo foi incentivar

a prática do esporte entre os estudantes, além de ser uma ótima oportunidade de aumentar o ICMS esportivo do município. Modalidades esportivas da I Gincana Escolar: queimada, dama, peteca, futsal em duplas, arremesso de peso, pegador de bola, pebolim humano, lancebol, futebol free style, pula corda, cabo de guerra, voleibol adaptado, boliche, dominó, alongamento, flagbol, salto em distância, pique corrente, salto em altura e amarelinha.

Quadra do bairro Nova Resende foi reformada


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Jogo Aberto

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“O desespero de ver nossos adolescentes morrendo fez com que se rompesse um silêncio crucial diante do tema do suicídio” ANDRÉ EUSTÁQUIO

Nós nos espantamos quando somos tristemente surpreendidos com a notícia de que um adolescente tirou precocemente sua própria vida. Imediatamente somos impelidos a procurar respostas para tal atitude extrema. Como entender o comportamento dos adolescentes da chamada “geração online”? Como explicar o crescente número de casos graves de depressão na idade das escolhas, dos conflitos e descobertas? O JL conversou com a psicóloga resende-costense Tatiane Maria da Silva, 33, graduada e pós-graduada pela PUC-MG. Tatiane atua como psicóloga de crianças e adolescentes em uma clínica em Belo Horizonte, onde reside, e acompanha, voluntariamente, alunos da Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão, zona rural de Resende Costa. Atualmente, há uma preocupação geral em relação ao aumento de casos de depressão entre os adolescentes. O que está levando os meninos e as meninas, na faixa etária de 12 a 17 anos, a apresentarem quadros graves de depressão ou de outras doenças de mal-estar psíquico? Para adentrar o campo do entendimento sobre a depressão, precisamos compreender em qual contexto de mundo estamos inseridos e os impactos das contingências atuais na vida dos adolescentes. Cada época desenvolve o seu devido aparato psíquico-emocional. O excesso d e

estímulos e o excesso de informações são características de nossa atual cultura e isso modifica radicalmente a estrutura e o modo como prestamos ou não atenção. Estamos constantemente ligados a multitarefas e os adolescentes de hoje nasceram contextualizados pelo excesso de estímulos. A fase de desenvolvimento da adolescência comporta um vasto campo de mudanças intensas no psíquico, fisiológico, social e cultural. Estamos diante de uma geração que não pode mergulhar no ócio, pois tem de elaborar, ao mesmo tempo, as informações que chegam em demasia e o que o mundo espera que ela faça. O paradigma impõe que é necessário que eles (adolescentes) definam suas profissões aos dezessete anos e deixa a seguinte mensagem: “Você pode ser tudo, menos passivo.” Quando os adolescentes estão emocionalmente mais frágeis, eles dizem algo sobre si mesmos, mas também dizem algo sobre a época em que vivem. Dados revelam que o índice de depressão tem se acentuado entre as meninas. Por quê? A construção social feminina ainda perpassa mudanças significativas. As meninas ainda são alvos de cobranças estéticas e sociais que as tornam mais vulneráveis. Consequentemente, existe entre elas um maior nível de autocobrança, principalmente frente ao que elas representam nas redes sociais. Com isso, seus modelos de interpretação de mundo podem ficar limitados e pouco flexíveis, afetando sua autoestima e consequentemente sua saúde emocional.

Sabemos que a depressão, quando severa, pode levar ao ato extremo do suicídio. Esse fenômeno vem atingindo os adolescentes. Como prevenir? O desafio que o suicídio nos coloca, como sociedade e cultura, é conseguir pensar junto com os jovens novas repostas de enfrentamento, que não seja tirar a própria vida. Essa tarefa não cabe somente ao adolescente, ela é coletiva. Inclui família, escola, comunidade e demais instituições sociais. O desespero de ver nossos adolescentes morrendo fez com que se rompesse um silêncio crucial diante do tema do suicídio. A crença de que falar sobre o suicídio aumenta o número de casos estabeleceu um silêncio em torno das mortes e isso colaborou para que se localizasse o problema e a suposta solução no indivíduo. Construímos a ideia errada de que o suicídio seria uma covardia do jovem e o fracasso dos pais. E, com isso, o tema passou a ser um problema da pessoa e de sua família, colocado como um tipo de defeito. Dessa forma, ficou atribuído ao suicídio o fenômeno de resposta Psicóloga Tatiane Maria da Silva trabalha com a uma patologia crianças e adolescentes. Foto Arquivo Pessoal

mental, como a depressão. É fato que há casos de suicídio relacionados a doenças mentais, mas não é possível desconectar qualquer doença da época em que ela é produzida. O suicídio não é meramente um problema de exclusividade individual, mas também uma produção social. A prevenção passa também por compreendermos quais os impactos da cultura das telas em nosso sistema emocional e como podemos utilizá-las de forma mais consciente. O que leva um(a) adolescente, no auge da idade das descobertas e das escolhas da vida, à atitude extrema de dar fim à própria vida? O significado de ser adolescente difere em cada época determinada. Entender o adoecimento psíquico como causa única não contribui para que avancemos no entendimento de tal fenômeno. O suicídio tem por trás um complexo de motivos que precisa ser acolhido mediante cada caso. Mas é importante destacar para um complexo fenômeno da atualidade: o impacto do uso excessivo das telas (computadores, celulares, notebooks, televisão etc.) no organismo e no aparato emocional. A luz das telas provoca o que os estudiosos definem como “onda azul”. Tal luz inibe a produção de melatonina, hormônio responsável pela indução do sono. As pessoas que ficam no celular depois das 20h tendem a dormir mal e a dormir menos. O dia seguinte delas também é pior e elas produzem menos serotonina (importante neurotransmissor que regula o nosso humor). Agora imagine o impacto desses hábitos em um cérebro adolescente que ainda está passando por uma fase de maturação? Ocorre uma baixa no círculo do sono, que por sua vez impacta a produção de hormônios necessários ao bem-estar. Além disso, os aplicativos atuais criaram um modo de comunicação baseado em “likes” e isso gera uma alteração no nosso sistema de recompensa. O jovem deseja, cada vez mais, um retorno mais rápido e passa a depender de tal mecanismo. Dessa forma, seus sistemas de recompensa não são estruturados para suportarem coisas da vida real. Consequentemente, pequenas ocorrências os levam a um desespero muito grande. Como você avalia as formas de relacionamento entre os adolescentes dessa nova geração? Como eu disse, estamos diante de uma revolução no modo como nos comunicamos e colhemos impactos negativos do uso excessivo das telas. Sabemos que precisamos aceitar tais ferramentas em nosso cotidiano, pois isso faz parte de uma evolução de mundo em diversas frentes. Mas como pensar o uso da tecnologia de uma maneira mais saudável? Entender como as redes funcionam é um primeiro e importante passo para ajudarmos nossas próximas gerações a balancearem o seu uso. Não adianta os pais exigirem menos tempo de uso de celular se também não são bons exemplos de uso. Falta mais encontro pessoal entre os adolescentes? A relação via

internet permite apenas o encontro com aqueles que mais simpatizamos. É o encontro com os iguais. Bloqueamos quem não nos é interessante. Não existe o desconforto da presença de estar diante do que é diferente. As relações presenciais exigem de todos nós adaptações, desconfortos e novas habilidades sociais e isso gera novas ferramentas internas, bem como fortalecimento emocional. Crescemos ao nos relacionarmos no mundo real, com suas imposições e dificuldades. Você desenvolve um trabalho com adolescentes em uma clínica em Belo Horizonte e na Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão, zona rural de Resende Costa. Fale sobre esse trabalho com os adolescentes. Atuo na clínica do adolescente há quase cinco anos. O trabalho é voltado para o acolhimento e a escuta de jovens dentro de seus diversos questionamentos. A abordagem a que me amparo dentro da ciência da Psicologia é a Sistêmica Familiar e a epistemologia antropológica do Construcionismo Social. Com isso, o trabalho com as famílias dos jovens também faz parte do processo de ressignificação dos sentidos abordados em terapia. O desenvolvimento clínico na Escola Municipal Paula Assis acontece através de grupos, nos quais são desenvolvidos temas que buscam trazer à tona a psicoeducação das emoções. Desta forma, a escola vem oferecendo aos jovens um espaço de reconstrução dos significados e de escuta, com o intuito de fazer brotar a importância da saúde mental nos diversos contextos institucionais. Como você observa a nova geração de adolescentes conectada às redes sociais? Estamos diante da primeira geração formada em redes sociais a partir de likes, bloqueios, Instagran alternativo (os jovens não se utilizam do mesmo Instagran que o seu pai ou sua mãe, possuem conta ativa, eles criaram seu “Insta alternativo”), Twiter e atualização de status. E a marca de se tornar adolescente em nossa era é a marca de entrar para a vida online. Com a mesma velocidade que aceitam novos amigos, eles experimentam a realidade de apagar amigos. Arriscam-se nas redes sem precisarem experimentar os efeitos de tais riscos na vida real. Mas os efeitos digitais se sinalizam na mente. A vida online pode ser editada através de um filtro, mas a realidade pode ser outra. É importante trazermos à tona a discussão sobre o significado da vida real frente aos desafios e dificuldades. E o quanto o tempo da vida online é completamente diferente do tempo da vida real. Os adolescentes dessa nova geração estão psiquicamente mais frágeis? As cobranças que a vida os impõe estão além do que eles podem suportar? Eles não estão psiquicamente mais frágeis, mas lidam com um novo contexto complexo da chegada de informações. Em épocas anteriores, os adolescentes não eram

bombardeados pela informação em excesso e com isso as particularidades da fase eram menos evidenciadas. Tal como define o filósofo Byung-Chul Han, estamos diante da “sociedade do desempenho”, caracterizada pelo excesso de informação que busca implantar nos indivíduos, cada vez mais cedo, a ideia de uma competição pelo espaço de trabalho e produção. Faz-se necessário considerar os impactos de uma sociedade do excesso em um cérebro de 15 anos, com as intensidades da fase, e em formação psíquica e fisiológica conturbada. Como a família e a escola podem lidar com adolescentes acometidos por doenças psíquicas graves, especialmente a depressão? A procura por ajuda especializada torna-se essencial à medida que família e escola percebem as dificuldades apresentadas pelo adolescente. Pais e educadores podem buscar conhecimento através do entendimento de como o fenômeno acontece e quais são seus principais sinais. Promover rodas de conversa e grupos de reflexão para pais e educadores através de iniciativas que visem a instrumentalizá-los no entendimento do fenômeno. O interesse de uma comunidade frente aos novos desafios apresentados por essa geração torna as dúvidas mais claras e aumenta o nível de enfretamento para tal situação. Diante dessa revolução comportamental oriunda sobretudo do desenvolvimento da tecnologia e do surgimento das redes sociais, como os adolescentes podem adquirir uma vida psíquica saudável? A vida psíquica está intrinsicamente compreendida dentro de um espectro amplo de questões. Somos resultado das diversas facetas de vida nas quais nascemos inseridos: família, sociedade, escola, cultura e nós enquanto seres individuais. Compreender o aumento do suicídio entre adolescentes passa por entendermos que o ser humano encontra-se inserido nessas facetas de vida. E, para isso, como psicóloga, defendo o investimento de cada um de nós na busca da compreensão de nossos fenômenos emocionais. As perguntas perturbadoras, porém libertadoras: “Por que agimos da maneira em que agimos?” “Por que respondemos da maneira em que respondemos diante dos fatos que nos acometem?” As respostas a essas questões são chaves para abrirmos caminhos nunca explorados e também para procurarmos novas maneiras de responder às dificuldades da vida. Não estamos fechados em nossos traumas, menos ainda definidos por nossos contextos. Somos capazes de mudar tais entendimentos e crescermos diante deles. Deixo uma frase, como reflexão, muito utilizada no consultório com os jovens com quem tenho trabalhado: “Você não terá 15, 16, 17 anos eternamente. A maneira como você interpreta suas vivências hoje muito provavelmente se redefinirá. Vale a pena tomar decisões fixas, como tirar a própria vida, diante de problemas e questões que são temporários?”


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Especial

ANDRÉ EUSTÁQUIO / VITÓRIA CRISTINA

Desde 2003, o dia 10 de setembro é o “Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio”. Por isso, em 2015, o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) criaram o “Setembro Amarelo”. A cor amarela faz referência a um episódio ocorrido em 1994, no Estados Unidos, em que um jovem americano de apenas 17 anos, chamado Mike Emme, tirou a própria vida dirigindo seu Mustang 68 amarelo. Amigos e familiares de Emme distribuíram no funeral cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas que, porventura, estivessem enfrentando o mesmo desespero de Mike. Desde então, a mensagem dos amigos e familiares de Mike Emme difundiu-se no mundo inteiro e o tema de prevenção ao suicídio ganhou força, deixando de ser tabu e passando a ser mais debatido nos meios de comunicação, nas instituições educacionais, religiosas e de saúde. Como evitar que os adolescentes cheguem à atitude extrema de tirar a própria vida? Os dados são alarmantes. Uma pesquisa da OMS (Organização Mundial de Saúde), divulgada em 2014, apresenta o Brasil em oitavo lugar entre os países com maior índice de suicídio. Índia, China e Estados Unidos lideram essa triste estatística. No Brasil, de acordo com informações publicadas na Wikipédia, “o suicídio é considerado um problema de saúde pública e sua ocorrência tem aumentado muito entre jovens. De acordo com números oficiais, 32 brasileiros se matam por dia em média, sendo essa uma taxa maior do que a de vítimas de AIDS e da maioria dos tipos de câncer”. Ainda segundo dados da OMS, “no mundo, o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e a sétima causa de morte de crianças entre 10 e 14 anos de idade.” CASOS EM RESENDE COSTA Inúmeras pessoas levantam, frequentemente, a hipótesede que em Resende Costa o índice de casos de suicídio está acima da média de outras cidades da região. Tal suspeita, porém, não encontra sustentação em nenhum estudo científico, sociológico ou antropológico. Quando surge um caso, sobretudo fatal, de tentativa de suicídio, imediatamente ouve-se de pessoas na cidade que “em Resende Costa é alarmante a quantidade de suicídio”. Em 2016, o JL entrevistou no

Jogo Aberto o clínico geral Paulo Cézar Fortuna Dias, que trabalha e reside em Resende Costa desde 1977. Na entrevista (leia no site do JL a íntegra da entrevista com doutor Paulo), o médico falou, entre outros temas, sobre suicídio, a importância de se abordar o assunto e medidas de prevenção. Questionado sobre casos de suicídio em Resende Costa, sobretudo se a nossa estatística é alta quando comparada a de outros municípios, doutor Paulo afirmou que não. “A gente convive muito com pacientes de outras cidades que frequentam Resende Costa, principalmente a parte hospitalar. E por isso temos notícias de que se trata de um problema geral. Por exemplo, em Lagoa Dourada há um alto índice. A forma que a pessoa utiliza para praticar o suicídio varia muito. Muitos tomam remédio, outros usam arma de fogo, enforcamento, afogamento. Essa média não é exclusiva de Resende Costa. O que faz com que a média pareça ser alta para nós é porque a cidade é pequena. Quando acontece um caso, todo mundo fica sabendo. Em São Paulo, quando um cara suicida, ninguém fica sabendo. É a facilidade de difusão da notícia que faz parecer que o índice de suicídio seja alto aqui.” Em relação a possíveis causas que levam a casos extremos de suicídio em Resende Costa, doutor Paulo destacou algumas doenças que podem colaborar. “Resende Costa tem muitos hipertensos, muitas pessoas que têm problemas psiquiátricos e que estão fazendo tratamento específico. É lógico que numa cidade menor o casamento entre consanguíneos acontece com certa frequência. Isso leva a uma maior possibilidade de manifestação dos genes recessivos, ou seja, aqueles genes causadores de doenças. Então, devido a essa situação, podemos dizer que o índice de problemas psicológicos, de hipertensão, de diabetes na cidade, é alto e tem relação com a consanguinidade.” PREOCUPAÇÃO NAS ESCOLAS Neste ano, dois casos de suicídio de alunos da Escola Municipal Paula Assis, localizada no povoado do Ribeirão, zona rural de Resende Costa, deixaram diretores, professores, pedagogos e pais de alunos em alerta. Observa-se que há um aumento considerável no número de casos de depressão entre adolescentes que frequentam as escolas do município. E a depressão, quando grave, pode, sim, levar o indivíduo a cometer suicídio. O JL conversou com a diretora da Escola Municipal Paula Assis, Virgínia Daher, que falou sobre como a escola tem lidado com

a situação e quais iniciativas têm sido tomadas para acompanhar e orientar os alunos que sofrem de depressão. De acordo com a diretora, os próprios alunos tomam iniciativa de tocar no assunto referente à depressão e à ansiedade. “Eles conversam com professores e funcionários da escola e todos ajudam como podem, dando conselhos, ouvindo”, disse Virgínia. No entanto, para a diretora, não se trata de uma situação fácil de ser trabalhada, uma vez que a escola não possui em seu quadro efetivo de funcionários profissionais preparados para ajudar formalmente os alunos acometidos por depressão e ansiedade. “Sabemos que a depressão e a ansiedade não são temas atuais. Há tempos são causas de sofrimento. Mas, por várias causas, essas síndromes estão se intensificando, principalmente entre crianças e jovens. E esse é o nosso público na escola. E todos que convivem com os alunos têm observado, mais do que nunca, a necessidade de abordar esses assuntos.” O aumento no número de casos de depressão e de tentativas de suicídio entre adolescentes levou a direção da escola Paula Assis a promover ações que visam a amparar os alunos que manifestam indícios de depressão, bem como promover debates que evidenciam o problema. De acordo com Virgínia Daher, a escola tem contado com a ajuda de profissionais, psicólogos voluntários que dedicam trabalho e tempo para ajudar os alunos, conversando e orientando-os (leia na seção Jogo Aberto entrevista com a psicóloga da criança e do adolescente, Tatiane Maria da Silva, que realiza trabalho voluntário na Escola Paula Assis). “São rodas de conversas, atendimentos individuais na escola ou no consultório, momentos de interação com os pais, entre outros. A escola é muitíssimo grata a eles por esse trabalho que está sendo realizado”, diz Virgínia Daher. A Escola Paula Assis criou o Grêmio Estudantil, que promove rodas de conversas, possibilitando aos alunos ter oportunidade de conversarem entre eles sobre os mais diversos assuntos. Nas paredes da escola são fixadas frases motivacionais. Foi criado também o Instagram@razoesparaseguir, com o objetivo de abordar o tema da depressão, porém tentando motivar os adolescentes alunos a enfrentar e superar o problema. “Além de falar sobre o assunto e de ouvir os alunos, é necessário apresentar caminhos, alternativas, perspectivas. São gestos mínimos que podem ajudar”, afirma Virgínia Daher. “É Preciso mostrar a eles que problemas existem, são muitos, são pesados, fazem sofrer,

Foto divulgação - redes sociais

Aumento de casos de depressão e de tentativas de suicídio entre adolescentes preocupa educadores de Resende Costa

A depressão vem atingindo adolescentes e jovens, preocupando pais e educadores

mas eles não podem só sentir. Precisam aprender a resolver. E temos tentado ajudá-los, da maneira menos intromissiva possível, mas algumas vezes precisamos conversar com a família”, diz a diretora da Paula Assis. ATENDIMENTO PSICOLÓGICO NAS ESCOLAS Para maximizar o acompanhamento e o atendimento dos alunos, os educadores da rede municipal solicitaram ao prefeito Aurélio Suenes que o município contrate psicólogo com a finalidade de trabalhar especificamente nas escolas. “É necessário não só para atender aos alunos, mas também aos professores e funcionários das escolas”, esclarece Virgínia Daher. A discussão sobre a urgente demanda chegou à Câmara Municipal. Tanto o prefeito municipal quanto os vereadores disseram estar ao lado dos educadores e prometeram empenho para ajudá-los a enfrentar esse desafio. “É uma solicitação justa, uma vez que o problema é bastante grave. Estamos empenhados a encontrar uma solução para podermos contar com a presença de psicólogo nas escolas, acompanhando os alunos e toda a comunidade escolar”, disse o prefeito Aurélio Suenes durante audiência pública na Câmara Municipal, no dia 23 de setembro. Em agosto último, aconteceu na Prefeitura Municipal de Resende Costa uma reunião que contou com a presença do prefeito Aurélio Suenes, vereadores, professores e pedagogos da rede municipal de ensino. O tema da reunião foi a necessidade urgente de contratar um profissional de saúde psíquica para trabalhar nas escolas do município. O vereador Francisco Abel vem acompanhando, desde o início, essa discussão e participou da reunião na prefeitura. “Fomos abordados por um profissional da educação a respeito do que pode-

ria ser feito acerca dos acontecimentos nas escolas, em relação à saúde mental dos alunos. Trata-se de um assunto que é de conhecimento de todos. Estamos diante de perdas de jovens e adolescentes, ou seja, vidas que se perderam. Em reunião com profissionais da área de educação, com o prefeito e três vereadores, ficou entendido que é mais do que urgente a contratação de um profissional de saúde mental para ajudar as escolas a enfrentarem esse problema sério que afeta os nossos jovens, adolescentes e crianças. O poder público tem o dever de agir rápido em situações de urgência em nosso município. Por isso, enquanto vereador, sou totalmente a favor de termos em todas as escolas municipais um profissional de saúde mental para acompanhar os alunos que enfrentam o grave problema da depressão. Quero afirmar o meu apreço a todos os profissionais da educação e parabenizá-los por estarem sempre cuidando com carinho dos nossos alunos”, declarou o vereador Abel. SETEMBRO AMARELO A discussão sobre os temas da depressão e do suicídio foi intensificada na Escola Paula Assis durante o mês de setembro, em virtude da campanha “Setembro Amarelo”. No dia 7 de setembro, Dia da Independência, aconteceu em Resende Costa o tradicional Desfile da Independência, com a participação de autoridades municipais, militares e das escolas. Cada escola, municipais e estadual, apresentou um tema no desfile, que aconteceu na rua Gonçalves Pinto, centro da cidade. A E. M. Paula Assis trabalhou o tema “Valorização da vida”. “É muito válido o mês de setembro para trabalhar com os alunos, mas esse assunto deve ser abordado, trabalhado e discutido durante todo o ano, não só em setembro. Pessoas sofrem de depressão e ansiedade durante o ano inteiro”, conclui a diretora Virgínia Daher.


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ACONTECEU

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Por Luana Chaves

COLABOROU: ANDRÉ EUSTÁQUIO

APAE FEST reúne diversos artistas no Parque de Exposições Prefeito Gilberto Pinto No dia 28 de setembro, o Parque de Exposições Prefeito Gilberto Pinto, de Resende Costa, foi palco do primeiro APAE FEST – evento cultural beneficente que teve como objetivo principal arrecadar fundos para a APAE/RC. A instituição se mantém através de recursos vindos da Prefeitura Municipal, de doações feitas pela população e de eventos que são realizados durante o ano na cidade. A Comissão Organizadora da APAE FEST foi constituída por Vanderlúcia, Edinamar, Regina, Yara, Dirlene, Luís Sabará e Andréia. O prefeito da cidade de Sa-

bará, na região metropolitana de Belo Horizonte, Wander Borges, colaborou com a organização do evento, que contou também com o apoio da empresa “Tempo Livre Produções”, do empresário Lalá, de Coronel Xavier Chaves. A APAE FEST teve ainda ajudas de patrocinadores e divulgações realizadas pela Rádio Inconfidentes. O evento, com 12 horas de duração, teve início com o show de Amanda Ramos, de São João del-Rei. Em seguida, show da cantora resende-costense Mariana Costa. Após o show de Mariana, diversos artistas locais e regionais se revezaram no palco: Weber

Alguns dos organizadores da APAE FEST -João Dias, Regina, Antônio Resende, Edinamar e Yara

O presidente da APAE de Resende Costa, Antônio de Fátima Resende, conversou com o JL e aproveitou para agradecer a todos os colaboradores que tornaram possível a realização da APAE FEST: “Nesses 26 anos de existência da APAE em nossa cidade, diversas pessoas deixaram seu trabalho e seu apoio à nossa instituição. A essas pessoas, que por diversos motivos frequentaram e ainda frequentam a nossa associação, deixo o nosso muito obrigado. Assim sendo, torna-se importante mencionar que a APAE tem funcionado durante todos esses anos através do esforço e da

Vieira (Resende Costa), banda Uai Garotos (Resende Costa), Venturini do Forró (Tiradentes), alunos da escola Vibratos (Resende Costa), Dú Resende (Lagoa Dourada), Carol Brasil (Resende Costa), Layne Souza (Sabará) e a dupla sertaneja, de Belo Horizonte, João Victor e Greg. Para fechar a noite, o público curtiu o agito da DJ Layla Faro, de Resende Costa. Além dos shows, o evento ofereceu ao público diversos atrativos, como praça de alimentação, espaço para as crianças se divertirem na cama elástica e touro mecânico.

A dupla João Victor e Greg e comissários da APAE Fest de Resende Costa

dedicação de todos nós: nossos procuradores, nossos doadores e os voluntários, que incansavelmente procuram formas e formas de arrecadar fundos. Foi com esse espírito que nasceu este evento, que já se tornou um marco vivo da história Apaeana, refletindo todo o nosso empenho. Ou seja, só o fato de estarmos todos aqui reunidos em prol do bem-comum e do desenvolvimento de quem depende dessa conceituada Associação de Pais e Amigos, para mim e para toda a nossa equipe, tenho certeza de que continuaremos convictos de que estamos no caminho certo.”

Alunos da Escola de Música Vibratos com o professor Ângelo Márcio

Academia de Letras de São João del-Rei recebe visita de Milton Hatoum ANDRÉ EUSTÁQUIO

São João del-Rei, Tiradentes e Santa Cruz de Minas sediaram, entre os dias 18 e 22 de setembro, o 13º FELIT (Festival de Literatura). A programação do evento contou com diversas atividades culturais, dentre elas, mesas redondas, atividades infantis, feiras de livros, oficinas, rodas de conversas, exposições temáticas e circuito gastronômico. Neste ano, o FELIT homenageou o amazonense Milton Hatoum, considerado um dos maiores escritores contemporâneos do Brasil. O autor dos premiados romances “Dois Irmãos” e “Cinzas do Norte” visitou, no dia 19, a Academia de Letras de São João del-Rei para um encontro com os acadêmicos. Milton Hatoum foi recebido pela presidente da Academia, Zélia Maria Leão Terrell. O acadêmico e escritor resende-costense Evaldo Balbino saudou,

em nome da ALSJDR, Milton Hatoum com o discurso “Homenagem a Milton Hatoum — literatura, estética e as vozes das diferenças”. “Foi um imenso prazer conhecer pessoalmente o autor de ‘Dois Irmãos’”, disse Evaldo. PAIXÃO PELA LITERATURA MINEIRA Milton Hatoum dirigiu-se aos acadêmicos da ALSJDR, revelando sua profunda admiração pela literatura mineira e por Minas Gerais. Segundo Hatoum, “a literatura mineira está no centro da literatura brasileira”. Ele destacou poetas, romancistas, cronistas e ensaístas mineiros de grande importância para a literatura brasileira. “Não há nada mais importante do que João Guimarães Rosa, autor de ‘Grande Sertão – Veredas’, que se equipara aos grandes escritores do Ocidente, como Proust, Thomas Mann etc. A obra de Rosa nos obriga a ser humildes”, afirma Hatoum. Para Milton Hatoum, tradu-

tor, autor de romances e contos, “escrever (um romance) é um trabalho duro, brutal, cansativo e diário, que extenua o escritor.” Ao falar sobre os grandes nomes da literatura ocidental, Hatoum disse que, se pudesse sugerir algo aos jovens escritores, diria a eles para “olhar sempre para o passado e reverenciar os autores clássicos”. O escritor amazonense não esconde sua paixão por Minas Gerais, especialmente pelas cidades históricas do estado. “Minas é o artesanato, as cidades históricas, a arquitetura modernista da Pampulha que deságua em Brasília com Niemeyer”. Hatoum participou da 1ª edição do FELIT e revelou que conhece todas as cidades históricas de Minas. “Eu trouxe meus filhos a São João del-Rei a fim de conhecerem a cidade. Já vim aqui também com a minha esposa e sempre que posso venho a Minas Gerais”, disse ele, reafirmando a alegria por ter sido convidado a visitar a Academia de Letras de São João del-Rei.

Foto André Eustaquio

O escritor amazonense foi o homenageado do 13º FELIT

Milton Hatoum (centro) foi recebido pela presidente da Academia de Letras de São João del-Rei, Zélia Terrell

O escritor amazonense Milton Hatoum visitou a Academia de Letras de São João del-Rei


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CULTURA

DA REDAÇÃO

O escritor resende-costense Evaldo Balbino (1976) é um dos autores premiados no Concurso Internacional de Literatura 2019, promovido pela União Brasileira de Escritores, do Rio de Janeiro (UBE-RJ). O seu livro de poesias infantis, ainda inédito e intitulado Lições de cigarra, conquistou Menção Honrosa, dentro do referido concurso, no Prêmio Stella Leonardos – Literatura Infantil. O prêmio em que o livro de Balbino recebeu destaque leva o nome da escritora Stella Leonardos (1923-2019). Integrante da 3ª geração do movimento modernista, a autora praticou a poesia, o romance, o teatro e a tradução, estreando em 1940 com o livro de poesia Passos na areia. A escritora colecionou, em sua carreira, vários prêmios, destacando-se o Prêmio Olavo Bilac (1957) da Academia Brasileira de Letras, Prêmio Júlia Lopes de Almeida (1961) da Academia Brasileira de Letras, Prêmio Bienal Nestlé de Literatura Brasileira (1986), Prêmio Batista I Roca (2001) do “Institut de Projecció Exterior de la Cultura Catalana” (Barcelona, Espanha) e Prêmio de Poesia Centenário de Henriqueta Lisboa (2001) da Academia Mineira de Letras. Evaldo Balbino estreou com seu livro de poesia Moinho em 2006. Graduado em Letras, mestre em Literatura Brasileira e doutor

Fotos André Eustáquio

Evaldo Balbino é premiado por seu livro infantil de poesia Lições de cigarra

O escritor resende-costense e membro da Academia de Letras de São João del-Rei, Evaldo Balbino

em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é pesquisador de literatura e professor de Português na mesma universidade. Fez pós-doutoramento na Universidade de São Paulo (USP) em 2017. É membro da Academia de Letras de São João del-Rei. Já recebeu 21 distinções literárias, destacando-se: 3º lugar no Prêmio Edital Estímulo às Artes do Suplemento Literário de Minas Gerais/Fundação Clóvis Salgado (2005), Prêmio Braskem da Academia de Letras da Bahia (2012), Honra ao Mérito da Câmara Municipal da Prefeitura de Resende Costa – MG (2012), Troféu MG Cultura do Jornal MG Turismo (2013), Prêmio Humberto de Campos do Concurso Internacional de Literatura da

UBE-RJ (2014), 3º lugar no Prêmio Saraiva de Literatura (2014). No campo literário, Evaldo Balbino é autor, além de Moinho (2006), dos seguintes livros: Móbiles de areia (2012), Filhos da pedra (2012), Amores oblíquos (2013), Os fios de Ícaro (2015), Apesar das coisas ásperas (2016), Fantasma de Joana d’Arc (2017). Tem crônicas, poemas e contos publicados em 14 antologias nacionais, em revistas de literatura e numa revista literária em Portugal. Assina, desde 2009, a coluna “Retalhos Literários”, do Jornal das Lajes. Evaldo Balbino receberá o prêmio ora concedido pela UBE-RJ no próximo dia 30 de outubro de 2019, às 14h, na Academia Brasileira de Letras, na cidade do Rio de Janeiro.

Trupe Cália estreia em novembro no Teatro Municipal de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO

A Tropicália – movimento cultural brasileiro surgido na década de 1960, que teve como expoentes Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes, entre outros artistas – inspirou o nome de uma nova trupe de teatro de Resende Costa, que estreará em novembro no Teatro Municipal. A Trupe Cália surgiu em agosto deste ano a partir da iniciativa dos atores Cleide Oliveira, Ezequiel, Hamilton Douglas e Luana Chaves, que já são conhecidos do público resende-costense que prestigia o teatro na cidade. A Trupe Cália nasce com a proposta clara de democratizar a arte e expandir o leque de opções culturais, especialmente o teatro,

em Resende Costa e em outras cidades da região. “Resende Costa possui um grande público que valoriza eventos culturais e participa ativamente deles. Por isso, a Trupe tem interesse de ser mais uma opção cultural, tentando cativar mais pessoas a se interessarem pela cultura, estimulando-as a participarem não só como espectadoras mas também de forma atuante”, dizem os integrantes da Trupe. O grupo pretende ainda descobrir e incentivar novos talentos, bem como valorizar quem já possui alguma experiência no palco: “Vamos convidar mais pessoas que já fizeram outros eventos no teatro para participarem da Trupe.” ESTREIA A Trupe Cália estreará oficialmente em Resende Costa no dia 8 de novembro no Teatro Municipal, com a peça O Contrato. “O nos-

so objetivo é tentar ser, na medida do possível, bastante atuantes na cidade e estabelecer também parcerias com cidades vizinhas, levando artistas de Resende Costa para se apresentarem fora e ao mesmo tempo trazer artistas de fora para se apresentarem aqui”, informa a Trupe. O Contrato, peça que marcará a estreia da Trupe Cália no Teatro Municipal de Resende Costa, terá a pré-estreia para convidados no dia 07 de novembro e entrará em cartaz nos dias 08, 09 e 10 do mesmo mês. De acordo com a direção da peça, o espetáculo continuará em cartaz em Resende Costa nos dias 15,16 e 17 de novembro. A Trupe Cália divulgará, em breve, em suas redes sociais, mais informações sobre a programação de estreia da peça O Contrato, além de outros trabalhos que já estão previstos na agenda do grupo.

Trilha sonora RENATO RUAS PINTO

Bob Dylan incendiário Adjetivos para descrever ou elogiar Bob Dylan não faltam. Um dos artistas pop mais celebrado de todos os tempos, ele já tem seu nome gravado com destaque no panteão dos grandes da música moderna. Seu trabalho influenciou gerações de músicos e, como se isso não fosse o suficiente, ainda ganhou em 2016 o Prêmio Nobel de literatura pela qualidade das suas letras e livros escritos. Recentemente, ganhamos nas telas um presente e tanto para entender a extensão e a força do trabalho de Bob Dylan, o excepcional documentário “Rolling Thunder Revue – A Bob Dylan Story”, do renomado diretor Martin Scorsese, disponível no Netflix. Bob Dylan já era um artista consagrado quando sofreu um grave acidente de moto em 1966 e se afastou das turnês até 1974, quando voltou aos palcos com sua banda tradicional, a The Band, para tocar em grandes estádios lotados. No ano seguinte, entretanto, Dylan lançou um projeto inusitado. Ele queria fazer uma turnê em estilo quase mambembe, como se fosse uma espécie de circo ou show de variedades. Dylan convidou alguns músicos amigos, como Roger McGuinn, dos Byrds, e a antiga parceira, a incomparável Joan Baez. Abriu mão da competente The Band e recrutou uma banda bem menos qualificada e saíram, literalmente, pela estrada com alguns trailers e um ou outro caminhão levando um mínimo de equipamento. Ao invés de grandes centros e estádios enormes, os shows aconteceram em cidades do interior e pequenos teatros, em visível tentativa de retorno às origens. No lugar de shows cronometrados e com repertórios rigorosamente iguais, interpretações livres e músicas escolhidas muitas vezes no palco ou atendendo a pedidos da plateia. De acordo com os músicos, Dylan mudava as interpretações das músicas a cada show de forma absolutamente inesperada, fazendo com que a banda precisasse estar sempre atenta e pronta para se adaptar no palco. O resultado desse espírito de liberdade e criatividade foi

um Dylan completamente à vontade no palco e com interpretações incendiárias de seus clássicos e de algumas músicas novas que apareceriam no excelente álbum “Desire”, lançado no meio da turnê. Bob Dylan aparece no palco como se estivesse no auge de sua forma, com uma presença de palco quase hipnotizante e que foi brilhantemente capturada na filmagem. Há mais energia no olhar de Dylan nesses shows do que em muito disco de rock que se ouve por aí. A veia militante e de protesto de Dylan também estava de volta e, durante a turnê, ele estava engajado na campanha pela inocência de Rubin “Hurricane” Carter, boxeador que passou quase vinte anos em uma prisão injustamente, em uma história contada sem medo na incrível canção “Hurricane”, escrita por Dylan. E o documentário? Recomendo muito por uma série de motivos. Scorsese soube costurar as imagens gravadas na época e contar a história de uma forma muito interessante. Dylan estava dirigindo um filme e aproveitou para documentar a turnê e seus bastidores. Scorsese adicionou um toque interessantíssimo ao inserir no filme algumas histórias e depoimentos que não são reais, mas que convencem e fazem com que seja quase impossível separar a ficção da realidade. Eu mesmo não me toquei disso quando vi pela primeira vez e somente soube das partes ficcionais quando comecei a pesquisar sobre a turnê e o filme. Porém, não vou antecipar aqui o que não é verdade. Deixo para você assistir ao filme e fazer seu julgamento. Já antecipo que uma pesquisa rápida em artigos vai contar a verdade. As cenas de bastidores são interessantíssimas por conta dos personagens importantes que Dylan reuniu à sua volta, como o poeta Allen Ginsberg ou a cantora Joni Mitchell. Finalmente, as apresentações de Dylan são, como já mencionei acima, memoráveis. Enfim, é um documentário com uma história e tanto a ser contada e, ainda por cima, com músicas sensacionais no meio. Não tem como dar errado.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Aniversário Estou fazendo aniversário. Consegui viver mais 365 dias. Dias pares e dias ímpares, dias solteiros e dias casados. Foram 365 dias marcados num calendário que só tem o hoje. Mas foram 365 hojes. Tem gente que se esconde no dia do aniversário. Não atende nem telefone. Pelo menos, essa atitude é econômica para os amigos: não é preciso comprar presentes. Outros fingem que se esquecem do próprio aniversário. Você chega, dá os parabéns e o cara se faz de desentendido: Ah, sim... obrigado. Eu nem estava me lembrando. Não lembrar do aniversário é esquecer que nasceu. Eu prefiro lembrar. Pode parecer piegas, mas eu curto os meus aniversários. Gosto de receber os parabéns, adoro os abraços, os beijos, os e-mails, os telefonemas, as mensagens... É todo mundo sabendo que ainda estou por aqui e por aí. Costumo dar presente pra mim mesmo neste dia: uma roupinha melhor, um perfume mais caro, um bom vinho... Meus amigos me chegam com pacotes e embrulhinhos coloridos. E lá vem disco, livro, camisa, meias (vários pares!), carteira (umas cinco... não tenho tanto dinheiro assim), pijama... Já me deram até uma pipoqueira usada. Não faz mal, lembraram-se de mim. E coloco todos os presentes em cima da minha cama... todo mundo faz isso. É brega, mas não é briga. Sei que ninguém vai entrar lá pra ver os meus presentes em cima da minha cama. Sei que minha exposição ficará aberta para a visitação pública de mim mesmo.

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Visitas em casa No fim do dia, recolho todos e vou guardando um por um, com um sorriso que sabe misturar alegria, esperança e solidão. Sinto o cheiro da infância voltando e deixo o meu coração seguir o ritmo feliz de um coral improvisado dentro de mim, cantando o parabéns pra você. E vou dormir em paz. Por isso comemoro os aniversários que faço. Eles me garantem as realizações do meu ainda. Vou abrindo os meus dias do novo ano que começo a viver. Manhãs embrulhadas em cores e laços que devo desatar logo que me levanto. Cheirinho bom do novo, da chance de sempre recomeçar, de não cometer os mesmos erros, apesar de eu ser tão errado. Cada dia do novo ano da minha nova idade é perdão e oportunidade que a vida me oferece, é confiança que ela me deposita: Vai, filho, você tem mais uma chance de ser melhor. E lá vou eu, consertando, atrapalhando, consertando outra vez... E lá venho eu, arrumando, bagunçando, arrumando outra vez... Pêndulo de carne, osso, sangue e alguma coisa além do farelo que fica no túmulo. Sou eu nascendo, morrendo e renascendo. Fênix cambeta, que escreve com sua própria pena a respeito de suas penas e das penas dos outros. É meu aniversário. Não conto os dias, pois detesto matemáticas irredutíveis. Procuro vivê-los como criança quando vê mágica. Acho que é isso o que me faz tirar coelhos de cartolas vazias.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

As pessoas não se visitam mais como antes. Isso é fato. O tempo, ou melhor, a falta dele é a justificativa mais comum usada por quase todos para explicar essa mudança num hábito culturalmente cultivado pelo brasileiro. E mais. Há um certo temor por parte do visitante (o sem-noção não conta) de chegar à casa de alguém numa hora imprópria para o visitado. Hoje, dado o número enorme de atividades que cada um pratica diariamente, nunca se sabe o que a pessoa a ser visitada está fazendo justamente no momento tido como oportuno para visitá-la. E, sinceramente, há quem simplesmente não goste de fazer ou receber visitas, quaisquer visitas. Transformações de costumes e radicalismos à parte, visitar amigos e familiares pode ser um momento realmente bom desde que sejam observadas certas atitudes, no caso presente, por quem visita. Parece bobagem dizer isso, mas certas regras de etiqueta fazem todo sentido. Por ora, apenas um exemplo. Quem nunca passou pela situação de ter uma visita em casa, estar visivelmente morrendo de sono, e a pessoa ali há horas, firme e forte, sem se preocupar com o relógio? “Visita tarraxa essa”, diria minha mãe. Andei pesquisando sobre o assunto. Como já é sabido, tudo se resume a uma palavra: educação. E agir educadamente para ser uma boa visita implica seguir alguns mandamentos, além do citado acima. Sem muita frescura, vamos

aos principais: *Não apareça sem combinar com a pessoa ou sem ter sido convidado por ela. *Não se atrase. *Leve um agrado. Para visitas rápidas e costumeiras não é necessário se preocupar com esse item. *Avise antes se for levar alguém com você. *Quanto à presença de crianças, o ideal é certificar-se se não há problema em levá-las. O mesmo deve valer para os bichinhos de estimação. *Evite assuntos polêmicos. *Não fume. Nem coma e beba com exagero. *Não leve ao pé da letra a frase “sinta-se em casa”. *Recebeu um convite para almoçar, jantar ou fazer um lanche? Pergunte se convém levar alguma coisa, a sobremesa, por exemplo. *Mantenha tudo em ordem, inclusive e principalmente o banheiro. Há visitas feitas apenas para rever pessoas queridas, uma forma presencial de estreitar laços mútuos de afeto, o que é ótimo. Situação delicada costuma ocorrer quando o propósito é visitar alguém doente. Aí, recomenda o bom senso que não se comente sobre a possível debilitada aparência da pessoa em questão ou a gravidade do seu quadro de saúde. Visita de pêsames também pode ser coisa complicada. Faltam as palavras às vezes. Ou sobram os clichês sempre. Isso quando não sai alguma besteira: “Beleza?”, “Oi, tudo bem?”, “Meus parabéns!”. Visita que se acomoda em casa alheia vira hóspede. Nessa condição, “a primeira coisa que o hóspede deve deixar cla-

ro é até quando vai ficar. Esse detalhe deve ser esclarecido antes da chegada, de preferência”, aconselha a escritora Danuza Leão no capítulo “Hospedar”, do seu livro Na sala com Danuza (1992), um grande sucesso editorial, no qual ela lembra uma “Historinha ótima”. “Contam que (os escritores americanos) Zelda (1900-1948) e Scott Fitzgerald (1896-1940) moravam no campo, perto de Nova York e costumavam receber muitos amigos para o weekend. Do lado interno da porta de cada quarto havia um providencial quadrinho com o seguinte texto: ‘Se no pileque de sábado nós insistirmos para vocês ficarem até segunda-feira, pelo amor de Deus, não fiquem!’” Das palavras deixadas por Benjamin Franklin (17061790) vem um alerta sem floreios sobre o tema. “Peixes e visitas cheiram mal depois de três dias”. Para os que não se mancam e não dão o fora a tempo, uma vassoura atrás da porta com o cabo para baixo é uma tentativa de resolver o incômodo. Outra superstição com o mesmo fim: dar um nó em um pano de prato e jogá-lo dentro do forno (desligado, óbvio). Visitas vão, visitas vêm. De quem veio buscar fogo (visita rápida, de beija-flor), de quem veio podendo se demorar, sem necessariamente ser inconveniente ou indesejável. Mais do que um cômodo da casa, que a sala de visita seja o lugar da hospitaleira acolhida e da boa conversa, valendo a promessa de novos encontros.


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Queimada criminosa no bairro Pôr do Sol assusta população de Resende Costa CAMILA CHAVES

O inverno é caracterizado pelo clima seco e pelos fortes ventos que favorecem o surgimento e a proliferação de queimadas, especialmente nos meses de agosto e setembro. Triste reconhecer que muitas dessas queimadas são oriundas de ações criminosas de pessoas que agridem a natureza, colocando em risco a fauna, a flora e também pessoas que moram próximo aos locais atingidos. O Jornal das Lajes entrou em contato com a 20ª Delegacia de Polícia Civil de Resende Costa para obter informações acerca de ocorrências registradas sobre casos de queimadas que ocorreram na região nos últimos meses. Em agosto e setembro, durante o auge do período da seca, foram registrados 10 casos de queimadas dentro do município de Resende Costa. De acordo com a Polícia Civil, três desses casos têm fortes indícios de terem sido queimadas criminosas. Em duas ocorrências, foram os próprios proprie-

tários dos terrenos que colocaram fogo. “Eles perderam um pouco do controle, mas no final conseguiram apagar o fogo com sucesso”, informou a polícia. SUSTO Uma queimada, acontecida em setembro, causou enorme preocupação aos moradores do bairro Pôr do Sol, antiga entrada da cidade, localizada nas margens da estrada que dá acesso a Coronel Xavier Chaves. O proprietário do terreno atingido pelo fogo, que se espalhou rapidamente pela vegetação seca, não mora em Resende Costa e quem registrou a ocorrência foi o empregado da casa. O entorno do local onde ocorreu o incêndio possui diversas residências. A Polícia Civil e a perícia compareceram ao lugar e verificaram que foi, sim, um ato criminoso. “Teve uma grande extensão e queimou cerca de 4.000km². O fogo chegou até a rua, mas o Corpo de Bombeiros conseguiu apagar”, informou a Polícia Civil. Por sorte, o fogo não atingiu as

Foto Polícia Civil

CIDADE

fiações da rede elétrica e também as casas localizadas próximas ao terreno. De acordo com os relatos, a queimada teve início próximo à estrada que dá acesso a Coronel Xavier Chaves e, com a força do vento, o fogo chegou rapidamente ao bairro Pôr do Sol. INVESTIGAÇÃO “Por ter tido indício criminoso, nós investigamos e, através de uma câmera de segurança que havia no próprio terreno, vimos toda a dinâmica de como (o fogo) começou”, relata a Polícia Civil. De acordo com a investigação, foi observado um veículo saindo de uma rua próxima ao local, passando pela estrada que liga a saída para Coronel Xavier Chaves ao bairro Nossa Senhora Aparecida. Segundo os investigadores, o veículo permaneceu no bairro por volta de 10 minutos. “Quando retornou, o veículo parou no local e o fogo começou. Assim que começou, os indivíduos voltaram ao carro e retornaram ao local em que estavam desde o início”, detalha a polícia. “Não conseguimos

Área atingida por queimada no bairro Pôr do Sol

identificar o veículo, pois já estava de noite. Foi identificado somente que possuía uma traseira um pouco mais comprida e tinha a cor prata.” Ainda de acordo com a investigação da Polícia Civil, o fato de o carro suspeito ter entrado na rua e não ter continuado a trafegar por ela deu a entender que provavelmente as pessoas que estavam no veículo residem ou possuem contato com alguma residência da rua próxima ao local do incêndio. Os investigadores da Polícia Civil foram até o local com o objetivo de procurar pistas acerca do veículo que aparece nas imagens da câmera de segurança. Foi então que

chegaram aos dois autores suspeitos de terem provocado o incêndio. Um deles, maior de idade; o outro possui 17 anos. Segundo a Polícia Civil, quem colocou fogo no terreno foi o adolescente menor, de 17 anos, enquanto o outro dirigia o veículo flagrado pela câmera de segurança. “Tudo indica que tenha sido algo muito casual, como se fosse uma brincadeira. Quando eles viram a proporção tomada, foram embora”, conclui a Polícia Civil. Foi instaurado um inquérito policial na Delegacia de Polícia Civil de Resende Costa e os dois suspeitos responderão, perante a lei, por essa ação criminosa.

O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

“Nações em época de desvario” A leitura de um texto de Luiz Felipe D´Avila, com o título acima (O Estado de S. Paulo 29/08/19 A2), motivou-me este diálogo com o leitor. Desvario: “ato de loucura, delírio, alucinação, desacerto, desatino, extravagância, desvairamento” (Dicionário Aurélio). O desvario costuma trazer consequências funestas para a própria pessoa, família e sociedade. Quando o desvairador tem séquito, tem carisma, tem magnetismo, carrega consigo um perigoso poder social. Quando investido de poder político, então! Basta folhear algumas páginas da História para alguns exemplos. É o caso de alguns imperadores romanos, como Calígula; de alguns reis, como Jorge III da Inglaterra, interditado pelo Parlamento em 1810; D. Maria I, avó do nosso D. Pedro I, decla-

rada louca em 1792; e de alguns modernos, como Hitler e tantos outros. Os desvarios têm uma escala de gravidade, desde uma imensa vaidade, o deslumbramento, até a doença mental com delírios, megalomanias, mitomanias etc. O deslumbramento, o narcisismo exibitório de poder, o instinto messiânico, frequentemente, levam ao populismo, quando não ao popularesco. A linguagem dos desvarios também é ilimitada. Vai de uma retórica hipnótica, ou gritante, trajes e visual apelativos etc. à criação ou apossamento de inumeráveis símbolos, ora sublimantes, ora satânicos. Recentemente, setores representativos da comunidade judaica brasileira manifestaram preocupação com o crescente uso de símbolos do Judaísmo por alas mais conserva-

doras dos evangélicos, incluindo o presidente Bolsonaro segurando a bandeira de Israel na “Marcha para Jesus”. Hodiernamente, como diz D´Avila, “populistas aprenderam a usar as mídias sociais e a imprensa para se conectarem com seus eleitores por meio de uma retórica chocante e de um comportamento vulgar e teatral. Quanto mais suas grosserias são propagadas, maior a sua popularidade entre a tribo que lhe dá voto e apoio. Uma retórica de boçalidade que encanta ogros e deixa estupefatas as pessoas sensatas”. É inquietante porque o fenômeno do populismo chega agora a um grau quase epidêmico. Basta acompanhar a troca de governos pelo mundo afora. Há uma caminhada cada vez mais numerosa para a ditadura pelo voto. Seu efeito corrosivo desestrutura

países, abala a fé nas instituições democráticas, dribla leis. O “messias”, uma vez coroado, raramente deixa o poder pelas vias democráticas. Ou seja, voto livre, gratuito, sem indução e manipulação, irrestrito, sem moralismo, laico etc. Novamente D´Avila: “Não vamos sucumbir aos males do populismo se tomarmos três providências. Primeiro, manter a sociedade mobilizada em torno das reformas e pressionando o Congresso e o governo para aprová-las. Segundo, contar com o papel responsável do Parlamento e do Judiciário para atuarem como contrapeso e impedirem que a retórica do desvario se torne política pública, ou seja, capaz de criar mecanismos para enfraquecer o papel das instituições democráticas. Terceiro, a imprensa séria deveria focar nos fatos, dados e

evidências e ignorar a retórica vazia e sensacionalista para evitar a retroalimentação da narrativa populista. Seguindo esses três mandamentos, atravessaremos o reinado do desvario, incólumes.” “O jornalismo poderia contribuir para combater o populismo se focasse sua atenção mais nos fatos do que na retórica; se debatesse mais as medidas que estão sendo votadas, aprovadas e implementadas no Parlamento e no governo e ignorasse o discurso populista”, reforça D’Avila. Há que se criar anticorpos sociais e o antídoto, acho eu, é robustecer a democracia, fortificando as instituições verdadeiramente democráticas, educando permanentemente para a cidadania e mobilizando a sociedade em torno das reformas do Estado. E, acima de tudo: o Ser Humano! É o que penso. E você?


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Prefeitura Municipal constrói novo cemitério em Resende Costa Prefeitura fará a gestão do espaço localizado entre o Cemitério de Baixo e a quadra do bairro Nova Resende. Serão vendidos 50% dos jazigos do novo cemitério VANUZA RESENDE

Há alguns anos, vem se discutindo em Resende Costa a necessidade de ampliação dos cemitérios da cidade, devido ao aumento da população. O Cemitério Geral, conhecido pela população como Cemitério de Cima, foi construído em 1882 durante as missões dos padres lazaristas. Já o cemitério São Vicente – Cemitério de Baixo – foi inaugurado em 15 de julho de 1922. Desde então, a população de Resende Costa cresceu consideravelmente. Com isso, os espaços nos cemitérios foram ficando cada vez mais reduzidos, uma vez que a grande maioria das sepulturas é de direito perpétuo, ou seja, só podem ser sepultadas nos jazigos perpétuos pessoas cujas famílias possuem direito sobre os túmulos. Devido à necessidade de se obterem mais espaços para sepultamentos na cidade, a Prefeitura Municipal construiu um novo cemitério num espaço situado entre o Cemitério de Baixo e a quadra do

Bairro Nova Resende. O prefeito Aurélio Suenes falou sobre a obra: “Ainda em 2012, quando estávamos em campanha, alguns cidadãos se mostravam preocupados com a falta de espaço para sepultamentos nos cemitérios da cidade. A tal falta de espaço foi exaustivamente divulgada pelo padre Éder (Sebastião dos Santos, ex-pároco de Resende Costa) na época. Desde então, tomamos essa como uma demanda a ser considerada e planejada pela administração municipal. Porém, somente no finalzinho de 2017 conseguimos equacionar recursos suficientes para programar a obra de construção do novo cemitério.” Orçadas em pouco mais de 400 mil reais, as obras começaram em março de 2018 e foram finalizadas em junho deste ano. “No intuito de aproveitar o máximo de espaço e ajeitar o escoamento de águas pluviais, a obra se tornou complexa, por isso foi preciso fazer aditivos para ajustar tempo e recursos. O valor final da obra ficou em 406 mil reais”, esclareceu Aurélio.

ADMINISTRAÇÃO DO NOVO ESPAÇO De acordo com o prefeito Aurélio, “a prefeitura se prepara para fazer a venda de parte dos jazigos a fim de recuperar todo o valor investido na obra. Cerca de 50% dos espaços serão colocados à venda; a outra metade estará disponível para a população em condições parecidas com as praticadas pela paróquia atualmente.” A gerência dessa outra metade dos túmulos da qual fala o prefeito seguirá as mesmas condições com que a paróquia vem administrando. Ou seja, os sepultamentos de pessoas cujas famílias não possuem jazigos perpétuos serão realizados nesses espaços. Hoje o valor cobrado pela paróquia para sepultamentos é de trinta reais. Os dois cemitérios de Resende Costa pertencem à Paróquia Nossa Senhora da Penha de França, que recebe auxílio da Prefeitura Municipal para manter os serviços e a infraestrutura nos dois espaços. De acordo com o prefeito, a paróquia continuará administrando os dois cemitérios paroquiais e a prefeitura

Foto Prefeitura Municipal de Resende Costa

CIDADE

O cemitério municipal foi construído no espaço existente entre o Cemitério de Baixo e a quadra do bairro Nova Resende

fará a gestão do Cemitério Municipal, construído anexo ao Cemitério de Baixo. Aurélio explica como foi planejada a construção do novo cemitério. “Diferente dos outros dois cemitérios, os jazigos foram mais bem planejados, com áreas de circulação entre eles. Foram construídos 218 novos túmulos com possibilidade de cinco sepultamentos em cada um deles. Foram construídas também 48 gavetas para ossuário. Com a construção desse novo cemitério e considerando a rotatividade, prevemos que (o espaço) será suficiente para atender a população por, pelo menos, mais 30 anos”, diz o prefeito municipal. PREOCUPAÇÃO COM A CAPELINHA Além da falta de espaço nos cemitérios paroquiais de Resende

Costa, a capelinha do Cemitério de Baixo, que abrigava o túmulo do saudoso ex-pároco de Resende Costa, monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira, que teve, em 2014, seus restos mortais trasladados para a igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, também necessita de reformas urgentes. Há bastante tempo, sua estrutura vem apresentando sérios problemas, como rachaduras e infiltrações, colocando em risco a edificação. “Foi feito um reforço na parede dos fundos (da capelinha). Estamos acompanhando se a estrutura irá se manter estável com o período das chuvas que se aproximam. Caso necessário, faremos novos reforços”, conclui o prefeito Aurélio Suenes.

Retalhos literários EVALDO BALBINO

Irmã Maria do Geraldo do João Passos lentos e tranquilos, suas pernas vinham serenas numa idade de histórias para contar. E ela as contava com calma, a boca levemente espumando, mas tendo paciência no dizer de passados, presentes e futuros. E era mais dos incognoscíveis futuros que dizia, daqueles a que São Paulo nos fala na carta aos Hebreus: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem”. E ela esperava por um mundo melhor, mais paradisíaco do que o antigo Éden onde o homem e a mulher perderam sua inocência e passaram a sofrer pelos discernimentos adquiridos. Chegava à pequena igreja, subia os degraus, entrava pela porta esquerda e saudava o porteiro com a mão direita estendida. No punho fechado ia discretamente uma oferta para o templo (que a mão direita não veja o que oferta a esquerda), e assim biblicamente cooperava com a obra da piedade na ajuda aos ca-

rentes, com as construções, com a manutenção da igreja nos seus produtos de limpeza, água, luz, pintura etc. Não para pagar faxineiros, que todos ali obravam voluntariamente. Dava a oferta, dizendo ao mesmo tempo um “A paz de Deus!” silencioso e na sequência nomeando a que se propunha sua oblata. Em seguida não faltavam, é claro, pedidos de oração a serem marcados no bloco de folhas pousado na mão esquerda do porteiro, bloco esse que era entregue ao cooperador lá no púlpito ao final do 3º hino entoado pelos fiéis, no momento exato da 1ª oração conjunta da igreja. Na maioria da vezes, ela fazia todos os rogos, que muitas eram as necessidades: as suas, as da família espalhada pelo mundo e as do próprio mundo. Enfermidade, causa, família, viagem, acidentados, atribulados e testemunhados da obra de Deus. Um “x” era marcado em cada quadrinho correspondente a cada um desses itens. E como ou-

tras pessoas também faziam súplicas além das suas, a mesma caneta fazia a marcação “n” vezes nos mesmos pontos, a ponto de quase furar o papel do bloco. Saudava à distância os irmãos mais próximos sentados à direita e às irmãs mais próximas sentadas à esquerda. A essas fazia-o com o ósculo santo, biblicamente prescrito. Na igreja era assim: homens dum lado e mulheres doutro. Elas com as cabeças sob véus brancos ou meio diáfanos, alguns com rendas, outros sem. Já brancos e meio cinéreos, os cabelos da irmã Maria arrebanhavam-se para trás num rabo de cavalo e, dentro da igreja, cobriam-se por um véu branco e opaco. De joelhos prostrados e calejados, fazia sua oração em silêncio. Depois levantava-se e, sentada, lia em silêncio trechos da Bíblia. Iniciado o culto, era ela corriqueira no pedir hinos. Assim que o cooperador anunciava que podiam

“chamar um hino”, lá vinha a irmã Maria quase sempre solicitando o “Grandioso és tu”. E sua boca tremeluzia e os olhos diziam com sentimento os versos da música incensada a Deus: “A ti devemos nossa gratidão, / Grandioso és Tu, Senhor Jesus; / Tu nos tiraste da escravidão, / Grandioso és tu, Senhor Jesus.” Certa vez eu mostrei-lhe esse mesmo hino, porém num hinário de língua espanhola, presente já bem surrado que me dera um amigo. Era uma tradução de 1975 do português ao espanhol para uso em países de fala hispânica. Meu amor pela língua já acontecia nessa época; e, somando-se a esse amor, eu via o apego da irmã a tal hino. Cantei-o aos seus ouvidos amantes das coisas divinas e após isso lhe perguntei se gostara. “É até bonito”, disse-me com franqueza, “mas isso aí de dizer” – e foi apontando o dedo no primeiro verso da canção espanhola – “‘Grande eres

Tú, Jesús, Rey verdadero’ é muito fraco”. Como assim fraco, perguntei. “Na nossa língua é melhor: ‘Grandioso és Tu, Jesus, Rei da verdade’. ‘Da verdade’ é mais verdadeiro, mais forte do que só esse ‘verdadero’ aí. Num acha não?”. Acabei concordando. Pensei em aclarar que em espanhol tinha que ser “verdadero” para dar métrica ao texto e para rimar com “madero” de outro verso. Mas vi na hora que essas explicações seriam nímias diante do argumento fervoroso e da percepção dela em relação à força das palavras. No findar do culto, seu hino preferido era de regra “O santo culto vai findar”, em cujo arremate vinham os dizeres: “Se não nos virmos mais aqui, / Nós nos veremos lá nos céus...”. E um dia, de fato, não a vimos mais na igreja. Foi para os céus, certamente cantando, tremeluzindo a boca e dizendo com os olhos alegres palavras melodiosas de amor a Deus.


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Regional

Casa do Barão e pontes do centro histórico de SJDR em início de restauro Obras do sobrado, das pontes do Rosário, Cadeia e Teatro e da passarela metálica da estação ferroviária vão custar R$ 1,491 milhão Fotos Orlando Paiva

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A histórica, turística e universitária São João del-Rei é uma das 70 cidades do Campo das Vertentes/Zona da Mata incluídas no Mapa do Turismo Brasileiro 2019-2021, divulgado em agosto pelo Ministério do Turismo. Ao lado de cidades como Muriaé, Barbacena e Juiz de Fora, São João del-Rei foi classificada na Categoria B, numa escala de A a E (conforme o desempenho econômico do turismo nas cidades, como empregos gerados e estabelecimentos de hospedagem). Um dos locais mais visitados de São João del-Rei é a igreja de São Francisco de Assis, localizada na Praça Frei Orlando, no centro histórico. Ali bem perto fica a Casa do Barão, construída no século 19, em fase inicial de restauro. O primeiro proprietário do sobrado foi Eduardo Ernesto Pereira da Silva, o único Barão de São João del-Rei que recebeu o título por decreto imperial em 3 de setembro de 1871. Por duas vezes, ele hospedou em seu sobrado o Imperador Dom Pedro II. Parte dos mais expressivos conjuntos arquitetônicos coloniais de Minas Gerais, o sobrado está a poucos metros da Praça Frei Orlando, onde ficam a igreja de São Francisco de Assis, monumento barroco do século 18; a Casa de Bárbara Heliodora, onde funciona a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo; a Academia de Letras de São João del-Rei; a Biblioteca Municipal Baptista Caetano d`Almeida, primeira biblioteca

Casa do Barão, localizada no Largo de São Francisco, em São João del-Rei

Ponte do Rosário, construída no século XIX

pública de Minas Gerais; e uma das capelas dos Passos da Paixão, que retrata a via-sacra de Jesus Cristo. A obra de restauro – aprovada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) – tem previsão de quatro meses e será executada pela Construtora Souza e Lage, da vizinha cidade de Ritápolis. O custo será de R$ 208 mil, com recursos do ICMS Cultural do governo de Minas. O projeto é do arquiteto José Baccarini, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Depois de pronto o restauro, a Casa do Barão será sede do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural e do Museu Tomé Portes Del Rei, segundo Ruth Viegas, presidente do Conselho. Também terá salas para exposições diversas.

Ponte da Cadeia, R$ 261 mil; e Ponte do Rosário, R$ 237 mil.

PONTES Já a restauração e reforma das pontes sobre o Córrego do

Lenheiro, no centro histórico, começaram este mês pela Ponte do Rosário. São três pontes – da Cadeia, do Rosário e a ponte de ferro em frente ao Teatro Municipal, além da passarela metálica para pedestres que dá acesso à estação ferroviária da Maria Fumaça –, cujas obras custarão R$ 1,283 milhão. Os recursos são oriundos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) das Cidades Históricas, programa do governo federal. Dois desses monumentos históricos a serem recuperados – as pontes da Cadeia e do Rosário, com arcos de pedra e óleo de baleia – foram construídos no início do século 19. Os projetos foram aprovados pelo IPHAN, que liberou o recurso. O restauro será realizado pela Engetec Engenharia, de Iguapé (SP), que tem prazo de quatro meses para concluir as obras. Os custos da revitalização são: Ponte do Teatro, R$ 413 mil; passarela, R$ 372 mil;

PRÉDIO DAS FINANÇAS Encontra-se na reta final a nova pintura da fachada do prédio da Secretaria de Finanças, construído em 1920 no centro histórico e que tem como estilo a arquitetura eclética, com influência do neoclassicismo. A revitalização com paleta de cores segue o projeto do arquiteto José Baccarini, da Secretaria de Cultura e Turismo, em comum acordo com o Conselho do Patrimônio e com o IPHAN. A edificação foi sede, a partir de 1927, da agência do Banco Almeida Magalhães, considerado o primeiro banco privado de Minas Gerais, fundado em 19 de março de 1860. No início do século 19, houve “uma intensa atividade comercial que propiciou o desenvolvimento do setor financeiro no município”, onde a própria Santa Casa de Miseri-

córdia já operava, emprestando dinheiro a juros de 1% ao mês, sob fiança e hipoteca. Já as obras do prédio imperial onde funciona a Prefeitura Municipal chegam à fase final, com o serviço de paisagismo dos jardins laterais (plantio de grama tipo imperial, quatro palmeiras Fênix, folhagem Ave do Paraíso e flores ornamentais ‘Sunpaties’), bem como a restauração de dois grandes lampiões nos jardins, com a mesma cor grafite utilizada nos pequenos lampiões da fachada da Prefeitura. Outros cartões postais de São João del-Rei, recentemente restaurados, são o casarão de esquina (de 1886) e o antigo Hotel Colonial (de 1926) – onde funciona o novo Centro Comercial Vicente Carvalho – perto da Ponte da Cadeia, do outro lado do Córrego do Lenheiro. Fonte: Superintendência de Imprensa da Prefeitura.


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RELIGIÃO

REGIONAL

Dom José Eudes decreta proibição de fogos de artifícios e venda de bebidas alcoólicas em festas religiosas na Diocese de São João del-Rei

O bispo diocesano de São João del-Rei, dom José Eudes Campos do Nascimento, juntamente com os membros do Conselho Presbiteral e do Colégio de Consultores da Diocese, elaborou e publicou um decreto que proíbe queima de fogos de artifícios e venda de bebidas alcoólicas durante eventos e festas religiosas na Diocese de São João del-Rei. O documento foi datado e divulgado no dia 18 de setembro de 2019. O decreto proíbe todas as 42 paróquias da Diocese de São João del-Rei de realizarem shows pirotécnicos ou o uso de fogos de artifícios em festas religiosas. No documento, o bispo argumenta que os riscos de acidentes e os altos valores gastos com queima de fogos motivaram a proibição. Dom José Eudes recordou-se de um acidente com fogos de artifícios em Barbacena, sua cidade natal: “Pude testemunhar, alguns anos atrás, o efeito devastador do uso de fogos de artifícios em festas religiosas. Provavelmente, muitos se lembram do episódio envolvendo a Basílica de São José, em Barbacena, quando, por ocasião do jubileu do padroeiro, os fogos de artifícios caíram sobre a multidão, deixando sequelas físicas e psíquicas em muitas pessoas e diversos processos envolvendo a Paróquia e a Arquidiocese de Mariana, que acabaram de ser pagos este ano.” Dom José Eudes completou: “É melhor me antecipar quanto a um problema envolvendo a questão do uso de fogos de artifícios em festas religiosas na Diocese de São João del-Rei.” O decreto diocesano deixa claro que as paróquias não poderão mais promover ou incentivar a

Foto Éder Campos -Divulgação

O decreto foi assinado no dia 18 de setembro e dividiu opiniões dos fiéis VANUZA RESENDE

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Show pirotécnico neste ano durante a Festa de Nossa Senhora das Mercês em São João del-Rei.

queima de fogos. Com essa proibição, a Diocese de São João del-Rei se isenta de possíveis danos causados durante shows pirotécnicos ou queima de fogos promovidos por membros das comunidades pertencentes à Diocese. PROIBIDA A VENDA DE BEBIDAS ALCÓOLICAS NAS TRADICIONAIS BARRAQUINHAS O decreto assinado por dom José Eudes proíbe também o comércio de bebidas alcóolicas em festividades organizadas pelas paróquias da Diocese de São João del-Rei. Portanto, quem se acostumou a tomar uma cerveja nas tradicionais barraquinhas da festa do(a) padroeiro(a) terá que se contentar com o refrigerante. O decreto afirma que “a Igreja é contra qualquer tipo de vício e, por isso, ficam proibidos (na Diocese de São João del-Rei) a comercialização e o consumo de bebidas alcoólicas nos espaços considerados da Igreja.” Após a divulgação do decreto diocesano, muitos fiéis se mani-

festaram através das redes sociais. Uma internauta disse em uma rede social que a decisão do bispo foi acertada. “Correta essa atitude do bispo! Tem que pensar nas crianças, nos cachorros e nos idosos, que têm maior sensibilidade ao barulho dos fogos de artifício. E quanto às bebidas alcoólicas, tem que ter coerência entre o que pregam e o que fazem; vender somente visando ao dinheiro é um retrocesso às leis da Igreja.” No entanto, surgiram manifestações contrárias à decisão de dom José Eudes: “Não foi bom proibir fogos de artifício e shows pirotécnicos. Isso é cultural e faz parte! São muito lindos os shows pirotécnicos, alegram e abrilhantam as festas. Não vejo nada de mal, desde que sejam realizados em lugares adequados e não ofereçam riscos à população.” No dia 20 de setembro, o bispo diocesano concedeu entrevista coletiva na Cúria Diocesana, com a presença de representantes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, que fizeram esclarecimentos sobre o decreto. Dom José Eudes

Divulgado resultado definitivo do ICMS Esportivo Região do Campo das Vertentes se destacou na classificação estadual VANUZA RESENDE

O Governo do Estado de Minas Gerais divulgou no último dia 24 de setembro o resultado definitivo do ICMS Esportivo relativo ao ano de 2018. O documento apresenta a classificação final dos municípios que comprovaram o desenvolvimento do esporte e lazer em Minas Gerais, após a análise de recursos no mês de agosto de 2019. Seis municípios da região do Campo das Vertentes ficaram entre os 20 primeiros do estado, entre eles Resende Costa, que alcançou o 19° lugar. Além de Resende Costa, os outros municípios que alcançaram boa colocação foram: Prados (4°), São João del-Rei (6°), Santa Cruz de Minas (9°), Dores de Campos (10°) e Lagoa Dourada (14°). O professor Mauro Emílio Resende, que assessora as prefeituras da região, falou sobre ações desenvolvidas pelos municípios:

reafirmou que a decisão foi tomada em conjunto com os membros do Conselho Presbiteral e do Colégio de Consultores da Diocese. Na coletiva, o bispo frisou que, caso membros das comunidades queiram realizar queima de fogos durante festas religiosas, é possível, desde que haja regularização do show pirotécnico pelos órgãos competentes. Ademais, todos os gastos e as responsabilidades serão exclusivos da comunidade responsável pelos fogos. FESTA DE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS No dia 24 de setembro último, a comissão organizadora da Festa de Nossa Senhora das Mercês, em São João del-Rei, organizou uma queima de fogos de artifício durante as festividades, o que já é tradicional na festa que reúne centenas de fiéis no centro histórico de São João del-Rei. No entanto, a Paróquia de Nossa Senhora do Pilar não teve nenhum envolvimento com o show pirotécnico. Os organizadores con-

“Nós orientamos os secretários de esporte no sentido de ampliar a oferta de atividades físicas a toda a comunidade: crianças, jovens, adultos, idosos e portadores de necessidades especiais. Também a manutenção do apoio a equipes e atletas que representam os municípios em competições regionais, estaduais e nacionais tem sido ampliada. Projetos esportivos para a comunidade e apoio às iniciativas de eventos particulares que favoreçam a prática da atividade física nos municípios somam importantes dividendos para as prefeituras.” A participação no ICMS Esportivo do Governo do Estado garante um repasse financeiro aos municípios no ano seguinte, sendo o valor diretamente proporcional à classificação no Ranking Estadual. A previsão divulgada pelo Governo de Minas é de, em 2020, ser repassado um valor acima de 1 milhão de reais aos seis municípios das Vertentes.

trataram um blaster – profissional capacitado e autorizado para realizar a soltura dos fogos. O Corpo de Bombeiros de São João del-Rei chegou a suspender o show pirotécnico marcado para as 21 horas, na chegada da solene procissão, alegando que a queima de fogos de artifício, realizada no mesmo dia, durante a alvorada festiva, não havia sido requisitada pelos organizadores ao Corpo de Bombeiros. No entanto, a empresa contratada para realizar a queima de fogos entrou com uma liminar na Justiça a fim de conseguir a liberação. Uma autorização judicial tornou possível a realização neste ano do tradicional show pirotécnico na chegada da procissão com a imagem de Nossa Senhora das Mercês na escadaria da igreja. A íntegra do decreto que proíbe queima de fogos e venda de bebidas alcoólicas nas paróquias da Diocese de São João del-Rei está disponível no site: diocesedesaojoaodelrei. com.br.


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Informe Publicitário PROMOÇÃO EXCLUSIVA

Sicoob Credivertentes sorteia TV’s e automóvel entre usuários de cartão de crédito Contar com um Sicoobcard na hora de pagar suas compras é um excelente negócio. Para começar, o cartão do maior sistema cooperativista financeiro do país – além de prático e seguro – oferece vantagens exclusivas para quem o utiliza. Tudo isso incluindo um Programa de Recompensas com pontos que podem ser trocados por milhares de produtos, descontos em fatura ou aportes em Previdência Complementar. Há, ainda, seu dinamismo, com perfis de utilização e vantagens adequados às necessidades dos seus usuários. Para o associado Sicoob Credivertentes, porém, há mais. Muito mais. Desde 1º de março, cada R$50 em compras na fatura do cartão de crédito significa um cupom especial e mais chances na campanha Dê um UP! no seu Sicoobcard. Até janeiro, aliás, a instituição vai sortear 58 TV’s LED 50” e, ainda, um UP! zero quilômetro. COMO FUNCIONA É simples participar: basta utilizar seu Sicoobcard em lojas presenciais ou via internet. Cada R$50 em compras na sua fatura dá direito a um cupom da promoção, que deve ser retirado na sua agência de relacionamento. Depois, é só preenchê-los, depositar na urna disponível e torcer. O próximo sorteio acontece no dia 27 de dezembro, valendo uma TV novinha para cada uma de nossas 20 agências físicas. Ou seja: há muitas chances de ganhar! O regulamento da promoção está disponível em nossos Pontos de Atendimento e no site www.credivertentes.com.br. COMUNIDADES A Dê um UP! se baseia em dois pilares: levar soluções financeiras sustentáveis aos 23 mil cooperados da Credi e, assim, movimentar com cooperativismo as economias de suas comunidades. “Um dos objetivos da campanha foi mostrar as potencialidades do cartão de maneira prática ao mesmo tempo em que pudéssemos quebrar alguns tabus em torno do ‘dinheiro de plástico’. Então houve toda a comunicação rotineira das equipes nas agências,

sempre dispostas e prontas para atender e solucionar dúvidas. Junto a isso, muito diálogo e técnica para a escolha do melhor cartão de acordo com o perfil de consumo de cada associado”, explica Wellington Castro, supervisor do Setor de Produtos no Sicoob Credivertentes. A Agente de Atendimento em Senhora dos Remédios, Glênia Araújo, entende bem disso: “Um fato muito importante sobre o cartão é que ele pode reunir vários pagamentos à sua escolha em um único dispositivozinho. Das compras no supermercado ao abastecimento no Posto de Gasolina, tudo pode ser colocado no crédito, com prazos favoráveis. No Débito Automático é ainda mais fácil. Ou seja: você não precisa sacar dinheiro toda vez que adquirir algo nem correr com a fatura para a agência na hora de quitá-la se o dinheiro já estiver em conta”. A questão da troca de pontos por prêmios também foi abordada. “Comentamos sobre o Programa de Recompensas com todos os associados e damos suporte na hora de cadastrar os cartões para esse fim. Tudo isso já motivou muito os cooperados. Com a campanha Dê um UP!, exclusiva para eles, ficou ainda melhor”, relata. Wellington Castro, então, resume a proposta: “Os prêmios são incentivos. Eles fazem com que o público se sinta estimulado a utilizar o Sicoobcard com mais frequência e, aos poucos, descubra no cotidiano todos os seus benefícios. O que queremos mesmo é oferecer uma forma transformadora e vantajosa de pagar aquisições ao mesmo tempo em que é possível gerir as finanças de uma maneira mais prática”. RESULTADOS Deu certo. Em um semestre, a frequência de utilização do Sicoobcard cresceu 66% em nossa área

de atuação, uma média de 11% ao mês. E no cooperativismo financeiro é assim: quanto maior a adesão aos seus produtos, maiores os resultados e maiores os benefícios aos verdadeiros donos dessas instituições, seus associados. “Ao contrário do mercado convencional, não há lucros voltados a um grupo limitado de acionistas. Há sobras repartidas entre os cooperados. E isso significa que os investimentos econômicos retornam para as próprias comunidades”, lembra o supervisor.

REFLEXÕES

por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

Tempos de mudanças e coesão social Tempos de mudanças tecnológicas, culturais, econômicas, comportamentais. Tempos que pedem soluções somente possíveis com a cooperação, a prática do idealismo comum. As palavras de ordem hoje são ‘globalização’, ‘fusões’, ‘alianças estratégicas’, ‘mercado’, ‘imagem’. Pautas que exigem de todos nós agilidade, informação, profissionalismo. Tudo isso além de alterações de pensamento e de atitude. O Cooperativismo com seus valores éticos, humanistas; de inclusão social, educação, capa-

citação, geração de oportunidades e principalmente de qualidade de vida pode perfeitamente viabilizar a concretização de uma nova ordem econômica. Necessitamos, todavia, ser competitivos; eficientes nos negócios, positivos em nossos resultados e organicamente inseridos na comunidade. A sociedade pleiteia e reclama, em todos os níveis, transparência, representatividade e diversidade em todos os âmbitos – do político ao institucional. No nosso caso, o Cooperativismo de Crédito (com suas propostas de humanização da economia e de-

senvolvimento colaborativo) prova que é possível produzir com respeito pleno às pessoas e aos recursos naturais. Além disso, empodera todos os cidadãos, vistos como agentes efetivos contra a iniquidade e a deterioração dos princípios que maculam a sociedade. Daí a importância da formação de nossas crianças e jovens, do trabalhador, do empreendedor mediante a organização da sociedade onde atuamos, da formação de líderes, da qualificação profissional, da geração de empregos, da solidariedade.


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INFORME PUBLICITÁRIO

O que faz um designer de interiores? Com o projeto e a gerência de um profissional de design de interiores, sua obra fica mais barata e bonita

Você sabia que os primeiros relatos sobre design de interiores são datados de antes do ano 1.000 a.C? Os egípcios, célebres construtores das grandes pirâmides de Gizé, já se preocupavam com a construção e decoração de suas casas. Eles as construíam de barro e as preenchiam com mobiliário de madeira, tapetes de palha e tecidos de pele de animais. É comum vermos nos livros de história construções egípcias (residências, palácios, túmulos etc.) cujas paredes internas são decoradas com pinturas que retratam os gostos, os costumes, as crenças e o cotidiano dos egípcios. O exemplo egípcio da antiguidade nos mostra que o designer de interiores ajuda-nos a entender e conhecer a história. E atualmente, como tra-

balha o profissional de design de interiores? Ao planejar a sua construção, você pensou em contratar um designer de interiores? Profissionalismo, experiência e bom gosto Saiba o que faz o designer de interiores - essencial para planejar o interior da sua construção.  Planeja e organiza os espaços, escolhendo e combinando os diversos elementos de um ambiente;  Possui abrangência maior do que um decorador, pois, complementa o projeto de arquitetura, desenvolvendo e executando projetos voltados para a área interna e externa de residências, comércios, indústrias etc.

Varanda Urbana no bairro Funcionários, em Belo Horizonte

 Elabora plantas, disposição de mobiliários, especificações de produtos, indicação de fornecedores e até mesmo gerenciamento de obras;  Estabelece relação estética entre espaço, móveis, iluminação, objetos e acessórios, adequando o projeto às necessidades, gostos e disponibilidade financeira dos clientes. O designer de interiores possui formação acadêmica especializada em projeto de mobiliário, disposições de mobiliários funcionais, compatibilização de projetos elétricos/ hidráulicos e de acessórios, iluminação, dentre outros. Viu só como vale a pena contratar um profissional de design de interiores para desenvolver ou gerenciar o seu projeto dos sonhos?!

Camarote Premium Mineirão - Brahma Chopp

Quarto de Bebê em São João Del Rei

Sala de Apartamento em Belo Horizonte

Desfile Minas Fashion Kids

Resende Costa já conta com uma profissional de design de interiores!

Fabiana Andrade e Pollyanna Nery criaram a Fábrica de Ideias – um escritório especializado em design, arquitetura e engenharia Fabiana Andrade é designer de interiores, formada em 2014 pela Universidade do Estado de Minas Gerais. Ela atua no mercado desde 2013. Entre 2013 e 2014 trabalhou em um renomado escritório de design de interiores e arquitetura de Belo Horizonte, elaborando grandes projetos residenciais e comerciais. Em 2014, Fabiana Andrade passou a fazer parte da equipe de um escritório para o qual fazia projetos destina-

dos a grandes eventos, como o Sesc no Parque; eventos corporativos para a Claro; importantes desfiles de moda, como o Minas Trend Preview e Minas Fashion Kids; projetos de pontos de venda como franquias de Bares Brahma e Skol para a AMBEV; ativações de marca para a Heineken, Coca Cola, Sympla, 99 táxis e POP; reforma do Camarote Premium do Estádio Mineirão, além de diversas “Varandas Urbanas” espalhadas por Belo Horizonte.

Fábrica de Ideias – Design e Engenharia Em 2019, Fabiana Andrade voltou à sua cidade natal, Resende Costa, e montou um escritório de design, arquitetura e engenharia, a Fábrica de Ideias, juntamente com a engenheira civil Pollyanna Nery, formada pelo Centro Universitário de Lavras. Entre em contato e faça uma visita à Fábrica de Ideias.

Rua Francisco Teófilo Pinto, 25, Asfalto. Resende Costa (MG)

Fabiana Andrade (ABD-30997) (32) 99939-3048

Pollyanna Nery (CREA MG-221210) (32) 99979-1061

Instagram@fdi.projetos Facebook@fabricadeideias.projetos www.fdiprojetos.com fabricadeideias.projetos@gmail.com

Fabiana Andrade, designer de interiores


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ANO XVI Nº 198 - OUTUBRO 2019

ESPORTE

VANUZA RESENDE

O percurso tem trilhas, estradas de terra e muitos desafios. O Enduro de Regularidade se diferencia das outras modalidades de enduros pelo fato do piloto precisar também de navegar, além de pilotar. Em provas de Enduro de Regularidade deve-se obedecer ao roteiro e às médias pré-estabelecidas pela organização. A verificação do desempenho do piloto é feita em PC’s (Postos de Controle), dispostos secretamente ao longo da prova, que registram o horário de passagem do piloto por determinados pontos. Durante as provas, o piloto precisa se orientar através das informações disponíveis em uma planilha contendo dados importantes sobre local certo e hora exata para passar pelos caminhos. Para cada segundo de atraso em relação ao tempo ideal o piloto perde um (01) ponto. Para cada segundo adiantado em relação ao tempo ideal o piloto perde três pontos. Regras que deixam a modalidade ainda mais emocionante. E tem pilotos resende-costenses que conhecem muito bem as regras, os desafios e os pódios de provas de Enduro de Regularidade. Guilherme Aires Costa Silva e Júlio Assis conquistaram o primeiro lugar em suas categorias na Copa Estrada Real de Enduro de Regularidade 2019. Guilherme conta sobre o seu envolvimento com o esporte: “Disputo Regularidade há dois anos e meio. O diferencial do Regularidade é que

não ganha o piloto que for mais rápido, mas, sim, o que conseguir seguir o mapa da prova e transpor todos os seus obstáculos no tempo programado. Existem diversas pegadinhas e trechos travados nas trilhas, que acabam beneficando os mais preparados e atentos”, explica o piloto, que venceu a competição na Categoria Júnior. A competição foi dividida em sete provas em cidades diferentes, com percursos distintos. Guilherme fala sobre o sistema de pontuação: “É uma espécie de campeonato de pontos corridos, em que os pilotos vão somando pontos no decorrer das etapas e o campeão é o que soma mais pontos. Corri seis das sete provas, conseguindo boas colocações em todas. Cada prova tem uma média de 100 a 150km”, explica. Se tem campeão na Categoria Júnior, a Cidade das Lajes também foi representada na Categoria Over – 40 anos. Júlio Assis conquistou o lugar mais alto no pódio com as suas participações na Copa. O piloto fala sobre a sua trajetória no esporte. “Comecei a fazer trilhas em 2001. Participei de várias provas de cross country, motocross, mas foi em 2004 que fiz o meu primeiro Enduro de Regularidade. Me identifiquei com o estilo da competição e nunca mais deixei de participar de corridas dessa modalidade”, conta. PREMIAÇÕES ALÉM DA COPA REAL Guilherme conta que se prepa-

rou muito durante todo o ano: “Treinava andando de moto todos os finais de semana e, durante a semana, fazia academia para melhorar meu condicionamento físico, pois estavam ocorrendo dois campeonatos (Copa Estrada Real e Campeonato Mineiro). Todas as provas exigiram muito preparo físico e acho que esse foi um dos meus diferenciais em relação aos demais concorrentes.” Além de ser campeão na categoria Júnior, o garoto ficou em segundo lugar no Campeonato Mineiro. Júlio fala sobre suas participações em outras competições: “O calendário esportivo de 2019 ja está finalizando e eu não tenho do que reclamar. Fui campeão das principais provas de enduro em Minas Gerais nesse ano: Enduro Ipês (Lavras); Ibitipoca Off Road (Juiz de Fora); Serra Canastra (Piunhi) e, por consequência, conquistei os títulos do Campeonato Mineiro e da Copa Estrada Real de Enduro do ano de 2019.” Em relação ao futuro, os pilotos planejam continuar disputando campeonatos. “Como eu fui campeão da Categoria Júnior, agora sou obrigado a subir para a Categoria Sênior, que é a segunda mais importante do enduro, atrás apenas da Master, na qual estão os pilotos de nível profissional”, planeja Guilherme. Júlio lamenta que o esporte não seja ainda muito divulgado e recebe pouco apoio, mas pretende continuar disputando e representando Resende Costa nas competições: “É uma pena que nossa modalidade esportiva é pouco

Fotos arquivos pessoais

Resende-costenses conquistam títulos na Copa Estrada Real de Enduro de Regularidade

Os pilotos resende-costenses Guilherme Aires e Júlio Assis participaram da Copa Estrada Real de Enduro de Regularidade

divulgada. Isso prejudica o apoio de bons patrocinadores. Não temos premiações em dinheiro e nenhuma ajuda de custo. Mas, com a ajuda da equipe Lajes off Road, consegui

representar bem nossa cidade nas provas de que participei. Que Deus continue me abençoando para poder continuar participando do esporte pelo qual sou apaixonado.”

Figueirense é eliminado na primeira fase do Campeonato Mineiro Segunda Divisão Tigre do Bom Pastor representou a região do Campo das Vertentes no campeonato estadual O Figueirense voltou ao futebol profissional. O time representou São João del-Rei e toda a região do Campo das Vertentes na Segunda Divisão do Campeonato Mineiro de 2019, mas não conseguiu passar da primeira fase. O Tigre do Bom Pastor, nos jogos de ida, empatou em 1x1 com o

Santarritense, perdeu de 2x0 para o Pouso Alegre e de 5x0 para a equipe do Atlético de Três Corações. No primeiro jogo da volta, o Figueirense venceu por 2x1 o Atlético de Três Corações e perdeu os dois últimos: por 1x0 para o Pouso Alegre e por 3x0 para o Santarritense. Com a campanha ruim, o Figueirense deu

adeus ao campeonato ainda na primeira fase e ao sonho de subir para o Módulo II do campeonato. O Campeonato Mineiro da Segunda Divisão começou no dia 10 de agosto com a participação de 15 clubes. O Pirapora desistiu da competição. Os times foram divididos em chaves com quatro equipes

cada. No final da fase da classificação, as duas melhores equipes de cada chave foram para as quartas de final: Pouso Alegre x Boston City; Betim Futebol x Inter de Minas; Mamoré x Sep. Patrocinense; Valadares x A.C Três Corações. Classificaram-se para as semifinais: Pouso Alegre x A.C Três Corações

e Mamoré x Betim Futebol. Agora as equipes disputam vagas para a grande final e garantem vaga para o Módulo II do ano que vem. O Módulo II é o passaporte para a primeira divisão do estadual. V.R.


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Edição 198 - Jornal das Lajes by Jornal das Lajes - Issuu